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Numero do processo: 10530.001624/99-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
Numero da decisão: 3201-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de conhecimento, dado provimento por unanimidade, tendo os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votado pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso, para retornar o julgamento à DRJ, a fim de que seja julgado o mérito, nos termos do voto do relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 05/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de conhecimento, dado provimento por unanimidade, tendo os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votado pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso, para retornar o julgamento à DRJ, a fim de que seja julgado o mérito, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 05/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito, pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Quanto à preliminar de conhecimento, dado provimento por unanimidade, tendo os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votado pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso, para retornar o julgamento à DRJ, a fim de que seja julgado o mérito, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 05/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 16 24 /9 9- 03 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da decisão recorrida, segue abaixo a transcrição do relatório da instância a quo e da sua ementa, bem como as razões recursais: Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a maior da Contribuição ao Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL, no periodo de setembro de 1989 a março de 1992, acrescida da SELIC, conforme planilhas de cálculo às fls. 02/03, na forma do Decreto nº 2.138/1997 c/c IN SRF nº 21/1997. O pleito foi indeferido com base nos arts. 165 e 168 do CTN, no Parecer PGFN/CAT/nº 1.538/1999 e no Ato Declaratório SRF nº 096/1999, em virtude da decadência do direito, pois a petição fora protocolada após esgotado o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Intimada do Despacho Decisório nº 166/2000, fls. 29/33, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 34/44), alegando, em síntese, que: 1. o Parecer COSIT nº 58/1998 aboliu as restrições quanto a restituição ou compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL e outras exações declaradas inconstitucionais pelo STF. Estabeleceu que a decadência é contada a partir do trânsito em julgado da decisão do STF e esta tem efeito ex tunc; 2. o processo foi formalizado na vigência do entendimento do Parecer Cosit, devendo, portanto, ser atendido o pedido (restituição ou compensação); 3. o Ato Declaratório nº 96/1999 determina que valores pagos indevidamente, mesmo aqueles declarados inconstitucionais pelo STF, prescrevem em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário — contagem do prazo de cinco anos do fato gerador, acrescido de mais cinco anos da homologação tácita — tendo em vista que o FINSOCIAL é uma exação lançada por homologação; 4. o Decreto nº 2.346/1997 determina a fiel observância, pela administração pública, das decisões do STF; 5. a decisão declaratória de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em ação direta, após transitada em julgado, deve ser dotada de eficácia ex tunc, produzindo efeitos deste a entrada em vigor da norma considerada inconstitucional; 6. a doutrina e a vasta jurisprudência citadas dão suporte a sua linha de pensamento quanto ao prazo de prescrição dos tributos lançados por homologação, razão pela qual deve ser Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10530.001624/9903 Acórdão n.º 3201001.289 S3C2T1 Fl. 102 3 deferido o pedido de restituição ou compensação dos valores recolhidos indevidamente. Por fim, noticia que ingressará na Justiça Federal, requerendo a devolução, em forma de compensação, dos valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL. Consta, à fl. 46, Despacho DRJ/SDR nº 329, em 27/06/2000, do qual a Contribuinte foi intimada a apresentar cópia da petição inicial que instruiu o processo judicial, relativamente à matéria discutido no presente processo, ou firmar declaração de que não foi intentada a referida ação. Tendo em vista que a Contribuinte não atendeu ao disposto na Intimação nº 041/2000 (fls. 47/48), retornouse o processo para julgamento. Em 25/09/2000, a instância a quo não conheceu a impugnação, ficando o Acórdão nº 1966 assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A opção pela via judicial importa em renúncia ou desistência da esfera administrativa, em face do princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. Impugnação não conhecida. Irresignada com a decisão desfavorável, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos já suscitados em sua manifestação de inconformidade. Em 21/06/2001, os membros da Primeira Turma do Segundo Conselho de Contribuintes houveram por bem converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, a fim de verificar a fase processual em que se encontra a ação judicial impetrada pela Recorrente, informando, inclusive, eventual julgamento de mérito. Diante disso, formalizouse a Resolução nº 20100.144. Com efeito, a Recorrente foi intimada a apresentar cópia da decisão judicial do Processo nº 2000.33.00.0216800. Em resposta, a Recorrente informou que o referido processo judicial foi extinto sem julgamento de mérito, por lhe carecer a possibilidade jurídica do pedido. Ademais, esclarece que nunca houve concomitância eis que eram diferentes os objetos dos processos administrativo e judicial. À vista das informações prestadas, o processo foi distribuído para o Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Decreto nº 4.395, de 2002, sendo que, em 26/03/2009, já sob a vigência no novo regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento novamente converteu o julgamento em diligência, desta vez para que a Unidade de Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Origem solicitasse à Justiça Federal a Certidão de Objeto e Pé, referente ao Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0216800. A Certidão de Objeto e Pé foi juntada pela Recorrente à fl. 100, dando fé de que a sentença que extinguiu o processo em questão, sem julgamento de mérito, transitou em julgado em 08/11/2000. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Considerando que o processo judicial que dava ensejo à concomitância foi julgado extinto, sem julgamento de mérito, o recurso voluntário torna a preencher os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da discussão cingese ao prazo para a Recorrente pleitear a restituição de valores pagos a maior a título de Finsocial no período de 10/1989 a 04/1992, ou seja, se seria de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário ou dez anos a contar da data do fato gerador do tributo. Como a questão da decadência não foi enfrentada pela instância a quo, fazse necessário que a decisão recorrida seja anulada para que uma nova seja proferida. Embora já exista decisão do Supremo Tribunal Federal proferida sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil, este colegiado não pode julgar o mérito da questão a menos que seja cometida supressão de instância, e isso não é uma opção. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e devolver o processo para novo julgamento da DRJ, que agora deverá enfrentar o mérito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903599/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e na seqüência, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 103 1 102 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.903599/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.077 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA BELMOK LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e na seqüência, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 99 /2 00 9- 46 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.903599/200946 Acórdão n.º 3801002.077 S3TE01 Fl. 104 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.903599/200946 Acórdão n.º 3801002.077 S3TE01 Fl. 105 3 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação da Recorrente com base em suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisória a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega que realizou um pagamento a maior e que tem direito ao crédito pleiteado. A DRJ de Campinas não reconheceu o crédito da Recorrente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a esse Conselho alegando, em síntese, que identificou recolhimentos a maior decorrentes de alargamento da base de cálculo de PIS/COFINS com base no artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e com base de exclusão na base de cálculo dessas mesmas contribuições de créditos decorrentes do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, da exclusão do ICMS e do ISS sobre a base de cálculo dos tributos, requerendo, a final, o reconhecimento dos créditos É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.903599/200946 Acórdão n.º 3801002.077 S3TE01 Fl. 106 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Por atender os requisitos de admissibilidade conheço do presente recurso no que refere à alegação de existência de crédito a compensar. Pelo que pode ser visto nas alegações do recurso voluntário a recorrente informou possuir crédito decorrente do alargamento da base de cálculo de PIS/COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998, créditos decorrentes do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, da exclusão do ICMS e do ISS sobre a base de cálculo dos tributos. Independentemente do exame do mérito dessas questões tenho que não é possível homologar as compensações pleiteadas por dois motivos: o um, porque os motivos que refereciam ao mérito não foram apontados na primeira instância de julgamento e é defeso a esse Conselho examinar questões que não foram impugnadas; o dois, porque a Recorrente não trouxe qualquer prova que substanciasse o seu pedido. Assim, em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais ela inova quanto aos argumentos que substanciam o seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.903599/200946 Acórdão n.º 3801002.077 S3TE01 Fl. 107 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não tendo sido apontadas essas questões na Manifestação de Inconformidade, não é possível a essa turma conhecelos. Independentemente disso, considerando que estamos diante de um pedido de compensação, caberia à contribuinte, no mínimo, provar o seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Seria, desse modo, imprescindível que a Recorrente carreasse aos autos as provas que sustentam seus argumentos no sentido de refutar o procedimento fiscal e comprovar cabalmente o seu crédito. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.903599/200946 Acórdão n.º 3801002.077 S3TE01 Fl. 108 6 No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13971.904715/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QORG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 15 /2 00 9- 44 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de retorno de diligência determinado através da Resolução nº 3301 000.120, prolatada por este colegiado na sessão de 07 de outubro de 2011, em razão de tratar se de matéria submetida à sistemática da repercussão geral pelo Egrégio STF, a saber a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 43/44, referente à Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de agosto de 2003, decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido, não compete à Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329, de 1970, que assim dispõe: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904715/200944 Acórdão n.º 3301001.833 S3C3T1 Fl. 95 3 “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Ademais disto, o artigo 3°, §1 0 da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie, e até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. Cientificada em 08/06/2010 (AR fl. 46), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 47/57, em 07/06/2010, sustentando que por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1 0 da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços. Especificamente no caso concreto, na data de 14/12/2005, a empresa transmitiu a PER/DCOMP n° 19887.71836.141205.1.3.049909, por meio da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de julho de 2003, já que na data de 15/08/2003 recolheu indevidamente, "a maior", o valor originário de R$ 6.493,00 (calculado sobre receita não operacional da empresa, conforme bem demonstram os documentos anexos, em especial a DCTF e ficha do livro razão). Na sessão de 7 de outubro de 2011, este colegiado converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apreciasse o mérito do pedido de restituição/compensação formulado pela /Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que, dos R$ 187.329,44 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 07/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 6.493,00 a título de pagamento indevido ou a maior. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido das demais condições legais pertinentes. Conforme relatado, trata o presente recurso de pedido de restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito decorrente do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS, promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF, conforme depreendese do seguinte julgado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 2811 2008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP 00871 ) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Desta forma, considerado que com a realização da diligência restou confirmado com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que, dos R$ 187.329,44 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 07/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 6.493,00 a título de pagamento indevido ou a maior, exatamente o valor solicitado pela Recorrente, enseja o provimento do recurso. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de reconhecer o indébito decorrente dos pagamentos maiores que os devidos, em virtude do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904715/200944 Acórdão n.º 3301001.833 S3C3T1 Fl. 96 5 Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10875.902978/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, por unanimidade de votos, não homologou o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 8/ 20 08 -3 8 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3202000.138 S3C2T2 Fl. 249 2 Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Campinas: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: ... O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria "... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito". Este é o Relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Campinas é a seguinte: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável a efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender As disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3202000.138 S3C2T2 Fl. 250 3 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão central é fato de a Recorrente ter retificado DCTF após a prolação de despacho decisório, sendo que, com isso, teria realizado recolhimento a maior de tributo. O artigo 9º da IN RFB 1.110/2010 permite a retificação de DCTF a qualquer momento antes da remessa do débito para a PGFN, senão vejamos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902978/200838 Resolução nº 3202000.138 S3C2T2 Fl. 251 4 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal Ora, a forma não pode prevalecer sobre a essência. Pelo que consta dos autos, pareceme que o ponto central do litígio decorre da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.003094/2007-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA DO SIMPLES FEDERAL PARA O SIMPLES NACIONAL OBSTADA POR PENDÊNCIAS INEXISTENTES.
Constatada a ocorrência de erro quanto à não migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, deve a Contribuinte ser enquadrada no Simples Nacional também no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, quando ficou dele excluído por pendências que se mostraram inexistentes.
Numero da decisão: 1802-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA DO SIMPLES FEDERAL PARA O SIMPLES NACIONAL OBSTADA POR PENDÊNCIAS INEXISTENTES. Constatada a ocorrência de erro quanto à não migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, deve a Contribuinte ser enquadrada no Simples Nacional também no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, quando ficou dele excluído por pendências que se mostraram inexistentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MIGRAÇÃO AUTOMÁTICA DO SIMPLES FEDERAL PARA O SIMPLES NACIONAL OBSTADA POR PENDÊNCIAS INEXISTENTES. Constatada a ocorrência de erro quanto à não migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, deve a Contribuinte ser enquadrada no Simples Nacional também no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, quando ficou dele excluído por pendências que se mostraram inexistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 30 94 /2 00 7- 97 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou correta a negativa de enquadramento da Contribuinte no Simples Nacional, relativamente ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, conforme já havia decidido a Delegacia de origem (DRF Ponto Grossa/PR). Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0634.236, às fls. 54 a 56: 1. Trata o processo de impugnação ao indeferimento (fls. 16/18) de Pedido de Inclusão no Simples Nacional (fls. 02/03), em razão de ausência de opção por meio da Internet de empresa que não migrou do Simples Federal automaticamente. 2. Cientificada do Despacho Simples Nacional n° 092/2008 em 14/05/2008 (fl. 21), a empresa interessada apresentou impugnação (fls. 24/26), em 11/06/2008 (fl. 24), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 46), acompanhada dos documentos de fls. 27/45, alegando, em síntese, que: a) Dentro do prazo legal, na página da Receita Federal, a impugnante diligenciou sua migração automática para o Simples Nacional, mas por problemas operacionais, conforme explanado pelo Órgão Gestor (fls. 11), a empresa não foi incluída pelo Sistema, mesmo preenchendo todos os requisitos do art. 3º da Lei Complementar n° 123, de 2006. b) O item 5 da decisão recorrida não é plausível, sendo injusto o indeferimento, como podemos observar: [..., de apesar de ter gerado o código de acesso, não provou que houve erro de fato, ou seja, não juntou tela de que sua opção foi enviada com sucesso, embora não tenha salvo o termo de opção para conclusão do processamento de sua solicitação.] c) Desde sua constituição, a empresa sempre foi de pequeno porte, fazendo jus ao Simples Federal. Após o procedimento de migração, no dia 09/08/2007, ao ser gerado o DAS de recolhimento, constou a informação de não ser a empresa optante pelo Simples Nacional e como o prazo para inclusão tinha sido prorrogado para 28/08/2007, diligenciou junto à Receita Federal em Guarapuava e obteve a informação de que tal ressalva estava sendo gerada para todas as empresas e que possíveis problemas na migração seriam solucionados em breve. d) Os requisitos subjetivos para ingresso no anocalendário de 2007 foram preenchidos, não se justificando a não migração e o indeferimento do pedido de inclusão. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR considerou correta a negativa de enquadramento da Contribuinte no Simples Nacional, relativamente ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. MIGRAÇÃO. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que incorrerem em situação impeditiva ao ingresso no Simples Nacional. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio O voto que orientou a decisão administrativa de primeira instância apresenta os seguintes fundamentos: 4. A “Consulta à regularidade para ingresso no Simples Nacional (opção automática)” apresentada com a impugnação (fls. 06) revela a não migração automática por pendência cadastral ou fiscal com o Município de Guarapuava. A observação constante dos Documentos de Arrecadação do Simples Nacional apenas confirma essa situação. 5. A impugnante sustenta que não migrou automaticamente, nos termos do § 4º do art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 2006, por problemas operacionais, conforme informativo de fls. 11 o qual ressalta que em função de problemas operacionais no processamento das opções ocorreram indeferimentos por Estados e Municípios, mas que tais problemas foram solucionados por reprocessamento, cabendo ao interessado em não permanecer no Simples Nacional formular requerimento administrativo solicitando o cancelamento da opção, em razão do encerramento do prazo para solicitar o cancelamento por meio do Portal Simples Nacional. 5.1. No Pedido de Inclusão no Simples Nacional (fls. 02/03), a empresa esclareceu que, ao solicitar a opção, o Portal do Simples Nacional acusou pendência perante o Fisco Municipal de Guarapuava, contudo o Departamento Fiscal do Município constatou não haver irregularidade ou pendência fiscal, conforme Certidão Negativa (fl. 04) e “Pesquisa e Avaliação de Empresas Optantes do Simples Federal Simples Nacional Migração” (fl. 05). 6. A definição acerca de ser indevida a pendência com o Município de Guarapuava em 01/07/2007 e o cabimento de migração automática em razão da inocorrência/liberação da pendência com o Município são questões estranhas à Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 5 4 competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante da inteligência extraída do art. 39 da Lei Complementar n° 123, de 2006, e do disposto nos §§ 1º, 1°A e 1°B do art. 8º da Resolução CGSN n° 4, de 2007. 6.1. Portanto, devemos nos limitar a apreciar a alegação de que solicitação de opção não teria sido confirmada por problemas no Portal Simples Nacional, ainda que decorrentes da informação de pendência com o Município de Guarapuava. Notese que esse limite também foi observado pelo Despacho Simples Nacional n° 092/2008 (fls. 16/18). 7. Como bem observou o referido Despacho, não consta do relatório “Lista de Eventos” (fl. 15) solicitação de opção entre 01/07/2007 e 20/08/2007, uma vez que há apenas a indicação de solicitação de opção formulada em 14/01/2008. 7.1. Além disso, apesar de o contribuinte ter gerado código de acesso (manuscrito no documento de fls. 06), não juntou tela demonstrando que tenha sido enviada solicitação com sucesso. 7.2. O fato de o contribuinte ter gerado o código de acesso não significa que tenha encaminhado solicitação de opção. Isso porque, o código de acesso é um prérequisito para se formalizar a solicitação de opção, sendo dispensável para os contribuintes que possuam certificado digital. 7.3. Além disso, diante da ausência de registro na “Lista de Eventos” de solicitação de opção entre 01/07/2007 e 20/08/2007, a impugnante deveria ter feito prova do encaminhamento de solicitação nesse período, mediante juntada de tela impressa do Portal do Simples Nacional. 7.4. Ressaltese que em tal tela constaria o botão “Salvar” para que o Termo de Opção ao Simples Nacional fosse salvo e o processamento concluído, com o conhecimento de seu resultado. 7.5. Logo, não há implausibilidade no item 5 do Despacho Simples Nacional nº 092/2008. 8. Não tendo migrado automaticamente (ou seja, não tendo sido considerada inscrita nos termos do § 4º do art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 2006), se a empresa quisesse ingressar no Simples Nacional, deveria ter formulado solicitação de opção no Portal do Simples Nacional, nos termos do caput do art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 2006 (Resolução CGSN n° 4, de 2007, art. 9º, parte final do § 3º). 8.1. Não havendo nos autos sequer prova de tentativa de solicitação de opção entre 01/07/2008 e 20/08/2007, não prospera a alegação de que solicitação de opção não teria sido confirmada por problemas no Portal Simples Nacional. 9. Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o indeferimento do Pedido de Inclusão no Simples Nacional. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 6 5 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/10/2011 (quintafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2011 (segundafeira) com os argumentos abaixo descritos: firme no entendimento acerca da necessidade de prova da tentativa de solicitação de opção entre 01/07/2007 e 20/08/2007, a Delegacia de Julgamento manteve o indeferimento da migração do Simples para o Simples Nacional; a questão a ser dirimida no presente feito gira em torno da necessidade, ou não, de a empresa optante pelo regime simplificado de tributação, previsto pela Lei 9.317/96, adotar providências preliminares para realizar sua migração para o Super Simples, nos moldes como asseverado na decisão regional; o decisão recorrida apegase com todas as forças em questões meramente formais e que extrapolam (e muito) o alcance do que determina a legislação de regência naquilo que diz respeito à migração de empresas já enquadradas no regime simplificado instituído pela lei 9.317/96 para o Simples Nacional regulamentado pela Lei Complementar 123/06 e demais orientações advindas do regramento específico instituído pelo Comitê Gestor; o julgado atacado defende que caberia ao Contribuinte optante pelo Simples demonstrar o seu interesse em realizar a sua migração para a nova modalidade, bem como que o seu enquadramento na nova sistemática dependeria da inexistência de débitos; contudo, uma análise mais detida e minuciosa da letra da lei não deixa dúvidas que a Recorrente preenchia, como preenche até dias de hoje, todos os requisitos exigidos para a sua inclusão no novo regime simplificado, na medida em que há tempos figurava (como figura) como empresa optante pelo Simples e, sobretudo, porque não havia qualquer fator impeditivo para a migração; nos termos do que dita o artigo 16 da Lei Complementar 123, bastava a empresa estar inserida no regime instituído pela Lei 9317/96 para que, automaticamente, tivesse realizada a sua inscrição no Simples Nacional; a Resolução CGSN nº 04/2007, com o fito de regulamentar a sistemática dessa transferência, fixou como regra geral a migração automática ou tácita como sendo essa a modalidade de opção para aquelas ME ou EPP que estivessem enquadradas no regime anterior. Essa mecânica veio expressamente idealizada nos termos do artigo 18 da referida Resolução; uma análise pormenorizada das disposições do referido art. 18 da Resolução CGSN nº 04/2007 dá a exata noção do equívoco que vem sendo perpetrado em desfavor da peticionaria na medida em que: 1. a inscrição no novo Simples Nacional dependia, exclusivamente, da sua condição de optante pelo regime tributário anteriormente instituído pela Lei 9317/96, fato esse incontroverso nos autos em testilha; 2. para a concretização da opção tácita, a empresa não poderia ter sido excluída da sistemática do Simples ou possuir débitos cuja exigibilidade não estivesse suspensa. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 7 6 percebese, então, que para o ingresso na nova sistemática de tributação bastaria figurar como optante do Simples e estar em dia com o pagamento dos valores decorrentes do mecanismo simplificado para passar a usufruir, automaticamente, das vantagens decorrentes da Lei Complementar nº 123, não existindo nenhuma outra formalidade necessária para a consecução de tal ato, sendo certo que o regramento norteador não instituiu a obrigatoriedade em acessar o sítio eletrônico do Programa, na internet, como forma de validar a inscrição e a opção; ao contrário disso, a combinação entre o disposto nos parágrafos 6º e 8º do referido art. 18 da Resolução CGSN nº 04/2007 não deixa margem a qualquer dúvida quanto à intenção do legislador de que o ingresso no Simples Nacional ocorreria tranquilamente para aqueles que já figurassem como beneficiários do sistema, e que somente o desejo de não ingressar nos quadros é que acarretaria a obrigação de utilizar a rede mundial de computadores; ou seja, bastava o silêncio dos já optantes para que ocorresse a inscrição, automática e imediata, do Contribuinte no sistema unificado de tributação denominado Super Simples ou Simples Nacional, sendo despicienda qualquer outra medida ou formalidade, salvo nos casos de não haver interesse na opção, quando, então, a informação deveria ser levada a efeito através dos formulários da internet; o referido art. 18 está em perfeita consonância com o que dita o parágrafo 4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, não dando margem a qualquer distorção ou outra exigência. Tratase de norma cogente, não cabendo ao intérprete dar qualquer entendimento capaz de derruir a intenção do legislador; tornase evidente, pois, que a condição de optante pelo SIMPLES da lei 9.317/96 é fator determinante para a solução do caso em tela na medida em que estabiliza as relações tributárias em curso, sendo determinado o conjunto de regras aplicáveis ao Contribuinte; somente essa razão seria mais do que suficiente para a reforma da decisão da Turma Julgadora, porquanto, como visto, não há na legislação uma ordem direta no sentido de que caberia à empresa adotar as formalidades exigidas no acórdão guerreado; também não andou bem o acórdão objurgado no que se refere à questão da existência de débitos, enquanto fator impeditivo à inscrição da empresa no Simples Nacional no período subseqüente ao advento do novo regramento instituído pela Lei Complementar 123; os documentos que seguiram com a impugnação, e que agora vão com o presente recurso, demonstram que à época dos fatos (julho/agosto 2007) a Recorrente não possuía nenhum débito (principal ou acessório) ou qualquer outra pendência com algum ente da Administração Pública a ponto de incorrer nas vedações de ingresso previstas pela lei. Tanto é assim que até o presente instante não recebeu nenhuma informação oficial dos Órgãos Públicos (a não ser os julgamentos ocorridos nos presentes autos) dando conta do indeferimento de sua opção, a teor do que determina o artigo 8º da Resolução CGSN nº 04/2007, essa sim uma preterição de formalidade indispensável à validade do feito; é bom lembrar, outrossim, que ao contrário do que asseverado na decisão, toda a discussão foi deflagrada por erros operacionais do sistema, tal qual já demonstrado no bojo das peças anteriores e, jamais em razão de pendência tributária de qualquer ordem, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 8 7 mormente porque a Recorrente sempre se manteve em dia com todas as suas obrigações tributárias, desde a sua fundação, em especial àquelas vinculadas à Receita Federal; basta um confronto entre o documento denominado "Consulta a regularidade" com o intitulado como "Pesquisa e avaliação de empresas optantes do Simples Federal" para perceber que há muito a empresa teve deferida a avaliação para a migração automática de um regime para o outro, não sendo possível aceitar a posição do Fisco Federal em indeferir a sua inscrição; não há como se perder de vista o aspecto teleológico da lei que, ao instituir o Simples Nacional, teve por objetivo precípuo conferir tratamento simplificado, diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte, daí porque não pode ser exigido do Recorrente um aumento da carga tributária, com o indeferimento da sua opção, pelo só fato de não haver a adoção das formalidades exigidas pelo Fisco, sem qualquer lastro legal; a Contribuinte desde sempre figura nos quadros do Simples Federal, onde vem efetuando pontualmente o pagamento das suas obrigações fiscais, inclusive a partir da competência de julho/2007 (mês no qual entrou em vigor a LC n° 123/2006, art. 88), não lhe podendo ser oposto o rigorismo formal da protocolização via Internet da "opção", com a impressão de tela contendo o botão "salvar"; as decisões administrativas anteriores criaram condições que não estão previstas em Lei, impondo, em verdade, ônus que o ordenamento não instituiu; além de tudo o que foi explicitado, não há como se perder de vista, também, a prevalência, no caso, do princípio da boafé do Contribuinte que, sem causar qualquer prejuízo aos cofres públicos, vem arcando pontualmente com as suas obrigações perante o Fisco Federal, honrando, inclusive, com os pagamentos decorrentes da incidência da alíquota simplificada no período em discussão; diante da condição de empresa optante pelo regime simplificado anterior (Lei 9.317/96), caberia ao Erário Federal adotar todas as medidas cabíveis para a manutenção da Empresa nessa condição, mormente quando o cancelamento ou o desinteresse na continuidade por tal metodologia de tributação se apresenta como prerrogativa do Contribuinte, como determinado pela Lei Complementar 123; não poderia o Fisco, pautado em meras suposições, fazer da regra a exceção a ponto de compelir o administrado a adotar medidas que não lhe cabiam, sem que fosse verificada a situação real da empresa, uma vez que um dos deveres da Administração Pública é o de sempre buscar e pautar suas condutas pela busca da verdade real; mas não foi essa a postura assumida pelo julgador quando da decisão proferida nos autos em espeque, pois, como se pode observar, a decisão está pautada, única e exclusivamente, na hipótese de que formalidades não foram atendidas e que a Empresa estaria em débito com algum órgão ligado à Administração Pública. Ou seja, sua fundamentação está muito aquém do princípio da busca da verdade material; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 9 8 a decisão regional deve ser reformada, para que seja preservado o direito da Recorrente em migrar para o regime unificado de tributação instituído pela LC 123/96 e, assim, recolher os tributos relativos ao período compreendido entre julho a dezembro de 2007 com base nessa sistemática. Este é o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 10 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que considerou correta a negativa de seu enquadramento no Simples Nacional relativamente ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Ela estava enquadrada no regime simplificado previsto na Lei 9.317/1996 (Simples Federal), e a controvérsia se deu em razão da não migração automática para o regime estabelecido pela Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional). Está claro nos autos que a matéria em debate diz respeito apenas ao período de julho a dezembro de 2007. O próprio despacho da Delegacia de origem que indeferiu o enquadramento no período acima referido, às fls. 16 a 18, informa que a Contribuinte pleiteou a sua adesão ao Simples Nacional em 14/01/2008, e que esta adesão foi deferida imediatamente para o período a partir de 01/01/2008. A migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional (também chamado de Super Simples) estava prevista nos §§ 4º e 5º do art. 16 da LC 123/2006, e foi regulamentada pela Resolução CGSN nº 04/2007, nos seguintes termos: LC 123/2006 Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] §4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. §5º O Comitê Gestor regulamentará a opção automática prevista no §4º deste artigo. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 11 10 Resolução CGSN 04/2007 Migração Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) § 1º Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideram se regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. § 2º No mês de junho de 2007, a RFB disponibilizará, por meio da internet, relação de contribuintes optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 1996, que não tiveram pendências detectadas relativamente à possibilidade de opção pelo Simples Nacional. § 3º A verificação de que trata o § 2º implica o deferimento da opção tácita para o Simples Nacional, desde que as ME e EPP não incorram em nenhuma das vedações previstas nesta Resolução até 30 de junho de 2007. § 4º Em julho de 2007, será disponibilizado, por meio da internet, o resultado da opção tácita de que trata este artigo. § 5º A opção tácita realizada de conformidade com o caput submeterá o contribuinte à sistemática do Simples Nacional a partir de 1º de julho de 2007, sendo irretratável para todo o segundo semestre do anocalendário de 2007, ressalvado o disposto no § 6º. § 6º Os contribuintes inscritos no Simples Nacional na forma do caput poderão cancelar sua opção no período de que trata o caput do art. 17, mediante aplicativo específico disponível na internet. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 16, de 30 de julho de 2007) § 7º A opção tácita não exclui a responsabilidade do contribuinte quanto ao atendimento dos requisitos exigidos para o ingresso no Simples Nacional. § 8º Os contribuintes inscritos no Simples Nacional na forma do caput que incorram em pelo menos uma das situações impeditivas previstas nesta Resolução deverão cancelar sua inscrição no Simples Nacional na forma do § 6º. § 9º Ulterior exclusão do regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 1996, não implicará anulação da opção tácita pelo Simples Nacional. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 12 11 § 10. Será disponibilizada aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional. Vêse que a Resolução CGSN nº 04/2007 não estabeleceu procedimentos para o caso de não ocorrer a referida migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional. Ao contrário, ela se preocupou em consolidar o que chamou de “opção tácita”, estabelecendo prazo e aplicativo específico para os contribuintes cancelarem essa opção, caso pretendessem sair do regime simplificado de tributação. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou que o exame da pendência com o Município de Guarapuava e o cabimento da migração automática em razão da inocorrência ou liberação dessa pendência eram questões estranhas à competência da Receita Federal do Brasil. A base para esse entendimento seria o art. 39 da LC 123/2006 e os §§ 1º, 1°A e 1°B do art. 8º da Resolução CGSN n° 4/2007. Em razão disso, o exame em primeira instância administrativa ficou limitado à alegação de que a solicitação de opção não teria sido confirmada por problemas no Portal Simples Nacional, ainda que decorrentes da informação de pendência com o Município de Guarapuava. Nesse contexto a DRJ registrou: que havia apenas a indicação de solicitação de opção formulada em 14/01/2008; que apesar de a Contribuinte ter gerado código de acesso (manuscrito no documento de fls. 06), ela não juntou tela demonstrando que tenha sido enviada solicitação com sucesso; que o fato de a Contribuinte ter gerado código de acesso não significa que tenha encaminhado solicitação de opção, porque o código de acesso é um prérequisito para se formalizar a solicitação de opção; que a Contribuinte deveria ter feito prova do encaminhamento de solicitação no período entre 01/07/2007 e 20/08/2007, mediante juntada de tela impressa do Portal do Simples Nacional; que nessa tela constaria o botão "Salvar" para que o Termo de Opção ao Simples Nacional fosse salvo e o processamento concluído, com o conhecimento de seu resultado; que não havia nos autos sequer prova de tentativa de solicitação de opção entre 01/07/2007 e 20/08/2007, e que, assim, não poderia prosperar a alegação de que a solicitação de opção não foi confirmada por problemas no Portal Simples Nacional; que não tendo migrado automaticamente, e querendo a Empresa ingressar no Simples Nacional, deveria ela ter formulado solicitação de opção no Portal do Simples Nacional, nos termos do caput do art. 16 da Lei Complementar n° 123/2006 (Resolução CGSN n° 4/2007, art. 9º, parte final do § 3º). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 13 12 É interessante transcrever os dispositivos que fundamentaram a decisão de primeira instância administrativa, conforme acima mencionado: LC 123/2006 Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) Resolução CGSN 04/2007 Art. 8º Na hipótese de a opção a que se refere o art. 7º ser indeferida, será expedido termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. § 1º Será dado ciência do termo a que se refere o caput à ME ou à EPP pelo ente federativo que tenha indeferido a sua opção, segundo a sua respectiva legislação. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) § 1ºA O contencioso administrativo relativo ao indeferimento de opção será de competência do ente federativo que decidir o indeferimento, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºB O ente federativo que considerar procedente recurso administrativo do contribuinte contra o indeferimento de sua opção deverá registrar a liberação da respectiva pendência em aplicativo próprio disponível no Portal do Simples Nacional. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) [...] Art. 9º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se as ME e as EPP atendem aos requisitos pertinentes. [...] § 3º A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cuja CNAE seja considerada ambígua não participará da opção tácita prevista no art. 18, podendo, entretanto, efetuar a opção de acordo com o art. 7º, quando prestará declaração de que exerce tãosomente atividades permitidas no Simples Nacional. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 14 13 Como o Simples Nacional abrange tributos da União, dos Estados e dos Municípios, o art. 39 da LC nº 123/2006 e o art. 8º da Resolução CGSN nº 04/2007 trazem diretrizes gerais para o contencioso administrativo a ser realizado por estes entes, dentro de suas áreas de competência tributária, no que pertine a lançamento, indeferimento de opção e exclusão de ofício do sistema simplificado. Esse contexto normativo levou a Delegacia de Julgamento a considerar que o exame da pendência com o Município de Guarapuava e o cabimento da migração automática em razão da inocorrência ou liberação dessa pendência eram questões estranhas à competência da Receita Federal do Brasil. A questão destes autos não envolve lançamento, indeferimento de opção ou exclusão de ofício do sistema simplificado por um dos entes federativos, e sim problemas na migração automática, mas como já mencionado, a Resolução CGSN nº 04/2007 não estabeleceu procedimentos para os problemas gerais de não migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional. Foi exatamente por isso que a Delegacia de Julgamento fez menção ao § 3º do art. 9º da referida resolução (também transcrito acima), que trata especificamente das empresas que exercem atividades econômicas cuja CNAE sejam consideradas ambíguas, dispondo que elas não participarão da opção tácita prevista no art. 18 da Resolução, mas que podem efetuar a opção normal de acordo com o art. 7º, quando prestarão declaração de que exercem tãosomente atividades permitidas no Simples Nacional. Com base nesse dispositivo, a DRJ entendeu que a Contribuinte, por não ter migrado automaticamente, deveria ter ingressado no Simples Nacional mediante solicitação de opção no Portal do Simples Nacional (o que só ocorreu em 14/01/2008, com efeitos a partir de 01/01/2008). É importante destacar algumas circunstância que envolvem o caso sob exame. Consta dos autos: tela de consulta no portal do Simples Nacional referente à “Pesquisa e Avaliação de Empresas Optantes do Simples Federal – Simples Nacional – Migração” indicando no campo de avaliação a situação “deferido” (fls. 5); Certidão Negativa emitida pelo Departamento de Receita da Secretaria de Finanças do Município de Guarapuava/PR em 04/05/2007, com validade de 90 dias (fls. 75); Certidão Negativa emitida pelo Departamento de Receita da Secretaria de Finanças do Município de Guarapuava/PR em 11/12/2007, com validade de 90 dias (fls. 76); e a informação de que a solicitação de adesão ao Simples Nacional apresentada em 14/01/2008 foi imediatamente deferida para o período a partir de 01/01/2008, conforme o despacho emitido pela DRF Ponta Grossa/PR (Despacho Simples Nacional nº 092/2008, fls. 16 a 18). Ao que tudo indica a migração automática não ocorreu por um erro no registro de pendências junto ao Município de Guarapuava/PR. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 15 14 Não há nos autos nenhuma manifestação do referido Município, que justificasse essa não migração. Também não há notícia da existência de ato administrativo daquele Município, ou de contencioso administrativo junto àquele ente federativo, que pudesse justificar a aplicação do art. 39 da LC nº 123/2006 e do art. 8º da Resolução CGSN nº 04/2007. Não há nenhum dado sobre a pendência com o referido ente Municipal. Ao lado disso, cabe registrar que a União possui um papel de destaque na gestão do Simples Nacional, no que toca aos temas gerais, conforme indicam os dispositivos da LC 123/2006 abaixo transcritos: Art. 2o O tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o art. 1odesta Lei Complementar será gerido pelas instâncias a seguir especificadas: I Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda, composto por 4 (quatro) representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como representantes da União, 2 (dois) dos Estados e do Distrito Federal e 2 (dois) dos Municípios, para tratar dos aspectos tributários; e [...] Art. 25. A microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional deverá apresentar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais, que deverá ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, observados prazo e modelo aprovados pelo CGSN e observado o disposto no § 15A do art. 18. [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou III obrigatoriamente, quando ultrapassado, no anocalendário de início de atividade, o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2odo art. 3o; IV obrigatoriamente, quando ultrapassado, no anocalendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no anocalendário de início de atividade. § 1o A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: [...] Art. 40. As consultas relativas ao Simples Nacional serão solucionadas pela Secretaria da Receita Federal, salvo quando Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 16 15 se referirem a tributos e contribuições de competência estadual ou municipal, que serão solucionadas conforme a respectiva competência tributária, na forma disciplinada pelo Comitê Gestor. Art. 41. Os processos relativos a impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional serão ajuizados em face da União, que será representada em juízo pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, observado o disposto no § 5o deste artigo. § 1o Os Estados, Distrito Federal e Municípios prestarão auxílio à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em relação aos tributos de sua competência, na forma a ser disciplinada por ato do Comitê Gestor. [...] Penso que incumbe ao Contencioso Administrativo Federal examinar a ocorrência de erro na migração automática de um regime simplificado para o outro, especialmente quando esse erro é provocado por pendências que se mostraram inexistentes, até porque não haveria outra alternativa para saneálo no âmbito administrativo. Nesse sentido, já mencionamos que não há notícia da existência de ato administrativo emitido pelo Município de Guarapuava, e nem de contencioso administrativo junto àquele ente federativo que envolva a Recorrente. Por força não só do conjunto normativo acima mencionado, mas também da própria realidade fática que envolve a institucionalização do sistema simplificado de tributação, é que a Receita Federal acabou encampando o litígio sobre o não enquadramento no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, embora a suposta pendência, que mostrouse inexistente, fosse referente a outro ente federativo. Registro novamente que a Contribuinte foi normalmente enquadrada no Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2008. O que se constata é que houve irregularidade quanto à não migração automática da Contribuinte do Simples Federal para o Simples Nacional, problema que deve ser superado, para que a Contribuinte seja enquadrada no Simples Nacional também no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.003094/200797 Acórdão n.º 1802001.815 S1TE02 Fl. 17 16 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10675.902584/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 84 /2 00 9- 17 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 117 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04770.70293.280306.1.3.042270 em 28.03.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$1.177,81 do valor total R$3.128,28 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em novembro de 2004, código nº 2484, efetuado em 28.12.2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de CSLL determinada a partir da base de cálculo estimada no anocalendário de 2004 ultrapassa o valor devido de CSLL em 31.12.2004. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de CSLL. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 118 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.318, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.094, de 11.04.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 08.05.213, fl. 112, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 119 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 120 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 121 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 109110, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PER/DCOMP RES. CARF 04770.70293.280306.1.3.042270 180100.094 – 3ª Câmara/ 1ª Turma Especial O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através da Resolução nº 180100.094 – 3ª Câmara/ 1ª Turma Especial, converteu o julgamento do recurso voluntário interposto no presente processo em diligência para análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2004, pleiteado equivocadamente pela empresa como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa, código 2484. Em resposta à solicitação de documentos nº 399/2012 SAORT/DRF/UBL foram apresentados os documentos anexados às fls. 78/87. Analisando as justificativas e os documentos apresentados pela interessada em confronto com as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, especialmente, a DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica nº 0668322, apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2005, anocalendário 2004, verificase que a empresa apurou na ficha 17, linha 51, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a pagar de R$19.169,42. Todavia, deixou de consignar na linha 43 dessa mesma ficha, como dedução, o valor pago das estimativas apuradas no decorrer do anocalendário, no valor total de R$20.347,23. As informações consignadas na DIPJ estão em consonância com as contidas nas demonstrações contábeis transcritas às fls. 186/191 do Livro Diário nº 000022, registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais sob nº 00864715, em 09/05/2005, conforme fls. 80/87 do presente processo. Os débitos de estimativas apurados na ficha 16 da DIPJ/2005 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado à fl. 87. Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO DATA ARRECADAÇÃO VALOR OBJETO DCOMP nº 04770.70293.280306.1.3.042270 4349294908 2484 19/03/2004 1.355,58 4356621168 2484 30/03/2004 2.158,07 4419762118 2484 30/04/2004 3.389,06 4457523328 2484 26/05/2004 2.695,19 4511580958 2484 29/06/2004 3.183,54 4667185268 2484 28/09/2004 87,50 4720824078 2484 26/10/2004 1.392,27 4771478068 2484 26/11/2004 2.957,74 4821033498 2484 30/12/2004 3.128,28 3.128,28 TOTAL 20.347,23 Dessa forma, deduzindo da CSLL a pagar de R$19.169,42, o valor total das estimativas efetivamente pagas pela interessada de R$20.347,23, podemos concluir que a empresa apurou no exercício 2004, o saldo negativo de CSLL, no valor de Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902584/200917 Acórdão n.º 1801001.592 S1TE01 Fl. 122 7 R$1.177,81 (um mil cento e setenta e sete reais e oitenta e um centavos), valor esse equivalente ao crédito consignado indevidamente como crédito de pagamento indevido ou a maior na DComp nº 04770.70293.280306.1.3.042270, objeto da presente diligência. Assim, efetuando por meio de aplicativo homologado pela RFB (Sistema Neo Sapo) a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL, no valor de R$1.177,81, e o débito declarado na DComp 04770.70293.280306.1.3.042270, verificase nos demonstrativos de cálculo, anexados às fls. 100/108, que o crédito é suficiente para homologação total da compensação do debito de CSLL, código 2484, no valor original de R$1.294,27, do período de apuração janeiro de 2006. Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de CSLL no valor de R$1.177,81 do anocalendário de 2004. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$1.177,81 do anocalendário de 2004 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10469.720944/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 09 44 /2 01 0- 33 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PÉROLA SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, em face do acórdão prolatado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. 2. Segundo o relatório fiscal (ff. 6 e 7) o Auto de Infração número 37.197.1772, se deu por ter o contribuinte deixado de exibir os livros Diário e Razão, relativo ao ano de 2007, mesmo após intimado por duas vezes através dos Termos de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal. 3. Ainda conforme a peça introdutória: constatouse, também, que o contribuinte não apresentou os contratos de prestação de serviço e todas as notas fiscais emitidas pelo estabelecimento. 4. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO APRESENTAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de apresentar à fiscalização livros e documentos regularmente requisitados e relacionados com as contribuições previdenciárias. Incorre na mesma infração apresentálos sem as devidas formalidades e/ou contendo incorreções/omissões. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. PORTARIA. LEGALIDADE O reajustamento dos valores de multa por descumprimento de obrigações acessórias é feito mediante edição de Portaria Ministerial, com observância dos limites e parâmetros impostos pela Lei nº 8.212/91. COMPENSAÇÃO. PEDIDO INICIAL. APRECIAÇÃO NA DRJ. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720944/201033 Acórdão n.º 2301003.337 S2C3T1 Fl. 286 3 A competência da DRJ para apreciar pedidos de compensação limitasse a análise da Manifestação de Inconformidade decorrente de decisão desfavorável anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 84) 5. Buscando reverter à decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, (ff. 100 a 104) aduzindo em síntese: a) que os recolhimentos das contribuições eram descontados automaticamente da empresa (na fonte) e repassados diretamente ao órgão publico fiscalizador, na forma dos 11% (onze por cento), sobre o faturamento, para o qual a empresa autuada presta seus serviços; b) alega que de acordo com levantamento feito pela empresa, levando em consideração os cálculos referentes ao ano de 2007, fora recolhido diretamente da fonte pelo Estado o montante de R$ 346.661,00 (trezentos e quarenta e seis mil, seiscentos e sessenta e um reais), sendo o valor devido de R$ 283.831,21 (duzentos e oitenta e três mil, oitocentos e trinta e um reais e vinte e um centavos). Ou seja, há um crédito da empresa junto ao Fisco no valor de 62.830,37 (sessenta e dois mil, oitocentos e trinta reais e trinta e sete centavos); c) ressalta que diferentemente do que se constata nos julgamentos efetuados, deve ser feita a compensação de créditos tributários, cita a Lei 8.383/91, art. 66; d) por fim, requer o conhecimento e provimento do presente recurso para determinar a apuração do crédito em favor do recorrente. 6. Consta Despacho do fisco (f. 284), atestando que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte é intempestivo. 7. Sem contrarrazões por parte do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE RECURSAL 1. Como é cediço, o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 2. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 3. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 4. O artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 5. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 6. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamento o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” 7. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: a) “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. b) § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: c) I for determinado o fechamento do fórum; d) II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. e) § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). f) [...] g) Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. h) Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720944/201033 Acórdão n.º 2301003.337 S2C3T1 Fl. 287 5 8. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: i) “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. j) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 9. In casu, compulsando os autos, verificase que o contribuinte foi cientificado do acórdão nº 1135.558 – prolatado pela 7º Turma da DRJ/REC – no dia 16/08/2012 (quintafeira), conforme declaração do contribuinte juntado (f. 98), iniciando, assim, seu prazo para apresentar recurso voluntário no primeiro dia útil subsequente, qual seja, sextafeira, dia 17/08/2012, e terminando aludido prazo na segundafeira, dia 17/09/2012. Todavia, o recurso somente foi protocolado em 21/09/2012 (sextafeira), nos termos do documento de (f. 100), ou seja, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias, sendo, assim, o recurso voluntário totalmente intempestivo. 10. Não obstante isso, o contribuinte não juntou aos autos prova no sentido de desqualificar o despacho exarado pela primeira instância ou que justificasse o atraso em protocolar a peça recursal. 11. Posto isso, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, pois apresentado a destempo, mantendo intacta a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933090/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado e ro na valoração dos créditos.
Numero da decisão: 3201-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado e ro na valoração dos créditos.
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RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado e ro na valoração dos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 90 /2 00 9- 13 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de PIS, fato gerador de 31/10/2005, com débito de CSLL. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referências, teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art.74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que a “Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 31/01/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 41.276,68), no valor de R$ 33.520,83, restando um saldo de crédito de R$ 7.755,85, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$8.416,78).” No recurso voluntário, a Recorrente argumentou que: i. o seu direito creditório decorreria da inclusão indevida na base de cálculo de PIS e COFINS valores de medicamentos sujeitos à alíquota 0%; ii. que a DCTF retificadora teria sido aceita e processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; iii. que a Lei 9430/96 não faz quaisquer restrições à compensação, que tem natureza declaratória; iv. que o modo de processamento eletrônico da compensação obsta que sejam juntados documentos comprobatórios ao pedido, devendo o contribuinte ser intimado para comprovar o crédito, antes de seu indeferimento; v. o fato de o débito ter sido declarado em DCTF não exime o Fisco da obrigação de realizar procedimento fiscalizatório, para verificação de eventuais irregularidades e , assim, promover o lançamento de ofício; vi. não pode prevalecer o lançamento de ofício, sem prévia comprovação de inexistência de indébito. Ademais, discorre sobre a indevida inclusão na base de cálculo de valores relativos a venda de medicamentos, tributados à alíquota 0% , acostando aos autos planilha demonstrativa da recomposição da base de cálculo do tributos, no período compreendido entre 2001 e 2006. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.933090/200913 Acórdão n.º 3201011.369 S3C2T1 Fl. 94 3 Requer, assim, o procedência do recurso voluntário ou , subsidiariamente, a nulidade de decisão de 1a instância, por ser configurar a DCTF retificadora prova indiciária do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Destarte, embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando esse entendimento, quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.933090/200913 Acórdão n.º 3201011.369 S3C2T1 Fl. 95 5 Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908378/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância.
RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 70 1 69 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.908378/200975 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.838 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 78 /2 00 9- 75 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Belchior Melo de Sousa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, Relatório Pedese vênia aos pares para a realização de transcrição do relatório do acórdão recorrido, posto que o mesmo capitulou os fatos ocorridos nos autos de forma concisa e didática. Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 3.674,70 partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.Cientificada desse despacho em 19/10/2009, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/11/2009, alegando, em síntese e fundamentalmente,erro no preenchimento da DCTF, e que procedeu à sua retificação em 16/11/2009. Argumenta: 1. Embora os dados declarados originalmente pelo Contribuinte tenham dado margem à não homologação da compensação efetuada, a correção das informações da DCTF, pela Retificadora entregue pelo mesmo Contribuinte,possibilitam uma reanálise dos fatos declarados originalmente pelo mesmo Contribuinte, ainda que este tenha dado causa ao problema e reconheça isso,é facultado ao declarante retificar as informações que, eventualmente,tenha declarado com incorreções, conforme disposto no próprio manual de preenchimento da DCTF, no item 1.4— "declaração retificadora". 2. Se a própria RFB faculta ao contribuinte retificar suas próprias declarações,esse fato precisa produzir efeitos, necessariamente. Ademais, existe apenas restrição a correções efetuadas após a inscrição do débito em dívida ativa,sendo também nessa hipótese possível a retificação, porém, com a apresentação de provas inequívocas da ocorrência do fato. Mesmo não se tratando dessa circunstância, o Contribuinte está anexando às evidências relativas às declarações originais e retificadoras, restabelecendo, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908378/200975 Acórdão n.º 3803003.838 S3TE03 Fl. 71 3 assim, os valores geradores do crédito tributário a ser lançado e homologado pela RFB, para produção dos efeitos previstos na lei, uma vez que não está materializada, no caso em tela, as condições impeditivas descritas nos subitens1 a 4 do item 1.4 do manual de preenchimento da DCTF, elaborado pela RFB. Os autos foram encaminhados para julgamento pela 1ª Turma da DRJ/CPS em sessão realizada em 17/02/11, que proferiu decisão através do Acórdão nº 0532.666, sintetizada por meio da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deveser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administradospela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Acórdão fundouse nos artigos 147 e 170 do CTN, e a conclusão de insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida, deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ou seja, não basta a simples apresentação de declaração retificadora em momento posterior, é preciso demonstrar em que se funda o erro da DComp e os documentos probantes da regularidade do crédito e, isto não ocorreu em relação à contribuinte. A ciência do teor do acórdão de fls. deuse em 28/02/11, conforme atesta o AR, e a interposição de recurso em face do mesmo ocorreu em 29/03/11, de acordo com o recebimento à fl. 45 (carimbo da repartição fiscal). Diversamente da defesa apresentada em manifestação de inconformidade, as razões do recurso, preliminarmente, alega a existência de conexão entre o processo em epígrafe e os processos administrativos de nºs 10882.908.373/200942; 10882908.374200997; 10882908.375200931; 10882908.377200921; 10882908.379200910; 10882908.386 200911; 10882908.376200986; 10882.908.382200933; 10882908.383200988; 10882 908.384200922; 10882.908.378200975; 10882.909.122200985; 10882908.381200999, pois todos tratam exatamente do mesmo fato, para requerer a reunião dos mesmos, por dependência, para a apreciação pela mesma Câmara e pelo mesmo Conselheiro relator, com o fito de evitar a possibilidade de prolação de decisões divergentes acerca da mesma matéria. A Recorrente informou haver apurado crédito tributário a título de PIS e COFINS nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005,e que efetuou a compensação desses valores com outros supostos débitos administrados pela RFB, IRPJ – estimativa, mês de competência setembro/2005, através de Per/DComp. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Esclareceu, outrossim, que no mêscompetência de 09/2005 não houve débito em aberto de IRPJestimativa, tendo em vista que a Recorrente não apurou nenhum montante a ser recolhido a esse título no referido período. Deduziu que para constatar tal fato bastaria realizar singela análise na Ficha 11 – calculo do imposto de renda mensal por estimativa, da DIPJ 2006 (ano calendário 2005), para verificar que a recorrente não apurou imposto de renda a pagar no mês de competência 09/2005 (vide fl. 50, ou doc. 02). Informou que no mesmo sentido se depreende da DCTF (doc. 03), consoante se verifica do seu Resumo dos Débitos/Créditos, para concluir pela inexistência de débito e, por conseguinte, pela não realização de compensação, devendo ser cancelada a declaração de compensação, bem como o débito exigido. Acerca do tema em debate menciona jurisprudência administrativa emanada de outras DRJ’s, que vêm decidindo, nesses casos, que as Per/DComps podem e devem ser canceladas, inclusive de ofício, pela autoridade fiscal, ex vi dos acórdãos adiante transcritos: a) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE OBJETO. DÉBITO INEXISTENTE. Inexistente o débito compensado na DCOMP, não há que se falar em compensação realizada, razão pela qual deve ser cancelada de ofício a DCOMP correspondente e o débito exigido."(DRJ Curitiba, Acórdão n^ 06 30003, de 26/01/11) (g.n.) b) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO INEXISTENTES. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, entretanto, comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa." (DRJ Juiz de Fora, Acórdão n^ 0933342, de 28/01/11) (g.n.) c) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NULIDADE. É nula a declaração de compensação que indica débito inexistente." (DRJ Rio de Janeiro, Acórdão ns 1236230, de 23/03/11) (g.n.) No mesmo sentido menciona o Acórdão nº 210100.026, de 04/06/2009, para requerer a reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento do débito de IRPJ, tendo em vista a sua inexistência. Acerca do requerimento em que justifica a necessidade de realização de diligência em seu estabelecimento para análise de documentação contábil hábil e idônea, tendente à verificação e comprovação de que não houve a base tributável para o IRPJ no mês competência 09/05, nos termos do artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, e menciona jurisprudência administrativa a exemplo dos acórdãos nºs 20216.793, 20312.385, 10809.534. Finalmente requer, preliminarmente, o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator e, quanto ao mérito, a reforma da decisão recorrida para o cancelamento da exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência de débito compensado, ou para a conversão do julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908378/200975 Acórdão n.º 3803003.838 S3TE03 Fl. 72 5 Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Constatouse dos autos que o despacho decisório (fl. 06) foi proferido em 07/10/2009, que a DCTF retificadora foi transmitida em 16/11/2009 e que o acórdão recorrido foi prolatado em 17/02/2011 (fl. 40). De acordo com o Despacho Decisório nº 848674604 exarado em 07/10/09 (fl. 06), a autoridade administrativa concluiu pela não homologação, haja vista que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos localizados do contribuinte na data de transmissão da Per/DComp, não restando saldo credor disponível para realização da compensação declarada. Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Por ocasião da manifestação de inconformidade a contribuinte admitiu a existência de erro de fato nos Per/DComp declarados à repartição fiscal, por conseguinte apresentou DCTF retificadora em 16/11/09, esclarecendo, oportunamente, que no mês de referência do lançamento não apurou débito aberto na conta IRPJ – Estimativa a pagar, bem assim que a falha constatada, que pode ser confirmada por meio de análise na Ficha 11, referente ao cálculo de IRPJ mensal por estimativa, da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl 50, doc 2), idem via DCTF retificadora (doc. 3). Diante correção da falha anteriormente apontada concluiu a contribuinte pela inexistência de débito para o período assinalado, por conseguinte pela não realização de compensação, portanto devendo ser cancelada a Declaração de Compensação e o lançamento dela decorrente, ou ainda, o esclarecimento acerca da controvérsia pode ocorrer mediante a realização de diligência na empresa para comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05, fazendo solicitação neste sentido. Acerca deste tema a decisão prolatada por meio do Acórdão nº 0532.666, em 17/02/11, julgou improcedente a manifestação de inconformidade aviada pela ora recorrente, sob o mero argumento de que a interessada não logrou demonstrar a liquidez e certeza do crédito informado no Per/DComp. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Concluiu a referida decisão que a insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ora, a defesa apresentada pela contribuinte impugnou justamente a existência do crédito informado no Per/DComp, inclusive esclarecendo,naquela oportunidade, acerca da percepção posterior de ocorrência de erro de fato no preenchimento deste formulário, em razão de não haver apurado IRPJ a pagar em setembro de 2005, ao ponto de que o pleito formulado foi pela não consideração da compensação declarada, ante a inexistência do débito apontado. A meu ver, pelos mesmos fundamentos da Lei nº 9784/99, a decisão hostilizada deveria se pronunciar acerca da não existência de IRPJ a recolher de competência de setembro/2005, o que efetivamente não o fez. Tal pronunciamento seria de relevante importância, notadamente para consubstanciar a oposição às informações constantes da DCTF retificadora, que trouxe em seu campo específico os dados que atestam a inexistência de crédito, também servindo de comprovação do erro de fato expressamente reconhecido pelo contribuinte, o mesmo se constatando do corpo da própria DIPJ apresentada. No mais, serviriam tais argumentos devidamente fundamentados pelo juízo a quo para se contrapor à tese de que a cobrança tributária não procede, pois se encontra baseada em informações incorretas ainda que declaradas pela própria contribuinte. No passo seguinte rejeito o pedido formulado para a realização de perícia/diligência, pois despicienda. Vêse que os autos tratam exclusivamente de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete às partes interessadas, e mais, temse por não formulado o pedido de diligência ou de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Finalmente a recorrente formulou pleito para que haja o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, creio existir razão à recorrente. Muito bem. Dentre os processos administrativos retromencionados nos autos, verificouse que aqueles com o final 200911, 21, 31, 75, 85, 88, 97 e 99, encontramse sob a relatoria deste Conselheiro e referemse a pagamentos realizados a maior ou indevido (DComp eletrônico), cujas declarações de compensações informadas apresentam créditos de Cofins e PIS/Pasep (períodos de apuração distintos), com débitos de IRPJ (todos correspondentes a set/2005), portanto correspondendo todas as compensações à mesma data de ocorrência do fato gerador do tributo devido, e aos mesmos argumentos de defesa/prova. Observase, ainda, que os processos administrativos com os finais em 2009 42, 10, 86, 33 e 22, não se encontram sob a relatoria deste julgador. Em síntese há amparo para escudar o pleito da ora recorrente, ex vi do disposto no § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/05. Inobstante assista razão à contribuinte quanto ao pedido acima formulado deixo de atendêlo em face do entendimento construído e profligado no curso deste voto que pugna ao final pelo regresso dos autos ao juízo a quo para a realização de novo julgamento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908378/200975 Acórdão n.º 3803003.838 S3TE03 Fl. 73 7 Buscase, com isto, afastar a alegação de supressão de instância, se porventura alegada. Também não há se alegar prejuízo pelas as partes interessadas, pois a decisão recorrida deve ser compatível aos pedidos formulados na apelação, nem além, nem aquém, conforme preceitua o artigo 460 do CPC. Verificouse, ainda, que a recorrente carreou para os autos novos elementos de prova e solicitação, o que se deu posteriormente à decisão de primeira instância, porém o fez em desacordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, inclusive dos requisitos atinentes ao seu § 4º,razão pela qual não resta outra solução senão rejeitálos. A meu ver deve retornar o presente processo à instância de primeiro grau para a devida apreciação da DCTF retificadora apresentada pela contribuinte em data anterior à decisão de primeira instância, tendo em vista suprir lacunas decorrentes do pronunciamento anterior acerca de questões já submetidas à apreciação daquele órgão judicante, quais sejam: a existência ou não de débito de IRPJ na competência de setembro/2005; e para a indicação precisa dos débitos constatados pela fiscalização, para os quais foram integralmente utilizados a título de pagamento os créditos informados em Per/DComp pela contribuinte, e que resultaram na insuficiência de saldo credor para a compensação, inicialmente pretendida, ou mesmo que resultaram na exação sob exame. Tal proposta decorre de que não laborou a fiscalização nem os julgadores de primeira instância em produzir elementos de convicção sustentáveis acerca da insuficiência do crédito alegado para a realização da compensação pretendida, ou mesmo infirmou os argumentos expendidos pela Recorrente acerca da inexistência de débito de IRPJ no mês de competência de set/2005, que juntou aos autos documentos que atestam a veracidade do alegado na exordial e no recurso voluntário, eis que não restaram impugnadas nem a DCTF retificadora, nem a DIPJ ano calendário 2005. Logo, para que o princípio da verdade material realize o efeito desejado não basta simplesmente à fiscalização alegar que houve a insuficiência de saldo credor para à satisfação da compensação, porém deve à mesma demonstrar fundamentadamente a existência de ilícito mediante argumentos indestrutíveis, ou mesmo partindo do aprofundamento da investigação de indícios porventura existentes nos autos que constituem o imbróglio, encontre elementos de convicção permitam se chegar à conclusão da prática da irregularidade cometida contra o erário, que resultou na não homologação da compensação declarada. Ante todo o exposto pugno pela anulabilidade da decisão de primeira instância para que outra nova e boa seja proferida, que contemple todas as questões formuladas pela contribuinte, consoante já assinalado. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues –Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Temos sob análise DComp não homologada em razão de inexistência de crédito oriundo de pagamento de Cofins integralmente alocado a débito anteriormente confessado. Por não ter o ato administrativo, bem assim a decisão de primeira instância, indicado a que débito estaria tal pagamento alocado, o nobre Relator inquinao de nulidade por deixar de explicitar inteiramente o motivo, configurandose cerceamento do direito de defesa. Esses os seus termos: Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Cumpre mencionar que a forma automática (eletrônica) como se processa a alocação de pagamentos a débitos do contribuinte, nos sistemas de controle da RFB, implica em dizer que pagamentos somente são alocados a débitos por ele declarados por meio de DCTF. Não há alocações manuais no âmbito da RFB realizadas ao alvitre do órgão, fora de eventuais rotinas de ajustes decorrentes de manifesta vontade do contribuinte e de compensação de ofício de pagamento indevido ou a maior em vias de restituição, evento sobre o qual o contribuinte também se expressa. Na existência de DCTF com pagamento vinculado a débito declarado como ocorre neste caso é de solar clareza que o débito é o “anverso da moeda” do pagamento a ele alocado (ou viceversa), ou, noutra palavra, o pagamento representado por DARF é a imagem do correspectivo débito. Dito isso, concluise que a indicação do débito ao qual está alocado o pagamento não compõe o elemento “motivo” do ato administrativo de não homologação da compensação declarada, ao ponto de conspurcálo de invalidade ou de ineficácia. Logo, não se pode opor contra o despacho decisório de não homologação da compensação desconhecimento de qual o destino dado ao pagamento utilizado na DComp e atribuir a existência dessa lacuna na decisão recorrida, como o fez o digno Relator. Este seu entendimento o posicionou pela anulação da decisão de primeira instância, não reparando o óbice processual instalado na lide, consubstanciado em argumento novo trazido pela Recorrente, não questionado perante o Colegiado a quo. Perante a primeira instância a Contribuinte defendeu o seu direito ao crédito argumentando com a retificação procedida na DCTF informadora do pagamento originador do crédito, consignando ter anulado o débito de R$ 3.674,70. No recurso voluntário a Recorrente abandona o argumento de retificação do débito originador do crédito e levanta outro argumento, o de inexistência do débito de IRPJ de setembro/2005 que compensou na DComp sob análise, pedindo o cancelamento da compensação. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908378/200975 Acórdão n.º 3803003.838 S3TE03 Fl. 74 9 É consabido que a inicial e a manifestação de inconformidade estabelecem os limites do litígio, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas no despacho decisório. No caso, temse norma individual e concreta da Autoridade Administrativa afirmando no antecedente a inexistência de crédito e no consequente a não homologação do débito compensado pela Contribuinte. O recurso voluntário que pretenda dar continuidade à lide deve controverter e devolver à segunda instância a matéria que fora alvo de julgamento na instância de piso e que substanciou a razão de decidir, subvertendo as regras de Processo segundo as quais as divergências recursais devem ser opostas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeira instância. É preclusa a defesa que milita com matéria nova, que, assim, não se mostra habilitada a ser apreciada pelo colégio ad quem. Com a devida vênia, aponto que este foi o equívoco em que incorreu o Conselheiro Relator ao aduzir que “a decisão que não resolve todos os pedidos formulados, que decide a menos que o pleiteado deve ser anulada por caracterizar cerceamento do direito de defesa”. Referiuo, por privarse de perceber que o pedido veiculado no recurso voluntário não fora apresentado na primeira instância e o erro processual da Recorrente de inovar seu argumento da defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10940.002617/2008-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Trazendo o recorrente, prova inequívoca que comprova a realização de parte das despesas médicas cuja dedução fora glosada, há que se acolher o recurso para restabelecer esta parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$1.992,00 (hum mil, novecentos e noventa e dois reais), nos termos do voto da relatora . Vencidos o(s) conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinatura digital)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinatura digital)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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COMPROVAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Trazendo o recorrente, prova inequívoca que comprova a realização de parte das despesas médicas cuja dedução fora glosada, há que se acolher o recurso para restabelecer esta parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$1.992,00 (hum mil, novecentos e noventa e dois reais), nos termos do voto da relatora . Vencidos o(s) conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 19/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 26 17 /2 00 8- 69 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba(PR), que considerou procedente em parte, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2006, em virtude glosa de dedução da base tributável para deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 11.992,00. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba(PR), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0632.775, de 22 de julho de 2011, que se encontra às fls. 27/34, que por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a impugnação apresentada, para manter a glosa das despesas médicas, no valor de R$3.992,00. Ao tomar ciência do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs o recurso de fls.96/116, onde alega ser o único beneficiário de todas as despesas médicas pleiteadas como dedução em sua declaração de ajuste. Ressalta que a autoridade lançadora arbitrou valores por mera presunção fiscal, partindose da premissa equivocada de que as despesas médicas deduzidas pelo contribuinte não foram comprovadas. Assevera que toda a documentação apresentada preenche os requisitos legais. Discorre sobre: 1) Do Bis In Idem;2) Erro Material no Arbitramento dos Tributos; 3) Do Locupletamento Ilícito por Parte da Fazenda Nacional; 4) Multa de Ofício; 5) Da Ilegalidade no Lançamento Fiscal. Cita uma vasta jurisprudência deste colegiado para fundamentar suas alegações. Assegura que houve violação dos seguintes princípios constitucionais: a) Legalidade; b) Finalidade; c) Motivação; d) Razoabilidade; e) Verdade Real; f) Segurança Jurídica; G) Interesse Público. Por final requer a anulação do lançamento. É o relatório Voto O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Analisando a declaração de rendimentos apresentada pelo interessado constatase que o mesmo pleiteou deduções com despesas médicas no montante de R$15.481,32. Tais despesas foram realizadas com os seguintes profissionais: 1. HUMBERTO TAKASHI HASIMOTO, R$ 100,00; 2. XENIA CARLA P.VAZ LEITE, R$ 240,00; 3. SHELON SOUZA PINTO, R$8.000,00; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10940.002617/200869 Acórdão n.º 2802002.517 S2TE02 Fl. 3 3 4. MARCELLE GOMES PEREIRA, R$1.360,00 5. CLINICA SABEDOTTI S/C LTDA, R$1.132,00; 6. PONTAGROSSENSE DE FRATURAS E ORTOPEDIA LTDA R$1.160,00 7. OPER.DE PLANOS PRIV.DE ASSIT.A SAÚDE CONSAUDE S/C LTDA; R$ 3.489,32. A autoridade lançadora procedeu a glosa do valor de R$11.992,00. Em primeira instância foi restabelecido o valor de R$8.000,00, relativo aos recibos emitidos pela Drª Shelon Cristina Souza Pinto de fls. 11/13. Destarte, permanece o litígio em torno de R$ 3.992,00, que são relativos as seguintes despesas: · HUMBERTO TAKASHI HASIMOTO, R$ 100,00; · XENIA CARLA P.VAZ LEITE, R$ 240,00; · MARCELLE GOMES PEREIRA, R$1.360,00 · CLINICA SABEDOTTI S/C LTDA, R$1.132,00; · PONTAGROSSENSE DE FRATURAS E ORTOPEDIA LTDA R$1.160,00 Conforme se verifica nos autos o fundamento das glosas foi falta de identificação a quem os serviços foram prestados. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe com a Impugnação recibos comprobatórios das seguintes despesas médicas (fls. 07) Humberto Takashi Hasimoto, R$ 100,00, (fl. 06 e 09) Xenia Carla P.Vaz Leite, R$ 240,00, (fls. 08 e 10) Marcelle Gomes Pereira, R$1.360,00, (fls. 14) Clinica Sabedotti S/C Ltda, R$132,00, (fls. 15) Pontagrossense De Fraturas E Ortopedia Ltda R$160,00, em meu entendimento, suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário o contribuinte afirma que os tratamentos foram realizados em seu benefício e somandose ao fato de não ter relacionado nenhum dependente em sua declaração de ajuste é de se presumir ser o próprio Recorrente, (ante a ausência de menção expressa de ser outra a pessoa a Dedução com despesas médicas) beneficiário do tratamento. Assim, invoco o princípio do formalismo moderado para acolher os documentos, fls. 06/15, como prova idônea de despesa médicas no montante de R$1.992,00. Finalizando, ressalto que o órgão julgador não é obrigado a rebater um a um todos os argumentos – e aqui estão compreendidas as provas – desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a decisão. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Face o acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$1.992,00. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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