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Numero do processo: 12269.003834/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA - CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
A ocorrência do fato gerador tem que está comprovada nos autos, sob pena de se retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal.
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificultam o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
AUSÊNCIA DE PROVAS DOS FATOS GERADORES. PROVIMENTO.
Quando a fiscalização não logra provar a ocorrência dos fatos geradores não estamos diante de uma nulidade e sim de uma situação que enseja o provimento do recurso.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA - RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
COOPERATIVAS -
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa.
QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO.
Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos levantamentos LUR e TEO, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar anular o lançamento por vício formal; b) em anular o lançamento Z1 por vício material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA - CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A ocorrência do fato gerador tem que está comprovada nos autos, sob pena de se retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificultam o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. AUSÊNCIA DE PROVAS DOS FATOS GERADORES. PROVIMENTO. Quando a fiscalização não logra provar a ocorrência dos fatos geradores não estamos diante de uma nulidade e sim de uma situação que enseja o provimento do recurso. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA - RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. COOPERATIVAS - A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente AMA ASSISTÊNCIA MÉDICA ADMINISTRADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL A ocorrência do fato gerador tem que está comprovada nos autos, sob pena de se retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificultam o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. AUSÊNCIA DE PROVAS DOS FATOS GERADORES. PROVIMENTO. Quando a fiscalização não logra provar a ocorrência dos fatos geradores não estamos diante de uma nulidade e sim de uma situação que enseja o provimento do recurso. CESSÃO DE MÃODEOBRA RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. COOPERATIVAS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 38 34 /2 00 9- 51 Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos levantamentos LUR e TEO, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar anular o lançamento por vício formal; b) em anular o lançamento Z1 por vício material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.272 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados contribuintes individuais, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros, alem da relativa à obrigação do contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço, e à cargo da empresa, correspondentes a 15% sobre o valor total das notas fiscais emitidas pela cooperativa pelos serviços que foram prestados por seus cooperados. Segundo Relatório Fiscal (fls. 70), os fatos geradores da contribuição lançada são: a) pagamentos realizados a Maria de Lurdes G Mendes e Teolinda Mendes Schimitt (lev. LUR e TEO), registrados nos Diários Auxiliares dos anos 2004, 2005 e 2006; b) pagamentos realizados a prestadoras de serviço com cessão de mão de obra (lev. ALL, AST, LC, LJ, NAC, PG, PUR, RUD e VB); c) pagamento à cooperativa pelos serviços que foram prestados por seus cooperados (lev UNI, MIT1 e, ME1); e d) pagamento aos segurados empregados, constantes da folha de pagamento e não lançados em GFIP. Integra, ainda, o presente Auto de Infração o levantamento DAL, relativo à diferença de acréscimos legais. A autoridade autuante informa que as contribuições devidas à Previdência Social, acrescidas àquelas por descumprimento de obrigações acessórias referentes às informações prestadas em GFIP, de acordo com o contido na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN, foram comparadas a legislação vigente à época dos fatos geradores, Lei 8212/91, e as modificações implementadas através Medida Provisória 449/08, tendo sido aplicada a mais benéfica ao contribuinte, conforme quadro explicativo. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho nº 09/2011 (fls. 507), resultando na Informação Fiscal de fls.510 , e na retificação do débito. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls. 533), e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1034.551, da 7a Turma da DRJ/POA (fls. 557), acatando o parecer retificador da fiscalização, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1218), alegando, em síntese, o que se segue. Em relação aos levantamentos LUR e TEO, reafirma que não se trata de pagamento por remuneração de serviços prestados. Esclarece que, em uma auditoria realizada por uma empresa contratada pela recorrente, constatouse, no Diário Auxiliar, em conta normalmente utilizada para registro de pagamentos aos prestadores de serviços com o posterior crédito quando do recebimento dos Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 clientes, valores relativos a pagamentos a Maria de Lourdes e Teolinda, sem, contudo, o reembolso por parte dos clientes dos valores transferidos. Relata que a referida auditoria comprovou, assim, a existência de várias transferências de valores à Maria de Lourdes e Teodolinda, no período de 04/2004 e 05/2006, inclusive superiores àqueles normalmente pagos a médicos e profissionais credenciados e a não identificação da contrapartida contábil desses pagamentos levou a uma investigação, que concluiu que as duas beneficiárias não eram médicas e nem haviam prestado qualquer tipo de serviço à recorrente. Afirma que restou comprovado que a então supervisora financeira da recorrente, Sra Jaqueline, aproveitandose do cargo de confiança que ocupava dentro da empresa, desviou para si, por intermédio de Maria de Lourdes e Teolina, a quantia de R$826.623,82, no período citado. Frisa que tal fato não foi negado por Jaqueline, que expressamente confessou o desvio dos valores, bem como a sua relação direta com as partícipes, propondo a devolução de tais quantias nos termos descritos na Escritura Pública de Confissão de Dívida, Livro 424, fls 102, do 4o Tabelionato de Notas de Porto Alegre. Salienta que o resultado dos trabalhos de investigação deuse muito tempo antes do início da Ação Fiscal, o que comprova que os fatos ora narrados foram apurados sem qualquer pretensão de elidir o recolhimento de tributos. Destaca que o próprio Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, apurando tais fatos, ofereceu denúncia contra a Jaqueline, consignando expressamente que “A fraude utilizada consistia em inserir lançamentos na relação de pagamentos de fornecedores da empresa em nome de Maria de Lourdes Gatini Mendes (empregada doméstica da denunciada) e Teolinda Mendes Schmitt (filha da empregada doméstica)”. Transcreve trecho do pronunciamento do Juízo criminal acerca da matéria, no sentido de que “há prova da materialidade e indícios suficientes da autoria que autorizam o prosseguimento do feito”, e conclui que é irrefutável que nenhuma contribuição pode ser exigida da recorrente por total ausência do fato gerador da obrigação tributária, uma vez que os valores desviados pela Sra Jaqueline não se referem em hipótese alguma à remuneração, ainda que lançados na escrita contábil da empresa. Relativamente às Cooperativas de prestação de serviços médicos, alega que a autoridade julgadora deixou de observar o disposto no art. 291, inciso I, alínea “b”, da IN 03/2005, que determina a redução da base de cálculo da contribuição devida, a 60% do valor bruto da fatura de prestação de serviços por meio de cooperativa na área de saúde. Reafirma que o contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente e a UNIMED tem por objeto o atendimento de urgências e de remoção terrestre, atividade considerada como de risco mínimo para a empresa contratada, e conclui que a conduta da recorrente está em sintonia com as regras atinentes, devendo ser afastada a cobrança imposta. Quanto às notas fiscais 2.485, 2.529, 2.672, 2.778, 2.813, 2.911 e 2.979, emitidas pela prestadora ALL, assevera que o contrato firmado com a recorrente tem como objeto a prestação de serviços de limpeza, com previsão de fornecimento de materiais, devendo, portanto, ser retificado o lançamento a elas referente. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.273 5 No que se refere ao levantamento ZI, sustenta que devem ser afastados os valores lançados em duplicidade, uma vez que tiveram como base, segundo a autoridade lançadora, a contabilidade da recorrente. Entende que tal equívoco importa em substancial aumento do crédito tributário sem que tenha ocorrida a necessária hipótese da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que fere de morte o princípio da tipicidade cerrada e viola os postulados de vedação da bitributação e do enriquecimento ilícito. Finaliza requerendo que seja julgado procedente o recurso voluntário, para reformar a decisão recorrida e cancelar integralmente a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Tratase de lançamento de débito composto por vários levantamentos. Passo, a seguir, à análise do recurso apresentado pela recorrente, separado por levantamento. LEVANTAMENTOS LUR E TEO. A fiscalização verificou, no Livro Diário Auxiliar da empresa, a existência de pagamentos realizados a Maria de Lourdes Gatini Mendes e Teolinda Mendes Schmitt, e lançou a contribuição incidente sobre os valores registrados, por considerar que pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a terceiros, pessoas físicas, ocorrem em retribuição à prestação de serviços, observando que não houve a devolução dos valores pagos. A recorrente insurgese contra o lançamento, alegando ausência de fato gerador do tributo. Informa que tratase de valores que a supervisora financeira da recorrente, Sra Jaqueline, aproveitandose do cargo de confiança que ocupava dentro da empresa, desviou para si, por intermédio de Maria de Lourdes e Teolina. De fato, não restou demonstrado que os aludidos pagamentos se referem a remuneração por serviços prestados. Os documentos juntados aos autos pela recorrente, como a confissão de dívida firmada pela Sra Jaqueline por meio de Instrumento Público e a decisão prolatada pelo Juiz da 9a Vara Criminal da Comarca de Porto Alegre (fls. 1.254), corroboram as afirmações feitas pela autuada de que os valores foram apropriados indevidamente pela exempregada. Pelo que consta, a Sra Maria de Lourdes, beneficiária dos pagamentos e que era, à época, empregada doméstica da Sra Jaqueline, testemunhou, nos autos da ação criminal movida contra a Jaqueline, confirmando a transferência de dinheiro para sua conta bancária, bem como para a de sua filha, Teolina, afirmando que a Sra Jaqueline desviava dinheiro da empresa. Quanto à alegação de que os valores pagos seriam pagamentos “por fora” feitos pela empresa à Sra Jaqueline, verificase que as quantias enviadas à Maria de Lourdes e Teolina eram desproporcionais aos salários recebidos pelos demais empregados da empresa que ocuparam a mesma função da Jaqueline, sendo inclusive superior à média recebida pelos sócios a título de prólabore. Ademais, a Sra Jaqueline firmou um contrato de confissão de dívida, dotado de fé pública, em que admitiu dever os valores à empresa. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.274 7 É oportuno registrar que a Sra Jaqueline foi considerada culpada pelo Juiz de Direito da 9a Vara Criminal da Comarca de Porto Alegre, e condenada a uma pena de 05 anos de reclusão Assim, entendo que não restou comprovada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. A autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento sob o argumento de que a recorrente não apresentou qualquer elemento contábil capaz de demonstrar a incorreção dos registros que deram origem ao lançamento, observando que, em Reclamatória Trabalhista ajuizada contra a empresa autuada, a Sra Jaqueline afirma que tais valores decorrem de pagamento "por fora" e que integrariam sua remuneração mensal. Entretanto, por tudo que foi trazido aos autos, entendo que não há a certeza da ocorrência do fato gerador do tributo. Se, ao final da ação trabalhista movida pela Sra Jaqueline, restar comprovado que aqueles valores se referem de fato a pagamentos “por fora”, o próprio Juiz do Trabalho determinará o recolhimento da contribuição incidente devida, não havendo qualquer prejuízo à Previdência Social. Nesse sentido, entendo que há um vício no lançamento relativo a tais rubricas, uma vez que a fiscalização não trouxe elementos suficientes para não deixar dúvidas de que os pagamentos registrados no Livro Diário Auxiliar à Maria de Lourdes e à Teolinda se referem à remuneração por serviços por elas prestados. E, considerando que a caracterização desses pagamentos como sendo remuneração “por fora” está sendo objeto de discussão judicial em ação trabalhista, entendo que devam ser excluídos do lançamento, por nulidade, os valores relativos aos levantamentos LUR e TEO. LEVANTAMENTO UN1 Conforme Relatório Fiscal, esse levantamento tratase de valores pagos a cooperativa prestadora de serviço Unimed Serviços Médicos. A recorrente alega que o contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente e a UNIMED tem por objeto o atendimento de urgências e de remoção terrestre, atividade considerada como de risco mínimo para a empresa contratada, e que a autoridade julgadora deixou de observar o disposto no art. 291, I, “b”, da IN 03/2005, que determina a redução da base de cálculo da contribuição devida, a 60% do valor bruto da fatura de prestação de serviços por meio de cooperativa na área de saúde, motivo pelo qual . Da análise do contrato apresentado pela recorrente (fls. 309), verificase que seu objeto é a “prestação de serviços médicos nas hipóteses de atendimento de urgências e de remoção terrestre, nos termos das cláusulas deste instrumento.” A Cláusula primeira estabelece que os beneficiários terão direito a serem atendidos exclusivamente na hipótese de urgências e de remoção terrestre. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 A Cláusula nona dispõe que estão excluídos da cobertura do contrato, entre outros, os serviços de atendimento aos casos de consultas ambulatoriais. E a alínea b, inciso I, do art. 291, I, da IN 03/2005, citada pela recorrente determina que: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: (...) b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; (grifei) Dessa forma, a pretensão da recorrente não encontra amparo no normativo legal por ela citado, uma vez que o contrato firmado com a UNIMED exclui expressamente as consultas ambulatoriais, restringindo o atendimento, segundo a cláusula segunda, aos casos de urgência, ocorridos exclusivamente nas dependências da empresa, bem como serviços de transporte terrestre. Portanto, entendo que devam ser mantidos os lançamentos relativos à prestação de serviços por cooperados por meio de cooperativa de trabalho médico e odontológico. LEVANTAMENTO ALL Tratase de levantamento referente à obrigatoriedade da empresa contratante de serviços com cessão de mão de obra de reter 11% sobre o valor da nota fiscal de serviços emitida pelo prestador. A fiscalização constatou que a autuada foi contratante da empresa ALL Service Sistemas Terceirizados Ltda e deixou de recolher a totalidade da contribuição devida, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal emitida pela contratada. A recorrente não nega que tenha contratado os serviços com cessão de mão de obra, mas apenas alega que o lançamento referente às notas fiscais 2.485, 2.529, 2.672, 2.778, 2.813, 2.911 e 2.979, emitidas pela prestadora ALL, deve ser retificado, uma vez que o contrato firmado tem como objeto a prestação de serviços de limpeza, com previsão de fornecimento de materiais. Contudo, como bem observado pelo julgador de primeira instância, não há, n o corpo das citadas notas fiscais, a discriminação do material utilizado, o que impede a retificação do lançamento, requerida pela autuada. O Parágrafo único, do art. 151, da IN 03/2005, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava que: Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.275 9 cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecimento de material ou utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato. Portanto, deve ser mantido o lançamento em relação às referidas notas fiscais. LEVANTAMENTO Z1 Segundo consta do relatório fiscal, esse levantamento se refere a valores lançados na folha de pagamento aos segurados empregados da empresa e não lançados em GFIP, provenientes do desmembramento do levantamento FP1. A recorrente insiste em afirmar que, para esse levantamento, houve valores lançados em duplicidade, e que tal equívoco importa em substancial aumento do crédito tributário sem que tenha ocorrida a necessária hipótese da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. De fato, falta clareza no relatório fiscal quanto ao levantamento Z1. No quadro demonstrativo constante do item 6, do Refisc (fls. 70), a descrição do levantamento Z1 é “Nota Fiscal de Serviço” e, logo em seguida, na discriminação de cada levantamento, a autoridade autuante deixa consignado que o Levantamento Z1 se refere a “valores lançados na folha de pagamento aos segurados empregados da empresa e não lançados em GFIP, provenientes do desmembramento do levantamento FP1”. Contudo, em sua manifestação após a impugnação, ao responder os questionamentos feitos pela DRJ, o agente fiscal afirma que “os valores das competências 03/2006, 07/2006, 08/2006 e 09/2006 que estavam em duplicidade foram lançados com base na contabilidade da empresa”.(fls. 510). Ou seja, não ficou claro se os valores foram lançados em duplicidade, se estavam registrados nas folhas de pagamento, ou se foram extraídos apenas dos registros contábeis. A fiscalização anexou planilha do Sistema AUDIG para que os lançamentos pudessem ser verificados. Contudo, analisando o Relatório de Lançamentos, as folhas de pagamento anexadas e a planilha AUDIG, não fica claro a que se refere os valores lançados. Ora, o lançamento fiscal, como ato administrativo, deve expor com clareza os fundamentos de fato e de direito nos quais se baseia, afim de que o particular possa exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório em sua plenitude. O fato gerador deve ser discriminado de forma precisa no relatório fiscal, parte integrante do AI, de modo a não gerar dúvidas quanto à sua ocorrência, conforme preceitua o art. 37, da Lei 8.212/91. Entendo que não basta ao fiscal alegar que ocorreu o fato gerador, devendo também demonstrar a sua ocorrência, apontando com clareza os elementos de sua formação, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 A falta da exposição clara e precisa de todos os fatos que ensejaram o lançamento da contribuição dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A forma como a autoridade lançara descreve o levantamento Z1, aliada à ausência da demonstração clara da ocorrência do fato gerador, dificulta ao sujeito passivo o conhecimento com nitidez da acusação que lhe está sendo imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos. Assim, entendo que o levantamento Z1 padece de vício formal, pois não foram observadas as formalidades indispensáveis à existência do ato. Ou seja, a autoridade lançadora deixou de observar os requisitos formais do lançamento, previstos no art.37 da Lei n° 8.212. Dessa forma, entendo que deve ser excluído do débito, por nulidade por vício formal, o levantamento Z1. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, por nulidade, os levantamentos LUR, TEO e Z1. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.276 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Com a devida vênia, divergimos da Relatora em alguns aspectos. Com relação aos levantamentos LUR e TEO, observemos as anotações da Relatora a seguir transcritas: “(...)a fiscalização não trouxe elementos suficientes para não deixar dúvidas de que os pagamentos registrados no Livro Diário Auxiliar à Maria de Lourdes e à Teolinda se referem à remuneração por serviços por elas prestados.” Como apontado pela Relatora, não há provas que atestem a ocorrência dos fatos geradores de tais levantamentos, o que resulta no provimento do Recurso e não na nulidade, tendo em conta que não estamos diante de uma das hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235/72 ou diante de ausência de um dos elementos do ato administrativo do lançamento. Assim, votamos pelo provimento do Recurso em relação aos levantamentos LUR e TEO. No tocante ao levantamento Z1, apontou a Relatora: "A falta da exposição clara e precisa de todos os fatos que ensejaram o lançamento da contribuição dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal." A par disso, concluiu a ilustre Conselheira que o caso ensejava nulidade por vício formal. De fato, tal levantamento padece de nulidade em harmonia com o art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72, porém tratase de nulidade por vício material e não formal. Para justificar nossa posição em relação à qualificação do vício passamos a expor nossos argumentos. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Tomando o conteúdo de tal dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.277 13 Como vimos os vícios formais referemse as formalidades essenciais à existência do ato e não guardam relação com a ausência de adequada descrição dos fatos geradores. Dessa forma, votamos por qualificar o vício do levantamento Z1 como material. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.278 15 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.279 17 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, votamos por dar provimento ao Recurso em relação aos levantamentos LUR e TEO, declarar a nulidade por vício material em relação ao levantamento Z1 e limitar a multa de mora em 20%. Nos demais aspectos do lançamento, acompanhamos a Relatora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12269.003834/200951 Acórdão n.º 2301003.305 S2C3T1 Fl. 1.280 19 Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 30/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.005581/2008-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
PROTOCOLO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO. PRECLUSÃO
A apresentação intempestiva de impugnação ocasiona não o seu não conhecimento, por não ter o condão de iniciar a fase litigiosa do processo administrativa fiscal, devido à preclusão.
Recurso Voluntário Negado- Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Nathanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva de impugnação ocasiona não o seu não conhecimento, por não ter o condão de iniciar a fase litigiosa do processo administrativa fiscal, devido à preclusão. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Nathanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 55 81 /2 00 8- 72 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório Tratase Recurso Voluntário que busca a reforma da Decisão da DRJ que manteve, por intempestividade da impugnação, o Auto de Infração lavrado contra a recorrente vem epígrafe, que lançou contribuições previdenciárias patronais e de retenções das competências de 01/2004 a 12/2004. A ciência do auto inaugural foi em 17.09.2008 (fls. 02), e a impugnação foi em 24.10.2008, superados 30 (trinta) dias de prazo legal para apresentação de defesa (fls.70). Inconformado, o Recorrente apresentou recurso voluntário tempestivamente, alegando que a intimação deuse em 24.09.2008, e demais questões de mérito. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10320.005581/200872 Acórdão n.º 2803002.239 S2TE03 Fl. 203 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Apesar do recurso voluntário ter sido interposto tempestivamente, sendo a intempestividade da impugnação o seu questionamento de mérito recursal. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 19.09.2008, como efetivamente comprovado às fls. 02, sendo o prazo para interposição de impugnação de 30 (trinta) dias (art. 15, do Dec. 70.235), considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 19.10.2008. O notificado interpôs o impugnação no dia 24.10.2008, portanto fora do prazo normativo. Ainda, devese atestar de que conforme justificado pela decisão recorrida, a impugnação fora intempestiva, não merecendo conhecimento, o que por si só não tem o condão de iniciar a fase litigiosa do processo administrativa fiscal, devido à preclusão. Nesse caso, o recurso sequer deve ser conhecido.(Ac. 20180.724, Rel. Cons. Ana Maria Bandeira da Primeira Câmera do Segundo Conselho de Contribuintes, julg. 12.12.2007). Em tempo, quanto à alegação de que a o termo de encerramento de ação fiscal se deu em 24.09.2013, não deve ser acolhida. Pois, primeiro, não é ele o instrumento de lançamento fiscal de que se dá ciência, segundo, não há indicação de qualquer data de recebimento do mesmo além do dia 17.09.2013. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, mas NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000941/2002-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO.
Cancela-se o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, que reconheceu os créditos opostos em compensação dos débitos confessados, não diz respeito ao declarante, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou.
DIREITO CREDITÓRIO JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. AÇÃO JUDICIAL INTENTADA PELO ESTABELECIMENTO-MATRIZ. DÉBITOS DE TITULARIDADE DE ESTABELECIMENTO-FILIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os limites subjetivos da coisa julgada abrangem a matriz e todas as filiais, já que a autonomia destas em relação àquela limita-se aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. Cancela-se o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, que reconheceu os créditos opostos em compensação dos débitos confessados, não diz respeito ao declarante, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. DIREITO CREDITÓRIO JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. AÇÃO JUDICIAL INTENTADA PELO ESTABELECIMENTO-MATRIZ. DÉBITOS DE TITULARIDADE DE ESTABELECIMENTO-FILIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os limites subjetivos da coisa julgada abrangem a matriz e todas as filiais, já que a autonomia destas em relação àquela limita-se aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 214 1 213 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000941/200231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.257 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO AUDITORIA INTERNA DE DCTF AÇÃO JUDICIAL DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Recorrente PROFORTE S/A TRANSPORTE DE VALORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. Cancelase o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, que reconheceu os créditos opostos em compensação dos débitos confessados, não diz respeito ao declarante, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. DIREITO CREDITÓRIO JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. AÇÃO JUDICIAL INTENTADA PELO ESTABELECIMENTO MATRIZ. DÉBITOS DE TITULARIDADE DE ESTABELECIMENTO FILIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os limites subjetivos da coisa julgada abrangem a matriz e todas as filiais, já que a autonomia destas em relação àquela limitase aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 09 41 /2 00 2- 31 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração Eletrônico decorrente de procedimento de auditoria eletrônica da DCTF do 2º trimestre(s) de 1997, em que o declarante, ora recorrente, informou que seus débitos de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril a junho daquele ano, nos valores de R$ 1.372,66, R$ 1.327,40 e R$ 1.415,92, estavam com sua exigibilidade suspensa por força de tutela obtida judicialmente, nos autos da ação judicial nº 95.00594188. Sob o fundamento “Proc. Jud de outro CNPJ” (Anexo I – DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, fl(s). 25), o Fisco não acolheu a exceção e lançou de ofício os referidos débitos, com os consectários de praxe, formalizando a exigência constante do Auto de Infração nº 0000734, fls. 23 e 24 e anexos. A exação totalizou R$ 11.147,98. O feito foi impugnado, fls. 3 a 7. Sinteticamente, o autuado insiste na tutela que lhe foi deferida na Ação Cautelar Inominada nº 95.00594188 e na Ação Declaratória nº 96.00021578, que tramitaram na 18ª Vara Federal da Circunscrição Judiciária de São Paulo. Explica que a ação foi proposta empregandose o CNPJ da matriz, o que não obsta a extensão dos efeitos da liminar obtida às filiais da pessoa jurídica. Esclarece que a mudança da razão social ocorrida não implicou mudança do CNPJ. O lançamento foi julgado parcialmente procedente pela DRJ/JFA2ª Turma. Transcrevo abaixo, na íntegra, o voto condutor do Acórdão nº 4.114, de 31 de julho de 2003, fls. 173 e 174, sem ementa: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10640.000941/200231 Acórdão n.º 3403002.257 S3C4T3 Fl. 215 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 181 a 198, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça o lançamento com razões a seguir sintetizadas: a) os débitos em questão foram extintos por força de decisão judicial transitada em julgado; b) o auto de infração foi lavrado unicamente em razão da suposta não comprovação da existência de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário; c) a decisão combatida cancela o auto de infração tal como originalmente lançado, pois admite a existência de medida cautelar na qual foi concedida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário; d) embora tenha sido cancelado o auto de infração, a decisão combatida inovou no mérito do processo administrativo ao modificar a sua motivação; e) a referida inovação caracteriza a tentativa de lançamento por meio de decisão, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; e f) ainda que fosse permitido o lançamento por decisão, tal ato deveria obedecer o prazo decadencial, o qual decorreu há mais de 14 anos. Em relação à multa de mora que constou do DARF que acompanhou a intimação do resultado do julgamento de primeira instância: g) não há possibilidade da cobrança de multa de mora, haja vista que o crédito tributário sempre esteve suspenso (inicialmente por liminar em processo judicial e posteriormente pela defesa administrativa apresentada, sem que houvesse interrupção na suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o presente momento) e, portanto, a Recorrente nunca incorreu em mora no decorrer do presente processo; h) ainda que fosse possível a exigência da multa de mora, essa exigiria regular constituição pelo ato de lançamento tributário, por meio de autoridade competente para tanto, não podendo ser simplesmente incluída na autuação por ato da Autoridade Julgadora de primeira instância; e, i) a cobrança de multa de mora não é possível no presente caso, pois para tanto seria necessário um novo lançamento para constituir o crédito tributário, o qual não seria válido tendo em vista que os fatos geradores do tributo ocorreram no período entre julho e dezembro de 1997, já atingido pela decadência. Conclui, requerendo provimento para o efeito de reforma da decisão combatida, cancelandose o auto de infração e declarandose a extinção do crédito tributário. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 181 a 198 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA2ª Turma nº 4.114, de 31 de julho de 2003. Andou mal a 2ª Turma da DRJ/JFA e sua decisão merece ser reformada, posto que os documentos constantes da peça impugnatória já permitiam constatar que o fundamento da autuação era improcedente. Com efeito, remetome para a folha 25 do processo, Anexo I – DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, do AI nº 0000734. Lá consta, como fundamento da autuação, a ocorrência “Proc. Jud de outro CNPJ”. Embora lacônico, o fundamento deixa claro que os computadores do SERPRO entenderam que a ação judicial 95.00594188, informada pelo contribuinte como fonte da tutela que lhe suspendeu a exigibilidade dos débitos de PIS dos PA 41997, 51997 e 6/1997, não lhe dizia respeito. Enfim a Receita Federal não concordou com a extensão dos efeitos da liminar na ação cautelar ao estabelecimento filial da pessoa jurídica, ora recorrente, visto que cada filial possui uma inscrição no CNPJ, sendo todas independentes nas relações com o Fisco. O motivo alegado pela Receita para efetuar a exigência dos valores de PIS, em relação às filiais, não tem fundamento jurídico. De fato, não calha ao caso vertente o argumento de que a tutela judicial deferida não lhes aproveita. As disposições legais que tratam do domicílio das pessoas jurídicas e do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica não escudam o entendimento adotado pela autoridade fazendária. Por sua vez, as normas concernentes ao CNPJ destinamse apenas a facilitar as atividades fiscalizatórias, não possuindo o efeito de cindir as pessoas jurídicas que se estabelecem em mais de um lugar. A autonomia das filiais em relação à matriz limitase aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica. Esta é uma só, ainda que muitas sejam suas filiais. E tanto assim é que jamais se pensou quando a situação é inversa e a pessoa jurídica é executada pelo Fisco em impedir a penhora dos bens da matriz por dívidas da filial, ou viceversa, uma vez que são uma única pessoa jurídica. Os limites subjetivos da coisa julgada proferida na ação nº 95.00594188 abrangem a matriz e todas as filiais, porquanto não houve qualquer ressalva em sentido contrário, mormente porque foram juntadas guias de recolhimento de tributo por filial. Aliás, tal entendimento contraria a tendência do direito processual de prestigiar os princípios da economia processual e da instrumentalidade das formas, à medida que exige o ajuizamento de uma demanda para cada estabelecimento, caso não estejam sob a mesma jurisdição territorial. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10640.000941/200231 Acórdão n.º 3403002.257 S3C4T3 Fl. 216 5 Basta uma rápida passada d’olhos nos documentos das fls. 34 a 147, que instruem a impugnação ao indigitado AI, para se concluir que a ação cautelar que correu na 18ª Vara Federal de São Paulo sob o mesmo número foi intentada pelo estabelecimentomatriz da pessoa jurídica, alcançando, evidentemente, suas filiais, fato que fulmina o fundamento da autuação. Ainda assim, estranhamente, a 2ª Turma da DRJ/JFA decidiu manter o lançamento do principal, sob o argumento de que seria necessário como forma de proteger o crédito tributário, mesmo nas hipóteses em que o contribuinte antecipadamente recorre ao Poder Judiciário e obtém a suspensão de sua exigibilidade. Assim procedendo, a autoridade julgadora extrapolou sua competência e inovou os fundamentos do lançamento, que foi feito com exigibilidade plena. Franca a infração ao § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, pelo que se deveria decretar a nulidade da decisão recorrida, não se pudesse decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade (art. 59, §3º do PAF, acrescido pelo art. 1.º da Lei nº 8.748 de 9 de dezembro de 1993). A discussão a respeito da multa de mora queda prejudicada. Em face do exposto, voto por que se dê provimento integral ao recurso, para o efeito de se cancelar a parcela remanescente do lançamento consubstanciado no Auto de Infração das fls. 23 e 24. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13433.720141/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de desistência expressa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de desistência expressa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 41 /2 01 1- 65 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 Data da lavratura do AIOP: 07/02/2011. Data da ciência do AIOP: 11/02/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Recife/PE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.168.8655, de 07/02/2011, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, decorrentes de glosa de compensação de contribuições previdenciárias indevidamente realizadas pelo Ente Público, em razão da falta de comprovação do crédito, no período de 12/2009 a 07/2010, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 13/25. O Contribuinte em tela já houvera sido fiscalizado relativamente ao período de 07/2007 a 12/2007, tendo sido autuado por ter efetuado compensação indevida de contribuição previdenciária, na qual foi glosada a compensação por ele realizada referente a contribuições exigidas de exercentes de mandato eletivo no período de 02/1998 a 09/2004. Informa a Autoridade Lançadora que o Município de Tenente Ananias ingressou com ação judicial na Seção Judiciária do Distrito Federal, a qual tramita sob o nº 1488592.2007.4.01.3400 (número antigo 2007.34.00.0149763), e onde se requereu a declaração de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre valores pagos exercentes de mandato eletivo na égide tanto da Lei 9.506/97 (02/1998 a 09/2004); quanto da Lei 10.887/2004 (período a partir de 18/09/2004), bem como para que fosse declarada indevida a cobrança de contribuição previdenciária sobre a função gratificada dos ocupantes de cargo efetivo. Requereu, ainda, que fosse declarado o direito à compensação dos valores pagos indevidamente. Na referida ação judicial, houvese por proferida sentença de mérito em grau de primeira instância, julgando parcialmente procedente o pedido do Município, conforme parte dispositiva a seguir transcrita: SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL PROCESSO Nº 2007.34.00.0149763 AUTOR: TENENTE ANANIAS PREFEITURA (RN) RÉ: UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Dispositivo “Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO para declarar o direito do Município autor a compensar os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos detentores de cargo eletivo, no período de janeiro de 1998 a setembro de 2004. Caberá à autoridade administrativa proceder à análise e verificação dos valores declarados, com a ressalva de que a compensação se sujeita ao trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, do CTN.” (grifo nosso) TALES KRAUSS QUEIROZ (Juiz Federal Substituto da 8ª Vara) (os grifos não constam no original) Diante de tal cenário, visando a dimensionar o montante do crédito de titularidade do Sujeito Passivo, foram solicitados, por meio de intimações reiteradas, a Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13433.720141/201165 Acórdão n.º 2302002.519 S2C3T2 Fl. 169 3 documentação que pudesse demonstrar e comprovar a existência do crédito utilizado para compensação com o valor devido de contribuição previdenciária nas competências de 12/2009 a 06/2010. Ocorre, porém, que não foram apresentados quaisquer documentos e/ou esclarecimentos, pelo que ficou impossibilitada a Fiscalização de analisar com precisão os fundamentos jurídicos e de fato da compensação efetuada, uma vez que os documentos solicitados (folhas de pagamento, balancetes de despesas, demonstrativos da origem do crédito e sua apuração) são essenciais para verificação da existência do crédito e de seus valores, assim como para analisar questões relativas à prescrição e atendimento às demais normas que regulam a compensação. A não apresentação dos documentos e/ou esclarecimentos acima aludidos autorizou o Fisco a lançar a importância reputada como devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, a teor do Art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91. Dessarte, ante a falta de comprovação de crédito, a Fiscalização procedeu à glosa dos valores compensados pelo contribuinte e, lançou multa isolada de 150%, calculada sobre o valor compensado indevidamente, conforme artigo 89, §§ 9º e 10º da Lei 11.941/2009, sendo esta aplicada no mês de envio da respectiva GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 93/119. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão Nº 1136.160 – 7ª Turma da DRJ/REC, a fls. 137/147, não conhecendo da impugnação relativamente às arguições de compensação objeto da ação judicial supracitada, em atenção ao princípio da unicidade de jurisdição, julgando procedente as glosas de compensação levadas a efeito no vertente lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12 de abril de 2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 151. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 02/14 do Processo Administrativo Fiscal nº 13433.720631/201242, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o CTN enumera como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário a inclusão de débitos em parcelamento. Com isso, afirma o Recorrente que, em sintonia com a inteligência extraída do art. 174, Parágrafo Único, IV do CTN, interrompese o prazo prescricional em caso de adesão ao parcelamento; · Que pela verificação dos Demonstrativos de Repasses/Retenções do FPM, percebese uma gama de retenções advindas de parcelamento conforme rubricas INSSPARCADM, PARC/RET.INSS, PARCELAM.INSS e INSSPARC.PROC. Aduz que dos extratos do FPM é possível comprovar o parcelamento de inúmeros débitos, os quais Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 não se encontram prescritos, bem como resta comprovado seu recolhimento quando do pagamento do parcelamento; · Que os Demonstrativos de Repasses/Retenções do FPM evidenciam retenções a título de quitação de contribuições previdenciárias corrente no período questionado; · Que a multa isolada é indevida pois a Recorrente possui todas as razões jurídicas para reivindicar o indébito informado nas GFIP. Aduz que a negligencia na defesa de tais interesses configuraria ofensa aos princípios da Indisponibilidade do Patrimônio Público e da vedação à renúncia de receita; · Que a multa isolada é evidentemente confiscatória, além de infringir a razoabilidade e a proporcionalidade; · Que, ainda que a multa isolada pudesse ser aplicada, deveria o Auditor Fiscal ter lançado mão das reduções previstas no §3º do art. 1º da Lei nº 11.941/2009, em atenção à retroatividade da lei mais benéfica prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Ao fim, requer a decretação da insubsistência do Auto de Infração lavrado. Em 27 de dezembro de 2012, todavia, houvese por protocolizado Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, a fl. 164, mediante o qual o Recorrente, expressamente, requer a desistência total de impugnação ou recursos interpostos em todos os processos administrativos referentes aos débitos de sua responsabilidade ou de suas autarquias e fundações. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 12/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 14/05/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DA DESISTÊNCIA DO RECURSO. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13433.720141/201165 Acórdão n.º 2302002.519 S2C3T2 Fl. 170 5 Após a interposição de Recurso Voluntário em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Recife/PE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.168.8655, de 07/02/2011, consistente em contribuições sociais a cargo do empregador, a Prefeitura Municipal de Tenente Ananias/RN protocolizou na ARF de Pau dos Ferros/RN Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, a fl. 164, requerendo, expressamente, a desistência total de impugnação ou recursos interpostos em todos os processos administrativos referentes aos débitos de sua responsabilidade ou de suas autarquias e fundações, para efeitos de pedido de parcelamento previsto na Medida Provisória nº 589, de 13 de novembro de 2012. 2. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto, em razão de pedido expresso de desistência formulado pelo Recorrente em petição formal a fls. 164. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13310.000045/2001-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.460
Decisão:
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITOS BÁSICOS. ART. 11 DA LEI 9.779/99. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONTROLE DO ESTOQUE. PROVA. Quando envolve industrialização por encomenda, o controle da produção é mais trabalhoso e complexo, pois além dos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Cabe ao contribuinte demonstrar a existência e a consistência do controle do estoque e das operações de remessa de insumos para a industrialização por encomenda, bem como do retorno dos produtos industrializados. A falta de comprovação e controle destas operações impede a aferição da aplicação dos insumos na industrialização, impedindo o reconhecimento do crédito. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela Recorrente o Sr. Walter Hubmann, RG. 5.653.978SSP/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 00 45 /2 00 1- 11 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento apresentado pelo contribuinte em 25/06/2001 (fl. 1), cumulado com Pedidos de Compensação (fl. 121, 125, 130, 135 e 143), por meio do qual solicita o ressarcimento de saldo credor de créditos básicos de Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) em relação ao período de apuração de janeiro a março de 2001 (1º trimestre de 2001), com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE (DRF) entendeu que “o Interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrialização que teriam sido submetidos os insumos considerados nos Pedidos de Ressarcimento, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados. CONCLUSÃO. Desta forma, haja vista o Interessado não haver comprovado absolutamente o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação” (fl. 178; grifo editado – Termo de Verificação Fiscal), assim decidindo, ao final, pelo indeferimento da restituição e recusa de homologação à compensação (Despacho Decisório de fl. 360/363). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 378/403), na qual alega (a) a necessidade de reconhecimento da ocorrência da homologação tácita em relação aos pedidos de compensação, visto que transcorreram mais de cinco anos entre a sua apresentação e a decisão de homologação, e que (b) o Auditor Fiscal fez solicitações de documentos e informações que extrapolam qualquer medida de razoabilidade, devendose reconhecer que os insumos que adquiriu foram aplicados na industrialização dos sapatos que exportou. Requereu ainda, (c) que seu crédito seja atualizado pela Taxa Selic entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Com a Impugnação, o Contribuinte apresentou cópia de decisões proferidas em outros processos nos quais solicitou o ressarcimento de IPI de outros períodos de apuração, os quais foram deferidos integral ou parcialmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Belém/PA (DRJ), manteve a decisão de indeferimento do direito, por meio do Acórdão n° 018.960 (fls. 500/519), cujas razões são resumidas na seguinte ementa: Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. Só geram direito ao ressarcimento do crédito de IPI as matérias primas e os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que embora não se integrando ao novo produto, se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direito com o produto em fabricação. Parecer Normativo nº 65/79. LIQUIDEZ E CERTEZA Incumbe a requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 630 3 Passados cinco anos contados da data de entrega do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74 , da Lei nº 9.430/96. Com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03, perdendo o fisco o direito de rever de ofício a declaração de compensação. Compensação Homologada. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 528/561), no qual: a) reitera que, em relação ao período de apuração tratado neste caso, a totalidade de sua produção, enquanto indústria de calçados, era destinada à exportação, produzindo dezenas de modelos de calçados distintos; b) reitera a descrição do seu processo produtivo (feita em resposta ao item 8 do Termo de Verificação Fiscal), explicando também que a industrialização é feita utilizando mãodeobra da Cooperativa de Calçados de Quixeramobim Ltda (Cocalqui), com as máquinas e equipamentos da Contribuinte; c) insurgese contra a alegação do Fisco de que não haveria prova de que os insumos teriam sido de fato destinados ao processo produtivo, argumentando que não há qualquer fundamento concreto que justifique esta dúvida, e que seria questão de bom senso aferir que os insumos compõem o produto final; a propósito do tema, questiona “se todas essas matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários não foram aplicados na produção, e se não constam do registro de inventário da empresa, o que foi feito com eles?” e argumenta que “se verificarmos superficialmente o demonstrativo nº 10, entregue à fiscalização em atenção ao Termo de Início e juntado ao Processo quando da Manifestação de Inconformidade, que relaciona TODOS OS MATERIAIS utilizados na produção para cada anocalendário que foi objeto de fiscalização, ficará constatado, até para um leigo, que tais materiais fazem parte da produção de calçados (couros, solados, forros, saltos, caixas, linhas, etc.), assentindo, inclusive, os preceitos contidos nos Pareceres CST nºs 65/79 e 181/74” (fl. 488), insistindo, assim, em que as informações solicitadas pela Fiscalização foram atendidas de forma suficiente; d) argumenta, também, que o direito de crédito do IPI é gerado na entrada do insumo no estabelecimento industrial, e não no consumo dos insumos na produção. Requer, ao final, o seguinte (fl. 561): i) que o Pedido de Compensação apensado à folha 65, seja considerado homologado, por ter ocorrido a homologação tácita desse pedido; ii) que essa decisão seja reformada, promovendose o deferimento total ao Pedido de Ressarcimento de IPI com base no art. 11 da Lei 9.779/99; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 iii) que sejam homologadas as compensações de deb́itos, inerentes a este processo; iv) que o ressarcimento do Crédito de IPI seja realizado, devidamente atualizado pelo índice obtido pela variação da Taxa Selic, entre a data do protocolo deste Processo e a data do efetivo ressarcimento. Resolveram os membros deste Colegiado, por meio da Resolução nº 3403 00.046 do dia 26 de maio de 2010 (fls. 569/571), converter o julgamento do recurso em diligência a fim de certificar a regularidade fiscal das entradas de matériaprima e das saídas de produtos industrializados para o exterior, para que fosse verificado se o contribuinte lançou o crédito pela entrada dos insumos no valor pelo qual adquiriu, antes de remetêlos à Cocalqui, ou se se creditou pelo valor das remessas recebidas da Cocalqui, bem como se o valor da atividade (prestação de serviço/industrialização por encomenda) da Cocalqui é lançado como crédito, e também se os produtos saídos da contribuinte foram exportados, tudo no intuito de aferir a aplicação dos insumos nos produtos saídos da contribuinte. O Termo de Informação Fiscal (fl. 575), elaborado ao final da diligência, informa que, depois de intimada três vezes, a contribuinte “deixou de atender à Fiscalização limitouse a apresentar alguns Livros Fiscais e cópias de NF de Entrada de insumo (vide resposta à Fiscalização em anexo) , desta forma, não há nada a acrescentar à fiscalização realizada na empresa à época da análise do alegado direito, não há o que se manifestar”. A ciência ao contribuinte do Termo de Informação Fiscal foi dada por meio de Termo de Encerramento de Ação Fiscal, em 27/11/2012 (fl. 593). Os autos foram então devolvidos a estes Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 24/09/2007 (fl. 528), dentro do prazo de trinta dias contados da data da notificação do acórdão, ocorrida em 13/09/2007 (fl. 522). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. De um lado, assiste razão ao Recorrente quando alega que a Fiscalização foi excessivamente exigente nas suas diligências, como quando, por exemplo, pretende a entrega de relatório nos seguintes moldes (fls. 170/172): Para isto, solicitamos a apresentação de Relatório com as seguintes informações, anexadas cópias dos documentos comprobatórios das mesmas: 5.1. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda (discriminar os insumos adquiridos no mercado interno daqueles adquiridos no mercado externo): 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Entradas modelo 1; 3. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 631 5 CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do fornecedor; 8. CNPJ do fornecedor; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrado o cred́ito no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do cred́ito de IPI registrado; (do item 16 ao 18, para o caso previsto no artigo 391 nas operações em que o estabelecimento mandar industrializar produtos, com insumos adquiridos de terceiros, os quais, sem transitar pelo estabelecimento adquirente, forem entregues diretamente ao industrializador estas informações devem constar na nota fiscal emitida em nome do adquirente, o estabelecimento em questão) 16. Razão Social do destinatário industrializador; 17. CNPJ do destinatário industrializador; 18. Endereço do destinatário industrializador; (do item 19 ao 33, para o caso em que o insumo ou o produto semiacabado transita pelo estabelecimento adquirente) 19. Número da nota fiscal de saída (para industrialização por encomenda); 20. Data de registro no Livro Registro de Saídas — modelo 2; 21. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 22. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque — modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 23. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 24. CFOP constante na nota fiscal de saída; 25. Razão social do industrializador; 26. CNPJ do industrializador; 27. Discriminação de cada produto; 28. Valor de cada produto; 29. Classificação fiscal de cada produto; 30. Alíquota de IPI de cada produto; 31. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 32. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 33. Valor do débito de IPI registrado; (a partir do item 34, os retornos da industrialização por encomenda, quer os insumos remetidos tenham transitado ou não pelo estabelecimento encomendante) 34. Número da nota fiscal de saída do estabelecimento industrializador (retorno de industrialização por encomenda); 35. Data de registro no Livro Registro de Entradas; 36. CFOP registrado no Livro Registro de Entradas; 37. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 38. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 39. CFOP constante na nota fiscal; 40. Razão social do industrializador; 41, CNPJ do industrializador; 42. Discriminação de cada produto industrializado; 43. Valor de cada produto industrializado; 44. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Classificação fiscal de cada produto industrializado; 45. Alíquota de IPI de cada produto industrializado; 46. Registrar se o produto beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo c do Ato Declaratório Valor dos produtos industrializados ou importados pelo estabelecimento industrializador, diretamente empregados na operação, se ocorrer essa circunstância 48. Período em que foi registrada a entrada no Livro Registro de Apuração do IRPJ; 49. Valor do crédito de IPI registrado. Apresentar, para cada Nota Fiscal (separadamente), as seguintes informações (nesta ordem) acerca dos produtos finais vendidos referentes aos insumos adquiridos e remetidos para industrialização por encomenda: 1. Número da nota fiscal; 2. Data de registro no Livro Registro de Saídas modelo 2; 3. CFOP registrado no Livro Registro de Saídas; 4. Data de registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3 (fichas substitutivas ou outro controle equivalente); 5. CFOP registrado no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; 6. CFOP constante na nota fiscal; 7. Razão social do comprador; 8. CNPJ do comprador; 9. Discriminação de cada produto; 10. Valor de cada produto; 11. Classificação fiscal de cada produto; 12. Alíquota de IPI de cada produto; 13. Registrar se o insumo beneficiouse dos institutos da Suspensão, Isenção, Imunidade, ou de algum incentivo fiscal, citar a legislação que garantiu este direito, número do Processo e do Ato Declaratório que o concedeu, se for o caso; 14. Período em que foi registrada a saída no Livro Registro de Apuração do IPI; 15. Valor do débito de IPI registrado; (a partir deste item 16, para os casos de exportação); 16. Data da efetiva exportação; 17. Número do documento de exportação; 18. Valor em real; 19. Valor em dólar no caso de venda com fins à exportação, apresentar declaração da empresa compradora de que atende perfeitamente ao previsto no DecretoLei n". 1.248, de 29 de novembro de 1972, na condição de "Comercial Exportadora", se for o caso (apresentar documentação comprobatória) Ao ver deste Relator, a Fiscalização, ao depararse com uma escrituração que não seguiu os moldes adequados para formalizar as operações de industrialização por encomenda e para o controle do estoque, pretendeu buscar uma via alternativa, cujo cumprimento, no entanto, apenas é possível em teoria. Dos dados existentes nos autos, verificase que houve entrada de produtos aplicados na produção de calçados e que houve a saída de calçados do estabelecimento do Recorrente. Ocorre que a atividade de industrialização não era realizada pelo recorrente, mas por terceiro, em regime de industrialização por encomenda. E não foi demonstrada a existência de um controle de estoque dos insumos e dos produtos acabados, nem houve uma formalização adequada das operações que envolvem a industrialização por encomenda. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 632 7 O Recorrente explicou o seu processo produtivo da seguinte forma (fls166/168): 1. Recebimento do pedido do cliente; 2. De posse do pedido, emitese a ordem de produção, (OP); 3. Seguese o desenvolvimento técnico do produto, matrizes, formas, navalhas e compra da matériaprima; 4. Observação sobre a matériaprima couro: Beneficiamento do couro, significa dar o acabamento final, tipo de curtimento e cor. O couro é comprado em estágios précurtido ao cromo (WET BLUE), vegetal ou semiterminado. Ambos necessitam de acabamento final com fingimento e/ou pintura. O beneficiamento é feito por cortumes especializados, não é operação típica de empresa de calçados, e após é recebido no almoxarifado da Calçados Aniger Nordeste Ltda para classificação e ser aprovado para produção. 5. Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque. O material é devidamente conferido, tanto na qualidade quanto na quantidade. Logo em seguida é agrupado no que chamamos de ordens de produção (OP), a qual é remetida para a produção. A industrialização é efetuada pela Cocalqui (Cooperativa de Calcados Ouixeramobim Ltda), a qual recebe os insumos acompanhados de Nota Fiscal (Remessa p/ industrialização). A Fiscalização, no entanto, constatou o seguinte (fls. 167/169): O Interessado afirma, no item 5, que "Toda matériaprima é recebida no almoxarifado da empresa e tem seu registro no sistema de controle do estoque", no entanto, verificamos, a partir da observação de documentos fiscais, que não, e demonstramos com a anexação das NF, como exemplo: da Curtume Panorama Ltda, 2861, em 20.02.2002, CFOP 6.11, venda para Calçados Aniger Nordeste Ltda, com a observação "Local de entrega da mercadoria p/ benef por conta e ordem do adquirente Firenze Acabam em Couros Ltda Picada 48 Alta s/n IvotiRS CNPJ 89.774.830/000180 conf nota fiscal de remessa 2862 de 20.02.2002"; da mesma empresa, a referida 2862; e, da Calçados Aniger Nordeste, a 6943, CFOP 693, de 20.02.2002, com a observação "Mercadoria adquirida pela NF 2861 de Curtume Panorama Ltda entregue a Firenze Acabamentos em Couro Ltda, conforme NF n° 2862". Argüida "Se realiza ou realizou operação(ões) de Industrialização por Encomenda como Encomendante", o Interessado respondeu que "Durante todo o período compreendido pelos processos em análise, a Fl. 635DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 empresa efetuou operações de industrialização por encomenda de seus produtos produzidos", listando como Estabelecimento Industrial que realizou a Industrialização por Encomenda: Razão Social: COCALQUI – Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. (...) De fato, o Industrializador por Encomenda, Cocalqui, de acordo com a informação prestada pelo Interessado, e como verificamos no local, situase num edifício logo à frente da sede da Calçados Aniger do Nordeste Ltda, como se fora mesmo apenas um outro galpão da mesma, inclusive com acesso por ela controlado. Na Resposta ao Termo de Início, o Interessado declara, ainda, que "Não temos sistema de Custos Coordenado e Integrado com a Escrituração Fiscal" (grifo nosso) e que não escritura o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3, mas "Registro equivalente conforme modelo anexo" (grifo nosso). A Fiscalização entende que as notas fiscais que formalizam a remessa e o retorno da industrializadora por encomenda não foram feitas de maneira adequada, não permitindo aferir a existência de controle de estoque (fl. 175): A RELAÇÃO ÍNTIMA E INFORMAL QUE O INTERESSADO MANTÉM COM O INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA, ESPECIALMENTE A COCALQUI COOPERATIVA DE CALÇADOS QUIXERAMOBIM, COMPROMETE A IDENTIFICAÇÃO E COMPROVAÇÃO DO PROCESSO INDUSTRIAL, HAJA VISTA A IRREGULAR EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS, BEM COMO SEU REGISTRO, O QUE LEVA A SITUAÇÕES ABSURDAS, COMO: NÃO HAVER PRODUTO INDUSTRIAL SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA. HAJA VISTA A ANIGER CONSIDERÁLO APENAS COMO UM PRESTADOR DE SERVIÇOS; HAVER VENDA E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO PRODUZIDO. HAJA VISTA, SE FOSSE POSSÍVEL CONSIDERAR AS NOTAS DE RETORNO DA COCALQUI COMO COMPROBATÓRIAS DO PROCESSO PRODUTIVO, QUE O QUE SAI DA COOPERATIVA NÃO SAI ACOMPANHADO DA RESPECTIVA E DEVIDA NOTA FISCAL, ESTA EMITIDA, INDEPENDENTE DA DATA DE SAÍDA DO QUE QUER QUE SAIA DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (CONSIDERADO PRESTADOR DE SERVIÇO), PERIODICAMENTE, APENAS AO FINAL DE CADA MÊS OU SEJA, POR EXEMPLO, SAPATOS QUE NÃO FORAM FABRICADOS (PORQUE NÃO HÁ NOTA DE SAÍDA DE SAPATO DA COCALQUI SÓ DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO), E SE O TIVESSEM SIDO AINDA NÃO TERIAM SAÍDO DO INDUSTRIALIZADOR POR ENCOMENDA (PORQUE SE SAÍRAM NÃO TERIAM SAÍDO ACOMPANHADO DE NOTA FISCAL) JÁ PODERIAM, VENDIDOS E EXPORTADOS, ESTAR PASSEANDO NUMA RUA DA EUROPA OU DOS EUA. A Fiscalização ilustra a falta de compasso entre as notas fiscais e a falta de controle eficiente do estoque no seguinte trecho (fls. 180/181): Fl. 636DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 633 9 (...) Outrossim, hão bastasse isto, em documento do Interessado entregue à Fiscalização, "Assunto: Remessa e Retorno para industrialização por encomenda" (cópia anexa), o procurador Cursio José Juchem termina por concordar com os argumentos aqui expostos pelo Auditor, haja vista o texto, e seus anexos, apresentados: "A empresa promoveu a remessa de matériasprimas para industrialização por terceiros, mediante a emissão de Nota Fiscal CFOP 593 (atual 5901) com descrição e classificação fiscal das matériasprimas. A empresa executora dos serviços (grifo nosso) industrialização é Cooperativa de Calçados Quixeramobim Cocalqui. O retorno das mercadorias industrializadas é feito através de duas Notas Fiscais: retorno simbólico dos insumos utilizados na industrialização por encomenda, CFOP 594 (atual 5902). Exemplo anexo NF 616 da Cocalqui. Nesta nota fiscal de retorno simbólico dos insumos está mencionada a quantidade de pares produzidos com estes insumos. o valor cobrado pela industrialização compreendendo os serviços prestados e mercadorias eventualmente empregadas no processo industrial, é feito pelo executante da encomenda (Cocalqui) com emissão de nota fiscal CFOP 5.13 (atual 5124), colocando o nome do modelo do calçado, a quantidade de pares e os valores monetários correspondentes. Exemplo NF 627 anexa. Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto. Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto (grifo nosso)". Sobre os exemplos, as notas fiscais anexadas pelo Interessado, há que se alertar, primeiro, para o fato de que se tratam de documentos emitidos no ano de 2004, fora do período que estamos verificando, portanto, mas que, ainda assim, podem servir de exemplo, sim, inclusive para demonstrar que o Estabelecimento Industrial, ao menos até junho de 2004, permaneceu com as mesmas práticas de emissão e registro de documentos e livros fiscais que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779/99 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados, por alegado direito, senão vejamos: 1. A NF de Saída 2957, que seria o exemplo de Remessa para Industrialização por Encomenda, CFOP 5901, emitida em 30.06.2004, não parece referirse às NF 616 e 627, emitidas em datas anteriores, 18.06.2004 e 28.06.2004, da Cocalqui, que seriam exemplo de "retorno das mercadorias industrializadas", haja vista não estar listada em nenhuma destas, como pode ser verificado; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 2. As NF que, juntas, seriam o exemplo de Retorno de Industrialização por encomenda, não podem assim ser consideradas, haja vista as divergências gritantes entre elas, além das datas de emissão: a NF 616 registra, em Descrição dos Produtos, "Remessa simbólica no total de insumos recebidos para industrialização de calçados através de s/ NFs n° 2660 a 2663, 2685 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, referente a 21.216 prs de calçados produzidos; diferentemente da NF 627, que deveria ser seu par, indissociável, na devolução do que quer que fosse, que registra "Ind. efetuada p/ outra empresa conforme insumos recebidos para industrialização de calçados atrav. de ssN/F n° 2493, 2524/25, 2527 a 2530/32, 2534 a 2567/74, 2579 a 2582/85/86/90/91, 2593 a 2597, 2609 a 2612, 2619 a 2623, 2631 a 2633/35/36, 2638 a 2646, 2650 a 2653, 2660 a 2663/85 2686 a 2688, 2698 a 2700, 2706 a 2709, 2725/26, 2752 a 2759, 2767 a 2771, 2783 a 2787,2799 a 2806, 2820 a 2827, 2844 a 2849, 2862 a 2864" [ainda, como se fora serviço mesmo, "() 1,5% IRRF"], totalizando 24.651 pares. (Há uma inscrição indecifrável na NF 627, no campo Insc. Estadual do Substituto Tributário lê "1124 3/3 cont. 109", talvez algum código acessível apenas às duas empresas.) O exposto é mais um exemplo da dificuldade que o Interessado encontra para demonstrar o processo de industrialização, comprovar a operação de industrialização por encomenda, atender, neste sentido, à solicitação da Fiscalização (mesmo, ao menos, apresentar uma única NF de Saída, sua, de venda definitiva, que pudesse ser associada a NF de Retorno de Produto Industrializado por Encomenda, emitida pela Cocalqui, nenhuma foi assim entregue à Fiscalização o Interessado só conseguiu fazer e apresentar um tipo de associação entre Notas Fiscais: associar, e apresentar à Fiscalização, NF, da Aniger, que seriam de saída de insumos, CFOP 5.93 Remessa para Beneficiamento, àquelas que seriam de devolução destes insumos, emitida pela cooperativa, ainda assim porque nas NF de Retorno de Industrialização por Encomenda, CFOP 5.13 e 5.94, da Cocalqui, constam, pelo menos isto, relacionadas, no campo "Descrição dos Produtos", os números das NF de Remessa para Beneficiamento emitidas pela Empresa Encomendante) diante dos documentos, que seriam comprobatórios da operação de industrialização por encomenda, o Representante da Empresa termina, por fim, por reconhecer que "Verificando a Legislação pertinente especialmente o PN n° 378/71 e RIPI/98, deveria o executor da encomenda descrever ainda na referida nota fiscal, a descrição do produto, Calçado de couro/modelo Velvet, bem como a Classificação Fiscal de cada produto". O contribuinte, como visto, não conseguiu demonstrar o controle da matéria prima adquirida e efetivamente empregada na produção. Quando o contribuinte industrializa diretamente, basta demonstrar o seu processo produtivo e o seu controle de estoque de matériaprima e produtos acabados para que se identifique a agregação das aquisições ao produto final. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 634 11 Mas quando o processo produtivo envolve atividade de terceiros, deve haver um controle mais rigoroso, por meio do qual se consiga identificar a agregação dos insumos remetidos aos produtos industrializados recebidos. Neste sentido, faço minhas as seguintes palavras do Conselheiro Antonio Zomer, em julgamento de caso desta mesma Recorrente, embora envolvendo crédito presumido e outro período de apuração: Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agregase a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estenderse ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retomo dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceuse uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/104. Entre elas, destacase a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e viceversa. Se a requerente do crédito de IPI não manteḿ os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na sua fabricação, não há que se falar em direito ao ressarcimento dos cred́itos pagos na sua aquisição. Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meios dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 (...) O indeferimento do ressarcimento dos cred́itos, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retomo dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os AuditoresFiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e a outra errada, ou viceversa, pois ambas foram proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. (trecho do voto; Acórdão 20219.303, Processo nº 13310.000050/200213, Rel. Cons. Antonio Zomer, j. 04/09/2008) Caberia ao Recorrente, com efeito, demonstrar nestes autos a existência e a confiabilidade do seu controle de estoque, tanto dos insumos como dos produtos acabados, vinculando as operações de remessa para a industrialização com os retornos de produto Fl. 640DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13310.000045/200111 Acórdão n.º 3403002.299 S3C4T3 Fl. 635 13 industrializados e destes com as vendas realizadas ao exterior, o que, no entanto, verificouse ser inconsistente. Diante de tal panorama, entendo que também no presente caso não há como se reconhecer o direito de crédito do contribuinte. Voto, por isso, por negar provimento ao recurso. Ivan Allegretti Fl. 641DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10380.901081/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
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Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 10 81 /2 00 8- 59 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução proposta pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF , verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 14/06/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. O Colegiado converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 14/06/2002 no valor de R$ 38.725,16 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 38.724,73; b) Que no processo nº 10380.900946/200860 o recorrente pleiteia a compensação do crédito financeiro com débitos do IRRF referente a outubro de 2003, no valor de R$ 26.460,26; c) Que no processo nº 10380.901008/200887 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referente à novembro de 2003, no valor de R$ 20.442,66; d) Que no processo nº 10380.901748/200813 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 208 5 do IRRF referente à fevereiro de 2004, no valor de R$ 1.513,48; e) Que no processo nº 10380.901081/200859 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referente à janeiro de 2004, no valor de R$ 1.166,48 f) Que a soma dos valores compensados resulta em R$ 49.582,78, e o valor apurado foi de R$ 38.724,73. É de meridiana obviedade que o recorrente não tinha valores a restituir suficientes para contemplar todas as compensações pretendidas. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 209 6 legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 210 7 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 211 8 Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 212 9 § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em Fl. 567DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901081/200859 Acórdão n.º 3402002.108 S3C4T2 Fl. 213 10 “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 568DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10880.720927/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “NESTLÉ BRASIL LTDA, empresa acima identificada, ingressou com PER/DCOMP 04007.62079.150404.1.7.575540, em 15/04/04 (fls. 03/06), com o objetivo de compensar débito de COFINS, no valor de R$ 14.884.377,31, período de apuração 03/04, com crédito no montante de R$ 39.042.522,03 controlado no processo nº 13804.008966/200251. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 92 7/ 20 06 -5 9 Fl. 685DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.720927/200659 Resolução nº 3201000.388 S3C2T1 Fl. 686 2 A DERAT/DIORT/EQITD proferiu Despacho Decisório de fls. 74/76, em 15/12/08, ciência em 11/03/09 (fl. 77v), por intermédio do qual não homologou a DCOMP apresentada. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 78/91, em 03/04/09, alegando em síntese: 3.1.em 11/12/02 ingressou com pedido de restituição de FINSOCIAL recolhido a maior (processo 13804.008966/200251), no período de 09/89 a 10/91, no valor de R$ 35.918.638,01, montante retificado para R$ 40.521.738,02; 3.2.o crédito decorreria de decisão judicial transitada em julgado em 21/08/97; 3.3.ao proceder aos cálculos do crédito que lhe fora deferido, o fez pelos índices indevidos (BTNf e FAP) ao passo que o correto seria utilizar o IPC, o INPC, que substituiu o IPC, a UFIR e a taxa Selic; 3.4.o pedido de restituição decorreria dessa inexatidão na apuração do crédito; 3.5.não foi analisado o mérito da DCOMP; 3.6.pretende ver reconhecido o direito aos expurgos inflacionários, tal como se depreende da Norma de Execução Conjunta nº 08/97, decisões administrativas e reconhecido pelo Poder Judiciário: janeiro/89 (42,72%), fevereiro/89 (10,14%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%) e maio/90 (7,87%); 3.7.quanto à aplicação dos expurgos inflacionários já há orientação neste sentido da Justiça Federal, AGU e Memorando da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional orientando os procuradores a não recorrer nos processos judiciais que abordem esta matéria; 3.8.cita Parecer AGU/MF nº 01/96 e Memo Circular/PGFN/CRJ nº135/98; 3.9.nos termos do parágrafo 5º do artigo 66 da INSRF nº 900/08 o débito em tela deverá ter sua exigibilidade suspensa; 3.10.requer a reforma do despacho decisório e a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até decisão final. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPOI no 1622.452, de 13/08/2009, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1989, 1990, 1991 DCOMP. Não deve ser homologada a compensação relacionada a crédito cuja liquidez e certeza não possa ser determinada. RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. O prazo para que o contribuinte requeira na esfera administrativa a restituição de valores Fl. 686DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.720927/200659 Resolução nº 3201000.388 S3C2T1 Fl. 687 3 reconhecidos pelo Poder Judiciário se esvai em cinco anos a contar do trânsito em julgado. RESTITUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. O montante a ser restituído deve ser corrigido de acordo com a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08 de 27/06/97, exceto se o Poder Judiciário determinar forma de correção diversa. RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Inexiste previsão legal para a aplicação dos expurgos inflacionários ao montante a ser restituído. Estes expurgos somente poderiam ser aplicados se houvesse provimento judicial neste sentido. Solicitação Indeferida” O julgamento foi no sentido de indeferir a solicitação do contribuinte e não homologar a compensação pleiteada. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Foi convertido o JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, conforme Resolução n° 3201000315, de 01/03/2012, nos termos abaixo: ao órgão de origem, para desarquivamento do processo de nº 13804.008966/200251 e anexar cópia (integral) do mesmo a este; bem como, a cópia de toda sentença transitada em julgado. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. . VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de compensação, em 15/04/04, de débito de COFINS, no valor de R$ 14.884.377,31; com crédito de FINSOCIAL no montante de R$ 39.042.522,03 controlado no processo nº 13804.008966/200251. O crédito decorreria de decisão judicial transitada em julgado em 21/08/97. No entanto, o processo de nº 13804.008966/200251, protocolizado em 11/12/2002, já foi objeto de pedido de restituição, via administrativa. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.720927/200659 Resolução nº 3201000.388 S3C2T1 Fl. 688 4 Na ação judicial houve o reconhecimento do direito da recorrente de pedir restituição/compensação dos valores recolhidos a título de FINSOCIAL calculados à alíquota superior a 0,5%, com a devida correção monetária, nos termos legais. O referido processo foi proferido acórdão que dispôs que a contagem do prazo para o pedido de restituição teria início a partir da data da publicação da MP n° 1.110/95. Em sede de embargos de declaração, a primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes retificou o acórdão embargado para determinar que o prazo para requerer o indébito tributário teria início em 12/06/1998, data da publicação da MP 1.62136/98. Em consulta ao sítio do COMPROT (acompanhamento de processos), observei que o processo após a CSRF, foi movimentado, em 09/12/2010 para o arquivo geral da SAMF SP. Dessa forma, convertido em diligência o processo para anexar cópia do processo principal, bem como da sentença transitada. Entretanto, antes de qualquer análise de mérito;inclusive se há litispendência com o processo principal controlado mencionado acima; verifiquei que não foi anexada a certidão de objeto e pé. Assim, sugiro que baixe, para fins de complementação da diligência inicialmente requerida, para fins de solicitação à recorrente cópia da certidão de objeto e pé – trânsito em julgado. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 688DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001639/2005-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.723641/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 Ementa: ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Quando, por outro lado, há nos autos documentos que demonstrem que o valor apontado no SIPT não corresponde à realidade dos fatos, deve ser reputado como correto o valor declarado na DITR, e afastado o arbitramento que ensejou o lançamento.
Numero da decisão: 2102-001.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer um VTN de R$ 741.533,33.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Quando, por outro lado, há nos autos documentos que demonstrem que o valor apontado no SIPT não corresponde à realidade dos fatos, deve ser reputado como correto o valor declarado na DITR, e afastado o arbitramento que ensejou o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer um VTN de R$ 741.533,33. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/04/2012 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento fls. 01 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da falta de recolhimento do valor devido sobre o fato gerador ocorrido em 2004, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Velha”, localizado no Município de Rio Acima. O lançamento teve origem em ação fiscal de revisão interna da DITR/2004, ocasião em que foi solicitada à contribuinte a apresentação de cópia do ADA requerido ao IBAMA e da matricula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal declarada e laudo de avaliação do imóvel, nos termos da NBR 14.653 da ABNT. Em atendimento à tal intimação, foram apresentados os documentos de fls. 10/38 (constantes do processo n° 10680.720097/200969, referente ao Exercício 2005). Na análise desses documentos e da DITR/2005, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (116,0 ha) e de reserva legal (111,1 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 55.530,00, arbitrandoo em R$ Foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma: 2004 Declarado Considerado no lançamento Preservação Permanente 116,0 ha 0,0 Reserva Legal 111,0 ha 0,0 Valor da Terra Nua R$ 55.530,00 R$ 1.592.800,31 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 11/13, alegando, em síntese: que discordava do procedimento fiscal, informando que em dezembro de 2006 foi ajuizada, pela Prefeitura Municipal de Rio Acima, ação de desapropriação do imóvel questionado, tendo o respectivo decreto ocorrido em 06/03/2007, no Juízo da comarca de Nova Lima — MG, e a imissão na posse, em 23/04/2007; que em face da noticia de desapropriação, o valor do imóvel foi reduzido ao mínimo na região, sendo que o VTN/ha declarado de R$ 100,00 representava o valor real àépoca, muito distante do informado no SIPT; que o imóvel está protegido por várias legislações ambientais restritivas de uso, afetando de forma brusca seu valor; e se fosse necessário laudo de avaliação, este deveria ser autorizado pelo Juízo de Nova Lima MG. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.723641/200843 Acórdão n.º 210201.949 S2C1T2 Fl. 71 3 Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao entendimento de que, verbis:. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS AREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além de a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente à margem da matricula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Caracterizada a subavaliação do valor da terra nua informado na DITR/2004, deverá ser mantido o VTN arbitrado com base no SIPT pela autoridade fiscal, por falta de laudo técnico de avaliação, com ART/CREA e em consonância com as normas da ABNT, para comprovar o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do imóvel que o justificassem. Inconformada com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 52/54, por meio do qual reitera a alegação de que o imóvel fora objeto de desapropriação no ano de 2007, e que por isso desde a época da ocorrência do fato gerador aqui em discussão (2004), seu valor já vinha sendo depreciado, em razão da notícia de iminente desapropriação. E concluiu que: Assim, discordando veementemente dos parâmetros assinalados pelo agente administrativo no seu mister, a recorrente demonstra, como demonstrou os motivos pelos quais a Intimação Fiscal ocorreu de forma precipitada e equivocada, data vênia, sem observar a realidade fática, que aponta inocorrência do valor do Sistema de Prego de Terras —SIPT da RFB. Pois bem, além disso, o presente imóvel está protegido por varias legislações ambientais, o que também impede várias atividades, bem como varias destinagões, o que por si só afetaria, como afeta de forma brusca o seu valor. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 12.03.2010, como atesta o AR de fls. 51. O Recurso Voluntário foi interposto em 09.04.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de ITR em razão da glosa das áreas declaradas pela Recorrente como sendo de preservação permanente e de reserva legal, bem como em razão do arbitramento do VTN para o imóvel, alterandose o valor declarado em DITR. A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento. No Recurso Voluntário, a Recorrente deixa de tecer quaisquer considerações acerca da glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, razão pela qual esta matéria não está em litígio (existe porém um termo de preservação de floresta de 20% do imóvel, averbado em 2006). A insurgência da Recorrente se resume ao valor arbitrado para o VTN, alegando que o mesmo não estaria correto, principalmente porque o imóvel fora objeto de desapropriação no ano de 2007. Esta então é a matéria que deverá ser objeto de análise por esta Turma Julgadora. Para justificar o arbitramento do valor do SIPT, constam da Notificação os seguintes esclarecimentos: A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procedera à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Area total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei n.. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município de Rio Acima /MG, os valores constantes do SIPT Sistema de Pregos de Terra, instituído através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2004, estão evidenciados no extrato anexo. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN para 2004 em R$2.868,36 /ha, perfazendo um total de R$1.592.800,31 , conforme demonstrado abaixo: A rea Total do Imóvel declarada 555,3ha VTN/ha = R$2.868,36 VTN do Imóvel = VTN/ha X A rea do Imóvel. VTN do Imóvel = 2.868,36 * 555,3 = R$ 1.592.800,31 Como se vê, foi em razão da falta de apresentação de provas quanto à correção do VTN declarado que o mesmo foi alterado de 55.530,00 para 1.592.800,31– o que implicou em majoração significativa do hectare declarado pelo Recorrente (de R$ 100,00 para R$ 2.868,36). Certo é que o arbitramento, no caso em tela, decorreu de previsão legal específica estabelecida no art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.723641/200843 Acórdão n.º 210201.949 S2C1T2 Fl. 72 5 incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, que assim dispôs: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender. Nesta ocasião serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. Assim, o que pode, e deve ser analisado aqui, é se o Recorrente logrou ou não refutar o valor arbitrado pela fiscalização, comprovando que ele não merecia ser utilizado. Compulsando os autos, verificase que a despeito de não constar deles qualquer laudo que demonstre a correção do valor apontado pela Recorrente como base para a sua DITR, trouxe ela uma cópia da petição inicial da ação de desapropriação proposta pelo Município de Rio Acima. Daquela peça consta: Tendo em vista as avaliações feitas por peritos qualificados, quais sejam Sr.a Maria Hercilia Lanaro Ribeiro, inscrita junto ao CRECI sob o n.° 12.864, Sr. Jorge Algusto Simões Duarte, inscrito junto ao CRECI sob o n.° 15.718 e Sr. Adauto Mansur Arabe, inscrita junto ao CREAMG sob o n.° 20034/D, conclui se que o justo prego a ser ofertado pelo Imóvel, objeto desta desapropriação, é R$ 741.533,33 (setecentos e quarenta e um mil quinhentos e trinta e três reais e trinta e três centavos). E mais: Tendo em vista a concordância da Expropriada com o valor ofertado de R$ 741.533,33 e com as condições de pagamento em 20 parcelas mensais e sucessivas, vem o Autor requerer a Vossa Excelência autorização para que se proceda ao depósito do valor de R$37.076,67 (trinta e sete mil setenta e seis reais e sessenta e sete centavos), a fim de guitar com a primeira das parcelas Tal ação foi proposta em 2007 (3 anos após o fato gerador do lançamento aqui examinado) e dela consta que o valor acordado entre as partes para a desapropriação seria de R$ 741.533,33, que deveria corresponder ao valor do imóvel àquela época (2007), pois foi objeto de avaliação por peritos devidamente qualificados. Sendo assim, não parece justo ou razoável que o valor arbitrado por meio do SIPT tenha correspondido (3 anos antes da desapropriação) ao dobro do valor apurado para a referida propriedade naquele ano de 2007. Ressaltese que a própria decisão recorrida reconheceu que uma avaliação efetuada no âmbito daquela desapropriação serviria como parâmetro para apuração do real valor do VTN da propriedade da Recorrente, como demonstra o seguinte trecho: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.723641/200843 Acórdão n.º 210201.949 S2C1T2 Fl. 73 7 Registrese que no caso de desapropriação do imóvel rural pelo poder público municipal, conforme foi o caso, faziase necessário, inclusive, a elaboração de laudo de avaliação, para fins de indenização, cujo valor poderia ser utilizado como parâmetro. Assim, por ter ficado caracterizada a subavaliação do VTN declarado (R$ 55.530,00 = R$ 100,00/ha) e não tendo sido apresentado o laudo técnico de avaliação então exigido, entendo que deva ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR12004 do imóvel "Fazenda Velha", R$ 1.592.800,31 (R$ 2.868,36/ha). (destacamos) Por isso, entendo que o arbitramento, neste caso, não pode prosperar da forma como foi efetuado, já que o valor apresentado no laudo pericial da desapropriação (cf. informações constantes da inicial da ação de desapropriação) naquele ano de 2007 parece estar mais de acordo com o efetivo valor do imóvel à época do fato gerador do ITR aqui em exame. Assim, este deverá ser o valor utilizado como VTN para o lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para alterar o valor do VTN considerado no lançamento para R$ 741.533,33. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000085/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. DIFERENÇA DE IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Incabível a exigência de diferença de IRPJ e de CSLL e seus acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora) quando a decisão recorrida inova nos autos, afastando a fundamentação fático-jurídica do auto de infração, aplicando ou adotando outra fundamentação fático-jurídica diversa para sustentar a manutenção do lançamento fiscal.
Pela descrição fático-juridica constante do auto de infração e do termo de verificação fiscal, a contribuinte, para efeitos tributários, não faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficiente de presunção reduzido ou favorecido para Serviços Hospitalares, pois não é estabelecimento hospitalar, não tem estrutura física (material) e recursos humanos, nos termos do ADI RFB nº 19, de 07 de dezembro de 2007.
Por outro lado, a decisão recorrida, entendendo que o ADI RFB nº19/2007 não poderia ter sido aplicação retroativamente, manteve o lançamento fiscal com base no ADI SRF nº 18/2003, concluindo que o sujeito passivo não faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com aplicação dos coeficientes de presunção reduzidos ou favorecidos, pois não seria uma sociedade empresária, mas mera sociedade simples.
O sujeito passivo defende-se da imputação fático-jurídica consignada no auto de infração e se tal imputação restou afastada pela decisão recorrida, o lançamento é insubsistente, não podendo a decisão recorrida invovar para manter o lançamento por outro pressuposto fático-jurídico.
IRPJ E CSLL. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO EM DCTF/PAGO. RECEITAS NÃO DECLARADAS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS.
Apuradas, através de procedimento de oficio, diferenças de valores devidos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, que não haviam sido declaradas ou confessadas/pagas pela contribuinte é procedente o lançamento fiscal, com a aplicação da multa de oficio e juros de mora.
Numero da decisão: 1802-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento asssinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Catilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. DIFERENÇA DE IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Incabível a exigência de diferença de IRPJ e de CSLL e seus acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora) quando a decisão recorrida inova nos autos, afastando a fundamentação fáticojurídica do auto de infração, aplicando ou adotando outra fundamentação fáticojurídica diversa para sustentar a manutenção do lançamento fiscal. Pela descrição fáticojuridica constante do auto de infração e do termo de verificação fiscal, a contribuinte, para efeitos tributários, não faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficiente de presunção reduzido ou favorecido para “Serviços Hospitalares”, pois não é estabelecimento hospitalar, não tem estrutura física (material) e recursos humanos, nos termos do ADI RFB nº 19, de 07 de dezembro de 2007. Por outro lado, a decisão recorrida, entendendo que o ADI RFB nº19/2007 não poderia ter sido aplicação retroativamente, manteve o lançamento fiscal com base no ADI SRF nº 18/2003, concluindo que o sujeito passivo não faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com aplicação dos coeficientes de presunção reduzidos ou favorecidos, pois não seria uma sociedade empresária, mas mera sociedade simples. O sujeito passivo defendese da imputação fáticojurídica consignada no auto de infração e se tal imputação restou afastada pela decisão recorrida, o lançamento é insubsistente, não podendo a decisão recorrida invovar para manter o lançamento por outro pressuposto fáticojurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 85 /2 00 8- 11 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 444 2 IRPJ E CSLL. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO EM DCTF/PAGO. RECEITAS NÃO DECLARADAS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. Apuradas, através de procedimento de oficio, diferenças de valores devidos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, que não haviam sido declaradas ou confessadas/pagas pela contribuinte é procedente o lançamento fiscal, com a aplicação da multa de oficio e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento asssinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Catilho. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 445 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 212/224 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Riberirão Preto (fls. 191/205) que julgou improcedente a impugnação, mantendo os autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto aos anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a contribuinte, pessoa jurídica submetida ao regime de apuração do lucro presumido, teve contra si lavrados autos de infração do IRPJ e da CSLL em 11/02/2008 , quanto aos períodos de apuração 09/2003, 12/2003, 03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004, 03/2005, 06/2005, 09/2005, 12/2005, 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006, cujo crédito tribuário perfaz o montatante de R$ 108.015,24, assim especificado: (fls. 03/25): Auto de Infração Principal Multa de 75% Juros de Mora (calculados até 31/01/2008) Total IRPJ 33.995,36 25.496,46 10.597,32 70.089,14 CSLL 18.386,29 13.789,65 5.750,16 37.926,10 Total 52.381,65 39.286,11 16.347,48 108.015,24 que integra, ainda, o autos de infração o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento Fiscalização (fls. 26/34); que o lançamento de ofício decorreu da seguinte infração imputada: a) quanto ao RPJ (fl.14): (...) 001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93. APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO IRPJ apurado a menor em DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro, de 8% sobre as receitas da atividade de Radiologia, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo, quando o correto seria 32%. (...) Enquadramento Legal:Arts. 518 e 519 do RIR/99. (...) b) atinente à CSLL (fl. 24): (...) 001 APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 446 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurada a menor na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal: Art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 29 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. (...) Ainda, quanto à narrativa dos fatos (em complemento aos autos de infração) consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.26/34): (...) Da descrição dos fatos A presente auditoria tem foco no percentual de presunção a ser aplicado na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 8% (serviços hospitalares) e na determinação da base de cálculo da CSLL, ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 12% (serviços hospitalares). A questão de fundo, portanto, é que o inciso IIIa, § Io, art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 prevê a exceção legal de aplicação da alíquota menor (coeficiente de presunção do lucro) de 8% (IRPJ) ou 12%(CSLL) exclusivamente à receita bruta advinda de serviços hospitalares. A empresa fiscalizada tem como atividade econômica a prestação de serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante Serviços Radiológicos (CNAEFiscal 86.40 2/05), de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (CNAEFiscal 85.146/99) e de outras atividades de atenção à saúde humana não especificado anteriormente (CNAEFiscal 86.909/99) conforme fez constar em suas Declarações de Informações Econômicos Fiscais e conforme corroboram os documentos anexos aos autos. São sócios da empresa os Srs. Abraham Rothberg, Mauro José Lambertini, Francisco Antônio Grillo e Álvaro Ernesto Bien, todos médicos, os quais prestam os serviços objeto da sociedade. Intimado, o contribuinte apresentou planta baixa do estabelecimento com a descrição dos ambientes, onde não dispõe de estrutura material e pessoal destinada a atender a internação de pacientes. Apresentou, ainda, Relação Anual de Informações Sóciais (RAIS) de 2003 a 2006, onde constam apenas funcionários contratados como Faxineiro, Auxiliar de Escritório e Técnico em Radiologia, portanto, sem a admissão e Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 447 5 assistência prestada por médicos e enfermeiros durante 24 horas. Durante o período em tela, a empresa aplicou a alíquota (coeficiente de presunção do lucro) de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para a determinação do lucro presumido e 12% (doze por cento) sobre a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sob o regime de tributação do lucro presumido, posto ter classificado sua receita bruta como prestação de "serviços hospitalares", exceção prevista no artigo 15 da Lei n.° 9.249/95. (...) Conclusão Este trabalho busca a correta aplicação da Lei n° 9.249/95, a qual referese textualmente a "serviços hospitalares'". Repitase, "serviços hospitalares", e não prestação de serviços de radiologia. Com efeito, apenas a existência de uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, com condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando a garantirlhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipe de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funcione de forma ininterrupta, justificaria o recebimento de um tratamento tributário diferenciado. Devese ter em mente que os coeficientes de presunção do lucro são variáveis em função da margem de lucro obtida em cada tipo de atividade, levando em conta, de forma abstrata, os custos que, em geral, são suportados pelas empresas. O serviço hospitalar teve seu coeficiente fixado em patamares mais baixos do que o aplicável aos serviços meramente médicos, clínicos, laboratoriais, pelo fato de a lei ter levado em consideração os custos mais abrangentes que envolvem a primeira atividade. O serviço de internação hospitalar traz implícita a idéia não só dos custos dos profissionais especializados e materiais empregados no atendimento, como também aqueles relativos à ocupação predial (em geral maior), aos profissionais auxiliares (camareiras e cozinheiros), às refeições oferecidas, à lavanderia, e aos demais encargos necessários a fornecer a hospedagem. Da leitura dos fatos e atos acima transcritos, concluise que as prestações de serviços de radiologia não podem, generalizadamente, ser consideradas como prestações de serviços hospitalares, embora na prestação de serviços hospitalares concorra a realização daqueles serviços e de muitos outros. Portanto, a fiscalizada deveria ter aplicado o percentual de 32% para determinação da base tributável do IRPJ e da CSLL. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 448 6 Por oportuno, em análise aos documentos apresentados, verificouse a divergência entre os valores da Receita Bruta no Demonstrativo de Resultado do Exercício e na DIPJ do Ano Calendário de 2004. Intimado, o contribuinte informou que a divergência ocorreu no 4o Trimentre de 2004 por erro de digitação, sendo o correto o valor apurado no Demonstrativo de Resultado do Exercício (R$ 111.520,88) e não o informado na DIPJ (R$ 76.692,12). Portanto, a fiscalizada deveria ter declarado a Receita Bruta do 4° Trimestre de 2004 o valor de RS 111.520,88. Em virtude do exposto, elaborouse os demonstrativos das diferenças dos valores do imposto e da contribuição social não recolhidos pelo contribuinte, relativamente aos períodos de 2003 a 2006, conforme planilhas anexas, as quais são partes integrantes do presente Termo. (...) Ainda, consta do citado Termo de Constatação Fiscal, como enquadramento legal da infração imputada: Lei nº 9.249/95, art. 15, § 1º, III, “a”; Lei nº 9.249/95, art. 20, com redação do art. 22 da Lei nº 10.684/2003 e art. 11 da MP 232, de 30 de dezembro de 2004; ADI RFB nº 19, de 07 de dezembro de 2007. Ciente, pesoalmente, dos autos de infração, por intermédio de seu procurdor, em 12/02/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 12/03/2008 (fls. 171/185), cujas razões estão, assim, resumidas no relatório, parte integrante da decisão a quo (fls.191/205), in verbis: (...) o Ato Declaratório Interpretativo nº. 19/2007 não pode retroagir para reger fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição; a IN 480/2004, que revogou a IN 306/2003, não se aplica às hipóteses previstas na Lei nº 9.249/1995, art. 15, por força do que prescreve seu art. 32; a Solução de Divergência nº 11, de 2003, editada com base na IN 306/2003, assegura que a execução de serviços de exames radiológicos encontrase enquadrada no conceito de serviço hospitalares; a nova redação dada ao art. 27 da IN 480/2004, decorrente do advento da IN 539/2005, estabelece que atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia são consideradas serviços hospitalares. Ao final, relacionou decisões administrativas e jurisdicionais em apoio às suas alegações, arguiu que a execução de suas atividades requer o uso de equipamentos próprios e materiais de elevado custo, ao mesmo tempo em que propugnou pelo cancelamento das exigências veiculadas no guerreado auto de infração. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 449 7 (...) A DRJ/Ribeirão Preto, debruçandose acerca das razões deduzidas pela contribuinte, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, conforme Acórdão (fls.191/205), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar, é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar, é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 20/05/2011 – sexta feira(fl. 209), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/06/2011 (fls. 212/224), cujas razões, em síntese, são os seguintes: que a decisão recorrida, que tratando da legislação pertinente à lide, artigo 15, da Lei n° 9.249/95 e atos administrativos editados, reconheceu a polêmica instalada até o advento da Lei n° 11.727/2008, cujo artigo 29, de conteúdo eminentemente interpretativo, colocou uma pá de cal sobre as divergências ainda existentes no seio da administração tributária; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 450 8 que, em suas razões de decidir, o acórdão objurgado afasta a aplicação retroativa do Ato Declaratório Interpretativo –ADI RFB nº 19/2007, que serviu de suporte para a imposição tributária, imputandolhe a retomada de definições restritivas do conceito legal de serviços hospitalares e, com isso, alterando critério jurídico anteriormente adotado através de Instruções Normativas; que, em latente inovação ao feito, a decisão a quo introduz o ADI n° 18 de 23/10/2003 em substituição àquele reconhecido ineficaz e, olvidando as disposições contidas nas IN SRF n°s 306/2003 e 539/2005, elege o artigo 2ºo e incisos desse indigitado ADI para fundamentar a manutenção da exigência; que, sobrepondo o conteúdo do ADI 18/2003 ao das instruções normativas já mencionadas, informa estarem compreendidos na abrangência do conceito de serviços hospitalares apenas aqueles prestados por estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, não se enquadrando como tal aqueles prestados exclusivamente por sócios da empresa; que, em conclusão, assegura que nos anoscalendário de 2003 e 2004 prevaleceram as regras instituídas pela IN 306/2003 e, para o primeiro e segundo trimestres de 2005, as estatuídas pela IN n° 480/2004; para o terceiro e quarto trimestres de 2005 e o ano calendário 2006 às normas da IN n° 539/2005; que, contraditoriamente, a decisão a quo subordina todo esse período à aplicação das disposições do ADI n° 18/2003, editado em outubro/2003, cuja introdução, como já salientado, configura inovação ao feito, sendo de se observar que em momento algum o auto de infração faz menção a empresário ou sociedade empresária; que, de se notar que, a IN 480/2004 foi publicada em 15/12/2004 e revogada em 25/04/2005 pela IN 539/2005, ficando sua vigência restrita aos meses de janeiro a abril/2005, mais especificamente ao primeiro trimestre daquele ano; que, como já demonstrado na primeira instância, que ora se ratifica, as atividades da recorrente enquadravamse nas exigências contidas nas IN SRF n°s 306/2003 e 539/2005, circunstância suscitada naquela argumentação, mas ignorada pela decisão recorrida; que, evidentemente, esses atos trazem em seu bojo um conceito mais amplo de serviços hospitalares do que aquele oferecido pelo ADI n° 18/2003; que esse último ato administrativo, eleito para ancorar a decisão recorrida, não tem eficácia para criar obrigações; que somente a lei pode fazêlo e, segundo o artigo 150, I, da Constituição Federal, é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; que o artigo 15, III, "a", da Lei n° 9.249/1995 estabeleceu uma regra geral no que concerne ao conceito de atividades hospitalares que são todas as atividades passiveis de serem praticadas em hospital, tendo característica hospitalar ou diretamente atrelada à saúde humana. A lei não estabeleceu nenhuma condição ou restrição de qualquer natureza ao empregar o termo "serviços hospitalares"; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 451 9 que esse conceito, que é traçado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento e não na figura do prestador de serviço, deve coincidir exatamente com aquele fixado spelo direito médicosanitário, pois entendimento diferente afronta o artigo 109, do Código Tributário Nacional, pelo qual a legislação tributária poderá apenas alterar os efeitos tributários e não os conceitos; que, até o advento da Lei n° 11.727/2008, a legislação tributária nunca especificou exatamente a abrangência do conceito de serviço hospitalar, lacuna livremente preenchida pela Receita Federal através de atos contraditórios e respostas de consultas sem qualquer amparo nas legislações médicosanitárias; que, nesse aspecto, o requisito trazido pelo inciso I, do artigo 2ºo, do ADI SRF n° 18/2003 é ilegal na medida em que cria uma exigência não prevista na legislação sanitária e na Lei n° 9.249/1995, invocando, inclusive, precedente jurisprudencial deste CARF, no caso o Acórdão nº 180200.060, publicado no DOU de 25/04/2011; que a pretensão do fisco pressupõe atividade exercida por hospital, onde existem internação em caráter de 24 horas e serviços de hotelaria, lavanderia, refeições e segurança. Ou seja, restringe o conceito a serviços prestados por hospital. A se atender todas as exigências concebidas pela imposição tributária, a prestação da atividade de exame de diagnóstico, uma clínica nele especializada, teria que se tornar um verdadeiro hospital; que, cabe lembrar, se o hospital tem custos com hotelaria, lavanderia, refeições, atividade por 24 horas gerados pelas internações, cobra o diferencial correspondente a cada atividade; que esses custos nada têm a ver com a realização de exames radiológicos e, sim, com as internações; que os exames radiológicos, por sua vez, são realizados por aparelhos, alguns altamente sofisticados e de elevado custo, requerem aplicação de materiais e drogas específicas além do concurso de técnicos especializados, sendo os resultados do trabalho "lidos" por médicos que expedem os necessários laudos. Nesse aspecto, a importância dos equipamentos é de tanta predominância que se o laudo não for elaborado na clínica, outro médico, de posse das imagens, poderá fazêlo. Daí justificarse o porquê a lei não estabelece as restrições e exigências trazidas pela Administração para limitar o exercício de um direito estabelecido pela lei. Quando alguém precisa se submeter a exames radiológicos não vai a procura do médico mas em busca das imagens que precisam ser feitas para leválas ao seu médico assistente. Se a pessoa está internada ou não o resultado do exame radiológico será o mesmo, de modo que é irrelevante o requisito da internação. Ora, dizer que se esse exame é efetuado pela unidade hospitalar o coeficiente será de 8% e se for feito por terceiros, mesmo se dentro da estrutura física de um hospital, será de 32%, não tem sentido, pois a atividade é a mesma, o trabalho é o mesmo, o custo é o mesmo. Inadmissível buscar condições ou restrições não constantes da lei para considerar os exames por imagem como prestação de serviços profissionais referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual de natureza científica; que, por conseguinte, os serviços de exames clínicos de diagnóstico por imagem inseremse no conceito de serviços hospitalares de que trata o art. 15, § 1°, III, "a", da Lei n° 9.249/95, sendo a sua base de cálculo do imposto, em cada mês, determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente; que, ainda, na defesa de sua tese, cita os seguintes precentes deste CARF: Acórdão nº 10709.476, sessão de 14/08/2008 e Acórdão nº 180200.306, sessão 08/12/2009; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 452 10 que, também, cita precedente do STJ – 1ª Seção, no caso o REsp nº 951.251PR, destacando que os serviços hospitalares compreendem todos os serviços ligados à promoção da saúde, inclusive os laboratoriais, podendo ou não ser prestados no interior de estabelecimento hospitalar, excluindo tão somente os serviços realizados por profissionais liberais, consubstanciados em consultas médicas; que, se saliente uma vez mais, a Lei n° 11.727/2008 acabou solucionando a questão ao dar nova redação ao artigo 15, III, "a", da Lei n° 9.249/1995, ao incluir, entre outras, as atividades de auxilio ao diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, análises clínicas e laboratoriais; Por fim, com base nessas razões a recorrente pediu provimento ao recurso, no para que seja reformada a decisão recorrida e,por conseguinte, seja canceldo o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 453 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca dos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006, em face da contribuinte ter apurado essas exações fiscais, no âmbito do regime do lucro presumido, aplicando coeficiente de presunção do lucro para “Serviço Hospitalar”, respectivamente, de 8% e 12%, quando, diversamente, deveria, segundo entendimento da fiscalização da RFB, ter aplicado coeficiente de presunção do lucro atinente a prestação de “Serviços em Geral”, ou seja, 32%. Destarte, o crédito tributário lançado de ofício, objeto dos autos, decorre da diferença de coeficiente de presunção do lucro. A recorrente tem como atividade econômica a prestação de serviços de disgnóstico por imagem com uso de radiação ionizante Serviços Radiológicos (CNAEFiscal 86.402/05), de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (CNAEFiscal 85.14 6/99) e de outras atividades de atenção à saúde humana não especificados anteriormente (CNAEFiscal 86.909/99) consoante fez constar em suas Declarações de Informações Econômicos Fiscais (DIPJ) e conforme corroboram os documentos anexos aos autos. Nas razões do recurso, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para cancelamento do lançamento fiscal, defendendo a tese de que faz jus ao tratamento tributário dispensado a “serviço hospitalar”, argumentando: que, no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, consta descrição dos fatos e fundamento jurídico no sentido da não inclusão da atividade da recorrente no conceito de serviço hospitalar, pela inexistência de estrutura física (material) para internação de pacientes, nos termos do ADI RFB nº 19/2007; que a decisão a quo, ao fundamentar a manutenção do lançamento fiscal, afastou a aplicação do citado ADI RFB nº 19/2007 (o qual não poderia ter sido aplicado retroativamente, pois representa mudança de critério jurídico na interpretação e aplicação do conceito de serviço hospitalar, o que é vedado pelo CTN), mas inovou nos autos, aplicando o entendimento do ADI SRF nº 18/2003 que exige, para enquadramento como serviço hospitalar, seja o serviço de radiologia prestado por estabelecimento de saúde constituído por empresários ou sociedade empresária; que, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que prestados com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 454 12 que o ADI SRF nº 18/2003, eleito para ancorar a decisão recorrida, não tem eficácia para criar obrigações. Somente a lei pode fazêlo e, segundo o artigo 150, I, da Constituição Federal, é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; que é inadmissível buscar condições ou restrições não constantes da lei para considerar os exames por imagem como prestação de serviços profissionais referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual de natureza científica; que as disposições contidas nas IN SRF n°s 306/2003 e 539/2005 são de entendimento mais amplo do que o citado ADI SRF nº 18/2003; que, por último, a Lei n° 11.727/2008 acabou solucionando a questão ao dar nova redação ao artigo 15, III, "a", da Lei n° 9.249/1995, ao incluir, entre outras, as atividades de auxilio ao diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, análises clínicas e laboratoriais, na mesma condição de serviços hospitalares, para efeito de aplicação de coeficientes reduzidos de presunção do lucro. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da contenda deduzida nos presentes autos. No mérito, procede, em parte, a irresignação da recorrente. Os fatos imputados e os elementos de prova juntados aos autos pela fiscalização não permitem concluir, categoricamente, que a recorrente não prestaria serviços de natureza hospitalar, ou que não faria jus à aplicação de coeficientes reduzidos de presunção do lucro, para os anos –calendário objeto dos autos. O ônus da prova, no caso, é do fisco que imputou infração e efetuou o lançamento fiscal. Durante o procedimento de fiscalização, a contribuinte foi intimada para apresentar livros contábeis, documentos, prestar informações e fazer comprovação da estrutura física (material) e de recursos humanos de sua atividade, conforme Termo de Início de Fiscalização de 01/11/2007 (fls. 35/36), in verbis: (...) em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima, damos início à ação fiscal, relativa ao IRPJ/Lucro Presumido e à Contribuição Social/CSLL, dos Anos Calendários(AC) de 2003 a 2006, ficando o contribuinte acima identificado INTIMADO, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentar: 1.Atos Constitutivos, Alterações posteriores; 2.Apresentar os demonstrativos de apuração de resultados DRE discriminativos trimestrais, relativos aos anos calendários de 2003 a 2006; 3.Apresentar todos os Talões de Notas Fiscais emitidos no período de 2003 a 2006; 4.Apresentar os Livros Caixas e Razão do período de 2003 a 2006; Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 455 13 5.Autorizações/certidões dos órgãos públicos classistas e/ou sanitários, onde conste a atividade fim da empresa e respectivas autorizações; 6.Apresentar planta baixa do imóvel com lay out detalhado, incluindo, ainda, descrição das atividades realizadas em cada compartimento do estabelecimento; 7.No caso de contar a empresa com estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes e/ou prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência á saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia e/ou prestação de atendimento imediato de assistência à saúde e/ou prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação, apresentar laudos expedidos por órgãos competentes. (...). Os demais documentos que serviram de base para a escrituração nos períodos acima, deverão ficar à disposição desta auditoria fiscal. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. (...) Em resposta à intimação constante do Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte apresentou à fiscalização da RFB, o seguinte expediente (fl. 37), com documentos anexos (fls. 38/62) : (...) Segue abaixo relação de documentos datada e assinada em 2 (duas) vias: 1 .Contrato Social, não houve alterações; 2.Talões de Notas Fiscais de Serviços ref. período de 2003 à 2006; 3.Livros Diário e Razão ref. 2003 à 2006; 4.Livros Registro de ISS ref. 2003 à 2006; 5.Cópia Vigilância Sanitária (Equipamentos); 6.Cópia Vigilância Sanitária (Estabelecimento); 7.Cópia Alvará para funcionamento e licença da Prefeitura Municipal de Bauru; 8.Cópia Inscrição Municipal; 9.Cópia Planta do Imóvel; (...) Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 456 14 Em 12/12/2007, a contribuinte foi intimada, ainda, durante o procedimento de fiscalização, para fornecer os seguintes esclarecimentos (fls.63/64): (...) em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima, dando prosseguimento à ação fiscal relativa ao IRPJ/Lucro Presumido e à Contribuição Social/CSLL, dos Anos Calendários(AC) de 2003 a 2006, fica o contribuinte acima identificado INTIMADO, no prazo de 05 (vinte) dias úteis, a: 1.Esclarecer a divergência apresentada entre a DIRF (R$ 244.493,56) informada pela Braga e Vera Saúde S/C Ltda (Beneplan) e o valor total faturado em nome da Beneplan conforme Notas Fiscais apresentadas (R$ 44.934,10), referente ao AC 2003. Constatado erro nas informações da DIRF, esta deverá ser retificada; 2.Esclarecer a divergência apresentada entre o valor da Receita Bruta informada do Demonstrativo de Resultado do Exercício (R$ 275.457,86) e o declarado na correspondente DIPJ (R$ 240.629,10), referente ao AC 2004; 3.Apresentar a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) referente aos AnosCalendários 2003, 2004, 2005 e 2006; (...) Em 18/10/2007, a contribuinte prestou esclarecimentos ao fisco (fl. 65), fornecendo documentos (fls. 66/75), de cujo expediente extraíse: (...) Nesta oportunidade venho esclarecer que o valor correto é o constatado na Receita Bruta, tendo a DIPJ no 4º Trimestre de 2004 um erro de digitação, a onde que era para ser digitado o valor de R$ 111.520,88 , (CENTO E ONZE MIL QUINHENTOS E VINTE REAIS E OITENTA E OITO CENTAVOS) foi digitado R$ 76.692,12 ( SETENTA E SEIS MIL SEISCENTOS E NOVENTA E DOIS REAIS E DOZE CENTAVOS) valor este inferior ao correto. (...) Completando a notificação estamos enviando em anexo as RAIS referente aos anos calendários 2003, 2004, 2005 e 2006, DIRF/2003 emitida pela BENEPLAN e talões de N.F's numeradas de 001 a 200. (....) Como visto, as intimações fiscais, desde o início, tinham como propósito, apurar se a contribuinte tinha estrutura de material (física) e de pessoal para prestar serviços de internação de pacientes. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 457 15 No Termo de Verificação Fiscal, que integra os autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 a 2006 e com base no ADI RFB nº 19/2007, a fiscalização consignou a seguinte conclusão (fls. 26/34), in verbis: (...) Conclusão Este trabalho busca a correta aplicação da Lei n° 9.249/95, a qual referese textualmente a "serviços hospitalares'". Repitase, "serviços hospitalares", e não prestação de serviços de radiologia. Com efeito, apenas a existência de uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, com condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando a garantirlhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipe de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funcione de forma ininterrupta, justificaria o recebimento de um tratamento tributário diferenciado. Devese ter em mente que os coeficientes de presunção do lucro são variáveis em função da margem de lucro obtida em cada tipo de atividade, levando em conta, de forma abstrata, os custos que, em geral, são suportados pelas empresas. O serviço hospitalar teve seu coeficiente fixado em patamares mais baixos do que o aplicável aos serviços meramente médicos, clínicos, laboratoriais, pelo fato de a lei ter levado em consideração os custos mais abrangentes que envolvem a primeira atividade. O serviço de internação hospitalar traz implícita a idéia não só dos custos dos profissionais especializados e materiais empregados no atendimento, como também aqueles relativos à ocupação predial (em geral maior), aos profissionais auxiliares (camareiras e cozinheiros), às refeições oferecidas, à lavanderia, e aos demais encargos necessários a fornecer a hospedagem. Da leitura dos fatos e atos acima transcritos, concluise que as prestações de serviços de radiologia não podem, generalizadamente, ser consideradas como prestações de serviços hospitalares, embora na prestação de serviços hospitalares concorra a realização daqueles serviços e de muitos outros. Portanto, a fiscalizada deveria ter aplicado o percentual de 32% para determinação da base tributável do IRPJ e da CSLL. Por oportuno, em análise aos documentos apresentados, verificouse a divergência entre os valores da Receita Bruta no Demonstrativo de Resultado do Exercício e na DIPJ do Ano Calendário de 2004. Intimado, o contribuinte informou que a divergência ocorreu no 4o Trimentre de 2004 por erro de digitação, sendo o correto o valor apurado no Demonstrativo de Resultado do Exercício (R$ 111.520,88) e não o informado na DIPJ (R$ 76.692,12). Fl. 457DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 458 16 Portanto, a fiscalizada deveria ter declarado a Receita Bruta do 4° Trimestre de 2004 o valor de RS 111.520,88. Em virtude do exposto, elaborouse os demonstrativos das diferenças dos valores do imposto e da contribuição social não recolhidos pelo contribuinte, relativamente aos períodos de 2003 a 2006, conforme planilhas anexas, as quais são partes integrantes do presente Termo. (...) Conforme demonstrado, o fisco afastou a aplicação dos coeficientes de presunção do lucro de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) e aplicou, de ofício, coeficiente de 32% para o IRPJ e para a CSLL, justamente, pelo fato da contribuinte, sob a ótica da fiscalização, não ter estrutura física (material) e de pessoal para prestar serviços de internação de pacientes, nos termos do ADI RFB nº 19/2007. Diversamente do entendimento da fiscalização da RFB, a decisão a quo, para os anoscalendário 2003 a 2006, afastou a aplicação do ADI RFB nº 19/2007, sob o pretexto de que esse ato administrativo não poderia ter aplicação retroativa, pois trata de mudança de critério jurídico. Nesse sentido, transcrevo, no que pertinente, os fundamentos constantes do voto condutor da decisão recorrida (fls. 194/), in verbis: (...) Da legislação (...) A lide neste processo está diretamente vinculada à interpretação da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, (...) E importante ressaltar que desde a edição da Lei n. 8.541, de 1992, que atribuiu percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de serviços hospitalares, instalou se uma polêmica: o que são serviços hospitalares (...) Em retrospectiva, temse que o artigo 23 da Instrução Normativa SRF (IN) n.° 306, de 2003, considerou serem serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou mais atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM n.° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde. O inciso V do referido artigo 23 contempla as atividades que se encontram albergadas pela regra, a saber: (...) V prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 459 17 a .patologia clínica; b.imagenologia; c.métodos gráficos; d.anatomia patológica; (...) É importante registrar que a IN n. 306, de 12/03/2003, foi revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela IN n. 480, de 15/12/2004, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 29/12/2004. Esta, por sua vez, inseriu o art. 27, (...), posteriormente alterado pela IN n. 539, de 25/04/2005. (...) a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do artigo 27 da IN SRF n.° 480, de 2004; posteriormente, (...), IN SRF n.° 539, de 2005. Além disso, não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Posteriormente, em 10 de dezembro de 2007, publicouse o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n. 19, de 07/12/2007, a seguir transcrito: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1°, inciso III, alínea "a", da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir sei~viços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 460 18 instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida (...) Da vigência e eficácia do Ato Declaratório Interpretativo (...) No que tange especificamente ao guerreado ADI 19/2007 resta definir sua natureza jurídica e o termo inicial de sua eficácia e, por fim, qual o posicionamento da Administração Tributária em face de situações consolidadas. Conforme explicitado anteriormente, com o passar do tempo o conceito de serviços hospitalares sofreu modificações, materializadas na edição das aludidas IN. Embora formalmente interpretativo, ao retomar definição restritiva do conceito legal de serviço hospitalar, materialmente o ADI 19/2007 alterou critério jurídico adotado. A demonstração cabal de tal circunstância achase assentada na subsequente edição da IN 791/2007 que alterou o art. 27 da IN 480/2004 e introduziu texto com o mesmo teor daquele do ADI. Em deferência ao princípio da proteção à confiança, em que remanesce a ''impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores" (in Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Leandro Paulsen, 9a ed., 2007, pág. 953), o CTN estabelece que: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicia!, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Embora o texto do CTN, de meados da década de 1960, refirase a lançamento, há que se levar em conta a sistemática de lançamento por homologação, em conformidade com o que ocorre nos dias de hoje. Nesse diapasão, considerandose que se não houver disposição em contrário, os atos normativos expedidos pela autoridade administrativa (CTN, art. 100, I) vigem a partir de sua publicação (CTN, art. 103, I), tenho comigo que embora vigente o ADI em questão carece de eficácia retroativa. Ademais, há que se levar em conta que aplicação retroativa o CTN permite apenas à lei, não a atos administrativos, sem Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 461 19 descurar que o código distingue expressamente lei de legislação, a teor do que preceituam os arts. 96 e 106: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Em face do que foi anteriormente exposto, entendo que a eficácia do ADI 19/2007 deve projetar seus efeitos a partir de sua publicação, 11/12/2007. No período antecedente são eficazes as regras introduzidas pelas IN 306/2003, 480/2004, 539/2005 e 791/2007, nos respectivos períodos de vigência. (...) Uma vez decretada pela decisão recorrida a inaplicabilidade, no caso, do ADI RFB nº 19/2007, fundamento exclusivo da narrativa dos fatos (da infração imputada), entendo que restou prejudicada a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% e exigência da diferença do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 a 2006. Entretanto, a decisão a quo manteve o lançamento fiscal com base em outro fundamento fático, não objeto da acusação fiscal, ou seja, de que a recorrente não seria uma sociedade empresária, mas sim uma sociedade simples, pois os serviços seriam prestados pelos próprios sócios o que caracterizaria meramente exercício de atividade intelectual de profissão regulamentada, consoante ADI SRF nº 18/2003. Ora, a contribuinte defendese dos fatos imputados e não do enquadramento legal. No caso, não houve a imputação desse fato para descaracterização de sua atividade como prestadora de serviço hospitalar. A decisão recorrida inovou nos autos, o que é vedado. A propósito, tanscrevo, nessa parte, o voto condutor da decisão recorrida (fls.): (...) Do enquadramento Para aferir se a receita da atividade desenvolvida pela contribuinte está sujeita ao percentual geral das prestadoras de serviço ou à exceção aplicável às prestadoras de serviços hospitalares, cumpre verificar qual o alcance desta expressão na Fl. 461DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 462 20 legislação sob enfoque, considerandose cada um dos períodos de eficácia das normas correspondentes. Nesse sentido, a IN 306/2003 tem eficácia desde sua publicação até 29/12/2004; a IN 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005; a IN 539/2005. de 28/04/2005 até 12/12/2007; deve ser observado o que dispõe o ADI 18/2003 acerca da abrangência do conceito de serviços hospitalares, no que diz respeito a consideraremse enquadrados os estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, com a ressalva de que não são considerados serviços hospitalares aqueles excepcionados pelo art. 2o do referido ato declaratório. Considerandose que a imposição tributária abrange os anos calendário de 2003 a 2006, devese perquirir acerca da definição de serviços hospitalares para cada um dos períodos, observandose o entendimento da RFB expresso nas citadas instruções normativas, sem descurar que a apuração do lucro presumido ocorre trimestralmente. Assim, no anocalendário de 2003 e 2004 vigem as regras instituídas pela IN 306/2003; para o primeiro e o segundo trimestres do anocalendário de 2005, as estatuídas pela IN 480/2004; para o segundo e o terceiro trimestres de 2005 e o anocalendário de 2006, as normas da IN 539/2005. Vale observar que no período em questão vige o disposto no ADI 18/2003, relativamente a consideraremse serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Relativamente ao anocalendário de 2003 e 2004, da leitura dos dispositivos transcritos, correspondentes àquele período, verificase que as exigências normativas dizem respeito a: a) caráter empresarial da pessoa jurídica, e, b) natureza das atividades desenvolvidas. A definição de empresário e sociedade empresária consta do Código Civil (CC), Lei n. 10.406, de 10/01/2002, nos seguintes termos: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 463 21 Os conceitos de empresário e de sociedade empresária, derivados do Código Civil, dizem respeito, respectivamente, à pessoa física que emprega seu capital e organiza a empresa individualmente, e à pessoa jurídica nascida da união de esforços de seus integrantes. A lei requer, para esse fim, que haja o exercício profissional de atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Importante é a exclusão do exercício de determinadas atividades que não são consideradas empresariais: são as profissões intelectuais, de natureza científica, literária ou artística, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Segundo Fábio Ulhoa Coelho, "esse dispositivo alcança, grosso modo, o chamado profissional liberal (advogado, dentista, médico, engenheiro etc), que apenas se submete ao regime geral da atividade econômica se inserir a sua atividade específica numa organização empresarial (na linguagem normativa, se for 'elemento de empresa'). Caso contrário, mesmo que empregue terceiros, permanecerá sujeito somente ao regime próprio de sua categoria profissional" (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. 6a ed. São Paulo: Saraiva, 2002. v. 1, p. 24). Já o elemento de empresa a que a norma se refere diz respeito a um dos fatores a serem agregados dentro de um conjunto de atividades organizadas, que buscam atingir os objetivos sociais da organização. Não pode a simples prestação de serviços profissionais na área médica ser entendida como elemento de empresa. Para tal ser considerado, é necessário haver uma organização econômica da atividade empresária, em que a profissão intelectual constitua um dos elementos da organização. Do que foi exposto, concluise que o que efetivamente caracteriza a pessoa jurídica como sociedade simples ou empresária será o modo de explorar seu objeto. O objeto social explorado sem empresarialidade (isto é, sem profissionalmente organizar os fatores de produção) confere à sociedade o caráter de simples, enquanto a exploração empresarial do objeto social caracteriza a sociedade como empresária. O Código Civil estabelece claramente que enquanto o profissional intelectual apenas exerce sua atividade ainda que contratando auxiliares e com intuito de lucro ele não é considerado empresário para os efeitos legais. A partir do momento em que dá forma empresarial a suas atividades será considerado empresário e será regido pelas normas afetas ao direito empresarial. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 464 22 Desde o momento em que os serviços passam a ser oferecidos pela organização, perante a qual o prestador passa a ser mero organizador, ela será considerada empresária, na dicção de André Luiz Santa Cruz Ramos (in Curso de Direito Empresarial O novo regime jurídicoempresarial brasileiro, Ed. Juspodivm, 2008, págs. 60/61). O autor cita, também, enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil, realizada em 2005, no âmbito do Conselho da Justiça Federal, dos quais destacase o de n. 194, da lavra de Marlon Tomazette, cuja redação é a seguinte: Os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo se a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida. Seu autor justificao nos seguintes termos: Não basta o exercício de uma atividade econômica para a qualificação de alguém como empresário; é essencial também que este seja o responsável pela organização dos fatores de produção para o bom exercício da atividade. E essa organização deve ser de fundamental importância, assumindo prevalência sobre a atividade pessoal do indivíduo. Do que consta dos autos, verificase que embora sua natureza jurídica seja a de sociedade empresária, não consta de seu quadro de funcionários profissional apto a assumir a responsabilidade técnica pelos exames, além dos próprios cotistas. Não há qualquer referência ao fato de a contribuinte ter montado quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim sem necessidade de atuação direta dos sócios. Considerando o que foi exposto anteriormente, resta indagar até que ponto prepondera a responsabilidade técnica dos sócios da contribuinte sobre sua atividade. Se os sócios deixassem de assinar os laudos relativos aos exames efetuados suas atividades sofreriam solução de continuidade. Podese concluir que a atividade dos sócios prepondera sobre os fatores de produção e em decorrência, embora, de direito, sua natureza jurídica seja a de sociedade empresária, de fato é a da sociedade simples. Conforme dito anteriormente, não basta apenas ter natureza jurídica de empresário ou sociedade empresária. E necessário que a pessoa jurídica tenha em seu quadro funcional servidores com competência técnica para realizar sua atividadefim sem a necessidade de atuação dos sócios. O que efetivamente caracteriza a pessoa jurídica como sociedade simples ou empresária será o modo de explorar seu objeto. O objeto social explorado sem empresarialidade (isto é, sem profissionalmente organizar os fatores de produção) confere Fl. 464DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 465 23 à sociedade o caráter de simples, enquanto a exploração empresarial do objeto social caracteriza a sociedade como empresária. No que diz respeito aos anoscalendário de 2005 e 2006, valem as mesmas considerações antes expendidas sobre tratarse de sociedade simples. (...) Sendo assim, somente os serviços que se enquadrem no conceito de serviços hospitalares do ADI n° 18, de 2003, da IN SRF n. 306, de 2003, durante sua vigência, e da IN SRF n. 480, de 2004, com a redação dada pela IN SRF n° 539, de 2005, acima transcritos, estariam compreendidos na exceção ao percentual de 32% (trinta e dois por cento), o que, como visto, não é o caso da recorrente. (...) Ora, como já dito, não consta da acusação fiscal (da infração imputada) que a contribuinte, no caso, seria mera sociedade simples e não sociedade empresária. Tal requisito não foi apurado pela fiscalização e não serviu, não foi utilizado, por conseguinte, como pressuposto fático para a lavratura do auto de infração. Portanto, afasto a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% para os anoscalendário 2003 a 2006, ficando, por conseguinte, exonerado o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL atinente à diferença de coeficiente de presunção do lucro desses anoscalendário. Por fim, quanto à diferença de receita bruta do 4º trimestre/2004 de R$ 34.828,76 (R$ 111.520,88 – R$ 76.692,12) que a contribuinte, por erro material, deixou de oferecer à tributação do IRPJ e da CSLL (verificações obrigatórias), nessa parte mantenho os autos de infração do IRPJ e da CSLL, cujos valores do principal dessas exações fiscais do 4º Trimestre/2004 deverão ser recalculados pela unidade de origem da RFB (DRF/Bauru/SP), mediante aplicação do coeficiente de presunção de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), e recalculados ainda os acréscimos legais correspondentes (juros de mora e multa de ofício de 75%), com respectiva intimação fiscal da contribuinte para pagamento/recolhimento, na forma da legislação de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000085/200811 Acórdão n.º 1802001.437 S1TE02 Fl. 466 24 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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