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Numero do processo: 10280.904342/2012-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.740
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 42 /2 01 2- 05 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10280.904342/201205 Acórdão n.º 9303004.740 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.644, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10280.904342/201205 Acórdão n.º 9303004.740 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10280.904342/201205 Acórdão n.º 9303004.740 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10280.904342/201205 Acórdão n.º 9303004.740 CSRFT3 Fl. 6 5 Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 700DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001285/2005-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.001285/200571 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.176 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPERAFICO DA AMAZÔNIA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 12 85 /2 00 5- 71 Fl. 413DF CARF MF 2 Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão 3302001.994 assim ementado: NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF E STJ NO RITO DOS ART. 543B E 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Recurso Voluntário Provido Nele, a Segunda Turma da Terceira Câmara decidiu: Assim exposto, não obstante meu entendimento seja em sentido contrário, por força regimental, em face da regra contida no art. 62A do RICARF, curvome à decisão do STJ submetida ao regime do artigo 543C, do CPC, acima transcrita, para admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). No especial ofertado, combate a Fazenda Nacional tanto o marco inicial para a contagem da Selic quanto a sua base, que entendeu ter sido todo o crédito postulado. Para comprovação da divergência, traz como paradigma acórdão que concluiu: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para reconhecer o direito de a Interessada: a) incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas; b) incluir na receita de exportação do 1º trimestre do ano 2002 os seguintes valores: (i) R$ 16.043,77, de receita de exportação glosada a título de receita de variação cambial ativa; e (ii) R$ Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10183.001285/200571 Acórdão n.º 9303005.176 CSRFT3 Fl. 3 3 36.775,60, a título de receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros; e c) atualizar a diferença do valor do crédito apurado, na forma estabelecida nas alíneas anteriores, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do Despacho Decisório de fl. 86. Tempestivas contrarrazões pugnam pela manutenção do julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Apesar de tempestivo, entendo que o recurso especial fazendário não merece ser conhecido. E isso porque, diferentemente daquilo que nele conseguiu ler a douta representação fazendária, não diviso que tenha havido o deferimento da taxa Selic sobre todo o valor do crédito originalmente postulado, mas apenas, na esteira da remansosa jurisprudência desta Câmara Superior, sobre a parcela originalmente negada e posteriormente deferida. É o que depreendo da citação que fiz daquele julgado, em especial do trecho em que a n. relatora afirma: (...) inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, (...) Daí só consigo concluir que os "créditos a ressarcir" sobre os quais incidirá a Selic são precisamente os que estavam lá em discussão, ou seja, os decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, uma vez que qualquer outra parcela não glosada pela administração já o foi. Notese que esse último aspecto o ressarcimento imediato da parcela incontroversa foi precisamente o motivo para que a jurisprudência deste colegiado se tenha firmado na linha de restringir o cômputo da Selic à parcela controversa. E isso está, também, em perfeita concordância com o que foi decidido no paradigma apresentado, nenhuma divergência se verificando. Já no que concerne ao momento de início do cômputo da Selic, tratase de matéria já superada no âmbito deste Colegiado que, sem exceções, a defere desde a data de protocolização do pedido, até porque esse também foi o marco inicial adotado no acórdão do STJ citado na decisão recorrida (RESp 1.035.847). Com efeito, naquele julgamento, o STJ negara recurso da Fazenda Nacional contra decisão do TRF que a deferira desde a data do Fl. 415DF CARF MF 4 protocolo do pedido. Vale ainda o registro de que, naquele processo, nenhuma decisão administrativa contrária havia sido proferida. Com essas considerações, não conheço do recurso fazendário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001302/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 11/08/1999 a 14/06/2000
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. DÉBITO PARCELADO. INEXISTÊNCIA. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que inexiste cobrança em duplicidade do tributo em questão, já que o débito de CPMF não se encontra em programa de parcelamento, deve ser mantida a cobrança perpetrada pelo lançamento tributário.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 14/06/2000 COBRANÇA EM DUPLICIDADE. DÉBITO PARCELADO. INEXISTÊNCIA. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que inexiste cobrança em duplicidade do tributo em questão, já que o débito de CPMF não se encontra em programa de parcelamento, deve ser mantida a cobrança perpetrada pelo lançamento tributário. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado.
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DÉBITO PARCELADO. INEXISTÊNCIA. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que inexiste cobrança em duplicidade do tributo em questão, já que o débito de CPMF não se encontra em programa de parcelamento, deve ser mantida a cobrança perpetrada pelo lançamento tributário. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 13 02 /2 00 4- 64 Fl. 382DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 340200.047 (fls 199 a 202) depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhuma das Turmas Ordinárias de julgamento da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo. Veiculam os autos lançamento de oficio da CPMF do período de 11 de agosto de 1999 a 14 de junho de 2000 (fls. 57 e 58) efetuado diretamente contra o titular da contacorrente na qual não teria sido feita a retenção pela instituição financeira UNIBANCO. O sujeito passivo indicado no auto de infração (fls. 69) é o estabelecimento filial de número de inscrição no CNPJ 50.564.053/000880. Este lançamento complementa trabalhos de fiscalização da contribuição efetuados na empresa BOMBRIL dos quais já decorrera a lavratura de auto de infração contra a matriz — processo 19515.000323/200463 que engloba as exigências contidas no período de dezembro de 1999 a outubro de 2000. A autoridade fiscal autora deste procedimento juntou aqui as principais peças daquele processo (fls. 03 a 51), de modo, ao que parece, a demonstrar que a exigência aqui feita não está incluída no outro lançamento. Entre essas peças, no entanto, não há qualquer discriminação das bases de cálculo por instituição financeira que permita checar sua afirmação de que os valores aqui exigidos lá não se encontram. Os quadros demonstram apenas o total devido a cada período de apuração e há períodos em comum (dezembro de 1999 a fevereiro de 2000). Nesse período comum, os totais lá incluídos superam os aqui indicados, à exceção de um único período de apuração (05/01/2000). Com efeito, defende ela em Termo de Verificação de fls. 57 a 60 que os valores aqui exigidos dizem respeito a movimentações financeiras efetuadas pela filial da empresa (estabelecimento de final 0008 no CNPJ) junto ao banco Unibanco, enquanto a autuação anterior apenas incluíra movimentações da matriz. No mesmo Termo de Verificação, a autoridade fiscal reconhece Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13819.001302/200464 Acórdão n.º 3402004.274 S3C4T2 Fl. 334 3 que a empresa incluiu em parcelamentos espontaneamente requeridos os valores que considerou devidos de CPMF com base em seus próprios controles internos mas nesses levantamentos da empresa deixara ela de considerar aqueles objeto do outro processo administrativo, bem como estes débitos ora lançados. Especificamente quanto aos parcelamentos espontaneamente requeridos pela empresa, defende a autoridade fiscal (fl. 59) que, em relação às movimentações no UNIBANCO, eles apenas incluem a parcela de R$ 2.845,76 de CPMF e ainda assim relativa a período distinto do aqui autuado. Essa afirmação, segundo ela, estaria comprovada pela planilha "Valores Informados pelos Declarantes" (fl. 52) e pelo documento de fl. 53 (CPMF Medidas Judiciais), ambos aparentemente de elaboração interna da SRF. Em verdade, essa informação está corroborada pelo documento de fls. 32 a 51, que parece ser a impugnação da empresa ao outro lançamento. Mais especificamente na tabela de fl. 41. O que os documentos mencionados pela autoridade fiscal demonstram é que não houve a retenção pela instituição financeira, carecendo saber o motivo, dado que a mesma autoridade afirma às fls. 58 que a empresa "não apresentou nenhuma medida judicial contra a cobrança da CPMF, durante os anos de 1999 e 2000". Entre fls. 54 e 56 consta correspondência da empresa em que parecem estar discriminados os valores objeto de seus pedidos espontâneos de parcelamento. Por eles se confirma a afirmação fiscal sobre a não inclusão dos valores aqui exigidos, visto que os débitos de responsabilidade do UNIBANCO (última coluna do demonstrativo de fl. 55) não coincidem com os aqui exigidos, seja em valores, seja em relação aos períodos, e totalizam apenas R$ 2.845,76 de principal. A defesa da empresa, em ambos os processos administrativos, limitase a afirmar que parcelou todos os débitos de CPMF existentes entre 1999 e maio de 2000 (em dois processos distintos, o primeiro deles relativo ao REFIS) e que nada deve a título da contribuição. Aponta ter havido cerceamento do seu direito de defesa porque os valores aqui exigidos não estariam adequadamente demonstrados, motivo que também acarreta sua iliquidez. E que ambos os motivos levam ao reconhecimento da nulidade do lançamento, que requer. Do contrário, pugna pelo afastamento da multa, pelo seu aspecto excessivo e porque os débitos estariam com sua exigibilidade suspensa em virtude da inclusão no REFIS. Não ratifica a afirmação da autoridade fiscal relativa à inexistência de medida liminar suspensiva no período da autuação, nem questiona sua legitimidade passiva para a autuação. Mantida pela DRJ, a autuação é aqui contestada com os mesmos argumentos iniciais, quais sejam nulidade por iliquidez e cerceamento, duplicidade de exigência dado que toda a Fl. 384DF CARF MF 4 CPMF devida já estaria parcelada e abusividade da multa de ofício. Como já ocorrera em primeiro grau, a empresa nada juntou ao seu requerimento que comprovasse suas alegações nem contestou a sujeição passiva. Segundo a autuada, o montante parcelado supera o total de CPMF informado pelas instituições financeiras. Em julgamento datado de 17 de novembro de 2009 (Resolução n. 3402 00.047), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF determinou a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal promovesse a juntada: i) da decisão judicial que impediu as instituições financeiras de realizar a retenção em que fique clara sua extensão, ou seja, se alcança todos os estabelecimentos, data de início de vigência e de cassação; ii) das informações prestadas pelas instituições financeiras, em decorrência da decisão judicial (art. 44 da Medida Provisória 2.15835), discriminadamente por instituição financeira e por período e com destaque para a do Unibanco; iii) de planilha que discrimine, por instituição financeira, os valores autuados no outro processo administrativo, de modo a afastar a possibilidade de que nos valores do período comum (dezembro de 1999 a fevereiro de 2000) possam estar incluídos os aqui autuados. O Relatório da diligência requerida por este Conselho encontrase em fls 333 a 336. Por fim, consta nos autos AR de intimação da Recorrente sobre o resultando da diligência, porém nenhuma manifestação a respeito do Relatório elaborado pelo Agente Fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do processo já foram anteriormente analisados e acolhidos, de modo que passo ao mérito do caso. Cabe inicialmente consignar que o presente processo resumese a questão de fato alegada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário endereçado a este Conselho (fls 179 a 192), no sentido de que débitos aqui constantes estariam sendo indevidamente cobrados, porque foram objeto de parcelamento no âmbito da Receita Federal. Com efeito, tanto a preliminar como o mérito do recurso possuem como pressuposto o hipotético erro na cobrança de débitos parcelados. Lembremos as alegações da Recorrente: i) preliminarmente, cerceamento do direito de defesa, por suposta iliquidez e incerteza do lançamento tributário, pois teria indevidamente incluído débitos de CPMF parcelados no REFIS e nos parcelamentos tratam a MP 2.061/2000 e Lei n. 10.684/2003, em nome de sua matriz. Assim o auto seria nulo pois s fiscalização não comprovou a ocorrência do fato gerador do tributo, ferindo os artigos 108, 114, 116 e 142 do CTN; ii) no mérito, a inexistência de diferenças de CPMF, pois todos os valores encontrarseiam parcelados no REFIS, de modo que sua cobrança no presente processo culminaria em duplicidade de exigência da exação; iii) a multa de ofício no patamar de 75%, aplicada com base no artigo 63 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13819.001302/200464 Acórdão n.º 3402004.274 S3C4T2 Fl. 335 5 da Lei n. 6.430/96, possui caráter confiscatório e desproporcional, ofendendo então dispositivos do texto constitucional, razão pela qual deveria ser exonerada. O antigo relator do caso entendeu que nos autos não estava clara a situação sobre o eventual parcelamento dos débitos pela Recorrente (em seu nome ou em nome de sua matriz), bem como a eventual existência de processo judicial que favorecesse o procedimento adotado pela Fiscalizada. Tais dúvidas foram dirimidas no Relatório de Diligência Fiscal, citado no relato acima, no qual a repartição de origem fez constar que (fls 333): (...) Fl. 386DF CARF MF 6 Restou confirmado, então, que os montantes aqui cobrados dizem respeito especificamente ao sujeito passivo do processo administrativo (filial) e não ao estabelecimento matriz; que tais débitos não foram objeto de parcelamento, tampouco estão sob cobrança em outro processo administrativo, além de que não há decisão judicial que ampare o não recolhimento da CPMF ora sob discussão. A resposta a diligência de foi categórica nesse sentido, sendo que tais conclusões foram alcançadas com base nas informações e documentos apresentados pela própria Recorrente, a qual, ressaltemos, não contestou o resultado da diligência. Assim, cumpre reconhecer que o pressuposto da defesa da Recorrente (parcelamento dos débitos) não é verdadeiro, de modo que não merecem acolhimento sua preliminar de cerceamento de direito de defesa, e muito menos o mérito recursal. Com relação à alegação de confiscatoriedade da multa, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13819.001302/200464 Acórdão n.º 3402004.274 S3C4T2 Fl. 336 7 Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902805/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902805/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.175 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 05 /2 01 2- 66 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.016. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902805/201266 Acórdão n.º 3302004.175 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908902/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.557
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 89 02 /2 01 2- 19 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.908902/201219 Acórdão n.º 3401003.557 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 84DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.908902/201219 Acórdão n.º 3401003.557 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 86DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724921/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas.
Numero da decisão: 2401-004.767
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar as omissões e obscuridades apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 21 /2 01 0- 93 Fl. 425DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios e darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e obscuridades existentes no Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2302003.177 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 14 de maio de 2014 (fls. 313/370), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Fl. 427DF CARF MF 4 Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CURSOS TÉCNICOS E DE GRADUAÇÃO OFERECIDOS A PEQUENA PARCELA DE SEGURADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As despesas com cursos técnicos e de graduação não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEST/SENAT. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. RETENÇÃO. É importante ressaltar que não obstante o órgão administrativo impeça seus Conselheiros reconhecerem a inconstitucionalidade de normas (Súmula nº 2 do CARF), competência esta exclusiva do STF (art. 102, I, ‘a’, CF/88), no presente caso, caminho em direção à ponderação de normas, estabelecendo uma hierarquia axiológica de modo a conferir a uma norma peso maior do que à outra. Neste sentido, afasto a aplicação do art. 2º, §3º, alínea ‘a’, do Decreto nº 1.007/93 por entender que a responsabilidade do tomador do serviço não pode ser tratada por norma infralegal, fazendo prevalecer a Lei nº 8.706/93. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido A embargante alega a ocorrência de vícios no julgado, pelas seguintes razões: a. Ausência de voto vencedor com os fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros, quanto à questão do PLR. Asseverou que na sessão de 14 de maio de 2014, o colegiado, por maioria de votos (4x2), negou provimento ao recurso voluntário e manteve o lançamento das contribuições previdenciárias sobre a PLR. Contudo, apesar de os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, André Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi terem acompanhado o Relator apenas nas conclusões, não consignaram os motivos pelos quais o recurso teria sido desprovido. É necessária a motivação sob pena de nulidade da decisão; Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 4 5 b. A existência de metas vinculadas ao planejamento estratégico da empresa foi matéria levantada no recurso voluntário e não enfrentada no voto que desconsiderou o descrito no Acordo Coletivo de Trabalho; c. Obscuridade e omissão quanto à multa aplicada. Consta na conclusão do acórdão que o recurso voluntário foi desprovido por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes. Apesar disso, o tema não foi analisado no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva; d. Ausência de análise no voto do Relator do argumento do registro prévio da CEMIG no PAT. O fato da CEMIG Distribuição se originar da Companhia Energética (atual holding), inclusive no que tange aos seus funcionários, a inscrição desta no PAT deveria alcançar aquela empresa. Em despacho do dia 19 de março de 2014 (417/420), os embargos de declaração foram parcialmente admitidos, tendo sido o processo devolvido para relatoria e inclusão em pauta para julgamento. Nesse contexto, os embargos apresentados pelo contribuinte tiveram como objetivo sanar as omissões e obscuridades apontadas, e fazer constar no Acórdão as razões de convencimento da turma julgadora que manteve o lançamento das contribuições previdenciárias sobre o PLR, ou, não sendo possível tal procedimento, anular a decisão proferida. Em face da renúncia do Conselheiro Relator o processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório Fl. 429DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Ausência de voto vencedor com os fundamentos adotados pela maioria dos Conselheiros quanto ao PLR e existência de metas A empresa embargante pleiteia que sejam explicitadas a justificativa do resultado divulgado no Acórdão, ou, a nulidade da decisão, tendo em vista que não restou consignada na decisão a conclusão vencedora. Assevera ainda que a matéria relativa à existência de metas vinculadas ao planejamento estratégico da empresa não foi enfrentada no voto que desconsiderou o estava previsto no Acordo Coletivo de Trabalho. É cediço que o PLR envolve muitas nuances e que poderia ter sido aplicada qualquer uma das teses albergadas no voto, tais como, apuração de lucro pela empresa, pactuação de metas, participação sindical, explicitação das regras no instrumento de formalização do acordo, cumprimento de metas dentro do próprio ano, periodicidade. Para uma melhor compreensão dos motivos que ensejaram a maioria do colegiado em manter o lançamento do PLR, destaco excertos do Acórdão nº 2302003.176 da lavra do Relator: Diante dos aludidos dispositivos e considerações, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: ∙ Que a empresa tenha efetivamente apurado lucro no período de apuração/avaliação referido pelo plano de PLR; ∙ A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000; ∙ Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato representativo da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; ∙ Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 5 7 adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. ∙ A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; ∙ O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; ∙ A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; ∙ A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; [...] Compulsando os autos, verificamos que os acordos não estipulam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informam como se dará a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderá a 3% do Resultado Operacional da Cemig. Inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. O valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) Parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados. b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, Fl. 431DF CARF MF 8 recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente também. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. [...] No caso em apreço, constatou a Autoridade Lançadora que os acordos coletivos: “a) Foram realizados e assinados no mês de novembro de cada respectivo ano, ou seja, Acordo 2004/2005 assinado em 17 de Novembro de 2004 (com pagamento da PLR em Março/2005), Acordo 2005/2006 assinado em 1º de Novembro de 2005 (com pagamento da PRE em Novembro e Dezembro/2005 e PLR em Março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de Novembro de 2006 (com pagamento da PRE em Dezembro/2006); Da forma como foram realizados os acordos, sendo assinados no final de cada ano, para cumprimento de metas dentro do próprio ano, comprova o não estabelecimento prévio do “programas de metas, resultados e prazos”; Aflora, no caso presente, que os valores pagos sob o rótulo de PLR foram estipulados unilateralmente pela empresa, na medida em vieram ao conhecimento dos empregados quando já se havia escoado 5/6 do período de mensuração dos objetivos colimados pelo plano e de avaliação dos trabalhadores no cumprimento dos fins extraordinários fixados no acordo. [...] Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. [...] O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho/Participação nos Resultados não contempla os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Conforme se observa, foram analisados os termos de Acordos adunados aos autos, e, a maioria do colegiado, concluiu que o conteúdo das cláusulas neles previstas não contemplaram os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000, na medida em que não estipulavam os objetivos de perseguição dos trabalhadores e nem informavam como se daria a aferição dos resultados alcançados. Dentro da visão da maioria da Turma, o fato dos Acordos terem estabelecido que a participação dos trabalhadores iria corresponder a 3% do Resultado Operacional da Cemig, e que o valor a ser distribuído a cada trabalhador seria composto de duas parcelas, uma fixa e uma variável, a ser distribuído a cada trabalhador, vinculada ao tempo de serviço na empresa durante o ano, referidas regras não seriam suficientes, pois não incentivavam o trabalho com vistas a uma dedicação superior à habitual, por parte dos trabalhadores. Ademais, entendeu a maioria do colegiado que os acordos deveriam ter sido arquivados previamente pois, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, estará a negociação irregular, incompleta e em desacordo com a Lei de regência. Restam desta forma explicitadas as justificativas do resultado do Acórdão, relativamente ao PLR. Assim, não admito os embargos quanto à PLR, tendo em vista que o resultado do Acórdão está claro no sentido de não acolher referidas verbas com o manto da desoneração, por não atenderem aos parâmetros delineados pela Lei nº 10.101/2000. Obscuridade e Omissão multa Assinala a embargante, quanto à multa, que o tema não foi analisado no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, conquanto esteja consignado no dispositivo do Acórdão o seguinte: Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Fl. 433DF CARF MF 10 Entendo que assiste razão à embargante quanto à omissão/obscuridade apontadas. Neste ponto, o julgado merece saneamento e integração objetivando a eliminação das falas apontadas. O crédito tributário exigido através do Auto de Infração nº 37.289.5115, se refere a cobrança de contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, com a aplicação da multa correspondente a 24% (vinte e quatro por cento) nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação estabelecida pela Lei nº 9.876/99. Na visão do relator originário, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, deve ser aplicada a multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, pois a retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica. Trago excertos do Acórdão nº 2401004.286, nos autos do Processo nº 15504.721725/201364, sobre o ponto de vista do Relator, questionado pela embargante: Alega o Recorrente que a multa de mora máxima que poderia ser aplicada é de 20%. Não! [...] Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 7 11 mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. [...] Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Ao revés, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. (Grifamos). De acordo com os fundamentos acima expostos, o colegiado decidiu pela manutenção da multa na forma do lançamento. Dadas às conclusões do voto, acima expostas, deve ser adequado o Acórdão nestes termos, e, ainda, incluir na ementa o seguinte trecho: Fl. 435DF CARF MF 12 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Assim, os embargos de declaração devem ser acolhidos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos quanto ao resultado do julgamento. Omissão PAT Segundo a embargante ocorreu ausência de análise no voto do Relator concernente ao argumento do registro prévio da CEMIG no PAT. Inexiste omissão nesse ponto. É clara a análise no voto da matéria relativa ao PAT, conforme se destaca dos seguintes trechos: No caso em exame, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes. Isto porque a empresa autuada não possuía inscrição no PAT no período de apuração, conforme demonstra o Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889, que revela que a inscrição no PAT apenas se houve por formalizada em 17/07/2008, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante tickets de R$ 390,00 até novembro/2005 e de R$ 510,00 a partir de dezembro/2005, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720, sendo certo que nas competências dezembro de cada ano cada funcionário, em regra, recebia dois tickets de valor bem similar (R$ 450,00 e R$ 510,00 em dezembro/2005 e R$ 500,00 e R$ 510,00, em dezembro/2006). [...] Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales, tickets ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. [...] No caso em debate, além de a parcela referente à alimentação ter sido fornecida aos empregados na forma de “ticket alimentação”, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720, com direito a décimo terceiro e tudo, a Fiscalização apurou que, no período de lançamento do débito, Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2401004.767 S2C4T1 Fl. 8 13 a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889. (Grifamos). Assim, não devem ser acolhidos os embargos com relação ao PAT, por configurar uma rediscussão da matéria já decidida. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, darlhes parcial provimento para sanar a omissão com relação à multa, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723948/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NO DISPOSITIVO QUE FUNDAMENTA O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Para a declaração de nulidade do ato administrativo, é pressuposto ficar evidenciado o prejuízo à defesa do sujeito passivo. O relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional, possibilitando ao autuado, na fase litigiosa do procedimento fiscal, debater cada ponto da acusação fiscal.
SÓCIO-ADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
É segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, o sócio-administrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida, observado o limite máximo do salário-de-contribuição, a contribuição devida pelo segurado, cabendo à empresa arrecadá-la, mediante desconto da remuneração, e recolhê-la no prazo legal.
MÚTUOS. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO.
Constituem remuneração pelos serviços prestados e integram o salário-de-contribuição do segurado contribuinte individual as apropriações de numerários da empresa, destinados ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócio-administrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo.
O mutuário não está obrigado a devolver a própria coisa, porém há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Embora possível a quitação de mútuo por dação em pagamento, não é razoável, absolutamente incompreensível, a empresa, na condição de mutuante, emprestar dinheiro, num total de milhões de reais, e receber, como quitação pelo mutuário, sócio-administrador da pessoa jurídica, título ao portador emitido pela Eletrobrás, dotado de alta probabilidade de iliquidez e inexigibilidade, ainda sendo obrigada a empresa, por disposição contratual, a assumir todos os ônus da demanda judicial para recebimento do título.
Numero da decisão: 2401-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PARTE SEGURADO Recorrente LOGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. FALTA DE CLAREZA NO DISPOSITIVO QUE FUNDAMENTA O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Para a declaração de nulidade do ato administrativo, é pressuposto ficar evidenciado o prejuízo à defesa do sujeito passivo. O relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional, possibilitando ao autuado, na fase litigiosa do procedimento fiscal, debater cada ponto da acusação fiscal. SÓCIOADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, o sócioadministrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida, observado o limite máximo do saláriodecontribuição, a contribuição devida pelo segurado, cabendo à empresa arrecadála, mediante desconto da remuneração, e recolhêla no prazo legal. MÚTUOS. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO. Constituem remuneração pelos serviços prestados e integram o saláriode contribuição do segurado contribuinte individual as apropriações de numerários da empresa, destinados ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 48 /2 01 0- 84 Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.141 2 em contas de empréstimos ao sócioadministrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. O mutuário não está obrigado a devolver a própria coisa, porém há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Embora possível a quitação de mútuo por dação em pagamento, não é razoável, absolutamente incompreensível, a empresa, na condição de mutuante, emprestar dinheiro, num total de milhões de reais, e receber, como quitação pelo mutuário, sócioadministrador da pessoa jurídica, título ao portador emitido pela Eletrobrás, dotado de alta probabilidade de iliquidez e inexigibilidade, ainda sendo obrigada a empresa, por disposição contratual, a assumir todos os ônus da demanda judicial para recebimento do título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.142 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0632.778 (fls. 1.866/1.887): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 AIOP 37.305.8802 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não é nulo o processo administrativo fiscal cujos atos e termos foram lavrados por servidor competente, que contenha todos os elementos necessários à compreensão da origem do crédito exigido e cujos despachos e decisões não impliquem preterição do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Em caso de processos resultantes de ações fiscais distintas, instauradas em face de pessoas jurídicas ou naturais distintas, para apuração de tributos de natureza diferentes, devem as provas ser juntadas em cada um desses processos. SÓCIOADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL É segurado obrigatório da previdência social, na categoria de contribuinte individual, o sócioadministrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida a contribuição devida pelo segurado. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO Para fins previdenciários, constituem remuneração pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição do segurado as apropriações de numerários da empresa, destinadas ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócioadministrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.143 4 MÚTUO. COMPROVAÇÃO. O mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes quantidade, qualidade e gênero, sendo lícito presumir a sua inexistência quando as partes demonstram por seus atos que esse pressuposto não fez parte do acordo de vontades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 20/25, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.305.8802, compreendendo as competências de 09/2005 a 12/2006, relativamente à contribuição previdenciária a cargo do contribuinte individual, incidente sobre o saláriodecontribuição, cabendo à empresa arrecadála, mediante desconto da remuneração, e recolhêla no prazo legal, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003. 2.1 Segundo a autoridade lançadora, a partir do exame da contabilidade e documentos que deram sustentação aos lançamentos contábeis, foram identificados pagamentos de despesas e transferências de recursos da pessoa jurídica Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda, ora recorrente, diretamente ao sócioadministrador Newton Bonin ou a terceiros, por sua conta e ordem, incluindo o recebimento de valores destinados a fazer frente a dispêndios relacionados à atividade rural da pessoa física, em propriedades localizadas no Estado do Paraná. 2.2 Exemplifica o agente fiscal, a natureza dos pagamentos e transferências de recursos, dentre outras situações: pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade do senhor Newton Bonin (beneficiário) e da cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e dos filhos, telefone, impostos sobre propriedade de imóveis (IPTU) e automotores (IPVA), seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e dos filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário. 2.3 Em que pese a contabilização dos valores entregues na conta 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, tais quantias representam, na verdade, vantagens individuais concedidas pela pessoa jurídica em retribuição a serviços prestados pela pessoa física, na condição de contribuinte individual, e integram a remuneração como salário indireto. 3. O lançamento fiscal corresponde à diferença entre o valor da contribuição do segurado declarado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e aquele devido com base nas remunerações aferidas pela fiscalização (fls. 21). 3.1 Comunica o agente fiscal, ainda, que a contribuição previdenciária patronal correlata, isto é, referente aos mesmos fatos geradores, está lançada no AI n º 37.281.5065, o qual está apensado, contendo todos os elementos de prova da infração. 4. Como a finalidade de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.144 5 Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 24/25). 4.1 Para todas as competências, as multas previstas na legislação anterior resultaram mais favorável ao sujeito passivo. 4.2 Vale dizer, a multa de 24%, relativamente à obrigação principal, cumulada com a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória de declarar, mês a mês, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP, exigida por intermédio da lavratura de auto de infração específico, formalizado em processo administrativo à parte. 5. Cientificado da autuação em 30/9/2010, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 1.802/1.832). 6. Intimada da decisão de piso em 4/8/2011, conforme fls. 2.033/2.035, a empresa recorrente apresentou recurso voluntário em 1º/9/2011 (fls. 1.889/1.949). 6.1 Em síntese, aduz os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) em preliminar, a nulidade do auto do infração, uma vez que não foi apontado, com clareza e precisão, o dispositivo legal que fundamenta a exigência; (ii) há igualmente nulidade da peça de autuação, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a sua deficiente instrução, na medida em que ausentes os documentos integrais que embasaram o auto de infração original, relativo à pessoa física do Sr. Newton Bonin, no qual se fundou e do qual é mera decorrência ou reflexo; (iii) o presente processo é decorrente daquele instaurado contra Newton Bonin, para exigência de imposto sobre a renda das pessoas físicas, com base em suposta omissão de rendimentos, de modo que o julgamento de ambos os autos de infração deverão seguir a mesma sorte; (iv) os pagamentos e as transferências não são concernentes à remuneração indireta ou a rendimentos do trabalho, mas sim a valores entregues a título, própria e especificamente, de mútuo, comprovados por documentos e registros contábeis regulares da pessoa jurídica; (v) considerando o âmbito de aplicação da norma de incidência das contribuições previdenciárias, os valores entregues à pessoa física não representam retribuição pela prestação de serviços, consistindo em fato infenso à tributação pretendida pela fiscalização; Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.145 6 (vi) não há óbice à quitação de contrato de mútuo via dação em pagamento de título públicos. Além disso, houve devolução parcial dos mútuos, antes da ação fiscal, mediante cheques e transferências bancárias efetuadas pelo Sr. Newton Bonin, o que não foi levado em consideração pela fiscalização e decisão de piso, nem mesmo para exclusão da tributação sobre tais valores; (vii) ao afastar os efeitos próprios dos contratos de mútuo, a autoridade fazendária ignorou a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, que exige a edição de lei ordinária disciplinando os procedimentos para desconsiderar atos e negócios jurídicos; (viii) a empresa detinha lucros ao final do período de encerramento dos exercícios de 2005 e 2006, conforme cópia do balanço patrimonial. A desconsideração dos contratos de mútuo não enseja a tributação como remuneração, e sim a título de distribuição de lucros; e (ix) é cabível, pelo menos, a exclusão da base de cálculo em relação às operações, vinculadas a atividades rurais da pessoa física, que não caracterizam pagamento de despesas particulares decorrentes de serviços prestados à empresa recorrente. 7. Em sede de 2ª instância, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2301000.229, emitida pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que (fls. 2.036/2.042). "a) a autoridade fiscal verifique se a operação de quitação do mútuo encontrase devidamente contabilizado em título e contas próprios da empresa, bem como manifestação conclusiva sobre os documentos carreados; b) seja juntado aos autos a decisão de número 2102001.857 proferida por este órgão no julgamento do processo do contribuinte Newton Bonin." 8. A autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da diligência prestou as informações, conforme fls. 2.047/2.048. 8.1 Quanto ao Acórdão nº 2102001.857, relativo ao Processo nº 10980.723625/201091, que diz respeito ao julgamento do recurso voluntário atinente ao lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) em nome do Sr. Newton Bonin, pelas infrações de omissão de rendimentos do trabalho, acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de ganho de capital, nos anoscalendário 2005 e 2006, o documento foi juntado às fls. 2.052/2.074. 9. Concedido prazo para a recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, a empresa autuada compareceu aos autos e aduziu, em síntese, que (fls. 2.077/2.085): Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.146 7 (i) no Processo nº 10980.724566/201230, a própria administração fazendária reconheceu, por meio da exigência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), que a mesma série de operações correspondem a mútuos de recursos financeiros entre pessoa jurídica e pessoa física, e não remunerações a sócio (fls. 2.099/2.118); (ii) atesta a manifestação apresentada pela autoridade fiscal, categoricamente, que os valores recebidos pela empresa, a título de quitação dos mútuos, foram contabilizados na época própria na conta de Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, o que afasta qualquer intenção de dolo, fraude ou simulação; (iii) no Processo nº 10980.723628/201024, em que também figurou a empresa autuada como recorrente, restou decidido que a falta de comprovação da efetividade das operações de mútuos pactuados entre a pessoa jurídica e seu sócio, contabilizados ou não, implica a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (por cento). A solução dada afasta qualquer outra exigência fiscal, incluindo a cobrança deste processo (fls. 2.120/2.132); e (iv) é ilógica a presunção desenvolvida no conjunto acusatório de que o sócio fundador e controlador da pessoa jurídica viesse a simular contrato de mútuo, na medida em que havia diversas alternativas fiscais lícitas menos onerosas para o recebimento de valores da empresa pelo Sr. Newton Bonin, tais com a distribuição de lucros. 10. Tendo o relator original do processo renunciado ao mandato, foi efetuado novo sorteio para relatoria. É o relatório. Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.147 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 12. Com relação às contribuições previdenciárias, apuradas com base nos mesmos elementos de prova, os seguintes autos de infração foram lavrados (fls. 20): (i) AI nº 37.281.5065, relativo à contribuição patronal incidente sobre a remuneração do contribuinte individual (Processo nº 10980.723947/201030); (ii) AI nº 37.305.8802, referente à contribuição do segurado contribuinte individual, incidente sobre o seu saláriode contribuição (Processo nº 10980.723948/201084); (iii) AI nº 37.281.5057, correspondente à multa por não declarar, mês a mês, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP (Processo nº 10980.723944/201004);e (iv) AI nº 37.305.8810, concernente à multa por deixar a empresa de lançar, em títulos próprios da contabilidade, os pagamentos efetuados ao contribuinte individual (Processo nº 10980.723949/201029). 13. Para evitar decisões despidas de congruência, todos os processos administrativos, enumerados acima, estão sendo apreciados na mesma sessão de julgamento do colegiado. Considerações Iniciais 14. Antes de passar ao exame das questões controvertidas, é importante tecer algumas considerações sobre o litígio instaurado com a apresentação da impugnação tempestiva. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.148 9 15. Afirma a recorrente que o trabalho fiscal foi desenvolvido com o propósito de identificar suposta omissão de rendimentos pelo contribuinte Newton Bonin, na condição de pessoa física. 15.1 Acrescenta que todos os termos e documentos que instruem os autos são os mesmos do processo originário, que resultou na exigência do IRPF. Por isso, tudo o mais, incluindo a cobrança de contribuições previdenciárias e respectivas multas por descumprimento de obrigações acessórias, é conexo, decorrente ou reflexo ao processo principal. 15.2 Ao tomar por empréstimo os fundamentos e provas contidos no processo principal, o julgamento do auto de infração deste processo, por decorrente, deve seguir a mesma sorte daquele. 16. Pois bem. É correto o raciocínio da recorrente, porém em parte. Não há como negar a vinculação entre o processo sob exame, nº 10980.723948/201084, e aquele referente às infrações imputadas à pessoa física, formalizado sob o nº 10980.723625/201091. 16.1 Em ambos, a fiscalização acusa que a empresa Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda, da qual o Newton Bonin é sócio majoritário e administrador, realizou pagamentos de despesas e transferências de recursos, sob a forma disfarçada de mútuos, que caracterizam o recebimento de remuneração pela pessoa física passível de tributação do imposto sobre a renda e das contribuições previdenciárias. 17. Há vinculação entre os processos, por conexão. Os lançamentos envolvem um mesmo fato, contudo representam desdobramentos relativos a tributos e sujeitos passivos diversos. 18. Não se trata de vinculação por decorrência, em que o lançamento depende, necessariamente, do decidido no chamado "processo principal". Embora mesmos fatos, a subsunção à respectiva norma tributária é realizada de maneira separada, dadas as características próprias da regra matriz de incidência de cada tributo. 19. Neste processo, a exigência cingese à contribuição previdenciária do segurado, cuja responsabilidade pela arrecadação e desconto é da empresa, ora recorrente, incidente sobre a remuneração paga ao sócio Newton Bonin pela prestação de serviços, observado o limite do saláriodecontribuição. 20. Diferentemente, no Processo nº 10980.723625/201091, sobre os mesmos fatos, a fiscalização reivindica, uma vez afastados os contratos de mútuos, o pagamento pelo sócio Newton Bonin do imposto sobre a renda da pessoa física, incidente sobre os rendimentos recebidos da empresa. 21. Enquanto para a incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que os rendimentos decorram de retribuição pelo trabalho, no imposto de renda é suficiente o acréscimo patrimonial, caracterizado pelo benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, sendo irrelevante, a princípio, se houve ou não prestação de serviço pelo recorrente à empresa. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.149 10 22. Não há, portanto, como presumir que a sorte do chamado "processo principal" determina o resultado deste processo, relativo à exigência de contribuição previdenciária. Há conexão entre os processos, mas não decorrência. 23. A elucidação acima é importante, haja vista que tais processos estão sendo apreciados e julgados separadamente. Em ambos, a autoridade lançadora deve providenciar a instrução com todos os termos, documentos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do respectivo ilícito (art. 9º, "caput", do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). 24. Em contrapartida, a impugnação, bem como o eventual recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, devem conter os motivos de fato e de direito que se fundamentam, os pontos de discordância específicos sobre o tema e as razões e provas que possuem (art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972). 25. Não se pode esquecer, contudo, no que tange especificamente à exigência de contribuições previdenciárias, que a própria autoridade fiscal deixou registrado no Relatório Fiscal que a correlata contribuição patronal, sobre os mesmos fatos narrados, foi constituída por meio do AI nº 37.281.5065 (Processo nº 10980.723947/201030). 25.1 Entre os processos relativos às contribuições previdenciárias, os quais estão sendo julgados em conjunto, há, de fato, uma relação de vinculação, inclusive quanto às provas, que deve levar a resultados iguais. 26. É importante assinalar, no que tange ao Processo nº 10980.723625/201091, que trata do imposto sobre a renda da pessoa física, o julgamento em 2ª instância já aconteceu. Na parte correspondente à omissão de rendimentos do trabalho, o colegiado desproveu o recurso voluntário, decidindo que os mútuos não estavam comprovados e, por conseguinte, os valores recebidos pelo sócio Newton Bonin eram rendimentos tributáveis. 26.1 Para melhor compreensão do entendimento daquele colegiado, reproduzo a ementa do Acórdão nº 210201.857, proferido pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção, quanto à omissão de rendimentos (fls. 2.052/2.074): (...) CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCARACTERIZAÇÃO. MERAS REMUNERAÇÕES PERCEBIDAS DE EMPRESAS LIGADAS, EM BENEFÍCIO DO AUTUADO. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. Absolutamente incompreensível como as empresas mutuantes aceitaram títulos (Obrigações da Eletrobrás) sem qualquer certeza do mutuário, fiscalizado, com valor de mercado secundário risível, com valor para pagamento administrativo mais irrelevante ainda, tudo quando comparado aos valores milionários dos mútuos, sendo ainda obrigadas a assumir todos os ônus da cobrança judicial das incertas obrigações da Eletrobrás. Indo mais além, a fiscalização identificou que os valores recebidos foram utilizados para pagamento de despesas pessoais do recorrente, como “cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, cartões de créditos, despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, despesas com Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.150 11 condomínio, luz, telefone, celular, gás, seguros, aquisição de imóveis, transferências de recursos para contas correntes, dentre outros, despesas essas pagas em nome do contribuinte fiscalizado, de seu cônjuge e dependentes”. Iniludivelmente, não se tratou de contratos de mútuos, mas de remunerações que beneficiaram o contribuinte e que devem ser tributados pelo imposto de renda da pessoa física. (...) 26.2 Na sequência daquele processo, interpostos os embargos de declaração pelo sujeito passivo contra o acórdão proferido, o apelo foi acolhido em parte para suprir omissão no julgado, porém com ratificação do resultado da decisão embargada, que havia negado provimento ao recurso voluntário (Acórdão 2102002.395, disponível em www. carf.fazenda.gov.br). Preliminar de nulidade 27. O recorrente aponta dois tipos de vícios no auto de infração que levariam à necessidade de declarar a nulidade do ato administrativo. 27.1 Um, diz respeito ao art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, dispositivo legal que, segundo afirma, fundamenta a exigência fiscal. A peça acusatória não indica, nomeadamente, quais são os parágrafos ou incisos desse artigo que estão relacionados com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o que impossibilita ao contribuinte o exercício do direito de defesa em sua inteireza. 27.2 Dois, há deficiência de instrução no presente processo, que também leva ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois deixou de constar nele todos os elementos e as provas do processo matriz, mas somente aquilo que o fiscal entendeu pertinente à comprovação das suas alegações. 28. Pois bem. Não há menção, neste processo, ao art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991, e ao correlato dispositivo regulamentar, o art. 358 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 28.1 A alusão ocorre, em caráter apenas subsidiário, a título de reforço do conceito de remuneração, no Processo nº 10980.723947/201030, que cuida da contribuição previdenciária patronal. 29. O que se percebe da acusação fiscal é a existência de uma descrição clara da infração e que os fatos, na ótica de interpretação da autoridade lançadora, subsumemse à hipótese de remuneração pelo trabalho prestado à empresa pela pessoa física, na condição de segurado contribuinte individual. Nesse sentido, reproduzo excerto do Relatório Fiscal (fls. 21): (...) 4. FATOS GERADORES Os fatos geradores foram as remunerações pagas ao contribuinte individual, Newton Bonin, por serviços Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.151 12 prestados. Destas remunerações a empresa deveria ter retido 11%, observado o limite máximo do saláriodecontribuição, e recolhido a Previdência Social em nome deste segurado, informandoo em GFIP, na sua totalidade o que não ocorreu. (...) 30. Por sua vez, o Relatório "FLD Fundamentos Legais do Débito", que faz parte do auto de infração, contém os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. Dentre os dispositivos, está o art. 4º da Lei nº 10.666, de 2003 (fls. 8/9): Lei nº 10.666, de 2003 Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (...) 31. Quanto à alegação de carência na instrução processual de responsabilidade da acusação fiscal, não há obrigação da juntada aos autos de todos os elementos de prova contidos no Processo nº 10980.723625/201091, pertinentes que são ao imposto sobre a renda da pessoa física. 31.1 Com o olhar na presença dos elementos imprescindíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa neste processo administrativo, entendo satisfatória a incorporação realizada pelo agente fazendário, considerando sua avaliação própria dos fatos e do direito aplicável, limitandose àqueles documentos indispensáveis à específica comprovação do ilícito narrado, observada a vinculação existente com o Processo principal nº 10980.723947/201030. 31.2 Acrescento que também verifico a existência de motivação no ato administrativo, por intermédio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência tributária (incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 142 do CTN). 31.3 A suficiência ou não do conjunto probatório carreado aos autos pelo agente lançador para a demonstração dos fatos e, ao final, confirmar a legalidade da pretensão fiscal é matéria reservada ao exame do mérito da autuação, quando haverá, igualmente, o confronto com as alegações e provas do sujeito passivo. 32. Nos dois cenários deduzidos pela recorrente, não vislumbro dano à defesa, pressuposto para a declaração de nulidade, haja vista a perfeita compreensão da acusação fiscal. Não há que falar em qualquer prejuízo ao sujeito passivo, pois produziu um longo arrazoado recursal, debatendo cada ponto da autuação. O arcabouço acusatório lhe conferiu a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos e o direito que invoca como fundamentos à sua petição. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.152 13 33. Logo, ausentes vícios que impeçam o exercício do direito de defesa assegurado ao autuado, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. Mérito 34. Não custa repetir, porque importante, que a acusação fiscal, devidamente limitada pelo Relatório Fiscal, é no sentido de que as bases de cálculo apuradas correspondem à remuneração pela prestação de serviços, por parte do sócio Newton Bonin, em favor da empresa recorrente. Em consequência, compõe o saláriodecontribuição do segurado contribuinte individual, para fins de incidência da contribuição. 35. Pois bem. É incontroverso que o Sr. Newton Bonin, à época dos fatos, era sócio majoritário e fundador da empresa Logika Distribuidora de Cosméticos Ltda. Detentor da posse de 99% das quotas do capital social, havia sido designado para a função de administrador da sociedade, conforme Cláusula Oitava do contrato social, exercendo todos os poderes e atribuições que são próprios para a gerência e administração da sociedade empresária limitada (fls. 11/15). 35.1. A seu turno, na Cláusula Nona pertencente ao instrumento contratual, há previsão de os sócios, em comum acordo, estabelecerem a retirada mensal, a título de "pró labore", no exercício das atividades, sem fixar o contrato, contudo, limite mínimo ou máximo de valor. 36. Incluemse dentre os segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, o sócio gerente ou administrador da sociedade empresária, nos termos da alínea "f"do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, observada a novel nomenclatura dada pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que veicula o Código Civil: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) 37. Relativamente à empresa, constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal a prestação de serviços remunerados realizados por contribuinte individual. Para fins do nascimento da obrigação tributária, considerarseá ocorrido o fato gerador para a empresa no mês em que paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.153 14 contribuinte que lhe presta serviço. Tal entendimento encontra amparo no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, abaixo reproduzido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) 38. No que tange às obrigações do contribuinte individual, os aspectos material e temporal da regramatriz de incidência tributária mantêm coerência com o definido para a empresa, pois o fato gerador é o exercício de atividade remunerada, produzindose efeitos tributários no mês em que paga ou creditada a remuneração. Eis o que diz o inciso III do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (...) 39. Para fins da legislação previdenciária, o Sr. Newton Bonin conserva um vínculo contínuo com a sociedade empresária, prestandolhe serviços e recebendo, via de regra, alguma retribuição. 40. De acordo com os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário estabeleceu um conceito amplo de remuneração, destinada a retribuir o trabalho, de maneira que as parcelas pagas pela empresa que escapam à tributação devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos que demonstrem a natureza não remuneratória, elaborados pelo sujeito passivo e disponibilizados à fiscalização quando solicitados. 41. Nesse cenário fático, contratual e normativo, não há que se cogitar em presunção do fato gerador para o sócio Newton Bonin, porquanto inerente à natureza do vínculo existente com a sociedade empresária. Ao contrário do que defende a recorrente, o fiscal autuante demonstra a existência de prestação mensal de serviços à empresa. 42. Ao identificar pagamentos e transferências a favor do sócioadministrador, por meio da conta contábil 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, a fiscalização solicitou os respectivos documentos e esclarecimentos, com a finalidade de verificar a sua natureza jurídica e, consequentemente, a incidência ou não da tributação (imposto sobre a renda, contribuição previdenciária etc.) 43. A toda a evidência, o fato de os registros contábeis estarem vinculados a uma conta destinada a empréstimos, assim denominada pela empresa, não impede o poder Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.154 15 investigatório do Fisco. Além do que as pessoas jurídicas devem proceder aos devidos registros contábeis de suas atividades e resultados sempre alicerçados em documentos hábeis e idôneos, os quais assumem a feição de prova para fins do controle da Administração Tributária. 44. Quero dizer, assim, que constatado o vínculo de prestação de serviço, é imprescindível, para escapar à tributação, que as saídas de numerário diretamente ao sócio administrador, ou a terceiros, por sua conta e ordem, estejam acompanhadas de registros contábeis e fiscais, apoiados em documentação que sustente a natureza não remuneratória dos valores. 45. Como dito alhures, a autoridade fiscal concluiu, apoiado em provas, que os valores disponibilizados ao sócioadministrador, em que pese devidamente contabilizados na conta Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, representavam, na verdade, vantagens individuais em retribuição a serviços prestados, integrantes da remuneração para fins da legislação tributária. 46. Expõe a recorrente, como linha argumentativa principal, que os montantes pagos ao sócio Newton Bonin têm sua origem em contratos de mútuos de dinheiro legítimos e provados, além de revestidos das formalidades legais, havidos entre a pessoa física e a empresa. 47. A atividade probatória dirigese à formação da convicção do julgador e, no caso do processo sob exame, não estou convencido da procedência das alegações da recorrente. Senão vejamos. 48. O mútuo, com ou sem fins econômicos, é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado, mesmo que coisa equivalente, nos termos do art. 586 do Código Civil: Art. 586 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 49. A avaliação dos contratos de mútuo, entre a empresa e o sócio Newton Bonin, deve ocorrer no contexto da averiguação do negócio jurídico como um todo, inclusive a relação de vínculo existente entre as partes. 50. Os contratos particular de mútuo, às fls. 1.951/1.954, representam um mecanismo de conta corrente mantido entre pessoa jurídica e pessoa física, onde a primeira disponibiliza a outra recursos financeiros, que deverão ser restituídos num prazo determinado, configurando, em princípio, operação de mútuo. Como é mencionado nos documentos, tratase de operação de crédito rotativo. 50.1 Sob uma análise meramente formal, os contratos de mútuo atendem aos requisitos legais, ainda que o instrumento particular não se encontre devidamente averbado em registro público, a fim de que se possa cogitar de plena oponibilidade a terceiros, tal como ao Fisco (art. 221 do Código Civil). 51. Entretanto, é inaceitável fechar os olhos às circunstâncias que permeiam a relação entre mutuante e mutuário. As quotas da sociedade ora recorrente pertencem, quase Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.155 16 integralmente, ao sócio Newton Bonin, com 99% de participação e poderes amplos de gestão da empresa. 52. Não há como negar que é uma situação pode levar a desvios de finalidade e confusão patrimonial entre pessoa jurídica e física. Assinaram os contratos a mesma pessoa física, Newton Bonin, como representante da pessoa jurídica, na condição de mutuante, e como mutuário. 52.1 Os contratos de mútuo são praticamente idênticos, relativos aos anos de 2005 e 2006, tendo como objeto o empréstimo de quantia anual equivalente a até R$ 40 milhões de reais, em moeda corrente e na forma de crédito rotativo. São valores extremamente relevantes, não só pelo senso comum, mas também tendo em vista as receitas auferidas e os correspondentes resultados operacionais da empresa (fls. 1.955/1.956). 52.2 Segundo o acordo de vontades, embora mútuo feneratício, destinado a fins econômicos, os juros devidos ao tempo da restituição do capital mutuado poderiam ser dispensados, a critério exclusivo do mutuante, em caso de pagamento antecipado. Além disso, o mutuante, também a seu exclusivo critério, poderia receber os valores mutuados por meio de títulos ou créditos (Cláusula Segunda). 52.3 Na prática, é óbvio que mutuante e mutuário se confundem, dado que o beneficiário dos valores emprestados mantinha controle integral do negócio jurídico, em condições que lhe podiam favorecer em detrimento do interesse da pessoa jurídica. 53. Tal percepção tornase evidente a partir da análise dos lançamentos contábeis registrados na Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin, conforme exposto pela autoridade fiscal. 54. Uma boa parte dos recursos recebidos foram utilizados, de forma sistemática, para o pagamento de despesas pessoais do sócio. 54.1 Em nome do sócio Newton Bonin, de seu cônjuge e dependentes, o agente fiscal identificou, entre outros, pagamentos de despesas com condomínio, luz, telefone celular, gás e seguros; cursos de idiomas, ensino fundamental e superior, e cartões de crédito; além de despesas inerentes à atividade rural explorada pelo beneficiário, tais como pagamento de salários, encargos e despesas de custeio. A natureza das despesas está corroborada por documentação (fls. 557/679 e 995/1.751). 55. O pagamento reiterado de contas pessoais é flagrantemente incompatível com a finalidade de um empréstimo, tampouco com a distribuição de lucros. Tais despesas são próprias de custeio por meio da remuneração mensal, a título de "prólabore", no caso dos empresários. 55.1 Para fins de incidência da contribuição previdenciária, a remuneração paga ou creditada independe da forma ou do título, bastando a retribuição pelo serviço prestado. A roupagem sob a forma de crédito rotativo não é capaz de desnaturar a natureza jurídica e afastar a tributação sobre os valores pagos à pessoa física. 56. Sobre o tema, é interessante que a recorrente alega equívoco do contador da empresa ao efetuar os lançamentos contábeis como se fossem pagamentos de despesas Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.156 17 particulares, o que teria acontecido apenas para o devido controle das entregas dos numerários ao mutuário. 56.1 Tal argumento de defesa, além de frágil, passa longe de persuadir o julgador administrativo. A quantidade, frequência, continuidade ao longo do tempo e natureza dos registros demonstram que não se está diante de mera irregularidade de escrituração de fatos contábeis. 56.2 A contabilidade da empresa está assinada por profissional de contabilidade habilitado, cujos lançamentos contábeis, nessa parte, estão lastreados em documentação que espelha com a devida clareza o pagamento de despesas particulares do sócioadministrador, e não valores a título de empréstimos. 57. Um dos pressupostos legais que caracteriza o contrato de mútuo é a obrigação de restituir o equivalente ao valor recebido pelo mutuário, que, no caso concreto, restou violentado pela quitação ajustada entre as partes, na forma de título ao portador emitido pela Eletrobrás. 58. Os valores em espécie disponibilizados à pessoa física, Newton Bonin, somente no período de set/2005 a dez/2006, totalizaram mais de R$ 28 milhões (fls. 21). 59. A autuada aceitou, na forma de cessão em dação em pagamento, contrato assinado em 28/12/2006, o recebimento de um título ao portador de emissão da Eletrobrás, com cópia nos autos às fls. 512/513, avaliado em cerca de R$ 39 milhões, após corrigido o valor de face das obrigações com base em laudo técnico financeiro, elaborado por perito particular, para o fim de quitação de uma dívida reconhecida, entre empresa e sócioadministrador, no valor aproximado de R$ 30 milhões (fls. 65/67). 59.1 A Eletrobrás, em contrapartida, instada a manifestarse pela fiscalização, atribuiu, ao mesmo título, um valor hipotético de resgate da cautela inferior a R$ 4 mil (fls. 515/533). 59.2 É verdade, concordo, que não se pode classificar de imparciais as informações prestadas pela Eletrobrás, porém é impossível passar desapercebida a magnitude da divergência de valoração. 60. Segundo a recorrente, o leitor também não deve ficar impressionado com o objeto do contrato de cessão em dação em pagamento, disposto na Cláusula 2ª, o qual diz respeito à liberação de uma dívida oriunda da conta de antecipações de verbas de representação, em decorrência das relações comerciais havidas entre devedor e credor. 60.1 Tratase, diz a recorrente, de erro na redação do contrato, não identificado à época. O objetivo da dação em pagamento sempre foi a quitação dos mútuos, tanto que o valor da cessão em dação em pagamento foi lançado a débito, em 28/12/2006, na conta contábil 1020301003 Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin (fls. 76). 61. De fato, conquanto intrigante o objeto do contrato de cessão, justificado por meio de explicação sofrível, o seu conteúdo é incapaz, por si só, de levar à desconsideração do mútuo. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.157 18 62. É imprescindível, entretanto, lembrar que o Poder Judiciário, por meio de decisões reiteradas, reconheceu, no que tange às obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás em razão do empréstimo compulsório instituído pela Lei nº 4.156, de 28 de novembro de 1962, a prescrição das ações de cobrança dos créditos decorrentes dos títulos não resgatados à época própria, assim como a ausência de liquidez capaz de garantir o juízo em execução fiscal. 63. Quanto ao ponto de vista do Poder Judiciário, mesmo nos anos de 2005 e 2006, já havia inúmeros precedentes dos Tribunais Regionais Federais (TRF´s) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para ajuizamento de ação de repetição, após decorrido o prazo estipulado para o resgate das respectivas obrigações. Nesse sentido, a título exemplificativo, os julgados abaixo do STJ: TRIBUTÁRIO. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA PLENA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC (ART. 4º DA LEI N. 9.250/95). INCIDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. JUÍZO DE VALOR. NECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ (...) 2. O prazo prescricional, nas ações que visam à restituição do empréstimo compulsório de energia elétrica, é de cinco anos e tem início após decorridos os vinte anos estipulados para o resgate das obrigações emitidas em favor do contribuinte. (...) (REsp nº 575.122/SC, 2ª Turma. Relator Ministro João Otávio de Noronha, Julgado em 21/10/2004). TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. PRESCRIÇÃO. ASSEMBLÉIAS GERAIS EXTRAORDINÁRIAS. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do STJ encontrase pacífica no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações que objetivam a restituição do empréstimo compulsório incidente sobre energia elétrica só se inicia após vinte anos a contar da aquisição compulsória das obrigações emitidas em favor do contribuinte. (...) 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas e 1ª Seção desta Corte Superior (Embargos de Divergência no REsp nº 676.697/RS, 1ª Seção. Relator Ministro José Delgado, Julgado em 22/03/2006). 64. No caso dos autos, a cautela, de nº 1441427, com um total de 8.000 (oito mil) Obrigações foi emitida no ano de 1977, portanto, com prazo de resgate de 20 (vinte) anos, o Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.158 19 qual teve seu termo final em 1997 (fls. 512/513). Como o prazo de resgate venceu em 1997, o marco final para reclamação judicial se deu no ano de 2002. 65. É impensável que a empresa, ao fim do ano de 2006, pudesse aceitar títulos, para o fim de quitação dos mútuos, sem qualquer certeza da sua liquidez e exigibilidade, ou melhor, com altíssima probabilidade de insucesso no intento de receber os valores via judicial, ainda sendo obrigada, por disposição contratual, a assumir todos os ônus dessa demanda junto ao Poder Judiciário. 65.1 Com efeito, de acordo com as cláusulas do contrato de cessão em dação em pagamento, o cedente do título, o sócio Newton Bonin, não responderia pela solvência, nem pela inadimplência, que deveria ser resolvida pelas vias judiciais a critério e às expensas do credor, a empresa ora recorrente. 66. Embora o mutuário não esteja obrigado a devolver a própria coisa, há necessidade de equivalência em gênero, quantidade e qualidade. Igualmente, não há óbice que mútuos sejam quitados por dação em pagamento. 66.1 Contudo, não é razoável, absolutamente incompreensível, a pessoa jurídica emprestar dinheiro, no montante de milhões de reais, e receber, como quitação, títulos de "duvidosa liquidez", numa realidade para lá de otimista, me atrevo a dizer no limiar de um milagre, no tocante à recomposição do patrimônio da pessoa jurídica. 67. Não restam dúvidas, para mim, que engendrouse um mecanismo de entrega de valores ao sócioadministrador para que, ao final, não existisse necessidade de efetiva devolução dos recursos financeiros disponibilizados à pessoa física. 67.1 A viabilidade de tal desiderato ilícito apenas foi possível pela condição favorecida do mutuário, frente ao mutante, caso contrário a pessoa jurídica, numa relação comum de independência entre as partes contratantes, não realizaria um negócio jurídico dessa envergadura e consequências perversas. 68. É de se convir que o conjunto probatório acostados aos autos, avaliado no todo, é robusto e consiste para atestar que as operações realizadas não ostentam a natureza de mútuos, mas mantém uma conotação de remuneração auferida pelo sócioadministrador, na condição de contribuinte individual, a partir de sua condição de prestador de serviços à empresa. 69. É irrelevante, com relação ao procedimento fiscal realizado, a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN. Art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. 70. A regra do parágrafo único do art. 116 do CTN é uma autêntica norma antielisiva, que permite à autoridade fiscal requalificar os atos e negócios particulares quando o Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.159 20 sujeito passivo ultrapassa abusivamente os limites aceitáveis da interpretação jurídica, por meio da dissimulação da hipótese de incidência, também chamada de fato gerador abstrato, e não do fato concreto. Em outras palavras, embora os fatos correspondam à realidade, há um abuso na subsunção da norma ao fato. 71. Ao contrário, na hipótese dos autos, o fingimento ocorreu no que concerne ao fato concreto acontecido, porque inexistente a entrega, à pessoa física, dos valores em dinheiro a título de mútuos, pois repassados como remuneração decorrente da prestação de serviços à empresa. 72. Diante da realidade encontrada pela auditoria tributária, não desconstituída pela recorrente, segundo a linguagem de provas apropriada, o lançamento de ofício prescinde da aplicação da norma antielisiva, a teor do inciso VII do art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (...) 73. Prossegue a defesa com argumentação adicional, com vistas à insubsistência do lançamento fiscal. Afirma que se fosse possível a desconsideração dos contratos de mútuos, então o resultado é considerar os valores como distribuição de lucros, dado que a empresa detinha lucros no encerramento dos exercícios de 2005 e 2006, conforme cópia do Balanço Patrimonial (fls. 1.955/1.956). Em amparo de sua tese, cita o art. 60, inciso V, e § 3º, alínea "a", do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art. 60 Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: (...) V empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros; (...) § 3º Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica: a) o sócio desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; (...) 74. Essa aparente lucidez do raciocínio não corresponde à melhor interpretação da legislação tributária em vigor. A uma, porque o dispositivo mencionado cuidava de uma presunção legal específica aplicável à tributação do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. 74.1 A duas, visto que a figura da distribuição disfarçada de lucros derivada de empréstimo em dinheiro a pessoa ligada, apesar da falta de revogação expressa do dispositivo de lei, deixou de produzir efeitos tributários a partir do ano de 1996. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.160 21 74.2 Com efeito, o art. 464 do RIR/99 nem mesmo faz menção à esse tipo de operação. A hipótese preconizada no inciso V fazia parte do sistema de normas sobre correção monetária do balanço. A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, além de proibir a correção monetária das demonstrações financeiras (art. 4º), concedeu isenção do imposto sobre a renda aos lucros ou dividendos (art. 10). 75. De mais a mais, para fins da legislação previdenciária, não há como presumir a distribuição de lucros na contabilidade, pois ausente essa implicação. 75.1 Além isso, impõese a necessidade de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a remuneração proveniente do capital social (lucro) pagas ou creditadas aos sócios. A falta de separação dos lucros dificulta o controle fiscal sobre as parcelas recebidas, ou mesmo tornálo inviável, o que não pode ser admitido para fins de tributação. 76. Não é o caso de dúvidas se os valores entregues ao sócio o foram a título de antecipação ou distribuição de lucros. É insuficiente haver lucros disponíveis registrados na contabilidade, pois caberia à empresa demonstrar a efetiva, e não hipotética, transferência a título de lucros, o que não está corroborada pela escrita contábil. 77. Adicionase que a falta de registros contábeis de pagamentos a título de distribuição de lucros em contas apropriadas, caso essa fosse a natureza jurídica, implicaria manter indevidamente disponível os saldos existentes na conta patrimonial de lucros acumulados para futuro pagamento aos sócios. 77.1 Por isso, considerando a instrução dos autos, a pretensão de considerar os valores à conta de lucros acumulados em 2005 e 2006 contém óbice intransponível, haja vista a impossibilidade de saberse se os sócios não aproveitaram, nos anos seguintes, os lucros acumulados do período. 78. Diz a recorrente também que houve quitação parcial dos mútuos pela pessoa física, em valor expressivo, equivalente a R$ 5.830.000,00, divididos em 3 (três) transferências bancárias, tendo como origem a conta do mutuário (Newton Bonin) e destino a conta da empresa mutuante, regularmente contabilizados (fls. 2.021/2.031). 79. Pois bem. Quanto à tese de que o sócioadministrador devolveu parte dos valores emprestados à empresa, ora recorrente, se vê que sequer foi deduzida no recurso voluntário, visto que os documentos comprobatórios, segundo afirma, foram recentemente localizados. 80. Nada obstante, em respeito ao princípio da verdade, passase à análise, tratando a matéria como complemento da argumentação deduzida na impugnação. 81. É fato que a fiscalização, quando da diligência fiscal, confirmou que os valores apontados pela recorrente foram contabilizados na época própria, em conta de Empréstimos a Pessoas Ligadas Newton Bonin. 81.1 Todavia, declarou impossível manifestarse conclusivamente sobre os documentos carreados, porquanto o histórico dos lançamentos contábeis não eram esclarecedores, sendo necessária a apresentação de informações adicionais pelo sujeito passivo acerca da verdadeira essência econômica dos lançamentos contábeis feitos nas respectivas datas (fls. 2.048). Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.161 22 82. Analisando os elementos disponíveis, admito a possibilidade de os valores corresponderem à devolução de mútuos contraídos pela pessoa física, porém não estou convicto que os recursos financeiros se referem àqueles discutidos no presente processo. Explico. 83. De acordo com a cópia do balanço patrimonial, os empréstimos a pessoas ligadas estão incorporadas na rotina da empresa autuada, não só em 2005 e 2006. Ao final do ano de 2004, por exemplo, o saldo da conta correlata ultrapassava os R$ 2 milhões (fls. 1.955/1.956). 83.1 No ano de 2005, a fiscalização procedeu à constituição do crédito tributário, provavelmente em razão da decadência, somente em relação aos valores emprestados e contabilizados a partir do mês de setembro. Nada obstante, de janeiro a agosto/2015, a autoridade fiscal localizou inúmeros registros contábeis relacionados a pagamentos a título de mútuos, em nome de Newton Bonin e familiares (fls. 960/983 e 993/1.019). 83.2 De modo análogo, o Acórdão nº 0642.483, às fls. 2.099/2.118, , trazido aos autos pela recorrente, revela que a empresa realizou repasses de recursos em dinheiro, nos anos de 2007, 2008 e 2009, ao sócio Newton Bonin, caracterizados como operações de mútuo pela fiscalização. Nesse caso, a autoridade lançadora considerou comprovados os mútuos, exigindo o recolhimento do IOF sobre operações. 83.3 Cuidase de situação diversa dos autos, relativos aos anos de 2005 e 2006, em que a fiscalização não reconheceu os contratos de mútuos, no contexto fático alhures descrito, tratando os valores como remuneração recebida pelo contribuinte individual. Nesse raciocínio, não há incompatibilidade de pretensão da Administração Tributária, porquanto ausente a identidade das operações de retirada de valores da empresa. 84. Assim exposto os fatos, entendo que não há como afirmar, tendo em vista as provas carreadas aos autos pela recorrente, que o valor de R$ 5.830.000,00 esteja vinculado, especificamente, com a liquidação parcial dos mútuos contraídos no período da ação fiscal deste processo administrativo. 84.1 Não havendo prova da devolução efetiva dos valores tomados, relativamente ao período em discussão, nem mesmo é viável cogitarse da exclusão das quantias mencionadas. 85. Sobre a questão, registro, por fim, que a alegada devolução parcial em dinheiro é, aparentemente, contraditória com a opção pela utilização do título da Eletrobrás, cuja avaliação pericial do seu valor de face corrigido (~ R$ 39 milhões) era superior à dívida do mutuário (~ R$ 30 milhões). 86. Ainda na tentativa de reduzir o crédito tributário lançado, a recorrente defende que somente se pode falar em remuneração no tocante aos pagamentos, pela empresa, que possam enquadrarse no conceito de despesas particulares. 86.1 A outra parte, correspondente a valores entregues à pessoa física para investimentos nas propriedades rurais e na instalação de uma usina de cana de açúcar, tal como aqueles destinados a compra de máquinas, equipamentos e instalações, amoldamse ao conceito do mútuo. A empresa elaborou planilhas, com a segregação de valores, conforme Anexos I e II (fls. 1.957/1.996). 87. Pois bem. A recorrente apresenta uma planilha (Anexo II) sem uma correspondência unívoca com os fatos que alega, desacompanhada de correlação com a Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10980.723948/201084 Acórdão n.º 2401004.871 S2C4T1 Fl. 2.162 23 documentação hábil e idônea que lastreia os registros contábeis, necessária devido à imprecisão do histórico dos lançamentos da contabilidade. 88. Além disso, o que se afirmou é que as provas são insuficientes para caracterizar os valores repassados pela empresa à pessoa física como mútuos, tampouco a título de distribuição de lucros. Não há também provas ou alegações que os repasses destinaramse, mesmo que parcela deles, a ressarcimento, reembolso ou indenização. 88.1 Nesse contexto, considerando o vínculo contínuo de prestação de serviço, na condição de contribuinte individual, a natureza da aplicação dos recursos realizada pelo sócio perde a relevância que pretende dar a recorrente. Em todas os casos, os valores desembolsados pela empresa representam alguma vantagem oferecida, a titulo de retribuição pela prestação de serviço, para suprir despesas de custeio e outras de capital, segundo foi conveniente ao beneficiário. 89. Esclareço, por derradeiro, que a decisão de mérito no Processo nº 10980.723628/201024 não possui relevância e/ou aplicação para o julgamento em curso, relativo à contribuição previdenciária. 89.1 É que lá tratouse da cobrança pela fiscalização da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente, considerada indevida, na apreciação do recurso voluntário, por não configurar a omissão de rendimentos hipótese de retenção do imposto sobre a renda a título de antecipação do imposto devido no ajuste anual, e sim tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. 90. Em síntese de arremate, cabe dizer que os fatos verificados, documentos e registros contábeis convergem, tendo em conta o conjunto probatório, para a conclusão alcançada pela autoridade fiscal e decisão de piso. Logo, escorreita a decisão recorrida, não merecendo reforma em grau de recurso. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904097/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.389
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 97 /2 01 2- 03 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.440. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.904097/201203 Acórdão n.º 3302004.389 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.691176/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 11 76 /2 00 9- 07 Fl. 61DF CARF MF 2 Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.691176/200907 Acórdão n.º 1201001.692 S1C2T1 Fl. 3 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Trata se de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Fl. 63DF CARF MF 4 Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.691176/200907 Acórdão n.º 1201001.692 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.003539/97-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIDOS.
Constando-se a existência de contradição no julgado, devem ser acolhidos os embargos de declaração, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, re-ratificando o acórdão embargado.
Numero da decisão: 9303-005.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão nº 03-06.020, de 08/09/2008, para sanar a contradição apontada na contagem do prazo decadencial, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIDOS. Constando-se a existência de contradição no julgado, devem ser acolhidos os embargos de declaração, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, re-ratificando o acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, re-ratificando o Acórdão nº 03-06.020, de 08/09/2008, para sanar a contradição apontada na contagem do prazo decadencial, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 265 1 264 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13805.003539/9701 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303005.048 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria FINSOCIAL DECADÊNCIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS GUIMARÃES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIDOS. Constandose a existência de contradição no julgado, devem ser acolhidos os embargos de declaração, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reratificando o acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, reratificando o Acórdão nº 0306.020, de 08/09/2008, para sanar a contradição apontada na contagem do prazo decadencial, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 35 39 /9 7- 01 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13805.003539/9701 Acórdão n.º 9303005.048 CSRFT3 Fl. 266 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 256 a 259), sob alegação da existência do vício de contradição no Acórdão nº 0306.020 (fls. 216 a 220), consistente em equívoco na contagem do prazo decadencial. O decisum embargado recebeu, quando do seu julgamento, a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que estabeleceu o prazo decadencial de dez anos para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente á Contribuição ao Finsocial. Doravante o prazo é de cinco anos, contados de acordo com os arts. 150, 9 4°, e 173, I, do CTN. Assim, cumpre declarar a insubsistência do lançamento, em cumprimento á Súmula n° 8 do STF. (Parágrafo único do art. 4° do Decreto nO2.346/97). Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência do direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuandose os meses de janeiro a março de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer a exigência dos fatos geradores de janeiro de 1 992 e seguintes, aplicandose o art. 173 do CTN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. Por meio dos embargos de declaração opostos, a Fazenda Nacional aponta o vício de contradição na contagem do prazo decadencial, pois embora tenha aplicado a regra Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13805.003539/9701 Acórdão n.º 9303005.048 CSRFT3 Fl. 267 3 do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional – CTN, incluiu o mês de dezembro de 1991 dentre os períodos de apuração alcançados pela decadência. Os aclaratórios foram admitidos nos termos do despacho s/nº, de 24 de agosto de 2016, proferido pelo Ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 261 a 264), que concluiu existir a contradição apontada, nos seguintes termos: [...] Contradição A embargante acusa a decisão recorrida de ser contraditória na contagem do prazo decadencial. Entende que, em se aplicando a regra do art. 173, inc. I, do CTN, como fez o voto condutor da decisão embargada, não haveria como, no dispositivo do voto, incluir o período de apuração de dezembro de 1991 entre os “decaídos”. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). Compulsando o voto condutor da decisão embargada, constato que não há menção expressa à regra adotada para a contagem do prazo decadencial. O voto, no entanto, é categórico ao afirmar que seguia os ditames do item 40 do Parecer PGFN/CAT N° 1.617/2008 para a determinação do dies a quo do prazo decadencial. Considerando que, no relatório do acórdão embargado, noticiase que o “...contribuinte deixou de efetuar não só o depósito como não recolheu o imposto devido”, concluise que a regra aplicada foi, justamente, a do inc. I do art. 173 do CTN. Ora, aplicandose o dispositivo legal supracitado à causa sub examine. não se poderia concluir pela decadência do período de apuração 12/1991. É que, cientificado o sujeito passivo do lançamento em 27/03/1997, somente os fatos geradores ocorridos até 11/1991, restariam fulminados pela decadência, em face do decurso de prazo superior a 5 (cinco) anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a ciência do contribuinte do lançamento. O acórdão embargado, contraditoriamente, incluiu o fato gerador de dezembro de 1991 entre os alcançados pelos efeitos da decadência. O vício merece saneamento. [...] O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13805.003539/9701 Acórdão n.º 9303005.048 CSRFT3 Fl. 268 4 É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração são tempestivos e apontam obscuridade, devendo ser conhecidos, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Do exame da decisão embargada, verificase ter incorrido em contradição o julgado quanto à contagem do prazo decadencial. O acórdão embargado, na análise da matéria, consignou os seguintes fundamentos: [...] O STJ, por unanimidade de votos, em decisão monocrática, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, por meio do REsp. 616.348/MG, ReI. Min. Teori Albino Zavascki, em 15/08/07, consubstanciado no art. 146, 111, b, da CF/88 e da constatação de que se está no trato de norma geral tributária, o prazo de cinco anos contidos nos arts. 150, S 4° e 173, ambos do CTN, e no entendimento de que tal posição somente poderia ser alterada por lei complementar. Em 11/0612008, o Plenário do STF ao negar provimento aos Recursos Extraordinários 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, reconheceu que apenas por lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária, julgando inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e do parágrafo único do art. 5° do DL n° 1.569/77, que havia fixado em dez anos o prazo decadencial/prescricional para a apuração e constituição ou exigência das contribuições da seguridade social; e que determinava que o arquivamento administrativo das execuções fiscais de créditos tributários de pequeno valor seria causa de suspensão do curso do prazo prescricional, respectivamente. Nesse julgamento foi aprovada a Súmula Vinculante n° 8, DJe n° 112/2008 e DOU, ambos de 20/06/2008 e p. 1, que dispõe: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. " Sintonizada com o entendimento exarado desta Súmula, no mesmo sentido se pronunciou a Procuradoria da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CAT N° 1617/2008. Para efeito de fixação do dies a quo do prazo de caducidade projetados nas contribuições previdenciárias, concluiu o referido parecer, em seu item 40, que o pagamento antecipado da contribuição (ainda Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13805.003539/9701 Acórdão n.º 9303005.048 CSRFT3 Fl. 269 5 que parcial) suscita a aplicação da regra especial contida no S 4° do art. 150 do CTN e que a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do mesmo diploma legal. Em atenção ao dispositivo contido no parágrafo único do art. 4° do Dec. n° 2.346/97, há que se aplicar ao caso presente o entendimento exarado na Súmula n° 8 do STF. No caso sub judice os fatos geradores da obrigação tributária ocorreram no período de apuração de 10/1991 a 03/1992 (fl. 02), tendo sido lavrado o auto de infração em 27/03/97. Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência do direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuandose os meses de janeiro a março de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial. Ex positis, não havendo preliminar a ser apreciada no recurso especial interposto, no mérito doulhe provimento parcial. [...] (grifouse) Da análise dos fundamentos, depreendese ter o Acórdão embargado vinculado a determinação da regra de contagem do prazo decadencial, se do art. 150, §4º ou do 173, I do CTN, à existência ou não da realização de pagamento antecipado, total ou parcial, do tributo. Ainda que não mencione expressamente o dispositivo de lei adotado, da verificação conjunta com o relatório, concluise, sem maiores dificuldades, estarse diante da aplicação do art. 173, inciso I do CTN como termo inicial da decadência, uma vez ter sido afirmado constar dos autos que “[...] a contribuinte deixou de efetuar não só o depósito como não recolheu o imposto devido”. Portanto, assiste razão à Fazenda Nacional quando aponta a contradição. Pela regra do art. 173, inciso I do CTN, estão abrangidos pela decadência tão somente os períodos de agosto a novembro de 1991, excetuandose os meses de dezembro de 1991 a março de 1992. Diante do exposto, são acolhidos os embargos de declaração para sanar o vício de contradição apontado, consignandose estarem extintos pela decadência apenas os períodos de apuração de agosto a novembro de 1991. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13805.003539/9701 Acórdão n.º 9303005.048 CSRFT3 Fl. 270 6 Fl. 270DF CARF MF
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