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Numero do processo: 13770.000790/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
O direito creditório deve ser líquido e certo. Não demonstrada a certeza do direito creditório, deve ser ele não reconhecido, com o conseqüente indeferimento das compensações que nele se fundam.
Numero da decisão: 1302-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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CERTEZA E LIQUIDEZ. O direito creditório deve ser líquido e certo. Não demonstrada a certeza do direito creditório, deve ser ele não reconhecido, com o conseqüente indeferimento das compensações que nele se fundam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 07 90 /2 00 3- 13 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 749 2 Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/RJO1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, INDEFERIR A SOLICITAÇÃO, mantendo o Despacho Decisório (Parecer Conclusivo nº 461/2005) de fls. 323/331, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A interposição de recurso administrativo, nos termos da legislação reguladora do processo administrativo fiscal, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: 2. Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (fls. 2 e 43 a 106). Através do Despacho Decisório (Parecer SEORT nº 461/2005) às fls. 323/331, o direito creditório referente aos 1o., 2o. e 3o. trimestres calendários de 2000 não foi reconhecido e as Declarações de Compensação não foram homologadas. 3. O interessado, cientificado em 30/08/2005 (fl. 340), apresentou, em 29/09/2005, manifestação de inconformidade de fls. 341/353, na qual alega, em síntese, que: 4 – a autoridade administrativa glosou a compensação do prejuízo fiscal apurado no ano calendário 1992 e 1993 , efetuada no 1o., 2o. e 3o. trimestres calendários de 2000, sob a argumentação de que, com o advento da Lei nº 8.981/95, as empresas titulares do Programa Especial de Exportação (BEFIEX) receberam tratamento diferenciado, de modo que estas poderiam compensar integralmente o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes; 5 que os prejuízos fiscais acumulados nos anoscalendário de 1992 e 1993 não se encontram prescritos, tal qual demonstrado na impugnação ao auto de infração nº 15586.000440/200513, a qual junta por cópia em anexo. Considerando que tal matéria foi impugnada no referido auto de infração, o crédito encontrase Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 750 3 com a sua exigibilidade suspensa, fato que impede o indeferimento das DCOMP’s, tendo como premissa a inexistência deste crédito. 6 – somente durante a vigência do BEFIEX , o interessado estava sujeito às regras do DecretoLei nº 2.433/88 (art. 8 e 12), o qual determina que a compensação de prejuízo fiscal pode ser realizada sem qualquer limitação, mas obedecendo ao prazo prescricional de seis anos; 7 a autoridade fiscal considerou indevida, na análise das DCOMP’s, a exclusão da CSLL na determinação do lucro real nos períodos de apuração referentes 1o., 2o. e 3o. trimestres de 2000; 8 – a indedutibilidade da CSLL na apuração da base de cálculo do IRPJ, tal qual determinada na Lei 9.316/96, extrapola o disposto no art 43 do CTN e afronta o art. 146, inciso III, alínea “a”, art. 145, § 1º e art. 150, inciso IV, todos da Constituição Federal e desde a edição da norma, o interessado não seguiu os ditames nela veiculados, por entender que a despesa com o pagamento de tributo não pode ser considerada como renda; 9 – efetuou pagamento referente ao lançamento tributário, formalizado no processo nº 15586.000440/200513, decorrente da exclusão indevida da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Desta forma a quantia devida a título de IRPJ, em função da inclusão da CSLL na base de cálculo deste imposto, foi devidamente recolhida. 10. Junta aos autos documentos às fls. 354/432. 11. Encerra solicitando o cancelamento da cobrança em exame. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: os rendimentos de aplicações financeiras foram reconhecidos pelo regime de competência e tributados no final dos períodos de apuração; no ano de 2000 não era titular do BEFIEX e, portanto, não se sujeitava mais à limitação temporal de 6 (seis) anos, mas tão somente ao teto de 30% do lucro líquido ajustado; quanto à exclusão da CSLL da base de cálculo, efetuou o pagamento integral do tributo devido e junta guia à manifestação de inconformidade. Alega que o valor pago é suficiente à quitação do crédito inadimplido, conforme parecer da Price Waterhouse Coopers; o crédito está suspenso, pois é objeto de outro processo administrativo (PA nº 15586.000440/200513); computou antecipadamente, em anos anteriores, rendimentos de aplicações financeiras, os quais devem ser reconhecidos. Afirma que no período de 1995 a 1998 a tributação na fonte só ocorria com o resgate, mas estes foram reconhecidos por regime de competência nos finais dos exercícios, totalizando o valor de R$ 71.598.155,04; os prejuízos compensados a partir de 1998/1999 não se submetem a prescrição, mas ficam sujeitos à trava de 30%; Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 751 4 os créditos objeto da discussão no PA 15586.000440/200513 estão com exigibilidade suspensa em virtude da impugnação interposta. Mas são os mesmos aqui discutidos; É o relatório. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 752 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Cômputo das receitas relativas ao IRRF sobre rendimentos de fundos de aplicações financeiras – anocalendário de 2000 A DRJ entendeu que o resultado do anocalendário de 2000 é superior àquele declarado pela recorrente em sua DIPJ, posto que concluiu que as receitas relativas às retenções de IRRF lançadas não foram levadas ao cômputo do resultado. Afirma o voto condutor do acórdão: 22. Através da Declaração de Compensação à fl. 02 e dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 43/105, verificase que o interessado pleiteia a restituição do saldo negativo de IRPJ, referente ao 1o., 2o. e 3o. trimestres do ano calendário 2000. 23. Analisando os dados da declaração de rendimentos do interessado (fls. 113/117), verificase a informação de que há saldo negativo de IRPJ nos 2o. e 3o. trimestres do ano calendário 2000, conforme tabela abaixo: Período 1º trim/2000 2º trim/2000 3º trim/2000 1 Lucro Real declarado 115.966.919,40 30.374.903,61 34.495.846,64 2 Compensação prejuízos 112.946.896,98 30.374.903,61 8.949.186,68 3 Lucro Real 3.020.022,42 25.546.659,96 4 IRPJ 453.003,36 3.831.998,99 5 Adicional 296.002,24 2.548.666,00 6 Total (IRPJ+adicional) 749.005,61 6.380.664,99 7 IRF declarado 58.106,86 8.764.903,47 7.266.097,09 8 Outras deduções 458.951,20 9 Total Dedução 517.058,06 8.764.903,47 7.266.097,09 10 IRPJ a pagar 231.947,55 (8.764.903,47) (885.432,10) Fonte: DIPJ fls. 113/117 24. Extraise dos valores da tabela acima, que o saldo negativo de IRPJ é oriundo do Imposto de Renda retido na fonte IRRF (linha 7 e 10). 25. Nesse sentindo, aos autos foram juntados às fls. 109/112, pelo interessado, comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica do anocalendário 2000. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 753 6 26. Também foram acostadas aos autos, às fls. 435/437, consultas realizadas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, relativas à Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. 27. De acordo com a referida consulta é possível verificar que, no ano calendário 2000, os rendimentos financeiros, referentes ao IRRF que deu origem ao saldo negativo de IRPJ, totalizam R$ 240.989.760,19, conforme tabela a seguir: AC 2000 Banco GARANTIA Banco SAFRA jan/00 fev/00 75.443,14 mar/00 227.395,28 abr/00 16.951.024,67 4.442.169,78 mai/00 12.772.088,24 3.829.055,72 jun/00 3.994.307,97 jul/00 37.953,25 ago/00 9.086.451,05 14.017.048,78 set/00 13.365.042,72 out/00 68.095.266,28 18.737.862,40 nov/00 47.688.418,82 21.243.563,56 dez/00 6.426.668,53 Total ano R$ 154.668.692,20 R$ 86.321.067,99 Total rendimento financeiro R$ 240.989.760,19 Fonte: DIRF do SIEF. 28. Através do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, cujas cópias foram acostadas às fls. 120/160, constatase que o interessado registrou, no mesmo período, a título de receitas financeiras o montante de R$ 169.391.605,15. AC 2000 Receitas Financeiras Fls. 1o. Trim 21.442.257,86 122 2o. Trim 42.984.379,24 126 3o. Trim 48.144.570,83 130 4o. Trim 56.820.397,22 134 Total R$169.391.605,15 Fonte: LALUR 29. Desta forma, parte dos rendimentos (R$ 71.598.155,04), que deu origem ao IRRF, não compuseram a base de cálculo do IRPJ, o qual o interessado pleiteia por restituição. 30. Ademais, não há no processo documentos que comprovem que os rendimentos financeiros (R$ 240.989.760,19) que deram origem ao IRRF constantes na declaração de rendimentos, façam parte dos rendimentos escriturados no LALUR (R$ 169.391.605,15). 31. Tendo em vista que o IRRF só pode ser considerado na apuração do saldo do IRPJ a pagar, nos períodos de apuração em que os respectivos rendimentos componham a base de cálculo do tributo, a referida constatação, isoladamente, permite o indeferimento da solicitação ora em análise. A recorrente refuta tal análise, posto que entende haver computado as receitas em anoscalendário anteriores. Segundo alega, a tributação de rendimentos de fundos de investimento passou a ser tributada mensalmente apenas após 1999, por força do art. 6º da MP Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 754 7 1.75313/98. Até então, vigia a prescrição do art. 699 do RIR/94, que prescrevia a tributação na fonte somente no resgate. Vejamos: MP 1.75313 Art. 6o A partir de 1o de janeiro de 1999, a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta e as imunes de que trata o art. 12 da Lei no 9.532, de 1997, nas aplicações em fundos de investimento, ocorrerá: I na data em que se completar cada período de carência para resgate de quotas com rendimento, no caso de fundos sujeitos a essa condição, ressalvado o disposto no inciso seguinte; II no último dia útil de cada trimestrecalendário, no caso de fundos com períodos de carência superior a noventa dias; III no último dia útil de cada mês, ou no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência. RIR/94 Art. 699. O imposto será retido pelo administrador do fundo de renda fixa na data do resgate (Lei n° 8.383/91, art. 21, § 3º). Assim, entende haver computado nos anoscalendário anteriores a 1999 o rendimento relativo às retenções efetuadas no anocalendário de 2000, apropriandoos por competência, posto que decorrentes de aplicações financeiras em fundos de investimento sem prazo de carência. Todavia, tal argumentação não procede, posto que os rendimentos produzidos até 30/06/98 deveriam ter sido retidos pelo administrador do fundo em 1º/07/1998, conforme prescreve o §2º do art. 6º da MP 1.75313, supra referido, verbis: § 2o No caso de fundos sem prazo de carência para resgate de quotas com rendimento ou cujo prazo de carência seja superior a noventa dias, consideramse pagos ou creditados os rendimentos no dia 1o de julho de 1998. Isto em obediência ao próprio §3º do art. 21 da Lei nº 8.383/91 (reproduzido no art. 699 do RIR/94) que determinava a retenção na data do resgate. Assim, a retenção dos rendimentos auferidos até aquela data foi retida, até prova em contrário quanto a falha na conduta do administrador do fundo (questão que não foi ventilada pela recorrente), em 1º/07/1998, não restando, pois rendimentos já apropriados até esta data para serem absorvidos pela retenção declarada na declaração de rendimentos de 2000, devendo prevalecer a decisão adotada pelo colegiado a quo. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 755 8 A prescritibilidade dos prejuízos fiscais auferidos nos anoscalendário de 1992 e 1993 Alega a recorrente a imprescritibilidade dos prejuízos fiscais experimentados nos anoscalendário de 1992 e 1993. Afirma que o BEFIEX, do qual era titular de Programa, permitia a compensação total dos prejuízos nos 6 períodosbase subseqüentes. O art. 95 da Lei 8.981/95 (que instituiu a trava dos 30%) reproduzia tal faculdade já permitida pelo DecretoLei nº 2.433/88, o qual também fixava em seu art. 12 que os benefícios do Programa seriam assegurados durante a vigência do respectivo Programa. Entende, ademais, que findo o limite temporal do programa, deve a empresa submeterse ao limite quantitativo (trava de 30%). Ou seja, não se aplicam os limites prescricionais do BEFIEX, sendo a partir daí imprescritíveis os prejuízos já acumulados na vigência do Programa, obedecido tão somente o limite de 30% do lucro líquido ajustado. Desta forma, para a recorrente, os prejuízos compensados até 1998/1999 submetemse à prescrição, mas estão a salvo do limite percentual; já aqueles compensados após 1998/1999 devem seguir a regra geral do art. 42 da Lei nº 8.981/95, ficando, todavia, livres da prescrição. Aduz, ainda, que os prejuízos não puderam ser utilizados em período anterior. A DRJ firmou entendimento diverso, decidindose pela impossibilidade de utilização dos prejuízos, ultrapassado o prazo de 6 anos. Fundamentouse nas Decisões DISIT nº 254 e 263, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS A compensação de prejuízo fiscal verificado em um período base, com o lucro real determinado nos seis anoscalendários subseqüentes, dentro dos Programas Especiais de Exportação Comissão BEFIEX, não será admitida após o término da vigência do respectivo programa. Dispositivos Legais: Art. 470 do Decreto nº 3000, de 26.03.1999 (RIR 99 ) e Art. 8º do Decretolei nº 2.433, de 19.05.88. GN As pessoas jurídicas, à época da permanência da recorrente no Programa BEFIEX, estavam sujeitas ao prazo prescricional de 4 anos. O Programa, assim, concedia um benefício aos participantes, pois sujeitava as empresas participantes do programa a um prazo de utilização maior. A alteração do regime de compensação de prejuízos se deu com o art. 42 da Lei nº 8.981/95 e 12 da Lei nº 9.065/95, verbis: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 756 9 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos calendário subseqüentes. Lei 9.065/95 Art. 12. O disposto nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, vigorará até 31 de dezembro de 1995. Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado.(grifos meus) Percebese que ambas as leis permitiram o acúmulo dos prejuízos ocorridos até 31/12/94 para sua utilização posterior, inclusive em concomitância com prejuízos ocorridos após esta data. O programa BEFIEX destinouse a instituir benefícios fiscais para as empresas exportadoras. Não poderia, assim, criar situação a participante que fosse pior àquele destinado às demais empresas. Assim, numa interpretação teleológica, não há sentido em impor a decadência do direito de utilizar os prejuízos fiscais gerados sob a égide do programa, sendo que as demais empresas, não inscritas, tiveram o direito de obter a imprescritibilidade. Aplicase a Lei que disponha sobre benefício fiscal fazendose dela interpretação literal para não estendêla indevidamente. Mas não a ponto de tornála mais onerosa que a norma geral, a qual deverá ser aplicada em tal situação. Ou seja, a interpretação literal deve limitar e restringir o gozo do benefício, sem que isso possa resultar em penalização do contribuinte, face ao regime instituído pela lei geral. Desta forma, poderia ser aceita a compensação dos prejuízos ocorridos nos anoscalendário de 1992 e 1993, limitados a 30% do lucro líquido ajustado do anocalendário de 2000. Todavia, no caso concreto, conforme indica a planilha abaixo, assim mesmo não restariam créditos a serem compensados, pois o resultado permanece positivo nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, tendo em vista a linha de decisão adotada no item anterior. Isto porque, desconsiderandose o crédito de IRRF alegado, não resta saldo negativo para ser utilizado. Período 1º trim/2000 2º trim/2000 3º trim/2000 1 Lucro Real declarado 115.966.919,40 30.374.903,61 34.495.846,64 2 Compensação prejuízos 34.790.075,82 9.112.471,08 10.348.753,99 3 Lucro Real 81.176.843,58 21.262.432,53 24.147.092,65 4 IRPJ 20.294.210,90 5.315.608,13 6.036.773,16 5 Adicional 2.023.421,09 525.560,81 597.677,32 6 Total (IRPJ+adicional) 22.317.631,98 5.841.168,94 6.634.450,48 7 IRF declarado 8 Outras deduções 458.951,20 9 Total Dedução 458.951,20 0,00 0,00 10 IRPJ a pagar 21.858.680,78 5.841.168,94 6.634.450,48 Fonte: DIPJ fls. 113/117 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13770.000790/200313 Acórdão n.º 1302001.037 S1C3T2 Fl. 757 10 Desta forma, é inócua a medida, devendo ser rechaçada, já que o limite de 30% não poderia ser mesmo ultrapassado por demais prejuízos fiscais, ainda que existentes. Suspensão da exigibilidade Os débitos que pretendeu o contribuinte compensar nas DCOMP objeto do presente PA permanecem com exigibilidade suspensa durante o contencioso administrativo. Todavia, tais débitos são distintos daqueles lançados no PA 15586.000440/200513, contrariamente ao que sustenta a recorrente. Ali, ficam com exigibilidade suspensa os débitos lançados no procedimento fiscal, apurados no anocalendário de 2000, que não confundem em absoluto com os débitos indicados pela recorrente nas DCOMP transmitidas. Isto pois, embora neste processo se discuta sobre a viabilidade do crédito tributário utilizado para compensar os débitos indicados nas DCOMP, este crédito não fica – por este PA – com exigibilidade suspensa, mas tão somente os débitos indicados nas DCOMP. Isto porque não se cobram neste PA tais créditos, não cabendose falar portanto na exigibilidade deles por este instrumento. Sua exigibilidade é suspensa por meio do PA 15586.000440/200513. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 5 de março de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721045/2010-58
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Deve ser anulada a decisão a quo, determinando-se o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, quando não restar confirmada a falha na representação processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Deve ser anulada a decisão a quo, determinandose o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, quando não restar confirmada a falha na representação processual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 10 45 /2 01 0- 58 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721045/201058 Acórdão n.º 2801002.922 S2TE01 Fl. 93 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 09/12, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2006, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Solidão", localizado no município de Sitio Novo RN, com área total de 641,4 ha, cadastrado na RFB sob o no 2.764.9423, no valor de R$ 3.526,44 (três mil quinhentos e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.613,23 (sete mil seiscentos e treze reais e vinte e três centavos). 2. 0 contribuinte foi intimado a comprovar o valor da terra nua declarado na DITR/2006, pelo Termo de Intimação Fiscal — TIF n° 04201/00018/2010, fls. 01/02, com ciência em 02/06/2010 Aviso de Recebimento — AR RF863128570BR, fl. 04. 3. 0 intimado não apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal. 4. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2006 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização: a) alterou o Valor Total do Imóvel; b) alterou o Valor da Terra Nua. 5. A Notificação de Lançamento foi postada nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 22/07/2010, conforme Aviso de Recebimento — AR RF868510573BR, fl. 14. 6. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fl. 17, em 17/08/2010, fl. 17, alegando: "Conforme Procuração em anexo, pedir que seja revista a notificação acima citada em decorrência da apresentação do laudo do ano de 2005".” A impugnação não foi conhecida, conforme Acórdão de fls. 48/51, que restou assim ementado: FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LEGITIMIDADE NA REPRESENTAÇÃO. A impugnação deve revestirse de formalidades essenciais à observância do Principio da Segurança Jurídica. A falta de comprovação da legitimidade da representação do sujeito passivo é formalidade essencial, sem a qual não é possível a apreciação de petição apresentada em seu nome. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721045/201058 Acórdão n.º 2801002.922 S2TE01 Fl. 94 3 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 09/11/2011 (AR fl. 56), o contribuinte, por intermédio de sua representante legal (fls. 59/60), interpôs o recurso de fl. 58, em 06/12/2011, no qual pretende seja reformada a decisão recorrida que não conheceu da impugnação por falta de legitimidade, bem como cancelado o lançamento, conforme documentação que ora apresenta. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso foi interposto no prazo regulamentar. De acordo com a procuração apresentada juntamente com a impugnação, à fl. 36, e aquela apresentada nesta fase recursal, à fls. 59/60, foram outorgados poderes a Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro para atuar administrativamente em nome de Carmelita Maria dos Santos – cônjuge meeiro neste processo, no âmbito do Ministério da Fazenda. Ademais, cuidou a representante legal de assinar o recurso voluntário, à fl. 58, conforme a assinatura da carteira de identidade de fl. 34 e 61, uma vez que a decisão de primeira instância salientou que “A assinatura da Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro constante da impugnação, fl. 17, não confere com a assinatura desta senhora na Carteira de identidade, fl. 34.”. Portanto, verificase que a Notificação de Lançamento, às fls. 09/12, foi lavrada após a abertura da sucessão em nome do “de cujus”, mas recebida pelo cônjuge meeiro que, em nome do espólio, impugnou o lançamento e posteriormente apresentou recurso, por intermédio da procuradora Sra. Madileide Maria dos Santos Pinheiro, alcançando assim a sua finalidade. Assim, não havendo falha na representação processual, a impugnação apresentada deve ser conhecida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação ao mérito. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10469.721045/201058 Acórdão n.º 2801002.922 S2TE01 Fl. 95 4 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001928/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Glosa de Compensação Período de Apuração: 01/02/2009 a 30/08/2009
GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE CONTRIBUIÇÕES
SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A AGENTES POLÍTICOS.
A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes
políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo
Tribunal Federal STF
no Recurso só é possível quando foram realmente
recolhidas.
PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA.
A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo
entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não
configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 2301-002.632
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Glosa de Compensação Período de Apuração: 01/02/2009 a 30/08/2009 GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A AGENTES POLÍTICOS. A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo Tribunal Federal STF no Recurso só é possível quando foram realmente recolhidas. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa.
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A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do expressa do Supremo Tribunal Federal STF no Recurso só é possível quando foram realmente recolhidas. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.001928/201089 Acórdão n.º 2301002.632 S2C3T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, de nº 37.265.4290, lavrado em face de MUNICÍPIO DE PONTALINA PREFEITURA MUNICIPAL, do qual foi notificado em 16/03/2010, no valor de (um milhão oitocentos e setenta e nove mil, trezentos e sete reais e noventa e quatro centavos), referente às competências 02/2009 a 08/2009. Afirma o Relatório Fiscal, (fls. 53 e seguintes), que o crédito previdenciário objeto do lançamento ora discutido decorre de glosa de compensações indevidas de contribuições de Agentes Políticos, consideradas inconstitucionais no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. Diz o Relatório Fiscal que o Órgão entrou com processo na Justiça Federal sob o n. 2004.35.0043737, de inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigasse a então autora a recolher contribuição patronal incidente sobre os subsídios dos agentes políticos. Em 28/02/2005, foi exarada sentença determinando o afastamento da cobrança da contribuição previdenciária patronal incidente sobre os subsídios pagos aos agentes políticos detentores de cargo eletivo, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "h" da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.506/1997, bem como o ressarcimento das referidas contribuições que porventura tivessem sido recolhidas ou retidas no FPM, conforme fls. 34 a 37. Em decorrência, os créditos constituídos por meio dos Lançamentos de Débitos Confessados n. 35.427.9203 e 35.427.9211 foram revistos de ofício em 17/04/2007, para a exclusão das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos agentes políticos, conforme DESPACHOSDECISORIOS DE RETIFICAÇÃO de fls. 45 a 52. Os saldos destes Lançamentos de Débito Confessados foram incluídos em parcelamento. O Município fez compensação em Guias de Recolhimento, da Previdência Social nas competências 02/2009 e 04 a 08/2009, alegando inconstitucionalidade da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os pagamentos aos agentes políticos relativos ao período de 02/1998 a 09/2004. No entanto, a compensação foi indevida, tendo em vista que não houve recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos pagamentos aos agentes políticos, no período de 02/1998 a 09/2004, e sim, ação fiscal em 08/2001, com cobertura fiscal no período de 04/1993 a 05/2001, no qual foram apuradas tais rubricas em Lançamento de Débito Confessado, sendo revistos de ofício, e outra ação fiscal em 02/2007, com cobertura fiscal no período de 06/2001 a 12/2006, com Lançamento de Débito Confessado n. 37.055.3705, relativo ao cruzamento de GFIP e GPS, sendo que os valores informados a titulo de remuneração aos agentes políticos detentores de mandato eletivo não foram objeto deste levantamento. Foi encaminhado Termo de Constatação Fiscal para a Prefeitura, informando que o Órgão fez compensação de contribuições previdenciárias nas Guias de Recolhimento da Previdência Social, no período de 02/2009 a 08/2009, relativo a contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos agentes políticos, consideradas inconstitucionais para o período de 01/1998 a 12/2004. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.001928/201089 Acórdão n.º 2301002.632 S2C3T1 Fl. 3 3 Logo após, o Advogado da Prefeitura Municipal informou verbalmente que existiam créditos na Câmara Municipal que foram aproveitados para fazer a compensação no CNPJ da Prefeitura, mas ficou constatado que a Câmara fez compensação de 01/1999 a 02/2007, sendo que o valor compensado foi maior que os valores recolhidos das contribuições incidentes sobre os salários dos vereadores e, consequentemente, não existindo créditos para serem aproveitados para o CNPJ da Prefeitura Municipal. Em razão de não haver recolhimento ou parcelamento da contribuição em época própria, e em razão de o órgão haver alegado que sofreu incidência da referida contribuição, tendo sido retida das contas de FPM do Município, mas não apresentou comprovante da retenção, foi efetuada a GLOSA DA COMPENSAÇÃO. Ficou constatado também que a Câmara Municipal fez pagamentos em GRPS no período anterior à implantação da GFIP, ou seja, 01 a 12/1998, cujo valor não atinge as contribuições incidentes sobre os salários dos vereadores, consequentemente, não existem valores para serem compensados. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 63) no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente de seu pedido, consoante se depreende da ementa abaixo transcrita: GLOSA DE COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A AGENTES POLÍTICOS. A compensação de contribuições sobre remuneração pagas a agentes políticos, declarada inconstitucional, por decisão do STF no Recurso Extraordinário n° 351.7171p, só é possível quando foram realmente recolhidas. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando em suma: a) Que, conhecido o Recurso, seja determinada a realização de perícia, em respeito ao contraditório e à ampla defesa; b) Que existe um crédito a favor da Recorrente obtido em levantamento de conta corrente, no valor corrigido de R$ 678.105,69 (seiscentos e setenta e oito mil, cento e cinco reais e noventa e nove centavos), referente a contribuições de agentes políticos excluídos da GFIP no período de 10/2000 a 03/2004 do Poder Legislativo e recolhimentos a maior nos períodos também demonstrado nos anexos; c) Que inexiste compensação indevida, pois as compensações efetuadas pela Recorrente se mostram totalmente legais, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da cobrança de contribuições sobre subsídios de agentes políticos, declarada também em processo judicial autos 2004.35.00.0043737, bem como em retenções Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.001928/201089 Acórdão n.º 2301002.632 S2C3T1 Fl. 4 4 ilegais efetuadas nas contas correntes de FPM do Município Recorrente, apurandose recolhimento a maior que o devido; d) Que seja deferida a realização de perícia, apurandose os valores devidos e pagos pelo Município, tanto em referência ao poder Legislativo como ao Executivo. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da irregularidade do procedimento de compensação Os argumentos ora trazidos pela Recorrente baseiamse em porosas argumentações de cerceio de em relação ao relatório fiscal, e anexação de documentos, além de entender que dispõe de créditos junto à Previdência Social. Todavia, constatase que o auditor foi deveras claro, em seu Relatório, ao expor os motivos pelos quais o crédito compensado foi glosado, ou seja, a compensação foi indevida, em virtude de não ter havido quer recolhimento quer parcelamento, em época própria, da contribuição previdenciária relativa aos pagamentos aos agentes políticos no período de 02/1998 a 09/2004. Além do mais, não foi apresentado qualquer comprovante da retenção, embora tenha sido alegado que houve incidência da referida contribuição, tendo sido retida das contas de FPM do Município. Consta do Relatório, inclusive, que houve uma ação fiscal em 08/2001, com cobertura fiscal do período de 04/1993 a 05/2001. Tais rubricas foram devidamente apuradas em Lançamento de Débito Confessado, sendo revistos de ofício, por meio de Despacho Decisório no qual foram excluídas as contribuições recolhidas sobre os valores de agentes políticos, nenhum crédito mais existindo para o contribuinte. Há, também, outra ação fiscal em 02/2007, com cobertura fiscal do período de 06/2001 a 12/2006, com Lançamento de Débito Confessado n.37.055.3705, relativo ao cruzamento de GFIP e GPS, sendo que os valores informados a titulo de remuneração aos agentes políticos detentores de mandato eletivo não foram objeto deste levantamento. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.001928/201089 Acórdão n.º 2301002.632 S2C3T1 Fl. 5 5 No que se refere ao pedido de anexação de cópias das GFIP e banco de dados da RFB, não há necessidade de juntar tais documentos aos presentes autos, em virtude do fato de que tais informações já foram devidamente prestadas por meio de GFIP encaminhadas pela própria Recorrente. Do Pedido de Perícia Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72., é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Quanto à multa aplicada em dobro, o auditor aplicou com acerto, conforme preceitua o art.46 da IN/RFB n. 900/2008, que dispõe: ''Art. 46. A Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado ". Como se vê, o contribuinte informou que possui um crédito decorrente de um período em que não existiu pagamento. Destarte, estando demonstrados, de forma lógica, os pressupostos fáticos e jurídicos da exigência fiscal, e, não tendo a Recorrente apresentado prova que pudesse elidir a totalidade do débito, temse que a autuação em comento foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes na data do lançamento, tendo sido efetuada de acordo com os dispositivos legais e normativos acerca da matéria. Da Conclusão Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.001928/201089 Acórdão n.º 2301002.632 S2C3T1 Fl. 6 6 Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito, NERGARLHE PROVIMENTO, sendo procedente a autuação pelo Fisco realizada. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de março de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001903/2002-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993
ILL. SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 ILL. SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório TRANSBRAÇAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, em 24 de julho de 2002, em relação aos exercícios 1989 a 1993, conforme Petição Inicial, às fls. 01/07, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Campinas/SP, consubstanciada no Acórdão nº 0516.831/2007, às fls. 208/217, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 4ª Câmara, em 23/04/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 10423.135, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10805.001903/200276 Acórdão n.º 920202.339 CSRFT2 Fl. 260 3 inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data de ato da administração tributária que reconheça/a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Tratandose do ILL de sociedade por quotas, não alcançada pela Resolução n° 82, de 1996, do Senado Federal, o reconhecimento deuse com a edição da Instrução Normativa SRF n° 63, publicada no DOU de 25/07/1997. Assim, não tendo transcorrido entre a data do ato da administração tributária e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 247/253, com arrimo no artigo 5º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 168, caput, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa nº 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei nº 7.713/88, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõese ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 Defende que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa daquelas normas legais, em virtude de sua natureza interpretativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 22010037/2009, de fl. 254. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10805.001903/200276 Acórdão n.º 920202.339 CSRFT2 Fl. 261 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. A corroborar seu pleito, assevera que a Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, estabelecendo expressamente que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa a capacidade de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento em parte. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, as quais sempre compartilhei, apresentase parcialmente em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto à existência do indébito, tendo em vista tratarse de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei nº 7.713/88, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido lapso temporal. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional/decadencial em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (ILL) iniciase na data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o ILL, cobrado com arrimo no artigo 35 da Lei nº 7.713/88, só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tal dispositivo legal do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, onde a própria autoridade fazendária reconheceu a inconstitucionalidade daquela norma, atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário, com efeito inter partes. Em outras palavras, antes da IN SRF nº 63/1997, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa, que alargou a abrangência dos preceitos contidos na Resolução do Senado Federal nº 82/1996, a qual suspendeu a execução do artigo 35 da Lei nº 7.713/88, contemplando simplesmente a expressão “acionista” nele contido, alcançando, assim, tão somente às sociedades anônimas. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos do malfadado dispositivo legal. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do ILL exigido pelo artigo 35 da Lei nº 7.713/88, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua inconstitucionalidade pela própria autoridade fazendária, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 63/1997, que ampliou a suspensão da execução daquela norma determinada pela Resolução do Senado Federal retromencionada. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, era o entendimento majoritário da doutrina Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10805.001903/200276 Acórdão n.º 920202.339 CSRFT2 Fl. 262 7 e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister trazer à baila a jurisprudência, anteriormente consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: “ DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter parte em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido da exação tributária.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 10403.304, Acórdão nº CSRF/0103.239) “ DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL – O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, iniciase na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. Recurso especial negado.” (4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 103128.397, Acórdão nº CSRF/0400.039 – Sessão de 21/06/2005) Não obstante as razões de fato e de direito acima esposadas, as quais vinham sendo adotadas nos julgados por este Colegiado ao contemplar a matéria, o certo é que o tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, que já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 8 Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10805.001903/200276 Acórdão n.º 920202.339 CSRFT2 Fl. 263 9 homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , a contar da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; Fl. 16DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 10 No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10805.001903/200276 Acórdão n.º 920202.339 CSRFT2 Fl. 264 11 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, a contribuinte protocolizou pedido de restituição/compensação do Imposto Sobre o Lucro Líquido – ILL, em 24/07/2002, relativamente a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1989 a 1993. Diante deste cenário, afora entendimento pessoal a respeito do tema, em face da jurisprudência consolidada no âmbito dos Tribunais Superiores, tendo a contribuinte apresentado seu requerimento em 24/07/2002, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, encontramse dentro do prazo decenal os fatos geradores ocorridos a partir de 24/07/1992, impondo seja reconhecida a prescrição tão somente para os fatos geradores anteriores à referida data, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ, devendo ser reformado em parte o Acórdão recorrido, nos termos encimados. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em dissonância com a jurisprudência consolidada no âmbito dos Tribunais Superiores, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, exclusivamente para reconhecer a prescrição dos pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 24/07/1992, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 18DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 12 Fl. 19DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 12897.000203/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL.
Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SÓCIO COOPERADO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB.
Compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no princípio da primazia da realidade sob a forma, a desconsideração da condição de sócio cooperado sempre que restarem configurados entre este e a cooperativa de trabalho os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado contidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRABALHO OU PROFISSÃO. INOCORRÊNCIA.
A constituição do crédito tributário mediante a formalização do lançamento não representa ofensa ao princípio da liberdade de trabalho ou profissão, uma vez que todas as atividades laborais e econômicas sujeitam-se, de maneira isonômica, ao regime tributário que lhes é típico e próprio.
DEVIDO PROCESSO LEGAL. PAF. FORUM PRÓPRIO PARA O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA.
O Processo Administrativo Fiscal configura-se como o forum processual próprio, único e adequado para que o sujeito passivo exerça, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal que lhe for infligida, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Ausência Momentânea: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SÓCIO COOPERADO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RFB. Compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no princípio da primazia da realidade sob a forma, a desconsideração da condição de sócio cooperado sempre que restarem configurados entre este e a cooperativa de trabalho os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado contidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRABALHO OU PROFISSÃO. INOCORRÊNCIA. A constituição do crédito tributário mediante a formalização do lançamento não representa ofensa ao princípio da liberdade de trabalho ou profissão, uma vez que todas as atividades laborais e econômicas sujeitamse, de maneira isonômica, ao regime tributário que lhes é típico e próprio. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PAF. FORUM PRÓPRIO PARA O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal configurase como o forum processual próprio, único e adequado para que o sujeito passivo exerça, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 03 /2 00 9- 84 Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 face da exigência fiscal que lhe for infligida, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Ausência Momentânea: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005 Data da lavratura do AIOP: 31/03/2009. Data da Ciência do AIOP: 06/04/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/50. Informa a Autoridade Lançadora que, embora os atos constitutivos e demais documentos apresentados tratem a empresa como uma cooperativa de trabalho, esta é, na verdade, uma agenciadora de mão de obra para diversos tomadores de serviços. De acordo com a Autoridade Fiscal, apesar de os trabalhadores figurarem formalmente como cooperados, presentes estavam todos os requisitos caracterizadores da relação de segurado empregado, a saber, a pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.326 3 Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou impugnação a fls. 150/175. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1279/1288, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24 de maio de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 1293. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 1294/1319, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não possui competência para declarar a existência de vínculo empregatício; · Que não é plausível a ideia de que o vínculo empregatício, sob qualquer pretexto e ainda que de forma difusa, possa ser reconhecido na esfera administrativa, onde não é garantido à autuada o direito ao contraditório; · Que não há, na relação existente entre a Cooperativa e os seus cooperados, a presença de todos os elementos caracterizadores da relação de emprego; · Que houve ferimento ao princípio da liberdade de trabalho ou profissão; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/05/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Pondera o Recorrente que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não possui competência para declarar a existência de vínculo empregatício. Nesse estreito particular, é perfeita a compreensão do Recorrente. De fato, não possui o auditor fiscal da RFB competência legal para estabelecer vínculo trabalhista formal entre empresa e trabalhadores. Ocorre, todavia, que o caso ora em estudo não trata, de forma alguma, da caracterização de vínculo trabalhista entre o Recorrente e as pessoas físicas dos assim denominados “sócios cooperados”. Tratase, outrossim, a todo saber, da caracterização da condição de segurado empregado, esta sim, contida no portfolio de competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com efeito, muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.327 5 e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. A não eventualidade encontrase patente não somente no prolongado período em que os “cooperados” prestaram serviços aos contratantes da cooperativa, mas, sobretudo, pela espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico das entidades tomadoras. Cumpre alertar que a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. O trabalho eventual é o trabalho esporádico, acidental, de curta duração, numa situação casual a qual não abraça as atividades permanentes da empresa. Se a utilização da força de trabalho é necessária para o atendimento dos objetivos da empresa, não se pode falar em trabalho eventual. Nesse sentido, a lição do mestre Délio Maranhão: "Desde que o Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.328 7 serviço não excepcional ou transitório em relação à atividade do estabelecimento, não há que se falar em trabalho eventual."( Instituições do Direito do Trabalho, Ed. Freitas Bastos, 6ª ed., vol. I, pag. 237). No caso em debate, foram identificados trabalhadores contratados à cooperativa para exercer as funções de jornalista, operador de áudio, engenheiro, locutor, programador e sonoplasta; educadores, assistentes sociais e professores em estabelecimentos de ensino; instrutores, em escola fábrica, sociólogos, dentre outros, circunstâncias que denotas a natureza não eventual dos serviços contratados. Os trabalhadores considerados como segurados empregados pela Fiscalização inseremse na dinâmica regular das tomadoras, que necessitam do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes aos seus respectivos objetivos sociais. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação de renomado profissional para a elaboração de um Parecer a respeito de matéria de sua notória especialidade, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que o aludido Parecer deverá atender os objetivos e interesses do contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se consolidar o contrato laboral. A subordinação se revela às escancaras nos termos de aceite constantes dos processos de admissão dos cooperados nos quais constava a obrigatoriedade de participar de reuniões convocadas pelo tomador e que a substituição e o desligamento dos profissionais cooperativados seriam feitos de acordo com os critérios do contratante. Houveramse, também, por identificados "cooperados" exercendo as funções de coordenador ou supervisor. Conforme citado pela Autoridade Lançadora, “Isso torna evidente a subordinação dos "cooperados" que além de exercerem as funções para o tomador, participam de reuniões por ele convocadas, estando impedidos de atender a outros clientes. Além disso, o ‘desligamento a critério do contratante’ é típico de quem tem o poder de direção e o direito de aplicar penas disciplinares, no caso o empregador”. A pessoalidade é flagrante, pois a fiscalização apurou que em todos os contratos celebrados com os tomadores, a empresa não contratou o serviço e sim determinada pessoa para executar o serviço, a qual o fazia com exclusividade. A fiscalização constatou que, sempre que um tomador necessitasse de uma pessoa para desempenhar uma de suas funções essências, recorria a Estruturar, que promovia compulsoriamente a adesão como “sócio cooperado" dessa pessoa indicada, a qual passava, a partir de então, a desempenhar a atividade para a qual se houve por recrutada. Sempre a mesma pessoa desempenhando uma única função para o mesmo tomador. “guess that’s the name of the game” (Elton John/Bernie Taupin – Sweet painted lady) A remuneração foi apurada diretamente dos lançamentos registrados nas folhas de pagamento e nas GFIP apresentados à fiscalização. Cumpre destacar como a questão da onerosidade se revela primordial para distinção entre segurados contribuintes individuais e segurados empregados e suas identificações. Os primeiros, em razão da eventualidade e quantificação dos serviços por ele prestados ao contratante, costuma auferir remuneração variada, dimensionada em função da tarefa executada ao tomador, nas condições de contorno delimitadas pelo tempo e espaço da execução. Nesse contexto, um pedreiro cobra um valor para a realização de uma obra, uma diarista cobra por dia trabalhado, um taxista cobra em função da quilometragem percorrida naquela corrida. Se o trabalho for executado em domingos ou feriados, ou tiver que ser realizado na madrugada, ou em regime de grave urgência e rapidez, os valores certamente serão diferenciados, etc. Já o segurado empregado, de outro eito, em função da não eventualidade de seu labor, tem a sua remuneração estabelecida em contrato de trabalho, assinalada em sua Carteira Funcional, auferindo, em regra, sempre uma quantia fixa, nas mesmas datas e mediante depósito bancário, sabendo de antemão o quanto irá receber e quando, etc. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.329 9 No caso em apreço a fiscalização apurou que os cooperados contratados pelos tomadores recebiam valores fixos, pelo exercício da mesma função para o mesmo tomador, com todos os requintes de salário. Em alguns casos, citese, os pagamentos eram efetuados via fax, enviado pela contratante à Estruturar, onde constava o nome dos segurados, suas respectivas funções, a expressão salário, com variação em função da atividade exercida. Cita a fiscalização que “Esse procedimento, o mesmo valor pago mensalmente ao "cooperado" em todo o período fiscalizado, com o exercício da mesma função para um único tomador, foi constatado nas GFIP e folhas de todos os estabelecimentos tomadores, conforme GFIP em anexo”. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou que a relação dos trabalhadores em foco com a cooperativa recorrente não se alinhava à condição de “sócios cooperados”, mas, sim, de segurados empregados da formalmente constituída “cooperativa”, a qual, na realidade dos fatos, atuava como verdadeira empresa cedente de mão de obra às demais empresas contratantes, circunstância que implica a submissão da notificada (na condição de empregador) e os ditos “sócios cooperados” (na qualidade de segurados empregados) às obrigações fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Registrese, por relevante, que o eventual lançamento das contribuições sociais ancoradas na caracterização da condição de segurado empregado, tendo por fundamento a primazia da realidade sobre a forma, não possui o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País uma tendência capitaneada por médias empresas de demitir seus segurados empregados conduzindoos a falsas cooperativas de trabalho, criadas e constituídas com o especifico fim de prover essas mesma empregas com os mesmos trabalhadores por ela demitidos, de maneira que a execução do serviço transcorria normalmente, sem solução de continuidade, permanecendo o trabalhador com as mesmas funções e responsabilidades, só que, agora, a descoberto dos direitos trabalhistas, sociais e previdenciárias de que antes dispunham, e a empresa demissora, livre dos encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Característica típica de tais cooperativas é a ausência de objeto social especifico em seus Atos Constitutivos, de maneira que lhe torna legitimo arrebanhar como “sócio cooperado” todo e qualquer trabalhador, qualquer que seja a sua área de atuação no mercado de trabalho. O jogo é cruel. Diante do excedente de mão de obra e o fantasma do desemprego, máxime quando o trabalhador já se encontra em idade avançada, este se vê Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 coagido a aceitar os termos da negociata, engolindo a rescisão de contrato com o antigo empregador, e assinando o termo de adesão à pseudo cooperativa, sob pena de se tornar mais um desempregado na sociedade. O mesmo ocorre com os novos trabalhadores que, diante das exíguas e escassas oportunidades de emprego, veemse compelidos a se sujeitar ao mesmo procedimento antes citado, para não engrossar as estatísticas do desemprego. Nessa nova arquitetura, o ex empregado (e o novo trabalhador), ao ingressar como “sócio cooperado” na “cooperativa de trabalho”, deixa para o passado a condição de segurado empregado e passa a ser um mero prestador de serviços, na condição de “sócio cooperado” – segurado contribuinte individual, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do mesmo contratante. Como consequência imediata dessa mudança de status (de segurado empregado para sócio cooperado prestador de serviços), o ex empregado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano – sócio cooperado não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurando se o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o termo de adesão celebrado pela cooperativa e a pessoa física (o sócio cooperado), fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.330 11 ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o ex empregado, agora sócio cooperado, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. Encontramse presentes, portanto, os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Não procede, igualmente, a alegação esposada pelo Recorrente de não ser “plausível a ideia de que o vínculo empregatício, sob qualquer pretexto e ainda que de forma difusa, possa ser reconhecido na esfera administrativa, onde não é garantido à autuada o direito ao contraditório”. A uma, porque, conforme demonstrado, não se operou o estabelecimento de qualquer vínculo empregatício do “sócio cooperado” com a “cooperativa”, mas, tão somente, o reconhecimento da condição de segurado empregado, instituto de direito previdenciário, cuja competência para caracterização, com fulcro na primazia da realidade sob a forma, é do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A dois, porque ao notificado é garantido o contraditório e a ampla defesa, nos termos assinalados no Decreto nº 70.235/72, mediante o oferecimento de impugnação ao lançamento e de recurso voluntário em face da decisão de 1ª Instância, recurso esse que ora nos debruçamos, tudo na forma do Devido Processo Legal. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Mostrase carente de fundamento a cantilena exortada pela Autuada de que houve ferimento ao princípio da liberdade de trabalho ou profissão. Nada mais infundado. Em primeiro lugar, a liberdade de trabalho ou profissão não autoriza que se desvirtue o conceito institucional do cooperativismo e se utilize a forma legal de cooperativa como sucedâneo de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra, para se subtrair das obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas, bem como para despir os trabalhadores dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários conquistados a duras penas pela classe operária ao longo da história. Em segundo lugar, o lançamento tributário não representa óbice à liberdade de trabalho ou profissão, uma vez que todas as atividades laborais e econômicas sujeitamse, de maneira isonômica, ao regime tributário que lhes é peculiar. O que não é permitido é que empresários inescrupulosos utilizemse do tratamento tributário e trabalhista diferenciado dispensado às sociedades cooperativas, para na roupagem aparentes destas camuflar, de maneira ardilosa, empresas prestadoras de serviço, reduzindo dessarte seus encargos fiscais e sociais e assim oferecer no mercado serviços a preços mais baixos que as empresas prestadoras de serviço que atuam no mesmo ramo, aviltando dessa maneira a livre concorrência e a busca do pleno emprego, princípios constitucionais nos quais se funda a Ordem Econômica Brasileira. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA COOPERATIVA Alega o Recorrente inexistir relação de emprego entre a Cooperativa e os seus cooperados. A prova dos autos, todavia, revela situação diversa. A matéria condizente às cooperativas foi inicialmente regulamentada em 1932 pelo Decreto nº 22.239. Desde então, as cooperativas de trabalho são aceitas como um Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.331 13 tipo específico de cooperativa constituída por trabalhadores, normalmente de uma mesma profissão ou ofício que, dispensando a intermediação de um patrão ou empresário, se propõem a contratar obras, tarefas, trabalhos ou serviços, públicos ou particulares, coletivamente por todos ou por grupo de alguns. A promulgação da Lei nº 8.949/94, que acrescentou o Parágrafo Único ao art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para declarar a inexistência de vínculo empregatício entre as cooperativas e seus associados motivou a proliferação de cooperativas de trabalho, mudando o foco dessa espécie de entidade, que até então estava voltada apenas para a relação dela com o cooperado. A partir de então, a cooperativa passou a ter a real possibilidade de dirigir sua atuação para o mercado, pois se viu reduzido significativamente o risco de o cooperado ser considerado empregado da empresa contratante. A referida Lei nº 8.949/94 tem sido objeto de intensa discussão doutrinária no âmbito do Direito do Trabalho, uma vez que um grande número de cooperativas de trabalho vem sendo criadas nos últimos anos, passando a disputar o mercado de serviços terceirizados com as tradicionais empresas de prestação de serviços. A esse respeito já se pronunciou Sérgio Pinto Martins (in A Terceirização e o Direito do Trabalho, São Paulo, Ed. Atlas, 4ª ed.,2000, pag. 90) “O parágrafo único do art. 442 da CLT abre, por conseguinte, a possibilidade de terceirização de serviços por intermédio de cooperativas, já que não se forma o vínculo de emprego entre estas e seus associados, qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, nem entre os cooperados e os tomadores de serviços daquela, desde que atendidos os requisitos legais. O cooperativismo não deixa, porém, de ser uma forma de solucionar os problemas de produção em empresas que tenham por objetivo reduzir seus custos. Tratase de terceirização lícita, devidamente autorizada por lei, desde que observados seus requisitos.” Nessa vertente, a primeira questão relevante ao exame da viabilidade de as cooperativas de trabalho participarem de terceirizações diz respeito aos requisitos legais para a constituição de entidades dessa natureza. Os arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764/71 definem os traços caracterizadores dessa espécie de sociedade e estabelecem os requisitos para sua constituição. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotas partes; Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV inacessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI Quórum para o funcionamento e deliberação da Assembleia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembleia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Dessai da Lei das Sociedades Cooperativas as marcantes diferenças entre as cooperativas e as sociedades mercantis típicas: a) aquelas são sociedades de pessoas e estas sociedades de capital; b) as cooperativas têm objetivo essencial a prestação de serviços aos cooperados ao passo que as sociedades mercantis visam o lucro; c) o cooperativado é o próprio dono, havendo uma relação interna não mercantil, diferentemente das sociedades mercantis, nas quais o usuário é estranho ao dono, há uma relação comercial de consumo; d) Nas cooperativas, a adesão dos cooperados tem caráter voluntário, sem restrição de número, já nas sociedades mercantis, os trabalhadores são contratados em razão da necessidade dos compromissos da empresa; e) na cooperativa, o controle é democrático, cabendo um voto para cada cooperado, enquanto nas mercantis a força do voto é ditada pelo número de quotas; f) nas cooperativas, as quotas partes são intransferíveis a não associados, enquanto que nas sociedades mercantis a transferência de ações é livre; g) nas cooperativas, os excedentes são retornados na proporção das operações dos cooperativados, enquanto que nas sociedades mercantis o lucro é vertido aos sócios na proporção de suas quotas parte. A cooperativa é, portanto, uma sociedade de pessoas, e não de capital. O caráter voluntário da adesão dos cooperados, sem restrição de número, a limitação do número de quotas parte para cada associado e a indisponibilidade das mesmas para terceiros, bem como a singularidade do voto, constituem fatores essenciais à despersonalização da cooperativa, cujo caráter seria desfigurado se um ou poucos indivíduos detivessem seu controle de fato. É importante que se dê o devido destaque à distinção entre cooperativas e empresas, uma vez que boa parte das críticas às cooperativas de trabalho e à participação destas no mercado de terceirização de serviços tem por foco as “cooperativas de fachada”, ou seja, aquelas cooperativas forjadas por alguns indivíduos com o único objetivo de fugir às obrigações legais incidentes sobre a atividade empresarial, mormente as de natureza trabalhista e tributária. Tais empresas travestidas de cooperativas configuram flagrante desvio do verdadeiro cooperativismo. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.332 15 Deflui de todo esse complexo de atributos que, na prestação de serviços a terceiros, no caso das sociedades mercantis, quem presta o serviço é a própria pessoa jurídica, enquanto que, no caso das cooperativas, quem presta serviços são os próprios cooperados em si considerados, através da cooperativa, uma vez que esta, nos termos do art. 4º da Lei nº 5.764/71, é constituída para prestar serviços aos associados e não a outras empresas. Registrese, por relevante, que cooperativa legítima os cooperados não são empregados da cooperativa. Eles são a própria razão de ser da cooperativa. Eles se reúnem em cooperativa para que esta organização lhes preste um serviço visando ao aprimoramento e desenvolvimento de sua atividade econômica. Notese que, nos termos da lei, a cooperativa é constituída sem o objetivo de lucro, o que não impede que o cooperado, no desempenho da atividade empresarial que lhe é típica, alavanque os seus lucros, graças ao apoio da cooperativa. Nesse particular, a redação do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 não merece reparos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Tais ilações não se conflitam com o escólio de Renato Lopes Becho (in A participação de cooperativas nas licitações da administração pública. Revista de Direito Administrativo, nº 224, abr./jun. 2001, pag. 67): “Não preservando as distinções que possui com as demais sociedades jurídicas, não pode ser partícipe desse sistema próprio e deixa de ser cooperativa. Passa a ser uma falsa cooperativa, praticando o injusto, o injurídico e o ilegal. Utiliza se de prerrogativas que não possui, abusa do corpo social que lhe apoia, beneficiase indevidamente de qualidades que não possui, trazendo para si vantagens imerecidas. Cresce como erva daninha, empobrece o jardim e deve ser combatida como praga”. Não são raros os casos de falsas cooperativas, que se utilizam dessa forma de associação para se beneficiarem do tratamento diferenciado a elas dispensado, como, a título exemplificativo, a inexistência de vínculo empregatício entre a cooperativa e seus associados. Além do problema das falsas cooperativas, outro argumento utilizado para questionar a participação de cooperativas de trabalho na terceirização de serviços é a constatação de que tal atividade não pode ser caracterizada como ato cooperativo e seria, então, sua prática vedada às cooperativas. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Com efeito, o art. 79 da própria Lei nº 5.764/71, conceitua o ato cooperativo nos seguintes termos: Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Como visto, malgrado a prestação de serviços a terceiros não possa ser caracterizada como ato cooperativo, isto não a torna ilegal, uma vez que a própria lei tratou de admitir a prática dessa sorte de atos não cooperativos, desde que pertinentes aos objetivos sociais da cooperativa e em conformidade com a lei, distinguindoos todavia para fins de tributação. Assim, se uma cooperativa presta serviços a terceiros, estará realizando ato nãocooperativo não abraçado pelo art. 79 da lei de regência, devendo os resultados de tais operações ser levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social", onde serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos, por força do art. 87 do Diploma Legal em realce. Em nosso cotidiano, figura com extrema frequência a oferta de mãodeobra por cooperativas de trabalho, cuja finalidade é justamente o recrutamento e colocação no mercado de trabalhadores, a preços mais vantajosos do que a contratação direta pela tomadora do serviço ou através de uma locadora de serviços comum. Esse adicional competitivo decorre das vantagens fiscais de que desfrutam as cooperativas, bem como do fato de não possuírem empregados, mas apenas sócios ou cooperados, que não fazem jus aos encargos usualmente devidos a funcionários. O que ocorre, na verdade, é uma locação disfarçada de mãodeobra. Os sócios ou cooperados são, em realidade, meros empregados agenciados para trabalho que se Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.333 17 sujeitam ao preenchimento de um termo de adesão, como condição sine qua non para ocupar um lugar no mercado de trabalho, vertendo à cooperativa uma taxa de administração pela suposta intermediação, que na verdade é o lucro auferido pelo dono da empresa. Os cooperadossócios trabalham sem quaisquer direitos, seja frente à cooperativa (da qual formalmente são sócios), seja perante a tomadora dos serviços (que mantém contrato com a cooperativa). Sofrem calados, pois a denunciação de tal ilegalidade aos órgãos de fiscalização representaria a perda do posto de trabalho. Ou seja. O remédio se torna mais danoso que a doença. Então, vivamos doentes. O que se observa nas cooperativas de trabalhos desse jaez é que os seus associados não são movidos pela afecttio societatis, mas sim pela necessidade de trabalho e ausência de opção, uma vez que foram suprimidos os empregos e as cooperativas passaram a ser um sistema de trabalho imposto pelas empresas prestadoras de serviço. No seio da realidade, seus associados configuramse como autênticos empregados, pois prestam serviços de maneira não eventual, de forma juridicamente subordinada, sujeitos a ordens da “direção” da diretoria, cumprindo horário fixado pelo tomador, com remuneração muitas vezes fixa, e com estrita pessoalidade, uma vez que foram arregimentados e contratados para tal fim. O desvirtuamento das sociedades cooperativas despertou a atenção de juristas, da Justiça do Trabalho bem como da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que vêm se posicionando contrários à utilização indevida do sistema de cooperativas para locação de mãodeobra. Em vários casos, a Justiça tem reconhecido o vínculo empregatício entre o trabalhador e a cooperativa, e a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços pelos direitos trabalhistas, caso a cooperativa não os pague. Atento à situação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil também intensificou a fiscalização no tocante ao emprego de cooperativas “de fachada” ocultando verdadeira empresa prestadoras de serviço, até por cessão de mão de obra, uma vez que um dos principais motivadores de tal camuflagem é a elisão das obrigações tributárias, trabalhista e previdenciárias. No caso ora em despacho, a fiscalização constatou, a partir do exame de reclamatórias trabalhistas, que muitos reclamantes eram antigos funcionários dos tomadores de serviços que, na necessidade de continuarem a laborar, faziam sua adesão à cooperativa para continuarem a exercer a mesma função. Houvese por constatado, igualmente, que os cooperados aderiam à cooperativa no exato momento em que o tomador necessitasse dos seus serviços, recebendo mensalmente a mesma remuneração que antes recebia do antigo empregador, estabelecida em função do mesmo número de horas trabalhadas, e trabalhando somente para essa mesma empresa, agora na qualidade de tomadora de serviços da “cooperativa”. Restou apurado que os “sócios cooperados” trabalhavam sempre para o mesmo tomador, em horário preestabelecido e sob remuneração fixa. A fiscalização verificou que a cooperativa não era constituída por um grupo previamente constituído por trabalhadores autônomos reunidos em torno de uma cooperativa, aonde o tomador viria buscar um deles para cobrir a sua necessidade de mão de obra. Era a necessidade do tomador que surgia primeiro, provocando a imediata o recrutamento do trabalhador no mercado de trabalho e sua contratação mediante assinatura de termo de adesão à Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 cooperativa, a qual cedia a mão de obra desse trabalhador ao tomador necessitado, somente após a adesão do obreiro como cooperado. Ou seja: O cliente escolhe um profissional no mercado (ou demite um empregado do seu quadro) e o encaminha à cooperativa. Esta impõe a filiação obrigatória à entidade na qualidade de sócio cooperado, define qual será o salário desse trabalhador, e, só então, o encaminha à empresa contratante. Registrese que a lei nº 5.764/71 não autoriza a criação de cooperativas que tenham por objeto o fornecimento de mãodeobra a terceiros, destinada ao atendimento de serviços habituais do empreendimento contratante, seja urbano ou rural, mesmo porque se contivesse tal previsão, estaria ela não recepcionada pela Carta de 88, que elenca dentre os seus princípios programáticos a busca do pleno emprego e a redução das desigualdades regionais e sociais tendo assegurado a todos os brasileiros e aos estrangeiros residentes no País. Por outro viés, conforme já salientado, a prestação de serviços a terceiros não se inclui dentre os atos cooperativos, na dicção do art. 79 da lei de regência. O que salta aos olhos é que o trabalhador, para obter a vaga em aberto, era obrigado a formalizar o termo de filiação à cooperativa, sob pena de permanecer desempregado caso assim não procedesse. Como se sabe, a vontade do indivíduo no aspecto ora analisado sempre se curvará diante das necessidades da vida. A carta de 88 garante o direito do individuo de não ser compelido a se associar ou de permanecer associado, qualquer que seja a forma de constrangimento. Dessarte, qualquer conduta que restrinja a liberdade de acesso a emprego, coagindo o trabalhador, de forma direta ou indireta, a se associar para obter trabalho, já nasce sob o estigma da ilegalidade, eis que não se coaduna com a norma fundamental insculpida no artigo 5º inciso XX da Constituição Federal. Registrese que a fiscalização apurou que nos Termos de aceite constantes dos processos de admissão dos cooperados constava a obrigatoriedade de participar de reuniões convocadas pelo tomador e que a substituição e o desligamento dos profissionais cooperativados seriam feitos de acordo com os critérios do contratante. Sem propósito, portanto, o argumento recursal de que “... todos os cooperados ao aderir à Cooperativa Estruturar, o fizeram cientes e certos de sua decisão de se associar, integralizando suas quotas partes, conforme determinação dos arts. 25 e 27 da lei 5.76/71. Realizaram, portanto, seu pedido de admissão sem vício de consentimento e de vontade, no pleno exercício de sua capacidade civil de se responsabilizar frente a outras pessoas, praticando todos os atos que demonstravam o animus de dono da cooperativa”. A improcedência da alegação de defesa desfiada no parágrafo precedente é corroborada pelo fato de diversos “cooperados” haverem ingressado na justiça do Trabalho pleiteando seus direitos trabalhistas na qualidade de empregados. Quanto à especialização, este foi o requisito que sofreu a mais flagrante violação. Como é cediço, as cooperativas de trabalho são formadas por trabalhadores autônomos (segurados contribuintes individuais), operadores de uma mesma profissão ou ofício ou de ofícios correlatos de uma mesma classe, que se reúnem em cooperativa para que esta, na organização por eles arquitetada, lhes prestem os serviços necessários para alavancar suas atividades, ou ainda, na qualidade de associados individualmente considerados, prestem serviços a terceiros por intermédio da entidade. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.334 19 A fiscalização constatou, todavia, que os "cooperados" da Estruturar são professores, jornalistas, operadores de áudio, digitadores, engenheiros de rádio, locutores, assistentes de produção, programadores e sonoplastas, Instrutor de oficinas, instrutor de carpintaria, inspetor de turmas, etc. Houveramse por identificados, ainda, "cooperados" trabalhando como estatísticos, sociólogos, monitores de atendimento, educadores, assistentes sociais e várias outras funções, ou seja, cooperados exercendo todas as funções necessárias ao funcionamento regular da mais diversa sorte de tomadores. Nunca é demais, nessas situações, trazer a lume o Enunciado 331 do TST: Enunciado 331/TST Contrato de prestação de serviços. Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário. (Lei nº 6.019, de 03.01.1974) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional. (art. 37, II, da CF/1988) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial. (art.71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993) Registrese que, nos termos do art. 86 da lei nº 5.764/71 as cooperativas podem fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais da cooperativa e estejam de conformidade com a lei em tela. Compulsando o estatuto social, entretanto, verificamos que a cooperativa não possui objeto social definido. Ela faz barba, cabelo e bigode, indo do útil ao fútil, do alfinete ao foguete, o que demonstra que os associados são arregimentados no único interesse dos tomadores e dos “donos” da cooperativa, não da auto determinação dos cooperados. Deflui de tais constatações que a cooperativa em debate é um remedo de empresa prestadora de serviços, que se utiliza da camuflagem de cooperativa para escapar das obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias. Aditese que o art. 111 da Lei nº 5.764/71 considera como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas na prestação de serviços a terceiros. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Coincidentemente, “por um erro no preenchimento da DIPJ”, nas palavras do responsável pelo setor de contabilidade da cooperativa, na DIPJ de 2005, exercício 2004, foi lançada como remuneração a empregados a importância de R$ 9.423.978,62, enquanto as GFIP totalizavam, para o mesmo exercício, a importância de R$ 35.422,99. Um erro de 26.604,13 %. Isso é que é! Ausente ainda na “cooperativa” em questão o princípio da Gestão democrática na forma de atuação da Estruturar, uma vez que a grande maioria dos "cooperados" nunca participou de uma assembleia ou de qualquer reunião para tomada de decisões. Não procede a alegação da Recorrente de que “ao concluir que maior parte dos associados não participava das assembleias ou não tinha poder de decisão, sem ouvir a estes, ou com base nas atas, além de ser conclusão de todo equivocada, demonstra o total desconhecimento por parte do Senhor Fiscal da Legislação Cooperativista, visto que o estatuto prevê, dado o número de associados e a distância entre a sede e sua filial em São Paulo, trabalha com sistema de eleição por delegação, conforme autorizado pela Lei”. Ao que tudo indica, quem parece desconhecer a lei é o próprio Recorrente, uma vez que a Lei nº 5.764/71 exige área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços e que a representação por delegação somente é permitida nas Assembleias Gerais das cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, mas, não, nas cooperativas singulares, como é o caso do Recorrente, onde a delegação apenas mostrase cabível naquelas com mais de 3000 associados, o que não é o caso. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Art. 41. Nas Assembleias Gerais das cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, a representação será feita por delegados indicados na forma dos seus estatutos e credenciados pela diretoria das respectivas filiadas. Parágrafo único. Os grupos de associados Individuais das cooperativas centrais e federações de cooperativas serão representados por 1 (um) delegado, escolhido entre seus membros e credenciado pela respectiva administração. Art. 42. Nas cooperativas singulares, cada associado presente ou representado não terá direito a mais de 1 (um) voto, qualquer que seja o número de suas quotaspartes. §1º Nas Assembleias Gerais das cooperativas singulares cujos associados se distribuam por área distante a mais de 50 km (cinquenta quilômetros) da sede, ou no caso de doença comprovada, será permitida a representação por meio de mandatário que tenha a qualidade de associado no gozo de seus direitos sociais e não exerça cargo eletivo na sociedade, vedado Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.335 21 a cada mandatário dispor de mais de 3 (três) votos, compreendido o seu. §2º Nas cooperativas singulares, cujo número de associados for superior a 1.000 (mil), poderá o mandatário que preencher as condições do parágrafo anterior representar até o máximo de 4 (quatro) associados, de conformidade com o critério que, em função da densidade do quadro associativo, for estabelecido no estatuto. §3º Quando o número de associados nas cooperativas singulares exceder a 3.000 (três mil), pode o estatuto estabelecer que os mesmos sejam representados nas Assembleias Gerais por delegados que se revistam com as condições exigidas para o mandatário a que se refere o § 1º. O estatuto determinará o número de delegados, a época e a forma de sua escolha por grupos seccionais de associados de igual número e o tempo de duração da delegação. §4º O delegado disporá de tantos votos quantos forem os associados componentes do grupo seccional que o elegeu. §5º Aos associados localizados em áreas afastadas, os quais, por insuficiência de número, não puderam ser organizados em grupo seccional próprio, é facultado comparecer pessoalmente às Assembleias para exercer o seu direito de voto. §6º Os associados, integrantes de grupos seccionais, que não sejam delegados, poderão comparecer às Assembleias Gerais, privados, contudo, de voz e voto. §7º As Assembleias Gerais compostas por delegados decidem sobre todas as matérias que, nos termos da lei ou dos estatutos, constituem objeto de decisão da assembleia geral dos associados. A fiscalização apurou presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação de segurados empregados, conforme delineado no item 2.1. supra. Apurou ainda a autoridade fiscal a existência de cooperados prestando serviços à própria Cooperativa Estruturar. Ora, ora. Afinal de contas... é a cooperativa que presta serviços aos cooperados ou são os cooperados que prestam serviços à cooperativa? No caso, foram identificados diversos "sócios cooperados" prestando serviços exclusivamente à própria Estruturar, e somente a Estruturar, com a indicação do nome Cooperativa de Trabalho Estruturar no campo "tomador" das GFIP e a colocação do CNPJ 02.533.310/000105 no campo correspondente. Diante de toda a pletora probatória ora revisitada, procedeu a fiscalização a descaracterização da aparente condição de sócios cooperados para fazer emergir, com fulcro no princípio da primazia da realidade sob a forma, a subjacente e real condição de segurados empregados dos trabalhadores filiados à cooperativa ora recorrente. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Ao nosso sentir, procedeu com acerto a fiscalização, eis que as provas dos autos demonstraram não passar a cooperativa em realce de uma camuflada empresa prestadora de serviços, inexistindo arestas a serem aparadas no lançamento que se opera. Mostrase auspicioso enaltecer que a busca do pleno emprego e o direito à liberdade de não se associar restariam seriamente comprometidos, para não dizer extintos, caso houvesse permissibilidade legal para a formação de cooperativas de trabalho com a finalidade de fornecer mãodeobra destinada ao atendimento de atividades não eventuais do empreendimento rural ou urbano, pois bastaria ao empreendedor optar pela terceirização de toda a mãodeobra necessária à consecução de seus fins sociais, através de cooperativas, para compelir os trabalhadores a se associarem e manteremse associados, jogando assim a derradeira pá de cal nos direitos sociais encartados na Lei Suprema e nas demais leis que regem as relações de trabalho e os direitos previdenciários e trabalhistas. Revelase improcedente, portanto, a alegação da empresa de que “a análise quanto à existência (ou não) de vínculo de emprego deve ser feita de forma individualizada, sendo absolutamente ilegal e arbitrária a atuação da Delegacia da Receita Federal ao, genericamente, reconhecer o vínculo empregatício de todos os cooperativados a deriva destes [...]”. Isso porque a fiscalização não procedeu à descaracterização de segurados contribuintes individuais, propriamente dita, mas, sim, a própria descaracterização da cooperativa, no que se refere à filiação dos seus ditos “sócios cooperados” eis que em desacordo com a lei que rege a matéria. Consignese que o próprio Recorrente reconheceu a existência das irregularidades apontadas pela fiscalização, chegando, inclusive a incluir dentre os pedidos do recurso a limitação de recolhimento exclusivamente às irregularidades detectadas pela fiscalização, pedido esse que não merece deferimento, na forma pretendida pelo Interessado, uma vez que as irregularidades detectadas pela auditoria fiscal deságuam, justamente, na descaracterização, para fins exclusivamente tributários, da condição de “sócio cooperado” contido nos termos de adesão firmados, de maneira dissimulada, pela entidade em foco com a totalidade dos trabalhadores arregimentados, uma vez que representavam verdadeira contratação de mão de obra para a execução de serviços nas empresas contratantes da Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12897.000203/200984 Acórdão n.º 2302002.340 S2C3T2 Fl. 1.336 23 Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13736.002004/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
IRPF. GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO.
A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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GRATIFICAÇÃO. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A LEI Nº 8.852 NÃO AUTORGA ISENÇÃO. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos e da forma de percepção das rendas ou proventos. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Atílio Pitarelli, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2007 (fls. 4/6), no valor de R$ 416,99 (quatrocentos e dezesseis reais e noventa e nove centavos), que sofre a incidência de multa de ofício e juros de mora. O lançamento do credito tributário decorreu da omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 12.170,24 (doze mil, cento e setenta reais e vinte e quatro centavos) e da glosa da dedução indevida com dependentes. O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista que os rendimentos recebidos da Marinha do Brasil a título de “Adicional por tempo de serviço e compensação orgânica”, no valor de R$ 6.093,36, estariam entre as hipóteses de exclusão de incidência de tributação do imposto de renda pessoa física, nos termos do inciso III do art. 1º, inciso III, alínea “d” e “n” da Lei nº 8.852, de 1994. O impugnante não contestou a infração relativa a dedução indevida com dependentes, consolidandose administrativamente o crédito tributário decorrente da referida alteração. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/RIO II, por meio do Acórdão nº 1319.857, entendeu ser procedente o lançamento. Cientificado em 9 de setembro de 2009 (fl. 29), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 18 do mesmo mês (fls. 35/36), alegando que: a) os rendimentos correspondem ao “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”, indevidamente incluído como rendimentos tributável; e b) a lei nº 8.852, de 1994, no art. 1º, inciso III, alíneas “d” e “n”, reconheceu a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço, e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 13736.002004/200835 Acórdão n.º 210202.152 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente solicita que seja considerada isenta do imposto de renda a gratificação denominada “Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica”. Não procede a argumentação do contribuinte, haja vista que a Lei nº 8.852, de 1994, no dispositivo citado, não contempla as hipóteses de incidência ou isenção do imposto de renda pessoa física. A lei – que dispõe sobre a aplicação dos art. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal – apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para efeitos dos seus dispositivos. As exclusões referemse unicamente ao conceito de remuneração. A lei que concede isenção, nos termos do § 6º do art. 150 da Constituição Federal, deve ser específica. Ainda, conforme expresso no Código Tributário Nacional, art. 11, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente. De acordo com a Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, a tributação independe “da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos [...] e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Os rendimentos isentos do imposto de renda estão consolidados no Capítulo II do Título IV do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (arts. 39 a 42). E a gratificação referida não está computada entre os rendimentos isentos e não tributáveis. Esse entendimento está expresso na Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Portanto, de aplicação obrigatória pelos membros deste Colegiado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903795/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 95 /2 00 9- 30 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903795/200930 Acórdão n.º 3803003.995 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000891/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/10/2006
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.987
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/06/2005 a 30/10/2006 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido.
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13161.000891/200940 Acórdão n.º 2301002.987 S2C3T1 Fl. 2 2 Tratase de Auto de Infração lavrado em face de COMPANHIA COLORADO DE AGRONEGÓCIOS, decorrente do não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais e daquelas incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, devidas pelo sujeito passivo na qualidade de tomador de serviços, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 95/98. Diante disso, foi efetuado o lançamento no valor de R$ 13.664,88 (treze mil e seiscentos e sessenta e quatro reais e oitenta e oito centavos). O contribuinte tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 15/07/2009, apresentando impugnação tempestiva em 12/08/2009, às fls. 107/127. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/10/2006 DA MULTA E DOS JUROS A multa e os juros que encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podem ser alterados ou excluídos administrativamente se a situação Mica verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs, no dia 17/09/2010, o Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 137/141, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Requer a exclusão da multa de mora, nos termos do art. 138, CTN, por entender que existe um locupletamento ilícito da Receita Federal, uma vez que houve um aumento do suposto débito, sem nenhuma base legal, tornando assim, a exigência tributária ilegal. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13161.000891/200940 Acórdão n.º 2301002.987 S2C3T1 Fl. 3 3 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, no dia 09/08/2010, e apresentou seu Recurso Voluntário em 17/09/2010. Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 09/08/2010, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 08/09/2010. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (17/09/2010), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este, intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 19740.000076/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS.
Existindo acordo formal entre empregador e empregados fixando as regras para pagamento da remuneração, a ausência da representação sindical na negociação não é suficiente para impedir a dedutibilidade da despesa, para efeitos de apuração do lucro real.
Numero da decisão: 1101-000.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS. Existindo acordo formal entre empregador e empregados fixando as regras para pagamento da remuneração, a ausência da representação sindical na negociação não é suficiente para impedir a dedutibilidade da despesa, para efeitos de apuração do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 76 /2 00 9- 46 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório BANCO BTG PACTUAL S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro – I que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento formalizado em 20/02/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.066.458,65. O lançamento decorre da glosa de valores deduzidos pela incorporada Banco UBS S/A, na apuração do lucro real do anocalendário 2004, referentes a participações nos lucros e resultados a seus empregados. A autoridade fiscal constatou que não houve participação de entidade sindical no acordo que autorizaria aqueles pagamentos, como exigido pelo art. 2o da Lei nº 10.101/2000. Os fiscais autuantes observaram que do total contabilizado em 2004 (R$ 20.391.791,42), foram adicionados ao lucro real os valores indicados na ficha 05B, linha 2 (R$ 12.801.599,97) e na ficha 6B, linha 57 (R$ 4.934.022,00) da DIPJ. Em consequência, somente foi objeto de glosa a parcela de R$ 2.656.169,45, apontada na ficha 6B, linha 56 da DIPJ. Em impugnação, a contribuinte defendeu a regularidade das participações pagas, pois comunicara o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro de sua pretensão de firmar o acordo, mas não foi atendida em seu pedido de comparecimento de um representante daquela entidade. Abordou outros aspectos do acordo firmado e defendeu a dedutibilidade dos valores pagos. Asseverou que deixou de adicionar o montante de R$ 7.590.191,45 no ano calendário de 2004, eis que o mesmo foi adicionado no anocalendário de 2003; que este montante é o somatório dos valores declarados na DIPJ da Impugnante nas linhas 56 e 57 da ficha 06B, quais sejam, R$ 2.656.169,45 e R$ 4.934.022,00; que, portanto, o valor de R$ 2.656.169,45, adicionado pela autoridade fiscal ao lucro real do anocalendário de 2004, já foi oferecido à tributação, eis que o mesmo compôs a base de cálculo do IR no anocalendário de 2003. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A presença do representante sindical é um requisito legal e visa garantir que a negociação entre empresa e empregados ocorra de forma justa e igualitária. Inexiste previsão legal que dispense a participação de representante sindical caso este seja cientificado e não compareça; · O descumprimento do requisito legal fixado para dedução das participações nos lucros e resultados não transforma estes valores em gratificações, mas apenas acarreta sua indedutibilidade. A lei somente admite a dedução, como despesa operacional, de participações atribuídas a empregados nos lucros ou resultados que observem os requisitos legais. · Não está comprovado que a parcela de R$ 2.656.169,45 já teria sido oferecida à tributação no anocalendário de 2003, como alega o interessado. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 4 3 O exame da DIPJ/2004 (anocalendário 2003) também não traz evidências neste sentido. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/06/2011 (fl. 493), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/07/2011 (fls. 491/508), no qual defende a regularidade das deduções realizadas a título de PLR. Observa que o Plano Próprio de PLR da Recorrente foi elaborado e executado com a participação direta de uma comissão formada por representantes dos empregados, tendo a Recorrente, inclusive, solicitado que o sindicato da categoria indicasse um representante para compor a comissão, como inclusive reconhecido na decisão recorrida, o que afasta a alegação de desconhecimento de qualquer comissão de funcionários, feita pelo sindicato. O acordo celebrado foi enviado ao sindicato para seu conhecimento e arquivamento na forma do §2o do art. 2o da Lei nº 10.101/2000. Entende, assim, que atendeu a todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00 e afirma que a entidade sindical não suscitou qualquer vício no acordo porque o pagamento da PLR, na forma como instituída pelas partes não permitia que se fizessem manobras de qualquer natureza. Isto porque no acordo foram fixados critérios objetivos, com indicação de fórmulas para cálculo da parcela correspondente ao valor devido a cada funcionário, aspecto não contestado pela Fiscalização. Acrescenta que a inércia do Sindicato não poderia afetar seu cronograma, posto que causaria prejuízos exclusivamente aos empregados da Recorrente, destacando que a presença daqueles representantes é uma questão meramente formal. Cita doutrina e jurisprudência trabalhista em favor do seu entendimento. Transcreve ementas de julgados deste Conselho contrários à glosa de participações desta espécie, e questiona o entendimento da autoridade julgadora no sentido de que a presença do representante sindical prestase a equilibrar a relação entre as partes no acordo. A lei exigiria apenas debate e negociação entre empregador e empregados, e na medida em que a comissão de funcionários sempre esteve presente, a finalidade da lei foi alcançada. Acrescenta que seu programa próprio de PLR possui parâmetros superiores ao estabelecido na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), cuja elaboração, frisese, contou com efetiva participação da entidade sindical. Daí sua conclusão de que na elaboração do programa próprio, o representante sindical teria mera função observadora. Subsidiariamente defende a dedutibilidade dos valores pagos como gratificação, pois não se tratando de valores relacionados aos salários respectivamente acordados contratualmente, os montantes pagos amoldamse à categoria de gratificações (remunerações conferidas espontaneamente pelo empregador ao empregado), conforme doutrina que transcreve. Tais valores seriam dedutíveis independentemente de qualquer limite a partir de 1997, ante a revogação expressa do art. 22 da Lei nº 8.218/91, reconhecida no art. 34 da Instrução Normativa SRF nº 93/97 e em julgados administrativos deste Conselho. Transcreve ementas de outros julgados administrativos favoráveis à dedutibilidade de gratificações a funcionários. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 5 4 O presente processo foi distribuído a esta Conselheira em razão da conexão verificada com o processo administrativo nº 16682.720059/201014, sorteado para relatoria desta. Referido processo administrativo veicula, dentre outras glosas de participações nos lucros e resultados, aquelas que, contabilizadas em 2004, foram adicionadas na apuração do lucro real, mas excluídas na apuração do anocalendário 2005. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA No recurso voluntário apresentado nos autos do processo administrativo nº 16682.7200592/201010, a contribuinte invoca decisão da 15a Turma da DRJ/Rio de JaneiroI, que desconstituiu lançamento semelhante ao presente, formalizado contra outra empresa do grupo (Banco BTG Pactual Serviços Financeiros S/A – DTVM). De seu exame, concluise pela correção de seus fundamentos, favoráveis à dedução, na apuração do lucro real, de participação nos lucros e resultados que, embora não atendendo a todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000, decorre de contrato firmado entre o empregador e seus empregados, caracterizandose gratificação por aumento de produtividade. Transcrevese, a seguir, o voto condutor da referida decisão, no que importa à solução do presente litígio: A participação dos empregados nos lucros resultados da empresa tem como fundamento o art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. O art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal de 1988 dispõe o seguinte: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ..... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; ..... A Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada, e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, regulamentou o referido dispositivo constitucional. A seguir, citamse dispositivos da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, pertinentes à lide. Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. .... §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. .... Fl. 602DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 7 6 Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. (grifei) Portanto, o interessado poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, dentro do próprio exercício de sua constituição, desde que observe os requisitos da presente Lei. A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, no art. 2º, inciso I, prevê, como requisito legal, que a comissão escolhida pelas partes, para negociar o acordo do PLR, seja integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da categoria dos empregados. [...] Por força da ausência de comprovação da efetiva negociação entre a empresa e seus empregados, fica patenteado o desatendimento ao intuito preconizado pelo legislador, quando instituiu a Lei 10.101/2000, em harmonia com o art. 7o, XI, da Constituição Federal. Além de não restar comprovada a efetiva negociação entre a empresa e seus funcionários, há que se contrapor ao seu argumento de que representante do sindicato tem mera função observadora na comissão de empregados. Isto porque a sua presença vai além de mero observador, já que visa garantir que a negociação entre empresa e empregados ocorra de forma justa e igualitária. É evidente que o representante do sindicato pode intervir, se notar que os empregados, parte mais frágil na relação trabalhista, estão sendo prejudicados na negociação. Daí a Lei determinar que o representante do sindicato dos empregados esteja presente. Cabe ressaltar, ainda, que, o simples fato de se estabelecer uma comissão de empregados não é garantia, por si só, de que haja livre negociação entre as partes (que não restou comprovada nos autos). Historicamente, sabese que há um desequilíbrio na negociação trabalhista entre o empregador e o empregado, já que o poder do empregador é superior ao dos empregados. É justamente a presença do representante do sindicato nesta comissão que faz com que haja mais equilíbrio na relação entre as partes, assegurando, desta forma, a livre negociação. Portanto, é requisito essencial a participação do representante do sindicato na comissão dos empregados. Até aqui restou demonstrada a impossibilidade da empresa deduzir as despesas relativas ao pagamento a título de participações dos lucros dos empregados da base de cálculo do IRPJ, com fundamento na Lei 10.101/2000. Porém, há que se enfrentar o argumento do contribuinte de que, em não sendo dedutíveis as despesas a título de PLR, com o fundamento antes abordado, por outra banda, seriam dedutíveis, por ter natureza de salário/gratificação, sendo despesas operacionais, conforme preceitua o art. 299 do RIR/99. Quanto à sua tese de que a participação nos lucros da empresa, habitualmente paga, teria natureza salarial, esta não encontra acolhida junto ao Tribunal Superior do Trabalho, que cancelou o Enunciado nº 251, aprovado pela Resolução 17/1985, DJ de 13.01.1986, que tinha o seguinte enunciado: “A parcela participação nos lucros da empresa, habitualmente paga, tem natureza salarial, para todos os efeitos legais.” Fl. 603DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 8 7 Em sintonia com o entendimento do TST, penso que o pagamento de participação dos lucros aos empregados não se revista de característica salarial, já que salário representa pagamento de remuneração previamente ajustada em decorrência de prestação de serviços, em razão de contrato de trabalho. Assim é que, normalmente, ao fim do mês, após a prestação de serviços para as quais foram contratados, os empregados fazem jus ao recebimento de seu salário. Resumidamente, não tenho dúvidas que as parcelas pagas aos empregados a título de participação dos lucros não têm natureza salarial, o que não que dizer que não integrem sua remuneração. Apesar de não se tratar da matéria em julgamento, socorrome do artigo 28 da Lei 8.212/1991, para elucidar o alcance do termo remuneração, a seguir: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: 1 para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)” Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume I, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: “No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com pré cisão Martins Catharino, "costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado." Sinteticamente, quanto ao tema, atualmente a palavra “remuneração” é gênero e salário é a espécie desse gênero. A palavra remuneração passou a designar a totalidade dos ganhos do empregado, pagos diretamente ou não pelo empregador e a palavra salário para designar os ganhos recebidos diretamente pelo empregador pela contraprestação do trabalho. Por oportuno, transcrevo parte do voto condutor relativo ao Acórdão nº 20601.027, de 02 de julho de 2008, proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (relatora Cleusa Vieira de Souza): “Para o pagamento de participação nos lucros a Lei n° 8.212/1991 possui dispositivo especifico, qual seja, a alínea "j" do parágrafo 9° do art. 28 da lei n° 8.212/91 que dispõe que não integrará o saláriodecontribuição, os valores pa gos como participação nos lucros, desde que de acordo com as disposições de lei especifica, in casu, a Lei 10.101/2000. Assim é certo que a PLR não é salário, seja nos termos da Constituição Federal ou a teor do disposto no § 9° do art. 28 da Lei n° 8212/91. Contudo, a não observância dos critérios estabelecidos na Lei n° 10.101/2000 desqualifica a Fl. 604DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 9 8 PLR, tornandoa simples verba paga em decorrência do contrato de trabalho, representando remuneração para os fins de contribuição previdenciária.”(sublinhei) A incidência de contribuição previdenciária em virtude do pagamento de verbas a título de PLR, sem a observância da Lei 10.101/2000, reforça a tese da necessidade da despesa, como preconiza o contribuinte. Por outro lado, mesmo que o pagamento dos valores a título de PLR não tenha observado exatamente os ditames da Lei 10.101/2000, tem como causa acordo prévio entre a empresa e seus empregados. Deste modo, atingidas determinadas metas de produção, ou ainda, obtidos os lucros pretendidos, a empresa fica obrigada ao pagamento das importâncias previamente ajustadas a seus funcionários, já que o contrato faz lei entre as partes e deve ser cumprido por uma questão de segurança jurídica e paz social. Aliás, como diziam os romanos pacta sunt servanda (= contrato deve ser cumprido), princípio que prevalece até hoje. Nesta linha de entendimento, a remuneração paga aos empregados, a título de participação nos lucros, mesmo desobedecido o estatuído na Lei 10.101/2000, integra a sua remuneração, guardando características de gratificação ajustada a título de prêmio em decorrência de aumento de produtividade, que acarreta, afinal, aumento dos lucros da empresa. Por outra ótica, a dedutibilidade destas despesas também encontra suporte no Parecer Normativo CST Nº 109, de 22/09/75 (DOU de 03/10/75), que analisou a mesma questão à luz da legislação então vigente, parcialmente transcrito: “1. O art. 223, letra a, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02/09/75, assegura às pessoas jurídicas o direito de excluir do seu lucro real as percentagens dos empregados em seus lucros. Entretanto dúvidas têm surgido quando tais percentagens são atribuídas a empregados que ocupam cargo de gerência. 2. Inicialmente cabe ressaltar que o favor concedido está condicionado à previsão, em lei ou contrato individual de trabalho, do direito do empregado a receber tal percentagem. Se tal não ocorrer, e a percentagem for paga por mera liberalidade da empresa, ela será uma gratificação, e, como tal, sujeita ao limite do art. 183 do Regulamento já citado.” Como visto, de acordo com o transcrito acima, ainda que o pagamento de despesas a título de PLR fosse compreendido como liberalidade da empresa, a sua dedutibilidade estava assegurada, respeitados os limites contidos na legislação então vigente. A contrário senso, nos termos do Parecer, se até mesmo as importâncias pagas a título de liberalidade da empresa podiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, com mais razão devem ser dedutíveis aquelas gratificações previamente ajustadas entre as partes. Por tais fundamentos, considero dedutíveis da base de cálculo do IRPJ os valores pagos a título de PLR, mesmo desobedecidos os termos da Lei 10.101/2000, com amparo no artigo 299 do RIR/1999, a seguir transcrito, como entende a impugnante. “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). Fl. 605DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 10 9 § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” Uma vez que a fiscalização não fez qualquer alusão a regras discriminatórias referentes ao pagamento de PLR, podese inferir que estes tenham sido efetuados de forma geral, nestas condições encontrando abrigo no art. 462, II, do RIR/1999, a seguir: “Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999.” Por todo acima exposto, concluo pela improcedência do lançamento, devendo ser cancelamento integralmente o auto de infração no valor de R$ 44.908,50 e demais acréscimos legais. (destaques do original) Relevante observar que a autoridade lançadora examinou o acordo vigente no período fiscalizado, assim manifestandose: Por último, temos acordo firmado em 02/12/2004, no Rio de Janeiro, entre o BANCO UBS S/A e seus empregados (representados por comissão), com vigência de 01/01/2004 até 31/12/2005, definindo os critérios para cálculo e pagamento da PLR naquele período (fls. 114 a 131). Neste instrumento não consta assinatura de representante da entidade sindical. A Ata lavrada na ocasião registra a ausência da entidade sindical, que teria sido notificada por correspondência a indicar representante, e estabelece que cópia do acordo seria encaminhada ao sindicato, para arquivamento. Este último acordo é o relevante para os propósitos do presente procedimento fiscal, visto ser o instrumento vigente no período de competência examinado, o ano de 2004. Estabelece que os empregados receberiam, como valor mínimo, o previsto em convenção coletiva; acima deste valor, a PLR seria calculada em função de seus desempenhos individuais, dos desempenhos de suas áreas e do desempenho global do BANCO UBS S/A. O acordo é acompanhado de ANEXO, intitulado Programa Próprio de Participação nos Resultados, contendo planilhas com os índices e critérios aplicáveis a cada área da instituição. Ao final observase que os valores do programa poderão ser impactados positiva ou negativamente em até 50%, face ao resultado global do UBS. Como visto no item 2 do presente Termo, ao examinarmos a legislação pertinente à matéria, a participação da entidade sindical representante dos empregados é requisito fundamental, previsto em lei, para a dedutibilidade da PLR para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. [...] [...] Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 11 10 Foi também examinado o aspecto da periodicidade dos pagamentos de PLR efetuados pelo BANCO UBS em favor de seus empregados. A fiscalizada forneceu planilha demonstrativa da PLR competência 2004 atribuída a cada funcionário (fls. 133 a 137). Comparamos os dados desta planilha com as Folhas de Pagamento, também fornecidas pela fiscalizada, na forma de arquivos eletrônicos, e com as informações prestadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Observese que a planilha demonstrativa da PLR contém três colunas: Ia Parcela PLR, PLR Convenção e PLR Programa Próprio. Verificamos que parte da PLR competência 2004 foi paga no próprio ano (Julho/2004 e Novembro/2004), e o restante em 2005 (Janeiro/2005 e Fevereiro/2005), como segue: Ia Parcela PLR R$158.956,81 pagamento em Novembro/2004; PLR Convenção R$ 90.254,00 pagamento em Fevereiro/2005; PLR Programa Próprio R$ 13.320.806,07 pagamento em Julho/2004 (R$ 221.500,41), Janeiro/2005 (R$ 80.266,50) e o restante em Fevereiro/2005 (R$ 13.019.039,00). Embora os pagamentos acima referidos pareçam contrariar os requisitos de periodicidade previstos na Lei 10.101/2000, quando examinados os pagamentos por funcionário, constatase que os parâmetros legais foram observados. [...] Ao final, diz a autoridade lançadora, que os critérios de cálculo e pagamento da PLR competência 2004 teriam sido definidos em Acordo firmado, em 02/12/2004, entre a instituição financeira e comissão de empregados, sem a participação da entidade sindical que representa os interesses dos funcionários. Ou seja, nenhum outro vício foi afirmado no pagamento das participações glosadas. Assim, tratandose de valores contratualmente ajustados entre empregador e empregados, sem qualquer evidência de liberalidade, não há como negarlhes o caráter de remuneração e, dessa forma, assegurar sua dedução na apuração do lucro real, ainda que não atendidos todos os requisitos para sua caracterização como participação nos lucros ou resultados. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19740.000076/200946 Acórdão n.º 1101000.847 S1C1T1 Fl. 12 11 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10840.001037/2004-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. RETIFICAÇÃO DECLARAÇÃO COM PAGAMENTOS QUOTAS NO DECORRER AÇÃO
FISCAL. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN.
ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da retificação Declaração de Ajuste Anual com pagamento de quotas do imposto devido, ainda que no decorrer da ação fiscal, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do
tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-002.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa que dava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. RETIFICAÇÃO DECLARAÇÃO COM PAGAMENTOS QUOTAS NO DECORRER AÇÃO FISCAL. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da retificação Declaração de Ajuste Anual com pagamento de quotas do imposto devido, ainda que no decorrer da ação fiscal, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa que dava provimento. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ANTONIO RIZZI, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/04/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, bem como provenientes da atividade rural, em relação ao anocalendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/21, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 7a Turma da DRJ em São Paulo/SP II, consubstanciada no Acórdão nº 1715.759/2006, às fls. 685/694, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 4a Câmara, em 04/03/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 340100.010, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO – PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL A rega de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. 0 lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10840.001037/200459 Acórdão n.º 920202.370 CSRFT2 Fl. 788 3 aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Recurso provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 731/739, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30238.565, CSRF/0103.103 e CSRF/0101.994, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento, não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que aplicandose a regra do artigo 173, inciso I do CTN, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2004 para efetuar o lançamento referente ao fato gerador ocorrido no ano calendário de 1998. Tendo o Contribuinte Recorrido sido notificado do lançamento em 26/04/2004, não há se falar em decadência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdãos nºs 30238.565, CSRF/0103.103 e CSRF/0101.994, conforme Despacho nº 220100.101/2010, às fls. 768/771. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 775/783, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, bem como pela omissão de rendimentos provenientes da atividade rural. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem julgar procedente o lançamento fiscal, não conhecendo da autuação no que tange ao seu item II (omissão de rendimentos da atividade rural), em razão de o contribuinte não ter impugnado expressamente, razão pela qual somente subiu à análise do CARF o item I do Auto de Infração, concernente aos depósitos bancários de origem não comprovada, em que fora reconhecida a decadência total e objeto de recurso da Procuradoria. Como se observa, ao analisar o caso (depósitos bancários de origem não comprovada), a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a preliminar de decadência arguida, adotando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando decaído a integralidade do crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs 30238.565, CSRF/0103.103 e CSRF/0101.994 e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do autuado, com a ocorrência de recolhimentos antecipados, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Como já relatado, a ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, na parte que ora cuidamos, utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10840.001037/200459 Acórdão n.º 920202.370 CSRFT2 Fl. 789 5 [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Entrementes, a presunção legal encimada não afastou totalmente a celeuma que permeia a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada. Com efeito, uma vez consolidado o entendimento suso mencionado, a controvérsia centrouse no prazo decadencial a ser aplicado nestes casos. Destarte, enquanto parte da jurisprudência defende que o fato gerador de aludido imposto se perfaz mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos, entendimento compartilhado por este Conselheiro, outra banda dos julgadores administrativos firmou o posicionamento de que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Aliás, referida matéria fora objeto de proposta de Súmula, que veio a ser aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Ultrapassada e afastada a questão do fato gerador mensal para os casos de omissão de rendimentos, caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista que as Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos julgadores deste Colegiado, nos termos do artigo 72, § 4 º do Regimento Interno, a querela não se findou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10840.001037/200459 Acórdão n.º 920202.370 CSRFT2 Fl. 790 7 Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 1998, a partir da retificação Declaração de Ajuste Anual, às fls. 606/616 DARF’s de fls. 589/592, com pagamento de quotas do imposto devido, ainda que no decorrer da ação fiscal. Em verdade, a título de explicação, convém frisar que a ação fiscal teve início em 08/03/2001, em face da contribuinte Ana Maria Lionello Rizzi, esposa do autuado, tendo em vista a substancial movimentação bancária, destoante de sua omissão em relação à DIRPF anocalendário 1998. No decorrer da ação fiscal, aquela contribuinte explicitou que a conta do Banco do Brasil, bem como que os recursos depositados em suas contas bancárias foram Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10840.001037/200459 Acórdão n.º 920202.370 CSRFT2 Fl. 791 9 devidamente informados na Declaração de seu marido, Sr. Antonio Rizzi, ora autuado, o qual a relacionou como sua dependente, razão pela qual deixou de apresentar a DIRPF/1998. Após o atendimento de diversas solicitações fiscais, com a finalidade de corroborar suas alegações, a Sra. Ana Maria Lionello Rizzi, em 08/03/2002, apresentou Declaração de Ajuste Anual – IRPF/1998, em conjunto com o marido, Antonio Rizzi, processada sob o n° 25.224.441, retificando a declaração inaugural sob n° 14.848.117, datada de 30/04/1999. Diante dos esclarecimentos prestados e informações colhidas pelo Fisco, sobretudo em face da Declaração Retificadora da Sra. Ana Maria Lionello Rizzi (em conjunto com o marido), em 10/11/2003, a autoridade fazendária expediu o MPF, de fl. 94, com a lavratura do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 004, em face do contribuinte Antonio Rizzi, ora autuado, considerado pela fiscalização como o “efetivo sujeito passivo da obrigação tributária”. Com a Declaração Retificadora ofertada em 08/03/2002, o autuado apurou Resultado Tributável da Atividade Rural no valor de R$ 97.848,47, gerando o imposto de renda a pagar de R$ 20.734,88, tendo o então fiscalizado recolhido a quantia de R$ 19.947,85, em quatro DARF’s, às fls. 589 a 592, consoante fora informado pelo próprio fiscal autuante no Termo de Constatação Fiscal n° 006, mais precisamente às fls. 20, senão vejamos: “[...] 4. SOBRE OS RECOLHIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA EFETUADOS DURANTE A AÇÃO FISCAL Na Declaração de Ajuste Anual IRPF/99 n° 25.224.441 (em "conjunto", "retificadora" e apresentada "sob procedimento fiscal") , foi apurado pelo contribuinte o Resultado Tributável da Atividade Rural no valor de R$ 97.848,47, o que gerou o Imposto de Renda devido de R$ 20.734,88. As consultas ao sistema "Sinal08", anexas, noticiam que o fiscalizado recolheu R$ 19.947,85, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física — quotas — código da receita 0211 em quatro DARF's (fls. 589 a 592). Aos valores originais das três primeiras quotas foram acrescidos juros de mora de 20%. No último recolhimento, constatase que o tal multa não ultrapassou a 10% do valor do imposto. Tratandose de recolhimento efetuado durante a ação fiscal, em valores insuficientes imposto devido e multa e, ainda, com código da receita (0211) estipulado para recolhimento espontâneo, a Fiscalização deixa consignado que o contribuinte poderá solicitar a imputação de valores e retificação do código da receita constante dos DARF's mencionados, a fim de fazer frente ao crédito tributário que será lançado em Auto de Infração. [...]” Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 10 Extraise dos documentos constantes dos autos que, de fato, a apresentação da Declaração Retificadora (fls. 606/616), em 08/03/2002, e os correspondentes recolhimentos do imposto apurado (parte) (30/10/2002, 29/11/2002, 31/12/2002 e 31/01/2003 – DARF’s de fls. 589/592), somente ocorreram após o início da ação fiscal em face da Sra. Ana Maria Lionello Rizzi. Entrementes, no que diz respeito ao autuado, Sr. Antonio Rizzi, a ação fiscal somente teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização n° 0810900 20030002087, de fl. 94, datado de 10/11/2003, posteriormente, portanto, à entrega da Declaração Retificadora e os respectivos recolhimentos realizados, impondo sejam aproveitados tais pagamentos para efeito da contagem do prazo decadencial. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 26/04/2004, com a devida ciência do contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/1998, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
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