Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11070.001776/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues E João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11070.001776/2009-86
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200135
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.692
nome_arquivo_s : Decisao_11070001776200986.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 11070001776200986_5200135.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues E João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4538524
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394466029568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 241 1 240 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001776/200986 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.692 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PISPER/DCOMP Recorrente REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues E João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao quarto trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 76 /2 00 9- 86 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 225/227 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 228/230, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 238/240 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3772ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001776/200986 Acórdão n.º 3803003.692 S3TE03 Fl. 242 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001776/200986 Acórdão n.º 3803003.692 S3TE03 Fl. 243 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007908/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10830.007908/2009-71
conteudo_id_s : 6393908
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2301-000.174
nome_arquivo_s : 230100174_10830007908200971_201201.pdf
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10830007908200971_6393908.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4573417
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394484903936
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-16T14:57:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-16T14:57:13Z; Last-Modified: 2020-03-16T14:57:13Z; dcterms:modified: 2020-03-16T14:57:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:43e8825b-b2d4-40c0-bd0c-f63e9db2e4e0; Last-Save-Date: 2020-03-16T14:57:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-16T14:57:13Z; meta:save-date: 2020-03-16T14:57:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-16T14:57:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-16T14:57:13Z; created: 2020-03-16T14:57:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-03-16T14:57:13Z; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-03-16T14:57:13Z | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007908/200971 Recurso nº 911.224 Voluntário Acórdão nº 2301000.174 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente MATERNIDADE DE CAMPINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, Maternidade de Campinas, contra decisão que julgou válido auto de infração lavrado contra a empresa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 2. Conforme o relatório fiscal, verificouse que a empresa apresentou a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP n.º 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009, com incorreções. Em suma, há informação inexata no período de 06/2004 a 10/2005 e duas no período de 11/2005 a 01/2007. 3. A referida infração foi constatada em procedimento fiscal executado sob comando do Mandado de Procedimento Fiscal nº 09372048, com encerramento em 24 de agosto de 2007, segundo o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF. Nessa operação fiscal foi lavrado Auto de Infração – AI (DEBCAD n.º 37115.2666), posteriormente anulado nos termos do acórdão n.º 0521.931, da 9ª Turma da DRJ/CPS. Assim, o lançamento ora analisado se faz para reestabelecer a exigência anulada por vício de forma no processo anterior. 4. Informações em campos de ocorrência e FPAS configuram a mencionada infração. A empresa no período de 11/2005 a 01/2007, informou código de FPAS 639 e o correto seria 515, pois perdeu a isenção, segundo Acórdãos CRPS n.º 2057, de 28/11/2006 e nº 1078, de 19/06/2007. Também foi informado código de ocorrência 02, quando o correto seria 04, para os segurados Jeane Luzia Rodrigues (06/2004 a 11/2005, 05/2006 a 11/2006 e 01/2007), Maria da Conceição Braz Lopes (06/2004 a 11/2005, 01/2006 a 10/2006). E, para os segurados Rozeni Penido Nascimento (06/2004 a 02/2006 e de 11/2006 a 01/2007) e Tânia Regina Betega (06/2004 a 01/2007) foi informado código 02, mas o correto seria branco. 5. Em resumo, há uma informação inexata no período de 60/2004 a 10/2005 (campo ocorrência) e duas no período de 11/2005 a 01/2007 (ocorrência e FPAS). 6. O acórdão atacado negou os argumentos trazidos pela empresa, restando ementado nos termos em que ora passo a transcrever: “Lançamento. Atividade Vinculada e Obrigatória. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Cancelamento de Isenção. Rediscussão. Em processo referente a auto de infração, não cabe a rediscussão de ato que cancelou a isenção/imunidade objeto de processo específico. GFIP. Constitui infração punível com multa pecuniária a empresa entregar GFIP em desconformidade com os fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 7. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) patente violação dos direitos do contribuinte com relação ao processo n.º 37.324.007954/200432, que julgou procedente em última instância administrativa o ato cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10830.007908/200971 Acórdão n.º 2301000.174 S2C3T1 Fl. 2 3 b) a operação do terminal rodoviário foi cedida ao contribuinte, pelo Poder Público Municipal, justamente para que a maternidade pudesse arrecadar dinheiro para custear a atividade beneficente; c) legalidade da remuneração do trabalho de executivos e terceirização dos serviços administrativos; d) os pagamentos sempre foram compatíveis com os valores de mercado e serviam para remunerar o trabalho e os serviços efetivamente prestados pelos profissionais responsáveis; e) os diretores da maternidade nunca foram remunerados, jamais receberam valores provenientes da operação do terminal rodoviário, nem das empresas terceirizadas; f) o contribuinte é sociedade imune ao pagamento de tributos, não sendo devedora das contribuições patronais, por consequência não houve incorreção no cumprimento da obrigação acessória que originou a multa imposta, a qual deverá ser afastada. 8. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. O contribuinte, em seu recurso voluntário, dispõe sobre questões relativas à imunidade, utilizandose do argumento de incorreção do ato cancelatório, em razão de ser considerado como sociedade imune ao pagamento de tributos, não sendo devedor das contribuições patronais e, por consequência, não havendo incorreção no cumprimento da obrigação acessória que originou a multa imposta, a qual deveria ser afastada. 3. Cumpre salientar, a ocorrência do julgamento da questão concernente à imunidade tributária do contribuinte no processo n.º 37.324.007954/200432, o qual julgou procedente em última instância administrativa o ato cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 4. Acrescentese que, como se depreende dos autos, foi impetrado o Mandado de Segurança n.º 95.06077282, distribuído perante o MM. Juízo da 3ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Campinas, em que foi concedida a segurança pleiteada no sentido de reconhecer a finalidade pública da impetrante, considerando o seu patrimônio como vinculado ao atendimento de interesses notoriamente públicos. 5. Porém, não restou claro no processo o andamento do MS citado para informar se a decisão prolatada já transitou em julgado, elemento imprescindível para que sejam sanadas as dúvidas pertinentes ao deslinde do processo. 6. Posto que, conforme acórdão do 2º Conselho dos Contribuintes, 3ª Câmara, Turma Ordinária: “NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Havendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20213675 do Processo 109300018699992, Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, de 20/03/2002). 7. Por fim, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que o fisco faça acrescer aos autos os necessários esclarecimentos, a fim de que este órgão possa dar seguimento à análise do pleito manejado. CONCLUSÃO 8. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, após converter o julgamento em diligência, que a autoridade fiscal possa trazer aos autos certidão de inteiro teor do processo, inclusive com o resultado do andamento processual do Mandado de Segurança ora questionado. 9. Após, seja concedido o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte possa se manifestar sobre o resultado da diligência, caso queira. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10569.000103/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO NÃO ANALISADA - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO
Deve ser anulada por supressão de instância a decisão que não tomou conhecimento de impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Tal vício deve ser saneado por meio de nova decisão
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2402-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Ana Maria Bandeira- Relatora
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO NÃO ANALISADA - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO Deve ser anulada por supressão de instância a decisão que não tomou conhecimento de impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Tal vício deve ser saneado por meio de nova decisão Decisão Recorrida Nula
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10569.000103/2010-88
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199907
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-003.252
nome_arquivo_s : Decisao_10569000103201088.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10569000103201088_5199907.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Ana Maria Bandeira- Relatora Júlio César Vieira Gomes Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4538296
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394495389696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10569.000103/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.252 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente INSTITUTO BRASIL ESTADOS UNIDOS IBEU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO NÃO ANALISADA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA VÍCIO SANEAMENTO Deve ser anulada por supressão de instância a decisão que não tomou conhecimento de impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Tal vício deve ser saneado por meio de nova decisão Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Ana Maria Bandeira Relatora Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 01 03 /2 01 0- 88 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 26/32), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais. A autuada obteve o deferimento dos pedidos de Renovação do CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por meio da Resolução nº 3 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 23 de janeiro de 2009 (anexo VII), publicada no Diário Oficial da União de 26 de janeiro de 2009. Tal deferimento ocorreu na forma do art. 37 da Medida Provisória nº 446, de 7 novembro de 2008, referente aos processos n. 71010.002723/200323 (01/01/2004 a 31/12/2006) e 71010.004196/200634 (01/01/2007 a 31/12/2009), legitimando a condição de isenta. Amparada pelo CEBAS, a autuada não recolheu, nem considerou em suas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP as contribuições devidas à Seguridade Social da parte de empresa, Gilrat e terceiros. Ocorre que foi proposta ação popular em face do Instituto Brasil Estados Unidos – IBEU junto à 1ª Vara Federal do Estado de Sergipe, processo nº 2009.85.00.000399 9 que resultou em medida cautelar que determinou a suspensão dos efeitos dos Certificados de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS concedidos à instituição, relativos aos períodos de 01/01/2001 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 01/01/2007 a 31/12/2009, bem como, foi determinado à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados, observandose eventual decadência e mantendo suspensa a exigibilidade dos tributos até ulterior deliberação. O lançamento compreendeu os seguintes levantamentos: Levantamento BG (FPAS 515, Terceiros 00115, 08/2005 a 11/2008) e Levantamento B2 (FPAS 515, Terceiros 0115, 12/2008 a 12/2009) lançamento BC: Utilizados para lançar aos valores de remuneração declarados em GFIP, que são a base de cálculo para o lançamento da contribuição patronal e de terceiros, não declaradas (uma vez que a GFIP foi declarada o código FPAS 639 isenta). Os valores discriminados, por segurado, se encontram na planilha "Discriminativo de GFIP". Levantamento FN (FPAS 515, Terceiros 00115, 08/2005 a 11/2008,) e Levantamento F2 (FPAS 515, Terceiros 0115, 12/2008 a 12/2009) lançamento BC: Utilizado para lançar os valores constantes da folha de pagamento não declarados em GFIP, mas constantes de folha de pagamento, referente a rescisões complementares, saldo de salário, saldo de salário sobre hora extra e diferença de férias, que não haviam sido declarados em GFIP. Os valores discriminados, por segurado, se encontram na planilha "Discriminativo de lançamentos empregados". Fl. 760DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10569.000103/201088 Acórdão n.º 2402003.252 S2C4T2 Fl. 3 3 Levantamento AN (FPAS 515, 08/2005 a 11/2008) e Levantamento AN (FPAS 515, 12/2008 a 12/2009) lançamento PCI: Utilizado para lançar os valores constantes da folha de pagamento de contribuintes individuais (autônomos) não declarados em GFIP. Os valores discriminados, por segurado, se encontram na planilha "Discriminativo de lançamento CI". A autuada teve ciência do lançamento em 20/07/2010 e apresentou defesa (fls. 247/260), onde argumenta sobre sua inequívoca situação de imune. Alega que cumpre os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN e que o caráter de Instituição Educacional que presta serviços de Assistência Social no âmbito da educação, já foi, inclusive, reconhecido pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança impetrado pelo IBEU contra indeferimento irregular de CEBAS por parte do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Menciona as provas incontestes de seu direito à imunidade. Aduz que inexistiu qualquer averiguação por parte do Fisco que pusesse em dúvida a imunidade da Impugnante e que é reconhecido pelo próprio fiscal em seu relatório (REFISC), que somente a partir da ordem judicial emanada pela magistrada da 1ª VF de Sergipe, promoveu a alteração do enquadramento do Instituto para "curso livre de idiomas", e não mais em "Entidade Filantrópica e Beneficente de Assistência Social". Requer que sejam suspensos a exigibilidade do crédito lançado, nos termos do artigo 151 do CTN, bem como os trâmites deste processo administrativo até a perda da eficácia da decisão judicial que o embasou, ou até o trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999, em curso perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe (doc.03), por se tratar de prejudicial de mérito. Protesta pela posterior produção de todas as provas admitidas em âmbito administrativo, inclusive, a produção de prova documental e pericial. Pelo Acórdão nº 1236.407 (fls. 388/392) a 13ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I entendeu por não conhecer a impugnação apresentada sob o argumento de que o objeto da ação judicial seria o mesmo dos lançamentos. Foi salientado que a concessão de tutela antecipada suspenderia a exigibilidade do Crédito Tributário, motivo pelo qual não seriam praticados atos expropriatórios antes do término da demanda, conforme inteligência do Art. 151, V, do Código Tributário Nacional. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 397/413), onde alega que a decisão de primeira instância teria deixado de se manifestar a respeito da Impugnação apresentada pelas pessoas físicas vinculadas a este auto de infração (por intermédio do "Relatório de Vinculos", diferentemente da postura adotada no julgamento do processo n° 10569.000104/201022 (análogo ao presente), cuja defesa das pessoas físicas restou apreciada e julgada. Considera indevido o seguimento do trâmite administrativo do processo antes da decisão judicial na ação popular. No mais efetua a repetição das alegações de defesa. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Posteriormente, a autuada manifestouse nos autos para informar que teria havido a prolação de sentença na Ação Popular n° 2009.85.00.000399 9, em trâmite perante a lª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, a qual julgou improcedente a pretensão autoral para reconhecer o caráter de Entidade Beneficente de Assistência Social conferido ao IBEU. Argui que como o lançamento ocorreu para constituição de contribuições previdenciárias, a fim de se prevenir a decadência, exclusivamente por obediência de decisão judicial proferida em sede de cognição sumária, atualmente revogada pela sentença, nos autos da referida ação, requer o cancelamento do auto de infração originário do presente processo administrativo, com a respectiva baixa e arquivamento do feito; ou, caso assim não se entenda, sejam suspensos os trâmites deste processo administrativo até o trânsito em julgado da Ação Popular nº 2009.85.00.0003999, em curso perante a lª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, por se tratar de prejudicial de mérito. É o relatório. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10569.000103/201088 Acórdão n.º 2402003.252 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente manifesta seu inconformismo alegando que a decisão de primeira instância teria deixado de se manifestar a respeito da Impugnação apresentada pelas pessoas físicas constantes na Relação de Vínculos. Embora não constasse dos autos, a recorrente demonstra que a impugnação das pessoas físicas, relativa ao presente lançamento, foi protocolada em 16/08/2010, conforme cópia às fls 417/427. Portanto, assiste razão às recorrentes quando argumentam que a impugnação não teria sido analisada equivocadamente. A meu ver, ocorreu a supressão de instância no presente caso e tal vício deve ser saneado por meio do retorno dos autos à origem para a devida apreciação da impugnação apresentada pelas recorrentes pessoas físicas. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA para que seja apreciada a impugnação apresentada pelas pessoas físicas. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 763DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000381/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Propaganda Eleitoral Gratuita Veiculada pelas Empresas de Radiodifusão. Benefício Fiscal.Exclusão do Lucro Real. Cálculo
O benefício concedido às empresas de radiodifusão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado pela emissora em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral.
Lucro Arbitrado. Desclassificação da Escrita Contábil
Não demonstrado nos autos os motivos determinantes da desclassificação da escrita contábil, pela sua imprestabilidade, e considerando que o arbitramento do lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real, deve ser cancelada a exigência.
Multa Isolada. Falta de Recolhimento por Estimativa. Concomitância com Multa de Oficio Exigida em Lançamento Lavrado para a Cobrança do Tributo.
É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1801-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva que mantém a multa isolada (50%) aplicada sobre os valores tributados de ofício em concomitância com a multa de ofício regular (75%). Designada para redigir o voto vencedor sobre a matéria divergente (concomitância) a Conselheira Ana de Barros Fernandes.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Propaganda Eleitoral Gratuita Veiculada pelas Empresas de Radiodifusão. Benefício Fiscal.Exclusão do Lucro Real. Cálculo O benefício concedido às empresas de radiodifusão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado pela emissora em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral. Lucro Arbitrado. Desclassificação da Escrita Contábil Não demonstrado nos autos os motivos determinantes da desclassificação da escrita contábil, pela sua imprestabilidade, e considerando que o arbitramento do lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real, deve ser cancelada a exigência. Multa Isolada. Falta de Recolhimento por Estimativa. Concomitância com Multa de Oficio Exigida em Lançamento Lavrado para a Cobrança do Tributo. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11030.000381/2009-32
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5204059
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.253
nome_arquivo_s : Decisao_11030000381200932.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 11030000381200932_5204059.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva que mantém a multa isolada (50%) aplicada sobre os valores tributados de ofício em concomitância com a multa de ofício regular (75%). Designada para redigir o voto vencedor sobre a matéria divergente (concomitância) a Conselheira Ana de Barros Fernandes. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4555206
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394518458368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000381/200932 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.253 – 1ª Turma Especial Sessão de 8 de novembro de 2012 Matéria AI IRPJ e CSLL Recorrente TELEVISÃO ALTO URUGUAI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA VEICULADA PELAS EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO. BENEFÍCIO FISCAL.EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. CÁLCULO O benefício concedido às empresas de radiodifusão de ressarcimento fiscal pela utilização de horário para transmissão de programas e propagandas eleitorais gratuitas deve ser calculado consoante previsto nas normas regulamentares, em função do preço efetivamente praticado e do tempo comprovadamente utilizado pela emissora em programação destinada a publicidade comercial, no período de duração do horário eleitoral. LUCRO ARBITRADO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL Não demonstrado nos autos os motivos determinantes da desclassificação da escrita contábil, pela sua imprestabilidade, e considerando que o arbitramento do lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real, deve ser cancelada a exigência. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva que mantém a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 03 81 /2 00 9- 32 Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 multa isolada (50%) aplicada sobre os valores tributados de ofício em concomitância com a multa de ofício regular (75%). Designada para redigir o voto vencedor sobre a matéria divergente (concomitância) a Conselheira Ana de Barros Fernandes. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a empresa acima epigrafada de decisão da 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra as exigências consubstanciadas nos autos. Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no valor total de R$ 901.916,29, aí incluídos o principal, a multa de ofício, a multa isolada e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 (fls. 02/22) descritas no Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 23/41 parte integrante das autuações. De acordo com o relato da autoridade fiscal a contribuinte Televisão Alto Uruguai é uma unidade empresarial filiada à Televisão Gaúcha S/A e, por conseguinte, à Rede Globo de Televisão. Nos anoscalendário 2005 e 2006 a auditoria fiscal procedeu à glosa de deduções de despesas com propaganda eleitoral e partidária que teriam sido apropriadas em valores maiores que os permitidos. No anocalendário 2004 as infrações apuradas referirse iam a empréstimo não comprovado para pagamentos de dividendos a acionistas, falta de escrituração das contas Caixa e Bancos e encontro de contas de créditos com as redes de TV. Nesse ano calendário, por considerar que a contabilidade da empresa não se prestou a (i) demonstrar as contas de aplicação financeira e contas bancárias em instituições financeiras; (ii) permitir a conferência dos recebimentos de faturas e pagamentos de dívidas, (iii) que a conta caixa seria utilizada apenas para registrar pequenas despesas, e, finalmente, pela falta de demonstração de repasses à TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A, a fiscalização arbitrou o lucro da empresa. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 3 3 Por bem resumir os fatos, transcrevo trechos do relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: “... Segundo o termo de constatação fiscal (TVF) de fls. 23/41, a interessada, optante pelo lucro real no período auditado, efetuou, nos anoscalendário 2005 e 2006, a exclusão de despesas com propagandas eleitorais ou partidárias em montante superior a 40% do total de sua receita bruta declarada, fração que, no entender da fiscalização, significava quase a totalidade da disponibilidade de horários comerciais disponíveis para interessada. Aduz a fiscalização que, na propaganda partidária ou eleitoral, o custo legal dos horários cedidos é de 25% do preço praticado pela emissora, sendo que apenas 80% de tal custo é passível de dedução das bases de cálculo dos tributos lançados. Já nos casos das denominadas inserções partidárias, legalmente limitadas a 5 minutos diários, a dedução é de 100% do valor praticado para o horário. Frustradas diversas intimações para que a interessada apresentasse sua grade de publicidade, houve por bem a fiscalização apurar a diferença entre os valores deduzidos pela interessada a titulo de inserções partidárias e os respectivos limites máximos, estes consoantes ao que determina o TSE. Por tal procedimento, detectou se excesso de deduções, assim distribuído: R$ 496.507,99 no ano de 2005, R$ 273.653,71 no 1o. semestre de 2006 e R$ 486.472,47 no período de agosto a outubro de 2006. A mesma sistemática fora adotada para apurar o excedente quanto às propagandas eleitorais e partidárias, resultando nos valores de R$ 47.465,28 para 2005 e R$ 22.822,88 no 1o. semestre de 2006. A fiscalização observou que, em virtude de tais fatos, a interessada deixou de recolher estimativas de IRPJ. Da análise de diversas faturas e contratos firmados entre a interessada e seus clientes, a fiscalização observou que ocorria a concessão de descontos que variavam entre 15% e 40%, com média de 21%. Considerando tal fato e, ainda, que a legislação determina que o custo a ser deduzido deve ser calculado com base nos valores cobrados dos anunciantes, a autoridade fiscal aplicou uma redução de 20% nos valores que calculou. Noutro giro, a fiscalização detectou suposto empréstimo da RBS Administração e Cobrança Ltda. em favor da interessada, no valor de R$ 882.822,30 e tomado em 31/12/2004. Consignou a autoridade fiscal que, mesmo circularizando a auditoria para alcançar a cedente, não restou comprovada a efetiva entrega do numerário e nem havia registro do ingresso nas contas contábeis referentes a bancos ou caixa. Não obstante, foi possível constatar que a interessada pagou valor igual ao objeto do empréstimo em tela a seus acionistas. Prosseguindo na análise da escrituração da interessada, a fiscalização identificou a falta de registro (i) dos repasses contratados junto à concessionária de sinal de televisão; (ii) do efetivo recebimento do empréstimo acima referido; (iii) das contas de aplicação financeira. Também observou que a conta caixa foi utilizada somente para pagamentos de pequenas despesas, bem como não havia correspondência entre as faturas e a contabilidade. Ante os fatos, foi efetuado o arbitramento do lucro do período, tomando como base os valores relacionados na tabela de fls. 39. Das constatações da autoridade fiscal, resultaram as autuações de IRPJ concernentes a "exclusões / compensações não autorizadas na apuração do lucro real", "receitas operacionais" e "multas isoladas / diferença apurada entre o valor Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 escriturado e o apurado pela fiscalização IRPJ estimativa" e de CSLL afeta à "CSLL sobre receitas não declaradas". Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 26/03/2009 (fls. 3 e 15), a interessada, interpôs, no dia 27 do mês seguinte (fls. 803), as impugnações de fls. 805/814 e 1.072/1.093, nas quais, em síntese, alegou: • que o arbitramento do lucro é ilegal pelas seguintes razões: 1. "a fiscalização não compreendeu (...) a organização administrativa e operacional da companhia, bem como seu relacionamento com outras empresas que compõem o grupo RBS", devendose observar (i) que "a própria jurisprudência administrativa enfatiza a liberdade que a empresa possui para desenvolver sua atividade, não podendo a fiscalização insurgirse contra as operações adotadas pelo contribuinte" e (ii) que "a Constituição federal assegura 'o livre exercício de qualquer atividade econômica' (art. 170, § único)"; 2. "os documentos necessários para a verificação da contabilidade da impugnante são idôneos e foram devidamente apresentados"; 3. a teor dos arts. 923 e 924 do RIR/99 e do art. 8° do DL n.° 486/69, "a contabilidade faz prova a favor do contribuinte"; 4. "em relação à suposta falta de demonstração dos repasses à TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A, foram apresentados à fiscalização os respectivos contratos entre as partes que demonstram que a receita da publicidade local pertence inteiramente à Impugnante. Essa é a forma ajustada pelas partes de distribuir as receitas"; 5. "os demais itens elencados no Auto de Infração para embasar o arbitramento (...) decorrem da total incompreensão da fiscalização sobre a forma com (sic) a Impugnante gerencia suas contas a receber e a pagar", posto que "a cobrança dos créditos e o pagamento de débitos da Impugnante são efetuados por meio de uma outra empresa do grupo RBS, a RBS Administração e Cobranças Ltda.” o que “permite a racionalização das operações, com a redução dos custos operacionais”; 6. "a Impugnante emite faturas de cobrança contra seus clientes e endossa os títulos para a RBS Administração e Cobranças Ltda. para que esta proceda à efetiva cobrança do crédito. Toda a operação é devidamente contabilizada na Cedente e na Cessionária, como demonstram os lançamentos contábeis. A receita é apropriada pela Impugnante, que paga os tributos respectivos, e o valor recebido permanece como crédito na empresa RBS Administração e Cobrança, em razão do que "a Impugnante não necessita possuir conta em bancos, pois todo o processo de recebimento e pagamentos é efetuado pela empresa RBS Administração e Cobranças Ltda.", procedimento que 'em nada altera a contabilização. Todos os recebimentos de créditos efetuados pela RBS Administração e Cobrança são contabilizados na Televisão Alto Uruguai"; 7. "esclarecida a forma de operação junto à empresa RBS Administração e Cobrança Ltda., é possível compreender que o mútuo efetuado entre a Impugnante e a empresa RBS TV Florianópolis S/A não necessita ser transferido efetivamente por meio de contas bancárias de instituições financeiras", posto que "uma vez que a empresa RBS TV Florianópolis S/A possui saldo credor junto à RBS Administração e Cobrança Ltda., pode ela ceder esse crédito para a Impugnante, por meio de um contrato de mútuo", devendose considerar que "tratandose de empresas do mesmo grupo Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 4 5 econômico, compreensível que uma empresa superavitária forneça recursos para empresas que estejam momentaneamente deficitárias". • que o recálculo, efetuado pela fiscalização, do tempo utilizado na programação é ilegal porque: 1. "o tempo a ser utilizado pela propaganda eleitoral na grade de programação da Impugnante é previsto na legislação eleitoral"; 2. "o valor do custo da compensação independe de efetiva utilização dos demais horários para que seja autorizado o seu ressarcimento"; 3. "é irrelevante para o cálculo do valor a ser excluído do lucro liquido da Impugnante que a autoridade fiscal tenha acesso à grade de publicidade da Impugnante. O que importa para esse cálculo é que o preço do espaço comercializável seja devidamente informado pela Impugnante à autoridade fiscal". • que não houve excesso na contabilização dos ressarcimentos das inserções e propagandas partidárias, conclusão errônea a que teria chegado a fiscalização em razão: 1. da adoção da forma de cálculo que levou em conta o recálculo já contestado; 2. de ter deixado de "contabilizar as inserções e programas partidários veiculados regionalmente, levando em consideração apenas as inserções e programas eleitorais veiculados nacionalmente". • que foi inadequada a demonstração do montante tributável, já que "o auto de infração não demonstrou adequadamente a incorreção das deduções efetuadas pela Impugnante"; • que a multa isolada é inaplicável ao caso, posto que fora efetuado lançamento com aplicação da multa de oficio prevista no inciso I do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96, exigência que, se cumulada com a multa do inciso IV do mesmo dispositivo, acarretaria bis in idem. Na apreciação do litígio a 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, adotando em unanimidade o voto do relator, a seguir parcialmente reproduzido, assim se posicionou (fls. 1.737/1.745): ... Pois bem. A existência de disciplina legal quanto ao tempo de divulgação eleitoral é fato incontroverso entre as partes, já que alegada pela interessada e considerada pela fiscalização em seus cálculos. Já a divergência quanto aos valores qual seja, ser a referência para o cálculo da dedução o preço efetivamente comercializado ou o comercializável se resolve pela simples leitura do art. 10 do Decreto n.° 5.331/05 (que revogou o Decreto n.° 3.786/01, também mencionado pela interessada), que irradia, com clareza solar, ser o "comercializável" atributo do espaço e não do preço, razão pela qual o feito fiscal não merece reproche quanto à glosa dos excessos de ressarcimento de inserções partidárias e programas partidários eleitorais. Vale a transcrição do aludido dispositivo: Art. 10 As emissoras de rádio e televisão obrigadas a divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 excluir do lucro liquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. Quanto ao arbitramento do lucro, parece não ter restado outra opção à fiscalização, já que a escrituração da interessada não refletia com fidelidade fatos contábeis fundamentais à operação e ao fluxo contábil da empresa, tais como o empréstimo relatado, aplicações financeiras e repasses à concessionária de sinal. Neste ponto, a defesa alegou que a "contabilidade" faz prova em seu favor e que dispõe de organização operacional em que centraliza seus créditos e débitos em pessoa jurídica terceirizada. Importa frisar que a escrituração goza da presunção de veracidade até o ponto em que não entra em rumo de colisão com a documentação que lhe dá suporte, exatamente o que aconteceu no caso em tela. Não se trata, como quis fazer parecer a interessada, de ignorar o arranjo operacional do contribuinte, mas não há que se falar numa "organização administrativa" da empresa que implique, por exemplo, a contratação de empréstimo que, tomado em nome de uma pessoa jurídica, seja direcionado a outra. De igual modo, revelase injustificável a não escrituração de aplicações financeiras, tanto assim que nem mesmo a interessada aventurouse neste tema. Por tudo isso, revelouse acertado o arbitramento do lucro. Já no que tange a imposição de multa isolada, consignou a fiscalização que a escarmenta nasceu da falta das estimativas que, não fosse o excesso na dedução dos valores de propaganda e inserções partidárias, haveria de ter sido recolhida. A interessada se defende alegando bis in iden pela concomitância desta penalidade com a multa de oficio. Sobre o tema, confesso meu desconforto com o montante final da punição que dessa forma se comina ao sujeito passivo. No entanto, é de se reconhecer que não há impedimento legal para tal. Ao contrário, a lei é clara ao fixar a multa isolada nos seguintes termos: ... Em situações como esta, resta ao julgador observar a parêmia in claris, interpretatio cesat (na clareza da lei não cabe interpretação), para curvarse lei, como autoridade administrativa vinculada que é nos termos do art. 142 do CTN. Certo é que não há que se falar em bis in iden. É que enquanto a multa de oficio incidiu sobre os valores de tributos não pagos pela interessada, a multa isolada resultou da falta de recolhimento das estimativas a que ela estava obrigada e que possuem natureza jurídica não de tributo, mas de mera antecipação. Tratase, portanto, de penalidades distintas e com fundamentos diversos, o que afasta por completo a aventada hipótese de dupla punição. Ante o exposto, nego provimento à impugnação, para manter a exigência fiscal nos termos em que fora formulada. Notificada da decisão, em 25/08/2011 (AR fl..), apresentou a interessada, em 21/09/2011, o recurso voluntário. Inicialmente descreveu os fatos que envolvem a autuação, em razão de duas situações distintas. A primeira, relativa ao arbitramento do lucro no anocalendário 2004 para determinação da CSLL e IRPJ do período, efetuado pela autoridade fiscal sob o argumento de Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 5 7 que a contabilidade da empresa não seria apta a fundamentar suas movimentações financeiras no período. A segunda, referente às exclusões do lucro líquido efetuadas a título de compensação pela divulgação eleitoral gratuita nos períodos de 2005 e 2006, a fim de determinar o IRPJ devido, sustentandose, a autoridade fiscal no fato de que, ao excluir cerca de 40% do total de sua receita bruta com despesas de propagandas eleitorais ou partidárias, a recorrente estaria agindo em desacordo com os Decretos n ºs 3.786/01 e 5.331/05. Com base nesse entendimento teria requerido a apresentação de documentos para que fosse revisado o cálculo então efetuado. Assinala que a autoridade fiscal, sob a justificativa de que os documentos apresentados seriam insuficientes para se calcular o valor que deveria ser ressarcido, recalculou, mediante formula desprovida de base legal, o valor do minuto utilizado pelas inserções partidárias de acordo com uma “média”. Ao se deparar com valor superior àquele contabilizado pela empresa, lavrou o auto de infração com a glosa da diferença encontrada entre esses valores. Observa que na impugnação apresentada buscou demonstrar que sua contabilidade estava de acordo com a sua organização administrativa e que inexistiria qualquer justificativa para o arbitramento realizado no período de 2004 e defendeu, ainda, a correção do cálculo para identificação das deduções realizadas (período de 2005 e 2006), vez que a legislação exige a observância do valor do espaço comercializável sendo irrelevantes o valor cobrado pela empresa ou mesmo sua utilização efetiva. Entende que, dessa forma, os documentos necessários ao cálculo das deduções efetuadas foram devidamente apresentados à autoridade fiscal e que seria desnecessária a apresentação de outros documentos sigilosos, como a sua grade de programação. Afirma que os julgadores de 1a. instância administrativa entenderam que a contabilidade referente ao ano de 2004 não se compatibilizava com os documentos que lhe serviram de comprovação e que, em relação aos períodos de 2005 e 2006, o valor das inserções partidárias a ser considerado para as deduções efetuadas deveria tomar como base o valor do espaço comercializado, isto é, efetivamente cobrado pela empresa, e não o espaço comercializável e, nessas condições, a não apresentação da grade de programação justificaria o recálculo das exclusões realizadas. Entende que a decisão recorrida não demonstrou o que levou em consideração para firmar entendimento no sentido de que a escrituração da empresa não reflete a realidade dos fatos e que a despeito de tudo o que teria sido explicitado no que tange às particularidades de sua organização administrativa e prova documental apresentada, tais questões não teriam sido enfrentadas pela decisão recorrida. Descreve que a fiscalização arbitrou o lucro do ano de 2004, sinteticamente pelas seguintes razões: a) falta de demonstração dos repasses à TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A; b) falta de demonstração do ingresso efetivo de R$ 882.822,30 recebidos da RBS TV Florianópolis S/A; c) falta de demonstração das contas de aplicação financeira e contas bancárias em instituições financeiras; d) impossibilidade de conferência dos recebimentos das faturas com a contabilidade; e e) Conta Caixa utilizada apenas para pequenas despesas. Afirma que, ao contrário do alegado pela fiscalização, a recorrente não seria uma filial disfarçada da RBS Administração e Cobranças Ltda. e que tampouco possuiria contabilidade desorganizada e que a autuação teria se fundamentado em opiniões do agente fiscalizador sobre a forma de organização operacional da empresa. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Assevera que nenhum das razões que motivaram arbitramento seriam subsistentes. Nesse sentido, em relação à falta de demonstração dos repasses à TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A, teriam sido apresentados à auditoria os respectivos contratos entre as partes que demonstram que a receita da publicidade local pertence inteiramente à Recorrente. Essa seria a forma ajustada pelas partes para a distribuição das receitas. Assim, a receita obtida com a publicidade local ficaria inteiramente com a recorrente, não havendo necessidade de repassar esses valores para a TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A. Da mesma forma os demais itens elencados no Auto de Infração para embasar o arbitramento falta de demonstração do ingresso efetivo de R$ 882.822,30 recebidos da RBS TV Florianópolis S/A; falta de demonstração das contas de aplicação financeira e contas bancárias em instituições financeiras; impossibilidade de conferência do recebimento das faturas com a contabilidade e; Conta Caixa utilizada apenas para pequenas despesas decorreriam da total incompreensão da fiscalização sobre a forma com que a empresa gerencia suas contas a receber e a pagar, posto que a cobrança dos créditos e o pagamento de débitos são efetuados por meio de uma outra empresa do grupo RBS, a RBS Administração e Cobranças Ltda. o que permitiria a racionalização das operações, com a redução dos custos operacionais. Afirma que todas as despesas são lançadas na contabilidade da empresa recorrente que, por meio do sistema informatizado, emite autorização para que a empresa RBS Administração e Cobrança efetue o pagamento dessas despesas. A RBS Administração e Cobrança, por sua vez, paga as despesas, debitando o respectivo valor em sua contabilidade da conta da instituição financeira e que procedimento semelhante ocorreria em relação aos recebimentos, como exemplifica. Relata que emite faturas de cobrança contra seus clientes e endossa os títulos para a RBS Administração e Cobranças Ltda. para que esta proceda à efetiva cobrança do crédito. Toda a operação estaria contabilizada na Cedente e na Cessionária, como demonstrariam os lançamentos contábeis. A receita seria apropriada pela recorrente que paga os tributos respectivos, e o valor recebido permaneceria como crédito na empresa RBS Administração e Cobrança, em razão do que não necessita possuir conta em bancos, pois todo o processo de recebimento e pagamentos seria efetuado pela empresa RBS Administração e Cobranças Ltda., procedimento que em nada alteraria a contabilização. Todos os recebimentos de créditos efetuados pela RBS Administração e Cobrança seriam contabilizados na Televisão Alto Uruguai. Aduz que, esclarecida a forma de operação junto à empresa RBS Administração e Cobrança Ltda., seria possível compreender que o mútuo efetuado com a empresa RBS TV Florianópolis S/A não necessitaria ser transferido efetivamente por meio de contas bancárias de instituições financeiras, posto que uma vez que a empresa RBS TV Florianópolis S/A possui saldo credor junto à RBS Administração e Cobrança Ltda., pode ela ceder esse crédito para a recorrente, por meio de um contrato de mútuo, devendose considerar que se tratando de empresas do mesmo grupo econômico, compreensível que uma empresa superavitária forneça recursos para empresas que estejam momentaneamente deficitárias. Nesse sentido o arbitramento seria absolutamente ilegal e desnecessário pois tratase de um procedimento de caráter excepcional que somente deve ser adotado em casos extremos quando houver impossibilidade de se identificar os elementos que compõem a obrigação tributária, não se aplicando, portanto, ao caso. Eventual discordância com a forma pela qual a empresa está estruturada não justificaria o arbitramento pois a pessoa jurídica seria livre para adotar os procedimentos operacionais que entender mais apropriados a serviço que Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 6 9 pretende prestar. Acrescenta que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, nos termos da legislação em vigor e jurisprudência administrativa que transcreve. No tocante ao ressarcimento fiscal dos anos de 2005 e 2006 reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação, adiante uma vez mais sintetizadas: 1. que o tempo a ser utilizado pela propaganda eleitoral na grade de programação da empresa recorrente é previsto na legislação eleitoral. 2. que o valor do custo da compensação independe de efetiva utilização dos demais horários para que seja autorizado o seu ressarcimento. 3. que os artigos 1o. dos Decretos n º s 3.786/01 e 5.331/04 prevêem que está autorizada a exclusão do lucro líquido do valor calculado em razão de dois fatores: “preço do espaço comercializável” e “tempo que seria efetivamente utilizado” e que, segundo entendimento do então Conselho de Contribuintes do MF, o tempo “efetivamente utilizado” seria o tempo “potencialmente passível de utilização”, conforme trecho de voto que reproduz. 4. que os dispositivos em questão não se referem a “espaço comercializado” ou a “tempo que foi efetivamente utilizado”; isto é, a legislação vigente determina que, caso seja utilizado tempo que poderia ser comercializado em sua grade de programação para divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral, teria a empresa o direito à obtenção da respectiva compensação fiscal. 5. que seria, assim, irrelevante para o cálculo do valor a ser excluído do lucro liquido da recorrente que a autoridade fiscal tenha acesso à sua grade de publicidade importando para esse cálculo que o preço do espaço comercializável seja devidamente informado à autoridade fiscal. 6. que diante dos fatos e considerando que todos os documentos necessários ao cálculo do ressarcimento foram fornecidos, e ainda, que o fato de que esse valor tenha alcançado 40% da receita bruta contabilizada, por si só não seria razão para colocar em dúvida a veracidade das informações prestadas, tornando, assim, ilegal o recálculo efetuado pela fiscalização. 7. que não teria havido excesso na contabilização dos ressarcimentos das inserções e propagandas partidárias, conclusão errônea a que teria chegado a fiscalização. 8. que nas planilhas contendo o cálculo das médias de preço por minuto para as inserções e programas partidários e recálculo dos ressarcimentos devidos em cada modalidade a fiscalização teria de ter deixado de contabilizar as inserções e programas partidários veiculados regionalmente, levando em consideração apenas as inserções e programas eleitorais veiculados nacionalmente. 9. que foi inadequada a demonstração do montante tributável, já que o auto de infração não demonstrou adequadamente a incorreção das deduções efetuadas pela recorrente. Finaliza defendendo que a multa isolada é inaplicável ao caso, posto que fora efetuado lançamento com aplicação da multa de oficio prevista no inciso I do § 1° do art. 44 da Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Lei 9.430/96, exigência que, se cumulada com a multa do inciso IV do mesmo dispositivo, acarretaria bis in idem. Nesse sentido seria a jurisprudência administrativa predominante. Requer, em conclusão, que o recurso seja julgado procedente para declarar totalmente insubsistentes os autos de infração. Fez sustentação oral em plenário, pela recorrente, a Dra. Vanessa Grazziotin Dexheimer, OAB/RS nº 79.592. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Para uma adequada análise dos fatos adoto, neste voto, a ordem observada no Termo de Verificação Fiscal. 1 Compensação Fiscal pela Divulgação Gratuita de Propaganda Partidária ou Eleitoral. AnosCalendário 2005 e 2006. Para bem delimitar o cerne do litígio em relação ao assunto compensação fiscal cumpre, inicialmente, esclarecer os conceitos que o envolvem. A compensação fiscal destinase a ressarcir empresas de telecomunicações pela divulgação compulsória de propaganda partidária ou eleitoral de partidos políticos mediante a utilização de seus horários de programação e de propaganda e está prevista no parágrafo único do artigo 52 da Lei n º 9.096, de 1995: Art. 52 (...) Parágrafo único. As emissoras de rádio e televisão terão direito a compensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta Lei. É importante destacar que existe diferença entre propaganda partidária e propaganda eleitoral. A legislação eleitoral as define claramente e estabelece dois momentos distintos para a utilização de cada uma delas. 1) A propaganda partidária é exibida pelas empresas de comunicação que gozam de concessão pública, o que se pode definir como rádio e televisão. Normalmente é exibida no semestre antecedente ao da realização do pleito, tendo suas regras prescritas pelo artigo 45 da Lei n º 9.096 de 1995, que estabelece seus objetivos e as respectivas vedações. A propaganda partidária tem como um de seus pilares a intenção de comunicar o intuito de estabelecer coligações nas eleições que se aproximam, assim como difundir os programas partidários, transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário e as atividades congressuais do partido além de divulgar a posição do partido em relação a temas Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 7 11 políticos. Nesse espaço não é permitido de forma alguma a realização de propaganda eleitoral antecipada para determinado candidato difundir os programas partidários. 2) Para definir propaganda eleitoral, utilizemonos de trecho de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de nº. 16.183, de 17.02.2000, que assim a define: “Entende se como ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas postulada, a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. .... (Rel. Min. Eduardo Alckmin. DJU, 1451999, p.13.112). Continuando a explanação, tomo por empréstimo os seguintes trechos do Termo de Verificação da Ação Fiscal: Os Programas Partidários e Eleitorais são sempre realizados no horário nobre, ou seja, no horário das 13 horas e das 20:30 horas. As inserções partidárias são veiculadas no decorrer da programação diária, ou seja, da 8 horas às 24 horas. ... A própria legislação que rege a matéria deixa claro os limites de utilização e seu custo: Na propaganda partidária ou eleitoral, sempre realizadas nos horários nobres, o valor a ser ressarcido, pela legislação é parte do horário utilizado dos comerciais, ou seja, para obtermos o cálculo do custo a ser descontado da base de cálculo do Imposto de Renda é: 25% do custo do horário e destes 25%, somente 80% que podem ser descontados. ... Nas inserções partidárias a legislação limitaas em no máximo 5 minutos diários, ou seja, dois intervalos de comerciais levandose em consideração que cada um tenha mais ou menos 2,5 minutos e que cada chamada é de 30 segundos, temos dez chamadas diárias a serem distribuídas pelos partidos. Para ressarcimento destas inserções a Fiscalizada poderá descontar 100% do custo efetivo do horário em que foi vinculado à inserção, ou seja, o custo efetivamente cobrado dos anunciantes poderá ser descontado da base de calculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. ... O decreto nº. 5.331 de 4 de janeiro de 2005, publicado no Diário Oficial da União de 05/01/2005, regulamenta a compensação fiscal a que têm direito as emissoras de rádio e televisão pela divulgação gratuita de propaganda partidária ou eleitoral realizadas de janeiro de 2005 a junho de 2006: Decreto nº. 5.331 de 04.01.2005 D.O.U.: 05.01.2005 Regulamenta o parágrafo único do art. 52 da Lei nº. 9.096, de 19 de setembro de 1995, e o art. 99 da Lei nº. 9.504, de 30 de setembro de 1997, para os efeitos de compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral. Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Art. 1º As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. § 1º O preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados trinta dias antes e trinta dias depois dessa data. § 2º O disposto no § 1º aplicase à propaganda eleitoral relativa às eleições municipais de 2004. § 3º O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela emissora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do tempo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei nº. 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei nº. 9.504, de 30 de setembro de 1997. § 4º Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. § 5º Na hipótese do § 4º, o preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente na data e no horário imediatamente anterior ao das inserções da propaganda partidária ou eleitoral. § 6º O valor apurado na forma deste artigo poderá ser deduzido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que trata o art. 2º da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como da base de cálculo do lucro presumido. § 7º As empresas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de televisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste artigo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei nº. 9.096, de 1995, e às eleições de que trata a Lei nº. 9.504, de 1997. Art. 2º Fica o Ministro de Estado da Fazenda autorizado a expedir os atos normativos complementares à execução deste Decreto. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 8 13 Art. 4º Fica revogado o Decreto nº. 3.516, de 20 de junho de 2000, e o Decreto nº. 3.786, de 10 de abril de 2001. No presente caso o litígio, o ponto controvertido sobre o qual divergem, a recorrente e o Fisco, está relacionado às grandezas envolvidas no cálculo da compensação fiscal determinado pela legislação de regência. Afirma a recorrente que a auditoria fiscal efetuou o recálculo dos valores por entender que o importante seria aferir o preço do espaço comercializado que deveria ser demonstrado imprescindivelmente pela apresentação de tabela de publicidade praticada pela emissora e que, por outro lado, a legislação disporia claramente que o cálculo levaria em consideração o preço do espaço comercializável e que tal informação teria sido disponibilizada à auditoria fiscal. Na controvérsia surge, pois, de um lado, a autoridade fiscal, adotando, para fins de apuração do valor do benefício que se concede às emissoras de radiodifusão pela cessão de horários em suas grades de programação para a inserção compulsória de propaganda eleitoral e partidária, o preço efetivamente praticado pela empresa, ou seja, o preço líquido, já deduzidos os descontos concedidos, constantes das faturas emitidas para horários análogos aos utilizados na propaganda partidária e na propaganda eleitoral gratuitas. Ao seu turno, a autuada, inconformada com o método adotado pelo Fisco, pleiteia que o preço não é o que ele, Fisco, chama de “comercializado”, mas, sim, o “comercializável”. Em outras palavras, enquanto o primeiro representaria o efetivo ingresso de receitas na empresa autuada, o segundo representaria aquilo que a empresa poderia ter obtido como receita, não fosse a cessão do horário de forma gratuita. Em suma, enquanto a fiscalização defende que o cálculo do incentivo deve aterse e lastrearse naquilo que concretamente foi suportado pela emissora, ou seja, valores efetivos que deixaram de ser obtidos como receitas, calculados pela média no período de tempo previsto pela legislação, a recorrente rebate no sentido de que a base inicial para qualquer cálculo que se faça é o da tabela de preços vigente à época das inserções da propaganda eleitoral ou partidárias gratuitas. A outra variável a ser estudada é a do tempo, melhor dizendo, da mensuração do tempo que poderia ter sido utilizado pelas emissoras de radiodifusão para a venda de publicidade comercial e que deixou de ser possível em razão da cessão compulsória do espaço para veiculação do horário eleitoral gratuito. É verdade que o Decreto n º 5.331/2005 determina, no caput do artigo 1o., que o cálculo seja feito em relação ao preço do “espaço comercializável” pelo tempo que “seria” efetivamente utilizado. Mas também é o próprio Decreto que define, no § 1º, que “espaço comercializável” é o preço comprovadamente vigente no dia anterior ao de início da propaganda partidária ou eleitoral. Vejamos novamente: Decreto n º 5.331/2005: Art. 1º As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. § 1º O preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados trinta dias antes e trinta dias depois dessa data. ... (destaques acrescidos). A interpretação necessária, pois, é a que se deve entender como “preço comprovadamente vigente”. Para a recorrente é a de sua tabela disponibilizada ao agente fiscal. Para o Fisco, o montante a ser considerado não é aquele que “poderia” ser obtido, mas o “efetivamente obtido”, na comparação média em determinado período de tempo. No contexto do assunto, impende assinalar que o referido benefício fiscal é destinado às empresas de radiodifusão pela perda que tiverem com a cessão gratuita do horário para a propaganda eleitoral e partidária. Mas esse ônus, não é suportado apenas pelas empresas de radiodifusão. Numa última análise, ao menos uma parte do ônus financeiro é repassada ao Estado que acaba pagando sua parte, via diminuição dos impostos arrecadados. Não se deve esquecer que as empresas de comunicação exploram uma concessão pública, um patrimônio que, em verdade, pertence ao Estado. A isso somese que toda legislação que trata de isenção, benefícios fiscais ou renúncia de arrecadação, deve aplicada de forma restritiva. Dessa forma, o benefício fiscal visa, corretamente, ressarcir perdas efetivamente suportadas e não potenciais perdas, como quer fazer crer a defesa. Tomese o seguinte exemplo aleatório: Uma empresa, “TV A”de televisão, possui uma tabela de preços para venda de tempo destinado a propagandas comerciais e essa tabela prevê, por exemplo, que no horário do intervalo do Jornal “N”, às 20:30 hs., o minuto de propaganda custa R$ 100,00. Entretanto, na prática, por questões de sazonalidade, fidelidade, concorrência de mercado, aplicação de descontos, ou outros, a “TV A” vende esse mesmo espaço aos seus anunciantes pelo preço de R$ 50,00 o minuto. Então o cálculo da compensação fiscal, neste caso, deverá ser feito em relação ao valor de R$ 50,00 o minuto, que é o preço comprovadamente praticado pela emissora. No caso concreto, a fiscalização apurou, exaustiva e profundamente, mediante cálculos dos quais a recorrente teve plena ciência, os valores efetivos das receitas obtidas no interregno temporal que o Decreto pertinente estabeleceu (mês vigente, ou dia anterior à do início da propaganda eleitoral e partidária gratuitas, observandose os trinta dias anteriores e posteriores). Mediante tal procedimento de técnica de auditoria o Fisco apurou o valor médio efetivo do preço da publicidade comercial da autuada e, sustentado nestes dados, pôde concluir, juntamente com a utilização da variável “tempo”, que a contribuinte fez exclusões superiores às permitidas, efetuando as glosas, via lançamento de ofício. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 9 15 Portanto, contrariamente ao entendimento da defesa, o valor a ser considerado é o aplicado e que deu guarida ao prejuízo efetivamente suportado pela empresa, e não poderia ser jamais um valor condicional, futuro e imaginário que “poderia” vir a ocorrer. “Preço efetivamente praticado” não deve ser confundido com “preço previsto”, ou, “estimativa de ganho”. É certo que a tabela apresentada pela recorrente à auditoria fiscal é mero instrumento indicador para venda da publicidade. Tanto isso é verdade que a auditoria constatou que os preços efetivos de comercialização variaram. O Fisco apurou valores inferiores aos constantes da “Tabela” disponibilizada pela autuada, inclusive pela prática de concessão de descontos, o que afasta a “inquestionabilidade”dessa tabela. Inquestionável poderia ser o atributo da grade de publicidade efetivamente praticada pela recorrente, e reiteradamente solicitada pelo agente fiscal, sobre a qual a defesa alega haver sigilo. Portanto, não é possível que a defesa imponha a adoção de uma “tabela de preços”, comprovadamente não aplicada na sua integralidade, como base para se calcular um benefício fiscal, em situação na qual uma das partes que arca com o ônus é o Estado. Até porque, não é crível que durante um determinado período de tempo (um mês, por exemplo), uma empresa de comunicação tenha praticado preços médios que variaram de “x” a “z”, e em determinado instante, exatamente no dia e horário em que foram inseridas as propagandas eleitorais gratuitas, a empresa poderia ter vendido seu espaço pelo preço cheio constante da tabela. A composição do preço final de venda do espaço comercial pode ser influenciada por fatores comerciais e negociais, como, freqüência, sazonalidade, pontualidade no pagamento, concessões de descontos sobre os preços de tabela, que não podem ser ignorados apenas para efeito de cálculo da compensação fiscal, sob pena de majorar indevidamente os valores a serem ressarcidos. Assim, porque a recorrente não disponibilizou a sua grade de publicidade, o procedimento da fiscalização apurou valores efetivos a serem ressarcidos e não valores potencialmente efetivos. Relativamente ao tema, “tempo que seria efetivamente utilizado em publicidade comercial, no período da propaganda”, a defesa entende que o tempo efetivamente utilizado em publicidade a que alude a legislação é aquele potencialmente passível de utilização e não o tempo realmente empregado, citando julgado deste órgão colegiado. Mais uma vez, porém, cumpre lembrar que o ressarcimento fiscal, como se infere de sua própria denominação, tem como objetivo recompor o resultado da empresa que cedeu, por força de lei, parte de sua fonte de receita, no caso, tempo de transmissão. Nesse aspecto, o resultado a ser recomposto deve ser aquele que deixou de ser alcançado em razão da cessão compulsória do tempo de transmissão e não o resultado que poderia ser alcançado. Especificamente, se o período de tempo em que se transmitiu a propaganda política teria sido ocupado normalmente por n% de publicidade comercial (sua fonte de receita), não seria justificável, nem plausível, que o ressarcimento fiscal se desse levando em conta um percentual superior a n%. Se assim fosse, estarseia não diante de ressarcimento fiscal, mas de verdadeiro subsídio ou subvenção, do Estado para o contribuinte. Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 O ressarcimento fiscal tem, pois, por objetivo recompor o resultado da empresa que cede, por força de lei, parte de sua fonte de receita, no caso, o tempo de transmissão. Nesse contexto, o resultado a ser recomposto deve ser aquele que deixou de ser alcançado em razão da cessão compulsória do tempo de transmissão e não do resultado que a empresa poderia vir a alcançar. A defesa alegou, ainda, que o auto de infração não demonstrou adequadamente a incorreção das deduções efetuadas e que a fiscalização teria deixado de contabilizar as inserções e programas partidários veiculados regionalmente, levando em consideração apenas as inserções e programas eleitorais veiculados nacionalmente. Nesse sentido além de não apontar com precisão quais supostas incorreções teriam sido detectadas nas planilhas elaboradas pela fiscalização, impende assinalar que a auditoria fiscal tomou por base os dados disponibilizados pela própria empresa. Observo, mais uma vez, que a recorrente não apresentou todos os elementos solicitados pelo agente fiscal. A empresa recorrente poderia ter apresentado a sua grade de publicidade e, assim, provado a correção dos seus procedimentos. Preferiu não fazêlo, sob o argumento de não querer fornecer dados sigilosos. Concordo, portanto, com a Turma Julgadora de 1a. instância, no sentido de que não merece reparo algum o procedimento fiscal no que toca à glosa de excessos de ressarcimento de inserções partidárias e programas partidários eleitorais. 2 Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais A defesa afirma não ser cabível a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário e concomitantemente com a multa de ofício exigida pela falta de pagamento do tributo devido apurado ao final do período de apuração, colacionando jurisprudência administrativa deste Órgão Colegiado para ilustrar sua tese. Entretanto, esta Relatora considera que a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas é devida em qualquer caso. A exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental. Tal penalidade não se confunde com a multa aplicável sobre o montante devido de imposto ou contribuição apurado ao final do período de apuração, pois esta última visa punir a absoluta falta de pagamento de tributo, obrigação principal. Como se verifica as hipóteses de incidência são distintas, o que torna os ilícitos distintos e inconfundíveis. Ambas as penalidades a multa exigível no caso de falta de pagamento sobre a CSLL ou IRPJ apurados e devidos ao final do período de apuração e a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas são aplicáveis por se tratarem, ambas as situações, de infrações diversas, com hipóteses de incidência distintas: (i) no caso da multa de ofício exigida juntamente com o tributo ou a contribuição não pagos, o fato ilícito que sustenta a imputação é a falta de pagamento e a falta de declaração ou declaração inexata do tributo ou contribuição devidos ao final do período de apuração anual; (ii) no que diz respeito à multa isolada, a ilicitude decorre da falta de recolhimento das estimativas mensalmente devidas no curso do anocalendário. Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 10 17 Extraio tal entendimento da própria Lei 9.430/96, cujo artigo 44, base legal do artigo 957 do RIR/99 transcrevo, em sua redação original: Lei nº. 9.430, de 26 de dezembro de 1996: Redação Original Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... "§ 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007 deu nova redação ao artigo 44 acima transcrito: Redação Modificada Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No que importa à presente análise a nova redação dada ao dispositivo legal promoveu sutil alteração apartando as infrações distintas em incisos distintos e alterando, apenas, o valor da multa isolada, originariamente exigida na alíquota de 75%, reduzindoa para 50%, o que foi observado pela autoridade fiscal em respeito ao princípio da retroatividade Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 benigna consagrado no artigo 106 do CTN. Mas o conteúdo jurídico, propriamente dito, do dispositivo legal não foi alterado. Nesse contexto o conteúdo jurídico, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a Lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Entretanto, pode ocorrer de um mesmo fato subsumirse aos dois tipos. Deixar de recolher as antecipações obrigatórias, sujeitandose à penalidade da multa isolada, e, conjuntamente, deixar de recolher o imposto apurado ao final do anocalendário, sujeitandose ao recolhimento deste imposto acrescido da multa de ofício de 75%. É o que se observa no presente caso. Há, inclusive, jurisprudência administrativa a referendar o entendimento aqui adotado: RECURSOS DE OFÍCIO IRPJ – ESTIMATIVAS – Cabível o lançamento de multa de ofício isolada na falta de recolhimento de estimativas, quando o lançamento se dá depois de encerrado o anocalendário correspondente [Acórdão 10196176 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 24/05/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. CSLL – MULTA ISOLADA – EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO – Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de ofício, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. (Inciso II parágrafo 1º,do artigo 44 da Lei 9430).Contudo, nos termos da alínea c, do inciso II do artigo 106 do CTN deverá ser aplicado o coeficiente de 50%, veiculado no artigo 18 da MP303/2006 [Acórdão 108 08962 OITAVA CÂMARA Data da Sessão: 17/08/2006 Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro]. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas [Acórdão 10196049 PRIMEIRA CÂMARA Data da Sessão: 28/03/2007 Relator: Caio Marcos Cândido]. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 11 19 Procedente, também, in casu, a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ. 3 Arbitramento do Lucro. Imprestabilidade da Escrita Fiscal. AnoCalendário 2004. A auditoria fiscal procedeu, relativamente ao anocalendário 2004, ao arbitramento do lucro por entender que a contabilidade da empresa recorrente careceria de “legitimidade e de informação”. Chegou a esse veredito por considerar: a) que não teriam sido demonstrados os repasses à concessionária de sinal de televisão: TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A; b) que não teria sido comprovado o ingresso efetivo de R$ 822.822,30 recebidos da RBS TV Florianópolis S/A; c) a falta de demonstração das contas de aplicação financeira e contas bancárias em instituições financeiras; d) ser impossível a conferência dos recebimentos das faturas (data, valor e conta bancária) com a contabilidade da autuada; c) que a conta Caixa seria usada somente para pagamentos de pequenas despesas. Com base nessas conclusões fundamentou o arbitramento nas hipóteses previstas no inciso I, e letra “a” do inciso II, ambos do artigo 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1o.): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ... No que toca ao item “a”, falta de demonstração dos repasses à concessionária TV Gaúcha S/A e TV Globo, a auditoria fiscal assim descreveu os fatos (fl. 32): “Em intimações à Fiscalizada solicitamos onde estavam os registros contábeis dos repasses à Televisão Gaúcha S/A. A mesma informou que não havia repasse. Entretanto, no contrato firmado em 03/01/2006, cláusula quarta – da remuneração assim reza: ‘Pela cessão do conteúdo objeto do presente instrumento, a Cedente fará jus à importância equivalente a 30% (trinta por cento) da receita líquida total Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 auferida pela Cessionária com a comercialização da publicidade e patrocínio captados para veiculação local”. Grifo nosso. Se a arrecadação das propagandas de veiculações locais tem a participação de 30% para a Cedente, no mínimo deve haver o repasse destes valores ou uma conta corrente entre ambas para acerto de contas.” E, com mais detalhamento, no item “3.2” do Termo de Verificação Fiscal (fls. 35/), concluindo: Depois de discorrido sobre os contratos de adesão/cessão de direitos de transmissão de programação e das propagandas, podemos observar que a informação não é tão simplória como foi informada na resposta da intimação datada de 29/10/2008 pela Fiscalizada. Como em toda cessão e muito mais no sistema de televisão onde programas são comprados e vendidos/cedidos, sempre há encontro de contas para acerto dos valores de cada um dos partícipes. O porquê não estarem registrados na contabilidade tais compensações e a movimentação desta contacorrente na subsidiária da RBS em Erechim – RS. O porquê da centralização da contabilidade na empresa RBS Administração e Cobranças Ltda., em que pela simplicidade e descompromisso simplesmente informa que os registros estão em conta gráfica não apondo documentos probantes de sua movimentação. Concluise no item 3.3” Quanto a afirmação da Fazenda de não terem restado demonstrados os repasses à TV Gaúcha em decorrência do contrato de cessão de direitos – TV Globo – Televisão Gaúcha S/A – Televisão Alto Uruguai, a recorrente limitouse a afirmar, reiteradamente que: “... em relação à falta de demonstração dos repasses à TV Globo Ltda e Televisão Gaúcha S/A, foram apresentados à fiscalização os respectivos contratos entre as partes que demonstram que a receita da publicidade local pertence inteiramente à Recorrente. Essa é a forma ajustada pelas partes para a distribuição das receitas. A receita com publicidade local fica inteiramente com a recorrente, não havendo necessidade de repassar esses valores para a TV Globo Ltda. e Televisão Gaúcha S/A.” Observese, entretanto, que não se trata de mera demonstração dos repasses decorrentes de faturamento obtido com publicidade. A receita gerada com a publicidade é, de fato, separada entre as emissoras. Nesse ponto a afirmação da recorrente é verdadeira. A receita com publicidade local de anunciantes locais pertence à recorrente. É o que consta das cláusulas 4.1 a 4.7, mais detalhadamente nas cláusulas 4.2, 4.3 e 4.5 da Convenção Comercial pactuada entre a TV Globo e a TV Gaúcha S/A (fls. 349/354), extensiva à TV Alto Uruguai (355/356). Vejamos: Convenção Comercial firmada pela TV Globo Ltda. e a Televisão Gaúcha S/A em 28/03/2002. Quarta Parte – Das Condições de Comercialização Publicitária: “... 4.2. EMISSORA assegura a GLOBO, sem compromisso de venda a disponibilidade mínima de 50% (cinqüenta por cento) do tempo destinado à exibição de publicidade simultânea ou não, em cada programa ou evento transmitido. A Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 12 21 EMISSORA destinará a parte remanescente do tempo nos intervalos comerciais da programação à veiculação de publicidade de anunciantes locais [...]. 4.3. Em decorrência dos compromissos ora ajustados, pertencerá à EMISSORA o resultado integral das vendas efetuadas na modalidade LOCAL. À EMISSORA é assegurada, ainda, uma participação nas vendas efetuadas por GLOBO na modalidade SPOT, conforme definido em 4.5, infra, participação esta que será apurada após deduzida a participação que cabe à GLOBO, definida em 4.5. À GLOBO caberá o resultado integral das vendas de publicidade nacional, identificadas na modalidade NET, que contratar com seus anunciantes para veiculação, simultânea ou não, com a sua programação. Para fins do presente instrumento entendese por modalidade NET as vendas realizadas por GLOBO e exibidas, simultaneamente, ou não, pela EMISSORA e demais empresas autorizadas a retransmitir a programação GLOBO. ... 4.5. Fica convencionado mutuamente que sobre os valores das vendas mensais de publicidade realizadas por GLOBO e veiculadas exclusivamente pela EMISSORA (‘SPOT’), após a dedução dos descontos de negociação e/ou agência, da bonificação de volume e do índice de inadimplência média ajustado entre as partes, das comissões de corretagem, dos cancelamentos e/ou abatimentos por falhas na programação e dos descontos financeiros, caberá à GLOBO a participação apurada mediante aplicação de índice variável, prévia e mutuamente estabelecido, sobre as referidas vendas de publicidade conforme previsto no Aditivo de Remuneração e seu Anexo I e II. ...” E, ainda, no “Instrumento Particular de Cessão de Programação (fls. 355/358), no qual consta, de um lado como “cedente” a Televisão Gaúcha S/A e como “cessionária” a Televisão Alto Uruguai S/A, como objeto, na cláusula primeira que: “Pelo presente instrumento, a Cedente comprometese a ceder conteúdo de programação à Cessionária, a qual se obriga a transmitilo simultaneamente à veiculação pela Cedente, através do serviço de radiofusão de sons e imagens prestado pela Cessionária nas suas localidades de atuação”. E, na Cláusula Quarta – Da Remuneração, que: “Pela cessão do conteúdo objeto do presente instrumento, a Cedente fará jus à importância equivalente a 30% (trinta por cento) da receita líquida total auferida pela Cessionária com a comercialização da publicidade e patrocínio captados para veiculação local”. Destaques acrescidos. Das cláusulas analisadas verificase que os valores foram ajustados entre a TV Alto Uruguai e a TV Gaúcha a título de remuneração decorrente da cessão de conteúdo de programação, pela TV Gaúcha à TV Alto Uruguai, conforme pactuado no “Instrumento Particular de Cessão de Programação” entre as referidas emissoras. Portanto, se a TV Alto Uruguai obteve faturamento com a comercialização de propagandas publicitárias captadas de anunciantes locais para veiculação local, haveria o direito de a TV Gaúcha receber, a título de remuneração pactuada no referido instrumento, o Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 22 equivalente a 30% (trinta por cento) da receita líquida auferida pela TV Alto Uruguai com a veiculação dessas propagandas de anunciantes locais. E isso, de fato, não foi demonstrado à auditoria fiscal. Entretanto, a falta de demonstração dos repasses não significa, necessariamente, que o fato foi ocultado da auditoria ou não registrado na escrituração fiscal implicando, imprescindivelmente, no arbitramento do lucro. Esses repasses, apesar de devidos contratualmente, podem não ter existido, por qualquer razão, até por inobservância de disposição contratual. Se não houve o fato, não haverá o seu registro. A falta de registro contábil de um fato que ocorreu poderia até ser motivo – discutível a ensejar o arbitramento dos lucros. Mas a falta de registro contábil de um fato que não ocorreu não pode ser fundamento para a desqualificação da escrituração. Dito de forma direta: A auditoria fiscal não demonstrou que os repasses foram efetuados, mas não foram registrados. Portanto, por tal fato, não vislumbro motivo para desclassificação da escrita contábil da empresa e conseqüente arbitramento do lucro. No item “b” o agente fiscal afirma que a escrita contábil seria imprestável, também, por considerar que não foi comprovado o ingresso efetivo do valor de R$ 822.822,30 que teria sido recebido pela recorrente da RBS TV Florianópolis S/A a título de empréstimo. Tal fato, contudo, também não justifica o arbitramento do lucro. Poderia revelar, talvez, a ocorrência de infração específica, como omissão de receitas. Aliás, a descrição dos fatos pela fiscalização levaria a essa conclusão, como se verifica do seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 35: “O que temos em suma, é que a Fiscalizada pagou para seus acionistas o valor de R$ 822.822,30 e que não possui qualquer documento hábil e idôneo do ingresso deste valor e os recibos apresentados carecem de alicerce na movimentação bancária de tais recursos de um ente para outro. Portanto, estes recursos não se referem a empréstimos, haja vista a falta de comprovação de saída do cedente e o ingresso na conta do beneficiário/Fiscalizada.” (destaques acrescidos). Notese que em momento algum a auditoria fiscal afirma que o valor de R$ 822.822,30 não teria sido escriturado. Ao contrário. Consta textualmente do Termo de Verificação Fiscal – item 3 – que “Em 31/12/2004, foi registrada, na contabilidade da Fiscalizada, a informação de que a mesma contraíra um empréstimo de R$ 822.822,30 junto à RBS TV Florianópolis S/A”. Não nega, igualmente, a existência de contas contábeis que controlam os valores recebidos e pagos – as chamadas contas gráficas, entre as empresas, bem como a existência de contrato e de recibos dos valores. Os fatos que nortearam a conclusão da autoridade fiscal se relacionam a inexistência de comprovantes bancários que acusem o tráfego escritural do numerário – DOC, TED, Depósito Bancário, Transferência Bancária, Cheque Nominativo ou outro documento bancário equivalente, (como consta à fl. 33 do Termo de Verificação Fiscal). Nesse sentido consignou a recorrente que, “esclarecida a forma de operação junto à empresa RBS Administração e Cobrança Ltda., seria possível compreender que o mútuo efetuado com a empresa RBS TV Florianópolis S/A não necessitaria ser transferido efetivamente por meio de contas bancárias de instituições financeiras, posto que uma vez que a empresa RBS TV Florianópolis S/A possui saldo credor junto à RBS Administração e Cobrança Ltda., pode ela ceder esse crédito para a recorrente, por meio de um contrato de mútuo, devendose considerar que se tratando de empresas do mesmo grupo econômico, Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 13 23 compreensível que uma empresa superavitária forneça recursos para empresas que estejam momentaneamente deficitárias...” Repitase: a inexistência de comprovantes escriturais DOC, TED, Depósito Bancário, Transferência Bancária, Cheque Nominativo ou outro documento bancário equivalente poderia levar à configuração de infração específica, mas não é motivo suficiente para descaracterizar a escrituração mantida pela empresa. Quanto aos demais itens que motivaram a desqualificação da escrituração contábil c) a falta de demonstração das contas de aplicação financeira e contas bancárias em instituições financeiras; d) impossibilidade de conferência dos recebimentos das faturas (data, valor e conta bancária) com a contabilidade da recorrente; e, c) que a conta Caixa é usada somente para pagamentos de pequenas despesas, em que pese não ter o agente fiscal descrito o que se relacionaria a tais irregularidades verificase, do contexto do Termo de Verificação Fiscal, que todos se referem ao fato de haver, no grupo empresarial, uma subsidiária que centraliza as cobranças e pagamentos da empresa recorrente e demais empresas do grupo, a RBS Administração e Cobranças. Na verdade a auditoria sequer afirmou que a empresa deixou de escriturar as contas Caixa, Bancos e Aplicações Financeiras. O agente fiscal assinalou uma possível dificuldade de visualização das movimentações de recursos dessas contas em decorrência da transferência de todo o processo para a RBS Administração e Cobranças Ltda. Nesse sentido, a defesa esclareceu: 2.1.8. Conforme Contrato (doc. 03 da impugnação), já apresentado à fiscalização, a cobrança dos créditos e o pagamento dos débitos da Recorrente são efetuados por meio de uma outra empresa do grupo RBS, a RBS Administração e Cobranças Ltda. O objeto desse contrato consta da cláusula primeira: “constitui objeto do presente contrato a prestação pela CONTRATADA de serviços de recebimento e de pagamento de créditos e débitos da CONTRATANTE, mediante a concessão de caução”. 2.1.9. Essa estrutura organizacional permite a racionalização das operações, com redução dos custos operacionais (ao evitar estrutura administrativa repetida em todas as empresas do grupo), economia de tarifas bancárias, maior agilidade e eficiência na cobrança de créditos. 2.1.10. Em razão disso, a Recorrente não necessita manter conta em instituições financeiras para efetuar os seus pagamentos e receber seus créditos. Tudo é feito pela RBS Administração e Cobranças Ltda. A atuação é similar a uma administradora de condomínios que efetua os pagamentos devidos e recebe os valores de cada condômino. 2.1.11. Vejase os seguintes exemplos de operações realizadas em 2004, a fim de esclarecer a forma que as atividades se desenvolvem em relação aos débitos da Recorrente (doc. 04 da Impugnação): Contabilização Pagamento Dia 20/12/04 Pagamento Televisão Alto Uruguai S/A Conta Descrição Débito Crédito 009.210203.001 INSS a rec. 13.371,69 Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 24 009.210504.024 Reclam. Trabalh 1.881,38 009.210201.001 Salarios a Pagar 12.484,00 009.120103.101 Colig e Control Outras 27.737,07 27.737,07 27.737,07 Pagamento RBS Adm e Cobranças Ltda. 053.120103.301 Colig e Control Gerais 27.737,07 053.110102.044 Banrisul 27.737,07 2.1.12 Como se observa as despesas são todas lançadas na contabilidade da Recorrente que, por meio do sistema informatizado, emite a autorização para que a empresa RBS Administração e Cobrança efetue o pagamento dessas despesas. A RBS Administração e Cobrança, por sua vez, paga as despesas, debitando o respectivo valor em sua contabilidade da conta da instituição financeira. 2.1.13. Procedimento semelhante ocorre em relação aos recebimentos da Recorrente, como se observa no seguinte exemplo (doc. 05 da impugnação): Contabilização Recebimentos Títulos Dia 13/12/04 Recebimento Televisão Alto Uruguai S/A Conta Descrição Débito Crédito 009.110201.001 Publicid a rec. 129.451,11 009.110201.001 Publicid a rec 788,50 009.120103.001 Colig e Control Outras 129.451,11 009.120103.101 Colig e Control Outras 788,50 130.239,61 130.239,61 Recebimento RBS Adm e Cobranças Ltda. 053.120103.301 Colig e Control Gerais 129.451,11 053.120103.301 Colig e Control Gerais 788,50 053.110102.742 Banrisul 0638300303 129.417,61 053.110102.742 Banrisul 0638300303 786,50 0094027.303.72 Despesas de Cobrança 33,50 0091208.303.72 Despesas de Cobrança 2,00 130.239,61 130.239,61 Desendosso Títulos Televisão Alto Uruguai 009.110293.019 Tit. Endos. TV Erechim 130.239,61 009.110296.019 Tit. Endos. TV Erechim 130.239,61 RBS Adm e Cobranças Ltda 053.110296.019 Tit. Endos. TV Erechim 130.239,61 053.110293.019 Tit. Endos. TV Erechim 130.239,61 2.1.14. A Recorrente emite as faturas de cobrança contra seus clientes e endossa os títulos para a RBS Administração e Cobranças para que esta proceda à Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 14 25 efetiva cobrança do crédito. Toda a operação é devidamente contabilizada na Cedente e na Cessionária, como demonstram os lançamentos contábeis. A receita é apropriada pela Recorrente, que paga os tributos respectivos, e o valor recebido permanece como crédito na empresa RBS Administração e Cobrança. 2.1.15. Como se observa, a Recorrente não necessita possuir conta em bancos, pois todo o processo de recebimento e pagamentos é efetuado pela empresa RBS Administração e Cobranças Ltda. 2.1.16. Esse procedimento, como se viu, em nada altera a contabilização. Todos os recebimentos de créditos efetuados pela RBS Administração e Cobrança são contabilizados na Televisão Alto Uruguai. Junto à impugnação apresentada foi anexada cópia dos livros razão da Recorrente e da RBS Administração e Cobrança que comprovam o alegado. (doc.s 06 e 07). Às fls. 882/936 foram juntados elementos que dão suporte aos registros mencionados pela defesa nos exemplos citados. Tratamse de cópias de lançamentos contábeis, guias de recolhimento, páginas do Livro Razão e do Livro Diário com os assentamentos, cópias de extratos bancários, tudo a confirmar suas alegações. Compulsandose outros documentos anexados aos autos, notase a cópia da conta 009.120103.101, com o registro dos valores recebidos e pagos, no período de março e abril de 2005 (DOC. 8 A) e dezembro de 2006 (DOC. 8 B). A recorrente apresentou, ainda, à auditoria fiscal, as faturas dos meses de março e abril/2005 e dezembro 2006. Como se verifica da resposta à fl. 452 também foi feita diligência junto à RBS Administração e Cobrança Ltda. (fls. 447/448) que apresentou em meio magnético o razão contábil das contas de endosso e desendosso das faturas da Televisão Alto Uruguai S/A e razão contábil da conta corrente entre a RBS Administração e Cobranças Ltda. e a Televisão Alto Uruguai S/A com o registro dos valores. (fls. 454/537/512/1002/1063.) Todos esses elementos amparam as justificativas da defesa e é princípio inconteste, nos termos da legislação, que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados. Não consta, pois, dos autos, que a empresa tenha, em relação ao ano calendário 2004, deixado de apresentar livros e documentos contábeis e fiscais. Entendo que houve discordância com a forma pela qual a empresa está estruturada e a fiscalização precipitouse ao desconsiderar a escrita da contribuinte no anocalendário 2004, arbitrando o lucro tributável neste período sob o fundamento da impossibilidade de verificação do lucro real, fato que de forma alguma está provado nos autos. No caso sob análise, a fiscalização indicou ter havido o arbitramento do lucro com base no inciso II do art. 530, ou seja, que o arbitramento seria decorrência de a escrituração do contribuinte apresentar evidentes indícios de fraude ou conter erros ou deficiências que a tornariam imprestável para identificação de sua efetiva movimentação financeira ou à determinação do lucro real. Entretanto, não se constata, dos elementos carreados aos autos, que a escrituração da recorrente apresente evidentes indícios de fraude ou erros e deficiências que a tornem imprestável para apuração do lucro real. O arbitramento do lucro consiste em medida extraordinária, a que a fiscalização somente pode recorrer quando restar totalmente Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 26 impossibilitada de determinar o lucro real de outras formas. Os fatos apontados pelo autuante não são motivos bastantes para o arbitramento do lucro no anocalendário de 2004. Observo que já é antiga a pacífica jurisprudência deste órgão administrativo de julgamento no sentido de que o arbitramento é medida extrema e somente deve ser adotado no caso da impossibilidade de apuração do lucro real. À propósito, transcrevese as seguintes ementas: ARBITRAMENTO DO LUCRO — A desclassificação da escrita para fins de arbitramento do lucro somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real. (AC. CSRF n º 0105.746. Sessão 03/12/2007. Relator: Paulo Jacinto do Nascimento). ARBITRAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL ATIVIDADE RURAL ESCRITURAÇÃO Tendo em vista que o arbitramento é forma de se apurar resultado e não penalidade, sua aplicação não subsiste quando os comprovantes de receitas e despesas possibilitam conhecer o resultado da atividade, mormente se não informado previamente o contribuinte acerca das razões do arbitramento. (AC CSRF n º 0104.881. Sessão 17/02/2004. Relator: Dorival Padovan.) IRPJ LUCRO ARBITRADO DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL Não demonstrado nos autos os motivos determinantes da desclassificação da escrita contábil, pela sua imprestabilidade, deve ser cancelado o arbitramento do lucro no anocalendário de 1995. (Ac. 1o. CC – 8a. Câmara n º 10807.746. Sessão 18/04/2004. Relator: Nelson Losso Filho) Nesse mesmo sentido encontrase erigida a jurisprudência de nossos tribunais superiores, como se verifica do julgamento do REsp n º 549.921 CE(2003/00997116), pelo STJ, de relatoria do Ilustre Ministro Teori Albino Zavascki( com destaques acrescidos): EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO. ISENÇÃO FISCAL. DEDUÇÃO DE PARCELAS NÃO ABRANGIDAS. ESCRITURAÇÃO IDÔNEA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO (ARTIGOS 388, IV E 400 DO RIR/80). INVIABILIDADE. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. É vedado o reexame de matéria fáticoprobatória em sede de recurso especial, a teor do que prescreve a Súmula 7 desta Corte. 3. É pressuposto de admissibilidade de recurso especial a adequada indicação da questão controvertida, com informações sobre o modo como teria ocorrido a violação a dispositivos de lei federal. Súmula 284/STF. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 15 27 4. A apuração do lucro da pessoa jurídica por arbitramento se justifica quando “a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude (art. 399, IV do RIR/80 – Decreto 85.450/80). Todavia, se o contribuinte mantém regular escrituração da receita bruta efetivamente verificada, é com base nela, e não por arbitramento, que o tributo deve ser lançado (art. 400, caput, do RIR/80). Também em matéria tributária devese observar, sempre que possível, o princípio da verdade real, inquestionavelmente consagrado em nosso sistema normativo (CTN. Art. 148; Súmula 76/TFR). 5. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. Superior Tribunal de Justiça – T1 1a. Turma. Recurso Especial n º 549.921 CE(2003/00997116). Relator: Ministro Teori Albino Zavascki Pelo exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar as exigências em relação ao anocalendário 2004 e mantêlas em relação aos anoscalendário 2005 e 2006. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada A matéria que suscita divergência no presente litígio concerne à exigência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais (50%) concomitantemente à cominação da multa de ofício por ausência do pagamento do tributo no ajuste (75%), ambas incidentes sobre a matéria apurada e tributos lançados de ofício. Apesar de simpatizar com a tese esposada pela ConselheiraRelatora neste votocondutor e ter defendido o mesmo parecer em outros julgados, curvome à posição atual, majoritária, deste órgão colegiado, espelhada nas ementas dos arestos a seguir transcritos votados pelas Turmas Julgadoras das 1ª e 2ª Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive extraídos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). As Turmas Superiores da CSRF vêm reiteradamente rechaçando a aplicação concomitante das multas isolada e regular de ofício quando incidentes sobre a mesma base de cálculo (matéria tributada ex officio), razão pela qual entendo ser infrutífero manter a posição, Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 28 praticamente isolada, em manter as duas penalidades e forçar a subida dos autos à CSRF para reforma da decisão neste aspecto. Transcrevo as ementas elucidativas: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. Nº Acórdão 9101001261 e 9101001203, em 22/11/11 CSRF MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Nº Acórdão 9101001238, em 21/11/11 CSRF MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Nº Acórdão 910101307, em 24/04/12 CSRF MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. Nº Acórdão 920202.073, em 22/03/12 CSRF MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Nº Acórdão 1402001.217, em 04/10/12 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª Seção LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. Nº Acórdão 110200748, em 09/05/12 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª Seção Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000381/200932 Acórdão n.º 1801001.253 S1TE01 Fl. 16 29 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Nº Acórdão 180301263, em 10/04/12 – 3ª Turma Especial/1ª Seção Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido. Nº Acórdão 2102002.271, em 16/08/12 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária/2ª Seção Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a exigência das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais (50%) incidentes sobre a matéria apurada e tributo lançados de ofício. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002238/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12898.002238/2009-48
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199889
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.036
nome_arquivo_s : Decisao_12898002238200948.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 12898002238200948_5199889.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4538278
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394536284160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.002238/200948 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.036 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente TECHNION ENGENHARIA E TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 22 38 /2 00 9- 48 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de vale transporte em dinheiro, considerado assim como salário de contribuição – parte da empresa e SAT/RAT. O r. acórdão – fls 988 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A referida decisão merece reforma por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobretudo em razão de o Supremo Tribunal Federal S T F ter se posicionado pela impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos e m dinheiro a título de vale transporte. · Tal verba não possui natureza remuneratória, não se configurando assim como salário de contribuição. · Requer o provimento ao presente Recurso, para reforma do acórdão proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil sendo cancelado o Auto de Infração lavrado. É o relatório. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria, vale transporte pago em pecúnia, já foi examinada por esta Turma no processo 19515.002957/200965, de Relatoria do Conselheiro Helton Praia, votação unânime, nesses termos: ____________ O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em março de 2010, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 478.410/SP, considerou, por maioria, que a restrição imposta pelo Decreto nº 95.247/87 contraria frontalmente a Constituição Republicana, sendo inquestionável a sua natureza indenizatória, ainda que a referida verba seja paga em dinheiro. O julgamento em questão foi assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 6 5 contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE nº 478.410/SP, Relator: Ministro Eros Grau) Muito embora o Regimento Interno do presente Conselho (art. 62, parágrafo único) permita o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinados atos normativos tão somente quando esta tenha sido declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, cumpre esclarecer que o acórdão proferido no RE nº 478.410 é resultante de julgamento realizado pelo Plenário da Corte, tendo havido apenas dois votos contrários a esse entendimento, o que não é suficiente para desencadear uma mudança do posicionamento externado. Apesar de não se tratar de assunto com efeitos da repercussão geral, de qualquer sorte, a repercussão já está sinalizada. Em razão da decisão do STF que concluiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório, o Superior Tribunal de Justiça – STJ reviu sua orientação anterior no sentido de acompanhar o entendimento do STF. São os termos das decisões: Processo RESP 200901216375RESP RECURSO ESPECIAL – 1180562, Relator(a) CASTRO MEIRA , Sigla do órgão STJ, Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/08/2010 RJPTP VOL.:00032 PG:00133 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.VALETRANSPORTE.PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido. Data da Decisão 17/08/2010, Data da Publicação 26/08/2010 (...) Processo AR 200501301278AR AÇÃO RESCISÓRIA – 3394 , Relator(a) HUMBERTO MARTINS , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA SEÇÃO , Fonte DJE DATA:22/09/2010 Ementa: AÇÃO RESCISÓRIA – PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –VALE TRANSPORTE– PAGAMENTO EM PECÚNIA– NÃO INCIDÊNCIA – ERRO DE FATO – OCORRÊNCIA – AUXÍLIO Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 7 6 CRECHE/BABÁ – ACÓRDÃO RESCINDENDO NÃO CONHECEU DO RECURSO NESSA PARTE. 1. Há erro de fato quando o órgão julgador imagina ou supõe que um fato existiu, sem nunca ter ocorrido, ou quando simplesmente ignora fato existente, não se pronunciando sobre ele. 2. In casu, ocorreu erro de fato no acórdão rescindendo, porquanto considerou inexistente um fato efetivamente ocorrido, ou seja, partiu de premissa errônea pois pressupôs a inexistência de desconto das parcelas de seus empregados a titulo de valetransporte,quando é incontroverso nos autos que tal fato ocorrera. 3. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário, consolidou jurisprudência no sentido de que "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa" (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.3.2010, DJe086 DIVULG 13.5.2010 PUBLIC 14.5.2010). 4. No que tange ao auxíliocreche/babá, esta Corte Superior é incompetente para examinar o feito, uma vez que não cabe ação rescisória com a finalidade de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda, neste ponto específico. Precedentes: AgRg na AR 3.827/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.10.2009; AR 2.622/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 8.9.2008. Ação rescisória parcialmente procedente. Data da Decisão 23/06/2010 , Data da Publicação 22/09/2010 ___________ Destarte, reconheço a improcedência da autuação fiscal em razão da impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, DOUlhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12898.002238/200948 Acórdão n.º 2803002.036 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000233/2006-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Declara-se a nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, quando constatada omissão no exame de argumentos apresentados na impugnação.
Numero da decisão: 3403-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Declara-se a nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, quando constatada omissão no exame de argumentos apresentados na impugnação.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13016.000233/2006-89
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210160
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.991
nome_arquivo_s : Decisao_13016000233200689.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13016000233200689_5210160.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4556742
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394555158528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13016.000233/200689 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.991 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2013 Matéria Compensação de PIS Recorrente TELASUL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Declarase a nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, quando constatada omissão no exame de argumentos apresentados na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição de créditos de PIS, transmitido em 14/01/2004, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Os créditos de PIS são decorrentes de ação judicial transitada em julgado onde o contribuinte obteve o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 33 /2 00 6- 89 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o direito de recolher o PIS com base na Lei Complementar nº 7/70, observado o critério da semestralidade. Por meio do despacho decisório exarado em 25/06/2007 e notificado ao contribuinte em 20/07/2007, a autoridade administrativa homologou em parte as compensações declaradas. Não foram homologadas as compensações dos débitos CSL, COFINS, e IRPJ, porque a decisão judicial transitada em julgado restringiu a compensação do PIS com o próprio PIS. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte que: a) está amparado pela coisa julgada no mandado de segurança nº 98.15.032020 no qual restou declarado seu direito à compensação do PIS, com a semestralidade; b) a Lei nº 10.637/2002 autoriza a compensação de entre quaisquer tributos administrados pela Receita Federal; c) foi inobservada a Solução de Consulta SRRF10 nº 54/2004 por meio da qual foi reconhecido para o caso específico o direito à compensação do PIS com qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal; d) a solução de consulta, certa ou errada, vincula a Administração até que seja alterada; e) a transmissão do PER/Decomp requerendo o crédito ocorreu na vigência da Lei nº 10.637/2002, devendo ser aplicada ao caso concreto por estar vigente no momento do encontro de contas; f) requereu perícia e formulou quesitos. Por meio do Acórdão 1031.813, de 26 de maio de 2011, a 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre julgou a manifestação e inconformidade improcedente. Foi rejeitado o pedido de perícia, por ter sido considerada desnecessária. Quanto ao mérito a DRJ considerou que o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito à compensação do PIS com o próprio PIS ocorreu em 29/10/2003, conforme consignado na certidão narratória de fl. 70. Sendo assim, aquela decisão foi proferida já na vigência da Lei nº 10.637/2002, o que significa que deve prevalecer a norma individual e concreta emanada do Judiciário, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 10, de 2005. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 10/06/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/07/2011, alegando em síntese que: a) é necessária a observação da Solução de Consulta nº 54/2004 da 10ª Região Fiscal, pois efetuou a compensação amparado por essa consulta; b) a Lei nº 10.637/2002, aplicável ao caso concreto por ser a norma vigente na data do encontro de contas, reconhece o direito de compensação do PIS com qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal; c) pediu a aplicação do art. 106 do CTN que regula a retroatividade da lei mais benéfica; d) deve ser obedecida a decisão judicial que reconheceu o direito de o contribuinte reaver o indébito do PIS. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13016.000233/200689 Acórdão n.º 3403001.991 S3C4T3 Fl. 4 3 Conforme se observa no relatório, o contribuinte se diz amparado por uma Solução de Consulta expedida pela 10ª Região Fiscal, que lhe teria assegurado o direito de efetuar a compensação do PIS, reconhecido por meio da ação judicial, com qualquer outro tributo federal administrado pela Receita Federal. A cópia da Solução de Consulta nº 54, de 8 de março de 2004, encontrase anexada às fls. 323/328, e sua conclusão é a seguinte, in verbis: (...) Ante o exposto, respondase à consulente que: a) o sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), nos termos da Instrução Normativa SRF n° 360, de 2003; (...)” Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte invocou a seu favor o resultado favorável no processo de consulta nº 11020.003793/200358 formalizado por ele próprio. Entretanto, embora tenha invocado esse entendimento favorável, a 2ª Turma da DRJ – Porto Alegre não se desincumbiu do ônus de proferir decisão sobre o assunto, pois o voto condutor do Acórdão 31.813, de 26 de maio de 2011, nem ao menos resvalou a questão. Segundo o art. 31 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 8.748/93: “Art. 31 A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. " (grifei) Em seu recurso voluntário, o contribuinte reafirmou o direito que, no seu entender, teria sido reconhecido pela Solução de Consulta nº 54/2004, em razão da qual teria transmitido os PER/Decomp objeto deste processo. Da estruturação do contencioso administrativo em duas instâncias ordinárias, decorre a conclusão de que o contribuinte tem direito a dois pronunciamentos sobre a questão que foi alegada em primeira instância. Sendo assim, é evidente que o Acórdão de primeira instância cerceou a defesa do contribuinte, incidindo no disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Em face do exposto, voto no sentido de declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar que o processo retorne à DRJ – Porto Alegre para que nova decisão seja proferida na boa e devida forma. Antonio Carlos Atulim Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.721326/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
CARGO EM COMISSAO. RGPS.
O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO.
A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão se julgamento os Conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10384.721326/2011-21
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5191115
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.320
nome_arquivo_s : Decisao_10384721326201121.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 10384721326201121_5191115.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991 Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão se julgamento os Conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4518774
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394570887168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 956 1 955 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.721326/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.320 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente ESTADO DO PIAUÍ PROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 13 26 /2 01 1- 21 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão se julgamento os Conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.721326/201121 Acórdão n.º 2302002.320 S2C3T2 Fl. 957 3 Relatório O presente processo engloba os seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal e de Obrigações Acessórias: a) DEBCAD 37.295.9733, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos servidores ocupantes de cargos em comissão, de contribuintes individuais e segurados tidos pela autuada como estagiários, no período de 01/2008 a 12/2008; b) DEBCAD 37.295.9741, relativo às contribuições não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 12/2008; e c) DEBCAD 37.295.9725 , Código de Fundamento Legal 68, por ter deixado de informar em GFIP todos os fatps geradores de contribuição previdenciária, no período de 01/2008 a 11/2008. O relatório fiscal de fls. 35/51, traz que os servidores ocupantes de cargos, exclusivamente, comissionados, de livre nomeação e exoneração, conforme o § 13, art. 40, da Constituição Federal, e as pessoas físicas que prestavam serviços remunerados, de natureza eventual, foram considerados respectivamente, segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, nas categorias de “empregado” e “contribuinte individual”. Aduz, que os estagiários também foram considerados empregados porque não foi apresentada à fiscalização documentação comprobatória do estágio, como solicitada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 54, além de restarem evidenciados pagamentos de natureza remuneratória como adiantamento de 13° salário, abono de férias, gratificação e comissão. O levantamento se deu através dos empenhos emitidos, notas de empenhos, resumo de folhas de pagamento e folhas de pagamento analíticas apresentados pelo órgão público em meio digital validados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais. Após a impugnação, Acórdão de fls. 926/933, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a inocorrência parcial dos fatos geradores, pela ausência da condição de contribuintes individuais e empregados dos servidores listados na autuação; b) que cabia ao Fisco individualizar quais os servidores possuem vínculo estatutário; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 c) que inexistem fatos e dados a suportar a relação de emprego, que não foram comprovadas pela fiscalização as atividades desenvolvidas pelos estagiários; que houve apenas estágio; d) que não restou demonstrado os pressupostos da relação de emprego como habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação; e) que o simples pagamento de décimo terceiro salário não autoriza o levantamento como empregado; f) que o Fisco deve demonstrar cabalmente os fatos geradores, o que não ocorreu. Requer a improcedência e o arquivamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.721326/201121 Acórdão n.º 2302002.320 S2C3T2 Fl. 958 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu como requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. A recorrente se insurge contra a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos servidores ocupantes de cargo em comissão, dos estagiários considerados empregados e dos contribuintes individuais, que lhe prestarm serviço. Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os servidores, cujas remunerações constam deste levantamento, são aqueles não detentores de cargos efetivos, mas comissionados, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. A citada lei não foi enquinada de inconstitucionalidade, permanecendo válida e amparando o lançamento constante da presente notificação. O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Portanto, o levantamento relativo aos servidores públicos ocupantes de cargos, exclusivamente, em comissão e de segurados que prestaram serviço como contribuintes individuais está de acordo com a legislação vigente. No que se refere aos estágiários, a recorrente insurgese contra a autuação dizendo que, apenas o pagamento de verbas remuneratórias não é capaz de sustentar o lançamento, e que não foram evidenciados os pressupostos da relação de emprego. Todavia, os elementos constantes dos autos não evidenciam tal fato. De acordo com o relatado pelo Fisco, a recorrente não apresentou os documentos solicitados para comprovar a efetiva existência do “estágio”, tampouco dos valores efetivamente pagos aos estagiários e também aos demais servidores, o que levou a apuração do crédito por aferição indireta devido a falta de apresentação de documentos que foram formal e legalmente solicitados nos TIF’s – Termos de Intimação Fiscal n.º 01, 02 e 03, fls. 56/58. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.721326/201121 Acórdão n.º 2302002.320 S2C3T2 Fl. 959 7 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Ao contrário do que diz a recorrente, o lançamento não é fundamentado em simples presunção, e sim nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. No caso em tela, os documentos apresentados pelo contribuinte não foram capazes de comprovar a situação encontrada pela fiscalização no que se refere ao supostos “estagiários”, permitindo a aferição do crédito lançado. São totalmente improcedentes as alegações da recorrente quanto à obrigatoriedade do Fisco em individualizar os servidores estatutários e não estatutários, assim como comprovar as atividades desenvolvidas pelos estagiários, eis que cabe, justamente, ao contribuinte apresentar a documentação hábil a comprovar a situação dos segurados que lhes prestam serviços. Ademais, a fiscalização, com base nos documentos de que dispunha, elaborou as planilhas de fls. 61 a 691, discriminando todos os segurados ocupantes de cargos em comissão, estagiários e contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente no período lançado, o que não foi contestado pela recorrente. No que se refere aos estagiários, é de se ver que os mesmos foram considerados empregados, porque não foram apresentados documentos que comprovassem a prática do estágio. O contrato de estágio, que é regido pela Lei nº 6.494/77 e pelo Decreto nº 87.497/82, abrange apenas os alunos regularmente matriculados e com freqüência, comprovada em cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. A legislação que rege a matéria sofreu a seguinte evolução: LEI No 6.494, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1977 DE 01/1996 ATÉ 27/11/1998 Art. 1º § 1º os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) A PARTIR DE 27/11/1998 Art. 1º "§ 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial." (NR) Redação inicialmente atribuída pela Medida Provisória nº 1.7094, de 1998, constando a última reedição na Medida Provisória n° 2.16441/01, atualmente em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/01. O conceito de estágio curricular está no Decreto 87.497/82: ARTIGO 2º. Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.721326/201121 Acórdão n.º 2302002.320 S2C3T2 Fl. 960 9 profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. A recorrente não apresentou os instrumentos jurídicos celebrados com as instituições de ensino, nos quais devem estar acordadas todas as condições de realização dos estágios (Decreto n° 87.497/82, art. 5°), nem mesmo estando indicadas quais seriam as instituições de ensino Pelo exposto, por inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e pela presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado, as importâncias pagas a título de bolsa estagio integram o saláriodecontribuição, conforme art. 28, §9º, alínea “i”, da Lei 8.212/91, impondose o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo tacitamente pactuado sob o título de estágio. Quanto ao dever legal de provar a existência do fato gerador, o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia, o Fisco não atua discricionariamente, haja vista que o lançamento é precedido de regular procedimento de fiscalização, com a análise minuciosa de documentação, que tem por finalidade a busca da verdade material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da legalidade. Assim, o Fisco não possui o dever de acostar aos autos toda a documentação analisada, até porque esta, pertence à empresa, limitandose a autoridade fiscal circunstanciar a ação, indicando os documentos analisados, sem necessidade de sua anexação, identificando perfeitamente os elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, ao que, sem sombra de dúvida, atende o relatório fiscal e anexos da notificação em apreço. Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescrevem os artigos legais citados em parágrafos anteriores e compete à fiscalização da Receita Federal do Brasil solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Quanto ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, relativo à falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, que também integra o presente processo, a recorrente não se manifestou, não merecendo, portanto, análise por parte desta julgadora, em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Todavia, quanto a aplicação de multa nos autos de infração de omissão de fatos geradores em GFIP, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.721326/201121 Acórdão n.º 2302002.320 S2C3T2 Fl. 961 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa, relativa às infrações de GFIP, ser calculadas considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003823/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995, 1996
LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL.
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Reconhece-se a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.762
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, em acolher os embargos para
rerratificar o acórdão 210100.488, mantendo-lhe o resultado, esclarecendo, apenas, que as nulidades constatadas nas notificações de lançamento são: (a) formais, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e (b) materiais, por falta de descrição da infração. Foi pedida a antecipação do julgamento. Compareceu à sessão o patrono do contribuinte, Dr. Toshio Nishioka CRCSP n° 10469/05.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995, 1996 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhece-se a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Embargos de declaração acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10283.003823/2004-53
conteudo_id_s : 5219225
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.762
nome_arquivo_s : Decisao_10283003823200453.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10283003823200453_5219225.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, em acolher os embargos para rerratificar o acórdão 210100.488, mantendo-lhe o resultado, esclarecendo, apenas, que as nulidades constatadas nas notificações de lançamento são: (a) formais, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e (b) materiais, por falta de descrição da infração. Foi pedida a antecipação do julgamento. Compareceu à sessão o patrono do contribuinte, Dr. Toshio Nishioka CRCSP n° 10469/05.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4573520
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394579275776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.003823/200453 Recurso nº Embargos Acórdão nº 210101.762 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria ITR Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MOISES GONÇALVES SABBA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995, 1996 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, em acolher os embargos para rerratificar o acórdão 210100.488, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que as nulidades constatadas nas notificações de lançamento são: (a) formais, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e (b) materiais, por falta de descrição da infração. Foi pedida a antecipação do julgamento. Compareceu à sessão o patrono do contribuinte, Dr. Toshio Nishioka CRCSP n° 10469/05. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.003823/200453 Acórdão n.º 210101.762 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 214/217) interposto em 20 de setembro de 2010 contra o acórdão de fls. 209/210, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para anular o lançamento por ausência da identificação da matéria tributável. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 1995, 1996 ITR. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO QUE NÃO IDENTIFICA A MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NULIDADE. Nos termos do artigo 142 do CTN, c/c o artigo 59, II, do Decreto 70235/72, o lançamento deve determinar a matéria tributável, sob pena de nulidade absoluta. Recurso provido.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja esclarecida se a nulidade constatada na notificação de lançamento decorre de vício formal ou material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 20/09/2010, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede seja esclarecido se a nulidade verificada pela ausência de observância dos requisitos do art. 142 do CTN, bem como do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72, no que se refere à determinação da matéria tributável, decorre de vício formal ou material. A seu ver, tratase de vício formal, que permite à autoridade fiscal o refazimento do auto, no prazo aludido pelo art. 173, II, do CTN. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.003823/200453 Acórdão n.º 210101.762 S2C1T1 Fl. 3 3 Com efeito, no acórdão proferido ao analisar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconheci o cerceamento ao seu direito de defesa, acolhendo a questão preliminar relativa à nulidade das notificações de lançamento visando à cobrança de ITR. Naquela ocasião, verberei que “Isto porque referidos documentos limitamse a indicar os valores lançados, não constando dos autos qualquer informação relativa aos fatos que efetivamente ensejaram o início do presente processo administrativo fiscal, o que não só dificulta o direito de defesa do Recorrente, mas torna impossível seu exercício”. Em se tratando de preterição do direito de defesa do contribuinte, resta configurada nulidade decorrente de vício material, diferentemente do que aponta a União em seu recurso. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos definidos no artigo 142 acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002. p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001. pp. 127129). Na presente hipótese, verificase, simultaneamente, a existência de vício formal e material que maculam o lançamento em questão: temse o vício formal pela ausência de identificação da autoridade lançadora, ao passo que o vício material decorre da inexistência Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.003823/200453 Acórdão n.º 210101.762 S2C1T1 Fl. 4 4 de descrição da infração. Com efeito, a notificação aludida não expõe os motivos da autuação, comprometendo o direito de defesa do contribuinte. A este respeito, é pacífica a jurisprudência deste CARF, que inclusive já editou a Súmula n.º 21 acerca do vício formal em decorrência da ausência da identificação da autoridade lançadora (“É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”), confirmada pelos seguintes arestos: “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a falta de identificação da autoridade fiscal” (CSRF, 2ª Turma, Recurso n.º 143.713, Relator Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, j. em 31/05/2010). “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e consequente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240201.058, j. em 16/08/2010). “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240101.358, j. em 19/08/2010). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 210100.488, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que as nulidades constatadas nas notificações de lançamento são: (a) formais, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e (b) materiais, por falta de descrição da infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.003823/200453 Acórdão n.º 210101.762 S2C1T1 Fl. 5 5 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908285/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10983.908285/2009-11
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5191098
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.402
nome_arquivo_s : Decisao_10983908285200911.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10983908285200911_5191098.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4518757
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394612830208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908285/200911 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3801000.402 – 1ª Turma Especial Data 28 de novembro de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 28 5/ 20 09 -1 1 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Resolução nº 3801000.402 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por meio de Declaração de Compensação apresentada eletronicamente, a requerente postula a compensação de débito de contribuição com crédito decorrente de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, nos termos de despacho decisório eletrônico não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação efetuada. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada interpôs manifestação de inconformidade. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Resolução nº 3801000.402 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo, todavia não atende os demais pressupostos recursais, uma vez que seu conhecimento estará condicionado à regularização da representação processual, conforme será demonstrado. Como constatado pela autoridade fiscal que realizou a diligência fiscal, o signatário do recurso voluntário não comprovou ter poderes para representar a pessoa jurídica, todavia não se deve adotar como solução do litígio a preclusão temporal, ou seja, a declaração de revelia. Registrese que este relator, ao propor a conversão do julgamento em diligência, não atentou para o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por advogado sem instrumento procuratório válido. O vício na representação processual não deve resultar na cobrança imediata dos débitos. O artigo 13 do Código de Processo Civil, inciso II, dispõe que: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) Assim, ao receber o recurso voluntário, a autoridade preparadora deveria verificar se o representante legal era detentor de poderes para representar a interessada. Constatado o vício, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizar a representação processual. Este procedimento não foi adotado e não pode trazer prejuízos à recorrente. Tenhase presente que o não conhecimento do recurso voluntário nos termos propostos pela autoridade fiscal implicaria em um enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois resultaria na cobrança indevida de débito. A administração pública pauta principalmente pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que, no prazo de quinze dias, seja dada à recorrente a possibilidade de regularizar a sua situação processual. Ademais, do exame dos documentos da diligência fiscal, verificase que a diligência não foi cumprida integralmente, pois a recorrente não foi devidamente cientificada de seu teor, em especial dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A falta de intimação da diligência viola o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908285/200911 Resolução nº 3801000.402 S3TE01 Fl. 5 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) intime à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002203/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO - NULIDADE
Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão.
Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO - NULIDADE Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão. Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10950.002203/2010-35
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5202657
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.877
nome_arquivo_s : Decisao_10950002203201035.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10950002203201035_5202657.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4554627
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394677841920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.002203/201035 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.877 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, TERCEIROS Recorrente FRIGORÍFICO FRIGOPRATA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS DISCUSSÃO JUDICIAL. DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO NULIDADE Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão. Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 22 03 /2 01 0- 35 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Acórdão n.º 2401002.877 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.260.5214, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinada a terceiros, sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços na competências 02/2007 a 03/2007, bem como 13/2008 e 13/2009, sobre a folha de pagamento não informados em GFIP. Foram apuradas ainda contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR no período de 05/2006 a 12/2009. Segundo Relatório Fiscal (fls. 37 a 44), o lançamento corresponde ao valor da comercialização na aquisição de produtos rurais de Produtor Rural Pessoa Física – não declarado em GFIP, bem como pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais relacionados em Folhas de Pagamento e não incluídas em GFIP, GFIP enquadradas no código FPAS incorreto O fato gerador das contribuições apuradas correspondem: valore pagos em FOPAG no estabelecimento de Londrina, não declarados em GFIP; diferença de contribuição em função de incorreto enquadramento do FPAS (informação do 531 enquanto o correto eria 507); e sobre a comercialização de produto rural de pessoa física foram apuradas conforme o art. 30, III e IV da lei 8.212/91, a aquisição de produção rural Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 11/05/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 47 a 80. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 102 a 111 que confirmou a procedência do lançamento, por entender a autoridade de primeira instância que a matéria objeto do lançamento e do Mandado de Segurança são distintas. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 115 a 149. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Inexigibilidade do salário educação. O Decreto 1422/75 não foi recepcionado perante a CF/88, sendo que a matéria exigiria lei complementar. 2. Inexigível o SAT, posto que a lei 8212 ao instituir a contribuição previdenciária do SAT incorre em incoerência fatal, dado que tanto em relação ao contribuinte quanto ao próprio INSS, essa norma gera relações de enriquecimento sem causa. 3. Inconstitucionalidade da utilização de mesma base de cálculo de outra contribuição previdenciária. 4. Violação ao princípio constitucional da igualdade. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. Inexigibilidade das contribuições ao SENAI e ao SESI. 6. Inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC como fatos de atualização monetária sobre contribuições previdenciárias. Ilegalidade da cobrança de juro sobre juros. 7. Exacerbada a multa cobrada no presente lançamento. 8. As GFIP foram devidamente entregues e corrigidas. 9. Considerando que a previdência busca a notificação de valores que não são de sua competência e que o valor da NFLD fica prejudicado pelas cobranças indevidas, requer seja reconhecida a ilegalidade do lançamento. Foi realizado o desmembramento do débito, considerando que parte da matéria contida no auto de infração não foi objeto de impugnação, qual seja levantamento sobre folha de pagamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Acórdão n.º 2401002.877 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 138. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Retornam os autos após diligência comandada por esta Câmara de julgamento, no intuito de identificar, precisamente, quais os fatos geradores descritos no presente lançamento, considerando a existência de ação judicial em que o recorrente questiona a inconstitucionalidade da contribuição por subrogação em relação a contratação de produtores rurais pessoas físicas. Conforme descrito na diligência a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que não existiria conflito entre a ação judicial proposta, em que o recorrente ingressou com Mandado de Segurança, para terlhe assegurado o direito de não subsumirse ao recolhimento prevista nos art. 25 e 30 da lei 8.212/91, por entender tratarse de norma vertentemente inconstitucional. Descreveu dita autoridade que o lançamento em questão somente abarca as contribuições pela compra de produção rural dos segurados especiais, e não do produtor rural pessoa física. Contudo, ao apreciar os documentos e relatórios constantes dos autos não enxerguei tal fato com tanta clareza. Ou seja, no caso de ingresso em juízo, não será conhecida matéria que possua o “mesmo objeto”, assim, entendo deva ser esclarecido pela autoridade fiscal, se o lançamento envolve apenas a aquisição de segurado especial, pessoa física empregador, ou se o lançamento envolve sem discriminação as duas situações. Da diligência, respondeu a autoridade fiscal, que o lançamento envolve tanto a aquisição da produção rural de segurados especiais, quanto empregador rural pessoa física. Vejamos trecho da informação fiscal: Processo: 10950.002202/201091 FRIGORÍFICO FRIGOPRATA LTDA 1. Atendendo à solicitação formulada na Resolução nº 2401 000.214, fls. 448/452, informamos que o lançamento fiscal do processo 10950.002202/201091 referese à aquisição da produção rural de segurados especiais e empregadores rurais pessoa física, sem distinção. 2. Acrescentamos que a documentação apresentada pela empresa durante o procedimento de fiscalização não permite identificar a condição do produtor rural junto à Previdência Social. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Contudo às fls. 365, assim, descreveu a autoridade fiscal sobre a ausência de concomitância: “quanto ao pedido, na impugnação administrativa, de nulidade do lançamento vez que, no entendimento da contribuinte, o ingresso do MS para discutir a legalidade e a constitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a aquisição produção rural de pessoa física implica renúncia a toda à esfera administrativa, ou seja, o fisco sequer poderia iniciar o procedimento administrativo de constituição e exigência dos eventuais créditos tributários respectivos, repetese que, conforme já mencionado, as matérias objetos dos processos administrativo e judicial são diferenciadas, tratandose, no processo administrativo, de produtores rurais pessoas físicas segurados especiais e, na ação judicial, de produtores rurais pessoas físicas empregadores.” Isto posto, ao observamos os termos da Decisão de Primeira instância, identificase inovação nos fundamentos do lançamento, tendo a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso. Entretanto, não consegui identificar idêntica conclusão ao apreciar o referido relatório fiscal, tanto que se fez necessário converter o julgamento em diligência. Conforme descrito acima, da informação fiscal, restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais e pessoas físicas, ou seja, resta demonstrado que ocorreu equivoco por parte da autoridade julgadora, mantendo o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Dessa forma, entendo que a referida decisão deva ser anulada, posto encontrar se em dissonância com os fatos descritos no lançamento e a impugnação do recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto POR ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
