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Numero do processo: 10314.724367/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins dos períodos de apuração maio/2009 a dezembro/2009, por meio do qual foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 24 36 7/ 20 14 -4 6 Fl. 9623DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 3 2 constituído crédito tributário no importe de R$ 22.493.447,04, incluídos principal, multa no percentual de 75% e juros de mora calculados até maio de 2014. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 95/100, o auditor fiscal assim fundamenta a autuação (os destaques são do original). CONTEXTO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, em cumprimento à MPF acima e no art. 7o da Lei n9 2.354/54 c.c. art. 7° do Decreto nº 70.235/72, junto à empresa em epígrafe, constatamos ao examinar os procedimentos da fiscalizada no cumprimento de suas obrigações tributárias, relativamente ao ano calendário de 2009, os fatos relatados a seguir, ocorridos na empresa UNILEVER HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA CNPJ 03.085.759/000102 (SUCEDIDA), sobre os quais a fiscalizada responde integralmente pelo crédito tributário devido pela SUCEDIDA, na qualidade de SUCESSORA, como estabelecido nos arts. 132 e 133 do Código Tributário Nacional. I COFINSFATURAMENTO INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA GLOSAS DE CRÉDITO E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A DOS FATOS. A partir do Arquivo Magnético entregue pela fiscalizada à Receita Federal do Brasil, contendo o Livro de Entradas e Saídas resumido por CFOP, autenticado pelo sistema SVA da RFB, foram processadas as informações e obtido o Livro de Entradas e Saídas, resumido por Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP, conforme Planilha anexa denominada "Livro de Entrada_Saida". Os registros obtidos nesta planilha foram confrontados com os CFOP, publicados no Anexo 9 do Decreto nº 14.876/91, com as alterações introduzidas pelos DECRETOS: nº 24.787/2002; nº 25.068/2003; nº 26.020/2003; nº 26.174/2003; nº 26.810/2004; nº 26.955/2004; nº 27.995/2005; nº 28.868, de 31/01/2006; nº 30.861/2007; nº 32.653, de 14/11/2008; nº 34.490 de 30/12/2009, utilizados pela Receita Federal do Brasil RFB, para definição da base de cálculo do PIS, conforme consta da Tabela de CFOP do SPED Sistema Público de Escrituração Digital. Em outras palavras a partir do Livro "resumido" de Entradas e Saídas, após confrontado com os CFOPS que geram direito a crédito, conforme acima mencionado, foram refeitas as DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) do ano calendário 2009, exclusivamente para efeito desta auditoria fiscal, que em comparação com a DACON, apresentada pelo contribuinte à RFB, resultou na apuração de insuficiência de recolhimento e, ainda, Glosas de crédito utilizado indevidamente, originada do saldo a recolher da exação em confronto com a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), constantes dos Sistemas da RFB, conforme quadros expostos abaixo neste Termo. Fl. 9624DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 4 3 O Crédito do COFINS auditado segundo a metodologia acima descrita, está consolidada no quadro (203) anexa a este relatório e no e processo corresponde à planilha 203_vl_glosas_credito_cofins.xls. A Dacon refeita após auditoria, para efeito de demonstração dos valores apurados está consignada no quadro (221) anexa a este relatório e constante do eprocesso (221_es_dacon_cofins_refeito.xls). Na planilha (222) anexa a este relatório e constante do eprocesso (222_es_cofins_safira_a_recolher.xls) está Demonstrado o Valor do Cofins devido a Recolher, já deduzidos dos valores declarados em DCTF: Notas explicativas sobre a planilha 222: 1) Coluna "Vlr_crédito_disponivel_mês_anterior_auditado", valores obtidos da ficha 24 DACONCOFINS; 2) Coluna "Vl_Crédito_Total_Dacon_Apurado_no mês_ficha_24_COFINS", valores obtidos da ficha 24 DACON COFINS, linha : "TOTAL DE CRÉDITO APURADO NO MÊS" 3) Coluna "Glosas_Crédito_Compras_COFINS" Valores oriundos das planilhas: "01_es_Créditos_validos_por_cfop"; "02_es_Créditos_validos_por_rubrica"; "201_dacon_x_es_Créditos_COFINS_auditados_por_rubrica"; "202_total_nf_Créditos_auditados_COFINS" e "203_vl_Glosass_Crédito_COFINS"; 4) Coluna "Demais Glosass Crédito COFINS" outras Glosas adicionadas manualmente pelo Auditor (NÃO HOUVE). 5) Coluna "VL_COFINS_Dacon_total_auditado" Contribuicao_COFINS_ Dacon_apurada_mês dacon_Débito_COFINS_receita_total_ficha_25b, linha "TOTAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS APURADA NO MÊS" a) VL_COFINS_outras_contribuições dacon_COFINS_outros_Débitos, Ficha`='25b', Linhas : CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS A PAGAR DE SCP, CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS A PAGAR RETIDA DE COOPERADOS', 'Contribuição para o COFINS Alíquotas Diferenciadas', 'Contribuição para o COFINS Alíquotas por Unidade de Medida de Produto' dacon_COFINS_outros_Débitos_resumo b) Adicao_Débito_Cofins Planilha 211_es_COFINS_vendas, Sendo: ..Base_COFINS_Receita_Dacon = dacon_Débito_COFINS_receita_vendas_fichas_17_18_19.Receita (V1 = Receita de vendas); ..Base_COFINS_Arquivo_Mag = 03_es_Débitos_validos_por_cfop 04_es_Débitos_validos ..VL_Adição_COFINS_Débito_Vendas 3,6% X (Diferença de Base = Base_COFINS_Arquivo_Mag Base_COFINS_Receita_Dacon, se > 0) Fl. 9625DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 5 4 Planilha212_es_valor_Débito_COFINS_auditado Sendo : Contribuicao_COFINS_Dacon_apurada_mês (item "a" acima) VL_Adiçao_COFINS_Débito_Vendas (item "c" acima) Demais_adicao_Débito = demais_Glosas_adicao_COFINS (arquivo de auditoria física do Auditor Fiscal); Adicao_Débito_Cofins = VL_Adição_COFINS_Débito_Vendas + Demais_adicao_Débito c) 213_es_valor_total_Débito_COFINS_auditado = Contribuicao_COFINS_Dacon_apurada_mês (item a) + VL_COFINS_outras_contribuicoes (item b) + Adicao_Débito_COFINS (item c). 6) Coluna "VL_Dacon_Deducao_COFINS" ( não houve) 7) Coluna "Vl_saldo_final_credor_auditado" (não houve) 8) Coluna "DCTF_Débito_Apurado" Valores declarados na DCTF pelo contribuinte. 9) Coluna "Saldo_Tributo_retido_na_fonte" (não houve). 10) Coluna "VL_COFINS_Safira_a_Recolher" Valores de COFINS a recolher a ser lançado de ofício. II DOS ANEXOS Acompanham este Termo de Verificação, sob forma de planilhas que detalham as diversas colunas acima explicitadas os Anexos abaixo mencionados, que fazem parte integrante deste e consequentemente do Auto de Infração da COFINS: Anexos: Planilhas 01;02;201;202;203;211;212;213. III DO VALOR TRIBUTÁVEL Conforme podemos inferir pelos Demonstrativos retro evidenciados o contribuinte é devedor da Fazenda Nacional, cujo crédito tributário originário será constituído de ofício sobre as diferenças apuradas. IV OUTROS ELEMENTOS OBTIDOS DIRETAMENTE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL: Diversas informações foram obtidas diretamente nos meios magnéticos da Receita Federal do Brasil e utilizados na presente fiscalização, entre os quais: 1) DIRPJ dos anoscalendários de 2009; 2) DACON de 2009; 3) Sped Contábil de 2009; 4) Sped Fiscal de 2009; Fl. 9626DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 6 5 5) DIRF de 2009; V DO ENQUADRAMENTO LEGAL Está descrito nas folhas de continuação do Auto de Infração do qual este termo faz parte integrante. VI – DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Este Termo encerra de forma parcial a presente auditoria, tendo em vista a programação de outras operações de tributos e contribuições no mesmo MPF/F acima citado. E, para constar e produzir os efeitos legais, lavro o presente Termo em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal do contribuinte, que reteve uma das vias. Cientificada do auto de infração em 30/05/2014, no dia 30/06/2014 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1891/1914, na qual contesta a exigência fiscal alegando, basicamente, a nulidade do auto de infração e a legitimidade dos créditos apurados, os quais não teriam sido devidamente analisados pela fiscalização. Após sustentar a tempestividade da impugnação e apresentar um resumo da autuação, a contribuinte alega que o auto de infração seria nulo, por “ausência de motivação clara e precisa da autuação”. Menciona os elementos indispensáveis do Auto de Infração, previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, registra a necessidade de que o auto de infração contenha “todos os elementos indispensáveis à identificação da obrigação surgida”, sendo ainda indispensável que a descrição do fato que ensejou a autuação seja clara e precisa. Esta exigência, diz, decorre dos princípios constitucionais do direito ao contraditório e à ampla defesa e do devido processo legal. Cita doutrina e sustenta que o Auto de Infração “não contém todos os elementos que lhe são pertinentes, pois não é claro, preciso e explícito, no que se refere à justificativa para a glosa de parte do crédito de COFINS declarado em DACON”, pois o Termo de Verificação Fiscal teria se limitado a “apontar o valor do crédito encontrado pela fiscalização, sem trazer qualquer motivação que justifique a diferença entre o crédito declarado pela Requerente em sua DACON e o crédito encontrado pela fiscalização”, o que traria enormes prejuízos à contribuinte, uma vez que esta não teria “elementos suficientes para saber do que tem que se defender”. Prossegue dizendo que devido à forma como foi feita a autuação, “não lhe restará outra saída senão provar que a composição do crédito de COFINS declarado na DACON atendeu aos ditames da lei” e que, por tal razão, “a presente defesa será uma extensão da fiscalização, ou seja, do que deveria ter sido feito/solicitado na fase fiscalizatória”, fato este que, por si só, justificaria a nulidade da autuação. Acrescenta que a fiscalização não teria apontado as despesas que teriam sido consideradas pela contribuinte na composição dos créditos Fl. 9627DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 7 6 e que não teriam sido aceitas pela fiscalização por falta de base legal ou de provas. Teria a fiscalização se limitado a alegar “que a Requerente aproveitouse de créditos indevidos, porém sem discriminar quais seriam os CFOPs glosados”. Que “a simples apresentação de planilha comparativa entre os créditos de COFINS declarados em DACON e os ‘créditos auditados’” não seria suficiente ao entendimento das razões da glosa. Sustenta que não teria sido demonstrada pela fiscalização a forma pela qual obteve determinados valores indicados nas planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. Prossegue (destaques no original): 24. Nesse cenário, a Requerente se encontra em uma situação em que precisa se defender do desconhecido, em nítida violação ao seu direito de ampla defesa. A simplória conclusão da D. Fiscalização de que os créditos de COFINS apurados pela Requerente teriam causado "insuficiência de recolhimento" não é suficiente para que a Requerente exerça plenamente o seu direito de defesa. 25. Cabia à D. Fiscalização motivar a sua conclusão, apontando as razões que embasam seu entendimento de que os valores não oferecidos à tributação deveriam ter composto a base de cálculo da COFINS, o que não foi feito, pois a partir da análise do Termo de Verificação Fiscal não é possível saber a natureza (CFOP's) dos créditos glosados. É necessário que a D. Fiscalização esclareça de modo compreensível os motivos de possuir entendimento diverso da Requerente no que se refere ao aproveitamento de créditos de COFINS na modalidade não cumulativa, trazendo fundamentos jurídicos e fáticos que dão suporte ao seu entendimento e, mais que isso, indicando expressa e objetivamente quais as despesas que, em sua visão, não dão direito a crédito. Cita jurisprudência e conclui (destaques no original): 27. O adequado conhecimento dos fatos que ensejaram a autuação é essencial para que a Requerente exerça sua defesa na esfera administrativa de forma completa. Por oportuno, vale dizer que a mera apresentação da presente Impugnação não tem o condão de afastar o cerceamento do direito de defesa, até porque o fato de a Requerente ter de supor quais foram as razões que levaram a D. Fiscalização a glosar determinados créditos de COFINS, já que a motivação da autuação foi inadequada, demonstra que houve prejuízo em seu direito de defender se. 28. Assim, resta demonstrado que o Auto de Infração é nulo e deve ser integralmente cancelado, uma vez que não se reveste das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária. Caso esse não seja o entendimento de Vossa Senhoria, o que se admite apenas por argumentação, a Requerente passa a demonstrar os motivos que justificariam o cancelamento da presente exigência fiscal, com base no que foi possível inferir do Termo de Verificação Fiscal. Assim, no mérito, a Requerente demonstrará e comprovará que os créditos de COFINS declarados na DACON observaram o artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29.12.2003 (“Lei 10.833/03”), bem como a Jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 9628DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 8 7 Sob o título “MOTIVOS DETERMINANTES PARA O CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL”, passa a contestar o mérito das glosas efetuadas. Inicia com um tópico denominado “(a) Validação dos créditos de COFINS declarados em DACON”. Afirma que, com base na Lei nº 10.833, de 2003, recolheu a COFINS sobre suas receitas e apropriou se de créditos em relação a custos e despesas contemplados no texto legal citando como exemplos os insumos, fretes, energia elétrica, entre outros. Apresenta um quadro demonstrativo com os valores declarados em Dacon (Cofins apurada, créditos descontados e valor a pagar). Acrescenta estar anexando, com o intuito de possibilitar a análise dos créditos declarados em Dacon, “planilhas mensais com discriminação detalhada de todas as operações que fizeram parte da composição do crédito de COFINS, bem como a DACON de cada período”. Reitera que a fiscalização não teria discriminado os créditos glosados, cujo aproveitamento pela contribuinte foi considerado indevido. Acrescenta que “a partir da análise dos CFOP's que a D. Fiscalização entende que dão direito a crédito, a Requerente supôs que do valor glosado pela fiscalização corresponderia à glosa dos CFOP's de frete e energia elétrica”. Conclui (destaques no original): 34. Embora a fiscalização tenha apontado que a Requerente não teria direito ao crédito, a Requerente demonstrará que tem direito ao crédito sobre tais operações, a saber: (i) frete; e (ii) energia elétrica. Assim, nos próximos itens, a Requerente demonstrará seu direito, reiterando que as demais operações que geraram crédito para a Requerente referemse à insumos (bens e serviços), importações, aluguéis, aquisição de equipamentos para o ativo fixo, dentre outros. 35. Diante do exposto, a Requerente pleiteia a conversão do Julgamento em diligência para que a D. Fiscalização possa efetuar o trabalho de validação dos créditos declarados pela Requerente, tendo em vista a composição mensal ora apresentada e demais informações/documentos que poderão ser solicitados pela D. Fiscalização para a confirmação da exatidão dos valores declarados pela Requerente. Reiterese que tais informações não foram solicitadas no curso da fiscalização. Abre novo tópico, intitulado “(b) A natureza das despesas que deram origem aos créditos de COFINS glosados pela D. Fiscalização”, no qual inicialmente discorre de forma genérica e sintética sobre o regime da não cumulatividade, limitandose na verdade, a transcrever parcialmente o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e concluir (destaques no original): 37. Notase que, no que interessa a presente defesa, o legislador autoriza expressamente a tomada de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, dentre eles o frete (artigo 3º, incisos II e IX), bem como a energia elétrica consumida nos estabelecimentos (artigo 3º, inciso III). Fl. 9629DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 9 8 A seguir, no subtópico “(b.1) Energia Elétrica”, contesta as glosas que, como diz, “supõe” que teriam sido efetuadas sobre suas despesas com aquisição de energia elétrica. Inicialmente ressalta que a contestação se refere a glosas que “supõe” que tenham sido efetuadas (o destaque é do original): 38. Com base nas planilhas anexadas ao Auto de Infração pelo I. Fiscal, a Requerente supõe que dentre os créditos glosados se encontram créditos decorrentes de despesas com a aquisição de energia elétrica por estabelecimento industrial (CFOP's 1252/2252), que foram considerados na composição do crédito declarado pela Requerente. Diz então que não concorda com as glosas, uma vez que a legislação expressamente autoriza o aproveitamento de créditos calculados sobre despesas com aquisição de “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Pleiteia o reconhecimento do direito ao crédito e o cancelamento da exigência fiscal. No subtópico seguinte “(b.2) Frete”, contesta as glosas que, em suas palavras, “supõe” terem sido efetuadas sobre tais despesas. Novamente inicia ressaltando que a contestação se refere a glosas que “supõe” que tenham sido efetuadas (destaque no original): 41. Na linha do que foi mencionado acima, a Requerente também supõe que a D. Fiscalização tenha considerado indevidos os créditos aproveitados pela Requerente relacionados com despesas com frete (CFOP's 1352/2352 aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial e 1360 aquisição de serviço de transporte por contribuinte substituto em relação ao serviço de transporte). Afirma que “no que se refere às despesas com frete, a Lei 10.833/03 permite o desconto dos créditos (i) no frete referente à aquisição de insumos para a produção ou bens adquiridos para revenda, (ii) no frete quando é um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviços ou na produção de um bem, e (iii) no frete da operação de venda”. Observando que o direito ao crédito sobre despesas com fretes é reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, cita soluções de consulta e também jurisprudência do STJ. Invocando jurisprudência do CARF, sustenta ainda o direito a créditos calculados sobre despesas com “frete interno”, assim entendido o frete referente ao transporte de bens entre estabelecimentos diversos da mesma pessoa jurídica. Conclui: 46. Portanto, resta comprovado o direito da Requerente aos créditos relativos a despesas com frete na aquisição de insumos (inciso II); transferência entre estabelecimentos para posterior operação de venda (frete interno inciso IX); e na operação de venda (inciso IX). Ressalte se que tais valores de frete são suportados pela Requerente e, por esse motivo, a Requerente teria direito ao crédito. Inicia então novo subtópico, intitulado “(b.3) Bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo”, novamente registrando a suposta dificuldade em exercer seu direito de defesa: Fl. 9630DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 10 9 47. Além da glosa de créditos decorrentes de operações de aquisição de energia elétrica e frete, a D. Fiscalização glosou outros créditos sem, contudo, especificar suas operações. Mesmo sem poder exercer o seu direito à ampla defesa, na medida em que não conseguiu identificar na autuação os motivos que levaram o I. Fiscal a glosar tais créditos, a Requerente assevera que o inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 estabelece a possibilidade de aproveitamento de créditos em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Observando que o texto legal não define o conceito de insumo nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento, alega que a fiscalização, na linha do estabelecido pelas Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, “considera insumo apenas os bens ou serviços diretamente utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados à venda, ou aplicados ou consumidos na prestação do serviço”, entendimento este que estaria equivocado por divergir “da posição atualmente firmada pela doutrina e jurisprudência administrativa sobre o conceito de Insumo”. Discorrendo exaustivamente sobre o tema e trazendo à colação doutrina e jurisprudência, defende, basicamente, que “o conceito de insumo deve estar atrelado à noção de empreendimento, ou seja, de tudo aquilo que colabora de forma imprescindível (essencial) à formação de receita e faturamento”, e que, deste modo “é possível afirmar que esse conceito deve incorporar todos os gastos ou custos que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade”. Não se abstém de sustentar, como é praxe na defesa desta tese, que “o conceito de ‘insumo’ para fins de PIS e COFINS pode ser assemelhado aos conceitos de ‘custo da produção’ e ‘despesas necessárias’ previstos nos artigos 290, I, e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (‘RIR/99’)”. Assim conclui este ponto (com os destaques do original): 61. Diante disso, o conceito de insumo, para fins de creditamento da contribuição da COFINS, deve ser entendido como correspondente a todos os gastos, custos ou despesas que sejam indispensáveis (essenciais) para a comercialização de mercadorias. Ou seja, são insumos aqueles gastos, custos ou despesas sem os quais não seria possível para a empresa fabricar e comercializar suas mercadorias ou ainda prestar serviços. 62. Em síntese, conceitualmente, identificase um “insumo” a ser utilizado na fabricação de produtos quando restar demonstrada a essencialidade ou imprescindibilidade desse custo ou despesa para a respectiva operação. 63. Assim, caso a D. Fiscalização tenha glosado créditos decorrentes de bens ou serviços que se enquadram no conceito de insumo admitido pelos Tribunais Administrativos ou Judiciais, a Requerente pleiteia que tal glosa seja desconsiderada, cancelandose a exigência fiscal de COFINS, uma vez que a legislação permite a tomada de crédito sobre bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo e a jurisprudência aplica conceito mais amplo ao termo insumo justamente Fl. 9631DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 11 10 para permitir que todas as despesas necessárias e essenciais ao processo produtivo dêem direito a crédito. 64. Não obstante isso, considerando a imprecisão da presente autuação, a conversão do julgamento em diligência é medida que se impõe para que seja possível identificar as operações que tiveram seus créditos glosados, permitindo que a Requerente demonstre que atendeu aos ditames da lei. Sustenta a “IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTAS NA EMPRESA SUCESSORA”. Neste sentido, diz que; • não deveria ser obrigada ao pagamento de quaisquer penalidades, pois os atos indicados como infrações fiscais foram praticados por empresa incorporada, e não pela própria autuada; o Auto de Infração é posterior à incorporação da Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. (CNPJ n° 03.085.759/000102) pela impugnante, de modo que a exigência do crédito tributário em discussão recaiu sobre a sociedade sucessora, e não sobre a pessoa jurídica que teria cometido a infração apenada; • a regra geral prevista no artigo 132 do CTN estabelece que “a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas”; • o artigo 132 do CTN menciona apenas o termo tributo, e o artigo 129 do CTN estabelece que as disposições previstas naquela seção aplicamse “por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data”; • deste modo, uma vez que o artigo 3º do CTN estabelece que “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expressar, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, a definição legal de “tributo” não inclui as multas pecuniárias impostas pelas autoridades fiscais, posto que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. Observa então que “fica claro que uma sociedade incorporadora não responde pelas multas eventualmente imputadas à sociedade incorporada, especialmente quando a lavratura dos autos de infração tiver ocorrido após o ato de incorporação” como é o caso dos autos, colaciona jurisprudência administrativa e conclui (destaque no original): 73. Dessa forma, diante da clara posição da C. CSRS sobre a questão jurídica descrita acima, concluise que a imposição da multa no caso em exame, além de se apoiar em premissa incorreta, é infundada e deve ser afastada sob pena de violação do disposto no artigo 132 do CTN. Fl. 9632DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 12 11 A seguir, contesta a “INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO”, dizendo que: • a multa configura penalidade e não tem natureza tributária e, portanto, não há razão para ser aplicada sobre seu valor a referida taxa de juros; o aumento da multa pela aplicação de taxa de juros caracteriza o agravamento da sanção, o que é inaceitável; • a Lei nº 9.250, de 26/12/1995, que instituiu o uso da taxa SELIC para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, ou seja, somente é aplicável aos tributos e contribuições propriamente ditos; “a multa aplicada não é débito decorrente de tributos e contribuições a possibilitar a aplicação da norma legal. Repitase: multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC”; • referida taxa de juros também não pode ser aplicada com base na “previsão do artigo 43 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (...), pois tal norma apenas autoriza a aplicação dos juros SELIC quando a multa é lançada isoladamente, sem tributo principal devido”, que não é o caso dos autos. Cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e diz restar “evidente a impossibilidade de cobrança de juros SELIC sobre a multa aplicada no presente caso, caso seja mantida a exigência fiscal, o que se alega apenas para fins de argumentação”. Apresenta então suas conclusões e pedidos (destaques no original): 79. Diante de todo o exposto, a Requerente tem como demonstrado em preliminar, a nulidade do Auto de Infração tendo em vista a ausência de motivação clara e precisa da autuação, já que a D. Fiscalização não demonstrou as operações que tiveram seus créditos glosados e, além disso, não apresentou elementos que permitissem com que a Requerente identificasse as operações em questão. Tal fato prejudica sensivelmente o direito de defesa da Requerente. Portanto, de plano, se requer a declaração de nulidade da autuação. 80. No mérito, caso a autuação não seja anulada, o que se alega apenas para fins de argumentação, a Requerente apresentou planilhas e informações da composição mensal do crédito para que sejam validados/confirmados os valores dos créditos de COFINS declarados pela Requerente na DACON e os recolhimentos efetuados. Na hipótese, a Requerente trouxe a apuração mensal do crédito de COFINS discriminando todas as operações, sendo que tais operações dão direito a crédito nos termos do artigo 3º da Lei 10.833/2003. Assim, a Requerente pleiteia a conversão do julgamento em diligência para que o trabalho de validação/confirmação seja feito pela D. Fiscalização e os créditos controversos sejam devidamente discriminados para possibilitar a defesa da Requerente. 81. Neste ponto, a Requerente demonstrou seu direito a[o]s créditos de Cofins sobre despesas com energia elétrica e frete, nos termos do artigo 3º, incisos I, II, III e IX da Lei 10.833/03; e despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção de suas atividades e que, portanto, Fl. 9633DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 13 12 geram direito a crédito de COFINS, nos termos do artigo 3º, incisos I e II, da Lei 10.833/03. 82. Por fim, a Requerente demonstrou a impossibilidade de se lhe aplicar penalidades (tais como as multas de ofício e isolada) em razão de supostas infrações alegadamente cometidas por empresa já incorporada, bem como que (i) a multa de ofício no valor de 75% da exigência é excessiva e extrapola os limites razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; e (ii) se aplicável a taxa SELIC, ela somente poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. 83. Pelo exposto, caso a nulidade acima seja superada, a Requerente pleiteia a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, e do artigo 57, inciso IV, do Decreto nº 7.574/11, cumulados com o artigo 38 da Lei nº 9.784/99. A conversão do processo em diligência e/ou a realização de uma perícia contábil é necessária para que a totalidade dos documentos possa ser analisada e não restem dúvidas acerca da improcedência da cobrança, haja vista a validade dos créditos de COFINS utilizados pela Requente e a correção da apuração das contribuições no período de março a dezembro de 2009. 84. A Requerente indica como assistente técnico o Sr. Antônio Marchi Bastos Neto, brasileiro, com escritório na Avenida Juscelino Kubitschek, 1.309, 9º andar, Vila Nova Conceição, CEP 04543011, telefone (11) 35689147 e email: antonio.marchi@unilever.com e anexa os Quesitos (doc. nº 14) formulados para realização de diligência, protestando pela apresentação de quesitos suplementares ou elucidativos. 85. Por fim, comprovada a exatidão dos procedimentos adotados pela Requerente, bem como a total improcedência do Auto de Infração ora impugnado, pleiteia a Requerente seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação para que seja cancelada a exigência fiscal e determinado o arquivamento do respectivo processo administrativo. 86. Em atenção ao principio da verdade material que deve orientar todo o processo administrativo fiscal e com fundamento no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, a Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos a corroborar seu direito. Por meio da Resolução nº 3.164, de 10/11/2014 (fls. 1920/1926), a então 16ª Turma desta DRJ/Ribeirão Preto decidiu converter o julgamento em diligência, solicitando à DRF de origem que: • discrimine, com totalizações mensais, quais lançamentos de insumos ou despesas foram desconsiderados, ocasionando a lavratura do auto de infração, esclarecendo, inclusive, o tipo/natureza deles, bem como a razão pela qual tais “insumos” não dão direito a crédito para apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa; • manifestese a respeito dos documentos apresentados pela contribuinte, bem como das alegações quanto à desconsideração de Fl. 9634DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 14 13 aquisições de bens e serviços cujos CFOP, em princípio, gerariam crédito; • em havendo divergências entre as bases de cálculo da contribuição utilizadas pela contribuinte e as consideradas pela fiscalização, elabore demonstrativos das receitas que, no entendimento da fiscalização, devem compor a base de cálculo da contribuição, discriminandoas por CFOP, com totalizações mensais, e quadros comparativos com os valores considerados pela contribuinte; • elabore Relatório Fiscal conclusivo, devidamente fundamentado, pronunciandose sobre os pontos acima referidos, bem como acerca da validade e dimensão dos créditos da não cumulatividade informados no Dacon de maio a dezembro de 2009, e da correspondente repercussão sobre o crédito tributário lançado. Após as providências que considerou adequadas ao atendimento do quanto solicitado na referida resolução, o AuditorFiscal incumbido da diligência emitiu a Informação Fiscal de fls. 9457/94631. Após breve introdução na qual relata o objeto do procedimento, o Auditor Fiscal esclarece novamente a metodologia adotada por ocasião da ação fiscal da qual resultou a lavratura do Auto de Infração, expõe a base legal dos créditos da não cumulatividade da Cofins que foi adotada na diligência, e passa então a descrever as análises efetuadas. Informa acerca das intimações efetuadas à contribuinte bem como de suas respostas e documentos apresentados, e prossegue: CFOPs geradores de créditos, com exceção dos serviços declarados nos CFOPs 1.999 e 2.999, que originalmente não dão direito a crédito e que, por essa razão não haviam sido considerados pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração. Como no DACON da Contribuinte, todos os serviços encontramse declarados na Linha 3 das Fichas 6 A (PIS) e 16 A (COFINS) “SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, nesses valores estão inclusos os CFOPs 1.933, 2.933 (que originariamente geram créditos) e também os valores declarados nos CFOPs 1.999 e 2.999 (não originariamente geradores de crédito). Considerando que a contribuinte apresentou relação analítica de todas as operações incluídas nesses CFOPs, discriminadas por NF de cada serviço tomado, que serviu de base para a tomada de crédito, procedemos análise de todas essas operações, com a segregação dos serviços, que pela legislação pertinente e narrada anteriormente, dão direito a crédito das operações, e que pela mesma legislação, não dão direito a crédito. Em decorrência, elaboramos as planilhas mensais “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS COM DIREITO A CRÉDITO” (Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável fl. de nº 9454) e em contrapartida, as planilhas mensais “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO” (Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável – fl. de nº 9455). Fl. 9635DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 15 14 Com base nas referidas planilhas, procedemos à elaboração do quadro resumo denominado “DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DAS BASES DE CÁLCULO GLOSADAS E ACEITAS, CONFORME ANEXOS” (fl. de nº 9456), no qual se encontram os valores mensais das bases de cálculo declaradas pela contribuinte em DACON, o valor da base de cálculo, cuja glosa foi mantida e ainda, a parte da base de cálculo aceita nesta diligência. A título de ilustração, citamos alguns itens que segundo a contribuinte geraram crédito, mas que por sua natureza, sem dúvida se situam à margem da legislação que rege o aproveitamento de crédito, tais como: notas fiscais de serviços administrativos relacionados a publicidade e propaganda, honorários advocatícios, despesas com pessoal, serviços de informática, etc... conforme se depreende da Planilha "AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO". Ainda na referida listagem (CFOPs 1.999 e 2.999), constam ao longo do período, valores relevantes de serviços ligados ao ativo imobilizado — Serviços de montagem de equipamentos, Serviços de Engenharia/Instalação de máquinas e equipamentos, etc... que isoladamente ou em seu conjunto, deveriam integrar o Ativo Imobilizado da contribuinte, para posterior depreciação ou amortização. A manutenção da glosa do crédito da COFINS, decorre do fato de que a contribuinte simplesmente não procedeu à sua imobilização, considerandoos diretamente como despesas ou custos e dessa forma, aproveitando integralmente e de única vez os créditos decorrentes. Ora, o aproveitamento de crédito decorrente do ativo imobilizado, no regime não cumulativo, passa primeiro pela sua imobilização e se dará ao longo do tempo, quer seja pelas regras do art. 3º, Inciso VI das leis 10.637/2002 – PIS e 10.833/2003 – COFINS, através da depreciação ou amortização desses bens ou, de forma alternativa, pelo regime de aquisição (1/48 avos) ao mês, conforme artigo 3º, § 14 da lei 10.833/03 e estendido ao PIS pelo Inciso II do artigo 15 desta mesma lei. Concluídos os levantamentos, procedemos ao demonstrativo a seguir com a nova situação dos valores do auto de infração (valor principal), que no entender desta fiscalização devem persistir. Importante observar que estando a matéria em fase de julgamento, os conceitos de “VALOR ACEITO” e “VALOR MANTIDO”, visam tão somente apresentar subsídios aos doutos julgadores. Entretanto, a segregação foi realizada, segundo entendimento desta fiscalização, à luz da legislação já citada. Finalmente, cabe observar que o auto de infração foi lavrado com base exclusivamente nas divergências encontradas nas bases de cálculo das operações de crédito. Portanto, não houve constituição de crédito com base em receitas. Em atendimento ao disposto na Resolução DRJ/RPO nº 3.164, de 10 de novembro de 2014 (fls. nºs 1920 a 1926), damos ciência, à contribuinte, na pessoa do seu representante legal, do presente relatório circunstanciado, sobre o resultado da diligência fiscal, Fl. 9636DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 16 15 abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento deste, para que possa apresentar, se de seu interesse for, manifestação com relação ao presente feito. Cientificada em 10/07/2017, conforme Termo de Ciência de fls. 9471/9472, no dia 08/08/2017 a contribuinte apresentou o aditamento à impugnação de fls. 9476/9494. Alega tempestividade, reportase resumidamente aos “fatos antecedentes”, desde a ação fiscal até a Resolução desta DRJ por meio da qual o julgamento foi convertido em diligência e passa a manifestar se acerca do “Relatório de Diligência de fls. 9457/9463”. Menciona os esclarecimentos fornecidos pelo AuditorFiscal sobre os documentos utilizados na execução da diligência bem como as planilhas que resultaram da análise efetuada, e assevera que, analisandoas, “é possível afirmar que a D. Fiscalização analisou a DACON da Requerente e apontou quais créditos, no seu entender, não poderiam ter sido aproveitados, com a recomendação de redução do crédito tributário objeto da autuação”. Manifesta então sua “concordância com relação às glosas canceladas pela D. Fiscalização, uma vez que, conforme afirmado no relatório fiscal, representam insumo relacionado à atividade produtiva da Requerente” e pleiteia o cancelamento da exigência no tocante às glosas que, na diligência, a fiscalização entendeu que deveriam ser canceladas. Manifesta, contudo, sua discordância quanto às glosas mantidas. Diz que os créditos glosados, de um modo geral, “podem ser classificados como: (i) serviços prestados por terceiros; (ii) bens adquiridos para serem aplicados no processo produtivo; (iii) publicidade e propaganda; e (iv) frete”. Acrescenta que embora a DRJ tivesse solicitado a indicação dos motivos das glosas, “constou no relatório fiscal apenas que as despesas que deram origem aos créditos glosados não se enquadrariam no conceito restritivo de insumo (i.e. conceito decorrente das Instruções Normativas – ‘IN’ – nº 247/2002 e 404/2004)”, e que, além disso, a fiscalização “afirmou que alguns créditos não poderiam ter sido utilizados pois alguns decorreriam de serviços (engenharia, instalação de máquinas e equipamentos, etc.) que deveriam integrar o Ativo Imobilizado da contribuinte”. Conclui: 18. Diante disso, a Requerente apresenta este aditamento à Impugnação, reiterando as alegações/documentos apresentados na Impugnação de 30.6.2014, nos termos a seguir exposto e requerendo que os aspectos abaixo indicados também sejam considerados no julgamento em primeira instância administrativa. Alega a “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO”, nos seguintes termos (os destaques são do original): 19. A Requerente demonstrou em sua impugnação que a metodologia utilizada pela D. Fiscalização para elaboração do Auto de Infração enseja a nulidade da autuação, já que cerceia o direito de defesa da Requerente e viola o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. Nesse sentido, a Requerente reitera todos os termos do item 3 de sua Impugnação. Fl. 9637DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 17 16 20. Apenas para que não haja dúvidas, a Requerente destaca que a nulidade da autuação foi comprovada por meio da realização de diligência. Isso porque, para atender à determinação da DTJ(sic), a D. Fiscalização precisou analisar as planilhas que demonstram a composição do DACON da Requerente para, então, discordar de alguns créditos. Ou seja, apenas com base no trabalho fiscal que resultou na autuação, a D. Fiscalização não conseguiria cumprir o que foi determinado pela DRJ (apontar quais créditos foram glosados e explicar o motivo). 21. Reiterese que o I. Agente Fiscal responsável pela diligência, ciente da determinação da DRJ, deparouse com a mesma dificuldade que a Requerente teve para elaborar a sua Impugnação: não sabia quais créditos tinham sido glosados, se levasse em consideração apenas o trabalho fiscal que ensejou a autuação. Precisou, pois, utilizar as planilhas apresentadas pela Requerente em sua Impugnação e que demonstram a composição do DACON. 22. Portanto, após a realização da diligência, não há qualquer dúvida de que o Auto de Infração é nulo, já que a metodologia adotada pelo I. Agente Autuante não apresenta a motivação da autuação, tampouco fornece os documentos que permitem a compreensão dos fatos que levaram à exigência fiscal, o que viola o artigo 10 do Decreto 70.235/72. Passa então à discussão do mérito no tocante às “GLOSAS MANTIDAS PELA D. FISCALIZAÇÃO”. Após mencionar que a fiscalização admitiu parte dos créditos e glosou outros, recomendando significativa redução dos valores lançados, registra novamente sua discordância quanto às glosas mantidas, observa que a fiscalização expressamente afirmou ter utilizado o conceito de insumo previsto nas instruções normativas, conceito este com o qual não concorda e, “por esse motivo, reitera e ratifica todos os termos do item IV de sua Impugnação, no intuito de que também seja confirmado a indevida glosa da parcela mantida”. Observa ainda que “o novo trabalho fiscal indicou quais créditos houve a manutenção da glosa (que constam na planilha ‘AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO’ fl. 2083) e, portanto, neste aditamento a Requerente se defenderá com relação a estes”. Contesta o conceito de insumo adotado pela fiscalização, que se encontra previsto nas Instruções Normativas RFB nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004. Registra que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, autorizam o aproveitamento de créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, porém não definem o conceito de insumo. Sustenta que seria restritivo o conceito de insumo estabelecido nas referidas instruções normativas, segundo as quais somente são considerados insumos “os bens ou serviços diretamente utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados à venda ou aplicados/consumidos na prestação do serviço”. Diz que este conceito decorre daqueles definidos nas legislações do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS e Fl. 9638DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 18 17 do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Como o ICMS incide sobre a circulação de mercadorias e o IPI sobre a operação de industrialização de produtos, é inadequada a adoção deste conceito de insumo para as contribuições em questão, que incidem sobre o faturamento. Assim, “é plausível que o conceito de insumo para essas contribuições deva assemelharse aos conceitos de ‘custo de produção’ e ‘despesas necessárias’ previstos nos artigos 290, I, e 299 do Decreto 3000, de 26.3.1999 (‘Regulamento do Imposto de Renda’ ou ‘RIR’)”. Prosseguindo nesta linha de argumentação, diz ser “defensável que o conceito de insumo no âmbito do PIS e da COFINS deve ser interpretado de forma ampla, nos termos do RIR, para que contemple todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à consecução de seu objeto social”, reitera que as leis de regência não definiram o conceito de insumo e acrescenta que estas, no entanto, “também não apresentaram ressalvas”. Deste modo, as Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, teriam inovado e desrespeitado o princípio da estrita legalidade. Traz à colação doutrina e jurisprudência em apoio à sua tese de que deve ser adotado um conceito amplo de insumo de modo a contemplar “todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à consecução de seu objeto social”. Sustenta então que, mesmo não sendo admitida a “interpretação ampla do conceito de insumo”, não deve prevalecer a interpretação “restritiva” adotada na diligência, pois “há acórdãos do E. CARF adotando interpretação intermediária, na medida em que atualmente afasta tanto a regência das regras do IRPJ, quanto a aplicação restritiva das regras do IPI, fixando o entendimento de que o conceito de insumos para fins de PIS e COFINS deve obedecer a regras próprias”, entendimento que também vem sendo adotado por alguns Ministros do STJ, que menciona. Cita jurisprudência neste sentido e conclui: 40. Concluise, portanto, que a interpretação atual do conceito de insumo está vinculada à essencialidade ou imprescindibilidade do custo ou despesa para a respectiva operação. Admitida esta interpretação, restará comprovado o direito aos créditos de PIS e COFINS apurados pela Requerente em relação ao período de março a dezembro de 2009 e a indevida glosa realizada pela D. Fiscalização via diligência. (destaques no original). Passa, a seguir, à defesa do “direito aos créditos cuja glosa foi mantida pela D. Fiscalização”. À guisa de introdução ao tema diz que do exame da “planilha ‘AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CREDITO’ (fl. 9455)” verificase que a fiscalização “manteve a glosa dos créditos relacionados a: (i) serviços prestados por terceiros; (ii) bens adquiridos como insumos; (iv) publicidade e propaganda; e (v) locação de veículos e equipamentos de áudio e vídeo”. Ainda em sede de introdução, registra que é sucessora da UNILVER HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA., empresa esta que, na época dos fatos geradores, “se dedicava, dentre outras atividades, à fabricação, transformação, beneficiamento, conservação, armazenagem, transporte, distribuição, importação, exportação, comércio e Fl. 9639DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 19 18 divulgação de diversos tipos de produtos (produtos de limpeza e higiene doméstica, produtos alimentícios, produtos de perfumaria, etc), conforme descrito em seu contrato social, anexado à Impugnação ora aditada”. Inicia um tópico intitulado “(A) Serviços prestados por terceiros e utilizados como insumos”, dizendo serem indevidas as glosas de créditos que “decorrem de serviços prestados por terceiros, como instalação de máquinas e equipamentos, montagem, serviço de isolação térmica, assistência técnica (trabalhista, tributária), construção civil e pintura, limpeza e conservação, transporte de pessoal, análise de amostras, dentre outros”, uma vez que “todos esses serviços são essenciais à sua atividade”. A título de exemplo, referese aos serviços de conservação e limpeza. Diz que, como na época industrializava e comercializava produtos alimentícios, “a limpeza e conservação de seus estabelecimentos é imprescindível à sua atividade e está diretamente ligada ao processo produtivo da empresa”, devendo, assim, ser caracterizados como insumos os materiais e serviços utilizados nesta atividade, sendo, portanto, legítimos os créditos calculados sobre tais dispêndios. Invoca jurisprudência do STJ que entende corroborar sua tese. No mesmo sentido é a defesa relativa aos créditos calculados sobre despesas com “manutenção de máquinas e equipamentos”: 46. Além disso, a Requerente incorreu com gastos que visavam à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em seu processo produtivo, seja para garantir a segurança dos funcionários (manutenção de equipamentos de segurança, elevadores, letreiro) ou dos equipamentos utilizados na consecução das atividades da Requerente (equipamento para escritório, carrinhos, quiosques, etc). A Requerente não teria como fabricar produtos de limpeza, higiene e alimentícios, por exemplo, na situação hipotética em que seus equipamentos não funcionam. Cita jurisprudência e, com argumentos semelhantes, quais sejam, a indispensabilidade de tais serviços para a consecução de seu objeto social, defende o direito aos créditos calculados sobre serviços de transporte de funcionários, de assessoria jurídica e técnica e de publicidade e propaganda. Neste ponto da manifestação de inconformidade a linha de defesa difere apenas no tocante às despesas com serviços de construção civil e de pintura, em relação aos quais diz entender “que possui direito aos créditos decorrentes dessas despesas”, uma vez que o art. 3º, VII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, “permite créditos de PIS e COFINS sobre edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros”. Assim conclui este tópico: 53. Enfim, todos os serviços prestados por terceiros que glosados pela D. Fiscalização geram créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, já que caracterizam insumos ao processo produtivo da Requerente. Fl. 9640DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 20 19 Em novo tópico, “(B) Bens utilizados como insumos”, contesta as glosas que teriam sido mantidas sobre os créditos apropriados a este título. Apresenta uma relação, a seguir reproduzida, de produtos cujas glosas considera indevidas: (...) Diz ser “evidente que as tampas ‘Dove’ e ‘AXE’ são utilizadas como insumos aos desodorantes comercializados pela Requerente”, diz ainda que “aos menos aos leigos, a utilização de dióxido de titânio, zinco piritiona ou glycol distearate, por exemplo, só faz sentido no cenário de um processo industrial”, e acrescenta que se a fiscalização tivesse dúvidas “quanto à utilização desses bens no processo produtivo da Requerente, deveria ter solicitado esclarecimentos”. Conclui: 57. Diante disso, as despesas incorridas para a aquisição desses bens devem ser caracterizadas como insumos aplicados no processo produtivo, uma vez que são efetivamente essenciais às atividades da Requerente, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. No tópico seguinte, “(C) Frete”, contesta as glosas sobre despesas com fretes que afirma terem ocorrido, embora não tenham sido mencionadas pela fiscalização, nos seguintes termos (os destaques são do original): 58. Embora a D. Fiscalização não afirme textualmente que glosou créditos de frete, é possível verificar nas planilhas “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO” que despesas de frete foram, de fato, glosadas. 59. Para comprovar essa afirmação, a Requerente destaca as seguintes glosas que constam na planilha referente ao mês de maio (citada a título exemplificativo para construção de argumento que se aplica a todo o período discutido neste feito): 60. Ou seja, verificase pela razão social do prestador de serviço e pelo seu CNPJ (docs. nº 2 e 3) que várias despesas de frete foram glosadas, ainda que a descrição do produto/serviço não o faça parecer. 61. Nesse sentido, é fato que a despesa incorrida com frete gera créditos de PIS e de COFINS, seja nos termos do artigo 3º, IX, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 (que autoriza crédito do frete incorrido na operação de venda), seja nos termos da jurisprudência do E. CARF (que autoriza crédito de frete decorrente da aquisição de insumos e da transferência de produtos entre plantas). Acrescenta existirem “despesas que se relacionam com o frete como, por exemplo, serviços de despachantes portuários e afins” que também teriam sido glosadas e que, no entanto, dariam direito à apuração de créditos de PIS e Cofins, por serem “imprescindíveis à atividade da Requerente”. Cita jurisprudência administrativa e conclui: 63. Portanto, em relação às despesas que decorrem de frete (ainda que a descrição do produto/serviço não seja precisa), a glosa efetuada pela D. Fiscalização deverá ser cancelada, ficando ainda reiterados todos Fl. 9641DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 21 20 os argumentos desenvolvidos na impugnação que tratam do tema (especialmente item IV, “b.2”). Apresenta contestação genérica sobre outras glosas que teriam sido feitas: 63(sic). Embora a Requerente tenha dado especial destaque à questão dos serviços e bens utilizados como insumos, isso foi feito apenas como forma de demonstrar a improcedência das glosas de créditos de COFINS apontadas na diligência. Nesse sentido, a Requerente, por meio desta manifestação, impugna todas as glosas realizadas pela D. Fiscalização e que foram mantidas, ainda que não tenham sido expressamente mencionadas, sem prejuízo de análise individualizada das despesas pelos DD. Julgadores. 64. Frisese que todos os créditos aproveitados pela Requerente encontram respaldo na legislação e no conceito de insumo adotado pela jurisprudência atualmente, razão pela qual todo o crédito tributário deverá ser cancelado, inclusive no que se refere ao “remanescente” indicado no relatório de diligência. Por fim, apresenta suas conclusões e pedidos: 65. Este aditamento à Impugnação é tempestivo e deve ser integralmente conhecido, apreciado e acolhido em suas razões de fato e de direito, que demonstram a nulidade da presente autuação e a total improcedência da exigência fiscal. 66. Diante do exposto, a Requerente pleiteia o acolhimento integral do presente aditamento à Impugnação para que, somado aos argumentos/documentos da Impugnação, seja anulada a presente autuação fiscal ou cancelada a sua exigência fiscal, com o consequente arquivamento do processo administrativo. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, alínea “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. 67. Por fim, a Requerente reitera mais uma vez todos os argumentos dispostos em sua Impugnação. A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP julgou a impugnação procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 1475.088, de 28 de novembro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 9642DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 22 21 As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada em procedimento fiscal a falta de declaração e/ou recolhimento ou a declaração inexata de tributo é cabível a aplicação da multa de 75%. A sucessora é responsável pelo crédito tributário da sucedida, respondendo tanto pelos tributos devidos pela sucedida até a data da sucessão, como por eventual multa de ofício e demais encargos legais formalizados após a sucessão em decorrência de infração cometida pela empresa sucedida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa os custos, encargos e despesas expressamente previstos na legislação de regência. Para efeito da apuração de créditos no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente como aqueles bens e Fl. 9643DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 23 22 serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS, PARTES E PEÇAS UTILIZADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO E PINTURAS. Os serviços, partes e peças utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens ou serviços destinados à venda, que importem aumento da vida útil superior a um ano, devem ser incorporados ao ativo imobilizado, para, só então, passarem a gerar créditos da não cumulatividade, os quais deverão ser calculados sobre os encargos de depreciação ou amortização. Igualmente, os serviços de construção e pintura somente geram créditos após sua incorporação ao ativo imobilizados, calculados também sobre os respectivos encargos de depreciação ou amortização. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado sobre os encargos de depreciação ou calculado com base no valor de aquisição. É vedado o desconto de créditos relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS. ASSESSORIA TÉCNICA E JURÍDICA. PUBLICIDADE E PROPAGANDA. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. GESTÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Dispêndios com aquisição de serviços de transporte de funcionários, de conservação e limpeza, de publicidade e propaganda, de assessoria jurídica ou técnica, bem como de gestão administrativa, não dão direito a créditos da não cumulatividade, por inexistência de autorização legal expressa para o cálculo de créditos sobre tais despesas, e, ainda, por se tratarem de serviços que não se caracterizam como insumos, eis que não são empregados diretamente na fabricação ou produção de bens ou serviços destinados à venda. FALTA DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS VERIFICADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL. DESCONTOS. EXONERAÇÃO. Fl. 9644DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 24 23 No julgamento administrativo são considerados válidos os créditos da não cumulatividade apurados em procedimento de diligência fiscal, devendo ser exonerados da exigência os valores correspondentes aos créditos cuja legitimidade foi reconhecida no referido procedimento. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O auto de infração é nulo, fato que ficou comprovado no curso da realização de diligência (já que, frisese, o I. Auditor Fiscal teve que se descolar da autuação para cumprir o determinado pela I. DRJ), razão pela qual a r. decisão recorrida deverá ser reformada, de modo que se reconheça que a autuação tal como lavrada não permite a compreensão dos fatos que levaram à exigência fiscal, o que enseja a nulidade do auto de infração por violação ao artigo 10 do Decreto 70.235/72; b) O conceito de insumo no âmbito do PIS e da COFINS deve ser interpretado de forma ampla, nos termos do RIR, para que contemple todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à consecução de seu objeto social; c) Está incorreto o entendimento da r. decisão recorrida no sentido de que os serviços de limpeza ou conservação não poderiam ser considerados insumos, posto que não são serviços diretamente empregados na produção ou fabricação dos bens destinados à venda. Isso porque, como na época dos fatos geradores a Recorrente industrializava e comercializava produtos alimentícios, a limpeza e conservação de seus estabelecimentos é imprescindível à sua atividade e está diretamente ligada ao processo produtivo da empresa. Desse modo, os serviços em questão deverão ser caracterizados como insumos, gerando direito ao desconto de créditos de PIS e COFINS para redução da base de cálculo dessas contribuições; d) O recorrente incorreu com gastos que visavam à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em seu processo produtivo, seja para garantir a segurança dos funcionários (manutenção de equipamentos de segurança, elevadores, letreiro) ou dos equipamentos utilizados na consecução de suas atividades (equipamento para escritório, carrinhos, quiosques, etc.). Quanto ao argumento da r. decisão recorrida de que os serviços em questão não dariam direito ao crédito na medida em que a Recorrente não teria procedido à sua imobilização, é importante esclarecer que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, em seus artigos 3º, VI, autorizam a constituição de créditos em relação a “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Contudo, os créditos utilizados pela Recorrente não encontram respaldo no inciso VI dos artigos 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 (como sugere a r. decisão recorrida), mas sim com base no inciso II do artigo 3º desses mesmos diplomas legais, eis que esses serviços representam insumos à atividade da Recorrente, razão pela qual o crédito foi aproveitado da forma como deveria ter sido; e) As atividades desenvolvidas pela recorrente demandam a movimentação dos funcionários que, muitas vezes, locomovemse até onde seus clientes estão para negociar a venda dos produtos. Portanto, o serviço de transporte de seus funcionários é essencial à consecução de sua atividade, de modo que o fundamento legal do direito ao crédito está no artigo 3º, II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02; Fl. 9645DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 25 24 f) A assessoria é prestada por escritórios de advocacia ou empresas de consultoria especializadas na área de contabilidade ou engenharia. Além do serviço de assessoria, o recorrente também contrata serviços relacionados à gestão administrativa da empresa, como de recursos humanos, folha de pagamento e serviços relacionados à pesquisa e desenvolvimento (P&D), seja para aprimoramento dos equipamentos utilizados no processo produtivo ou melhoria dos seus produtos; g) O inciso VII, do artigo 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 permite créditos de PIS e COFINS sobre edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, razão pela qual o recorrente entende que possui direito aos créditos decorrentes das despesas com serviços de construção civil e pintura; h) No que se refere à publicidade e propaganda, tratase de serviços que têm por finalidade, dentre outras: (i) tornar determinado produto, serviço ou marca conhecido dentro do mercado consumidor; e (ii) estimular as vendas desses produtos e serviços, aumentando assim a lucratividade da empresa e o seu crescimento. Na medida em que a atividade primordial da Recorrente consiste na fabricação de produtos e sua comercialização, não há dúvidas de que as despesas incorridas com propaganda e marketing desempenham papel essenciais e relevante na revenda das mercadorias, sendo passíveis, portanto, de enquadramento no conceito de “insumo” para fins de desconto de créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03; i) Apesar do que consta no texto do relatório de diligência, na planilha de fls. 9.455 (“AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO”) é possível constatar que foram mantidas as glosas referentes às despesas decorrentes da aquisição dos seguintes bens: SODIUM LAURETH SULFATE [1EO]; GLYCOL DISTEARATE [OXO 1EO]; CARBONATO DE CALCIO EXPERIMENTAL; TAMPA GEN LUX SAB LIQ 50ML STRIPPER; OLEO DE PALMA KERNEL (BRUTO); OLEO DE PALMA KERNEL BRANQUEADO; CAPA PROTECAO SENSOR,EM POLIURETANO; CABO ELETRICO ALIMENTACAO, EM COBRE; FILTRO AGUA STA FILTROS/STA II KDF55; TELHA,EM ACO GALVANIZADO (PC); TAMPA ACTUADORA PRETA AXE DEO AER GEN90M; TAMPA DOVE LOC 200ML SUPERBIRD; TAMPA DOVE LOC HIDRAT FRESCA 200ML BOLD; TAMPA FUME PRETA AXE DEO AER GEN 90ML; VALV AXE DEO COMP ACTUADOR HERCULES VPA; CARBONATO DE SODIO LEVE; ESTRUTURA METALICA (PC); EXTINTORES (PC); LEXAMINE S 13; SORBITOL NEOSORB 70/70B; SULFONATO DE ALFA OLEFINA 40%; DIOXIDO DE TITANIO EXP; ACIDO GRAXO DE COCO (GRAU DOVE) e ZINCO PIRITIONA FPS. É evidente que as tampas “Dove”, “Lux”, “AXE”, assim como válvula “AXE” são utilizadas como insumos aos desodorantes comercializados pela Recorrente. Nesse mesmo sentido, ao menos aos leigos, a utilização de dióxido de titânio, zinco piritiona, sodium laureth sulfate, acido graxo de coco e glycol distearate, por exemplo, só faz sentido no cenário de um processo industrial; j) Não há dúvidas de que a despesa incorrida com frete gera créditos de PIS e de COFINS, seja nos termos do artigo 3º, IX, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 (que autoriza crédito do frete incorrido na operação de venda) ou nos termos da jurisprudência do E. CARF (que autoriza crédito de frete decorrente da aquisição de insumos e da transferência de produtos entre plantas). As despesas com os serviços de despachantes portuários e afins também foram glosadas, porém, nos termos do artigo 3º, II, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, geram créditos de PIS e Cofins eis que são imprescindíveis à atividade da Recorrente. Nestes termos, as Fl. 9646DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 26 25 despesas que decorrem de frete e a ele se relacionam, deverão ser analisados por CNPJs da coluna “fornecedores” da planilha “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO” (fl. 9455), ocasião em que restará comprovado que várias glosas se referem a despesas com frete (ainda que a descrição da despesa seja imprecisa e independentemente de se tratar de frete interno ou na operação de venda), razão pela qual a r. decisão recorrida deverá ser parcialmente reformada, para que a glosa efetuada pela D. Fiscalização seja integralmente cancelada; k) Embora o Recorrente tenha dado especial destaque à questão dos serviços e bens utilizados como insumos, isso foi feito apenas como forma de demonstrar a improcedência das glosas de créditos de COFINS apontadas na diligência, cujo resultado foi ratificado pela r. decisão recorrida. Nesse sentido, o Recorrente, por meio deste recurso, impugna todas as glosas realizadas pela D. Fiscalização e que foram mantidas pela r. decisão recorrida, ainda que não tenham sido expressamente mencionadas, sem prejuízo de análise individualizada das despesas pelos DD. Conselheiros; l) Considerando o princípio do nãoconfisco e a boafé do Recorrente, que apenas utilizou os créditos que entendia devidos e autorizados pela legislação pertinente, a multa aplicada deverá ser cancelada ou, ao menos, reduzida. Termina petição requerendo a nulidade do auto de infração e, alternativamente, que seja dado provimento para reformar parcialmente a decisão recorrida, cancelando in totum o auto de infração. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento e passo a análise de mérito. Nulidade do auto de infração. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na impugnação, alegando vícios no auto de infração capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: Na impugnação (fls. 1891/1914), a contribuinte alegou que o Auto de Infração seria nulo por não apresentar todos os requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ainda, por cerceamento ao direito de defesa. No aditamento à impugnação apresentado após a ciência do resultado da diligência (fls. 9476/9494) reiterou suas alegações e acrescentou que a nulidade do Auto de Infração teria sido comprovada por meio da realização da diligência, como segue (o destaque é do original): Fl. 9647DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 27 26 20. Apenas para que não haja dúvidas, a Requerente destaca que a nulidade da autuação foi comprovada por meio da realização de diligência. Isso porque, para atender à determinação da DTJ(sic), a D. Fiscalização precisou analisar as planilhas que demonstram a composição do DACON da Requerente para, então, discordar de alguns créditos. Ou seja, apenas com base no trabalho fiscal que resultou na autuação, a D. Fiscalização não conseguiria cumprir o que foi determinado pela DRJ (apontar quais créditos foram glosados e explicar o motivo). 21. Reiterese que o I. Agente Fiscal responsável pela diligência, ciente da determinação da DRJ, deparouse com a mesma dificuldade que a Requerente teve para elaborar a sua Impugnação: não sabia quais créditos tinham sido glosados, se levasse em consideração apenas o trabalho fiscal que ensejou a autuação. Precisou, pois, utilizar as planilhas apresentadas pela Requerente em sua Impugnação e que demonstram a composição do DACON. 22. Portanto, após a realização da diligência, não há qualquer dúvida de que o Auto de Infração é nulo, já que a metodologia adotada pelo I. Agente Autuante não apresenta a motivação da autuação, tampouco fornece os documentos que permitem a compreensão dos fatos que levaram à exigência fiscal, o que viola o artigo 10 do Decreto 70.235/72. Os requisitos de validade do Auto de Infração, que a contribuinte afirma não terem sido atendidos, estão previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Embora a contribuinte afirme, especialmente na impugnação, que o Auto de Infração não atenderia a tais requisitos, à medida em que discorre sobre o tema deixa claro que em seu entendimento não teria sido atendido o disposto no inciso III, a descrição dos fatos que, segundo diz, não teria sido clara e precisa, o que seria indispensável, para que a “contribuinte disponha de meios suficientes para, querendo, se defender das infrações que lhe foram amputadas”. Ou seja, não existe controvérsia acerca da estrita conformidade do Auto de Infração com o caput e os demais incisos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 9648DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 28 27 Por sua vez, a alegação de nulidade por cerceamento de defesa é no mesmo sentido: a contribuinte estaria impossibilitada de exercer adequada e plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa por não ter pleno conhecimento da infração que lhe fora imputada, uma vez que a descrição dos fatos não teria sido clara e precisa. Conforme informado no Termo de Verificação Fiscal, a autuação decorreu da constatação de insuficiência de recolhimento dos valores devidos da Cofins, insuficiência esta decorrente do aproveitamento de créditos da não cumulatividade desta contribuição calculados sobre dispêndios que, em face da legislação em vigor, não dão direito a créditos. Ainda conforme informado pelo AuditorFiscal, a legitimidade dos créditos utilizados pela contribuinte foi aferida mediante confronto entre o “Livro de Entradas e Saídas, resumido por Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP” elaborado a partir do arquivo magnético apresentado pela interessada e os CFOP “utilizados pela Receita Federal do Brasil – RFB, para definição da base de cálculo do PIS, conforme consta da Tabela de CFOP do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital”. Recapitulando. Eis os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração: insuficiência de recolhimento decorrente do desconto indevido de créditos da não cumulatividade. Verificase, portanto, que a descrição foi clara e precisa. Também não faltou clareza nem precisão na descrição da metodologia utilizada pelo Auditor Fiscal na análise dos créditos descontados dos valores da contribuição devida, efetuada mediante confronto do Livro de Entradas e Saídas, resumido por CFOP, com os CFOP que, no entendimento da RFB, dão direito a créditos. Cabem aqui algumas considerações acerca da metodologia utilizada pela fiscalização para efetuar as glosas. No que tange aos CFOP, diga se que são regulados pelo Convênio SINIEF s/nº de 15/12/1970, atualizados mais recentemente pelos Ajuste Sinief nº 07, de 2001 e nº 9, de 2003. Embora essa codificação tenha surgido para definir operações praticadas por contribuintes do IPI e ICMS, ela serve para definir, quando da aquisição e registro nos livros de entradas de mercadorias, a natureza de tal aquisição, o que tem reflexo para levar em conta aquelas aquisições de mercadorias que podem ser consideradas insumos, nos termos da legislação do PIS e Cofins. Assim, as compras para industrialização, comercialização ou prestação de serviços, tal como definidos no Ajuste Sinief nº 07, de 2001, recebem o CFOP com estrutura que inicia com 1.1xx/2.1xx (onde xx é o complemento da codificação, que vai variar se a compra é para industrialização – 1.101/2.101, se é para comercialização – 1.102, 2.102, etc.). São essas as aquisições que podem caracterizar os “insumos” passíveis de creditamento das contribuições tal como definidos na legislação de regência. Fl. 9649DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 29 28 Dessa forma, os aludidos códigos CFOP elencados pela RFB no âmbito do Sped refletem o entendimento administrativo oficial sobre as operações de aquisições que, em tese, conferem direito à apuração de créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade. Em decorrência, é parâmetro regular de análise para fins de auditoria da validade dos créditos indicados em Dacon. Feitas estas observações, é necessário registrar que não é convincente o esforço feito pela contribuinte na impugnação com vistas à demonstração de que não teria compreendido as glosas. Em seu afã de demonstrar a suposta falta de clareza e precisão na descrição dos fatos, afirma no parágrafo 22 da impugnação (fl. 1896) que “a simples apresentação de planilha comparativa entre os créditos de COFINS declarados em DACON e os ‘créditos auditados’ (vide Planilhas 203, 201 e 222, constantes do Termo), não é suficiente para se entender as razões da glosa”. Mas as planilhas são apenas demonstrativos dos valores glosados, eis que a razão das glosas, trataremse de despesas que não dão direito a crédito, está clara e devidamente explicitada no Termo de Verificação Fiscal. Digase ainda, a clareza e precisão da descrição dos fatos e da metodologia empregada na ação fiscal ficaram evidenciados na própria impugnação, na qual ficou patente a compreensão das razões das glosas por parte da contribuinte, de modo a possibilitarlhe o pleno exercício de seu direito de defesa, contestando a imputação que lhe fizera a fiscalização e apresentando documentação apta a demonstrar, embora apenas de forma indiciária, que as glosas eram, ao menos em parte, indevidas, e que se fazia necessária, portanto, a diligência fiscal destinada à análise mais detida das despesas em relação às quais havia apropriado créditos. Também não procede a alegação feita pela contribuinte no aditamento à impugnação, de que a realização da diligência confirmaria a nulidade do Auto de Infração, por ter a fiscalização, no procedimento de diligência, precisado “analisar as planilhas que demonstram a composição do DACON da Requerente para, então, discordar de alguns créditos” uma vez que “apenas com base no trabalho fiscal que resultou na autuação, a D. Fiscalização não conseguiria cumprir o que foi determinado pela DRJ (apontar quais créditos foram glosados e explicar o motivo)”. Vejase que por ocasião do lançamento a fiscalização já havia apontado quais os créditos glosados e explicado o motivo. Como já dito, haviam sido glosados os créditos relativos aos CFOP que não dão direito a crédito, justamente por tratarse de operações com CFOP que não dão direito a crédito. Todavia, com a impugnação e os documentos apresentados, trouxeram se aos autos novos elementos que revelaram a prática de preenchimento incorreto do CFOP nos documentos fiscais por parte da contribuinte e de suas parceiras comerciais, permitindo a constatação de que, embora com CFOP incorretos, existiam no período fiscalizado operações com direito a crédito que não tinham sido consideradas pela fiscalização. Com base nestes novos elementos e no princípio da busca da verdade material é que foi determinada a realização de diligência. Fl. 9650DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 30 29 O fato de ter a auditoria procedido a exame mais complexo para o cumprimento da diligência em nada alterou a fundamentação das glosas mantidas, que é sempre a interpretação administrativa da legislação de regência quanto aos créditos admitidos no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, especialmente no tocante ao conceito de insumo, sejam as glosas efetuadas com base no CFOP da operação de aquisição, sejam mediante apreciação do item adquirido em si. Oportuno ainda registrar que, assim como exerceu plenamente seu direito de defesa contra o lançamento decorrente das glosas efetuadas com base nos CFOP ao ser cientificada do Auto de Infração, igualmente pôde a contribuinte exercêlo ao tomar ciência do resultado da diligência, agora no tocante às glosas mantidas em decorrência da análise dos itens adquiridos, como de fato o fez por meio do aditamento à impugnação (fls. 9476/9494). Constatase assim que, ao contrário do alegado, não ocorreram a ausência dos requisitos do Auto de Infração estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, nem o cerceamento ao direito de defesa. Oportuno ainda registrar que não se verificam no presente caso as causas de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, previstas no art. 59 do já mencionado Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. (...) Assim, as alegações de nulidade não podem ser acolhidas. Forte nestes argumentos, afasto a nulidade suscitada. Mérito Conforme já relatado, o processo trata de autos de infração do PIS e da Cofins apurados pela não cumulatividade, resultante da análise fiscal que identificou exclusões indevidas das bases de cálculo das exações. O recorrente apresentou impugnação defendendo seu direito aos créditos que utilizou, tais como energia elétrica, fretes e bens empregados como insumos em seu processo produtivo. A Turma Julgadora da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência para sanear a instrução probatória. A fiscalização apresentou relatório de diligência, deu ciência ao sujeito passivo, fato que possibilitou contestações sobre as conclusões da diligência. O contribuinte apresentou documento com finalidade de aditar a impugnação ora protocolada. Fl. 9651DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 31 30 Com base no relatório de diligência fiscal, a primeira instância julgou parcialmente procedente o pedido do sujeito passivo, mantendo a glosa sobre os valores dos serviços de terceiros, dos bens adquiridos para serem aplicados no processo produtivo, das despesas com publicidade e propaganda e com frete. Foi apresentado recurso voluntário, onde o sujeito passivo, basicamente, repisa os argumentos apresentados na impugnação. Esses são os fatos. Acontece que para esse relator faltam elementos essenciais para formação de sua convicção, em vista de que o sujeito passivo apresentou argumentos com relativo grau de probabilidade e os autos não possuem um conjunto probatório suficiente para sanar as dúvidas surgidas após os recursos apresentados pelo sujeito passivo. Diante desse quadro, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime o sujeito passivo a esclarecer os seguintes pontos: a) Em relação aos fretes glosados, discriminar o serviço prestado, se foi de transporte de produtos acabados ENTRE ESTABELECIMENTOS DA RECORRENTE OU EM OPERAÇÕES DE VENDA, de produtos em elaboração, INSUMOS ou se foi na aquisição de INSUMOS. Apresentar uma planilha detalhando o serviço e oS respectivoS valorES glosadoS; b) Apresentar laudo que identifique a participação no processo produtivo dos produtos abaixo relacionados: SODIUM LAURETH SULFATE [1EO]; GLYCOL DISTEARATE [OXO 1EO]; CARBONATO DE CALCIO EXPERIMENTAL; TAMPA GEN LUX SAB LIQ 50ML STRIPPER; OLEO DE PALMA KERNEL (BRUTO); OLEO DE PALMA KERNEL BRANQUEADO; CAPA PROTECAO SENSOR,EM POLIURETANO; CABO ELETRICO ALIMENTACAO, EM COBRE; FILTRO AGUA STA FILTROS/STA II KDF55; TELHA,EM ACO GALVANIZADO (PC); TAMPA ACTUADORA PRETA AXE DEO AER GEN90M; TAMPA DOVE LOC 200ML SUPERBIRD; Fl. 9652DF CARF MF Processo nº 10314.724367/201446 Resolução nº 3302000.999 S3C3T2 Fl. 32 31 TAMPA DOVE LOC HIDRAT FRESCA 200ML BOLD; TAMPA FUME PRETA AXE DEO AER GEN 90ML; VALV AXE DEO COMP ACTUADOR HERCULES VPA; CARBONATO DE SODIO LEVE; ESTRUTURA METALICA (PC); EXTINTORES (PC); LEXAMINE S 13; SORBITOL NEOSORB 70/70B; SULFONATO DE ALFA OLEFINA 40%; DIOXIDO DE TITANIO EXP; ACIDO GRAXO DE COCO (GRAU DOVE); e ZINCO PIRITIONA FPS c) Indicar onde foram realizados os serviços de construção civil e pintura, identificando os respectivos centros de custos; e d) apresentar o plano de contas. Com as informações obtidas, que a autoridade fiscal certifique que as informações correspondem a escrituração contábil fiscal. Ao final que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 9653DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720041/2012-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE.
In casu, ao reforçar que os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição, obscuridade ou erro material, porventura, inexistentes no acórdão embargado, não há como acolhê-los.
Numero da decisão: 9303-007.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Jorge Olmiro Lock Freire. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: Relator
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CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AES TIETE S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. In casu, ao reforçar que os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição, obscuridade ou erro material, porventura, inexistentes no acórdão embargado, não há como acolhêlos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Jorge Olmiro Lock Freire. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 41 /2 01 2- 96 Fl. 4183DF CARF MF 2 Demes Brito Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório O Conselheiro Demes Brito, na qualidade de membro titular do Colegiado, invocou o artigo 65, § 1º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 9303006.771, de 16 de maio de 2018, fls. 4.112 a 4.1571, do qual foi relator, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 COFINS. CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços submetem se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS/Pasep. No caso vertente, há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06. Consta da respectiva decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator). Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 4184DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 3 3 O arrazoado de fls. 4.158 a 4.164, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina o Acórdão nº 9303006.771 dos vícios de omissão, contradição e obscuridade, além de verter decisão ultra petita. Esclarece que, no voto vencido, o relator faz menção a laudo, omitindo a questão fundamental do porquê estava afastando tal laudo, uma vez que esta divergência não foi aceita para julgamento. Aduz que, em total contradição, utilizou em suas razões de decidir Acórdão nº 9303003.373, que nada versa sobre laudo técnico, considerando a obscuridade entre "aceito laudo técnico e afasto." Concluiu que “...fazse mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer a omissão, contrariedade e obscuridade no que toca ao alcance do julgado. Isto é, explicite se matéria de prova "laudo" não aceita como divergente tem o condão de afastar descaracterização do preço predeterminado.” No que tange o voto vencedor, o Embargante também infirma a decisão, imputandolhe os vícios de omissão, obscuridade e contradição, na medida em que não foi admitida à CSRF matéria atinente à prova " laudo" e "parecer", ao tempo em a redatora designada fundamenta o decisum no sentido de que: “no caso vertente, foi considerado o laudo, e não especificamente e de forma isolada a adoção do Índice IGPM no contrato vez que nessa parte a minoria do Colegiado, inclusive essa Conselheira, resta vencida nessa discussão. Além da omissão, contradição e obscuridade, do voto vencedor, o embargante, incidentalmente, alerta que, ao omitir as razões pelas quais se aceitou laudo para o qual não havia divergência admitida à CSRF, a decisão foi ultra petita. O exame de admissibilidade realizado pela Presidente do CARF, e fls.4171/4174, admitiu os embargos nos seguintes termos: "Em consulta ao eprocesso, constatei que o Acórdão nº 9303 006.771 foi assinado pelo Presidente em exercício da 3ª Turma da CSRF, em 14/08/2018. Os aclaratórios foram juntados aos autos pel o embargante em 16/08/2018. Tratase, portanto, de apelo tempestivo. Compulsando os autos, às fls. 3.928 a 3.934, constato que o Despacho s/nº, de 16 de fevereiro de 2017, admitiu o apelo especial fazendário em face da comprovação de divergência jurisprudencial na interpretação da legislação tributária quanto ao desnaturamento do "preço predeterminado", requisito para manutenção da contribuinte no regime cumulativo das Contribuições Sociais estatuído no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pela existência de cláusula de reajuste de preços com base no IGPM. Com efeito, conforme alega o embargante, não há outra matéria além dessa. É verdade, o sujeito passivo, em contrarrazões, faz referência a um certo laudo. Tratase, em realidade de “...comentários relativos aos quesitos formulados pelos assessores jurídicos da sociedade referentes às características do comportamento de custos de geração de energia elétrica para atendimento do contrato bilateral com AES Eletropaulo”. (fls. 3.438 e ss.), elaborados por sociedade de consultoria contratada pelo sujeito Fl. 4185DF CARF MF 4 passivo. Nada obstante, compulsando o voto condutor do Acórdão nº 3402002.627, constato que essa prova jamais foi ponderada pelo colegiado a quo, que decidiu apenas com base em considerações de direito, inclusive, abstendose de pronunciar qualquer nulidade porquanto decidiu o mérito em favor do recorrente. Assim, em juízo de prelibação, pareceme que, efetivamente, o voto vencedor da decisão embargada apoiouse em matéria de fato que não havia sido devolvida à instância especial. E, como bem enfatizou o embargante, não há falar em efeito devolutivo profundo em sede de juízo especial, haja vista a competência exclusiva de harmonização da divergência da CSRF. Ademais, como falar em "reexame" pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se a prova comentários, parecer, laudo ou outro nome que se queira dar, sequer foi examinada no acórdão recorrido? Tratase, com efeito, de matéria não prequestionada. Ao aduzir que, no caso vertente, a maioria do Colegiado considerou o laudo – matéria de fato não devolvida – e não especificamente a adoção do índice IGPM no contrato – matéria da divergência jurisprudencial admitida ao Colegiado, a decisão embargada omitiu acerca do ponto sobre o qual estava constrangida a se pronunciar". Regularmente processado os embargos, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos e apontam omissão, obscuridade e contradição, devendo ser conhecido, nos termos do § 7º do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016. Com efeito, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. In caso, esta E. Câmara Superior por maioria de votos, admitiu o Recurso Interposto pela Fazenda Nacional, sendo aceita como divergência matéria referente a qual Fl. 4186DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 4 5 regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela Contribuinte. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no regime não cumulativo, enquadrandose na regra da nova sistemática de tributação dessas contribuições, e por voto de qualidade do Presidente do Colegiado, negouse provimento ao Recurso da Fazenda no esteio de que: "há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06". O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 COFINS. CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS/Pasep. No caso vertente, há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06. Neste sentido, confirase trecho conclusivo do voto condutor (vencido), ora embargado: "Com efeito, esta E. Turma Superior, por maioria entende que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. No que tange meu entendimento quanto esta matéria, utilizava dois fundamentos para decidir: i) quanto identificava laudo junto aos autos que demonstrasse a análise comparativa dos custos de geração de energia elétrica com os preços de energia faturada, entendia que os reajustes nos preços da energia foram em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período guerreado, evidenciando a intenção do sujeito passivo de manterse no regime cumulativo (acórdão nº 9303003.470); ii) quando não havia laudo,votava no sentido de que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a Fl. 4187DF CARF MF 6 variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins ( Acórdão nº 9303003.373) Repensando minhas razões de decidir, entendo que estava equivocado, utilizava dois fundamentos distintos para uma solução jurídica, julgo Recurso Especial, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, portanto, exclusivamente para esta matéria, desconsidero o laudo contido nos autos para fundamentar minhas razões de decidir. Neste sentido, em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, essa matéria foi enfrentada no Acórdão nº 9303003.373, de 11 de dezembro de 2015, de Relatoria do Ilustre ex. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: A controvérsia, pois, reside na questão de se decidir qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela ora recorrida. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no não cumulativo, enquadrandose na regra do novo regime de tributação dessas contribuições". Como visto, o voto condutor, ora embargado, esta eivado de omissão contradição e obscuridade. A divergência posta em julgamento, diz respeito exclusivamente qual regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela Contribuinte. Se permanece no regime cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no regime não cumulativo, enquadrandose na regra da nova sistemática de tributação dessas contribuições. Patente a contradição do voto vencido, o Relator em suas razões de decidir aduz o seguinte: "Repensando minhas razões de decidir, entendo que estava equivocado, utilizava dois fundamentos distintos para uma solução jurídica, julgo Recurso Especial, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, portanto, exclusivamente para esta matéria, desconsidero o laudo contido nos autos para fundamentar minhas razões de decidir". Analisando a quaestio, o Relator omitiu questão fundamental do porque estava afastando o laudo, uma vez que esta divergência nunca foi aceita para julgamento. Se não bastasse isso, em total contradição, utilizou em suas razões de decidir Acórdão nº 9303003.373, que nada versa sobre laudo técnico, considerando a obscuridade entre "aceito laudo técnico e afasto." Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 5 7 No que tange o voto vencedor, a Redadora designada, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, nos seguintes termos: "há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06". Ressaltese, por oportuno, que não foi aceita como divergente matéria referente a prova " laudo" e "parecer", resta evidente tratarse de um decisum eivado de omissão, contradição e obscuridade. Neste sentido, confirase trecho conclusivo do voto vencedor do acórdão, ora embargado: "Nesse ínterim, vêse que o sujeito passivo acostou aos autos Laudo elaborado por renomada empresa de auditoria independente Pricewaterhouse Coopers " PwC" – atestando que o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, atendendo plenamente a norma tributária para a manutenção da sistemática cumulativa das contribuições, vez que não houve efetivamente alteração do critério de preço predeterminado. Tais dados também foram vislumbrados pela auditoria independente que, por sua vez, pela própria atividade, deve atestar as informações constantes do laudo com base em documentos comprobatórios apresentados pelo contratante, sob pena de ser responsabilizado e sofrer punições no âmbito regulatório/criminal. Proveitoso elucidar que, no caso vertente, foi considerado o laudo, e não especificamente e de forma isolada a adoção do índice IGPM no contrato – vez que nessa parte a minoria do Colegiado, inclusive essa Conselheira, resta vencida nessa discussão. Em vista de todo o exposto, entendemos que, no caso vertente, considerando o laudo acostado aos autos, não houve descaracterização do preço predeterminado – o que, por conseguinte, negamos provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional". Sem maiores digressões, resta patente e comprovada omissão, contradição e obscuridade. Deste modo, passo a sanar omissão, contradição e obscuridade contida no julgado. Com efeito, no caso em espécie, o Colegiado a quo entendeu que o IGPM, utilizado para reajuste de preços nos contratos da contribuinte, não descaracterizava o preço predeterminado, com base nos seguintes motivos (fls. 07 do Acórdão nº 3402003.313): "Em vista de todo o exposto, entendemos que, no caso vertente, considerando o laudo acostado aos autos, não houve descaracterização do preço predeterminado – o que, por Fl. 4189DF CARF MF 8 conseguinte, negamos provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional". “a) Havia manifestação expressa da Aneel de que "O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo artigo 27 da Lei n° 9.069/95", razão pela qual seria um índice que refletiria a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 109 da Lei n° 11.196/2005; e b) De outra parte, dispunha o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n° 658/06 que não descaracterizava o preço predeterminado o reajuste em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Por mais relevante que possa ser a questão levantada pelo embargante de que, o indexador IGPM não caracterizaria, a seu ver, um “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, entendo que os argumentos apresentados no Acórdão embargado são, de certa forma, independentes dessa questão, eis que, de todo modo, prosseguem válidas as afirmações de que: i) a Aneel pronunciouse pela legitimidade de tal indexador e ii) o Colegiado entendeu que o reajuste do contrato foi inferior ao custo de geração de energia, em conformidade com o disposto no art. 3º, §3º da Instrução Normativa n° 658/2006". A divergência posta em julgamento, diz respeito exclusivamente qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela Contribuinte. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no regime não cumulativo, enquadrandose na regra da nova sistemática de tributação dessas contribuições. Por outro lado, os fundamentos do voto vencedor inovou o decisium, uma vez que matéria relacionada a prova "laudo" não foi aceita como divergente. Quanto a omissão, contradição e obscuridade, o que se discute nos autos, no entanto, é se os contratos do setor elétrico estabelecem ou não preço predeterminado. Se faz necessário, esclarecer que a regra em análise tem caráter excepcional e transitório, o intuito era apenas permitir que os contribuintes se preparassem para a nova sistemática, sem, contudo, eternizar a aplicação do regime cumulativo a esses contratos. Neste passo, se faz oportuno, extrair algumas conclusões do Parecer PGFN/CAT n° 1.463/2007: "Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas, rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Fl. 4190DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 6 9 Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a nãocumulatividade. A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. nº 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresas acumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos e se efetivaria a não cumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, e iniciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratos passassem para a nãocumulatividade. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da nãocumulatividade do que no da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. É justamente para evitar este tipo de situação que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal buscaram esclarecer o que seria aceito como preço predeterminado para fins de contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. Não há um conceito legal ou técnico que defina com clareza “preço predeterminado”. Existia a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 21, de 1979, referente ao imposto de renda e em período de inflação elevada. Com a nova legislação da contribuição para o PIS e da COFINS foi necessária a edição de novas Instruções que constituíram mais um instrumento para que aquelas situações provisórias não se eternizassem, como desejam alguns contribuintes. Como dito no §2º do art. 2º da IN nº 468, de novembro de 2003. Fl. 4191DF CARF MF 10 O eventual aumento de carga tributária causado pela mudança da cumulatividade para a nãocumulatividade irá refletir no preço cobrado pela contratada, repassando o ônus para o contratante. Devese atentar que um aumento geral de carga tributária reflete em aumento de preços. Consequentemente um índice que traga um incremento de inflação, também inclui a elevação de carga tributária. A conclusão para este ciclo é que as empresas pretendem repassar aos seus clientes o eventual aumento de tributos devidos, e não desejam repassar estes valores ao Fisco. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, trouxe em seu art. 109 a seguinte norma interpretativa: ‘Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.’ Assim como na lei anterior, este dispositivo não constava da Medida Provisória original, sendo incluído por emenda parlamentar. Para que se possa entender bem a regra, é preciso lembrar que a Lei nº 9.069, de 1995, é a que instituiu o Plano Real. A referência presente no artigo acima citado é justamente para excepcionar “os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” da regra de aplicação geral do IPCr (caput do art. 27). Relendo o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, podese inferir que salvo nas hipóteses expressas, os reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. Essas duas únicas possibilidades são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da não cumulatividade, a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores foi modificado. Somente nestes casos, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da contratada. O que é óbvio porque no caso de revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente levarseia em conta a modificação legislativa da Lei nº 10.833, de 2003, dando ensejo à entrada no campo da nãocumulatividade". Com efeito, o reajuste estipulado no contrato não descaracteriza o preço predeterminado apenas se for equivalente ao custo da produção ou se utilizar índice que reflita Fl. 4192DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 7 11 a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Por outro lado, se o reajuste não refletir a variação dos custos e insumos, a conseqüência será a tributação pela regra geral, ou seja, sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, pois não estará mais caracterizado o preço predeterminado. Nada obstante, o limite autorizado de reajuste dos contratos, para não perder a natureza de preço predeterminado, foi fixado em lei, mais precisamente no art. 109 da Lei nº 11.196/2005, sendo que sua inobservância impõe a tributação das receitas pelo regime não cumulativo. Compulsando aos autos, verifico que os contratos tinham cláusula estipulando o reajuste conforme o IGPM, pela própria definição e composição do (IGPM), fica evidente que não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Neste contexto, os indicadores que compõem o IGPM medem itens como bens de consumo (um exemplo é alimentação) e bens de produção (matériasprimas, materiais de construção, entre outros). Entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros), como visto, tais componentes não têm o condão de refletir os custos do setor elétrico. Neste mesmo diapasão, no julgamento do processo nº 10730.900903/2009 48, acórdão nº 9303004.454, de 07 de dezembro de 2016, julgado pela a sistemática dos Recursos Repetitivos, regulamentado pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, de relatoria do Ilustre Presidente da 3ª Turma da Câmara Superior, deu provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, por entender que: "o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime não cumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos". Senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse Fl. 4193DF CARF MF 12 índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Neste sentido, no julgamento do processo nº 19515.720185/201242, acórdão nº 930300.039, do Redator designado Demes Brito, esta E. Câmara Superior, assim se posicionou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Dispositivo Uma vez que o acórdão embargado foi prolatado com base em premissas inconsistentes, todo o seu conteúdo se mostrou sem base firme ou razão sólida que o sustente, evidenciandose o erro material e/ou omissão, contradição e obscuridade apontados pelo Embargante, uma vez que a E. 3ª Turma da Câmara Superior equivocouse em relação à materialidade do objeto sobre o qual se controverte no processo. Diante do exposto, acolho os embargos com efeitos infringentes, para restabelecer o lançamento. É como voto. Fl. 4194DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 8 13 (Assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama Redatora Designada Depreendendose da análise dos embargos opostos pelo nobre conselheiro Demes Brito, importante recordar que fui designada para fazer o voto vencedor naquela ocasião, o qual, por sua vez, foi objeto, além do voto vencido, dos embargos aqui opostos. Para melhor elucidar a omissão, contradição e obscuridade alegadas pelo ilustre embargante, importante transcrever parte dos Embargos (Destaques meus): “[...] Sem maiores digressões, resta patente e comprovada omissão, contradição e obscuridade do voto vencedor, a Relatora de modo açodado e sem nenhuma leitura detida dos autos, fundamenta o decisum no sentido de que: no caso vertente, foi considerado o laudo, e não especificamente e de forma isolada a adoção do índice IGPM no contrato – vez que, nessa parte a minoria do Colegiado, inclusive essa Conselheira, resta vencida nessa parte. Além da omissão, contradição e obscuridade, do voto vencedor, digase de passagem, decisão ultra petita, sequer foi esclarecido o porque do laudo foi aceito, uma vez que não houve comprovação de divergência quanto a esta matéria. Diante do exposto, requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos para sanar os vícios apontados, a fim de que o Recurso Especial sofra nova apreciação por parte deste Colegiado. Por fim, em atenção a segurança jurídica e ampla defesa, requer o devido processamento dos presentes embargos, para que ao fim, não seja julgado intempestivo.[...]” Feita tal transcrição, primeiramente, é de se esclarecer que as palavras do nobre embargante (“a Relatora de modo açodado e sem nenhuma leitura detida dos autos”), Fl. 4195DF CARF MF 14 com a devida vênia, padecem de dislate palmar – vez que essa conselheira analisou atentamente sim os autos do processo. O que, afasto nos Embargos de Declaração opostos o termo “a Relatora de modo açodado e sem nenhuma leitura detida dos autos”. Passadas tais considerações, considerando os termos e alegações utilizados em embargos, reflito que, em acórdão de embargos de nº 3402003.313 opostos pelo Delegado da Receita Federal da DRF/Barueri, o Colegiado a quo acordou o que segue (Destaques meus): “[...] Assim, em resumo, a interpretação contida no Acórdão embargado foi no sentido de que o IGPM, utilizado para reajuste de preços nos contratos da contribuinte, não descaracterizava o preço predeterminado, eis que (Grifos meus): a) Havia manifestação expressa da Aneel de que o “O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo artigo 27 da Lei nº 9.069/95, razão pela qual seria um índice que refletiria a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 109 da Lei nº 11.196/2005; e b) De outra parte, dispunha o art. 3º, § 3º da Instrução Normativa nº 658/06 que não descaracterizava o preço predeterminado o reajuste em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. No caso dos autos, como demonstrado no quadro transcrito pela DRJ [extraído do laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers – “PWC”], o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, o que, no entender do Relator do Acórdão recorrido, militaria no sentido de que não se alterou o critério de preço predeterminado. Inclusive releva mencionar que, posteriormente, este último argumento foi também utilizado como fundamento da decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para a própria contribuinte relativamente a fatos semelhantes: Acórdão nº 9303003.470 3ª Turma [...] Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 9 15 Por mais relevante que possa ser a questão levantada pelo embargante de que, o indexador IGPM não caracterizaria, a seu ver, um índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, entendo que os argumentos apresentados no acórdão embargado são, de certa forma independentes dessa questão, eis que, de todo modo , prosseguem válidas as afirmações de que: i) a Aneel pronunciouse pela legitimidade de tal indexador e ii) o Colegiado entendeu que o reajuste do contrato foi inferior ao custo de geração de energia, em conformidade com o disposto no art. 3º, § 3º, da Instrução Normativa nº 658/2006. [...]” Veja o que traz a relatora do acórdão embargado de nº 3402003.313 – que o Colegiado a quo acordou por considerar, além do pronunciamento da Aneel, o entendimento de que o reajuste do contrato foi inferior ao custo de geração de energia. Isso trazendo anteriormente que “como demonstrado no quadro transcrito pela DRJ [extraído do laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers – “PWC”], o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, o que, no entender do Relator do Acórdão recorrido, militaria no sentido de que não se alterou o critério de preço predeterminado.” Resta também ponderar, com a máxima vênia, que houve equívoco no Despacho de Admissibilidade, pois se suportou em premissa equivocada, eis que trouxe, entre outros (Destaques meus): “[...] Nada obstante, compulsando o voto condutor do Acórdão nº 3402 002.627, constato que essa prova jamais foi ponderada pelo colegiado a quo, que decidiu apenas com base em considerações de direito, inclusive, abstendose de pronunciar qualquer nulidade porquanto decidiu o mérito em favor da recorrente [...]Ademais, como falar em “reexame” pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se a prova comentários, parecer, laudo ou outro nome que se queira dar, sequer foi examinada no acórdão recorrido? [...]” Diferentemente do exposto, vêse que o Colegiado a quo, em acórdão de embargos de nº 3402003.313, analisou sim o laudo elaborado pela Price, caso contrário, o Fl. 4197DF CARF MF 16 relator do acórdão recorrido não escreveria em embargos sobre o laudo – informações que “bateram” com o analisado pela DRJ. Tanto é assim que no próprio despacho consta que a omissão foi afastada com base nessa análise. O que fez o acórdão embargado recorrido, bem como o acórdão da DRJ – foi analisar se o reajuste foi inferior aos custos ou não através dos documentos disponibilizados, inclusive o laudo. Tal como ocorreu no processo que esse Colegiado julgou quando assistiu razão ao mesmo sujeito passivo. Entendo ainda que não há que se falar em preclusão, considerando o acórdão da DRJ nº 1639.615 da 6ª Turma da DRJ/SP1 – que trouxe em seu relatório (Destaques meus): “[...] j. a ora Requerente junta parecer elaborado por uma das maiores empresas de Auditoria do mundo, PriceWaterhouseCoopers (“PwC”) que, com base em análise detalhada dos valores recebidos em razão do Contrato, bem como dos custos relacionados à energia vendida, constata que os reajustes muito embora tenham se fundamentado no IGPM, foram sempre inferiores à variação dos custos e que não houve qualquer renegociação dos contratos. [...]” É de se trazer que o relatório da DRJ e o próprio voto do relator daquele respeitado colegiado a quo apreciou o Laudo – tanto que constou do voto do relator da DRJ. Sendo assim, tornase prejudicial a menção à preclusão. Para melhor elucidar, importante trazer parte dos Embargos de Declaração opostos (Grifos meus) no momento – contra o último acórdão da CSRF: “Como se vê, o tal “laudo” em verdade parecer, não foi apresentado na impugnação, logo matéria preclusa, o que causa espanto, em sede de Recurso Especial matéria de prova ser aceita como razões de decidir” Não obstante a essa afirmação constante em embargos, depreendendose novamente da análise dos autos, vêse que consta dos autos – documento 6 da pasta “impugnação” o Laudo da PWC – que emitiu ao sujeito passivo para apreciação dos quesitos formulados pelos assessores jurídicos da sociedade referentes às características do Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303007.986 CSRFT3 Fl. 10 17 comportamento de custos de geração de energia elétrica para atendimento do contrato bilateral com AES Eletropaulo. Ademais, é de se expor ainda que a DRJ apreciou efetivamente o laudo como suporte ao seu entendimento, tal como fez o colegiado da turma ordinária e, posteriormente o nosso Colegiado – que, por sua vez, adotou o mesmo procedimento daquele outro julgamento envolvendo o mesmo sujeito passivo. Para melhor clarificar, é de se notar ainda que no acórdão da DRJ houve reflexão sobre a mesma tabela trazida no laudo. Reproduzo o item posterior a exposição dessa tabela: “Caso os dados apresentados pelo impugnante estejam corretos, no período compreendido entre julho de 2003 e junho de 2008 houve uma variação nos custos de produção da ordem de 147,10% (soma algébrica simples), ao passo que o reajuste no preço do bem vendido foi de cerca de 34,90% (soma algébrica simples).” Sendo assim, acredito que houve um equívoco nos Embargos ao ser exposto que o Laudo não havia sido apresentado em sede de impugnação e que, logo a matéria estaria preclusa. É de se constatar que o laudo foi efetivamente trazido em sede de impugnação – doc 6 e ainda foi apreciada pela DRJ. Ademais, não se trata de matéria ou parecer, mas de mero documento esclarecedor quanto ao reajuste efetuado pelo sujeito passivo. O que serve apenas como suporte e documento. O que foi assim tratado pela DRJ e pelo colegiado da turma ordinária – melhor esclarecido em acórdão de embargos de nº 3402003.313. Não obstante, independentemente de essa Conselheira entender, conforme já exposto no acórdão da CSRF embargado de que o 2º Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deva ser conhecido, considerando que os embargos opostos foram rejeitados e o 1º Recurso apresentado era intempestivo, aproveitando os embargos opostos pelo conselheiro e o despacho de admissibilidade, vêse que, considerando que nos acórdãos de embargos foi considerado o laudo, se considerássemos como “matéria”, e não como documento suporte ao fundamento, temos que essa matéria deveria ser préquestionada pela Fazenda Nacional, pois fez “parte” de um dos fundamentos acordado pelo Colegiado a quo. Eis o art. 1025 do CPC: Fl. 4199DF CARF MF 18 “Art. 1025. Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de préquestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.” Sendo assim, com a máxima vênia, não há que se falar em decisão ultra petita, tampouco em preclusão. O laudo, trazido em sede de impugnação, foi apreciado por todos os colegiados DRJ, turma ordinária do CARF e 3ª Turma da CSRF, que, por sua vez, apenas afirmou um dos fundamentos direcionado – o reajuste. O que, por conseguinte, rejeito os embargos de declaração, por ausência de omissão, contradição e obscuridade. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 4200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.965197/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES. RETIDAS. TERCEIROS.
A restituição de quantia recolhida a titulo de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.
Numero da decisão: 1201-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES. RETIDAS. TERCEIROS. A restituição de quantia recolhida a titulo de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 51 97 /2 00 9- 08 Fl. 327DF CARF MF 2 (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório Tratase de Declarações de Compensação n° 33409.90752.241106.1.7.02 11925.52220.301107.1.3.042299 (efls. 03/09), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de alegada retenção a maior de tributos federais (5952 retenção de contribuições de PJ a PJ de direito privado CSLL/COFINS/PIS), no valor original de R$ 29.307,81. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 848618620 (efl. 10), de 07/10/2009, que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que " foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. " O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 13/16), em que alegou que os valores foram informados erroneamente na DCTF e que retificou a declaração. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1239.234 8ª Turma da DRJ/RJ1, efls. 216/220). A decisão de primeira instância entendeu que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito e que em caso de retenção indevida ou a maior deveria comprovar que assumiu o encargo ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar expressamente autorizado recebêla (artigo 7° da IN 600/2005). Cientificada da decisão de primeira instância em 23/07/2010 (efl. 89) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/08/2010 (efl. 90), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e anexa cópias que seriam de sua escrita contábil e de Notas Fiscais Fatura de Serviços (NFFS) emitidas no período de outubro a dezembro de 2000 e respectivas notas fiscais de compra de materiais anexados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao Fl. 328DF CARF MF Processo nº 15374.965197/200908 Acórdão n.º 1201002.851 S1C2T1 Fl. 353 3 crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com base no artigo citado o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no ato de recurso a esta segunda instância o recorrente alega anexar agora documentos (Razão analítico, efls. 313/316) que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas tal tentativa não pode socorrelhe. Isto porque, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade para a primeira instância, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no Fl. 329DF CARF MF 4 processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a solicitação de compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15374.965197/200908 Acórdão n.º 1201002.851 S1C2T1 Fl. 354 5 Adicionese que em caso de retenção indevida ou a maior deveria comprovar que assumiu o encargo ou, no caso de têlo transferido a terceiro estar expressamente autorizado recebêla (artigo 7° da IN 600/2005). E esta comprovação não foi trazida sequer a segunda instância. Desta forma, corroboro as conclusões do acórdão recorrido, que reproduzo a seguir: A interessada retificou a DCTF em 03/11/2009 (fl. 174), portanto, após a ciência do despacho decisório de não homologação que ocorreu em 20/10/2009. Neste caso, para que a retificadora seja aceita é necessário que o contribuinte comprove o erro. No mesmo sentido, o art 147, §1° do CTN dispõe que: "Art 147 — O lançamento é efetuado com base na declaração de sujeito passivo ou de terceiro, quando um outro, na forma da legislação tributciria, presta a autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1° A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." Da análise dos autos, verificase que não foram juntados quando da apresentação da manifestação de inconformidade cópias de livros e documentos de sua escrituração fiscal/contábil que demonstrem o equivoco, não sendo suficiente a simples entrega de nova DCTF. Cabe ressaltar que o crédito pleiteado referese a Contribuição Social Retida na Fonte na forma da Lei 10.833/2003. Assim sendo, aplicase o previsto no artigo 7° da IN 600/2005, repetido no artigo 6° da IN 900/2008, que assim dispõe: Art. 60 A restituição de quantia recolhida a titulo de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Diante disso, caberia à empresa comprovar o que originou o recolhimento a maior e em caso de retenção indevida ou a maior deve comprovar que assumiu o encargo ou, no caso de têlo transferido a terceiro estar expressamente autorizado. Em matéria de pedido de restituição/compensação, cabe ao interessado comprovar a certeza e liquidez do suposto crédito pago indevidamente. As informações prestadas em DCTF, até prova em contrário, presumemse corretas. Se há erro, cabe ao interessado comproválo, com documentação hábil. (...) Fl. 331DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720136/2017-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, haja vista a existência de impugnações apresentadas tempestivamente que não tiveram seus argumentos enfrentados no momento processual devido. (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 1401-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade da decisão proferida pela DRJ/Salvador face a falta de enfrentamento dos argumentos de defesa constantes nas impugnações dos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora a quo para que profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, haja vista a existência de impugnações apresentadas tempestivamente que não tiveram seus argumentos enfrentados no momento processual devido. (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade da decisão proferida pela DRJ/Salvador face a falta de enfrentamento dos argumentos de defesa constantes nas impugnações dos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora a quo para que profira nova decisão. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, haja vista a existência de impugnações apresentadas tempestivamente que não tiveram seus argumentos enfrentados no momento processual devido. (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade da decisão proferida pela DRJ/Salvador face a falta de enfrentamento dos argumentos de defesa constantes nas impugnações dos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora a quo para que profira nova decisão. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 36 /2 01 7- 14 Fl. 28676DF CARF MF 2 Relatório Em análise o Recurso Voluntário interposto contra o 1543.808 1ª Turma da DRJ/SDR, que por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, manter integralmente o crédito tributário de que trata o Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPJ, CSLL , juntamente aos acréscimos legais correspondentes, bem como a manutenção da multa qualificada e da responsabilidade solidária atribuída aos sócios, e exonerar integralmente o lançamento do IRRF, juntamente aos acréscimos legais e multa qualificada correspondentes, Houve Recurso de Ofício em relação à parte exonerada. Os fatos geradores que originaram a lavratura do auto de infração ocorreram nos anoscalendário de 2013 a 2015. Foi entregue DIPJ (Lucro Real Trimestral) relativa ao anocalendário de 2013. Foram entregues ECF Lucro Real relativos aos anoscalendário de 2014 e 2015. O lançamento de ofício, efetuado em 08/06/2017, referese a: IRPJ. Custo dos Bens Vendidos e /ou Serviços Prestados. Infração: Comprovação Inidônea de Custosanoscalendário 2013 e 2014. CSLL. Custos/Despesas Operacionais/Encargos. Infração: Custos/Despesas Operacionais/Encargos não Comprovadosanoscalendário 2013 e 2014. IRRF. Pagamento sem Causa ou Beneficiário não Identificado. Infração: Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos sem Causa ou de Operação não Comprovada anoscalendário 2013 a 2015. As infrações cometidas originaram o lançamento de crédito tributário no montante de R$ 101.790.522,50 (cento e um milhões, setecentos e noventa mil, quinhentos e vinte e dois reais e cinquenta centavos), estando assim distribuído: Por bem descrever os fatos que deram origem à ação fiscal transcrevo em parte o Relatório DRJ, naquilo que interessa a solução do litígio. DA AÇÃO FISCAL 4O relatório da ação fiscal está contido no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls.23.036 a 23.081). Foram constatadas duas empresas emissoras de notas fiscais "frias", nos seguintes valores: Fl. 28677DF CARF MF Processo nº 16095.720136/201714 Acórdão n.º 1401003.118 S1C4T1 Fl. 28.677 3 5As empresas acima relacionadas, conforme verificações constantes das fls.23.040 a 23.045, operavam apenas para emissão de notas fiscais . 6Conforme depoimento de funcionário e diligência efetuada, a Camesa produz seus próprios tecidos e efetua importações, não havendo aquisição no mercado interno. Desta forma, não houve compras de tecidos da ML Novas e JLG Tecidos. 7Uma vez que as compras não foram comprovadas, ficou caracterizado pagamento sem causa, havendo o correspondente lançamento de ofício. 8As diligências efetuadas podem ser assim resumidas: As empresas fornecedoras, JLG TECIDOS e ML NOVAS, não possuíam os produtos vendidos à CAMESA (Tecidos de Algodão) e também não tinham os Fios de Algodão para fabricar os respectivos Tecidos consoante as pesquisas efetuadas. Não existem Notas Fiscais de terceiros para essas duas empresas de Fios ou Tecidos de Algodão. A CAMESA não apresentou nenhuma prova de que realmente a mercadoria ingressou na empresa, não tendo apresentado o controle de estoque. A justificativa apresentada não se mostrou coerente, uma vez que segundo informações do próprio contribuinte, os tecidos adquiridos eram estampados e portanto não sofreriam qualquer industrialização, diferentemente dos fios de algodão que transformados em tecidos e iriam para tingimento e estamparia. Não apresentou o Livro Registro de Controle da Produção e Estoque, livro este obrigatório que destinase à escrituração dos documentos fiscais e controla a entrada e saída dos produtos.Apresentou apenas uma planilha em que detalha metros de tecidos x produtos produzidos. Esta planilha não detalha a quantidade de metros de tecidos adquiridos no mercado interno e quantidade de metros de tecidos fabricados x quantidades de produtos confeccionados com o mesmo insumo. O Sr. GUNTHER KLEINFELD, CPF: 075.820.34899, gerente de Tecelagem informou que a CAMESA compra fios e produz tecidos e que não compra tecidos no mercado Interno. Declarou que a CAMESA produz tecido cru e o beneficiamento é terceirizado onde são encaminhados para as cidades de Americana e em Santa Catarina. Desta forma, a CAMESA não comprou tecidos de algodão das empresas ML NOVAS e JLG TECIDOS. A CAMESA afirma que as compras da ML NOVAS e JLG TECIDOS eram CIF e o procurador da JLG TECIDOS, LUCIANO ALBERTO TRIVELLI (CPF: 791.066.09872) afirma que a empresa não dispunha de caminhões e as vendas eram retiradas pelo próprio comprador. Em todas as Notas Fiscais não é informado as placas dos veículos. Os depoimentos dos administradores da CAMESA mostramse conflitantes. Notase que ambos deixaram de prestar informações relativas aos fornecedores ML NOVAS e JLG TECIDOS. O Sr. RAHMO SHAMMAH (CPF: 032.413.55802) informou que o principal fornecedor de tecidos de algodão era a ML NOVAS, e houve queda abrupta no fornecimento desta mercadoria e que não teve substituição em 2014. Esta informação é totalmente conflitante com os dados de notas fiscais em que a JLG TECIDOS foi o principal fornecedor de notas fiscais de tecidos para a CAMESA em 2014. Fl. 28678DF CARF MF 4 O Sr. RALF HAKIM (CPF: 029.264.00802) informou que não lembra se existem outros fornecedores de tecidos da empresa CAMESA nos anos de 2013 e 2014. O representante da ML NOVAS, segundo o Sr RAHMO SHAMMAH era o Sr. Maurício e para o Sr. RALF HAKIM era o Sr. JOSÉ LUIZ. Os Tecidos de Algodão, segundo o Sr RAHMO SHAMMAH eram para fabricação de lençol e ededrom e para o Sr. RALF HAKIM eram para produzir toalha de banho e lençol. Diante das constatações descritas neste Termo de Verificação, comprovamse que são noteiras as empresas ML NOVAS e JLG TECIDOS . No curso da Ação Fiscal, constatamos que 2 (duas) empresas fornecedoras da CAMESA são empresas "noteiras" com a finalidade de majorar indevidamente os custos na empresa fiscalizada, portanto, para recolher menos IRPJ/CSLL e também gerar créditos fictícios dos tributos PIS/Cofins. MULTA QUALIFICADA 9Houve aplicação de multa no percentual de 150%, diante: da constatação de fraude (artigo 72 da Lei nº 4.502/1964). da utilização de empresas "noteiras" a fim da majoração indevida de custos, redução de IRPJ/CSLL e geração de créditos fictícios de PIS e Cofins. da não comprovação do ingresso de mercadorias adquiridas das empresas ML Novas e JLG Tecidos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 10Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, fundamentados no artigo 135 III do CTN, junto às pessoas abaixo indicadas: RAHMO SHAMMAH CPF: 032.413.55802 RALF HAKIM CPF: 029.264.00802 ALBERTO HAKIM CPF: 224.268.83839 DAVID HAKIM CPF: 317.633.20847 Houve impugnação da empresa, na qual defendeu a nulidade da autuação por erro material por inexistência de demonstração clara e objetiva da incidência do fato gerador, que fosse reconhecida a sua nulidade pela incorreta aplicação da glosa do IRPJ/CSLL pelo lucro real, em afronta ao artigo 530, incisos I e II do RIR/99, ou subsidiariamente fosse afastada a incidência do IRRF autuado, por apuração irregular na base de cálculo do referido imposto, maculandoo com erro material insanável, visto que a Autoridade Fiscal utilizou como documento de prova exclusivamente a ECD da empresa ao invés dos comprovantes de pagamentos realizados (TEDs); Defendeu também que fosse totalmente excluído, da presente autuação o IRRF apurado em conjunto com o IRPJ/CSLL, por ser um verdadeiro “bis in idem” e em afronta ao artigo 150 da CF/88, como já reconhecido pelo CARF, ou que fosse declarada nula a imposição do IRRF por glosa indevida dos valores, em total erro material, por não ter considerado a conta desconto do seu ECD. Fl. 28679DF CARF MF Processo nº 16095.720136/201714 Acórdão n.º 1401003.118 S1C4T1 Fl. 28.678 5 As impugnações dos solidários foram idênticas à do contribuinte, com exceção do questionamento relativo à solidariedade. Apenas foi tempestiva a impugnação do sócio David Hakim que argumentou que sua responsabilização teria se dado tão somente em razão dele figurar como sócio da empresa autuada, sem que restassem preenchidos os requisitos do art. 135, III, do CTN. Os demais responsáveis Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim não tiveram suas impugnações apreciadas por intempestividade. Apreciados os argumentos da impugnação, o lançamento foi mantido em parte para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito manter integralmente o crédito tributário de que trata o Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPJ , CSLL , juntamente aos acréscimos legais correspondentes, bem como a manutenção da multa qualificada e da responsabilidade solidária atribuída aos sócios, e exonerar integralmente o lançamento do IRRF. Inconformados, apresentaram Recursos Voluntários a devedora principal e dos solidários. No Recurso da devedora Camesa Industria Textil pede: 1) A declaração de que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e que merece ser conhecido e julgado. 2) A reunião dos Processos Administrativos nº 16095.720136/201714 e 16095.720138/201711 para julgamento conjunto. 3) O julgamento de ambos processos pela Primeira Seção do CARF. 4) A remessa de ambos processos à DRJ para que sejam conhecidas e julgadas as Impugnações dos Srs. Rahmo Shammah, Ralf Hakimbe Alberto Hakim apresentadas nos autos do Processo nº 16095.720.136/2017 14 (IRPJ/CSLL e IRRF), e avaliados os eventuais efeitos dessa decisão sobre as decisões já proferidas pela DRJ para ambos os processos. 5) A remessa de ambos processos à DRJ para que seja proferida decisão específica sobre os descontos incondicionais obtidos pela Camesa e os consequentes efeitos da postergação de IRPJ/CSLL, PIS/COFINS. 6) Alternativamente, caso os ínclitos Conselheiros pretendam anular o crédito tributário com base nas razões de mérito, requer alternativamente que julgue o processo independentemente da remessa dos autos à DRJ, visto que um julgamento favorável irá sanar a preterição ao seu direito de defesa. Superadas essas providências processuais, a Recorrente, preliminarmente: 1) Pede o reconhecimento que a ML Novas e JLG Tecidos eram fornecedores idôneos quando emitiram Notas Fiscais para a Camesa e que, portanto, esses documentos contam com presunção de validade para a adquirente. 2) Pede o reconhecimento que a Fiscalização não apresentou prova de registro junto ao CNPJ da alegada inidoneidade desses fornecedores, de maneira que tais Notas Fiscais contam, ainda hoje, com presunção de validade. Fl. 28680DF CARF MF 6 3) Pede o reconhecimento que a Fiscalização falhou em considerar o efeito dos descontos financeiros recebidos pela Camesa, o que implica falha na determinação da matéria tributável, dado que a despesas de num período foi parcialmente recuperada em período subsequente, de maneira que deveria ter sido levado em consideração os efeitos da postergação de IRPJ/CSLL, PIS/COFINS. 4) Como consequência disso, pede a anulação da glosa dos custos do Lucro Tributável por IRPJ/CSLL e dos créditos de PIS/COFINS feitas contra a Camesa, e, como consequência disso, pede a anulação dos lançamentos tributários de IRPJ/CSLL, PIS/COFINS. Para o caso de não ser esse o entendimento dos ínclitos Conselheiros, a Recorrente: 5) Pede o reconhecimento de que a Fiscalização produziu mal a prova dos pagamentos da Camesa a seus fornecedores, pois o fez apenas com base em seus registros contábeis, enquanto à Fiscalização estavam disponíveis os comprovantes bancários da transação, consoante planilhas com indicação apresentadas (fls. 156 a 161 para ML novas; e 2.282 a 2.292 do PAF nº. 16095.720136/201714), aptos a provar que a Camesa efetivamente pagou pelos tecidos. 6) Pede o reconhecimento, com base nos Lautos Periciais (Parecer Técnico, da Interface Engenharia; e Relatório, da Ernst & Young) que os tecidos efetivamente foram recebidos pela Camesa e integram o saldo de seus estoques, consoante demonstrado no SPED (estoque consumido) e hoje fisicamente observável em suas instalações (estoque remanescente). 7) Por consequência disso, pede a anulação dos Lançamentos de IRPJ/CSLL, PIS/COFINS. Caso não seja esse o entendimento dos ínclitos Conselheiros, a Recorrente, alternativamente: 1) Pede o reconhecimento que a glosa dos custos provoca uma lucratividade tão exorbitante para a Camesa, quando considerada aquela aferida no setor (acima demonstrada), que devese reconhecer a imprestabilidade da escrita contábil da Camesa. 2) Pede o reconhecimento que a Camesa não dispunha de Livro de Registro de Inventário, requisito obrigatório para os optantes do Lucro real. 3) Como resultado disso, pede que os Lançamentos de IRPJ/CSLL, PIS/COFINS, sejam anulados, pois eles deveriam ter sido lavrados com base no Regime do Lucro Arbitrado em respeito a IRPJ/CSLL e do Regime Cumulativo em relação a PIS/COFINS. Em relação ao IRRF especificamente, a Recorrente: 1) Pede seja confirmado o Acórdão da DRJ que anulou o Lançamento do IRRF, dado que a Fiscalização produziu mal a prova do efetivo pagamento pela Camesa a seus fornecedores. 2) Alternativamente, caso os ínclitos Conselheiros decidam reformar o Acórdão da DRJ, e considerar que houve prova efetiva do pagamento (o que se admite ad argumentandum) pede que seja reconhecido que a Lei nº 8.981, art. 61, foi revogada pelas Leis nº 9.249/1995 e 9.250/1995. 3) Além do mais, há de se ressaltar que a exigência do IRRF não pode prevalecer, tendo em vista a jurisprudência do CARF que veda a sua cobrança de forma cumulativa com o IRPJ/CSLL. Fl. 28681DF CARF MF Processo nº 16095.720136/201714 Acórdão n.º 1401003.118 S1C4T1 Fl. 28.679 7 Em relação à multa qualificada de 150% especificamente, a Recorrente: 1) Pede seja reconhecida a aplicação aos precedentes do STF, julgados com repercussão geral (RE 582.461) e em controle concentrado de constitucionalidade (ADI 551), de que a multa não pode ser cobrada tem patamar superior a 100% do valor do tributo, ainda que se alegue ter havido fraude. 2) Alternativamente, pede o reconhecimento de que não foi comprovado dolo por parte da Camesa, tendo em vista que todas as regularidades apontadas recaem sobre as fornecedoras da Camesa, ambas com inscrição idônea frente ao CNPJ. 3) Além disso, os fatos descritos se amoldam ao tipo legal de conluio, o qual tem previsão na Lei nº 4.502/1964, art. 73; não nos arts. 71 e 72 da referida lei como equivocadamente pretende a Fiscalização. 4) Por quaisquer dessas razões, pede que a multa seja reestabelecida ao patamar legal de 75%. Em relação aos juros, especificamente, a Recorrente: 1. Pede que sejam julgados indevidos os juros incidentes sobre a multa de ofício. No Recurso Voluntário dos solidários Alberto Hakim, David Hakim, Rahmo Shammah e Ralf Hakim, são reproduzidos os mesmos pedidos, acrescentando a necessidade da exclusão de sua responsabilidade solidária, por falta de provas, argumentando que as Autoridades Fiscais pretendem constituir o crédito tributário tanto em face da CAMESA, como de todos seus sócios, mesmo não havendo a descrição individualizada de suas condutas e a comprovação da prática de atos ilícitos que justifiquem a aplicação do disposto no artigo 135, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Os Recursos Voluntários são tempestivos, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálos. Preliminar de nulidade Cercamento de Defesa tempestividade das impugnações. De início a Recorrente reclama a necessidade de reforma do acórdão de primeira instância que não conheceu das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakimbe Alberto Hakim, sob o argumento de que elas seriam intempestivas, isto porque segundo a fiscalização, teriam sido protocolizadas em 26/07/2017 (fl.23.529 , 23.652 e 23775), cientificados do Auto de Infração por via postal em 21/06/2017 (fls. 23.287, 23.289, 23.291) , ou seja, num prazo superior aos 30 dias previstos no art. 15 do Decreto 70.235/72. Fl. 28682DF CARF MF 8 A Recorrente demonstra que em 21.06.2017, quartafeira, iniciouse o prazo para apresentação da Impugnação dos Srs. Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, quando foram intimados por via postal, conforme os comprovantes de entrega das intimações que podem ser vistos às fls. 23.287 (Sr. Rahmo), 23.289 (Sr. Ralf), 23.291 (Sr. Alberto). Como resultado, o prazo final para apresentação de suas Impugnações davase em 21.07.2017, sexta feira. E, com efeito, todas as Impugnações foram apresentadas em 21.07.2017 como se nota dos carimbos de recebimento das Impugnações vistos nas fls. 23.530, 23.653 e 23.776, inclusive pelo mesmo funcionário. Observo que as folhas citadas pelo Acórdão recorrido, tratamse dos termos de juntada das referidas petições ao processo descritos no despacho de encaminhamento, por isso, elaborados em data posterior ao efetivo protocolo, comprovado pelo carimbo aposto nas peças de interposição dos Recursos Voluntários. Desta forma, uma vez comprovado que as impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim eram de fato tempestivas, de acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, necessário que os autos retornem à DRJ para que sejam apreciadas as tempestivas Impugnações e sobre elas seja proferida decisão, para que não haja supressão de instância ou cerceamento de defesa. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Isso porque, deixou de analisar impugnações apresentadas tempestivamente. Sendo assim, os autos deverão retornar àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. Em atenção ao art. 59, inciso II, do Dec. 70.235/72, não vejo possibilidade de aprofundar na análise das outras questões aduzidas em sede de Recurso Voluntário, sem que antes haja o enfrentamento pela DRJ do conteúdo das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, de maneira que reconheço a nulidade arguida. Fl. 28683DF CARF MF Processo nº 16095.720136/201714 Acórdão n.º 1401003.118 S1C4T1 Fl. 28.680 9 Ademais, o retorno dos autos à DRJ também se apresenta essencial para fins de evitar supressão de instância. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade da DRJ face a falta de enfrentamento dos argumentos de defesa constantes nas impugnações dos responsáveis solidários Rahmo Shammah, Ralf Hakim e Alberto Hakim, restando prejudicados os demais pedidos. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 28684DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.900484/2012-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004);
2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinal-pagamento;
3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 83, de nº 5738477151-0, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 86, de nº 5785135361-1, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do período-base encerrado em 31/12/2009;
7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem dos créditos postulados -Livros Diário, Razão, Lalur- referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos;
8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinal-pagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 83, de nº 5738477151-0, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 86, de nº 5785135361-1, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do período-base encerrado em 31/12/2009; 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem dos créditos postulados -Livros Diário, Razão, Lalur- referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 83, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 86, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 48 4/ 20 12 -6 5 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10283.900484/201265 Resolução nº 1002000.059 S1C0T2 Fl. 98 2 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 10969.99298.291009.1.3.047990, transmitida eletronicamente em 29/09/2009, com base em suposto crédito de Contribuições Sociais Retidas na FonteCSRF, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 280,30. Em 01/03/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela homologação parcial da compensação, fundamentando na insuficiência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que as compensações efetuadas estão corretas, sendo legitimo o direito ao crédito, haja vista pagamento em duplicidade do referido tributo, correspondente à retenção na fonte sobre valor da Nota Fiscal nº 34675, em 15/06/2009, no total de R$ 7.818,50, e em 30/06/2009, exatamente no mesmo valor. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10283.900484/201265 Resolução nº 1002000.059 S1C0T2 Fl. 99 3 fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 0374.639, de 27 de abril de 2017 (efl. 53), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 66), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "Muito embora a decisão da 4a Turma da DRJ/BSB tenha sido no sentido de não reconhecer o direito líquido e certo da Recorrente, a existência do crédito tributário é demonstrada por meio dos documentos que comprovam o pagamento em duplicidade, quais sejam nota fiscal (DOC.02) e comprovantes de transação bancária (DOC.03) e o livro razão analítico (DOC.04)". Destaca que "A NF 34675, evidencia os valores retidos a título de CSRF, sobre o valor total da fatura R$ 168.139,75 quais sejam: PIS (alíquota 0,65%): R$ 1.092,91 (hum mil e noventa e dois reais e noventa e um centavos) COFINS (alíquota 3%): R$ 5.044,19 (cinco mil e quarenta e quatro reais e dezenove centavos) CSLL (alíquota 1%): R$ 1.681,40 (hum mil, seiscentos e oitenta e um reais e quarenta centavos)", perfazendo um "Total recolhido a título de CSRF: R$ 7.818,50 (sete mil, oitocentos e dezoito reais e cinquenta centavos)". Sustenta que "Os comprovantes de transação bancária (DOC.03) comprovam o recolhimento do valor discriminado acima (código da receita 5952) em duplicidade nas datas 15.06.2009 e novamente em 30.06.2009, sobre a mesma NF..." e que "Da mesma forma, ao conferir o livro razão analítico da Recorrente (DOC. 04), verificase no histórico que no mês de Maio houve a provisão de pagamento dos tributos referentes a NF 34675 e no mês de junho vislumbramse dois lançamentos de pagamento, ambos referentes ao recolhimento de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10283.900484/201265 Resolução nº 1002000.059 S1C0T2 Fl. 100 4 contribuições sociais sobre o mesmo documento fiscal, qual seja a NF 34675, em 15.06.2009 e depois em 30.06.2009". Ao final, tece considerações sobre os princípios da verdade material e do enriquecimento sem causa da União, postulando a reforma da decisão de 1ª instância e o reconhecimento do crédito no valor de R$ 7.818,50. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em um suposto recolhimento em duplicidade no valor de R$ 7.818,50, na forma indicada pelo quadro seguinte: CSRF código receita valor recolhido (R$) período de apuração vencimento data de arrecadação efls. 5952 7.818,50 31/05/2009 15/06/2009 15/06/2009 83 5952 7.818,50 15/06/2009 30/06/2009 30/06/2009 86 A decisão a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade em razão da ausência de comprovação do recolhimento em duplicidade alegado pelo então manifestante. De fato, a NF 034675 (efls. 80) e a cópia parcial do livro Razão Analítico (efls. 87), que supostamente seriam elementos de comprovação da origem e do direito ao crédito postulado, só foram colacionados aos autos por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o que torna justificável a decisão proferida no acórdão recorrido. Entretanto, à vista dessa nova realidade processual, constato haver verossimilhança nas alegações do Recorrente, fundada no fato de que existem dois recolhimentos vinculados a CSRF que aparentemente tem origem num mesmo e único evento (prestação de serviço consignada na NF 034675), o que, em princípio e em juízo de delibação, legitimaria o direito ao crédito pleiteado. Assim, lastreado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) do valor de R$ 7.818,50 recolhido a título de CSRF nas declarações de informações econômicofiscais apresentadas pelo contribuinte, bem como do batimento destas informações com sua escrituração contábilfiscal. No presente caso, vejo que, à exceção do PER/DCOMP, não foram anexadas aos autos outras declarações de informações econômicofiscais que poderiam servir de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10283.900484/201265 Resolução nº 1002000.059 S1C0T2 Fl. 101 5 elemento de comprovação das alegações do Recorrente e, quanto à escrituração, consigno que houve apenas a juntada parcial do livro Razão Analítico, circunstâncias que não permitem a este julgador formar juízo conclusivo quanto à legitimidade do pleito. Sendo assim, voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 83, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 86, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.903361/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Numero da decisão: 1402-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.902722/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.902722/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 33 61 /2 00 9- 11 Fl. 138DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação do débito declarado em Declaração de Compensação Segundo o Despacho Decisório, foi encontrado pagamento com as características do DARF discriminado no PER/Dcomp, mas integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp. A DRJ de origem detectou o erro que deu origem a retificação. O mencionado erro consiste na aplicação do coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL sobre as receitas de prestação de serviços ali informadas: Para o cálculo da CSLL confessada na DCTF, e paga, foi utilizado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), enquanto que para a apuração da CSLL informada na DIPJ/2005 foi aplicado o percentual de 12% (doze por cento). Examinando as informações constantes da DIPJ verificase que a razão da divergência relatada acima o contrato social prevê que o objetivo da empresa é “o transporte rodoviário de cargas intermunicipal e interestadual, logística e armazéns gerais”. Desta forma, para o julgamento do direito creditório pleiteado, um dos aspectos a serem analisados é a natureza dos serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ Diante da situação acima descrita, a DRJ encaminhou processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, a fim de que fosse realizada diligência no sentido de intimar a Contribuinte a apresentar a documentação comprobatória (notas fiscais e eventuais contratos) referente à receita auferida. Em resposta à intimação, o contribuinte junto o livro de registro de saídas escriturado, exclusivamente, com "conhecimento de transporte rodoviário de cargas" para comprovar a origem da receita auferida. Insatisfeita com a documentação trazida pelo contribuinte, a DRJ promoveu a reintimação na qual requer que o contribuinte faça a juntada das notas fiscais e eventuais contratos relativos aos serviços prestados. Em resposta a contribuinte informa que "com relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, do mencionado período, estes foram guardados pelo períodos de 5 anos, conforme determina norma específica expedida pela Receita Federal do Brasil (RFB), sendo que os dados destes documentos, hoje e agora, estão totalmente apagados, ou seja, não tem a mínima condição de se fazer nenhuma leitura dos dados constantes nesses documentos, pelo fato de terem mais de 12 anos da sua expedição, visto que foram emitidos em "formulário continuo autocopiativo" devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual; porém, todos esses documentos foram devidamente escriturados nos competentes Registros de Saída, os quais já foram apresentados a essa autoridade fazendária federal." Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.903361/200911 Acórdão n.º 1402003.678 S1C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Manifestação de Inconformidade Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no reitera as alegações já suscitadas quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.673, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.902722/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.673): Conforme decidido pelo colegiado, discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, por entender que os documentos juntados pela recorrente não são suficientes para comprovação do direito creditório pleiteado. A recorrente alega que "a receita foi comprovada, sim, por meio do Livro de Registro de Saídas, legalmente escriturado, exclusivamente, com “conhecimentos de transporte rodoviário de cargas”, o que comprova que a origem da receita auferida, por esta contribuinte, foi, exclusivamente, do transporte rodoviário de cargas; aliás, está confirmado no próprio relatório do aludido acórdão que a contribuinte apresentou a comprovação da receita por meio do citado Livro de Registro de Saídas." Informa que quanto aos conhecimentos de transportes, "estes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, uma vez que eram documentos preenchidos, na época da sua expedição, em papel autocopiativo “formulário contínuo”, devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual, porém tais documentos (conhecimentos de transporte rodoviário de cargas) foram guardados em boa ordem por todo período decadencial, sendo solicitado a sua apresentação quase 10 (dez) anos após a sua expedição, razão pela qual não foi possível fazer leitura do conteúdo dos mencionados conhecimentos de transporte;" Esclarece que "no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR (cópia anexa), Contestação, com essas mesmas características, foi Fl. 140DF CARF MF 4 acolhida, ou seja, julgada como procedente, o que demonstra que todos os atos praticados por esta contribuinte foram feitos, estritamente, com bases em preceitos legais, tanto no citado Processo, bem como neste, objeto desse nosso Recurso Voluntário." Verificase que conforme previsto no objeto social da recorrente atividades que podem estar submetidas a diferentes coeficientes de determinação da base de cálculo, portanto fazse necessário a comprovação da natureza do serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. Entendeuse que ambas as declarações (DCTF e DIPJ) são preenchidas pela própria recorrente e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Por conseguinte, a simples alegação de que o valor correto do débito é aquele informado na DIPJ não é suficiente para comprovar o erro no preenchimento da DCTF original, sem apoio nos registros e documentos contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. A recorrente não trouxe provas lastreadas em sua escrituração contábil e fiscal (completa ou simplificada), notas fiscais de receita emitidas, e eventuais contratos, a fim de se verificar o montante e a natureza das receitas submetidas à tributação, e ratificar o indébito pleiteado. Notase que a recorrente apresentou apenas o livro Registro de Saídas, que não se presta para o objetivo almejado, e mesmo reintimada deixou de apresentar a documentação requerida. Caberia à recorrente apresentar dos conhecimentos de transportes e eventuais contratos que comprovassem os registros do Livro de Saídas. Quanto à alegação de que o conhecimentos de transportes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, caberia à recorrente mantêlos conservados enquanto não prescritos eventuais ação que lhes sejam pertinentes, conforme determina o artigo 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n.º 486, de 1969, art. 4º) Tendo em vista a não apresentação da documentação que permitisse o conhecimento da natureza das receitas oferecidas à tributação no 1º trimestre de 2004, e possibilitasse comprovar o alegado pagamento indevido, verificase que o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Ressaltase que a decisão no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR não vincula o julgamento do presente recurso pelo colegiado. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.903361/200911 Acórdão n.º 1402003.678 S1C4T2 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721268/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2016
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE. NULIDADE.
A motivação deficiente ou incompleta do lançamento fiscal representa descumprimento das exigências legais para a constituição do crédito tributário e implica o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, resultando na nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1401-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Eduardo Morgado Rodrigues, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Recorrente VALE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2016 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DEFICIENTE. NULIDADE. A motivação deficiente ou incompleta do lançamento fiscal representa descumprimento das exigências legais para a constituição do crédito tributário e implica o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, resultando na nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Eduardo Morgado Rodrigues, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 68 /2 01 7- 43 Fl. 290DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de multa aplicada isoladamente em decorrência de falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, relativa aos períodos de apuração de abril e agosto de 2016. Abaixo reproduzo o Auto de Infração (v. efls. 44/45), lavrado eletronicamente, em que é exigida a multa isolada, correspondente a 50% dos débitos declarados em DCTF e não quitados, nos termos dos arts. 2º, 28 e 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96 (vide enquadramento legal). Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 291 3 Irresignada com a lavratura do Auto de Infração, a recorrente apresentou a impugnação de efls. 04/23, através do qual elenca os seguintes argumentos de defesa: 5. No entanto, não pode prevalecer a aplicação de multa pelo não pagamento, pois os débitos indicados no auto de infração encontramse extintos por compensações realizadas pela Impugnante, nos termos do § 2º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/961 (doc. 05). 6. Desse modo, aplicarseia à hipótese tratada nestes autos – extinção de crédito tributário pela compensação (a ser homologada) o disposto no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. 7. Todavia, neste momento não há que se cogitar da exigência de multa pela não homologação da compensação, tendo em vista que o PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286 transmitido pela Impugnante ainda aguarda análise das D. Autoridades Fiscais, como será demonstrado. 8. Ressaltese que o auto de infração que ora se combate decorre do fato de que as D. Autoridades Fiscais não se atentaram para a existência das DCTF’s Retificadoras (docs. 06 e 07), nas quais constam as informações relativas à quitação dos créditos tributários por meio de compensação – conforme DCOMP transmitida pela Impugnante (doc. 05). 9. Conforme restará demonstrado nos tópicos seguintes, o PER/DCOMP transmitido pela Impugnante para quitação dos créditos tributários em tela ainda aguarda análise pelas D. Autoridades Fiscais (doc. 08), razão pela qual não há contexto fático que possibilite a imposição de multa pelo não pagamento dos supostos créditos Fl. 292DF CARF MF 4 tributários de CSLL e/ou pela não homologação das compensações efetivadas, o que levará ao necessário cancelamento do auto de infração combatido. 10. A Impugnante demonstrará a seguir que a multa em tela não pode ser aplicada in casu, sendo necessário o cancelamento integral desta autuação, tendo em vista que: (i) a atuação é nula por erro de capitulação do dispositivo tido como infringido, precariedade da ação fiscal e cerceamento do direito de defesa da Impugnante; (ii) após apresentados esclarecimentos, bem como documentos que comprovam a argumentação exposta pela Impugnante, certamente prevalecerá a homologação integral da compensação; (iii) até o encerramento da discussão travada nos autos do Processo Administrativo relativo ao PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286 transmitido pela Impugnante (doc. 05), a conclusão é de que o contribuinte nada deve, não sendo lícito à administração tributária iniciar processos administrativos pautandose em suposto não recolhimento de débitos que sequer estão definitivamente constituídos. Logo, até que se decida definitivamente pela procedência das compensações em questão, não há razão para aplicação da multa ora combatida; e (iv) a conduta que se busca punir com a aplicação da multa do artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/96 é a dos maus contribuintes, que de máfé apresentam pedidos de compensação com créditos inexistentes e se beneficiavam da ineficácia da Administração Pública para apreciar todos esses pedidos no prazo de cinco anos, podendo resultar na homologação tácita de créditos, conduta que não se verifica no caso em tela, em que o crédito existe e o pedido de compensação correspondente aguarda análise pelas D. Autoridades Fiscais; (v) subsidiariamente, deve ser, ao menos, reconhecida a existência de prejudicialidade externa entre o presente Processo e o Processo Administrativo decorrente do PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.09 3286 (doc. 05), uma vez que a multa só poderia ser aplicada em caso de não homologação das referidas compensações, devendo o presente processo ser suspenso até a prolação de decisão final nos autos do referido processo administrativo, nos termos do artigo 313, inciso V, alínea “a” c/c artigo 15, ambos da Lei nº 13.105/15. A impugnação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), em 27 de abril de 2018, que proferiu o Acórdão nº 07 41.682 3ª Turma, cuja ementa reproduzo abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2016, 30/09/2016 LUCRO REAL ANUAL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. MULTA DE OFÍCIO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, correspondente à 50% dos débitos declarados em DCTF e não quitados. Não poderá ser objeto de compensação mediante PER/DCOMP o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 292 5 Crédito Tributário Mantido Pela sua relevância para o deslinde da presente demanda, reproduzo abaixo alguns trechos do acórdão de impugnação: A contribuinte, por sua vez, argumenta que não pode prevalecer a aplicação de multa pelo não pagamento, pois os débitos indicados no auto de infração teriam sido compensados mediante o PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, ainda em análise pela RFB. Passamos à análise dos fatos. 1) Débito de Estimativa Mensal de CSLL referente ao mês de abril de 2016. Constam na DCTF Retificadora transmitida em 13/06/2017, ativa na data de emissão do Auto de Infração, as seguintes compensações para o débito de Estimativa Mensal de CSLL do mês de abril de 2016: (telas do sistema DCTF ...) Como se pode observar, parte do débito da Estimativa Mensal de CSLL de abril de 2016 (R$ 29.097.314,79) declarado na DCTF Retificadora, ativa na data da emissão do auto de infração, foi informado como sendo objeto de compensação mediante a DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, a qual se encontra na situação "ANÁLISE SUSPENSA" (Anexo I). Na DCTF Original/Cancelada, transmitida em 20/06/2016, constaram as seguintes compensações para o débito de Estimativa Mensal de CSLL do mês de abril de 2016: (telas do sistema DCTF ...) Como se observa, na DCTF Original/Cancelada referente ao mês de abril de 2016 havia sido relacionado o PER/DCOMP nº 20603.41851.230516.1.3.041780 (para amortizar a parcela do débito de R$ 32.147.351,88), que foi retificado várias vezes, sendo que o último PER/DCOMP retificador foi cancelado, conforme tela a seguir. (telas do sistema PER/DCOMP ...) Após o cancelamento do citado PER/DCOMP, foi enviada DCTF retificadora, em 12/04/2017, na qual foram reduzidos os débitos declarados e o valor dos créditos das compensações a ele vinculados de R$ 117.701.039,04 para R$ 114.651.001,95. Em substituição ao PER/DCOMP cancelado, foram transmitidos os PER/DCOMP nº 11345.69432.070417.1.3.096348, 02427.07240.070417.1.3.080556, 31960.70446.070417.1.3.084768 e 39558.92996.070417.1.3.087252, para amortizar a parcela do débito de R$ 29.097.314,79 de estimativa mensal de CSLL de abril/2016, conforme telas a seguir: (telas do sistema DCTF ...) Ocorre que para todos os quatro PER/DCOMP acima assinalados, que totalizam a parcela do crédito compensado de R$ 29.097.314,79, foram emitidos "DESPACHOS DE NÃO DECLARAÇÃO/INDEFERIMENTO", pelo motivo "CRÉDITO NÃO RECONHECIDO PELA AUTORIDADE", conforme telas a seguir: (telas do sistema PER/DCOMP ...) Fl. 294DF CARF MF 6 Como veremos adiante, a compensação é vedada e será considerada não declarada quando tiver por objeto o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (...) Como já ressaltado, a compensação é vedada e será considerada não declarada quando tiver por objeto o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme estabeleceu a Instrução Normativa RFB nº 1300, de 2012, vigente à época (a IN RFB 1300, de 2012, foi revogada pela IN RFB nº 1717, de 2017, que está vigente). [...] Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: [...] V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; [...] § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...] Art. 46. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41. [...] § 2º Às hipóteses a que se referem o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 41 e nos arts. 44 e 77, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 293 7 [...] § 3º A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de ofício ou confessados. [...] § 5º Verificada a situação a que se refere o caput em relação à parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. [...] Conforme analisado, a parcela do débito de R$ 29.097.314,79 de estimativa mensal de CSLL de abril/2016 foi informada nas DCOMP nº 11345.69432.070417.1.3.09 6348, 02427.07240.070417.1.3.080556, 31960.70446.070417.1.3.084768, 39558.92996.070417.1.3.087252, para as quais foram emitidos "DESPACHOS DE NÃO DECLARAÇÃO/INDEFERIMENTO", pelo motivo "CRÉDITO NÃO RECONHECIDO PELA AUTORIDADE". Portanto, tal débito não poderia ter sido incluído em nova DCOMP, nº 26156.32156.080517.1.3.093286, que se encontra na situação "ANÁLISE SUSPENSA", pois tal procedimento é vedado nos termos do art. 41, § 3º, inciso V, da IN RFB nº 1300, de 2012, vigente à época. Da mesma forma, a parcela do débito de R$ 3.147.862,86 de estimativa mensal de CSLL de agosto/2016 foi informada na DCOMP nº 31960.70446.070417.1.3.08 4768, para a qual foi emitido "DESPACHO DE NÃO DECLARAÇÃO/INDEFERIMENTO", pelo motivo "CRÉDITO NÃO RECONHECIDO PELA AUTORIDADE". Portanto, tal débito não poderia ter sido incluído em nova DCOMP, nº 26156.32156.080517.1.3.093286, que se encontra na situação "ANÁLISE SUSPENSA", pois tal procedimento é vedado nos termos da legislação retrocitada. Portanto, os débitos referentes às citadas declarações de compensação NÃO DECLARADAS, informados em DCTF retificadoras, não foram quitados, estando correto, assim, o lançamento mediante auto de infração da multa isolada de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme art. 2º, 28 e 44, inciso II, "b", da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe: [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) [...] Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Fl. 296DF CARF MF 8 [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...] Não assiste razão à impugnante também quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, pois o lançamento é decorrente das informações prestadas pelo próprio contribuinte em PER/DCOMP e DCTF, e no processo administrativo fiscal é aberto prazo após a emissão do Despacho Decisório e de sua ciência para que o interessado apresente a manifestação de inconformidade, fase em que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte e lhe é proporcionado devidamente o contraditório. É com a manifestação de inconformidade que o contribuinte tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários, bem como os documentos que comprovem as suas alegações. No julgamento, serão apreciados todos os seus argumentos e as provas à luz da legislação tributária, e será proferida a decisão de primeira instância do contencioso administrativo. Somente a partir da apresentação da manifestação de inconformidade, portanto, podese falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Não assiste razão à manifestante também quanto ao alegado erro no enquadramento legal, pois o caso dos autos não é de lançamento da multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação NÃO HOMOLOGADA, conforme § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Repitase, tratase de multa isolada de 50% sobre o valor dos débitos declarados em DCTF que deixaram de ser pagos, os quais foram decorrentes de compensações NÃODECLARADAS. Observese que o crédito tributário exigido no presente processo se encontra com sua exigibilidade suspensa, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo nos termos solicitados pela contribuinte. Quanto à solicitação para juntada posterior de documentos, destaquese que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender nesse caso. Conclusão Ante o exposto, manifestome pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Não satisfeita com a decisão retro, a Interessada apresentou o recurso de e fls. 236/255, em que alega, fundamentalmente, o seguinte: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 294 9 4. Em face do referido lançamento, a Recorrente apresentou defesa administrativa, demonstrando o seu flagrante cerceamento de defesa, na medida em que o Auto de Infração foi lavrado sem Termo de Verificação Fiscal ou qualquer outro documento que indicasse a motivação da acusação feita pela D. Autoridade Fiscal. 5. Diante da total ausência de fundamentação do lançamento, a Recorrente se esforçou para se defender da melhor forma possível, dentro das limitações que lhe foram impostas, indicando que as referidas estimativas mensais de CSLL estariam quitadas por meio do PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, ainda pendente de análise, nos termos do § 2º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/961. 6. Na oportunidade, também demonstrou que a multa não poderia ser aplicada no caso, sendo necessário o seu cancelamento integral, tendo em vista que: (i) a atuação é nula por erro de capitulação do dispositivo tido como infringido, precariedade da ação fiscal e cerceamento do direito de defesa da Recorrente; (ii) a conclusão pela falta de pagamento das referidas estimativas não poderia ser adotada até o encerramento da análise da PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, não havendo razão para aplicação da multa ora combatida até que se decida definitivamente pela procedência das compensações em questão; (iii) deve ser, ao menos, reconhecida a existência de prejudicialidade externa entre o presente Processo e o decorrente do PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, uma vez que a multa só poderia ser aplicada em caso de não homologação das referidas compensações, devendo o presente processo ser suspenso até a prolação de decisão final nos autos do referido processo administrativo, nos termos do artigo 313, inciso V, alínea “a” c/c artigo 15, ambos da Lei nº 13.105/15. 7. A referida defesa administrativa não foi acolhida pela DRJ, com base em elementos novos, que não constaram da motivação do auto de infração, o que confirma o flagrante comprometimento do direito de defesa da Recorrente pela falta de indicação das circunstâncias de fato da infração em sentido estrito quando do lançamento. 8. A r. decisão ora recorrida foi proferida nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2016, 30/09/2016 LUCRO REAL ANUAL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. MULTA DE OFÍCIO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, correspondente à 50% dos débitos declarados em DCTF e não quitados. Não poderá ser objeto de compensação mediante PER/DCOMP o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 9. Apenas a partir da r. decisão, a Recorrente conheceu o real motivo pelo qual a multa isolada ora combatida teria sido lançada, o qual consiste basicamente no entendimento de que as estimativas de CSLL de abril e agosto de 2016 não poderiam ser consideradas pagas por meio da PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, por já terem sido objeto de “compensação não homologada ou considerada não declarada”. 10. Destaquese que a verdadeira base legal da acusação fiscal foi revelada apenas pela r. decisão da DRJ, o que não se pode admitir por afrontar o dever de motivação do ato administrativo. Tratase do disposto no art. 41, §3º, inciso V, da Instrução Fl. 298DF CARF MF 10 Normativa RFB nº 1.300/2012, vigente à época da transmissão da referida PER/DCOMP, o qual não constou da fundamentação legal do Auto de Infração, impossibilitando uma defesa adequada por parte da Recorrente. 11. Com a devida vênia, a Recorrente entende que a r. decisão recorrida não aplicou a melhor solução ao caso concreto, pois o vício de nulidade do Auto de Infração é insanável. 12. No mérito, a r. decisão recorrida antecipou a análise da PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286 de forma inoportuna, afirmando que a referida declaração de compensação deveria ser considerada não declarada, por se referir a débito que já teria sido objeto de declaração de compensação anterior também considerada não declarada pelas autoridades fiscais. 13. Ora, em primeiro lugar, a DRJ não poderia pretender discutir a legitimidade da referida declaração de compensação nos autos do presente processo administrativo, pois se trata do mérito de outro processo administrativo, que será gerado a partir de eventual despacho decisório a ser proferido para a PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286. Certamente há uma relação de prejudicialidade entre os dois processos, mas a DRJ não poderia se imiscuir de forma imprópria na análise de um mérito que aguarda apreciação no bojo de outro processo. No máximo, poderia ter determinado o sobrestamento do presente processo administrativo, até a conclusão da análise da declaração de compensação objeto da referida PER/DCOMP, como inclusive requereu a Recorrente em sua impugnação. 14. Como se não bastasse, a r. decisão recorrida desconsiderou que a transmissão de novas compensações relativas ao mesmo débito apenas é vedada pela lei quando as compensações anteriores deixam de ser homologadas pelas Autoridades Fiscais. O art. 74, §3º, inciso V, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.051/2004 (vigente à época da transmissão da PER/DCOMP), veda a transmissão de declaração de compensação de “débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa”. Vejase que o dispositivo legal não se refere à “compensação não declarada”. 15. No caso concreto, como reconhece a própria DRJ, as declarações anteriores relativas aos mesmos débitos compensados pela PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286 foram consideradas “não declaradas”, o que, repitase não se confunde com a não homologação da PER/DCOMP. 16. Por essas razões, a Recorrente interpõe o presente Recurso Voluntário, na certeza que este Egrégio Conselho de Contribuintes, ao melhor analisar a matéria, cancelará o Auto de Infração combatido, pelas razões a seguir aduzidas. Vindo os autos ao CARF foram redistribuídos a este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 295 11 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Questão preliminar de fundamental importância a ser tratada diz respeito à alegada nulidade do auto de infração. Como vimos, desde a impugnação, a Interessada alega a nulidade do auto de infração por suposto cerceamento do direito de defesa decorrente de erro na capitulação do dispositivo legal tido como infringido. Isso porque o Auto de Infração se referiria a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, enquanto que a Recorrente alegava ter efetuado os respectivos pagamentos (ditos como não pagos) pela via da compensação, citando a PER/DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, até aquele momento ainda aguardando a análise da Receita Federal. Sobrevindo o julgamento da impugnação, a DRJ/FNS decidiu pela manutenção do lançamento sob o fundamento de que os débitos em aberto (devidamente declarados em DCTF) e que deram origem às multas isoladas, já haviam sido informados em PER/DCOMPs apresentadas anteriormente, declarações essas que foram indeferidas pela Autoridade Administrativa competente, por julgar que os créditos nelas utilizados não careceriam de liquidez e certeza. Em outras palavras, os débitos de estimativa de CSLL foram informados em DCOMPs para os quais foram emitidos "despachos de não declaração/indeferimento", pelo motivo "crédito não reconhecido pela autoridade" (nas palavras da decisão recorrida, v. efls. 223). Portanto, tais débitos não poderiam ter sido incluídos em nova DCOMP, a de nº 26156.32156.080517.1.3.093286, que se encontra na situação "ANÁLISE SUSPENSA", pois tal procedimento seria vedado nos termos do art. 41, § 3º, inciso V, da IN RFB nº 1300, de 2012, vigente à época. Contra esses fundamentos, adotados pela DRJ/FNS para redigir o acórdão ora recorrido, a Contribuinte alega que teria ocorrido inovação por parte da Autoridade Julgadora, pois trouxe aos autos elementos novos que não teriam constado da motivação do auto de infração, comprometendo o direito de defesa da Recorrente. Alega que, apenas a partir da r. decisão, a Recorrente teria conhecido o real motivo do lançamento, no caso, que as estimativas não poderiam ser consideradas como pagas por meio da DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286 por já terem sido objeto de "compensação não homologada ou considerada não declarada". Além disso, repete o argumento de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que o auto de infração não teria indicado a motivação da acusação fiscal. Creio que a Recorrente tem razão em suas arguições, pois vejo neste processo fiscal algumas inconsistências. Fl. 300DF CARF MF 12 O art. 142 do CTN estabelece regras gerais em relação aos elementos que devem necessariamente estar presentes no instrumento que venha a constituir o crédito tributário, na hipótese do lançamento de ofício: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Assim, o auto de infração estará irremediavelmente viciado quando verificada a ausência ou a carência de quaisquer dos elementos elencados pelo art. 142 do CTN, considerados essenciais à constituição do crédito tributário e ao regular desenvolvimento processual da exigência. Além do CTN, também o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), através do seu art. 10, elenca alguns requisitos ao auto de infração, mesclando critérios materiais a critérios formais do lançamento: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Por último, o art. 59 dispõe sobre as hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Assim, a análise a respeito de eventual nulidade do auto de infração (v. efls. 44/45) passa pela adequação dos dispositivos acima elencados ao seu conteúdo. Primeiramente, analisemos o próprio auto de infração. O espelho do instrumento que juntamos ao Relatório é bem claro ao identificar em seu cabeçalho tratarse de exigência de "multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada". Após o demonstrativo de apuração do crédito tributário consta a informação de que os valores da CSLL por estimativa que serviram de base de cálculo para a multa foram declarados em DCTF. Já a descrição dos fatos e fundamentação legal limitaramse ao seguinte: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.721268/201743 Acórdão n.º 1401003.284 S1C4T1 Fl. 296 13 Vejam que na descrição dos fatos a Autoridade Lançadora informa apenas que a falta do pagamento do IRPJ ou da CSLL sobre a base de cálculo estimada mensal enseja a aplicação de multa, exigida isoladamente, correspondente a 50% (cinquenta por cento) sobre o valor que deixou de ser pago. Já o enquadramento legal informado é o seguinte: Art. 2º, Art. 28 e Art. 44, Inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Abaixo reproduzo os citados dispositivos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) [...] Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...] Vejam que a descrição dos fatos e os fundamentos legais aplicáveis resumiramse à exigência da multa cobrada isoladamente sobre as estimativas consideradas como não pagas, declaradas em DCTF. Ora, diante da motivação constante do Auto de Infração, compreendese o porquê de a defesa, quando da impugnação, ter se limitado, no mérito, a argumentar que os valores exigidos seriam indevidos, haja vista que as respectivas estimativas teriam sido objeto de pagamento por compensação via PER/DCOMP. Fl. 302DF CARF MF 14 A Contribuinte não poderia (ou deveria) imaginar que o motivo subjacente à apontada falta de pagamento das estimativas residiria em compensação efetuada anteriormente e considerada como não homologada ou não declarada. Mesmo porque, conforme bem pontuou, ao seu sentir, as referidas estimativas haviam sido quitadas através da DCOMP nº 26156.32156.080517.1.3.093286, cuja situação, conforme atestou a própria DRJ, era de "análise suspensa". Portanto, creio que há, em verdade, um sério vício no auto de infração; esse vício impediu a Contribuinte de se defender de forma hábil e suficiente, dificultandolhe as ações no sentido de esclarecer os fatos, enfim, cerceando seu direito de defesa. Mas não é só. A decisão da DRJ/FNS também padece de vício insanável, haja vista que, ao trazer à lume a questão das compensações anteriormente intentadas pela Contribuinte e consideradas não homologadas/não declaradas, para explicar o porque do lançamento, inovou ao tentar justificálo; como vimos, o auto de infração deixou de descrever os fatos em sua plenitude, impossibilitando a defesa eficaz da Recorrente. Tal constatação é evidente no esforço empreendido pela Autoridade Julgadora a quo ao colacionar diversas telas dos sistemas DCTF e PER/DCOMP para demonstrar e detalhar as compensações efetuadas anteriormente pela Contribuinte, os resultados de tais declarações, e concluindo que, de acordo com o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1300, de 2012, em seus arts. 41 e 46, que não pode ser objeto de compensação mediante entrega de DCOMP o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Esse esforço todo levado a cabo pela DRJ/FNS deveria ter sido feito pela própria Autoridade Lançadora, entretanto, como bem vimos, o auto de infração é lacônico ao extremo. Também cumpre notar que, além de esclarecer o porquê do lançamento, a Autoridade Julgadora embasou seu raciocínio em norma tributária até então estranha aos autos (IN RFB nº 1.300/2012). Portanto, também sob essa ótica, a decisão recorrida deveria ser objeto de anulação. Assim, entre a nulidade do auto de infração e a nulidade da decisão recorrida, creio não haver dúvidas de que a primeira deve prevalecer, pois é justamente por sua causa que a segunda teria ocorrido. Portanto, eram essas as minhas razões para propor a declaração de nulidade do auto de infração, na medida em que constatada a deficiência na motivação da autuação, violando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e redundando no cerceamento do direito de defesa da Recorrente, causa de nulidade, à luz do art. 59 do mesmo Decreto. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000801/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 16/10/2009
OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP - IMPORTAÇÃO.
O produto cloridrato de sibutramina monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto n. 6.426, de 07 de abril de 2008, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins-Importação e Pis/Pasep - Importação.
Numero da decisão: 3302-006.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que lhe dava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 16/10/2009 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP - IMPORTAÇÃO. O produto cloridrato de sibutramina monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto n. 6.426, de 07 de abril de 2008, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins-Importação e Pis/Pasep - Importação.
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INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto cloridrato de sibutramina monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto n. 6.426, de 07 de abril de 2008, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/Pasep Importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que lhe dava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 01 /2 00 9- 18 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10111.000801/200918 Acórdão n.º 3302006.552 S3C3T2 Fl. 272 2 Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3302005.262, sob os pressupostos regimentais de omissão e erro material. O Colegiado, por maioria de votos, não conheceu do recurso voluntário, sendo que a Relatora lhe negou provimento, nos termos da ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72." Segundo a embargante, existe omissão e erro material no julgado pelo fato de o Colegiado não ter levado em conta, para se apurar a tempestividade, a data de postagem dos embargos, nos Correios, e sim a data de sua entrada na Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília que, inclusive, atestou a tempestividade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Examinando atentamente os autos, verificase que assiste razão à embargante. O recurso voluntário interposto às efls. 104 e ss contém o documento de postagem às efl. 122, no qual consta a data de postagem de 25/03/2013, devendo esta ser considerada o termo final para contagem do prazo de trinta dias para interposição da peça recursal (ADN Cosit nº 19/1997 e SCI nº 4/2016), o que foi, inclusive, atestado pela autoridade administrativa na e.fl. 124. Tendo o acórdão de primeira instância sido cientificado em 21/02/2013 e o recurso voluntário postado em 25/03/2013, constatase a tempestividade da peça recursal. Neste cenário, acolho os presentes embargos de declaração, com efeitos infringentes, para superar a intempestividade e passar à análise das razões recursais. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10111.000801/200918 Acórdão n.º 3302006.552 S3C3T2 Fl. 273 3 A respeito das questões suscitadas pela Recorrente em sua peça recursal, insta tecer que a antiga relatora já havia proferido voto negando provimento ao presente recurso, sendo que naquela oportunidade a Turma Julgadora entendeu por bem não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Já nos autos do processo nº 10111.000045/200927, a antiga composição desta Turma que contou com a participação deste relator, analisou questão fática idêntica ao do presente processo e, decidiu por negar provimento ao recurso. Assim, por concordar com as razões da antiga relatora, adoto seu voto como causa de decidir, a saber: 1. PRELIMINARES. SOBRE A PROVA EMPRESTADA DO MPF 0817700.2009.001503. SOBRE A NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS PERICIAL. LAUDO TÉCNICO. A recorrente requer que as provas o obtidas durante o procedimento de fiscalização inaugurado pelo MPF n.0817700.2009.001503 sejam utilizadas por esteConselho, já que naquela investigação concluiuse que o Anexo I do Decreto n. 5.821/2006 "especifica os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA e AZITROMICINA sem determinar as suas espécies" e que tais "produtos estão especificados como gênero (nome genérico das substâncias farmacêuticas) que comporta as espécies anidra, monohidratada e dihidratada (derivados)" (fl. 115). Porém não compete a este Conselho examinar novas provas, que ainda não tenham sido objeto de análise pela instância de origem, sob pena de supressão de instância. Ademais, esse pedido é verdadeira inovação recursal, já que não foi apresentado em nenhuma outra oportunidade processual. A recorrente discorre sobre a necessidade de produção de perícia para que se apure qual a correta descrição, definição, utilidade e registro no CAS do Cloridrato de Sibutramina, do Cloridrato de Sibutramina Anidra e Cloridrato de Sibutramina Monoidratado. Porém, em sua impugnação, a contribuinte reclama pela produção de laudo técnico mas deixa de observar os requisitos previstos no inciso IV d o art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, já que deixou de informar o "nome, endereço e qualificação profissional do seu perito". Por esse motivo, acertadamente, a instância de origem não acolheu o pedido formulado. Não compete a este Colegiado apreciar o pedido de produção de provas contida no apelo voluntário, porque resultaria em evidente supressão de instância. Por esses motivos, rejeito as preliminares apresentadas. 2. MÉRITO. No mérito, o recorrente repisa todos os argumentos já apresentados e julgados em sede de impugnação. São eles: Sobre o CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA: * descrição de sua estrutura molecular; * descrição da finalidade desse produto; Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10111.000801/200918 Acórdão n.º 3302006.552 S3C3T2 Fl. 274 4 * que o legislador, ao referirse ao Cloridrato de Sibutramina constante no item 719 da lista do Anexo I constante do Decreto n. 6.426/2006, "contemplou todas as espécies do gênero, ou, contemplou: a) todas as espécies do gênero CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA ou então; b) contemplou espécie CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA, mesmo sem especificar o CAS" (fl. 110); * que ao listar o produto no item 338 do Anexo I, apenas como CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA, deve ser interpretado como CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOHIDRATADO Sobre o artigo 110 do CTN e aplicabilidade da redução das alíquotas das contribuições incidentes na importação previstas nos Decretos n. 5.127/2004 e 5.821/2006; Sobre a ausência dos requisitos de dolo, fraude e simulação; Da necessidade de relevação da penalidade imposta, já que a importação foi feita dentro dos limites da lei vigente. Sobre a necessidade da conversão do julgamento em diligência, com a execução da perícia técnica, para que seja possível o exercício do direito de defesa. No entanto, a recorrente não apresentou argumentos capazes de infirmar o raciocínio e a conclusão a que chegou o colegiado na origem, ao julgar a impugnação. Por esse motivo, e por que reconheço que não merece reparos a lógica perfilhada no acórdão recorrido, valhome de alguns dos seus excertos para manter in totum a decisão combatida: "O Brasil dispõe de lista de Denominações Comuns Brasileiras (DCB), nomenclatura oficial em língua portuguesa de fármacos ou princípios ativos, periodicamente atualizadas. Apresenta cerca de 9.370 denominações genéricas, estes nomes são de propriedade pública e proporcionam informações únicas, simples e concisas para os profissionais de saúde e o público em geral. Devido a essa importância, as DCBs são utilizadas em registros de medicamentos, licitações, manipulação de medicamentos, rastreamento de insumos, prescrição médica, legislação e qualquer forma de trabalho ou pesquisa científica, entre outros. Destacase que a Subcomissão de Denominações Comuns Brasileiras (SDCB), da Comissão Permanente para Revisão da Farmacopéia Brasileira (CPRFB) é responsável por incluir, corrigir e excluir os produtos e trabalha de forma permanente para manter a lista DCB sempre atualizada. Considerous ecomo ponto de partida na análise do processo, que os produtos indicados no anexo I do Decreto devem estar na lista da DCB, por ela representar a nomenclatura oficial dos fármacos ou princípios ativos brasileiros. Analisando o caso da 'família' da cefalexina, constatase que apesar de estarem desde a primeira lista da DCB, dos 6 (seis) produtos do principio ativo apenas 3 (três) estão no anexo I do Decreto n° 6.426/2008, a cefalexina, cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina. Concluise que o legislador não concedeu a redução para a cefalexina sódica e o lisinato de cefalexina. A mesma situação é verificada para a azitromicina. Na lista da DCB 2003 já constavam a azitromicina e a azitromicina diidratada, porem, no anexo I do referido decreto, só está a azitromicia, CAS 58503825. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10111.000801/200918 Acórdão n.º 3302006.552 S3C3T2 Fl. 275 5 Outros exemplos, são o do cefaclor e do cloridrato de sibutramina. Podese afirmar que, ao longo dos anos, as 'famílias cresceram'. O cefaclor monoidratado e o cloridrato de sibutramina monoidratado foram incluídos na lista da DCB 2004, pela resolução RDC n 281, de 22 de setembro de 2005. Entretanto, apesar fazerem parte da DCB 2005 e DCB 2007, esses produtos não foram contemplados pelo Decreto n° 5.821/2006 e nem pelo Decreto. n° 6.426/2008. No anexo I dos decretos, com direito a redução de alíquota temse apenas o cefaclor e cloridrato de sibutramina. A empresa argüi, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 808, de 11 de janeiro de 2008, apresenta no seu Art. 1º: Art. 1 ° Fica instituída a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE, que tem por finalidade identificar a mercadoria submetida a despacho aduaneiro de importação, para efeito de valoração aduaneira, e aprimorar os dados estatísticos de comércio exterior.(grifo nosso) Art. 2° A NVE tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM acrescida de atributos e suas especificações, identificados, respectivamente, por dois caracteres alfabéticos e quatro numéricos. Parágrafo único. Para os fins do disposto neste artigo, entendese por: atributos, as características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria, relevantes para a formação de seu preço; e especificações, o detalhamento de cada atributo, que individualiza a mercadoria importada O produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29211999 Outros Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CAS/DCB 000503015/Isometepteno 125494599/ Cloridrato de sibutramina 106650560/Sibutramina Observase que dentro da NVE foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0002 foi consignado o CAS n° 125494599, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação Cloridrato de sibutramina. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS n° 125494599 ao Cloridrato de sibutramina monoidratado. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10111.000801/200918 Acórdão n.º 3302006.552 S3C3T2 Fl. 276 6 Não existe dúvida sobre o fato do produto importado ser o Cloridrato de sibutramina monoidratado, classificado na NCM no último desdobramento possível, portanto a nível de subitem, com o código 2921.19.99. Acreditase que a solução da lide não depende de nenhuma análise técnica ou química, de classificação fiscal ou de NVE do produto importado. Tratase de uma questão de interpretação da norma. Como no exercício de competência tributária, a regra é a tributação, logo as exceções são a isenção e a redução de suas alíquotas a zero dos tributos. Seguindo essa lógica, conforme estabelece o Código Tributário Nacional no seu art. 111, devem ser interpretadas literalmente. Portanto, o entendimento deve ser restritivo sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto n° 6.426/2008, não podendo ser ampliada pelo aplicador da lei. CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O legislador listou exaustivamente no Anexo I do referido decreto os 2.032 produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas e que são classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, independente das questões de gênero e de espécie, de ser anidro ou hidratado. O Cloridrato de sibutramina monoidratado, objeto da lide, apesar de ser princípio ativo utilizado na fabricação de medicamentos, de ser classificado no capitulo 29 da NCM e de estar na lista da DCB 2007, não está no anexo I do citado decreto, portanto não tem direito a redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação. Desta forma, acompanho o entendimento da fiscalização". Diante do exposto, voto em acolher os embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário; rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905674/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.789
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 56 74 /2 00 9- 22 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10865.905674/200922 Acórdão n.º 3201004.789 S3C2T1 Fl. 3 2 Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Preliminarmente, a nulidade da notificação do Despacho Decisório, por não se ter observado o disposto nos artigos 214 e 215 do Código de Processo Civil, e a correspondência não ter sido entregue diretamente ao seu representante legal e seu sócio gerente; • Para efetuar sua compensação, valeuse do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. A partir de 2003, a legislação da Receita Federal passou a obrigar que a compensação fosse efetuada por meio eletrônico. Tal exigência é descabida a luz das disposições da referida Lei, e consiste em verdadeiro óbice no aproveitamento do crédito tributário pelo contribuinte, na medida em que não consegue peticionar/esclarecer na declaração eletrônica a origem de seu crédito (declaração expressa de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal), e nem como exercer o direito de petição; • Tem direito a créditos de PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445 e 2.449, de 1988, quando se restaurou a sistemática da Lei Complementar nº 7, de 1970, e do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, que estabelecia a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995; • Conforme entendimento da doutrina, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente é de dez anos contados do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Nesse contexto, efetuou o pedido de restituição do PIS dentro do prazo prescricional. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14043.338. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.905674/200922 Acórdão n.º 3201004.789 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.788, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.905673/200988, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.788): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência da inconstitucionalidade da exigência do PIS com base nos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, requerendo a restituição dos valores recolhidos a maior, sem, contudo, efetuar a devida retificação das declarações de débitos transmitidas com equívocos. Aduz, ainda, que o sistema de transmissão de Pedidos de Restituição da Receita Federal do Brasil não permitia informar a origem dos créditos pleiteados (Declaração de Inconstitucionalidade pelo STF), o que levou ao despacho decisório eletrônico por insuficiência das informações, prestadas, então, em sede de Manifestação de Inconformidade. Assim, insiste, em sede recursal, que certeza e liquidez do crédito postulado decorre exclusivamente da diferença entre os valores recolhidos com base nos referidos Decretos, inconstitucionais, descrevendo minuciosamente o direito debatido quanto à tal inconstitucionalidade. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega que houve a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretos Leis nº 2.445/88 e 2.449/88. Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905674/200922 Acórdão n.º 3201004.789 S3C2T1 Fl. 5 4 fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, fazendo referência exclusivamente aos DARFs que comprovariam o recolhimento, sem, contudo, apresentar qualquer documentação contábil da empresa. Sem tal prova, resta inviável se averiguar a própria certeza e, principalmente, liquidez do crédito pretendido. Afinal, como poderia a Fiscalização, apenas de posse dos DARFs, averiguar qual a base de cálculo considerada pelo contribuinte no cálculo do tributo devido? Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Acerca das alegações quanto ao prazo de restituição do tributo considerado indevido, como consignou o acórdão recorrido, não existe interesse de agir por parte da Recorrente, uma vez que não se verifica qualquer negativa de crédito fundada em eventual prescrição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000340/2008-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.8245, relativa às Contribuições Previdenciárias devidas a Terceiros (Sesc, Senac e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 40 /2 00 8- 54 Fl. 1725DF CARF MF 2 Sebrae), no período de 01/2001 a 05/2005, incidentes sobre remuneração paga aos segurados empregados sob a forma de salário indireto, mediante reembolso de despesas com viagens e estadas em benefício dos trabalhadores, registradas nas contas contábeis "4.7.5.21" e "5.7.5.21", para as quais a empresa, intimada, deixou de comprovar a natureza de ressarcimento. Em sessão plenária de 07/12/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401005.189 (efls. 1.677 a 1.688), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. (i) Por meio de decisão judicial com trânsito em julgado foi reconhecido como válido o domicílio eleito pela empresa, refutandose a hipótese defendida pelo Fisco que a escolha tinha como propósito impossibilitar ou dificultar a realização de procedimento fiscal. (ii) A conduta do agente tributário em exigir a apresentação dos documentos fiscais e contábeis em estabelecimento da empresa localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador, no qual a pessoa jurídica mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, configura, avaliado o caso concreto, evidente prejuízo ao autuado. (iii) Impõese a declaração de nulidade do ato administrativo quando houver prejuízo efetivo ao sujeito passivo. No caso dos autos, é nulo, por vício material, o lançamento fiscal com fundamento no arbitramento pela falta de apresentação de documentação, cuja mácula atinge a própria motivação do ato administrativo.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material." O processo foi encaminhado à PGFN em 15/01/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.689) e, em 05/02/2018, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.690 a 1.700 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.701), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir os seguintes pontos: nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; e natureza do vício, se formal ou material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à segunda matéria, conforme despacho de 09/05/2018 (efls. 1.704 a 1.713). Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 12267.000340/200854 Acórdão n.º 9202007.657 CSRFT2 Fl. 1.725 3 o lançamento somente é anulado por vício formal quando não obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos; por sua vez, os atos com vício de forma podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, afastandose a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarandose a ocorrência de vício formal. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.8245, relativa às Contribuições Previdenciárias devidas a Terceiros (Sesc, Senac e Sebrae), no período de 01/2001 a 05/2005, incidentes sobre remuneração paga aos segurados empregados sob a forma de salário indireto, mediante reembolso de despesas com viagens e estadas em benefício dos trabalhadores, registradas nas contas contábeis "4.7.5.21" e "5.7.5.21", para as quais a empresa, intimada, deixou de comprovar a natureza de ressarcimento. A autuação foi levada a cabo por meio de arbitramento. Conforme o Colegiado recorrido, o lançamento estaria eivado de nulidade por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que o vício seria de natureza formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. Fl. 1727DF CARF MF 4 No caso do acórdão recorrido, a ação fiscal foi desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte, o que teria dificultado a apresentação de documentos. A ausência da documentação necessária, por sua vez, acarretou autuação por arbitramento, o que teria causado prejuízo ao sujeito passivo. Ademais, posteriormente à autuação, o domicílio fiscal eleito pela Contribuinte foi referendado por decisão judicial. Nesse contexto, no acórdão recorrido considerouse que ocorreu nulidade por vício material. Confirase: Acórdão recorrido Ementa "ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. LOCALIDADE DIVERSA DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. (i) Por meio de decisão judicial com trânsito em julgado foi reconhecido como válido o domicílio eleito pela empresa, refutandose a hipótese defendida pelo Fisco que a escolha tinha como propósito impossibilitar ou dificultar a realização de procedimento fiscal. (ii) A conduta do agente tributário em exigir a apresentação dos documentos fiscais e contábeis em estabelecimento da empresa localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador, no qual a pessoa jurídica mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, configura, avaliado o caso concreto, evidente prejuízo ao autuado. (iii) Impõese a declaração de nulidade do ato administrativo quando houver prejuízo efetivo ao sujeito passivo. No caso dos autos, é nulo, por vício material, o lançamento fiscal com fundamento no arbitramento pela falta de apresentação de documentação, cuja mácula atinge a própria motivação do ato administrativo." (grifei) Voto "24. A postura do agente fiscal em exigir a apresentação dos documentos em estabelecimento, ainda que da mesma empresa, localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador, no qual mantinha a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, configura, após a avaliação do caso concreto, evidente prejuízo ao autuado. 24.1 De fato, a conduta fiscal não implicou tão somente desrespeito às normas atinentes à realização de procedimento fiscal, concentradas que são, via de regra, no estabelecimento centralizador da empresa. 24.2 O procedimento fiscal dificultou, ou mesmo impediu, a apresentação dos documentos solicitados com vistas a prevalecer o caráter não remuneratório dos reembolsos de despesas aos segurados empregados, considerandose o volume da documentação envolvida e a complexidade/custo da sua movimentação para a localidade diversa do estabelecimento centralizador do contribuinte, na cidade do Rio de Janeiro, conforme demandado pela fiscalização. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 12267.000340/200854 Acórdão n.º 9202007.657 CSRFT2 Fl. 1.726 5 25. Não é qualquer vício que impõe a invalidade do ato administrativo, porquanto a declaração de nulidade pressupõe a comprovação e/ou demonstração do prejuízo efetivo ao sujeito passivo. No caso dos autos, o desenvolvimento da ação fiscal em estabelecimento distinto do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, reconhecido como eficaz pelo Poder Judiciário, compromete a licitude da fundamentação da infração fiscal. 26. O defeito do lançamento referese ao conteúdo do ato e, desse modo, está calcado em vício material. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, na sua origem, revela vício intrínseco, que fulmina o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, de modo que a validade do lançamento somente seria possível por meio da edição de um novo ato administrativo com conteúdo alterado (motivação). 27. Cuidase, no caso sob exame, de ato inconvalidável, ainda que possível a sua reedição, em princípio, a partir de nova descrição dos fatos com vistas à demonstração da plausibilidade da constituição do crédito tributário, desde que não escoado o prazo para o novo lançamento fiscal. 28. Por essa razão, é mister tornar nulo o lançamento fiscal, afastando a exigência fazendária, por vício material. 29. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa do recurso voluntário contra a pretensão fiscal e decisão de piso, por absoluta desnecessidade para o deslinde do presente julgamento." (grifei) Visando demonstrar a alegada divergência em relação à questão da natureza do vício, se formal ou material, a Fazenda Nacional indicou como paradigma os Acórdãos nºs 3403001.705 e 2402005.902. Relativamente ao primeiro paradigma Acórdão nº 3403001.705 a Fazenda Nacional limitouse a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver lodos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento. Recurso Provido." (destaques da Recorrente) Fl. 1729DF CARF MF 6 A ementa acima não permite que se saiba qualquer detalhe acerca do vício apontado. Compulsandose o inteiro teor desse paradigma, constatase que a situação nele tratada em nada se assemelha à do recorrido. Confirase: "Impõe em primeiro plano examinar de ofício a motivação contida no auto de infração. Pareceme a prima face tratarse razões incongruentes com se vê do anexo III. Uma delas se refere à desvinculação do pagamento, sem, contudo, informar se ocorreu a pedido do contribuinte ou de ofício. Está análise se torna de suma importância para saber se a declaração de inexata e a falta de recolhimento foram causadas pelo contribuinte ou decorre da desvinculação do débito. Entretanto, inexiste elementos nos autos que possa esclarecer esta situação. A outra está assentada quanto à existência ou não do pagamento como resta evidente ao ler afirmação do anexo III – “Comp. C/pagto parcialmente utilizado e na linha inferior” “ Pgto não localizado”. Como se vê há dois fatos não idênticos e antagônicos. São adversos porque o primeiro fato informa que parte foi utilizada de modo parcial e o segundo afirma de que não houve pagamento localizado. Assim, pareceme que tratam de dois motivos mutuamente excludentes, e, sendo assim, macula o lançamento e torna o crédito tributário duvidoso. Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento." (grifei) Destarte, constatase que o vício que maculara o lançamento, no caso do paradigma, foi a falha na descrição do fato gerador. Com efeito, tal situação em nada se assemelha àquela tratada no acórdão recorrido. Nestas circunstâncias, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem sequer ser comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Registrese que este mesmo paradigma Acórdão nº 3403001.705 já foi rechaçado em face de processos com a mesma problemática e mesmo sujeito passivo do processo ora em julgamento, por meio dos Acórdãos nºs 9202006.963, (processo nº 12045.000427/200755), 9202006.964 (processo nº 12045.000509/200708) e 9202006.968 (processo nº 12045.000459/200751), todos de 20/06/2018. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 2402005.902 este foi proferido no processo nº 10680.720574/201372, também em julgamento nesta sessão, que corresponde ao lançamento substitutivo do crédito tributário exigido por meio do processos nº 35301.000829/200787, em face do mesmo sujeito passivo, em uma das inúmeras autuações efetuadas. Nesse paradigma, embora se trate do lançamento substitutivo, o voto gira em torno do lançamento substituído, exatamente no que tange à natureza do vício que o teria inquinado, já que isso não ficara expresso nos acórdãos do CARF que declararam a nulidade. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 12267.000340/200854 Acórdão n.º 9202007.657 CSRFT2 Fl. 1.727 7 Nesse passo, a leitura do voto do paradigma não deixa dúvidas, no sentido de que a motivação que levou o acórdão recorrido a classificar o vício como material arbitramento por falta de apresentação de documentos por parte da Contribuinte, o que lhe causou prejuízo não ocorreu. Confirase o paradigma: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO. NATUREZA DO VÍCIO. PRELIMINAR QUE FOI ACOLHIDA. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO DE MÉRITO. VÍCIO FORMAL. AFERIÇÃO DIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ELEMENTO QUANTITATIVO EXTRAÍDO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. No lançamento substituído, o acolhimento da preliminar tornou desnecessário qualquer julgamento de mérito e qualquer análise relacionada às circunstâncias materiais da regramatriz de incidência tributária, tendo havido anulação por vício formal. 2. A autoridade autuante partiu das bases de cálculo informadas pelo próprio sujeito passivo em suas folhas de pagamento, não tendo havido qualquer arbitramento/aferição indireta. (...)" Voto 2 Da natureza do vício, da aferição da base de cálculo, do dever de guarda dos documentos e da fundamentação Como já relatado, o presente lançamento é substituto daquele realizado no bojo do Processo Administrativo Fiscal PAF em apenso, autos nº 35301.000829/200787, anulado por falta de observância do domicílio eleito pelo contribuinte. Naquele PAF, acolheuse a preliminar suscitada e, sem examinar o mérito, nem mesmo tangencialmente, anulouse o auto de infração/lançamento (vide PAF 35301.000829/200787, fls. 1507/1518 e fls. 1605 e seguintes). A Turma Ordinária e a Câmara Superior deste Conselho, contudo, não afirmaram qual a natureza do vício que teria ensejado a anulação do lançamento (formal ou material). Pois bem. Conforme se depreende das decisões constantes daquele PAF, o órgão de julgamento, justamente por ter acolhido a preliminar relativa ao domicílio tributário escolhido pela autoridade fiscal, Fl. 1731DF CARF MF 8 não analisou, nem mesmo superficialmente, o fato gerador da obrigação correspondente, a matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, o sujeito passivo, a penalidade aplicável, entre outras circunstâncias atinentes ao fato jurídico tributário. Isto é, o acolhimento da circunstância antecedente ao mérito tornou desnecessário qualquer julgamento a seu respeito e qualquer análise relacionada às circunstâncias materiais da regramatriz de incidência tributária. (...) Vício formal, como sabido, é mácula inerente ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito, ao passo que vício material é aquele relativo à validade e à incidência da lei. (...) Neste caso concreto, como a decisão que anulou o lançamento substituído não julgou qualquer circunstância material da regramatriz de incidência tributária (ou os elementos do fato gerador), não se pode afirmar que ela tenha declarado e/ou decretado a existência de vício material. O acolhimento da preliminar naquele PAF implica a anulação do lançamento por vício formal. (...) E que não se afirme que estão sendo reapreciados fatos já julgados, já que este Conselho, ao anular o lançamento substituído, não se pronunciou quanto à natureza do vício. A par disso, as decisões eventualmente proferidas em outros processos administrativos, ainda que relativas ao mesmo contribuinte, não fazem coisa julgada neste processo, que tem períodos de apurações e fatos próprios. (...) Outrossim, e como bem decidido pela DRJ, não houve qualquer aferição indireta neste caso específico, pois a autoridade fiscal se baseou nas remunerações extraídas das folhas de pagamento. A Lei 8212/91, em seu art. 33, e o Decreto 3048/99, em seus arts. 233, 234 e 235, prevêem o lançamento por aferição indireta nas hipóteses em que especificam (recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; falta de prova regular e formalizada, do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; contabilidade que não registra o movimento real da remuneração dos segurados a serviço da empresa, da receita ou do faturamento e do lucro), mas no presente caso a autoridade autuante partiu das bases de cálculo informadas pelo próprio sujeito passivo em suas folhas de pagamento, não havendo qualquer arbitramento." (grifei) Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 12267.000340/200854 Acórdão n.º 9202007.657 CSRFT2 Fl. 1.728 9 Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando a principal contingência que levou o Colegiado recorrido a declarar a nulidade por vício material, não estava presente no acórdão paradigma, de sorte que esse segundo julgado também não se presta a demonstrar o alegado dissídio interpretativo. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1733DF CARF MF
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