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Numero do processo: 11128.008427/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/01/2004
MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE
Aplica-se a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001).
MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA/INCOMPLETA
A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Numero da decisão: 3402-006.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento parcial ao recurso nos termos do voto da relatora. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE Aplicase a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001). MULTA SOBRE O CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO INCORRETA/INCOMPLETA A falta de Licença de Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que davam provimento parcial ao recurso nos termos do voto da relatora. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 84 27 /2 00 8- 00 Fl. 218DF CARF MF 2 Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.), consubstanciadas no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias, que culminou no lançamento das penalidades. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: O importador, por meio da Declaração de Importação n° 04/0058208 7, registrada em 20/01/2004, submeteu a despacho pela adição 001 (única), a mercadoria descrita como: "AREIA DE ZIRCONIO" classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM "2615.10.90 OUTROS MINÉRIOS DE ZIRCONIO E SEUS CONCENTRADOS", amparada pela Licença de Importação 03/13380284 (extrato anexo), tendo incidido o Imposto de Importação à alíquota de 2,00 %, e Imposto sobre Produtos Industrializados à alíquota de 0,00%. Observamos que foi firmado, nos Dados Complementares da Declaração de Importação em questão (Extrato da Solicitação dej Retificação da Dl, em anexo), o Termo de Responsabilidade previsto no artigo 47 da IN SRF n° 206/2002. Ressalto que o importador "JOHNSON MATTHEY CERÂMICA LTDA", CNPJ 00.987.048/000216, teve sua razão social alterada para "ENDEKA CERAMICA LTDA", mediante consulta CNPJ (em anexo). Em ato de conferência física foi efetuado o pedido de exame laboratorial n° LAB 288/04/Gcof, pelo qual foram colhidas amostras da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° 0429.01 de 27/02/2004, o qual apresentou divergência em relação à mercadoria declarada na adição 001. De acordo com o Laudo de Análise acima citado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs Ia e 6a, com a Regra Geral Complementar RGC1; a mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001, classificase na Tarifa Externa Comum sob o código da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM 2615.10.20 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 334 3 Zirconita (RESUMO NCM CORRETA a seguir), e se sujeita à incidência da alíquota de 2,00% para o Imposto de Importação e sendo "Não Tributável" para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Portanto não havendo diferença de impostos a recolher. Contudo, considerando que a mercadoria efetivamente importada foi incorretamente classificada, sendo que a correta classificação é a NCM 2615.10.20 Zirconita, ou seja uma classificação específica, conforme demonstrado acima, e tendo em vista o estabelecido na Portaria SECEX n° 17, de 01/12/2003 (trecho transcrito abaixo), que, mediante consulta ao "Tratamento Administrativo do Siscomex" (anexo "print" da tela), a mercadoria na classificação correta estava sujeita a obtenção de Licenciamento Não Automático, cujo órgão anuente era o CNEN. Considerando ainda, que pela interpretação do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97 (transcrito abaixo), a mercadoria declarada não está corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Considerando que apesar de o importador ter obtido, à época,: Licenciamento Não Automático (LI), cujo órgão anuente era o CNEN, esse licenciamento foi dado para uma mercadoria cuja sua identificação (a NCM, sua Descrição e a especificação) estava incorreta, como podemos comprovar, analisando o Extrato do Licenciamento de Importação (em anexo). Por conseguinte, para a mercadoria corretamente identificada (NCM, descrição e especificação) não houve licenciamento, diante desses fatos, que constituem infração administrativa ao controle das importações, proponho que se aplique, ao importador, a multa prevista no artigo 633, inciso II, alínea "a", do Decreto n° 4.543/2002. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 17/11/2008 (fls.41), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 15/12/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 95 à 106, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ DO AUTO DE INFRAÇÃO: A Autuada importou, valendose da Declaração de Importação 04/00582087 (doe. n° 06), produto mineral denominado “Zircon Sand”, ou seja, “Areia de Zircônio”, classificandoo na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 2615.10.90. Entretanto, em ato de conferência física, foi colhida amostra do produto importado por Técnico da Receita e solicitado exame laboratorial (Fedido de Exame Laboratorial n° LAB 288/04) (fls. 20). Após identificação por infravermelho, foi concluído pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP (Fundação de Fl. 220DF CARF MF 4 Desenvolvimento da Unicamp), pelo Laudo n° 0429.01, de 27.02.2004 (doc. de fls. 21/22), se tratar de “Silicato de Zircônio (Zirconita)”. Em razão disso foi lavrado o Auto de Infração ora guerreado, onde se aplica à Impugnante 02 (duas) multas: uma de 30% (trinta por cento) em razão de “importação desamparada de Guia de Importação ou documento equivalente” e outra de 1% (um por cento) em razão de importação de “mercadoria classificada incorretamente na nomenclatura comum do Mercosul", ambas calculadas sobre o valor do produto importado (fls. 02/13). ⊙ DOS FATOS: Ao declarar estar importando “Areia de Zircônio” e classificá la na NCM 2615.10.90, incorreu a Impugnante em erro escusável, eis que o minério importado se denomina internacionalmente como “Zircon Sand”, ou seja, areia de zircônio, como se denota de sua Tax Invoice (doc. n° 6F). Ocorre que, depois, veio a impugnante descobrir que “areia de zircônio” é o nome mineral do produto que importa, sendo que seu nome químico é “ZrSiO/’ (silicato de zircônio) e o seu nome comercial no Brasil veio a descobrir a Impugnante ser “zirconita”, o que acarretou toda a confusão que deu origem ao Auto de Infração guerreado. Se alguém disser que comprou 01 kg (um quilo) de areia de zircônio, 01 kg (um quilo) silicato de zircônio (ZrSi04) e 01 kg (um quilo) zirconita, estará falando adquiriu 03 kg (três quilos) da mesma coisa. Quando a Impugnante analisou a Nomenclatura Comum do Mercosul, encontrou no Capítulo 26 (Minérios) classificação central para o grupo “Minérios de Zircônio e seus concentrados” no Código 2615 que, por seu turno possuía classificação em subgrupo para zirconita e outros minérios de zircônio, vejase: (...) O fato do minério importado se denominar “areia de zircônio” (“Zircon Sand”) e não possuir previsão específica como “minério”, mas sim como nome comercial brasileiro (“mercadoria”), a Impugnante foi levada a erro (escusável), ao classificálo como “Outros” minérios de zircônio e seus concentrados, pois entendia ser dever classificálo na NCM pelo seu nome mineral (areia de zircônio, “zircon sancT) e não como zirconita (nome que deve ser utilizado na Nomenclatura Comum do Mercosul). Observese que, tanto o Imposto de Importação (I.I.) como o Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.) para os produtos classificados nas NCM’s 2615.10.90 e 2615.10.20, são idênticos, o que revela que a Impugnante não auferiu vantagem alguma. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 335 5 Não houve lesão ao erário público! Não ocorreu falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, bem como de qualquer outro que seja. ⊙ DA PENALIDADE Em que pese o respeito e admiração pelo douto Agente Fiscal, no caso dos autos foi aplicado à Impugnante penalidades demasiadamente superiores à adequada, não se considerando as circunstâncias fáticas necessárias à dosimetria da pena. Como destacado acima, foi aplicado à Impugnante duas penalidades, uma por importar mercadoria “desamparada de guia de importação ou documento equivalente” e outra por “classificar incorretamente a mercadoria na nomenclatura comum do mercosul”. Segundo a fiscalização, deve ser aplicado à Impugnante a multa de 30% (trinta por cento) sobre o valor da importação tendo em vista que ''a mercadoria efetivamente importada foi incorretamente classificada” que, segundo o seu entendimento, feriu o artigo 633, II, ‘a’, do Decreto n° 4.543/2002. Porém, em que pese o artigo 633, II, ‘a’ do Decreto n° 4543/02 não puna com multa de 30% a classificação incorreta da mercadoria importada na NCM (mas a importação sem LI), é sabido e ressabido que após a promulgação da Constituição Federal de 1988 um decreto não pode criar penalidades, mas apenas e tãosomente regulamentar leis já existentes, motivo pelo qual o Decreto 4543 remete o aplicador da pena ao artigo 169, §6°, do Decretolei n° 37/66 com a redação da Lei n° 6.562/78. Ora, o Decretolei n° 37/66 não prevê multa de 30% para o erro na classificação da mercadoria importada, ainda mais diante da inexistência de dolo. O artigo 633, II, ‘a’ do Decreto n° 4543/02 pune com multa de 30% sobre o valor do bem unicamente a importação de mercadoria sem licença de importação. No caso dos autos, a Impugnante possuía Licença de Importação (LI 03/13380284), porém classificou o produto erroneamente na NCM código 2615.10.90 quando deveria ter classificado no código 2615.10.20. O próprio Ato Declaratório Normativo n° 12/97 diz que “não constitui infração administrativa ao controle das importações” ... “o declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea indicação indevida de destaque ‘ex’ exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e cio enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em Fl. 222DF CARF MF 6 qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante”. A Impugnante errou ao elegcr/classificar (sic) a NCM da importação, porém não teve dolo. Penalizála com multa de 30% é coibir a atividade lícita, é confiscar a própria mercadoria importada por uma falha justificável. Por outro lado, a classificação incorreta da mercadoria implica em pena específica, ou seja, a multa prevista no artigo 636, I, do Decreto n° 4543/02, que reflete ou reproduz a multa prevista no artigo 84,1, da Medida Provisória n° 215835/2001. Essa multa pela classificação incorreta também foi aplicada à Impugnante (fls. 07 e 09). Ora, ou a Impugnante importou mercadoria com DI e LI com a classificação incorreta, ou a Impugnante importou mercadoria sem documentação alguma. É questão de lógica, as penalidades aplicadas à Impugnante são incompatíveis entre si, uma exclui a outra. Tratase de caso da aplicação do princípio geral de direito do non bis in idem, ou seja, de não punição duas vezes do mesmo fato. Junta textos da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.| ⊙ O PEDIDO: Posto isso, requer a Impugnante que seja integralmente acolhida a presente impugnação para o fim de: a) relevar as multas aplicadas por intermédio do Auto de Infração ora impugnado (artigo 654, do Decreto n° 4.543/02); ou, para fins de apreciação sucessiva; b) afastar a multa de 30% aplicada com base no o artigo 633, II, ‘a’ do Decreto n° 4543/02, mantendose, unicamente, a multa pela classificação incorreta da mercadoria (artigo 636, I, do Decreto n° 4543/02), no montante de 1% do valor da importação. É o Relatório. Sobreveio então o Acórdão 16070.896, da 23ª Turma da DRJ/SPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DEMERCADORIAS Data do fato gerador: 20/01/2004 Importação de mercadoria descrita como: "AREIA DE ZIRCONIO" com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código NCM "2615.10.90. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 336 7 A fiscalização apontou como correta a classificação NCM 2615.10.20 Zirconita, fato tido como incontroverso, pois é admitido na impugnação. A descrição presente na Declaração de Importação em questão não contém todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, por não indicar dois indicativos indispensáveis. Responsabilidade Objetiva. ainda agindo de boafé, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. Tratamse de duas penalidades distintas, não se podendo falar em bis in idem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 201/212) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/02/2016, conforme AR de fls. 196 e apresentou em 10/03/2016 o recurso voluntário de fls. 201/212, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Pelo relato acima, de pronto constatase que o tema fulcral da controvérsia cingese à aplicação das multas aduaneiras, uma vez que classificação fiscal das mercadorias importadas é incontroversa. Com efeito, a própria Recorrente admite seu erro na classificação, que, segundo o laudo produzido no decorrer da fiscalização, deve se dar sob o código NCM 2615.10.20 – ZIRCONITA, e não NCM 2615.10.90 AREIA DE ZIRCONIO, como posto na Declaração de Importação n° 04/00582087, registrada em 20/01/2004, submetida a despacho pela adição 001 (única). Indiscutivelmente cabível, então, a aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, objeto do presente lançamento, consoante o artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24.08.2001, em razão da sua classificação incorreta na NCM vigente à época da importação. O caso subsumese com perfeição à penalidade imposta, independentemente de dolo, uma vez que se trata de infração de caráter objetivo. Há de ser mantida, dessarte, a multa de 1% sobre a classificação incorreta das mercadorias. Fl. 224DF CARF MF 8 A autuação fiscal também impôs a multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Tratase de multa referente à falta de licenciamento no momento do despacho aduaneiro, tratada pela legislação como infração administrativa ao controle das importações, nos termos do artigo 633, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 4.543, de 2002 (vigente à época dos fatos): Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e; (...) b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a) pelo embarque da mercadoria depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, de mais de vinte até quarenta dias (Decreto lei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 2, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e IV de dez por cento sobre o valor aduaneiro, pelo embarque da mercadoria, depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, até vinte dias (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 1, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o). Inicialmente, é preciso lembrar que ao lado da tributação aduaneira e da aplicação de restrições, a Aduana possui como terceira função o controle aduaneiro sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 337 9 A Convenção de Quioto Revisada define “controle aduaneiro” como o conjunto de medidas tomadas pelas Alfândegas com vista a assegurar a aplicação da legislação aduaneira, toda pautada no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Tal função emana do "poder soberano do Estado sobre seu território e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas". Outrossim, reflete "a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados," como ensina Rodrigo Mineiro.1 Sedimentada a importância do controle aduaneiro, também não é demais lembrar que ele é exercido tendo como base às informações prestadas pelos contribuintes nos pertinentes documentos que, em sendo o caso, darão azo à específicos procedimentos de fiscalização e revisão aduaneira. Embora no Brasil grande parte das importações estejam dispensadas de licenciamento, existem aquelas que estão submetidas seja licenciamento automático, seja ao licenciamento nãoautomático, de acordo com os procedimentos para Licenciamento de Importações (APLI) da OMC. Assim, o controle Administrativo nas importações é exercido, dentre outros, por meio da Licença de Importação (LI), sujeita à anuência de órgãos governamentais. Já alcançando o caso concreto sob análise, o órgão anuente responsável pelo licenciamento de importação referente ao tratamento administrativo tanto da areia de zircônio (NCM 2615.10.90 classificação adotada pela Recorrente) como pela zirconita (NCM 2615.10.20 classificação fiscal apresentada pela Fiscalização) é a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), vinculada à vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Ademais, a própria autoridade fiscal na lavratura do auto de infração atestou que a Recorrente, apesar de ter se equivocado quanto à classificação fiscal da mercadoria importada (o que não ensejou diferença de tributos a recolher, ou qualquer outra vantagem), possuía sim Licenciamento não automático fornecido pela CNEN. Segue transcrita a passagem no auto de infração sobre esse ponto: 1 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. Fl. 226DF CARF MF 10 Assim, diferentemente do que ocorre em casos em que as classificações fiscais (NCM) incorretas adotadas pelos sujeitos passivo na importação ensejam o tratamento administrativo pelo licenciamento automático, e os códigos NCM corretos implicariam em diferente tratamento administrativo, pelo licenciamento não automático, o caso concreto sob análise não implicou nessa diferença no controle administrativo da importação. Afinal, tanto para uma NCM como para a outra o licenciamento requerido legalmente é o não automático, pela CNEM, o qual havia sido obtido pela Recorrente. Em razão dessas particularidades, não é possível o perfeito enquadramento dos fatos ao tipo infracional estabelecido pelo artigo 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/2002, o qual, lembremos, imputa a penalidade de 30% do valor aduaneiro "pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". Tal conclusão se amolda ao bem jurídico que a penalidade em apreço visa tutelar, qual seja, o controle aduaneiro das importações. Isto porque, muito embora tenha existido equívoco na classificação fiscal das mercadorias importadas, pelo fato de a Recorrente possuir a mesma licença necessária para a importação de outro minério de zircônio, sem qualquer indício de fraude ou dolo na sua declaração de importação, o controle aduaneiro pôde ser normalmente exercido. Nesse mesmo sentido já decidiu esse Conselho, no Acórdão 9303003.298, julgado pela Câmara Superior em 24 de março de 2015, do qual extraio a ementa e a esclarecedora passagem do voto do Conselheiro Relator Rodrigo Miranda: Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/03/2000 a 16/03/2005 DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 338 11 seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação estabelecido no Ato Concessório. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO A MENOR DOS TRIBUTOS ADUANEIROS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. AFASTAMENTO. INAPLICABILIDADE. A falta ou o recolhimento a menor dos tributos aduaneiros em virtude de classificação tarifária errônea do produto na NCM, constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por configurar típica infração tributária prevista em lei. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Voto Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado Fl. 228DF CARF MF 12 o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento. (grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Corroborando esse entendimento, saliento que existe tipo infracional no qual se enquadraria a conduta da Recorrente, qual seja, o artigo 633, inciso III, alínea "b" do Decreto n. 4.543/2002: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a) pelo embarque da mercadoria depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, de mais de vinte até quarenta dias (Decreto lei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 2, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e Disto fica ainda mais claro que, de fato, houve erro de capitulação legal da infração. Em outras palavras, a Recorrente praticou infração no âmbito aduaneiro. Disso não há dúvidas. Contudo, a infração praticada não foi aquela descrita no artigo 633, inciso II alínea "a" do Decreto 4.543/2002 utilizado na motivação do auto de infração , a qual textualmente fala em importação "sem licença". Afinal, no caso havia licença na forma descrita nas considerações feitas acima , de forma que a autoridade lançadora deveria ter cobrado da Recorrente, isto sim, a multa de 20% sobre o valor aduaneiro pelo descumprimento Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 339 13 de outros requisitos de controle da importação (cf. artigo 633, inciso III, alínea "b" do Decreto n. 4.543/2002). Dessarte, nos termos supra mencionados, inexiste in casu a infração administrativa ao controle de importações tipificada no artigo 633, inciso II alínea "a" do Decreto 4.543/2002, devendo ser exonerada a multa de 30% do valor aduaneiro imputada à Recorrente. 6. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, relatora deste processo, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao não cabimento no presente caso, da multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Destaco que, durante a análise do recurso, a maioria qualificada do Colegiado discordou do entendimento da relatora, decidindo para manter a citada exigência e negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Então fui designado para redigir o presente voto vencedor. Como bem relatado, a matéria ora analisada se refere a aplicação da pena da multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Pois bem. Entende a Conselheira relatora que não é possível o perfeito enquadramento legal dos fatos ao tipo infracional estabelecido pelo artigo 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/2002, o qual imputa a penalidade de 30% do valor aduaneiro "pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". Consta dos autos que a empresa Endeka Cerâmica Ltda, por meio da Declaração de Importação (DI) n° 04/00582087, registrada em 20/01/2004, submeteu a despacho aduaneiro, adição 001 (única), a mercadoria descrita como: "AREIA DE ZIRCONIO" classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2615.10.90. A fiscalização apontou como correta a classificação NCM 2615.10.20, descrita como Zirconita, fato tido como incontroverso, pois é admitido pela Recorrente em sua impugnação. A autuação foi baseada pelo fato de que, as mercadorias não foram descritas na referida DI de forma a permitir a sua perfeita identificação e caracterização, a fim de poder melhor identificar e classificar na TEC/NCM, como determina a legislação aduaneira. Fl. 230DF CARF MF 14 Por solicitação, o Laudo de Assistência Técnica n° LAB 288/04/Gcof, assim dispõe quanto ao produto em questão (fl. 23): "(...) Não se trata de "Outro Minério de Zircônio". Tratase de Silicato de Zircônio (Zirconita), um Minério de Zircônio, um Minério Metalúrgico. Tratase de um Minério Metalúrgico". (Grifei) No meu sentir, a descrição presente na Declaração de Importação em questão, não contém todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, por não indicar dois indicativos indispensáveis, os quais só foram evidenciados no respectivo Laudo de Assistência Técnica, a saber: 1. Omissão do fato do produto ser Silicato de Zircônio (Zirconita); e 2. Omissão do fato de ser um Minério Metalúrgico. Como é cediço, a falta dessa correta informação inviabiliza o controle prévio e o adequado deferimento de licenciamento pelo Órgão competente, pois as mercadorias foram declaradas com outra conotação, desconhecendo à SECEX a ocorrência da verdadeira importação. A SECEX realiza o controle administrativo das importações, tendo como fonte de informações as operações de importação declaradas no SISCOMEX, marco inicial para o licenciamento das mercadorias. Destaco que, quando da importação em questão, vigia a Portaria SECEX nº 21, de 1996, que previa apenas dois tipos de licenciamento: o automático e o não automático. Aliás, o Regulamento Aduaneiro RA (Decreto nº 4.543, de 2002), vigente à época dos fatos, dispunha no seu art. 490, que: “A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex.” Portanto, como verificado nos autos, a correta identificação da mercadoria, feita por meio de análise laboratorial, passou a exigir uma nova Licença de Importação, porque a licença obtida, ainda que automática, amparava a mercadoria que se encontrava nela descrita, mas não o produto que foi efetivamente importado. Observase que a descrição da mercadoria feita pela Recorrente na Declaração de Importação (DI) foi insuficiente/incompleta, não propiciando a sua correta classificação, fato que ensejou a necessidade de instauração de um procedimento fiscal, que culminou na solicitação de análise laboratorial com vista à obtenção de esclarecimentos que permitissem a correta identificação da mercadoria. Desta forma, resta evidente que pelos elementos colacionados aos autos, a mercadoria importada não é a constante na Licença de Importação (LI), pois a empresa importou mercadoria diversa da que foi licenciada. Tais fatos, levam inexoravelmente a conclusão de que a mercadoria que ingressou em território nacional está efetivamente desamparada de Licença de Importação (LI), uma vez que o licenciamento que acompanhou a mercadoria diz respeito a espécie diferente daquela efetivamente importada. Ao proceder dessa forma (ingressar mercadoria em território nacional sem a devida Licença de Importação), a empresa descumpriu as regras de controle aduaneiro, restando configurada a situação fática prevista para a aplicação da multa de 30% sobre o valor Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.008427/200800 Acórdão n.º 3402006.221 S3C4T2 Fl. 340 15 aduaneiro da mercadoria, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea "b", do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940172/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 28/02/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.272
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 72 /2 01 1- 46 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06047.487, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.940172/201146 Acórdão n.º 3402006.272 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000513/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
IOF. ALÍQUOTA ZERO SOBRE MÚTUO CONTRATADO POR COOPERATIVAS. EXIGÊNCIA DE DECLARAÇÃO PREVISTA NO INCISO I DO ARTIGO 47 DO DECRETO N° 4.494/2002. CARÁTER DECLARATÓRIO.
A exigência de declaração mencionada no artigo 47, do Decreto Federal 4.494/2002 - em conexão com a concessão de alíquota zero para cooperativos, nos termos do artigo 8º, do mesmo normativo - não encerra uma condição de caráter constitutivo do incentivo, devendo ser entendida como uma obrigação para meros fins de controle por parte da própria instituição financeira perante a Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 3401-005.919
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2003 IOF. ALÍQUOTA ZERO SOBRE MÚTUO CONTRATADO POR COOPERATIVAS. EXIGÊNCIA DE DECLARAÇÃO PREVISTA NO INCISO I DO ARTIGO 47 DO DECRETO N° 4.494/2002. CARÁTER DECLARATÓRIO. A exigência de declaração mencionada no artigo 47, do Decreto Federal 4.494/2002 - em conexão com a concessão de alíquota zero para cooperativos, nos termos do artigo 8º, do mesmo normativo - não encerra uma condição de caráter constitutivo do incentivo, devendo ser entendida como uma obrigação para meros fins de controle por parte da própria instituição financeira perante a Receita Federal do Brasil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 IOF. ALÍQUOTA ZERO SOBRE MÚTUO CONTRATADO POR COOPERATIVAS. EXIGÊNCIA DE DECLARAÇÃO PREVISTA NO INCISO I DO ARTIGO 47 DO DECRETO N° 4.494/2002. CARÁTER DECLARATÓRIO. A exigência de declaração mencionada no artigo 47, do Decreto Federal 4.494/2002 em conexão com a concessão de alíquota zero para cooperativos, nos termos do artigo 8º, do mesmo normativo não encerra uma condição de caráter constitutivo do incentivo, devendo ser entendida como uma obrigação para meros fins de controle por parte da própria instituição financeira perante a Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 05 13 /2 00 3- 44 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 739 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Trata de de Recurso Voluntário (fls. 671 e seguintes) contra decisão da 3a Turma, da DRJ/POA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentado pela Recorrente contra o Despacho Decisório, que não homologou pedido de compensação com créditos de IOF, relativos a suposto pagamento a maior efetuados entre novembro de 1998 e agosto de 1999. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte realizou pedido de compensação (papel), com crédito de suposto recolhimento indevido do IOF, efetuados entre novembro de 1998 e agosto de 1999 (fl.1729/1797), alegando que se tratavam de retenção indevidas de IOF incidente sobre operações de crédito (desconto de duplicatas), as quais estariam sujeitas a alíquota zero – nos termos do artigo 8º, inciso I, do Decreto Federal 4.494/2002 – em razão de ser uma cooperativa. Para tanto, instruiu o pedido com cópia do estatuto da cooperativa, bem como com documentos comprobatórios do referido crédito, tais como extratos bancários referentes aos empréstimos tomados de instituições financeiras e planilhas de cálculo. A delegacia de origem negou o crédito, em razão de a instituição financeira não ter mais em seus arquivos os documentos que comprovem a retenção do IOF, bem como a inexistência de estorno, e por haver entendido que os documentos apresentados pela Contribuinte não comprovam a existência de crédito, Vejamos: Analisando tal Decreto, depreendese que o IOF tem sua aliquota reduzida a zero quando uma cooperativa figura como tomadora em operação de crédito, mas desde que a mesma prove, mediante declaração entregue ao responsável pelo recolhimento desse imposto, no ato da realização das operações, que atende aos requisitos da legislação cooperativista. Há de se ressaltar que, no presente caso, a cooperativa não juntou aos autos cópia dessa declaração, a qual deveria ter sido exigida pelas instituições financeiras responsáveis como prevê o inciso I do art. 47 transcrito acima. Pois bem, entende a Receita Federal do Brasil (RFB) que a falta de cumprimento pela instituição responsável das obrigações acessórias estabelecidas no inciso I do artigo 47 do Decreto n° 4.494/2002 não afasta o dever do contribuinte de Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 740 3 fazer prova de que, quando da formalização da operação, atendia às condições e requisitos estabelecidos para a fruição do beneficio. Intimouse a instituição financeira a confirmar os recolhimentos de IOF indicados pela empresa e, além disso, informar se houve estorno ou devolução de algum desses valores ao contribuinte. Por meio da documentação enviada à RFB, o banco informou que houve retenção/débito de IOF nas operações de crédito realizadas no período entre 05/03/01 a 03/11/03, e que, a documentação relativa ao período de julho de 1998 até dezembro de 2000, não constava mais nos arquivos bancários, fls. 441/477. Portanto, os documentos anexados pelo contribuinte não fazem prova de que as operações realmente ocorreram, uma vez que os valores porventura retidos podem ter sido estornados ou até mesmo restituídos pela instituição financeira. Não obstante, em 13/11/2003, a cooperativa entregou ao Banco do Brasil a declaração para efeito da aplicabilidade da alíquota zero, fl. 442. Mesmo assim, o contribuinte juntou em outros processos, extratos com supostas retenções do imposto, ocorridas após 13/11/2003. O banco, como já relatado anteriormente, afirmou que a última retenção ocorreu em 03/11/2003, ou seja, a documentação apresentada pela cooperagiva [SIC] diverge das informações constantes no sistema informatizado da instituição financeira. Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1) Nulidade do Despacho Decisório, em razão de suposto cerceamento de defesa, por não ter sido dada oportunidade à Recorrente para esclarecer a origem do crédito e que não houve a fundamentação para que o crédito fosse desconsiderado; 2) Quanto ao mérito, aduz que compete ao Fisco demonstrar as razões para o indeferimento do pedido de compensação, comprovando a inexistência do direito creditório, uma vez que a Recorrente não era a responsável pelo recolhimento do IOF, mas sim as instituições financeiras. Da Decisão de Primeiro Grau Sobreveio Acórdão 1019.452 (fls 594 e seguintes), exarado pela 3a Turma da DREPOA, em 14.05.2009, através do qual a Manifestação de Inconformidade foi considerada insubsistente, nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 741 4 Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO Não comprovados os pagamentos indevidos ou a maior do imposto, não se reconhecem créditos passíveis de restituição e conseqüentemente não se homologam as declarações de compensação vinculadas ao direito creditório pleiteado. CARTA COBRANÇA A carta cobrança, expedida em decorrência de compensação não homologada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Da Resolução 3401000.867 e a Informação DRF/CXL/Seort nº 16/2015 O processo seguiu para o CARF e, em 12.11.2014, o relator entendeu que “a autoridade fiscal não conseguiu contrapor as provas apresentadas pela Recorrente, fundamentando seu indeferimento em mera presunção de estorno, sem demonstrar em nenhum momento que os estornos de fato ocorreram. Essas meras ilações da autoridade fiscal não são suficientes para afastar o poder probatório dos extratos apresentados pela Recorrente. Na falta dos documentos de responsabilidade da instituição financeira e do controle mais efetivo da autoridade fiscal, não pode o contribuinte ter o seu direito cerceado.” Diante desse impasse, a turma resolve converter o julgamento em diligência para que delegacia de origem examine os documentos e emita parecer acerca da procedência do direito creditório e quantificar os valores. Baixados os autos para cumprimento da Resolução, foi exarada a Informação Fiscal, a que se transcreve: Os documentos referidos já haviam sido analisados anteriormente, apesar da omissão dessa informação na Resolução acima citada, conforme pode ser verificado no Despacho Decisório nº 637, de 01 de setembro de 2008. Percebendo a diferença entre os valores confirmados pelo banco (resposta à Intimação DRF/CLX/Saort nº 21, de 16 de fevereiro de 2007) e os extratos apresentados pelo contribuinte, intimamos novamente a instituição financeira (Intimação DRF/CXL/Seort nº 96, de 09 de outubro de 2007) para que fossem prestados esclarecimentos adicionais que confirmassem que a documentação anexada ao processo pelo contribuinte não comprovava a retenção do IOF. Além disso, essas intimações relacionam alguns dos outros processos analisados referentes ao mesmo assunto. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 742 5 A instituição bancária, responsável pelo fornecimento dos extratos que o contribuinte anexou ao processo, em relação aos períodos em que ainda possuía a documentação probatória, esclareceu e comprovou com telas/extratos que nem todas as operações de IOF constantes na documentação apresentada pelo contribuinte foram realmente cobradas. Portanto, como o banco não possuía mais os extratos do período solicitado no presente processo e como os extratos apresentados pelo contribuinte estavam incorretos/incompletos, decidimos pelo indeferimento do pleito. Da Resolução 3401000.919 e a Informação DRF/CXL/Seort nº 78/2018 Ao retornar a esse colegiado, houve novo julgamento, de 16.03.2016, em que se consignou nova Resolução, nos termos abaixo: Diante disso, notase que a insurgência da autoridade fiscal se limita à idoneidade dos documentos apresentados pela Recorrente para o fim de compensar valores cobrados de IOF com débitos de IPI, o que restou superado no presente voto, razão pela qual converto novamente o presente julgamento em diligência para que a delegacia de origem, tomando como válidos os extratos apresentados pela contribuinte e os dados constantes de sistemas da RFB, independentemente da inexistência de informações por parte instituição financeira: a) informe se a contribuinte preenchia os requisitos materiais para fruição da alíquota zero ao tempo da cobrança, ou seja, anteriormente à expedição da declaração para dispensa de retenção; b) quantifique, com base nos documentos probatórios apresentados, o valor do crédito requerido; e c) proceda à elaboração de relatório circunstanciado, com os exames e conclusões alcançadas, e à abertura de prazo para manifestação da contribuinte. Em seguida, devolvase para prosseguimento do julgamento. Novamente, os autos desceram à unidade de origem para cumprimento da diligência e, em 08.06.2018, proferida Informação DRF/CXL/Seort nº 78 (fls 726), nos seguintes termos: Analisando tal Decreto, depreendese que o IOF tem sua alíquota reduzida a zero quando uma cooperativa figura como tomadora em operação de crédito, mas desde que a mesma prove, mediante declaração entregue ao responsável pelo recolhimento desse imposto, no ato da realização das operações, que atende aos requisitos da legislação cooperativista. Há de se ressaltar que, no presente caso, a cooperativa não juntou aos autos cópia dessa declaração, a qual deveria ter sido exigida pelas instituições financeiras responsáveis como prevê o inciso I do art. 47 transcrito acima. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 743 6 Realizamos o batimento das planilhas com os extratos anexados ao processo e chegamos ao seguinte valor ao qual o contribuinte faz jus: (...) É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Da nulidade por cerceamento de defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório que negou o direito creditório pleiteado sem ter lhe oportunizado a possibilidade de rebater o fundamento daquela decisão. Ora, o rito previsto no Decreto Federal 70.235/1972 viabiliza a réplica do contribuinte justamente via apresentação da Manifestação de Inconformidade, possibilidade que não foi negada ou restringida de nenhuma forma pela administração pública. A segunda justificativa para alegação de prejuízo à sua defesa decorre do seu entendimento que a decisão não fora devidamente fundamentada. Igualmente, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve carência de justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a seguir. Portando não acolho a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Fl. 743DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 744 7 Verificase, pelos autos, em especial o despacho decisório e a conclusão da última diligência, que o núcleo do litígio reside tãosomente se a Recorrente fazia jus efetivamente à isenção prevista no artigo 8º, inciso, do Decreto Federal 4.494/2002, tendo em vista o previsto no artigo 47, do mesmo diploma legal e se a Recorrente teria o ônus de comprovar que não houvera estorno ou restituição de parte do IOF retido por parte das instituições financeiras. Isto porque, a motivação do despacho decisório, na prática, não decorre da inexistência de provas de que a recorrente fora retida pelas instituições financeiras ou de que a Recorrente não fora constituída como cooperativa. Isso sequer é questionado naquela decisão; mas sim da conclusão – pela fiscalização – de que “(...) entende a Receita Federal do Brasil (RFB) que a falta de cumprimento pela instituição responsável das obrigações acessórias estabelecidas no inciso I do artigo 47 do Decreto n° 4.494/2002 não afasta o dever do contribuinte de fazer prova de que, quando da formalização da operação, atendia às condições e requisitos estabelecidos para a fruição do benefício. ” Naquela oportunidade, foi ainda entendido que “os documentos anexados pelo contribuinte não fazem prova de que as operações realmente ocorreram, uma vez que os valores porventura retidos podem ter sido estornados ou até mesmo restituídos pela instituição financeira.” Portanto, são esses dois aspectos que devem merecer análise por esse colegiado. No tocante ao incentivo (alíquota zero) concedido às cooperativas, vale reler o que dispõe o aludido Decreto Federal: Art. 8º A alíquota é reduzida a zero na operação de crédito: I em que figure como tomadora cooperativa, observado o disposto no art. 47, inciso I; (...) Art. 47. Para efeito de reconhecimento da aplicabilidade de isenção ou alíquota reduzida, cabe ao responsável pela cobrança e recolhimento do IOF exigir, no ato da realização das operações: I no caso de cooperativa, declaração, em duas vias, por ela firmada de que atende aos requisitos da legislação cooperativista (...) Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos I e II, o responsável pela cobrança do IOF arquivará a 1ª via da declaração, em ordem alfabética, que ficará à disposição da Secretaria da Receita Federal, devendo a 2ª via ser devolvida como recibo. Vejam que a alíquota zero é concedida às cooperativas sem qualquer obrigação condicional efetiva. A aparente condição prevista ao fim no artigo 8º, com a menção Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 745 8 do artigo 47, não tem o condão de restringir o incentivo ou impor uma “habilitação” prévia ao benefício fiscal. Nem poderia, uma vez que não faria sentido algum transferir tal prerrogativa a uma entidade de direito privado. Ainda, no parágrafo único, do artigo 47, essa assertiva fica ainda mais clara quando prevê que a instituição financeira apenas deixará arquivada tal declaração para eventualmente ser apresentada às autoridades fazendárias. Não se trata essa declaração, pois, de uma condição de caráter constitutivo, mas sim meramente declaratório e para meros fins de controle por parte da própria instituição financeira que poderá vir a ser instada a apresentála à Receita Federal do Brasil. Quanto ao segundo ponto levantado pela decisão que não reconheceu o crédito, tampouco merece prosperar a argumentação fazendária. A Recorrente, quando apresentou o pedido de compensação, esmerouse em apresentar documentos que comprovassem o montante pleiteado, em especial extratos bancários mencionando o valor retido de IOF pelas respectivas instituições financeiras. Ao desejar desconstituir essas provas, insinuando que tais valores teriam sido restituídos ao contribuinte, o ônus probatório se inverteu, devendo a Fazenda Pública instruir o processo com elementos que demonstrassem tal afirmação. Isso nunca foi feito. Diante disso, insubsistentes os argumentos em que se baseou a decisão que não homologou a compensação. Por fim, considerando que o resultado da diligência encontrou alguns créditos em duplicidade ou sem comprovação, deve ser reconhecido o crédito remanescente. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 745DF CARF MF Processo nº 13016.000513/200344 Acórdão n.º 3401005.919 S3C4T1 Fl. 746 9 Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902515/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.250
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 15 /2 01 1- 06 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902515/201106 Acórdão n.º 3402006.250 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.364, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902515/201106 Acórdão n.º 3402006.250 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000220/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Por falta de previsão legal, o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional ou aquele estabelecido para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Ocorre a homologação tácita das compensações, vencido o período de cinco anos, contado da data da protocolização do pedido de compensação e até a da ciência do despacho decisório.
No caso em tela, a mais antiga Declaração de Compensação foi protocolizada em 29/11/06 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 07/10/11. Portanto, dentro do prazo de cinco anos previsto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3301-005.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional ou aquele estabelecido para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações, vencido o período de cinco anos, contado da data da protocolização do pedido de compensação e até a da ciência do despacho decisório. No caso em tela, a mais antiga Declaração de Compensação foi protocolizada em 29/11/06 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 07/10/11. Portanto, dentro do prazo de cinco anos previsto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional ou aquele estabelecido para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 20 /2 00 7- 17 Fl. 976DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 977 2 Ocorre a homologação tácita das compensações, vencido o período de cinco anos, contado da data da protocolização do pedido de compensação e até a da ciência do despacho decisório. No caso em tela, a mais antiga Declaração de Compensação foi protocolizada em 29/11/06 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 07/10/11. Portanto, dentro do prazo de cinco anos previsto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o PIS, relativo a receitas de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 4.554.634,10, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme documentos de fls.03/05. O Superintendente da 8a Regido Fiscal da Receita Federal do Brasil, utilizandose das atribuições conferidas pelo artigo 249, inciso VII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, transferiu, temporariamente, da DERAT/São Paulo para a DRF/Araçatuba, as atribuições insertas no art. 160 do mesmo dispositivo legal, em especial, as previstas nos incisos V, VI e X, aplicáveis aos processos administrativos acima discriminados, listados no Anexo Único da Portaria SRRFO8 n° 34/08. Ainda segundo os autos, a interessada, em 21/12/2010 (fl.447), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar os arquivos contábeis e fiscais digitais, na forma especificada pela fiscalização, bem assim deixar à disposição da fiscalização diversos livros e documentos. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 978 3 Em 13 e 19 de janeiro de 2011, sujeito passivo apresentou CDR contendo os arquivos digitais dos registros fiscais do 3º trimestre de 2006. Os arquivos digitais dos registros fiscais foram autenticados pelo sistema SVA e o sujeito passivo ficou com uma cópia do recibo de entrega onde consta o código de identificação geral dos arquivos. Em 10/02/2011, no endereço do estabelecimento matriz, os Auditoresfiscais apresentaram ao procurador do sujeito passivo, Sr. Vagner Aparecido da Cruz, cópia do Termo de Intimação Fiscal, de 21/12/2010, e lhe foi perguntado se os elementos mencionados nos itens 5 a 8 da intimação inicial estavam ali se disponíveis para verificações. Em resposta, o Sr. Vagner Aparecido da Cruz informou que os referidos elementos não se encontravam na sede do estabelecimento matriz (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.012 5o andar São Paulo SP). Além disso, foilhe perguntado onde se encontrariam e ele nos informou que estariam localizados nos diversos estabelecimentos filiais: Perguntamos, ainda, quem seria o responsável pela prestação de esclarecimentos e ele não soube informar. Tais constatações foram registradas no Termo de Constatação Fiscal, de 10/02/2011: Diante da recusa do sujeito passivo em apresentar a memória de cálculo utilizada Para preenchimento dos DACON, esta Fiscalização, com base nos arquivos digitais dos Registros contábeis e fiscais por ele apresentados, iniciou as análises, inclusive dos DACON, e elaborou a "Planilha1", que foi entregue, em 02/03/2011, aos procuradores do sujeito passivo. Novamente, em 30/03/2011 os Auditoresfiscais se dirigiram até São Paulo, no endereço do estabelecimento matriz, para outra intimação, obtendo como resposta: “informou que não poderia prestar nenhum esclarecimento e apresentou parte das notas fiscais”. Na diligência efetuada, foi perguntado ao procurador da fiscalizada sobre quem seria o responsável pela prestação de esclarecimentos e ele não soube informar. Também, foi perguntado sobre quem seria o responsável pela elaboração dos arquivos digitais complementares de PIS e Cofins e ele respondeu que seria o pessoal do departamento fiscal, que não se localiza no estabelecimento matriz do sujeito passivo. Desta feita, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de 30/03/2011. As autoridades fiscais ainda fizeram constar no termo fiscal (fl.449): E importante deixar registrado que o sujeito passivo, toda vez que é intimado a apresentar esclarecimentos, informações e documentos, ao invés de agir com celeridade e presteza, sempre tenta procrastinar o atendimento das intimações. Os Auditoresfiscais foram até São Paulo em 27/04/2011 e 12/05/2011 no endereço do estabelecimento matriz, sendo atendidos, às 09:00h, pelo procurador do sujeito passivo Sr. Vagner Aparecido da Cruz. Diante disso, alguns documentos foram apresentados, contudo: Como já dissemos anteriormente, o sujeito passivo não apresentou nenhuma planilha ou qualquer outro documento contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como dos encargos de depreciação Fl. 978DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 979 4 e das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos DACON, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. Desta forma, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais, esta Fiscalização elaborou diversas planilhas para a apuração dos créditos. Antes de relatarmos o que contém cada uma das planilhas elaboradas, bem como os procedimentos utilizados para a apuração dos créditos, necessário se faz destacarmos algumas das constatações desta Fiscalização, que vão a seguir. Em consulta à DIPJ/2007, foi constatada a aquisições de bovinos vivos junta à pessoas físicas. Diante dos documentos existentes, a fiscalização glosou os créditos, procedendo: "Em relação aos valores informados na linha 02 (bens utilizados como insumos) das fichas 16A dos DACON de julho, agosto e setembro de 2006, diante de todo o acima já exposto, ficou claro para esta Fiscalização que a apuração dos créditos foi realizada de forma totalmente incorreta pelo sujeito passivo. Diante disso, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo sujeito passivo, fizemos a apuração da base de cálculo dos créditos da Cofins, linhas 01 (bens para revenda), 02 (bens utilizados como insumos), 03 (serviços utilizados como insumos) e 12 (devolução de vendas, sujeitas à alíquota de 7,6%) das fichas 16A dos DACON, bem como da linha 26 (créditos presumidos — atividades agroindustriais) das mesmas fichas, conforme demonstrado nas planilhas, em excel. Os Auditoresfiscais concluíram no Termo de Verificação: Realizados os procedimentos fiscais, na forma, acima consignada, concluímos que o sujeito passivo não possui os créditos.calculados sobre os valores que foram por ele informados nas fichas 06A e 16A dos DACONs de julho, agosto e setembro de 2006, pelas inúmeras razões já expostas anteriormente. Sendo assim, a DRF em Araçatuba/SP, por meio do despacho decisório de fls.642/650, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao pedido, considerando o contido no PARECER SAORT N° 10820/368/2011, de fls.609 à 641. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 814/835, na qual, preliminarmente, requer a anulação do despacho decisório, porquanto não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência “interdelegacias”, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6º da Portaria RFB no 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 57 da Instrução Normativa (IN) RFB no 900, de 2008, que Fl. 979DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 980 5 não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei no 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei no 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente emitiram um parecer negando o pleito e que não ocorreu embaraço à fiscalização. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação e de legislação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que o despacho decisório deve ser reformado considerando a intenção de postulante fornecer os documentos, assim competiria aos AFRFB realizar novas diligências uma vez que não há justificativas para a nãoapresentação desses documentos. Assim, isso acarretaria a nulidade do procedimento por ofensa ao princípio da verdade material. Em relação ao que ela denomina mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da Cofins reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Defende que ocorreu a decadência: O direito da Recorrente ao ressarcimento não pode ser mais indeferido porque no caso incide o prazo qüinqüenal de homologação tácita do direito. Este prazo está previsto no artigo 150, §4° do CTN e no artigo 74, §5° da Lei n°9.430, de 31 de dezembro de 1996. Postula também a aplicação da taxa Selic como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4º, da Lei no 9.250, de 1995. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 981 6 Reclama também que o despacho decisório não deferiu as compensações já homologadas tacitamente, conforme previsão do art. 74, § 5º, da Lei no 9.430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 383. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer ainda a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações informadas em DCOMP. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente." Em 13/06/13, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1442.452 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 982 7 Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional ou aquele estabelecido para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar, em que pede que a decisão recorrida seja declarada nula, porque: i) apesar de existir suporte documental, os créditos foram negados, o que tornaria imprescindível a realização de perícia e diligência; ii) deixou de apreciar as alegações sobre a incorreta e ausente motivação necessária para a validade do despacho decisório; e iii) houve ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. Em sede de preliminar, a recorrente aduz que o acórdão recorrido é nulo, porque: i) apesar de existir suporte documental, os créditos foram negados, o que tornaria imprescindível a realização de perícia e diligência; ii) deixou de apreciar as alegações sobre a incorreta e ausente motivação necessária para a validade do despacho decisório; e iii) houve ofensa ao princípio da verdade material. As alegações não procedem. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 983 8 Todos os tópicos contidos na manifestação de inconformidade, repetidos na peça recursal e sumariados no relatório, foram tratados pelo relator da decisão de primeira instância (Acórdão n° 1442.452), o ilustre julgador Hamilton Fernando Castardo, de cujo voto faço minha razão de decidir, com base no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. (. . .) Quanto às alegações relativas a eventuais irregularidades do MPF, primeiramente fazse necessário discorrer, de forma genérica, sobre esse documento nos procedimentos de lançamento do crédito tributário. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22/11/1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB n° 11.371, de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, o MPF deve ser analisado sob duas perspectivas, quais sejam, a do público interno e a do externo. No âmbito interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela RFB. É uma ordem específica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 2° da Portaria SRF n° 11.371, de 2007). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma específica, a obrigatoriedade de executálas. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. Assim, o MPF, bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto n° 70.235, de 1972. Acrescentese que a Portaria SRF n° 11.371, de 2007, não teve o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, prevista no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6° da Lei n°10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 984 9 As portarias da RFB sobre o MPF constituemse, assim, em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, portanto, o seu descumprimento não tem o condão de provocar a nulidade de lançamento efetuado por servidor competente e com garantia do direito de defesa. Assim, o referido mandado consiste em mera ordem administrativa, emanada dos dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil, para que os auditores executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Esse instrumento, em realidade, é um mecanismo de proteção para o contribuinte, já que sua veracidade e outras informações a ele relativas podem ser consultadas no sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Cumpre assinalar que eventual descumprimento do MPF por parte do servidor encarregado de observálo, por caracterizar infração administrativa, deve ser apurado em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme ementas a seguir transcritas: NULIDADE INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO O Mandado de Procedimento Fiscal, a despeito da disciplina regulada pela Portaria n” 3007/2001, não tem o condão de invalidar a expressa competência fiscalizatória da autoridade administrativa, disposta no art. 142 do CTN. TAXA SELIC As súmulas 2° e 4° deste E. Conselho já pacificaram a questão da aplicação da Taxa Selic para cálculo dos juros de mora. (1° CC, 1° Câmara, Rec. Voluntário n° 150723, Proc. n° 10735004911/2002 45, Rel. João Carlos de Lima Júnior, Acórdão n° 1019613 7, Sessão de 27/04/2007). (g. n.) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7°, 10 e 59 do Decreto n° 70. 235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como de AUTO DE INFRAÇÃO. A teor das disposições contidas nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se AUTO DE INFRAÇÃO, deve ser lavrado por servidor competente; se NOTIFICAÇÃO, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula n° 3, do 2° CC). Recurso negado. D. O. U. de 23/05/2008, Seção 1, pág. 65. (2° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n” 129192, Proc. n° 10882001679/2004 61, Rel. Antônio Lisboa Cardoso, Acórdão n° 20218738, Sessão de 13/02/2008). Fl. 984DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 985 10 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/10/2000, 17/10/2000, 19/10/2000, 20/10/2000, 23/10/2000, 24/10/2000, 25/10/2000, 27/10/2000 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicilio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9° do PAF. PRELIMINAR DE INCOMPATIBILIDADE DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O FATO JULGADO. INEXISTÊNCIA. Os fundamentos do auto de infração não se alteram pelo fato de não terem sido considerados extintos os créditos correspondentes a ação transitada em julgado na esfera judicial. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA FINS DE EVITAR A DECADÊNCIA O Fisco detém não só o dever como o direito de efetuar o lançamento com fins de evitar a decadência, motivo pelo qual não há qualquer nulidade nesta situação. DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se aplica o disposto no inciso X do artigo 156 do Código Tributário Nacional nos casos em que o litígio tiver sido conseqüência de ação rescisória com concessão de medida cautelar suspensiva dos efeitos da ação judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (3° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n° 133246, Proc. n” 12466. 003119/200488, Rel. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Acórdão n° 302 39526, Sessão de 18/06/2008). (g.n.) Assim, não é lícito interpretar que irregularidades relativas ao mandado ou mesmo a ausência do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade de lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN): “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ”. Em relação ao caso concreto, ou seja, relativamente ao procedimento de análise de pedido de ressarcimento, a rigor não há previsão para emissão de MPF, porquanto a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, prevê três tipos de MPF, a saber: “F” (fiscalização), “D” (diligência) e “E” (especial), este último para os casos de flagrante constatação de infração à legislação tributária. E nem poderia ser diferente, pois, via de regra, o MPF para esses casos seria emitido pela mesma autoridade que prolatará o despacho decisório, qual seja, o delegado da DRF. Assim, não faz sentido o Delegado da Receita Federal expedir MPF para ele mesmo. O fato de os trabalhos de verificação e comprovação do direito creditório estarem sendo conduzidos pela setor de fiscalização da DRF devese ao tipo de trabalho a ser efetuado e não que se trata efetivamente de um procedimento típico de fiscalização tendente a apurar irregularidades ou infrações à legislação tributária, que, em tese, deveria ser precedido da emissão de um MPFF. Desta forma, diante do exposto, eventuais irregularidades no MPF de modo algum podem levar à anulação do despacho decisório, como quer a requerente, primeiramente porquanto esse documento, criado e regulamentado por norma infra legal, constituise em mero instrumento de gerenciamento da atividade fiscal, e, em Fl. 985DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 986 11 segundo lugar, porque, para o pedido de ressarcimento, não há previsão explícita para a emissão desse tipo de documento. Digase em adendo que não há nas normas reguladoras do MPF a exigência de que todas as intimações sejam assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no mandado, como quer a interessada. Quanto a possíveis descumprimentos da Lei n° 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o processo administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei n° 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. Em relação à transferência de competências, tal possibilidade está prevista no art. 249 do Regimento Intemo da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 2007, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. (...) (grifei) Portanto, também não se justifica a alegação da requerente de que somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão referente a seu pedido, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão, com a edição da Portaria n° 34, de 2008, a fls. 31 e 32. Antes de adentrar no mérito da análise do pleito, há que esclarecer que, como o presente não trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um benefício que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada por parte de quem o postula. Assim, cabe à requerente o ônus da comprovação da existência do crédito postulado. Na verdade, não se pode entender o crédito do PIS/Cofins nãocumulativo como o simples recebimento de um valor em dinheiro pela ocorrência de um fato: exportar. Ele está indissoluvelmente ligado à existência de impostos internos, o que lhe dá a natureza de efetivo benefício fiscal. Desta forma, como se trata de pedido de natureza exoneratória e de interesse da própria requerente, esta deve, quando da protocolização ter à disposição todos os elementos necessários à análise do pleito e contribuir, sempre que solicitada, apresentando documentos e esclarecimentos, sob pena de indeferimento do pleito. Tal raciocínio é corroborado pelo artigo 24 da IN SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito , vigente à época da protocolização do pedido: Fl. 986DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 987 12 Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referidoš direito bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (ressaltei) Destarte, quando intimada a apresentar documentos e/ou esclarecimentos que levam ao deslinde do processo deve agir com celeridade e presteza e não tentar procrastinar o atendimento das intimações. Quanto ao mérito, a postulante alega que apresentou os arquivos e documentos solicitados, mas, em vez de analisar a documentação e solicitar novos esclarecimentos, a fiscalização apenas proferiu o despacho indeferindo o pleito, sem demonstrar as razões do indeferimento, o que caracterizaria a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa. Tais alegações não procedem, pois a contribuinte foi intimada inicialmente e várias outras intimações foramlhe encaminhadas para apresentar os elementos necessários à análise do pleito, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls.446/460. Em várias oportunidades os auditoresfiscais realizaram diligências na sede da empresa, em São Paulo, com o fito de obter os documentos/esclarecimentos necessários, sendo que o representante da postulante alegava que não dispunha dos elementos requeridos. Também foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de 30/03/2011, tendo a seguinte motivação: Em 30/03/2011, mais uma vez nos dirigimos até São Paulo, no endereço do estabelecimento matriz, sendo atendidos, às 09:00 h, pelo procurador do sujeito passivo, Sr. Vagner Aparecido da Cruz. Apresentamoslhe cópia do Termo de Constatação, de Intimação e de Reintimação Fiscal, de 02/03/2011; e dele exigimos a apresentação imediata dos esclarecimentos, informações documentos mencionados no item 9 (alíneas 'a', 'b', 'c', 'd', 'e', f'e 'g') e item 10 daquele Em resposta, o Sr. Vagner Aparecido da Cruz informou que não poderia prestar nenhum esclarecimento e apresentou parte das notas fiscais correspondentes aos registros discriminados na 'Planilha 1', sendo algumas apresentadas em via original e outras, por cópia. Perguntado sobre quem o responsável pela prestação de esclarecimentos, não soube informar. Perguntado sobre quem seria o responsável pela elaboração dos arquivos digitais complementares de PIS e Cofins, respondeu que seria o pessoal do departamento fiscal, que não se localiza no estabelecimento matriz sujeito passivo. Ainda, carecem de fundamentos as alegações de que os fiscais não foram razoáveis, que se furtaram a analisar os documentos e que contestaram apenas pequenos elementos componentes do crédito, mas não os demais, e ainda que deveriam continuar com as diligências, pois diante da negativa da postulante em apresentar os documentos solicitados não há o que se analisar. No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, cumpre esclarecer que o indeferimento do pleito não foi devido ao fato de que a empresa não adquiriu insumos no período, mas sim porque as aquisições não foram comprovadas na forma e no valor em que foram consideradas pela contribuinte no Dacon, ou seja, pode haver aquisições que não Fl. 987DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 988 13 gerem créditos, como as havidas de pessoas físicas, ou que gerem crédito parcial, ou ainda que para gerar crédito dependam da forma de utilização do bem ou serviço, e ainda outras situações específicas que somente podem ser esclarecidas se as operações forem detalhadas e, para isso, é preciso que a postulante forneça todos os elementos e esclarecimentos à fiscalização. Portanto, o fato de os créditos não terem sido atestados pela fiscalização não implica a conclusão de que as operações não aconteceram, mas sim que a requerente não logrou comprovar que as operações ocorreram da forma por ela declarada no Dacon e se deram origem a créditos da contribuição na forma por ela considerada. Como dito acima, por se tratar de~um pleito de natureza exoneratória e portanto onerosa para a Fazenda Publica, a unidade da RFB que o analisa tem por dever de oficio verificar os livros e documentos contábeis e fiscais da contribuinte para confirmação da existência do crédito e do seu valor. A postulante, por sua vez, haja vista que o interesse é somente dela e o processo foi por ela deflagrado, tem por obrigação atender a todas as intimações realizadas pela DRF e colaborar de todas as maneiras para a análise do crédito pleiteado. Assim, como o pedido foi formalizados em novembro de 2006, conforme documento de fl. 03, e as intimações relativas a ele foram feitas a partir de dezembro de 2010 (fl.261), portanto mais de quatro anos depois, houve tempo mais que suficiente para que os documentos estivessem, pelo menos em parte, previamente separados para a já aguardada solicitação da DRF para análise. Portanto, repitase, como o interesse era exclusivo seu, a interessada ao protocolizar o pedido já deveria ter à disposição da fiscalização todos os elementos de prova, no entanto, mesmo sendo intimada, ainda foilhe encaminhas várias outras intimações e ter tido um prazo considerável, haja vista que entre a ciência da primeira intimação (29/12/2010 – fl.265) e a ciência do despacho decisório (07/10/2011 fl.813), transcorreu quase dez meses, os documentos/esclarecimentos não foram apresentados como solicitado. Quanto aos arquivos digitais, a obrigação de mantêlos à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está prevista no art. Ilda Lei n° 8.218, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n° 2.158, de 2001, verbis: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais g sistemas. pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (..) (realcei) O motivo para a recusa da entrega total da documentação, que seria a quantidade elevada de documentos, conforme a manifestação de inconformidade, não se justifica, visto que, de acordo com a intimação inicial, foram solicitados para entrega na repartição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) apenas arquivos digitais, ou seja, não ocupariam espaço físico. Para o restante dos documentos, foi solicitado que ficassem à disposição da fiscalização no estabelecimento da empresa. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 989 14 Portanto, a “excessiva” quantidade de documentos contra a qual a requerente se insurge, seria formada apenas pelos arquivos contábeis digitais relativos a somente um trimestre. Portanto, não há que se falar em grande quantidade de documentos. Nem se alegue que paralelamente havia outros pedidos de ressarcimento protocolizados em outros processos e daí a existência da “grande quantidade”, pois se a interessada protocolizou vários pedidos referentes a diversos períodos deveria ter os documentos correspondentes a eles à mão, pois, como dito, tratase de um favor fiscal e de seu exclusivo interesse, e, como adrede demonstrado, houve tempo hábil para tanto, dado o tempo transcorrido entre os pedidos e as intimações. Os documentos que, segundo a interessada, confirmariam o crédito, anexados a fls. 854 a 871, tratamse apenas de cópias do Livro de Entradas (ICMS) e do Dacon, documentos que não estavam entre os solicitados pela fiscalização, além de três cópias de notas fiscais, as quais sequer estão identificadas nos assentos contábeis, pois se já estiverem inseridas nos demonstrativos digitais entregues, já foram consideradas pela fiscalização. O fato de a interessada afirmar, agora na manifestação de inconformidade, que os documentos estão à disposição na sede da empresa, mesmo que, de fato, estejam, não muda a conclusão contida no despacho decisório em questão, pois a contribuinte deveria ter apresentado os documentos à fiscalização quando instada para tanto, tendo em vista que cabe à autoridade fiscal determinar como será feita a análise do pedido. Assim, nesta fase do procedimento, mesmo que a documentação fosse apresentada em sua totalidade, o que não é o caso, o direito da interessada de ter apreciado o mérito do seu pleito já precluiu, uma vez que, na fase impugnatória, cabe à instância julgadora somente a análise da manifestação de inconformidade e não do mérito do pedido, que inclui a auditoria do crédito, cuja competência, de acordo com a legislação de regência, é do Delegado da Receita Federal do Brasil. Concluindo, em resumo, a postulante, diferentemente do que ela argúi em sua manifestação de inconformidade, teve tempo e oportunidade para apresentar todos documentos/esclarecimentos solicitados. Quanto à alegação de que ocorreu a decadência: O direito da Recorrente ao ressarcimento não pode ser mais indeferido porque no caso incide o prazo qüinqüenal de homologação tácita do direito. Este prazo está previsto no artigo 150, §4° do CTN e no artigo 74, §5° da Lei n°9.430, de 31 de dezembro de 1996. Tal situação não pode ser convalidada, tendo em vista que, por absoluta falta de previsão legal, o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional, que trata da decadência ao direito da Fazenda proceder ao lançamento do crédito tributário, ou aquele estabelecido para a homologação tácita da declaração de compensação, constante na Lei n° 9.430, de 31 de dezembro de 1996, não são aplicáveis aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Em relação à homologação tácita das Declarações de Compensação (DCOMP), esclarecese que o prazo para que tal fenômeno ocorra, previsto no art. 74, § 5º, da Lei no 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, é de cinco anos contados da data da entrega da declaração. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 990 15 A DCOMP, relativa a este pedido, mais antiga foi apresentada em 28/11/2006 e o despacho decisório que denegou o pedido foi cientificado à interessada em 07/10/2011 (fl.813). Logo, nenhuma declaração vinculada ao presente foi homologada tacitamente. Diante do exposto podese concluir que não há reparos a se fazer ao despacho decisório de fls. 642/650, que não reconheceu o direito creditório pleiteado e considerou não homologadas as DCOMP a ele vinculadas. Sendo assim, deixase de analisar a alegação referente à aplicação da taxa de juros do Selic ao crédito por desnecessário. Indeferese a perícia solicitada, haja vista que o cumprimento dos seus quesitos, na verdade, equivaleria, na prática, à própria apreciação do pleito. Entretanto, tal apreciação, de acordo com a legislação de regência deve ser realizada pela DRF, fato que a recorrente, ao se recusar a colaborar, não permitiu que a fiscalização o fizesse, e não por um perito nomeado pela própria requerente. O papel deste se limitaria a elucidar alguma pendência técnica que a postulante considerasse não devidamente apreciada pela autoridade a quo. Portanto, no caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela postulante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Assim, após se recusar a colaborar com a fiscalização na forma solicitada e não atender integralmente às intimações realizadas, não cabe nomear um perito para demonstrar a correção do pedido. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação, esclarecese que este processo, referente a pedido de ressarcimento, não é o meio adequado para tanto. Tal pleito deve ser interposto contra o ato que exigir os tributos em questão. No entanto, vale assinalar que, a teor do art. 17 da Lei no 10.833, de 2003, a apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso contra decisão que deixa de homologar DCOMP suspende a exigibilidade dos débitos objeto da compensação. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado." Antes de concluir, cumpre a este relator fazer uma ressalva e um adendo ao voto condutor da decisão de piso. A ressalva: o relator da decisão de primeira instância mencionou que não é possível a apresentação de documentos na fase impugnatória, o que está em desacordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (. . .) Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16349.000220/200717 Acórdão n.º 3301005.959 S3C3T1 Fl. 991 16 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (. . .)" (g.n.) O adendo: a recorrente protestou contra o fato de terem sido não homologadas compensações já homologadas tacitamente, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Também neste caso, não procede a alegação da recorrente. De acordo com o Parecer SAORT n° 10820/368/2011 (fls. 603 a 635) a PER/DCOMP mais antiga foi transmitida em 29/11/06 e a ciência da decisão ocorreu em 07/10/11 (fl. 807). Não obstante, a ressalva e o adendo não comprometeram a conclusão da decisão de primeira instância. A recorrente não comprovou a legitimidade dos créditos cujo ressarcimento pleiteou, apesar de lhe competir tal ônus, nos termos do inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 (Código de Processo Civil). Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 991DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907485/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 85 /2 01 2- 88 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907485/201288 Acórdão n.º 2202004.998 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.005429/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. O conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços - ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3201-004.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a possibilidade de restituição de indébito tributário liquidado por compensação, determinar a prolação de novo Despacho Decisório. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, quanto à restituição de indébito tributário liquidado por compensação, e os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que negaram provimento quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. O conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula CARF nº 02. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 54 29 /2 00 8- 45 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 420 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a possibilidade de restituição de indébito tributário liquidado por compensação, determinar a prolação de novo Despacho Decisório. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, quanto à restituição de indébito tributário liquidado por compensação, e os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que negaram provimento quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 03 protocolizado em 29/12/2008, no montante de R$ 462.977,64, assim motivado: Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 421 3 O pedido foi indeferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal (DERAT) por meio de Despacho Decisório de fls. 36/40, no qual os fatos são assim relatados: Tratase de processo de pedido de restituição de R$ 462.977,64, formulado pelo representante da interessada e protocolizado em 29/12/2.008, relativo ao/à PIS de DEZEMBRO/2.003, compensado através da DCOMP 29051.35423.150104.1.3.02 6970 com crédito de Saldo negativo de IRPJ do exercício de 2.001. Segundo o sujeito passivo, o motivo do pedido, descrito em formulário próprio, é o “pagamento indevido maior do/da PIS ref. Base DEZEMBRO/2.003 – vencimento 15/01/2004”. O pagamento a maior seria decorrente do alargamento indevido da base de cálculo do/a PIS, pela inclusão do ICMS. No mesmo formulário o sujeito passivo justifica a “entrega do pedido de restituição em formulário (art. 76, § 3º), devido à exigência do programa PER/DCOMP exigir a vinculação a DARF pago, quando este não existe em face do pagamento estar sendo efetuado por compensação”. Não foi encontrado no sistema SIEF/Perdcomp possível utilização deste crédito. É o relatório, pelo que passamos à análise fundamentada. Da fundamentação do indeferimento consta: A lei n. 5.172/66, Código Tributário Nacional, prevê a compensação, no seu artigo 170 : Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. O conceito de compensação está expressa no Código Civil: “Art. 368 Se duas pessoas forem ao mesmo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. Art. 369 A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. A compensação tributária pressupõe créditos e débitos líquidos e certos. O sujeito passivo realizou compensação de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2.001 com o PIS de dez/2.003 mediante entrega da DCOMP. Posteriormente protocolou o presente processo, onde requer restituição do valor compensado alegando que na base de cálculo do PIS foi incluído, indevidamente, o ICMS, alegando haver, portanto “pagamento” Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 422 4 (por compensação) a maior, em afronta ao pressuposto legal supracitado. Já o art. 165, da CTN prevê o direito à restituição: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Também a IN 600/05, que regulamentou a restituição e a compensação, vigente à época da protocolização deste processo, elenca, no artigo 2º , as hipóteses passíveis de restituição: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I – cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A compensação não se encontra contemplada nos artigos acima, que elencam expressamente os casos passíveis de restituição. E conclui a autoridade da DRF: Considerando que o crédito objeto do pedido de restituição não é valor líquido e certo, tendo em vista o pressuposto legal estabelecido pelo artigo 170 do CTN. Considerando não haver previsão legal para a restituição de valor compensado, conforme art. 165 do CTN; Considerando as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas informatizados da RFB e tudo mais que do processo consta; Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 423 5 Concluímos que o contribuinte não tem direito à restituição pleiteada neste processo, sendo, portanto, no mérito, IMPROCEDENTE o Pedido de Restituição no montante de R$ 462.977,64 – parecer que foi confirmado pela decisão de indeferimento de fls. 39. De fl. 41 consta que o Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo [Despacho Decisório] na data 13/11/2014 10:55h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e CAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. E de fl. 42 consta Termo de Ciência por Decurso de Prazo, com as informações seguintes: Data da disponibilização na Caixa Postal: 13/11/2014 e Data da ciência por decurso de prazo: 28/11/2014. De fl. 43 consta Termo de Solicitação de Juntada datado de 09/12/2014 de Manifestação de Inconformidade de fls. 44/56, acompanhada dos documentos de fls. 58/91 (Ata e Contrato Social e Alterações, procuração e documento de identificação). Na manifestação, após expor os fatos e registrar a tempestividade de sua defesa, a Interessada apresenta as alegações a seguir sintetizadas Sob o título “Do reconhecimento da validade dos créditos pleiteados”, argumenta que: do Despacho Decisório consta que a Recorrente não faria jus aos créditos pleiteados por conta de não haver previsão legal para restituição de valores compensados, e nada se falou acerca da materialidade dos créditos reclamadas, mas apenas e tão somente sobre a formalidade de como sua restituição poderia se dar. A Autoridade não descaracterizou o pedido da Recorrente, mas somente o negou por supostamente não haver restituição de tributo compensado, esquecendose no entanto, que tributo compensado é apenas uma das espécies de tributo pago e, portanto, perfeitamente incluído na disposição legal segundo a qual a restituição se dará nas hipóteses de “cobrança ou PAGAMENTO espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido” . Conclui esse tópico expondo que, por estar comprovada e validada pela Autoridade Administrativa a ocorrência de pagamento indevido efetuado pela recorrente –mediante compensação – deve ser reconhecido o seu direito ao ressarcimento dos créditos, independentemente de formulário ou programa utilizado para tanto. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 424 6 Na sequência reportase a seu objeto social de realização de atividades industriais, pesquisa e desenvolvimento de produtos, importação e exportação, entre outros e expõe que, após a vigência das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a apurar o PIS e depois a COFINS, sob o regime nãocumulativo. Frisa que sob a égide do regime nãocumulativo, apurou em alguns períodos, em função da natureza de suas atividades e especificidades desse regime legal, saldo crédito de PIS e COFINS (passível de compensação com outros tributos federais), não sendo obrigada ao seu recolhimento. Assevera ter recolhido as contribuições em foco, nos termos das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, incluindo nas bases de cálculo a parcela do ICMS incidente nas operações que traduziram nas suas receitas, acabando por recolher PIS e COFINS a maior ou a apurar saldo credor a menor, conforme planilhas inclusas nos pedidos protocolados que demonstram os efeitos operados pela indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Defende, então, que a inserção na base de cálculo do PIS e da COFINS do valor relativo ao ICMS constitui flagrante ilegalidade/inconstitucionalidade, acarretando o direito da RECORRENTE de ter o seu crédito restituído tese acerca da qual discorre extensamente no item 3 de sua manifestação (parágrafos 14 a 25), identificando o ICMS como sua despesa (18), reportandose aos arts. 1º das Leis nºs 10.637 e 10.833, ao Recurso Extraordinário 240.785 e votos nele proferidos, e citando entendimento doutrinário, para concluir que: É inexorável o reconhecimento de que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, sob pena de ofensa aos artigos 195, I, “b”, e 239, da Constituição Federal, ao artigo 110, do Código Tributário Nacional, e aos dispositivos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que definem suas bases de cálculo, como sendo o faturamento ou a receita. No item 4 de sua Manifestação, defende a Interessada que o pagamento indevido ou a maior por parte do contribuinte caracteriza um enriquecimento sem causa do Estado, que recebe tal pagamento, cita doutrina e decisão judicial para concluir que deve ser repudiado o enriquecimento ilícito do Estado, mormente quando restou demonstrado o pagamento a maior realizado pela RECORRENTE. Finaliza requerendo o acolhimento integral de suas razões para que seja deferida a restituição pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Ribeirão Preto por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 1464.590, sessão de 02/03/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada:: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 425 7 Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). INDÉBITO DE CONTRIBUIÇÃO EXTINTA MEDIANTE COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Inexiste previsão legal de apuração de indébito de tributo e/ou contribuição extinto mediante compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Traz como fato novo que a decisão do STF no RE nº 574.706/PR julgado na sessão de 15/03/2017. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não reconheceu o direito creditório fundando no PIS apurado em 12/2003 e compensado através da DCOMP nº 29051.35423.150104.1.3.026970, com crédito de Saldo negativo de IRPJ. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 426 8 Portanto, o pretenso direito creditório, requerido em um pedido de restituição, não decorre de pagamento a maior ou indevido de tributo, mas de um débito compensado em Dcomp e que se alega apurado em excesso pois em sua base de cálculo está inserido o ICMS, cuja inclusão foi declara inconstitucional no RE nº 574.706. Há três matérias a serem decididas em que a negativa de provimento em qualquer delas implica a prejuízo no enfrentamento da(s) seguinte(s). São elas: (i) a possibilidade de pedido de restituição de tributo declarado em compensação; (ii) a permissão à exclusão do ICMS próprio na base de cálculo da Contribuição para o PIS; e (iii) a certeza e liquidez do crédito, acaso reconhecido. Pedido de restituição de tributo declarado em compensação Com razão a decisão recorrida que manteve o indeferimento do pedido de restituição no despacho decisório. Não há no ordenamento legal tributário previsão de repetição de indébito de valor de débito declarado a maior que o devido. A única modalidade de extinção do crédito tributário que permite a restituição é o pagamento, conforme dispõe os incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; O alegado indébito não decorre de um pagamento a maior que o devido, o que se dá por intermédio de um DARF. Esta a razão para no PER/DCOMP exigir em campo próprio o preenchimento com as informações que identificam o alegado crédito, que deve estar consubstanciado em um DARF. A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário e não se confunde com a demais formas estabelecidas no art. 156 do CTN, mormente com o pagamento, que se indevido comporta restituição. Nesse sentido, o Acórdão nº 3401005.331 que julgou identifica matéria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2002 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 427 9 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. (Processo nº 15892.000132/200998, sessão de 25/09/2018, relatoria do Conselheiro Cassio Schappo, decisão unânime) Exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições para PIS e Cofins A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico do PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Afirma ser inexorável o reconhecimento de que o ICMS não deve integrar a base de cálculo da PIS, sob pena de ofensa aos artigos 195, I, “b”, e 239, da Constituição Federal, ao artigo 110, do Código Tributário Nacional, e aos dispositivos das Leis. 1.0637/2002 e 1.0833/2003, que definem suas bases de cálculos, como sendo o faturamento ou a receita, sendo que o ICMS não revela medida de riqueza. Conclui que a análise acerca da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições já foi feita em caráter definitivo pelo Supremo Tribunal Federal, em sede do Recurso Extraordinário n. 574.706. Assim, deve ser reformada a r. decisão, vinculandoa ao resultado prolatado pelos ministros do STF no RE n° 574.706, em obediência ao Novo Código Processo Civil e Regimento do CARF. Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 428 10 No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/20172, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Transcrevo excerto da ementa do REsp nº 1.144.469 /PR: EMENTA [...] PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2°, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado ã industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relatoro Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2075368 Código de Segurança: 2A90.4694.CEEB.3, Data de geração: 13/12/2017 16:21:51 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 429 11 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS [...] 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS [...] 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL [...] 2.4. Do IPI sobre o ICMS [...] 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN [...] 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1°, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax").consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 430 12 imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia [...] que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por deverde coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. [...] (REsp 1144469 PR, Rei. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rei. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pois ainda passível de modulação de seus efeitos e sem o trânsito em julgado, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Este Conselho já enfrentou a mesma matéria em recurso do contribuinte nos processos 10880.979818/201114 cuja ementa transcrevo, 10283.902818/201235 e 13609.000892/200998, todos com decisão desfavorável à contribuinte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/09/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 431 13 (Acórdão nº 3302005.969, sessão de 25/09/2018, relatoria do Cons. Raphael Madeira Abad, decisão por maioria de voto) Quanto à tese de inconstitucionalidade da exigência, impende conferir a legislação concernente à base de cálculo das contribuições a o conceito de receita bruta. Conforme art. 1º, caput, e §1º, da Lei 10.833/2003 (replicada na Lei nº 10.637/2002 para o PIS/Pasep): Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Receita Bruta é definida pelo art. 12 do Decretolei 1.598/77, com a seguinte redação então vigente: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Como se vê, a exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º. Desse modo, conforme expressa definição legal, a base de cálculo do Pis e da Cofins abrange os tributos incidentes sobre a receita bruta ou faturamento, tais como o ICMS e o ISS. Ademais, o CARF não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 2 e artigo 26A do Decreto 70.235/72: " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Destarte, aplicamse os fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. Prova da certeza e liquidez do crédito Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN3, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 432 14 informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. A interessada requereu o reconhecimento de direito a crédito indicado em planilha de fls. 06 sem apresentar documento comprobatório algum, não só quanto ao montante do valor do ICMS a ser excluído, mas também quanto à existência de eventual medida judicial conferindo o direito à exclusão do referido tributo da base de cálculo da contribuição, dado que tal procedimento contraria o disposto na lei. Evidenciase que o recorrente até esta fase do contencioso administrativo não se preocupou em apresentar os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal4, o PAF e o CPC5. Destarte, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, e sua compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. 4 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. 5 Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 433 15 Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Redator designado Com a devida vênia, ouso divergir do sempre bem elaborado voto proferido pelo E. Relator, Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. No que tange ao direito à devolução do indébito tributário entendo que o mesmo pode ser concretizado tanto com o pagamento indevido, tanto com a compensação. Filiome a corrente de que o conceito de pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também a compensação de tributos. Neste sentido, cito precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ: "TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9º. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9º., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9º. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1º. e 8º, a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 434 16 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. 5. Ainda que não se considerasse que a compensação configura, na hipótese específica destes autos, uma modalidade de pagamento da dívida tributária, ganha relevo o fato de a compensação ter sido realizada de ofício, pois demonstra que o Fisco suprimiu até mesmo a possibilidade de o contribuinte, depois de receber o valor que lhe era devido, resolver aderir à forma favorecida de pagamento, prevista no art. 9º. da MP 303/06. 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido." (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) (nosso destaque) Superada tal questão, no mérito, entendo que assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 435 17 Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 436 18 rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 437 19 STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 438 20 mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da VicePresidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 439 21 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 440 22 Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.008586 0/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 441 23 Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 442 24 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 443 25 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201 003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13804.005429/200845 Acórdão n.º 3201004.951 S3C2T1 Fl. 444 26 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Assim, é de se prover o Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ. Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a possibilidade de restituição de indébito tributário liquidado por compensação, determinar a prolação de novo Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator designado Fl. 444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.913041/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO DO CEARÁ COGERH. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 30 41 /2 00 9- 31 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10380.913041/200931 Acórdão n.º 1402003.696 S1C4T2 Fl. 71 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10380.913041/200931 Acórdão n.º 1402003.696 S1C4T2 Fl. 72 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. A Recorrente pleiteia por meio de PER/DCOMP crédito relativo a pagamento a maior, feito por DARF, de estimativa mensal de CSLL. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA) , fls. 08 , através do qual o Titular da Unidade de Jurisdição do, Sujeito Passivo, após apreciar o PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO, relativo a DARF, com dados ali discriminados, concluiu pela não homologação da compensação declarada no citado PER/DCOMP: Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados no citado Despacho Decisório, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado, o citado Despacho Decisório de fls. 08 , do qual tomara ciência em 23/10/2009 (sextafeira) , fls. 33 , o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 23/11/2009 , fls: 12, 13 , argumentando a insubsistência e improcedência do indeferimento do seu Pleito, alegando em síntese: A Pessoa Jurídica identificada alegou o pagamento através de DARF no valor de R$ 82.541,76, relativo ao não recolhimento mensal de CSLL — PJ optante pelo lucro real/estimativa mensal, código..2484 — 01, quando deveria ter sido pago o valor de R$ 17.582,90. Portanto foi realizado :ó pagamento a maior no valor de R$ 64.958,86. O valor foi informado indevidamente na DCTF ocasionando um débito com valor a maior que, no entanto, foi pago. Existindo, portanto, o crédito, foi solicitada a compensação no valor original de R$ 64.958,85, referente ao valor pago a maior que fora utilizado para pagamento de débitos, mais os acréscimos de juros e multas, totalizando o valor de R$ 67.258,39, através da PER/DCOMP 13182.57205.270508:1:3.047106, e de conformidade com a legislação vigente à época, conforme a seguir discrimiriádo, havendo anexado documentos à sua Defesa: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10380.913041/200931 Acórdão n.º 1402003.696 S1C4T2 Fl. 73 4 O v. acórdão recorrido manteve o indeferimento do direito creditório e a não homologação da compensação, eis que não aceitou a retificação da DCTF após a intimação do r. Despacho Decisório devido a Recorrente não ter juntado aos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar sua alegação de que tinha cometido erro material no preenchimento da DCTF, bem como a liquidez e certeza do crédito pleiteado, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova do erro alegado, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando preliminar de fundamentação inadequada do v. acórdão, eis que a IN 903/2008 não tinha validade em relação ao caso em apreço por ter sido revogada pela IN 974/2009, a qual assegura a retificação da DCTF. No mérito, alega que trouxe aos autos em sede de manifestação de inconformidade as Fichas da DIPJ 2008. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10380.913041/200931 Acórdão n.º 1402003.696 S1C4T2 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega em preliminar que a o v. acórdão recorrido se utilizou de dispositivos que não tem validade no presente caso e que se fundamentou em legislação que regulamenta regras para retificação de lançamento, o que não se pode admitir em processo de restituição/compensação. Tal alegação não procede. Apesar de o v. acórdão ter se utilizado da IN 903/2008 e da legislação que regulamenta regras para retificação de lançamento, o principal fundamento para manter o indeferimento do pedido de restituição e compensação foi o fato de a Recorrente não ter carreados aos autos provas que comprovem o alegado erro de preenchimento da DCTF, bem como do pagamento a maior. O fato de a Recorrente ter retificado a DCTF após ter sido intimada do r. Despacho Decisório, não retira a necessidade de comprovar por meio de documentos contábeis e fiscais que os dados constantes na DCTF retificada estão corretos, bem como demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. A Recorrente apresentou aos autos apenas a DCTF retificada de dezembro de 2007, o DARF pago no valor de R$ 82.541,76 e alega ter acostado junto a manifestação de inconformidade as Fichas 16 e 17 da DIPJ/2008, porém não constam nos autos tais documentos. Ademais, segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10380.913041/200931 Acórdão n.º 1402003.696 S1C4T2 Fl. 75 6 Inconformada com o v. acórdão que manteve o r. Despacho Decisório, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário informando que juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, as Fichas da DIPJ 2008 para comprovar o erro no preenchimento da DCTF, bem como o crédito apontado na DCTF retificada relativo ao pagamento a maior feito por equívoco. Entretanto, além de apenas as Fichas 16 e 17 da DIPJ/2008 não serem suficientes para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão, tais documentos não constam nos autos, não restando alternativa senão manter a decisão "a quo". Desta forma, como o v. acórdão não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito apontado na DCTF retificada após a intimação do r. Despacho Decisório, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996939/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.784
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 9/ 20 12 -0 9 Fl. 9466DF CARF MF Processo nº 10880.996939/201209 Resolução nº 3401001.784 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.958. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 9467DF CARF MF Processo nº 10880.996939/201209 Resolução nº 3401001.784 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 9468DF CARF MF Processo nº 10880.996939/201209 Resolução nº 3401001.784 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 9469DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720047/2011-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO DE DIVERGÊNCIA RELATIVA A MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 115.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses excepcionais previstas na legislação, circunstância que não se observa nos autos. Verificada a preclusão, restam prejudicados todos os argumentos relativos aos documentos que não foram aceitos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. INCLUSÃO.
Na apuração dos preços praticados de acordo com o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devem ser incluídos o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação, nos termos do que preconiza o art. 18, § 6o, da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos.
Numero da decisão: 9101-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, não conhecendo somente da matéria "forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL-60". No mérito, (i) quanto à necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento, restando prejudicada a matéria (ii) "legitimidade do laudo extemporâneo"; e (iii) quanto à não inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei. Entretanto, findo o prazo regimental, os conselheiros não apresentaram declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Recorrente ALCATELLUCENT BRASIL S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO DE DIVERGÊNCIA RELATIVA A MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 115. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses excepcionais previstas na legislação, circunstância que não se observa nos autos. Verificada a preclusão, restam prejudicados todos os argumentos relativos aos documentos que não foram aceitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. INCLUSÃO. Na apuração dos preços praticados de acordo com o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devem ser incluídos o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação, nos termos do que preconiza o art. 18, § 6o, da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 47 /2 01 1- 39 Fl. 17434DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.435 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, não conhecendo somente da matéria "forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL60". No mérito, (i) quanto à necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento, restando prejudicada a matéria (ii) "legitimidade do laudo extemporâneo"; e (iii) quanto à não inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Demetrius Nichele Macei. Entretanto, findo o prazo regimental, os conselheiros não apresentaram declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial apresentado por ALCATELLUCENT BRASIL S.A em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.779 (fls. 16.688 e ss.), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF que, em sessão realizada em 03/03/2015, decidiu negar provimento ao recurso voluntário. O processo cuida de autos de infração para a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL, cumulados com juros e multa, referentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, apurados em decorrência de duas infrações apuradas pela autoridade fiscal: a) Amortizações de ágio não dedutíveis; b) Ajustes a título de preços de transferência nas importações. Fl. 17435DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.436 3 Em linhas gerais, os fatos que ensejaram as autuações foram assim descritos pelo termo de constatação (fls.1610816329): DO ÁGIO A contribuinte adquiriu, em 31/12/2005, a empresa GMK Eletrônica Ltda. Conforme contrato de compra e venda e comprovantes de pagamento, o valor de aquisição de todas as cotas da GMK foi fixado em R$ 35.000.000,00, como se lê na cláusula 5ª do acordo. Balanço contábil levantado na data do fechamento da transação apurou que o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 8.837.600,35. Do confronto entre o montante pago e o valor contábil da empresa adquirida, surgiu o ágio, contabilizado no Ativo Permanente da investidora, o qual foi amortizado em parcelas de R$ 5.232.479,93 nos anos de 2006, 2007 e 2008. Questionada acerca da fundamentação econômica da mais valia, a contribuinte declarou tratarse de rentabilidade em exercícios futuros, com previsão no artigo 385 do RIR/99. Intimada a apresentar cópia do laudo de avaliação econômica da GMK, a contribuinte forneceu apenas cópia do Laudo de Avaliação Contábil, de 03/04/2006, elaborado para fins de incorporação do patrimônio da GMK na contribuinte. A evidenciação do ágio na contabilidade encontrase prevista no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77. Sinteticamente, numa aquisição, o valor pago acima do valor contábil da adquirida poderá representar a valorização de ativos ou a desvalorização de passivos, ativos intangíveis não identificados anteriormente no balanço da adquirida, e, ainda, o valor da rentabilidade prevista para exercícios futuros. Na hipótese do fundamento econômico do ágio ser o valor de mercado de bens do ativo ou o valor da rentabilidade prevista para os exercícios futuros, seu registro deve estar apoiado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração. (...) A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação acionária adquirida com ágio cujo fundamento econômico for o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros pode amortizar a mais valia nos balanços correspondentes de apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 no máximo, para cada mês do período de apuração. Embora nenhuma parcela do ágio registrado possa ser amortizada, conforme adiante demonstrado, cabe ainda apontar Fl. 17436DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.437 4 que parte do valor deduzido no ano de 2006 fere, de plano, o disposto no artigo 7º da Lei 9.532/97. A incorporação da GMK deuse em 03/04/2006. Apenas a partir desse evento é que a amortização poderia iniciarse. No entanto, a contribuinte reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em montante equivalente a 12/60, quando a amortização máxima seria de 9/60. Nenhuma amortização no que tange aos três primeiros meses de 2006 poderia ser cogitada, posto ainda não ocorrida a hipótese prevista em Lei. [...] Em suma, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de estudo idôneo, a teor do disposto no § 3º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, que o valor do ágio lançado em sua contabilidade referese, em quantidade e qualidade, exclusivamente à rentabilidade futura da adquirida, o que não ocorre no presente caso. Assim, não demonstrado que o ágio enquadrase na hipótese prevista na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, imperioso concluir pela inadmissibilidade das respectivas amortizações, levadas a efeito nos anos de 2006, 2007 e 2008, inclusive no que diz respeito às reduções da base de cálculo da CSLL, em conformidade com o preceituado no artigo 57 da Lei nº 8.981/95. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO Dos fatos A contribuinte efetuou ajustes ao lucro líquido, decorrente da aplicação de métodos de preço de transferência, conforme declarado na linha 07, da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da DIPJ/2007 do período de 01/01 a 03/04/2006 no montante de R$ 824.053,69 e do período de 04/04 a 31/12/2006 no montante de R$ 4.344.257,59. Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, a empresa apresentou o demonstrativo das pessoas vinculadas e as memórias de cálculo de apuração dos preços de transferência. Para a apuração dos ajustes efetuados, a contribuinte adotou o método PRL60 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%). A empresa foi intimada a apresentar arquivo digital (conforme Manual de Orientação do Leiaute dos Arquivos do Sistema, de Auditorias Internacionais Audin), referente às operações efetuadas no anocalendário de 2006. Durante a validação dos dados do arquivo digital, foi emitido relatório que apontou inúmeras inconsistências. A empresa foi, então, intimada a efetuar as correções e gerar novo arquivo digital retificador, contendo todos os registros, Fl. 17437DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.438 5 tanto aqueles que foram corrigidos e como os que não sofreram nenhuma correção. O arquivo digital retificador foi enviado pela internet e recebido na base do Sistema de Auditorias Internacionais Audin. Das verificações Analisando a memória de cálculo apresentada pela empresa, a fiscalização verificou que a metodologia utilizada pela empresa para a apuração dos preços de transferência, com a adoção do método PRL60, não obedeceu ao determinado no artigo 12, da IN SRF nº 243/2002. Desse modo, a fiscalização refez os cálculos para a apuração dos preçosparâmetro, conforme o determinado na mencionada instrução normativa. Das mercadorias selecionadas apuração dos preços praticados A fiscalização selecionou, com base na planilha de memória de cálculo apresentada pela empresa, mercadorias importadas de pessoas vinculadas, para a apuração dos preços praticados. Com base na extração efetuada pelo Audin na base de dados do Siscomex, a fiscalização separou as referidas mercadorias selecionadas e elaborou a Tabela Mercadorias Selecionadas (fls. 16119/16245), que relaciona a descrição da mercadoria, o número da DI, data de registro e desembaraço, o exportador, o custo unitário e total em reais e em dólares americanos e a quantidade (unidade). Os custos foram apurados acrescentando se aos valores CIF (FOB+frete+seguro) os valores do Imposto de Importação. Também foi elaborada a Tabela Mercadorias Selecionadas – Resumo (fls. 16246/16255), que totaliza, por mercadoria, o custo de importação em reais e em dólares americanos, assim como as quantidades importadas. Foi elaborada, ainda, a Tabela Estoque Inicial (01/01/2006) (fls. 16257/16260), que relaciona para cada mercadoria selecionada, por código de produto, a quantidade (unidade), o valor unitário e o valor total do item. (...) Das mercadorias selecionadas apuração dos ajustes A fiscalização efetuou a comparação entre os preços praticados e os preçosparâmetro, considerando a margem de divergência (artigo 38 da IN SRF nº 243/2002), verificando quais as mercadorias importadas que apresentaram preços praticados superiores aos preçosparâmetro. Conforme o determinado no artigo 5º da IN SRF nº 243/2002 e verificado que o preço praticado na importação, pela empresa vinculada domiciliada no Brasil, foi superior àquele utilizado Fl. 17438DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.439 6 como parâmetro, o valor resultante do excesso de custo, decorrente da diferença entre os preços comparados, é considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A apuração dos ajustes está demonstrada na Tabela Apuração dos Ajustes (fls. 16277/16281), totalizando R$ 67.474.649,82. (...) Do ajuste total decorrente dos preços de transferência a ser efetuado Demonstrase, a seguir, o valor total do ajuste a ser efetuado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, apurado com a adoção do método PRL60: Com a ciência das autuações, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 16.375), com o objetivo de defender a improcedência dos lançamentos, a partir dos seguintes argumentos: Da legitimidade da constituição do ágio e do critério de amortização do ágio pela impugnante Uma das acusações fiscais do presente lançamento baseiase na acusação de que a impugnante teria amortizado indevidamente, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas aos anos calendários de 2006 a 2008, parcelas do ágio apurado na aquisição e incorporação da empresa GMK. Em 31/12/2005, a impugnante adquiriu a GMK pelo valor de R$ 35.000.000,00, tendo ocorrido a incorporação desta última empresa em 03/04/2006. O referido valor foi pago pela impugnante, com recursos próprios, em 5 parcelas, conforme disposto na Cláusula 5ª do "Contrato de Compra e Venda de Cotas da GMK Eletrônica Ltda." datado de 31/12/2005. Em atendimento à norma legal, a impugnante, ao adquirir a GMK, aplicou a regra de desdobramento do custo da aquisição da participação societária da seguinte forma: - valor do patrimônio liquido na época da aquisição, que era de R$ 8.837.600,35, de acordo com o balanço patrimonial levantado em 31/12/2005; e - ágio na aquisição, que correspondeu à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor apurado no item anterior, Fl. 17439DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.440 7 no montante de R$ 26.162.399,65 (diferença entre R$ 35.000.000,00 e R$ 8.837.600,35). Em cumprimento ao artigo 385 do RIR/99, o valor do ágio computado pela impugnante na ocasião da aquisição do investimento (abril de 2006) foi devidamente fundamentado pela expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios futuros a essa operação. E a fundamentação do ágio pela rentabilidade futura teve como base o laudo elaborado pela Planned Consultoria Tributária, Contábil e Empresarial Ltda., sólida empresa de consultoria em diversas áreas, dentre elas a área contábil. Tratase do "Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira" da empresa GMK, cuja cópia ora se anexa (doc. 03) e cujo objetivo era o de "determinar o valor da empresa, dentro de premissas econômicas estabelecidas, determinandose sua efetiva capacidade de geração de resultados, ou seja, de riqueza dentro de uma projeção de longo prazo". As conclusões quanto ao valor econômico da GMK, consideradas à época da aquisição, nortearam o processo de negociação e aquisição da GMK pela impugnante. É importante frisar que o fundamento da acusação fiscal de que ora se trata foi a ausência de apresentação de documentação comprobatória do direito à amortização do ágio, qual seja, estudo idôneo que comprove que o valor do ágio lançado na sua contabilidade referese exclusivamente à rentabilidade futura da GMK. Isto pois a própria fiscalização reconhece em seu Termo de Constatação que a impugnante prontamente identificou o fundamento econômico do ágio no curso da ação fiscal com base na expectativa de resultados futuros. Durante o curso da fiscalização, a impugnante apresentou à fiscalização cópia do Laudo de Avaliação Contábil, datado de 03/04/2006,o qual, contudo, foi considerado insuficiente pela fiscalização. No entanto, a impugnante não foi sequer questionada sobre a suposta impropriedade e insuficiência de tal documento no curso da ação fiscal. Somente quando da lavratura do presente Auto de Infração é que a impugnante foi notificada do fundamento da desconsideração de tal documento e da conseqüente glosa das amortizações do ágio, qual seja, não apresentação de estudo econômico fundamentado na rentabilidade futura da GMK. Ocorre que a impugnante dispõe sim de documentação que suporta a fundamentação econômica do ágio ora questionado. Conforme se verifica do documento anexo (doc. 03), o ágio registrado está fundamentado em rentabilidade futura, apurada e avaliada em trabalho realizado pela empresa Planned, não havendo qualquer motivo que justifique a glosa da amortização do ágio pretendida pela fiscalização. Fl. 17440DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.441 8 De acordo com as conclusões apresentadas no "Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira" elaborado pela Planned em 31/03/2006, o valor presente de mercado da GMK era de R$ 67.676.000, 00. O método adotado em tal estudo é o do fluxo de caixa descontado combinado com o valor terminal, ou seja, o método utilizado para apuração do valor econômico associado à rentabilidade das empresas. Também a partir de tal estudo, elaborado à época da incorporação da GMK pela impugnante, pode ser verificado o valor do patrimônio líquido da GMK, de R$ 8.837.600,35, de acordo com o balanço patrimonial levantado em 31/12/2005. Ora, considerandose que (1) a Planned avaliou como sendo R$ 67.676.000,00 o valor de mercado da GMK à época da aquisição; (2) o preço pago pela impugnante na aquisição foi de R$ 35.000.000, 00; e (3) o valor contábil da GMK era de R$ 8.837.600,35, decorre que todo o valor apurado como ágio encontrase justificado em perspectiva de rentabilidade futura da GMK. Com a incorporação da GMK, a impugnante passou a ter o direito de amortizar o referido ágio para fins fiscais, mais precisamente, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração, Fluxo de caixa descontado conforme dispõe o artigo 386 do RIR/99. O ágio total contabilizado no montante de R$ 26.162.399,65 passou a ser amortizado pela impugnante em parcelas anuais de R$ 5.232.479,93. Resta, portanto, claramente demonstrado que o fundamento econômico do ágio contabilizado decorrente da aquisição da GMK é o valor de rentabilidade da empresa, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, apurado em estudo econômico idôneo ("Laudo de Avaliação Econômico Financeira" doc. 03) , conforme disposto no artigo 385, § 2º, inciso II, do RIR/99. (...) DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Da nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação (...) Ou seja, a fiscalização não só deixou de indicar onde estaria a ilegalidade da conduta da impugnante limitandose a apontar a contrariedade a uma norma infralegal (a IN SRF nº 243/2002), como ainda deixou de analisar e descrever as supostas irregularidades observadas nos cálculos da impugnante. O dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem os Autos de Infração) é tema incontroverso, dada a Fl. 17441DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.442 9 clareza do artigo 2º da Lei nº 9.784/99 (lei do Processo Administrativo Federal), a esse respeito. O próprio Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) é explícito nesse sentido, ao tratar, em seu artigo 10, dos requisitos do Auto de Infração. Todavia, conforme já se disse, não se observa uma linha sequer no trabalho fiscal, dedicada à justificação e à demonstração de quais foram exatamente os critérios de apuração do preço parâmetro, adotados pelo contribuinte, que afrontaram a lei. Este fato, por si só, já demonstra a fragilidade do Auto de Infração, de forma que a sua nulidade resta evidenciada independentemente de qualquer outra discussão. Dos problemas no cálculo do PRL60 segundo a IN SRF nº 243/2002 Como se não bastasse a flagrante ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, o cálculo do PRL60 segundo a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 gera uma série de problemas e erros lógicos, a seguir sintetizados: (1) Para a sistemática da IN SRF nº 243/2002, é mais interessante importar produto acabado do que produzir no Brasil. O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 prejudica a indústria nacional e incentiva a produção em outros países; (2) O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 possui erro lógico, que resulta em cálculo circular que incentiva a manipulação de preços; e (3) A IN SRF nº 243/2002 exige margem de lucro 150% sobre os custos não sujeitos ao controle de preços de transferência (itens nacionais e importados de terceiros). Da possibilidade de a impugnante apresentar cálculos segundo outros métodos previstos em Lei Inexiste na legislação brasileira um método preferencial para aferição do preço de transferência. O nosso legislador facultou ao contribuinte a adoção do método que bem lhe aprouver, inclusive podendo adotar, para fins de dedução no lucro tributável, o método que lhe trouxer o maior valor, sempre limitado, todavia, ao preço da aquisição da operação transacionada. É o que se extrai da leitura do artigo 18, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96. Em outras palavras, é de livre escolha do contribuinte o método para aferição do preço de transferência, devendo, pois, a Administração restringir sua análise exclusivamente à averiguação do método escolhido pelo contribuinte e à comprovação do cálculo por ele realizado. Nesse contexto, e além de tudo o quanto exposto acima, a impugnante esclarece que está trabalhando na elaboração de cálculos dos eventuais ajustes que seriam realizados nas bases Fl. 17442DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.443 10 tributáveis do IRPJ e da CSLL conforme outros métodos previstos na Lei nº 9.430/96, ou seja, CPL (Custo de Produção mais lucro) e PIC (Preços Independentes Comparados). O objetivo de tais cálculos seria reforçar ainda mais a conclusão exposta ao longo da presente impugnação, qual seja: de que os cálculos efetuados pela fiscalização pelo método PRL60 com base na sistemática prevista pela IN SRF nº 243/2002 geraram ajustes ilegais, abusivos e inconsistentes nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, quer se comparados com os ajustes realizados pela impugnante pelo método do PRL60 com base na sistemática da Lei nº 9.430/96, quer se comparados com os ajustes que seriam realizados pela impugnante conforme outros métodos previstos pela Lei nº 9.430/96. Dos Tratados firmados entre o Brasil e os países de onde a impugnante importa os produtos que foram objeto de ajuste Conforme se verifica na DIPJ, a impugnante realiza grande volume de importações com pessoas residentes em paises com os quais o Brasil firmou Tratado para Evitar a Dupla Tributação, em especial, Espanha, China, Áustria, Itália, Canadá, México, Holanda, França, Bélgica e Argentina. Como é sabido, os acordos de bitributação prevalecem sobre as normas internas de direito tributário, consoante o artigo 98 do CTN. Por essa razão, os Estados Contratantes somente podem tributar uma determinada situação, se tal tributação não estiver vedada pelo acordo de bitributação. (...) Ou seja, ainda que se entendesse a título ilustrativo que a IN SRF nº 243/2002 pudesse majorar um tributo sem base legal, ter seia de admitir que a sua aplicação estaria vedada em razão dos tratados, já que os mesmos determinam a observância do princípio do "arm's lenght". Não é demais ressaltar que os tratados assinados pelo Brasil não se interpretam conforme a legislação de qualquer dos Estados Contratantes, mas segundo as regras do Direito Internacional Público, consolidadas pela Convenção de Viena. Por conseguinte, o princípio "arm's length" não fica atado às normas brasileiras de preço de transferência, mas ao conceito que deflui do próprio acordo de bitributação. Da ilegítima inclusão dos valores relativos ao frete, seguro (preço CIF) e tributos no cálculo do preço praticado A fiscalização incorreu, ainda, em outro equivoco, qual seja, a inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo CIF). Para sustentar sua posição, a Autoridade Fiscal valeuse do artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002. Fl. 17443DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.444 11 A base legal de tal dispositivo é o § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual "Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação" (destaques da impugnante). No entanto, a impugnante entende que a melhor interpretação dos supracitados dispositivos impõe que os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação sejam excluídos do preço praticado e, portanto, das regras que controlam os preços de transferência. Segundo a posição adotada pela impugnante, a única interpretação coerente é aquela que entende que referida norma não visa a incluir o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas tão somente integrálos ao custo para efeito de dedutibilidade para fins de cálculo do lucro real, como diz a própria lei. (...) Pois bem. As despesas de frete, seguro e tributos não decorrem de transações realizadas com a empresa vinculada, mas sim de operações com terceiros, empresas seguradoras, transportadoras e a própria Administração Federal, que não possuem vinculo de dependência com a empresa sediada no Brasil. Assim, na importação de produtos de empresas vinculadas, os valores de frete, de seguro e dos tributos incidentes sobre a importação estão fora do escopo das regras de preços de transferência. O fato é que tais custos resultam de transações com terceiros não vinculados, não se prestando a compor qualquer relação jurídica que decorra das regras de preços de transferência. DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A PARCELA DA MULTA Ao analisar, de modo geral, a prática reiteradamente realizada pelas autoridades fiscais na lavratura de Autos de Infração, verificase que não é incomum a aplicação de juros SELIC sobre a parcela da multa cobrada, em descumprimento às determinações do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Em conformidade com o referido artigo, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. É o que corrobora a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, na remota hipótese de ser mantido o lançamento aqui combatido, não há que se admitir a eventual futura incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. Fl. 17444DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.445 12 Em 14 de maio de 2013, a 5a Turma da DRJ/SP decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação (fls. 16.502 e ss.). Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 16.547 e ss.), no qual reproduziu os fundamentos da impugnação e acrescentou novos argumentos. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 16.652), para rebater os pontos combatidos pelo contribuinte e pugnar pela manutenção integral das autuações. Em fevereiro de 2015, aproximadamente 30 (trinta) dias antes do julgamento pela turma ordinária do CARF, o contribuinte anexou ao processo dois documentos: a) "Laudo de Avaliação Aplicação das Normas Internacionais de Contabilidade IFRS 3" para a empresa GMK Eletrônica Ltda., data base 04 de janeiro de 2006, com base nas informações de 31 de dezembro de 2005, emitido em 31 de janeiro de 2006 pela empresa Planned Consultoria Tributária, Contábil e Empresarial Ltda., que suporta, no anexo 7, a fundamentação do ágio com base em rentabilidade futura. b) Razão contábil que demonstra a contabilização do investimento na empresa GMK Eletrônica Ltda. no dia 02 de janeiro de 2006. Em 03 de março de 2015, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por meio do acórdão nº 1301 001.779, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEMONSTRAÇÃO EXIGÊNCIA LEGAL. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justificase a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. AMORTIZAÇÃO ANTES DA INCORPORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 17445DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.446 13 O ágio (caso tenha como fundamento rentabilidade em exercícios futuros) só pode ser amortizado após a aquisição/incorporação da empresa. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Infração. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Contra a decisão o contribuinte opôs embargos (fls. 16.825), sob o fundamento de omissões e contradição no acórdão, sustentando, em síntese, que: "1) o voto recorrido é omisso em relação ao Laudo 2 apresentado, tendo deixado de analisálo; (2 e 3) também é omisso quanto à aplicabilidade dos Tratados Internacionais para Evitar a Dupla Tributação em relação ao método PRL 60 e a IN 243/2002 e, 4) contradição entre a ementa do Acórdão recorrido e o teor do voto vencedor relativo a matéria Juros sobre a Multa de Ofício". Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 16.883. Em 06 de abril de 2016, os embargos do contribuinte foram julgados e parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes, para suprir uma das omissões e a contradição apontadas, apenas em relação à matéria juros de mora sobre multa de ofício. As demais omissões não foram acolhidas. O acórdão nº 1301001981 trouxe a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da embargante, pois eventual Fl. 17446DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.447 14 inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO. ADMITIDA SEM EFEITOS INFRINGENTES. Detectada contradição entre a ementa e o decidido pela Turma, deve o vício ser sanado por meio de acórdão integrativo. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou novos embargos (fls. 16.918), sob o argumento de que houve contradição no acórdão. Esses embargos foram admitidos por meio do despacho de fls. 16.929. Em 21 de junho de 2017, houve o julgamento dos embargos, que foram acolhidos, sem efeitos infringentes, para suprir a contradição existente no acórdão nº 1301 001.981, através do acórdão nº 1301002501, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Ao se constatar a existência de contradição, os embargos devem ser acolhidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LAUDO DE AVALIAÇÃO. JUNTADA EXTEMPORÂNEA. EFEITOS PROBATÓRIOS O laudo de avaliação juntado após a apresentação do recurso voluntário e sem qualquer justificativa para apresentação extemporânea, admitida nas hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, deve ser desconsiderado para efeitos probatórios. LAUDO DE AVALIAÇÃO. EMISSÃO POSTERIOR À FIXAÇÃO DO PREÇO. O laudo de avaliação elaborado em momento posterior à fixação do preço da aquisição não se presta a comprovar a razão econômica de ágio pactuado antes mesmo de sua elaboração. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional não apresentou recurso (fls. 16.944). O contribuinte apresentou recurso especial de divergência (fls. 16.959) para questionar a manutenção das autuações com base nos seguintes argumentos: i) impossibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento; ii) necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação; Fl. 17447DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.448 15 iii) legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio; iv) desconsideração dos efeitos da postergação no pagamento; v) forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL 60; vi) não inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado. O recurso especial do contribuinte foi objeto de análise pelo despacho de admissibilidade de fls. 17.237 e ss., que decidiu pelo seguimento parcial, para processamento das seguintes matérias: ii Necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação; iii Legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio; v Forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL60; vi Não inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou agravo (fls. 17.380), com o objetivo de que todas as matérias questionadas no recurso especial fossem objeto de apreciação pela CSRF. O agravo foi analisado e rejeitado pela Presidência do CARF, por meio do despacho de fls. 17.401. Com a ciência da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 17.415), sustentando a manutenção integral das infrações autuadas. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conhecimento Como visto, o recurso especial do contribuinte foi admitido de forma parcial (despacho de fls. 17.237 e ss.), com seguimento para quatro matérias, a saber: a) Necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação; Fl. 17448DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.449 16 b) Legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio; c) Forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL60; d) Não inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional não questiona o seguimento dessas matérias. Entretanto, posteriormente ao despacho de admissibilidade, houve a aprovação de súmula quanto à matéria "Forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL60", que dispõe: Súmula CARF nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Nesse caso, não há como admitir o seguimento do presente recurso especial quanto a essa matéria, dado que o entendimento do acórdão recorrido reproduz a tese fixada por este Conselho através da referida súmula, por força do art. 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: Art. 67...... § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Com efeito, todo o racional desenvolvido pelo contribuinte no recurso especial (fls. 17.013 a 17.028) tem por objetivo afastar a sistemática prevista na IN nº 243/2002 (adotada pela fiscalização), por considerála ilegal, com a consequente aplicação do cálculo que a interessada considera correto, baseado na sua interpretação da Lei nº 9.430/96. Assim, com a edição da Súmula CARF nº 115, ainda que em momento posterior à edição do acórdão ora questionado, resta prejudicada a possibilidade de conhecimento e análise dos argumentos formulados pelo contribuinte quanto à ilegalidade da IN nº 243/2002. Voto, portanto, por conhecer parcialmente o recurso especial do contribuinte, ratificando o teor do despacho de admissibilidade (fls. 17.337) e do agravo (fls. 17.380), quanto às matérias acima referidas, e nego seguimento em relação à questão da ilegalidade da IN nº 243/2002. Fl. 17449DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.450 17 Mérito Sobre a dedutibilidade do ágio, inicialmente, sustenta a recorrente a "necessidade de apreciação de prova apresentada após a impugnação", qual seja, o " Laudo 2", acostado aos autos por meio de petição datada de 02 de fevereiro de 2015, às fls. 16.737/16.814, após a apresentação do recurso voluntário e, em seguida, afirma a "legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio". Aduz a Recorrente que a decisão a quo desconsiderou os efeitos probatórios do "Laudo 2", por entender que este teria sido apresentado intempestivamente, com a preclusão da possibilidade de juntada de novos documentos, posição com a qual não concorda, sob o argumento de que estaria configurada a situação de exceção prevista no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, mais precisamente o disposto na alínea “c”, que permite a apresentação posterior de prova quando esta estiver destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos. Defende, assim, que a apresentação do novo laudo foi necessária para contrapor as afirmações veiculadas na decisão da DRJ e comprovar que o fundamento do ágio teria sido a expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida GMK Eletrônica Ltda. Por conta disso, a interessada pugna pela apreciação do "Laudo 2", que seria essencial para combater as razões de decidir da primeira instância. Em seguida, ainda sobre a documentação apresentada, a recorrente alega que o laudo econômico elaborado para demonstrar a constituição de ágio por expectativa de rentabilidade futura pode se referir a período anterior, ao contrário do que teria concluído o acórdão recorrido ao interpretar os arts. 385, § 3.º, do RIR/99, e 20, § 3.º, do DecretoLei n.º 1.598/77. No recurso especial a recorrente assim descreve a situação constante dos autos: 48. Como dito acima, no Acórdão recorrido nº 1301001.779, o qual foi confirmado pelos Acórdãos nº 1301001.981 e 1301 002.501, a 1ª Turma da 3ª Câmara deixou de considerar o Laudo 1, que atesta a expectativa de rentabilidade futura (Fluxos de Caixa Descontados) da GMK, afirmando que a contemporaneidade do laudo às operações de aquisição seria fundamento lógico formal do aproveitamento do ágio. Ainda, nos mesmos julgados, a C. Turma deixou a analisar o Laudo 2 apresentado pela Recorrente, ignorando esse elemento de prova quanto ao fundamento do ágio. 49. Quando da análise dos segundos Embargos de Declaração opostos, a C. Turma afirmou pela impossibilidade de analisar o Laudo 2, por este ter sido apresentado em momento posterior à Impugnação. Não obstante, como argumento alternativo (e sem analisar efetivamente os critérios de avaliação ali demonstrados), a 1ª Turma da 3ª entendeu que o Laudo 2 juntado aos autos não serviria para demonstrar o fundamento e o valor do ágio contabilizado, uma vez que, assim como o Laudo 1, teria sido elaborado em momento posterior à fixação do preço de aquisição. Fl. 17450DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.451 18 50. Em suma, entendeu a C. Turma nos Acórdãos recorridos que a disposição do art. 385, §3º do RIR/99 e art. 20. §3º do Decretolei nº 1.598/77 exigem, para a comprovação do fundamento econômico do ágio, laudo anterior à realização das operações. Pleiteia, na sequência, a "legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio". Verificase que o colegiado a quo apreciou esses mesmos argumentos tanto no voto como em sede de embargos e expressamente se manifestou pela intempestividade do pleito, nos seguintes termos: Primeiro, conforme consta do voto, "durante a ação fiscal a contribuinte apresentou apenas Laudo de Avaliação Contábil, o qual não comprova a fundamentação econômica da mais valia com base em rentabilidade de exercícios futuros. No caso, o ágio em análise, que segundo a própria recorrente, teve por fundamento a rentabilidade futura, contudo, só apresenta à fiscalização um "Laudo de Avaliação Contábil" de 03/04/2006, elaborado para fins de incorporação do patrimônio da empresa GMK. Constatase que o valor pago pelas cotas da GMK foi fixado em R$ 35.000.000,00. O Balanço contábil levantado na data do fechamento da transação apurou que o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 8.837.600,35. Do confronto entre o montante pago e o valor contábil da empresa adquirida, surgiu o ágio, contabilizado no Ativo Permanente da investidora, o qual foi amortizado em parcelas de R$ 5.232.479,93 nos anos de 2006, 2007 e 2008." (...) Do acima exposto, resta claro, que não há a omissão desejada, ao afirmar a embargante que o "Laudo 2" não foi analisado. Claro está, que o mesmo foi analisado e desconsiderado, repita se: "Somente em momento posterior à Fiscalização, quando da impugnação ao auto, é que foi apresentado laudo que atesta a expectativa de rentabilidade futura (Fluxos de Caixa Descontado) da GMK, sendo que tal documento é datado de 31/03/2006, ou seja, em momento posterior à fixação do preço da aquisição da GMK pela Alcatel, datada de 31/12/2005". Notase, pois, que os dois fundamentos foram utilizados pela decisão recorrida para rechaçar o "laudo 2" como válido para justificar a dedutibilidade do ágio na forma como pretendida pela ora recorrente, cabendo a análise sequencial das razões recursais. Inicialmente, temse que a possibilidade de apresentação de documentos depois da impugnação é tratada como excepcional pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16 (...) Fl. 17451DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.452 19 § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifouse) Assim, a preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, eventualmente, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando acima reproduzido. Conforme descrito no termo de constatação (fls.1610816329, p.2), a interessada foi intimada, durante o procedimento fiscalizatório, a apresentar a documentação comprobatória da fundamentação econômica da mais valia, como se vê: Somente com a impugnação foi apresentado o primeiro laudo econômico (laudo 1): A fiscalização concluiu pela suposta indedutibilidade das parcelas do ágio amortizadas pela impugnante nos anos de 2006 a 2008 por 2 motivos: (1) não apresentação, pela impugnante, de laudo econômico que demonstre a expectativa de rentabilidade futura da GMK; e (2) amortização de ágio 3 meses antes da data da incorporação da GMK pela impugnante. Ocorre que tal acusação fiscal não merece prosperar, uma vez que a impugnante dispõe de laudo econômico que demonstra a expectativa de rentabilidade futura da GMK (doc. 03). [...] Em cumprimento ao artigo 385 do RIR/99, o valor do ágio computado pela impugnante na ocasião da aquisição do investimento (abril de 2006) foi devidamente fundamentado pela expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios futuros a essa operação. E a fundamentação do ágio pela rentabilidade futura teve como base o laudo elaborado pela Planned Consultoria Tributária, Fl. 17452DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.453 20 Contábil e Empresarial Ltda., sólida empresa de consultoria em diversas áreas, dentre elas a área contábil. Tratase do "Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira" da empresa GMK, cuja cópia ora se anexa (doc. 03) e cujo objetivo era o de "determinar o valor da empresa, dentro de premissas econômicas estabelecidas, determinandose sua efetiva capacidade de geração de resultados, ou seja, de riqueza dentro de uma projeção de longo prazo". As conclusões quanto ao valor econômico da GMK, consideradas à época da aquisição, nortearam o processo de negociação e aquisição da GMK pela impugnante. Consoante expressa previsão legal (art. 385 do RIR/99), é certo que, no momento da aquisição do investimento, o contribuinte deverá desdobrar o custo da aquisição da participação societária em: (1) valor do patrimônio liquido na época da aquisição; e (2) ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor apurado no item anterior. O mesmo art. 385 prevê, ainda, em seu § 2º, que o ágio ou deságio apurado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com a indicação do fundamento econômico que o determinou, dentre os quais: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, superior (ágio) ou inferior (deságio) ao custo registrado na sua contabilidade ("mais valia dos ativos"); (b) valor de rentabilidade baseada em projeção dos resultados de exercícios futuros; (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, os quais podem ser livremente elegidos pela adquirente da participação societária. Nos dois primeiros casos, seja o ágio fundamentado pela mais valia dos ativos (item "a") quanto o ágio fundamentado em rentabilidade futura (item "b"), deverá haver uma demonstração, a qual o contribuinte deverá arquivar como comprovante da escrituração. Notese que o legislador sequer define o que seria essa demonstração. Não há a exigência de laudo, mas apenas de um elemento que dê substância ao ato, devendo ser capaz de justificar razoavelmente o fundamento do ágio. Os argumentos da DRJ para não acatar o laudo apresentado juntamente com a impugnação foram em linha com os critérios adotados pela autoridade fiscal quando do lançamento, inclusive com referência expressa ao "termo de constatação", como se extrai do seguinte exerto: Em sua impugnação, a contribuinte defende a dedutibilidade do ágio, reiterando que decorre de expectativa de rentabilidade em exercícios seguintes, e traz aos autos o “Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira" da empresa GMK (doc. 03), que não havia sido apresentado durante a ação fiscal, datado de 31/03/2006. Ocorre que esse laudo não é hábil para comprovar que o ágio em questão teve por fundamento a previsão de rentabilidade em exercícios futuros. Isso porque, como bem argumenta a fiscalização, devese primeiro efetuar a alocação de ativos e passivos e o que sobrar é o “goodwill”, ou seja, o ágio por expectativa de rentabilidade Fl. 17453DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.454 21 futura seria parcela residual. Destaquese que essa metodologia é uma recomendação da CVM (contestada pela impugnante), mas, principalmente, é uma decorrência lógica da quantificação do preço a ser pago (primeiro verificase quanto o investimento vale no presente e, depois, quanto se pode auferir de lucros no futuro). Esse entendimento, do qual compartilho, está devidamente esclarecido no Termo de Constatação, do qual extraímos os seguintes trechos: [...] Em suma, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de estudo idôneo, a teor do disposto no § 3º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, que o valor do ágio lançado em sua contabilidade referese, em quantidade e qualidade, exclusivamente à rentabilidade futura da adquirida, o que não ocorre no presente caso”. Analisandose o referido laudo, verificase que a empresa de consultoria partiu exclusivamente de informações fornecidas pela empresa (não auditadas), e, adotando a metodologia do fluxo de caixa descontado, procurou demonstrar que o valor de mercado da GMK era superior ao seu valor contábil, justificando o pagamento de um ágio. Ocorre que, como não apurou se o valor de mercado dos bens corpóreos e do fundo de comércio e intangíveis identificáveis era superior ao seu valor contábil, esse laudo não se presta a demonstrar (e sequer comprovar) que o ágio em questão decorre exclusivamente da expectativa de rentabilidade em exercícios futuros (parcela remanescente, que não foi quantificada e pode até não existir). Dessa forma, não comprovada a existência de ágio decorrente da expectativa de rentabilidade em exercícios futuros, há que se considerar indedutível a sua amortização, mantendose a tributação correspondente. Após a decisão da DRJ, em seu recurso voluntário, a ora recorrente alegou alteração de critério jurídico para ver reconhecido o seu direito à dedutibilidade do ágio com base no referido laudo de avaliação econômica apresentado (laudo 1). Posteriormente, contudo, apresentou outro documento visando sustentar seu pleito (laudo 2), correspondente a: a) "Laudo de Avaliação Aplicação das Normas Internacionais de Contabilidade IFRS 3" para a empresa GMK Eletrônica Ltda., data base 04 de janeiro de 2006, com base nas informações de 31 de dezembro de 2005, emitido em 31 de janeiro de 2006 pela empresa Planned Consultoria Tributária, Contábil e Empresarial Ltda., que suporta, no anexo 7, a fundamentação do ágio com base em rentabilidade futura. (grifouse) Fl. 17454DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.455 22 Vejase que, aqui, a juntada do último laudo ao processo ocorreu em fevereiro de 2015, ou seja, 17 (dezessete) meses depois da apresentação do recurso voluntário (em que já se conhecia as razões de decidir da DRJ) e menos de 30 dias antes da data do julgamento, razão pela qual não merece qualquer reparo a decisão combatida. Considerandose, ainda, que o referido documento teria sido "emitido em 31 de janeiro de 2006", constatase, à evidência, que a interessada não quis apresentar o laudo nos momentos em que foi devidamente intimada ou mesmo quando teve ciência dos argumentos que posteriormente desejou combater; afinal, nada explica o fato de apresentar um recurso voluntário para contrapor as razões de decidir da DRJ sem o correspondente suporte probatório para, às vésperas do julgamento no CARF, um ano e meio após apresentar aquele recurso, pretender que esses "novos documentos" (disponíveis há tempos) sejam apreciados pelo julgador. A conduta não encontra qualquer guarida jurídica, com base nas exceções previstas pelo Decreto nº 70.235/72, tampouco se socorre da alegação de busca da verdade material, que não pode ser utilizada como fundamento para que a parte apresente provas quando lhe convier, em total descompasso com o andamento processual e demais preceitos que regem o processo administrativo tributário. Neste ponto, cabe lembrar dos principais princípios constitucionais que influenciam a análise de provas no âmbito do processo administrativo, que têm no princípio do devido processo legal seu principal norte, no qual se albergam os princípios do contraditório e da ampla defesa. O devido processo legal deve ser considerado o postulado fundamental do processo, base de todo o sistema, especialmente em seu aspecto formal, pertinente às regras processuais. No caso do processo administrativo tributário, uma vez iniciada a fase contenciosa, há que ser observado o regramento previsto no Decreto nº 70.235/72, especialmente em seus arts. 15 e 16, o qual, aplicado ao caso dos autos, não permite o conhecimento do Laudo 2, juntado tardiamente. Assim, entendo que não assiste razão à recorrente nesse ponto. Vale lembrar que, em que pese ter feito referência às alegações do seu recurso voluntário, em que a recorrente demonstrou, em síntese dela própria: "(i) a impossibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento (violação ao art. 146 do CTN); (ii) a legitimidade e idoneidade do Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira apresentado para justificar a dedutibilidade do ágio (Laudo 1); e (iii) a inaplicabilidade de Instruções CVM ao caso", quando do recurso especial, ao sustentar a "legitimidade do laudo que trata da base financeira da época, mas elaborado posteriormente para comprovar o fundamento econômico do ágio", a recorrente pleiteia, tãosomente, o reconhecimento do "laudo 2" como apto para fundamentar a expectativa de rentabilidade futura prevista na aquisição da empresa GMK. Assim, este colegiado estaria adstrito à análise do referido "laudo 2". Contudo, como decorrência lógica do que foi apreciado e decidido anteriormente, a não aceitação do documento, por extemporâneo, automaticamente prejudica a análise de qualquer argumento nele fundado, razão pela qual deve ser mantido o entendimento das decisões anteriores, que em diversas oportunidades (acórdão de mérito e dois acórdãos em Fl. 17455DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.456 23 sede de embargos) atestaram a falta de comprovação dos requisitos para a dedutibilidade do ágio. Segue a reprodução de alguns desses excertos, que foram, inclusive, transcritos pela própria Recorrente na peça ora analisada: No caso, somente em momento posterior à Fiscalização, quando da impugnação ao auto, é que foi apresentado laudo que atesta a expectativa de rentabilidade futura (Fluxos de Caixa Descontado) da GMK, sendo que tal documento é datado de 31/03/2006, ou seja, em momento posterior à fixação do preço da aquisição da GMK pela Alcatel, datada de 31/12/2005. Tratase de documento intitulado Laudo de Avaliação Econômico Financeira na data base de dezembro de 2005, elaborado por Planned Consultoria. Enfim, não há nos autos laudo que comprove o fundamento e o valor do ágio contabilizado por ocasião da pactuação de dezembro de 2005. A contemporaneidade do laudo às operações que fundamenta é requisito lógico formal do aproveitamento de eventual ágio pago. (Acórdão nº. 1301001.779) Do acima exposto, resta claro, que não há a omissão desejada, ao afirmar a embargante que o "Laudo 2" não foi analisado. Claro está, que o mesmo foi analisado e desconsiderado, repita se: “Somente em momento posterior à Fiscalização, quando da impugnação ao auto, é que foi apresentado laudo que atesta a expectativa de rentabilidade futura (Fluxos de Caixa Descontado) da GMK, sendo que tal documento é datado de 31/03/2006, ou seja, em momento posterior à fixação do preço da aquisição da GMK pela Alcatel, datada de 31/12/2005". (Primeiro acórdão de embargos Acórdão 1301001.981) Considerando que o mencionado "Laudo 2" deveria ter sido anexado à impugnação, precluiu o direito da recorrente em anexar novas provas ao processo, devendo o mesmo ser desconsiderado para efeitos probatórios. ii) Ainda que se admitisse a juntada extemporânea do "Laudo 2", ele padece do mesmo vício do "Laudo 1", anexado à impugnação às fls. 16.466 a 14.489. Assim como o "Laudo 1", datado de 31/03/2006, o "Laudo 2" é datado de 31/01/2006, ou seja, também foi elaborado em momento posterior à fixação do preço da aquisição da GMK pela Alcatel, ocorrida em 31/12/2005, motivo pelo qual não se presta a comprovar a razão econômica de ágio pactuado antes mesmo de sua elaboração. (Segundo acórdão de embargos Acórdão nº 1301002.501) (grifouse) Fl. 17456DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.457 24 Na exata medida em que descabe a apreciação do laudo extemporâneo simplesmente não há como acolher a pretensão formulada em relação ao laudo 2, sendo de rigor manter, pelos fundamentos já apresentados, o que restou decidido pelo colegiado a quo. Nesse caso, resta prejudicada a análise propriamente dita do laudo 2. Preços de transferência frete, seguro e imposto do importação Em relação ao tema de preços de transferência, a recorrente questiona a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, por considerar que estes "não são manipuláveis", ou seja, são decorrentes de operações praticadas com terceiros não vinculados. Em sentido diverso, o acórdão recorrido manteve tais rubricas no cálculo, ratificando o procedimento adotado pela fiscalização, com base nos seguintes fundamentos: Com relação a inclusão do valor do frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço parâmetro a ora recorrente entende que o preço praticado não pode incluir tais parcelas, mas tão somente o custo do bem importado. Aduz, em síntese, que por não se tratarem de valores despendidos em aquisição internacional (importação) ou por não haverem sido pagos a pessoa vinculada, os custos com frete, seguros e tributos devidos na importação não se sujeitam aos limites de dedutibilidade previsto pelo artigo 18 da Lei 9.430/96. Cita jurisprudência em favor de sua tese. Na linha do quanto decidido por maioria de voto desta Turma de Julgamento (Acórdão 1301001.056, de 02/10/2012) e, para o deslinde desta questão, releva, de início, reproduzir as disposições da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, temos (verbis): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Como é cediço, o disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, há muito disciplina a apropriação de custos na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real. Não se vislumbra nenhuma ilegalidade neste dispositivo. Nesse sentido, assim dispõe o artigo 13 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Fl. 17457DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.458 25 Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O referido dispositivo constitui, inclusive, matriz legal dos artigos 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Não cabe dúvida de que a disposição contida na Lei nº 9.430, de 1996, efetivamente diz respeito ao custo contábil. Resta claro, também, que a norma em comento tem aplicação genérica, isto é, não diz respeito a um determinado método de determinação de preço parâmetro, mas, sim, à determinação do custo em qualquer dos métodos preconizados no artigo em que se encontra inserida. Quando se trata de aplicação de métodos de preços de transferência, o cuidado que se deve ter (na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação) diz respeito a possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. (...) Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. A regra, portanto, é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. Dessa forma, entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. (grifouse) Entendo que não merece reparos a decisão recorrida, posto que fundada na interpretação literal de dispositivo legal (art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96). Nesse caso, entendo que não cabe a este Conselho deixar de aplicar lei válida e vigente à época dos fatos. Fl. 17458DF CARF MF Processo nº 16561.720047/201139 Acórdão n.º 9101004.011 CSRFT1 Fl. 17.459 26 A eventual alteração normativa posterior, apontada pela recorrente, em nada lhe socorre, pois o papel do julgador administrativo é aplicar a lei posta ao tempo dos fatos, sendolhe defeso apreciar a eventual inconstitucionalidade da norma, conforme vedação prevista na Súmula CARF nº 2. Ademais, o fato de o § 6º do art. 18 ter sido alterado com o advento da Lei nº 12.715, de 2012, para agora considerar que os valores de frete e de seguro, atendidas certas condições, não integram o custo para fins de aplicação do método PRL, claramente ratifica o entendimento de que estes deveriam ser computados até o momento da inovação legal, o que garante a sua inclusão no cálculo do preço praticado ao tempo da redação anterior. Corretos, portanto, o procedimento da fiscalização e a posição adotada pelo acórdão recorrido, ainda mais porque compete à autoridade fiscal efetuar os cálculos relativos aos preços de transferência de acordo com as disposições normativas então vigentes, exigência que foi fielmente cumprida no caso dos autos. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso apresentado pelo contribuinte, exceto quanto à matéria "forma de apuração do preço parâmetro através do método do PRL60" e, na parte conhecida, quanto ao mérito, voto por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 17459DF CARF MF
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