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Numero do processo: 13629.720827/2011-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. MANIFESTAÇÃO DE VONTADE IRRETRATÁVEL DO CONTRIBUINTE ENCERRADO O PRAZO DE ENTREGA DA DIRPF.
Ao entregar a Declaração de Ajuste Anual sob o modelo simplificado, o contribuinte manifesta opção pela dedução padrão prevista para o respectivo regime, opção essa que resta inalterável após esgotado o prazo da entrega da DIRPF.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
MULTA DE OFÍCIO. REITERAÇÃO DA OMISSÃO. INSUFICIÊNCIA COMO SUPORTE PARA A QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 14.
A reiteração da omissão de rendimentos, ainda que em montante significativo, é insuficiente por si só para amparar a qualificação da multa de ofício. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes, momentaneamente, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MANIFESTAÇÃO DE VONTADE IRRETRATÁVEL DO CONTRIBUINTE ENCERRADO O PRAZO DE ENTREGA DA DIRPF. Ao entregar a Declaração de Ajuste Anual sob o modelo simplificado, o contribuinte manifesta opção pela dedução padrão prevista para o respectivo regime, opção essa que resta inalterável após esgotado o prazo da entrega da DIRPF. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. MULTA DE OFÍCIO. REITERAÇÃO DA OMISSÃO. INSUFICIÊNCIA COMO SUPORTE PARA A QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 14. A reiteração da omissão de rendimentos, ainda que em montante significativo, é insuficiente por si só para amparar a qualificação da multa de ofício. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 08 27 /2 01 1- 69 Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes, momentaneamente, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 196.519,00, relativo aos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009. O lançamento foi motivado pelo fato de o contribuinte não ter oferecido à tributação parte dos rendimentos decorrentes do trabalho recebidos de pessoas físicas e jurídicas por serviços contábeis prestados, omissão essa apurada mediante o confronto das informações prestadas pelos seus clientes por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e de circularizações efetuadas pela fiscalização, com os dados constantes nas Declarações de Ajuste Anual (DAA) do autuado. A multa de ofício foi qualificada para todos os períodos analisados, em virtude da reiteração da conduta, e da desproporção entre os rendimentos declarados e os omitidos. Esta pode ser aferida pelo percentual de rendimentos omitidos nas respectivas DAA: 7% no ano de 2006, 82% no ano de 2007, 84% no ano de 2008 e 5% no ano de 2009. Em sede impugnação o contribuinte alegou a insubsistência do lançamento, por ter este elegido modalidade mais gravosa e de exceção, a saber, o desconto simplificado presumido para os anoscalendário 2007 e 2008, e não adotado a regra base atinente aos profissionais autônomos, o livrocaixa, em violação a princípios constitucionais e aos direitos e garantias individuais do cidadão. Insurgiuse, outrossim, contra a multa de ofício por haver sido fixada em proporções confiscatórias, contra a qualificação dessa multa, e, ainda, irresignouse com o uso da taxa Selic no cômputo dos juros de mora. A instância a quo reduziu a multa de ofício relativa aos anoscalendário 2006 e 2009 ao patamar de 75%, mantendo incólumes os demais aspectos do lançamento de ofício, por meio da prolação do acórdão assim ementado: DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO MODELO. A opção pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual no modelo simplificada implica a substituição das deduções previstas na legislação tributária pelo desconto simplificado de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, sendo permitida a mudança de modelo (completo ou simplificado) até a data final prevista para a entrega da Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13629.720827/201169 Acórdão n.º 2802003.072 S2TE02 Fl. 3.799 3 Declaração de Ajuste Anual. Após essa data, a declaração retificadora deve ser apresentada no mesmo modelo utilizado para a declaração entregue anteriormente, salvo nos casos em que o declarante esteja impedido por lei de utilizar o modelo simplificado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido para evitar ou diferir o seu pagamento, enseja a aplicação da multa qualificada, de cento e cinquenta por cento. Caso contrário, a penalidade deve ser aplicada no patamar de setenta e cinco por cento, próprio para os lançamentos de ofício normais. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/4/2012, reiterando os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, o contribuinte defende ter utilizado indevidamente o desconto padrão em suas DAA dos anoscalendário 2007 e 2008, e, sendo profissional autônomo, a autuação não poderia ter levado em conta tal informação, mas sim considerado as despesas e gastos incorridos na produção de seus rendimentos. Não assiste razão ao contribuinte. A opção pela entrega das DAA no modelo simplificado implica manifestação de vontade por parte do contribuinte no sentido da substituição das deduções porventura existentes pelo desconto padrão previsto para aquele regime, consoante regra o caput do art. 10 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Por esse motivo, as normas de regência expedidas com fulcro no poder regulamentar conferido à Secretaria da Receita Federal pelo art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 22 de agosto de 2001, exvi do inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional trazem vedação expressa à mudança do modelo de entrega da DAA após vencido o prazo para a sua apresentação. Faço, por oportuno, a devida referência aos dispositivos que tratam do tema constantes nas Instruções Normativas (IN) daquele Órgão, tais como os §§ 1º dos arts. 2º das IN RFB nº 820, de 11 de fevereiro de 2008, e nº 918, de 10 de fevereiro de 2008 (tratando, respectivamente, das DAA dos exercícios 2008 e 2009). Ademais, a matéria já não comporta mais discussões no âmbito das Turmas que compõem o CARF, por já ter sido objeto de enunciado sumular desse Conselho: Fl. 3800DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Súmula CARF nº 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Sem máculas, portanto, o lançamento de ofício no particular. A alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não prospera, por sua vez, ao ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF1: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à qualificação dessa multa, tida por procedente pela DRJ/JFA no tocante aos anoscalendário 2007 e 2008, vale transcrever a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal, que sumariza os motivos para a sua imposição no caso em apreço (fls. 25/27): Diante de montantes tão expressivos de rendimentos omitidos pela pessoa física em questão, especialmente nos anos calendário 2007 e 2008, conforme demonstrado acima, referentes a serviços contábeis prestados para pessoas jurídicas e físicas, não podemos creditar tal comportamento a mero erro ou esquecimento, visto que não foi episódico, mas aconteceu em todo o período fiscalizado e em valores consideráveis por dois anos consecutivos. Muito embora tais razões, a qualificação levada a efeito nos termos do § 1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não deve ser mantida. Merece registro, de início, que as decisões cujas ementas foram colacionadas pela instância recorrida, com o fito de amparar o entendimento em prol do referido agravamento, além de não se traduzirem na jurisprudência dominante da esfera do CARF, são referentes à julgamentos envolvendo pessoas jurídicas (Ac. 1º CC 10709139, CSRF/0105.810 e CSRF/0105.697) ou pessoa física equiparada a pessoa jurídica (CSRF/0202.025). Observese que as pessoas jurídicas têm, por força da incidência de diversas normas, o dever de registro e controle de sua situação patrimonial e respectivas mutações, acompanhamento esse realizado seja por intermédio da ciência contábil, seja mediante o cumprimento de obrigações espraiadas nos vários diplomas de regência, tais como o Código Civil e a Lei das S.A. (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976). Já no que concerne às pessoas físicas, as exigências do gênero são bastante mitigadas. Mesmo para os profissionais que podem deduzir despesas escrituradas em livro caixa, tais como os que recebem rendimentos do trabalho não assalariado, inexiste obrigação 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 3801DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13629.720827/201169 Acórdão n.º 2802003.072 S2TE02 Fl. 3.800 5 legal de manter registro de toda a sua vida econômica no referido livro, mas tão somente das receitas e dispêndios relacionados com aqueles rendimentos. Nesse contexto, é forçoso reconhecer que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. E, em que pese o escorreito trabalho levado a efeito pela fiscalização, na espécie não foram levantados elementos adicionais a amparar a imputação da multa qualificada que fossem distintos da reiteração da omissão de rendimentos por dois anos seguidos, ainda que tal omissão se desse em volume significativo. Ausentes tais elementos, não é afastada a dúvida que paira, justificadamente, sobre os aspectos volitivos da conduta do contribuinte, de modo que se possa assegurar, com grau de verossimilhança suficiente, que no caso concreto seja de rigor a aplicação da multa qualificada. Tragase à baila, por oportuno, os termos da Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Enfim, no que diz respeito à taxa Selic, registrese que a referida tem expressa previsão legal nos arts. 13 da Lei nº 9.065, de 19 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, incidindo na espécie o já mencionado art. 72 do RICARF. Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa de ofício relativa aos anoscalendário 2007 e 2008. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3802DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000926/2003-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Reconhece-se a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do co-titular das contas correntes.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-01.462, mantendo-lhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhece-se a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do co-titular das contas correntes. Embargos de declaração acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-01.462, mantendo-lhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
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NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhecese a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do cotitular das contas correntes. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.462, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 26 /2 00 3- 84 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000926/200384 Acórdão n.º 2101002.413 S2C1T1 Fl. 492 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fl. 473) interposto em 28 de novembro de 2012 contra o acórdão de fls. 465/468, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para anular o lançamento por ausência de intimação do cotitular das contas correntes verificadas. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo. Recurso provido.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja esclarecido se a nulidade constatada no auto de infração decorre de vício formal ou material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 28/11/2012, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000926/200384 Acórdão n.º 2101002.413 S2C1T1 Fl. 493 3 No presente caso, a Embargante pede seja esclarecido se a nulidade verificada pela ausência de intimação do cotitular das contas correntes mantidas junto aos bancos CEF e Itaú, fundamentada na Súmula n.º 29 deste CARF, decorre de vício formal ou material. A seu ver, tratase de vício formal, que permite à autoridade fiscal lavrar novamente o auto, no prazo aludido pelo art. 173, II, do CTN. Ao analisar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconheci a nulidade do lançamento efetuado, tendo em vista que as contas em que foi constatada omissão de rendimentos eram conjuntas (CEF e Itaú), bem como não houve intimação dos demais co titulares. Em se tratando de aspecto crucial à aplicação da regramatriz de incidência tributária, resta configurada nulidade decorrente de vício material, diferentemente do que aponta a União em seu recurso. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, pp. 127129). Na presente hipótese, verificase, claramente, a ocorrência de vício material, eis que desatendeu o comando insculpido no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, que embasou o Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000926/200384 Acórdão n.º 2101002.413 S2C1T1 Fl. 494 4 lançamento. Não há, destarte, que se falar na aplicação do art. 173, II, do CTN, ou seja, do prazo decadencial contado da data em que se tornar definitiva a decisão que anular o lançamento por vício formal. Aplicável, de outra sorte, o prazo de decadência não qualificado, previsto ou no art. 150, §4º (cinco anos do fato gerador), ou no art. 173, I (5 anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ambos do CTN. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.462, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.678180/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 80 /2 00 9- 71 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 223DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 226DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 227DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678180/200971 Acórdão n.º 3801004.106 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10580.911721/2009-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2004
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 21 /2 00 9- 63 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911721/200963 Acórdão n.º 3802003.450 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11634.720126/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ1 nº 1260.493, de 17 de outubro de 2013, exarado pela 17ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .7 20 12 6/ 20 13 -9 7 Fl. 4319DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Resolução nº 3101000.373 S3C1T1 Fl. 4 2 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes aos períodos de apuração 05/2008 a 12/2009. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. CRÉDITO/ATIVO IMOBILIZADO/ALÍQUOTA ZERO Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 4320DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Resolução nº 3101000.373 S3C1T1 Fl. 5 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. CRÉDITO/ATIVO IMOBILIZADO/ALÍQUOTA ZERO Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Fl. 4321DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Resolução nº 3101000.373 S3C1T1 Fl. 6 4 Após a publicação da Súmula Vinculante STF nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segundo consta no Termo de Verificação e Encerramento Fiscal (fls. 3693 a 3716), a autoridade fiscal efetuou a apuração dos débitos de PIS e COFINS, contemplando as alterações na base de cálculo e nos créditos em função das supostas irregularidades por ela apuradas, resultando em insuficiência de recolhimento das contribuições. Para a apuração do saldo a pagar, os saldos de créditos das contribuições disponíveis foram aproveitados de oficio. Foram apuradas as seguintes irregularidades, segundo o entendimento fiscal: (1) Aproveitamento incorreto dos créditos de PIS e COFINS sobre aquisições não enquadradas como insumos: a. Gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações (para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, etc); b. Gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas; c. Gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos; d. Gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria; (2) Aproveitamento incorreto dos créditos de PIS e COFINS sobre aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição: a. Aquisições de pintos de um dia, vacinas; b. Aquisição de galinha matriz; (3) Aproveitamento indevido de créditos em duplicidade: a. Nota fiscal 8990 da CJ do Brasil Industria Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ 07.450.031/000193, que se refere a remessa por conta e ordem da Nutron Alimentos Ltda, CNPJ 01.961.898/000550 (a nota fiscal 136863 emitida pela Nutron Alimentos foi aceita pela fiscalização); Fl. 4322DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Resolução nº 3101000.373 S3C1T1 Fl. 7 5 (4) Aproveitamento indevido de crédito sobre aquisições da Danica Termoindustrial Brasil Ltda a. As aquisições referemse a painéis e acessórios termoisolantes utilizados para fechamento lateral na construção das câmaras para produtos refrigerados e congelados, contabilizados como edificações em andamento – abatedouros (conta 1.3.2.10.002), não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS); (5) Aproveitamento indevido de crédito em duplicidade: a. Nota Fiscal 13245 emitida pela ADM do Brasil, informada em duplicidade; (6) Glosa do crédito sobre a nota fiscal 196 da ADM do Brasil Ltda: a. Não apresentação do documento; (7) Aproveitamento indevido do crédito presumido sobre aquisições de milho destinadas à revenda, e não utilizadas como insumo; (8) Aplicação incorreta do percentual de crédito presumido; (9) Aproveitamento incorreto do crédito de PIS e COFINS sobre insumos aplicados na parcela de produção do parceirocriador; (10) Aproveitamento indevido de crédito sobre valores de mercadorias adquiridas em consignação; (11) Exportações não comprovadas – ano calendário 2009; (12) Exportações não comprovadas – ano calendário 2008. A empresa autuada não impugnou os seguintes itens objetos do lançamento efetuado: item 3 (aproveitamento indevido de crédito sobre a nota fiscal 8990 da CJ do Brasil Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda), item 4 (aproveitamento indevido de crédito sobre aquisições da Danica Termoindustrial Brasil Ltda), item 5 (aproveitamento indevido de crédito em duplicidade), item 6 (glosa do crédito sobre a nota fiscal 196 da ADM do Brasil Ltda), item 7 (aproveitamento indevido do crédito presumido sobre aquisições destinadas à revenda) e item 10 (mercadorias adquiridas em consignação). Foi efetuado o recolhimento da parte não contestada, conforme DARF´s acostados junto à impugnação. A autoridade julgadora a quo, com base na documentação acostada aos autos na fase impugnatória, entendeu que não teria sustentação a pretensão da autoridade administrativa em desqualificar a Receita de Exportação, visto que as Notas Fiscais elencadas no Termo de Verificação Fiscal, na verdade, ou foram canceladas com a emissão de Nota Fiscal de Entrada, inclusive no mesmo período de apuração, ou foram substituídas por outras Notas Fiscais com a devida comprovação da exportação mediante consultas ao SISCOMEX e os devidos Registros de Operações de Exportação. No recurso voluntário, a recorrente alega a decadência para fatos anteriores a 22/02/2008, alem de contestar as glosas efetuadas relativas aos itens 1, 2, 8 e 9 do Termo de Verificação e Encerramento Fiscal. É o relatório. Fl. 4323DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Resolução nº 3101000.373 S3C1T1 Fl. 8 6 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Entretanto, o presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente pela inexistência de demonstrativo claro do processo produtivo da recorrente, e da participação de determinado item nesse processo produtivo. O julgamento de processo administrativo que trate de créditos de PIS e Cofins deve ser acompanhado de todos os elementos de prova de forma a possibilitar a análise de cada item relacionado como insumo e sua participação no processo produtivo da requerente, permitindo a completa apreciação dos fatos à legislação de regência do direito creditório. As glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a aquisições de bens e serviços que, no entendimento fiscal, não se enquadravam no conceito de insumo exigem sua confrontação com o processo produtivo da recorrente, e o conhecimento, por parte desse órgão julgador, das diversas etapas da produção. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, intime o contribuinte para que apresente, no prazo de 60 dias: (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase da produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 23 de julho de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 4324DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15463.001863/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL.
Comprovado que os rendimentos do contribuinte são decorrentes de pensão, e comprovado, através de laudos médicos, que o mesmo sofre de retardo mental que o impede de exercer os atos da vida civil, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, em razão de alienação mental, conforme previsto no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713/88.
Numero da decisão: 2102-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL. Comprovado que os rendimentos do contribuinte são decorrentes de pensão, e comprovado, através de laudos médicos, que o mesmo sofre de retardo mental que o impede de exercer os atos da vida civil, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, em razão de alienação mental, conforme previsto no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713/88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 59 1 58 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.001863/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.978 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente IVANEIDE DA SILVA PORTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL. Comprovado que os rendimentos do contribuinte são decorrentes de pensão, e comprovado, através de laudos médicos, que o mesmo sofre de retardo mental que o impede de exercer os atos da vida civil, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, em razão de alienação mental, conforme previsto no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 00 18 63 /2 00 9- 71 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 08/12 (nº 2009/589577489304487), sendo retificada e substituída integralmente pela Notificação de Lançamento (nº 2009/638177582978181) constante às fls. 15/19, para exigência da importância de R$13.798,92 (treze mil, setecentos e noventa e oito reais e noventa e dois centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, correspondente à infração de omissão de rendimentos recebidos. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls.02/04, por meio do qual alegou,em suma, o seguinte: que a alegada omissão do valor de R$34.662,12,seria pertinente aos rendimentos recebidos do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Alagoas, e que por um equívoco da fonte pagadora, foram atribuídos a ela, já que, na realidade, são pertencentes à Ingberg da Silva Porto, de quem é curadora; quanto a alegada omissão do valor de R$5.204,40, explica que seria relativo aos aluguéis recebidos das locatárias Isis de Souza e Luciana pereira de Carvalho, e que, por um engano, foram informados na DIRPF em nome da administradora de imóveis Soimar Ltda. Na análise de suas alegações, os integrantes da 6ª Turma da DRJ/RJ2 decidiram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendose integralmente o lançamento fiscal, através de decisão da qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração de ajuste anual. COMPROVAÇÃO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ E DE MOLÉSTIA GRAVE. NATUREZA DO RENDIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Apenas são isentos de imposto de renda, os proventos de aposentadoria ou reforma, motivados por acidente em serviço, e os percebidos por portadores de moléstia profissional ou das doenças previstas no art. 6º,inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, cabendo ao Contribuinte a comprovação,por meio de documentação hábil e idônea, de que faz jus ao benefício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls.44/45, postulando o cancelamento do respectivo lançamento fiscal, e requerendo a juntada do “LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL”, ressaltando ainda que o curatelado seria isento do recolhimento do IR, em razão da Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15463.001863/200971 Acórdão n.º 2102002.978 S2C1T2 Fl. 60 3 moléstia comprovada através do laudo pericial, em consonância com o art. 30 da Lei nº 9.250/1995. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.09.2010, como atesta o AR de fls. 42. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.09.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário no qual se discute lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. A Recorrente alegou, desde a Impugnação apresentada, que os rendimentos supostamente omitidos do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Alagoas foram em verdade recebidos por seu irmão Ingberg da Silva Porto, do qual seria curadora. Afirma ainda que o irmão teria direito à isenção sobre tais rendimentos por ser incapaz. A decisão recorrida rejeitou sua pretensão ao argumento de que o fato do Sr. Ingberg ser incapaz, por si só, não lhe daria o direito à isenção sobre os rendimentos em questão, pois a contribuinte deixara de demonstrar que o mesmo se enquadrava em uma das hipóteses prevista no art. 6º da Lei nº 7.713/88. No Recurso Voluntário, a Recorrente trouxe aos autos um laudo – elaborado por perito do juízo, nos autos de processo em que foi designada como curadora do Sr. Ingberg. A conclusão do referido laudo foi a seguinte: De acordo com os dados colhidos durante a entrevista„ Podese concluir que o Interditando é portador de um Retardo Mental Moderado (CID 10, Revisão F71) que o incapacita para exercer, pessoalmente, os atos da vida civil. Com efeito, a Lei nº 7.713/88, com a redação que lhe deu a Lei nº 8.541/92 dispõe em seu art. 6º que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (sem grifos no original) Como se viu, o laudo trazido pela Recorrente atesta que seu irmão sofre de retardo mental que o incapacita para os atos da vida civil. Da análise da documentação acostada aos autos e ainda das alegações da Recorrente, penso que a moléstia da qual padece seu irmão deveria ser enquadrada como moléstia grave. De fato, através do site www.psiqweb.med.br extraise a seguinte definição de alienação mental: Alienação é a condição caracterizada pela perda de relacionamentos significativos com outros, com a sociedade ou com a cultura. Este termo, também usado num sentido socioeconômico, passou a substituir o antigo conceito de loucura. Portanto, alienação e loucura são termos que se correspondem, o mesmo não havendo com os termos alienação e desrazão. Problemas sociais de aculturação e socialização, juntamente com o desenvolvimento emocional individual problemático pode produzir ou exacerbar perturbações psicopatológicas que promovem a desrazão, tais como a despersonalização, comportamento dissociativo e/ou histérico mas isso não é alienação (loucura) na acepção essencial do termo. Ainda da internet, é possível obter no site da CASSI (www.cassi.com.br), a seguinte definição para alienação mental: 8.1. Alienação mental é todo caso de distúrbio mental ou neuromental grave e persistente, no qual, esgotados os meios habituais de tratamento, haja alteração completa ou considerável da personalidade, comprometendo gravemente os juízos de valor e realidade, destruindo a autodeterminação do pragmatismo e tornando o paciente total e permanentemente imposibilitado para qualquer trabalho. (...) (sem grifos no original) E ainda, do site de Perícias e Auditorias Médicas do Distrito Federal (http://www.periciamedicadf.com.br/manuais/periciamedica/periciamedica19.php): Alienação Mental Considerase alienação mental o estado mental conseqüente a uma doença psíquica em que ocorre uma deterioração dos processos cognitivos, de caráter transitório ou permanente, de tal forma que o indivíduo acometido tornase incapaz de gerir Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15463.001863/200971 Acórdão n.º 2102002.978 S2C1T2 Fl. 61 5 sua vida social. Assim, um indivíduo alienado mental é incapaz de responder legalmente por seus atos na vida social, mostrandose inteiramente dependente de terceiros no que tange às diversas responsabilidades exigidas pelo convívio em sociedade. O alienado mental pode representar riscos para si e para terceiros, sendo impedido por isso de qualquer atividade funcional, devendo ser obrigatoriamente interditado judicialmente. Em alguns casos, tornase necessária a sua internação em hospitais especializados visando, com o tratamento, a sua proteção e a da sociedade. Da leitura de tais definições em conjunto com as conclusões constantes do laudo trazido aos autos (fls. 50/53), datado de 19.09.2001, é forçoso concluir que o contribuinte sofre de algumas formas de alienação mental, cujo conceito é bastante vago e de difícil definição, como ressaltado em acórdão proferido pela 6ª Câmara do (então) Primeiro Conselho de Contribuintes, em 05.11.2002, verbis: IRPF RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA MENTAL DEDUÇÃO DE NETOS DEPENDENTES – LEGALIDADE – Uma vez comprovada a existência de moléstia mental, incapacitadora que justificou até a aposentadoria e nos termos da Lei nº. 7.713/88, é de se considerar o benefício de isenção do IRPF, uma vez que o termo "alienação mental" é genérico, cabendo a inserção específica da psicose maníacodepressiva, uma vez prescrito por competente laudo médico pericial. Quanto aos netos dependentes, uma vez comprovada a incapacidade física e mental, seja por doença adquirida, seja por menoridade, há de se enquadrar tal benefício no disposto na parte segunda do inciso V do art. 35 da Lei nº. 9.250/95. Glosas improcedentes. Recurso provido. (Recurso Voluntário nº 128.759, Rel. Cons. Orlando José Gonçalves Bueno, 6ª Câmara, 1º Conselho, ac. nº 106 – 13027 – sem grifos no original) Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15467.000094/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3302-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 00 00 94 /2 01 0- 97 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 82.090.247,37, pertinente aos períodos de apuração de 02/2006 a 12/2007, apresentado em 24/11/2006 (fl.22), e autuado sob o n° 13708.004712/200848, processo originário extraviado e reconstituído pelo presente, conforme informado as fl.01, sendo o referido pedido, posteriormente, vinculado à Declaração de Compensação cuja consulta no SIEF BRASIL se encontra acostada às fls.149, 155/159, com Data de Criação: 18/06/2009. A DRF — Nova Iguaçu, por meio do despacho decisório de fls. 185/189, indeferiu totalmente a solicitação da contribuinte, por não ter sido comprovado o pagamento a maior ou indevido das contribuições, conforme transcrições abaixo: (...) 4. Desta forma, afim de analisar a procedência do direito creditório requerido, o contribuinte foi intimado em 18/03/2010, através do Termo de Intimação Fiscal n" 26/2010, e reintimado em 06/04/2010, através do Termo de Intimação Fiscal n° 29/2010 (fls. 161/166), a apresentar, dentre outros documentos, a cópia de todos os DARF referentes aos alegados pagamentos indevidos ou a maior, planilhas demonstrativas de apuração dos tributos (PIS e COFINS) para os meses em que ocorreram os pagamentos indevidos ou a maior, original e cópia da escrituração contábil (Livros Diário a Razão), que comprovem as informações constantes do Pedido de Restituição, tendo o prazo final para apresentação dos documentos expirado em 14/04/2010. Sendo que, até o presente momento, o contribuinte não atendeu a nenhuma das duas intimações, não apresentando nenhum dos documentos solicitados, nem prestando qualquer esclarecimento formal sobre a impossibilidade de cumprimento das intimações, restando prejudicada a análise da veracidade das informações prestadas no pedido de restituição. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 3 3 ... 6. Complementarmente, como a restituição pressupõe a existência do efetivo recolhimento de quantias indevidas ou a maior, procedeuse a análise dos valores arrecadados pelo contribuinte junto a SRF, entre a data de sua constituição (25/08/2004) e a data do pedido de restituição (24/11/2008), verificandose que NÃO CONSTA QUALQUER RECOLHIMENTO A TITULO DE PIS(6912/8109) OU COFINS (2172/5856) PARA 0 PERIODO PESQUISADO (fls.167/183). E mais, a arrecadação total de tributos administrados pela SRF do contribuinte em epígrafe (fls. 184), para o mesmo período (2004/2008), é de pouco mais de um milhão de reais !!! Sendo, portanto, inconcebível ao requerente postular uma restituição, onde o mesmo alega ter recolhido indevidamente ou a maior, de mais de 61 milhões NA 0 EXISTE LASTRO, EM TERMOS DE ARRECADAÇÃO, QUE SUPORTE, AMPARE OU JUSTIFIQUE A QUANTIA A SER RESTITUIDA REQUERIDA PELO CONTRIBUINTE. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls.197/212, alegando em síntese que: 1. Em razão do principio da não cumulatividade concebido pela Constituição Federal, em seu artigo 153, IV, § 3 0, II (IPI) e previstos nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 (PIS e Cofins), não se admite a existência do efeito "cascata" da tributação destes impostos, motivo pelo qual os contribuintes estão autorizados a utilizar a técnica de compensação de débitos com créditos para impedir a incidência dos tributos sobre outros tributos; 2. No presente caso, os créditos decorreram da aquisição de bebidas (cervejas, refrigerantes e água) destinadas à futura comercialização da Manifestante, em função de suas atividades comerciais previstas em seu contrato social; 3. O regime de utilização e compensação dos créditos das contribuições relativas ao PIS/Cofins é previsto nas próprias leis antes mencionadas e no artigo 16 da Lei 11.116/2005 c/c artigo 74 da Lei 9.430/96, que fixa as normas gerais de compensação de créditos de tributos administrados pela Receita Federal; 4. As contribuições para o PIS/Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda de bebidas sujeitamse a tributação monofásica, que é um sistema de tributação o no qual essas contribuições incidem de forma concentrada em uma única etapa da cadeia econômica (indústria/importadores), sendo as operações subseqüentes tributadas à alíquota zero; 5. Vale lembrar que inicialmente, quando do advento da não cumulatividade, as receitas sujeitas A incidência monofásica não foram abrangidas por esse regime tributário, conforme disposto no artigo 10 da Lei n° 10.833/2003; 6. Significa dizer que, embora as distribuidoras não tenham suas operações de vendas de bebidas tributadas pelo PIS/COFINS, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 também ficaram vedadas de utilizar os créditos oriundos de suas aquisições que pertencerem a cadeia monofásica da tributação; 7. Entretanto, a partir de agosto de 2004, foram introduzidas modificações na legislação em debate, retirando do texto legal a exclusão ao sistema da não cumulatividade de PIS e COFINS da tributação monofásica; 8. Portanto, desde então não há mais vedação ao aproveitamento de crédito oriundo das aquisições das mercadorias sob análise, em face de serem submetidas ao regime de incidência monofásica do PIS/COFINS; 9. A partir de então, passou também a não mais existir a restrição ao crédito em face das saídas desoneradas, entendimento corroborado pela Secretaria da Receita Federal mediante Solução de Consulta; 10. Resta claro que com o advento da Lei n° 11.033/2004, ficou reconhecido que as vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/Cofins não impedem a manutenção dos créditos vinculados a essas operações; 11. A partir da edição da Lei n° 11.116/2005(artigo 16), foi ratificado aos contribuintes o direito aos créditos de PIS e COFINS para fins de compensação com quaisquer tributos fiscalizados e arrecadados pela Receita Federal do Brasil, ou de ressarcimento em dinheiro, relativo a saldo credor acumulado a partir de 09 de agosto de 2004; 12. Assim, a compensação passou a ser permitida tanto entre créditos e débitos da mesma destinação constitucional quanto para créditos e débitos de espécies diversas, cabendo ao contribuinte, após efetuar por conta própria o encontro de contas, apenas informar a compensação referida por meio da Declaração de Compensação; 13. Como se verifica, a compensação de créditos apurados e contabilizados na escrita fiscal da pessoa jurídica pode ser realizada pela própria empresa, segundo os sistemas PERD/DCOMP, sob condição de posterior verificação e homologação pela Receita Federal dos critérios e dos valores utilizados pela contribuinte; 14. Até porque, a partir do momento em que nasce o crédito em favor do contribuinte, constituído está o seu direito de compensálo, de acordo com as regras então vigentes e qualquer restrição A compensação criada pela legislação posterior fere o direito adquirido do contribuinte, uma vez que o direito a compensar com as facilidades da legislação anterior já estava incorporado ao seu patrimônio jurídico; 15. Logo, fica esclarecido que A época do nascimento dos créditos a legislação permitia a compensação, com encontro de débitos e créditos, conforme disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c artigo 74 da Lei n° 9.430/97, retroagindose a agosto de 2004, conforme disposto no artigo 16 da Lei n°11.116/2005; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 4 5 16. Por todo o exposto, e na melhor forma de direito, atendendo não só preceitos legais, mas também constitucionais, é que requer a reforma do despacho decisório para Deferir o Pedido de Compensação, com base nas documentações já ofertadas. Requer, ainda, a juntada dos documentos que acompanham a presente impugnação, resguardados os direitos relativos A apresentação de documentos outros que se revelem essenciais ao convencimento das fundamentações aqui apostas, nos termos permitidos pela legislação pertinente, bem como utilizarse de todos os meios de prova em direito admitidas. Junto com a presente manifestação de inconformidade o contribuinte carreou aos autos 26ª Alteração Contratual, documentos de identidade, planilhas demonstrando as Compras dos anoscalendário 2006 e 2007.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 18/10/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Alega a Recorrente ter direito a restituição de créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de bebidas (cervejas, refrigerantes e água) destinados à futura comercialização, em função de suas atividades comerciais, com base no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, onde restou reconhecido que as vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS e COFINS, não impediriam a manutenção dos créditos vinculados à essas operações. 1 Introdução Da NãoCumulatividade do PIS e da COFINS É amplamente conhecido que o legislador pretendeu reduzir a chamada “incidência em cascata” das referidas contribuições ao subordinálas à tributação plurifásica nãocumulativa, visando reduzir o impacto negativo que uma incidência sobre o faturamento Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 promovia sobre a atividade produtiva, mormente sobre alguns setores estratégicos da economia. Assim, advieram as regras gerais de nãocumulatividade para as contribuições ao PIS e COFINS, suportadas por regra constitucional própria (§ 12, art. 195 da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional n° 42/03). Nesse contexto, a Medida Provisória n° 66 de 2002 introduziu a não cumulatividade para a apuração da base de cálculo da Contribuição ao PIS, além de majorar a sua alíquota para 1,65%, sendo convertida na Lei n° 10.637 de 2003, modificada posteriormente pelas Leis n° 10.864/03, 10.833/03 e 10.865/04. Quanto à COFINS, a não cumulatividade adveio com a Medida Provisória n° 135 de 2003, que alterou a sua alíquota para 7,6%, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/03, também alterada pela Lei n° 10.865/04. A técnica de apuração nãocumulativa da base de cálculo das aludidas contribuições inaugurou um novo regime, autônomo em relação à forma preexistente de cálculo das contribuições sociais bem como aos modelos de nãocumulatividade anteriormente empregados na circulação plurifásica, a exemplo do IPI e ICMS. Autônomo e distinto por superar o anterior regime de crédito escritural sobre o mesmo bem, com regimes de “base sobre base” ou de “imposto sobre imposto”; limitandose, agora, em determinar descontos (art. 3°, da Lei n° 10.833/03 e art. 15, da Lei n° 10.865/04) de créditos relativos aos elementos que ingressaram na sociedade empresária com pagamento da contribuição por outra sociedade que com eles tenha auferido receita ou faturamento. Tratase, portanto, de desconto sobre o valor de ingresso, e não sobre o valor de saída, a título de valor agregado ou equivalente. Desta forma, na sistemática da apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo, devese efetuar dois cálculos distintos, a apuração dos descontos (créditos), que consiste no direito dos contribuintes, além da apuração dos débitos da pessoa jurídica, o que consiste no seu dever para com o Estado, obtendose ao final o valor a pagar ou a recuperar no confronto entre os saldos obtidos em cada um dos dois cálculos. De forma a demonstrar a abrangência das formas de tributação previstas em lei atualmente, temos três regimes de tributação distintos para o PIS e para a COFINS: I – Regime Cumulativo (no qual está previsto o sistema monofásico), regido principalmente pela Lei n° 9.718/98; II – Regime NãoCumulativo Plurifásico (Regra), regido principalmente pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, e; III – Regime NãoCumulativo Monofásico (Exceção), regido por leis específicas, tais como a Lei n° 10.147/00 que instituiu o regime monofásico para alguns setores da economia, como o de vendas e revendas de medicamentos e produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Importante denotar que a criação do regime nãocumulativo de PIS e COFINS não se trata de incentivo fiscal ou benefício concedido pelo Estado, mas tão somente a justa adaptação da tributação ao sistema de mercado, com o intuito de evitar que um produto adquirido com tributos anteriormente pagos seja pago novamente pelo mesmo contribuinte, tal como no regime pretérito. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 5 7 2. Do Regime Monofásico de PIS e COFINS Inicialmente, entendemos ser cabível uma análise conceitual acerca dos regimes de tributação de PIS e COFINS plurifásico e monofásico, que, de acordo com Rodrigo Caramori Petry1, se baseiam na intensidade da incidência tributária na cadeia de circulação econômica dos bens, produtos ou serviços comercializados pela pessoa jurídica contribuinte. Em sua obra, o autor afirma que a incidência plurifásica ocorre quando há a incidência repetida sucessivamente sobre cada um dos sujeitos participantes de uma determinada cadeia econômica, de forma indiscriminada, na forma cumulativa (alíquotas de 0,65% e 3% respectivamente para PIS/Pasep e Cofins, nos moldes da Lei n° 9.718 de 1998) e nãocumulativa (alíquotas de 1,65% e 7,6% para PIS/Pasep e Cofins respectivamente, com base nas Leis n° 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003). A incidência monofásica, por seu turno, para esse autor, ocorre quando não há a repetição, em uma cadeia econômica, da incidência dos tributos em questão, sendo essa incidência acumulada sobre um dos sujeitos participantes dessa cadeia, de forma a concentrar a apuração e o recolhimento desses tributos em apenas uma só fase dessa mesma cadeia econômica, por meio de uma só alíquota, geralmente mais elevada do que o normal, como se todas as fases dessa cadeia fossem tributadas, correspondendo, na maioria das vezes, ao somatório estimado de toda a cadeia se essa fosse tributada pelo regime plurifásico. As operações sujeitas às técnicas monofásicas de tributação, ou seja, de concentração das alíquotas sobre o primeiro elo da cadeia, no processo de circulação de mercadorias sujeitas à substituição tributária, foi o meio encontrado para garantir a cobrança dos tributos sujeitos a esse mecanismo, para reduzir o custo de fiscalização, ou de enforcement e para evitar a evasão fiscal. Mais recentemente, superando as inconsistências da legislação anterior, o legislador, por meio da Lei n° 10.865/04, explicitou os produtos sujeitos ao regime monofásico, aos quais não se aplicam as alíquotas do regime nãocumulativo clássico, alterando inclusive a Lei n° 10.147 de 2000, ao valerse da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) para discriminar os produtos alcançados. 3. Da Legislação Aplicável e Não Enquadramento no Regime NãoCumulativo Clássico 3.1. Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de 1 PETRY, Rodrigo Caramori. Os Regimes tributários das contribuições Cofins e PIS/Pasep – novas alterações e seus contornos jurídicos. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 138, p. 98, Março de 2007. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 8 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 6 9 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.837/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 10 Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 7 11 “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 12 ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos Todavia, importante mencionar que a jurisprudência, em que pese não dizer respeito à atividade dessa recorrente, é contrária a esse entendimento. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 8 13 Nesse sentido é o é o julgado proferido pelo Tribunal Regional Federal 5ª Região que assim dispõe: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO ÀS EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO "REPORTO". 1. Apelante/Impetrante que se dedica à atividade de distribuição de bebidas (água, refrigerante, cerveja e preparações compostas) e pretende ver assegurado o seu direito líquido e certo de escriturar créditos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), calculados sobre o valor da nota fiscal dos bens adquiridos para revenda. 2. Recorrente que se encontra inserida em cadeia que se submete ao sistema monofásico de tributação. Assim, as receitas auferidas com as vendas na etapa da produção/importação sofrem tributação mais elevada. Por conseguinte, as alíquotas das contribuições PIS/COFINS incidentes sobre a receita bruta percebida por comerciantes atacadistas e varejistas, como é a Apelante, são reduzidas a 0% (zero por cento). 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ encontrase consolidada no sentido de que o sistema de incidência monofásica é incompatível com a técnica de apuração de créditos escriturais. Entendimento em sentido contrário implicaria admitirse que a pessoa jurídica gozasse de crédito referente a tributo que não foi por ela suportado, mas sim, pelo fabricante/importador, o que configuraria induvidoso enriquecimento sem causa. Precedentes do STJ. 4. O disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 restringese ao "Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária" REPORTO, não podendo ter a sua disciplina estendida aos demais contribuintes do PIS e da COFINS, sem lei específica que assim autorize, sob pena de violação ao art. 150, parágrafo 6º, da CF/1988 e ao art. 111 do CTN. 5. Apelação improvida.” (TRF5. AC nº 498664. Rel. Des. Fed. Geraldo Apoliano. DJe 17/04/2012) Também o E. Tribunal regional Federal 3ª Região já se manifestou sobre essa questão no seguinte sentido: “TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA INDÚSTRIA. LEI Nº 11.033/2004 ART. 17. CRÉDITO NA ENTRADA. VEDAÇÃO LEGAL MANTIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Pretensão da Impetrante em se creditar Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 14 dos valores pagos pela aquisição de mercadorias revendidas a alíquota zero de Pis e Cofins, defendendo que desde o advento da MP nº 206, de 6.8.2004 (convertida na Lei nº 11.033, de 21.12.2004), tem o direito a esse crédito, à vista de seu art. 17, o que perdurou até sua revogação pela Lei nº 11.787, de 26.9.2008. 2. Os então bens sujeitos ao regime monofásico foram expressamente excluídos do regime nãocumulativo quando de sua instituição (art. 1º, § 3º, IV, e art. 10, VII, a Lei nº 10.837/2002 e Lei nº 10.833/2003), razão pela qual os créditos pelas aquisições foram igualmente afastados (art. 3º, I). 3. Mesmo quando inseridos no regime da nãocumulatividade, restou mantido tratamento especial de alíquotas diferenciadas, porquanto a tributação permanecia concentrada na indústria ou importador, e as alíquotas para os comerciantes atacadistas e varejistas, caso da Impetrante, foram fixadas em zero (art. 50 da 5. Lei nº 10.833 bebidas; art. 2º da Lei nº 10.147 toucador e higiene pessoal). Restaram vedados os créditos sobre essas mercadorias (art. 2º, § 2º, II, e art. 3º, I, b das Leis). 4. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (conversão do art. 16 da MP nº 206/2004) diz que as operações desoneradas não impedem a manutenção de créditos, denotando que não se aplica ao caso dos produtos discutidos nesta ação, porquanto eles anteriormente não davam direito a crédito por força de dispositivo que não foi tocado por essa MP. Assim, referese especificamente àquelas hipóteses em que, tendo direito ao crédito na forma do art. 3º das Leis, o comerciante venha a negociar com beneficiários do Reporto, dado que foi estipulada uma benesse de caráter pessoal, vinculada ao programa que então se criava. 5. Entendimento diverso levaria ao completo desvirtuamento do sistema em relação a essas mercadorias, pois implicaria em completa desoneração, dado que todo o tributo recolhido pela indústria viria a ser restituído pelo ente tributante na fase de comercialização. Mais que anular a arrecadação do tributo, levaria a ter a União que devolver mais do que recolheu. 6. Precedentes do e. STJ. 7. Apelação improvida.” (TRF3. AMS 325016; Rel. Juiz Fed. Conv. Cláudio dos santos. DJe 15/07/2011)grifos nossos Discordo cabalmente do raciocínio do julgado relativo ao TRF da 5ª Região, confirmado pelo STJ em voto proferido pela Ilustríssima Ministra Eliana Calmon, por um simples motivo: não é correto afirmar que tratarseia de um benefício apenas para empresas no REPORTO. Tratase de um argumento inválido, em minha modesta opinião, pelo simples fato de que essa Medida Provisória, ao contrario do afirmado, não apenas trouxe normas relativas ao dito regime, mas a coisas tão distintas quanto IOF, CPMF, dívida pública, etc. Mais, o citado dispositivo nem mesmo constou do “conjunto” de dispositivos relativos ao REPORTO, mas encontravase, por assim dizer, “perdida” no meio de outros dispositivos, por isso sendo correto afirmar que ele inserese em todo o arcabouço relativo às contribuições do PIS e da COFINS. O motivo pelo qual esse julgador discorda do contribuinte é outro. Discorda esse julgador quanto à inserção dos fabricantes de bebidas no regime denominado monofásico. Isso não é verdade. Os fabricantes encontramse no regime nãocumulativo mesmo, a única diferença sendo relativa ao fato de que a sua tributação é similar à do regime de pauta, herança Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15467.000094/201097 Acórdão n.º 3302002.272 S3C3T2 Fl. 9 15 da tributação do IPI. Logo, entendo que não poderíamos inserir tecnicamente essa atividade na denominada monofásica. Apenas antecipase a cobrança com uma alíquota única do valor que seria cobrado nas etapas seguintes, eximindo do referido pagamento os intermediários e revendedores como é o caso da Recorrente, não havendo que se falar em restituição de valores nessa forma de tributação. Por todo exposto, conheço do recurso e, negolhe provimento. É como voto, GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10865.900389/2008-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/1999
COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 89 /2 00 8- 34 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 315 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/1999 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 316 3 O Recorrente, nas razões de fls. 279 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 31/03/2010 (fls. 278), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 279). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 317 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 318 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 319 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 320 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900389/200834 Acórdão n.º 3802003.543 S3TE02 Fl. 321 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13819.900262/2012-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 62 /2 01 2- 45 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 35/38 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 29,56, referente ao mês de jan/2005, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900262/201245 Acórdão n.º 3802003.616 S3TE02 Fl. 113 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 40). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 42/47, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 40). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900262/201245 Acórdão n.º 3802003.616 S3TE02 Fl. 114 5 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.723012/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo, porém, a dedução dos créditos decorrentes de transferências entre as contas bancárias da titular.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA.
A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, ou então do Livro Caixa, no caso de empresas habilitadas ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar à CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS igual entendimento.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
A base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendo-se como tal o total das receitas auferidas, admitindo-se a exclusão, tão-somente, das parcelas expressamente previstas na legislação disciplinadora de cada matéria, entre as quais não se encontra o ISS incidente sobre a prestação de serviços, que, portanto, compõe a receita bruta e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade suscitada, em indeferir os pedidos de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento integral ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente),Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo, porém, a dedução dos créditos decorrentes de transferências entre as contas bancárias da titular. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, ou então do Livro Caixa, no caso de empresas habilitadas ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar à CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS igual entendimento. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 30 12 /2 00 9- 22 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 3 2 A base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose como tal o total das receitas auferidas, admitindose a exclusão, tãosomente, das parcelas expressamente previstas na legislação disciplinadora de cada matéria, entre as quais não se encontra o ISS incidente sobre a prestação de serviços, que, portanto, compõe a receita bruta e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS e da COFINS. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade suscitada, em indeferir os pedidos de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Maria Elisa Bruzzi Boechat e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento integral ao recurso (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente),Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Consta do relatório do Acórdão DRJ/SDR n° 1521.403, de 21/10/2009 (Fls.379 a 403): Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao anocalendário de 2005, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 07 a 13, no valor de R$242.323,72 (duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e vinte e três reais e setenta e dois centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 14 a 19, no valor de R$119.845,69 (cento e dezenove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e nove centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 20 a 27, no valor de R$71.810,53 (setenta e um mil, oitocentos e dez reais e cinquenta e três centavos); e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às fls. 28 a 35, no valor de R$331.433,46 (trezentos e Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 4 3 trinta e um mil, quatrocentos e trinta e três reais e quarenta e seis centavos), acrescidos da multa de ofício e de juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro, nos quatro trimestres do anocalendário de 2005, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Relatório de Fiscalização, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 530, inciso III, 532 e 534 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Os Autos de Infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração aos arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; artigo 29 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. O enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 1970; e arts. 2°, inciso I, alínea "a", e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. No caso da COFINS, o enquadramento legal aponta infração ao art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Relatório de Fiscalização, à fl. 36, o Autuante declara, em síntese, que: a ação fiscal teve início em 25/09/2008, com a entrega, no domicílio da pessoa jurídica, do termo de Início do Procedimento Fiscal, cuja ciência foi dada pela Sra. Luciana Souza Pinheiro. Por falta de apresentação da documentação solicitada, foi entregue o Termo de Reintimação Fiscal, recebido pela mesma pessoa, em 28/10/2008, igualmente não atendido; em razão de a referida senhora ter alegado não responder pela pessoa jurídica fiscalizada, por ser funcionária de outra empresa do mesmo grupo, reenviamos outro Termo para o domicílio da empresa, recebido em 10/03/2009, conforme Aviso de Recebimento em anexo, também não atendido no prazo estipulado; diante da falta dos livros e documentos solicitados, requisitamos das instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, baseado nos quais foi elaborado o Demonstrativo de Créditos Extratos Bancários, em anexo, relativo ao ano calendário de 2005. O contribuinte foi então intimado, através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, em anexo, a esclarecer e comprovar os valores creditados em suas contas bancárias; mais uma vez, não havendo quaisquer esclarecimentos ou apresentação de documentos, os valores dos créditos bancários foram computados como receitas recebidas e tributadas pelo Lucro Arbitrado, para fins de IRPJ e CSLL. Tais receitas foram utilizadas também para apuração das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte não recolheu ou confessou débitos, através de DCTF, relativos aos tributos acima. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 5 4 Às fls. 118 a 144, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: como é de conhecimento geral, as declarações prestadas por um agente fiscal gozam de fé pública, ou seja, presunção de veracidade. Sendo assim, qualquer versão dos fatos diversa daquela estampada no relatório fiscal requereria uma prova substancial do alegado, sob pena de não se impor frente aos fatos oficiais. Mesmo assim, a impugnante sentese no dever de descrever o que ocorreu segundo a declaração da Sra. Luciana Pinheiro, citada pelo AuditorFiscal. Diz a preposta do Grupo Fator que o Auditor compareceu à sede do grupo, em novembro de 2008, apresentando o Termo de Início de Procedimento Fiscal e uma lista de documentos necessários para a fiscalização, lista essa que ela encaminhou à contabilidade da empresa, no Rio de Janeiro, que, por sua vez, informoulhe que seriam necessários quinze dias para organizar e remeter a documentação para Salvador; diante deste contexto, a preposta solicitou, verbalmente, prorrogação de prazo por quinze dias, o que foi deferido pelo Fiscal, também verbalmente. Após receber a documentação (Livro Diário 2005, Razão/Balancete 2005, DIPJ 2005 e a pasta contendo os extratos bancários do período), a Sra. Luciana afirma ter ligado para o Auditor informandoo de que os documentos estavam disponibilizados. Em janeiro de 2009, ele retornou à sede do Grupo Fator e solicitou cópia de todos os extratos bancários para o dia seguinte. Em virtude da grande quantidade de documentos (mais de 300 folhas), a Sra. Luciana informou que não teria condições de providenciar tais cópias em prazo tão curto. Diante disso, o Auditor teria pedido que os originais fossem entregues na sede da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que não pode ser feito em face de uma diretriz da empresa que não permite a saída de documentos originais, fato comunicado por telefone ao AuditorFiscal; em fevereiro de 2009, o Auditor teria retornado e questionado a Sra. Luciana se ela era funcionária da fiscalizada, tendo ela dito que não era funcionária da empresa, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), respondendo por todo o Grupo Fator. Acrescentou que não existia mais nenhum funcionário lotado na fiscalizada, uma vez que encerrada a incorporação do edifício. O Auditor então, ao verificar que ela não tinha procuração, afirmou que ela não poderia responder pela empresa. Disse que retornaria em seguida, o que não ocorreu. A Sra. Luciana declarou que somente teve novo contato com a fiscalização em junho de 2009, quando recebeu, por AR, cópia do Auto de Infração impugnado; portanto, a versão da Sra. Luciana chocase com o relatado no Auto de Infração. Além disso, a autuada desconhece a existência de novo Termo de Início de Procedimento Fiscal ou mesmo da intimação para esclarecimento da movimentação bancária. A autuada não sabe para que endereço foram enviados esses termos, mas é bem provável que tenha sido o endereço constante Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 6 5 do estatuto social. Como a sede da autuada, uma SPE, é o local da construção do edifício por ela incorporado, a autuada encerrou a sua existência no momento em que cumpriu o seu objeto social. Assim, as novas intimações, provavelmente, foram encaminhadas para um edifício vendido pela autuada; a impugnante não pode concordar com o auto de infração lavrado, pelos motivos que passa expor: A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob a intervenção e o crivo do Poder Judiciário. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos; quanto às circunstâncias autorizadoras, elas devem ter fundamento legal, respeitada a legalidade cerrada ou típica, bem como possuir relevância jurídicosocial, ou seja, realizar o interesse público, que não se confunde com interesse da Fazenda Pública. Sobre o procedimento a ser adotado, indispensável a intervenção do Poder Judiciário, que deve autorizála no âmbito de um expediente oficial previamente instaurado (administrativo ou judicial), não se olvidando dos rigorosos limites impostos ao órgão requisitante, que deve utilizar os dados para o fim anteriormente definido, mantendo o sigilo perante terceiros. Por conseguinte, o desrespeito a um destes pressupostos torna o procedimento ILEGAL, nulificando o expediente fiscalizatório comandado pelo Poder Público. E é por isso que o procedimento realizado pela Receita Federal é absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado; com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. Uma simples leitura da requisição de informação de movimentação financeira permite concluir que a autoridade fiscal apresentou como fundamento o art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. Não assinalou, contudo, qual a circunstância específica, ou dispositivo legal supostamente infringido pelo contribuinte, que autorizaria a adoção da medida. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se pode falar em requisição coercitiva de informações bancárias; aliás, a autuada prestou as informações solicitadas, fato que denota sua boafé. Além do mais, os esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 7 6 procedimento adotado. O vício acima apontado, apesar de gravíssimo, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, transcreve ementa de acórdão prolatado pelo Ministro Carlos Velloso, bem como trecho do raciocínio apresentado pelo o Ministro Celso de Mello, ambos do STF; não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da V Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n° 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder Judiciário para sua quebra. E se assim é, a impugnante requer a declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela SRFB, sem a interferência de autoridade judiciária. LUCRO ARBITRADO MEDIDA EXCEPCIONAL conforme relatado no auto de infração, o IRPJ e reflexos foram exigidos sobre totalidade dos depósitos bancários informados pelas instituições financeiras, sendo que o IRPJ e a CSLL foram tributadas através do lucro arbitrado.Como é cediço, a apuração da base de cálculo pela presunção de omissão de receita cumulada com a tributação pelo lucro arbitrado é medida excepcionalíssima. Por isso, a doutrina e a jurisprudência são uníssonas no sentido de que a aplicação de tal procedimento fiscalizatório somente pode ocorrer em situações extremas, quando totalmente inviável a apuração do tributo pelos meios regulares de auditoria. No caso dos autos, no entanto, a utilização de tal forma de apuração é, no mínimo, controversa. em primeiro lugar, porque a existência de uma versão paralela dos fatos, embora não documentalmente comprovada, coloca dúvidas reais a respeito do não cumprimento das intimações pelo contribuinte. Em segundo lugar, porque a contabilidade da impugnante é absolutamente regular, sujeita a auditoria externa, fato que pode ser devidamente comprovado pelo cotejo entre os extratos bancários (já constantes do processo) e o Livro Razão, cuja cópia ora se anexa, verificandose que os depósitos bancários estão devidamente registrados na contabilidade, não se podendo falar em receita não contabilizada. A conclusão a que se chega é que o procedimento fiscalizatório, por estar fragilmente fundamentado em presunções e arbitramentos, é insubsistente, devendo a impugnante ser tributada conforme a sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 8 7 presumido. Tal conclusão decorre do princípio da verdade material ou real, que rege o processo administrativo tributário; em conseqüência, diante de indícios relevantes da desnecessidade da medida extrema do arbitramento da base de cálculo, devese determinar diligência fiscal, desde já requerida, para que AuditorFiscal estranho ao feito dirijase à sede do Grupo Fator, situado na Av. Prof. Magalhães Neto, e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Caso não seja acolhido o pedido de diligência nos termos anteriores, requer, ao menos, que seja reconhecida a insubsistência da apuração pelo lucro arbitrado, adotandose o cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, o que, em termos práticos, resultará na redução a 8% do percentual de presunção do lucro em relação ao IRPJ; ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO • caso não seja mantida a presunção de omissão de receita pelos depósitos bancários, a impugnante requer que sejam excluídos os valores correspondentes às transferências bancárias de mesma titularidade, que, por força do inciso I, § 3°, do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não podem ser considerados na apuração da base de cálculo dos tributos federais. Em seguida, apresenta os créditos/depósitos de transferências de mesma titularidade, totalizando os montantes de R$446.937,28, no BRADESCO Ag. 3369 C/C 27.5581, e de R$549.782,24, no BRADESCO Ag. 1425 C/C 76.7123 57. É importante esclarecer que estes depósitos e a sua discriminação estão devidamente registrados no Livro Razão, cuja cópia encontrase anexa; EMPRESA DO RAMO IMOBILIÁRIO. DEDUÇÃO DO CUSTO DO IMÓVEL • em se tratando de empresa imobiliária, determina a legislação federal em vigor que o lucro arbitrado será apurado deduzindose os custos comprovados com o imóvel, não considerados no auto de infração. E se assim é, foi descumprido o art. 543 do Regulamento do Imposto de Renda (transcreve). A impugnante entende que o Livro Razão acostado já fornece elementos suficientes para comprovação das despesas com a incorporação do imóvel no ano de 2005. No entanto, caso se entenda que a comprovação se fará por meio de notas/faturas fiscais, a impugnante requer diligência fiscal, a fim de auditor estranho ao feito verifique, in loco, a totalidade dos notas fiscais relativas à construção do imóvel. Justifica a diligência a quantidade significativa de documentos. Sendo assim, a impugnante requer a dedução do custo do imóvel da receita apurada, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 9 8 EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS com efeito, somente é conferida ao legislador a prerrogativa de incluir na base de cálculo de um tributo aqueles elementos que revelem uma correlação direta ou uma perfeita sintonia com a hipótese de incidência traçada abstratamente na regramatriz constitucional do tributo. O valor pago a título de ISS pela impugnante agregado ao preço dos serviços prestados não revela qualquer correlação com o seu faturamento, ou seja, com a sua receita operacional, já que o valor deste imposto não se incorpora ao patrimônio da empresa, constituindose, na verdade, receita própria do Município, que possui a competência tributária para instituílo e exigilo. De igual modo, o ISS não se enquadra no conceito de receita. Apesar do valor deste imposto compor o preço da mercadoria vendida ou do serviço prestado, o seu destaque na nota fiscal não significa que este valor ingressará no patrimônio da empresa. Isto porque, em razão do ISS ser um imposto indireto, ao contribuinte de direito cabe arrecadar o tributo e o repassar ao Município, titular do direito subjetivo da obrigação tributária. desta forma, concluise que o valor representado pelo ISS apenas transitará temporariamente no caixa da empresa até o momento em que for repassado ao Município, não compondo, portanto o seu patrimônio. Por esta razão, o valor do ISS não pode ser considerado como uma receita do contribuinte, pois não corresponde a uma variação patrimonial positiva e, por conseguinte, não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Destarte, constatase que a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS representa flagrante ofensa à regramatriz constitucional destas contribuições, já que o valor deste imposto não se enquadra no conceito de receita ou de faturamento do contribuinte (elementos que constituem a base de cálculo daquelas contribuições). a questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (cujo raciocínio é o mesmo do ISS) está sendo objeto de exame pelo Supremo Tribunal Federal, que recentemente retomou o julgamento do RE n° 240.7852/MG. Apesar do referido julgamento ainda não ter sido concluído, a Corte Suprema vem se inclinando em favor da tese defendida pelos contribuintes, no sentido de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. O relator, Ministro Marco Aurélio, esclarece em seu voto que "o conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação de serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta"; ressaltese, também, que, muito embora o objeto do mencionado Recurso se referira à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (sob a óptica da Lei Complementar n° 70/91), o precedente judicial a ser consolidado permite a extensão da ratio decidendi a outras hipóteses, já que o Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 10 9 Ministro Marco Aurélio procedeu a uma redefinição do conceito de receita bruta e fixação dos seus limites, excluindo de seu âmbito qualquer espécie de receita que não seja própria do contribuinte. Sendo assim, concluise que os fundamentos da referida decisão são inteiramente aplicáveis à própria COFINS (sob o regime das Leis n°s. 9.718/98 e 10.833/2003) e ao PIS (sob o regramento jurídico das Leis n° 9.718/98 e 10.637/2002), pois todos esses tributos têm como base de cálculo a receita bruta, elemento decisivo no julgado do RE n° 240.7852/MG; de igual modo, tal conclusão é também aplicável à tese da inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já que este imposto, apesar de compor o preço dos serviços prestados, não representa uma receita própria dos contribuintes (não integrando, portanto, o seu patrimônio), mas sim, uma receita pública dos Municípios credores. Por todo o exposto, a impugnante requer que seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL • a Impugnante, diante dos fatos expostos, requer diligência, com fundamento no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (transcreve) a fim de que AuditorFiscal estranho ao feito: a) dirijase à sede do Grupo Fator e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido; b) apure e deduza o custo do imóvel para fins de cálculo do lucro arbitrado, caso esta forma de tributação seja mantida; c) proceda à análise da documentação fiscal relativa ao ISS a ser apresentada no curso da diligência para, com base nesta documentação, excluir do cômputo da base de cálculo da exação os valores de ISS pagos no período fiscalizado, recalculandose a obrigação principal e os respectivos acréscimos legais. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO • por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. Esse é o atual entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como é exemplo, por todos, o Acórdão n. 10196008, oriundo da 1a Câmara do 1° Conselho (transcreve) DO PEDIDO Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 11 10 • pelo exposto, requer a Impugnante que: 1) seja declarado nulo o lançamento de ofício, uma vez que fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário, sem a interferência de autoridade judiciária; 2) caso não se entenda hipótese de nulidade, sejam apurados os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Ou, ao menos, sejam recalculados o IRPJ e a CSLL conforme o lucro presumido; 3) sejam excluídos do auto de infração os valores correspondentes às transferências bancárias de mesma titularidade, uma vez que não podem compor a base de cálculo dos tributos federais, na forma do inciso I do § 3° do art. 42 da Lei ns 9.430/96; 4) seja deduzido da receita apurada o custo do imóvel, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ; 5) seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal; 6) seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CCMF. A decisão em primeira instância encontrase a seguir sintetizada: Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade e inconstitucionalidade, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, considerar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada, mantendo parte dos lançamentos relativos: ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$226.544,49 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e quarenta e nove centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$112.745,04 (cento e doze mil, setecentos e quarenta e cinco reais e vinte e quatro centavos); à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$67.537,00 (sessenta e sete mil, quinhentos e trinta e sete reais); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$311.709,41 (trezentos e onze mil, setecentos e nove reais e quarenta e um centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimada da referida decisão em 09/03/2010 (Fls. 408), a Recorrente interpôs o presente recurso em 09/04/2010 (Fls. 409 a 439), em que requer: 1) seja declarado nulo o lançamento de ofício, uma vez que fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária; 2) Caso não se entenda hipótese de nulidade, sejam apurados os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Ou, ao Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 12 11 menos, sejam recalculados o IRPJ e a CSLL conforme o lucro presumido. 3) seja deduzido da receita apurada o custo do imóvel, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrando se o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ. 4) seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela impugnante, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de diligência fiscal. 5) seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CCMF. Em sessão de 11/09/2013, o presente Colegiado sobrestou o julgamento do presente recurso, consoante a Repercussão Geral do RE n° 601.314, o qual trata da constitucionalidade das Requisições de Movimentação Financeiras (RMF), e o disposto no então vigente art. 62A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Sobreveio a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os presentes autos retornaram a este Colegiado para continuação do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator Tratase de autos de infração de IRPJ e reflexos, decorrentes de omissão de receitas sem a comprovação de origem de recursos, cujo crédito tributário constituiuse, inicialmente, da seguinte forma (Fls. 113): CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$538.396,43 Contribuição Social s/Lucro Liquido R$266.244,14 Programa de Integração Social R$160.351,41 Contribuição p/Financiamento da S.Social R$740.084,29 Conheço do presente recurso quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado neste relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 13 12 Passo à análise dos pontos levantados pela Recorrente. A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01 (...) Não se argumente, por outro lado, que com o advento da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, desnecessária se tornou a autorização da autoridade judiciária para que a Receita Federal determine a quebra do sigilo bancário. Com efeito, entendem os nossos Tribunais, especialmente os egrégios STJ e TRF da Ia Região, que abrange esta Seção Judiciária do Estado da Bahia, que a LC n°. 105/2001 não isenta as matérias relativas ao sigilo bancário da apreciação e autorização do Poder ludiciário para sua quebra. Vale dizer: a LC 105/01 não permite que as autoridades fazendárias determinem a quebra do sigilo bancário de determinado contribuinte sem a intervenção e o crivo do Poder Judiciário (transcreve). (...) É inconteste, portanto, que a quebra do sigilo bancário, uma vez que representa uma atenuação da garantia constitucional da inviolabilidade dos direitos individuais, exige como pressuposto de validade a interferência e a análise de autoridade judiciária, sob pena de ilegalidade da medida. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Além do mais, o posicionamento majoritário dos Tribunais pátrios aponta no sentido de que a Lei Complementar n° 105/01 não excluiu do Poder Judiciário a atribuição de analisar os pedidos de quebra do sigilo bancário, determinando a efetivação da medida conforme o caso (transcreve). (...) E se assim é, a recorrente requer a declaração de nulidade absoluta do auto de infração em lide, pois fundamentado em meio de prova ilicitamente produzido, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela SRFB, sem a interferência de autoridade judiciária. Nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 14 13 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Destarte, não há que se falar em nulidade dos autos de infração em decorrência de inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, devendose afastar a preliminar de nulidade suscitada. LUCRO ARBITRADO MEDIDA EXCEPCIONAL. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL (...) Como é cediço, a apuração da base de cálculo pela presunção de omissão de receita cumulada com a tributação pelo lucro arbitrado é medida excepcionalíssima, pois viola inúmeras garantias constitucionais, como o princípio da segurança jurídica, da verdade material, da capacidade contributiva e da própria legalidade, de onde se extraí o princípio da tipicidade cerrada, vigente na seara tributária. (...) Em primeiro lugar, porque a existência de uma versão paralela dos fatos, embora não documentalmente comprovada, coloca dúvidas reais a respeito do não cumprimento das intimações pelo contribuinte, havendo, inclusive, relato de análise da contabilidade pela fiscalização. Aliás, a própria versão oficial parece afastar a exigência de arbitramento, na medida em que o Auditor relata ter entrado em contato com a funcionária do Grupo Fator, que poderia, certamente, têlo colocado em contato com os sócios da empresa ou seus representantes legais. Então, por que enviar novo termo de início por AR? Em segundo lugar, porque a contabilidade da recorrente é absolutamente regular, sujeita a auditoria externa, fato que pode ser devidamente comprovado pelo cotejo entre os extratos bancários (já constantes do processo) e o Livro Razão, cuja cópia anexouse com a impugnação (doc. 03). Por tal cotejo, é possível comprovar que os depósitos bancários estão Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 15 14 devidamente registrados na contabilidade, não se podendo falar em receita não contabilizada. A conclusão a que se chega é que o procedimento fiscalizatório, por estar fragilmente fundamentado em presunções e arbitramentos, é insubsistente, devendo a recorrente ser tributada conforme a sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro presumido. Tal conclusão decorre do princípio da verdade material ou real, que rege o processo administrativo tributário, segundo o qual ao julgador devem ser disponibilizados todos os meios para se alcançar a realidade, neste caso, a efetiva base tributável dos impostos e contribuições exigidos. Em conseqüência, diante de indícios relevantes da desnecessidade da medida extrema do arbitramento da base de cálculo, este eg. CARF deve determinar diligência fiscal, desde já requerida, para que Auditor Fiscal estranho ao feito dirijase à sede do Grupo Fator, situado na Av. Prof. Magalhães Neto, e apure os tributos devidos com base na contabilidade da empresa, adotando o regime de tributação pelo lucro presumido. Caso não seja acolhido o pedido de diligência nos termos anteriores, requer, ao menos, que seja reconhecida a insubsistência da apuração pelo lucro arbitrado, adotandose o cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, o que, em termos práticos, resultará na redução a 8% do percentual de presunção do lucro em relação ao IRPJ. Conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993). Com efeito, a fundamentação da decisão em primeira instância, a qual passo a adotála, assim nos esclarece: No mérito, temse que foi apurada omissão de receitas, com base nos valores creditados nas contas correntes bancárias de n 76.7123, 86.3009 e 27.5581, mantidas pela Interessada junto ao Banco Bradesco S/A., respectivamente, nas agências de n 1.4257, 3.2310 e 3.3693, valores esses cuja origem não foi comprovada. Aqui, há que se observar, primeiramente, que não estão sendo tributados depósitos bancários como tal considerados, mas sim a omissão de receitas representada pelos recursos, de origem não comprovada, que ingressaram nas contas bancárias da Contribuinte. Os depósitos bancários são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 16 15 satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. O art. 195 e seu parágrafo único do CTN estabelecem que toda a documentação relativa à atividade da pessoa jurídica, ou que se refira a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial, deverá ser por ela guardada, enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes. Assim, cabia à empresa, quando intimada, apresentar os documentos que comprovassem a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Não o fazendo a Fiscalizada, é lícito concluirse que se tratam de receitas tributáveis não incluídas entre aquelas registradas na contabilidade. Salientese que embora tenha apurado IRPJ e CSLL a pagar Autuada nada declarou em DCTF (IRPJ e CSLL), em relação ao anocalendário de 2005, conforme documentos de fls. 56 a 58, apesar da significativa movimentação bancária demonstrada pelos respectivos extratos bancários juntados aos autos do processo. Como já se disse, o Fisco, para lançar, valeuse de uma presunção legal de omissão de receitas, cuja matriz legal é o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Ocorre que a partir de 1° de janeiro de 1997, havendo intimação nesse sentido, a não comprovação de depósitos bancários, por meio de documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receita. Estáse, pois, diante de uma presunção legal, contra qual a Impugnante não produziu qualquer prova no sentido de elidila. A propósito, convém reproduzir o citado dispositivo legal: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...). § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Assim, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de receitas. Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da Contribuinte. Há a inversão do ônus da Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 17 16 prova, característica das presunções legais. Então, a Interessada é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Resta evidenciado, portanto, que a Contribuinte não comprovou a origem de valores integrados à sua conta corrente bancária, bem como não demonstrou sua contabilização, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita à tributação. Por não ser admissível prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a manutenção da exigência, até porque admitida legalmente. Todavia, a Impugnante requer que sejam excluídos os valores correspondentes às transferências entre contas bancárias de mesma titularidade, por força do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Nesse sentido, relaciona 4 (quatro) créditos/depósitos efetuados no Banco Bradesco, na conta corrente de n° 27.5581 (agência n° 3.3693), no valor total de R$446.937,28, e 32 (trinta e dois) créditos/depósitos na conta n° 76.7123 (agência n° 1.4257), no valor total de R$549.782,24, que seriam oriundos de mera transferência entre as três contas bancárias mantidas pela Contribuinte nessa instituição financeira. Do exame dos extratos bancários anexados às fls. 61 a 109, concluise que, no caso dos créditos/depósitos efetuados na conta n° 27.5581, agência n° 3.3693, os valores de R$50.000,00 (28/09/2005) e R$218.500,00 (29/09/2005) foram efetivamente transferidos da conta n° 76.7123, agência n° 1.4257, também de titularidade da Autuada. Tais valores devem, assim, ser retirados de tributação. O montante de R$131.000,00 (31/10/2005) não consta como movimentado em nenhuma das outras duas contas bancárias da Interessada, enquanto o valor de R$47.437,28 (02/12/2005) sequer faz parte do demonstrativo fiscal. Quanto aos créditos/depósitos efetuados na conta n° 76.7123, agência n° 1.4257, apenas o montante de R$388.968,43 (12/08/2005) referese a transferência oriunda de outra conta bancária da Autuada, a de n° 86.3009, agência n° 3.2310, devendo ser excluído da base de cálculo do IRPJ. As demais transferências originaramse de contas correntes pertencentes à empresa Fator Imóveis Ltda., ou seja, de outra titularidade. Pelo exposto, indefiro o pedido de diligência solicitado, uma vez que os autos do presente processo contêm os elementos necessários para decidir sobre o presente recurso. Quanto à solicitação para que a tributação se dê com base em sua contabilidade e pelo seu regime de tributação, o lucro presumido, não assiste razão à recorrente. Segundo os fundamentos do acórdão recorrido: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 18 17 Contudo, no caso concreto, tal alegação não faz qualquer sentido, como se depreende da simples leitura do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...). Por sua vez, citado artigo 527 do RIR/1999, determina: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei n° 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei n°8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Em suma, a Interessada não apresentou ao Fisco os documentos e livros de sua escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, relativos ao anocalendário de 2005, sujeitandose, portanto, ao arbitramento do lucro do período, como prescreve o artigo 530, inciso III, do RIR/1999. O lucro arbitrado é a forma de avaliação da renda das empresas aplicada nas hipóteses de descumprimento de requisitos definidos em lei para tributação do lucro real ou lucro presumido. Foi a alternativa que restou à fiscalização diante da falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória da contabilidade da Autuada, não surtindo qualquer efeito a tentativa de apresentar sua documentação contábil em momento posterior ao lançamento de ofício, tendo em vista a incondicionalidade do arbitramento, como firmado na jurisprudência administrativa do hoje denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (transcreve): APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao Fl. 461DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 19 18 contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. 1° CC/8a Câmara/ACÓRDÃO 10806.053 em 16/03/2000. Publicação DOU: 22/08/2000. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS É inócua a posterior apresentação de livros e documentos com o intuito de apresentar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. 1° Conselho de Contribuintes/3a Câmara / ACÓRDÃO 10322.980 em 25/04/2007. Publicado no DOU em: 07/01/2008. INTIMAÇÃO RECUSA APRESENTAÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO ARGÜIÇÃO DE CONDICIONALIDADE DESCABIMENTO O arbitramento não é algo que se possa subordinar à matroca da parte que lhe deu causa. A recusa ou a inexistência de livros e documentos impede a auditoria não o arbitramento do lucro. O acolhimento ulterior do acervo implicará das duas uma: ou se empreende uma celeridade meteórica às operações fiscais e aos julgamentos em suas diversas instâncias, ainda com amparo em legislação complementar que oferte maior elasticidade aos prazos decadenciais em casos de recusa ou embaraço às ações do Fisco; ou se exime de tributos, paradoxalmente, todos aqueles cidadãos que obrarem contra os cânones democráticos que os agasalham e os protegem. Eis um dualismo e uma antinomia execráveis. 1° CC/ 7a Câmara/ACÓRDÃO 10706921 em 05/12/2002. Publicado DOU: 20/10/2003. Diante da hipótese de arbitramento do lucro, emerge a necessidade da identificação do montante da receita bruta. No presente caso, os depósitos bancários de origem não comprovada constituíram a receita tributável para fins de apuração do imposto sobre o lucro arbitrado, não cabendo, aqui, apreciar se é justo ou injusto o método utilizado pelo Fisco, mas sim que é perfeitamente legal e guarda consonância com a legislação vigente. A base de cálculo do imposto o lucro arbitrado foi obtida pela utilização do percentual de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), que nada mais é do que um percentual 20% (vinte por cento) superior ao adotado para o lucro presumido, que é de 8% (oito por cento), sobre a receita bruta conhecida no caso, os valores omitidos. Por conseguinte, não merece reparos o acórdão recorrido nesse ponto, inclusive quanto à exoneração de parte do crédito tributário na apuração da receita bruta de depósitos bancários sem origem justificada, abordada preliminarmente. Em face do exposto nego provimento ao presente recurso contra a adoção do lucro arbitrado e contra o uso do percentual de 9,6% sobre a receita bruta conhecida. EMPRESA DO RAMO IMOBILIÁRIO. CORRETA APURAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DO CUSTO DO IMÓVEL. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 20 19 Em se tratando de empresa imobiliária, determina a legislação federal em vigor que o lucro arbitrado será apurado deduzindo se os custos comprovados com o imóvel. 72. No entanto, o auto de infração não considerou os custos da construção do imóvel, mesmo ciente de que a recorrente dedica se exclusivamente à incorporação imobiliária, conforme o seu estatuto social (doe. 01 impugnação). E se assim é, foi descumprido o art. 543 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99, verbis: "Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei n° 8.981, de 1995, art. 49, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 12)." A recorrente entende que o Livro Razão acostado com a impugnação (doc. 03) já fornece elementos suficientes para comprovação das despesas com a incorporação do imóvel no ano de 2005. No entanto, caso este eg. CARF entenda que a comprovação se fará por meio de notas/faturas fiscais, a recorrente requer diligência fiscal, a fim de auditor estranho ao feito verifique, in loco, a totalidade das notas fiscais relativas à construção do imóvel. Justifica a diligência a quantidade significativa de documentos, que somente atrapalharia o regular curso do processo. Sendo assim, a recorrente requer a dedução do custo do imóvel da receita apurada, aplicandose o percentual de 9,6% sobre o saldo, encontrandose o correto lucro arbitrado para fins de IRPJ. Adoto as mesmas razões da decisão em primeira instância, as quais as transcrevo: Alega a Impugnante que apesar de dedicarse exclusivamente à incorporação imobiliária, o auto de infração desconsiderou os custos da construção do imóvel, para efeito de apuração do lucro arbitrado, como prescreve o artigo 534 do RIR/1999. A propósito, assim reza o citado dispositivo legal: Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei n° 8.981, de 1995, art. 49, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°). (grifei) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 21 20 Ora, o artigo 534 do RIR/2009 deixa claro que somente poderão ser deduzidos da receita bruta, para fins de cálculo do lucro arbitrado, os custos devidamente comprovados, o que não ocorreu no presente caso, visto que a Contribuinte sequer apresentou os livros e documentos de sua escrituração, embora reiteradamente intimada nesse sentido. A apresentação de seu Livro Razão, somente agora, na fase impugnatória não infirma a apuração levada a efeito no Auto de Infração, sob pena de se admitir o arbitramento condicional, hipótese esta incogitável, consoante esclarecido anteriormente. Portanto, descabe a adoção de diligência para se deduzir do lucro arbitrado do IRPJ o custo de imóvel com base em documentação extemporânea e, pelos mesmos motivos, nego provimento ao presente recurso contra a ausência da referida dedução. Em relação à CSLL, PIS e COFINS, adoto as mesmas razões da decisão referente ao IRPJ neste voto, mantendose a decisão em primeira instância, por se tratar de tributação reflexa. EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS (...) Sendo assim, a partir da breve análise do conceito de faturamento supra mencionado, extraise a conclusão lógica de que faturar é um ato privativo da pessoa jurídica. Logo, o valor pago a título de ISS pela recorrente agregado ao preço dos serviços prestados não revela qualquer correlação com o seu faturamento, ou seja, com a sua receita operacional, já que o valor destes impostos não se incorporam ao patrimônio da empresa, constituindose, na verdade, receita própria do Município, respectivamente, que possuem a competência tributária para instituir e exigir esses impostos. De igual modo, o ISS não se enquadra no conceito de receita. Apesar do valor deste imposto compor o preço da mercadoria vendida ou do serviço prestado, o seu destaque na nota fiscal não significa que este valor ingressará no patrimônio da empresa. Isto porque, em razão do ISS ser um imposto indireto, ao contribuinte de direito cabe arrecadar o tributo e o repassar ao Município, titular do direito subjetivo da obrigação tributária (...) A questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (cujo raciocínio é o mesmo do ISS) está sendo objeto de exame pelo Supremo Tribunal Federal que, recentemente, retomou o julgamento do Recurso Extraordinário n°. 240.785 2/MG, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. (...) De igual modo, a conclusão do voto do Ministro Marco Aurélio é também aplicável à tese da inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já que este Fl. 464DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 22 21 imposto, apesar de compor o preço dos serviços prestados, não representa uma receita própria dos contribuintes (não integrando, portanto, o seu patrimônio), mas sim, uma receita pública dos Municípios credores. Por todo o exposto, a recorrente requer que seja recalculado o montante devido, excluindose da base de cálculo da exação o ISS pago pela recorrente, conforme livros e documentos fiscais a serem exibidos em sede de DILIGÊNCIA FISCAL. Conforme consta das razões do acórdão recorrido: A Impugnante insurgese também contra a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que o valor do ISS apenas transita provisoriamente pelo caixa da empresa, não representando uma receita própria dos contribuintes e, assim, não se enquadra no conceito de receita ou de faturamento, sendo inconstitucional que venha a compor a base de cálculo daquelas contribuições. Aqui, mais uma vez, vem a Impugnante questionar dispositivos legais que considera inconstitucionais. Como já suficientemente analisado acima, somente o Poder Judiciário tem competência para apreciar tais questões. Quanto ao voto dado por determinado ministro do Supremo Tribunal Federal, por ocasião da retomada do julgamento de Recurso Extraordinário que trata da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, do qual a Impugnante extraiu alguns trechos, registrese que, de acordo com o artigo 1°, caput, do Decreto n° 2.346, de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. O fato de o STF estar analisando, em sede de Recurso Extraordinário, a constitucionalidade de o ICMS estar compondo a base de cálculo da COFINS em nada afeta a certeza dos créditos tributários constituídos nos Autos de Infração. Além do caso concreto sequer tratar de ICMS, mas sim de ISS, eventuais decisões do STF considerando inconstitucional dispositivo legal vigente somente obrigam a Administração nas hipóteses em que tiverem aplicação erga omnes, preencham as condições definidas na legislação aplicável, especialmente o artigo 77 da Lei n° 9.430, de 1996, e o Decreto n° 2.346, de 1997, ou sejam proferidas em ações das quais a contribuinte seja parte. No caso em análise, não estão presentes as hipóteses citadas, inexistindo reparo a se fazer em relação ao procedimento do agente do Fisco. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 23 22 Com efeito, a Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo artigo 2° da Medida Provisória n° 1.807, de 1999 (atualmente Medida Provisória n° 2.15835, de 2001), ao tratar do PIS e da COFINS, assim dispõe: Art. 2°. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1°. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2°. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: 1 as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (revogado pelo art. 93, V, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Conforme se depreende dos dispositivos transcritos, o PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas, observadas as exclusões permitidas no § 2° do artigo 3° da Lei. Por pertinente, cabe ressaltar que a Lei n° 10.637, de 2002, e a Lei n° 10.833, de 2003, ao instituírem a incidência não cumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS, respectivamente, definiram as bases de cálculo dessas contribuições nos mesmos moldes da Lei n° 9.718, de 1998. Assim, concluise que a base de cálculo do PIS e da COFINS, para o tipo de empresa ora em análise, é a totalidade da receita bruta mensal por ela auferida, ou seja, com base nas disposições supra transcritas, temse que a base de cálculo dessas contribuições será formada pelas receitas de vendas, pelas receitas financeiras e por outras receitas operacionais. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 24 23 Observese ainda que não há na legislação de regência nenhum dispositivo que permita qualquer exclusão da base de cálculo para a hipótese pretendida (ISS). Quisesse a lei contemplar essa parcela da base de cálculo com o direito à exclusão em questão, o teria feito de forma expressa. Importa ainda destacar, por sua relevância, os artigos 10 e 22 do Decreto n° 4.524, de 2002, que regulamentou a contribuição para o PIS e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 10 As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9°, têm como base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 1°, Lei n° 9.701, de 1998, art. 1°, Lei n° 9.715, de 1998, art. 2°, Lei n.° 9.716, de 26de novembro de 1998, art. 5°, eLei n°9.718, de 1998, arts. 2°e 3°). (...). Art. 22 Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei n°9.718, de 1998, art. 3°): I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; V das reversões de provisões; VI das recuperações de créditos baixados como perdas, limitados aos valores efetivamente baixados, que não representem ingresso de novas receitas; VII das receitas decorrentes das vendas de bens do ativo permanente. (...). Do enunciado nos artigos 10 e 22, antes transcritos, inferese que se considera como receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual só podem ser excluídos os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sobre o tema, temse a ressaltar que, assim como a instituição de tributo, a outorga de isenção também se submete ao princípio da estrita legalidade e à tipicidade fechada. Sendo assim, a exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, constituindo uma espécie de isenção, só poderia ser feita mediante lei específica que expressamente a previsse. Vale ainda Fl. 467DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 25 24 lembrar que, nos termos do artigo 111, inciso II, do CTN, a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser submetida a uma interpretação literal, assim entendida uma interpretação restritiva, que não estenda os efeitos do benefício a outras hipóteses que não as expressamente previstas na lei correspondente. Em suma, não há, na situação específica, previsão legal para a exclusão dos valores do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Tratandose, na hipótese, de dedução da base de cálculo das contribuições (desoneração parcial do tributo), há que se observar a obrigatoriedade da interpretação restritiva (literal) prevista na norma geral. Só podem, portanto, ser excluídos os valores expressamente autorizados em lei, não sendo cabível uma interpretação extensiva, no caso. Em vista disso, verificase que a parcela relativa ao ISS compõe a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que não há qualquer dispositivo legal permitindo sua exclusão. Em face da referida fundamentação, a qual passo a adotar nesse ponto, indefiro o pedido de diligência e nego provimento ao presente recurso contra a exclusão de valores a título de ISS na apuração da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. (...) Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de Fl. 468DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 26 25 ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 27 26 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 28 27 Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 29 28 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 30 29 (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza Fl. 473DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 31 30 para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN Fl. 474DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 32 31 TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 33 32 Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento Fl. 476DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.723012/200922 Acórdão n.º 1202001.133 S1C2T2 Fl. 34 33 de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada, indefiro todos os pedidos de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao presente recurso apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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