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Numero do processo: 11080.732917/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE.
Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN.
Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO NA ÁREA SOCIAL. FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE. Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Recurso Voluntário Negado.
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FALTA DE POSSE DO CEAS. DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE. Não deve ser reconhecida a imunidade das contribuições sociais para as entidades não certificadas na forma da legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 29 17 /2 01 2- 92 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci no que tange às contribuições destinados a Terceiros/Outras Entidades. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732917/201292 Acórdão n.º 2402004.735 S2C4T2 Fl. 131 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 45.006 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.376.4901: exigência das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 37.376.4910: exigência das contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros). Nos termos do Relato Fiscal, os fatos geradores contemplados no lançamento foram: a) as remunerações pagas a segurados empregados, verificadas mediante análise das folhas de pagamento e contabilidade. Esse valores não foram objeto de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (levantamento FP1); b) as remunerações pagas ao Sr. Luis Carlos Sperling, obtidas de processo trabalhista em que foi reconhecido o vínculo empregatício deste segurado, cujos salários, no exercício de 2008, não foram lançados em folha de pagamento (levantamento EF1). Informase que e entidade, cuja finalidade precípua é acolher, orientar e assessorar pessoas carentes visando ao seu tratamento de saúde, declarouse erroneamente como entidade beneficente de assistência social com isenção da cota patronal previdenciária. Afirmase que a autuada não atendeu as exigências previstas no revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltase que a entidade não seria possuidora de Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, tampouco consta seu registro no Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social SICNAS. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 06/11/2012, fl. 76, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual alega que nos termos do § 7.º do art. 195 da Constituição Federal são imunes ao pagamento das contribuições previdenciárias que atendam ao requisitos da Lei. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Considerandose que o art. 146, II, também da Constituição dispõe que somente lei complementar pode dispor acerca das limitações do poder de tributar, então é o Código Tributário Nacional CTN, norma com força de lei complementar, que, validamente, pode exigir requisitos para fruição da referida imunidade. A entidade cumpre integralmente todos os requisitos do art. 14 do CTN, por isso as contribuições previdenciárias lançadas são indevidas. Prossegue afirmando que a contribuição ao INCRA, a qual visa ao financiamento da reforma agrária, é referente apenas ao contribuinte do segmento rural, não podendo a exação atingir empresas do meio urbano, como é o caso da autuada. Cita jurisprudência que acolhe este entendimento. Alega que o STF reconheceu a existência de repercussão geral em relação ao tema, quando apreciou o Recurso Extraordinário RE n.º 630.898, onde o Ministro Relator manifesta o mesmo entendimento que a entidade fiscalizada. Ao final, requer o cancelamento da lavratura. As teses da empresa não foram acolhidas pela DRJ, que manifestou a posição de que o art. 14 do CTN trata especificamente de impostos, não alcançando a imunidade relativa às contribuições previdenciárias. Assim, por não possuir o ato administrativo reconhecendo a isenção, a entidade desobedeceu ao § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não sendo merecedora da isenção pretendida. Acerca da contribuição ao INCRA, o órgão de primeira instância concluiu que essa exação caracterizase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. Tem, portanto, caráter de universalidade, não estando sua incidência condicionada a que a empresa exerça atividade rural. Complementou que o RE citado na defesa ainda não teria sido objeto de julgamento pela Corte Constitucional. Essas considerações levaram a DRJ a manter integralmente o lançamento. Inconformada, a entidade interpôs recurso voluntário, no qual lança argumentos idênticos aqueles apresentados na impugnação. É relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732917/201292 Acórdão n.º 2402004.735 S2C4T2 Fl. 132 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Aplicação do art. 14 do CTN A invocada imunidade da recorrente com base no inciso II do art. 14 do CTN não se sustenta. Vejamos: O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal veda aos entes federados a instituição de impostos nas seguintes situações: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. O desdobramento infraconstitucional do inciso IV do art. 150 da Lei Maior encontrase na alínea “c” do inciso IV do art. 9.º e no art. 14, ambos do CTN, assim redigidos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (...) Como se pode ver, esses dispositivos do CTN têm aplicação restrita à imunidade/isenção relacionada aos impostos. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção, dispositivo esse que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e hoje é tem regramento ordinário na Lei n.º 12.101/2009. Na época da ocorrência dos fatos geradores, vigia o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, que dentre os requisitos para gozo da isenção das contribuições previdenciárias previa em seu inciso II a necessidade de que a entidade beneficente de assistência social fosse possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Para corroborar as informações prestadas pela autoridade lançadora, efetuei consulta no SICNAS e pude constatar que sequer a autuada consta naquele cadastro, o que me leva a inferir que em nenhum momento houve de sua parte do cumprimento do requisito de possuir o CEAS. Não sendo detentora desse certificado jamais poderia gozar do benefício fiscal pretendido, nem na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, tampouco sob a nova regra trazida pelo art. 29 da Lei n. 12.101/2009. Assim deve ser mantida a exigência das contribuições lançadas, posto que a recorrente não cumpria os requisitos para gozo da imunidade em questão. Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.732917/201292 Acórdão n.º 2402004.735 S2C4T2 Fl. 133 7 seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Acerca do RE n.º 630.898, embora o STF tenha reconhecido a repercussão geral da questão constitucional ali suscitada, o recurso em questão ainda não teve julgamento naquela corte, estando os autos conclusos ao Relator desde 08/05/2013. Devese, portanto, ser mantida a exigência da contribuição ao INCRA. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000999/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
Ementa:
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO.
Os créditos a descontar na apuração da Cofins a ser recolhida segundo a sistemática não cumulativa devem ser escriturados corretamente de forma a não se constituírem simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO.
Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO. Os créditos a descontar na apuração da Cofins a ser recolhida segundo a sistemática não cumulativa devem ser escriturados corretamente de forma a não se constituírem simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO. Os créditos a descontar na apuração da Cofins a ser recolhida segundo a sistemática não cumulativa devem ser escriturados corretamente de forma a não se constituírem simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 99 /2 00 9- 61 Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração de exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no montante total de R$ 3.277.631,07, referente aos períodos de apuração de fevereiro/2004 a dezembro/2004. Constatou a fiscalização insuficiência de declaração e recolhimento de Cofins em face de informações prestadas em DIPJ e DCTF, conforme fundamentado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que integra o auto de infração: Insuficiência de declaração e recolhimento de COFINS nos meses fevereiro a dezembro de 2004 conforme informações prestadas em DIPJ e DCTF e constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; O contribuinte foi intimado para a apresentação de documentos e livros fiscais e contábeis, que justificassem os fatos descritos acima. O sujeito passivo apresentou esclarecimentos alegando que a DIPJ e DCTF teriam sido apresentadas com erros e que teriam sido retificadas. Posteriormente, ao atender o representante do sujeito passivo em reunião, foi suscitada a possibilidade de se reconhecer os créditos da COFINS decorrentes do regime nãocumulativo, no que o representante foi orientado a apresentar livros e documentos que comprovassem o erro no preenchimento da DIPJ, na qual os créditos apurados na Ficha 24 não foram aproveitados na Ficha 25. O sujeito passivo encaminhou, através de correio eletrônico, 3 planilhas feitas no programa Microsoft Excel (Apuração Cofins 2004 MMAA.xls; Créditos_2004Aluguel.xls; e Serviços de 3ºs CONFIN.xls) e mais 12 arquivos de impressão digital com extensão “PDF” , cujo conteúdo corresponde às fichas de apuração da COFINS (fichas 24 e 25 da DIPJ retificada relativamente aos meses de fevereiro a dezembro de 2004) e uma declaração asseverando que os créditos estariam devidamente escriturados nos livros fiscais da sociedade. Através de contato telefônico, o representante do sujeito passivo esclareceu que os livros deixaram de ser apresentados pelo fato de terem sido requisitados por Auditora Fiscal que estaria fiscalizando apenas aspectos relacionados à contribuição previdenciária. A AFRFB que está fiscalizando o sujeito passivo quanto às contribuições previdenciárias confirmou estar de posse dos livros e os disponibilizou, em meio digital (arquivos com extensão “PDF” e arquivos feitos no programa Microsoft Excel) os seguintes arquivos: Razão 2004 MMAA.pdf; Plano de Contas MMAA.pdf; Diário Geral 2004 MMAA.pdf; Diário Auxiliar 2004 MMAA Final.xls; e Balanços 2004 MMAA.xls. Examinando os documentos apresentados pelo sujeito passivo e os livros disponibilizados pela AFRFB que está realizando auditoria no sujeito passivo, não restou comprovado o erro no Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.173 3 preenchimento da DIPJ que autorizasse sua retificação em relação ao que foi declarado nas Fichas 24 e 25. Outrossim, o sujeito passivo ainda retificou as DCTF do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 para informar os novos valores apurados na DIPJ2005 Retificadora (a mesma em que deduziu os valores dos créditos de COFINS apurados em razão da não cumulatividade da contribuição). Nas DCTF retificadoras o sujeito passivo informa que parte do débito não pago estaria suspenso por medida judicial (MS 199.61.00.0231353). Contatado para esclarecer essa informação, o sujeito passivo alegou que a ação é a mesma que discute a incidência da COFINS para as prestadoras de serviços após a vigência do artigo 56 da Lei nº 9.430/1996, que revogou a isenção dada pela Lei Complementar 70/1991. Em vista dessa informação, foi solicitado que o sujeito passivo encaminhasse, por correio eletrônico, a cópia da inicial da citada ação. Confirmado que a ação trata do assunto alegado pelo representante do sujeito passivo, realizei pesquisa na sítio do TRF da 3ª Região para constatar que a apelação da Fazenda Nacional foi provida e os embargos interpostos pela autora do Mandado de Segurança foram rejeitados, assim, não está presente a situação de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários prevista no artigo 151 do CTN, razão pela qual os créditos tributários serão constituídos através do presente lançamento com o acréscimo da multa de ofício. A contribuinte apresentou impugnação, mediante a qual alegou, em síntese, que: Possui medida judicial ainda pendente de julgamento pelo Poder Judiciário referente à discussão da incidência da Cofins em relação às sociedades civis prestadoras de serviços profissionais, tendo obtido sentença favorável no processo 1999.61.00.0231353, assegurandolhe o direito de deixar de recolher a Cofins em virtude de inconstitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430/96. Em relação ao período compreendido neste processo administrativo, ainda vigia, em toda a sua força, a Súmula nº 276 do Superior Tribunal de Justiça, o que já demonstraria a impropriedade do lançamento de ofício, especialmente quanto à aplicação da multa de ofício. Há inconstitucionalidade da incidência da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais. Houve apuração indevida da base de cálculo da contribuição, tendo em vista a desconsideração de todos os créditos legitimamente lançados pela impugnante. O julgamento de primeira instância foi convertido em diligência para que o fiscal autuante informasse, se durante o procedimento fiscal teria examinado os valores declarados pela autuada nas Fichas 24 da DIPJ como créditos a descontar e, caso houvesse feito, que esclarecesse as razões pela quais não os deduziu, ou, caso não houvesse feito, que Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 diligenciasse então nesse sentido, intimando a autuada a comprovar seu direito aos créditos ali informados, bem como apurando se ela não os teria utilizado até aquela data. O AuditorFiscal esclareceu na diligência que: O art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, faculta o desconto de créditos de bens e de serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, bem como de aluguéis de prédios e equipamentos utilizados na atividade da empresa, contudo, esses créditos devem ser escriturados como tal, ou seja, a contabilidade deve conter rubrica destacando esses valores seguindo o critério da lei. O valor passível de ser apurado como crédito da Cofins não pode ser ao mesmo tempo crédito e custo, ou seja, na contabilidade os créditos, se assim foram reconhecidos, não podem ser apropriados ao custo de forma a reduzir o lucro do sujeito passivo e, consequentemente, o imposto de renda. A contabilidade é o único documento em que os créditos podem ser controlados antes da apuração. Ainda que a contribuinte opte por contabilizar os créditos de uma única vez, deverá manter controle paralelo da composição dos lançamentos. O que não se admite é não haver nenhuma escrituração de créditos como “impostos a recuperar” ou outra conta do ativo que demonstre a existência do direito, pois se não houver escrituração, não existe a apropriação do direito facultado pelo legislador. Quando asseverouse que não foi identificado erro que justificasse a apropriação dos créditos em DIPJ, estavase se referindo exatamente a essa situação, ou seja, que não foi localizada na contabilidade do sujeito passivo uma conta contábil na qual os créditos deduzidos das despesas de aluguel e de outros custos são contabilizados de forma a fazer o encontro de contas com os débitos apurados. Assim, as Fichas 25 da DIPJ 2005 retificadora não estavam refletindo a contabilidade do sujeito passivo. A consequência lógica desse procedimento contábil é que a parcela que poderia ter sido apropriada como crédito de Cofins foi levada a resultado do exercício, reduzindo o lucro. As Fichas 24 da DIPJ também não espelham a contabilidade. Como a DIPJ não origina direito, mas apenas informa, o fato de fazer constar um rubrica de crédito em DIPJ não implica em reconhecimento de direito a favor do declarante. Mesmo que a contribuinte tivesse a intenção de alterar a apuração do seu resultado apenas na DIPJ, o que se admite apenas por hipótese, deveria também alterar o valor do resultado do exercício, pois se o crédito foi aproveitado para deduzir o valor dos débitos das contribuições sociais, o lucro deveria ter sido alterado para maior na mesma medida. Tal alteração efetivamente não se verificou. A retificadora apresentada alterou apenas a Ficha 25 da DIPJ. O que se pode concluir é que a intenção do sujeito passivo, comprovado por sua escrita fiscal, seria aproveitar os valores de despesas integralmente para reduzilos como custo, o que se mostra coerente com a posição que até hoje é defendida pela Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.174 5 autuada, qual seja a de que não estaria sujeita ao recolhimento da Cofins. Não existe nenhuma coincidência entre os valores constantes no livro Razão e os valores declarados em DIPJ. Além disso, por meio do livro Razão a que teve acesso a fiscalização, é impossível conhecer as contrapartidas dos lançamentos contábeis. Essa apuração somente é possível pelo livro Diário. Examinando este documento, verificase que os valores contabilizados a débito da conta 01.01.02.009.00008 Cofins a Recuperar tem como contrapartida contas de faturamento, ou seja, tratase de escrituração comum quando existe retenção na fonte na prestação de serviços entre pessoas jurídicas, cuja linha correspondente na DIPJ 2005 não foi preenchida, bem como jamais se alegou a existência de tais créditos. Assim, não existiu a escrituração de créditos em face da aquisição de insumos, diferentemente do que alega a impugnante. Em vista desses argumentos, resta evidente que o Auditor Fiscal não legislou no caso concreto, como alega a autuada, mas, sim, aplicado as normas, a lógica e a coerência encontrada nos documentos examinados para concluir sobre a necessidade do lançamento de ofício. Em relação ao que constou da intimação, o sujeito passivo apresentou apenas memória de cálculo (item 1) e parte do que foi requerido nos itens 6, 7, 8 e 9 (foram apresentadas declarações de recebimento de aluguel e contrato de locação e notas do que foi considerado como insumo). Além dos documentos, foram apresentados esclarecimentos alegando que os créditos foram reconhecidos extemporaneamente, razão pela qual não constam em seu Livro Razão e DIPJ do período. A Requerente apresenta seu Livro Diário, deixando de apresentar o Livro Razão e memória de cálculo correspondentes. Em relação às retenções na fonte, alegou a Requerente que não possui tal documentação, pois, segundo alega, a retenção e o recolhimento competem “aos tomadores de serviços que não possuem obrigação legal de enviar comprovantes de recolhimento para a ora Requerente”. Segundo a Instrução Normativa SRF nº 381/2003, artigo 11, vigente a partir de 1º de fevereiro de 2004 até 28 de outubro de 2004 e Instrução Normativa SRF nº 459/2004, artigo 12, vigente desde 29 de outubro de 2004, prescrevem que é obrigação de quem efetua retenção de imposto e contribuições na fonte fornecer ao beneficiário comprovante anual de retenção até o último dia de fevereiro do ano seguinte. (...) Portanto, a falta de apresentação dos comprovantes de retenção não se justifica. A interessada ainda alega que teria se apropriado dos créditos extemporaneamente, razão pela qual os registros não constam dos livros da época. Ora, se esses são os fatos e se a fiscalização deixou claro que é necessário examinar a escrita contábil para comprovar a opção pela utilização dos créditos de COFINS no regime da não cumulatividade, deveria o sujeito passivo provar o que alega. De fato, a utilização de créditos extemporâneos de COFINS no regime da não cumulatividade é possível, mas o Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 registro contábil desse fato é imprescindível para o controle desses créditos. Tivesse a fiscalizada atendido ao item 10 do Termo de Constatação e Início de Diligência, seria possível identificar a apropriação do crédito extemporâneo. Assim, mais uma vez a interessada APENAS ALEGA os fatos em sua defesa. Foram apresentados os comprovantes de despesas que a fiscalizada entendeu tratarse de insumos. Em resposta aos quesitos do julgador de primeira instância, assim se pronunciou a autoridade fiscal: 1. ... informe se durante o procedimento fiscal examinou os valores informados pela autuada na Ficha 24 como créditos a descontar e, caso tenha feito, que esclareça as razões pela qual não os deduziu: Conforme constou do Termo de Constatação e Início de Diligência Fiscal, do qual teve ciência o sujeito passivo, na ocasião da realização dos trabalhos que resultaram no lançamento ora discutido, a fiscalização identificou ter havido retificação da DIPJ e buscou verificar se essa retificação estava fundada na escrituração contábil do contribuinte, como não foram identificadas as contas de COFINS A RECUPERAR (ou correspondente) com os valores informados na retificadora, não foi reconhecido o erro de fato que justificasse a alteração da declaração, portanto, não foram apuradas as origens dos supostos créditos a serem descontados na apuração da COFINS devida durante o ano de 2004. 2. ..., ou, caso não tenha feito, que diligencie agora nesse sentido, intimando a autuada a comprovar seu direito aos créditos ali informados, bem como apurando se ela não os utilizou até a presente data. Foram solicitadas ao contribuinte a apresentação da relação de todas as despesas com aluguel e demais insumos que teriam gerado direito aos créditos a serem descontados da COFINS apurada no regime da não cumulatividade, sendo apresentadas relações INCONSISTENTES e alguns documentos. A título de exemplo, observase que na apuração de abril de 2004 apropria se créditos sobre uma base de R$ 685.442,53 e são apresentados documentos relativos a R$113.066,67. Em relação à utilização dos créditos até a presente data, é impossível apresentar resposta segura, pois o sujeito passivo não mantém conta contábil onde esses valores são registrados, ou se mantém, EMBORA INTIMADO, não apresentou ao fisco. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte apresentou manifestação, na qual alega, em síntese: A autuação é nula, pois cobra valores em duplicidade com aqueles exigidos por meio de execuções fiscais já ajuizadas, conforme se verifica pelos documentos anexados aos autos. Isso ocorreu porque os valores declarados como devidos em DCTF foram retificados e tais valores foram inscritos na Dívida Ativa, com as respectivas execuções fiscais já ajuizadas. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.175 7 O fundamento utilizado para a manutenção do auto de infração após a diligência, de que não haveria direito a créditos de Cofins, pois eles não se encontrariam contabilizados, não deve subsistir. Como os valores devidos a título de COFINS estavam suspensos em razão de decisão judicial, na apuração da COFINS, a Impugnante deixou de considerar os créditos a que tinha direito, pois não estava obrigada ao recolhimento do tributo. Com a reversão da decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, os valores até então suspensos passaram a ser devidos. Porém, os valores informados nas declarações da Impugnante estavam incorretos, já que consideraram apenas a receita sem o cômputo da totalidade dos créditos relativos a todos os insumos utilizados na sua atividade. Assim, a Impugnante apresentou DCTF retificadora dos 04 (quatro) trimestres do ano de 2004, informando corretamente as receitas auferidas mas descontando apenas parte dos créditos a que teria direito (aluguéis pagos a pessoa jurídica e serviços prestados por terceiros), deixando de considerar todos os demais insumos passíveis de gerarem também créditos. A documentação que comprova a regularidade de tais créditos não aproveitados, assim como das despesas com terceiros e aluguéis, foram acostados aos autos a fim de comprovar a legitimidade do seu aproveitamento para redução da base de cálculo da contribuição à COFINS. Não obstante, apesar de ainda existirem créditos a serem utilizados na apuração da contribuição devida em 2004 (já que não foram utilizados no cálculo dos valores informados nas DCTFs retificadoras), o montante informado na DIPJ de 2005 também considera apenas a receita auferida, sem qualquer crédito, o que gera uma diferença indevida a recolher tanto em relação às DCTFs Retificadoras quanto à correta apuração da contribuição. Por outro lado, a Impugnante não pôde mais apresentar Retificadora da DIPJ de 2005 para refletir a correta apuração da COFINS no ano de 2004, pois, em razão do início da fiscalização, sua tramitação não foi permitida. Assim, DIPJ e DCTF apresentaram valores distintos. Quanto ao argumento de que os valores dos créditos a que a Impugnante faz jus não se encontram contabilizados, a Impugnante reitera que contabilizou este valores, mas que estes não estavam identificados em sua escrita contábil como créditos de COFINS, na forma exigida pela fiscalização. Isso porque, como exaustivamente demonstrado, tratamse de créditos não aproveitados no momento oportuno, ou seja, quando do auferimento das receitas, já que a Impugnante não os utilizava na sua apuração, pois estava desobrigada do recolhimento de tal contribuição por força de ordem judicial então vigente. No entanto, o fato de não os considerar em suas declarações não são suficientes para que sejam vedados, já que este direito encontra respaldo na Constituição Federal, artigo 195, §12, bem como no artigo 3º da Lei nº 10.833/03. Nem se alegue que o §10 do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 exige que os valores considerados como créditos sejam adicionados à apuração do lucro líquido, pois referido dispositivo apenas veda que o montante de tais créditos seja considerado como receita tributável. Mediante o Acórdão nº 1649.470, de 15 de agosto de 2013, a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO. Os créditos a descontar na apuração da Cofins a ser recolhida segundo a sistemática não cumulativa devem ser escriturados corretamente de forma a não se constituírem simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 22/01/2014. Em 21/02/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: 1. Nulidade do lançamento (...) considerando que os valores declarados nas DCTF's retificadoras foram inscritos em dívida ativa com as respectivas Execuções Fiscais já ajuizadas, o presente Auto de Infração exige valores que já estão sendo cobrados judicialmente, acarretando cobrança em duplicidade, padecendo, portanto, de vício insanável. Tal situação se deve ao fato de que a autoridade fiscal, ao considerar os valores declarados em DCTF para apurar a diferença entre estes e o quanto declarado na DIPJ de 2005, não considerou as retificações das DCTF's procedidas pela Recorrente ainda antes da lavratura do Auto de Infração. 2. Da apuração indevida da base de cálculo lançada: (...) toda a discussão se funda na possibilidade da Recorrente de, na apuração da eventual COFINS devida no período de 2004 poder deduzir de sua base de cálculo os respectivos créditos de tal tributo, conforme expressamente autorizado pelo artigo 3o da Lei 10.833/04, que criou o chamado regime não cumulativo para esta contribuição. Assim, toda e qualquer despesa incorrida pela pessoa jurídica contribuinte daquele tributo e que tenha a característica de insumo necessário ao desempenho de suas atividades, pode ser creditado, na apuração da COFINS, como forma de fazer com que o tributo incida sobre o valor agregado em suas operações próprias. Aliás, isso é inclusive reconhecido pela própria autoridade autuante, ao informar que verificou na DIPJ 2005 Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.176 9 apresentada pela Recorrente que tais valores de crédito foram corretamente lançados em sua ficha 24, porém, não aproveitada. (...) como os valores devidos a título de COFINS estavam suspensos em razão de decisão judicial, na apuração da COFINS a Recorrente deixou de considerar os créditos a que tinha direito, pois não estava obrigada ao recolhimento do tributo. Com a reversão da decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, os valores até então suspensos passaram a ser devidos. Porém, os valores informados nas declarações da Recorrente estavam incorretos, já que consideraram apenas a receita sem o cômputo da totalidade dos créditos relativos a todos os insumos utilizados na sua atividade. Assim, a Recorrente apresentou DCTF retificadora dos 04 (quatro) trimestres do ano de 2004, informando corretamente as receitas auferidas, mas descontando apenas parte dos créditos a que teria direito (aluguéis pagos a pessoa jurídica e serviços prestados por terceiros), deixando de considerar todos os demais insumos passíveis de geraram também créditos. A documentação que comprova a regularidade de tais créditos não aproveitados, assim como das despesas com terceiros e aluguéis, foram acostados aos autos a fim de comprovar a legitimidade do seu aproveitamento para redução da base de cálculo da contribuição à COFINS. Não obstante, apesar de ainda existirem créditos a ser utilizados na apuração da contribuição devida em 2004 (já que não foram utilizados no cálculo dos valores informados nas DCTF's retificadoras), o montante informado na DIPJ de 2005 também considera apenas a receita auferida, sem qualquer crédito, o que gera uma diferença indevida a recolher tanto em relação às DCTF's Retificadoras quanto à correta apuração da contribuição. Por outro lado, a Recorrente não pôde mais apresentar Retificadora da DIPJ de 2005 para refletir a correta apuração da COFINS no ano de 2004, pois, em razão do início da fiscalização, sua transmissão não foi permitida. Assim, DIPJ e DCTF apresentaram valores distintos. Quanto ao argumento de que os valores dos créditos a que a Recorrente faz jus não se encontram contabilizados, a Recorrente reitera que contabilizou estes valores, mas que estes não estavam identificados em sua escrita contábil como créditos de COFINS na forma exigida pela fiscalização, já que, como dito, à época a Recorrente não estava obrigada ao recolhimento da contribuição, logo não teria motivo para registrar este crédito. Logo, se a Constituição Federal e a lei que outorga o direito ao crédito não restringem sua utilização à informação por meio de declarações, mas apenas a existência em si do crédito, sua vedação acarreta inegável ofensa ao princípio da legalidade e enriquecimento ilícito do erário. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Nem se alegue que o §10 do artigo 3o da Lei n° 10.833/03 exige que os valores considerados como créditos sejam adicionados à apuração do lucro líquido, como constou na r. decisão recorrida, pois referido dispositivo apenas veda que o montante de tais créditos seja considerado como receita tributável. 3. Da multa confiscatória: (...) a exigência da multa em percentuais elevados, representa um verdadeiro excesso de exação, porque pune confiscatoriamente o contribuinte por ter adotado um procedimento absolutamente legítimo, inclusive amparado pelas normas e princípios constitucionais e legais. No caso analisado, o caráter confiscatório é ostensivo, pois em virtude de uma suposta irregularidade praticada pela Impugnante, que em momento algum foi devidamente especificada e provada, não trazendo por sua vez qualquer prejuízo aos cofres do Estado, por parte de um contribuinte que sempre honrou com todos os seus compromissos, ultrapassa o aspecto lógico, racional, e fundamentalmente o legal, consubstanciandose em verdadeiro locupletamento ilícito, que o Direito repugna e não admite, por se tratar de fato sem causa legítima, uma vez que não há qualquer fundamento para se exigir o principal e também de confiscarlhe o patrimônio por meio da aplicação da referida multa. (...) É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. 1. Preliminar de nulidade do lançamento: Sustenta a recorrente a nulidade da autuação por cobrança em duplicidade tendo em vista que a fiscalização não considerou as retificações das DCTF´s efetuadas ainda antes da lavratura do auto de infração. No entanto, após iniciada a ação fiscal, o sujeito passivo não mais se exime da responsabilidade por infrações da legislação tributária, ainda que retifique as declarações, efetue pagamentos ou mesmo formule consulta, eis que, consoante determinação do parágrafo único do artigo 138 do CTN e art. 7º do Decreto 70.235/72, o ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, in verbis: Art. 138. [CTN] A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.177 11 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º [Decreto nº 70.235/72] O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação aos demais envolvidos nas infrações verificadas. Nessa linha, esta Tuma do Carf, no Acórdão nº 3402002.209, de 26 de setembro de 2013, Relator: João Carlos Cassuli Júnior, já decidiu pelo cabimento do lançamento dos valores constantes em DCTF´s retificadoras efetuadas após o início do procedimento fiscal, vez que a espontaneidade da autuada estava excluída, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007 (...) RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO SUBSEQUENTE. EXCLUSÃO DE MULTA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138, do CTN, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a posterior retificação de DCTF não caracteriza espontaneidade para fins de inviabilizar o subsequente lançamento tributário, bem como para que haja o afastamento da incidência da multa de ofício quanto aos valores contidos na retificadora. (...) Além da perda da espontaneidade, conforme disposto no art. 9º, II da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e nas demais Instruções Normativas que a sucederam, abaixo transcrito, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a alteração de débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal, como na situação presente: Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1ºA DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. (...) Desta forma, a questão da duplicidade de cobrança dos débitos, que estariam sendo exigidos também mediante a DCTF retificadora, deve ser solucionada em harmonia com o disposto acima, não devendo subsistir os valores em duplicidade constantes na DCTF retificadora inválida, mas remanescendo intacto o lançamento dos débitos, inclusive com a exigência da multa de ofício, em face da exclusão da espontaneidade da autuada. Assim, pelo exposto e tendo sido o auto de infração lavrado pela autoridade competente com observância aos requisitos do art. 142 do CTN, sem qualquer cerceamento ao direito de defesa da recorrente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela recorrente. 2. Da alegação de apuração indevida da base de cálculo lançada: A fiscalização esclareceu, em procedimento de diligência no âmbito do julgamento de primeira instância, que não considerou os créditos declarados na DIPJ em face de não ter localizado, na contabilidade do sujeito passivo, uma conta contábil na qual os créditos deduzidos das despesas de aluguel e de outros custos fossem contabilizados, de forma a possibilitar o encontro de contas com os débitos apurados. A decisão recorrida decidiu pela manutenção do entendimento da fiscalização, vez que, para o exercício do direito ao desconto dos créditos informados na DIPJ na sistemática não cumulativa, esses deveriam ter sido contabilizados como redutores do custo dos insumos ou dos serviços de terceiros em conta específica, como, por exemplo, "cofins a recuperar". Conforme constatou a autoridade julgadora de primeira instância, apesar de a contribuinte ter tido gastos que poderiam eventualmente lhe gerar créditos a descontar na apuração da Cofins não cumulativa, deixou de fazer a correta contabilização deles, optando, ao contrário, por considerálos no custo dos insumos e dos serviços que lhe foram prestados. Alega a recorrente que teria contabilizado estes valores, "mas que estes não estavam identificados em sua escrita contábil como créditos de COFINS na forma exigida pela Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.178 13 fiscalização, já que, como dito, à época a Recorrente não estava obrigada ao recolhimento da contribuição, logo não teria motivo para registrar este crédito". Aduz que a Constituição Federal e a lei que outorga o direito ao crédito não restringem sua utilização à informação por meio de declarações, mas apenas à existência em si do crédito. Ocorre que a "existência em si do crédito" está condicionada a sua verificação pela fiscalização nos livros e documentos fiscais e contábeis da recorrente, os quais devem estar em consonância com as normas contábeis e fiscais aplicáveis. Somente a contabilização em contas próprias permitiria verificar se os créditos a descontar não teriam sido utilizados em períodos posteriores, o que lhes conferiria a certeza e liquidez necessária ao desconto. Conforme disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3, de 2007, o valor dos créditos da Cofins no regime não cumulativo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, como contabilizado pela recorrente, servindo somente para dedução do valor devido dessa contribuição. Assim, pelos mesmos fundamentos da decisão recorrida, parcialmente descrita abaixo, à qual a recorrente não apresentou argumento hábil a afastála ou modificála, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99, entendo que foi correta a apuração da base de cálculo da Cofins apurada pela fiscalização, sem considerar tais descontos: (...) Pela análise dos documentos juntados aos autos, realmente não há dúvidas de que a contribuinte teve gastos com insumos e serviços de terceiros que poderiam gerar créditos a descontar na apuração da Cofins segundo a sistemática não cumulativa. Todavia, não é imediata a relação que se estabelece entre a existência desses gastos e o direito ao desconto dos créditos. Essa relação está mediada por uma etapa prévia, que se inicia com a opção da contribuinte em exercer o direito ao desconto, pois, como bem disse o auditor fiscal, tratase de uma faculdade do sujeito passivo, não um dever. Demonstrando tal opção, deve vir, então, a correta apuração e escrituração dos valores envolvidos. Com efeito, para o exercício desse direito, os créditos a serem descontados na apuração da Cofins a pagar segundo a sistemática não cumulativa devem ser contabilizados como redutores do custo dos insumos ou dos serviços de terceiros, valendose de conta específica (Cofins a Recuperar, p.ex.). A razão disso é que esses créditos não podem constituirse simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição, dada as implicações que este último tem na apuração do Imposto de Renda. Vejase que esse entendimento está estabelecido no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3, de 2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Parágrafo único. Os créditos de que trata o caput não poderão constituirse simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição de insumos, mercadorias e ativos permanentes. Art. 2º O procedimento técnico contábil recomendável consiste no registro dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como ativo fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de o contribuinte adotar procedimento diverso do previsto no caput, o resultado fiscal não poderá ser afetado, inclusive no que se refere à postergação do recolhimento do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da CSLL. Art. 3º É vedado o registro dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em contrapartida à conta de receita. Ademais, antes desse ADI, o Conselho Federal de Contabilidade, por meio do Comunicado nº 1/2003, já havia se posicionado no mesmo sentido quando da criação do PIS/Pasep não cumulativo: COMUNICADO TÉCNICO Nº 01/2003 O Conselho Federal de Contabilidade, por permissão Regimental – art. 13º, inciso XXI, c/c o art. 4º da Resolução CFC nº 751/93 – emite o seguinte Comunicado Técnico: Lei nº 10.637/2002 – PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – FORMA DE CONTABILIZAÇÃO Com o advento da lei supra epigrafada, a contribuição para o PIS e PASEP tornaramse contribuições nãocumulativas. Neste sentido, deve ser adotado, quanto a estas contribuições, a mesma sistemática conferida à Contabilização do ICMS, uma vez que estas geram créditos em relação a operações anteriores. Em conta específica (Recuperação de PIS) deve ser contabilizado o crédito valendo como redutor do custo da mercadoria ou da despesa na prestação de serviços. Quando da venda da mercadoria ou da prestação do serviço, o valor do PIS, contabilizado em conta específica redutora da Receita. Deve ser observado que os efeitos desta lei têm vigência a partir de 1º de dezembro de 2002. Já nesta data, deve ser provisionado o crédito decorrente do estoque existente, à razão de 0,65%, como crédito presumido. Este crédito calculado será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais iguais e sucessivas, a partir de 1º/12/2002 (art. 11, parágrafos 1º e 2º). BrasíliaDF, 24 de janeiro de 2003. Contador Alcedino Gomes Barbosa Presidente No caso concreto, como afirma o autuante, a escrituração da contribuinte é prova de que ela não quis exercer esse direito, preferindo manter os valores que seriam créditos na apuração da Cofins não cumulativa como custo dos serviços e dos insumos adquiridos. As retificações das DCTFs e da DIPJ, por sua vez, mostraram alterações apenas em relação à parte referente à Cofins, do que se infere que a impugnante quer considerar os valores apurados como créditos dessa contribuição tanto como direito a crédito como custo dos insumos e dos serviços de terceiros, o que, como visto, não tem cabimento. Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000999/200961 Acórdão n.º 3402002.889 S3C4T2 Fl. 2.179 15 Digase, ainda, que a devida contabilização em contas próprias no Livro Razão permitiria igualmente verificar se os créditos a descontar corretamente apurados já não teriam sido utilizados pela contribuinte em períodos de apuração posteriores. Sem essa possibilidade, jamais se teria a certeza e a liquidez dos alegados créditos, que é exatamente o que ocorre no caso em tela. Destarte, não há como não concluir pela correção do entendimento do auditor fiscal ao não considerar os créditos declarados nas Fichas 24 da DIPJ 2005, uma vez que a contribuinte, apesar de ter tido gastos que poderiam lhe gerar créditos a descontar na apuração da Cofins não cumulativa, deixou de fazer a correta contabilização deles, optando, ao contrário, por considerálos no custo dos insumos e dos serviços que lhe foram prestados. Vale destacar que esse posicionamento não implica nenhuma violação do direito previsto no art.195, §12, da Constituição Federal, bem como no art. 3º da Lei nº10.833, de 2003. Na verdade, como dito, o que ocorre no caso em tela é que, como comprova sua escrituração contábil, a própria autuada optou por não exercer esse direito. E tal opção revela ainda a improcedência da alegação de enriquecimento ilícito, especialmente levandose em conta as implicações dessa opção nos valores devidos a título de Imposto de Renda. (...) 3. Da alegação de confisco da multa de ofício: Quanto à alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que a prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, afasto a alegação da recorrente de confisco da multa. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15578.000139/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (pseudoatacadistas), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Cofins, desconsidera-se operação de compra simulada, mas mantém-se a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma.
REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Cofins não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido previsto para a aquisição de pessoas físicas.
AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE.
É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3102-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; e por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas.Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (pseudoatacadistas), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Cofins, desconsidera-se operação de compra simulada, mas mantém-se a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Cofins não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido previsto para a aquisição de pessoas físicas. AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; e por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas.Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa.
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Cofins, desconsiderase operação de compra simulada, mas mantémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Cofins não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido previsto para a aquisição de pessoas físicas. AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 01 39 /2 01 0- 76 Fl. 20225DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.226 2 atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; e por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas.Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na decisão de primeira grau, que segue transcrito: Fl. 20226DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.227 3 Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a Cofins nãocumulativa associada a operações de exportação, referente aos quatro trimestres de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 272/273, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1687, de 21/06/2010 em fls. 255/272, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. No referido Parecer consta consignado, em resumo, que: • O contribuinte efetuou compras junto ao Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente, no período de fevereiro a junho, novembro e dezembro de 2006. Tais operações de venda não são tributadas e, portanto, não há que se falar em creditamento da Cofins pelas aquisições efetuadas pela Unicafé. Tampouco há previsão para crédito presumido nesta situação; • O contribuinte ora apura crédito presumido sobre as aquisições realizadas junto a cooperativas, ora apura crédito integral. A falta do registro na nota fiscal emitida pela cooperativa de que a saída é com suspensão não autoriza ao adquirente aproveitarse do crédito integral; • Foi glosado o crédito integral sobre a parcela de aquisições de café junto a cooperativas, adicionandose em seu lugar, o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004; • Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 80% das aquisições de café de pessoa jurídica no ano de 2006; • Verificouse irregularidades na grande maioria dos fornecedores (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • 14 dos 51 fornecedores listados se encontram com o CNPJ suspenso ou na situação de inaptidão, caracterizadas como inexistentes de fato ou omissa não localizada; • Não há questionamento quanto à aquisição dos produtos. O que se conclui é que as aquisições não foram realizadas das empresas que forneceram as notas fiscais, mas de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS; • É identificado um processo artificial de majoração dos créditos da nãocumulatividade, transformando créditos presumidos das aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, em créditos integrais das aquisições de pessoas jurídicas. Tal afirmativa encontra respaldo, a título Fl. 20227DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.228 4 exemplificativo, nas documentações extraídas dos processos de declaração de inaptidão juntados no anexo, em decorrência da operação denominada “Tempo de Colheita”, onde se concluiu que o adquirente conhecia e se valia da existência de empresas de fachada com o único objetivo de obter créditos indevidos, restando comprovada a máfé das empresas adquirentes, dentre elas a própria Unicafé; • O esquema envolvendo as operações de café foi corroborado pela “Operação Broca” realizado pela Receita Federal; • Não se pode questionar que houve a aquisição de café, porém, de pessoas físicas, produtores rurais. Nesta senda, reconhecese o crédito presumido em detrimento das supostas aquisições de pessoas jurídicas como pretendeu a Unicafé; • Os fornecedores que se encontram nesta situação foram relacionados na tabela de fls. 246/247 e foi promovida a glosa pertinente e a adição do crédito presumido. Seguindo o disposto no art. 8o, § 3o, II da IN/SRF 660/2006, que disciplinou a Lei 10.925/2004, tal crédito não pode ser objeto de compensação com tributos diversos nem pedido de ressarcimento; • Foi elaborado o “demonstrativo de apuração das contribuições nãocumulativas” com os ajustes procedidos na base de cálculo dos créditos. O crédito presumido foi somado ao crédito decorrente do mercado interno; • Foram desconsideradas as despesas de corretagem, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação no tocante à apuração de créditos a descontar; • Foi apurado direito creditório relativo à nãocumulatividade da Cofins decorrente de operações de exportação nos 4 trimestres de 2006 no valor de R$ 11.517.080,57. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 10/12/2010 (fl. 288) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/01/2011 (fls. 544/616), alegando, em síntese que: • O insumo “café em grão cru” destinado à revenda é considerado uma semente beneficiada, conforme Resolução CNNPA nº 12/1978. A Recorrente revende o insumo no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; Fl. 20228DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.229 5 • Em se tratando de compras para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos integrais da Cofins (art. 3o, I e II da Lei 10.833/03); • O fiscal entendeu que a tributação da Cofins na saída do “café cru em grão” das cooperativas fornecedoras deveria ser obrigatoriamente suspensa, alegando que a Recorrente exerce atividade agroindustrial; • Nas receitas decorrentes de atos nãocooperativos, há Cofins a recolher, motivo pelo qual o adquirente da sociedade cooperativa tem direito ao aproveitamento do crédito integral; • Mesmo quando se trata de ato cooperativo em que se tem o “adequado tratamento tributário” na incidência da Cofins, o adquirente tem direito ao crédito integral; • Nas aquisições de café cru em grão pela recorrente não há a suspensão obrigatória da Cofins, visto que as sociedades cooperativas de produção agropecuária, fornecedoras, exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6o do art. 8o da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; • As vendas de produtos in natura pelas cerealistas e pelas cooperativas de produção agropecuária saem com suspensão da Cofins. As cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, adquirentes do café in natura: apuram IR com base no lucro real; exercem atividade agroindustrial; utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no capítulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); • As cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, fornecedoras, aproveitam o crédito presumido da Cofins, visto que exercem cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café, transformando o café in natura adquirido de pessoas físicas e jurídicas em “café cru em grão”; • Não havendo suspensão, a receita bruta da venda de “café cru em grão” pelas cooperativas de produção agropecuária, quando decorrente de ato nãocooperativo ou ato cooperativo, é tributada à alíquota geral do PIS e da Cofins. Nesse caso, a Recorrente, adquirente, tem direito ao aproveitamento do crédito integral; • A cooperativa de produção agropecuária, quando comercializa o “café cru em grão” no mercado interno para Fl. 20229DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.230 6 a Recorrente, transfere na nota fiscal o total do crédito fiscal da Cofins que não foi possível compensar ou ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade; • Não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da Cofins em duas etapas da cadeia produtiva do café; • O regime de suspensão da Cofins nas vendas efetuadas por cooperativas passou a vigorar a partir na publicação da IN SRF 636/2006, revogada pela IN SRF 660/2006, que estabelece as regras a serem observadas; • Se o produto adquirido como insumo de pessoa jurídica não teve sua receita favorecida pela suspensão do PIS e da Cofins, mostrase lógico inferir que o aproveitamento do crédito pelo adquirente observará as regras gerais; • As informações do Parecer, no que se refere a aquisições de pessoas jurídicas omissas ou inaptas, não são de conhecimento da Requerente, já que não foi convocada a participar do procedimento administrativo a elas alusivo; • Houve ofensa ao direito ao contraditório e a ampla defesa, sendo necessário afastar os efeitos dos fundamentos expostos no Parecer e no Anexo 1, Vols. I e II, eis que produzidos sem a participação da empresa Recorrente; • Diferentemente do IPI, no caso da nãocumulatividade da Cofins, não há o que falar se, na etapa anterior houve recolhimento ou não das contribuições. Esse entendimento já foi manifestado pela DRJ/RJO II em caso semelhante; • No método subtrativo direto, aplicado a Cofins, o próprio contribuinte deve apurar o valor a ser abatido da aplicação da alíquota sobre o montante das vendas ou das prestações de serviços; • A Recorrente agiu de boafé, tendo, pois, o direito ao aproveitamento do crédito integral nas aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inativas, omissas e com receita nula; • Segundo o art. 82 da Lei 9.430/96, as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Tal preceito é reproduzido no art. 217 do RIR/99; • A Recorrente teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA, banco de dados da RFB. Ainda que as empresas fornecedoras Fl. 20230DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.231 7 estivessem inativas no momento da realização das operações, o que não é verdade, a Recorrente jamais poderia ser prejudicada por fatos que não causou; • Nenhum dos acionistas da empresa Recorrente foi denunciado pelo Ministério Público Federal, não respondendo a quaisquer dos crimes que foi objeto da operação denominada “Broca”, conforme certidão em anexo; • Várias das empresas arroladas ainda apresentam situação cadastral “ativa” de seus CNPJ’s; • Seguem os comprovantes de ingresso das mercadorias e de seus respectivos pagamentos, acompanhados da consulta ao SINTEGRA; • A fiscalização cometeu alguns erros na apuração da base de cálculo da contribuição: deixou de incluir despesas relativas a materiais, insumos e serviços do ano de 2006; incluiu compras junto à Cooperativa de Cafeicultores da Média Sorocabana Ltda., no mês de abril, como se fossem aquisições junto à CONAB; • O autor do procedimento fiscal desconsiderou a realidade dos fatos amparada nos lançamentos contábeis. A contabilidade é meio de prova hábil e idôneo, não sendo possível desconsiderála em razão da supressão da essência em relação à exigência de formalidades; • Trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos; • Somente seria possível considerar existente a alegada fraude na eventualidade de vigorar uma sentença penal condenatória com trânsito em julgado; • A atividade de corretagem de café é essencial ao comércio atacadista de café, devendo os desembolsos decorrentes do pagamento de corretagem serem considerados como insumos à atividade da Recorrente; • O conceito de insumos dado pela IN SRF 404/2004 é equivocado, o que permite concluir que o legislador administrativo extrapolou sua função regulamentar; • Requer a reforma do Parecer SEORT, o restabelecimento do crédito integral da Cofins e que seja reconhecida a posição da Recorrente como preponderantemente exportadora, nos termos da IN RFB 1060/2010 (ressarcimento acelerado), em Fl. 20231DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.232 8 relação aos futuros pedidos. Por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 20016/20043), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 256.764,43 referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da Cofins vinculado às operações de exportação, acumulado no período de janeiro a dezembro de 2006, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Fl. 20232DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.233 9 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 21/9/2012 (fl. 20045). Em 17/10/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 20046/20131, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória, concernentes à glosa integral dos créditos oriundos da aquisição de cooperativas e de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada, bem como calculados sobre o valor das despesas de corretagem. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator (vencido quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas) O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, o cerne da controvérsia cingese (i) a glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em grão de cooperativas de produção e de pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada), e (ii) a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do café em grão. I Da Glosa Parcial de Créditos Referentes às Aquisições de Cooperativas de Produção Agropecuária De acordo com o Parecer que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório (fls. 272/273), a autoridade fiscal glosou os créditos integrais, apurados pela recorrente, calculados sobre os valores das aquisições de “café cru em grão” ou “café beneficiado” realizadas de cooperativas de produção agropecuária, mas, em compensação, calculou e reconheceu em seu favor o valor do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. As razões da glosa parcial, apresentada no citado Parecer (fls. 255/272), em síntese, foram as seguintes: a) as cooperativas de produção agropecuária encontravamse obrigadas a dar saídas do café em grão com suspensão da exigibilidade das contribuições, por força do disposto no art. 9o da Lei 10.925/2004; Fl. 20233DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.234 10 b) como a interessada apurava o imposto de renda com base no lucro real e exercia atividade agroindustrial, definida no art. 6º da Instrução Normativa SRF 660/2006, tinha o direito de apropriar apenas o crédito presumido sobre as aquisições das cooperativas de produção agropecuária; c) o não cumprimento pela cooperativa agropecuária de produção da obrigação acessória de registrar na nota fiscal a observação de que a saída era com suspensão não permitia ao adquirente aproveitarse do crédito integral; d) as receitas das cooperativas agropecuárias de produção, decorrentes da comercialização da produção dos cooperados, não integravam a base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, por conseguinte, quando tais cooperativas não davam saída com suspensão não recolhiam os tributos sobre estas receitas, daí o motivo pelo qual a lei previa apenas o crédito presumido ao adquirente das citadas cooperativas; e e) a parcela das aquisições de café efetuadas de cooperativas agropecuárias de produção com crédito integral foram glosadas, mantendose, em seu lugar, o crédito presumido previsto no art. 8o da Lei 10.925/2004. A Turma de Julgamento de primeiro grau ratificou a glosa parcial determinada pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem, sob o argumento de que as compras foram realizadas com suspensão da cobrança da Cofins e a recorrente não comprovara que o produto fora destinado à revenda. As razões de decidir apresentadas no voto condutor do julgado recorrido, em síntese, foram baseado nos seguintes argumentos: a) o produto adquirido pela recorrente estava descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que evidenciava uma venda de produto não submetido a processo industrial; b) o “café cru” era a semente beneficiada, mas, para efeito da aplicação da obrigatória suspensão da exigibilidade da Cofins, em relação às vendas efetuadas por cooperativa agropecuária de produção, era irrelevante o fato de a referida sociedade cooperativa realizar a atividade de beneficiamento, pois, somente o exercício cumulativo das atividades descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004 e no art. 6º, II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, caracterizava tal atividade como agroindustrial, o que não ocorrera com o produto adquirido pela recorrente; c) o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracterizava como cooperativa de produção agropecuária, consequentemente, não lhe era permitida a apropriação do crédito presumido da Cofins, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004; d) a recorrente atendia, cumulativamente, os três requisitos estabelecidos no art. 4º da Instrução Normativa 660/2006, para que a venda fosselhe realizada com suspensão da cobrança da Cofins; e Fl. 20234DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.235 11 e) tratandose de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a recorrente não provara que o produto adquirido fora destinado à revenda, hipótese em que o produtos não era obrigado a sair com suspensão do estabelecimento da cooperativa de produção agropecuária. Por sua vez, a recorrente alegou que fazia jus ao valor do crédito integral porque adquirira o “café cru em grão” de sociedades cooperativas que exerciam atividade de produção agroindustrial, nos termos dos §§ 6° e 7º do art. 8° da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de Fl. 20235DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.236 12 padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004); § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). [...] (grifos não originais) Do cotejo dos posicionamentos explicitados, fica evidenciado que o cerne da controvérsia consiste em saber se o “café cru em grão” adquirido pela recorrente de sociedades cooperativas fora submetido a processo agroindustrial, que compreende o exercício cumulativo das atividades enumeradas no § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004. No caso, embora a recorrente tenha apresentado fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, não trouxe aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. As notas fiscais colacionadas aos autos, por amostragem, pela recorrente, na fase de manifestação de inconformidade, a meu ver, são insuficientes para comprovar que as cooperativas fornecedoras submeteram o produto adquirido pela recorrente ao mencionado processo agroindustrial. Com efeito, em consonância com os bem postos argumentos exarados no Parecer que serviu de base para o questionado Despacho Decisório, o simples registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, induvidosamente, não tem o condão de conferir efeito diverso a real operação praticada entre as cooperativas emitentes dos referidos documentos e a recorrente, que, até prova em contrário, tratase de venda de café em grão sem a realização do processo de produção agroindustrial, definido no § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004. Além disso, pretender atribuir ao registro de uma mera expressão, ainda que colocado em documento fiscal (qualquer papel cabe tudo), a condição de prova adequada e suficiente de que as cooperativas vendedoras realizavam a operação de produção definida no referido comando legal, a meu ver, implicaria total desprezo pela verdade material, em desprestígio ao princípio da verdade real, que rege o processo administrativo fiscal, principalmente tendo em conta o evidente poder da adquirente de impor as condições, para fim de realização do negócio, aliado ao fato de que as receitas de vendas das cooperativas, da forma como alegada pela recorrente, não estavam sujeitas ao pagamento das referidas contribuições, por força das deduções asseguradas no art. 15, I e IV1, da Medida Provisória 2.15835/2001, o que, certamente, representa um fator propício para simulação de operação. 1 O referido preceito legal, tem a seguinte redação: "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 20236DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.237 13 Dada essa circunstância, a comprovação de que tais cooperativas exerciam a atividade agroindustrial, induvidosamente, demanda provas cabais, hábeis e idôneas, o que a recorrente não se dignou colacionar aos autos, nas duas oportunidades defesa, embora estivesse ciente de que este era o motivo da glosa parcial dos créditos em questão. E no caso, diferentemente do que alegou a recorrente, por se tratar de pedido de ressarcimento de crédito, nos termos do art. 333, I, do CPC, que se aplica subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova do direito creditório pleiteado, sabidamente, cabia recorrente. Assim, tanto os argumentos quanto a jurisprudência apresentados pela recorrente, no sentido de que a fiscalização caberia comprovar tal fato, não se aplica ao caso em tela, mas ao procedimento de lançamento de ofício, formalizado nos termos do art. 142 do CTN e com os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972. Dessa forma, na ausência de prova em contrário, temse que os referidos produtos foram adquiridos de cooperativas de produção agropecuária2 e não de cooperativa industrial, conforme alegado pela recorrente. A recorrente alegou ainda que o “café cru em grão”, por ela adquirido, não se confundia como o café in natura, haja vista que aquele tratavase de semente beneficiada, definida na Resolução da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos (CNNPA) 12/1978, e que tal definição abrangeria todas as atividades relacionadas no § 6° do art. 8º da Lei 10.925/2004, e não somente o beneficiamento. A definição de "café cru" ou "café em grão" estabelecida pela citada Resolução tem o seguinte teor, in verbis: “Café cru, ou café em grão, é a semente beneficiada do fruto maduro de diversas espécies do gênero Coffea, principalmente, arábica, Coffea liberica Hiern e Coffea robusta.” Do simples do cotejo dessa definição com a definição de produção do § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004, fica demonstrada que a alegação da recorrente não procede. Na verdade, diferentemente do alegado pela recorrente, essa definição corrobora o entendimento da autoridade fiscal de que café adquirido não sofre o processo de produção, conforme definido no citado preceito legal. Em suma, chegase a conclusão de que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, sendo irrelevante o fato de a sociedade cooperativa vendedora realizar simples atividade de beneficiamento, pois, somente o exercício cumulativo das atividades descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004 III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. [...]" 2 A sociedade cooperativa de produção agropecuária encontrase definida no art. 3º, III, da Instrução Normtiva SRF 660/2006, a seguir transcrito: "Art. 3 A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...] e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...]" Fl. 20237DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.238 14 e no art. 6º, II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, caracterizava tal atividade como agroindustrial, o que não ocorrera com o produto adquirido pela recorrente. Ademais, como a recorrente atendia, cumulativamente, os três requisitos estabelecidos no art. 4º da Instrução Normativa 660/2006, independentemente do teor das expressões apostas nas correspondentes notas fiscais de venda (prevalência da verdade material sobre a verdade formal), a real operação foi realizada com suspensão da exigibilidades das referidas contribuições, conforme estabelecido no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Logo, a recorrente fazia jus apenas ao crédito presumido que lhe fora reconhecido pala autoridade fiscal. Ainda segundo a recorrente, no mercado interno, o ciclo de produção e comercialização do “café cru em grão” por ela exportado era realizado em três etapas, a saber: a) 1ª etapa, aquisição do café in natura de pessoa jurídica (cerealista) e de pessoa física (produtor rural) pela sociedade cooperativa que exercia atividade industrial; b) 2ª etapa, o processo de industrialização do café in natura pela cooperativa industrial; e c) 3ª etapa, venda para o exterior do “café cru em grão” pela recorrente com manutenção dos créditos integrais das contribuições. Após detalhada descrição de cada uma das etapas, a recorrente chegou a conclusão que a Turma de Julgamento de primeiro grau havia desconsiderado a existência da 2ª etapa do descrito ciclo de produção/comercialização. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, o citado órgão de julgamento não desconsiderou a existência da referida etapa, mas sim a não comprovação de que ela tenha sido realizada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária fornecedoras do produto à recorrente, o que é diferente. Aliás, esse também é o entendimento aqui explicitado, baseado na ausência de provas de que as ditas cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” ou “café beneficiado”, adquirido pela recorrente, tenha realizado o exercício cumulativo das atividades discriminadas no art. 8º, 6º, da Lei 10.925/2004. A recorrente alegou ainda a impossibilidade jurídica de aproveitamento, em duplicidade, do crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, II, da Lei 10.925/2004, sob o argumento de que tal crédito já havia sido utilizado pelas supostas cooperativas industriais fornecedoras do “café cru em grão” por ela exportado. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Primeiro, não há provas nos autos que as cooperativas de produção agropecuária fornecedoras do produto tenha utilizado o mencionado crédito presumido. Segundo, se utilizou, foi indevidamente, pois, o referido produto não fora submetido a processo produção agroindustrial, conforme anteriormente demonstrado. Cabe ressaltar novamente, que, de acordo com os preceitos normativos anteriormente analisados, o crédito presumido em comento não pode ser utilizado em duplicidade em relação ao mesmo produto, mas apenas uma única vez e pelo estabelecimento industrial que realizar, em primeiro lugar, o exercício cumulativo das citadas atividades agroindustriais. E no caso em tela, ficou comprovado que foi a própria recorrente quem realizou tais atividades, portanto, corretamente a autoridade reconheceulhe o citado crédito presumido. Fl. 20238DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.239 15 Há provas nos autos que somente a recorrente comprovou ter os equipamentos e a estrutura industrial adequada e suficiente, para a realização das citadas atividades cumulativas de beneficiamento exigidas no citado preceito legal, conforme resposta prestada a fiscalização, em atendimento aos pedido de esclarecimentos formulados no Termo de Intimação Fiscal nº 1, explicitada nos trechos extraídos no item 6 da dita resposta (fls. 138/139), que seguem transcritos: A natureza da atividade econômica exercida pela Unicafé Cia de Comércio Exterior é o comércio atacadista de café em grãos cru. A empresa realiza por conta própria e de terceiros as operações descritas no art. 8o, § 6o da Lei 10.925/04 [...]. Por fim, complementando a resposta de forma mais abrangente e detalhada a empresa executa diversas operações da seguinte forma: A Unicafé adquire cafés de diversos tipos e de variados fornecedores, pessoas físicas e jurídicas. Ao ingressar esses produtos em suas dependências, acondicionados em sacas Big Bags, o café é pesado. As sacas são furadas para retirada de amostras dos lotes/pilhas. As amostras são numeradas. Em ato subseqüente seguem para o escritório para prova e identificação de tipo, bebida e conferência da mercadoria comprada. Depois o café é submetido a um processo de rebeneficiamento para retirada de impurezas e grãos com defeitos. Posteriormente o café é separado por peneiras e tipos o que permite a seleção dos grãos por tamanho. Em ato contínuo, os produtos são levados para ventilação, aqui ocorre a separação dos cafés mais leves chamados escolhas (brocados, malgranados e conchas). Por último, cada tipo de café é separado por cor, realizada por processamento eletrônico, por meio de células fotoelétricas, permitindo a retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros. Após todo o processamento acima realizado, a empresa separa os cafés em lotes (tipo, peneira, bebida, etc) através de pilhas de serviço que fica a disposição do setor comercial para utilizálos na formação de diferentes “blends” para atendimento de nossos clientes no mercado interno e externo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pela recorrente e uma vez demonstrado que o produto “café cru em grão” ou “café beneficiado” não fora submetido ao exercício cumulativo das atividades agroindustriais discriminadas no art. 8º, 6º, da Lei 10.925/2004, pelas cooperativas agropecuárias de produção fornecedoras, deve ser mantida a glosa parcial dos créditos, nos termos determinados no Parecer e Despacho Decisório integrante dos autos (fls. 255/273). II Da Glosa Parcial dos Créditos Referentes às Aquisições de Pessoas Jurídicas Irregulares A autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem procedera a glosa parcial do crédito calculados sobre o valor das aquisições de café em grão de pessoas jurídicas em situação irregular (omissas, inativas, inaptas ou com receita incompatível), sob o argumento de que houve fraude na operação de compra do café em grão, caracterizada pela interposição fraudulenta de “empresas de fachada ou laranja”. Segundo a citada autoridade fiscal, a real operação de compra e venda do produto fora realizada diretamente entre o Fl. 20239DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.240 16 produtor rural, pessoa física, e a recorrente, o que lhe assegurava somente o direito ao crédito presumido, no montante equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) daquele previsto no art. 2o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme estabelecido no art. 8°, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Por sua vez, a recorrente, em síntese, alegou que: a) era adquirente de boafé; b) as presunções e provas produzidas no âmbito da “Operação Broca” e “Operação Tempo de Colheita” não poderia ser utilizadas no caso em tela; c) não foram observados os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e d) a inadequada utilização de depoimentos como único meio de prova. Do contexto legal da origem à glosa realizada. Sob o aspecto legal, com a introdução do regime não cumulativo, por intermédio das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os contribuintes, sujeito ao citado regime, adquirentes de bens de pessoas jurídicas passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, no valor equivalente a 9,25% da operação de aquisição. O referido percentual corresponde ao somatório das alíquotas normais fixadas para o cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (1,65%) e Cofins (7,6%), incidentes sobre o valor da receita bruta mensal. No caso do mercado de café em grão, uma particularidade deve ser ressaltada: se a empresa comprar o produto diretamente do produtor rural, pessoa física, desde que atendido os requisitos legais, a ela é assegurado o direito de apropriarse de um valor de crédito presumido equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) daquele referente a uma compra de um produtor ou atacadista, pessoa jurídica. Essa permissão de creditamento entrou em vigor a partir 1/2/2004, na forma e nos termos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: [...] Fl. 20240DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.241 17 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] (grifos não originais). Antes da vigência do citado preceito legal, prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, na forma do § 3º do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dado esse contexto legal, fica evidenciado que, para os contribuintes, submetidos ao regime não cumulativo das citadas contribuições, sob o ponto de vista tributário, passou a ser vantajoso adquirir o café em grão diretamente de pessoa jurídica, ao invés do produtor rural, pessoa física, pois a aquisição direta de pessoa jurídica asseguravalhes o valor integral do crédito calculado sobre valor da operação compra e não equivalente a 35% (trinta e cinco por cento), título de crédito presumido. Da fraude praticada contra a Fazenda Nacional. Previamente, cabe esclarecer que a glosa parcial dos créditos em apreço foi motivada pela apuração de fraude fiscal nas aquisições do café em grão, realizada pela recorrente, mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas de “fachada ou laranja”. A apuração da referida fraude foi feita no âmbito das operações denominadas “Tempo de Colheita” e “Broca”. Segundo Nota Conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, colacionadas aos autos (fl. 20.003), as firmas de exportação e torrefação envolvidas na citada fraude utilizavam empresas “laranjas”, que, mediante venda de notas fiscais, atuavam como intermediárias fictícias nas operações de compra e de venda de café em grão entre os produtores rurais e as empresas exportadoras e industriais, com a finalidade de gerar indevidamente créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com citada Nota, a prática criminosa vinha ocorrendo desde 2003, causando prejuízo de bilhões de reais aos cofres públicos federais. No caso em tela, há provas nos autos que comprovam que a maior parte dos fornecedores da recorrente foram constituídos a partir do ano de 2002, e que, geralmente, Fl. 20241DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.242 18 estiveram em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. Com base no quadro de fls. 263/264, que integra o citado Parecer que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório, extraise que grande parte dos fornecedores da recorrente encontravamse em situação irregular no período de apuração dos créditos. Ademais, por ocasião da edição do citado Despacho Decisório, 14 fornecedores já haviam sido declarados inaptos ou se encontravam com o CNPJ suspenso. No conjunto, as empresas supostas fornecedoras da recorrente movimentaram no ano de 2006 (considerando apenas as operações envolvendo a recorrente) cerca de R$ 197.187.539,74, mas praticamente nada recolheram, no período, a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e sequer apresentaram declaração informando os valores das receitas auferidas e os valores dos débitos apurados e a recolher. A este quadro de graves irregularidades, somase ainda o fato, constatado pela fiscalização em várias diligências, que nenhuma das empresas diligenciadas possuíam armazéns ou depósitos nem funcionário contratados, o que, em condições normais de operação, contrariava as tradicionais empresas atacadistas de café estabelecidas na região, detentoras de grande estrutura operacional e administrativa necessária para armazenar, beneficiar e movimentar o grande volume de café transacionado. Assim, sem a existência de depósitos, funcionários, maquinário e qualquer logística, fica cabalmente evidenciado que tais empresas não tinham a menor condição de transacionar tão grande quantidade de café em grão. Com tal estrutura, a única atividade que era passível de ser realizada pelas pessoas jurídicas investigadas, certamente, era a venda e emissão de notas fiscais inidôneas, conforme sobejamente comprovado no curso do processo investigativo efetivado no âmbito das citadas operações. No caso, as provas coligidas aos autos, extraídas dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão das pessoas jurídicas de “fachada ou laranja” (Anexo I – fls. 290/543), evidenciam que as denominadas “pseudoatacadistas” eram empresas de “fachada ou laranja”, utilizadas apenas para simular operações fictícias de compra e venda de café em grão com os produtores rurais e empresas exportadoras e industriais. Em outras palavras, as empresas denominadas “pseudoatacadistas” simulavam, simultaneamente, uma operação de compra dos produtores rurais, pessoas físicas, e outra de venda para as empresas exportadoras e industriais, dentre as quais a recorrente foi uma das principais beneficiárias desse esquema fraudulento, haja vista a grande quantidade de notas fiscais compradas das citadas empresas, que se encontram colacionadas aos autos (fls. 887 e ss.). As informações fiscais, prestadas com base em documentos obtidos e apreendidos durante as citadas operações, e os depoimentos de representantes de direito (“laranjas”), procuradores e de pessoas ligadas às empresas “pseudofornecedoras” (fls. 290 e ss.), colhidos durante a operação “Tempo de Colheita”, confirmam a participação dos compradores na fraude, dentre os quais a Unicafé. Além dos trechos de depoimentos reproduzidos no Parecer, que integra o questionado Despacho Decisório, merecem destaque alguns fatos apurados através de depoimentos nos diversos processos que foram abertos contra as pessoas jurídicas fornecedoras de notas fiscais, que participaram da fraude. No voto condutor do julgado recorrido, de forma criteriosa e didática, o nobre Relator selecionou, dentre as várias declarações prestadas pelos envolvidos no esquema, Fl. 20242DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.243 19 aqueles mais relevantes, que, de forma congruente e uníssona, confirmam o modus operandi, os mentores, os executores e os reais beneficiários da gigantesca fraude praticada contra Fazenda Nacional. Em face da relevância de tais informações para compreensão da fraude em comento e o deslinde da controvérsia, pedese licença para transcrever a seguir os excertos mais relevantes extraídos do citado voto: Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Cafeeira Arruda, Colúmbia, Do Grão e L&L confirmam os indícios, inclusive o de participação dos compradores na fraude, ao afirmarem que em alguns casos, nem mesmo procuravam o vendedor/produtor, pois “o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro”, apenas informava a Depoente que iria “precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem”. Afirmaram também que os recursos transitados pela conta da Depoente são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, indústrias torrefadores, atacadistas ou exportadores (fls. 318, 360, 401). Afirmam que não são atacadistas de café, mas simples corretores que se transformaram em agentes por imposição dos compradores (fls. 298, 318, 360, 401). A Cafeeira Arruda, em seu depoimento, confirma os mesmos fatos e afirma que forneceu nota fiscal para a Unicafé (fl. 299). No mesmo sentido é o depoimento do sócio da Agrosanto (fls. 506/599). Em outros depoimentos, prestados por diversos produtores rurais e/ou maquinistas, estes confirmam que o café sai da propriedade rural/armazém do maquinista e é guiado em nome das empresas de “fachada” (Colúmbia, Do Grão, Enseada, L & L, etc.) e que após efetuada a troca da nota do produtor por nota fiscal emitida por estas empresas (troca esta efetuada por um motoboy em locais determinados), o café é descarregado diretamente nos armazéns das reais compradoras, dentre as quais, é citada a Unicafé (fls. 323, 324, 364, 365, 405). Os declarantes afirmam, ainda, que não conhecem e nunca negociaram com sócio ou representante das empresas “intermediárias”. Há também depoimentos que revelam a “resistência” por parte das reais empresas compradoras de café (atacadistas, exportadores e indústrias) em adquirir café diretamente do produtor rural e que afirmam “ter conhecimento da existência de mercado de fornecimento de nota fiscal por empresas laranjas com a finalidade de guiar café do produtor rural para as grandes empresas exportadoras para obtenção de crédito do PIS/COFINS” (fls. 389, 483). Os depoimentos denunciam a fraude, confirmam seu modus operandi, e, ainda, demonstram a participação efetiva das empresas adquirentes do café. O citado esquema de fraude também foi amplamente divulgada na grande imprensa do Estado do Espírito Santo, conforme se verifica nas reportagens que se encontram colacionadas aos autos (fls. 536/543). Em consulta as referidas reportagens, chamou a atenção deste Relator a reportagem que foi publicada no Jornal “A Gazeta Vitória”, edição de 3 de Fl. 20243DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.244 20 junho de 2010, noticia que, entre os milhares de materiais apreendidos no curso da denominada “Operação Broca”, constava o manual da fraude, que consistia num “manual completo de como burlar a fiscalização”. Apresentado o contexto legal e o modus operandi do esquema de fraude para apropriação ilícita de créditos das referidas contribuições, passase a analisar as alegações da recorrente. Da condição de adquirente de boafé. Na peça recursal em apreço, a recorrente alegou que não procedia a glosa parcial realizada pela fiscalização, sob o argumento de que era compradora de boafé, pois, havia comprovado a “efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias”, em conformidade com disposto no art. 82 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Segundo a recorrente, há uma “amazônica quantidade de documentos acostada aos autos” que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento do café cru em grão por ela adquirido, que atende o disposto no citado preceito legal. Acontece que, no caso em tela, não há controvérsia em relação ao recebimento e pagamento das mercadorias. Aliás, a própria autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem, no referenciado Parecer, asseverou que não havia “questionamento quanto à aquisição das mercadorias”, visto que havia “registro das saídas equivalentes”, e, em face dessa constatação, reconheceu, em favor da recorrente, o valor do crédito presumido calculado sobre as respectivas aquisições. Assim, para fiscalização, a real operação de compra e venda foi a realizada entre o produtor rural, pessoa física, e a recorrente, dissimulada com a intermediação das interpostas “pseudoatacadistas”. Também cabe ressaltar o correto procedimento adotado pela fiscalização ao desconsiderar a operação simulada (aparente) e reconhecer a existência da operação dissimulada (camuflada), o que está em perfeita consonância com a orientação geral presente no ordenamento jurídico do País, no sentido de que reputase “nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”, conforme expresso no art. 167 do Código Civil, a seguir transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 20244DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.245 21 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (grifos não originais) Portanto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia consiste em saber se as supostas operações de compra e venda realizadas pela recorrente com as empresas “pseudoatacadistas” foram reais ou uma mera simulação para acobertar a efetiva operação de compra do café em grão, com a finalidade de apropriarse de parcela indevida de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Dessa forma, no que tange à questão em apreço, os fartos elementos probatórios existentes nos autos conduz a conclusão que o cerne da controvérsia consiste em saber de quem foi, realmente, comprada o café em grão adquirido pela recorrente e a quem foi feito o pagamento real da operação. Em outras palavras, os documentos colacionados aos autos pela recorrente representam a efetiva operação de compra e venda ou se trata de mera dissimulação da real operação? Ademais, os documentos relativos aos pagamentos comprovar que foram realizados a quem efetivamente vendeu o café (o produtor rural) ou foram realizados à interpostas pessoas (as pseudoatacadista)? Assim, para um justo deslinde da controvérsia, certamente, tais questões precisam ser respondidas, em respeito ao princípio da verdade real, que rege o processo administrativo fiscal. Em nome da verdade material, o que deve ser analisado é se a “amazônica quantidade de documentos” colacionados aos autos pela recorrente representam a real operação de compra e venda realizada pela recorrente e se tais pagamentos foram efetivamente feitos aos reais vendedores do produto, ou apenas serviram para dissimular as operações em que reais vendedores eram os produtores rurais (pessoas físicas) e os pagamentos eram realizados a empresas “pseudoatacadistas”, para dissimular a real operação de compra e venda realizada entre o produtor rural (pessoa física) e a recorrente. Os documentos colecionados aos autos pela recorrente, para comprovar o recebimento das mercadorias e efetivação do pagamento do preço do produto adquirido, constam das fls. 1261/19938. Da análise dos referidos documentos, feita por amostragem, verificase um procedimento padrão, qual seja, para cada uma das milhares de compras realizadas perante as 42 “pseudoatacadistas” (fls. 251/252), para cada uma delas, no início, consta uma planilha com os dados consolidados das supostas compras, seguida das notas fiscais de cada uma das compras, acompanhadas de cópias de (i) extratos de consulta ao CNPJ e SINTEGRA, realizada na mesma ou em data próxima a da compra, (ii) de fichas de compra e nota de cálculo e liquidação da operação, (iii) romaneio da carga; e (iv) aviso de débito em conta corrente ou cheque nominal em nome da emitente da nota fiscal. Fl. 20245DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.246 22 Previamente, cabe esclarecer que, nos presentes autos, não há dissenso sobre os documentos fiscais colacionados aos autos pela recorrente, mas sobre o que eles não contêm. Não se pode olvidar que as notas fiscais coligidas aos autos representam a verdade formal da operação de venda (a mera existência do documento). Do mesmo modo, a consulta aos cadastros do CNPJ e SINTEGRA prova apenas que a empresa estava cadastrada. Sabidamente, a inscrição regular em tais cadastro prova apenas a existência formal da pessoa jurídica. Em relação a tais provas, cabe as seguintes indagações: no exercício da atividade de compra e venda de café é prática normal que, em cada operação de compra, a compradora realize uma consulta prévia sobre a situação dos vendedores nos citados cadastros? Ademais, porque a recorrente somente muniuse das provas formais, que, aparentemente, comprovavam apenas a regularidade formal das supostas empresas fornecedoras perante os citados cadastros? No caso, embora tenha se revelado diligente com a obtenção de documentos que certificavam a regularidade formal da existência dos seus fornecedores, a mesma diligência não foi direcionada para fim de verificação da existência de fato, da idoneidade empresarial, da capacidade operacional e patrimonial das denominadas “pseudoatacadistas”. Nesse sentido, se a recorrente tivesse solicitado cópia dos contratos de constituição dos referidos fornecedores, prática normal no meio comercial quando há transações envolvendo altas cifras, induvidosamente, teria verificado que os sócios dos seus maiores fornecedores eram pessoas humildes, sem instrução, sem patrimônio e sem condições financeiras e conhecimento técnico para dirigir uma empresa atacadistas de café que transacionou centenas de milhões de reais do produto. Pela mesma razão, se tivesse tido a precaução de pedir cópia dos demonstrativos contábeis dos referidos fornecedores, certamente teria constatado que todas elas não tinham patrimônio, funcionários e o mínimo de estrutura operacional para vender uma quantidade tão grande de café. Enfim, se tivesse solicitado as cópias da DIPJ dos seus grandes fornecedores também teria confirmado que eles não tinham idoneidade fiscal para atuar no mercado atacadista do café e não passava de meras empresas de “fachada ou laranja”. Entretanto, nada disso foi feito pela recorrente, que se contentou com a mera confirmação de que tais fornecedores tinham inscrição ativa no CNPJ e no SINTEGRA. E a obtenção de tais informações revelavamse por demais necessárias, dada a circunstância de que, em 22/10/2007, data anterior ao período de apuração dos créditos glosados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória (DRF/VIT), havia dado início a denominada “Operação Tempo de Colheita”, para averiguar se as supostas pessoas jurídicas arroladas no processo investigatório atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. E o resultado final das investigações foi a descoberta de um grandioso esquema de venda de notas fiscais criado para possibilitar o creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no montante de 9,25% sobre o valor indicado nas notas fiscais. Ora se tal fato fora amplamente noticiado na imprensa local e teve ampla repercussão perante o setor cafeeiro onde atuava a recorrente, revelase de todo impensável que tal fato não tenha chegado ao conhecimento da recorrente, que, mesmo diante da gravidade de tais ilícitos, fez ouvidos de mercador e continuou praticando as mesmas condutas fraudulentas apuradas na “Operação Tempo de Colheita”, porém, para se precaver de futura fiscalização, Fl. 20246DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.247 23 muniuse de documentos que, aparentemente, conferiam roupagem de legalidade e realidade às operações simuladas. Para comprovar que tais operações registradas nas citadas notas fiscais não passavam de mera simulação, a fiscalização colacionou aos autos (fls. 290/543) fartas provas documentais e informações colhidas em depoimentos prestados por produtores rurais, corretores de café, representante legais (formais) das “pseudoatacadistas”, participantes do esquema de fraude, que demonstram que as aquisições do café não foram realizadas das denominadas “pseudoatacadistas”. Na verdade, tais empresas apenas forneciam as notas fiscais, para simular uma operação de compra e venda que, de fato, foi realizada entre os produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com o único e intencional propósito de gerar crédito integral das referidas contribuições em favor da recorrente. Além disso, a partir da leitura dos diversos depoimentos prestados pelos representante legais (formais) das “pseudoatacadistas” extraise que a recorrente não só sabia da fraude em comento, com se revela uma das beneficiárias do esquema, pois, segundo os citados depoimentos, condicionava a compra do café a intermediação e emissão das notas fiscais pelas “pseudoatacadistas”, o que deu origem a um mercado paralelo de venda de notas fiscais, em que era negociada ao preço variável de R$ 0,15 a R$ 0,30. Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente que não havia nos autos, absolutamente, nenhuma prova robusta e idônea no sentido da participação da recorrente na suposta fraude. Com efeito, as provas coligidas aos autos pela fiscalização (fls. 290/543) não só provam que a recorrente participou do esquema como ela fora beneficiada com o esquema fraudulento, haja vista que as “pseudoatacadistas” emitiram seu nome inúmeras notas fiscais de venda. A título ilustrativo, cabe citar o depoimento do Sr. Fernando Tadeu Tozzi dos Santos, sócio da Cafeeira Arruda Ltda., que faz expressa citação de que à recorrente foram fornecidas notas fiscais para “guiar o café do produtor rural para as empresas exportadoras e industriais” e que as contas correntes da referida empresa serviam “apenas para receber recursos das empresas exportadoras e indústrias e repassar aos produtores.” Dado esse contexto e tendo em conta que as provas coligidas aos autos pela recorrente (fls. 536/19940) apenas comprovam as operações simuladas noticiadas nos autos pela fiscalização, chegase a conclusão que a recorrente não agiu como compradora de boafé, como alegara. Ao contrário, os fatos relatados nos autos, respaldados por prova idôneas, demonstram que a recorrente não só contribuiu para existência do citado esquema de fraude, como ainda dele tentou se beneficiar, apropriandose indevidamente de créditos integrais da Cofins calculados sobre aquisições simuladas das “pseudoatacadistas” de café. Da utilização de presunções e provas produzidas no âmbito das operações “Tempo de Colheita” e “Broca”. A recorrente alegou que a fiscalização se contentara com meros indícios, fluidas presunções para negar o direito subjetivo da contribuinte ao direito creditório da não cumulatividade da Cofins. Sem a razão a recorrente. A glosa realizada pela fiscalização foi baseada no fundamento de que a recorrente não provou o direito creditório pleiteado, pois, as notas fiscais apresentadas representavam mera dissimulação da real aquisição do café em grão adquirido de Fl. 20247DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.248 24 produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes da Cofins e que faz jus apenas a parcela do crédito presumido por força do disposto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Diferentemente do alegou a recorrente, há sim provas robustas e idôneas colacionadas aos autos que comprovam que as notas ficais por elas apresentadas para comprovar do aquisição do café em grão diretamente de empresas atacadistas, na verdade, foram compradas no mercado negro de venda de notas, criado a partir do ano de 2002, com o único propósito de gerar crédito das citadas contribuições e fraudar o pagamento do Funrural. Também não procede a alegação da recorrente de que não há nos autos nenhuma prova idônea da sua participação no esquema de fraude em referência, pois, as próprias notas fiscais por ela colacionadas aos autos representam a prova cabal da sua participação no esquema e que poderia ser uma das principais beneficiárias, se não fosse revelada e comprovada a fraude. Por todas essas razões, rejeitase as referidas alegações. Da inobservância dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A recorrente alegou violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e afronta ao disposto nos arts. 2º, X, 3º e 38 da Lei 9.784/1999. Sem razão a recorrente. Por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei 9.430/1996, a norma que rege o processo administrativo de compensação e ressarcimento, é o Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, doravante denominado de PAF. E a Lei 9.784/1999 (Lei Geral do Processo Administrativo Federal), nos termos do seu art. 693, somente, de forma subsidiária, aplicase ao citado processo, isto é, somente quando a matéria não for especificamente abordada no PAF é que o aplicador da norma poderá recorrer ao ditames da referida lei. Dessa forma, tendo conta que o direito ao contraditório e ao exercício do direito de defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, são matérias que se encontram disciplinados no PAF (arts. 14, 15, 33 e 37), em face do princípio da primazia da norma específica sob a genérica e tendo em conta determinação expressa do art. 69 da Lei 9.784/1999, no caso em tela, não houve a alegada agressão aos citados preceitos da Lei 9.784/1999. No caso processo de ressarcimento/compensação, a fase contenciosa, inicia se com a apresentação da manifestação de inconformidade do contribuinte e se encerra com a prolação da decisão definitiva, nos termos do art. 42 do PAF. No caso em tela, as disposições dos referidos preceitos legais encontramse plenamente satisfeitas, pois, após proferido o contestado Despacho Decisório, a recorrente fora intimada da decisão proferida e teve acesso a todos os elementos que serviram de fundamento das glosas realizadas, inclusive apresentou robusta peça defensiva e uma “amazônica quantidade de documentos”. Portanto, não a alegada contradição aos citados princípios e tampouco aos citados preceitos da Lei 9.784/1999 3 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." Fl. 20248DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.249 25 Também não procede a alegação da recorrente de que em momento algum foralhe outorgado o direito de participar da coleta de depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, pois, se os referidos depoimentos foram colhidos no âmbito dos processos de declaração de inaptidão do CNPJ das “pseudoatacadistas”, formalizados em decorrência da operação das infrações apuradas no âmbito da denominada operação “Tempo de Colheita”, por não ser parte nos citados processo, obviamente, não havia razão para que a recorrente participasse da colheita dos questionados depoimentos. Com essas considerações, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pela recorrente, o devido processo legal foi obedecido, haja vista que o contraditório foi regularmente instaurado e a recorrente exerceu o seu direito de defesa em toda sua plenitude, conforme determina os preceitos do PAF, em decorrência, rejeitase a presente alegação. Dos depoimentos como único meio de prova. A recorrente alegou que não era admitido tão somente a prova testemunhal nas obrigações cujo valor exceda o décuplo do salário mínimo, nos termos do art. 401 do CPC, a seguir transcrito: Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo do maior salário mínimo vigente no país, ao tempo em que foram celebrados. (grifos não originais) Mais uma vez sem razão a recorrente. Tal regra, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal, que traa de relação jurídica estabelecida em lei, ao passo que o citado preceito legal trata de relação jurídica que tem origem em contrato, matéria estranha aos autos. Além disso, as provas testemunhais colhidas durante os vários depoimentos dos integrantes do multicitado esquema de fraude, prestados no âmbito das Operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, apenas complementam e ratificam as várias provas documentais coligidas obtidas no curso das investigações realizados, dentre os quais podem os documentos sobre a constituição das “pseudoatacadistas”, a movimentação financeira incompatível, a falta de cumprimento das obrigações acessórias, inexistência de livros contábeis e fiscais, ausência de pagamento de tributos, sócios sem condições financeiras e técnicas de gerenciar as empresas (“sócios laranjas”), procurações em nome de pessoas com amplos poderes para gerenciar as contas correntes bancários das “pseudoatacadistas” etc. Também não procede a alegação da recorrente de que as provas coligidas aos autos eram ilícitas, porque obtidas por meio inadequado. A uma, porque todas as provas coligidas aos autos são lícitas e foram obtidas por meio adequado. A duas, porque a recorrente não apresentou qual foi meio ilícito adotado pela fiscalização para obtenção das referidas provas. Por todas essas razões, rejeitase as citadas alegações, para manter na íntegra a parcela dos créditos, excedente ao valor do crédito presumido, relativo às aquisições de café em grão das “pseudoatacadistas”. Do Direito à Utilização do Crédito Presumido Sem Restrição Fl. 20249DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.250 26 A recorrente alegou que, caso não fosse acatado o direito ao crédito integral, o que admitia apenas para fins argumentação (princípio da eventualidade), fosselhe assegurado o direito de utilizar os créditos presumidos, reconhecidos pelo Despacho Decisório, sem qualquer restrição, inclusive por meio de ressarcimento em dinheiro e compensação com outros tributos federais. De acordo com o item 397 e 402 do citado Parecer, a autoridade fiscal informou que, por força do disposto no art. 8º, § 3º, I e II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, os créditos presumidos reconhecidos à recorrente, com base no art. 8º, § 3º, I e III, da Lei 10.925/2004, somente poderia ser utilizado para dedução dos débitos das respectivas contribuições, sendo vedada a utilização para fins de compensação e ressarcimento. Acontece que, após exarado o referido Parecer, em 26/6/2014, foi publicada a Lei 12.995/2014, que, no seu art. 23, acrescentou o art. 7ºA à Lei 12.599/2012. O novo preceito legal ampliou as possibilidades de aproveitamento do referido crédito presumido, apurado em relação à aquisição de café in natura, que passou a poder ser utilizado, observado a legislação específica aplicável à matéria, para fins de compensação e ressarcimento, conforme se infere do texto a seguir transcrito: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” (grifos não originais) Diante da mencionada previsão legal e tendo em conta que os créditos presumidos reconhecidos no citado Despacho Decisório referemse ao período de julho de 2009 a dezembro de 2010, obviamente, tais créditos enquadramse nas condições fixadas no novel comando legal, logo reconhecese em favor da recorrente o direito de utilizar tais créditos compensação ou ressarcimento, em conformidade com o citado comando legal. III Da Glosa Integral dos Créditos Calculados Sobre as Despesas de Corretagem De acordo com o Parecer, que serviu de fundamento para o vergastado Despacho Decisório, a glosa dos créditos da Cofins, calculados sobre os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, foi realizada sob argumento de que tais sérvios não se enquadravam conceito de insumo, definido no art. art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, uma vez que eram destinados à área de comercialização dos produtos e não à área de produção. Fl. 20250DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.251 27 No mesmo sentido, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a glosa determinada no Despacho Decisório de origem, sob o argumento de que, embora necessária à atividade da recorrente, tais despesas não geravam créditos a descontar da Cofins não cumulativa, porque os respectivos serviços eram aplicados na etapa anterior do processo produtivo, logo eram efetivamente “aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto” do café beneficiado e exportado pela recorrente, consequentemente, não se enquadrava na definição legal de insumo prevista no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. Por sua vez, a recorrente alegou que a não cumulatividade da Cofins devia ter como referencial o processo que culmina com a obtenção da receita (fato gerador das contribuições), incluindo todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes, e não apenas aqueles físicos ou diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens ou na prestação de serviços. No entender da recorrente, o termo insumo compreendia todos os gastos com bens e serviços necessários ao processo produtivo, devendo ser excluídos apenas os dispêndios que configurassem mera conveniência ou que não interferissem no funcionamento, continuidade, manutenção ou melhoria do processo de produção ou de prestação realizado pelo contribuinte. Para a recorrente, os serviços de corretagem eram essenciais para que a recorrente auferisse as receitas com a venda do café exportado, portanto, enquadravase na definição de insumo. Com base nos citados argumentos, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance da norma veiculada no inciso art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...] ;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais) Em assentadas anteriores, este Conselheiro já teve a oportunidade de manifestar sobre o assunto e, em tais oportunidades, foi rejeitado tanto o conceito restrito de insumo da legislação do IPI, adotado pela fiscalização e pela Turma de Julgamento de primeiro grau, que se encontra definido no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, quanto o conceito abrangente de insumo defendido por parte não expressiva da doutrina, que inclui todas as despesas necessárias à “realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”, conforme definido no art. 2994, § 1º, do Decreto 3.000/1999 (RIR/1999). 4 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47). § 1 º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 1 º ). § 2 º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 2 º ). Fl. 20251DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.252 28 Ente este Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma distinta, que a definição que melhor reflete o conceito de insumo de produção, definido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, é aquele veiculado no art. 290 do RIR/1999, que estabelece os elementos que integram o custo de produção, nos termos a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (grifos não originais) Logo, excluídos os custos com (i) mãodeobra paga a pessoa física e (ii) as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, expressamente vedado no art. 3º, § 2º, da Lei 10.833/2003, todos os demais custos com bens e serviços aplicados na produção integram o conceito de insumo para fins de apropriação do crédito da Cofins, independentemente se tal custo apresentase de forma autônomo (por exemplo, locação, manutenção e reparo de bens aplicados na produção) ou se integrado ao custo do bem aplicado na produção. No caso em tela, as despesas com serviços de corretagem pagas ou incorridas na compra do café em grão, certamente, integram o custo de aquisição do principal bem utilizado como insumo na atividade de fabril da recorrente, portanto, deve integrar a base de cálculo do crédito da Cofins. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência a glosa dos créditos calculados sobre os valores das despesas incorridas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, devendo ser restabelecido o direito da recorrente à dedução dos respectivos créditos. IV Da Conclusão § 3 º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Fl. 20252DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.253 29 Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito de dedução dos valores dos créditos calculados sobre os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão. José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator ad hoc Em que se pese as profundas análises efetuadas pelo i.Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas. A questão foi analisada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que publicou a Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art. 3º ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art. 3º. Transcrevemos também o excerto dos fundamentos da referida Solução de Consulta, para melhor elucidação da questão: “11. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art.9º. [...]. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas Fl. 20253DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.254 30 aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art.9º, §1º, II, da Lei nº10.925, de 2004).” O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator, entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Fl. 20254DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000139/201076 Acórdão n.º 3102002.342 S3C1T2 Fl. 20.255 31 Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Dessa forma, a recorrente fazia jus ao crédito integral relativo às aquisições. É como voto Ricardo Paulo Rosa Fl. 20255DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14033.000692/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30 (trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30 (trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 69 2/ 20 10 -0 1 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.282 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização da resolução proferida. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização da resolução, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.282 S2TE03 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, sua resolução, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30(trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726976/2009-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A
PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA.
INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua
natureza remuneratória.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 76 /2 00 9- 22 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda de pessoa física DIRPF, conforme auto de infração de efls. 2 a 12, cientificado em 21/10/2009. O contribuinte teria classificado indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora Os referidos rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. O agente fiscal entendeu que estas verbas têm natureza eminentemente salarial e que a competência legislativa dos estados não permite que estes emitam normas sobre isenção de imposto de renda, sendo irrelevante que a lei complementar estadual denominasse essas verbas como isentas. O auto de infrações foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 26/11/2009, anexada às efls. 39 a 108 dos autos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ em Salvador que, por unanimidade, em 28/04/2010, julgou o lançamento impugnado improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme acórdão de efls. 144 a 151. Inconformado, o contribuinte, em 10/11/2010, apresentou recurso voluntário, às efls. 154 a 241, no qual sustentou, em resumo: · a nulidade do acórdão de primeira instância que não teria enfrentado questões sobre ilegitimidade ativa da União para a tributação e sobre a Fl. 334DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.063 3 capacidade contributiva do autuado, afetada por cobrança de juros multa decorrentes da ação do Estado; · a natureza indenizatória dos valores recebidos, referentes a diferenças de URV, que foi informada pela própria fonte dos pagamentos. A própria magistratura federal através da Resolução n° 245/2002, reconheceu caráter indenizatório de abono variável concedido por lei ao Poder Judiciário, nos quais se incluiriam as diferenças de URV, o que foi igualmente adotado no Parecer n ° 529/2003 do Ministro da Fazenda e mesmo reconhecido em decisões judiciais e administrativas; · a existência de quebra do princípio constitucional da isonomia entre o Ministério Público Estadual e o Federal ao qual se aplica o entendimento da citada Resolução n° 245/2002; · a incorreção na apuração dos impostos devidos, seja pela alíquota aplicada, seja pela falta de consideração do total dos valores recebidos no período e das despesas e deduções correspondentes; além disso afirma que teriam sido tributados férias indenizadas e décimo terceiro salário (tributação exclusiva na fonte); · a sua boafé bem como sua ilegitimidade passiva, pois o Estado da Bahia seria o responsável pelo pagamento do imposto; · o afastamento da multa de ofício com fulcro na Nota Técnica n° 4 – Cosit de 29/04/2009 e no Parecer PGFN/CAT n° 179/2009, bem como em acórdãos do Conselho de Contribuintes; e · a indevida tributação dos juros moratórios e correção monetária decorrentes da aplicação da URV. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário em 30/11/2011, resultando no acórdão n°210201.688, às efls. 254 a 262, que deu a ele provimento, por unanimidade. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.064 4 Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 264 a 272, em 06/03/2012, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge da interpretação proferida no Acórdão nº 220201.206 (acórdão paradigma), da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Por isso, a controvérsia apresentada pela recorrente ficou delimitada à tributação pelo IRPF das diferenças de rendimentos pagos aos membros dos ministérios públicos estaduais. Em 20/05/2012, o atual relator, na competência de Presidente da 1ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, por entender que, a interpretação dada à lei tributária nos acórdãos recorrido e paradigma é divergente, na forma dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Cientificado, em 20/07/2012, do provimento de seu recurso voluntário e da interposição do recurso especial da Procuradora da Fazenda, o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso da Fazenda em 31/07/2012, às efls. 281 a 293. Em seu contra arrazoado, o contribuinte retoma a discussão sobre a natureza indenizatória dos rendimentos; novamente invoca a resolução do STF que a reconhece e por isso não haveria necessidade de lei federal que concedesse tal isenção, pois a verba a ele paga teria a mesma natureza daquela. Ainda pela mesma razão volta a invocar o princípio da isonomia para igualar o parquet estadual ao federal, pois para este já houvera o reconhecimento da natureza indenizatória pelo Ministro da Fazenda. Por fim, diz ser ultrapassado o acórdão paradigmático esgrimido pela PGFN, que excluiu do lançamento apenas a multa de ofício pois ele ignorou que a jurisprudência recente do CARF, afastara a incidência imposto de renda sobre juros moratórios. Pelas razões expostas, pleiteia a denegação do Recurso Especial da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelo contribuinte, pois algumas matérias trazidas no contraarrazoado nem mesmo foram abordadas pela turma na decisão recorrida ou sequer foram mencionadas naquele RE. A Lei Complementar n° 20, de 08/09/2003, do Estado da Bahia, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, a competência legislativa relativa ao imposto de renda é da União, de acordo com o art. 153, inciso IV, da Carta Magna. Dessa forma, é imprescindível que se realize a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Questão idêntica já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Fl. 336DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Naoki Nishioka e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim os transcrevo: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das Fl. 337DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.066 6 diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. As contrarrazões apresentadas que tratam de matérias distintas do caráter indenizatório dos rendimentos são também conteúdo do recurso voluntário, assim como outras, e não foram apreciadas no acórdão combatido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 338DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.726976/200922 Acórdão n.º 9202003.661 CSRFT2 Fl. 1.067 7 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10783.720358/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 58 /2 01 2- 98 Fl. 16538DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.505 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrita: Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de PIS do 1° trimestre de 2010, no valor de R$69.970,30 (sessenta e nove mil, novecentos e setenta reais e trinta centavos), oriundo do sistema de não cumulatividade, para fins de compensação com outros tributos (fls. 02/06). A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 12, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 05/2012, às fls. 07/11, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, e que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 16539DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.506 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 15), a interessada apresentou, às fls. 22 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 16540DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.507 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 16541DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.508 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1253738, de 14/03/2013, com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 16542DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.509 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 16.270 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 16543DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.510 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 16544DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.511 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de PIS realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 16545DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.512 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 16546DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.513 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 16547DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.514 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 16548DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.515 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 16549DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.516 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.517 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.518 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.519 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.520 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.521 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 16555DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.522 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 16556DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.523 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 16557DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.524 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 16558DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.525 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 16559DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.526 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 16560DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.527 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 16561DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.528 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 16562DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.529 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 16563DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.530 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 16564DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.531 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 16565DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.532 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 16566DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.533 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 16567DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.534 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 16568DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.535 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 16569DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.536 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 16570DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.537 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 16571DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.538 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 16572DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.539 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 16573DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.540 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 16574DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.541 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 16575DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 3301002.778 S3C3T1 Fl. 16.542 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 16576DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16327.720604/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Omissão de receitas de juros sobre o capital próprio. Multa agravada. Multa isolada sobre estimativas. Recorrente BANCO CITIBANK S A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 60 4/ 20 13 -5 6 Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.647 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por BANCO CITIBANK S A contra acórdão proferido pela DRJ/Porto Alegre que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/São Paulo, referentes ao IRPJ e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2008, totalizaram o valor de R$ 8.847.634,45. A autuação tributou a omissão de receitas de juros sobre o capital próprio com a correspondente aplicação de multas agravadas. Foram também lançadas multas isoladas sobre estimativas. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: De acordo com o Termo de Verificação de Infração de folhas 24 a 37, o contribuinte, no anocalendário de 2008, recebeu a título de juros sobre o capital próprio os seguintes valores: (1) R$ 6.986.621,59 da Redecard; (2) R$ 444.697,44 da BM&F; (3) 64.977,05 da Cibrasec, e (4) R$ 15.414,27 da Cetip (total de R$ 7.511.710,35), os quais não foram oferecidos à tributação de IRPJ e CSLL. O IRRF incidente sobre os referidos juros, no valor de R$ 1.126.759,51, o contribuinte deduziu ao longo do anocalendário de 2008, nas antecipações mensais e no ajuste anual, por isso não restou nenhum valor a ser compensado nos autos de infração. O autuante relata que o contribuinte, ao longo do procedimento fiscal, sistematicamente, se omitiu em atender as exigências formuladas pela fiscalização, tornando necessário a lavratura de termos de intimações adicionais e reintimações adicionais para a obtenção das informações solicitadas, o que resultou em injustificável atraso no fornecimento das informações relativas aos registros contábeis, que deveriam, em princípio, serem mantidas em boa ordem e com fácil acesso (mais de três meses). Apesar dos atrasos, não se configurou recusa na prestação das informações, mas embaraço à fiscalização, por isso foi aplicada a multa de ofício de 112,5%, conforme previsto no art. 44, § 2º. Sobre os valores acima, foi aplicada a alíquota de 25% para o IRPJ e a mesma alíquota proporcional de 13,74120%, utilizada pelo contribuinte na DIPJ/2009. Foi lançada a multa isolada, decorrente da não inclusão das referidas receitas na base de cálculo das antecipações mensais do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no art. 44, inc II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa referese aos meses de junho a dezembro de 2008. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 980 a 1018, alegando que sua impugnação é tempestiva, tendo em vista que o dia 9 de julho é feriado no Estado de são Paulo e, portanto, o prazo para a apresentação da impugnação se encerraria no dia 10 de julho de 2013. O contribuinte informa que, por um equívoco operacional, deixou de tributar as receitas de juros sobre o capital próprio recebidas das fontes pagadoras Redecard e Cetip. Em razão disso, deixa de impugnar os valores delas decorrentes, à exceção da Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.648 3 multa de 122,5%. Para tanto, efetuou os respectivos pagamentos, acrescidos da multa regular de 75%, paga com o desconto de 50% (doc. 4 – fls. 1289/1293). O contribuinte esclarece que não concorda com a penalidade de 112,5% e com a multa isolada aplicada sobre os valores das estimativas que deixaram de ser recolhidas, que têm fundamentos de fato e de direito distintos da tributação dos juros sobre o capital próprio e, ainda, com os valores decorrentes dos juros recebidos da BM&F e Cibrasec, em razão da demonstração e comprovação do pagamento do IRPJ e CSLL correspondente. Em relação às receitas auferidas da BM&F, no total de R$ 444.697,44, distribuído em duas parcelas de R$ 100.821,14, referente ao mês de março de 2008, e R$ 343.876,30, referente ao mês de dezembro de 2008, conforme se verifica no informe de rendimentos fornecidos por aquela instituição (doc. 6 – fls. 1294), alega que o valor líquido da receita de R$ 100.821,14, correspondente a R$ 85.697,97, foi contabilizado em conjunto com o dividendo distribuído pela BM&F, no valor de R$ 18.141,44, também declarado no informe de rendimentos (doc. 06) como receita na conta subsidiária 571.99.901154.6, denominada “rendas de dividendos”, perfazendo o total de R$ 103.839,41. Tal contabilização foi efetuada no dia 16/04/2008, conforme se verifica no razão contábil (doc. 08 – fls. 1299/1301), que também já havia sido apresentado à fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 30, com a juntada dos documentos comprobatórios (doc. 07 fls. 1295/1298). Para comprovar que houve a tributação desse valor, em sede de fiscalização, apresentou o cálculo mensal de IRPJ e CSLL pelo que demonstrava, embora os juros sobre o capital próprio tivessem sido reconhecidos como receita do exercício, tendo formado o resultado tributável, não foram objeto de exclusão no cálculo do lucro real. Complementa a informação com os seguintes documentos (doc. 09 – fls. 1302/1458): (1) DRE, onde se verifica que a conta subsidiária 571.99.9011545.6, onde foram lançados os juros sobre o capital próprio, representou uma receita que fez parte do resultado do exercício objeto de tributação, (2) abertura analítica das exclusões realizadas no cálculo do IRPJ e da CSLL, demonstrando que a conta subsidiária dos juros sobre capital próprio não compôs as exclusões realizadas no cálculo do IRPJ e CSLL e (3) DIPJ onde se observa o resultado tributável (conciliado com os juros (1) e as exclusões do lucro real (2)). Em relação ao valor de R$ 343.876,30, líquido de R$ 292.294,86 e do IRRF de R$ 51.581,44, de acordo com as respostas aos Temos de Intimações nºs 21 e 30, a referida receita foi contabilizada em abril de 2009 na conta 571.99.901004.3, denominada “rendas de dividendos de investimentos”, como se pode verificar no razão contábil relativo aos meses de abril e maio de 2009 (doc. 10 – fls. 1459/1487), o qual já havia sido disponibilizado como documento do Termo de Intimação Fiscal nº 21. Esta parcela, também não foi excluída das bases de cálculo de IRPJ e CSLL (doc. 11 – fls. 1488/1571): (1) DRE, relativa ao anocalendário de 2009, onde se verifica que as contas subsidiárias 571.99.9011546.6 e 571.99.901004.3, onde foram lançados os juros sobre o capital próprio, representou uma receita que fez parte do resultado do exercício objeto de tributação, (2) abertura analítica das exclusões realizadas no cálculo do IRPJ e da CSLL, demonstrando que a conta subsidiária dos juros sobre capital próprio não compôs as exclusões realizadas no cálculo do IRPJ e CSLL e (3) DIPJ onde se observa o resultado tributável do anocalendário de 2009 (conciliado com os juros (1) e as exclusões do lucro real (2)). Em relação aos valores recebidos da Cibrasec, alega que os auditores equivocadamente consideraram que tais receitas não foram oferecidas à tributação, pois, de acordo com o informe de rendimentos (doc. 11), o valor total dos juros é de R$ Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.649 4 64.997,05, sendo R$ 55.247,49 de juros e R$ 9.749,56 a título de IRRF. Conforme se verifica no razão de abril e maio de 2009 (doc. 10), esses valores foram contabilizados em maio de 2009, dentro do valor de R$ 99.169,91, conta 571.99.901004.3 “rendas de dividendos”. A diferença de R$ 43.922,42, entre o valor líquido dos juros e o valor de R$ 99.169,91, corresponde aos dividendos pagos pela Cibrasec (doc. 12 – fls. 1572). Alega que, do mesmo modo que ocorreu com as receitas pagas pela BM&F, os valores pagos pela Cibrasec foram contabilizados e oferecidas à tributação no ano calendário de 2009. Alega que a postergação na tributação da receita dos juros sobre o capital próprio da Cibrasec não ocasionou prejuízo ao fisco, pois nos dois anos calendários houve lucro real e base de cálculo positiva de CSLL, conforme se pode verificar nas DIPJ de 2009 e 2010. Alega que no caso de postergação de pagamento, a autoridade fiscal deve analisar se tal fato implicou na redução do tributo devido em algum anocalendário. Caso positivo, a autoridade fiscal deve ainda verificar se por acaso essa redução resultou prejuízo ao erário. O lançamento deve então ser efetuado apenas no montante do principal, dos juros e da multa de mora que configurar o prejuízo ao fisco. No presente caso, não houve qualquer prejuízo ao fisco. Em relação à majoração da multa de ofício, alega que prestou todos os esclarecimentos requisitados, tanto que foi possível realizar os lançamentos, bem como outros dois, relativos ao PIS e Cofins, que resultaram no processo administrativo nº 16327.720063/201366. A autoridade fiscal, tanto tinha todos os subsídios necessários para concluir o lançamento, como assim o fez, inclusive com bastante antecedência no caso do PIS e da Cofins. Ao longo da fiscalização apresentou os razões contábeis e os cálculos de IRPJ e CSLL buscando com eles demonstrar que os juros sobre o capital próprio haviam sido oferecidos à tributação. O contribuinte faz um histórico de todas a intimações, desde a primeira em 24/12/2011, até o Termo de Intimação Fiscal nº 32, em 20/05/2013, para demonstrar que não se pode falar em atraso e tampouco omissão, na medida em que os esclarecimentos eram prestados do modo que, como contribuinte de boafé, entendia mais completo e útil para a fiscalização. Devese considerar o fato dos termos de intimação terem sido emitidos todos com brevidade de tempo, alguns até concomitantemente com outros, relativos à reintimações de outros termos, e sempre com prazo exíguo de cinco dias úteis. Requereu em algumas oportunidades prorrogação de prazo, tendo apresentado a informação requerida no prazo combinado, em algumas vezes até com antecedência de prazo. Estes fatos deixam clara a sua eficiente e atenciosa conduta em respostas às intimações, razão pela qual não há que se falar em aplicação da multa de 112,5% no presente caso. Alega que a cronologia das intimações, bem como o teor das respostas às intimações não demonstram qualquer atraso por sua parte, seja pelo fato de ter respondido sempre tempestivamente, seja pelo fato de ter fornecido todos os elementos necessários à lavratura dos autos de infração. Tanto é verdade que, com as informações prestadas foi possível, pelo mesmo auditor fiscal, lavrar os autos de infração. Além disso, a autuação do PIS e da Cofins, que resultou no processo administrativo nº 16327.720063/201366 e que decorreu do mesmo MPF, relativo à contabilização das receitas de juros sobre o capital próprio, não houve qualquer alegação de atraso na prestação de informações, tampouco aplicação de multa qualificada a este respeito. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.650 5 O contribuinte transcreve ementas do Conselho Administrativo Fiscal para demonstrar o entendimento daquele colegiado no sentido de que, na ausência de qualquer prejuízo para o lançamento, não há cabimento o agravamento da multa. Alega que não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício e a multa isolada pela insuficiência da antecipação mensal do IRPJ e da CSLL, pois as duas penalidades são decorrentes do recálculo do lucro desse período. Essa exigência fere os princípios da razoabilidade, do não confisco, da proporcionalidade e da consunção, de observância obrigatória pelos agentes da administração tributária. Alega que, na possível existência de infração tanto à obrigação de pagamento de estimativas mensais quanto à obrigação de pagamento anual do IRPJ em virtude dos mesmos fatos, é evidente que a segunda infração se sobrepõe à primeira, sendo ela a única punível mediante a aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria administração tributária que não é possível exigir concomitantemente a multa de mora pelo atraso de pagamento (20%) e a multa de ofício (75%) que absorve aquela na mesma autuação. A dossimetria da pena mais gravosa, já está considerando o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Alega que esse é o entendimento pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alega ser incabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício por absoluta ausência de respaldo legal. Por fim, requer: (i) o reconhecimento do pagamento dos valores de IRPJ e CSLL sobre as receitas de juros sobre o capital próprio pagas pela Redecard e Cetip; (ii) o reconhecimento do recolhimento do IRPJ e da CSLL para as receitas de juros sobre o capital próprio pagas pela BM&F e Cibrasec; (iii) a inaplicabilidade da multa qualificada de 112,5%; (iv) a inaplicabilidade da multa exigida isoladamente, e (v) a inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício. Protesta, ainda, por todos os meios de prova, bem como a juntada posterior de documentos, e, caso a autoridade julgadora acredite oportuno, converta o julgamento em diligência para confrontar os documentos ora anexados por cópias com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 1ª Turma da já mencionada DRJ/Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1047.293, de 31 de outubro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL. OMISSÃO DE RECEITA Mantémse os valores lançados a título de omissão de receita quando o contribuinte não comprova têlos oferecido à tributação. IRPJ/CSLL. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.651 6 A multa será agravada quando o sujeito passivo não atender, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS A falta ou insuficiência de recolhimento das antecipações mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido. Cumpre esclarecer que a instância a quo entendeu que os elementos apresentados na impugnação não foram suficientes para comprovar que os valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio da BM&F e da CIBRASEC integraram o lucro real. Isso porque a contabilização daqueles valores foi efetuada em uma conta que na apuração do lucro real, por natureza, tem seus valores excluídos do lucro líquido (dividendos). Além disso, o agravamento da multa aplicada foi mantido apesar de o relator ter sido vencido em sua proposta de afastálo. O voto vencedor sustenta que o não atendimento reiterado das intimações no prazo marcado caracterizou a hipótese de incidência do agravamento. Diferentemente do que defendeu a impugnante, as intimações não foram desnecessárias porque o Fisco não detinha informações suficientes para concretizar a atuação. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, resumidamente, alega que: (i) ao contrário do que foi afirmado no voto condutor da decisão recorrida, os elementos juntados na impugnação comprovam, sim, que os valores recebidos da BM&F e CIBRASEC não foram excluídos da apuração do lucro líquido; (ii) a autoridade julgadora atevese apenas ao aspecto formal do nome dado à conta, qual seja, “receitas de dividendos”; (iii) o fato de a autoridade fiscal entender que os documentos apresentados em atendimento as intimações não eram suficientes para o lançamento não é razão para o agravamento da penalidade; (iv) é impossível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício; (v) é impossível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator A recorrente alega que os elementos juntados na impugnação efetivamente comprovam que os valores recebidos da BM&F e CIBRASEC não foram excluídos da apuração do lucro líquido. Nesse sentido, repete os argumentos deduzidos na impugnação. Essencialmente, afirma que: Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.652 7 em relação aos valores recebidos da BM&F: a) no que diz respeito à parcela de R$ 100.821,14, recebida no mês de março/2008, contabilizada em abril/2008, a comprovação está demonstrada nos documentos anexos à impugnação (“Doc. 06”, “Doc. 07” e “Doc. 08”); para comprovar que houve tributação, sustenta que apresentou cálculo mensal de IRPJ e CSLL demonstrando que esse valor não foi objeto de exclusão no cálculo do lucro real; comprova tal pagamento por meio dos documentos acostados à impugnação (“Doc. 09”). b) no que diz respeito à parcela de R$ 343.876,30, recebida no mês de dezembro/2008, contabilizada em abril/2009, a comprovação está demonstrada no razão contábil (“Doc. 10”); a sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL está demonstrada em documentos acostados à impugnação (“Doc. 11”). em relação aos valores recebidos da CIBRASEC, contabilizados em maio/2009, a comprovação está demonstrada no razão contábil (“Doc. 10”) e a sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL está demonstrada em documentos acostados à impugnação (“Doc. 11”). Ademais, alega que a autoridade julgadora atevese apenas ao aspecto formal do nome dado à conta, qual seja, “receitas de dividendos”. Com efeito, o voto condutor da decisão recorrida, depois de sintetizar os argumentos da impugnante, apenas concluiu que “os elementos apresentados na impugnação não são suficientes para comprovar que os referidos valores integram o lucro real” e que “embora o contribuinte tenha apresentado o comprovante de contabilização dos referidos valores, a contabilização em conta que, por sua natureza, tem seus valores excluídos do lucro líquido e não existindo prova de que os valores tenham integrado o lucro real, implica manutenção do lançamento”. Não houve uma análise mais aprofundada dos documentos trazidos pela empresa. Nada obstante, importa perceber que a recorrente reuniu elementos que indicam a verossimilhança de suas alegações. Não se pode, contudo, em sede de julgamento, descer ao nível de detalhamento necessário para efetivamente comprovar que os referidos valores foram tributados. Só em sede de auditoria, capaz de aferir a autenticidade dos documentos acostados (notese que esses documentos foram, inclusive, recebidos com o carimbo de “SEM ATESTE”), é que se pode obter a segurança requerida pela verdade material. Por tais motivos, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem, em confronto com a escrituração do contribuinte, comprove: (i) a efetiva contabilização e tributação dos valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio da BM&F e da CIBRASEC; e (ii), em caso positivo, informar os períodos de apuração em que esses valores foram tributados. É recomendável que eventuais dúvidas sejam esclarecidas mediante intimação à empresa interessada. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720604/201356 Resolução nº 1401000.386 S1C4T1 Fl. 1.653 8 Devese promover ciência à recorrente acerca do relatório conclusivo e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10680.015646/2004-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. DARF.
A comprovação de pagamento mediante DARF autoriza a exclusão do montante quitado em relação ao total do crédito tributário lançado.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico que fundamenta o direito à repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1201-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter a exigência sobre as parcelas de R$ 66.637,63 e R$ 56.545,63, conforme voto do relator. Vencidos os conselheiros João Thomé e Luis Fabiano, que davam parcial provimento em maior extensão para exonerar, também, a parcela de R$ 66.637,63.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.015646/200475 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.206 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria Auto de Infração Recorrente PROSEGUR BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. DARF. A comprovação de pagamento mediante DARF autoriza a exclusão do montante quitado em relação ao total do crédito tributário lançado. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico que fundamenta o direito à repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter a exigência sobre as parcelas de R$ 66.637,63 e R$ 56.545,63, conforme voto do relator. Vencidos os conselheiros João Thomé e Luis Fabiano, que davam parcial provimento em maior extensão para exonerar, também, a parcela de R$ 66.637,63. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 56 46 /2 00 4- 75 Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Auto de Infração do Imposto de Renda, cujo longo percurso processual pode ser resumido a partir do relatório da segunda decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, posto que a primeira foi anulada por cerceamento de defesa. A Turma de origem deu parcial provimento à impugnação, para exonerar o montante de R$ 16.239,92, relativo à diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente em 31/12/1992, considerando que esta não mais poderia compor o Lucro Inflacionário acumulado em 1999. Reproduzimos a seguir, com adaptações, os principais excertos do relatório: O Auto de Infração (doc. fls. 1/06) foi lavrado em 21/12/2004, onde a autoridade fiscal, em revisão da DIPJ Exercício 2000, Ano Calendário 1999 apresentada pela contribuinte, apurou as irregularidades com os seguintes títulos: 01 — Adições não computadas na Apuração do Lucro Real — Lucro Inflacionário Realizado — Realização Mínima; 02 Falta de Recolhimento/Declaração de Imposto de Renda Insuficiência de Recolhimento ou Declaração. Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação em 26/01/2005 (doc. fls. 82/103) arguindo, em síntese, ter atendido à intimação fiscal e prestado os esclarecimentos, apesar de lavrado o referido AI. Que a parcela apurada como Lucro Inflacionário Realizado fora objeto do Processo n. 10680.003929/0024, que teve decisão do CCMF, que julgou procedente a matéria nos termos do Acórdão n°. 108.06.941 de 18/04/2002, e demonstrou qual seria o saldo correto do lucro inflacionário realizado em 1999. Quanto às diferenças apuradas entre os dados da DIPJ e a DCTF, arguiu que houve incorreções, demonstrando através de um quadro a correta apuração. Alegou ter ocorrido o erro de fato, e este deverá ser considerado em diligência. Arguiu sua opção ao REFIS para a extinção do PIS, formalizada nos Processos n° 10680.015513/9852 e 10680.010722/200294, quando desistiu da via judicial, em atendimento às normas para opção ao REFIS. Demonstrando o seu direito à compensação dos valores pagos indevidamente a título de PIS Dedução, apresentou quadro demonstrativo. Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega o direito à compensação dos valores do IR Fonte apurado no anocalendário de 1996, não utilizado nas compensações mensais. Cientificada de decisão em 10/01/2006 (doc fls. 283) apresentou o presente Recurso (doc fls. 284/300), onde repisa os mesmos argumentos da peça exordial, alegando: Em preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância, por não ter sido apreciada a matéria quando ao seu direito à compensação de créditos de tributos e pleitos relacionado ao REFIS, sob a alegação de que "devem seguir ritos próprios, e, portanto não poderiam ser por ela analisados no processo" (fls. 286 in fine e 287). Expressando que tratase de valores indevidamente recolhidos a título de PIS Dedução e que deverão ser analisados pela própria Receita Federal e não pelo Comitê Gestor do REFIS e compensados na apuração fiscal. Quanto ao mérito, alega que foi mantido o lançamento do IRPJ do ano de 1999, no valor de R$ 890.379,18, em virtude de divergências de informações contidas na DIPJ/2000 e na DCTF. E apresenta quadro demonstrativo da correta apuração (fls. 289), repisando o mesmo argumento de fls. 91, quando da impugnação houve erro de fato, e que a fiscalização deve reconhecer de ofício os valores indevidamente informados. Que procedeu a recolhimento do PISDedução, sob a modalidade de PIS Repique (LC 7/70), período de apuração de junho de 1996 a outubro de 1998, objeto de Mandado de Segurança (fls. 290). E, houve apuração fiscal para prevenir a decadência conforme processos n. 10680.015513/9852 e 10680.010722/200294, referentes ao período de março de 1996 a janeiro de 1999. Para sua inclusão no REFIS desistiu da ação judicial, nos termos do art. 2° § 6o da lei n° 9.964/2000, sendo compelida ao recolhimento do PIS Faturamento, sendo indevidos os valores do PISDedução, passíveis, portanto, de restituição ou compensação. Os valores foram compensados, pela contribuinte, contabilmente, com o IRPJ estimativa devido em setembro de 1999, atualizado pela taxa SELIC, repisando os argumentos da impugnação às fls. 93/96. Mesmo procedimento fora adotado para o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ de 1996, todo o IRFonte compensado a título de antecipação de IRPJ com débitos de 1999 (demonstrativos de fls. 294/296). Idem argumentos de fls. 96/102 na impugnação. Ressalta o erro cometido quando do registro contábil, por não corresponder ao efetivamente compensado, por inconsistências na aplicação da taxa SELIC no anobase de 1996, apurandose Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 5 4 diferença a ser corrigida para o ano calendário de 2003 (fls. 295/296). Idem argumentos de fls. 102/103 na impugnação. Alega também que os recolhimentos complementares efetuados em 2000 do IRPJ, no montante de R$ 222.385,77 (DARF já anexado aos autos), que sequer foi analisado pela DRJ/BH e deverá ser analisado e descontado do valor autuado (fls. 296). E, também, quanto à compensação de créditos apurados em momento posterior ao débito, por ter a recorrente, quitado integralmente, o saldo a pagar do IRPJ do ano de 1999, no montante de R$ 237.176,35, mediante a compensação de créditos apurados posteriormente ao débito, demonstrado a composição das duas parcelas (fls. 297). Alegando que foram anexados aos autos e sequer apreciados pela DRJ/BH. E ainda que não tenha formalizado à SRF o Pedido de Restituição acompanhado do de Compensação, a fiscalização estaria compelida a realizar a compensação do saldo de IRPJ demonstrado pela recorrente quando em resposta ao TI datado de 10.11.2004. Cita decisões que corroboram seu entendimento às fls. 298/299. Requer ao final, em preliminar a nulidade do lançamento tributário efetuado, em virtude da falta de análise dos argumentos da recorrente, por parte da DRJ, argumentos constantes da peça impugnatória. E, que se determine à DRJ/BH que diligencie junto aos órgãos competentes para análise das compensações efetuadas, e assim analise os argumentos contidos na impugnação. Com a ciência da segunda decisão de primeira instância, também parcialmente desfavorável, apresentou a interessada novo Recurso Voluntário, no qual consignou que: 1 o lançamento teve como origem o cruzamento de dados entre a DIPJ e as DCTFs do anobase de 1999; 2 o débito apurado nesse cruzamento é oriundo de alguns erros cometidos no preenchimento da DIPJ, na qual não constaram créditos decorrentes de saldo negativo de declaração de períodos anteriores, bem como créditos decorrentes de recolhimentos indevidos, que foram utilizados para abater o valor do imposto de renda informado como devido nesse ano; 3 a DRJ/BH houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, decotando a parcela referente à suposta realização a menor do lucro inflacionário; 4 a Delegacia de Julgamento manteve a cobrança de suposto saldo não recolhido no ano de 1999, não obstante a empresa ter demonstrado que o débito de IRPJ foi devidamente extinto mediante a compensação de créditos legítimos relativos a tributos administrados pela RFB, constituídos em períodos bases anteriores, ao argumento de que os procedimentos relativos a Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 6 5 direitos creditórios, pedidos de compensação e pleitos relacionados ao REFIS devem seguir ritos formais próprios; 5 depois de anulada a decisão de primeira instância, foi proferida nova decisão, que manteve integralmente as conclusões a que chegou a decisão anterior, além de ter se mantido omissa quanto a uma grande parte dos argumentos relativos à correta apuração do IR devido e pago no ano de 1999; 6 merece ser reformada a exigência, com o cancelamento do Auto de infração ou, novamente anulada a decisão, por ter se mantido silente quanto à matéria de fato trazida pelo contribuinte, mesmo após a determinação desse Conselho de que a instância a quo apreciasse de forma suficiente a lide levada à sua apreciação; 7 conforme se depreende da decisão recorrida, os pontos controversos nos presentes autos se restringem às compensações efetivadas para quitação do IRPJ apurado como devido no ano base de 1999, nos valores de R$ 199.322,98, R$ 164.857,35, R$ 66.637,63 e R$ 222.385,77; 8 percebese que a decisão recorrida teria aceitado as compensações efetivadas para quitação do saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 237.176,34, com créditos de saldo negativo de IRPJ apurados em momento posterior ao da apuração do débito (ano base 2000); 9 apesar de a decisão recorrida não listar este valor como sendo controvertido, conforme se verifica do seu dispositivo final, a referida parcela de R$ 237.176,34 não foi excluída do saldo remanescente de IRPJ supostamente devido, o que indica um erro formal da decisão que deve ser retificado por esse Egrégio Conselho; 10 além das deduções no valor do IRPJ apurado no anobase de 1999 que estão em discussão nos autos, restou demonstrada a quitação integral do saldo a pagar de IRPJ do anocalendário de 1999, no montante de R$ 237.176,35, mediante a compensação de créditos apurados posteriormente ao débito, saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000; 11 o montante compensado de R$ 237.176,35 é composto de 2 valores: R$ 180.630,71, correspondente à compensação efetuada com saldo de IRPJ do ano de 2000, compensação esta que foi efetuada à época, não ficando sujeita à entrega de pedido ou declaração de compensação, nos termos da legislação vigente (IN SRF n° 21/97) e R$ 56.545,63, cuja compensação com saldo de IRPJ 2000 se deu somente em 26/01/2005, após verificação por parte da Recorrente da insuficiência da compensação realizada em 2000, ocasionando a entrega da respectiva Declaração de Compensação DCOMP, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício reduzida, doc. 301/305; Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 7 6 12 a Fiscalização tinha ciência do crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2001, bem como efetuou sua validação por meio de auditoria interna, conforme demonstrado no Termo de Intimação Fiscal. A Fiscalização, antes de proceder à restituição dos tributos declarados, deveria verificar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, em caso positivo, efetuar automaticamente a compensação do valor da restituição com o valor do débito; 13 a seguir a movimentação das compensações efetuadas com o saldo negativo gerado no anobase de 2000, dentre as quais está contemplado o débito de R$ 180.630,27 que, acrescido de juros e multa desde a data da efetiva compensação (baixa do crédito no ativo) correspondea R$ 271.704,04; 14 ainda que pelos termos da decisão recorrida possa ser extraído o entendimento de que já teriam sido aceitas as compensações que quitaram parte do IRPJ no valor de R$ 237.176,34, fica demonstrado 15 que deve ser descontado do crédito tributário mantido o valor em questão; 16 mesmo após expressa determinação desse Conselho, ocorreu a ausência de apreciação de matéria pelo acórdão de primeira instância; 17 após o retorno dos autos para efetiva apreciação das matérias arguidas e não apreciadas, foi proferida nova decisão que acabou por manter a posição anterior da DRJ, excessivamente formal, de que as compensações alegadas não seguiram os ritos próprios previstos na legislação, e que o contribuinte deve apresentar regularmente as DCTFs e DIPJ's, conforme determina a legislação; 18 mesmo após a determinação desse E. Conselho de que a DRJ conhecesse dos argumentos da impugnação, a DRJ insistiu em não analisar a natureza e solidez dos créditos tributários utilizados pela autuada, limitandose a afirmar que o lançamento se embasou na discrepância de informações prestadas nas DCTF's e DIPJ do período; 19 não há sequer uma linha na decisão recorrida sobre as compensações de parte do IRPJ devido no anobase de 1999 com saldos negativos de IRPJ dos anos de 1996 e 2000, e nem mesmo manifestação sobre pagamento via DARF no valor de R$ 222.385.77, que, conforme demonstrado na Impugnação e no primeiro Recurso Voluntário, foram utilizados para quitação de parte do IRPJ apurado como devido no anobase de 1999, e que deveriam ter sido considerados para fins de apuração do valor do IRPJ a pagar ao final desse mesmo ano; 20 se esse Conselho entendeu que a análise da DRJ não foi satisfatória, e que ela deveria adentrar no mérito dos argumentos da empresa, e a DRJ mantém a posição da decisão anulada, mister se faz reconhecer a nulidade também da segunda decisão, para que não se subtraia do contribuinte o direito de Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 8 7 ver seus argumentos apreciados pelas duas instâncias administrativas competentes; 21 como mais uma vez a primeira instância julgadora se recusou a analisar a validade dos créditos utilizados para quitar os valores de IRPJ do anobase de 1999, limitandose a rejeitá los por supostas irregularidades na formalização das compensações, esse Eg. Conselho poderá: a) novamente declarar a nulidade da decisão recorrida por insistir na negativa de analisar os créditos, ou; b) por economia processual, apreciar o mérito do Recurso e se manifestar sobre a validade dos créditos evocados e comprovados; 22 caso esse Conselho supere a demonstrada nulidade da decisão recorrida e, adentre no mérito, demonstra a quitação integral do crédito tributário exigido pela Fiscalização e, conseqüentemente, a insubsistência do lançamento efetuado; 23 existe erro material no preenchimento da DIPJ e DCTF do ano de 1999; 24 a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento de suposto débito de IRPJ apurado no ano de 1999, no valor de R$ 890.379,18, em virtude de divergências nas informações contidas na DIPJ/2000 e na DCTF. Inicialmente, cabe esclarecer que o saldo de imposto de renda a pagar constante da ficha 13, linha 18, da DIPJ/2000, não foi declarado de forma correta; 25 verificase que informou equivocadamente o valor de R$ 5.620.520,31, na ficha 13, linha 18 da DIPJ/2000, enquanto que, de acordo com o Manual de Preenchimento da Declaração de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, o valor correto seria de R$ 6.273.723,15; 26 este valor, R$ 6.273.723,15, corresponde à soma de todos os valores pagos e compensados, bem como das retenções na fonte de imposto de renda realizadas no curso do anocalendário de 1999; 27 além dos equívocos cometidos no preenchimento da Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999, esclarece que a DCTF utilizada pela Fiscalização também não se encontra preenchida corretamente. Nesta, por erro no seu preenchimento, não constam as compensações acima demonstradas; 28 por tratarse de erro de fato no preenchimento destas declarações, entende que a decisão deve reconhecer de oficio os erros cometidos e os valores indevidamente informados, nos termos da jurisprudência desse Conselho de Contribuintes; 29 está provado o pagamento do PIS em duplicidade. Conforme se depreende de forma clara das petições apresentadas pelo contribuinte, não se trata aqui de compensação de valores recolhidos a maior consolidados no REFIS, mas, tãosomente de valores que foram recolhidos em duplicidade. Antes de serem Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 9 8 pagos no REFIS (o pagamento no REFIS é fato verificado pela própria decisão recorrida), recolheu indevidamente valores a título de PISDedução e que, face à adesão ao REFIS e pagamento na modalidade de PISfaturamento, tomaramse crédito tributário passível de compensação com quaisquer tributos, como o IRPJ; 30 a decisão combatida analisou a matéria como se o contribuinte tivesse incluído valores de forma indevida no REFIS, e passou a pretender utilizar esse suposto crédito decorrente do pagamento indevido no Programa como crédito passível der compensação; 31 todavia, não foi isso que ocorreu. Conforme já foi demonstrado nos autos, no período de apuração de junho de 1996 a outubro de 1998, efetuou recolhimentos de IRPJ a título de PISdedução, tendo em vista a autorização para recolher tal contribuição, na modalidade do PIS/REPIQUE (Lei Complementar n° 7/70), com o afastamento, por inválida, da sistemática da Medida Provisória n° 1.212 e reedições (PIS/FATURAMENTO), conforme decisões proferidas nos autos do Mandado de Segurança 96.184550; 32 com o intuito de prevenir a decadência, os débitos que seriam devidos a título de PISfaturamento foram objetos de autuações fiscais (PTA 10680.015513/9852 e 10680.010722/200294 peças dos processos administrativos já anexadas aos autos), que compreenderam o período de março de 1996 a janeiro de 1999; 33 ocorre que, nos termos da legislação do REFIS, a contribuinte desistiu da ação judicial ora comentada e entendeu conveniente a inclusão, no Parcelamento Alternativo do REFIS, dos valores lançados nos autos de infração acima citados (PIS faturamento), beneficiandose da dispensa de juros e multa; 34 quando da adesão ao REFIS foi compelida ao recolhimento do PISfaturamento, os valores anteriormente recolhidos para o mesmo período a titulo de PISDedução deixaram de ser devidos, sendo passíveis de restituição ou compensação; 35 pela própria sistemática de cálculo do PISDedução, os valores recolhidos a este título foram considerados como pagamento indevido ou a maior a título de imposto de renda, e como tal compensados com IRPJ estimativa devido em setembro de 1999; 36 nos termos do art. 39, §4° da Lei n° 9.250/95, atualizou os valores recolhidos a título de PIS pela taxa SELIC do pagamento até o mês de agosto de 1999 e de 1% no mês de setembro de 1999; 37 considerando que os valores recolhidos indevidamente a título de PISDedução podem ser tratados como imposto de renda, estava dispensada de pedido ou declaração formalizando as compensações dos valores demonstrados; Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 10 9 38 é por este motivo que as compensações encontramse registradas apenas nos seus registros contábeis, já que o art. 14 da IN 21/97, em vigor à época, dispunha que a compensação entre tributos de mesma espécie poderia ser realizada independentemente de apresentação de pedido de compensação; 39 outro crédito utilizado para extinção de parte do IRPJ devido no anobase de 1999 foi o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Rendimentos do anobase de 1996; 40 pela análise da ficha 09 (IR e CSL Base Receita Bruta ou Balancete de Suspensão/Redução) da Declaração de Rendimentos de 1996, verificase que o saldo negativo apurado na ficha 08 (Cálculo do Imposto de Renda PJ em Geral), no valor de R$ 108.124,45, equivale a todo o IR Fonte compensado durante o exercício a título de antecipação de IRPJ, acrescido do IRFonte não utilizado nas compensações mensais; 41o Imposto de Renda retido pelos tomadores de serviços no curso do anocalendário somente pode ser compensado com o imposto de renda devido por estimativa ou pelo regime de balancete de suspensão ou redução. Esse é o entendimento da Secretaria da Receita Federal manifestado na Decisão n° 434/98 da 8a Região Fiscal; 42 considerando que o IRFonte somente se converte em crédito e, por conseguinte, passa a ser compensável com débitos da própria pessoa jurídica, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, efetuou a compensação do IR retido no ano calendário de 1996 com débitos de IRPJ do anobase de 1999; 43 nos termos dos arts. 2o e 3o da IN 22/96, o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ de 1996 foi acrescido de juros calculados à taxa SEL1C acumulada a partir de maio de 1997 até o mês anterior ao da compensação e acrescidos da taxa de 1% ; 44 por se tratar de tributos da mesma espécie, as compensações encontramse registradas apenas nos seus livros contábeis, tendo em vista que de acordo com o art. 14 da IN 21/97, em vigor à época, a compensação entre tributos de mesma espécie poderia ser feita pelo contribuinte, independentemente de apresentação do pedido de compensação; 45 durante o anocalendário de 1996, efetuou pagamentos de IRPJ estimativa no montante de R$ 987.006,99. Conforme demonstrado na ficha 09 (IR e CSL Base Receita Bruta ou Balancete de Suspensão /Redução) da Declaração de Rendimentos do anobase 1996 (documento já anexado aos autos), não haveria necessidade de realização de tais pagamentos pela Recorrente, tendo em vista que todo o IRPJ apurado mensalmente foi compensado com o IR Fonte; 46 considerando que os valores recolhidos durante o ano calendário de 1996 a título de IRPJ estimativa não foram Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 11 10 computados no saldo da declaração de rendimentos daquele ano, foram eles tratados como pagamentos indevidos ou a maior, e compensados, a partir de janeiro de 1997, com IRFonte incidente sobre a folha de pagamentos e com o IRPJ apurado mensalmente no anocalendário de 1999; 47 cabe esclarecer que o valor registrado nos livros contábeis não corresponde ao efetivamente compensado. Isso porque a empresa, ao analisar os valores compensados durante o ano de 1999 e não declarados na DIPJ deste ano, verificou inconsistências na aplicação da taxa SEL1C sobre os recolhimentos de IRPJ realizados no anobase de 1996; 48 ao efetuar a recomposição das compensações realizadas com as estimativas de IRPJ do ano de 1996 verificou que o saldo apurado em janeiro de 1999 era de 56.545,66, motivo pelo qual informou equivocadamente, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, que o saldo de IRPJ a pagar apurado no encerramento do ano de 1999 corresponderia a R$ 180.630,71; 49 exatamente por reconhecer que deixou de compensar o valor de R$ 56.545,66, em 26/01/2005, a pessoa jurídica, após verificação da insuficiência no pagamento de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário, realizou a entrega de Declaração de Compensação DCOMP, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício reduzida, para extinção do débito em comento; 50 tendo em vista que o crédito a maior acima especificado foi apurado a destempo, a baixa das compensações escriturada nos seus registros contábeis corresponde a R$ 123.183,29, enquanto que o correto seria de R$ 66.637,66; 51 efetuou o recolhimento complementar de IRPJ no ano calendário de 2000, no montante de R$ 222.385,77, conforme DARF anexado aos autos, acrescido dos encargos legais devidos. Todavia esse pagamento não foi em nenhum momento considerado pela autoridade fiscal", nem mesmo como redutor do valor autuado; 52 é inegável que o referido pagamento deveria ser considerado ao menos como pagamento parcial, na hipótese de não serem considerados quaisquer dos já mencionados erros de preenchimento da DIPJ, que levam à apuração de um tributo supostamente devido muito maior do que aquele que na realidade seria devido. Isso porque tal valor também compõe o montante do IRPJ devido e pago no anocalendário de 1999, e deve ser levado em conta por esse Conselho, decotandoo do valor autuado. A 2a Turma desta Câmara decidiu, em 13 de maio de 2009, converter o julgamento em diligência, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessário o confronto documental Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 12 11 de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente com os controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil, para a conclusão da existência de erro de fato no preenchimento das declarações do ano de 1999, além do recolhimento espontâneo dos valores a título de IRPJ, antes do início da ação fiscal. Depois de concluídos os trabalhos de diligência, foi elaborado parecer conclusivo, com oportunidade de manifestação da interessada. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento e, posteriormente, foram sorteados para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A matéria discutida nos autos referese, fundamentalmente, à comprovação de créditos existentes e pagamentos efetuados pela Recorrente, de sorte que a análise do resultado da diligência solicitada por este Conselho é essencial para a decisão a ser proferida no processo. O valor original remanescente da autuação, depois da decisão de primeira instância, é de R$ 890.379,18, pois houve provimento parcial da impugnação apresentada pela empresa. Assim, a partir dos argumentos formulados pela Recorrente, já reproduzidos no relatório deste voto, a autoridade diligenciante analisou, em detalhes, os montantes que compõem o saldo em discussão. Em relação à DIPJ/2000, relativa ao anocalendário de 1999, a autoridade refez os cálculos das linhas informadas e concluiu que o preenchimento está correto, notadamente quanto ao informado na linha 18 da Ficha 13A (Imposto de Renda a Pagar), conforme planilhas de fls. 2.340/2.341. Acerca do cotejo entre os valores declarados na DIPJ x valores declarados em DCTF x valores recolhidos, a autoridade elaborou o seguinte quadro: IRPJ apurado DIPJ Valores declarados DCTF Pagamentos DARF janeiro 227.542.48 0,00 0.00 fevereiro 348.367.07 139.330.53 139.330.53 março 270.599.67 72.390.01 72.390.01 abril 328.980,61 0.00 0,00 Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 13 12 maio 363.206.09 0,00 0.00 junho 722.647.20 424.237.66 498.147.36 julho 728.121.91 527.639.09 527.639.09 agosto 607.640.37 467.930,91 467.930,91 setembro 1.076.382.95 583.974,32 583.974,32 outubro 279.604,07 794.626,70 794.626,70 novembro 543.923,72 9.091.63 9.091.63 dezembro 454.032,13 467.659.24 467.659.24 Soma 5.951.048,27 3.486.880,09 3.560.789,79 AJUSTE 890.379.18 222.385,77 222.385.77 Soma 6.841.427,45 3.709.265,86 3.783.175,56 Concluise, portanto, que no mês de junho o débito do imposto declarado em DCTF foi menor que o valor recolhido; porém, no ajuste da Ficha 13A, linha 16, foi considerado o montante total recolhido e não o informado em DCTF. No que tange às estimativas apuradas e recolhidas durante o anocalendário de 1999 foi elaborado o quadro abaixo: Meses Imposto de Renda devido Linha 02+ 03 da DIPJ Imposto de Renda devido Linha 02+ 03 da DIPJ Estimativa mensal apurada DIPJ Estimativa mensal apurada Planilha 1 Pagamentos efetuados DARF Mensal Acumulado 1 2 janeiro 227.542.48 227.542,48 1.040,38 1.040,38 fevereiro 348.367.07 575.909.55 166.362,87 166.362.87 139.330.53 março 270.599,67 846.509.22 25.467,84 25.467,84 72.390.01 abril 328.980.61 1.175.489.83 93.220.74 93.220,74 maio 363.206,09 1.538.695,92 368.976.17 146.942.71 junho 722.647,20 2.261.343.12 302.554.51 524.587.97 498.147,36 julho 728.121,91 2.989.465.03 563.917,78 563.917,78 527.639.09 agosto 607.640.37 3.597.105.40 465.146.48 465.146,48 467.930.91 setembro 1.076.382.95 4.673.488,35 939.255,71 939.255.71 583.974.32 outubro 279.604,07 4.953.092,42 145.771.48 145.771,48 794.626.70 novembro 543.923,72 5.497.016.14 395.105.22 395.105,22 9.091.63 dezembro 1.344.411.31 6.841.427,45 1.004.921,72 1.004.921.72 467.659.24 * 6.841.427,45 4.471.740,90 4.471.740,90 3.560.789,79 Em conclusão, relatou a diligência que o contribuinte não declarou em DCTF a totalidade dos débitos devidos de IRPJ apurados mensalmente e no ajuste anual (Fichas 12 e 13A, da DIPJ/2000, respectivamente), bem como as compensações pleiteadas. Nos meses de maio e junho, houve diferença entre os valores preenchidos pelo contribuinte na DIPJ e os calculados pela fiscalização relativos ao IRPJ a Pagar, linha 11, ficha 12, conforme demonstrado no quadro acima. Sobre as provisões e compensações realizadas entre o período de janeiro de 1999 e dezembro de 2002, constatouse que do imposto apurado na DIPJ (R$ 6.841.427,45) foi provisionado o montante de R$ 6.618.636,96, até 31.01.2000. Nos anos subsequentes foram contabilizados ajustes a Débito e a Crédito, bem como registradas baixas/compensações, inclusive o saldo remanescente de 1998 (R$ 31.089,41), tendo esta conta saldo "0,00" (zero) em 31.10.2002. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 14 13 Acerca do montante autuado e até o momento mantido, de R$ 890.379,18, relativo ao imposto apurado a partir da DIPJ/2000, constatase que foi efetuado pela empresa, em março de 2000, recolhimento via DARF, código 2430, do valor principal de R$ 222.385,77, declarado em DCTF no 1o trimestre de 2000. Inegável, concluir, portanto, que do montante original da autuação (R$ 890.379,18), deve ser deduzido o valor já pago mediante DARF, de R$ 222.385,77, de sorte que remanesce um débito, conforme apurado na DIPJ, de R$ 667.993,41. Em relação ao débito acima, alega a Recorrente que pleiteou compensações. O primeiro crédito referese ao saldo negativo de IRPJ da declaração de 1997, Ficha 08, no valor original de R$ 108.124,45, apurado em dezembro de 1996. O montante foi compensado contabilmente pela empresa em 30 de novembro de 2000, com correção monetária. Outra rubrica que teria sido utilizada para a amortização do imposto a pagar referese aos pagamentos por estimativa do ano de 1996, realizados sob o código 2362, bem como os lançamentos efetuados pela empresa a título de estimativas de IRPJ. Acerca dos procedimentos, a autoridade diligenciante entendeu que: O contribuinte apresenta em sua planilha um saldo de imposto a compensar no valor de R$ 66.637,63, (987.006,99 + 332.877,64 1.253.247,00), referente às estimativas recolhidas em 1996, corrigidas monetariamente, diminuídas das compensações efetuadas. Este saldo, conforme planilha acima foi utilizado pelo contribuinte para o IRPJ devido em 1999. Como demonstrado no quadro abaixo, não encontramos a contabilização da baixa/compensação do valor citado acima, R$ 66.637,63. Consta contabilizada em 29.02.2000, baixa referente à compensação com o IRPJ/99 no valor de R$ 123.183,29, tendo como contra partida a conta 2.01.02.05.0020 IRPJ provisões, (fls. 180).O contribuinte informa em sua peça de impugnação às folhas 99, que a baixa das compensações escrituradas nos registros contábeis foi escriturada a maior. (grifamos) Sobre os recolhimentos do PIS nos anoscalendário de 1996 a 1998, no valor de R$ 199.322,08, que teriam, inclusive, sido efetuados em duplicidade, conforme reclama a empresa, a autoridade assim se manifestou: O contribuinte informa às folhas 93 a 95 que no período de junho de 1996 a outubro de 1998 recolheu PISDedução, modalidade PISREPIQUE, em substituição ao PIS Faturamento, amparado por Mandado de Segurança. Tendo sido novamente cobrado o tributo acima, no mesmo período, porém, na modalidade PIS Faturamento, através dos PAF's 10680.003883/200221, 10680.005217/200317 e 10680.010722/200294, o contribuinte aderiu ao REFIS, incluindo os débitos cobrados nos respectivos PAF (folhas 379, 380, 390 a 419). Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 15 14 Diante do ocorrido, o contribuinte considerou os pagamentos do PIS Repique como recolhimento a maior/duplicidade no período 06/96 a 10/98, e elaborou planilha às folhas 95, demonstrando o valor do principal de R$ 147.956,04 que, corrigido monetariamente, importa em R$ 199.322,08. Este valor está sendo pleiteado para compensação com o IRPJ apurado na DIPJ/2000. O valor do principal acima consta como recolhimento nos sistemas da RFB e a compensação foi contabilizada/realizada nos registros contábeis em 30.11.2000, tendo como contrapartida a conta 2.01.02.05.0020 IRPJ, provisões. (grifamos) Por fim, quanto ao restante do IRPJ autuado, no valor de R$ 237.176,35, assim se manifestou a diligência: O contribuinte apurou na DIPJ/2001 anocalendário 2000, Ficha 12 A, Linha 18, saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 2.087.696,30. O mesmo informa que o restante do valor do Auto de Infração, de R$ 237.176,34, foi compensado através de créditos apurados posteriormente ao débito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, sendo R$ 180.630,71 + R$ 56.545,63, (fls. 631 e 632). Segue abaixo planilha apresentada pelo contribuinte às folhas 633, da movimentação das compensações efetuadas com o saldo negativo apurado no anocalendário 2000. Resumo da Planilha do contribuinte fls. 633 Mês Do Mês Atualizado IRPJ CSLL Compensado A compensar dez/00 2.087.696,30 Principal Juros Multa jan/01 1.27 2.108.573.26 2.108.573.26 fev/01 1,02 2.135.087.01 564.817.43 564.817,43 1.570.269.58 dez/01 1,39 1.776.322.36 180.630.27 54.947,72 36.126,05 271.704,04 1.504.618.32 Verificase que o valor compensado na planilha acima, (R$ 271.704,04) não coincide com os valores contabilizados, conforme Razão contábil apresentado às folhas 186. Com efeito, a compensação indicada para o período, no Razão de fls. 186, indica o montante de R$ 275.746,84. Sobre as duas rubricas que comporiam o saldo autuado a pagar, a diligência relatou que: a) R$ 180.630,71 Informa o contribuinte, às folhas 631 a 633, que este valor foi compensado com o restante do IRPJ devido. A compensação foi contabilizada/realizada nos registros contábeis em 31.12.2001, tendo como contrapartida a conta 2.01.02.05.0020 IRPJ (provisões, (fls. 186). b) R$ 56.545,63 Este valor foi pleiteado como parte da liquidação do Auto de Infração, relativo ao PAF Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 16 15 10680.0156646/200475, objeto desta Diligência e constou da PerDcomp Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de compensação n. 06912.35543.260105.1.3.02 3813, transmitida em 26/01/2005, retificada em 21/06/2005 sob o n. 06147.437.210605.1.7.025704, que foi novamente retificada pela PerDcomp n° 33175.59510.210605.1.7.028453, entregue em 21/06/2005. Este PerdComp teve tratamento manual e originou o PAF n. 10680.011898/200425, cuja decisão foi a "NÃO HOMOLOGAÇÃO ", por motivo de inexistência de crédito. Esta decisão foi ratificada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ/MG através do Acórdão DRJ/MG n° 02 407, de 16 de fevereiro de 2006, "Compensação não Homologada".(grifamos) Sobre o andamento do processo que questiona a não homologação do montante acima, verificamos, em consulta ao sítio do CARF, efetuada em outubro de 2015, que os autos estão, desde março de 2009, aguardando a realização de diligência. Sendo assim, com base nas informações disponíveis, entendo que o valor de R$ 890.379,18, ainda em discussão, e as rubricas que o compõem, devam ter o seguinte tratamento: a) Redução do montante de R$ 222.385,77, visto que o pagamento mediante DARF foi confirmado pela diligência; b) Redução do montante de R$ 164.857,35, relativo ao saldo negativo apurado em 1997, corrigido monetariamente; c) Redução do montante corrigido de R$ 199.322,08, relativo a pagamento em duplicidade ou a maior, a título de PIS; d) Redução do montante de R$ 180.630,71, relativo a compensações registradas em 31 de dezembro de 2001; e) Manter o valor autuado de R$ 66.637,63, cuja contabilização não foi encontrada na diligência; f) Manter o valor autuado de R$ 56.545,63, posto que no respectivo processo de compensação a Receita Federal não o homologou, por inexistência de crédito, decisão ratificada pela Delegacia de Julgamento. Como o feito ainda carece de decisão final na esfera administrativa, a Delegacia de jurisdição do contribuinte deverá levar em consideração o que aqui restar decidido quando da apreciação e execução daquele feito. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE PARCIAL provimento, mantendo a exigência sobre as parcelas de R$ 66.637,63 e R$ 56.545,63, nos termos descritos. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10680.015646/200475 Acórdão n.º 1201001.206 S1C2T1 Fl. 17 16 É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 19515.006815/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11).
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo tributável do ano-calendário 2003 o valor de R$ 103.238,32, e do ano-calendário 2004 o valor de R$ 29.764,25.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 68 15 /2 00 8- 96 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo tributável do anocalendário 2003 o valor de R$ 103.238,32, e do anocalendário 2004 o valor de R$ 29.764,25. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2 , que sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Tratase de Auto de Infração (fls. 491/496) referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 4.970.406,54, sendo R$ 2.216.964,96 de imposto de renda; R$ 1.662.723,70 de multa proporcional e R$ 1.090.717,88 de juros de mora (calculados até 31/10/2008). A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, em face dos valores creditados em contas bancárias, nos anos de 2003, 2004 e 2005, cuja origem dos recursos utilizados nas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea. Cientificado da exigência tributária em 01/12/2008, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 497, o contribuinte apresenta às fls. 499/509, através de seu advogado, Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.006815/200896 Acórdão n.º 2202003.070 S2C2T2 Fl. 1.359 3 conforme instrumento de procuração de fl. 510, impugnação à exigência tributária, de onde se extrai os seguintes argumentos: • Por ter sido lavrado o auto de infração e imposição de multa em 24/11/2008, qualquer pretensão fiscal anterior a 31 de outubro de 2003 está atingida irremediavelmente pela decadência; • A movimentação financeira tem origem em empréstimos celebrados pelo contribuinte com as suas sociedades, empréstimos esses não só declarados nas declarações anuais de ajuste como também reconhecidos na contabilidade das empresas mutuantes; • A Auditora Fiscal é contraditória, pois, em um momento, reconhece a regularidade fiscal das empresas ("constatamos que são empresas de Lucro Presumido e que possuem documentação contábil, para depois desclassificálas ("Assim não foram considerados como documentos comprobatórios os Livros Caixa das empresas citadas...'); • Em que pese a movimentação financeira por ele justificada à Auditora Fiscal (empréstimos de suas sociedades), sequer teve correspondente evolução patrimonial, o que é facilmente constatado pelas suas declarações anuais de ajuste do período (exercícios 2004, 2005 e 2006, docs. nºs 2, 3 e 4); • É de se supor que a própria Lei n° 9.430/96 tolera movimentação sem comprovação da origem dos recursos no limite de R$ 80.000,00, assim tal limite deveria ser aplicado indistintamente a todos, posto que entendido como movimentação financeira não sujeita à tributação, sob pena de ferirse o principio da igualdade; • O Impugnante não apresenta crescimento patrimonial incompatível com seus rendimentos, não possuindo acréscimo patrimonial a descoberto. Evidentemente, se a movimentação financeira não declarada é presunção de omissão de receitas, a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto é presunção de ausência do mesmo fato; • Assim, indispensável a realização de perícia contábil com a finalidade de comprovar a origem dos depósitos pretensamente considerados como rendimentos, já que decorrentes de empréstimos das sociedades do Impugnante, que permitirá o confronto de cada entrada nas contas correntes do Impugnante e a respectiva saída desses valores das suas sociedades, o que sem a presença de um "expert", é impossível ao Impugnante. Para tanto indica o perito e os quesitos a serem pelo mesmo respondidos; Por último, o Impugnante protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, indica o nome e endereço do patrono que subscreve a impugnação e requer seja cancelado o auto de infração. É o relatório. A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, cujo acórdão (fls. 567 a 579) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos extinguese após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com o advento da instituição da presunção legal, não há mais necessidade da comprovação da existência de sinais exteriores de riqueza. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Tratandose de urna presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMOS. Não são suficientes para a comprovação de origem dos créditos, a titulo de empréstimos as declarações de imposto de renda da pessoa física e os livros fiscais das empresas das quais o contribuinte é sócio, quando desacompanhados de documentação hábil e idônea, coincidentes nas respectivas datas e valores. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese pedido de perícia, quando sua realização afigurarse prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No Processo Administrativo Fiscal, somente é permitida ajuntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 25/11/2009, por via postal, conforme A.R. à fl. 791, o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 23/12/2009 (fls. 794 a 805), no qual repisa os argumentos da impugnação, acrescentando que a conta corrente junto à Nossa Caixa Nosso Banco é conjunta e como tal deveria ter sido considerada, para efeitos do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, tendo efetuado diversos pagamentos relativos ao presente lançamento, conforme telas dos sistemas às fls. 1.270 a 1.315, requerimento de fls. 1.316 e 1.317 e planilhas de fls. 1.319 a 1.326. Em 31/10/2014, o contribuinte apresentou petição na qual requer que seja declarada a prescrição intercorrente, com o consequente arquivamento do processo, com fulcro no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.783/99. Alternativamente, solicita o afastamento dos juros moratórios desde a data do protocolo do recurso voluntário (fls. 1.342 a 1.348). É o relatório. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.006815/200896 Acórdão n.º 2202003.070 S2C2T2 Fl. 1.360 5 Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tendo em vista a desistência parcial do recurso pelo contribuinte, em virtude de adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, encontramse fora dos litígio os valores incluídos no parcelamento, conforme telas dos sistemas às fls. 1.270 a 1.315 e extrato do processo à fl. 1.327. PRELIMINARES Prescrição intercorrente Requer o Recorrente que seja declarada a prescrição intercorrente, com base no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.783/99. Não há como acolher a sua pretensão, posto que se trata de matéria objeto da Súmula CARF nº 11, que dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Nos termos do caput do artigo 72, do Anexo II, do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Solicitação de perícia contábil Inicialmente cabe analisar o pedido do Contribuinte para realização de perícia contábil para comprovar a origem dos depósitos considerados como rendimentos, mediante confronto dos lançamentos nas suas contascorrentes com os registros contábeis de suas empresas. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Consoante se depreende da leitura do dispositivo acima, a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de perícias ou diligências, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis. As diligências e perícias não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, pois se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A responsabilidade pela apresentação das provas do que foi alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de perícia para a busca de provas, notadamente no caso da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em que há inversão do ônus da prova, consoante art. 42 da Lei nº 9.430/96. No presente caso, o Recorrente solicita a perícia para comprovar a origem dos depósitos considerados como rendimentos. Contudo, esse ônus é dele, conforme previsão legal. O que pretende o Recorrente é transferir para a perícia um encargo que é seu. Assim, não há como acatar a pretensão do Recorrente para a realização de perícia. Decadência O Recorrente alega que o imposto passa a ser devido e exigível no mês seguinte ao do depósito e não na declaração de ajuste, de acordo com o § 4º do art. 42 da Lei nº 9.420/96. Assim, o prazo decadencial, por ser lançamento por homologação, passa a correr a partir do mês seguinte ao do depósito e não a partir do primeiro dia útil do ano seguinte. Como o auto de infração foi lavrado em 24/11/2008, defende ele que qualquer pretensão fiscal anterior a 31/10/2003 está atingida pela decadência. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. No que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.006815/200896 Acórdão n.º 2202003.070 S2C2T2 Fl. 1.361 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos do original). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). No presente caso, como houve pagamento antecipado em relação ao ano calendário 2003, conforme se depreende pelo Auto de Infração (fls. 510 a 519), devese aplicar para a contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Como o fato gerador do anocalendário 2003 ocorreu em 31/12/2003, somente ocorreria a decadência em 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 01/12/2008 (fl. 520), o lançamento relativo ao anocalendário 2003 não foi alcançado pela decadência. Da mesma forma, não foram atingidos os anoscalendário seguintes. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Portanto, não se acolhe a preliminar de decadência. MÉRITO Depósitos bancários O Recorrente aduz que a movimentação financeira tem origem em empréstimos celebrados com as suas sociedades, os quais foram declarados em suas declarações anuais de ajuste (DAA) e reconhecidos na contabilidade das empresas mutuantes. Alega que não teve evolução patrimonial, não possuindo acréscimo patrimonial a descoberto, o que pode ser constatado pelas suas DAAs do período. Defende que a própria lei (artigo 849, § 2º, II, RIR) permite a exclusão da tributação, sem comprovação da origem dos recursos, do limite de R$ 80.000,00, o qual deve ser aplicado indistintamente a todos. Esclarece que a contacorrente junto à Nossa Caixa Nosso Banco é conjunta e assim deveria ter sido considerada para efeitos da alegada omissão de rendimentos. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.006815/200896 Acórdão n.º 2202003.070 S2C2T2 Fl. 1.362 9 § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O contribuinte alega que a movimentação financeira tem origem em empréstimos contraídos junto às empresas das quais é sócio. Entretanto, as suas alegações não se encontram acompanhadas de documentos que as comprovem e é regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Ressaltese que os livros Caixa da empresa apresentados pelo contribuinte não são registrados e não foram apresentados documentos que dessem suporte aos lançamentos. Embora nas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJs) constasse a existência de contabilidade, não foram apresentados os livros Diário. Peço vênia para reproduzir excerto do voto condutor da decisão de primeira instância: No presente caso, alega o Impugnante que a movimentação financeira tem origem em empréstimos celebrados pelo contribuinte com as suas sociedades, empréstimos esses não só declarados nas declarações anuais de ajuste corno também reconhecidos na contabilidade das empresas mutuantes. Ou seja, pretende fazer prova de origem dos créditos, com informações constantes em documentos dos quais foi o responsável pela elaboração. Dito de outro modo, podese afirmar que o contribuinte deseja comprovar suas alegações com as suas próprias informações prestadas em declarações e em escrituração de livros que sequer foram registrados. Na impugnação, é o contribuinte quem traz ao julgador suas alegações e argumentações: e na declaração, é, novamente, o mesmo contribuinte a trazer ao Fisco suas informações, Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 ou seja, em ambas as situações a fonte é a mesma: o próprio contribuinte. Assim, não há como aceitar declarações e livros fiscais de responsabilidade do contribuinte como comprovação de origem dos depósitos bancários. Salientese que não se trata aqui de considerar falsos os documentos apresentados com intuito de comprovação de origem, mas sim de considerálos insuficientes para a comprovação requerida. Por outro lado, é de ressaltar que, para efetivarse a comprovação de origem exigida pela norma, mister que haja a comprovação individualizada dos depósitos, per se, com apresentação de documentos hábeis a demonstrar de onde vieram e a que título foram efetuados. A alegação generalizada da origem, acompanhada de documentos insuficientes para comprovar a que titulo foram creditados, não pode ser aceita como comprovação de origem. Quanto à necessidade de o Fisco demonstrar o acréscimo patrimonial, conforme alegado pelo Recorrente, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Pleiteia o Recorrente a exclusão dos R$ 80.000,00 de que trata o art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96. Contudo, não há determinação legal para exclusão desse valor indistintamente, mas somente quando obedecido o critério legal, ou seja, devem ser excluídos os valores individuais iguais ou inferiores a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00. Nesse caso, não há como enquadrar os lançamentos nessa condição. Por fim, requer que seja aplicado o disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a contacorrente mantida junto à Nossa Caixa Nosso Banco é conjunta. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF às fls. 490 a 493, o contribuinte Felisberto Brant de Carvalho, cotitular da contacorrente referida, foi intimado a comprovar a origem dos depósitos (fls. 66 a 73), não tendo apresentado nenhuma resposta. Entretanto, a autoridade fiscal tributou integralmente os depósitos realizados na contacorrente mantida na Nossa Caixa Nosso Banco, consoante se depreende pela descrição no TVF e pelas planilhas de fls. 494 a 509, quando deveria ter tributado 50% desses valores. Dessa forma, devem ser excluídos da base de cálculo tributável os seguintes valores: Mês/ano Valor incluído na base de cálculo no A.I. (R$) Valor a ser excluído da base de cálculo (R$) 01/2003 31.144,80 15.572,40 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.006815/200896 Acórdão n.º 2202003.070 S2C2T2 Fl. 1.363 11 03/2003 782,88 391,44 04/2003 5.200,00 2.600,00 06/2003 7.344,00 3.672,00 07/2003 30.437,13 15.218,57 08/2003 17.736,75 8.868,38 09/2003 18.410,15 9.205,08 10/2003 33.435,66 16.717,83 11/2003 27.244,68 13.622,34 12/2003 34.740,58 17.370,29 Total de 2003 206.476,63 103.238,32 01/2004 34.928,49 17.464,25 02/2004 24.500,01 12.250,01 06/2004 100,00 50,00 Total de 2004 59.528,50 29.764,25 Juros de mora O Recorrente, por meio de petição entregue após o Recurso Voluntário, solicita, alternativamente, o afastamento dos juros moratórios desde a data do protocolo do recurso (fls. 1.342 a 1.348), alegando que há muito foi desrespeitado o prazo de 360 dias de que trata a Lei nº 11.457/2007. Não há como acolher a pretensão do contribuinte, posto que a aplicação dos juros de mora é proveniente de disposição legal, sendo a matéria objeto da Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo tributável do anocalendário 2003 o valor de R$ 103.238,32, e do anocalendário 2004 o valor de R$ 29.764,25. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15578.000293/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. [Tabela de Resultados]
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.020 1 2.019 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000293/200912 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.757 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de fevereiro de 2016 Assunto Solicitação de diligência Recorrente ADM DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. [Tabela de Resultados] (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório que analisou o pedido de ressarcimento da contribuinte. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 22333.91723.300106.1.1.084762, de crédito da Contribuição ao PIS/Pasep Não Cumulativo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 29 3/ 20 09 -1 2 Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.021 2 Exportação, nos termos do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, relativo ao 3º trimestre de 2005, no montante de R$ 1.817.986,83. O saldo a ressarcir foi objeto das Declarações de Compensação nºs 23038.79145.011106.1.3.082034 e 04150.49412.310107.1.3.083843. A DRF/Vitória não reconheceu o referido direito creditório e não homologou as compensações apresentadas, com fundamento no Parecer Seort nº 0784/2009, que consignou, em essência, que: As informações constantes dos sistemas da RFB, assim como aquelas colhidas em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a ADM DO BRASIL, neste parecer designado apenas de ADM, atua na produção e comercialização de óleo de soja, além de atuar na comercialização de fertilizantes. O crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições é o apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e mais, o crédito deve ser decorrente de operações de mercadorias para o exterior ou de vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação. Dessa forma, não é exeqüível a compensação de créditos oriundos de vendas no mercado interno com outros tributos administrados pela SRF. Ao analisar o Dacon (Demonstrativo das Contribuições Sociais fls. 425/436) e as Planilhas de Apuração das Contribuições não cumulativas enviadas pelo sujeito passivo (fls. 438/443), foi constatada divergência entre os valores informados. Destarte, foram adotadas as planilhas enviadas, em detrimento do Dacon, cuja natureza jurídica perante a SRF é de uma obrigação acessória de cunho meramente declarativo. Com base na análise da escrituração do sujeito passivo, assim como das Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas, e de outros elementos apresentados, demonstraram inconsistências nos valores dos créditos ora compensados. Conseqüentemente, foram realizados ajustes nestas planilhas, atendendo ao que foi disciplinado pela legislação tributária. No que tange a apuração dos créditos a descontar, foi gerada uma planilha auxiliar Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl.437), a fim de discriminar por filiais as eventuais glosas por ventura efetuadas. I DOS DÉBITOS Venda de Mercadoria com Suspensão (soja, milho, trigo, sorgo. cacau Lei 10.925) A ADM não poderia, por uma questão de ordem cronológica, fazer jus ao beneficio da suspensão anteriormente à edição da IN SRF n° 660, e mais especificamente, anteriormente a 4 de abril de 2006. Segundo o Art. 9o, a incidência das contribuições nãocumulativas fica suspensa no caso da venda de produtos por cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal ou por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. O §1°, I, da supra citada IN definiu que cerealista é a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do Art. 2o. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.022 3 A ADM não se enquadra na definição de cerealista definida pela IN SRF 660/2006. Ela mesma alegou, em resposta ao Termo de Solicitação de documentos seort n° 0203/2008, que é uma empresa que processa soja, adquirindo matériaprima básica (soja), material intermediário, embalagens, energia, água, serviços de transporte rodoviário e ferroviário, etc, e como resultado do processo produtivo vende farelos de soja, óleos de soja em bruto, óleo degomado, óleo envasado, ácido graxo e fertilizantes (fl. 43). Ela também não se enquadra na definição de atividade agropecuária e nem de cooperativa de produção agropecuária delineada pelos incisos II e III do §1° da mencionada IN. Por todo o exposto, verificase que a ADM não está amparada pela suspensão das contribuições nãocumulativas de que trata o Art. 9o da Lei 10.925/2004. Outras receitas – Operacionais O total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, de acordo com o § 1o do mesmo ordenamento jurídico acima mencionado. Partindo deste raciocínio, as rubricas desconto na compra de m. prima e diversos outras rendas, as quais foram registradas nos balancetes sob a codificação fiscal 411050 ou 411550 e 748950, respectivamente, deixaram de ser adicionadas à sua base de cálculo, de acordo com as fls. 17/28. Além disso, em outras situações, ele informou valores a menor em relação ao que foi registrado nos Livros Balancete (fls. 17/28). Destarte, foram realizadas as devidas adições nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls. 438/443), com vistas a atender ao que dispõe a legislação tributária, no que tange a apuração da base de cálculo do PIS nãocumulativo. II DOS CRÉDITOS Bens utilizados insumo industrialização: Compras p/ Material Intermediário... (...) aquisições de água mineral, bens de informática, materiais de higiene pessoal, de vestuários, medicamentos não poderiam ser utilizados para fins de desconto de créditos. Além disso, foram excluídas aquisições dos setores administrativos como por exemplo lápis, caneta, papel, dentre outros e dos setores de segurança, como por exemplo manutenção nos equipamentos de segurança e vestuário do pessoal encarregado. Foram efetuadas glosas no item Bens utilizados insumo industrialização: Compras p/ Material Intermediário, nas filiais de Campo Grande, Joaçaba, Paranaguá, Passo Fundo e Uberlândia, visto que alguns desses bens não se enquadraram na definição de insumos delineada pela legislação no tocante à apuração de créditos a descontar. A partir dos relatórios enviados em meio magnético, foram elaboradas as Planilhas 1 (fls. 381/389), as quais discriminaram, por filiais, os bens que foram desconsiderados para fins de cálculo dos créditos a descontar do Pis nãocumulativa. Tais valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.023 4 437), e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls. 438/443). Além disso, em alguns meses o sujeito passivo informou valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas em relação ao que foi informado nos relatórios enviados em meio magnético, no que tange as filiais de Campo Grande, Paranaguá e Uberlândia. A fim de ilustrar essa diferença, foram elaboradas as Planilhas 2 (fls. 390/418), por filiais, sendo as correspondentes glosas transportadas para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl. 437), e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls 438/443). Bens utilizados insumo industrialização: Compras p/ Industrialização Material de Embalagem Em relação a este item, também foi apurada uma diferença entre as Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas e os relatórios enviados em meio magnético, na filial de Campo Grande. A fim de demonstrar essa diferença, foi elaborada a Planilha 3 (fl. 419), sendo as correspondentes glosas transportadas para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl. 437), e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições nãocumulativas (fls.438/443). Serviços utilizados como insumos na industrialização: Despesa com Classificação (...) para que o serviço prestado possa ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve estar em consonância com a definição esboçada pela legislação fiscal, ou seja, o serviço prestado deve necessariamente ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto. Assim sendo, serviços administrativos, serviços de auditoria, serviços decorrentes de atividades meio estariam fora dessa definição, não configurando serviços sujeitos a apuração de créditos da contribuição nãocumulativa. Existe uma grande diferença entre serviços diretamente aplicados ou consumidos na produção e serviços aplicados na área produtiva, da forma que nem todo serviço aplicado na área produtiva será necessariamente um serviço aplicado na produção. Um dos itens previstos nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas foram os serviços utilizados como insumo na industrialização: Despesa com Classificação. Foram efetuadas glosas neste item, visto que estes serviços não se enquadraram na definição de insumos delineada pela legislação no tocante à apuração de créditos a descontar. Serviços utiliz. insumos industrializ.: Mão de Obra P. Jurídica (Manutenção/Conservação/Limpeza Máq. e Equip.) (...) foi constatada a inclusão de serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, no que tange as filiais de Catalão, Joaçaba, Paranaguá, Rondonópolis e Uberlândia. Não se pode negar que são serviços úteis e necessários para empresa, como por exemplo, serviços de pintura, serviços de vigilância, compras de programas de computador, dentre outros. No entanto, referidos serviços não estão enquadrados no conceito de insumo definido pela Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.024 5 legislação tributária, no tocante ao aproveitamento de créditos do Pis nãocumulativa. Foram elaboradas as Planilhas 4 (fls. 420/424), as quais discriminaram, por filiais, os serviços que foram desconsiderados para fins de cálculo dos créditos a descontar da contribuição não cumulativa. Em relação a filial de Rondonópolis, além desta planilha foram anexadas as correspondentes notas fiscais (fls. 190/219), tendo se em vista que nos relatórios enviados em arquivo magnético não foram detalhados os serviços realizados (fl. 423). Serviços utilizados como insumos nas atividades portuárias. Unidades Santos e Vitória O sujeito passivo informou como créditos da contribuição não cumulativa o item serviços utilizados como insumos nas atividades portuárias: Unidades Santos e Vitória, os quais englobam os serviços de inspeção/arqueação, serviços de despachos aduaneiros. Partindo do mesmo raciocínio em relação aos itens anteriores, tais serviços não são aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. São serviços destinados área de comercialização dos produtos e não à sua produção. Referidos valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl. 437), e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições não cumulativas (fls. 438/443). Aluguéis de Prédios Ao analisar os comprovantes apresentados (fls. 220/223), foi constatado que o sujeito passivo informou valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições não cumulativas (fls. 101, 142 e 183). Essa diferença foi considerada não comprovada e conseqüentemente excluída da base de cálculo dos créditos a descontar da contribuição nãocumulativa. Tais valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fl. 437), e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições não cumulativas (fls. 438/443). Encargos Deprec. Máquinas Equip utilizados na produção. Aquisição a partir de 01/05/04 A partir de 01/08/04 o art. 3o, inciso VI da Lei 10.637/02 foi alterado, passando a garantir o desconto dos créditos apenas em relação aos encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos a partir de 01/05/04, para utilização na produção de bens destinados à venda, ou à prestação de serviços. Analisando o novo ordenamento jurídico, constatouse que permaneceu inalterado o entendimento de que somente geram crédito as máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou à prestação de serviços. Assim, os bens vinculados às atividades de revenda, administração, vendas, etc, não dão direito ao crédito da contribuição nãocumulativa. O sujeito passivo foi intimado a apresentar notas fiscais e memória de cálculo da apuração dos encargos de depreciação da filial de Rondonópolis. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.025 6 De posse da documentação, verificouse que foram descontados créditos de depreciação na compra de vagões, os quais foram adquiridos com intuito de transportar mercadorias/insumos. E estes vagões adquiridos não foram utilizados na produção de bens destinados à venda, e sim ao transporte dos bens produzidos. Nesta senda, foram feitos ajustes à memória de cálculo apresentada, excluindose da apuração os encargos de depreciação referentes às aquisições destes vagões. Notese que as glosas foram efetuadas nos meses do anocalendário de 2004, mas com impacto nos meses de 2005, visto que os encargos de depreciação se exaurem em 48 meses. Energia Elétrica Foram efetuadas glosas no item energia elétrica, nas filiais de Santos e Uberlândia, haja vista o sujeito passivo não ter apresentado documentação comprobatória que lastreasse os valores informados nas Planilhas de Apuração da Contribuição nãocumulativa. Bens utilizados como insumo na industrialização. Crédito 70% PIS e 80% COFINS Com relação à apuração dos créditos presumidos, foram constatadas irregularidades no tocante ao aproveitamento de créditos a descontar, com relação à filial de Uberlândia. Não pode o sujeito passivo se aproveitar de créditos decorrentes da compra para recebimento futuro, cujo CFOP está registrado sob a codificação fiscal 1.922. Nestes casos, como ainda não houve o recebimento dos insumos não há razão para o sujeito passivo se aproveitar dos créditos. Se assim o fosse, quando da efetiva entrega dos insumos ele iria se aproveitar novamente dos créditos, o que não é permitido. E de fato foi isso que ele fez. De acordo com os relatórios enviados em meio magnético, foi constatado que além de se aproveitar das compras sob o CFOP 1.922, ele se aproveitou de compras registradas sob o CFOP 1.116, que se refere às compras de mercadorias a serem utilizadas em processo de industrialização ou produção rural, quando da entrada real da mercadoria, cuja aquisição tenha sido classificada no código "1.922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro". III DA COMPENSAÇÃO... Foi adotada a metodologia de rateio proporcional entre as receitas no mercado interno e exportação, tendose em vista que nas Planilhas enviadas indicavam que ele adotou este regime. Conforme apurado nas Planilhas de Apuração das Contribuições nãocumulativas, ao final do 3º Trimestre de 2005, o sujeito passivo não possuía saldo de créditos decorrentes do mercado externo passível de compensação, não obstante ele ter compensado R$ 1.817.986,83 (um milhão, oitocentos e dezessete mil, novecentos e oitenta e seis reais e oitenta e três centavos). Neste sentido, não foi possível homologar as declarações de compensação apresentadas às fls. 05/12. Além disso, foram apurados saldos de PIS a pagar, nos meses de agosto e setembro de 2005, nos montantes de R$ 247.004,42 (duzentos e quarenta e sete mil, quatro reais e quarenta e dois centavos) e R$ 237.083,22 (duzentos e trinta e sete mil, oitenta e três reais e vinte e Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.026 7 dois centavos), respectivamente. Destarte, foi emitido auto de infração para os referidos meses. A despeito de o sujeito passivo ter informado no DACON que possuía saldo de créditos a compensar de meses anteriores, ele não apresentou nenhum pedido de ressarcimento com vistas a compensar esse suposto saldo. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a contribuinte, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: II – DAS PRELIMINARES verificase a necessidade expressa de se realizar perícia contábil a fim de não restar dúvida quanto à existência de créditos por parte da contribuinte, bem como sobre a regularidade do procedimento de compensação adotado, sob pena de eivar de nulidade a decisão a ser proferida. Formula os quesitos a serem respondidos; III DAS ALEGAÇÕES FEITAS PELA FISCALIZAÇÃO DOS DÉBITOS Da Venda de mercadorias com suspensão ( soja, trigo, milho ) a Lei 10.925/04 não é norma de eficácia contida, até porque contém todos os elementos necessários (hipóteses de incidência, condições de aplicabilidade e momento da ocorrência do fato gerador). A simples demora por parte da Receita em publicar Instrução Normativa não pode ensejar vacância legal; a IN 636/06 dispôs que seus efeitos retroagiam à publicação da Lei em abril de 2004. A referida IN foi revogada pela IN 660/06 que deixou de informar a retroatividade de seus efeitos. Nem mesmo esta IN veio dispor de forma contrária aos procedimentos adotados. O Sr. Auditor deixou de citar que uma das principais atividades é o comércio de vegetais a granel, o que se constata pelo CNAE das dezenas de filiais comerciais espalhadas pelo Brasil; Das Outras Receitas – Operacionais as alegações fiscais, relativas á inclusão de outras receitas operacionais, maculam a segurança jurídica, vez que não existem demonstrações do que fora supostamente encontrado. Na conta 388130 consta no mês de abril de 2005 a adição feita pela autoridade no montante de R$ 4.848.139,96, sendo que a parte relativa à referida conta representa R$ 4.520.085,81; a conta 381020 considerada pelo fiscal como outras receitas operacionais a tributar se refere a faturamento de serviços tendo sido tributada normalmente pela manifestante. Para comprovar, junta todos os lançamentos contábeis feitos nestas contas; DOS CRÉDITOS Bens Utilizados como Insumos industrialização: Compras de material de almoxarifado e suprimentos segundo o disposto na legislação brasileira, os insumos incluem todos os itens que são comprados e utilizados intrinsecamente na produção de bens. Alguns dos itens excluídos contrariam até mesmo orientação da Receita Federal, conforme Solução de Consulta 174/2009; Serviços utilizados como Insumos na industrialização: Despesas com classificação Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.027 8 o serviço de classificação de mercadorias é absolutamente inerente e imprescindível na aquisição de soja e outros vegetais. Tanto é verdade que existem normas do Ministério da Agricultura que demonstram que não se trata de serviço administrativo; Serviços utilizados como Insumos na industrialização: Água, Esgoto, manutenção e limpeza o serviço de tratamento de água e efluentes é inerente ao processo de fabricação de óleo de soja, como é o caso da unidade de Três Passos, o mesmo ocorre com os serviços adquiridos de pessoa jurídica tais como limpeza e manutenção de máquinas e equipamentos; Serviços utilizados como Insumos nas atividades portuárias de Santos e Vitória a unidade de Santos localizase no porto e contrata serviços de despachantes aduaneiros, de controle de qualidade e inspeção, como insumo para que possa realizar a prestação de serviços a terceiros. Existe uma racionalização dos cálculos dos créditos, ao realizar o rateio dos embarques, que passa a juntar pela presente. O mesmo ocorre na unidade em Vitória; Aluguéis de Prédios os valores constantes da DACON são os corretos, como não poderia deixar de ser e seu suporte são os próprios contratos feitos com a CODESP; Encargos de Depreciação de Máquinas e Equipamentos foram glosados os valores referentes à depreciação de vagões adquiridos para transporte de farelo de produção da manifestante, portanto o uso das máquinas é intrínseco às atividades de produção e ao seu escoamento devendo ser mantido; Bens Utilizados como insumos. Crédito de 70% Pis e 80% na Cofins. tal qual constam das planilhas de apuração da regional Uberlândia e dos bancos de dados fornecidos pela empresa, os cálculos foram feitos tão somente sobre as notas de remessas 1.922 e não duplamente como afirmado, o que se comprova pelos relatórios e bancos de dados juntados ao presente. O crédito calculado pela manifestante foi de 35% e não 80%; IV DA COMPENSAÇÃO a autoridade fiscal desconsiderou os saldos credores de períodos anteriores constantes da DACON e passou a fazer a apuração por mês isoladamente, contrariando as disposições da Lei e da IN 600/05; a fiscalização, ao cometer o erro de desconsiderar o saldo de meses anteriores e refazer a planilha de apuração, consumiu indevidamente os créditos decorrentes de exportação; Em item intitulado “DO MÉRITO”, a interessada repisa as suas alegações, acrescentando: tendo a manifestante direito a utilizar o PIS pago nas entradas de insumos para abater débito de PIS pelas saídas tributadas, cuidou de corretamente fazer tal dedução, de maneira a preservar os créditos relativos à exportação, para que estes valores pudessem ser objeto de pedido de compensação; o Conselho de Contribuintes tem proferido reiteradas decisões no sentido de que a verdade material deve prevalecer em todo o processo administrativo; Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.028 9 a autoridade administrativa tem total liberdade investigativa, devendo apurar e lançar exclusivamente com base na verdade material. Se os elementos probatórios não foram examinados anteriormente, os mesmos não podem deixar de ser considerados por ocasião do exame da manifestação de Inconformidade; o agente fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, entendeu como devida a multa de mora, que deve ser excluída, por não haver qualquer ilícito tributário que justifique a sua imputação, já que a manifestante não agiu com máfé, baseandose o seu pedido de ressarcimento em direito amparado na legislação federal (art. 6º da Lei nº 10.833/03); o legislador infraconstitucional estabeleceu, tanto na lei 10.637/02 quanto na Lei 10.833/03 que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; o entendimento da SRF sobre o tema fica claro em seu sítio na internet e na Solução de Consulta 215/09 da SRRF da 9ª Região Fiscal. Assim, o tratamento dispensado pelo Agente Fiscal destoa dos princípios basilares da não cumulatividade e da própria legislação aplicável; o novo ordenamento jurídico imposto pela IN SRF 660/06 não tem razão de ser, um vez que contradiz estrutura lógica disposta anteriormente de maneira clara pela IN SRF 636/06 de forma a revogála expressamente, sem nenhuma mudança na obrigação principal, em afronta aos princípios da segurança jurídica e da legalidade; é equivocada a interpretação restritiva oficial manifestada no art. 66 § 5º, inciso I da IN SRF 247/02, inserido pela IN SRF 358/03 e repetida no art. 8o, § 4o, inciso I da IN SRF 404/04. Essa interpretação está influenciada pelo conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI e ICMS. As afirmações das normas infralegais citadas não encontram respaldo legal. Ao final requer sejam acolhidas as preliminares suscitadas e, no mérito, julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade para que seja reformado o r. despacho decisório, a fim de que as compensações efetuadas sejam devidamente homologadas e seja cancelada a carta de cobrança remetida para exigir o tributo 2362 de 12/2006 no valor principal de R$ 1.817.986,83. Mediante o Acórdão nº 0952.543, de 26 de junho de 2014, a 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 VENDAS COM SUSPENSÃO. ARTIGO 9º DA LEI 10.225/2004. APLICAÇÃO. A suspensão da exigibilidade do PIS/Pasep prevista no artigo 9o da Lei 10.225/2004 só se aplica a partir de 4 de abril de 2006, após a sua regulamentação pela Instrução Normativa SRF 636/2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.029 10 A base de cálculo do PIS/Pasep no regime de incidência não cumulativo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do decreto nº. 70.235/72. Não obstante, tais pedidos serão indeferidos quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para plena formação de convicção e o consequente julgamento do feito. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 16/07/2014. Em 14/08/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: II. PRELIMINARMENTE II.1. Da Superficialidade do Trabalho Fiscal/ Ofensa ao Princípio da Verdade Material/ Necessidade de realização de perícia O procedimento adotado pelas autoridades fiscais fere o princípio da verdade material e, em decorrência disso, a perícia requerida pela Recorrente deveria ter sido deferida pela DRJ. Caberia à Fiscalização analisar todos os fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado pela Recorrente e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em análises superficiais das planilhas de apuração da COFINS elaboradas pela Recorrente. Como a Fiscalização não realizou devidamente o seu trabalho, a produção de perícia mostrase imprescindível para que se apure, com certeza, o montante do crédito detido pela Recorrente. No entanto, a DRJ assim não o fez, o que deve ser sanado por esse E. CARF, Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.030 11 com o deferimento da perícia. Ou, ao menos, que se determine a realização de diligência para a correta apuração do montante do crédito. II.2. Da Nulidade da Decisão da DRJ/ Do Cerceamento do Direito de Defesa Apesar de ter indeferido o pedido de produção de provas adicionais, em especial o pedido de perícia, com base no argumento de que os elementos constantes dos autos já seriam suficientes para formar a sua convicção, a DRJ, em diversas oportunidades, negou provimento à Manifestação de Inconformidade sob fundamento de insuficiência de provas como se atesta dos trechos colacionados. Em situações semelhantes, há julgados do Carf com o reconhecimento do cerceamento de defesa da Recorrente. Dessa forma, ao indeferir a perícia pleiteada pela Recorrente, a Turma Julgadora acabou por cercear o seu direito de defesa, fato este que enseja a nulidade da decisão recorrida, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. III DO MÉRITO: III.1 Outras Receitas Operacionais: (a) Receitas Financeiras Descontos Obtidos nas Aquisições de Mercadorias Os descontos obtidos pela Recorrente na aquisição de mercadorias e/ou produtos são considerados como receitas financeiras e, como tais, estão sujeitos à alíquota zero do PIS, nos termos do Decreto n° 5.442/05 e entendimentos da própria Receita Federal. (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação De acordo com o entendimento do Sr. Agente Fiscal, a Recorrente teria deixado de computar, para fins de apuração do PIS, os "resultados auferidos" na conta n° 388130, o que o levou a adicionar o montante de RS 15.793.164,69 na base de cálculo do PIS, referente aos meses de julho a setembro de 2005. Contudo, referida adição não poderá prevalecer, uma vez que os valores creditados na conta n° 388130 tiveram por débito a conta n° 304530, tratandose de mero alocamento de custos entre divisões da Recorrente, não havendo, dessa forma, impacto contábil. Por questões de gerenciamento da Recorrente, todas as despesas e custos com o escoamento dos produtos exportados são, inicialmente, suportados pelas divisões portuárias. Ato contínuo, de modo a alocar os custos e despesas para cada divisão competente, a divisão portuária emite notas de débitos contra as demais filiais da Recorrente. Tratase, portanto, de uma mera/alocação de custos com exportação, de modo a apurar gerencialmente o resultado de cada unidade de negócio. Utilizandose o jargão corporativo, os referidos/lançamentos contábeis representam um controle gerencial "interdivision" da Recorrente. Conforme se depreende pela análise do Livro Razão acostado ao presente recurso (doc. 03), a referida conta é atribuída à filial de Santos (filial 1221) e possui a seguinte denominação: "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO". Como o próprio nome já diz, é nessa conta que são registrados os lançamentos das notas de débito emitidas pela referida Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.031 12 filial integrante da divisão portuária contra as demais filiais da Recorrente, de modo a alocar os custos e despesas com o escoamento dos produtos para cada divisão competente. Pois bem, como todo lançamento contábil deve ter a sua respectiva contrapartida, a contrapartida de tais lançamentos ocorre na conta n° 304530 DESPESAS C/EXPORTAÇÃO onde são registradas todas as notas de débito emitidas pela divisão portuária (no presente caso, leiase filial Santos) contra as demais filiais da Recorrente (doc. 04). Para que não haja dúvidas de que a conta n° 304530 "DESPESAS C/EXPORTAÇÃO" é a contrapartida dos lançamentos a crédito registrados na conta n° 388130 "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO" a Recorrente elaborou a conciliação anexa (doc. 05), por meio da qual restou demonstrado os lançamentos a crédito realizadas na Conta n° 388130. Dessa forma, estando devidamente comprovado, por meio dos documentos contábeis e planilha de conciliação, que os valores registrados a crédito na conta n° 388130 correspondem à contabilização das notas de débito emitidas pela filial Santos para fazer o rateio de gastos cormo escoamento de produtos com as demais unidades de negócio da Recorrente, temse que a adição de tais valores na base de cálculo da contribuição não poderá prevalecer. (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas Depreendese da leitura da decisão recorrida que a Turma Julgadora deixou de acatar o argumento levantado pela Recorrente no sentido de que os valores registrados nas contas n°s 381020 e 396020 referemse a receitas de serviços já devidamente tributadas pelo PIS, sob a alegação de que a Recorrente não teria trazido "aos autos documentos comprobatórios capazes de sustentar as alegações da contribuinte conduzir à reforma do despacho decisório". Ocorre, no entanto, que, conforme comprovam os documentos acostados ao presente recurso, os valores registrados nas contas nºs 381020 e 396020, por corresponderem a receitas decorrentes da prestação de serviços, já foram devidamente tributadas pela Recorrente. III.2 Da venda de mercadorias com suspensão A Lei n° 10.925/04 é autoaplicável e não prevê alternativa a sua aplicação. Não fosse assim, a IN SRF n° 636, de 24 de março de 2006, não teria retroagido os seus efeitos aos fatos ocorridos a partir de 1o de agosto de 2004. Ora, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconheceu e corroborou a autoaplicação do dispositivo contido na Lei n° 10.925/04, ao retroagir os seus efeitos para a data de sua publicação. Quanto ao segundo argumento da fiscalização, de que a recorrente não faria jus à suspensão, caso vigente no período de apuração, a função de cerealista definida no art. 8º, I da Lei nº 10.925/2004 é uma das principais atividades desenvolvidas pela recorrente. Em primeiro lugar, como se verifica de seu contrato social, a venda de soja em grãos é expressamente prevista em seu objeto social (doc. 01). Tais atividades também constam do CNPJ da Recorrente registrado perante a Receita Federal do Brasil como se verifica do seu "Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral" (doc. 02). Por oportuno, e em função da relevância da etapa de preparação dos grãos de soja para fins de enquadramento da Recorrente como cerealista, vale conferir o fluxo produtivo da soja, que, frisese, foi entregue às Autoridades Fiscais/durante o procedimento fiscalizatório. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.032 13 Ainda que a Recorrente também desenvolva atividades típicas de uma empresa industrial, como a produção de farelo e óleo de soja, a maior parte do seu processo produtivo está voltada à venda de soja in natura, após os procedimentos de limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, como se verifica de seu CNAE, o que a enquadra no conceito de cerealista no aludido artigo 8o da Lei 10.925/2004 e autoriza a tomada de crédito presumido. III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente De acordo com a documentação acostada ao presente recurso, que, contempla, inclusive, vários documentos já disponibilizados ao Sr. Agente Fiscal, não houve a tomada de créditos em duplicidade pela Recorrente. Como bem sabido, como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem vegetal, destinada à alimentação humana ou animal, que é, a Recorrente encontrase sujeita às disposições do artigo 8o da Lei n° 10.925/04, que confere a possibilidade de tomada de crédito presumido de PIS e COFINS, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumos na sua produção, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Sendo assim e como não poderia deixar de ser, nos meses de julho e agosto de 2005, a Recorrente, embora tenha realizado aquisições, geradoras de crédito presumido nos termos do referido artigo 8°, nos montantes de R$ 13.658.760,82 e R$ 9.619.199,92, respectivamente, utilizou, para fins de cálculo do crédito presumido, apenas o montante de R$ 8.380.455,96, como base para o mês de julho, e R$ 10.165.852,89, relativamente ao mês de agosto. Tais fatos podem ser facilmente constatados por meio da análise dos livros Razão referentes aos meses de julho e agosto de 2005 (doc. 55), bem como pelo exame da Planilha de Apuração da Base de Cálculo dos meses de julho e agosto de 2005, relativamente à filial Uberlândia (doc. 37), e das Planilhas de Apuração Consolidadas por Regional da Recorrente, referentes a esses períodos (doc. 38). Ressaltese que, conforme se verifica pela análise dos Livros Razão da Recorrente (doc. 55), bem como por meio de um exame da planilha de aquisição de insumos por ela elaborada (doc. 39), não houve a apropriação créditos presumidos referentes às notas registradas sob o Código Fiscal de Operações e Prestações ("CFOP") n° 1.116. Isto é, não houve sequer lançamentos contábeis, para fins de tomada do crédito presumido, de notas efetuadas com o CFOP, aplicável às notas de "Compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro". Tal fato, por si só, já descaracteriza toda a argumentação fiscal no sentido de que a Recorrente teria se creditado tanto das compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922, quanto das compras registradas sob o CFOP1.116. Pela análise dos Livros Razão, bem como da planilha de aquisição de insumos elaborada pela Recorrente, ela não só não teve lançamentos, para fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei n° 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922. Verificase, portanto, que a Recorrente não só não se creditou duas vezes quando da compra para recebimento futuro e quando da entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento como não considerou, para fins de apuração do crédito presumido do PIS, nenhuma das compras efetuadas sob o CFOP em questão, sob o n° 1.116 ou 1.922. Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.033 14 Para não restar dúvida, a Recorrente anexa ainda o seus Livros de Entradas e Saídas da filial Uberlândia referentes ao terceiro trimestre de 2005, que comprovam cabalmente que não houve o alegado aproveitamento de créditos em duplicidade (doc 56). Dessa forma, estando devidamente comprovado e demonstrado que não houve o aproveitamento de créditos em duplicidade pela Recorrente, temse que o entendimento da DRJ no sentido de que "a contribuinte não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de comprovar o alegado" não poderá prosperar, devendo ser reformado por essa colenda Turma Julgadora, a fim de que seja devidamente reconhecido o direito creditório da Recorrente. III.4 Da Sistemática Não Cumulativa do PIS/ Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Recorrente (i) Bens e Serviços utilizados como insumos A Recorrente entende que insumo, para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS, é todo e qualquer dispêndio essencial ao processo produtivo, relacionado à formação da receita. O conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/04 não é o mesmo previsto na lei, o que implica a ilegalidade de tal IN, entendimento que também vem sendo adotado pelos Tribunais Federais, exatamente pela IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da legislação do PIS ao pretender restringir o conceito de insumo. Dessa forma, estando devidamente demonstrado que os bens e serviços adquiridos pela Recorrente enquadramse dentro do conceito de insumos disposto no artigo 3o, inciso II da Lei n° 10.637/02, aguardase o reconhecimento do direito creditório da Recorrente. (ii) Dispêndios com classificação de mercadorias Não há dúvidas de que a classificação da soja seja inerente à sua venda e/ou produção de óleo, farelo, dentre outros. De fato, como matériaprima que é, a soja vinda de vários lugares precisa ser segregada de modo a identificar o nível de umidade, de ardidos, de queimados, se há picadas de insetos, se existem grãos verdes etc. Tanto é assim que, em 15 de maio de 2007, sobreveio a Instrução/Normativa n° 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ("MAPA"), a qual, por meio do seu artigo 1o, estabeleceu "o regulamento técnico da Soja, definindo o seu padrão oficial de classificação, com os requisitos de identidade e qualidade extrínseca, a amostragem e a marcação ou rotulagem". Notese que o artigo 4o, parágrafo 1o, do Anexo da referida Instrução Normativa é expresso ao estabelecer que, de acordo com o uso proposto, a soja será classificada em dois grupos, sendo o interessado (leiase a Recorrente) responsável por essa informação. Dependendo da classificação da soja ela terá uma destinação, isto é, a soja classificada no Grupo I, por exemplo, seguirá para o consumo, ao passo que a soja classificada/no Grupo II será destinada à produção de óleo e farelo de soja. Dessa forma, tendo em vista que os serviços de classificação da soja são necessários ao fator de produção da Recorrente e que, portanto, são considerados insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/02, temse que a decisão da DRJ não poderá prosperar, devendo ser reformada por esse E. Conselho, no que tange à glosa de créditos relativos aos serviços de classificação de soja contratados pela Recorrente. Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.034 15 (iii) Encargos e depreciação de máquinas e equipamentos Teria direito de apropriação de créditos relativamente à aquisição de vagões utilizados, tanto para viabilizar o recebimento de matériaprima como no transporte de farelo de soja por ela produzido, nos termos do artigo 3º, inciso VI da Lei n° 10.637/02. Os vagões são registrados no ativo imobilizado da Companhia, nos termos do artigo 179 da Lei n° 6.404/76. Além de cumprir com o pressuposto objetivo, não é necessário esforço para concluir que também está presente, no caso concreto, o pressuposto funcional, ou seja, o fato de que os vagões são adquiridos para integrarem o ciclo produtivo destinado à venda de farelo de soja produzido pela Recorrente, auxiliando, decisivamente, na obtenção de receitas sobre as quais incidirá o PIS. Inclusive, muito relevante é o entendimento desse E. CARF em caso em que o contribuinte se utilizou de serviços de terceiros para o transporte de cargas e os considerou como insumo. Ora, se a contratação de serviço de transporte de cargas prestado por terceiros é passível de creditamento do PIS, mais coerente ainda é a possibilidade de tomada de crédito em relação aos vagões adquiridos pela Recorrente para viabilizar o recebimento de matériaprima e transportar o farelo de soja por ela produzido. (iv) Energia Elétrica Nos termos do artigo 3o, inciso III, da Lei n" 10.637/02, as pessoas jurídicas podem descontar créditos, para fins de redução do montante de PIS devido num determinado período de apuração, calculados em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Sendo assim e como não poderia deixar de ser, no mês de julho de 2005, a Recorrente, pessoa jurídica sujeita ao regime nãocumulativo do PIS, apurou créditos de energia elétrica, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 288.710,12 (doc. 40). Salientese que, conforme demonstram as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" acostadas ao presente recurso (doc. 41) o valor efetivamente despendido pelos estabelecimentos da Recorrente, no mês de julho e relativamente à filial Santos, monta a quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditouse de valor tendo como base no montante de R$ 288.710,12, isto é, R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial Santos. Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 42), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 43). De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de PIS decorrente do consumo de energia elétrica na filial Uberlândia, tendo como base o montante de R$ 374.494,18 (doc. 44). Para comprovar o consumo de energia/elétrica e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está anexando ao presente recurso as "Notas Fiscais Conta de/Energia Elétrica", emitidas pela CEMIG Distribuição S/A contra a Recorrente (doc. 45), bem como "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS/Energia Elétrica Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 46). Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.035 16 Percebese, portanto, que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados nos registros contábeis da Recorrente, bem como podem ser comprovados por meio das "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" emitidas em nome da Recorrente. Dessa forma, estando devidamente demonstrado o direito aos créditos de energia elétrica apurados pela Recorrente, temse que, também com relação a esse item, a decisão recorrida não poderá prevalecer, devendo ser reformada por essa colenda Turma Julgadora. (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos A Recorrente apurou créditos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 334.659,65 (doc. 47). Salientese que diferentemente do que informado na planilha de apuração do PIS e da COFINS, relativamente à filial Santos e referente ao mês de julho de 2005, elaborada pela Recorrente (doc. 48), o valor de R$ 334.659,65 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Tal fato pode ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 49), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 48), e comprovantes fiscais de locação (doc. 50). De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de PIS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo como base o montante de R$ 368.160,59 (doc. 51). Salientese que, a exemplo do mês de julho de 2005, o valor de R$ 368.160,59 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Para comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente está anexando ao presente recurso os comprovantes fiscais de locação emitidos contra a Recorrente (doc. 52), bem como cópia do Livro Razão (doc. 53) e "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 54). Temse, portanto, que eventual diferença entre o montante informado a título de aluguel de prédios devese ao fato de a Recorrente ter incluído, por um equívoco, os valores despendidos a título de locação de máquinas e equipamentos, repitase, pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da Recorrente. De qualquer forma, diante dos documentos ora juntados, não há dúvidas de que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados nos registros contábeis da Recorrente, bem como podem ser comprovados por meio dos comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente. Por fim, também não deve prosperar a afirmação de que "é ônus da interessada apresentar os documentos que fundamentam o seu direito junto com a manifestação de inconformidade, como não o fez, precluiu o direito de fazêlo posteriormente' . Isso porque, no procedimento administrativo fiscal vigoram os princípios da verdade material e do formalismo mitigado, razão pela o instituto da preclusão deve ser visto com ressalvas e de uma forma cautelosa. Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.036 17 III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido No processo de fiscalização ao Sr. Agente Fiscal entendeu por bem glosar créditos de PIS, relacionados a diversas despesas incorridas pela Recorrente. Especificamente, foram glosados os créditos de PIS calculados sobre, por exemplo, aquisição de água mineral, energia elétrica, de equipamentos, tomada de serviços de classificação, serviços de atividades portuárias, entre outros, sob o fundamento de que tais bens ou serviços adquiridos não se enquadram no conceito de "insumos", previsto pela legislação tributária vigente (aplicável ao IPI). Contudo, conforme já exaustivamente analisado no decorrer do presente Recurso, a glosa dos créditos de PIS, conforme pretendida pela Sr. Agente Fiscal, não pode prosperar. No entanto, ainda que esse E. Conselho entenda pela manutenção das glosas efetuadas pelo Sr. Agente Fiscal, e mantidas pela DRJ, o que se admite somente para fins de argumentação, devese analisar mais detidamente os seus efeitos na apuração de Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucros ("CSLL"). Ao adquirir bens e serviços relacionados com a sua atividade, a Recorrente acertadamente contabilizou o seu valor líquido (descontado os créditos de PIS) em ativo ou conta de resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de PIS como um ativo a recuperar. Dessa forma, a contabilização considerou, em todos esses casos, dois lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii) ativo a recuperar (crédito de PIS). Se as glosas do Sr. Auditor Fiscal restarem mantidas, o que somente se admite a título de argumentação, então, o valor do crédito de PIS anteriormente registrado em ativo "a recuperar", deverá ser baixado em contrapartida a conta de resultado; mais especificamente, a baixa do ativo recuperável aumentará o custo da mercadoria vendida ("CMV"), reduzindo o lucro. Conforme jurisprudência colacionada, a Autoridade Julgadora pode, ao entender improcedente a declaração de compensação efetuada, determinar a compensação de outro tributo recolhido indevidamente pelo contribuinte com débitos cobrados no mesmo processo ou relativos a outros tributos administrados pela RFB. Logo no presente caso, é plenamente possível o aproveitamento dos créditos IRPJ e CSLL resultantes de eventual, mas improvável, confirmação da não homologação das declarações de compensação efetuadas pela Recorrente, para abatimento do IRPJ devido. Em sendo assim, na remota hipótese de prevalecer a não homologação das declarações de compensação realizadas pela Recorrente, o que se admite apenas a título argumentativo, deverá, ao menos, essa colenda Turma Julgadora reconhecer os créditos de IRPJ e CSLL e autorizar a compensação com eventuais créditos tributários a serem apurados/cobrados neste processo administrativo. IV DO PEDIDO Requer, ao final, a Recorrente o provimento ao Recurso Voluntário para determinar a realização do pedido de perícia ou, ao menos, para determinar a realização de diligência, com vistas a apurar o efetivo montante do crédito tributário. Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.037 18 Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, requer o reconhecimento do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente levado a cabo pela DRJ e decretação da nulidade da decisão ora guerreada. Na remota hipótese de nenhuma das preliminares alegadas ser acolhida, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado, homologandose as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Inicialmente, esclareçase que, na presente ação fiscal, foi também apurado saldo a pagar de PIS, que foi objeto de exigência fiscal por auto de infração no processo nº 15578.000292/200960, que esta distribuído a esta Conselheira Relatora, em pauta conjuntamente com o presente processo. Embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235//72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Inclusive esse também foi o entendimento da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Seção, que, em sessão de 25/09/2013, converteu em diligência o julgamento do processo 11543.001947/200611, que trata de pleito de ressarcimento da Cofins da própria recorrente, relativamente ao 1º trimestre de 2005, o qual traz fatos bem semelhantes aos relatados no presente processo. Passase abaixo a delimitar os pontos controversos que necessitam dos valiosos esclarecimentos por parte da fiscalização da Unidade de origem para somente depois serem objeto de julgamento por este Colegiado. III.1 Outras Receitas Operacionais: (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação Alega a recorrente que não pode prosperar a adição, efetuada pelo Auditor Fiscal, na base de cálculo do PIS dos "resultados auferidos" na conta n° 388130, no montante de RS 15.793.164,69, referente aos meses de julho a setembro de 2005, vez que os valores creditados na conta n° 388130 teriam por débito a conta n° 304530, tratandose de mero alocamento de custos entre divisões da Recorrente, sem impacto contábil. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.038 19 Sustenta, em síntese, que a documentação acostada ao Recurso Voluntário comprovaria que a conta de denominação "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO" destinase a computar os lançamentos das notas de débito emitidas pela filial de Santos (filial 1221), integrante da divisão portuária, contra as demais filiais da Recorrente, de modo a alocar os custos e despesas com o escoamento dos produtos para cada divisão competente. Alega a recorrente que a contrapartida de tais lançamentos ocorreria na conta n° 304530 DESPESAS C/ EXPORTAÇÃO onde seriam registradas todas as notas de débito emitidas pela divisão portuária (no presente caso, leiase filial Santos) contra as demais filiais da Recorrente (doc. 04). Adicionalmente, para confirmar que a conta n° 304530 "DESPESAS C/EXPORTAÇÃO" seria mesmo a contrapartida dos lançamentos a crédito registrados na conta n° 388130 "DISTRIBUIÇÃO DE DESP C/ EXPORTAÇÃO", a Recorrente elaborou uma planilha de conciliação (doc. 05). Assim, fazse necessária a análise criteriosa da fiscalização da documentação acostada ao recurso voluntário para verificar a veracidade da alegação da recorrente neste tópico, e, em caso afirmativo, sua potencialidade para reverter a adição desses valores na base de cálculo do PIS. (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas A recorrente apresentou, no Recurso Voluntário, alegações e documentos em contestação à decisão recorrida, que deixou de acatar o seu argumento no sentido de que os valores registrados nas contas n°s 381020 e 396020 seriam referentes a receitas de serviços já tributadas pelo PIS, por não ter trazido "aos autos documentos comprobatórios capazes de sustentar as alegações da contribuinte conduzir à reforma do despacho decisório". Assim, a nova documentação acostada precisa ser analisada pela fiscalização para verificação da alegada dupla tributação dos valores das contas nºs 381020 e 396020 e, em caso afirmativo, devem ser procedidos aos devidos ajustes e eventuais recálculos do montante a ressarcir. III.2 Da venda de mercadorias com suspensão Além da questão da vigência, no período de apuração, da suspensão prevista no art. 9º, I da Lei n° 10.925/04, que se trata de matéria apenas de direito, reside controvérsia nos autos acerca da eventual condição de "cerealista" da recorrente para fazer jus ao benefício caso seja considerado vigente por este Colegiado. Alega a recorrente que, embora também desenvolva atividades típicas de uma empresa industrial, como a produção de farelo e óleo de soja, a maior parte do seu processo produtivo está voltada à venda de soja in natura, após os procedimentos de limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, como se verifica de seu CNAE, o que a enquadra no conceito de cerealista no aludido artigo 8o da Lei 10.925/2004 e autoriza a tomada de crédito presumido. Conforme definido na referida Lei, no art. 8º, §1°, com redação vigente no período de apuração, a "cerealista" é aquela empresa que exerce "cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM". Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.039 20 Não obstante alegue a recorrente que é uma cerealista, esse fato não está comprovado nos autos, fazendose necessária a requisição de Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce, efetivamente, a atividade de cerealista definida acima antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. Em caso afirmativo, sendo comprovada a condição de cerealista da recorrente, ainda que em relação somente a algumas filiais, a fiscalização deverá analisar a habilidade da documentação constante nos autos para comprovar os demais requisitos para a fruição do benefício pela recorrente. III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente Alega a recorrente que não teria havido o aproveitamento de créditos em duplicidade, como alegou a fiscalização. Aduz que, pela análise dos Livros Razão, bem como da planilha de aquisição de insumos por ela elaborada, ela não só não teve lançamentos, para fins de apuração do crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei n° 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 1.116, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n° 1.922. Acrescenta que, não só não se creditou duas vezes quando da compra para recebimento futuro e quando da entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento como não considerou, para fins de apuração do crédito presumido do PIS, nenhuma das compras efetuadas sob o CFOP em questão, sob o n° 1.116 ou 1.922. Nessa linha, para não restar dúvida, anexa os seus Livros de Entradas e Saídas da filial Uberlândia referentes ao terceiro trimestre de 2005, que comprovam cabalmente que não houve o alegado aproveitamento de créditos em duplicidade (doc 56). Assim, tornase necessária a análise da fiscalização acerca da habilidade da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o alegado e sua potencialidade de modificar o valor do ressarcimento. III.4 Da Sistemática Não Cumulativa do PIS/ Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Recorrente (iv) Energia Elétrica Alega a recorrente que, conforme demonstram as "Notas Fiscais Conta de Energia Elétrica" acostadas ao recurso (doc. 41), o valor efetivamente despendido pelos estabelecimentos da Recorrente, no mês de julho e relativamente à filial Santos, monta a quantia de R$ 290.701,61. Contudo, por um equívoco, a Recorrente creditouse de valor tendo como base no montante de R$ 288.710,12, isto é, R$ 1.991,49 inferior ao montante despendido pela Recorrente a título de energia elétrica consumida nos estabelecimentos referentes à filial Santos. Tal fato poderia ser constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 42), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 43). Aduz, que, relativamente ao mês de agosto de 2005, a Recorrente apurou créditos de PIS decorrente do consumo de energia elétrica na filial Uberlândia, tendo como base o montante de R$ 374.494,18 (doc. 44). Para comprovar o consumo de energia/elétrica e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente anexa ao recurso as "Notas Fiscais Conta de/Energia Elétrica", emitidas pela CEMIG Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.040 21 Distribuição S/A contra a Recorrente (doc. 45), bem como "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS/Energia Elétrica Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 46). Tendo em vista que as glosas relativas a energia elétrica, nas filiais de Santos e Uberlândia, foi efetuada em face de o sujeito passivo não ter apresentado documentação comprobatória que lastreasse os valores informados nas Planilhas de Apuração da Contribuição não cumulativa, cabe agora, em referência ao princípio da verdade material, a análise pela fiscalização da Unidade de Origem da respectiva documentação e sua habilidade para modificar o valor do ressarcimento. (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Alega a Recorrente que apurou créditos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados em suas atividades, relativamente à filial de Santos, tendo como base o montante de R$ 334.659,65 (doc. 47). No entanto, diferentemente do informado na planilha de apuração do PIS e da COFINS, relativamente à filial Santos (doc. 48), o valor de R$ 334.659,65 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Tal fato poderia, a seu ver, ser facilmente constatado por meio da análise do Livro Razão (doc. 49), bem como por meio do exame do "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Julho", elaborado pela Recorrente (doc. 48), e comprovantes fiscais de locação (doc. 50). De outro lado, relativamente ao mês de agosto de 2005, alega a Recorrente que apurou créditos de PIS decorrente da locação de prédios, máquinas e equipamentos, tendo como base o montante de R$ 368.160,59 (doc. 51). Também, a exemplo do mês de julho de 2005, o valor de R$ 368.160,59 não se refere apenas aos dispêndios da Recorrente com o aluguel de prédios, mas é formado por todas as despesas da Recorrente com aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas suas atividades, sejam eles de prédios, máquinas e equipamentos. Para comprovar o alegado e, consequentemente, os valores utilizados como base para a tomada do crédito, a Recorrente anexa ao recurso os comprovantes fiscais de locação emitidos contra a Recorrente (doc. 52), bem como cópia do Livro Razão (doc. 53) e "Demonstrativo do Reconhecimento de Crédito de PIS/COFINS Locação de Prédios, Máquinas e Equipamentos Agosto", elaborado pela Recorrente (doc. 54). Em conclusão, sustenta a recorrente que eventual diferença entre o montante informado a título de aluguel de prédios devese ao fato de a Recorrente ter incluído, por um equívoco, os valores despendidos a título de locação de máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da Recorrente. Entende que, de todo modo, diante dos documentos juntados, não haveria dúvidas de que os montantes glosados pela Fiscalização encontramse devidamente escriturados, bem como poderiam ser comprovados por meio dos comprovantes fiscais emitidos em nome da Recorrente. Assim, requerse a análise da fiscalização acerca da veracidade da afirmação da recorrente neste tópico e sua potencialidade de modificar o valor a ressarcir. III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.041 22 Informa a recorrente que, ao adquirir bens e serviços relacionados com a sua atividade, contabiliza seu valor líquido (descontado os créditos de PIS) em ativo ou conta de resultado, a depender do bem ou serviço adquirido, e os créditos de PIS como um ativo a recuperar. De forma que, a contabilização considerou, em todos esses casos glosados, dois lançamentos distintos: i) o reconhecimento do valor/líquido do bem ou serviço adquirido, e ii) ativo a recuperar (crédito de PIS). Assim, prossegue a recorrente, se as glosas do Sr. Auditor Fiscal restarem mantidas, o que somente se admite a título de argumentação, então, o valor do crédito de PIS anteriormente registrado em ativo "a recuperar", deveria ser baixado em contrapartida a conta de resultado; mais especificamente, a baixa do ativo recuperável aumentará o custo da mercadoria vendida ("CMV"), reduzindo o lucro, e, consequentemente, gerando créditos de IRPJ e CSLL. Solicitase, também, os bons préstimos da fiscalização em manifestarse acerca da veracidade dessa alegação pela recorrente. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da Unidade de Origem que: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce, efetivamente, a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. b) Caso alguma de suas filiais exerça efetivamente a atividade de "cerealista", considerando, preliminarmente, vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise a habilidade da documentação constante nos autos para comprovar os demais requisitos para a fruição do benefício de suspensão pleiteado e, em caso afirmativo, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar. c) Apresente Relatório com os esclarecimentos solicitados acima neste Voto, relativamente aos seguintes itens do recurso voluntário: III.1 (b) Contas n°s 388130 e 304530/Rateio de Gastos com Exportação e (c) Contas n°s 381020 e 396020 Receitas de Serviços já Tributadas; III.2 Da venda de mercadorias com suspensão; III.3 Créditos Presumidos Relativos à Filial Uberlândia/ Legitimidade do Procedimento Adotado pela Recorrente; III.4 (iv) Energia Elétrica e (v) Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos; e III.5 Da Glosa dos Créditos de PIS e seus Efeitos na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; bem como outras informações que entender relevantes à solução da lide. d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. e) Devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após decorrido prazo de manifestação da interessada. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000293/200912 Resolução nº 3402000.757 S3C4T2 Fl. 2.042 23 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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