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Numero do processo: 10675.000665/2003-95
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40
do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.077
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em nega provimento ao recurso
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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P Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente PRODUTOS ERLAN LTDA. Recorrida DRJ em Juiz de Fora - MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40 do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1 1 câmara / P turma ordinária do segunda seção de julga, - por unanimidade de votos, em nega • o' "mento ao recurso. 11, CAIS MARCOS CÂNDIDO Pre dente at-jt / CI- ARIA CRISTINA ROZ DA COSTA •elatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Processo n° 10675.000665/2003-95 S2-CI TI Acórdão n.°2101-00.077 Fl. 214 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao 3" trimestre de 1998, no valor total de R$ rb fundado nos termos da Lei n" 9.363/96 e da Portaria MF n" 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SELIC, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. No processo 10675.000703/2003-18, em apenso, encontra-se a compensação vinculada ao pleito de ressarcimento. (*excluído]. Os resultados da vercação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estão consolidados na informação fiscal de fls. 164/168. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa, procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.166/167. Comparando-se os valores originais. os cálculos do auditor fiscal resultaram na apuração do crédito presumido deste trimestre em montante superior ao apurado pela própria empresa. O indeferimento parcial do pedido diz respeito, tão-somente, à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado extemporaneamente 07. 62). Por intermédio do despacho decisório de fls. 176/178 a autoridade competente da DRF/Uberlândia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 189/198, por intermédio da qual insurge-se contra o indeferimento proveniente da glosa da 'atualização' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(...) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada pela Autoridade Tributária sob o vetusto_fundamento de que não seria devida a 'atualizacão monetária ou acréscimo de juros compensatórios sobre o crédito presumido. haja vista a inexistência de previsão legal'. eis que como o ressarcimento é urna espécie do género restituição. (J. nele incide sim a Taxa Selic prevista no artigo 39. 4". da Lei n"9.250/95 (..)" C/1—' 2 Processo n° 10675.00066512003-95 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.077 Fl. 215 Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre julho e setembro de 1998 e foi protocolado em 13/03/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não --. desde as aquisições dos insumos. Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou CÁ/ 3 Processo n° 10675.000665/2003-95 S2-CITI Acórdão o.° 2101-00.077 Fl. 216 compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de benefícios fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O princípio da indisponibilidade da coisa pública torna imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde ãf a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais superiores, possui natureza híbrida —juros de mora e correção monetária —, e também o fato de - a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. CIL"- 4 .. Processo n° 10675.000665/2003-95 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.077 Fl. 217 O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. ARIA CRISTINA RO. DjA COITA 5 Page 1 _0054400.PDF Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1
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Numero do processo: 16004.720382/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso.
IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. ARBITRAMENTO. PREÇO PARÂMETRO
A recorrente industrializava e vendia, no atacado, para a sua controladora, produtos sem a marca comercial - esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos. E, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado.
Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da recorrente, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da controladora, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, deve ser cancelado o crédito tributário de IPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS.
Os produtos gel fixador e gel desodorante fixador para cabelo classificam-se no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%.
CONDUTA DELITIVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA
Não foi adotada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam.
Assim sendo, deve ser desqualificada a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal.
Pelo mesmo motivo, devem ser afastadas as atribuições de responsabilidade tributária solidária à controladora, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN, e aos diretores da recorrente e da controladora, fundamentada no inciso III do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 3301-005.609
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ser a competência do julgamento da Terceira Seção do CARF, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora) e Valcir Gassen. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a) a exigência referente aos valores arbitrados, b) a solidariedade da Hypermarcas, e das pessoas físicas e c) afastar a multa qualificada reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Junior e a Conselheira Semírames de Oliveira Duro que também afastaram a reclassificação fiscal do produto gel para cabelo e a Conselheira Liziane Angelotti Meira (Relatora) que negou provimento integralmente ao recurso. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. ARBITRAMENTO. PREÇO PARÂMETRO A recorrente industrializava e vendia, no atacado, para a sua controladora, produtos sem a marca comercial - esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos. E, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado. Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da recorrente, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da controladora, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, deve ser cancelado o crédito tributário de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos gel fixador e gel desodorante fixador para cabelo classificam-se no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. CONDUTA DELITIVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA Não foi adotada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam. Assim sendo, deve ser desqualificada a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal. Pelo mesmo motivo, devem ser afastadas as atribuições de responsabilidade tributária solidária à controladora, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN, e aos diretores da recorrente e da controladora, fundamentada no inciso III do art. 135 do CTN.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ser a competência do julgamento da Terceira Seção do CARF, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora) e Valcir Gassen. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a) a exigência referente aos valores arbitrados, b) a solidariedade da Hypermarcas, e das pessoas físicas e c) afastar a multa qualificada reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Junior e a Conselheira Semírames de Oliveira Duro que também afastaram a reclassificação fiscal do produto gel para cabelo e a Conselheira Liziane Angelotti Meira (Relatora) que negou provimento integralmente ao recurso. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. ARBITRAMENTO. PREÇO PARÂMETRO A recorrente industrializava e vendia, no atacado, para a sua controladora, produtos sem a marca comercial esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos. E, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado. Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da recorrente, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da controladora, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, deve ser cancelado o crédito tributário de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo classificamse no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. CONDUTA DELITIVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 82 /2 01 3- 14 Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.175 2 Não foi adotada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam. Assim sendo, deve ser desqualificada a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal. Pelo mesmo motivo, devem ser afastadas as atribuições de responsabilidade tributária solidária à controladora, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN, e aos diretores da recorrente e da controladora, fundamentada no inciso III do art. 135 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ser a competência do julgamento da Terceira Seção do CARF, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora) e Valcir Gassen. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para afastar a) a exigência referente aos valores arbitrados, b) a solidariedade da Hypermarcas, e das pessoas físicas e c) afastar a multa qualificada reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Salvador Cândido Brandão Junior e a Conselheira Semírames de Oliveira Duro que também afastaram a reclassificação fiscal do produto gel para cabelo e a Conselheira Liziane Angelotti Meira (Relatora) que negou provimento integralmente ao recurso. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.176 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1049.864 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 3408/3442): Tratase de auto de infração lavrado em 21/08/2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP (fl. 2.157 e seguintes), em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – nº 08128002012 000259, para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 2.825.622,02, acrescido de juros de mora no valor de R$ 857.477,72, multas de ofício proporcional de R$ 4.238.433,06 e isolada de R$ 17.859,72 referente a IPI não lançado com cobertura de crédito, ambas no percentual de 150%, o que totalizou crédito tributário de R$ 7.939.392,52, na data da autuação. O crédito que está sendo exigido neste processo diz respeito ao estabelecimento matriz, CNPJ nº 61.082.426/000207, localizado na cidade de Barueri/SP. Foi apontado no auto de infração que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com inobservância do valor tributável mínimo entre estabelecimentos interdependentes. Fazem parte do auto de infração os demonstrativos do cálculo de juros de mora e multa de ofício, e devida fundamentação legal, bem como a planilha de reconstituição da escrita fiscal do IPI e o Termo de Descrição dos Fatos (TDF) de fls. 2064 a 2152, que a seguir será sintetizado. A empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, doravante designada “Cosmed”, é fabricante de medicamentos alopáticos para uso humano, cosméticos e produtos alimentícios (Código da Atividade Econômica CNAEFiscal n° 2121101), tributada sob a forma do Lucro Real – Anual, e tem por objeto uma vasta gama de produtos e serviços. A origem da empresa decorre das seguintes operações, no âmbito do grupo econômico Hypermarcas: outubro de 2008: Hypermarcas S/A, CNPJ nº 02.932.074/000191, doravante denominada “Hypermarcas”, adquiriu a empresa Niasi Indústria de Cosméticos Ltda., CNPJ 61.082.426/000126, bem como a comercial atacadista a ela vinculada – Aprov Comercio de Cosméticos Ltda., CNPJ 08.098.571/000112. A denominação social de Niasi foi alterada para Hypermed Industrial Ltda. Em dezembro de 2008, Aprov foi incorporada à Hypermarcas. 2009: Foi mudada a denominação social de Hypermed Industrial Ltda. para Cosmed Industrial Ltda. e alterado o estabelecimento matriz para o CNPJ 61.082.426/000207, localizado em Barueri/SP. A seguir a empresa foi transformada em sociedade anônima, passando a denominarse Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A . Essa denominação foi alterada em 11/05/2009 para Hypermed Indústria Farmacêutica S.A. e novamente alterada para Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, em 01/06/2009. Na seqüência, em 30 de junho de 2009, houve a cisão parcial da Hypermarcas , com incorporação do acervo cindido pela Cosmed, e, ato contínuo, a Hypermarcas incorporou a totalidade das ações ordinárias da Cosmed, que se tornou sua subsidiária integral. O acervo cindido, incorporado na Cosmed referese aos ativos relativos à fabricação de medicamentos e cosméticos, industrializados nas fábricas situadas nas cidades de São Paulo (estabelecimento oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa FARMASA – Laboratório Americano de Farmacoterapia S/A – CNPJ 61.150.819/000120, em dezembro de 2008) e Barueri (estabelecimento oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa DM Farmacêutica Ltda – CNPJ 67.866.665/000153, em outubro de 2007). Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.177 4 Relata o autuante que no 1º semestre de 2009, antes da transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas, a Cosmed industrializava os produtos anteriormente produzidos pela Niasi em Taboão da Serra/SP, sendo a quase totalidade das vendas feita à Aprov e à Hypermarcas e uma parte ínfima a terceiros, conforme demonstrativo a fl. 2069. A análise destas transações aponta que os preços praticados nas vendas da Cosmed às referidas empresas ligadas foram significativamente inferiores aos adotados nas vendas para os demais clientes (terceiros), conforme consolidado na planilha de fl. 2070 e seguintes. Referidos preços são também muito inferiores aos preços de revenda dos mesmos produtos praticadaos pela Hypermarcas com seus clientes, o que levou ao entendimento de que teriam sido feitas por valores subfaturados. No 2º semestre de 2009, após a transferência dos complexos industrias oriundos da incorporação da DM Farmacêutica e FARMASA para a Cosmed, a quase totalidade das vendas desta foram feitas à Hypermarcas, igualmente, em valores considerados subfaturados. O item 2 do TDF dá conta de que a autuada foi intimada a apresentar a composição dos preços de seus produtos, e que após reiteradas intimações, apresentou os custos de fabricação dos produtos industrializados pela matriz e filiais, sem informar os custos financeiros, de venda, administração e publicidade, o lucro normal e demais parcelas, individualizados por produto. Tais parcelas foram totalizadas por estabelecimento, enquanto as despesas operacionais, especialmente com propaganda e marketing foram concentradas na Hypermarcas, quando o correto seria a contabilização direta por meio de contabilidade integrada de custos ou indireta, utilizando critério objetivo de rateio. Também foram intimadas as empresas Aprov e Hypermarcas, bem como comerciais atacadistas, com vistas à verificação dos preços praticados em operações com a autuada, sendo realizadas as comparações que constam no TDF. Diante da circunstância de que os estabelecimentos envolvidos pertencem a empresas integrantes do mesmo grupo econômico, a fiscalização considerou que o remetente (interessado neste processo) e o destinatário dos produtos (Hypermarcas) mantêm relação de interdependência, em face do disposto no art. 520 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002 (art. 612 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010. De acordo com o art. 24 do RIPI/2002, a Cosmed é contribuinte do IPI, por ter industrializado referidos produtos. Não existe no Regulamento previsão de equiparação a industrial, da Hypermarcas. Assim, a tributação do IPI nas operações entre as empresas integrantes do grupo econômico está concentrada na indústria. Segundo o art. 136 do mesmo Regulamento, nas operações entre empresas interdependentes deve ser observado um valor mínimo tributável, o qual não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. De acordo com o autuante, a inobservância do valor tributário mínimo também repercutiu no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, uma vez que os produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador ou higiene pessoal estão sujeitos à incidência concentrada/monofásica. Esse procedimento ainda teria possibilitado o aumento da margem de lucro da adquirente, caracterizando uma Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL) da Cosmed para a Hypermarcas, cujos efeitos, em relação ao IRPJ e CSLL teriam sido amenizados mediante a concentração de despesas operacionais na controladora, além da realização de incorporações de companhias, adquiridas com ágio, a ser utilizado para reduzir o pagamento de tributos, o que consistiria em planejamento tributário ilícito. Em decorrência das conclusões desta ação fiscal, foram formalizados autos de infração para exigir os Fl. 4177DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.178 5 tributos PIS, COFINS, IRPJ, CSLL (processo administrativo 16004720.395/2013 93) e IPI (processos administrativos 16004.720383/201369 e 16004.720382/2013 14). Aponta a fiscalização que esse planejamento evidencia a inobservância dos princípios consitucionais da capacidade contributiva, isonomia, neutralidade da tributação em relação à competição e da solidariedade social, além de contrariar a lei, por ter sido praticado com atos ilícitos (abuso de direito) e de forma delituosa (crime contra a ordem tributária), caracterizando verdadeira evasão fiscal. O procedimento adotado pelo grupo empresarial e seus dirigentes teria resultado em modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas, estando caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação das penalidades impostas, consoante artigos art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, e alterações da Lei 11.488/2007, bem como os arts. 71,72 e 73 da Lei 4.502/1964. APURAÇÃO DO IPI DEVIDO PELO ESTABELECIMENTO MATRIZ LOCALIZADO EM BARUERI/SP (ITEM .6 DO TDF) De acordo com as notas fiscais de venda, no 1º semestre de 2009, período que antecede a transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas DM Farmacêutica e FARMASA, a quase totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Aprov e à Hypermarcas, sendo que o preço dos produtos vendidos à Aprov equivale à cerca de 32% do preço que esta pratica nas vendas aos demais clientes (valor de mercado) e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Ou seja, os preços que esta pratica com terceiros é 324% superior ao transacionado com a Aprov. No 2º semestre de 2009 os complexos industriais oriundos das empresas DM Farmacêutica e FARMASA foram transferidos para a Cosmed, e quase que a totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Hypermarcas. Da mesma forma que no semestre anterior, o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada Hypermarcas equivale à cerca de 33% do preço que esta pratica no mercado atacadista e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Portanto, o valor que a Cosmed pratica em relação a terceiros é 329% maior do que o praticado com a Hypermarcas. A autuada foi intimada a detalhar o custo de fabricação de cada produto vendido para a Hypermarcas, porém as informações prestadas não refletiram os valores unitários praticados, nem os valores declarados em DIPJ. Também foi apontado pelo autuante que em relação ao segmento de medicamentos existem um preço mínimo de fábrica (PF – Preço de Fábrica), a ser praticado pelas empresas produtoras e importadoras ou distribuidoras e um Preço Máximo ao Consumidor (PMC), controlados pela Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED. No presente caso, o PF não é o praticado pela Cosmed, mas sim pela Hypermarcas, conforme detalhado a fls. 1967 e amostragem no item 5.14 do TDF. Para fins de apuração do valor tributável mínimo a ser considerado nas operações entre a Cosmed e a controladora, nos termos do art. 163 do RIPI/2002, foi realizada pesquisa junto ao mercado atacadista da praça remetente (Taboão da Serra e Barueri) com o objetivo de verificar o preço corrente de produtos com as mesmas características e especificidades dos produtos de referência elencados pela Fl. 4178DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.179 6 fiscalização, conforme detalhado no item 6 do TDF. Tendo em vista que parte produtos produzidos pela Cosmed não possuíam similares vendidos pelas atacadistas na praça do remetente, e que também não foi possível tomar como base de cálculo o custo de fabricação acrescido dos demais custos, apresentados pelo contribuinte, em relação a estes, o valor foi arbitrado de acordo com o art. 138 do RIPI/2002. Tendo em vista que os preços praticados pela Hypermarcas representavam os preços de mercado, foram considerados como preço médio nos principais mercados nacionais. As alíquotas utilizadas foram as mesmas adotadas pela Cosmed nas notas fiscais de venda, exceto quanto aos produtos “preparações capilares (gel)” classificados pelo contribuinte no código 3307.2090 do Decreto nº 6.006/2006 Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2007, então vigente, tributado com alíquota de 7%. Entende a fiscalização que a classificação correta seria no código 3305.9000 – outras preparações capilares, tributado à alíquota de 22%. A diferença entre o IPI apurado pela fiscalização e pelo contribuinte para os períodos de julho a dezembro de 2009 corresponde a R$ 1.698.754,51. Tal diferença repercute na escrita fiscal, motivando sua reconstituição até julho de 2011, tendo em vista que nesse mês foi apurado saldo devedor de IPI, conforme detalhado no item 7 do TDF. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA À vista do disposto nos artigos 153 e 154 da Lei 6.404/1976, bem como artigos 1.011 e 1.016 da Lei 10.406/2002 Código Civil Brasileiro, e nos art. 124, inc. I e 135 do CTN, foi imputada responsabilidade solidária tributária à Hypermarcas S.A. e aos senhores Márcio Roberto Marques dos Santos (CPF 189.273.21812), Regina Célia Barros Dias (CPF 522.822.52772), Juarez Ênio Dahmer (CPF 411.004.840 00) diretores da Cosmed – senhores e Cláudio Bergamo dos Santos (CPF 101.110.68843), Nelson José de Mello (CPF 130.110.22100), Martim Prado Mattos (CPF 221.793.32807), Carlos Roberto Scorsi (CPF 030.408.15822), Alexandre Augusto Olivieri (CPF 157.441.60817) – diretores de Hypermarcas – e Sr. João Alves de Queiroz Filho, CPF 575.794.90820 (Principal acionista e Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas), conforme Termos de Sujeição Passiva que se encontram nos autos. Tendo em vista que o montante do crédito tributário sob responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa trinta por cento do Total do Ativo declarado em 31/12/2012, foi formalizado Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (processo administrativo 16004.720403/201300), com fundamento nos arts. 64 e 64A da Lei 9.532/1997 e art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.171/2011 e alterações. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 16004.720402/201357. A empresa autuada e os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações tempestivas que serão a seguir sintetizadas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA COSMED PRELIMINAR DE NULIDADE Aponta a nulidade do auto de infração, em síntese, pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário, à vista do art. 142 do CTN e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa pois não teriam sido juntadas as planilhas com as memórias de cálculo que demonstrariam as vendas consideradas efetuadas abaixo do Fl. 4179DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.180 7 valor mínimo tributável, bem como a quantificação do valor lançado. Alega que vários trechos do TDF contém menção às planilhas juntadas aos autos, mas ao consultar as folhas referidas deparouse apenas com a relação destas, que não teriam sido juntadas ao processo, conforme demonstrativo que elabora a fl. 2.898, o mesmo ocorrendo com as notificações enviadas e respondidas por empresas atacadistas. Dessa forma, não seria possível identificar os valores que o agente fiscal considera corretos quando comparados com os praticados pela impugnante. Alega que a falta de motivação ou motivação insuficiente do lançamento acarreta sua nulidade. Considera que o Termo de Descrição dos Fatos não registra a efetiva busca pela verdade material, pois não haveria a comprovação dos elementos que justifiquem a desconsideraração dos preços praticados pela empresa, nem foi intimada para justificálos. Também não é possível verificar a correção do valor tributável mínimo indicado pelo agente fiscal, nem estariam demonstrados os critérios que levaram à escolha dos estabelecimentos atacadistas intimados, nem de que cobrem todo o mercado atacadista da praça da impugnante. Muitos deles, inclusive, não atuariam somente no mercado atacadista, ou localizamse em municípios diversos. Além disso, apenas parte dos estabelecimentos intimados teria respondido à fiscalização, e, ainda assim, não constariam no processo todas as planilhas apresentadas, do que se conclui que o auto de infração se basearia em afirmações e presunções, não amparadas na busca pela verdade material. Tanto que o fiscal utilizou informações relativas a outros tributos, presentes em DIPJ, ao invés de valerse das informações constantes nos documentos relativos ao IPI , como Notas Fiscais, por exemplo. Apesar de a auditoria ter durado aproximadamente 18 meses, o IPI não teria sido objeto de questionamentos específicos. Tal prova, emprestada, não poderia ser utilizada na instrução do caso em análise. Como será demonstrado a seguir, o alegado planejamento teria propósito negocial, não mantendo qualquer relação com o IPI. Resta também prejudicada a defesa da impugnante, diante do foco do TDF, que seriam questões relativas à apuração de receitas, despesas e lucros, matéria relevante para apuração dos demais tributos, mas não do IPI, cuja legislação prevê a hipótese de empresas interdependentes realizarem operações entre si, o que teria sido desconsiderado. Haveria, nesse caso, clara ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. MÉRITO Alega inicialmente que a autuada Cosmed e Hypermarcas operam de forma independente, e nas transações entre elas devem ser observadas as disposições dos arts. 136 e 137 do RIPI/2002, cujo fundamento é o art. 15 da Lei 4.502/1964, no que tange ao valor tributável mínimo. Esclarece que os estabelecimentos da Cosmed industrializam medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal, ao passo que a Hypermarcas atua no ramos de revenda e distribuição de produtos de marcas de grande reconhecimento popular, que são de sua propriedade, industrializados por terceiros, inclusive estabelecimentos da Cosmed, havendo a transferência de titularidade de um produto sem marca, da impugnante para a Hypermarcas, que realizaria os esforços relativos à sua venda, inclusive atribuição da marca. O arbitramento para o valor de produtos que, no entender do agente fiscal, não teriam similares vendidos pelas atacadistas da praça remetente, com base no art. 138 do RIPI/2002, teria sido utilizado como medida sancionatória. Não estaria comprovado que os documentos e as informações prestadas pela autuada não merecem fé ou desvirtuam a realidade das operações efetuadas, tendo o agente fiscal Fl. 4180DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.181 8 extraído conclusões a partir da própria percepção de mercado, sem intimar a impugnante para efetuar as devidas comprovações. Cita doutrina e jurisprudência amparando seu posicionamento. Os custos de produção apurados pelo Agente Fiscal com base na DIPJ não corresponderiam à realidade, uma vez que foi disponibilizado o custo médio de produção, sem considerar as variações de inventário, as provisões de perdas prováveis, os descartes de materiais, entre outras variações de estoque que compõem o valor informado na Ficha 04A da DIPJ. Os valores de custos apresentados se refeririam exatamente ao valor discriminado na conta contábil 5110103 Custo de Venda Produtos Coligadas/Controladas do balanço da Impugnante, transmitido através do Sistema Público de Escrituração Digital Sped Contábil, que totaliza R$ 215.814.674,72 (duzentos e quinze milhões oitocentos e quatorze mil seiscentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), o qual não contempla as variações citadas, as quais incluem custo de produção própria e custo de produtos revendidos, R$ 247.440.260,71. Esse equívoco apontaria uma diferença inexistente de quase R$ 9 milhões, relativos a custos de revenda. Se a comparação considerasse a Linha 21 (Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos), seria verificada uma diferença de no máximo R$ 21 milhões, o que torna desproporcional e não razoável a adição de pelo R$ 350 milhões na base tributável do IPI, ou mais de 1500% (mil e quinhentos) por cento do valor da suposta diferença de custo levantado. A alegação de subfaturamento nas operações entre a impugnante e a Hypermarcas, não estaria amparada em qualquer elemento de prova, nem teria sido utilizado critério claro, razoável, e proporcional e previsto em lei para determinar o valor tributável correto. A documentação colocada à disposição da fiscalização permitiria apurar os valores das operações realizadas pela impugnante e, embora esta pudesse arbitrar apenas os custos das operações realizadas, optou por arbitrar o preço total de tais operações, considerando, para tanto, os valores médios praticados pela Hypermarcas nas vendas para terceiros, o que não tem previsão legal. Quanto aos produtos em relação aos quais foi aplicado o art. 136, inc I do RIPI/2002, também não teria sido observada a legislação de regência, nem se pode verificar a exatidão cálculos da fiscalização, pelos seguintes motivos: não é possível apurar se foram intimadas todas as empresas que comporiam o mercado atacadista da praça da impugnante, nem se os preços informados na resposta à intimação correspondem aos efetivamente praticados por elas, quais foram os períodos das vendas informadas, além de poderem estar incluídos neles o valor do ICMS, PIS e Cofins; os preços praticados pela própria Cosmed não foram computados no cálculo do preço médio, o que contraria o posicionamento firmado no Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve, e cujo efeito seria vinculante; o cálculo da fiscalização se vale de informações prestadas por empresas localizadas em praças distintas daquela em que se localiza a impugnante, conforme relacionado no documento 05, anexo à impugnação. Além disso, algumas delas não atuam apenas no comércio atacadista, pelo que o critério de seleção pelo CNAE informado no cadastro CNPJ seria impróprio, pois muitas pessoas jurídicas possuem CNAE principal e CNAEs secundários, como demonstra com dados obtidos da JUCESP relativos às empresas intimadas pelo autuante. Ressalta que apenas parte das empresas intimadas teriam encaminhado respostas à fiscalização. Invoca o item 6.1 do Parecer Normativo CST n° 44/1981 e o Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve; Fl. 4181DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.182 9 não teriam sido consideradas as mercadorias perfeitamente individualizadas, existindo diferenças entre as marcas dos produtos comercializados pela impugnante e pelas empresas atacadistas, além de não ser possível verificar se detém a mesma qualidade; de acordo com os itens 5.2 e 5.7 do TDF foram considerados dados e informações relativas a um terceiro estabelecimento da Cosmed (antiga FARMASA), localizado em São Paulo, o qual além de situarse em praça diversa não mantém relação com o presente auto de infração. Quanto à classificação fiscal dos produtos “preparações capilares (gel)” argumenta que seriam breves e superficiais as razões apontadas pelo fisco, sendo nula e inválida a acusação de que a impugnante teria utilizado classificação fiscal incorreta, cabendo ao fisco o ônus de comprovar a incorreção alegada, à vista do art. 142 do CTN. Defende a classificação no código 3307.20.90 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sob o argumento de que referidos produtos consistem em desodorante capilar, por possuir em sua composição a substância denominada Triclosan, antibactericida que atua na pele (couro cabeludo) e não propriamente no cabelo, sendo responsável pelo efeito desodorisador, conforme laudos técnicos que anexa (doc. 06 – fls. 3.283/3.307). Informa que diante da alegação de que teria havido planejamento tributário, contratou elaboração de parecer econômico pela empresa LCA Consultores (doc. 07), acerca da caracterização dos setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ("HPPC") e de medicamentos, e sua estrutura organizacional à luz da teoria econômica e das experiências internacionais. Esclarece que o agente fiscal teria se equivocado ao deixar de levar em conta a atividade de terceirização que, seguindo padrão adotado mundialmente, viria sendo implementada pela indústria brasileira do setor desde a década de 50, como seria o caso das empresas que cita. Define terceirização como sendo “a prática das sociedades detentoras de marcas registradas (que desfrutam da credibilidade do mercado) em se concentrar nas suasatividades fins (objeto social) e repassar para "terceiros" aquelas atividades fabris e de produção (não essenciais), que podem ser delegadas com baixos custos e altos padrões de qualidade”. O mercado de produção sob encomenda, no qual atua a COSMED, tem oportunidades de lucro relacionadas, sobretudo, com redução de custos fixos e variáveis de produção enquanto o de comercialização, no qual atua a Hypermarcas, tem potencial de ganho relacionado com ferramentas de propaganda, marketing e distribuição. A terceirização de serviços para produção de bens do mercado de HPPC está regulamentada pela Resolução – RDC nº 176/06, da Anvisa, além de ser reconhecida formalmente pela legislação tributária, como no caso do da Lei 7.798/1989 e Regulamento do IPI, bem como o art. 464 do RIR/1999, que determina regras para as operações realizadas entre partes vinculadas, estabelecendo que o valor de venda não pode ser notoriamente inferior ao valor de mercado sob pena de se caracterizar a DDL. Discorre sobre o plano de negócios da Hypermarcas, iniciado pela aquisição da empresa Prátika Industrial Ltda., detentora da marca Assolan, em 2001, prosseguindo com a aquisição de diversas outras companhias até o ano de 2009, as quais encontravamse em estágios evolutivos de negócios diferentes, gerando desafios também diferentes quanto a sua gestão. A cisão dos parques fabris situados em Barueri e em São Paulo, que foram conferidos à Cosmed, representaria mais um passo em direção da terceirização, política do Grupo Hypermarcas préexistente ao período fiscalizado, e que continua em vigor até os dias atuais, adotada também Fl. 4182DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.183 10 frente a empresas não pertencentes ao grupo. A escolha pela segregação das unidades industriais teria ocorrido em função dos estabelecimentos envolvidos e não do tipo de tributação dos produtos, além da necessidade de os estabelecimentos industriais cindidos da Hypermarcas possuírem sinergia entre si e com a estrutura de produção da Impugnante. Também foi considerada a grande dificuldade que terceiristas autônomos tradicionais enfrentariam para absorver um aumento de demanda de forma tão abrupta, além dos aspectos regulatórios próprios dos produtos em questão. No caso de medicamentos, o registro do produto junto ao Ministério da Saúde deve obrigatoriamente pertencer ao produtor, mesmo que o nome fantasia do produto pertença a um terceiro. Por decorrência, para os medicamentos, a única forma de a Hypermarcas realizar seu plano de negócios de dedicarse exclusivamente à atividade comercial seria mediante terceirização junto a empresa do próprio grupo econômico. Tudo isso se refletiria em perda de produtividade e grande aumento de custo, afetando a competitividade da companhia, e gerando um risco real de desabastecimento do mercado. Atualmente, quase todos os parques fabris da Hypermarcas teriam sido transferidos à Cosmed. A evolução da terceirização da produção das mercadorias do portfólio da Hypermarcas pode ser verificada nas fichas 6A das DIPJ referentes aos períodos a partir de de 2008. A representatividade dos produtos terceirizados (revenda de mercadorias), estaria crescendo não só em valor absoluto, mas também na proporção com o total de receitas, passando de 24,8% no ano de 2008, para 84,4% na DIPJ referente ao segundo semestre de 2012. Assim, grande parte dos produtos comercializados não estariam incluídos no regime monofásico quanto às contribuições citadas, o mesmo se verificando em relação ao IPI, o que torna insubsistente a alegação de planejamento tributário. Ademais, de acordo com as DIPJ anexas, a Hypermarcas S/A viria apurando prejuízos fiscal ano após ano, não exisitindo economia no que se refere ao IRPJ e à CSLL, e caso as atividades da impugnante fossem consolidadas com as da controladora, não haveria saldo a pagar desses tributos. Ou seja, ao contrário do apontado pelo agente fiscal, a não segregação das atividades industrial e comercial geraria um benefício tributário. Ressalta que, contrariando o entendimento do AFRFB tal forma de concentração de despesas não seria dolosa. Contesta a a análise comparativa dos índices de lucro bruto da impugnante com 62 outras pessoas jurídicas, alegando que pelas informações do TDF aparentemente referemse a somente um dos setores de atuação da Hypermarcas. Observa que, de acordo com o apontado, sua margem bruta seria muito próxima de sua principal concorrente, Provider (sendo inclusive um pouco maior). Também não se pode falar em subfaturamento, situação em que o valor registrado na contabilidade do contribuinte é inferior àquele praticado pelo mercado, presumindo se que a diferença entre o valor efetivamente escriturado e àquele praticado pelo mercado foi mantida à margem da contabilidade. Os preços praticados nas vendas da impugnante para a Hypermarcas tem amparo legal, foram efetivos, reais e seriam compatíveis com os praticados no setor de HPPC e de medicamentos, além de serem suficientes para arcar com todos os custos incorridos pela impugnante na fabricação, não havendo de se falar qualquer conduta ilícita e abusiva. Haveria confusão no tópico 5.14 do TDF com respeito ao que foi intitulado "Preço Mínimo de Fábrica PF", pois o que é estabelecido pela CMED é o Preço Máximo de Fábrica e não ao contrário. De fato, a justificativa para esse tipo de controle, é proteger os consumidores sobre possíveis abusos praticados pelas distribuidoras de medicamentos. Ocorre que Hypermarcas S/A apenas pratica um preço próximo Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.184 11 àquele fixado pela CMED nas operações em que realiza justamente porque detém a propriedade das marcas dos medicamentos que distribui. Como seria prática corrente nesse setor operações a indústria "terceirista" vende o medicamento para o detentor da marca sem esse valor agregado, para então ser vendido ao consumidor final respeitando o Preço Máximo de Fábrica. Por fim, embora as contribuições ao PIS e à COFINS não sejam objeto do presente auto de infração, argumenta que as opções fiscais de tratamento tributário para o regime monofásico seriam facultadas pelo ordenamento jurídico e colocadas à disposição dos contribuintes para que fossem seguidas, não existindo nenhum tipo de vedação legal à segregação de atividades pelos grupos econômicos atuantes nos mercados de HPPC e medicamentos, com o recolhimento dessas contribuições sob o regime monofásico pela unidade que fabrica os seus produtos vendidos e à alíquota zero na unidade que os comercializa. O fato de a Hypermarcas ter auferido vantagem com a estrutura societária implementada não justifica a imputação de suposto abuso de direito, e ainda que se considerasse a existência de planejamento tributário, o que se admite a título argumentativo, é certo que todos os limites impostos para a implementação deste "planejamento" teriam sido efetivamente cumpridos. Indevida Cobrança da "Multa Agravada" Ausência de "Fraude Penal" Não estaria comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não se caracterizando a fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso. Tanto é assim que a impugnante levou a registro todos os atos societários relacionados à operação; prestou todas as informações ao Fisco Federal, por meio das declarações e obrigações acessórias bem como apresentou todos os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização, oferecendo todos os documentos necessários à investigação, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir seu trabalho. Também não se considera que a impugnante possa ter agido em conluio, pois em nenhum momento o agente fiscal fez alegação neste sentido, nem comprovou tal prática por parte da impugnante, o que por si só, já revela imprecisão na tipificação penal. Nesse caso, a interpretação da legislação tributária deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, conforme estabelecido no artigo 112 do CTN. Em decorrência, a acusação fiscal seria desproporcional, evidenciando ofensa ao princípio da legalidade tributária, da razoabilidade e da utilidade. Aponta a ilegalidade da cobrança de juros com base na Taxa Selic sobre a multa de ofício, tendo em vista que o o artigo 13 da Lei 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Há que se ter presente a distinção do art. 113 do CTN. Finalizando, requer a declaração da nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, quanto ao mérito, seja julgado totalmente improcedente, com o cancelamento da exigência formalizada. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR HYPERMARCAS Inicialmente aponta a nulidade do auto de infração pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e pela falta de juntada das planilhas com as memórias de cálculo que Fl. 4184DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.185 12 fundamentaram as autuações. Não teria sido buscada a verdade material, estando o TDF baseado em presunções, sem que o agente fiscal tenha solicitado esclarecimentos da Cosmed a respeito da diferença de custo. Além disso, o auto de infração teria sido instruído com TDF produzido para outro auto de infração em que a Cosmed figura como autuada, não sendo possível verificar os fundamentos da exigência do IPI. Quanto ao mérito, contesta a alegação de fraude e abuso de direito. O mesmo modelo de negócio adotado pela Hypermarcas seria utilizado por empresas que atuam no mercado nacional e internacional, cujas vantagens e propósito negocial procura demonstrar com parecer da empresa LCA Consultores, anexo à impugnação. A transferência de ativos industriais de Hypermarcas para a Cosmed não teria finalidade de redução de carga tributária, mas sim de adequação à realidade mundial do seu ramo de atuação, sendo que em 2012 mais de 50% da receita da impugnante teria sido tributada com alíquota zero quanto ao IPI. Os preços praticados pela Cosmed estariam de acordo com os riscos e a operação que pratica – terceirização – sendo equivalentes aos praticados por outros terceiristas atuantes no mercado, inclusive com a própria Hypermarcas, como demonstra o citado laudo econômico, que aponta que 37% dos produtos acabados adquiridos pela Hypermarcas em 2009 foram terceirizados por empresas independentes. Contesta o arbitramento do valor tributável do IPI, desconsiderando os custos incorridos pela Cosmed e adotando preço que não seria o usual na praça do contribuinte e não representariaa margem usual do mercado em que opera, além de a alegada inconsistência de custo representar, no máximo R$ 21 milhões e não os valores considerados pelo autuante, além de haver divergências quanto ao levantamento do preço de mercado na praça do remetente. Defende a classificação adotada pela empresa para o produto “preparações capilares (gel)” descolorante para cabelo”. Esclarece que o foco da impugnação é demonstrar a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sendo que a discussão dos autos de infração está sendo feita na impugnação da Cosmed, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Nesse sentido, alega.que o conceito de “interesse comum” presente no art. 124, I, do CTN não se prestaria para atribuir responsabilidade solidária à Hypermarcas, não se confundindo com o “interesse econômico” no resultado do fato gerador, conceito já rechaçado pela doutrina e jurisprudência, que considera que o mesmo teria uma dimensão jurídica. Na sequência, repete os argumentos dos diretores da empresa, que serão a seguir relatados, ressaltando que o dispositivo em questão não se presta para atribuir responsabilidade solidária entre partes contrapostas de contratos de compra e venda, ainda que se considerasse que os preços praticados seriam inferiores aos de mercado. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DE HYPERMARCAS A impugnação de fl. 2215 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores CLÁUDIO BERGAMO DOS SANTOS, NELSON JOSÉ DE MELLO, MARTIM PRADO MATTOS, CARLOS ROBERTO SCORSI E ALEXANDRE AUGUSTO OLIVIERI. Alegam inicialmente que o lançamento seria improcedente, conforme demonstrado na defesa administrativa apresentada pela Cosmed, cujos termos reiteram e ratificam, e que optaram por apresentar defesa conjuntamente porque se encontram em situação análoga e possuem argumentos em comum, e que o foco desta é a demonstração da improcedência dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.186 13 Solicitam que sejam consideradas as suas razões, a seguir sintetizadas, no caso de serem rejeitados os argumentos apresentados pela autuada. Seria indevida a utilização do art. 124, I, do CTN para atribuir responsabilidade tributária aos impugnantes, na condição de diretores de Hypermarcas, pelos autos de infração lavrados contra a Cosmed. A definição de interesse comum pretendida pelo agente fiscal seria equivocada e rejeitada pela doutrina e jurisprudência. Em sentido jurídico, só haveria interessse comum entre pessoas que realizam conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária, todos assumindo a condição direta de contribuinte. Não se pode dizer que a Hypermarcas tenha participado efetivamente da ocorrência do fato gerador, o que só ocorreira se as duas empresas tivessem efetuado, conjuntamente, a venda de produtos para terceiros. Neste caso, não haveria que se falar em venda subfaturada ou distribuição disfarçada de lucros. A propósito, o termo “subfaturado” não teria sido utilizado em sentido técnico (emissão de fatura em valor inferior ao efetivamente praticado), o que caracterizaria simulação. Nesse sentido, observa que a doutrina citada pelo agente fiscal (artigo publicado na RDT n.° 4, de 1978) também não se refere à hipótese dos autos, pois não haveria qualquer situação de fraude. Mesmo que se admitisse, a título de argumentação, a existência de abuso de planejamento tributário, este não seria por meio de ato fraudulento ou simulatório. A existência de diretores em comum entre as duas empresas seria prática legal comumente verificada na maioria dos grupos societários e também não sustentaria a configuração de interesse em comum. Devese esclarecer, ainda, que o Sr. Martim Prado Mattos, diretor da Hypermarcas, só passou a ser Diretor da Cosmed em 30 de abril de 2013. Também não se pode presumir que esses diretores tenham sido economicamente beneficiados pela suposta falta de recolhimento de tributos. Poderia existir, quando muito, interesse meramente econômico entre as duas empresas, porém não se trataria de interesse comum na acepção jurídica. Devem também ser consideradas áreas de atuação específica de cada diretor, bem como as atribuições dos membros do Conselho de Administração, não sendo razoável pensar que todos são diretamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações tributárias da empresa. Prosseguem citando doutrinadores como PAULO DE BARROS CARVALHO, JOSE JAYME DE MACEDO OLIVEIRA, SACHA CALMON NAVARRO COELHO, ANDRÉA M. DARZÉ, bem como jurisprudência do CARF E a súmula "Súmula STJ n.° 430 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." (DJe maio/2010). A responsabilidade dos diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado é regulada pelo art. 135, III, do CTN, cuja aplicação requer a demonstração, de forma individualizada, de infração à lei ou ao contrato social, praticada pessoalmente por esses agentes, o que não ocorreu no presente caso. Ainda assim, esse dispositivo legal só poderia ser usado para atribuir responsabilidade tributária, se fosse ao caso, aos diretores da autuada, e não aos de Hypermarcas, por débitos daquela. Logo, a interpretação dada pelo autuante desconsiderou a personalidade jurídica distinta das duas empresas. Citam ainda o art. 2º da Portaria PGFN 180/2010 e o item 11 do Parecer/PGFN/CRJ 1407/2013, no sentido de que o inadimplemento não tem o condão de ensejar responsabilização as pessoas elecadas no art. 135 do CTN. Além disso a Portaria RFB 2.284/2010 estabelece que nas hipóteses de lançamento com pluralidade de sujeitos passivos, os AFRFB deverão reunir provas para caracterização dos responsáveis, cujo vínculo de responsdabilidade deverá estar caracterizado na Fl. 4186DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.187 14 autuação. Tal não teria ocorrido no presente caso, caracterizando inversão do ônus da prova e presunção de fraude, não admitidos no nosso ordenamento jurídico. Sustentam que também não seria aplicável o art. 1.016 do Código Civil Brasileiro, pois em matéria tributária prevalece a disposição específica do art. 135, III, do CTN, que tem status de lei complementar. Mesmo admitindo sua aplicação, a título de argumento, ainda assim, os impugnantes não poderiam ser responsabilizados porque não eram diretores da empresa autuada, nem ficou demonstrado que agiram com culpa no desempenho de suas funções. Da mesma forma, seria inaplicável o art. 117 da LSA, pois os impugnantes não são acionistas “controladores" da empresa Cosmed. Com respeito à desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do CC salientam que referido dispositivo não pode ser aplicado em matéria tributária, pois não consiste em lei complementar a que alude o art. 146, III da Constituição Federal. Tal desconsideração só poderia ser determinada pelo juiz, não podendo ser realizada unilateralmente pelo Auditor Fiscal. Para chegar aos administradores da Hypermarcas por meio desse dispositivo, seria necessário primeiro desconsiderar a personalidade jurídica da própria Cosmed, para tratála como mero estabelecimento da Hypermarcas e, a seguir, desconsiderar também a personalidade jurídica da Hypermarcas. Ora, se ambas fossem tratadas como uma única empresa, seria impossível falar de DDL, que não pode existir entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica. Finalizam solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, e solicitam a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SR. JOÃO ALVES DE QUEIROZ FILHO – Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas Inicialmente, repete a alegação de nulidade e os argumentos quanto ao mérito elencados pela empresa Hypermarcas, acima relatados, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Alega que não foi apontado qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei e que não seria o acionista majoritário de Hypermarcas. A empresa Igarapava Participações S.A, da qual é acionista, é que sempre teria feito parte do bloco de controle da Hypermarcas e, mesmo assim, sem ser acionista majoritária, posto que mantinha, no final do ano de 2009, apenas 31% das ações com direito a voto. Além disso, não se pode confundir as competências do Presidente com as do próprio Conselho de Administração. Prossegue repetindo os argumentos apresentados pelos diretores da Hypermarcas, antes relatados, com respeito à aplicação do art. 124, I, do CTN e à existência de “interesse comum”. Quanto à aplicação do art. 135, III, do CTN, informa que jamais revestiu a condição legal de "diretor, gerente ou representante legal" a que se refere esse dispositivo. Teria desempenhado a função de Presidente do Conselho de Administração da Hypermàrcas, nos limites da competência deste, que é de fixar a orientação geral dos negócios da companhia, de acordo com o art. 142, inc. I da LSA. De qualquer forma, os membros do Conselho de Administração não estão contemplados no enunciado art. 135, III, do CTN, aos quais o legislador não atribuiu responsabilidade tributária. O cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias é de Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.188 15 responsabilidade da área executiva, competindo exclusivamente ao diretor responsável pela área tributária. Ademais, as hipóteses de responsabilidade tributária estão expressamente previstas em lei, não cabendo a utilização de analogia para estendêlas a casos não previstos, por força do disposto no art. 108, § 1º do CTN. Esclarece que os diretores de Hypermarcas são eleitos pelo Conselho de Administração e não individualmente pelo impugnante. A responsabilidade dos sócios é tratada pelo art. 134 do CTN, enquanto que o art. 117 da LSA, que trata da responsabilidade do acionista controlador pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder, tem como objetivo a proteção do interesse dos acionistas minoritários, também não se prestando à imputação de responsabilidade em matéria tributária, por força do art. 146, III, da Constituição Federal. Finaliza solicitando o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, e a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA SRA. REGINA CELIA BARROS DIAS – DIRETORA INDUSTRIAL DA COSMED Alega que o a atuação como diretora seria restrita ao campo regulatório da divisão de medicamentos da companhia, com vínculo regido através da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT – como comprovado pela cópia da Carteira de Trabalho em anexo. Assim não haveria fundamento jurídico para sua responsabilização, nos termos do art. 135, III do CTN, bem como do art. 117, da Lei nº 6.404/1976, pois a prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só induz a responsabilidade de quem tenha administrado a companhia, pelo que a solidariedade não se expande aos meros diretores, sem poder de gestão. Salienta que, ao longo de 39 anos de atuação profissional não teria exercido outra a atividade senão a de farmacêutica, dentre outras razões, por expresso impedimento legal. Discorre sobre Direito Sanitário, ramo autônomo do direito que tem fonte no art. 24, inc. XII da Constituição Federal e abrange diversas normas legais e infralegais com objetivo de preservar a saúde da população e mitigar riscos sanitários inerentes a certas atividades próprias das sociedades atuais, pautados pelo princípio da segurança sanitária, cujo objetivo é assegurar que referidas normas se concretizem. Esclarece que os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, definidos na Lei 5.991/1973, bem como os produtos de higiene, os cosméticos, perfumes, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros, sujeitamse às normas de vigilância sanitária instituídas pela Lei 6.360/1976, só podendo ser extraídos, produzidos, fabricados, transformados, sintetizados, purificados, fracionados, embalados e reembalados, importados, exportados, armazenados ou expedidos por empresas autorizadas pelo Ministério da Saúde, cujos estabelecimentos tenham sido inspecionados pelas unidades dos Estados ou Municípios em que se localizem. O art. 8º da mesma norma determina que nenhum estabelecimento que fabrique ou industrialize referidos produtos poderá funcionar sem a assistência e responsabilidade efetivas de técnico legalmente habilitado, sendo esse o fundamento das atividades da impugnante, de natureza eminentemente técnica. Destaca que não estaria atuando como administradora ou dirigente da empresa Cosmed, mas sim exercendo a profissão de farmacêutica, ainda que como Diretora Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.189 16 Técnica, e, por decorrência, achavase submetida às regras do Conselho Federal de Farmácia, que impõem uma conduta estritamente vinculada com a sua área de atuação. Dentro de suas atribuições, no âmbito da legislação sanitária, jamais teria praticado atos que pudessem ser imputados como culposos ou dolosos, o mesmo não ocorrendo em área de seu completo desconhecimento, como a área fiscal. Sequer haveria, nas atas da empresa, registro de sua participação em atividades econômicas ou financeiras. Suas atividades se davam integralmente na área regulatória, em constante comunicação com os órgãos do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária, como decorrência do disposto na Lei 6.360/1976, arts. 53 a 56. O termo Diretora Técnica ou Industrial seria comumente usado para todos aqueles farmacêuticos ligados à produção e assuntos regulatórios, no referido segmento industrial. Anexa cópias do Estatuto Social e Atas das Assembléias Gerais para comprovar suas alegações. Observa que na qualidade de diretora empregada da Cosmed estava vinculada ao poder da direção administrativa da companhia na prestação dos serviços inerentes à sua área de atuação, só respondendo solidariamente em caso de prejuízos causados em virtude do não cumprimento das normas a ela relativas. Invoca, nesse sentido, o art. 158 da Lei n° 6.404/76, que trata das responsabilidades dos administradores das sociedades anônimas, bem como jurisprudência judicial, no sentido de excluir a responsabilidade tributária de diretor técnico, à vista do art. 135, III do CTN. Finaliza solicitando a anulação do Termo de Sujeicão Passiva Solidária e o reconhecimento de sua ilegitimidade para figuar no pólo passivo do auto de infração. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DA COSMED A impugnação de fl. 2478 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores JUAREZ ÊNIO DAHMER e MÁRCIO ROBERTO MARQUES DOS SANTOS, na qual reiteram e ratificam a defesa apresentada pela empresa autuada e com argumentos idênticos aos dos diretores de Hypermarcas, sustentam que seria indevida a sua responsabilização, solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva. O Recurso Voluntário foi julgado pelo Acordão nº 1049.864 3ª Turma da DRJ/POA , com a seguinte Ementa (fl. 3408): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É legítimo o lançamento de ofício de diferenças do IPI, apuradas em relação a saídas de produtos para firma com a qual o Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.190 17 remetente mantém relação de interdependência, praticando preços muito inferiores aos de mercado e sem incluir na base de cálculo do IPI todos os custos e demais elementos previstos na legislação como obrigatoriamente componentes do valor tributável mínimo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo classificamse no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. A existência de circunstâncias qualificativas previstas em lei justifica a exigência de multa de ofício no percentual de 150% do imposto que deixou de ser recolhido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IPI no prazo legal. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária à empresa integrante do mesmo grupo econômico da autuada, em vista do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária apurada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Esta turma do CARF, por meio da Resolução no. 3301000.531 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fl 4105/4126), determinou diligência para que a unidade de origem providenciasse a disponibilização nos autos do teor dos arquivos indicados às fls. 1976 a 1982 e consolidasse os valores da presente autuação, segregandoos por modalidade de apuração da base de cálculo, isto é: (i) VTM do art. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) arbitramento do art. 138 do mesmo RIPI. Em resposta, foi juntada a Informação Fiscal às fls. 4137/4141. A Recorrente teve oportunidade de se manifestar sobre a Informação Fiscal, conforme documentos constantes às fls. 4148/4156. É o relatório. Voto Vencido Fl. 4190DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.191 18 Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre inicialmente consignar que a ação fiscal objeto do MPF n.º 0812800 2012000259, referiuse aos tributos IPI, PIS/COFINS nãocumulativos, IRPJ e CSLL, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, junto à Recorrente. Serão julgados conjuntamente o Processo no. 16004.720382/201314, relativo ao tributo IPI ESTABELECIMENTO MATRIZ, e o Processo no. 16004.720383/201369, concernente ao o IPI do ESTABELECIMENTO FILIAL. O Processo no. n° 16004720.395/201393, relativo a PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, já foi julgado, Acórdão nº 1402002.337 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 5 de outubro de 2016, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. OPERAÇÕES REALIZADAS A VALOR DE MERCADO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em distribuição disfarçadas de lucros quando as operações foram realizadas em valores absolutamente dentro da média praticada no mercado. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Em decorrência da relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento de CSLL as razões de decidir utilizadas em relação ao lançamento de IRPJ. PIS E COFINS. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NORMA QUE ESTIPULE VALORES MÍNIMOS NAS OPERAÇÕES INTRAGRUPO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Fl. 4191DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.192 19 Demonstradas que as operações questionadas pelo Fisco não configuram distribuição disfarçada de lucros, tampouco simulação, e na ausência de normas que estipulem valores mínimos a serem praticados entre empresas do mesmo grupo para fins da incidência de PIS e de Cofins no regime monofásico, cancelase o crédito tributário correspondente. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. INSUMO. CONSULTORIAS. Insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto ou serviço prestado. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ANÁLISE LABORATORIAL. EXIGÊNCIA DA ANVISA. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos relativos à aquisição de serviços ligados à análise laboratorial, decorrentes de exigências legais, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. A locação de mão de obra é citada expressamente como prestação de serviço, já que sujeita ao ISS, conforme Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003 item “17.05 Fornecimento de mão de obra, mesmo em caráter temporário, inclusive de empregados ou trabalhadores, avulsos ou temporários, contratados pelo prestador de serviço”. Não se pode confundir a locação de mão de obra (prestação de serviço), com a locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pois essa não é considerada prestação de serviço (Súmula Vinculante STF nº 31), razão pela qual o legislador citou expressamente que dá direito ao crédito de PIS e Cofins o pagamento feito a pessoas jurídicas a título de locação de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, não sendo necessária a menção direta a locação de mão de obra por esta já estar enquadrada no conceito de insumo utilizado na produção e fabricação de bens e produtos destinados à venda. Portanto, caso o legislação não citasse expressamente o direito à apropriação de crédito relativo a locações de Fl. 4192DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.193 20 prédios, máquinas e equipamentos não seria possível incluir tal direito na cláusula geral de serviço prestado por pessoa jurídica, o mesmo não ocorrendo em relação à locação de mão de obra. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ALUGUEL. Vedado o creditamento relativamente a aluguel de imóvel que já tenha integrado patrimônio da pessoa jurídica. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004, bem assim, de bens não utilizados diretamente na produção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente qualquer elemento que denote dolo, não há como se manter a qualificação da penalidade, mormente na hipótese de manutenção do lançamento somente no tocante à discussão de direitos a créditos de PIS e Cofins. INAPLICABILIDADE DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. Não há que se falar em exoneração de multa e juros, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN, se as decisões colacionadas pela Recorrente não possuem efeito vinculante, sendo válidas somente entre as respectivas partes. Fl. 4193DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.194 21 Na ausência de qualquer norma complementar que tenha orientado a conduta praticada pela Recorrente, não há como aplicar o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a única infração que poderia, em tese e em relação aos coobrigados, demonstrar seus interesses jurídicos na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, bem como demonstrado não haver qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por consequência, excluemse os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. Recursos Voluntários dos Coobrigados Providos. Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica Autuada Provido em Parte. Registrese ainda que o Acórdão nº 1402002.337 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (Processo 16004720.395/201393) foi objeto de Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda (admitido) e Embargos de declaração da contribuinte e encontrase no CARF para prosseguimento. Cumpre observar, preliminarmente, as disposições do RICARF sobre conexão e vinculação de processos. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados Fl. 4194DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.195 22 em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Dessa forma, entendese que há conexão entre os dois processos em julgamento nesta sessão Processo no. 16004.720382/201314 e Processo no. 16004.720383/201369 e o Processo Processo no. n° 16004720.395/201393, relativo a PIS, COFINS, IRPJ e CSLL já foi julgado, Acórdão nº 1402002.337. Em razão das disposições do RICARF colacionadas, concluise que a competência é da 1a Seção deste CARF e propõese o encaminhamento dos processo em pauta para a Seção competente. Após a preliminar de incompetência, passamos a analisar as alegações constantes do Recurso Voluntário, que são as seguintes: · Nulidade da decisão recorrida e do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. · Impossibilidade de se aplicar o arbitramento no caso concreto, sendo necessário se considerar os custos indicados pela recorrente, que não apresentam qualquer incompatibilidade com a DIPJ, com alegado pela fiscalização. Além disso, todas as informações necessárias para a quantificação da base de cálculo do IPI encontravamse disponíveis na escrituração contábil digital entregue pela recorrente à RFB. Com isso, concluiu que o Fiscal se utiliza do arbitramento como medida sancionatória. · A legalidade da estrutura societária do Grupo Hypermarcas. Inexistência de planejamento tributário ilícito, inocorrência de fraude à lei, demonstração de propósito negocial nas operações. Pela análise Fl. 4195DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.196 23 do segmento econômico da recorrente, demonstrou o fundamento do plano de negócios do Grupo Hypermarcas. · A diferença de preços praticados pelas empresas decorre do fato de que cada uma delas atua com plena autonomia e dentro de suas características, a fim de atingir os objetivos previstos no seu respectivo contrato social, apresentando custos diferentes e agregando valores distintos, inerentes às suas próprias atividades dentro do Grupo. A essencialidade das despesas de distribuição e marketing para a Hypermarcas, e não para a recorrente. · O arbitramento não poderia ter sido baseado nos preços praticados pela Hypermarcas, visto que esses não correspondem ao preço dos “principais mercados nacionais” previstos no art. 138, § 2º do RIPI/02, pelo simples fato de que tal empresa atua em mercado distinto ao da recorrente, que exerce atividades de terceirização de produção de mercadorias. · Inobservância dos critérios legais para a determinação do VTM: não há provas de que as empresas intimadas para representar o mercado atacadista da praça do remetente refletem todo o universo das vendas de Taboão da Serra; parte das empresas intimadas sequer apresentou resposta à fiscalização; várias empresas atuam também no mercado varejista; não houve realização de auditoria competente para verificar a correção das informações prestadas pelas empresas intimadas; foram considerados dados relativos a empresas situadas em praças distintas (São Paulo e São Caetano do Sul); foram tomados preços de produtos diversos dos produzidos pela recorrente (de marcas e qualidades diferentes); o preço praticado pela recorrente nas suas vendas para Hypermarcas não poderia ter sido desconsiderado. · Correção da classificação fiscal dos produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador”. · Inexistência de vendas subfaturadas. Regular apuração do preço máximo de fábrica, imposto pela Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. · Indevida cobrança de multa agravada, por não haver prova de qualquer irregularidade cometida pela empresa e nem do alegado intuito de fraude. · Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Os responsáveis solidários, ao tempo em que aderem integralmente aos argumentos do recurso voluntário da COSMED, alegam ter havido modificação do fundamento legal indicado no termo de sujeição passiva solidária, considerando que a DRJ sustenta sua decisão no art. 8º do DL 1736, não mencionado na autuação. Defendem, ainda, a improcedência do termo de responsabilidade solidária seja porque o agente fiscal não enunciou a conduta infracional supostamente praticada pelos responsáveis; seja porque não há que se Fl. 4196DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.197 24 falar em interesse comum que justificasse a aplicação do art. 124, I do CTN; seja, ainda, porque não houve fraude ou simulação para fundamentar a responsabilidade no art. 135 do CTN, que não se aplica para casos de mero inadimplemento das obrigações tributárias; seja, por fim, pela impossibilidade de se aplicar o art. 50 do Código Civil em matéria fiscal. 1. VALIDADE DO LANÇAMENTO E DA DECISÃO RECORRIDA Nos termos do relatado, a Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento em razão de suposto cerceamento de seu direito de defesa, tendo em vista que a ela não teria sido dada a oportunidade de analisar os cálculos realizados pelo Fiscal, já que faltam instruções ou detalhamentos da planilha utilizada no Termo de Descrição dos Fatos, que não se encontra no corpo da peça que instruiu o lançamento. Sem razão, porém, a autuada. No entanto, segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Nenhum desses vícios, entretanto, é verificado no presente procedimento, que foi conduzido por autoridade competente e com total observância ao direito de defesa do fiscalizado. Nesse sentido, a decisão atacada confirma que todos os documentos mencionados na autuação encontramse no processo digitalizado, explica como acessálos e exemplifica o que afirma quando traz a imagem de um dos documentos a que o contribuinte se refere como não tendo tido acesso. Ademais, aduz que: Verificase, ainda, que o TDF reportase ao procedimento da auditoria como um todo, tendo o autuante exposto suas conclusões a respeito do procedimento adotado pelo contribuinte e seus reflexos em relação aos tributos que ensejaram lançamento de oficio, para a seguir expor minuciosamente o procedimento de apuração do IPI que deixou de ser recolhido no período auditado. Os itens 6 e 7 do TDF dão conta que a formalização do lançamento desse tributo foi precedida de incontestável interação entre a empresa impugnante e o agente fiscal, com vistas a apuração da efetiva base de cálculo do IPI nas operações praticadas. O autuante não só esclareceu as razões que o levaram a adotar a apuração de valor tributável mínimo, em detrimento dos preços praticados pela impugnante nas vendas para a Aprov e para sua controladora Hypermarcas, como também demonstrou com documentos, planilhas e memórias de cálculo os fatos que motivam suas conclusões, tudo isso obtido mediante análise de informações contidas nos bancos de dados da RFB, de documentos, notas fiscais e esclarecimentos prestados pela própria autuada e também pelas demais empresas que foram intimadas no curso da auditoria, nesse caso com estrita observância das normas a respeito da apuração do valor tributável mínimo. Além disso, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa da parte, que apresentou extensas, substanciosas e detalhadas razões recursais, demonstrando conhecer perfeitamente os motivos da autuação, devese observar a jurisprudência já consagrada Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.198 25 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Acórdão: CSRF/0202.301). Pelo exposto, portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. 2. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO O valor tributável mínimo está previsto nos arts. 136 e 137 do RIPI/02, in verbis: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Fl. 4198DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.199 26 Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarse á por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA‑GERAL DA FAZENDA NACIONAL De início, restanos afirmar que, ainda que a legislação do IPI não impeça a terceirização de etapas da industrialização, o fato é que, na hipótese dos autos, as saídas ora tributadas referemse a produtos industrializados pela COSMED, por conta própria, conforme documentado em livros, notas fiscais, registros e demais documentos juntados aos autos e já devidamente analisados pelos Julgadores de Primeira Instancia, que afastam, assim, a insistente argumentação da empresa, de que teria havido, na verdade, apenas transferência de produtos sem marca, sendo as operações da empresa de mera terceirização. Visto isso, ressaltase que a interdependência de duas empresas, nos termos do art. 520, I, do RIPI/02 verificase sempre que uma delas tiver participação no capital social da outra de quinze por cento ou mais, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física, exatamente como se dá no presente caso, em que a HYPERMARCAS S.A. (empresa Comercial) detém 100% das ações da COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (recorrente), segundo indicado pela Fiscalização. A interdependência, no caso, estaria também configurada pela vinculação gerencial e coincidência de sócios e administradores (devidamente demonstrado no item 7.1.1.1 do Termo de Descrição dos Fatos) e, ainda, porque a recorrente vende para a HYPERMARCAS quase a totalidade dos produtos que industrializa. De todo modo, a relação de interdependência entre as partes sequer foi contestada pela recorrente. Apontada, portanto, a interdependência entre as empresas envolvidas nas operações fiscalizadas, a recorrente deveria ter aplicado, nas vendas realizadas para a HYPERMARCAS, o valor tributável mínimo. No entanto, o que se viu nos autos foi que a fiscalizada industrializou seus produtos e os vendeu, quase que em sua totalidade para a HYPERMARCAS a preços Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.200 27 significativamente inferiores àqueles praticados na operação com terceiros independentes. Além disso, identificouse, ainda, que os preços praticados pelas interdependentes no mercado atacadista, na venda a terceiros não integrantes do Grupo Hypermarcas, eram muito superiores aos preços praticados intragrupo. Senão vejamos: 1º Semestre de 2009 (01/01/2009 a 30/06/2009): Ou seja, apuramos que o preço dos produtos vendidos à Aprov [incorporada pela Hypermarcas em dezembro de 2008] equivalia à cerca de 32% (trinta e dois por cento) do preço pratica pela Aprov nas vendas aos seus clientes (valor de mercado). O quadro acima também demonstra que o preço dos produtos vendidos à Aprov equivale à cerca de 30% (trinta por cento) do preço praticado pela Cosmed nas vendas a terceiros (outros clientes da Cosmed). (...) 2º Semestre de 2009 (01/07/2009 a 31/12/2009): Mais uma vez apuramos que o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada (Hypermarcas) equivale à cerca de 33% (trinta e três por cento) do preço praticado pela Hypermarcas no mercado atacadista. Da mesma forma, o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada (Hypermarcas) equivale à cerca de 30% (trinta por cento) do preço praticado nas vendas da Cosmed com terceiros (clientes da Cosmed). O simples fato de estabelecimentos interdependentes praticarem entre si preços diferentes daqueles negociados no mercado, quando da comercialização entre partes não relacionadas, denota o favorecimento entre elas o que, por si só, autoriza a conclusão de que a recorrente, de fato, praticou a infração que lhe foi imputada. Tudo isso, partindose do pressuposto de que o RIPI/02, nos seus arts. 136 e 137, traz normas que, claramente, visam A impedir que os fabricantes se utilizem de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo do imposto. Assim, existindo mercado atacadista na praça do remetente, o preço do produto negociado entre as empresas interdependentes deveria corresponder ao preço corrente naquele mercado, o que, claramente, não se deu nos autos. A fim, portanto, de demonstrar a infração cometida pela fiscalizada e de se chegar a esse valor de mercado, a ser calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior, exatamente como manda a legislação, a Fiscalização intimou 25 empresas comerciais atacadistas localizadas em Taboão da Serra e Barueri (cidades onde estão localizados os estabelecimentos industriais da COSMED, respectivamente, filial e matriz), listadas no item 2.3 do Termo de Descrição dos Fatos e identificados por meio do CNAE Fiscal, a informar o preço de revenda, no atacado, de cada produto que tivesse as mesmas características e especificidades das mercadorias industrializadas pela COSMED, indicando, ainda, a quantidade de produtos vendidos. Nesse sentido, na intimação enviada aos atacadistas da praça da recorrente constava que “para os produtos de referência, cujas características e especificidades são Fl. 4200DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.201 28 diferentes dos produtos revendidos pela Atacadista Intimada, não é necessário infirmar o valor do preço de venda”, o que afasta qualquer alegação no sentido de que a apuração dos preços de mercado teria levado em consideração produtos diversos dos fabricados pela recorrente. De todo modo, é certo que não se pode exigir, na apuração desta média, que sejam considerados produtos idênticos, até porque, isso seria impossível, levandose em conta as peculiaridades de cada marca. Assim, as orientações das autoridades fiscais para o caso são no sentido de que se considerem as mercadorias caracterizadas por tipo, modelo, espécie e quantidade, ou seja, produtos de mesma natureza que permita à Fiscalização ter parâmetros para se obter o valor de mercado, a exemplo do ADN CST nº 05/82, que não exige mercadorias exatamente iguais. Aceitar a tese da recorrente e entender que as mercadorias analisadas para se chegar ao valor de mercado deveriam ser idênticas seria, em última análise, reconhecer que a base de cálculo estabelecida pelo fabricante (que seria sempre único) de certo produto nas saídas para empresas interdependentes estaria correto, pela ausência de qualquer outro produto da mesma natureza que integrasse o universo de preços do mercado atacadista da praça do remetente. Esse entendimento, além de ilegal, por impedir a aplicação da Lei, esvaziaria o significado do termo “mercado”. Obtido, portanto, o preço de mercado praticado pelas atacadistas que, na praça da remetente, vendem produtos com as mesmas características daqueles que são por ela fabricados, e levandose em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos de mesma espécie, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas localizadas na mesma praça da remetente, ainda que isso não represente levar em conta todos os atacadistas – embora a presente ação fiscal tenha sido bastante abrangente, e a recorrente não tenha demonstrado quais atacadistas teriam, supostamente, ficado de fora da pesquisa – correto o lançamento. Para os casos em que os produtos industrializados pela COSMED não possuíam similares vendidos por atacadistas de Taboão da Serra, considerouse inexistir mercado atacadista naquela praça e, por isso, aplicouse, na apuração do VTM, a regra do art. 137, parágrafo único, II do RIPI/02, tomandose como base de cálculo o custo de fabricação do bem, acrescido dos demais custos previstos na legislação. Levandose em conta que referido cálculo deve abranger todos os custos referentes ao PRODUTO: sejam eles custos de produção, de venda e de publicidade, dentre outros que concorrem para a formação do preço do bem, ainda mais porque o IPI não é um imposto pessoal (de modo a considerar os custos da pessoa do industrial ou da pessoa do distribuidor), mas sim um imposto real, devendo ser levados em conta todos os custos da mercadoria, o preço praticado pelo destinatário (no caso, pela HYPERMARCAS) é o que efetivamente abrange, além dos custos de fabricação, também os demais elementos que devem ser considerados na fixação do VTM, razão pela qual foram eles considerados, sem se falar em arbitramento. Mas ainda que se entenda que de arbitramento se trata, o fato é que a prática de preços irrisórios na venda dos produtos pelos industriais para comerciais interdependentes ofende a teleologia da norma e representa burla à legislação levada a feito pelo contribuinte, o que autorizaria a Fiscalização – com fundamento no art. 148 do CTN, no art. 138 do RIPI e, ainda, com esteio no princípio da verdade material – a desconsiderar a contabilidade da Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.202 29 empresa (ainda mais em casos como os dos autos, em que a fiscalizada sequer informou os custos indiretos individualizados por produtos ou o lucro apurado na venda de cada um dos bens) e levar em conta, na fixação da base de cálculo da exação, os preços de mercado dos produtos, a fim de se chegar a um valor correspondente à realidade. Nesse sentido, e partindo do pressuposto de que quase a totalidade das vendas da recorrente foi destinada à Hypermarcas, que revendeu os produtos industrializados pela COSMED no mercado atacadistas independente, os valores praticados nestas operações foram tidos como os preços reais e com isso, apurouse a média dos preços praticados pela Comercial interdependente para fins de apuração das diferenças de IPI devidas pelo estabelecimento industrial remetente. Esta providência adotada pelo Fiscal já foi corroborada por este Conselho, a exemplo do que decidido no acórdão nº 20204.484, em que a Turma Julgadora concluiu que no caso de não haver outros atacadistas que comercializem os produtos especificados, o VTM deve ser o preço praticado na venda a terceiros pelo próprio estabelecimento interdependente, quando único na praça. Ainda no mesmo sentido foi proferido o acórdão nº 3301001.847. Mais recentemente, em julgamento proferido pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção, negouse provimento ao recurso voluntário do contribuinte (acórdão 3201001204) sob o fundamento de que o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. Por fim, não faz sentido incluir, segundo pleiteado pela recorrente, na apuração do VTM, o valor das vendas da Industrial para a Comercial interdependente, já que se o VTM é para ser aplicado justamente nestas vendas (entre interdependentes), por óbvio que não se pode tomar em conta o preço erroneamente praticado na venda para a Comercial. Assim, a decisão recorrida deve ser mantida neste ponto. 3. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Nos termos do relatado, as alíquotas utilizadas pela recorrente na apuração do IPI devido em razão da saída do produto gel para cabelos foi indevida, uma vez que, ao contrário do que entende a fiscalizada, tais produtos não devem ser classificados no código 3307.2090 da TIPI/ 2007, mas sim na posição 3305.9000, com alíquota de 22%. Em relação ao tema, pedese vênia para transcrever trechos da decisão recorrida, que corrobora o entendimento da Fiscalização e concluiu que: Definida a competência da RFB para efetuar a classificação fiscal de produtos, devese também considerar que o art. 16 do RIPI/2002, em vigor na época, estabelece que a classificação fiscal dos produtos é feita em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI) do Sistema Harmonizado, Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do texto da referida nomenclatura, em que se baseia a TIPI. Fl. 4202DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.203 30 A RGI 1 estabelece que os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo, sendo que, para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas demais RGIs. Os produtos de cuja classificação se trata, anteriormente citados podem ser classificados no Capítulo 33, referente a “óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas. O texto da posição 3305 e suas subposições diz o seguinte: (...) Nesse caso, devese ainda recorrer ao art. 17 do RIPI/2002 segundo o qual as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, em que se baseia a TIPI (Decretolei no 1.154, de 1971, art. 3o). Vejase o que dizem as Nesh da posição 3305: (...) Consequentemente, a posição 3305 compreende todos os produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas para uso capilar, excluindose a sua classificação na posição 3307, o que revela a impropriedade da classificação adotada pela impugnante, na subposição 3307.20 que se refere a desodorantes (desodorizantes) corporais e antiperspirantes e o acerto da classficação do produto “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo no código 3305.9000 da TIPI/2002, adotada no auto de infração, que deve ser mantida, para fins de exigir a diferença de imposto resultante da utilização da alíquota inadequada. Em resumo, e para finalizar, cabe dizer que o interessado promoveu saídas de produtos tributados pelo IPI, destinados a firma com a qual mantém relação de interdependência, praticando preços muito inferiores aos de mercado, não tendo incluído na base de cálculo do IPI todos os custos e demais elementos previstos na legislação como obrigatoriamente componentes do valor tributável mínimo, além de ter dado saída aos produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo com alíquota incorreta, em virtude de errônea classificação fiscal, fatos que foram regularmente apurados no presente processo, devendo ser integralmente mantida a autuação, nesse particular. Dessarte, a decisão recorrida deve ser mantida também neste ponto. Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.204 31 4. DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Insurgese a recorrente contra a aplicação da multa qualificada, prevista no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, alegando que não teria agido com dolo ou fraude. Afirma, ainda, que a multa teria sido aplicada com base em meras alegações da Fiscalização, sem elementos probatórios que corroborassem tal entendimento. Na hipótese vertente, em relação ao IPI, a autuação decorreu do fato de a recorrente ter efetuado a venda de seus produtos industrializados para a comercial interdependente por valores sabidamente ínfimos (ainda que não se fale, propriamente, em preços subfaturados, o fato é houve a prática de preços notoriamente irrisórios), sem observar o VTM imposto pela legislação do IPI, praticando valores conhecidamente vis, que não eram observados no mercado e nem mesmo nas vendas para empresas independentes. Nesse sentido, transcrevese trechos do Termo de Descrição dos Fatos, que resumem de forma clara a situação dos autos e demonstram a existência de fraude que justifica a manutenção da qualificação da penalidade aplicada: ...Desta forma, restará comprovado que nas vendas subfaturas intercompany o único fundamento econômico que justifica as operações realizadas é a redução da carga tributária do referido grupo. (...) Restou comprovado que a venda de produtos, produzidos pela Cosmed, por valores ínfimos, afeta sobremaneira a apuração do lucro bruto da companhia. Se compararmos o índice da Cosmed com o obtido em 62 (sessenta e duas) pessoas jurídicas do mesmo segmento, apuramos que o índice destas empresas é 25 vezes maior. (...) Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a Cosmed e a Hypermarcas, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. Prova disso é que a Cosmed pratica preços totalmente diversos quando o cliente não é a Hypermarcas. (...) Conforme demonstrado no tópico 1.2, o grupo Hypermarcas utiliza dois critérios na valoração dos preços de venda praticados pela Cosmed: um para as vendas feitas para as empresas ligadas (Hypermarcas e Aprov) e outro para os demais clientes (terceiros). Restou comprovada a desproporção entre as vendas para Aprov/Hypermarcas e as vendas efetuadas para os demais clientes (terceiros) ao longo do anocalendário de 2009. (...) Ou seja, não encontramos nenhuma lógica ou explicação plausível para o fato de a Cosmed adotar um critério de preço (subfaturado) praticado nas vendas à Hypermarcas (produtos submetidos à tributação monofásica) e outro critério de preços praticados nas vendas à terceiros clientes (que não seja a Hypermarcas) ou nas vendas de produtos submetidos à tributação normal do PIS e da COFINS (cuja tributação não é concentrada). Fl. 4204DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.205 32 Ademais, intimamos a fiscalizada, por diversas vezes, para esclarecer a razão pela qual adota política de preços diferenciada em razão da natureza da tributação (monofásica x normal). Até esta data nada foi esclarecido. Por todo o exposto não resta dúvida de que não houve propósito econômico nas vendas subfaturadas feitas à Hypermarcas. (...) Além de já ter sido demonstrado que as partes envolvidas são empresas interdependentes (a Cosmed é subsidiária integral da Hypermarcas), ou seja, pertencem ao mesmo grupo econômico, restou comprovado que as operações realizadas (venda de produtos industrializados pela Cosmed para a Hypermarcas por valores subfaturados) fogem da normalidade comercial e tiveram como objetivo preponderante a economia tributária. Portanto, é notório que nas operações realizadas entre a Hypermarcas e sua subsidiária (Cosmed) o único fim econômico e social que houve foi a diminuição da carga tributária e o aumento do lucro do grupo Hypermarcas, obtidos à custa de uma prática abusiva, ilegal e ilícita. Ainda que outras alegações também tenham sido utilizadas pelo Fiscal como reforço de argumentação, o fato é que da simples leitura destes trechos do relatório fiscal já se pode aferir os fatos que deram origem à autuação e que representam ofensa ao RIPI/02. Nesta toada, o que fez a Fiscalização foi considerar inoponíveis ao Fisco os valores de vendas da Industrial para a Comercial, procurando demonstrar a sua abusividade, que não estaria encerrada, exclusivamente, na separação das atividades de industrialização e comercialização dentro do Grupo Hypermercas, mas sim na prática dos preços inferiores ao de mercado na venda intragrupo, em total desrespeito ao VTM. Verificase, assim, que ao segregar suas atividades e, em consequência dessa separação, praticar preços muito inferiores aos de mercado nas vendas realizadas para empresa comercial interdependente, o contribuinte praticou conduta fraudulenta, tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da real ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos no montante que ora lhe é exigido. Portanto, devese também manter a decisão de piso neste ponto. 5. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A despeito de a DRJ ter informado que, no caso dos autos, os juros incidem apenas sobre o principal, não recaindo sobre a multa, a contribuinte, fazendo uma interpretação meramente literal, mais simples e de menor grau de certeza da legislação aplicável, pleiteia a exclusão dos juros aplicáveis sobre a multa, por entender que deveriam recair apenas sobre o valor do tributo. Ocorre que, em uma análise sistemática do Código Tributário Nacional, percebese que os juros são devidos também sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Vejamos. Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.206 33 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1º do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. No acórdão nº 10196.177, a Conselheira Relatora conclui neste mesmo sentido: “1. A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). 2. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendese no crédito tributário o valor do tributo e da multa. ... b. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora;” Por tudo isso, não há como se negar a incidência de juros sobre a multa de ofício. 6. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Segundo relatado, paralelamente ao lançamento foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em face da Hypermarcas, de seus diretores e do Presidente do seu Conselho de Administração, bem como em face dos diretores da Cosmed. Em suas defesas, os responsáveis solidários alegaram, basicamente, ter havido modificação do fundamento legal indicado no termo de sujeição passiva solidária, Fl. 4206DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.207 34 considerando que a DRJ sustenta sua decisão no art. 8º do DL 1736, não mencionado na autuação e, ainda, a improcedência do termo de responsabilidade solidária, considerando que o agente fiscal não enunciou a conduta infracional supostamente praticada pelos responsáveis; que não interesse comum que justificasse a aplicação do art. 124, I do CTN; e nem qualquer outra razão que permite fundamentar a responsabilidade no art. 135 do CTN, que não se aplica para casos de mero inadimplemento das obrigações tributárias; seja, por fim, pela impossibilidade de se aplicar o art. 50 do Código Civil em matéria fiscal. De início, importa ressaltar que, em momento algum de suas defesas, os responsáveis em questão buscam provar que a condição de efetivos diretores, responsáveis pela gerência das empresas, que lhes foi atribuída, não condiz com a verdade. Assim, é indiscutível a condição de gestores de tais recorrentes. Ademais, também não há que se falar que a DRJ teria alterado o fundamento legal da responsabilidade imposta, já que, da mesma forma que nos termos de sujeição passiva, tratou expressamente dos arts. 124 e 135 do CTN. A menção ao art. 8º do DL 1736/79 representou mero argumento de reforço à sua tese de que, de fato, há que ser mantida a autuação também em face dos responsáveis solidários. Outrossim, também não há que se falar em improcedência da responsabilização por aplicação equivocada do art. 50 do Código Civil ao caso dos autos. Ora, em momento algum se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma das empresas envolvidas na operação fiscalizada e nem os atos por elas praticados, ao contrário do que a firma a recorrente. Em relação aos fundamentos da responsabilidade que lhes foi imputada, reza o art. 135, inc. III do CTN, que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. É da dicção do art. 135 do CTN que a solidariedade do diretor, gerente ou representante, pela divida da sociedade, se manifestará, quando comprovado que, no exercício de sua administração, foram praticados atos contemplados pelo comando legal citado, porém com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, para que haja a subsunção da norma do art. 135, inc. III do CTN, segundo o qual há responsabilidade solidária da empresa fiscalizada e do administrador, temos que perquirir a presença de dois elementos: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. A qualidade de administradores é indiscutível. A prática de ato ilícito, consoante relatado outrora e constatado no curso da ação fiscal instaurada para a apuração de crédito tributário devido, consubstanciase na adoção, nas vendas intragrupo, de preços Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.208 35 sabidamente irrisórios, notoriamente muito inferiores aqueles praticados nas vendas realizadas no mercado, bem como nas vendas da recorrente para empresas independentes. Assim, conforme conclusão do auditor fiscal, “nos termos dos artigos 116 e 117, da Lei nº 6404/76, a venda de produtos subfaturados à Hypermarcas, caracteriza o exercício abusivo de poder por parte dos dirigentes do grupo econômico Hypermarcas, já que favorece outra sociedade em detrimento dos interesses da Cosmed”, o que justifica, portanto, a imputação da responsabilidade que ora se discute. Diante de todas as evidências trazidas aos autos, portanto, não se está tratando aqui, por óbvio, de "mero inadimplemento", como alegado pelos interessados. O crédito lançado pela fiscalização em auto de infração não é um crédito de "mero inadimplemento", visto que, se houve autuação é porque, segundo a administração fazendária federal, houve infração à lei, havendo, portanto, um ato ilícito do ponto de vista tributário e por esta razão, autorizada está a imputação de responsabilidade tributária dos administradores das pessoas jurídicas envolvidas na autuação. Em relação à responsabilidade da Hypermarcas, destacase que, segundo informado no TDF: “apuramos que a Cosmed não decide em favor se seus próprios interesses, já que controle é exercido pela controladora que determina as condições de negociação... Portanto, ficou comprovado que os diretores da Hypermarcas controladora da Cosmes, exercem efetivamente a direção e as condições de negociação entre as empresas integrantes do grupo econômico, ditando as regras a serem seguidas, mormente no tocantes à redução da carga tributária. Destarte, restou configurado, por parte da Hypermarcas, o interesse comum no fato gerador, tipificado no inciso I do art. 124 do CTN, já que além de se beneficiar das fraudes perpetradas, participa efetivamente da ocorrência do fato gerador.” Deste modo, com base no art. 124, I do CTN, devese reconhecer a solidariedade entre eles. Isto porque, nos termos daquele dispositivo legal, são definidos como solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso dos presentes autos, o lançamento em comento demonstrou de forma clara e suficiente o interesse comum (econômico e jurídico) dos responsáveis tributários solidários na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos apurados. A fim de corroborar esta posição, mister destacar o que, acertadamente, concluiu a DRJ: No presente caso, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador achase materializado, justamente, no fato de que ambas empresas fazem parte de um mesmo grupo econômico, sendo a empresa Hypermarcas controladora da autuada. A redução da base de cálculo do IPI decorre da forma como organizam suas operações. À vista das argumentações da autuada Cosmed e também sua controladora, fica evidente que no âmbito Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.209 36 da atividade empresarial do grupo econômico a definição dos preços de produtos é efetivamente uma equação complexa que leva em consideração, no mínimo, os custos de toda a atividade empreendedora e os investimentos futuros do mesmo grupo. Logo, configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, bem como a prática de atos com excesso de poder e infração à lei devem, tanto a Hypermarcas quanto todos os diretores autuados, ser considerados responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado em face da contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Voto Vencedor Peço vênia para discordar do voto da relatora, no que concerne às seguintes questões: competência da 3° Seção para julgar o presente feito; adoção do preço praticado pela Hypermarcas com seus clientes como valor tributável para fins do lançamento de ofício de IPI sobre para as vendas da Cosmed para a Hypermarcas, no período de 01/07/2009 a 31/12/200; e agravamento da multa de ofício e atribuição de responsabilidade solidária tributária à sócia pessoa jurídica Hypermarcas e a diretores desta empresa e da recorrente. Fatos Consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que a Hypermarcas era subsidiária integral da Cosmed. Que o somatório das vendas das três filiais (Matriz, Barueri/SP, Taboão da Serra/SP e São Paulo/SP) da Cosmed para a Hypermarcas representou 99% da sua receita bruta. E que o preço de venda para a Hypermarcas equivalia a 33% do preço que esta praticava no mercado atacadista em que atuava e 30% do observado nas vendas da Cosmed para terceiros. Com efeito, a fiscalização titulou tal prática comercial de "subfaturamento", a qual estaria inserida no contexto de um "planejamento tributário ilegal e abusivo", cujo objetivo era, exclusivamente, "a economia de tributos", quais sejam, CSL, IRPJ, PIS, COFINS e IPI. Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.210 37 O planejamento teria envolvido diversas operações de cisão e incorporação, com o deslocamento de atividades e unidades industriais (bens, custos e despesas). E as justificativas contidas nos atos societários seriam "subjetivas, abstratas e desvinculadas da realidade dos fatos". Competência da 3° Seção de Julgamentos O mesmo procedimento fiscal e as mesmas provas resultaram em autuações de CSL, IRPJ, PIS, COFINS (processo n° 16004.720395/201393) e IPI, o que, em princípio, poderia levar à conclusão de que a competência para julgar o processo seria da 1° Seção de julgamentos, nos termos do art. 2° c/c art. 6° do Anexo II da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (. . .) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (. . .) Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (. . .) III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (. . .)" (g.n.) Minha leitura do RICARF é a de que processos de IPI e IRPJ devem ser julgados em conjunto pela 1° Seção, quando as bases tributáveis são formadas a partir dos mesmos elementos fáticos e jurídicos, os quais, se eventualmente desconstruídos, importaria no cancelamento de ambos os lançamentos de ofício. Todavia, isto não se verifica no caso em tela. O IPI foi lançado, porque o Fisco concluiu que os preços praticados nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas eram inferiores aos valores tributáveis mínimos, determinados de acordo com os artigos 136 a 138 do RIPI/02 (integralmente reproduzidos no voto condutor). Adicionalmente, houve lançamento de IPI, motivado por erro de classificação fiscal. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.211 38 Por outro lado, os lançamentos de CSL e IRPJ foram calculados sobre a diferença entre o preço praticado e o de mercado "distribuição disfarçada de lucros (DDL)", artigos 464 a 467 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Verificase que os dispositivos legais apuram os valores tributáveis com base em parâmetros distintos, permitindo que um subsista, ainda que o outro não. Portanto, entendo que, na parte que trata de IPI, o presente processo deve ser julgado pela 3° Seção de Julgamentos. Arbitramento do valor tributável mínimo para o IPI A Hypermarcas detinha 100% das ações da Cosmed, pelo que eram consideradas "interdependentes" para fins de IPI (inciso I do art. 520 do RIPI/02). Com isto, a base de cálculo do IPI nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas tinha de atender o disposto no inciso I do art. 136 do RIPI/02: "Valor Tributável Mínimo Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); (. . .)" A fiscalização efetuou pesquisas nos mercados onde se localizavam as filiais da Cosmed (Taboão da Serra/SP e Barueri/SP), porém verificou que diversos produtos não eram comercializados naquelas localidades (item 6 do "Termo de Descrição dos Fatos", fl. 2.136). Para estes casos, então, teria ela de adotar o inciso II do art. 137 do RIPI/02: "Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: (. . .) II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.212 39 ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado." Contudo, também não foi possível adotar o inciso II do art. 137, pois concluiu no curso de seus exames que os custos industriais não mereciam fé. Restou, assim, como única alternativa, o arbitramento (item 6 do "Termo de Descrição dos Fatos", fl. 2.137), previsto no art. 138 do RIPI/02: "Arbitramento do Valor Tributável Art. 138. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 133 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 17, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 148)." § 1º Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. § 2º Na impossibilidade de apuração dos preços, o arbitramento será feito segundo o disposto no art. 137." A fiscalização concluiu que houve subfaturamento entre Cosmed e Hypermarcas e que não se eram confiáveis os custos industriais apresentados. E também deduziu que os preços praticados entre as demais empresas do Grupo Hypermarcas não eram reais. Por isto, viuse impossibilitada de obter o "valor real da operação". Buscouse então o "preço médio dos produtos no mercado do domicílio" das filiais da Cosmed. Contudo, conforme já mencionado, naquelas localidades, não havia produtos idênticos ou similares. Restou, portanto, uma única alternativa: "o preço médio do produto (. . .) nos principais mercados nacionais". E é neste ponto que surgiu minha discordância: foi adotado como preço no mercado nacional o praticado pela Hypermarcas. Ora, consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que a Cosmed industrializava e vendia, no atacado, para a Hypermarcas, produtos sem a marca comercial esta última apunha as marcas e os revendia para outras atacadistas. Isto é, Cosmed e Hypermarcas participavam da mesma cadeia produtiva, porém em etapas distintas, com estruturas próprias e distintas de custos industriais e administrativos e, naturalmente, suas vendas não eram realizadas no mesmo mercado. Assim sendo, reputo que a fiscalização não aplicou corretamente o disposto no §1° do art. 138 do RIPI/02, pois não apurou o "preço médio do mercado nacional" da Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.213 40 Cosmed, tendo, por outro lado, adotado o preço médio da Hypermarcas, que operava em mercado absolutamente distinto. Por conseguinte, voto pelo cancelamento do crédito tributário de IPI correspondente. Agravamento da multa de ofício e atribuição de responsabilidade tributária solidária Da autuação, restaram os seguintes lançamentos de ofício: IPI sobre a diferença entre o preço praticado nas vendas da Cosmed para a Hypermarcas e o valor tributável mínimo, calculado de acordo com o inciso I do art. 136 do RIPI/02; e diferenças de IPI derivadas de erro na classificação fiscal do produto gel para cabelos do código 3307.2090 para a 3305.9000. A relatora ratificou o trabalho fiscal e decidiu manter a multa agravada, em razão dos seguintes motivos (trechos do voto condutor): (. . .)" Na hipótese vertente, em relação ao IPI, a autuação decorreu do fato de a recorrente ter efetuado a venda de seus produtos industrializados para a comercial interdependente por valores sabidamente ínfimos (ainda que não se fale, propriamente, em preços subfaturados, o fato é houve a prática de preços notoriamente irrisórios), sem observar o VTM imposto pela legislação do IPI, praticando valores conhecidamente vis, que não eram observados no mercado e nem mesmo nas vendas para empresas independentes. Nesse sentido, transcrevese trechos do Termo de Descrição dos Fatos, que resumem de forma clara a situação dos autos e demonstram a existência de fraude que justifica a manutenção da qualificação da penalidade aplicada: '...Desta forma, restará comprovado que nas vendas subfaturas intercompany o único fundamento econômico que justifica as operações realizadas é a redução da carga tributária do referido grupo. (...) Restou comprovado que a venda de produtos, produzidos pela Cosmed, por valores ínfimos, afeta sobremaneira a apuração do lucro bruto da companhia. Se compararmos o índice da Cosmed com o obtido em 62 (sessenta e duas) pessoas jurídicas do mesmo segmento, apuramos que o índice destas empresas é 25 vezes maior. (...) Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a Cosmed e a Hypermarcas, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. Prova disso é que a Cosmed pratica preços totalmente diversos quando o cliente não é a Hypermarcas. (...) Conforme demonstrado no tópico 1.2, o grupo Hypermarcas utiliza dois critérios na valoração dos preços de venda praticados pela Cosmed: um para as vendas feitas para as empresas ligadas (Hypermarcas e Aprov) e outro para os demais clientes (terceiros). Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.214 41 Restou comprovada a desproporção entre as vendas para Aprov/Hypermarcas e as vendas efetuadas para os demais clientes (terceiros) ao longo do anocalendário de 2009. (...) Ou seja, não encontramos nenhuma lógica ou explicação plausível para o fato de a Cosmed adotar um critério de preço (subfaturado) praticado nas vendas à Hypermarcas (produtos submetidos à tributação monofásica) e outro critério de preços praticados nas vendas à terceiros clientes (que não seja a Hypermarcas) ou nas vendas de produtos submetidos à tributação normal do PIS e da COFINS (cuja tributação não é concentrada). Ademais, intimamos a fiscalizada, por diversas vezes, para esclarecer a razão pela qual adota política de preços diferenciada em razão da natureza da tributação (monofásica x normal). Até esta data nada foi esclarecido. Por todo o exposto não resta dúvida de que não houve propósito econômico nas vendas subfaturadas feitas à Hypermarcas. (...) Além de já ter sido demonstrado que as partes envolvidas são empresas interdependentes (a Cosmed é subsidiária integral da Hypermarcas), ou seja, pertencem ao mesmo grupo econômico, restou comprovado que as operações realizadas (venda de produtos industrializados pela Cosmed para a Hypermarcas por valores subfaturados) fogem da normalidade comercial e tiveram como objetivo preponderante a economia tributária. Portanto, é notório que nas operações realizadas entre a Hypermarcas e sua subsidiária (Cosmed) o único fim econômico e social que houve foi a diminuição da carga tributária e o aumento do lucro do grupo Hypermarcas, obtidos à custa de uma prática abusiva, ilegal e ilícita.' Ainda que outras alegações também tenham sido utilizadas pelo Fiscal como reforço de argumentação, o fato é que da simples leitura destes trechos do relatório fiscal já se pode aferir os fatos que deram origem à autuação e que representam ofensa ao RIPI/02. Nesta toada, o que fez a Fiscalização foi considerar inoponíveis ao Fisco os valores de vendas da Industrial para a Comercial, procurando demonstrar a sua abusividade, que não estaria encerrada, exclusivamente, na separação das atividades de industrialização e comercialização dentro do Grupo Hypermarcas, mas sim na prática dos preços inferiores ao de mercado na venda intragrupo, em total desrespeito ao VTM. Verificase, assim, que ao segregar suas atividades e, em consequência dessa separação, praticar preços muito inferiores aos de mercado nas vendas realizadas para empresa comercial interdependente, o contribuinte praticou conduta fraudulenta, tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da real ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos no montante que ora lhe é exigido. (. . .)" (g.n.) Em suma, considerouse como conduta fraudulenta uma reorganização de negócios, que resultou na redução do ônus com IPI, em virtude de o preço praticado pela Cosmed para a Hypermarcas ser significativamente menor do que da Hypermarcas para seus clientes consta no "Termo de Descrição dos Fatos" que o primeiro era 33% do segundo. O agente fiscal enquadrou os fatos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (fls. 2.103 e 2.104): Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.215 42 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " Como os atos praticados foram classificados como crimes contra a ordem tributária, temos de recorrer à Lei n° 8.137/90, que traz as necessárias definições: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.216 43 Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa." A reorganização societária (aquisições de empresas, cisões e incorporações) consta em atos societários, devidamente registrados. Todas as operações comerciais foram formalizadas por meio dos devidos documentos fiscais e regularmente contabilizadas. E foi dado pleno acesso à fiscalização. Aliás, destaquese que o arbitramento tratado no tópico anterior se deu com base nos registros oficiais das vendas da Hypermarcas. Já me manifestei no sentido de que entendo como lícita a reorganização de negócios, desde que implementada por meio de operações industriais e/ou comerciais verdadeiras, com substância econômica, que tenham como um de seus resultados a economia tributária. E foi isto que vi nos presentes autos. Por um lado, a fiscalização fez um raciocínio simplista, comparando preços, sem considerar a natureza dos negócios que auditava. Por outro, a recorrente trouxe Laudo Técnico (doc. 07 da impugnação), contendo explicações absolutamente plausíveis, tais como: a forma de organização separação das atividades industriais e comerciais e terceirização da produção do Grupo Hypermarcas está em linha com a de outros grupos do mesmo ramo; a Cosmed era uma "terceirista", isto é, industrializava por encomenda, sem riscos comerciais e gastos com propaganda, logística e, principalmente, com o desenvolvimento de novos produtos, o que ficava a cargo da Hypermarcas; e Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.217 44 gráficos, demonstrando a compatibilidade entre os preços cobrados da Hypermarcas pela Cosmed e por outras terceiristas não pertencentes ao Grupo Hypermarcars e entre terceiristas e atacadistas de outros grupos empresariais. Necessário destacar que não desqualifica a política de preços do Grupo o fato de a fiscalização ter, para alguns casos, apurado diferenças entre o VTM calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92 e os correspondentes preços praticados. Com efeito, a própria legislação do IPI não estabelece qualquer relação entre a eventual diferença tributável apurada e uma possível conduta delitiva. Em razão das pesquisas apresentadas no Laudo Técnico, é possível imaginar que tais diferenças tenham sido motivadas por alterações ocorridas naquele mercado ("mercado atacadista da praça do remetente"), naquele momento, e não necessariamente por força de um amplo "planejamento tributário abusivo. Vale mencionar que o Fisco sequer conseguiu obter informações de todos os participantes do "mercado atacadista da praça do remetente". Por fim, fazse mister mencionar que, em relação ao mesmo procedimento fiscal, em sede do processo n° 16004.720395/201393, foram cancelados os créditos tributários de CSL, IRPJ, PIS e COFINS sobre valores tributáveis calculados em decorrência da suposta diferença de preços. Adicionalmente, não obstante terem sido mantidos os derivados de glosas de créditos de PIS e COFINS, a multa de ofício foi desagravada e afastada a atribuição de responsabilidade tributária solidária. Reproduzo trechos da ementa (Acórdão n° 1402002.337, de 05/10/16): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 (. . .) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. OPERAÇÕES REALIZADAS A VALOR DE MERCADO. INCORRÊNCIA. Não há que se falar em distribuição disfarçadas de lucros quando as operações foram realizadas em valores absolutamente dentro da média praticada no mercado. (. . .) MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente qualquer elemento que denote dolo, não há como se manter a qualificação da penalidade, mormente na hipótese de Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.218 45 manutenção do lançamento somente no tocante à discussão de direitos a créditos de PIS e Cofins. (. . .) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a única infração que poderia, em tese e em relação aos coobrigados, demonstrar seus interesses jurídicos na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, bem como demonstrado não haver qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por consequência, excluemse os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. (. . .)" Isto posto, em razão de não ter identificado qualquer conduta dolosa ou fraudulenta, voto por desqualificar a multa de ofício incidente sobre as diferenças entre o VTM, calculado com base no inciso I do art. 136 do RIPI/92, e os preços efetivamente praticados, bem como sobre as diferenças de IPI decorrentes de erro na classificação fiscal. Adicionalmente, foi atribuída responsabilidade tributária solidária à Hypermarcas, capitulada no inciso I do art. 124 do CTN. O Fisco concluiu que tinha interesse comum no resultado do "planejamento tributário abusivo", além de ter participado ativamente das operações que constituíram fatos geradores de IPI. E também aos diretores da recorrente e da Hypermarcas, em razão do cometimento de crimes tributários, com base no inciso III do art. 135 do CTN. Como não identifiquei condutas delitivas, porém tão simplesmente reorganização lícita de negócios e prática de preços compatíveis com os dos mercados em que atuavam, não há razão para manutenção da responsabilidade solidária da Hypermarcas e dos diretores de ambas as empresas, tanto em relação ao crédito tributário derivado da aplicação do inciso I do art. 136 do RIPI/92 quanto à diferença de IPI resultante de erro na classificação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 16004.720382/201314 Acórdão n.º 3301005.609 S3C3T1 Fl. 4.219 46 Fl. 4219DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.720589/2017-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2012
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 150, § 4º DO CTN. DECADÊNCIA.
O que importa para a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, é a antecipação do pagamento do tributo pelo sujeito passivo, pois o art. 150, "caput" é claro no sentido de que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua o dever de antecipar o pagamento do tributo ao sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, e se opera pelo ato em que essa mesma autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado (qual seja o pagamento), expressamente a homologa. A tão só apresentação de declaração pelo sujeito passivo, desacompanhada do pagamento, não dá início à fluência do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco.
Numero da decisão: 2402-006.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ART. 150, § 4º DO CTN. DECADÊNCIA. O que importa para a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, é a antecipação do pagamento do tributo pelo sujeito passivo, pois o art. 150, "caput" é claro no sentido de que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua o dever de antecipar o pagamento do tributo ao sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, e se opera pelo ato em que essa mesma autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado (qual seja o pagamento), expressamente a homologa. A tão só apresentação de declaração pelo sujeito passivo, desacompanhada do pagamento, não dá início à fluência do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 05 89 /2 01 7- 87 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 331 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação à recorrente para fins de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) relativo ao exercício de 2012 incidente sobre imóvel rural denominado “Gandarela e Outras”, cadastrado na RFB sob o nº 1.322.4557, com área total declarada de 6.553,7 ha, localizado no Município de Santa Bárbara/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2012 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06111/00011/2017. Relata a autoridade fiscal que após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área de preservação permanente e da área declarada como coberta por florestas nativas mediante a apresentação do correspondente Ato Declaratório Ambiental. Também não comprovou o Valor da Terra Nua declarado por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. Desse modo, considerando subavaliado o VTN declarado, de R$ 940,24/ha, e diante da falta de sua comprovação pela recorrente, a autoridade fiscal procedeu ao seu arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, com base nas informações constantes do SIPT, e no VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2012, qual seja R$ 5.000,00/ha. O valor do VTN do imóvel, então, passou de R$ 6.162.050,89 para R$ 32.768.500,00. Notificado do lançamento aos 20/06/2017 (fls. 15), a recorrente apresentou impugnação tempestivamente aos 20/07/2017 (fls.18), alegando, em breve síntese: decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, por se tratar o ITR de tributo sujeito a lançamento por homologação; contesta a glosa da área de preservação permanente, alegando que, por decorrer de expressa previsão legal, a existência dessas áreas é presumida para efeitos de ITR e não depende de apresentação de Ato Declaratório Ambiental; ressalta que, embora esse documento não seja necessário, em absoluta boa fé, procede à juntada aos autos de Laudo Técnico e de ADA's relativos aos anos de 2003 e 2007 que comprovam a existência das área em questão; contesta a glosa da área coberta por florestas nativas com fundamento no art. 17O da Lei nº 6.938/81, uma vez que o dispositivo dispõe sobre a taxa de vistoria devida Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 332 3 ao IBAMA somente nos casos em que o proprietário rural se beneficiar de redução do ITR com base em Ato Declaratório Ambiental (ADA), e nem mesmo o art. 10 da Lei nº 9.393/96 condiciona a exclusão desta área a apresentação de qualquer documento prévio pelo contribuinte; alega, ainda, que a área coberta por florestas nativas está abrangida por Ato declaratório de interesse ecológico, denominada APA SUL, que foi constituída por ato do Poder Executivo, qual seja Decreto Estadual/MG nº 35.624, de 08.06.1994, que tem por finalidade a proteção de ecossistemas, do que também decorre a isenção do imposto; que a partir da edição desse Decreto, o imóvel passou a sofrer diversas restrições para a preservação dos ecossistemas, conforme disciplina seu art. 2º; logo, a área da APA SUL RMBH se enquadra na alínea “b” do inciso II do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96; que o CARF, em casos análogos, reconheceu que a simples inclusão de imóvel em área reconhecida por Decreto como de interesse ecológico é suficiente para afastar a exigência do ITR; contesta o arbitramento do VTN porque a Notificação de Lançamento carece de documento essencial, uma vez que não foi acompanhado da tela do sistema SIPT ou de documento que permita analisar a correção dos valores considerados; apresenta Laudo de Avaliação, elaborado por Engenheiro devidamente habilitado e no qual consta que o VTN do imóvel, pela média dos preços, é R$4.691,89/ha e não R$ 5.000,00/ha, pelo que aquele valor deverá ser considerado; menciona a existência de precedentes favoráveis no CARF que afastam a cobrança de ITR sobre ás áreas de preservação permanente e a área de utilização limitada do imóvel; subsidiariamente, alega a nãoincidência de ITR sobre as áreas de mineração, pois além de o imóvel possuir quase toda a sua totalidade situada dentro da Região APA SUL, ele possui a quase integralidade da sua área destinada à exploração mineral, motivo pelo qual, também por esta razão, não pode compor a base de cálculo do imposto; argumenta que a norma que configura a base de cálculo do ITR e regula o respectivo lançamento do tributo é o DL nº 57/66, que sobreviveu à Constituição de 1988 e, tal qual o CTN, foi recepcionado com status de lei complementar. Portanto, tratase de norma hierarquicamente superior à Lei nº 9.393/96. Assim, por essa razão, o DL nº 57/66 prevalece sobre a Lei nº 9.393/96 e, também, em razão do critério da especialidade, prevalece sobre ela, que é uma lei ampla e genérica; alega, ademais, que não há dúvidas da incompatibilidade entre a atividade de exploração mineral e o desenvolvimento de atividades agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal e, nesse contexto, entende que o art. 8º do DL nº 57/66 é inteiramente aplicável à área, que deve ser considerada inaproveitável para fins de ITR e, assim, excluída da base de cálculo do tributo; afirma, por fim, que seja pela validade da declaração das áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas/de interesse ecológico, seja pela Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 333 4 destinação do imóvel à mineração, o lançamento do ITR é insubsistente, pelo que requer seja julgada procedente a impugnação, extinguindose o crédito tributário. O lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2012 DA DECADÊNCIA No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), para efeito de contagem do prazo decadencial. O crédito tributário constituído no prazo quinquenal legalmente previsto, por meio da ciência da Notificação de Lançamento pelo sujeito passivo, na qualidade de contribuinte do imposto, ilide a decadência. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A impugnação tempestiva da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente a partir disso é que se pode, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DA OBRIGATORIEDADE DO ADA ANUAL A apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do ITR, passando a ser uma exclusão da área tributável condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei nº 10.165/2000, que alterou o conteúdo do art. 17O, § 1º, da Lei nº6.938/1981. A partir de 2007 o IBAMA exige a apresentação do ADA anualmente. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS E DE INTERESSE ECOLÓGICO As áreas de preservação permanente, coberta por florestas nativas e de interesse ecológico, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da apresentação do Ato específico do órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas do imóvel que são de interesse ecológico. DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 334 5 Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DA ÁREA DESTINADA À MINERAÇÃO Por ausência de disposição legal, as áreas destinadas à mineração não podem ser excluídas de tributação, a não ser que seja comprovado nos autos a existência de Ato específico do órgão ambiental federal ou estadual reconhecendo tais áreas como de interesse ambiental, por serem comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, além de comprovada a exigência relativa ao ADA. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, quando o Laudo de Avaliação estiver desacompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, mesmo que elaborado por profissional habilitado, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão aos 25/09/17 (fls. 275), a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 277), reiterando os argumentos constantes de sua impugnação. Requereu, ainda, a juntada de Anotação de Responsabilidade Técnica ART (fls. 324/327) correlata ao Laudo já apresentado por ocasião da impugnação, que tem por objeto a avaliação do VTN do imóvel, e de Ato Declaratório Ambiental relativo ao ano de 2012 (fls. 322). Sem contrarrzões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 335 6 Preliminar dos documentos trazidos juntamente com o recurso voluntário Inicialmente, como parte da solução do litígio, peço vênia para me valer, como razões de decidir, de trechos do voto vencedor que prevaleceu no julgamento do acórdão nº 1302002890, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, julgado aos 14 de junho de 2018, relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício naquele caso pelo conselheiro relator: Ousase discordar do ilustre relator no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos, está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, nos quais o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 336 7 (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494). (...) Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IRPJ. PREJUÍZO FISCAL. IRRF. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 337 8 Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Nesse mesmo sentido, cito julgado recente deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte apresentado os documentos comprobatórios no voluntário, razoável se admitir a juntada e a realização do seu exame, pois seria por demais gravoso e contrário ao princípio da verdade material a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. Além disso, esta é a ultima instância administrativa para derradeiro reconhecimento, e não sendo atendido, o contribuinte não hesitará em buscar a tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco enfrentar a mesma situação, com as provas apresentadas em juízo. (destacamos) DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. As contribuições para a previdência privada do contribuinte são dedutíveis, desde que devidamente comprovadas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis as despesas com saúde pagas dentro do ano calendário. Comprovado que o gasto se refere ao contribuinte e seus dependentes as despesas glosadas devem ser restabelecidas em razão de ter havido a comprovação documental das deduções. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DA DEDUÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e dentro dos parâmetros do normativo fiscal. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 338 9 Recurso Voluntário Provido Parcialmente. 1 Por todo o exposto, voto por conhecer os documentos acostados aos autos pela recorrente quando da apresentação do Recurso Voluntário. Preliminar de mérito decadência A recorrente alega decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que somente foi notificada do lançamento aos 20/06/2017, portanto, após cinco anos contados do fato gerador do tributo cobrado (01/01/2012, nos termos da Lei nº 9.393/96). Entende que o fator determinante para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial é a declaração do tributo pelo contribuinte e não o seu efetivo pagamento, pois é nesta oportunidade que o fisco possui elementos para analisar a apuração e efetuar o lançamento do tributo. A DRJ, por sua vez, entendeu que, em regra, o prazo decadencial do ITR é contado pelo art. 150, § 4º do CTN. Entretanto, como no presente caso seu pagamento foi feito a destempo, o dispositivo em questão teria sido afastado pela aplicação do art. 173, I do CTN. No entendimento da fiscalização, em princípio, o termo inicial da contagem do prazo da decadência, em se tratando de ITR do exercício de 2012, seria 01 de janeiro de 2012. No entanto, no caso ora tratado, o pagamento relativo ao ITR apurado ocorreu apenas aos 15/04/2013 (fls. 136 e 244), ou seja, após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (2012), nos termos do art. 173, I, do CTN. Desse modo, neste caso, sabendose que o fato gerador do ITR do exercício de 2012 ocorreu a 01/01/2012, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial teria se deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (regra geral do art. 173, I, do CTN), ou seja 01/01/2013, estendendose o direito da autoridade administrativa expressamente homologar o pagamento feito ou constituir o crédito tributário suplementar até 31 de dezembro de 2017. A recorrente, por sua vez, como dito, contrapõe esse argumento alegando que o que atrairia a aplicação do prazo decadencial previsto no mencionado dispositivo legal para a constituição pelo fisco do crédito tributário pelo lançamento seria a declaração do tributo pelo contribuinte, uma vez que a partir dela a autoridade fiscal já teria elementos suficientes para analisar a apuração do tributo realizada e efetuar o lançamento. Em amparo à sua tese, cita os enunciados de súmula da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de nºs 436 e 555, que dispõem o seguinte: 1 2201003.357 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção de Julgamento Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 339 10 STJ 436: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”. STJ 555: “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.” Entende que se infere desses enunciados que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo na forma do art. 173, I do CTN é reservada às hipóteses em que não há declaração do débito. Assim, no seu entendimento, isso se dá porque se o contribuinte se omite totalmente, deixando de cumprir o dever que lhe é imposto de apurar e declarar o débito, o crédito tributário não se constitui, nos termos do enunciado STJ 436, nem há objeto sobre o qual a Fazenda possa se pronunciar, nos termos do art. 150, §4º do CTN, pelo que a contagem do prazo decadencial recairia no art. 173, I do CTN. Conclui, assim, que o fator relevante para atrair a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, portanto, é a declaração do tributo apurado pelo contribuinte, o que entende ser corroborado pelo enunciado STJ 555. Com relação a esse argumento, entendemos que não lhe assiste razão. Com efeito, o art. 150, "caput", do CTN, é claro no sentido de que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua o dever de antecipar o pagamento do tributo ao sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, e se opera pelo ato em que essa mesma autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado (qual seja o pagamento, evidentemente), expressamente a homologa. Não há margem para se extrair do texto da lei outra conclusão que não seja esta, tamanha a sua clareza, data venia. Quanto aos enunciados de súmula citados, anotese que os verbetes não podem ser analisados isoladamente, dissociados dos precedentes que lhes deram origem. Com efeito, para que se compreenda exatamente qual é o entendimento do tribunal que está efetivamente resumido em um dado enunciado, há que se recorrer aos precedentes que lhe motivaram, pena de se fazer leitura incorreta do enunciado e, o que é pior, da própria jurisprudência dominante do tribunal ali sintetizada. Pois bem. O principal precedente que ensejou a edição do enunciado STJ 436 foi o REsp nº 1101728SP, julgado no procedimento dos recursos representativos de controvérsia do art. 543C do CPC/73, sob a relatoria do Min. Teori Zavascki. Nesse REsp, dentre outras coisas, restou, de fato, decidido que “a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco”, texto este, aliás, constante da ementa do julgado. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 340 11 Ocorre que analisando o julgado em questão, a consequência que se extrai do fato da constituição do crédito tributário pela apresentação da declaração, conforme jurisprudência pacificada do STJ e estampada no verbete nº 436, não é aquela que a recorrente inferiu da leitura do enunciado. Realmente, o entendimento manifestado no REsp em questão é no sentido de que uma vez apresentada a declaração pelo sujeito passivo, o crédito tributário está constituído, é líquido, certo e exigível. Assim, não se há falar em decadência para a constituição do crédito tributário, porque constituído está. O crédito aliás, já pode ser inscrito em dívida ativa, já se inicia a fluência do prazo prescricional para a sua cobrança judicial e já pode inibir a expedição de certidão de dívida ativa. Vejamos trecho do voto proferido pelo relator: "(...) A modalidade mais comum de constituição do crédito tributário sem que o seja por lançamento é a da apresentação, pelo contribuinte, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, instituída pela INSRF 129/86, atualmente regulada pela IN SRF 395/2004, editada com base no art. 5º do DL 2.124/84 e art. 16 da Lei 9.779/99, ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo constituição do crédito tributário. Não se confunde tal declaração com o chamado lançamento por homologação (em que o contribuinte paga antecipadamente, ou seja: constitui o crédito tributário e desde logo o extingue, sob condição resolutória – CTN art. 150, 1º). Aqui (DCTF, GIA) há declaração (com efeito constitutivo do crédito tributário), sem haver, necessariamente, pagamento imediato. Sobre essa modalidade de constituição do crédito tributário há reiterada jurisprudência do Tribunal, como se pode ver, exemplificativamente, dos seguintes precedentes: (...) 3. Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, conseqüências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exeqüível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito”. (...)" (Destacamos) Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 341 12 O mesmo se dá com o enunciado STJ nº 555. Analisando os precedentes que lhes deram origem, verificase que o entendimento jurisprudencial ali sintetizado é o de que se não houver declaração por parte do contribuinte, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário deve ser contado na forma do art. 173, I, do CTN. Não se aplica o art. 150, § 4º, porquanto não houve, nesse caso, nenhum pagamento que pudesse ser homologado a justificar a incidência desse preceito específico. Isso porque o Tribunal Superior utilizou como critério para aplicar o artigo 173, I, do CTN, a ausência de qualquer pagamento do tributo. Por outro lado, quando houver pagamento do tributo, ainda que parcial, aplicase a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN. Vejamos entendimento manifestado em um dos acórdãos que deram origem à edição do verbete nº 5552: “deve ser aplicado o entendimento consagrado pela Primeira Seção, em recurso especial representativo da controvérsia, para a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação. O referido precedente considera apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150 e parágrafos do CTN. Assim, havendo pagamento, ainda que não seja integral, estará ele sujeito à homologação, daí porque deve ser aplicado para o lançamento suplementar o prazo previsto no §4º desse artigo (de cinco anos a contar do fato gerador). Todavia, não havendo pagamento algum, não há o que homologar, motivo porque deverá ser adotado o prazo previsto no art. 173, I do CTN” (Destacamos). Por outro lado, o Imposto Territorial Rural ITR é, de fato, um tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 10, caput, da Lei n° 9.393/96, que dispõe: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior." Estando sujeito ao lançamento por homologação, aplicase ao ITR o disposto no artigo 150, "caput" e § 4º, do Código Tributário Nacional, segundo o qual: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 2 AgRg no REsp 1277854 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 342 13 § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Desse modo, considerando a tela extraída do sistema SIEF, juntada aos autos a fls. 244, e o DARF de fls. 136, tendo havido pagamento do tributo, ainda que feito a destempo, mas antes do início de qualquer procedimento fiscal a ele relacionado, com os consectários legais (multa e juros), aplicase, ao caso, a regra do art.150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial para a extinção do direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC/73 (recurso representativo de controvérsia), de aplicação obrigatória por este Conselho, conforme determina o art. 62, § 2º do RICARF, e também do enunciado de súmula STJ 555. Nesse sentido, inúmeros são os julgados deste Conselho, dentre os quais citamos, apenas ilustrativamente, o acórdão de nº 9202004.540, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, impõese a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Desse modo, considerando que o fato gerador do ITR, no presente caso, ocorreu a 01/01/12, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário extinguiuse a 01/01/17, e tendo a recorrente sido notificada do lançamento apenas aos 13/02/17, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário foi extinto pela decadência. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13629.720589/201787 Acórdão n.º 2402006.913 S2C4T2 Fl. 343 14 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, V do CTN, restando prejudicada a análise das demais questões suscitadas pelas partes, nos termos do NCPC 939. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004148/2002-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PRELIMINAR. NULIDADE. NÃO EXISTÊNCIA
O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo o contribuinte ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário.
Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular consoante as normas atinentes à legislação tributária.
LANÇAMENTO. LIMINAR E DEPÓSITO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MULTA E DOS JUROS DE MORA.
Na data da lavratura do auto de infração não mais estava o contribuinte amparado por medida liminar que suspendia o cumprimento da obrigação tributária. Portanto, não incide o comando do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a exclusão da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial, antes do início de qualquer procedimento de ofício.
Não há nos autos comprovação de que os valores depositados em Juízo correspondam exatamente ao montante do Imposto de Renda exigido no lançamento. Não cabe inferir que ocorreu depósito do montante integral, capaz de excluir a aplicação da multa e juros de mora.
Numero da decisão: 2401-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess que votou por converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. NULIDADE. NÃO EXISTÊNCIA O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo o contribuinte ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular consoante as normas atinentes à legislação tributária. LANÇAMENTO. LIMINAR E DEPÓSITO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MULTA E DOS JUROS DE MORA. Na data da lavratura do auto de infração não mais estava o contribuinte amparado por medida liminar que suspendia o cumprimento da obrigação tributária. Portanto, não incide o comando do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a exclusão da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial, antes do início de qualquer procedimento de ofício. Não há nos autos comprovação de que os valores depositados em Juízo correspondam exatamente ao montante do Imposto de Renda exigido no lançamento. Não cabe inferir que ocorreu depósito do montante integral, capaz de excluir a aplicação da multa e juros de mora.
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NULIDADE. NÃO EXISTÊNCIA O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo o contribuinte ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular consoante as normas atinentes à legislação tributária. LANÇAMENTO. LIMINAR E DEPÓSITO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MULTA E DOS JUROS DE MORA. Na data da lavratura do auto de infração não mais estava o contribuinte amparado por medida liminar que suspendia o cumprimento da obrigação tributária. Portanto, não incide o comando do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a exclusão da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial, antes do início de qualquer procedimento de ofício. Não há nos autos comprovação de que os valores depositados em Juízo correspondam exatamente ao montante do Imposto de Renda exigido no lançamento. Não cabe inferir que ocorreu depósito do montante integral, capaz de excluir a aplicação da multa e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 41 48 /2 00 2- 96 Fl. 223DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess que votou por converter o julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente) e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS (DRJ/STM) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme Acórdão nº 5.106 (fls. 135/137). O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 51/59), lavrado contra o Contribuinte em 12/04/2002, relativo ao anocalendário de 1998, em razão de ter declarado como isento ou não tributável uma parcela dos rendimentos recebidos do Governo do Estado de São Paulo, no qual é exigida a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 12.856,58, Multa de Ofício de 75% no valor de R$ 9.642,43, e Juros de Mora, calculados até 07/2002, no valor de R$ 6.996,55, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 29.495,56. De acordo com o Demonstrativo das Infrações (fl. 55): 1. O Contribuinte recebeu em 1998 a título de aposentadoria o valor de R$ 129.838,92, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, não oferecidos a tributação na declaração de ajuste anual com aparo em medida cautelar incidental liminarmente deferida em 02/06/1998 e que não foi acolhida pelo Tribunal Regional da 3ª Região; 2. Até a data de 12/04/2002, o Contribuinte não havia recolhido espontaneamente o Imposto devido incidente sobre esses rendimentos. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10855.004148/200296 Acórdão n.º 2401006.030 S2C4T1 Fl. 3 3 Não tendo sido possível localizar o AR referente à entrega do Auto de Infração, conforme declarado no documento na fl. 133, foi considerada como tempestiva a Impugnação de fls. 09 a 20 apresentada pelo Contribuinte Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/STM para julgamento, onde, através do Acórdão nº 5.106, em 21/12/2005 a 1ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, pela manutenção do Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, via Correio, em 04/01/2008 (AR fl. 148) e, em 31/01/2008, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 153 a 165, instruído com os documentos nas fls 167 a 197, onde, inicialmente, informa que: 1. Por intermédio da Associação dos Oficiais da Reserva da Policia Militar do Estado de São Paulo, foi impetrado um Mandado de Segurança Coletivo visando à suspensão da exigibilidade do imposto sobre a renda dos rendimentos da aposentadoria e pensão de seus associados com idade superior a 65 anos, sob o argumento de que, constitucionalmente, tais associados estariam cobertos por imunidade; 2. Os valores relativos ao imposto objeto do Mandato de Segurança Coletivo continuaram a ser debitados dos holerites dos Oficiais e depositados em conta judicial vinculada ao Juízo da 4a• Vara Federal sob n° 0265005.001.7069945 da Caixa Econômica Federal CEF; 3. Vencida a pretensão na duas Instâncias Judiciais, a Associação solicitou a liberação dos depósitos judiciais convalidados no bojo dos autos; 4. Apesar do Procurador da Fazenda Nacional ter se manifestado a favor da liberação e do Ministro Relator ter homologado tal liberação, ao retornarem os autos à 4ª Vara Federal de São Paulo, o requerimento para a liberação e levantamento dos depósitos judiciais foi de plano rejeitado sob o argumento de que os valores depositados haveriam de ser convertidos em Renda da União Federal; 5. Resistindo a tal decisão a Associação interpôs Recurso de Agravo ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região; 6. Diante da notícia do indeferimento da liminar, o representante do Contribuinte já falecido, achou por bem retificar as declarações de imposto de renda do "de cujus", relativas aos anos de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, o que efetivamente foi realizado em 10/12/2003, por entender que com isso colocaria a salvo da multa aplicável pela omissão de receita, já que os valores relativos ao IRRF não tinham entrado nos cofres da União, embora também não tenham sido colocados à sua disposição pois estavam depositados na conta judicial mencionada; 7. Concomitantemente, pediu sua inscrição no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, para o parcelamento dos valores que Fl. 225DF CARF MF 4 eventualmente tivesse a pagar, deduzidos, logicamente, os valores depositados judicialmente; 8. O contribuinte faleceu em 11/08/2003, não deixando bens; 9. Seu representante, por não ter condições de apurar os valores devidos, não realizou o pagamento de qualquer parcela do REF1S. Prossegue no seu RV 1. Preliminarmente, arguindo a nulidade do Auto de Infração em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra o impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos as alegadas na peça acusatória; 2. Aduzindo que a autuação é descabida, eivada de abuso e arbitrariedade, uma vez que o Auditor Fiscal ignorou a existência de Ação Judicial bem como a existência de depósitos judiciais do montante do tributo e ainda pedido de parcelamento do débito; 3. Alegando excesso de exação já que não se pode falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo judiciário, onde obviamente será dada ao defendente o mais amplo direito de defesa, com todos os tipos de provas em direito admitidos. Finaliza seu RV requerendo: 1. A insubsistência o Auto de Infração, tornando sem efeito o lançamento de multa e juros de mora, e abstendose a RFB de cobrar o IRPF até o trânsito em julgado do processo judicial nº 960029513 1; 2. Que o órgão lançador, no caso de êxito da Fazenda Pública na lide acima mencionada, considere previamente, no cálculo de eventual exigência tributária, a conversão em Renda da União dos depósitos na conta judicial 0265005.001.7069945 da Caixa Econômica Federal CEF. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10855.004148/200296 Acórdão n.º 2401006.030 S2C4T1 Fl. 4 5 O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade Pleiteia o contribuinte a nulidade do auto de infração por inexistência de justa causa para a sua lavratura, tendo em vista a inocorrência de qualquer ilicitude. O lançamento em tela se refere ao auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física, em face de revisão de dados da declaração do contribuinte, por ter declarado como isento ou não tributável parte dos rendimentos recebidos no anocalendário de 1998, em virtude de liminar concedida em Mandado de Segurança, ao final julgado improcedente, não reconhecendo a imunidade dos proventos de aposentadoria. Dessa forma, foi procedido ao lançamento de ofício do imposto devido. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular nos moldes insculpidos na legislação tributária. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Mérito Afirma que, ao arrepio do disposto no art. 151 do Código Tributário Nacional, o auditor ignorou os depósitos judiciais existentes para a garantia do credito tributário em questão, bem como o pedido de parcelamento efetuado e que não caberia o lançamento da multa de ofício e dos juros de mora. A Certidão Narratória do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fl. 21) certifica que o Recorrente ajuizou, por meio da Associação dos Oficiais da Reserva da Policia Militar do Estado de São Paulo, Mandado de Segurança Coletivo, objetivando a suspensão da exigibilidade do Imposto sobre a Renda dos rendimentos de aposentadoria e pensão dos seus associados com idade superior a 65 anos, tendo sido denegada a segurança, restando sem efeito a liminar concedida em grau de recurso. Na apelação o Tribunal Regional da 3ª Região, negou provimento à apelação, sendo o acórdão publicado no DJU de 26.09.2001. Não foram admitidos o Recurso Especial e o Agravo de Instrumento interpostos. Na data do início do procedimento fiscal, não mais estava o contribuinte amparado por medida liminar que suspendia o cumprimento da obrigação tributária. Portanto, não incide, in casu, o comando do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre a exclusão da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cuja Fl. 227DF CARF MF 6 exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial, antes do início de qualquer procedimento de ofício. No que tange à existência de depósito judicial, o contribuinte colaciona declaração emitida pela Associação dos Policiais da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (fl. 111), através da qual afirma que o valor correspondente ao recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, de Janeiro/97 a março/98 encontrase depositado na Caixa Econômica Federal, por força do Mandato de Segurança n° 96.00295131, cuja importância é de R$ 34.787,31, e o correspondente de abril a junho/98, foi recolhido formalmente na Fonte. Afirma ainda que desde julho/98 até outubro/2002 o numerário estava sendo usufruído pelo contribuinte e que a partir de novembro/2002, este passou a recolher normalmente. Destarte, o depósito judicial do montante integral do crédito tributário realizado de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II do CTN, o que impediria a cobrança de multa de ofício, bem como a exigência de juros moratórios, conforme dispõe enunciado da Súmula CARF nº 5. No entanto não há nos autos comprovação de que os valores depositados em Juízo correspondam exatamente ao montante do Imposto de Renda exigido no lançamento. Apenas com a Declaração de fls. 111 não dá para concluir que ocorreu depósito do montante integral. Da mesma forma, não há prova de parcelamento de débito do Imposto de Renda objeto da autuação, aduzida pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. Assim, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, afasto as preliminares e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917074/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Wesley Rocha
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 74 /2 00 9- 52 Fl. 1113DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15374.917074/200952 Acórdão n.º 2301005.313 S2C3T1 Fl. 1.114 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, portanto dele o conheço. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 1115DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15374.917074/200952 Acórdão n.º 2301005.313 S2C3T1 Fl. 1.115 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1117DF CARF MF 6 Fl. 1118DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.908525/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13884.908526/2016-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio de PER/DCOMP em razão do DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando créditos disponíveis. De acordo com o despacho decisório, o crédito decorrente de pagamento indevido já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 08 52 5/ 20 16 -1 2 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 3 2 Diante do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou o seguinte: a) Apurou no ajuste do ano calendário de 2013 IRPJ e CSLL a pagar nos montantes de R$ 2.283.488,51 e R$ 966.226,46, respectivamente. Esses débitos junto com os débitos de estimativas mensais dos meses de janeiro e abril de 2014 foram objeto de pedido de parcelamento no processo nº 13884.721058/201529, do qual foram pagas sete parcelas no montante de R$ 1.619.662,82. b) Todavia, o parcelamento constante do processo 13884.721058/201529 foi cancelado e em função do cancelamento a contribuinte procedeu o pagamento integral do IRPJ e CSLL correspondente ao ajuste de 2013, em 19/05/2016 por meio de DARF, os quais continham o número deste processo e o período de apuração 07/07/1980; c) Sendo assim, tendo em vista a liquidação do débito de IRPJ e CSLL do ajuste de 2013 e estando integralmente parcelados os débitos relativos ao ajuste de 2014 no processo nº 1384.721195/201444, resta comprovado o seu direito à compensação dos valores correspondentes às parcelas pagas no âmbito do processo 13884.721058/201529. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) o processo nº 13884.721058/201529 encontrase cancelado, conforme alegou a contribuinte. Todavia, diferentemente do alegado na defesa, o cancelamento decorreu de requerimento da própria Manifestante para possibilitar o reparcelamento de seu saldo, adicionado a outros débitos de IRPJ e CSLL existentes no conta corrente da Requerente, conforme petição (fls. 34 do processo nº 13884.721058/201529). b) Após o cancelamento do processo 13884.721058/201529 foi mantido um percentual de amortização de 11.65% do tributo com código 2430 e de 13,48% do tributo com código 6773. Consta do mencionado processo termo de transferência de crédito onde se verifica que apenas foi transferida parte dos débitos parcelados correspondente às parcelas não quitadas. c) O valor do crédito no PER/DCOMP objeto de análise no presente processo continua alocado ao processo nº 13884.721058/201529. d) Conclui que a contribuinte não possui o direito creditório tendo em vista o valor recolhido, pleiteado no presente processo, continua alocado no processo nº 13884.721058/201529. Cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminarmente, requer a reunião do presente processo com os processos listados abaixo, considerando que em todos eles discutese o suposto aproveitamento irregular de créditos decorrentes de pagamentos indevidos no âmbito de parcelamentos ordinários: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 4 3 b) Em 27/04/2015 requereu a concessão de parcelamento ordinário com a consequente realocação dos saldos de seu anterior parcelamento ativo para liquidar débitos de CSL (ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) que encontravamse pendentes em seu relatório de situação fiscal; c) Considerando que a recorrente já possuía naquele momento parcelamento ordinário em andamento sob o número 13884.721750/201476, a RFB migrou os débitos nele administrados (IRPJ ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) para o novo pedido de parcelamento, conforme se verifica pelo Termo de Recepção de Crédito Tributário, de 06.05.2015 acostado ao novo processo de parcelamento nº 13884.721058/201529. A composição desse novo parcelamento teria sido a seguinte: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 5 4 d) Em 22/01/2016, tendo em vista a existência de novos débitos de IRPJ e CSL referentes ao ano de 2015, a contribuinte requereu novo parcelamento, com a consequente rescisão dos parcelamentos em curso, dentre eles, o de nº 13884.721058/201529, cujos débitos foram adicionados aos novos débitos pendentes no ano de 2015; e) Enquanto aguardava a manifestação da RFB sobre o novo pedido de parcelamento, a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas; f) De acordo com o "Relatório de Lançamento IRPJ e CSLL ajuste anual" do processo 16062.720092/201629 a autoridade fiscal concluiu pela impossibilidade de se considerar os valores que já haviam sido recolhidos no âmbito dos parcelamentos, uma vez que, nos termos do inciso VI, do art. 14 da Lei nº 10.522/02, era vedada a concessão de parcelamento para débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL. Sendo assim, os pagamentos realizados no âmbito dos mencionados parcelamentos não poderiam ser considerados como antecipações dos tributos devidos ao final do anocalendário de 2014. g) Considerando que os débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL relativos aos anos de 2014 e 2015 permaneceram pendentes no relatório de situação fiscal da Recorrente esta protocolou, em 09/05/2016, petição junto à RFB na qual solicita a exclusão dos referidos débitos uma vez que: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 6 5 g.1) As estimativas são antecipações de IRPJ e CSL e, por isso, possuem caráter meramente provisório. Sendo assim, somente por ocasião do ajuste anual seria verificado o valor do tributo efetivamente devido; g.2) No processo 16062.720092/201629 foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSL relativos ao ajuste anual de 2014, calculados sem a dedução das antecipações parceladas. Sendo assim, além de manter a Recorrente como devedora dos débitos das estimativas mensais, as autoridades também lavraram autos de infração exigindo os tributos devidos no ajuste do mesmo anocalendário; h) Todavia, no intervalo de tempo entre o pedido de reparcelamento (22.1.2016), a intimação sobre os termos dos autos de infração (13.4.2016) e o pedido de baixa dos débitos de estimativas pendentes no Relatório de Situação Fiscal (11.5.2016), migrando os saldos do parcelamento objeto do processo nº 13884.721058/201529 para o novo parcelamento requerido em 22.1.2016, criando o processo nº 13884.721160/201613, a RFB imputou os diversos pagamentos realizados aos débitos parcelados de estimativas mensais, migrando para o novo parcelamento apenas seus saldos; i) Os procedimentos adotados pela RFB eram incoerentes, pois, ao mesmo tempo que exigiam o IRPJ e a CSL referentes ao ano de 2014 sem considerar os pagamentos realizados nos parcelamentos por reputálos ilegais, aceitaram o pedido de reparcelamento de débitos de estimativas mensais de 2014, imputando diversos pagamentos para amortização dos saldos originais. Diante dessa situação, em 01/06/2016, foi proferido despacho no processo nº 13884.721160/201613, por meio do qual a RFB determinou a extinção de todos os débitos de estimativas mensais relativos a 2014, tendo em vista a lavratura de auto de infração exigindo os tributos devidos. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 7 6 . j) Diante de todo o contexto narrado requer a procedência do pedido de compensação que se discute no presente processo. Isso porque: j.1) o despacho proferido no processo nº 13884.721160/201613 reconheceu a impossibilidade de cobrança concomitante dos débitos de estimativas mensais e débitos de ajuste anual do ano de 2014 extinguindo os saldos de parcelamento em curso. j.2) O Relatório Fiscal proferido no processo 16062.720092/201629 desconsiderou os pagamentos efetuados no âmbito dos sucessivos parcelamentos para formalizar o IRPJ e a CSL devido no final de 2014 e indicou que tais pagamentos deveriam ser objeto de restituição/compensação. l) Requer, subsidiariamente, que os valores indevidamente recolhidos no âmbito dos parcelamentos ordinários sejam amortizados do atual parcelamento requerido pela Recorrente para quitação dos débitos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2014. É o relatório VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.820, de 21/02/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.820): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 8 7 Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório proferido no presente processo não homologou a compensação por entender que o crédito, decorrente de pagamento indevido, já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte por entender que, embora o processo 13884.821058/201529 tenha sido cancelado, em razão de reparcelamento requerido pela contribuinte, os valores pagos no âmbito desse parcelamento teriam amortizados dos montantes incluídos no novo parcelamento não havendo, portanto, crédito a ser compensado. Antes do deferimento do novo pedido de parcelamento a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas. Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, depende da análise dos demais processos mencionados no lançamento de ofício e nos diversos parcelamentos. O RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 9 8 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriormente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Sendo assim, o julgamento, da forma como instruído, não tem condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual voto pela sua conversão em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13884.908525/201612 Resolução nº 1402000.827 S1C4T2 Fl. 10 9 parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa. Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727859/2011-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972)
Numero da decisão: 1003-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972)
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PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 59 /2 01 1- 02 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11080.727859/201102 Acórdão n.º 1003000.552 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 14 40.344 da 3ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2008, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Defendeu a contribuinte que passou a ser do Simples Nacional a partir de 04/01/2008 e, em 17/03/2009 entregou a DASN, na qual estava descrito que o período compreendido pela declaração era 01/01/2008 a 31/12/2008. Em razão da informação constante na DASN, a empresa não sabia que deveria entregar DIPJ relativo ao período de 01 a 03/01/2008. A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) Afirma que ingressou no Simples Nacional a partir de 04/01/2008 e, em 17/03/2009 entregou a DASN, na qual estava descrito que o período compreendido pela declaração era 01/01/2008 a 31/12/2008; (ii) Aduz que o recibo de entrega da DASN levou o contribuinte a erro, visto que lá estava descrito que o período compreendido pela declaração era a partir de 01/01/2008 até 31/12/2008. Se a informação estivesse correta na DASN, isto é, informasse o período de 04/01/2008 a 31/12/2008, a Recorrente teria atendido o prazo de envio da DIPJ; Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.727859/201102 Acórdão n.º 1003000.552 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Antes de analisar o mérito do recurso voluntário, é imprescindível verificar se o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Conforme se verifica nos autos através do Aviso de Recebimento acostado às fls. 46 e 473, a Recorrente foi notificada do julgamento de sua manifestação de inconformidade em 12/03/2013. O dia 12/03/2013 foi uma terçafeira. Em razão disso, o início da contagem do prazo para apresentação do recurso voluntário se deu no dia 13/03/2013 (quartafeira). O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que, do julgamento de primeira instância, cabe apresentação de recurso voluntário total ou parcial no prazo de trinta dias, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ainda, o mesmo Decreto acima citado esclarece como deve ser realizada a forma de contagem dos prazos no âmbito dos processos administrativos, vide abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso dos presentes autos, a Recorrente recebeu a decisão da DRJ no dia 12/03/2013 (terçafeira) e, em razão disso, o início da contagem do prazo recaiu no primeiro dia útil seguinte, qual seja, em 13/03/2013 (quartafeira), e, por conseguinte, possuía como termo final para apresentação do recurso o dia 11/04/2013 (quintafeira). Contudo, segundo o carimbo de recebimento do recurso voluntário (fls.48 62), esse foi protocolizado apenas em 15/04/2013 (segundafeira). Destacase que o carimbo não está borrado e não há dúvidas quanto à data do protocolo do recurso. O recurso voluntário em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do mesmo já havia transcorrido na data em que foi protocolada a peça ora em análise. Registrese que a análise do prazo foi realizada nos moldes legais, contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.727859/201102 Acórdão n.º 1003000.552 S1C0T3 Fl. 5 4 Também é de se considerar que a Recorrente não traz em seu recurso voluntário nenhuma informação quanto à dificuldade de protocolo no período, nem menciona qualquer informação em relação à tempestividade. Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15253.000158/2010-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1990 a 31/05/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO.
No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
O crédito que o contribuinte pretendia utilizar para realizar as compensações já foi indeferido no âmbito administrativo.
INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantém-se a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito.
Numero da decisão: 3001-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Orlando Rutigliani Berri e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1990 a 31/05/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO. No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. O crédito que o contribuinte pretendia utilizar para realizar as compensações já foi indeferido no âmbito administrativo. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantém-se a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1990 a 31/05/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. APURAÇÃO. No procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação decorrente de crédito tributário reconhecido por decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade administrativa a apuração da certeza e liquidez de direito creditório postulado pelo contribuinte, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. O crédito que o contribuinte pretendia utilizar para realizar as compensações já foi indeferido no âmbito administrativo. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantémse a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 25 3. 00 01 58 /2 01 0- 65 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 118 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Orlando Rutigliani Berri e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 85 a 113) interposto contra o Acórdão 0950.443, da 1ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA que, na sessão de julgamento realizada em 20.03.2014 (efls. 68 a 73), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório vindicado. Dos fatos Por bem narrar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, verbis: Relatório Trata o presente processo da Declaração Eletrônica de Compensação Dcomp nº 22895.09248.250510.1.3.570100, com crédito proveniente de alegados pagamentos indevidos ou a maior de PIS Receita Operacional, recolhidos com base nos DecretosLeis nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo STF e suspensos pela Resolução do Senado nº 49, de 09/10/1995, reconhecidos judicialmente na Ação nº 1998.38.02.008991. A DRF/Uberaba/MG emitiu Despacho Decisório nº 73/2009, por meio do qual não homologou as compensações em virtude da inexistência de saldo credor remanescente para pleitear compensação, em síntese, nos seguintes termos: “(...) Em consulta aos arquivos e sistemas desta RFB, verificamos a existência do processo administrativo nº 15253.000191/200951, que trata, especificamente, da análise da pertinência da utilização do direito creditório assegurado na ação judicial acima mencionada na compensação de débitos devidos pela interessada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 119 3 Da leitura do despacho decisório, objeto de referido processo (fls. 05 a 13), que doravante passa a fazer parte integrante do presente relatório, depreendese restar reconhecido, judicialmente, o direito de o contribuinte utilizar os créditos de PIS Receita Operacional (código: 3885) oriundos dos recolhimentos efetuados no período de 08/90 a 05/95, com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, para a compensação de débitos da mesma espécie... " (fl. 09, verso). Efetuado o exame dos cálculos relativos à apura do montante do direito creditório apresentado pela interessada, mediante utilização do aplicativo "Créditos Tributários Sub Judice" (CTSJ), verificouse que inexiste, a favor da interessada, saldo credor remanescente relativo â diferença entre os pagamentos efetuados a titulo de PIS — Receita Operacional (DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88), no período compreendido entre agosto/90 a dezembro/94, e os débitos da mesma contribuição apurados nos mesmos períodos, com observância das normas veiculadas pela Lei Complementar nº 7/70 e alterações posteriores” (...)”. Cientificado do Despacho Decisório em 06/08/2010, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/08/2010, na qual, alega, em síntese, que: “(...) A recorrente promoveu a compensação de créditos dos recolhimentos indevidos do PIS sobre Receita Operacional (COD. 3885), relativos ao período de apuração compreendido entre agosto/90 a dezembro/94, com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2449/88, cuja exigibilidades foram suspensas pela Resolução do Senado Federal de nº 49, de 09/10/1995, face A inconstitucionalidade declarada pelo STF, declarando as compensações em suas DCOMP's relacionadas no relatório fiscal do processo de nº 15253.0001191/200951. Considerando que foi autorizado o direito a compensação dos indébitos recolhidos do PIS na decisão do processo de MS nº 1998.38.02.0008991, na fase recursal de APELAÇÃO que transitou em julgado em 24.06.2006, os quais foram apurados levando em consideração a semestralidade estabelecida pela LC. 7/70,comparados com os recolhimentos sobre a RECEITA OPERACIONAL mensais instituída pelos Decretos 2.445 e 2.449/88, ficando claro que entre o recolhimento semestral e mensal existe uma diferença, diante da declaração da inconstitucionalidade dos dispositivos legais pelo STF e por Resolução do Senado Federal, voltando a vigir o disposto nas LCs. 7/70 e 17/73. Diferenças que após apuradas deveriam ser corrigidas, aplicandose os expurgos inflacionários, nos termos do Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 120 4 Enunciado da Súmula 41 do TRF da 1ª Região, conforme decidido na sentença proferida pelo TRF. 1ª Região que consta do processo. Ressaltando que o pedido de habilitação de credito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, foi feito por Declaração de Compensação, deferida em 08.05.2008 (doc.j.01), na forma prevista na IN/SRF 600/2005, subtendendose que o deferimento autorizou a compensação com qualquer tributo administrado pela Receita Federal na forma prevista no artigo 73 da Lei 9.430/96, tendo vista que o pedido foi através da declaração a autoridade administrativa que o deferiu, conforme entendimento manifestado pelo STJ no acórdão: (...) Não há como trazer argumentos contestatórios neste processo sem reportar ao processo administrativo de n. 15253.000191/200951, que tratou da análise da pertinência da utilização do direito creditório assegurado na ação judicial acima mencionada na compensação de débitos devidos em questão, o qual foi objeto de recurso de manifestação de inconformidade que encontrase no SERV. CONTROLE DO JULGAMENTO DRIJFAMG (doc. 02), do qual ratificamos na totalidade os fundamentos em seguida elencados. Analisando as planilhas dos "DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DE DÉBITOS 8109 PIS FATURAMENTO", elaborada pelo Auditor Fiscal, do processo acima citado, verificouse claramente que não foi obedecida à decisão judicial. A desobediência da decisão judicial tornouse evidente pela forma que foi feita a aferição das contribuições para o PIS devidas, levantadas, segundo o relatório fiscal pelos Livros Razão e Diário resultando nos "Demonstrativos de Apuração de Débitos, Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos, Demonstrativo de Amortizações e Resumo das Vinculação Auditadas" anexadas a este processo conforme informa o relatório fiscal ( fls. 05/13). O trabalho da Auditoria Fiscal consistiu em principio na aferição dos valores devidos da contribuição PIS FATURAMENTO , em levantar as receitas tributáveis do período de agosto/90 a maio/95, onde através das planilhas elaboradas, foram apuradas pela auditoria a base de cálculo e o valor das contribuições mês/mês de todo o período informado. Após apurados os valores o Auditor Fiscal,como relata na fls. 16 do Relatório Fiscal do processo 1523.000191/2009 51, verificouse que através dos demonstrativos gerados pelo Sistema de Cálculo CTSJ, inexistia a favor do Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 121 5 contribuinte, saldo credor remanescente relativo diferença entre os pagamentos efetuados a titulo de PIS Receita Operacional (DecretosLeis 2.445 e 2449/88), no período de ago/94 a dezembro/94. O recorrente tinha saldo a ser compensado, relativo a todo o período autorizado, suficiente para quitar todos os débitos compensados, como demonstrou nas planilhas anexadas ao processo e na Declaração de Compensação com saldo apurado em 31.12.1995, cujo saldo seria atualizado pela SELIC a partir de janeiro/96, conforme autorizado na sentença judicial do processo citado. Refizemos a apuração dos créditos de forma mais objetiva, na forma prevista nas LCs 7/70 e 17/73, que demonstramos nas planilhas que ora anexamos ao presente processo, as quais estão assim evidenciadas: a) ANEXO I VALORES RECOLHIDOS DECRETOS LEI 2.445/888 e 2.449/88; b) ANEXO II VALORES DEVIDOS; c) ANEXO III RESUMO DA APURAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS/RECOLHIDOS; d) ANEXO IV DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO ATUALIZADO PELA SELIC. Cabe ressaltar que a atualização monetária das diferenças apuradas deve ser contada entre a data do pagamento que foi antecipada (mensal) e a do vencimento (semestral) do tributo em obediência ao que determina o § único do art. 6º da LC. 7/70, o que para tanto exemplificamos: (...) Conforme evidenciado no exemplo acima, com números extraídos das planilhas a que nos referimos em parágrafo acima, fica claro que e recolhimento do tributo se daria no 6º mês a contar do mês gerador, ou seja, julho com base no faturamento de janeiro, agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente, então se o contribuinte pagava mensal, como no exemplo acima, o vencimento do tributo de julho/90, seria no mês de janeiro/91, e foi pago no mês de agosto/90, mês subseqüente a apuração, tendo ocorrido nesta situação o recolhimento antecipado, face ao que determinava a LC.7/70, gerando então diferenças a favor do contribuinte que deve ser ressarcida atualizada monetariamente na forma demonstrada na planilha autorizada na decisão judicial. (...) Assim em razão dos argumentos aqui apresentados os critérios da homologação não obedeceram a melhor Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 122 6 técnica de apuração das diferenças a compensar, resultando em um prejuízo irreparável para o requerente sendo for anulado e refeito na forma legal. (...)” É o relatório. Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário para tão somente reiterar os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 09.06.2014 para ser analisado por este Carf (efl. 116), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi apresentado em 19.05.2014, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 114); após ciência em 10.04.2014, conforme observase do respectivo Aviso de Recebimento, encaminhado para dar a conhecer o Ofício nº 050/2014/DRF/UBB/SAORT, que encaminhou cópia do Acórdão 0950.443, da 1ª Turma da DRJ/JFA, de 20.03.2014 e respectivos Darf's dos saldos devedores referentes ao presente processo (efls. 74 a 78); posto que foi respeitado o trintídio legal, conforme dicção do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329 de 2017. Do mérito No que diz respeito aos argumentos defensivos, não há reparo à decisão recorrida. Da adoção da decisão recorrida como fundamento Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 123 7 Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Da fundamentação Verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido e por uma questão de praticidade, economicidade e coerência, haja vista que acolho integralmente o entendimento nele expresso, adoto, com a devida licença, como razão de decidir por seus próprios fundamentos, o voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do I. Relator Bruno Bonoto Guércio, que transcrevo, verbis: Voto (...) O crédito informado na Dcomp originase de alegados pagamentos indevidos ou a maior de PIS Receita Operacional, recolhidos com base nos DecretosLeis nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo STF e suspensos pela Resolução do Senado nº 49, de 09/10/1995, reconhecidos judicialmente na Ação n° 1998.38.02.008991 e pleiteados no processo administrativo nº 15253.000191/200951. Da análise do processo administrativo nº 15253.000191/2009 51, verificase que a DRF/Uberaba/MG, em 17/05/2010, exarou Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 124 8 o Despacho Decisório nº 10.045 por meio do qual não reconheceu o direito creditório relativo a recolhimentos efetuados de PIS Receita Operacional, no período de agosto/90 a dezembro/94. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade naquele processo e os autos foram encaminhados a esta DRJ para julgamento do Recurso. Ressalto, por oportuno, que os argumentos expendidos pelo contribuinte na manifestação de inconformidade do processo nº 15253.000191/200951 são exatamente os mesmos argumentos apresentados no presente processo. Em 18/08/2011, esta 1ª Turma da DRJ/JFA, por meio do Acórdão nº 0936.421, por unanimidade, considerou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no processo nº 15253.000191/200951 ao qual está vinculado o crédito declarado na presente Dcomp, em síntese, nos seguintes termos: “ (...) O Despacho Decisório, ora atacado, é irretocável. Nele foi demonstrado passo a passo, com muita clareza e tendo como base a escrituração do contribuinte, que alguns dos valores que serviram de base para o cálculo do PIS que integraram a planilha apresentada ao judiciário estavam incorretos. E ainda, para os meses de janeiro/90 a junho/90, nenhum valor foi informado. Oportuno reproduzir parte do Despacho Decisório não reproduzido no Relatório: (...) Assim, novos valores devidos de PIS foram apurados, para aí sim, fazer o batimento com os créditos a que o contribuinte faz jus nos exatos termos do comando judicial, e este em momento algum deixou de ser obedecido, como afirmado pela manifestante, senão vejamos: (...) Ora, os recolhimentos indevidos foram todos utilizados, em perfeita harmonia com o comando judicial. O valor do crédito a que o contribuinte faz jus, por sua vez, foi apurado pelo Fisco. Tal procedimento está intrínseco na atividade homologatória do Órgão. O contribuinte não apresentou nenhum argumento pertinente ou documento hábil e idôneo que afastasse os valores das bases de cálculo corretas que serviram para a apuração dos valores dos crédito de PIS. Limitouse, após as assertivas, à tentativa de demonstrar ter crédito a ser compensado, apurando os valores em total dissonância com as próprias assertivas. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 125 9 (...) Não há nenhum valor de crédito ainda a ser considerado, tendo em vista os demonstrativos elaborados durante a análise dos pedidos, a partir das devidas considerações e comprovações, citadas no Despacho Decisório e reproduzidas no Relatório deste Acórdão. Voto, dessa forma, pela improcedência da manifestação de inconformidade, devendo ser mantidos os termos do Despacho Decisório sob análise. (...)” Mesmo cientificado do referido Acórdão, o contribuinte não apresentou recurso, e os débitos foram inscritos na Dívida Ativa da União e parcelados. Dessa forma, considerando que a Dcomp sob análise está vinculada a crédito já definitivamente indeferido no âmbito administrativo, voto por considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade, ratificando o Despacho Decisório de não homologação das compensações. (...) Do complemento em corroboração à decisão recorrida Dos autos verificase que a fundamentação do Despacho Decisório foi clara quanto aos motivos que levaram ao não reconhecimento do direito creditório. No entanto, a recorrente não trouxe no recurso ou indicou nos autos nenhuma documentação que pudesse infirmar as conclusões da autoridade fiscalizadora no Despacho Decisório. Os relatórios e informações fiscais produzidas em face de análise do pedido de restituição/declaração de compensação, os pareceres que antecederam os despachos da autoridade competente e as informações fiscais prestadas nas várias fases do contencioso são fartos em discorrer acerca da metodologia de cálculo do direito creditório, do histórico do processo judicial, dos índices de atualização utilizados e as explicações dos vários demonstrativos emitidos pelos sistemas informatizados da Receita Federal e pela autoridade fiscal com a apuração dos créditos. Como já visto, tratase aqui de um processo formalmente revestido de todas as condições de legalidade, onde o contribuinte foi cientificado de todos os elementos constantes dos autos, os quais se revelam suficientes para a compreensão dos procedimentos de cálculo do direito creditório e julgamento da lide. É importante salientar que coube a autoridade fiscal proceder a apuração dos créditos decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170 . A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 126 10 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O instituto da compensação está previsto ainda no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o procedimento de homologação de pedido de restituição/declaração de compensação é efetuado pela autoridade administrativa cujo mister é promover a análise da liquidez e certeza do crédito, com base nos documentos do contribuinte e nas decisões judiciais, tendo sempre por norte o princípio da verdade material, decidindose quanto à apuração do direito creditório. No caso dos autos, o indébito é determinado pela apuração da parcela que excedeu o cálculo do PIS devido na sistemática da LC nº 07/70, em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, ou seja, é necessário que autoridade administrativa ateste a regularidade do crédito, por meio da análise da composição da base de cálculo da Contribuição, para que dela extraia o valor pago a maior. O que foi feito por meio do despacho decisório proferido pela DRF de origem, que culminou no não reconhecimento do direito creditório e na não homologação das compensações, em face da inexistência do direito creditório pleiteado. Da conclusão Com supedâneo no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, haja vista a reiteração dos argumentos já aventados em sede de manifestação de inconformidade, bem assim, uma vez atestado nos autos que a decisão definitiva proferida no âmbito do processo nº 15253.000191/200951, que tratou da Ação Judicial nº 1998.38.02.0008991, e, ao final, manteve o indeferimento integral do crédito utilizado na compensação em apreço, não resta outra alternativa a este Colegiado que não a de manter incólume a decisão de primeiro grau que manteve a não homologação da compensação objeto dos presentes autos, por absoluta falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15253.000158/201065 Acórdão n.º 3001000.760 S3C0T1 Fl. 127 11 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra, por seus próprios fundamentos, o acórdão recorrido (Acórdão 0950.443, da 1ª Turma da DRJ/JFA). (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.900385/2016-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900385/201614 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.675 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Juros Moratórios Recorrente GRANVALE LOGÍSTICA E TRANSPORTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 85 /2 01 6- 14 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10860.900385/201614 Acórdão n.º 3302006.675 S3C3T2 Fl. 144 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 113812677, emitido eletronicamente em 05/04/2016, referente ao PER/DCOMP nº 03339.46253.170815.1.3.047194. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/05/2011, no valor de R$64.208,23. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e Art.36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pedese que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A 2ª Turma da DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0274074, de 08 de agosto de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO. Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10860.900385/201614 Acórdão n.º 3302006.675 S3C3T2 Fl. 145 3 a) O crédito que possuía era de R$ 4.372,41, que devidamente atualizado pela Selic passou a ser de R$ 6.168,16. Contudo, a Administração Tributária reconheceu o crédito no valor de origem; b) O valor do débito devido é de R$ 6.168,16. O que ocorreu foi que o recorrente não separou os valores de original, juros e multa. Sendo assim, é evidente que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.04 7194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10860.900385/201614 Acórdão n.º 3302006.675 S3C3T2 Fl. 146 4 Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10921.000853/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 12/01/2006 a 06/07/2009
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. MULTA DE NATUREZA CONTINUADA. IMPOSSIBILIDADE.
A redação do artigo que a conduta infracional está atrelada à não informação dos dados pertinentes à cada embarque da mercadoria, não sendo possível a aplicação de multa singular para infrações de natureza continuada.
Numero da decisão: 3302-006.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. Recorrente SEATRADE SERVIÇOS PORTUÁRIOS E LOGÍSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/2006 a 06/07/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. MULTA DE NATUREZA CONTINUADA. IMPOSSIBILIDADE. A redação do artigo que a conduta infracional está atrelada à não informação dos dados pertinentes à cada embarque da mercadoria, não sendo possível a aplicação de multa singular para infrações de natureza continuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 08 53 /2 00 8- 79 Fl. 835DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Recurso Especial. Trata o presente de auto de infração lavrado (efls. 03 a 18) para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar por descumprimento da obrigação acessória de prestar informações sobre a carga transportada dentro do prazo determinado à época (até sete dias da data do embarque); oitenta e oito infrações conforme relação às efls. 23 a 132. A autuação resultou em um total de 88 multas no montante de R$ 440.000,00, cientificada ao contribuinte em 18/12/2008 (efl. 03). Irresignada, em 09/01/2009, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 313 a 337. A 2a Turma da DRJ/FNS, apreciou a impugnação em 07/10/2011, e no acórdão n° 07 26.260, às efls. 667 a 672, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 677 a 695, em 24/11/2011. Em breve resumo argumenta que: há nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, pois a fiscalização não se referiu à pessoa do transportador, apenas à autuada que é mero agente marítimo do transportador; ausente a falta de pagamentos de tributos e tendo a própria recorrente providenciado a realização dos lançamentos das informações, anteriormente a qualquer ação fiscal, estaria configurada a denúncia espontânea que excluiria a responsabilidade pela infração; sendo as infrações de igual conformação e dentro de um mesmo período, haveria infração continuada e para esta a sanção deveria ser única, prejudicado o lançamento nesse ponto ao efetivar múltiplas sanções. A 2a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 14/10/2014, dandolhe provimento no acórdão de n° 3302002.734, às efls. 718 a 728, o qual teve as seguintes ementas: ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302006.435 S3C3T2 Fl. 3 3 O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §20DO DECRETOLEI N° 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2°, do Decreto Lei n° 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. O voto do relator ad hoc, apesar de afastar o argumento a) quanto à ilegitimidade passiva, afastando a nulidade arguida, acatou o outro argumentos para dar integral provimento ao recurso voluntário. Quanto ao argumento em b), afirmou que após a inclusão do § 2°, artigo 102 do DecretoLei n° 37/66, pela Lei n° 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Caso vencido o argumento b), com eventual manutenção da multa, o argumento c), deveria ser acatado, pois o relator entendeu haver infração de caráter continuado, e com base em doutrina e jurisprudência, tal tipo de infração resultaria em imposição singular da multa a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão n° 3302002.734 em 20/05/2015 (efl. 730), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 01/06/2015, às efls. 731 a 752. A Fazenda indica existência de divergência apenas em relação ao instituto da denúncia espontânea e com relação essa matéria Fl. 837DF CARF MF 4 o Procurador apresentou como paradigmas da divergência os acórdãos n° 3802002.322 e n° 3403003.251. Os paradigmas afastaram a denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2°, do DecretoLei n° 37 de 1966, com redação dada pela Lei n° 12.350 de 2010. Ambos afastam a denúncia espontânea, pois seria caso de descumprimento de obrigação acessória que se caracteriza por um nãofazer ou um fazer extemporâneo do sujeito passivo, situação em que o prazo é justamente o fim almejado pelo dispositivo normativo. O Presidente da 3a Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 15/01/2016, no despacho de efls. 754 a 756, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento quanto ao instituto da denúncia espontânea. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 760) do acórdão n° 3302 002.734, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Procuradoria, em 16/02/2016 (efl. 763), tendo apresentado contrarrazões em 02/03/2016, às efls. 333 a 356. Em resumo argumenta: haver prejudicial para o recebimento do recurso especial da Procuradora ao não atacar um dos fundamentos do acórdão, quanto à matéria "Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada."; o recurso não deveria ser recebido também por não haver demonstrativo analítico da similitude fática entre as situações postas nos paradigmas e no acórdão a quo; apesar de fora do prazo, a empresa diligenciara para apresentação das informações de embarque previamente à ação fiscal, com isso, sem dúvida houve espontaneidade em relação aos fatos declarados e assim ela se albergaria tanto no art. 138 do CTN quanto no§ 2° do art. 102 do DecretoLei n° 37/1966. Em 16 de maio de 2018, através do Acórdão n° 9303006.797, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conheceu do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em deulhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem. O referido Acórdão conheceu do Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional para darlhe provimento, afastando o instituto da denúncia espontânea ao caso e restabelecendo o crédito tributário referente às penalidades mantidas pela decisão de primeira instância, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das questões subsidiárias postas no Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302006.435 S3C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Ilegitimidade passiva do agente marítimo; ü Denúncia espontânea; ü Aplicação de multa singular para infrações de natureza continuada. O Acórdão de Recurso Especial afastou o instituto da denúncia espontânea ao caso e restabeleceu o crédito tributário referente às penalidades mantidas pela decisão de primeira instância, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das questões subsidiárias postas no Recurso Voluntário. Passase à análise. Denúncia espontânea. Tópico foi afastado pelo Acórdão n° 9303006.797, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ilegitimidade passiva do agente marítimo. Pois bem, preliminarmente, alega a impugnante ser parte ilegítima, uma vez que, na qualidade de agente de navegação, na condição, pois, de mera mandatária do transportador marítimo, não deve ser responsabilizada pelos atos praticados pelo transportador. Todavia, dispositivos normativos a respeito encontramse prescritos no artigo 2o da IN RFB nº 800/2007, dessa forma: ° IN RFB nº 800/2007 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...) § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) Fl. 839DF CARF MF 6 IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas " a" e " b" , responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas " a" e " b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (grifamos) Dessa forma, ao contrário do entendimento esposado pela Impugnante, o agente marítimo, além de ser o representante do transportador estrangeiro no País, encontrase classificado, também, nos termos do art. 2º, § 1º, inciso IV, da IN RFB nº 800/2007, como uma espécie do gênero transportador, sendo, pois, responsável com este em eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. No âmbito das infrações aduaneiras, observase que a responsabilidade está expressamente prevista o art. 95 do Decretolei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; Assim, por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Atentese ainda para inciso II do art. 95 do Decretolei nº 37/1966 (acima transcrito) c/c artigo 32, inciso I, parágrafo único, alínea “b” do mesmo diploma legal, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, que tratam expressamente da responsabilidade do transportador e, sendo este estrangeiro, prevêem a responsabilidade solidária de seu representante no País: Art. 32 – É responsável pelo imposto: I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II – (...) Parágrafo único – É responsável solidário: a) (...); Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302006.435 S3C3T2 Fl. 5 7 b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. (Grifo e negrito nossos) Inferese, portanto, que a lei designou como responsável solidário o representante no País do transportador estrangeiro. Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da responsabilidade solidária, cabe, a seguir, a análise quanto à responsabilidade do agente marítimo. Observase que, ao aludir à figura do “representante”, a lei não restringe seu conteúdo ao contrato de representação comercial stricto sensu, tal como previsto na comercial, mas denota a pessoa que atua por ordem e no interesse do transportador perante as autoridades aduaneiras, praticando atos que, dentre outras finalidades, têm estrita relação com controle aduaneiro do veículo e da carga. Assim, incabível restringir a interpretação da lei tributária, sob a ótica dos institutos de direito privado, relativos a contrato de agenciamento e de representação, na pretensão de definir os efeitos tributários, devendose atentar para o aspecto teleológico da norma. A responsabilidade tributária é disciplinada por diploma legal específico, sendo descabido aplicar legislação de direito privado quando existem leis específicas que regem a matéria, pois, é preceito de hermenêutica que a norma especial prevalece sobre a norma geral. Nesse sentido, cabe destacar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima: É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e seguros no Comércio Exterior,2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003) (destaquei) Diante de abalizada doutrina, podese constatar que o comércio marítimo impõe a necessidade de os armadores possuírem em cada porto um representante, com conhecimento em diversas áreas comerciais e jurídicas, para atuar na prática de determinados atos de interesse daqueles, agindo, portanto, como representante do armador. Assim, o Agente Marítimo é o elo na cadeia de comunicação entre o Armador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um Porto Nacional. Com efeito, sabese que o agente marítimo atua efetivamente como representante do transportador em determinado porto, perante as autoridades governamentais e portuárias. Sua missão é assumir o gerenciamento e essa administração envolve múltiplas ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como, praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos Fl. 841DF CARF MF 8 órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Considerandose assim as funções exercidas pelo Agente Marítimo, esclareçase ainda que a expressão “representante, no País, do transportador estrangeiro” não tem o significado de representante em todo o território nacional, mas sim de representante no Brasil, podendo este ser nacional ou local. Concluise, portanto, que o transportador estrangeiro de grande porte pode ter um representante em âmbito nacional, sendo usual é que tenha “representantes” locais em cada porto, que são os Agentes Marítimos. No entanto, em quaisquer das duas hipóteses acima se tem a responsabilidade solidária, conforme dispôs o art. 32 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo art. 1º do DecretoLei nº 2.472/88. O agente marítimo, por atuar como representante do transportador no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Ademais, o representante do transportador estrangeiro firma um Termo de Responsabilidade perante a Aduana, em que declara essa sua condição, evidenciando assim sua responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações em que incorrer o transportador. Neste ponto, ressaltese que o Termo de Responsabilidade tem amparo legal, estando expressamente previsto no art. 39, §§ 2º e 3º, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decreto nº 2.472/1988: Art. 39 – (...) (...) § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Grifo e negrito nossos) Portanto, conforme disposição legal acima, quando o agente marítimo assina o termo de responsabilidade perante Alfândega, o faz na qualidade de representante do transportador. Amparado no citado termo, a empresa atua efetivamente em nome transportador, praticando atos durante o despacho. A jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade do agente marítimo, firmando o entendimento de que a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada em 1985, foi superada com o advento do Decretolei nº 2.472, de 1988. O Egrégio Conselho de Contribuintes corrobora com o entendimento acima esposado, havendo, ainda, decisões judiciais neste sentido, conforme evidenciam as ementas a seguir transcritas: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inaplicável, na espécie sob julgamento, a Súmula n. 192 do TFR, esta superada pela edição do DecretoLei n. 2.472/88. (Acórdão nº 30328571, Terceira Câmara, Recurso nº: 118229, Data da Sessão: 25/02/1997) Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302006.435 S3C3T2 Fl. 6 9 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO COMO REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Apurada avaria e falta de mercadoria é responsável pelo tributo e multas o representante do transportador estrangeiro. Inaplicabilidade, no caso, das cláusulas STC (Said to Contain). (Acórdão nº 30128239, Primeira Câmara, Recurso nº: 118200 Data da Sessão: 13/11/1996) PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CONHECIDA. DEPOSITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE FISCAL DO AGENTE MARÍTIMO. SUMULA 192 DO EXTFR. INAPLICABILIDADE. FATO GERADOR. O AGENTE MARÍTIMO, QUANDO NO EXERCÍCIO EXCLUSIVO DAS ATRIBUIÇÕES PRÓPRIAS, NÃO E CONSIDERÁVEL TRIBUTÁRIO, NEM SE EQUIPARA AO TRANSPORTADOR PARA EFEITOS DO DECRETOLEI 37, DE 1966.' (SUMULA 192/ TFR). NÃO SE APLICA O ENTENDIMENTO SUMULADO QUANDO O AGENTE MARÍTIMO ASSINA TERMO DE RESPONSABILIDADE EQUIPARANDOSE AO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. (...) APELAÇÕES E REMESSA IMPROVIDAS. (negritei). (ACÓRDÃO AC 9618/PE, Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 91.05.034353, Órgão Julgador: Primeira Turma, Relator: Desembargador Federal CASTRO MEIRA, Data Julgamento: 05/09/1991) Não prospera a tese de que a autuação ofende o artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal (“nenhuma pena passará da pessoa do condenado”), empregado, por analogia, à penalidade administrativa, pois, diante da legislação de regência, concluise que a multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Por fim, o §1º do artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 põe uma pá de cal na testilha: § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Aplicação de multa singular para infrações de natureza continuada. Fundamental para a análise, a transcrição do dispositivo infringido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 843DF CARF MF 10 (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A leitura do dispositivo legal transcrito no parágrafo anterior não deixa dúvida quanto à conduta formal lesiva ao controle aduaneiro, qual seja, deixar de prestar informação na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Embarque da mercadoria Coube à Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamentar o assunto referente a partida de veículo ao exterior (embarque), em seu artigo 37, que possuia a seguinte redação original: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 Posteriormente, a Instrução Normativa SRF n° 510/2005, que alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994. estabeleceu o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Uma nova alteração no artigo, agora dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13 de dezembro de 2.010, alterou o prazo para 07 (sete) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) Fica nítido pela redação do artigo que a conduta infracional está atrelada à não informação dos dados pertinentes à cada embarque da mercadoria, não sendo possível a aplicação de multa singular para infrações de natureza continuada, como pretende o Recorrente. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302006.435 S3C3T2 Fl. 7 11 Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar a preliminar suscitada e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 845DF CARF MF
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