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Numero do processo: 11030.900472/2009-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 04 72 /2 00 9- 70 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900472/200970 Acórdão n.º 3801001.217 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 27/12/2005 (fls. 1/4), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao periodo de apuração de janeiro de 1996, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 23/12/2005, no valor total de R$ 1.142,75, com débitos de PIS/PASEP dos períodos de apuração de abril a julho de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 3.341,74. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 07) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de guia DARF, não foi localizado, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 12/19, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações legislativas referentes ao PIS e declaradas inconstitucionais, discorrendo desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa lançada no despacho decisório inconstitucional. A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 19/30, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 32), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 33/50 em 12/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada pela Recorrente, tenho que o presente processo se resolve por conta da inexistência de documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.900472/200970 Acórdão n.º 3801001.217 S3TE01 Fl. 52 5 Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721217/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006, 2007
SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. DETERMINAÇÃO DO PREÇO. CONTRATO DE CONCESSÃO. RECEITA ANUAL PERMITIDA. FIXAÇÃO. REAJUSTES.
O Contrato de Concessão (CCSPT) firmado pela recorrente com a União não fixa o preço do MW de energia injetado na rede do usuário do serviço. No entanto, fixa a Receita Anual Permitida (RAP) e os critérios de seu reajuste. O preço do serviço de injeção de energia elétrica em rede de terceiros é contrato pela concessionária com o usuário final do serviço e o seu valor é sempre variável, conforme Cláusula 9ª do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) firmado pela prestadora do serviço com o usuário final, seu cliente, independente dos critérios de reajuste da RAP (periodicidade e índice de reajuste).
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, qualquer que seja o motivo da mora. Legítimo, também, a utilização da taxa Selic no seu cálculo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006, 2007 SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. DETERMINAÇÃO DO PREÇO. CONTRATO DE CONCESSÃO. RECEITA ANUAL PERMITIDA. FIXAÇÃO. REAJUSTES. O Contrato de Concessão (CCSPT) firmado pela recorrente com a União não fixa o preço do MW de energia injetado na rede do usuário do serviço. No entanto, fixa a Receita Anual Permitida (RAP) e os critérios de seu reajuste. O preço do serviço de injeção de energia elétrica em rede de terceiros é contrato pela concessionária com o usuário final do serviço e o seu valor é sempre variável, conforme Cláusula 9ª do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) firmado pela prestadora do serviço com o usuário final, seu cliente, independente dos critérios de reajuste da RAP (periodicidade e índice de reajuste). JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, qualquer que seja o motivo da mora. Legítimo, também, a utilização da taxa Selic no seu cálculo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2291; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721217/201074 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.896 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 SERVIÇO DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. DETERMINAÇÃO DO PREÇO. CONTRATO DE CONCESSÃO. RECEITA ANUAL PERMITIDA. FIXAÇÃO. REAJUSTES. O Contrato de Concessão (CCSPT) firmado pela recorrente com a União não fixa o preço do MW de energia injetado na rede do usuário do serviço. No entanto, fixa a Receita Anual Permitida (RAP) e os critérios de seu reajuste. O preço do serviço de injeção de energia elétrica em rede de terceiros é contrato pela concessionária com o usuário final do serviço e o seu valor é sempre variável, conforme Cláusula 9ª do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) firmado pela prestadora do serviço com o usuário final, seu cliente, independente dos critérios de reajuste da RAP (periodicidade e índice de reajuste). JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 17 /2 01 0- 74 Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 3 2 Receita Federal do Brasil, qualquer que seja o motivo da mora. Legítimo, também, a utilização da taxa Selic no seu cálculo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de dois autos de infração lavrados em 02/01/2011, o primeiro para o fim de constituir débito de Cofins (fls. 1147 R$ 100.083.881,79) e o segundo para constituir débito de PIS (fls.1162 – R$ 21.757.408,20), no âmbito do sistema não cumulativo. Em resumo, a Recorrente é empresa concessionária de energia elétrica que no período fiscalizado (anos 2006/2007) procedia à apuração das contribuições ao PIS e Cofins de forma mista, submetendo parte de suas receitas às regras do sistema cumulativo (Lei nº 9.718/98) e outra parte às normas do sistema não cumulativo (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). Conforme se verifica dos termos do “Relatório da Atividade Fiscal” (Fls. 1177/1206), é justamente esta forma “mista” de apuração que gerou as autuações em comento, verbis: Fls. 1180 – Trecho do Relatório da Atividade Fiscal Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 4 3 “No que concerne às contribuições sobre o faturamento, as irregularidades cometidas pela Eletrosul dizem respeito à opinião da empresa oposta à interpretação da RFB de que os contratos que vigoram no setor elétrico e que, portanto, a vinculam, se enquadrariam no conceito de contrato por preço predeterminado de que trata o art. 10, inciso XI, alínea ‘b’, da Lei nº 10. 833/03 c/c o art. 109 da Lei nº 11.196/05. Este suposto enquadramento daria a empresa o direito de tributar o faturamento decorrente dos contratos estabelecidos anteriormente a 31/10/2003 pelo regime da cumulatividade em vez de regime não cumulativo, com isso alcançando significativa redução das contribuições devidas.” destaquei A análise do relatório fiscal apurou que a tributação diferenciada trouxe enormes prejuízos ao Erário (e consequentemente benefício à contribuinte) em razão dos créditos possíveis de serem tomados no sistema não cumulativo1. Neste sentido, percebese que em virtude da atividade da contribuinte, os contratos antigos teriam muito menos crédito a aproveitar do que os novos,o que significa que a apuração das receitas decorrentes de contratos antigos pela sistemática da não cumulatividade representaria uma carga tributária real em muito superior aos novos contratos. Nestes termos consta do Relatório Fiscal: Fls. 1188 – Trecho do Relatório Fiscal “Enquanto adotava o procedimento contábiltributário de tributar pelo regime da cumulatividade as receitas provenientes da atividade do “Sistema Existente”, a empresa obtinha uma grande redução de tributação da Contribuição para o PIS e da COFINS que caía abaixo da metade, pois, o resultado prático da manutenção no regime não cumulativo era a redução da alíquota de 7,6% para 3%, uma vez que para esta parcela do faturamento quase não havia geração de créditos a descontar. De acordo com o que é demonstrado no exemplo estampado na Figura 2, a geração de créditos a descontar na atividade da Eletrosul ocorre, significativamente, em poucos itens: principalmente na depreciação de bens do ativo imobilizado (R$ 6.933.341,82), no uso de energia elétrica (R$ 65.548,96) e em gastos com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas (R$ 22.605,10). Como os bens do ativo imobilizado referentes ao “Sistema Existente” já estavam praticamente totalmente depreciados (segundo informação dos contadores responsáveis), grosso modo não havia créditos a descontar relativos a esta parcela do faturamento. Como se vê, a manutenção no regime da cumulatividade na tributação da parcela do faturamento proveniente do “Sistema Existente” para a Eletrosul representava, na prática, a redução das alíquotas da COFINS e da Contribuição para o PIS incidentes sobre essas receitas a menos da metade. Já a parcela da receita tributada pelo regime da não cumulatividade, ou seja, a receita oriunda da atividade das ‘Novas Instalações Autorizadas’, esta era beneficiada pela possibilidade legal de depreciar aceleradamente os bens do 1 A fiscalização instaurou um processo administrativo (nº 485000.002955/2005) justamente para verificar o impacto produzido pela alteração das alíquotas da Contribuição para o PIS e Cofins. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 5 4 imobilizado gerando um grande volume de créditos a descontar, haja vista serem imobilizações recentes com grande potencial de depreciação. Como se pode notar comparando as informações da Ficha 16 A às da 17B, os créditos a descontar gerados dessa depreciação eram sempre mais do que suficientes para a quitação dos débitos apurados da COFINS (e também da contribuição ao PIS) tributada pelo regime nãocumulativo.” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal percebese que a fiscalização pautou a autuação em dois aspectos que alcançaram o mesmo ponto, qual seja, descaracterizaram a natureza de preço prédeterminado nos contratos de prestação de serviços: (i) a existência de cláusula prevendo a aplicação do IGPM com índice de atualização monetária do contrato, uma vez que a Lei nº 11.196/2005, em seu artigo 109, apenas permite o reajuste realizado por meio da índice que reflita a variação dos custos de produção ou insumos e (ii) a existência de cláusula de revisão de preço, a qual permite o repasse de futuros aumentos da carga tributária ao preço do serviço, mantendo assim o equilíbrio do contrato. Exatamente neste sentido está a CONCLUSÃO apresentada pela fiscalização: Fls. 1196 CONCLUSÃO PRIMEIRO ASPECTO2 “Os contratos de transmissão de energia elétrica não podem ser considerados ‘contratos a preço predeterminado’ porque a fórmula base adotada para o reajuste dos seus preços (em geral assim como pela Eletrosul) é composta principalmente por índices de preços gerais (IGPM), gênero de índice este não considerado pelo art. 109 da Lei nº 11.196/05 entre aqueles que não descaracterizam o ‘contrato a preços predeterminados’. Em outras palavras, o fato de adotarem a correção monetária os faz perder a condição de ‘contratos a preço predeterminado’: o que a Lê protege são os contratos com previsão de correção dos preços para se ajustarem os custos e não aos contratos que tenham inserido cláusula de correção monetária indiscriminada.” Fls. 1198 CONCLUSÃO SEGUNDO ASPECTO3 2 Fls. 1195 "O primeiro (aspecto) diz respeito à ausência da característica de 'contarto de preço predeterminado nos contratos que regulam a prestação de serviço de transmissão de energia (Contrato de Concessão de Serviço de Transmissão, CPST e CUST), ausência esta determinada pela interpretação dada pelo art. 109 da lei nº 11.196/05. A compreensão equivocada deste aspecto afigurase como a principal contradição presente na Nota Técnica nº 224/2006 SFF/ANEEL." 3 Fls.1197 "O segundo aspecto a ser salientado diz respeito à ausência da caracter[istica de "contrato a preço predeterminado" nos contratos que regulam a prestação de serviço de transmissão de energia pela disposição, nos próprios contartos, da variabilidade (aumento ou distribuição) dos seus preços pela criação,alteração ou extinção de Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 6 5 “Por determinação legal do §3º, art. 9º, da Lei nº 8.987/95, os Contratos de Concessão de Transmissão são ajustáveis à criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais. Portanto, também mais esta possibilidade de ajuste da tarifa faz com que os contratos que regulam a prestação de serviço de transmissão fiquem descaracterizados como sendo ‘contratos a preço predeterminado.’” Os contratos em discussão no presente processo administrativo são os seguintes: Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) (fls. 861 a 957), o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão n° 057/2001 (fls. 119 a 147) e o Contrato de Prestação de Serviço Público de Transmissão (CPST) n° 011/1999 (fls. 958 a 1.052). Resumidos os termos da autuação, passemos à defesa da Recorrente, assim consubstanciada nos termos do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Em oposição aos argumentos firmados pela Autoridade Fiscal a interessada, em síntese, defende, com base em excertos doutrinários, Soluções de Consulta emitidas pela RFB e em decisões judiciais, que o reajuste das tarifas de energia com base no IGPM (enquanto “mera indenização ao credor pelo fator tempo”) e em razão da alteração, extinção ou criação de tributos ou encargos legais não descaracterizam os contratos para prestação de serviço de transmissão de energia elétrica em questão como sendo “a preços predeterminados”. Aduz que com o advento das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, autarquia federal, em 19/06/2006 emitiu a Nota Técnica n° 224/2006 SFF ANEEL tendo por objeto a incidência das contribuições de que tratam as referidas leis sobre as receitas decorrentes de contratos de Prestação de Serviços de Transmissão CPST, arrecadadas mediante a cobrança da TUST via Contratos de Uso do Sistema de Transmissão – CUST, assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos do Art. 10, inciso XI, e Art. 15 da Lei n° 10.833/2003, c/c Art. 109 da Lei n° 11.196/2005. Argumenta, com base na referida Nota Técnica, que o conceito de preço predeterminado foi indevidamente modificado através da Instrução Normativa n° 468/2004, ora revogada pela Instrução Normativa n° 658/2006, “suplementando a Exatoria quanto ao conceito esculpido no Código Civil, bem como quanto ao conceituado na Instrução Normativa n° 21/1979, onde o preço predeterminado somente subsiste até o primeiro reajuste”. Alega então que a disposição interpretativa da RFB afronta ao princípio da legalidade já que “está condicionada à observância quaisquer tributos ou encargos legais. de outro modo, é dizer, os contratos não são a preços predeterminados porque é estabelecido por lei e discriminado em cláusula específica desses contratos que os preços pactuados podem variar em função de alterações nas legislações tributárias. Assim, pelo menos para efeitos da legislação tributária (que é o que interessa nessta fiscalização), esses preços não são predeterminados, pelo contrário, são 'ajustáveis à tributação' e, portanto, variáveis. Ou seja, eles contém dispositivo interno que prevê a possibilidade de que haja uma alteração na legislação tributária e, em ocorrendo esta possibilidade, os preço ali ajustados devem variar." Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 7 6 da Lei e somente lhe é permitido adotar procedimentos que a Lei a autorize”. Assenta, ainda, que o tal órgão regulador na referida nota concluiu que o reajuste anual, calculado com base em índices oficiais (IGPM), não descaracteriza o caráter de preço predeterminado, devendo, por conseguinte, tais receitas permanecerem sujeitas às normas da legislação do PIS/Pasep e da Cofins, vigentes anteriormente à edição da Lei n° 10.833/2003, ou seja, no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/1998. No que concerne à alteração da tarifa devido à criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, insurgese contra o entendimento fiscal dando a entender que deste se infere que “para os exatores não subsiste no Direito e tampouco na legislação o conceito de preço predeterminado, haja vista que se todo e qualquer preço é variável em virtude de encargo tributário, não há que se falar em preço determinado ou ainda preço fixo”. Ainda alega que “o produtor ou revendedor transfere ao consumidor o ônus da respectiva incidência tributária sobre o faturamento e o lucro, não subsistindo a tese exatora de que o tributo se confunde com o próprio preço de venda, aí se denota a natureza nominativa dos tributos”. Conclui, por fim, que a posição da RFB não pode prosperar, a uma pelo fato de que o procedimento desta adotado tem previsão legal e é aplicável à espécie, a duas porque em relação ao índice de reajuste IGPM o legislador no Art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não expressou óbice à sua aplicação Alega ainda nulidade dos lançamentos, pois a multa de ofício aplicada, independentemente de possuir natureza tributária ou não, enquanto acessória ao tributo devido, não pode “representar valor superior ou equivalente ao próprio tributo, sob pena de infringir os limites da razoabilidade, pois aí estaria instalado o efeito confiscatório”. Conclui que “não pode o procedimento fiscal ou mesmo qualquer norma infraconstitucional sobreporse ao princípio insculpido no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal”. Ademais, aduz que não se pode julgar que não tenha agido de boafé, que nenhum fato restou omitido ou qualquer dolo foi intentado e não houve sequer sonegação de pagamento de tributo, divergiuse apenas sobre a espécie do regime de tributação. Ante os argumentos expendidos, pugna que sejam cancelados os autos de infração e, caso confirmada a tese defendida pelos auditores fiscais, que a multa seja fixada em no máximo 20% (vinte por cento).” Após analisar as razões da Recorrente, a 4 ª Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão nº 0725.585 (fls. 1494/1506), por meio do qual entendeu por bem manter a integralidade dos autos discutidos, conforme decisão da seguinte forma ementada, a saber: Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 8 7 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2006, 2007 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, apenas se efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, não descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2006, 2007 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, apenas se efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 9 8 não descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido ex officio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de ofício previstas na legislação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada, a empresa autuada interpôs recurso voluntário às fls. 1518/1581, no qual reiterou as alegações trazidas em sua impugnação, inovando em relação à alternativa ao total cancelamento dos autos de infração. Neste aspecto, requer a Recorrente, na hipótese de ser mantida a autuação, a aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN – com o conseqüente cancelamento da exigência de juros de mora e multa, quando menos mantendo a exigência dos juros de mora apenas para os fatos geradores incorridos após agosto/2007. Embasa este argumento o fato de que até esta data, quando a Procuradoria da Fazenda nacional editou o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, não havia orientação contrária ao entendimento apresentado pela ANEEL (Nota Técnica nº 224/2006 – SFF). Alega ainda a Recorrente a ilegalidade de inconstitucionalidade do percentual da multa aplicada e da Taxa Selic. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora. Conforme relatado, tratase de autos de infração lavrados para o fim de constituir valores de PIS e Cofins, apurados pela sistemática não cumulativa, em virtude do Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 10 9 entendimento de não aplicação, à alguns contratos da Recorrente4, da exceção prevista na alínea ‘b’, do inciso XI, do artigo 10 da Lei nº 10.833/035, verbis: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...)” – destaquei. Nos termos da legislação supramencionada, é possível a manutenção de determinadas receitas no sistema cumulativo do Pis e Cofins, desde que sejam atendidos três requisitos: (1º) que o contrato tenha prazo superior a 1 ano; (2º) que seja contrato de empreitada ou fornecimento de bens e serviços; (3º) que tenha preço prédeterminado. De fato, a Recorrente é empresa concessionária de serviços públicos de energia elétrica, possuindo para tanto contratos de prestação de serviços celebrados antes de outubro/2003, com prazo superior a 1 ano. Em relação ao atendimento dos primeiros requisitos, portanto, não resta dúvida, inclusive não há discussão a este respeito. 4 Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) (fls. 861 a 957), o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão n° 057/2001 (fls. 119 a 147) e o Contrato de Prestação de Serviço Público de Transmissão (CPST) n° 011/1999 (fls. 958 a 1.052). 5 A aplicação desta norma também alcança a contribuição ao PIS em decorrência expressa da aplicãção do artigo 15, inciso V, a saber: Lei nº 10.833/03 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005)" Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 11 10 O debate cingese ao último requisito necessário para que a receita destes contratos permaneçam sujeitas às alíquotas previstas para o regime cumulativo do PIS e Cofins (Lei nº 9.718/98), qual seja, do contrato ser a preço prédeterminado. A questão é que, conforme esclarece a fiscalização, os contratos firmados pela Recorrente possuem duas cláusulas suficientes, no entender do Agente Fiscal, à desconsideração desta característica de “preço prédeterminado” do contrato, o que faria com que a manutenção da receita destes contratos no sistema não cumulativo fosse indevida. A primeira cláusula referese à possibilidade de reajuste do preço do contrato, com a expressa aplicação do índice de IGPM e a segunda trata da possibilidade de revisão do preço da Receita Anual Permitida – RAP, prevista para fim de manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro da concessão de serviço público. É sobre estas cláusulas e seus efeitos a divergência debatida nos presentes autos. Passo a análise individual de cada uma. (i) Da aplicação do IGPM Conforme mencionado, no entender da fiscalização que aplica a Nota Técnica Cosit nº 1/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o fato de os contratos em comento preverem a correção monetária com base no índice do IGPM descaracteriza o preço prédeterminado. A fiscalização interpreta o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, analisadoo conjuntamente com o § 1º, II, art. 27 da Lei n. 9.069/95, para o fim de concluir que a única hipótese de correção monetária se restringe à aplicação de índice de variação de custo de produção ou insumo, verbis: Fls. 1196 – Trecho do Relatório de Fiscalização “2. O texto do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estabelece que para fins do disposto nas alíneas ‘b’ e ‘c’ do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação do índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. 3. Assim, a lei nenhum momento fez referência permissiva a índices de preços gerais, ou mesmo, a índices de preços setoriais. Portanto, o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, ao oferecer a ‘interpretação autêntica’ do dispositivo, claramente não pretendeu abrigar no conceito de ‘contrato a preço predeterminado’ aqueles que fossem reajustados por índices de preços gerais ou índices de preços setoriais, mas, somente aqueles que refletissem os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos.” destaquei Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 12 11 Data máxima vênia, divirjo do entendimento da decisão de primeira instância administrativa, bem como da fiscalização – ainda que reconheça o primor e excelência do trabalho fiscal desenvolvido. Ocorre que (a) não coaduno com o entendimento desenvolvido em relação à interpretação do artigo 109 da Lei nº 11.196/05, (b) a meu sentir a correção monetária não implica aumento de preço, somente manutenção do poder da moeda e (c) porque a legislação (Lei nº 10.833/03) pretendeu, exatamente, garantir o equilíbrio financeiro dos contratos estabelecidos antes de sua vigência. (i.a.) Do Impeditivo Legal Conforme se depreende do entendimento da fiscalização, mantido pela r. decisão recorrida, em seu entender, o IGPM não poderia ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. Insta esclarecer que a interpretação trazida pela Secretaria da Receita Federal acerca de preço “prédeterminado”, depreendida dos termos da Instrução Normativa nº 658/066, vinculase ao artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: 6 Instrução Normativa nº 658/06 IN/SRF "Do Âmbito de Aplicação Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 13 12 Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003.” E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (...)” destaquei Assim, no entender da fiscalização, somente poderão ser considerados contratos com preço prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção por expressa limitação legal. Data vênia o entendimento apresentado, discordo da interpretação legal realizada. Primeiro, entendo que todos os contratos, por expressa disposição legal (mencionado artigo 27, caput, Lei nº 9.069/95) podem ser corrigidos pelo IPCr, nos casos em que “...a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições. (...)" Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 14 13 produzidos...” além do IPCr podese utilizar índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. Neste sentido, o artigo 109 da Lei nº 11.196/95 limitou a interpretação do operador do direito em relação à utilização de uma espécie de correção monetária, mas não conceituou contrato prédeterminado, assim como não impediu a aplicação da correção monetária nos termos da Lei. Em relação à possibilidade de utilização do índice IGPM em substituição ao IPCr, acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 802/805), o qual esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” – destaquei. Ainda, necessário observar que não houve, nos autos, discussão ou comprovação de que o índice de correção utilizado (IGPM) teria superado o valor de variação do custo de produção. A questão não foi relevante para a desconsideração promovida pela fiscalização do enquadramento fiscal realizado pela Recorrente. Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pela v. decisão recorrida por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 15 14 (i.b.) Da Aplicação de Correção Monetária Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica7, mas apenas a manutenção do poder de moeda8. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “prédeterminado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. Esta questão foi julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.089.998 – RJ, tendo o Colendo Tribunal concluído que a cláusula de correção monetária não altera o valor prédeterminado no contrato e que a Instrução Normativa em comento (IN 468/2004) extrapolou seu poder normativo, ocasionando o aumento da carga tributária sem ser por meio de lei, a saber: “TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 7 Vale registrar que a jurisprudência deste Egrégio Tribunal Administrativo corrobora este entendimento, a saber: “IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA ANTES DA LEI n° 8.383/91 CABIMENTO. Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. Tratase de restituir integralmente aquilo que foi recolhido a maior, porquanto a sua falta caracterizaria em restituição incompleta. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É apenas recomposição do crédito corroído pela inflação.” (Processo nº 1980.00962619475; Recurso 112.682, Acórdão 10318.715 – destaquei) “SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA APURADO EM DIRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEFERIMENTO. Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. Tratase de restituir integralmente aquilo que foi recolhido a maior, porquanto a sua falta caracterizaria em restituição incompleta. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. E apenas recomposição do crédito corroído pela inflação". Precedentes. No pedido de restituição de saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é devida a correção monetária, ainda que o contribuinte não tenha contabilizado o acréscimo.” (Processo nº 13811.000236/9811, Recurso nº 148061, acórdão:10708.595 destaquei) 8 Neste sentido também os Tribunais Superiores: "(...) 3. União Federal. Pagamento de expurgos inflacionários. Admissibilidade. A correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação. Agravo regimental desprovido." (Supremo Tribunal Federal, Pleno, ACO nº 404 ExecuçãoAgR/SP, Rel. Min. Maurício Correa, DJU 02/04/2004) "Tributário Parcelamento Transação Correção Monetária Sibrevindo nova ordem econômica no país, não ofende direito do devedor a atualização de parcelas vincendas da OTNs, até porque a atualização não constitui um plus mas simples critério de atualização na moeda em regime inflacionário. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, Primeira Turma, REsp nº 12.006/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJU 09/09/91). Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 16 15 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços "e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (grifei) Friso que, conforme registrado no item 5 da ementa citada, o Ministério Público Federal opinou justamente pela impossibilidade da cláusula de correção monetária ser entendida como indeterminação do preço. Nesta linha, cito voto vista do Eminente Ministro Castro Meira, proferido no julgamento do mesmo Recurso Especial, que por sua vez cita o entendimento do SubProcurador Geral da República, verbis: “Em abono ao meu convencimento, trago a seguinte passagem do judicioso pronunciamento do SubprocuradorGeral da República Dr. Fernando H. O. de Macedo: Com efeito, parecenos que a tese defendida pela Parte ora Recorrente é que mais se coaduna com os princípios da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da inalterabilidade dos atos jurídicos perfeitos, estampados nos arts. 150, inciso III e 5º, XXXVI, da Constituição Federal ora vigente, motivo esse pelo qual optamos por encampar a idéia ali expressa, e nos firmarmos no entendimento de que a Instrução Normativa SRF nº 468 de 2004 pode ter vindo, de fato, a restringir o alcance dado pela regra de exceção prevista na da Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 17 16 Lei nº 10.833, já que a regra ali exposta excluiu da incidência daquela norma excepcional, receitas elencadas pela própria Lei, e isto mediante o entendimento de desconfiguração do caráter de predeterminação do preço, em face de mera aplicação de cláusula de reajuste prevista no contrato. Ora, a lei tributária deve ser anterior ao conjunto de fatos que constituem o pressuposto da incidência de seus efeitos (ainda que de tais fatos decorram atos de trato sucessivo no tempo), para que se possa, a partir daí, estabelecer os encargos decorrentes da intervenção do Estado na esfera econômica do Particular, sob pena, de resto, de ofensa às exigências da segurança jurídica e ao inafastável direito subjetivo ao conhecimento prévio das regras fiscais aplicáveis. Daí porque se entender que as receitas relativas a contratos de fornecimentos de bens ou serviços, a preço determinado, com prazo superior a 1 ano, firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003, não devem se sujeitar às alterações promovidas pela nova sistemática de cálculo e apuração das contribuições ao PIS e COFINS, pois que celebrados levandose em consideração o sistema normativo à época aplicável e os respectivos impactos na operacionalização do negócio, de forma que, não se contemplando hipótese de efetiva alteração do preço e das condições pactuadas no contrato ou de qualquer forma de recomposição de custos (ressaltando que a correção monetária do preço ajustado nada mais é do que mera preservação do valor real da moeda frente aos efeitos do desgaste inflacionário ao longo do tempo, nada alterando quanto ao caráter predeterminado do preço originariamente idealizado pelas partes), não há que se cogitar da repercussão econômica da majoração da alíquota associada à implantação da não acumulatividade do novo regime de tributação, e tudo, de resto, tanto por força do disposto na alínea 'b' do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, como da inafastável obediência ao princípio da irretroatividade da lei tributária. (eSTJ fl. 337)” Pareceme claro que por uma razão ou por outra, não há meios de admitirse a interpretação pretendida pela fiscalização, consubstanciada na Nota Técnica Cosit nº 1/2006 e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, no sentido de que a existência e aplicação da cláusula de reajuste contratual descaracteriza o contrato como sendo de preço prédeterminado9. (ii) Da Cláusula de Revisão Receita Anual Permitida – RAP 9 Cito neste sentido entendimento da própria Receita Federal, que já externou este posicionamento, conforme esclarecido em artigo publicado no livro “Pis Cofins – Questões Atuais e Polêmicas, da Quartier Latin, artigo de Igor Mauler Santiago e Valter Lobato, fls. 586/587”, a saber: “Mais liberal, porém, tem sido o entendimento da SRF, como se pode ver na Solução de Consulta nº 38, de 28.05.2004, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 4ª Região Fiscal, onde se afirma que ‘as receitas a contratos para fornecimento de energia elétrica, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, entre empresa pública federal e produtora independente de energia, permanecem sujeitas’ ao PIS /PASEP e à COFINS cumulativos ‘desde que o preço do serviço tenha sido predeterminado, ainda que o respectivo contrato preveja seu reajustamento.” Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 18 17 Outra questão trazida pela fiscalização como fator que inviabiliza a manutenção da receita dos contratos analisados no sistema cumulativo do PIS e Cofins refere se à existência de cláusula de revisão do preço do contrato, ou seja, uma cláusula que permite a revisão do valor da Receita Anual Permitida para adequação do contrato, inclusive, à futuras alterações de carga tributária, no sentido de manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Neste sentido, existe uma diferença entre Clausula de revisão e de reajuste. “No direito administrativo brasileiro, o reajuste contratual consiste em uma forma de indexar os preços contratuais para manter o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Há uma diferença entre reajuste e revisão. No primeiro há apenas recomposição do preço em virtude de perdas inflacionárias, e tem periodicidade anual. Já a Revisão diz respeito a uma redefinição da equação econômica prevista no contrato: no caso de contrato de concessão ocorre a cada cinco anos; no caso dos outros contratos com a Administração Pública, ocorre em situações extraordinárias onde se verifique a necessidade de rever preços como forma de estipular uma nova equação econômica. 10” O reajuste, resultante na simples aplicação do índice do IGPM, não representa alteração do preço prédeterminado do contrato. Já a revisão, que normalmente pretende restabelecer o equilíbrio contratual por constar de uma situação extraordinária e imprevisível (tal como a alteração da situação tributária), altera o valor anteriormente pactuado. Em resumo, a simples possibilidade (e esta condição é pertinente) de revisar o valor do preço para o fim de atualizálo com possíveis alterações tributárias que viessem a ocorrer, seria suficiente para descaracterizar a condição prédeterminada do preço, ainda que não tenha sido realizada qualquer alteração de preço neste sentido. Impera esclarecer que dos documentos acostados aos autos, especialmente das informações fiscais acerca da formação do preço e da carga tributária, constatase que in casu a Recorrente não alterou o preço neste sentido, constando o repasse ao preço apenas do valor recolhido a título de PIS e Cofins cumulativo. A questão é de grande relevância, e devo afirmar que, se tivesse sido comprovado que a Recorrente alterou o preço do serviço para fim de refletir o aumento da carga tributária (no caso a alteração do regime para não cumulativo), com certeza não haveria qualquer dúvida quanto ao fato de a receita decorrente do contrato estar fora do regime cumulativo. Todavia, não consta menção/comprovação de que houve a efetiva alteração de preço. Ao contrário, a fiscalização e a decisão de primeira instância defendem que a receita deste contrato não pode ser mantida no sistema cumulativo porque o equilíbrio contratual está garantido pela simples existência de cláusula de revisão. Em síntese, como existe a possibilidade de o preço ser alterado e o aumento da carga tributária repassada para o preço, o contrato não é prédeterminado. Não vejo meios de coadunar com este entendimento. A simples existência de cláusula de revisão em nada interfere no conceito de “preço prédeterminado”. Contrário sensu, a previsão da cláusulas de revisão e reajuste é procedimento normal e praticamente obrigatório nos contratos, principalmente no que se refere aos contratos de longo prazo e esta 10 Revista Dialética de Direito Tributário RDDT nº 120, in "PIS/Cofins art. 10, XI, b, da Lei 10.833/03 a Questão do Preço Predeterminado" fl.134 Autores: João Dácio Rolim e Marciano Seabra de Godoi grifo meu. Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 19 18 possibilidade está, inclusive, prevista nos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93 (lei que trata da licitação). É a aplicação dos princípios da moralidade administrativa, segurança jurídica e da proteção do ato jurídico perfeito. Por outro giro, é de sumária nitidez que o cumprimento de dispositivo legal não pode ser utilizado pela fiscalização para prejudicar os contribuintes, menos ainda, ser emprestado para fundamentar interpretação que pretende a restrição de direitos, restrição esta que não se encontra no texto legal. De acordo com este raciocínio, a simples previsão de possibilidade de revisão de preço não é, ao meu sentir, suficiente para macular a característica pré determinada do contrato, sendo necessário comprovar que ocorreu a utilização da cláusula de revisão. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PROVIMENTO, reformando a decisão de primeira instância administrativa para o fim de cancelar os autos de infração lavrados. É como penso. É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Ouso discordar do entendimento esposado pela Ilustre Conselheira relatora porque comungo com os fundamentos da decisão recorrida, aos quais faço os seguintes esclarecimentos adicionais. O Contrato de Concessão (CCSPT) firmado entre a União e a ELETROSUL não é um contrato de fornecimento de bens ou serviços, mas um contrato de autorização ou permissão para a exploração do serviço público de transmissão de energia elétrica. A União não é cliente da ELETROSUL, por este contrato. Também por este contrato a UNIÃO não determina o preço dos serviços prestados pela ELETROSUL aos usuários finais de seu serviço, estes, sim, seus clientes. Isto porque no CCSPT não existe a previsão de preço por MW injetado na rede dos usuários a ser cobrado pela ELETROSUL, mas tão somente o valor da Receita Anual Permitida (RAP). Esta regra vale para a ELETROSUL e para todas as outras concessionárias de transmissão de energia elétrica. Para garantir o auferimento da RAP, o sistema elétrico brasileiro conta com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em linhas gerais, o sistema elétrico brasileiro funciona do seguinte modo: as concessionárias de transmissão de energia elétrica, detentoras de Contrato de Concessão (CCSPT), firmam com o ONS um Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST) por meio do qual fica o ONS autorizado a contratar os serviços de transmissão de energia elétrica com os usuários finais, ou seja, com os reais clientes das Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 20 19 concessionárias. Para isto, o ONS firma um Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) com os usuários finais dos sistemas de transmissão de energia elétrica. O valor do serviço de transmissão de energia elétrica a ser pago pelo usuário final é determinado através do rateio mensal do duodécimo da RAP das concessionárias entre os usuários do sistema de transmissão de energia elétrica que firmaram o CUST, proporcionalmente à quantidade de MW injetado nas redes de cada um, ajustado por variáveis determinadas em contrato ou pela ANEEL. Determinado pelo ONS o valor do serviço de transmissão de energia elétrica a ser pago pelo usuário final à empresa transmissora, o mesmo é comunicado a ambos (usuários e concessionárias), por meio de Aviso de Débito e de Crédito, respectivamente. O preço a ser pago pelo serviço é, desta forma, sempre variável. Para o cliente da empresa transmissora, o valor do MW injetado na rede dele usuário (preço) é sempre variável. Vale lembrar que a RAP de cada concessionária não é fixa e varia em razão da quantidade de equipamentos (de transmissão, de conexão e outros equipamentos ) por ela disponibilizado para operar no sistema e de outros fatores. A entrada em operação de novos equipamentos de transmissão, de conexão e outros equipamentos altera a RAP. Também as interrupções e as sobrecargas na rede alteram o preço do serviço de injeção de energia na rede do usuário e, também, altera a RAP. Independentemente da variabilidade ou não da RAP e da possibilidade de seu reajuste anual pela ANEEL, por qualquer índice ou critério, certo é que a RAP claramente não é o preço, por MW, da injeção de energia elétrica na rede do usuário, matéria objeto do litígio (se o preço do MW injetado na rede do usuário é ou não pré determinado). A RAP é o somatório dos diferentes valores pagos pelos usuários do sistema de transmissão, no período de um ano. Como a RAP e a quantidade de MW injetada na rede dos usuários são variáveis, o preço por MW injetado no sistema do usuário não pode ser fixo: obrigatoriamente ele é variável, mesmo para quem defende que a RAP é fixa. Esta regra também vale para o “sistema de transmissão” existentes no ano anterior (ou para os existentes antes de 31/10/2003, como alega a recorrente) para os quais a RAP sofre alteração em razão, por exemplo, da inoperância do sistema. Supondo que a RAP seja fixa para o “sistema de transmissão” existente no ano anterior (ou até 31/10/2003), mesmo assim continua variável o preço do MW injetado na rede dos usuários por estes equipamentos porque a quantidade de energia injetada na rede do usuário é sempre variável e na formação do preço entra as sobrecargas e as interrupões. Tanto é que nos CUSTs firmados com os usuários o preço do serviço contratado é pactuado nos seguintes termos: Cláusula 9ª. A USUÁRIA pagará mensalmente os ENCARGOS DE USO DA TRANSMISSÃO assim como, eventuais ultrapassagens de DEMANDA de potência e SOBRECARGAS em instalações e equipamentos das CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO, em conformidade com a regulamentação da ANEEL. [...] Parágrafo 2º Os valores dos ENCARGOS DE USO DA TRANSMISSÃO serão reajustados mediante regulamentação da ANEEL, considerando também a sistemática de reajuste das RECEITAS ANUAIS PERMITIDAS referentes à REDE BÁSICA, Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 21 20 constante dos Contratos de Concessão das CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO. Parágrafo 3º O cálculo e a tarifação da ultrapassagem de DEMANDA no uso do SISTEMA DE TRANSMISSÃO, serão realizados conforme regulamentação da ANEEL. Como se vê, o preço do serviço de injeção de energia elétrica, pago pelos usuários, não é fixo e muito menos pré determinado no ato de contratação do serviço. Provado que não é fixo e nem pré determinado o preço do serviço prestado pela recorrente, correto estar o entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida de que à recorrente não se aplica as disposições do art. 10, inciso XI, alínea ‘b’, da Lei nº 10. 833/03 c/c o art. 109 da Lei nº 11.196/05. Consequentemente, não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto como se aqui estivessem escritos, conforme autoriza o art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/199911. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação tributária trazidos pela recorrente, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF12: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas à sua razoabilidade, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/9613. Quanto aos juros de mora, os mesmos foram lançados em cumprimento à legislação enumerada no auto de infração e em perfeita harmonia com o que determina o art. 161 do CTN. 11 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 12 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.721217/201074 Acórdão n.º 3302001.896 S3C3T2 Fl. 22 21 Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10580.726977/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 2802-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAYSE FERNANDES LEITE - Relatora.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO - Presidente. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITE - Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITE Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 77 /2 00 9- 77 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheirosJorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 267/272), em face do Acórdão 2802001.125, de 26 de outubro de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “Com a devida vênia, o v. acórdão embargado incide em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Primeiramente, é preciso esclarecer, que a verba em discussão nestes autos –URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Complementar do Estado daBahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. A autuada recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pela autuada não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 2802001.864 S2TE02 Fl. 3 3 Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em julgamento proferido no dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu, repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os juros de mora (RESP 1.227.133/RS). A ementa restou assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA.MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO.RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” É bem verdade que esse novo acórdão ainda não foi publicado,podendo sofrer modificações. Porém, sua utilidade está em demonstrar a tese verdadeiramentefirmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, de modo que, a contrario senso, em sendo de natureza remuneratória, seria possível a incidência do tributo. Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza trabalhista e/ou indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos 4 da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. O acórdão embargado excluiu da tributação os valores de R$35.211,82 em cada um dos três exercícios, recebidos, pelo contribuinte, a título de juros das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Inferese, nos autos que os rendimentos foram pagos, ao contribuinte, pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. O acórdão embargado foi proferido em 27 de outubro de 2011, com o fundamento de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela contribuinte em virtude de decisão judicial, adotando o entendimento do STJ (Resp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Planilha de fls. 17 da conta de que do valor total R$.256.116,86, percebido pelo contribuinte , relativo aos período 2004/2006, R$.105.635,45, referemse a Juros moratórios (R$ 35.211,82, em cada período). Ademais,. no acórdão embargado, foi reproduzido o entendimento vigente a data em que foi proferido e segundo o qual o caráter indenizatório dos juros de mora não estava atrelado à condenação em ação judicial trabalhista, enquanto a embargante amparase no entendimento firmado pelo STJ posteriormente quando dos EDCL no RESP 1.227.133/RS. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado acerca da adoção do entendimento do STJ exposto no RESP 1.227.133/RS, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.125, de 27 de outubro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, devendo ser dado ciência à PGFN, tudo com fulcro no art. 65, §§ 3º e 4º, do Anexo II, do RICARF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 2802001.864 S2TE02 Fl. 4 5 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13811.002490/00-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA.
Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho.
Numero da decisão: 3401-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da selic, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da selic, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 24 90 /0 0- 12 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI protocolado pela contribuinte Cargill Agrícola (sucessora da antiga Cargill), referente ao terceiro trimestre de 2000, no valor de R$ 542.829,99. Em 30.04.2010, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 267.879,69. Quanto às glosas efetuadas pela fiscalização, a recorrente teria incluído, indevidamente, em suas planilhas de custo de produção de produtos exportados gastos com combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, água, lenha e insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas). Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) Quanto às glosas da fiscalização relacionadas aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, a Lei 9.363/96 é clara ao definir que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. b) A decisão do legislador foi no sentido de que a totalidade dos insumos em questão seja computada no cálculo do crédito presumido do IPI, desde que consumidos em processo de industrialização de produtos exportados. Sendo assim, sua determinação é genérica, não vedando o creditamento em relação aos insumos adquiridos junto a pessoas físicas ou cooperativas. c) Instruções Normativas, de grau hierárquico inferior à lei, não podem restringir a aplicação do diploma que deveria apenas regulamentar. Se a lei não restringiu o crédito presumido a aquisições de pessoas jurídicas, não pode o Poder Executivo invadir competências exclusivas do Poder Legislativo por intermédio de Instruções Normativas, a exemplo da INSRF nº 23/97. d) O Conselho de Contribuintes, por meio de sua Câmara Superior, já reconheceu a ilegalidade e invalidade da IN nº 23/97. e) Com a revogação da Medida Provisória 674/94, não há mais qualquer ato normativo exigindo a comprovação de pagamento de PIS e COFINS para que a contribuinte faça jus ao crédito. O direito ao crédito presumido se restringe a duas condições: ser a empresa produtora e exportadora de produtos nacionais e adquirir insumos no mercado interno para a industrialização de seus produtos vendidos no exterior. f) No que tange aos créditos referentes aos gastos com energia elétrica, bagaço de cana, água, combustíveis, telefonia e lenha, o creditamento é válido, pois estes são produtos intermediários. O regulamento do IPI, em seu art. 164, define produtos intermediários como “aqueles que, embora Fl. 559DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.002490/0012 Acórdão n.º 3401002.015 S3C4T1 Fl. 558 3 não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.” Por fim, a requerente requer o acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade para que reste amplamente deferido seu pleito, mediante o reconhecimento do crédito presumido de IPI em sua totalidade, com o devido acréscimo da Taxa Selic. Em 11.05.2011, a 2ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) O art. 1º da MP n° 148427, convertida na Lei nº 9.363/1996, trata de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins, incidentes sobre as aquisições. Portanto, é claro que para o gozo do benefício é necessário eu tenham incidido tais contribuições sobre as aquisições, tenha ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores. Não ocorrendo tal fato, não há o que ressarcir. b) Geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “scrictosensu” e material de embalagem que e integram com o produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou seja, sofram em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Isto é, desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas do material, sendo excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Deste modo, não são produtos intermediários: combustíveis, lubrificantes e a energia elétrica. c) Por outro lado, admitese energia elétrica e combustível na apuração do crédito presumido quando a contribuinte optar pela base de cálculo da Lei 10.276/01, o que não foi o presente caso. d) A requerente não tem direito aos juros pleiteados, pois não existe previsão legal neste sentido. No âmbito do direito público, administração e administrado estão submetidos ao princípio da legalidade estrita, ou seja, só se pode fazer aquilo que a lei manda. A contribuinte foi cientificada da decisão, em 13.07.2011 e, em 18.07.2011, protocolou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: a) Os insumos que foram computados no cálculo do aludido valor foram exatamente aqueles autorizados pela Lei 9.363/96, ou seja, matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica, combustíveis e lenha consumidos no processo produtivo. b) A Instrução Normativa nº 27/97 não é respaldo para a glosa de insumos adquiridos de pessoas físicas, na medida em que pretende limitar o alcance da lei, restringindo, arbitrariamente, o direito ao crédito presumido do IPI. c) A Lei 9.363/96 determina que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 A contribuinte repisa todos os outros argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, por fim, requer o deferimento de seu Recurso Voluntário mediante reconhecimento do crédito presumido de IPI em sua totalidade, com o devido acréscimo dos juros Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos de IPI referente ao período 3º trimestre de 2000. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende que os insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, bem como, energia elétrica, combustíveis, água, telefonia e lenha geram créditos de IPI, passiveis de ressarcimento. No que toca à glosa dos créditos presumidos como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas físicas, os artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96 dispõem que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Sendo que a base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor total das aquisições, conforme artigos que transcrevo abaixo: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.002490/0012 Acórdão n.º 3401002.015 S3C4T1 Fl. 559 5 Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Entretanto o art. 2º, § 2º, da IN SRF nº 23/97 delimitou a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei nº 9.363/96, somente em relação às aquisições, efetuadas de pessoa jurídicas, sujeitas às contribuições de PIS/PASEP e Cofins, conforme abaixo reproduzo: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Entretanto é importante ressaltar que reconhecendo a jurisprudência do Egrégio STJ, proclamando que a IN SRF nº 23/97 extrapolou a regra prevista no art. lº da Lei nº. 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as referidas aquisições, como constam as elucidativas ementas, a seguir transcritas: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 LEGALIDADE (...) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 6. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi Fl. 562DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7.Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte." (cf. Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 529.758SC, Reg. nº. 2003/00726199, em sessão de 13/12/2005, rel. Min Eliana Calmon, publ. in DJU de 20/02/2006 p. (268)). “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE.1. A Lei n. 9.363/96 instituidora de crédito presumido do IPI não distinguiu entre os fornecedores as pessoas físicas e jurídicas, não podendo a IN 23/97, da SRF, implantar tal distinção, estabelecendo que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas.2. Recurso especial improvido (Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 627.941 CE, Reg. nº. 2003/02193428, em sessão de 15/02/2007, rel. Min João Otávio de Noronha , publ. in DJU de 07/03/2007 p)” No mesmo sentido vem decidindo a CSRF, como se pode ver da seguinte ementa: (grifamos) "IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n°. 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n°9.363/96). A lei citada referese a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nº. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n°. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (..) Recurso especial provido parcialmente." (cf. Acórdão CSRF/0201.416 da 2ª Turma da CSRF, no Recurso nº . 115.731, Processo nº 10980.015233/9941, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003)” Levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, que dispõe o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.002490/0012 Acórdão n.º 3401002.015 S3C4T1 Fl. 560 7 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Portanto o direito ao crédito de IPI está restrita apenas as aquisições feitas de pessoa jurídica, sujeita a contribuição de PIS e Cofins. Se o insumo for fornecido por pessoa jurídica não sujeita ao PIS/Pasep e Cofins, ou diretamente por pessoa física, não há direito ao crédito presumido destes insumos. Conclui que a IN nº. 23/97 não extrapolou a regra prevista pelo art. 1º da Lei nº. 9.363/96.” Após essa exposição, parece não haver dúvida de que há que se reconhecer o crédito presumido, proveniente de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Quanto à alegação dos créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha, em outras palavras insumos que não se alteram em função de ação exercida sobre a fabricação do produto, a legislação dispõe, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº. 9.363/96, o qual segue abaixo: (grifamos) “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” O Decreto nº 2.637/98, vigente a época dos fatos, corrobora com a idéia de que é necessário, para contabilização do crédito, que a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem deve ser utilizado no processo produtivo, mesmo não integrando o novo produto, conforme art. 147, inc. I do RIPI/98, que abaixo transcrevo: (grifos nossos) Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Portanto, verificase que insumo, para gerar o direito ao crédito de IPI, deve ser consumido no processo de industrialização não precisando necessariamente integrarse ao novo produto. Entretanto, a contribuinte não comprovou de que forma estes produtos se integram ao produto. Não obstante, em relação aos valores referentes ao óleo diesel e à eletricidade a Súmula CARF nº 19 dispõe: (grifos nossos) “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Outrossim, a telefonia não pode ser contemplada pelo conceito insumo, nem que seja feita uma interpretação mais ampla deste conceito, carecendo também de força legal para o seu crédito. Portanto, são corretas as glosas efetuadas a respeito de energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha. Finalmente, quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins de ressarcimento de débitos tributários, trata de matéria que já se encontra pacificada neste Tribunal Administrativo, conforme ementas abaixo reproduzidas: (grifamos) “RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu indeferimento constitui ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) (Acórdão nº 9303 002.020, da 3ª Turma do CSRF, no recurso nº 132.107, Processo: 10665.000086/0093, Rel. Júlio César Alves Ramos, em sessão de 14 de junho de 2012)” “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais não compõem a receita de exportação para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic. (Acórdão nº 3403001.527, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13811.002490/0012 Acórdão n.º 3401002.015 S3C4T1 Fl. 561 9 10783.901514/200833, Rel. Luduína Maria Alves Macambira, em sessão de 21 de março de 2012)” “CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de receita de exportação estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei nº 9.363(1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos.(Acórdão nº 3403001.738, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: 13807.006966/200459, Rel. Rosaldo Trevisan, em sessão de 22 de agosto de 2012)” Portanto, verificase que o crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária da taxa Selic. Frente a todo o exposto, voto por julgar parcialmente procedente o Recurso Voluntário, acatando, pelos motivos acima expostos, o pleito relativo à aquisição de insumos provenientes de pessoas físicas e a aplicação da taxa Selic para atualização monetária do crédito a ser ressarcido. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 1/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 11516.003537/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO ORIGEM. VALORES LANÇADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO A TÍTULO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICADORA. INDIVIDUALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE.
De conformidade com a jurisprudência consolidada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, os recursos de origem comprovada, in casu, os rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte em sua DIRPF retificadora e objeto da autuação a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, submetidos, portanto, ao ajuste anual e à própria incidência do imposto devido, tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, lastreada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ainda que não ocorra uma confrontação individualizada com cada depósito na conta corrente, sobretudo em homenagem ao princípio da razoabilidade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO ORIGEM. VALORES LANÇADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO A TÍTULO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICADORA. INDIVIDUALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE. De conformidade com a jurisprudência consolidada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, os recursos de origem comprovada, in casu, os rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte em sua DIRPF retificadora e objeto da autuação a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, submetidos, portanto, ao ajuste anual e à própria incidência do imposto devido, tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, lastreada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ainda que não ocorra uma confrontação individualizada com cada depósito na conta corrente, sobretudo em homenagem ao princípio da razoabilidade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 37 /2 00 6- 31 Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório LUIZ ALBERTO GONÇALVES GRASSIA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/11/2006, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos abaixo discriminados, em relação aos anoscalendário 2001 a 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 819/842, e demais documentos que instruem o processo. 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas; 2) Acréscimo patrimonial a descoberto; 3) Ganho de capital na alienação de bens e direitos; 4) Omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada; 5) Compensação indevida do carnêleão; 6) Multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, consubstanciada no Acórdão nº 0713.063/2008, às fls. 974/985, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, em 03/02/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210200.469, sintetizados na seguinte ementa: Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.003537/200631 Acórdão n.º 9202002.437 CSRFT2 Fl. 1.321 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS O art. 42, § 3º, inc. II da Lei n° 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Somente deverão ser excluídos do lançamento os valores que se enquadrem em ambos os limites. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO DE D IRPF RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Está correta a manutenção do lançamento quando o contribuinte declarou os valores que lhe são exigidos por meio do Auto de Infração (relativos à omissão de rendimentos), quando já havia sido iniciado o procedimento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento com base na apuração de variação patrimonial a descoberto. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. IRPF. CARNÊLEÃO. GLOSA. Diante da falta de comprovação do pagamento dos valores declarados em DIRPF como pagos a título de carnêleão, está correta a glosa dos mesmos através de lançamento de ofício. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. TAXA SELIC Em atenção à Súmula n° 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Recurso provido em parte.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 1.151/1.158, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 10422.510 e 10422.954, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que os decisórios paradigmas divergem do entendimento consubstanciado no Acórdão guerreado, uma vez determinarem que a origem dos depósitos deve ser demonstrada de forma individualizada, ao contrário do que restou assentado pela Turma recorrida, que firmou posicionamento no sentido de que o valor oferecido à tributação pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 42, § 3º, da Lei n° 9.430/1996, ao contemplar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assim o faz em relação ao valor determinado (específico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período. Assim, assevera que cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não são rendimentos omitidos, a partir de explicação de origem para cada um dos depósitos, lastreada em documentação hábil e idônea. Acrescenta que mesmo admitindose certa discricionariedade quanto a valores e datas, que para alguns julgadores não precisam ser exatos, mas aproximados, pela aplicação do princípio da razoabilidade, não se pode, por isso, aceitar uma explicação deveras genérica, que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar, como se constata no caso vertente. Neste sentido, pugna pela manutenção da tributação sobre os valores de R$ 32.235,24, R$ 40.043,55 e R$ 59.370,00, de maneira à reincluílos na base de cálculo do IRPF lançado, restabelecendose a exigência fiscal em sua integralidade, tendo em vista que não fora associado a depósitos bancários específicos sobre os quais vige presunção de receita omitida. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.003537/200631 Acórdão n.º 9202002.437 CSRFT2 Fl. 1.322 5 entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdãos nºs 10422.510 e 10422.954, conforme Despacho nº 210100.518/2010, às fls. 1.244. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.260/1.270, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 1.271/1.305, com arrimo no artigo 67 do RICARF, repisando parte das razões de fato e de direito lançadas em sua impugnação e recurso voluntário, pugnando pela decretação da nulidade e/ou improcedência do feito, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada, uma vez não comprovadas as divergências arguidas, como se extrai do Despacho S/N/2011, às fls. 1.314/1.318, ratificado pelo Despacho S/N/2011, de fl. 1.319, da lavra do ilustre Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo a análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, na parte objeto de contestação pela Procuradoria nesta assentada, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade. Por sua vez, ao analisar o caso, a Turma recorrida achou por bem rechaçar parcialmente a pretensão fiscal, admitindo como comprovação de parte da origem da movimentação bancária do contribuinte os valores submetidos à tributação informados na Declaração de Ajuste Anual Retificadora e lançados neste Auto de Infração à título de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, razão pela qual suprimiu da base de cálculo dos tributos lançados as importâncias de R$ 32.235,24 (2002), R$ 40.043,55 (2003) e R$ 59.370,00 (2004). Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs 10422.510 e 10422.954, os quais determinam que a origem dos depósitos deve ser demonstrada de forma individualizada, ao contrário do que restou assentado pela Turma recorrida, que firmou posicionamento no sentido de que o valor oferecido à tributação pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual Retificadora e lançados nesta autuação pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o artigo 42, § 3º, da Lei n° 9.430/1996, ao contemplar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 depósitos bancários de origem não comprovada, assim o faz em relação ao valor determinado (específico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui se que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. A ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, relativamente à matéria objeto do recurso especial, utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Tratase, pois, da conhecida presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário, são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, insculpida no artigo 204 e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, é exatamente neste ponto que se fixa a demanda. Ou seja, mister examinar se as alegações e/ou documentos ofertados pelo contribuinte tem o condão de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem pretensamente não comprovada. De um lado, a Turma recorrida entendeu que os rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora (após iniciado o procedimento fiscal) e lançados neste Auto de Infração a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas devem oferecer amparo à sua movimentação bancária, posicionamento compartilhado por este Conselheiro, como demonstraremos adiante. De outro, a Procuradoria da Fazenda Nacional pretende seja mantida a autuação, sob o argumento de que os depósitos bancários realizados nas contas do contribuinte devem ser justificados individualmente e não de maneira genérica, a partir de um valor global inscrito da Declaração de Ajuste Anual, o que não podemos concordar. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.003537/200631 Acórdão n.º 9202002.437 CSRFT2 Fl. 1.323 7 Com efeito, o que torna digno de realce é que a Procuradoria pretende seja aplicada uma regra para a comprovação da origem dos depósitos bancários diametralmente oposta ao entendimento levado a efeito por ocasião da ocorrência do fato gerador do tributo lançado. Explico: Questão de grande controvérsia que permeava os julgamentos administrativos diz respeito à ocorrência do fato gerador do IRPF nos casos de lançamentos a pretexto de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Destarte, enquanto parte da jurisprudência defende que o fato gerador de aludido imposto se perfaz mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos, outra banda dos julgadores administrativos firmou o posicionamento de que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo nestes casos, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Aliás, referida matéria fora objeto de proposta de Súmula, que veio a ser aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Ora, se para efeito de contagem do prazo decadencial devese admitir que o fato gerador do IRPF é complexivo, mormente em se tratando de depósitos bancários, ocorrendo em 31 de janeiro do respectivo anocalendário, na forma que sempre defendeu a Procuradoria, é de se admitir, por ocasião da análise da movimentação bancária do contribuinte, todos os rendimentos tributáveis informados da Declaração de Ajuste Anual, excluindoos da base de cálculo da omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. Em outras palavras, in casu, a apuração do imposto devido deve adotar os rendimentos tributáveis de todo o anocalendário, inseridos na DAA, para fins de comprovação da origem da movimentação bancária anual do contribuinte. Mais a mais, tal entendimento, além de representar a aplicação de uma mesma premissa, como acima delineado, encontra guarida no princípio da razoabilidade, especialmente se tratando de pessoa física, a qual não tem a obrigação de manter escrita contábil e/ou outros documentos fiscais, notadamente para períodos pretéritos, o que dificultaria e/ou impossibilitaria a confrontação individualizada de cada depósito bancário realizado em suas contas. Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firme e mansa nesse sentido, determinando a exclusão dos rendimentos tributáveis informados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF, Acórdão n° 920201.828 – Processo n° 19515.004084/200330, Sessão de 25/10/2011 – Unânime) “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado.” (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 11/04/2011) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.” (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 10140.000455/200335, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad, julgado em 10/05/2011) No presente caso, o que torna digno de realce, mas não tem o condão de alterar a conclusão, é que o contribuinte, após iniciado o procedimento fiscal (11/05/2006), apresentou DIRPF Retificadoras, às fls. 36, 45 e 66, entregues em 30/06/2006, fazendo constar os valores de R$ 32.235,24 (2002), R$ 40.043,55 (2003) e R$ 59.370,00 (2004), a título de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.003537/200631 Acórdão n.º 9202002.437 CSRFT2 Fl. 1.324 9 Dessa forma, inobstante permanecer correta a exigência fiscal sobre tais valores a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, tendo em vista que as retificadoras somente foram apresentadas posteriormente ao início da ação fiscal, não operando, assim, a denúncia espontânea, mister considerálos para efeito de comprovação da origem de parte dos depósitos bancários, tal qual ocorrera com os demais rendimentos recebidos de pessoas físicas, informados nas Declarações originais, sobretudo quando foram lançados na autuação sob análise, com a respectiva cobrança do imposto devido. Na esteira desse entendimento, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005055/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes Decisão Recorrida Nula.
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DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DE PROFERIDO O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o contribuinte ser intimado do resultado de diligência requerida pela fiscalização antes de proferido o acórdão de primeira instância, sob pena de nulidade. Precedentes Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 50 55 /2 00 9- 59 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005055/200959 Acórdão n.º 2402003.036 S2C4T2 Fl. 302 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por NUCLEO EDUCACIONAL CULTURAL N SRA DE FÁTIMA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.033.9843, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte de parte da empresa e destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. O lançamento compreende o período de 02/2003 e 10/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/11/2006 (fls. 01). Diante dos argumentos defesa apresentados em impugnação, às fls. 180 foi determinada a realização de diligência para a verificação do devido enquadramento da recorrente no código FPAS 515, de sorte a verificarse o acerto do lançamento das contribuições destinadas a terceiros. Sobreveio resposta da fiscalização no sentido da necessidade do agravamento da imposição tributária, mediante a realização de novo lançamento complementar, na medida em que se verificou que foram utilizadas alíquotas em percentual menor do que o fixado para o FPAS das empresas matriz e filiais. Via de conseqüência, fora proferida Decisão Notificação, (fls.265), contra a qual a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que houve erro no cálculo das contribuições lançadas, pois comprovou a Recorrente, mediante juntada de seu contrato social, que explora atividade de ensino de primeiro e segundo graus , devendo ser enquadrada, por esse motivo,) no Código FPAS n° 574 e não no FPAS 515 como foi feito pela fiscalização, incidindo na espécie as contribuições e alíquotas discriminadas no Anexo II da Instrução Normativa INSSiDC n° 100/2003, não devendo arcar com as contribuições ao SENAC. 2. a ilegalidade da SELIC; 3. que a multa aplicada é confiscatória e desproporcional; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Ao analisar detidamente os autos do presente processo, tenho que existe questão prejudicial e de ordem pública que mereça ser analisada de forma a resguardar os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, bem como a garantia do contribuinte à ampla defesa e ao contraditório, visando uma clara e escorreita prestação da jurisdição administrativa. Conforme já relatado, o contribuinte não foi intimado do resultado da diligência requerida antes de proferida r. Decisão Notificação. Tal fato se subsume em erro insanável, de modo que não pôde a contribuinte exercer de forma plena o seu direito de defesa. Dessa forma, não há como prosperar àquilo que decidido pela Decisão Notificação, quando em clara afronta a direito constitucional da recorrente. Neste mesmo sentido, adoto como razões de decidir, respeitado voto do Em. Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que ao relatar caso semelhante nesta Câmara, na assentada de 09 de abril de 2008, assim ponderou nos autos do recurso voluntário n. 144.261, provido à unanimidade, confirase: “Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada do recolhimento do depósito recursal, por tratarse de Órgão Público, conheço do recurso e passo à análise das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo procedimento fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do processo administrativo fiscal, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal. Com efeito, ainda que a contribuinte não tenha suscitado em suas razões recursais, do exame dos elementos que instruem o processo concluise que a fiscalização, e bem a assim a autoridade julgadora de primeira instância, cercearam o direito de defesa da recorrente, senão vejamos. Consoante se positiva da análise dos autos, após a apresentação da defesa da contribuinte, o julgador Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005055/200959 Acórdão n.º 2402003.036 S2C4T2 Fl. 303 5 recorrido achou por bem converter o processo em diligência para que o fiscal autuante examinasse as razões e documentos colacionados aos autos naquela oportunidade, promovendo a exclusão dos valores que entendesse indevidamente lançados, conseqüentemente, retificando o crédito previdenciário originalmente constituído, conforme documento (Diligência Fiscal), às fls. 122. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o ilustre AFPS autuante elaborou Informação Fiscal, às fls. 123, propondo a retificação do crédito previdenciário constituído, em virtude de erros quanto a aplicação de alíquotas na apuração de parte das contribuições ora exigidas. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, a contribuinte não foi intimada para manifestarse a respeito do resultado da diligência, ferindolhe, assim, seu sagrado direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...]. LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto a nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: [...]. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos). Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “[...]”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, § 7º, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados ou documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia, seja a requerimento da parte, seja por determinação de ofício da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução.” (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 41). Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado dos Conselhos de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “Normas Processuais – Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa – Nulidade. Manifestandose o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. [...] Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 101 93.294 – D.O.U. de 12/03/2001). Na hipótese vertente, com mais razão a exigência da intimação da contribuinte para manifestação acerca do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora se faz presente a medida em que, posteriormente à apresentação da impugnação, submetido o processo ao exame do fiscal autuante, este, admitindo incorreções no lançamento, propôs retificação do crédito originalmente lançado. Imperioso ressaltar que o lançamento original sofreu modificações em face das razões e documentos ofertados pela contribuinte, impondo a este o conhecimento da parte remanescente do crédito, tendo em vista o sagrado direito a ampla defesa, o qual garante a recorrente manifestarse a respeito de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo que possa atingirlhe Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005055/200959 Acórdão n.º 2402003.036 S2C4T2 Fl. 304 7 em seu patrimônio, ou mesmo interferir na apreciação da regularidade do feito. Observese, que ao negar a contribuinte o direito de se manifestar a respeito do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora recorrida, estaríamos, de certa forma, criando e/ou admitindo as contrarazões da impugnação, figura processual que só é contemplada pela legislação previdenciária quando da interposição do recurso voluntário. Ou seja, a notificada oferece sua impugnação e o julgador de primeira instância submete ao fiscal autuante as razões ali consignadas para que ele as examine, acolhendoas ou não. Em outras palavras, efetivamente, não deixa de ser contrarazões de impugnação. Assim, tratandose, como de fato se trata, de diligência, deve a contribuinte tomar conhecimento de seu resultado para se manifestar a respeito, se assim achar por bem, sobretudo quando inexiste na legislação de regência a figura do processual das “contrarazões de impugnação”, não podendo o julgador inovar o que a legislação não contempla, ou mesmo ampliála de maneira a acobertar novos atos processuais. Nessa esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da notificada, em total afronta ao princípio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido a origem para intimar a recorrente das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 123, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão de primeira instância em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008 RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA” Ante todo o exposto, voto no sentido de ANULAR A R. DECISÃO NOTIFICAÇÃO, procedendose à remessa dos autos à origem para que o contribuinte seja Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 devidamente intimado do resultado das diligência constante às fls. 262/263, para querendo manifestarse no prazo de 30(trinta) dias, quando então, após, deverá ser proferido acórdão em substituição a r. Decisão Notificação, reabrindose, então o prazo para recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001186/2010-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa, optante ou não do SIMPLES, é obriga a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91 c/c art. art. 4º,"caput" e parágrafo 1º da Lei n. 10.666, de 08.05.2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa, optante ou não do SIMPLES, é obriga a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91 c/c art. art. 4º,"caput" e parágrafo 1º da Lei n. 10.666, de 08.05.2003. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 86 /2 01 0- 55 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001186/201055 Acórdão n.º 2803001.961 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001186/201055 Acórdão n.º 2803001.961 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve parcialmente o auto de infração lavrado, referente às contribuições descontadas da remuneração de segurados empregados e de contribuinte individual, não repassadas á Seguridade Social e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. A DecisãoNotificação – fls 225 e ss, conclui pela procedência parcial do lançamento, retificando o auto lavrado em razão do reconhecimento da decadência referente ao período de 01 a 10 de 2005. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : · A conduta omissão/ação, no caso em exame, não deverá ser considerada como do agente passivo da obrigação tributária, tanto principal quanto acessória, mas do terceiro, a quem competiria agir na figura de mandatário. A má condução dos serviços de contadoria esta sendo apurada na esfera cível e criminal. · Verificase, assim, que não há nenhum dos fundamentos lançados na decisão que encontrem solo fértil para considerar a linguagem textual da decisão como forma de reconhecimento de que se conduziu dentro dos estritos limites de direito, tanto Constitucional quanto Infraconstitucional. · No caso em questão, haverá por certo a ser recolhido tão somente a verba decorrente de contribuição social que fizer jus o órgão direcionado, mas que deverá ser aplicada, quando o caso ensejar, alíquota direta que deverá ser à base das regras do SIMPLES. Não há se perquirir sobre a eficácia concreta do julgado, já que, pelas regras do conhecimento de matéria tributária e não tributária, na esfera administrativa, o julgador recebe o poder dever de analisar todas as questões a ele levadas e lançadas, mesmo aquelas não declaradas e mesmo não citadas expressamente, a bastar suscitar a insurgência atinente ao julgado. · Requer a reforma do julgado e conseqüente anulação do auto de infração lançado contra o Recorrente É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001186/201055 Acórdão n.º 2803001.961 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Tratase de lançamento fiscal referente a parte devida pelos segurados empregados. Alega a contribuinte que houve má prestação no serviço de contadoria, o que estaria sendo apurado na esfera cível e criminal e que caberia ao contencioso analisar as razões pertinentes a adesão e exclusão da contribuinte no SIMPLES. Tenho que não assiste razão a recorrente. Eventuais vícios na prestação dos serviços contratados com terceiros não são oponíveis à Fazenda Pública, sendo a empresa responsável pela higidez das informações prestadas e por seus meios de controle internos. As contribuições em comento – parte devida pelos segurados empregados – é de recolhimento obrigatório pelas empresas aderentes ou não ao SIMPLES, as quais devem reter as contribuições sociais dos pagamentos efetuados aos segurados, com o posterior repasse à fazenda, sendo assim despicienda a discussão acerca da inclusão ou não da recorrente no sistema simplificado, posto que em nada influenciará no deslinde da questão. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento e nem apresentou provas que desconstituísse o que confirmado pela decisão de primeiro grau. Dessarte, deve o lançamento ser mentido em sua inteireza. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001186/201055 Acórdão n.º 2803001.961 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13982.001598/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008
PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA.
O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário a emissão de decisão administrativa em prazo superior a 360 dias.
ANULAÇÃO DE LAVRATURA POR ERRO NO CRITÉRIO DE APLICAÇÃO DA MULTA. PERMANÊNCIA DA INFRAÇÃO. CABIMENTO DE AUTUAÇÃO SUBSTITUTIVA.
Ocorrendo anulação de lavratura, em razão de erro na fixação da penalidade, é cabível a emissão de Auto de Infração substitutivo, desde que constatada a permanência da conduta infracional.
JUNTADA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A APURAÇÃO DO ILÍCITO. PROVA EMPRESTADA INEXISTÊNCIA.
Não há o que se falar na utilização de prova emprestada, quando todos os documentos necessários à configuração do ilícito são juntados aos autos da lavratura fiscal.
PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição da decadência; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; III) negar o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da empresa; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008 PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário a emissão de decisão administrativa em prazo superior a 360 dias. ANULAÇÃO DE LAVRATURA POR ERRO NO CRITÉRIO DE APLICAÇÃO DA MULTA. PERMANÊNCIA DA INFRAÇÃO. CABIMENTO DE AUTUAÇÃO SUBSTITUTIVA. Ocorrendo anulação de lavratura, em razão de erro na fixação da penalidade, é cabível a emissão de Auto de Infração substitutivo, desde que constatada a permanência da conduta infracional. JUNTADA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A APURAÇÃO DO ILÍCITO. PROVA EMPRESTADA INEXISTÊNCIA. Não há o que se falar na utilização de prova emprestada, quando todos os documentos necessários à configuração do ilícito são juntados aos autos da lavratura fiscal. PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição da decadência; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; III) negar o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da empresa; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PAGAMENTOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO DE REMUNERAÇÃO A TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS COOPERADOS OU NÃO E A COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP. Por serem estarem no campo de incidência das contribuições previdenciárias, os pagamentos efetuados por cooperativa de trabalho a contribuintes individuais cooperados ou não e a cooperativa de trabalho médico são de declaração obrigatória na GFIP. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. O Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 15 98 /2 00 9- 36 Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 30/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2008 PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário a emissão de decisão administrativa em prazo superior a 360 dias. ANULAÇÃO DE LAVRATURA POR ERRO NO CRITÉRIO DE APLICAÇÃO DA MULTA. PERMANÊNCIA DA INFRAÇÃO. CABIMENTO DE AUTUAÇÃO SUBSTITUTIVA. Ocorrendo anulação de lavratura, em razão de erro na fixação da penalidade, é cabível a emissão de Auto de Infração substitutivo, desde que constatada a permanência da conduta infracional. JUNTADA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A APURAÇÃO DO ILÍCITO. PROVA EMPRESTADA INEXISTÊNCIA. Não há o que se falar na utilização de prova emprestada, quando todos os documentos necessários à configuração do ilícito são juntados aos autos da lavratura fiscal. PEDIDO PARA INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal que obrigue a Administração Tributária a efetuar a intimação em endereço diferente do domicílio tributário do sujeito passivo, ainda que haja requerimento deste no sentido de que as comunicações dos atos do processo administrativo se dêem no endereço profissional de seu advogado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição da decadência; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; III) negar o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da empresa; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.086 3 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.242.1725, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa pela falta de declaração na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Asseverou o fisco em seu relato que o AI foi lavrado em substituição ao de n° 37.180.7840, de 16/12/2008, processo administrativo 13982.001849/200800, o qual foi anulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Florianópolis, em 15/10/2009, por ter sido utilizada a fundamentação o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, quando o fundamento correto seria o art. 35A da mesma Lei, haja vista ter havido informação incorreta na GFIP com lançamento de ofício das contribuições devidas. Foram considerados como não incluídos na GFIP, os seguintes fatos geradores: a) FRE — Freteiros autônomos — a impugnante deixou de recolher e declarar em GFIP a contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos efetuados a transportadores autônomos que prestaram serviços de transportes de cargas para a cooperativa. b) Cooperativa de Trabalho Médico — UNIMED a impugnante deixou de recolher e declarar em GFIP a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre valores pagos à cooperativa de trabalho UNIMED, relativo a serviços de cooperados intermediados pela esta, tendo sido os valores apurados da contabilidade. Informa o fisco que, considerando a superveniência da Lei 11.941/2009, efetuou a análise comparativa das penalidades previstas na legislação anterior com a multa prevista nos dispositivos legais atualmente vigentes, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Apresenta, fls. 575/576, planilha demonstrativa dos valores não declarados em GFIP, por competência, no qual foi efetuado o comparativo para a apuração da multa mais benéfica, considerando os lançamentos efetuados nos autos de infração n° 37.180.7743 e 37.180.7727. A autuada ofertou impugnação, fls. 584/619, cujas razões não foram acatadas pela DRJ em Florianópolis (SC), ver fls. 974/980, que declarou procedente a lavratura. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 992/1.018, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o AI é nulo, posto que a decisão recorrida foi exarada num prazo superior a 360 dias da protocolização da defesa, tal situação fere a determinação do art. 24 da Lei n.º 11.457/2007; b) outra causa de nulidade é a falta de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF para dar cobertura ao novo lançamento; c) a lavratura anterior foi anulada por erro de direito, fato que impede a confecção de lançamento substitutivo; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.087 5 d) a utilização de prova emprestada também conduz a nulidade da lavratura; e) é necessária a juntada de cópia integral do AI anulado, bem como dos documentos vinculados ao mesmo; f) a fundamentação legal para apuração da multa está incorreta; g) os AI 37.180.7727 e 37.180.7743, conexos ao que está em debate, não devem prevalecer posto que houve retificação da base de cálculo pela DRJ, o que provoca a nulidade dos mesmos; h) a multa lançada foi parcialmente alcançada pela decadência, devendo ser excluídas as competências anteriores a 12/2004; i) a Recorrente não está obrigada a prestar informação em GFIP dos valores que repassa ao transportador autônomo cooperado e não cooperado, pelo que não poderia lhe ter sido imposta a multa descrita; j) não podem ser incluídos no lançamento os valores pagos a pessoas jurídicas; k) a fiscalização tenta fundamentar a base de cálculo das contribuições indevidas, cujos fatos geradores não restaram declarados, citando artigo 201, § 4.º, o qual não se aplica à situação em destaque. m) não poderia ter sido lavrado AI, mas NFLD como manda o art. 37 da Lei n.º 8.212/1991 e o arts. 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/1972. Por fim, pede a nulificação do lançamento ou, alternativamente, a declaração parcial da decadência. Requer ainda que as intimações sejam feitas no endereço dos advogados subscritores da peça recursal. É o relatório. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.088 7 Na situação sob enfoque, tratandose de lançamento de ofício para aplicação de penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória, a norma aplicável para a contagem do prazo de decadência é o inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do lançamento deuse em 12/2009, não há competências decadentes no período da autuação (12/2003 a 06/2008). Afasto, portanto, a alegada decadência parcial. Adequação do instrumento de constituição do crédito Alega a recorrente que o AI seria nulo, por não ser instrumento hábil a constituir crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal. Vejo que nesse ponto confundese a recorrente. Mesmo antes da aplicação do Decreto n.º 70.235/1972 aos processos nos quais estão sendo exigidas contribuições previdenciárias, a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória era feito mediante Auto de Infração. Jamais se usou Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD para imposição de penalidade administrativa. Quando da ciência do AI pelo sujeito passivo, em 16/12/2008, já eram aplicadas às contribuições sociais às disposições procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972. Tal situação decorreu da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A alteração legislativa que criou a nova estrutura da Administração Tributária da União foi a Lei n.º 11.457, de 16/03/2007. Esta determinou em seu art. 25 que, a partir de abril de 2008, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de exigência das contribuições previdenciárias passariam a ser regidos pelo Decreto n.º 70.235/1972. Eis o dispositivo: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; O referido Decreto, por sua vez, determina: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente na data da lavratura) Nos termos do dispositivo acima a exigência do crédito tributário pode ser perfeitamente formalizado por auto de infração, não havendo atualmente, em relação às contribuições previdenciárias, a antiga regra que previa a utilização de Auto de Infração apenas Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 para aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, podendose lançar mão do mesmo para exigência das contribuições não adimplidas. Para elucidação desse ponto do recurso, devese observar que o Decreto n.º 70.235/1972, trata o Auto de Infração como documento a ser emitido pelo servidor competente, que no caso das contribuições sociais é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em ação fiscal desenvolvida junto ao sujeito passivo. É o que indica a leitura do art. 10: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Já a Notificação de Lançamento diz respeito à formalização de crédito efetuada pela Administração Tributária, em face da constatação de infração à legislação tributária decorrentes da análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo (contribuinte) e/ou da análise das informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Tal documento pode inclusive ser emitido eletronicamente. É o que se pode ver da redação do art. 11 do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Assim, a utilização de Auto de Infração para constituição de crédito decorrente de multa por descumprimento de obrigação acessória, mais de que nunca, encontra amparo na legislação atualmente em vigor, não devendo ser acatada a tese de nulidade do lançamento, em razão da utilização do AI para imposição da penalidade. Mandado de Procedimento Fiscal MPF Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.089 9 Não se sustenta a alegada falta de MPF prévio a emissão do AI. À fl. 05, consta o MPF n° 09.2.03.002009004460, com prazo de validade prorrogado até 17/01/2010. Assim, resta afastada esse preliminar. Possibilidade de substituição de AI anulado por erro no critério de aplicação da multa No seu relato, o fisco deixou claro que a infração verificada por conta do primeiro AI ainda se mantinha, ou seja, a empresa não efetuou a declaração dos fatos geradores na GFIP, fato a que o recurso não se contrapõe, haja vista que a contribuinte não reconhece a incidência de contribuições sobre os mesmos. Assim, permanecendo a empresa em falta, é perfeitamente cabível a imposição de multa em substituição àquela que foi declarada nula. Não há o que se falar em atropelo a segurança jurídica, posto que os motivos determinantes da lavratura ainda existiam quando da emissão do AI, não podendo a empresa infratora permanecer sem punição, uma vez que o fisco tinha conhecimento da conduta infracional. Insegurança jurídica ocorreria se a empresa pudesse permanecer em afronta ao ordenamento tributário sem sofrer a penalidade legalmente prevista. Diante dessas considerações, concluise que a lavratura combatida atendeu ao que determina à legislação aplicável, não podendo a Autoridade Fiscal deixar de impor a penalidade, sob pena de responsabilidade funcional. Expiração do prazo para emissão da decisão de primeira instância Alega a contribuinte que a Fazenda Pública teria perdido o direito de constituir definitivamente o crédito tributário objeto desta lide, pois a autoridade julgadora administrativa não teria cumprido o prazo de 360 dias para proferir sua decisão, estabelecido no art. 24 da Lei n º. 11.457/20071. O art. 24 da citada Lei estabeleceu, de fato, o prazo afirmado pela contribuinte; entretanto, ao não cumprimento de tal prazo não foi estabelecida qualquer sanção. Entendo que o descumprimento do prazo estabelecido na lei, com a prolação de decisão administrativa em prazo superior a 360 dias, não pode levar a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário. Isso porque as demandas administrativas possuem alto grau de complexidade e, além disso, estão sujeitas à realização de diligências, tanto em primeira quanto em segunda instância, que não podem ficar submetidas a prazos exíguos de execução. Muitas das vezes, tais diligências importam em elaboração de laudos técnicos minuciosos e de altíssimo grau de complexidade, envolvendo profissionais das mais variadas áreas de formação acadêmica; por outras vezes, impõem contatos com governos de países estrangeiros, percorrendo longos caminhos da estrutura Administrativa nacional e internacional. Assim, não se pode pretender dar à lei uma visão simplista da realidade de um julgamento, mesmo que seja em um procedimento administrativo fiscal. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A exegese da lei não é de “engessar” a autoridade julgadora administrativa, que seria obrigada a proferir decisão sem que tivesse formado, ainda, o seu entendimento cognitivo, sem que estivesse firme em sua convicção. Entendo que o prazo de que dispõe a lei não é prazo definitivo e que o seu descumprimento não gera qualquer direito ao sujeito passivo quanto à ocorrência de decadência ou prescrição, podendo, quando muito, legitimar o contribuinte a uma intervenção judicial no sentido de requerer medidas de urgência. Importante para o entendimento dessa questão é conhecer os comandos que foram objeto de veto presidencial, os quais tinham por objetivo incluir os §§1º e 2º ao referido art. 24 da Lei nº. 11.457/2007. Confirase: Art.24(...) § 1.º O prazo do caput deste artigo poderá ser prorrogado uma única vez, desde que motivadamente, pelo prazo máximo de 180 (cento oitenta) dias, por despacho fundamentado no qual seja, pormenorizadamente, analisada a situação específica do contribuinte e, motivadamente, § 2.º Haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 (cento e vinte) dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte.” Analisemos as razões do veto, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5.º, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das conseqüências de sua não Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.090 11 realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Ora, notese que foi rejeitada a norma que pretendeu restringir a prorrogação do prazo do caput do art. 24 por apenas uma única vez, sob pena de prejudicar o próprio contribuinte, que poderia ver o julgamento levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria. Não havendo, portanto, sanção legal a ser imposta à Fazenda em razão de prazo para proferir decisão administrativa, afasto o argumento recursal. Prova emprestada e necessidade de juntada aos autos de todas as peças da lavratura substituída Também não hei de acatar a preliminar de nulidade por suposta utilização de prova emprestada no presente AI. É que, na verdade, à lavratura foram juntadas todas as provas constantes da autuação original, as quais constam das fls. 23/537. A referida documentação comprova a ocorrência dos fatos geradores. Quanto à ocorrência da infração, a própria recorrente reconhece que não efetuou a declaração dos mesmos na GFIP. Portanto, descabida a tese da utilização de prova emprestada, pelo que fica afastada essa preliminar. Por outro lado, não há necessidade de se juntar ao processo todas as peças do que foi anulado pela DRJ, bastando a juntada da decisão de nulidade, o que efetivamente foi feito, conforme fls. 11/13. Exclusão dos prestadores pessoas jurídicas De fato na relação de prestadores serviço transportadores autônomos foram incluídos pessoas jurídicas, as quais provocaram a retificação dos AI n.º 37.180.7743, processo administrativo 13982.001850/200826 e n.º 37.180.7727, (processo administrativo 13982.001853/200860). Todavia, no presente AI, a exclusão desses prestadores da base de cálculo em nada alterará o valor da penalidade. Como bem explicou o Relator de 1.ª Instância no desenvolvimento do seu voto. É que os valores retificados, conforme esclarece a fiscalização em seu relatório fiscal, não alteraram o calculo da multa aplicada , pois em todas as .competências, o valor da multa mais benéfica ao contribuinte foi a apurada em função do limitador previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, que apresentou valor muito inferior A aplicação de 75% da in fração. Erro na fundamentação legal Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Outra causa de nulidade apontada pela recorrente diz respeito à citação no relato fiscal ao § 4.º do art. 201 do RPS, posto que, no seu entender, esse dispositivo não se prestaria a fundamentar a incidência de contribuição sobre a remuneração paga aos transportadores autônomos. O mencionado texto normativo está assim redigido: Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (...) §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (...) Ora o dispositivo invocado trata da fixação da base de cálculo das contribuições decorrentes de prestação de serviço por condutor autônomo de veículo rodoviário, no qual estão incluídos os transportadores de carga pessoas físicas, ou seja, os “freteiros”, conforme denominou a Autoridade Fiscal. Assim, não há o que se falar em erro de fundamentação jurídica para esse caso. Do mérito As questões de mérito apontadas pela autuada dizem respeito à inexistência dos fatos geradores de contribuição e de incorreção na aplicação da multa, mesmo no AI substitutivo. A incidência de contribuições sobre os pagamentos a contribuintes individuais cooperados ou não e sobre os pagamentos a cooperativa de trabalho foi amplamente discutida no bojo dos AI n.º 37.180.7743, processo administrativo 13982.001850/200826 e n.º 37.180.7727, (processo administrativo 13982.001853/200860), os quais foram julgado minutos atrás, com esse colegiado tendo concluído, no mérito, pela procedência dos lançamentos das obrigações principais decorrentes de pagamentos efetuados a transportadores autônomos cooperados ou não e sobre os pagamentos efetuados à UNIMED. Portanto, uma vez que se conclui pela legalidade da exigência da obrigação principal, há de se ter como legítima a aplicação da multa punitiva pela falta de declaração dos fatos geradores na GFIP, conduta claramente contrária ao disposto no art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991. Quanto aos critérios de aplicação da multa, foi exatamente esse fato que deu ensejo a nulificação da lavratura original, posto que diante das alterações legislativas relativas à Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.091 13 imposição de multa decorrente de falhas concernentes à declaração da GFIP, há de se verificar se a norma atual é mais favorável ao sujeito passivo. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como feito na lavratura anulada e defendido pelo sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei. Nesse sentido, escorreito o procedimento adotado no AI que ora se discute, quando o fisco verificou que a multa aplicada nos termos da legislação revogada é mais benéfica ao sujeito passivo, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Portanto, considero que a penalidade foi aplicada dentro das balizas legais, não havendo motivo para o protesto da recorrente. Pedido para intimação no endereço dos advogados Não devo deferir o pleito recursal para que as intimações seja efetuadas no endereços dos patronos da autuada. Nos termos do Decreto n.º 70.235/1972 as intimações podem ser feitas por três modalidades, não se firmando ali nenhuma ordem de preferência. Assim, a Administração Tributária pode se valer para dar ciência o contribuinte dos atos processuais das intimações pessoal, postal ou eletrônica. Eis o dispositivo que trata da matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) Como se vê, não há norma que obrigue a Administração Tributária a encaminhar as intimações ao procurador do sujeito passivo. Nesse sentido tem se manifestado a jurisprudência administrativa: 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13982.001598/200936 Acórdão n.º 2401002.636 S2C4T1 Fl. 1.092 15 “INTIMAÇÕES ATOS PROCESSUAIS PROCURADOR Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.” Acórdão nº 104 20408, (sessão de 26/01/2005). Posicionome pela denegação desse pedido. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a decadência, por não acolher as preliminares de nulidade suscitadas, por denegar o pedido para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da empresa e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15586.000733/2005-09
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
PRECLUSÃO. MATÉRIA ANALISADA PARA APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL.
Não se configura preclusão quando a turma, a fim de subsumir à norma ao caso concreto, necessita verificar requisito presente no lançamento.
No presente caso, para a definição da regra decadencial a ser aplicada, a turma entendeu ser necessária e obrigatória a verificação da necessidade da demonstração de dolo, fraude ou simulação.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dá-se no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999.
Numero da decisão: 9202-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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MATÉRIA ANALISADA PARA APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL. Não se configura preclusão quando a turma, a fim de subsumir à norma ao caso concreto, necessita verificar requisito presente no lançamento. No presente caso, para a definição da regra decadencial a ser aplicada, a turma entendeu ser necessária e obrigatória a verificação da necessidade da demonstração de dolo, fraude ou simulação. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 33 /2 00 5- 09 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres– Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 584 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 106 16.920, proferido pela antiga 6ª Câmara do 1º CC em 29/05/2008 (fls. 474/495), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 499/514). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento argüidas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e acolher a preliminar de decadência do lançamento do ano calendário de 1999. Segue abaixo sua ementa: “MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL NOS LIMITES DO ART. 150, § 4°, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Dessa forma, o instituto da decadência fulminou o direito de lançar da Fazenda Nacional no tocante ao anocalendário 1999. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA INAPLICABLIDADE LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE DA ADMINISTRATIVA FISCAL RETROATIVIDADE Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1 0, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias, mormente quando a transferência do sigilo bancário para o fisco foi Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 autorizada por autoridade judicial. Recurso voluntário parcialmente provido.” A recorrente entende que o acórdão recorrido, ao determinar de ofício a desqualificação da multa de ofício prevista no art. 44, II da Lei 9430/96, por considerar que não houve a comprovação do evidente intuito de fraude, avançou sobre matéria que não foi impugnada pelo contribuinte, afrontou diretamente o art. 17 do Decreto 70.235/72 e divergiu de vários precedentes dos Conselhos de Contribuintes. Explica que a divergência entre o aresto atacado e o paradigma que apresenta se evidencia na medida em que, nos dois casos, não houve impugnação por parte do contribuinte. E no acórdão da 7a Câmara entendeuse que a matéria não poderia ser apreciada pela autoridade julgadora, tendo em vista a preclusão operada pela inércia do contribuinte; por outro lado, no acórdão ora recorrido, a desqualificação da multa isolada partiu exclusivamente do entendimento do douto Conselheiro, já na instância recursal, vale dizer, hipótese em que a matéria estava preclusa. Ressalta que a decisão em comento violou o art. 17 do Decreto 70.235/72 e o art. 302 do CPC porque apreciou matéria preclusa, porquanto não incluída no objeto de defesa. Em seguida, cita outra divergência, explicando que para o acórdão recorrido, conduta reiterada de omitir receitas, ainda que repetidas mensalmente, não seria suficiente para demonstração do dolo, enquanto que o paradigma que indica firmou entendimento segundo o qual a reiteração da conduta revela a máfé do contribuinte, portanto, passível da aplicação da multa no patamar de 150%. Considera escorreito o entendimento firmado no acórdão paradigma, segundo o qual a comprovação da prática reiterada de omissão de receitas é suficiente para a qualificação da multa. No caso dos autos foram pelo menos 2 anos de operações escamoteadas dentro mesmo anocalendário, com valores quase infinitamente superiores àqueles declarados pelo contribuinte. Sustenta que deve permanecer a qualificação da multa nos autos, vez que o fiscal bem fundamentou a sua pertinência pelo fato de que o contribuinte ludibriou a fiscalização ao omitir os ingressos nas respectivas contas bancárias reiteradamente, ao largo da tributação, assim como porque não justificou os significativos ganhos auferidos. Desse modo, solicita que, na eventualidade de não ser acolhida a tese de preclusão da matéria concernente à desqualificação da multa de ofício, devese reformar o acórdão recorrido para que seja aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, tendo em vista a reiterada omissão de receitas caracterizadas por excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados. Quanto ao acolhimento da preliminar de decadência para o lançamento do IRPF em relação ao fato gerador ocorrido em 1999, mediante aplicação do art. 150, §4º do CTN, apresenta paradigma segundo o qual o prazo decadencial para os casos disciplinados no art. 149, V do CTN é o previsto no art. 173, I do mesmo diploma legal. Observa que no caso em tela o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Sendo lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial segue o disposto no art. 173, I do CTN. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 585 5 Ao final, solicita que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a desqualificação da multa de oficio, mantendose o a decisão proferida pela ia instância. Na eventualidade de não ser acolhido o pedido descrito acima, requer o restabelecimento da qualificação da multa de ofício considerando as condutas praticadas pelo contribuinte, aplicandose o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN. Caso não seja atendido o segundo pedido, requer seja afastado o prazo decadencial ancorado no art. 150, § 40 do CTN, aplicandose o art. 173, I do CTN ao caso em comento. Nos termos do Despacho n.º DDF106151179_433 (fls. 516/523), foi dado seguimento parcial ao pedido em análise, para que se reaprecie apenas a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento. Irresignada, a PGFN apresentou agravo às fls. 526/528, tratando somente da questão da preclusão da qualificação da multa de ofício, tendo alegado que tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma tratam da mesma matéria, a aplicação do art. 17 do Decreto 70235/72. Nos termos do Despacho n.º 21000011/2010 (fls. 530/530verso), foi acolhido o agravo regimental. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento O acórdão paradigma ao aplicar o princípio da preclusão, não conhece de recurso interposto pelo contribuinte por considerar que a matéria não expressamente contestada considerase não impugnada dando origem à preclusão processual, assim ementado: “IRPJ – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – PRECLUSÃO PROCESSUAL – A matéria não expressamente contestada considerase não impugnada dando origem à preclusão processual. Recurso não conhecido.” Por seu turno, o voto condutor do acórdão recorrido, norteado pelo princípio da legalidade, por entender que “o Conselho de Contribuintes tem o dever controlar a legalidade do lançamento, devendo, mesmo de oficio, afastar a exação que vulnere o princípio da legalidade”, de ofício, desqualificou a multa lançada. A doutrina especializada defende que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Tanto o princípio da verdade material como o princípio da preclusão são princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Segundo definido no Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas, Forense Universitária, 9ª ed., preclusão significa a “perda do exercício de ato processual pela inércia da parte, no lapso de tempo prescrito em lei ou ditado pelo juiz. (que precluiu, art. 183 e 245, do CPC)” Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo essa regra de preclusão, o contribuinte não poderá mais contestála na fase recursal, pois, na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem dirigirse contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas no primeiro grau de julgamento. Conforme asseverado anteriormente, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa julgadora tem o dever de buscar a verdade material no processo administrativo fiscal. Constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, não concordando com a imputação poderá impugnála. Instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma ocorreu de verdade, sem limitarse ao alegado e apresentado como prova. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 586 7 Ou seja, ao se aplicar o princípio da verdade material (acórdão recorrido), isto é, sem que o julgador se limite a apreciar ao alegado ou apresentado como prova, negase aplicação ao princípio da preclusão (acórdão paradigma). Ou seja, primeiro ponto a ser apreciado referese a divergência apontada pela Fazenda Nacional acerca da aplicação do princípio da preclusão, conforme o acórdão paradigma, ou o princípio da verdade material, de acordo com o acórdão recorrido. Ocorre a preclusão do direito de discutir no processo administrativo quando a parte não impugna determinada matéria, sendo que não é permitido inovar ou redirecionar a discussão em sede recursal. A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Os princípios podem ser cumpridos em diferentes graus, ou seja, os princípios apresentam razões as quais podem ser afastadas por razões opostas, não trazendo em si determinações acerca da forma pela qual deverá ser eliminada a tensão entre a razão que a contém e aquela que eventualmente se apresente como oposta. O conflito de princípios somente tem existência diante de um caso concreto, enquanto os conflitos entre as regras têm existência em abstrato. No caso das regras o conflito somente será resolvido se for introduzida uma cláusula de exceção, pois a aplicação de uma afasta a outra, ou se uma delas for declarada não válida. Ou seja, as regras são vistas segundo a sua estrutura dinâmica, utilizando a terminologia de Kelsen, assim, ou valem ou não valem (juízo de validade), o que não significa não possam as mesmas ser densificadas com base no princípio da razoabilidade. Os princípios, em específico, não estão submetidos, tãosomente, a um juízo de validade, mas especialmente a uma ponderação, a um balanceamento; não se declara válido ou não válido um princípio, não há uma norma de exceção. A solução é diversa: as circunstâncias concretas motivadoras da aplicação dos princípios conflitantes devem ser analisadas, observandose qual o princípio prevalecerá no caso concreto, uma vez que eles têm peso diferente. Na escolha do princípio a incidir deverá ser utilizada a máxima da proporcionalidade. Não há, portanto, verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, deve ser feito o teste de proporcionalidade, para decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto. O princípio da verdade material é decorrente do Princípio da Legalidade e vinculado ao Princípio da Oficialidade. Por isso, a Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos (Medauar, 1993, p. 121, apud Néder e López, 2002, p. 63). Garante a Constituição Federal aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O contraditório é, de certa forma, o instrumento à ampla defesa. "No processo administrativo Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestar se sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte” (MACHADO, Hugo de Brito. "O Devido Processo Legal Administrativo Tributário e o Mandado de Segurança". In: Processo Administrativo Fiscal. São Paulo, Dialética, 1995, p. 83). ANTÓNIO DA SILVA CABRAL, na obra "Processo Administrativo Fiscal", assim se pronunciou acerca dos princípios de direito processual aplicáveis ao processo administrativo: No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. (..) Na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. Se o tributo só será devido se estiver previsto em lei, o que as parte alegam não conta tanto como no processo judicial. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Por outro lado, a opinião pessoal do julgador não importa. (...) É que o importante, nesse terreno, é a prova, é a verificação dos fatos. Isto faz com que o processo fiscal se diferencie do processo judicial, pois o juiz se atém às provas mencionadas pelas partes, enquanto no campo fiscal o julgador pode mandar fazer outras investigações para obter a verdade material.” (Destaques do original) No presente caso, a Câmara Recorrida aplicou o princípio da verdade material em detrimento do princípio da preclusão, por entender que contribuinte não atacou diretamente a pertinência da multa qualificada nos seguintes termos: “Antes de decidir a matéria decadencial, mister apreciar a pertinência da multa de ofício qualificada, lançada em conjunto com o imposto devido, que tem impacto direto na forma de contagem do prazo decadencial. Diferentemente do afirmado no recurso (fls. 443 a 446), a comprovação do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n e 4302/64 tem o condão de transferir a contagem do prazo decadencial do tributo por homologação do art. 150, § 4° para o art. 173, I, ambos do CTN. Devese atentar que a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN é motivada pela comprovação da conduta tipificada e não pela mera imputação da multa qualificada. A multa qualificada tem que ter substrato na comprovação das condutas em foco. O contribuinte não atacou diretamente a pertinência da multa qualificada, socorrendose, apenas, da tese da decadência mensal, com contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 40, do CTN, o que fulminaria a exação lançada até novembro de 2000, pois o auto de infração referese aos anos calendário 1999 e 2000, e a ciência da autuação ocorreu em 10/11/2005. Apesar de o contribuinte ter afirmado que a decisão Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 587 9 recorrida, em "uma tentativa desesperada de dar fundamento jurídico ao auto natimorto, citando os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64" (fis.445), reconhecese que não houve uma irresignação direta contra a multa qualificada. Entretanto, o Conselho de Contribuintes tem o dever controlar a legalidade do lançamento, devendo, mesmo de oficio, afastar a exação que vulnere o princípio da legalidade. Na linha acima, independentemente de uma irresignação direta contra a multa de oficio qualificada, mister identificar nos autos a ocorrência das hipóteses normativamente previstas para qualificação da multa de oficio. Assim, necessário verificar se a conduta dos autos pode se subsumir à hipótese normativa da qualificação da multa de oficio, como estatuído no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação vigente na época dos fatos geradores (nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis), bem como com a atual redação da matéria dada pela Lei n° 11.488/2007, que determina que nos casos de lançamento de oficio, será aplicada multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original, que mandava aplicar a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários, motivando a autuação na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Ademais, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. Não se pode dizer que houve conluio, ou seja, que ocorreu o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando sonegar ou fraudar o fisco. Nos autos, a imputação da conduta foi feita apenas ao recorrente. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Igualmente não se comprovou a fraude, na forma do art. 72 da Lei n° 4.502/64, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como antes dito, houve, apenas, uma presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários. Não se especificou uma ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. No caso da presunção legal de que os depósitos bancários de origem não comprovada são considerados rendimentos omitidos, estamos diante de uma presunção legal relativa, passível de prova em contrário. Na espécie, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar que o depósito não é rendimento omitido. No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 588 11 Qualificar a multa para o caso vertente seria equiparar a conduta do recorrente, exemplificadamente, as seguintes hipóteses: emissão de nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, falsidade documental, falsidade ideológica, emissão de nota fiscal calçada, emissão de notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), subfaturamento na exportação, superfaturamento na importação. No extremo, qualquer omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda seria meio hábil para qualificar a multa de oficio, pois a omissão poderseia ser encarada como sonegação (toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente). Esse não pode ser o melhor entendimento. Na espécie, ocorreu apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizado pela Súmula 1° CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionamos a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1' de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei na. 9.430, de1996. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamos: Acórdão n° 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; Acórdão n° 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Por tudo, apesar de o contribuinte não ter atacado diretamente a multa de oficio qualificada, entendo que a hipótese dos autos não pode ensejar o exasperamento da multa, como acima declinado, o que me faz reconhecer de oficio a desqualificação da multa lançada.”(grifos originais) Por relevante, transcrevo excertos do recurso voluntário do contribuinte que aborda a questão da qualificação da multa, especificamente acerca da inaplicabilidade arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (fls. 445): Desta feita, tornase inequívoca a ocorrência da referida decadência nos períodos anteriores a novembro de 2000, tornando o referido Auto de Infração absolutamente nulo, vez que, como o mesmo representa o início do processo administrativo fiscal, todos os atos administrativos viciados adotados na sua constituição maculam todos os subseqüentes, assim como uma árvore envenenada empeçonho todos os seus frutos. Entretanto, a i. Turma Julgadora, decidiu ultrapassar seu papel julgador e pôsse a legislar, informando que no caso em tela, não aplicaria o cristalino art. 150, §4°, uma vez que a fiscalização "tipificou o comportamento como doloso e configurador de evidente intuito de fraude", o que, segundo o soi disant legislador, importaria na marginalização do referido artigo para que se aplique a regra incidente nos lançamentos feitos de ofício, talhada no art. 173, I do CTN. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 589 13 Tratase, porém, de um absurdo jurídico. Não há qualquer dispositivo no ordenamento jurídico que permita essa inversão, que somente pode ser explicado pela desejo de abarrotar os cofres públicos a qualquer custo, mesmo se isto signifique o abandono da legalidade. Certamente este E. Conselho não permitirá que isto aconteça. Basta acompanhar o desenvolvimento "lógico" do pensamento da i. 3ª Turma para verificar que falta em seus argumentos um dos elementos mais importantes para a Administração Pública, a legalidade. Assim, não há em momento algum no relatório da i. 3°. Turma Julgadora qualquer referência ao dispositivo legal que permitiria este tipo de inversão. Há sim uma tentativa desesperada de dar fundamento jurídico ao auto natimorto, citando os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Entretanto, nestes artigos não há qualquer permissão que sustente o absurdo proposto pela Turma Julgadora.” (grifos originais) Para o deslinde da controvérsia, transcrevo, ainda, a manifestação da autoridade fiscal acerca da qualificação da multa de ofício (fls. 319/320): 7. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O contribuinte ALONSO RIBEIRO FREGUETE omitiu, nos anos calendários de 1999 e de 2000, em sua Declaração de Ajuste Anual DIRPF, livre e conscientemente, rendimentos tributáveis decorrentes de valores creditados/depositados em contas correntes de sua titularidade. O montante de créditos/depósitos bancários verificados nas contas de depósito do contribuinte ALONSO RIBEIRO FREGUETE aponta para o valor expressivo de R$ 2.722.413,47 (dois milhões setecentos e vinte e dois mil quatrocentos e treze reais e quarenta e sete centavos) no anocalendário 1999 e de R$ 5.978.664,31 (cinco milhões novecentos e setenta e oito mil seiscentos e sessenta e quatro reais e trinta e um centavos) no anocalendário 2000. Utilizandose do procedimento de omitir rendimentos tributáveis que deveriam constar em suas Declarações de Ajuste Anual, o autuado logrou êxito em eximirse do pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física devido, no montante de R$ 2.390.605,23 (dois milhões trezentos e noventa mil seiscentos e cinco reais e vinte e três centavos). Demonstrativo Consolidado dos Créditos às fls. 003. A omissão de informações que deveriam constar em sua declaração anual de rendimentos foi expediente utilizado pelo fiscalizado para dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal de recolher tributos. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 O contribuinte revelou seu intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/64, ao eximir se do recolhimento tributário cabível, omitindo à autoridade fazendária, por dois anos consecutivos, valores expressivos de sua movimentação financeira. Em vista do exposto, agravei a penalidade de ofício sobre o valor dos tributos devidos, conforme determina o artigo 44, inciso II Lei n° 9.430, de 27/12/1996.” (grifos originais) Inicialmente, saliento que diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido entendo que o contribuinte insurgiuse especificamente contra a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, em decorrência de a autoridade fiscal têlos aplicado, ensejando duas conseqüências: i) a qualificação da multa de ofício, conforme prevê o artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; e aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Quanto a desqualificação da multa aplicada, inicialmente há de se observar que, conforme precedentes desta 2ª Turma da CSRF, a omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996: “ NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa ao dispositivo de lei indicado. O recurso especial apresentado demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à lei, merecendo ser conhecido. A aplicação da súmula nº 14 do 1º Conselho de Contribuintes somente pode ser invocada quando, de forma peremptória, restar caracterizada a simples omissão de receita ou de rendimentos. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. A omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 590 15 de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. A esposa do contribuinte, constava como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso. Aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador.” (Acórdão nº 920200.326, de 27/10/2009, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire) Ademais, ainda de acordo com precedentes desta 2ª Turma da CSRF, não configura evidente intuito de fraude a omissão que tenha se dado por dois anos consecutivos e decorra de valores expressivos: “IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos no caso 2000 e 2001 e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Recurso Especial Negado.” (Acórdão nº 920202.078, de 22/03/2012, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire) “(...) IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4302/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pela decisão de primeira instância e pelo acórdão recorrido. O valor dos rendimentos omitidos ou a omissão Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 reiterada de rendimentos, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920200.969 — 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Destarte, na apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, a omissão de informações que deveriam ser prestadas à administração fazendária, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Portanto, não merece reparo o acórdão recorrido, no ponto em que concluiu pela desqualificação da multa aplicada. A segunda questão controvertida posta à apreciação tratase da fixação do termo inicial para o transcurso do prazo decadencial. Transcrevo trecho da ementa do REsp 857614 / SP, Dje em 30/04/2008, em que resta claro que a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento da relevância da antecipação de pagamento para a fixação do termo inicial para se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. ISS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. INOCORRÊNCIA. ARTS. 150, § 7º DA CF/88 E 128 DO CTN. VÍCIO NA CITAÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LEI MUNICIPAL Nº 1.603/84. DIREITO LOCAL. SUMULA 280 DO STF. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO EM SEDE DE EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. JUNTADA DA LEI MUNICIPAL À INICIAL DA AÇÃO . NÃO OBRIGATORIEDADE. ................. 5. A Primeira Seção consolidou entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, como no caso sub judice, o poder dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.(GRIFEI) 6. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 591 17 da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte (Precedentes da Primeira Seção: AgRg nos EREsp 190287/SP, desta relatoria, publicado no DJ de 02.10.2006; e ERESP 408617/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, publicado no DJ de 06.03.2006). 7. Todavia, in casu, para o deslinde da controvérsia relativa à decadência dos créditos tributários em tela, fazse mister a interpretação de lei local, qual seja, a Lei Municipal nº 1.603/84, porquanto necessário perscrutar o momento de ocorrência da hipótese de incidência tributária, determinado pelo referido diploma legal, mormente quando a sentença e o acórdão recorrido consideraram diferentes critérios temporais. Destarte, revelase incabível a via recursal extraordinária para rediscussão da matéria, ante a incidência da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". (Precedentes: AGA 434121/MT, DJ 24/06/2002; RESP 191528/SP, DJ 24/06/2002). 8. Isto porque, consoante assentado pelo juízo singular, in verbis: "A lei municipal nº 1.063/84 já contemplava o ISS, seu fato gerador, lista de serviços e a possibilidade de cobrar o imposto do responsável tributário, o dono da obra (...) Com a sucessão de leis no tempo, entrou em vigor o atual Código Tributário Municipal (Lei Complementar nº 25/97), que manteve as disposições da lei anterior (...) A decadência, enquanto forma de extinção do crédito tributário, somente se opera após 05 (cinco anos) contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Ora, mesmo considerando o término da obra em 1997, como alega a excipiente, o fisco teria 05 anos para efetuar o lançamento, a contar de 01/01/98. Portanto, a decadência somente se operaria em 01/01/03. Ocorre que o lançamento, que constitui o crédito tributário se deu antes, em 23/04/99 (fls. 39 e informação de fls. 41). Realizado o lançamento, não se fala mais em decadência, e a partir daí tem o fisco novo prazo de 05 (cinco) anos, de natureza prescricional, para ajuizar a ação para a cobrança do crédito tributário, contado da data da sua constituição definitiva." .................. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 Portanto, o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. No demonstrativo de Apuração (fls. 325) consta valor de imposto pago para o ano calendário de 1999 (exercício 2000) antecipação de pagamento. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/11/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15586.000733/200509 Acórdão n.º 9202002.195 CSRFT2 Fl. 592 19 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento sobre o conhecimento da alegação recursal sobre preclusão. Como muito bem descrito, a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, em decorrência de a autoridade fiscal têlos aplicado, enseja conseqüências: 1. A qualificação da multa de ofício, conforme prevê o artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; e 2. A aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Na época em que o acórdão recorrido foi analisado e decidido em que não havia a determinação contida no Art; 62A do Regimento Interno do CARF (obediência aos recursos repetitivos do Superior Tribunal de Justiça) – a definição da regar decadencial a ser aplicada era: 1. Não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada era a expressa no I, Art. 173 do CTN; e 2. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, a regra decadencial a ser aplicada era a expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. Portanto, para a análise da regar decadencial a ser aplicada, foi necessária e obrigatória a análise sobre os motivos da qualificação da multa (dolo, fraude, simulação). Se os motivos para a qualificação estivessem comprovados, a regra decadencial aplicada seria a do I, Art. 173 do CTN, em caso contrário, seria a do § 4º, Art. 150 do CTN. Por esse motivo, em nosso entender, houve a análise por parte da turma que proferiu o acórdão recorrido. E não seria cabível, nem lógico, nem eficiente, que a turma concluísse que os motivos para a qualificação da multa não existiriam para a definição da regra decadencial, mas se encontravam preclusos para a qualificação da multa. Portanto, por entender que a avaliação dos motivos para a qualificação da multa são oriundos da análise para a definição da regra decadencial a aplicar, entendo que não Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 houve a preclusão, pois a matéria consta da impugnação, quando foi solicitada a aplicação da regra decadencial prevista no § 4º, Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto por não conhecer do recurso em relação à multa qualificada, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmen te em 08/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10120.721481/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 1.592,92ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin..
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 1.592,92ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin.. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 81 /2 00 9- 24 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 131 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/SBS (Fls. 105), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Pela notificação de lançamento n° 01201/000932009 (fls. 01), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 349.496,71, correspondente ao lançamento do ITR/2006, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Pau d'Arco" (NIRF 4.209.0083), com área total de 2.291,1 ha, localizado no Município de Britânia GO. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais das infrações e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontramse as fls. 01 (verso) e 02/04. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2006 (fls. 06/07), iniciouse com o termo de intimação de fls.08, para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido ao IBAMA, matricula do registro imobiliário, com a averbação da área de RPPN, e comprovante de sua localização; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo ou, alternativamente, avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais e Municipais e pela Emater, a preços de 01/01/2006. Em atendimento, o contribuinte apresentou as correspondências e os documentos fls. 10, 13/22 e 28/58. Na análise desses documentos e da DITR/2006, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas ambientais declaradas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN (1.592,6 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 1.039.885,00 (R$ 453,88 ha), arbitrandoo em R$ 1.943.677,60 (R$ 848,36/ha), com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 166.205,40, conforme demonstrativo de fls. 03 (verso). Cientificado do lançamento em 18/11/2009 (fls.79), o contribuinte protocolou em 18/12/2009, a impugnação de fls. 81/83, exposta nesta sessão, acompanhada dos documentos de fls. 86/98. Em síntese, alega e requer o seguinte: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 132 3 de inicio, discorda do procedimento fiscal e informa que a área ambiental declarada de RPPN, de 1.592,5984 ha, correspondente a 69,5 % da área total do imóvel, foi reconhecida por Portaria do IBAMA e averbada no registro imobiliário em 02/12/2002, conforme certidão anexada, além de ter sua existência comprovada por laudo técnico e mapas feitos com base em imagens de satélite; não será questionado o VTN arbitrado com base no SIPT, mesmo considerando que o imóvel possui uma grande área alagável que o deprecia. Ao final, o contribuinte espera e requer seja acolhida a presente impugnação e, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja cancelado o crédito tributário reclamado. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/SBS entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RPPN Para ser excluída do ITR/2006, a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN declarada, além de averbada à margem da matricula do imóvel, deveria ter sido objeto de ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR12006, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Cientificada em 10/05/2010 (Fls. 112), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/06/2010 (fls. 121), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e acrescentando basicamente que: (...) o ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), não é exigível por força da Medida Provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 20001. 0 parágrafo 7 0 do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, com a redação oferecida pela MP m° 2.16667,(...) (...) Entendese, destarte, que com a "novel" disciplina, inserta no § 70 do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, não é mais necessária a apresentação pelo contribuinte de ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA, como requerido pela Receita Federal do Brasil e pelo IBAMA. (...) Conclusão: não há previsão legal para a exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), sendo indevidas as Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 133 4 multas lançadas pela Receita Federal do Brasil, considerada e/ou dada sua inexistência. Cabe apenas ao órgão fiscalizador a verificação da veracidade da declaração do contribuinte e, se inverídicas, ai sim efetuar o lançamento fiscal devido. Ainda cabe lembrar que o lançamento de tal divida sem o devido processo legal, a lembrar, o administrativo, com a produção de provas pela autoridade a respeito da não veracidade da informação prestada pelo contribuinte, sendo admissível ainda o processo judicial para desconstituir o auto de infração e o lançamento em divida bem como todas as provas. Relativamente a exclusão pelo próprio contribuinte de áreas que não estão sujeitas a tributação pelo I.T.R (IMPOSTO TERRITORIAL RURAL), é essencial que se faça a seguinte colocação: a Medida Provisória n° 1.95653, trouxe no ano de 2000, louvável disposição em favor dos contribuintes rurais, assegurandoos contra os desmedidos abusos então cometidos pelo fisco. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No mérito, cingese a discussão em saber se a averbação no RGI e a apresentação do ADA tempestivo são elementos essenciais e indispensáveis para que as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN possam ser isentas de tributação. Nesse sentido, cabe destacar, com relação à matéria, o que prevê o art. 10 da Lei 9.393/96, o qual disciplina a apuração do ITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior.” A exclusão das áreas de preservação permanente e RPPN para fins de apuração da área tributável do ITR, por sua vez, está prevista nas alíneas “a”e “b”, do inciso II, §1º, do artigo supramencionado: “§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 134 5 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;” Até o Exercício de 2000, o ADA, segundo entendimento amplamente dominante desse Egrégio Conselho, não era indispensável para efetiva comprovação quanto à existência das áreas passíveis de serem excluídas de tributação, de modo que admitiase a comprovação mediante a produção de outras provas. Isso se dava, principalmente, em razão de à época, inexistir previsão legal no sentido de caracterizar aquele documento como requisito para o gozo da isenção. A exigência se dava tãosomente através de instrumentos infralegais, com o que entendiase não ser possível exigirse o ADA como requisito indispensável ao benefício. Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal, expressandose o dispositivo no seguinte sentido: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” É certo que a Administração Pública, em razão do disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal, que prevê o princípio da legalidade, deve, necessariamente, cumprir as determinações dos ditames legais, salvo se contrários a alguma norma constitucional – o que parece não ser o caso do dispositivo acima mencionado. Assentese, assim, que, em consonância com tal dispositivo, o ADA passou a ser documento indispensável para fruição da isenção. Todavia, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96: “Art. 10. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 135 6 correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” Denotase, assim, que a regra que foi inserida pela Medida Provisória em comento diverge daquela prevista no art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81. Em consonância com as regras de resolução de antinomias entre regras jurídicas previstas na Lei de Introdução do Código Civil, segundo a qual as normas mais novas revogam as anteriores no que forem divergentes, entendemos que, hoje, encontrase em vigor, sendo plenamente aplicável, a regra do art. 10, §7º, da Lei nº 9.393/96, que não condiciona a isenção à prévia apresentação do ADA. É clara a norma decorrente do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 ao determinar que a isenção de ITR não dependerá da prévia apresentação do ADA, com o que se pode concluir que admitese a posterior apresentação do mesmo no caso em que a Fiscalização tenha dúvidas quanto à efetiva possibilidade de determinado beneficiário gozar do benefício, ou mesmo a apresentação de outros documentos que tenham força probante suficiente para corroborar as informações da declaração. A respeito da comprovação é importante destacar a previsão da Lei nº 4.771/96 (Código Florestal), que no § 2º do art. 16 (incluído pela Lei nº. 7.803/89) define que “reserva legal é a área de, no mínimo, 20% de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso”, e no § 8º prevê que tal área “deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão a qualquer título, ou de desmembramento da área”. De acordo com artigo acima mencionado do Código Floresta a averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel é maneira legalmente prevista de comprovar a preservação e conseqüentemente a existência das áreas de Reserva Legal e RPPN. Ressaltese que o recorrente pleiteia, conforme DITR/2006 1592,92 ha de RPPN. Observase que consta da matrícula do imóvel, às fl. 31, a averbação, em 31/08/2002, do Termo de Responsabilidade de Compromisso de Conservação de RPPN firmado entre o contribuinte/proprietário do imóvel e a autoridade florestal, segundo o qual a área de 1592,92 ha ficou gravada como de RPPN. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, cabe computar a área a área de 1592,92 ha como área de RPPN, excluindoa, desse modo, da área tributável pelo ITR no exercício em exame. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a área de RPPN de 1592,92 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10120.721481/200924 Acórdão n.º 2801002.673 S2TE01 Fl. 136 7 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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