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Numero do processo: 10580.010888/2006-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR.
Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva.
Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação da Recorrente na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda.
São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos.
Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos.
Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos as remessas de recursos para o exterior.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator Designado
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação da Recorrente na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 08 88 /2 00 6- 62 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator Designado EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 504 3 Relatório ANGELA MARIA REIS CAVALCANTE FREITAS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 13/12/2006, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada a partir da variação patrimonial a descoberto, constatada com base em excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, bem como em face de deduções indevidas de despesas médicas, em relação ao anocalendário 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/18, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, consubstanciada no Acórdão nº 1512.250/2007, às fls. 407/411, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Especial, em 21/09/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 280100.245, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no § 1°, do artigo 3° da Lei 7.713/88. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS INSTRUÇÃO OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas e de instrução realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 456/468, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 280200.193, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, explicita que o cônjuge da recorrente, igualmente, fora objeto de ação fiscal, culminando com a lavratura de Auto de Infração com base nos mesmos fatos e motivos, objeto do processo n° 10580.010887/200618, onde fora exarado o Acórdão n° 280200.193, ora adotado como paradigma. Sustenta que o decisório paradigma diverge do entendimento consubstanciado no Acórdão guerreado, uma vez que, a partir de mesma situação fática e conjunto probatório idêntico, rechaça a legitimidade passiva do contribuinte, transferindo ao Fisco o dever de comprovação da titularidade dos recursos remetidos ao exterior, ao contrário do que restou assentado pela Turma recorrida, a qual transferiu a recorrente o ônus de provar que não efetuou as remessas para o exterior. Acrescenta que sua pretensão encontrase escorada na mais abalizada doutrina e jurisprudência deste Colegiado, no sentido de que meros indícios não são elementos suficientes para configurar o requisito da certeza que reclama todo e qualquer lançamento tributário, na linha do decidido no Acórdão paradigma. Infere que caberia à fiscalização produzir outros indícios que, reunidos e coordenados em processo lógico, convergissem para a conclusão de que a contribuinte Recorrente e seu cônjuge são os titulares dos recursos remetidos ao exterior e, assim, lavrar o auto de infração, ou, concluindo pela inexistência de qualquer outro indício ou prova de titularidade dos recursos, se abster de efetuar a autuação do contribuinte, o que não foi feito. Aduz que, tendo a contribuinte afirmado não ser titular dos recursos remetidos ao exterior, deveria ter se desincumbido do seu ônus probatório objetivando desconstituir a presunção de omissão de rendimentos, e não simplesmente apresentar meras alegações/indícios, escorado em um simples documentos. Relativamente às despesas médicas suportadas pela contribuinte, opõese ao julgado em vergasta alegando que a autoridade lançadora deixou de levar em consideração a vigência da sociedade conjugal em regime de comunhão de bens entre a Recorrente e seu cônjuge, procedendo as respectivas glosas das despesas médicas e de instrução das filhas do casal, que figuram como dependentes do cônjuge e não da recorrente. Transcreve ementas dos Acórdãos n°s 10418.649, 10419.062 e 10417.358, ora adotados como paradigmas, concluindo que a jurisprudência deste Conselho caminha no sentido de que a não indicação das filhas da recorrente como dependentes em campo próprio não pode impedir o aproveitamento das despesas médicas e com instrução das filhas, ainda mais quando se comprova a dependência econômica e que seu marido não deduziu na DIRPF dele. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Contribuinte, somente em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 280200.193, conforme Despacho nº 2100 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 505 5 0359/2010, às fls. 487/489, ratificado pelo Despacho n° 21000359R/2010, de fl. 490, da lavra do Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 492/502, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, exclusivamente em relação ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conheço do Recurso Especial da Contribuinte e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, impondo a confrontação, mensalmente, das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução do patrimônio do contribuinte. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 10/18, que a contribuinte fora intimada a informar origem dos valores transferidos para a conta BHSC AGENT FOR MIDLER CORP. SA no. 530.765.055, mantida pela empresa Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova York, EUA, em 11 de junho de 2002, por meio da TRN 0289809162FF e creditados na conta YORK NY 10022 3703 em nome de 226 E 54TH STREET SUIT 701 NEW YORK NY 100223703, no valor de US$ 50.000,00 (cinqüenta mil dólares americanos), descrita de forma detalhada no documento denominado "Operações de Representação Fiscal no. 516/05", em anexo. Esclarece que, as informações acima foram extraídas dos arquivos enviados pela Promotoria do Distrito de Nova York (District Attomey's of the County of New York) em atendimento à quebra de sigilo bancário autorizada pelo juízo da 2a. Vara Criminal Federal em Curitiba/PR. Estes arquivos foram periciados e autenticados pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Polícia Federal por meio do Laudo 1033/04, tendo sido consideradas verdadeiras e representativas das operações nele descritas. Estes dados foram transferidos, posteriormente, para a Secretaria da Receita Federal por decisão do Juízo competente. Com base na Representação Fiscal n° 527/05, às fls. 25/26, e Laudo de Exame Econômico Financeiro nº 1032/04, às fls. 27/40, do Instituto Nacional de Criminalística, restou demonstrada a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela “Beacon Hill”, de onde se extraiu uma ordem de pagamentos realizada pela autuada e seu cônjuge, ou em seu nome, na importância de U$ 50.000,00. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Assim, não tendo a contribuinte justificado a natureza e origem dos recursos financeiros constantes da ordem de pagamento realizada em seu nome, a partir da confrontação com os valores declarados na DIPRF a título rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva, o fiscal autuante caracterizou como omissão de rendimentos, constatada a partir da variação patrimonial a descoberto, com base em excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, aplicando multa de ofício qualificada em face do intuito doloso. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem manter a pretensão fiscal, por entender que os documentos de fls. 170 e seguintes e Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, às fls. 27/34, demonstram que a recorrente e seu cônjuge foram ordenantes de uma remessa ao exterior, no valor de U$ 50.000,00, consoante documento de fl. 26, não se apresentando referidas provas como meros indícios. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando o simples fato de constar o seu nome e do marido como “ordenantes” da transferência bancária, por si só, não seria capaz de comprovar a titularidade daquele valor, de maneira a ensejar a tributação procedida, mormente quando não houve por parte da fiscalização um aprofundamento nos fatos, com o fito de comprovar que os recursos movimentados na conta fiscalizada teriam sido transferidos efetivamente por sua ordem, uma vez inexistir qualquer documento que a vincule, indubitavelmente, àquelas operações, razão pela qual não há elementos suficientes para se afirmar com certeza que tais recursos são, de fato, da contribuinte. A fazer prevalecer seu entendimento, explicita que o cônjuge da recorrente, igualmente, fora objeto de ação fiscal, culminando com a lavratura de Auto de Infração com base nos mesmos fatos e motivos, objeto do processo n° 10580.010887/200618, onde fora exarado o Acórdão n° 280200.193, ora adotado como paradigma. Sustenta que o decisório paradigma diverge do entendimento consubstanciado no Acórdão guerreado, uma vez que, a partir de mesma situação fática e conjunto probatório idêntico, rechaça a legitimidade passiva do contribuinte, transferindo ao Fisco o dever de comprovação da titularidade dos recursos remetidos ao exterior, ao contrário do que restou assentado pela Turma recorrida, a qual transferiu à recorrente o ônus de provar que não efetuou as remessas para o exterior. Infere que caberia à fiscalização produzir outros indícios que, reunidos e coordenados em processo lógico, convergissem para a conclusão de que a contribuinte Recorrente e seu cônjuge são os titulares dos recursos remetidos ao exterior e, assim, lavrar o auto de infração, ou, concluindo pela inexistência de qualquer outro indício ou prova de titularidade dos recursos, se abster de efetuar a autuação do contribuinte, o que não foi feito. Aduz que, tendo a contribuinte afirmado não ser titular dos recursos remetidos ao exterior, deveria ter se desincumbido do seu ônus probatório objetivando desconstituir a presunção de omissão de rendimentos, e não simplesmente apresentar meras alegações/indícios, escorado em um simples documentos. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito constantes do Acórdão recorrido, o inconformismo da recorrente merece prosperar, encontrando guarida na legislação de regência e jurisprudência administrativa, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, utilizou como fundamento à sua empreitada os artigos 1o, 2° e 3o, §§ 1o e 4o, da Lei n° Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 506 7 7.713/88, c/c artigos 1o e 2o da Lei n° 8.134/90, que contemplam a caracterização de omissão de rendimentos com base acréscimo patrimonial a descoberto, nos seguintes termos: “ Lei n° 7.713/88 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Lei n° 8.134/1990 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, o acréscimo patrimonial comprovadamente pelo Fisco como a descoberto, passou a ser presumidamente considerado omissão de rendimentos se o contribuinte não comprovasse a origem dos acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva, declarados em sua DIPF. Tratase, pois, da conhecida presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário, são verdades indiscutíveis por força de lei. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, insculpida no artigo 204 e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não se pode confundir, porém, a presunção legal (juris tantum) da omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido, com a necessária confirmação da titularidade de tais valores, ou seja, a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. No entendimento deste relator, aludida providência (identificação do titular dos recursos utilizados nas transferências bancárias no exterior), pretérita à própria presunção de omissão de rendimentos em comento e indispensável à correição do lançamento, não logrou o Fisco a proceder, não comportando para tanto meros indícios, frágeis, digase de passagem. No caso sub examine, como restou muito bem delineado no Acórdão paradigma, que contemplou autuação do cônjuge da recorrente, o fato isolado de constar o nome da contribuinte como ordenante da transferência bancária em epígrafe não tem o condão de justificar a tributação levada a efeito em seu desfavor. Com efeito, desde o primeiro momento, ainda em sede de ação fiscal, a autuada defende não ser titular de referidos valores e, por conseguinte, responsável pelas transferências esteio do auto de infração, razão pela qual caberia à fiscalização se aprofundar nos fatos e documentos pertinentes com o fito de comprovar cabalmente que tais importâncias são, verdadeiramente, de titularidade da contribuinte. Aliás, inferiu com muita propriedade o ilustre Conselheiro subscritor do voto condutor do Acórdão paradigma, no sentido de que o agente lançador se limitou a confrontar os dados inseridos no relatório de operações, os quais teriam sido extraídos dos laudos periciais, deixando de considerar que a identificação da contribuinte como ordenante dos recursos para a conta da Beacon Hill não se deu de forma conclusiva, atestando somente que houve uma transferência em seu nome, olvidandose que tais provas indiciárias não são suficientes a corroborar a pretensão fiscal. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 507 9 Mais a mais, na esteira do assentado no decisório paradigma, impende registrar que o “exame dos demais documentos que compõe o processo revela que o nome do Recorrente somente é mencionado naquela relação. Nos documentos oriundos da Justiça Federal não vislumbro seu nome mencionado sequer uma única vez.” Neste sentido, arrematou o nobre Conselheiro Relator, com muita propriedade: “[...] Concluo que o documento de f1. 25, em que pese ter sido elaborada por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o contribuinte de fato tenha realizado as operações ali indicadas. Também não restou comprovado nos autos que o contribuinte seja titular de contacorrente no exterior. Nem foram acostados aos autos documentos assinados pelo recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais indicassem o contribuinte, de modo efetivo e indubitávc1, com remetente ou beneficiário de recursos ao exterior. [...]” Observese, que o próprio Laudo nº 1032/04, do Instituto Nacional de Criminalística, às fls. 27/34, ao explicitar o modelo e os dados constantes das ordens de pagamento, é por demais enfático ao afirmar que: “ORDER CUSTUMER: Cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente, o remetente original)”. Ou seja, uma das provas documentais utilizadas como arrimo à conclusão fiscal não confere a devida segurança de que o nome que consta do comprovante das operações de pagamento (transferência bancária) é, de fato, o relativo ao verdadeiro ordenante. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a identificação do sujeito passivo, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, tributar o real titular dos valores movimentados em contas bancárias, quando restar comprovada a interposição de pessoas. É o que determina o § 5º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, reforçando a tese de que é dever da autoridade fazendária comprovar, a partir de documentos hábeis e idôneos, a titularidade (o real beneficiário) das movimentações bancárias. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova (beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Outro não é o posicionamento do eminente professor Paulo de Barros Carvalho, que assim preleciona: “ Com a evolução da doutrina, nos dias atuais, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a Administração de provar os ocorrências que afirmar terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova contundente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa.” (CARVALHO, Paulo de Barro. Notas sobre a Prova no Procedimento Administrativo Tributário. In: SHOUERI, Luís Eduardo – cood. – Direito Tributário: Homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003, v. II, p. 860) (grifamos) Por sua vez, a jurisprudência administrativa é firma e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação por parte do fiscal autuante dos fatos imputados aos contribuintes, sobretudo quando o lançamento não se apoiar em presunções legais, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – Nas presunções simples é necessário que o fisco esgote o campo probatório. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incerteza. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10706.229 – Sessão de 22/03/2001) “[...] IRPF – PRESUNÇÕES – Em matéria tributária as presunções admitidas somente se referem às expressamente autorizadas em lei, presentes os pressupostos legais exigíveis à sua sustentação. [...]” ( 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Acórdão nº 10416.433 – Sessão de 08/07/1998) “IRPF ATIVIDADE RURAL CONDOMÍNIO RENDIMENTOS OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRESUNÇÃO A obrigação tributária deflui da lei, não podendo criar imposição fiscal por mera presunção subjetiva da autoridade administrativa. Os rendimentos da atividade rural em condomínio devem ser tributados na proporção que couber a cada um, ex vi do artigo 13 da Lei n. 8.023/90, art. 13. Recurso provido.” ( 2ª Câmara do 1º Conselho Contribuintes – Acórdão nº 10244022, Sessão de 08/12/1999) (grifamos) Com mais especificidade, ao se manifestar em caso análogo ao presente, a 3a Turma da DRJ em Recife, exarou Acórdão nº 1119.381, nos autos do processo administrativo nº 10425.000854/200652, rechaçando a exigência fiscal lastreada em omissão de receitas com Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 508 11 base em depósitos bancários com origem não justificada, tendo em vista a ausência de comprovação da titularidade dos valores utilizados em transferências bancárias no exterior, não se prestando para tanto tão somente o nome do contribuinte constando como ordenante da operação, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, senão vejamos: “[...] 25. A meu ver, a simples indicação de seu nome nas ordens de transferência bancária, apesar de se constituir em forte indício de que remetera recursos financeiros para o exterior, não pode, por si só, ser considerada como prova de que isso teria ocorrido. Como dito, as Representação Fiscais foram expedidas com o objetivo fossem aprofundadas as investigações. As mencionadas operações, por conseguinte, constituiamse no ponto de partida para a apuração de eventuais ilícitos fiscais, e não na prova destes. 26. Para comprovar que a interessada fora a ordenante dos valores ali consignados, verbi gratia, poderiam ter sido realizadas investigações no sentido de estabelecerse algum vínculo entre ela e as empresas indicadas como beneficiárias das transferências bancárias, ou mesmo com a Empresa Beacon Hill Service, titular das mencionadas sub contas Basiléia e Larret, o que, como se vê dos autos, não foi feito pela fiscalização. 27. Realmente, como alegado na peça de defesa, não se há como fiar em documento, seja de papel ou de mídia eletrônica, para pressupor a prática de infração tributária do contribuinte, quando produzido de forma unilateral por terceiros e suas informações não forem comprovadas por meio de outros elementos, como ocorreu no caso em questão (os dados foram consignados pela Beacon Hill Service). Vale ressaltar, grosso modo, o ônus da prova incumbe a quem alega (art. 333 do CPC). [...] 30. Em suma, não restou provado ligação da interessada com as pessoas que movimentavam à mencionada subconta Basiléia, não foram levantados dados acerca das pessoas que mantinham contrato com a Beacon Hill Service para movimentar a subconta Larrent, tampouco foi apresentado qualquer indício adicional de que ela, realmente, fora a ordenadora das transferências bancárias em comento. 31. Vale dizer, em caso similar decidiu a DRJ Ribeirão Preto (acórdão nº 12237, de 13 de abril de 2006) pela improcedência do lamento, conforme excerto transcrito abaixo: Tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos anocalendário de 1999, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada pela movimentação reiterada de recursos à Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 margem da contabilidade, sem origem comprovada ou remetente ao exterior à revelia do sistema financeiro nacional. Durante toda a ação fiscal a fiscalização negou que os recursos movimentados nas referidas contas lhe pertencessem. Em sua impugnação, repte os mesmos argumentos, insistindo que o endereço constante das ordens de pagamento lhe é completamente estranho. De fato, analisandose as provas constantes do processo, não há um documento sequer que demonstre cabalmente que a ordenante/remetente dos pagamentos e a impugnante são as mesmas. Em resposta à diligência solicitada para esclarecer dúvidas sobre a sujeição passiva, a autuante informa que “as provas materiais que nortearam os lançamentos foram enviadas como documentos hábeis à fiscalização, por meio da Representação Fiscal nº 426/2004 da SRF/Cofis/Equipe Especial da Fiscalização (fls. 62/71), dente as quais constam laudos de exames econômicofinanceiro, efetuados por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal (fls. 72/116), inclusive atestando a autenticidade das ordens de pagamento obtidas, identificando o ordenante e seus beneficiários no exterior, que por acaso são também fornecedores estrangeiros do contribuinte” Primeiramente não se discute a autenticidade das ordens de pagamento. Entretanto o que consta desses documentos é como remetente “Metaltex”, com endereço na Av. B. Luís Antonio, 2581, Cj. 52. Este endereço não foi em nenhum momento investigado pela fiscalização. Embora Metaltex conste da razão social da impugnante, este fato por si só não é suficiente para identificálo como remetente dos recursos. No laudo pericial citado não há nenhuma referência à contribuinte nem qualquer elemento que faça a vinculação do remetente com a empresa lançada. A alegação de que os beneficiários dos pagamentos são fornecedores estrangeiros da contribuinte não está acompanhada de nenhum elemento da prova, embora o fato não seja negado pela contribuinte, conforme documento de fls. 20/21, em que reconhece que a maioria das empresas relacionadas na planilha são ou foram seus tradicionais fornecedores. Quais são esses fornecedores, qual a relação comercial da contribuinte com eles? Não há nada no processo. Considero que esse único fato é insuficiente para imputar as remessas à contribuinte e lançar os respectivos tributos com multa qualificada.” (grifamos) Na esteira desse entendimento, mister se faz reformar o Acórdão recorrido, de maneira a restabelecer a ordem legal no sentido de reconhecer a ilegitimidade passiva da contribuinte, uma vez que a autoridade lançadora não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, ser a autuada, de fato, a titular dos recursos remetidos ao exterior, na forma que a legislação de regência exige. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 509 13 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 541DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire , Designado Em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. Ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Do aprofundamento das investigações, apurouse que outros bancos foram utilizados pelo mesmo esquema como o BANESTADONY, SAFRA, MERCHANTS BANK E 0 MTB HUDSON BANK. Uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010888/200662 Acórdão n.º 9202002.455 CSRFT2 Fl. 510 15 No presente caso, em que pese que a Recorrente afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verificase nos autos, que a Recorrente juntamente com seu cônjuge, Sr. Paulo Roberto Tannus Freitas, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares),fls. 26, para serem creditados na conta de YORK NY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34. Ao contrário do que alega a recorrente, documento em que ela, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação da Recorrente na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda. Ademais, há de se ressaltar que o objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação as origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte; em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. No caso sob exame, como a recorrente ordenou a remessa de US$ 50.000,00 (cinqüenta mil dólares americanos) em 11 de junho de 2002, juntamente com o seu cônjuge, Paulo Roberto Tannus Freitas, que também foi fiscalizado pela remessa acima explicitada, e ambos negaram a titularidade do referido valor, foi considerada pela fiscalização como sendo US$ 25.000,00 para cada um dos contribuintes. Destarte, a remessa de numerário para o exterior foi, então, considerada como aplicação de recursos da recorrente e confrontadas com as fontes ou origens dos recursos comprovadas, para fins de apuração de variação – patrimonial, Consoante os Demonstrativos de Evolução Patrimonial, tendo sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto, o que evidenciou a omissão de rendimentos perante o Fisco. Salientese que, para comprovar a existência de acréscimo patrimonial por parte da recorrente, a fiscalização elaborou demonstrativo em que comparou a cada mês o total de recursos disponíveis pelo mesmo, versus as aplicações destes recursos. A sistemática de se considerar a remessa ao exterior como aplicação de recursos está correta, eis que, por óbvio, a aplicação de recursos em uma conta bancária é, indubitavelmente, uma aplicação de recursos do contribuinte e, como tal, deve, necessariamente, estar amparada em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhadas de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação. Portanto, devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 544DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911296/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO.
Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). COMPROVADA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO REMANESCENTE. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL. Uma vez comprovada a certeza e liquidez do crédito do crédito passível de restituição e que o valor do débito é igual ao valor crédito utilizado, homologase integralmente a compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO. Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 96 /2 00 9- 01 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ – Brasília/DF, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Compensação – Observância das Condições da Lei. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório nele encartado: Cuidam os autos de Dcomp – Declaração de Compensação, débito próprio, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911296/200901 Acórdão n.º 3802001.272 S3TE02 Fl. 11 3 Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: O crédito não foi suficiente para quitar o débito informado porque a autoridade fiscal cobrou indevidamente multa de mora; É evidente a improcedência dessa penalidade. A multa a que se refere o art. 61 da Lei 9.430/96 somente se aplica na ocorrência de inadimplemento do tributo por culpa ou dolo do contribuinte e está claro que não houve atraso na quitação do tributo, vez que a contribuinte, de boafé, cumpriu rigorosamente as normas emanadas do Legislativo Federal e SRF, ao tempo em que foram editadas as Lei 10.833/03 e 11.196/05 e as Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; Não há que se falar em atraso de pagamento de tributo em função da compensação realizada, já que o recolhimento indevidamente a maior decorreu de incorreta interpretação dada pela SRF ao comando legal em comento, pois, à época do recolhimento, que sempre ocorreu nos seus respectivos vencimentos, a SRF houvesse interpretado corretamente o disposto na alínea “c” do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003, não restaria crédito da contribuinte a compensar via PER/Dcomp e não teria levado a contribuinte a refazer os cálculos, decorrendo daí novos valores de débitos e créditos, gerando, conseqüentemente, a compensação em questão; Destaquese, por fim, que as normas tributárias de caráter interpretativo não podem retroagir para prejudicar, abrangendo aí a aplicação de multa, nos termos do art.106I do CTN (a lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados); Diante do demonstrado e comprovado, requer seja homologada a compensação em sua integralidade e seja declarada nula a imposição de multa de mora decorrente do suposto recolhimento em atraso. Em 04/05/2012, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 29/05/2012, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, informou que no âmbito do Processo n° 14033.003351/200865, que trata de questão análoga a do presente caso, relacionado com a Contribuição para o PIS/Pasep, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da Recorrente, reconhecendo a inaplicabilidade da multa moratória na compensação de tributos. Também no âmbito dos autos da Ação Anulatória n° 74185720104.01.3400, em curso na 21ª Vara Federal do DF, havia sido proferido sentença afastando a incidência da multa moratória em compensação de débitos/créditos da Cofins, em situação semelhante ao presente recurso. Ambas as decisões foram colacionadas aos autos. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No final, requereu provimento do presente Recurso Voluntário e a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse declarada nula a multa moratória exigida e homologada, por completo, a compensação realizada por meio da DComp colacionada aos autos. Em 30/05/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da leitura do Despacho Decisório colacionado aos autos, extraise que a causa do presente litígio foi a homologação parcial do presente procedimento compensatório, em face do valor do crédito utilizado ter sido inferior ao valor do débito compensado, acrescido da multa de mora, não incluída no computo do valor total do débito informado na DComp em apreço. A Turma de Julgamento de primeira instância manteve o referido Despacho Decisório, sob o argumento de que era devida a cobrança multa mora, porque a compensação fora realizada após o prazo de vencimento do débito e não havia previsão legal para aplicação, ao presente caso, dos efeitos da retroatividade benigna previstos no art. 106, I, do CTN, alegado pela Interessada. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente a alegação de que, em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, I, do CTN, no caso em tela, era indevida a cobrança da multa de mora sobre o valor do débito compensado, com base no argumento de que tinham natureza interpretativa as normas que introduziram modificação nos critérios de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas aos contratos de longo prazo firmados, por preço determinado, anteriormente a 31 de outubro de 2003. De fato, por força dos esclarecimentos explicitados no art. 1091 da Lei 11.196, de novembro de 2005, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006, alterou o critério de apuração das referidas Contribuições incidentes sobre as receitas relativas aos citados contratos, nos casos de reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, para determinar, com 1 "Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § lº do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde lo de novembro de 2003". Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911296/200901 Acórdão n.º 3802001.272 S3TE02 Fl. 12 5 efeito retroativo, que fosse adotado o regime da cumulatividade, ao invés do regime da não cumulatividade, estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 468, de 08 de novembro de 2004. Em atendimento a essa nova orientação, a Recorrente refez os cálculos dos valores das Contribuições devidos e realizou a compensação dos novos débitos apurados com os pagamentos indevidos anteriormente realizados dos débitos apurados com base no regime de apuração anteriormente determinado, ou seja, na presente DComp, a Recorrente declarou a compensação do valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 2004, calculo segundo os critério do regime cumulativo, com o crédito do pagamento indevido da referida Contribuição do mesmo mês, apurado de acordo com o regime nãocumulativo. Com base no conteúdo do art. 109 da Lei 11.196, de 2005, entendo que ele inequivocamente introduziu no ordenamento jurídico brasilerio norma tributária de natureza interpretativa, portanto, deve ser aplicada em consonância com o disposto no art. 106, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; [...]. No presente caso, o valor do débito compensado pela Recorrente foi apurado segundo o regime de incidência cumulativa, portanto, em conformidade com a nova orientação estabelecida no referido preceito legal e em cumprimento ao que determinava a Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006. Assim, em face dessa peculiaridade, a multa de mora devida em decorrência da compensação extemporânea do referido débito deve ser excluída, sob pena de afronta ao disposto no art. 106, I, do CTN. É oportuno esclarecer que, no caso em tela, não está em discussão a legalidade da cobrança da multa de mora nos casos de compensação de débito após o prazo de vencimento, em que, em situação normal, tanto o atraso no pagamento quanto a compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo, obviamente, configura a mora do sujeito passivo, dando ensejo a aplicação da referida penalidade, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No entanto, a situação objeto da presente lide é distinta, ou seja, aqui se discute a legalidade da cobrança da multa de mora, na hipótese em que o sujeito passivo agiu em consonância com a orientação determinada por norma tributária expedida por autoridade competente da RFB e com efeito retroativo. Veja que, no presente caso, em decorrência do efeito retroativo da novel legislação, um critério diverso de apuração das Contribuições incidentes sobre as referidas receitas foi determinado pela própria Administração Tributária, consequentemente, o cálculo dos novos valores dos débitos atinentes aos períodos anteriores a edição das referidas normas, evidentemente, só poderia ser realizado após a data do vencimento das referidas Contribuições, logo, por impossibilidade material de retroceder no tempo, obviamente, não havia como a Recorrente proceder a quitação dos novos valores no prazo de vencimento originariamente estabelecido. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Assim, resta demonstrada a necessidade de obediência ao mandamento estabelecido no inciso I do art. 106 do CTN, devendo ser excluída qualquer tipo penalidade decorrente da infração à norma interpretada, inclusive, a penalidade de natureza moratório. No mesmo sentido foi o entendimento manifestado pelos nobres Conselheiros integrantes da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 3102001.126, cuja enunciado da ementa segue transcrita: COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORA DO PRAZO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS RETROATIVOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Não se considera em mora o pedido de compensação do crédito tributário apresentado fora do prazo, quando decorrente de revisão da metodologia de cálculo dos tributos motivada por nova interpretação da legislação tributária determinada em ato editado pelo Poder Público com efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido (Processo n° 14033.003351/2008 65, Recurso Voluntário nº 902.357. Rel. Ricardo Paulo Rosa, Sessão de 08 de julho de 2001) Por fim, entendo oportuno ainda destacar que, no presente procedimento compensatório, o valor do crédito utilizado foi igual ao valor do débito compensado, ou seja, com a compensação em tela não houve qualquer prejuízo ou benefício à Fazenda Nacional nem tampouco à Interessada. De fato, a compensação em apreço teve o condão de restabelecer o mesmo efeito econômicofinanceiro decorrente do pagamento realizado na data de vencimento do tributo, fazendo com que a compensação não agravasse nem minorasse a situação de qualquer das partes, conferindo neutralidade ao procedimento compensatório. Com base nessas considerações, estou plenamente convencido que, no caso em tela, não cabe a aplicação da multa de mora sobre o valor do débito compensado na presente DComp, em consequência, inexiste o saldo remanescente do respectivo débito a ser compensado, conforme disposto no presente Despacho Decisório. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para homologar a compensação declarada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 15504.011242/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ART. 150, VI, c, IMPOSTOS. ART. 195, § 7º, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A imunidade prevista na alínea c, do artigo 150 da Constituição Federal hospeda a proteção contra a incidência dos impostos e não das contribuições sociais. A imunidade em relação às contribuições sociais, dentre as quais se insere a Cofins, está prevista no artigo § 7º, do art. 195, da Constituição Federal.
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO CRIADO OU AUTORIZADO POR LEI. SEBRAE.
O objeto social do Sebrae indica a sua natureza de um serviço social autônomo criado ou autorizado por lei, não podendo ser considerado como dentre as instituições de educação e de assistência social e/ou como uma entidade beneficente de assistência social.
ISENÇÃO. ATIVIDADES PRÓPRIAS.
Somente estão isentas da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias da entidade, por estas entendidas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, tal qual definição fixada no § 2o do inciso II, do art. 47 da IN SRF 247, de 21 de novembro de 2002. Leitura do disposto no artigo 14, X, c/c com o artigo 13, VI, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ART. 150, VI, c, IMPOSTOS. ART. 195, § 7º, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A imunidade prevista na alínea c, do artigo 150 da Constituição Federal hospeda a proteção contra a incidência dos impostos e não das contribuições sociais. A imunidade em relação às contribuições sociais, dentre as quais se insere a Cofins, está prevista no artigo § 7º, do art. 195, da Constituição Federal. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO CRIADO OU AUTORIZADO POR LEI. SEBRAE. O objeto social do Sebrae indica a sua natureza de um serviço social autônomo criado ou autorizado por lei, não podendo ser considerado como dentre as instituições de educação e de assistência social e/ou como uma entidade beneficente de assistência social. ISENÇÃO. ATIVIDADES PRÓPRIAS. Somente estão isentas da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias da entidade, por estas entendidas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, tal qual definição fixada no § 2o do inciso II, do art. 47 da IN SRF 247, de 21 de novembro de 2002. Leitura do disposto no artigo 14, X, c/c com o artigo 13, VI, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/2001. Recurso Voluntário Negado
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ART. 150, VI, “c”, IMPOSTOS. ART. 195, § 7º, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A imunidade prevista na alínea “c”, do artigo 150 da Constituição Federal hospeda a proteção contra a incidência dos impostos e não das contribuições sociais. A imunidade em relação às contribuições sociais, dentre as quais se insere a Cofins, está prevista no artigo § 7º, do art. 195, da Constituição Federal. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO CRIADO OU AUTORIZADO POR LEI. SEBRAE. O objeto social do Sebrae indica a sua natureza de um “serviço social autônomo criado ou autorizado por lei”, não podendo ser considerado como dentre as instituições de educação e de assistência social e/ou como uma entidade beneficente de assistência social. ISENÇÃO. ATIVIDADES PRÓPRIAS. Somente estão isentas da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias da entidade, por estas entendidas as “contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”, tal qual definição fixada no § 2o do inciso II, do art. 47 da IN SRF 247, de 21 de novembro de 2002. Leitura do disposto no artigo 14, X, c/c com o artigo 13, VI, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 12 42 /2 01 0- 13 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 668 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 30/06/2010 para a constituição de oficio de crédito tributário [principal, mais juros de mora e multa de 75%] relacionado à Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2006 e dezembro de 2007. Para a autoridade fiscal, a autuada, integrante do Sistema Sebrae, constituir seia numa associação de direito privado, sem fins lucrativos, sob a forma de serviço social autônomo, que teria como objetivo, ou finalidade básica, a promoção e o auxílio ao desenvolvimento, à competitividade e ao aperfeiçoamento técnico das micro e pequenas empresas, tendo como fontes de recursos as “Subvenções e Auxílios Financeiros”, as “Receitas de Prestação de Serviços a Terceiros”, as “Aplicações Financeiras e Patrimoniais”, as “Doações” e as “Outras Rendas”. De outra parte, considerou o Fisco que a imunidade prevista na alínea “c”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal atingiria somente os impostos e não as contribuições sociais, e que a autuada não se enquadraria dentre as entidades contempladas com a isenção do art. 6º da Lei Complementar nº 70/911, bem como dentre as contempladas com a imunidade do § 7º, do art. 195 da Constituição Federal2", porquanto, devidamente intimada, não apresentou o Certificado expedido pelo CNAS, um dos requisitos fixados pelo artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, para que pudesse ser considerada como uma “entidade beneficente de assistência social”. Socorrendose da combinação do disposto no inciso VI do artigo 13, com o inciso IX do artigo 14, ambos da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, segundo os quais, palavras minhas, são isentas da Cofins as atividades próprias dos “Serviços Sociais Autônomos, criados ou autorizados por lei”, concluiu que as suas receitas oriundas das atividades econômicas não típicas, ou não próprias, por estas tidas as de caráter contraprestacional, não estariam abrigadas por isenção e/ou imunidade. Ainda nesse diapasão e valendose do disposto no § 2º do art. 47 da IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, estabeleceu o que deva ser considerado como “atividades próprias”, isto é: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa3: 1 "Art. 6° São isentas da Contribuição: I As Sociedades Cooperativas que observarem ao disposto na Legislação especifica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II As Sociedades Civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as Entidades Beneficentes de Assistência Social que atendam às exigências estabelecidas em Lei." 2 Art. 195. (...) § 7° São isentas de Contribuição Para a Seguridade Social as Entidades Beneficentes de Assistência Social que atendam às exigências estabelecidas em Lei. 3 I – templos de qualquer culto; II – partidos políticos; III – instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; V – sindicatos, federações e confederações; VI – serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII – conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII – fundações de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” (grifei) Assim, concluiu a fiscalização que, por possuírem natureza econômico financeira, empresarial ou comercial em face de corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela Entidade, deveriam compor a base de cálculo da Cofins os valores constantes das rubricas “Vendas de Mercadorias”, “Mensalidade E.T.F.G.”, “Treinamentos”, “Empretecs” (sic), “Venda de Manuais”, “Aluguéis”, “Variações Monetárias Ativas” e “Receitas Financeiras”, valendose, além dos preceitos legais acima mencionados, também de dispositivos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 e do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Na impugnação, em apertada síntese, a autuada esclareceu tratarse de uma entidade associativa de direito privado, sem fins lucrativos, instituída sob a forma de serviço social autônomo, desenvolvendo atividades no campo da educação e da assistência social, mais especificamente, “fomentando o desenvolvimento sustentável, a competitividade e o aperfeiçoamento técnico das microempresas e das empresas de pequeno porte industriais, comerciais, agrícolas e de serviços, notadamente nos campos da economia, administração, finanças e legislação; da facilitação do acesso ao crédito; da capitalização e fortalecimento do mercado secundário de títulos de capitalização daquelas empresas; da ciência, tecnologia e meio ambiente; da capacitação gerencial e da assistência social, em consonância com as políticas nacionais, regionais e estaduais de desenvolvimento, mediante a execução de ações condizentes4". Por conta disso, argumentou que estaria contemplada pela imunidade a impostos, nos termos do disposto na alínea “c”, do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, bem como às contribuições sociais, nos termos do disposto no § 7º do art. 195, da Constituição Federal, condicionada apenas à observância de alguns requisitos fixados em lei, os quais seriam aqueles listados pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional, a partir da combinação da leitura da alínea “c”, do inciso IV, do art. 9º do mesmo Codex, todos eles, ressalta, por ela observados. Seriam eles, portanto, os tais requisitos, todos observados por ela: não distribuir qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; aplicar integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. direito privado; IX – condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X – Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. 4 Consoante art. 5º de seu Estatuto Social. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 669 5 Nessa linha, colacionou excertos de decisões judiciais proferidas pelo Tribunal de Justiça de MG, pelo STJ e pelo STF. Aduziu ela que mesmo as suas receitas decorrentes de aplicações financeiras, as quais, num primeiro momento, poderiam ser encaradas como de natureza puramente especulativa, têm, juntamente com as demais, por finalidade a preservação de seu patrimônio e o reinvestimento em suas próprias atividades. Mencionou ainda a existência de duas ações judiciais transitadas em julgado intentadas em face da Municipalidade de Belo Horizonte, nas quais teria obtido o reconhecimento de sua condição de entidade imune a impostos, o que deveria ser estendido também à Cofins. Voltandose para os valores constituídos de oficio, ressaltou que, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 10 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, na condição de uma pessoa jurídica imune a impostos, estaria sujeita à apuração da Cofins pelas regras da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 [regime da cumulatividade], e, que, portanto, deveriam ser retirados da base de cálculo todos os valores que não aqueles decorrentes de seu faturamento, notadamente as receitas financeiras, na linha do que restara decidido pelo STF quanto à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ainda invocando o disposto no § 7º do art. 195 da Constituição Federal, reclamou pela não incidência da Cofins também sobre as suas receitas oriundas da contraprestação de seus serviços, porquanto seriam integralmente reinvestidas na consecução de seu objetivo social. Ao final, ad argumentandum, apontou a Impugnante a existência de erros na apuração da base de cálculo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte reparou os erros apontados pela Impugnante e, além disso, retirou da base de cálculo, os valores constantes das rubricas Receitas Financeiras e Variações Monetárias Ativas, mantendo, todavia, o restante do lançamento, na parte relacionada às receitas decorrentes das “atividades próprias” da entidade, inclusive a receita de aluguéis. Eis como restou ementada a decisão de primeira instância: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Receitas próprias. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” No Recurso Voluntário, inicialmente, e inovando em relação aos argumentos da peça impugnatória, a Recorrente noticiou a existência de uma decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal, Seção Judiciária de Minas Gerais, com seu trânsito em julgado em outubro de 2011, envolvendo o Sebrae do Estado do Maranhão, que teria deliberado pelo Fl. 792DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 preenchimento dos requisitos previstos pelo § 7º do art. 195, da Constituição Federal, em face de contribuições previdenciárias, requisitos esses reconhecidos na sentença como sendo os do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Levando em conta a Recorrente, pois, que referido entendimento dirigido ao Sebrae do Maranhão se estenderia também ao Sebrae de Minas Gerais, porquanto ambos possuidores das mesmas características, discorreu sobre cada um dos quesitos listados pelo artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, procurando demonstrar que todos eles teriam sido observados, quando aplicáveis, inclusive mediante a perícia que fora realizada no bojo das ações judiciais intentadas em face do município de Belo Horizonte, acima noticiadas. No mais, praticamente repetiu os argumentos de sua peça impugnatória. No essencial, é o Relatório. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 670 7 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 29/09/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 31/10/2011, uma segundafeira., portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de se lembrar que as decisões judiciais resgatadas pela Recorrente não podem ter seus efeitos estendidos para a presente lide, porquanto, ainda que duas delas tenham sido obtidas pela própria Recorrente, em ações próprias, visaram o reconhecimento da imunidade em face do IPTU exigido pela municipalidade de Belo Horizonte. A outra ação judicial fora interposta pelo Sebrae do Estado do Maranhão, o que, por si só, repele o seu aproveitamento, ao menos com a força de uma ordem judicial que deva ser estendida para o seu congênere de outro estado. Servem seus fundamentos, sim, e quando muito, apenas como argumentos a serem rebatidos; nada além disso, haja vista que foi no Sebrae do Maranhão que se verificou o cumprimento dos requisitos legais entendidos pelo juiz como obrigados a serem atendidos, dentre outras especificidades. Também deve ser ressaltado que a decisão da DRJ retirou da exação os valores da Cofins calculados pelo Fisco sobre as receitas financeiras e as variações monetárias ativas, remanescendo a discussão, portanto, sobre a incidência ou não da Cofins sobre as receitas das atividades tidas pelo Fisco como “não próprias” da entidade, mais especificamente, sobre as rubricas “Vendas de Mercadorias”, “Mensalidade E.T.F.G.”, “Treinamentos”, “Empretecs”, “Venda de Manuais” e “Aluguéis”. Como vimos acima, o auto de infração foi lavrado sob os pressupostos, primeiro, de que a imunidade de que trata a alínea “c”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, abrange tão somente os impostos e não a Cofins, que é uma contribuição social; segundo, que a autuada não estaria contemplada pela imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal neste caso, por não poder ser considerada como uma “entidade beneficente de assistência social”, em face, especialmente, de não possuir o certificado emitido pelo CNAS , mas, sim, pela isenção relativa às “receitas de suas atividades próprias” a que alude o inciso X do art. 14, c/c o inciso VI do art. 13 [“serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei”], ambos da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Por seu turno, a Recorrente, apegandose ao contido no artigo 5º de seu estatuto social, considerase, de fato, como uma instituição constituída sob a forma de serviço social autônomo que desenvolve atividades no campo da educação e da assistência social, o que a colocaria na condição de imune, tanto aos impostos [alínea “c”, inciso VI, do art. 150, da Constituição Federal], quanto às contribuições sociais [§ 7º do art. 195, da Constituição Federal]. Ou seja, considerase ela, ao mesmo tempo, uma “instituição de educação e de assistência social a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997” [“associações Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”] e um “serviço social autônomo”, entidades essas especificadas nos itens III e VI do art. 13 da mencionada Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Além disso, sustenta que, qualquer que seja a legislação a ser invocada para a observância do cumprimento dos requisitos legais necessários para a fruição da imunidade, sejam eles os do artigo 14 do Código Tributário Nacional, ou os do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, afirma a Recorrente têlos seguido à risca, quando exigidos. Reproduzo, pois, os citados dispositivos legais, na parte em que pertinente para o presente julgamento, lembrando que o inciso III, do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91, que considerava isenta da Cofins as entidades beneficentes de assistência social que atendessem às exigências estabelecidas em lei, foi expressamente revogado pela alínea “a” do inciso II do art. 93 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001: à Tratando da imunidade: · Constituição Federal “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. [...]” (grifei) ............................................................................................................................ “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas5 de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” (grifei) · Código Tributário Nacional 5 Já resta consagrado pela doutrina e pela jurisprudência que o dispositivo trata de imunidade e nao de isenção, conforme constou. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 671 9 Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifei) [...] SEÇÃO II Disposições Especiais [...] Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. [...]” ........................................................................................................................... · Lei nº 9.532, de 10/12/1997 “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais;c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão;d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 venham a modificar sua situação patrimonial;e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal;f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes;g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público.h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)” (grifei) ............................................................................................................................ à Tratando da isenção: · Lei nº 8.212, de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 672 11 § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009)” (grifei) ................................................................... · Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. [...] Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; [...] VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; [...] ............................................................................................................................ Feitas essas considerações, que procuram delimitar os contornos da lide, bem como a legislação a ser consultada, passo ao voto propriamente dito, que versará tão somente sobre o reconhecimento ou não da imunidade reclamada pela Recorrente, já que a Recorrente não mais contesta os cálculos efetuados pela fiscalização. Inicialmente, é preciso que se defina qual o tipo de instituição/entidade deve ser considerado o Sebrae/MG, ou seja, como uma “instituição de educação”, como uma “instituição de assistência social”, como uma “instituição de educação e de assistência social” [neste caso, conforme previsto pela alínea “c”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, bem como no inciso III do artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/200, ou, ainda, como uma “entidade beneficente de assistência social” [neste caso, conforme previsto no § 7º, do art. 195 da Constituição Federal]. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Ou seria o Sebrae um daqueles “serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei”, a que se refere o inciso VI do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001? Em seguida, também deve ser enfrentada e superada a questão que envolve a amplitude da imunidade prevista na alínea “c”, do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, isto é, se contempla somente impostos, ou também as contribuições sociais, dentre elas a Cofins. Pois bem. Filiome ao entendimento da fiscalização, que considerou não ser o caso de se aplicar aqui a imunidade estabelecida na alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, porquanto ali, entendo eu da mesma forma, estaria hospedada a proteção contra a incidência de impostos e não de contribuições sociais, donde se insere a Cofins, objeto do presente lançamento, e que, consoante se verá a seguir, foi tratada em outro dispositivo do Texto Fundamental. Tampouco é de se aplicar à autuada a regra da imunidade estabelecida para as contribuições sociais e que consta do § 7º do art. 195 da Constituição Federal [aqui, portanto, é que se encontra o fundamento para a imunidade das contribuições, visto que referido artigo consta do Capítulo II, que trata da Seguridade Social e que é financiada, dentre outros, dos recursos originados das contribuições incidentes sobre o faturamento], porquanto, à luz das atividades que se propõe e que constam de seu estatuto social, não pode ser considerada como uma “entidade beneficente de assistência social”. Esse meu entendimento leva em conta o confronto os objetivos da assistência social, que estão contidos no artigo 203 da Constituição Federal, com os objetivos programáticos do Sebrae/MG e que constam de seu estatuto social. Vejamos: Artigo 203 da Constituição Federal Estatuto Social do Sebrae/MG Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Art. 5° O SEBRAE/MG, no seu âmbito territorial de atuação, tem por objetivo fomentar o desenvolvimento sustentável, a competitividade e o aperfeiçoamento técnico das microempresas e das empresas de pequeno porte industriais, comerciais, agrícolas e de serviços, notadamente nos campos da economia, administração, finanças e legislação; da facilitação do acesso ao crédito; da capitalização e fortalecimento do mercado secundário de títulos de capitalização daquelas empresas; da ciência, tecnologia e meio ambiente; da capacitação gerencial e da assistência social, em consonância com as políticas nacionais, regionais e estaduais de desenvolvimento, mediante a execução de ações condizentes. E é pela ausência dessa correspondência que o Sebrae/MG não pode ser considerado como de “caráter beneficente”. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 673 13 Tanto para afastar a autuada da regra imunitória do artigo 150, VI, “c”, quanto da que consta do § 7º, do art. 195, ambos da Constituição Federal, valhome dos ensinamentos contidos na obra de Regina Helena Costa, Imunidades Tributárias, Malheiros Editores, 2ª Edição, 2006, às páginas 220/225, da qual destaco: “O art. 195, § 7º, contempla imunidade dedicada às entidades beneficentes de assistência social em relação à contribuição para a seguridade social. Prescreve que “são isentas para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam ás exigências estabelecidas em lei”. A expressão “são isentas”, empregada na norma imunitória não deve iludir o intérprete, porquanto a intributabilidade é fixada pelo próprio Texto fundamental. Norma excludente de tributação, no plano constitucional, colmo visto, qualificase como imunidade, sendo a referência a isenção, nesse contexto, atecnia própria da linguagem natural empregada. Nos termos da Constituição, cabem às entidades beneficentes de assistência social, juntamente com os governos estaduais e municipais, a coordenação e execução de programas na área da assistência social (art. 204, I) – o que revela o estabelecimento de uma autêntica parceria entre o Estado e essas entidades para o alcance desse objetivo. Cuidase de imunidade subjetiva e ontológica, diante da ausência de capacidade contributiva desses entes, pois, como visto quando da análise da imunidade contida no artigo 150, VI, “c”, sua capacidade econômica exaurese no desempenho de suas finalidades. O preceito imunitório em foco inserese num contexto onde vigoram os princípios da universalidade de cobertura e da solidariedade contributiva. O princípio da universalidade da cobertura, hospedado no art. 194, parágrafo único, do Texto fundamental, impõe que ‘todas as espécies de infortúnios e limitações que retiram do Homem a sua capacidade laboral estejam cobertas pelos planos de benefícios da Previdência Social. Já o princípio da solidariedade contributiva, abrigado no art. 195, pertinente ao financiamento da seguridade social, é decorrência lógica da adoção pelo Estado Brasileiro como seu objetivo fundamental, dentre outros, da construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I, da CF). Significa que o Estado e a Sociedade são os responsáveis pela manutenção financeira da seguridade social. O princípio da generalidade da tributação tem, assim, como seu correspondente, no campo das contribuições, o princípio da solidariedade contributiva. Numa primeira aproximação entre o preceito imunizante contido no art. 150, VI, ‘c’, e a exoneração tributária hospedada no art. 195, § 7º, restrito às contribuições para a seguridade social, impõese observar que no primeiro estão abrangidas as instituições de educação, não alcançadas pela segunda. Em verdade, ainda que o conceito de assistência social, hodiernamente, seja abrangente da assistência e diversas áreas (médica, hospitalar, odontológica, psicológica, jurídica), a ‘assistência educacional’, a nosso ver, nele não se encontra albergada para efeito de imunidade tributária. A uma porque a constituição distingue, perfeitamente, os conceitos de assistência social (art. 203) e de educação (art. 205), não cabendo, de modo algum, sustentarse entroncamento entre ambos para o efeito mencionado, ale do fato de que Fl. 800DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 as instituições que se dedicarem a essas atividades, sem finalidade lucrativa, fazem jus à intributabilidade assegurada pelo art. 150, VI, ‘c’. E a duas porque, quando desejou a Lei Maior imunizar as instituições de educação, o fez, deferindolhes a imunidade genérica estampada no artigo 150, VI, ‘c’; todavia, não agiu do mesmo modo em relação à imunidade concernente às contribuições para a seguridade social, cuja eficácia restringiu às entidades beneficentes de assistência social. Justificase o tratamento díspar, em nossa opinião, pelo fato de a assistência social constituir ramo da seguridade social, o mesmo não ocorrendo com a educação. Outro entender, cremos, conduzirá a uma interpretação distorcida do desígnio constitucional, que não se expressou no sentido de exonerar as instituições de educação, sem fins lucrativos, da exigência de contribuição para o financiamento da seguridade social. Outrossim, pensamos que os conceitos de ‘instituição de assistência social, sem fins lucrativos’, empregado no art. 150, VI, ‘c’, e o de ‘entidade beneficente de assistência social’, estampado no dispositivo sob comento, ainda que eventualmente se sobreponham, não coincidem exatamente. Aires Barreto e Paulo Ayres Barreto lecionam que ‘instituição de assistência social é aquela cujo objeto social, descrito no respectivo estatuto, envolve um ou mais dos fins públicos referidos na Constituição, isto é, o de colaborar com o Estado na realização de uma obra social para a coletividade Os objetivos da assistência social são os contidos no art. 203, da Constituição já apontados: a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado de trabalho; a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; e a garantia de um salário mínio de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou têla provido por sua família, conforme dispuser a lei. No entanto, para fruir a imunidade em tela, mais que entidade de assistência, tem ela de ser beneficente. E, quanto a essa qualificação, os mesmos autores, com proficiência, asseveram: ‘É instituição de assistência social a que dedicarse a um ou alguns desses misteres. E é beneficente aquela que dedicar parte dessas atividades ao atendimento gratuito de carentes e de desvalidos. Não é necessário que a gratuidade envolva grandes percentuais. É sabido que para prover a necessidade de uns poucos é necessário contar com os recursos de muitos.Qualquer que seja esse percentual, exceto se absolutamente ínfimo, insignificante, há o caráter beneficente. Aliás, pequeno que seja esse percentual, será sempre um auxílio ao Estado, em missões que lhe competem. Consideramos absolutamente preciso o ensinamento exposto. Com efeito, impende distinguir os conceitos de instituição de assistência social e de instituição beneficente de assistência social ou instituição filantrópica. A primeira expressa gênero de que as duas últimas constituem espécies. Tal distinção é relevante para fins de se determinar se a instituição de assistência social faz jus à imunidade constitucional e em que extensão: se somente em relação a impostos ou, também, no que toca às contribuições para a seguridade social. Instituição ou entidade beneficente de assistência social é aquela que não somente não possui finalidade lucrativa, mas também se dedica, ainda que Fl. 801DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15504.011242/201013 Acórdão n.º 3401002.021 S3C4T1 Fl. 674 15 parcialmente, ao atendimento dos necessitados. A gratuidade dos serviços prestados é, portanto, elemento caracterizador da beneficência. Portanto, a entidade de assistência social titular do direito público subjetivo de não ser tributada mediante contribuição para a seguridade social deve cumprir não somente os requisitos constitucionais necessários para a fruição da imunidade concernente ao seu patrimônio, renda ou serviço , mas também ser beneficente, consoante noção exposta. Por derradeiro, instituição ou entidade filantrópica é aquela que se dedica à filantropia – do grego, philanthropía, pelo Latim philanthropia , que significa amor à Humanidade, humanitarismo. Esse conceito pode ser considerado equivalente ao de entidades beneficentes de assistência social. A exigência que a Lei Maior acrescenta para a outorga da exoneração tributária no que tange à contribuição para a seguridade social explicase, a nosso ver, por se constituir exceção ao princípio da solidariedade no custeio da seguridade social, que tem na assistência social uma de suas faces. Significa dizer que se exime a entidade de assistência social da exigência da contribuição para a seguridade social porque tal entidade realiza beneficência, voltando o desempenho de suas atividades exatamente aos sujeitos que são beneficiários da assistência social a ser prestada pelo Estado. [...]” (grifei) De se desconsiderar, pois, a autuada, como incluída dentre aquelas “entidades beneficentes de assistência social” a que se refere o § 7º, do art. 195, da Constituição Federal. Temse, então, e isso ela própria não contesta, até porque consta expressamente da lei que a instituiu, ser a autuada o “serviço social autônomo, criado ou autorizado por lei”, tal como descrito no inciso VI do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, e, por conta disso, haveremos de considerar o presente lançamento em face das regras de isenção da Cofins, de que tratam os artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001. Como vimos alhures, essa figura resta claramente identificada no inciso VI do artigo 13 da referida medida provisória, de maneira que a sorte do presente lançamento fica na dependência do entendimento a ser extraído sobre o que deve ser entendido por “receitas das atividades próprias” a que faz menção expressa o caput do art. 14 do citado ato legal, combinado com o seu inciso X. Também neste ponto estou de acordo com a fiscalização e com a DRJ, isto é, por atividades próprias devem ser entendidas aquelas receitas decorrentes de “contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”, tal qual definição fixada no § 2o do inciso II, do art. 47 da IN SRF 247, de 21 de novembro de 2002. E como visto acima, as receitas sobre as quais foi calculado o lançamento, já considerados os efeitos do julgamento de primeira instância, foram as decorrentes de “Vendas de Mercadorias”, “Mensalidade E.T.F.G.”, “Treinamentos”, “Empretecs”, “Venda de Manuais”, e “Aluguéis”, as quais, por tudo que foi dito, não podem ser enquadradas como Fl. 802DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 dentre as tais “atividades próprias” da entidade, não obstante possam ser revertidas em prol de sua manutenção. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 803DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10872.000515/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS COM SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda, na modalidade exclusiva de fonte, os pagamentos efetuados a terceiros, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1102-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho que dava provimento parcial para excluir, do lançamento, o imposto de renda na fonte.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 DESPESAS COM SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda, na modalidade exclusiva de fonte, os pagamentos efetuados a terceiros, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho que dava provimento parcial para excluir, do lançamento, o imposto de renda na fonte. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
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Recorrente INDÚSTRIA VEROLME ISHIBRAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESAS COM SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples apresentação da nota fiscal e da comprovação dos pagamentos efetuados não é suficiente para comprovar a prestação de serviços. Não comprovada a efetiva prestação dos serviços, as respectivas despesas são indetutíveis da base de cálculo do imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DESPESAS COM SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples apresentação da nota fiscal e da comprovação dos pagamentos efetuados não é suficiente para comprovar a prestação de serviços. Não comprovada a efetiva prestação dos serviços, as respectivas despesas são indetutíveis da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 DESPESAS COM SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda, na modalidade exclusiva de fonte, os pagamentos efetuados a terceiros, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 05 15 /2 01 0- 84 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 3 2 Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho que dava provimento parcial para excluir, do lançamento, o imposto de renda na fonte. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INDÚSTRIA VEROLME ISHIBRAS S/A, contra acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ1, que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento de ofício efetuado. Na parte que remanesce em litígio neste processo, importa relatar que a contribuinte teve contra si lavrados os autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, estes sem tributo lançado, mas apenas com ajuste das respectivas bases de cálculo, e do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, este perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 3.487.124,94, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 61/64, foram glosadas despesas relativas a serviços prestados por pessoa jurídica, para fins de IRPJ e CSLL, e foi ainda lançado o imposto de renda devido na fonte sobre os pagamentos desses serviços glosados, considerados pela fiscalização como pagamentos sem causa. Relata a fiscalização que a empresa fora intimada a comprovar despesas discriminadas na conta 3.1.5.00.50 – serviços prestados, ocasião em que lhe foi solicitado que apresentasse documentos comprovando a efetiva prestação dos serviços, a exemplo de relatórios, memórias, planilhas, etc, bem como elementos que atestassem os efetivos pagamentos ao beneficiário (fls. 39/40) Posteriormente, nova intimação foi expedida reiterando o solicitado com relação a determinadas empresas prestadoras de serviços (fls. 57), tendo a fiscalizada atendido apenas parcialmente ao solicitado, pois informou que não foram encontrados os contratos de prestação de serviços relativos às notas fiscais abaixo relacionadas, e não juntou qualquer outro documento comprobatório com relação às mesmas, o que motivou a glosa das despesas correspondentes. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 4 3 DATA No NF Prestador Valor R$ Fls. 06/02/2007 17 OAKTREE Engenharia Ltda. 1.467.480,00 42 26/04/2007 312 Capuri Administradora e Partic. Ltda. 532.765,05 43 01/06/2007 313 Capuri Administradora e Partic. Ltda. 1.073.028,03 44 Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em síntese, o que segue: que, embora não tenha apresentado os contratos de prestação de serviços objeto da glosa, por não terem eles sido localizados, a efetiva prestação dos serviços restou devidamente comprovada pela farta documentação apresentada ao fisco; que as notas fiscais, os recibos dos depósitos e os extratos bancários são suficientes para comprovar essas despesas; que, embora os contratos de prestação de serviços não sejam os únicos meios de comprovação desse tipo de despesa, conseguiu junto à empresa Oaktree Engenharia Ltda, cópia do referido contrato, que anexa; que, no que tange à empresa Capuri Administração e Participações Ltda, também anexa cópias das notas fiscais dos serviços prestados e dos depósitos realizados, sendo que, até o momento da impugnação, não lhe fora encaminhado pela prestadora o contrato da prestação do serviço. A DRJ/RJ1, por meio do Acórdão n° 1236.213, de 17 de março de 2011, decidiu pela procedência dos lançamentos, por entender que os elementos trazidos aos autos não permitem determinar a que tipo de dispêndio os pagamentos se referem, sendo certo, por outro lado, que os pagamentos ocorreram, o que justifica a manutenção também do IRRF lançado. Cientificada desta decisão em 25.05.2012, conforme AR de fls. 248, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19.06.2012, fls. 293 a 300, acompanhado dos documentos de fls. 301 a 347, no qual alega, em síntese, o que segue. A decisão de primeira instância afastou a dedutibilidade das despesas apenas com base no descumprimento de algumas formalidades e em alegada dúvida sobre o conteúdo do contrato com a OAKTREE Engenharia Ltda que lhe foi apresentado, tais como o fato de que o contrato teria prazo de duração de um ano, prorrogável com o consentimento mútuo das partes (cláusula 1), mas que não haveria prova de que tal cláusula tivesse sido implementada, o que faria com que o pagamento tivesse sido feito quando o contrato já se encontrava findo, e também o fato de que nele não haveria a identificação das pessoas que assinaram em nome da contratante (recorrente) e nem o reconhecimento em cartório das respectivas firmas. Entretanto, o contrato descreve o seu objeto como “assessoria na ação judicial no 94.001.0169303”, e o pagamento foi realizado exatamente como previsto na cláusula 5 do contrato, ou seja, com o “êxito pleno” no âmbito do processo no 940010169303, mais precisamente na respectiva execução de no 2003.001.0394363, o que só veio a ocorrer no fim do mês de janeiro de 2007. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 5 4 Ademais, a circunstância de o contrato não citar os nomes dos diretores da recorrente que o assinaram não tem nenhuma relevância, posto que esta declara que foram os seus representantes estatutários que o assinaram, não havendo qualquer regra que exija o reconhecimento de firma, já que o contrato poderia ser até verbal. Quanto à alegação principal da decisão recorrida de que o contrato não permitiria a compreensão do serviço que fora prestado, esclarece a recorrente os detalhes da ação judicial proposta contra a Petrobrás S/A, com pleito de indenização pelos prejuízos sofridos durante a construção de três navios de grande porte (cascos de no 149, 150 e 151). Embora julgada procedente com trânsito em julgado em 2003, no âmbito da respectiva execução remanescia relevante disputa relativa à extensão do montante da execução, tendo a OAKTREE sido contratada para prestar assessoria geral na condução deste processo, especialmente na apuração dos prejuízos sofridos pela recorrente, justamente em razão do grande conhecimento desta empresa em matéria de construção naval, tendo ficado o pagamento de R$ 1.467.480,00 vinculado ao êxito dos cálculos, o que só veio a ocorrer em janeiro de 2007, após meses de feitura dos laudos pelo contador judicial e análise interna pela empresa e suas contratadas, inclusive a OAKTREE, como se observa da decisão anexa (doc. 2). Ademais, a referida empresa pagou todos os impostos devidos, o que revela duplicidade na tributação, como se vê nos documentos anexos (doc. 3). Com relação à Capuri Administradora e Part. Ltda, e os dois pagamentos nos valores de R$ 532.765,05 e R$ 1.073.028,03, embora não tenha sido juntado o contrato, diante do fato de o mesmo não ter sido encontrado e com a informação de ter sido verbal, o fato é que as notas fiscais descrevem o serviço como sendo de consultoria, e as transferências dos valores foram feitas para beneficiário certo e para pessoa jurídica, o que é suficiente para afastar a regra do artigo 674, § 1º, do RIR/99, ainda mais em face da jurisprudência deste Conselho no sentido de que cabe à fiscalização comprovar que o pagamento não teve a causa mencionada pelo contribuinte, e não inverter tal premissa de modo a impor ao contribuinte um ônus excessivo e indevido. Ademais, a referida empresa também pagou todos os impostos devidos, o que revela duplicidade na tributação, como se vê nos documentos anexos (doc. 4). Finaliza requerendo o cancelamento dos débitos reclamados. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme visto, o litígio envolve matéria de prova, e sua solução passa pela acurada análise destas. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 6 5 A recorrente foi intimada e reintimada, durante o procedimento fiscal, a comprovar as despesas aqui discutidas, não apenas pelo respectivo pagamento destas, fato este que resta inconteste nos autos, mas especialmente por documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços, a exemplo de contratos, relatórios, memórias, planilhas e outros elementos a eles relacionados. A empresa não apresentou um único elemento de prova ao fisco, o que motivou a glosa em questão. Em sede de impugnação, a empresa trouxe a comprovação de todos os pagamentos efetuados, e, apenas com relação à OAKTREE Engenharia, trouxe cópia do contrato de prestação dos serviços, sustentando que isto seria o bastante para comprovar a efetiva prestação dos serviços. Entretanto, analisando o referido contrato, entendeu a DRJ que o mesmo seria insuficiente para comprovar a prestação dos serviços. Conquanto tenham sido apontadas algumas deficiências formais intrínsecas ao documento, conforme já relatado, o que realmente impactou na decisão da autoridade julgadora a quo foi a vagueza do seu conteúdo, tendo em conta não ser possível, da leitura de suas cláusulas, extrair qualquer conclusão sequer acerca do tipo de serviço que teria sido prestado. A contribuinte, por sua vez, também não empreendeu na ocasião nenhum esforço no sentido de melhor esclarecer a questão, limitandose a trazer o documento à colação, obtido junto à sua contratada. Somente por ocasião do recurso tratou a recorrente de tentar melhor detalhar o serviço, afirmando que a OAKTREE teria sido contratada para prestar assessoria geral na condução do processo no 94.001.0169303, e especialmente na apuração dos prejuízos sofridos pela recorrente com a construção dos navios de grande porte no 149, 150 e 151. E que o pagamento foi feito em razão do “êxito dos cálculos” ocorrido em janeiro de 2007 no âmbito do referido processo judicial. Ora, tais serviços de natureza eminentemente técnica, e ainda mais em razão da demanda judicial interposta, em nenhuma hipótese poderiam terse efetivado sem algum tipo de materialização física, ou seja, sem que a contratada tenha produzido qualquer espécie de relatório ou laudo de seus serviços. Além disto, para comprovar que o “êxito dos cálculos” teria ocorrido em janeiro de 2007, após meses de feitura dos laudos pelo contador judicial, trouxe a recorrente um extrato da movimentação do referido processo na Justiça Estadual do Rio de Janeiro. Contudo, apenas pela análise do referido extrato, registro não ser possível extrair qualquer conclusão neste sentido, já que não há, em todo o mês de janeiro, qualquer observação na movimentação processual que faça referência ao contador judicial. Por outro lado, em março de 2007, por exemplo, há um registro de remessa dos autos ao contador judicial, e, em abril de 2007, o registro de um despacho às partes para manifestação sobre cálculos feitos pelo contador. Em agosto e setembro de 2007, igualmente ocorrem movimentações neste mesmo sentido (ao contador, e depois às partes), novamente mais adiante em novembro e dezembro de 2007, e também ao longo dos anos seguintes. Assim, o que se verifica é, de fato, uma dificuldade muito grande que a recorrente encontra em demonstrar que efetivamente houve algum tipo de serviço prestado que justifique o pagamento de R$ 1.467.480,00 efetuado em 06.02.2007 à empresa OAKTREE. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 7 6 Vejamos ainda alguns detalhes de como se deu o pagamento pelos supostos serviços prestados. Conforme já relatado, não se sabe quem foram os diretores da recorrente que assinaram o referido contrato de prestação de serviços, posto que não identificados, mas sabe se que a contratada foi representada no ato por seu sócio administrador, Ronaldo Carvalho da Silva, cuja assinatura consta na segunda linha, após as assinaturas dos diretores da contratante. Nos documentos juntados pela recorrente com a impugnação, verificase que, em 01.02.2007, a recorrente expediu correspondência endereçada à DOCAS INVESTIMENTOS S/A, na qual solicita a esta a fineza de providenciar o pagamento em questão, tendo em vista os serviços de consultoria prestados a ela, recorrente, pela OAKTREE, esclarecendo que a importância em questão deveria ser abatida “por ocasião da liquidação do contrato de empréstimo” (fls. 166). No dia 02.02.2007, utilizandose de termos muito semelhantes, a DOCAS INVESTIMENTOS S/A encaminha correspondência endereçada à PHIDIAS S/A, solicitando que esta faça o pagamento em questão, e que considere que a respectiva importância poderia ser abatida “na ocasião da liquidação do nosso empréstimo”. Pelos comprovantes trazidos aos autos (cópia do extrato da conta da PHIDIAS S/A mantida no banco Itaú), foi esta empresa quem afinal efetuou o pagamento em questão. Destaquese que a correspondência da DOCAS INVESTIMENTOS S/A à PHIDIAS S/A foi assinada, ao que indica a comparação das assinaturas apostas neste documento e no contrato de prestação de serviços, pelo Sr. Ronaldo Carvalho da Silva. Assim, em última análise, quem determinou o pagamento à empresa contratada pela recorrente foi o próprio sócio administrador da empresa contratada. Ora, tal fato evidencia a proximidade existente entre a recorrente e a contratada, circunstância esta que, se por um lado justifica a dispensa de maiores formalidades na contratação dos serviços (tais como a falta de reconhecimento de firma, em que pese o alto valor do contrato), por outro lado justamente atrai para a pessoa jurídica um maior ônus na comprovação da efetiva prestação dos serviços, diante da facilidade que tal situação enseja para que, por meio da simples formalidade de emissão de documentos desprovidos de conteúdo real, sejam transferidos a pessoas ligadas vultosos valores. Não se está aqui a acusar que a recorrente tenha assim procedido, mesmo porque tal acusação, que levaria à imposição de multa mais severa, não foi feita pela fiscalização, que inclusive não tinha conhecimento dos documentos que foram aqui referidos, juntados que foram somente na impugnação. Porém, tais circunstâncias não deixam qualquer dúvida de que, no caso dos autos, não é possível reputar comprovados os serviços descritos na nota fiscal apresentada ao fisco (NF no 017), pelo que restam indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas correspondentes. Com relação aos serviços supostamente prestados pela empresa CAPURI ADMINISTRADORA E PART. LTDA, a situação não é muito diferente do quanto até aqui exposto, pelo que a conclusão também converge no mesmo sentido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 8 7 Neste caso, nem mesmo até o presente momento logrou a recorrente trazer aos autos o contrato firmado. Aliás, no recurso, embora com uma redação não muito clara, dá a entender que a contratada (CAPURI) teria informado a ela, recorrente, que o contrato teria sido verbal, confirase: “... embora não tenha sido juntado o contrato no âmbito da impugnação, diante de o mesmo não ter sido encontrado com a informação de ter sido verbal, ...” Dado o elevado valor dos dois pagamentos efetuados (R$ 532.765,05 e R$ 1.073.028,03), causa uma certa estranheza a informalidade na contratação dos serviços. A propósito, serviços estes que, também aqui, foram apenas laconicamente descritos no corpo das notas fiscais como “Consultoria” — e nada mais. Tal descrição causa ainda maior estranheza pelo fato de o nome empresarial da prestadora dos supostos serviços não trazer nenhuma indicação de que se tratasse de uma empresa de consultoria, bem como pelo fato de a recorrente não ter, nem durante o curso da fiscalização, nem em qualquer momento processual, trazido qualquer justificativa ou esclarecimento sobre o tipo de consultoria que teria sido prestado, quanto mais alguma prova material de sua realização. Novamente, os elementos trazidos pela recorrente aos autos permitem concluir que há uma grande proximidade entre a contratante e a contratada. Caso contrário, ficaria difícil entender como a recorrente teria logrado obter cópias não apenas dos comprovantes de arrecadação dos impostos devidos pela CAPURI, mas também inclusive da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ por esta empresa apresentada, na qual ela oferece à tributação os rendimentos advindos das referidas notas fiscais. Do mesmo modo, também os pagamentos seguiram o mesmo roteiro antes relatado: uma correspondência encaminhada pela recorrente à DOCAS INVESTIMENTOS S/A, solicitando que faça o pagamento e abata o valor na liquidação do empréstimo, e uma correspondência posterior encaminhada pela DOCAS INVESTIMENTOS S/A à PHIDIAS S/A, solicitando que faça o pagamento e abata o valor na liquidação do empréstimo. Destacase ainda o fato de que, nas duas cartas enviadas pela DOCAS INVESTIMENTOS S/A, é feita referência ao fato de que os serviços de consultoria prestados à recorrente seriam “relativos ao processo no 94.001.0169303”. Ou seja, em se conferindo credibilidade a esta informação constante nas referidas cartas, terseia uma contradição com a alegação da própria recorrente de que a OAKTREE Engenharia Ltda havia sido contratada para “prestar assessoria geral sobre a condução deste [processo no 94.001.0169303]...” (o sublinhado, no caso, é da própria recorrente). Demonstrase assim, portanto, que também as despesas registradas pela recorrente com a consultoria que teria sido prestada pela CAPURI ADMINISTRADORA E PART. LTDA não podem ser acatadas, haja vista que não houve a comprovação dos serviços. Com relação à cobrança do imposto de renda na fonte, por pagamento sem causa, aduz a recorrente que cabe à fiscalização comprovar que os pagamentos não tiveram a causa apontada, e não inverter tal premissa impondo ao contribuinte um ônus excessivo e Fl. 361DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 9 8 indevido, e, ainda, que a mera indedutibilidade das despesas não autoriza a tributação com base no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/1995, nos termos da jurisprudência do CARF que transcreve. É fato que, quando a indedutibilidade de uma despesa decorre tão somente da sua desnecessidade para a atividade da empresa, nos termos do artigo 299 do RIR/99, não se justifica, a priori, a referida tributação na fonte. Ou seja, uma despesa comprovadamente ocorrida, mas desnecessária à atividade da empresa, é apenas indedutível do lucro real, mas não dá ensejo, por si só, à tributação na fonte por pagamento sem causa. Contudo, quando a desnecessidade da despesa, e sua consequente indedutibilidade na apuração do lucro real, decorre da falta de comprovação da própria despesa, a tributação na fonte justificase pela subsunção deste fato à hipótese expressamente prevista no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/1995, abaixo transcrito: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Com relação ao ônus da prova, a lei apenas diz “quando não for comprovada a operação ou a sua causa...” Assim, entendo que tanto pode o fisco trazer elementos que demonstrem, de modo mais contundente, que a operação não ocorreu, ou que a causa não foi aquela apontada pela recorrente, quanto o simples fato de não ter a recorrente comprovado a efetiva ocorrência da operação ou a sua causa, dão ensejo à incidência da norma em questão. Quando o fisco aprofunda a investigação, e demonstra, de modo contundente, que a operação não ocorreu, ou que a causa não foi aquela apontada pela recorrente, normalmente tais investigações conduzem à aplicação de penalidade mais severa, ante a constatação, muitas vezes, da inexistência de fato das empresas emitentes das notas fiscais, ou da sua incapacidade física ou técnica para cumprir o contrato, etc. No caso, nada disto foi feito pelo fisco, assim, coerentemente, não há aplicação de multa qualificada. Contudo, a circunstância de não ter o fisco sequer tentado fazer esta prova em nada altera o fato de que a recorrente não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços que diz ter recebido, não obstante as diversas oportunidades que teve para tanto. Ora, se os pagamentos aconteceram, mas os serviços aos quais eles supostamente estariam vinculados não estão comprovados, então a conclusão lógica é que os Fl. 362DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10872.000515/201084 Acórdão n.º 1102000.825 S1C1T2 Fl. 10 9 pagamentos não tem a causa que foi indicada pela recorrente, fato este que atrai a incidência da norma legal acima transcrita. Em que pesem os protestos da recorrente quanto ao que considera uma injusta imposição de dupla tributação, tendo em vista que as prestadoras de serviço teriam oferecido à tributação as correspondentes receitas, o fato é que o citado dispositivo legal impõe à pessoa jurídica que efetuou o pagamento a responsabilidade pela retenção, na modalidade exclusiva de fonte, do referido imposto. Por conseguinte, não há como vincular a cobrança deste imposto na fonte a eventuais recolhimentos que porventura tenham sido feitos pelas beneficiárias dos pagamentos em questão. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 01/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 15983.001192/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados que lhe prestam serviços.
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão dos valores referentes ao auxílio alimentação sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 92 /2 00 9- 79 Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão dos valores referentes ao auxílio alimentação sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.928 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, e a destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 39), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remuneração aos segurados, empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa, e integram o presente lançamento, além dos acréscimos legais – DAL (10/2006), a diferença de contribuição devida e não recolhida, incidente sobre valores constantes das folhas de pagamentos e sobre base de cálculo aferida indiretamente, relativa à auxílio alimentação in natura, sem o PAT. A autoridade lançadora salienta que os valores lançados não foram informados na GFIP, o que, em tese, configura crime de sonegação contra a Previdência Social, disposto no Código Penal, DecretoLei no. 2.848, de 07 de dezembro de 1940, em seu art. 337 A, inciso I. Informa que foram apropriadas, como crédito do contribuinte, todas GPS recolhidas, inclusive as de retenção de 11%, cuja relação se encontra no RADA, observando que apenas três das GPS apresentadas foram desconsideradas, quais sejam, uma no valor de R$ 1.268,29, que foi recolhida em duplicidade no código 2631, pela tomadora , e as outras, ambas no valor de R$ 4.400,00, referentes aos meses 11 e 12/06, referentes a recolhimentos nesse mesmo código (2631) em nome do contribuinte, sem, contudo, a devida contraprestação em NF/fatura. Esclarece que, em observância ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, aplicouse a multa de mora de 24%, mas, naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, lançouse a multa de ofício de 75%. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0534.997, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1.909), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.920), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que sua impugnação não foi apreciada em sua totalidade, e que questões de grande relevância não foram observadas pela primeira instância administrativa, que deixou de apresentar nova planilha que pudesse esclarecer ao contribuinte os motivos para a manutenção da penalidade inicialmente imposta, o que configura afronta à Ampla Defesa, na medida em que deixa de indicar com clareza o que ainda estaria irregular. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 No que tange ao tema da Cesta Básica, entende que a manutenção da condenação imposta à Recorrente vai na contra mão do que já decide o Poder Judiciário. Insurgese contra o envio da Representação Fiscal para Fins Penais, argumentando que, no caso em tela, nem mesmo em tese houve ocorrência de irregularidades, e assevera que o Acórdão guerreado deixou de observar os números contábeis, trocandoos pelas palavras prontas e cerceando o direito de a Recorrente realizar prova contábil, o que deveria ter ocorrido após a indicação de dúvidas contidas no voto que orientou a formação do Julgado, e antes da efetivação deste. Finaliza requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, no sentido de ser reconhecida a nulidade do Acórdão recorrido por cerceamento de defesa e, no mérito, para reconhecer as falhas praticadas pela fiscalização, cancelandose o Auto de Infração ligado ao presente procedimento administrativo. É o relatório. Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.929 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, argumentando que sua impugnação não foi apreciada em sua totalidade, e que não foi apresentada nova planilha que pudesse esclarecer ao contribuinte os motivos para a manutenção da penalidade inicialmente imposta. Assevera ainda que o Acórdão guerreado deixou de observar os números contábeis, trocandoos pelas palavras prontas e cerceando o direito da Recorrente de realizar prova contábil, o que deveria ter ocorrido após a indicação de dúvidas contidas no voto que orientou a formação do Julgado, e antes da efetivação deste. Contudo, não se vislumbra o cerceamento de defesa alegado pela recorrente. É oportuno esclarecer que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) Verificase que, no caso presente, o Acórdão recorrido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Não cabe, no caso, a elaboração de uma nova planilha pela autoridade julgadora, como quer a recorrente, uma vez que o débito foi mantido em sua integralidade pela primeira instância administrativa, e os valores lançados se encontram discriminados nos relatórios que integram o AI. Ao contrário do que afirma a autuada, verificase que o Relator do Acórdão guerreado analisou os argumentos trazidos em sede de defesa, deixando claro porque esses argumentos estavam sendo afastados, expondo os motivos pelos quais a documentação juntada aos autos pela recorrente não era suficiente para afastar a exigência fiscal. Portanto, diferente do que alega a autuada, não havia dúvidas a serem sanadas, já que o relatório fiscal está claro e preciso, como também em nenhum momento a autoridade julgadora cerceou o direito de a recorrente realizar prova contábil. Nesse sentido, não se verifica a nulidade da decisão de primeira instância, alegada pelo contribuinte. A recorrente insiste em afirmar, sem comprovar suas alegações, que a fiscalização deixou de observar que o recolhimento do INSS de sua responsabilidade estavam inseridos nas retenções das Notas Fiscais emitidas, com obrigação das empresas tomadoras de serviços. Todavia, o relatório RADA demonstra que houve, sim, a devida apropriação de todas as guias recolhidas e de todos os valores retidos pelos tomadores de serviços. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.930 7 A autuada apenas alega, mas não aponta, nos documentos juntados aos autos, onde está o equívoco que, segundo entende, foi cometido pela fiscalização ou quais retenções sofridas em notas fiscais deixaram de ser apropriadas no presente lançamento. Observase que a autuada em momento algum especificou quais seriam as supostas inconsistências nos levantamentos efetuados pela fiscalização, limitandose a formular alegações genéricas e a postular realização de “prova contábil”, sem a observância dos requisitos legais. A recorrente poderia ter elaborado uma planilha com a discriminação dos valores retidos e declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos por meio de GPS, com apontamento do número de folhas dos documentos, para demonstrar suas alegações. Porém, não o fez, se limitando a alegar que as divergências apuradas pela fiscalização não existem. Entretanto, constatase, da análise da documentação anexada junto à impugnação, que os valores lançados pela autoridade autuante estão corretos. Verificase, da análise das notas fiscais apresentadas pela recorrente, que os valores destacados nas notas fiscais foram devidamente compensados com as contribuições apuradas pela fiscalização. Dessa forma, sendo o lançamento um ato vinculado, ao constatar a existência de diferença de contribuição devida, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, a fiscalização lavrou o competente AI, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91 A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes do Auto de Infração, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Assim, todos os dados necessários para a elaboração da defesa pela recorrente se encontra nos relatórios integrantes do AI. A autuada demonstra seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver formalizado Representação Fiscal para Fins Penais pela ocorrência, em tese, de crime de sonegação contra a Seguridade Social. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Entretanto, cumpre esclarecer que não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento, objeto do recurso, não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de sonegação tipificado no art. art. 337A, inciso I, do Código Penal. Em relação à contribuição lançada incidente sobre o auxílio alimentação in natura , é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores relativos ao Auxílio Alimentação, por improcedência É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.931 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.932 11 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.933 13 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 2301003.159 S2C3T1 Fl. 1.934 15 Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907219/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Alegado erro de preenchimento de DCTF não pode ser ilidido por valor constante em DIPJ ou DCTF retifica a destempo, desacompanhados de comprovoção lastreada em documentação contábil idônea.
Numero da decisão: 1801-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Otoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira; Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Alegado erro de preenchimento de DCTF não pode ser ilidido por valor constante em DIPJ ou DCTF retifica a destempo, desacompanhados de comprovoção lastreada em documentação contábil idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Otoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira; Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 72 19 /2 00 9- 11 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Tratase de pedido de compensação (DCOMP n° 24117.8926 9.140307.1.3.04 7744 fls.1/5) de suposto crédito de CSLL, PA 06/2, no valor original de R$ 369.227,96, com débito próprio do contribuinte de COFINS PA 02/07. O alegado credito teria origem em suposto pagamento a maior de CSLL. Conforme despacho n° 848504049 (fls.06), referida compensação não foi homologada, assim como o respectivo crédito apontado não foi reconhecido, por terem sido localizados um ou mais débitos vinculados ao alegado credito, não restando saldo credor a ser compensado.. Inconformado o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade alegando ter se equivocado ao não retificar a DCTF e limitandose a anexar a DCTF original de 06/2006, não retificada, a PERDCOMP e o comprovante de arrecadação DARF, como provas do suposto credito. A decisão de 1 instancia consignou a natureza constitutiva da DCTF quanto ao credito tributário, assim como a necessidade de provas idôneas para infirmar sua presunção de legitimidade, notadamente a escrita fiscal e contábil. Dessa forma, a decisão de primeira instancia não reconheceu o credito pleiteado, julgamento improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente notificado em 07/02/11, o recorrente interpos tempestivamente Recurso Voluntario em 04/03/2011 alegando em síntese: (i) que houve erro de fato no valor declarado em DCTF, (ii) que o valor correto de seu debito de CSLL foi regularmente declarado em DIPJ, (iii) que o valor declarado em DCTF não deve prevalecer sobre o valor declarado em DIPJ (iv) que procedeu a retificação da DCTF (1/03/11), diminuindo o debito de CSLL para o período. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do recurso por tempestivo. No mérito não merecem prosperar as alegações da recorrente. Com efeito é cediço neste tribunal que a simples alegação de erro material na DCTF, desacompanha das provas idôneas do credito pleiteado não é capaz de gerar qualquer direito creditório. Com efeito, o contribuinte limitase a alegar erro material na apresentação de sua DCTF, buscando comprovar seu credito por meio da juntada de DIPJ e DCTF retificada após a decisão proferida em 1 instancia, sem demonstrar nenhuma evidencia contábil de seu credito. A comprovação idônea do credito pleiteado por meio de escrita fiscal e contábil e fundamental nos casos de alegado erro de fato em DCTF, não sendo suficiente a comprovação do alegado erro a mera juntada de DIPJ. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / 11a. Turma / DECISÃO 1636598 em 13/03/2012 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. DCTF. ERRO DE Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.907219/200911 Acórdão n.º 1801001.125 S1TE01 Fl. 91 3 PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes da DCTF, as informações declaradas pelo Contribuinte por meio da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que demonstrem a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, necessário se faz a retificação da DCTF, pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Diante do exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto por negar provimento ao Recurso Voluntario não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira (documento assinado digitalmente) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 18/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000216/2002-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Recurso Especial do Procurador Negado
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Recorrente COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. e FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE LTDA. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS “NT”. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 16 /2 00 2- 81 Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial recurso Voluntário. Eis a ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas e cooperativas de produtores). Excluise da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins no fornecimento ao produtor exportador. Os atos cooperativos estavam isentos das contribuições para o PIS e à Cofins na data da ocorrência dos fatos geradores. DESPESAS Havidas com ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, ÓLEO E LUBRIFICANTES, GRAXA, PRODUTOS USADOS NO TRATAMENTO DE ÁGUAS E EFLUENTES, PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA E MATERIAL PARA LABORATÓRIO. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, a energia elétrica, óleo e lubrificantes, graxa, produtos usados no tratamento de águas e efluentes, produtos de conservação e limpeza e material para Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.126 3 laboratório não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. APLICAÇÃO TAXA SELIC. Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deve ser aplicada, desde o protocolo do pedido, aos valores a serem ressarcidos a título de incentivo fiscal sob pena de afrontar a própria lei instituidora do benefício se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimento ilícito da outra parte. Recurso provido em parte. No recurso Especial Interposto pela Fazenda Nacional foi feito pedido de reforma do acórdão que concedeu atualização pela taxa Selic. Já O Recurso manejado pelo contribuinte requer a reforma em relação ao ressarcimento de crédito presumido de IPI de produtos exportado não tributados pelo IPI e ressarcimento dos créditos oriundos de produtos adquiridos por não contribuinte, cooperativa e pessoas físicas. A PGFN interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, que não existe direito à indexação pela taxa Selic, popis tal direito deveria advir de normas jurídicas que regem a compensação tributária, tanto em nível legal como infralegal, e que o Acórdão recorrido, ao defrir este direito, aumentou o crédito presumido sem autorização legal. Alegou ser necessária previsão legal para a correção monetária do ressarcimento. O recurso voluntário não foi provido em relação ao direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI sobre o produto exportado que conta na TIPI como NT, sob a fundamentação que a lei 9363/96 exige, para fins de gozo do incentivo, que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Também foi improvido, o Recurso Voluntário, em relação ao pedido do contribuinte para o aproveitamento do crédito presumido em relação aos produtos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. A Contribuinte apresentou recurso especial com pedido de reforma da decisão para que seja concedido o direito ao crédito presumido de IPI para produtos classificados na TIPI como “NT”, como também para que se garanta o direito ao aproveitamento do crédito presumido em relação aos produtos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 O recurso especial manejado pela PGFN pleiteia a reforma para que não seja dado o direito à atualização dos créditos pela taxa selic. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, deles conheço. Vamos primeiro analisar o recurso interposto pela contribuinte, posto que, se negado na parte dos produtos “NT”, prejudica a análise do recurso especial do próprio contribuinte e relação aos outros pedidos e também do recurso interposto pela PGFN. A matéria objeto da divergência apontada pela contribuinte diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou a fazenda em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.127 5 Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.128 7 "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.129 9 exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.130 11 Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.131 13 Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Tratase de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13982.000216/200281 Acórdão n.º 9303002.101 CSRFT3 Fl. 1.132 15 O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Assim não há como o não contribuinte do IPI se ressarcir do crédito presumido concedido pela lei 9363/96. Diante de todo o exposto voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pela contribuinte. A análise restante do recurso do contribuinte ficou prejudicada, visto que ficou decidido por esse colegiado que não cabe direito ao ressarcimento por parte do contribuinte. Também ficou prejudicado o recurso da Fazenda que pedia a reforma do acórdão recorrido quanto à taxa selic. Atualização do ressarcimento pela selic. A única matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Diante de todo o exposto voto pelo provimento parcial do recurso interposto pelo contribuinte para conceder os créditos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas em relação somente aos produtos que não tenham a classificação “NT” na TIPI. Em relação a esses nego provimento ao recurso do contribuinte. Por força do art. 62A do Regimento Interno do Carf, voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903020/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não demonstra a omissão e a contradição arguidas.
Numero da decisão: 3402-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não demonstra a omissão e a contradição arguidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidentesubstituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 20 /2 00 9- 00 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 Tratase de embargos de declaração propostos pela ProcuradoriaFeral da Fazenda Nacional (PGFN) ao Acórdão n° 3402001.715, de 24 de abril de 2012, por meio do qual este colegiado, por unanimidade, decidiu prover o recurso voluntário interposto nestes autos, tendo em vista a existência de decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782. A embargante alegou, em suma, que a doutrina e a jurisprudência relativizam a coisa julgada em hipóteses análogas à que foi aqui tratada, por isso o Acórdão embargado não poderia passar ao largo da discussão de mérito se escudando na coisa julgada e a melhor decisão seria o sobrestamento do feito até o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 609096. Ao final, solicitou a embargante o conhecimento e o provimento dos seus embargos declaratórios para sanar a contradição e a omissão apontadas. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso devem ser conhecidos. Inicialmente, não tendo a embargante apontado objetivamente a omissão e a contradição que pretende ver sanadas, cabe registrar que concluiuse, do inteiro teor dos declaratórios apresentados, que a omissão estaria na ausência de pronunciamento deste colegiado sobre a relativização da coisa julgada e a contradição estaria caracterizada pelo fato de terse mencionado no voto a existência do RE n° 609096, com repercussão geral reconhecida e determinação de sobrestamento dos processos judiciais naquele RE, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowsk, e, não obstante, terse proferido o julgamento do recurso voluntário. Não vislumbro na peça embargada a contradição, tampouco a omissão arguidas. Quanto à omissão, ademais de tratarse de matéria que não compôs a lide delimitada pela manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, tratase de construção jurisprudencial e doutrinária que de forma alguma se impõe no julgamento administrativo, não se configurando ponto sobre o qual o colegiado estivesse obrigado a se pronunciar, pois também não se trata de matéria de ordem pública, tampouco relacionada à legalidade do ato administrativo impugnado. A matéria trazida nos embargos de declaração, que, até então, não fora ventilada nestes autos, a meu ver, poderia ser cabível no âmbito do processo judicial, na hipótese de propositura de ação rescisória, que é o instrumento processual capaz de promover o abrandamento do rigor da coisa julgada ou a anulação dos efeitos produzidos pela decisão judicial já transitada em julgado. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 3402001.923 S3C4T2 Fl. 2.002 3 Sobre a contradição, notese que o voto condutor da peça embargada não espelha nenhuma contradição entre os seus fundamentos e a respectiva conclusão, pois, de fato, reconheceuse a existência de RE pendente de julgamento, nos termos da Portaria Carf n° 1, de 2011, contudo, tendose verificado que a recorrente, sobre a matéria em litígio nestes autos, possui decisão do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), proferida para o seu caso individual e concreto, já transitada em julgado, não haveria de se cogitar o sbrestamento deste processo, mas impunhase a aplicação de tal decisão, à qual não se pode negar validade, sob pena de violação do princípio da segurança jurídica. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10148.000992/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução a título de pensão alimentícia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução a título de pensão alimentícia. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase a pretensa dedução a título de pensão alimentícia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma de julgamento da DRJ/Juiz de Fora/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 09 92 /2 00 9- 09 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10148.000992/200909 Acórdão n.º 2801002.708 S2TE01 Fl. 75 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório da decisão recorrida: “Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 07/10/2009, a Notificação de Lançamento de fls. 02 a 08, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercício 2008, anocalendário 2007, que resultou em crédito total apurado no valor de R$ 12.772,73, sendo: a) R$ 6.489,42 de IRPFSuplementar, R$ 4.867,06 de multa de oficio e R$ 1.088,27 de juros de mora (calculados até 10/2009); e, b) R$ 239,81 de IRPF, R$ 47,96 de multa de mora e R$ 40,21 de juros de mora (calculados até 10/2009). Motivou o lançamento de oficio (fls. 03 a 06): a) A dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 13.638,89, tendo em vista que 'foram considerados como dedutiveis apenas os valores constante dos contracheques da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em razão da não apresentação da Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial"; b) A dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 9.959,02, tendo em vista a glosa do valor declarado como pagamento à. Unimed Uberaba, "em razão da não apresentação do comprovante com os valores discriminados por beneficiário, como exigido no Termo de Intimação Fiscal no 2008/617235513176220"; e, c) A compensação indevida de CarnêLeão, "no valor de RS 239,81, referente à diferença entre declarado de R$ 4.371,93, e o efetivamente comprovado R$ 4.132,12". A ciência da Notificação de Lançamento se deu em 20/10/2009 (fl. 28), e o contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresentou impugnação de fl. 01, em 04/11/2009, anexando documentos para comprovar as deduções pleiteadas. No tocante ao CarnêLeão, o contribuinte alega que "em consulta aos sistema da Receita Federal constatouse que na autenticação o código da receita ficou errado (3244). Darf este que vai ser objeto de Redarf exoficio".” A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 43/47, que restou assim ementado: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, devendo o beneficiário do serviço médico prestado estar identificado no documento comprobatório, a fim de seja possível verificar a condição de dedutibilidade citada. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10148.000992/200909 Acórdão n.º 2801002.708 S2TE01 Fl. 76 3 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Podem ser deduzidas as importâncias efetivamente pagas a titulo de pensão alimentícia e prestação de alimentos provisionais em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial. CARNÊLEÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o recolhimento, a titulo de CarnêLedo, no valor informado da Declaração de Ajuste Anual, cabe a revisão do lançamento. Regularmente cientificado daquele acórdão em 14/12/2011 (fl. 52), o interessado, representado por sua procuradora (fl. 63), interpôs recurso voluntário de fl. 54, em 12/01/2012, no qual requer seja analisada a solicitada Decisão Judicial que não foi apresentada anteriormente, em que é registrado o valor estipulado de pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia. Conforme descrição do fatos, à fl. 05, a autoridade fiscal considerou como dedutíveis apenas os valores constantes dos contracheques da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em razão da não apresentação da Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial. Sobre o assunto, assim se pronunciou a decisão recorrida: “Da análise dos autos, verificase que a fiscalização aceitou parte do valor informado a este titulo, ou seja, o contribuinte declarou o valor de R$ 35.005,13 como pago Maria Sebastiana Guitarrari Adão, CPF 239.898.406,06, e a fiscalização aceitou o valor de R$ 21.366,24, constantes dos contracheques emitidos pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, tendo sido glosada a diferença, no valor de R$ 13.638,89. No entanto, não se conformando, o contribuinte anexa aos autos o documento de fl. 17, qual seja, oficio expedido pelo Secretaria da 1° Vara de Família e Sucessões, em 08/03/2007, determinando à Universidade Federal do Triângulo Mineiro que pague A "importância referente a 50% (cinqüenta por cento) do valor liquido das aposentadorias recebidas, nos cargos de médico e professor 3° grau, da folha de pagamento do requerente Ado Adão", para Maria Sebastiana Guitarrari. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10148.000992/200909 Acórdão n.º 2801002.708 S2TE01 Fl. 77 4 Assim, tendo em vista que a fiscalização já aceitou o valor pago à titulo de pensão alimentícia judicial constante dos contra cheques emitidos por aquela universidade, nada há a ser reparado no lançando, devendo ser mantida a glosa.” Em sede de recurso, o interessado apresenta: · O oficio expedido pela Secretaria da 1° Vara de Família e Sucessões, em 08/03/2007 (fl. 55), que já foi devidamente apreciado pela decisão de 1ª instância; · Cópia da Carta de Sentença (fl. 56) que faz alusão ao acordo de separação consensual homologado através da “r. decisão de fl. 51/52”, cuja cópia, entretanto, não foi carreada aos autos; · Cópia da petição inicial datada de 07/10/1999 (58/62), em que consta que o cônjuge varão pagará pensão alimentícia mensal ao cônjuge virago em valor equivalente a 12,5 salário mínimos. Assim, considerando que o contribuinte deixou de trazer aos autos a decisão mencionada anteriormente (“r. decisão de fl. 51/52”) que definiu o termos do acordo homologado judicialmente, resta apenas considerar os termos do ofício de fl. 48, que condizem com os valores aceitos pela fiscalização e decisão recorrida. Portanto, não merece acolhida a pretensão do recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
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Numero do processo: 15504.002550/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório reverte-se em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação.
TRANSAÇÃO INTERBANCÁRIA. ESTORNOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova quanto a existência de transações interbancárias, estornos e cheques devolvidos cabe ao contribuinte, quando aplicada a presunção de omissão de receitas constantes do art. 42 da lei nº 9.430, referidas informações não puderem ser extraídas da leitura dos extratos bancários.
MULTA QUALIFICADA
Segundo a súmula 25 do CARF, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 1401-000.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmm Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório reverte-se em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação. TRANSAÇÃO INTERBANCÁRIA. ESTORNOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova quanto a existência de transações interbancárias, estornos e cheques devolvidos cabe ao contribuinte, quando aplicada a presunção de omissão de receitas constantes do art. 42 da lei nº 9.430, referidas informações não puderem ser extraídas da leitura dos extratos bancários. MULTA QUALIFICADA Segundo a súmula 25 do CARF, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recursos de ofício e voluntário negados.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório revertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação. TRANSAÇÃO INTERBANCÁRIA. ESTORNOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova quanto a existência de transações interbancárias, estornos e cheques devolvidos cabe ao contribuinte, quando aplicada a presunção de omissão de receitas constantes do art. 42 da lei nº 9.430, referidas informações não puderem ser extraídas da leitura dos extratos bancários. MULTA QUALIFICADA Segundo a súmula 25 do CARF, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recursos de ofício e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 25 50 /2 01 1- 21 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias Relatório Trata o presente feito de auto de infração de tributos federais apurados pelo regime do Simples, no anocalendário 2006, e pelo lucro arbitrado no anocalendário 2007, tendo em vista a constatação de omissão de receitas por meio de depósitos bancários de origem não comprovada, cujos extratos foram disponibilizados pela Recorrente no curso da fiscalização. Por questões de celeridade, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: I Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e demais tributos relativos ao anocalendário de 2006 – SIMPLES (Omissão de Receitas – Depósitos bancários não escriturados/Insuficiência de Recolhimento), fls. 04 a 74, e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica/demais tributos relativos ao anocalendário de 2007 – ARBITRAMENTO (Depósitos bancários de origem não comprovada/omissão de receitas), fls. 75 a 105. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 106 a 108, acompanhado dos demonstrativos de fls. 109 a 140, registra que: “Decorrido o prazo adicional sem o devido atendimento, em 28/10/2010, foi emitido novo termo de reintimação fiscal, cuja ciência deuse em 04/11/2010, via AR. Em 08/11/2010, recepcionamos a resposta do contribuinte, composta pelas planilhas n°01, n°02 e n°03, porem sem qualquer documentação comprobatória para suporte, constando apenas como justificativa diversas operações que origináramos créditos em c/c, tais como: liquidações de cobrança; transferências entre contas e cheques de terceiros não identificados. Em face da não comprovação da origem dos créditos em c/c foram os mesmos considerados como receita da fiscalizada Fl. 593DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15504.002550/201121 Acórdão n.º 1401000.861 S1C4T1 Fl. 3 3 Tendo em vista que a receita oriunda da movimentação bancária em c/c, NÃO ESCRITURADA, NEM DECLARADA, foi superior ao quantum determinado na legislação tributária para opção pelo SIMPLES e sua manutenção no regime, no anocalendário de 2006, a Delegada da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, no uso de suas atribuições, DECLARA E COMUNICA a exclusão da empresa do SIMPLES partir de 01/01/2007, conforme Atos Declaratórios Executivo DRF/BHE n° 0413/2010 e 0414/2010, de 15 de dezembro de 2010, por incidir em situação de impedimento à permanência nesse regime de tributação ao exceder ao limite da receita bruta anual estabelecida, conforme artigo 9o, inciso II. da Lei n° 9.317/96 e Lei Complementar n° 123 de14/12/2006, facultado ao contribuinte, no prazo de até 30 dias da ciência, manifestar sua inconformidade, por escrito, nos termos do Decreto n° 70.235/72. Em não havendo manifestação do contribuinte no prazo estabelecido, e considerando a exclusão do SIMPLES vigir somente a partir de 01/01/2007, procedemos o lançamento das diferenças apuradas por OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA, na forma autorizada pela legislação tributária, ou seja, pelo regime SIMPLES, correspondente ao período de janeiro até dezembro de 2006, de forma igual à opção de tributação efetuada pelo contribuinte. O crédito tributário correspondente ao anocalendário de 2007, com base no Lucro Arbitrado, conforme previsto nos artigos 529,530, Decreto n° 3.000/99, RIR/99, porquanto, intimado a apresentar escrituração comercial e fiscal conforme exigência legal, ou seja, com base em escrituração completa e apuração do lucro real trimestral, o contribuinte não se pronunciou, assim como excluído do regime simplificado não se manifestou quanto aos Atos Declaratórios Executivo DRF/BHE N° 0413 e 0414/2010, de 15/12/2010, concernente à exclusão do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL.”II – DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresenta sua impugnação de fls. 322 a 333, apresentando no tópico I – Da Tempestividade, considerações sobre o prazo para apresentação de impugnação. No tópico II – Resenha dos Fatos informa que houve o lançamento e no tópico III.1 – Do Princípio da Verdade Material e Exatidão do Tributo, alinha entendimentos doutrinários para concluir que “Tratase de direitos fundamentais cuja violação implica, em igual medida, desrespeito a princípios como: o da estrita ReservaLegal, do Devido Processo Legal, da Oficialidade, da Verdade Material, inviabilizando a almejada exatidão legal do tributo”. No tópico III.1.1. Base de Cálculo Incorreta, entende que a autoridade fiscal não exclui dos créditos em contasde depósitos os lançamentos de estornos, os cheques devolvidos e as transferênciasentre contas. Conclui que “a base de cálculo eleita pela autoridade fiscal está inexata e o crédito tributário formalizado deve ser cancelado.” Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 No tópico III.1.2 – Ausência de critério uniforme no tempo para lançamento fiscal – anocalendário de 2006, indaga:“1) O contribuinte foi excluído do SIMPLES, em relação ao ano calendário de 2006 com os efeitos da exclusão a contar de 01/01/2007 em face do excesso de receita acumulada para permanência no regime do SIMPLES; 2) A opção de tributação efetuada pelo contribuinte no anocalendário de 2006 e autorizada pela legislação tributária foi pelo regime SIMPLES e 3) Assim, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das diferenças apuradas por OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA, na forma autorizada pela legislação tributária, ou seja, pelo regime SIMPLES, correspondente ao período de janeiro a dezembro de 2006, de forma igual à opção de tributação efetuada pelo contribuinte. Ora, se a fiscalização constatou que o contribuinte não possuía a escrituração regular de seus livros comerciais e fiscais nos anos calendário de 2006 e 2007, porque somente procedeu ao arbitramento em relação ao ano de 2007?”“. E conclui: “O impugnante não contesta que uma vez ocorrida a exclusão do sistema de apuração de tributos pela forma do SIMPLES é perfeitamente cabível o arbitramento do imposto, até por ser a forma mais benéfica de cálculo do tributo devido. A DIPJ, relativa ao anocalendário de 2006, ainda que entregue espontaneamente não teve o condão de apurar o crédito tributário devido, já que preenchida segundo o sistema do SIMPLES, sendo certo que o contribuinte foi excluído de tal regime e não recorreu de tal ato. É perfeitamente cabível também, que, uma vez não cumprida por parte da microempresa e a empresa de pequeno porte a escrituração dos livros a que se refere o artigo 7º da Lei 9.317/96, que a autoridade fiscal promova ao arbitramento do imposto devido, ou seja, em face doano de 2006. NESSE SENTIDO, ATÉ POR SER A FORMA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.” No subtópico IV.2, do tópico IV – Mérito das Autuações, repete os argumentos expressos no No tópico 1.1. Base de Cálculo Incorreta.Finalmente, no tópico V – Da multa qualificada – Fraude não comprovada – impossibilidade de agravamento, registra que “A PRESUNÇÃO, NO CASO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, POR SI SÓ, NÃO JUSTIFICA A ADOÇÃO DE MULTA QUALIFICADA” Em julgamento, a DRJ de Belo Horizonte entendo por bem em dar parcial provimento ao recurso, apenas para excluir a qualificação da multa aplicada, nos termos da súmula nº 25 do CARF, tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15504.002550/201121 Acórdão n.º 1401000.861 S1C4T1 Fl. 4 5 No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais eacessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, pordever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITA OMITIDA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PROVAS As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova, incumbindo ao autuado elidir de forma cabal a acusação fiscal. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas em lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a falta de escrituração da movimentação bancária, é legítimo o lançamento de ofício como omissão de receitas. IRPJ ARBITRAMENTO O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a omissão de receitas a partir do cotejo entre os valores das notas fiscais emitidas e os constantes dos livros fiscais é legítimo o lançamento de ofício. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos decorrentes com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Em sede de recurso, a Recorrente alega que o processo administrativo segue o princípio da verdade material, pelo que as suas razões devem ser conhecidas, posto que: 1) Não se promoveu a exclusão, na aplicação da presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96, os cheques devolvidos, estornos, transferências entre contas pertencentes ao Recorrente e liquidações bancárias, conforme discriminado em dois anexo ao recurso; 2) Que, como não manteve a escrituração regular nos anoscalendário de 2006 e 2007, não poderia ter a Fiscalização realizado no lançamento do anocalendário 2006 no âmbito do Simples e do anocalendário 2007 por Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15504.002550/201121 Acórdão n.º 1401000.861 S1C4T1 Fl. 5 7 arbitramento. Entende que a sua opção em 2006 estava incorreta, pelo que deveria ter sido realizado o arbitramento; 3) No mérito, requer a exclusão dos estornos, cheques devolvidos e transferências interbancárias da aplicação da presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96 4) Redução da multa qualificada para o percentual de 75% É o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. RECURSO DE OFÍCIO. A decisão recorrida cancelou, em parte, a multa aplicada ao Recorrente, sob o argumento de que a presente autuação decorreu da aplicação da presunção constante do art. 42 da lei nº 9.430/96, não se passível de qualificação da penalidade. De fato, a súmula 25 deste Conselho , “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. No caso dos autos, a imputação que levou à qualificação da multa é exatamente a mesma que resultou na aplicação da presunção de omissão de receitas, qual seja, a ausência de escrituração da movimentação financeira identificada, invocando a aplicação do disposto no art. 42 da lei nº 9.430/96. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminar: Verdade Material e Exatidão do Tributo Aduz a Recorrente, em sede de preliminar, a aplicação do princípio da verdade material, segundo o qual deve, a Autoridade Fazendária, perseguir a correta e real base de incidência do tributo. Permissa venia, o presente auto de infração foi lavrado com base em presunção legalmente autorizada, o que afasta a necessidade de a Autoridade Fiscal perseguir a verdade real. Nos casos permitidos pela lei e atendidos os pressupostos dela constante, permite se o afastamento do verdade real, para substituída pela presunção. É certo que a presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório, no caso, revertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação. Diante do exposto, com fulcro no art. 42 da lei nº 9.430/96, deve ser afastada a preliminar de verdade material argüida pela Recorrente. Preliminar: Erro na Base de Cálculo Aduz, a Recorrente, que houve erro por parte da Fiscalização na imputação da base de incidência a partir da presunção legal constante do art. 42 da lei nº 9.430/96, por não terem sido excluídos “os lançamentos de estornos e os cheques devolvidos”. Do relatório da fiscalização, consta que foram expurgados referidos lançamentos para fins de aplicação da presunção do art. 42 da lei nº 9.430. Lado outro, não trouxe a Recorrente, quais foram os lançamentos realizados entre contas correntes e quais os cheques devolvidos que foram indevidamente lançados como receita omitida. De fato, o lançamento das receitas tidas por omitidas encontrase discriminado na planilha de fls. 232 e seguintes, sendo que os anexos I e II apresentados pela Recorrente em seu recurso em nada interferem na indicação dos valores presumidamente tidos por omitidos por parte da fiscalização. Com dito alhures, o presente auto de infração foi lavrado com base em presunção legal, cabendo à Recorrente o ônus da prova acerca da existência de situação ou fato impeditivo de aplicação da presunção legal. Rejeito, também aqui, a preliminar arguida. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15504.002550/201121 Acórdão n.º 1401000.861 S1C4T1 Fl. 6 9 Preliminar: Ausência de Critério Uniforme para o Lançamento Reclama, a Recorrente, da ausência de critério da fiscalização quanto ao lançamento realizado no ano calendário 206. Argumenta que, se para o ano calendário 2007, a Recorrente sujeitouse à apuração da renda pelo lucro arbitrado, tendo em vista a ausência de escrituração fiscal adequada, o mesmo procedimento deveria ter sido adotado para o ano calendário 2006. Sem razão a recorrente. Identificada a ausência de escrituração fiscal adequada no ano calendário 2006, procedeuse a exclusão do contribuinte do regime especial de tributação, com efeito a partir do ano calendário seguinte, qual seja 2007. Assim, correta a tributação no âmbito do Simples no ano calendário 2006 e, tendo em vista sua exclusão para o período seguinte, a tributação no âmbito do lucro arbitrado para o ano calendário 2007. Mérito No mérito, repete a Recorrente que deveria, a Autoridade Fiscal, ter procedido a exclusão das transferências interbancárias realizadas pela Recorrente. Não tendo sido identificadas sobre quais transações referese a Recorrente, e cabendo a ela o ônus da prova para desconstituir a aplicação da presunção de omissão de receita, deve ser negado provimento ao recurso. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e quanto, ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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