Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.001657/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FALTA DE EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE
1. Comete infração a empresa que deixa de exibir livros e documentos, ou os apresenta de forma deficiente.
2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização.
Numero da decisão: 2402-006.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FALTA DE EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE 1. Comete infração a empresa que deixa de exibir livros e documentos, ou os apresenta de forma deficiente. 2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.001657/2009-69
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958570
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.904
nome_arquivo_s : Decisao_19515001657200969.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 19515001657200969_5958570.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7595020
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415492952064
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-30T23:07:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-30T23:07:40Z; Last-Modified: 2019-01-30T23:07:40Z; dcterms:modified: 2019-01-30T23:07:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-01-30T23:07:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-30T23:07:40Z; meta:save-date: 2019-01-30T23:07:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-30T23:07:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-30T23:07:40Z; created: 2019-01-30T23:07:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-01-30T23:07:40Z; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-30T23:07:40Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 399 1 398 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001657/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.904 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FALTA DE EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OU SUA APRESENTAÇÃO DEFICIENTE 1. Comete infração a empresa que deixa de exibir livros e documentos, ou os apresenta de forma deficiente. 2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 57 /2 00 9- 69 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19515.001657/200969 Acórdão n.º 2402006.904 S2C4T2 Fl. 400 2 Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado por ter a empresa apresentado os livros diário e razão de 2004 a 2007, que não atendiam às formalidades legais. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: Data do fato gerador: 22/05/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme art. 33, §§2° e 3° da Lei 8.212/91 combinado com os art. 232 e, 233 parágrafo único do Decreto 3.048/99. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Relatou a acusação fiscal que a empresa teria apresentado os livros diário e razão de 2004 a 2007, que não atendiam às formalidades legais, a saber: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19515.001657/200969 Acórdão n.º 2402006.904 S2C4T2 Fl. 401 3 O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 (fl. 175) e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente a alegação de que não teria cometido ato ilícito, o que seria comprovado nas impugnações relativas aos autos de infração lavrados por descumprimento das obrigações principais. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Todas as acusações fiscais, as quais foram transcritas nos itens 1.1.1 a 1.1.5 do relatório desta decisão, são incontroversas. Ora, ao contrário do que alega a recorrente, este lançamento não decorre do descumprimento das obrigações principais controladas nos processos administrativos fiscais 19515.001660/200982, 19515.001659/200958 e 19515.001661/200927, mesmo porque, como referido acima, as infrações estão relacionadas à escrituração e à exibição dos livros e documentos, não necessariamente relativas ao descumprimento das obrigações principais. Lembrese que, na dicção do § 2º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória (ou instrumental) decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A doutrina do professor Luciano Amaro1 assim ensina: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Por essa razão, grande parte dos doutrinadores a denomina de obrigação instrumental, ao invés de obrigação acessória, convindo transcrever os seguintes ensinamentos do professor Luís Eduardo Schoueri: 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19515.001657/200969 Acórdão n.º 2402006.904 S2C4T2 Fl. 402 4 Aliás, pode haver "obrigação acessória" mesmo em casos em que não haja "obrigação principal" (portanto, fora da própria relação tributária). Basta considerar que entidades imunes estão obrigadas a entregar declarações, prestar informações e quejandas, justamente para que a fiscalização possa assegurar se da imunidade. Vejase, a esse respeito, o que dispõe o art. 14 do Código Tributário Nacional: 2 [...] Vêse, pelos exemplos acima, que a obrigação "acessória" não se vincula à obrigação principal. A acessoriedade, no caso, nada tem a ver com sua subordinação a uma "obrigação principal"; a expressão é empregada, antes, para identificar seu caráter instrumental, já que tem por finalidade assegurar o cumprimento daquela. 3 As acusações fiscais formuladas neste processo são distintas, o que passou despercebido à recorrente, mas não à instância de origem. Vejase: De toda forma, no PAF principal este colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 509. 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 510. Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004460/2009-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
Numero da decisão: 2002-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11610.004460/2009-91
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948944
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.594
nome_arquivo_s : Decisao_11610004460200991.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11610004460200991_5948944.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7572630
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415510777856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 102 1 101 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.004460/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.594 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Recorrente LUIZ FRANCISCO DO ESPIRITO SANTO SCANDURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 44 60 /2 00 9- 91 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11610.004460/200991 Acórdão n.º 2002000.594 S2C0T2 Fl. 103 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 17ª Turma da DRJ/SP1, que rejeitou a preliminar de tempestividade da impugnação e, no mérito, não tomou conhecimento da impugnação, em decisão assim ementada (fls.73/77): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, DE PESSOAS FÍSICAS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. CIÊNCIA. Tendo sido o contribuinte cientificado por Edital, nos termos da legislação vigente, considerase intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do lançamento, ciência essa que ocorre no 15º (décimo quinto) dia após a fixação do Edital. Preliminar rejeitada. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 8/12, relativa ao anocalendário 2004, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$38.415,13, e de aluguéis, no valor de R$13.980,59. A Notificação de Lançamento alterou o resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$176,68, para saldo de imposto a pagar de R$13.641,96. Considerado cientificado da notificação em 29/1/2009 por edital, publicado em 13/1/2009 (fl.34), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 27/5/2009 (fls. 2/3). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 16/5/2018 (fl. 87), o recorrente apresentou recurso voluntário em 28/5/2018 (fls. 90/99), em que alega os seguintes argumentos de defesa: solicita a revisão do lançamento no tocante à omissão de rendimentos recebidos por Marcia Scandura, que sequer poderia figurar como sua dependente, por ser sua sobrinha e por ter apresentado declaração em separado à época (28/4/2005). em relação aos rendimentos de aluguéis, informa que o débito foi parcelado e quitado. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11610.004460/200991 Acórdão n.º 2002000.594 S2C0T2 Fl. 104 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo, entretanto na peça de defesa apresentada o recorrente não questiona o julgamento da intempestividade pela DRJ. A decisão de primeira instância não conheceu da impugnação, por intempestiva. Logo, não se instaurou o litígio administrativo. Em seu recurso o recorrente não questiona a única questão decidida na decisão de piso, que foi a intempestividade. Logo, ausente o pressuposto recursal para conhecimento do recurso. Dessa feita, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721340/2015-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL DA DOENÇA. COMPROVAÇÃO.
Para fazer jus à isenção do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6° da Lei 7.713/1988 e alterações, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Se o laudo não especificar a data de início da doença. considerar-se-á como tal a data de sua expedição, não sendo admitido para tanto documento expedido por serviço médico particular.
Numero da decisão: 9202-007.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL DA DOENÇA. COMPROVAÇÃO. Para fazer jus à isenção do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6° da Lei 7.713/1988 e alterações, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Se o laudo não especificar a data de início da doença. considerar-se-á como tal a data de sua expedição, não sendo admitido para tanto documento expedido por serviço médico particular.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10730.721340/2015-71
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950390
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.388
nome_arquivo_s : Decisao_10730721340201571.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10730721340201571_5950390.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7574758
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415570546688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.721340/201571 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.388 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARGARETTE GARCIA MACHADO ROSA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL DA DOENÇA. COMPROVAÇÃO. Para fazer jus à isenção do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6° da Lei 7.713/1988 e alterações, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Se o laudo não especificar a data de início da doença. considerarseá como tal a data de sua expedição, não sendo admitido para tanto documento expedido por serviço médico particular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 13 40 /2 01 5- 71 Fl. 103DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2001000.268, proferido pela 1ª Turma / Turma Extraordinária / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de notificação de lançamento de fls. 17/20, que informou ao sujeito passivo a alteração do saldo de imposto a restituir de R$ 7.065,32 para R$ 4.502,25, após a revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora/2013 (entregue em 23/03/2015). Na mencionada revisão apurouse a omissão de rendimentos tributáveis no montante de R$ 43.468,88. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 21/22. A DRJ/SDR, às fls. 39/42, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 39/42. A 1ª Turma da Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 66/69, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. Às fls. 71/78, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Omissão de rendimentos Moléstia Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10730.721340/201571 Acórdão n.º 9202007.388 CSRFT2 Fl. 10 3 grave. Súmulas CARF nºs 43 e 63 (comprovação da data de início da moléstia grave). Enquanto o acórdão recorrido admitiu como hábil a comprovar a data de início da doença especificada na lei tributária, o momento em que iniciou o tratamento da contribuinte, sem que esse marco fosse definido de maneira expressa e específica no laudo oficial, enquanto que os paradigmas não admitiram essa hipótese. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 81/86, a 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Omissão de rendimentos Moléstia grave. Súmulas CARF nºs 43 e 63 (comprovação da data de início da moléstia grave). O Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 93/95, preliminarmente arguindo ausência de pressupostos para o recurso especial da União, por falta de similaridade entre os acórdãos confrontados. No mérito, reiterou que o laudo oficial identificou a data do início da doença baseandose na comprovação da Ressonância Magnética e fez constar tal informação expressamente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de notificação de lançamento de fls. 17/20, que informou ao sujeito passivo a alteração do saldo de imposto a restituir de R$ 7.065,32 para R$ 4.502,25, após a revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora/2013 (entregue em 23/03/2015). Na mencionada revisão apurouse a omissão de rendimentos tributáveis no montante de R$ 43.468,88. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Omissão de rendimentos Moléstia grave. Súmulas CARF nºs 43 e 63 (comprovação da data de início da moléstia grave). A discussão dos autos cingese a data de início da moléstia grave para fins de isenção de tributo exigido do Contribuinte. E se o Laudo médico oficial poderia ou não referir aos fatos ocorridos no tempo imputando a eles força cogente. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Fl. 105DF CARF MF 4 O que se coloca em análise é que o laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, com reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro lado, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Registro a existência de duas súmulas acerca da temática da moléstia grave, mas cumpre salientar que nenhuma delas resolve a questão: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O acórdão recorrido decidiu pela isenção face ao laudo médico oficial referir ao período de início da moléstia, mesmo que preteritamente: Tendo em vista constar no laudo médico de 2012, fl. 60, de que o tratamento da doença, incluído no rol dos doenças que permitem a isenção, iniciouse em 2008, entendo caracterizado o início da doença como ocorrido nessa data. Não houve discussão de que se tratam de rendimentos de aposentadoria. Dessa maneira, caracterizada a doença grave desde 2008, faz jus o contribuinte à isenção do imposto de renda. A Fazenda Nacional insurgese quanto a data apontada: No caso dos autos, o Laudo Pericial Oficial de fls. 60, não dispôs sobre reconhecimento pretérito da doença, constatou a moléstia apenas para o final de 2012. Contudo, o r. acórdão proferido pela Câmara a quo reconheceu a isenção do imposto no ano de 2012, entendendo que a declaração de fls. 13 supria a exigência da lei de apresentação de laudo pericial, emitido por serviço médico oficial. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10730.721340/201571 Acórdão n.º 9202007.388 CSRFT2 Fl. 11 5 Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Entendo que, embora o laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, não tenha se referido ao período pretérito da doença grave, foi corroborado pelo laudo médico particular, que é contemporâneo ao período da autuação, atendendo ao requisito da verdade material. A isenção demanda a subsunção do fato a norma prestigiando a verdade material, deste modo, se o laudo oficial vier corroborando laudo médico particular contemporâneo, deve a isenção retroagir a data apontada pelo médico no laudo oficial possibilidade do reconhecimento da isenção Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator Designado Apesar do bem articulado voto da i. Relatora, divirjo do seu entendimento. Conforme bem relatado, a matéria em discussão cingese à definição do termo inicial da doença, mais especificamente da comprovação desse termo por meio de documento hábil e idôneo. Entendeu a Relatora que, apesar de o laudo oficial não indicar a data de início da doença e não se referir a outro documento pretérito, deverseia aceitar como comprovação laudo médico particular que atesta o início da doença em data pretérita. e é aí que divirjo da Relatora. Se dúvidas havia no passado quanto à possibilidade de comprovação da doença por meio de laudo emitido por serviço médico particular, com a introdução do art. 30 da Lei nº 9.250, de 1996, elas foram dissipadas. Confirase: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a Fl. 107DF CARF MF 6 redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Ora, se a doença deve ser comprovada por meio de laudo expedido por serviço médico oficial, o termo inicial da doença só pode ser definido por meio de laudo oficial. De outro modo, no caso em que laudo particular atestar o início da doença em data anterior à referida (ou não referida) no laudo oficial, haverá período em que a única comprovação da doença será o laudo particular, hipótese expressamente rechaçada pela lei. É sempre bom relembras que isenção fiscal é norma excepcional, que deve ser interpretada restritivamente. Aquilo que não está expressamente na exceção, está na regra geral. Quanto ao princípio da verdade material, invocado pela Relatora, data vênia, é a própria lei que determina a forma como essa verdade a de o contribuinte ser portador da doença deve ser proclamada: por meio de laudo oficial. Admitir laudo particular em nome da verdade material significa tornar letra morta a lei. Concluo, pois, que na ausência de definição, no laudo oficial, da data em que a doença teve início, deve ser considerado como tal a data da expedição do laudo oficial, não sendo admitido para esse mister laudo expedido por particular. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005467/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. ERRO DE FATO. PRECLUSÃO. EXCLUSÃO DE LANÇAMENTO.
No processo administrativo fiscal deve-se buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscando-se a revelação da verdade material; para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas.
Numero da decisão: 2202-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(Assinado digitalmente)
RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. ERRO DE FATO. PRECLUSÃO. EXCLUSÃO DE LANÇAMENTO. No processo administrativo fiscal deve-se buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscando-se a revelação da verdade material; para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.005467/2005-13
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5956402
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.919
nome_arquivo_s : Decisao_10280005467200513.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10280005467200513_5956402.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente. (Assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7587591
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415791796224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 71 1 70 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.005467/200513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.919 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF Recorrente MARCO AURELIO DE SOUZA RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. ERRO DE FATO. PRECLUSÃO. EXCLUSÃO DE LANÇAMENTO. No processo administrativo fiscal devese buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscandose a revelação da verdade material; para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. (Assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 54 67 /2 00 5- 13 Fl. 71DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 44/46) interposto contra o Acórdão 01 7.8722ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém / PA – DRJ/BEL (fls. 38/40), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (fls. 03/10), relativo ao anocalendário 2001, exercício 2002, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 30.985,00, sendo R$ 1.051,61 de imposto; R$ 12.676,68 de imposto suplementar; R$ 9.507,49 de multa proporcional e R$ 7.749,24 de juros de mora, calculados até 30/06/2005. 2. Consta do Auto de Infração lavrado em 19/08/2005, cientificado ao autuado em 01/11/2005 (fl. 18), que o procedimento fiscal originouse da revisão da declaração de ajuste anual DAA do contribuinte e teve como escopo a apuração de saldo de imposto de renda a pagar e a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, por falta de registro nos sistemas da Receita Federal e por falta de comprovação por parte do contribuinte. 3. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, e por ser de interesse o exame da decisão de primeira instância, reproduzemse os trechos correspondentes do Acórdão prolatado pela 2ª Turma da DRJ/BEL (fls. citadas cf. processo original): Da Impugnação O contribuinte, inconformado com a autuação, apresentou impugnação, através de sua Procuradora (instrumento de mandato à fl. 13), em 24.11.2005 (fl. 01), alegando que: a) Em momento algum, o contribuinte agiu de má fé ao fazer sua declaração de ajuste anual de imposto de renda, exercício 2001/2002; b) Apresentou as retificadoras de n° 02/34828768 e 2138609726, sempre que foi notificado; c) O máximo que pode ter acontecido foi um inocente erro de preenchimento de tais declarações e, assegurou que, em momento algum, houve a intenção de sonegar tais impostos; d) Após fazer a declaração, pagou três parcelas no valor de R$1.723,30. O impugnante apresentou cópias dos seguintes documentos: a) Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício 2002, AnoCalendário 2001 (fls. 02/08); b) Comprovantes de Retenção Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte das fontes pagadoras: Fundação Petrobrás de Seguridade Social, CNPJ n°34.053.942/000150 (fl. 09); Petrobrás Transporte S/A (fl. 10); e Petróleo Brasileiro S/A (fl. 11); Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10280.005467/200513 Acórdão n.º 2202004.919 S2C2T2 Fl. 72 3 c) Comprovantes de pagamento de DARF, com data de arrecadação em 31/05, 29/04 e 28/06/2002 (fl. 12); d) Procuração Pública constituindo como sua Procuradora a Sra. Maria de Fátima Sena Rodrigues (fl. 13), assim como, Carteira de Identidade desta (f1. 14). Em face das alegações acima, o contribuinte solicita que seja desobrigado do pagamento do valor estipulado no auto de infraçãotributação e penalidade que lhe foram impostas. Acórdão da DRJ A DRJ/BEL, por seu turno, julgou a impugnação improcedente em razão dos entendimentos expostos a seguir: Voto Da tempestividade 6. Preliminarmente, como não foi encontrado o aviso de recebimento do auto de infração, para não cercear o direito de defesa da contribuinte, considerase sua ciência na data da apresentação da peça impugnatória. Dessa forma, a impugnação foi tempestiva. Como esta também preencheu os requisitos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, dela tomo conhecimento. Dos documentos apresentados. 7. O lançamento originouse de glosa de imposto de renda retido na fonte, por falta de comprovação, no valor de R$12.676,66, informado pelo contribuinte na declaração de ajuste. 8. Na peça impugnatória, o contribuinte alega que errou no preenchimento das declarações, vez que apresentou original e retificadora, não tendo, em momento algum, agido de máfé. Cita as declarações retificadoras de n. 02/34828768 e 2138609726. É importante observar que o auto de infração originouse da revisão da declaração retificadora n. 02/34828768. 9. O sujeito passivo apresentou os Comprovantes de Rendimentos pagos pelas demais fontes pagadoras informadas, não comprovando o imposto de renda retido na fonte glosado. 10. Dessa forma, caracterizada a percepção de rendimentos, declarados espontaneamente pelo impugnante, sem a comprovação da retenção na fonte, mantémse, sem reparos, a exigência. 11. Quanto aos pagamentos anexados aos autos, o contribuinte pode solicitar, se for o caso, a restituição e/ou compensação dos valores pagos indevidamente ou a maior, de acordo com a legislação vigente. 12. Isto posto, voto no sentido de julgar o lançamento PROCEDENTE. Recurso Voluntário 4. Em seu recurso o sujeito passivo se insurge contra a Decisão da DRJ e peticiona, em síntese, o que segue: a) que no ano calendário 2002 foi elaborada sua DAA por sua contadora, considerando como rendimentos os seguintes valores: Fundação Petrobrás de Fl. 73DF CARF MF 4 Seguridade Social, R$ 82.491,25; Petrobrás Transporte S/A, R$ 14.606,19; e Petróleo Brasileiro S/A R$ 73.186,15 (total de R$ 170.283,59); b) posteriormente informou para a contadora um rendimento complementar da Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS, no valor de R$ 47.406,48, o que resultou numa DAA retificadora no total de R$ 217.690,07; c) com a intimação da Malha 2002, a contadora compareceu à Receita Federal, para conhecimento dos fatos, quando detectou o seguinte lapso: inclusão de novo rendimento tributável da PETROS, em vez da substituição do rendimento informado equivocadamente (o correto seria apenas o rendimento de R$ 47.406,48); d) que pretendeu a retificação da declaração de acordo com os rendimentos corretos, ficando então com os seguintes rendimentos tributáveis: Fundação Petrobrás de Seguridade Social, R$ 47.406,48; Petrobrás Transporte S/A, R$ 14.606,19; e Petróleo Brasileiro S/A R$ 73.186,15 (total R$ 135.198,82); e) que a retificadora só seria permitida caso não existisse auto de infração, e para sua surpresa, em 21/02/2006, foi expedido Aviso de Cobrança no valor total de R$ 31.075,87. 5. Solicita por fim: a nulidade do aviso de cobrança; a juntada de todos os documentos necessários, onde fica comprovada a lisura do recorrente; a isenção de toda e qualquer penalidade, por ser esta a mais lídima e salutar justiça; pede deferimento de seu recurso. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Assim, dele conheço. 8. Ressaltese que o recorrente não levanta questões preliminares. 9. No presente caso, verificase que ocorreram uma série de equívocos pela parte do contribuinte e de sua procuradora, na elaboração das Declarações de Ajuste Anual DAA, ano calendário 2001. 10. Deve ser destacado que o contribuinte apresentou uma série de DAA para o ano calendário em questão, variando o total de rendimentos tributáveis (RT) e de IRRF, a saber: data nd fls RT $ IRRF objetivo do contrib situação Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10280.005467/200513 Acórdão n.º 2202004.919 S2C2T2 Fl. 73 5 29/04/2002 02/23774772 24 170.253,59 28.264,46 original anulada 21/08/2002 02/34828768 28 217.690,07 40.961,12 retificadora anulada 21/08/2002 02/40082931 19 217.690,07 40.961,12 retificadora revista e autuada em 19/08/2005 02/11/2005 02/34904709 20 135.198,82 28.284,46 retificadora retida (pós AI) 11. Devem também ser analisados os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte juntados às fls. 11 a 13 do presente, onde se confirma que os rendimentos tributáveis do contribuinte realmente são: Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS, R$ 47.406,48; Petrobrás Transporte S/A, R$ 14.606,19; e Petróleo Brasileiro S/A R$ 73.186,15 (total R$ 135.198,82); a soma do IRRF presente em tais comprovantes é o valor de R$ 28.284,46. 12. Tais rendimentos tributáveis e imposto retido na fonte são confirmados pelas pesquisas ao sistema Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, acostadas às fls. 32 a 34, que trazem as informações do resumo do beneficiário, detalhamento mensal, prestadas pelas pessoas jurídicas que declararam IRRF relativo ao recorrente. 13. Destaquese ainda que o documento apresentado em fase Recursal, fls. 68, conhecido neste Acórdão por sua relevância, é referente a um EXTRATO de resgate de previdência privada, pago ao contribuinte pela PETROS, e que não é o comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte fornecido pela PETROS ao autuado, relativo ao ano calendário 2001. A utilização deste extrato para a elaboração das DAA, em combinação com os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, foi a razão da série de equívocos na composição da base de cálculo correta e na informação do imposto retido 14. Pormenorizando tal documento, merecem destaque os itens E) a I). Das contribuições destacadas nas letras E a G, apenas a primeira e a última são tributáveis, pois a contribuição destacada na letra F) é referente a janeiro/89 a dezembro/95, e tais valores são isentos/não se sujeitam ao imposto de renda, com base artigo 6o., inciso VII, alínea b, da Lei no 7.713/1998, com a redação anterior à que lhe foi dada pela lei no. 9.250/1995, abaixo apresentado: Art. 6o. Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada; (...) b)relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e Fl. 75DF CARF MF 6 ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte. (...) 15. A Súmula Anotada 556 do STJ aborda claramente o assunto: Súmula 556 "É indevida a incidência de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria pago por entidade de previdência privada e em relação ao resgate de contribuições recolhidas para referidas entidades patrocinadoras no período de 1/1/1989 a 31/12/1995, em razão da isenção cocedida pelo art. 6o, VII, b, da Lei n. 7.713/1998, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei n. 9.250/1995." (Súmula 556, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) 16. Do exame do citado extrato de previdência, inferese que a PETROS seguiu o disposto na então vigente artigo 5o., inciso LI, da IN SRF 15, de 06/02/2001, abaixo destacado: Art. 5o. Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (,,,) LI valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1o de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (...) (grifei) 17. Assim, no comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte, juntado à fl. 11, se confirma que os rendimentos tributáveis do contribuinte pagos pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social são de R$ 47.406,48, com retenção de R$ 12.676,66. Tais valores coincidem com os valores do extrato de resgate de previdência de fls 68 [soma das linhas E) e G), e linha I)] e com os valores do extrato de consulta à DIRF da PETROS de fl. 34. Evidenciase que há congruência entre o extrato e o comprovante de rendimentos emitidos pela PETROS. 18. A declaração que enfim trouxe os dados corretos de rendimentos tributáveis e IRRF foi a de no 02/34.904.709, entregue, observese, em 02/11/2005 (fl 20). Verificase no Auto de Infração que a declaração geradora da infração é a de no 02/40.082.931, entregue em 21/08/2002 (fl.19), a qual apresentou valores equivocados de rendimentos e IRRF. 19. Embora não conste o original do Aviso de Recebimento anexado aos autos, verificase à fl. 18 a consulta de postagem que indica a data de entrega da correspondência com o Auto de Infração em 01/11/2005. A apresentação da última retificadora ocorreu no dia seguinte à ciência do Auto, 02/11/2005, e a impugnação foi apresentada no dia 24/11/2005. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10280.005467/200513 Acórdão n.º 2202004.919 S2C2T2 Fl. 74 7 20. Dessa forma, claro está que a retificação pretendida foi efetuada após a notificação do lançamento. Portanto não pode ser aceita a retificação pretendida, com base no parágrafo primeiro do artigo 147 do Código Tributário Nacional CTN (Lei no 5172/66), abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(grifei) 21. No mesmo sentido impera a Súmula CARF 33 (Vinculante, conforme Portaria MF 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 22. Evidenciase porém, claro erro de fato, pela inclusão equivocada dos valores de Rendimentos Tributáveis e de Imposto Retido na Fonte presentes no extrato de resgate de previdência emitido pela Petros (fl. 68) na DAA do contribuinte 02/40082931, que gerou a autuação. 23. Devese recorrer, ao caso em pauta, à análise da verdade material contida nos fatos ocorridos e nos documentos anexados. O erro de preenchimento do contribuinte não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que ele não possa têlo saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material. Neste mesmo sentido, aceitam a verdade material dos fatos Acórdãos recentes deste CARF, tais como: 1301003.379, 1301003.432, 1002 000.450, 1301003.599. 24. Destarte, deve ser revisto o auto de infração, pela necessidade de apuração correta do ajuste do Imposto de Renda relativo ano calendário 2001, com a exclusão do lançamento dos valores de R$ 82.491,25 concernentes a rendimentos tributáveis, e de R$ 12.676,66, relativos a Imposto de Renda Retido na Fonte. 25. Assim, decido acolher parte dos argumentos apresentados na peça recursal, determinando a exclusão dos valores referenciados no parágrafo acima, por evidente erro de fato. 26. Eventual exclusão das multas e juros será conseqüência do recálculo do imposto de renda devido no ano calendário 2001, conforme exclusão de valores referenciada. DISPOSITIVO Ante ao exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da base de calculo do lançamento o valor de R$ 82.491,25 e o correspondente valor de retenção na fonte de R$ 12.676,66. (Assinado Digitalmente) Fl. 77DF CARF MF 8 Ricardo Chiavegatto deLima Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008922/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.737
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.008922/2005-51
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953519
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.737
nome_arquivo_s : Decisao_11080008922200551.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 11080008922200551_5953519.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7580827
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415809622016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 884 1 883 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.008922/200551 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.737 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente ELEVA ALIMENTOS S/A E FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA NACIONAL E ELEVA ALIMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 89 22 /2 00 5- 51 Fl. 930DF CARF MF 2 Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Fl. 931DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 885 3 Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 330201.170, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo, uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de ressarcimento e não a exigência de tributo. RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. ” O decisum restou assim proposto: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa decorrente da inclusão das vendas para a ZFM na base de cálculo do PIS devido no mês, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que negava provimento ao recurso, e Fl. 932DF CARF MF 4 Alexandre Gomes (relator), Leonardo Mussi da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que reconheciam o direito ao crédito sobre fretes entre estabelecimentos da empresa e consideravam a receita da venda para a ZFM como receita de exportação. O Conselheiro Leonardo Mussi da Silva apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro José Antonio da Silva para redigir o voto vencedor.[...]” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração em face do r. acórdão, alegando a existência de contradição/obscuridade em relação ao fundamento que prevaleceu para excluir as vendas para a ZFM da base de cálculo do PIS devido: isenção ou equiparação a receita de exportação. Em Despacho às fls. 381 a 382, foi proposto que não sejam acolhidos os Embargos Declaratórios. Em Despacho à fl. 383, a proposta foi aprovada com rejeição dos presentes Embargos de Declaração pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção em exercício à época. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de compensação de PIS pago sobre as receitas de venda de mercadorias destinadas a Zona Franca de Manaus. Traz, entre outros, que: · Deve ser feita uma interpretação restritiva das regras de isenção, sob pena de expressa violação ao texto do art. 111 do CTN; · Não há dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à Zona Franca de Manaus, pelo simples fato de que este não foi objetivo da norma, sob pena de, por extensão, o CARF criar norma isentiva sem supedâneo legal; · Afastada a isenção da Cofins e do PIS sobre as receitas decorrentes de venda de mercadorias destinadas a Zona Franca, o pedido de restituição/compensação deve ser deferido. Em Despacho às fls. 404 a 409, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 886 5 Insatisfeito também, a BRF – Brasil Foods S/A, na qualidade de sucessora por incorporação, interpôs Recurso Especial, requerendo o reconhecimento da ilegalidade no procedimento fiscal no que se refere à inclusão das vendas para a Zona Franca de Manaus e reconhecimento do direito em relação aos créditos sobre fretes. Em Despacho às fls. 829 a 833, foi dado seguimento às ambas as matérias, quais sejam, quanto: · À impossibilidade de recomposição, sem lançamento de ofício, da base de cálculo do PIS, em procedimento de análise de compensação, para incluir receitas que o contribuinte considerou isentas; · Ao direito de crédito, no regime não cumulativo do PIS, calculado sobre despesas com fretes de transporte entre estabelecimentos. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Não se pode dizer que as IN´s 247/02 e 404/04 tenham extrapolado seus limites legais; · É expressamente permitido o creditamento de valores relativos a fretes, nos casos em que estes estejam inequivocamente associados a operações de venda, ou seja, que sejam utilizados na operação de transporte na venda de mercadorias ao cliente adquirente; · Quando se trata de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, seja de produto acabado ou em elaboração, seja de materiais pertencentes ao ativo imobilizado, todavia, inexiste previsão normativa para o creditamento; · A verificação do direito creditório, por meio de comparação entre o valor pago e o devido, é da essência da análise de pedidos de restituição ou declarações de compensação. Para que se determine o valor devido, o Fisco pode analisar todos os aspectos pertinentes à obrigação tributária, inclusive a base de cálculo e a alíquota, sem restrições, já que o CTN, em seus artigos 165 e 170, não impõe qualquer limite a essa análise. Fl. 934DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos, entendo que devo conhecêlos. Ora, em relação ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, que ressurgiu com a discussão acerca da isenção ou não do PIS/Pasep sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços destinados à Zona Franca de Manaus, temse comprovada a divergência, conforme segundo paradigma, pois enquanto a decisão recorrida aplicou a isenção para o PIS somente para fatos geradores a partir de 18/12/2000, o paradigma considerou que não havia isenção para o PIS em situação alguma, inclusive a partir de 18/12/2000. Sendo assim, cabe conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, recordo que ressurgiu com as seguintes discussões: · Impossibilidade ou não de recomposição, sem lançamento de ofício, da base de cálculo do PIS, em procedimento de análise de compensação, para incluir receitas que o contribuinte considerou isentas; · Direito ou não ao crédito de PIS/Pasep não cumulativo sobre despesas com fretes entre estabelecimentos. Sem maiores delongas, concordo com o Despacho de Admissibilidade que admitiu as matérias. Eis o que traz: “[...] No âmbito do procedimento fiscal de homologação da compensação declarada pelo contribuinte, para apuração do saldo de créditos a Fl. 935DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 887 7 restituir/compensar, foi incluída na base de cálculo do Pis as vendas que o contribuinte erroneamente considerou isentas, a fim de que a restituição não computasse saldo de crédito ilícito. Essa inclusão foi procedida sem lançamento de ofício. O acórdão recorrido considerou correto o procedimento, asseverando que não há necessidade de lançamento de ofício das receitas tributáveis que o contribuinte não apurou na base de cálculo do Pis, posto que houve a prolação oficial dos atos administrativos requeridos legalmente no caso da compensação, e ainda, porque o que se apura em compensação não é o tributo devido, mas apenas o real valor do saldo credor legal restituível. Os paradigmas, por sua vez, entendem que, nessa situação, há necessidade do lançamento de ofício. Portanto, resta evidenciada a divergência [...] O acórdão recorrido negou direito ao crédito de Pis, no regime não cumulativo, calculado sobre fretes de transportes entre estabelecimentos da empresa para estabelecimentos de terceiros não clientes. Sua fundamentação baseiase na expressão do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002), ou seja, que o insumo seja vinculado à produção. Por seu turno, o acórdão paradigma nº 320200.226 expressa o entendimento de que o termo “insumos”, no caso do Pis e da Cofins, deve ter significado semelhante àquele usado na legislação do IRPJ, extrapolando, portanto, a restrição à produção. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada para ambas as matérias.” Em vista do exposto, entendo que os recursos devem ser conhecidos. Passadas tais considerações, passo a analisar a lide trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, sobre a aplicação da isenção ou não do PIS/Pasep sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços destinados à Zona Franca de Manaus. Fl. 936DF CARF MF 8 Vêse que essa matéria não é desconhecida por esse Colegiado, eis que para a aplicação da isenção resta somente a resta somente a discussão acerca da caracterização ou não da receita decorrente de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às Fl. 937DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 888 9 mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação como se exportação para o exterior. Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata este artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automaticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.757/60, trouxe em seu art. 4º: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. Fl. 938DF CARF MF 10 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da constituição de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins. Cabe trazer quem relativamente ao art. 14 da MP 2.03724/00, temse que, por conta das mudanças legislativas, a exclusão da expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, inciso I, do § 2º, da MP 2.03724/00, não vingou, eis que, com o advento do art. 11, inciso I, da MP 1.95231/00, a Zona Franca de Manaus voltou a ser considerada exportação. Ademais, vêse que, ainda que as Portarias MF 38/97, 64/03 e 93/04 conceituem exportação, para fins de que trata a Lei 9.363/96 somente a operação que destinar bens à exportação para o exterior, entendo que a Zona Franca de Manaus se equipara à exportação para o exterior. Frisese tal entendimento a jurisprudência pacificada nos tribunais, entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 889 11 Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócio regionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016 (Grifos meus): Fl. 940DF CARF MF 12 “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉCONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 000138445.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Franca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. O que entendo que tal discussão já se encontra pacificada. Tanto é assim, que a própria PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº Fl. 941DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 890 13 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER“ Tal Parecer, inclusive, já foi aprovado pelo Ministro da Fazenda. Frisese o decidido por essa turma nos acórdãos de nºs 9303007.437 e 9303006.415. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, passo a discorrer sobre a primeira discussão – qual seja, impossibilidade ou não de recomposição, sem lançamento de ofício, da base de cálculo do PIS, em procedimento de análise de ressarcimento para incluir receitas que o contribuinte considerou isentas. Fl. 942DF CARF MF 14 Depreendendose da análise dos autos, para melhor elucidar, vêse que a Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS/Pasep glosou parte dos créditos por entender que os valores decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus, independentemente de terem sido destinadas corretamente para essa região, não seriam isentas. Não obstante à discussão ser seria ou não possível, de ofício, a fiscalização promover a glosa de parte do ressarcimento, considerando meu entendimento de que as receitas de vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus são isentas, entendo que a discussão restou prejudicada. Sendo assim, em relação à primeira matéria, entendo que a apreciação restou prejudicada, considerando o entendimento esposado anteriormente. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, se cabe a constituição de crédito das contribuições sobre fretes entre estabelecimentos de mesma empresa, primeiramente, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 891 15 efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 944DF CARF MF 16 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa (Grifos meus): “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 892 17 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 946DF CARF MF 18 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 893 19 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 948DF CARF MF 20 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a Fl. 949DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 894 21 definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. Fl. 950DF CARF MF 22 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 951DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 895 23 utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 952DF CARF MF 24 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 896 25 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. Fl. 954DF CARF MF 26 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, Fl. 955DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 897 27 condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp 1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Fl. 956DF CARF MF 28 Em vista do exposto, em relação aos critérios a serem observados para fins de conceito de insumo, entendo que a Fazenda Nacional não assiste razão ao aplicar a IN 247/02 e a IN 404/02 – consideradas ilegais pelo STJ. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 898 29 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ou seja, a Fazenda Nacional esclareceu, entre outros, com tal manifestação que “insumos de insumos” geram crédito de PIS e Cofins não cumulativo. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração Fl. 958DF CARF MF 30 implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Passadas tais considerações acerca do conceito de insumos, é de se analisar promover o teste de subtração. Com o teste, entendo ser o frete entre estabelecimentos essencial à atividade do sujeito passivo. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por: · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional; · Dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 959DF CARF MF Processo nº 11080.008922/200551 Acórdão n.º 9303007.737 CSRFT3 Fl. 899 31 Fl. 960DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902682/2008-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 31/01/2002 - fls 09) já foi utilizado em outro pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.902682/2008-10
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946622
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.035
nome_arquivo_s : Decisao_10980902682200810.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10980902682200810_5946622.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 31/01/2002 - fls 09) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7567178
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415818010624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902682/200810 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.035 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 04 de dezembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente PRONTO ATENDIMENTO MEDICO RAPHAEL PAPA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 31/01/2002 fls 09) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0629.299, de 19 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 68 2/ 20 08 -1 0 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.902682/200810 Resolução nº 1003000.035 S1C0T3 Fl. 3 2 Aos 13/06/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 01), rastreamento n° 769950234, emitido em 09/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 09054.91598.170304.1.3.049120. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu que apurou prejuízo no valor de R$ 29.924,44 no exercício de 2002. Conforme DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos. A DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem Compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ RECOLHIDA COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor da estimativa mensal de IRPJ corretamente recolhido com base na receita bruta e acréscimos não constitui pagamento indevido ou a maior passível de ser utilizado como direito creditório em declaração de compensação, cabendo à contribuinte aproveitálo mediante dedução do imposto devido na apuração anual dos resultados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a empresa, no exercício de 2002, optou pela forma de tributação Lucro Real por estimativas, tendo recolhido mensalmente IRPJ e CSLL; Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.902682/200810 Resolução nº 1003000.035 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) que, ao encerrar o balanço patrimonial contábil de 2002, constatou prejuízo no valor de R$ 29.924,44; (iii) que, de conformidade com a DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos; (iv) que, durante o exercício de 2004, fez diversos pedidos de restituições através de PER/DCOMP e as respectivas Declarações de Compensação. Por fim, requereu nova análise de todos as suas declarações de compensação, oriundo de pagamentos indevidos durante o exercício de 2002. É o Relatório VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Pelos fatos e provas acostados ao processo, verificase que a Recorrente pleiteia a declaração de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior. No entendimento da mesma, por ter apurado prejuízo no ano de 2002, os recolhimentos realizados por estimativas são pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL. A IN 210/2002, vigente na época da transmissão do PER/DCOMP, determina, em seu art. 6º, que os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição. Conforme a DIPJ 2003 acostada ao processo, o valor preiteado como pagamento a maior ou indevido DARF de janeiro de 2002 (fls. 09) foi computado para gerar o saldo negativo do período (vide fls. 69). Ocorre, porém, que, até 25/10/2004, a Instrução Normativa que disciplinava a restituição e compensação era a de nº 210/2002. Essa IN não estabelecia qualquer vedação com relação a utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios. A IN nº 210/2002 foi revogada pela IN nº 460/2004 (publicada em 26/10/2004). A declaração de compensação ora em análise foi transmitida em 17/03/2004, anterior, portanto, a alteração normativa que proibiu a possibilidade de utilização das estimativas mensais. Ocorre que, como o valor pago na estimativa mensal de janeiro de 2002 foi utilizado na apuração do saldo negativo, imprescindível verificar se o saldo negativo apurado no exercício de 2002 foi utilizado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.902682/200810 Resolução nº 1003000.035 S1C0T3 Fl. 5 4 Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem para informar se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 31/01/2002 fls 09) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921020/2012-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.921020/2012-98
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950411
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.030
nome_arquivo_s : Decisao_12448921020201298.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 12448921020201298_5950411.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7574809
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415820107776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.921020/201298 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3003000.030 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GAN RIO APOIO NUTRICIONAL GANUTRE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 10 20 /2 01 2- 98 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 3 2 das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins no valor de R$ 31.707,60, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/06/2008. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em fevereiro de 2011, tomou conhecimento de que estava tributando a Cofins de forma incorreta, ou seja, com alíquota superior a zero dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, contrariando a Lei 10.147/2000, por se tratar de produtos manipulados; que imediatamente apurou o montante do crédito que teria direito e começou a compensar este crédito com os débitos de outros tributos apurados no meses subsequentes, através do DACON; que entretanto se equivocou em não efetuar também a retificação da DCTF do mesmo período de apuração, ocasionado o não reconhecimento do crédito. Solicita o direito de retificar a DCTF para que possa compensar o recolhimento efetuado indevidamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), no acórdão n° 02050.442, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto a origem do direito creditório e a relativização da confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, apresentando documentação que entende hábil a comprovar o seu direito e pleiteando ainda a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, período de apuração de 31/05/2008, no valor histórico de R$ 31.707,60, decorrente da tributação equivocada dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, os quais estariam sujeitos ao benefício fiscal previsto no art. 2º da Lei 10.147/2000, e, portanto, deveriam sofrer aplicação da alíquota zero, não obstante a ausência de retificação em DCTF. Sem embargo, antes de tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Quanto a ausência de retificação da respectiva DCTF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Quanto ao mérito, a Recorrente informa que exerce as atividades de "manipulação, dispensação e comercialização de fórmulas farmacêuticas e produtos nutricionais e a exportação e importação de produtos farmacêuticos, correlatos, alimentos e suplementos alimentares...". alegando que, por realizar as atividades de comercialização varejista de medicamentos não importados e a manipulação de medicamentos para a venda Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 6 5 direta a consumidores finais, não estaria enquadrada no conceito de industrialização pela legislação pátria, fazendo jus ao benefício fiscal concedido pelo artigo 2o da Lei n° 10.147/2000, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS sobre a venda dos produtos classificados nos códigos especificados. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, assim dispõe: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. [...] (grifouse) Para verificar o enquadramento no conceito de industrialização, no caso, devemos nos socorrer do disposto no inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 7 6 Art. 5º Não se considera industrialização: [...]VI a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso III, e DecretoLei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5º, alteração 2ª); [...] (grifouse) A Recorrente trouxe aos autos como documentação comprobatória para embasar o seu direito amostras de Notas Fiscais em que verificase a venda de medicamentos por ela manipulados basicamente para clínicas e hospitais. Nos termos do inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, para não ser industrialização, a manipulação deve ser para venda direta ao consumidor com receita médica. Nesse caso, entendo “consumidor” como o consumidor final da medicação, o cliente em tratamento que fará uso da(s) substância(s) contida(s) no produto manipulado. Logo, em sentido contrário, se a venda não se dá para o consumidor final, mas para clínicas ou hospitais, como no caso, está caracterizada a industrialização. Assim, a atividade do contribuinte na venda de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 é considerada industrial na aludida situação e enquadrase no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, sendo tributado pela Cofins com alíquotas positivas e não com alíquota zero prevista no art. 2º do referido dispositivo legal. Nesse sentido, segue ementa da Solução de Consulta nº 48 Cosit: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITO PRESUMIDO. A manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos é considerada industrialização, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, que apenas alcança os produtos nele citados, estão submetidos ao regime concentrado de tributação da Cofins e, consequentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Desde que atendidas as condições previstas no art. 3º, I e II, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, a manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos gera direito ao crédito presumido ali previsto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, arts. 1º, 2º e 3º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 5º, VI. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 8 7 No mais, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e amostras de Notas Fiscais, porém sem nenhum documento hábil, idôneo e suficiente que os embasassem. As declarações retificadas, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12448.921020/201298 Acórdão n.º 3003000.030 S3C0T3 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900230/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10467.900230/2012-99
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948832
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-000.992
nome_arquivo_s : Decisao_10467900230201299.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10467900230201299_5948832.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7572207
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415823253504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 121 1 120 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.900230/201299 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.992 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2018 Assunto IPI Recorrente JORNAL CORREIO DA PARAIBA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Verificandose que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 23 0/ 20 12 -9 9 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10467.900230/201299 Resolução nº 3301000.992 S3C3T1 Fl. 122 2 Tributadas), foi indeferido o pedido de ressarcimento, por se tratar de produto fora do campo de incidência do imposto, e não foram homologadas as compensações. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que entendeu ter direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade, o qual implicaria no direito ao crédito, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que cita." A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1444.193, de 28/08/13, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos incluídos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/2012 99. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10467.900230/201299 Resolução nº 3301000.992 S3C3T1 Fl. 123 3 O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000271/2006-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA. CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO.
O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar.
POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano-calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 9101-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à postergação do pagamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que negaram provimento neste tema; e (ii) por unanimidade de votos, em relação à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA. CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO. O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano-calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19740.000271/2006-23
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948733
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-003.947
nome_arquivo_s : Decisao_19740000271200623.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 19740000271200623_5948733.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à postergação do pagamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que negaram provimento neste tema; e (ii) por unanimidade de votos, em relação à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7571825
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415826399232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 5.373 1 5.372 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000271/200623 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.947 – 1ª Turma Sessão de 5 de dezembro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO RURAL S/A EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA. CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO. O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 71 /2 00 6- 23 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.374 2 postergação do pagamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que negaram provimento neste tema; e (ii) por unanimidade de votos, em relação à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida no Acórdão nº 1201000.762 (fls. 1.342 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, pelo qual o Colegiado decidiu, por maioria de votos, acolher a decadência, levantada de ofício por um dos conselheiros, relativa aos fatos geradores ocorridos em 1996 e 1997 e, também por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a multa de ofício e para considerar os efeitos da postergação dos tributos devidos sobre os fatos geradores ocorridos no períodobase encerrado em 31/12/2002 e pagos no ano de 2005, nos termos do voto do relator. A matéria em debate nos autos diz respeito à não adição ao lucro líquido, para apuração do lucro real dos anoscalendário entre 1996 e 2002, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas do contribuinte, conforme apuração demonstrada no Termo de Verificação Fiscal. No momento da autuação não foi exigida multa de ofício, pois o contribuinte possuía tutela recursal impeditiva, concedida em sede de Agravo de Instrumento, nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.51.01.0244287, que tramitou perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Neste Mandado de Segurança o contribuinte insurgiuse contra o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e solicitou a possibilidade de recolher o IRPJ e a CSLL, incidentes sobre os lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando de sua efetiva disponibilidade jurídica e econômica. Fl. 5374DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.375 3 A partir de diligência solicitada pela DRJ houve revisão do lançamento com lançamento complementar da multa de ofício de 75% (fls.982993), pelas seguintes razões, em síntese: a liminar pleiteada foi indeferida, o contribuinte interpôs agravo de instrumento e a desembargadora federal competente concedeu parcialmente o efeito suspensivo ativo à decisão agravada, para sustar a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final da ADIN nº 2.588, que apreciava a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.15835. posteriormente, a sentença de primeira instância denegou a segurança o que levou o contribuinte a apresentar apelação, que foi recebida no duplo efeito , mas não se pronunciou acerca do pedido de manutenção do efeito suspensivo ativo outrora concedido em sede de agravo. Ao julgar a impugnação, considerando aos autos de infração originais e complementares, a DRJ decidiu em sentido contrário à pretensão do contribuinte, por entender que houve concomitância entre as esferas judicial e administrativa e que a postergação de tributo só se concretiza quando do efetivo reconhecimento e espontâneo pagamento em período posterior. Nesse contexto, decidiu, ainda, pela procedência da multa de ofício. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho. A Turma a quo, num primeiro momento, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização verificasse se houve pagamento ou compensação em relação aos valores que o sujeito passivo alegou ter postergado, do ano calendário de 2002 para 2005. No retorno da diligência, a 1a Turma da 2a Câmara deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. PAGAMENTO A MENOR DE TRIBUTOS. FATOS GERADORES DE 1996 E 1997. Aplicase o disposto no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, aos fatos geradores de 1996 e 1997, visto que o lançamento ultrapassou o prazo de 5 anos. COISA JULGADA. APLICAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DE FORMA DESFAVORÁVEL À CONTRIBUINTE. O Banco Rural ingressou com Mandado de Segurança, processo n° 2002.51010244287/ RJ, insurgindose contra o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, pedindo a concessão de medida liminar e concessão da segurança de modos que ficasse o banco autorizado a recolher o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro, relativamente aos lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando ocorrida efetivamente a disponibilidade jurídica e econômica do Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.376 4 lucro, seja pela distribuição de lucros ou pelo pagamento de dividendos. Em razão da ação judicial ter transitado em julgado de forma desfavorável à empresa, o fato gerador quanto ao IRPJ e a CSLL quanto aos lucros do exterior se deram em 2002. Com isso, resta necessária a aplicação da coisa julgada. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não existe concomitância de ação judicial e processo administrativo. Na verdade o caso é de aplicação da coisa julgada, visto que a ação judicial já terminou de forma desfavorável à empresa. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. SÚMULA 36 DO CARF. Há de reconhecer a questão da postergação quanto ao pagamento do tributo, devendo ser aplicada a Súmula n° 36 do CARF aos recolhimentos e compensações feitos a partir de 2002 até a data da lavratura do Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de recebimento do Recurso em ambos os efeitos, possuindo a empresa liminar anterior deferindo a suspensão da exigibilidade, os efeitos do duplo efeito suspende os efeitos da sentença denegatória, fazendo com que o contribuinte não se submeta à imposição de penalidade. ESPONTANEIDADE. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DOS PAGAMENTOS POSTERGADOS. O fato do contribuinte ter apresentado petição complementar durante o tempo que ficou sem prorrogação do MPF não convalida o ato específico e privativo da fiscalização, muito menos é aceitável que uma prorrogação de fiscalização de um outro processo que investigava omissão de receita com base em informações de CPMF possa fazer as vezes do MPF que deixou de ser prorrogado. Aplicação do artigo 47 da Lei n° 9.430/96. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CSSL. Devese se dar o mesmo tratamento à CSLL quanto aos fundamentos do julgado colacionados quanto ao IRPJ. Ainda sobre o trâmite na esfera judicial, o relator do acórdão recorrido informou que: Em complemento ao narrado no relatório fiscal acima mencionado, consultando o sítio do TRF da 2ª Região, informo que a sentença denegatória permaneceu suspensa (quanto aos seus efeitos) até o julgamento do Recurso de Apelação da Fl. 5376DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.377 5 contribuinte, com a publicação do acórdão que negou provimento ao recurso em 10/06/2010. Em face do acórdão denegatório, a contribuinte interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, porém desistiu dos mesmos, sendo homologada as desistências em 08/03/2012, ocorrendo, com isso o trânsito em julgado da decisão que não reconheceu o direito da contribuinte quanto à matéria em debate. Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1.369), em que questiona basicamente dois pontos: a) A ausência de suspensão do crédito tributário e consequente manutenção da multa de ofício; b) A ausência de postergação. A Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão nº 110200.029, julgado em 27/08/2009, nos autos de nº 10680.019891/200702, proferido em relação ao mesmo contribuinte e em situação análoga à do presente processo, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de oficio. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE TRIBUTO CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS A incorreção quanto ao período de escrituração de receita ou despesa de acordo com o regime de competência somente pode ser tratada como postergação no pagamento de tributo se dela resultar, cumulativamente, aumento do resultado positivo tributável (e não apenas diminuição do resultado negativo) e pagamento efetivo a maior de tributo. TRIBUTAÇÃO DE. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR ABATIMENTO DE IRRF Do imposto incidente sobre o lucro gerado no exterior por filiais, sucursais, coligadas ou controladas, somente se permite deduzir o IRRF que tiver sido cobrado, no Brasil, nas remessas destinadas a pessoas jurídicas domiciliadas em países enquadrados entre aqueles de tributação favorecida, contanto que satisfeitas as demais exigências legais, Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.378 6 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRRJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso, Em síntese, os argumentos do recurso especial são os seguintes: a) DA AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DO CRÉD1TO TRIBUTÁRIO E CONSEQUENTE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O Contribuinte alega que estava amparado por decisão judicial suspensiva do credito tributário à data do lançamento. O Contribuinte se vale do fato de que sua apelação em Mandado de Segurança foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo. Ocorre que a sentença que indeferiu o Mandado de Segurança revogou a liminar que, precariamente, havia sido deferida pelo TRF 2a Regido em sede de Agravo de Instrumento e que suspendia o crédito tributário. Neste mesmo sentido, ou seja, de que a sentença superveniente prevalece em face de liminar anteriormente concedida se manifestou o próprio TRF 2a Regido. Esta é a conclusão que se tira das decisões proferidas na Ação Cautelar Inominada ajuizada pelo Contribuinte visando à suspensão da cobrança de IRPJ e CSLL. Ressaltese: o próprio Contribuinte sabia que não estava amparado por decisão judicial (apelação recebida com duplo efeito), vez que buscou, por meio de Cautelar, obstar a cobrança dos citados tributos. A referida manobra, todavia, não surtiu efeitos. O TRF 2a Regido extinguiu a medida cautelar manejada sob a seguinte fundamentação, verbis: (...) Melhor sorte não mereceu os embargos de declaração e o agravo interno apresentados pelo Contribuinte contra a decisão acima. A íntegra destas decisões segue anexa ao presente Recurso (Doc. 02). A conclusão não pode ser outra sendo a de que o Contribuinte não estava amparado por qualquer decisão judicial que suspendesse o Crédito Tributário. Logo, o lançamento da multa de ofício se mostrou perfeitamente cabível. b) DA AUSÊNCIA DA POSTERGAÇÃO ALEGADA A respeito da postergação, cumpre analisar o teor do art. 6.° do DecretoLei n.°1.598, de 26/12/1977: (...) Fl. 5378DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.379 7 Em sintonia com essa regra, o Parecer Normativo Cosit n.° 02, de 28 de agosto de 1996, firmou no seu item 6.1 que: "Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior". E no item 6.3 do citado Parecer consta o seguinte: "A redução indevida do lucro líquido de um período base, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com a postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais." Depreendese dos atos normativos em evidência que a postergação exige dois requisitos indispensáveis a sua caracterização: 1) pagamento espontâneo e 2) pagamento comprovado, ambos ocorridos no período base posterior. Como já exposto, o acórdão recorrido à fl. 1.259 reconheceu que não houve pagamento de tributo no caso dos autos. Desse modo, não havendo resultado positivo no anocalendário de 2005, deve ser adotada a tese adotada no acórdão paradigma no sentido de que falta de pagamento efetivo do tributo impede o reconhecimento da postergação do pagamento. Não há respaldo, portanto, para o reconhecimento da postergação do pagamento do imposto. O recurso fazendário foi admitido quanto à manutenção da multa de ofício por meio do despacho de fls. 5.288. Posteriormente, foi proferido despacho complementar para analisar o seguimento em relação à matéria "ausência de postergação em face da inexistência de pagamento do tributo". Este segundo despacho, de fls. 5.346 também decidiu pelo seguimento, de sorte que o recurso especial foi admitido integralmente. Por seu turno, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 5.297) e contrarrazões complementares (fls. 5.358), nas quais defende o não conhecimento do recurso fazendário e, de modo subsidiário, seu não provimento em relação às duas matérias admitidas. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despachos de fls. 5.288 e 5.346, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais. Passo a aanlisar. Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.380 8 Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Como relatado, as duas matérias em debate tratam da manutenção da multa de ofício e da possibilidade de postergação dos tributos devidos em 2002 para o anocalendário de 2005. A Fazenda Nacional indicou no recurso especial um paradigma (acórdão nº 110200.029), que comprovaria o dissídio jurisprudencial nos dois casos, posto tratarse de acórdão proferido pela 2a Turma da 1a Câmara que analisou autuação do mesmo contribuinte sobre os mesmos fatos, só que relativa a exercícios posteriores (2003 e 2004), enquanto que no presente processo cuidase dos anoscalendário entre 1996 e 2002. No que tange à possibilidade de exigência da multa de ofício, ante a suposta suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o acórdão recorrido entendeu que: Já quanto à multa de ofício, entendo que o lançamento, quando fora realizado, encontravase com a suspensão da exigibilidade, por força de liminar que se sustentou diante da suspensão dos efeitos da sentença denegatória. Portanto, o lançamento fiscal fere flagrantemente o referido dispositivo ora mencionado, o que o macula de vício material em razão de ilegalidade, pois feriu o artigo 63 da Lei n° 9430/96, que dispõe: (...) Mesmo que em momento seguinte tenha sido julgado o Recurso de Apelação da contribuinte para manter os efeitos denegatórios da sentença, fato é que no momento do lançamento havia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de liminar que se sustentou com a suspensão dos efeitos da sentença, não se convalidando o ato de ilegalidade com a publicação do acórdão do TRF. Em sentido diverso, o acórdão paradigma (não reformado na data da interposição do recurso) entendeu ser cabível a manutenção da multa de ofício, pois não havia medida que determinasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.381 9 No caso sob estudo, Banco Rural insurgiuse contra a tributação em relação aos lucros auferidos no exterior, na forma do art. 74 da MP 2.15835, pleiteando que a tributação se desse por ocasião da disponibilização, na forma da legislação precedente. Ao acorrer ao Poder Judiciário, o Banco buscou alterar uma situação jurídica que o obrigava oferecer à tributação o lucro referente às controladas/coligadas no exterior tão logo apurados. Uma decisão denegatória não altera a situação em que se encontrava o impetrante antes de acorrer ao Judiciário. O efeito suspensivo da apelação, por conseguinte, em nada o favorece, pois não tem o condão de alterar, ainda que provisoriamente, a decisão recorrida. O efeito suspensivo adia a execução do comando emergente da decisão impugnada. Como da decisão denegatória em MS não emerge nenhum comando, o efeito suspensivo não traz nenhum benefício ao impetrante. Portanto, não havendo manifestação do Poder Judiciário suspendendo a exigibilidade do crédito, não merece acolhida o pleito do Recorrente, no sentido de afastar a multa de ofício. Além disso, não constando qualquer informação sobre eventual concessão de tutela antecipada, em sede de recurso, para impedir a imediata exigência do crédito, não há, também, como acolher o pleito de "manter" a suspensão da exigibilidade do crédito. A leitura dos fundamentos e conclusões adotados pelas duas decisões colidentes, em relação ao mesmo contribuinte e aos mesmos fatos, evidencia a divergência jurisprudencial, razão pela qual o recurso fazendário deve ser admitido quanto a este ponto. A segunda matéria em discussão diz respeito à possibilidade de se considerar a não disponibilização dos lucros auferidos no exterior até 2002, como postergação dos tributos que compuseram o resultado de 2005. O acórdão recorrido entendeu que se tratava de efetiva postergação, com os seguintes fundamentos: Inicialmente, diante da coisa julgada nos autos do Mandado de Segurança ajuizado, que reconheceu a constitucionalidade do artigo 74 da MP n° 2.15835/2001, caberia a esse julgador considerar que os lucros auferidos do exterior devem ser tributados em 2002. Contudo, houve um incidente no presente processo, qual seja a contribuinte acabou adicionando os lucros auferidos do exterior relativos a controladas em 2005, quando possuía grande valor de saldo negativo de tributos, utilizandose de tais saldos para pagar o IRPJ e a CSLL incidentes sobre esses lucros. Diante disso, os autos baixaram em diligência e houve a confirmação das compensações, seja em razão de crédito decorrente de IRFonte em operações de remessa ao exterior, seja em relação a dedutibilidade de valores do PAT etc. Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.382 10 Como já dito nessa decisão, se a Fazenda discorda das compensações, deveria ter lançado os valores utilizados na compensação relativos ao ano de 2005. No caso em julgamento o que devemos avaliar é se os lucros relativos a 1996 a 2002 foram ou não tributados, ou seja, adicionados como lucro para fins de incidência do IRPJ e da CSLL. Segundo o relatório de fiscalização/diligência os lucros do exterior não foram tributados, a despeito de buscar impor outros questionamentos, que deveriam ser feitos pela via própria atendendo o artigo 142 do CTN. Assim, entendo que cabe aqui exigir do contribuinte os débitos fiscais cobrados no lançamento em análise, mas considerar a questão da postergação do pagamento do tributo até a data do encerramento da fiscalização, quando na verdade em 31 de dezembro de 2005 o contribuinte adicionou o seu lucro relativo a anos anteriores para pagamento de prejuízos apurados no exercício de 2005, devendo ser aplicado o disposto na Súmula n° 36 do CARF: Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Já o referido acórdão paradigma, ao analisar a questão da postergação em relação aos mesmos fatos com expressa menção, inclusive aos presentes autos , só que para exercícios posteriores (objeto da autuação naquele processo), entendeu que: Assim, qualquer que seja o resultado do julgamento do processo administrativo relativo ao anocalendário de 2002, a autoridade fiscal comprovou nos autos que os tributos que deixaram de ser pagos para os anoscalendário de 2003 e 2004 não se encontravam efetivamente pagos juntamente com os tributos relativos ao anocalendário de 2005, descabendo o tratamento de simples postergação. Demonstração análoga, feita a seguir em relação à CSLL, evidencia que também para essa exação, mesmo desconsiderando o ajuste relativo aos anos calendário até 2002, a situação de não pagamento não se altera. Refazendo a demonstração da base de cálculo da CSLL contida às fls. 63 do processo, para excluir apenas os lucros do exterior referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004 (R$ 69.902,453,13), constatase que, em lugar de base positiva de R$ 57.004.527,00 declarado pelo contribuinte seria apurada base negativa de (R$ 12.897.926,10) Essa alteração de resultado positivo para negativo poderia levar à caracterização de uma postergação, pois significaria que a inclusão dos lucros referentes a 2003 e 2004 efetivamente contribuiu para o resultado positivo apresentado pela autuada Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.383 11 em 2005. Todavia, para concluir pela efetividade da postergação, é necessário averiguar se houve efetivo pagamento a maior do tributo. Na sequência, o acórdão paradigma refaz os cálculos do anocalendário de 2005 para concluir que não houve pagamento e que, em verdade, foram efetuadas compensações com outros tributos. A similitude fática e a presença de conclusões divergentes nas decisões também restam evidenciadas quanto a este ponto. O contribuinte, em contrarrazões, pugnou pelo não conhecimento do recurso fazendário em relação à postergação, por defender que a decisão recorrida aplicou o entendimento da Súmula CARF nº 36 (que trata de compensação de IRPJ e CSLL acima do limite de 30%), o que inviabilizaria a utilização do paradigma indicado. Contudo, conforme excertos acima transcritos, verificase que o voto condutor da decisão recorrida empregou a inteligência da parte final da Súmula CARF nº 36 para lastrear a tese de postergação. Ocorre que não se discute nos autos a questão da trava (ou excesso de compensação) dos 30%, visto que nem o Termo de Verificação Fiscal nem os autos de infração (fls. 558 e seguintes) abordam este ponto. Assim, sem prejuízo do julgamento de mérito, entendo que o recurso fazendário deva ser integralmente conhecido, nos moldes do que decidiram os respectivos despachos de admissibilidade. Quanto ao mérito, no que tange à postergação, aduz a recorrente que o acórdão recorrido reconheceu que não houve pagamento de tributo nem resultado positivo no anocalendário de 2005, razão pela qual não foram preenchidos os requisitos indispensáveis à figura: a) pagamento espontâneo e b) efetiva comprovação deste pagamento. A matéria encontrase regulada pelo art. 6o, do DecretoLei nº 1.598/77: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de Fl. 5383DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.384 12 acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. (grifouse) Na esteira do citado dispositivo, o Parecer Normativo Cosit n° 02/96 estabelece que: Item 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. (...) Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.385 13 Item 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um período base, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com a postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Notese que o acórdão recorrido decidiu em sentido diverso da conclusão da autoridade fiscal diligenciada (distinta daquela que efetuou os lançamentos, por conta de mudança de domicílio), que foi chamada a prestar informações acerca dos procedimentos do contribuinte. A diligência tinha como objetivo, conforme deliberação do CARF: Que a Fiscalização verifique se houve o pagamento ou a compensação em relação aos valores que o sujeito passivo alega ter postergado do anocalendário de 2002 para 2005. Inerente à verificação do pagamento há a questão da espontaneidade do contribuinte ao promover as adições no anocalendário de 2005. Nesse contexto, a diligência concluiu que (fls. 1.273 e ss.): II DA ESPONTANEIDADE DO CONTRIBUINTE O Mandado de Procedimento Fiscal emitido pela DeinfRJ que determinou a fiscalização do Banco Rural abarcava as fiscalizações do Imposto de Renda e da Contribuição, Social sobre o Lucro Líquido (fls. 01). Posteriormente, foram os procedimentos fiscais ampliados para a fiscalização da CPMF dos anos de 1998 e 2001, fls. 1.131 a 1.133. Em seu recurso ao CARF, o contribuinte alegou que se encontrava espontâneo quando ofereceu à tributação, em 31/12/2005, os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2005. Afirmou, ainda, que recebeu intimação em 10/10/2005 (fls. 359), tendo sido novamente intimado somente em 23/01/2006 (fls. 373). Concluiu, com base nestas afirmativas, que havia um lapso temporal maior que 60 dias entre as intimações lavradas pela autoridade fiscal, e que, nos termos do artigo 7o do parágrafo 2o do Decreto 70.235/72, readquiriu a espontaneidade para efetivar a tributação dos lucros auferidos no exterior. Nesta linha de pensamento, continuou afirmando que em face de sua espontaneidade; de ter oferecido à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas; e de ter efetivamente pago o IRPJ e a CSLL devidos pela inclusão de tais lucros, que era nulo o auto de infração, visto que não haveria falta de recolhimento de tributo, mas sim sua postergação, sendo devido apenas os juros e encargos moratórios pela postergação. A afirmativa acerca do pagamento é o objeto específico do questionamento da autoridade julgadora. Quanto à primeira afirmativa, de que se encontrava espontâneo pela ausência de intimação por prazo superior a 60 dias é pertinente prestar Fl. 5385DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.386 14 alguns esclarecimentos, visto que o Processo Administrativo Fiscal é informado pelo princípio da verdade material e que as Autoridades Julgadoras poderiam julgar este processo sem todas as informações necessárias para o julgamento da lide. Verificamos no processo e constatamos que realmente existia um lapso temporal que poderia induzir a conclusão de que o contribuinte havia readquirido a espontaneidade, transcorridos 60 dias da intimação lavrada em 10/10/2005. Mas, sabedores do cuidado com que a fiscalização foi realizada, achamos estranho tal lapso e então com vista a esclarecer essa alegação do contribuinte, contatamos o auditor fiscal responsável pela fiscalização, hoje lotado na DEMAC/RIO, para que fosse confirmado ou não as afirmações do contribuinte. Em resposta a chefia da Divisão de Fiscalização da DEMAC/RIO enviou memorando n° 019/2010/DEMAC /RJO/ DIFIS (fls. 1.095 a 1.108), através do qual nos foram encaminhados 3 (três) Termos de Intimação datados de 07/11/2005, 13/12/2005 e 03/05/2006 que não constaram no presente processo, por uma confusão do AFRFB responsável pela lavratura do auto de infração que os incluiu somente no processo referente ao auto de infração da CPMF. Como pode ser comprovado, o Termo de Intimação de 07/11/2005 trata de questionamentos acerca da CPMF, que não é a matéria tratada no presente processo. Assim sendo, existindo Termo de Intimação lavrados em 07/11/2005 e 13/12/2005, e como o contribuinte foi novamente intimado em 27/01/2006, concluise que não é verdadeira a afirmação do contribuinte de que se encontrava espontâneo no momento em que ofereceu à tributação os lucros auferidos no exterior dos anoscalendário de 1996 a 2005, visto que não ocorreu o lapso de 60 dias entre atos de ofício que indiquem a continuidade da fiscalização, como previsto no art. 7o, § 2o do decreto n° 70.235/1972. (g.n) Como o pagamento espontâneo do contribuinte é um dos requisitos para a postergação, convém reproduzir a imagem do memorando citado pela diligência: Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.387 15 Assim, como a intimação de 07/11/2005, que tratava de procedimento adicional no mesmo MPF, relativo à CPMF, resta evidente que as intimações com ciência em 13/12/2005 e 23/01/2006 impedem que seja reconhecida a espontaneidade do contribuinte no momento em que este procedeu aos ajustes de lucros no exterior (31/12/2005). Segue a reprodução das duas intimações (fls. 1.119 e 1.209): Fl. 5387DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.388 16 Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.389 17 Como as intimações ocorreram no escopo do mesmo MPF, sem qualquer solução de continuidade, é forçoso concluir que não houve a interrupção de 60 dias reclamada pelo contribuinte e aceita pelo acórdão recorrido. Destaquese, ainda, que a ciência em 07/11/2005 foi dada ao superintendente da empresa, Sr. Glaydson Cardoso, que é o signatário do recurso voluntário e das contrarrazões apresentadas, o que indica que o contribuinte tinha pleno conhecimento do normal andamento da fiscalização e da impossibilidade de exercer direitos decorrentes da espontaneidade. Embora as conclusões acima apresentadas já sejam suficientes para o deslinde da questão, convém, ainda, reproduzir a manifestação da autoridade diligenciante em relação às compensações promovidas pelo contribuinte: IRPJ DOS PAGAMENTOS E COMPENSAÇÕES EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE Analisando a DIPJ do anocalendário de 2005, número da declaração 1254763, entregue pelo contribuinte em 30/06/2006, portanto, anterior à lavratura, em 15/08/2006, do Auto de Infração, podemos constatar o que se segue. Fl. 5389DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.390 18 O contribuinte apura seus resultados pelo lucro real, levantando balanços de suspensão e redução para o cálculo das estimativas mensais. Para o anocalendário de 2005 o contribuinte informou na ficha 9B (Demonstração do Lucro Real) um lucro real de R$ 66.183.047,63. Chegou a este valor ao adicionar R$ 184.244.779,62 a título de "lucros disponibilizados no exterior". Desse total, R$ 90.416.435,32 referese aos lucros do período de 1996 a 2002 e R$ 93.828.344,10 aos lucros do período de 2003 a 2005. Portanto, se excluirmos estes lucros auferidos no exterior, referentes aos períodos de apuração de 1996 a 2005, o resultado fiscal do IRPJ no anocalendário de 2005 seria um prejuízo de RS 118.061.731,99. Os registros das fichas 11/dezembro (Cálculo do Imposto de Renda Mensal Por Estimativa) e 12B (Cálculo do Imposto de Renda anual) foram preenchidos pelo contribuinte como demonstrado abaixo: DISCRIMINAÇÃO DEZEMBROR$ 1 Base de Cálculo do Imposto de Renda 66.183.047,63 2 Imposto à alíquota de 15% 9.927.457,14 3 Adicional 6.594.304,76 5 Deduções de incentivos fiscais 537.296,80 6 Imp. de renda devido em meses anteriores 2.512.121,42 8 Imposto pago no exterior s/lucros, rend. e ganhos de capital 15.984.465,10 11 Imposto de Renda a Pagar 2.512.121,41 FICHA 12B CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DISCRIMINAÇÃO VALOR 1 IMPOSTO DE RENDA 9.927.457,14 2 ADICIONAL 6.594.304,76 3 Operações de Caráter Cultural e Artístico 391.016,87 4 Programa de Alimentação do Trabalhador 146.279,93 5 Fundos dos Direitos da Criança e do Adolencente 6 Imposto s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital de ligadas no exterior 13.757.153,02 8 Imposto de Renda Retido na Fonte 2.658.069,26 9 Imposto de Renda Retido por Órgão Públ. Fundações 43.146,68 12 Imposto de Renda Mensal Pago Estimativa 18.496.586,52 14 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 18.970.490,37 O valor registrado na linha 05 da ficha 11, no montante de R$ 537.296,80, corresponde aos incentivos fiscais decorrentes do Programa de alimentação do Trabalhador PAT e operações de caráter cultural e artístico. O valor registrado na linha 06 da ficha 11, no montante de RS 2.512.121,42, é decorrente da estimativa do mês de janeiro de 2005. Tal débito foi informado em DCTF e sua liquidação vinculada a dois pedidos de compensação feitos através de PER Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.391 19 DCOMP e que, após diversas retificações, encontramse, atualmente, aguardando análise para homologação dos pedidos. Acerca do valor registrado na linha 08 da ficha 11, no montante de R$ 15.984.465,10, decorrente do imposto de renda pago no Brasil sobre remessas de juros feitas pelo Banco Rural em favor de suas controladas situadas no exterior, a fiscalizada apresentou planilhas de fls. 335 a 343 demonstrando o valor pleiteado. As controladas beneficiárias de tais remessas são Rural International Bank Ltd, situado nas Brahamas, IFE Banco Rural Uruguay S.A., situado no Uruguai e Banco Rural Europa S.A., situado na Ilha da Madeira. As disposições legais acerca do aproveitamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos por coligadas e controladas no exterior foram tratadas inicialmente pela Lei n° 9.249/95 que, em seu artigo 26, previu o aproveitamento do imposto, INCIDENTE NO EXTERIOR. Os parágrafos do referido artigo impuseram algumas regras para a utilização deste imposto, sendo a principal o limite estabelecido no §1°, conforme transcrito abaixo: (...) Seguindo as determinações do artigo 9o da MP 2.158/01 e da IN SRF 213/2002 elaboramos o quadro abaixo, onde fica demonstrado o limite do Imposto de Renda compensável englobando o período de 1996 a 2005, caso o entendimento seja de que o contribuinte estava espontâneo para oferecer à tributação em 31/12/2005 de todos os lucros auferidos no período de 1996 a 2005. Ressaltamos que os limites foram calculados INDIVIDUALIZADAMENTE, em atendimento aos dispositivos legais já acima mencionados: APURAÇÃO DO LIMITE DE IRPJ COMPENSÁVEL NO ANO CALENDÁRIO DE 2005 Fl. 5391DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.392 20 No quadro anterior o valor do lucro real sem os resultados do exterior foi obtido subtraindo o somatório dos lucros auferidos no exterior do período de 1996 a 2005, no montante de R$ 184.244.779,42 do valor declarado de lucro real R$ 66.183.047,63. Analisando tal quadro, concluise que ao adicionar, separadamente, os lucros auferidos no exterior pelas controladas do Banco Rural, não foi apurado qualquer imposto de renda passível de compensação e por conseqüência, também não há qualquer valor excedente de imposto de renda que possa ser compensado com a CSLL apurada com a adição dos lucros auferidos no exterior pela controladas do Banco Rural. Assim sendo, o valor de R$ 15.984.465,10, registrado pelo contribuinte na linha 08 da ficha 11 da DIPJ do ano calendário de 2005 está incorreto, visto que o limite de compensação do imposto de renda sobre o envio de remessas de lucros para suas controladas é zero, como anteriormente demonstrado. Na ficha 12B, as linhas 03 e 04 referemse aos incentivos fiscais admitidos, PAT e Operações de Caráter Cultural e Artístico. O valor registrado na linha 08 "Imposto de Renda Retido na Fonte", no montante de R$ 2.658.069,26 é decorrente de Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.393 21 retenções sofridas pelo Banco Rural e cujas origens estão abaixo relacionadas. Tais valores estão comprovados pelas telas do sistema DIRF que anexamos às folhas 1.121 a 1130. O valor registrado na linha 9 "Imposto de Renda Retido por Órgão Público e Fundações", no montante de R$ 43.146,68, referese as retenções efetuadas pela Secretaria da Receita Federal e INSS por serviços prestados pelo contribuinte. O valor informado na linha 12 como "Imposto de Renda Mensal Pago Estimativa" no montante de R$ 18.496.586,52, é a somatória das linhas 06 e 08 da Ficha 11. Conforme já anteriormente citado, o valor de R$ 15.984.465,10 informado pelo contribuinte é insubsistente em face da legislação aplicável, permanecendo tão somente a estimativa de janeiro informada na DCTF no valor de R$ 2.512.121,42. Quanto ao valor informado na linha 06 da ficha 12B, "Imposto s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital de ligadas no exterior" no montante de RS 13.757.153,02, vale o mesmo raciocínio utilizado no cálculo da estimativa de dezembro. O limite para compensação é zero, portanto, não há imposto passível de compensação proveniente de retenções efetuadas quando das remessas de juros para as controladas do Banco Rural situadas no exterior. Assim sendo, estamos reconstituímos abaixo as fichas 11 e 12B com as alterações necessárias. Ressalvamos novamente que esta análise aplicase para o caso de se considerar que o Banco Rural encontravase espontâneo em 31/12/2005 para oferecer à tributação a totalidade dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 a 2005. Fl. 5393DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.394 22 Da análise do quadro acima, concluise que o contribuinte ao adicionar os lucros auferidos pelas controladas situadas no exterior dos anos de 1996 a 2005, deixou de efetuar a liquidação do imposto de renda devido. Esta não liquidação do IRPJ devido é resultante do descumprimento da legislação de regência. Basicamente, o contribuinte ignorou completamente as regras sobre o aproveitamento do imposto de renda retido no Brasil sobre as remessas para as controladas no exterior, como anteriormente citado. Assim sendo, no entender desta fiscalização, não há que se falar em postergação de imposto de renda como alegado pelo contribuinte, seja porque ele não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2002, seja porque não houve o efetivo pagamento do IRPJ devido no país quando do oferecimento à tributação de tais lucros. Caso, da análise dos elementos anexados ao presente processo, a decisão seja por considerar que de fato o Banco Rural não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação, em 31/12/2005, os lucros auferidos no exterior por suas controladas, permanece sem alterações os valores lançados pela DEINF/RJO referentes aos lucros de 1996 a 2002, consubstanciada nos Autos de Infração constante deste processo, e os valores lançados através dos Autos de infração constantes do processo n° 10680.019891/200702, referentes ao período de 2003 a 2005. Em relação à CSLL a autoridade diligenciante adotou o mesmo procedimento (conforme relatório às fls. 1.247 a 1.250) para concluir que: Da análise do quadro acima, concluise que o contribuinte ao adicionar os lucros auferidos pelas controladas situadas no Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.395 23 exterior dos anos de 1996 a 2005 na base de cálculo da CSLL deixou de efetuar a liquidação da contribuição devida. Esta não liquidação da CSLL devida é resultante do descumprimento da legislação de regência. Basicamente, o contribuinte ignorou as regras sobre o aproveitamento do saldo de imposto de renda retido no Brasil sobre as remessas para as controladas no exterior, como anteriormente citado. Assim sendo, no entender desta fiscalização, não há que se falar em postergação de CSLL como alegado pelo contribuinte, seja porque ele não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2002, seja porque não houve o efetivo pagamento da CSLL devida no país quando do oferecimento à tributação de tais lucros. Nesse contexto, diante dos fatos e do raciocínio desenvolvido pela autoridade diligenciante, cuja conclusões não foram contestadas pelo voto condutor (que apenas entendeu que a resposta da fiscalização corroborava a posição da postergação, quando, data maxima venia, pareceme exatamente o contrário), fazse necessário acolher, quanto a este ponto, o recurso formulado pela Fazenda Nacional, ante a constatação de que a hipótese dos autos não se enquadra na figura da postergação, tanto pela falta de espontaneidade dos procedimentos adotados pelo contribuinte como pela não comprovação de que houve efetivo pagamento ou compensação em relação aos lucros auferidos por controladas no exterior para o período autuado, descontandose, obviamente, os exercícios de 1996 e 1997, já fulminados pela decadência, como reconhecido pela decisão recorrida, matéria que já transitou em julgado na esfera administrativa. Em relação ao segundo ponto do recurso fazendário, que diz respeito à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito, decorrente do mandado de segurança apreciado pelo Poder Judiciário, cabem algumas considerações. Inexiste controvérsia quanto ao trâmite do processo, mas apenas discussão teórica acerca do efeito suspensivo em relação aos tributos em debate. Assim, convém reproduzir, sucintamente, a sequência das decisões proferidas. O contribuinte ingressou com Mandado de Segurança em dezembro de 2002, processo n° 2002.51010244287/RJ, contra o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Pediu a concessão de medida liminar e segurança para que o banco fosse autorizado a recolher o IRPJ e a CSLL, relativamente aos lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando efetivamente ocorrida a disponibilidade jurídica e econômica dos lucros. O pedido liminar foi indeferido e, posteriormente, em sede de agravo, o TRF da 2a Região concedeu efeito suspensivo ativo à decisão agravada, sustando "a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento da ADIN 2.558". A sentença de primeira instância denegou a segurança e, contra esta decisão, o contribuinte interpôs Recurso de Apelação, que foi recebido no duplo efeito. A Fazenda Nacional peticionou junto a Desembargadora Federal Tânia Heine para requerer: "a fim de evitar eventuais dúvidas ou questionamentos futuros, requer a Fl. 5395DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.396 24 Fazenda Nacional que V. Exa. reconheça, expressamente, a insubsistência da decisão de fls. 268, que concedeu parcialmente efeito suspensivo ativo ao agravo de instrumento, por ter a mesma restado absorvida pela aludida sentença monocrática, repitase denegatória da segurança". Em resposta à petição da Fazenda Nacional a Desembargadora Federal Tania Heine assim se manifestou: "Diante da decisão de fls. 305, resta prejudicada a de fls. 268". Diante desse cenário, pareceme óbvio que os efeitos da decisão liminar no agravo não podem subsistir depois de prolatada a sentença de primeira instância, como expressamente reconheceu a desembargadora que apreciou a questão. Sabese que a decisão de primeiro grau prejudica o agravo, por perda de objeto, o que significa dizer, no caso dos autos, que a decisão liminar e precária proferida em sede de agravo foi considerada prejudicada em face da decisão de mérito. Assim, o conhecimento (ainda que extraordinário) da apelação em seu duplo efeito em nada aproveita ao contribuinte, posto que naquele momento inexistia qualquer decisão em prol da suspensão da exigibilidade do crédito. Afinal, uma decisão denegatória não produz efeitos favoráveis à parte. Esse é o entendimento do STJ, no sentido de que, como o deferimento de pedido liminar é decisão proferida em sede de cognição sumária, podendo ter natureza cautelar ou antecipatória, a sua posterior cassação sujeita o requerente à eficácia retroativa da decisão contrária: PROCESSUAL CIVIL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA NA AÇÃO. PERDA DE OBJETO. 1. A sentença de improcedência na demanda acarreta, por si só, independentemente de menção expressa a respeito, a revogação da medida antecipatória com eficácia imediata e ex tunc. Aplicação analógica da Súmula 405/STF (denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária). 2. Nessa hipótese, restam prejudicados os recursos interpostos contra a decisão que indeferira a liminar. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 586.202/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02.08.2005, DJ 22.08.2005 p. 129) e PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL RECURSO ESPECIAL E MEDIDA CAUTELAR AGRAVO DE INSTRUMENTO DECISÃO QUE DEFERE OU INDEFERE LIMINAR OU ANTECIPAÇÃO DE TUTELA PROLAÇÃO DE SENTENÇA PERDA DE OBJETO. Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.397 25 1. Sentenciado o feito, perdem objeto, restando prejudicados, o recurso especial interposto de acórdão que examinou agravo de instrumento de decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela e a medida cautelar ajuizada perante o STJ para emprestarlhe efeito suspensivo. 2. A sentença de mérito que confirma o provimento antecipatório absorve seus efeitos, por se tratar de decisão proferida em cognição exauriente; se de improcedência a sentença, resta cassado o provimento liminar. 3. Precedentes do STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg na MC 9565/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 25.09.2007, DJ 08.10.2007 p. 245) Em igual sentido já dispõe há muito tempo a Súmula 405 do STF: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Ademais, é inequívoco que o próprio contribuinte sabia que a exigibilidade dos créditos não estava suspensa, tanto assim que ingressou posteriormente com ação cautelar inominada visando à suspensão da cobrança do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da cautelar, a mesma desembargadora que já havia apreciado o caso em sede de agravo de instrumento, informa que os efeitos ali concedidos restaram prejudicados, com a perda de objeto decorrente da sentença em primeira instância (fls. 1.393): DECISÃO Tratase de medida cautelar, com pedido de deferimento de medida liminar, para que se suspenda a cobrança do imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro, relativamente às controladas no exterior da Requerente, como prevê o art. 74 da MP n° 2158/35 até que o E. STF termine o julgamento da ADIN onde se discute a constitucionalidade da Medida Provisória. Relata em suas razões que impetrou mandado de segurança pleiteando a suspensão da cobrança do imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro, relativamente às controladas no exterior, argüindo a inconstitucionalidade da MP no 2158/2001, sendo que a liminar fora indeferida. Dessa decisão foi interposto agravo de instrumento, que concedeu efeito suspensivo ao recurso, decretando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final da ADIN 2588. Ocorre que posteriormente foi proferida sentença denegatória, o que levou à perda superveniente de objeto do agravo de instrumento. Em face da sentença foi interposta apelação que foi recebida em seu duplo efeito. Ocorre que a Fazenda, em Fl. 5397DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.398 26 diligência no domicílio da Requerente, lavrou autos de infração vez que entendeu que não possuía a Autora qualquer decisão que suspendesse a exigibilidade do crédito. Alega existir doutrina defendendo a perpetuação de liminares proferidas mesmo após o julgamento por sentença do mérito. Por último, traz à colação jurisprudência que entende aplicável ao caso. A medida proposta não merece prosperar. Em breve síntese, foi indeferida liminar em mandado de segurança, havendose agravado de tal decisão, tendose concedido efeito suspensivo ao recurso. Posteriormente foi proferida sentença denegatória, tendose julgado, assim, prejudicado o agravo de instrumento. Pleiteiase agora, vez que o recurso de apelação contra a sentença proferida no mandamus foi recebido no duplo efeito, o restabelecimento do agravo de instrumento, de forma que se suspenda a cobrança das exações que se discutem no mandado de segurança. O que pleiteia o Recorrente não merece prosperar. O que se pleiteia, em realidade, a superveniência de decisão interlocutória proferida de forma precária e provisória em detrimento da proferida em sentença de mérito, ainda mais no caso concreto, onde o mandamus foi indeferido. (...) É assente na doutrina a impossibilidade de que prevaleça a liminar em desfavor de sentença. (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 267, inc. I e VI do CPC, julgo extinta a presente medida cautelar. (g.n.) Impossível ser mais claro do que a decisão acima proferida. Ressaltese, ainda, que a decisão foi mantida em sede de embargos de declaração (fls. 1.397) e também de agravo (fls. 1.401), razão pela qual resta evidente que inexistia, ao tempo dos lançamentos, qualquer efeito suspensivo contra a exigibilidade dos créditos e, em decorrência, que é legítima a incidência da multa de ofício lavrada pela autoridade autuante. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, voto por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.399 27 Fl. 5399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17734.721317/2016-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA
Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização
Numero da decisão: 2002-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17734.721317/2016-77
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948780
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.526
nome_arquivo_s : Decisao_17734721317201677.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 17734721317201677_5948780.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7572024
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051415837933568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 50 1 49 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17734.721317/201677 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.526 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente EDILA EMILIA MIRANDA PORTO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 73 4. 72 13 17 /2 01 6- 77 Fl. 50DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 22 a 27), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Tal infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 19.535,46, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 03 a 12 dos autos, e de acordo com a decisão de DRJ: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2014, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 8.882,53, recebidos acumuladamente em ação judicial, e aluguéis omitidos de R$ 19.535,46, pagos por pessoas físicas, resultando em imposto suplementar de R$ 4.643,54. Argumenta, em síntese, que pagara previamente ao lançamento o imposto em questão em oito cotas de R$ 580,00 em 2015, sob o código 0211. Não contesta os rendimentos omitidos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 22/02/2017, no acórdão 1541.721, às efls. 40 a 41, julgou improcedente impugnação, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 11/04/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 47, no qual solicita a este CARF que aceite sua declaração retificadora de IRPF, já que não era de sua ciência que não podia assim proceder após o início da fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 16/03/2017, efls. 44, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2017, efls. 47, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado ba omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 17734.721317/201677 Acórdão n.º 2002000.526 S2C0T2 Fl. 51 3 A contribuinte alega que errou quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual (DAA) e que a autuação deve ser afastada. Contudo, não há qualquer impugnação quanto as omissões acima descritas. A recorrente limitase a alegar que pagou o tributo devido, às efls. 5 a 12. Ressaltase que a obrigação acessória de apresentar a declaração correta é um ônus do contribuinte, que, quando preenchida erroneamente, pode ser alterada pela declaração retificadora, que substitui para todos os efeitos a primeira declaração disponibilizada a RFB. DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITOS. A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Portanto, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. (Acórdão n°: 2201001.747 14/08/2012) A alegação de cometimento de erro pelo contribuinte não pode prosperar para fins de fiscalização, já que tem prazo bastante razoável para preenchimento da obrigação acessória, bem como para retificála. Além disso, a apresentação da retificadora é de obrigação do contribuinte e o momento de fazêlo é antes do início de qualquer procedimento fiscal, e não no curso do processo administrativo tributário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização. (Acórdão nº: 10615.643 22/06/2006) Assim, mantenho a decisão de piso, nos seguintes termos: Apesar de haver pago o imposto anteriormente ao lançamento, a contribuinte não apresentara declaração oferecendo à tributação os rendimentos omitidos. Não se formaliza assim a denúncia espontânea que afastaria a aplicação da multa de ofício. De acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional, é a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento, que tem o condão de afastar a aplicação de penalidades, e não o pagamento isoladamente, desacompanhado da denúncia. Voto, assim, por manter a exigência do crédito tributário com o acréscimo de multa de ofício e juros de mora, cabendo a imputação Fl. 52DF CARF MF 4 proporcional dos pagamentos realizados pela contribuinte, conforme extrato às fls. 32/33, se disponíveis, e cobrança do saldo remanescente. Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
