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Numero do processo: 11020.904121/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 41 21 /2 01 1- 71 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de pedido de compensação de COFINS recolhido indevidamente ou a maior em 15.12.2003, no valor de R$ 1.954,64, referente ao período de apuração de 30.11.2003, com débito da mesma contribuição. À fl. 07 está anexo o despacho decisório por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. A Recorrente foi devidamente intimada e do despacho decisório e apresentou tempestivamente às 09/19 a Manifestação de Inconformidade, por intermédio da qual a contribuinte requereu a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que o inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 autoriza a dedução da base de cálculo da COFINS dos valores transferidos para terceiros. Assim, às fls. 31/34 foi exarado o Acórdão n.º 1037.249 pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/11/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. INADMISSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991/00. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima prolatada indeferiu o pedido, sob o argumento de que o Recorrente não trouxe aos autos provas de que tenha ocorrido o recolhimento a maior da contribuição, nem fez referência aos valores do indébito apurado em cada período de apuração. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram o indeferimento do pleito no fato de que o III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não havia sido regulamentado pelo Poder Executivo e por isto esta norma estava com sua eficácia suspensa. Ademais, foi destacado que as decisões colacionadas pelo contribuinte não possuem efeito “erga omnes” e o inciso IV do art. 47 da MP nº 1.99118/2000, revogou, antes mesmo que fosse regulamentado, o dispositivo sobre o qual se fundamenta o pedido do contribuinte. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte inova seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para discordar da IN n.º 517/2005 que define procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Segundo o contribuinte o art. 74 da Lei n.º 9.430/96, determina que a compensação de crédito Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904121/201171 Acórdão n.º 3803004.235 S3TE03 Fl. 55 3 será realizada com a simples entrega do pedido de compensação, aplicandose homologação tácita após o transcurso de 5 (cinco) anos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Embora, em sua Manifestação de Inconformidade, tenha discorrido a respeito do seu pretenso direito creditório com fundamento no III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, agora o contribuinte no Recurso Voluntário volta a inovar quando argumenta possuir direito ao crédito em razão da inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88, pois, segundo seu entendimento, recolheu indevidamente o tributo no período de janeiro/89 até outubro/95. Teceu ainda comentários a respeito do art. 166 do CTN para alegar que em se tratando de PIS e COFINS não há a possibilidade de transferência do encargo do ônus tributário para terceiros, já que nas leis de regência não consta nada neste sentido. Por fim, requer que seja dado provimento ao apelo e que seja reconhecido o direito de compensar a importância recolhida indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Em seu recurso o contribuinte afirma que a IN n.º 517/2005 definiu procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, bem como que tal restrição não está prevista no art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Todavia, muito embora em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte não tenha abordado a questão relativa à prévia habilitação de crédito e esta discussão não tenha sido remitida para apreciação para este colegiado, vale comentar que o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 1.309.265, julgado em 24/04/2012), manifestou entendimento de que nos termos dos arts. 170, do CTN, e 74, § 14, da Lei n. 9.430/96, os créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, desde 01/03/2005, somente podem ser compensados depois de prévia habilitação do crédito pela RFB, já que esta não passa de mera verificação quanto à existência do crédito. Deste modo, em razão da argumentação atinente à prévia habilitação ter sido trazida somente no Recurso Voluntário, não há que se falar em constituição de lide neste particular, em razão da preclusão consumativa. Já em relação à discussão relativa à exclusão da base de cálculo dos valores transferidos para terceiros, consoante redação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, cumpre esclarecer que o contribuinte também não controverteu este tema em seu Recurso Voluntário, mas sim somente na Manifestação de Inconformidade, razão pela qual ocorreu a preclusão neste ponto. Na realidade analisando o Recurso, notase que o contribuinte alterou a sua linha de defesa e preferiu fundamentar o seu direito creditório no recolhimento indevido do PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A preclusão consumativa encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303.Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo. Além do que, o Decreto n.º 70.235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão consumativa. Em relação à preclusão consumativa, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904121/201171 Acórdão n.º 3803004.235 S3TE03 Fl. 56 5 Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão consumativa. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do Recurso Voluntário há necessidade de que exista correlação entre a decisão da DRJ e os termos do recurso apresentado pelo contribuinte, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado na Manifestação de Inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alega aspectos que não constam da decisão atacada, por certo que se opera a preclusão consumativa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, vez que procedimento contrário implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade. Além do que, a falta de adequação entre o recurso e a decisão atacada configura necessariamente ausência de um dos pressupostos objetivos do recurso, sem o qual o recurso não pode ser conhecido. Ante o exposto, considerando que a matéria controvertida pelo contribuinte limitouse a discussão referente à aplicabilidade do III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, mas em seu Recurso Voluntário não trouxe argumentos em relação a esta matéria, então o recurso não pode ser conhecido em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19994.000416/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2005
AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - ILEGITIMIDADE DO AUTUADO - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
O encaminhamento de relatório fiscal complementar antes da decisão de primeira instância não vicia o procedimento, ainda mais, quando o objetivo é tão somente esclarecer ao recorrente fatos descritos no próprio lançamento.
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.
Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
TERCEIROS - CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA -E SEBRAE - ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE - INCOMPETÊNCIA DE ÓRGÃO ADMINISTRATIVO
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landin, que davam provimento parcial para abater as contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que além de abater estas mesmas contribuições, dava provimento integral.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - ILEGITIMIDADE DO AUTUADO - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. O encaminhamento de relatório fiscal complementar antes da decisão de primeira instância não vicia o procedimento, ainda mais, quando o objetivo é tão somente esclarecer ao recorrente fatos descritos no próprio lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. TERCEIROS - CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA -E SEBRAE - ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE - INCOMPETÊNCIA DE ÓRGÃO ADMINISTRATIVO A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Negado.
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Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Não se faz necessário caracterizar os requisitos de empregado, quando o vínculo original com terceira empresa já se dava nessa condição, bastando a configuração de gerenciamento único, ou seja, subordinação jurídica para que se redirecione o vínculo de emprego para efeitos previdenciários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE ILEGITIMIDADE DO AUTUADO INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 4. 00 04 16 /2 00 8- 76 Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. O encaminhamento de relatório fiscal complementar antes da decisão de primeira instância não vicia o procedimento, ainda mais, quando o objetivo é tão somente esclarecer ao recorrente fatos descritos no próprio lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. TERCEIROS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA E SEBRAE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DE ÓRGÃO ADMINISTRATIVO A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landin, que davam provimento parcial para abater as contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que além de abater estas mesmas contribuições, dava provimento integral. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob n. 35.763.8379, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas a terceiros sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 04/2000 a 01/2005. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 114 a 145, a irregularidade constatada na ocasião e que persiste até então, consistiu em constituição de empresas de fachada no interior da MANZ, com inclusão no regime tributário do SIMPLES, contratação de empregados em seu nome para colocálos prestando serviços nas instalações da MANZ mediante simulação de contratos de prestação de serviços na área têxtil. De fato, eram empresas fictícias cridas com a finalidade de se interpor entre o real empregador (a tomadora) e seus empregados, deixando de reconhecer as contribuições sociais a cargo do empregador ao optarem pelo SIMPLES. Neste contexto, verificamos que o sócio administrador da CMS INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA (CMS), CARLOS VALDIR SCHUCKO, tendo sido anteriormente contratado como empregado, permaneceu exercendo as mesmas funções sob iguais condições após a rescisão do contrato trabalhista e imediata contratação de serviços de "assessoria" por intermédio da pessoa jurídica CMS. Os fatos caracterizadores específicos encontramse descritos no item "DAS ATIVIDADES DO SÓCIO GERENTE (CMS)" do relatório fiscal complementar que acompanha as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLDs N° 35.763.8360 e 35.763.8379. Ainda descreve o relatório a infração em relação ao sócio gerente da JOINTÊXTIL LTDA (JOINTÊXTIL), PAULO ALEXANDRE DALCHAU, tendo sido anteriormente contratado corno empregado, permaneceu exercendo as mesmas funções sob iguais condições após a rescisão do contrato trabalhista, mediante contratação de prestação de serviços por intermédio da pessoa jurídica 30INTÉXTIL. Os fatos caracterizadores específicos encontramse descritos no item "DAS ATIVIDADES DO SÓCIO GERENTE (JOINTÊXTIL)" do relatório fiscal complementar que acompanha as NELDs retro mencionadas. Trouxe o auditor em seu relatório diversos fatos contábeis, bem como documentos que domonstram ser a EMPRESA MANZ a verdadeira empregadora e gestora das demais empresas, sejam eles: pagamentos de folhas de pagamentos de uma por outra, lançamentos em contas bancárias de despesas das outra empresas, controle de horário em relação a sócios das demais empresas, transferências de empregados, ausência de despesas com aluguéis, mobiliário, maquinário, em relação as empresa CMS e Jointextil etc. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 18/04/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/04/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 632 a 675, tendo apresentado também defesa complementar fls. 1198 a 1206 . Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 4 5 A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls. 1214 a 1227 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CRIAÇÃO DE EMPRESAS FICTÍCIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. A empresa deve assumir o risco da atividade econômica, nos termos do art. 15, inciso I, da Lei n° 8.212/91. A criação de empresas fictícias, com o único objetivo de incluílas indevidamente no sistema SIMPLES, deve ser rechaçada pela fiscalização, que deve verificar a realidade dos fatos. Não compete a um órgão administrativo manifestarse sobre a inconstitucionalidade de lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 1237 a , onde em síntese alega: 1. Primeiramente é de se deixar claro que a empresa autuada, Malharia Manz Ltda., é plenamente ILEGÍTIMA para figurar no pólo passivo da presente autuação, não devendo em hipótese alguma quaisquer valores ao INSS, decorrente do auto em apreço. 2. Que o agente fiscal interpretou de maneira equivocada e errônea que as empresas Facção Joinvile Ltda., C. M. S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil seriam apenas empresas de fachada, com o intuito de sonegar impostos. A emissão de TEAF em relação ao cada empresa, comprova a sua existência. 3. Pelo que consta do referido auto e, mais precisamente, do famigerado "Relatório Fiscal Complementar — RELFISCO" que originou a presente e também as demais autuações da Malharia Manz Ltda., o agende fiscal interpretou de maneira totalmente equivocada, errônea, e, à sua vista, e tão somente à sua vista, entendeu que as empresas que estavam sendo fiscalizadas (Facção Joinville Ltda., C.M.S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil Ltda.) seriam, sob a sua ótica, empresas de "fachada", para acobertar uma situação jurídica diversa da real que, no ato arbitrário e fantasioso do agente fiscal, teria o único fim de sonegar impostos. 4. Que deixou a autoridade fiscal de informar qual a legislação pátria que veda à pessoa física estar na condição de empregada e o mesmo tempo desempenhar atividades empresariais, participando de sociedade comercial; 5. Que a circunstância de um antigo empregado da Malharia Manz Ltda. ser atualmente sócio de outra das empresas e desempenhar estas atividades de prestação de serviços para a recorrente não pode ser considerado como subsídio para as alegações do fiscal; 6. Que inexiste entrave legal ao fato de o sócio da Facção Joinville Ltda. ser irmão de um dos sócios da Malharia Manz Ltda; Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 7. Não demonstrou o agente fiscal a existência de controle de horário dos sócios,e o fato de existir um único relógio para registro do cartão, não demonstra subordinação, já que se encontra na entrada do condomínio. 8. A CMS existe desde 1995, nunca tendo qualquer irregularidade. Não há óbice legal para que uma empresa possa alterar seu objeto social ou alterar seu endereço. Não foi indicado o fundamento que proíbe um empregado de uma empresa de ser também empresário de outra empresa. O simples fato de o sócio da CMS ter sido funcionário da Manz e da Joinville Factoring não o impede de ser sócio da CMS. Não há qualquer entrave legal para que o sócio da FACÇÃO não possa ser irmão do sócio da Manz. O agente fiscal deve indicar o dispositivo legal que impeça tal fato. 9. A utilização de crachá pelo sócios das empresas prestadoras é de cunho particular e resulta do princípio da igualdade, além de servir de identificação. No crachá de todos consta o logotipo Manz. Não há registro de controle de horário dos sócios das empresas prestadoras. Nada impede que exista um único relógio para registro do cartão. Houve arbitrariedade do agente fiscal, que agiu com excesso de poder. A conduta do agente é arbitrária e imoral. 10. Todos os requisitos de trabalho estão presentes na relação entre os funcionários e as empresas terceirizadas. Inexiste qualquer elemento caracterizador do vínculo de trabalho entre esses funcionários e a Manz. 11. As relações de cunho trabalhista são de interesse exclusivo dos trabalhadores, não competindo a autoridade fiscal indicála. 12. Sustenta também o agente fiscal que algumas pessoas, dentre as quais contadores e gerente de RH e Financeiro, se apresentariam perante terceiros em nome da Malharia Manz Ltda. e também das outras empresas Ora, como já dito, não há óbice legal para a terceirização das atividades de uma empresa, mormente em se tratando de atividades administrativas. Ademais, como já restou claro, por tratarse de um condomínio de empresas, estas decidem entre si por contratarem todas as mesmas empresas para prestar os serviços contábeis e de gestão financeira, bem como os serviços de Recursos Humanos, pois desta forma • podem contratar por um melhor preço, reduzindo custos para todas as empresas. 13. Quanto à alegação do fiscal de que as atividades fins seriam as mesmas das empresas contratadas e da contratante, o que impossibilitaria a prestação de serviços, igualmente não merece prosperar. Isto porque, em tratandose de condomínio industrial, várias empresas se estabelecem num mesmo local, ou em locais próximos, para exercerem atividades comuns, em sistema de parceria, diminuindo os custos de produção para as empresas. 14. A pesar de estarem instaladas no mesmo endereço, cada empresa tem seu galpão e sua estrutura. 15. No que diz respeito à administração da empresas contratadas, as mesmas sempre foram gerenciadas por seus sócios gerentes e, excepcionalmente, tão somente a partir de janeiro de 2005, foi nomeado um administrador para a Jointêxtil, tendo em vista a necessidade que se opunha à época. 16. No que diz respeito às movimentações financeiras, esclarece a Malharia Manz Ltda. que, até o ano de 2002 movimentava sua própria conta, pois possuía talões de cheque em suas Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 5 7 mãos, cedidos em período anterior pelo banco com o qual efetuava movimentações financeiras. As movimentações das outras empresas que foram efetuadas através de sua conta, ocorreram porque os sócios das empresas encontravam se em dificuldades financeiras, com restrição de crédito, e, por conseqüência, suas empresas tinham dificuldades em efetuar movimentações financeiras. 17. Assim sendo, haja vista o sistema de condomínio industrial existente, as parcerias entre as empresas, ouve uma verdadeira cooperação entre as mesmas, de modo a superar as dificuldades financeiras que algumas delas pudessem estar atravessando, atitude natural de empresas que se unem para desempenhar atividades no sistema de condomínio industrial, buscando a prosperidade de todas as empresas que dele fazem parte. Ela não tinha condições financeiras de contratar funcionários próprios e queria reduzir custos. O Enunciado 331 do TST apenas se aplica na seara trabalhista. 18. Como a empresa possuía toda a estrutura física, maquinário de ponta, necessitava agora de pessoas para iniciarem suas atividades. E, como a Manz não tinha condições financeiras de contratar funcionários próprios, e também como meio de reduzir custos, e tornarse competitiva no mercado nacional, adotou o modelo do condomínio industrial, terceirizando sua linha de produção, através da contratação de empresas de mão de obra, as quais prestariam seus serviços nas suas áreas específicas, sendo para isso remuneradas. 19. A desconsideração da personalidade jurídica não pode ser feita arbitrariamente, com base em meras alegações, principalmente pelas graves conseqüências econômicas e sociais que resulta, devendo ser precedida de razões devidamente fundamentadas, em procedimento específico para este fim, com possibilidade de contraditório e ampla defesa (constitucionalmente resguardado). 20. Alega que o agente julgador ignorou totalmente as alegações da Recorrente, fazendo tabula rasa de tudo o que restou explicitado e que esclarece a situação ocorrida no condomínio industrial fiscalizado, que culminou com a equivocada autuação, que, infelizmente, foi mantida. 21. Outra prova da autonomia das empresas, é a "Notificação Recomendatória" que cada uma das empresas prestadoras de serviço (CMS, Jointêxtil e Facção) recebeu, enviadas pelo Ministério Público do Trabalho, sendo enviado uma Notificação para cada uma das empresas, haja vista serem empresas distintas, com personalidade jurídica própria. 22. E não há que se falar que as empresas não apresentaram documentos, conforme os artigos de lei no qual o fiscal fundamenta a autuação, uma vez que não fossem todos os documentos fornecidos, o fiscal não teria todas as informações necessárias ao desempenho das suas funções. Apesar de ter feito mal uso das informações, em atos indistintamente arbitrários. 23. Toda a situação das empresas foi esclarecida por seus contadores e, se algum livro eventualmente não foi apresentado, tal fato ocorreu tão somente por motivo de força maior, em vista do roubo de equipamentos, conforme noticiado pela própria Assessoria Contábil da empresa, esclarecendo toda a situação ocorrida, e conforme cópia do boletim de ocorrência em anexo, que comprova todo o alegado, não havendo qualquer culpa de nenhuma as empresas quanto à eventual não apresentação de algum documento. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 24. Mais uma vez, constatase a inobservância do que restou alegado pela Recorrente, que foi totalmente desprezado pela decisão administrativa de primeira instância, que "visualizou" tão somente os fatos que lhe foram convenientes, deixando de apreciar e analisar efetivamente o alegado pela Recorrente, em flagrante arbitrariedade também no julgamento, haja vista/que restou devidamente esclarecido que as empresas contratadas pela MANZ forneciam serviço de mãodeobra, na forma do condomínio constituído partes interessadas, não sendo, mais uma vez, da competência deste órgão previdenciário delegar acerca de vínculo de emprego, matéria inerente com exclusividade à justiça do trabalho. 25. E não há que se falar em falsidade nas informações prestadas, uma vez que todos os registros documentais correspondem à realidade das empresas, não havendo qualquer irregularidade. 26. Vejase que, ao contrário do expôs o julgador administrativo de primeiro grau, a Recorrente não se ateve a "detalhes", mas sim a elementos probantes, comprobatórios da regularidade da situação vivenciada, que efetivamente desconstituíram a fiscalização, revelando tão somente ter sido tendencioso o julgamento ora recorrido, expondo o desejo sagaz do fisco em arrecadar tributos, por quaisquer meios, aproveitandose da desvantagem dos contribuintes em frente ao imenso poder o órgão fiscalizador que, deveras, nem sempre é isento. 27. Ilegal a contribuição destinada ao INCRA, assim como a destinada ao SEBRAE 28. Que a multa lançada a recorrente apresenta forma confiscatória de seu patrimônio, não devendo ser aplicada. 29. Desde já a empresa repudia o procedimento irregular e, mais uma vez, arbitrário, do agente fiscal, que "aditou" a NFLD, bem como o envio de notificação por via postal, senão vejamos. 30. Tratase de verdadeiro aditamento da NFLD. O agente fiscal pretende, muito após a conclusão da sua fiscalização, juntar novos documentos ao processo administrativo. 31. Ocorre que, o mesmo agente fiscal já havia notificado a empresa em data muito anterior à sua complementação, cientificando a da autuação que estava impondo, inclusive passando a transcorrer prazo para a apresentação da defesa administrativa. 32. Haja vista a total ilegalidade da emenda da NFLD de infração, e a total irregularidade no procedimento adotado para a cientificação da empresa, ferindo os princípios da ampla defesa e do devido processo legal, as declarações juntadas nada comprovam, sendo totalmente desprovidas de credibilidade, não correspondendo com a verdade dos fatos. 33. Requer também sejam desconsideradas as declarações juntadas, supostamente feitas pelo sr. Paulo Dalchau, por carecer de credibilidade, haja vista ser pessoa diretamente interessada na presente autuação, bem como requer seja oficiado à Delegacia da Receita Federal de Joinville, solicitando cópia das declarações de imposto de renda pessoa física do sr. Alexandre Dalchau, A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1305. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO A NULIDADE PELA ILEGITIMIDADE DO AUTUADO Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas auditadas em conjunto; porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração das contratações de determinadas empresas fiscalizadas em conjunto, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregadora, gerenciando de fato toda a atividade. Em boa parte dos casos, houve inclusive transferência de empregados da própria autuada em data anterior para as empresas constituídas sob a modalidade de tributação simplificada. Quanto a possibilidade de exclusão de empresas do SIMPLES, ressaltese que não cobrou o auditor contribuições patronais das empresas optante pelo SIMPLES, portanto não houve desenquadramento, para que se determinasse a emissão do Ato de Exclusão. O que ocorreu em verdade, foi, que em constatando realidade diversa da pactuada inicialmente, procedeu o auditor para efeitos previdenciários ao vínculo dos trabalhadores das empresas interpostas diretamente com a notificada, o que encontra respaldo na própria legislação previdenciária. Em nenhum momento a autoridade fiscal disse que as empresas encontravamse irregulares e que dessa forma não poderiam mais funcionar. Pelo contrário, observase, conforme descrito no relatório fiscal, durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ próprios, estão de fato, sob a administração das mesma pessoa. O que vislumbrou o auditor, conforme descrito no relatório fiscal, é a possibilidade de utilização indevida do Sistema simplificado, pela transferência de empregados, porém restou constatado que a subordinação continuou com a empresa notificada. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresas permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa notificada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal neste AIOP Por fim, cumprenos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Na verdade o que se vislumbrou foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos – SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitável esse tipo de atitude, se constatado ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. O que ocorreu durante o procedimento fiscal, por meio de diversos elementos de prova, observados pontualmente e em loco (não por mera presunção) foi a constatação, por parte do auditor fiscal, de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que os sócios das empresas Facção Joinvile Ltda., C. M. S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil, eram na verdade empregados da empresa MANZ, face a presença dos requisitos e a outorga de poderes e decisões ao gerentes dessa última. As empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa MANZ. Assim, não consigo identificar a nulidade apontada pelo patrono da recorrente. Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoas que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados para efeitos previdenciários, bastando para isso a identificação do verdadeiro empregador. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 7 11 Portanto, não assiste razão ao recorrente, pois a presente notificação encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante disposto no artigo 33 da lei n° 8.212, de 1991, senão vejamos: Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a" , "b" e "c" do parágrafo único do art. 11. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. lI, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Ainda apenas para efeitos de esclarecimento ao recorrente nos termos do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.o 3.048, de 06 de maio de 1999, também é muito claro ao dispor que: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: 1 arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos 1, 11, 111, IVe V do parágrafo único do art. 195. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; (Redação dada pelo Decreto n" 4.032, de 26/11/2001) 11 constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso 1. § 1" Os Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em selviço. para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao perfeito desempenho de suas funções, caracterizandose como embaraço à fiscalização qualquer dificuldade oposta à consecução do objetivo. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99) § 2" Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9~ deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nU 3.265, de 29/11/99) (grifo nosso). Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Destaco aqui as palavras do ilustre Ministro Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho. Ed. LTR. 5° Edição, 2006, pág. 363364), quando sendo identificada relação fática diversa da realidade, compete as autoridades públicas, cada uma em seu campo de atuação, proceder a correção das mesmas, e quando necessário proceder a aplicação das penalidades a ela inerentes. A dinâmica judicial trabalhista também registra a ocorrência de uma situação fáticojurídica curiosa: tratase da utilização do contrato de sociedade (por cotas de responsabilidade limitada ou outra modalidade societária existente) como instrumento simula tório, voltado a transparecer, formalmente, uma situação fáticojurídica de natureza civil/comercial, embora ocultando uma efetiva relação empregatícia. Em tais situações simulatórias, há que prevalecer o contrato que efetivamente rege a relação jurídica entre as partes, suprimindose a simulação evidenciada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. O argumento de que a emissão de relatório fiscal complementar, com a reabertura da prazo de defesa, não provoca nulidade dos atos já praticados, pelo contrário demonstra a possibilidade do fisco, antes da realização de qualquer julgamento, rever seus atos, buscando melhor esclarecer ao recorrente os fatos que ensejaram o lançamento. Não há argumento válido para cancelar o lançamento, quando restou reaberto o prazo de defesa. A nulidade é declarada, quando viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destacase ter o auditor cumprido todos os passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, fl. 169, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, baseandose em presunções, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal e complementar se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Merece destaque o fato de ter a autoridade julgadora detalhado inúmeras situações fáticas, que demonstravam verdadeira confusão entre os empregados da empresa MANZ e suas supostas contratadas terceirizadas. Quanto a suposta simulação entendo que logrou êxito a autoridade fiscal em demonstrar por meio dos relatórios, documentos, anexos as situações fáticas que o levaram a caracterizar para efeitos previdenciários, os segurados inicialmente contratados pela empresas Facção Joinvile Ltda., C. M. S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil, como segurados da empresa notificada. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 8 13 Também afasto a nulidade, assim como mencionado acima, em relação a emissão do relatório fiscal complementar. Houve a cientificação do recorrente, em relação aos fatos narrados pela autoridade fiscal no relatório complementar. Não ocorreu inovação ou mesmo mudança da situação fática demonstrada anteriormente, mas apenas aperfeiçoamento da mesma, mediante esclarecimentos e documentos colacionados aos autos para ratificar as informações anteriormente prestadas. Isto posto, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.048/99. Ressalto, que não apenas o auditor realizou de forma muito minuciosa as fundamentações e descrições necessárias para caracterizar a simulação, como a autoridade julgadora de 1ª instância ao rebater os mesmos argumentos apontados na defesa, destacou de forma detalhada os dispositivos legais, descritos no relatório FLD, que também fundamentaram o lançamento. Assim, razão não assiste ao recorrente. Da mesma forma, não existe qualquer nulidade quanto ao fato da autoridade fiscal ter encaminhado termo de Encerramento fiscal as demais empresas (ditas interpostas), ou mesmo ter o relatório complementar encaminhado por correio. Assim, bem enfrentou a autoridade julgadora: 43. A impugnante alega, ainda, que a sua ciência da "emenda" da NFLD deveria ter sido pessoal. Não procede sua alegação. Primeiro, porque o art. 26, § 3o , da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, prevê que a comunicação dos atos pode ser feita por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem ordem de preferência. Segundo, porque a impugnante teve ciência do teor da declaração, tanto é assim que a contestou, não havendo qualquer prejuízo, ainda que a ciência tenha sido irregular, o que não ocorreu. O § 5 o do art. 26 da Lei n° 9.784/99 diz que o comparecimento do administrado supre a falta ou irregularidade da intimação. Pelo contrário irregular seria a vinculação dos segurados dessas empresas, sem a realização de procedimento fiscal conjunto. Como dito acima, as empresas continuam a existir juridicamente, não houve desconstituição das pessoas jurídicas, razão porque necessário o encerramento do procedimento em relação a cada uma. Notese, conforme já apreciado que a empresa MANZ deve sim, figurar no polo passivo, uma vez constatado ser a verdadeira empregadora, conforme identificaremos na apreciação do mérito. Apenas, para esclarecer, não existe qualquer vício de falta de fundamentação, em relação a possibilidade de empregados de empresas serem sócios de outras empresas. Não foi esse fato o que consubstanciou o lançamento, mas sim, uma argumento fático, de que o referido sócio era verdadeiramente empregado da empresa autuada, já que na função de sócio, continuava a preencher os requisitos que o vinculavam como empregado da empresa tomadora. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto a inexistência de relação direta entre a empresa MANZe as empresas contratadas (Facção Joinvile Ltda., C. M. S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil) e que segundo o recorrente seriam os empregadores, entendo que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar a inexistência de relação. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Importante informar, que meros argumentos não afastam os fatos e documentos acostados aos autos pela autoridade fiscal, para atestar o lançamento de contribuições. Ademais, mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância, não trouxe o recorrente, qualquer documento para comprovar suas alegações, pelo contrário repetiu praticamente os argumentos trazidos em sua impugnação. Basta uma leitura do relatório fiscal e complementar, bem como, dos inúmeros anexos que o compõem para que se chegue a mesma conclusão trazidas pelo auditor fiscal no lançamento em questão e em todos os demais lavrados durante o mesmo procedimento. Conforme já afastado em sede de preliminar, entendo que longe está o lançamento em questão de fundarse em mera presunção. O que restou exaustivamente descrito no relatório e pelo que se pode constatar da análise dos autos, é que a autoridade fiscal, buscou incansavelmente demonstrar que as empresas, ditas como contratadas como meras prestadoras de serviço, eram na verdade fachada, posto que não se identificou a existência de comando gerenciamento, nem tampouco estavam os seus empregados a lhe prestar serviços verdadeiramente. Entendo que diversos são os fatos que devem ser considerados no lançamento em questão, nenhum deles tido de forma isolada. O que se nota é uma espécie de terceirização sim, conforme argumentou o próprio recorrente, contudo realizado de forma irregular, o que ensejou conforme preceitua o princípio trabalhista da Primazia da Realidade o vínculo entre a MANZe os empregados das EMPRESAS Facção Joinvile Ltda., C. M. S. Indústria Têxtil Ltda. e Jointêxtil. Conforme trazido pelo próprio recorrente, entendo perfeitamente cabível a especialização e descentralização de suas atividades, contudo, para tanto deve primeiramente observar parâmetros legais, para só em observandoos, valerse de estratégias administrativas para busca da excelência. Todavia o que não se admite é contratar empresas, para que seus funcionários prestem serviços dentro do próprio estabelecimento da tomadora, em sua atividade fim, com evidente confusão entre as funções exercidas, visto que o auditor demonstrou em seus relatórios, por meio de entrevistas a empregados e sócios e diversos documentos a que teve acesso, que os mesmos prestam verdadeiramente serviços para empresa MANZ, sendo que em muitos casos, os seus funcionários, tratam as supostas empresas contratadas como prestadoras como verdadeiras filiais da primeira. Nos termos da Súmula 331 do TST, dispositivo hoje que regula a terceirização do Direito Trabalhista Brasileira, visto ausência de norma específica, vejamos: Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 9 15 V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Ou seja, da análise da referida Súmula, notase que não merece guarida a contratação de outras empresas, na forma como realizado pela recorrente e demonstrado pela autoridade fiscal. Observase de pronto o item III da referida súmula que não admite, em regra, a contratação de serviços terceirizados para atividades fim do empreendimento, formandose o vínculo diretamente com o tomados dos serviços. Ora, por si só esse argumento, demonstra quão equivocada estava sua pretensão de valerse de empresas interpostas para executar sua atividade fim. E não merece guarida o argumento de que a súmula não seria aplicável no âmbito do direito previdenciário. Os termos da súmula 331 regulam atualmente no âmbito das empresas a contratação mediante empresa terceirizada, já que não existe legislação própria que abarque a matéria. Referida súmula, define critérios mínimos de uma terceirização correta, evitando que a empresa se valha desse instituto para maquiar vínculos de emprego, desrespeitando os direitos trabalhistas e previdenciários. Todavia, a competência da auditoria previdenciária resumese a determinar vínculos para efeitos previdenciários, posto assim definir a lei 8212/91. Aqui independente do fato de as empresas contratadas estarem ou não sob a égide do Sistema de Tributação SIMPLES, correto o posicionamento adotado de formação do vínculo para efeitos previdenciários, sempre que constatado que a tomadora dos serviços agia como verdadeira empregadora. Dessa forma, o argumento de que as empresas possuem registro na junta comercial, sendo optante pelo SIMPLES deveriam ser excluídas do lançamento não merece guarida, conforme já esclarecido. Aliás essa já havia sido a conclusão a que havia chegado a autoridade julgadora: O AFPS relatou que as 4 empresas MANZ, CMS, JOINTEXTIL e FACÇÃO estão localizadas no mesmo endereço, são administradas pelos mesmos sócios e seus documentos se encontravam arquivados no mesmo local. Naturalmente, apenas esses requisitos não seriam suficientes para caracterizar as quatro empresas como uma única atividade empresarial. Contudo, foram os primeiros indícios que alertaram a fiscalização e o conduziram a aprofundar sua análise. 9. No relatório fiscal complementar de fls. 119 a 145, o Sr. AFPS descreveu de forma minuciosa todos os elementos que o levaram a concluir que essas 4 empresas formam uma única empresa.(...) QUANTO A PRODUÇÃO DE PROVAS Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Observase que por inúmeras vezes o recorrente traz como argumento para desconstituir o lançamento a sua presunção, descrevendo inclusive em sua impugnação que os elementos probatórios são frágeis e produzidos de forma unilateral. Primeiramente, quanto aos argumentos de cerceamento do direito de defesa e impossibilidade do contraditório, entendo que equivocase o recorrente. O processo administrativo permite ao recorrente o amplo exercício do direito de defesa, sendo obrigação da autoridade julgadora indicar todos os seus elementos de convicção, sejam documentos aos quais teve a oportunidade de apreciar, ou mesmo descrever os elementos fáticos encontrados durante a auditoria e que o levaram a concluir pelo lançamento de contribuições. Dessa forma, entendo que teve o recorrente a oportunidade de apreciar pontualmente todos as provas e testemunhos colhidas durante o procedimento fiscal, sendolhe permitido exercer o amplo exercício do direito de defesa com vistas a rebater com elementos probatórios e fáticos, se necessários, que as constatações são totalmente equivocadas. Após apreciar detidamente a peça recursal, a decisão de primeira instância e até mesmo a impugnação apresentada, não identifico que o recorrente demonstrou que as empresas contratadas, realmente exerciam o papel de prestadoras de serviços, empregadoras, exercendo o gerenciamento de seus empregados enquanto prestadores de serviços. Notese que, conforme já mencionado anteriormente, não se funda o lançamento em apenas um elemento de convicção, mas um conjunto deles. Os fatos trazidos pelo auditor em seu relatório, quanto as entrevistas dos empregados, os aspectos contábeis e financeiros, suas constatações, não possuem presunção absoluta, mas possuem força probatória, na medida que não consegue o recorrente demonstrar que se tratam de verdadeiros equívocos. Quem mais poderia rebater os argumentos da auditoria, senão o próprio autuado, que poderia demonstrar a realização de contratos com as prestadoras, a contabilização devida das referidas contratações e de todos encargos gerados por essa contratação. Bastaria requerer de suas contratadas, cópia de sua contabilidade, e de todo o trâmite administrativo, para que assim, ficasse evidenciada a total ausência de ingerência da empresa MANZ nas demais. Argumentou, inclusive o recorrente, que a escolha de centralizar folha de pagamento, controle de ponto, ou mesmo centralização contábil, devese a redução de custos e adoção de um regime de condomínio industrial, já que algumas das empresas passava por dificuldade financeiras. Contudo, não é isso que se conclui, ao apreciar os fatos narrados. Primeiro, ao contrário do que alega o recorrente o sistema de terceirização não visa diminuir custos, mas sim, buscar excelência no desempenho de atividades, direcionando a empresa tomadora a concentrar esforços na sua atividade fim, contratando prestadoras para as atividades meio. A contratação de terceirizadas é ainda mais caro, do que a contratação direta, posto que os encargos trabalhistas são repassados na nota para a tomadora, sem contar ainda a taxa de administração. Isso, comprova, quão furado é o argumento trazido pelo recorrente. O esvaziamento da folha de pagamento e o repasse para outras empresas optantes pelo SIMPLES, demonstra, no presente caso, uma maneira de sonegar contribuições previdenciárias, assim como trazido pelo auditor. Não estou dizendo com isso que não possa existir terceirização, mas, quando realizada, deve o tomador, resguardarse de forma, a manter verdadeira autonomia entre as empresas. Assim, enumerou a autoridade fiscal os principais fatos que demonstram uma única entidade administrativa, laboral e patrimonial única Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 10 17 Tal procedimento foi adotado em virtude da constatação fática de inexistência de autonomia das pessoas jurídicas CMS, JOINTÊXTIL e FACÇÃO frente à MALHARIA MANZ LTDA (MANZ), empresa que "CONTRATA OS SERVIÇOS DAQUELAS EM CARÁTER EXCLUSIVO", CONFIRMANDO OS INDÍCIOS INICIAIS ACIMA O grande ponto que merece ser apreciado é a “confusão de funções” exercidas pelos empregados das empresas que acabaram para efeitos previdenciários sendo considerados empregados da recorrente. Entendo desnecessário apreciar ponto a ponto dos argumentos do recorrente, tendo em vista que a decisão notificação os rebateu, de forma profícua. A personalidade jurídica das "prestadoras de serviços", com seus atos constitutivos devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado, é meramente formal. De fato, verificamos que elas compõem uma entidade administrativa, laborai e patrimonial única, sob a direção da MANZ. A personalidade jurídica das "prestadoras de serviços", com seus atos constitutivos devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado, é meramente formal. De fato, verificamos que elas compõem uma entidade administrativa, laborai e patrimonial única, sob a direção da MANZ. As "empresas prestadoras" não têm domicílio. Os endereços de suas sedes sociais são os mesmos dos estabelecimentos da MANZ, acrescentados de complementos do tipo "Sala A", "Galpão B", "Sala C", etc. Nos documentos examinados, inclusive parte da contabilidade, não há registro de ativos imobiliários, nem pagamento por locações de imóveis para suas sedes; c) As empresas têm capital social simbólico, que é de R$ 1.000,00 na CMS e R$ 10.000,00 na FACÇÃO e JOINTÊXTIL. Também não dispõem de equipamentos e instalações para desenvolverem suas atividades, exceto a FACÇÃO, que em 2000 "adquiriu" máquinas e equipamentos de sua "tomadora" (mas não pagou), conforme registros lançados nos livros diário e razão N°s 001; d) A administração é única para todas as empresas. O setor de Recursos Humanos da MANZ atualmente é gerenciado por CHRISTIANO HILGENSTIELER (substituiu PAULO ALEXANDRE DALCHAU), e atende os empregados, bem como mantém os arquivos de RH de todas as empresas num mesmo Jocal. O contador das empresas é ADILSON JORGES DOS SANTOS, registrado na JOINTÊXTIL, que mantém os arquivos contábeis das empresas num mesmo local. O diretor financeiro de todas é o sócio gerente da CMS, CARLOS VALDIR SCHUCKO e; e) As empresas operam de fato com um caixa único e contas bancárias comuns, ou seja, sem observar a autonomia patrimonial de cada uma em relação às demais. Por exemplo, a conta bancária da CMS, n° 67547, agência 31550, do Banco do Brasil, normalmente é utilizada para saldar compromisso de todas as empresas. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 Como já mencionado, o lançamento das contribuições foram efetuados na empresa tomadora, MANZ, em decorrência do afastamento da personalidade jurídica das prestadoras, por constituírem de fato uma entidade única. Entretanto, mesmo que se observasse a autonomia jurídica das prestadoras, o que não é o caso, os empregados destas continuariam sendo considerados empregados diretos da contratante. Neste caso, por atuarem nas atividades fins da MANZ, o que é considerado terceirização irregular de mãodeobra, segundo o Enunciado n° 331 do TST. Isto pode ser constado no confronto entre o objeto social da contratante, "indústria e comércio varejista e atacadista de tecidos e confecções", e os cargos e funções dos empregados das prestadoras descritos nos Laudos de Riscos Ambientais e em folhas de pagamentos, como: Líder de Tecelagem, Tecelão de Malhas, Auxiliar de Tecelão, Preparador de Tecidos, etc. 12. Isto fica bem evidente a partir de abril de 2004, quando a MANZ transfere seus empregados remanescentes para a FACÇÃO e, deste mês em diante, passa a operar sem qualquer empregado próprio com faturamentos mensais superiores à R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conforme planilha "Evolução do quadro de empregados da MANZ, dos terceirizados e do Faturamento". 13. Além dos fatos já relatados, verificamos que os sócios gerentes da CMS, CARLOS VALDIR SCHUCKO, e da JOINTÊXTIL, PAULO ALEXANDRE DALCHAU, conforme exposto no Relatório Fiscal Complementar RELFISCCO, nos subtítulos "DAS ATIVIDADES DO SÓCIO GERENTE" (das empresas CMS e JOINTÊXTIL), são na realidade, empregados da MANZ nos cargos de Diretor Financeiro e Gerente de Recursos Humanos, respectivamente, contratados sob forma jurídica diversa. Para os trabalhos de verificação foi considerada relação de trabalhadores empregados fornecidos pela próprio setor de RH, que conforme descrito pelo auditor é único para as 4 empresas. Apenas no intuito de esclarecer os pontos descritos acima de forma sucinta, transcrevo trecho da informação fiscal, em que encontramse narradas as irregularidades encontradas durante a verificação física, senão vejamos (fls. 120): a primeira alteração contratual, ou seja, até 12/2000, inclusive, a única finalidade da CMS era servir de veículo para o seu sócio gerente CARLOS VALDIR SCHUCKO prestar serviço à MANZ via contrato entre duas pessoas jurídicas. Com a primeira alteração do contrato social esta finalidade se mantém, acrescentada de outras, que será analisada adiante. Abaixo relacionamos alguns fatos, apurados em documentos e consultas aos sistemas informatizados, que permitem identificar as verdadeiras características dos serviços prestados pelo sócio: a) O senhor CARLOS VALDIR SCHUCKO manteve contrato de trabalho como empregado das empresas JOINVILLE FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA entre 01/07/1994 e 10/03/1995, e MALHARIA MANZ LTDA, entre 09/10/2001 e 3/01/2002, nesta última no cargo de "Chefe de contas a pagar". Verificamos, no Cadastro da Previdência Social Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 11 19 (PLENUS/ÁGUIA), que estas empresas têm sócios comuns, IVO GOULARTE, gerente, e BETTINA WEEGE GOULARTE; b) O sócio em questão recebeu férias pagas pela MANZ, como revelam o recibo parcial de férias de R$ 1.000,00, de 08/03/2004 e, o movimento de caixa de 02/07/2004, da MANZ, com o recibo de transferência entre contas correntes, de R$ 1.000,00. O primeiro recibo está em uma pasta funcional nos arquivos de RH, e o segundo pagamento foi lançado na MANZ, conforme sua movimentação de caixa, e os recursos saíram da conta bancária da CMS. Isto ocorreu na época em que sua relação formal com a MANZ era apenas a de um sócio gerente de uma empresa que lhe prestava serviços; c) Submissão do referido "sócio" às normas de horário para a prestação dos serviços e de utilização do crachá de identificação, como mostram o recibo de pagamento de 06/2002, contendo a escala ("004HORÁRIO NORMAL"), o recibo de entrega do crachá e os registros de ponto, de 20/05/2004 a 25/08/2004; d) Participação habitual no procedimento de desembolso financeiro das empresas MANZ, CMS, FACÇÃO e JOINTÊXTIL, como mostram os demonstrativos de "Caixa Interno" destas empresas, que normalmente recebem a rubrica de CARLOS VALDIR SCHUCKO; e) Apresentação perante terceiros como representante da área financeira da MANZ, como está demonstrado nos recibos de transferência de valores para fornecedores, com anotações manuscritas feitas por CARLOS VALDIR SCHUCKO; ENDEREÇOS ÚNICOS. Traz o auditor no REFISC, corroborado com o relatório instrumento que os endereços das empresas eram diferenciados em sua maioria apenas pelo número, galpão A B, tendo sido constatado por meio de diligências que nos respectivos endereços não havia organização física das empresas, dita por contratadas como prestadora de serviços. Entendo que nesse ponto, um comentário se mostra relevante. A contratação de prestadores de serviços, conforme argumentado pelo recorrente, possibilita que os trabalhadores (prestadores) estejam prestando serviços nas empresas tomadoras em atividades “meio”, ou de limpeza, conservação e vigilância, contudo, as empresa prestadoras deve possuir sede própria, com contabilidade regular, registro de todas as suas operações financeiras e contábeis. Ressaltese ainda, que as empresas ditas pela autoridade fiscal como fictícias não possuem sede própria, encontrando inseridas nos prédios da MANZ, com a utilização de crachá único, relógio de ponto único, o que demonstra ser a empresa autuada a detentora do poder de direção. Não demonstrou o recorrente prova do pagamento de aluguéis, ou mesmo compra de imóveis. Pelo contrário tanto no recurso, quanto na impugnação apenas argumentava que trabalhava em regime de condomínio industrial, e que a centralização buscava diminuir custos. Contudo, é essa confusão de funções, como já abordado que determina estarem todos os empregados vinculados a um mesmo empregador. Simplesmente alegar, não afasta a autuação, quando desprovido de provas. Conforme descrito acima, houve por parte da autoridade fiscal, um minucioso relatório, com vistas e identificar uma a uma, todos os elementos de prova, pelos quais Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 concluiu pela inexistência de empresas de fato vinculando seus trabalhadores a empresa MANZ, conforme destacamos a seguir de trechos extraídos do próprio relatório complementar: CMS CONCLUSÕES Diante do exposto, verificamos que esta empresa apresenta as seguintes características formais: é uma prestadora de serviços exclusiva da MANZ; dedicavase à prestação de serviços de "assessoria" e, à partir de 01/2001, de serviços mediante cessão de mãodeobra; pelos dispêndios, seus serviços se limitam à contratação de empregados em seu nome e colocação nas instalações da MANZ, à disposição desta e; é optante pelo regime tributário do SIMPLES, instituído pela lei 9.317/96, desde 01/2001. No entanto, concluímos que estas operações entre empresas são atos simulados, pois ficou evidente a inexistência de requisitos de personalidade jurídica por parte da prestadora, frente à tomadora, à luz dos seguintes fatos: I) A CMS não possui domicílio próprio. No início encontravase estabelecida na residência dos sócios. Depois, ela passa a informar como sua sede social um estabelecimento da MANZ, sem que haja de fato alguma sala ou galpão que ocupe, nem pagamento ou contrato de locação; II) Os representantes e testemunhas são pessoas que prestam serviços à MANZ, como empregados (ou seus parentes), que em alguma época foram registrados como tal. Tudo indica que foram convencidas pelo empregador (de fato) a emprestarem seus nomes para simular a constituição da empresa; III) A MANZ e a CMS (assim como outras prestadoras analisadas), operam sob uma única estrutura gerencial/administrativa, sob direção da primeira. O diretor financeiro da MANZ exerce esta função em todas as empresas. O mesmo ocorre com o gerente de recursos humanos, o analista contábil, a analista de recursos humanos, o analista de contas a pagar, etc, todos subordinados ao sócio gerente da MANZ e; IV) Inexistência de autonomia patrimonial na CMS (e nas demais empresas prestadoras) em relação à MANZ. Ficou claro que as empresas operam suas finanças a partir de um caixa único e contas bancárias comuns. Para dar uma aparência de autonomia entre elas, são criadas "contas correntes" na estrutura contábil das empresas para registrar as movimentações de recursos entre elas como se fossem transferência, um procedimento destinado à simular o princípio contábil da entidade. Diante disto, os empregados registrados na CMS, e colocados à disposição da MANZ, serão considerados empregados diretos desta em decorrência do afastamento da personalidade jurídica formal da prestadora. Mesmo na hipótese de se preservar a personalidade jurídica de ambas, o que entendemos não ser o caso, os empregados da prestadora devem ser considerados como sendo empregados diretos da tomadora, visto que estes prestam serviços nas Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 12 21 atividades fins da MANZ, o que, de acordo com o Enunciado n° 331 do TST, caracteriza terceirização irregular de mãodeobra. O sócio gerente também será considerado empregado da tomadora, pois utiliza sua empresa como meio para camuflar relação empregatícia via contratação de serviços de "assessoria" entre duas pessoas jurídicas, pois se verificou que exerce, até hoje, o cargo de Diretor Financeiro da MANZ. FACÇÃO CONCLUSÕES Diante do exposto, verificamos que esta empresa apresenta as seguintes características formais: é uma prestadora de serviços exclusiva da MANZ; dedicase à prestação de serviços de manufatura; pelos dispêndios, seus serviços se limitam à contratação de empregados em seu nome e colocação nas instalações da MANZ, à disposição desta e; é optante pelo regime tributário do SIMPLES, instituído pela lei 9.317/96, desde a sua constituição. No entanto, concluímos que estas operações entre empresas são atos simulados, pois ficou evidente a inexistência de requisitos de personalidade jurídica por parte da prestadora, frente à tomadora, à luz dos seguintes fatos: I) A FACÇÃO não possui domicílio próprio. Ela informa como sua sede social um estabelecimento da MANZ, sem que haja de fato alguma sala ou galpão que ocupe, nem pagamento ou contrato de locação; II) Os representantes e testemunhas são pessoas que prestam serviços à MANZ, como empregados ou dirigente (ou seus parentes), que em alguma época foram registrados como tal. Tudo indica que foram convencidas pelo empregador (de fato) a emprestarem seus nomes para simular a constituição da empresa; III) A MANZ e a FACÇÃO (assim como outras prestadoras analisadas), operam sob uma única estrutura gerencial/administrativa, sob direção da primeira. O diretor financeiro da MANZ exerce esta função em todas as empresas. O mesmo ocorre com o gerente de recursos humanos, o analista contábil, a analista de recursos humanos, o analista de contas a pagar, etc, todos subordinados ao sócio gerente da MANZ e; IV) Inexistência de autonomia patrimonial na FACÇÃO (e nas demais empresas prestadoras) em relação à MANZ. Ficou claro que as empresas operam suas finanças a partir de um caixa único e contas bancárias comuns. Para dar uma aparência de autonomia entre elas, são criadas "contas correntes" na estrutura contábil das empresas para registrar as movimentações de recursos entre elas como se fossem transferência, um procedimento destinado à simular o princípio contábil da entidade. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Diante disto, os empregados registrados na FACÇÃO, e colocados à disposição da MANZ, serão considerados empregados diretos desta em decorrência do afastamento da personalidade jurídica formal da prestadora. Mesmo na hipótese de se preservar a personalidade jurídica de ambas, o que entendemos não ser o caso, os empregados da prestadora devem ser considerados como sendo empregados diretos da tomadora, visto que estes prestam serviços nas atividades fins da MANZ, o que, de acordo com o Enunciado n° 331 do TST, caracteriza terceirização irregular de mãodeobra. CONCLUSÕES JOINTEXTIL Diante do exposto, verificamos que esta empresa apresenta as seguintes características formais: é uma prestadora de serviços exclusiva da MANZ; dedicase à prestação de serviços de cessão de mãodeobra e, depois, de serviços de manufatura; pelos dispêndios, seus serviços se limitam à contratação de empregados em seu nome e colocação nas instalações da MANZ, à disposição desta e; é optante pelo regime tributário do SIMPLES, instituído pela lei 9.317/96, desde a sua constituição. No entanto, concluímos que estas operações entre empresas são atos simulados, pois ficou evidente a inexistência de requisitos de personalidade jurídica por parte da prestadora, frente à tomadora, à luz dos seguintes fatos: I) A JOINTEXTIL não possui domicílio próprio. Ela informa como sua sede social um estabelecimento da MANZ, sem que haja de fato alguma sala ou galpão que ocupe, nem pagamento ou contrato de locação; II) Os representantes (sócios e administrador) e testemunhas são pessoas que prestam serviços à MANZ, como empregados ou dirigente, que em alguma época foram registrados como tal. Tudo indica que foram convencidas pelo empregador (de fato) a emprestarem seus nomes para simular a constituição da empresa; III) A MANZ e a JOINTEXTIL (assim como outras prestadoras analisadas), operam sob uma única estrutura gerencial/administrativa, sob direção da primeira. O diretor financeiro da MANZ exerce esta função em todas as empresas. O mesmo ocorre com o gerente de recursos humanos, o analista contábil, a analista de recursos humanos, o analista de contas a pagar, etc, todos subordinados ao sócio gerente da MANZ e; IV) Inexistência de autonomia patrimonial na JOINTEXTIL (e nas demais empresas prestadoras) em relação à MANZ. Ficou claro que as empresas operam suas finanças a partir de um caixa único e contas bancárias comuns. Para dar uma aparência de autonomia entre elas, são criadas "contas correntes" na estrutura contábil das empresas para registrar as movimentações de recursos entre elas como se fossem transferência, um procedimento destinado à simular o princípio contábil da entidade. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 13 23 Diante disto, os empregados registrados na JOINTÊXTIL, colocados à disposição da MANZ, serão considerados empregados diretos desta em decorrência do afastamento da personalidade jurídica formal da prestadora. Mesmo na hipótese de se preservar a personalidade jurídica de ambas, o que entendemos não ser o caso, os empregados da prestadora devem ser considerados como sendo empregados diretos da tomadora, visto que estes prestam serviços nas atividades fins da MANZ, o que, de acordo com o Enunciado n° 331 do TST, caracteriza terceirização irregular de mãodeobra. No período em que não se encontrava formalmente registrado como empregado da MANZ, o sócio gerente também será considerado empregado da tomadora, visto que utilizou sua empresa como meio para camuflar relação empregatícia via contratação de serviços entre duas pessoas jurídicas, pois se verificou que exerceu de fato, até 12/2004, o cargo de Gerente de Recursos Humanos da MANZ. Destacase, assim como já informado anteriormente que não se trata de mera presunção, mas constatação de que as empresas não possuíam a dita autonomia gerencial, ou mesmo física, sendo que a condição de emprego era verdadeiramente prestada em nome da MANZ. Observa no relatório complementar, fls. 119 a 145 acima transcrito apenas as conclusões, que o auditor indicou todos elementos fáticos, colacionando inclusive os documentos, que ratificam suas conclusões, justamente para identificar a existência das empresas, ou mesmo como eram executados os serviços, bem como onde encontravamse as empresas. Assim, entendo conforme descrito pela autoridade fiscal, que o liame empregatício entre os supostos sócios e os empregados das supostas “prestadoras de serviço” sempre existiu havendo, como dito anteriormente verdadeira CONFUSÃO entre os serviços prestados pela empresa notificada – MANZ e todas as empresas que lhe prestavam serviços descritas no presente AI. Importante observar que o recurso do recorrente em nada rebate pontualmente os argumentos aqui trazidos, buscando tão somente desqualificar o trabalho de auditoria, alegando tratarse de presunção, arbitrariedade, o que discordo veementemente. Inclusive tenta o recorrente desqualificar as informações prestadas pelo sócio de uma das empresas, indicando que nas declarações prestadas perante a própria receita o mesmo declarou ser sócio responsável por uma das empresas, o que contrariaria suas declarações perante a autoridade fiscal. Todavia, sabese que as declarações de imposto de renda, muitas vezes destacam apenas a situação formal, sendo que o que foi constatado pela autoridade fiscal é que os aspectos formais são diversos da situação fática. É esta que forneceu elementos suficientes para demonstrar a ingerência da autuada sob as demais, bem como, as irregularidades nas contratações das empresas terceirizadas. No mesmo sentido, manifestouse o julgador a quo: 44. A impugnante procurou apenas desqualificar a declaração do Sr. Paulo Alexandre Dalchau e o procedimento que resultou nessa informação. Em nenhum momento ela trouxe qualquer prova de que os fatos por ele narrados são falsos. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 45. O Sr. Paulo Alexandre Dalchau foi empregado da MANZ, no período de 01/02/2002 a 29/02/2004, na função de chefe de departamento de pessoal. Exerceu a gerência da JOINTEXTIL entre 01/06/2002 e 03/01/2005. Além disso, assinou diversos documentos das 4 "empresas" envolvidas nesta NFLD, identificandose como gerente de recursos humanos ou chefe de departamento pessoal. Tratase, assim, de uma pessoa que conheceu a fundo a estrutura administrativa da MANZ e das outras "empresas" envolvidas. 46. O Sr. Paulo Alexandre Dalchau confirmou, em sua declaração, diversos fatos e conclusões apresentados pela fiscalização. Disse que a JOINTEXTIL nunca pagou aluguel pelo uso das instalações e equipamentos da MANZ; que a JOINTEXTIL sempre foi administrada e gerenciada pelo Sr. Ivo Goularte, sócio proprietário da MANZ; que todos os pagamentos e recebimentos da JOINTEXTIL ocorriam através do caixa geral da MANZ; que ele sempre atuou como gerente de RH da MANZ, JOINTEXTIL, CMS e FACÇÃO, subordinado ao Sr. Ivo Goularte. Concluiu, por fim: "Devido às dificuldades financeiras da MALHARIA MANZ, bem como pela restrição de crédito da empresa e seus sócios, o Sr. IVO GOULARTE resolveu criar novas empresas, colocando empregados como sócios. No entanto, estes sócios sempre foram apenas elementos figurativos, jamais exerceram os poderes de gestão que o contrato lhes conferia. A JOINTÈXTIL sempre foi administrada e gerenciada pelo Sr. IVO GOULARTE, cujas decisões não podiam, em hipótese alguma, ser questionadas. (...)"47. Assim, as declarações do Sr. Paulo Alexandre Dalchau confirmam todas as conclusões da fiscalização, reforçando a procedência deste lançamento. 48. Se houve ou não prestação de informações falsas à Receita Federal por parte do Sr. Paulo Alexandre Dalchau, tal fato deve ser apurado em procedimento próprio, não se confundindo com este lançamento. Ademais, eventuais infrações tributárias cometidas por terceiros não dizem respeito à impugnante, que não é parte interessada em uma declaração de imposto de renda de pessoa física. Além disso, qualquer envio de dados fiscais de terceiros para a impugnante configuraria quebra de sigilo fiscal. Assim, indefiro o pedido de informações do imposto de renda do Sr. Paulo Alexandre Dalchau, por ser absolutamente desnecessário para o julgamento desta NFLD. Por fim, de posse de todo o detalhamento exposto pelo auditor poderia a empresa rebater ponto a ponto trazido pelo auditor fiscal, o que não o fez, razão porque deve ser mantido o lançamento, quanto a inclusão de todos os empregados das empresas “dita pelo recorrente como prestadoras de serviços”, como verdadeiros empregados da empresa MANZ, face o liame fático e jurídico que os vincula. GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS DISPONÍVEIS O setor de Recursos Humanos da autuada, também, é quem efetivamente controla a freqüência (através de cartões pontos e folhas de freqüência), dos funcionários registrados nos CNPJ de todas as empresas fictícias, inclusive dos supostos "sócios" destas e paga/pagou salários, férias, décimo terceiro salário, verbas rescisórias, etc.. Até o valor de Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 14 25 guias GPS das prestadoras foi em determinadas competência pago pela autuada. Sem contar, o controle de horário, ponto do próprio sócio das prestadoras, o que nem de longe, se coaduna com uma verdadeira terceirização. ASPECTOS CONTÁBEIS Contabilmente, também bem demonstrou a autoridade fiscal como se dava o pagamento das despesas das empresas “ditas prestadoras” e a empresa MANZ Destaca o auditor em seu relatório parte especifica quanto a essas constatações: CMS A seguir, algumas transações efetuadas por meio desta conta, cujos comprovantes encontramse em anexo à I a via: a) Pagamentos, via guias de recolhimento da Previdência Social GPS's, de contribuições das empresas CMS, FACÇÃO e JOINTÊXTIL, referentes às competências 09/2004 e 10/2004 e 11/2004. Todas estas guias foram quitadas com recursos desta conta; b) Quitação de títulos em que a MANZ se faz presente como sacadora ou como sacada/liquidados com recursos desta conta; c) Transferência eletrônica para pagamento de consórcio, possivelmente de titularidade da empresa JOINVILLE FACTORING; d) Demonstrativo e cópias de duplicatas emitidas pela MANZ e encaminhadas em 04/11/2003 à cobrança bancária via esta conta corrente; e) Relação de pagamento de folha de salários de 07/2004 da FACÇÃO encaminhadas ao banco para pagamento por meio desta conta, e lançadas no caixa daquela como valor recebido da MANZ; f) Cópias de documentos demonstrando pagamentos de compromissos da JOINTÊXTIL por esta conta; g) Compromissos da MANZ que foram quitados com recursos desta conta bancária da CMS. Nos lançamentos de caixa, antes das saídas correspondentes aos pagamentos, são registradas entradas como valores recebidos da CMS em valores suficientes para cobrir as saídas. É um procedimento adotado o tempo todo após a abertura desta conta e; h) Chama a atenção os pagamentos de compromissos pessoais do sócio gerente da MANZ via conta bancária da CMS. Para dar uma aparência de regularidade, registrase no caixa da MANZ uma entrada via transferência da CMS e uma saída como valor repassado p/ Sr. IVO, o sócio gerente. FACÇÃO balancete de 2000 informa que durante o ano a empresa obteve receitas de R$ 464.601,20 prestando serviços para a MANZ (fl. 52 do livro diário de 2000). Os "custos de produção", constituídos apenas por salários e encargos sobre mão de obra, Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 foi de R$ 619.222,47 (fl. 53). Considerando as deduções sobre receitas e despesas administrativas, o prejuízo apurado neste ano foi de R$ 217.185,07 (fl. 54). Como conseqüência, o patrimônio líquido em 31/12/2000 é negativo em R$ 207.185,07 (fl. 51). Fosse uma empresa autônoma, a empresa estaria sem condições financeiras de continuar as atividades. Ocorre que, como consta no passivo à fl. 50, a empresa contava com recursos da Malharia MANZ, de R$ 103.250,00 na condição de fornecedor ( à título de compra de equipamentos) e de R$ 135.550,00 na condição de cliente (adiantamento). As contribuições previdenciárias dos segurados da FACÇÃO (e também de outras empresas), das competências 09/2004, 10/2004 e 11/2004, foram quitadas com recursos da conta bancária da CMS (n° 67547, agência 31550, do Banco do Brasil S. A.). As folhas de pagamentos salários da FACÇÃO normalmente são debitadas da conta bancária da CMS, como de 07/2004, com a relação de empregados encaminhada ao banco para pagamento em conta, sendo lançado no caixa como valor recebido da MANZ. Em relação à movimentação de caixa das empresas dos dias 05 e 06/06/2003 e 03/04/2003, quando houve pagamento de salários das competências 05/2003 e 03/2003, vemos nos respectivos demonstrativos de caixa interno a "movimentação de valores" entre elas, destinados ao pagamento dos salários.. . Por fim, chama atenção o parágrafo único da cláusula segunda do contrato de prestação de serviços, que diz "A CONTRATADA assume, a partir desta data, o ativo e o passivo trabalhista da CONTRATANTE, sendo responsável por seus encargos trabalhistas e previdenciários na conformidade com a Consolidação das Leis Trabalhistas, Legislação da Previdência Social e Legislação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço". Isto indica que a relação entre as empresas não se limita à prestação de serviços. JOINTEXTIL As contribuições dos segurados, descontadas e recolhidas pela JOINTÊXTIL, bem como as da CMS e FACÇÃO, das competências 09/2004, 10/2004 e 11/2004, foram todas quitadas, conforme cópias de guias de recolhimento da Previdência Social GPS's, com recursos da conta bancária da CMS (n° 67547, agência 31550, do Banco do Brasil S A). A movimentação de caixa das empresas dos dias 05 e 06/06/2003 e 03/04/2003, respectivamente, quando houve pagamento de salários das competências 05/2003 e 03/2003. Vemos nos demonstrativos de caixa interno das empresas a "movimentação de valores" entre elas (partindo da MANZ), destinados ao pagamento dos salários. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 15 27 Nesta linha, os movimentos de caixa da JOINTÊXTIL de 19 e 20/03/2003 e 22/10/2003, quando ocorreram pagamento de pessoal, indicam que os recursos necessários vieram da MANZ. Isto é uma amostragem do que normalmente ocorreu em todo o período. A empresa não exibiu os livros contábeis. Mesmo assim, pelos documentos acima e análise das demais empresas, ficou claro que a JOINTÊXTIL e estas empresas, sob a MANZ, operam suas finanças a partir de um caixa único e de contas bancárias comuns. Além disso, as empresas não recebem os recursos pelos "serviços prestados" em data certa e no valor faturado, e sim nos dias dos vencimentos dos compromissos das "prestadoras", e apenas no valor necessário para saldar estes compromissos. Novamente, convém destacar a demonstração por parte da auditoria fiscal que os serviços prestados não se coadunam com verdadeira prestação de serviços na modalidade de terceirização, argumentada pelo recorrente, mas vinculo direto dos prestadores com a empresa notificada uma vez que era a mesma que assumia papel de empregadora, inclusive com o ônus de administrar os trabalhadores, papel que seria inerente apenas a figura de empregador. No caso, de terceirização cada empresa tem que assumir a responsabilidade e o ônus de seus empregados, sendo ilegal existir subordinação entre o tomador e o prestador de serviços. QUANTO AS BASES DE CÁLCULO Conforme descrito pelo auditor os levantamentos tiveram por base a origem da informação das remunerações (GFIP, RAIS, FOPAG, Aferições de salários oficiosos). Foi levado em consideração ainda a origem da mesma em relação ao vínculo original. No recurso em questão quanto as bases de cálculo, o recorrente resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, e do arbitramento sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso as bases de cálculo descritas pela autoridade fiscal, aos pontos da Decisão presumese a concordância da recorrente com os termos da referida decisão. ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA E SEBRAE No que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições destinadas a terceiros, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência, bem como o lançamento de contribuições destinadas a terceiros INCRA E SEBRAE. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esclarecendo, em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. Também apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 16 29 ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Quanto ao questionamento acerca da aplicação de correção monetária, note se que no lançamento em questão não há o que se apreciar, visto a incidência apenas de taxa SELIC e MULTA MORATÒRIA. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19994.000416/200876 Acórdão n.º 2401003.033 S2C4T1 Fl. 17 31 exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10580.727272/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
INFORMAR INCORRETAMENTE. FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar corretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
LANÇAMENTO DEVIDO. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO DA PARCELA PATRONAL. NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 55, DA LEI N. 8.212/1991. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE LEI SOB ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF/MF.
O reconhecimento e aplicação de isenção da incidência das contribuições previdenciárias patronais à época dos fatos geradores é dependente do cumprimento dos requisitos definido pelo art. 55, da Lei n. 8.212/1991, com o texto vigente à época dos fatos geradores. Não pode ser afastada a sua aplicação sob alegação de inconstitucionalidade ou aplicação direta do art. 195, § 7º, da CF/1988, conforme o arts. 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF/MF.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira da Silva, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 INFORMAR INCORRETAMENTE. FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar corretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. LANÇAMENTO DEVIDO. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO DA PARCELA PATRONAL. NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 55, DA LEI N. 8.212/1991. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE LEI SOB ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF/MF. O reconhecimento e aplicação de isenção da incidência das contribuições previdenciárias patronais à época dos fatos geradores é dependente do cumprimento dos requisitos definido pelo art. 55, da Lei n. 8.212/1991, com o texto vigente à época dos fatos geradores. Não pode ser afastada a sua aplicação sob alegação de inconstitucionalidade ou aplicação direta do art. 195, § 7º, da CF/1988, conforme o arts. 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF/MF. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar corretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. LANÇAMENTO DEVIDO. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO DA PARCELA PATRONAL. NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 55, DA LEI N. 8.212/1991. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE LEI SOB ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF/MF. O reconhecimento e aplicação de isenção da incidência das contribuições previdenciárias patronais à época dos fatos geradores é dependente do cumprimento dos requisitos definido pelo art. 55, da Lei n. 8.212/1991, com o texto vigente à época dos fatos geradores. Não pode ser afastada a sua aplicação sob alegação de inconstitucionalidade ou aplicação direta do art. 195, § 7º, da CF/1988, conforme o arts. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF/MF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 72 /2 00 9- 77 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.727272/200977 Acórdão n.º 2803002.472 S2TE03 Fl. 173 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira da Silva, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.727272/200977 Acórdão n.º 2803002.472 S2TE03 Fl. 174 3 Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado (fls.152 e seguintes dos autos digitais) busca a revisão total da decisão a quo (fls.143 e seguintes dos autos digitais), que manteve crédito constituído pelo Auto de Infração a título de deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, e que foi aplicada a penalidade do art. 32A, I, da mesma lei com redação dada pela Lei n. 11940/2009. O motivo fático principal da lavratura seria a ausência do pedido e despacho de deferimento do benefício fiscal do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, vigente à época dos fatos geradores e lançamento. Fato esse que tornaria a informação em GFIP referente ao código FPAS (639 – isenção de contribuição previdenciária) utilizado pela recorrente incorreto. Em seu recurso, a contribuinte alegou nulidade da decisão por não ter indicado outro auto de infração e discriminativos que não estariam juntados, ser a Recorrente imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988, bem como a sua aplicação não pode ser limitada por dispositivo infraconstitucional e infralegal, logo o ato indeferimento ao pedido de isenção fora nulo, por justamente estar correto a indicação do FPAS posto pela recorrente. Fundamenta seu recurso na aplicação direta dos dispositivos contitucionais conforme entendimentos jurisprudenciais colacionados. O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, vindo distribuído à presente Turma Especial e relator. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.727272/200977 Acórdão n.º 2803002.472 S2TE03 Fl. 175 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso voluntário foi protocolizado tempestivamente, atendendo todos os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido, pois II – Quanto à preliminar de nulidade, devese indicar que a alegação de que houve indicação de um novo auto de infração não presente nos autos, não corresponde com a verdade. O que a decisão a quo se refere è quanto às simulações de cálculo de multa. Inclusive, os termos “débito discriminado em anexo” não consta no acórdão, nem na intimação da mesma. Assim, demonstrase falta de congruência e procedência da nulidade alegada, devendo ser rejeitada, pois não é objeto do presente processo. II Não assiste razão a Recorrente, salvo ordem normativa diversa à vigente no momento de ocorrência dos fatos geradores e lançamento em questão, a isenção das contribuições patronais instituídas nos artigos 22 e 23, da Lei n. 8.212/1991, conforme disposto no art. 55, da mesma lei, somente terá vigência em favor da peticionaria, após despacho da autoridade administrativa, em que o requerimento com o qual a interessada faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato de concessão, conforme estabelecido pelo mesmo artigo (art. 179, do CTN). Ao que se verifica nos autos do processo, a Recorrente não trouxe documento prévio à ocorrência dos fatos geradores de que havia requerido ou ter sido concedido o reconhecimento do benefício fiscal alegado, na forma da exigência do inciso II, do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, que era, na época dos fatos geradores, dependente de decisão administrativa do INSS reconhecendo o direito ao mesmo, quando cumprido os requisitos do mesmo dispositivo combinado com seu §1o. O entendimento acima está em consonância com a jurisprudência do CARF/MF: CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto até o dia dez do mês seguinte ao da competência.. GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Com arrimo no artigo 225, inciso IV, e §§ 1°, 3° e 4°, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento, ressalvado o direito do contribuinte de promover a retificação de referidas Guias. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.727272/200977 Acórdão n.º 2803002.472 S2TE03 Fl. 176 5 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei n°8.212/91. (...) (Ac. 20601.500, Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sessão de 04.11.2008) Ainda, em que pese as alegações de que haveria a aplicação direta do art. 150, VI, c, e do art. 195, §7º, ambos da Constituição Federal de 1998, e os entendimentos jurisprudenciais trazidos pela contribuinte. Primeiro, devese informar que o art. 150, VI, c, da CF/1988, estabelece uma imunidade quanto à incidência de impostos (art. 145, I, da CF/1988), tributo de natureza diversa daqueles objetos do presente processo (contribuições sociais previdenciárias – art. 149 e 195, da Constituição Federal de 1988); logo não aplicável ao caso. Segundo, quanto à imunidade, chamada de isenção, disposta no art. 195, §7º, da CF/1988, traz no seu corpo a indicação que os requisitos de seu reconhecimento devem ser determinados em lei ordinária. Na época dos fatos geradores e do lançamento, tais requisitos estavam no previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991, e o que baseou a autuação fora o disposto no §1o (exigência de decisão deferidora do INSS), pois a Recorrente não tivera nenhuma decisão favorável da autarquia competente de que era beneficiária, bem como não houve nenhum pedido posterior de reforma administrativo ou judicial a respeito. Não pode o julgador afastar a aplicação dos requisitos deste dispositivo, pelo argumento de inconstitucionalidade, salvo nas exceções definidas nos art. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF/MF. (Súmula 1 do CARF/MF). Observese que, no caso em tela, não há nenhuma decisão judicial do pleno do Supremo Tribunal Federal ou com efeitos de repercução geral, ou parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda, ou decisão judicial com efeitos de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, que atacaram ou afastaram a aplicação do §1o, do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, vigente à época. Ou seja, não houve as hipóteses dos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF, para afastar a aplicação da exigência dos créditos em questão, constituídos por ausência do reconhecimento administrativo do direito ao benefício. Ainda, por final, quanto à nulidade da decisão de improvimento ao reconhecimento ao direito ao benefício fiscal da Recorrente, justamente pelo não afastamento do 1o, do art. 55, da Lei n. 8.212/1991, bem como por ter sido decidido em procedimento administrativo separado, já transitado em julgado administrativamente, não compete ao presente colegiado apreciar o mesmo (art. 1o, do Anexo II do RICARF). Está correto Auto de Infração, pois indiferentemente do reconhecimento de imunidade ou isenção, ainda permanece a obrigação de informar corretamente em GFIP todos as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Dessa forma, enquanto vigente a legislação indicada pelo Auto de Infração, carece de razão o Recurso Voluntário. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.727272/200977 Acórdão n.º 2803002.472 S2TE03 Fl. 177 6 Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. Gustavo Vettorato Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10880.930437/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 04 37 /2 00 9- 10 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte face à decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, SP1, a qual julgou improcedente o pedido do mesmo referente à não homologação da declaração de compensação número 27266.05602.060705.1.3.048824. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Tratase de Despacho Decisório, com ciência em 28/04/2009, que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de RS 264.881,84, pleiteado por meio de PER/DCOMP de n.° 27266.05602.060705.1.3.04 8824, transmitido em 06/03/2005. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 IRPJPJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS – ESMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 30/06/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de RS 337.538,92 (incluindo multa de nnr. e juros de mora), pois o valor do DARF em tela, discriminado no PER/DCOMP, já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não honologou a compensação com débito no valor total original de R$ 33.357,37 (mais multa de rota e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP (fls. 1 a 10). A manifestação de inconformidade, protocolizada em 11/05/2019 (fl . 11) foi apresentada pelos procuradores (fls. 11 e 32 a 39), acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF, DIPJ retificadora e Certidão Negativa (fls. 12 a 31 e 40). Alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. Diz que o Despacho Decisório data de 20/04/2009, cerca de 4 anos após a entrega do PER/DCOMP, e que a empresa não teve "conhecimento dessa incorreção comprovada pela certidão negativa em anexo." Diz, também, que o "não cancelamento dos débitos citados no despacho decisório ... trará enorme prejuízo a empresa urna vez que o crédito tributário utilizado na compensação já se encontra prescrito." (sic). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.930437/200910 Acórdão n.º 1802001.790 S1TE02 Fl. 146 3 Por esses motivos, solicita a exclusão dos débitos constantes neste despacho decisório.". É o relatório.” Em sua decisão, a DRJSP1, houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte pleiteia a reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, seja esta última homologada. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 07.02.2011, conforme aviso de recebimento e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 04.03.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Mérito Durante a construção da sua tese de defesa o Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJEstimativa, referente ao período de apuração de dezembro de 2003, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 27266.05602.060705.1.3.048824. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 A DRJSP1 manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.930437/200910 Acórdão n.º 1802001.790 S1TE02 Fl. 147 5 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para análise do PERDCOMP no. 27266.05602.060705.1.3.048824 e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.930437/200910 Acórdão n.º 1802001.790 S1TE02 Fl. 148 7 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 13864.000498/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS
A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados.
Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias.
ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS
A rubrica intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg¿ e a ¿Relação de Vínculos ¿ VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes Declaração: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado e Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubrica intitulada “Abono Especial de Férias” paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 98 /2 01 0- 72 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg¿ e a ¿Relação de Vínculos ¿ VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado e Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 676 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 58), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Abono Especial de Férias” (apenas para os empregados da filial de Betim), “Abono Salarial”, ambos constantes de Acordo Coletivo de Trabalho, e “Participação nos Resultados em desacordo com a legislação específica, verbas estas consideradas pela fiscalização como remuneração indireta e sobre a quais a empresa não fez incidir contribuição previdenciária. Integram ainda o AI as contribuições incidentes sobre a diferença constatada entre as remunerações constantes em Folhas de Pagamento apresentadas e as declaradas em GFIP. O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PPR sem, contudo, ter obtido lucro a ser distribuído, mas sim prejuízo, conforme Demonstrações de Resultados de Exercício. Esclarece, ainda, que nos Acordos Coletivos que tratam da Participação nos lucros, não constam os requisitos previstos no § 1o, do art. 2o, da Lei 10.101/2000, para os empregados ocupantes de cargos de confiança, quais sejam, diretores, gerentes e coordenadores. Segundo ainda relato fiscal, para o estabelecimento Betim foram pagos PPR nas competências 02/2006 e 07/2006, 02/2007 e 07/2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil, contrariando o disposto no art. 3o, § 2o, do mesmo diploma legal. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0536.108, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 936 do processo 13864.000492/201003 ), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário, deduzindo, do valor lançado para a competência 13/2007, a importância de R$ 7.871,55, cujo recolhimento foi comprovado por meio da GPS apresentada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.225 do processo 13864.000492/201003), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF, pois retira da recorrente a certeza dos efetivos fundamentos da autuação, já que o relatório fiscal não está em consonância com o relatório de fundamentos legais. No mérito, discorre sobre a natureza da PR ou PLR, trazendo a posição dos tribunais superiores sobre a matéria, na tentativa de demonstrar que somente o pagamento denominado PLR, em comprovada fraude da lei, é que deve ser descaracterizado, o que não ocorreu no presente caso, já que a fiscalização não apontou a fraude no pagamento da PLR feita pela recorrente aos seus empregados. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Qualifica de absurda a afirmação da fiscalização no sentido de que a PR só poderia ser paga caso a empresa demonstrasse lucro e/ou superávit no final do exercício, pois isto significaria restringir o conceito de resultado, algo que não foi feito pelo constituinte e pelo legislador ordinário. Esclarece que, tanto para os trabalhadores da unidade de Arujá, quanto para os de Betim, os documentos anexos demonstram claramente que se trata de um Programa de Participação nos Resultados, estando o pagamento da participação atrelado a metas globais e individuais, claramente especificadas no referido documento, deixando claro que, em nenhum momento, há menção de necessidade de alcance de lucro ou de resultado financeiro. Quanto à alegação de inexistência de regras claras e objetivas para cargos de confiança, alega que a fiscalização se intrometeu com opiniões subjetivas no conteúdo das metas eleitas pelas partes, e reafirma a intenção que a recorrente possuía de criar um programa para diferenciar o pagamento da participação para os chamados “cargo de confiança” e que, como tal programa não foi criado, toda essa categoria de empregados recebeu seus valores relativos ao PPR de acordo com as metas globais e individuais aplicáveis aos demais empregados. Entende que, nada obstante não ter sido criada a nova forma de apuração estabelecida na “cláusula 6.1” dos programas de 2006 e 2007, não pode a fiscalização simplesmente retirar a natureza jurídica do pagamento da PR aos ocupantes de cargos de confiança, sob pena de descaracterizar o PPR da empresa, o que seria absurdo. Relativamente à alegação de existência de pagamentos em período inferior a um semestre civil, explica que os pagamentos relativos aos programas de participação de Betim, para os anos de 2006 e 2007, possuem previsão de pagamentos em 02/2007 e 02/2008 respectivamente, ou seja, os valores relativos ao PR possuem data de pagamento sempre para o mês de fevereiro do ano seguinte, mas o programa também prevê um adiantamento a ser pago sempre em julho do ano vigente, razão pela qual, em relação ao plano de 2006, houve um adiantamento em 07/2006 e o pagamento da efetiva PR em 02/2007, o que ocorreu também para a PPR de 2007. Conclui que não há que se falar em pagamento de PR em período inferior a um semestre civil, haja vista que a recorrente efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Assevera que em nenhum dos anos objeto do AI houve violação da regra de pagamento da PLR e, mesmo que assim não se entenda, o fato de a recorrente haver pago em 02/2006 e 07/2006 não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, pois mesmo que os pagamentos da PR não obedecessem a periodicidade prevista no art. 3o, § 2o, da Lei 10.101/00, tal fato não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Ressalta que, se o executivo, por decreto, pode alterar essa condição contida no art. 3o, § 4o, da Lei 10.101/00, quanto mais um acordo coletivo, que tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, e traz julgado do CRPS nesse sentido Fl. 678DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 677 5 Em relação aos Abonos, salienta que a PGFN expediu Ato Declaratório nº 16/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos, e a desistência dos já interpostos, quando o objeto for a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, como no caso dos presentes autos. Quanto ao Abono de Férias, salienta que foi pago em razão das Convenções Coletivas e não substitui o abono de férias constitucional, tratandose de um abono pago pela recorrente ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Transcreve o art. 144 da CLT, com a redação vigente antes da Lei 9.528/97, para demonstrar que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, para todos os efeitos legais, especialmente trabalhistas e previdenciários. Traz o entendimento de que, por não ser uma verba paga decorrente do trabalho realizado, mas sim do empenho e dedicação do empregado em cumprir seu horário, os valores pagos a título de “Premio Assiduidade”, equiparado ao presente “Abono de Férias”, não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Sobre o Abono Especial, observa que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. No que se refere às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Relativamente ao 13o salário não declarado em GFIP, esclarece que tal fato se deveu a uma retificação na citada GFIP que, quando foi efetivamente transmitida, a GFIP anterior foi substituída, fazendo constar apenas informação complementar que deu origem à retificação, mas observa que, não obstante o levantamento apontado, a GPS anexada deixa claro que as contribuições foram recolhidas, razão pela qual entende que esse levantamento deverá ser excluído da autuação. Requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF. Contudo, o Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração, juntamente com todos os relatórios que a compõem, inclusive o Relatório Fiscal que, juntamente com o Relatório de Fundamentos Legais do Débito, encerram toda a fundamentação legal necessária para proporcionar a empresa, ampla defesa. Conforme afirmado pela própria recorrente, a fiscalização mencionou diversas vezes, no Relatório Fiscal, que houve descumprimento da Lei 10.101/00. E sendo o Relatório Fiscal parte integrante do AI, conforme expresso na própria folha de rosto do AI, o presente lançamento, ao contrário do que entende a autuada, se encontra revestido de todas as formalidades legais, vez que não houve omissão dos fundamentos legais que amparam o procedimento adotado pela fiscalização. Assim, todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa pela recorrente se encontram no presente documento de constituição do crédito previdenciário, AI. Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade do AI. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que as verbas pagas a título de PPR, “Abono Especial de Férias” e “Abono Salarial” não possuem natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 678 7 Portanto, no caso presente, impõe verificar se no pagamento das parcelas pagas pela empresa autuada foram observados os critérios e regras estabelecidos pela Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR A fiscalização entendeu que os valores pagos pela empresa a título de PPR se enquadram no conceito legal de remuneração, pois não houve observância do disposto na lei 10.101/00. Constatou, inicialmente, que a empresa efetuou pagamento a esse título sendo que houve prejuízo no exercício. Já a recorrente alega que a empresa pode distribuir resultados mesmo não havendo lucro. De fato, analisando a legislação que trata da matéria, não se verifica a exigência de “lucro” no exercício ou “resultado contábil positivo” para que se possa realizar o pagamento a título de participação nos resultados. O art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00 determina que podem ser considerados, para fins de pagamento do PPR, os critérios de produtividade, qualidade, programas de metas, resultados pactuados previamente, entre outros. Ou seja, a meta pactuada pode não ser o alcance de lucro, e sim, por exemplo, o aumento de produtividade de cada trabalhador ou de um determinado setor da empresa. E como, no caso presente, os acordos coletivos trazidos aos autos demonstram que a PPR da empresa estava condicionada ao atingimento de resultados, e não de lucro, e como não há, nos autos, informações de que não tenham sido implementadas as condições pactuadas no acordo coletivo, entendo que a existência de prejuízo não configura descumprimento da Lei 10.101/00, conforme afirmou a autoridade lançadora. Contudo, entendo que o crédito deva ser mantido, em razão das demais irregularidades apontadas pela fiscalização. Constatase, dos documentos juntados aos autos, que as metas ali definidas não são aplicáveis aos trabalhadores ocupantes de cargos de liderança, que, de acordo com o item 6.1 dos acordos anexados, tais empregados teriam sua participação nos resultados, prevista em programa de avaliação especifica. Ocorre que tal programa não foi implementada, o que foi confirmado pela própria recorrente em sua peça recursal. Portanto, tal categoria de trabalhadores recebeu PPR sem que houvesse um acordo com a participação do sindicato, contendo “regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação”, ou mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado, uma vez que eles foram expressamente excluídos dos acordos firmados entre empresa e sindicato representante dos trabalhadores para os exercícios de 2006 e 2007. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Assim, quanto aos ocupantes de cargos de liderança, houve o descumprimento do art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00, devendo o crédito lançado a esse título ser mantido em sua integralidade. Da mesma forma, a fiscalização constatou o descumprimento do § 2°, do art. 3°, da Lei n° 10.101/2000, já que houve pagamentos de PPR nos meses de fevereiro e julho dos anos de 2006 e 2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil. A recorrente não nega tal fato, mas apenas esclarece que a empresa efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Todavia, a Lei no 10.101/2000 é clara ao vedar o pagamento ou antecipação da PPR em “periodicidade inferior a um semestre civil", não fazendo qualquer ressalva quanto ao período de apuração. Dessa forma, entendo que houve descumprimento do art. 3o, da Lei 10.101/00, devendo os valores pagos a esse título integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que, mesmo que se entenda que houve violação ao disposto na Lei 10.101/00, tal fato não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, já que não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, para que não incida a contribuição social, a empresa deve, sim, observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Cumpre observar que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Assim, reiterase, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PPR é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 679 9 A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Quanto ao argumento de que um acordo coletivo tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, cumpre assinalar que, conforme consignado no artigo 611 da CLT, a convenção coletiva de trabalho é um instrumento normativo em nível de categoria, aplicável, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho; ou seja, essa normatização da relação de trabalho, pactuada entre o sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica, como é própria da relação contratual, só pode ser aplicada às partes. Nesse sentido, ORLANDO GOMES e GOTTSCHALK, sobre o limite subjetivo das negociações coletivas e sentenças normativas, assinalam, in verbis: (...) Tal regência não é uma norma jurídica, no sentido estrito da expressão, mas,simplesmente, disposição negocial, destinada a regular relações concretas das partes que se submeterem, ou venham a submeterse, às condições estipuladas.(...)(Curso de Direito do Trabalho, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001, pp.635/636) Destaquese ainda que o artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece quais são as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa,a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Desse modo, a convenção coletiva de trabalho, por ser relação contratual estabelecida entre partes (sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica), não está arrolada, nem poderia, pelo CTN, no conceito de legislação tributária, não podendo as cláusulas nela celebradas serem estendidas a terceiros. Existe, neste sentido, inclusive, disposição expressa no Código Tributário Nacional: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, concluo que os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar o pagamento da PPR em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais, lançando as contribuições incidentes sobre esses valores pagos. Nesse sentido, concluo que o levantamento relativo ao PPR deve ser mantido no débito lançado. ABONO SALARIAL Tratase de levantamento referente ao pagamento de abono único, para os empregados da filial 0001/89, previsto em acordo coletivo de trabalho. Conforme observado pela recorrente, a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada Fl. 684DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 680 11 incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS. A fiscalização constatou o pagamento de verba intitulada “abono especial de férias”, para os empregados da filial /000693 (Betim), quando em gozo de férias, a titulo de prêmio por assiduidade, baseado em Acordo Coletivo de Trabalho. A recorrente não nega tal pagamento ou que ele se equipara a “Premio Assiduidade”, pago ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Ela apenas alega que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, e que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador.(grifei) Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos para premiar alguns de seus empregados, pela sua assiduidade. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o Abono Especial de Férias não está incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a esse título em favor dos empregados da filial de Betim, nas competências 02/2006, 02/2007, 08/2007 e 12/2007, não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes a tais “prêmios assiduidade”. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de Abono Especial de Férias integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. A recorrente sustenta a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento essas verbas denominadas “Abono Especial de Férias”, argumentando que os valores foram pagos conforme previsto no art. 144 da CLT, e espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Contudo, conforme constatase, a verba paga pela empresa autuada não é aquele abono de que trata o art. 144, da CLT, pois a própria recorrente admite que, em alguns Fl. 686DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 681 13 casos, houve o pagamento de um valor superior ao equivalente a 10 dias de salário do trabalhador. Portanto, a rubrica “Abono Especial de Férias” não se encontra nas hipóteses de isenção do art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91, e deve integrar o salário de contribuição do empregado. DIVERGÊNCIAS FOLHA X GFIP A fiscalização verificou, ainda, algumas divergências entre as remunerações constantes das folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP. A recorrente afirma que, quanto às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Contudo, conforme restou claro no REFISC e no Acórdão recorrido, a divergência apurada não foi entre GFIP x GPS, mas sim entre remuneração constante da folha e remuneração declarada em GFIP. Conforme bem esclarecido pelo relator do acórdão recorrido, os resumos das folhas trazidos aos autos na impugnação não comprovam a inexistência das divergências, que estão discriminadas, por competência e por empregados, no anexo III, às fls. 133. Assim, conforme esclarecido no acórdão combatido, a recorrente poderia ter trazido, nem que fosse por amostragem, a folha analítica para comprovar que os valores apurados e discriminados no anexo III estão equivocados. Contudo não o fez, se limitando a afirmar que não há divergências entre GFIP e GPS, e juntando o resumo das folhas, as GFIPs e as GPS que, segundo se observa do RDA, já foram aproveitadas para a apuração da contribuição devida. Portanto, não há como acatar a pretensão da recorrente, devendo tais valores serem mantidos no lançamento. 13o SALÁRIO NÃO DECLARADO EM GFIP A recorrente reconhece que houve equívoco na apresentação da GFIP relativa à 13/07 e informa que os valores foram recolhidos, conforme GPS anexa. Entretanto,das GPS apresentadas referente ao 13o salário constatase que uma não registra valor no campo destinado a outras entidades e fundos, e a outra registra uma quantia inferior à devida. Dessa forma, a autoridade julgadora de primeira instancia já excluiu, do débito, o valor recolhido, constante da GPS apresentada. Quanto aos demais valores relativos à contribuição de Terceiros, esses devem permanecer no lançamento, uma vez que a recorrente não comprovou o recolhimento do montante devido. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 CORESPONSÁVEIS A autuada requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da Súmula nº 88, do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO SALARIAL e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional Fl. 688DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 682 15 É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Redator e Declaração de Voto ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso voluntário. 2. Peço vênia à nobre Conselheira Relatora para divergir de seu posicionamento, trazendo minhas ponderações para elevar o debate. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA SOBRE “PPR” 3. No tocante à não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente aos ocupantes de cargo de liderança, sob a rubrica de Participação nos Resultados (PPR), pareceme que razão assiste ao contribuinte. 4. Entendo que a aplicação da previsão constitucional de participação nos resultados da empresa pelos seus empregados é perfeitamente extensiva àqueles que ocupam cargos de liderança dentro da incorporação, visto que a legislação de regência da matéria não colocou qualquer amarra (art. 7º, XI da CF; Lei 10.101/2000). 5. Salientase, outrossim, que não se sustenta a posição do fisco de que não haveria lei específica desonerando a PPR para os diretores, pois a previsão da participação destes na empresa já vem sufragada na legislação societária antes mesmo da entrada em vigor da Carta Cidadã. A Lei das S.A. (Lei n. 6.404/76) sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Eis o dispositivo citado: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202 (...) Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. 6. Forçoso é concluir que o fisco promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PPR deve ser paga exclusivamente aos trabalhadores empregados. Em nenhum momento considerou que os resultados auferidos pela empresa para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não devendo existir qualquer distinção pelo vínculo dos trabalhadores. 7. Ademais, o benefício é notadamente conhecido como um plano de incentivo coletivo, em que o desempenho de cada trabalhador, seja celetista ou estatutário, afeta o rendimento de todos, criase um incentivo à cooperação de modo a maximizar o desempenho do grupo como um todo, não soando lógico, ao menos ao meu ver, que somente os trabalhadores com vínculo empregatícios sejam por ela agraciados. 8. No tocante à periodicidade do pagamento, observo que os instrumentos coletivos colacionados demonstram que os pagamentos relativos ao PPR foram previstos para fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, respeitando sempre o período inferior ao semestre civil. Ademais, por acordo com os sindicatos o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse pagamento, mas, mesmo assim, limitouse a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. 9. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. DO ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS 10. No tocante aos valores pagos a título de abono especial de férias, também não compartilho o entendimento da Relatora, pois entendo que não integram o salário, ante sua natureza indenizatória. 11. Antes de discorrer sobre o caso concreto, lembro os doutos conselheiros que o gênero abono de férias abarca as possibilidades que o empregado tem um valor pago pela empresa sem, contudo, integrar a remuneração. São as seguintes espécies: abono pecuniário e o chamado abono especial de férias ou abono celetista de férias. 12. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no art. 143, previu a conversão de até um terço do seu período de férias em abono pecuniário. No art. 144, permitiu a concessão do abono de férias, caso haja essa previsão expressa em documento que reflita o intuito das partes: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 683 17 Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 § 1º O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) 13. Não se confunde, portanto, o abono pecuniário, quando o empregado converte até 10 (dez) dias de suas férias em pecúnia, com o abono especial de férias, quando o empregador paga, em razão das férias, parcela suplementar, em valor não excedente a 20 (vinte) dias do salário, concedido em razão de previsão expressa que pode constar no contrato de trabalho, no regulamento da empresa, em negociação coletiva de trabalho. 14. Inclusive, essa distinção foi destacada pelo doutrinador Arnaldo Süsseking (em Instituições do Direito do Trabalho, vol. 2, pp. 827 e 828), cujo trecho ora colaciono: O abono de férias instituído pelo art. 143 não tem natureza salarial, não integrando, assim, a remuneração do empregado para efeitos da legislação do trabalho e da previdência social. E o mesmo ocorre com a gratificação de férias resultante seja de ajuste contratual inclusive de norma ou regulamento da empresa em convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de 20 dias de salários. Neste sentido é expresso o art. 144. 15. Ressalto que esses abonos não possuem natureza salarial, não sendo exigível o recolhimento previdenciário sobre tais valores, tanto que a Lei 8.212, em seu artigo 28, parágrafo 9 º, alínea e, item 6, determinou que as importâncias pagas sob título de abono de férias na forma descrita nos artigos 143 e 144 da CLT não compõem o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição social previdenciária: Art. 28. (...): § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) Fl. 691DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 18 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 16. No caso deste processo administrativo fiscal, verifico que o abono especial de férias concedido estava descrito nas Cláusulas 13ª (Convenção Coletiva de 2004/2005 e de 2005/2006) e 14ª (Convenção Coletiva de 2007/2008), previsões essas que se adequam ao disposto no art. 144 da CLT, o que certamente assegura ao contribuinte o afastamento da contribuição social previdenciária sobre esses valores:. ABONO DE FÉRIAS (...) Ao empregado que durante o período aquisitivo de férias, não tiver mais de 7 (sete) faltas ao serviço, justificadas ou não, quando sair em gozo de férias, será pago um abono nos seguintes valores e condições: (...) § 8º O abono previsto nesta cláusula não se incorporará ao salário par quaisquer efeitos e não sofrerá incidências trabalhistas e previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 144 da CLT e no art. 28,§ 9º, “e”, da Lei 8.212, de 24/07/1991, respectivamente. 17. Essa não incidência tributária também foi reconhecida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5 a Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta 61, de 12 de dezembro de 2012: EMENTA: Por força do § 2º, do art. 22, c/c o § 9º, 'e', item 6, do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o abono de férias, quando estabelecido na forma do art. 144 da CLT, não integra o salário de contribuição do empregado. O prazo para repetição de indébito é de cinco anos contados do pagamento antecipado do tributo, de acordo com o CTN, art. 168, I, c/c a Lei Complementar nº118, de 2005, art. 3º. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 22, § 2º, e 28, § 9º, 'e', item 6, da Lei nº 8.212, de 1991; art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 168, I, do Código Tributário Nacional; art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. 18. A seu turno, entendo presente o caráter indenizatório do abono, visto que está diretamente vinculado à concessão de férias do empregado, momento em que entendese que ele gozará de descanso em virtude do trabalho prestado à empresa durante todo o ano. 19. Ademais, não há de se falar em habitualidade dessas parcelas, pois o abono especial de férias é pago apenas uma única vez, no momento em que o empregado irá usufruir desse período, não sendo o caso previsto no parágrafo 11, do art. 201 da Constituição Federal, que fala que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei" 20. Assim, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte por entender que a legislação trabalhista combinada com a previdenciária é precisa quanto à impossibilidade de incidência de contribuição social previdenciária sobre o abono especial de férias pago aos empregados da empresa recorrente por não integrar a remuneração para tal finalidade e, destaco oportunamente, por ser pago em caráter eventual, dizimando de vez qualquer possibilidade de incidência desse tributo. DA MULTA APLICADA Fl. 692DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 13864.000498/201072 Acórdão n.º 2301003.382 S2C3T1 Fl. 684 19 21. Sobre a multa aplicada, dou provimento ao recurso também nesta parte. Em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 23. E o supracitado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos supra alinhavados. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 20 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator e Declaração de Voto Fl. 694DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 18186.001291/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/02/2007
ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. EMBARGOS PROCEDENTES.
Eventuais equívocos no texto da ementa devem ser corrigidos antes da execução do acórdão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para que seja re-ratificado o acórdão embargado.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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OCORRÊNCIA. EMBARGOS PROCEDENTES. Eventuais equívocos no texto da ementa devem ser corrigidos antes da execução do acórdão. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para que seja reratificado o acórdão embargado. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 12 91 /2 00 7- 72 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF opostos contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Transcrevo trecho dos Embargos: 1. Conforme consta nos autos, as fls. 783 a 788, foi proferido Acórdão n.° 240201.265 pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento — CARF, tratandose de uma decisão de provimento parcial do recurso do contribuinte, para em preliminar reconhecer a decadência de parte do débito e no mérito declarar a necessidade de revisão da multa pela aplicação retroativa da legislação superveniente supostamente mais benéfica no caso concreto. 1.1. O acórdão contém uma imprecisão na ementa, pois ao invés de constar "RECURSO VOLUNTARIO PROVIDO PARCIALMENTE", de forma indevida e por um simples erro de escrita, consta "RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO". 2. Assim, proponho o retorno dos autos para requerer ao Sr. Presidente da 4.a Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a correção do acórdão, e sugiro que o presente despacho seja apreciado como requerimento para correção de inexatidão material nos termos do RICARF aprovado pela Portaria MF n.° 256/2009, art. 66. Portanto, haveria contradição em razão da decisão e o texto da ementa. É o Relatório. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.001291/200772 Acórdão n.º 2402003.690 S2C4T2 Fl. 797 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, embora a decisão tenha sido pelo provimento parcial, constou da ementa o provimento integral ao recurso, o que traz dúvidas para a correta execução do acórdão: GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ... ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos utilizados para o cálculo da multa que sejam anteriores a 12/2001, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou pela aplicação da regra expressa no § 40, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, Art. 44, da Lei 9430/1996 (Art. 35A, Lei 8.212/1991), deduzidos os valores a titulo de multa (...) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Assim, voto no sentido de acolher os embargos opostos para que seja substituída da ementa a expressão “Recurso Voluntário Provido” por “Recurso Voluntário Provido em Parte”. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 799DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003974/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória lavrado por ter a empresa deixado de apresentar todos os documentos necessários à ação fiscalizatória. Constatada a irregularidade nos autos de obrigação principal, não há que se falar em cancelamento da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Recorrente EXTREME CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória lavrado por ter a empresa deixado de apresentar todos os documentos necessários à ação fiscalizatória. Constatada a irregularidade nos autos de obrigação principal, não há que se falar em cancelamento da multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 74 /2 01 0- 53 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por infração ao disposto no art. 32, III e § 11 da Lei nº 8.212/91 e no art. 225, III do Regulamento da Previdência Social. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 82, “na ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 0819000 2010 01106 3, com as alterações posteriores, não foram apresentados todos os documentos e esclarecimentos necessários à fiscalização.” Ainda de acordo com o REFISC de aplicação da multa, às fls. 83, “a multa aplicada está prevista na Lei 8.212/91, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigos 283, II, alínea ‘b’, e 373”. Intimada da autuação, a Recorrente, às fls. 88/92, apresentou impugnação que, às fls. 153/170, foi julgada improcedente, sob os seguintes fundamentos: 1) Não há tributação reflexa no caso em análise, uma vez que a Lei n 8.212/91 dispõe sobre a organização da Seguridade Social e o plano de seu custeio, fundado em contribuições, espécie tributária da qual o imposto de renda não faz parte e, portanto, não há vínculo entre este julgamento e a orientação decisória adotada quanto à exigência da multa e juros isolados; 2) Não deve ser acatado o pedido de apensamento destes autos ao de n 19515.003975/201006, pois processos administrativofiscais autônomos; 3) Todas as formalidades legais foram atendidas no auto de infração; 4) No mérito, a distribuição de lucros deve ter lastro em registros contábeis formalmente adequados e materialmente pertinentes à natureza da operação; 5) No caso, somente a apresentação de demonstrativo de resultado e balanço patrimonial do exercício de 2006 não comprovam o montante do lucro efetivo. Tais documentos constituem meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício e, por isso, somente através do exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao efetivo da empresa; 6) Para empresas optantes pelo regime de Lucro Presumido, são duas as hipóteses: i) o lucro distribuído não excede a base de cálculo do imposto de renda calculado com base no lucro e ii) o lucro distribuído excede a base de cálculo. No primeiro caso, a empresa deve atender ao art. 201, § 5º, II, do RPS, que diz que há incidência de contribuições sobre o valor distribuído quando não existir discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Na segunda hipótese, a escrituração da empresa deve ser realizada nas regras aplicáveis ao Lucro Real; 7) No caso das contribuições previdenciárias, não sendo comprovada, de forma irrefutável, a natureza de lucros a serem distribuídos, estes deverão Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.003974/201053 Acórdão n.º 2402003.740 S2C4T2 Fl. 200 3 ser considerados como rendimentos do trabalho, sujeitos às contribuições previdenciárias; 8) O contrato social da empresa prevê distribuição dos lucros apenas no final de cada exercício, mas a fiscalização apurou que as distribuições foram mensais. Ademais, considerando que não há comprovação em relação aos valores distribuídos a maior, temse que a empresa não distribuiu lucros, mas sim remunerou os sócios; 9) Como o contribuinte não apresentou os documentos necessários quando da fiscalização, invertese o ônus da prova e cabe a ele comprovar a existência efetiva de lucros que alegou ter distribuído e que tratase de remuneração de capital e não de trabalho; 10) Quanto às alegações sobre aplicação da SELIC, é vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de norma legal sob o fundamento de inconstitucionalidade. Em face do resultado do julgamento, a Recorrente, às fls. 174/193, interpôs recurso voluntário no qual alegou: 1) Preliminarmente, indiscutível e indissociável a conexão entre o procedimento fiscal sob análise e os créditos tributários constituídos através de autos de infração lavrados em decorrência de suposta presunção de omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; 2) Que, ao contrário do que alega a julgadora, a Recorrente apresentou parte dos documentos solicitados; 3) É direito do cidadãocontribuinte buscar todos os meios de provas lícitas e requerer as diligências e perícias que se fizerem necessárias na defesa de seus direitos e interesses. Isso é norma constitucional que se sobrepõe a qualquer legislação infraconstitucional; 4) Inaplicabilidade da taxa SELIC; 5) Suspensão da incidência de juros moratórios e sua exigibilidade no curso do contencioso administrativo fiscal. Ao final, requereu o provimento do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o Recurso Voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual deve conheço. No mérito Tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória decorrente da ausência de informação em GFIP quanto a valores pagos aos sócios da empresa Recorrente a título de distribuição de lucros de forma irregular. Tendo em vista o reconhecimento da irregularidade e conseqüente manutenção do Auto de Infração de obrigação principal (PAF n° 19515.003972/201064), mantenho a penalidade aplicada. Da aplicação da SELIC Pretende a Recorrente a não aplicação da Taxa SELIC sobre o débito tributário. Não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de legalidade ou constitucionalidade de qualquer que seja a norma vigente, uma vez que a esfera administrativa está adstrita à correta aplicação da norma em plena vigência. Registrese que a instância administrativa não possui competência para manifestarse sobre questões em que se alega eventual conflito normativo, devendo se ater às normas cuja legalidade ou constitucionalidade ainda não tenha sido analisada de forma negativa. Neste sentido, a Portaria RFB n° 10.875/2007, em seu art. 18, preleciona: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional. Assim, na esfera administrativa, a competência limitase a afastar aplicação de regulamentos já considerados ilegais definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 19515.003974/201053 Acórdão n.º 2402003.740 S2C4T2 Fl. 201 5 Da suspensão dos juros moratórios e sua exigibilidade Pretende, ainda, a Recorrente a suspensão dos juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário durante o processo administrativo.O requerimento da Recorrente não possui razão de ser. O Decreto n° 70.235/72, ao tratar do processo administrativo fiscal, em seu artigo 33, estabelece expressamente que da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário com efeito suspensivo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Sendo assim, não há que se falar em suspensão do crédito tributário, uma vez que a própria legislação garante tal prerrogativa de forma automática. Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 13850.000096/2007-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO EM ATRASO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (ART. 138, CTN). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO PRÉVIA. POSSIBILIDADE.
A jurisprudência pacífica é no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, a teor da Súmula nº 360 do STJ. Contudo, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA. CABIMENTO. Não havendo diferença entre o caráter sancionatório da multa de mora e de ofício, aplicável o afastamento da penalidade, uma vez configurada denúncia espontânea. Jurisprudência pacificada do STJ e Atos Declaratórios PGFN nº 04 e 08/2011.
Numero da decisão: 3802-001.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso voluntário.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (ART. 138, CTN). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO PRÉVIA. POSSIBILIDADE. A jurisprudência pacífica é no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, a teor da Súmula nº 360 do STJ. Contudo, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA. CABIMENTO. Não havendo diferença entre o caráter sancionatório da multa de mora e de ofício, aplicável o afastamento da penalidade, uma vez configurada denúncia espontânea. Jurisprudência pacificada do STJ e Atos Declaratórios PGFN nº 04 e 08/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o fito de compensar débito de Cofins apurado em junho de 2004 com crédito desta mesma contribuição oriundo do supostamente indevido recolhimento de multa de mora referente à Cofins devida em abril de 2004, em função da incidência do instituto da denúncia espontânea, na forma prevista pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. De acordo com o que dos autos consta, a contribuinte apurou Cofins a pagar em abril de 2004 no valor de R$3.719.490,85 devendo efetuar o pagamento deste montante até 14/05/2004, o que, por sua vez, só veio a ocorrer em 24/05/2004, ou seja, dez dias após o vencimento do tributo. Diante desta circunstância a empresa efetuou o recolhimento da Cofins devida com o acréscimo da multa de mora no montante de R$98.194,55, verificando posteriormente a equivocada inclusão desta multa, posto ter procedido ao pagamento do tributo espontaneamente e anteriormente a qualquer procedimento fiscal, valendose portanto da denúncia espontânea para afastamento da penalidade. Em razão deste entendimento, o sujeito passivo achou por bem atualizar o crédito gerado do pagamento indevido em tela e proceder à compensação do valor encontrado com o débito de Cofins devido em junho de 2004 através da PER/DCOMP nº 20367.52289.150704.1.3.048349, tendo cometido um erro no momento de seu preenchimento quanto ao valor do débito a ser compensado. Assim, ao invés de apontar o montante de R$100.384,29 para compensação, a contribuinte apontou apenas R$10.384,29, o que procurou consertar posteriormente por meio da transmissão de PER/DCOMP retificadora (20367.52289.150704.1.3.048349), que não foi admitido pela autoridade fiscalizadora, com base no art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 432/04 e art. 59 da Instrução Normativa SRF nº 600/05. Recorrendo da decisão que recusou a PER/DCOMP retificadora, a interessada teve seu pleito reconhecido apenas no que se referia à retificação da declaração, o que, entretanto, não ensejou a homologação da compensação declarada pelas razões expostas no Parecer Saort nº 13884.240/2007 sintetizadas na forma da ementa abaixo: “EMENTA: Declaração de compensação de valor recolhido a título de multa de mora de mora de COFINS, sob código 6138, com débito de COFINS (2172) apurado em junho de 2004. A denúncia espontânea, de que cuida o art. 138 do CTN, exclui a incidência da multa de natureza punitiva. Não afasta, no entanto, a exigência dos juros de mora e da denominada multa de mora, que têm caráter indenizatório. Proposto de indeferimento do pleito, com base na inexistência de amparo legal para sua aceitação, e de nãohomologação da compensação citada.” Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13850.000096/200721 Acórdão n.º 3802001.727 S3TE02 Fl. 112 3 Inconformada com o teor da decisão supra o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sua defesa que para haver a exclusão da penalidade da infração em face de denúncia espontânea, é preciso que: i) seja realizado o pagamento do tributo devido, caso a infração envolva o não recolhimento de um tributo; ii) incidam sobre o tributo pago em atraso juros de mora; e iii) não haja qualquer procedimento administrativo ou fiscalização a respeito dos fatos, sob pena do ato não ser considerado denúncia espontânea. Ao analisar as razões aduzidas pela interessada a autoridade julgadora a quo entendeu pela inexistência do direito creditório requerido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NOTA TÉCNICA COSIT 1/2012. Não há denúncia espontânea quando não houve infração a denunciar. A notícia da infração deve referirse aos elementos que identificam a integridade do fato gerador, e não ao fato de o tributo estar vencido e não pago, pois, o vencimento não é elemento que integra o fato gerador. Não se denuncia a mora, mas sim o fato que dá origem à incidência do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Discordando da motivação do decisum de primeira instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário no qual argumenta, em síntese, que a Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça e a Nota Técnica Cosit nº 1/12, não se aplicam ao caso em apreço pois o que houve foi a apuração do débito, o recolhimento da contribuição em atraso e, posteriormente, o envio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Além disso, pugna pela reprodução do entendimento consignado no REsp nº 1.149.022/SP, submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Por fim, afirma que havendo o pagamento do tributo com os “encargos da demora” o contribuinte pode se valer do exercício da denúncia espontânea para afastar a cobrança da multa de mora. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Cingese a controvérsia em definir se (i) o instituto da denúncia espontânea, como previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, é aplicável ou não na hipótese dos autos, e (ii) se, positiva a resposta ao primeiro item, é aplicável a multa de mora ao caso em tela. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A autoridade administrativa que proferiu despacho decisório, reconheceu a denúncia espontânea, porém afastou a possibilidade de se beneficiar o contribuinte quanto à multa de mora. Uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, a DRJ, ao invés de se ater a esse aspecto, houve por bem simplesmente negar a denúncia espontânea ao caso como um todo. Vejamos. Dispõe a referida norma que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.”. Contudo, para fins de averiguação da incidência da denúncia espontânea, é forçoso observar também a norma inserta no parágrafo único do art. 138, segundo a qual: “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Bem se vê que o instituto do qual se está tratando é causa de exclusão da responsabilidade decorrente de infração à legislação tributária que exige para sua configuração a recomposição dos prejuízos advindos da transgressão, por iniciativa do infrator e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Com o afastamento das sanções originadas do descumprimento da legislação tributária buscase a minimização dos prejuízos oriundos da impossibilidade de que todas as situações irregulares sejam notadas pela fiscalização tributária, por meio do estímulo ao adimplemento espontâneo dos débitos ignorados pelo Fisco. Quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o entendimento doutrinário e jurisprudencial de maior expressividade é no sentido de que não se configura a denúncia espontânea quando o sujeito passivo, tendo realizado previamente a declaração do débito, procede ao recolhimento do tributo em atraso. Este posicionamento já foi, aliás, sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, na forma da Súmula nº 360, assim redigida: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.’ Isto se dá, pois, no caso específico dos tributos sujeitos a esta modalidade de lançamento, a declaração do contribuinte é meio de confissão de dívida e constituição do crédito tributário, sendo suficiente para tornálo líquido, certo e exigível. Notese que o texto sumular afirma que a denúncia espontânea não estará configurada quando o tributo estiver previamente declarado pelo contribuinte, uma vez que assim o sendo, o crédito tributário já se achará constituído no momento do pagamento. Justamente por isso, não ocorrida a declaração do tributo antes do pagamento em atraso, ainda que se trate de tributo lançado por homologação, resta configurado o instituto da denúncia espontânea. Resumindo: se o débito não for pago dentro do prazo legal e for confessado pelo contribuinte, por exemplo, por meio da transmissão da DCTF e, depois disso, for recolhido integralmente apenas com o acréscimo dos juros de mora, não se aplicará o disposto no art. 138, do CTN. Já se o débito for recolhido integralmente com a adição dos juros de mora antes da entrega da Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13850.000096/200721 Acórdão n.º 3802001.727 S3TE02 Fl. 113 5 DCTF e, somente após o pagamento, a declaração for enviada, verificase, sim, a incidência da denúncia espontânea. Outra não é a orientação adotada pelo STJ, como se infere da leitura dos excertos adiante colacionados a título exemplificativo do que se verifica na jurisprudência predominante do Tribunal. Senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTROVÉRSIA ACERCA DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECISÃO AGRAVADA EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE, INCLUSIVE SUMULADA, DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL. 1. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 962.379/ES (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 28.10.2008), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assentou o entendimento de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea,uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Conforme proclamou, ainda, a Segunda Turma, ao julgar os EDcl no REsp 363.259/SC (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 25.8.2008), "a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF – referese sempre a débitos já vencidos". 2. Nos presentes autos, o Tribunal de origem deixou consignado que, "na hipótese dos tributos lançados por homologação não há se falar na não incidência da multa moratória", tendo sido citado, inclusive, um precedente desta Corte Superior, no sentido de que, "nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o benefício da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória". No entanto, a Turma Regional nada mencionou sobre o momento da entrega das declarações – DCTFs –, se antes ou depois dos pagamentos extemporâneos. Logo, caberia à União demonstrar se houve prévia declaração dos débitos, os quais se referem a tributos sujeitos a lançamento por homologação, ônus do qual não se desincumbiu. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, Primeira Turma, AgREsp 1010903, Relatora Ministra Denise Arruda, Julgamento 19/11/2009, Publicação 09/12/2009) PROCESSUAL CIVIL. CONTROVÉRSIA SOBRE A DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ESTÁ ASSENTADO EM MATÉRIA DE FATO. INADMISSIBILIDADE DA PRETENSÃO RECURSAL (SÚMULA 7/STJ). 1. Consoante já proclamou a Primeira Turma deste Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 798.263/PR (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 13.2.2006, p. 717), "não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo". Confiramse, no mesmo sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 600.847/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 5.9.2005, p. 214; AgRg no REsp 868.680/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.11.2006, p. 267; AgRg no AgRg no Ag 721.771/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 1º.8.2006, p. 374. 2. Segundo consta do acórdão recorrido, não há nada nos autos a indicar que os tributos recolhidos com atraso tenham sido previamente declarados através de DCTF. Para se chegar a entendimento diverso daquele adotado pela Turma Regional, este Superior Tribunal de Justiça teria necessariamente de reexaminar o conjunto fáticoprobatório dos autos, o que lhe é vedado pela via eleita, consoante enuncia a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no AgRg 777419, Relatora Ministra Denise Arruda, Julgamento 27/03/2007, Publicação 30/04/2007) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 545 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO FORA DO PRAZO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA NÃO CONSTANTE DA DCTF. TPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. É cediço na Corte que 'Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento.' (REsp n.º 624.772/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 31/05/2004) 2. A inaplicabilidade do art. 138 do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação fundase no fato de não ser juridicamente admissível que o contribuinte se socorra do benefício da denúncia espontânea para afastar a imposição de multa pelo atraso no pagamento de tributos por ele próprio declarados. Precedentes: REsp n.º 402.706/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 15/12/2003; AgRg no REsp n.º 463.050/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 04/03/2002; e EDcl no AgRg no REsp n.º 302.928/SP, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 04/03/2002. 3. Não obstante, configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais. 4. In casu, o contribuinte reconhece a existência de erro em sua DCTF e recolhe a diferença devida antes de qualquer providência do Fisco que, em verdade, só toma ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 5. Ademais, a inteligência da norma inserta no art. 138 do CTN é justamente incentivar ações como a da empresa ora agravada que, verificando a existência de erro em sua DCTF e o conseqüente autolançamento de tributos aquém do realmente devido, antecipase a Fazenda, reconhece sua dívida, e Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13850.000096/200721 Acórdão n.º 3802001.727 S3TE02 Fl. 114 7 procede o recolhimento do montante devido, corrigido e acrescido de juros moratórios." (STJ, Primeira Turma, AgRg no Ag 600847, Relator Ministro Luiz Fux, Publicação 05/09/2005) Por sua vez, a própria autoridade julgadora originária pondera não ter havido declaração (fl. 121): Veja que no caso não houve qualquer infração tributária. Mas sim, simplesmente atraso no pagamento de tributo devidamente apurado, porém vencido e ainda não declarado simplesmente por não ter findado o prazo para a entrega da declaração. O raciocínio desenvolvido pela instância a quo acerca da finalidade da denúncia espontânea em seguida (“não se denuncia a mora, mas sim o fato que dá origem à incidência do tributo”), em que pese ser louvável, afastase do objeto da lide que lhe fora levado a conhecimento. Assim, diante da documentação posta nos autos ora examinados a Recorrente promoveu o pagamento da exação em atraso, mas antes da entrega da DCTF, adicionado dos juros moratórios correlatos, assistindolhe razão ao pugnar pela aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. Resta, portanto, discutir se a multa moratória deve ou não ser afastada no caso de denúncia espontânea, única questão levada a julgamento pela DRJ, e que por ela não foi julgada – já que aquele órgão julgador preferiu analisar se era cabível ou não aplicar o art. 138 do CTN ao caso. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RICARF. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11060.002542/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
BOLSAS DE PESQUISA. PROGRAMA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DO SETOR ELÉTRICO.
As bolsas de pesquisa referentes a projetos desenvolvidos no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Elétrico são isentas, se não há nos autos comprovação de que tenham sido concedidas em descumprimento às normas da ANEEL e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis os valores correspondentes às bolsas de pesquisa recebidas em razão dos projetos 95815, 95825 e 95832 e para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. BOLSAS DE PESQUISA. PROGRAMA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DO SETOR ELÉTRICO. As bolsas de pesquisa referentes a projetos desenvolvidos no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Elétrico são isentas, se não há nos autos comprovação de que tenham sido concedidas em descumprimento às normas da ANEEL e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 25 42 /2 00 9- 75 Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis os valores correspondentes às bolsas de pesquisa recebidas em razão dos projetos 95815, 95825 e 95832 e para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005 a 2008, anocalendário 2004 a 2007, decorrente de omissão de rendimentos recebidos a título de bolsas de estudos e pesquisa pagos por Fundação de Apoio à Tecnologia – FATEC, referente aos Projetos nº 81117, 95815, 95825 e 95832 (fls. 47/81) que foram declarados como isentos e não tributáveis pelo contribuinte. O procedimentos fiscal é resumido no Relatório Fiscal (fls. 07 e seguintes). Em síntese, a autoridade fiscal considerou que no pagamento de tais bolsas há vantagem para o doador ou representam contraprestação de serviço, ainda que de forma indireta, no mesmo sentido em que foram proferidos os acórdãos 078.797, de 03/11/06 e 18 9.279, de 27/06/2008, o primeiro da DRJ Florianópolis, o segundo da DRJ Santa Maria. Na impugnação, foi juntada vasta documentação e alegado, em resumo, o seguinte: a) bis in idem consistente no lançamento de juros de mora contra o contribuinte pois já lançados contra a Fatec; b) boafé, uso arraigado da isenção nas fundações e fiscalização dentro de período em que o procedimento de concessão de bolsas pela Fatec já fora fiscalizado sem apontamento de irregularidade; c) efeito confiscatório; d) natureza não tributável das bolsas de estudo e pesquisa e extensão (lei 8.958/94, lei 9.250/1995 e decreto 5.205/04); e) fundamento econômico da isenção (favorecimento do PIB e do patrimônio público por visa diversa da tributária). f) a natureza da bolsa é de doação com encargo. Incompetência da Receita Federal para exigir tributo sobre doação com encargo; g) Decadência dos créditos anteriores a 28/09/2004; Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002542/200975 Acórdão n.º 2802002.476 S2TE02 Fl. 2.283 3 A impugnação foi indeferida, em síntese, com a fundamentação abaixo: a) rejeição da preliminar de nulidade do lançamento porque ausentes seus requisitos (art. 59 do decreto 70.235/1972); b) inexistência de bis in idem em relação a sujeitos passivos distintos; c) inaplicabilidade do art. 100 do CTN por não ter sido comprovado que o contribuinte tenha observado algumas das normas complementares especificadas no referido dispositivo, bem como por aplicação do art. 136 do CTN; d) caráter não vinculante das decisões judiciais apresentadas; e) impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de lei pelo órgão administrativo (confisco) e caráter vinculado do lançamento; f) inexistência de decadência, pois o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/12/2004 e o tributo foi lançado dentro do prazo do art. 150, §4º do CTN; g) os requisitos para a isenção dada às bolsas de estudo, pesquisa e extensão (art. 39, inciso VII do RIR1999) não foram integralmente cumpridos, pois os valores foram recebidos em virtude de prestação de serviços à Fundação e as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta; h) a responsabilidade do contribuinte não é afastada pelo erro de informação da fonte pagadora. O contribuinte teve ciência da decisão em 15/03/2011 e interpôs o recurso voluntário em 2903/2011 assentado nas seguintes alegações, em síntese: 1. o acórdão recorrido limitouse a repetir os argumentos do auto de infração sem analisar a vasta documentação acostada aos autos pelo impugnante e que demonstram a especificidade dos projetos em que atuou e a forma como se deu sua atuação; 2. todas as impugnações dos bolsistas da FATEC foram julgadas juntas sem avaliar casuisticamente a diversidades de cada uma; 3. os valores recebidos como bolsas foram corretamente classificados na DIRPF conforme preceitua a legislação (art. 26 da Lei 9.250/1995, art 4º caput e §1º da Lei 8.958/1994, art. 6º, §1º a §4º e art. 7º do Decreto 5.205/2004); 4. os requisitos para a isenção são: que a bolsa seja caracterizada como doação em qualquer de suas formas (incluindo a doação com encargos ou remuneratória); que a bolsa seja de estudo, de pesquisa ou de extensão; que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam economicamente para o doador da bolsa; o benefício econômico para o doador é o lucro, é aquele que permite a apreciação em unidades monetárias ou em vantagem competitiva que igualmente se traduz em vantagem financeira ou na sua potencialidade; Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 5. descreve conceito de doação segundo doutrina e de bolsa de ensino, de pesquisa e de extensão conforme definido pelo decreto 5.205/2004) e sustenta que a bolsa recebida é uma doação, sendo a FATEC a doadora e o contribuinte o donatário; 6. no caso de bolsas de pesquisa é comum a “encomenda”, e o encomendante, então, ou detém direito exclusivo sobre o resultado da pesquisa (cláusula de sigilo, patente) ou recebe resultado que também será encaminhado ao domínio público (tese, dissertação, ensaio), porém em nenhum dos projetos em que o recorrente atuou a FATEC ficou com o monopólio, nem a UFSM ou qualquer outra empresa ou entidade, pois todos os resultados das pesquisas foram publicados em centenas de artigos e periódicos de âmbito nacional e internacional, de forma que o conhecimento produzido se tornou público e ninguém obteve lucro com essa pesquisa, muito menos a FATEC (doadora); 7. os conceitos e institutos do direito civil, em especial a definição de ensino, de pesquisa e de extensão não podem receber sentido diferente no direito tributário (art. 110 do CTN), o sistema de relacionamento UniversidadeFundaçãoDocente foi idealizado de modo a permitir a isenção e a intermediação da Fundação e destinase a evitar que o docente relacione se diretamente como o mercado e a viabilizar as atividades de ensino, pesquisa e extensão; 8. a bolsa é uma doação com encargos (em favor da comunidade em geral), de maneira que ainda que não estivessem presentes os requisitos da isenção é caso de não incidência do imposto de renda, por falta de competência da União; 9. reitera os termos da impugnação, quanto à natureza dos projetos em que atuou e correta classificação dos rendimentos feita na DIRPF (no campo isentos e não tributáveis); nem a autoridade fiscal nem o julgador de primeira instância demonstraram como as bolsas revertem economicamente para os financiadores do projeto ou sequer que os mesmos obtenham qualquer espécie de benefício, ainda que não econômico, enquanto o contribuinte comprovou que a FATEC nada lucrou; 10. como pesquisador não possui qualquer vínculo obrigacional com a FATEC ou UFSM, nem possui direito de exigir que a FATEC lhe doe bolsas; 11. embora a autuação tenha se baseado no contrato entre a FATEC e a UFSM, são obrigações existentes entre as instituições e não um vínculo em que figure obrigações do recorrente; e 12. a jurisprudência em casos análogos tem reconhecido a isenção das bolsas pagas pela FATEC a professores da UFSM, o que comprova com a juntada de decisões judiciais; e 13. nos projetos em que atuou, houve perfeita observância aos requisitos para considerar as bolsas como não tributáveis, reitera os argumentos da impugnação que foram ignorados no julgamento de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002542/200975 Acórdão n.º 2802002.476 S2TE02 Fl. 2.284 5 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recorrente alega que houve autuação e julgamento em conjunto e que não houve apreciação das peculiaridades do seu caso concreto, pois não foram apreciados os documentos apresentados que objetivaram comprovar os resultados da atuação do recorrente como pesquisador nos projetos relativos às bolsas recebidas. A documentação a que o recorrente se refere é composta em sua maioria de documentos com descrição dos projetos de ensino, de pesquisa e de extensão; trabalhos científicos e legislação variada relacionada à ciência e tecnologia. O acórdão recorrido baseouse na existência de três requisitos para a isenção das bolsas de estudo e pesquisa: a) serem caracterizadas como doação; b) serem recebidas exclusivamente para proceder a estudos e/ou pesquisas; e c) os resultados destas atividades não podem representar vantagens para o doador nem importar em contraprestação de serviços. Entende o recorrente que a vasta documentação apresentada é prova de que a bolsa de pesquisa e extensão que recebeu da FATEC classificase como doação com encargo sem benefício econômico ao doador (FATEC) e que não representa contraprestação de serviço, mas que o órgão julgador de primeira instância não se manifestou sobre essa prova. Ocorre que o órgão julgador não é obrigado a rebater um a um todos os argumentos – e aqui estão compreendidas as provas – desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a decisão. No relatório fiscal (fls. 07 e seguintes) foram apontadas as razões da autoridade fiscal para considerar os rendimentos como tributáveis, tendo sido ressaltado o resultado da análise dos Projetos nº 81117, 95815, 95825 e 95832, no sentido de que a concessão das bolsas teve por objeto o pagamento de mãodeobra especializada e imprescindível para atender os compromissos contratados com os financiadores dos projetos , caracterizando contraprestação de serviço, e como os valores das bolsas eram cotados como custo dos projetos, ser onerar o patrimônio da UFSM ou FATEC, sua concessão não pode ser considerada uma doação, bem como existe cláusula estabelecendo que na data da conclusão ou término do contrato os bens materiais remanescentes, adquiridos em razão do projeto, serão incorporadas ao patrimônio da UFSM. O aresto combatido considerou que houve prestação de serviço da FATEC para a UFSM, pois a FATEC contrata servidores da própria Universidade para compor equipe técnica que executa os projetos mediante pagamento de bolsa, o que representa uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviço, ainda que de forma indireta e descaracteriza a isenção. Nessa linha argumentativa os valores são reputados como recebidos em virtude de prestação de serviços à FATEC. Abaixo é transcrito excerto do voto condutor do acórdão recorrido que evidencia que não houve omissão quanto às apreciação das peculiaridades da bolsa de estudo recebida pelo recorrente. Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls., os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício de isenção previsto em lei. Diante da minuciosa descrição dos fatos feita pela fiscalização e da farta documentação constante dos autos, constatase que os valores percebidos pelo impugnante foram em virtude de prestação de serviços à Fundação.(fls. 1.717, numeração digital 2199) O mérito do recurso voluntário é a natureza tributável ou não das “bolsas de estudo e pesquisa” pagas pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência – FATEC, pessoa jurídica de direito privado incumbida de prestar apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. A tributação ou não dos valores pagos como bolsas de estudo, de pesquisa ou de extensão requer analisar o disposto no inciso VII do art. 39 do RIR1999, cuja matriz legal é o art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. (grifos acrescidos) Depreendese que os valores recebidos como bolsas de estudo e de pesquisa podem ser tributáveis ou não, a depender da aferição dos requisitos estampados no citado dispositivo legal, a saber: a) constituam doação; b) sejam recebidos para proceder a estudos ou pesquisas; c) o resultado das atividades não represente vantagem para o doador, nem importe contraprestação de serviços. Há precedentes tanto deste Conselho como judiciais no mesmo sentido, de maneira que a solução varia caso a caso conforme a bolsa atenda ou não aos supracitados requisitos. BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISA ÁREA MÉDICA NATUREZA DE DOAÇÃO ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins tributáveis, os valores percebidos a titulo de bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Assim, a bolsa de estudos percebida por professores e pesquisadores, ligados à área médica, para realização de estudos e pesquisas, constitui doação com encargo, não Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002542/200975 Acórdão n.º 2802002.476 S2TE02 Fl. 2.285 7 tributável pelo imposto de renda (inciso VII, do artigo 39, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 1999). Acórdão 10422.488, de 13 de junho de 2007 da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. RENDIMENTOS DO TRABALHO — OMISSÃO NÃO OCORRÊNCIA Comprovado que o valor depositado constitui rendimento de trabalho, e não mera recomposição do patrimônio do contribuinte, caracterizada a omissão de rendimentos. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS BOLSA DE PESQUISA —ISENÇÃO Não se aplica a isenção conferida às bolsas de estudo e pesquisa, quando o rendimento auferido pelo contribuinte guarda nítido caráter contraprestacional do serviço contratado (art. 26, da Lei n°9.250, de 1995). Acórdão 10422.537, de 14/06/2007, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Negado (Acórdão 210201.323, de 13/05/2011, da 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. REQUISITOS PARA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Negado (acórdão 2801002.725, de 16/10/2012) No mesmo sentido: acórdão 2801002.763, de 15/10/2012, acórdão 2102001.228, de 14/04/2011 e acórdão 210201.323, de 13/05/2011. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE FORMAÇÃO. DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. ART. 26, DA LEI 9.250/95. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. 1. As verbas recebidas a título de "bolsa de estudo" por participante em Curso de Formação de Delegado da Polícia Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Civil não se enquadram na hipótese de isenção prevista no art. 26, da Lei 9.250/95, uma vez que não foram "recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas". Configurase a natureza remuneratória, o que importa acréscimo patrimonial, passível de incidência de Imposto de Renda. 2. Conforme prevê o art. 14, § 1º, da Lei 9.624/98, em caso de servidor público federal participar de curso de formação, poderá optar "pela percepção do vencimento e das vantagens de seu cargo efetivo" em substituição ao "auxílio financeiro", chamado nos autos de "bolsa de estudo", o que evidencia, portanto, a natureza salarial das verbas em discussão. 3. Recurso Especial provido. (REsp 640281/RN Relator(a) Ministro Herman Benjamin , Data do Julgamento 19/06/2007) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido. (REsp 959195/MG Relator(a) Ministra Eliana Calmon, Data do Julgamento 25/11/2008) TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPOSTO DE RENDA. BOLSA DE PESQUISA DO CNPQ. ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. São isentas do Imposto de Renda as bolsas de estudo e pesquisa recebidas do CNPq, exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas, visto que os resultados dessas atividades não representam vantagem para o doador, e por não importarem contraprestação de serviços. Inteligência dos arts. 26, da Lei 9.250/95, e 39, VII, do Decreto 3.000/99 (RIR/99). 2. Recurso especial desprovido. (REsp 410500/RS, Relator(a) Ministra Denise Arruda, Data do Julgamento 01/06/2006) Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002542/200975 Acórdão n.º 2802002.476 S2TE02 Fl. 2.286 9 A matéria é conhecida deste Colegiado. Citamse como precedentes: Acórdão 2802002.257, de 17/04/2013 e 2802002.205, de 13/03/2013. Não somente a análise exclusivamente de direito como também o entendimento fático dos diversos projetos em que havia bolsas de estudo pagas pela FATEC foram explorados nos referidos precedentes, entre outros. Muito embora tenha sido juntada vasta documentação acerca dos projetos e da respectiva atuação do recorrente, em linha geral, estes não refutam o ponto central do lançamento que é a comprovação pela fiscalização, por meio dos contratos entre a UFSM e a FATEC, e dos projetos de pesquisa da existência de benefício econômico para a FATEC (e também para a UFSM) com os resultados das pesquisas, situação que inviabiliza o reconhecimento da isenção e que impede caracterizar a concessão dessas bolsas como ato de mera liberalidade e, consequentemente, como rendimentos isentos ou não tributáveis. Como regra, há uma indissociável relação entre a prestação de serviço de interesse da UFSM para empresas interessados por intermédio da FATEC sob a condução de seus servidores que são remunerados pela FATEC com recursos repassados pela UFSM. Há ainda a vantagem auferida pelo doador (Fatec) ao ser remunerada com percentual da receita auferida em decorrência dos projetos e a ausência de liberalidade ao orçar no custo dos projetos, financiados pela UFSM, o valor das bolsas de pesquisa. Em certos casos é ainda mais evidente a contraprestação de serviços, como no projeto 81117 firmado entre a FATEC e a empresa Logmaster, onde há um contrato de consultoria prestada pela FATEC por intermédio de seus pesquisadores, em que as bolsas são pura contraprestação pelos serviços prestados.A alegada participação unicamente como responsável técnico não descaracteriza a natureza tributável. No mesmo sentido, em situação análoga de pagamento de bolsas pela FATEC há precedente deste Conselho que considerou não atendidos os requisitos da isenção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do artigo 26. da Lei nº 9.250/96. (Acórdão 2101001.833, de 15/08/2012). Destacase que em decorrência de operação fiscal conjunta acerca da “concessão indiscriminada de bolsas de pesquisa e inovação tecnológica de caráter retributivo, sem a tributação do IRRF, a FATEC foi autuada pela falta de retenção do IRRF e o recurso voluntário foi negado na parte que se relaciona ao presente processo, em acórdão cuja ementa restou assim redigida: Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE DA FONTE. Compete à fonte reter e recolher o IRRF. BOLSA DE ESTUDOS, PESQUISA, EXTENSÃO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. ISENÇÃO. Não se aplica a isenção conferida às bolsas de estudos, pesquisa, extensão e de incentivo à inovação quando elas representarem pagamento de contraprestação por serviços prestados ou produzirem resultados econômicos para o doador (direto ou indireto). IRRF. TABELA PROGRESSIVA. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de recolhimento de IRRF no prazo determinado pela lei enseja a cobrança de juros de mora sobre o período compreendido entre o vencimento da obrigação e a data prevista para a entrega da declaração da pessoa física ou jurídica com base na variação da Selic. Os juros de mora são calculados com base na Selic e aplicáveis sobre o valor do tributo. FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO VERIFICAÇÃO DA FALTA OCORRE APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Com a edição da Lei nº 10.426, de 2002, passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. MULTA QUALIFICADA Não basta apenas o prejuízo ao fisco para tipificar a multa qualificada. Exigese o dolo e a fraude para a tipificação conforme art. 72, da Lei 4.502/64. A conduta deve ser elemento do tipo. O possível dolo ou fraude na distribuição de bolsa de estudos não pode tipificar a agravante, se não tiveram por finalidade a sonegação.Recurso parcialmente provido.(acórdão 2202001.950, de 14/08/2012) Ademais, a lei 8.958/1994 dispõe sobre as bolsas de ensino e pesquisa mas não outorga isenção e o regulamento dessa lei (Decreto nº 5.205/2004) faz a ressalva que vem sendo ressaltada ao longo deste voto: Art.6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços.(sublinhado acrescido) Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002542/200975 Acórdão n.º 2802002.476 S2TE02 Fl. 2.287 11 Não se trata de alterar conceitos de outros ramos jurídicos. Outrossim, não foi comprovado que a Receita Federal tenha alterado o critério jurídico em relação ao mesmo sujeito passivo. Os precedentes judiciais apontados pelo recorrente não possuem força vinculante em relação a este recurso voluntário, no máximo demonstram se tratar de questão polêmica. Não obstante, é imprescindível uma análise casuística dos projetos de pesquisa para aferir o atendimento ou não aos requisitos da isenção em análise. Nos julgamentos que deram ensejo aos acórdão 2802002.257, de 17/04/2013 e 2802002.205, de 13/03/2013 esta Turma Julgadora firmou entendimento em relação à natureza dos projetos 95815, 95825 e 95832, que são projetos de pesquisa envolvendo a CEEE e a Tractebel, empresas concessionárias de distribuição e geração de energia elétrica , respectivamente, são arcados com recursos decorrente da lei no 9.991, de 24 de julho de 2000. e que se destinam a financiar o Programa Anual de Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Elétrico, de forma que, os recursos entregues pela CEEE e pela Tractebel decorreram de mandamento legal para financiar pesquisa e desenvolvimento em benefício do setor elétrico brasileiro e não dessas empresas apenas. Os projetos em questão foram aprovados após realização de certame em que era vedada a contratação de projetos de consultoria ou de prestação de serviço, ou projetos que não caracterizados como de pesquisa e desenvolvimento segundo critério estabelecido pela ANEEL, estavam sujeitos à regulamentação, aprovação e fiscalização da ANEEL e nada nos autos indica que tenham se desenvolvido em violação à normas reguladoras do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento do Setor Elétrico. A conclusão acima pode ser exemplificada pelas previsões do edital CEEE/AP2004070145 (fls. 336) e do contrato de fls. 66 (Tractebel), neste último é destacada a necessária observância às normas da ANEEL. Por estas razões, estão sujeitas à isenção em comento, as bolsas de estudo e pesquisa referente aos projetos 95815, 95825 e 95832. De outro giro, a FATEC não declarou à Receita Federal os rendimentos como tributáveis e elaborou o comprovante de rendimentos para fins de imposto de renda de tal forma que é razoável concluir que o contribuinte foi induzido a declarar os valores como isentos ou não tributáveis, o que justifica classificar a conduta do contribuinte como um erro escusável a autorizar afastar a aplicação da multa de ofício. Nesse sentido há precedentes representados pelos acórdãos acórdão 106 16801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são reproduzidos a seguir: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Esclareçase que não se aplica subsidiariamente a multa de mora, pois caracterizaria um novo lançamento, prática vedada ao órgão julgador. Encaminho o voto no mesmo sentido do acórdão unânime desta Turma Julgadora nº 2802002.257, de 17/04/2013 (processo 11060.002540/200986). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis os valores correspondentes às bolsas de pesquisa recebidas em razão dos projetos 95815, 95825 e 95832 e para excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11516.004178/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Relatório
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/FNS/SC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Mediante auto de infração de folhas 273 a 280, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 168.105,87 de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativo aos anoscalendários de 2006 e2007. Conforme consta do referido auto de infração, os fatos que o originou foram: 1) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não identificada, no valor de R$ 155.185,67, creditados em contacorrente no ano de 2007, e 2)omissão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 17 8/ 20 09 -8 2 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 438 2 rendimentos, mantidos à margem de tributação, no importe de R$ 463.623,37, relativa ao anobase de 2006. Do procedimento fiscal: De acordo com os Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 281 a 292), os autuantes relatam, em resumo, o que segue: Pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 0920400.2008.002822, foi determinado à realização de procedimento de fiscalização no contribuinte em epígrafe, tendo por escopo o tributo IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Ulteriormente, o período abrangido pelo procedimento foi alterado, com a inclusão do ano de 2006 no escopo da verificação. A instauração efetiva do procedimento processouse pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio do qual foram demandadas as informações e/ou elementos reputados necessários ao desenlace da investigação. Além deste termo, também foram lavradas quatro intimações fiscais contra o fiscalizado, visando à obtenção de documentos e/ou esclarecimentos acerca de possíveis fatos geradores de imposto de renda, bem como intimações em desfavor de terceiro: TC Transporte e Logística Ltda. Na esteira dos procedimentos realizados, restaram configuradas às infrações a seguir explicitadas: 1) Rendimentos Tributáveis Não Oferecidos à Tributação Após as intimações realizadas, com os respectivos atendimentos, verificaramse adiantamentos ao sócio Joaquim nos valores de R$ 763.775,03 e de R$ 235.561,27 (R$ 152.187,07 + 1/3 de R$ 250.122,59), nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, que, em princípio, não integravam a sua Declaração de Ajuste Anual. A propósito de informar ao beneficiário os valores assim levantados, dentre outros, foi produzida a Intimação Fiscal n° 04 (fls. 228 a 231). por meio da qual o contribuinte foi instado a confirmar, ou não, os eventos especificados, bem como a esclarecêlos à luz das suas declarações de ajuste. Em resposta, o interessado confirmou o recebimento. No entanto, a despeito dos adiantamentos efetivamente consignados ao sócio Joaquim, por ocasião dos lançamentos de baixa nada lhe foi atribuído, consoante evidenciam os razões contábeis acostados às fls. 251 a 262. Além disso, a distribuição ao final registrada também se apresenta absolutamente incongruente, notadamente em relação à participação no capital social, que não respeitava o percentual de participação de cada sócio. A empresa, em esclarecimento à fiscalização, alegou que utiliza critérios diversos da proporcionalidade. Em face das circunstâncias suso explicitadas, restou demonstrado que não são dignos de fé os lançamentos consignados a título de distribuição de lucro, na escrita comercial da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 439 3 Além dos valores citados, a TC Transportes e Logística ainda lhe atribuiu, no ano de 2006. pagamentos registrados sob as rubricas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros" (fl. 245). O contribuinte em atenção à intimação fiscal, ratifica o auferimento das quantias, todavia asseverando que dizia respeito à antecipação de lucros. No cenário delineado, foi apurada a distribuição de lucros de acordo com proporcionalidade da participação no capital social. Sob esta regra, considerando que o lucro total distribuído no ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurouse o lucro do sócio Joaquim no valor de R$ 227.500,00 (R$ 650.000,00 X 35%). Desse modo, o valor efetivamente auferido pelo sócio Joaquim foi de R$ 618.123,37, considerando que dos R$ 763.775,03, foram devolvidos R$ 145.651,66, além do montante de R$ 73.000,00, lançado nas contas "Serviços de Fretes Pessoa Jurídica" e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor total efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de R$ 691.123,37, que correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37 (R$ 691.123,37R$ 227.500.00). Nesse compasso, inferiuse que os valores efetivamente pagos, no ano 2006 e que excedem os lucros mensurados, representam rendimentos que ensejam tributação, 2) Omissão de Rendimentos Créditos Bancários Não Comprovados Analisada a movimentação bancária do sujeito passivo em pauta, foi o contribuinte instado a comprovar, por documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos/depósitos então especificados. Todavia, o fiscalizado logrou identificar apenas a procedência de alguns créditos, notadamente das empresas TC Transportes e Logística Ltda e Prolift. Em relação aos demais, consignou que ainda não havia identificado os remetentes. Assim, onde constou a informação de remetente ainda não identificado, a origem efetivamente restou não comprovada, em virtude do que foi alvo de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Afora isso, é importante deixar assentado que, no curso do procedimento fiscal realizado, foram analisados documentos carreados no bojo do Inquérito Policial n° 0184/2008. Todavia, adveio decisão judicial, na qual se reconheceu a nulidade de toda prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465, bem como a imprestabilidade como prova dos documentos apreendidos. Assim, em homenagem à decisão judicial, os elementos originários da investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento administrativo ora levado a cabo. Outrossim, a fiscalização informou ainda que, ante a identificação de situações que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, foi providenciada à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 440 4 Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta, mediante procurador (folha 293), a impugnação de folhas 297 a 323, na qual expõe suas razões de contestação: No primeiro tópico da impugnação Dos fatos Da origem do auto de infração, narra que em 14.04.2008 foi instaurado o inquérito policial n° 184/08, para investigar suposta organização criminosa com atuação em Itajaí, Balneário Camboriú e Blumenau, em face de notíciacrime verbal do Auditor Fiscal da Prefeitura Municipal de Itajaí, informando irregularidades no recolhimento do ISS. Não obstante inexistir qualquer procedimento administrativo fiscal deflagrado contra o impugnante, a autoridade policial requereu, em 07.05.08, dentre inúmeros pedidos dirigidos a MM. Juíza da Vara Federal Criminal em Florianópolis, mandados de busca e apreensão em alguns endereços residenciais e comerciais, bem como a quebra do sigilo bancário e fiscal da impugnante, e o compartilhamento de dados com a Receita Federal, inclusive, "o fornecimento de cópias de peças e material cognitivo produzidos nestes autos". Após a manifestação favorável do representante do Ministério Público Federal, a MM. Juíza, em 16.06.08, deferiu a quebra do sigilo bancário e fiscal do impugnante, bem como mandado de busca e apreensão. Cumpridos os mandados de busca e apreensão e autorizadas as quebras dos sigilos bancários e fiscais, foram os documentos encaminhados à Delegacia da Receita Federal, que deu início à fiscalização junto à impugnante. Refere que apresentou à fiscalização justificativa acerca da impossibilidade de cumprimento das exigências formuladas, em face das buscas e apreensões, deflagradas pela autoridade policial, que apreenderam inúmeros documentos, que, frisese, não foram devolvidos ainda à impugnante, e requereu a dilação do prazo para a apresentação dos documentos exigidos. Ao final do procedimento, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, em 16.07.09, originando o Auto de Infração, ora esgrimido (ciência em 20.07.09), em face de não oferecer à tributação rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas. Todavia, assevera que a pretensão fiscal não há que prosperar, porquanto não foram respeitados os mais comezinhos princípios de direito quando da análise dos documentos que puderam ser apresentados, aliado à impossibilidade de utilização de documentos obtidos por força de mandado de busca e apreensão, cuja decisão foi revogada. Na seqüência, apresenta preliminar, sob o título DAS PROVAS ILÍCITAS DOCUMENTOS OBTIDOS POR FORÇA DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO DEFERIDAS NO INQUÉRITO POLICIAL N° 184/08 (2008.72.00.0067446) DECISÃO DA MM. JUÍZA DA VARA FEDERAL CRIMINAL QUE REJEITOU A DENÚNCIA E INDEFERIU O PEDIDO DE COMPARTILHAMENTO DAS INFORMAÇÕES IMPRESTAB1L1DADE DOS DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 441 5 Nesse tópico, defende a nulidade o Auto de Infração, devido à declaração de ilegalidade da operação policial conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal (Inquérito Policial n° 2008.72.00.0067446/SC) e decorrente anulação de todas as provas obtidas naquelas operações. Ressalta a impugnante que, embora a autoridade fiscal informe que teria expurgado dos autos as provas ilícitas, o início da fiscalização está amparado nos mandados de busca e apreensão deflagrados contra ela e que só foi alvo de fiscalização por força da decisão judicial já revogada. Portanto, tendo a MM. Juíza da Vara Federal Criminal indeferido o compartilhamento dessas informações, vez que não podem servir para qualquer finalidade, seja criminal, civil ou administrativa, o presente AI é nulo, porque sua origem foi assim declarada. Invoca o art. 5º, LVI da Constituição Federal, que consagra a necessidade da licitude dos meios de prova utilizados nos processos, aduzindo que na esfera do processo administrativo tributário a proibição da prova ilícita está expressamente prevista no art. 30 da Lei n° 9.784, de 1999. Cita doutrina sobre o assunto e transcreve trechos da decisão que reconheceu a nulidade da prova oriunda da interceptação telefônica realizada nos autos n° 2007.72.00.0139465. No tópico destinado as alegações de mérito, o impugnante tece as seguintes considerações. Discorre acerca da infração "001 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada". Destaca que, para que um determinado valor de depósito seja considerado "omissão de receitas" forçosamente teria de restar inequívoca a ausência de "capacidade econômica" do contribuinte em arcar com o referido valor. Nesse tocante, em nenhum momento, os agentes fiscais empreenderam qualquer demonstrativo e/ou levantamento tendente a demonstrar a ausência de "disponibilidade econômica" dos valores depositados e/ou de que tais valores depositados não se referem a "Rendimentos contidos dentre aqueles declarados em sua DIRPF", ou dentre aqueles adiantados pela "TC Transportes e Logística Ltda" já que, nesse sentido, no mesmo relatório, os agentes fiscais descrevem que o contribuinte, durante 2006 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 618.123,32 (o valor correto é R$ 620.473,37Anexo II) e que durante 2007 recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 235.561,27 (o valor correto é R$182.178,47 Anexo II). No que se refere ao item "002 Omissão de Rendimentos", o defendente pondera que em todos os documentos contábeis apresentados pela empresa "TC Transportes e Logística Ltda" é clara a indicação dos valores entregues ao impugnante a título de adiantamento de lucros no anocalendário de 2006, exceto o valor de R$ 44.000,00 lançado por engano na conta "Despesas de Fretes Pessoa Jurídica" e o valor de R$ 29.000,00, lançado por engano na conta "Comissões sobre Fretes", e estes valores não são o objeto da inusitada conclusão do agente fiscal. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 442 6 Ressalta que os citados R$ 73.000,00 foram lançados indevidamente como despesa pela "TC Transportes e Logística Ltda" (R$ 44.000,00 Despesa de Frete e R$ 29.000,00 Comissões s/ Frete), e justamente por não se referirem a despesas efetivas, são meros adiantamentos de lucros ao sócio. No que toca à descaracterização das importâncias creditadas ao impugnante como adiantamento de lucro, protesta quanto ao procedimento adotado, no seu ver, não cabe ao agente fiscal o arbítrio quanto ao valor da parcela de lucros que caberia a cada um dos sócios/quotistas, muito menos no caso concreto, tendo em mira que claramente os ilustres agentes fiscais desconhecem os critérios de cálculo, dos quais não lhe é facultado discordar do critério que lhe foi explicitado já nas respostas à intimação. Prossegue aduzindo que para que os referidos valores sejam tratados na beneficiária como receita (valores definitivamente recebidos pelo sócio por conta de remuneração de seus serviços prestados à sociedade), esses mesmos valores deveriam ser admitidos como despesa dedutível na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. o que não ocorreu. Por fim, arremata que não há nos autos documentos e/ou provas que sustentem o alegado valor da suposta "omissão de rendimentos" no valor de R$ 403.623,37, conforme consta do item "002 Omissão de Rendimentos", até porque, diante de tudo o que foi descrito, tecnicamente não se pode sequer afirmar que houve o alegado "excesso de antecipação de lucros" em relação ao lucro gerado em 2006, pois a intenção dos ilustres agentes fiscais formalizada em Auto de Infração específico, é a glosa de mais de R$ 11.000.000,00 de despesas, cuja alegação é a de não terem sido comprovadas as referidas despesas, e cujo único destino contábil possível é a conta de lucros acumulados, visto que pretensamente incluídas na base de calculo de IRPJ e CSLL, os quais deveriam ser somados aos R$ 650.000,00 de lucros distribuídos em 2006, e aplicados o percentual de 35% de participação desse sócio no capital social.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 392/403, que restou assim ementado: ALEGAÇÃO DE USO DE PROVA ILÍCITA Não configura uso de prova ilícita quando toda informação, documentação e escrituração físcalcontábil que fundamentou o lançamento foi apresentada pelo sujeito passivo ou pela fonte pagadora, diretamente à autoridade fiscal, em procedimento diverso daquele que foi objeto da manifestação judicial. Ademais, o procedimento fiscal prescinde de qualquer elemento de prova, ou indício, de ocorrência de infração fiscal para ser deflagrada. DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por se tratar de presunção legal, compete ao depositário dos recursos, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 443 7 demonstrar a origem dos valores creditados em sua contacorrente, e não ao fisco. EXCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. A distribuição de lucros em valores acima dos lucros auferidos pela sociedade empresária é considerada fato gerador de Imposto de Renda Pessoa Física. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO E FORMALIZAÇÃO DO ACORDO ENTRE OS SÓCIOS. Não há óbice para a distribuição desproporcional de lucros, em relação ao percentual de quotas que cada sócio possui, desde que o acerto referente à distribuição seja devidamente formalizado, por instrumento próprio. Regularmente cientificado daquele acórdão em 10/03/2011 (fl. 406), o contribuinte, representado por seu advogado (fl. 293), interpôs recurso voluntário de fl. 407/434, em 11/04/2011, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Verificase que, dentre as infrações apuradas, consta omissão de rendimentos de valores efetivamente pagos, no ano de 2006, e que excederam os lucros mensurados da empresa TC Transportes e Logística Ltda., da qual o contribuinte é sócio, tendo em vista as inconsistências evidenciadas no âmbito dos registros da fonte pagadora e nas informações constantes da respectiva DIRPF do contribuinte. Importa observar que a essência deste lançamento decorre da não comprovação da distribuição dos lucros, em especial pelas inconsistências verificadas na contabilidade da empresa TC Transportes e Logística Ltda. Ocorre que a referida empresa foi autuada, consoante lançamento de ofício constante do Processo 11516.004211/200974, que resultou na alteração/acréscimo do seu lucro real do anocalendário 2006. Portanto, o que for decidido naquele processo poderá ter efeitos no exame da infração de excesso de lucros distribuídos em questão. Assim, considerando esses fatos como óbice para prosseguir com o julgamento, voto por baixar o processo em diligência à unidade de origem, para que se anexe aos autos a decisão definitiva proferida no Processo 11516.004211/200974, bem como o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para conclusão do julgamento. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.004178/200982 Resolução nº 2801000.240 S2TE01 Fl. 444 8 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 444DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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