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Numero do processo: 10245.000409/2007-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO/OMISSÃO. DEFINIÇÃO.
A contradição/omissão que enseja embargos declaratórios é aquela que se verifica entre os fundamentos e a conclusão do acórdão. Não é este o caso quando o embargante manifesta divergência quanto à valoração dos fatos pela decisão embargada.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2801-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada (Relator) que votou por acolher os Embargos de Declaração. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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CONTRADIÇÃO/OMISSÃO. DEFINIÇÃO. A contradição/omissão que enseja embargos declaratórios é aquela que se verifica entre os fundamentos e a conclusão do acórdão. Não é este o caso quando o embargante manifesta divergência quanto à valoração dos fatos pela decisão embargada. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada (Relator) que votou por acolher os Embargos de Declaração. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 04 09 /2 00 7- 91 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 102 2 Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 05/02/2007, a Notificação de Lançamento nº 2005/602405058943049, de fls. 35/40, pela qual se constituiu crédito tributário no montante de R$ 29.868,53 a título de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas – IRPF, do exercício de 2005, ano calendário de 2004. Observase, no demonstrativo do crédito tributário, que existiam duas exigências distintas: Imposto de Renda Pessoa Física – suplementar (cód. 2904), no valor de R$ 496,20, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 372,15 e mais juros de mora, e Imposto de Renda Pessoa Física (cód. 0211) no valor de R$ 19.469,82, sujeito à multa e juros de mora. O enquadramento legal e a descrição detalhada dos fatos encontramse nas fl. 37/38. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação à DRJ, em 1ª instância, que, conhecendoa, assim discorreu sobre a mesma, em seu Relatório: Cientificado do lançamento em 13/02/2b07 (fl. 37), o interessado apresentou tempestivamente, em 13/03/2007, a impugnação: de fls. 02/03, juntando os documentos anexados.às fls. 04/27, de onde se destaca as seguintes alegações: a) Que, os valores declarados como rendimento recebido de pessoa jurídica no montante de R$ 136.444,56 é o que consta do comprovante de rendimento. O que comprova que não houve má fé nem intenção deliberada em omitir rendimentos; b) Que 'somente recentemente tomou conhecimento que o rendimento do anocalendário de 2004 efetivamente foi: no montante de R$ 138.248,38; c) Que, teve julgada como procedente uma ação trabalhista intentada contra o Banco do Brasil (...) a atualização das verbas devidas importava em R$ 91.386,94, tendo sido liberada na condição de crédito líquido do reclamante a quantia de R$ 71.652,05. Que o IRRF foi devidamente retido e recolhido conforme decisão Judicial e DARF, no valor;de R$ 19.470,88; d) Que,'por esquecimento, os honorários advocatícios pagos no valor de R$ 13.690,00, em razão da sobredita reclamação trabalhista, não foram informados na DIRPF e, assim, não foram deduzidos dos rendimentos tributáveis. No voto condutor do Acórdão, assim escreveu a autoridade julgadora a quo: “Relativamente a glosa do IRRF, verificase que o documento, fl. 25, trazido aos autos pelo impugnante comprova que houve retenção na fonte de imposto de renda no valor de R$ 19.470,88, em função de processo de ação trabalhista. Portanto, devese reformar o lançamento referente a essa parte.(grifei). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 103 3 Com relação a omissão de rendimentos, verificouse nos sistemas da RFB que a fonte pagadora de CNPJ n° 00.394.494/002503 apresentou DIRF retificadora alterando o valor dos rendimentos do contribuinte de R$ 136.444,58 para 138.248,38. Portanto, o lançamento deve ser mantido relativamente a essa parte.(grifei) No que tange,a solicitação do sujeito passivo para que seja deduzido o valor de R$ 13.690,00 a título de horários advocatícios, em que pese o mesmo ter feito parte de uma 'ação trabalhista, tal solicitação não pode ser atendida, haja vista que aceitar tal dedução seria admitir a retificação da DIRPF após o início da ação fiscal, o que é incabível.(sublinhei) Desta feita, considero comprovado o valor de R$ 19.470,88 a título de imposto de renda retido na fonte, devendo a declaração de ajuste anual do contribuinte ser alterada...” Assim sendo, deuse o Acórdão de 1ª instância, do qual foi cientificado em 01/10/2009, “... pela procedência parcial da impugnação, resultando como imposto suplementar o valor de R$ 496,20, a ser acrescido de multa e juros.” Inconformado, apresentou recurso voluntário em 30/10/2009. Em sede de recurso, o recorrente aduz, em síntese, que: Não houve explicação para a parte do Acórdão de 1ª instância que indeferiu sua pretensão de ter restituído o valor de R$ 13.690,00, pago a título de “honorários advocatícios” em ação trabalhista da qual obteve rendimentos declarados como tributáveis; Entende que efetuou um “pagamento a maior por erro”, ao não excluir essa parcela em sua Declaração de Ajuste, sendo seu direito reaver a quantia paga indevidamente; Alicerça suas alegações na Lei nº 9.784/1999, quando à necessidade de motivação dos atos administrativos e quanto a princípios a serem observados pela Administração, e no CTN Código Tributário Nacional, art. 165; Cita decisões de DRJ que reconhecem o direito de dedução de despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos. Em Sessão de 20 de janeiro de 2012, esta 1ª Turma Especial proferiu o Acórdão 2801002.189, cuja ementa foi a seguinte: AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Do valor recebido em ação judicial, podem ser deduzidas as despesas judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive com honorários advocatícios e periciais, quando pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso Voluntário Provido. Na conclusão de seu Voto, que conduziu o Acórdão citado, o Relator manifestou que: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 104 4 “Examinandose os documentos referentes à citada ação judicial trabalhista, bem como os recibos anexados às fls. 05 e 06 do presente processo, concluise que foi pago pelo recorrente o valor total de R$ 13.690,00 (R$ 6.845,00 x 02) aos dois advogados que atuaram como patronos da causa (Ação nº 00977/199602124008 – 1a Vara do Trabalho de Dourados/MS). Deste modo, conforme pleiteado, esses honorários devem ser excluídos dos rendimentos tributáveis considerados no lançamento. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no total de R$ 13.690,00, valor a ser deduzido dos rendimentos tributáveis que compuseram a base de cálculo lançada.” Cientificada da Decisão, a Procuradora da Fazenda Nacional, credenciada junto a esta Seção de Julgamento, opôs Embargos de Declaração, com lastro no art. 65 do Regimento Interno deste CARF. Alega a nobre Procuradora, em suma, que (grifo original): “Não tem cabimento pretender, nos autos do presente processo administrativo fiscal, deferir a dedução de honorários advocatícios, na medida em que esta não constitui o objeto da demanda em análise.” (...) “Diante disso, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração a fim de sanar a omissão/contradição entre a matéria objeto do lançamento e o julgado, no sentido de restringir o mérito do julgamento à lide definida no auto de infração.” Em 20 de dezembro de 2012, em “Exame de Admissibilidade” dos Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Especial acolheuos, nos seguintes termos: “Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que, de fato, verificase o vício apontado, eis que, na decisão embargada não há informações claras acerca de quais valores foram objeto da omissão de rendimentos indicado no lançamento, e ainda, quanto à possibilidade ou não de se acolher o pleito de dedução formulado pelo contribuinte em relação especificamente aos rendimentos declarados como recebidos em decorrência de ação judicial, já que estes não foram alterados pelo lançamento.”(grifo original) É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 105 5 Os Embargos já foram tidos por tempestivos e com condições de admissibilidade. Preliminarmente, entendo que à “matéria posta em discussão”, que se subsume a pedido de restituição/compensação de importância que, no entender do Recorrente, foi indevidamente incluída em sua DIRPF, e que não foi objeto de lançamento de ofício, não se aplica a hipótese de sobrestamento do julgamento deste recurso, com base na inteligência dos §§ 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, observada a decisão da Corte Suprema, no RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 divulg. 03/03/2011, que determinou o sobrestamento do julgamento das questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até o julgamento final por aquele Tribunal Maior. A controvérsia que dizia respeito ao imposto retido em função de rendimentos recebidos acumuladamente em ação trabalhista, recolhido no mês em que foram disponibilizadas as importâncias ao contribuinte, já foi apreciada e resolvida em 1ª Instância, como se observa no Voto do Acórdão recorrido e, no meu entender, não chega a esta instância recursal. MÉRITO. À luz da melhor doutrina pátria, o processo civil, na linha do qual se encontra o processo administrativo fiscal, é um método de composição dos litígios, usado pelo Estado para cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto e mediato de pacificação e paz social. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. No dizer de Humberto Theodoro Júnior, “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Ainda, conforme artigo 33 do mesmo Decreto, da decisão de 1ª instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A discussão, portanto, deve cingirse à inconformidade do contribuinte quanto à Notificação de Lançamento lavrada por Autoridade Fiscal, que se encontra anexada ao processo, e na parte em que lhe foi desfavorável a decisão de 1ª instância. Desta feita, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 106 6 quanto ao pedido para que seja determinado, em sede de recurso voluntário, “a restituição de valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte”, entendo inteiramente impróprios a via e o momento processual. Na época da apresentação do Recurso estava em vigor a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (Disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,...), hoje revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 que, na linha do dispositivo do CTN que cita o recorrente, assim dispõe: “Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; ou III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 3 º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Dentro de suas competências, a RFB assim estabeleceu, para dar efetividade às normas, ao aprovar o Programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP 4.5). O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, SUBSTITUTO , no uso das atribuições ...., RESOLVE: Art. 1º Fica aprovado o Programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação, versão 4.5 (PER/DCOMP 4.5). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 107 7 Parágrafo único. O programa a que se refere o caput, de livre reprodução, e o arquivo para atualização de suas tabelas estarão disponíveis para download no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. (grifei) Art. 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor em 9 de março de 2011. Art. 3º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.108, de 24 de dezembro de 2010. Assim, para prezar pelos princípios Constitucionais e legais que levantou, com correção, o Recorrente, é necessário que haja disciplina e ‘formas’, sob pena de se criarem procedimentos de exceção e assim se ferirem outros princípios fundamentais como a isonomia e a legalidade. Comentando a aplicação da legislação tributária, LEANDRO PAULSEN transcreve o seguinte: “A praticabilidade, também conhecida como praticidade, pragmatismo ou factibilidade, pode ser traduzida, em sua acepção jurídica, no conjunto de técnicas que visam a viabilizar a adequada execução do ordenamento jurídico. (...) O princípio da praticabilidade tributária constitui limite objetivo destinado à realização de diversos valores, podendo ser apresentado com a seguinte formulação: as leis tributárias devem ser exeqüíveis, propiciando o atingimento dos fins de interesse público por elas objetivado (...) Em conseqüência, os atos estatais de aplicação de tais leis administrativos e jurisdicionais – ficam jungidos aos ditames da praticabilidade, de modo a não frustrar a finalidade pública estampada na lei....” (COSTA. Regina Helena. Praticabilidade e Justiça Tributária. Malheiros, 2007, p. 388/390 apud PAUSEN. Leandro, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário, 15ª ed. ESMAFE, 2013, p. 896/7) Portanto, o processo administrativo fiscal, regulamentado pelo Decreto nº 70.235/1972, cuja fase litigiosa do procedimento surge a partir das matérias questionadas pelo contribuinte, em decorrência de ter sofrido exigência fiscal, por lançamento de ofício, não é a via hábil para pedir/reconhecer restituição/compensação de outros valores, que entende o recorrente serem indevidos e que “por erro” próprio fez constar na apuração de sua declaração de ajuste anual. Não é permitido ao julgador aumentar a exigência tributária que consta da Notificação de Lançamento, assim como também não o é exonerar o contribuinte de valores superiores aos que dela constam. Alertese, todavia, para os prazos determinados pelo artigo 168 do CTN, com as inovações normativas trazidas pela Lei Complementar nº 118/2005. CONCLUSÃO Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 108 8 O recurso administrativo ao CARF, em processo fiscal, não é via hábil para se requerer e se reconhecer a restituição/compensação de parcelas de tributos administrados pela RFB que não foram objeto de Notificação de Lançamento que aqui se discute e sobre a qual se instaurou a controvérsia, pelas razões aqui declinadas. Desta feita, voto no sentido de dar provimento aos Embargos da Fazenda Nacional, reformandose o decidido no Acórdão embargado, para não acatar a dedução pleiteada pelo contribuinte, em relação aos honorários advocatícios pagos em ação judicial, no total de R$ 13.690,00. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 109 9 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, permitome divergir de seu voto no que tange ao acolhimento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em que pese o Sr. Presidente da 1ª Turma Especial/2ª Seção do CARF ter acolhido os embargos e determinado a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado (fl.98), em exame preliminar de admissibilidade. Como se colhe do relatório, a Fazenda Nacional aponta como contradição/omissão do acórdão embargado o fato de a Turma Julgadora ter decidido por dar provimento ao recurso para acatar a dedução pleiteada a título de honorários advocatícios no total de R$ 13.690,00, defendendo que este não seria o momento oportuno para tanto, vez que o lançamento trata tãosomente de omissão de rendimentos decorrente de valores recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de IRRF. Conclui que não caberia pretender, nos autos do presente processo administrativo fiscal, deferir a dedução de honorários advocatícios, na medida em que esta não constitui o objeto da demanda em análise. Pois bem, o Regimento Interno do CARF, no seu artigo 65 prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Ora, neste caso, independentemente do mérito da questão suscitada pela Fazenda Nacional, não me parece que o fato constitua contradição/omissão a ser sanada pela via dos embargos declaratórios. Como está claro no dispositivo acima referido, a contradição/omissão que enseja os embargos deve se dá entre a decisão e os fundamentos do acórdão. E, neste caso, não se verifica tal contradição/omissão. Ao contrário, há uma clara coerência entre os fundamentos e a conclusão do acórdão quanto ao ponto aqui questionado. Não vislumbro, portanto, no presente caso, a alegada contradição/omissão, razão pela qual rejeito os presentes embargos. Apenas a título de esclarecimento, registro que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado para apresentar Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente, planilha das verbas, contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, Guia de Levantamento, DARF do Recolhimento do IRRF, e Recibos dos Honorários Advocatícios e/ou Periciais, haja vista o Termo de Intimação, à fl. 81. Portanto, quanto aos honorários advocatícios, não há que se falar em matéria estranha à lide, mormente em prestígio ao princípio da verdade material. Diante do acima exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos declaratórios. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10245.000409/200791 Acórdão n.º 2801003.140 S2TE01 Fl. 110 10 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 10935.002383/2010-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DCTF RETIFICADORA.
A legislação não estabelece a necessidade de intimação para a apresentação de DCTF retificadora no início dos procedimentos fiscais deflagrados.
PARCELAMENTO DO DÉBITO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o efetivo parcelamento da divida cobrada anteriormente à lavratura do Auto de Infração, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer-se a sua improcedência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar..
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DCTF RETIFICADORA. A legislação não estabelece a necessidade de intimação para a apresentação de DCTF retificadora no início dos procedimentos fiscais deflagrados. PARCELAMENTO DO DÉBITO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o efetivo parcelamento da divida cobrada anteriormente à lavratura do Auto de Infração, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecerse a sua improcedência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 23 83 /2 01 0- 43 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 157 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 72), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 3640, lavrado contra a contribuinte em epígrafe para exigência de crédito tributário do Imposto sobre a Renda na Fonte IRRF, no importe de R$ 162.618,80, acrescido de multa de oficio e juros de mora. O fato gerador do imposto ocorreu em 31/12/2007 e decorre da falta de recolhimento de IRF sobre juros pagos ou creditados sobre capital próprio 2. A base legal para a exigência são os artigos 9°, § 2' da Lei n° 9.249, de 1995, 9° da Lei n° 10.426, de 2002, 668, 717, 726 e 841, incisos IV e V do Decreto 3.000 de 1999 e artigos 2° e 9 0, inciso II da In SRF n° 695, de 2006. 0 cálculo da multa de oficio obedece ao disposto no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n" 11.488, de 15/06/2007. 3. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 39, o lançamento decorre de revisão de declarações, que apurou inconsistências entre os valores informados na Declaração do Imposto Retido na Fonte — DIRF, referente ao anocalendário de 2007, e os valores informados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, antes do inicio da presente ação fiscal (fls. 26 30) ou recolhidos à Fazenda Pública. 4. Intimado a prestar esclarecimentos em relação às inconsistências apuradas, conforme item 5 do Termo de Intimação (fl.2), declarou que teria pago juros sobre o capital próprio aos sócios no anocalendário de 2007 e que o IRRF não foi declarado em DCTF e não foi pago nas datas de vencimento, em virtude da situação financeira da empresa e que teria optado pelo parcelamento especial da Lei no 11.941, de 2009, estando no aguardo da consolidação dos débitos (fls. 6 c7). Além destas informações, entregou DCTF retificadora referente ao 2 semestre de 2007, reconhecendo o débito tributário apurado. 5. A autoridade fiscal ainda explicou que: os valores declarados pelo contribuinte por meio de DCTF retificadora referente ao 2 semestre de 2007, entregue após o inicio da ação fiscal (fls. 34 e 35), o que ocorreu em 23/03/2010, por meio da recepção do Termo de Intimação por via postal, conforme aviso de recebimento — AR de fl. 3, não foram considerados na apuração Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 158 3 das diferenças, haja vista que tais declarações não geram efeitos, conforme disposto inciso III do § 2° do artigo 12 da IN SRF n°695/2006. 6. Cientificado em 22/04/2010, apresentou a impugnação de fls. 4458, onde inicialmente afirma ter ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa, por afronta ao disposto no artigo 10 da IN SRF no 583, de 2005 e IN SRF n" 695, de 2006. Segundo defende, o mencionado artigo 10 determina que: verificada qualquer irregularidade nas declarações apresentadas pelo contribuinte e ou que tenha ele deixado de apresentar, deverá ser intimado para apresentar a DCTF original, no prazo fixado, ou com as retificações necessárias. Afirma não ter sido intimada, bem como a autoridade fiscal ter desconsiderado a DCTF retificadora, apresentada antes da lavratura da exigência. Sustenta que, em não tendo ocorrido o lançamento, não poderia o fiscal desconsiderar a retificação da DCTF, por afronta ao disposto no artigo 10 da IN SRF no 583/2005 e, ao artigo 5°, LV da Constituição Federal. E mais, tendo sido retificada a DCTF a autuação não pode prosperar, face da denúncia espontânea. 7. Adentrando ao mérito, pede a insubsistência da autuação por ter restado caracterizada a denuncia espontânea, o que constitui excludente de responsabilidade e veda a imposição da multa de oficio. Alega que a simples existência de dispositivo prevendo a aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF, não é suficiente para que sua exigência seja válida. Invoca ofensa a princípios constitucionais e pede a revisão do lançamento em face da proibição de confisco prevista no artigo 150, inciso IV da Carta Maior.Invoca o instituto do bis in idem, em face da exigência cumulativa da multa de oficio, bem como da multa isolada. 8. Afirma que optou pelo parcelamento especial da Lei no 11.941/2009, em 16/09/2009 e, que tem efetuado o pagamento das parcelas mensais, com pontualidade, obrigatoriedade esta instituída pela própria lei, razão pela qual não pode prosperar o auto de infração. Entende que a suspensão da exigibilidade via parcelamento afasta a inadimplência, devendo portanto ser considerada em situação regular e, para dar suporte aos seus argumentos, transcreve jurisprudência sobre o assunto. 9. Ao final requer: i) que seja acolhida a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, determinadose a conversão do processo em diligência para a exclusão das multas, diante da caracterização da denúncia espontânea exercida opportuno tempore, com a regular situação contábil na declaração da declaração da DIPJ, bem como da retificação da DCTF; ii) que seja acolhida e caracterizada a denúncia espontânea, excludente da aplicação das multas punitivas c juros de mora, bem como sejam consideradas as multas aplicadas desproporcionais com efeito de confisco; iii) que seja reconhecida a aplicação de multa cumulativa como caracterização de bis in idem, determinandose por conseqüência a exclusão das mesmas e; iv) ao final, que seja julgada improcedente a autuação e determinada a suspensão do Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 159 4 crédito, nos termos do artigo 151, inciso VI do CTN, uma vez que aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei n° 11.941, de 2009, onde os débitos correlatos ao presente lançamento são objeto de parcelamento, aguardando apenas a consolidação dos mesmos. 10. Juntou os documentos de fls. 5970, representados por cópia do Contrato Social e os Recibos do Pedido de Parcelamento n° 00084999899119176930, 00084999899119176920, 00084999899119176900 e, 00084999899119176890, datados de 16/09/2009, 11:45:42 (horário de Brasília). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: IRRF. Confronto DIRF X DCTF. É devido pela fonte pagadora o imposto de renda informado cm DIRF que não tenha sido recolhido e nem declarado em DCTF. Para se comprovar o efetivo parcelamento da divida o correspondente pedido de parcelamento deve vir acompanhado do respectivo demonstrativo de débitos. Ademais, o parcelamento de que trata a Lei n° 11.941, de 2009, é condicionado ã confissão dos respectivos débitos por meio da apresentação de declaração especifica e/ou à desistência expressa de eventual impugnação e/ou recurso administrativo, no prazo legal, requisitos os quais não se logrou demonstrar no presente caso. PERDA DA ESPONTANEIDADE. DCTF RETIFICADORA INEFICÁCIA DE SEUS EFEITOS. A ciência de intimação que determina o inicio de procedimento de fiscalização resulta em excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, mudança do regime de tributação, ao períodobase e à matéria contemplada na ação fiscal, obstando o exercício da retificação de declarações por iniciativa do contribuinte, assim, tornando plenamente ineficaz para fins legais a transmissão extemporânea de DCTF retificadora promovida nestas condições. Cientificada em 07/12/2010 (Fls. 80 verso), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/12/2010 (fls. 81 a 95); argumentando em síntese: (...) 2. Preliminarmente. DO CERCEAMENTO DE DEFESA, NOS TERMOS DO ART. 10 DA IN 583/2005 E 695/2006. De inicio, verificase que, houve cerceamento de defesa, do contribuinte, pois a IN 583/2005 e 695/2006, em seu artigo, 10, determina que, verificada, qualquer irregularidade nas declarações apresentadas pelo contribuinte e ou que tenha ele Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 160 5 deixado de apresentar este será intimado para que apresente a DCTF original, no prazo fixado, ou com as retificações necessárias. (...) A autuada, não foi intimada da forma como preceitua o citado artigo 10 da IN 583/2005, fato que por si, já caracteriza o cerceamento de defesa da empresa Autuada. Quiçá, foi considerada a DCTF retificadora entregue, antes mesmo do procedimento administrativo, que levou a lavratura do presente AIIM. (...) 3 PELA INSUBSISTÊNCIA DA PRESENTE AUTUAÇÃO. DA DENUNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. DA EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Como já asseverado alhures a autuada já havia apresentado os valores corretamente em sua Declaração de Informações Econômicofiscal de Pessoa Jurídica DIPJ, bem como a correta contabilização, e ainda, esta pagando o referido tributo conforme determinações da lei n° 11.941/2009, tudo devidamente registrado e empreendeu a retificação da DCTF, muito antes da lavratura do AIT, ou seja, a retificação se deu aos 23/03/2010, e a autuação fiscal se deu aos 23/04/2010, portanto anterior ao lançamento que deu origem ao fato gerador, o que caracteriza a espontaneidade, prevista no artigo 138 do CTN. (...) O ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais, não é menos verdade que este mesmo ato deverá ante de mais nada, observar as normas e os princípios constitucionais vigentes. Um dos mais importantes princípios constitucionais é o principio da proporcionalidade. Apesar de não estar descrito de forma direta no texto constitucional, tal principio considerado por Humberto Ávila como um meta principio (postulado), a se espraiar por toda a Constituição Federal decorre da própria idéia do Estado de direito, previsto no art.1° da CF/88. (...) Na hipótese dos autos estamos aqui tratando da aplicação de duas multas de oficio cumulativamente, por ter a Autuada entregue a DCTF com algumas incorreções, ocorre que essas correções foram efetivadas a tempo como acima já demonstrado, e também porque o contribuinte aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei n°. 11.941/2009, o que por si já afasta a aplicação da multa de oficio aplicada. (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 161 6 4 DO BIS IN IDEM. (...) Notadamente que a multa aplicada, foi sobre o mesmo fato, ou melhor, ato praticado, não havendo destarte como admitir no presente caso a aplicação cumulativa de duas multas, sobre o mesmo fato (ato praticado) e sobre o montante do tributo a recolher. Propugnase pois, seja acolhida a proibição cumulativa das multas de oficio aplicadas, pois foram • aplicadas em total descompasso com a lei, ferindo o principio legal da proibição de bis in iden. 5 DO PARCELAMENTO DO DÉBITO. DA DENUNCIA ESPONTÂNEA. (...) A autuada empreendeu pelo Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009, aos 16/09/2009, cf. comprovam os (doc. 02) em anexo, portanto muito antes de qualquer procedimento fiscal, aguardando a consolidação de tais débitos, do que como corolário, vem efetuando o pagamento das parcelas mensais, com pontualidade obrigatoriedade esta instituída na mesma Lei, bem como indicou os débitos em tempo oportuno, conforme pode ser constatado nos documentos anexos. Notadamente, que além de uma vez mais, restar caracterizada a espontaneidade, é fator determinante para que seja considerada a DCTF retificadora, excludente das multas de oficio, tudo sob pena de cerceamento de defesa. De outro lado, não podemos deixar de considerar, que tendo a empresa autuada optado pelo parcelamento do debito, em epígrafe, não poderia, ter sido lavrado contra si a presente autuação, com espeque no artigo 151VI, do CTN. A suspensão da exigibilidade do credito tributário veda a cobrança do respectivo montante do contribuinte, bem como a oposição do crédito ao mesmo. A suspensão da exigibilidade afasta a situação de inadimplência, devendo, pois o contribuinte ser considerado em situação regular. Em 23/01/2013 (Fls.113 a 132) a Contribuinte fez a juntada de Memoriais de Julgamento, anexando ao mesmo, com fulcro nos incisos “a”, “b”, e “c” do § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/1972, os seguintes documentos:. a) Recibo de Consolidação do Parcelamento da Lei 11.941/2009 b) Extrato Atualizado do Parcelamento da Lei 11.941/2009 É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 162 7 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em preliminar, pede a contribuinte que se declare a nulidade do lançamento em virtude de um possível cerceamento ao seu direito de defesa. Segundo a contribuinte a fiscalização não a intimou para apresentar a DCTF original “ou com as retificações necessárias”, como estaria estabelecido em Instruções Normativas. Contudo as Instruções Normativas relacionadas pela contribuinte determinam apenas que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos. Ora, no caso em tela, como a empresa já havia apresentado a DCTF, não era o caso de se exigir a apresentação de declaração original, mas sim, simplesmente, de se exigir a prestação de esclarecimentos. Tal intimação para a prestação de esclarecimentos foi corretamente realizada pela fiscalização. Deste modo, entendo que o cerceamento do direito de defesa alegado pela contribuinte não restou configurado. No mérito a contribuinte não nega o fato gerador do IRRF; alegando apenas que teria parcelado o tributo em tela no parcelamento estipulado na Lei 11.941/2009, e que teria apresentado DCTF retificadora em 2010, antes do lançamento. Ainda segundo a contribuinte tais fatos impediriam o lançamento, ou, no mínimo configurariam o instituto da denuncia espontânea; o que levaria a exclusão da multa de ofício do lançamento. O argumento de apresentação de DCTF retificadora não ampara a contribuinte. É que a DCTF retificadora foi entregue pela contribuinte após o início do procedimento fiscal; o que excluiria a sua espontaneidade, na forma do parágrafo único do artigo 138 do CTN, combinado com o art. 7 do Decreto 70.235/1972: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 163 8 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ___________________________ Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Assim, correto foi o procedimento da fiscalização em desconsiderar a DCTF retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal. Quanto a alegação da contribuinte de que o débito em tela estaria incluído no parcelamento disciplinado pela lei 11.941/2009 e analisando os documentos juntados ao processo, não restam dúvidas quanto à veracidade das informações. De fato, segundo a documentação acostada, verifico que o único débito objeto deste lançamento, que é o débito de IRRF, referente a dezembro de 2007, saldo originário de R$162.618,82, encontrase incluído no demonstrativo de consolidação de 16/09/2009; data esta anterior ao início do procedimento fiscal. Nesse sentido, sendo certo que o parcelamento de débitos é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional, e levandose em consideração que o mesmo deuse anteriormente à lavratura do Auto de Infração impugnado, percebese sua absoluta improcedência. Ademais, entendo que, com a confissão e parcelamento, o crédito tributário já estava definitivamente lançado, não havendo mais a necessidade de lançamento de ofício através de auto de infração. Por fim, deixo de apreciar as alegações relativas a aplicação de multa isolada de 50% em razão de tal multa não constar no lançamento objeto do presente processo administrativo. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, rejeito a preliminar alegada, e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10935.002383/201043 Acórdão n.º 2801003.048 S2TE01 Fl. 164 9 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11060.903940/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO DÉBITO.
Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação).
Numero da decisão: 3802-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO DÉBITO. Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 39 40 /2 00 9- 19 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1528.614, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fatos ocorridos nos presentes autos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tomase de empréstimo o relatório formulado pelo julgador a quo: “A interessada transmitiu em 12/12/2006 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar crédito no valor original de R$3.534,20 do DARF da Cofins relativo a janeiro de 2004, no valor total de R$11.614,59, na compensação de débito declarado. A DRF/Santa Maria emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação sob o argumento de que o pagamento estava alocado ao débito da Cofins do PA 31/01/2004. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade informando a retificação da DCTF em 09/07/2009, por ter sido preenchida incorretamente, conforme DIPJ/2005, também entregue na mesma data.” Ante as alegações do sujeito passivo e da documentação carreada aos autos, a autoridade julgadora de 1ª instância achou por bem negar provimento à pretensão da contribuinte, sintetizando suas razões na forma da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/12/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifiquem a alteração dos valores registrados em DCTF. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11060.903940/200919 Acórdão n.º 3802001.708 S3TE02 Fl. 112 3 Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando não comprovado o crédito objeto do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Para a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR, as modificações efetuadas pela contribuinte na DCTF retificadora, quanto às informações antes prestadas, não tem o condão de tornar irregular a decisão administrativa que se pretende ver reformada. Ademais, além da apresentação da DCTF retificadora após o Despacho Decisório, verificase que inexistem nos autos provas do crédito indicado no PER/DCOMP. Não se conformando com a decisão em comento, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual alega que “os referidos autos de infrações foram lançados de ofício, não dando a oportunidade para a Empresa justificar junto ao Órgão competente ou até mesmo proceder à retificação das informações registradas incorretamente nas DCTF´s, referentes ao exercício de 2004”. Acrescenta ainda que “na análise da decisão que enseja o presente recurso, podemos evidenciar que tal fato não é relevado pelos julgadores, deixando de declarar o direito do contribuinte em poder, no mínimo, retificar as informações eventualmente lançadas como incorretas na DCTF´s. Não disponibilizar a presente possibilidade de retificação bem como lançar de ofício os autos de infrações cerceia o direito do contribuinte em reparar eventual equívoco previsto legalmente, haja vista entender ser ato arbitrário do órgão administrativo”. Finaliza sua defesa afirmando que “não prospera a alegação de que a DCTF retificadora não está cercada de legalidade e dentro do procedimento correto por ter sido transmitida após despacho decisório. Assim sendo, não está eivada de nenhum vício.”. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Inicialmente, é forçoso mencionar que, ao contrário das afirmações tecidas pela Recorrente, a glosa de compensação efetuada nos presentes autos não tem o condão de constituir o crédito tributário correlato. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O Despacho Decisório que denega a declaração de compensação não se presta para constituição do crédito tributário, o que se dá por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, conforme disposto nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, não se confundindo um procedimento com o outro. Dito isto, importante esclarecer que o crédito alegado pela recorrente teria origem no suposto pagamento a maior de Cofins ocorrido em 13/02/2004 no valor de R$11.614,59, sendo R$6.825,02 deste total, indevidos. A Recorrente pretendeu se utilizar de R$3.534,20 da parcela supostamente recolhida indevidamente para compensação com débito declarado. Isto porque, de acordo com a informação veiculada pela interessada através de DCTF retificadora, o montante devido a título de Cofins seria de R$4.789,57 e não de R$11.614,59, como originalmente declarado. Ocorre que, além de ter enviado a DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documentação que comprovasse o pagamento a maior ou sequer demonstrou as razões de direito para a redução do débito. Releva notar que a DIPJ é declaração de caráter meramente informativo, não se prestando para que o contribuinte confesse a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Assim, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam se a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contratrio sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11060.903940/200919 Acórdão n.º 3802001.708 S3TE02 Fl. 113 5 Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Insta salientar que a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é bastante para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor da Cofins era efetivamente o devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que isso aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo da Cofins declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo. Assim sendo, não há fundamentos para a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003980/95-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1990 a 02/04/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO. PROVIMENTO.
Conheço dos embargos de declaração e dou-lhes provimento para retificar a parte do acórdão embargado onde constava Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 2 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavam-se no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa para que passe a constar o quanto segue: Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 5 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavam-se no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9303-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1990 a 02/04/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO. PROVIMENTO. Conheço dos embargos de declaração e dou-lhes provimento para retificar a parte do acórdão embargado onde constava Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 2 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavam-se no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa para que passe a constar o quanto segue: Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 5 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavam-se no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa. Embargos acolhidos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1990 a 02/04/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO. PROVIMENTO. Conheço dos embargos de declaração e doulhes provimento para retificar a parte do acórdão embargado onde constava “Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 2 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavamse no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa” para que passe a constar o quanto segue: “Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 5 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavamse no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa.” Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 39 80 /9 5- 83 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre – RS contra o acórdão CSRF/0305.205, o qual por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir: “IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. As embalagens que continham gargalo, mesmo que caracterizadas como destinadas a produtos alimentícios ou farmacêuticos, classificavamse no código TIPI/88 3923.30.0000, de garrafões, garrafas, frascos e artigos semelhantes e não nos códigos 3923.90.9901, relativo a embalagens para produtos alimentícios e 3923.90.9902, de embalagens para produtos farmacÊuticos. As embalagens que não se classificavam nas subposições anteriores à 3923.90 e que tinham características que permitiam identificá las como destinadas para produtos alimentícios e produtos farmacêuticos classificavamse, respectivamente, nos códigos 3923.90.9901 e 3923.90.9902. Recurso especial provido em parte.” Aludido acórdão respaldou o entendimento de que a existência ou não de gargalo nas embalagens objeto da autuação seria determinante para fins da classificação fiscal adotada para cada uma delas. Assim, havendo gargalo, o código correto seria o adotado pela fiscalização, qual seja, o 3923.30.0000, mantendose a exigência fiscal e, não havendo gargalo, os códigos corretos seriam os adotados pelo contribuinte, quais sejam, 3923.90.9901 e 3923.90.9902, excluindose a exigência fiscal. O recurso especial da Fazenda Nacional versava sobre 14 tipos de embalagens, para as quais foi possível, no decorrer do trânsito do processo, esclarecer a situação relativa aos gargalos somente no caso de 7 delas. As outras 7 embalagens, pelo fato de não ter sido comprovada a característica de ter ou não gargalo, foram excluídas, de plano, da autuação pelo acórdão em referência. Segundo o acórdão ora embargado, “o laudo da Fundação de Ciência e Tecnologia – CIENTEC acostado às fls. 253 pela recorrente demonstra que, dos 8 produtos que a empresa apresentou amostras, somente 2 continham gargalo: a embalagem 5, própria para acondicionamento de óleos vegetais fabricada para a empresa Swifell Food Ind. E Com. Representações e a 8, própria para acondicionamento de essência de vida olina, cujo cliente era o Laboratório Wesp Ltda.” Fl. 607DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA Processo nº 11080.003980/9583 Acórdão n.º 9303002.316 CSRFT3 Fl. 588 3 Complementou, ainda, que “a autuação e o recurso especial não merecem prosperar quanto aos outros produtos constantes do laudo de fls. 253/254, que não apresentam gargalo: embalagens 2 e 3 (para produtos alimentícios da marca Goodie (cliente SANBRA S/A)), 4 (para produtos alimentícios da marca Gourmet (cliente Indústrias Gessy Lever LTDA), 6 (para temperos (cliente Azevedo Bento S/A – Comércio e Indústria) e 7 (para cápsulas (cliente Laboratório Farmaervas LTDA)). Reitero que o acórdão, na parte em que negou provimento ao recurso de ofício, relativo à embalagem de nº 1, não foi objeto do recurso especial”. Ocorre que, na parte dispositiva do voto, restouse estabelecido que “em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 2 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavamse no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa” Intimado do referido acórdão, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre opôs os embargos de declaração em referência para que fosse esclarecido se a exigência deve ser mantida quanto as embalagens 2 e 8 (conforme a parte dispositiva do voto) ou se a mesma deve ser mantida quanto as embalagens 5 e 8 (conforme descrito no decorrer do voto). Em despacho de fls. 582, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais recebeu os embargos de declaração, os quais ora se põem em julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Diante da notória e simples contradição da parte dispositiva do acórdão embargado com a sua fundamentação, conheço os embargos de declaração para prestar os esclarecimentos cabíveis. Conforme consta o laudo de fl. 253, no qual se embasou a decisão embargada, a embalagem de nº 2 não detém gargalo, razão pela qual, resta evidente que a mesma está enquadrada na classificação fiscal adotada pelo contribuinte, cabendo o cancelamento da autuação no que se refere à mesma. Nesse mesmo laudo consta que as embalagens de números 5 e 8 detêm gargalo, razão pela qual as mesmas foram entendidas como enquadradas na classificação fiscal adotada pela fiscalização, cabendo a manutenção da exigência no que se refere, apenas, às mesmas. Assim, acolho os embargos de declaração para que seja alterada a parte dispositiva do acórdão embargado, de forma que, no lugar do “2”, fique o “5”, passando a mesma a deter o seguinte teor: Fl. 608DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA 4 “Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para, considerando que restou comprovado que as embalagens que constam do laudo de fl. 253 com os números 5 e 8 tinham gargalo e que, portanto, classificavamse no código 3923.30.0000, restabelecer a exigência a elas relativa” É como voto. Nanci Gama Fl. 609DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902590/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 90 /2 00 9- 74 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 108 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 35267.21125.250406.1.3.048594 em 25.04.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$229,46 do valor total R$3.249,53 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em setembro de 2005, código nº 2484, efetuado em 28.10.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de CSLL determinada a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de CSLL no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de CSLL. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 109 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.324, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.106, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 29.11.2012, fl. 103, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 111 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 112 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 99101, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 180100.104/2012 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 180100.105/2012 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 180100.107/2012 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 180100.109/2012 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 180100.106/2012 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 180100.110/2012 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 180100.112/2012 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 180100.111/2012 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 180100.113/2012 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 180100.096/2012 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 180100.095/2012 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 180100.097/2012 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 180100.098/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de CSLL (código 2484), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$12.920,70, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de CSLL do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD DATA PGTO PA 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 964,68 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 810,29 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 769,20 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 1.361,67 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 229,46 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 382,82 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 1.153,98 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 322,32 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 1.776,54 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 1.528,58 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 769,61 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2.771,38 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 80,17 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO CSLL 12.920,70 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 113 7 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 17 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida de R$21.024,11, que deduzida das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$34.178,15) resultou no saldo negativo anual de CSLL no valor de R$13.154,04. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$12.920,70. . Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701808 2484 28/02/2005 2.373,19 0208825446 2484 28/03/2005 3.002,78 0209761896 2484 29/04/2005 2.868,03 5072607938 2484 31/05/2005 3.555,15 5116278968 2484 28/06/2005 2.854,66 5167127538 2484 26/07/2005 2.605,28 1892652981 2484 26/08/2005 3.032,74 1987428871 2484 28/09/2005 3.228,07 2.544,17 2076652671 2484 28/10/2005 3.249,53 3.127,93 2133582661 2484 14/11/2005 111,74 2133582841 2484 14/11/2005 48,38 2155698461 2484 29/11/2005 3.627,44 3.627,44 2246085561 2484 29/12/2005 3.621,16 3.621,16 [TOTAL DO CRÉDITO CSLL] 34.178,15 12.920,70 Uma vez confirmada a existência do crédito de saldo negativo de CSLL para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$13.154,04 (treze mil cento e cinqüenta e quatro reais e quatro centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito de saldo negativo no valor de R$12.920,70 correspondente ao total pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$12.920,70 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. Valor SITUAÇÃO DCOMP 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 2484 01/2006 24/02/06 943,69 Homologada Total 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 2484 02/2006 31/03/06 873,82 Homologada Total Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 114 8 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 2484 03/2006 28/04/06 840,43 Homologada Total 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 2484 04/2006 31/05/06 1483,27 Homologada Total 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 2484 03/2006 28/04/06 247,47 Homologada Total 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 2484 05/2006 30/06/06 421,91 Homologada Total 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 2484 06/2006 31/07/06 1285,42 Homologada Total 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 2484 06/2006 31/07/06 354,58 Homologada Total 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 2484 07/2006 31/08/06 1975,16 Homologada Total 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 2484 08/2006 29/09/06 1718,74 Homologada Total 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 2484 08/2006 29/09/06 854,04 Homologada Total 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 09/2006 31/10/06 3104,78 Homologação Parcial 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 2484 10/2006 30/11/06 90,69 Não Homologada Concluindo, remanesceria como saldos devedores os débitos abaixo discriminados, a serem exigidos do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensaçã o (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2484 09/2006 31/10/2006 3.104,78 2.930,27 174,51 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 10/2006 30/11/2006 90,69 0,00 90,69 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de CSLL no valor de R$229,46 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$229,46 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902590/200974 Acórdão n.º 1801001.598 S1TE01 Fl. 115 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10814.723230/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/06/2011
VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA.
O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento. Em razão do princípio da independência entre as esferas administrativa, penal e civil, eventual caracterização de responsabilidade civil ou penal não impede seja aplicada pena administrativa relacionada ao mesmo fato.
ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 67, § 1º, DA LEI Nº 10.833/2003.
No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplica se o disposto no artigo 67, § 1º, da Lei 10.833/03, pelo qual a base de cálculo do imposto será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico.
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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DE INFRAESTRUT.AEROPORTUÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2011 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento. Em razão do princípio da independência entre as esferas administrativa, penal e civil, eventual caracterização de responsabilidade civil ou penal não impede seja aplicada pena administrativa relacionada ao mesmo fato. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 67, § 1º, DA LEI Nº 10.833/2003. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplica se o disposto no artigo 67, § 1º, da Lei 10.833/03, pelo qual a base de cálculo do imposto será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 32 30 /2 01 1- 91 Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Em razão da complexidade dos autos de infração guerreados no recurso, ora analisado, adoto o relatório da DRJ, que narra os fatos com riqueza de detalhes, nos seguintes termos: Tratam os autos de procedimento de vistoria aduaneira oficial, do qual decorreu a lavratura de Auto de Infração para exigência do Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Pasep e COFINS incidentes na operação, e multa prevista no art. 106, inciso II, alínea “d”, do DecretoLei n. 37/66, em virtude do extraviode mercadorias, perfaz endo o valor total de R$ 41.273.353,93. A presente autuação envolve doze conhecimentos aéreos (AWB) abaixo relacionados, para os quais foram formalizados os respectivos processos administrativos (anexos aos autos) para apuração de responsabilidade, a saber: AWB Processo 00186 953193 10814 .011885/200736 045 63 4005 51 10814 .000256/201167 045 63 6041 55 10814 .000273/201102 045 63 6042 40 10814 .000272/2 01150 045 63 6042 73 10814 .000096/201156 045 63 6042 84 10814 .000113/2 01155 045 63 8288 92 10814 .000095/201110 957 80 8335 02 10814 .000257/2 01110 957 80 8335 83 10814 .000117/2 01133 957 88 3847 96 10814 .000086/2 01111 957 88 3865 24 10814 .000102/201175 957 88 3865 50 10814 .000101/2 01121 A autoridade fiscal, com base nos elementos levantados pela Comissão de Vistoria Aduaneira competente, detectou, em resumo , as seguintes ocorrências em relação às cargas acima : a) todas eram procedentes de Miami e, embora estivessem declaradas nos conhecimentos aéreos como “componentes e partes de eletrônicos ”, conferência física realizada encontrou basicamente tijolos nacionais e, em pequena quantidade, alguns componente s eletrônicos inutilizados e pedaços de caixas de papelão com nomes em português de empresas nacionais (vide fls. 100/101, tabelas 2 e 3); Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.004 3 b) o peso das cargas, após o efetivo armazenamento pela INFRAERO, variou, aumentando ou diminuindo, mesmo estando as cargas envoltas em filme plástico, cintadas e sem indícios de violação (vide fl. 99, tabela 1); c) os doze AWB foram consignados a quatro empresas nacionais, sendo que apenas em um AWB a importador a estava habilitada no Siscomex para importar. As vias dos AWB destinadas aos consignatários foram retiradas por procuradores junto às companhias aéreas. Intima dos os consignatários e respectivos sócios a prestar esclarecimentos e a acompanha r a vistoria aduaneira, os mesmo s não foram localizados em se us domicílios fiscais, não tendo comparecido. Todos os fretes foram prépagos (vide fl. 103, tabela 5); d) todas as cargas, chegadas entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2007, haviam entrado em abandono, por de curso do prazo de 90 dias para início do despacho aduaneiro d e importação; e) das doze cargas, apenas cinco continham as etiquetas emitidas pelas companhias aéreas. Destas, três não foram reconhecidas pelas companhias como de sua emissão. As cargas possuíam etiquetas com a identificação d a INFRAERO; f) houve movimentações de carga e reemissão de etiqueta por parte da INFRAERO sem qualquer justificativa ou amparo documental (vide fl.102, tabela 4). Diante dos indícios acima colecionados, a fiscalização concluiu que: (i) as cargas foram trocadas; (ii) adotouse um procedimento visando postergar o conhecimento desse fato por parte da Alfândega; (iii) estas trocas se deram dentro dos armazéns d a INFRAERO e após o efetivo armazenamento. Em consequência, foi atribuída à depositária a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Diante da impossibilidade de identificação das mercado rias (exceção feita apenas ao AWB 00186953193, em que foi apresentada fatura comercial juntada ao Processo 10814.011885/2 00736), o arbitramento da base de cálculo foi feito com base no §1º do art. 67 da Lei 10.833/2003, utilizandose dos valores disponibilizados pela COANA para o 2º semestre de 2010, por via aérea, par a as importações efetivamente desembaraçadas. Chegouse, então, aos valores de USD 281,16 para a média dos valores por quilograma e de USD 511,05 para desvio padrão estatístico, obtendose então o valor arbitrado de USD 1.303,25 CIF/K g. Cientificada do lançamento em 29/06/2 011(fls . 1.715/1.716), a autuada apresentou impugnação em 28/07/2011 (fls. 1.741/1 .848), alegando em síntese que: a) a reunião, injustificada, de 4 (quatro) Autos de Infração, subsidia dos por 12 (doze) Autos de Vistoria Aduaneira, compondo um processo de pouco mais de 1.700 folhas, demonstra a clara intenção da fiscalização de prejudicar a ampla defesa e contraditório; b) como a anulação dos Autos de In fração lavra dos contra a Impugnante podem resultar na responsabilização das Importadoras e da Companhias Aéreas, requer, desde já, que também sejam chamados ao pro cesso para compor o pólo passivo na condição de litisconsortes necessários; Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 c) cita o art. 5º, inciso LV da CF, afirmando que direitos fundamentais à ampla defesa e ao contraditório não se coadunam com acusações vagas e fluídas, sempre passíveis de gerar comportamentos arbitrários para os interessados; d) no curso do processo administrativo, a INFRAERO apresentou todos os documentos e solicitou alterações em procedimentos do Terminal de Logística de Carga do Aeroporto à Alfândega, tendo inclusive instaurado Sindicância para apuração interna dos fatos. Ressalta que não houve e não ficou provado qualquer participação de empregado orgânico da INFRAERO no extravio relatado nos autos; e) não tem conhecimento de que houve a instauração de Sindicância para apurar a atuação dos A gentes Fiscais da Alfândega da Receita Federal do Brasil que atuaram neste processo e no processamento das cargas, inclusive no levantamento das informações; f) o que se constatou foi que algumas senhas de empregados orgânicos, por motivos alheios ao conhecimento do mesmo, foram utilizadas indevidamente por terceiros para acessar os sistemas, s em autorização dos titulares para proceder à movimentação das cargas envolvidas; g) a INFRAERO, por ocasião do recebimento das cargas para proceder ao armazenamento, tomou a cautela de efetuar a pesagem e fazer a verificação física, registrando no Sistema MANTRA, as AVARIAS "A" e "C", respectivamente, "DIFERENÇA DE PESO" e "AMASSADO"; h) como apresentou suas ressalvas no Sistema MANTRA, apontando divergência de peso e avaria visível (carga amassada), a responsabilidade certamente seria da Transportadora, ou seja, das Companhias Aéreas que embarcaram estas cargas em Miami/EUA. Todavia, o Sr. AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, contrariando o próprio Regulamento Aduaneiro e ao art. 15 da IN SRF 102/94, concluiu que a INFRAERO é a responsável, mesmo diante das ressalvas efetivadas; i) na verdade, referido AuditorFiscal não permitiu à INFRAERO arguir suas razões para afastar a imputação de responsabilidade, desconsiderando: (i) argumentos e provas quanto à apresentação de Protesto e Termo de Avaria; (ii) que as cargas em análiseestavam envoltas por filme plástico e fitas da própria Re ceita Federal; (iii) o tempo decorrido entre a chegada e a Verificação Física e desta até a Vistoria Aduaneira; (iv) bem como a condição em que se encontravam as cargas no Sistema MANTRA (AbandonoPerdimento). Ademais, silenciou sobre os documentos não apresentados pelas Companhias Aéreas, mesmo ciente do disposto no artigo 30 do Regulamento Aduaneiro; j) em decorrência do conhecimento por parte do fisco de que 3 (três) dos 4 (quatro) importadores não estariam habilitados como importadores para operar no SISCOMEX e também das ressalvas feitas pela INFRAERO, sem manifestação dasTransportadoras, a Alfândega da Receita Fe deral do Brasil já poderia ter adotado medidas mais rigorosas no recebimento e processamento das cargas, utilizandose inclusive do Canal Vermelho. Todavia, nada foi feito. O Sr. AuditorFiscal confessa que, antes mesmo da Verificação Física, as cargas já se encontravam em condição de abandono por decurso de prazo de 90 (noventa) dias sem que fosse iniciado o respectivo despacho; k) considerando a média estabelecida entre a data da chegada e da verificação física, em torno de 5 (cinco) meses para mais e, das 12 (doze) Vistorias Aduaneiras, aproximadamente 4 (quatro) anos, o transcurso de prazos sem providências pelo fisco permitiu a perpetuação do ilícito. Assim, jamais poderia Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.005 5 ser imputada a responsabilidade por ato ou fato de responsabilidade da Alfândega que, descumpriu a lei causando com sua omissão e desídia, prejuízo ao Erário, inclusive permitindo que o ilícito praticado pelas Importadoras se perpetuasse ao longo destes anos; l) a partir do momento que a carga entra em processo de abandono, momento em que é passível a aplicação da pena de perdimento, não tem a INFRAERO mais qualquer responsabilidade sobre ocorrências envolvendo esta s cargas; m) pelo tempo decorrido, falhas na condução e apuração administrativa dos ilícitos, observamos que não houve uma fiscalização eficiente da Alfândega na investigação dos fato s que deveriam subsidiar suas conclusões. Houve ma is uma preocupação em buscar lacunas para tentar responsabilizar a INFRAERO. Enquanto isto, as Importadoras não atenderam as determinações. Os representantes legais destas Importadoras retiraram originais de documentos que deveriam ser mantidos em arquivo pela s Companhias Aéreas. Por sua vez, sem estes documentos, atenderam apenas parcialmente as determinações da Receita Federal do Brasil; n) cita doutrina a cerca do princípio da razoabilidade; o) a mercadoria em situação de abandono não se encontra mais sujeita às incidências tributárias, pois a falta da mercadoria somente se constitui em fato gerador de incidência tributária se ocorrido nas fases inerentes ao seu desembaraço. Com menos razão haveria que se falar em multa, visto que a impugnante é sujeito passivo diverso daquele em cujo nome fora decretado o perdimento. Cita decisão administrativa a respeito. Afirma que a INFRAERO não figura como depositária fiel no caso de cargas que já se encontram em condição de abandono e em processo de perdimento; p) a circunstância da caixa de papelão estar com diferença de peso e sem conteúdo, considerando o longo interstício de tempo em que ficou armazenada a mercadoria, a espera de sua alienação, há que se admitir probabilidade de conteúdo destinado ao consumo, deteriorado pela ação do tempo e agente s externos, não havendo se imputar o suposto extravio à Impugnante (Infraero). Houve violação ao princípio da legalidade estrita e da razoabilidade; q) não foram apresentados elementos que possibilitassem a verificação se os valores atribuídos a cada aeroporto correspondem, de fato, a média das mercadorias importadas nos últimos seis meses, bem como não foi informado o critério utilizado na eleição dos aeroportos constantes da relação da tabela às fls. 54, a fim de possibilitar o exercício da ampla defesa e contraditório pela impugnante. Pela letra da lei, a média aritmética deveria tomar por base tão somente o "aeroporto autuado"; r) o AuditorFiscal violou o princípio da impessoalidade ao responsabilizar a Infraero, interpretando subjetivamente a movimentação das cargas no Sistema TEÇA Plus, deixando de levar em consideração as condutas irregulares dos Agentes Fiscais, das Companhias Aéreas e das Importadoras. As Companhias Aéreas não fiz eram ressalvas no Sistema MANTRA e não apresentaram nenhuma excludente de responsabilidade, caso fortuito ou força maior. As Importadoras desapareceram e deixaram de atender todas as determinações da Aduana. E a INFRAERO , por sua vez, fez ressalvas no SISTEMA MANTRA , apontando as avarias, que não foram consideradas pelo fisco; Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 s) são levianas e infundadas as acusações do Auditorfiscal constantes do Termo de Vistoria Aduaneira 12/2011, não havendo uma única prova do que aduz.Nenhum empregado da INFRAERO responde ou foi preso por suspeita de crime. De outro lado, cita artigos referentes a Operação Fantasma (em que foram presos funcionários da Receita Federal, entre outros) os quais demonstram similaridade com os fatos apontados neste processo administrativo. Questiona por que a Receita Federal demorou meses e até anos para realizar as constatações destes autos e, após alguns meses da deflagração da Operação Trem Fantasma, correu para lavrar diversos Termos de Vistoria Aduaneira, sem considerar, repitase, que as cargas já se encontravam em condição de perdimento e que já havia vistorias anteriores; t) a INFRAERO movimenta carga, mas não manuseia seu conteúdo, cuja verificação deve sempre deve ser acompanhada por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil . As áreas de liberação do Terminal de Logística de Carga são cercadas e há agentes da Alfândega nestes postos. Além disso, conta o Terminal de Cargas com sistema de monitoramento através de câmeras, o que dificultaria qualquer ação no seu interior, salvo se a carga estiver sob regime de trânsito aduaneiro, cujos procedimentos não sofrem intervenção da INFRAERO; u) quanto às afirmações do Sr. AuditorFiscal, houve deturpação na leitura dos movimentos registrados no Sistema TECAPlus da INFRAERO, havendo clara intenção de induzir a erro o julgador. Esclarece que (i) os casos de reemissão de etiquetas ocorrem, geralmente, após algum tipo de inspeção solicitada por algum dos órgãos que ali atuam ou mesmo em face de algum dano ocorrido durante o procedimento de armazenamento ou movimentação da carga, como pode ter ocorrido neste caso; (ii) os "puxe" sempre foram e continuam sendo realizados por solicitação ou da Receita Federal, da ANVISA ou da VIGIAGRO e, no caso do trânsito aduaneiro, também para entrega ao Transportador; (iii) não sabe ao certo o motivo pelo qual a solicitação, no caso do Termo 12/2011, foi feita p ara inspeção no Setor de Liberação – Bagagem, mas possivelmente a solicitação foi da Receita Federal, em face do conteúdo da carga; (iv) o registro da solicitação de "puxe para liberação" foi feito em um dos pontos do Terminal de Logística de Carga, significando a cessão de responsabilidade da equipe operacional de armazenagem para a equipe operacional de liberação, não havendo aqui nenhum procedimento autorizando a carga a sair do referido Terminal, apenas a transferência de um setor para outro; v) a conclusão do fisco de que houve extravio total da carga e substituição por outra carga falsa, e m que o responsável tributário é a INFRAERO merece re forma em atenção ao disposto no artigo 333, inciso I do Código de Processo Civil que dispõe que compete a quem alega, o ônus da prova; x) requer, assim, a anulação dos Termos de Vistoria Aduaneira e dos Autos de Infração por todas as justificativas apresentadas e mais, pela evidente violação dos princípios da ampla defesa e contraditório, legalidade estrita, eficiência, razoabilidade e impessoalidade. Considerando que esta relatora não localizou nos auto s a ta bela de fls. 54 mencionada pela impugnante, nem tampouco os documentos com os valores disponibilizados pela COANA e memória dos respectivos cálculos, o julgamento foi convertido em diligência, por meio do Despacho nº 43, de 24 de novembro de 2011, para a autoridade autuante adotar as seguintes providências: (i) juntar aos autos documentos com os valores disponibilizados pela COANA para o 2º semestre de 2010, bem como a memória dos cálculos que subsidiaram o arbitramento realizado; (ii) informar os critérios utilizados na elaboração dos cálculos. Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.006 7 Em resposta, a fiscalização juntou aos autos as tabelas de fls. 1.853/1.855, bem como apresentou os esclarecimentos de fls. 1.856/1.859, que assim resumimos: a) os valores disponibilizados pela COANA são os disponíveis na ferramenta DWAduaneiro; b) nos termos do §1º do art. 67 da Lei 10.833 /07, foram aplicados os seguintes filtros: (i) mercadorias importadas a título definitivo (consumo e desembaraçadas); (ii) pela mesma via de transporte internacional (via aérea); constantes de declarações registradas no semestre anterior (julho a dezembro de 2010); c) foram considerados os valores médios de todos os recintos com importações do mesmo modal, e não somente a média do recinto alfandegado do Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos, haja vista que esta restrição não consta da letra da lei; d) observa que, em se tratando de modal de transporte aéreo, o valor do recinto ALF/GRU será utilizado, sim, para se calcular não só a média como também o desvio padrão que irá comparar aquele em relação aos de mais recintos aduaneiros de mesmo modal; e) acrescenta que se fosse utilizado como atributo somente os aeroportos internacionais alfandegados, estaria excluindo da base de cálculo todas as mercadorias importadas via aérea que foram registradas em recintos aduaneiros de zona secundária. Intima da do resultado da diligência em 16/01/2012 (fl. 1.862), a depositária apresentou, em 14/0 2/2012, manifestação e documentos de fls. 1.863/1.889. Além de reiterar as razões já expostas em sua impugnação, alegou em síntese que: a) o AuditorFiscal não anexou à sua resposta os documentos e memórias de cálculos que justificam e explicam os critérios utilizados na elaboração dos cálculos; b) apresentou apenas uma planilha contendo valores totais, sem juntar e demonstrar como chegou a esses valores parciais, a natureza das cargas envolvidas na apuração, os documentos que justificaram a existência destas cargas, enfim, os documentos que comprovariam, com mínima transparência, o acerto ou desacerto do mesmo na apuração dos tributos; c) esclarece que a INFRAERO não tem qualquer responsabilidade nas ocorrências envolvendo cargas em trânsito, razão pela qual diversos estabelecimentos que não pertencem à zona primária e que pro cessam cargas em trânsito (CLIA’s, EADI’s, Portos Secos, Fluviais e Marítimos) não poderiam ter sido incluídos; d) apenas por amor ao debate, no caso de eventual manutenção de responsabilidade da Infraero, requer sejam excluídas da Planilha estes estabelecimentos, bem como os respectivos valores apontados. Exemplificando, apresenta planilha considerando apenas os aeroportos, na qual obteve valor bem menor do que o apurado pelo AuditorFiscal; e) outro aspecto diz respeito à inclusão na planilha das Bases Alfandegadas do MAEr,observando que as importações envolvendo a Aeronáutica são de alto Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 valor agregado e uso específico, não se relacionando com a natureza das cargas em discussão. Devem, portanto, ser subtraídas da planilha em discussão; f) não foram apresentados elementos que possibilitem sequer verificar se os valores atribuídos a cada aeroporto correspondem, de fato, a média das mercadorias importadas nos últimos seis meses, a fim de possibilitar o exercício da ampla defesa e contraditório. g) requer, assim, a anulação dos autos de infração lavrados. A decisão recorrida manteve os autos de infração, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2 011 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. DEPOSITÁRIO. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, inclusive no caso de referida mercadoria ser passível de aplicação da pena de perdimento. Em razão do princípio da independência entre as esferas administrativa, penal e civil, eventual caracterização de responsabilidade civil ou penal não impede seja aplicada pena administrativa relacionada ao mesmo fato. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 67, § 1º, DA LEI Nº 10.833/2003. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplica se o disposto no artigo 67, § 1º, da Lei 10.833/03, pelo qual a base de cálculo do imposto será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificada em 25/04/2012 por AR (fl.), a Contribuinte interpôs o recurso voluntário em 25/05/2012, onde em síntese, reitera os argumentos constantes de sua impugnação. Inicialmente reclama a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “a” da CF/88, por se tratar de empresa pública federal. Contesta que o transportador não fez qualquer ressalvas aos registros da INFRAERO, ora Recorrente, nos termos do art. 661, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.579/2009), confirmando a responsabilidade do transportador pelos tributos e multas Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.007 9 exigíveis, bem como dispõe o art. 662, parágrafo único do mesmo diploma legal, que o Depositário só responde se não lançar ressalvas e protestos no Sistema. Nesse sentido requer sejam consultadas as fls. 143, 179, 257,393, 532, 674, 792, 968, 1128, 1250, 1432 e 1610, constam os extratos do Sistema SISCOMEXMANTRA com o registro de avarias por parte da Recorrente, avalizadas pelas Companhias aéreas e visadas pelos Auditores da Receita Federal do Brasil. Argumenta que, o art. 15, da IN SRF nº 102/94, que a indicação de avaria pelo depositário no MANTRA equivalerá ao Termo de Avaria, “cabendo ao transportador ou ao beneficiário de transito proceder, no Sistema, com ou sem ressalvas, ao aval do armazenamento por ele encerrado”. De acordo ainda com o art. 71, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, a não localização da mercadoria somente se constituiria em extravio se verificada nas fases em que as mesmas se encontravam sujeita às incidências tributárias inerentes ao seu desembaraço, não configurando fato gerador dos tributos incidentes sobre a importação. Ademais, esclarece que as cargas se encontravam sob a responsabilidade do próprio Fisco, porque a INFRAERO não mantém nenhum tipo de instrumento jurídico em que assume a condição de fiel depositária das cargas em perdimento no âmbito do Terminal de Logística de Carga do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (Gov. André Franco Montoro), recinto alfandegado fiscalizado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Em favor de sua tese cita transcrições doutrinárias e jurisprudenciais. Assim, como a Recorrente efetuou os apontamentos no Sistema Mantra, equivalentes ao Termo de Avaria de que trata o art. 662, do Regulamento Aduaneiro e art. 15, da IN SRF 102/94, não assumiu para com a Alfândega do mencionado Aeroposto, encargo na condição de Fiel Depositário das cargas em perdimento, declaradas nesses autos no fim do ano de 2007, afastada está a sua responsabilidade. Ademais, a carga já se encontrava abandonada por decurso de prazo superior a 90 dias, sem início do respectivo despacho, a Infraero emitiu DMCA´s para todos os conhecimentos de transporte (AWB´s) que deu origem ao presente processo, após o decurso de prazo de 90 dias, caracterizando a pena de perdimento das cargas, nos termos do art. 23, II, alínea “a”, parágrafo único, e art. 29, do DecretoLei nº 1.455, de 07/04/76, c/c art. 642, inciso I, alínea “a” e art. 689, XXI, do Regulamento Aduaneiro que assim diz: “Art. 642. Considerase abandonada a mercadoria que permanecer em recinto alfandegado sem que o seu despacho de importação seja iniciado no decurso dos seguintes prazos (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, incisos II e III): I – noventa dias: a) da sua descarga; e Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59). Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 [...] XXI – importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nos hipóteses do art. 642; [...] Art. 701. Os veículos e as mercadorias sujeitos à pena de perdimento serão guardados em nome do Ministro da Fazenda... . Nesse sentido transcreve Acórdão do TRF/3ª Região, nos autos da Apelação Cível nº 003718994.1998.4.03.6100/SP, in verbis: EMENTA ADUANEIRO. TRANSPORTE INTERNACIONAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE TRANSPORTADORES. LEI 9611/98. MERCADORIA NÃO DESEMBARAÇADA. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA INFRAERO. 1. É bem clara a diretriz do artigo 16 da Lei 9611/98 ao atribuir a responsabilidade solidária a todos os transportadores em casos que tais. A dicção do parágrafo único do mesmo dispositivo não elide a descrição clara do "caput" de responsabilização solidária, aliás consagrada no novo Código Civil, em seu artigo 756. Não interessa, pois, se a apelante CHALLENGE não deu causa diretamente ao dano, pois o que importa é que o contrato é considerado, para todos efeitos, único. Portanto, o fato da JUMBO JET ter sido contratada diretamente pela CHALLENGE não importa para excluir a responsabilidade da MENLO, como pede em seu apelo. 2. Não há responsabilidade apurável da INFRAERO pelo simples fato de que a autora sequer pode fazêlo, pois perdeu a propriedade do bem ao abandonálo. Não promovendo como não promoveu o desembaraço aduaneiro da mercadoria, a autora perdeu a propriedade do bem para o Estado. Mas mesmo que pudesse fazêlo (reclamar dano à bem que não é seu), além disto, o armazenamento só se daria, por óbvio, até o desembaraço, e a mercadoria já chegou às dependências da autarquia com avarias, como demonstram fls. 837 verso e 1126, nada tendo o entregador dito sobre especificidades necessárias à guarda do produto (fls. 837verso). O laudo de fls. 657 e os termos de vistoria de fls. 724/727 e 738 não afastam estas conclusões já que, como se disse, os bens já foram depositados avariados e sem recomendações para seu correto armazenamento.Assim, se a autora não se preocupou de, mesmo através de seus contratados, explicar ao recebedor da mercadoria na aduana dos cuidados necessários para guarda desta e, pior, sequer foi buscar o bem que lá se encontrava, realmente soa descabido responsabilizar a INFRAERO pelo que quer que seja. O fato da INFRAERO se responsabilizar pelo pagamento do imposto de importação somente demonstra o cumprimento de suas obrigações, dado o decreto de perdimento das mercadorias. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.008 11 3. Somente a partir da vigência do Novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002), devese utilizar exclusivamente a SELIC como correção da moeda e juros de mora artigo 406 do Código Civil de 2002, dada a regra irretroatividade das leis. 4. Agravo retido improvido. Apelações da CHALLENGER AIR CARGO E REAL PREVIDENCIA E SEGUROS S/A improvidas. Recurso adesivo da TOKIO MARINE BRASIL SEGURADORA S/A improvido Apelação da parte MENLO WORLDWIDE FORWAEDING INC parcialmente provida. Afirma não haver como a INFRAERO ser responsabilizada pelas mercadorias extraviadas, declaradas abandonadas nos termos da lei, vez que movimenta carga e não mercadoria, não manuseia o conteúdo da carga, e a verificação física das cargas são acompanhadas por Auditores Fiscais da RFB (arts. 29 e 30 da IN 680/2006). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. As preliminares de nulidades suscitadas pela Recorrente não merecem prosperar, porquanto as autuações observaram estritamente as disposições legais previstas na legislação de regência, em especial as que regem o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235/72, inclusive sobre a desnecessidade de formalização da exigência em autos em separado, conforme preceitua o art. 9º, § 1º do referido Decreto: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Desta forma, não há nenhuma vedação à formalização das exigências através de um único processo, porquanto tratase de um mesmo sujeito passivo para os quatro autos de infração. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 Em relação ao pleito para incluir os importadores e companhias aéreas como litisconsortes necessários, correta a decisão que afastou essa preliminar, porquanto as autuações decorrem de responsabilização direta da Recorrente em virtude do extravio das cargas. A preliminar de imunidade tributária, prevista no art. 150, inciso VI, “a”, da Constituição Federal, por se tratar de empresa publica, não merece prosperar, porquanto, de acordo com o § 3º, do citado artigo, a limitação ao poder de tributar não se aplica “ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados”: § 3º As vedações do inciso VI, (a), e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Compulsando os autos do processo, constatase que a Recorrente foi constituída pelo Poder Executivo central através da Lei nº 5.862, de 12/12/1972, constando de seu artigo 2º a seguinte finalidade: “Art. 2º. A INFRAERO terá por finalidade implantar, administrar, operar e explorar industrial e comercialmente a infraestrutura aeroportuária que lhe for atribuída pelo Ministério da Aeronáutica.” (grifado). Assim, claro está que as atividades desenvolvidas pela INFRAERO se encontram na exceção prevista no § 3º, do art. 150, da CF/88. Pelo mesmo motivo da lei atribuir à Recorrente a responsabilidade pela exploração industrial e comercial da infraestrutura portuária, deve ser afastada também a alegação de ausência de responsabilidade pelo perdimento da carga que ensejaram os autos de infração, objeto do presente recurso, vez que, as referidas cargas procedentes de Miami/EUA, “componentes e partes eletrônicos” durante o período em que as cargas estavam sob custódia da INFRAERO, ora reocorrente. Passo então a analisar o mérito do recurso. Os esclarecimentos da fiscalização e reproduzidos também pela decisão recorrida, são importantes para estabelecer o “iter criminis”, ou caminho percorrido para a conclusão da fiscalização, em analogia ao direito tributário: No tocante à caracterização do extravio, temos que a fiscalização colecionou vários fatos no sentido de demonstrar que: (i) as cargas procedentes de Miami/EUA e descritas como “componentes e partes de eletrônicos” já foram introduzidas no país com a intenção de serem internadas irregularmente; (ii) foram adotados procedimentos visando postergar a percepção dessa realidade por parte das autoridades aduaneiras; e (iii) esse ilícito ocorreu durante o período em que as cargas estavam sob custódia da INFRAERO. Para provar que as cargas foram introduzidas no país com a intenção de serem internadas irregularmente, a fiscalização evidenciou que: (i) onze dos doze AWB foram consignados a empresas que não estavam habilitadas para importar no Siscomex; (ii) todos os fretes foram prépagos; (iii) nenhum dos consignatários compareceu para promover o despacho aduaneiro de importação, tanto que todas as mercadorias já haviam entrado em processo de abandono por de curso de prazo; (iv) os consignatários e respectivos sócios não foram encontrados em seu Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.009 13 domicílios fiscais informados à Receita Federal; (v) nenhum deles compareceu ao procedimento de vistoria aduaneira. Para provar que foram adotados procedimentos no sentido de retardar a percepção do extravio das cargas por parte das autoridades aduaneiras, a fiscalização evidenciou que: (i) no interior dos volumes havia basicamente tijolos de produção nacional e pedaços de caixas de papelão com nomes em português de empresas nacionais; (ii) os volumes estavam envoltos em filme plástico, cintados e sem indícios de violação; (iii) todas as cargas possuíam etiquetas de identificação da INFRAERO; (iv) em cinco cargas havia também as etiquetas das companhias aéreas, sendo que em três delas não foi reconhecida sua autenticidade; (v) as vias dos AWB destinadas aos consignatários foram retiradas por procuradores junto às companhias aéreas. E para provar que o extravio ocorreu durante o período em que as cargas estavam sob custódia da INFRAERO, a fiscalização evidenciou que: (i) o peso das cargas, pós o efetivo armazenamento pela INFRAERO, variou, aumentando ou diminuindo, embora as cargas tenham sido encontradas envoltas em filme plástico, cintadas e sem indícios de violação; (ii) houve movimentações de carga e reemissão de etiqueta por parte da INFRAERO sem qualquer justificativa ou amparo documental. Com base nesses fatos, a fiscalização concluiu que as cargas originárias de Miami/EUA foram internadas irregularmente no país, havendo sido substituídas por tijolos de fabricação nacional enquanto estavam armazenadas sob custódia da INFRAERO, visando assim postergar o conhecimento por parte do fisco do ilícito praticado. Especificamente em relação às evidências acima mencionadas, temos que a impugnante contesta a ocorrência de extravio alegando a possibilidade de deterioração das mercadorias pela ação do tempo ou agentes externos; e contesta sua responsabilidade tributária alegando basicamente que (i) não ficou provada a participação de qualquer empregado da INFRAERO no extravio relatado nos autos; (ii) fez ressalvas quanto ao peso e avarias no momento do armazenamento, as quais excluem sua responsabilidade; (iii) o AuditorFiscal deturpou a leitura da movimentação das cargas no sistema Tecaplus, bem como os casos de reemissão de etiquetas. Analisemos, pois, com maior minudência os argumentos apresentados pela impugnante. A depositária coloca em dúvida a ocorrência do extravio e, por consequência, a sua responsabilidade, alegando que devido ao longo interstício de tempo em que a mercadoria ficou armazenada à espera de alienação, há que se admitir a probabilidade de o conteúdo destinado ao consumo haver se deteriorado pela ação do tempo e agentes externos. Embora referido argumento pudesse fazer algum sentido se estivéssemos tratando de perecíveis, revelase totalmente descabido no caso dos autos, cujas cargas tratavamse de “componentes e partes de eletrônicos”. Anotese que o período de quatro anos, decorrido entre a chegada das mercadorias e a lavratura do Auto de Infração sob análise, não justifica, por óbvio, a hipótese de deterioração aventada. Que dizer, então, da transformação desse conteúdo em tijolos? ! Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 Considerando, assim, que a impugnante não logrou trazer aos autos elementos no sentido de afastar as evidências colecionadas pelo fisco acerca do extravio dos “componentes e partes de eletrônicos”, concluímos pela sua ocorrência. Nesse ponto, abrimos um parênteses para comentar alegação da depositária, segundo a qual o fisco teria descumprido a lei e sido omisso e desidioso, causando prejuízo ao Erário, ao permitir que o ilícito se perpetuasse durante quatro anos sem que fossem adotadas quaisquer providências. Sem razão a impugnante. O presente processo trata de auto de infração, formalizado enquanto não decaído o direito de a Fazenda Nacional exigir o crédito, imputando responsabilidade e exigindo a reparação devida em face do ilícito constatado. Considerando que inexiste previsão legal dispondo acerca de um prazo inferior para apuração dos fatos e formalização da respectiva exigência, não antevemos qualquer vício a macular o procedimento em tela. A Recorrente confunde responsabilidade pelo perdimento das cargas depositadas à sua disposição com a responsabilidade pelo pagamento dos tributos decorrentes da importação dos produtos, na hipótese do extravio das mercadorias que se encontravam sob responsabilidade da Recorrente. Esse entendimento pode ser cotejado quando afirma não haver como a INFRAERO ser responsabilizada pelas mercadorias extraviadas, declaradas abandonadas nos termos da lei, vez que movimenta carga e não mercadoria, não manuseia o conteúdo da carga, e a verificação física das cargas são acompanhadas por Auditores Fiscais da RFB (arts. 29 e 30 da IN 680/2006). Entretanto, a própria jurisprudência colacionada pela Recorrente distingue bem a situação, conforme pode ser verificado na parte final do item 2, da ementa do Acórdão da AC nº 003718994.1998.4.03.6100/SP (TRF/3ª Região), a qual foi omitida quando de sua transcrição no recurso, in verbis: EMENTA ADUANEIRO. TRANSPORTE INTERNACIONAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE TRANSPORTADORES. LEI 9611/98. MERCADORIA NÃO DESEMBARAÇADA. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA INFRAERO. 1. É bem clara a diretriz do artigo 16 da Lei 9611/98 ao atribuir a responsabilidade solidária a todos os transportadores em casos que tais. A dicção do parágrafo único do mesmo dispositivo não elide a descrição clara do "caput" de responsabilização solidária, aliás consagrada no novo Código Civil, em seu artigo 756. Não interessa, pois, se a apelante CHALLENGE não deu causa diretamente ao dano, pois o que importa é que o contrato é considerado, para todos efeitos, único. Portanto, o fato da JUMBO JET ter sido contratada diretamente pela CHALLENGE não importa para excluir a responsabilidade da MENLO, como pede em seu apelo. 2. Não há responsabilidade apurável da INFRAERO pelo simples fato de que a autora sequer pode fazêlo, pois perdeu a propriedade do bem ao abandonálo. Não promovendo como não promoveu o desembaraço aduaneiro da mercadoria, a autora perdeu a propriedade do bem para o Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.010 15 Estado. Mas mesmo que pudesse fazêlo (reclamar dano à bem que não é seu), além disto, o armazenamento só se daria, por óbvio, até o desembaraço, e a mercadoria já chegou às dependências da autarquia com avarias, como demonstram fls. 837 verso e 1126, nada tendo o entregador dito sobre especificidades necessárias à guarda do produto (fls. 837verso). O laudo de fls. 657 e os termos de vistoria de fls. 724/727 e 738 não afastam estas conclusões já que, como se disse, os bens já foram depositados avariados e sem recomendações para seu correto armazenamento.Assim, se a autora não se preocupou de, mesmo através de seus contratados, explicar ao recebedor da mercadoria na aduana dos cuidados necessários para guarda desta e, pior, sequer foi buscar o bem que lá se encontrava, realmente soa descabido responsabilizar a INFRAERO pelo que quer que seja. O fato da INFRAERO se responsabilizar pelo pagamento do imposto de importação somente demonstra o cumprimento de suas obrigações, dado o decreto de perdimento das mercadorias. 3. Somente a partir da vigência do Novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002), devese utilizar exclusivamente a SELIC como correção da moeda e juros de mora artigo 406 do Código Civil de 2002, dada a regra irretroatividade das leis. 4. Agravo retido improvido. Apelações da CHALLENGER AIR CARGO E REAL PREVIDENCIA E SEGUROS S/A improvidas. Recurso adesivo da TOKIO MARINE BRASIL SEGURADORA S/A improvido Apelação da parte MENLO WORLDWIDE FORWAEDING INC parcialmente provida. (grifado). Portanto, dentro das obrigações da INFRAERO, naquele caso, e também neste, se restringe à responsabilização pelo pagamento do importo de importação, só assim a mesma demonstrará o cumprimento total de usas obrigações. De acordo com o art. 19, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), o imposto de importação tem como fato gerador a entrada no território nacional de produtos estrangeiros, cujo contribuinte (art. 22, I), é o importador ou quem a lei a ele equiparar. O Decretolei nº 37/1966, atribui a responsabilidade pelo imposto (art. 32, II), “o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro”. A Recorrente reclama que efetuou os apontamentos no Sistema Mantra, equivalentes ao Termo de Avaria de que trata o art. 662, do Regulamento Aduaneiro e art. 15, da IN SRF 102/94, pelo que não teria assumido para com a Alfândega do mencionado Aeroposto, encargo na condição de Fiel Depositário das cargas em perdimento, declaradas nesses autos no fim do ano de 2007, afastada está a sua responsabilidade. Entretanto, entra em contradição ao afirmar que as cargas já se encontrvam abandonadas pelo decurso de prazo superior a 90 dias, sem início do respectivo despacho, confirmando que emitiu DMCA´s para todos os conhecimentos de transporte (AWB´s) que Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 deram origem ao presente processo, após o decurso de prazo de 90 dias, caracterizando a pena de perdimento das cargas, nos termos do art. 23, II, alínea “a”, parágrafo único, e art. 29, do DecretoLei nº 1.455, de 07/04/76, c/c art. 642, inciso I, alínea “a” e art. 689, XXI, do Regulamento Aduaneiro que assim diz: “Art. 642. Considerase abandonada a mercadoria que permanecer em recinto alfandegado sem que o seu despacho de importação seja iniciado no decurso dos seguintes prazos (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, incisos II e III): Entretanto, de acordo com o art. 1º, § 4º, do Decretolei nº 37/1966, o imposto não incide sobre a mercadoria estrangeira nos seguintes casos: I – avaria ou que se revele imprestável para os fins que se destinava, desde que seja destruída sob controle aduaneiro, antes de despachada para consumo, sem ônus para a Fazenda Nacional; II – em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída; ou III – que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. Ora, claro está que mesmo no caso de perdimento, há responsabilidade pelo recolhimento do imposto, como ocorreu no presente caso, em que as mercadorias importadas não foram localizadas. Pois bem, resta analisar a argumentação contra o arbitramento da base de cálculo da tributação exigida, que no caso, se deu em conformidade com o previsto no art. 67, da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 67 . Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1º Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. § 2º Na falta de informação sobre o peso da mercadoria, adotar seá o peso líquido admitido na unidade de carga utilizada no seu transporte. Também não merecer prosperar a irresignação da Recorrente, pois, apesar de reclamar quanto ao arbitramento, nada acrescentou a sua defesa, isto é, tão somente descreveu o procedimento adotado pela fiscalização (e da decisão recorrida), sem contudo esclarecer o Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10814.723230/201191 Acórdão n.º 3301001.839 S3C3T1 Fl. 2.011 17 ponto de contrariedade ao arbitramento levado a efeito pela Fiscalização, nos estritos termos do art. 67, e §§, da Lei nº 10.833/2003. Em relação aos demais tributos incidentes, IPI, PIS e COFINS, a pena de perdimento não afasta a incidência desses tributos, os quais são devidos, mesmo quando, por algum motivo (art. 1º, § 4º, I, II, III, do Decretolei nº 37/66), não houvesse incidência do II, conforme sintetiza a ementa do acórdão do colendo Superior Tribunal de Justiça, a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. APREENSÃO DE MERCADORIAS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM RENDA. 1. Nos termos do Decretolei nº 37/66, justificase a aplicação da pena de perdimento se o importador tenta ingressar no território nacional, sem declaração ao posto fiscal competente, com mercadorias que excedem, e muito, o conceito de bagagem, indicando nítida destinação comercial. 2. O art. 118 do CTN consagra o princípio do "non olet", segundo o qual o produto da atividade ilícita deve ser tributado, desde que realizado, no mundo dos fatos, a hipótese de incidência da obrigação tributária. 3. Se o ato ou negócio ilícito for acidental à norma de tributação (= estiver na periferia da regra de incidência), surgirá a obrigação tributária com todas as conseqüências que lhe são inerentes. Por outro lado, não se admite que a ilicitude recaia sobre elemento essencial da norma de tributação. 4. Assim, por exemplo, a renda obtida com o tráfico de drogas deve ser tributada, já que o que se tributa é o aumento patrimonial e não o próprio tráfico. Nesse caso, a ilicitude é circunstância acidental à norma de tributação. No caso de importação ilícita, reconhecida a ilicitude e aplicada a pena de perdimento, não poderá ser cobrado o imposto de importação, já que "importar mercadorias" é elemento essencial do tipo tributário. Assim, a ilicitude da importação afeta a própria incidência da regra tributária no caso concerto. 5. A legislação do imposto de importação consagra a tese no art. 1º, § 4º, III, do DecretoLei 37/66, ao determinar que "o imposto não incide sobre mercadoria estrangeira (...) que tenha sido objeto de pena de perdimento". 6. Os demais tributos que incidem sobre produtos importados (IPI, PIS e COFINS) não ensejam o mesmo tratamento, já que o fato de ser irregular a importação em nada altera a incidência desses tributos, que têm por fato gerador o produto industrializado e o faturamento, respectivamente. 7. O art. 622, § 2º, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02) deixa claro que a "aplicação da pena de perdimento" Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 (...) "não prejudica a exigência de impostos e de penalidades pecuniárias". 8. O imposto sobre produtos industrializados tem regra específica no mesmo sentido (art. 487 do Decreto 4.544/02 Regulamento do IPI), não dispensando, "em caso algum, o pagamento do imposto devido". 9. O depósito que o acórdão recorrido determinou fosse convertido em renda abrange, além do valor das mercadorias apreendidas, o montante relativo ao imposto de importação (II), ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), à contribuição ao PIS e à COFINS. 10. O valor das mercadorias não pode ser devolvido ao contribuinte, já que a pena de perdimento foi aplicada e as mercadorias foram liberadas mediante o depósito do valor atualizado. Os valores relativos ao IPI, PIS e COFINS devem ser convertidos em renda, já que a regra geral é de que a aplicação da pena de perdimento não afeta a incidência do tributo devido sobre a operação. 11. O recurso deve ser provido somente para possibilitar a liberação ao contribuinte do valor relativo ao imposto de importação. 12. Recurso especial provido em parte. (REsp 984.607/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2008, DJe 05/11/2008). Grifado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10240.720190/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS.
As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
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As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 90 /2 01 0- 96 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o processo de PERELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI, fls. 01, e DCOMP fls 14 e 15, cujo PARECER SAORT/DRF/PVO N° 087/2010 (fls. 34/37), aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 38, não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas, sob a justificativa de que a interessada, usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras, deixou de apresentar, após sucessivos pedidos de prorrogação, os arquivos digitais dentro das especificações técnicas do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. Discordando do Despacho Decisório, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade em 23/07/2010 (fls. 42/55), acompanhada dos documentos (fls. 56/67), comprovado pelo carimbo de Recebimento do protocolo da ARF/CHAPECO/SC, fls. 44. Em 28/07/2010 são anexados novos documentos fls. 68/93. As alegações apresentadas, em síntese, conforme relatório do Acórdão recorrido: “a) Tece comentários sobre o crédito presumido, afirmando ser empresa industrial dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira; b) Informa haver cumprido todas as normas estabelecidas pelos atos que regulam o crédito presumido, tendo apresentado os arquivos fiscais e contábeis solicitados em conformidade com a capacidade de seu sistema operacional; c) Não dispõe de programas de processamento de dados com capacidade e tecnologia para gerar arquivos no leiaut exigidos pelos atos da Receita Federal; d) ‘É lamentável que o direito do contribuinte exportador, fixado em Lei Federal seja simplesmente negado por que o Fisco não se dispõe a verificar os dados fornecidos pela empresa ou o que é pior, não se dispõe a conceder prazos para que a recorrente efetue os ajustes necessários à geração de dados aos critérios e parâmetros dos programas utilizados pela Receita Federal’; e) A Receita Federal não considerou os sistemas e formatos utilizados pelas empresas, impondo de forma arbitrária a forma a ser utilizada; f) Requer que sejam acolhidos os arquivos anexados em CD, na forma fixada pelo ADE n° 15/2001; g) Contesta a não homologação da compensação, tendo em vista haver atendido as exigências relativas ao crédito; h) Solicita a suspensão da cobrança dos débitos envolvidos; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720190/201096 Acórdão n.º 3302002.249 S3C3T2 Fl. 146 3 i) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a reforma do Despacho, conforme fls. 54/55.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.296– 3ª Turma da DRJ/BEL (doc. fls 103/109), proferido na Sessão de 11 de janeiro de 2011, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se constata pela ementa e dispositivos postos a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Cientificada do Acórdão nº 0120.296 – 3ª Turma da DRJ/BEL em 23/03/2011 (fl. 110), ainda irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 114/132), em 25/04/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, complementandoos, em face do acórdão proferido, elaborando a seguinte ressalva: “Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor. Assim, o que se requer de imediato é que seja reformado o Acórdão em debate e que seja analisado o pedido da Recorrente com base nos preceitos fixados pelas leis que regulam o crédito presumido de IPI e para tanto sejam verificadas as operações de exportações realizadas, o valor dos insumos, matériasprimas e embalagens aplicados nestes produtos e todas as demais informações pertinentes. Também se requer que seja verificado o Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI, bem como as informações constantes no Pedido Eletrônico Perdcomp protocolado para o trimestre. O pedido acima toma por base as Leis 9.363/96 e 10.276/2001, bem como as Instruções Normativas relativas ao crédito presumido de IPI e as demais informações necessárias a realização do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Assim, sendo esta a norma prescrita, por que estes documentos e informações não foram verificados??” Sobre a compensação requerida e não homologada, argúi: “A decisão ora guerreada por qualquer ângulo que se verifica é infundada, incorreta e fere duplamente os direitos da Recorrente, pois ao não reconhecer as compensações efetuadas o agente julgador tenta, por via indireta, ratificar a despacho decisório de indeferimento do crédito, fato este que não pode prosperar, já que as compensações só poderão ser julgadas após decisão em relação ao crédito.” Ao final, elabora o seu requerimento nos seguintes termos: “a. Seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário; b. Seja reformado o Despacho Decisório proferido no processo ora guerreado para o fim de reconhecer a atividade industrial exercida pela Recorrente e como tal reconhecer o direito da ora Recorrente ao Crédito Presumido do IPI relativo 3º trimestre de 2006, pelas razões de fato e de direito acima ofertados, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c. Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; d. Reconhecido o direito crédito da Recorrente na forma dos itens b e c, acima, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; e. Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2005 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem. f. Se acolhido o pedido da Recorrente na forma do item e acima, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho novo decisório definitivo.” Na forma regimental, os autos foram a mim distribuídos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720190/201096 Acórdão n.º 3302002.249 S3C3T2 Fl. 147 5 É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. A empresa industrial, dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira, apresentou PerRessarcimento de IPI, conforme folha 01, cujo pleito consubstanciase no crédito presumido do IPI do período de apuração do 3º trim/06. Constatase que a lide resumese à questão comprobatória do crédito pleiteado, haja vista a contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado os arquivos digitais dentro das especificações técnicas previstas no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. É que a empresa é usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras e nesta condição encontravase obrigada a manter e apresentar, quando solicitada pelos agentes da RFB, os respectivo arquivos digitais e sistemas, em conformidade com a legislação específica, que foi bem demonstrada e analisada no Acórdão ora recorrido, cujo trecho se reproduz a seguir: “6. O art. 11 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, prescreve: ‘Art 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou Financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, peio prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) ... §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória n° 2158 35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3a poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001)’ (grifouse) 7. Com base no dispositivo acima, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22.10.2001, conforme abaixo: ‘Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 As pessoas jurídicas especificadas no art. 1, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3° Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1° Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo Coordenador Geral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3° Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações.’ (grifouse) 8. Como consequência, foram baixadas as regras para apresentação dos arquivos através do ADE Cofis n° 15, de 2001, que segue transcrito: ‘Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 da Instrução Normativa SRF n286, de 2001, quando intimadas por AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720190/201096 Acórdão n.º 3302002.249 S3C3T2 Fl. 148 7 nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.’ 9. O que se extrai dos dispositivos acima transcritos é que a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei n° 8.212, de 1991, e legislação correlata. Os arquivos digitais são validados através do Sistema Integrado de Coleta — SINCO — Arquivos Contábeis, disponível para "download" no "site" www. receita. fazenda. gov. br. A exigência de tais especificações técnicas se dá pela necessidade de padronização de arquivos, pelo o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, buscando cumprir seus objetivos estratégicos, adotar sistemas eletrônicos para análise e manipulação dos dados fornecidos pelos contribuintes. A própria contribuinte demonstrou ter consciência dessa necessidade, quando assim manifestouse em sua impugnação e recurso: “Considerando as inúmeras empresas do país e os milhares de processos que precisam ser analisados é compreensível que se estabeleçam regras e critérios.” Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, publicada no DOU de 23.10.2001 , teve vigência a partir da data da sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002, consoante disposto no seu art.5º. Portanto, quando da apresentação, pela contribuinte, do PER Ressarcimento nº 31714.62046.301006.1.1.01.7420, em 30/10/2006, já havia decorrido cerca de quatro anos da efetividade da referida regra, tempo suficiente para que a contribuinte tomasse as medidas cabíveis para a devida adaptação dos seus sistemas, principalmente, tendo em vista, o seu interesse em ser ressarcida de créditos presumidos de IPI. Não obstante tal fato, quando solicitou, sucessivamente, no decorrer da auditoria, a prorrogação de prazo para que pudesse atender às intimações, de acordo com as exigências legais, ao contrário do que alega, teve, sim, o deferimento dessas prorrogações, consoante se vê pelas anotações expressas constantes nos documentos de fls.28 e 29 e pelas prorrogações tácitas que se deram em seguida, tendo em vista que a última solicitação de prorrogação de prazo, dita final e definitiva pela requerente, se deu em 12/05/2010 (doc. fl. 32), e o Despacho Decisório de fl. 38 foi somente emitido em 10/06/2010, sem que a contribuinte tivesse apresentado os arquivos nas especificações exigidas na legislação atinente, para bem demonstrar o direito ao ressarcimento do crédito presumido alegado. Ressaltese, inclusive, que a auditoria só teve início em 24/11/2009 (doc. fl. 19). Portanto, três (3) anos e sete (7) meses depois da apresentação de seu pedido de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ressarcimento. Assim, lá se vão quase oito anos da vigência da norma. O que demonstra total desinteresse da contribuinte. Da mesma forma, quando da impugnação, a contribuinte apresenta dois “CD”, que, também, não atendiam às especificações exigidas, consoante registra a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, no trecho a seguir transcrito: “10. No caso presente, a empresa apresenta dois CD's onde estariam os arquivos requeridos pela Fiscalização, juntamente com recibo emitido pelo sistema de validação de arquivos digitais (fl. 56) no qual estão relacionados nove arquivos de texto (extensão TXT), sem conteúdo informado. Além disso o referido recibo não identifica a empresa, o responsável, o responsável técnico, estando assinada, aparentemente (comparouse a assinatura com a da fl. 73), pelo procurador da empresa, Sr. Edson Monteiro, que também fez as vezes de técnico responsável pela geração dos arquivos. 11. No primeiro CD (fl. 57) não foi possível a verificação dos arquivos contidos. Considerando que estão sendo apreciados em conjunto vários processos da interessada, referentes a outros trimestres, procurouse nos demais processos um CD no qual pudesse ser verificado o conteúdo, localizandose o pertencente ao processo 10240.720193/201020. 12. Nele, observouse a presença de três pastas, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008 (períodos envolvidos nos processos apreciados), estando cada uma dessas pastas subdivididas em outras três pastas denominadas "Contábil", "Fiscal" e "Folha", sendo que somente os arquivos constantes da pasta "Fiscal" estão relacionados no recibo, do qual não consta a validação dos demais. 13. Dos nove arquivos constantes da pasta Fiscal/2006, dois estão zerados e os demais, apesar de serem arquivos de texto, contém caracteres desconexos. Apenas em dois deles podem ser lidos nomes de pessoas jurídicas e materiais, sem a possibilidade de se extrair nenhuma informação dos mesmos. 14. No segundo CD (fl. 69) foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido. 15. Acerca da apresentação dos arquivos, o Anexo do ADE n° 15, de 2001, prescreve: ‘2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na pásina da RFB na internet, o qual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá qerur um códiso de identificação utilizando o algoritmo MD5 – ‘MessageDigest algorithm 5’, ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720190/201096 Acórdão n.º 3302002.249 S3C3T2 Fl. 149 9 No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códisos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. 3. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados no item 3.1 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME. TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 3.1 Descrição Detalhada do Arquivo Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exige se, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 3.2 Recibo de entrega Os arquivos digitais serão entregues acompanhados do Recibo de entrega que conterá a identificação dos arquivos e os códigos gerados pelo sistema mencionado no item 2± dentre outras informações. Esse documento deverá ser assinado pelo AFRFB requisitante, após a conferência do respectivo código de autenticação, pelo técnico/empresa responsável pela geração dos arquivos e pelo contribuinte/preposto. ....’ (grifouse) 16. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito, tendo trazido ao processo arquivos sem autenticação e sem o cumprimento das regras exigidas pelo ADE. Ademais, os poucos arquivos autenticados possuem extensão de texto, o que leva à conclusão da inexistência do arquivo principal.” A contribuinte, em seu recurso voluntário, nada traz de novo, de modo a infirmar as conclusões do acórdão recorrido. Apenas reprisa seus argumentos e requer: a) “Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 b) Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2005 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem.” Nenhuma das solicitações requeridas e acima mencionadas é possível de atendimento. A primeira delas, porque, consoante já demonstrado, tratase de exigência legal que vincula a administração e, a segunda, porque é na manifestação de inconformidade/impugnação que a contribuinte deve trazer todos os meios de prova que dispõe para comprovar seus argumentos. E, ademais, a contribuinte já teve tempo suficiente para adaptarse às regras e não o fez, inclusive, já manifestou sobre a dificuldade de fazêlo, segundo o trecho destacado: “Assim, apesar das mudanças que foram necessárias para atender a Intimação 579/2009 e de acordo com o informado nas solicitações de prorrogação de prazos, a Recorrente tentou adequar seu sistema operacional para gerar os arquivos e dados solicitados nos parâmetros fixados pelo ADE cofis 15/2001, alterado pelo ADE Cofis 55/2009. Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor.” Poderseia até entender que, não havendo a análise do mérito nos presentes autos, face a indisponibilidade dos arquivos, e não havendo nenhum impedimento legal, a contribuinte, conseguindo adequar os seus arquivos às especificações técnicas exigidas na legislação de regência, pudesse efetuar novo pedido de ressarcimento, caso o fizesse dentro do prazo prescricional, o que não mais é possível, para o período sob análise. DA COMPENSAÇÃO Tem razão a contribuinte quando afirma que o pedido de compensação fica vinculado ao reconhecimento do pedido de ressarcimento.Contudo, tendo sido ambos os pedidos submetidos à julgamento da Administração Tributária por meio do mesmo processo, nada obsta que a decisão sobre o reconhecimento, ou não, do direito de ressarcimento e a homologação, ou não, da compensação requeridos seja efetuada num mesmo ato administrativo. Não havendo, ao contrário do alegado, nenhuma irregularidade na decisão assim proferida e nenhum prejuízo à contribuinte. Pelo o contrário, tal procedimento atende aos princípios da celeridade do Processo Administrativo e ao da Economia Processual. SUSPENSÃO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS E, sobre a suspensão da cobrança dos débitos, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa já esclareceu que o Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já garantem a suspensão dos débitos compensados na hipótese de apresentação de manifestação de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720190/201096 Acórdão n.º 3302002.249 S3C3T2 Fl. 150 11 inconformidade contra a não homologação de compensação, não havendo, portanto, litígio neste sentido. CONCLUSÃO Por tudo o que acima foi exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a decisão proferida no Acórdão ora recorrido e, em conseqüência, não reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado e não homologar as compensações declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900246/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de compensação de débito de PIS do período 01/2003 no valor de R$1.010.303,90, com crédito decorrente de alegado pagamento a maior de PIS relativo ao período de 11/2002, efetuado em 13/12/2002, no valor total de R$2.219.403,40, conforme declarado pela empresa na Declaração de Compensação (Dcomp) nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 24 6/ 20 08 -0 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900246/200804 Resolução nº 3201000.411 S3C2T1 Fl. 141 2 00714.00337.311003.1.3.042001 (fls. 2126), transmitida em 31/10/2003. Referida compensação não foi homologada pela Deinf/SP conforme Despacho Decisório de número de rastreamento 757861182 (fls. 20) nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Segundo informa a Deinf/SP às fls. 41, a contribuinte foi cientificada da decisão em 02/05/2008 (fls. 40), e enviou em 03/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 0205, acompanhada dos documentos de fls. 0639. Em sua defesa, a contribuinte alega possuir um valor pago a maior de R$1.913.431,80, resultado da diferença entre o PIS recolhido (R$2.219.403,40) e o PIS alegado como devido para 11/2002 (R$305.971,60). Do valor de R$1.913.431,80, a contribuinte alega ter utilizado R$981.163,35 na compensação em análise. A contribuinte alega que entregou em 16/01/2008 DCTF retificadora alterando o PIS de 11/2002 para o valor de R$305.971,60, conforme os valores constantes da DIPJ do anocalendário de 2002. Todavia, segue a manifestante, a DCTF retificadora enviada em 16/01/2008 não foi considerada nessa decisão. Pelo exposto, requer a reforma do despacho decisório, homologando se a compensação pleiteada, extinguindose o débito de PIS de 01/2003 até o montante de R$1.010.303,90, e considerando como o PIS devido para 11/2002 o valor de R$305.971,60. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/SP1 n.º 35.115, de 07/12/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, cabendo à contribuinte a comprovação da necessidade de alteração do valor originalmente declarado. Se a contribuinte não comprova a existência do erro material alegado, deve ser mantido o valor do débito declarado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900246/200804 Resolução nº 3201000.411 S3C2T1 Fl. 142 3 A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que fundamentem a defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para alterar o despacho decisório contestado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado, ainda mais quando a retificação da declaração ocorre após a ciência do despacho decisório. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900246/200804 Resolução nº 3201000.411 S3C2T1 Fl. 143 4 APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Como vemos neste processo, diferente de outros, a recorrente juntou aos autos razão contábil e cópia de sua DIPJ no seu recurso voluntário, fls. 71/76, documentos com os quais pretende comprar a origem de seu crédito, utilizado para a compensação realizada. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora informe se, com a juntada dos documentos em sede de recurso voluntário, a última DCTF retificadora enviada resta suportada, com a conseqüente comprovação do direito creditório pleiteado. No caso de não comprovação integral do crédito, informar se, com os documentos juntados, alguma parcela do crédito pleiteado, e glosado, resta confirmada. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 21 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900723/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2003, 29/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte dos créditos financeiros declarados, nas Dcomps, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o montante reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2003, 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento da certeza e liquidez de parte dos créditos financeiros declarados, nas Dcomps, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o montante reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. O saldo credor apurado trimestralmente é passível de ressarcimento e/ compensação, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), com débito tributário vencido, ambos do mesmo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003, 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento da certeza e liquidez de parte dos créditos financeiros declarados, nas Dcomps, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o montante reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 07 23 /2 00 8- 38 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre que julgou procedente, em parte, manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que não homologou as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo, com ressarcimento de saldo credor de créditos básicos do IPI, apurado para o 2º trimestre do ano calendário de 2003. A DRF em Novo Hamburgo, RS, por meio do Despacho Decisório às fls. 01, não reconheceu o ressarcimento declarado como crédito financeiro nas Dcomps e não homologou as compensações declaradas sob o fundamento de que parte dos créditos aproveitados foi considerada indevida e glosada e parte utilizada na escrita fiscal. Inconformada com a aquela decisão, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação da compensação do débito declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “...o saldo credor do período anterior ao do trimestre em discussão deve ser alterado, em função do litígio instaurado no Processo 11065.900740/200875, sobre DDE envolvendo o quarto trimestre de 2002, e que a glosa de créditos ressarcíveis se deveu à informação incorreta, no PER/DCOMP em causa, do número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do emitente de notas fiscais de aquisição de insumos, tendo constado, indevidamente, o nº 89.217.061/000119, sendo que deveria ter constado o nº 83.056.804/000210. Esse erro, explica o manifestante, aconteceu devido à falha no cadastro mantido pelo estabelecimento, no tocante ao número do CNPJ do fornecedor. Para comprovar o equívoco, juntou, por cópias, as notas fiscais de aquisição com créditos glosados. Alega também que houve importação em duplicidade de notas fiscais por entradas, sem que isso tenha prejudicado os créditos utilizados corretamente no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI). Na seqüência, diz que a glosa referente à Nota Fiscal nº 525, emitida pelo estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº 00.100.196/000196 está correta, por ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, apenas para reconhecer o direito de a recorrente retificar o erro nos CNPJ, mantendo a não homologação da compensação declarada, conforme Acórdão nº 10 34.068, datado de 01/09/2011, às fls. 111/114, sob as seguintes ementas: “PER/DCOMP. VERIFICAÇÃO ELETRÔNICA. RESSARCIMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. UTILIZAÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO NA ESCRITA FISCAL. A constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento, apurado no final do trimestrecalendário a que se refere o pedido, foi utilizado, na escrita fiscal do IPI, até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP, para abater débitos do referido imposto, impede o reconhecimento do direito creditório alegado para ressarcimento/compensação. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.900723/200838 Acórdão n.º 3301001.827 S3C3T1 Fl. 160 3 GLOSA DEFINITIVA Considerase definitiva a glosa de créditos em relação à qual houve concordância do interessado.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 133/136), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito tributário declarado, alegando, em síntese, que o tem direito ao ressarcimento, declarado como crédito financeiro na Dcomp, cujo valor foi assim apurado: saldo inicial no 2º trimestre de 2003, no valor de R$23.796,34, mais os créditos deste trimestre, no valor de R$17.451,40, menos débitos, no valor de R$12.656,62, resultou um saldo credor de R$28.591,12, para este trimestre, passível de ressarcimento, sendo que deste valor, R$23.796,34 foram utilizados em outras Dcomps, remanescendo saldo de R$4.794,78, suficiente para compensar o débito declarado na Dcomp (0049), em discussão, no valor de R$1.506,56, remanescendo ainda saldo de R$3.288,22. Assim, as compensações nos valores de R$13.164,46, no 3º trimestre de 2002, de R$5.388,16, no 4º trimestre de 2002, de R$5.243,72, no 1º trimestre de 2003, e de R$1.506,56 na Dcomp em discussão, totalizando R$25.302,90, não ultrapassam os créditos existentes na escrita de R$28.591,12, e ainda não estornados. Para comprovar suas alegações anexou cópia do Livro de Apuração do IPI (RAIPI) para o período objeto do ressarcimento declarado como crédito na Dcomp em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Nesta fase recursal se discute a certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados na Dcomps, objeto deste processo, nos valores de R$1.506,56 e R$3.326,46, referentes ao saldo credor do IPI apurado para o 2º trimestre de 2003. Na manifestação de inconformidade, quando se instaurou o litígio, a recorrente alegou que o saldo credor do período anterior ao do trimestre em discussão deve ser alterado, em função do litígio instaurado no Processo 11065.900740/200875, envolvendo o quarto trimestre de 2002 e que a glosa dos créditos ressarcíveis se deveu à informação incorreta, nas Dcomps do número do CNPJ do emitente das notas fiscais que geraram os créditos e que notas fiscais anexadas provam o erro e o número correto e, ainda, houve importação em duplicidade de notas fiscais por entradas, sem que isso tenha prejudicado os créditos utilizados, e que a glosa referente à NF nº 525, emitida pelo estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº 00.100.196/000196 está correta, por ser optante do Simples. A autoridade julgadora de primeira instância aceitou as notas fiscais apresentadas, restabeleceu os valores glosados e apurou saldo credor ressarcível de R$15.428,87 para o 2º trimestre de 2003, conforme “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” às fls. 115, Anexo I, à sua decisão. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 No entanto, não homologou a compensação declarada sob o fundamento de que refeito o demonstrativo de créditos, o menor saldo credor apurado para o trimestre anterior ao da transmissão da Dcomp foi de R$0,00, conforme demonstrativo, denominado Anexo 2, às fls. 115/116. Do exame do “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” às fls. 115, verificamos que, na apuração do saldo credor para o 2º trimestre de 2003, a autoridade julgadora de primeira instância, levou em conta o saldo credor apurado para o 1º trimestre de 2003, no valor de R$10.631,88, adicionandoo para apurar o valor total ressarcível. Contudo, este valor deve ser excluído do saldo credor do 2º trimestre de 2003, porque já foi utilizado pela recorrente para compensar débitos vencidos declarados nas Dcomps nºs 25301.88736.271107.1.7.014534 e 01401.33587.291107.1.3.010641, processo nº 11065.903497/200928. A título de esclarecimento, informamos que a decisão naquele processo, nesta fase recursal, proferida por esta 1ª Turma Ordinária, foi favorável parcialmente favorável à recorrente, determinando a homologação das compensações naquela Dcomp até o limite do saldo credor apurado. Assim, para se apurar o valor do saldo credor do 2º trimestre de 2003, deve ser deduzido do total apurado pela autoridade julgadora de primeira instância, R$15.427,87, o valor de R$10.631,88, referente ao 1º trimestre de 2003, resultando saldo credor, passível de ressarcimento/compensação, nas Dcomps em discussão, de R$4.796,99. As normas legais que tratam de ressarcimento de IPI assim dispõem: Lei nº 9.779, de 19/01/1999: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Em cumprimento a este dispositivo legal, foi expedida a IN SRF nº 210, de 30/09/2002, que assim dispôs: “Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.900723/200838 Acórdão n.º 3301001.827 S3C3T1 Fl. 161 5 I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do “Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI”, bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. § 3º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre calendário. § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 5º O disposto no § 2º não se aplica aos créditos do IPI existentes na escrituração fiscal do estabelecimento em 31 de dezembro de 1998, para os quais não havia previsão de manutenção e utilização na legislação vigente àquela data. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF o ‘Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI’, bem assim em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado.” Ora, segundo estes dispositivos legais, o saldo credor do IPI apurado trimestralmente é passível de ressarcimento/compensação. No presente caso, a própria autoridade julgadora de primeira instância apurou saldo credor passível de ressarcimento, para o 2º trimestre de 2003, objeto da Dcomp em discussão, no valor de R$5.388,16, conforme “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, às fls. 99, Anexo I. A homologação da compensação de débito fiscal vencido com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). [...].” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento/compensação de parte dos créditos financeiros declarados nas Dcomps em discussão, no valor de R$4.796,99, referentes ao saldo credor do IPI, apurado para o 2º trimestre de 2003. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer à recorrente o direito de se ressarcir/compensar do valor de R$4.796,99 (quatro mil setecentos e noventa e seis reais e noventa e nove centavos), cabendo à autoridade administrativa competente homologar as compensações declaradas, na Dcomps em discussão, até este limite, exigindo o saldo devedor remanescente. (assinado digitalmente) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.900723/200838 Acórdão n.º 3301001.827 S3C3T1 Fl. 162 7 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /06/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12898.002294/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2009
ARQUIVOS DIGITAIS. AUSÊNCIA DE ENTREGA NO LEIAUTE DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO
A falta de entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 12, I, parágrafo único da Lei nº 8.218/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.544
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente ZÍNGARA POWER RECURSOS HUMANOS E PROMOÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2009 ARQUIVOS DIGITAIS. AUSÊNCIA DE ENTREGA NO LEIAUTE DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A falta de entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 12, I, parágrafo único da Lei nº 8.218/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 22 94 /2 00 9- 82 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter apresentada a escrituração contábil no leiaute previsto na Portaria INSS/DIREP. O r. acórdão – fls 79 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A fiscalização instaurada no estabelecimento da Recorrente buscava a verificação quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias no exercício 2004. Contudo, as mesmas competências analisadas por meio do mandado de procedimento fiscal que originou os lançamentos combatidos foram objeto de outra fiscalização, finalizada em 22.02.05, justamente com vistas a verificar a retidão do recolhimento das contribuições previdenciárias, fato, inclusive, que levou à lavratura do Lançamento de Débito Confessado n° 35.264.6551. · A fiscalização iniciada em 2005 não analisou exclusivamente os valores declarados na GFIP e não recolhidos. Essa fiscalização foi ampla e irrestrita, a qual realizou o levantamento de valores supostamente devidos pela Recorrente, culminando com a lavratura de Lançamento de Débito Confessado. Tanto assim não o é que a "descrição sumária" do MPF complementar n° 09222401, referente à NFLD n° 35.264.6551, descreve como objeto de fiscalização o "batimento folha de pagamentos x GFIP x RAIS x GPS". · O presente auto de infração padece de vício insuperável, uma vez que o ato que lhe deu origem (emissão do MPF) não observou os ditames legais do art. 906 do RIR. · Não estando a presente hipótese enquadrada em qualquer uma das previsões legais do art. 149 do CTN, concluise que a revisão ora buscada foi deflagrada com base apenas na alteração do entendimento do fiscal autuante, pretensão esta que encontra óbice na súmula 227 do Tribunal Federal de Recursos. · Decadência do direito ao lançamento dos débitos relativos ao exercício 2004. · Todos os documentos perquiridos foram entregues. Assim, os arquivos, magnéticos apresentados e o "exigido" pela fiscalização, foram elaborados dentro das especificações legais de formatação. Contudo, ao se apresentar os arquivos exigidos pela legislação pertinente, a Recorrente os converteu para o formato PDF (formato Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 5 4 utilizado mundialmente pelos leitores ADOBE) o que pode ter ocasionado a perda da formatação original. · Requer: a) preliminarmente, dada a impossibilidade de nova fiscalização dos fatos ocorridos no exercício 2004 , conforme dispõe o art. 906 do RIR/ 99 , seja declarada a nulidade do lançamento efetuado,b) seja declarada a decadência do direito de a autoridade fazendária lançar a penalidade ora pretendida. c) no mérito, seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido e, ato contínuo, julgar improcedente o auto de infração em tela. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA Sobre a decadência apontada, não assiste razão à recorrente. O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 28/12/2009 em razão de lançamentos referentes ao ano de 2004. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 7 6 _________________ Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, como os documentos se referem ao ano de 2004, não há prazo decadencial a ser considerado. DO MÉRITO Inicialmente cumpre esclarecer que não se trata de refiscalização. O MPF de fls. 112 deixa claro que a ação anterior se referiu a ação seletiva, referente a divergências detectadas em batimento fiscal, buscando reduzir a inadimplência tributária, o que não afasta a competência da fazenda em abrir procedimento fiscal ordinário a fim de averiguar a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Assim, dentre das atribuições da autoridade fiscal, em razão do novo procedimento fiscal, cabe o requerimento das informações contábeis na forma determinada pela legislação tributária. A própria recorrente admite que a mesma foi entregue em formato PDF, fora das especificações legais, restando assim caracterizada a infração apontada. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002294/200982 Acórdão n.º 2803002.544 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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