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Numero do processo: 10660.720452/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIAS DAS FILIAIS.
Sendo a aquisição é transferência da propriedade, não há como admitir que a simples movimentação física da matéria prima entre matriz e filial possa ser caracterizada como aquisição, em seu sentido jurídico.
ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - CORREÇÃO MONETÁRIA
Não deve ser deferida a correção monetária dos créditos do IPI quando inexistente a demora ilegítima da Fazenda Pública em ressarci-lo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIAS DAS FILIAIS. Sendo a aquisição é transferência da propriedade, não há como admitir que a simples movimentação física da matéria prima entre matriz e filial possa ser caracterizada como aquisição, em seu sentido jurídico. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - CORREÇÃO MONETÁRIA Não deve ser deferida a correção monetária dos créditos do IPI quando inexistente a demora ilegítima da Fazenda Pública em ressarci-lo. Recurso Voluntário Negado
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PEDRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIAS DAS FILIAIS. Sendo a aquisição é transferência da propriedade, não há como admitir que a simples movimentação física da matéria prima entre matriz e filial possa ser caracterizada como aquisição, em seu sentido jurídico. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CORREÇÃO MONETÁRIA Não deve ser deferida a correção monetária dos créditos do IPI quando inexistente a demora ilegítima da Fazenda Pública em ressarcilo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 04 52 /2 00 8- 57 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO de IPI PER no s 26678.60653.310106.1.1.018120. às fls. 06/12. e 26760.85596.050907.1.5.01287. ás fls. 13/15. lastreados pelo saldo credor trimestral de IPI de R$70.941,30. apurado segundo o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. O saldo credor, composto por créditos básicos no período do ressarcimento e pelo crédito presumido de IPI. referese ao 4o. trimestre do ano calendário de 2002. Ao PER estão vinculadas as DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DCOMP no. 18120.50098.290404.1.3.013140, 11781.51100.310106.1.3.01 8932, 35160.54182.191007.1.3.016896 e 23070.34056.061107.1.3.019213. às fls. 16/31. cujos débitos consignados somam R$70.941,30. assim discriminados: (...) Todos os documentos eletrônicos foram baixados em papel para tratamento manual. A verificação da legitimidade do saldo credor se deu mediante diligência, determinada pelo MPF n° 06.1.06.0020093424, da qual se originou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 36/39. em que se consignou: 2. Das glosas 2.1. Do Crédito Presumido de IPI [...] 2.1.1 Do valor Escriturado sob o Código CFOP 1.21 [...] os valores escriturados sob o código CFOP 1.21 não representam aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem pois foram oriundos de transferência, da filial para a matriz, de pedras de produção própria, conforme pode ser constatado na resposta do próprio contribuinte ao termo de Intimação datado de 30/03/2009 transcrito abaixo (documento de fl. 40): "As transferências não tiveram origem em pedras adquiridas de terceiros, uma vez que a empresa trabalhava com produção própria." Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.720452/200857 Acórdão n.º 3801003.552 S3TE01 Fl. 12 3 Assim os valores escriturados sob o código CFOP 1.21 serão excluídos da base de cálculo por não representar custo de aquisição de insumos utilizados no processo produtivo. 2.1.2 Do Valor Escriturado sob o Código CFOP 1.42 O código CFOP 1.42 que corresponde a compra de energia elétrica por estabelecimento industrial. Contudo, para que a energia elétrica possa entrar no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, ela tem que estar relacionada no fato de serem MP, PI ou ME. Assim valem para o crédito presumido as disposições referentes ao direito de crédito de IPI. [...] No Anexo Único deste Termo de Verificação Fiscal estão os Demonstrativos de Crédito Presumido antes e depois da exclusão dos valores da base de cálculo (documento de lis. 39). Os créditos básicos foram integralmente reconhecidos, mas houve redução no crédito presumido em R$20.672,61. montando o saldo credor trimestral reconhecido R$50.268.69. O trabalho fiscal foi ratificado pelo Parecer DRFB/VAR/SAORT No. 0367/2007 de lis. 271/273 e. finalmente, pelo Despacho Decisório de fl. 274. As compensações foram então parcialmente homologadas e foi emitida contra o contribuinte a Carta de Cobrança de fls. 275/276. Inconformado, o contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador (fl. 329). a Manifestação de Inconformidade de fls. 290/320. cuja essência pode ser bem caracterizada por excertos de seu texto, abaixo reproduzidos: DA CORREÇÃO MONETÁRIA A jurisprudência administrativa já consolidou entendimento em admitir a atualização monetária dos créditos com base na taxa Selic, bem como. em reconhecer o direito ao credito na aquisição de energia elétrica, conforme decisões que seguem: [...] A interpretação teleológica e sistemática do decreto supra, combinada com o art. 39. §4°, da Lei n° 9.250/95, impede qualquer interpretação que não a que determine a correção dos créditos pleiteados com base na taxa Selic. Caso os conselheiros interpretem que não devese corrigir os créditos face à inércia do contribuinte em não requerer os mesmos perante a Receita Federal anteriormente, os nobres julgadores, não podem olvidar que após a formalização dos Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 referidos créditos perante a Receita Federal, a mesma permanece inerte sem proceder a devida análise e liberação dos créditos. Assim sendo, se os Doutos julgadores, por absurdo, não admitirem a correção dos valores desde seu fato gerador, não podem quedarse inertes ao fato de após a formalização dos pedidos de ressarcimento, o contribuinte fica refém da morosidade estatal, não podendo arcar com o ônus de ver o valor nominal e real dos seus créditos transformados em pó pela ação do tempo. DAS TRANSFERÊNCIAS A Lei 9.363/96 em nenhum momento exige a incidência das contribuições do PIS e Cofins nos insumos para que os mesmos possam integrar a base de calculo do beneficio. A única exigência esculpida na Lei 9.363/96 para compor a base de calculo é ser matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, assim sendo devese considerar no cálculo das aquisições o valor dos insumos recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa. Conforme recurso voluntário provido pela segunda câmara do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda: (...) Não resta dúvida quanto à total possibilidade da utilização das transferências para compor a base de calculo do crédito presumido de IPI. A lei presume de forma absoluta o valor do beneficio, não dá prova a ser feita pelo Fisco ou pelo contribuinte de incidência ou não incidência das contribuições, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo. Resta claro que as transferências feitas pela filial para a matriz são de matérias primas, ou seja, pedras quartzito, assim sendo, dúvida não resta quanto à possibilidade da inclusão das citadas matérias primas no cálculo do crédito presumido, posicionamento que assevera a jurisprudência pátria em uníssono: [...] A própria 3a1 Turma da DRJ de Juiz de Fora em julgamento do processo 13677.000151/200316, no Acórdão de n° 0915.623. no voto da relatora Dulcemar Fernandes de Mello, mesma relatora desse processo, que foi seguido por unanimidade pela Turma, defende a tese acima in litteris: [...] Dessa monta, é sobremaneira cristalino o direito do exportador incluir as transferências de insumos, no caso em tela, matéria prima, para cálculo do crédito. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.720452/200857 Acórdão n.º 3801003.552 S3TE01 Fl. 13 5 DA ENERGIA ELÉTRICA O Fiscal assevera que o contribuinte também incluiu indevidamente, na base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica. A Lei 9.363/96 que instituiu o crédito presumido de IPI é clara em seu art 1o.quando descreve a base de cálculo do crédito, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. No caso presente a energia elétrica é consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal. pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. A jurisprudência administrativa já pacificou o tema: [...] Quanto à energia elétrica, não resta dúvida, quanto à possibilidade de ser utilizada no cálculo do crédito presumido de IPI conforme assevera o TRF da nossa região: [...] Apenas para espancar qualquer dúvida que ainda persista, a legislação do ICMS. tributo visceralmente ligado ao IPI, formado, inclusive, pelos mesmos princípios, expressamente prevê a possibilidade de aproveitamento da energia elétrica desde que consumida no processo produtivo, de acordo com as determinações do art 33 II da LC 87/96 (nova redação dada pela LC 102/00), in verbis: [...] E oportuno salientar ainda que o revogado art 74, § 1o. CTN equiparava expressamente a energia elétrica a produto industrializado, sinalizando claramente a possibilidade dos contribuintes deste tributo se creditarem deste insumo indispensável à produção industrial, o que. obviamente, é uma referência históricolegislativa de suma importância para o deslinde da presente questão pela importância do mencionado Diploma Legal que j á trazia este permissivo, a saber: [...] Sendo assim, não tem como excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPl os valores despendidos com energia elétrica mesmo antes do advento da Lei n° 10.271/01. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Dessa forma, não resta dúvida que a energia elétrica é um produto intermediário e faz parte da base de cálculo do crédito presumido de IPI. O conceito clássico de produto intermediário é o conceito esculpido RIPl 82 em seu art 82 l. "embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Fica claro que no caso da mineração e beneficiamento da pedras ardósia, como no caso em comento, a energia elétrica e o óleo diesel estão enquadrados no conceito de produto intermediário. Corroborando com o aduzido, vale trazer à baila a instrução normativa da superintendência de legislação tributária do estado de Minas Gerais, que trata do tema produto intermediário, in verbis: Fica patente a errônea visão do fiscal acerca da definição de produto intermediário, não restando dúvida da possibilidade da inclusão da energia elétrica, óleo diesel o outros produtos ignorados pelo fiscal, na base de cálculo do crédito presumido, visto que se trata indiscutivelmente de produto intermediário. DOS PEDIDOS Isto posto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja baixado o processo para a análise manual, devido ao equivoco apresentado na leitura do Perdcomp pelo sistema da RFB. para que reconheça o total do crédito devido corrigido monetariamente ompensando os tributos vinculados ao ressarcimento, sendo o saldo ressarcido cm espécie ao contribuinte. A DRJ em Juiz de Fora entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRANSFERÊNCIAS DAS FILIAIS. A expressão no mercado interno, inserida no art. Io da Lei n° 9.363. de 1996, deve ser entendida como uma relação bilateral, dentro do território nacional, de um lado o vendedor de um bem ou serviço, de outro lado o comprador dos referidos bens ou serviços. Portanto, a aquisição não pode ser tomada como simples operação primária de extração de madeiras para beneficiamento. mas uma relação comercial entre o interessado e o vendedor dessas madeiras, caracterizandose ambos como partícipes do mercado de compra e venda desses insumos. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao Fl. 399DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.720452/200857 Acórdão n.º 3801003.552 S3TE01 Fl. 14 7 produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, elemento que não atua diretamente sobre o produto, não se enquadra nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST. n° 65. de 1979: Lei n° 9.363. de 1996). CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. DENEGAÇÃO. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais ou saldos credores trimestrais de IPI. Petição a que se nega. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte reitera as razões trazidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murge, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pois bem. A decisão que negou o pedido de ressarcimento baseouse no artigo 1o. da Lei 9.363, de 13/12/1996, o qual transcrevo a seguir: A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n"s 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Verificase que o dispositivo legal dispõe que o crédito presumido tem o condão de ressarcir as empresas produtoras e exportadoras do PIS e da COFINS incidentes sobre as AQUISIÇÕES, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Vejase, pois, que a pretensão da norma é restituir os valores de PIS e COFINS pagos nos insumos adquiridos pela empresa exportadora. Assim, se não existe a aquisição de insumos, não há que se falar em restituição. De outro modo, o Estado estaria ressarcindo valores que em nenhum momento foram recolhidos aos cofres públicos. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Essa interpretação não pode ser tomada como excesso de formalismo. A norma é clara, menciona a aquisição de matérias primas, não incluindo, nesse rol, a produção própria da matéria prima. Ora, sendo o Direito uma ciência, os institutos, as expressões e os vocábulos que o compõem têm sentido próprio e não podem ser submetido aos humores de seu intérprete. Assim, importante destacar o sentido jurídico do vocábulo aquisição, muito bem externado pelo grande jurista De Plácido e Silva: AQUISIÇÃO Formada do vocábulo latino acquisitio (ação de adquirir), é empregado na linguagem jurídica para indicar o ato ou fato em virtude do qual se opera a transferência do domínio ou propriedade de uma coisa, móvel ou imóvel, ou a sua posse, ou a transferência de um direito, para uma pessoa, que assim se torna proprietária dela, ou titular desse direito. É, assim, o ato jurídico em que se funda a transmissão da propriedade da coisa ou do direito, olhada em relação à pessoa que, por ela, se transforma em proprietária dela, ou titular deste direito. (in Vocabulário Jurídico. 23a. Edição, p. 127). Ora, partindose assim do princípio de que a aquisição é transferência da propriedade, não há como admitir que a simples movimentação física da matéria prima entre matriz e filial possa ser caracterizada como aquisição, em seu sentido jurídico, aquele utilizado pela norma legal. Por conseguinte, não há como se acatar as razões da Recorrente. No que tange ao crédito presumido relativo à energia elétrica e combustíveis, tema já muito debatido neste Conselho Administrativo, cumpre ressaltar que já restou pacificado, através da Súmula Consolidada no. 19, do CARF, divulgada por meio da Portaria no. 52, de 21 de dezembro de 2010, o seguinte: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. A Súmula supra transcrita, como sabido, possui efeito vinculante, devendo tal entendimento ser adotado por todas as turmas deste Tribunal Administrativo. Incabível se falar, pois, em caracterização da energia elétrica e de combustível como matériaprima ou produto intermediário. dos referidos bens ou serviços. Por fim, quanto à correção monetária dos créditos reconhecidos pelo Fisco, quanto ao pedido de compensação da correção monetária decorrente do seu pedido de ressarcimento,vale destacar que o E. Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento no sentido de não haver correção monetária, em regra, nos créditos escriturais (caso do crédito presumido do IPI). Como não restou caracterizada a resistência do Fisco em aceitar os créditos legítimos do IPI, posto que compensados de pronto pelo Recorrente, não houve sua descaracterização como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Por conseguinte, tratase de crédito insusceptível de correção. Deveras, o aproveitamento do crédito pretendido não se deu imediatamente por opção ou por impossibilidade imputável ao próprio contribuinte, e não por oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, considerado ilegítimo ou ainda pela demora na apreciação do seu pedido além do prazo legal. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.720452/200857 Acórdão n.º 3801003.552 S3TE01 Fl. 15 9 Não há que se falar, no caso presente, que houve a mora da Fazenda Pública, ou a chamada "resistência ilegítima", que poderia eventualmente ensejar o direito à correção monetária do crédito objeto de compensação. Pelo exposto, voto por julgar improcedente o presente recurso voluntário, não autorizando a correção dos valores do pedido de ressarcimento pela SELIC, negando, também, o.crédito relativo às movimentações físicas da matéria prima entre matriz e filial, bem como o aproveitamento, como crédito presumido, das aquisições de combustíveis e energia elétrica. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 402DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10707.001508/2006-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. GANHO DE CAPITAL. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Em regra, no ganho de capital, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, pois sua tributação se dá em separado, não integrando o ajuste anual, sendo que os pagamentos que podem ser computados no ajuste anual não se aproveitam para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4o, do CTN. Verifica-se que, neste processo, não existiu pagamento parcial do imposto referente ao ganho de capital apurado sob litígio.
Assim, aplicável a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o fato gerador do ganho de capital sob litígio apurado nos presentes autos ocorreu em 30/06/2001, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2002, sendo possível o lançamento até 31/12/2006. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 01/12/2006, essa parte do crédito tributário não havia sido fulminada pela decadência.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA.
Incabível a exasperação da multa de ofício quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação ao ganho de capital, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que dava provimento.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator
EDITADO EM: 31/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. GANHO DE CAPITAL. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Em regra, no ganho de capital, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, pois sua tributação se dá em separado, não integrando o ajuste anual, sendo que os pagamentos que podem ser computados no ajuste anual não se aproveitam para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4o, do CTN. Verificase que, neste processo, não existiu pagamento parcial do imposto referente ao ganho de capital apurado sob litígio. Assim, aplicável a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o fato gerador do ganho de capital sob litígio apurado nos presentes autos ocorreu em 30/06/2001, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2002, sendo possível o lançamento até 31/12/2006. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 01/12/2006, essa parte do crédito tributário não havia sido fulminada pela decadência. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA. Incabível a exasperação da multa de ofício quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 08 /2 00 6- 25 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação ao ganho de capital, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que dava provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator EDITADO EM: 31/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2102 00.464, proferido em 02/02/2010, interpõe, através do seu representante legal, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado: Suscita a digna representante da Fazenda Nacional que, nos termos do art. 67o Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária, a 2ª Turma ordinária da 1ª câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgou o Recurso Voluntário nº 166.245, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 210200.464, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Exercício: 2001, 2002 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10707.001508/200625 Acórdão n.º 9202003.170 CSRFT2 Fl. 13 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Estando devidamente fundamentado o julgado, não pode ser acolhida a arguição de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, pela Falta de apreciação minuciosa de todos os pontos da impugnação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimento oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO DO LANÇAMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA. Incabível a exasperação da multa de ofício quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Afastado o dolo, o prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é quinquenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, excepcionase a hipótese indicada na parte final do § 4 o do artigo 150 do CTN. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Provido em Parte. O recurso está manejado quanto: (i) para afirmar que se deve utilizar a regra de decadência do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, quando não houver o recolhimento antecipado do Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 tributo, apontou divergências com o Acórdão n° 910100.460, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 04 de novembro de 2009, e com o Acórdão n° 102 46.461, da 2 a Câmara do I o Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 13 de agosto de 2004; (ii) para defender que a prática reiterada da infração por dois anos consecutivos, bem como a prestação de declarações falsas contendo rendimentos em valores inferiores aos reais percebidos e deduções indevidas, caracterizam evidente intuito de fraude apto a qualificar a multa de ofício, indicou divergências com o Acórdão n° 10196.446, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado na sessão de 09 de novembro de 2007, e com o Acórdão n° 10423.244, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, apreciado na sessão de 29 de maio de 2008. Para arrimar sua pretensão, a PGFN apresenta os seguintes acórdãos como paradigmas: "Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP na 973.733SC, submetido ao regime do art. 543, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (CSRF, ls Turma, ACÓRDÃO 910100.460, Relator: Adriana Gomes Rego, Data da Sessão: 04/11/2009)" "DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O direito de a Fazenda pública constituir de ofício o crédito tributário relativo a rendimentos omitidos pela pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DOAÇÃO Para que a doação seja considerada como rendimento isento ou nãotributável para justificar acréscimo patrimonial a descoberto deve ser comprovada com documentação hábil e idônea, não sendo suficiente apenas a declaração do donatário de que havia recebido de seu genitor." Acórdão na 10246.461. Recurso 135.247. Numero Recurso .150429 Câmara .PRIMEIRA CÂMARA Numero Processo :10909.002969/200568 Tipo do Recurso .VOLUNTÁRIO Matéria :IRPJ E OUTROS Recorrente CONSTRUTORA E INCORPORADORA DE IMÓVEIS PAIXÃOLTDA. Recorrida/interessado :3a TURMA/DRJFLORIANÓPOLIS/SC Data da Sessão: 09/11/2007 01:00:00 Relator .Sandra Maria Faroni Decisão Acórdão 10196446 Resultado :DPPM DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão :Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10707.001508/200625 Acórdão n.º 9202003.170 CSRFT2 Fl. 14 5 por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para ajustar as bases de cálculo dos tributos lançados, conforme relatório de diligência de fls. 1.028 a 1.036 dos autos, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e José Ricardo da Silva, que também reduziam a multa de oficio para 75%. Ementa :NULIDADE SIGILO BANCÁRIO APLICAÇÃO RETROATIVA DALEI COMPLEMENTAR 105/2001 1NOCORRÊNCIA Não cabe alegação de quebra de sigilo bancário no caso de entrega espontânea à fiscalização de extratos das respectivas contas obtidos pelo sujeito passivo diretamente dos bancos de que é cliente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte,regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (...)""Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física 1RPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IMPOSSIBILIDADE A retificação da declaração de rendimentos só é possível mediante a comprovação do erro cm que se funde e antes do início da ação fiscal quanto à matéria que conduziu à autuação. MULTA QUALIFICADA GLOSA DE DESPESAS Caracteriza o evidente intuito de fraude, imprescindível para autorizar a qualificação da penalidade,a prestação de declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido ou obter restituição indevida. Preliminar rejeitada. Recurso negado." Número do Recurso: 152626 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10935.002637/200566 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRP] E OUTROS Recorrente: CAS MADEIRA LTDA. Recorrida/Interessado: 2a TURMA/DRJCURITIBA/PR Data da Sessão: 29/05/2008 00:00:00 Relator: Marcos Rodrigues de Mello Decisão: Acórdão 10517034 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ Anocalendário: 2001, 2002,2003,2004 Ementa: LC 105e Lei 10.174/2001 Aplicase a regra prevista no art. 144 do CTN Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 no que se refere às normas que trazem novos poderes investigatórios à fiscalização.PIS A parti da Lei 9715 o fato gerador e a base de cálculo do PIS voltaram a ser o faturamento do próprio mês e não o do sexto mês anterior. MULTA QUALIFICADA Provada a ocorrência da situação prevista no art. 71,1 da Lei 4502/64, aplicase a multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430.A prática reiterada da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente." "DESPESAS MÉDICAS Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com Documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. MULTA QUALIFICADA GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Diante das circunstâncias constantes nos autos, restou caracterizado o intuito de fraude do contribuinte, em razão de haver prestado declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido, devendo ser mantida a qualificação. Recurso negado." Recurso 152.098. Acórdão 10248712 Em Despacho nº21000390/2010 1ªCâmara [fls. 438/440], o i. Presidente da 1ªCâmara da Segunda Seção deu seguimento parcial ao recurso especial, interposto para as matérias "decadência do ganho de capital" e "multa qualificada", mas não o admitiu para a matéria "decadência dos fatos geradores do ano de 2000”. Devidamente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões em relação ao Recurso Especial interposto pela Fazenda e questionou a admissibilidade do Recurso referente à decadência do ganho de capital e multa qualificada. O contribuinte, por meio de suas contrarrazões, coleciona alguns julgados que entendem que na data da ciência do auto de infração, 01/12/2006, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo ao ganho de capital na alienação dos bens e direitos, haja vista que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário expirou em 30/03/2006, ou seja, após 5 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador que se deu em 30/06/2001. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10707.001508/200625 Acórdão n.º 9202003.170 CSRFT2 Fl. 15 7 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo e demonstrada a divergência, passo ao exame do mérito. No que tange à sua admissibilidade, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial está manejado quanto às seguintes discussões: se deve utilizar a regra de decadência do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, quando não houver o recolhimento antecipado do tributo. a prática reiterada da infração por dois anos consecutivos, bem como a prestação de declarações falsas contendo rendimentos em valores inferiores aos reais percebidos e deduções indevidas, caracterizam evidente intuito de fraude apto a qualificar a multa de ofício. Em relação à decadência, transcrevo o paradigma indicado, acórdão de nº 910100.460: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. Para os fatos geradores do anocalendário de 2000, exercício de 2001, entendo não caber razão ao recorrente. Apesar do paradigma ter decidido que a decadência dos tributos lançados por homologação se submete à regra do art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver recolhimento do tributo por parte do sujeito passivo, enquanto o acórdão recorrido concluiu que esses tributos obedecem aos ditames do art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento antecipado, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, os fatos subjacentes às decisões comparadas são diversos. De fato, no caso em tela, verifico que houve a antecipação de pagamento de Imposto de Renda no período lançado, pois o contribuinte teve imposto de renda retido na fonte de R$ 21.563,41, como demonstrado em sua Declaração Anual de Ajuste do exercício de 2001 (fl. 04). Desta forma, mesmo que se aplicasse o entendimento do paradigma à situação destes autos, o resultado seria o mesmo do acórdão recorrido, carecendo o recurso de interesse processual. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10707.001508/200625 Acórdão n.º 9202003.170 CSRFT2 Fl. 16 9 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, §4º do CTN. No entanto, conforme se observa no precedente vinculante do STJ, devese á aplicar o disposto no artigo 173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Fato imprescindível para a seleção de tal dispositivo é a antecipação de pagamento, por parte do contribuinte, do tributo devido e recolhido a menor. Ao consultar os autos, verifico que o contribuinte se adiantou à quitação fiscal, havendo pagamento [fl. 04], deste modo, verossimilhança entre o fático trazido a este Conselho com aquele objeto da apreciação do Superior Tribunal de Justiça. DO GANHO DE CAPITAL De fato, no caso em tela, verifico que houve a antecipação de pagamento de Imposto de Renda no período lançado, pois o contribuinte teve imposto de renda retido na fonte de R$ 21.563,41 (vinte e um mil quinhentos e sessenta e três reais e quarenta e um centavos), como demonstrado em sua Declaração Anual de Ajuste do exercício de 2001 (fl. 04). Desta forma, mesmo que se aplicasse o entendimento do paradigma à situação destes autos, o resultado seria o mesmo do acórdão recorrido, carecendo o recurso de interesse processual. Entretanto, o paradigma se aproveita para o ganho de capital, pois, nesse caso, não há que se falar em recolhimento antecipado, porque a tributação se dá em separado dos demais rendimentos. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Dessa forma, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra da decadência prevista no artigo 150, §4º do CTN. Assim, no caso em tela, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 01/12/2006. Portanto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, em relação ao ganho de capital auferido pelo autuado na alienação, em 07/2006, não estava decaído, em atenção ao disposto no inciso I, do artigo 173, do CTN. DA MULTA QUALIFICADA Suscita o digno representante da Fazenda Nacional que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria SRF. Em sessão plenária, a 2ª Seção, 1ª câmara, 2ª Turma, julgou o Recurso Voluntário nº 166.245, proferindo a decisão consubstanciadas no acordão de nº 210200.464, por maioria deu parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, assim ementada: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA. Incabível a exasperação da multa de ofício quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Afastado o dolo, o prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é quinquenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, excepcionase a hipótese indicada na parte final do § 4 o do artigo 150 do CTN. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Parcialmente O recurso está manejado quanto à discussão sobre a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a conduta do contribuinte revelar conduta reiterada de omissão de rendimentos. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10707.001508/200625 Acórdão n.º 9202003.170 CSRFT2 Fl. 17 11 Transcrevo o paradigma apresentado, o acórdão nº 10196.446, na parte interessada à discussão: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (...) Todas as infrações foram lançadas com multa qualificada de 150%, cujo fundamento encontramos no Termo de Verificação Fiscal nº 2.442, fls. 273/274. Em que pese o excelente trabalho de auditoria fiscal, desenvolvido pela autoridade autuante, diante dos fatos postos nos autos, entendo de forma diversa que todas as infrações estejam configuradas de forma inconteste da intenção dolosa de redução dos pagamentos do IR. O artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964, conceitua fraude como sendo "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Nestas circunstâncias, resta saber quando um ato praticado em conformidade com o Direito deixa de ser uma prerrogativa do contribuinte para se caracterizar em sonegação tributária, mediante fraude que impõe aplicação de multa qualificada. A qualificação da multa, no Direito Tributário, está sempre vinculada a uma ação ou omissão consciente, com a finalidade de suprimir ou reduzir tributo. O artigo 44, II, daLei n° 9.430, de 1996, ao prever multa de 150% (cento e cinquenta por cento), faz referência aos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30de novembro de 1964. A seu turno, a Lei n° 4.502, de 1964, nos artigos aqui referidos, dispõe, "in verbis": Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal,sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Entendo que a fraude somente se caracteriza a partir de uma ação ou omissão ilícita, o que não é o caso dos autos. Nos autos, a caracterização da qualificação para infrações autuadas está embasada na omissão fundamentalmente. Isso posto, não vejo no presente caso os pressupostos agravantes que permitem a qualificação da multa acima indicada na legislação transcrita e voto por afastála totalmente. Pelo exposto, fica reduzido o percentual da multa aplicada de 150% para 75%, para as infrações da autuação. DISPOSITIVO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, no que tange à decadência do ganho de capital. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005262/2005-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
CIÊNCIA DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. ADMISSIBILIDADE.
Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio profissional do procurador.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em apreciar a tempestividade do recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Alice Grecchi, que entendiam que a tempestividade foi julgada e superada. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) CIÊNCIA DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. ADMISSIBILIDADE. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio profissional do procurador. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em apreciar a tempestividade do recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Alice Grecchi, que entendiam que a tempestividade foi julgada e superada. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) CIÊNCIA DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. ADMISSIBILIDADE. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio profissional do procurador. Recurso Voluntário Não Conhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 52 62 /2 00 5- 36 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005262/200536 Acórdão n.º 2102002.639 S2C1T2 Fl. 309 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em apreciar a tempestividade do recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Alice Grecchi, que entendiam que a tempestividade foi julgada e superada. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra WILSON COELHO Espólio foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Acori (NIRF 2.330.5398), exercício 2002, no valor de R$ 1.950.412,66, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/09/2005. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR devido, em razão da glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal e do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2003 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 24.500,00 há 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 8.381,2 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 1.242.018,50 R$ 4.254.726,30 Inconformado com a exigência, o representante do contribuinte apresentou impugnação, fls. 29/35, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0410.431, de 06/10/2010, fls. 69/80. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005262/200536 Acórdão n.º 2102002.639 S2C1T2 Fl. 310 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30/10/2006, Aviso de Recebimento (AR), fls. 84, o representante do contribuinte apresentou, em 18/01/2007, recurso voluntário, fls. 90/109, trazendo as seguintes alegações: que quando o autuado faleceu a propriedade rural em questão não mais lhe pertencia, pois havia sido transferida a sua posse para seu neto Wilson Araújo Coelho, que por sua vez a transferiu para Fernando Galvão de França, através de instrumento particular de Cessão de Direitos Hereditários, tendo em vista que o imóvel estava sendo objeto de inventário, sendo que os herdeiros, extra judicialmente já haviam partilhado entre si os bens que estavam sendo inventariados. que, em decorrência desses fatos acima narrados, houve extravio de vários documentos, inclusive os relacionados com a Fazenda Acari, razão pela qual não foram eles entregues à fiscalização quando solicitados. que todos os números e valores informados em suas declarações anteriores estavam condizentes com a realidade da época. que não se pode admitir que a autoridade lançadora tenha considerado inexistentes as áreas de preservação natural e de utilização limitada em fazenda encravada no Pantanal Matogrossense. que o Valor da Terra Nua foi arbitrado de forma absurda. que o recorrente encontrou os documentos que estavam extraviados e os junta aqui: ADA e Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e de Terra Nua, demonstrando a inquestionável insubsistência do Auto de Infração. Em 12/02/2007, o representante do contribuinte apresentou petição, fls. 181, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Cuiabá, onde requereu que fosse certificado que o recurso interposto em 18/01/2007 foi protocolizado no prazo legal, em razão de o acórdão da autoridade julgadora de primeira instância ter sido erroneamente encaminhado ao endereço Rua Padre João Crippa, 2326 – Campo Grande/MS. Esclareceu, ainda, que no início do processo, foi requerida a inclusão no cadastro de endereço para comunicações futuras (Rua Desembargador Trigo de Loureiro, nº 308 – Cuiabá/MT). Os autos foram encaminhados a este CARF para julgamento, em 05/05/2007, conforme Despacho, fls. 197, onde consta a informação de que o endereço do AR, fls. 84, é o mesmo para onde foi encaminhada a intimação do exercício 2001, onde houve tempestiva apresentação do recurso voluntário. Em sessão plenária realizada em 17/10/2007, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 3011.898), nos seguintes termos: Assim, entendo restarem necessárias elucidações quanto à verdadeira área do imóvel denominado "Fazenda Acori", juntandose aos autos cópia da matrícula do seu registro imobiliário, a fim de que se verifique a existência ou não da averbação da área de reserva legal na sua matrícula. Ademais, verifico que, à fl. 15 dos autos, o VTN constante da tabela SIPT não se encontra informado, uma vez que a impressão ali constante não traz nenhum outro valor senão Fl. 339DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005262/200536 Acórdão n.º 2102002.639 S2C1T2 Fl. 311 4 aquele declarado pelo contribuinte, de modo que se fazem necessários esclarecimentos quanto ao valor adotado pela Fiscalização para o VTN. Cumprida a diligência, os autos foram devolvidos a este CARF pela autoridade de jurisdição do contribuinte, conforme Despacho, fls. 307. É o Relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005262/200536 Acórdão n.º 2102002.639 S2C1T2 Fl. 312 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora De imediato, cumpre registrar que na Resolução que converteu o julgamento em diligência, a relatora defendeu a tese da intempestividade do recurso e informou que vencida entendeu necessária a realização de diligência para a solução da lide, no mérito. Contudo, frisese que a decisão do colegiado que constou do dispositivo foi de, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, sem que fosse feita nenhuma referência do julgamento da tempestividade do recurso, razão porque entendo que tal preliminar deva ser apreciada nesta sessão de julgamento. Corrobora tal entendimento a ausência de voto vencedor e a indicação dos Conselheiros, por ventura, vencidos. Pois muito bem. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte, na pessoa de seu representante legal, tomou ciência da decisão de primeira instância em 30/10/2006, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 84, no qual se verifica que a intimação foi entregue no domicílio fiscal da inventariante do espólio, fls. 81. Já o recurso, por sua vez, foi apresentado em 18/01/2007, fls. 90/109, depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. A defesa alega que, no início do processo, requereu a inclusão de novo endereço no cadastro para comunicações futuras. Na verdade, o representante do contribuinte não solicitou a alteração do domicílio fiscal, seja do espólio ou da inventariante. Apenas fez constar em uma resposta, fls. 22, endereçada ao AuditorFiscal, responsável pelo procedimento fiscal, que deu causa ao lançamento, a solicitação para que as futuras comunicações fossem encaminhadas para determinado endereço, diverso do domicílio fiscal da inventariante, com clara indicação de que sua pretensão era de que a ciência das intimações relativas aos atos processuais da correspondente fiscalização se dessem na pessoa do procurador, posto que indicou, juntamente com o endereço, o número de seus telefones de contato e também o seu endereço eletrônico. Importante lembrar que a alteração do domicílio fiscal dos contribuintes é regida pelo disposto no parágrafo único do art. 30 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), a seguir transcrito: TRANSFERÊNCIA DE DOMICÍLIO Art.30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005262/200536 Acórdão n.º 2102002.639 S2C1T2 Fl. 313 6 município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas. Como se vê, a simples comunicação em resposta a Termo de Intimação Fiscal não atende ao determinado no dispositivo acima citado e não tem o condão de tornar ineficaz ciência por via postal, realizada nos termos do disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, conforme se infere da ementa do Acórdão nº 10614.559, de 14/04/2005: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CIÊNCIA DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR ADMISSIBILIDADE Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio profissional do procurador. Por fim, trazse a seguir a Súmula CARF nº 9, que se aplica ao presente caso: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017587/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;
É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio.
O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 30, por não confeccionar a folha de pagamento nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 30, por não confeccionar a folha de pagamento nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pósgraduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerarseá o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 87 /2 00 9- 39 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 30, por não confeccionar a folha de pagamento nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017587/200939 Acórdão n.º 2302003.188 S2C3T2 Fl. 631 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 579 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de auto de infração lavrado contra a FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI, por infringência ao disposto na Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso I combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso I e § 9º. Conforme relatório fiscal da infração (fl. 5), o sujeito passivo deixou de preparar folhas de pagamento com as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço. Especificamente, não foram incluídas em folhas de pagamento as informações relativas à remuneração dos segurados empregados, constantes do demonstrativo anexo, considerados pelo contribuinte, incorretamente, como não vinculados ao Regime Geral da Previdência Social. Consta, ainda no relatório fiscal do auto de infração: que a falha foi constatada através da verificação da contabilidade, contratos e requerimentos de Bolsas de Estágio, relação de bolsistas e Fichas de Registro de Empregados apresentados pela empresa durante Procedimento Fiscal. que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 290. De acordo com as informações do relatório fiscal da multa aplicada (fl. 6) e, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 1.329,18, calculada da forma prevista pela Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e pelo Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 283, inciso I, alínea “a” e artigo 373. O valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 48, de 12/2/2009, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 13/2/2009. O auditor elaborou quadro contendo nome, CPF, remuneração por competência dos segurados empregados tratados como bolsistas pela Fundação Christiano Ottoni (fls. 33/106). Fl. 632DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 A ação fiscal foi precedida do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 8/9), do qual foi dada ciência ao contribuinte no dia 30/3/2009 (conforme assinatura à fl. 9). A documentação para realização do procedimento fiscal foi solicitada por meio do mencionado TIPF e por meio dos Termos de Intimação Fiscal – TIF (fls. 10/15). Cientificada do presente AI em 15/12/2009, conforme assinatura à fl. 2, a autuada apresentou defesa (fls. 130/148) em 11/01/2010 (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 596 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: a) nulidade da decisão, em razão do cerceamento do direito de defesa, por não ter sido dada oportunidade à recorrente para a produção de prova testemunhal; b) afirma que a decisão colegiada não enfrentou todos os vícios apontados pela recorrente; c) incompetência da autoridade para o reconhecimento de vínculo empregatício; d) as supostas irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77 e do Decreto 87.497/82, motivo pelo qual a autuada não pode ser punida por fato pretérito ocorrido antes da vigência da nova lei; e) para que haja a caracterização de vínculo empregatício, nos termos da Lei 6.494/77, não são meras irregularidades que automaticamente ocasionam a existência de vínculo, mas sim o desvirtuamento do seu objetivo, o que não é o caso dos autos; f) as bolsas estavam vinculadas a um projeto, ao contrário do asseverado na decisão, constando tais projetos do termo de requerimento de bolsa, bem como das portarias expedidas, não havendo que se falar em reconhecimento de vínculo empregatício; g) as atividades desenvolvidas pelos bolsistas não são atividades fins da autuada; h) inexistência de subordinação, existindo apenas coordenação e acompanhamento; i) bolsa não deve ser confundida com remuneração, pois possui natureza fomentadora e não de contraprestação; j) os valores destinados ao ensino superior não são considerados salários de contribuição, não incidindo qualquer recolhimento previdenciário. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017587/200939 Acórdão n.º 2302003.188 S2C3T2 Fl. 632 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Aduz a recorrente que o lançamento deve ser anulado por não ter sido dada oportunidade ao contribuinte para a apresentação de prova testemunhal. Compulsando os autos verificase que, conforme os documentos discriminados no relatório fiscal, foram analisados diversos documentos que deram ensejo à lavratura do auto de infração em questão. Assim, cumpre salientar que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Segundo esse princípio, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos ao processo. Dessa forma, esvaziam as argumentações trazidas pelo contribuinte no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo, pois o julgador pode analisar as provas necessárias à formação de sua convicção, não estando vinculado a análise deprovas que não sejam pertinentes ou sejam desnecessárias ao esclarecimento dos fatos. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. Cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A recorrente, em suas alegações, não afastou a existência do descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, que vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/91, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias. Desse modo, passo a enfrentar os argumentos trazidos pelo contribuinte, com os fundamentos também delineados na análise da exigência da obrigação principal. DAS BOLSAS DE ESTÁGIO, MONITORIA, INICIAÇÃO CIENTÍFICA, APERFEIÇOAMENTO, MESTRADO E DOUTORADO. A fiscalização Fl. 634DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 considerou os contratos de concessão como irregulares, pois não tinham a intermediação obrigatória da instituição de ensino, e nem qualquer vinculação ao convênio celebrado entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a recorrente. Também afirmou que não restou comprovado que o estágio estava na programação pedagógica da UFMG. Em seus argumentos, a recorrente dispõe que as irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77. Entretanto, cabe salientar que o relatório fiscal do auto de infração, relativo à obrigação principal (processo nº 15504.017584/200903) tomou como base a lei vigente à época do período fiscalizado, como segue (fl. 60): 7. A legislação determina que para a caracterização e realização efetiva do Estágio existe a obrigatoriedade deste estar inserido na programação didáticopedagógica da Instituição de Ensino que o estudante frequenta e fazer parte do currículo escolar, constituindose em complementação de aprendizado e, ainda, são exigíveis os seguintes instrumentos jurídicos: CONVÊNIO DE ESTÁGIO, que é um acordo de parceria entre a Unidade Concedente e a instituição de ensino; TERMO DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO, documento celebrado entre o estudante e a empresa concedente, com interveniência obrigatória da Instituição de Ensino de origem do estudante, que se constitui como documento exigível para comprovação de inexistência de vínculo empregatício, devendo mencionar em seu conteúdo o convênio de estágio a que se vincula (art. 3º da Lei 6.494/77 – artigos 5º e 6º §§1º e 2º do Decreto 87.497/82). Acrescentese que os documentos analisados foram: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento constantes da conta corrente da empresa, Contratos de Concessão de Bolsas dos Estagiários e Bolsistas servidores da UFMG, Projetos de Pesquisa, legislação pertinente, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), telas de vínculo empregatício do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para confirmação de vínculos dos bolsistas da UFMG, documentação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), documentação de salário maternidade, fichas de registro de empregados, livros razão, livros diários n.º 73 a 78 registrados no Cartório de Pessoas Jurídicas José Neri sob o n.º 66.455 – Livro A em 05/09/2006, averbados, respectivamente, sob números 522 a 527, foi apresentado também os dados em arquivos digitais. Desse modo, observase que a constatação da infração teve como base inúmeros documentos que identificaram o descumprimento do previsto na legislação aplicável à concessão de bolsas. Pelo que se extrai dos autos, não restou demonstrado o cumprimento de todos os requisitos da Lei n.º 6.494/77, bem como do seu regulamento (Decreto 87.497/82), portanto, encontramse presentes os elementos caracterizadores do segurado empregado, sendo que as importâncias pagas a título de bolsa estágio integram o saláriodecontribuição, conforme art. 28, § 9º, alínea “i”, da Lei 8.212/91, impondose o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo tacitamente pactuado sob o título de estágio, pois estão presentes todos os pressupostos da relação de emprego, quais sejam: não eventualidade; subordinação; pessoalidade e onerosidade. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017587/200939 Acórdão n.º 2302003.188 S2C3T2 Fl. 633 7 DAS BOLSAS DE ENSINO E EXTENSÃO. A concessão de bolsas de ensino e extensão está prevista na Lei n.º 8.958/94 e no Decreto n.º 5.205/2004. Assim, verificase que é necessário o cumprimento de alguns requisitos previstos em lei, dentre eles o de que as bolsas de ensino, pesquisa ou extensão devem estar necessariamente vinculadas a um projeto de pesquisa, ensino ou extensão, ou para o desenvolvimento institucional, científico ou tecnológico de interesse das instituições federais contratantes, elaborado previamente, conforme metodologia científica aplicável à espécie, para fins de não incidência de contribuições sociais. Salientese que a recorrente não apresentou nenhuma comprovação de que os projetos tenham sido consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. Ao final, destacase que a multa pela infração em destaque é fixa, independentemente do número de transgressões, de sorte que basta um único caso de descumprimento do preceito legal para que o Auto de Infração prospere. Assim, não tendo a recorrente desconstituído a totalidade das infrações, cumpre manter o Auto de Infração, na forma como lavrado. Desse modo, descumprido requisito legal, considerase saláriode contribuição o pagamento das referidas bolsas, sendo, portanto, passível de incidência tributária. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 636DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10820.002540/2002-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
EXERCÍCIO: 1998
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO.
Para ser considerada como isenta a área declarada como de reserva legal deve ser averbada a margem da matricula do móvel no registro competente podendo ser acatada tal averbação inclusive quando realizada em data posterior à da ocorrência do fato gerador.
No caso aqui dos autos, o contribuinte logrou averbar a área de reserva legal em 2003, após o exercício fiscalizado (1998) e após o início da ação.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justiificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. Para ser considerada como isenta a área declarada como de reserva legal deve ser averbada a margem da matricula do móvel no registro competente podendo ser acatada tal averbação inclusive quando realizada em data posterior à da ocorrência do fato gerador. No caso aqui dos autos, o contribuinte logrou averbar a área de reserva legal em 2003, após o exercício fiscalizado (1998) e após o início da ação. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 25 40 /2 00 2- 06 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justiificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Recorrente tomou conhecimento do Auto de Infração em epígrafe, relativamente ao ITR/98 (anobase: 1997) no valor de R$ 169.295,82 (principal), decorrente de glosa das áreas d preservação permanente (560,1 ha) e utilização limitada (931,3 ha), e razão de, segundo o Autuante, falta de protocolização tempestiva do ADA junto ao IBAMA e ausência de comprovação das áreas de preservação permanente e utilização limitada, bem assim de averbação da reserva legal. Irresignada, apresentou recurso voluntário requerendo a reforma do julgamento realizado pela lª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS) QUE por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 4.865, de 03 de dezembro de 2004 (fls. 370 a 388). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: 1 a exigência do ADA — Ato Declaratório Ambiental, com fulcro na ISRF n° 67/1997, para as Areas de preservação permanente e reserva legal é manifestamente ilegal. Ademais, o ADA foi apresentado, mesmo de forma extemporânea, o que não tem de desnaturar o cumprimento dessa obrigação acessória, que poderia, se previsto legalmente, apenas a aplicação de uma multa pecuniária, mas jamais fazer nascer a obrigação tributária do ITR; 2 quando o fiscalizado apresentou a DITR consolidadora das propriedades rurais auditadas, informou a área de preservação permanente inferior Aquele constante de Laudo Técnico, este que dava conta de uma Area de 953,0 hectares. Ademais, em 02/12/2002, três dias após a entrega da DITR consolidadora, protocolizou o ADA no lbama, informando uma área de 460,1 hectares de APP e 931,3 hectares de utilização limitada; 3 Logo em seguida, 03/12/2002, a contribuinte requereu ao DEPRN a averbação da reserva legal da area de 836,08 ha, sendo que Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10820.002540/200206 Acórdão n.º 9202003.064 CSRFT2 Fl. 12 3 posteriormente, ou seja, em 1712/2003, quando aprovado pelo órgão anibiental competente (DEPRN), tal area foi finalmente averbado à margem da matricula do imóvel, conforme atesta a Certidão constante dos autos. 2.2.7. E de suma importância observar que essa área, muito embora tenha sido averbada em 2003, retrata a situação vigente à época da ocorrência do fato gerador, pois tratase de floresta estacional semi decidua em estagio de sucessão avançado, conforme atesta parecer técnico florestal emitido pelo órgão ambiental competente, in casu o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DEPRN, cópia em anexo, o que quer dizer que essa mata possui dezenas e dezenas de anos de existência" (fl. 404 — transcrição do recurso voluntário); 4 hesitante no tocante à dimensão das Areas de interesse ambiental (APP, reserva legal e de interesse ecológico), contratou a confecção de Laudo Técnico, subscrito por profissional habilitado, quando constatou que as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de utilização limitada (interesse ecológico) montavam 147,9ha, 929,1ha e 826,3ha, respectivamente, informações essas em linha com o Parecer Técnico Florestal emitido pelo DEPRN e superiores As constantes no lançamento; 5. Imperioso se faz informar, senhores julgadores, que conforme já reconhecido por essa e. Corte, o fato de o área de reserva legal ter sido averbado à margem da matricula do imóvel em data superveniente à da ocorrência do fato gerador não possui o condão de desnaturar as características naturais do imóvel em questão e, por conseguinte, de tolher o contribuinte do direito de beneficiarse da isenção dai decorrente" (fl. 407 — transcrição do recurso voluntário); 6 No que respeita a área de preservação permanente, há que se considerar, se não aquela informada na DITR/98, no Laudo Técnico Divergente ou no ADA, pelo menos aquela área informada no Relatório Técnico de Análise de Utilização de Imóvel Rural que, conforme dito, foi elaborado por técnico agropecuária devidamente habilitado junto ao CREA, e está acompanhado de cópia da ART correspondente. 2.3.8. Já no que tange a área de utilização limitada (de interesse ecológico), a contribuinte igualmente informa que ela figura em todos os documentos colacionados (Laudo Técnico Divergente, Parecer Técnico Florestal e Relatório Técnico de Análise e Utilização de Imóvel Rural), além do que a mesma foi declarada, junto ao MAMA, por meio de Ato Declaratório Ambiental protocolizado três dias depois da apresentação da DITR/98 consolidadora, portanto, tempestivamente." (fl. 408 — transcrição do recurso voluntário); 7. Assim, demonstrado, pois, que a área de 931,3 ha encontra se devidamente registrada no Ato Declaratório Ambiental ADA de 02/12/2002, o que é ratificado pelo Parecer Técnico Ambiental do DEPRN (em anexo) e, também, pelo Relatório Técnico de Análise, resta patente que a desconsideração/glosa desta mesma área foi totalmente equivocada, o que torna sem efeito o lançamento o que torna sem efeito o lançamento correspondente" (fls. 411 e 412 — transcrição do recurso voluntário). Em face da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso, ou seja, reconheceu área de preservação permanente, no entanto, não reconheceu a área de reserva legal, sob o argumento de que a averbação da mesma ocorreu após o inicio da ação fiscal. Vejase a ementa do referido acórdão: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercicio: 1998 AREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO A MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS EM MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A averbação da reserva legal pode ser feita após a ocorrência do fato gerador, notadamente quando existem laudos técnicos que denunciam a existência da área preservada no exercício em debate. Entretanto, devese definir um termo final para a averbação, especificamente o momento anterior ao inicio da ação fiscal, sob pena de se esvaziar completamente a exigência legal tributária da averbação, como condição de fruição da isenção legal, pois, acatandose a averbação após o inicio da ação fiscal, os contribuintes somente a implementariam quando sob fiscalização, situação que desnatura os objetivos tributários/ambientais da tributação do ITR. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA LASTREADA NA NÃO APRESENTAÇÃO DO ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. IMPOSSIBILIDADE. Como é de conhecimento geral, a jurisprudência do CARF inclinouse pela inviabilidade da glosa da area de preservação permanente em decorrência unicamente da ausência de ADA, para exercícios anteriores a 2001, posição que foi cristalizada na SÚMULA CARF N° 41: A apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. A Recorrente, por meio de Recurso Especial, insurgese contra o referido Acórdão (210201.044) proferido pela e. 1ª Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quanto à parte mantida, uma vez que este se mostra em flagrante divergência com os venerandos Acórdãos infratranscritos, prolatados pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em relação a desconsideração da área de reserva legal, vez que a mesma somente foi averbada após o inicio da ação fiscal. Requer também, seja reformado, quanto a parte mantida, o acórdão ora guerreado, ou seja, no que tange ao reconhecimento da isenção, relativa a área de reserva legal, cancelando o lançamento em tela. Alega que Assim, a decisão exarada no Acórdão recorrido contrapõese aos julgados prolatados pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes abaixo: ITR/1997. PROTOCOLO DO ADA. AVERBAÇÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL. A inusitada pretensão das IN SRF 47/97 E 67/97 de erigir o protocolo de requerimento de ADA perante o IBAMA, como comprovação da exigência da área de uso limitado, é execrável, primeiro porque nada comprova, segundo porque do requerimento constam tãosomente as informações prestadas pelo interessado, que não tem maio relevância do que a declaração prestada 6 SRF via DITR. A glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal pela fiscalização não se deu porque duvidasse da sua efetiva existência na data do fato gerador do ITR/97 mesmo antes dessa data, mas simplesmente porque o requerimento do ADA ao iBAMA se deu após o prazo especificado pela SRF, bem como a área de reserva legal não se encontrava averbado no Cartório de Registro de Imóveis na data da ocorrência do fato gerador do tributo. Não há sustentação legal para exigir nem uma coisa nem outra como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo /TR. Não se admite sustentação legal no Código Florestal para exigir averba cão das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10820.002540/200206 Acórdão n.º 9202003.064 CSRFT2 Fl. 13 5 tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de . servidão federal, conforme definição na Lei 4.771/65 (Código Florestal). 0 reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de imóveis. No caso concreto foi demonstrado a existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente por meio de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, Termo de Compromisso perante o IBAMA EM 1996 e outras provas documentais, inclusive a obtenção de ADA em 1998 e a averba cão à margem da matricula do imóvel procedida em 2002. (Acórdão n°30331705). ITR/97. RESERVA LEGAL. Para ser considerada como isenta a área declarada como de reserva legal deve ser averbada margem da matricula do movel no registro competente podendo ser acatada tal averbação inclusive quando realizada em data posterior à da ocorrência do fato gerador. AREAS DE PASTAGEM. Não comprovadas as alegações relativas à criação de gado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão n°. 30331463). Outrossim, por meio do despacho de fls. 550, o em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso especial do contribuinte quanto ao limite temporal para a averbação da área de reserva legal para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. É o relatório Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos nºs 30331705 e 03314631, ora adotados como paradigmas, determina que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA ou mesmo de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, mormente quanto lastreadas em Laudo Técnico com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, bem como a necessidade de averbação da reserva legal junto à Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. Consoante se infere dos autos, conclui se que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL – AVERBAÇÃO E ADA INTEMPESTIVOS Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar se á: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, desteartigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10820.002540/200206 Acórdão n.º 9202003.064 CSRFT2 Fl. 14 7 prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento inscrito no Acórdão recorrido. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando lhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, deve ser admitidas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/ 2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tão somente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10820.002540/200206 Acórdão n.º 9202003.064 CSRFT2 Fl. 15 9 Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/ GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17º na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/ 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/ MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/ 01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 10 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/ PR 28 de junho de 2011) Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Por sua vez, relativamente à exigência do ADA para fins de comprovação da área de reserva legal, o mesmo entendimento encimado deve ser levado a efeito na análise da demanda, acrescentando se as seguintes peculiaridades. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)vemitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressalta se que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Partindo dessas premissas, tratando se de área de reserva legal/utilização limitada, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que averbada e apresentado o ADA intempestivamente, impõe se o restabelecimento de parte referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. No caso aqui dos autos, o contribuinte logrou averbar a área de reserva legal em 2003, após o exercício fiscalizado (1998) e após o início da ação Não obstante, por ter efeito declaratório, entendo que deve ser afastada a glosa. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10820.002540/200206 Acórdão n.º 9202003.064 CSRFT2 Fl. 16 11 DISPOSITIVO Em face do exposto acima, CONHEÇO DO RECURSO E DOU PROVIMENTO ao recurso interposto pelo contribuinte a fim de que seja reconhecida a isenção, relativa a área de reserva legal. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 12457.002328/2011-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 02/10/2007 a 01/07/2010
OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. CONTA PRÓPRIA. CESSÃO DO NOME. POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. PENALIDADE.
A prévia transferência de recursos financeiros para fechamento de câmbio e pagamento de tributos incidentes nas operações de importação, ostensivamente realizadas por importador sem recursos materiais e financeiros, por adquirente que não figurou como tal nas declarações de importação respectivas, descaracteriza as operações como sendo por conta própria e revela que as mesmas foram realizadas por conta e ordem destes, com cessão do nome do importador com vistas a sua ocultação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONTA PRÓPRIA. CESSÃO DO NOME. POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. PENALIDADE. A prévia transferência de recursos financeiros para fechamento de câmbio e pagamento de tributos incidentes nas operações de importação, ostensivamente realizadas por importador sem recursos materiais e financeiros, por adquirente que não figurou como tal nas declarações de importação respectivas, descaracteriza as operações como sendo por conta própria e revela que as mesmas foram realizadas por conta e ordem destes, com cessão do nome do importador com vistas a sua ocultação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 00 23 28 /2 01 1- 42 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório EMUNÁ BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR registrou, entre 02/10/2007 E 01/07/2010, dezoito declarações de importação (DI), declarando tratarse de importações realizadas por sua própria conta (recursos próprios) e ordem (pedido/demanda própria): NÚMERO DA DI CNPJ DO IMPORTADOR CNPJ DO ADQUIRENTE DATA DE REGISTRO DA DI VALOR DA IMPORTAÇÃO (USS) VALOR DA IMPORTAÇÃO (RS) 07/13372170 08.918.424/000141 08.918.424/000141 02/10/2007 3.132,99 5.761,25 07/16986641 08.918.424/000141 08.918.424/000141 06/12/2007 3.099,99 5.652,21 08/03812935 08.918.424/000141 08.918.424/000141 12/03/2008 3.313,98 5.632,45 08/10801471 08.918.424/000141 08.918.424/000141 17/07/2008 2.068,34 3.290,71 08/12430926 08.918.424/000141 08.918.424/000141 13/08/2008 23.151,92 37.385,70 08/15152129 08.918.424/000141 08.918.424/000141 25/09/2008 23.705,06 43.242,74 08/19727690 08.918.424/000141 08.918.424/000141 10/12/2008 33.397,44 82.454,92 09/04279388 08.918.424/000141 08.918.424/000141 07/04/2009 6.098,90 13.461,49 09/04724144 08.918.424/000141 08.918.424/000141 16/04/2009 19.744,28 43.192,56 09/09690949 08.918.424/000141 08.918.424/000141 28/07/2009 5.889,14 11.165,82 09/09981382 08.918.424/000141 08.918.424/000141 03/08/2009 6.026,15 11.335,80 09/14383870 08.918.424/000141 08.918.424/000141 20/10/2009 26.186,12 44.869,93 09/14481023 08.918.424/000141 08.918.424/000141 21/10/2009 8.180,63 14.013,42 09/14664632 08.918.424/000141 08.918.424/000141 23/10/2009 20.651,19 36.015,69 09/16328320 08.918.424/000141 08.918.424/000141 20/11/2009 10.912,35 18.663,39 09/17345767 08.918.424/000141 08.918.424/000141 08/12/2009 11.046,18 18.923,22 09/17673888 08.918.424/000141 08.918.424/000141 14/12/2009 18.813,51 33.162,54 10/08700527 08.918.424/000141 08.918.424/000141 26/05/2010 6.856,21 12.699,08 Valor Total das Importações em US$ e R$: 232.274,38 440.922,92 As operações pretendiam nacionalizar variados tipos de produtos, principalmente artigos de bazar, eletroeletrônicos portáteis, ferramentas, relógios, pilhas, papelaria, brinquedos e objetos de decoração, produzidos na China, Hong Kong e Índia. Em razão da detecção de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica, a sociedade foi incluída em procedimento especial de fiscalização aduaneira, ao final do qual restou caracterizada a cessão de nome pela EMUNÁ BRASIL para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários (Oscar Reny Teixeira Ramos, LSN Comercial, Imp. e Exp. de Prod. Elet. Ltda., Importadora Sonistar Ltda., Importadora PDR Ltda., JH Cassanei EPP, Verginio Cassanei ME e Chandra Sol Comercial Ltda., cfe. rol das fls. 411 e 412) infração punível com multa de 10% (dez por cento) do valor de cada operação acobertada, conforme previsto no artigo 33, caput, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, no valor de R$ 93.245,49, aplicada por meio do Auto de Infração de fls. 407 e 408. Há notícia de que houve Representação Fiscal para Fins Penais no processo 12457.002329/201197. Em impugnação de fls. 468 a 501, o autuado opôs as seguintes alegações: 1. de ausência de materialidade da infração: Não há nos autos do PAF notícia, ou indicação, de ter havido diligência, ou qualquer outro procedimento levado a efeito nos estabelecimentos dos destinatários das mercadorias consideradas, que tenham apurado prática dos ilícitos imputados pela Autoridade Fazendária, quais sejam: a. subtrair receitas decorrentes das operações de revenda ao consumidor final, as quais seriam base de cálculo para demais impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro (Pis/Pasep, COFIS, IRPJ e CSLL) Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12457.002328/201142 Acórdão n.º 3403003.022 S3C4T3 Fl. 565 3 b. não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior c. esquivarse de eventuais sanções penais. 2. A Autoridade Fazendária não apontou, em sua informação fiscal, haver constatado que aqueles destinatários deixaram de faturar suas vendas, ou que as tivessem subfaturado, pelo que pudesse estabelecer nexo de causalidade entre as teorias genéricas expendidas e os fatos reais que se apresentam no presente feito. E mesmo que o tivesse feito, não restaria demonstrada a verdade material como quer aquela Autoridade Fazendária, posto que não seja o que praticou a autuada. 3. da presunção: reclama das conclusões apresentadas pela fiscalização em relação `contabilidade da interessada, afirmado ser improcedente a acusação de que todas as operações não foram efetuadas com recursos próprios. Afirma que todas as operações tratamse de importação própria. Alega que a Fiscalização esqueceuse de apurar o capital de giro da sociedade, nele incluso o próprio capital social; 4. dos limites do poder de policia: alega que as declarações prestadas pela sócia da impugnante (Sra. Iracema), em sua residência, foram obtidas de forma unilateral, sem que fosse concedido o direito ao contraditório, somado ao constrangimento sofrido pela mesma, não podendo ser utilizadas como prova. Também pelas ações demonstradas pela autoridade fiscal, entende que essa exorbitou do Poder de Policia, não respeitando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, da ponderação e da adequação, pois iniciou sua fiscalização em uma empresa e depois envolveu várias empresas, alegou fatos inexistentes, tentou imputar ilegalidades em atos jurídicos perfeitos e acabados sem qualquer respaldo fático, enfim exorbitou de suas funções, não podendo receber o beneplácito dos julgadores no sentido de manter incólume o presente PAF; 5. da multa aplicada pela autoridade fiscal: a multa cominada no artigo 33, caput, da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada em desatenção aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e do não confisco. 6. do processo reflexo decorrente: requer a decretação da improcedência da representação para DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ da requerente antes da prolação de decisão nos Processos Administrativos Fiscais que ensejaram o presente feito A impugnação foi julgada improcedente pela 11ª Turma da DRJ/SP1. O Acórdão nº 1655.262, de 13 de fevereiro de 2014, fls. 513 a 537, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 02/10/2007 a 01/07/2010 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS AO ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS. Incorre na multa tipificada no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a pessoa jurídica importadora que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, omitindo os dados da empresa encomendante das mercadorias na Declaração de Importação, acobertando assim o real interveniente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 11ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 542 a 562, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a arguição de falta de provas da acusação fiscal e que, tanto a autoridade fiscal, como o a julgadora, simplesmente basearamse em presunções, indícios e generalizações impróprios. Lembra que foi habilitada pela SRF, o que comprovaria a sua capacidade financeira. Transcreve doutrina sobre o uso de presunções e sobre o ônus da prova. Insiste em que “...levou a efeito as importações de forma lícita, pagou os tributos devidos (fato mencionado no próprio PAF) e agregou à respectiva "margem", nas operações consideradas...”. Transcreve jurisprudência que entende amparar sua tese de defesa. Destaca que a situação fática subsumese no disposto no art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006, que descaracteriza como importação por conta e ordem de terceiro a importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias para revenda a encomendante predeterminado. Na continuação discorre sobre a infração que lhe foi imputada, para asseverar que, no procedimento da recorrente, não restou comprovado qualquer objetivo fraudulento ou malicioso, a justificar a aplicação da multa sobre valor aduaneiro. Entende que, para que se justifique a apreensão para posterior aplicação da pena de perdimento de mercadorias na importação/exportação e na sua falta, a aplicação de multa pelo valor aduaneiro, é necessário que os indícios de irregularidade sejam robustos e consistentes, que não se vislumbram no auto de infração atacado. Não há nos autos prova indubitável no sentido alegado pela autoridade fiscal que somente fez uso das expressões constantes do dispositivo legal, mas não conseguiu provar sua ocorrência. Retoma, com veemência a insurgência contra a forma com que foram obtidas as provas que instruem o Auto de Infração. Tacha de ilícita a prova obtida na residência da sócia, com exorbitância do poder de policia, e em desrespeito dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, da ponderação e da adequação. Prossegue com alegações contra a responsabilização subsidiária dos sócios e de terceiros. Diz tratarse de matéria afeta ao poder judiciário e que não cabe ao Fisco dizer que elege o sujeito passivo da obrigação tributária. Transcreve doutrina. Afirma que, no caso em questão a autoridade fiscal simplesmente elegeu, ao arrepio da lei, o despachante aduaneiro que desembaraçou a importação como sujeito passivo solidário, como também mais 03(três) empresas, na contramão de todo o arcabouço jurídico pátrio, da doutrina e jurisprudência, pois a eleição da solidariedade somente ocorre nas hipóteses previstas em lei. Pede a improcedência da responsabilização do despachante SANDRO LUIZ KEDZIERSKI e das empresas OSCAR RENY TEIXEIRA RAMOS, IMPORTADORA SONISTAR LTDA. e IMPORTADORA PDR LTDA. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12457.002328/201142 Acórdão n.º 3403003.022 S3C4T3 Fl. 566 5 Finalmente, alega que, em atenção ao art. 112 do CTN, a penalidade aplicada jamais poderá ser superior a 10%, conforme o previsto no artigo 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 542 a 562 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP111ª Turma nº 1655.262, de 13 de fevereiro de 2014. A acusação fiscal é de que EMUNÁ BRASIL, mediante cessão de nome, importou por "ordem" (pedidos), e na maioria dos casos também por "conta" (com recursos) de terceiros acobertados das relações obrigacionais tributárias — as empresas OSCAR RENY TEIXEIRA RAMOS; LSN COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, IMPORTADORA SONISTAR LTDA; JH CASSANEI EPP; VERGINIO CASSANEI ME; IMPORTADORA PDR LTDA; e CHANDRA SOL COMERCIAL LTDA. Adicionalmente, a EMUNÁ BRASIL não cumpriu qualquer dos requisitos legais para realizar importações por conta e ordem de terceiros, nem para encomendantes predeterminados. Desse modo, na medida em que constou no SISCOMEX e em toda documentação analisada como se tivesse registrado importações por conta própria, encobriu os reais adquirentes/encomendantes das dezoito importações registradas em seu nome, de nºs s 07/13372170, 07/16986641, 08/03812935, 08/10801471, 08/12430926, 08/15152129, 08/19727690, 09/04279388, 09/04724144, 09/09690949, 09/09981382, 09/14383870, 09/14481023, 09/14664632, 09/16328320, 09/17345767, 09/17673888 e 10/08700527. A defesa, a seu turno, alega a falta de provas da materialidade e o apoio exclusivo em meras presunções, decorrentes das dificuldades com que se defrontou a Fiscalização para obter provas do ilícito imputado. Endosso integralmente as considerações tecidas pela decisão recorrida acerca das provas em direito tributário penal. No processo administrativo fiscal, não há falar em prova tarifada. Não há hierarquia absoluta entre os meios de prova e o julgador pode se apoiar sobre qualquer uma delas para o seu convencimento, desde que o faça motivadamente. O sistema da persuasão racional do juiz está consagrado na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB/88, art. 93, inc. IX, combinado com os arts. 131 e 436 da Código de Processo Civil – CPC Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Em suma, na busca pela verdade material, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente pouco podem atestar, compilados, têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Se a prova direta, no presente caso, efetivamente não existe, a prova indiciária, por outro lado, é robusta. A Fiscalização trouxe aos autos elementos que demonstram, que EMUNÁ Brasil, desde sua formação, não dispunha de capital próprio para realizar operações de comércio exterior, e que a mesma recebeu depósitos em conta corrente, para pagar impostos e para realizar o fechamento de câmbio das importações. Esses recebimentos estão documentados por notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, TED’s, extratos bancários e mesmo pela contabilidade da autuada, e apontam, consistentemente, para Oscar Reny Teixeira Ramos (DI’s nºs 07/13372170, 07/16986641, 08/03812935, 08/10801471), LSN Comercial, Imp. e Exp. de Prod. Elet. Ltda. (DI nº 08/12430926), Importadora Sonistar Ltda. (DI’s nºs 08/15152129, 09/04724144, 09/09690949, 09/0998138 2, 09/14383870, 09/17345767, 09/04279388 e 09/14481023), Importadora PDR Ltda. (DI’s nºs 09/14383870, 09/14481023, 09/14664632 e 10/08700527), JH Cassanei EPP (DI nº 08/19727690), Verginio Cassanei ME (DI nº 08/19727690) e Chandra Sol Comercial Ltda. (DI nº 09/17673888), As análises específicas de cada declaração de importação lograram demonstrar os fluxos financeiros dos pagamentos e recebimentos de cada operação, ficando evidente que a modalidade de importação consignada pela EMUNÁ BRASIL nos extratos das Dl's em questão ("por conta própria") não condisse com a realidade dos fatos (operações "por conta e ordem de terceiros"). A recorrente, a seu turno, limitouse a tergiversações genéricas e alegações de falta de materialidade – a materialidade está plasmada nos documentos e depoimentos colacionados – e de uso de presunções, que, a toda prova, não foram empregadas. Omitiuse contudo em contestar as provas apresentadas. Não tenho dúvida, tivesse algo concreto a opor contra elas, a recorrente, certamente, não deixaria de fazêlo para lançar mão da acusação vazia de falta de materialidade. A Fiscalização colacionou indícios (falta de declaração de receitas de vendas e parco recolhimento de tributos internos incompatibilidade entre a movimentação bancária da sociedade e a ausência de patrimônio liquido declarado pelas sócias, incompatibilidade entre a capacidade logísticooperacional e o objeto social pretendido a ilegal atuação do senhor Sandro Luiz Kedzieski) e provas obtidas em auditoria das dezoito declarações de importação, que permitem concluir, categoricamente, que, nas DI’s de que se trata, a modalidade de importação praticada não foi por conta própria, conforme consignado, mas por conta e ordem de OSCAR RENY TEIXEIRA RAMOS; LSN COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, IMPORTADORA SONISTAR LTDA; JH CASSANEI EPP; VERGINIO CASSANEI ME; IMPORTADORA PDR LTDA; e CHANDRA SOL COMERCIAL LTDA., que permaneceram ocultos para a Autoridade Aduaneira. Tampouco prosperará a reclamação contra aprova colhida na residência da sócia Iracema Kedzieski. O depoimento pessoal colhido, em 23/09/2010, foi testemunhado por sua filha, Giovana Kedzieski Rodrigues (fls. 153 e 154) e não há nos autos qualquer prova de que, nesse mister, o AFRFB tenha exorbitado em seu poder de polícia. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12457.002328/201142 Acórdão n.º 3403003.022 S3C4T3 Fl. 567 7 Deixo de conhecer a irresignação contra a responsabilização solidária de terceiros, pois ninguém mais consta do polo passivo da presente autuação. Finalmente, tranqüilizese o recorrente: a penalidade aplicada não sobejará os 10% (dez por cento) do valor de cada operação acobertada, conforme previsto no artigo 33, caput, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, exatamente como pugnado em sua defesa. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 18470.720070/2010-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade.
Devem ser declaradas nulas as decisões proferidas com cerceamento do direito de defesa assim caracterizadas aquelas que indeferem o pleito por falta de prova, quando se verifica, nos autos, que a defesa apresentou os elementos que julgou necessários à comprovação do direito creditório invocado, cabendo à autoridade julgadora, em caso de dúvida, aprofundar suas investigações e solicitar os elementos que julgue necessários.
Numero da decisão: 1801-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Devem ser declaradas nulas as decisões proferidas com cerceamento do direito de defesa assim caracterizadas aquelas que indeferem o pleito por falta de prova, quando se verifica, nos autos, que a defesa apresentou os elementos que julgou necessários à comprovação do direito creditório invocado, cabendo à autoridade julgadora, em caso de dúvida, aprofundar suas investigações e solicitar os elementos que julgue necessários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 00 70 /2 01 0- 97 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório invocado e não homologou as compensações declaradas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensação apresentadas através dos PER/DCOMP 04018.61417.100406.1.3.029781, 09186.24958.110906.1.7.020478, 27703.06121.110906.1.7.029005, 04974.37752.110906.1.7.023317, 05357.87198.110906.1.7.029083 e 19249.37769.150906.1.3.023481 (cópia às fl. 04/28) por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2006 no valor de R$ 554.799,70 com débitos neles declarados. De acordo com o Despacho Decisório DRF/RJOII/DIORT de fl. 51, proferido com base no Parecer Conclusivo nº 196/2010 (fl. 46/50), não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP anteriormente relacionados, tendo em vista não ter sido reconhecido o direito creditório pleiteado. No Parecer Conclusivo nº 196/2010 (fl. 46/50) consta, em síntese, que: • A interessada apresentou Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2007, relativa ao anocalendário de 2006, com apuração trimestral do IRPJ sob o regime do Lucro Real, conforme telas do Sistema IRPJ/CONS (fl. 31/33); • Examinandose o extrato da ficha 12A da DIPJ/2007 – Cálculo do IR sobre o Lucro Real (fl. 40), constatase que o contribuinte informou zero como imposto sobre o lucro real, deduzindo o montante de R$ 554.799,70 como imposto retido na fonte, para em seguida na linha 18 apurar um saldo negativo de IRPJ no mesmo valor; • Consta à fl. 44 extrato do sistema informatizado SIEF/DIRF, onde se verifica que o valor de R$ 554.799,70 relativo ao IRRF deduzido no cálculo do imposto se refere a rendimento de aplicações financeiras (código 3426) que monta a R$ 2.465.776,48; • Portanto, o crédito utilizado nas DCOMP objeto deste processo se refere a saldo negativo de IRPJ, que neste caso é decorrente do aproveitamento de imposto de renda retido na fonte – IRRF incidente sobre aplicações financeiras, código de receita 3426; • Preliminarmente, deve ser ressaltado que o IRRF incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre ganhos líquidos mensais, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. O que a legislação faculta ao contribuinte é que deduza do imposto devido no encerramento do período, ainda que este seja igual a zero, o valor do IRRF pago ou retido na fonte Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18470.720070/201097 Acórdão n.º 1801002.003 S1TE01 Fl. 3 3 durante o anocalendário, desde que, frisese, os rendimentos correspondentes tenham sido oferecidos à tributação quando da apuração do imposto, conforme disposto no artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, cuja matriz legal é a Lei nº 9.430/1996; • Após as respectivas deduções, restando apurado saldo negativo de IRPJ, este saldo negativo é que se configurará no crédito passível de restituição ou compensação com outros tributos, conforme disposto no inciso II do §1º do art. 6º da mesma Lei nº 9.430/1996; • Examinandose, porém, a ficha 06A da DIPJ/2007 – Demonstração do Resultado (fl. 34/36), sob a luz da legislação retromencionada, verificase que o contribuinte em epígrafe, em relação ao 1º trimestre de 2006, não faz jus a qualquer crédito a compensar porque não ofereceu à tributação os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras que alude e, conseqüentemente, está impedido de levar à dedução o imposto de renda retido no período correspondente. Ora, se quando da apuração do imposto devido não foram oferecidos à tributação aqueles rendimentos, obviamente não poderá ser efetuada a dedução do imposto sobre eles retidos e, conseqüentemente, não haverá de se falar em crédito passível de restituição/compensação dele decorrente. Cientificada do Despacho Decisório em 09/11/2010 (cópia do A.R. fl. 52), apresentou a interessada, em 09/12/2010 (fl. 60), a manifestação de inconformidade de fl. 60/74, juntamente com os documentos de fl. 75/125, na qual alega em síntese que: • Os saldos credores de IRRF objeto da presente manifestação de inconformidade foram gerados ao longo dos períodos préoperacionais e resultam de receitas financeiras registradas, para fins de contabilização, conforme os procedimentos previstos na IN SRF nº 54/88, i.e. (i) apurandose o saldo líquido de despesas e receitas financeiras, (ii) deduzindose de tal saldo o total das despesas préoperacionais do próprio período e (iii) incluindose no lucro líquido do exercício somente eventual saldo positivo; • A posição tomada pela RFB na análise do pleito, portanto, foi a de que os saldos credores de IRRF gerados ao longo de períodos pré operacionais somente poderiam ser utilizados para compensação de tributos vincendos se e somente se as receitas financeiras auferidas ao longo dos mesmos períodos tivessem sido integralmente oferecidas à tributação; • Ainda que o Despacho Decisório proferido pela RFB na análise dos referidos PERDCOMP não tenha feito menção expressa aos fundamentos da conclusão, fica claro que a orientação adotada foi aquela proferida na Solução de Consulta nº 86, de 23 de março de 2001; • A publicação de tal Solução de Consulta deixa claro que, para RFB, o saldo líquido de receitas e despesas financeiras auferidas em fase pré operacional deve “compor o resultado tributável do período em que incorridas” sem que haja “confrontação com as despesas préoperacionais do mesmo período” Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 • Fica claro, assim, que por ter a manifestante confrontado o saldo de receitas financeiras com as despesas operacionais antes do oferecimentos das mesmas à tributação, o total de receita financeira não chegou a compor o lucro líquido do respectivo ano base e, por isso, os saldos credores de IRRF relativos a tais receitas não foram considerados passíveis de serem compensados com tributos vincendos do mesmo sujeito passivo; • Cita doutrina; • As lições da doutrina fizeram com que conclusões em sentido contrário à proferida no processo de consulta nº 86/01 fossem prolatadas pela própria RFB. A divergência de entendimento sobre a matéria fez com que a Coordenação Geral de Tributação – COSIT proferisse as seguintes decisões, todas em processos de Solução de Divergência: Solução de Divergência nº 32, de 21/07/2008 e Solução de Divergência nº 45, de 21/11/2008; • A publicação das Soluções de Divergência nº 32/08 e nº 45/08 deixa clara a mudança de posição da RFB sobre o tema, pois a partir da publicação das referidas Soluções de Consulta, o mesmo saldo líquido de receitas e despesas financeiras auferidas em fase préoperacional, se positivo, “diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas” e, só então, o eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício”; • Essa mais recente conclusão consagrada pela COSIT, por sua vez, torna claro o equívoco das razões utilizadas pela RFB para indeferir as PERCOMP; • Como se demonstrou, diferentemente do que entendeu a RFB ao analisar os pedidos de compensação, as receitas financeiras não devem pura e simplesmente serem oferecidas à tributação. Devem elas, isso sim, diminuir o “total das despesas préoperacionais registradas”, sendo que somente o “eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício”; • Portanto, considerando que a leitura do documento nº 03 demonstra que efetivamente o total de despesas préoperacionais superou o saldo líquido de receitas e despesas financeiras naqueles próprios períodos base, não há qualquer receita financeira a ser oferecida à tributação; • Assim, podese afirmar que sendo o total das despesas pré operacionais superior ao saldo líquido de receitas e despesas financeiras no próprio período base, os saldos credores de IRRF podem perfeitamente serem utilizados para compensação de tributos vincendos devidos pela própria manifestante, independentemente de as respectivas receitas financeiras não terem sido oferecidas à tributação; • Considerando que os rendimentos auferidos ao longo do anobase de 2006 não deveriam ter sido “oferecidos à tributação”, já que se referiam a período em que o contribuinte ainda se encontrava em fase préoperacional, e que, portanto, o saldo credor resultante da retenção de IRRF naquele mesmo anobase gerou créditos compensáveis para o contribuinte, estão Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18470.720070/201097 Acórdão n.º 1801002.003 S1TE01 Fl. 4 5 definitivamente extintos os débitos objeto dos pedidos eletrônicos de compensação objeto da presente manifestação de inconformidade; • Discorre sobre os efeitos da apresentação da manifestação de inconformidade; • Em face do exposto deve ser reformado o Despacho Decisório / Parecer Conclusivo nº 196/2010, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas por meio das DCOMP objeto dos autos vinculadas ao crédito resultante do recolhimento de R$ 2.6465.776,48 obtidos pela manifestante, no anobase de 2006, por meio de aplicações financeiras. Em 14/03/2011, os autos foram encaminhados para esta DRJ/RJ1 para julgamento (fl. 126). Por meio do Despacho de fl. 127, os autos foram restituídos à DRF/RJOII/DIORT tendo em vista ausência do ato constitutivo da empresa. De acordo com o Despacho DIORT/DRF/RJOII de fl. 131, apesar de intimada (ciência em 11/04/2011 – fl. 130), a interessada não apresentou o documento solicitado. Em atendimento ao Despacho da 1ª Turma da DRJ/RJ1, de 21/10/2011 (fl. 133/134), os autos foram restituídos à DIORT/DRF/RJII para que a interessada fosse intimada a apresentar cópia autenticada do estatuto por imprescindível à admissibilidade da manifestação de inconformidade apresentada. À fl. 138, a DIORT/DRF/RJOII informa que, apesar de intimada em 24/11/2011 (fl. 136), a interessada não se manifestou até àquela data (07/02/2012). Os autos foram analisados por esta 1ª Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro, DRJ/RJ1, que, conforme Acórdão nº 1243.965 (fl. 139/145), de 16/02/2012, decidiu, por unanimidade de votos, por não conhecer da manifestação de inconformidade. Cientificada do Acórdão em 06/03/2012 (cópia do A.R. – fl. 153/154), a interessada apresentou recurso (fl. 156/171), juntamente com os documentos de fl. 172/303, ao CARF em 04/04/2012. Em 02/07/2012 (data da assinatura digital) foi proferido pela EQCOMP/DIORT/DRF/RJO II o Despacho de fl. 344/345 no qual consta que: • Em 24/11/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar cópia de seu estatuto social (fl. 135/137), conforme solicitado no despacho de fl. 133/134 da DRJ/RJ1; • Em 08/02/2012, o presente processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 com a informação de que o contribuinte não havia se manifestado até àquela data. Considerando esta informação, o acórdão 1243.965 da 1ª Turma da DRJ/RJ1 não conheceu a manifestação apresentada; • Ciente do acórdão em 06/03/2012, o contribuinte apresentou recurso em 04/04/2012; Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 • No entanto, em 29/06/2012 foi entregue à referida equipe o estatuto conforme solicitado na Intimação de fl. 135; • O documento foi recebido pelo Protocolo Central da DRF/RJ2 em 13/12/2011, tempestivamente (fl. 305/343). Assim, por meio do referido Despacho, os autos foram restituídos a esta DRJ/RJ1 para que fossem adotadas as providências que se entendessem cabíveis. A 1a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, no acórdão proferido, colacionou os fundamentos da Solução de Divergência n º 32/2008, da SRRF/9a. RF, para concluir que na fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido e que esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no período de apuração e eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício. Salientou que somente nesta situação, eventual saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas financeiras e préoperacionais, poderia ser objeto de restituição ou compensação. Observou, no entanto, que simples apresentação de cópia do Balacete Mensal Analítico de março/2006 não seria suficiente a provar as alegações de defesa e que a contribuinte não teria apresentado a escrituração contábil e fiscal e outros documentos necessários à comprovação: “• de que a interessada se encontrava em fase préoperacional no 1º trimestre de 2006; • de que as receitas financeiras decorreram de ativos utilizados ou mantidos para emprego no suposto empreendimento em andamento, justificando o seu possível registro no Ativo Diferido deduzindo despesas ativadas; • dos valores das despesas financeiras e das despesas préoperacionais e, ainda, de que os referidos montantes seriam superiores às receitas financeiras auferidas no período em questão. “ Nesses termos indeferiu o pleito. Notificada da decisão, em 26/09/2012 (AR fl. 380 do processo digital), apresentou a defesa, em 26/10/2012, recurso voluntário. Invoca, inicialmente, a tempestividade da peça e, no mérito, salientou, com veemência, que nunca fora intimada pela auditoria fiscal a apresentar a documentação requisitada pela autoridade julgadora para comprovação do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2006, o que violaria o princípio da verdade material. Em preliminares suscitou a nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. Instância em face da inexistência de intimação para apresentação de documentação, caracterizando cerceamento do seu direito de defesa e violação à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n º 6 de 2007. Em extenso arrazoado, afirmou que “o órgão julgador furtouse de cumprir o seu papel de busca de verdade material através da análise de todos os documentos necessários à verificação da regularidade do procedimento adotado pela Recorrente, apenas decidindo pela ausência de provas”. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18470.720070/201097 Acórdão n.º 1801002.003 S1TE01 Fl. 5 7 Consignou que a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n º 6 de 2007, determina que, no caso de verificação de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito. Aduz ter demonstrado de forma clara a composição e origem do crédito do saldo negativo de IRPJ de 2006 e reproduz os argumentos de defesa deduzidos na manifestação de inconformidade relacionados ao tópico e conclui que no presente caso, “o saldo líquido obtido do confronto entre as receitas e despesas financeiras já foi negativo, ou seja, apresentavase devedor. Logo, não havia sequer saldo positivo para dedução das despesas préoperacionais e, por óbvio, nenhum saldo credor positivo para ser tributado no resultado do período.” Salienta que pelas informações extraídas do Balancete Consolidado confirmase que o resultado financeiro do 1o. trimestre de 2006 foi negativo no montante de R$ 72.954.437,76 e, portanto, não havia receita a ser levada ao resultado do período. Mas observa que o fato de não haver eventual excesso de receita para compor o resultado líquido do período, não significaria que a receita deixou de ser reconhecida, porque na fase pré operacional não havia produção de resultado e eventual receita financeira auferida nesse ciclo era reconhecida na medida em que reduzia o saldo da conta de despesas financeiras e/ou as despesas préoperacionais contabilizadas em Ativo Diferido, que passaria a ser amortizado em períodos futuros. Ao final requer, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, sejam acolhidas as razões deduzidas. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Tem razão a recorrente. No primeiro acórdão proferido a Turma Julgadora de 1a. Instância não conheceu das razões deduzidas na manifestação de inconformidade ao fundamento de que a Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 defesa não teria apresentado prova da representação processual, descumprindo intimação nesse sentido. Notado o equívoco cometido, o órgão de jurisdição da recorrente admitiu que a recorrente atendeu tempestivamente a intimação para regularizar a representação processual e encaminhou novamente os autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, que anulou o acórdão anteriormente proferido. Contudo, no novo julgado, aquela Turma afirmou que a recorrente não teria apresentado sua escrituração contábil e fiscal a fim de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. A recorrente já havia afirmado na manifestação de inconformidade, inicialmente não conhecida, que estaria em fase préoperacional no 1o. trimestre do ano de 2006 e que, por tal razão, as receitas financeiras deveriam ser reduzidas do total das despesas préoperacionais registradas. E para comprovar suas alegações, de que estaria em fase pré operacional, apresentou cópias de seus balanços, promovendo, dessa forma, a sua prova. Dúvidas remanescentes a respeito da atividade préoperacional da contribuinte demandariam esclarecimentos que poderiam ser obtidos em trabalhos de diligência fiscal, elucidandose à defesa quais elementos ainda seriam necessários para apreciação do seu pleito. A alegação de que a recorrente não fez prova de seu direito porque não apresentou toda a sua escrituração contábil e fiscal e documentação de suporte não é razoável e tolhe o legítimo direito de defesa da parte. O Decreto n º 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal é claro ao dispor: Art. 59.São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso não seria possível, à defesa, saber exatamente quais elementos deveria produzir para provar seu direito sem que fosse instada a isso. A prova reclamada pela Turma Julgadora de 1a. Instância foi por demais genérica. Toda a documentação contábil e fiscal e documentos de suporte a fim de provar: “• que a interessada se encontrava em fase préoperacional no 1º trimestre de 2006; • que as receitas financeiras decorreram de ativos utilizados ou mantidos para emprego no suposto empreendimento em andamento, justificando o seu possível registro no Ativo Diferido deduzindo despesas ativadas; • os valores das despesas financeiras e das despesas préoperacionais e, ainda, de que os referidos montantes seriam superiores às receitas financeiras auferidas no período em questão. “ Volto a salientar que o princípio de prova foi feito pela recorrente. Cabia a autoridade julgadora de 1a. instância aprofundar sua análise para sanar suas dúvidas e não indeferir, por falta de provas, o pedido. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18470.720070/201097 Acórdão n.º 1801002.003 S1TE01 Fl. 6 9 Por tais razão voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto e declarar a nulidade do Acórdão proferido pela 1a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, por cerceamento do direito de defesa, devendo ser proferida nova decisão que analise o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.722731/2012-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PREVISÃO LEGISLATIVA. CARACTERIZAÇÃO DE SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA COMO SEGURADO EMPREGADO. CORREÇÃO.
O lançamento em discussão ocorreu em virtude da desconsideração do vinculo pactuado entre o sujeito passivo com as empresas Barga Treinamento e Consultoria Ltda, Valdelino Batista pereira ME, Vale Grande Empreendimentos de Engenharia Ltda, Ropan Ltda e Streamline Consultoria Ltda, conforme estabelece o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99.
Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido às fls. 389, ou seja, a fiscalização procedeu à caracterização dos sócios das pessoas jurídicas acima mencionadas como segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.362
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PREVISÃO LEGISLATIVA. CARACTERIZAÇÃO DE SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA COMO SEGURADO EMPREGADO. CORREÇÃO. 1. O lançamento em discussão ocorreu em virtude da desconsideração do vinculo pactuado entre o sujeito passivo com as empresas Barga Treinamento e Consultoria Ltda, Valdelino Batista pereira ME, Vale Grande Empreendimentos de Engenharia Ltda, Ropan Ltda e Streamline Consultoria Ltda, conforme estabelece o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99. 2. Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido às fls. 389, ou seja, a fiscalização procedeu à caracterização dos sócios das pessoas jurídicas acima mencionadas como segurados empregados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 27 31 /2 01 2- 58 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades (SESI, SENAI, SEBRAE, FNDE e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados, no período de 01/2007 a 12/2008. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de dezembro de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO SEGURADO EMPREGADO. Constatada a presença dos pressupostos fáticojurídicos da vinculação ao RGPS na condição de segurado empregado, o AFRFB deve apurar e lançar as respectivas contribuições devidas. ALUGUEL DE VEÍCULO Na ausência de provas da realização das despesas, a verba paga a título de “aluguel de veículo” integra o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Trata o presente PAD de auto de infração lavrado em face da empresa Fresar Tecnologia de Pavimento Ltda., objetivando a cobrança de supostas contribuições patronais destinadas à Seguridade Social – conforme relatório fiscal outrora anexado e abaixo pormenorizado , inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e às contribuições da empresa supostamente incidentes sobre valores pagos ou creditados a contribuintes individuais (diretores). Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente é sociedade limitada que atua no ramo de construção civil, tendo como norma de conduta a transparência e a honestidade nas diversas relações estabelecidas no exercício normal de suas atividades, dentre as quais se insere, indubitavelmente, as relações jurídicotributárias mantidas com o fisco federal, Estadual e Municipal. Discordando veementemente dos parâmetros assinalados no auto de Infração, a recorrente demonstrou os motivos pelos quais o presente foi lavrado de maneira equivocada, sem observar a realidade factual envolvida, bem como a legalidade na constituição e operacionalização das Sociedades Individuais prestadoras de serviços específicos a esta Empresa Recorrente. Os pressupostos da vinculação empregatícia não foram demonstrados em sua inteireza pelo auditor fiscal, particularmente a subordinação jurídica, outorga que o empregado concede ao empregador para este comandar ou direcionar a atividade, fundamental para distinguir o trabalho sem vínculo empregatício. Todos os sócios se reportavam somente aos termos do contrato firmado, desenvolvendo suas atividades, desde que não transbordando os limites fixados, como bem entenderem, e assim, assumindo o risco pessoal pelos serviços prestados conforme disciplina a legislação pertinente às sociedades individuais. No mesmo sentido temos que não há que se falar em exclusividade, pois, como já tratado, as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços possuíam a autonomia de produzirem negócios jurídicos com qualquer outro sujeito de demandasse os seus serviços. Não existe em nosso ordenamento jurídico qualquer norma legal que vede a possibilidade de uma sociedade prestar, em um período de tempo, serviços somente a uma única pessoa jurídica, não podendo, ainda, as notas fiscais emitidas serem sequencias e genéricas. Nada razoável a interpretação fática tomada pela julgadora. O auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos aos segurados empregados Ronan Álvares Diniz Júnior, Vitor Ephigênio da Silva e Nilton Roberto de Assis, a título de locação de veículos de propriedade dos mesmos. Por fim, relata que o contrato de locação permite o uso próprio e a serviços da FRESAR ou de outras empresas do grupo econômico de modo que entendeu o auditor subsumir o rendimento do aluguel nos termos do artigo 28, § 9º, “s”, da Lei 8.212/91, integrandoo ao salário contribuição. O Auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos a administradores da empresa, mediante custeio de aluguel residencial para o segurado Eduardo Vilela de Sanatanna e através de Notas Fiscais de Serviços – NFS, ao segurado Saulo Vilela de Santana. O i. auditor fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da ABS Engenharia e Consultoria, sob o fundamento de que os valores pagos pelas Notas Fiscais emitidas pela referida PJ, tratarseiam de remuneração do prólabore de forma indireta. A fiscalização tributária posicionouse no sentido de conferir às operações havidas em relação à criação da empresa ABS consultoria, caráter de simulação, entendendo Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 6 5 que a intenção real seria proceder ao pagamento de “prólabore ao sócio administrador”, sem que, com isso, fosse contabilizado a contribuição previdenciária correspondente. Tornamse ainda insubsistentes, pela via reflexa, as multas, juros e as obrigações acessórias alinhadas nos autos de Infração 37.349.2952, 51.007.0248, 51.007.025 6 e 37.349.2944, por não haver qualquer descumprimento legal. Diante de todo o exposto, entende a recorrente que merece ser reformada a decisão de primeira instância para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos: cancelar o auto de infração ora objurgado, diante da ilegalidade da autuação fiscal lavrada. Requerse, por corolário, a exclusão das multas impostas, por insubsistir a obrigação principal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão ocorreu em virtude da desconsideração do vinculo pactuado entre o sujeito passivo com as empresas Barga Treinamento e Consultoria Ltda, Valdelino Batista pereira ME, Vale Grande Empreendimentos de Engenharia Ltda, Ropan Ltda e Streamline Consultoria Ltda, conforme estabelece o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido às fls. 389, ou seja, a fiscalização procedeu à caracterização dos sócios das pessoas jurídicas acima mencionadas como segurados empregados. Os elementos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, obviamente se atendo às referências contidas no Relatório Fiscal in verbis: A empresa remunerava os empregados sob a forma de “prestação de serviços”, mediante emissão, por esses profissionais, de notas fiscais de serviços de pessoas jurídicas, relacionadas no anexo de fls. 49 a 51. As notas fiscais emitidas foram contra o mesmo “tomador” (na verdade empregador) e têm numeração sequencial, denotando uma exclusividade estranha à prestação de serviço autônoma. O impugnante defende, dentre outras, a tese de que não estaria demonstrada a ocorrência dos requisitos Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 8 7 caracterizadores do vínculo empregatício, em especial a subordinação. No que diz respeito à tese apresentada pelo sujeito passivo de que não foi demonstrada a ocorrência dos requisitos caracterizadores do vinculo empregatício, destaquese que a fiscalização não considerou os segurados como empregados com fulcro na legislação trabalhista, mas com suporte na legislação previdenciária. Não se pode perder de vista que é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas que lhe prestam serviços (físicas e jurídicas) independentemente da forma como foram contratadas. Insta destacar também que a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, situação que não pode ser confundida com atos de fiscalização á cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vêse, portanto, que o procedimento fiscalizatório que ensejou o lançamento ora contestado ocorreu estritamente dentro da legislação em vigor, não restando margem para qualquer argumento a respeito da competência da autoridade administrativa para o cumprimento de seu mister. Em relação ao pagamento de remuneração indireta aos segurados empregados, melhor sorte não assiste ao sujeito passivo. O ressarcimento de despesas decorrentes de utilização de veículo individual a serviço da empresa não terá incidência de contribuições previdenciárias quando devidamente comprovadas, de acordo com a alínea “s” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91. Segundo informa o acórdão recorrido, baseado no Relatório Fiscal e demais informações do processo, restou demonstrado que os pagamentos foram efetuados independentemente da apresentação de documento que comprovasse a realização das despesas pelo uso de veículos ou que representassem uma prestação de contas ou controle da quantidade de quilômetros rodados. Os pagamentos ocorreram em valores fixos mensais. No que se refere ao pagamento de aluguel residencial, constatouse depois de acurada análise de contrato de locação (fls. 54/59), bem como nas informações prestadas no Relatório Fiscal de fls. 24/25, que a utilidade disponibilizada a Administrador deveria integrar o saláriodecontribuição. No ponto, concordo plenamente com aqueles que me antecederam. Tendo em vista a correção do lançamento, porquanto em perfeita consonância com o art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, conheço do recurso aviado pelo contribuinte e negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722731/201258 Acórdão n.º 2803003.362 S2TE03 Fl. 9 8 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 11128.007070/2010-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/03/2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 70 70 /2 01 0- 59 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 3801003.286 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10380.010122/2006-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.071
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório JOSÉ ANTONIO DA SILVA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJFORTALEZA/CE (fls. 49) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 17/21, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 9.713,14, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 18.995,01. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.010122/200634 Resolução n.º 2201000.071 S2C2T1 Fl. 2 2 A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tratase de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de decisão judicial, e que se referem a diferenças pensão e pede a dispensa da multa e a redução dos juros. A DRJFORTALEZA/CE julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que não houve impugnação quanto à omissão de rendimentos e de que , quanto à multa e juros, se trata de exigências baseadas em lei. O Contribuinte tomou ciência da decvisão de primeira instância em 28/01/2008 (fls. 58) e, em 25/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 59/60, que ora se examina e no qual afirma, em apertada síntese, que os rendimentos objeto da autuação são isentos. Voto Compulsando os autos verificase que os rendimentos objeto da autuação foram recebidos de forma acumulada em decorrência de decisão judicial. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal STF acolheu como sendo de repercussão geral matéria que versa sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em períodos diversos daquele de sua competência, conforme leading case RE 614.406, que tem a seguinte descrição extraída do sítio do STF: Recurso extraordinário interposto pela alínea b do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em que se discute a constitucionalidade, ou não, do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, que trata da incidência do imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, tendo em conta a declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo, por Tribunal Regional Federal, após o pronunciamento do Plenário Virtual no sentido da inexistência da repercussão geral da matéria — efetuado no RE 592211/RJ (publicado no DJe de 21.11.2008) — e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, à unidade do ordenamento jurídico, à uniformidade da tributação federal e à isonomia tributária (artigo 543A, § 5º, do Código de Processo Civil). [] E, como se sabe, do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, determinou o sobrestamento do julgamento dos processos enquanto o STF não decidir as matérias acolhidas como de repercussão geral, conforme art. 62, a seguir reproduzido: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.010122/200634 Resolução n.º 2201000.071 S2C2T1 Fl. 3 3 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.”. Resta configurada, pois, a situação definida na Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, que expediu orientações sobre o sobrestamento dos julgamentos com amparo no art. 62A do Regimento Interno. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto o sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até decisão do STF. Assinatura Digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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