Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.901413/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10675.901413/2009-71
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283036
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-000.105
nome_arquivo_s : Decisao_10675901413200971.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10675901413200971_5283036.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5001521
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981508927488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 119 1 118 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.901413/200971 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.105 – 2ª Turma Especial Data 24 de abril de 2013 Assunto Processo Administrativo Fiscal Recorrente AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.537, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 41 3/ 20 09 -7 1 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901413/200971 Resolução nº 3802000.105 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 38688.97404.300605.1.3.048309, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 14/01/2005; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901413/200971 Resolução nº 3802000.105 S3TE02 Fl. 121 3 alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901413/200971 Resolução nº 3802000.105 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002507/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
O ressarcimento do saldo credor básico do imposto condiciona-se à prova do pagamento do preço ao fornecedor e da efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, com base em documentação hábil e idônea.
RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES.
Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausente, ocasionalmente, a Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento do saldo credor básico do imposto condiciona-se à prova do pagamento do preço ao fornecedor e da efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, com base em documentação hábil e idônea. RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.002507/2009-14
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5255934
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.206
nome_arquivo_s : Decisao_11065002507200914.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 11065002507200914_5255934.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausente, ocasionalmente, a Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel.
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4879692
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981654679552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 161 1 160 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.002507/200914 Recurso nº 4 Voluntário Acórdão nº 3403002.205 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria IPI CRÉDITOS BÁSICOS SALDO CREDOR TRIMESTRAL PEDIDO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PL FUNDIÇÃO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS EMERGENTES. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, emergentes de compensação não homologada, declarada após o seu vencimento, são acrescidos de multa e juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento do saldo credor básico do imposto condicionase à prova do pagamento do preço ao fornecedor e da efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, com base em documentação hábil e idônea. RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 25 07 /2 00 9- 14 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausente, ocasionalmente, a Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Recorrente formulou, em 22/03/2007, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº 19600.55761.220307.1.7.019599, visado ao ressarcimento do saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, apurado no 3º trimestre de 2004, autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de R$ 202.481,30. Ao mesmo tempo, declarou compensações do direito creditório com débitos próprios, objeto do processo nº 11065.720018/201073. A DRF/Novo Hamburgo – RS emitiu o Despacho Decisório de fls. 62, por meio do qual deferiu parcialmente o pleito de ressarcimento. Foram encontradas as seguintes irregularidades na apuração do saldo credor do período (Termo de Verificação Fiscal fls. 42 a 47): Fornecedor R. da S. BARCELLOS CNPJ 05.869.051/000178 a) No ano de 2004, R. da S. BARCELLOS teria fornecido R$ 5.657.606,15 fiscalizada; entretanto, durante todo o ano de 2004, não existe registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) em nome deste fornecedor; b) No 1° trimestre de 2005, R. DAS. BARCELLOS teria fornecido R$1.788.199,45 fiscalizada; entretanto, não há registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) neste período em nome deste fornecedor. Há registro de apenas R$ 832.181,49 na Caixa Econômica Federal em períodos posteriores à compra. c) A empresa foi aberta em 11/05/2004 e fechada em 27/05/2005. Durante este período, teria vendido praticamente apenas para a fiscalizada, conforme consta em tabela anexa d) O fornecedor, um comércio atacadista de outros produtos químicos, localizase em uma casa, conforme cadastro CNPJ; e) O contador da empresa fornecedora é o Sr. ALBERTO BLAZINA KRIEGER, CPF n° 562.675.41053, sócio da fiscalizada; e Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.002507/200914 Acórdão n.º 3403002.205 S3C4T3 Fl. 162 3 f) R. da S. BARCELLOS transmitiu a DIPJ de lucro presumido de 2004 com todos os valores zerados e informou NÃO no campo "Apuração e Informações de IPI no Período". Fornecedor JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA. CNPJ 01.796.029/000194 a) No ano de 2004, JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA teria fornecido R$422.231,69 à fiscalizada; entretanto, durante todo o ano de 2004, não existe registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) em nome deste fornecedor; b) A empresa não transmitiu DIPJ em 2004 e, em 2003, havia transmitido DIPJ de inatividade; c) a partir de 17/07/2004 o fornecedor foi considerado INAPTO pelo motivo OMISSO NÃO LOCALIZADO, conforme anexo; d) o seu CNAE registrado no Sistema CNPJ é "CNAE: 4646001 Comércio atacadista de cosméticos e produtos de perfumaria", o que evidentemente não poderia gerar crédito de IPI para uma indústria que tem por atividade a fundição de ferro e aço; e) Em procedimento de fiscalização efetuado em 2008 por esta Delegacia da Receita Federal, as notas deste fornecedor também haviam glosadas. METALÚRGICA DAUMER LTDA. ME CNPJ n° 03.037.942/000132 e CONESUL SALVADOS COMÉRCIO DE SALVADOS DE SINISTROS LIDA CNPJ n° 03.832.948/000100 a) fornecedor de insumos optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples. Diante do conjunto indiciário de que as operações de entrada de insumos, relativamente aos fornecedores R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA não teriam efetivamente ocorrido conforme registradas no PER, a Fiscalização intimou o interessado a apresentar arquivos magnéticos e, por amostragem, cópia das notas fiscais com prova do desembolso dos recursos. Em face da falta de atendimento à intimação, o sócio da empresa foi intimado pessoalmente. Desta feita a sociedade dignouse a apresentar arquivo magnético referente apenas ao ano de 2005 e, com relação às notas ficais com comprovante de pagamento, limitouse a dizer que os mesmos “não estão disponíveis para apresentação; na medida que, tendo sido a matriz neste período, localizada na cidade de Osasco/SP; estes estão na posse do contador que lá labuta, e que por situações de inconformidades e divergências, não logra em devolver a documentação até solução final do litígio existente envolvendo o mesmo e a empresa". A propósito, a Fiscalização deu conta de que a DRF/Osasco já havia intimado a fiscalizada a apresentar documentação, mas esta alegou dela não dispor em razão da transferência da matriz para Novo Hamburgo/RS, pleiteando inclusive que o procedimento Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 fosse desaforado para esta cidade. A Fiscalização então deu como não atendidas as intimações e reintimações e glosou os créditos respectivos. Sobreveio reclamação. O contribuinte, em preliminar, rechaça os acréscimos legais incidentes sobre os débitos emergentes da compensação não homologada, porquanto as DComp foram transmitidas antes dos vencimentos dos mesmos, e argúi a decadência do direito do Fisco de cobrálos, pois seriam relativos ao 1°, 3º e 4º semestres de 2004 e o representante da empresa só teria sido intimado do auto de infração” quando já transcorridos cinco anos. Invoca os artigos 142, 150 e 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. A seguir, defende o crédito decorrente de aquisições feitas a empresas inscritas no Simples, invocando o princípio da nãocumulatividade do IPI, insculpido no artigo 153, 3 , inciso II, da Constituição Federal, bem como o art. 49 do CTN, e 163 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, além de doutrina e jurisprudência que transcreve, concluindo que seria inconstitucional e ilegal medida que aniquile o principio da não cumulatividade. Quanto ao mérito, argumenta inicialmente, com relação às aquisições feitas às empresas R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA, que a situação pessoal das fornecedoras não teria o condão de desconstituir o direito ao crédito tributário existente na escrita fiscal, sendo aplicável o principio legal da finalidade legal, onde o formalismo não impera . Alega que os demais elementos apresentados comprovariam as aquisições e correta contabilização e que seu procedimento estaria de acordo com as normas contábeis e com a legislação vigentes. Ademais, teria agido de boafé, devendose considerar que a fiscalização das fornecedoras cabe à RFB e não ao contribuinte. Afirma que atendeu todas as intimações, fornecendo a documentação solicitada, não sendo correta a afirmação contida no item 4 do relatório da Fiscalização. Contesta a exigência de multa moratória, e aplicação da taxa Selic, invocando o art. 137 do CTN e considerando que o PER/DCOMP foi transmitido antes do vencimento dos débitos e que os créditos seriam também anteriores. Pede a aplicação da regra do art. 106, inc. II, do CTN Finalizando, reitera o pedido de reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/POA. O Acórdão nº 10038.176, de 26 de abril de 2012, fls. 110 a 117, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é contado a partir da data de entrega da respectiva declaração de compensação. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.002507/200914 Acórdão n.º 3403002.205 S3C4T3 Fl. 163 5 Não se reconhece o direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI quando estes não forem devidamente comprovados pelos documentos fiscais que lhes deram origem. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES. As aquisições de insumos de estabelecimento optante do SIMPLES não ensejam direito à fruição de crédito do IPI. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são acrescidos de multa e juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 42 a 47, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma os mesmos argumentos já defendidos na Manifestação de Inconformidade, assim resumidos: a) decadência do crédito originado em favor da União, tendo em vista que são relativos ao 2º, 3° e 4° trimestres do ano de 2004 e 1º trimestre de 2005, e o representante legal da empresa somente foi intimado em 2010, ou seja, passados 05 (cinco) anos, excluindo os mesmos do total da penalidade aplicada. b) anulação do lançamento tributário efetuado, haja vista a suficiência dos créditos para efetuar compensação, estando de acordo com sua escrituração fiscal, não podendo se responsabilizálo por infrações praticadas por terceiros, motivo pelo qual inexiste razão para extinção do direito da empresa e conseqüente cobrança com aplicação de multa; c) exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos pelos créditos existentes; d) reconhecimento do direito de crédito decorrente do Simples e das empresas com situação cancelada no cadastro CNPJ posterior ao aproveitamento, bem como aqueles decorrentes de equívoco no preenchimento do pedido e) nulidade do ato de lançamento, "desconstituindoo, e sendo nulo o principal, nulo os demais consectários impostos, na forma da legislação vigente”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 42 a 47 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 10038.176, de 26 de abril de 2012. Preliminar de decadência do direito do fisco de indeferir o pedido de ressarcimento Inexiste prazo fatal para a Administração Tributária apreciar pedido de ressarcimento e não há possibilidade de aplicação analógica do estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro lado, como bem assentou a decisão recorrida, não há falar em homologação tácita porquanto a ciência do Despacho Decisório deuse em 11/02/2010, em menos de cinco anos da declaração da compensação, efetuada em 22/03/2007. Mérito DIREITO AO CREDITAMENTO DE IPI NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA DE INSUMOS NÃO COMPROVADAS Homenageando a relatora do voto condutor da decisão recorrida, adoto in totum seus fundamentos como razão de decidir a controvérsia relativa às glosas dos créditos pelas aquisições de insumos aos fornecedores R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA. Em virtude dos indícios de irregularidades já transcritos no relatório, não foi possível considerar como comprovadas as aquisições que teriam sido feitas a essas empresas. De acordo com o item 4 do relatório da fiscalização, a fim de obter esclarecimentos a respeito, o interessado foi intimado a, no prazo de 20 dias, apresentar, arquivos magnéticos e, por amostragem, notas fiscais de aquisição de mercadorias com comprovantes de pagamento, o que não foi atendido. Foi reintimado na pessoa de seu sócio e, desta vez, apresentou apenas arquivos magnéticos relativos ao ano de 2005, alegando, no arrazoado de fls. [...], que as notas fiscais se encontrariam na posse do contador da antiga matriz na cidade de Osasco, não sendo possível obtêlas. Ressaltase que no curso da ação fiscal iniciada anteriormente na cidade de Osasco, referidas Notas fiscais também não foram apresentadas, pelo que, em nenhum momento foi comprovada a efetividade das aquisições em questão, o que resulta na impossibilidade de reconhecimento dos respectivos créditos. Com efeito, diz o art. 163, caput, do RIPI/2002: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.002507/200914 Acórdão n.º 3403002.205 S3C4T3 Fl. 164 7 Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei n 5.172, de 1966, art. 49). .... Por sua vez ao tratar da escrituração dos créditos, o art. 190 do mesmo Regulamento determina que os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. Da mesma forma, os atos normativos que tratam de restituição e ressarcimento de tributos, reportamse à escrituração feita consoante as normas de regência, como é o caso do art. 21 da IN RFB n 900, de 2008, cuja observância é obrigatória aos agentes públicos, por força do princípio da legalidade: “Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. 1 Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: ... 2 Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o 1 , o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. ... (destaquei) Assim, não comprovada a legitimidade dos créditos, por ato do próprio contribuinte, que deixou de atender os reiterados pedidos da fiscalização, está correta a glosa praticada. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES O creditamento do imposto nas aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples está expressamente vedado pelo art. 166 do RIPI2002: “Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º).” Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 A opção pelo Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, é de livre escolha do contribuinte. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta. Sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Portanto, não há que se aplicar ao caso em análise o princípio da não cumulatividade, pois a tributação do IPI se faz por outra forma. Assim dispõe a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I –(...) § 1º O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2º No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. (...) § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6º O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS, caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º. (g.n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. ACRÉSCIMOS INCIDENTES NA COBRANÇA DOS DÉBITOS NÃO COMPENSADOS O recorrente afirma solenemente que a compensação de que se trata teria sido transmitida antes do vencimento dos débitos e que os créditos seriam também anteriores, razão pela pretende exonerálos das juros de mora e da multa de mora previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O recorrente enganase também solenemente, pois, na data da transmissão da DComp nº 19600.55761.220307.1.7.019599, em 22/03/2007 confessamse débitos de Cofins, vencidos em 15/04/2002, 14/11/2006, 15/12/2006 e 15/01/2007, e; de PIS, vencido em 15/07/2002. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.002507/200914 Acórdão n.º 3403002.205 S3C4T3 Fl. 165 9 Conclusão Com essas considerações, e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, nego provimento ao recurso Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902537/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Raquel Mota Brandão Mintael (Suplente)
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.902537/2008-39
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5260587
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-000.682
nome_arquivo_s : Decisao_10980902537200839.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 10980902537200839_5260587.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Raquel Mota Brandão Mintael (Suplente)
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4917413
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981826646016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 83 1 82 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902537/200839 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.682 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2013 Assunto Pedido de Compensação Recorrente CCV COMERCIAL CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, converteuse o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Raquel Mota Brandão Mintael (Suplente) Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 4.143,86 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração dezembro/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 53 7/ 20 08 -3 9 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902537/200839 Resolução nº 3401000.682 S3C4T1 Fl. 84 2 Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 28.087,53 e R$ 2.758,68, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 30.846,21; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução a zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria assim composto: (a) código 6912 – R$ 24.232,38 e (b) código 8109 – R$ 4.143,86, conforme informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras que foram anexadas aos autos; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Embora estivesse sujeita ao regime misto de incidência do PIS, recolheu, por engano, o montante que seria devido dessa contribuição em um único DARF, no código de receita 6912, inclusive o valor de R$ 4.143,86, que deveria ter pago sob o código de receita 8109; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência dezembro/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual a se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte parcialmente procedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 6912; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 4,143,86, que já haviam sido Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902537/200839 Resolução nº 3401000.682 S3C4T1 Fl. 85 3 recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência 12/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer a homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902537/200839 Resolução nº 3401000.682 S3C4T1 Fl. 86 4 Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independentemente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e existindo pagamento a maior deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000066/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO.
Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3802-001.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13056.000066/2007-81
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5280954
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.490
nome_arquivo_s : Decisao_13056000066200781.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 13056000066200781_5280954.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4990408
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981837131776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 5 1 4 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13056.000066/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.490 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente AGRO LATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 66 /2 00 7- 81 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 21.852, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre – RS, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de COFINS nãocumulativo, pleiteando o reconhecimento do crédito de COFINS nãocumulativo. No entanto após ação fiscal no processo em referência, o Delegado da Receita Federal glosou parte do crédito, sob o argumento de que os créditos apurados pela recorrente não estariam na legislação que rege a contribuição em comento. Dessa forma, foi reconhecido o crédito parcial da recorrente. Após o conhecimento da glosa parcial dos créditos mencionados, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a vedação ao aproveitamento de créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, assim como de despesas administrativas e comerciais que não se refiram diretamente à atividadefim do estabelecimento, veda o princípio da nãocumulatividade concebida na Constituição Federal através da Emenda Constitucional n° 42/2003 e viola, portanto, a disposição constitucional que regulamenta a matéria. Além disso, a Recorrente afirmou na sua Reclamação que as vedações de aproveitamento de crédito presentes nas Leis ordinárias que regulamentam as contribuições em questão são inválidas, ao passo que deveriam ser matéria de Lei Complementar, de acordo com o art. 146, III, “b”, da CRFB/88. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela improcedência da impugnação, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de Cofins e/ou COFINS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000066/200781 Acórdão n.º 3802001.490 S3TE02 Fl. 6 3 Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que os gastos gerais de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual devem ser admitidos os créditos relativos aos mesmos. A recorrente argumentou, ainda, que as despesas com combustíveis são passíveis de reconhecimento de crédito, tendo em vista que foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a inconstitucionalidade das vedações presentes nas leis que regulamentam as contribuições em comento, tendo em vista que ferem o princípio da nãocumulatividade, bem como os limites aos créditos deveriam ser matéria de lei complementar; (b) os gastos de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal; e (c) as despesas com combustíveis foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa, e, por essa razão, tais despesas podem gerar crédito de COFINS. Compulsando os autos, verificase que os itens (b) e (c) não faziam parte dos argumentos de defesa presentes na Manifestação de Inconformidade. Tratase, portanto, de inovação de matéria defensiva na peça recursal no que diz respeito à conceituação dos gastos de fabricação como insumos e possibilidade de os gastos com combustíveis gerarem crédito de COFINS. Por essa razão, tais argumentos não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do Dec. 70.235/72, que diz em seu artigo 16, inc. III, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Além disso, o art. 17 do mesmo diploma arremata a impossibilidade de trazer matérias em instância superior que não tenham sido objeto da impugnação: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Frisese que não consta nos autos qualquer demonstração de que parte dos insumos adquiridos pela Recorrente venha a ser combustível, ou mesmo que se refira à atividade da empresa. Há apenas valores totalizados, que não permitem nem mesmo averiguar se se trata mesmo, e em que medida, de combustíveis ou outros insumos. No mais, a Recorrente argumenta que as vedações à concessão de crédito de COFINS pelas despesas sob exame são inconstitucionais, pois são disciplinadas por leis ordinárias, enquanto há reserva de lei complementar, segundo o art. 146, inc. III, alínea “b”, da CRFB/88, e que elas ferem o princípio da nãocumulatividade à luz da EC 42/2003. No entanto, a esfera administrativa é incompetente para analisar a inconstitucionalidade de leis, pois esta é função jurisdicional que pode ser efetuada de maneira difusa ou concentrada. De maneira difusa, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros de um Tribunal (organismo do Poder Judiciário) ou do seu órgão especial, a Lei será declarada inconstitucional, conforme o art. 97 da CRFB/88. De forma concentrada, a competência para apreciar e julgar a inconstitucionalidade da Lei através da propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 102, inc. I, “a” da Constituição Federal. Sendo assim, verificase a impossibilidade de conceder o crédito de COFINS pelas despesas da Recorrente, pois, para isso, deverseia declarar inconstitucional a Lei que disciplina a contribuição, o que extrapola a competência da esfera administrativa. Nessa toada, o art. 62 da Portaria MF 256/09, Regimento Interno do CARF, veda expressamente que os seus conselheiros afastem a aplicabilidade de lei em função de inconstitucionalidade arguida pelo Recorrente, senão vejamos in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Diante de todos os argumentos aqui expostos, tenho que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela inovação de matéria de defesa em sede recursal e pela impossibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de Lei em esfera administrativa. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000066/200781 Acórdão n.º 3802001.490 S3TE02 Fl. 7 5 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006545/2004-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep.
PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS.
O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda.
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE.
As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Luiz Bordignon- Redator Designado
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10380.006545/2004-98
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5257140
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.364
nome_arquivo_s : Decisao_10380006545200498.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10380006545200498_5257140.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon- Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4895208
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981892706304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 203 1 202 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006545/200498 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.364 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria Crédito PIS NãoCumulativo Recorrente DEL MONTE FRESH PROD BRASIL LTDA. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 45 /2 00 4- 98 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 204 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Fortaleza/CE, abaixo transcrito: "Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep – Exportação, apurado sob a sistemática do regime de incidência nãocumulativa, referente ao 2º Trimestre de 2003, totalizando R$ 128.137,87, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de número 24427.14199.290906.1.3.085228, fls. 17/27. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 105/107, a DRF Fortaleza, por meio de Despacho Decisório datado de 29/10/2010, fls. 154/157, reconheceu crédito no valor de 95.182,81 e homologou parcialmente as compensações. O não reconhecimento integral decorreu de glosas efetuadas em determinados créditos considerados pela pessoa jurídica, mais especificadamente concernentes a fretes, despesas com depreciação e com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte. Quanto às glosas com fretes e despesas com depreciação, consubstanciadas nos demonstrativos de fls. 76/103, nos valores respectivos de 15.465,43 e 9.009,44, foram efetuados pelos fundamentos a seguir delineados. Segundo registrado na Informação Fiscal, quanto aos descontos com os fretes, foi afirmado que “Somente a partir de fevereiro de 2004 é que passou a ser admitido, para fins de apuração de crédito de PIS, as despesas com frete, conforme Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art. 3º, inciso IX do caput, c/c art. 15, inciso II e art. 93”." Em relação às despesas com depreciação, a glosa efetivouse porque “não houve a apresentação das notas fiscais que comprovam a despesa que deu origem à depreciação”. No que diz respeito à glosa correspondente ao item pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte, teve como lastro o demonstrativo de fl. 104, no valor de 8.480,19, tendo sido afirmado que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade fiscal que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. No Despacho Decisório, a Autoridade Local reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento parcial do crédito, no valor de 95.182,81. A ciência deuse em 08/11/2010, fl. 154/157. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 166/177, argumentando tratarse de empresa “produtora de variados tipos de frutas in natura destinada à exportação, de modo que para garantir a qualidade e conservação de seus produtos é INDISPENSÁVEL a utilização de determinados materiais para a embalagem”. Segundo consta na Informação Fiscal, “somente as embalagens que acondicionam os produtos de forma individual e autônoma poderiam gerar crédito de PIS. Assim, as demais embalagens utilizadas, em especial àquelas adquiridas para a proteção das frutas frescas durante seu transporte ao exterior, não gerariam direito ao crédito”. Todavia, no entender da impugnante, “os pallets, cantoneiras e demais produtos são considerados embalagens de acondicionamento”, posto que a tipificação adotada pela autoridade fiscal teria se apoiado, dentre outros, no art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, o Regulamento do IPI, enquanto no caso presente a matéria em discussão diz respeito a apuração da Contribuição para o Pis/Pasep de forma nãocumulativa, regime que não se confunde com a nãocumulatividade encontrada no IPI. Afirmou a peticionante que “estamos tratando de créditos de PIS, o qual tem como fato gerador as receitas provenientes da PRODUÇÃO da empresa. Registrese, por oportuno, no vertente caso o contribuinte não é uma indústria, mas uma produtora de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento”, que a distinção entre a embalagem de apresentação e embalagem de transporte fora definida para fins de incidência do IPI (RIPI), não sendo considerada no caso de ressarcimento do PIS, que possuem um fato gerador mais amplo”. Ao seu ver, “Na legislação, tanto do PIS, quanto da COFINS, os créditos de embalagem utilizadas na produção são expressamente autorizadas, conforme veremos ao longo desta manifestação”. Discorreu ainda que os “pallets (ou estrados), as cantoneiras, e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (fruta fresca e natural) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”, que Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 205 5 “sem tais materiais seria impossível a comercialização de frutas in natura para o exterior!” face o que não poderia haver qualquer dúvida quanto ao direito a referido crédito. Objetivando fundamentar sua argumentação, trouxe à colação doutrina do insigne constitucionalista Roque Antônio Carrazza, ementas de Soluções de Consulta prolatadas nas Divisões de Tributação (Disit) da 6ª e da 10ª Regiões Fiscais e das Soluções de Consultas Internas nº 102 e nº 118, ambas de 2008. De acordo com a hermenêutica da peticionante, seria possível se depreender dessas duas últimas ementas que “Não configurando ativo imobilizado, surge a possibilidade de ressarcimento de crédito no caso em apreço, e; Se até nos casos que não há a suspensão do tributo torna possível o ressarcimento dos créditos, quanto mais no caso em tablado”, arrematando no sentido de que “os pallets (ou estrados) e as cantoneiras, e os demais produtos objeto de glosa, são, unicamente, materiais de embalagem, não retornando a empresa exportadora, e por isso, gerando créditos por não pertencerem ao ativo imobilizado”. No que tange à glosa correspondente às despesas com frete, decorrente da possibilidade do creditamento somente a partir de fevereiro/2004, face o determinado pelo art. 3º, inc. IX e art. 15, inc. II, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, manifestouse no sentido de que referida legislação não teria trazido qualquer inovação quanto ao aproveitamento de crédito do Pis, referente a despesas com fretes, posto que a Lei nº 10.637, de 2002, já permitiria a utilização de crédito dessa natureza. Segundo o contribuinte, a glosa em questão teria se apoiado em lei estritamente elucidativa, que unicamente esclareceu possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637, de 2002. Ao final de suas considerações postulou o deferimento integral do crédito e a homologação das compensações em sua totalidade, como também que fosse oportunizada a sustentação oral por parte do signatário da peça em apreciação, quando da inclusão do presente processo em pauta de julgamento. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade, foram apresentadas cópias de Instrumento Público de Procuração e da 53ª Alteração Contratual. A Unidade Local efetuou os cadastramentos necessários nos sistemas de controle interno e encaminhou o processo à esta DRJ para conhecimento e deliberação. É o que se tem a relatar.” Analisando o litígio, a DRJ Fortaleza/CE entendeu por bem manter a decisão que homologou parcialmente a compensação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 6 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinamse tão somente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. DESPESA COM FRETE. CRÉDITO. DESCONTO DO VALOR APURADO. A dedução no valor apurado da contribuição do PIS/PASEP pelo crédito gerado com as despesas com fretes, nos casos dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, quando o ônus for suportado pelo vendedor, tornouse possível somente a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme estabelecido pelo art. 93, inc. I do citado diploma legal. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: · As despesas com serviços de expedição de produtos enquadramse no conceito de insumos, uma vez que são necessárias e indispensáveis para o funcionamento da cadeia produtiva. Isto é, as despesas relativas às embalagens destinadas ao transporte dos produtos geram crédito de PIS; · Não houve omissão no que se refere às glosas relativas à depreciação, uma vez que o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade fez referência à totalidade do valor requerido no Pedido de Ressarcimento; · O direito ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com fretes já estaria albergado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.637/2002. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 206 7 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em síntese, o que será analisado no presente processo administrativo é se a Recorrente faz jus a créditos de PIS decorrentes de despesas com depreciação, com fretes e com materiais de embalagem destinados ao transporte dos produtos ao destinatário final. Pois bem. Por meio do despacho decisório proferido nos autos, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE houve por bem negar homologação ao Pedido de Ressarcimento decorrente das despesas de depreciação, com relação às quais não houve a apresentação de notas fiscais comprobatórias de sua origem. A referida decisão foi mantida pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleza/CE, ao argumento de que a Recorrente teria se mantido omissa quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação, tratandose de matéria não impugnada. Embora o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade faça referência à totalidade do valor requerido no presente Pedido de Ressarcimento, é certo que a Recorrente não trouxe, em nenhum momento que lhe fora oportunizado o direito de defesa, qualquer elemento ou fundamento capaz de infirmar o entendimento da Delegacia de origem, no sentido de que inexiste a comprovação da origem das despesas de depreciação glosadas. Por esta razão, voto pelo conhecimento e desprovimento do Recurso Voluntário neste ponto. No entanto, o inconformismo da Recorrente no que diz respeito às despesas com materiais de embalagem e com fretes merece prosperar. Não se discute que o regime de créditos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS é mais amplo que aquele utilizado no âmbito da nãocumulatividade do IPI. Nesse sentido é o magistério de Marco Aurélio Greco, confirase: "Notese, inicialmente, que as Leis de PIS/COFINS não fazem expressa remissão à legislação do IPI. Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto. Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não cumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. Realmente, no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 53, §3º, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido em relação a algo que seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" só pode evocar sentidos que sejam Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 8 necessariamente compatíveis com essa idéia (= algo fisicamente apreensível). Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a nãocumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas juridíconormativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de uma razão, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI”. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, juL/ago. 2008) Observese, portanto, que a análise do regime de créditos atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS deve levar em consideração todas as atividades envolvidas no processo de formação da receita ou faturamento de determinada pessoa jurídica. Aplicandose tais ensinamentos ao caso concreto, não há dúvidas de que a exportação das mercadorias integra o processo de formação da receita da Recorrente. Deste modo, as despesas incorridas com o material de embalagem necessário ao transporte dos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 207 9 produtos da Recorrente (e, em última análise, à sua distribuição e comercialização), deve gerar direito ao aproveitamento do crédito de PIS e COFINS. Somase ao exposto acima que a Instrução Normativa nº. 404/2004, ao dispor sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833/2003, não distingue, no conceito de insumo, qualquer espécie de material de embalagem para fins de desconto de créditos, vejase: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (...)”. Sobre o tema, inclusive, já se pronunciou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O COFINS incidente nas aquisições de bens e serviços utilizados no processo produtivo, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, gera direito a crédito. Recurso Voluntário Provido”. ( Processo nº 13931.000340/200756, Recurso nº 511.759 Voluntário, Acórdão nº 330200.766, Sessão de 10 de dezembro de 2010) Extraise do inteiro teor do voto condutor do referido julgado: “Quanto aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, o acórdão recorrido nega o creditamento aduzindo que a contribuinte os utiliza para embalar e proteger seus produtos até o seu destino final, se destinando inequivocamente apenas para movimentação, armazenagem e transporte de produtos, sem que haja a incorporação desses bens durante o processo de industrialização. Mas apenas com a sua utilização depois de concluído o processo produtivo, não pode gerar direito ao crédito da contribuição. Ao contrário do que afirma o decisum, entendo que esses produtos são incorporados ao produto final, pois sem eles não podem ser comercializados, quer por exigência da legislação, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 10 quer por propiciar o manuseio/transporte. O seu enquadramento como insumo está previsto na alínea “a”, inc. I, do § 4º, do art. 8º, da INSRF 404/04, ipsis verbis: § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Conveniente lembrar a regra de hermenêutica insculpida no aforismo de que ao intérprete não cabe distinguir quando a norma não distingue, restando inconcebível interpretação restritiva, assim como o estabelecimento de óbices não expressamente previstos na lei. No caso em comento, a norma contempla “material de embalagem”, sem qualquer especificação, portanto abrange todo tipo de embalagem aplicado no processo produtivo, independentemente de sua finalidade, vez que a norma não faz distinção. Portanto, os créditos decorrentes da aquisição de paletes, estrados, ripas e etiquetas, utilizados para embalar, armazenar, proteger e identificar seus produtos, podem ser deduzidos”. Finalmente, o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente também deve ser provido no que se refere às despesas com fretes. De fato, a possibilidade de desconto de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda sempre esteve albergada pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, que assim determina: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”. É o que verifica na hipótese. A “PLANILHA I GLOSAS EFETUADAS EM DESPESAS COM FRETES” que instrui os autos faz menção à nota fiscal de entrada, emitida pelos fornecedores ali listados, donde se presume que o valor do frete corresponde a serviço utilizado pela Recorrente em seu processo produtivo. Ora, a própria legislação de regência, como visto, admite que serviços sejam utilizados como insumo na produção de bens. Inferese, aí, que o legislador tributário adotou Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 208 11 um sentido amplo para o termo, fazendo com que seu alcance chegasse a uma utilidade fruída pelo produtor para viabilizar a venda de seu produto – no caso, o serviço de transporte. Importante ressaltar que o PIS é contribuição cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento. Por essa razão, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita/faturamento. O processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos relevantes para sua obtenção. Daí se conclui serem considerados como "utilizados como insumo" para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições. Assim, entendo que a alegada inovação promovida pela Lei nº. 10.833/2003, que teria trazido ao mundo jurídico a possibilidade de aproveitamento de créditos na contratação de fretes, veio apenas convalidar o que, na prática, já estava autorizado, em termos amplos, pelo artigo 3º., inciso II, da Lei no. 10.637/2002. Neste sentido, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito de desconto de créditos decorrentes de despesas com fretes e materiais de embalagem. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 12 Voto Vencedor Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado Não obstante as respeitáveis razões exaradas no voto da ilustre Relatora, discordo do seu entendimento quanto a possibilidade de creditamento de despesas com fretes e de materiais de embalagem, e o faço pelos motivos abaixo explicitados. 1. Das Despesas com Fretes A Recorrente se insurge contra as glosas de suas despesas com fretes. Sustenta o direito aos referidos créditos em razão de: “O Ilustre Auditor glosou a importância de R$ 16.897,89 (dezesseis mil, oitocentos e noventa e sete reais e nove centavos) referente as despesas com frete. O Agente Fiscal afirma que somente a partir de fevereiro de 2004 o aproveitamento de crédito de PIS, a título de despesa de frete, passou a ser permitido, justificando assim a glosa no artigo 3º, IX; artigo 15, II e artigo 93 da Lei nº 10.833/2003. Todavia, cumprenos elucidar que a referida legislação não trouxe qualquer inovação sobre a matéria de aproveitamento de crédito de PIS, referente a despesas com frete, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 já permitia a utilização dos créditos referente a despesas com frete. [...] Ora, a glosa efetuada pelo Agente Fiscal teve fundamento legal em uma lei estritamente elucidativa, ou seja, uma lei que não inovou ou gerou direitos, mas unicamente esclareceu uma possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637/2002. Desse modo, tornase indevida a glosa efetuada pelo Agente Fiscal, pelos motivos acima, posto ter o contribuinte agido dentro dos limites permissivos da legislação”. Importante se faz, para bem analisar a questão aqui discutida, trazer a lume a legislação de que trata o direito ao crédito das despesas com fretes, nas operações de vendas, arcado pela pessoa jurídica, relacionadas à apuração das Contribuições nãocumulativas para o Pis/Pasep e Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, instituidora do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, fixou em seu art. 3º quais os custos/despesas passíveis de integrar a base de cálculo como crédito a ser descontado, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006545/200498 Acórdão n.º 3801001.364 S3TE01 Fl. 209 13 A partir da Lei no 10.833, de 2003, o regime de apuração nãocumulativa passou a ser adotado também para a Cofins, sendo admitido, a partir de então, o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Por sua vez, o art. 15 da Lei no 10.833/2003 estendeu o permissivo previsto no inciso IX às pessoas jurídicas incluídas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. Da análise da evolução legislativa acima exposta, permitese concluir que o creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, somente poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. É questão de prova. No entanto, a Recorrente não trouxe, seja na impugnação, seja nessa instância recursal, qualquer elemento que demonstrasse a vinculação da referida despesa com as operações de venda. Portanto, no caso em tela, os gastos relativos ao frete de que trata a planilha I, fls. 55/69, no valor de R$ 12.365,56, não são passíveis de creditamento para fins de apuração do valor devido das contribuições nãocumulativas. 2. Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Utilizados em Embalagem. Com relação as glosas das despesas com embalagens, a Recorrente assim defendeu seu direito: “As embalagens desconsideradas são essenciais para garantir eficiência na exportação, permitindo a conservação dos produtos no final até sua chegada no porto de destino, atendendo assim a sua qualidade. Os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (FRUTA FRESCA E NATURAL) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários, conforme documentos anexos. Ademais, os pallets, as cantoneiras e demais produtos utilizados para a embalagem não compõem o ativo imobilizado da Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 14 empresa, uma vez que tais mercadorias não retornam a empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes, pois sem estes produtos não seria possível o seu transporte e comercialização. As referidas embalagens viabilizam a operação de uma fruta produzida no Ceará e consumida ainda fresca na Europa. Sem elas, as operações não poderiam se realizar”. Em apertada síntese, pretende a Recorrente ter assegurado o direito creditório relativo a contribuição para o PIS no que tange a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas à exportação. Defende a tese de que os gastos com embalagens, sejam elas de acondicionamento ou transporte, estariam enquadrados no conceito de insumos. Nesse aspecto, é meu pensar que a Recorrente não tem razão. O alargamento do sentido do termo “insumos” que se quer imprimir não pode prosperar. No caso vertente, as despesas com embalagens não se relacionam com o processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, isto é, ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Assim sendo, uma vez que a lei se refere expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação e os aqui referidos não se relacionam diretamente com o processo fabril da empresa, por ausência de permissivo legal, os dispêndios agregados em momento posterior à conclusão do processo produtivo (embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias), não podem ser descontados como créditos na apuração das contribuições nãocumulativas. Destarte, também improcedente a argumentação da Recorrente nesse tópico. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001151/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10630.001151/2009-69
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267499
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-000.226
nome_arquivo_s : Decisao_10630001151200969.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10630001151200969_5267499.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 4957343
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981960863744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 51 1 50 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.001151/200969 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.226 – 2ª Turma Especial Data 8 de maio de 2013 Assunto SIMPLES NACIONAL Recorrente VIAÇÃO DANDAO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 30 .0 01 15 1/ 20 09 -6 9 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 52 ___________ Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora – MG (DRJJFA), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a exclusão do contribuinte do Simples Nacional. Para descrever os fatos, e, também, por economia processual, transcrevo, a seguir, o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional (fl. 08) que indeferiu o pedido dc inclusão do Simples Nacional, a partir da data de abertura da empresa, ou seja, 04/05/2009, tendo em vista o exercício de atividade econômica vedada representada pelo código CNAE 4929 9/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, de acordo com a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI. Contra tal ato, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade cm 27/05/2009 (fls. 01/02), na qual alega que a resposta à pergunta n° 2.5, constante no Portal do Simples Nacional na internet não deixa dúvidas quanto à possibilidade de enquadramento no caso em pauta, ao afirmar: Admitese, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionando se neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no Simples Nacional, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. Por fim, o contribuinte declara que exercerá somente as atividades permitidas à inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas ME e EPP. É o relatório.”. A 1˚ Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora – MG (DRJJFA), indeferiu a Manifestação de Inconformidade do ora Recorrente através do Acórdão n° 09 35.672 de 22 de junho de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2009 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. SITUAÇÃO CADASTRAL. “Deve ser indeferida a opção pelo Simples Nacional quando a pessoa jurídica exerce atividades vedadas, cujo código CNAE consta da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007”. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Sem crédito em litígio. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10630.001151/200969 Resolução nº 1802000.226 S1TE02 Fl. 53 3 Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, que a alteração do objeto social, ocorrida em novembro de 2009, permitiria a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. É o relatório, passo a decidir. Voto A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 13.10.2011, conforme aviso de recebimento às fls. 36 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 09.11.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A DRJ manteve a indeferimento do pedido da Recorrente de enquadramento no Simples, a partir da data de abertura da empresa, ou seja, 04/05/2009, ante o exercício de atividade econômica vedada representada pelo código CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, de acordo com a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI. Em sua defesa, a Recorrente alega que a alteração contratual, ocorrida em 13 de novembro de 2009, que alterou seu objeto social, era motivo suficiente para o deferimento de sua opção pelo Sistema Integrado de Parcelamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Quando da sua opção pelo Simples, o objeto social da Recorrente previa as seguintes atividades: A Sociedade tem por objeto: (i) Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal, intermunicipal e interestadual; (ii) Transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, municipal; (iii) Organização de excursões em veículos próprios, municipal; (iv) Organização de excursões em veículos próprios, intermunicipal, interestadual e internacional; Verificase que, ao proceder ao seu pedido de inclusão no Simples, o Recorrente o fez no momento da constituição da sociedade, e, neste momento, constava em seu objeto social atividade econômica vedada, representada pelo código CNAE 49299/04 Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, de acordo com a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso VI, abaixo transcrita: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10630.001151/200969 Resolução nº 1802000.226 S1TE02 Fl. 54 4 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) VI que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; Ante o presente óbice, em 13/09/2009, a Recorrente procedeu alteração de seu contrato social, excluindo a atividade vedada para enquadramento no Simples, qual seja, transporte de passageiros intermunicipais, ficando objeto social da sociedade fica alterado para: A Sociedade tem por objeto: (i) Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal, intermunicipal e interestadual; (ii) Transporte rodoviário coletivo de passageiro, com itinerário fixo, municipal; (iii) Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, municipal; Apesar da exclusão do objeto social da atividade vedada para enquadramento no Simples, não é razoável para mim que uma empresa que faz transportes e excursão fique limitada apenas âmbito municipal. Entretanto, ao analisar os documentos acostados ao presente processo administrativo, os elementos dos autos não permitem uma conclusão a respeito desse ponto, qual seja, se a efetiva atividade exercida pela Recorrente abrange tão somente a prestação de serviços no âmbito municipal; sendo necessário, a meu ver, o saneamento do processo para esclarecimento dessa questão. Isto porque, no meu entendimento, o enquadramento no Sistema Integrado de Parcelamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, deve ser feito mediante verificação da efetiva execução das atividades constantes do objeto social. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhandose os presentes autos à DRF de origem – Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora – MG (DRJJFA), para que: (i) a luz da escrituração contábil apresentada e de outros elementos que a DRF entender necessários, intimar a Contribuinte a comprovar que sua prestação de serviços de transportes são feitas exclusivamente no âmbito intramunicipal; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10630.001151/200969 Resolução nº 1802000.226 S1TE02 Fl. 55 5 (ii) elabore relatório circunstanciado; (iii) intime a Contribuinte para, desejando, se manifestar sobre o resultado da diligência; (iv) retorne os autos a esse Conselheiro para julgamento. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901986/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/12/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/12/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13116.901986/2009-28
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5255853
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.789
nome_arquivo_s : Decisao_13116901986200928.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 13116901986200928_5255853.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4879611
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045981973446656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 56 1 55 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901986/200928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.789 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Cooperativa dos Profissionais de Transporte de Niquelândia Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/12/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 19 86 /2 00 9- 28 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 39/41 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido de COFINS efetuado em 14/12/2005. A compensação não foi homologada sob o argumento de que o pagamento aduzido como indevido (no montante de R$ 63.947,96) teria sido utilizado na quitação integral de débito do contribuinte declarado em DCTF (data de apuração 30/11/2005), não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde defende que o departamento jurídico do órgão que representa sua classe (OCBGO) foi favorável ao aproveitamento do crédito por haver casos de entidades de mesma natureza em Goiás que já haviam usufruído de tal direito. Ressalta, ainda, que em análise dos PER/DCOMP glosados, constatou existir sim o crédito reclamado, aos quais se refere em tabelas demonstrativas. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, sob o argumento de que a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito tributário alegado, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Ainda segundo os fundamentos em que se alicerçou referida decisão, a reclamante, [...] para ter direito a pagamento vinculado a débito confessado em DCTF, mediante a comprovação do erro em que se funde, antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único), deveria ter retificado suas declarações (DCTF e DIPJ) ou ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99 [...] Assim, como a suplicante não retificou a DCTF e não apresentou comprovação escritural do crédito, foi indeferido o pedido de homologação da compensação desejada. Cientificada da referida decisão em 12/04/2012 (vide AR de fls. 44), a interessada, em 10/05/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 45/48, onde reitera ter direito ao crédito decorrente do pagamento da COFINS sob o argumento de que as entidades cooperativas são isentas da referida contribuição em relação a atos com cooperados, conforme disposto no artigo 74 da Lei no 5.764/71, assim como nas Leis 9.718/98 e 10.865/2004. Em vista do alegado equívoco no preenchimento das declarações DCTF e DIPJ, alega, num primeiro momento, haver retificado e transmitido citadas declarações à RFB; posteriormente, informa não ter sido possível retificálas. A título de comprovação a recorrente anexa cópias de comprovante de pagamento (DARF) e impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, os quais, alega, seriam suficientes para demonstrar o direito reclamado. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901986/200928 Acórdão n.º 3802001.789 S3TE02 Fl. 57 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pedido em vista da não comprovação do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo. De acordo com o estatuto social da entidade, acostado aos autos, a natureza jurídica da reclamante é sim a de uma sociedade cooperativa de transporte, que tem, dentre os seus objetivos sociais, o de “organizar, em comum e em maior escala, os serviços de transportes rodoviários de cargas, municipal, intermunicipal e interestadual, bem como, o transporte de passageiros e escolar, grão, insumos agrícolas (adubo, calcário) [...]”, etc. De acordo com o artigo 10, inciso VI, bem como artigo 15, inciso V, ambos da Lei nº 10.833/2003, as sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária e as de consumo, estão sujeitas ao regime cumulativo das contribuições para o PISPASEP e para a COFINS. Contudo, as atividades das cooperativas de transporte, quando prestadas a associados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006, abaixo transcrito: Art. 16º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; II exclusão das receitas de venda de bens a associados, vinculados às atividades destes. III exclusão das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade de transporte rodoviário de cargas, relativos a assistência técnica, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, para a aquisição de bens vinculados à atividade de transporte rodoviário de cargas, até o limite dos encargos devidos às instituições financeiras; e V dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 2º Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. § 3º As disposições dos incisos I a V do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2005. De acordo com a referida instrução normativa, a sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do referido artigo, deverá também efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (§ 1o, artigo 16). Ademais, nos termos do § 3o do preceito em evidência, as disposições relativas às exclusões em tela são válidas para os fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2005. Portanto, o período em exame encontrase regido pela citada norma. Como se vê, a tributação dos ingressos decorrentes de atos cooperativos depende do exame da circunstância de o respectivo ato por ela praticado ser ou não qualificável como ato cooperativo tendente à consecução dos fins estatutários, sujeito à correspondente comprovação nos registros da entidade da legitimidade das exclusões da base de cálculo da contribuição. No caso presente, a título de comprovação, além da cópia dos DARF de recolhimento, a recorrente acostou aos autos unicamente impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, onde, como receitas operacionais, está consignado apenas o montante total das receitas de serviços de transporte (ver fls. 51/53). Além disso, dentre as despesas elencadas, muito embora conste referência a “DESPESAS COM PIS”, não está demonstrado que tal “lançamento” seria relativo ao PIS incidente sobre a folha de salários, ao qual a recorrente estaria obrigada acaso tivesse feito uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006. Vale ressaltar que a comprovação do recolhimento do PIS sobre a folha de salários teria valor unicamente subsidiário para demonstrar que houve registro de exclusões ou deduções legalmente previstas, nada dizendo a respeito da apuração dos montantes excluídos, que deveria ter sido comprovada, não se prestando para tal fim o impresso acostado pela recorrente, pois este não comprova que a receita seria integralmente decorrente de atos com cooperados. Não há, no demonstrativo das receitas, nenhuma alusão a esse fato. O motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901986/200928 Acórdão n.º 3802001.789 S3TE02 Fl. 58 5 relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913230/2008-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.913230/2008-25
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267576
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.293
nome_arquivo_s : Decisao_15374913230200825.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 15374913230200825_5267576.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 4957420
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045982036361216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 583 1 582 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.913230/200825 Recurso nº 5 Voluntário Acórdão nº 3403002.293 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria PIS PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 32 30 /2 00 8- 25 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA SA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 33229.88468.180804.1.3.041815, visando à extinção de débito(s) de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 2.187,16. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781156588 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado explicou que o indébito originouse da falta de creditamento dos custos dos apartamentos construídos para venda, autorizado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, mas não computados na apuração do pagamento do PIS do PA 01/02/2003 a 28/02/2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF retificada. A 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13040.275, de 8 de março de 2012, fls. 44 a 47, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ2. O arrazoado de fls. 51 a 62, após protesto de tempestividade e resumo dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material. Discorre sobre o referido princípio, cita e transcreve ementas de julgados administrativos, tudo para amparar a juntada de novas provas na fase recursal do procedimento. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15374.913230/200825 Acórdão n.º 3403002.293 S3C4T3 Fl. 584 3 Na continuação, repete a gênese do indébito, que diz ser referente aos custos vinculados à unidade imobiliária, construída ou em construção incorridos no período de apuração na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, àqueles decorrentes de energia elétrica e água consumida em seus estabelecimentos, bem como da mão de obra utilizada na confecção dos bens produzidos, consoante planilha de apuração proporcional de custos, elaborada a partir dos documentos que diz acostar à peça recursal: a) Cópia da nota fiscal da concessionária de energia elétrica; b) Cópia da nota fiscal da concessionária de fornecimento de água; c) Cópia Folha de pagamento do mês; d) Cópia de Notas Fiscais dos bens e serviços utilizados referentes à atividade da empresa, e; e) Cópia do Livro de Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros – REMAS, autenticado pela Secretaria Municipal da Fazenda Município do Rio de Janeiro. Discorre sobre a não cumulatividade da contribuição social. Oferece cálculos. Entendendo estar cabalmente comprovado o direito creditório, requer que se julgue improcedente o despacho decisório da DERAT/RIO, homologando a compensação declarada, em homenagem ao princípio da verdade material que deve informar a atuação do Fisco. Subsidiariamente ao pedido acima, que se baixe o feito em diligência, a fim de que AFRFB autuante, que indeferiu a homologação, proceda à análise dos documentos apresentados no recurso voluntário, assim como permita o oferecimento de esclarecimentos e/documentos, com abertura em contraditório. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, mormente aqueles que constituem início de prova ora apresentados em atenção ao princípio da verdade material. Por fim, solicita que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado ao patrono da causa, no endereço que transcreve. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 51 a 62 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13040.275, de 8 de março de 2012. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito Compulsando os autos, constatei que a DCTF retificadora foi transmitida em 29/09/2008 (cf. fl. 16), antes da ciência do DDE nº 781156588, em 26/02/2009 (ciência editalícia, fls. 32 a 38). Nada obstante, a decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação por falta de prova do indébito. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15374.913230/200825 Acórdão n.º 3403002.293 S3C4T3 Fl. 585 5 Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000303/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/11/2001
Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida,
aplica-se
o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN,
NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS
PELA LEI 11.941/09.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,
do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário
Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos
termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a
redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao
contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 08/2001, anteriores a 09/2001, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido
o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos
geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da
fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido
o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento
parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº
9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa
aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais
alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles
Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 30/11/2001 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11330.000303/2007-91
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5093980
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-002.717
nome_arquivo_s : 230102717_11330000303200791_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11330000303200791_5093980.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2001, anteriores a 09/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4956271
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045982130733056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 274 1 273 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000303/200791 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.717 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇÕES IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 30/11/2001 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2001, anteriores a 09/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzales Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000303/200791 Acórdão n.º 2301002.717 S2C3T1 Fl. 275 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à diferença de contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais seu serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls.64), o presente débito referese a diferenças apuradas relativas a contribuições a cargo da empresa, tendo como fato gerador os serviços prestados por contribuintes individuais, sendo que as bases de calculo foram levantadas por meio do batimento entre os valores declarados pela empresa e os lançados na Contabilidade. A autoridade lançadora detalha, por meio de planilha, por competência, os totais levantados na contabilidade, os totais declarados pela empresa em cada filial, as diferenças apuradas como bases de calculo e as respectivas contribuições devidas. A notificada apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, conforme despacho de fls. 231, resultando na Informação Fiscal de fls. 233 e na retificação do débito. Cientificada do resultado da diligência, a notificada não se manifestou, e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1215.101 da 11a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 240), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 255), insistindo na exclusão, do débito, dos montantes constituídos até a competência 09/2001, eis que decaído o direito da Fazenda Pública constituílos quando da data do efetivo lançamento. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Do recurso apresentado, verificase que a recorrente limitase a alegar decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000303/200791 Acórdão n.º 2301002.717 S2C3T1 Fl. 276 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 No caso presente, a fiscalização deixa claro que se trata de diferença de contribuição incidente sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais, apurada por meio do batimento entre os valores declarados pela empresa e os lançados na Contabilidade. A cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu 29/09/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 06/2000 a 08/2001. Dessa forma, reconheço a decadência de parte do débito. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, excluindo do débito, por decadência, os valores lançados entre 06/00 e 08/01, inclusive. É como voto Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado Conforme decidido pela E. 1º Turma, a divergência a ser registrada em relação ao voto da Ilustre Conselheira Relatora diz respeito apenas à quantificação da multa aplicada considerandose a retroatividade benigna espelhada no Código Tributário Nacional. Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.000303/200791 Acórdão n.º 2301002.717 S2C3T1 Fl. 277 7 Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, CONHEÇO o recurso voluntário para, NO MÉRITO, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO a fim de, se mais benéfica ao contribuinte, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 27/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724301/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS.
PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS - Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizam-se como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real.
PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO - Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real.
PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES - Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição.
PERDAS DE INSS - Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário.
Numero da decisão: 1301-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues de Lima
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS - Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizam-se como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real. PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO - Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real. PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES - Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição. PERDAS DE INSS - Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.724301/2009-06
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5259781
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1301-001.194
nome_arquivo_s : Decisao_15374724301200906.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 15374724301200906_5259781.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues de Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4912376
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045982167433216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.724301/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.194 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2013 Matéria Restituição IRPJ Recorrente Cobra Tecnologia S/A. Recorrida 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizamse como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real. PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real. PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição. PERDAS DE INSS Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 01 /2 00 9- 06 Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 3 2 recurso para reconhecer o crédito adicional nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues de Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário impetrado pelo contribuinte Cobra Tecnologia S/A., em face da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) que, por unanimidade de votos, reformou o Despacho Decisório da autoridade administrativa da DERAT/RJ, e reconheceu ao interessado o direito creditório adicional de R$ 1.404.550,11. O Despacho Decisório relacionase com Pedido de Restituição Eletrônico referente a saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2006, no valor de R$ 16.549.492,07. A autoridade administrativa reconhecera o direito creditório apenas de R$ 6.068.847,01, e a decisão ora recorrida o retificou para R$ 7.473.397,12. Como a Derat já reconhecera e restituíra o valor de R$ 6.068.847,01, a DRJ reconheceu direito creditório relativo à diferença, no montante de R$ 1.404.550,11. O processo se desenvolveu da seguinte forma: Para a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado no PER, o processo foi encaminhado ao Grupo Especial de Trabalho da DERAT/RJO, para, em diligência no estabelecimento do contribuinte, verificar: 1 A composição da linha 37 da Ficha 04A, fl. 20 (outros custos); 2 A composição da linha 31 da Ficha 05A, fl. 21 (outras despesas operacionais); 3 A composição da linha 33 da Ficha 06A, fl. 22 (outras despesas financeiras); Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 4 3 4 A composição da linha 24 da Ficha 09A, fl. 23 (reversão dos saldos das provisões não dedutíveis)), sobretudo a data de constituição da provisão ora informada como dedução; 5 Os valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A, fl. 22; 6 Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl.28, foram oferecidos à tributação; 7 Demais verificações que se fizerem necessárias a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 2006. O Relatório de Diligência encontrase às fls. 107/117, cujas conclusões, em síntese, foram as seguintes: 1. A composição da linha 37 da Ficha 04A, fl. 20 (outros custos): O valor constante da linha 37 (Outros Custos), R$ 282.486.988,21 e R$ 1.940.252,34 — parcela não dedutível, da Ficha 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) "confere com o total do grupo contábil 33 — Custo PD/Mer/Serviços Prest. (fls. 55)." Ressaltando que "o total informado em algumas linhas da Ficha 04A não confere com as respectivas rubricas contábeis, embora os totais gerais de custos sejam idênticos." 2. A composição da linha 31 da Ficha 05A, fls. 21 (outras despesas operacionais). A Ficha 05A (Despesas Operacionais) não foi preenchida corretamente, dificultando a análise. Dessa maneira, objetivando o melhor entendimento foi subdividida nos grupos 341 a 344, 346, 347 e 349, conforme descrito na fl. 109. Relevante destacar que o saldo da conta 347101 (Provisões para Contingências Passivas) é divergente do resultado obtido entre a exclusão e a adição constante no LALUR, consoante explicação contida na fl. 111; 3. A composição da linha 33 da Ficha 06A, fl. 22 (outras despesas financeiras). O valor de R$ 27.969.835,83 constante da linha 33 (Outras Despesas Financeiras) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) encontrase escriturado nas contas descritas na fl. 113, que refletem a escrituração contábil da interessada, cópias de fls. 72 e 73; 4. A composição da linha 24 da Ficha 09A, fl. 23 (reversão dos saldos das provisões não dedutíveis), sobretudo a data de constituição da provisão ora informada como dedução. O valor da reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, linha 24 da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), totalizando R$ 50.313.478,36, encontrase discriminado na fl. 114. Vale ressaltar que a interessada adicionou em 2005, no LALUR, o valor de R$ 63.500.162,70, conforme consta à fl. 75 e DIPJ/2006 de fl. 121; 5. Os valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A, fl. 22. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 5 4 Os valores do ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) "correspondem àqueles registrados no grupo de contas 321 — Impostos Incidentes sobre Vendas e Serviços (fls. 55) consoante descrição de fls. 114 e 115”; 6. Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl. 28, foram oferecidos à tributação. Do cotejo entre a planilha fornecida pela interessada, fl. 77, e as informações constantes do somatório das duplicatas em aberto, fl. 78, com as informações constantes da DIRF, ano calendário 2006, fls. 79 a 100, foi possível afirmar que “os valores dos rendimentos tributáveis” informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (fls. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31/12/2005, com exceção do cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. que informou o pagamento de R$ 4.967 mil sob o código 5952. O valor contabilizado dos rendimentos auferidos difere de R$ 460.000,00 da informação apresentada pela fonte pagadora (fl. 115). O IRRF apresentado nas DIRF é coerente com o contabilizado pela interessada à exceção do IRRF (código de receita 6190) retido pela fonte pagadora (CNPJ n° 00.000.000/000191), que declarou valor a menor de R$ 795.000,00, cuja diferença para o IRPJ é de R$ 404.000,00; 7. Demais verificações que se fizerem necessárias no decorrer da presente diligência, a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2006. Relativamente às demais verificações empreendidas, a diligência relatou que foram constatadas, no balancete de dezembro de 2006, algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 do RIR/99 e o artigo 13 da Lei 9.249/95, que determina que, neste caso, somente são dedutíveis as provisões para férias/décimo terceiro salário de empregados e devedores duvidosos. Sobre as provisões constatadas, esclarece o auditor: Conta 11440405 Provisão para Perdas com ISS (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A. não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção. Conta 11440701 INSS a Recuperar (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de INSS pelos clientes, que o contribuinte alega a impossibilidade de compensação. Neste caso, não há a constituição de uma provisão, tal qual na conta de Perdas com ISS, sendo as perdas registradas em contrapartida à conta de resultado 334199 Perdas INSS (fls. 56). Conta 21219901 Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante fls. 50): referese a serviços prestados em 2006, com faturamento pelos fornecedores em 2007. 0 contribuinte alega que as receitas correspondentes foram reconhecidas em 2006 e utiliza este critério em obediência ao princípio contábil da competência. Ao constituir esta provisão, o contribuinte alega já conhecer o valor exato das exigibilidades, ao contrário dos valores registrados na conta de passivo circulante 21219905 Estimativas de Custos de Fornecedores, Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 6 5 cujo valor da provisão é adicionado ao LALUR (fls. 50 e 76). Conta 218105 Provisão para Licença Prêmio de Empregados (passivo circulante f1s. 51). Conta 218105 Provisão para Licença Prêmio de Empregados (passivo circulante f1s. 51). O efeito dessas contas no resultado, conforme esclarece a autoridade executora da diligência, foi de R$ 31.982.769,22. Despacho decisório. Tendo em vista as informações advindas da diligência, a autoridade administrativa analisou o saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2006 constante da DIPJ, extrato de fl. 28, sintetizado na planilha abaixo: Ficha 12A cálculo Imp. de Renda s/ Lucro Real: 1. Alíquota de 15% 1.804.060,34 2. Adicional 1.178.706,90 04. PAT 72.162,41 13. – IRRF org públicos 19.469.096,90 18. IR a pagar 16.549.492,07 (*) Valores em R$ O resultado dessa análise fica resumido no quadro abaixo: Ficha 09A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Descrição a) lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 Aumentado em R$ 277.500,02 [diferença entre os valores de PIS e Cofins informados na DIPJ (fl. 22) e em Dacon (fls 123/146)] b) adições ao lucro líquido 64.021.175,88 64.021.175,88 Mantido (fl. 23) c) exclusões ao lucro líquido (50.3131.478,36) (50.3131.478,36) Mantido (fl. 23) d) receita + 460.000,00 Em diligência (fl. 115) a Derat apurou que, na Dirf, os rendimentos de Sun Microsystem do Brasil Ind. E Com. S/A eram superiores em R$ 460.000,00 aos valores registrados na contabilidade do interessado. e) provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 Em diligência (fl. 116/117) a Derat apurou que os efeitos de contas de provisão não foram adicionados. f) Provisões para contingências + 5.618.200,44 Em diligência (fl. 111/112) a Derat apurou que este valor deveria ter sido adicionado no Lalur. g) Lucro real 17.181.527,08 55.519.996,76 h) (5.154.458,12) (5.154.458,12) Mantido (fl. 23) Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 7 6 Compensação de prejuízos i) Lucro real 12.027.068,96 50.365.538,64 O valor de R$ 31.982.769,22, referente a provisões indedutíveis (linha “e” na planilha supra) e os efeitos correspondentes no resultado estão assim discriminados no Relatório de Diligência (fls.116/117): conta Saldo em 31/12/2006 Efeito no resultado Provisão para Perdas ISS 4.418.689,31 3.327.191,32 Provisão para custo dos fornecedores 27.151.1467,13 27.151.1467,13 Provisão para licença prêmio 1.069.655,65 70.379,66 INSS a Recuperar Zero 1.434.052,11 A Derat alterou, também, o valor do imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos (linha 13 da ficha 12A), que a interessada informara ter sido de R$ 19.460.096,90, para R$ 18.564.069,26. O fundamento dessa alteração foi que os extratos do sistema DIRF (fls. 79 a 100) demonstram retenção na fonte de IRRF, concernentes aos códigos 6147 e 6190, nos valores totais de R$ 3.717.226,26 e R$ 35.046.823,82, e a aplicação dos percentuais previstos na IN SRF 480/2004 produz os seguintes resultados: Código 6147 762.507,95; Código 6190 17.801.561,31. TOTAL 18.564.069,26 Com isso, o saldo negativo informado na DIPJ restou assim alterado: DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5,012.553,86 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) A autoridade administrativa, então, reconheceu o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 no montante de R$ 6.068.847,01, restituído ao interessado após atualização. Manifestação de inconformidade Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 208/214, na qual trouxe as seguintes ponderações sobre itens da diligência efetuada, a seguir referenciados: Item "Demais Verificações que se fizerem necessárias": Menciona que houve uma Adição no LALUR de 2005, no valor de R$ 18.361.554,31, montante no qual incluiu provisão de Auto de Infração, de R$ 5.201.749,21, que, pago em setembro de 2006, pelo valor de R$ 3.099.026,01, "foi baixado diretamente da contingência, sem transitar por resultado, reduzindo a dita provisão para R$ 13.809.969,82". Informa que a diferença de R$ 2.102.723,20, entre os sobreditos "valor provisionado" e ‘valor pago', foi debitada à "Provisão para Contingência" e creditada em conta de resultado — "Provisão para Contingências Passivas" em agosto de 2006. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 8 7 Item da "IRPJ retido por órgão público”: Pondera que a comparação direta entre receita de vendas e retenção de IRPJ não é possível porque a receita é contabilizada pelo regime de competência, enquanto que a retenção, pelo de caixa. Ainda assim, diz que há coerência entre os valores dos rendimentos tributáveis informados em DIRF pelas fontes pagadoras, de um lado, e a soma entre aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005, bem como, entre o retido pelas fontes pagadoras em 2006 e os registrados em seus livros contábeis. No que tange ao cliente Sun Microsystem, alega que, em análise do registro de "Contas a Receber", verificouse que algumas notas fiscais (122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041) foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, enquanto que os respectivos impostos só o foram entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor em "Contas a Receber", porém, sem divergência no pagamento de impostos, já que em momento algum deixou de cumprir com suas obrigações fiscais". Com relação às contas de provisão cujo efetivo resultado, de acordo com a diligência, não teria sido adicionado ao Lalur, afirma: a) conta 11440405 — Provisão para Perdas com ISS: tratase de retenções de ISSQN efetuadas pelo Banco do Brasil em municípios nos quais não possui estabelecimentos, e, portanto, de perdas efetivas; b) conta 11440701 — INSS a Recuperar: referemse a retenções de INSS efetuadas pelos clientes, e, em face da impossibilidade de compensálas, reconheceas como perda efetiva; c) conta 21219901 — Provisão de Custos de Fornecedores: “trata”se de provisão constituída em dezembro de 2006, com base em serviços prestados e cujas notas fiscais foram registradas em 2007, e, por força do regime de competência, a provisão de custos, no valor de R$ 27.151.146,13, foi constituída no mês de dezembro de 2006 e o faturamento foi efetuado em dezembro de 2006, reconhecendose a receita, tendo sido constituída provisão com base nas notas fiscais dos fornecedores "que entraram no mês seguinte"; d) conta 218105 — Provisão para Licença Prêmio de Empregados — tratase de provisão constituída e prevista em Acordo Coletivo, segundo o qual, a cada período de cinco anos de vigência do contrato de trabalho, concedese ao empregado licença prêmio de 30 dias consecutivos, conversíveis em pecúnia, razão por que representa provisão de despesa certa, com a mesma natureza do 13° salário. Decisão de 1ª Instância Na análise da manifestação de inconformidade, o relator apreciou as retificações procedidas pela autoridade administrativa da DERAT nas parcelas que integram a apuração do lucro real, como a seguir: a) lucro líquido ajustado: Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 9 8 A alteração promovida pela DERAT, aumentando em R$ 277.500,02 em razão de diferença entre os valores de PIS e Cofins informados na DIPJ e em Dacon , não foi contestada, consolidandose na esfera administrativa. b) receita: A DERAT aumentou a receita em R$ 460.000,00 por ter apurado, em diligência, (fl. 115) que na Dirf, os rendimentos de Sun Microsystem do Brasil Ind. e Com. S/A. eram superiores em R$ 460.000,00 aos valores registrados na contabilidade. Em sua defesa, o contribuinte diz que verificou que "algumas notas fiscais foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da recorrente e a DIRF da fonte pagadora, informações estas constantes às f1s. 115 do referido Relatório de Diligência". Aduz que, "como complemento, e para auxílio na consulta à Dirf da fonte pagadora, segue a relação das referidas notas fiscais: n°s 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041.” A DRJ não acolheu as alegações do interessado, porque desacompanhadas das provas. c) Provisões não dedutíveis A Derat detectou a falta de adição ao lucro líquido dos efeitos de provisões indedutíveis, no montante de R$ 31.982.769,22, composto das rubricas (i) Provisão para Perdas INSS (R$ 3.327.191,32), (ii) Provisão para custo dos fornecedores (R$ 27.151.1467,13), (iii) Provisão para licença prêmio (R$ 70.379,66) e INSS a Recuperar (R$ 1.434.052,11). Sobre a Provisão para Perdas INSS, em sua defesa o interessado aduziu que se trata de retenções de ISSQN efetuadas pelo Banco do Brasil em Municípios nos quais não possui estabelecimento, tratandose de perdas efetivas, uma vez que a Recorrente não tem condições de compensar, conforme documentos emitidos pelo próprio Banco do Brasil e pela Cobra acerca da Retenção e Recolhimento do ISSQN na prestação de Serviços da Cobra Tecnologia para o Banco do Brasil, que anexa. Juntou correspondência que encaminhou ao Banco do Brasil, em 22.11.2007, bem como a resposta deste, sendo que, nesta última, o Banco do Brasil S/A., controladora do interessado, responde ao interessado acerca do local do recolhimento do ISS e dos comprovantes correspondentes (fls.249/252). O julgador manteve o Despacho Decisório considerando que a provisão não se encontra entre as mencionadas no art. 13 da Lei nº 9.240/95 como dedutíveis. Argumentou, em síntese, que provisão, conceitualmente, não é sinônimo de despesa/perda consumada, e que se o interessado contabilizou o fato como provisão, não há que se dar a ele outro tratamento que não o de provisão. Acrescentou que as correspondências juntadas pelo interessado não operam o efeito de afastar a vedação da lei à dedutibilidade da dita provisão, ressaltando que o interessado também não trouxe provas de que tais valores foram pagos. Sobre a Provisão para custo dos Fornecedores, o interessado defendeu que o valor de R$ 27.151.146,13, registrado na conta de Provisão de Custos, é a expressão do regime de competência. Explicou que a provisão foi constituída em dezembro de 2006 com base em Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 10 9 serviços prestados em dezembro, e, que as notas fiscais foram registradas em janeiro de 2007. Disse que efetuou o faturamento e reconheceu a receita em dezembro de 2006, e constituiu uma provisão de custos com base nas notas fiscais dos fornecedores, que entraram no mês seguinte, mas que representavam os serviços prestados no mês de dezembro de 2006. Alegou que tal procedimento atenderia os princípios contábeis da realização da receita e do confronto de custos e despesas com as receitas e períodos contábeis, conhecidos como regime de competência. A decisão de primeira instância argumenta que não há previsão legal autorizando a dedutibilidade de provisão para custos, bem como inexiste prova inequívoca de que a contabilização como provisão se deu em atendimento ao regime de competência (ou até de que se tratou de gasto indevidamente classificado como provisão). Ponderou o Relator que: (i) O art. 170 do CTN condiciona o reconhecimento do direito creditório à prova de sua liquidez e certeza; (ii) é ônus de o interessado trazer, sob pena de preclusão, os registros contábeis e os documentos com os quais pretende fazer prova de que tem direito líquido e certo à restituição em matéria tributária; (iii) o interessado não ofereceu à tributação os gastos provisionados, e a Lei n° 9.249, de 1995, é taxativa, ao não incluir dita provisão no rol das provisões dedutíveis; (iv) embora tenha juntado dezenas de cópias de notas fiscais, de vários fornecedores emitidas em diversos meses dos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007 , o interessado não trouxe provas nem demonstrou que, independentemente da data de emissão das notas fiscais juntadas, as receitas correspondentes a tais custos foram auferidas em 2006; (v) Não é possível concluir que o procedimento adotado visou atender o regime de competência e contraposição da receita auferida com o respectivo custo, porque as notas fiscais juntadas não vieram instruídas com relatório discriminativo, nem com a composição dos custos, nem correlacionadas aos serviços prestados; (vi) conforme art. 274 do RIR/99, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de custo constitui fundamento para lançamento de oficio, se dela resultar postergação de pagamento ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, e, como se vê às fls.917, no período de apuração seguinte (ano calendário de 2007), o interessado apurou prejuízo fiscal, o que afasta a hipótese de postergação. Quanto à Provisão para Licença Prêmio, o interessado alegou que está em conformidade com o Acordo Coletivo, que prevê o pagamento, a cada período de 5 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, de uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, que pode ser convertida em pecúnia. Junta cópia de Acordo Coletivo de Trabalho (fls.255/268). A decisão de primeira instância não acatou os argumentos do contribuinte sob alegação de que referida provisão não se encontra entre as cuja dedutibilidade é permitida pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95, destacando, ainda, que o interessado também não traz provas de que o dito valor teria sido efetivamente pago. Quanto às Perdas INSS o interessado disse tratarse de valor referente às retenções de INSS efetuadas pelos clientes, e que em seu balanço registrou tais retenções como uma perda efetiva, uma vez que não conseguiria compensálos. A decisão de primeira instância menciona que a parcela “Perdas INSS”, no valor de R$ 1.434.052,11 está incluída no custo dos serviços revendidos (no “Custos de Serviços Prestados no País” Assistência Técnica, Hardware). Aduz que no balancete de dezembro de 2006 a conta de Ativo "INSS a Recuperar" está com saldo zero, e que a Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 11 10 contrapartida do crédito foi débito de custo (Perdas INSS). Argumenta que, além de o interessado não juntar prova da irrecuperabilidade, inexiste previsão legal para que tais perdas integrem o custo dos serviços vendidos, e que impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços. d) Provisões para contingências A alteração promovida pela DERAT baseouse no relatório de diligência, que apontou diferença entre o saldo inicial (R$ 18.361.554,31) e o saldo final (R$ 13.809.969,82) da conta patrimonial de Provisão para Contingência, totalizando R$ 4.551.584,49, e afirmou que a diferença final é, de fato, R$ 5.618.200,44, porque, além dos mencionados R$ 4.551.584,49, que foram excluídos do cálculo do lucro real (despesa efetivada), a conta de resultado/ajuste da dita provisão também apresentava saldo devedor (despesa efetivada) de R$ 1.066.615,95 (4.551.584,49 + 1.066.615,95 = R$ 5.618.200,44). A decisão de primeira instância retificou a alteração promovida pela DERAT, excluindo o valor de R$ 5.618.200,44, uma vez que as informações contidas no próprio relatório de diligência esclarecem a diferença apontada entre as contas patrimonial e de resultado, relativas à provisão para contingência. e) Dedução de IRRF por órgãos públicos A Derat alterou o valor do IRRF retido por órgãos públicos, ajustando os valores a partir das retenções informadas nos códigos 6147 (R$ 3.717.226,26) 6190 (R$ 35.046.823,82), de acordo com os percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005. As retenções de IRRF informadas em DIPJ (R$ 19.460.096,90) foram reduzidas a R$ 18.564.069,26. Na manifestação de Inconformidade o interessado alegou: 10. Cumpre registrar que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Desta forma, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. 11. No entanto, pela análise documental (especificamente do demonstrativo analítico), constatamse os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos no ano de 2006, onde se pode visualizar que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005. 12. Conclusão semelhante se aplica aos impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, os quais são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis a Recorrente, ora contribuinte. A DRJ não acolheu a argumentação do contribuinte, sob a seguinte fundamentação: Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 12 11 112 De fato, em sede de Diligência, foi reconhecido que, com exceção de IRRF de R$ 801.000,00 (R$ 795.000,00 do Banco do Brasil + R$ 6.000,00, da Prefeitura de Jacareí, conforme fls.118/119), "os valores tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (f1s. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005". 113 A sobredita conclusão, no entanto, não se opõe aos cálculos de retenção, por tributo (porque as retenções efetuadas pelos órgãos públicos se referem a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), de que trata a IN SRF n° 539, de 2005, porque deles a diligência não tratou. 114 Não são demais observar que o meio previsto em lei para a comprovação das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras é o "comprovante de rendimentos pagos ou creditados", tal como previsto no art. 943, § 2° do RIR/1999, e com os quais a Manifestação de Inconformidade não veio instruída (...). Afinal, as alterações promovidas pela DERAT restaram assim ajustadas pela decisão da DRJ: Ficha 09A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Valores segundo o resultado do julgamento DRJ lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 3.751.329,58 receita + 460.000,00 . + 460.000,00 provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 . + 31.982.769,22 Provisões para contingências + 5.618.200,44 0,00 Lucro real antes compensação 17.181.527,08 55.519.996,76 49.901.796,32 Lucro real após compensação 12.027.068,96 50.365.538,64 44.747.338,20 Cálculo do Imposto DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) DRJ Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 6.712.100,73 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5.012.553,86 4.450.733,82 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) (7.473.397,12) Recurso Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 13 12 Ciente da decisão em 11 de novembro de 2010, o contribuinte ingressou com recurso em 10 de dezembro, cujas razões, em apertada síntese, são as seguintes: Lucro líquido: O lucro líquido do recorrente em 2006 foi de R$ 3.473.829,56, conforme informado em sua DIPJ, e a DERAT o alterou, acrescentando o montante de R$ 277.500,02, equivalente à soma das diferenças entre o montante de PIS e COFINS informados em DIPJ e o montante informado no DACON sob a mesma referência. A Recorrente reitera os valores por ela informados na DIPJ, destacando que todas as receitas foram devidamente informadas ao fisco e submetidas à tributação. Receita: Atribui a divergência entre os rendimentos informados pela fonte e os registrados em sua contabilidade ao fato de, em sua contabilidade, nos registros de Contas a Receber, algumas Notas Fiscais de Faturamento terem sido baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da Recorrente e a DIRF da Fonte Pagadora (cf. fl. 115, do referido Relatório de Diligência). Ressalta que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Desta forma, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. Aduz que pela análise do demonstrativo analítico verificase os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos em 2006, e comprovase que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadores nas respectivas DIRF”s são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005, da mesma forma que os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, os quais são coerentes com aqueles registrados nos seus livros contábeis”. Provisões não dedutíveis Inicialmente, destaca que a essência econômica de um fato deve prevalecer sobre sua forma, e que o modo utilizado pela Recorrente para registrar as operações, mesmo que seja considerado inadequado, em nenhum momento provocou a ocultação da realidade. Sobre a Provisão Para Perdas de ISS, diz tratarse de perdas efetivas, por se referirem a retenções feitas pelo Banco do Brasil em localidades onde o contribuinte não possui estabelecimento, razão pela qual, conforme determinado pela lei, não pode, ou não consegue, compensar o tributo. Aduz que não se trata de uma convenção particular que dispôs sobre a forma mais benéfica para o recolhimento do tributo, inclusive, porque esta não é uma questão negocial. Naquela ocasião não havia consenso entre as partes. 0 Banco do Brasil retinha o ISS, pois, na condição de instituição financeira é obrigada a fazêlo como substituto tributário; e a Cobra Tecnologia, por sua vez, pagava o tributo diretamente aos Municípios, pois estes assim determinavam. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 14 13 Sobre a Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante), explica que foi constituída em dezembro de 2006 com base em serviços prestados durante este mesmo período, cujas Notas Fiscais foram registradas em janeiro de 2007. Explica que a provisão de custos foi constituída no balanço de dezembro de 2006 com base nos princípios contábeis da realização da receita e do confronto de custos e despesas com as receitas e períodos contábeis. Afirma que o faturamento e dos serviços prestados aos clientes e reconhecimento da respectiva receita deuse me 2006, e, foi constituída uma provisão de custos com base nas notas fiscais dos fornecedores que entraram no mês seguinte, mas que representavam os serviços prestados no mês de dezembro de 2006. Destaca que o Relatório de Diligência, que deu origem a esta sucessão de equívocos por parte do Fisco Federal, foi lavrado pelo Auditor Fiscal que compareceu à empresa e teve acesso a toda documentação necessária, o que inclui os livros fiscais, notas fiscais, comprovantes de pagamento, etc., e que nenhuma informação lhe foi sonegada. Indaga, como argumentação, como é possível não reconhecer os custos se reconhecer as receitas deles provenientes. Sobre a Provisão para Licença Prêmio, diz ter sido constituída com base em previsão em Acordo Coletivo, que estabelece que a Recorrente pagará, a cada período de 05 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, ao empregado admitido até 03 de outubro de 1996, uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, a ser gozada no período mais conveniente para o empregado e para a empresa, podendo esta, a seu critério, conceder a conversão em pecúnia, mediante a solicitação do empregado. Argumenta que a licença prêmio representa uma provisão de despesa certa a ser despendida pela Recorrente, possuindo a mesma natureza do 13° salário. Destaca a não incidência do imposto de renda sobre seu pagamento em pecúnia, conforme entendimento pacificado pelo STJ e atos da Receita Federal, razão pela qual a provisão de parte do valor a ser utilizado para o pagamento deste benefício também deve ser autorizada. No que toca às Perdas com INSS, diz referirse às retenções de INSS efetuadas pelos seus clientes e que, em decorrência da impossibilidade de compensação dos mesmos, reconhece que se trata de uma perda efetiva — e assim foi registrado em seu balanço — pois não há possibilidade de efetuar a compensação da referida contribuição. Aduz que a impossibilidade de compensação é fato incontestável, e que há alguns anos tenta reverter esta situação, para que lhe seja reconhecido o direito à compensação das contribuições previdenciárias. Inclusive, foi ajuizada Ação Ordinária em face do INSS pleiteando a restituirão de valores recolhidos indevidamente a título de retenção de 11% ao INSS sobre faturas de prestação de serviços de cessão de mão de obra. Este processo foi autuado sob o n° 2008.51.01.0136390 e distribuído ao MM. Juízo da 30ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (RJ) e, atualmente, encontrase em fase de produção de provas. No que diz respeito à dedução de IRRF por órgãos públicos, contesta o ajuste feito pela DERAT, a afirmar que todos os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis da Recorrente, ora contribuinte. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 15 14 Acrescenta haver erro grosseiro nos cálculos, uma vez que se reajustou o lucro real, mas não se reajustou a compensação de prejuízos, cujo limite restou aumentado. Conclui pedindo a nulidade do. Despacho Decisório e do Acórdão por conterem vícios insanáveis, requer a realização de prova pericial contábil para indicar o verdadeiro montante do lucro real, e a reforma da decisão para que: (i) seja reconhecido o direito creditório em favor do Recorrente no valor de 16.549.492,07, concernente ao saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2006, solicitado por meio da PER n° 02506.70276.120209.1.6.025644; (ii) ou, ainda, seja o julgamento do presente recurso convertido em diligência para que sejam refeitos os cálculos, com objetivo de se apurar o valor correto do saldo negativo de IRPJ do ano 2007, computandose a compensação de prejuízos fiscais na forma prevista em lei; (iii) seja deferida a realização de prova pericial contábil, conforme acima requerido; por tudo isto ser medida de inteira e necessária Justiça! É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Diversamente do suscitado pelo Recorrente, o Despacho Decisório e o Acórdão recorrido não padecem de nulidade “por conterem vícios insanáveis”. Os erros e equívocos apontados pelo interessado, se confirmados, levam à reforma do decidido, mas não à nulidade dos atos. O processo administrativo representa uma revisão interna do ato administrativo, visando exatamente a sanar os erros e ilegalidades nele cometidas. O ato administrativo subsiste, com as revisões nele procedidas, desde que não apontado cerceamento de defesa ou incompetência do agente. Também, o pedido de perícia, em desacordo com as regras do artigo 16, inciso IV, e § 1º, do Dec. nº 70.235, de 1972, considerase não formulado. Isto posto, afasto as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Passo ao mérito. A solução do presente litígio cingese em aferir a procedência dos ajustes efetuados pela autoridade fiscal, e confirmados pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, nos valores informados na DIPJ da Recorrente, que resultaram em redução do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2006, pleiteado em restituição. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 16 15 Inicialmente, destaco que a autoridade administrativa competente para reconhecer o direito creditório determinou a execução de diligência fiscal para verificar sua certeza e liquidez, amparada no art. 65 da Instrução Normativa nº 900 de 2008, que prevê: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (destaquei) Por se tratar de crédito representado por saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, foi expressamente determinada a confirmação de valores informados na referida declaração (outros custos, linha 37 da Ficha 04A; outras despesas operacionais, linha 31 da Ficha 05A; outras despesas financeiras, linha 33 da Ficha 06A; reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, linha 24 da Ficha 09A; valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, linhas 09 a 12 da Ficha 06A); bem como se foram oferecidos à tributação os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, cuja dedução foi informada na linha 13 da Ficha 12A, fl.28. Foi também determinado que fossem efetuadas as “demais verificações que se fizerem necessárias a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 2006. originado no saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2006”. Passo a examinar cada ajuste contestado. 1Ajuste no lucro líquido informado. A autoridade administrativa determinou que, em diligência fiscal, fossem verificados entre outros, os valores apurados de Cofins e PIS PASEP, informados nas linhas 10 e 11 da Ficha 06A da DIPJ nos montantes de, respectivamente, R$ 38.529.958,51 e R$ 8.365.958,51 (fls. 114 e 115). A autoridade fiscal diligenciante informou que os valores indicados nessas linhas correspondem aos registrados nos grupos de contas 321 – Impostos Incidentes sobre Vendas e Serviços, assim demonstrados: Conta Denominação Valor 321103 Impostos Incidentes sobre Vendas COFINS 2.711.967,83 321103 Impostos Incidentes sobre Serviços COFINS 35.817.990,98 TOTAL 38.529.958,51 321103 Impostos Incidentes sobre Vendas – PIS/PASEP 588.782,49 321103 Impostos Incidentes sobre Serviços – PIS/PASEP 7.776.724,30 TOTAL 8.365.056,79 No demonstrativo da apuração do lucro real, constante às fls. 6 do Despacho Decisório (fls. 152 do processo), o lucro líquido antes do IRPJ encontrase informado pelo valor ajustado de R$ 3.751.329,58, superior ao consignado na DIPJ em R$ 277.500,02. Essa alteração está assim motivada pela autoridade competente da DERAT: Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 17 16 “Não obstante a interessada ter deduzido nas linhas 11 (Cofins) e 12 (PIS) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) os mesmos valores constantes da sua contabilidade, apresentou Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) informando valores divergentes, conforme demonstram os extratos de fls. 123 a 146. Dessa maneira, para efeito de apuração do Lucro Líquido será considerado os valores informados no DACON, que totalizam R$ 38.301.958,50 (Cofins) e R$ 8.315.556,78 (PIS).” A decisão recorrida assim tratou esse ajuste: “20. (...) o lucro líquido antes do IRPJ foi informado em DIPJ pelo valor de R$ 3.473.829,56 (linha 50 da ficha 6A, às fls.22, e linha 1 da ficha 9A, às fls.23). No Despacho Decisório, no entanto, a Derat faz constar, na demonstração do lucro real que elabora (fls.152), o lucro líquido ajustado de R$ 3.751.329,58, aumentandoo, portanto, em R$ 277.500,02. 21 O valor acrescido pela DeratRJO corresponde à soma das diferenças, respectivamente, entre o Pis e a Cofins informados em DIPJ (fls.22) e informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon (fls.123/146), a saber: 49.500,01 (8.365.056,79 — 8.315.556,78 = 49.500,01) + (38.529.958,51 — 38.301.958,50 = 228.000,01) + 228.000,01 = 277.500,02.” Em seu recurso a Recorrente insiste em que os valores informados em sua DIPJ estão corretos. Entendo não haver como ratificar o ajuste procedido pela DERAT e confirmado pela DRJ. Se a autoridade fiscal que realizou a diligência no estabelecimento do sujeito passivo atestou, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações relativas à PIS e Cofins prestadas na DIPJ, não poderia a autoridade, sem maior aprofundamento, e sem, pelo menos, pedir esclarecimento ao contribuinte a respeito da divergência, concluir que o valor informado na DIPJ está errado, e que o correto é o valor informado na DACON. Vejase que o valor das Receitas de Bens e Serviços informado na DIPJ (portanto, oferecidas à tributação) totaliza R$ 506.973.138,28 (35.683.787,23 + 471.289.351,05), enquanto que o valor informado em DACON totaliza R$ 503.972.928,28. Qual seria, nesse caso, a receita correta? Podese afirmar que a receita oferecida à tributação na DIPJ foi maior que a efetiva, simplesmente porque ela é superior à informada em DACON? Dessa forma, entendo não estar suficientemente fundamentado o ajuste procedido pela DERAT. 2Ajuste na receita. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 18 17 Esse ajuste está relacionado com o item da diligência que determinou fosse verificado “Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl. 28, foram oferecidos à tributação”. Constou do Relatório de Diligência: Inicialmente cabe esclarecer que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRRF por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Ou seja, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRRF por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. Desta forma, os exames foram iniciados pela análise de um demonstrativo analítico preparado pelo contribuinte, no qual constam os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos no ano de 2006 (fls. 77). Com base nele, selecionei os clientes com valor de retenção total acima de R$ 20 mil (99,89% do total) e efetuei um comparativo entre o somatório das duplicatas em aberto em 31/12/2005 (obtidas em listagem do setor de contas a receber) e os valores faturados em 2006 (fls. 78) com aqueles recebidos em 2006 constantes nas DIRF das fontes pagadoras. Procedimento semelhante foi adotado em relação aos impostos retidos, onde comparei os valores constantes nos livros contábeis com aqueles constantes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fls.79 a 100). 0 resultado desta análise encontrase no Anexo a este Termo de Diligência (devese atentar que os valores estão expressos em milhares de reais e que as colunas do Imposto Retido englobam não apenas o IRPJ, mas também CSLL, PASEP e COFINS). Com base neste Anexo, concluo que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (fls. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31/1212005, com exceção do cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. –CNPJ 65,497.745/00153, que informou o pagamento de R$ 4.967 mil sob Contribuições Pagamento de PJ a PJ de Direito Privado CSLL/PIS/COFINS). A informação da fonte pagadora difere a maior em R$ 460 mil das informações constantes na contabilidade da Cobra Tecnologia S/A.” Em relação ao cliente Sun Microsystems, o Anexo ao Termo de Diligência (fl. 118) consigna (valores em milhares de cruzeiros): Duplicatas a receber em 31/12/2005 25 Faturamento em 2006 (contábil) 4.482 Total 4.507 Recebimento em 2006 (DIRF) 4.967 Diferenças (460) Impostos retidos em 2006 (Contábil) 295 Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 19 18 Impostos retidos em 2006 (DIRF) 295 Diferenças de Impostos Retidos (Contábil x DIRF) O Despacho Decisório acolheu a informação da autoridade fiscal, no Relatório de Diligência, no sentido de que: “(...) verificouse que a interessada não ofereceu à tributação o valor de R$ 460.000,00, correspondente à diferença apurada entre as informações fornecidas pela fonte pagadora (fl. 94) e a respectiva contabilização, planilha de fl. 78. Portanto, devese adicionar à base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 460.000,00, tendo em vista que a dedução do IRRF encontrarse condicionada às receitas que compuseram a determinação do lucro real, conforme preceitua o inciso III do § 4° do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996 (...)”. Na Manifestação de Inconformidade a interessada esclareceu: 13. Com relação ao cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. CNPJ 65.497.7451000153, este informou o pagamento de R$ 4.967.000,00 (quatro milhões, novecentos e sessenta e sete mil reais) sob o código 5952 (Retenção de Contribuições Pagamento de PJ a PJ de Direito Privado — CSLPIS/COFINS), sendo que esta informação diferiu a maior em R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) das informações constantes na contabilidade da Recorrente, ora Cobra Tecnologia. 14. Em análise aos registros de Contas a Receber, verificouse que algumas Notas Fiscais de Faturamento foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da Recorrente e a DIRF da Fonte Pagadora, informações estas constantes às fls. 115 do referido Relatório de Diligência. 15. Apenas como complemento e para auxílio na consulta à DIRF da Fonte Pagadora, segue a relação das referidas Notas Fiscais: n°s 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041 em comento.” A decisão recorrida confirmou o Despacho Decisório, com seguinte motivação: “ 32 (...). Salvo disposição de lei em contrário, na apuração do lucro real, a totalidade das receitas e rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação. 33 Em sede de Manifestação de Inconformidade, as alegações devem ser instruídas com a documentação correspondente (art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972). 34 As alegações do interessado não podem ser opostas ao apurado em sede de procedimento fiscal (nosso item 28), porque Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 20 19 não vieram instruídas com a documentação correspondente. Aliás, o interessado não informa se juntou aos autos as notas fiscais que expressamente relaciona (nosso item 31). 35 Ante a isso, o Despacho Decisório deve ser mantido. A diferença apurada pela autoridade diligenciante encontrase adequadamente fundamentada, e corresponde à diferença entre os valores dos pagamentos feitos em 2006 pela Sun Microsystems, declarados na DIRF, e o somatório das duplicatas em aberto em 31/12/2005 (obtidas em listagem do setor de contas a receber) com os valores que o contribuinte informou ter faturado em 2006 (planilha de fl. 78). A interessada não logrou invalidar a conclusão (fundamentada) da autoridade fiscal, expressa no relatório de diligência e confirmada pelo Despacho Decisório. Embora tenha alegado que a divergência devesse ser atribuída a equívoco no saldo de “contas a receber” em 31/12/2005, nada trouxe para comprovar esse equívoco. Observese que na Manifestação de Inconformidade a interessada menciona que “Apenas como complemento e para auxílio na consulta à DIRF da Fonte Pagadora, segue a relação das referidas Notas Fiscais em comento: 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041” (negritos apostos). E, não obstante a Decisão de Primeira Instância tenha registrado que as alegações da interessada não poderiam ser acolhidas porque não vieram instruída com a documentação correspondente, em sede de recurso a Recorrente repete as alegações, e continua não trazendo as referidas notas fiscais. É de ser mantido o ajuste efetuado 3 Provisões não dedutíveis. No Relatório de Diligência, às fls. 116, lêse que "foram constatadas no balancete de dezembro de 2006 algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 e o art. 13 da Lei 9.249/95, que determina que, neste caso, somente são dedutíveis as provisões para férias/décimo terceiro de empregados e devedores duvidosos". (destaquei). Ressalto que a autoridade fiscal não se manifestou conclusivamente sobre o efeito dessas provisões na apuração do lucro real, mas apenas mencionou a possibilidade de afronta ao art. 13 da Lei nº 9.249/95. O Despacho Decisório assenta que “a diligência constatou que a interessada deixou de adicionar ao LALUR o montante de (...) correspondente às provisões indedutíveis, conforme explicitado às fls. 116 e 117.”, e promove o ajuste mediante adição. A Decisão de Primeira Instância confirmou o despacho decisório, que considerou indedutíveis os valores mencionados no Relatório de Diligência como “efeito no resultado” dos valores contabilizados como “Provisão para Perdas INSS”, “Provisão para custo dos fornecedores”, “Provisão para licença prêmio” e “INSS a Recuperar”. Antes de analisar cada uma das provisões adicionadas, individualmente, destaco que não é determinante na dedutibilidade a designação (título) da conta que recebeu o registro contábil do fato, mas sim sua natureza. Assim, se o encargo foi registrado como provisão, mas de fato não tem essa natureza, não se pode taxálo de indedutível por não Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 21 20 constar, referido título, entre as provisões expressamente autorizadas pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95. 3.1) Provisão para Perdas de ISS A diligência aponta que a conta se refere "a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A. não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção”. Alega o Recorrente tratarse de perdas efetivas, uma vez que na conta Provisão para Perdas com ISS registrou as retenções de ISS efetuadas pelo Banco do Brasil “em municípios nos quais a Cobra Tecnologia S.A. não possui estabelecimentos e, por esta razão, não pode, ou não consegue, compensar o tributo, uma vez que, conforme determinado em lei, somente há a possibilidade de se efetuar a compensação nas localidades onde o Contribuinte possuir estabelecimento, o que não ocorreu no caso em questão”. Diferentemente do que entendeu o julgador a quo, reputo que a correspondência anexada pelo contribuinte são indicativos de que estava ocorrendo duplicidade de recolhimento do ISS, com impossibilidade de compensação, caracterizando perda efetiva. A conferir: Ofício da Cobra ao Banco do Brasil datado de 22/11/2007. Senhor Presidente: Por intermédio do relatório de auditoria Interna do Banco do Brasil no. BB 2005/0000117856, de 24.09.2005, foi constatada a duplicidade de recolhimento do ISSQN sobre os serviços prestados pela Cobra Tecnologia ao Banco do Brasil S.A. Evidencia se a duplicidade de recolhimento do ISSQN acima mencionada, em razão da seguinte situação fática: a) A Cobra Tecnologia recolhe o ISSQN aos Municípios onde estão localizados os seus Centros de Atendimento Técnico, estabelecimentos que emitem as notas fiscais de serviço. b) 0 Banco do Brasil S.A. retém e recolhe o ISSQN aos Municípios onde o serviço é prestado, sob alegação de responsável tributário e onde alegadamente a legislação permite; c) Os comprovantes de retenção remetidos pelo Banco do Brasil S.A à Cobra Tecnologia S.A., não comprovam o Município para o qual o tributo foi recolhido. . d) A falta de comprovação aludida na alínea "c" supra, inviabiliza que a Cobra Tecnologia compense os valores recolhidos. (...) Assim, face às razões ora expendidas; solicitamos: Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 22 21 a) Revisar a prática de retenção do ISS na fonte, aplicada sobre as faturas da Cobra; b) Estudar em conjunto com a Cobra a forma de recuperação dos valores retidos e recolhidos para municípios onde a Cobra não possui estabelecimentos, e, c) Apresentar todas as guias, de recolhimento de ISSQN nos municípios em que a Cobra possui estabelecimentos, priorizando os municípios de Natal e Maceió, visando suportar defesa da Cobra que compensou os valores retidos com base em planilhas eletrônicas fornecidas pelo BB. Resposta do Banco do Brasil: Em resposta ao Ofício CE PRESI 08112007, e 22.11.2007, questionando a prática de retenção e recolhimento do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) na fonte, esclarecemos: O Banco do Brasil retém e recolhe ISSQN sobre os serviços prestados pela Cobra Tecnologia S.A, em razão de o Município atribuirlhe a responsabilidade, por substituição tributária, conforme determinado pelas legislações municipais. (...) Em relação ao item "b" do Ofício, entendemos que a questão do recolhimento em duplicidade, no local do domicílio do prestador e na localidade onde o serviço é prestado, é recorrente para diversos prestadores de serviços que a enfrentam nos tribunais e na esfera administrativa, e somente essa Controlada tem legitimidade de pleitear a compensação/restituição do imposto recolhido a maior junto aos entes municipais. Quanto ao item "c", a Diretoria de Logística do Banco manifestou que, desde o final do ano de 2005, é enviado a essa empresa, mensalmente, um relatório detalhado contendo os prefixos das agências e os valores de ISS retidos pelo Banco nos pagamentos efetuados, (arquivo BBM.CDA.9912 .D8613.data.ISS Cobra). Os valores especificados no referido arquivo são recolhidos, de forma manual, aos municípios pelas dependências usuárias dos serviços ou pelos Centros de Suporte Logístico (CSL), no caso de procedimento efetuado centralizadamente. Para que sejam fornecidos os comprovantes de recolhimento do ISSQN ou Declaração informando a conta da Prefeitura e a data que foram realizados os respectivos recolhimentos, a Diretoria de Logística solicita a essa empresa o envio de cópia dos arquivos "BBM.CDA.9912.D8613.data.ISS Cobra", relativo ao período questionado. Esse pedido é motivado pelo fato desses arquivos serem "murchados" dos módulos de consulta de nosso sistema após 15 dias; sendo então necessária a recuperação pela área tecnológica do Banco, cuja estimativa de atendimento mínimo é de 30 dias. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 23 22 Informa, também, que como a localização dos comprovantes é efetuada nas dependências de forma manual, não tem como estimar o prazo para entrega. Se a autoridade fiscal, que compareceu ao estabelecimento do sujeito passivo e procedeu à diligência mediante exame da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, informou (fls. 116) que a “Provisão para Perdas com ISS (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção”, entendo ser inegável a natureza dos valores registrados como “perda efetiva”. Logo, entendo que não procede o ajuste o ajuste efetuado pela DERAT. 3.2) Provisão de Custo de Fornecedores Esse seria um caso típico de equívoco na denominação da conta. Conforme consigna o Relatório de Diligência, o contribuinte registra na conta de passivo circulante 21219905 – Estimativas de Custos de Fornecedores, as exigibilidades cujos valores exatos não são conhecidos (provisão que adiciona no LALUR), e na conta de passivo circulante 21219901 os valores dos serviços prestados num ano com faturamento pelos fornecedores para o ano seguinte. Eis o que consta do Relatório de Diligência: “Conta 21219901 Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante fls. 50): referese a serviços prestados em 2006, com faturamento pelos fornecedores em 2007. O contribuinte alega que as receitas correspondentes foram reconhecidas em 2006 e utiliza este critério em obediência ao princípio contábil da competência. Ao constituir esta provisão, o contribuinte alega já conhecer o valor exato das exigibilidades, ao contrário dos valores registrados na conta de passivo circulante 21219905 Estimativas de Custos de Fornecedores, cujo valor da provisão é adicionado ao LALUR (fls. 50 e 76).” Temse, pois, que a Conta 21219901 não tem a natureza de provisão, tratandose de conta destinada a registrar custos a pagar. A decisão de primeira instância argumenta que não há prova inequívoca de que a contabilização como provisão se deu em atendimento ao regime de competência, ou de que se tratou de gasto indevidamente classificado como provisão. Ponderou o Relator ser ônus do interessado, sob pena de preclusão, instruir a impugnação/manifestação de inconformidade com os registros contábeis e os documentos com os quais pretende fazer prova de que tem direito líquido e certo à restituição. É fato que é ônus do contribuinte provar que tem direito líquido e certo ao crédito pleiteado. Contudo, não é possível desconsiderar princípios inderrogáveis que devem orientar a atividade da Administração Pública. A Lei nº 9.784, de janeiro de 1999, que rege o processo administrativo federal estabelece. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 24 23 “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, entre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. (...) Art. 29 As atividades de instrução destinadas a averiguar comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (...)§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para eles. (...) Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A Instrução Normativa 900/2008 prestigia esses princípios e regras ao prever a possibilidade de realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. De fato, em se tratando de comprovar a legitimidade do saldo negativo informado na DIPJ, não é razoável pretender a juntada aos autos da escrituração contábil e fiscal e documentos que o comprovam. Por isso ha previsão na legislação para que “as atividades de instrução destinadas a averiguar comprovar os dados necessários à tomada de decisão” sejam realizadas de ofício. Se no cumprimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, a autoridade fiscal aponta a existência das duas contas acima referidas (Provisão de Custos de Fornecedores e Estimativas de Custos de Fornecedores), e registra que o contribuinte informou que a primeira recebe os valores dos custos incorridos cujo valor exato já é conhecido, faturados pelos Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 25 24 fornecedores no ano seguinte, sem refutar essa informação, é de se presumir que a confirmou. De fato, em se tratando de dado importante para verificação da exatidão do saldo negativo (objetivo da diligência), não se concebe que a autoridade fiscal, que teve acesso às escriturações contábil e fiscal do contribuinte e aos documentos que as respaldam, não fizesse constar no Relatório que a informação prestada pelo contribuinte não encontra respaldo na documentação. Se não o fez, é porque confirma a destinação da conta. Sendo assim, não é de ser mantido o ajuste efetuado. c.3 ) Provisão para Licença Prêmio Tratase de provisão constituída com base em Acordo Coletivo de Trabalho, que prevê o pagamento, a cada período de 5 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, de uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, que pode ser convertida em pecúnia. Junta cópia de Acordo Coletivo de Trabalho, cuja cláusula 5ª dispõe: A Cobra pagará, a cada cinco anos de vigência do contrato de trabalho, ao empregado admitido até 03 de outubro de 1996, licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, a ser gozada no período mais conveniente para o Empregado e para a empresa, podendo esta, a seu critério, converter a concessão em pecúnia, mediante solicitação do empregado. Parágrafo Único Em caso de desligamento do empregado, seja por iniciativa própria, por dispensa sem justa causa, ou por aposentadoria, a licença prêmio dos períodos a que faça jus será covertida em pecúnia, garantido a proporcionalidade à razão de 1/5 do valor da licença, por ano trabalhado, após cinco anos do efetivo exercício na empresa. A Recorrente argumenta que a licença prêmio representa uma provisão de despesa certa a ser por ela despendida, possuindo a mesma natureza do 13º salário. Traz jurisprudência a atos administrativos no sentido da não incidência do imposto de renda sobre o pagamento de licença prêmio convertida em pecúnia (para justificar a dedutibilidade da provisão pelo valor integral da provisão). A conta em comento tem por objetivo apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provavelmente ocorrerão no futuro (na hipótese de conversão da licença em pecúnia, admitida na Convenção). Sua natureza, efetivamente, é de provisão, pois representa expectativa de obrigação. A base de cálculo do imposto de renda tem como ponto de partida o resultado apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404/76 (DL 1.598/77art. 6º e art. 67, inciso XI). Nesse passo, deve estar respaldada por uma escrituração mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (Lei 6.404/76, art. 177). Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 26 25 O resultado contábil é o ponto de partida, e ele deverá sofrer os ajustes decorrentes da legislação tributária. Como regra geral, a legislação do imposto de renda admite a dedução das despesas operacionais no período. Contudo, para as provisões, essa dedução de acordo com o regime de competência é exceção, eis que o art. 3º do Decretolei nº 1.730/79 condicionou a dedutibilidade à previsão expressa na legislação tributária. A Exposição de Motivos relativa a essa norma justifica: "21 O artigo 3° do projeto define que, para efeitos fiscais, somente serão dedutíveis as provisões expressamente admitidas pela legislação tributária. É que, com a adoção generalizada do regime de competência para apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, algumas provisões passaram a ser necessárias do ponto de vista contábil, não devendo, todavia, ser admitidas para efeitos fiscais, visto como, muitas vezes, são constituídas por valores apenas estimados. Estando o contribuinte obrigado a adotar o regime de competência na apuração do lucro líquido, certamente contabilizará algumas provisões fundamentadas em simples estimativas. A ausência de uma disposição legal, no sentido de serem dedutíveis as provisões expressamente autorizadas, provoca inevitáveis controvérsias entre o fisco e o contribuinte. Para os feitos do artigo 3°, o livro de apuração do lucro real será usado para serem feitos os necessários ajustamentos no lucro líquido de cada período.” Até 31/12/95 a provisão para pagamento de licença prêmio a empregado tinha sua dedutibilidade assegurada pela Portaria MF nº 434/1987, editada com base no art. 31 do Decretolei nº 2.341/87, que permitiu ao Ministro da Fazenda autorizar a dedutibilidade, para efeito de apuração do lucro real, de outras provisões, além das expressamente admitidas. Contudo, a Lei nº 9.249, de 1995, vedou a dedução de qualquer provisão que não estivesse expressamente prevista no seu inciso I, in verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) Ao argumentar que se trata de “provisão de despesa certa” pretende, o Recorrente, atribuir aos valores de que se trata a natureza de “despesa incorrida”, e não de “provisão”, o que justificaria sua não submissão à vedação do inciso I do art. 13. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 27 26 Ocorre que as despesas somente são consideradas como incorridas quando forem definitivamente devidas, livres de toda e qualquer condição que lhes modifique o caráter definitivo, assim como após estarem devidamente quantificadas. E esse não é o caso da provisão para licença prêmio, que embora seja uma despesa certa, no sentido de que efetivamente será paga, ela só será devida após decurso de cada período aquisitivo (cinco anos), que é a condição prevista no Acordo Coletivo de Trabalho. Correto, pois, o ajuste efetuado. c.3 ) Perdas de INSS. O Relatório de Diligência aponta: Conta 11440701 INSS a Recuperar (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de INSS pelos clientes, que o contribuinte alega a impossibilidade de compensação. Neste caso, não há a constituição de uma provisão, tal qual na conta de Perdas com ISS, sendo as perdas registradas em contrapartida à conta de resultado 334199 Perdas INSS (fls. 56). (destaquei) Como visto, inobstante a autoridade fiscal tenha mencionado que “foram constatadas, no balancete de dezembro de 2006, algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 do RIR/99 e o artigo 13 da Lei 9.249/95”, e incluído, entre as “provisões constatadas”, a Conta 11440701 INSS a Recuperar, a mesma autoridade diz, literalmente, que nesse caso não há constituição de provisão, sendo as perdas registradas diretamente à conta de resultado. Impertinente, pois, vincular a adição a descumprimento do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Por outro lado, não houve nenhuma manifestação (ou questionamento), por parte da fiscalização, a respeito efetividade da perda (impossibilidade de compensação). A decisão de primeira instância menciona que a parcela "Perdas INSS", no valor de R$ 1.434.052,11 está incluída no custo dos serviços revendidos (no “Custos de Serviços Prestados no País” Assistência Técnica, Hardware). Aduz que no balancete de dezembro de 2006 a conta de Ativo "INSS a Recuperar" está com saldo zero, e que a contrapartida do crédito foi débito de custo ("Perdas INSS"). Argumenta que, além de o interessado não juntar prova da irrecuperabilidade, inexiste previsão legal para que tais perdas integrem o custo dos serviços vendidos, e que impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços. No recurso a interessada reafirma tratarse de valores retidos por seus clientes a título de INSS, que ficou impossibilitada de compensar, e acrescenta: “Há alguns anos a Recorrente tenta reverter esta situação, para que lhe seja reconhecido o direito à compensação das contribuições previdenciárias. Inclusive, foi ajuizada Ação Ordinária em face do INSS pleiteando a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de retenção de 11% ao INSS sobre faturas de prestação de serviços de cessão de mãodeobra . Este processo foi autuado sob o n° 2008.51.01.0136390 e distribuído ao MM. Juízo da 30a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (RJ) e, atualmente, encontrase em fase de produção de provas (doc. 6, anexo).” Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 28 27 Reportandose ao art. 289 do RIR/99, a decisão recorrida afirma que “impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços”, O § 3º do art. 289 do RIR/99 prevê que “não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal”. Não é possível saber se a origem das perdas contabilizadas foi explicada ao auditor fiscal que procedeu à diligência, pois nada ficou registrado no respectivo Relatório. A autoridade fiscal não questiona a contabilização, nem explica sua motivação para sugerir a adição, limitandose a mencionar que sua não adição pode representar infração ao art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95. A cópia da exordial da ação judicial juntada ilustrativamente com o recurso, às fls. 1837 e seguintes, embora possa nem ter conexão direta com este processo, é indicativa de que as perdas referemse a tributos retidos (INSS) não recuperáveis através de crédito na escrita fiscal pelo fato de sempre superarem os débitos. Exemplificando: O contribuinte auferiu receita de 1000 unidades monetárias, tendo recebido do cliente 890 u.m, por ter sido retido INSS no valor de 110 u.m. (11%). A contabilização seria 1000 a crédito de receita de prestação de serviço, tendo como contrapartida 890 a débito de caixa/banco e 110 a débito de INSS a Recuperar. Essa conta INSS a Recuperar receberia os créditos de INSS a recolher, relativo às contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. O saldo não compensado (por superar o total das contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados), representa tributo não recuperável através de crédito na escrita fiscal”, integrando, sim, o custo do serviço vendido. Esse parece ter sido o procedimento adotado pelo contribuinte, pelo que se infere do balancete de dezembro de 2006 (fls. fls.45), em que a conta “INSS a Recuperar tinha um saldo inicial de R$ 1.124.611,81, recebeu um débito no mês de R$ 136.166,98, sendo o saldo (R$ 1.260.778,79) zerado em contrapartida de resultado (custo dos serviços vendidos) como perda de INSS. Se a conta de ativo (INSS a Recuperar) aparece “zerada”, não há que se falar em possibilidade de recuperação. Na eventualidade de um pedido restituição (administrativo ou judicial) e posterior sucesso, o valor recebido deverá ser contabilizado como “recuperação de custos”, sujeito à incidência de IRPJ e CSLL, conforme entendimento expresso no art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24 de dezembro de 2003, in verbis; “Art.1° Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Assim, além de não se justificar a adição a título de ofensa ao art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, como entendeu o Despacho Decisório da DERAT, por não se tratar de Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 29 28 provisão, também não restou demonstrada a improcedência da contabilização como perda, como entendeu a decisão recorrida. Portanto, ao meu sentir, não procede o ajuste efetuado. 4 Dedução do IRF retido por órgãos públicos. A autoridade administrativa da DERAT calculou as retenções de IRF sofridas pelo interessado, aplicando, sobre os valores informados nas DIRFs, os percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, e, a partir desse resultado, ajustou os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ. O contribuinte nada trouxe para desconstituir os valores apurados pela autoridade administrativa, limitandose a afirmar, tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso, que os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006 são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis, e sendo assim, não há como acolher seu inconformismo tão somente com base em meras alegações. 5Erro no cálculo Como último ponto, alega o contribuinte erro cometido pela fiscalização, e confirmado pela decisão recorrida, de não ter considerado o aumento do limite para compensação de prejuízos, em função do aumento do lucro real antes da compensação. De fato, a alteração para maior da base de cálculo possibilita um maior aproveitamento de prejuízos a compensar, que é suportado pelo saldo de prejuízos operacionais a compensar evidenciado no demonstrativo de fls. 29 (R$ 21.137.481,58). Assim, os ajustes ficam assim definidos: FICHA 9A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Valores segundo o resultado do julgamento DRJ Valores segundo o presente julgamento lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 3.751.329,58 3.473.829,56 receita + 460.000,00 . + 460.000,00 460.000,00 provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 . + 31.982.769,22 70.379,60 Provisões para contingências + 5.618.200,44 0,00 0,00 Lucro real antes compensação 17.181.527,08 55.519.996,76 49.901.796,32 17.711.906,68 Compensação de prejuízo (5.154.458,12) (5.154.458,12) (5.154.458,12) 5.313.572,00 Lucro real após compensação 12.027.068,96 50.365.538,64 44.747.338,20 12.498.334,68 Cálculo do imposto DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) DRJ CARF Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 30 29 Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 6.712.100,73 1.874.750,20 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5.012.553,86 4.450.733,82 1.225.583,34 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) (18.564.069,26) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) (7.473.397,12) (15.535.898,13) Conforme exposto, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 fica retificado para R$ 15.535.898,13. Considerando que, desse valor, a DERAT já reconheceu e restituiu ao interessado o valor de R$ 6.068.847,01, e a DRJ já reconheceu o montante de R$ 1.404.550,11, DOU provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 8.062.501,01. É como voto. Sala das Sessões, em 07 07 de maio de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
