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Numero do processo: 14489.000107/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/10/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003.
PROCEDÊNCIA.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO.
A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.835
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, conceder provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a gradação da penalidade aplicável. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 conhecida, conceder provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A gradação da multa deve ser recalculada. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a dezembro/2005. Data da lavratura do Auto de Infração: 17/10/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 17/10/2007.. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no Art. 4º, §1º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de este ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22 e discriminativo a fl. 24. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.195,13 (mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 142, de 11 de abril de 2007, multiplicado por 48 vezes em razão de reincidências especificas e genéricas sucessivas, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 23. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 36/38. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 73 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 47/54, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de setembro de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 60. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 62/64, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a fiscalização não examinou a documentação da empresa, fato que representaria cerceamento de defesa; • Que dois Autos de Infração considerados no agravamento da multa teriam ocorrido em período anterior a cinco anos da data de lavratura da presente autuação; • Que houve equívoco no cálculo da multa. Ao fim requer a declaração de nulidade do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/09/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 24 de outubro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que dois Autos de Infração considerados no agravamento da multa teriam ocorrido em período anterior a cinco anos da data de lavratura da presente autuação. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 74 5 Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Cumpre frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão guerreada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do plenário do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente que a empresa foi notificada através do TIAD no dia 09/10/2007, para apresentação dos documentos em 17/10/2007, e conforme preceitua o art. 66 da Lei n° 9784/99, a contagem do prazo iniciase a partir da data da cientificação oficial, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia de vencimento, ou seja, o dia 17/10 estava dentro do prazo determinado pela notificação. Aduz que, nesta data (17/10/2007), o auditor fiscal, “sem qualquer exame da documentação posta a sua disposição, apresenta, assim que chega à empresa, para nossa surpresa, o TEAFTermo de Encerramento da Ação Fiscal juntamente com a autuação acima citada”. Alega que “a irregularidade acima apontada constitui evidente cerceamento da defesa, com fundamento no art. 5°, inciso LV, da Constituição, requerendo, assim, a notificada, seja declarada a nulidade da autuação em causa”. Os argumentos da empresa beiram ao escárnio. Colhemos da provas dos autos que, no dia 14/08/2007, foi a empresa intimada, mediante Termo de Início de Ação Fiscal a fl. 06, a apresentar, a contar do dia 20/08/2007, dentre outros tantos documentos, Comprovantes de recolhimento: GPS, Resumos das Folhas de Pagamento, Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos), GFIP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações, Recibos de aviso prévio e de férias, Recibos e fichas de salário maternidade e atestados médicos, Registro de empregados, Livro ou Fichas Registro de ponto, Relação Anual de Informações Sociais RAIS em arquivos digitais, Rescisões de contrato de trabalho, Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, etc. Mais adiante, em 13 de setembro de 2007, foi novamente a empresa intimada, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 11/12, a apresentar, a partir de 19/09/2007, Rescisões de contrato de trabalho, Recibos de Pagamento a trabalhados autônomos RPA (contribuintes individuais), Cópias da Rescisões de Contrato de Trabalho dos funcionários demitidos que não constam nas GFIP, cópias xerox das reclamatórias trabalhistas desses funcionários, Relação nominal dos funcionários ativos e demitidos que não Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 75 7 foram declarados em GFIP, informando o salário de contribuição e o desconto para previdência desses funcionários, além de outros documentos. Uma vez mais, em 20/09/2007, foi a empresa intimada, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos a fls. 13/14, a apresentar, a partir do dia 27 desses mesmos mês e ano, Xerox dos Recibos de Pagamento a Trabalhador Autônomo RPA (contribuintes individuais) dos seguintes prestadores de serviços: Marcos Braiso Moutinho, Alex Sotero, Marion Portugal, Milton, Fabiele, Osmir Aparecido Zanette, José de Paula e Sérgio Correia da Silva, Cópias xerox das Rescisões de Contrato de Trabalhado dos funcionários demitidos que não foram informados em GFIP, e as copias xerox das reclamatórias trabalhistas desses funcionários, bem como planilha excel em meio papel e em meio magnético, informando o salário de contribuição e o desconto para previdência social, dentre outros documentos. Apurouse, também, que no dia 09/10/2007, foi a empresa novamente intimada a apresentar uma série de outros documentos. Da análise de tais documentos constatou o auditor fiscal que a empresa não houvera arrecadado, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais e, consequentemente, nem recolhera aos cofres da Seguridade Social os valores que deveriam ter sido descontados dos segurados em realce. O presente lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Autuado. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA GRADAÇÃO DA MULTA Visando a constranger o contribuinte a cumprir os deveres tributários adjetivos na Lei de Custeio da Seguridade Social, o seu art. 92 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não houver penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme dispuser o seu regulamento. No âmbito da competência que lhe foi outorgada pela lei, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 estatuiu como circunstância agravante da Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 infração, a reincidência genérica ou específica, da qual depende a gradação do valor da penalidade pecuniária a ser infligida ao infrator, sendo que esta eleva a multa em três vezes a cada reincidência, enquanto que a ocorrência daquela importa na elevação de duas vezes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007) Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Frizese por relevante, eis que o Recorrente parece não ter compreendido, o prazo de cinco anos contase da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior, e não da data de sua lavratura, como assim deu a entender a empresa autuada. No caso presente, com relação ao presente Auto de Infração, lavrado em 17/10/2007, fiscalização constatou a existência de reincidências específicas e genéricas em relação aos Autos de Infração listados abaixo: I Auto de Infração número 35.102.3372 Fundamento Legal 30 lavrado em 16/10/01 situação: baixado pela D.N nº 17.002/072/2002, de 16/07/02 – liquidado. II Auto de Infração número 35.492.5920 Fundamento Legal 38 lavrado em 30/08/02, com D.N. de procedência em 28/07/03 situação: CADIN ATIVA em 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5263320. III Auto de Infração número 35.553.2484 Fundamento legal 68 lavrado em 24/05/04, com D. N. de procedência em 18/08/04 situação: CADIN ATIVA em 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5263320. , IV – Auto de Infração número 35.553.5807 Fundamento Legal 30 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 76 9 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA em13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.52502800. V Auto de Infração número 35.553.5793 Fundamento Legal 38 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5200688. VI Auto de Infração número 35.739.6022 Fundamento Legal 59 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5250280. VII Auto de Infração número 35.739.6030 Fundamento Legal 93 lavrado em 29/09/04, com D. N. de procedência em 16/12/04 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2005.51.01.5250280. VIII Auto de Infração número 35.553.7591 Fundamento Legal 38 lavrado em 14/12/04, com D. N. de procedência em 11/07/05 Situação: CADIN ATIVA EM 13/04/05 Ação Judicial nº 2006.51.01.5286411. De plano, urge ser excluído da agravante consubstanciada na reincidência o Auto de Infração nº 35.102.3372 – CFL 30 lavrado em 16/10/01, eis que a baixa pela D.N nº 17.002/072/2002 deuse em 16/07/02, fora do período de cinco anos previsto na legislação. Nesse cenário, em relação à fiscalização encerrada em 30/08/02, verificouse a existência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.492.5920), fato que importa na elevação da multa em 2 vezes. No que tange à ação fiscal encerrada em 24/05/04, foi apurada a ocorrência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.553.2484), ensejadora da elevação da multa em 2 vezes. Considerandose a Fiscalização com término datado de 29/09/04, fiscalização constatou a existência de reincidência específica com relação ao Auto de Infração nº 35.739.6022, a qual implicaria a elevação da multa em 3 vezes o valor mínimo Por derradeiro, naquilo que concerne à ação fiscal encerrada em 14/12/04, foi apurada a ocorrência de reincidência genérica (Auto de Infração nº 35.553.7591), ensejadora da elevação da multa em 2 vezes. O procedimento de quantificação da penalidade pecuniária a ser aplicada ao infrator é segmentado e subdividido em etapas estanques, em conformidade com o art. 292 do RPS. Em primeiro plano, o valor básico da multa deve ser fixado de acordo com a cifra prevista no Regulamento da Previdência Social, reajustado nos termos legais, in casu, R$ Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 1.195,13, conforme art. 283, I, ‘g’ do RPS. Fixado o valor básico, sobre este incidirão as agravantes regulamentares previstas nos incisos II a IV do já citado art. 292 regulamentar. A operação de se elevar a penalidade em n vezes o seu valor pode ser interpretada de duas formas distintas: I) A elevação em n vezes significa acrescentar ao valor básico “X” n vezes o seu valor, de forma que o resultado final seja igual a (n + 1) X, ou seja, o X originário mais os n X decorrentes da elevação. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 4 M : M (valor básico) + 3 M (elevação). II) A elevação em n vezes significa que o valor final será igual a n vezes o valor básico “X”. Em termos práticos, o efeito da reincidência específica, que impõe a elevação da multa em 3 vezes, sobre uma multa de valor “M” implicaria no valor final de 3 M : M (valor básico) + 2 M (elevação). Tem prevalecido nas ordens da fiscalização previdenciária o entendimento pela aplicação da sistemática apontada no item II, acima indicado, de molde que, o efeito da reincidência específica manifestase na triplicação do valor da multa (M x 3) enquanto que a reincidência genérica importa na duplicação do valor básico da penalidade (M x 2). Tal interpretação decorre diretamente das disposições expressas nos artigos 107 e 112, IV do CTN, os quais estabelecem que a lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a gradação da penalidade aplicável. Código Tributário Nacional CTN Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nessa perspectiva, a pena administrativa a ser imposta ao infrator é constituída da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória, doravante designada “MULTA” acrescida da penalidade pecuniária decorrente da reincidência, doravante designada “AGRAVANTE”. Assim, o cálculo da pena administrativa a ser aplicada, nos casos de reincidência genérica, se realiza a contento pela adição, ao valor da MULTA, de um montante que lhe é idêntico a título de AGRAVANTE. De forma análoga, nos casos de reincidência específica, elevar a multa em três vezes significa aumentar o seu valor de modo a triplicálo. Aqui, o resultado desejado é obtido pela adição, ao valor da MULTA, de um Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 77 11 montante que lhe é o dobro, a título de AGRAVANTE, conforme o mecanismo indicado no mencionado item II, supra. Até aqui o caso não comporta maiores controvérsias. As divergências emergem na aplicação cumulativa de reincidências sucessivas, eis que o inciso IV do art. 292 do RPS estabelece que a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes. A forma de gradação cumulativa estabelecida no inciso IV do art. 292 do Regulamento da Previdência Social pode dar ensejo a três interpretações possíveis, a saber: a) A elevação subsequente incide sobre o produto da elevação anterior (forma adotada pela fiscalização); b) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item I supra. c) A elevação incide sobre o valor básico da multa aplicada, na forma apontada no item II, acima debatido. Pelas mesmas razões já expendidas anteriormente, a interpretação a ser emprestada à presente discórdia deve atender ao comando impresso no mencionado art. 112, IV do CTN, por ser a mais favorável ao infrator. Diante de tal panorama jurídico, sendo o valor básico da multa aquele constante no art. 283, I, ‘g’ do RPS, ou seja, R$ 1.195,13 , o efeito da reincidência específica decorrente do Auto de Infração nº 35.739.6022 importará no acréscimo de R$ 2.390,26 ao valor básico da MULTA. Da mesma forma, as reincidências genéricas decorrentes dos Autos de Infração 35.492.5920, 35.553.2484 e 35.553.7591 implicarão o acréscimo de R$ 1.195,13 cada, ao valor originário da penalidade. Nesse contexto, o valor final da Pena Administrativa será obtido pela soma das parcelas acima discriminadas: Pena Administrativa = valor básico + acréscimos decorrentes das reincidências específicas + acréscimos decorrentes das reincidências genéricas. Pena Administrativa = 1.195,13 + 2.390,26 + 3 (1.195,13) Pena Administrativa = R$ 7.170,78. Adotar o mecanismo de cálculo empregado pela fiscalização significa interpretar a norma tributária cominadora de penalidades e sua gradação de forma mais gravosa ao infrator, em verdadeira afronta aos princípios estampados no CTN, negandose, assim, vigência e eficácia à regra encartada no art. 112, IV do Código Tributário Nacional. Além disso, na aplicação da 2ª, 3ª e demais reincidências sucessivas, na forma defendida pela fiscalização, a elevação iria incidir não somente sobre o valor da MULTA mas, também, sobre a AGRAVANTE determinada pela 1ª reincidência. Mostro: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 a) Na aplicação da 1ª reincidência (genérica): Valor parcial I = 1.195,13 (multa) x 2 (agravante) = 2.390,26 Valor parcial I = 1,195,13 (multa) + 1.195,13 (agravante) = 2.390,26 b) Na aplicação da 2ª reincidência (genérica): Valor parcial II = valor parcial I x 2 = 4.780,52 Valor parcial II = [1.195,13 (multa) + 1.195,13 (agravante) ] x 2 = 4.780,52 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Valor parcial II = 1.195,13 (multa) x 2 + 1.195,13 (agravante) x 2 = 4.780,52 Valor parcial II = 2.390,26 (multa majorada) + 2.390,26 (agravante majorada) = 4.780,52 c) Na aplicação da 3ª reincidência (específica): Pena administrativa = valor parcial II x 3 = 14.341,56 Pena administrativa = [2.390,26 (multa majorada) + 2.390,26 (agravante majorada) ] x 3 = 14.341,56 Desmembrando o termo entre colchetes teremos: Pena administrativa = 2.390,26 (multa majorada) x 3 + 2.390,26 (agravante majorada) x 3 = 14.341,56 Pena administrativa = 7.170,78 (multa remajorada) + 7.170,78 (agravante remajorada) = 14.341,56 E assim por diante ... Tal remajoração das AGRAVANTES decorrentes da primeira e reincidências subsequentes, em cascata, não se encontra prevista na lei, além de contrariar, conforme evidenciado, a regra de hermenêutica destilada no art. 112, IV do CTN. Frizese, por relevante, que o valor da MULTA é aquele estabelecido no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. O excedente tem natureza jurídica de AGRAVANTE da multa. A lei prevê a elevação da MULTA em 2 ou 3 vezes a cada reincidência, mas não a majoração em cascata das AGRAVANTES decorrentes das operações anteriores. Assim, entendo que a Pena Administrativa a ser aplicada, fruto da infração cometida e das diversas reincidências sucessivas, deve ter seu valor estipulado em R$ 7.170,78 (sete mil, cento e setenta reais e setenta e oito centavos), conforme memória de cálculo acima pormenorizada. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14489.000107/200710 Acórdão n.º 230201.835 S2C3T2 Fl. 78 13 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o valor da pena administrativa ser reduzido para R$ 7.170,78 (sete mil, cento e setenta reais e setenta e oito centavos), conforme critério e memória de cálculo indicada no item 3.1 supra. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11844.000075/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO EM CONJUNTO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A declaração de rendimentos em conjunto impõe a soma dos rendimentos auferidos pelo casal, hipótese que não se configura nos autos.
Numero da decisão: 2101-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 43/44) interposto em 21 de março de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 4. 00 00 75 /2 00 8- 41 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Brasília (DF), (fls. 35/37), do qual o Recorrente teve ciência em 04 de março de 2011 (fls.42), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 18/22, lavrado em 10 de dezembro de 2007, em decorrência de omissões de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 18.131,74, sendo R$ 8.470,09 oriundo de ação trabalhista paga pela Caixa Econômica Federal e R$ 9.681,65, auferidos da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, no exercício de 2005, anocalendário 2004; e, ainda, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, sendo glosado o valor de R$ 254,10. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO Resta inalterada a notificação de lançamento quando comprovado nos autos que dela não resultou alteração do total do IRF compensado pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário em 18 de novembro de 2009 (fls. 43/44), onde argumenta que em nenhum momento houve omissão de rendimentos e sim apenas uma troca de CNPJ e, ainda, que quanto a omissão de rendimentos da dependente, esta era isenta do imposto de renda, conforme documento “Rendimentos da contribuinte Direni Dantas de Figueiredo”, carreado aos autos. Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Versam os autos sobre lançamento no qual foi constatado, em procedimento de revisão, omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2005, ano calendário 2004. Do exame das peças processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau analisaram corretamente os fatos e aplicaram o direito conforme previsto na legislação do imposto de renda. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11844.000075/200841 Acórdão n.º 2101002.170 S2C1T1 Fl. 67 3 No voluntário o Recorrente argumenta que o valor da omissão da dependente, Direni Dantas de Figueiredo (cônjuge) é relativo a rendimentos isentos de imposto de renda percebidos junto a Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, CNPJ nº 04.794.681/0001 68. Importa esclarecer que a regra geral de tributação para pessoas físicas é tributar os rendimentos em separado. No caso de contribuintes casados, opcionalmente, poderão os cônjuges apresentar declaração em conjunto, nos termos do art. 8º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que assim dispõe: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. § 2º Os bens, inclusive os gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, deverão ser relacionados na declaração de bens do cônjuge declarante. § 3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge. Como se vê, o casal pode tributar em conjunto os rendimentos recebidos por cada um e, neste caso, o cônjuge declarante poderá considerar o outro como seu dependente, o que significa que além dos rendimentos do interessado, os rendimentos do cônjuge também deverão ser adicionados aos rendimentos do declarante na DIRPF anual, conforme determinado no dispositivo legal supracitado. No caso em tela, temse que ao incluir seu cônjuge como dependente, o Recorrente manifestou sua intenção em tributar seus rendimentos e de sua esposa, em conjunto, razão pela qual os rendimentos recebidos pela Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia foram realmente omitidos na declaração entregue pelo contribuinte. Ressaltese que os rendimentos percebidos pela dependente Direni Dantas de Figueiredo são oriundos de trabalho assalariado, código 0561, sendo os mesmos tributáveis nos termos do artigo 43 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), in verbis: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; (...) Assim, caberia ao Recorrente informar na Declaração de Ajuste Anual, no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelos Dependentes, o valor percebido por Direni Dantas de Figueiredo, uma vez que os mesmos não são alcançados pelo instituto da isenção. Destarte, com as presentes considerações, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11020.902242/2011-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 22 42 /2 01 1- 89 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório FUSOPAR PARAFUSOS LTDA. apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 07697.26949.200307.1.3.04 8817, por meio do qual requereu a restituição de indébito por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de PIS, efetuado em 15/08/2005, e declarou sua compensação com débito de Cofins. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 916029546, fl. 39, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, fls. 2 a 38, por meio da qual o declarante argui a nulidade do DDE por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, ofensa ao contraditório, preterição do direito de defesa e violação do princípio do devido processo legal. No mérito, invoca o princípio da verdade material para que lhe seja facultada a juntada posterior de documentação comprobatória de suas alegações. Na continuação, contesta a multa aplicada sobre o montante dos débitos não compensados, em razão de sua natureza confiscatória e ofensiva dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem assim a utilização da taxa Selic na sua correção. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 10036.239, de 21 de dezembro de 2011, fls. 64 a 68, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 74 a 96, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a alegação de nulidade da decisão recorrida. No mérito, da mesma forma, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902242/201189 Acórdão n.º 3403002.087 S3C4T3 Fl. 101 3 repete a invocação do princípio da verdade material, para rechaçar o ônus de provar previamente seu direito ao crédito, alegando tratarse de objeto do próprio processo administrativo. Explica que, por ocasião da transmissão da declaração de compensação, o programa PER/DCOMP, versão 1.0, não permitiu a inclusão dos valores referentes à atualização do crédito, somente permitindo a informação do crédito original. Dessa forma, entende que, atualizando os valores com a SELIC acumulada no período, há crédito suficiente para a compensação dos débitos declarados no PER/DCOMP. Caso pairem dúvidas quanto ao montante de crédito declarado, requer que seja determinada a realização de diligência para correta aferição do crédito, tudo de modo a buscar a verdade material, objeto do processo administrativo. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Concluindo, pede que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à origem para novo julgamento, ou, caso não seja esse o entendimento, seja provido o presente recurso a fim de que seja considerado nulo o ato administrativo, em razão da não homologação de créditos existentes informados no PER/DComp efetuados pela ora Recorrente. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 64 a 68 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 10036.239, de 21 de dezembro de 2011. Preliminar de nulidade do despacho decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, permitindolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado, sendo despropositada a ilação colocada pelo representante legal da interessada no sentido de que foi efetivado apenas para Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 interromper a fruição do prazo para homologação tácita, muito embora seja esse um dos efeitos que operou. Mérito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902242/201189 Acórdão n.º 3403002.087 S3C4T3 Fl. 102 5 Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/DComp nº 07697.26949.200307.1.3.048817 comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902242/201189 Acórdão n.º 3403002.087 S3C4T3 Fl. 103 7 sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Especificamente quanto ao mérito da insurgência contra o caráter confiscatório da multa de 20% sobre os valores indevidamente compensados, estando a mesma cominada no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabe aos agentes da Administração deixar de aplicála em face de argumentos de inconstitucionalidade. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13433.900909/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para a apresentação do recurso voluntário esgota-se com o decurso do prazo de trinta dias a contar da ciência, pelo contribuinte, da decisão de primeira instância, configurando-se a intempestividade fora desse intervalo de tempo, não logrando ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente em exercício e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRAZO. APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para a apresentação do recurso voluntário esgotase com o decurso do prazo de trinta dias a contar da ciência, pelo contribuinte, da decisão de primeira instância, configurandose a intempestividade fora desse intervalo de tempo, não logrando ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a DComp nº 36112.55176.271007.1.7.040493, em que utiliza o crédito de ressarcimento de Cofins Não Cumulativa relativa ao mês de julho/2007, no valor de R$ 90.291,58. Despacho Decisório da DRF/Mossoró, de fl. 2, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 09 09 /2 00 9- 68 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 reconheceu o direito creditório, pelo fato de o valor do DARF indicado como origem do crédito estar integralmente alocado ao débito confessado em DCTF. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou: a) que durante o anocalendário de 2007 optou pela forma de tributação do lucro real trimestral, conforme faz prova a DCTF e DARF do recolhimento d, que anexa a sua defesa; b) que não é obrigada a incluir na sua base de cálculo para a apuração do PIS e da Cofins o valor correspondente aos rendimentos das aplicações financeiras de renda fixa; resultando da apuração o importe de R$ 91.497,24, quando o valor correto seria R$ 1.205,66, como o comprova a DCTF retificadora que anexou; c) não foi concedido à autuada o direito de retificar o valor informado erroneamente na DCTF do 2° Semestre de 2007; Em julgamento da lide, a DRJ/RecifePE refutou os argumentos da manifestante e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o motivo de definitividade da extinção do débito confessado com o DARF indicado na DComp, de ausência de retificação da DCTF antes do despacho decisório e de falta de comprovação da base de cálculo a justificar a redução do valor da contribuição devida, em decisão ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação a Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Cientificada da decisão em 29 de dezembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, em 30 de janeiro de 2012, em que reiterou os mesmos termos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13433.900909/200968 Acórdão n.º 3803004.124 S3TE03 Fl. 221 3 Conselheiro Relator Belchior Melo Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Apesar de a Recorrente referir que fora cientificada da decisão de primeira instância em 30 de dezembro de 2011, a assinatura aposta no Aviso de Recebimento de fl. 102, atesta claramente ser a real data de recebimento do acórdão 29 de dezembro de 2012, quinta feira. Assim, teve início em 30 de dezembro de 2012, sextafeira, a fluência do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do recurso voluntário, encerrandose em 28 de janeiro de 2012, sextafeira. O recurso foi protocolizado no órgão de origem em 30 de janeiro de 2012, segundafeira, configurandose a sua intempestividade. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 11557.000244/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1996, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/01/1998 a 28/02/1999, 01/04/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO.
Integra o salário de contribuição previdenciário o abono pago por
liberalidade do empregador, mesmo que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Inc. I do art. 22 e inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, em suas redações originais e redação dada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528/97, e alterada pela Lei nº 9.876/99, art. 457, § 1º,
da CLT, e por não se enquadrar na hipótese de exclusão prevista no item “7” da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela MP nº 1.5869, de 21/05/98, reeditada e posteriormente convertida na Lei n° 9.711/98.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto da relatora. Também devem ser excluídas as parcelas relativas à alimentação. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. O Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva divergiu, uma vez que entendeu não incidir contribuição sobre o abono.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Integra o saláriodecontribuição previdenciário o abono pago por liberalidade do empregador, mesmo que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Inc. I do art. 22 e inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, em suas redações originais e redação dada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528/97, e alterada pela Lei nº 9.876/99, art. 457, § 1º, da CLT, e por não se enquadrar na hipótese de exclusão prevista no item “7” da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela MP nº 1.5869, de 21/05/98, reeditada e posteriormente convertida na Lei n° 9.711/98. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. ALIMENTAÇÃO. PARCELA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto da relatora. Também devem ser excluídas as parcelas relativas à alimentação. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. O Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva divergiu, uma vez que entendeu não incidir contribuição sobre o abono. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Adriana Sato. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 2 3 Ausência momentânea : Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 29/04/2005, referese às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 04/1996 a 06/2003 e a diferenças de acréscimos legais, por recolhimentos efetuados fora do prazo, nas competências de 01/2005, 03/2005 e 04/2005. O relatório fiscal de fls. 366/371, diz que os valores foram apurados através do exame das folhas de pagamento, das GFIP’s , para as bases que foram declaradas, do CNISA, da contabilidade e das guias de recolhimento apresentadas. Aduz o relatório, que o levantamento engloba valores não declarados em GFIP, relativos a alimentação, sem a inscrição no PAT e abonos concedidos em virtude de acordo coletivo de trabalho. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 912/922, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, alegando em síntese: a) cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia contábil; b) incorreção na competência 03/2000, na filial João Neiva; c) homologação tácita dos valores lançados anteriores a 29/04/2000; d) a não incidência da contribuição sobre alimentação; e) a não incidência de contribuições sobre assistência médicohospitalar e sobre abonos; f) inaplicabilidade das multas frente à denúncia espontânea; g) a possibilidade da substituição do depósito recursal pelo arrolamento de bens. Requer o acolhimento do recurso para declarar insubsistente o lançamento e cancelar a notificação em sua totalidade.Alternativamente, requer que sejam excluídos os valores relativos à alimentação, assistência médicohospitalar e abonos salariais. É o relatório. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conforme documento de fls. 925, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a substituição do depósito recursal para garantia de instância pelo arrolamento de bens, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. A Notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 29/04/2005 e compreende o período de 04/1996 a 04/2005. A recorrente argúi a decadência do crédito lançado e, com efeito, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 4 7 Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 88, que houveram recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 03/2000, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, eis que declaradas pelo mesmo em GFIP, em folhas de pagamento e constante de sua escrita contábil, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de diligência e perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente. O valor de salário de contribuição questionado para a competência 03/2000, na filial de CNPJ final 000552, foi declarado pela própria recorrente em GFIP, tornando inócua a argüição de que é errôneo, uma vez que não foi promovida a eventual retificação na GFIP, caso houvesse o erro. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Do Mérito O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos examinadas foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 5 9 Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. O relatório de fundamentos legais do débito traz todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. No que se refere aos valores não declarados em GFIP pela recorrente por não entendêlos como base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária, tenho as seguintes considerações a fazer: No que tange aos abonos pagos por liberalidade do empregador ou previstos em acordos ou convenções coletivas, a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] A Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (sem grifos no original) [...] Frente à disciplina legal supra, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu art. 29 toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriode contribuição.Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdenciária, na medida em que, conceitualmente, tratamse de adiantamentos salariais, conforme nos ensina o doutrinador laboral da atualidade, Maurício Godinho Delgado: Retomado o conceito próprio do abono, como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, tornase inquestionável sua natureza jurídica, como salário (art. 457, § 1º). A jurisprudência foi além, contudo: firmouse no sentido de conferir à parcela todos os efeitos próprios ao salário básico – o que significa que prevalece no Direito brasileiro o entendimento de que o abono, depois de concedido, não pode ser retirado do contrato pelo empregador. (Maurício Godinho Delgado, 2003, p. 729) Como bem ressaltado na doutrina retro, a Consolidação das Leis do Trabalho CLT elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.§ 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. (sem grifos no original) Cumpre salientar que o fato de a negociação coletiva mencionar que os abonos concedidos possuem natureza indenizatória, não tem o condão de alterar a natureza jurídica da verba, tendo em vista que o art. 457 da CLT e o art. 22, I, da Lei n.º 8.212/91, são normas cogentes não sendo possível afastar a sua aplicação em razão de um acordo ou convenção coletiva. Outro não é o entendimento do Colendo TST acerca da indisponibilidade do art. 457 da CLT, vejamos: TST mantém natureza salarial de produtividade na Brasil Telecom Embora a Constituição Federal assegure a validade dos acordos coletivos, estes são limitados nas normas de ordem pública, onde não há margem para livre manifestação das partes. Com este entendimento, a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a recurso de revista da Brasil Telecom contra decisão que a condenou à integração da “verba produtividade” ao salário, com pagamento de diferenças nas verbas rescisórias. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 6 11 A condenação foi definida em primeiro grau e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul). O Regional entendeu que o adicional deve incidir sobre a remuneração do empregado por ter “nítida natureza salarial’, embora a “verba produtividade” tenha sido instituída no acordo coletivo com natureza indenizatória. O ministro José Simpliciano Fernandes, relator do processo, ressaltou que o objeto da controvérsia estava em definir se é possível que as partes, por meio de acordo coletivo, atribuam natureza indenizatória a uma parcela que, por suas características, ostente naturalmente caráter salarial. "No caso, o TRT considerou demonstrada a natureza salarial”, afirmou o relator. “Assim, em que pese o acordo coletivo que a institui ter determinado sua não incorporação ao salário, conforme o artigo 457, § 1º, da CLT, temse por devida sua integração”. Ao proferir seu voto durante a sessão de julgamento, o ministro afirmou que as partes não podem, ainda que por acordo coletivo, definir natureza diversa à verba, porque com isso estariam burlando preceito de ordem pública, uma vez que implicaria isenção das contribuições fiscais e previdenciárias às quais as partes estariam obrigadas, por força de lei." (RR 44809/20029000400.5) Vale ressaltar que, embora possa ocorrer a hipótese de validação trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza jurídica diversa aos abonos, as contribuições previdenciárias são tributos, portanto, sujeitas à regência do CTN, cabendo mencionar o art. 123: Art.123 Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Portanto, diante das normas expostas, inferese que os contratos firmados entre as partes, inclusive os coletivos, não possuem força vinculante para o Fisco, pois os mesmos só criam regras válidas para as partes e não para um terceiro, no caso, a Previdência Social, principalmente em face do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A Medida Provisória nº 1.5869, de 21/05/1998, publicada no D.O.U. de 22/05/1998, reeditada até a MP nº 1.66315, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, acrescentou o item "7" à alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, assim dispondo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição: (...) e) as importâncias: (...) Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (sem grifos no original) Da leitura deste dispositivo, verificase que a partir de 22/05/1998 os abonos expressamente desvinculados do salário, isto é, apenas quando uma lei que cria algum abono específico e o desvincule expressamente do salário é que realmente pode se considerar alterada a natureza jurídica da parcela em cheque. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 3.265/99 à alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214, explicita e ratifica esta interpretação ao reportarse aos "abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Destarte, como restou firmado pelo Egrégio TST, na decisão acima transcrita, e na regulamentação feita pelo art. 214, § 9º, inciso V, alínea “j”, do Dec. 3.048/99, bem como em face da regra de interpretação restritiva prevista no art. 111, inciso II, do CTN, apenas Lei pode conceder isenção previdenciária a algum abono. Os abonos pagos por liberalidade do empregador não estão dentre as parcelas excluídas do saláriodecontribuição previdenciário definidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, de modo que desde a edição da Lei nº 8.212/91 os abonos pagos pelo empregador aos seus empregados, seja por sua liberalidade ou por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho sofrem incidência de contribuições à seguridade social. Quanto às contribuições relativas aos valores pagos à cooperativa de trabalho UNIMED, tenho a dizer que a mesma está determinada em Lei, sendo improcedentes as alegações da recorrente de que as despesas incorridas não integram o salário de contribuição. Com efeito, não integram o salário de contribuição e não foram assim consideradas, mas a contribuição é devida com base no disposto pelo artigo 22, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, tomando como base de cálculo o valor constantes das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Quanto ao fornecimento de cestas básicas sem a devida inscrição no PAT, não deve persistir o lançamento de acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. A reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal Parecer foi objeto de Ato Declaratório, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto n 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 7 13 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por derradeiro, quanto à multa aplicada é de se notar que não cabe a argüição de cancelamento frente à denúncia espontânea, uma vez que a exigência aqui é da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000244/200888 Acórdão n.º 230201.899 S2C3T2 Fl. 8 15 tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as competências até 03/2000, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN e os lançamentos relativos a alimentação, por força do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10675.002244/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
COMPENSAÇÃO. CREDITO NÃO RELATIVO A TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.. (Súmula CARF Nº 24):
Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. CREDITO NÃO RELATIVO A TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.. (Súmula CARF Nº 24): Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Recurso Improvido.
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CREDITO NÃO RELATIVO A TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.. (Súmula CARF Nº 24): “Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.” Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 22 44 /2 00 5- 61 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Em razão da clareza e objetividade adoto relatório da decisão recorrida, que assim resume os fatos: O interessado transmitiu em 07/12/2004 a PERDCOMP n° 27768.44310.071204.1.3.046520, em 11/02/2005 a de n° 38143.07896.110205.1.3.044766, em 11/03/2005 a de n° 30665.27080.110305.1.3.042631, em 22/04/2005 a de n° 08682.89947.220405.1.3.044260 e em 25/05/2005 a de n° 30178.06819.250505.1.3.046007 (fls. 01 a 24), nas quais compensa débitos de PIS/Pasep e COFINS, dos anos 2004 e 2005, com crédito que seria oriundo de empréstimo compulsório à Eletrobrds nos termos da Lei 4.156/1962; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório n° 133/2006, no qual não homologa a compensação pleiteada na PERDCOMP n° 27768.44310.071204.1.3.046520 e considera não declaradas as compensações pleiteadas nas demais (fls. 46 a 49); A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 57 a 88), na qual alega que o empréstimo compulsório feito a Eletrobrás nos termos da Lei 4.156/1962 tem natureza tributária e pode ser objeto de compensação com tributos e contribuições federais, já que a União assumiu responsabilidade solidária quanto a ele; A decisão recorrida encontrase assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO A compensação de tributos e contribuições federais, só pode ser efetuada com crédito administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Compensação não Homologada De acordo com a decisão recorrida a empresa não trata das PERDCOMP's n° 38143.07896.110205.1.3.044766, 30665.27080.110305.1.3.042631, 08682.89947.220405.1.3.044260 e 30178.06819.250505.1.3.046007, cujas compensações foram consideradas não declaradas. Assim esta Manifestação de Inconformidade alcança tão somente a PERDCOMP n° 27768.44310.071204.1.3.046520. Cientificada em 18/03/2009 (AR – fl. 104) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 105 e seguintes, em 03/04/2009, aduzindo, em síntese, que em razão do caráter tributário do empréstimo compulsório, instituído pela Lei Complementar nº 13, de 11/10/1972, em favor da Eletrobrás, ensejando o seu ressarcimento ou restituição/compensação Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10675.002244/200561 Acórdão n.º 3301001.816 S3C3T1 Fl. 147 3 com outros tributos, nos termos dos art. 74, da Lei nº 9.430/96, conforme jurisprudência e doutrina colacionadas. Consta ainda, que o presente recurso foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, desta colenda 3ª Seção, na sessão de 28 de abril de 2010, tendo sido declinada a competência para a Primeira Seção, conforme ementa do Acórdão nº 320100.428, a seguir reproduzida (fls. 136/142): Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o julgamento dos processos que tratam de tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Na sequencia, o processo foi distribuído para este Relator, conforme consta da Ata da sessão realizada no dia vinte e sete dias do mês de junho de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. O assunto encontrase pacificado no âmbito deste colendo CARF, inclusive sumulado, senão vejamos: Súmula CARF Nº 24 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Em relação à compensação declarada, deve ser ressaltado que de acordo com o § 12, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, considerase não declarada a compensação na hipótese do crédito não se referir a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 12326.000965/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 23 26 .0 00 96 5/ 20 10 -9 9 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDE S Processo nº 12326.000965/201099 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.472 S2C2T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve parcialmente a autuação Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2009, relativo a omissão de rendimentos e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Notificação do lançamento (fls. 08 a 12) em 22.02.2010 (AR fls. 49) e apresentou Impugnação (fls. 01 a 04). A decisão recorrida (fls. 60 a 61) manteve em parte da autuação, excluindo a importância de R$ 27.339,25 pela falta de comprovação do recebimento da importância de R$ 101.411,17 em ação trabalhista no anocalendário de 2008. Foi mantida a exigência de R$ 71.132,58, e realizado novo lançamento (fls.92 a 97), relativo a dedução indevida do IRR Fonte pela falta de comprovação da retenção. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. Não pode prosperar a omissão de rendimentos apurada se não restar comprovado o recebimento de rendimentos não declarados pelo Contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF Inexistindo comprovante de rendimentos ou DIRF apresentada pela fonte pagadora, é indevida a dedução de valores de valores de IRRF na declaração de ajuste anual. AGRAVAMENTO DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Não cabe à presente instância julgadora agravar a notificação de lançamento. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Recurso Voluntário (fls. 69 a 72) protocolado em 14.09.2011 sustenta que o valor de R$ 71.132,58 foi descontada na fonte dos valores recebidos pelo Recorrente na Ação trabalhista movida a Concessão Metroviária do Rio de Janeiro, com informação em sua declaração de rendimentos do exercício 2009, anocalendário 2008. É o breve relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDE S Processo nº 12326.000965/201099 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.472 S2C2T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Anoto, diante da reclamação do autuado feita por intermédio da Ouvidoria conforme informado pela Secretaria da Turma de Julgamento, que se cuida de processo distribuído a este relator no final mês de fevereiro de 2013. Feita essa breve e necessária observação passo ao exame do recurso interposto. A notificação de lançamento de fls. 4 a 9 apurou (a) omissão de rendimentos recebido por intermédio de ação judicial no valor de R$ 101.411,17; (b) e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 71.132,58, também recebida em ação judicial. A decisão recorrida cancelou parte da autuação relativa a acusação sobre a omissão de rendimentos de ação judicial, no valor de R$ 101.411,17, mantendo a glosa do IR Fonte de R$ 71.132,58, conforme segue: Com relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 71.132,58, o Interessado nada trouxe para comprovar a efetiva retenção dessa importância. Cumpre repisar que não consta DIRF com tal valor nos sistemas informatizados da RFB (fl. 56), nem o Impugnante apresentou comprovante de rendimentos emitido pela Concessão Metroviária do Rio de Janeiro S.A . Mantémse, portanto, a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 71.132,58. Estranhamente a parte mantida pela decisão recorrida foi objeto de nova autuação (lançamento) exatamente sobre a glosa do IR Fonte no valor de R$ 71.132,58, conforme lemos na decisão guerreada. Com a exclusão do rendimento de R$ 101.411,17, sua respectiva fonte de R$ 27.339,25 e a manutenção da dedução indevida de IRRF de R$ 71.132,58, foi apurado um valor de imposto a restituir (R$ 1.557,23) menor do que o apontado na notificação de lançamento (R$ 3.823,02). Levandose em conta que não cabe à presente instância julgadora agravar o lançamento efetuado, incumbe à Fiscalização da RFB decidir acerca da oportunidade de se proceder novo lançamento tributário para reduzir o valor da restituição apurada na presente notificação de fls. 8 a 12. A decisão interlocutória de fls. 120 e 121, proferida após a decisão da DRJ e do Recurso interposto cancelou a nova autuação. No entanto, a exigência da glosa do IR Fonte – foi feita na primeira autuação eletrônica da malha fina de fiscalização. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDE S Processo nº 12326.000965/201099 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.472 S2C2T2 Fl. 5 4 Pois bem, resta saber para o desate da questão, se esta comprovada a retenção do IR Fonte sobre os valores declarados como tributáveis pelo Recorrente. Falta comprovação suficiente dessa correlação entre os rendimentos declarados tributáveis, se correspondem à retenção. Este é o conflito, este é a lide a ser solucionada. O Recorrente trouxe apenas com as razões de recurso cópia de um DARF, sem autenticação bancária ou de autenticidade, pelo menos perceptível, cuidarse de imposto retido e pago na fonte sobre os rendimento recebidos e declarados. Consta que seriam rendimentos de ação trabalhista, mas o DARF no valor pleiteado, de R$ 71.132,58, onde constou apenas o nome do cabeça da ação judicial, não especifica o Recorrente.Vemos, contudo, que o CPF constante do DARF é do Recorrente. A fiscalização, ao que consta, não detectou no sistema da Receita Federal o pagamento do DARF trazido pelo Recorrente. Com isso, ;e necessário maiores elementos probatórios concretos e perceptíveis, ainda que indiciários, para comprovar a efetiva retenção. Além da autenticidade da guia DARF, não há nos autos qualquer outro elemento sobre a ação judicial que deu origem ao rendimento. Quem inicia a ação, como se fizeram os cálculos, pagamento, montante, tipo de rendimentos, retenção, base de calculo. Tudo foi rendimento sujeito a ajuste anual ou também houve rendimento tributado exclusivamente na fonte?. Em face desses questionamentos, vemos que os autos não se encontram em condições de julgamento justo ao Contribuinte e à Fazenda. Há necessidade de a fiscalização empreender diligencias para confirmar a retenção, o pagamento da fonte pelo DARF trazido aos autos, a base de calculo e a natureza desses rendimentos declarado com a referida retenção. Necessário assim intimar a fonte pagadora para informar o pagamento do IR Fonte, objeto do DARF, a base de calculo e a natureza dos rendimentos pago, sem prejuízo de eventual diligencia e manifestação fiscal destinada a elucidar a matéria de fato controvertida nos autos. Para os fins expostos, pelo meu voto, converto os autos em diligencia, cientificando o contribuinte das diligencias realizadas para manifestação em 30 dias, querendo. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por ODMIR FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005224/95-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DRAWBACK-SUSPENSÃO DRAWBACK-SUSPENSÃO. ARTIGO 526, INCISO IX, DO RA/85. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA CONDUTA TÍPICA DO SUJEITO PASSIVO E CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM.
Não pode ser aplicada a multa decorrente da infração prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista a vagueza do tipo, que viola a certeza que deve transmitir a fim de se saber, previamente, quais condutas enquadram-se ou não no dispositivo que prevê a infração administrativa. A multa não incide, também, porque a autoridade fiscal não especificou quais os requisitos do controle de importação foram descumpridos pelo contribuinte. A multa em questão, com base apenas no descumprimento do Drawback Suspensão, ademais, implicaria em indevido bis in idem.
MULTA. ARTIGO 4°, INCISO I, DA LEI N° 8.218/91. INCIDÊNCIA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO PARCIAL DO REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. REDUÇÃO. 75%. LEI N° 9.430/96.
Incide a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8218/91, com a redução de 100% para 75% promovida pela Lei n° 9430/96, quando a fiscalização constata a falta de recolhimento do imposto de importação, em decorrência do descumprimento do regime do Drawback Suspensão.
Numero da decisão: 9303-001.999
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso especial, para restaurar a multa de ofício, reduzindo-a para 75%. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento total.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : DRAWBACK-SUSPENSÃO DRAWBACK-SUSPENSÃO. ARTIGO 526, INCISO IX, DO RA/85. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA CONDUTA TÍPICA DO SUJEITO PASSIVO E CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM. Não pode ser aplicada a multa decorrente da infração prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista a vagueza do tipo, que viola a certeza que deve transmitir a fim de se saber, previamente, quais condutas enquadram-se ou não no dispositivo que prevê a infração administrativa. A multa não incide, também, porque a autoridade fiscal não especificou quais os requisitos do controle de importação foram descumpridos pelo contribuinte. A multa em questão, com base apenas no descumprimento do Drawback Suspensão, ademais, implicaria em indevido bis in idem. MULTA. ARTIGO 4°, INCISO I, DA LEI N° 8.218/91. INCIDÊNCIA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO PARCIAL DO REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. REDUÇÃO. 75%. LEI N° 9.430/96. Incide a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8218/91, com a redução de 100% para 75% promovida pela Lei n° 9430/96, quando a fiscalização constata a falta de recolhimento do imposto de importação, em decorrência do descumprimento do regime do Drawback Suspensão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.005224/9531 Recurso nº 118.461 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.999 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2012 Matéria DRAWBACKSUSPENSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DOWELANCO INDUSTRIAL LTDA ASSUNTO: DRAWBACKSUSPENSÃO DRAWBACKSUSPENSÃO. ARTIGO 526, INCISO IX, DO RA/85. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA CONDUTA TÍPICA DO SUJEITO PASSIVO E CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM. Não pode ser aplicada a multa decorrente da infração prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista a vagueza do tipo, que viola a certeza que deve transmitir a fim de se saber, previamente, quais condutas enquadramse ou não no dispositivo que prevê a infração administrativa. A multa não incide, também, porque a autoridade fiscal não especificou quais os requisitos do controle de importação foram descumpridos pelo contribuinte. A multa em questão, com base apenas no descumprimento do Drawback Suspensão, ademais, implicaria em indevido bis in idem. MULTA. ARTIGO 4°, INCISO I, DA LEI N° 8.218/91. INCIDÊNCIA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO PARCIAL DO REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. REDUÇÃO. 75%. LEI N° 9.430/96. Incide a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8218/91, com a redução de 100% para 75% promovida pela Lei n° 9430/96, quando a fiscalização constata a falta de recolhimento do imposto de importação, em decorrência do descumprimento do regime do Drawback Suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso especial, para restaurar a multa de ofício, reduzindoa para 75%. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento total. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em violação à legislação tributária e em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, porque, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: a) o contribuinte foi autorizado a importar, com suspensão dos pagamentos dos tributos, Ácido Monocloroacético (MCAA) a 99% e Fenol, para serem utilizados na produção de Ácido 2,4Diclorofenoxiacético, NBM 2918.90.0101, para posterior exportação. b) a fiscalização constatou que o contribuinte não utilizou a totalidade das matériasprimas importadas, conforme descrito detalhadamente, em relação a cada ato concessório no documento de fls. 02/04 dos autos. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 297/301 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente a ação fiscal, nos termos da seguinte ementa (fls. 319/331): IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DRAWBACK SUSPENSÃO Fl. 910DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 3 3 A inaplicação da totalidade dos insumos, importados com suspensão de impostos, na elaboração dos produtos exportados configura aproveitamento irregular do regime aduaneiro especial de DRAWBACK. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 337/345. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 348/349 dos autos. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência (fls. 352/364), para o esclarecimento dos seguintes pontos: “1 Por parte da Repartição de Origem: a) Quais os estoque iniciais e finais de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados em 31/12/89, 31/12/90, 31/12/91 e 31/12/92? b) A partir das informações acima apure segregadamente os índices reais de consumo de Fenol (importado e nacional) na produção de 2,4 D Ácido Seco; c) A partir das informações obtidas na letra "a" acima, apurar segregadamente os índices reais de consumo de MCAA (importado e local na produção de 2,4 D Acido Seco; d) Após obtidos os novos índices, elaborar novos demonstrativos importados não utilizados nas exportações, assim como o novo valor tributável drawback, se for o caso. 2 Por parte da CACEX: Relativamente aos Atos Concessórios n° 1890/1286; 1890/338 6;1890/4090; 1890/5826; 18 91/6957 e 1892/2849. a) Qual a razão que levou a CACEX a aceitar no Relatório de Comprovação de Drawback as importações realizadas no mesmo dia das exportações comprovadas elou em dia posterior a essas mesmas exportações? b) Qual a razão que levou a CACEX aceitar para fins de comprovação exportação realizadas após o término do prazo previsto nos Atos Concessórios.” Relatório de Diligência presente às fls. 386/388 dos autos, com a seguintes conclusões: “Comparando as quantidades levantadas com as quantidades informadas pela empresa, observamos que houve urna pequena divergência apenas no consumo do DCP em 1992, quando a quantidade correta é .9.201.913kg e no 9.201.193kg. Quanto ao cálculo dos índices de consumo, deve ser levado em consideração os insumos nacionais e importados, uma vez que não há produção distinta a partir do insumo nacional ou importado. Ambos são consumidos no produto final 2,4D Acido Fl. 911DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 4 4 Seco.Sendo assim, anexamos cópias dos Demonstrativos D1 a D5 com as alterações correspondentes. Informamos que as cópias das Fichas de Custos mencionadas, encontramse anexas ao dossiê da empresa, à disposição nesta DRF/salvador.” O julgamento foi novamente convertido em diligência (fls. 398/402) para: “1 Por parte da Repartição de Origem: a) Dar ao contribuinte ciência do resultado da diligência, fl. 376/388. 2 Por parte da CACEX: Relativamente aos Atos Concess6rios n° 1890/1286; 18 90/3386; 1890/4090; 1890/5826; 1890/6957 e 1890/284 9. a) Qual a razão que levou a CACEX a aceitar no Relatório de Comprovação de Drawback as importações realizadas no mesmo dia das importações comprovadas e/ou em dia posterior a essas mesmas exportações? b) Qual a razão que levou a CACEX aceitar, para fins de comprovação, exportação realizada após o término do prazo previsto nos Atos Concessórios.” O contribuinte manifestouse às fls. 446/456 dos autos. A CACEX permaneceu inerte quanto à explicação acerca dos motivos que a levaram a aceitar no Relatório de Comprovação da Drawback as importações realizadas nos mesmo dia das exportações ou em dia anterior a essas. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes procedeu ao julgamento do recurso do contribuinte, dandolhe parcial provimento, conforme a seguinte ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. Comprovada a não exportação de 1.145.841 Kg de Ácido Monocloroacético (MCAA), afigurase o não cumprimento do regime de suspensão do pagamento de tributos (Drawback), razão da exigência tributaria relativa a esta parte da mercadoria importada e não exportada em cumprimento do programa. Incabível a incidência da TRD no cálculo dos juros moratórios, no período de fevereiro a julho de 1991, em face de a mesma não servir como índice de correção monetária naquele ínterim. Descabidas as multas capituladas no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneira, por falta de previsão legal para essa penalidade e no art. 4°, inciso I, da Lei 8.218/91. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 498/503), suscitando a ocorrência de omissão e contradição. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 5 5 Os embargos foram rejeitados, conforme despachos de fls. 504/509 dos autos. A Fazenda Nacional interpôs, então, recurso especial por maioria e por divergência (fls. 510/518), com vistas a manutenção das penalidades previstas no artigo 526, inciso IX, do RA/85 (divergência jurisprudencial), e artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91 (violação legislação tributária). Citando o disposto no artigo 169 do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966 (com a redação dada pelo Lei n° 6562/78), a recorrente contrapôsse a entendimento fixado no acórdão recorrido no sentido de que não há previsão legal para a penalidade prevista no artigo 526, inciso IX, do RA/85. Eis a fundamentação da recorrente: “9. Ora, parece que o dispositivo regulamentar (art. 526, IX), acoimado de ilegal, não inovou em outro aspecto que o da estruturação frasal. O conteúdo permanece idêntico. E presumível que o Importador deve (de oficio) saber dos requisitos (estes, por certo, taxativos) de controle das importações, assim, a lei enfocou apenas os mais graves e ordinários desrespeito àqueles, deixando os demais para uma alínea comum. 10. Por conseguinte, temse como totalmente sem fundamento a tese do v. acórdão ora recorrido de que a penalidade do art. 526, inciso IX do 1A/85, não tem previsão legal. 11. Na realidade, tratase de norma penal em branco, que tem seu complemento na legislação pertinente. Entender o contrário, ou seja, que toda norma penal em bronco ofende o principio da legalidade estrita, seria absurdo. 15. Por conseguinte, ao ter excluído a multa prevista no art. 4°, inciso I da Lei n. 8.218/91 de FORMA INDEVIDA, acabou o v. acórdão ora recorrido por ofender tal artigo de lei.” Sustentou a aplicação da penalidade prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8218/91, no seguinte sentido: “13. Como visto, no caso vertente, restou comprovado o não cumprimento do regime de suspensão de DRAWBACK. Assim sendo, descaracterizado tal regime, restou evidenciado a usufruição indevida do beneficio, sem o recolhimento correto dos tributos devidos. 14. Portanto, é indiscutível a incidência da multa do art. 4 ° , inciso I da Lei n. 8.218/91, eis que tal penalidade é devida quando ocorre FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS, nas hipóteses de lançamento de oficio, como no caso "sub judice".” O contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 540/546). Interpôs, também, recurso especial (fls. 574/582), ao qual se negou seguimento, tendo em vista que o contribuinte apresentou acórdãos paradigmas oriundos da mesma Câmara que proferiu o acórdão recorrido (fls. 677/679). Fl. 913DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 6 6 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que foi demonstrada a divergência jurisprudencial alegada, e especificado o dispositivo legal violado (na parte do recurso especial por maioria). Primeiramente, em relação à incidência da penalidade prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, entendeuse, no acórdão recorrido, que: “Relativamente à multa capitulada no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro, é imperativo tecermos alguns comentários acerca do assunto, a fim de que possamos, após tal análise, decidir se a mesma é ou não cabível "in casu". É sabido que tanto o poder de tributar quanto o de punir do Estado são emanados de mandamentos constitucionais, destinandose o segundo a garantir a validade da ordem jurídica, enquanto que o primeiro tem por escopo garantir ao Estado o capital suficiente para suprir os fundamentos estabelecidos pela Carta Magna de 1988. Deste modo, sendo, por conseguinte, como visto supra, o direito de punir do Estado e o de tributar marcante invasão no campo privado do indivíduo, o principio mor norteador destas atividades é o da legalidade, segundo o qual não há tributo ou penalidade sem lei anterior que a estabeleça (art 50, XXXIX, e art. 150, I, ambos da CF/88). Neste sentido, para que determinado ato seja considerado uma infração administrativa fiscal, tornase imprescindível que a lei claramente defina tal hipótese. No caso "sub examine", a atitude do contribuinte foi enquadrada no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, "ipsis litteris": "Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: descumprir OUTROS requisitos de controle da importação, constantes ou não de guia de importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII deste artigo" (GRIFAMOS) Fl. 914DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 7 7 Ora, à vista desarmada, percebese que o retrocitado preceito fere o principio da legalidade, vez que é demasiadamente genérico. Referese a OUTROS requisitos não previstos anteriormente, deixando ao alvedrio do autuante ou do julgador entender quais sejam esses requisitos. E óbvio que os dispositivos sancionantes devem ser claros e objetivos, a fim de dar segurança ao contribuinte. Desta forma, por falta de previsão legal, entendo incabível a aplicação da multa capitulada no artigo 526, a, do Regulamento Aduaneiro, razão pela qual eximo a contribuinte desta penalidade.” No acórdão paradigma, por sua vez, estabeleceuse o entendimento de que a exportação prévia à importação dos produtos, sob o regime do Drawback suspensão, descaracteriza este regime, importando a aplicação da multa prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro/1985. O artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto n° 91.030/1985) tem a seguinte redação: Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: IX descumprir outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de guia de importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII deste artigo: multa de vinte por cento (20%) do valor da mercadoria” Já enfrentei a questão ora em julgamento. O teor do dispositivo não deixa dúvidas de que, como pretenso tipo legal definidor de infração administrativa, ele vai de encontro a todas as eminentes funções de garantia que os tipos penais visam assegurar, especialmente no que se refere à delimitação da conduta que o Estado deseja evitar, e que permite aos contribuintes, previamente, acautelarem se para não incorrerem na sua prática. Ora, a extrema abertura de que o dispositivo normativo em comento se reveste acarreta sobre o contribuinte um estado de latente insegurança jurídica, já que ele não poderá saber, concreta e previamente, quando uma eventual conduta sua constitui ou não infração, restando, tal definição, ao exclusivo talante da Fiscalização. Ademais, devese atentar para o fato de que, conforme se depreende do auto de infração, particularmente do documento de fls. 02/06 dos autos, a autoridade fiscal não descreveu a conduta específica do contribuinte (isto é, em que consistiu, faticamente, o descumprimento dos “outros requisitos de controle de importação, constantes ou não de guia de importação ou de documento equivalente”) que pudesse ensejar a aplicação da multa em questão. Com efeito, às fls. 06, a fiscalização, para sustentar a aplicação da multa, externa a infração nos seguintes termos: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 8 8 “2 OUTRAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Descumprir outros requisitos de controle da importação, constante ou não da guia de importação ou de documento equivalente, conforme descrição dos fatos acima e enquadramento legal adiante” Os fatos descritos consistem no próprio descumprimento do regime de Drawback Suspensão, fatos esses que já se encontram penalizados com o crédito tributário gerado, bem como com a imposição da multa de ofício, à época prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91. Não pode, a autoridade fiscal, simplesmente utilizarse da apuração do descumprimento do regime aduaneiro em tela, para daí querer aplicar a multa debatida, sem indicar os fatos concretos que importem descumprimento dos requisitos dos controle de importação. E mais, sem sequer indicar quais requisitos seriam esses. A norma, como visto, por sua extrema abertura, não permite sabêlo. Ora, numa hipótese que tal, a incidência da multa prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aliado à imposição de multa de ofício, sobretudo tendo em vista a ausência de descrição específica dos fatos ensejadores daquela multa, torna claro, também, a ocorrência de indevido bis in idem. É dizer, os fatos que levaram à lavratura do auto de infração (o descumprimento do Drawback Suspensão) não podem ensejar, por si só, a aplicação da multa prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro. E isto, em síntese, pelos seguintes motivos: a) o dispositivo em comento não oferece a especificação típica necessária à aplicação da multa nele prevista. Tratase de dispositivo que não individualiza, como deveria, a conduta que efetivamente pretende punir pela imposição da respectiva multa; b) ainda que se considere aplicável, em tese, o dispositivo em questão, fazse imprescindível que a autoridade fiscal especifique, de forma expressa e clara, no que consistiu a conduta do contribuinte que se amolda ao quanto previsto na norma, ou seja, quais os outros requisitos do controle de importação foram descumpridos pelo contribuinte. Sem isto, haveria penalização sem suporte fático; c) a imposição da multa prevista no artigo 526, inciso IX, do RA, apenas com fundamento no descumprimento do Drawback Suspensão, tendo em vista que esse fato já ocasiona a constituição do respectivo crédito tributário, bem como a aplicação da multa de ofício, importaria em indevido bis in idem, pois que o contribuinte estaria sendo punido duas vezes por um mesmo fato. Neste sentido, é de se negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional neste ponto. Passo a analisar, agora, o recurso por maioria. Sustenta, a recorrente, a incidência da penalidade prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91, que dispõe no seguinte sentido: Fl. 916DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 9 9 Art. 4º Nos casos de lançamento de ofício nas hipóteses abaixo, sobre a totalidade ou diferença dos tributos e contribuições devidos, inclusive as contribuições para o INSS, serão aplicadas as seguintes multas: I de cem por cento, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; No acórdão recorrido, entendeuse pela não incidência de tal multa à hipótese tendo em vista que não há, na previsão legal, menção expressa à hipótese de descumprimento das exportações vinculadas em regime de Drawbacksuspensão. Contudo, o dispositivo legal em questão, justamente, independentemente de se tratar de Drawback Suspensão ou não, pressupõe, para a incidência da multa de 100%, apenas e tãosomente, no que aqui nos interessa, a falta de recolhimento do tributo. No caso, conforme estabelecido também no acórdão recorrido, temse que restou comprovada a não exportação de 1.145.841 Kg de Ácido Monocloroacético (MCAA), de sorte que se corroborou a exigência tributária concernente a esta parte da mercadoria importada. Ora diante do descumprimento do Regime Aduaneiro em questão, concluiu se, como se fez no próprio acórdão recorrido, que o contribuinte não procedeu ao devido recolhimento do imposto de importação. É em face dessa falta de recolhimento que se aplica a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91. Esta não figura como uma conseqüência do descumprimento do regime do Drawback Suspensão, mas sim da falta de recolhimento decorrente daquele descumprimento. É de se fazer, contudo, uma ressalva: a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91, foi reduzida pela Lei n° 9.430/96, que em seu artigo 44, inciso I, passou a prevêla no importe de 75%. O artigo 106, inciso do CTN prescreve, expressamente, que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, devese aplicar a multa em questão, reduzindoa para 75%. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a exclusão da penalidade prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro de 1985, e restabelecer a multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91, reduzindoa para 75%, incidente sobre a parte do regime de Drawback Suspensão considerado descumprido no acórdão recorrido (concernente à não exportação de 1.145.841 Kg de Ácido Monocloroacético MCAA). Fl. 917DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10580.005224/9531 Acórdão n.º 9303001.999 CSRFT3 Fl. 10 10 Sala das Sessões, em 13 de junho de 201213 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 918DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10945.013822/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/1994, 07/06/1995, 31/07/1995, 01/08/1995, 29/09/1995, 31/10/1995, 18/12/1996, 31/03/1997, 20/03/1998, 30/06/1999, 30/09/1999
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
A Lei Complementar nº 118 de 2005 restringiu o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a repetição de indébitos. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça firmaram o entendimento de que essa lei somente se aplica a pagamentos realizados indevidamente após o início da sua vigência, respeitando, ainda, o direito de os contribuintes formalizarem o pedido de repetição com o prazo de dez anos até o fim da vacacio legis (RE 566621 e REsp 1002932). Considerando que tais julgados ocorreram segundo os regimes previstos nos arts. 543-A e 543-C do Código de Processo Civil, a sua observância é obrigatória para os membros do CARF à luz do art. 62-A do Anexo II do seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento (REsp 1102577). Considerando que tal julgado ocorreu segundo o regime previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, a sua observância é obrigatória para os membros do CARF à luz do art. 62-A do Anexo II do seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
PREJUDICIALIDADE.
Não sendo reconhecido o direito creditório, a análise das questões que lhe são acessórias torna-se prejudicada.
Numero da decisão: 3201-000.983
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/1994, 07/06/1995, 31/07/1995, 01/08/1995, 29/09/1995, 31/10/1995, 18/12/1996, 31/03/1997, 20/03/1998, 30/06/1999, 30/09/1999 PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A Lei Complementar nº 118 de 2005 restringiu o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a repetição de indébitos. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça firmaram o entendimento de que essa lei somente se aplica a pagamentos realizados indevidamente após o início da sua vigência, respeitando, ainda, o direito de os contribuintes formalizarem o pedido de repetição com o prazo de dez anos até o fim da vacacio legis (RE 566621 e REsp 1002932). Considerando que tais julgados ocorreram segundo os regimes previstos nos arts. 543A e 543C do Código de Processo Civil, a sua observância é obrigatória para os membros do CARF à luz do art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que não caracteriza a denúncia espontânea a confissão de divida acompanhada do seu pedido de parcelamento (REsp 1102577). Considerando que tal julgado ocorreu segundo o regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, a sua observância é obrigatória para os membros do CARF à luz do art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. PREJUDICIALIDADE. Não sendo reconhecido o direito creditório, a análise das questões que lhe são acessórias tornase prejudicada. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mara Cristina Sifuentes (substituta convocada), e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o processo de pedido de restituição de multas de mora incidentes sobre recolhimentos de PIS e de Cofins, fl. 01, protocolizado em 15/12/2004, em relação aos pagamentos efetuados, entre 30/11/1994 e 30/09/1999, conforme DARF (cópias) de fls. 15/28 e planilha de fl. 14. 0 valor total do referido pedido, atualizado até outubro/2004, importa em R$ 12.796,83. À fl. 01, consta como motivo do pedido: "Crédito Proveniente de multas pagas indevidamente devido à denúncia espontânea (art, 138, CTN.)". Além dos documentos mencionados, instruem o processo, no essencial: procuração (fl. 03), cópia de documentos pessoais do mandatário (fl. 04), cópia do cartão CNPJ (fl. 05), cópia de documentos societários (fls. 06/11), declaração de que o crédito pleiteado não é objeto de outro pedido de ressarcimento e nem foi utilizado para abatimento de seus débitos (fl. 12). Em 31/03/2005, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Foz do IguaçuPR, conforme despacho decisório e informação fiscal Seort/DRF/Foz n.° 076/2005 de fls. 29/30, em razão da decadência, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Desse despacho, a interessada foi cientificada em 18/04/2005 (AR A fl. 31verso). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.013822/200486 Acórdão n.º 3201000.983 S3C2T1 Fl. 2 3 Inconformada com a decisão proferida, a interessada interpôs, em 03/05/2005, por intermédio de procurador (mandato de fl. 03), a manifestação de inconformidade de fls.32/63, cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após breve relato das ocorrências havidas no processo até a emissão do despacho decisório, alega (item "II Do direito Impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente") que em razão do disposto no art. 138 do CTN, quando do pagamento espontâneo de débito tributário, não deveria incidir qualquer espécie de penalidade. Na seqüência (item III "Ainda do direito do caráter sancionatório da multa aplicada"), em extenso arrazoado, valendose da doutrina e da jurisprudência, tenta demonstrar o caráter sancionatório das multas de mora. Prosseguindo, argumenta (item IV "Do direito a recuperação dos valores recolhidos nos últimos dez anos") que em face de o pagamento das multas de mora estar vinculado ao recolhimento de contribuições sujeitas ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), é de se concluir que, no caso, uma vez extinto o crédito tributário com a homologação tácita pelo decurso do prazo de cinco anos, contados do pagamento, iniciar seia a contagem do prazo "prescricional" de cinco anos para que pudesse pleitear a restituição; menciona, a propósito, jurisprudência administrativa e judicial; contesta, ainda, a LC n.° 118, de 2005, que teria conferido diferente sentido e alcance aos arts. 150, § 1º, e 160, I, do CTN, citando, quanto a isso, julgado do STJ. No item V ("Do direito aos juros Selic"), defende a incidência de juros Selic sua pretendida restituição; já, no item VI ("Da correção monetária atualização pelo INPC"), peticiona a incidência, sobre os valores a restituir, do índice integral do INPC. Ao final, requer o provimento de seu recurso e o conseqüente deferimento de seu pedido, na forma exposta. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 05/03/2008, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 0616.977 (fls. 66/71): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1994, 07/06/1995, 31/07/1995, 01/08/1995, 29/09/1995, 31/10/1995, 18/12/1996, 31/03/1997, 20/03/1998, 30/06/1999, 30/09/1999 PREJUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de multa de mora, incidente no pagamento de contribuições ao PIS e à Cofins, que teria sido paga indevidamente, extinguese após o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal em 16/04/2008 (fl. 73), tendo protocolado seu recurso voluntário em 16/05/2008 (fls. 75/95), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sede de manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 09/06/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, impõese saber se o direito de a Recorrente pleitear a restituição estava em linha com o disposto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional. A controvérsia diz respeito à aplicação dos efeitos da Lei Complementar nº 118 de 2005, que pôs fim à famosa tese construída nos tribunais do prazo de “5 + 5” para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. O acórdão abaixo transcrito, proferido pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, restringe os efeitos da Lei Complementar nº 118 de 2005 para os pagamentos indevidamente realizados após o início da sua vigência. Além disso, impôs ao contribuinte o prazo máximo de cinco anos a contar do início da vigência da referida lei para pleitear a repetição do indébito oriundo de período anterior a ela. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.013822/200486 Acórdão n.º 3201000.983 S3C2T1 Fl. 3 5 prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.013822/200486 Acórdão n.º 3201000.983 S3C2T1 Fl. 4 7 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei) (REsp 1002932/SP, Rel. MIN. LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Posteriormente, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal examinou a mesma matéria, alterando a posição inicialmente adotada pelo Superior Tribunal de Justiça. Em suma, considerou válido a tese do “5 + 5” apenas para os pedidos de repetição de indébitos oriundos de período anterior à vigência da Lei Complementar nº 118 de 2005 e protocolados no prazo de vacacio legis, e não nos prazo de cinco anos contados do início da vigência da nova lei. A esse julgado se aplicou o regime do art. 543A do Código de Processo Civil, ou seja, foi admitida a sua repercussão geral. Segue abaixo a transcrição da sua ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Grifei) (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Ora, considerando que a Recorrente protocolou o pedido de restituição em 15/12/2004, em relação a pagamentos efetuados entre 30/11/1994 e 30/09/1999, verificase que a ela se aplicava a orientação jurisprudencial vigente à época, que lhe permitia pleitear dez anos. Logo, a única prescrição existente seria a de 30/11/1994. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, são vinculantes para os conselheiros os julgados do Supremo Tribunal Federal segundo o regime de repercussão geral e do Superior Tribunal de Justiça segundo o regime de recursos repetitivos. Logo, nesse particular, deve ser reformada a decisão recorrida. No mérito, penso que o cerne consiste em saber se a confissão de dívida acompanhada do pagamento parcelado do débito tributário afasta a espontaneidade para fins de aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, ou seja, para fins de exclusão da multa. Para analisar a questão de forma apropriada, entendo pertinente transcrever o art. 138 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.013822/200486 Acórdão n.º 3201000.983 S3C2T1 Fl. 5 9 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. O dispositivo invocado pela Recorrente não faz qualquer menção ao pagamento parcelado do tributo devido, o que, a princípio, torna a sua aplicação imprópria para o caso em análise. Deveras, o objetivo do legislador ao incluir esse dispositivo no ordenamento jurídico foi fomentar o cumprimento da obrigação tributária sem a necessidade de mobilizar a fiscalização. Nessa linha de pensamento, registro que o cumprimento da obrigação tributária revelase perfeito apenas quando da extinção do crédito tributário, sendo certo que o parcelamento constitui hipótese de mera suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o pagamento integral do mesmo. Ademais, se o próprio programa de parcelamento impõe a confissão de dívida para que os débitos sejam nele inscritos, entendo que a espontaneidade é discutível na medida em que a ação do devedor é induzida por uma condição de pagamento melhor do que a usual. Convém registrar, por fim, que a questão já foi objeto de análise pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.102.577/DF, o qual seguiu o regime do art. 543C do Código de Processo Civil. Confirase a ementa desse julgado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1102577/DF, Rel. MIN. HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009) Sendo este aresto um recurso repetitivo, aplico o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. As questões acessórias trazidas à lume pela Recorrente, inclusive a discussão sobre o prazo prescricional para pleitear a restituição do indébito tributário, tornamse prejudicadas face a esse entendimento, razão pela qual reservome o direito de não analisálas. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10580.011824/2002-55
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
IRPF. PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 24/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
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PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 24/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 18 24 /2 00 2- 55 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 70 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 4 00.920, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de valores de IR recolhidos sobre montantes recebidos a título de Programas de Demissão Voluntária PDV, tem início no momento em que o Poder Executivo reconhece (por meio da IN SRF 165) não mais ser devida a exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração deinconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifouse). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.011824/200255 Acórdão n.º 9900000.477 CSRFPL Fl. 86 3 do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 80, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, conforme AR a fls. 83, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao se analisar os fundamentos do acórdão recorrido, verificase que, in casu, que o voto do Relator se limitou a transcrever o que fora decidido pelo Acórdão CSRF/04 00.389, cuja conclusão a seguir transcrevo: “Da dicção da lei é de ser restituído ao sujeito passivo o valor de tributo indevido, cobrado ou pago espontaneamente em face da legislação aplicável. O prazo para protestar pela restituição, uma vez não providenciada pela Administração Tributária "independentemente de prévio protesto" deve ter como marco inicial a publicação da Instrução Normativa n° 165/98, ocorrida em 06.01.99, em conformidade com as disposições do inciso II, art. 168 do CTN. De fato, é o que se deve concluir por meio da integração das disposições do art. 168, inciso II, combinado com o art. 165, III, do CTN e os próprios termos da IN. Respaldo, ainda, nos princípios da estrita legalidade, pois, como visto não cabe exigir tributo sem lei que o autorize, e da moralidade administrativa, posto que aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir.” Como se vê, a decisão recorrida afastou a preliminar de prescrição da pretensão à repetição do indébito, por entender que a publicação da IN 165/98 se configurou em uma das hipótese do inciso III do art. 165 do CTN (reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória) e que, assim sendo, o prazo prescricional começaria a correr da data da sua publicação por força do disposto no art. 168, II, também do CTN. Este foi o ponto fulcral da decisão recorrida. Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Esclareçase, então, que a tese do acórdão recorrido (que o dies a quo do prazo prescricional da pretensão à restituição do indébito tributário passa a ser a data da publicação da IN SRF 165/98) diverge da decisão paradigma, pois, nesta, também havia ato reconhecendo ser indevida a exação, no caso a Resolução do Senado n˚ 49/95 (relativo à contribuição para o PIS cobrado com base nos DL 2.445/88 e 24449/88), mas, que mesmo assim, aplicou o art. 168, I, do CTN. Assim posso resumir a divergência como sendo: diante de ato do Poder Público reconhecendo ser indevida a exação aplicase o art. 168,I, do CTN ou os art. 165, III, c/c o art. 168, II, do CTN? Em face do exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. A decisão recorrida merece ser reformada, pois Instrução Normativa é veículo de interpretação da norma pela Administração Tributária, não se constitui em decisão definitiva da administração acerca de determinada matéria, mesmo porque sequer vincula este Colegiado, logo, como pode ser decisão definitiva? Assim, seja pela própria literalidade do art. 165 e 168 do CTN, seja pela descabimento de se considerar instrução normativa como decisão administrativa definitiva, há que se afastar, in casu, a aplicação do inciso III do art. 165, bem como do inciso II do art. 168. Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.011824/200255 Acórdão n.º 9900000.477 CSRFPL Fl. 87 5 Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 08/11/2002, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual afasto a preliminar de prescrição e concluo ser tempestivo o pedido de restituição do IRPF que incidiu sobre as verbas de incentivo a participação em programa de demissão voluntária no ano de 1993. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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