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Numero do processo: 10840.901118/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3401-003.825
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo o resultado da diligência.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo o resultado da diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 11 18 /2 00 9- 65 Fl. 257DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase da declaração de compensação nº 14736.33840.221105.1.3.043070, transmitida mediante PER/DComp, com a finalidade de compensar débitos, com créditos de Cofins recolhida a maior no período de 31/03/2003, pois calculados sobre receitas financeiras. 2. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP proferiu despacho decisório não homologando a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento a maior ou indevido indicado teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: (i) a totalidade do crédito apurado pelo contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP advém do indevido recolhimento da Cofins sobre receitas operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; (ii) é do domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, §1°, da Lei n° 9.718/98 proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal;(iii) uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. 4. Em sessão de 22/04/2010, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1428.584 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Luis Orlando Rotelli Rezende, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia somente se justifica quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador ou a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES DO STF PROFERIDAS INCIDENTALMENTE. A Lei n° 9.718, de 1998, constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10840.901118/200965 Acórdão n.º 3401003.825 S3C4T1 Fl. 258 3 estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro. Decisões do STF, acerca do alargamento da base de cálculo da Cofins, proferidas incidentalmente beneficiam apenas as partes das respectivas ações: não possuem efeito erga omnes. INTIMAÇÃO EM NOME DO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte, intimada em 08/06/2010 mediante aviso postal, interpôs, em 01/07/2010, recurso voluntário, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação, alegando, ainda, cerceamento de defesa em virtude de a decisão recorrida ter negado o pedido de perícia contábil formulado; requereu, ainda, a realização em diligência para fins de verificação dos documentos contábeis da empresa. 6. Em 10/08/2011, foi proferida por esta turma, por unanimidade de votos, a Resolução CARF nº 3401.000.294, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, transcrevendose, abaixo, a parte dispositiva da decisão: “(...) voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98)” – (seleção e grifos nossos). 7. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto apresentou informação fiscal, situada às fls. 249 a 251 informando que o valor objeto da declaração de compensação (R$ 24.401,06) corresponde ao “Crédito Pagamento Indevido ou a Maior COFINS” do período de apuração de março de 2003. Não havendo manifestação da contribuinte, os autos foram encaminhados a este Conselho e distribuídos à minha relatoria. Fl. 259DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Observase que, após a conversão do processo em diligência, a própria unidade de origem confirmou a validade do crédito aproveitado propugnado pela contribuinte, em seguida à análise da documentação pertinente. Transcrevese, a seguir, trecho do relatório de diligência: “6. A empresa solicitou na inicial, por meio do PER/DCOMP nº 14736.33840.221105.1.3.043070, anexado às fls. 4/8 deste processo, o valor original de R$ 24.401,06 que corresponderia ao “Crédito Pagamento Indevido ou a Maior COFINS” do período de apuração de março de 2003. 7. Em função da diligência efetuada no estabelecimento da contribuinte, podemos afirmar que o montante original solicitado no referido PER/DCOMP correspondente ao valor resultante da aplicação da alíquota de 3% sobre as Receitas Financeiras e Outras Receitas, ou seja sobre a base de cálculo alargada prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme demonstrado no item 5 desta Informação Fiscal” – (seleção e grifos nossos). 10. A contribuinte, em seguida, foi intimada, sem oferecer resposta, a respeito das seguintes informações fiscais elaboradas em atenção às respectivas resoluções proferidas por esta turma, em conformidade com a descrição minudente realizada pelo relatório que integra o presente acórdão: 11. Assim, com base no exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP nº Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10840.901118/200965 Acórdão n.º 3401003.825 S3C4T1 Fl. 259 5 14736.33840.221105.1.3.043070 nos exatos, iguais e precisos termos do relatório conclusivo da diligência efetuada, consistente na informação fiscal, situada às fls. 249 a 251. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001197/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 18/06/2006 a 29/06/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 18/06/2006 a 29/06/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 11 97 /2 01 0- 81 Fl. 372DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 3402004.160 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Fl. 374DF CARF MF 4 Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10715.001197/201081 Acórdão n.º 3402004.160 S3C4T2 Fl. 4 5 Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 376DF CARF MF 6 Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10235.000587/97-44
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto nº 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. l°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.014
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ pra julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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D. NUNES DRJ/BELÉM/P A FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomià. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei nO2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público...... :' . sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° .•..~ ' 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nO 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei nO9.430/96, do Decreto nO2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto n° 20.910/32, art. l°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8.429/92, art. 4° e Lei nO 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA f •• RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos .. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ pra julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de fevereiro de 2004 . ç~i~SÉLENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. • ,I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 125.603 301-31.014 1. D. NUNES DRJIBELÉM/P A JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • • Consoante petição acostada às fls. 246/249, apresentada em 18/02/2000, a contribuinte acima identificada manifesta inconformidade contra o decisório proferido pelo titular da DRFIMCA, às fls. 34/36, que indeferiu pedido de restituição de valores pagos a maior, a título de FINSOCIAL, no período de setembro de 1989 a março de 1992. O contraditório foi instaurado tempestivamente. O motivo central da controvérsia envolve a data da extinção do crédito tributário, a qual constituiu o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para restituição do indébito na dicção do artigo 168, caput e inciso I, do Código Tributário Nacional- C TN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 ). Entendeu a autoridade requerida que a extinção ocorre na data do pagamento. Tendo sido o valor mais recente pago em 15/04/1992, ao ser pleiteada a restituição, em 21/07/97, havia expirado o prazo de cinco anos fixado pelo CTN, daí o motivo do indeferimento. A interessada replicou que sendo a contribuição para o FINSOCIAL, sujeita a lançamento por homologação, o direito de pleitear a restituição decai somente após decorrido prazo de cinco anos, a partir data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, contados da homologação tácita, no caso, do lançamento, não se aplicando, isoladamente, o artigo 156, I, do CTN, mas em conjunto com o artigo 150, S 4°, do mesmo Código. A DRJlBelém-P A indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que "O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, a qual no caso do lançamento por homologação, ocorre na data em que foi efetuado o pagamento antecipado". Inconformada com a decisão da DRJ a contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera os argumentos expressos no pedido anterior, citando nesse sentido o entendimento expresso em julgados do STJ e decisões do Conselho de Contribuintes 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • • reconhecendo o prazo decenal para as Contribuições sujeitas a lançamento por homologação. Finalizando requer, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, quando será declarada pelo Conselho de Contribuintes a inexistência da consumação de decadência na restituição de valores recolhidos, indevidamente, a título de FINSOCIAL, bem como determinado ao juízo administrativo (ia quo" que o mesmo se pronuncie sobre o mérito do pedido da Recorrente. É o relatório . 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco. em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito. em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a. seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERACÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos. trabalhos da Comissão Especial ..do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocórrido; IlI. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; " V. Reforma, anulação, revogação ou ' rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no. prazo de cinco anos contados: . I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nas alíneas lI, III e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; lII. Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 Sim, po.rque a restituição., po.stulada po.r quem tenha sido. parte no. feito., isto. é, po.r quem haja ingressado. em juízo. está assegurada no. item V, do. artigo. em referência, de so.rte que o. citado. item I, assegura, po.sitivamente, o. direito. de to.do.s o.s co.ntribuintes, po.r fo.rça de uma perigo.sa generalização. do.s efeito.s da "co.isa julgada". O assunto., co.mo. se vê, afio.ra um delicado. tema de Direito. Co.nstitucio.nal, tão. pro.ficientemente versado. po.r juristas da estirpe de Po.ntes de Miranda, Castro Nunes, Francisco. Campos, Lucio. Bittenco.urt e o.utros. Não. no.s abalançamo.s a discutir tão. magna questão., reservada ao. debate do.s mais do.uto.s, sendo. no.sso. pro.pósito., tão.-so.mente, tecer rápidas co.nsiderações 'derredo.r do. assunto., tendo. em vista certas co.nseqüências de o.r~m prática . Disco.rrendo. so.bre o. assunto., eis co.mo. se manifesta' o. pro.vecto. Lucio. Bittenco.urt: "É justamente po.r fo.rça 'da "eficácia, natural" da sentença declaratória da inco.nstitucio.nalidade, que esta passa a atuar em relação. a "to.do.s", sem distinção., tenham o.u não. sido. partes do. processo., atingindo. em cheio. o.ato. visado., que se to.rna p~la fo.rça do. decreto. judiciário., írrito., insubsistente, ino.perante, ineficaz para to.do.s o.s efeito.s, É co.mo.se não. fo.sse lei, - diz Black -'não. co.nfere direito.s; não. impõe deveres; não. fo.rnece pÍ:o.teção.- it confers no. rights; it impo.ses no. duties; it affo.rd's'. no. protectio.n" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição. Revista Fo.rense - 1949 p. 142). Não. no.s co.nvencem, data venia, as razões aduzidas pelo. festejado. jurista, tanto. mais que é o. próprio. Auto.r que, linhas atrás, ao. falar do.s efeito.s indireto.s da sentença, reco.nhece não terem o.s tratadistas americano.s, assim co.mo. o.s brasileiros, "co.nseguido. apresentar fundamento. técnico., razo.avelmente aceitávd, para justificar essa extensão.", sendo. mister, prossegue o. Auto.r, para explicar esse fenômeno. de repercussão. indireta da sentença - "partir de um co.nceito. de co.isajulgada diverso. do. do.minante", As po.nderações do. insigne Professo.r, aliadas ao. fato. de, entre nós, incumbir ao. Senado. Federal "suspender a execução., no. to.do. o.u em parte, da lei o.u decreto. co.nsiderado.s inco.nstitucio.nais po.r decisão. definitiva do. Supremo. Tribunal Federal" (Co.nstituição. Federal, art. 64), bastam a co.nvencer de que o.s efeito.s da "co.isa julgada", em' matéria de inco.nstitucio.nalidade, são. o.s regulares, alcançado.s apenas o.s litigantes, reservada que está a o.utro Po.der a incumbência de, suspendendo. a execução. da lei fulminada pela Suprema Co.rte, generalizar o.s efeito.s da decisão. declaratória da inco.nstitucio.nalidade. Este é, co.m efeito., o. mais robusto. argumento. que se po.de o.po.r à perigo.sa tese da generalização. do.s efeito.s da co.isajulgada, pelo. só fato. da prolação. da sentença, argumento. que é tanto. mais pro.cedente quanto. é certo. que; se a simples decisão. 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • • judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REP ARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. II - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso .declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: 1. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; lI. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA '. • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; IH. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o'. pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e II do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; ll. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; ill. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 .,i! MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o'sistema do vigente Decreto nO20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o en~urtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1Cl do Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfàndegas (interpretado pelo Decreto n° 20.230 de 1931), reduzido porém o prazó, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar' de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do' texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Djreito, no m:ágistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. . Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 125.603 301-31.014 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 2 anos da data do ato ou fato, do qual se ~riginaram" • • esse direito, "in casu" se originou da declaração de inconstitucionali dade. • o Código Tributário Nacional vigente passbu, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos. declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. fi - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no, trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei nO9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre' outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contiaditório, segurança jurídica, interesse público e eficiêricia." (grifei) .. , 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 .' • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitu~ionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da just~ça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1-CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em . última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que conGlcionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucIonal que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público n° 2/93, pp. 267/276). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUIN1ES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultar-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, d~sde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) . E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (reGl;lrso extraordinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qtial a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. . .. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 - p. 143) 12 '. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens . Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de u~ sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que tran,sgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma. de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). . 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados priócípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). O que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da 'entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas admirustrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente slljeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na ví'olação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividad~. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento d.e qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de n~o lhe ser reconhecida validade. 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos VIClOS identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem soluçãq,:satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus' artigos, qu:er de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o aaministrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua" atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). ," A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administr!itivos praticados, sob pena de serem considerados viciados e$.ujeitos aos efeitos da nulidade. " " É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 15 " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 • Há, assim, de reconhecer as fronteiras não s6 do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fat~ e a norma. (grifei). . No Direito Brasileiro, há de se considerar como 'relevante a contribuição da jurisprudência. para a construção do conceito de,' moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a sei exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura Cf lodo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo. é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da .moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem aJ?lparOlegal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucionaL resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 209/222) 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA • A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o prinCIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios' jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O príncípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedad~, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há uni' núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprováveI,' cuja adoção s.efundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 17 L _ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da AdministTação Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estadó não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo. plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a ~atureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares,. egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a senJidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas quâ os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pes~oà, enquanto entidade animada do propósito de despender o mínimo de recursos.e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse. público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 68 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa súpressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. ExcluÍ, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob esse ângulo, fealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser. cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas, a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legal, buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio dá moralidade pública. Não 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Est,ado não es~á legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. '\grifei). . (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de.Direito Público nO11/95 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de con~ibuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o IÍtpso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita ó ~ontribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, reveland'o-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais:. visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição ~entro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade .. .. m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preçiosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina, tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURsaN° ACÓRDÃaN° 125.603 301-31.014 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ~denadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas ecoÍ'iômicas su&cetíveis de prejudicar a expansão livre da emprésa designádamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princfpios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. a propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, hum Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja' qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto cçmstitucional.É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. ' (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito 'Público nO 13/96, pp. 16). a interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. a interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 21 " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.a.v. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. a renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tTibuto pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a decláração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inco!lstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão nO1999.03.99.074347, do TRF 38 Região 68 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 48 T. do TRF 38 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSaCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstit)icionalidad'e de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o tenno inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o prim~iro aresto 22 '.' MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 do Co1endo Supremo Tribunal Federal foi: publicado no DJU de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da cori.stitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigid.a, já que a'inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- .63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do SIJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da ,alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. H - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Sel.ic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. IH - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1.110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública. (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2'':- A aplicaçao dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95,' afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou'de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encóntram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E .CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do. poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e' da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174;: inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houv~sse sido editado o ato senatorial. 5, - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - DJU 02110/01 p. 159 - ementa oficial" ... 23 . MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, urna dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas ~ormas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do pecreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. n° 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. l° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem, assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data 'po ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da deClaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, IH, "b", da C.F. estabelece que. cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/'168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante 'indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 38 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se ~ão fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo nao implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. nO1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: ~ ~ 2° - O disposto neste artigo não implicarão restituição ex officio de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 24 ,. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/OI-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo juridico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retroagem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retroação produzirá efeitos a partir de 01/03/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto- lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA lNTERPRETAR A LEGISLA CÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar nO73, de 10/02/93, e'm seu art. 2° inciso II, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 25 " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de nOIH, verbis: "IH - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98,. adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. 07/05/99) Há também o Parecer AGU n° 02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT n° 550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, lios controles difuso e concentrado é a data do pagamento .indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF P Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. ..:' 26 I '. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 125.603 301-31.014 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei nO20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos C.C., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva" ... constante do art.1 ° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, nãp alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 27 , . .. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • • 125.603 301-31.014 o Senado não conferiu a eficácia "erga OIunes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, . ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga ornnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou- desfavorável às partes envolvidas. " o Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência; Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quandO: há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar:' a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios' expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I- Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurícjico, núcleos que são, do sistema jurídico. Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 28 , J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF nO 96/99. Além disso, o Dec. n° 2346/98 em seu art. 40 apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 40 Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MP nO227/98 (revogada), artigos 10e 190, e pela Portaria MP n° 259/01, artigos 10e 209. . Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJ s, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 10, inciso V e artigo 209, incisos 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 XXVII e XXVIII, da Portaria :MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaIS. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT nO58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso .não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VIII- DECLARACÃO DE JNCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga onmes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela' consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encoIitrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso lI, da Constituição Feqeral. 30 I j " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga onmes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150, lI, da C.F.) Ademais, o efeito erga onmes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S 1° do art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o S 3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERACÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 1° do Decreto n° 20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou "fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146,111, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei nO 2.049/83, regulamentado pelo Decreto n° 92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei nO 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12106/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam .sua fiel 32 1 r J . ..- MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 125.603 301-31.014 observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 18 de fevereiro de 2004 ~// .....-;;Jj;J;f~~~~~ /6sÉ LENCE CARLUCI - Relator 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900359/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/03/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 59 /2 01 4- 04 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900359/201404 Acórdão n.º 3401003.730 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900359/201404 Acórdão n.º 3401003.730 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900359/201404 Acórdão n.º 3401003.730 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910096/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2007
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 96 /2 01 2- 46 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11020.910096/201246 Acórdão n.º 3402004.045 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.809, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11020.910096/201246 Acórdão n.º 3402004.045 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907909/2012-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.817
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.816, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 09 /2 01 2- 05 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 9303004.817 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 9303004.817 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10875.907909/201205 Acórdão n.º 9303004.817 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004712/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
PREVIDENCIÁRIO. VÍCIOS. NULIDADE
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando o lançamento encontra-se eivado de vícios e a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta da ocorrência do fato gerador, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, a autuação resta maculada e o crédito decorrente duvidoso implicando nulidade.
Numero da decisão: 2301-004.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para esclarecer o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. PREVIDENCIÁRIO. VÍCIOS. NULIDADE A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando o lançamento encontra-se eivado de vícios e a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta da ocorrência do fato gerador, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, a autuação resta maculada e o crédito decorrente duvidoso implicando nulidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para esclarecer o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente. Alexandre Evaristo Pinto - Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 410 1 409 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.004712/200715 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301004.960 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante União Interessado SHARP DO BRASIL SA IND DE EQUIPAMENTOS ELETRONICOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. PREVIDENCIÁRIO. VÍCIOS. NULIDADE A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando o lançamento encontrase eivado de vícios e a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta da ocorrência do fato gerador, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, a autuação resta maculada e o crédito decorrente duvidoso implicando nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para esclarecer o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 47 12 /2 00 7- 15 Fl. 410DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional opostos contra o Acórdão nº 2403002.867 (fls. 382396), proferido em 04/12/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: " Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. VÍCIOS. NULIDADE .A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando o lançamento encontrase eivado de vícios e a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta da ocorrência do fato gerador, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, a autuação resta maculada e o crédito decorrente duvidoso implicando nulidade Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício" Em 30/03/2015, a PGFN apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 398399) sustentando que: (...) Esse eg. Colegiado negou provimento ao recurso de ofício, “em razão do lançamento estar eivado de vícios formais e materiais ‘ab initio’”. Ocorre que, não obstante conste a afirmação genérica de que o lançamento possui vício de conteúdo, a Turma deixou de especificar qual dos vícios apontados entende ter caráter material. Destaquese que tal esclarecimento revelase imprescindível para o entendimento acerca do posicionamento adotado pelo Colegiado, bem como para garantia do direito à ampla defesa da União. Com efeito, somente com a indicação de qual vício tem natureza material será possível à esta Procuradoria examinar a viabilidade de interposição de recurso especial. Registrese, por oportuno, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, ao anular o lançamento, entendeu Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10283.004712/200715 Acórdão n.º 2301004.960 S2C3T1 Fl. 411 3 tratarse de vício de natureza formal, conforme se extrai do seguinte excerto da ementa, abaixo reproduzido (fl. 146): 'É nulo, por vício formal, o lançamento fiscal que comprometa a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e que comprometa o exercício do direito de defesa do contribuinte'. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar o vício apontado. Os embargos foram admitidos pelo presidente da 2ª Seção em 29/12/2015 (fls. 403 a 405), em decorrência da existência da obscuridade apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, dele conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante que a decisão a quo contém obscuridade, na medida em que na conclusão do voto, consta que foi negado provimento ao recurso de ofício “em razão do lançamento estar eivado de vícios formais e materiais ‘ab initio’", embora não tenha sido especificado quais seriam os vícios materiais. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte (fls. 403 a 408) elaborado pelo próprio relator do Acórdão embargado, tudo o que a "Embargante guerreou na verdade não consta da decisão da turma mas sim da conclusão do voto do Relator Neste sentido, vale o dispositivo definido pela Turma ou seja NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO o que certamente exclui os argumentos de vício material, que não foi a intenção do Relator". Com base no exposto, voto por acolher os embargos de declaração para rerratificar a conclusão do voto do Relator do Acórdão nº 2403002.867, para suprimir a Fl. 412DF CARF MF 4 expressão "materiais ‘ab initio’" do último parágrafo do voto do Relator, que ficará assim redigido: Conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO em razão do lançamento estar eivado de VÍCIOS FORMAIS. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 413DF CARF MF
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Numero do processo: 13608.000018/2001-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas, bem como mostraram-se convergentes os resultados aplicados aos casos confrontados.
Numero da decisão: 9303-004.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas, bem como mostraramse convergentes os resultados aplicados aos casos confrontados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 8. 00 00 18 /2 00 1- 11 Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 351 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por SÃO JORGE AUTO ÔNIBUS LTDA. (fls. 266 a 276) com fulcro no art. 7º, §2º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, aprovado pela Portaria MF 55, de 16 de março de 1988, c/c art. 7º, inc. II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, buscando a reforma do Acórdão nº 20179.512 (fls. 227 a 231) proferido pela Primeria Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, em 27/07/2006, no sentido de não conhecer do recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995 Ementa: DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INTERPRETAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. RENÚNCIA ÀS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. Uma vez caracterizada a renúncia as instâncias administrativas, pela submissão da matéria ao exame do Poder Judiciário, toda e qualquer controvérsia sobre o reconhecimento do direito reclamado deve ser solucionada pelos meios próprios daquele Poder, descabendo às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes dizer à autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da decisão o modo como deve interpretála. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E TOTALIDADE DOS INDÉBITOS NELA RECONHECIDOS. SUPOSTO ERRO NA APLICAÇÃO DA DECISÃO. Descabe às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes manifestaremse a respeito da apuração de valores efetuada pela autoridade fiscal em cumprimento â. decisão judicial transitada em julgado, devendo a autoridade manifestarse de forma circunstanciada a respeito da discordância do interessado. Recurso não conhecido. Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 352 3 [...] Tratase de recurso voluntário (fls. 211 a 219) apresentado contra o Acórdão nº 7.635, de 24 de janeiro de 2005, da DRJ em Belo Horizonte MG (fls. 195 a 198), que indeferiu a solicitação da interessada, quanto a pedido de restituição de PIS, apresentado em 16 de março de 2001, relativamente aos períodos de novembro de 1988 a setembro de 1995, que havia sido objeto de Despacho Decisório da autoridade local (fls. 94 a 96), comunicado à interessada em 13 de fevereiro de 2004. A ementa do Acórdão de primeira instância foi a seguinte: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 10/02/1989 a 13/10/1995 Ementa: AÇÃO JUDICIAL COISA JULGADA COMPENSAÇÃO A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos exatos termos em que foi passada. Solicitação Indeferida". O despacho da autoridade local reconheceu parcialmente o direito creditório. Na manifestação de inconformidade alegou a interessada que não teriam sido utilizados os índices de correção e juros determinados pela decisão judicial transitada em julgado no Processo n2 1997.38.00.0484090 e que, a partir de janeiro de 1996, caberia a incidência da Selic. Além disso, somente teriam sido considerados os pagamentos a partir de julho de 1989. Segundo a DRJ, "o provimento judicial não incluiu a Selic", uma vez que nada mencionou a seu respeito e que determinou a incidência dos juros de 1% ao mês, após o trânsito em julgado. Ademais, os juros Selic não se confundiriam com correção monetária. Quanto aos expurgos inflacionários, considerou não ter razão a interessada, uma vez que a apuração de fl. 89 adotou os valores de IPC mensais. Por fim, esclareceu que, relativamente aos períodos de novembro de 1988 a junho de 1989, houve imputação de pagamento, de acordo com fls. 87 e 88, que consumiu os pagamentos efetuados no período alegado. No recurso alegou a interessada que a sentença determinou a incidência da "correção monetária apurada nos termos do requerido na inicial" e que, no item 10.2.3, foi expressamente requerida a incidência da Selic, a partir de janeiro de 1996. Ademais, a Fiscalização não teria utilizado outros índices além dos previstos na Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8, de 1997. A seguir, fez observações sobre o cumprimento de decisões judiciais transitadas em julgado e alegou que a incidência da Selic nos casos de restituição seria determinação legal. É o Relatório. [...] Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 353 4 O recurso voluntário interposto pela Contribuinte não foi conhecido, nos termos do Acórdão nº 20179.512 (fls. 227 a 231) proferido pela Primeria Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, em 27/07/2006, ora recorrido. Entendeu aquele Colegiado, em síntese, (a) descaber às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes dizer à Autoridade Fiscal como deve interpretar a decisão judicial, bem como (b) ser obrigação da Autoridade Fiscal dar cumprimento à decisão judicial transitada em julgado, não cabendo às instâncias julgadoras administrativas fiscalizar e rever os atos de apuração de valores. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 266 a 276), alegando divergência jurisprudencial quanto ao entendimento da decisão recorrida de que havendo o ajuizamento de ação judicial discutindo a matéria, há renúncia às instâncias administrativas e, por isso, toda e qualquer controvérsia sobre o reconhecimento do direito reclamado deve ser solucionada no âmbito do Poder Judiciário, não sendo de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes dizer à Autoridade Fiscal responsável pelo cumprimento da decisão o modo de interpretação e execução. Para comprovar o dissenso colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 302 36.781 e 30333.174. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) é vedado à Fiscalização alterar os limites dados pela decisão judicial transitada em julgado de forma favorável à Contribuinte, quando do acerto dos créditos e débitos a compensar, ainda mais quando os créditos já foram reconhecidos judicialmente; (b) a sentença proferida no processo judicial tem força de lei nos limites da lide, representada no caso pelo direito à compensação do indébito com parcelas vincendas do PIS e da COFINS, com a utilização do IPC, INPC, IPCM e SELIC como índices de atualização monetária, o que não foi observado pela Fiscalização; (c) estando a interpretação da Fiscalização em desarmonia com a decisão judicial, impõese a sua revisão, em observância ao próprio ordenamento jurídico vigente; (d) ao final, requer o provimento do recurso especial para que seja determinado o recálculo do crédito compensável com a aplicação de todos os índices expurgados e da taxa Selic. Foi admitido o recurso especial de SÃO JORGE AUTO ÔNIBUS LTDA. por meio do despacho s/nº, de 16 de setembro de 2015 (fls. 344 a 346), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional, embora devidamente intimada, não apresentou contrarrazões (fl. 348). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 354 5 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais requisitos de admissibilidade constantes do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A matéria a ser tratada no presente recurso diz respeito à possibilidade de os órgãos de julgamento administrativo Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais , reverem os atos da Autoridade Administrativa no cumprimento de decisão judicial transitada em julgado, mais especificamente, na correta aplicação dos índices de correção monetária. O Colegiado a quo, ao julgar o recurso voluntário, consignou entendimento no sentido de (a) descaber às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes dizer à Autoridade Fiscal como deve interpretar a decisão judicial, bem como (b) ser obrigação da Autoridade Fiscal dar cumprimento à decisão judicial transitada em julgado, não cabendo às instâncias julgadoras administrativas fiscalizar e rever os atos de apuração de valores. Da fundamentação extraemse os seguintes trechos: [...] A primeira questão diz respeito claramente à matéria de direito e á. interpretação da decisão judicial. Tratase de matéria submetida ao exame do Poder Judiciário, na ação proposta pela interessada. Dessa forma, questionase, no presente processo administrativo, a forma de execução da decisão judicial. Da mesma forma que não se examina, em sede de recurso, matéria discutida em ação judicial, em face da renúncia tácita às vias administrativas, descabe, igualmente, às Delegacias da Receita Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 355 6 Federal de Julgamento e aos Conselhos de Contribuintes dizer autoridade fiscal como deve interpretar a decisão judicial. Muito embora no item 10.2.3 da inicial (fl. 56) a interessada tenha requerido a aplicação da Selic, a partir de 1 2 de janeiro de 1996, a titulo de "atualização monetária" e a sentença, conforme demonstrado pela certidão de fl. 58, tenha concedido a "correção monetária", nos termos requeridos na inicial, não se trata de questão a ser analisada em recurso administrativo. Esclareçase, por um lado, que qualquer dúvida ou obscuridade na sentença deveria ter sido tratada em embargos de declaração apresentados pela parte prejudicada e que, por outro lado, a interpretação da decisão judicial fica a cargo e risco da autoridade administrativa, cabendo ao contribuinte o ônus de fazer valer o direito que, em seu entendimento, não tenha sido atendido, buscando o foro apropriado. Ademais, configurada a renúncia às instâncias administrativas, pela propositura de ação judicial, ela é definitiva, devendo todas as demais questões que dela derivarem serem tratados no âmbito do Poder Judiciário (embargos de declaração, ação rescisória, reclamação etc.). A segunda questão diz respeito a saber se a apuração está de acordo com a decisão judicial transitada em julgado, relativamente aos índices de correção monetária. Não se discute aqui o direito, que é incontroverso, mas a forma de apuração adotada. Em que pese tratarse de matéria de fato, a questão da incidência dos índices de correção monetária relativos aos chamados "expurgos inflacionários" também é matéria atinente ao cumprimento da decisão judicial. A autoridade fiscal tem a obrigação de dar cumprimento à decisão judicial transitada em julgado, não cabendo As instâncias julgadoras administrativas fiscalizar e rever atos de apuração de valores. Dessa forma, cabe à repartição competente da Delegacia de origem verificar se, os cálculos estão corretos, demonstrando a correta apuração à interessada, por ser parte de seu direito de petição, reconhecido pela Constituição. O mesmo raciocínio aplicase aos indébitos dos períodos de novembro de 1988 a junho de 1989. A interessada alega no presente processo que eles não teriam sido considerados na apuração, o que violaria a decisão judicial. A DRF, por sua vez, elaborou demonstrativo que abrangeu os valores de tais períodos. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 356 7 Quanto aos períodos de novembro de 1988 a março de 1989, conforme esclarecido no Acórdão de primeira instancia, houve imputação de pagamento (fls. 87 e 88), em que os valores foram consumidos na ordem da data de pagamento, não tendo a interessada demonstrado no recurso ter havido erro em relação a esse item da apuração. Por fim, esclareçase que no cabia A Delegacia da Receita Federal de Julgamento pronunciarse a respeito de tais matérias, razão pela qual o Acórdão de primeira instancia deve ser considerado sem efeito, cabendo A autoridade fiscal o ônus de interpretar e dar cumprimento à decisão judicial e A interessada o de zelar pelos seus direitos no foro apropriado. A vista do exposto, voto por no se tomar conhecimento do recurso. [...] Os acórdãos colacionados como paradigmas, por sua vez, trazem as seguintes ementas: Acórdão 30236.781 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01/01/96. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA. Acórdão 30333.174 FINSOCIAL. Pedido de compensação com débitos de terceiros, findado em sentença judicial é dever da autoridade administrativa de cumprimento incontinenti dos exatos termos das decisões proferidas pelo poder judiciário. IN 67/92 vigência ao tempo da decisão judicial. IN 21/97 aplicação do pedido formulado sob sua vigência Expurgos inflacionários. Taxa SELIC. Aplicase os expurgos pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13608.000018/200111 Acórdão n.º 9303004.990 CSRFT3 Fl. 357 8 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 21,87% (fev/91), bem como é devida a aplicação da taxa selic, a partir de 1' de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4°, da lei 9.250/95. A compensação de créditos próprios com débitos de terceiros é possibilidade contemplada pela instrução normativa n° 21/97, norma vigente à época do pedido administrativo de compensação, ainda que ao tempo da sentença estivesse em vigência a IN SRF 67/92, que não previa tal possibilidade. Necessidade de comprovação da desistência da execução do titulo judicial para fins de sua realização na esfera administrativa Requisito atendido pelo contribuinte. Da análise das mesmas, depreendese não servirem à comprovação da divergência jurisprudencial, pois: (a) no acórdão nº 30236.781 o tema tratado referese à aplicação dos índices de correção monetária propriamente ditos, não havendo discussão quanto ao cerne do litígio aqui estabelecido: se cabível aos órgãos julgadores administrativos revisitar atos da própria Autoridade Administrativa ao dar cumprimento às decisões judiciais; e (b) no acórdão nº 30333.174 há a conclusão de que o correto cumprimento das decisões proferidas pelo Poder Judiciário é de competência da Autoridade Administrativa, convergindo com o entendimento exarado na decisão recorrida, não havendo o necessário dissenso interpretativo. Diante do exposto, pela inexistência de divergência jurisprudencial, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720359/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2009 a 31/12/2010
COFINS. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS.
Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE VEÍCULOS. SERVIÇOS DE TRANSPORTES.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; desde que comprovadamente aplicados ao processo produtivo.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não compreendido o ICMS-ST.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/2009 a 31/12/2010
PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS.
Constitui-se de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE VEÍCULOS. SERVIÇOS DE TRANSPORTES.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; desde que comprovadamente aplicados ao processo produtivo.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não compreendido o ICMS-ST.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, (a1) rejeitou-se a preliminar referente a nulidade da autuação por falta do dever de investigação, (a2) negou-se provimento ao recurso voluntário no que se refere à multa de ofício aplicada; e (a3) reconheceu-se, de ofício, o direito à revisão dos lançamentos do auto de infração relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, nas competências 10/2009 e 11/2009, nos valores de R$299.183,93 e R$318.715,41, cancelando os valores constituídos de ofício, confirmados coincidentes com os valores em cobrança (no processo no 10725.400.088/2012-96), espontaneamente incluídos em pedido de parcelamento; (b) por maioria de votos, (b1) rejeitou-se a preliminar relativa a cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que defendia a nulidade da decisão de piso, e revelou a intenção de apresentar declaração de voto; e (b2) deu-se provimento para reverter as glosas referentes a aluguel de veículos, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Larissa Nunes Girard e Rosaldo Trevisan, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e (c) por voto de qualidade, (c1) negou-se provimento no que se refere às insuficiências de recolhimentos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi; e (c2) negou-se provimento no que se refere a ICMS-Substituição Tributária, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado indicado a intenção de apresentar declaração de voto. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que declarou suspeição.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA- Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi (Suplente).
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constituise de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE VEÍCULOS. SERVIÇOS DE TRANSPORTES. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; desde que comprovadamente aplicados ao processo produtivo. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não compreendido o ICMSST. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2009 a 31/12/2010 PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTOS. Constituise de oficio as contribuições sociais devidas a partir do cotejamento dos valores apurados nos DACON com os valores pagos/parcelados e/ou confessados em DCTF. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE VEÍCULOS. SERVIÇOS DE TRANSPORTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 03 59 /2 01 4- 44 Fl. 25737DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.738 2 A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; desde que comprovadamente aplicados ao processo produtivo. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não compreendido o ICMSST. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, (a1) rejeitouse a preliminar referente a nulidade da autuação por falta do dever de investigação, (a2) negouse provimento ao recurso voluntário no que se refere à multa de ofício aplicada; e (a3) reconheceuse, de ofício, o direito à revisão dos lançamentos do auto de infração relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, nas competências 10/2009 e 11/2009, nos valores de R$299.183,93 e R$318.715,41, cancelando os valores constituídos de ofício, confirmados coincidentes com os valores em cobrança (no processo no 10725.400.088/201296), espontaneamente incluídos em pedido de parcelamento; (b) por maioria de votos, (b1) rejeitouse a preliminar relativa a cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que defendia a nulidade da decisão de piso, e revelou a intenção de apresentar declaração de voto; e (b2) deuse provimento para reverter as glosas referentes a aluguel de veículos, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Larissa Nunes Girard e Rosaldo Trevisan, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira; e (c) por voto de qualidade, (c1) negouse provimento no que se refere às insuficiências de recolhimentos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi; e (c2) negouse provimento no que se refere a ICMSSubstituição Tributária, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi, tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado indicado a intenção de apresentar declaração de voto. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que declarou suspeição. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi (Suplente). Fl. 25738DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.739 3 Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 22/07/2014 (fls1. 2050/2098) e cientificados em 25/08/2014 (AR à fl. 2102), para exigência de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativas e acréscimos legais, com base nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, no valor original de R$ 40.617.336,49, por insuficiências de recolhimentos, no cotejamento dos valores apurados com os valores pagos/parcelados e/ou confessados (DCTF), decorrentes da validação/recomposição da base de cálculo dos DACON, a partir dos Balancetes Contábeis; além de créditos descontados indevidamente, decorrentes de glosas na apuração de créditos da não cumulatividade, no período de agosto de 2009 a dezembro de 2010, em procedimento de fiscalização, para fins de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (fls. 2008/2049). Inferese do TVF, infrações por (1) insuficiências de recolhimentos, no cotejamento dos valores a pagar, apurados no DACON e validados pelos registros contábeis, com os valores pagos/parcelados e/ou confessados (DCTF); além de (2) créditos descontados indevidamente, em glosas na apuração de créditos da não cumulatividade. Para a primeira infração, foram levantadas as bases de cálculo de débitos, a partir dos valores apurados nos DACON, em confronto com os valores lançados na contabilidade, prevalecendo os valores contábeis, sempre que houve divergências, no caso, apenas, nas competências de 08 e 11/2010, nas quais foram excluídas receitas entendidas não tributáveis no período: receitas de juros e descontos ativos. Cotejando os valores a pagar apurados pelo contribuinte nos DACON (Ficha/Linha 15B/29 PIS e 25B/29 COFINS) e validados pela contabilidade, com os valores pagos/parcelados e/ou confessados (DCTF), constatouse ausência de pagamentos/parcelamentos e DCTF ZERADAS em todos os períodos, onde diferenças foram lançadas como insuficiências de recolhimentos. Já para a segunda infração, levantouse as bases de cálculo de créditos, segregando as imputações, resultantes diretamente de glosas de créditos descontados indevidamente: dos aluguéis de máquinas e equipamentos veículos; e das despesas de energia elétrica ICMSST, a partir dos valores apurados nos respectivos DACON, também, validados pelos documentos contábeis e fiscais. PIS 4.180.890,71 COFINS 14.991.325,96 DACON A PAGAR CONTABIL DCTF INFRAÇÃO (1) 79% INFRAÇÃO (2) 21% DACON A PAGAR CONTABIL DCTF INFRAÇÃO (1) 73% INFRAÇÃO (2) 27% 31/08/2009 63.370,90 291.890,19 30/09/2009 79.745,89 367.314,39 31/10/2009 299.183,93 = 0,00 299.183,93 40.895,13 188.365,42 30/11/2009 318.715,40 = 0,00 318.715,40 57.716,30 265.844,73 31/12/2009 23.413,73 107.845,03 31/01/2010 64.226,72 295.832,17 28/02/2010 44.197,98 203.578,58 31/03/2010 308.295,60 = 0,00 308.295,60 14.231,95 65.553,21 30/04/2010 332.773,60 = 0,00 332.773,60 38.315,70 1.532.775,38 = 0,00 1.532.775,38 176.484,44 31/05/2010 243.049,10 = 0,00 243.049,10 67.831,73 1.119.498,90 = 0,00 1.119.498,90 312.437,02 30/06/2010 293.943,49 = 0,00 293.943,49 42.202,62 1.353.921,52 = 0,00 1.353.921,52 194.387,84 31/07/2010 307.540,77 = 0,00 307.540,77 18.047,54 1.416.551,43 = 0,00 1.416.551,43 83.128,07 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 25739DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.740 4 31/08/2010 357.118,89 297.300,34 0,00 297.300,34 1.644.911,25 1.369.383,40 0,00 1.369.383,40 30/09/2010 305.992,60 = 0,00 305.992,60 128.466,94 1.409.420,46 = 0,00 1.409.420,46 591.726,53 31/10/2010 215.591,13 = 0,00 215.591,13 89.828,56 993.025,85 = 0,00 993.025,85 413.755,78 30/11/2010 226.983,64 181.162,74 0,00 181.162,74 1.045.500,38 834.446,58 0,00 834.446,58 31/12/2010 199.840,54 = 0,00 199.840,54 105.009,78 950.477,65 = 0,00 950.477,65 453.681,39 3.303.389,24 877.501,47 10.979.501,17 4.011.824,79 A empresa apresenta a Impugnação em 24/09/2014 (fls. 2105/2132), preliminarmente, apenas, informando de pretensa juntada posterior de provas. Quanto ao mérito, alega: (1) o princípio da verdade material, na recomposição da base de cálculo do crédito das contribuições sociais, em razão de omissão na análise de diversos documentos ensejadores de créditos; (2) equívocos cometidos pela fiscalização na apuração dos créditos: (2.1) dos aluguéis de máquinas e equipamentos veículos; (2.2) dos fretes; (2.3) da depreciação; (2.4) do leasing arrendamento mercantil; (2.5) das despesas de energia elétrica ICMSST; (3) aplicabilidade unicamente de multa moratória ao invés da multa de 75% lançada A decisão de primeira instância, proferida em 31/07/2015 (fls. 25512/ 25525) foi pela procedência do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/2009 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese, que gera direito ao crédito, prevista no artigo 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, somente contempla despesas (pagas a pessoa jurídica e utilizadas nas atividades da empresa) de aluguéis com prédios, máquinas e equipamentos, não se aplicando a despesas com aluguéis de veículos automotores. CRÉDITOS. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ENERGIA ELÉTRICA. Somente as despesas com energia elétrica e térmica consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica é que geram direito ao crédito, a legislação de regência não contempla o ICMSST. NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Na sistemática da não cumulatividade a ausência de recolhimentos está, normalmente, relacionada com a apuração de créditos em montante superior ao valor da contribuição devida, sendo que a glosa de créditos pode ocasionar lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento, na medida em que os créditos que acobertavam os débitos apurados deixam de existir em virtude das glosas. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE REGISTRO. Cabe ao contribuinte demonstrar que pretendeu, inequivocamente, compensar os créditos de Cofins a que faria jus, promovendo os registros necessários em sua escrituração contábil. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NO DACON. A utilização dos créditos da Cofins, apurados na sistemática da não cumulatividade, e devidamente registrados na escrituração contábil, está condicionada ao preenchimento do Dacon, não cabendo ao órgão julgador, em sede Fl. 25740DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.741 5 de impugnação, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados no referido Demonstrativo. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento de PIS o decidido quanto ao de Cofins, haja vista que ambos decorrem dos mesmos elementos fáticos e de prova, e tratam da mesma matéria tributária, além do que os argumentos de defesa são os mesmos para ambos lançamentos.. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 25533), em 20/08/2015, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 25535/25571, em 21/09/2015, reproduzindo os argumentos da impugnação anteriormente interposta e aduzindo, preliminarmente, nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa prevalência do princípio da verdade material; além de nulidade da autuação, por falta do dever de investigação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Autos de Infração, lavrados para a constituição de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS e a COFINS nãocumulativas, no período de agosto de 2009 a dezembro de 2010, por infrações relativas às (1) insuficiências de recolhimentos e aos (2) créditos descontados indevidamente. Preliminar Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela Recorrente. Da nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa prevalência do princípio da verdade material A Recorrente argúi a nulidade por cerceamento do direito de defesa e prevalência do princípio da verdade material, diante da negativa de apreciação, na primeira instância de julgamento, da documentação trazida aos autos junto com a impugnação, sob fundamentos de impossibilidade de reconhecimentos de créditos não declarados em DACON ou não contabilizados. Fl. 25741DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.742 6 Afirma omissão do colegiado no tocante a analise de amplo repertório de documentos, os quais comprovariam ocorrências de outras despesas passíveis de creditamento além das consideradas pela fiscalização, apontando trechos da decisão recorrida no sentido da impossibilidade, em sede de contencioso administrativo, da inclusão e reconhecimento de créditos não declarados em DACON ou não contabilizados. Nesse ponto, entendo, andou bem a decisão recorrida em não admitir, em sede de contencioso administrativo, a inclusão de créditos não declarados em DACON ou não contabilizados. Acontece que, desde o início do procedimento fiscal, com a lavratura, em 21/06/2013, e ciência, em 27/06/2013, do TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL (fls.4/5), valores declarados extemporaneamente e após o inicio da ação fiscal, já encontravamse com a espontaneidade excluída, nos termos do §1º, do art. 7º, do PAF, e parágrafo único, do art. 138, do CTN, estando, em regra, desde então, limitada a inclusão e reconhecimento de créditos, não declarados em DACON ou não contabilizados, à ocorrência de erros materiais na transcrição da contabilidade para as declarações, prevalecendo a apuração espontânea nos DACON e os valores apurados e constituídos de ofício por meio do auto de infração. Assim, não assiste razão à Recorrente, em sede de impugnação, querer ver analisado pelo órgão julgador, documentos que, na verdade, promoveriam uma nova apuração dos créditos, além da que promoveu espontaneamente nos seus DACON, com as correções de ofício promovidas pelo auto de infração. Não existiu omissão do colegiado na analise de documentos que comprovariam a ocorrência de outras despesas passíveis de creditamento além das consideradas pela fiscalização, pois, essa questão nem mesmo faz parte do contraditório que se estabeleceu, a partir da controvérsia instaurada por meio do auto de infração, que promoveu correções de ofício aos valores espontaneamente declarados nos DACON. Ou seja, a lide trazida à julgamento, diz respeito à resistência da fiscalização em aceitar a pretensão do contribuinte de ter validada sua apuração nos DACON espontâneos, não à uma nova pretensão, quase uma reconvenção (pois, poderia gerar, inclusive, saldo credor ressarcível), de promover uma nova apuração dos créditos, por meio de analise documental pelo órgão julgador. Não há que se falar em privilégio da forma em detrimento da verdade material, exigir a contabilização dos créditos oriundos das despesas atestadas pela documentação apresentada, mesmo porque, seria o meio de prova adequado a comprovar a ocorrência de erros materiais na transcrição da contabilidade para as declarações, visto não cogitarse uma nova reapuração dos créditos, não sendo prova direta suficiente o simples registro da despesa, dentro do livre convencimento motivado do julgador (art. 29, do PAF), prevalecendo a apuração espontânea nos DACON e os valores apurados e constituídos de ofício no auto de infração. Em equilíbrio com o princípio pas de nullité sans grief não há nulidade sem prejuízo , a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige a comprovação do efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Nesse sentido, não restou caracterizado nenhum cerceamento de defesa, pelo fato da decisão recorrida não ter analisado documentos que comprovariam a ocorrência de outras despesas passíveis de creditamento além das consideradas pela fiscalização, uma vez que isso não atingiu o exercício do seu direito de defesa, em relação aos fatos que lhe foram imputados pela acusação fiscal, sobre os quais demonstra pleno conhecimento e Fl. 25742DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.743 7 apresenta defesa robusta, argüindo essa e outra nulidade nas questões preliminares, além de questionar detalhadamente o mérito, cujas respectivas provas documentais, serão analisadas junto com o próprio mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Da nulidade da autuação, por falta do dever de investigação Inova a Recorrente, argüindo nulidade em relação ao auto de infração, por falta do dever de investigação, matéria preclusa, pois, sem prequestionamento prévio explícito, no sentido da questão trazida com o recurso voluntário ter sido debatida e sobre ela o colegiado recorrido ter emitido expresso juízo. Além disso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A leitura do artigo supracitado leva ao entendimento de que, no caso de auto de infração, ato administrativo formalizado por termo próprio e resultante do conjunto de outros atos e termos fiscais, só há nulidade se for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), falandose em defesa cerceada somente quanto aos despachos e decisões (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60). Como ato administrativo, o auto de infração deve respeitar os requisitos mínimos de formação válida do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Estando o auto de infração revestido de suas formalidades essenciais, no que tange ao seu conteúdo necessário e respectivas provas, serão analisados junto com o mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Fl. 25743DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.744 8 Não há nulidade quando suficientemente demonstrado e fundamentado os motivos pelos quais lavrouse o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas nas peças impugnativa e recursal. Mérito (1) Insuficiências de recolhimentos Conforme relatado, para a primeira infração, foram levantadas as bases de cálculo de débitos, a partir dos valores apurados nos DACON, em confronto com os valores dos registros contábeis, prevalecendo valores divergentes da contabilidade, apenas, nas competências de 08/2010 e 11/2010, nas quais foram excluídas das bases de cálculo as receitas de juros e descontos ativos. Portanto, validados pela contabilidade todos os valores apurados previamente pelo contribuinte, em todas as competências, salvo, nos meses citados, nos quais houve redução dos valores à pagar informados nos DACON e constituídos de ofício como insuficiências de recolhimentos. Nesse ponto, para melhor delimitação da lide, importante entender a opção de defesa do contribuinte. A Impugnante, ora Recorrente, não apresentou defesa de mérito direta, quanto à primeira infração de insuficiências de recolhimentos, não negando o fato constitutivo do direito do autor da acusação fiscal, tornandose por incontroverso, os valores apurados espontaneamente nos DACON (Ficha/Linha 15B/29.CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A PAGAR FATURAMENTO e 25B/29.COFINS A PAGAR FATURAMENTO) e a constatação da ausência de pagamentos/parcelamentos e DCTF ZERADAS, em todos os períodos, onde diferenças foram lançadas como insuficiências de recolhimentos. Concentrouse o contribuinte em formular defesa de mérito indireta, ou seja, alegar novos fatos que impediriam ou modificariam o direito do autor da acusação fiscal, quais sejam, a existência de documentos que comprovariam a ocorrência de outras despesas passíveis de creditamento além das consideradas pela fiscalização, impugnando e recorrendo pela inclusão e reconhecimento de créditos, não declarados em DACON e não contabilizados, argüindo, antes, nulidade da decisão recorrida por não ter considerado tais provas de despesas, como suficientes ao reconhecimento de créditos, sem registros contábeis, acrescendo valores aos créditos por ele tempestivamente apurados por meio de instrumento próprio: DACON. Portanto, quanto a primeira infração de insuficiências de recolhimentos, resta litigiosa, apenas, a possibilidade de admitirse como matéria de defesa o reconhecimento e a inclusão de novos créditos, não declarados em DACON e não contabilizados, visto que, nesse ponto, não existe acusação de créditos descontados indevidamente. Reitero entendimento, no sentido de que, desde o início do procedimento fiscal, valores declarados extemporaneamente e após o inicio da fiscalização, já encontravam se com a espontaneidade excluída, nos termos do §1º, do art. 7º, do PAF, e parágrafo único, do art. 138, do CTN, prevalecendo a apuração prévia espontânea nos DACON e os valores apurados e constituídos de ofício por meio do auto de infração, diante da constatação da Fl. 25744DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.745 9 ausência de pagamentos/parcelamentos e DCTF ZERADAS em todos os períodos, onde diferenças foram lançadas nessa primeira infração de insuficiências de recolhimentos. Assim, no mesmo sentido do voto da preliminar de nulidade, entendo, não assistir razão à Recorrente, em sede de impugnação e recurso, querer ver analisados e aceitos, pelos órgãos julgadores, documentos que promoveriam uma nova apuração, reconhecimento e inclusão de novos créditos, além dos que promoveu espontaneamente nos seus DACON, no caso da presente infração, reduzindo os valores das insuficiências de recolhimentos, validadas pelos registros contábeis e espontaneamente apuradas e declaradas nos DACON (Ficha/Linha 15B/29.CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A PAGAR FATURAMENTO e 25B/29.COFINS A PAGAR FATURAMENTO) como valores à pagar. (1.1) Correções de ofício nas insuficiências de recolhimentos Com fulcro no art. 60, do PAF (Decreto nº 70.235/72), por resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, entendo devam ser sanadas duas possíveis incorreções no auto de infração relativo à contribuição para o PIS, nas competências 10/2009 e 11/2009. Ao compulsar os autos, às fls. 2010/2011, em tabela do TVF, contendo os valores espontaneamente inclusos em pedido de parcelamento (10725.400.088/201296), depareime com a informação da existência de cobranças relativas aos mesmos valores (R$299.183,93 e R$318.715,41) e períodos de apurações (Outubro/2009 e Novembro/2009) que os lançados para o PIS (6912), porém, apontados no TVF como relativos à CSLL (6012), indícios robustos de incorreção na tabela e no lançamento, visto a igualdade de valores e a não correlação do código de arrecadação: CSLL trimestral, com os períodos de apurações mensais dispostos na tabela, Outubro/2009 e Novembro/2009, ao invés, de trimestres de 2009. Assim, retificando a decisão recorrida nesse ponto, quanto à primeira infração de insuficiências de recolhimentos, entendo devam ser revisados de ofício os lançamentos do auto de infração relativo à contribuição para o PIS, nas competências 10/2009 e 11/2009, nos valores de R$299.183,93 e R$318.715,41, cancelando os valores constituídos de ofício, confirmados coincidentes com os valores em cobrança, espontaneamente inclusos no pedido de parcelamento (10725.400.088/201296), uniformizando o entendimento adotado pela fiscalização, no sentido dos valores lançados em DCTF e incluídos no referido pedido, serem considerados na apuração dos valores a serem lançados no auto de infração. (2) Créditos descontados indevidamente Nos exatos termos do relato, já para a segunda infração, levantouse as bases de cálculo de créditos, segregando as imputações, resultantes diretamente de glosas de créditos descontados indevidamente: dos aluguéis de máquinas e equipamentos veículos; e das despesas de energia elétrica ICMSST, a partir dos valores apurados nos respectivos DACON, também, validados pelos documentos contábeis e fiscais, e constituídos de ofício como créditos descontados indevidamente, resultantes em adicionais insuficiências de recolhimentos. Em relação à essa infração, a defesa do contribuinte abrangeu, defesa de mérito indireta, quanto à não inclusão na base de cálculo de créditos das contribuições sociais: (2.1) de outros aluguéis de máquinas e equipamentos além dos veículos, armazém inflável, Fl. 25745DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.746 10 empilhadeiras e outros equipamentos; (2.3) dos fretes; (2.4) da depreciação; (2.5) do leasing arrendamento mercantil; além de defesa de mérito direta, quanto às glosas de créditos descontados indevidamente: (2.1) dos aluguéis de máquinas e equipamentos veículos; e (2.2) das despesas de energia elétrica ICMSST, matérias essas delimitadoras da controvérsia enfrentada pelo órgão julgador recorrido, sendo as únicas impugnadas em razão das glosas e constituições de ofício de insuficiências de valores, por créditos descontados indevidamente. Portanto, quanto a segunda infração de créditos descontados indevidamente, restam litigiosas, a possibilidade de admitirse como matéria de defesa o reconhecimento e a inclusão de novos créditos, não declarados em DACON e não contabilizados; além da acusação de créditos descontados indevidamente, sobre aluguéis de máquinas e equipamentos veículos e sobre despesas de energia elétrica ICMSST. Quanto à primeira parte da defesa, reitero entendimento, no sentido de que, desde o início do procedimento fiscal, valores declarados extemporaneamente e após o inicio da fiscalização, já encontravamse com a espontaneidade excluída, nos termos do §1º, do art. 7º, do PAF, e parágrafo único, do art. 138, do CTN, prevalecendo a apuração prévia espontânea nos DACON e os valores apurados e constituídos de ofício por meio do auto de infração, diante da constatação da existência de pagamentos/parcelamentos e confissões em DCTF, nos períodos, nos exatos valores apurados nos DACON, não tendo sido lançados, nessa segunda infração de créditos descontados indevidamente, valores outros que não os relativos às glosas de créditos oriundos de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos veículos e de energia elétrica ICMSST. Assim, no mesmo sentido do voto da preliminar de nulidade e do item precedente, entendo não assistir razão à Recorrente, nessa primeira parte da defesa desse ponto, no caso da presente infração, à reduzir os valores das insuficiências de recolhimentos adicionais, resultantes dos créditos descontados indevidamente, incluindo créditos outros que não os efetivamente glosados, validados pelos registros contábeis, espontaneamente apurados e declaradas nos DACON. No que tange à segunda parte da defesa, quanto às glosas de créditos oriundos de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos veículos e de energia elétrica ICMSST, resta a análise individualizada de cada uma das duas matérias em contencioso, instaurado pela impugnação à acusação fiscal e decidas no acórdão recorrido. (2.1) dos aluguéis de máquinas e equipamentos veículos Entendeu a Fiscalização por glosar as notas fiscais de locação de veículos, por entender não abrangidas no conceito de aluguéis de máquinas e equipamentos, dos arts 3º, incs. IV, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mesma razão utilizada pela decisão recorrida para manutenção da glosa. Alega a Recorrente não haver clara distinção entre máquinas e veículos nas legislações das contribuições sociais, apontando na legislação do IPI o uso do vocábulo máquina na acepção de veículo, conceitos que entende complementares e não antagônicos, citando e aderindo às razões de doutrina (fl. 25550) que entende, in verbis: Fl. 25746DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.747 11 Nesse sentido, afirma existirem outros contratos de locação de veículos para transporte de insumos da Recorrente, porém, aponta provas somente de contratos de serviços de transporte de funcionários à granuladora de escórias de outra empresa siderúrgica e outros serviços gerais, alegando esses últimos prestados à sua concreteria, mas sem destacar cláusula contratual que confirme suas alegações, como no caso do contrato envolvendo a siderúrgica. Finaliza destacando jurisprudência do CARF (Acórdão nº 3403001.282) admitindo créditos de valores pagos relativos aos serviços transporte de pessoal, necessários ao processo produtivo. Em sentido um pouco mais restrito do que na jurisprudência citada, entendo admissível créditos de valores pagos aos serviços de transporte de pessoal NO processo produtivo, porém, não à qualquer serviço de transporte de pessoas, necessários ao processo produtivo, conceito que aproximase da definição de despesas necessárias do imposto de renda, não admitindo, ao contrário da doutrina citada e adotada, créditos de despesas em atividades administrativas e outras não incorridas diretamente no processo produtivo de bens ou serviços. Assim, ainda que por fundamento de causa de pedir diversa, visto que apurou créditos com fulcro nos incisos. IV, porém, socorrendose à entendimento jurisprudencial sobre os incisos. II, dos arts. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, entendo que seria possível o creditamento como serviços de transporte utilizados como insumos (inc. II) de contratos de serviços de transporte de funcionários à granuladora de escórias, independente da conceituação de veículos como máquinas (inc. IV), mesmo porque o contrato é de serviço e não de locação. Porém, no caso concreto, inadmissível a reversão dos créditos glosados, visto que tais serviços não são aplicados no seu próprio processo de produção (CNAE 2320600 FABRICAÇÃO DE CIMENTO), tratandose de serviços de transporte para estabelecimentos de outra empresa, fora da extensão territorial do seu processo produtivo, não lhe socorrendo a jurisprudência citada e outras, as quais vêem admitindo tais créditos em razão de não segregar a atividade agrícola (serviços de transportes aplicados à obtenção dos insumos) da industrial (transformação dos insumos) dentro de estabelecimentos de uma mesma empresa produtora. Ainda, quanto aos contratos apontados como prova, além do infra analisado, com a KRB Locação de Automóveis, cumpre analisar dois outros contratos, com a STOFFEL Tour Locadora de Veículos Ltda e BPAL Prestadora de Serviços Gerais, tendo como objetos veículos supostamente locados para serviços relacionados à concreteria da Recorrente, ainda que não trazidos aos autos argumentos sobre o que seria a concreteria, como estaria inserida em seu processo produtivo e de que forma atua sobre ele os alegados serviços relacionados. Compulsando os autos, visto não destacada no recurso cláusula contratual que permita inferir seus objetos, não os localizei dentre os documentos entregues junto com a impugnação, conforme alegado, porém, sem prejuízo das razões de decidir, tendo em vista que a simples descrição do objeto não seria suficiente à comprovar sua participação no processo produtivo, não tendo a Recorrente logrado êxito nessa prova, para nenhum dos três contratos apontados. Fl. 25747DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.748 12 Assim, no mesmo sentido da decisão recorrida, entendo não assistir razão à Recorrente, quanto às glosas de créditos da não cumulatividade, sobre notas fiscais de veículos, seja por que suas alegações não encontram suporte nas normas legais e nos fundamentos em que tenta se apoiar: Aluguéis de máquinas veículos, dos incisos IV, dos arts. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03; seja por que não logrou provar a utilização do serviço como insumo no seu próprio processo produtivo, à ensejar a fungibilidade da causa de pedir para os incisos II, das citadas leis de regência. (2.2) das despesas de energia elétrica ICMSST Entendeu a Fiscalização por desconsiderar os valores do ICMSST Substituição Tributária das notas fiscais de energia elétrica, por entender não compor as bases de cálculos dos créditos, dos arts 3º, incs. IX e III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Em resposta à insurgência contra a desconsideração dos valores do ICMS ST, a decisão recorrida afirma: "Neste ponto, o trabalho do fiscal resta correto quando glosa das despesas com energia elétrica o valor o ICMSsusbstituição, pois, tais tributos não dão direito ao crédito." Fundamenta sua decisão nas leis de regência (artigos 3º, incisos. IX e III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) que autorizam créditos sobre energia elétrica consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica, estando o ICMSST fora deste universo. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Ainda, cita Solução de Consulta Cosit nº 106, de 11/04/2014, concluindo que o ICMSST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, não podendo a pessoa jurídica descontar créditos sobre tais parcelas. Alega a Recorrente que a Delegacia de Julgamento invocou os argumentos da Solução de Consulta Cosit nº 106/14, não merecendo guarida, uma vez que o valor pago pelo substituído (impugnante) a título de ICMSST integrará o custo do produto final, apontando definições da legislação do imposto de renda e solução de consulta, sobre custo de aquisição de mercadorias, além de doutrina sustentando seus argumentos recursais. Ainda que admita a substância dos argumentos apresentados, nas diversas fontes apontadas no recurso, entendo possuir o ICMSST característica própria de neutralidade, não compondo a base de cálculo dos débitos, para fins de incidência das contribuições sociais, nem a base de cálculo dos créditos, para fins de apuração de direito creditório. Notar que para sustentar a tese do creditamento sobre os valores do ICMSST necessário buscar interpretações em legislações de regência de outros tributos e mesmo em legislação societária, além de conceituações contábeis sobre custos de aquisição, restando, objetivamente, nas legislações de regências das contribuições sociais (arts. 3º, incs. IX e III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica consumidas. Fl. 25748DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.749 13 Assim, no mesmo sentido da interpretação literal, adotada pela decisão recorrida, entendo não assistir razão à recorrente quanto a desconsideração dos valores do ICMSST, da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, concluindo que somente as despesas com energia elétrica consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica é que geram direito ao crédito, excluindose qualquer outra parcela de valor. (3) Aplicabilidade unicamente de multa moratória ao invés da multa de 75% lançada A recorrente requer que se exclua sua responsabilidade sobre multas de ofício aplicáveis aos créditos constituídos, porquanto, os valores que foram encontrados pela fiscalização já tinham sido declarados pelo contribuinte nos DACON, sendo a multa de 75%, do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, aplicável nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata. Ainda que acompanhe o entendimento de que a multa de 75%, seja aplicável nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata, entendo não merecer reparos sua constituição de ofício, no presente caso, onde os fatos imputáveis subsumemse à primeira parte do citado art. 44, I, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Da leitura da norma, restam claras, além das duas previsões de aplicação da multa de 75%, apontadas no recurso, uma primeira hipótese: nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, exatamente as imputações fiscais do lançamento de ofício ora combatido : (1) insuficiências de recolhimentos e aos (2) créditos descontados indevidamente, resultantes em adicionais insuficiências de recolhimentos. Andou bem a decisão recorrida, ao entender que: em se tratando de lançamento de oficio, não há previsão legal para a exoneração da multa de oficio sob o argumento de que os débitos foram declarados no Dacon. Entendo, no mesmo sentido, os DACON representarem simples instrumentos de apuração das contribuições sociais, guardado às DCTF, instrumento de confissão de dívida, o condão à não incidência da multa de oficio, sob o argumento de que os débitos foram declarados, quando considerados espontaneamente confessados, nos termos do §1º, do art. 7º, do PAF, e parágrafo único, do art. 138, do CTN. Acontece que, quanto à primeira infração, foi constatada a ausência de pagamentos/parcelamentos e DCTF ZERADAS, em todos os períodos, onde diferenças foram lançadas como insuficiências de recolhimentos; já para a segunda infração, foram glosados exatamente os créditos descontados indevidamente nos respectivos DACON, configurando declarações inexatas, tanto nas apurações nos DACON, quanto nas confissões à menor em DCTF, sendo as diferenças constituídas de ofício, como créditos descontados indevidamente, resultantes em adicionais insuficiências de recolhimentos. Fl. 25749DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.750 14 Também não merece acolhida o pedido de redução para 20%, da multa de ofício proporcional de 75%, pois, lançada de acordo com o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14, da Lei nº 11.488/07, também, não restando configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas nos incisos IV e V, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício. Logo, deve ser mantida a multa de ofício proporcional (75%), lançada no percentual previsto no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, caracterizados casos de falta de pagamento ou recolhimento, associado à ausência ou insuficiências de declarações em DCTF ZERADAS ou à menor. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, exclusivamente, para reconhecer o direito à revisão de ofício dos lançamentos do auto de infração relativo à contribuição para o PIS, nas competências 10/2009 e 11/2009, nos valores de R$299.183,93 e R$318.715,41, cancelando os valores constituídos de ofício, confirmados coincidentes com os valores em cobrança (10725.400.088/201296), espontaneamente inclusos em pedido de parcelamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 25750DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.751 15 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Com as vênias de estilo, apresento nas linhas a seguir os fundamentos para divergir do ilustre Conselheiro Relator e reconhecer a reversão das glosas realizadas pela Fiscalização em ao item "aluguel de veículos". Como se verifica no item 6.5 do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), às fls. 2934, a Fiscalização não aceitou o direito de desconto de créditos das contribuições nesse item, expondo o seguinte motivo: "Através da análise das planilhas de aluguéis pagos às pessoas jurídicas, procedemos à glosa de parte destas notas fiscais, devido ao fato de estarem fora do conceito de “aluguéis de máquinas e equipamentos” (basicamente a título de locação de veículos automóveis)". Em sua defesa, o Recorrente argumenta que as despesas incorridas por ele e que pretende ver reconhecido o direito de desconto de crédito se referem a: (i) transporte de colaboradores da Recorrente até a fábrica da Companhia Siderúrgica de Tubarão; e (ii) transporte de escória obtida no granulador instalado na referida siderúrgica, de tal local até a fábrica cimenteira da Recorrente, argumentando que a escória é matériaprima para a produção de cimento. O i. Relator, contudo, rejeitou o pedido da Recorrente por entender "inadmissível a reversão dos créditos glosados, visto que tais serviços não são aplicados no seu próprio processo de produção (CNAE 2320600 FABRICAÇÃO DE CIMENTO), tratandose de serviços de transporte para estabelecimentos de outra empresa, fora da extensão territorial do seu processo produtivo" e, além disso, por carência probatória. De início, como a discussão no processo acabou se voltando ao enquadramento das referidas despesas no artigo 3º, inciso II, e não no artigo 3º, inciso III, no artigo 3º, inciso IV, das leis de regência (Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003), importante fixar o conceito de insumo para fins de direito de desconto de crédito de PIS/COFINS. Na esteira do entendimento que prevalece nesse Tribunal, o conceito de insumo para o PIS/COFINS deve seguir um regime jurídico próprio, traçado a partir da interpretação de suas leis de regência, afastandose, assim, conceitos relacionados à legislação do IPI ou do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Nesse contexto, podese entender que há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. No caso concreto, verificase pela análise do Estatuto Social da Recorrente, que a sociedade tem como objeto social, dentre outras atividades, "a) pesquisar e lavrar jazidas minerais em todo o território nacional, para a produção e venda de cimento, cal e produtos derivados ou correlatos; b) adquirir, instalar e explorar estabelecimentos industriais destinados à fabricação de cimento, cal, mosaico e outros produtos industriais correlatos". Fl. 25751DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.752 16 A Recorrente explica que, dentre os insumos considerados como matéria prima para a produção do cimento, há a escória, que é obtida a partir da fundição de metais, não havendo disputa entre Recorrente e Fiscalização quanto ao fato de a escória ser ou não insumo para a fabricação de cimento, conforme informação que consta no TVF às fls. 2.017 dos autos. Narra ainda a Recorrente que não produz metais e por esse motivo firmou uma parceria com a empresa Acelormittal, que opera a Companhia Siderúrgica de Tubarão, celebrando um contrato de comodato de uma espaço para a instalação de uma granuladora de escória, sendo necessário para a obtenção de escória o transporte de funcionários e ,após, o transporte da própria escória da siderúrgica até a fábrica da cimenteira. O Contrato de Comodato acostado pela Recorrente confirma a afirmação da Recorrente. Pela sua análise é possível verificar que a Recorrente ajustou duas relações jurídicas com a siderúrgica, um contrato de compra e venda de escória e um contrato de comodato de uma área no sítio da siderúrgica destinado a instalação de dois granuladores, para escoamento da escória líquida proveniente do Alto Forno III da siderúrgica. Além disso, é possível verificar que a Recorrente é a responsável por toda a operação dos granuladores, daí a necessidade e essencialidade do transporte de funcionários e do transporte da própria escória, ao final do procedimento. Diante disso, entendo que o processo produtivo da Recorrente, de fabricação do cimento, deve incluir as atividades de operação de granuladores para obtenção de escória realizadas pela Recorrente, por meio de seus funcionários, na área cedida pela siderúrgica fornecedora de tal insumo. Assim, não vejo as despesas incorridas pela Recorrente com transporte de funcionários para essas atividades como um transporte para outra empresa nem como realizados fora da extensão territorial do processo produtivo. Na realidade, tratase de transporte de funcionários para laborarem no próprio processo produtivo da Recorrente, que não se concentra todo em uma mesmo local, ficando parte do processo produtivo em local diverso, em razão da própria forma de obtenção da escória, que não pode se localizar na própria fábrica de cimento, no local de moagem de cimento e escória, mas deve ser contíguo ao alto forno siderúrgico. Ademais, na hipótese de o fabricante de cimento adquirir escória produzida por terceiros, é certo que esses terceiros incluirão no preço do bem todos os custos dos serviços necessários à sua obtenção. E, nessa aquisição de insumo, há direito de desconto de crédito, nos termos do artigo 3º, inciso II. Da mesmo forma, quando a produtora de cimento compra a escória da siderúrgica, porém, decide ela mesma realizar a produção e operação para obtenção da escória, penso que devem ser admitidos os créditos correspondentes aos serviços de transporte de funcionários para o parque fabril e de transporte de insumo entre locais de produção. Nesse sentido, pela admissão da última despesa, oportuno citar precedente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, decidido de forma unânime em 26/01/2016: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Fl. 25752DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.753 17 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Trecho do Voto: "A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceiros pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final". (Acórdão nº 3302002.974; Relator: Conselheiro Domingos de Sá Filho) (grifos nossos) Pelo exposto, voto por reverter as glosas de despesas com serviços de transporte dos funcionários para o sítio de operação da Recorrente na Companhia Siderúrgica de Tubarão, assim como as despesas de serviços de transporte da escória lá produzida, indicadas às fls. 3234 do TVF. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Fl. 25753DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.754 18 Declaração de Voto Em face do entendimento exposto pelo Relator em relação ao não provimento do Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre os valores de ICMS Substituição Tributária (ICMSST), data maxima venia à posição externada pelo conselheiro e vencedora por qualidade, ousei divergir do colega. Esclareço. O voto proferido pelo ilustre Relator veio a corroborar o entendimento da DRJ, que partiu da premissa que o ICMSST era aquele decorrente da inclusão na receita bruta de pessoa jurídica substituta tributária, eis que foi, por sua vez, citou como base argumentativa a Solução de Consulta Cosit nº 106/2014, em especial sobre a seguinte afirmativa: "O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de Cofins." Não é o presente caso. Sem entrar no mérito da Solução de Consulta acima mencionada, que entendo estar equivocada nesse particular, a Recorrente possui atividade agroindustrial não é revendedora de energia elétrica sujeita ao ICMSST que será repassado posteriormente a seus clientes, hipótese que aborda tal Solução. Nessa hipótese, cabe esclarecer, como se denota do exame dos autos, que a Recorrente é adquirente da energia elétrica perante a Câmara de Comércio de Energia Elétrica (CCEE), no regime de consumidor livre. Há peculiaridades na tributação pelo ICMS nessas operações de aquisição de energia elétrica. A Lei Complementar 87/1996 veio a dispor, na linha da estratégia constitucional da repartição da arrecadação do tributo estadual, que o imposto é devido não na saída, mas na entrada interestadual de energia elétrica. Ou seja, foi deslocado o fato gerador do imposto da saída (venda pela produtora de energia) para a entrada (aquisição) A comercialização da commodity no âmbito do CCEE, na esteira da Lei Complementar, era regulada, à época, pelos Convênios ICMS 83/2000 e 15/2007, prescrevendo da seguinte maneira: Convênio ICMS 15/2007 Cláusula primeira Sem prejuízo do cumprimento das obrigações principal e acessórias, previstas na legislação tributária de regência do ICMS, o agente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica CCEE deverá observar o que segue: Fl. 25754DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.755 19 I o agente que assumir a posição de fornecedor de energia elétrica deverá, relativamente a cada contrato bilateral, exceto os termos de cessão gerados pelo Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits MCSD do Ambiente de Comercialização Regulado, para cada estabelecimento destinatário: (...) c) Em se tratando de fornecimento a consumidor livre, especial ou a autoprodutor, o ICMS será devido à unidade federada onde ocorrer o consumo, como nas demais hipóteses; Convênio ICMS 83/2000 Cláusula primeira. Ficam os Estados e o Distrito Federal autorizados a atribuir ao estabelecimento gerador ou distribuidor, inclusive o agente comercializador de energia elétrica, situados em outras unidades federadas, a condição de substitutos tributários, relativamente ao ICMS incidente sobre a entrada, em seus territórios, de energia elétrica não destinada à comercialização ou à industrialização. Cláusula segunda. O valor do imposto retido é resultante da aplicação da alíquota interna prevista na legislação da unidade federada de destino sobre a base de cálculo definida no art. 13, inciso VIII e §1º, inciso I, da Lei Complementar 87, de 13 de setembro de 1996. Ou seja, quando a fornecedora da Recorrente vendeu energia elétrica, o ICMS era devido ao Estado de domicilio da Recorrente e originalmente o contribuinte do imposto era a própria Recorrente, e não a sua fornecedora, razão pela qual não poderia haver inclusão do ICMS no preço de venda da energia elétrica. Por outro lado, em razão dos citados Convênios emanados pelo CONFAZ, Conselho Nacional de Política Fazendária, a própria fornecedora passou a ser a contribuinte substituta do imposto estadual, de maneira que a Recorrente foi obrigada a pagar pelo ICMS ST informado na mesma nota fiscal de fornecimento de mercadoria, não porque o imposto estava incluído no preço, como prevê a legislação em uma operação "ordinária" de fornecimento de mercadorias, mas porque era devido em função do repasse financeiro exigido pelos Convênios entre a fornecedora e a Recorrente. Diante disso, o ICMSST restou pago pela Recorrente via quitação da fatura de energia elétrica, compondo indistintamente o seu custo de aquisição, vez que a obrigação de quitar o imposto estadual se confunde com a próprio adimplemento do negócio jurídico praticado. Nessa linha, as Lei Federais 10.637/2002 e 10.833/2003 foram claras, e não divirjo de forma alguma quanto ao voto do Relator, que "a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica consumidas". Em nenhum momento na presente lide, houve qualquer questionamento pela fiscalização em relação se houve ou não consumo, tratandose ao fim e ao cabo em uma discussão meramente jurídica se o custo com ICMSST nas operações de aquisição de energia elétrica no âmbito do CCEE seriam parte integrante ou não do próprio custo da commodity. Fl. 25755DF CARF MF Processo nº 15586.720359/201444 Acórdão n.º 3401003.792 S3C4T1 Fl. 25.756 20 Em minha visão, não há como distinguilo, pela natureza de tal imposto, de modo que votei para dar provimento a essa demanda da Recorrente, permitindo que seja incluído na base de cálculo das contribuições sociais. Tiago Guerra Machado Fl. 25756DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.724059/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR.
Numero da decisão: 2401-004.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ITR. ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR.
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ERRO DE FATO. REVISÃO DE JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 40 59 /2 01 2- 06 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10735.724059/201206 Acórdão n.º 2401004.839 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório GERALDO LIMA FONTOURA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento abaixo declinada, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2008, conforme peça inaugural do feito, às e fls. 06/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/11/2012 (AR. fl. 10), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00, arbitrando o valor de R$86.487.108,00 (R$4.281,54/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$17.297.411,60, conforme demonstrado às fls. 08. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, achou por bem julgar improcedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 03068.362/2015, de efls. 81/88, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 101DF CARF MF 4 Exercício: 2008 DA REVISÃO DO LANÇAMENTO ERRO DE FATO O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR, do exercício de 2008. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado para o ITR/2008, por não ter sido contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em observância ao disposto no 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Encaminhados ao CARF, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. Mesmo sendo mantida parte da exigência fiscal, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário quanto a parte remanescente. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10735.724059/201206 Acórdão n.º 2401004.839 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise matéria posta nos autos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento em virtude de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2008, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$20,00, arbitrando o valor de R$86.487.108,00 (R$4.281,54/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado improcedente em parte, nos termos do Acórdão nº 03068.362/2015, de efls. 81/88, 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando o crédito lançado, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: "(...) Da análise das alegações e da documentação apresentadas, por não ter sido contestado o VTN/ha arbitrado (R$4.281,54/ha), verificase que a lide no presente processo cingese à área total do imóvel informada na DITR/2008. O contribuinte alega que a área total correta da propriedade seria de 20,0 ha, constante do CAFIR da RFB (fls. 79), alegando que ela foi informada erroneamente na DITR/2008 como 20.200,0 ha. Em princípio, a aceitação da pretendida área total de 20,0 ha estaria prejudicada pela modalidade de lançamento do ITR/2008, autolançamento, e por ter sido apresentada somente após o início do procedimento de ofício. Entretanto, quando arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, a hipótese de erro de fato deve ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. (...) No presente caso, não obstante o contribuinte não ter acostado aos autos a certidão de inteiro teor do imóvel, conforme Fl. 103DF CARF MF 6 relatado, formo convicção pela procedência da alegação de erro de fato na declaração da dimensão do imóvel de 20.200,0 ha para 20,0 ha, isso porque, primeiramente, tratase de erro comum declarar a área em metros quadrados quando deveria declarar a dimensão em hectares. Além disso, tratase de área de posse, como consta no primeiro Translado da Escritura Declaratória lavrada no Cartório do 9º Ofício de Notas, às fls. 53/58, e, assim, não é razoável que uma área de posse de apenas uma pessoa possa ter uma dimensão tão significativa como a declarada. Ademais, como bem consta na Informação Fiscal, às fls. 77, o próprio município de Nova Iguaçu possui 521,249 km2 e portanto caso o imóvel tivesse 20.200,0 ha, ele representaria 39% do total da área do município, o que não é factível, ainda mais, como dito, por tratarse de área de posse. Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu, como consta na citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9 km2, e, no caso de o imóvel localizarse somente nesse município, ele representaria 110% do total da área restante de, aproximadamente, 182,34 km2. Logo, é de se concluir pela impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha. Não obstante o Cartório ter recebido a cópia do primeiro Translado da Escritura Declaratória lavrada no Cartório do 9º Ofício de Notas, às fls. 53/58, anexado ao Ofício encaminhado pela fiscalização, não foi percebido que tratavase de área de posse e, portanto, deveria ser pesquisada a existência de imóvel no nome do outorgante Srº José Lopes Pimentel e outros (todos nomeados no documento). Em que pese essa falha interpretativa do Cartório, salientese que não consta nenhum registro de imóvel em nome do impugnante. Registrese que a DITR/2011 e posteriores foram apresentadas com a área total de 20,0 ha, nos termos ora pretendidos pelo impugnante para os exercícios de 2008 e 2008, cuja impugnação, também, está sendo julgada nesta Sessão. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também, verificase no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em 14.04.2008, o imóvel possuía área de 20,0 ha e que posteriormente passou para 20.200,0 ha e depois retornou aos 20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de erro de fato na declaração do período. Assim, entendo ser cabível a retificação da área total do imóvel informada erroneamente na DITR/2008, de 20.200,0 ha para 20,0 ha e, em conseqüência da alteração da área total originariamente declarada, ajustar o VTN arbitrado, de R$86.487.108,00 (20.200,0 ha x R$4.281,54/ha) para R$85.630,80 (20,0 ha x R$4.281,54/ha). (...)" Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10735.724059/201206 Acórdão n.º 2401004.839 S2C4T1 Fl. 5 7 Conforme se extrai dos autos, o contribuinte foi notificado porque quando intimado a apresentar a matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove essa posse e o certificado de cadastro de imóvel rural, não apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Verificase que o lançamento se deu pela modalidade de autolançamento, conforme informações da DITR, assim, a alegação argüida pelo contribuinte de erro de fato, foi precisamente e muita bem analisada pela decisão de piso. Neste ponto, conforme dispõe a decisão guerreada, restou claramente evidenciado o erro de fato, senão vejamos: " [...] Ademais, como bem consta na Informação Fiscal, às fls. 77, o próprio município de Nova Iguaçu possui 521,249 km2 e portanto caso o imóvel tivesse 20.200,0 ha, ele representaria 39% do total da área do município, o que não é factível, ainda mais, como dito, por tratarse de área de posse. Ainda, conforme análise e pesquisa efetuada pela fiscalização no sítio http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Iguaçu, como consta na citada Informação Fiscal, o município de Nova Iguaçu possui um total de área de Mata Atlântica e Urbana na dimensão de 338,9 km2, e, no caso de o imóvel localizarse somente nesse município, ele representaria 110% do total da área restante de, aproximadamente, 182,34 km2. Logo, é de se concluir pela impossibilidade de o imóvel possuir área total 20.200,0 ha. [...] Registrese que a DITR/2011 e posteriores foram apresentadas com a área total de 20,0 ha, nos termos ora pretendidos pelo impugnante para os exercícios de 2008 e 2008, cuja impugnação, também, está sendo julgada nesta Sessão. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 79, e, conseqüentemente, produzindo todos seus efeitos. Também, verificase no sistema CAFIR, na consulta “Dados Históricos do Imóvel”, às fls. 80, que até o processamento da DITR 2007, em 14.04.2008, o imóvel possuía área de 20,0 ha e que posteriormente passou para 20.200,0 ha e depois retornou aos 20,0 ha anteriores, corroborando a alegação do impugnante de erro de fato na declaração do período. [...]" Partindo dessas premissas, a revisão de ofício dos dados informados pelo contribuinte na sua DITR foi muito bem aplicada e fundamentada pelas razões acima transcritas, comprovadas nos autos, evidenciando a existência de erro de fato. Além de ser clara a observância ao Princípio da Verdade Material. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, Fl. 105DF CARF MF 8 com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 106DF CARF MF
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