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Numero do processo: 19515.002990/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONTA CONJUNTA. COMPROVAÇÃO. SALDO INICIAL. TRANSFERÊNCIA PARA O ANO SEGUINTE
São tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios.
Comprovada a existência de conta, não deve ser atribuído ao contribuinte o valor remetido pela cônjuge conforme declaração de Imposto de Renda.
Os saldos credores de contas correntes, inclusive as mantidas no exterior, devem ser consideradas com a transferência do valor do saldo na data de 31 de dezembro do ano anterior.
Numero da decisão: 2401-006.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das aplicações de recursos, no mês de mar/99, o valor de R$ 119.389,30 (U$ 64.489,44), relativo a remessa ao exterior em nome da esposa, e adicionar como origem o saldo inicial no importe de R$ 253.115,32. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para excluir das aplicações de recursos o valor da remessa ao exterior em nome da esposa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONTA CONJUNTA. COMPROVAÇÃO. SALDO INICIAL. TRANSFERÊNCIA PARA O ANO SEGUINTE São tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Comprovada a existência de conta, não deve ser atribuído ao contribuinte o valor remetido pela cônjuge conforme declaração de Imposto de Renda. Os saldos credores de contas correntes, inclusive as mantidas no exterior, devem ser consideradas com a transferência do valor do saldo na data de 31 de dezembro do ano anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das aplicações de recursos, no mês de mar/99, o valor de R$ 119.389,30 (U$ 64.489,44), relativo a remessa ao exterior em nome da esposa, e adicionar como origem o saldo inicial no importe de R$ 253.115,32. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para excluir das aplicações de recursos o valor da remessa ao exterior em nome da esposa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 90 /2 00 4- 81 Fl. 397DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II SP (DRJ/SPOII), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 1727.061 (fls. 348/366): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DETERMINAÇÃO DA OMISSÃO MENSAL. Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo anocalendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês. Lançamento Procedente Este processo trata de Auto de Infração (fls. 248/254), lavrado em 06/12/2004, relativo ao anocalendário de 1999, referente a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e comprovados. No Auto de Infração é exigido R$ 112.942,58 de Imposto de Renda, R$ 84.706,93 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 89.326,28 de Juros de Mora, calculados até 30/11/2004, ficando o Crédito Tributário no montante total de R$ 286.975,79. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 236/244), temos que: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.002990/200481 Acórdão n.º 2401006.171 S2C4T1 Fl. 3 3 1. De acordo com a Representação Fiscal o Contribuinte consta como beneficiário final nas operações de transferência de recursos para o exterior, ocorridas em 1999, no montante de US$ 434.000,00, com a intermediação da empresa Beacon Hill Service Corporation sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e/ou jurídicas; 2. O Contribuinte foi cientificado de que a não comprovação da origem dos recursos transferidos ao exterior, no prazo e forma especificados, implicaria no lançamento do Imposto de Renda por Omissão de Rendimentos conforme art. 42 da Lei n.° 9.430/96 e art. 4° da Lei n.° 9.481/97; 3. Em atendimento à Intimação da Fiscalização, o Contribuinte apresentou suas justificativas e documentos insuficientes para possibilitar a verificação efetiva da origem dos valores remetidos ao exterior; 4. Para a análise da evolução patrimonial do Contribuinte foi elaborada a Planilha Análise da Evolução Patrimonial Mensal Exercício 2000 (fl. 246) com dados obtidos da Declaração de Ajuste Anual IRPF 2000, anocalendário 1999 e de informações constantes da base de dados na SRF; 5. Resultou da Análise da Evolução Patrimonial os seguintes acréscimos patrimoniais à descoberto: O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 29/12/2004 (AR fl. 262) e, em 24/01/2005, apresentou sua Impugnação de fls. 264/276, instruída com os documentos nas fls. 278 a 342. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1727.061, em 26/08/2008 a 7ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento consubstanciado no Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio, em 24/11/2008 (AR fl. 371) e, inconformado com a decisão prolatada, em 19/12/2008, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 376/380, instruída com os documentos nas fls. 382 a 384, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, alega que: 1. Não contesta o valor demonstrado na remessa, mas sim a não consideração dos valores constantes nas Declarações de Imposto de Renda da esposa e filho, que estão na base de dados da Receita Fl. 399DF CARF MF 4 Federal, onde fica evidente que os recursos foram transferidos durante o ano calendário de 1999 em conjunto aos seus recursos para a conta do Nations Bank; 2. Na declaração da esposa do ano calendário de 1999 foi declarado no quadro de DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS o saldo de USD$ 64.489.44 no NATIONS BANK (C/C 900.350.2799), sendo que no exercício anterior este saldo era de ZERO. Desta forma se demonstra que estes valores foram transferidos durante o ano calendário de 1999; 3. Na declaração do filho do ano calendário de 1999 foi declarado no quadro de DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS o saldo de USD$ 16.334,87 no NATIONS BANK (C/C 900.350.2799), sendo que no exercício anterior este saldo era de ZERO. Desta forma se demonstra que estes valores foram transferidos durante o ano calendário de 1999; 4. Os valores dos Saldos Iniciais de 31/12/1998 são os constantes na sua Declarações de Imposto de Renda somado ao saldo das Declarações da sua esposa e filho, convertido pelas Cotações de Fechamento Ptax do DOLARDOSEUA do dia 31/12/1998; 5. Analisando o quadro abaixo, concluise que o valor efetivamente transferido dos rendimentos do Contribuinte foi de USD$ 353.175,69 e não os USD$ 434.000,00 constantes do Auto de Infração, existindo um diferença a seu favor de USD$ 80.824,31: 6. Conforme declaração do Bank Of America, que comprou o Nations Bank no ano de 1999/2000, a conta 900.350.2799 possui dois titulares, a Sra. lvoti Mello e o Contribuinte, pois nessa época o seu filho ainda não havia sido incluído como titular desta conta. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo que sejam considerados estes valores nos cálculos do Auditor Fiscal afim de serem providenciadas as correções necessárias e o correto cálculo do tributos devidos. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19515.002990/200481 Acórdão n.º 2401006.171 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito No Recurso Voluntário apresentado, o contribuinte se insurge contra o valor que lhe foi atribuído como remessa ao exterior. Assevera que deve ser excluído o montante remetido por sua esposa, que também é correntista da conta nº 9003502799, e por seu filho, argumentando ainda que a fiscalização não considerou o saldo inicial, em 31/12/1998, da conta do Nations Bank, no valor de R$ 303.115,32 na análise da Evolução Patrimonial. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] Fl. 401DF CARF MF 6 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. No processo administrativo tributário o sujeito passivo tem ampla oportunidade para apresentar elementos capazes de contrapor com eficiência a acusação fiscal que lhe é imposta, trazendo documentos, demonstrativos e o que entender necessário para provar o alegado nas razões de defesa, tendo em vista que o principal objetivo do contencioso tributário é a prova da verdade material. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19515.002990/200481 Acórdão n.º 2401006.171 S2C4T1 Fl. 5 7 isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, ou aponte, fundamentadamente, os equívocos existentes na análise da evolução patrimonial. Cabe destacar que o contribuinte foi intimado para apresentar as justificativas requeridas pela fiscalização com relação aos valores depositados em conta no exterior. No Termo de Início da Fiscalização foi solicitado ao contribuinte que apresentasse elementos comprobatórios dos recursos transferidos ao exterior na operação em que o contribuinte consta como beneficiário referente a conta nº /9003502799 indicada à fl. 146. Em resposta ao Termo de Intimação (fls. 158/166), o contribuinte esclareceu que é titular de duas contas no exterior, no DELTA BANK e no BANK OF AMERICA e que referidas contas foram informadas na Declaração de Imposto de Renda, além de terem sido objeto de Declarações de Capitais Estrangeiros no Exterior CBE. Informou que as contas correntes originaramse da transferência de todos os ativos da conta no NATIONS BANK, adquirida pelo BANK OF AMERICA, e que a conta corrente junto ao Nations Bank tem outros dois titulares, quais sejam: IVOTI MARCHETTI MELLO, esposa do contribuinte, CPF/MF 153.603.02879; e NORIOVAL MELLO JUNIOR, filho do contribuinte, CPF/MF 284.491.81828; e que os cotitulares declararam suas partes nas respectivas Declarações de Ajuste Anual (fls. 176, 200, 216). O lançamento tributário foi realizado a partir da análise da Evolução Patrimonial Mensal do Exercício de 2000, anocalendário 1999, cujos dados foram obtidos a partir da DAA e de informações constantes na base de dados da Secretaria da Receita Federal (fls. 238 e seguintes). Afirma o contribuinte que não contesta o valor demonstrado na remessa, mas sim a não consideração dos valores constantes nas Declarações de Imposto de Renda da sua esposa e filho que estão na base de dados da Receita Federal, onde fica evidente que os recursos foram transferidos durante o ano calendário de 1999 em conjunto os meus recursos para a conta do Nations Bank. Assevera que na declaração da Sra. IVOTI MARCHETTI MELLO do ano calendário de 1999, Exercício 2000, foi declarado no quadro DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS o saldo de USD$ 64.489.44 no NATIONS BANK C/C 900.350.2799, sendo que no exercício anterior este saldo era de ZERO, o que demonstra que este valores foram transferidos durante o ano calendário de 1999. Na declaração do seu filho, NORIOVAL MELLO do ano calendário de 1999, Exercício 2000, afirma que foi declarado no quadro de DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS o saldo de USD$ 16.334,87 no NATIONS BANK C/C 900.350.2799, sendo que no exercício anterior este saldo era de ZERO, demonstrando que estes valores foram transferidos durante o ano calendário de 1999. Afirma que os valores dos saldos iniciais de 31/12/1998 encontramse nas Declarações de Imposto de Renda e que o seu saldo inicial foi convertido pelas Cotações de Fechamento Ptax do DOLARDOSEUA do dia 31/12/1998, coluna do Flutuante /Venda. Na decisão de piso, a DRJ entendeu que, ao se adentrar em novo ano calendário, um novo período de apuração se inicia, competindo ao contribuinte a demonstração da disponibilidade financeira no último dia do ano anterior. Fl. 403DF CARF MF 8 Com relação à exclusão das remessas destinadas aos demais titulares da mesma conta bancária, o entendimento da decisão de piso foi de que, se os depósitos bancários foram feitos em conta conjunta, caberia ao contribuinte comprovar a sua múltipla titularidade. Importante nesse ponto destacar os documentos apresentados pelo contribuinte, a partir dos quais foi realizada a análise no presente julgado. Conforme se verifica no item 21 da Declaração de Rendimentos do ano base de 1998 (fl. 190), no campo Declaração de Bens e Direitos Situação em 31 de dezembro, a conta NATIONS BANK nº 900 350 2799 tinha em 1997 o valor de R$ 103.115,32, e em 1998 o importe de R$ 253.115,32. Já a situação na DIPJ de 2000 é saldo inicial de R$ 303.115,32 (em 1998) e saldo final de R$ 643.584,38 (em 1999). Conforme informação do contribuinte o saldo inicial foi convertido pelas Cotações de Fechamento Ptax do DOLARDOSEUA do dia 31/12/1998, coluna do Flutuante /Venda. Na Declaração de Ajuste Anual da Sra. Ivoti Mello (fl. 200), consta a Situação em 31 de dezembro da conta NATIONS BANK nº 900 350 2799, sendo que no ano de 1998 havia 0,00 e no ano de 1999 havia R$ 115.320,00. No documento de fl. 384 consta a Declaração do Bank of America, relativa à conta de Norioval Mello e Ivoti Mello. Na tradução juramentada da Declaração adunada à fl. 93 do Processo Administrativo nº 19515.002.711.2005/60 relativo a outro período de apuração, indica a existência da conta conjunta desde 1985, nos seguintes termos: Nossos registros indicam a existência das supracitadas contas junto a nosso Banco desde maio de 1985, com saldos totalizando, na média, cifras com pouco mais que seis algarismos. A referida conta consta da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte e da sua esposa (fls. 176, 200, 216) e foi realizada Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (fls. 218, 220 e seguintes). Importante ainda destacar que no Termo de Verificação Fiscal lavrado nos autos do Processo nº 19515.002.711.2005/60 (fls. 116/117 daqueles autos), o Auditor Fiscal claramente esclarece a cotitularidade da conta no National Bank da seguinte forma: “Esclarecemos inicialmente que tendo em vista, que o contribuinte em questão, possui conta conjunta com sua esposa no Nations Bank sob n° 900 350 2799 conforme comprovado através dos documentos de fls. 88 ,91 e 92 consideramos nesta análise todos os recursos e aplicações quer do contribuinte (declaração de Ajuste de fls. 52 a 56) quer de sua esposa Sra. Ivoti Marchetti Mello (Declaração de Ajuste de fls. 95 e 96) , embora as Declarações de Ajuste deste exercício de 2001 tenham sido entregues separadamente, pois na realidade tratase de uma sociedade conjugal.” Diante do conjunto probatório adunado aos autos, entendo que restou plenamente comprovada que a conta NATIONS BANK nº 900 350 2799 é conjunta em cotitularidade do contribuinte e de sua esposa, razão pela qual, na análise da Evolução Patrimonial Mensal do Exercício de 2000, anocalendário 1999, dá pra se inferir que houve remessa ao exterior pela sua esposa. Assim, deve ser atribuído ao Recorrente apenas o valor das remessas ao exterior constantes na sua declaração (fl. 242). Dito de outra forma, deve ser excluído do valor da remessa atribuída ao Recorrente, o saldo existente na conta declarado pela Sra. Ivoti. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19515.002990/200481 Acórdão n.º 2401006.171 S2C4T1 Fl. 6 9 Com relação ao saldo inicial, entendo que os saldos credores de contas correntes, inclusive as mantidas no exterior, devem ser consideradas com a transferência do valor do saldo na data de 31/12 do ano anterior. Assim, deve ser considerada a origem do saldo inicial da conta no Nations Bank pelo valor constante em 31 de dezembro de 1998 nas Declarações de Rendimentos do Sr. Norioval Mello e da Sra. Ivoti Marchetti Mello, no importe de R$ 253.115,32, devendo ser este o valor atribuído como origem. Na tabela colacionada pelo Fiscal à fl. 338 indica os valores enviados ao exterior, a partir da data de transferência em 23/02/1999. O valor remetido pela Sra. Ivotti foi de U$ 64.489,44. Assim, como apenas a partir de 16/03/99 comporta o valor remetido pela esposa do contribuinte, considerase esta a data da remessa. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que no cálculo do acréscimo patrimonial seja excluído das aplicações de recurso no mês de março de 1999 o valor da remessa ao exterior em nome da esposa no valor de R$ 119.389,30 (U$ 64.489,44), devendo ser atribuído como origem o saldo inicial no importe de R$ 253.115,32. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess A fiscalização procedeu à análise da evolução patrimonial do contribuinte, relativamente ao anocalendário de 1999, exercício 2000, apurada mensalmente a partir da comparação entre recursos (entradas) e aplicações (saídas). No apelo recursal, o autuado contesta, em meu ponto vista, tão somente o excesso nas aplicações de recursos, levandose em consideração que o agente lançador considerou integralmente o montante de US$ 434.00,00 a título de remessas ao exterior em nome do sujeito passivo, ignorando, dessa maneira, a cotitularidade da conta bancária no Nations Bank (fls. 376/380). Fl. 405DF CARF MF 10 O recurso voluntário não trata de questionar o saldo inicial da conta bancária no exterior, a qual expressa, na planilha mensal de fluxo de caixa, entrada de recursos financeiros do declarante (fls. 246). Sendo assim, entendo que não caberia adicionar como origem o saldo inicial no importe de R$ 253.115,32, uma vez que a decisão ultrapassa o que foi pedido, configurandose "ultra petita". (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.900310/2008-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,r esolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo (relativo ao período de apuração 30/11/2003), com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal) e que seja emitido Relatório Fiscal consubstanciado dos fatos averiguados e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nestes autos.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,r esolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo (relativo ao período de apuração 30/11/2003), com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal) e que seja emitido Relatório Fiscal consubstanciado dos fatos averiguados e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que sejam realizadas as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nestes autos. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão de nº 0734.364, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .9 00 31 0/ 20 08 -8 8 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 3 2 Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no relatório do acórdão de piso, até então, passo a transcrevêlo abaixo: Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório de fls. 04, por meio do qual a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório de R$ 5.232,16 e não homologou a compensação efetuada pela pessoa jurídica em epígrafe, sob o fundamento de que o crédito foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte. É de se registrar que o pagamento indicado pela contribuinte como indevido ou a maior referese ao Darf relativo ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal), recolhido em 31/12/2003, no valor de R$ 9.275,49. No referido despacho decisório, consta o seguinte: A contribuinte, às fls. 02/03, apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que: • O crédito da Jelta na quantia de R$ 7.716,17 decorre do ajuste final no ano de 2003 no encerramento do exercício. Vale dizer, o que se pagou de janeiro a novembro foi superior ao que seria devido na apuração do resultado final. Para a comprovação do alegado juntou os seguintes documentos: • a) página 980 do livro Diário (01.12.2003 até 31.12.2003) onde estão os lançamentos referentes à Provisão e ao ajuste. • b) página do livro Razão Analítico referente ao lançamento do IRPJ Antecipado (01.01.2003 a 31.12.2003) onde, ao final, se apurou o saldo a maior de R$ 7.716,17 valor este registrado no Ativo da empresa a titulo de CSSL A COMPENSAR. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 4 3 • c) folha do livro Diário pág. 180 (01.03.2004 a 08.03.2004) onde se registra o lançamento do valor compensado R$ 5.232,16 com o valor constante do Ativo da empresa CSSL 2003 A COMPENSAR. • d) folha do Razão Analítico referente à conta CSSL ANTECIPADO 2003 (01.01.2004 a 31.12.2004), onde estão registrados o valor transportado de 31.12.2003 para 01.01.2004 (R$ 7.716,17) e o valor compensado na quantia de R$ 5.232,16, com indicativo do saldo de R$ 2.484,01. • e) conjunto de folhas (no total de 6) em que se registra todo o processo de compensação (PER/DCOMP n° 20019.60370.080304.1.3.043896); • f) cópia do Balanço encerrado em 31.12.2003, em que se verificam a conta do ativo CSSL 2003 A COMPENSAR R$ 7.716,17, e Demonstração do Resultado do mesmo ano. Espera ter exposto, com detalhe, a origem da CSSL 2003 A COMPENSAR que permitiu à compensação questionada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina, para finalmente, concluirse pela improcedência do Despacho Decisório do Senhor Delegado, o que aqui se requer. Por sua vez, a 3ª Turma da DRJ/FNS, ao analisar os autos, decidiu pro indeferir a manifestação de inconformidade formulada e manter o Despacho Decisório sob o seguinte argumento: "...o ato administrativo que denegou a homologação do PER/DCOMP não padece de nenhum vício substancial que implique sua anulação, uma vez que suas conclusões são consistentes com as informações franqueadas pela própria interessada. Destarte, o tipo de erro de informação cometido pela contribuinte – e constatado somente após a emissão do Despacho Decisório – inviabiliza o uso do mesmo PER/DCOMP para a regularização do débito cuja homologação tenha sido regularmente denegada. Isso porque a informação referente ao “Tipo de Crédito” contida no PER/DCOMP é parâmetro basilar das verificações procedidas pela administração tributária com objetivo de estabelecer a certeza e liquidez do direito creditório que sustenta o pedido de compensação. Diferente de um dado informativo relacionado ao conteúdo do direito creditório– como são as informações no documento de arrecadação do pagamento indevido –, o “Tipo de Crédito” define toda abordagem que deve ser empregada para a verificação da existência e disponibilidade do direito creditório. Ademais, consoante disposto no art. 233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Receita Federal do Brasil), abaixo colacionado, não compete a essa instância de julgamento conhecer e julgar pedidos de restituição ou declaração de compensação, mas tão somente se pronunciar sobre a manifestação de inconformidade impetrada contra decisões proferidas pela competente Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 5 4 autoridade fiscal, isto é, só é cabível a manifestação da autoridade julgadora a partir da instauração do litígio.(...) Cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, em síntese, destacou a infrigência aos princípios constitucionais da segurança jurídica, ampla defesa e contraditório. No mérito, alegou têm faz jus ao valor informado na declaração de compensação, contudo, somente equivocouse quanto à nomenclatura do crédito ao preencher o PERDCOMP. Ainda, de acordo com a Recorrente, na verdade, o crédito utilizado na compensação seria decorrente de saldo negativo da CSLL e não do recolhimento a maior de estimativas. Por fim, requereu a reforma do acórdão de piso. É o relatório. VOTO Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, tratase de pedido de compensação não homologado, assim, inicialmente, vale ressaltar que sujeito passivo ao apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, tem a possibilidade de utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 6 5 Destarte, instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Desta forma, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Nestes casos, a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Assim, somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material1 e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). 1 Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 7 6 Pois bem, no presente caso, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório de R$ 5.232,16, informado no PER/DCOMP 20019.60370.080304.1.3.043896, correspondente ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (Estimativa CSLL), recolhido em 31/12/2003, no valor de R$ 9.275,49. Já a Recorrente argumentou cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, período de apuração 30/11/2003 e código da receita 2484, quando deveria ter indicado como crédito o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário de 2003. Ocorre que ao contrário do afirmado pela Recorrente, o recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 2484, ou seja, é de antecipação mensal por estimativa, tal como consta no Despacho Decisório e no acórdão de piso. Assim, o crédito pleiteado é, em verdade, decorrente de pagamento de CSLL Estimativa Mensal e de não saldo negativo do período de apuração 30/11/2003.Portanto, o cerne da questão é a possibilidade legal de a Recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. E, conforme disposto na Súmula Carf nº 84, é plenamente possível o reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada. Em outras palavras, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Sendo assim, conforme está atualmente pacificado no CARF2, a suposta impossibilidade de reconhecimento do direito creditório está afastada pela mencionada Súmula CARF 84, que se aplica para os casos não definitivamente julgados. Afinal, o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado em montante superior ao legalmente exigido à extinção da obrigação é considerado pagamento maior que o devido. Todavia, em momento algum houve a cotejo entre os valores apresentados pela Recorrente como recolhidos a maior a título de estimativa e a efetiva quantificação do direito creditório em questão. Inexiste, pois, reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. 2 Os paradigmas desta súmula são: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006 . Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10384.900310/200888 Resolução nº 1003000.069 S1C0T3 Fl. 8 7 Ante o exposto, tendo em vista o início de prova produzida no processo, e com fundamento no ART. 18 do Decreto n 70.225 de 06 de março de 1972, VOTO CONVERTER O JULGAMENTO DO RECURSO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo (relativo ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal) e que seja emitido Relatório Fiscal consubstanciado dos fatos averiguados e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que seja realizada as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nestes autos. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002571/2005-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Diante da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, resta afasta a necessidade de nexo causal a acréscimos patrimoniais ou sinais exteriores de riqueza. Para elidir a presunção legal é necessário que a contribuinte comprove que os depósitos têm origem em fatos que não constituem receitas ou, se receitas, já tenham sido oferecidos à tributação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. PRINCÍPIOS.
Não tendo o contribuinte comprovado a origem dos depósitos, a presunção da ocorrência do fato gerador é cabível e inexiste ofensa aos princípios da capacidade contributiva ou da presunção de inocência. Sendo a presunção legal, não há que se falar em conflito com os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2401-006.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente TANIA MARIA BRANDÃO BRITTS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Diante da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, resta afasta a necessidade de nexo causal a acréscimos patrimoniais ou sinais exteriores de riqueza. Para elidir a presunção legal é necessário que a contribuinte comprove que os depósitos têm origem em fatos que não constituem receitas ou, se receitas, já tenham sido oferecidos à tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. PRINCÍPIOS. Não tendo o contribuinte comprovado a origem dos depósitos, a presunção da ocorrência do fato gerador é cabível e inexiste ofensa aos princípios da capacidade contributiva ou da presunção de inocência. Sendo a presunção legal, não há que se falar em conflito com os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 71 /2 00 5- 20 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 257 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 224/233) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração (fls. 193/199), anocalendário 2001, no valor total de R 269.180.98, a incluir multa de ofício e juros, em razão de omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 188/192), em síntese, extraise: a) Os elementos apresentados pela fiscalizada no curso deste procedimento fiscal copias de recibos de serviços prestados por autônomo, cópia de contrato particular e declarações, não fazem prova de que os valores recebidos da "Twin Hair Locação e Comércio Ltda.", CNPJ n° 02.270.548/000187, pela não coincidência de valores e datas, teriam transitado pelas examinadas contas de depósito. A circunstancia ausência de demonstração, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados , permitenos presumir, nos termos do caput do já citado artigo 42 da Lei n° 9.430/96» que todos os créditos são omissão de rendimentos, expurgados os decorrentes de transferências entre contas tituladas pela fiscalizada (§3°, I, do art. 42), de estornos de lançamento, de resgates de aplicações financeiras, de empréstimos bancários e de cheques depositados e posteriormente devolvidos e, bem como, os créditos . cuja origem consideramos comprovados. Ademais, em face da declaração prestada pelo outro cotitular das examinadas contas, apresentada, em 07/04/2005, pela própria fiscalizada e não contestada, deixamos, para efeitos de quantificação da omissão, de aplicar a proporcionalidade prevista no §6° do artigo 42. b) Os valores recebidos por serviços prestados como autônomo, conforme cópias de recibos apresentados, e que não foram oferecidos à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual do Ex. 2002, serão tributados como rendimentos provenientes de trabalho sem vinculo empregatício. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 210/220) e documento (fls 221), considerada tempestiva, em síntese, alegando que: a) não é legítima a tributação arbitrada com base em depósitos bancários realizados nas contas bancárias da requerente, de conformidade com a doutrina e a jurisprudência dos Tribunais e do Primeiro Conselho de Contribuintes; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 258 3 b) de qualquer forma, não é possível a acumulação como fez a fiscalização, no cômputo da base tributária, de rendimentos do trabalho autônomo e a totalidade dos depósitos bancários, tendo em vista que a remuneração identificada estava incluída nos depósitos bancários; c) não obstante haja impedimento legal para arbitramento de imposto de renda sobre depósitos bancários, o Termo de Verificação, para composição do valor tributável, deixou de excluir créditos de uma única origem, que circularam de uma conta para outra e vice versa, constituindo um único recurso, que não poderia ser tributado repetidamente. d) não ocorreu acréscimo patrimonial, nem foram constatados sinais exteriores de riqueza, que pudessem justificar a tributação sobre montantes tão elevados, e que não podem presumirse como rendimentos omitidos. Do voto condutor do Acórdão recorrido (fls. 224/233)., extraise Cerceamento de defesa. (...) após a apresentação da planilha de fls. 81/86, a autoridade fiscal, de porte desta, dos demais documentos apresentados pela contribuinte e também daqueles requisitados às instituições financeiras, examinou detalhadamente a movimentação bancária e solicitou esclarecimentos de depósitos específicos, conforme se depreende dos Termos de Intimação de 07/04/2005 (fls. 131/137) e de 08/09/2005 (fls. 176/178) e das planilhas em anexo aos aludidos termos. Ademais, o resumo de rendimentos provenientes de depósitos bancários apresentado no corpo do já mencionado Termo de Verificação Fiscal (fls. 188) demonstra claramente, mês a mês, os valores considerados como sendo de uma única origem. Portanto, não assiste razão à contribuinte. Fato Gerador. Demonstração. Ônus da prova. Depósitos Bancários. A contribuinte alega ainda que teria entregue 50 % das receitas auferidas com a Twin Air Locação e Comércio Ltda. para a proprietária da empresa. Todavia, não traz prova de suas alegações. Com efeito, não há qualquer indício de prova de que esta alegação seja verídica. Nada há prova na documentação acostada aos autos pela autoridade fiscal, nas declarações tecidas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 186/189 (que descreve todo o procedimento fiscal) e nem na defesa da própria contribuinte. E sabese que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Assevera ainda a contribuinte que referidos valores estariam já inclusos no montante apurado de depósitos bancários, razão pela qual teria sido tributado duas vezes. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 186/189 consta o exaustivo trabalho de esclarecimento da movimentação bancária da contribuinte, tendo consignando a autoridade fiscal, inclusive, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 259 4 que os documentos apresentados não fazem prova de que os valores recebidos da "Twin Hair Locação e Comércio Ltda." (CNPJ n° 02.270.548/000187), teriam transitado pelas examinadas contas de depósito, pois não há coincidência de valores e datas. A contribuinte deveria ter relacionado cada recebimento (quinzenal) com os depósitos em suas aplicações financeiras e, não o fazendo, não pode pretender que se aceite terem tais valores transitado pelas suas contas, eis que tratase de ônus seu. Não se desincumbindo do seu ônus, presumese serem distintos os rendimentos, conforme artigo 42 da Lei n.º 9.430 de 1996. Tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra a contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos. (...) A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n.º 9.430 de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pela contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a “comprovação” feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. (...) Portanto, considerando ainda que com a impugnação apresentada a contribuinte também não logrou êxito em comprovar com documentação idônea a origem dos recursos detectados em suas contas, é de se manter o lançamento na forma como realizado. Intimado em 13/10/2008 (fls. 236), o recorrente apresentou em 07/11/2008 (fls. 241) recurso voluntário (fls. 241/253), em síntese, alegando: a) Presunção. A presunção é inadmissível, uma vez que o tributo incide sobre a renda e não sobre os depósitos. A movimentação bancária não é objeto de incidência de imposto de renda, conforme doutrina e jurisprudência (Decreto Lei n° 2.471, de 1988; e Súmula TFR n° 182). Não há lei conceituando depósito bancário como renda. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, estabelece inaceitável e odiosa presunção, sendo frontalmente contrário à Constituição e ao art. 43 do CTN. A presunção que a lei legitima é a que decorre de acréscimos patrimoniais ou sinais exteriores de riqueza, inexistentes no caos concreto. b) Cerceamento. Não foi esclarecido quais depósitos foram considerados nos extratos e quais não foram para possibilitar se questionar o critério adotado. O fato de não estarem especificados os depósitos tidos como omissão de rendimentos cerceia a defesa. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 260 5 e) Origens. Para comprovar a origem da movimentação financeira, revelou a relação de trabalho com a Twin Air Locação e Comércio Ltda, proprietária do salão onde trabalhava e que, com a expectativa de se tornar sócia, assentiu em administrar o salão e entregar à proprietária 50% das receitas. Logo, movimentou em suas contas boa parte das operações do salão. Portanto, os documentos apresentados demonstram que apenas parte dos recebimentos lhe cabem, tendo a fiscalização destacado que R$ 63.280,36 representaria rendimento do trabalho sem vínculo. A fiscalização se baseou nas anotações da própria recorrente (fls., 57/79). Logo, deve ser reconhecido que o restante das receitas não ficou para a recorrente. Os documentos também evidenciam que a movimentação se origina no salão, em especial as anotações de fls. 57. Não havia outra fonte de recursos. Os apontamentos de fls. 57/79 são resumos de movimentações por quinzenas, não sendo necessária exata correspondência com os depósitos e saques, feitos de acordo com o movimento do salão. A remuneração de R$ 63.280,36 foi adicionada à omissão apurada via depósitos, mas não há lógica em considerálos separadamente. Expurgados os depósitos ou créditos de uma única origem, conforme planilhas de fls. 81/86, o montante total dos créditos corresponde a R$ 319.153,48, mas a fiscalização não considerou a mesma origem tendo somado com a omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, a importar R$ 352.518,69. f) Princípios. A recorrente é modesta cabeleireira, logo o lançamento ofende ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Tendo a contribuinte comprovado as origens dos ingressos, resta violado o princípio da presunção de inocência, cabendo ao Estado comprovar sua culpabilidade. Além disso, a alegação contida no acórdão recorrido de a autoridade fiscal ter "o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anual (...)" conflita com os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade. c) Provas. Não cabe à autoridade fiscal selecionar o tipo de prova que caberia ao contribuinte apresentar, sendo admissíveis todos os meios possíveis, sendo ônus do Fisco comprovar a culpabilidade, sob pena de ferir os direitos constitucionais da contribuinte. d) Pede o provimento para a reforma do acórdão nos moldes dos pedidos já veiculados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 261 6 Presunção. A jurisprudência invocada não é vinculante e está superada pela alteração da legislação. Os depósitos bancários sem origem comprovada não foram considerados como renda, ou seja, não foram considerados como fato gerador do imposto sobre a renda, que se constitui na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou provento de qualquer natureza (CTN, art. 43), mas sim considerados como indícios fixados por lei como aptos a gerar presunção de ocorrência do fato gerador. Não há que se cogitar, portanto, de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Assim, diante da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, resta afasta a necessidade de nexo causal a acréscimos patrimoniais ou sinais exteriores de riqueza. Para elidir a presunção legal é necessário que a contribuinte comprove que os depósitos têm origem em fatos que não constituem receitas ou, se receitas, já tenham sido oferecidos à tributação. Cerceamento. Nos Termo de Intimação Fiscal (fls 133/140 e 179/181), a fiscalização individualizou os depósitos, tendo feito expressa referência a tais individualizações no Termo de Verificação Fiscal, bem como a ter excluído da base de cálculo apurada as transações entre contas. A comparação dos totais veiculados por mês e conta nos Termos de Intimação Fiscal com a tabela de totalização presente Termo de Verificação Fiscal revela: comp BB Conta (fls. 133/140) Sudameris (fls. 133/140) BB Poupança (fls. 179/181) Total BC Lançamento (fls. 191) Diferença jan/01 13.060,25 14.880,50 0,00 27.940,75 26.940,75 1.000,00 fev/01 34.516,33 9.305,00 0,00 43.821,33 42.821,33 1.000,00 mar/01 31.748,00 471,00 0,00 32.219,00 32.219,00 0,00 abr/01 29.484,50 820,00 0,00 30.304,50 30.304,50 0,00 mai/01 16.491,06 0,00 11.307,00 27.798,06 27.798,06 0,00 jun/01 19.646,20 0,00 10.559,00 30.205,20 30.205,20 0,00 jul/01 24.412,00 0,00 3.575,00 27.987,00 27.987,00 0,00 ago/01 13.549,00 0,00 5.620,40 19.169,40 19.169,40 0,00 set/01 23.002,98 0,00 0,00 23.002,98 23.002,98 0,00 out/01 35.000,60 0,00 0,00 35.000,60 35.000,60 0,00 nov/01 29.985,47 0,00 0,00 29.985,47 29.985,47 0,00 dez/01 24.670,00 0,00 2.478,00 27.148,00 27.148,00 0,00 BB Conta = BankBoston Ag. Moema Conta 94.5152.06 Sudameris = Banco Sudameris do Brasil Ag. J Floriano Conta 3660136342001 BB Poupança = BankBoston Ag. Moema Conta Poupança 94.05153.3 BC Lançamento = Base de Cálculo constante da tabela de fls. 191 e do Auto de Infração (fls. 197) Ao se verificar os depósitos discriminados pela fiscalização para a Conta 94.5152.06 do BankBoston Ag. Moema no Termo de Intimação Fiscal de fls. 133/140, constatase a presença de dois depósitos em dinheiro no valor de R$ 1.000,00, sendo um em 12/01/2001 e o outro em 07/02/2001 (fls 134). Logo, evidente em face do critério explicitado no Termo de Verificação Fiscal que estes dois depósitos foram desconsiderados na apuração da base de cálculo do lançamento. Além disso, essa situação não é ignorada pela contribuinte, eis que foi apontada para a fiscalização em sua resposta (fls. 174) ao Termo de Intimação Fiscal, in verbis: c.) R$ 1.000,00 sacados em 12/01/2001 no Banco Sudameris que foram depositados no Banco de Boston; Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.002571/200520 Acórdão n.º 2401006.187 S2C4T1 Fl. 262 7 d) R$ 1.000,00 sacados em 07/02/2001 no Banco Sudameris foram depositados no Banco de Boston. Diante desse contexto, resta evidente a inexistência de cerceamento do direito de defesa. Origens. Não detecto nos autos prova acerca de que a movimentação havida nas contas da autuada seriam da Twin Air Locação e Comércio Ltda e nem de que teria repassado 50% da movimentação/receitas para a proprietária dessa empresa. Além disso, como bem apontado pela fiscalização e pela autoridade julgadora de primeira instância, a documentação revela ser temerário adotarse, no caso concreto, a presunção simples de os valores recebidos da Twin Hair Locação e Comércio Ltda terem transitado pelas contas bancárias da autuada. Logo, não vislumbro duplicidade ou desconsideração de uma mesma origem (planilhas, fls. 81/86), tendo a fiscalização excluído os valores decorrentes de transferências entre contas, estornos, resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários e cheques devolvidos. Princípios. Não tendo a contribuinte comprovado a origem dos depósitos, a presunção da ocorrência do fato gerador é cabível e inexiste ofensa aos princípios da capacidade contributiva ou da presunção de inocência. Sendo a presunção legal, não há que se falar em conflito com os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade. Provas. Todos os meios de prova são admitidos em direito. No caso concreto, contudo, a recorrente não apresentou provas para comprovar suas alegações, sendo irrelevante para o presente lançamento tributário se a autuada agiu ou não com culpa (CTN, art. 136). Isso posto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000332/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.974
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 03 32 /2 01 1- 19 Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 4 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.972, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000330/201111. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.972): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 6 5 glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 7 6 §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 8 7 Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 9 8 somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 12 11 Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 13 12 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 14 13 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 15 14 E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 16 15 No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 17 16 expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 18 17 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 19 18 Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 20 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 21 20 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas, especialmente aqueles mencionados no Despacho Decisório, itens 67 e 68. Por isso mesmo, entendo pela manutenção dessas glosas, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 12585.000332/201119 Acórdão n.º 3401005.974 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 3489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002482/2004-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE
PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito
presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos Intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à Relação entre a receita de exportação e a receita operacional
bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A Lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer Exclusão.
As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às requisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3101-000.773
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Valdete Aparecida Marinheiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos Intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à Relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A Lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer Exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às requisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres.
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002482/200433 Acórdão n.º 3101 000773 S3C1T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 85 a 86 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/07/2001 a 30/09/2001, no valor de R$ 33.029,27, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 08 e 09, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002482/200433 Acórdão n.º 3101 000773 S3C1T1 Fl. 3 3 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 11. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 16 a 30, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.468 de fls. 84 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002482/200433 Acórdão n.º 3101 000773 S3C1T1 Fl. 4 4 Solicitação Indeferida “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.94 a 109) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, com escopo de que seja declarado o direito integral pleiteado, relativo ao crédito presumido do IPI; b) acrescido da respectiva correção monetária e, por conseguinte, homologada a compensação tributária levada a cabo pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002482/200433 Acórdão n.º 3101 000773 S3C1T1 Fl. 5 5 Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002482/200433 Acórdão n.º 3101 000773 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10510.721765/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo eventual recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-005.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo eventual recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo eventual recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 15 36.049, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, fl. 136 a 144, que assim relatou a lide administrativa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 17 65 /2 01 2- 22 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 167 2 O Procedimento Fiscal em tela decorre do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0520100.2011.00716, foi iniciado em 19/01/2012 e dele o contribuinte teve ciência, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, encaminhado via postal (fl. 43). O Auto de Infração 37.301.7901, oriundo do mencionado procedimento fiscal, foi lavrado contra o Município de Maruim Sergipe Prefeitura Municipal e se refere a multa isolada, por ter a Prefeitura informado em GFIP valores relativos a compensações de contribuições previdenciárias para as quais não foram apresentados documentos que comprovassem a existências dos créditos. Através de consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a Fiscalização constatou que a Prefeitura Municipal de Maruim efetuou compensação mediante declaração constante de GFIP. Consta que o contribuinte foi intimado, através do citado TIPF, a apresentar esclarecimentos e respectiva documentação, atinente à compensação, notadamente: comprovantes de recolhimento; esclarecimentos por escrito sobre a natureza das compensações efetuadas; GFIP; guias de recolhimento que originaram os créditos compensados e memória de cálculo de compensações efetuadas. Quanto às compensações referentes às competências até 12/2008, manifestouse a Prefeitura de Maruim, através do Ofício 11/2012, datado de 28 de fevereiro de 2012, declarando que em relação as competências 01/1997 a 12/2008, as informações foram prestadas por administrações anteriores e que não foram localizadas as respectivas GFIP, nem nenhum tipo de memória de cálculo ou justificativas para as compensações realizadas. A Prefeitura faz menção ainda a ofício 006/2010, datado de 09/03/2010, e encaminhado à RFB, em resposta a Diligência 0520100.2010.00090, no âmbito de verificação da regularidade do procedimento de compensação, quando informa também que não foram localizadas as GFIP transmitidas no ano de 2008, nem nenhum tipo de memória de cálculo ou justificativas para as compensações realizadas. Mediante consulta no sítio da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Sergipe, bem como do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, obtevese a informação da existência do Processo 2008.85.00.0002656 – 1ª Vara, em que o Município de Maruim pleiteou a concessão de medida liminar visando o direito de efetivar compensação sem limitação de 30%, relativa à contribuição previdenciária patronal paga sobre a remuneração do prefeito, viceprefeito e vereadores até setembro de 2004. Tendo em vista a completa ausência de informações da Prefeitura Municipal, e admitindo a possibilidade de que este processo tenha servido de base para as compensações Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 168 3 efetivadas, procedeu a Fiscalização à análise do mesmo e observouse o que segue. A decisão de 1ª instância, prolatada pela Juíza Federal Telma Maria Santos em 03 de abril de 2008 autorizou o sujeito passivo a não observar o limite de 30% (trinta por cento) do valor devido à Previdência Social, na compensação de valores pagos a título de contribuição previdenciária, sobre a remuneração dos agentes políticos. Esta decisão de 1ª instância foi objeto de recurso e até o presente momento não transitou em julgado. Não poderia o contribuinte, mesmo que o objeto da discussão judicial fosse o reconhecimento do direito creditório em si – o que não é o caso efetivar a compensação com base na mesma, antes do respectivo trânsito em julgado da decisão. Tendo em vista os fatos relatados, a Fiscalização procedeu, à glosa dos valores compensados indevidamente para as competências 02/2008 a 06/2008 e 08/2008. Multa Isolada A edição da MP 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/09, de 27 de maio de 2009, trouxe nova redação ao artigo 89 da Lei nº 8.212/91, com a inclusão dos §§ 9º e 10, conforme a seguir: § 10 Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. No auto de infração em tela, procedeuse à aplicação de multa isolada, em virtude do não fornecimento de qualquer esclarecimento e respectiva documentação de suporte por parte do sujeito passivo, visando a comprovação de seu direito a compensar. Sequer foi apresentada qualquer justificativa que indicasse as razões da declaração mediante GFIP de valores de compensação, ensejando, pela absoluta falta de esclarecimentos e de razões plausíveis para a compensação, a caracterização da falsidade à qual se refere o artigo 89 da Lei nº 8.212/91, em seu § 10. Assim, em conformidade com o §10, acima reproduzido, em caso de falsidade cabe a lavratura de multa isolada, calculada à razão de 150% do valor indevidamente compensado. Observese que a multa isolada de 150% é aplicável apenas em relação a GFIP entregue a partir de 04/12/2008, independente da competência a que se refira, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da entrega da GFIP. Assim sendo, a competência da multa isolada corresponde ao mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que ocorreu a falsa declaração. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 169 4 Este critério aplicouse às competências 02/2008 a 05/2008 e 08/2008, cujas GFIP foram enviadas em 31/12/2008, data posterior à edição da MP 449, ocorrida em 03/12/2008. Autos de Infração Conexos Encontramse listados abaixo os processos referentes a contribuições previdenciárias lavrados no âmbito deste mesmo Procedimento Fiscal, com a indicação dos respectivos Autos de Infração: Processo n.º 10510.721.766/201277 (Autos de Infração 37.301.7871; 37.301.7910; 37.301.7928 – parcelado; Processo n.º 10510.721.767/201211 (Auto de Infração 51.008.7043) – parcelado; Processo n.º 10510.724178/201376 (Auto de Infração 37.301.7898 ) parcelado. Da Impugnação A ciência da autuação se deu em 21/05/2012 (fl. 71) e a impugnação foi interposta em 19/06/2012 (fl. 79). Entretanto, consta dos autos (fl. 102/104), adesão do sujeito passivo ao parcelamento da totalidade de débitos passíveis de inclusão no parcelamento de que trata os arts. 1º a 9º da Lei n.º 12.810/13, com desistência irrevogável e irretratável de todas as modalidades de parcelamentos, que contemplem tais débitos. Diante do exposto, foi realizada a lavratura do processo 10510.724178/201376, com a vinculação do débito 37.301.789 8, desmembrado do processo original 10510.721765/201222, por ser passível de inclusão no citado parcelamento especial, ao contrário do débito 37.301.7901, objeto deste julgamento, em que isso não foi possível. Em despacho de encaminhamento da DRF/Aracaju, há devolução para esta DRJ do presente processo administrativo para continuidade do julgamento da impugnação referente ao DEBCAD 37.301.7901,(fl. 134), tendo em vista que este débito remanescente não está abrangido pela Lei n.º 12.810/13, que rege o Parcelamento Especial. É que, conforme orientação da RFB, relativa ao Parcelamento Especial da MP 589/2012 e da Lei 12.810/2013, não é possível a inclusão dos débitos decorrentes de multa isolada por compensação indevida, situação em que se enquadra o DEBCAD 37.301.7901. A defesa apresentada articula, em síntese, os seguintes argumentos e formula os pedidos: recebimento da impugnação por ser tempestiva; requerimento de juntada do relatório Demonstrativo de Composição de Base de Cálculo DCBC integrante do Sistema CNIS, da Prefeitura e da Câmara de Vereadores (de 01/1999 a 09/2004) e dos relatórios CCREDEXT e CCRED oriundos do Sistema Plenus; Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 170 5 requerimento de realização de prova pericial nos documentos anteriores para demonstrar a efetiva declaração da remuneração paga aos exercentes de mandato eletivo, que os créditos objeto de compensação foram efetivamente recolhidos ou parcelados e para comprovação da insubsistência do lançamento; o Município seria credor do Fisco Previdenciário em razão da edição da Súmula Vinculante nº 08, que tornou indevidas as contribuições lançadas após cinco anos do fato gerador; as contribuições compensadas pelo Município não teriam sido alcançadas pela decadência pois o prazo para realização da compensação de contribuições previdenciárias lançadas por homologação antes da Lei Complementar 118/2005, deve obedecer a sistemática da legislação anterior, sem aplicação retroativa; requerimento para que a RFB se abstenha de emitir Representação Fiscal para Fins Penais, já que inexistente o dolo necessário para a configuração do delito; pedido para que o presente auto seja considerado insubsistente, já que supostamente a glosa da compensação seria indevida, assim também o seria a aplicação da multa. pedido para a desconstituição da multa aplicada, já que ela teria sido aplicada com base em dispositivo que ainda não se encontrava vigente, na data em que se deu a realização do processo de compensação e, por isso, não pode ser aplicada contra o município de Maruim. pedido para que o auto seja considerado nulo, após juntada dos documentos antes mencionados, e concluída a perícia; declaração de que as contribuições objeto da compensação realizada pelo município de Maruim não foram atingidas pela decadência; requer ainda o direito de provar o alegado através de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos e de novas perícias que venham a ser necessárias no futuro. Feito o breve relato, passase ao voto. Debruçada sobre as razões expressas na Impugnação, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgoua improcedente, nos termos da Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 171 6 O Auto de Infração não é considerado nulo quando lavrado por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 e do artigo 142 do CTN. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONEXO. PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O pedido de parcelamento põe fim ao litígio nos exatos limites dos valores parcelados e implica renúncia ao contencioso administrativo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada qualificada. PERÍCIAS. INDEFERIMENTO. Desnecessária a diligência ou perícia quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. A emissão da representação é ato vinculado do Auditor Fiscal ao constatar que as irregularidades encontradas caracterizam, em tese, crime ou contravenção penal, sobre as quais não efetua nenhum juízo de valor acerca da culpabilidade do autor, atribuição esta do representante do Ministério Público. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 13 de agosto de 2014, conforme AR de fl. 148, o contribuinte, ainda inconformado, em 18 de setembro de 2014, apresentou o Recurso Voluntário (identificado como Recurso Especial) de fl. 150 a 155, no qual, elenca as razões de seu descontentamento. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Como se viu no Relatório supra, o contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ em 13 de agosto de 2014. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10510.721765/201222 Acórdão n.º 2201005.111 S2C2T1 Fl. 172 7 Assim prevê os art. 33 do Decreto nº 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considerando as regras de contagem de prazos no Processo Administrativo fiscal prescritas no art. 5º do mesmo Decreto 70.235/72, no caso ora sob análise, o prazo legal para interposição do recurso voluntário expirou em 12 de setembro de 2014, tendo o contribuinte apresentado seu recurso apenas no dia 18 do mesmo mês, portanto, intempestivamente. Ressaltese que, na peça produzida pela defesa não há qualquer questionamento preliminar relacionado à tempestividade. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade, o que atribui, às conclusões do Julgador de 1ª instância, caráter de definitividade no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13817.001169/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DISTINTO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com objeto distinto do processo administrativo, ainda que correlacionado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, sem que exista motivo para tanto.
Numero da decisão: 1302-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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AÇÃO COLETIVA Recorrente INSTITUTO DE IDIOMAS E COMERCIO DE MAT. DIDÁTICOS JOURNEY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DISTINTO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com objeto distinto do processo administrativo, ainda que correlacionado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, sem que exista motivo para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 11 69 /2 00 8- 90 Fl. 198DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 05 28.555, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 65 a 67), que não conheceu da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário." Para sintetizar a lide, passo a transcrever o relatório constante do Acórdão recorrido, complementandoo, ao final: "Tratase de Auto de Infração relativo à multa por atraso na entrega da DCTF correspondente ao 4º trimestre/2002, 1º a 4º trimestres/2003 e 2004, 1º e 2º semestres/2005 e 2006, crédito tributário total de R$ 6.500,00. Impugnando a exigência, argumenta a contribuinte, em síntese, que "possui "Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo SINDELIVRE ... e pedido de Reinclusão no mesmo sob n° 13817.000188/200394". Em face dessa alegação, foi o feito encaminhado à DRF de origem para sua manifestação e relatório conclusivo quanto ao pedido formalizado no processo n° 13817.000188/200394. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13817.001169/200890 Acórdão n.º 1302003.518 S1C3T2 Fl. 199 3 Procedidas as necessárias pesquisas, manifestase a autoridade preparadora fl. 63 no seguinte sentido: ... no processo 138179991881200394 o interessado requer sua reinclusãio no SIMPLES, tendo por base decisão de mérito no mandado de segurança número 97.00086097 — 22ª Vara Federal em São Paulo, impetrado por Sindicato de Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado de São Paulo, postulando provimento jurisdicional para que seus associados sejam mantidos no SIMPLES. Em sentença de mérito, o feito foi julgado procedente e concedida a segurança para que os associados do SINDELIVRE relacionados nos autos se inscrevam no SIMPLES. Sobreveio decisão do TRF — 3ª Região, dando provimento à remessa oficial, nos termos do acórdão acostado às f1s. 54/58. Interpostos Embargos de Declaração que foram rejeitados, conforme folhas 59/62. Interpostos Recursos Especial e Extraordinário pelo impetrante e Recurso Especial pela Unido, os quais não tiveram decisão quanto aos acolhimentos ou não. bem de ver que, embora sem trânsito em julgado, a decisão do TRF 3ª Região que se encontra em vigor, é favorável à União." A decisão de primeira instância deixou de conhecer da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entendendo que, por ser parte no Mandado de Segurança já referido, o contribuinte renunciou à discussão na esfera administrativa, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 1996. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 72 a 76, no qual: a) sustenta a nulidade do Acórdão recorrido, por não apreciar todos os argumentos e alegações contidos na Impugnação. No seu entender, não teriam sido apreciados os seguintes pontos: a.1) a Autuada ter de pedir cópia do processo diminuiria indevidamente seu prazo de Impugnação, pois tais cópias não seriam entregues no mesmo dia; a.2) fica ao exclusivo critério da fiscalização enquadrar o procedimento do contribuinte como sendo doloso ou não; a.3) não cabe a qualificação da multa nos casos de depósitos bancários, por tratarse de presunção legal de omissão, conforme jurisprudência; a.4) não cabe a qualificação da multa nos casos de pagamentos, por tratarse, também, de presunção legal de omissão; a.5) a multa aplicada compromete o patrimônio da empresa; Fl. 200DF CARF MF 4 a.6) a Selic, de qualquer modo, não incide sobre a multa, conforme jurisprudência; a.7) a PGFN entende que órgãos administrativos podem decidir com fundamento em inconstitucionalidade; a.8) Inúmeros Acórdãos levam em conta a (in)constitucionalidade da lei. b) repete a alegação de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito defesa, uma vez que documentos integrantes do Auto de Infração não teriam sido entregues ao sujeito passivo; c) repisa a arguição de decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; d) nos mesmos termos da Impugnação, alega que a Empresa Petrolinense de Tráfego e Transporte Coletivo (EPTTC) é a sua única cliente, portanto seria impossível a autuada omitir receita maior do que recebeu da EPTTC e que todos os desembolsos efetuados (combustíveis, salários, depósitos e tudo o mais) só poderiam ter origem no que recebeu da EPTTC, sendo impossível produzir prova da não omissão, ou seja, prova negativa; e) afirma que o lançamento é improcedente pois depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda, que os depósitos não caracterizam disponibilidade econômica e que não foi comprovado o nexo causal entre os depósitos e a omissão; f) afiança que cabe à fiscalização provar que os depósitos bancários constituem omissão de receitas; g) reitera as alegações quanto à qualificação da multa e quanto ao comprometimento do patrimônio empresarial do sujeito passivo; h) quanto aos juros de mora, argui que o Acórdão recorrido está em descompasso com a Impugnação, na qual se sustenta que não são devidos os juros de 1% mencionados no art. 161 do CTN. Aponta, ainda, contradição entre a fundamentação invocada no Acórdão e aquela constante dos autos de infração. Por fim, reitera todas as alegações presentes na Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010 (fl. 71), tendo apresentado Recurso Voluntário em 29 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pela representante legal da pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13817.001169/200890 Acórdão n.º 1302003.518 S1C3T2 Fl. 200 5 Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A análise do mérito do Recurso apresentado pelo sujeito passivo fica obstada pela ocorrência de nulidade no Acórdão recorrido, que, embora não suscitada pelo Recorrente, deve ser reconhecida por este Colegiado. É que, a decisão recorrida deixou de analisar a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, por considerar haver identidade de objeto entre aquela e o Mandado de Segurança nº 97.00086097, impetrado pelo Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado de São Paulo (SINDELIVRE), em favor da Recorrente. Em primeiro lugar, é importante se observar que a referida ação judicial não foi proposta pela Recorrente, mas por uma entidade coletiva na defesa de seus associados, com fulcro no art. 5º, inciso LXX da Constituição Federal. Neste sentido, a Recorrente não é parte no referido processo judicial (como, inclusive, observase na Certidão de fl. 17 e no extrato de fl. 78), mas, sim o SINDELIVRE, que atua na condição de substituto processual (ou legitimado extraordinário) dos seus associados. Fredie Didier Jr. (Curso de Direito Processual Civil, 18. ed. Salvador: Ed. Jus Podium, 2016. v.1, p. 358) estabelece, com precisão didática a distinção entre a atuação da entidade coletiva nesta condição e na de representante processual: "Há representação processual quando um sujeito está em juízo em nome alheio defendendo interesse alheio. O representante processual não é parte; parte é o representado. Note que o substituto processual é parte; o substituído não é parte processual, embora os seus interesses jurídicos estejam sendo discutidos em juízo. O substituto processual age em nome próprio defendendo interesse alheio." Assim, não sendo parte no processo judicial, não se aplica à Recorrente o entendimento de que teria optado pela via judicial, em detrimento da via administrativa. Até porque os efeitos da coisa julgada no referido Mandado de Segurança tem efeitos limitados em relação à Recorrente, na condição de substituída processual, não induzindo litispendência, conforme art. 22 da Lei nº 12.016, de 2009: "Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva." Fl. 202DF CARF MF 6 Deste modo, o posicionamento predominante, no âmbito do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem sido no sentido de não se reconhecer a renúncia à esfera administrativa, em tais situações, conforme ilustram os seguintes julgados: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa." (Acórdão nº 9303007.977, de 19 de fevereiro de 2019, Relator Demes Brito) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA. EXTENSÃO. ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa." (Acórdão nº 9101003.676, de 05 de julho de 2018, Redator designado Luis Flávio Neto) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONFIGURADA.A impetração de ação de segurança coletiva por entidade, a qual o sujeito passivo esta associado, não configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. (Acórdão nº 9101003.676, de 05 de julho de 2018, Redator designado Luis Flávio Neto) Como se não bastasse, o exame da Certidão de fl. 17, permite a constatação de que o referido Mandado de Segurança se destina a "assegurar o direito de seus associados à inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Pequeno Porte Simples, afastandose o disposto no art. 9º, inciso XIII da LEI nº 9.317/96, que veda a inscrição dos Cursos Livres" (fl. 17). De outra parte, o objeto do presente processo é o afastamento de multas por atraso na entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Assim, ainda, que haja alguma correlação entre os dois pleitos, uma vez que, caso enquadrada no Simples, a pessoa jurídica estaria desobrigada da apresentação de DCTF, é patente que o objeto do processo administrativo e da ação judicial são distintos. Isto posto, ao contrário do decidido, não incide o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 1996, como reconhecido pelo Parecer Normativo Cosit nº 7, de 2014, e pela Súmula CARF nº 1, uma vez que os objetos são distintos. O teor da própria Súmula permite tal conclusão: "Súmula CARF nº 1 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13817.001169/200890 Acórdão n.º 1302003.518 S1C3T2 Fl. 201 7 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." A omissão do julgador em apreciar a Impugnação do sujeito passivo caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo em que não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado impede a sua apreciação em segunda instância, já que isso constituiria supressão de instância. Neste sentido, voto por, de ofício, declarar a nulidade da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda ao julgamento da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000315/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2001, 01/08/2002 a 31/08/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, OPERANDO-SE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA SE APRECIADO MAIS DE CINCO ANOS DEPOIS DO SEU PROTOCOLO, POR FORÇA DE LEI.
O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, estabelece que o prazo para a homologação da compensação objeto de Pedido de Compensação, convertido em Declaração de Compensação (conforme § 4º, do mesmo artigo), é de cinco anos, contados da data de protocolo do pedido, operando-se, a partir daí, a homologação tácita, mesmo para pleitos apresentados antes da eficácia (30/10/2003) da alteração legislativa.
Numero da decisão: 9303-008.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2001, 01/08/2002 a 31/08/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, OPERANDOSE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA SE APRECIADO MAIS DE CINCO ANOS DEPOIS DO SEU PROTOCOLO, POR FORÇA DE LEI. O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, estabelece que o prazo para a homologação da compensação objeto de Pedido de Compensação, convertido em Declaração de Compensação (conforme § 4º, do mesmo artigo), é de cinco anos, contados da data de protocolo do pedido, operandose, a partir daí, a homologação tácita, mesmo para pleitos apresentados antes da eficácia (30/10/2003) da alteração legislativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 03 15 /2 00 1- 16 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10580.000315/200116 Acórdão n.º 9303008.228 CSRFT3 Fl. 452 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 418 a 427), contra o Acórdão 3801001.758, proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Sejul do CARF (fls. 412 a 416), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1990 a 30/05/1991 (*) PEDIDO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DECURSO DE MAIS DE 05 ANOS DESDE A FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Ocorre a homologação tácita do pedido de compensação, quando decorrido prazo superior a 05 anos, contado da formalização do pedido de compensação. (*) As compensações não homologadas foram relativas a março a setembro de 2001 e a agosto de 2002 (fls. 312). Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 441 e 442), a PGFN defende a irretroatividade dos efeitos de alterações promovidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela MP nº 135/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003) a qual, dentre outras coisas, estabeleceu o prazo de cinco anos para a homologação das compensações, com eficácia a partir 31/10/2003. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No Mérito, transcrevo inicialmente a norma geral, insculpida no CTN, que regula o instituto da compensação, uma das formas de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10580.000315/200116 Acórdão n.º 9303008.228 CSRFT3 Fl. 453 3 Vejamos agora, na parte que interessa, a evolução legislativa na regulação da compensação tributária federal: 1) O art. 66 da Lei nº 8.383/91 só permitia a compensação “de tributos e contribuições da mesma espécie”; 2) Com o advento da Lei nº 9.430/96, art. 74, passou a ser permitida a compensação com tributos de espécies diferentes, mediante requerimento [Pedido de Compensação, em formulário (papel)], sem prazo para análise pela autoridade administrativa responsável. Vejamos a redação original do caput do referido artigo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. 3) A Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) promoveu substanciais alterações, por meio do seu art. 49 (que produziu efeitos somente a partir de 01/10/2002), dentre outras, no que interessa à discussão, a introdução dos §§ 1º, 2º e 4º no “nodal” art. 74 da Lei nº 9.430/96: § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. ................... § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. A partir de 01/10/2002, então: (i) a compensação não era mais via requerimento, mas sim através de uma Declaração de Compensação [inicialmente em formulário (papel) e depois, como regra, em meio eletrônico, via Programa PER/DCOMP]; (ii) a simples Declaração de Compensação extinguia o crédito tributário, mas sob condição resolutória de sua ulterior homologação (inicialmente, sem definição de prazo) e (iii) os Pedidos de Compensação ainda não apreciados foram “convertidos” em Declarações de Compensação (da mesma forma, sem prazo para análise). 4) Posteriormente, a Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), através do seu art. 17 (que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003), trouxe outras alterações bastante significativas, dentre outras, no que interessa a discussão, as consignadas nos §§ 5º e 6º: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10580.000315/200116 Acórdão n.º 9303008.228 CSRFT3 Fl. 454 4 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A partir de 31/10/2003, então: (i) foi estabelecido um prazo máximo, de cinco anos da entrega da Declaração de Compensação para que a autoridade administrativa competente, sendo o caso, não homologasse ou homologasse parcialmente a compensação declarada (devidamente cientificado o contribuinte desta decisão), sob pena de homologação tácita (ii) a Declaração de Compensação passou a constituir confissão de dívida, sendo que, a exemplo da DCTF, para a sua cobrança era dispensada a constituição do crédito tributário pelo lançamento (com a diferença de que foi facultado ao contribuinte recorrer, no rito do PAF). A discussão aqui, para a solução da lide posta, é se estas alterações promovidas na Lei nº 9.430/96 seriam retroativas ou não, pois o histórico é o seguinte: Em 16/01/2001, o contribuinte protocolou um Pedido de Restituição (fls. 001) de supostos indébitos do Finsocial (apurado de agosto de 1990 a maio de 1991), com fulcro em ação judicial, ao qual foram "atrelados" diversos Pedidos de Compensação com a Cofins cumulativa, apresentados até 12/09/2002; Ao cabo da pertinente verificação fiscal por parte da Unidade jurisdicionante (DRF/Salvador), foi exarado Despacho Decisório (fls. 261) deferindo parcialmente o Pedido de Restituição e, conseqüentemente, homologando as compensações a ele vinculadas até o valor o direito creditório reconhecido, decisão esta da qual o contribuinte foi cientificado pessoalmente em 16/03/2010 (fls. 293); Assim, é fato que a não homologação parcial deuse mais de cinco anos após o protocolo dos Pedidos de Compensação. Em 17/03/2010, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 298 a 305), contestando a apuração realizada e também suscitando a ocorrência da homologação tácita das compensações, com fulcro no § 5° do art 74 da Lei n° 9.430/96; A DRJ/Salvador considerou a Manifestação de Inconformidade improcedente (fls. 334 a 339), não reconhecendo a homologação tácita sob o argumento de que os Pedidos de Compensação não teriam sido convertidos em Declarações de Compensação, "por não atenderem aos requisitos da Lei n° 9.430/96" (art. 74, caput, e § 4°), "posto que na data de seu protocolo o crédito judicial ainda não tinha transitado em julgado" (requisito para compensação do art. 170A do CTN) e, "Por conseguinte, o documento apresentado pelo contribuinte não produziu o efeito extintivo do crédito tributário". Embora tais argumentos tenham sido atacados no Recurso Voluntário, a Turma a quo nem adentra na discussão da exigência do trânsito em julgado, simplesmente considerando que houve, sim, a conversão dos Pedidos em Declarações de Compensação, e que teria se operado a homologação tácita (ficando prejudicada, assim, a análise do Mérito). Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10580.000315/200116 Acórdão n.º 9303008.228 CSRFT3 Fl. 455 5 Como já vimos, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (que estabeleceu o prazo de cinco anos para homologação) foi introduzido pelo art. 17 da MP nº 135/2003, que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003, pelo que, admitir que ele atingisse compensações pleiteadas antes desta data seria, necessariamente, considerála retroativa. Até bem recentemente defendi que não haveria esta retroatividade, mas, tendo sido sistematicamente vencido, me curvo ao entendimento consignado, exemplificativamente, no Acórdão nº 9303006.851, de 17/05/2018, que teve como Redator Designado para o Voto Vencedor o ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006. Quanto à exigência do trânsito em julgado da ação judicial trazida pela instância de piso, seria fundamental para a aplicação ou não da citada Solução de Consulta Interna Cosit nº 1/2006, mas não adentrarei nesta discussão, pois não contemplada na motivação da divergência que nos foi trazida à apreciação (e nem mesmo na do Despacho Decisório de homologação parcial). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.686999/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos e não enfrenta a principal alegação da peça recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos e não enfrenta a principal alegação da peça recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 69 99 /2 00 9- 11 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.686999/200911 Acórdão n.º 3002000.697 S3C0T2 Fl. 126 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP (fl. 02/04), transmitido em 28/05/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado de forma indevida. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 05), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 06/11/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 08/10), na qual informou que, realmente, cometeu um erro no pagamento e preenchimento da DCTF, pois estava sujeita ao pagamento dos impostos e contribuições pela sistemática do SIMPLES no anocalendário de 2005, logo, não seria devido o IPI declarado. Juntamente com sua Manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou cópias das DCTF´s retificadoras e da Declaração Anual Simplificada 2006. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/RCE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.686999/200911 Acórdão n.º 3002000.697 S3C0T2 Fl. 127 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 85/94), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, tecendo, em linhas gerais, os seguintes argumentos a seu favor: preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido e, no mérito, repisou a alegação de estar submetida ao pagamento dos tributos federais pela sistemática do SIMPLES, portanto, sendo indevido o pagamento realizado do IPI. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade do Acórdão recorrido De início, cumprenos analisar o argumento apresentado pela contribuinte no sentido de que o Acórdão recorrido teria incorrido em nulidade por ter deixado de analisar os documentos e alegações tecidas em sua peça recursal. Com efeito, da confrontação do teor da Manifestação de Inconformidade com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que ocorreu discrepância entre a realidade fática do presente processo e a situação tratada no voto. Enquanto, em realidade, como já relatado, a principal alegação da contribuinte se refere ao fato de estar, supostamente, sujeita ao pagamento dos tributos federais pela sistemática do SIMPLES no ano de 2005, a análise realizada pelo relator daquele Acórdão considerou diversa situação e não adentrou no argumento trazido pela ora recorrente. Transcrevese, como exemplo, o seguinte excerto do relatório do Acórdão recorrido: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.686999/200911 Acórdão n.º 3002000.697 S3C0T2 Fl. 128 4 "Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fl. 08/10) na qual, em síntese, aduz haver cometido erro atinente ao valor do débito declarado e providenciado (após ciência do despacho decisório) a apresentação de DCTF retificadora." (grifo nosso) Como já manifestado, para comprovar ser indevido o recolhimento do IPI, a ora recorrente trouxe como fundamental alegação ser optante do SIMPLES, dessa maneira, o Acórdão recorrido, ao não considerar essa situação em sua análise, se afasta da matéria a ser examinada na peça recursal. De fato, em realidade, não a enfrentou. Logo, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão recorrido encontrase eivada de vício insanável, pois cerceou os Direitos à Ampla Defesa e ao Contraditório. Por outro lado, a matéria que não foi objeto de exame pela Delegacia de Julgamento não pode ser apreciada por esta Turma, sob pena de incorrer em vedada supressão de instância. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.905375/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.511
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 75 /2 01 5- 41 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.516. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905375/201541 Acórdão n.º 3402006.511 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
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