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Numero do processo: 12898.001180/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005, 2006
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE.
A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL.
A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimo repassado a terceiro sem qualquer contrapartida e sem ter relação com as atividades da mutuária não se justifica, por não se basear em um negócio jurídico real e efetivo.
Numero da decisão: 1202-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimo repassado a terceiro sem qualquer contrapartida e sem ter relação com as atividades da mutuária não se justifica, por não se basear em um negócio jurídico real e efetivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 11 80 /2 00 9- 15 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 437/442), referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios, tendo como enquadramento legal, para o IRPJ, os arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99; e, para a CSLL, os arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A partir do Termo de Verificação Fiscal (fls. 418/436), são extraídas as seguintes informações: a interessada foi originalmente constituída em 16/09/2003, com a razão social de Lagstrand Holdings S/A, com finalidade de participação em outras sociedades civis ou comerciais, bem como a gestão e a comercialização de bens próprios; em 20/09/2004, alterou seu estatuto e razão social para a atual Companhia Locadora de Equipamentos PetrolíferosCLEP, mudando o objeto social para "aquisição de ativos a serem locados a Petrobrás para a utilização, por esta, nos diversos campos explorados para a produção de petróleo e gás natural", aumentando o capital social subscrito de R$ 100,00 para R$ 180.000.000,00 e passando a ter como sócios os fundos de pensão PREVI, FAPES, FUNCEF, PETROS, VALIA e REAL GRANDEZA, com participação no Capital social de R$ 30.000.000,00 cada um; foi analisado o empréstimo de US$ 700.000.000,00, tomado pela interessada em 23/12/2003, ainda como Langstrand, através do "Contrato de Compra de Nota" celebrado com o BB FUND, empresa sediada e constituída com as leis das Ilhas Cayman, onde foi acordado que a Langstrand emitiria uma nota no valor de US$ 700.000.000,00 que seria comprada pelo BB FUND, quando seu capital social era, em 31/12/2003, de R$ 100,00, com integralização de R$ 10,00; em 30/12/2003, foi celebrado contrato "Nota de 2,5% a vencer em 2004" (fls. 247/249) estabelecendo juros de 2,5%, vencimento em 30/03/2004 e que a nota não foi e não seria registrada de acordo com a Lei de Mercado de Capitais dos EUA, de 1933, e que a mesma não poderia ser oferecida ou vendida dentro dos Estados Unidos para ou por conta ou beneficio de pessoas norteamericanas; para concretizar a transferência dos recursos, em 30/12/2003, foi celebrado "Contrato de Agendamento de Pagamento" (fls. 242/246), através do qual foi nomeado como agente pagador o Banco do Brasil Tóquio filial Japão, tendo sido estabelecido que o agente pagador poderia ser substituído através de acordo mútuo entre o vendedor e o comprador; liberado o empréstimo, o valor então correspondente a R$ 2.026.697.965,00 foi contabilizado pela Langstrand a crédito da conta "Empréstimos e Financiamentos — BB FUND", em 30/12/2003, e, na mesma data, transferido para a Petrobrás, descontadas as despesas, o montante de R$ 2.018.982.017,00 (fls.347/348), contabilizado a débito da conta Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 5 4 "BENS MÓVEIS Adiantamento para Aquisição Ativo Imobilizado Transferência para Petrobrás S/A"; posteriormente, houve alterações relativas ao contrato de compra de notas, reformulando a nota fiscal, acordando que a mesma não seria negociável sem consentimento da CLEP e que a o valor principal seria pago, acrescido dos juros acumulados, em parcelas semestrais iguais e sucessivas no dia 30 de abril e 30 de outubro de cada ano, com início em 30 de abril de 2005, além de alterar a taxa de juros de 2,5% para 8% a partir de 27/09/2004; foi analisado o novo empréstimo de US$ 1.000.000.000,00, tomado pela interessada em 26/08/2004, através do "Contrato de Compra de Nota" e "contrato de Agenciamento de Pagamento" (fls. 259/266), com nota emitida ao mesmo BB FUND, com mesmo agente pagador, Banco do BrasilToquioFilial Japão, que poderia ser substituído por acordo mútuo entre as partes; em 31/08/2004 foi celebrado o contrato "Nota de 2,5% a vencer em 30 de novembro de 2004" (fls. 267/269), estabelecendo juros de 2,5%, vencimento em 30/11/2004; posteriormente, houve alterações relativas ao contrato de compra de notas, reformulando a nota fiscal, acordando que a mesma não seria negociável sem consentimento da CLEP e que o valor principal seria pago, acrescido dos juros acumulados, em parcelas semestrais iguais e sucessivas no dia 30 de abril e 30 de outubro de cada ano, com inicio em 30 de abril de 2005, além de alterar a taxa de juros de 2,5% para 8% a partir de 27/09/2004; liberado o empréstimo, em 31/08/2004, o valor então correspondente a R$ 2.956.078.480,00 foi contabilizado a débito da conta 1.1.01.02.0001 — Banco do Brasil — conta corrente 11768 e a credito da conta 2.1.01.01.004 — BB Fund Note 2 e, em 30/09/2004, houve repasse dos recursos para a Petrobrás, contabilizados a débito da conta 1.3.02.35.0001 "Adiantamento para Aquisição Ativo Imobilizado", no montante de R$ 2.944.842.906,00, líquidos de despesas bancárias (fls 353/54 e 360); em 30/09/2004, o saldo da conta 1.3.02.35.0001 (recursos entregues a Petrobrás) passou a ser de R$ 5.143.009.912,74, correspondentes a: R$2.018.982.017,00, em razão da transferência para a Petrobras, em 31/12/2003; R$2.944.842.906,00, em razão da transferência para a Petrobras, em 30/09/2004; R$ 179.184.989,74, em razão da transferência para a Petrobrás, em 30/09/2004, de recursos provenientes de aumento de capital. a interessada foi intimada a justificar lançamento de R$ 2.018.982.017,00 a debito da conta "Moveis" em dezembro de 2003, tendo sido apresentado "Contrato de Compra e Venda de Ativos", datado de 20/09/2004 (fls. 105/118), firmando em R$ 1.541.810.630,00 o montante dos equipamentos que estavam sendo vendidos à interessada pela Petrobrás, oito meses e vinte e quatro dias após o repasse para a mesma dos recursos originados do empréstimo, no montante de R$ 2.018.982.017,00, na mesma data em que alterada a atividade da interessa para aquisição de ativos a serem locados á Petrobrás; Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 6 5 no "Contrato de Locação de Ativos", celebrado em 23/12/2003, antes mesmo do "Contrato de Compra e Venda de Ativos (20/09/2004), foi estabelecido que a então Lagstrand pretenderia adquirir, de tempos em tempos, os ativos descritos e individualizados no anexo 2B do tal contrato, a serem locados à Petrobrás, além de prever que a interessada locaria à Petrobrás todos os ativos compromissados que viessem a ser por ela adquiridos, no montante de R$ 2.032.740.183,39, e que os mesmos seriam considerados locados à Petrobrás desde a data de sua aquisição, sendo que o anexo 2AAtivos Existentes, apresentase em branco (indicando que sequer havia conhecimento de quais equipamentos deveriam ser transferidos da Petrobrás para a interessada), enquanto as folhas do anexo 2B relaciona diversos valores sem especificar quais são os ativos que deverão ser adquiridos; os recursos decorrentes do empréstimo no exterior foram transferidos para a Petrobrás em 30/12/2003 e 30/09/2004, e somente em 23/12/2004 houve a transferência contábil de parte dos ativos que regularizariam parcialmente o crédito da interessada junto á Petrobrás; em 23/12/2004, a Petrobrás emitiu notas fiscais (código operação 5949 outra saída merc. prest. serv. não especificados) transferindo os equipamentos, no montante de R$ 1.727.223.824,20 (R$ 185.413.194,09 superior ao fixado no "contrato de compra e venda de ativos" de fls. 105/118, de 20/09/2004; destaca que a emissão das notas fiscais ocorreu onze meses e vinte e três dias após a transferência para a Petrobrás, sem qualquer ônus, dos recursos que haviam sido tomados no exterior à taxa de 2,5% e 8% a.a. e três meses após a celebração do contrato de compra e venda de ativos (20/09/2004) através do qual havia sido efetivada, de forma irrevogável e irretratável a venda, da Petrobrás para a interessada, de ativos no montante de R$ 1.541.810.630,00; Sobre o empréstimo de R$ 2.018.982.017,00, correspondente a US$700.000.000,00, concluiu a autoridade fiscal, em suma, que: do "contrato de compra e venda de ativos" teria ficado evidente que: (i) a venda de R$ 1.541.810.630,00 teve como objetivo justificar, ainda que parcialmente, o empréstimo/transferência de recursos feitos pela interessada para a Petrobrás, em 30/12/2003, no valor de R$ 2.018.982.017,00, originados de empréstimo no exterior de mesma data, sendo que, posteriormente, em 23/12/2004, houve emissão de notas fiscais para oficializar a venda, com o mesmo objetivo; (ii) o valor de R$ 1.727.223.824,09, total dos ativos constantes das citadas notas fiscais, superou em R$ 185.413.194,09 o valor constante do contrato de compra e venda (R$ 1.541.810,630,00); (iii) a liquidação do saldo de R$ 291.758.192,80 só foi concluída em 10/08/2005 quando houve emissão de notas fiscais de venda de equipamentos da Petrobrás para a interessada (R$ 2.018.892.017,00 — R$ 1.727.223.824,09 = R$ 291.758.192,80); em decorrência da transferência dos ativos, no valor de R$ 1.541.810,630,00, o debito da Petrobrás, correspondente ao saldo da conta 1.3.02.35.0001, no balanço de 31/12/2004 passou a ser de R$ 3.415.786.088,54, conforme cópia do razão de fls.360, composto de R$ 291.758.192,80 relativo a diferença entre o empréstimo de R$ 2.018.982.017,00 e os ativos transferidos em 20/09/2004 e 23/12/2004 no montante total de R$ 1.727.223.824,09; e R$ 2.944.842.906,00 relativo ao empréstimo transferido para a Petrobrás de US$ 1.000.000.000,00 e R$ 179.184.989,74 dos recursos provenientes de aumento de capital, ambos transferidos em 30/09/2004; Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 7 6 com isso, ficou evidenciado que a transferência de recursos para a Petrobrás em 30/12/2003, no valor de R$ 2.018.982.017,00 constituise na verdade em empréstimo concedido àquela empresa sem qualquer encargo financeiro. Foram efetuadas as seguintes glosas dos juros proporcionais contabilizados como despesa, relativos ao empréstimo no exterior, em 30/12/2003, por se tratar de despesa desnecessária às atividades da interessada: (i) no período de 01/01/2004 a 19/09/2004 (dia anterior à celebração do contrato de compra e venda de ativos), glosa de R$ 38.258.931,85 correspondentes aos juros sobre R$ 2.018.982.017,00 (fls. 404/406); (ii) no período de 20/09/2004 a 22/12/2004 (data anterior ao dia da emissão das notas fiscais relativas a transferência de ativos), glosa de R$ 9.005.133,88 correspondente aos juros sobre R$ 477.171.387,00, que é a diferença entre R$ 2.018.982.017,00 e R$ 1.541.810,630,00; (iii) no período de 23/12/2004 (data da emissão das notas fiscais) a 31/12/2004 (data do balanço), glosa de R$ 928.702,85 correspondentes aos juros sobre R$ 291.758.192,80, que é a diferença entre R$ 2.018.982.017,00 e o montante dos ativos vendidos pela Petrobrás à interessada, ate 23/12/2004, no montante de R$ 1.727.223.824,09; (iv) no período de 01/01/2005 a 09/05/2005 (data anterior ao da emissão das notas fiscais de venda de ativos suficiente para liquidação do empréstimo de R$ 2.018.982.017,00), glosa de R$ 12.430.853,98 correspondente aos juros sobre R$ 291.758.192,80. Concluiu que as vendas efetuadas pela Petrobrás (com código de operação 5551 — "venda de bens do ativo imobilizado"), no total de R$ 1.930.050.313,83 (fls. 428/429) tiveram como objetivo regularizar o saldo remanescente de R$ 291.758.192,91 e parte do empréstimo para a Petrobrás, em 30/09/2004, no valor de R$ 2.944.842.906,00 oriundo do empréstimo obtido no exterior, de US$ 1.000.000.000,00, contabilizado a crédito de BB FUND 2. O valor das notas, no total de R$ 1.930.050.313,83, foi creditado à conta 1.3.02.35.0001 "adiantamento p/aquisição ativo imobilizado" e debitado à conta do mesmo grupo do ativo, 1.3.02 "Bens móveis custo corrigido", (Razão As fls. 372/377) ficando tal conta com saldo devedor de R$ 1.485.735.774,71. Sobre a restituição pela Petrobrás à CLEP de parte dos adiantamento/empréstimos citados, relatou que, em 03/01/2006, através dos lançamentos no Diário e Razão (fls. 396/397), foi contabilizada a quantia de R$ 1.485.735.774,71, a crédito da conta 1.3.02.35.00001, com o histórico "reembolso da Petrobrás referente a ativos não transferidos", sendo que, desse valor, foram utilizados pela interessada R$ 1.479.693.600,00 para amortização de parte de sua divida no exterior, correspondente ao empréstimo de US$ 1.000.000.000,00 (fl. 430), resultando na amortização de US$ 630.000.000.00,00, conforme contratos de câmbio (fls. 324/346). Concluiu, em síntese, que o fato da Petrobrás não dispor de ativos para liquidar os valores tomados da interessada, confirma o entendimento de que a transferência dos mesmos teve como objetivo financiar a Petrobrás, indicando posterior transferência de ativos como meio de justificar os empréstimos e que o entendimento da existência de empréstimo da interessada para a Petrobrás se reforçaria por não haver contrato dando cobertura ao Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 8 7 empréstimo/transferência no montante de R$ 2.944.842.906,00; que o valor das compras contratadas através do "contrato de compra e venda de ativos" de 20/09/2004, que veio a ser coberto pela notas fiscais emitidas em 23/12/2004, totalizando R$ 1.727.223.824,09, sequer dava para cobrir o valor do empréstimo anterior para a Petrobras, no valor de R$ 2.018.982.017,00; e, que somente a partir de 10/08/2005 começou a se concretizar a venda de novos ativos, com a emissão de notas fiscais, portanto dez meses e vinte dias após a transferência para a Petrobrás do valor de R$ 2.944.842.906,00. Assim, a transferência de R$ 2.944.842.906,00 de 30/09/2004 caracterizase em efetivo empréstimo, ainda mais por não se confirmar a venda de ativos relativa aos recursos restituídos pela Petrobrás à interessada, em 03/01/2006, no montante de R$ 1.485.735.774,71 (US$ 630.000.000,00). Sobre o empréstimo de R$ 2.944.842.906,00, correspondente a US$1.000.000.000,00, considerando que os juros lançados na conta de despesa constituem uma despesa desnecessária, foram glosadas as despesas de juros, no valor de R$ 236.078.536,15 (R$ 64.319.666,67 em 2004 e R$ 171.758.869,49 em 2005), relativo aos valores repassados à Petrobrás (fls. 404/409), sendo esclarecido que: a glosa de 2004 foi calculada sobre o valor do empréstimo de R$ 2.944.842.906,00 entre 30/09/2004 e 22/12/2004 (fase préoperacional) e entre 23/12/2004 e 31/12/2004, período em que a empresa já estava operando; no período de 30/09/2004 a 22/12/2004 as despesas de juros totalizaram R$ 58.947.563,44 alterando o saldo do Ativo Diferido — "Gastos com implantação" no ano de 2004; e, no período de 23/12/2004 a 31/12/2004 foram glosadas despesas no montante de R$ 5.372.103,23 que integraram o resultado do exercício; no ano de 2005, as glosas foram proporcionais ao valor do empréstimo no período de 01/01/2005 até as datas das vendas de ativos feitas através das notas fiscais relacionadas nas fls. 428/429; e até 31/12/2005 sobre R$ 1.306.550.784,97, sendo que nas datas das vendas realizadas em 10/08/2005 foram reduzidos R$ 291.758.192,80, valor suficiente para liquidar o empréstimo de R$ 2.018.982.017,00 de 30/12/2003, tendo sido glosadas as despesas de juros no montante de R$ 171.758.869,48 (fls. 433/435); até 22/12/2004, as receitas e despesas apuradas pela interessada foram contabilizadas na conta 1.3.06.01.0001 — "Gastos com estruturação", no Ativo Diferido. Assim, por se encontrar a interessada em fase préoperacional, as glosas dos juros apurados até essa data tiveram reflexos no saldo da citada conta e não interferiram na determinação do lucro liquido e real do ano de 2004; no período de 23/12/2004 a 31/12/2004 houve glosa de despesas de juros em parte absorvida pelo prejuízo apurado pela empresa no ano de 2004, constituindo redução desse. Na impugnação, em síntese, foram alegados pela autuada, que: seu objetivo social é a locação de equipamentos petrolíferos e o montante adquirido através de empréstimo no exterior serviu para aquisição de bens do ativo imobilizado da Petrobrás para posterior formalização de contrato de locação, sendo a finalidade do empréstimo, em última análise, o cumprimento do seu objeto social, com taxas de juros praticados no mercado internacional; Fl. 934DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 9 8 dada a necessidade de pagamento de juros fixados em empréstimos por força contratual e a habitualidade de sua cominação diante da própria natureza do negócio jurídico oneroso celebrado, pode o montante ser deduzido a titulo de despesa operacional, de acordo com o art. 299 do RIR/1999; de acordo com os itens 4 e 5 do Parecer Normativo CST n° 32/81, o requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie do negócio; o pagamento de juros contratuais não derivaram de ato de liberalidade e a fiscalização não pode ampliar a interpretação da lei para alcançar bens ou despesas que, direta ou indiretamente, estejam relacionados com a produção da empresa; a jurisprudência administrativa é no sentido de que os encargos financeiros de empréstimos contraídos para financiar as atividades da pessoa jurídica são dedutíveis sob a rubrica de despesa operacional, impondo como condição que a efetividade do empréstimo seja comprovada e os encargos financeiros pagos ou creditados sejam os usuais do mercado; o art. 22 da Lei 9.430/96 determina a possibilidade de dedutibilidade dos juros incorridos em contrato de mútuo com o fito de remunerar o spread bancário; o lançamento constituiuse em tributação do seu patrimônio, em detrimento do princípio da capacidade contributiva (art. 145 da Constituição da República); quanto ao auto de infração de CSLL, sustentou que inexiste disposição legal expressa e especifica que impulsione adições à sua base de cálculo concernentes a despesas operacionais, consoante jurisprudência administrativa e que, não se encontrando na Lei n° 7.689/1988 e demais de regência da CSLL, norma que disponha explicitamente sobre a impossibilidade de exclusão ou adição de despesas assemelhadas a que ora se discute, seria de rigor aceitar a sua dedutibilidade; a incidência da CSLL e do IRPJ sobre os valores pagos a títulos de juros não grava um ganho presuntivo de riqueza, e sim parcela do seu patrimônio, em violação ao principio do nãoconfisco (art. 150, IV, da Constituição Federal). A 5ª Turma da DRJ/RJOI julgou a impugnação procedente em parte, exonerando o crédito tributário referente à CSLL e mantendo o crédito referente ao IRPJ, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutiveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 10 9 As instancias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 BASE DE CÁLCULO. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. A base de cálculo da contribuição a que se reporta a Lei n° 7.689/1988, alterada pela Lei n° 8.034/1990, é distinta daquela do IRPJ, conforme referendada pelo artigo 38 da Lei no 8.541/1992, sendolhe determinados apenas os ajustes previstos no artigo 2°, tanto da Lei n° 7.689/1988, como da Lei n° 8.034/1990. Assim, despesas não necessárias estipuladas no Regulamento do Imposto sobre a Renda, não dão causa para autuação na Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Em razão do montante exonerado, houve recurso de ofício. Cientificado dessa decisão em 09/06/2010 (fl.768), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário, em 09/07/2010 (fls.769792), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, sustentando, em síntese, que: • As despesas com juros dos empréstimos financeiros possuíam um nexo de causalidade direta com suas atividades, uma vez que apenas com o referido capital foi possível adquirir os ativos para serem locados a Petrobrás; • O intuito das empresas sempre foi o de, efetivamente, realizar operação de compra e venda de ativos, seguida de locação. Em contrarrazões (fls.800818), a PGFN manifestase pela manutenção integral do lançamento, discorrendo sobre a real finalidade das operações de compra e venda de ativos, que representariam um “negócio indireto”, visto que o objetivo seria financiar a Petrobrás, real beneficiária do empréstimo. Considera que a compra e venda de um bem associada a sua locação e que inexistiu uma causa econômica para o negócio na forma como declarado, destacando que a Petrobrás sequer tinha ativos suficientes para dar cumprimento ao ajuste pactuado, tendo devolvido parte do dinheiro que lhe havia sido repassado. Defende que “os repasses caracterizaram, em verdade, uma operação de mútuo entre as empresas envolvidas e a posterior transferência de ativos para o autuado foi a alternativa encontrada para se garantir os empréstimos”. Aduz que o não é permitido ao contribuinte utilizar qualquer meio para se evadir à tributação e que procedimento da fiscalização foi acertado, ao apurar a real finalidade das operações realizadas e perquirir os efeitos jurídicos e práticos que delas se observam. Sobre o recurso de ofício, defende como a existência de fundamentação legal para o lançamento de CSLL, destacando que as despesas que não forem necessárias não podem Fl. 936DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 11 10 ser consideradas como despesas operacionais, logo, não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL. Cita como precedentes os acórdãos nº 105.17157 e 107.08870. O processo foi sorteado a esta relatora em 25 de novembro de 2011, conforme ata assinada pelo presidente da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Posteriormente, o processo foi solicitado pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro e movimentado. Petição juntada aos autos pela recorrente, de 14/03/2012, contrapõe a informação dada pela PRFNRJ de que a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2010.51.01.0165554 estaria amparando seu direito neste processo, esclarecendo que naquela ação se discute a nulidade da intimação editalícia efetivada no bojo do Processo Administrativo nº 12898.001182/200912, em que se exige o Imposto de Renda na Fonte resultante da diferença entre as alíquotas de 25% e 12,5% em decorrência da remessa de valores ao exterior (BB Tóquio), pede o desentranhamento da petição da PRFNRJ (fls.821/822) e a imediata distribuição para julgamento. Posteriormente, verificando que o processo havia sido indevidamente sorteado para outro relator, a relatora informou, via correspondência eletrônica, a distribuição ocorrida em novembro de 2011 e solicitou a devolução dos autos, o que foi atendido, conforme despacho (fl.825), permitindo a inclusão em pauta para julgamento. Após o início do julgamento, a recorrente, em 24/07/2013, apresentou petição nos autos (fls.849 e ss), em que pede a juntada de documentos, justificandose que isso se deve “única e exclusivamente ao fato de que somente agora fora eles obtidos, como resultado de insistentes diligências feitas junto à Petrobrás”, com a finalidade precípua de demonstrar que, “já em 2003, estava clara a intenção de realizar a operação consubstanciada na aquisição de ativos pela Recorrente para a posterior locação para a Petrobrás”. Junta os seguintes documentos: doc.1: “Anexo 2B LISTA DE ATIVOS COMPROMISSADOS” doc.2: ”CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ATIVOS ENTRE LANGSTRAND HOLDINGS S.A. E PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRÁS”, de 23/12/2003; doc.3: “CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS entre PETROLE0 BRASILEIRO S.A. PETROBRAS e COMPANHIA LOCADORA DE EQUIPAMENTOS PE TROLIFEROS – CLEP”, de 20 de setembro de 2004; doc.4: “DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS COMPANHIA LOCADORA DE EQUIPAMENTOS PETROLÍFEROS 31 de dezembro de 2004 e 2003 com Parecer dos Auditores Independentes”; doc.5: "Relatório de Medição" emitido pela Petrobrás, referente ao pagamento do valor locatício devido no período compreendido entre 20.09.2004 e 20.03.2005, no valor de R$ 87.450.307,63 (oitenta e sete milhões, quatrocentos e cinquenta mil, trezentos e sete reais e sessenta e três centavos). Instada a se manifestar, a PGFN, inicialmente, invoca o princípio da eventualidade ou da preclusão. Em seguida, alega que “os contratos de compra e venda e de locação de ativos devem ser analisados, sob a ótica do fim visado pelas partes e não apenas a causa típica do negocio adotado”. Sustenta que “correta se mostra a autuação, uma vez Fl. 937DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 12 11 constatada a pretensão do contribuinte em valerse do contrato de compra e venda e locação de ativos para camuflar um efetivo contrato de mútuo ou empréstimo de dinheiro entre as partes envolvidas, no qual a transferência de ativos serviu apenas como forma de garantia do empréstimo.” Ao final, requer sejam desconsiderados os documentos “intempestivamente” anexados e seja negado provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 13 12 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso preenche as condições de admissibilidade, inclusive a temporal, devendo ser conhecido. Sobre a juntada de documentos após o prazo de impugnação, a justificativa dada pela recorrente em relação ao documento 5 ("Relatório de Medição" emitido pela Petrobrás) pode ser considerada enquadrada no art. 16, §4º, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72, visto que oriundo de terceiros. Quanto aos demais documentos, considerase que já constavam dos autos ou, ao menos, estiveram à disposição da autoridade fiscal, e não inovam o litígio, pelo que sua juntada neste momento em nada prejudica o devido processo legal. A autuação fiscal guerreada corresponde à glosa de despesas de juros consideradas desnecessárias e sem relação estreita com as atividades da autuada, ora recorrente. Fundamento da autuação do IRPJ, o art. 299 do RIR/99 traz a regra geral para que as despesas sejam consideradas dedutíveis: Art.299.São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1ºSão necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2ºAs despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3ºO disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Nos termos da legislação tributária, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas e passíveis de dedutibilidade na apuração do resultado tributável, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora. Diante disso, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da Fl. 939DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 14 13 fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. Assim, cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa. Segundo a acusação fiscal, considerandose a desnecessidade de pagamento de juros sobre recursos repassados a terceiros, sem qualquer ônus, sequer cobrança de repasse dos próprios juros à verdadeira beneficiária, Petrobrás, foram glosados os juros somente nos períodos em que a transferência, para a Petrobrás, dos recursos que o originaram, não representaram, intrinsecamente, qualquer correlação com a aquisição de equipamentos. A defesa sustenta a necessidade da despesa, por estar relacionada com as atividades da mesma, e sua dedutibilidade na apuração do resultado tributável. Alega que, nas transferências realizadas entre ela e a Petrobrás não seria possível identificar os elementos indicados na legislação como necessários à configuração de operação de mútuo, por se tratar de operação de compra e venda com adiantamento de valores e que a finalidade do empréstimo obtido no exterior foi a de possibilitar à recorrente o cumprimento do seu objeto social. A PGFN, por sua vez, sustenta o caráter artificial da conduta da recorrente ao tentar ocultar um financiamento em benefício da Petrobrás, através de contrato de compra e venda de um bem associado à sua locação, considerando que “os repasses caracterizaram, em verdade, uma operação de mútuo entre as empresas envolvidas e a posterior transferência de ativos para o autuado foi a alternativa encontrada para se garantir os empréstimos”. A justificativa da despesa depende da análise da sistemática das operações ocorridas no caso concreto. Vejamos. Dos autos se extrai que a recorrente contratava empréstimo no exterior pagando juros iniciais de 2,5% a.a. e, posteriormente, de 8% a.a., efetuando a apropriação de juros lançados como despesa, na conta 3.3.03.03.0007 — "Juros s/empréstimos BB FUNDS", para, em seguida, repassar os recursos à Petrobrás, sem qualquer remuneração. A autoridade fiscal iniciou o procedimento pela análise do empréstimo de US$ 700,000,000.00, tomado pela recorrente em 23/12/2003 e, após, verificou o empréstimo de US$ 1,000,000,000.00, tomado em 26/08/2004. Após essa data, a recorrente firmava com a Petrobrás contratos que caracterizavam, segundo esclareceu na impugnação, a operação de Sale Lease back, em que eram adquiridos ativos de propriedade da Petrobrás para imediatamente locálos à antiga proprietária, a qual prosseguia no uso dos bens nas mesmas atividades em que estavam sendo antes utilizados, havendo a possibilidade de aquisição de bens no mercado, caso em que eram previstos adiantamentos de numerário. O “contrato de locação de ativos” datado de 23/12/2003 não foi aceito pela fiscalização por considerar que tal contrato não poderia embasar qualquer aquisição de bens ou locação dos mesmos, quando sequer estavam relacionados os bens a serem adquiridos e locados, bem como a locação de bens não era atividade da empresa naquela época. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 15 14 Como relatado, a alteração do estatuto e razão social para a atual Companhia Locadora de Equipamentos PetrolíferosCLEP, mudando o objeto social para "aquisição de ativos a serem locados a Petrobrás”, com aumento significativo do capital social e ingresso de novos sócios, somente ocorreu em 20/09/2004, após a data do segundo empréstimo (26/08//2004). Nesse caso, como até 20/09/2004, sequer havia previsão no objeto social de locação de equipamentos, não é possível concluir, como sustenta a recorrente, que o empréstimos tomados em 23/12/2003 e em 26/08/2004 e a transferência do montante para a Petrobrás, respectivamente, em 30/12/2003 e em 30/09/2004, tiveram como objetivo a aquisição de equipamentos para locação, o que, segundo ela, estaria ligado às suas atividades sociais. Contudo, o que se vê é que, ao menos naquela época, não estavam relacionados. Ademais, ainda, segundo o “contrato de locação de ativos” datado de 23/12/2003, a recorrente compraria para, depois, locar à Petrobrás, ativos no valor de R$ 2.032.740.183.39. Todavia, o contrato de compra e venda de ativos, de 20.09.2004, estabeleceu a transferência para a recorrente de ativos no valor de R$ 1.541.810.630.00, sendo que a efetiva transferência por notas fiscais ocorreu somente em 23/12/2004. Notase que, de fato, houve um grande descompasso entre os valores e datas das transações. Como relatado, em 30/09/2004, o saldo da conta 1.3.02.35.0001 (recursos entregues à Petrobrás) passou a ser de R$ 5.143.009.912,74, sendo: R$ 2.018.982.017,00 da transferência em 31/12/2003, R$ 2.944.842.906,00 da transferência de 30/09/2004 e mais R$ 179.184.989,74 de transferência, em 30/09/2004, provenientes de aumento de capital. Enquanto isso, na mesma época (20/09/2004), os ativos entregues representavam apenas R$1.541.810.630,00. Apenas posteriormente, no período de 23/12/2004 a 24/11/2005 foram transferidos mais ativos à recorrente, equivalentes ao montante de R$ 2.115.462.908,03. Ainda assim, restou a diferença de R$ 1.485.736.374,71, que foi devolvida pela Petrobrás, em 03/01/2006, a título de reembolso, por falta de ativos a serem entregues, e a seguir utilizada para amortização do empréstimo no exterior. Esses fatos, por si só, derrubam uma das alegações da recorrente de que “a leitura da Cláusula "2.02" do Contrato de Locação de Ativos não deixa margem de dúvida de que a propriedade dos ativos adquiridos pela Petrobrás era automaticamente transferida à Recorrente, o que seria a essência por trás das operações de saleleaseback”. Ora, se os empréstimos foram tomados no exterior em 23/12/2003 e 26/08/2004, repassados à Petrobrás em 30/12/2003 e 30/09/2004, respectivamente, sem qualquer ônus, e a aquisição dos equipamentos somente ocorreu em 23/12/2004, não é possível concluir que os montantes repassados representaram a efetiva e “automática” aquisição de bens e equipamentos para posterior locação (sale lease back), como sustenta a recorrente, sendo que sequer a transferência de ativos se deu conforme o combinado e parte dos recursos adiantados foram “reembolsados”. Ao contrário, a única conclusão possível, no caso, é aquela a que chegou a fiscalização, ou seja, de que houve um simples empréstimo a terceiros (Petrobrás), sem qualquer ônus ou contrapartida. Reforça essa conclusão o volume de recursos transacionados, da ordem de bilhões de reais, e o tempo em que ficaram à disposição da Petrobrás sem qualquer remuneração. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 16 15 Diante disso, evidenciase a desnecessidade do pagamento de despesas de juros em relação aos empréstimos realizados no exterior, quando não comprovada sua vinculação com a realização dos objetivos sociais da recorrente. Verificase que a fiscalização, corretamente, glosou os juros somente nos períodos em que a transferência dos recursos obtidos, via empréstimo, para a Petrobrás, não teve qualquer correlação com a aquisição de equipamentos. As glosas foram efetuadas entre a data de obtenção do empréstimo no exterior (23/12/2003 e 26/08/2004) e transferência dos recursos para a Petrobrás (30/12/2003 e 30/09/2004) e a efetiva aquisição de equipamentos da mesma, através de notas fiscais (emitidas de 23/12/2004 a 24/11/2005), até a data da quitação dos empréstimos à Petrobrás (03/01/2006). A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimo repassado a terceiro sem qualquer contrapartida, e sem ter relação com as atividades da mutuária, ora recorrente, não se justifica, por não se basear em um negócio jurídico real e efetivo. Cabe citar a doutrina do festejado Marco Aurélio Greco (2008, 201203), que, ao tratar sobre o tema do abuso do direito de autoorganização no âmbito tributário, considerou: [...] a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. [...] [...] sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. [...] No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. É certo que uma operação com finalidade exclusiva de redução da carga tributária não pode ser oponível ao Fisco. Sobre o tema, vale a pena fazer referência ao voto da exConselheira Sandra Faroni, proferido no Acórdão n° 10194.986, 19/05/2005, da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em que a ilustre relatora, analisando uma situação em que a remuneração das debêntures se dava unicamente mediante participação nos lucros, após citar farta doutrina, destaca, in verbis: Como se vê, não obstante prevista em lei, não parece ser tão pacífico que a remuneração das debêntures sob forma exclusiva Fl. 942DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 17 16 de participação no lucro seja normal. Embora, talvez, legal, não há evidências de que essa forma de remuneração seja usual. Inegavelmente, a operação praticada não encontra vedação expressa na lei. Mas isso não significa que se trate de operação usual e normal, a respaldar a dedutibilidade da remuneração das debêntures emitidas. Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos especificos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídico. Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. Dentro dessa ótica, se o negócio licito, embora não usual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor". (destacouse) É exatamente o que se verifica nestes autos. De se referir, ainda, que, considerando a acusação fiscal em análise, suportada pela minuciosa descrição dos fatos, a apontar para a desnecessidade das despesas de juros decorrentes daquele contrato no período glosado, eventual imputação de simulação à operação, em nada alteraria a natureza do lançamento. Situação semelhante já foi analisada pelo Conselho de Contribuintes, tendo ficado consignado que a imputação da simulação do contrato é irrelevante para a caracterização da desnecessidade da despesa, como se vê abaixo: IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE CONTRATOS FUTUROS DE TAXAS DE CÂMBIO DE CRUZEIROS REAIS POR DÓLAR COMERCIAL. RESSARCIMENTO POR DESISTÊNCIA DE CONTRATO. Quanto uma empresa assina 150 contratos de promessa de compra e venda de dólar comercial, com empresas que não tem qualquer posição naquela moeda e nem tem capacidade econômica e nem financeira (microempresas, empresas de pequeno médio porte) e empresas não Fl. 943DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 18 17 identificadas e, ainda, desiste da compra ou venda do dólar comercial e paga o ressarcimento (multa contratual) por desistência de contrato, estas operações não preenchem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade para serem apropriados como custos ou despesas operacionais, independentemente da imputação da simulação de contratos. (Data da Sessão: 21/05/2002; Relator(a): Kazuki Shiobara; Nº Acórdão: 10193826) No caso concreto, a ausência de propósito negocial fica evidenciada, uma vez que operação de empréstimo no exterior teve por objetivo precípuo o repasse de recursos a terceiros, caracterizando adiantamento de numerário, sem a devida remuneração em contrapartida, considerandose o prazo e os valores envolvidos. Todavia, a operação realizada foi útil para fazer surgir uma despesa financeira reconhecida na contabilidade da recorrente e utilizada para reduzir o lucro real apurado nos anos calendário 2004 e 2005, de forma indevida. Como se viu, a situação formalizada em papel, através de contratos de aquisição e locação de ativos com a Petrobrás, não se fez acompanhar da efetiva realização das transações declaradas, demonstrando clara divergência entre a verdade formal e a verdade material. Todos os fatos demonstrados nos autos, ao contrário do que sustenta a recorrente, contribuem para revelar a verdadeira intenção das partes, a de repasse para terceiros de recursos obtidos via mútuo feneratício em condições de liberalidade. No caso de empréstimos repassados a empresa interligada sem qualquer encargo financeiro, a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes já era firme no sentido de que são consideradas não necessárias (Acórdãos nº 10807360/2003, 103 21142/2003, 10313446/93 e 10179646/90). Vejase que, embora não interligadas à época, a relação de proximidade comercial e financeira entre as envolvidas na operação objeto de fiscalização está evidenciada nos autos. Embora sem ter relação direta com o deslinde da questão, demonstra a intrínseca relação comercial entre as envolvidas o fato de que, à época da assinatura do contrato de locação de ativos, em 23/12/2003, a LANGSTRAND HOLDINGSS.A. (atual CLEP, ora recorrente), tinha sede na Rua Funchal, n° 263, 10 1 andar, sala 15D, na cidade de São Paulo e, no momento do Segundo Aditivo ao Contrato de Locação de Ativos, em 20/09/2004, a recorrente, possuía sede na Avenida República do Chile, n° 65, 4° andar, sala 401 "C" , na cidade do Rio de Janeiro, enquanto a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS, tinha sede no mesmo endereço, na Avenida Republica do Chile, n° 65, 9º andar, na cidade do Rio de Janeiro. Ademais, no "Relatório de Medição" juntado aos autos após o início do julgamento (doc. 05), emitido pela Petrobrás, referente ao pagamento do valor locatício devido no período compreendido entre 20.09.2004 e 20.03.2005, consta do campo “observações” os seguintes dizeres: “este pagamento se refere a aluguel devido à empresa CLEP que é uma estrutura financeira ligada à PETROBRÁS”. Ou seja, desde aquela época, embora sem qualquer participação acionária, verificavase a relação próxima entre as contratantes. Atualmente, a recorrente é subsidiária integral da Petrobrás. No caso concreto, muito embora inexista, à época dos fatos, a caracterização do vínculo entre a destinatária final dos recursos objeto do empréstimo oneroso, restou Fl. 944DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 19 18 demonstrada a inexistência de correlação entre os juros de mora glosados e as atividades da empresa, antes da transferência dos bens adquiridos para locação, sendo as correspondentes despesas desnecessárias e indedutíveis para fins de apuração de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ. Nesse sentido, como complemento às razões de decidir, cabe, ainda, referir a decisão mencionada na tribuna pelo douto Procurador da Fazenda Nacional, no acórdão nº 3102001.764, de 26/02/2013, que julgou o lançamento de IOF sobre a mesma operação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário 2004, 2005 AQUISIÇÃO DE ATIVOS PARA LOCAÇÃO AO VENDEDOR. SALE LEASE BACK. RECURSOS APLICADOS. ADIANTAMENTO. CONDUTA ATÍPICA. MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. Ainda que a transação conhecida por Sale Lease Back, identificada pela aquisição de ativos para imediata locação pelo comprador ao vendedor, seja uma forma de financiamento do capital de giro não compreendida entre as hipóteses de incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários IOF, a identificação de uma conduta atípica na operacionalização do negócio, mediante adiantamento de valores expressivos somente muito mais tarde empregados no objeto avençado, caracteriza operação de crédito (mútuo) para fins de incidência do Imposto. Recurso de Ofício Provido Naquele voto, o ilustre relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, ao analisar a mesma situação fática, a qual deu ensejo também ao lançamento de IOF, fez constar em seu voto condutor: O todo foi executado em desacordo com os pressupostos que orientam as regras negociais mais comezinhas, com total ausência de razoabilidade. Inaceitável que bilhões de reais sejam transferidos a terceiro e fiquem em seu poder por um período de tempo suficientemente longo para reverterem expressivos rendimentos, fossem empregados na menos rentável aplicação financeira disponível no mercado. E isso, sem nenhum ônus para Petrobrás e sem qualquer razão que justificasse a disponibilização com tanta antecedência. E nem se fale em pagamento antecipado. A teor do item 11 do Contrato assinado entre as partes, foi prevista a transferência de recursos para posterior aquisição de ativos. Não me parece que tenha se constituído em pagamento, mas em adiantamento de numerário, como, de fato, previa o contrato (embora com Fl. 945DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 20 19 finalidade de aquisição de bens no mercado e não de bens pertencentes à Petrobrás). Até por isso, parte foi devolvida ao final. De fato, não há como aceitar que a compra de um bem seja realizada mediante a transferência de um quantum expressivamente superior ao seu valor e quase um ano antes da efetiva tradição, sendo depois o saldo restituído ao vendedor. Por outro lado, também inadmissível que um adiantamento seja realizado de forma graciosa e despropositada, quando se fala de cifras do vulto das que aqui foram movimentadas. O que parece ficar muito claro é que o negócio avençado terminou por ser executado de forma absolutamente atípica e sem motivação plausível. Como já disse, não vejo elementos no processo que permita dizer que sale lease back não ocorreu ou dissimule outro negócio. Contudo, da maneira como processado, terminou por constituir, no seu bojo, outro negócio paralelo, não declarado. Uma vez que a transferência antecipada não seja reconhecida como pagamento pelo preço dos ativos mais tarde transferidos, pareceme que esteja bem caracterizada a disponibilização de recursos financeiros à Petrobrás, que a Companhia, a teor do lançamento que fez na contabilidade, das disposições contratuais e dos eventos que se sucederam, pretendia receber de volta, restando por caracterizada a operação de crédito correspondente ao mútuo. Em decisão recente, essa Turma manifestouse acerca da extensão do conceito de mútuo para fins de caracterização da ocorrência do fato gerador do IOF. Reproduzo pertinentes considerações do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro ao longo do Voto proferido no Acórdão 3102000.988, de 04 de maio de 2011. Em suma, cabe a este Colegiado decidir se, como alega o Fisco, as narradas entregas de recursos assumem os contornos de operações de mútuo, extintas mediante o aumento da participação na sociedade mutuária ou devolução do montante transferido, ou se, como alega o Sujeito Passivo, investimentos, sob a forma de antecipações para futuro aumento de capital. Tal distinção é crucial em função de que, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, operações de crédito correspondentes a mútuo (vejase que a lei não falou em operações de mútuo), entre pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto. Confirase: [...] Como é possível perceber, o legislador não condicionou a incidência do imposto à formalização de um contrato de mútuo, mas exclusivamente à concretização de uma operação de crédito correspondente a tal figura contratual, atualmente regulada pelo Fl. 946DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 21 20 art. 586 e seguintes do Código Civil aprovado pela Lei nº 10.406, de 2002 , que tem redação idêntica à do art. 1.256 do Código Civil de 1916. [...] Sabese, com efeito, que a pessoa jurídica que entregou os recursos os contabilizou como investimento e que a escrituração regular faz prova em favor da sociedade, mas isso não implica que este julgador retire dos elementos carreados ao processo interpretação idêntica à da assumida pelo responsável pela escrituração. Até porque, como é cediço, em última análise, um empréstimo concedido em condições favoráveis ao fornecedor dos recursos, sob a ótica do mutuante, é um investimento, mas, evidentemente, não deixa de ser uma operação de mútuo. Assim, sem que fique demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou cotas a serem criadas quando do aumento de capital, em verdade, temse delineada uma operação de crédito, com os contornos de um contrato de mútuo, que poderia até estar garantida por um futuro aumento de capital. [...]Por outro lado, e a meu ver mais importante, extraise dos autos, ainda, que, sem qualquer justificativa, valores entregues em 2004 e 2005 só foram efetivamente capitalizados no final de 2006, o que prejudica a convicção de que o animus contratual, pelo menos por parte da receptora dos recursos, era aumentar a participação da Energisa em seu capital social. Discordo, finalmente, que a caracterização do contrato de mútuo dependa da restituição integral dos recursos. É perfeitamente possível que, ao invés da restituição do montante, as partes extingam o vínculo obrigacional mediante a entrega de coisa móvel diversa da mutuada. Nesse ponto, tomo emprestada a lição de Orlando Gomes , que, com a habitual clareza, pontifica: “O contrato de mútuo tem por objeto, comumente, dinheiro, coisa fungível por excelência. Mercadorias e títulos constituem, também, embora menos freqüentemente, objeto de mútuo. Quanto a estes, tanto faz que se leve em conta a quantia que representam ou o número de valores da mesma classe. Podese entregar mercadoria em determinado valor para que o mutuário devolva dinheiro...” Também não vislumbro, apenas para argumentar, que o negócio jurídico inicialmente entabulado seja alterado em razão de fato posterior à sua celebração. Ou seja, se, por exemplo, as partes celebraram, ainda que tacitamente, contrato de mútuo, a eventual extinção do vínculo obrigacional mediante dação em pagamento não implica Fl. 947DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 22 21 transformação do contrato, nem, consequentemente, altera a lei que incide sobre ele. No presente litígio, uma vez que não se tenha elementos para desconstituir o negócio declarado, a compreensão adequada dos fatos remete ao entendimento de que a execução do negócio avençado terminou por constituir outro negócio concomitante, de intenção não revelada formalmente. Subsistiu o empréstimo até o momento em que o sale lease back começou a ser operacionalizado, parcela por parcela. As mesmas razões de decidir são adotadas, de forma subsidiária, neste voto. E, diante de todo o exposto, mantémse o lançamento de IRPJ. RECURSO DE OFÍCIO A decisão de primeira instância exonerou o crédito de CSLL, por considerar que as despesas não necessárias estipuladas no Regulamento do Imposto sobre a Renda não dão causa para autuação daquela contribuição. Todavia, discordase daquela decisão, visto que a glosa das despesas não foi motivada por disposições específicas da legislação do IRPJ. A glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas financeiras consideradas desnecessárias. Nesse caso, sua indedutibilidade também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Vejase que, na seara tributária, a Lei nº 7.689/88, que disciplina a CSLL, em seu art. 2° determina que sua base de cálculo é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda: Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades , a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do período base, apurado com observância da legislação comercial. será ajustado pela: I. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita: Fl. 948DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 23 22 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1°, § 1º do Decreto Lei n° 2.113, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do Decreto Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores; 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido. § 2° No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1° janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. A Lei nº 9.249/95, por seu turno, vedou em seu art. 13 diversas deduções da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506/64: Art. 13. Para eleito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Por sua vez, o mencionado art. 47 da Lei n° 4.506/64 determina que as despesas desnecessárias à atividade da empresa também não poderiam ser consideradas na apuração do resultado do exercício, abaixo: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § I° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. [...] Disso se conclui que “aplicase à CSLL as mesmas normas de apuração relativas ao IRPJ até a apuração do lucro líquido, assim as glosas de despesas e omissões de receitas para efeito de IRPJ, tem efeito também para a CSLL” (AC 10517157). Em outras palavras, se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL, o ocorreu no presente caso. Diante disso, não deve prevalecer a exoneração dada pela decisão de primeira instância. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12898.001180/200915 Acórdão n.º 1202001.056 S1C2T2 Fl. 24 23 DISPOSITIVO Em face do exposto, negase provimento ao recurso voluntário e dáse provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 950DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.003243/97-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996
MULTA DE OFÍCIO - CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR- MATÉRIA SUMULADA- MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA -PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada.
Numero da decisão: 9101-001.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso que votou por negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandro, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior e Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada).
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994, 1995, 1996 MULTA DE OFÍCIO - CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR- MATÉRIA SUMULADA- MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA -PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada.
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O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso que votou por negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandro, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior e Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 32 43 /9 7- 46 Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 1206/1215) interposto pelo contribuinte com fundamento nos artigos 7°, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 10323.570 de fls. 1188/1195 por meio do qual a 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido foi assim ementado: AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1° CC n° 1). MULTA DE OFICIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula 1° CC, 0 5) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Recurso voluntário negado O recurso foi apresentado contra a parte do acórdão que deixou de apreciar os argumentos lançados contra a multa de ofício, pois considerou precluso o direito do contribuinte de questionála em sede de recurso voluntário, pois não impugnada anteriormente. O contribuinte afirmou que a decisão recorrida diverge da jurisprudência deste Conselho e para demonstrar a divergência alegada o contribuinte apresentou diversos acórdãos paradigmas, entretanto, por força do §5° do art. 67 do RICARF foram considerados apenas os dois primeiros citados no recurso. Os acórdãos paradigmas foram assim ementados: Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS Processo nº 10880.003243/9746 Acórdão n.º 9101001.497 CSRFT1 Fl. 1.280 3 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO — DESISTÊNCIA DO PRÓPRIO DIREITO EM QUE SE FUNDOU O RECURSO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANEJADOS PELA AUTORIDADE PREPARADORA PREJUDICADOS LANÇAMENTO MANTIDO — O contribuinte aderiu ao parcelamento regulamentado pela IN RFB n° 772/2007. Quer se considere que houve a desistência do recurso voluntário, quer se considere que houve a renúncia do próprio direito em que se fundou o recurso, mantémse o lançamento, pois a decisão recorrida de 1° grau julgou o lançamento integralmente procedente. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO LANÇADA SEM BASE LEGAL — MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública. Recurso submetido à Câmara de julgamento, mesmo que não conhecido, deve ter suas ilegalidades flagrantes afastadas. A multa de oficio lançada sem base legal deve ser afastada. Embargos não conhecidos. (Processo nº 11516.002735/200254. Acórdão nº 106 17.000. Julgado em 06/08/2008) NORMAS PROCESSUAIS DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO — Descabe a sua imposição quando a exigibilidade do tributo ou contribuição tiver sido suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional. (Processo nº 10073.001285/9982. Acórdão 10707.820. Julgado em 21/10/2004) Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS 4 Portanto, o Recorrente pretende a reforma do acórdão proferido já que entende possível questionar a multa de ofício em qualquer momento do processo em razão da ofensa ao princípio da legalidade na sua aplicação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1272/1277 e argumentou que o Código de Processo Civil (norma subsidiária do processo administrativo fiscal) dispõe que o juiz deve decidir a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões não suscitadas e a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Concluiu que o juiz ou qualquer autoridade administrativa deve aterse ao pedido do autor, sendo extra petita o julgado que for além de tais limites, bem como que foi acertada a decisão recorrida ao não conhecer do questionamento quanto à multa de oficio. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão no presente caso é a verificação da adequação do momento da argüição da ilegalidade da aplicação da multa de ofício diante da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ou seja, se esta é matéria que pode ser arguida em qualquer tempo e fase do processo administrativo. Inicialmente cumpre buscar o limite da regra inserida no artigo 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Respeitável parte da jurisprudência alega que o limite que a citada norma enfrenta é o julgamento de matéria considerada de ordem pública; em que pese ser um requisito fundamental para afastar a aplicação do artigo 17, penso que tratarse de matéria de ordem pública não é o único fundamento necessário para conhecermos de matéria não atacada na impugnação; isto porque toda a tributação é fundada em leis de ordem pública, a tributação segue a estrita legalidade e o determinado na lei tributária não podem ser afastados pelas partes. Desta maneira, entender que basta a matéria ser de ordem pública para afastarmos a preclusão, significa tirar toda a eficácia da norma que a previu. Assim, há algo a mais, além da matéria de ordem pública, que autoriza ultrapassar o esculpido no artigo 17. Penso que esse algo a mais está presente na conjunção do (1) princípio da razoabilidade, (2) da estrita legalidade tributária, (3) do dever do CARF de controlar a legalidade do lançamento e (4) da economia processual. Princípio da razoabilidade pois não se demonstra razoável que este órgão de julgamento, diante de um lançamento fundado em atos sem base legal, com erros flagrantes, se cale e autorize tacitamente que o notadamente indevido se torne devido. Estrita legalidade, Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS Processo nº 10880.003243/9746 Acórdão n.º 9101001.497 CSRFT1 Fl. 1.281 5 pois diante de ausência expressa de norma autorizadora da tributação, incluindo as penalidades tributárias, o lançamento não pode ter outro fim que não o seu cancelamento. Dever do CARF de controlar a legalidade do lançamento, pois não se admite que este órgão, tendo em vista sua função, julgue procedente lançamento expressamente ilegal. Por fim, economia processual, pois permitir que o contribuinte tenha que recorrer ao Poder Judiciário para ver um direito garantido que já não mais comporta discussão pois cristalizado em todas as instâncias administrativas e judiciárias, é permitir a existência de processo judicial e a consequente movimentação da máquina judiciária sem necessidade. No presente caso, temse que, de fato, era indevida a aplicação da multa de ofício, nos termos da súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. A existência de Súmula em relação à questão tratada nos remete sem baldeações ou conexões à idéia de que o Carf deve afastar tal penalidade em razão da sua função de controlar a legalidade do lançamento, pela razoabilidade, pela estrita legalidade, inclusive em questão de penalidade tributária, e pela economia processual. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a aplicação da multa de ofício em razão do disposto na súmula CARF 17. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVE IRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001790/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.448
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Provido
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DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. RELATÓRIO AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 9 a 12, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.365,64, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva, onde alegou que: a) Relativamente ao recibo pago a Magna R Cruz, as sessões de psicoterapia foram realizadas em 2004, conforme constava do próprio recibo e todos os pagamentos também foram feitos no ano corrente de 2004, sempre após as sessões. Fez anexar declaração emitida pela Dra. Magna, esclarecendo os fatos juntamente com o novo recibo preenchido corretamente pela profissional; b) Relativamente à outra glosa referente ao IPSEMG no valor de R$2.254,25, realmente a mesma é procedente e que houve erro no preenchimento da declaração. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 29 a 34): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.001790/200796 Acórdão n.º 2101001.448 S2C1T1 Fl. 2 3 Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou a despesa com Magna R. Cruz, isso em razão de não ter sido apresentados quaisquer documentos probatórios da referida despesa, comprovandose o desembolso dos valores. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 04/02/2010 (fl. 37), a Recorrente apresentou, em 01/03/2010, o recurso de fls. 38. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 49, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. Sobre o litígio instaurado, discutese a glosa relativa à despesa com Magna R. Cruz. O julgador a quo manteve a glosa relativa à referida despesa. No voluntário, a recorrente apresentou ilustrações de acórdãos jurisprudenciais. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Com a apresentação de documentos da prestação dos serviços (recibos), a contribuinte produz a comprovação exigida, confirmandose a regularidade das despesas dedutíveis concernentes a Magna R. Cruz, superando o óbice à dedução. Esse Conselho já se manifestou a respeito, conforme se depreende do Acórdão 106 16.890: Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.001790/200796 Acórdão n.º 2101001.448 S2C1T1 Fl. 3 5 Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Considerando que a recorrente apresentou recibo com a data corrigida para 10/12/2004, bem como declaração do profissional emissor confirmando a prestação dos serviços, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 3.800,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Relatório Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. Sobre o litígio instaurado, discutese a glosa relativa à despesa com Magna R. Cruz. O julgador a quo manteve a glosa relativa à referida despesa. No voluntário, a recorrente apresentou ilustrações de acórdãos jurisprudenciais. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Com a apresentação de documentos da prestação dos serviços (recibos), a contribuinte produz a comprovação exigida, confirmandose a regularidade das despesas dedutíveis concernentes a Magna R. Cruz, superando o óbice à dedução. Esse Conselho já se manifestou a respeito, conforme se depreende do Acórdão 106 16.890: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.001790/200796 Acórdão n.º 2101001.448 S2C1T1 Fl. 4 7 Acórdão nº : 10616.890 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR A HIGIDEZ DOS RECIBOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de classe. Na via recursal, o recorrente trouxe recibo emitido em ano precedente com o número de inscrição referido. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Considerando que a recorrente apresentou recibo com a data corrigida para 10/12/2004, bem como declaração do profissional emissor confirmando a prestação dos serviços, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 3.800,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.004103/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
BASE DE CÁLCULO DA CSLL. COMPENSAÇÃO COM BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOS-BASE ANTERIORES. LIMITAÇÃO À REDUÇÃO DE TRINTA POR CENTO.
Por força do art. 58 da Lei n° 8.981/1995 e do art. 16 da Lei n° 9.065/1995, a base de cálculo da CSLL apurada a partir do ano-calendário de 1996 poderá ser compensada com bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores observado o limite máximo de redução de trinta por cento.
CSLL. APURAÇÃO DE CSLL DEVIDA A PARTIR DE DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO.
A CSLL devida a título de diferença de base de cálculo apurada em procedimento de ofício resulta, no exercício de 2006, ano-calendário 2005, da aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre tal diferença de base de cálculo.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.539
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. COMPENSAÇÃO COM BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOS-BASE ANTERIORES. LIMITAÇÃO À REDUÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Por força do art. 58 da Lei n° 8.981/1995 e do art. 16 da Lei n° 9.065/1995, a base de cálculo da CSLL apurada a partir do ano-calendário de 1996 poderá ser compensada com bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores observado o limite máximo de redução de trinta por cento. CSLL. APURAÇÃO DE CSLL DEVIDA A PARTIR DE DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A CSLL devida a título de diferença de base de cálculo apurada em procedimento de ofício resulta, no exercício de 2006, ano-calendário 2005, da aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre tal diferença de base de cálculo. Recurso Voluntário desprovido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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INOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento FiscalMPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda, porém, limitado ao saldo de Lucro Inflacionário acumulado no ano da realização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. COMPENSAÇÃO COM BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOSBASE ANTERIORES. LIMITAÇÃO À REDUÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Por força do art. 58 da Lei n° 8.981/1995 e do art. 16 da Lei n° 9.065/1995, a base de cálculo da CSLL apurada a partir do anocalendário de 1996 poderá ser compensada com bases de cálculo negativas de períodosbase anteriores observado o limite máximo de redução de trinta por cento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 41 03 /2 00 8- 23 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 3 2 CSLL. APURAÇÃO DE CSLL DEVIDA A PARTIR DE DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A CSLL devida a título de diferença de base de cálculo apurada em procedimento de ofício resulta, no exercício de 2006, anocalendário 2005, da aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre tal diferença de base de cálculo. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de auto de infração, (i) de IRPJ, acrescidos de juros e multa de ofício de 75%, decorrente da falta de realizações mínimas de Lucro Inflacionário nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, nos montantes anuais de R$ 676.533,53, equivalentes à 1/10 do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995, no valor de R$ 6.765.335,34 e constante do Demonstrativo de Lucro Inflacionário (SAPLI) de fl. 44, que embasou a autuação; e (ii) de CSLL, acrescido de juros e multa de ofício de 75%, decorrente de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, no anocalendário 2005, uma vez que excedido o limite máximo de redução/compensação de trinta por cento do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnações sustentando o seguinte: Contra o lançamento de IRPJ (fls. 93/103): Que o MPF que determinou o início da ação fiscal, em 22/09/2009, tinha por objeto o anocalendário de 2005, fato consignado em todas as intimações expedidas no Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 4 3 curso dos trabalhos fiscais, tendo a exigência sido lavrada sobre os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, o que torna nulos os lançamentos dos anoscalendário de 2003 e 2004, por inequívoca desobediência aos MPF e às Portarias SRF n° 1.295/99 e n° 3.007/01, da qual transcreve os arts. 7º e 10º. O saldo de lucro inflacionário acumulado apontado no Demonstrativo do Lucro InflacionárioSAPLI em 31/12/2001, no montante de R$ 2.591.724,19, não foi ajustado de acordo com as decisões proferidas nos PA’s 15374.004.384/200147 (que visava a exigência de Lucro Inflacionário no ano de 1996) e 18471.001.907/200528 (que visava a exigência do Lucro Inflacionário nos anos de 2000 e 2001), que resultaria em sua inexistência. A autoridade lançadora não considerou como realizados, nos períodos anteriores àqueles autuados, nenhuma parcela do lucro inflacionário, transportando ilegalmente todo o saldo para os períodos autuados. Ou seja, a autuação não considerou a realização mínima obrigatória de exercícios já alcançados pela decadência que deveriam ter sido, assim, excluídas do Sapli, resultando em novo saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 conforme ementas que transcreve. Se forem reconstituídos os quadros demonstrativos da autuação, levando em consideração a realização mínima obrigatória pertinente aos exercícios anteriores a 2001 e 2002, se chegará à conclusão que não há qualquer ajuste a ser feito na base de cálculo do IRPJ dos anos de 2003, 2004 e 2005. Contra o lançamento de CSLL (fls. 148/154): A autuação é nula pela falta de indicação e descrição precisa da infração apurada, não sendo possível identificar com precisão se a falta apurada pela autoridade lançadora visa a exigência da CSLL pela inobservância da limitação quantitativa da compensação dos prejuízos fiscais ou se pretende sustentar que a autuada não possuía saldo de bases negativas passíveis de compensação em 31/12/2005. Assim, foi cerceado seu direito de defesa, uma vez que a autuação se fundamentada, única e exclusivamente, em valor apurado pela autoridade lançadora sem que haja pelo menos um único demonstrativo no processo onde o mesmo esteja apurado. Em sendo a pretensão fiscal relativa ao limite de 30%, bastaria verificar na DIPJ/2006 apresentada, que não houve compensação acima deste limite, o que nem poderia acontecer, pois o próprio programa de preenchimento impediria esta pretensão. Em sendo a pretensão fiscal relativa à base de cálculo negativa de CSLL, é certo que a cópia apresentada de seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR ) demonstra o saldo de base de cálculo negativa de CSLL existente em 31/12/2004 confirmando que o mesmo era suficiente para a compensação no períodobase de 2005, tendo sido corretamente compensado, bastando consulta ao SAPLI para verificação da existência de tal saldo. A 5ª Turma da DRJ/RJ1 (fls.260/269) deu provimento em parte às impugnações, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 5 4 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. LNOCORRÊNCIA. FALHAS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento FiscalMPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de I o de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda, porém, limitado ao saldo de Lucro Inflacionário Acumulado no ano da realização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. COMPENSAÇÃO COM BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOSBASE ANTERIORES. LIMITAÇÃO À REDUÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Por força do art. 58 da Lei n° 8.981/1995 e do art. 16 da Lei n° 9.065/1995, a base de cálculo da CSLL apurada a partir do anocalendário de 1996 poderá ser compensada com bases de cálculo negativas de períodosbase anteriores observado o limite máximo de redução de trinta por cento. CSLL. APURAÇÃO DE CSLL DEVIDA A PARTIR DE DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A CSLL devida a título de diferença de base de cálculo apurada em procedimento de ofício resulta, no exercício de 2006, anocalendário 2005, da aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre tal diferença de base de cálculo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante dos fatos, a Recorrente apresenta o presente recurso voluntário (fls. 280/289) em que repisa os argumentos de suas peças impugnatórias. É o Relatório. Voto Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 6 5 Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A decisão recorrida merece ser mantida, por seus próprios fundamentos, razão pela qual posso a transcrevêlos: Do auto de infração de IRPJ Da Preliminar de nulidade (...) Eventuais irregularidades, por ventura ocorridas, quanto à observância das regras pertinentes ao Mandado de Procedimento FiscalMPF não são suficientes, como equivocadamente entende a interessada, para viciar o lançamento. (...) Nesta linha, tem se sedimentado no Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, o entendimento no sentido de, em sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Do Mérito De conformidade com a Lei n° 9.065, de 1995, art. 8º; Lei n° 9.249, de 1995, art. 6º , parágrafo único; e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º, temos que, a partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI) que embasou a autuação, em 31/12/1995, o saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar de períodosbase anteriores da interessada montava em R$ 6.765.335,34, ensejando, portanto, a realização mínima obrigatória anual, a partir de 1996, de 1/10 de seu valor, motivo da autuação resultante desta realização nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Tal lucro inflacionário é oriundo, segundo SAPLI, do diferimento do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 e do lucro inflacionário acumulado a realizar em 30 de abril de 1992, então no valor de Cr$ 512.160.813,00, corrigidos até 31/12/1995. Tal saldo diferido, segundo o mesmo demonstrativo, não teve qualquer realização por parte da interessada desde o mês de maio do anocalendário de 1992, senão aquelas impostas pelas autuações dos processos n° 15374.000573/200151 para os meses do anocalendário de 1996 e processo n° 18471.001907/200528 para os anoscalendário de 2000 e 2001. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 7 6 Com relação à decadência, argüida na impugnação, cumpre destacar que, conforme consta no Demonstrativo SAPLI que juntei aos autos às fls. 161/171, por força do SCICosit n° 23/2004, foram calculadas as realizações mínimas estabelecidas na legislação, excluindose do saldo diferido os respectivos valores de decadência, desde o mês de maio do anocalendário de 1992 até o mês de dezembro de 1995, o que resultou no novo saldo em 31/12/1995, não mais de R$ 8.278.522,74, mas no valor de R$ 6.765.335,34 que embasou, não só a autuação referente às realizações mínimas nos anoscalendário de 2000 e 2001, no processo n° 18471.001907/200528, como também as realizações mínimas dos anoscalendário de 2003 a 2005, objeto do presente processo, o que pode ser facilmente identificado pelo montante anual de R$ 676.533,53 autuado. A interessada ainda alega que o saldo de lucro inflacionário acumulado apontado no Demonstrativo do Lucro Inflacionário SAPLI em 31/12/2001, no montante de R$ 2.591.724,19, não teria sido ajustado de acordo com as decisões proferidas nos Processos Administrativos n°s 15374.004.384/200147 (que visava a exigência de Lucro Inflacionário no ano de 1996) e 18471.001.907/200528 (que visava a exigência do Lucro Inflacionário nos anos de 2000 e 2001), que resultaria em sua inexistência. Tal alegação, mais uma vez de conformidade com o Demonstrativo SAPLI juntado às fls. 161/171, não procede, uma vez que no mesmo constam as realizações em todos os meses do anocalendário de 1996 e as realizações anuais dos anos calendário de 2000 e 2001, resultando no correto saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/2001, no montante de R$ 2.591.724,19. Ocorre que, considerando no anocalendário da autuação, 2008, a decadência do direito da Fazenda Pública exigir a realização mínima obrigatória do anocalendário de 2002, deve a mesma ser considerada, resultando no saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/2002 no valor de R$ 1.915.190,66, conforme consta do SAPLI de fls. 161/171. Desta forma, há que se observar que, considerando as realizações mínimas obrigatórias exigidas no auto de infração objeto do presente processo para os anoscalendário de 2003 e 2004 (R$ 676.533,53 + R$ 676.533,53 = R$ 1.353.067,06), o saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/2004 resulta em R$ 562.123,60, ou seja, em valor inferior à realização mínima obrigatória de R$ 676.533,53 no anocalendário de 2005. Por este motivo, deve a realização de lucro inflacionário do ano calendário de 2005 exigida no auto de infração objeto do presente processo ser reduzida para R$ 562.123,60, saldo remanescente de lucro inflacionário naquele exercício, como demonstrado. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 8 7 Cumpre esclarecer que tal diferença resulta das realizações impostas pelo processo n° 15374.004.384/200147 a todos os meses do anocalendário de 1996, realizações estas que se embasaram no saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 no montante de R$ 8.278.522,74, e não de R$ 6.765.335,34, por não considerar a realizações mínimas anteriores àquela data, já alcançadas pela decadência. Por conseqüência, o valor do IRPJ do anocalendário de 2005 passa a ser de R$ 84.318,54, equivalente a quinze por cento de R$ 562.123,60 (saldo remanescente de lucro inflacionário acumulado naquele ano), e não mais de R$ 101.480,02, resultando no IRPJ total de R$ 287.278,58 (R$ 101,480,02 do ano de 2003; R$ 101,480,02 do ano de 2004 e R$ 84,318,54 do ano de 2005). Do auto de infração de CSLL Da Preliminar de nulidade Constatase que o Auto de Infração de CSLL impugnado foi lavrado por autoridade administrativa plenamente vinculada, mediante lançamento, respeitando os procedimentos fiscais previstos na legislação para verificação e apuração da ocorrência do fato gerador da obrigação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteado dentro do Princípio da Legalidade, respeitando o Art. 142 do CTN. Efetivamente, verificase que o mesmo contêm a descrição dos fatos e a determinação da exigência, instruídos com a documentação que a autoridade autuante entendeu ser elemento de prova suficiente à comprovação do ilícito, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal PAF, bem como todo o correspondente enquadramento legal, no qual se destacam o art. 58 da Lei n° 8.981/1995 e o art. 16 da Lei n° 9.065/1995 (...). Tal enquadramento legal, combinado com a descrição dos fatos, permitem bem esclarecer a causa central da autuação, qual seja, a glosa de valores de compensação de base de cálculo negativa de CSLL de períodosbase anteriores que excederam o percentual de trinta por cento do lucro líquido ajustado do exercício, e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo da autuação foi por ela compreendido assim, tanto que contestado, ao alegar que “basta verificar na DIPJ/2006 apresentada pela impugnante que não houve compensação acima desse limite (trinta por cento), e nem poderia, porque o próprio programa de preenchimento impede esta pretensão”, tendo sido assim respeitado o contraditório e seu direito de defesa (...). Do Mérito Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 9 8 A interessada afirmou que “basta verificar na DIPJ/2006 apresentada pela impugnante que não houve compensação acima desse limite (trinta por cento), e nem poderia, porque o próprio programa de preenchimento impede esta pretensão”. Tal alegação não encontra respaldo na DIPJ do exercício de 2006, anocalendário 2005, n° 1392156, apresentada pela interessada, onde mais especificamente em sua ficha 17 Cálculo da CSLL (fl. 18), consta na linha 36 a “base de cálculo da CSLL antes da compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores” no valor de R$ 12.409.526,79, que permite uma compensação máxima no montante de R$ 3.722.858,03 (trinta por cento), quando a interessada, na linha 37, compensou o valor de períodosbase anteriores no montante de R$ 3.885.709,48, originando, por conseguinte, a diferença de R$ 162.851,44, cuja glosa é a base da autuação. Ocorre que, independente de razões aduzidas pela interessada, cumpre esclarecer que tal valor referese à diferença de base de cálculo da CSLL e não à diferença de CSLL devida no exercício, esta apurada, segundo o inciso II, do art. 3o , da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pela aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre o valor da base de cálculo mantida (R$ 162.851,44), que resulta no montante de R$ 14.656,63 e não de R$ 162.851,44 exigido no auto de infração. Destarte, voto pela procedência, em parte, do lançamento de CSLL, ajustando o crédito tributário para o valor de R$ 14.656,63, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. Com efeito, a decisão a quo deve ser mantida, efetuandose os ajustes nos créditos tributários de IRPJ e CSLL. O crédito tributário de IRPJ deverá ser ajustado para o valor de R$ 287.278,58, acrescido de multa de ofício de 75% e demais acréscimos moratórios; e o crédito tributário de CSLL deverá ser ajustado para o valor de R$ 14.656,63, também acrescido de multa de ofício de 75% e demais acréscimos moratórios. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo parcialmente os lançamentos, nos termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.004103/200823 Acórdão n.º 1402001.539 S1C4T2 Fl. 10 9 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10945.900867/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 76 1 75 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900867/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803049.356 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 67 /2 01 2- 01 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900867/201201 Acórdão n.º 3803049.356 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900867/201201 Acórdão n.º 3803049.356 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900867/201201 Acórdão n.º 3803049.356 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900867/201201 Acórdão n.º 3803049.356 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900867/201201 Acórdão n.º 3803049.356 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15586.001513/2010-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO DE REGISTRO DO ICMS. PROVA DIRETA.
No Livro de Escrituração do ICMS o contribuinte confessa o auferimento de receitas, tratando-se, portanto, de prova direta, e não indiciária ou presuntiva, da base de cálculo dos tributos federais, sendo perfeitamente válido o lançamento com base nessa prova.
Numero da decisão: 1801-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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Recorrente DOCELAR MATERIAL DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO DE REGISTRO DO ICMS. PROVA DIRETA. No Livro de Escrituração do ICMS o contribuinte confessa o auferimento de receitas, tratandose, portanto, de prova direta, e não indiciária ou presuntiva, da base de cálculo dos tributos federais, sendo perfeitamente válido o lançamento com base nessa prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, ano calendário 2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 13 /2 01 0- 51 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 O auto de infração de IRPJ (fls. 390/398) exige o recolhimento de R$ 135.562,55 de imposto e R$ 101.671,90 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Omissão de receitas. Revenda de mercadorias: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 532 e 537 do RIR/99. Multa de 75%; Receitas operacionais. Revenda de mercadorias: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 532 do RIR/99. Multa de 75%; O auto de infração de PIS (fls. 399/406) exige o recolhimento de R$ 39.571,99 de contribuição e R$ 29.678,95 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: PIS sobre omissão de receitas: nos períodos de 01/2007 a 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24 §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2° inciso I “a” §único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%; O auto de infração de Cofins (fls. 407/414) exige o recolhimento de R$ 182.640,12 de contribuição e R$ 136.980,04 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Cofins sobre omissão de receitas: nos períodos de 01/2007 a 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 2° inciso II §único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%; O auto de infração de CSLL (fls. 415/422) exige o recolhimento de R$ 66.468,87 de contribuição e R$ 49.851,64 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: CSLL sobre o Lucro Arbitrado: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal nos art. 2° §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; CSLL sobre o Omissão de receita: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal nos art. 2° §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; Foi interposta impugnação (fls. 559/572), que foi julgada improcedente pela DRJ/Rio de Janeiro, conforme acórdão de fls. 684/691, prolatado em 13/06/2013. Cientificada da decisão em 23/08/2013, conforme AR de fl. 701, tempestivamente, em 11/09/2013, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 703/714, 724/735, 745/756 e 768/770, que se resume a seguir: Da nulidade do auto de infração. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.001513/201051 Acórdão n.º 1801001.785 S1TE01 Fl. 3 3 a. Alega que o auto de infração deveria conter em seu bojo e não em anexos, a descrição tática e a conseqüência infracional do suposto ato praticado; b. Cita doutrina sobre nulidade; c. Reclama que a ausência de descrição fática, bem como a ausência de disposição legal infringida no corpo do auto de infração impede o exercício da ampla defesa, nos termos do art. 5o, inciso LV da CF/88; d. Conclui que não é porque o auto de infração foi lavrado por autoridade competente que se pode considerar válido. Devese observar as questões aqui postas, para ter validade e eficácia. O Acórdão merece reforma para se anular o auto de infração ante a nítida ocorrência de vício formal insanável em sua constituição por meio de lançamento de ofício; Da ilegalidade do lançamento de ofício e. Afirma que o auto de infração foi lavrado em virtude de suposta presunção. Devese ao fato de o auditor fiscal ter presumido o lucro da empresa Impugnante no anocalendário de 2007, com base em apurações de ICMS. Ainda, com base no arbitramento do lucro, este acabou servindo de base de cálculo para o lançamento de ofício de PIS, consubstanciado nos auto de infração supra mencionado; f. Justifica que o arbitramento do lucro utilizado como base de cálculo para apuração de suposta diferença a ser paga pela Impugnante a titulo de PIS, baseou se em indícios apenas, não conseguindo o auditor demonstrar a ocorrência do fato gerador, um dos elementos necessários para constituição do crédito tributário; g. Pondera que, ainda que se tenha acessado as informações do Estado do Espírito Santo, não se há certeza do valor supostamente omitido, momento em que o fiscal autuante optou por presumir operações e arbitrar valores; h. Com base em doutrina, assevera que para se utilizar da presunção se faz necessária a ocorrência de duas hipóteses: 1) Existir previsão legal de que se determinada hipótese ocorrer, presumirseá o restante da operação (fato investigado); 2) Tal previsão legal subsumir ao fato concreto; i. Reclama que, no caso em comento o Auditor baseouse apenas em indícios para arbitrar o suposto lucro e receita bruta auferido pela Impugnante no anocalendário de 2007, não podendo ditos indícios terem força probante de uma presunção, esta, aliás, requisito legal indispensável para que se possa utilizar o arbitramento de lucro como base de cálculo para cobrança do tributo objeto desta impugnação; Da ausência de análise de quebra do sigilo bancário do impugnante. Necessidade de remeter à Turma da DRJ competente para análise da questão. j. Aponta que um dos temas abordados na impugnação foi a quebra do sigilo bancário. Contudo, o Acórdão não menciona uma linha sequer acerca de tal argumentação. Dessa forma, se faz necessária a análise da Turma competente do DRJ. Mas caso assim não entenda, e adotese o entendimento que o CARF pode enfrentar a questão, vale dizer que, conforme trecho do TVF, o referido procedimento teve por norte informações Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 obtidas de instituições bancárias pátrias, sem autorização prévia do Impugnante ou do Poder Judiciário; k. Entende que houve violação ao artigo 5o, Inciso XII, da CRFB de 1988 além do Principio da Dignidade Humana, alicerce da Carta Magna de 1988; l. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808 oriundo do Estado do Paraná julgado em 15 de dezembro de 2010, entendeu ser inconstitucional a violação do sigilo fiscal por parte da autoridade fazendária sem prévia autorização judicial, como no caso em tela; PEDIDOS m. Ao final, requer: i) Seja anulado o auto de infração, ante a ocorrência de vícios insanáveis; ii) Seja desconstituído o auto de infração por utilizar do arbitramento indevidamente; iii) Seja desconstituído o auto de infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; iv) Por fim, se houver desconstituição integral ou parcial do tributo, que seja desconstituído integralmente ou parcialmente o valor da multa e dos juros, de modo que, ao proferir o voto de primeira instância, a junta da DRJ deve observar a necessidade de redução da multa e dos juros na devida proporção da redução do tributo; v) Por fim, seja anulado o auto de infração ante a existência de vícios que maculam o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O contribuinte foi autuado, mediante auto de infração, pelo qual foram exigidos créditos tributários de IRPJ e reflexos, relativo ao ano calendário de 2007. A fiscalização constatou que a empresa declarou somente parte de suas receitas, as quais foram obtidas no Livro de Escrituração do ICMS, nos seguintes valores: PERÍODO RECEITAS ICMS RECEITAS DECLARADAS RECEITAS OMITIDAS jan/07 778.062,42 126.506,44 651.555,98 fev/07 547.411,61 84.316,22 463.095,39 mar/07 678.211,10 106.464,31 571.746,79 abr/07 654.626,70 98.997,86 555.628,84 mai/07 564.432,76 83.809,40 480.623,36 jun/07 514.478,89 78.630,87 435.848,02 jul/07 565.114,69 85.979,54 479.135,15 ago/07 714.785,01 107.570,85 607.214,16 set/07 488.526,54 77.412,26 411.114,28 out/07 621.521,74 104.880,23 516.641,51 nov/07 561.458,53 86.079,31 475.379,22 dez/07 520.245,82 80.222,56 440.023,26 TOTAL 7.208.875,81 1.120.869,85 6.088.005,96 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.001513/201051 Acórdão n.º 1801001.785 S1TE01 Fl. 4 5 A DRJ/Rio de Janeiro manteve integralmente os lançamentos, em decisão resumida nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA REGISTRADA EM LIVRO DE SAÍDA SEM A RESPECTIVA INCLUSÃO NA DECLARAÇÃO E SEM RECOLHIMENTO Cabe ao contribuinte registrar em sua declação e efetuar o recolhimento sobre a totalidade de suas receitas auferidas. IRPJ. CSLL. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DE DOCUMENTOS FISCAIS. A lei exige o lançamento por arbitramento do lucro quando o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta os livros e os documentos fiscais representativos de sua real escrituração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita é base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Assim, verificada a procedência da omissão de receita, são devidos os lançamentos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No recurso voluntário, a recorrente levanta, em síntese, os seguintes pontos: i) nulidade por falta de descrição fática e disposição legal no corpo do auto de infração, o que impede o exercício da ampla defesa; ii) ilegalidade do lançamento por ser baseado em presunção ou indícios, sem prova do fato gerador; iii) inconstitucional quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; iv) multa deve ser reduzida. Temse que todos os argumentos são nitidamente protelatórios. A descrição dos fatos encontrase muito bem descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 423/436, e não faz a mínima diferença para o exercício da defesa estar no corpo do auto de infração ou fora dele. Aliás, para um melhor entendimento da autuação, é preferível que os fatos sejam explicados num documento à parte em vez de constar no corpo do auto, o que geralmente ocorre em fiscalizações de baixa complexidade, em que basta um parágrafo para explicar os fatos. No caso, o autuante foi eloquente, pois gastou 14 páginas, o que é muito mais do que o suficiente para explicar os fatos. Quanto aos dispositivos legais, estão todos indicados no corpo dos autos de infração. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A alegação de que não houve prova do fato gerador, por suposta vedação do uso de prova indiciária ou presuntiva, também é igualmente superada. Se o contribuinte declara que auferiu receitas para o fisco estadual, não há o menor motivo para a fiscalização aprofundar a investigação. A declaração de receitas é uma confissão, pelo contribuinte, de que houve faturamento. E sendo confissão do próprio fato que se quer provar, tratase de prova direta e não de indício ou presunção. O indício e a presunção se contrapõem à prova direta, por serem formas de prova indireta. Essas duas espécies de prova, no fundo, transmitem a mesma idéia do uso de raciocínio indutivo para deduzir, a partir de um fato provado, a existência de outro, não provado, sendo o primeiro termo mais utilizado no processo penal e o segundo no processo civil. O indício tem conceito legal no art. 239 do CPP: “considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias”. A presunção possui significado similar, e também transmite a idéia de que, a partir de um fato antecedente, inferese outro, conseqüente, a partir da experiência sobre o que ocorre normalmente com os fatos da vida. O que importa aqui, em resumo, é que no indício e na presunção, temse dois fatos: um provado e outro deduzido. No caso do uso do ICMS, não há dois fatos, mas apenas um, já que a receita é a mesma, tanto para o fisco estadual quanto para o federal. Além disso, é tranquila a jurisprudência do CARF no sentido da validade dessa prova para sustentar o lançamento: Número do Processo 11040.720262/201103 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 10/05/2012 Relator(a) ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Nº Acórdão 1402001.039 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. ____________________________________________________ Número do Processo 11070.000387/200771 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 10/04/201 Relator(a) LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Nº Acórdão 130200.855 LIVRO DE ICMS. OMISSÃO SIMPLES DE RECEITA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A autoridade fiscal verificou que o contribuinte declarou receita à autoridade fiscal estadual e deixou de fazer o mesmo e tributar a receita no âmbito federal. Devido é o lançamento de IRPJ e CSLL pelo lucro presumido. Como o contribuinte deixou de apresentar o Livro Razão, a partir do quarto trimestre de 2003, devido é o lançamento desses tributos pelo lucro arbitrado. ____________________________________________________ Número do Processo 10950.005188/200862 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 11/09/2012 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Nº Acórdão 1301001.036 RECEITA BRUTA APURAÇÃO. PROVA EMPRESTADA As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte ao qual cabe o ônus da prova da existência de saídas que não configurou receitas. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15586.001513/201051 Acórdão n.º 1801001.785 S1TE01 Fl. 5 7 O último argumento, a respeito da quebra do sigilo bancário, também é infundado e impertinente, pois os lançamentos não foram feitos com base em depósitos bancários. A recorrente cita o seguinte trecho do TVF: Além disso, o contribuinte realizou expressiva movimentação financeira no mesmo período, conforme informado por instituições bancárias, totalizando, no anocalendário 2007, o valor de R$ 6.618.193,84 (seis milhões seiscentos e dezoito mil e cento e noventa e três reais e oitenta e quatro centavos). Nessa passagem, a fiscalização apenas justifica que utilizou a informação da movimentação financeira – frisese, a movimentação, ou seja, o volume de ingressos bancários e não os dados dos depósitos – como critério para seleção de contribuintes a serem fiscalizados. Os dados da movimentação são de posse da RFB, enviados pelos bancos sem requisição nenhuma, de modo que não pode haver quebra de sigilo pelo simples uso de uma informação interna pelo órgão. Por fim, esclareço que a recorrente elaborou quatro petições, uma para cada tributo (IRPJ, PIS, Cofins e CSLL) com idêntico teor, de modo que o presente voto se aplica a todas as exigências. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10940.903157/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 57 /2 00 9- 79 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 32782.26179.230806.1.7.040626, devido à inexistência de crédito de R$ 367,53 para efetuar a compensação pretendida de R$ 554,45, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903157/200979 Acórdão n.º 3801002.587 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.901452/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 14 52 /2 00 6- 86 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a titulo de contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no período de apuração de março de 2003, no valor de R$ 53.481,15, com débito da mesma exação, relativo ao período de apuração de junho de 2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pela não homologação da compensação declarada, (Despacho Decisório juntado aos autos, à folha 7), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOIVIP" Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade de folhas 8 e 9, na qual alega que, no ano de 2003 apresentou DCTF em valor superior ao devido, sendo compensado nos meses de abril, maio, junho e julho do mesmo ano. Informa que apresentou retificadora em 29 de fevereiro de 2008 e os DACON apresentados refletem o cálculo correto dos valores devidos.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário, onde os argumentos da inconformidade são reprisados. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do sintético relatório reproduzido acima, a controvérsia tratada no presente processo versa sobre a existência dos créditos alegados pelo Recorrente Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.901452/200686 Acórdão n.º 3302002.068 S3C3T2 Fl. 98 3 tendo em vista que as informações constantes da DCTF originalmente transmitida alocavam a totalidade dos pagamentos efetuados. A Recorrente, por sua vez, advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF retificadora transmitida em data posterior ao despacho decisório exarada pela DRF de Joinville. Entendo assistir razão ao Recorrente. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Joinville, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Veja que se indeferiu a solicitação apenas porque, antes do despacho decisório, não houve a retificação da declaração originalmente apresentada. Se esta tivesse ocorrido no momento que as autoridades julgadoras entendem por adequado, o crédito alegado pelo Recorrente teria sido analisado. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910778/2008-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 78 /2 00 8- 80 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 66): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/04/2002 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 76 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910778/200880 Acórdão n.º 3802002.023 S3TE02 Fl. 205 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 75), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 76). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910778/200880 Acórdão n.º 3802002.023 S3TE02 Fl. 206 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001935/2003-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
DCTF. Auditoria Interna
Os débitos apurados em auditoria interna de DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração. (IN SRF 45/1998 e IN SRF 77/1998).
Numero da decisão: 1801-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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AUDITORIA INTERNA Os débitos apurados em auditoria interna de DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração. (IN SRF 45/1998 e IN SRF 77/1998). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 8a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ que, por unanimidade de votos, manteve integralmente a exigência consubstanciada no auto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 19 35 /2 00 3- 94 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Por resumir muito bem os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJ: Trata o processo de auto de infração referente à DCTF do primeiro e segundo trimestres de 1998, lavrado pela então Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, (Defis/RJ), através do qual foi consubstanciada a exigência de CSLL, no valor de R$ 41.536,27, multa de 75% sobre ele incidente e juros de mora calculados até 30/06/2003. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, fls.19, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna da DCTF na qual foi apurada falta de recolhimento do IRPJ de janeiro, fevereiro e abril a junhode 1998, conforme anexo do auto de infração às fls.35. Inconformada com o lançamento, a Interessada apresentou a impugnação de fls.01, na qual alegou que os débitos foram compensados no âmbito do PA nº.10070.001830/9933. Consta nos autos que, em 20/07/2011 foi realizada revisão de lançamento, que concluiu que o PA nº.10070.001830/9933 referiuse a débitos dos anoscalendário de 1999 e 2000, conforme fls.40 e 41. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade às fls.53/73, alegando que: O recurso contra o decisum é o Recurso Voluntário eis que julgouse procedente o auto de infração lavrado contra ela; Seja suspensa a exigibilidade aos débitos objeto do Auto de Infração, nos termos do artigo 151, III, do CTN; Nulidade de Auto de Infração que cobra montante já confessado em DCTF; Nulidade da decisão recorrida por haver sido proferida por Autoridade incompetente; Os débitos cobrados haviam sido objeto de anterior compensação, estando, portanto extintos; Multa de ofício incompatível com os ditames legais. Ao apreciar o litígio a Turma Julgadora de 1a, instância consignou, inicialmente, que a exigibilidade do crédito tributário constituído neste processo estaria suspensa nos termos do art. 151,III do CTN e que o Recurso Voluntário somente é passível de apresentação contra decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento. Assim, a defesa apresentada teria a natureza de manifestação de inconformidade e assim seria conhecida. Também foi reconhecida a competência da autoridade que proferiu a decisão de revisão de ofício do lançamento. No mérito consignou que o auto de infração exige parcela não recolhida de CSLL que foi declarada em DCTF como vinculada à compensação, com fundamento nos artigos 2º., das Instruções Normativas nº 45 e 77, de 1998 e que os débitos cobrados no presente lançamento não foram objeto da compensação requerida no PA nº.10070.001830/99 33, às fls.44/45, convalidando, ainda, a multa de ofício exigida. Ao final a exigência foi considerada procedente. Intimada pessoalmente da decisão, em 03/11/2011, como demonstra a quota à fl. 102 do processo digital, apresentou a interessada, em 05/12/2011, recurso voluntário. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001935/200394 Acórdão n.º 1801001.804 S1TE01 Fl. 3 3 Nas razões de defesa aduz, inicialmente, em extenso arrazoado, que a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância teria sido proferida com ausência de fundamentação e que teria sido omissa no tocante às provas constituídas no presente processo administrativo e quanto à argüição de nulidade de decisão proferida por autoridade incompetente. Reproduziu os argumentos de defesa atinentes à nulidade da exigência por cobrar montante já declarado em DCTF, cuja quitação teria se dado via compensação tratada em processo anterior. Ao final pugnou pela decretação de nulidade da exigência, nulidade das decisões anteriores e total improcedência do lançamento. Fez sustentação oral pela recorrente, em plenário, a Dra. Georgeana Leal de Macedo Rezende, OAB/RJ nº 111.642. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade que reviu o lançamento pois, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal, o titular da unidade que promoveu a constituição do crédito tributário pode efetuar a sua revisão de ofício para que seja detectada qualquer irregularidade ou improcedência da exigência, evitandose assim que uma cobrança indevida prossiga administrativamente, gerando custos desnecessários tanto para a Fazenda como para o contribuinte. Contudo, no caso em apreço, ainda que tenha sido efetuada a revisão de ofício, nenhuma irregularidade foi detectada no lançamento, razão pela qual prosseguiuse na cobrança do crédito tributário constituído. Da mesma forma não procede a alegação de que a decisão da Turma Julgadora de 1a. instância tenha sido proferida por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa da contribuinte, pois naquele voto foram apreciadas todas as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, inclusive a respeito da alegada compensação, efetuada anteriormente, dos débitos exigidos no presente e sobre a sua anterior constituição, em DCTF. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJOI, da exigência formalizada pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que a infração praticada restou comprovada, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001935/200394 Acórdão n.º 1801001.804 S1TE01 Fl. 4 5 Assim, os atos praticados no presente processo revestiramse de todas as formalidades necessárias a sua validação, não se detectando qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, acima transcrito, uma vez que todos foram praticados por pessoa competente, garantido ao autuado o direito de defesa. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para nulidade de qualquer decisão. Quanto ao mérito cumpre reforçar que a antiga DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF 129/86, com periodicidade mensal. Na Declaração de Contribuições e Tributos Federais relativa a períodos de apuração até 12 de 1996, deveriam ser declarados os débitos apurados pela Pessoa Jurídica obrigada à sua apresentação. A partir de janeiro de 1997, e até dezembro de 1998, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais passou a ter sua periodicidade trimestral, com os trimestres encerrados a 31/03, 30/06, 30/09, e 31/12 do ano calendário correspondente. Naquela DCTF deveriam ser declaradas as informações relativas aos débitos de tributos e contribuições apurados pela Pessoa Jurídica no respectivo trimestre, bem como sobre os créditos a eles relacionados. Também deveriam constar da declaração as informações sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos, e compensações. Contudo, a partir de janeiro de 1999, a DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi extinta pela IN SRF 127/1998. Foi, então, criada pela IN SRF 126/1998, vigorando a partir de janeiro de 1999, a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Esta nova DCTF, com alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF 255/02, passou a ter periodicidade trimestral, e deve conter as informações relativas aos tributos e contribuições apurados pela Pessoa Jurídica no trimestre correspondente, assim como informações relativas aos pagamentos efetuados pela Pessoa Jurídica, relativos aos débitos nela declarados, bem como parcelamentos, informações sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações Nos anos de 1999 e 2000 os valores constantes da Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ – não mais configuravam confissão de dívida em relação ao Imposto e às contribuições. Somente até o ano de 1998, exercício de 1999, nessa declaração – DIPJ constava essa informação. A partir do ano calendário de 1999, deixou de ser declaração de dívida, passando a ter caráter meramente informativo. Com a extinção da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ) pelo artigo 6º da IN SRF nº 127, de 30/10/1998 e a criação da DCTF (art. 1º da IN SRF nº 126, de 30/10/98), a confissão de dívidas passou a ser feita apenas nas DCTFs. A IN SRF n º 45, de 1998, determinou os saldos a pagar de IRPJ e de CSLL declarados em DCTF fossem objeto de auditoria interna de DCTF e que, havendo qualquer Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 irregularidade, deveriam ser lavrados autos de infração para exigir o crédito tributário resultante dessa auditoria: IN SRF 45, de 1998: Art. 1ºAs Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2ºOs saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. IN SRF n º 127, de 1998: Art. 1ºFica instituída a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. ... Art. 6º Ficam extintas, a partir do exercício de 1999, observado o disposto nos § § 3º e 4º do artigo anterior I a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado; ... IV a Declaração de Contribuições e Tributos Federais; E ainda a IN SRF n º 126, de 1998: Art. 1ºFica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2ºA partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10070.001935/200394 Acórdão n.º 1801001.804 S1TE01 Fl. 5 7 § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores ... No caso em apreço a recorrente declarou na DCTF do anocalendário 1998, débitos de estimativa de CSLL apuradas como devidas nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e junho do anocalendário 1998 – código de receita 2484 – vinculandoos a quitação via pagamento, como consta das pesquisas às fls. 51 a 53 do processo digital. Tais débitos não foram vinculados a qualquer compensação. Como os pagamentos vinculados não foram confirmados nos sistemas internos da Receita Federal, procedeuse a auditoria interna da referida DCTF. Assim, é inverídica a afirmação que insiste em sustentar a defesa, de que os referidos débitos teriam sido quitados via compensação em outro processo administrativo. Há farta prova nos autos que demonstram, com clareza cristalina, que o PAF n º 10070.001830/9933, trata de compensação de débitos de IRPJ – balanço trimestral – do anocalendário 1999 e de débitos de CSLL – balanço trimestral –do anocalendário 1999 e 2000. Dito de forma direta. O PAF n º 10070.001830/9933 trata da compensação de débitos de IRPJ do 1o., 2o. 3o. e 4o. trimestres do anocalendário 1999 – código 3373 e débitos de CSLL do 1o., 2o.. 3o. trimestres do anocalendário 1999 e 1o. trimestre do ano calendário 2000 código 6012. É o que consta das pesquisas anexadas às fls. 54/55 do processo digital. Não há, pois, qualquer semelhança entre os débitos exigidos no auto de infração de que trata o presente processo, e aqueles tratados no PAF n º 10070.001830/9933, que diferem em espécie, código de receita, período de apuração e valor Assim, correta a constituição, via auto de infração, do crédito tributário representado pelos débitos de estimativa de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e junho de 1998, informados, inveridicamente, na DCTF auditada, como tendo sido quitados via pagamento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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