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Numero do processo: 18088.000948/2010-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 01/01/2010
PETIÇÃO RECURSAL INTEMPESTIVA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 01/01/2010 PETIÇÃO RECURSAL INTEMPESTIVA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 348 1 347 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000948/201098 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.743 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. Recorrente ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DE ARARAQUARA AEA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 01/01/2010 PETIÇÃO RECURSAL INTEMPESTIVA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 09 48 /2 01 0- 98 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18088.000948/201098 Acórdão n.º 2803002.743 S2TE03 Fl. 349 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.276.6242, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores considerados empregados e contribuinte individuais, que prestaram serviços a pessoa jurídica, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 20 a 23, com período de apuração de 07/2005 a 12/2009, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 43 e 44. O Auto de Infração é composto pelos levantamentos denominados CI – CONTR REF CONTR INDIVIDUAIS, período 12/2005 a 11/2008; C2 CONTR REF CONTR INDIVIDUAIS, período 12/2008 a 12/2009; L1 – CONTR REF EMPREGADOS, período 12/2005 a 11/2008 e L2 – CONTR REF EMPREGADOS, período 12/2008 a 12/2009, conforme Relatório Discriminativo Débito – DD, de fls. 04. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/12/2010, AR, de fls. 48. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 50 e 51, recebida, em 21/01/2009, com razões, as fls. 52 a 70, acompanhada dos documentos, de fls. 71 a 194; 197 a 307. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 308 e 309. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1247.230 13ª, Turma DRJ/RJI, em 11/06/2012, fls. 337 a 350. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 31/08/2012, Histórico de Objeto, de fls. 328. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 330, com razões recursais, as fls. 331 a 341, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora considerou o recurso INTEMPESTIVO, fls. 346 e 347. Os autos subiram ao CARF, fls. 346. É o Relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18088.000948/201098 Acórdão n.º 2803002.743 S2TE03 Fl. 350 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é intempestivo, e, ainda, que tenha ocorrido o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade a intempestividade não permite sua apreciação. Verificase dos autos, do Histórico de objetos, de fls. 328, que o contribuinte tomou conhecimento da decisão a quo, em 31/08/2012. Embora, não conste dos autos a data de impetração do recurso é possível averiguar que o prazo legal para sua apresentação foi extrapolado. A petição recursal, de fls. 330, está datada, de 10/10/2012, além disso consta desta peça um selo notarial de reconhecimento de firma, datado, de 11/10/2012. Destarte, a recorrente só poderia apresentar o recurso voluntário, em 11/10/2012, ou depois dessa data, porém como tomou conhecimento da decisão a quo, em 31/08/2012, o recurso interposto é intempestivo. Desta forma, impetrado o recurso voluntário, com o trintídio legal esgotado. Por não ter sido ultrapassado o requisito de admissibilidade, não há razão para apreciação do recurso. Este é o motivo pelo qual, as razões recursais não foram sumariadas. Posto isto, não há razão para conhecer dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003191/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/09/2002 a 14/07/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Constatado que os fatos descritos no auto de infração não se subsumem à norma legal tipificadora da conduta infracionária, é incabível a exigência da multa cominada.
Numero da decisão: 3402-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA. Designada a Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA para redigir o voto vencedor.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente-substituto
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente).
O Presideten-substituto da Turma assina o Acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/09/2002 a 14/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. Constatado que os fatos descritos no auto de infração não se subsumem à norma legal tipificadora da conduta infracionária, é incabível a exigência da multa cominada.
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Recorrida DRJ em JUIZ DE FORA (MG) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/09/2002 a 14/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. Constatado que os fatos descritos no auto de infração não se subsumem à norma legal tipificadora da conduta infracionária, é incabível a exigência da multa cominada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA. Designada a Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidentesubstituto SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 31 91 /2 00 7- 26 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 484 2 O Presidetensubstituto da Turma assina o Acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 485 3 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento de obrigações tributárias, foi detectada infração capitulada como "Descumprimento de obrigações acessórias pelo adquirente ou depositário — Multa lançada — Saídas de veículo com isenção para Táxi sem autorização devida da SRF", gerando a lavratura de auto de infração para aplicação de multa regulamentar no valor de R$ 25.916,38. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 08/10, parte integrante do auto de infração, está explicitado a infração detectada e registrado que por força dos artigos 1° e 2° da Lei n° 8.137/90 e de acordo com o que determinam as Portarias SRF n° 2.752/01 e nº 1.279/02, lavrouse a Representação Fiscal para Fins Penais (processo n° 10660.003192/200771). O interessado apresentou impugnação, às fls. 64/88, onde alega, em síntese, que: 1) o dispositivo legal que fundamenta a imposição da multa se encontra revogado; 2) não pode haver presunção de que agiu com dolo, razão pela qual não pode ser aplicada multa qualificada; 3) a acusação em cotejo é atípica, uma vez que depende de desfecho de eventual lide administrativa na qual foi imposto ao fornecedor dos veículos penalidade pela suposta infração ao art. 488 do RIPI. Nesse sentido traz ementas de acórdãos do 2° CC. Decisões contraditórias violariam o princípio da moralidade; 4) é incabível sua punição por eventual erro da empresa fornecedora em relação ao lançamento de IPI na nota fiscal, sendo que este gravame não vem previsto na Lei 4.502/64; 5) na condição de não contribuinte do IPI, não pode ser apenada já que sua conduta não importa em falta de arrecadação do imposto em comento; 6) sendo o taxista o beneficiário da isenção do IPI/Táxi e, se o veículo vendido de fato foi destinado a um taxista, que fazia jus à isenção do IPI, não há fundamento para a cobrança do tributo; 7) não incide juros de mora sobre a multa de ofício. A Segunda Turma da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0121972, para reduzir o percentual da multa de ofício, em vista da não comprovação da conduta dolosa. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 486 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/09/2002 a 14/07/2004 MULTA ISOLADA. A inobservância das prescrições contidas em lei, pelos adquirentes e depositários de produtos isentos, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada. MULTA QUALIFICADA (150%). Não restando caracterizada a intenção dolosa da contribuinte, não cabe a qualificação da multa, devendo essa ser exigida no percentual de 75%. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. As alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade fogem à competência dessa instância administrativa.. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Termina sua petição recursal, requerendo que seja cancelada a autuação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Revogação do Dispositivo Legal que fundamenta a Multa. Reclama o recorrente que o inciso II do art. 80 da Lei nº 4.502/64 foi revogado pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, o que resultaria em abolitio criminis, levando ao cancelamento do auto de infração. Entendo que a revogação promovida pela Lei nº 11.488/2007 não tirou a tipicidade da conduta praticada pelo sujeito passivo, apenas modificou a posição física da conduta na lei, explico: O instituto da abolitio criminis ocorre quando uma lei nova trata como lícito fato anteriormente tido como ilícito, ou melhor, quando a lei nova descriminaliza fato que era considerado infração. Segundo os princípios que regem a lei penal no tempo, a lei abolicionista Fl. 334DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 487 5 é norma penal retroativa, atingindo fatos pretéritos, ainda que acobertados pelo manto da coisa julgada. Contudo, nem sempre a revogação formal de uma infração precedente significa abolitio criminis, pois a lei nova revogadora pode prever a mesma conduta antes tipificada, apenas trocando sua roupagem (princípio da continuidade normativotípica), ou seja, o que era proibido continua sendo. É exatamente o que ocorre nestes autos, como bem disse o voto repelido, (...) com base na legislação que alterou os dispositivos vigentes na data da ocorrência do fato gerador, suporte legal do artigo 488 do RIPI/2002, combinada com os artigos 492 e 266 e §§ do RIPI/2002, permanece em vigor a multa de 150% para infração discriminada nos autos, ou seja: não houve revogação ou alteração da multa aplicável à conduta detalhada pelo Fisco. Houve modificação na sua apresentação. Para definição de igual infração antes tínhamos Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45 e hoje temos Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, inciso II, e Lei n° 11.488/2007. Na linha do entendimento fixado, afasto a alegação de que a conduta praticada pelo sujeito passivo deixou de ser tipificada como infração a legislação tributária, o que provocaria o cancelamento do auto de infração em vista da retroatividade benigna. Erro na Sujeição Passiva Em resumo, o recorrente alega que acusação é improcedente porque é incabível sua penalização por eventual erro da empresa fornecedora em relação ao lançamento do IPI na Nota Fiscal, sendo que este gravame não vem previsto na Lei n° 4502/64. Reclama, ainda, que na condição de não contribuinte do IPI não poderia ser apenada já que sua conduta não importa em falta de arrecadação do imposto em comento. Finaliza, com o fundamento de que o beneficiário da isenção do IPI/Táxi é o taxista, motivo pelo qual se o veículo vendido foi, de fato, destinado a um taxista, que fazia jus à isenção do IPI, não há base para a cobrança do tributo. Tais alegações não resistem a exegese dos artigos que sustentaram o lançamento tributário, senão vejamos: O auto de infração teve como sustentáculo legal os artigos 461, item II, e seu § 1º, item I, e art. 465 c/c o artigo 248, todos do RIPI/98, que abaixo transcrevo, in verbis: Art. 248. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 488 6 prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 2º A comunicação feita com as formalidades previstas no parágrafo anterior exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria pela irregularidade verificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 3º No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). § 4º A declaração, na nota fiscal, da data da entrada da mercadoria no estabelecimento será feita no mesmo dia da entrada. (...) Nos termos do art. 248 do RIPI/98, os fabricante, os comerciantes e os depositários que receberem ou adquirirem produtos tributados ou isentos terão a obrigação de verificar se todos os produtos estão acompanhados dos documentos exigidos e se satisfazem a todas as exigências do Regulamento do IPI. Define que, ao encontrar qualquer irregularidade, deverão comunicar por escrito o fato ao remetente da mercadoria, no prazo de oito dias, devendo guardar cópia do documento como prova de seu recebimento. Essa comunicação eximirá de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria com irregularidade identificada. Por derradeiro, o § 3º deste artigo imputa responsabilidade pelo pagamento do imposto ao recebedor de mercadoria que venha desacompanhada do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço. Art. 461. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964. art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45). § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º); Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 489 7 I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem, ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso I); II os que transportarem produtos tributados ou isentos, desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso III); III os que possuírem, nas condições do inciso anterior, produtos tributados ou isentos, para venda ou industrialização (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso IV); IV os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso V). (...) Art. 465. A inobservância das prescrições do art. 248 e de seus §§ 1º e 3º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 82). O art. 465 do RIPI/98 imputa aos adquirentes e aos depositários de produtos tributados pelo IPI ou mesmo os isentos do tributo, as mesmas penas cominadas ao industrial pela infração à legislação do imposto. Ou seja, mesmo não sendo contribuintes do IPI, os adquirentes e os depositários de produtos tributados pelo imposto, ou de produtos isentos da exação, poderão responder pelo tributo devido e não adimplido e pelas sanções previstas em lei. Retornando ao caso em questão, transcrevo a descrição dos fatos jurídicos e que ensejaram a feitura do auto de infração, in verbis: Em relação a isenção do IPI na aquisição de veículo de passageiros a ser utilizado na exploração do serviço de aluguel (táxi), a Lei n° 8.989, de 24 de dezembro de 1995, com as alterações efetuadas pelo art. 29 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, pela Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, pelo art. 40 da Medida Provisória d 75, de 24 de outubro de 2002, pelo art. 2° da Medida Provisória d 94, de 26 de dezembro de 2002, pelo art. 2° da Lei n° 10.690, de 16 de junho de 2003 e, finalmente, pela Lei n° 10.754, de 31 de outubro de 2003, estabeleceu as condições e os requisitos para sua concessão, estabelecendo no seu art. 3º que: "Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos na lei." 2.4. Em virtude do disposto no transcrito art. 3º da Lei n° 8.989/1995, a SRF (hoje, SRFB) editou, no período de 2000 a 2005, a IN SRF n° 031/2000, revogada pela IN SRF n° 292/2003, revogada pela vigente IN SRF n° 353/2003, Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 490 8 disciplinando a aquisição, com isenção de IPI, de veículo destinado ao transporte de passageiros (táxi)"; 2.5. O art. 6° da IN SRF n° 353, de 2003, assim como anteriores, dispõe como normaque a saída de veículo (táxi) com isenção do IPI somente poderá ser efetuada pelo industrial ou estabelecimento equiparado a industrial quando estiver de posse de autorização emitida pela SRF (hoje SRFB), uma vez que este é o documento que, em consonância com o art. 179 do CTN e art. 3° da Lei nº 8989/1995, reconhece que o taxista identificado na autorização faz jus à aquisição de veículo (táxi) com isenção de IPI por ter o mesmo feito prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a concessão da isenção. Em relação ao fabricante procedeuse a auditoria de IPI/Táxi para verificação de saída a veículos com o beneficio em tela sem estar de posse da indispensável autorização da SRF para isenção de IPI/Táxi, em desrespeito flagrante à condição estabelecida pelo citado art 6° da Instrução Normativa SRF n° 31 de 23 de março de 2000, acima referido. O fabricante é responsável a pagar os valores do IPI devidos com multa e acréscimos legais. A concessionária deveria encaminhar à montadora a 1º via da autorização de isenção reconhecida pela Secretaria da Receita Federal, e a montadora, de posse dessa autorização inserir na nota fiscal de saída da fábrica, no campo informações complementares, o nome do taxista, entre outros, em vista do disposto no §1° do artigo 6° da IN SRF n° 31/00. No caso de entrada irregular a concessionária deveria comunicar o fabricante as irregularidades no prazo previsto no § 1º do artigo 248 do RIPI/98 (ou o § 1º do artigo 266 do RIPI/02). Entretanto, de acordo com as notas fiscais de fábrica, as autorizações da SRF de isenção na aquisição de veículos para táxi e notas fiscais de saídas apresentadas pela concessionária (doc. De fls. 25 a 54) e discriminado na planilha demonstrativa da multa (doc. de fls. 11), constatase que os nomes dos beneficiários das isenções, indicados no campo informações complementares das notas fiscais emitidas pela montadora, são diversos dos nomes dos reais adquirentes dos veículos, como também foram emitidas notas fiscais sem que a montadora tivesse em mãos as autorizações da SRF para que os motoristas profissionais adquirissem os táxis com isenção de IPI. Também as autorizações da SRF para fabricação com isenção em nome dos taxistas destinatários, em poder da concessionária e para os quais foram efetivamente vendidos os veículos, constam datas posteriores à saída dos veículos da fábrica. E ainda no caso das entradas irregulares a concessionária não comunicou o fabricante as irregularidades, no prazo de oito dias. Deduzse que foi uma prática adotada pelo fabricante, com aquiescência ou participação da própria concessionária. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 491 9 Conforme relato da Autoridade Fiscal, na diligência feita no estabelecimento da recorrente, foram identificadas irregularidades à legislação do IPI. Tais irregularidades levaram ao não pagamento do tributo. Essas anomalias deveriam ter sido informadas ao fabricante, fato que eximiria a concessionária do pagamento do tributo e das sanções previstas em lei. Contudo, consta que não houve referida comunicação, o que possibilitou a imputação das infrações para a recorrente. Diante desse quadro, entendo que a concessionária está sujeita as penas pelas infrações detectadas à legislação do IPI, mesmo não sendo contribuinte do tributo, por força do art. 82 da Lei nº 4.502/1964. Neste norte, concluo pela correta subsunção dos fatos jurídicos à dicção legal apresentada no acórdão repelido. Juros Sobre a Multa de Ofício Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio O art. 161 do Código Tributário Nacional determina que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito",. Seu § 1º determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de lançamento de oficio da Multa Regulamentar ela faz parte do "crédito tributário" e seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de julho de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 492 10 Adoto o relatório elaborado pelo I. Conselheiro relator, entretanto, do seu voto divirjo e passarei a expor as razões dessa divergência, que, ao cabo, reduzemse na impossibilidade de subsunção dos fatos à norma descritora da conduta infracionária. Notese que, no cotejo da situação fática relatada nestes autos com a norma legal invocada pela fiscalização como tipificadora da conduta, depreendese que a montadora dos veículos, os quais seriam isentos em virtude da condição subjetiva dos seus adquirentes, emitira de forma irregular as notas fiscais de saída dos veículos para a concessionária aqui autuada. Assim, conquanto a irregularidade na emissão das notas fiscais tenha sido cometida pela montadora, por força do art. 465 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – Regulamento do IPI (Ripi/98), cuja matriz legal é o art. 82 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, foi atribuída a responsabilidade pela irregularidade à concessionária. Vejamos então os dispositivos legais de enquadramento do auto de infração. Primeiro, a infração, que, não se pode olvidar, fora cometida pela montadora, estaria tipificada no art. 461 do Ripi/98 e a multa correspondente seria a cominada no inc. II desse mesmo artigo, combinado ainda com o seu § 1º, inc. I, os quais transcrevemse: Art. 461. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45): I – setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , inciso I, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45); II – cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , inciso II, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 45). § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80, § 1º): I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem, ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 80 , § 1º, inciso I); (...) Já a responsabilidade da ora recorrente seria por inobservância, como depositária dos veículos, do art. 248 e de seus parágrafos 1° e 3°, que estabelecem, ipsis litteris: Art. 248. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 493 11 depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 2º A comunicação feita com as formalidades previstas no parágrafo anterior exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria pela irregularidade verificada (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 3º No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 62, § 2º, e Lei n.º 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). (...) Ora, considerando que os veículos recebidos pela concessionária não estão sujeitos a rotulagem, marcação ou selo de controle e que foram remetidos acompanhados dos documentos exigidos em lei, só se pode concluir que a acusação é de que tais documentos não satisfariam todas as prescrições do Ripi/98. Contudo, a fiscalização não indicou objetivamente qual a prescriçãoo do Ripi/98 não teria sido cumprida e, ao se examinarem as cópias das notas fiscais anexadas a estes autos, não se verifica nenhuma irregularidade. O que se pode dizer, tendo em vista que há nos autos informação de que os veículos foram adquiridos por motoristas profissionais, na forma do art. 1° da Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, é que a falta cometida pela concessionária foi vender a pessoas diversas das identificadas nas notas fiscais emitidas pela montadora os veículos recebidos. Ocorre que, ademais de não se ter notícia da tipificação dessa conduta e certamente por isso mesmo, não foi essa a acusação fiscal, que, frisese, foi de recebimento dos veículos pela concessionária com irregularidade nas notas fiscais emitidas pela montadora, sem que a concessionária tivesse comunicado tais irregularidades à montadora, no prazo legal, para eximirse de responsabilidade. Nesse ponto, cabe registrar que não se ignoram as prescrições do art. 9° da Lei n° 4.502, de 1964, entretanto, o que se observa neste caso é a incidência de isenção objetiva mesmo, visto que dada ao veículo, conforme art. 1° da Lei n° 8.989, de 1995, vinculada às condições objetivas de seu adquirente e, salientese, está comprovado nesse processo que os efetivos adquirentes dos veículos em questão satisfazem tais condições. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10660.003191/200726 Acórdão n.º 3402001.851 S3C4T2 Fl. 494 12 Pelas razões expostas, concluo não haver subsunção dos fatos à norma legal invocada e, por isso, divirjo do I. Conselheiro relator e voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916979/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/09/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/09/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 79 /2 00 9- 13 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 94/101), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação da interessada formalizada contra a não homologação de compensação de reclamados créditos pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 5.364,57, recolhido em 19/09/2001. A compensação não foi homologada sob o fundamento de que, inerente ao pagamento em tela, não havia nenhum crédito disponível para compensação, pois o recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde afirmou ser entidade fechada de previdência complementar e que se equivocara no cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico apresentado, equívoco este repetido na DCTF correspondente, onde fora declarado como débito o valor indevidamente recolhido a maior. Ressaltou, ainda que os equívocos nas declarações não criam tributos, não podendo, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2001. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2001. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 08/10/2011 (fls. 105). Inconformada, a autuada apresentou, em 08/11/2011 (v. fls. 115 e 128), o recurso voluntário de Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.916979/200913 Acórdão n.º 3802002.040 S3TE02 Fl. 131 3 fls. 107/114, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior do imposto, ressaltado ainda: a) que, no caso concreto, teria havido a autorização do contribuinte de direito para que a fonte pagadora recorrente pleiteasse a restituição do indébito, inclusive com registro dos créditos pleiteados no passivo contábil perante os participantes; b) que, no preenchimento da última DCTF entregue à Receita Federal, a manifestante equivocouse em seu preenchimento e não demonstrou a existência de crédito de IOF em setembro de 2001; contudo, referido crédito poderia ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade; c) cita respeitáveis entendimentos doutrinários para defender que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerada receita do Estado; e, d) ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do CPC. O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apuração do indébito e comprovação da regularidade da compensação acaso as provas acostadas aos autos sejam consideradas insuficientes para a demonstração do direito reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, nos termos acima propostos. O sujeito passivo acostou aos autos, em sede do presente recurso, expedientes internos e impressos do “razonete” da conta “recuperação de créditos IOF s/empréstimos”, bem como do “balancete. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 08/10/2011 (fls. 105). Por sua vez, o recurso voluntário foi postado nos Correios em 08/11/2011 (v. fls. 115 e 128), tempestivamente, portanto. Além disso, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática. Assevera ainda que a natureza do erro em que teria incorrido seria insuficiente para criar Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida em tal condição. De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria privada acompanhado de uma planilha de cálculo, além de expedientes internos que noticiam o reclamado pagamento a maior do imposto. Tal documentação não pode substituir a escrituração contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Assim, manifestome no sentido de rejeitar a diligência pretendida. Especificamente em relação aos pedidos de reconhecimento de indébitos relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em sintonia com o disposto no artigo 61 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no do artigo 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.916979/200913 Acórdão n.º 3802002.040 S3TE02 Fl. 132 5 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Assim, em face da natureza do crédito pleiteado, além da necessidade de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado, a recorrente deveria também demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como que providenciou, juntamente com a contribuinte que sofreu a retenção, os estornos dos lançamentos contábeis e as retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o não ocorreu, conforme anteriormente explicitado. Para tanto, não são suficientes os expedientes internos e as decisões do Conselho Deliberativo, muito menos os impressos do “razonete” da conta “recuperação de créditos IOF s/empréstiimos” e do “balancete” (com a correspondente escrituração da citada conta), os quais, segundo a recorrente, provariam a autorização do contribuinte de direito para que a fonte pagadora pleiteasse a restituição do indébito. Tais documentos não são minimamente suficientes para fazer prova nesse sentido, nem satisfazem às exigências legais para a repetição de indébito por quem fez retenção tributária na condição de responsável. Tudo isso está em sintonia com o disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.894/94, segundo o qual o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito, combinado com o artigo 166 do CTN, que exige que a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, seja instruída com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente autorizado por quem efetivamente suportou o imposto. No mais, resta claro que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisitos indispensáveis à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725898/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/06/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - LIMITE DA SENTENÇA
Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação dos valores acima dos limites estipulados na sentença.
A contribuição destinada a terceiros possui destinação próprio, razão não é considerada em relação as contribuições previdência contribuições de mesma natureza.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/06/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - LIMITE DA SENTENÇA Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação dos valores acima dos limites estipulados na sentença. A contribuição destinada a terceiros possui destinação próprio, razão não é considerada em relação as contribuições previdência contribuições de mesma natureza. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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LIMITE DA SENTENÇA Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação dos valores acima dos limites estipulados na sentença. A contribuição destinada a terceiros possui destinação próprio, razão não é considerada em relação as contribuições previdência contribuições de mesma natureza. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS APRECIAÇÃO INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 98 /2 01 1- 90 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 51.014.1617 tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma, no período de 11/2009 a 06/2011. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 12: na ação fiscal foi constatado que a empresa declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, compensações que foram deduzidas dos recolhimentos constantes das Guias da Previdência Social – GPS durante o período de 11/2009 a 06/2011. Em análise aos relatórios, planilhas e documentos apresentados, a auditoria fiscal constatou que a S/A Rádio Guarani procedeu às respectivas compensações, mediante aproveitamento de tributo ainda em disputa judicial nos processos de números 2009.34.00.0199436 e 2009.34.00.019948 4, em que a empresa Autora pede o direito de não recolher contribuições previdenciárias incidentes sobre partes integrantes dos saláriosde contribuição de seus empregados, entre elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias. Dentre os relatórios e documentos apresentados pela empresa, não consta a certidão de trânsito em julgado solicitada item 2.3 do TIF 001. A pesquisa e consulta processual efetuada em 05/12/2011, confirma que não houve decisão transitada em julgado nas ações judiciais processos números 2009.34.00.0199436 e 2009.34.00.0199484. Desta forma, não havendo decisão transitada em julgado e não havendo crédito líquido e certo em favor do contribuinte, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base no Art. 170A e 170 da Lei Nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 – DOU de 27/10/1966 Código Tributário Nacional e Art. 89 da Lei 8.212, Da referida decisão a impugnante interpôs recurso de Apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, obtendo decisão favorável, conforme ementa e acórdão de 27/04/2004, publicada em 09/06/2004. A decisão determinou também que “O indébito deve ser corrigido monetariamente pela UFIR e, a partir de 01/01/1996, de acordo com a variação da Taxa Selic. Consoante o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95”(fls. 142). Na seqüência, a União interpôs Recurso Especial(REsp), para o qual foi negado seguimento. Através de Agravo de Instrumento ao STJ foi requerida a reforma da decisão negativa de seguimento e a remessa dos autos com o Recurso Especial para apreciação pela Corte Superior. No STJ, o Agravo de Instrumento recebeu o número 668.381/RS, atribuído à relatoria da Exma. Sra. Min. Eliana Calmon, que, ao apreciar a questão, deu provimento ao recurso, para determinar o seguimento do REsp ao STJ para análise e julgamento. Os autos foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça STJ, tendo sido, após recebido somente com efeito devolutivo, o número REsp n°. 768.255/RS, atribuído novamente à Relatoria da Exma. Sra. MM. Eliana Calmon. A Corte Superior, mantendo o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, declarou ilegal e inviável a exigência das ditas contribuições ao INSS, nos seguintes termos(fls. 152/158). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Descreveu, ainda a autoridade fiscal em seu relatório 3 Da Responsabilidade Solidária. 3.1 Concomitantemente à auditoria fiscal procedida junto à S/A Rádio Guarani, foram realizadas auditoria fiscal nas empresas S/A Estado de Minas – CNPJ: 17.247.933/000180 e Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda CNPJ: 17.247.925/000134. 3.2 Através dos trabalhos desenvolvidos pela auditoria fiscal, restou configurada entre as empresas S/A Rádio Guarani, S/A Estado de Minas e Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda a figura do Grupo Econômico que se caracteriza pela manutenção de direção, controle ou administração comum nas empresas, vinculandose umas às outras. 3.2.1 A gestão administrativa das empresas é centralizada no mesmo endereço citase a Av. Getúlio Vargas, 291 Funcionários, Belo HorizonteMG, é praticada por alguns dos dirigentes e pessoal administrativo comuns a todas as empresas e tem sua contabilidade mantida sob a responsabilidade técnica contábil da mesma profissional. Os planos de conta contábil e de folha de pagamento das empresas têm a mesma nomenclatura, estrutura e padrão. 3.2.2 As empresas realizam operações financeiras entre si através de contratos e lançamentos contábeis de mútuos. 3.2.3 Além da gestão administrativa centralizada, as empresas seguem ainda, a mesma orientação jurídica, à medida que, ajuizaram ações ordinárias tributárias à mesma época, constituídas pelos mesmos advogados e visando os mesmos objetos. Iniciaram aos procedimentos de compensações (indevidamente) através de aproveitamento do tributo, objeto das contestações judiciais em tramitação, sem decisão transitada em julgado a partir da mesma competência 09/2011, apurandoas sob os mesmos critérios e contabilizandosas sob os mesmos títulos e contas contábeis. Em relação ao Termo de Intimação Fiscal Nº 001, solicitaram dilatação de prazo para atendimento e atenderam, através de relatórios e documentos similares, na mesma data. Fazem parte integrante deste relatório fiscal os relatórios, planilhas e documentos apresentados pelas 03 (três) empresas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal Nº 001. 3.3 Na forma do que neste relatório ficou demonstrado e nos termos da legislação a seguir, restou caracterizada a sujeição passiva solidária entre as empresas S/A Rádio Guarani, S/A Estado de Minas e Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2011. Foi anexada cópia da ação judicial em nome da empresa S.A ESTADO DE MINAS, fls. 107 a 152. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 163 a 171 (Sociedade Radio e Televisão Laterosa Ltda), fls. 205 a 213 (S/A Estado de Minas), 249 a 282(AS Radio Guarani). Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 4 5 Foi anexada a decisão de primeira instância, fls. 299 a 333, quanto aos questionamentos acerca da incidência de contribuição previdenciária, tendo obtido deferimento parcial para afastar a incidência dos primeiros 15 dias de afastamento por motivo de doença, bem como sobre 1/3 de férias. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 337 a 351 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. COMPENSAÇÃO. GLOSA. A compensação entre crédito e o débito tributário efetiva se por iniciativa do contribuinte, mas no âmbito de tributo lançado por homologação sujeitase à posterior verificação da autoridade fiscal. A compensação feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 374 a 406, onde argumenta em síntese: A Sociedade Rádio e Televisão Alterosa S. A e a AS Estado de MInas apresentaram recurso praticamente identicos onde destacam: 1. Alegam que a autuação não pode prevalecer porque não possui interesse comum na hipótese de incidência da exação, não preenchendo, dessa maneira, os requisitos do artigo 124, do CTN. 2. Assevera que a Constituição da Republica de 1988 outorgou às leis complementares a função de regular a solidariedade nos termos do artigo 145, inciso II, alínea “b”, sendo assim seria inviável a aplicação da solidariedade de direito prevista no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991. 3. Aduzem que a solidariedade somente se revelaria aplicável em caso de fraude e de abuso da personalidade jurídica, nos termos do artigo 50 do Código Civil. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 4. Dissertam acerca da solidariedade de fato e da solidariedade de direito e aponta que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de demonstrar que havia interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal a cargo da S.A Rádio Guarani. 5. Afirmam que não restou demonstrada a sua participação ou sua realização na situação que constitui o fato jurígeno do débito pela S. A Rádio Guarani. 6. Alegam que o simples fato de pertencer ao mesmo grupo econômico não é situação suficiente para a aplicação da responsabilidade solidária prevista no artigo 124 do CTN. Cita jurisprudência. 7. Apontam que o CTN não revogou em momento algum, para fins de responsabilidade tributária, a distinção entre as pessoas jurídicas. 8. Requerem seja julgada procedente a impugnação para anular a atribuição da responsabilidade solidária que lhe foi imputada. Já A empresa AS Radio Guarani, apresenta em seus recurso os mesmos argumentos já trazidos na impugnação, quais sejam: 9. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA/GRUPO ECONÔMICO Alega que os elementos apontados pelo Auditor Fiscal não demonstram de forma inequívoca a necessária vinculação e subordinação entre a impugnante e as demais empresas capaz de caracterizar a figura do grupo econômico. 10. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 ao prever a responsabilidade solidária pela existência de grupo econômico recaiu em patente inconstitucionalidade já que a teor do disposto no artigo 146, inciso II, alínea “b”, da Constituição da República de 1988, tal matéria deveria ter sido tratada por Lei Complementar. 11. Aduz que diante disso, inexiste norma legal válida para fundamentar atribuição de responsabilidade solidária pela hipótese de grupo econômico entre a impugnante e as demais empresas e não houve a indicação precisa sobre qual dos incisos do artigo 124, do CTN Assevera que o artigo 124 do CTN não estabeleceu como hipótese de responsabilidade solidária a figura do grupo econômico. 12. Aduz que mesmo que se entenda pela constitucionalidade do disposto na Lei nº 8.212/1991 é necessária a comprovação cabal que, entre as referidas empresas, restou configurado o grupo econômico. Cita doutrina. 13. Acrescenta que não exerce qualquer controle e administração sobre as demais empresas, inclusive, no que diz respeito a condução das atividades destas, não havendo entre elas relação de dependência. 14. Afirma que não restou configurado o interesse comum das empresas na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal pois as empresas não tiveram qualquer participação na ocorrência do fato imponível. Cita doutrina. 15. Conclui afirmando que, por ausência de elementos concretos para caracterização do grupo econômico devese afastar a responsabilidade solidária entre as empresas Sociedade Rádio e Televisão Alterosas Ltda. e S/A Rádio Guarani. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 5 7 16. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Disserta sobre mora e suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cita doutrina e legislação. 17. Afirma que não restam dúvidas que o caso concreto se relaciona a crédito tributário com exigibilidade suspensa, devendo ser afastada a cobrança da multa aplicada e, consequentemente, ser anulado o Auto de Infração, diante de vício de natureza insanável. 18. Aduz que no presente caso estava suspensa a exigibilidade da exação, inicialmente, por força de determinação judicial e acrescenta que, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por quaisquer causas do artigo 151 do CTN não há se falar em mora ou qualquer multa de ofício ou moratória. 19. Assevera que como a matéria encontrase com sua exigibilidade suspensa em seu favor, o fisco deve observar obrigatoriamente o que dispõe o artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, podendo, se for o caso, lavrar o auto de infração somente para prevenir a decadência sem a cobrança da multa de ofício ou moratória. 20. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 170A DO CTN Alega que, apesar das ações judiciais (até o dia da impugnação) estarem pendentes de decisão definitiva, é fato que em primeira instância os pedidos foram julgados parcialmente procedentes Afirma que a Lei nº 8.383/1991, artigo 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização pela administração tributária, que independe de prévia autorização judicial ou administrativa, enquanto que os artigos 170 e 170A do Código Tributário Nacional CTN cuidam de outra modalidade de compensação realizada pelos agentes fiscais, a pedido do contribuinte, e que extingue crédito tributário já constituído. Cita doutrina e jurisprudências que considera capazes de corroborar essa alegação. 21. Aduz que as demandas judiciais que propôs não buscaram autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária fosse efetuada antes ou depois do trânsito em julgado da decisão, pois tal permissivo já está contido no artigo 66, da Lei nº 8.383/1991. Acrescenta que pleiteou apenas a devida proteção judicial contra a aplicabilidade do artigo 170A do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. 22. Conclui que é impossível condicionarse a compensação ao trânsito em julgado dos feitos, afastandose, por completo, a aplicação do artigo 170A do CTN. 23. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS COMPENSADOS Aponta que ao se atribuir aos contribuintes o ônus da prova em contrário nos casos em que haja eventual recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação exigida pelo fisco, conferiuse aos contribuintes o direito à ampla defesa e ao contraditório. 24. Afirma que ao ser intimada para apresentação dos documentos listados no TIF nº 001, o auditor fiscal, sem conferir qualquer oportunidade para apresentação de documentos adicionais que entendesse necessários para apurar as verbas, resolveu autuarlhe de pronto. 25. Alega que ao agir desse modo, considerandose a complexidade da apuração dos dados requisitados, o presente Auto de Infração deve ser anulado sob pena de ofensa ao direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 26. Assevera que caso o órgão julgador entenda de forma contrária, a autuação merece ser revista, procedendose à realização de diligência conforme Decreto nº 70.235, artigo, 16, inciso IV. 27. Afirma que obteve a tutela antecipada para suspender a exigibilidade do crédito nas ações a que se referem o relato fiscal, cuja decisão fora confirmada em sentença e pelo Tribunal Regional Federal, o que, nos termos da legislação em vigor, impede a aplicação de multa de mora sobre eventual crédito tributário lançado pela autoridade fazendária. 28. Conclui que se estava obstada e ainda está a prática de qualquer ato administrativo de constituição do crédito relativo a contribuição previdenciária sobre 1/3 férias, aviso prévio indenizado, sobre os primeiros 15 dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, o lançamento levado à efeito está viciado, devendo ser anulado. 29. Acrescenta que ainda que se considere a argumentação no sentido de que a decisão judicial não é capaz de obstar a realização do lançamento do crédito tributário, mas somente a sua exigibilidade, o presente Auto de Infração carrega vícios de natureza insanável: não poderia ter sido aplicada qualquer penalidade. 30. EXACERBAÇÃO DA MULTA/PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO Assevera que considerado os princípios constitucionais que regem a tributação, o parâmetro utilizado para apuração da multa aplicada deve ser afastado ante seu evidente caráter confiscatório. 31. Aduz que como estão ausentes qualquer intenção de fraude ou dolo, justificase redução da sanção pecuniária em atendimento do disposto na Súmula 14 do 1º Conselho de Contribuintes. 32. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Alega que inexistem razões para o prosseguimento da representação fiscal para fins penais pois os créditos tributários exigidos são totalmente controversos, razão pela qual impõese a imediata suspensão dos efeitos da referida representação até o final do julgamento da presente impugnação. 33. Requer seja o recurso recebido, suspendendose a exigibilidade dos supostos débitos aqui discutidos. Sejam homologadas as compensações declaradas nas GFIPS para que a requerente não seja compelida ao recolhimento indevido dos supostos débitos A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 690 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO GRUPO ECONÔMICO O primeiro ponto questionado tanto pela empresa autuada, como em relação as indicadas como solidárias, é que o simples fato de pertencer ao grupo econômico, não é suficiente para determinar a solidariedade sobre os débitos lavrados. Aduzem que a solidariedade somente se revelaria aplicável em caso de fraude e de abuso da personalidade jurídica, nos termos do artigo 50 do Código Civil. Quanto a este ponto e os demais trazidos nos recursos entendo que razão não assiste aos recorrentes. Conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em sendo constatado que a administração de empresas é realizada de forma centralizada, por um sócio comum entre as mesmas, ou mesmo não figurando expressamente como sócio, exerça a direção de fato sobre as mesmas, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Senão vejamos os dispositivos legais. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 7 11 Os próprios recorrentes destacam a existência de grupo econômico, assim, correto o posicionamento da autoridade fiscal, que atribuiu responsabilidade solidaria a todos os membros do grupo, conforme determina a legislação. Aqui não se faz necessário a demonstração de fraude, conforme argmenta o recorrente, bastando a existência de um grupo para que todos possam vir a responder pelo débito lançado. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu entendimento não merece acolhimento, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação ,bem assim, na decisão recorrida, e n róprio recurso das empresas autuadas, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos (inclusive buscando judicial os mesmos interesses em relação a não incidência de contribuições sobre as verbas ora glosadas), na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. DO MÉRITO Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise dos relatórios, planilhas e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo ainda em disputa judicial nos processos 2009.34.00.0199436 e 2009.34.00.0199484. Nesses processos pedese o direito de não recolher contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias (remuneração relativa aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias). Ao observarmos o andamento dos processos em questão, identificase que não houve transito em julgado, impossibilitando, legalmente e dentro dos limites da própria sentença a compensação dos créditos, como efetuado pela empresa. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a sentença proferida, posto que realizou compensações sem que o processo judicial em que pleiteia o direito a restituição tivesse caráter definitivo. Também descreveu o auditor não ter a empresa apresentado a planilha, por fato gerador compensado, para que se pudesse apurara individualmente cada uma das compensações, apresentando montante global e declarando referido valor em GFIP. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar as bases em que teriam sido realizadas tais compensações, juntando a prova contábil da origem dos valores, bem como da sua realização durante o período objeto do presente lançamento. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 8 13 legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Aliás, esse foi o encaminhamento dado pelo julgamento de primeira instância, senão vejamos: A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no Código Tributário Nacional, artigo 156, II. Na mesma Lei, o artigo 170A, estabelece que: Art.170A – É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. O dispositivo citado é claro ao determinar que o sujeito passivo, em relação ao aproveitamento de tributo objeto de contestação (como no presente caso) só pode efetuar a compensação das contribuições questionadas no âmbito judicial, após o trânsito em julgado da respectiva sentença. No texto normativo citado não há qualquer menção ao fato do crédito a ser extinto por meio de compensação, ter sido ou não lançado pela autoridade fiscal. Portanto, não tem razão o impugnante ao alegar que o disposto nessa norma seria aplicável somente em relação aos créditos já constituídos. (...) A compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas sujeitase, no âmbito de tributo lançado por homologação (como no caso), à verificação da autoridade fiscal. A fiscalização ao constatar a compensação de valores efetuados indevidamente, nada mais fez que efetuar o lançamento das contribuições recolhidas a menor glosando a compensação em conformidade com a legislação que a vincula sob pena de responsabilização funcional. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Observamos que às fls. 330, bem destacou o tribunal e seu julgado os limites para compensação: a) observância da disposição contida no art. 170A do CTN, possibilidade de compensação com contribuições destinadas ao custeio da seguridade nos termos da Lei 11.457/07; c) incidência de juros em relação aos recolhimentos indevidos; d) afastase a limitação de 30%. Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. Os limites da decisão judicial são facilmente identificáveis sendo que extrapolou o recorrente os limites da decisão ao efetivála sem o transito em julgado. QUANTO A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Neste ponto também entendo acertada a decisão de primeira instância. O lançamento referese a glosa, ou seja, a valores lançados indevidamente em GFIP à título de compensação, mas sem que a empresa tivesse direito a mesma, no momento em que realizadas. Conforme já explicitado, não se busca no lançamento das contribuições sobre 1/3 de férias, aviso prévio indenizado, ou mesmo sobre os 15 primeiros dias de licença médica, mas tão somente o lançamento dos valores declarados sem o respaldo legal. Estando correto o procedimento adotado. Nem mesmo seria possível a discussão sobre o mérito da incidência de contribuições, uma vez que havendo ação judicial, sobre a mesma matéria, renúncia o recorrente a discussão na esfera administrativa. QUANTO A APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15504.725898/201190 Acórdão n.º 2401002.993 S2C4T1 Fl. 9 15 Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, ou havendo compensação indevida, como é o caso, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Da mesma forma, aplicou a autoridade fiscal a multa de acordo com o disposto na legislação aplicável, fazendo o comparativo de forma, a adotar aquele, que pelo comparativo da legislação anterior e a atual apresentase mais vantajoso ao empregado. O § 9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece que os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata esta Lei. Os juros de mora defluem de comando legal (art. 34 da Lei nº 8.212/91 e, a partir da MP 449/2008, art. 35 da referida lei). A multa de mora é a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, observado o período de vigência. A autuação referese a período anterior à MP nº 449/08, caso em que deve ser aplicada a penalidade mais benéfica para o sujeito passivo, face ao disposto no inciso II, do art. 106 do CTN. No caso, a fiscalização cumpriu este quesito, efetuando a comparação da multa antes e após a Lei nº 11.941/2009, demonstrando matematicamente que a multa mais benéfica à autuada é a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 de 0,33% ao dia, limitada a 20%, somada à multa do inciso I do art. 35 da Lei nº 8.212/91, alterada pela Lei nº 11.941/09. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Incabível no mesmo sentido apreciar a ilegalidade ou mesmo inconstitucionalidade da referida cobrança, considerando o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Entendo que a decisão não merece qualquer reparo, devendo ser mantida nos termos em que foi proferida. Quanto a representação fiscal para fins penais e o pedido de sustentação oral, o fato de não acatálos, não implica cerceamento do direito de defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL Quanto a alegação de que inexistem razões para o prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pois os créditos tributários exigidos são totalmente controversos, entendo que razão não assiste ao recorrente. A competência do CARF restringese ao julgamento da procedência do lançamento e da decisão de primeira instância, frente os argumentos apresentados pelo recorrente. Neste mesmo sentido, encontramos o posicionamento adotado pelo CARF pó rmeio da súmula n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, entendo que o lançamento é procedente, devendo ser mantido integralmente, nos termos do voto proferido. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10384.900144/2010-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS.
A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleitead
RecursoVoluntárioNegado
Numero da decisão: 3801-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleitead RecursoVoluntárioNegado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleitead RecursoVoluntárioNegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário interposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 44 /2 01 0- 34 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0124908, de 9 de maio de 2012, da 3ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 10384.9 00144/201034, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentad a pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BEL, que assim relata: Tratase de pedido de ressarcimento e declarações de compensação cuja origem é o crédito presumido do IPI referente ao4º trimestre de 2007, objeto dos documentos de nºs 38279.212 28.250108.1.1.014297 e 19124.79719.300108.1.3.013011. 2. Segundo a DRF/Teresina/PI, inicialmente o Sistema de Controle de Créditos SCC procedeu às verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos em epígrafe. 3. Ocorre que, ao analisar os PER/DCOMP’s do 3º trimestre de 2002 e 2º trimestre de 2008, a Unidade constatou divergências significativas entre os valores de crédito presumido solicitados e os valores que o contribuinte faz jus, efetuando a revisão de ofício dos documentos que tiveram tratamento automático. 4. Na nova análise, foi refeito o cálculo do crédito, considerando apenas a receita de exportação de produtos tributados, sendo glosadas as referentes à exportações de produtos não tributados (NT). Reconhecido o direito ao crédito de R$ 2.763,41, foi homologada parcialmente a compensação efetuada. 5. Cientificada em 10.11.2011 (AR fl. 13), a interessada apresentou, tempestivamente, em 06.12.2011 (fls. 59/61), manifestação de inconformidade (fls. 14/32) na qual preliminarmente afirma haver recebido o despacho somente no dia 15.11.2011, sendo tempestiva sua contestação. 6. No mais, em síntese, defende: a) A imutabilidade da decisão e da coisa julgada administrativa, requerendo que seja julgado improcedente o despacho decisório combatido, uma vez que a homologação integral do crédito pleiteado, dada no passado, constituiu coisa julgada administrativa, sendo que sua desconstituição fere os preceitos constitucionais de confiança e segurança jurídica; b) Seu direito à integralidade do crédito, afirmando que inexiste na Lei nº 9.363, de 1996, qualquer referência a produtos tributados, não tributados e alíquota zero. Afirma: “Ademais o crédito existe para compensar as perdas de PIS e COFINS acumulados na cadeia produtiva. De ‘IPI’ o crédito tem apenas Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 5 4 o nome, que ganhou esta nomenclatura porque no início e de sua criação, só poderia ser utilizado para o tributo IPI”; c) A correção do valor a ser ressarcido com base na taxa Selic. Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por ser tempestiva. Quanto a revisão de ato administrativo, entendeu a DRJ/BEL, que “a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” . Quanto ao crédito presumido de produtos NT, julgou a DRJ/BEL, que: “o direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT” . Quando a correção do valor ressarcido, entendeu a DRJ/BEL, que: “é incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes”. Assim restou ementado o Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 REVISÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 6 5 ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando a tempestividade e cabimento do recurso interposto, após fazendo breve retrospectiva dos fatos e por fim apresentando as razões de direito para a reforma da decisão de 2ª. instância. Requereu que “seja julgada improcedente a glosa realizada, por ir contra preceitos constitucionais e normativos, uma vez que desconstitui a coisa julgada administrativa”. Pugna pelo “reconhecimento integral da Perdcomp”. Requereu também que “se reconheça a atualização monetária dos créditos da requerente com base na taxa SELIC”. É o sucinto relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Belém/PA, conforme se verá a seguir: Revisão de ato Administrativo: Segundo a DRF/Teresina/PI, inicialmente o Sistema de Controle de Créditos SCC procedeu às verificações próprias do fluxo automático e, sem ter encontrado irregularidades, homologou totalmente os documentos. Ocorre que, ao analisar os PER/DCOMP’s do 3º trimestre de 2002 e 2º trimestre de 2008, a Unidade constatou divergências significativas entre os valores de crédito presumido solicitados e os valores que o contribuinte faz jus, efetuando a revisão de ofício dos documentos que tiveram tratamento automático. Deste modo, na nova análise, foi refeito o cálculo do crédito, considerando apenas a receita de exportação de produtos tributados, sendo glosadas as referentes à exportações de produtos não tributados (NT). Reconhecido o direito ao crédito de R$ 2.763,41, foi homologada parcialmente a compensação efetuada. É certo que a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Bem analisou o caso a DRJ/BEL, que entendeu que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no caput do art. 74, estabelece condições essenciais para que seja possível a efetivação da compensação por parte do contribuinte, conforme abaixo transcrito: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei no 10.637, de 30.12.2002). (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 8 7 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da declaração de compensação. (...)” Portanto, conforme determinado pela Lei n° 9.430/96, a existência de crédito é condição necessária para a compensação. Com base nos créditos é que é efetuado o ajuste de contas entre o sujeito passivo e a Fazenda Nacional. Declarada a compensação pelo sujeito passivo (transmissão do PER/DCOMP), extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua homologação, findo o qual a compensação considerase tacitamente homologada. Porém, a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelece que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, vejamos: “Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato.” A Administração Pública possui claramente o dever de autotutela, devendo anular seus atos quando eivados de vícios. As súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas, expressam o entendimento já consagrado pelo referido Tribunal. “Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.” “Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.” No caso em tela, a declaração de compensação foi homologada tendo como origem crédito proveniente de ressarcimento de IPI, o qual posteriormente foi verificado que era indevido. Tendo em vista que o crédito utilizado pelo sujeito passivo em realidade não existia, deve a autoridade que proferiu o despacho homologando a compensação, rever de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 9 8 ofício esse ato, anulandoo, mediante novo despacho decisório, e ao final não homologar a compensação. Entendo como totalmente legal e constitucional a revisão de ofício, sendo esta possível se realizada dentro do prazo de cinco anos contados da entrega da declaração de compensação, prazo esse que é o mesmo previsto para a ocorrência da homologação tácita. Não há que se falar em violação a coisa julgada administrativa, tampouco em violação aos preceitos constitucionais de confiança e segurança jurídica. Crédito Presumido. Produto NT: A Lei n.º 9.363, de 1996, estabeleceu em seu art. 1ª.A e 3º, que: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem” Conforme verificado, o conceito de produção, à luz da legislação do IPI, alcança apenas os produtos tributados, ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Quanto aos produtos não tributados, por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem naquele conceito, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados. É esta a dicção do art. 3º da Lei 4.502, de 1964, que assim dispõe: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” A Lei n.º 10.451, de 10 de maio de 2002 excluiu do campo de incidência do IPI os produtos cuja classificação corresponde à notação “NT” (não tributado), vejamos: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 6° O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (não tributado).” (grifouse) Como se constata no exame sistemático dos dispositivos colacionados, o legislador restringiu, sim, o benefício aos estabelecimentos produtores e exportadores de produtos sujeitos ao IPI, restando excluídos, portanto, os produtos não tributados, correspondentes à notação “NT”. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça, cuja matéria foi decidida na sistemática do art. 543C do CPC, já se manifestou, conforme veremos: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. PRECEDENTES. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. MATÉRIA DECIDIDA NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ Nº 08/2008. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. 1. A exclusão das vendas não tributadas do cálculo da receita de exportação é devida, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313/2003, pois "a própria lei admitiu que o conceito de receita de exportação (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal" (REsp 982.020/PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 2. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. 3. É legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento. Nesse sentido o Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 11 10 REsp n.º 1.035.847/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.09, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. RECURSO ESPECIAL DE COAGEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. PROCESSUAL CIVIL. ART. 535, II, DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMOS INICIAL E FINAL. 4. Não se conhece do recurso especial por violação do art. 535, II, do CPC, quando genéricas as alegações de omissão no aresto recorrido. Incidência da Súmula 284/STF. 5. A prescrição, em ações que visam o recebimento de créditos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, é quinquenal. Precedente representativo de controvérsia: REsp n.º 1.129.971/BA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.2.10. 6. A recusa injustificada ao aproveitamento de crédito escritural, seja por ato administrativo ou normativo do Fisco, rende ensejo à sua correção monetária. Matéria já decidida na sistemática do art. 543C do CPC. 7. Há que se distinguirem, todavia, duas situações: a primeira, em que o óbice decorre da demora injustificada em apreciar o pedido de ressarcimento; e a segunda, quando há óbice normativo préexistente ao surgimento do próprio crédito: no primeiro caso, a simples demora na apreciação do pedido de ressarcimento coloca em mora a autoridade fiscal, autorizando a correção monetária do crédito tão logo superado o prazo legal para exame do processo administrativo; no segundo, há óbice normativo anterior ao surgimento do crédito, de modo que a mora do Fisco coincide com a data do surgimento do direito ao creditamento. 8. Assim, merece reparo o acórdão recorrido quando limitou a correção monetária ao esgotamento do prazo de 360 dias para exame do pedido administrativo de ressarcimento. Tratandose de crédito para o qual já havia restrição de aproveitamento, lastreada em ato normativo ilegítimo, estará em mora o Fisco desde o surgimento do crédito, quando poderia ter sido aproveitado, não fora o impedimento ilegal e abusivo. 9. Também descabe limitar a correção até a data do trânsito em julgado da decisão que reconhece o direito ao crédito. Mesmo após tornarse definitiva a decisão, o seu aproveitamento poderá não ser imediato, e a demora ao gozo do benefício não pode ser suportada por quem não deu causa ao retardamento. Assim, havendo impedimento normativo ilegítimo ao aproveitamento do crédito escritural, a correção monetária deverá incidir desde o Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 12 11 surgimento do crédito até a data do seu efetivo aproveitamento, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 10. Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte. Recurso especial de Coagel Cooperativa Agroindustrial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) (grifouse). Assim, quanto a abrangência do crédito presumido de IPI as vendas Não Tributadas do conceito de "receita de exportação", necessário aplicar ao caso concreto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual entende que crédito presumido criado pela Lei 9.363/96 não abrange os produtos exportados que não sofrem a incidência do IPI (não tributados). É o que se verifica também nos seguintes precedentes: PROCESSUAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. SÚMULA 83∕STJ. 1. O dispositivo legal em torno do qual gravitaria o dissídio pretoriano aventado não foi indicado de maneira precisa, o que impede o conhecimento do apelo nobre, inclusive pela alínea "c" do permissivo constitucional. 2. A exclusão das vendas não tributadas no cálculo da receita de exportação É devida, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313∕2003, pois "a própria lei admitiu que o conceito de 'receita de exportação' (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal" (REsp 982.020∕PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 3. Agravo regimental não provido (AgRg no AREsp 250.024∕CE, minha relatoria, Segunda Turma, DJe 15.02.2013). (grifouse) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO. ÓBICE GERADO PELO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. SÚMULA 411∕STJ. MULTA. 1. É devida a exclusão das vendas não tributadas no cálculo da receita de exportação, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313∕2003, uma vez que "a própria lei admitiu que o conceito de 'receita de exportação' (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal." Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 13 12 (REsp 982.020∕PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo Fisco. Entendimento reiterado no REsp 1.035.847∕RS, da relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos. Incidência da Súmula 411 do STJ. 3. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC, no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental de COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. improvido. A agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido, com aplicação de multa (AgRg no REsp 1.236.305∕SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16.05.11). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363∕96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164∕MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. DISPOSITIVOS LEGAIS TIDOS POR VIOLADOS QUE NÃO SUSTENTAM A PRETENSÃO RECURSAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284∕STF. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO CONFIGURADOS. 1. Não se vislumbra, no acórdão recorrido, nenhum vício de integração que possa ensejar a sua anulação, uma vez que não há contradição entre a afirmação de que deve ser aplicada a correção monetária e a conclusão de que o cômputo da atualização deve ocorrer a partir da data do indeferimento do creditamento do tributo. 2. Da leitura dos artigos 1º da Lei 9.363∕96 e 39, § 4º, da Lei 9.250∕95, verificase que o seu conteúdo normativo não guarda pertinência com a pretensão recursal, a qual consiste na reforma do acórdão recorrido no tocante à fixação do termo inicial da incidência da correção monetária sobre os valores referentes ao crédito presumido tardiamente reconhecidos, o qual entende deve ser a data do protocolo do pedido. Aplicase, quanto ao ponto, a Súmula 284∕STF. 3. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313∕2003 e 419∕2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363∕96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 14 13 hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020∕PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14∕02∕2011 e AgRg no REsp 1236305∕SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16∕05∕2011. 4. Agravo regimental não provido (AgRg no REsp 1.227.615∕SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22.5.12). (grifouse) Neste sentido também, vejamos o acórdão da Primeira Turma Especial do Conselho de Contribuintes, que corrobora com o que vem sido defendido: Processo nº 13679.000168/200183 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não sendo, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). Assim, em conformidade com o que tem sido decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, temse por legal a limitação imposta pelas IN SRF 313∕2003 e 419∕2004, que determinam a exclusão dos valores referentes à exportação de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido do IPI, já que a própria Lei 9.363∕96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Correção monetária do crédito presumido de IPI: O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AgRg no REsp 1.307.674∕RS, anuiu com a correção monetária do crédito presumido de IPI não aproveitado, oportunamente, por força de óbice instituído pelas diversas instruções normativas que se sucederam. Pela clareza, vale a pena citar o seguinte julgado da Segunda Turma: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363∕96. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DESPENDIDO PELA EXPORTADORA COM O BENEFICIAMENTO DE MATÉRIAPRIMA POR TERCEIROS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO NO REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 543C DO CPC. 1. A previsão contida no artigo 1º da Lei 9.363∕1996, cuja redação determina a incidência do crédito presumido, sem discriminação, nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas utilizadas no processo produtivo da empresa exportadora, também compreende a hipótese em que o estabelecimento comercial adquire os insumos e os repassa a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 15 14 terceiro para industrializar, recebendo, posteriormente, o produto já industrializado. Precedentes. 2. É legítima a atualização monetária de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento. Nesse sentido o REsp 1.035.847∕PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no REsp 1.307.674∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 08.02.13). Portanto, temse por pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, via de regra, eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento foi injustamente obstado pela Fazenda, o que não ocorreu no caso dos autos, onde o crédito foi homologado parcialmente, sem óbice da Receita Federal do Brasil. Confirase outros julgados do E. STJ: TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. ART. 166 DO CTN. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. PRESCRIÇÃO. ART 1º DO DECRETO 20.910∕32. [...] 5. A jurisprudência do STJ e do Supremo assentou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. Todavia é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude da resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de evitarse o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. [...] 8. Recurso especial da Fazenda Nacional e de Santa Maria Cia. ambos, conhecidos em parte não providos. (REsp 668.620∕PR, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe18.9.2008) CREDITAMENTO ESCRITURAL DE IPI. ISENÇÃO E ALÍQUOTA ZERO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA OPOSTA PELO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. I Embora tenha a jurisprudência do STJ e do STF definido que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI relativos a operações de matérias primas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero, temse devida a atualização monetária quando o Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 16 15 aproveitamento dos créditos é obstado pelo Fisco, provocando mora que dá ensejo a enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. Precedentes: AgRg no REsp nº 863.277∕RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 7.2.2008; EREsp nº 465.538∕RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJ de 1.10.2007; EREsp nº 430.498∕RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 07.04.2008 e EREsp nº 530.182∕RS, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 12.09.2005. II Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 995.801∕SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 29.5.2008) A jurisprudência foi consolidada no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, e no enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Desse modo, não havendo óbice colocado pelo Fisco ao aproveitamento dos créditos, haja vista que homologados parcialmente (no caso, R$ 2.763,41), não há que se falar em correção monetária. Nesse sentido, o §5º do art. 72 da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, prescreve expressamente que não incidirão juros compensatórios “no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos”, da mesma forma que previam anteriormente as, já revogadas, Instruções Normativas SRF n° 600, de 2005, n° 460, de 2004, e n° 210, de 2002 (art. 38, § 2º). Com todas as considerações expostas acima, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem, estando em dissonância com a legislação e com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive as decididas sob a sistemática dos recursos repetitivos. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10384.900144/201034 Acórdão n.º 3801001.948 S3TE01 Fl. 17 16 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10980.003894/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Auto de Infração, fls.375/381, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor do principal de R$ 418.377,58, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito no valor de R$ 901.014,44, conforme Demonstrativos de Crédito anexado às fls.349/374. De acordo com a descrição da Autuação, o crédito tributário, ora exigido, é oriundo de um recolhimento a menor do IPI, em razão da empresa ter utilizado classificação fiscal e alíquota equivocadas nos documentos fiscais para os aspiradores modelos ASP GT 2000 e GT 2000 PRO, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF e A20L, nos anos de 2002 e 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 03 89 4/ 20 05 -7 0 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003894/200570 Resolução nº 3202000.086 S3C2T2 Fl. 479 2 Inconformada com o Auto de Infração (fls. 375/381), a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade parcial do lançamento em face reclassificação fiscal dos produtos ASP GT 2000 e GT 2000 PRO, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA)– DRJ/SDR (fls. 438/447). Efetivamente, a DRJ julgou procedente o Auto de Infração lavrado, em razão da empresa ter utilizado equivocada classificação fiscal para os produtos aspiradores modelos ASP GT 2000 e GT 2000 PRO, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, o que implicou num recolhimento a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados. Eis suas palavras: A contribuinte apresentou para os produtos industrializados ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF e ASP T1001, no período autuado, a descrição por tipo, função, princípio de funcionamento, aplicação e capacidade ..., em resposta a intimação de fl.... O código NCM 8509.10 descreve os “aspiradores de pó, incluídos os aspiradores de matérias secas e de matérias líquidas”. Na posição 84.79 classificamse as máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos que não se incluam nas posições precedentes. A fiscalização, em contrapartida, constatando que a contribuinte adotava para os modelos ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF uma classificação fiscal diferente daquela indicada pela Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n°180/2002, relativa ao produto modelo A20L, decidiu pela reclassificação dos mencionados modelos para o de código TIPI 8509.10.00, com alíquota prevista para o período de 10%. [...]Verificase que a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização está baseada fundamentalmente na similaridade funcional e na potência do motor e volume do recipiente entre os produtos destacados, conforme tabela de fl...., tendo a contribuinte contudo, alegado que o que os difere, é a extrapolação das necessidades para o uso doméstico, excluindo assim os produtos objeto da autuação da posição 8509.10.00 para classificação da posição 8479.89.99. [...]Como se depreende da leitura das notas dos capítulos, não é suficiente para classificação em um capítulo ou noutro a simples informação de que o produto tem destinação para “o uso doméstico” ou para “utilização em atividades comerciais, industriais, profissionais”. A caracterização da classificação no capítulo 85 leva em consideração principalmente a capacidade de armazenamento, no caso, o volume aspirado, que seja o aparelho eletromecânico, excluindose deste capítulo aqueles aparelhos que receberem a força motriz de um motor elétrico separado, ou que mesmo que tenham motor elétrico incorporado, sejam concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico, sendo irrelevante portanto a denominação dada fabricante. Assim, com base na aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª (Nota 3 da Seção XVI, Nota 3 a) do Capítulo 85 e texto da posição 8509) e 6ª (texto da subposição 8509.10), e subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Fl. 479DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003894/200570 Resolução nº 3202000.086 S3C2T2 Fl. 480 3 Harmonizado/Nesh, versão lusobrasileira, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, e atualizações posteriores, bem como em decisões feitas em processo de consulta já referidas para o contribuinte não há reforma a ser feita no auto de infração em decorrência da reclassificação dos aspiradores em questão para a posição 8509.10.00. No que diz respeito ao pedido de produção de provas, o acórdão da DRJ julgou o improcedente, nas seguintes palavras: O processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, com o condão de mitigar a aplicação do princípio da verdade material, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como só ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. Portanto, não havendo as exceções elencadas no parágrafo acima transcrito, ocorre a preclusão temporal e a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. O momento processual propício para a defesa cabal da contribuinte é o da apresentação da peça impugnatória. Pedidos genéricos e vagos para apresentação de provas a posteriori não podem receber guarida, consequentemente, indeferese o pedido do sujeito passivo. Sobre a classificação fiscal das mercadorias para efeitos de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, a DRJ esclareceu que: De acordo com o art. 16 do RIPI de 2002, a classificação dos produtos na Tabela de Incidência do IPI é feita de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), sucedida pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto. Ainda que não constituam instrumento legal para a classificação fiscal de mercadorias, as NESH são elemento subsidiário fundamental para a interpretação e correta classificação fiscal. A DRJ, igualmente, determinou a transferência para dos valores exigidos em razão da classificação equivocada do modelo A20L em face da não impugnação destes créditos pela empresa, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão: Quanto a concordância pela contribuinte dos valores exigidos relativamente ao produto modelo A20L, verificase que cabe transferência destes valores para outro processo para que se proceda à exigência imediata. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento integral do crédito e expressamente a (fls. 454/472): Fl. 480DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003894/200570 Resolução nº 3202000.086 S3C2T2 Fl. 481 4 1) Improcedência do Auto de Infração e a desconstituição dos lançamentos nele consubstanciados, prevalecendo a classificação fiscal adotada pela Impugnante. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. A controvérsia dos presentes autos se resume a classificação correta dos aspiradores de pó, modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, no exercício de 2004. A autoridade fiscal se valeu da classificação da solução de Consulta SRRF/9ª RF/ DIANA nº 180, 25/10/2002, que tinha como consulente a própria empresa autuada, para atribuir a mesma classificação do modelo A20L para os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF. Partindo da premissa que havia identidade dos modelos para fins de classificação fiscal, o auto de infração excluiu os produtos da posição 8509.10.00 para transportálos para classificação da posição 8479.89.99. Confiramse as descrições legais de ambas as posições: “8509.10.00 Aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), de uso doméstico, com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento, fabricado por Nilfisk Advanced –Suécia. “8479.89.99 Aspirador de sólidos e líquidos com motor elétrico incorporado (1.000W), de uso não doméstico, pesando 21kg, com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 60 litros, modelo WD260F, dimensões de 900mm de altura, 500mm de largura e 1.120mm de comprimento, fabricado por Nilfisk Advanced – Suécia. (...)”. Julgando a legalidade ou não do auto de infração, a DRJ concluiu que o uso doméstico ou não dos modelos de aspiradores de pó não são determinantes para fins de classificação fiscal, como se verifica do seguinte trecho do decisório recorrido: Como se depreende da leitura das notas dos capítulos, não é suficiente para classificação em um capítulo ou noutro a simples informação de que o produto tem destinação para “o uso doméstico” ou para “utilização em atividades comerciais, industriais, profissionais”. A caracterização da classificação no capítulo 85 leva em consideração principalmente a capacidade de armazenamento, no caso, o volume aspirado, que seja o aparelho eletromecânico, excluindose deste capítulo aqueles aparelhos que receberem a força motriz de um motor elétrico separado, ou que mesmo que tenham motor elétrico Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003894/200570 Resolução nº 3202000.086 S3C2T2 Fl. 482 5 incorporado, sejam concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico, sendo irrelevante portanto a denominação dada fabricante. A despeito dessa afirmação do douto acórdão, nas considerações gerais para definição do “alcance geral e estrutura do capítulo” 85 transcrita pela prória DRJ em sua decisão se verifica que o uso doméstico é importante para enquadramento na posição. Leiase: 2) Os aparelhos eletromecânicos de uso doméstico da posição 85.09, bem como os aparelhos ou máquinas de barbear e máquinas de cortar cabelo, de tosquiar e aparelhos de depilar da posição 85.10. Assim, embora aparentemente não tenha havido discordância quanto ao uso não doméstico dos modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, por dever de cautela, entendo necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem certifique o uso comercial dessas mercadorias. Por essas razões, resolvo converter o julgamento em diligência para determinar a realização de perícia, onde deverão ser respondidas os seguintes quesitos: 1) Identificar perfeitamente se os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF são de uso doméstico ou não? 2) os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF se tratam de aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento? Desta forma, a autoridade fiscal deverá intimar a Recorrente para contratar de instituição de renomada reputação (IPT, INT, UNICAMP, p.ex.) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, a fiscalização poderá manifestarse sobre o novo Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual, a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11634.720457/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.311
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .7 20 45 7/ 20 11 -6 5 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal, lavrados sob o n. DEBCAD nº 50.000.0670 (fls. 03/19) e nº 50.000.0689 (fls. 20/36), em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e s destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais no período de 01/2009 a 12/2010. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 37/42), o sujeito passivo foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (Lei nº 9.317/96), a partir de 01/01/2007, pelos Atos Declaratórios Executivos nº 85 e nº 86, de 16/12/2010, por excesso de receita bruta em relação ao limite de R$ 2.400.000,00, no ano calendário de 2006. Em decorrência da exclusão foram lançados os valores das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e aquelas devidas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), apuradas por meio dos autos de infração em tela. Por ter a autuada deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (valores lançados nos AIs em questão), o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do Decreto Lei nº 2.848/1940 – Código Penal, restou formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais (autos nº 11634.720458/201118).Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/08/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/08/2011. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação ao DEBCAD nº 50.000.0670, às fls. 172/213, em 14/09/2011. Na mesma data, protocolou também impugnação ao DEBCAD nº 50.000.0689 (fls. 221/261). Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 271 a 282. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 4 3 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. O foro adequado para a discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES e/ou do Simples Nacional é o respectivo processo instaurado para esse fim, não cabendo, em sede de processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário, a rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição de Ato Declaratório Executivo da exclusão. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES. INOCORRÊNCIA. Somente são permitidas as exclusões do salário de contribuição expressamente elencadas no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91, e desde que atendidos todos os requisitos normativos previstos, não se vislumbrando iliquidez e incerteza na determinação do montante do lançamento quando nenhuma prova foi trazida aos autos que confirmasse constarem na base de cálculo valores que legalmente não a deveriam compor. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal referese a tributo e é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. O cálculo para a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação atual e a vigente à época dos fatos geradores. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o Auditor Fiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. PROVA PERICIAL. LIMITES. OBJETIVOS. Destinase a perícia à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, devendo o julgador refutar aquelas que entender desnecessárias ou prescindíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 345DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 5 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 293 a 337, apresentando basicamente os mesmos argumentos anteriores: 1. já foi apresentada defesa administrativa no processo principal que tratou do lançamento do IRPJ/CSLL, questionando a legalidade da quebra do sigilo bancário e da ausência de movimentação financeira não declarada, ainda pendente de decisão. Assim, caso seja acolhida, todos os autos de infração referentes à tributação reflexa serão igualmente extintos, razão pela qual requer, em face da relação de prejudicialidade, a suspensão do julgamento desta até o julgamento daquela. Entretanto, há ainda outros vícios maculando a certeza e liquidez do suposto débito, tornandoo inexigível; 2. não houve nenhum consentimento expresso ou equivalente autorizador da quebra do seu sigilo bancário. Assim, segundo a jurisprudência, permitir a possibilidade da sua quebra, sem processo judicial instaurado e a requisição do juiz, eiva de completa ilegalidade o presente auto de infração, vez que fulcrado em prova obtida por meio ilícito; 3. há requisitos infraconstitucionais para a autoridade administrativa promover a quebra de sigilo bancário dos contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário (em que pese tais normas serem inconstitucionais e ilegais), conforme o disposto no art. 2º, § 5º, do Decreto nº 3.724/2001 (quando houver procedimento de fiscalização em curso e o exame 4. das informações for considerado indispensável). Entretanto, não há menção alguma a análise prévia do preenchimento de tais requisitos, donde se conclui que todos os procedimentos presentes no MPF encontramse eivados de vícios insanáveis de formação, tornando insubsistente o crédito tributário exigido; 5. a autoridade administrativa também não demonstrou de forma individualizada, lançamento bancário a lançamento bancário, qual a receita omitida e qual a não omitida, detendose a produzir e anexar ao auto de infração mero resumo, em clara ofensa ao disposto no art. 287, do RIR/99, bem como aos princípios da verdade material, do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que prejudicou a defesa da Impugnante; 6. a recorrente utilizase de sistemática de escrituração contábil, fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta caixa, de forma que não se sustentam exigências calçadas na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujo fato indiciário é a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, quando as operações tenham sido contabilizadas. Embora a fiscalização não precise provar o fato presumido – a omissão de receitas, não está dispensada de fazer, de forma indireta e cabal, a prova da ocorrência do fato índice; 7. no processo administrativo vigora o princípio da oficialidade, por força do qual a administração pública deve buscar a realidade dos fatos, havendo previsão expressa na própria lei do processo administrativo fiscal (70.235/72, art.18), que permite à autoridade julgadora apreciar livremente as provas e determinar diligências que entender necessárias, conforme jurisprudência e doutrina que transcreve; 8. é ilegal a incidência da contribuição social, denominada quota patronal e RAT/SAT sobre verbas de natureza indenizatória, como auxílio doença (nos primeiros quinze dias de afastamento), salário maternidade, auxílio acidente, aviso prévio indenizado, auxílio Fl. 346DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 6 5 creche, adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade e horas extras), abono de férias e terço de férias (relativo a férias gozadas e não gozadas), lançadas nos autos de infração em questão; se o trabalhador recebe quantia não vinculada à efetiva prestação de serviço, salário não o é, tornando impossível a incidência da quota patronal. Transcreve decisões dos Tribunais Regionais Federais, STJ e STF; 9. a autoridade administrativa realizou formalmente o comparativo entre as multas aplicáveis na sistemática vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e da ocorrência da fiscalização, vertido no documento denominado “COMPMULTA”, no qual não há indicativo claro de quais dispositivos, alíquotas, bases de cálculo, limites, entre outros, foram utilizados para apurar o quantum devido. Logo, diante da ausência de tipificação precisa das multas aplicáveis, impossível a verificação pela Impugnante da correta comparação entre o regime previsto na Lei nº 8.212/91 e o da Lei nº 9.430/96, como determinado pelo art. 476 da IN/RFB nº 971/09, tornando o presente auto de infração nulo de pleno direito por cerceamento de defesa; 10. a autoridade administrativa impôs a multa de 75%, disposta no art. 44 da Lei nº 9.430/96, que além do moratório, tem caráter punitivo, visando a coibir a prática de atos que importem em prejuízo na arrecadação de tributos. Em relação às contribuições previdenciárias, entretanto, nenhuma prática ilegal fora detectada, apenas readequado o regime tributário aplicável em face de motivo apenas conexo indiretamente ao presente (exclusão do Simples Federal e Nacional), sendo que “a atuação da autoridade administrativa no presente; 11. em face da recente alteração no Decreto nº 70.235/72 (art. 9º) pela Lei nº 11.941/2009, há que se lavrar autos de infração separados para cada tributo e multa, o que não foi respeitado pela autoridade administrativa, razão pela qual o auto de infração encontrase eivado de vício insanável; 12. os valores cobrados a título de multa e juros não guardam consonância com as limitações legais e constitucionais, pelo que pleiteia a redução dos juros a patamares legais, lembrando que o confisco existe, não apenas na instituição do tributo, mas também na aplicação de seus consectários, entre eles a multa moratória ou em decorrência de infração legal; m) a autoridade administrativa não constatou divergência entre as bases de cálculo das contribuições previdenciárias declaradas pelo contribuinte com os documentos analisados, não havendo omissão de informação. A mera ausência de declaração pela Impugnante (dispensada até então, vez que sujeita às normas aplicáveis ao Simples Federal e Nacional) não se assemelha ao tipo apontado (art. 337A), tornando se inócua qualquer comunicação ao Ministério Público Federal; 13. requer, ao final, sejam acolhidas as impugnações apresentadas e cancelado o débito fiscal reclamado. Solicita a realização de perícia, uma vez que os lançamentos bancários não foram analisados analítica e individualizadamente, tornando certa a presença de valores indevidos como omissão de receita, alterando o deslinde do processo administrativo, inclusive quanto à exclusão da Impugnante do Simples Federal e Nacional, por excesso de receita bruta no ano calendário de 2006. Indica o perito e formula quesitos. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 294. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O primeiro argumento apresentado pelo recorrente, diz respeito a ilegalidade da quebra de sigilo bancário, o que consubstanciou a exclusão do sistema SIMPLES com efeitos retroativos a 01/01/2007, por ter a empresa ultrapassado o limite de receita para tal enquadramento. Todavia, embora tenha o recorrente se debruçado sobre a tese da impossibilidade de quebra de sigilo, sem a devida autorização judicial, entendo que ditos argumentos referemse ao mérito do processo de exclusão do SIMPLES, e não do presente lançamento, cujo objeto são contribuições previdenciárias resultantes da emissão do ato declaratório de exclusão. Por outro lado, discordo do posicionamento adotado pelo julgador de primeira instância, que descreveu em seu voto, ser despicienda a suspensão do presente processo ainda que decorrentes do mesmo procedimento fiscal, com intrínseca relação de causa e efeito, por entender que são atos administrativos autônomos, que demandam a apresentação de uma defesa para cada qual. Senão vejamos, trecho da referida decisão: Da exclusão do SIMPLES. Tributação reflexa. Pedido de suspensão do julgamento. 7. Tratase de impugnação a lançamentos de contribuição previdenciária (parte da empresa + SAT/RAT e contribuição devida a Terceiros), em razão da exclusão da empresa do SIMPLES/Simples Nacional pela constatação de excesso de receita bruta em relação ao limite de R$ 2.400.000,00, no ano calendário de 2006 (ADEs nº 85 e nº 86, de 16/12/2010). 7.1. A Contribuinte destaca a apresentação de defesa no processo principal (que tratou do lançamento do IRPJ/CSLL) questionando a legalidade da quebra do sigilo bancário e da ausência de movimentação financeira não declarada, ainda pendente de decisão, alegando que acaso acolhida a impugnação naquele processo, todos os autos de infração referentes à tributação reflexa serão igualmente extintos, razão pela qual requer a suspensão do julgamento, “em face da relação de prejudicialidade”. 7.2. Todavia, não há como acatar o pedido da Impugnante, pois ainda que decorrentes do mesmo procedimento fiscal, com intrínseca relação de causa e efeito, os atos de exclusão da sistemática de tributação simplificada e os lançamentos dos tributos, são atos administrativos Fl. 348DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.720457/201165 Resolução nº 2401000.311 S2C4T1 Fl. 8 7 autônomos que demandam a apresentação de uma defesa para cada qual (com expressa consignação das razões de inconformismo, acompanhadas das provas que, porventura, a interessada dispõe). 7.3. Aliás, discussão a este respeito deve ser levantada exclusivamente no âmbito do processo de exclusão, de onde decorreria a confirmação dos atos ou a sua eventual revogação. Tanto é que nos atos de exclusão consta expressamente que ao contribuinte é assegurado o direito de impugnálos, no prazo de trinta dias da ciência, ressalvandose que a falta de impugnação acarretaria a exclusão em definitivo. 7.4. Pelas razões expostas, descabe neste foro atendimento ao pedido de suspensão do julgamento. Decisão nessa linha só é cabível, como já se disse, dentro do processo próprio e desde que para tanto haja previsão normativa ou determinação judicial. Neste ponto, entendo que realmente não cabe nos presentes autos a apreciação da legalidade da quebra de sigilo que ensejou a exclusão do simples, por ser matéria alheia ao lançamento do crédito em questão; todavia, entendo fundamental, primeiramente identificar o andamento do processo que determinou a emissão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Assim, considerando que no relatório fiscal e nos recursos apresentados, não identifiquei o número do processo de exclusão, para realização de pesquisa sobre o transito em julgado do processo, entendo que deva o processo ser baixado em diligência para que a autoridade responsável, colacione informações acerca do número do processo no âmbito da RFB, bem como o resultado do mesmo caso já tenha ocorrido o transito em julgado administrativo. Destaco porém, caso seja constatado após a pesquisa sobre o andamento do processo de exclusão, que o mesmo ainda não possua decisão final, deve os presentes autos ficarem sobrestados na DRFB aguardando a referida decisão, para que só então retornem a esse colegiado com as referidas informações, bem como seja o recorrente cientificado da diligência realizada. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 349DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722209/2010-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009.
Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõe-se o acerto devido.
Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterando-se a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação:
CONCLUSÃO
Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
E a ementa:
OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD.
Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição configurada.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõe-se o acerto devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterando-se a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado Embargos Acolhidos.
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Embargante UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado EDIGAR CORDEIRO BARROS ESPÓLIO E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado, impõese o acerto devido. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos, alterandose a conclusão e ementa, que passam a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado Embargos Acolhidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 22 09 /2 01 0- 98 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 193 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição configurada. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 194 3 Relatório Tratase de embargos, fls. 94 e ss, opostos tempestivamente, contra acórdão 280301.626. Entende a recorrente, em síntese, que o acórdão foi obscuro e contraditório, pois decide por manter integralmente a decisão recorrida e, passo seguinte, dá provimento parcial ao recurso apresentado. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 195 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A decisão embargada expressamente informa que a decisão de primeiro grau deve ser integralmente mantida, nesses termos: Dessa feita, a decisão de primeiro grau ser mantida em sua integralidade. A conclusão e a ementa se afastam desse entendimento, afirmando que houve parcial provimento, o que deve ser reparado. Ante o exposto, a nova conclusão do julgado passa a ter a seguinte redação: CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO para manter o crédito lançado, ressalvado que a RFB deve proceder a apropriação dos recolhimentos efetuados vinculados a matrícula da obra (CEI)objeto do processo em questão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. E a ementa: OBRA PESSOA FÍSICA. RECOLHIMENTO EM GPS APÓS LAVRATURA DA NFLD. Cabe aos órgãos de cobrança da Receita Federal do Brasil efetivar as devidas apropriações de recolhimentos efetuados em GPS após o término da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos apresentados, nos termos do voto proferido, que passa a integrar a decisão embargada, para sanar a contradição apontada. Oséas Coimbra Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.722209/201098 Acórdão n.º 2803002.514 S2TE03 Fl. 196 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.909045/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
Numero da decisão: 3803-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, devese sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 90 45 /2 00 9- 01 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 314 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos por SND Distribuição de Produtos de Informática Ltda. contra o Acórdão nº 380303.472, de 23 de agosto de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pelo contribuinte supra identificado, relativo a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 10.808,17, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 15.413,89. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação oportunamente, alegando que até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo decidido não reconhecer o direito creditório por falta de prova, não tendo sido autorizada a dilação de prazo para apresentação de documentos e indeferido o pedido de perícia. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, (i) a necessidade de realização de perícia ou diligência, (ii) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; (iii) o direito à compensação da contribuição derivaria do fato de que as receitas financeiras haviam sido incluídas indevidamente na base de cálculo e (iv) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria (alargamento da base de cálculo), retirando do ordenamento jurídico o art. 3º e § 1º da Lei nº 9.718/1998. Posteriormente à apresentação do recurso, o Recorrente trouxe aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 315 3 Em 23 de agosto de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380303.472, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, tendo ficado vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Na ocasião, fez sustentação oral o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. No voto condutor do acórdão, constaram as razões de indeferimento do pedido de perícia, assim como o fato de que, em razão da apresentação, somente em grau de recurso, dos fundamentos de defesa quanto à natureza do direito creditório, tal matéria não seria apreciada, por se encontrar preclusa, pelo fato de não ter sido exposta na primeira instância administrativa, nos termos exigidos pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Como até a impugnação, o contribuinte não havia se pronunciado sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido, essa matéria foi considerada não controvertida nos autos, tornandose não passíveis de apreciação na segunda instância administrativa. Ainda de acordo com o relator, restara controvertido nos autos apenas a existência ou não de um recolhimento do tributo a maior, o pedido de diligência/perícia, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados. Cientificado da decisão desta 3ª Turma Especial em 19 de novembro de 2012, o contribuinte interpôs embargos de declaração no dia 23 do mesmo mês, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, alegando a ocorrência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 316 4 a) tendo a Turma Especial se manifestado pela preclusão do seu direito de prova, prevalecera na ocasião, aparentemente, a interpretação literal e mais severa do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, posição essa já superada na jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário; b) constou do acórdão embargado apenas o voto vencedor, da lavra do conselheiro relator, tendo sido omitida as razões que conduziram o voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, situação esta que inquinaria de nulidade o acórdão, por preterição do direito de defesa e por ausência de motivação. O voto vencido deve ser juntado aos autos, oportunizandose a reabertura de prazo para defesa (novos embargos de declaração); c) o acórdão não foi suficientemente claro a respeito das razões que levaram o relator a negar provimento ao recurso, em preliminar e no mérito, o que reclamaria o saneamento da decisão; d) a parte dispositiva do acórdão mereceria ajustes quanto às conclusões do voto vencido, pelo fato de ali ter constado que o conselheiro Juliano Eduardo Lirani teria se abstido de votar o mérito, mas teria votado pela conversão do julgamento em diligência, situação essa que demandaria esclarecimentos quanto ao conhecimento ou não do recurso, total ou parcial, à ausência de pronúncia quanto aos demais tópicos suscitados no recurso; e) necessidade da Turma esclarecer o que entende como mérito do recurso, se abrange também o pedido de exame da prova documental; f) existência de contradição entre as razões do voto condutor, a parte dispositiva do voto e a ementa, que pareceriam indicar a inclinação do relator pelo não conhecimento do recurso, por entender tratarse matéria preclusa, enquanto que, ao final, restara decidido o não provimento do recurso nessa parte; g) a diligência requerida, considerada pelo relator como hipótese de inversão do ônus da prova – a despeito de qualquer previsão nesse sentido –, é instituto regularmente disciplinado do Regimento Interno do CARF (arts. 18, I, 50, § 2º, e 58, § 9º) e no Decreto nº 70.235/1972, tratandose de instrumento eficaz e imprescindível à formação do livre convencimento do julgador administrativo que, mesmo na instância revisional, não se encontra submetido às limitações próprias do processo judicial no que diz à apreciação da prova; h) a conversão do julgamento em diligência é também decorrência direta da garantia constitucional do direito de defesa, até por força do que prevê o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999, e atende o fim precípuo do lançamento, que é o de constituir somente o crédito efetivamente devido; i) a conversão do julgamento em diligência jamais importará em inversão do ônus da prova em desfavor do Fisco, pois o processo administrativo é inquisitório e o ato administrativo deve ser motivado; j) o laudo contábil apresentado é idôneo e preciso, tendo sido produzido por auditoria independente, sendo, portanto, imparcial; k) não é dever do contribuinte produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim demonstrar que a exigência padece de vícios; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 317 5 l) necessidade de recebimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos ou infringentes, porquanto assim se encontra autorizado pela interpretação extensiva da lei, bem como pela jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), para correção de premissa equivocada. Por fim, requereu o Embargante que os embargos fossem recebidos e providos, inclusive em seus efeitos infringentes, de modo a sanar a omissão e esclarecer as obscuridades, bem como corrigir a equivocada premissa em que se fundou a decisão embargada, com modificação da parte dispositiva do acórdão, para dele constar o provimento do recurso no que tange ao pedido de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Nesse mesmo sentido, afirma Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração não visam à reforma do acórdão ou da sentença, admitindose a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” 2. Conforme já decidiram o Supremo Tribunal Federal (STF) 3 e o STJ4, somente em casos excepcionais, quando a decisão embargada encontrase em total dessintonia com a matéria fática presente nos autos, contendo vícios insanáveis decorrentes da inexistência 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. 2 Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005. 3 ARE 738259 AgRED / DF DISTRITO FEDERAL, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 18/06/2013, Segunda Turma; RE 372975 AgRED / SP SÃO PAULO, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 21/05/2013, Segunda Turma; ARE 664537 AgR ED / BA BAHIA, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 16/04/2013, Segunda Turma etc. 4 EDcl no AgRg no HC 183515 / DF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS 2010/01590664, Relator(a) Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, j. 20/06/2013 etc. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 318 6 das premissas da decisão ou desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação, vislumbrase a possibilidade de se acolherem os embargos de declaração com efeitos infringentes. A par dessas considerações, verificase, de pronto, que o Embargante postou se assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão embargado, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Conforme se demonstrará na seqüência, não se trata o presente caso de hipótese excepcional a exigir a aplicação de efeitos infringentes aos embargos com vistas à prolação de novo acórdão. Registrese, de início, que o Embargante cometera um equívoco ao requerer a juntada aos autos do voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, pois, no acórdão embargado, o voto do relator restou vencedor, não se aplicando ao caso, por total incompatibilidade, a designação de outro conselheiro para a redação de um outro voto, não importando de que natureza. De acordo com o § 1º do art. 63 do Regimento do CARF5, a figura do voto vencido ocorre nos casos em que o voto do relator não obtém a adesão da maioria da turma julgadora, restando, por conseguinte, vencido, decorrendo dessa hipótese a necessidade de se designar um outro conselheiro para redigir o voto vencedor. Contudo, essa hipótese não ocorreu neste processo, pois, conforme acima já dito, o voto do relator, ou seja, do conselheiro para quem o processo fora sorteado, foi acompanhado pela maioria, excetuandose o já citado conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, diferentemente dos demais membros da turma que decidiram por não prover o recurso voluntário, votou pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos solicitados pelo então Recorrente. Esclareçase que inexiste no Regimento Interno do CARF, ou mesmo no Decreto nº 70.235, de 1972, previsão de juntada de um voto específico contendo as posições dos conselheiros que restaram vencidos no acórdão, havendo, no máximo, a previsão de declaração de voto, mas de caráter facultativo, a depender do interesse do conselheiro vencido em demonstrar a posição por ele defendida, conforme se depreende do contido no art. 63 e §§ do Regimento do CARF. Nesse sentido, não tendo o conselheiro vencido se predisposto a apresentar declaração de voto, a ausência desta no acórdão embargado não pode ser considerada causa de anulação ou de declaração de nulidade da decisão, uma vez que esta, conforme acima apontado, fora formalizada em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal. 5 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 319 7 Se o conselheiro vencido votara pela conversão do julgamento em diligência, não se pronunciando sobre o teor e a extensão dessa medida, logicamente que essa diligência só pode ser aquela requerida pelo então Recorrente. Não se pode perder de vista que a referida diligência fora matéria vencida por ampla maioria, não gerando qualquer efeito jurídico no presente processo a descrição pormenorizada dos procedimentos que, caso tivesse sido vencida a tese, deveriam ser observados em sua realização. Ainda mais por se tratar de pedido do próprio Recorrente, encontrandose o objeto da lide, nessa matéria, restringido pelo que fora arguido pela parte interessada. No que tange à decisão contida no acórdão embargado quanto à preclusão processual, nada há a reparar, pois tal matéria foi extensivamente abordada no voto do relator, tendo siso apontadas as razões de fato e de direito em que se pautara, bem como os dispositivos legais aplicáveis. O fato de o interessado não concordar com a tese vencedora, mesmo que amparado em posições doutrinárias e/ou jurisprudenciais, não é razão suficiente para que se reaprecie a matéria, dada a inocorrência de qualquer vício a reclamar por reforma. No que se refere ao pedido do Embargante de esclarecimentos quanto ao que a turma considera preliminar ou mérito, e se este abrange também o pedido de exame da prova documental, registrese que, conforme o próprio Embargante apontara em sua peça recursal, o voto condutor do acórdão embargado fora didaticamente elaborado, enfrentandose de início a preliminar de nulidade arguida e, na seqüência, o mérito do recurso, encontrandose abrangido por este toda a matéria enfrentada a partir de então, tudo em conformidade com o art. 59, caput, e § 1º, do Regimento Interno do CARF6. Por outro lado, em um ponto, assiste razão ao Embargante, pois, de acordo com o entendimento externado no parágrafo anterior, por se tratar o pedido de diligência de questão de mérito, não poderia ter constado do resultado do julgamento a afirmativa de que o conselheiro vencido havia se abstido de votar o mérito e ao mesmo tempo votado pela conversão do julgamento em diligência, dada a total incompatibilidade das duas asserções. Essa contradição deve ser reformada. Quanto à alegada contradição entre a decisão de não se conhecer dos argumentos de defesa trazidos aos autos somente em sede de recurso, por preclusão processual, e a conclusão do acórdão embargado de negar provimento ao recurso, conforme se demonstrará a seguir, ela também não merece acolhida. Conforme se verifica do relatório supra, assim como do acórdão embargado e do conteúdo dos embargos ora analisados, para além dos elementos fáticos e das razões de direito considerados preclusos, se encontravam controvertidas nos autos apenas as questões relativas à existência de um pagamento a maior – e aqui merece o destaque que tal possibilidade pode não depender do fundamento de direito da ocorrência desse pagamento a maior, pois este poderia decorrer de mero erro no preenchimento do DARF ou de erro na declaração do valor da contribuição na DCTF – , do pedido de diligência/perícia e da apresentação extemporânea de prova, tendo sido os pedidos correlatos a essas questões não 6 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1° Rejeitada a preliminar, o conselheiro vencido votará o mérito. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 320 8 acolhidos pela turma, nos termos extensivamente expostos no voto condutor do acórdão embargado. Uma vez que os novos argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso não compunham a lide, pois, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada pela impugnação/manifestação de inconformidade, temse que as outras questões apreciadas, que restaram controvertidas – prova e diligência –, uma vez denegadas, reclamavam uma conclusão contendo a negativa do recurso então interposto, conforme efetivamente se deu. A extensa exposição acerca da preclusão processual justificavase, também, para se fundamentar a negativa à apresentação de documentos a posteriori, matéria essa que compunha o mérito então apreciado, em razão do já dito neste voto quanto à formação da lide no momento da impugnação e ao trânsito em julgado de matéria não impugnada. Por outro lado, há que se ponderar que o acórdão embargado poderia ter especificado, além da negativa do recurso na parte controvertida, o não conhecimento das outras questões consideradas preclusas. Contudo, a falta de agir nesse sentido não importa em omissão ou contradição no acórdão embargado, pois, como se constata de muitas decisões do Poder Judiciário, a negativa de provimento do recurso pode abranger a preclusão processual, conforme se verifica, exemplificativamente, das decisões reproduzidas a seguir: STF. AI 769955 AgR / MG, Relator Min. Gilmar Mendes, j. 04/02/2010, Tribunal Pleno. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Ausência de peça obrigatória à formação do instrumento (art. 544, § 1º, CPC). Cópia da procuração outorgada aos patronos da parte agravante. 3. Ônus de fiscalização da parte agravante. Precedentes. 4. Juntada extemporânea. Desconsideração. Preclusão consumativa. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) STF. AI 824256 AgR / PR, Relator Min. TEORI ZAVASCKI, j. 19/02/2013, Segunda Turma Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO, BEM COMO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 93, IX, DA CF. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. OFENSA AOS ARTS. 5º, LIV, E 105, III, “A”, DA CF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (grifei) Com base nos excertos supra, constatase que a preclusão processual pode ser abrangida pela decisão de se negar provimento ao recurso, ainda mais quando esta abarca, também, pedidos conhecidos mas não acolhidos pela turma. Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado no recurso voluntário, nos termos do art. 18, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, ele se submete ao juízo da autoridade julgadora administrativa quanto à sua Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909045/200901 Acórdão n.º 3803004.377 S3TE03 Fl. 321 9 necessidade, imprescindibilidade e praticabilidade, devendo ser indeferido o pedido que não se enquadre nessas hipóteses. No presente processo, conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, por se tratar de pedido de restituição e declaração de compensação formulados pelo próprio contribuinte, o ônus da prova a ele compete, pois se refere a informações e documentos presentes em sua contabilidade e em seus controles e arquivos internos, não se podendo transferir ao julgador administrativo a tarefa de buscar tais dados, pois, assim agindo, estarseá, efetivamente, invertendo o ônus da prova, daí a negativa do pedido de diligência. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, para excluir do resultado do julgamento do acórdão nº 380303.472 a expressão “abstendose de votar o mérito”, resultado esse que passará a ter o seguinte teor: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que votou por converter o julgamento em diligência.” É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10665.000402/2006-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Comprovado parcela do pagamento a título de despesas com instrução, o contribuinte faz jus à dedução da correspondente despesa na apuração da base de cálculo do imposto.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 65,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Comprovado parcela do pagamento a título de despesas com instrução, o contribuinte faz jus à dedução da correspondente despesa na apuração da base de cálculo do imposto. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 65,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Comprovado parcela do pagamento a título de despesas com instrução, o contribuinte faz jus à dedução da correspondente despesa na apuração da base de cálculo do imposto. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 65,00. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 04 02 /2 00 6- 48 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.000402/200648 Acórdão n.º 2801003.169 S2TE01 Fl. 219 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra Lúcio Aparecido Moreira, CPF 474.616.83691, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 03 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$10.906,26, acrescido de multa de ofício de 75% e 150% e de juros de mora calculados até 31/05/2006. O Auto de Infração se reporta aos dados informados nas declarações de ajuste anual do interessado (fls. 39/41 e 45/48), tendo sido efetuados os seguintes lançamentos: 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$9.608,55 (IRRF de R$115,25), decorrentes do trabalho com vínculo empregatício no ano de 2003, conforme Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF apresentada pelo Governo do Estado de MG. Seplag/Superint. Central de Administração, CNPJ 05.461.142/000170. 2 Redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente. O contribuinte apresentou apenas os recibos. Não comprovou com documentação adequada a efetiva utilização dos serviços profissionais nem o efetivo pagamento dos respectivos dispêndios lançados a título de despesas médicas. Glosa de despesas médicas lastreadas em documentos inidôneos conforme Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, exarada no processo Administrativo n° 10665.000244/200626. 3 Redução indevida da base de cálculo com despesas com instrução, pleiteadas indevidamente. Falta de comprovação, não foi apresentado nenhum documento. Inconformado, o interessado apresenta em 03/08/2006 a impugnação parcial às fls. 68 a 92, instruída com os documentos de fls. 93 a 172, na qual requer o cancelamento do lançamento alegando, em síntese, que: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.000402/200648 Acórdão n.º 2801003.169 S2TE01 Fl. 220 3 • não houve omissão do valor de R$9.608,55, já que este valor foi estornado pelo Governo conforme extrato do Banco Itaú, tendo em vista o fato de que o contribuinte não mais pertencia ao quadro da instituição; • são devidas as despesas médicas glosadas já que estão comprovadas pelos recibos e declarações emitidas pelos profissionais de que os serviços foram prestados ao próprio contribuinte e seus dependentes; • bastaria fazer um cruzamento da declaração do autuado com as declarações dos profissionais para verificar que foram tributados os valores recebidos pelos serviços prestados; • seja solicitada perícia dos documentos apresentados; • são devidas as com despesas com instrução, conforme documentação apresentada; • seja permitido a apresentação posterior de provas. Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e doutrinas que entende virem ao encontro de seus argumentos. Alega também cerceamento do direito de defesa e que princípios constitucionais teriam sido desconsiderados. A tela à fl. 56 demonstra que a parcela da exigência relativa à parte não litigiosa, correspondente à glosa de despesas médicas relativas ao profissional João Batista Ferreira de Andrade (R$5.000,00 no exercício 2004), imposto suplementar de R$784,08 com multa qualificada de cento e cinquenta por cento, foi transferida para o processo de parcelamento n° 10665.720228/200653.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 181/187, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Será efetuado lançamento de oficio, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, DESPESAS MÉDICAS, DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são admitidas as deduções de despesas médicas e despesas com instrução, com observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. PERÍCIA. Prescindível a realização de perícia, à vista de peças processuais cuja análise permite dirimir o litígio. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.000402/200648 Acórdão n.º 2801003.169 S2TE01 Fl. 221 4 Regularmente cientificado daquele acórdão em 16/02/2011 (fl. 188), o interessado, representado por seu advogado (fl. 175), interpôs recurso voluntário de fls. 189/211, em 15/03/2011, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, destaquese que inexiste elementos ou argumentos, nos autos, capazes de afastar a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal, em consonância com a DIRF (Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte) apresentada pela fonte pagadora Governo do Estado de MG. Seplag/superint.Central de Administração, CNPJ 05.461.142/000170. No que se refere à dedução de despesas com instrução, a decisão recorrida assim se manifestou: “No tocante ao mérito, em relação a gastos com instrução, diz a legislação que na base de cálculo do imposto devido nos anos calendário iniciados a partir de 1ª o de janeiro de 1996, poderão ser deduzidos, nas declarações de rendimentos, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), de 1º , 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual fixado anualmente, não se incluindo no conceito de despesas com instrução os gastos efetuados com uniforme, material e transporte escolar, livros e academias de ginástica (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8o , II, alínea "b", arts. 39 e 41 da IN SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001). Analisandose os recibos de fls. 153 a 162, não restou comprovado que houve o efetivo pagamento já que os mesmos não possuem nenhuma prova da quitação. Ademais, existem recibos, como os documentos de fl. 160, que se referem ao curso de inglês pela CCAA, que não podem se aceitos já que não há previsão legal que permita a dedução de despesas com cursos de idiomas. Também não podem ser acatadas as despesas referentes aos cupons fiscais às fls. 163 a 165, por se tratarem de despesas na aquisição e livros que não podem se aceitos por falta de previsão legal. Deste modo, temos que deve ser mantida o lançamento referente à glosa das despesas com instrução.” Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.000402/200648 Acórdão n.º 2801003.169 S2TE01 Fl. 222 5 Apesar de o recorrente não ter apresentado novos elementos de prova, verificase que dentre os mencionados recibos de fls. 153 a 162 consta consignada a quitação da mensalidade de R$ 65,00 com vencimento em 07/07/2003, cuja parcela deverá ser levada a efeito no presente caso. O recorrente ainda requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos pagamentos/prestação dos serviços das reclamadas despesas médicas. No caso sob exame, como o recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela fiscalização e decisão de primeira instância, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.000402/200648 Acórdão n.º 2801003.169 S2TE01 Fl. 223 6 Ademais, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pela recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas com instrução no montante de R$ 65,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 223DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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