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Numero do processo: 10166.011385/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SALDO NEGATIVO.
O imposto sobre a renda retido na fonte - IRRF pode ser compensado com outros tributos uma vez que constitua saldo negativo do período.
Numero da decisão: 1301-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SALDO NEGATIVO. O imposto sobre a renda retido na fonte IRRF pode ser compensado com outros tributos uma vez que constitua saldo negativo do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 13 85 /2 00 2- 71 Fl. 385DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10166.011385/200271 Acórdão n.º 1301003.732 S1C3T1 Fl. 386 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Cuidam os autos de Pedidos de Compensação, débitos de CSLL e IRPJ, março e junho/2002, corn crédito de imposto de renda retido na fonte/2002. Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: A presente Manifestação de Inconformidade é tempestiva tendo em vista que somente teve ciência do Despacho Decisório em 05/12/2007, quando compareceu ao órgão com o intuito de obter Certidão Negativa de Débitos; O pedido de compensação foi efetuado em relação a 4 débitos de 2 tributos distintos, quais sejam, IRPJ e CSLL; considerando os argumentos apresentados pela autoridade fiscal, se o IRRF somente poderia ser compensado com tributo da mesma espécie, não há razão para que o pedido tenha sido julgado completamente improcedente; O IRRF nada mais é que antecipação do IRPJ devido, havendo excesso de retenção em determinado trimestre em relação ao IRPJ devido, este saldo se torna passível de compensação com quaisquer tributos administrados pela SRF; Caso entendase que os documentos apresentados não se mostram suficientes para comprovar o alegado, requerse diligência para verificar os documentos fiscais que comprovam a origem dos créditos objeto do pedido de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2002 Compensação Imposto de Renda Retido na Fonte Possibilidade com Tributos e Contribuições de mesma Espécie O imposto sobre a renda retido na fonte IRRF considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes, quando seu montante for superior ao devido, sendo cabível sua compensação diretamente com tributo de mesma espécie. Solicitação Deferida em Parte Em resumo, a decisão de primeira instancia decidiu por homologar a compensação apenas no que se referia ao IRPJ, pois considerou que o IRRF e CSLL possuíam naturezas distintas. Fl. 387DF CARF MF 4 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10166.011385/200271 Acórdão n.º 1301003.732 S1C3T1 Fl. 387 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos A recorrente efetuou pedido de compensação de débitos de CSLL e IRPJ de 2002 com IRRF de 2002, da seguinte forma: No Despacho Decisório proferido no Pedido de Compensação em epígrafe, a autoridade fiscal decidiu não homologar a Declaração de Compensação por entender que o pedido se tratava de IRRF e, por ser considerado antecipação do IRPJ, incabível seria sua compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade demonstrando à ilustre autoridade que a compensação havia sido efetuada com saldo negativo de IRPJ e não com IRRF, pelo o que não haveria que se falar em antecipação do imposto. No caso, à época em que foi efetuada a Declaração de Compensação, que era manual, o contribuinte informou erroneamente tratarse de crédito de IRRF, ao invés de saldo negativo de IRPJ. Neste sentido a empresa apresentou a documentação hábil a comprovar a existência do saldo negativo e se colocou à disposição da autoridade fiscal para, se assim entendese, efetuar diligencia in loco para verificar os documentos fiscais da empresa. Posteriormente, foi proferido acórdão decidindo pela homologação parcial da compensação de crédito de saldo de Imposto de Renda Retido na Fonte — Outros .4111 Rendimentos (Código de Receita 8045), no montante de R$ 85.383,71 (oitenta e cinco mil, trezentos e oitenta e três reais e setenta e um centavos), somente com o IRPJ: Fl. 389DF CARF MF 6 O entendimento adotado pela egrégia Turma é o de que a compensação pleiteada só poderá ser deferida com o que for devido em relação ao imposto de renda e não com as contribuições sociais. Desta forma, não foi compensado o débito de CSLL do 1° e 2° trimestre de 2002, restando os seguintes débitos: Mérito A legislação tributária regente da matéria encontrase no dispositivo abaixo mencionado Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. Este dispositivo estabelece que o valor retido poderá ser compensado em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição, restringindo, assim, a possibilidade de compensação do IRRF diretamente com a CSLL. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10166.011385/200271 Acórdão n.º 1301003.732 S1C3T1 Fl. 388 7 O valor do IRRF somente poderia ser compensado com a CSLL uma vez que se tornasse, ao encerramento do período, como saldo negativo. Vejamos: IN 600/05 (vigente à epoca) Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; (...) Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. (...) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Ou seja, uma vez que o contribuinte apresentou o pedido de restituição/compensação diretamente a partir da soma dos DARFs de recolhimento do IRRF (fl. 5) não se pode cogitar de compensação com a CSLL por falta de previsão legal. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário para no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002507/98-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1995
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO ANTERIOR À JANEIRO DE 1997. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para a compensação do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997 com débitos de outros contribuintes, conforme determina a IN SRF n.° 21/97, podendo ser utilizado para compensação do saldo devedor do próprio contribuinte ou ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie.
Numero da decisão: 9303-007.941
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1995 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO ANTERIOR À JANEIRO DE 1997. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para a compensação do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997 com débitos de outros contribuintes, conforme determina a IN SRF n.° 21/97, podendo ser utilizado para compensação do saldo devedor do próprio contribuinte ou ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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APURAÇÃO ANTERIOR À JANEIRO DE 1997. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para a compensação do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997 com débitos de outros contribuintes, conforme determina a IN SRF n.° 21/97, podendo ser utilizado para compensação do saldo devedor do próprio contribuinte ou ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 25 07 /9 8- 91 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 319 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403003.485, de 27 de janeiro de 2015 (fls. 237 a 242 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte em 08/05/1998, solicitando compensação do crédito presumido de IPI relativo ao anocalendário de 1995, deferido ao Contribuinte no processo nº 13502.000074/9680, com débitos de terceiros. O pedido foi indeferido pela DRF/Salvador em 30/07/1998, sob a alegação de ser impossível a utilização do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a 1º de janeiro de 1997 para compensação com débitos vincendos. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 320 3 Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que é ilegal o entendimento da autoridade administrativa no sentido de limitar a compensação de créditos ressarcíveis somente a créditos gerados a partir de janeiro de 1997 e que deve ser considerada a data do vencimento dos débitos e não a de autorização do ressarcimento, uma vez que (i) a decisão que aprova o ressarcimento é declaratória e não constitutiva; e (ii) a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário sob condição resolutória. A DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Regularmente notificado em 20/09/2001, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/10/2001, no qual reprisou as alegações de impugnação. Por meio do acórdão n.º 20214.256 a antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes anulou a decisão de primeira instância, sob o argumento de que a competência dos delegados de julgamento é indelegável. Por meio do Acórdão 5.311, de 4 de julho de 2003, a DRJ Recife proferiu nova decisão de primeira instância. Desta feita a manifestação de inconformidade não foi conhecida porque o colegiado considerou que as delegacias de julgamento não possuíam competência para julgar processos de compensação. Entendeu o julgador de piso que não existindo litígio sobre o direito creditório, não existe previsão regimental para que a DRJ julgue processos de compensação, a teor do art. 203, I do Regimento da SRF, aprovado pela Portaria n.º 436/2002. Regularmente notificado em 30/07/2003, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/08/2003, alegando que o rol de competências estabelecidas no art. 203, I do Regimento Interno da SRF não é exaustivo e que o referido dispositivo, assim como o anexo da referida portaria, mencionam "manifestação de inconformidade” em sentido genérico. No mérito, reprisou os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 321 4 Por meio do acórdão nº 20215.774 a antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário, sob o argumento de que o art. 24 da IN n.º 21/97 determina que a apuração e o aproveitamento do crédito presumido de períodos anteriores a 1997 deve ser efetuado na forma da Portaria MF n.º 129/995 e IN n.º 21/95, as quais só previram o abatimento com o IPI e o ressarcimento em dinheiro a pedido do contribuinte. Regularmente notificado em 08/04/2005, o Contribuinte apresentou embargos de declaração que foram rejeitados pelo acórdão nº 20217.289. Regularmente notificado em 15/12/2006, o Contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n.º 9303002.157 anulou o acórdão n.º 20215.774 e também o acórdão n.º 5.311 da DRJ Recife, determinando o retorno do processo à DRJ para prolação de nova decisão que enfrentasse o mérito da impugnação. Ficou decidido que a DRJ tinha competência para conhecer a manifestação de inconformidade em processo de compensação e que a Segunda Câmara do Segundo Conselho não poderia ter enfrentado o mérito do recurso voluntário se essa questão não havia sido enfrentada pela DRJ. Por meio do acórdão nº 32.655, de 28 de junho de 2013, a 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA proferiu nova decisão negando o direito de compensação do crédito presumido de 1995 com débitos de terceiros, com base no disposto no art. 24 da IN n.º 21/97 combinado com os arts. 2º, 3º e 4º da Portaria MF nº 129/95. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou novamente Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial para apenas reconhecer o direito de o Contribuinte compensar o crédito presumido gerado em 1995, reconhecido no processo nº 13502.000074/9680, com os débitos de terceiro indicados no pedido de fl. 03, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1995 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 322 5 CRÉDITO PRESUMIDO GERADO ANTES DE 1997. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. O art. 24 da IN SRF nº 21/97 não constitui óbice à compensação do crédito presumido gerado em período anterior a 1997. TAXA SELIC. CORREÇÃO DO RESSARCIMENTO. Versando este processo sobre o direito de compensação do crédito presumido gerado antes de 1997, é impertinente o pedido de correção do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 244 a 250) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à possibilidade de compensação de créditos presumidos de IPI, gerados antes de 01/01/1997, com débitos de terceiros. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número nº 9303002.311. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro teor da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 256 a 258. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 266 a 275, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência às fls. 287 a 300, sendo que este não foi admitido por não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, conforme despacho de fls. 308 a 310. É o relatório em síntese. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 323 6 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. . 256 a 258. A decisão recorrida entendeu que o art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, não foi editado para impedir a compensação do crédito presumido de IPI gerado antes de 1997 com outros tributos federais, pois a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, não ampliou as hipóteses de aproveitamento. Por sua vez o acórdão indicado como paradigma, em sentido oposto, decidiu que o crédito presumido de IPI relativo a período de apuração anterior a janeiro de 1997 não pode ser compensado com débitos de outro contribuinte, por falta de amparo legal. Ademais, o acórdão nº 9303002.311 apresentado como paradigma é do mesmo contribuinte e trata da mesma matéria, com entendimento divergente do acórdão recorrido. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Do mérito O pedido do Contribuinte foi indeferimento com fundamento no art. 24 da Instrução Normativa nº 21/97, que estabelece que a apuração e a utilização do crédito presumido de IPI relativo a períodos anteriores a 1º de janeiro de 1997, serão efetuados com observância da Portaria MF nº 129/95 e da Instrução Normativa nº 21/95. Tendo em vista que a Portaria nº 129/95 só previa a utilização do crédito presumido sob as formas de abatimento do Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 324 7 IPI na escrita fiscal e ressarcimento em espécie, a autoridade administrativa indeferiu o pedido de compensação. Da leitura do art. 24 da Instrução Normativa nº 21/97 realmente está escrito que a apuração e o aproveitamento do crédito presumido anterior a 1997 será feito com base na Portaria n.º 129/95 e aos períodos iniciados a partir de 1° de janeiro de 1997 aplicamse as normas da Portaria MF n° 038, de 1997, senão vejamos: Art. 24. A apuração e utilização do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COF1NS, relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997, serão efetuadas com observância do disposto na Portaria MF n°129, de 5 de abril de 1995, e na Instrução Normativa SRF n° 21, de 12 de abril de 1995. Parágrafo único. Relativamente aos períodos iniciados a partir de 1° de janeiro de 1997 aplicamse as normas da Portaria MF n° 038, de 1997, e desta Instrução Normativa. No entanto, em dezembro de 1996 foi publicada a Lei nº 9.430/96. A redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96 dispunha o seguinte: "Art. 74 Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. " Portanto, a partir de janeiro de 1997, o crédito presumido de IPI remanescente na escrita fiscal após o abatimento dos débitos do imposto, poderia ser ressarcido em espécie ao contribuinte (art. 4º da Lei nº 9.363/95) ou ser objeto de pedido de compensação com qualquer tributo federal administrado pela Receita Federal (art. 74 da Lei nº 9.430/96), uma vez que se trata de crédito ressarcível. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 325 8 Como bem explicado pelo Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Atulim, no voto do acordão recorrido, e adoto como razões de decidir, as Portarias MF nº 129/95 e 38/97 foram editadas para regulamentar a apuração e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/95. E a Portaria MF nº 129/95 não poderia dispor de forma diferente do que estabelecida a Lei nº 9.363/95, ademais, na época, o art. 66 da Lei nº 8.383/91 só autorizava a compensação entre tributos da mesma espécie e mesma destinação constitucional. Já a Portaria MF nº 38/97, embora editada sob a égide do art. 74 da Lei nº 9.430/96, repetiu o conteúdo da portaria anterior na parte em que dispunha sobre o aproveitamento do crédito presumido. Em outras palavras: a Portaria MF nº 38/95 ignorou a inovação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e continuou prevendo apenas as formas de utilização do crédito presumido previstas na lei instituidora do benefício. Sendo assim, é óbvio que o art. 24 da Instrução Normativa nº 21/97 não foi editado para impedir a compensação do crédito presumido gerado antes de 1997 com outros tributos federais, pois a Portaria n.º 38/97 não ampliou as hipóteses de aproveitamento. O art. 24 da Instrução Normativa nº 21/97 apenas e tão somente dispôs que o crédito presumido gerado em períodos anteriores a 1997 continuaria a ser regido pelas normas vigentes naqueles períodos, em obediência ao que dispõe o art. 105 do CTN. A leitura que a autoridade administrativa fez do art. 24 da Instrução Normativa nº 21/95 torna ilegal esse dispositivo normativo, uma vez que transforma em letra morta o art. 74 da Lei n.º 9.430/96. A interpretação da DRF só teria algum fundamento, caso a Portaria MF nº 38/97 tivesse previsto a hipótese de compensação do crédito presumido, levando em conta o art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Nesta hipótese, ficaria clara a intenção da Administração limitar o direito de compensação ao crédito presumido gerado a partir de janeiro de 1997. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 326 9 Entretanto, a Administração jamais poderia estabelecer tal limitação por ato infralegal, pois o art. 74 da Lei nº 9.430/96 se referiu a qualquer crédito ressarcível existente no momento da sua publicação. O crédito em discussão neste processo já era passível de ressarcimento em dinheiro. Não tem o menor cabimento entender que o art. 24 da Instrução Normativa nº 21/97 veda a compensação, pois o contribuinte tem direito ao ressarcimento em dinheiro!!! A Administração tem que pagar em dinheiro, mas não permite a compensação, esse entendimento é absurdo. Lembrase, também, que as Instruções Normativas não podem inovar no ordenamento jurídico, mas apenas regulamentar direitos estabelecidos pelas Leis. Dessa forma, as Instruções Normativas citadas jamais poderiam afrontar, restringir ou dispor de forma contrária a textos de Leis. Ademais, tais pedidos de compensação foram protocolados em 1998. À época, estava vigente a Instrução Normativa SRF nº 21/97 que, por sua vez, trazia em seu art. 15: “Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 327 10 § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Vêse que à época era totalmente legítima a compensação ora realizada pelo sujeito passivo. Somente com o advento da Instrução Normativa nº 41/00, houve a vedação da utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos. Verificase também, que no RESP 1.137.738, julgado pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC, ficou sedimentado que deve ser aplicado à compensação o regime jurídico vigente na época do encontro de contas. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 328 11 ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário." (Súmula 389/STF). (...) (REsp 1137738/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010 – g.n) Nesse sentido, observase o entendimento da jurisprudência administrativa sobre o tema, como se vê a partir da leitura da seguinte ementa: Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI INSTITUÍDO PELA LEI Nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. PEDIDO FORMULADO ATÉ 07/04/2000. POSSIBILIDADE. A possibilidade de utilização de créditos oriundos de restituição ou ressarcimento para compensação com débitos de terceiros foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo permanecido até 07/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF nº 41, publicada em 10/04/2000. A circunstância de a compensação se dar com valores de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado no ano de 1995, não exclui tal possibilidade. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso. (Acórdão: 20310122, Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, publ.13/04/2005 – g.n) Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 329 12 No caso concreto, o encontro de contas ocorreu na data de protocolo do pedido de compensação, ou seja, em maio de 1998 (fl. 03), devendo ser aplicado o art. 74 da Lei nº 9.430/96, que autorizava a compensação de qualquer crédito ressarcível sem nenhuma limitação e também o art. 15 da Instrução Normativa n.º 21/97, que autorizava a compensação de crédito do contribuinte com débitos de terceiro. Considerando que no processo nº 13502.000074/9680 foi reconhecido ao contribuinte um crédito ressarcível de R$ 770.222,37 e que esse montante é suficiente para quitar o débito de terceiro no montante de R$ 17.032,55, indicado no pedido de fl. 03, há que se considerar esse débito extinto por compensação, nos termos do art. 156, II, do CTN. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilustre Conselheira Relatora, divergiuse do seu entendimento, votando a maioria do Colegiado pelo provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, sendo designada esta Conselheira para redigir o voto vencedor. A controvérsia do presente recurso especial gravita em torno da possibilidade de compensação de crédito presumido de IPI, apurados em data anterior a 01 de janeiro de 1997, com débitos de terceiros. Entendese assistir razão à Fazenda Nacional. O pedido de compensação, muito embora apresentado em maio de 1998, referese a crédito presumido de IPI cuja apuração deuse em data anterior a 01/01/1997, estando sujeito à observância das normas constantes na Portaria MF n.º 129/95, referida pela IN SRF n.º 21/97, a qual admitia tão somente que os créditos fossem utilizados para abatimento do saldo devedor de IPI do próprio contribuinte, possibilitando o recebimento do saldo remanescente em espécie. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 330 13 À época da apuração do crédito presumido de IPI, o artigo 1° da Portaria MF n° 129/95, então vigente, previa que o produtorexportador tinha como opções: (i) utilizar o valor desse incentivo fiscal para abater o IPI devido nos períodos subseqüentes ao da sua apuração; (II) utilizálo, por antecipação, no mês seguinte àquele em que forem realizadas as exportações; e (iii) uma vez existindo crédito não utilizado, a diferença poderia ser, ainda, compensada com o IPI devido nos períodos subseqüentes ao do encerramento do balanço ou ressarcida em moeda corrente1. Não havia previsão para compensação com débitos de terceiros. Para ratificar a assertiva, pertinente trazer que à época a compensação prevista no art. 74 da Lei n.º 9.430/96 encontrava sua regulamentação no Decreto nº 2.138/97 e na Instrução Normativa n.º 21/97, que em seu art. 24 assim estabelecia: "Art. 24. A apuração e utilização do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COF1NS, relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997, serão efetuadas com observância do disposto na Portaria MF n°129, de 5 de abril de 1995, e na Instrução Normativa SRF n° 21, de 12 de abril de 1995. Parágrafo único. Relativamente ao períodos iniciados a partir de 1° de janeiro de 1997 aplicamse as normas da Portaria MF n° 038, de 1997, e desta Instrução Normativa. (grifouse) De outro lado, certo é que o art. 15 da Instrução Normativa SRF n.º 21/97 previu a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiro, no entanto, para os casos de ressarcimento de IPI, limitou o direito aos créditos presumidos apurados a partir de 01/01/1997. Dispositivo esse, importante que se diga, foi revogado posteriormente pela IN SRF n.º 41, de 07 de abril de 2000. O crédito presumido gerado em 1995, reconhecido no processo nº 13502.000074/9680, era regido pela Medida Provisória n.º 948/95, para os quais não foi prevista sequer a compensação com outros tributos do próprio contribuinte, consoante dispositivos abaixo transcritos: Art. 1º O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 1 Cf. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Acórdão n.º 20215.774, julgado na sessão de 15 de setembro de 2004. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 331 14 [...] Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. [...] Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta medida provisória, inclusive quanto aos requisitos e à periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. [...] Para reforçar a argumentação aqui expendida, proveitoso citar os bem lançados fundamentos do Acórdão n.º 9303002.311, julgado em 20/06/2013, de relatoria do Ilustre exConselheiro Júlio César Alves Ramos, utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional, in verbis: [...] o aproveitamento do crédito presumido limitavase à compensação com débitos do próprio IPI do contribuinte, podendo serlhe ressarcido em dinheiro o valor que excedesse os saldos devedores por ele mesmo apurados. Quanto a esse ponto, não há diferença entre ela e a Lei 9.363, que resulta da conversão da MP 1484/96, após 27 reedições. Ocorre que a MP 948 veio a ser “disciplinada” pela Portaria MF 129, editada no mesmo ano e “regulamentada”, por sua vez, pela IN SRF 21, também de 1995. E, por óbvio, nesse ano sequer havia a Lei 9.430 cujo art. 74 passou a possibilitar a compensação de créditos de um tributo com débitos de outro. Por outro lado, a Lei 9.363/96, embora também anterior à 9.430, somente veio a ser “disciplinada” pela Portaria MF 38, já editada sob a vigência daquela última lei. E a IN 21/97, que a “regulamentou” foi quem introduziu a possibilidade de o crédito presumido ser utilizado na forma do art. 74 da Lei 9.430. O que quero demonstrar é que os atos legais, strictu sensu, que criaram e alteraram o incentivo em tela não previram a compensação com outros tributos – ainda que do mesmo contribuinte – como forma de aproveitamento. O mesmo ocorre com os atos administrativos ‘regulamentares” neles expressamente previstos (Portaria MF 129/95 e 38/97). É só a IN 21/97, já editada quando havia a Lei 9.430 que, a título de regulamentar a Portaria MF 38/97 (e não mais a 129/95), estende as formas como pode o incentivo ser aproveitado para incluir a compensação com débitos de outros tributos. É ela também, como se sabe, que “cria” a compensação com débitos de terceiros, sequer prevista na Lei 9.430. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303007.941 CSRFT3 Fl. 332 15 Entendo, por isso mesmo, que se de ilegalidade se pode cogitar nesse último ato normativo – a IN SRF 21/97 – está ela exatamente nesses dispositivos que ampliam, sem base legal, o direito previsto em lei, não naquele que, corretamente, afasta de suas disposições o crédito presumido que tem por base ato que ela, a IN, não estava regulamentando. Contra ele (art. 24) somente se poderia dizer ser desnecessário, nada mais. [...] Portanto, considerandose que inexiste previsão legal para a compensação do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1997 com débitos de outros contribuintes, conforme determina a IN SRF n.° 21/97, é de ser provido o apelo da Fazenda Nacional. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000292/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS.
A defesa apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2402-006.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Recorrente MONICA PEREIRA PINTO BOTAFOGO MUNIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 02 92 /2 00 4- 21 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13748.000292/200421 Acórdão n.º 2402006.992 S2C4T2 Fl. 193 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 1317.474 (fls. 147), que julgou não conhecida a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Foi lavrado o auto de infração, de fls. 11/19, em nome da contribuinte identificada anteriormente, relativo ao exercício 2001, anocalendário 2000, para formalização e cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar no valor de R$ 6.011,05, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora com cálculo válido até maio de 2004, em que o valor do crédito tributário apurado perfaz o montante de R$ 13.889,72. De acordo com a fl.12, a presente autuação originouse da revisão da DIRPF/2001 (fls. 35/37) em que foram alteradas as seguintes linhas de sua declaração: * rend./recebidos de pessoas jurídicas para R$ 106.219,11; * imposto de renda retido na fonte para R$ 17.791,15; * rend. isentos e nãotributáveis para R$ 7.112,29. O enquadramento legal encontrase às fls. 14 e 17. Inconformada com a exigência, a interessada, devidamente representada por seu procurador (fls.20/21), apresentou a impugnação de fls. 01/10, alegando tempestividade e argumentando, em síntese, que: 1. mudouse para Itaipava no mês de julho de 2004, tendo sido postada a presente impugnação entre a sua mudança de domicílio e a atualização de sua residência no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda, ocorrida em 27/07/2004; 2. tendo sido a intimação postada para endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte, reputa tempestiva a presente impugnação, na forma prevista pelo artigo 23, inciso I, do Decreto n° 70.235/72; 3. a autuação é nula de pleno direito, por manifesto cerceamento do direito de defesa porque a omissão de rendimentos alegada no lançamento simplesmente inexiste; 4. nos termos em que as acusações lhe são feitas, não é possível identificar com clareza qual(is) é(são) a(s) acusação(ões) que lhe é (são) feita(s) pela fiscalização, mas tão somente a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13748.000292/200421 Acórdão n.º 2402006.992 S2C4T2 Fl. 194 3 pretensão de exigir imposto, ao arrepio de uma situação fática que pode ser facilmente comprovada; 5. o auto de infração também é carente de enquadramento legal pertinente e compatível com os fatos descritos com a pretensão fiscal pois foram apontados como infringidos pela impugnante um autêntico cipoal de dispositivos legais que nada mais são que normas gerais acerca da tributação pelo IRPF; 6. no mérito, entende que, mesmo que a autuação não fosse nula de pleno direito, o lançamento é improcedente por ser portadora de moléstia grave que a impossibilita de exercer qualquer atividade profissional o que levou o INSS a lhe conceder benefício previdenciário por invalidez permanente; 7. afirma que as próprias autoridades fiscais sempre reconheceram a isenção a qual faz jus, fato que jamais pode ser invocado pelo Fisco para lançar imposto, com base no art.100, do Código Tributário Nacional; 8. entende ser impossível a cobrança de multa e juros cuja exigibilidade esteja suspensa; 9. nesta linha de raciocínio, explica que os valores retidos dos funcionários inativos da CENTRUS a título de IRRF, que foram depositados judicialmente, não se encontram em mora, razão pela qual a exigência fiscal, para prevenir a decadência do seu direito, não pode contemplar multas de lançamento de oficio ou mesmo juros de mora; consoante dispõe o inciso II, do artigo 151 do CTN; 10. cita, então, ementas do Conselho de Contribuintes para corroborar seu entendimento. A DRJ não conheceu a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, nos termos da ementa do Acórdão nº 1317.474 (fls. 147) abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Impugnação não Conhecida Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 162), reiterando os argumentos de defesa apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13748.000292/200421 Acórdão n.º 2402006.992 S2C4T2 Fl. 195 4 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que, embora o Recurso Voluntário ora sob análise tenha sido formalizado no prazo legal, o objeto do presente julgamento se restringe a avaliar a procedência dos argumentos expressos no julgamento de 1ª Instância para não conhecer da impugnação formalizada. De fato, a matéria a ser analisada e decidida por este Colegiado neste momento consiste em avaliar se a impugnação é, de fato, tempestiva ou não. Na primeira hipótese (tempestividade da impugnação), caberá o retorno dos autos para a DRJ para julgamento do mérito enquanto que na segunda hipótese (confirmação da intempestividade daquela primeira defesa administrativa), caberá a confirmação da decisão de piso. Pois bem!! No caso em análise, conforme consulta de postagem de fls. 32, verificase que a contribuinte teve ciência da autuação em 05/07/2004 (uma segundafeira), vencendose, assim, o seu prazo para impugnar em 04/08/2004. Ocorre que, conforme carimbo aposto em sua peça impugnatória (fls. 02), verificase que a impugnação foi apresentada em 25/08/2004, ou seja, 21 dias após o vencimento, razão pela qual a DRJ concluiu que nenhuma razão existe neste processo para justificar o comportamento da contribuinte de manterse inerte até 25 de agosto de 2004 (fl. 01), quando o prazo final para a apresentação tempestiva era 04 de agosto de 2004. Portanto, a defesa apresentada pela autuada não é tempestiva; não caracteriza impugnação e, tampouco, instaura a fase litigiosa do processo. Por essa razão, o mérito das alegações por ventura nela veiculadas não comporta julgamento de primeira instância. Em seu recurso voluntário, a Contribuinte aduz, em síntese, que * a autuação que instrui o presente procedimento fora endereçada à Rua Stanley Gomes, 137, casa 1, Barra de Tijuca, Rio de Janeiro, tendo sido recebida em 05/07/2004, conforme consta do Aviso de Recebimento acostado aos presentes autos; * já era de notório conhecimento para as autoridades fiscais a mudança de endereço da Recorrente, UMA VEZ QUE TAL MUDANÇA JÁ HAVIA SIDO INFORMADA ATRAVÉS DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA REFERENTE AO ANOBASE 2003, EXERCÍCIO 2004, ENTREGUE EM 21/04/2004, ou seja, bem antes da lavratura do auto de infração, onde constava como domicílio fiscal seu endereço atual, no município de Petrópolis. Razão não assiste à Recorrente! Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13748.000292/200421 Acórdão n.º 2402006.992 S2C4T2 Fl. 196 5 De fato, dos documentos acostados aos autos, verificase que: o Auto de Infração foi emitido em 06/04/2004 (fls. 13); a DIRPF Exercício 2004, por meio da qual a contribuinte teria dado conhecimento às autoridades fiscais da mudança do seu endereço, conforme afirma na sua peça recursal, foi transmitida em 21/04/2004. Verificase, pois, que na data em que foi emitido o auto de infração – 06/04/2004, a mudança de endereço alardeada pela Recorrente ainda não tinha sida comunicada à Receita Federal do Brasil, o que só veio a ocorrer em 21/04/2004. Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente PAF, conheço o Recurso Voluntário e negolhe provimento, em face da intempestividade da impugnação. Prejudicada, a análise dos demais argumentos suscitados na peça recursal. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920107/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 07 /2 00 9- 64 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10680.920107/200964 Acórdão n.º 2401006.044 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10680.920107/200964 Acórdão n.º 2401006.044 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10680.920107/200964 Acórdão n.º 2401006.044 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905420/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.731
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 42 0/ 20 16 -4 5 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.905420/201645 Resolução nº 3401001.731 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.905420/201645 Resolução nº 3401001.731 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.905420/201645 Resolução nº 3401001.731 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.905420/201645 Resolução nº 3401001.731 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.905420/201645 Resolução nº 3401001.731 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722209/2016-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Numero da decisão: 2002-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 105 1 104 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.722209/201622 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.857 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2019 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente PAULO CESAR BLAINE DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 22 09 /2 01 6- 22 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 18470.722209/201622 Acórdão n.º 2002000.857 S2C0T2 Fl. 106 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (fl.15). O contribuinte apresentou impugnação (fls.14/17), alegando que, equivocadamente, informou o valor descontado do IR ao invés do rendimento total com relação à fonte pagadora Real Grandeza. Quanto às fontes pagadoras Caixa Vida e Previdência e BrasilPrev, aduz que também houve equivoco no preenchimento da declaração, que embora os rendimentos não tenham sido informados, os impostos foram pagos. Refere que sofreu acidente vascular encefálico isquêmico em agosto de 2012 e que em 15/01/2016 lhe foi mencionada a IN 1.343 com a orientação de que deveria realizar retificações dos últimos cinco anos do IR. Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Despacho Decisório de fls. 64/69. Cientificado dessa decisão, o contribuinte voltou a se manifestar, reiterando os termos da defesa anterior e alegando que não haveria crédito a ser pago. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA considerou a impugnação improcedente (fls. 84/87), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MANUTENÇÃO. Deve ser mantida a apuração de omissão de rendimentos quando não houver prova em contrário. Cientificado dessa decisão em 16/7/2018 (fl.91), o contribuinte, por intermédio de representante legal, interpôs, em 14/8/2018 (fl.95), seu Recurso Voluntário (fls. 95/102), alegando, em apertada síntese: teria havido divergência entre as turmas de julgamento. como comprovaria documentação juntada ao recurso, o sujeito passivo estaria impossibilitado fisicamente de declarar seu imposto de renda, o que teria levado a equívocos na declaração de ajuste. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 18470.722209/201622 Acórdão n.º 2002000.857 S2C0T2 Fl. 107 3 em respeito aos princípios da dignidade humana e do "non bis idem", caberia o cancelamento da autuação, posto que o recorrente já teria pago imposto. os rendimentos indicados na autuação já teriam sido tributados e o valor devido, pago. no tocante aos rendimentos da Real Grandeza, teriam sido informados em sua declaração, não havendo que se falar em omissão, posto que não teria conhecimento nas áreas tributária e de informática. o valor relativo a Caixaprev estaria incorreto. Teria feito um título de R$10.000,00, mas, por ocasião do resgate, teria recebido o valor de R$200,00 e os impostos devidos teriam sido recolhidos. no tocante ao Banco do Brasil, também teria sido deduzida a carga tributária. pelos fatos narrados, conclui que restaria evidenciada sua boafé. estaria apresentando recurso especial porque teria identificado divergência entre as turmas. o crédito exigido teria sido extinto pelo pagamento e um novo pagamento significaria o enriquecimento ilícito e sem causa da administração pública. requer a suspensão do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Ainda que o recurso juntado faça referência a recurso especial e alegue a existência de divergência entre turmas de julgamento, observo que, no caso, o processo encontrase em fase de apresentação e apreciação de recurso voluntário e assim será tratada a peça apresentada, de forma a garantir o direito de defesa do recorrente. Em seguida, observo que o recurso apresentado reproduz idênticas alegações da impugnação interposta (fls. 76/78), sem juntar qualquer elemento novo. Pois bem, tendo em vista que a Recorrente traz, basicamente, os mesmos argumentos de sua impugnação, reproduzo no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, a decisão de primeira instância, com a qual concordo e adoto: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 18470.722209/201622 Acórdão n.º 2002000.857 S2C0T2 Fl. 108 4 Primeiramente, cumpre esclarecer que a exigibilidade do crédito discutido no lançamento está suspensa, haja vista a interposição tempestiva da impugnação e da manifestação de inconformidade, conforme determina o art. 151, III do Código Tributário Nacional – CTN, que segue: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Esta exigibilidade continuará suspensa até que ocorra o trânsito em julgado da decisão administrativa. No mais, do exame dos argumentos e documentos acostados, verifico que não assiste razão ao contribuinte na sua manifestação de inconformidade. O notificado está equivocado por entender que as retenções de imposto de renda realizadas pelas fontes pagadoras quando do pagamento dos rendimentos seriam suficientes para saldar o crédito apurado no lançamento. Cabe explicar que os rendimentos indicados como omitidos estão sujeitos ao ajuste anual do imposto de renda, ou seja devem ser considerados conjuntamente e com os demais rendimentos do contribuinte para a apuração do saldo de imposto – a pagar ou a restituir – no exercício. E é exatamente o que foi feito no lançamento, nele foram considerados todos os rendimentos – declarados e omitidos –, como também todo o imposto de renda que fora retido pelas fontes pagadoras. Portanto, considerando todos os valores envolvidos, conforme apurado no lançamento, resta saldo de imposto a pagar de R$ 7.139,47, ao qual devem ser acrescidos juros e multa por a obrigação não ter sido cumprida no prazo devido. Por fim, o pedido de renovação do lançamento para cobrança de diferenças deve ser indeferido porque não há qualquer necessidade disso, pois toda a discussão sobre a procedência ou não dos levantamentos pode ser feita (e está sendo) no presente processo. Ademais, esta discussão aponta que a totalidade do crédito tributário lançado é devido. (destaques acrescidos) Acrescento os seguintes pontos. Documentos juntados aos autos pelo sujeito passivo ratificam os dados da autuação, demonstrando que os rendimentos foram pagos ao contribuinte e estavam sujeitos ao ajuste na Declaração de Ajuste em tela. Nesse sentido, destaco os documentos de fls. 28, 30 e Fl. 108DF CARF MF Processo nº 18470.722209/201622 Acórdão n.º 2002000.857 S2C0T2 Fl. 109 5 54. Tendo sido omitidos, integral (Caixa Vida e Previdência e Brasilprev) ou parcialmente (Real Grandeza), correta a autuação. Quanto ao seu desconhecimento da lei, é necessário esclarecer que, no ordenamento pátrio, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”, na forma do artigo 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decretolei nº 4.657, de 1942, com a redação alterada pela Lei nº 12.376, de 2010). Assim, a ignorância da lei não exime o contribuinte de sua responsabilidade no cumprimento das suas obrigações tributárias, não podendo ser acatada a sua alegação. Quanto a sua boa fé, esclareçase que não é suficiente para eximir sua responsabilidade em relação ao feito, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136 – Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É preciso dizer ainda que, no presente lançamento, o recorrente não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.902865/2009-00
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 08661.74746.290506.1.3.040090, em 29.05.2006, fls. 2630, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do janeiro do anocalendário de 2005 no valor de R$50,18 contido no DARF de R$303,06 arrecadado em 28.02.2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 50,18. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.164, de 29.06.2012, efls. 3439: DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese a sua nãohomologação. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10850.902865/200900 Acórdão n.º 1003000.509 S1C0T3 Fl. 108 3 A glosa do indébito não impugnada expressamente é reputada como incontroversa e insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. A desistência da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, o qual somente será deferido caso a declaração de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do requerimento. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 31.07.2012, efl. 44, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.08.2012, efls. 9697, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I Estamos sendo cobrados por um débito declarado na PER/DCOMP [...] e estamos cientes de que o crédito apontado na mesma não poderia ser objeto de compensação por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real e também estamos cientes de que o débito declarado em PER/DCOMP é uma confissão de dívida. Por outro lado não podemos pagar o mesmo imposto duas vezes, já que houve um equivoco de nossa parte ao transmitir a referida PER/DCOMP. E não requeremos o cancelamento da mesma, pois só percebemos o equívoco após recebermos e analisarmos o Despacho Decisório em que a PER/DCOMP foi apreciada. II A entrega da PER/DCOMP como já foi dito anteriormente, foi um equívoco, pois conforme pode ser verificado pelo demonstrativo abaixo, os débitos de CSLL referente ao ano de 2005 foram integralmente pagos, não existindo portanto o débito declarado na PER/DCOMP. Em anexo estão as cópias dos DRE Demonstrativo do Resultado do Exercício referente aos meses de janeiro a dezembro de 2005 extraídos dos Livros Diário n° 24 e 25, cópia da Planilha de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, através dos quais pode ser confirmado o valor a pagar referente a cada mês do ano de 2005 que confere com o demonstrativo abaixo e com a DIPJ deste mesmo ano, e finalmente cópias dos comprovantes de arrecadação que comprovam os pagamentos relacionados no demonstrativo abaixo. Período Valor CSLL Valor Pago Data Pagto [...] Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10850.902865/200900 Acórdão n.º 1003000.509 S1C0T3 Fl. 109 4 Mês/Ano a pagar 31/01/2005 252,89 303,06 28/02/2005 28/02/2005 437,87 437,87 31/03/2005 31/03/2005 332,20 332,20 29/04/2005 30/04/2005 323,20 337,59 31/05/2005 31/05/2005 367,39 365,35 30/06/2005 30/06/2005 363,65 361,65 29/07/2005 31/07/2005 381,34 383,89 31/08/2005 31/08/2005 274,33 377,72 30/09/2005 30/09/2005 378,50 272,56 31/10/2005 31/10/2005 295,91 341,38 30/11/2005 30/11/2005 0,00 339,54 30/12/2005 31/12/2005 780,33 334,79 30/01/2006 [...] Total 4.187,61 4.187,61 Concernente ao pedido expõe que: III À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, porque é inexistente o débito então confessado no Per/DComp objeto de análise. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902865/200900 Acórdão n.º 1003000.509 S1C0T3 Fl. 110 5 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10850.902865/200900 Acórdão n.º 1003000.509 S1C0T3 Fl. 111 6 digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.902865/200900 Acórdão n.º 1003000.509 S1C0T3 Fl. 112 7 comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.970723/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material.
Numero da decisão: 2202-005.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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(INCORPORADA POR GEFCO LOGÍSTICA DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 07 23 /2 00 9- 43 Fl. 184DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 129/136), acompanhado de cópias de documentos comprobatórios, interposto contra o Acórdão no. 1250.954 da 1a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ – DRJ/RJ1 (efls. 113/117), que por unanimidade de votos negou provimento à Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela recorrente em PERD/COMP. 2. Por bem sintetizar os fatos da lide, transcrevo a seguir a essência do relatório emanado pela 1a. Turma DRJ/RJ1. Relatório (...). A DERAT/RJ, através do Despacho Decisório nº 848.597.964 (fl. 108), diante da inexistência do crédito (pagamento indevido ou a maior), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 16876.83387.120308.1.3.048338. O DARF discriminado no PER/DCOMP apresenta as seguintes características: Período de apuração: 31/12/2006 Código de receita: 9453 Valor total do DARF: R$ 187.335,81 Data de arrecadação: 02/02/2007 O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O interessado, cientificado em 21/10/2009 (fl. 107), apresentou, em 18/11/2009, manifestação de inconformidade (fls. 2/10). Nesta peça, alega, em síntese, que: recebeu valores a título de juros sobre capital próprio, no valor de R$1.831.647,00, que foram submetidos ao IRRF, ensejando o recolhimento de R$ 274.747,05, sob o código de receita 5706, conforme comprovante de arrecadação em anexo e DIPJ (Fichas 06 A e 54); por equívoco, recolheu IRRF sobre mesmo fato gerador, através do DARF no valor de R$ 187.335,81, código de receita 9453; foi também por equívoco que informou em DCTF o valor recolhido como débito apurado, já que o IRRF já havia sido pago; a verdade material deve prevalecer, conforme jurisprudência. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 15374.970723/200943 Acórdão n.º 2202005.034 S2C2T2 Fl. 176 3 3. O Voto da 1a. Turma da DRJ/RJ1, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir em sua essência: Voto (...). A teor do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e o da certeza,que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: (transcreve o artigo) (...). As informações prestadas em DCOMP devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (DARF, DCTF, DIPJ,DIRF, etc). A DERAT, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de ter sido localizado, fora integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) O DARF foi alocado conforme DCTF (fl. 48). A DCTF é instrumento de confissão de dívida, tendo, assim, o condão de constituir formalmente o crédito tributário, materializandoo, a teor do que dispõe o art. 1º da IN SRF nº 77, de 24/07/1998, com redação dada pela IN SRF nº 14, de 14/02/2000. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que recebeu valores a título de juros sobre capital próprio, que foram submetidos ao IRRF, ensejando o recolhimento de R$ 274.747,05, sob o código de receita 5706, e que, por equívoco, recolheu IRRF sobre mesmo fato gerador, através do DARF no valor de R$187.335,81, código de receita 9453, e que foi também por equívoco que informou em DCTF o valor recolhido como débito apurado. Eventual equívoco no preenchimento da DCTF deveria ter sido corrigido através de declaração retificadora. (...). A ausência de retificação tempestiva da DCTF (antes do despacho decisório) impediu que a análise do crédito fosse feita pela autoridade que detém a competência original para tal. Ademais, na manifestação de inconformidade, o interessado não comprova a existência de pagamento indevido de IRRF sobre mesmo fato gerador. Os recolhimentos relacionados têm valores e códigos de receita diversos. O código 9453 se refere a IRRF sobre juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior. O código 5706 se refere Fl. 186DF CARF MF 4 a IRRF sobre juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no Brasil. Ao alegar recolhimento de IRRF sobre mesmo fato gerador, estaria o interessado se referindo à faculdade do § 6º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995? Observada a legislação em vigor, no caso de beneficiário pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, a regra é que o imposto de renda retido na fonte sobre recebimento de juros sobre o capital próprio deve ser considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, conforme expressamente consignado no art. 9º, § 3º, I da Lei nº 9.249/1995. Todavia, no § 6º do mesmo dispositivo legal, foi definida a possibilidade de o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, compensar o imposto retido no recebimento dos juros com o imposto a ser retido e recolhido, por ocasião do pagamento ou crédito dos juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. A exceção não deve se sobrepor à regra, mas deve ser com ela compatibilizada. Nesse sentido, não se pode perder de vista a regra: para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte no recebimento de juros sobre o capital próprio configurase como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Conseqüentemente, a permissão de compensação do imposto retido no recebimento com o valor a ser retido por ocasião do pagamento dos juros somente pode ser efetuada antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido – total ou remanescente das compensações permitidas – deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). O interessado não comprova ter exercido a faculdade do § 6º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/1995, que, observase, é incompatível com o recolhimento do IRRF e com a DCTF apresentada, onde o valor recolhido consta como débito apurado e quitado por pagamento (pelo DARF discriminado no PER/DCOMP). Tal exercício não pode ser pleiteado em sede de manifestação de inconformidade. Também não cabe, no contexto da verificação da regularidade da compensação efetuada pelo interessado, alteração da natureza do indébito tributário informado no PER/DCOMP – de pagamento indevido para saldo negativo. Uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de ter sido localizado, já havia sido integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF, o crédito pleiteado é inexistente, como apontado no Despacho Decisório. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido. Recurso 4. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta, através de sua procuradora, os seguintes argumentos recursais transcritos em síntese: a) Esclarecimento inicial: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15374.970723/200943 Acórdão n.º 2202005.034 S2C2T2 Fl. 177 5 GEFCO PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 03.064.187/000185. foi incorporada, em 31 de julho de 2012, por GEFCO LOGÍSTICA DO BRASIL LTDA., CNPJ sob o n.° 03.094.658/000106, cf. documentos de efls. 137/164. b) Da tempestividade. alega que seu recurso é tempestivo. c) Dos fatos: traz um breve relato dos fatos, já elucidados pelo relatório da DRJ, com enfoque na ocorrência de erro material; ressalta que no ano calendário de 2006, exercício de 2007, a empresa recebeu a quantia de R$ 1.831.647,00 a título de juros sobre capital próprio, pagos pela GEFCO LOGÍSTICA DO BRASIL LTDA., a qual recolheu em DARF IRRF código 5706 (relativo a rendimentos de residentes no país) a quantia de RS 274.747,05; e que apesar disso, por um erro material, a empresa recolheu R$ 187.335,81 a título de IRRF no código 9453 (relativo a rendimentos de residentes no exterior), e declarou em DCTF tal valor como débito apurado a título de imposto de renda, incidente sobre os rendimentos que recebeu; para a recorrente tal débito nunca existiu, pois o imposto de renda relativo ao fato gerador já havia sido pago pela GEFCO LOGISTICA. entende que em momento algum foi questionada a existência do crédito. d) Do direito. menciona que o valor recebido foi registrado na ficha 06A de sua DIPJ Exercício 2007, transmitida para a RFB, que instruiu a impugnação (efl. 24); destaca que não há na decisão referências à DIPJ apresentada, embora entenda que este seja o documento que possibilita relacionar os dois pagamentos efetuados; defende que a jurisprudência do CARF determina que não se pode deixar de homologar pedido de compensação sem antes analisar as informações fornecidas em DIPJ. (transcreve ementa relacionada a homologação de compensação); menciona, que o referido montante recebido, de acordo com o §2° do art. 9o da Lei 9.249/95, está sujeito à retenção na fonte à alíquota de 15%, e por isso foi retido e recolhido, o valor de R$ 274.747,05 conforme ficha 54 de sua DIPJ (efl. 42) e DARF (efl. 52); salienta novamente que, equivocadamente, sobre esse mesmo fato gerador calculou o IRRF devido no valor de R$ 169.427,35 cf. DARF código 9453 (e fl. 51), no valor total de R$ 187.335,81, já que acrescido de R$ 16.214,19 de multa e R$ 1.694,27 e de juros; sustenta que a Empresa também cometeu erro material ao preencher sua DCTF, (efl. 48) tendo informado como débito o valor equivocadamente apurado. ressalta que a busca pela verdade material deve sempre pautar a atuação da autoridade administrativa, citando doutrina e jurisprudência do CARF. ressalta também que pode a Fazenda utilizarse de outros meios para a verificação da existência dos créditos alegados pelo Contribuinte, a fim de que a verdade material prevaleça. 5. Por fim, solicita a reforma total do acórdão recorrido e o reconhecimento do direito creditório, com a homologação da compensação declarada. Fl. 188DF CARF MF 6 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 9. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, tais decisões, ou mesmo respeitáveis citações doutrinárias não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 10. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 11. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 12. O caso em pauta envolve entendimento da recursante no sentido de existir crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado. 13. A DRJ/RJ1 manteve tal entendimento, uma vez que não ocorreu retificação tempestiva da DCTF (antes do Despacho Decisório), e que a interessada não comprova a existência de pagamento indevido de IRRF sobre mesmo fato gerador, já que os recolhimentos relacionados, efetuados na mesma oportunidade, têm valores e códigos de receita diversos (código 9453, pago pela recorrente, se refere a IRRF sobre juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior, e o código 5706, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.970723/200943 Acórdão n.º 2202005.034 S2C2T2 Fl. 178 7 retido e pago pela GEFCO LOGÍSTICA se refere a IRRF sobre juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no Brasil). 14. Acrescento que embora alegado o recolhimento sobre o mesmo fato gerador, como o valor retido pela GEFCO LOGISTICA diverge do valor recolhido pela recorrente, em tese inferese que, ou a base de cálculo utilizada foi divergente, ou a alíquota aplicada não foi corretamente identificada, ou deixou de ser detalhada a compensação do imposto já retido no recebimento com o valor a ser retido por ocasião do pagamento dos beneficiários. 15. Ressalta ainda a DRJ que tal IRRF sobre recebimento de juros sobre o capital próprio deve ser considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, conforme expressamente consignado no art. 9º, § 3º, I da Lei nº 9.249/1995. E no § 6º do mesmo dispositivo legal, foi definida a possibilidade de o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, compensar o imposto retido no recebimento dos juros com o imposto a ser retido e recolhido, por ocasião do pagamento ou crédito dos juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. E que a permissão de compensação do imposto já retido no recebimento com o valor a ser retido por ocasião do pagamento somente pode ser efetuada antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido – total ou remanescente das compensações permitidas – deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). Senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; (...) . § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. 16. Compulsando os presentes autos, há que se observar que o interessado não comprova ter exercido a faculdade do § 6º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/1995, uma vez que incompatível com seu recolhimento de IRRF e com sua DCTF apresentada e não retificada a tempo, ou seja, nesta um pagamento existiu e quitou tributos, mas por outro lado, não se caracterizou como crédito disponível para compensação. 17. Ressaltese ainda que não foram apresentados pela contribuinte até a fase de impugnação elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas Fl. 190DF CARF MF 8 alegações, como o motivo contábil de seu equívoco, a apuração de seu lucro real, ou mesmo elementos contábeis que justificassem a retidão do preenchimento de suas Declarações de pessoa jurídica. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação 18. No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas devem trazer os elementos de prova. 19. Isto posto, pela falta de provas inequívocas dos fatos, e como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, no que não logrou êxito, correta está a decisão da DRJ/RJ1 e sem reforma deve restar seu Acórdão; não deve haver então reconhecimento do direito creditório, nem tampouco a homologação da compensação declarada. CONCLUSÃO 20. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900240/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.555, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 24 0/ 20 06 -3 1 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13851.900240/200631 Resolução nº 1201000.555 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 31/12/2001, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.005203/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação da divergência jurisprudencial, com a apresentação de acórdãos paradigma que tenham enfrentado a mesma matéria do recorrido e aplicado a ela critérios jurídicos diversos. No caso, os acórdãos paradigma trataram de tema diferente e foram convergentes quanto ao critério jurídico a ser utilizado.
Numero da decisão: 9303-007.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao crédito da contribuição sobre gastos com frete de produtos acabados entre estabelecimentos. No mérito, na parte conhecida, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
(Assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação da divergência jurisprudencial, com a apresentação de acórdãos paradigma que tenham enfrentado a mesma matéria do recorrido e aplicado a ela critérios jurídicos diversos. No caso, os acórdãos paradigma trataram de tema diferente e foram convergentes quanto ao critério jurídico a ser utilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 03 /2 00 9- 01 Fl. 1602DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao crédito da contribuição sobre gastos com frete de produtos acabados entre estabelecimentos. No mérito, na parte conhecida, acordam, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. (Assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Pedido e Despacho Decisório Trata o presente processo pedido de ressarcimento de Cofins relativo ao período de outubro de 2007 (efls. 01 e seguintes). Foi exarado um Despacho Decisório inicial, indeferindo integralmente o pedido. Esse despacho foi anulado pelo Acórdão 07.23.616 da DRJ/Florianópolis. Em seguida foi exarado um novo Despacho Decisório (fls. 922 e seguintes) deferindo parcialmente o crédito, tendo sido glosados créditos referentes a: a) Valores calculados indevidamente; b) Imobilizado; c) Complementos de Valor (por venda de produto agrícola com preço posfixado); d) Fretes e e) Valores com Falta de Comprovação. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Inconformado, o Sujeito Passivo apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 1.129 e seguintes) requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado. A Manifestação de Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.603 3 Inconformidade foi julgada em primeira instância e em decisão consubstanciada no acórdão DRJ/FNS n° 0731.199, foi considerada improcedente. Recurso Voluntário Em seguida, o Sujeito Passivo apresentou Recurso Voluntário (efls. 1.285 e seguintes), insurgindose contra a glosa do crédito referente aos seguintes itens: (a) Complementos de Valor (por venda de produto agrícola com preço posfixado), e (b) Fretes. Adicionalmente alegou nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau. Ainda, em caráter alternativo, pediu a conversão do julgamento em diligência, para juntada de novos documentos. Decisão de Segunda Instância O Recurso Voluntário foi apreciado pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF que, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 3302003.209 (efls. 1.422 e seguintes): afastou as nulidades suscitadas; indeferiu o pedido de diligência/perícia; e deu provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Embargos e Recurso Especial da Fazenda Nacional Tendo sido cientificada do acórdão 3302003.209, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando contradição entre o voto e o decisum, quanto ao frete de devolução. Entretanto, o Presidente do colegiado, por despacho, rejeitou os embargos. Em seguida, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, para discussão do crédito referente a frete de insumos. Porém, o Recurso Especial da Fazenda Nacional teve seu seguimento negado, por despacho do Presidente de Câmara, sem interposição de agravo à Presidência da Câmara Superior da Fazenda Nacional. Recurso Especial do Sujeito Passivo Tendo sido cientificado do Acórdão 3302003.209, Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial (efls. 1.472 e seguintes) contra a parte do Acórdão que lhe fora desfavorável. Em seu Recurso Especial, o Sujeito Passivo discute duas matérias: (a) necessidade de apreciação de documentação juntada a posteriori e (b) o crédito sobre frete de produtos acabados. Quanto à necessidade de apreciação de documentação juntada a posteriori, apresenta, a título de paradigma, os acórdãos n° 2301004.423 e 2802003322, alegando que a decisão atacada não poderia simplesmente alegar que a recorrente teria deixado de produzir prova em momento oportuno, até porque tal momento não teria encerrado. Fl. 1604DF CARF MF 4 Quanto ao crédito sobre o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos, apresenta, a título de paradigma, os acórdãos n° 3402002.481 e 3401 002.075, alegando que a referida despeca enquadrarseia no conceito de insumo, previsto na legislação. O Despacho do Presidente da Câmara (efls. 1.529 e seguintes) deu seguimento parcial ao ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, admitindo apenas a discussão do crédito sobre o frete de produtos acabados. Para negativa de seguimento ao recurso quanto à necessidade de apreciação da documentação trazida posteriormente aos autos, esclarece que, no recorrido, diferentemente do que ocorre com os acórdãso paradigma indicados, a razão de decidir sobre a referida documentação não teria sido a intempestividade de sua apresentação, mas sim sua imprestabilidade para provar o que fora alegado pela recorrente. Cientificado do Despacho de Admissibilidade, o Sujeito Passivo interpôs agravo à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls 1.558 e seguintes), ao qual dado provimento, para seguimento do Recurso Especial quanto à matéria. No despacho de análise do agravo (efls. 1.567 e seguintes) é esclarecido que a alegação da recorrente não seria a necessidade de apreciação das provas pela autoridade julgadora de segunda instância, mas sim pela primeira instância, o que implicaria a a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do exercício do direito de defesa. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do Recurso Especial do Sujeito Passivo e de sua análise de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou (efls. 1537 e seguintes, com complementação de efls. 1.588 e seguintes) contrarrazões, requerendo: a negativa de provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, para manutenção da decisão recorrida quanto crédito da contribuição sobre o frete de produtos acabados; e quanto à necessidade de apreciação da documentação intempestivamente apresentada, o não conhecimento ou, subsidiariamente, a negativa de provimento ao recurso. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento do Recurso Especial do Sujeito Passivo Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Sujeito Passivo, em que pesem os argumentos constantes do Despacho de Análise do Agravo, concordo com o Despacho de Admissibilidade original e, assim, conheço apenas parcialmente do recurso, quanto ao creditamento do gasto com frete de produtos acabados. Com efeito, entendo não estar comprovada a divertência quanto a outra matéria, qual seja, a necessidade de apreciação de documentação intempestivamente acostada aos autos, seja por diferenças essenciais quanto ao objeto de discussão do recorrido, em relação à matéria debatida nos acórdãos paradigma, seja por que os critério jurídicos utilizados em todas as decisões foram convergentes, vejamos: Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.604 5 no acórdão recorrido, entendeuse que o fato de a decisão de primeira instância não apreciar documentos apresentados intempestivamente não caracterizaria cerceamento ao exercício do direito de defesa do recorrente e, adicionalmente, foi analisada a documentação intempestivamente trazida aos autos e verificado que ela não fazia prova da alegação da recorrente; já, nos acórdãos paradigma, 2301004.423 e 2802003.322, houve juntada documentação no Recurso Voluntário, que foi analisada pelas decisões. Reparase que nenhum dos acórdãso paradigma enfrenta a questão da nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do exercício do direito de defesa, por falta de apreciação de documentação apresentada intempestivamente. Adicionalmente, no tocante ao critério jurídico aplicável à apreciação da documentação intempestiva, o acórdão recorrido foi convergente com os paradigmas, pois, em todos os casos, a documentação foi apreciada. Salientese que o provimento ao recurso, no caso dos acórdão paradigma, se deve ao fato de que a documentação apresentada nos respectivos autos (por conta de suas características específicas) foi considerada sificiente para comprovação das alegações. Por outro lado, no caso do recorrido, a documentação foi considerada imprestável para comprovação da alegação do recorrente. Ora, não há similitude fática mínima para verificação de divergência no caso. Ao contrário, no tocante à questão jurídica as decisões são convergentes, por terem analisado a documentação. Cabe lembrar que a divergência não se instaura quanto à análise de provas. Para conhecimento do recurso, entendo que o Sujeito Passivo teria que ter trazido, a título de paradigma, uma decisão que tivesse anulado o acórdão de primeira instância por não ter conhecido da documentação apresentada intempestivamente. Entretanto, não foi isso que se verificou no caso. Por esses motivos, não conheço do recurso quanto a essa matéria. Mérito do Recurso Especial do Sujeito Passivo Quanto ao crédito da contribuição sobre o valor do frete de produtos acabados, antes de entrar no mérito dos recursos, esclareço que, para elaboração do presente voto, adoto o entendimento esposado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões. Com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete produtos acabados entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no Fl. 1606DF CARF MF 6 processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindose do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6 , como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. Como o frete de produtos acabados entre estabelecimentos não caracteriza insumo, a glosa do crédito referente a esse gasto deve ser mantida. Pelo exposto, é de se negar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo quanto a essa matéria. Conclusão Em vista do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Especial do Sujeito Passivo, apenas quanto ao crédito da contribuição sobre gastos com frete de produtos acabados entre estabelecimentos e, no mérito, quanto à matéria conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator designado Em que pese o excelente argumento do Ilustre Relator, divirjo de seu entendimento. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.605 7 decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorá las, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário Fl. 1608DF CARF MF 8 analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.606 9 Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 1610DF CARF MF 10 É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.607 11 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 1612DF CARF MF 12 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.608 13 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. Fl. 1614DF CARF MF 14 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.609 15 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para Fl. 1616DF CARF MF 16 compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 9303007.899 CSRFT3 Fl. 1.610 17 Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. Demes Brito Fl. 1618DF CARF MF
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