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Numero do processo: 10530.003419/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LEVANTAMENTO RUR. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO.
Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário.
FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA Recorrente CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEVANTAMENTO “RUR”. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO. Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 34 19 /2 00 8- 44 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 24/28) informa que os valores apurados decorrem dos seguintes levantamentos: 1. levantamento “RUR” à objeto da ação judicial mandamental n° 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, determinando a abstenção de qualquer ato tendente à cobrança da contribuição social denominada Funrural. A decisão judicial acolhe o pedido, concedendo a segurança, para declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade formal das partes da Medida Provisória no 1.523/96 (e suas reedições) e da Lei 9.528/97, que modificaram a redação dos incisos III e IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, esclarecendo “que continua a impetrante obrigada a recolher a contribuição em tela sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais”. A decisão declara a inconstitucionalidade da expressão “ou com intermediário pessoa física”, acrescentada ao inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991; 2. levantamento “RU1” à tratase de aquisição de lenha para caldeira, comercializada por pessoa física produtor rural. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/09/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 196/200), alegando, em síntese, que: 1. houve a suspensão da exigibilidade do crédito; 2. na operação de compra existem comerciantes (intermediários) das peles entre o produtor rural e o sujeito passivo, arguindo a inconstitucionalidade da exação sobre a operação em que há intermediação de não produtor rural; 3. no Auto de Infração (AI) deveria constar a referência expressa à prevenção à decadência e que ao caso se aplica o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, e alega, em síntese, que adquire a quase totalidade da matéria prima principal (couro e peles de cabras e carneiros) de comerciante pessoa física não produtor e que essas mercadorias são adquiridas sob a emissão de Nota Fiscal avulsa. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1527.875 da 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 213/215) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, nos seguintes termos: “[...] Por todo o exposto, voto pelo não conhecimento parcial da impugnação quanto ao mérito do levantamento intitulado "RUR"; pela procedência parcial da impugnação para julgar, para o levantamento intitulado "RUR", indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer; e pela manutenção integral dos lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". [...]” A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, sendo constituído por meio do levantamento “RUR” (relativo à aquisição de couro em que há a alegação de intermediação de pessoa física não produtor rural), alcançado por decisão judicial, e do levantamento “RU1”, relativo à aquisição de madeira. Com relação ao levantamento “RU1”, a Recorrente não aduziu matéria de fato, nem qualquer questão jurídica, capaz de alterar o lançamento, a teor do artigo 145 do CTN. Com isso, ela continua obrigada a recolher a contribuição sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais na forma ressalvada pela decisão judicial. Com relação ao levantamento “RUR”, constatase que o conteúdo delineado na peça recursal está pautado exclusivamente no fato de que a Recorrente adquire a produção rural (couro) de pessoa física não produtor rural (chamado de comerciante intermediário), matéria esta submetida a apreciação do Poder Judiciário (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia). Observase, então, que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), alegando a inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para os casos em que ocorresse a intermediação de pessoa física não produtor rural. Assim, considerando a discussão judicial acerca da inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária, apurada no levantamento “RUR”, entendese que este Conselho Administrativo não analisará as questões discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto da ação judicial, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute, especificamente o levantamento “RUR”, e a matéria referente à ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), submetido ao recurso de apelação para o TRF1a Região, uma vez que essa última matéria – inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao TRF1a Região por meio da interposição do recurso de apelação. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não será apreciada a matéria concernente à inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, oriunda, segundo a Recorrente, da intermediação de pessoa física não produtor rural. A Recorrente alega que não deveria haver a aplicação de multa, a teor do art. 151, inciso IV, do CTN. Neste particular, comungo do mesmo entendimento delineado pela primeira instância, nos seguintes termos (fls. 216): “[...] Nos termos do Acórdão n° 1527.875 – 5a Turma da DRJ/SDR, de 27 de julho de 2011, foi julgado para o levantamento intitulado "RUR" indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mantendo integralmente os lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 5 7 A devida aplicação da multa ou seu cancelamento, se a decisão judicial transitada em julgado considerar, respectivamente, devida ou indevida a contribuição, só será integralmente possível na Unidade Local em fase de cobrança com a solução da lide judicial, razão pela qual se fez necessário o registro de decisão de procedência dos lançamentos e a execução do Acórdão. [...]” No que tange às questões postuladas na peça recursal de que a contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, seria uma nova exação instituída sem a observância dos requisitos previstos na Constituição Federal, uma vez que: (i) foi instituída por Medida Provisória, a qual convertida em Lei Ordinária; (ii) é cumulativa, porque não prevê nenhum mecanismo de compensação da contribuição paga ou que deveria ser paga na etapa anterior da circulação; (iii) corresponde ao fato gerador e a base de cálculo de outro imposto previsto na Constituição, o ICMS. Cumpre esclarecer que tais questões dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Com relação ao levantamento “RUR”, deixo consignado que deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o Mandado de Segurança de número 1999.33.00.00703441 (4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, Tribunal Regional Federal da 1a Região). Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10320.004198/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 04 19 8/ 20 09 -8 8 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004198/200988 Resolução nº 2402000.439 S2C4T2 Fl. 96 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por RECANTO DA ILHA REFEIÇÕES E DIVERSOES LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente o AI n. 37.255.0819, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos de contribuições previdenciárias a seu cargo e incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do relatório fiscal que a recorrente fora excluída do SIMPLES em 30/06/2007, todavia, continuou informando referida opção em GFIP o que ensejou o recolhimento a menor das contribuições previdenciárias devidas. O lançamento compreende o período de 07/2007 e 11/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/12/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o valor de Que a empresa Recanto da Ilha possui um processo em trâmite na Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Fortaleza/CE, sob o n° 10320.003088/2007 37 e que até a presente data não houve julgamento do mérito do mesmo. Este processo é relativo à adesão ao SIMPLES NACIONAL; 2. Que a situação da empresa em relação ao Simples Nacional está pendente, faltando julgamento de mérito; 3. Requer o sobrestamento do presente auto de infração, até que haja decisão de mérito no processo n° 10320.003088/200737. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004198/200988 Resolução nº 2402000.439 S2C4T2 Fl. 97 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase de lançamento que se refere ao fato de o contribuinte ter informado em GFIP ser optante do SIMPLES NACIONAL, quando em verdade não o era. Em sua defesa argumenta, tão somente, que o presente processo tem correlação direta com o processo administrativo n. 10320.003088/200737, o qual trata de sua exclusão do SIMPLES. Sobre o assunto esta Turma tem se posicionado sobre a necessidade de que antes do julgamento do recurso voluntário, há de se perquerir sobre o resultado do julgamento do processo relativo à exclusão do SIMPLES NACIONAL. Ao fazer a consulta no sistema COMPROT, verifiquei que o processo supra indicado encontrase arquivado desde 19/12/2013, ao que tudo indica, já tendo sido definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos a origem e o ilustre fiscal autuante informe (i) se o processo 10320.003088/200737 foi definitivamente julgado e realmente se trata do processo de exclusão da recorrente do SIMPLES, (ii) juntando aos autos cópia da última decisão/acórdão que transitou em julgado administrativamente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10166.720205/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitá-los, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitá-los, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitálos, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 02 05 /2 01 2- 18 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 286 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA, em face do acórdão que manteve a integralidade do seguinte Auto de Infração AI 37.115.4430, lavrado para a cobrança de contribuições sociais decorrente da glosa de compensações efetuadas. Para uma melhor elucidação da compensação glosada pela fiscalização nos autos do presente processo, transcrevo o seguinte trecho do relatório fiscal: Nos autos do processo n° 94.00493690, com trânsito em julgado em 01/04/2002, tendo como parte autora a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, CNPJ 42.361.972/000151, foi reconhecida a inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento pela referida empresa a segurados avulsos e contribuintes individuais e o conseqüente direito de compensabilidade dos créditos da autora correspondentes aos recolhimentos efetuados a título dos tributos em comento. Além disso, foi reconhecido o direito da empresa em tela de livremente negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil em vigor. Segundo consta na documentação apresentada à fiscalização (escrituras públicas de direitos creditórios datadas de 02/02/2006 e 03/03/2008), a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA cedeu os direitos creditórios em questão à empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. CNPJ 07.665.976/000122, sendo os mesmos créditos posteriormente cedidos por esta última ao CEUB. Tais direitos creditórios referemse ao indébito de guias de recolhimento da previdência social relacionadas nas referidas escrituras. O CEUB então passou a compensar seus débitos previdenciários nas GFIPs de competências 02/2008 a 04/2008; 07/2008; 09/2008 a 02/2009, utilizando os mencionados créditos. A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. Logo, diante de tais fatos, a fiscalização previdenciária achou por bem glosar as compensações efetuadas pelo ora recorrente, pois o seu crédito fora adquirido, via cessão, da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Fl. 292DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 LTDA. CNPJ, por entender que a legislação que rege a os pedidos de compensação expressamente proíbe a compensação de débitos próprios com débitos de terceiros. As glosas se referiam ao período de 02/2008 a 04/2008; 07/2008 e 09/2008 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 15/03/2012 (fls. 138). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese, após fazer relato dos fatos ocorridos: 1. que o pedido de compensação não esbarra no art. 170A do Código Tributário Nacional, pois o crédito utilizado é decorrente de sentença judicial transitada em julgado; 2. que fora expressamente reconhecido pelo Poder Judiciário que a empresa SERVPORT poderia negociar livremente a cessão dos créditos que lhe foram reconhecidos nos autos do processo n. 3. alega que a fiscalização e o v. acórdão, erroneamente, deram interpretação diversa ao artigo 74, da Lei n.° 9.430/96, introduzida pela Lei n.° 11.051/04, uma vez que assevera que será considerada como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros" (art. 74, § 12, II, "a", da Lei n.° 9.430/96). 4. entende que o cessionário tornase o legítimo titular do crédito cedido a partir do momento da notificação do devedor, não podendo a administração pública interpretar de forma diversa, chamando de "crédito de terceiros” o que, em realidade é de legítima titularidade do cessionário, no caso, o direito creditório judicial transitado em julgado; 5. que após ter sido reconhecido o direito da autora da ação (SERVPORT MARÍTIMA) de livremente negociar os direitos creditórios expressos no acórdão de fls 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, ficaram homologadas as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação aqueles remanescentes; 6. que a cessão de direitos creditórios, se efetuada após o trânsito em julgado da decisão judicial e com a aquiescência do Juízo no qual fora reconhecido o direito creditório, como é a hipótese dos autos, nem mesmo o devedor cedido, no caso, o INSS, pode oporse a ela. 7. entende que uma vez cedido o crédito, o cessionário PASSA A SER PROPRIETÁRIO DO CRÉDITO, podendo dispor, vender, ceder novamente, da maneira que julgar pertinente, concluindo que o instituto da cessão de Fl. 293DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 287 5 crédito, além de não necessitar da autorização judicial para ter validade jurídica e gerar sua eficácia própria, é perfeitamente aceitável no âmbito do Direito Tributário, uma vez que não existe previsão proibitiva à cessão de crédito judicial transitado em julgado para fins de que esta possa ser oposto à Fazenda Nacional, gerando seus efeitos próprios, quer administrativa ou judicialmente. 8. afirma que, se restar devidamente comprovado que o cessionário é o legítimo titular do direito creditório que lhe foi cedido por ato entre vivos, após dado ciência ao devedor cedido, não haverá que se falar na aplicação da malsinada vedação da lei n.° 9.430/96 (art. 74, § 12, II, "a", com redação acrescentada pela Lei n.° 11.051/04), como é o caso presente. 9. sustenta que a multa aplicada é confiscatória; 10. que a multa moratória, na sua qualidade de acessório ao principal, deve ser excluída, na medida em que é ilegal a glosa efetuada 11. que não fora comprovado dolo ou fraude capazes de sustentar a lavratura de representação fiscal para fins penais. 12. por fim, a ilegalidade da SELIC. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO O presente recurso versa sobre a possibilidade ou não de se reconhecer o direito da contribuinte em compensar contribuições previdenciárias por si devidas com crédito adquirido da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, mediante escritura pública de cessão de direitos creditório juntada aos autos. A operação da cessão de créditos deuse da seguinte forma: (i) O detentor originário dos créditos, a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, impetrou ação ordinária cumulada com pedido de repetição do indébito n. 94.00493690, na qual obteve a declaração de inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados a administradores, avulsos e autônomos, com base no art. 3o, inciso I, da Lei 7.787/89 com trânsito em julgado em seu favor. (ii) Em decorrência do reconhecimento dos créditos a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, mediante escritura pública, cedeu seus direitos creditórios a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA; (iii) A empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA cedeu os créditos a ora recorrente, também via cessão de créditos, mediante escritura pública; (iv) Todas as cessões de crédito foram objeto de habilitação no processo judicial n. 94.00493690. E toda a cessão de créditos, ao que também se depreende do relatório fiscal, se deu em decorrência de ordem judicial expressa no sentido de que a empresa que sagrouse vencedora na demanda, a SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, “poderia livremente negociar seus créditos”. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 288 7 E o fundamento utilizado para que fossem levadas a efeito as glosas foi o fato de que não havia autorização expressa para que a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA pudesse efetuar a cessão dos créditos à ora recorrente. Vale conferir o trecho do relatório que bem pontua a questão: A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. No caso em tela não foi o CEUB que apurou os créditos resultantes de pagamentos julgados indevidos por decisão judicial definitiva, e sim a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA não podendo destarte a empresa fiscalizada efetuar a compensação relativa utilizandose dos créditos apurados por pessoas jurídicas diversa em razão de expressa vedação legal. Assim, fora considerado que a recorrente pretendeu compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o que possui expressa vedação diante do comando legal do art. 74, § 12o, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.430/96, a seguir: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Pois bem, diante das premissas acima expostas, entendo que o presente caso não é justa e simplesmente um caso no qual a recorrente pretendeu compensar um crédito adquirido de terceiros via cessão, como ocorre em outra variedade de casos já analisados por esta Eg. Turma. Se trata de caso que possui nuance específica. E tal nuance, se justifica, exatamente pelo fato de que, relativamente ao pedido de compensação dos créditos que foram reconhecidos como indébito tributário nos autos da ação ordinária n. 94.00493690 existia uma ordem judicial expressa que autorizava livremente a sua negociação com terceiros. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Desta feita, entendo que aqui não deverá esta Turma analisar o caso única e exclusivamente sob a ótica da possibilidade de compensação ou não de créditos próprios com créditos de terceiros, mas avaliar, num primeiro momento, por se tratar de ponto nuclear da demanda, qual o efetivo alcance da ordem judicial emanada pelo Poder Judiciário e se diante de sua análise, poderseà considerar a cessão de créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA à recorrente como por ela abarcada e, conseqüentemente, válida. Digo isso até considerando que o próprio auditor fiscal, ao avaliar a cadeia de cessões, em momento algum chegou a questionar a validade da primeira cessão, ou seja, a da empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA para a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. A meu ver, a considerou válida, também para fins tributários, pois se do contrário fosse, certamente descaracterizaria toda a cadeia de cessões desde o seu nascedouro. Fato é que, a ordem judicial de cumprimento de sentença transitada em julgado deve obrigatoriamente ser acatada pela Receita Federal do Brasil, vejo eu, sem qualquer questionamento, nos exatos termos e condições em que proferida, pois descabe ao órgão administrativo qualquer juízo de valor sobre aquilo o que determinado pelo Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de responsabilidade penal e administrativa. Ou seja, diante do comando da ordem judicial, deverá a autoridade administrativa competente dar o devido cumprimento àquilo o que fora determinado pelo Poder Judiciário. E no presente caso, a ordem judicial que busca a recorrente demonstrar que justifica a cessão de créditos mediante a qual levou a efeito o seu pedido de compensação, assim tem seu teor (fls. 65): “Às fls. 4.962/4.992 vem aos autos documentos públicos de cessão dos direitos creditórios decorrentes da presente demanda, com o fim de que o juízo seja cientificado da avenca realizada pelo autor com terceiros particulares. O INSS alega não ser obrigado a reconhecer os acordos realizados entre particulares, razão porque requer o desentranhamento dos documentos, por entender possuírem o defeito de tumultuar o andamento processual. [...] Manifestação do INSS às fls. 4.976/4.983, reiterando alegação, anterior, ao fundamento de falta de amparo legal para tolerância administrativa ao procedimento particular. Em adendo, comprova o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, de sua iniciativa. Às fls. 5.100/5.116, traz documento comprobatório da impossibilidade de compensação com seus próprios débitos tributários, em função de seu movimento econômico nos últimos dois anos. É o relatório. Decido. [...] Mesmo que a norma, do recentíssimo diploma de 2002, já tenha sido revogada pelo art. 1° da Lei n° 10.677, de 22 de maio de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 289 9 2003, a inexistência de dispositivo que restaure a vigência da anterior disciplina juridicotributária nos termos do art. 2°, §§ 1 ° e 3D, da Lei de Introdução ao Código Civil, pelo chamado princípio da vedação à repristinação tácita faz concluirse pela ausência de regulamentação especifica do direito à compensação no que tange aos indébitos de natureza fiscal, especialmente o fim da autorização legal à normatização administrativa das condições e garantias à compensação, consoante a delegação prevista no art. 170 do C.T.N. Resta portanto, apenas a autorização legal genérica ao exercício do referido direito conferida pelos demais subsistentes artigos do Capítulo VII do Titulo 111 do Livro de Direito das Obrigações do Novo Código Civil, sem quaisquer restrições. Portanto, se agora não há nem como a autarquia ré querer impor restrições infralegais à compensação efetuada pelo particular, como outrora autorizado legalmente, quanto mais tentar. sob o pálio de principio público inaplicável à espécie, obstar a iniciativa do particular diante da inequívoca inexistência de proibição, em lei ou ato administrativo, à cessão de créditos assim declarados em provimento judicial definitivo de mérito. Isso porque se constata, a olhos vistos, que nem a derrogada Instrução Normativa INSS/DC n° 67/2002. nem a hoje plenamente vigente n. 100/2003, proíbem, expressa ou tacitamente, o procedimento intentado pela autora. Na atual INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2.003, diploma normativo que se propõe a regulamentar exaustivamente os procedimentos administrativos tributários sob a responsabilidade do INSS, consolidando 0~ congêneres arte.íoi es, â 'compensação é tratada nos arts. 201 a 205, sendo que as restrições ao s.eu uso são unicamente aquelas expressas nos arts. 202 e 203 que, como afirmado, calamse quanto à possibilidade de circulação dos créditos lá previstos. Retornando à disciplina do Direito Privado, única aplicável à espécie ainda mais dado o silêncio da normativa administrativa, vêse que o requisito de eficácia da cessão de crédito em relação ao autor é meramente a sua notificação (art. 29) do Novo Código Civil, ou 1069 do CC de 1916) A observância a tal requisito é caudalosamente comprovada nos autos pela juntada de extratos de consulta ao sistema de acompanhamento de processos administrativos no INSS, nos quais se atesta terem sido diretamente protocolados, e aceitos, autos administrativos comunicando, mediante regular acompanhamento da documentação correspondente, a transferência dos direitos creditícios a terceiros (p. ex., a fls. 5097/5098).. Adentrando em outros fundamentos utilizados pela autarquia em pretenso supedâneo a sua intenção obstativa não há como se entender o art. 123 do CTN no sentido trazido a fls. 4977. Trata se de norma referente ao pagamento do tributo típica do Direito Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tributário. Não se aplica à repetição do indébito tributário, também instituto típico da disciplina fiscal. igualmente previsto no CTN. sem possuir, norma análoga. Muito menos á alienação de crédito oriundo de sentença judicial, matéria distante da principiologia tributária, como já visto. Da mesma forma, não há como se aplicar à espécie o § 4° do art. 66 da Lei 8.383/91, uma vez que a compensação lá disciplinada é aquela de cunho administrativo, aqui substituída por determinação judicial específica. Se ela não se pronunciou quanto à transferência a terceiro.~,. sua integração ao ordenamento jurídico nesse aspecto não se pode dar mediante a análise de instituto jurídico diferenciado, ainda que se entenda em vigor o mencionado parágrafo. [...] Concluindose pela inexistência de óbice à intenção do particular, a autorização para a homologação de seus negócios jurídicos,' já realizados, ou a se realizarem, advém também da própria necessidade de assegurar eficácia ao provimento judicial em seu.favor. As GPS de fls.. 5101/5114 demonstram a impossibilidade de se proceder à compensação como deferido no voto condutor, por não haver créditos tributários vincendos em montante que garanta o cumprimento do direito do particular. [...] De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na fundamentação. Dêse ciência ao INSS.” Referida decisão, proferida já após o trânsito em julgado da sentença na qual restou reconhecido o indébito, sobreveio diante dos pedidos de habilitação das cessões de crédito reconhecido em favor da SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS em favor de terceiros cessionários. Cabe ressaltar, que da fundamentação retro, bem como de sua parte dispositiva, verificase que a autarquia previdenciárias, no caso o INSS, teve plena participação nos autos, inclusive contrapondose à possibilidade de cessão dos créditos par fins de compensação relativamente a débitos de contribuições previdenciárias. A autarquia alegava que as cessões não poderiam produzir efeitos em relação a si. E tal fato se confirma na medida em que o Poder Judiciário ao analisar a possibilidade de cessão, fez alusão, como razões de decidir, não só ao art. 170 do CTN, mas também às disposições das IN/INSS 67/2002 e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 290 11 100/2003, além daquilo o que previsto sobre o assunto no art. 66 da Lei 8.383/91, concluindo que tais dispositivos não previam qualquer óbice ao procedimento adotado pela recorrente, no caso da cessão de seus créditos. Apenas para frisar, no que se refere ao art. 66 da Lei 8.383/91, depreendese da decisão que este restou afastado, tendo em vista que fora reconhecido, na oportunidade que o direito à compensação administrativo fora substituído por determinação judicial específica. Pois bem, a meu ver, a decisão não deixa dúvidas acerca de que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS poderia levar a efeito livremente a cessão de seus créditos a terceiros, sobretudo relativamente às cessões que estavam juntadas nos autos do processo n. 94.00493690, sobre a qual a decisão expressamente se manifestou. Não obstante, também restou consignado na parte dispositiva, a meu entender, que outras cessões efetuadas, sequer necessitaram de homologação judicial, mas que também estariam autorizadas. Vejamos, mais uma vez o que restou consignado neste sentido: [...] DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios Da análise de referido dispositivo, não vejo como deixar de considerar que ele expressamente se manifestou sobre a possibilidade de cessão dos créditos em relação às escrituras juntadas em referida ação e, ainda, relativamente às cessões do crédito remanescente no processo. De tal sorte, ainda considerando o teor de referida decisão, que digase de passagem, foi o que norteou as conclusões do auditor fiscal para levar a efeito o lançamento ora sob análise, dela verifico que o INSS participou de todo o processo de habilitação das cessões do crédito nos autos do processo judicial, tendo apresentado suas considerações de modo a demonstrar que tal documento não poderia ser oposto em seu desfavor, não sendo obrigado a aceitar as compensações que viessem a se originar de referidas cessões. Todavia, como se verifica da decisão, ressaltese, já proferida em sede de cumprimento de sentença, de modo a nortear a execução do julgado, neste quesito o INSS restou vencido. Vale ressaltar que restou vencido em decisão na qual se admitiu a validade da cessão considerado, ainda, que a legislação tributária, à época, não trazia qualquer óbice a compensação de créditos cedidos entre pessoas físicas ou jurídicas. A decisão manifestouse ainda, sobre o artigo 66 da Lei 8.383/91, a seguir: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) E sobre referido artigo disse que o mesmo, ao fazer alusão sobre a competência da Receita Federal e INSS para regulação de normas dirigidas a regular o direito de compensação, não deveria ser considerado, pois a sua aplicabilidade ficaria substituída pela compensação deferida nos limites e condições determinadas pelo Poder Judiciário, que, por fim, reconheceu que os créditos poderiam ser negociados livremente. Ou seja, se num processo judicial no qual se requereu a habilitação de escrituras de cessão, para fins de compensações tributárias, restou autorizado, após a análise das alegações de todas as partes envolvidas, a livre cessão dos direitos creditórios, não vejo como entender que havia qualquer limitação a negociação de tais valores, até porque a parte dispositiva é bastante clara no sentido de que as próximas cessões sequer haviam que ser homologadas. Além disso, foi deferido o direito dos créditos serem cedidos livremente, vocábulo este cujo significado é definido pelo dicionário da língua portuguesa Priberam como: 1. De modo livre. 2. Sem restrições ou limitações. Logo, a meu ver, não poderiam ser impostas quaisquer limitações à cessão dos créditos, mais ainda, em razão de que o instituto da cessão de créditos é plenamente válido, legal e expressamente regulado pelo Código Civil Brasileiro em seus arts. 286 e seguintes, a seguir: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios. O que depreendo da parte dispositiva do julgado é que se reconheceu a possibilidade de negociação dos créditos em si pela SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, não havendo qualquer proibição para que viessem a Fl. 301DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 291 13 ser novamente negociados por seus cessionários. Fato é que também não havia qualquer permissão para que os créditos viessem a ser negociados, mas, como já dito, tal conduta é plenamente possível diante do instituto da cessão de créditos prevista no Código Civil, acima transcrito. Além do mais, restou expresso que a negociação era livre. Em sendo livre, não vejo como transpor óbice ao seu cumprimento, mas tão somente em atender aquilo o que restou decidido pelo Poder Judiciário. Por conseguinte, a justificativa adotada pela fiscalização no presente processo como justificadora das glosas efetuadas não se sustenta, haja vista ter havido autorização judicial expressa permitindo a negociação dos créditos tributários na praça por parte da SERVPORT, livremente, não havendo, pois, que se falar, que diante do fato da ordem judicial não consignar que os cessionários poderiam levar a efeito novas cessões e negociações, estas estariam proibidas, sob pena de mitigação ao instituto da cessão de créditos previsto no Código Civil Brasileiro. Assim, se a recorrente adquiriu os referidos créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, cessionária da SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, tal fato não poderia ter sido adotado pela fiscalização para denegar o pedido de compensação requerido pela ora recorrente, que valeuse, a meu ver, daquilo o que bem ou mal fora autorizado pelo Poder Judiciário. Por outro lado, o que deveria ter sido realizado pela fiscalização e que não é objeto de discussão nos autos do presente processo, logo, não reconhecido em favor da recorrente, é qual seria o efetivo montante do crédito apurado e decorrente em seu favor da ação judicial n. 94.00493690, tãosomente, de modo a dar o devido cumprimento aquilo o que decidido pelo Poder Judiciário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 302DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000572/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO.
O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros.
RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO.
Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício, vencidos o relator e os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Apresentará voto vencedor o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Ronaldo de Lima Macedo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO. O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros. RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO. Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação. Recurso de Ofício Negado.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente COMPANHIA SIDERURGICA PAULISTA COSIPA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO. O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros. RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO. Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 72 /2 00 7- 24 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício, vencidos o relator e os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Apresentará voto vencedor o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Ronaldo de Lima Macedo –Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.007 3 Relatório Tratase de crédito de contribuição previdenciária referente à ausência de retenção e recolhimento de 11% (onze por cento) sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra no período de 02/1999 a 12/2001. Nos termos do relatório fiscal de fls. 17/22, os serviços apurados correspondem à remoção de óleo leve brutoBTX, enquadrada nas hipóteses de retenção dos incisos XV e XVII do § 2° do art. 219 do RPS. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 36/42. Às fls. 223 foi proferido despacho sugerindo o encaminhamento à Procuradoria para levantamento da situação processual do mandado de segurança mencionado pela Recorrente. Às fls. 228/236 a diligência foi cumprida com a juntada de extratos do processo e sugestão de sobrestamento do feito. Às fls. 241 foi proferido novo despacho apontando que a fiscalização não demonstrou que os serviços foram prestados mediante cessão de mão de obra e solicitando nova diligência para que a fiscalização prestasse esclarecimentos. A diligência foi cumprida às fls. 255/256 com a informação da fiscalização de que a cessão de mão de obra fora verificada porquanto os funcionários da contratada foram alocados nas dependências da contratante. Às fls. 268/275 a Recorrente se manifestou em face da informação fiscal e, às fls. 316/321 a impugnação fora julgada procedente sob o fundamento, em síntese, de que o contrato analisado possui objetivos múltiplos e, se o objetivo era demonstrar que parte dele envolvia a manutenção e instalação de máquinas e equipamentos com cessão de mão de obra, a fiscalização não identificou com clareza e precisão a existência do fato gerador. Foi interposto recurso de ofício (fls. 324) em razão da exoneração do crédito ter ultrapasso o limite imposto no art. 34, I, do Decreto n° 70.235/72. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Da Preliminar Verificase que, em razão de não superar o valor de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, o recurso de ofício não atende aos requisitos de admissibilidade, eis que os juros não devem compor tal valor de alçada. No Mérito Das obrigação de retenção por tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra A cessão de mão de obra está prevista na Lei n° 8.212/91 através do artigo 31, §§ 1°, 2° e 3° e no Regulamento da Previdência Social no artigo 219, §§ 1° a 4° e 7°: Lei n° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.008 5 Decreto n° 3048/99: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Da análise do relatório fiscal de fls. 17/22 verificase que a Fiscalização lavrou o auto de infração com base exclusivamente no objeto do contrato de prestação de serviços, sem análise quanto ao cumprimento dos critérios previstos em lei para configuração da cessão de mão de obra. Neste sentido, não obstante o objeto do contrato apontado estivesse contido no rol das atividades que seriam de sofrer a retenção dos valores em apreço, o lançamento não se fez acompanhar de elementos probantes de que os empregados das contratadas estiveram efetivamente à disposição do contratante, o que caracterizaria de modo inequívoco a cessão de mão de obra. Nos termos dos dispositivos que tratam da matéria, para que se configure a cessão de mão de obra, independentemente da natureza do serviço, necessário que o pessoal utilizado (segurados empregados das contratadas) fique à disposição exclusiva do tomador sendo este último quem determina o que, como e quando fazer, gerenciando de forma efetiva a realização do serviço. A cessão de mão de obra, portanto, não pode ser presumida. Há que restar materialmente comprovada. No caso dos autos, a Fiscalização entendeu que pela descrição das atividades a serem exercidas, estarseia diante de inequívoca circunstância de cessão de mão de obra. Todavia, a previsão dos referidos serviços dentre as atividades submetidas à regra de tributação (se assim estivesse, o que não parece ser o caso) por si só não demonstra a obrigação da Recorrente em reter os 11%, vez que não comprovado pela Fiscalização que a mão de obra esteve à disposição da empresa tomadora em caráter de subordinação. Destarte, não demonstrado o cumprimento dos critérios que configurariam a cessão de mão de obra, quais sejam: i) colocação do empregado da contratada à disposição do contratante, ii) em suas dependências ou de terceiros; iii) realização de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa, não há que se falar em obrigação tributária por parte da Recorrente. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso de ofício e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.009 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Redator Designado Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à preliminar de conhecimento, entendo que os valores decorrentes dos juros integram o valor de alçada consignado na Portaria MF nº 03/2008, pelas razões que passo a expor. DA PRELIMINAR: O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). A existência de um limite no valor a ser exonerado é uma imposição do conhecimento do recurso de ofício que não pode ser ignorado. Quando o contribuinte não paga as obrigações tributárias no tempo certo, ocorre uma penalidade decorrente deste fato (inadimplemento da obrigação), qual seja, a multa de mora e os juros. Ives Gandra Martins, em relação às sanções tributárias, afirma, de uma forma mais completa, que existem sanções ressarcitórias, punitivas, desincentivadoras, implícitas e corretivas. As sanções ressarcitórias têm como intuito permitir a reposição do valor do tributo recolhido a destempo, ou seja, ressarcir o valor devido; as sanções punitivas têm a função de punir, sancionar; as sanções desincentivadoras, por sua vez, pretendem atingir a falta de recolhimento oriunda de dolo do sujeito passivo exteriorizado pela sonegação, conluio ou fraude, ou mais precisamente, tem como finalidade desencentivar a falta ou o atraso de pagamento devido pelo contribuinte. No presente caso, os juros lançados têm como finalidade recompor o valor da contribuição previdenciária recolhida fora do prazo legal, configurandose como uma multa ressarcitória, devendo compor o valor exonerado pela decisão de primeira instância, eis que o valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros, a teor do inciso I do art. 34 do Decreto 70.235/1972. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Decreto 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Logo, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir. Ante todo o exposto, CONHEÇO do recurso e NEGO PROVIMENTO. É como voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19740.720133/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 33 /2 00 9- 15 Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo GRUPO APROVAÇÃO FRANQUEADORA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.179.6016, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa; referentes à retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços emitidas pelas empresas contratadas. Consta do relatório fiscal que o presente crédito referese às contribuições sociais devidas pela empresa então denominada CETIP – Câmara de Custódia e Liquidação, tendo esta sofrido em 2008, mediante decisão de seus associados em Assembléia Geral Extraordinária, desmutualização e cisão patrimonial, sendo atualmente, na forma dos arts. 124 e 132, do CTN, responsáveis solidárias pelo presente crédito tributário as empresas CETIP Educacional e CETIP S.A, que resultaram de referida reestruturação. Ademais, foram os seguinte motivos apresentados pela fiscalização para que o lançamento fosse efetuado, relativamente a cada uma das empresas contratadas via cessão de mãodeobra: ANDRÔMEDA INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. (CNPJ 28.462.935/000109), cujos contratos tratam de prestação de serviços de manutenção preventiva de geradores. Os contratos celebrados, com vigência por prazo indeterminado, apresentam as seguintes obrigações da prestadora: “executar mensalmente os serviços de manutenção preventiva através de técnico especializado, com 01 (uma) visita mensal, em data a ser previamente acordada com a CONTRATANTE, e, onde serão feitas revisões no(s) grupo(s) gerador(es) e quadro de comandos”; UNISYS BRASIL LTDA (CNPJ 33.426.420/000193), cujo contrato trata de prestação de serviços de manutenção preventiva de equipamentos de informática, e de acordo com o contrato e com as notas fiscais, o serviço era prestado mensalmente; DAMOVO DO BRASIL S/A (CNPJ 56.795.362/000766 e 56.795.362/000170), cujo contrato celebrado prevê a execução de serviços de assistência e suporte preventivo em equipamentos de telefonia, consistindo os mesmos em inspeção, teste e ajuste de equipamentos. No contrato são descritas a periodicidade mensal das manutenções preventivas locais. O contrato firmado em 01/12/2003 com vigência de 12 meses vem sendo aditado anualmente, estando em vigência; TECAL ENGENHARIA LTDA. (CNPJ 31.953.284/000164), cujo contrato celebrado, por prazo indeterminado, prevê a execução mensal de serviços de manutenção preventiva do sistema de controle e automação de ar condicionado, no estabelecimento sede da contratante; MID TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA LTDA. (CNPJ 00.149.565/000135), cujo contrato prevê a execução de Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.720133/200915 Acórdão n.º 2402004.048 S2C4T2 Fl. 1.061 3 serviços de manutenção preventiva do sistema de telecomunicações por meio de técnico residente. O contrato foi firmado em 01/08/2003 com prazo de vigência indeterminado tendo havido o distrato em 30/11/2007; O lançamento compreende o período de 01/2004 a 31/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 14/07/2009. O acórdão de primeira instância não restou configurada a cessão de mãode obra nos contratos celebrados com as seguintes empresas: UNISYS, DAMOVO, TECAL e ANDRÔMEDA, de modo que o lançamento veio a ser retificado e somente fora mantido incólume o lançamento no que se refere à empresa MID TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA LTDA. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que os serviços de telecomunicação prestados pela empresa MID o foram efetuados em caráter eventual, bem como direta e exclusivamente pelo sócio daquela empresa, de modo que por tais motivos fica dispensada a retenção com base no art. 157, II, III e 1o a § 3o da IN 100/2003. 2. que o motivo adotado pelo v. acórdão de primeira instância para o não acatamento da declaração firmada pelo sócio da empresa MID (juntada no item 07.1 da impugnação) no sentido de que tal documento não era comtemporâneo ao período do lançamento não se sustenta, pois a condição de temporalidade não consta expressamente da IN 100/2003; 3. que os serviços prestados pela MID não eram contínuos em razão da expressa previsão no contrato de que os pagamentos deveriam ser efetuados por hora trabalhada; 4. que o sócio da MID jamais esteve alocado nas dependências da recorrente, também não havendo qualquer subordinação do mesmo à autuada, não podendo ser considerada a mãodeobra, mas a mera prestação de serviços técnicos especializados. 5. que a cessão de mãodeobra foi indevidamente presumida pelo julgamento de primeira instância e pelo próprio fiscal autuante; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, o presente recurso versa somente sobre a não comprovação da cessão de mãodeobra relativamente à contratação da empresa MID TELECOMUNICAÇÕES LTDA. E sobre o assunto, assim se manifestou o ilustre fiscal autuante: 37. No contrato celebrado com a prestadora prevê que, dentre outros, que sejam executados serviços de manutenção preventiva do sistema de telecomunicações por meio de técnico residente; 38. No item 1.1 do contrato , são descritas as atividades a serem desempenhadas pelo técnico residente. Confirmando que as mesmas só podem ser exercidas no estabelecimento da contratante. 39. O contrato, firmado em 01 de agosto de 2003, tem prazo de validade indeterminado, sendo apurado, pela folha “Gestão de Contratos 356”, que o distrato se deu em 30/11/2007; 40. Intimado a justificar a falta de retenção, o contribuinte informou: “ Serviço de consultoria em telecomunicações prestado pelo proprietário da empresa. Orientações sobre os sistemas e materiais de telefonia a serem utilizados com o objetivo de manter uma central telefônica moderna com baixo custo” 41. Destacase que apesar da alegação, o sujeito passivo não apresentou a declaração prevista e exigida pela legislação previdenciária, para que o próprio sócio realize as atividades. Pois bem, diante de tais fatos alega o contribuinte que estava dispensado de efetuar a retenção, em conformidade como art. 157, II, III, e §§ 1º a 3º, da IN 100/2003, sustentando no caso que a declaração apresentada atende o que previsto na legislação. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.720133/200915 Acórdão n.º 2402004.048 S2C4T2 Fl. 1.062 5 Vejamos o que dispõe o citado artigo de Lei: “Art. 157. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, quando: (...) II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriode contribuição,cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 155, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. § 1º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso II do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que não possui empregados e o seu faturamento no mês anterior foi igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriodecontribuição. § 2º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso III do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que o serviço foi prestado por sócio da empresa, profissional de profissão regulamentada, ou, se for o caso, profissional da área de treinamento e ensino, e sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais ou consignando o fato na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § 3º Para fins do disposto no inciso III do caput, são serviços profissionais regulamentados pela legislação federal, entre outros, os prestados por administradores, advogados, aeronautas, aeroviários, agenciadores de propaganda, agrônomos, arquitetos, arquivistas, assistentes sociais, atuários, auxiliares de laboratório, bibliotecários, biólogos, biomédicos, cirurgiões dentistas, contabilistas, economistas domésticos, economistas, enfermeiros, engenheiros, estatísticos, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, geógrafos, geólogos, guias de turismo, jornalistas profissionais, leiloeiros rurais, leiloeiros, massagistas, médicos, meteorologistas, nutricionistas, psicólogos, publicitários, químicos, radialistas, secretárias, taquígrafos, técnicos de arquivos, técnicos em biblioteconomia, técnicos em radiologia e tecnólogos. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Ao se analisar a declaração apresentada (fls. 572), tenho que corretamente decidiu o v. acórdão de primeira instância. Prima facie, de sua leitura verificase que seja para os fins do §1o ou §3o do art. 157 da IN 100/03, do documento não consta expressamente a declaração do representante legal no sentido de que a pessoa jurídica não possui outros empregados, de que o faturamento no mês anterior foi igual ou superior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição ou mesmo no sentido de que os serviços tenham sido prestados de forma exclusiva pelo sócio sem o concurso de outros contribuintes individuais. Além do mais, tal declaração fora produzida na época da interposição da impugnação, o que não juntamente com as demais falhas já apontadas, não lhe garante a devida credibilidade por esta Turma. Por fim, sustenta a recorrente que os serviços não foram prestados mediante a cessão de mãodeobra. Vejamos o que restou decidido sobre tal questão pelo v. acórdão de primeira instância: 10. No que tange ao contrato celebrado com a empresa MID, ao contrário do que alega a interessada, pela leitura das cláusulas contratuais, a cessão de mãode obra restou devidamente caracterizada, haja vista a previsão de permanência de técnico residente na empresa contratante, ora autuada, para a realização de diversos serviços, dentre os quais a manutenção de linhas telefônicas, ramais e PABX (vide contrato Anexo VII do Relatório Fiscal que é o mesmo contrato juntado pela impugnante às fls. 450/457). De fato. Apesar de simples os esclarecimentos prestados em primeira instância, não vejo como afastarme de referida conclusão, quando da análise do contrato de fls. 450. Ali restou indicado que os serviços contratados possuíam duas naturezas, uma técnica e outra contratada a título de consultoria. Em ambos os casos, os serviços se resumiam a operacionalizar a manutenção de sistemas de ligação telefônica (PABX) com a realização de sua manutenção, aprimoramento, instalações, acompanhamento de tráfego de sistemas, apoio para esclarecimentos de dúvidas, soluções de problemas, ou seja, tudo contratado de uma forma a manter o sistema de PABX da recorrente em perfeito estado de funcionamento, atividades estas que devem sim ser realizadas também dentro de suas dependências, mediante a disponibilização de funcionários da empresa contratada. Ademais, o próprio contrato firmado, em sua cláusula 2.3 aponta que a contratante possui outros funcionários, além do sócio, aptos a prestar os serviços contratados, que em momento algum se enquadram no exercício das atividades descritas no §3o do art. 157 da IN 100/03. O contrato em si aponta que os serviços devem ser prestados no momento em que requerido pela contratante, o que aponta que a empresa contratada e seus funcionários estavam à disposição da recorrente durante as 24 horas do dia, 365 dias por ano. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.720133/200915 Acórdão n.º 2402004.048 S2C4T2 Fl. 1.063 7 Logo, correto o entendimento veiculado no julgado de primeira instância. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004311/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 1/ 20 09 -1 2 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004311/200912 Resolução nº 2402000.446 S2C4T2 Fl. 134 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7873, por ter a recorrente deixado de prestar os esclarecimentos que lhe foram solicitados pela fiscalização, conforme consta no relatório fiscal. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004311/200912 Resolução nº 2402000.446 S2C4T2 Fl. 135 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000555/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DE TODOS OS TITULARES DA CONTA.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
Numero da decisão: 2402-006.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DE TODOS OS TITULARES DA CONTA. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTA CONJUNTA. Recorrente DALMO DE SOUZA LIMA ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DE TODOS OS TITULARES DA CONTA. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 05 55 /2 01 0- 00 Fl. 1648DF CARF MF 2 Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 21ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 12.72525 (fls. 1.540/1.555), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração, de fls. 06/11, de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física, realizado em 16/11/2010, relativo ao ano calendário 2007, exercício 2008, em face do contribuinte acima identificado, sendo apurado imposto suplementar de R$ 595.997,82 a ser acrescido dos juros de mora e da multa proporcional de 75%. Conforme Descrição de Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08/09, foi verificada “Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada” por ter deixado o contribuinte, regularmente intimado, de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo o valor tributável de R$ 2.168.308,04. No Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 12/17, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB responsável pela autuação prestou os seguintes esclarecimentos: A ação fiscal foi iniciada em 09/03/2010, sendo cientificado, via postal, o contribuinte, em 15/03/2010, fl. 34, do Termo de Início de Procedimento, requerendo, entre outros elementos, a apresentação dos extratos bancários de todas suas contas correntes, de poupança e de investimentos, do anocalendário 2007, mantidas em seu nome, de seu cônjuge e dependentes junto às instituições financeiras em que tinha titularidade no Brasil e no exterior. Em resposta, de 05/04/2010, o contribuinte apresentou os extratos da conta corrente nº 10029441, do Banco Real, e nº 00081760, do Banco Bradesco, MPF assinado, cópias dos contratos sociais das empresas DDD Comercial de Bebidas Ltda e DS Lima e Cia Ltda, das quais é sócio. Em 04/05/2010, a fiscalização enviou Termo de Intimação Fiscal, requerendo ao interessado extratos da poupança mantida em seu nome junto ao Banco Real no período em referência, no que foi atendida. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 3 3 De posse dos extratos bancários, o auditor fiscal responsável pelo procedimento elaborou planilha de lançamentos a crédito efetivados na conta corrente nº 00081760 do Banco Bradesco e na conta poupança do Banco Real nº 0402001002944. O contribuinte foi intimado a comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos referentes a estes valores creditados/depositados em suas contas bancárias. Depois de pedido de prorrogação de prazo, concedido, em 23/08/2010, o fiscalizado apresentou relação de cheques devolvidos na conta corrente do Banco Bradesco. Esclareceu, ainda, que os recursos depositados nessas contas têm origem na atividade principal da empresa DDD Comercial de Bebidas LtdaMe, que é comercio varejista de bebidas e da qual o contribuinte possui 98% do capital social. Em atendimento ao Termo de Intimação, em 09/09/2010, o interessado afirma que uma das peculiaridades desse tipo de comércio é um elevado número de transações comerciais, com recebimento de um número elevado de cheques de terceiros, que são repassados pelos comerciantes que recebem de seus clientes. Acrescenta que é difícil vincular os recebimentos para demonstrar a origem de tais valores. Anexa cópias dos cheques emitidos nas contas bancárias analisadas, cujos beneficiários são pessoas jurídicas, com a finalidade de comprovar que suas contas bancárias eram usadas tanto para pessoa física quanto para jurídica. Relaciona cheques emitidos onde o favorecido é o próprio titular da conta corrente, configurando transferência entre contas de mesma titularidade. Por fim, esclarece que há uma verdadeira confusão entre as contas bancárias da pessoa jurídica e de seu titular pessoa física, uma vez que os créditos nas contas correntes são receitas auferidas com a venda de bebidas no atacado e varejo da firma DDD Comercial LtdaMe. Em 16/11/2010, apresentou o fiscalizado relação de treze cheques emitidos na conta bancária 0402001002944, do Banco Real, nos quais constam como beneficiárias diversas pessoas jurídicas. A fiscalização, após análise dos documentos, excluiu os cheques devolvidos relacionados pelo contribuinte e comprovados por meio dos extratos bancários no valor total de R$ 83.227,18; subtraiu os valores mensais declarados pelo contribuinte em sua DIRPF/08 (Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica e de Pessoa Física e Rendimentos Isentos e Não Tributáveis) e excluiu os valores referentes à transferência entre contas da mesma titularidade, conforme relação apresentada pelo contribuinte e cópias dos cheques emitidos. Todos os valores excluídos do lançamento foram demonstrados no Termo de Verificação Fiscal, no qual se observa ainda que restaram como não comprovados R$ 2.168.308,04 de créditos/depósitos que compõem o Auto de Infração. Fl. 1650DF CARF MF 4 Informa a fiscalização que, apesar de o contribuinte afirmar que esses recursos advêm da atividade da empresa DDD Comercial de Bebidas Varejista Ltda, CNPJ 07.073.022/000120, este fato não foi comprovado através de documentos hábeis. Relaciona as receitas brutas mensais informadas pela mencionada empresa na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica 2008 – Simples. Por não ter sido justificada a origem e a natureza dos valores indicados pela fiscalização na planilha enviada ao contribuinte, foi lavrado o presente Auto de Infração, com base no art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 – RIR/99 e art. 42 da Lei 9.430/96. Cientificado do lançamento, em 19/11/2010, fl. 1501, o sujeito passivo apresentou impugnação, em 15/12/2010, fls. 1505/1523, por meio de procurador, devidamente habilitado, fl. 1531, trazendo os seguintes argumentos, em síntese: Lançamento mal elaborado e cerceamento do direito de defesa O procedimento fiscal encontrase inquinado de vício de nulidade, o que, por si só, é suficiente para cancelar o lançamento. Sempre prestou todos os esclarecimentos necessários a demonstrar o cumprimento de suas obrigações fiscais. A sociedade DDD Comercial de Bebidas Ltda Me é pessoa jurídica de pequeno porte, de comercio varejista de bebidas que, apesar de cumprir com suas obrigações fiscais, pela informalidade e por se tratar de empresa familiar, no período fiscalizado, encontravase desorganizada em relação à utilização de suas contas bancárias. Em vários momentos, houve confusão entre as contas bancárias do impugnante e da pessoa jurídica da qual faz parte. Os depósitos encontrados referemse a valores recebidos pela pessoa jurídica decorrentes da venda de bebidas, sendo a margem de lucro muito pequena, o que se comprova pelo fato de naquele ano a empresa ter tido prejuízo. Muitas vezes, as transações comerciais são realizadas com cheques de terceiros, que são repassados por pequenos comerciantes, que recebem de seus clientes, tudo com objetivo de dinamizar a atividade comercial. Apesar da enorme dificuldade de identificar cada depósito, apresentou diversos esclarecimentos e detalhamentos, inclusive cópia de cheques recebidos de sua pessoa jurídica em sua conta bancária pessoa física para comprovar a correção de seu procedimento no que se refere aos tributos devidos. Apresentou detalhamento de cheques recebidos; comprovou transferências entre suas contas bancárias e a devolução de cheques, no entanto a fiscalização presumiu a omissão de rendimentos e desconsiderou inclusive que a conta corrente do impugnante é conjunta com a sua esposa. Por não ter sido intimado o cotitular da conta corrente a comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, resta absoluta a improcedência da glosa fiscal, conforme Súmula 29 do Carf, que possui efeito vinculante. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 4 5 Deve ser declarado nulo o lançamento e se assim não fosse, tratase de premissa equivocada afirmar que o impugnante teria omitido receitas de depósitos bancários por não ter escriturado e declarado as receitas omitidas. Os documentos e esclarecimentos apresentados foram ignorados pelo fiscal, pautando seu procedimento em meras presunções. Conforme regras que regem o processo administrativo fiscal, o ônus da prova é do Fisco e, no caso, a fiscalização simplesmente acusou o impugnante de certos fatos e nada logrou comprovar acerca de suas alegações. Foram feridos os direitos constitucionalmente assegurados da ampla defesa e do devido processo legal. O impugnante reproduz o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e prossegue afirmando que: A descrição dos fatos com as provas obtidas no processo de fiscalização constitui elemento essencial do Auto de Infração. A jurisprudência administrativa é pacífica sobre a necessidade de aprofundamento fiscal para levantamento de provas sobre as infrações imputadas ao contribuinte. (Reproduz jurisprudência). Um dos princípios norteadores da atividade administrativa de lançamento é a busca da verdade material, que foi inobservada pelo fiscal que acabou por utilizar presunções ilegais e não contempladas pelo ordenamento jurídico vigente. Admitindose em matéria tributária a prova da ocorrência do fato gerador por meio de presunções, não se pode perder de vista que elas implicam certo tipo de correlação que se instaura entre o plano da existência dos fatos e o plano dos meio de prova dos fatos. O que se fez na autuação não foi propriamente a aplicação de uma presunção, mas a utilização de mero indício como meio de prova da ocorrência do fato gerador, procedimento inadmissível conforme jurisprudência e doutrina, uma vez que os indícios são fatos conhecidos e comprovados que se prestam como ponto de partida para as presunções. A fiscalização praticamente ignorou os esclarecimentos prestados pelo impugnante, que demonstrou que os valores decorrem de devolução de cheques, transferências bancárias, entre tantos outros. O lançamento teve como base o fato de que toda a movimentação bancária do impugnante consistiria em ingresso de receita, o que não corresponde à realidade, pois conforme visto, apesar da confusão existente entre as contas bancárias do impugnante e da pessoa jurídica da qual é sócio, não houve falta de recolhimento do tributo. Fl. 1652DF CARF MF 6 Houve sim diversos depósitos entre as contas que não podem ensejar tributação, na medida em que não configuram acréscimo patrimonial. A análise conjunta do art. 153, III, da CRFB/88 e do art. 43 do CTN denota que o aspecto material de incidência tributária no presente caso é o acréscimo patrimonial. Meros ingressos ou receitas não traduzem acréscimo patrimonial, não havendo autorização constitucional e legal para a cobrança decorrente de simples transferência bancária. Além disso, a fiscalização sequer intimou a esposa do contribuinte, cotitular de conta bancária, o que configura nulidade. Devido à atividade jurídica que a empresa desenvolve, mister se faz manter várias contas em diferentes instituições financeiras para obter o crédito necessário para desenvolvimento da atividade. Muitas vezes, precisa transferir os valores de uma conta para outra a fim de manter os créditos e cobrir eventuais saldos devedores. A obrigação nasce com o fato gerador e se o evento escolhido não for suficientemente relevante para implicar a ocorrência do fato presumido, qualquer pretensão de imputar ao evento o efeito tipicamente previsto para o fato gerador não será aplicação de presunção, mas sim tentativa de operar verdadeira ficção e, como tal, inadmissível em matéria tributária. Após reproduzir doutrina e jurisprudência, conclui ser o Auto de Infração insubsistente, na medida em que foi mal elaborado e baseado em presunção não admitida no Direito Tributário, devendo ser afastada pela Turma Julgadora. Da indevida apuração da taxa Selic A Taxa Selic, estabelecida na Lei 9.065/95, é imprestável como base para efeitos de cálculo dos juros de mora. Tratase de taxa que corresponde à média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação – Selic para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Não existe definição quanto à composição dessa taxa que varia mensalmente. A legislação atual elegeu a Selic para substituir verbas que no passado eram devidas sob pelo menos três títulos diversos: juros moratórios, correção monetária e acréscimo financeiro. Essa taxa não corresponde exclusivamente a juros moratórios em matéria tributária, pois incide também quando do exercício do direito legalmente assegurado de pagar parceladamente o tributo. Não se justifica a equiparação da taxa de juros sobre quotas do imposto, pagas de acordo com a lei de regência, com aquela decorrente da captação de recursos pela União através de títulos lançados no mercado financeiro, como é a taxa Selic. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 5 7 Vários dispositivos legais, inclusive a Instrução Normativa 11/96, indicam ser a taxa Selic adotada como verdadeiro substituto da correção monetária. Se a inflação ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. O que ocorre é a substituição de um indexador por outro de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O próprio Banco Central do Brasil , que apura a taxa Selic, reconheceu em sua Circular 2.672/96, ser a taxa Selic diferenciada dos juros. De tudo exposto, concluise que estão sendo impostos ao contribuinte juros moratórios que compreendem além da taxa prevista no art. 161, §1º, do CTN, a inflação oficial e, ainda, rendimentos de investidores no mercado capital, o que não se harmoniza com o sistema jurídico vigente. Do Código Tributário Nacional, se extrai que são integrantes do crédito tributário o principal, a multa e os juros moratórios, o que resulta da dicção do art. 161. A correção monetária, embora atuante sobre o referido crédito, é mero instrumento de atualização e não seu componente, não servindo para espelhar a taxa de juros, estes sim integrantes do crédito tributário. Os juros moratórios têm seu teto fixado em 1% ao mês, conforme art. 161 §1º do CTN e, embora este artigo faça referência a outra eventual disposição legal fixando a taxa desses juros, não significa que possa superar esse mesmo teto. Milita em favor dessa interpretação a tradição do direito brasileiro em não ultrapassar esse teto tanto no direito privado quanto no direito público, bem assim a desnecessidade de se fixar um piso para juros, que são sempre limitados para maior e não para menor. Ao determinar a correspondência dos juros moratórios à taxa Selic, alberga a lei verdadeira delegação de competência. Os juros moratórios, como acessório do crédito tributário, somente podem ter sua taxa fixada por lei, nos termos do art. 161 do CTN. Se a lei outorga a uma taxa apurada administrativamente a função de referencial da taxa de juros moratórios está indiretamente atribuindo à autoridade administrativa, no caso o Banco Central, o poder de fixar a taxa de tais juros. A presente questão pode perfeitamente ser decidida na esfera administrativa na medida em que a legitimidade da aplicação da taxa Selic comporta solução na esfera infraconstitucional, pela antinomia das normas legais instituidoras da mencionada taxa com as normas de lei complementar do CTN, como ficou expresso em Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes. (Reproduz parte do Acórdão). Fl. 1654DF CARF MF 8 Ainda que devidos fossem os juros moratórios, o que se admite apenas para argumentar, jamais o seriam na dimensão pretendida, posto que a taxa Selic não pode ser tomada como base para seu cômputo. Por fim, requer o sujeito passivo que seja julgada inteiramente procedente a impugnação, sendo cancelado o lançamento, se antes não for anulado pela aplicação da Súmula nº 29 do Carf, de aplicação vinculante em virtude da Portaria MF nº 383/2010. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: · O lançamento fiscal tem por objeto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados com base no art. 42 da Lei 9.430/96, nas seguintes contas bancárias do sujeito passivo: Banco Agência Conta Tipo Real 402 001002944 Poupança Bradesco 2055 00081760 Corrente · Em preliminar, a defesa suscita a nulidade do Auto de Infração, sob alegação de que, no lançamento, não teria sido observado o disposto na Súmula nº 29 do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; · No Termo de Intimação e Início da Ação Fiscal, de fl. 33, a auditoria fiscal responsável intimou o contribuinte a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, de poupança e de investimento, mantidas em seu nome, do cônjuge e de seus dependentes no Brasil e exterior durante o anocalendário 2007; · Em resposta à solicitação fiscal, o interessado disponibilizou os extratos bancários das contas correntes, do Banco Real, nº 1.0029441, de fls. 71/104, e do Banco Bradesco, nº 00081760, de fls. 105/143, e, posteriormente, atendendo a novo pedido da fiscalização, apresentou os extratos da conta poupança do Banco Real, nº 001002944, fls. 149/210 e 214/243; · Nos extratos mencionados do Banco Real, tanto aqueles relativos à conta corrente, quanto aqueles da conta poupança, está registrado que os titulares da conta são “Dalmo Souza Lima e/ou Dylma Darleth de Ol.”; · Assim, a conta de poupança do Banco Real, na qual foi apurada a infração, é conta conjunta, tendo por segundo titular a cônjuge do contribuinte autuado, Dylma Darleth de Oliveira Lima; · Apesar de constar tal informação nos referidos extratos, a fiscalização não adotou os procedimentos pertinentes, tendo em vista que a intimação, de fl. 246, para comprovação da origem dos valores apurados foi direcionada apenas ao impugnante, desconsiderando o outro titular da conta poupança do Banco Real; Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 6 9 · Em relação a essa questão, conforme citado na impugnação, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf aprovou a Súmula nº 29, a qual a Portaria Ministério da Fazenda nº 383, de 12 de julho de 2010, atribuiu efeito vinculante para a administração tributária, e que dispõe: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. · A falta de intimação da segunda titular da conta de poupança do Banco Real para justificar a origem dos depósitos bancários implica a não caracterização da omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal; · Dessa forma, cabe a exclusão da infração em relação à conta poupança nº 001002944, da agência 402, do Banco Real, cujo valor dos rendimentos apurados foi de R$ 626.298,22, conforme tabela de fls. 1.548 (página 09 do acórdão da DRJ); · Demonstrase, também, o valor mensal dos depósitos/créditos bancários apurados na conta nº00081760, agência 2055, do Banco Bradesco, cuja titularidade é apenas do contribuinte, conforme se verifica dos extratos examinados, fls. 105/143. Os valores das exclusões consideradas constam no Termo de Verificação Fiscal e nas planilhas, apresentadas pelo sujeito passivo, de cheques devolvidos e cheques decorrentes de transferência entre contas do mesmo titular, que foram acatados pela fiscalização; · Assim, as demais razões de defesa apresentadas pelo contribuinte serão analisadas em relação ao lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 1.542.009,82 na conta corrente do Banco Bradesco. Da formalização do lançamento fiscal · Rechaçamse as alegações do contribuinte de que a fiscalização fez acusações de fatos, que não logrou comprovar; que foram desrespeitados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa constitucionalmente assegurados; que deveria ter havido um aprofundamento fiscal para levantamento das provas sobre as infrações que lhe foram imputadas; Fl. 1656DF CARF MF 10 · Foram cumpridas todas as etapas necessárias à caracterização da presunção legal da omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de investimento ou depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações; · A tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada está prevista no art. 42 da Lei 9.430/96; · Para que fique caracterizada a presunção legal da omissão de rendimentos, definida no artigo acima transcrito, é necessário o cumprimento dos seguintes requisitos: identificação pela fiscalização dos depósitos bancários a serem comprovados; regular intimação do titular da conta bancária para que comprove a origem especificamente destes; relação daqueles depósitos os quais o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem; · No caso em exame, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB intimou, inicialmente, o contribuinte a apresentar os extratos de toda sua movimentação bancária. De posse desses documentos, a fiscalização relacionou os depósitos/créditos a serem comprovados e intimou o fiscalizado a comprovar a origem destes em relação à conta corrente do Banco Bradesco, valores devidamente identificados nas planilhas que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal, de fl. 246; Dos depósitos bancários de origem não comprovada · O contribuinte, em sua peça impugnatória, alega que nem toda sua movimentação bancária caracteriza ingresso de receita; que apesar da confusão de contas, houve recolhimento do tributo; que o lançamento foi feito a partir de meros indícios como prova da ocorrência do fato gerador, que os depósitos em conta não traduzem acréscimo patrimonial e que não ocorreu a hipótese de incidência tributária. Tais argumentos não merecem guarida; · Os cheques devolvidos e decorrentes de transferência bancárias entre contas do mesmo titular, que foram relacionados pelo contribuinte, em sua resposta à fiscalização, fls. 267/279 e 347, foram considerados e abatidos do valor dos depósitos/créditos identificados pela fiscalização como de origem não comprovada; · Para se admitir que a conta do contribuinte foi utilizada pela pessoa jurídica DDD Comercial de Bebidas Varejista Ltda, CNPJ 07.073.022/000120, deve haver comprovação de cada um dos depósitos e créditos, o que não ocorreu; Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 7 11 Dos juros de mora taxa Selic · No âmbito do ordenamento infraconstitucional, temse que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumuladas mensalmente, foi fixada pela Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 13, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1995; portanto, sua cobrança tem o amparo legal. De sorte que, permanecendo válida a norma que ampara a cobrança em questão, não é lícito à autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada e obrigatória, absterse de cumprila, visto que lhe resta apenas seguir o que determina a legislação em vigor, constituindo o crédito tributário conforme prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional; Da Retificação do Lançamento · Considerando a exclusão da infração de R$ 626.298,22, o lançamento passa a ser o seguinte: 1) Base de Cálculo Considerada R$ 29.206,32 2) Infrações Apuradas R$ 2.168.308,04 3) Infração Excluída R$ 626.298,22 4) Base de Cálculo após exclusão (1+23) R$ 1.571.216,14 5) Imposto Devido R$ 425.782,12 6) Imposto Pago R$ 2.016,30 7) Imposto Apurado (56) R$ 423.765,82 Cientificado da decisão da DRJ, o apresentou recurso voluntário (de fls 1563/1574), por meio do qual, reiterando os argumentos da impugnação apresentada, alega ofensa à ampla defesa, ao contraditório e a verdade material, considerando que a fiscalização ignorou os esclarecimentos prestados pelo Recorrente no sentido de que os depósitos bancários decorrem da atividade desenvolvida e da confusão havida em razão disso com a utilização de suas contas bancárias e da sociedade D.D.D. Comercial de Bebidas LTDAME. Ao final, requer a reforma a decisão recorrida na parte que lhe foi desfavorável, julgandose totalmente improcedente o auto de infração. Às fls. 1.578/1584, foi apresentada petição, em nome do “ESPÓLIO DE DALMO DE SOUZA LIMA”, representado por sua inventariante DENISE LUCIENE DE SOUZA LIMA, expondo e esclarecendo que: Ø Três meses após a apresentação da impugnação (o que ocorreu em 15/12/2010), o Autuado, Sr. Dalmo de Souza Lima, faleceu (em 14/02/2011, conforme Certidão de Óbito anexa); Fl. 1658DF CARF MF 12 Ø Em relação ao mérito, chama a atenção para os seguintes pontos, que, segundo afirma, são de crucial importância para a análise do Recurso Voluntário, sendo que o segundo é matéria de ordem pública, podendo ser reconhecido até mesmo de ofício. São eles: (i) falta de intimação de todos os cotitulares da conta bancária conjunta mantida no Banco Bradesco, conforme entendimento esposado no enunciado da Súmula CARF nº 29; e (ii) erro na identificação do sujeito passivo. Ø No que tange ao item (i) supra, esclarece que, diligenciando perante o Banco Bradesco obteve, enfim, documento do qual se extrai que a conta corrente nº 00081760, da agência 2055, do Banco Bradesco era mantida em conjunto com Dylma Darleth de Oliveira Lima (esposa do Autuado). Em razão disso, nos termos da Súmula CARF nº 29, ambos os titulares deveriam ter sido intimados a prestar informações acerca da origem dos recursos creditados nesta conta. Uma vez que não ocorreu a dupla intimação, o lançamento se encontra eivado de vício, não podendo ser mantido, conforme já julgou diversas vezes este Egrégio Conselho (cita jurisprudência). Ø No que se refere ao argumento de “erro na identificação do sujeito passivo”, ressalta que, conforme aduzido desde o início da ação fiscal, a movimentação financeira ocorrida em suas contas de pessoa física era decorrente da atividade de comércio exercida pela empresa familiar de pequeno porte da qual detinha quase a totalidade do capital social. Assim, o que de fato ocorreu foi uma confusão entre as contas bancárias da pessoa física e da pessoa jurídica. Neste contexto, entende que seria o caso de anulação do lançamento do crédito tributário por omissão de rendimentos, por erro na identificação do sujeito passivo, justamente por ter sido efetuada a tributação em face da pessoa física, em cuja conta corrente os valores foram creditados ao entendimento de que se referiam a valores decorrentes de atividade da pessoa jurídica, da qual a pessoa física era sócio. Cita e transcreve trechos de decisão proferida por esse Egrégio Conselho (Acórdão nº 2202003.296, Processo nº 16327.004438/200294, 2ª Câmara /2ª Turma Ordinária, Sessão de 10 de março de 2016) Ø Requer, ao final, (i) a juntada aos autos da documentação apresentada, em atendimento ao princípio da verdade material; (ii) a distribuição do processo a um relator, considerando o tempo decorrido desde o recebimento dos autos neste Conselho; e (iii) seja o recurso incluído em pauta para que seja julgado inteiramente procedente o Recurso Voluntário interposto. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 8 13 Às fls. 1.626/1.627, o Recorrente (espólio) atravessa nova petição, sinalizando que, se ainda estivesse vivo, o Sr. Dalmo estaria com 82 anos (cf.fls. 1.532destes autos), o que lhe garantiria o direito à preferência no julgamento do presente processo, como determina o art. 69A da Lei nº 9.784/99. Assim, requer a imediata distribuição destes autos a uma das Turmas Julgadoras com competência para tanto, para que, em seguida, seja o mesmo distribuído a um relator designado, para que seja aplicado aqui o enunciado n° 29 da Súmula deste Tribunal Administrativo. Por fim, às 1633/1635, encontrase anexada aos presentes autos decisão proferida pelo Dr. ROLANDO VALCIR SPANHOLO, Juiz Federal Substituto da 21ª Vara Federal/DF, proferida no Mandado de Segurança nº 101739512.2017.4.01.3400, impetrado pelo ESPÓLIODE DALMO DE SOUZA LIMA, determinando a distribuição do Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo Administrativo n° 15540.000555/201000 a uma das Turmas competentes, a fim de que seja julgado no prazo de 60 (sessenta) dias. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme sinalizado no relatório supra, o lançamento fiscal tem por objeto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados com base no art. 42 da Lei 9.430/96, nas seguintes contas bancárias do sujeito passivo: Banco Agência Conta Tipo Real 402 001002944 Poupança Bradesco 2055 00081760 Corrente A DRJ, por meio do Acórdão nº 12.72525 (fls. 1.540/1.555), julgou o lançamento procedente em parte, afastando a exigência fiscal referente à conta do Banco Real nº 1.0029441, considerando que a falta de intimação da segunda titular da referida conta para justificar a origem dos depósitos bancários implica a não caracterização da omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal, nos termos da Súmula CARF nº 29. Assim, a apresente análise, objeto do recurso voluntário, restringese ao lançamento fiscal referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, na conta corrente do sujeito passivo do Bradesco, número 81760, agência 2055. Fl. 1660DF CARF MF 14 Em 22 de setembro de 2016, cerca de um ano e seis meses após o protocolo do recurso voluntário (o que ocorreu em 08/04/2015), o Recorrente (espólio) peticionou nos presentes autos informando, dentre outras coisas, que a conta corrente do Bradesco em questão se trata de conta corrente mantida em conjunto com Dylma Darleth de Oliveira Lima (esposa do autuado), requerendo, assim, o cancelamento desta parcela da exigência fiscal com base no mesmo fundamento que motivou a extinção do crédito tributário referente à conta do Banco Real: aplicação da Súmula CARF nº 29. Com vistas a comprovar o quanto alegado, trouxe aos autos documento de fls. 1.613 e 1.614 – Formulário / Ficha de Abertura de Conta – Cadastro de Clientes, no qual consta expressa a informação de que a Sra. Dylma Darleth de Oliveira Lima é uma das titulares da conta do Bradesco nº 81760. Registrese, pela sua importância, que esta informação – de que a conta Bradesco nº 81760 é uma conta conjunta mantida pelo Autuado com a sua esposa, Sra. Dylma Darleth de Oliveira Lima, não se trata de uma notícia nova. Ao contrário, consta do processo desde da fiscalização. A DRJ, com base, apenas, nos extratos que foram apresentados pelo Autuado, de fls. 71 a 104 do Banco Real e 105 a 143 do Bradesco, concluiu que somente a conta referente ao Banco Real se tratava de conta conjunta, pelo que, em razão da falta de intimação da segunda titular para justificar a origem dos depósitos bancários, não restou caracterizada a omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal, nos termos da Súmula CARF nº 29. Ocorre que, embora tal informação não esteja evidenciada nos respectivos extratos, a conta corrente do Bradesco nº 81760 também se trata de conta conjunta. E tal informação pode ser facilmente identificada a partir da análise das cópias do cheques apresentadas pelo Autuado ainda na fase de fiscalização. De fato, em 09 de setembro de 2010, em reposta a uma das intimações da autoridade administrativa fiscal, o Autuado protocolizou petição, de fls. 318 a 348, por meio da qual apresentou para o preposto fiscal cópias da algumas centenas de cheques tanto da conta referente ao Banco Real (fls. 349 a 495), quanto daquela do Bradesco (fls. 496 a 1.477). Analisandose as cópias dos cheques do Banco Real (fls. 349 a 495), verificase que nestes constam os nomes dos dois titulares da conta: Dalmo de Souza Lima e Dylma Darleth. Da mesma forma, nos cheques do Banco Bradesco referente à conta 81760 (fls. 496 a 1.477) constam os nomes dos dois titulares Dalmo de Souza Lima e Dylma Darleth de Oliveira Lima e respectivos CPFs. Não fosse isso o suficiente para evidenciar a natureza da conta conjunta, verifica se diversos cheques, inclusive, foram assinados pela titular Dylma Darleth de Oliveira Lima, conforme se infere, por exemplo, daqueles que constam às fls, 935 a 953, 959, 961, 969, 973, 977, 979, 985 a 993 e 997 a 1001. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 9 15 Neste contexto, é correta, pois, a alegação do Recorrente (espólio). No caso em análise, a cotitularidade da conta encontrase comprovada não apenas pelo documento trazido aos autos por meio da petição apresentada em setembro/2016, mas, sobretudo, pela cópia dos cheques constantes às fls 496 a 1.477, conforme acima demonstrado. A necessidade de intimação dos cotitulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho, conforme se verifica pela Súmula nº 29 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 1662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000216/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2004
PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91.
Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO EMPREGADO. ARRECADAÇÃO DO EMPREGADOR. OBRIGATORIEDADE. REPASSE PARCIAL À SEGURIDADE SOCIAL.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição social prevista no art. 20 da Lei n. 8.212/91 incidente sobre a remuneração do segurado empregado.
NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao AuditorFiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SEGURADO EMPREGADO. ARRECADAÇÃO DO EMPREGADOR. OBRIGATORIEDADE. REPASSE PARCIAL À SEGURIDADE SOCIAL. A empresa está obrigada a recolher a contribuição social prevista no art. 20 da Lei n. 8.212/91 incidente sobre a remuneração do segurado empregado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 02 16 /2 00 7- 61 Fl. 1638DF CARF MF 2 NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte devese comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 1518/1531 em face da Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1491/1499), que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.601.3669 consolidado no valor total de R$ 424.935,94 na data de 22/12/2005 Período de Lançamento: 01/2000 a 06/2004 (efls. 143/255) com fulcro nas contribuições sociais dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador, mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração, e não integralmente repassada à Previdência Social em época própria, apuradas no período de 01/2000 a 06/2004 e verificadas em Folha de Pagamento, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 278/283. O Relatório Fiscal (efls. 278/283), bem assim o Relatório de Grupo Econômico RGE (efls. 324/351), caracterizam os procedimentos fiscais realizados; as evidências constatadas no curso da fiscalização e a solidariedade das empresas FRIGORÍFICO BONSUCESSO LTDA., FRIGORÍFICO PORTO LTDA., FRIGORÍFICO VALE DO RIO ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A que constituem grupo econômico de fato pelas obrigações tributárias de natureza previdenciária em apreço. A Recorrente foi regularmente cientificada da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) em 29/12/2005 (e fl. 1484), e, irresignada, apresentou, em 10/01/2006, a impugnação de efls. 1460/1473, aduzindo, em síntese: i) Preliminar de nulidade de citação; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Inexistência de solidariedade; iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal; v) Inobservância das regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal. Ao fim, requer que seja julgada a insubsistência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255). Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide. O crédito tributário de natureza previdenciária abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 (efls. 1491/1499), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: Fl. 1640DF CARF MF 4 A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 (efls. 1491/1499) em 30/05/2006, conforme editais publicados em 16/05/2006; 23/05/2006 e 30/05/2006 (efls. 1513/1515) e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social em 16/06/2006 (efls. 1518/1531), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de efls. 1460/1473. Os solidários também foram notificados do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 (efls. 1491/1499). Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 1518/1531, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1541/1542). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Nesse contexto, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO), concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1518/1531, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1628/1629. É o relatório. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Consoante já relatado, o Recurso Voluntário de efls. 1518/1531, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 1541/1542). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, exarada pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO) efls. 1541/1542, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 1518/1531, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 1628/1629. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. Isto posto, o Recurso Voluntário (efls. 1518/1531) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. De plano, cabe ressaltar que o lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) foi constituído em 29/12/2005 e referese a descumprimento de obrigação principal compreendendo as competências 01/2000 a 06/2004. Considerandose a ocorrência de lançamentos em face das competências 01/2000 a 11/2000 e 13/2000, potencialmente suscetíveis de decadência pela regra do art. 150, §4°., do CTN, é oportuno destacar a inexistência de registro nos autos, inclusive no corpo da NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255), de pagamento antecipado na forma prevista na Súmula CARF n. 99, conforme ressaltado no item 5 do Relatório Fiscal de efls. 278/283. No Discriminativo Analítico de Débito (DAD) há informação de créditos considerados na coluna "DIVERSOS" vinculados às competências 09/2000; 11/2000 e 13/2000. Nessa coluna estão compreendidos os créditos provenientes de DARP, GRPS, NFLD ou LDC associadas a somente um levantamento. Assim, considerandose que estas últimas (NFLD/LDC) não caracterizam pagamentos, bem assim que os DARP/GRPS foram substituídos, a partir da competência 03/1999, pela Guia da Previdência Social (GPS) instituída pela Resolução INSS/PR n. 657, de 17/12/1998 DOU de 14/01/99 , deduzse que Fl. 1642DF CARF MF 6 os valores nela informados não se referem a pagamentos antecipados, inclusive da respectiva rubrica (11 Segurados). Por sua vez, a coluna "DEDUÇÕES" do DAD referese àquelas deduções legalmente permitidas, não se caracterizando, igualmente, pagamentos. Por fim, na coluna "GPS" do DAD, que discrimina exatamente pagamentos, nada informa para nenhuma das competências objeto da autuação em lide. Desta forma, considerandose que a competência mais distante é a 01/2000, não há que se falar de decadência, vez que não se aplica a regra do art. 150, § 4°., nem decorreu o lapso temporal estipulado no art. 173, I, CTN. Da Preliminar de Nulidade de Citação De plano, cabe ressaltar que a ciência por via postal é modalidade de intimação prevista no art. 23, II, do Decreto n. 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal , bem assim na IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 vigentes à época dos fatos. Outrossim, inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido no Decreto n. 70.235/1972. A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação ficta, por via editalícia, é que se exige ordem de preferência, uma vez que deve resultar improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas). Da análise dos autos, constatase que a ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide foi direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215, nomeada e constituída pelo Recorrente mediante o instrumento procuratório público registrado no Tabelionato Figueiredo Ofício Único de Notas Vilhena/RO na data de 14/02/2005 Traslado: Primeiro Livro: 228 Folhas: 031 com validade até 31/12/2005 (efl. 267). No instrumento de procuração pública de efl. 267, a Recorrente outorga amplos e ilimitados poderes à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, a seguir transcritos: Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou, recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento da NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) em desfavor do Recorrente, tais como: Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, Relatório de Grupo Econômico, Termo de Cientificação de Constituição de Crédito em Grupo Econômico, Agendamento de Devolução Parcial de Documentos Apreendidos e TEAF (efls. 256/266). Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 104 7 E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215 a signatária do Aviso de Recebimento (AR) e fl. 1484 da correspondência cujo conteúdo compreende, entre outros documentos, a NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255), objeto do presente litígio. Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boafé objetiva que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pretenda infirmar os poderes outorgados à procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, que o representou em todo o curso da ação fiscal que culminou com o lançamento do crédito tributário consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255), buscando desqualificar o domicílio fiscal por ela eleito (diverso daquele onde se situa a sede da Recorrente) para comunicarse com a Fiscalização da RFB, bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de efl. 1484. Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à qualificação do recebedor, objeto de questionamento pelo Recorrente, é relevante resgatar o Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É oportuno salientar que, ainda que falta ou irregularidade houvesse na intimação (ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3669), o comparecimento da Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de efls. 1460/1473, é bastante para sanear eventual vício existente na intimação. Por fim, convém destacar que a Recorrente encontrase com situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada desde 09/02/2015, por motivo de omissão contumaz, conforme consulta realizada no sítio da RFB (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp). Isto posto, rejeito a preliminar. Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 256) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 257), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003; e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Isto posto, rejeito a preliminar. Fl. 1644DF CARF MF 8 Do Mérito Em relação à insurgência contra a caracterização de grupo econômico e a consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, resta sobejamente comprovado nos autos os fundamentos que evidenciam a composição de grupo econômico compreendendo as seguintes pessoas jurídicas: i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.; ii) Frigorífico Porto Ltda.; iii) Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 nos tópicos 23 a 27 (e fls. 1491/1499) elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (efls. 324/351), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico e à solidariedade entre as respectivas empresas, quanto ao crédito tributário de natureza previdenciária consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255), a seguir resumidas: Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 105 9 O art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral ou econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas pela DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0057/2006 (efls. 1491/1499), acima reproduzidas, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (frigoríficos) envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: Fl. 1646DF CARF MF 10 "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei)" Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. É relevante destacar que na peça recursal de efls. 1518/1531 a Recorrente não enfrenta de forma específica as infrações consignadas na NFLD DEBCAD n. 35.601.366 9 (efls. 143/255), limitandose a alegações genéricas, desprovidas de qualquer lastro probatório que informe os fundamentos do lançamento em apreço. Com efeito, limitase a Recorrente a afirmar que é "de todo inoportuno os lançamentos praticados, pois que não trazem a demonstração clara e precisa de suas origens, exorbitantes em sua mensuração, além do que não traduzem efetivamente quaisquer débitos da RECORRENTE para com a Seguridade Social não podendo ser mantidos pela Autarquia Previdenciária" (sic) (efl. 1528). Nenhum elemento de prova, nem argumentos de fato e/ou de direito, traz a Recorrente com força bastante para ilidir o lançamento abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255). Nessa perspectiva, o lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3669 (efls. 143/255) encontrase alinhado à configuração da Lei n. 8.212/91 da época dos fatos, particularmente em seus arts. 20 e 30, IX. Entretanto, tratase, no caso concreto, de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, revestido, portanto, de natureza de penalidade (passível de multa de ofício), o que atrai o art. 106, II, alínea "c", do CTN, considerandose a retroatividade da lei mais benéfica, vez que é a regra. Considerandose que o lançamento em tela foi constituído em momento anterior às alterações à Lei n. 8.212/91, promovidas pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, é mister procederse a cotejo entre as penalidades cabíveis em conformidade com a legislação vigente antes e depois do retrocitado diploma legal, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo, por ocasião do pagamento ou do parcelamento, quando for o caso. Melhor detalhando, a Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, acrescentou os artigos 32A e 35A, modificando a sistemática do cálculo das multas decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessórias, anteriormente prevista nos artigos 32 e 35 da Lei n. 8.212/91. Assim, a partir da publicação da MP n. 449/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 106 11 norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observada a regra do art. 106, II, alínea "c", do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A penalidade mais benéfica, no caso concreto, é passível de aplicação ex officio, uma vez presente a possibilidade para o mister, consoante disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 04 de dezembro de 2009, com amparo no art. 106, II, alínea "c", do CTN. Para tanto, a análise da multa mais benéfica procederseá pelo cotejo (efetuado em relação aos processos conexos, geralmente com gênese na mesma ação fiscal) entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (art. 35 da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009) e de obrigações acessórias (art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), em contrapartida à multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 11.941/2009. Considerandose que os percentuais da multa do art. 35 da Lei n. 8.212/91, assim como do art. 44 da Lei n. 9.430/96, variam em função do prazo do pagamento do crédito tributário/previdenciário, a comparação entre tais modalidades somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, consoante o art. 2°. da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Caso as multas previstas no art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à dada pela Lei n. 11.941/2009), sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor da multa de ofício previsto no art. 35A daquele diploma legal (acrescido pela Lei n. 11.941/2009), e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na GFIP, a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). Fl. 1648DF CARF MF 12 A RFB, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações de natureza previdenciária (principais ou acessórias), vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por considerar ser a sistemática mais benéfica ao contribuinte, com lastro na proibição do bis in idem, conforme disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009. "Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010)" Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recálculo da multa mais benéfica à Recorrente. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10242.000216/200761 Acórdão n.º 2402006.105 S2C4T2 Fl. 107 13 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 1518/1531), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, a ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1650DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720177/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES.
Entende-se por salário-de-contribuição, para o empregado ou trabalhador avulso, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho.
AJUDA DE CUSTO
A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o salário-de-contribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única.
PLANO EDUCACIONAL
A previsão legal de exclusão do salário-de-contribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES. PROVAS.
No processo administrativo fiscal os argumentos de defesa devem vir acompanhados de provas, sendo indevido apresentar alegações genéricas, sem embasamento probatório.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE.
A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, sendo aplicável no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido e no percentual determinado expressamente em lei, independendo da gravidade da infração, má-fé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese.
INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. FISCO. DISCRICIONARIEDADE.
O artigo 23, incisos I, II e III, do Decreto n° 70.235/1972 elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado.
Numero da decisão: 2402-006.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entende-se por salário-de-contribuição, para o empregado ou trabalhador avulso, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho. AJUDA DE CUSTO A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o salário-de-contribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. PLANO EDUCACIONAL A previsão legal de exclusão do salário-de-contribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES. PROVAS. No processo administrativo fiscal os argumentos de defesa devem vir acompanhados de provas, sendo indevido apresentar alegações genéricas, sem embasamento probatório. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, sendo aplicável no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido e no percentual determinado expressamente em lei, independendo da gravidade da infração, má-fé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. FISCO. DISCRICIONARIEDADE. O artigo 23, incisos I, II e III, do Decreto n° 70.235/1972 elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
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FRANCO ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por saláriodecontribuição, para o empregado ou trabalhador avulso, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho. AJUDA DE CUSTO A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o saláriodecontribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. PLANO EDUCACIONAL A previsão legal de exclusão do saláriodecontribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 01 77 /2 01 5- 88 Fl. 299DF CARF MF 2 parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES. PROVAS. No processo administrativo fiscal os argumentos de defesa devem vir acompanhados de provas, sendo indevido apresentar alegações genéricas, sem embasamento probatório. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, sendo aplicável no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido e no percentual determinado expressamente em lei, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. FISCO. DISCRICIONARIEDADE. O artigo 23, incisos I, II e III, do Decreto n° 70.235/1972 elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0132.530, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA – DRJ/BEL (fls. 211/225) que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos Autos de Infração lavrados sob os Debcad nº 51.056.0768 e 51.056.0776, relativos a contribuição previdenciária patronal, inclusive a destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e de contribuições devidas a outras entidades ou fundos, os denominados terceiros, relativas às competências 01/2010 a 12/2012. De se ressaltar que as razões trazidas no recurso voluntário são absolutamente idênticas àquelas que constam da peça impugnatória, razão pela qual transcrevese o relatório da decisão a quo, o qual se mostra suficiente para compreensão do contexto em que o litígio encontrase inserido: Relatório Do Lançamento Trata o processo em epígrafe de lançamento de contribuições previdenciárias patronais, de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – (SAT/RAT) e de devidas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI). A Auditoria efetuou o lançamento das contribuições devidas, lavrando os seguintes Autos de Infração: 1. Debcad nº 51.056.0768: Auto de Infração, com lançamento de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte patronal, e de contribuições patronais para o financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8213 de 24/07/1991 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados apuradas em folha de pagamento, não declaradas em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, consolidadas em 28/01/2015, no montante de R$ 58.683,17, referente às competências 01/2010, 07/2010 a 09/2010, 12/2010, 03/2011 a 07/2011, 09/2011 a 12/2011, décinoterceiro salário/2011, 01/2012, 03/2012, 06/2012, 07/2012, 09/2012 e 12/2012. 2. Debcad nº 51.056.0776: Auto de Infração, com lançamento de contribuições devidas a outras entidades e fundos FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados apuradas em folha de pagamento, não declaradas em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, consolidadas em 28/01/2015, no montante de R$ 14.731,38, referente às Fl. 301DF CARF MF 4 competências 01/2010, 07/2010 a 09/2010, 12/2010, 03/2011 a 07/2011, 09/2011 a 12/2011, décimoterceiro salário/2011, 01/2012, 03/2012, 06/2012, 07/2012, 09/2012 e 12/2012. O lançamento teve como base as diferenças de salário de contribuição apurados no confronto entre folha de pagamento e GFIP, utilizandose os arquivos digitais da folha de pagamento apresentados pela empresa. No item 5 do Relatório Fiscal consta demonstrativo das diferenças apuradas, por mês e empregado. O salário de contribuição de cada empregado foi apurado na forma descrita pelo Auditor considerando as rubricas relacionadas na tabela de incidência inserida no item 6 do Relatório Fiscal. A alíquota de contribuição para o GILRAT foi ajustada de 4,53% em 2010, 3,05% em 2011 e 1,50% em 2012. Estas alíquotas ajustadas foram resultantes da multiplicação da alíquota GILRAT da empresa de 3% pelo Índice FAP – Fator Acidentário de Prevenção – a que esteve enquadrada nos anos de 2010, 2011 e 2012, nos valores de 1,5119, 1,0169 e 0,5000, respectivamente. A fiscalização analisou os seguintes documentos: GFIP, GPS – Guias da Previdência Social, contrato social e alterações, notas fiscais de prestação de serviços, arquivos digitais relativos a informações contábeis e a folhas de pagamento, documentos da empresa com esclarecimentos aos termos de intimação e dados pertinentes à empresa e constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Da Impugnação A autuada apresentou impugnação tempestiva, na qual argumenta que: 1. Suspensão da exigibilidade. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III do Artigo 151 do CTN. 2. Auto de Infração nº 51.056.0768 – Das diferenças encontradas nas GFIP – verbas indenizatórias que não incidem a contribuição previdenciária – precedentes do CARF, STJ e STF. Alega que a fiscalização não requereu a cópia das folhas de pagamento para verificar o motivo da diferença. No caso, as diferenças decorrem de vale transporte, vale alimentação, abonos do PIS/PASEP, diárias de viagens, benefícios da previdência social, ajuda de custo, férias indenizadas, o abono e respectivo terço constitucional, aviso prévio indenizado, participação nos lucros e resultados PLR, auxílio doença, auxílio acidente, plano educacional ou bolsa de estudo, auxílio creche, licençaprêmio indenizada, incentivo à demissão e multa de 40% sobre o FGTS, conforme observase nas folhas de pagamento anexadas a impugnação. Cita jurisprudência do CARF, do STJ e STF, sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas de caráter indenizatório. 3. Parcelas que não integram o salário de contribuição. Aduz que o Decreto nº 3.048/99, em seu artigo 214, § 9º, traz um rol exemplificativo das verbas que não possuem natureza salarial, mas, ressalta, todas as verbas de caráter não salarial, ou seja, indenizatórias ou encargos sociais, assim como as verbas percebidas de forma eventual, estão fora do âmbito de incidência da contribuição previdenciária, independente de expressa previsão legal. Por sua vez, o artigo 28, § 9º, da Lei º 8.212/91, dispõe sobre parcelas consideradas taxativamente não integrantes do salário de contribuição. Transcreve as alíneas do § 9º do Artigo 28 da Lei nº 8.212/91, que define as verbas que não integram o salário de contribuição. Considera irregulares as diferenças apontadas pela fiscalização e requer seja julgado improcedente o Auto de Infração nº 51.056.0768, considerando que Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 4 5 as diferenças são decorrentes de verbas salariais que não integram o Salário de Contribuição. 4. Auto de Infração nº 51.056.0776. Pelas alegações apresentadas acima, relativas às verbas que originaram as diferenças, também não há incidência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, em razão das verbas citadas serem de caráter indenizatório. Requer, pelos mesmos motivos, a improcedência do autuação. 5. Inaplicabilidade da Multa de 75% Caráter confiscatório – Atos praticados pelo contribuinte não justificam a aplicação da multa de 75%. O impugnante não deixou de apresentar documentos ou de cumprir obrigações acessórias que justifiquem o lançamento de ofício com a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento). As diferenças apontadas são de conhecimento da Receita Federal. O contribuinte não agiu de má fé. Requer a anulação da multa ou, se assim não for decidido, que seja aplicada a multa de 20%; 6. Ausência de crime de sonegação fiscal. Atos devidamente contabilizados e informados à RFB. Ressalta a impugnante, que no presente caso não houve omissão ou ausência de lançamento de qualquer tributo ou contribuição que pudesse ensejar a tipificação da conduta de sonegação ou qualquer outro crime. Todas as obrigações acessórias e principais foram devidamente cumpridas, tendo ocorrida mera ausência de recolhimento de tributo. Não houve falsidade de declaração ou ausência dela. Requer sejam suspensos e posteriormente anulados os efeitos do processo COMPROT nº 10980 720.182/2015 91. Transcreve decisões do CARF; 7. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de fundamentação legal. Art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Alega a impugnante que em todo o Auto de Infração e seus anexos, não é possível aferir a fundamentação legal utilizada pela fiscalização. A fiscalização deixou de analisar a documentação necessária para aferição das diferenças apontadas na GFIP, adotando uma interpretação restritiva, sem analisar as folhas de pagamento e as verbas de caráter indenizatório. A Lei 9.784/99 tornou obrigatória a indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão administrativa, em expressa adoção do princípio da fundamentação dos atos e decisões administrativas. O primado da fundamentação está relacionado com os princípios do formalismo moderado e da motivação. Transcreve decisões do CARF. Não é possível aferir a legalidade da exigência imposta, bem como impossível verificar a fundamentação pela ilegalidade das diferenças encontradas na GFIP, pois a fiscalização deixou de verificar a origem da diferença apontada constante das folhas de pagamento, devendo ser declarados nulos os Autos de Infração. 8. Necessidade de perícia. Quesitos. Nomeação de Assistente Técnico. Requer a realização de perícia técnica para apontar a legalidade das diferenças utilizando por base a documentação acostada. Indica assistente técnico e formula quesitos. 9. Juntou cópias de folhas de pagamento (fls. 117/168) (partes da folha de alguns meses) e do Acórdão Resp nº 1.230.957/RS do STJ (fls 170/194) (543 C do CPC). Fl. 303DF CARF MF 6 Pedidos: 10. Suspensão dos efeitos dos Autos de Infração, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN; 11. Realização de perícia técnica contábil; 12. Nulidade dos Autos de Infração, por violação do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72; 13. Se não atendido o pedido de nulidade, requer a improcedência do Auto de Infração e das alegações de sonegação fiscal, com o direito a exclusão de verbas de caráter indenizatório citadas, conforme fundamentação apresentada, anulando os efeitos das multas e juros aplicados, aplicandose a atualização pela SELIC sobre os valores eventualmente pagos a maior pelo contribuinte; 14. Suspensão dos atos constantes no processo Comprot nº 10980 720.182/201591, julgandose, ao final, improcedente a pretensão do fisco em punir o contribuinte pelo crime de sonegação, previsto nos artigos 168A, caput e parágrafo primeiro e 337A, inciso I, ambos do Decretolei nº 2.848/1940; 15. Intimação de todos os atos deste processo em nome de seu advogado, em seu endereço profissional. É o relatório, Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Portanto, neste momento, em razão da impugnação tempestiva apresentada, o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Pretende a impugnante a nulidade do lançamento, por violação do art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, ao argumento de ausência dos fundamentos legais que embasaram o lançamento, sem os quais lhe é impossível aferir a legalidade da exigência. Não procedem suas alegações. O Relatório Fiscal descreve, de forma clara, os fatos que ensejaram o lançamento. No item 4 do Relatório Fiscal (fls. 22/31), o Auditor Fiscal informa os fatos que motivaram o lançamento das contribuições previdenciárias, que incidiram sobre remuneração não informada pela empresa em GFIP. Tratase de diferenças entre o valor da remuneração dos segurados a serviço da empresa, apuradas com base nos arquivos digitais da folha de pagamento, e o valor da remuneração informado pela empresa nas GFIP apresentadas. As diferenças apuradas entre folha de pagamento e GFIP estão detalhadas, por mês e por segurado na tabela do item 5 do Relatório Fiscal. As verbas salariais consideradas na apuração do salário de contribuição de cada segurado estão relacionadas no item 6 do Relatório Fiscal, com informação do código e descrição da rubrica. A fundamentação legal é detalhadamente informada nos anexos FLD – Fundamentos legais do débito (fls. 9 e 17). O Auto de Infração está em conformidade ao que preceitua o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se vislumbrando a presença da alegada nulidade. DIFERENÇAS APURADAS – VERBAS INDENIZATÓRIAS Fl. 305DF CARF MF 8 Alega a impugnante que a fiscalização não analisou a documentação necessária à apuração do salário de contribuição, e que as diferenças apuradas correspondem a verbas de natureza indenizatória. Não lhe assiste razão. A fiscalização informa, no item 4 do Relatório Fiscal, que, em atendimento ao Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, foram apresentados pela empresa, os arquivos digitais relativos às suas folhas de pagamento, dentre outros itens solicitados. De fato. Podemos verificar que por Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (fls. 32/33), foram solicitados à empresa a documentação necessária para a auditoria, dentre eles o arquivo digital contendo informações da folha de pagamento, na forma prevista na legislação ali citadas. Posteriormente, por Termo de Intimação Fiscal (fls. 66/67), foram solicitados à empresa outros documentos e esclarecimentos sobre rubricas e diferenças encontradas, inclusive sobre valores informados a menor nas GFIP. Os arquivos digitais solicitados foram entregues pela empresa à auditoria, conforme comprova o “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” (fls. 53) e o Relatório de Resumo da Validação de Arquivo (fls. 54/55). Este relatório descreve os arquivos da folha de pagamento apresentados em formato digital. Na apuração do salário de contribuição de cada segurado, a fiscalização utilizou as informações das folhas de pagamento, apresentadas em formato digital. Para compor o salário de contribuição foram consideradas as verbas salariais relacionadas no item 6 do Relatório Fiscal. As rubricas identificadas na relação como “Salário” foram somadas, por segurado e por mês, e deduzidos os valores correspondentes às rubricas indicadas como “reduções”. A impugnante sustenta que “... as diferenças decorrem de vale transporte, vale alimentação, abonos do PIS/PASEP, diárias de viagens, benefícios da previdência social, ajuda de custo, férias indenizadas, o abono e respectivo terço constitucional, aviso prévio indenizado, participação nos lucros e resultados PLR, auxílio doença, auxílio acidente, plano educacional ou bolsa de estudo, auxílio creche, licença prêmio indenizada, incentivo à demissão e multa de 40% sobre o FGTS.” Equivocase a impugnante. As rubricas (verbas salariais) consideradas pela fiscalização na apuração do salário de contribuição são aquelas relacionadas no item 6 do Relatório Fiscal, e, dentre as verbas indenizatórias citadas pela impugnante, consta da relação somente as rubricas “Ajuda de Custo” e “Participação em curso (50%)”, que foram consideradas pela fiscalização como integrantes do salário de contribuição. Assim, não serão analisados quaisquer argumentos apresentados pela impugnante em relação às rubricas que não foram consideradas na composição do salário de contribuição que serviu de base para o lançamento das contribuições previdenciárias neste processo. Em relação às rubricas “Ajuda de Custo” e “Participação em curso (50%)”, devese observar que integram o salário de contribuição quando pagas em desacordo com o estabelecido em lei, como veremos a seguir: Salário de Contribuição O artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, ao conceituar saláriodecontribuição, sobre o qual incidirá a alíquota para o cálculo da contribuição para a Previdência Social, o delimitou em atendimento ao comando constitucional: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 6 9 I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação alterada pela MP nº1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº9.528, de 10/12/97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98, vigente à época). (Sem grifos no original) Por outro lado, vale lembrar que a Constituição Federal determina que, em matéria tributária, as normas de isenção ou redutoras da base de cálculo devem ser veiculadas, necessariamente, por lei específica. Assim dispõe o art. 150, § 6º, da CF: Por outro lado, vale lembrar que a Constituição Federal determina que, em matéria tributária, as normas de isenção ou redutoras da base de cálculo devem ser veiculadas, necessariamente, por lei específica. Assim dispõe o art. 150, § 6º, da CF: Art.150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § Fl. 307DF CARF MF 10 2º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Logo, considerando o comando constitucional, não há dúvida de que é taxativo o rol de verbas não integrantes da base de cálculo, previstas no parágrafo 9º, do art. 28, da Lei 8.212, de 1991, não cabendo ao intérprete incluir verbas que nele não estejam expressamente contempladas. Assim, ressalvada a hipótese de lei que atenda ao art. 150, § 6º, da Constituição Federal, concluise que, à exceção das imunidades e das verbas expressamente excluídas pelo parágrafo 9º, do art. 28, da Lei 8.212, de 1991, toda e qualquer verba paga com a finalidade de retribuir o trabalho constitui base de cálculo de contribuição previdenciária. Há que se observar, ainda, o que dispõe o art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Portanto, extraise de mais essa disposição do CTN que, em matéria de isenção tributária, não se admite uma interpretação mais ampla da lei, para além dos estritos termos nela contidos. Como se pode inferir dos dispositivos legais acima transcritos, o conceito de salário de contribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. Ajuda de Custo A não incidência de contribuição previdenciária sobre ajuda de custo, prevista na alínea “g”, do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, antes transcrito, ocorre, exclusivamente, quando paga em parcela única, em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. Portanto, quaisquer pagamentos a título de ajuda de custo que não se enquadrem na situação definida em lei, estará sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Em sua impugnação a empresa limitouse a transcrever o parágrafo 9º, do Art. 28 da Lei 8.212/91, não apresentando quaisquer documentos a provar que tais pagamentos ocorreram em decorrência de mudança do local de trabalho do empregado, pelo que devem ser mantidos os lançamentos correspondentes. Participação em curso (50%) O § 9º, alínea “t” do Art. 28 da Lei nº8.212, de 1991, acima transcrito, na redação vigente à época, define como verba não integrante do saláriode contribuição o financiamento, pelas empresas, de plano educacional que vise à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades por elas desenvolvidas, contanto que tal verba não seja utilizada em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Admitese a exclusão do saláriodecontribuição para os valores despendidos com cursos de capacitação e qualificação profissionais, desde que sejam preenchidos três requisitos, concomitantemente, a saber: estarem vinculados às atividades Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 7 11 desenvolvidas pela empresa, não serem pagos em substituição de parcela salarial e serem acessíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa, nos termos da já transcrita alínea “t”, § 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212, de 1991. A empresa não trouxe aos autos quaisquer documentos para comprovar o atendimento dos requisitos exigidos, limitandose a transcrever a legislação. Nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, transcrito a seguir, na peça impugnatória o contribuinte tem que apresentar suas razões de defesa, juntamente com as provas de que dispuser. Ou seja, ao apresentar suas alegações, deve o contribuinte, comproválas, o que não fez no caso em foco. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, as alegações aqui mencionadas, por estarem desprovidas de elementos probatórios, não são úteis e não servem para modificar o crédito lançado. DIFERENÇAS APURADAS A empresa juntou às fls. 117/168, cópias de folhas de pagamento, entretanto, tratase de partes da folha de pagamento, extraídas das folhas de pagamento mensais da empresa. Nesse ponto, observo que a empresa possui vários estabelecimentos ou obras de construção, e, pelas normas previdenciárias deve elaborar folha de pagamento separada por estabelecimento. Decreto nº 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá (...): Assim, o segurado pode constar na folha de pagamento da empresa, em um ou mais de um de seus estabelecimentos ou obras de construção civil, nos quais tenha prestado serviço. Portanto, a apresentação de partes da folha de pagamento, de forma isolada, não nos permite aferir se estas contemplam todos os rendimentos do segurado. Corroborando este entendimento, podemos verificar, pelas páginas de folha de pagamento apresentadas, a inconsistência de informações e valores, conforme tabela abaixo: Fl. 309DF CARF MF 12 Mês/An o Nome Salário de Contribuiçã o Apurado Fiscalização Salário de Contribuiçã o da GFIP Base INSS Folha de Pgto apresentada Doc apresenta do (fls.) 09/2010 ANTONIO SENIVALDO SANTOS 8.159,12 7.231,37 1.326,57 124 09/2010 EURIPEDES FRANCISCO DA SILVA 1.695,65 1.625,89 585,33 126 09/2010 GILSON LUIZ DE OLIVEIRA 2.541,53 2.232,73 799,76 127 09/2010 NIVALDO VIEIRA PEREIRA 3.343,45 2.974,12 1.635,47 129 09/2010 RAILTON ROCHA SANTOS 2.880,74 2.605,55 884,05 130 Como se observa, o valor da remuneração do empregado informado pela própria empresa em GFIP para os empregados acima, é muito superior ao valor da remuneração constante na folha de pagamento apresentada neste processo. Nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, transcrito a seguir, na peça impugnatória o contribuinte tem que apresentar suas razões de defesa, juntamente com as provas de que dispuser. Ou seja, ao apresentar suas alegações, deve o contribuinte, comproválas, o que não fez no caso em foco. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, as alegações aqui mencionadas, por estarem desprovidas de elementos probatórios, não são úteis e não servem para modificar o crédito lançado. MULTA DE OFÍCIO O Impugnante questiona o percentual de multa de ofício aplicada, requerendo sua anulação ou aplicação da multa de mora, de 20%. No que se refere à aplicação da multa de ofício, assim dispõe a legislação vigente: Lei nº 8.212, de 1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifouse) Como se pode observar, deve ser aplicada a multa de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. Logo, a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência, conforme determina o dispositivo transcrito. No caso presente, as contribuições previdenciárias devidas não foram declaradas e recolhidas pelo Contribuinte e a autoridade fiscal simplesmente aplicou o que determina a legislação. A aplicação da multa de ofício foi feita nos estritos contornos do princípios da legalidade, eis que havendo lei que determine a aplicação de determinado percentual de multa, não resta à autoridade administrativa Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 8 13 outra alternativa senão a aplicação do quantum nela previsto. É ato vinculado, não cabendo à esfera administrativa pronunciarse sobre os critérios que informaram o legislador quando da feitura da lei. Também há que ressaltar que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigação tributária, nos termos do art. 136 do CTN, é objetiva, ou seja, independe dos motivos que levaram ao descumprimento da obrigação. Dessa forma, a multa aplicada está em perfeita consonância com o disposto na legislação de regência, razão pela qual deve ser mantida a multa de ofício aplicada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Requer a Impugnante a suspensão do processo de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP processo nº 10980720.182/201591, e a improcedência da pretensão do fisco em punir o contribuinte pelo crime de sonegação. A Representação Fiscal para fins Penais somente será encaminhada ao Ministério Público após decisão final, na esfera administrativa, conforme de acordo com o disposto no art. 83 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1oe 2oda Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. No âmbito da RFB a normatização segue a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: (...) Art. 4º A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, definidos nos arts. 168A e 337A do Código Penal, será formalizada e protocolizada em até 10 (dez) dias contados da data da constituição do crédito tributário, devendo permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no art. 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável. Art. 5º Os autos da representação, ou seu arquivo digital, serão remetidos pelo Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal ao órgão do MPF competente para promover a ação penal, no prazo de 10 (dez) dias contados da data: I do encerramento do prazo legal para cobrança amigável, depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito Fl. 311DF CARF MF 14 tributário relacionado ao ilícito penal, sem que tenha havido o correspondente pagamento; II da concessão de parcelamento do crédito tributário, ressalvados os mencionados nos incisos III, IV e V; III da exclusão da pessoa jurídica do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000; IV da exclusão da pessoa jurídica do Parcelamento Especial (Paes) de que trata a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; V da exclusão do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009; ou VI da lavratura de auto de infração ou da expedição de notificação de lançamento de que não resulte exigência de crédito tributário. Quanto à solicitação de extinção da pretensão do fisco em punir o contribuinte pela prática de crime, em tese, cabe informar que o processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais. Logo, o presente Voto somente se manifestará sobre os fatos trazidos aos autos no que concerne ao interesse tributário envolvido. Diante do exposto, não haverá manifestação desta autoridade julgadora quanto a procedimentos relativos à Representação Fiscal para Fins Penais acima referida, posto que a mesma trata de crime, ainda que em tese. DA DILIGÊNCIA OU PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, não vimos necessidade desses procedimentos, uma vez que o auto de infração apresenta todos os elementos necessários para formar a convicção do julgador. Vejamos o que estabelece o artigo 18 do Decreto 70.235/72 a esse respeito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligência, ou perícia, pressupõe que a prova não pode, ou não cabe, ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. O Relatório Fiscal e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo auditor, a forma de apuração da base de cálculo, informando os valores e diferenças apuradas. Portanto, a empresa teve todas as condições para contestar o lançamento, sem a necessidade de realização de perícia, razão pela qual indeferese o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10980.720177/201588 Acórdão n.º 2402006.116 S2C4T2 Fl. 9 15 INTIMAÇÃO AO ADVOGADO Por fim, o contribuinte requereu que todas as intimações atinentes à presente impugnação fossem realizadas em nome de seu advogado no endereço lá constante. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/19721 disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o § 4° dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço de seu advogado, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de indeferir o pleito do contribuinte. Conclusão E pelo exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, afastar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de diligência, perícia e intimação do presente acórdão no endereço do advogado da recorrente e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720473/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DOAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CRITÉRIOS JURÍDICOS NORMATIVOS. INOBSERVÂNCIA.
É incabível o lançamento do imposto de renda quando se verifica que o ganho de capital foi apurado em desconformidade com os critérios jurídicos determinados pelas disposições normativas que disciplinam este procedimento.
Numero da decisão: 2402-006.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DOAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CRITÉRIOS JURÍDICOS NORMATIVOS. INOBSERVÂNCIA. É incabível o lançamento do imposto de renda quando se verifica que o ganho de capital foi apurado em desconformidade com os critérios jurídicos determinados pelas disposições normativas que disciplinam este procedimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
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GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CRITÉRIOS JURÍDICOS NORMATIVOS. INOBSERVÂNCIA. É incabível o lançamento do imposto de renda quando se verifica que o ganho de capital foi apurado em desconformidade com os critérios jurídicos determinados pelas disposições normativas que disciplinam este procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 04 73 /2 01 1- 49 Fl. 589DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 590 3 Relatório Cuida o presente de Recurso de Ofício em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 11.11.2011 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 2.606.958,00, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorreu da constatação da infração a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na doação em adiantamento de legítima ou na dissolução da sociedade conjugal/união estável exercício 2007. Com relação à descrição dos fatos, valhome do relatório do acórdão recorrido às fls. 551/563, eis que bem retrata o apurado: Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal contido no feito (fls. 11 a 17), o lançamento do imposto cumulado com os mencionados consectários legais decorreu do ganho de capital no valor de R$ 17.379.720,00, apurado em face da doação por parte da contribuinte para seis filhos, ocorrida em novembro de 2006, de 33.000.000 de ações da Cia. de Bebidas das Américas – AMBEV, cujo valor real montou à quantia de R$ 42.018.300,00, em contrapartida do respectivo custo de aquisição, no montante de R$ 24.638.580,00. Regularmente intimada, apresentou Impugnação que foi julgada procedente pela DRJ. Do Voto que integrou o acórdão, colhemse os seguintes pontos que, à juízo daqueles julgadores, demonstrariam o desacerto do critério adotado pela Fiscalização na apuração da base de cálculo do imposto exigido, que acabou por não condizer com os ditames normativos que disciplinariam a espécie. São eles: 1 Equívoco na identificação do valor na transferência de propriedade das ações doadas. Fl. 591DF CARF MF 4 A Fiscalização considerou que a contribuinte havia doado ações da AMBEV, no valor de R$ 7.003.050,00 para cada um dos seis filhos, perfazendo um total de ações doadas no valor de R$ 42.018.300,00, que, subtraído do valor do custo total de aquisição atribuído a essas ações, no importe de R$ 24.638.580,00, resultaria em um ganho de capital tributável no valor de R$ 17.379.720,00. Que os R$ 7.003.050,00 não corresponderiam ao valor constante da DIRPF da doadora, nem representariam o valor de mercado das referidas ações no anocalendário em que se deram as doações. Que as doações sequer haviam sido informadas na DIRPF/07 da autuada, sendo certo que aquele valor de R$ 7.003.050,00 havia sido informado à Fiscalização como sendo o das referidas ações, avaliadas, contudo, em 2008. 2 Equívoco na identificação do valor de custo das ações doadas. Que a Fiscalização teria se valido como custo da ações doadas, do custo de aquisição unitário das ações ordinárias (R$ 0,66828) e das ações preferenciais (R$ 0,81191) que foram herdadas pela contribuinte em 2006, sem observar que a contribuinte, além das ações herdadas naquele ano, já detinha mais ações da mesma companhia em carteira, ações essas que foram adquiridas em distintos episódios e períodos, pelo que, sem poder determinar com segurança quais ações da contribuinte foram doadas aos seis filhos, farseia necessário apurar o custo de aquisição das ações doadas pelo critério do custo médio ponderado de cada ação, na hipótese de este custo ser declarado ou informado pela doadora, ou mesmo considerá lo igual a zero, na ausência do valor pago na aquisição das ações, isto na hipótese de este custo não poder ser determinado, a teor das disposições contidas no art. 16, §§ 3º, 4º e 5º, e no art. 18, incisos I a IV, ambos da IN SRF n.º 84, de 2001. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 591 5 Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Como se nota dos pontos acima destacados, a decisão recorrida entendeu ter havido erro no critério adotado pela Fiscalização, em especial, na apuração da base de cálculo do imposto exigido. Forçoso o reconhecimento do equívoco, embora não o veja como erro na adoção do critério de determinação da base de cálculo. Longe disso. Vejamos o que diz o artigo 23 da Lei 9.532/97. Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitar seá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. (...) § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. Em suma, se o doador promover a transferência de propriedade a título de adiantamento da legítima pelo valor que consta de sua declaração, não haverá ganho tributável pelo IR, desde que, decerto, o donatário tenha o incluído em sua DIRPF por aquele mesmo valor de transferência que constou da do doador. Por outro lado, caso o doador avalie o bem a valor de mercado e o transfira, nesses termos, ao donatário, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam de sua declaração de bens, sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Percebase que não se trata da apuração de capital nas clássicas alienações do artigo 3º da Lei 7.713/88, mas de hipótese legal que visou prevenir a evasão de IR. A razão de ser dessa inovação legislativa está expressamente consignada na exposição de motivos da MP 1.602/97, convertida na Lei 9.532/97. Confirase: Fl. 593DF CARF MF 6 Notese que, do texto legal, em consonância com o que pretendeu a norma, extraemse algumas circunstâncias que, ao ver deste relator, devem ser observadas na apuração do ganho tributável. São elas, neste caso: 1 a DIRPF relativa ao ano em que se dera a transferência; 2 o valor lá declarado como sendo o de aquisição observadas, certamente, sua idoneidade; e 3 o valor pelo qual é transferido o bem, sendo que, na sua ausência, aquele de que se aproveitou o donatário em sua DIRPF. Não resta dúvida de que a transferência das ações, neste caso, não se deu pelo mesmo valor que constava da declaração de bens do doador, visto que, embora a recorrente tenha omitido referida informação em sua DIRPF/07, os donatários, em suas DIRPF/08, informaram o recebimento pelo valor de R$ 700.305,00, que a considerar o erro de digitação (supressão de um "zero"), perfaria um total superior ao somatório dos valores lá anteriormente declarados pela autuada. Da mesma forma, tenho que os critérios adotados para a determinação da base de cálculo do tributo não se afastaram da estrutura acima, decorrente da norma legal, não havendo que se falar, a meu ver, no cometimento de qualquer erro de direito no lançamento e/ou erro no critério adotado. Vale dizer, não houve erro na determinação da base de cálculo do tributo, mas sim na sua valoração. Em outras palavras, buscou a Fiscalização o valor da transferência dos bens no ano da doação e o respectivo valor de custo de aquisição declarado em DIRPF. Não me parece que a autoridade lançadora tenha tido a real intenção de valer se de um valor de avaliação referente a 2008, para apuração do ganho em 2006. A própria resposta da autuada, às fls. 203/205, que passou a estar, agora, bem clara após a sua Impugnação, não pareceu, aos olhos da fiscalização, estar tratando de valor diverso do de R$ 7.003.050,00. É o que se depreende do excerto a seguir, que constou do Termo de Verificação Fiscal de fls.10/17: Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 592 7 Aliás, chamase a atenção para a seqüência de equívocos cometidos pela autuada, que acabaram por dificultar a auditoria fiscal no que toca ao escorreito levantamento da base de cálculo do IR. Confirase: É dizer: vislumbro que a única ressalva que a Fiscalização tinha quanto a esse valor, referiase, tão somente, ao erro quanto a estar declarado na DIRPF/09 e não e na DIRPF/07. Não me afigura que o autuante tenha, livre e conscientemente, eleito um valor sabidamente relativo a uma avaliação de 2008, como se em 2006 fosse. Não me está claro, desse modo, que tenha havido equívoco na valoração jurídica do fato, mas sim, na avaliação do próprio fato. O que se teve, em verdade, foi uma má avaliação dos dados de que dispunha; o cometimento de erro procedimental ao valerse, equivocadamente, da informação prestada como se o valor de R$ 7.003.050,00 referisse à avaliação das ações em 2006, relativo a cada donatário, mas que houvera sido apenas e erroneamente declarado na DIRPF/09. Fl. 595DF CARF MF 8 Não vejo, nesse ponto, qualquer erro conceitual ou de interpretação atinente à regra matriz. Houve sim, ao olhos deste relator, erro na exteriorização da norma, vale dizer, na forma como a autoridade fiscal concretizou a obrigação tributária segundo os fatos tais como absorvera. No que toca ao valor de aquisição, o dispositivo legal determina ser aquele pelo qual o bem constava declarado. No caso em análise, a autuada efetuou a doação das ações em quantidade maior do que as que havia recebido pelo encerramento do arrolamento. Ou seja, teria doado 33.000.000 de ações, ao passo que recebera, em 2006, apenas 22.987.562, levandose à conclusão que acabou doando, também, ações que já detinha em seu patrimônio. O fato é que a Fiscalização valeuse do custo unitário daquelas ações ordinárias e preferenciais recebidas em 2006, para aplicar ao total das doações, após ter consignado que as ações que a autuada detinha antes de 2006 haviam sido declaradas, em sua DIRPF/07, em um único campo na Declaração de Bens e Direitos, não especificando o valor unitário por cada espécie, mas, tão somente, as suas quantidades. Confirase: Assim, considerando que foram doadas 33.000.000 ações e que o valor de aquisição foi levantado em relação às 22.987.562 ações recebidas em 2006, o valor de aquisição relativo àquele excedente de 10.012.438, que corresponderia a apenas e aproximadamente 1/3 do total doado, teria sido determinado em desacordo com os critérios legais. Pois bem. O artigo 23 da Lei 9.532/97 não especifica a forma como se atribuirá valor de aquisição a essas ações, notadamente no caso em que não se especifica na DIRPF o custo unitário por espécie e as aquisições tenham se dado em períodos distintos. Por sua vez, o artigo 16 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, em que pese não tratar, especificamente, do caso em tela, mas sim dos casos de alienação de participações societárias, traz determinação que, definitivamente, não vejo como ser aqui aplicada em sua integralidade. Vejamos: O § 3º daquele artigo estabelece que o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos, sendo que o custo médio de cada ação será: I é igual ao resultado da divisão do valor total de aquisição das ações ou quotas em estoque pela quantidade total de ações ou quotas em estoque, inclusive bonificadas; II multiplicado pela quantidade de ações ou quotas alienadas, constitui o custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 593 9 Assim, para se determinar o custo médio fazse necessário que se tenham discriminados os valores e quantidades, por espécie, das ações. Como já dito alhures, a autuada, em sua DIRPF/07 e com relação às ações que já detinha antes de 2006, não especificou quanto do valor lá declarado (R$ 1.847,182,10), referiase às ações ordinárias e às preferenciais, o que acabou por impossibilitar a aplicação, na íntegra, daquele §3º, na medida em que não se tinha, por espécie, o valor total de aquisição das ações. Por sua vez, penso que o critério determinado pelo inciso IV do artigo 18 daquela IN, deva ser aplicado na absoluta ausência do valor pago. Vale dizer, quando não se tem, por qualquer outro meio ou método razoável, o valor pago pelo bem ou direito. Não me parece ter sido este o caso. A título meramente ilustrativo, perceba: Se mantivéssemos a mesma relação de preços entre as ações de 2006, ou seja, as preferenciais 21,5% mais caras do que as ordinárias, teríamos os custos para aquelas que já detinha, estimados, a rigor, nas seguintes montas: ORDINÁRIAS R$ 752.917,50 e PREFERENCIAIS R$ 1.094.264,60, que somadas àquelas recebidas em 2006, perfariam: AMBEV DIRPF/07 QUANTIDADE VALOR ORDINÁRIAS PREFERENCIAIS ORDINÁRIAS PREFERENCIAIS CUSTO UNIT ADQUIRIDAS ANTES DE 2005 10.879.080 752.917,50 0,06921 ADQUIRIDAS ANTES DE 2005 13.013.402 1.094.264,60 0,08409 ADQUIRIDAS EM 2006 6.897.000 4.609.127,16 0,66828 ADQUIRIDAS EM 2006 16.090.562 13.064.088,19 0,81191 TOTAL=> 17.776.080 29.103.964 5.362.044,66 14.158.352,79 DOAÇÃO EM 11/2006 15.000.000 18.000.000 CUSTO FISCALIZAÇÃO => 10.024.200,00 14.614.380,00 total=> 24.638.580,00 CUSTO ESTIMADO => 4.524.657,29 8.756.551,18 total=> 13.281.208,46 O critério adotado pela fiscalização, neste caso, estendendo ao total das ações doadas, por espécie, o custo unitário, também por espécie, apurado pelo recebimento daquelas de 2006, além de, a meu ver, não contrariar norma em sentido diverso, não traz, a rigor, prejuízo à autuada no que toca àquele excedente de 10.012.438 ações, seja por não ter sido atribuído a ele, custo zero, seja porque, muito provavelmente, o valor a ele atribuído tenha se dado a maior, se comparado com o(s) da(s) aquisição(ões) anterior(es). Ante o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento e, nos termos da fundamentação acima, ANULAR o lançamento, por vício formal, a teor do artigo 173, II do CTN. Mauricio Nogueira Righetti Relator Fl. 597DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator Designado Em que pese as articuladas aduções do D. Relator, entendo não haver reforma a ser efetuada na decisão de piso. Aliás, o acórdão objeto do recurso de ofício enfrentou com maestria as peculiaridades do caso, sendo que, não discordando de seus termos, peço a devida vênia para que parte de sua fundamentação passe a integrar o presente encaminhamento, verbis: (...) Superadas essas questões, considero, todavia, que assiste razão à impugnante no concernente à apuração da base de cálculo do imposto de renda exigido, eis que a autoridade autuante apurou o ganho de capital em causa em desconformidade com as disposições normativas que disciplinam este procedimento. Mais precisamente, o art. 20 da IN SRF n.º 84, de 2001, determina o seguinte: Art. 20 . Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada ex cônjuge ou exconvivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, excônjuge ou exconvivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. (grifei). No caso dos autos, a fiscalização considerou que a contribuinte havia doado ações da AMBEV, no valor de R$ 7.003.050,00 para cada um dos seis filhos, montando a um total de ações doadas no valor de R$ 42.018.300,00, que, subtraído do valor do custo total de aquisição atribuído a essas ações, no importe de R$ 24.638.580,00, resultaria em um ganho de capital tributável no valor de R$ 17.379.720,00. Ocorre, todavia, que, ao revés do que determina a precitada legislação de regência, o valor de R$ 7.003.050,00 em ações, para cada um dos seis filhos, não corresponde ao valor constante da declaração de ajuste anual da doadora, nem representa o valor de mercado das indigitadas ações no anocalendário em que se deram as doações. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 594 11 A rigor, a contribuinte sequer informou, na DIRPF 2007, as doações que realizara em 2006, além do que referido valor só foi informado pela contribuinte durante o procedimento fiscal, porém, como sendo o valor das indigitadas ações avaliadas em 2008, a teor do que se verifica na resposta à intimação fiscal, de fls. 203 e 204, onde consta in verbis: 2. Com relação as doações esclareço que: a) O lançamento realizado em 2009 ano base 2008 como doação, no valor de R$ 700.305,00 – foi totalmente equivocado, pois, as doações foram realizadas em 2006 e deveriam ter sido lançadas no exercício de 2007, e o valor deveria ser apurado no ano de 2006. b) Conforme se vê pela declaração IR de sua filha FLORA MARIA, o lançamento de doação foi efetuado no exercício de 2007 ano base 2006. c) Por outro lado o valor da doação deveria ter sido o valor apurado no ano da doação 2006 e não o valor de 2008, e ainda, errou o contador no valor das ações lançadas em 2008 que seriam de R$ 7.003.050,00 e não de R$ 700.305,00 como lançado. d) Em resumo o Sr. Contador lançou o recebimento das doações em 2006 para os beneficiários e deixou de excluir o IR da doadora. Em 2009 quando percebeu o engano fez o lançamento da doação com os valores atualizados, e ainda errado. No IR da doadora. Ademais disso, verificase que a fiscalização também se equivocou ao atribuir às ações doadas pela contribuinte o custo de aquisição unitário das ações ordinárias (R$ 0,66828) e das ações preferenciais (R$ 0,81191) que foram herdadas pela contribuinte em 2006, sem observar que a contribuinte, além das ações herdadas naquele ano, já detinha mais ações da mesma companhia em carteira, ações essas que foram adquiridas em distintos episódios e períodos, pelo que, sem poder determinar com segurança quais ações da contribuinte foram doadas aos seis filhos, farseia necessário apurar o custo de aquisição das ações doadas pelo critério do custo médio ponderado de cada ação, na hipótese de este custo ser declarado ou informado pela doadora, ou mesmo considerálo igual a zero, na ausência do valor pago na aquisição das ações, isto na hipótese de este custo não poder ser determinado, a teor das disposições contidas no art. 16, §§ 3º, 4º e 5º, e no art. 18, incisos I a IV, ambos da IN SRF n.º 84, de 2001, e que determinam ipsis litteris: Art. 16 .............................................................. (...) § 3º Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos. § 4º O custo médio ponderado de cada ação ou quota: I é igual ao resultado da divisão do valor total de aquisição das ações ou quotas em estoque pela quantidade total de ações ou quotas em estoque, inclusive bonificadas; II multiplicado pela quantidade de ações ou quotas alienadas, constitui o custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital; III multiplicado pelo número de ações ou quotas remanescente, constitui o valor do estoque desses títulos. Fl. 599DF CARF MF 12 § 5º A cada aquisição ou baixa devem ser ajustadas as quantidades em estoque e os custos total e médio ponderado, por espécie, das ações ou quotas. (...) Custo na ausência do valor pago Art. 18 . Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Dado este quadro, tendo em vista que o critério jurídico adotado pela autoridade lançadora, na apuração da base de cálculo do imposto exigido, não condiz com os ditames normativos que disciplinam a espécie, considero que o lançamento atacado não pode prosperar. Em adição a essas bem traçadas razões, tenho por oportuno fazer algumas observações. Conforme já mencionado no acima reproduzido voto condutor da decisão vergastada, não foi utilizado o valor constante na DIRPF do anocalendário em relevo para fins de determinação da valor da doação/alienação, tampouco o valor de mercado à época. O procedimento fiscalizatório apresenta assim clara discrepância frente às hipóteses previstas na legislação de regência para tal determinação, porém, ainda que talvez com excessiva liberdade, poderia se admitir a utilização do valor disposto na declaração de ajuste do anobase de 2008, diante das inegáveis evidências da ocorrência de fato na situação, consoante reconhecido pela própria recorrente. No pertinente ao custo de aquisição, entretanto, havia informações constantes na DIRPF/2007 que denotavam claramente ser ela possuidora de bem mais ações do que as que serviram de suporte para a apuração desse custo pela fiscalização. Considerando o fato da autuada ser não residente, e de se tratar de informação relativa a ações de empresa negociada em bolsa, poderia ter a autoridade fiscal diligenciado a empresa ou a empresa que custodiava os títulos para fins de traçar um histórico adequado e compatível com a realidade das quantidades e respectivos preços dos ativos de propriedade da recorrente. Ou mesmo, caso entendesse que o ônus de prova era todo da contribuinte, atribuir o custo de aquisição igual a zero, com base na legislação mais acima transcrita. Porém preferiu utilizarse do custo de aquisição unitária de apenas uma parcela das ações ordinárias, estendendoo ao total das ações alienadas, sem suporte legal, ainda que esse método pareça razoável, sob certo prisma. Configurado, por conseguinte, o descumprimento das legislações que concernem tanto à determinação do valor de alienação, quanto do custo de aquisição, levando a um dimensionamento equivocado do consequente normativo da regra de incidência tributária, Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15983.720473/201149 Acórdão n.º 2402006.078 S2C4T2 Fl. 595 13 ou seja, da base de cálculo. Tal feito, forçoso reconhecer, não se confunde com vício formal, mas se refere a própria materialidade da autuação, no seu aspecto quantitativo. Ainda que se pondere que irregularidades na base de cálculo do lançamento que não causem prejuízo ao sujeito passivo possam ser eventualmente ajustadas ou corrigidas, forte no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, o que se verifica na espécie é, além da não observância das normas de regência, a falta de consideração da realidade fática subjacente, quando resta claro que parte das ações foram, inegavelmente, adquiridas por preço diverso do que pautou os cálculos da autuação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 601DF CARF MF
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