Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10280.901581/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/09/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.571
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 30/09/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.901581/2013-86
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5947183
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.571
nome_arquivo_s : Decisao_10280901581201386.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10280901581201386_5947183.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7569994
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416554110976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901581/201386 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.571 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente BELEM DIESEL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/09/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 81 /2 01 3- 86 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.228. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10280.901581/201386 Acórdão n.º 3401005.571 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000929/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.797
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.000929/2009-91
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954551
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.797
nome_arquivo_s : Decisao_11516000929200991.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11516000929200991_5954551.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7584352
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416558305280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.000929/200991 Recurso nº 1 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.797 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria CONSTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 29 /2 00 9- 91 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.878, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11516.000929/200991 Acórdão n.º 9303007.797 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000212/2006-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/02/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/08/2004 a 30/09/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Não é cabível o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS com a inclusão de receitas financeira. Inconstitucionalidade da do art. 2º e 3º da Lei 9.718/1998 reconhecida pelo STF no RE 585.235-1/MG. Reconhecida imunidade nas receitas destinadas a exportação pelo RE 627.815/PR.
Numero da decisão: 3003-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/02/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/08/2004 a 30/09/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Não é cabível o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS com a inclusão de receitas financeira. Inconstitucionalidade da do art. 2º e 3º da Lei 9.718/1998 reconhecida pelo STF no RE 585.235-1/MG. Reconhecida imunidade nas receitas destinadas a exportação pelo RE 627.815/PR.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13411.000212/2006-09
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961614
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.039
nome_arquivo_s : Decisao_13411000212200609.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13411000212200609_5961614.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7607808
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416568791040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 473 1 472 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.000212/200609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.039 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria PIS/COFINS RECEITAS FINANCEIRAS Recorrente VDS EXPORT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/02/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/08/2004 a 30/09/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Não é cabível o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS com a inclusão de receitas financeira. Inconstitucionalidade da do art. 2º e 3º da Lei 9.718/1998 reconhecida pelo STF no RE 585.235 1/MG. Reconhecida imunidade nas receitas destinadas a exportação pelo RE 627.815/PR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 02 12 /2 00 6- 09 Fl. 477DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão prolatado pela E. DRJ de Recife/PE. Em suas razões a Recorrente reitera os termos da impugnação, que, em síntese, requer a anulação do Auto de Infração por vício de forma, e alternativamente, pede o cancelamento do lançamento por ser descabida a exação essencialmente em razão de receitas financeiras por variação cambial não servirem de base de cálculo para as contribuições especiais PIS e COFINS. Pela acuidade na elaboração do relatório pela DRJ de Recife de fls. 420/421, adotoo em transcrição fiel para após complementar com as razões aludidas do Recurso Voluntário: "Contra a pessoa jurídica acima identificada foram lavrados os AUTOS DE INFRAÇÃO relativos i Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls.338/341) e A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls.316/319), nos períodos especificados na ementa, para exigência dos créditos tributários adiante relacionados. Enquadramentos legais nos respectivos autos de infração. Juros calculados até 24/02/2006. 2. Cada um dos supramencionados lançamentos encontrase acompanhado dos respectivos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO E DE MULTA E JUROS DE MORA (Pis, as fls.342/345; Cofins, às fls.320/323), DEMONSTRATIVOS CONSOLIDADOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO (Pis, is fls.04; Cofins, is fls.03), TERMOS DE ENCERRAMENTO (Pis, às fls.346/347; Cofins, As fls.320/321) e RELATÓRIO FISCAL (fls.348/354), bem como os DEMONSTRATIVOS DE COMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO (APURAÇÃO SINTÉTICA) (fls.304/306 e 326/328), APURAÇÃO DE DÉBITOS, PAGAMENTOS e DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA (PIS, is fls.329/337; Cofins, is fls.307/315), documentos esses que fazem parte integrante dos autos de infração como se neles transcritos estivessem. 3. Afirma a autoridade fiscal, na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL de cada um dos autos de infração que detectou falta/insuficiência de recolhimentos das contribuições para o Pis e a Cofins. Nos subitens 5.1.1 e 5.1.2 do RELATÓRIO FISCAL, afirma ter levantado, nos períodos compreendidos entre 2003 e 2005, as receitas de vendas no mercado interno com base no Livro de Apuração de ICMS e as outras receitas — tais como descontos obtidos, variação cambial ativa (operações liquidadas) por meio dos Livros Razão, segundo discriminado no DEMONSTRATIVO DE RECEITAS AUFERIDAS (fls.301/30?). Esclarece que, no que concerne is receitas de variações cambiais ativas, considerou, na apuração das bases de cálculo, apenas as relativas a operações liquidadas, conforme dispõe o art. 30 da Medida Provisória — MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. E acrescenta que, a Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13411.000212/200609 Acórdão n.º 3003000.039 S3C0T3 Fl. 474 3 partir do DEMONSTRATIVO DE RECEITAS AUFERIDAS, elaborou as demais planilhas, referenciadas no item anterior, em decorrência das quais lavrou os AUTOS DE INFRAÇÃO relativos As contribuições para o PIS e a Cofins. Além dos elementos já referenciados, a autoridade fiscal acostou aos autos, ainda, outros elementos (fls.01/02, 05/300 e 355). 4. Devidamente cientificada dos lançamentos em 12/04/2006 (fls.356/357), a pessoa jurídica autuada apresentou, em 12/05/2006 (fls.359), por intermédio de sua procuradora (instrumento de mandato e identificações às fls.381/382, 395 e 397/398), impugnações (Pis, is fls.360/369; Cofins, is fls.370/380), acompanhadas de cópia da oitava alteração do seu contrato social (fls.383/390). Intimada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Petrolina — DRF/Petrolina (fls.391 e 393), a autuada encaminhou expediente acompanhado de cópias dos documentos solicitados (fls.394/414). Por meio dessas peças de defesa, contesta os lançamentos ora sob análise utilizandose das alegações que serão a seguir sintetizadas. 4.1. Argúi preliminar de nulidade de ambos os lançamentos sob a alegação de '(...) evidente ausência de correlação lógica entre a descrição do fato típico e seu enquadramento legal (...).' Adiante, aduz que o auto de infração '(...) deve, necessariamente, ao observar as irregularidades Micas, indicar — entre outros elementos — a disposição legal supostamente infringida pelo contribuinte, sob pena de violação ao principio da legalidade e da segurança jurídica." Acrescenta ter havido violação do principio da motivação, bem assim do contraditório e da ampla defesa, uma vez que foilhe retirada '(...)toda possibilidade de defesa especifica e precisa quanto aos elementos da autuação (...).'(grifos do original). Transcreve doutrina, bem como o caput e o inciso IV do art.10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal — PAF.• 4.2. Discorda da apuração das bases de calculo das contribuições em razão da inclusão de parcelas que entende não integrarem o conceito de faturamento, quais sejam, receitas financeiras a titulo de variação cambial ativa. Afirma que o Supremo Tribunal Federal — STF já reputara inconstitucional o alargamento de tais bases de cálculo introduzida pelo § 10 do art. 30 da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os Recursos Extraordinários — RE que cita. E acrescenta que os mencionados valores não correspondem ao efetivo conceito de "receita", dado não representarem disponibilidade financeira. 4.3. Discorre longamente sobre as operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio — ACC, na forma da Circular BACEN n° 2.632/95, que realiza, ao exercer a atividade de exportação de frutas. Aduz que delas não resulta receita ou despesa financeira, uma vez que os efeitos da variação cambial registrados na conta passiva de financiamento por ACC são neutralizados pela variação correspondente na conta ativa de clientes a receber de exportação. Reproduz decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Fl. 479DF CARF MF 4 4.4. Ao final, requer sejam os lançamentos julgados improcedentes e pugna pela apresentação de provas, inclusive juntada de novos documentos." Em suas razões de Recurso Voluntário reitera a preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão de, em suas palavras "ausência de correlação lógica entre a descrição do fato típico e seu enquadramento legal". Prossegue na argumentação e faz referência ao Decreto 70.235/1972 em seu artigo 10, inciso IV, reiterando a necessidade da discriminação da imputação da infração cometida. Ainda em sede de preliminar, alega que o fato por ela descrito cerceoulhe o direito de defesa que, em suas próprias palavras "não há como impugnar especificamente a autuação". Prosseguiu, em essência, reiterando as razões de Impugnação, tais como falta de materialidade à norma que imputoulhe a exigência do crédito tributário; que variações cambiais não se enquadram no conceito de faturamento/receita; fez menção à Lei 9.718/1998 e precedentes do Supremo Tribunal Federal. Prossegue afirmando que a Recorrente é empresa que realiza exportação de frutas in natura e promove operações de adiantamento de crédito perante instituições financeiras por meio de contrato ACC, razão pela qual a ela não se aplica o alargamento da base de cálculo da PIS/COFINS sobre receitas financeiras. Concluiu com o requerimento pela total procedente do Recurso Voluntário e anulação do Auto de Infração em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os requisitos formais de validade, portanto dele tomo conhecimento. Da Preliminar de nulidade Antes de adentrar a temática meritória insurge questão preliminar levantada pela Recorrente que merece apreciação. Como relatado, a Recorrente irresignase contra o Auto de Infração de fls. 316/319 afirmando não existir correlação entre o fato típico e seu enquadramento legal. Ao avaliar detidamente o Auto de Infração constatei a presença de todos os requisitos formais de validade exigidos no art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13411.000212/200609 Acórdão n.º 3003000.039 S3C0T3 Fl. 475 5 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Em especial sobre o enquadramento legal, é visível no referido Auto de Infração que a exigência fora devidamente cumprida pela autoridade competente. Há enquadramento legal que dá azo à autuação, de modo a verificar no ato administrativo lançamento toda a Regra Matriz de Incidência Tributária, tais como sujeito ativo, sujeito passivo, critério espacial, critério temporal, e toda a materialidade que diz respeito à base de cálculo e alíquota. Ainda sobre a preliminar arguida, a Recorrente assevera ter sido prejudicada no seu direito de defesa e afirmou não haver como impugnar especificamente a autuação. Ora, o que se vê tanto nas peças de impugnação primevas quanto no presente Recurso Voluntário é uma minuciosa impugnação de cada ponto da autuação, inclusive com citação de precedentes de Recursos Extraordinários prolatados pelo STF. Se houvesse, de fato, impossibilidade de impugnar especificamente a autuação, não seria possível à Recorrente delongarse sobre a materialidade da exação, tampouco intentar comparála àquelas enfrentadas nos precedentes por ela citados. Em razão de estar o Auto de Infração de fls. 316/319 em perfeita consonância com as exigência legais, voto pela rejeição da preliminar de nulidade arguida. Da incidência da Pis/Cofins sobre receitas financeiras O artigo 397 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado e consolidado pelo Decreto nº 9.580/2018, cuja matriz legal corresponde ao artigo 17 do Decretolei nº 1.598/1977, relaciona os principais tipos de receitas financeiras e disciplina o tratamento jurídicotributário a ser seguido para a sua imputação ao lucro operacional da pessoa jurídica. “Art. 397. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos ou os lucros de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, que tenham sido ganhos pelo contribuinte, Fl. 481DF CARF MF 6 serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos de renda fixa com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, caput; Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º; e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º).”. Em complemento, o artigo 407 do RIR/2018 determina: Art. 407. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda e da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 30, caput). Os dispositivos versam sobre a apuração do Imposto sobre a Renda, tanto o é que faz menção aos regimes de caixa e de competência ao afirmar que as receitas por variação cambial apuramse quando da liquidação da operação. A Recorrente atacou em suas razões o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS pela Lei 9.718/1998 e fez menção aos precedentes do STF 357950, 390840, 358273 e 346084 nos quais o Plenário declarou inconstitucional o artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pela análise do Relatório Fiscal de fls. 348/354, tanto nas contribuições COFINS e PIS, a Autoridade Fiscal efetuou o lançamento por meio da apreciação de livros contábeis que, além do registro do somatório da atividade empresarial, também registrava as variações cambiais ativas, de modo a alargar a base de cálculo das contribuições. Destacase que a Autoridade Fiscal, quando da análise de fato gerador da COFINS, prendeuse ao momento de liquidação da operação que tinha origem na variação cambial ativa. Por oportuno, tratase de critério de apuração de receitas exclusivas para o cálculo do Imposto de Renda, tais sejam o Regime de Caixa e o Regime de Competência. Contudo, para o caso em debate é irrelevante o momento que o Contribuinte escritura como liquidada a operação, haja vista que a monta advinda de variação cambial não poderá compor a base de cálculo da PIS/COFINS. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13411.000212/200609 Acórdão n.º 3003000.039 S3C0T3 Fl. 476 7 Importa mencionar que o Plenário do STF reconheceu a repercussão geral no RE 585.2351/MG cujo inteiro teor do Acórdão declara inconstitucional o art. 3º, §1º da Lei 9.718/1998 que alargou a base de cálculo das Contribuições Especiais PIS/COFINS por meio da inclusão das receitas financeiras.sob o fundamento de ferir o artigo 195, I b da Constituição da República. Vale menção voto do eminente relator Ministro Cezar Peluso: 1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais(RE 585.235 1/MG) Por império do artigo 62, §2º do Anexo II do RICARF, a decisão do Pretório Excelso deve ser observada pelo Tribunal Administrativo, razão pela qual somente poderseá considerar como receita bruta/faturamento as vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, que nada mais é do que o somatório do resultado da atividade empresarial. Ainda sobre a jurisprudência do STF, no RE 627.815/PR, também reconhecida sua repercussão geral, a Ministra Relatora Rosa Weber apreciou o histórico de julgamentos de Corte Maior quanto à desoneração da operação de exportação, conferindo ao artigo 149, §2º, I interpretação ampla que compreende as receitas provenientes de variação cambial em contratos de exportação como receitas imunes, e, por consequência, fora da base de cálculo da PIS/COFINS. O que se discute nestes autos é se as receitas das variações cambiais ativas podem ser consideradas como receitas decorrentes de exportação,de modo a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência do PIS e da COFINS. Tenho que a resposta é positiva. Variações cambiais constituem atualizações de obrigações ou de direitos estabelecidos em contratos de câmbio. Estão compreendidas entre dois grandes marcos: a contratação (fechamento) do câmbio, com a venda, para uma instituição financeira, por parte do exportador, da moeda estrangeira que resultará da operação de exportação; e a liquidação do câmbio, com a entrega da moeda estrangeira à instituição financeira e o consequente pagamento, ao exportador, do valor equivalente em moeda nacional, à taxa de câmbio acertada na data do fechamento do contrato de câmbio. (RE 627.815/PR) O que se tem pela análise dos dois precedentes aludidos é que, por repercussão geral, o STF entende que a base de cálculo da PIS e da COFINS não pode ser alargada para tributar também receitas financeiras inclusive com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei 9.718/1998, bem como a interpretação ampliativa Fl. 483DF CARF MF 8 das hipóteses de imunidade de receitas de tributação, retirando a variação cambial da base da dupla PIS/COFINS. O entendimento da jurisprudência tributária dá guarida ao pleito da Recorrente. Inicialmente, pelo RE 627.815/PR que determina ser imune as receitas provenientes de variação cambial. Em complemento, por declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei 9.718/1998, excluiu as receitas financeiras por variação cambial da base de cálculo das Contribuições. Ou seja, as receitas financeiras por variação cambial não podem compor a base de cálculo da PIS/COFINS, e se pudessem seriam receitas protegidas pela égide da imunidade. Sem mais o que discorrer a respeito do tema em debate, aplico o mandamento do artigo 62, §º2º do Anexo II do RICARF para conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito darlhe provimento no sentido de excluir as receitas financeiras por variação cambial da base de cálculo da PIS/COFINS. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002100/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. MÃO-DE-OBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mão-de-obra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime não-cumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 3401-005.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. MÃO-DE-OBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mão-de-obra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime não-cumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13855.002100/2008-27
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955040
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.723
nome_arquivo_s : Decisao_13855002100200827.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13855002100200827_5955040.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7584760
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416576131072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.002100/200827 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.723 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente ESTIVAL IMPORTACAO EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MÃODEOBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mãodeobra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime nãocumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 21 00 /2 00 8- 27 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ/REC, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra Despacho Decisório que glosou créditos por ela pleiteados. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização não reconheceu créditos decorrentes de aquisição de serviços das empresas referenciadas nos autos por entender que estas se constituíam em interpostas empresas utilizadas para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. Concluiu assim que os empregados destas interpostas empresas eram, na verdade, empregados da própria recorrente. Os elementos de prova constam dos processos 13855.001760/200971 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Assim, os créditos foram glosados em virtude de, em diligencia da delegacia previdenciária, haver sido verificado suposto esquema da Recorrente para interpor pessoas jurídicas, tendo, como sócios, empregados a fim de se mitigar a incidência das contribuições previdenciárias. A conclusão, nos lançamentos relativos àqueles processos, é de que haveria vínculo empregatício entre os sócios das empresas e, portanto, seria vedado o crédito de contribuições provenientes de pessoas físicas por expressa previsão em lei. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a motivação fática do indeferimento é “falha, omissa e não condiz com a verdade” e informa que os processos administrativos que motivaram o indeferimento parcial do direito creditório não haviam transitado em julgado, porém não refuta os fatos narrados no Despacho Decisório. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 11046.232, através do qual a manifestação de inconformidade foi tida como improcedente. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, bem como acrescentou suas considerações trazidas aos processos administrativos que deram azo ao Despacho Decisório de que decorre esse contencioso. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.716, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13855.000846/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.716): "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Todavia, verificase que a Recorrente optou por trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário com o objetivo de reapreciação de matéria discutida nos processos administrativos de nºs 13.855.001760/200971, 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Não há como conhecer dessa parcela do recurso em vista de ocorrência de preclusão argumentativa nos termos do Decreto 70.235/1972. Por outro lado, a Recorrente insiste na tese de os fatos causadores dos lançamentos de ofício consignados naqueles processos acima mencionados não se relacionam com os créditos ora glosados, porém nada traz de concreto a fim de embasar essa alegação. Nesse ínterim, insubsistente sua defesa por absoluta ausência de comprovação. Por fim, quanto à alegação de sobrestamento, necessário mencionar que os referidos processos já passaram pelo crivo do CARF, em seguidos julgamentos, que passou a mencionar Do Julgamento dos PAT’s 13.855.001760/200971 e 13855.001761/200916 Tais processos tiveram Acórdãos proferidos em 03.12.2014, sendo desfavorável ao contribuinte quanto ao objeto comum do litígio: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 5 4 CARF. SÚMULA 76. SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES. SAT. LEGALIDADE. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador, não merece surtir efeitos. O enquadramento da empresa no respectivo grau de risco é realizado pelo código CNAE, até a competência 05/2007, em decorrência da aplicação do anexo V do Decreto nº 3.048/99, e pelo CNAE FISCAL, a partir de 06/2007, tendo em vista a alteração do anexo mencionado pelo Decreto nº 6.042/97. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 2403002.855 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 6 5 quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2403002.856 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Esses processos seguiram para Agravos por parte da Fazenda e do Contribuinte contra essas decisões e consta que, em virtude de adesão a programa de parcelamento (PERT), houve desistência por parte da Recorrente em janeiro de 2018. Do Julgamento do PAT 13855.001762/200961 Esse processo foi apensado aos demais por ocasião do Recurso Especial à CSRF interposto pela Fazenda Nacional, nos termos da Resolução 9202000.166: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 13855.001760/200971, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de apreciação de agravo interposto em face de exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, sugerindose, ainda a apreciação conjunta por esta CSRF do referido feito de n°. 13855.001760/200971 com o de n°. 13855.001761/200916, para posterior distribuição a este relator para fins de julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. Portanto, inexistem decisões pendentes diante da desistência da própria Recorrente nos aludidos processos, e, sendo certo Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 7 6 que não restaram argumentos de mérito a serem apreciados, não há o que se acolher do Recurso apresentado. Por todo o exposto, conheço parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13855.002100/200827 Acórdão n.º 3401005.723 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001361/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 26/04/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ADIANTAMENTOS.
Não apresentada documentação idônea capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. A não comprovação da origem de recursos monetários que ingressaram na empresa, bem como os diversos recursos monetários a título de adiantamentos para a realização de importações omitidos da aduana e ainda o registro das importações em nome próprio, caracterizam a interposição fraudulenta nos termos do art. 23, inciso V, §2° do Decreto-Lei n° 1.455/76.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS.
Cabe a atribuição de responsabilidade solidária apenas àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, apenas quem, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A autuação deve arrolar todos os envolvidos para que estes respondam pelo crédito tributário decorrente da fraude aduaneira realizada, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Impossibilidade de responsabilização isolada de apenas um sujeito pela integralidade do auto de infração, se outros concorreram para o cometimento da fraude.
Recurso de Ofício Provido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a solidariedade da recorrente Tupy Fundições Ltda. do polo passivo da autuação. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 26/04/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ADIANTAMENTOS. Não apresentada documentação idônea capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. A não comprovação da origem de recursos monetários que ingressaram na empresa, bem como os diversos recursos monetários a título de adiantamentos para a realização de importações omitidos da aduana e ainda o registro das importações em nome próprio, caracterizam a interposição fraudulenta nos termos do art. 23, inciso V, §2° do Decreto-Lei n° 1.455/76. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária apenas àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, apenas quem, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A autuação deve arrolar todos os envolvidos para que estes respondam pelo crédito tributário decorrente da fraude aduaneira realizada, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Impossibilidade de responsabilização isolada de apenas um sujeito pela integralidade do auto de infração, se outros concorreram para o cometimento da fraude. Recurso de Ofício Provido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12466.001361/2006-89
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948064
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.535
nome_arquivo_s : Decisao_12466001361200689.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 12466001361200689_5948064.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a solidariedade da recorrente Tupy Fundições Ltda. do polo passivo da autuação. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7570574
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416590811136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 7.673 1 7.672 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.001361/200689 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301005.535 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA Recorrentes CHINABRAZ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 26/04/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. ADIANTAMENTOS. Não apresentada documentação idônea capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, temse por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplicase a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. A não comprovação da origem de recursos monetários que ingressaram na empresa, bem como os diversos recursos monetários a título de adiantamentos para a realização de importações omitidos da aduana e ainda o registro das importações em nome próprio, caracterizam a interposição fraudulenta nos termos do art. 23, inciso V, §2° do DecretoLei n° 1.455/76. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária apenas àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, apenas quem, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A autuação deve arrolar todos os envolvidos para que estes respondam pelo crédito tributário decorrente da fraude aduaneira realizada, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Impossibilidade de responsabilização isolada de apenas um sujeito pela integralidade do auto de infração, se outros concorreram para o cometimento da fraude. Recurso de Ofício Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 13 61 /2 00 6- 89 Fl. 7673DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.674 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a solidariedade da recorrente Tupy Fundições Ltda. do polo passivo da autuação. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso de oficio e recursos voluntários de Tupy Fundições Ltda. e Chinabraz Com. Imp. e Exp. Ltda., contra o acórdão proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis (fls. 6.549ss) que, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado no auto de infração de fls. 01 a 21, para excluir o valor de R$ 49.293.385,00 (quarenta e nove milhões, duzentos e noventa e três mil trezentos e oitenta e cinco reais) e manter o crédito tributário de R$ 26.141.765,00 (vinte e seis milhões cento e quarenta e um mil setecentos e sessenta e cinco reais). A DRJ, ademais, manteve como responsável solidária, a Tupy Fundições Ltda. Adoto o relatório da decisão recorrida, para os detalhes do litígio até aquele momento: Trata o presente processo do Auto de infração de fls. 01 a 24 por meio do qual é feita a exigência de R$ 75.435.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e cinco mil e cento e cinquenta reais), de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada, ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida, aplicada em substituição à pena de perdimento que incide sobre mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, nos termos do art. 23, V e §§ Fl. 7674DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.675 3 2° e 3°, do Decretolei n° 1.455 de 07/04/1976 DOU 08/04/1976 ret. em 13/04/1976. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 02 e Relatório de Ação Fiscal de fls. 05 a 24, em procedimentos de fiscalização foi constatado que a empresa Amerimex Internacional Ltda, CNPJ n° 04.639.330/000182, que tinha o cadastro suspenso, endossou a favor da autuada as importações referentes as DI n. 05/00159997, 05/00246712 e 05/002246720. Foi instaurado procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos moldes preconizados pelos arts. 1° e 2°, da Instrução Normativa SRF n°228, de 21 de outubro de 2002, DOU de 23/10/2002 contra Amerimex e, por extensão, contra a Chinabraz para quem foram endossadas a propriedade das mercadorias e se concluiu que esta última, também, não dispunha de capacidade econômica e financeira, legalmente demonstrada, para realizar as importações dos produtos apresentados na lista de fls. 22 a 24 e que não foram localizados pela fiscalização. Verificações fiscais levaram à conclusão de que a empresa autuada procedia a importações de carvão coque chinês para a Tupy Fundições, causando prejuízos às empresas brasileiras do setor, de acordo com a denúncia do Sindicato das Indústrias de Carvão do Estado de Santa Catarina, maior produtor brasileiro dessa matériaprima. A fiscalização concluiu, também, que houve fraudes relativas ao FUNDAP, tendo em vista que a Chinabraz era Fundapeana. Lavrado o Auto de Infração em questão foram intimadas a autuada em 11/05/2006 e a considerada solidária, Tupy Fundições, em 17/05/2006 fl. 1.816 vol. X). Em 09/06/2006 Chinabraz apresentou as impugnações de fls. 5.479 a 5.549 (volume XXVIII) e Tupy as de fls. 1.818 a 1.880 (volume X). As impugnações que discorrem a respeito das motivações da autoridade fiscal para a realização dos lançamentos, apresentando contraargumentos, são em síntese as seguintes: Impugnação de Chinabraz fls. 5.479 a 5.549 (volume XXVIII) o Auditor Fiscal Raimundo da Silva, por ter se sentido insultado devido a peticionária haver impetrado mandado de segurança contra a ação fiscal, agiu de forma retaliatória buscando, a todo custo, imputar conduta ilícita contra a impugnante e uma de suas clientes, Tupy Fundições; quando procurou deflagrar a instauração de inquérito policial contra os sócios da autuada o próprio Delegado de Polícia Federal do caso atestou que nem a firma em questão, nem seus sócios estariam sob investigação, por parte daquela delegacia especializada em crimes fazendários; assim, a representação fiscal para fins penais não merece guarida, pois a autoridade fiscal não foi capaz de especificar em qual dos incisos consubstanciados nos arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.137/1990 estaria subsumida a suposta infração penal; a fiscalização interpretou erroneamente as movimentações contábil, fiscal e financeira, da autuada, presumindo equivocadamente que ela não dispunha de recursos próprios para liquidar o câmbio referente às várias importações e que, portanto, teria se valido de simulação, se apresentando como importadora para obter benefícios financeiros proporcionados pelo FUNDAP; pelo fato de a peticionária haver enviado apenas uma cópia do contrato assinado entre ela e a conceituada empresa Tupy Fundições, através do qual foram contratadas a compra e venda de carvão coque ao preço de US$ 361,00 a tonelada, Fl. 7675DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.676 4 a fiscalização tece equivocadas ilações a respeito do valor alegando, sem provas, que a Tupy teria adiantado a quantia de US$ 2.400,000.00, restando uma diferença de US$ 1.210,000.00 que nunca teria sido paga. A fiscalização conclui que Tupy teria pagado exatamente o valor de US$ 240,00 a tonelada, quando é normal que quando existem adiantamentos de recursos monetários para a realização de importações existam maiores garantias; a autoridade fiscal tece errôneas apreciações sobre a situação financeira da peticionária que, na verdade, tratase de empresa sólida e ativa com vários empregados que paga, pontualmente, os salários e impostos (faz a apresentação de seus argumentos, inclusive a respeito da decretação da falência e de seus negócios com afirma Amerimex, às fls. 5.505 a 5.524); as conclusões da fiscalização a respeito de interposição fraudulenta, alegando que o fato de a peticionária haver recebido adiantamento para algumas importações que foram feitas em seu nome a caracterizaria, é afirmação que vai contra todos os princípios comerciais; a Chinabraz é a real adquirente do carvão coque, tendo em vista seu objeto social, e é praxe comercial algumas firmas procederem a adiantamentos de pagamentos das mercadorias encomendadas (às fls. 5.526 a 5.531 cita o art. 167 do Código Civil, vários doutrinadores, como Orlando Gomes e Silvio Rodrigues, além de jurisprudência de TJ estaduais e do STJ e procede a um estudo sobre simulação. Às fls. 5.531/5.532 discorre a respeito do FUNDAP); quanto a Tupy Fundições é fato que a empresa consome 70% (setenta por cento) do carvão coque chinês importado, mas, também, é fato que a peticionária mantêm estoque permanente desse produto para que sua cliente não necessite ficar no aguardo das importações; ademais, é notório que uma empresa do poderio econômico da Tupy Fundições jamais se atreveria ou necessitaria de se valer de uma terceira empresa, como a impugnante, para lesar ou fraudar o erário Federal, ou estadual; apenas por amor a argumentação se fosse o caso de imputação de responsabilidade solidária à Tupy a autoridade fiscal deveria também imputar solidariedade às demais empresas que mantêm relações comerciais com a Chinabraz, conforme se verifica pela listagem de clientes anexa. Havendo chamado à responsabilidade somente a Tupy Fundições a fiscalização cometeu mais uma arbitrariedade; de se salientar que a autoridade fiscal para atingir o valor da multa em questão considerou, segundo se constata através do Relatório Fiscal, todas as mercadorias comercializadas pela Chinabraz, sendo que a Tupy lhe compra apenas o coque para fundição a granel, cujas quantidades foram de R$ 46.064.086,00 (quarenta e seis milhões, sessenta e quatro mil e oitenta e seis reais); além de tudo que já se expôs a multa em questão ofende os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, por ser extremamente abusiva e confiscatória (defende sua tese às fls. 5.543 a 5.549). Pede a improcedência do Auto de Infração em tela e o afastamento da responsabilidade solidária da Tupy Fundições Ltda. Impugnação de TUPV Fundições Ltda fls. 1.818 a 1.880 (volume X) As partes com tese já apresentadas pela Chinabraz não serão relatadas. nulidade do lançamento devido ao cerceamento do direito de defesa, haja vista que a peticionária foi autuada apenas com dados levantados na empresa Chinabraz, que são desconhecias pelo Tupy. Não foram fornecidos junto com o auto de infração todos os documentos. A impossibilidade de ter acesso aos anexos do Auto Fl. 7676DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.677 5 de Infração em questão impede a impugnante de saber o teor dos documentos fornecidos pela Chinabraz e, em consequência, quais os fundamentos das alegações da autoridade fiscal; o fato de a Tupy não adquirir o coque diretamente de fornecedores chineses (às fls. 1.823 a 1.828 faz uma apresentação a respeito do coque brasileiro em comparação com o chinês) devese ao fato de haver alto grau de intervenção estatal na China, além do que a Tupy não possui estrutura portuária de estocagem e beneficiamento/peneiramento do coque; representantes da Tupy visitaram as instalações da Chinabraz e constataram que a empresa possuía infraestrutura adequada ao atendimento de seus interesses destacandose um pátio de 200.000 metros quadrados, sendo cerca de 16 mil de área coberta, caminhões, máquinas de peneiramento e enorme estoque de coque chinês. Os adiantamentos de alguns pagamentos se deram para que se pudessem obter melhores condições de aquisição do produto; a Tupy não agiu com fraude nem arquitetou qualquer interposição com a Chinabraz que opera no mercado de coque desde 1993, ou seja, muito antes de a peticionária proceder às aquisições dessa empresa (às fls. 1.832/1.833, 1.838 e 1.840/1.841 transcreve trechos de correspondências que teria trocado com a Chinabraz); ressaltese que quando se adquire produtos de uma empresa é costume se avaliar apenas suas condições gerais de atender a demanda e não acompanhar, dia a dia o caixa dessa empresa; quanto à alegada fraude relativamente ao ICMS devido ao fato de Chinabraz ser fundapeana e a Tupy não ter sede no Estado do Espírito Santo é consideração irreal, haja vista que esta última tem muitos créditos desse tributo e não necessitaria se valer de tal subterfúgio; ainda, há que se salientar que mesmo após a Tupy haver parado de adquirir coque da Chinabraz essa empresa continuou a efetuar importações de grande monta o que demonstra que ela possui recursos financeiros independentes da peticionária. Isso descaracteriza a afirmação do fisco de que as importações desta autuação se tratariam de operações por conta e ordem de terceiros, embora documentadas como importação pela Chinabraz para venda posterior (às fls. 1.841 a 1.849 analisa o caso mediante a transcrição de trechos da IN/SRF n° 228/2003 e emails); no que se refere à suspensão do CNPJ da Chinabraz de se salientar que ela somente ocorreu em março de 2006 (transcreve à fl. 1.847/1.848 os arts. 16 e 36 da IN/SRF n°2, de 02/01/2001). Durante todo o tempo que comercializou com a Tupy a situação da Chinabraz era ativa regular; de se frisar que a Chinabraz obtinha, normalmente, as Licenças para importação referentes aos produtos em questão, assim, não havia como Tupy ter qualquer desconfiança relativamente à empresa, a não ser os normais cuidados que se toma para realizar negócios de vulto. A Tupy era adquirente de boafé (às fls. 1.851 a 1.853 apresenta acórdãos a respeito da aplicação da pena de perdimento contra o adquirente de boafé); de se observar, também, que as regras de solidariedade tributária se referem a créditos tributários e não a pena de perdimento. Em decorrência a multa em questão não pode ser aplicada solidariamente a Tupy Fundições. Ademais várias supostas irregularidades cometidas pela Chinabraz, tais como transferência de ativos da Chinabraz para Amerimex, declarações de IR da empresa em 2002 e 2003, realização de importações pela Amerimex durante período em que seu CNPJ Fl. 7677DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.678 6 estava suspenso e a suposta falta de capacidade econômica por parte da Chinabraz, que se tenta demonstrar através de inúmeros demonstrativos contábeis e livros fiscais, além dos supostos ingressos de recursos sem comprovação de origem, aparentemente desvinculados de sua atividade não concernem, por qualquer forma, a Tupy; também a representação penal lavrada não pode dizer respeito a Tupy, adquirente de boafé que recolheu todos os tributos que devia; Pede a produção de provas por todos os meios em Direito admitidos, especialmente a pericial, indicando quesitos e assistentes técnicos às fis. 1.879/1.880. e ao final a improcedência das exigências, ou a exclusão da Tupy do polo passivo. A decisão da 2ª Turma da DRJ de Florianópolis foi assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/04/2006 IMPORTAÇÕES. DISPONIBILIDADE E ORIGEM DOS RECURSOS. FECHAMENTO DE CÂMBIO. Depósitos bancários sem identificação de sua origem legal, na conta de importador que não tem possibilidade financeira/creditória, segundo levantamento contábil/patrimonial, para realizar determinadas importações, bem assim fechamentos de câmbio não esclarecidos, leva a presunção juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros apenável com o perdimento ou, em substituição, com multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria. Adiantamentos financeiros, de clientes compradores de mercadorias importadas, regularmente registrados na contabilidade da importadora e comprovados através de extratos bancários, constituem prova de origem regular dos recursos disponíveis, portanto, importações que tenham base neles não podem ser consideradas na determinação do valor da multa substitutiva da pena de perdimento, salvo se o valor de comercialização da mercadoria não comportar lucro, pois por presunção hominis, nenhuma firma irá importar para outra, sem nenhuma vantagem. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. JULGAMENTO DA LEGALIDADE E/ OU INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Aos julgadores administrativos não foi dada a competência legal para o afastamento de normas vigentes pelos motivos de ilegalidade e inconstitucionalidade, salvo nos casos em que ela já tenha sido declarada inconstitucional, em caráter definitivo, pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 7678DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.679 7 Lançamento Procedente em Parte. Os fundamentos do voto condutor da decisão de piso foram bem resumidos pela Resolução n° 3012.094 (fls. 67706784): i) No tocante ao cerceamento de defesa alegado pela Tupy, que consta claramente na autuação que esta se refere ao fato de a Chinabraz não haver demonstrado a origem legal dos recursos aplicados na importação de produtos, que teve grande incremento após a Tupy Fundições haver passado a negociar com ela, e que, tendo procedido às devidas intimações da importadora Chinabraz, dela obteve apenas a demonstração parcial da origem dos recursos empregados. Com isso, lavrou o Auto de Infração e intimou o autuado e o considerado solidário. ii) Que a Tupy pede a produção de provas por todos os meios em Direito admitidos, especialmente a pericial, indicando quesitos e assistentes técnicos às fls. 1.879/1.880, mas que, no caso, com base no princípio do livre convencimento, o relator entende que não são necessárias maiores provas para a solução da lide. iii) Que, no que tange à interposição fraudulenta, esta é presumida quando não são comprovadas a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Conforme a DRJ, na forma que está redigida a Lei depreendese que cabe a fiscalização apenas demonstrar que, devido a situação contábil da importadora ela, aparentemente, não dispunha de recursos para proceder à(s) determinada(s) importação(ões). Cabe a importadora, em tais casos, demonstrar a origem dos recursos necessários (registrados legalmente), para as importações que realizou, coisa que Chinabraz não fez, no presente caso, para o incremento das importações de carvão coque ocorridas entre janeiro de 2003 a janeiro de 2004. Se os aportes financeiros necessários para os incrementos de importação tivessem sido adequadamente demonstrados pela importadora não seria possível se aplicar a penalidade em tela. Também, se Tupy Fundições, considerada solidária, em sua impugnação, houvesse apresentado demonstrativos contábeis e extratos bancários, no sentido de que havia antecipado todos os recursos necessários ao incremento das importações (que provocou) efetuadas pela Chinabraz, comprovaria que agiu legalmente. Nesse caso, a Chinabraz seria a única responsável pela não demonstração da origem dos recursos (contabilização) e Tupy seria excluída do polo passivo, pois ao menos contra ela deixaria de haver subsunção aos termos legais que exigem a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. iv) Que quando a importadora procede a vendas para diversas firmas a interposição, para fins de solidariedade, deve ser demonstrada por grupos de importações. No caso em tela foi chamada apenas a Tupy. Embora nos autos haja indícios de que mesmo nas demais importações (com os diversos clientes restantes) tenha havido prejuízo ao fisco, relativamente ao imposto de renda nas vendas posteriores (devidos aos prejuízos contábeis apurados pela fiscalização), a importadora demonstrou ter recursos para elas. Assim, do total apurado pela fiscalização é de se excluir a parte demonstrada da origem de recursos, como antecipação realizada por clientes O que deve ser mantido do lançamento é apenas a parte que não teve a origem comprovada. Conforme já analisamos se uma firma não dispõe de recursos para importar, mas recebe adiantamento de outra, tudo de forma legal e documentada não lhe é aplicável a presunção prevista no art. 23, V, § 2°, do Decretolei n° 1.455/1976 que, conforme vimos, exige a não comprovação (legal) da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Fl. 7679DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.680 8 Ao se admitir os adiantamentos de clientes (fls. 942 a 961 volume que estão comprovados, ver Demonstrativo de Saldo de Contas de fls. 1.726 a 1.729) e, também, o da Tupy no valor de US$ 2.400.000,00 nas datas de ingresso de suas parcelas, da lista de fls. 22 a 24 apenas recursos necessários às importações referentes ao carvão coque, de determinados períodos, por serem de vulto, podem ser considerados como não tendo sido totalmente justificados. Do contrato realizado entre a Chinabraz e a Tupy (fls. 1.217 a 1.221 volume VII) estão comprovados, apenas os adiantamentos no total de US$ 2.400,000.00 realizados a partir de 10/02/2004. O coque importado a partir dessa data, também, deve ser excluído da lista de fl. 23, pois os recursos estão comprovados e para outras importações a Chinabraz dispunha de recursos declarados. Do total da multa aplicada (ver cálculo às fls. 22 a 24) de R$ 75.436.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e seis mil e cento e cinquenta reais) deve, portanto, ser excluído o valor de R$ 49.293.385,00 (quarenta e nove milhões duzentos e noventa e três mil trezentos e oitenta e cinco reais) mantendo se os valores relativos às importações de coque de abril de 2003 a janeiro de 2004 destacado no rol de fls. 22 a 24. Resta, portanto, R$ 26.142.765,00 (vinte e seis milhões cento e quarenta e dois mil setecentos e sessenta e cinco reais) de importações cuja origem financeira legal não foram satisfatoriamente comprovadas. v) Que Tupy Fundições alega que as regras de solidariedade tributária se referem a créditos tributários e não a pena de perdimento e que, em decorrência, a multa em questão não pode ser aplicada solidariamente a ela. A DRJ, no entanto, asseverou que tratandose de multa substitutiva aplicase a regra do art. 95 do Decretolei n° 37/1966. vi) Que dos R$ 203.345.198,64 (duzentos e três milhões trezentos e quarenta e cinco mil cento e noventa e oito reais e sessenta e quatro centavos) de importações constatadas pela fiscalização (esses dados são facilmente obtidos pela SRF através dos registros do S1SCOMEX) a importadora logrou demonstrar de onde vieram muitos dos recursos para sua realização. No caso, a autoridade fiscal não agiu de forma retaliatória devido aos obstáculos interpostos pela fiscalizada, conforme sua alegação, pelo contrário, foi muito criteriosa, pois do total acima reduziu os valores referentes às importações que a autuada apresentou as comprovações chegando a um total de R$ 75.435.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e cinco mil e cento e cinquenta reais) que entendeu estarem não comprovados, ou seja, considerou que a importadora ofereceu comprovação de R$ 127.910.048,64 (cento e vinte e sete milhões novecentos e dez mil e quarenta e oito reais e sessenta e quatro centavos). Houve, entretanto, um engano de entendimento a respeito do par. 2°, do Decretolei n° 1.455/1976, por parte da autoridade fiscal, pois alguns recursos cujas origens foram comprovadas adiantamento de clientes —foram igualmente glosados juntamente como os de origens não comprovadas o que é equivocado (ver demonstrativo de fls. 1.726 a 1.729 volume IX). Esse engano está sendo corrigido no presente voto. vii) Que a considerada solidária Tupy Fundições Ltda. em sua impugnação não apresentou outras comprovações de transferências de recursos para a importadora, além dos já analisados US$ 2.484.769,03, ou US$ 2.400.000,00 descontandose a importação de outros produtos além do coque; Fl. 7680DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.681 9 Em seus recursos voluntários, as Recorrentes aduziram: TUPY i) Que podese depreender da decisão recorrida que o montante da multa excluída corresponde à monta dos recursos utilizados para a realização das importações pela Chinabraz que, segundo o órgão julgador, tiveram sua origem, disponibilidade e transferência devidamente comprovados, afastando, assim, relativamente a tal parcela, a presunção de interposição fraudulenta a que se refere o DecretoLei n°1.455/76, V, par. 2°. Ocorre que as autoridades julgadoras, para fins de verificação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados para a realização das importações, analisaram tão somente os extratos e comprovantes juntados pela Chinabraz. Deixou, portanto, o órgão julgador de constatar que a Tupy comprovou devidamente, através da juntada dos comprovantes de depósito bancário e de pagamento de boletos bancários (Docs. 08 e 09 da Impugnação da Tupy), a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários à importação das mercadorias a ela destinadas. ii) Que basta confrontar os documentos fiscais emitidos pela Chinabraz em face da Tupy (Doc. 08 da Impugnação da Tupy) com os comprovantes de depósito e de pagamento de boletos efetuados pela Recorrente em favor da Chinabraz (Doc. 09 da Impugnação da Tupy), para se verificar, de forma límpida, a origem, disponibilidade e transferência dos recursos que suportaram a importação das mercadorias destinadas à Tupy. Com o intuito de facilitar a verificação de tais transferências de recursos efetuadas pela Tupy em favor da Chinabraz, vejase planilha (Doc. 02 do presente Recurso Voluntário) contendo as respectivas datas e valores dos depósitos e pagamentos de boletos. Dessa maneira, resta evidente que a origem, disponibilidade e transferência de todos os recursos despendidos pela Chinabraz para a importação das mercadorias destinadas à Recorrente está devidamente atestada pelos comprovantes de depósito e de transferência bancária já anexados pela Tupy à sua Impugnação. iii) Que uma vez demonstrada a origem dos recursos utilizados pela Chinabraz para a realização das importações de mercadorias destinadas à Recorrente, resta afastada qualquer responsabilidade desta última. iv) Que caso se entenda que tais documentos não são suficientes para comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, requer a Tupy seja oficiado o banco Bradesco (visto haverem sido realizados os depósitos indicados na planilha anexa na Agência n° 1.5733, Conta n° 163996 deste banco), bem como os bancos indicados nas faturas emitidas pela Chinabraz em face da Tupy (Doc. 08 da Impugnação da Tupy onde foram quitados os boletos indicados na planilha), a fim de que confirmem a veracidade dos depósitos e transferências de recursos constantes da planilha anexada pela Recorrente ao presente Recurso Voluntário. v) Que o órgão julgador não apresentou qualquer fundamento para atribuir à Tupy a responsabilidade pelas importações de mercadorias a ela não destinadas, concluindo, nesse sentido, que todo o montante de recursos cuja origem não foi comprovada corresponderia a importações de mercadorias destinadas à Tupy. Que, nesse sentido, basta confrontar as declarações de importação com os documentos fiscais emitidos pela Chinabraz em face da Tupy (Doc. 08 da Fl. 7681DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.682 10 Impugnação da Tupy) para que se verifique quais mercadorias foram, de fato, destinadas à Recorrente e, desse modo, possa ser a sua responsabilidade limitada ao montante relativo às importações de mercadorias a ela destinadas. vi) Que requer a Recorrente sejam solicitadas informações à Chinabraz, a fim de que ela possa atestar as efetivas destinatárias de cada mercadoria importada no período abrangido pelo Auto de Infração e, dessa maneira, possa ser a Recorrente responsabilizada tão somente pela multa relativa às importações de mercadorias a ela destinadas. vii) Que a planilharesumo anexada ao recurso voluntário apenas compila as informações relevantes dos comprovantes de depósito e transferência que já haviam sido juntados pela requerido Tupy quando da impugnação, e que, da mesma forma, anexou à sua Impugnação todos os documentos que demonstram a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários às importações de mercadorias a ela destinadas. CHINABRAZ i) O que importa especificamente para este recurso são as lesivas imputações de inexistência de comprovação da origem dos recursos financeiros para as operações de importação entre 17.01.2003 até 21.02.2005 e de interposição fraudulenta entre Chinabraz e a empresa Tupy Fundições Ltda. ii) Que o erro de julgamento reside na assertiva de que a recorrente não gozava de crédito junto aos fornecedores estrangeiros. Inúmeros documentos fornecidos ao Fiscal informavam que a maioria das importações era realizada a prazo, todavia, tais fatos foram omitidos no relatório final. Então, seguem anexas novas cópias dos mesmos (d. 1). Das sete (7) operações glosadas pela 2ª Turma da DFJ/FNS apenas uma (1) foi antecipada. Tabelas abaixo e os contratos de câmbio juntados aos autos, provam que os contratos de câmbio das seis (6) primeiras DI's foram liquidados após a data limite (13.01.2004) fixada no acórdão recorrido: (..) Como visto, com exceção aos contratos relativos a DI n° 04/00307604, todos os contratos de câmbio relacionados importações glosadas foram liquidados após o dia 13.01.04. (...) Exceção única foi a importação declarada sob n° 0400307304/001, pois dita operação foi realizada com fornecedor espanhol que não concede prazo em suas negociações. As liquidações dos contratos de câmbio desta operação foram realizadas antecipadamente; iii) Que, portanto, não condiz com a realidade a afirmação de que CHINABRAZ não tinha capacidade financeira para tais importações. iv) Que indagouse no voto impugnado (fls. 6.557) "como uma firma, como a Chinabraz, que não dispunha dos recursos (demonstrados de forma legal) necessários poderia ter feito uma importação de coque em tal valor, além dos produtos que normalmente importava, para posterior venda à Tupy?" A resposta é simples: a CHINABRAZ gozava de crédito junto a vários fornecedores estrangeiros e todas as operações a prazo eram devidamente registradas e informadas à Alfândega do Porto de Vitória/ES. Fl. 7682DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.683 11 A 1ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para a complementação de informações por parte da DRF de origem e quanto ao recurso de ofício, à DRJ recorrida, para explicitar os cálculos referentes à parcela exonerada. Foram os termos da diligência os seguintes: Assim, para que não se alegue violação aos princípios constitucionais acima aludidos, e em face da complexidade da matéria e grande volume de documentos, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência a fim de que (i) seja realizada a perícia solicitada pela Tupy na sua impugnação, além de perícia técnicacontábil para verificação das alegações apresentadas pela Tupy, fazendose o cotejo das informações contidas na planilha acostada aos autos com seu recurso voluntário e os documentos juntados em sua impugnação. Entendo, também, que deve ser realizado (ii) exame técnico contábil na documentação, já constante dos autos, apontada pela Chinabraz no seu recurso voluntário que, a princípio, segundo suas alegações, comprovaria que a maioria das importações era realizada a prazo e que, no tocante às operações glosadas, todos os contratos de câmbio relacionados foram liquidados após o dia 13/01/2004. Em síntese, as recorrentes devem apurar detalhadamente as origens dos recursos e a vinculação a cada uma das importações. Por outro lado, (iii) no tocante aos valores exonerados na r. decisão recorrida, entendo que a DRJ deve apresentar quadro demonstrativo dos cálculos, com cruzamento de informações com os documentos constantes dos autos, incluindo as respectivas páginas, fazendo tal demonstração de forma detalhada a fim de possibilitar o perfeito entendimento de corno a autoridade julgadora chegou ao montante global exonerado. A perícia solicitada pela Tupy foi realizada, o que resultou nas informações prestadas nas fls. 6.974ss.: 1º) Há alguma ligação societária entre a Tupy e a Chinabraz? Resposta: Para responder ao presente quesito, lançamos mão, inicialmente, das cópias dos contratos sociais e suas alterações (fls. 37/46) da empresa Chinabraz Comércio Importação e Exportação LTDA, que nos foram enviadas para atender o Termo de Início de Fiscalização (fls. 35). Em seguida, realizamos cotejo junto a nossa base de dados (Sistema RADAR fls. 6.864/6.865). Com base apenas nesses dados, verificamos que NÃO HÁ alguma ligação societária entre a Tupy e a Chinabraz; 2°) A Chinabraz realiza peneiramento/beneficiamento de coque antes de vendêlo no mercado interno? Resposta: No dia 21 de janeiro de 2010 os AFRFBs Raimundo da Silva (matrícula 76.264) e Marcos Rios Correa (matrícula 19.098) compareceram no endereço da Chinabraz para obterem informações para resposta ao presente quesito. Em lá chegando, Fl. 7683DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.684 12 constataram que a referida empresa não mais desenvolve nenhum tipo de atividade no seu endereço constante em nossa base de dados (Sistema CNPJ). No local havia apenas uma senhora, a qual não possuía nenhum conhecimento sobre o assunto. Entretanto, a referida senhora dissenos que poderia transmitir ao senhor Denis Ferreira Casagrande, representante legal da empresa Chinabraz, as informações que fossem de nosso interesse. Assim sendo, deixamos com a referida senhora cópia das perguntas realizadas pela Tupy Fundições (fls. 1879) para ser entregue ao Sr. Denis Ferreira Casagrande, o qual, posteriormente, nos entregou as respectivas respostas (fls. 6871/6877). Posteriormente, consultamos o sítio da empresa Wilfer Comércio e Representações LTDA (CNPJ 50.672.526/000196) e obtivemos informações sobre o beneficiamento e peneiramento do carvão coque por parte da CHINABRAZ (fls. 6866). Em tais informações, observase que para o beneficiamento e peneiramento do coque a CHINABRAZ necessitaria possuir alguns equipamentos tais como: peneiras, pás carregadeiras, balanças, laboratório etc. Consultandose a contabilidade da empresa nos anos de 2003 e 2004 (fls. 079/274) que nos foi fornecida em atendimento à intimação fiscal, observase que no Ativo Permanente da CHINABRAZ não está escriturado nenhum desses equipamentos e/ou maquinários. A contabilidade somente apresenta, de forma generalizada, a conta "MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS", sem, entretanto, discriminar quais são essas máquinas e equipamentos. Consultandose a relação de pessoas que prestaram serviços para a CHINABRAZ (fls. 1320/1365), relação essa que nos foi enviada para atender intimação fiscal realizada no curso da fiscalização, não encontramos nenhuma informação de que alguma empresa realizara prestação de serviço para a CHINABRAZ referente a beneficiamento e/ou peneiramento de coque. Durante a pesquisa na referida relação, encontramos, porém, as seguintes informações: Com as informações obtidas, NAO SE PODE AFIRMAR que a CHINABRAZ realizava peneiramento/beneficiamento de coque antes de vendêlo no mercado interno. 3°) No mercado brasileiro, a Chinabraz era a única fornecedora do coque de fundição chinês peneirado durante o período da autuação? Resposta: Para responder ao presente quesito, consultamos a nossa base de dados para verificarmos quais foram as empresas que importaram coque fundição nos anos de 2003 e 2004. Conforme relatório gerado no Sistema DW Aduaneiro (fls. 6867/6868), constata se que somente as empresas Chinabraz (CNPJ 39265913) e Teksid do Brasil LTDA (CNPJ 16694812/000114) realizaram importações de coque fundição, sendo que as importações da Teksid foram originadas dos Estados Unidos e as importações da CHINABRAZ foram originadas da Espanha e da China. Na descrição dos produtos, não se consegue saber se os coques importados são peneirados, e pelo que se obteve ao respondermos o quesito 02, não podemos afirmar que o Coque negociado pela CHINABRAZ era peneirado. Dessa forma, O QUESITO RESTOU PREJUDICADO. Fl. 7684DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.685 13 4°) Qual era o valor do total de ativos da Chinabraz quando a Tupy começou a comprar o seu coque (ano de 1996)? Qual era o total de ativos, em especial, estoque, durante o ano de 1999? Resposta: Conforme já informado na resposta ao quesito 02, no dia 21 de janeiro de 2010 comparecemos no endereço da Chinabraz constante em nossa base de dados, e constatamos que a referida empresa não exerce atualmente nenhuma atividade naquele endereço. Assim sendo, para responder ao presente quesito, realizamos consulta a nossa base de dados (sistema CNP)) onde extraímos os dados referentes ao Ativo da empresa relativos aos anos de 1996 e 1999. Conforme documentos em anexo (fls. 6869/6870), NO ANO DE 1996 O VALOR TOTAL DO ATIVO DA CHINABRAZ ERA DE R$ 6.862.725,96 E NO ANO DE 1999 O VALOR TOTAL DO ATIVO ERA DE R$ 0,00 E O VALOR DOS ESTOOUES DA CHINABRAZ ERA DE R$ 0,00. 5°) Todas as mercadorias adquiridas pela Chinabraz eram destinadas à Tupy? Resposta: Consultandose a Relação das Notas Fiscais de Entradas (fls. 278/281) e consultandose a Relação das Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz no curso da ação fiscal, podese verificar que todas as mercadorias adquiridas pela Chinabraz NÃO ERAM DESTINADAS à Tupy Fundições. 6°) A Tupy era o único cliente de coque de fundição da Chinabraz? Quais mercadorias adquiridas pela Chinabraz foram destinadas à Tupy e qual o seu valor aduaneiro? Resposta: Consultandose a Relação das Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz no curso da ação fiscal, podese verificar que durante o período compreendido entre o dia 02/01/2003 e o dia 30/12/2004 a Tupy Fundições NAO FOI O ÚNICO CLIENTE de coque fundição da Chinabraz. As mercadorias que foram destinadas, durante tal período, à Tupy Fundições são aquelas constantes da Relação das Mercadorias Destinadas à Tupy Fundições LTDA em anexo (fls. 6878/6921), cujos dados foram obtidos na Relação de Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz durante o curso da fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N o 01 (fls. 277). Quanto ao valor aduaneiro, O QUESITO RESTOU PREJUDICADO, já que, de acordo com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), o valor aduaneiro somente é passível de apuração quando da importação de mercadorias, não sendo possível obterse o valor aduaneiro nas transações realizadas entre empresas no mercado doméstico de cada país signatário do AVA. 7°) As mercadorias adquiridas pela Tupy possuem as respectivas notas fiscais? Resposta: QUESITO PREJUDICADO, já que na fiscalização realizada não foram utilizadas notas fiscais. A fiscalização baseouse na Relação das Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) enviada pela auditada no curso da fiscalização, e, atualmente, a Chinabraz não mais exerce as suas atividades no seu endereço informado à RFB, conforme acima relatado, não sendo possível, então, termos acesso às notas fiscais de saídas emitidas pela Chinabraz para apurarmos os dados solicitados. Entrementes, quando da apresentação da impugnação por parte da Tupy, a mesma anexou ao processo diversas notas fiscais de saídas (fls. 2157/4449). Com base em tais NFs, elaboramos a Relação das NFs de Saídas Enviadas Pela Tupy (fls. Fl. 7685DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.686 14 6935/6970). Consultandose tal relação, verificase que na planilha de notas fiscais que nos foram enviadas pela Chinabraz não constam diversas NFs que constam na relação de NFs enviadas pela Tupy. Assim, fica caracterizada que as informações prestadas pela Chinabraz no curso da fiscalização foram incompletas. Dessa forma, para responder a tal quesito, necessário se faz uma fiscalização aprofundada, voltada para a área de tributos internos, para se atender, corretamente, a pergunta feita no presente quesito. 8°) A Tupy realizou o pagamento das mercadorias? Resposta: QUESITO PREJUDICADO, já que a documentação solicitada à Chinabraz no curso da fiscalização não permite apurar o dado solicitado, e, atualmente, a Chinabraz não mais exerce as suas atividades no seu endereço informado à RFB, conforme acima relatado, não sendo possível, então, termos acesso à documentação necessária para apurarmos o que foi solicitado. Entrementes, junto com a sua impugnação, a Tupy Fundições juntou ao processo diversos documentos (fls. 4450/5477) com o intuito de provar os pagamentos referentes às mercadorias adquiridas junto à Chinabraz. Entretanto, ao consultar tais documentos, verificase que os mesmos são: (1) Relação das Autorizações de Pagamento Pagas e a Pagar Por Fornecedor; (2) Detalhe da Remessa do Lote Para Pagamento Escriturai; (3) Retorno de Títulos Pagos; (4) Guia de Depósito Bancário; (5) Boleto Bancário; (6) DOC; (7) Guia de Pagamento. Analisandose tais documentos, verificase que somente fazem prova de realização de pagamentos aqueles documentos constantes na relação por nós elaborada com a denominação de Depósitos Realizados Pela Tupy (fls. 6922/6934). Confrontandose tal relação com aquela referente as cópias das NFs fiscais que foram enviadas pela Tupy (fls. 6935/6970), verificase que só podemos apurar alguns pagamentos referentes aos anos de 2003 e de 2004. 9°) A Tupy comprou coque da Chinabraz em 2004 pagando o preço de US$ 240,00 por tonelada? Resposta: Como se pode observar na relação por nós elaborada referente as NFs da Chinabraz que nos foram enviadas no curso da fiscalização (fls. 6878/6921), bem como se pode observar na relação por nós elaborada referente às NFs enviadas pela Tupy no momento de apresentação de sua impugnação (fls. 6935/6970), os valores constantes nas mesmas estão expressos em real, não sendo possível apurar o valor em dólar. Assim sendo, O QUESITO RESTOU PREJUDICADO. (2) Para a perícia técnicacontábil solicitada tendo por finalidade a verificação das alegações apresentadas pela Tupy Fundições, procedendose ao devido cotejo das informações contidas na planilha acostada aos autos com o seu recurso voluntário (tis 6627/6661) e os documentos juntados com sua impugnação (fls. 4450/5477) podemos verificar que na referida planilha constam os números de diversas notas fiscais, seguidos das respectivas datas de pagamento, forma de pagamento e do respectivo valor pago. Entretanto, analisandose os documentos que foram juntados com a impugnação (fls. 4450/5477), com o intuito de provar os pagamentos referentes às mercadorias adquiridas junto à Chinabraz, verificase que os mesmos são: (1) Relação das Autorizações de Pagamento Pagas e a Pagar Por Fornecedor; (2) Detalhe da Remessa do Lote Para Pagamento Escritural; (3) Retorno de Títulos Pagos; (4) Guia de Depósito Bancário; (5) Boleto Bancário; (6) DOC; (7) Guia de Pagamento. Fl. 7686DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.687 15 Analisandose tais documentos, verificase que somente fazem prova de realização de pagamentos aqueles documentos constantes na relação por nós elaborada com a denominação de Depósitos Realizados Pela Tupy (fls. 6922/6934). Confrontandose tal relação com as informações contidas na planilha acostada aos autos, verificase que só podemos apurar que foram realizados somente alguns pagamentos das mercadorias adquiridas. Por fim, cabe assinalar que para a elaboração da relação dos depósitos somente levamos em consideração os anos de 2003 e 2004, os quais são os abrangidos pela fiscalização realizada. (3) Acessando a nossa base de dados (Sistema DW Aduaneiro), foi possível elaborar a Relação dos Prazos de Pagamento das Importações (fls. 6971/6973) onde se verifica que a maioria das importações realizadas pela Chinabraz foram declaradas como importações realizadas a prazo. Quanto às operações glosadas, não se pode afirmar que todos os contratos de câmbio relacionados (fls. 6673 e 6676/6677) foram liquidados após o dia 13/01/2004, já que observamos as seguintes situações: (A) Alguns valores não foram localizados nos extratos de conta corrente obtidos junto à Chinabraz no curso da fiscalização (fls. 739/778). Os valores não localizados foram: R$ 228.443,32; R$ 8.064,44; R$ 348.419,85; R$ 584.094,55; R$ 97.844,04 e R$ 1.377.319,60; (B) O somatório dos valores informados é menor, em sua maioria, do que os valores das respectivas DIs. (C) Não foi informado a data de pagamento da DI 03/03036456. Manifestação da Tupy quanto ao resultado da diligência Insurgiuse, especialmente, sobre dois insuperáveis óbices ao deslinde do caso, verbis: 27. Ocorre que o seu pedido não foi atendido e a Alfândega do Porto de Vitória desconsiderou, sem qualquer fundamentação, a maior parte dos documentos apresentados (fls. 6976). 28. Restringiuse a fiscalização a afirmar que apenas os documentos que sequer identifica utilizados para a elaboração da Relação "Depósitos Realizados pela Tupy" foram considerados para fins de comprovação. Quais foram os documentos aceitos? Por que os demais foram desconsiderados? Qual o montante dos valores apurados? Qual o valor considerado comprovado? Qual o valor demonstrado pelos documentos juntados pela Tupy, mas considerado não comprovado? Nenhuma dessas perguntas foi respondida pela fiscalização! E também, sobre outro ponto: 35. A fiscalização, por sua vez, não respondeu ao quesito relativo à indicação do montante global dos valores cuja transferência foi comprovada pela Tupy, nem ao relativo à identificação do valor total das mercadorias que, tendo sido objeto das importações autuadas, não foram posteriormente Fl. 7687DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.688 16 adquiridas pela Tupy, mas por outros clientes. Será exigível da Tupy que comprove o pagamento efetuado por outros clientes à Chinabraz para que possa se ver livre da responsabilidade solidária? Por sua vez, o retorno à DRJ, para esclarecimentos quanto ao cálculo do valor exonerado, não ocorreu. Esta 1ª turma converteu novamente o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.533, para determinar à unidade de origem, Alfândega do Porto de Vitória, que respondesse aos quesitos propostos. O relatório da diligência foi acostado nas fls. 72997565, verbis: a) Segregue do auto de infração, as importações destinadas a Tupy e aquelas destinadas a outros clientes da Chinabraz, para todo o período da atuação. Resposta: Para segregar as DIs destinadas à Tupy, tomamos como base a tabela de fls. 290 a 549, apresentada por Chinabraz, que relaciona as DIs com as notas fiscais de saída, contendo o CNPJ do cliente. Comparandose esta tabela com a tabela de fls. 25 a 27, DIs objeto do Auto e Infração, obtivemos o resultado abaixo que são as DIs que continham mercadorias adquiridas pela empresa em questão. As duas tabelas supracitadas encontramse em formato de planilha no Anexo I. (...) Ressaltese que todo o trabalho se resumiu em efetuar a leitura das tabelas em PDF, transformálas em planilha e efetuar cruzamento das tabelas, embora tenha havido grande esforço manual, houve pouco labor intelectual. b) Especifique, para o período de janeiro/2003 a fevereiro de 2004, quais DIs foram destinadas a Tupy e os seus respectivos valores. Resposta: Considerandose, do quadro acima, a data do desembaraço, obtivemos a relação abaixo: (...) c) Verifique a liquidez e certeza dos adiantamentos efetuados pela Tupy, no período de janeiro/2003 a fevereiro de 2004. Considerar o consolidado dos pagamentos, segundo as planilhas juntadas pela Tupy, a partir de fls.7258 ss. Resposta: Entendemos como liquidez e certeza, a comprovação das transferências bancárias devidamente comprovadas no extrato bancário. Na tabela abaixo, consta cada valor lançado e a folha do processo onde se encontra o respectivo extrato. (...) Fl. 7688DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.689 17 Ressaltese que todo o trabalho se resumiu em efetuar a manualmente a coleta de dados das páginas do processo e montálos na tabela, requerendo novamente muito pouco esforço intelectual. d) Aponte, conclusivamente se os adiantamentos são suficientes para cobertura das importações de coque a ela destinadas. Resposta: Considerandose a tabela do item b, quanto às importações de coque, temos a seguinte relação: (...) Como as mercadorias importadas por meio destas DIs não foram integralmente revendidas a Tupy, há que se verificar qual a quantidade adquirida por esta empresa por meio das notas fiscais de saída, comparar com a quantidade total da DI e aplicar o percentual resultante no valor total da nota fiscal de entrada emitida por Chinabraz, relativa a cada DI. Abaixo apresentamos a relação das DIs acima com a quantidade de notas fiscais de saída emitidas e a quantidade de mercadorias vendidas. Estes dados foram extraídos do processo e encontramse pormenorizados nas tabelas do Anexo II. (...) De pronto observamos que a quantidade total vendida constante nas notas fiscais de saída emitidas por Chinabraz é maior que a quantidade constante nas notas fiscais de entrada e esta coincide com a quantidade constante nas DIs, comparativo abaixo, indicando erro na tabela apresentada pelo contribuinte e que utilizamos como base para calcular as quantidades nas saídas das mercadorias. (...) Portando, os dados cruciais para determinação da parcela correspondente a Tupy na importação estão incorretos, tornando inviável a determinação do valor da importação correspondente a esta empresa. Informamos que devido à quantidade notas fiscais de saída emitidas, à qualidade ruim das cópias das notas fiscais e a falta de ordenamento das mesmas no bojo do processo, a determinação correta dos dados demanda exaustivo trabalho manual de pesquisa nas notas fiscais, uma a uma, sem a garantia de que serão corrigidos a contento. Portanto, entendemos tal trabalho como inviável. Não obstante, apresentamos abaixo a quantidade de mercadorias adquiridas por Tupy. (...) Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.690 18 Assim, encontrase prejudicada a resposta deste quesito. Tratase, novamente, de grande esforço manual com a utilização de dados integrantes dos autos do processo, com pouco esforço intelectual. e) Caso não sejam suficientes, aponte a quantia exata que representam os pagamentos que, porventura, não tiveram a sua transferência comprovada Resposta: prejudicada pelos mesmos motivos do quesito anterior. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício e os recursos voluntários atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, deles, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em face da Chinabraz Comércio Importação e Exportação Ltda. e como responsável solidária a Tupy Fundições S/A, em razão de ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros nas importações de diferentes mercadorias praticadas pela Chinabraz entre janeiro de 2003 e fevereiro do 2005, por falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. A Tupy defende que os adiantamentos por ela efetuados comprovam a origem, disponibilidade e transferência dos recursos, afastando a presunção legal. A DRJ concluiu que o contrato celebrado entre a Tupy e a Chinabraz, por comprovar a realização de adiantamentos a partir de fevereiro de 2004, serviu de prova da origem dos recursos empregados pela Chinabraz nas importações. Assim, ao cotejar os elementos dos autos, a DRJ concluiu que: estava ilidida a interposição fraudulenta de terceiros a partir de fevereiro de 2004, bem como identificou que no tocante às outras mercadorias, que não o coque, a Chinabraz foi capaz de demonstrar a capacidade financeira. Exonerou, por conseguinte, os valores relacionados a esses dois fatos. A DRJ manteve a multa aplicada apenas em relação às importações de coque realizadas entre abril de 2003 e janeiro de 2004, excluindo todo o valor posterior à celebração do contrato: Do total da multa aplicada (ver cálculo às fls. 22 a 24) de R$ 75.436.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e seis mil e cento e cinquenta reais) deve, portanto, ser excluído o valor de R$ 49.293.385,00 (quarenta e nove milhões, duzentos e noventa e três mil trezentos e oitenta e cinco reais) mantendose os valores relativos as importações de coque de abril de 2003 a janeiro de 2004 destacado no rol de fls. 22 a 24. Fl. 7690DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.691 19 Reiteradamente, a Tupy alega que, também para o período em relação ao qual a multa foi mantida, entre janeiro de 2003 e janeiro de 2004, houve antecipações de pagamentos feitos à Chinabraz e que a DRJ teria deixado de analisar os comprovantes de operações bancárias. Ressaltese que é fato incontroverso nos autos a existência de adiantamentos das clientes da Chinabraz, incluída a Tupy, para a realização das importações declaradas por ela em nome próprio. O principal ponto de discussão é se os adiantamentos podem implicar em reconhecimento de “origem” de recursos empregados nas operações de comércio exterior. E, a manutenção da Tupy como responsável solidária. Interposição fraudulenta presumida A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja a pena de perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Por consequência, aplicase o perdimento e a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Entendo que os elementos colacionados aos autos são suficientes para a caracterização da interposição fraudulenta presumida. Isso porque a Chinabraz não detinha capacidade financeira para lastrear as suas operações do comércio exterior. A Chinabraz registrou todas as Declarações de Importação em seu próprio nome. Mas não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, bem como houve adiantamentos da Tupy e de outras empresas não identificadas. A Chinabraz realizava as importações de diversos produtos, utilizandose dos recursos antecipados e com baixa agregação de valor. Apresentou apenas um contrato com a Tupy. Não comprovou que dispunha de crédito junto aos fornecedores estrangeiros. Tanto a Chinabraz quanto a Tupy admitiram em suas peças de defesa a prática usual e permanente dos adiantamentos. Assim, os recursos que custearam as operações de importação foram disponibilizados pela Tupy e por outras empresas, que perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil permaneceram ocultas nas declarações de importação formalmente apresentadas pela Chinabraz. Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.692 20 Por conseguinte, diante desse quadro fático aplicase o disposto no art. 27, da Lei n° 10.637/02, pelo qual se presume por conta e ordem de terceiros a utilização de recursos destes nas operações de comércio exterior: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001. A existência de adiantamentos de recursos em data anterior ao registro da declaração de importação das mercadorias estrangeiras indica que, de fato, as mercadorias já haviam sido negociadas em momento anterior à formalização do procedimento alfandegário perante a autoridade aduaneira, caracterizando a ocultação. É certo que os adiantamentos não são os únicos fundamentos da autuação, mas representam apenas um alicerce atrelado a outros compilados pela fiscalização, sobre os quais manifestome a seguir. Não se trata de se aferir se a Chinabraz tem ou não disponibilidade/capacidade financeira para as operações a partir apenas dos adiantamentos, mas os adiantamentos compõem o quadro da comprovação de incapacidade econômica. Já no processo fiscalizatório a Chinabraz confessou que opera por adiantamentos (fl. 1228): Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.693 21 Em sua impugnação, a Chinabraz segue sustentando a fraude (fl. 5669), verbis: 104. Conforme se verifica da transcrição acima, demonstra o Auditor Fiscal, data maxima venha, desconhecer as práticas comerciais e os usos e costumes das relações de comércio exterior, mormente, os negócios jurídicos celebrados entre empresas de grande porte, que têm por finalidade importar mercadorias de alto valor e em larga escala e onde é comum a realização de adiantamentos pelas empresas envolvidas na transação, o que significa uma garantia da concretização do negócio elaborado. 105. Entretanto, ao contrário do que assevera o Fiscal, a Chinabraz, efetivamente, é a real adquirente das mercadorias que importa, na sua maior parte, carvão coque, não havendo que se falar, nem mesmo ad argumentandum, em simulação, ou fato similar, já que consta, expressamente, do objeto social da empresa impugnante, que a mesma pode vender as mercadorias importadas para terceiros. Ipsis literis. A Chinabraz recebia os adiantamentos e assinava notas promissórias como garantia da efetivação das operações de importação (vide por exemplo fl. 1238). Há contrato de importação de coque firmado entre a Tupy e a Chinabraz, datado de 10 de fevereiro de 2004 (fls. 1229ss.). Contudo, a relação comercial entre ambas é anterior: Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.694 22 A Tupy também admite que seus adiantamentos sustentavam as importações: Esclareçase que, exatamente por conta do caráter continuo dos adiantamentos e dos pagamentos realizados, ocorria um descolamento temporal entre as datas do adiantamento, da quitação e da entrega propriamente dita do coque objeto do respectivo pedido de compra. Essa é a razão pela qual as datas dos adiantamentos e pagamentos realizados possuem cerca de 1 (um) mês de diferença em relação. As datas em que as importações foram realizadas pela Chinabraz. Dessa forma, o demonstrativo acima, cuja composição se encontra devidamente demonstrada nas planilhas anexas, evidencia que a Tupy efetuava pedidos de compra com regularidade a Chinabraz, de modo que os valores adiantados ou pagos, em relação a tais pedidos de compra, eram utilizados pela Chinabraz para custear as importações, que eram financiadas junto aos fornecedores no exterior, como aliás, já restou consignado pelas diligências realizadas pela própria Alfândega de Vitória. Aduz a Tupy que: Ocorre que as autoridades julgadoras, para fins de verificação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados para a realização das importações, analisaram tão somente os extratos e comprovantes juntados pela Chinabraz. Deixou, portanto, o órgão julgador de constatar que a Tupy comprovou devidamente, através da juntada dos comprovantes de depósito bancário e de pagamento de boletos bancários (Docs. 08 e 09 da Impugnação da Tupy), a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários à importação das mercadorias a ela destinadas. (...) Nesse contexto, basta confrontar os documentos fiscais emitidos pela Chinabraz em face da Tupy (Doc. 08 da Impugnação da Tupy) com os comprovantes de depósito e de pagamento de boletos efetuados pela Recorrente em favor da Chinabraz (Doc. 09 da Impugnação da Tupy), para se verificar, de forma límpida, a origem, disponibilidade e transferência dos recursos que suportaram a importação das mercadorias destinadas à Tupy. Com o intuito de facilitar a verificação de tais transferências de recursos efetuadas pela Tupy em favor da Chinabraz, vejase planilha (Doc. 02 do presente Recurso Voluntário) contendo as respectivas datas e valores dos depósitos e pagamentos de boletos. Juntou planilha síntese dos pagamentos nas fls. 68076841. A Tupy teve o objetivo de confrontar os documentos fiscais emitidos pela Chinabraz com os comprovantes de depósito e de pagamento de boletos efetuados por ela, o Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.695 23 que supostamente permitiria a verificação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados para importação das mercadorias a ela destinadas. Entretanto, as diligências determinadas pelo CARF apontaram que não é possível a segregação das importações da Chinabraz, entre as mercadorias destinadas à Tupy e aquelas destinadas a outros clientes. De qualquer forma, entendo que o próprio fato de existirem os adiantamentos configura o contexto que somado a outros elementos, caracteriza a interposição fraudulenta. Em suma, como já dito anteriormente, os adiantamentos e a prévia negociação das mercadorias importadas são incontroversos. Em manifestação de fl. 6982, a Chinabraz defende que: (a) realizava suas operações, negociando com os exportadores no exterior; (b) possuía vasta carteira de clientes no Brasil; (c) financiava suas operações com recursos próprios, com bancos e principalmente com os exportadores no exterior; (d) a antecipação de clientes é normalmente utilizada como garantia da compra a ser realizada; (e) não possuía intermediários, fazendo ela própria a distribuição de seus produtos e dispondo de conhecimento técnico e logístico para carregar, descarregar e transportar as mercadorias, normalmente grandes quantidades de matériaprima e produtos intermediários. A mera antecipação de recursos circunscrevese a uma prática comercial das mais comuns, mormente quando no caso em exame foi utilizada meramente como garantia das operações e não como recurso para bancar a importação de mercadorias. Afirma também que “62. A resposta é simples: a CHINABRAZ gozava de crédito junto a vários fornecedores estrangeiros e todas as operações a prazo eram devidamente registradas e informadas à Alfândega do Porto de Vitória/ES.” Entretanto, não logrou êxito em comprovar a concessão de prazos de pagamento pelos exportadores, tampouco a conciliação entre as importações, o fluxo financeiro e sua escrituração. As duas diligências apontaram as inconsistências de seus argumentos. A DRJ entendeu que para parte das DI’s autuadas havia comprovação da origem, motivo pelo qual o voto condutor excluiu a parte demonstrada da origem de recursos, como antecipação realizada por clientes, citando a fl. 15 onde a autoridade fiscal declara: O Demonstrativo do Fluxo Financeiro elaborado pela fiscalização (fls. 1.726/1.729) demonstra que a fiscalizada não dispunha de recursos monetários próprios para liquidar o câmbio referente a diversas importações (na elaboração do demonstrativo foram excluídos os valores referentes aos recursos monetários que NÃO TIVERAM A SUA ORIGEM COMPROVADA, bem como foram excluídos os valores Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.696 24 recebidos a título de adiantamento da empresa Tupy Fundições referentes ao contrato apresentado e o saldo da conta Antecipação de Clientes), demonstrandose, assim, a falta de possibilidade financeira da Chinabraz para a realização da operações de comércio exterior evidenciadas. Ocorre que seu cálculo para exonerar R$ 49.293.385,00 não fica de forma alguma claro. É impossível traçar o trajeto percorrido pelo voto condutor para se chegar a esse montante: O que deve ser mantido do lançamento é apenas a parte Que não teve a origem comprovada. Conforme já analisamos se uma firma não dispõe de recursos para importar, mas recebe adiantamento de outra, tudo de forma legal e documentada não lhe é aplicável a presunção prevista no art. 23, V, §2°, do Decretolei n 1.455/1976 que, conforme vimos, exige a não comprovação (legal) da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Para chegar ao valor da multa R$ 75.436.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e seis mil e cento e cinquenta reais) a autoridade fiscal às fls. 2 a 24 apresentou um quadro de mercadorias importadas pela Chinabraz a partir de 17/01/2003 até 21/02/200 considerou que a empresa não tinha recursos próprios suficientes, devido aos demonstrativos de fluxo financeiro de fls. 1.726 a 1.729 (volume IX) e aplicou a multa substitutiva, devido ao fato de não haver encontrado as mercadorias. Ao se admitir os adiantamentos de clientes (fls. 942 a 961 volume V) que estão comprovados (ver Demonstrativo de Saldo de Contas de fls. 1.726 a 1.729 volume IX) e, também, o da Tupy no valor de US$ 2,400,000.00 nas datas de ingresso de suas parcelas, da lista de fls. 22 a 24 apenas recursos necessários às importações referentes ao carvão coque, de determinados períodos, por serem de vulto, podem ser considerados como não tendo sido totalmente justificados. Do contrato realizado entre a Chinabraz e a Tupy (fls. 1.217 a 1.221 volume VII) estão comprovados, apenas os adiantamentos no total de US$ 2,400,000.00 realizados a partir de 10/02/2004 (ver declaração da fiscalização à fl. 18 depósitos na conta 110167 do Bradesco fls. 670 a 680 volume IV). À fl. 670 consta transferência de numerário originário da Tupy de R$ 1.416.000,00 em 10/02/2004; fl. 674 de R$ 1.593.298,75 em 27/02/2004; fl. 677 de R$ 1.392.000,00 em 16/03/2004; fl. 679 de R$ 1.387.008,00 em 02/04/2004 e fl. 680 de R$ 1.417.523,44 (R$ 32.675,44 em 14/04 e R$ 1.384.848,00 em 15/04). O total em reais é de R$ 7.205.830,19 considerando que à época o dólar valia aproximadamente R$ 2,90 o total dos depósitos em dólares foi de US$ 2,484,769.03. Vimos que Tupy importava outros produtos além do coque, embora fosse este último o principal item. Assim o excesso sobre Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.697 25 US$ 2,400,000.00, valor que está expressamente posto em contrato, se refere, obviamente, a esses outros produtos. O coque importado a partir dessa data, também, deve ser excluído da lista de fl.23, pois os recursos estão comprovados e para outras importações a Chinabraz dispunha de recursos declarados. Do total da multa aplicada (ver cálculo às fls. 22 a 24) de R$ 75.436.150,00 (setenta e cinco milhões quatrocentos e trinta e seis mil e cento e cinquenta reais) deve, portanto, ser excluído o valor de R$ 49.293.385,00 (quarenta e nove milhões duzentos e noventa e três mil trezentos e oitenta e cinco reais) mantendose os valores relativos às importações de coque de abril de 2003 a janeiro de 2004 destacado no rol de fls. 22 a 24. Resta, portanto, R$ 26.142.765,00 (vinte e seis milhões cento e quarenta e dois mil setecentos e sessenta e cinco reais) de importações cuja origem financeira legal não foram satisfatoriamente comprovadas. (...) Houve, entretanto, um engano de entendimento a respeito do § 2, do Decretolei n° 1.455/1976, por parte da autoridade fiscal, pois alguns recursos cujas origens foram comprovadas adiantamento de clientes foram igualmente glosados juntamente com os de origens não comprovadas o que é equivocado (ver demonstrativo de fls. 1.726 a 1.729 volume IX). Esse engano está sendo corrigido no presente voto. (...) Por todo o exposto voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01 a 24 excluindo o valor de R$ 49.293.385,00 (quarenta e nove milhões duzentos e noventa e três mil trezentos e oitenta e cinco reais) e mantendo R$ 26.141.765,00 (vinte e seis milhões cento e quarenta e um mil setecentos e sessenta e cinco reais). Voto, também, no sentido de manter a solidariedade sobre a exação entre Chinabraz Comércio Importação e Exportação Ltda. e Tupy Fundições Ltda. Tanto é não inteligível que o CARF, na Resolução n° 3012.094, solicitou diligência a DRJ para esclarecimento do cálculo: Por outro lado, (iii) no tocante aos valores exonerados na r. decisão recorrida, entendo que a DRJ deve apresentar quadro demonstrativo dos cálculos, com cruzamento de informações com os documentos constantes dos autos, incluindo as respectivas páginas, fazendo tal demonstração de forma detalhada a fim de possibilitar o perfeito entendimento de corno a autoridade julgadora chegou ao montante global exonerado. Fl. 7697DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.698 26 De toda a sorte, entendo que a decisão recorrida merece reparos. Isso porque não há ilicitude em adiantamentos de numerários à importadora na compra de produtos, desde que não sejam ocultados do órgão de controle e fiscalização. A transferência de recursos dentro da legalidade implica, não apenas, que o adiantamento de numerário esteja registrado nas contabilidades do importador e do repassador e demonstrada mediante extratos bancários, mas sim deve também ser informado ao fisco. Em síntese, a não comprovação da origem de recursos monetários que ingressaram na empresa, bem como os diversos recursos monetários a título de adiantamentos para a realização de importações omitidos da aduana e ainda o registro das importações em nome próprio, caracterizam a interposição fraudulenta nos termos do art. 23, inciso V, §2° do DecretoLei n° 1.455/76. Logo, voto por dar provimento ao recurso de ofício e por negar provimento ao recurso voluntário da Chinabraz, por considerar que os adiantamentos realizados de forma irregular não se prestam para afastar a presunção legal do art. 23. Das provas produzidas pela fiscalização para a caracterização da interposição presumida O contexto probatório descrito no relatório fiscal e comprovado por intimações e demais documentos juntados pela fiscalização, é o seguinte: 1 Em dezembro de 2003 a empresa Amerimex Internacional Ltda protocolou na Alfândega do Porto de Vitória pedido de habilitação de responsável legal junto ao SISCOMEX. Na diligência realizada para o fornecimento da habilitação, apurouse que estava ocorrendo o acobertamento dos reais beneficiários das operações, já que a mesma recebera a transferência de diversos ativos da empresa Chinabraz Comércio Importação e Exportação Ltda, a qual constava como devedora em um processo de falência. 2 No início do ano de 2005, foi realizada diligência na empresa Chinabraz, para revisar a habilitação do responsável legal da empresa junto ao SISCOMEX, já que na base de dados da Secretaria da Receita Federal constava nas Declarações de Imposto de Renda da empresa valores iguais a zero para os anoscalendário de 2002 e 2003. 3 Durante a diligência de revisão da habilitação da Chinabraz, o SEFIA tomou conhecimento de que a empresa Amerimex havia realizado importação através das Declarações de Importações n. 05/00149997, 05/00246712 e 05/002246720 e que a mesma endossou tais importações para a empresa Chinabraz. A Amerimex encontravase nessa data com o seu CNPJ suspenso (em virtude de ter sido detectado, no momento da análise do seu pedido de habilitação, que ela era inexistente de fato). 4 Analisando os Balancetes de Verificação e as Demonstrações de Resultado do Exercício da Chinabraz, a fiscalização construiu o demonstrativo abaixo, que indica a falta de capacidade econômica da Chinabraz para realizar os gastos com importações: Fl. 7698DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.699 27 5 A Chinabraz apresentou vultosos prejuízos em suas atividades normais, o que representa estado de insolvência. 6 Não há, no Passivo, registro de empréstimos adquiridos pela empresa de entidades financeiras em volume suficiente para a manutenção das suas atividades. 7 Nos Balancetes de Verificação, na conta Bancos c/Movimento, houve movimento atípico em 2 (duas) contas do Bradesco e em uma conta do Banco do Brasil. Ao se examinar todos os trimestres de 2003 e 2004, percebese que os valores sacados nas referidas contas são praticamente iguais aos valores nelas depositados. 8 Na conta clientes, constante nos Balancetes de Verificação, há o mesmo fenômeno verificado na conta Bancos, ou seja, em diversas subcontas verificase que os valores lançados a débito são quase iguais aos valores lançados a crédito e há situações em que as contas assumem saldo credor. 9 No Livro Razão, na conta Créditos em Falência e Concordata, verificouse que vários valores creditados na referida conta foram debitados nas contas bancárias da empresa (o que significa depósitos em bancos), cujos ingressos representaram um total de R$ 1.678.387,12. Tal fato é indício de que poderiam estar ingressando na empresa recursos monetários que não eram oriundos de suas atividades normais, já que não havia a identificação dos depositantes de tais recursos monetários, e como já foi visto anteriormente, a Chinabraz figurava como devedora em um processo de falência e não teria, consequentemente, direitos a receber. A existência de tal conta demonstra que ela é utilizada para registrar recursos monetários estranhos às atividades normais. 10 O exame da conta Antecipações de Clientes revelou a existência de vários depósitos efetuados nas contas correntes da empresa junto ao BRADESCO (duas contas) e junto ao Banco do Brasil, os quais tinham por finalidade o adiantamento de recursos monetários para a realização de importações, conforme históricos constantes no Livro Razão. 11 No confronto dos lançamentos do Livro Razão das contas bancárias com os constantes nos extratos de conta corrente, temse que: a) no Livro Razão, as contas bancárias assumem em diversos momentos saldos credores (bem como a conta Caixa), o mesmo, porém, não ocorre nos extratos bancários. Tal fato significa falta de escrituração de recursos monetários recebidos; Fl. 7699DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.700 28 b) em diversos momentos, tanto no razão como nos extratos bancários, os saldos são bem pequenos, em relação aos valores transacionados no comércio exterior. Tais saldos diminutos ocorrem, inclusive, após a liquidação de câmbio; c) existência de diversos depósitos sem a identificação do depositante e sem a especificação de sua finalidade, tanto no Razão quanto nos extratos; d) no Razão, para vários depósitos, o histórico referese a recebimentos de recursos monetários relativos à falência, e nos extratos tais valores constam como depósitos realizados por diversas empresas ou, em sua grande maioria, não há a identificação do depositante; e) no Razão, diversos depósitos referemse à recebimento antecipado para a realização de prestação de serviço e nos extratos não há a identificação do depositante dos recursos monetários; f) conforme histórico no Razão, houve a realização de vários depósitos efetuados a título de antecipação para a realização de importações; g) no Livro Razão, para diversos depósitos, os históricos referemse a recebimento de duplicatas (em alguns casos não há a identificação da duplicata) e nos extratos tais recebimentos referemse a transferência eletrônica (TED) ou a outros tipos de transferências, não se referindo a recebimento de títulos; h) no Razão, para diversos depósitos, os históricos referemse a recebimentos de títulos colocados em cobrança e nos extratos tais recebimentos referemse a Transferência Eletrônica (TED) ou a outros tipos de transferências, não se referindo a recebimentos de títulos colocados em cobrança; i) existência no Livro Razão de saídas de recursos referentes a devoluções em virtude de importações não realizadas. 12 Cotejando os Livros Razão das contas bancárias e os respectivos extratos bancários, observase nos históricos do Livro Razão, a remessa de recursos monetários para a Amerimex Comércio Internacional Ltda, geralmente referentes a empréstimos concedidos, bem como a existência de vários recebimentos de recursos monetários da Amerimex (tal movimentação também ocorre na conta Caixa). Ocorre que o Serviço de Fiscalização Aduaneira (SEFIA) da Alfândega do Porto de Vitória, através de diligência realizada na Amerimex, constatou que a mesma era inexistente de fato, pois naquela oportunidade verificouse que a Amerimex estava localizada no mesmo endereço da Chinabraz e que ela (Amerimex) recebeu da Chinabraz a transferência de diversos Ativos, bem como foi verificado a falta de capacidade econômicofinanceira da Amerimex para realizar as suas atividades, detectandose, também, a falta de capacidade financeira dos sócios da Amerimex para a integralização do Capital Social da empresa. Pelos fatos apurados, foi proposta a declaração de inaptidão da Amerimex, sendo a proposta acatada pela Delegacia da Receita Federal (DRF) de Vitória/ES. 13 Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 02, a Chinabraz informou "algumas vendas de volumes maiores são negociadas anteriormente ao embarque, sendo algumas delas com pagamentos antecipados para a liquidação destas compras no exterior". Fl. 7700DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.701 29 14 Quanto às notas fiscais de saída, a fiscalização identificou que: (a) notas fiscais emitidas com um CNPJ e recursos depositados por outro CNPJ; (b) valores com divergências relevantes; (c) nota fiscal informada nas planilhas dos bancos e não localizadas nas planilhas de notas fiscais de saídas emitidas; (d) notas fiscais emitidas com data posterior ao do recebimento dos recursos e (e) notas fiscais de saídas emitidas para a prestação de serviços de limpeza de resíduos químicos. 15 A empresa recebeu expressivos recursos monetários pela prestação de serviços de limpeza de resíduos químicos, sem, entretanto, constar no seu contrato social esse tipo de serviço como objeto social. Mas a empresa não possuía nenhum funcionário com qualificação específica para a realização de limpeza de produtos químicos, bem como não foi encontrado nenhum pagamento realizado à pessoa jurídica ou física que tivesse realizado esse tipo de serviço. 16 Ao analisar as notas fiscais de prestação de serviços, consta que: os valores eram os mesmos da intimação fiscal, nas notas fiscais constam recebimentos a vista e os valores foram recebidos em parcelas e não há concordância entre as datas e entre as somas dos valores digitados com o total constante nas notas fiscais. 17 No Livro de Apuração do ISS, para todos os meses dos anos de 2003 e 2004 constava a expressão "sem movimento". 18 O Demonstrativo do Fluxo Financeiro demonstra que a Chinabraz não dispunha de recursos monetários próprios para liquidar o câmbio das importações (na elaboração do demonstrativo foram excluídos os valores referentes aos recursos monetários que não tiveram a sua origem comprovada, bem como foram excluídos os valores recebidos a título de adiantamento da empresa Tupy. Fundições referentes ao contrato apresentado e o saldo da conta "Antecipação de Cliente"). 19 A empresa gozou dos benefícios financeiros proporcionados pelo FUNDAP, ao declarar as importações como próprias. 20 A Chinabraz impetrou Mandado de Segurança, onde era requerido, dentre outros, o trancamento da fiscalização, com a devolução de todos os documentos fornecidos pela empresa, ou, em caráter sucessivo, a substituição do AFRF que conduziu o processo fiscalizatório. 21 A Chinabraz utilizouse de deputado federal para tentar paralisar a fiscalização: Fl. 7701DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.702 30 Fl. 7702DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.703 31 22 Formulou denúncia “vazia” junto ao Secretário da Receita Federal e junto à Corregedoria Geral contra o AFRF. 23 Não atendeu às intimações no prazo de 60 (sessenta) dias para a comprovação da origem dos recursos monetários utilizados em suas operações de comércio exterior, no total de R$ 13.480.950,43. Assim, por todos os elementos colacionados acima, restou comprovado pela fiscalização o modus operandi da operações de importação da Chinabraz, na forma do art. 23, inciso V, § 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Desse modo, voto por dar provimento ao recurso de ofício e por negar provimento ao recurso voluntário da Chinabraz, por considerar configurada a interposição fraudulenta para todo o período autuado. Atribuição de responsabilidade tributária à Tupy Fundições A ocultação do real adquirente das mercadorias decorre da prestação falsa de informação na declaração de importação, obrigação acessória relacionada aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior. Regra geral em casos como este a Fiscalização costuma fundamentar a responsabilidade tributário nos art. 124, 134 e 135, do CTN e art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, verbis: Fl. 7703DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.704 32 CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DecretoLei nº 37/1966 Art. 95. Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Fl. 7704DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.705 33 Entretanto, a responsabilização da Tupy há que ser afastada por duas razões: a) A fiscalização não citou o dispositivo legal utilizado para trazer a Tupy aos autos como solidária e b) a fiscalização inseriu a Tupy como solidária da fraude nas importações de todas as DI’s listadas no auto de infração, contudo há inúmeras provas de que a Tupy não foi a adquirente da integralidade das importações da Chinabraz. Sobre os dois pontos, manifestome a seguir. a) A fiscalização não citou o dispositivo legal utilizado para trazer a Tupy aos autos como solidária Observese o auto de infração: O relatório fiscal de efls. 24, não tece nenhum registro do dispositivo legal para enquadramento da Tupy como responsável solidário. O relatório fiscal se refere à Tupy nos trechos que cito abaixo: 33.No atendimento do Termo de Intimação Fiscal N° 02 (fls. 1213/1221), a auditada enviounos somente um contrato assinado com a empresa Tupy Fundições Ltda, o que nos deixa dúvidas sobre a inexistência de outros contratos, já que existe o adiantamento de recursos monetários para a realização de importações e, nesses casos, o normal é a realização de garantias mesmo entre os parceiros mais tradicionais, como é o caso da própria Tupy Fundições, que embora venha mantendo relações comerciais com a Chinabraz há muito tempo não deixou de celebrar o contrato abojado à presente fiscalização Fl. 7705DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.706 34 (fls. 1217/1221). Tal omissão na entrega dos contratos não permitiu à fiscalização uma análise mais abrangente dos danos causados com as simulações praticadas pela Chinabraz. Entretanto, a situação que se relata a seguir demonstra o quadro de prejuízos que tal prática nefasta ocasiona as empresas nacionais. 34.No ano de 2002, a Alfândega do Porto de Vitória recebeu denúncia do Sindicado das Indústrias de Carvão do Estado de Santa Catarina, maior produtor brasileiro de carvão coque, reclamando que o "modus operandi" da Chinabraz estava causando prejuízos às empresas daquele setor (cabe ressaltar que o maior cliente da Chinabraz, a empresa Tupy Fundições, direciona todo o coque adquirido para a sua filial que está situada em Santa Catarina). (...) 35. As irregularidades verificadas na diligência realizada em 2002 também foi detectada na presente fiscalização no ano de 2004. Ao se esquadrinhar o contrato assinado entre a Chinabraz e a Tupy Fundições (fls. 1217/1221) para o fornecimento de 10.000 (dez mil) toneladas de coque, verificase que foi contratado o preço de US$ 361,00 (trezentos e sessenta e um dólares americanos) por tonelada. No contrato verificase que a Tupy Fundições, visando assegurar o embarque do produto na China em tempo hábil para que o mesmo esteja a sua disposição até o dia 30 de abril de 2004, realizou pagamentos antecipados do preço em 5 (cinco) parcelas de US$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil dólares americanos), perfazendose um total de US$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares americanos) a título de adiantamento, as quais foram depositadas no BRADESCO (conta 110167 fls. 670/680) em 10 de fevereiro de 2004 (R$ 1.416.000,00), 27 de fevereiro de 2004 (R$ 1.411.344,00), 16 de março de 2004 (R$ 1.392.000,00), 02 de abril de 2004 (R$ 1.387.008,00) e em 15 de abril de 2004 (R$ 1.384.848,00), respectivamente. Ainda analisandose a referido contrato, verificamos que não existe cláusula estipulando a data para se pagar a diferença entre o preço total e o adiantamento realizado, a qual representa o valor de US$ 1.210.000,00 (um milhão e duzentos e dez mil dólares americanos), aproximadamente R$ 3.509.000,00 (três milhões, quinhentos e nove mil reais). Examinandose os extratos de conta corrente de todos os bancos que a Chinabraz possui conta (fls. 545/939) e a conta caixa (fls. 961/968 e 1098/1101), não localizamos o ingresso do referido valor na Chinabraz. Pesquisandose a nossa base de dados através do sistema DW: Aduaneiro, elaboramos o Demonstrativo das Importações de Coque (fls. 1763). Em tal demonstrativo, verificase que nas importações realizadas da China pela Chinabraz nos anos de 1977 até o ano de 1998 a tonelada do coque foi negociada a US$ 130,00 (cento e trinta dólares americanos). A partir do ano de 1999 até o ano de 2004, a tonelada do coque foi negociada a US$ 240,00 (duzentos e quarenta dólares americanos). Desta forma, vêse que o apurado na diligência realizada em 2002 continuou a ocorrer, já que, na realidade, no contrato apresentado a Tupy Fundições pagou pelas 10.000 (dez mil) toneladas de coque o valor de US$ Fl. 7706DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.707 35 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares americanos), ou US$ 240,00 (duzentos e quarenta dólares americanos) por tonelada, que foi o valor negociado na China. Realmente, a denúncia oferecida pelo Sindicado das Indústrias de Carvão do Estado de Santa Catarina está impregnada de razão, pois, como se vê, o esquema engendrado dilacera a indústria nacional e provoca profundos prejuízos aos interesses nacionais. São solidariamente responsáveis os sujeitos que tenham interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, somado ao proveito em conjunto dessa situação. Ocorre que não é possível se afirmar que a Tupy teve proveito de todas as importações da Chinabraz. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária apenas àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, apenas quem, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Assim, a autuação deve arrolar todos os envolvidos para que estes respondam pelo crédito tributário decorrente da fraude aduaneira realizada, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Logo, é ilegal a responsabilização isolada de apenas um sujeito pela integralidade do auto de infração, se outros concorreram para o cometimento da fraude. Temse que a infração em apreço não poderia ter sido praticada sem a participação direta de outras clientes da Chinabraz. A Tupy não era a única real interessada na aquisição de todas as mercadorias estrangeiras, tampouco concorreu para a prática de todas as importações fraudadas. Dessa forma, não há interesse comum demonstrado e atuação em conjunto na organização dos esquemas de ocultação de todas as importações. Por outro lado, no tocante à responsabilização solidária, outro equívoco da fiscalização foi cometido. É certo que na qualidade de “administradores” da empresa autuada, os sócios tinham inteiro e integral conhecimento das operações realizadas objeto destes autos, sendo, portanto aplicável o art. 135, III do CTN. Ocorre que nenhum sócio da Chinabraz foi trazido aos autos. b) A fiscalização inseriu a Tupy como solidária da fraude nas importações de todas as DI’s listadas, contudo há inúmeras provas nos autos de que a Tupy não foi a adquirente da integralidade das importações da Chinabraz Penso que a ilegalidade da inclusão da Tupy no polo passivo é notória. Nos termos da segunda diligência proposta, restou provado que a Tupy foi posta como responsável pelas importações de mercadorias a ela não destinadas. Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.708 36 Assim, as duas diligências apontaram que nem todo o montante de recursos cuja origem não foi comprovada corresponderia a importações de mercadorias destinadas a Tupy. Se a autuação referiuse a operações que não foram integralmente ligadas a Tupy, a responsabilidade deveria ser limitada ao montante relativo às importações de mercadorias a ela destinadas. A primeira diligência determinada pelo CARF assim afirmou: 5°) Todas as mercadorias adquiridas pela Chinabraz eram destinadas à Tupy? Resposta: Consultandose a Relação das Notas Fiscais de Entradas (fls. 278/281) e consultandose a Relação das Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz no curso da ação fiscal, podese verificar que todas as mercadorias adquiridas pela Chinabraz NÃO ERAM DESTINADAS à Tupy Fundições. 6°) A Tupy era o único cliente de coque de fundição da Chinabraz? Quais mercadorias adquiridas pela Chinabraz foram destinadas à Tupy e qual o seu valor aduaneiro? Resposta: Consultandose a Relação das Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz no curso da ação fiscal, podese verificar que durante o período compreendido entre o dia 02/01/2003 e o dia 30/12/2004 a Tupy Fundições NAO FOI O ÚNICO CLIENTE de coque fundição da Chinabraz. As mercadorias que foram destinadas, durante tal período, à Tupy Fundições são aquelas constantes da Relação das Mercadorias Destinadas à Tupy Fundições LTDA em anexo (fls. 6878/6921), cujos dados foram obtidos na Relação de Notas Fiscais de Saídas (fls. 287/544) que nos foram enviadas pela Chinabraz durante o curso da fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N o 01 (fls. 277). Quanto ao valor aduaneiro, O QUESITO RESTOU PREJUDICADO, já que, de acordo com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), o valor aduaneiro somente é passível de apuração quando da importação de mercadorias, não sendo possível obterse o valor aduaneiro nas transações realizadas entre empresas no mercado doméstico de cada país signatário do AVA. 8°) A Tupy realizou o pagamento das mercadorias? Resposta: QUESITO PREJUDICADO, já que a documentação solicitada à Chinabraz no curso da fiscalização não permite apurar o dado solicitado, e, atualmente, a Chinabraz não mais exerce as suas atividades no seu endereço informado à RFB, conforme acima relatado, não sendo possível, então, termos acesso à documentação necessária para apurarmos o que foi solicitado. Entrementes, junto com a sua impugnação, a Tupy Fundições juntou ao processo diversos documentos Fl. 7708DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.709 37 (fls. 4450/5477) com o intuito de provar os pagamentos referentes às mercadorias adquiridas junto à Chinabraz. Por sua vez, a segunda diligência apontou: a) Segregue do auto de infração, as importações destinadas a Tupy e aquelas destinadas a outros clientes da Chinabraz, para todo o período da atuação. Para segregar as DIs destinadas à Tupy, tomamos como base a tabela de fls. 290 a 549, apresentada por Chinabraz, que relaciona as DIs com as notas fiscais de saída, contendo o CNPJ do cliente. Comparandose esta tabela com a tabela de fls. 25 a 27, DIs objeto do Auto e Infração, obtivemos o resultado abaixo que são as DIs que continham mercadorias adquiridas pela empresa em questão. Assim, as DI’s destinadas a Tupy foram apenas as acima listadas, quantidade inferior ao número de DI’s autuadas (efls. 2527). E ainda, segundo a autoridade diligenciante: d) Aponte, conclusivamente se os adiantamentos são suficientes para cobertura das importações de coque a ela destinadas. Como as mercadorias importadas por meio destas DIs não foram integralmente revendidas a Tupy, há que se verificar qual a quantidade adquirida por esta empresa por meio das notas fiscais de saída, comparar com a quantidade total da DI e aplicar o percentual resultante no valor total da nota fiscal de entrada emitida por Chinabraz, relativa a cada DI. (...) Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.710 38 Portando, os dados cruciais para determinação da parcela correspondente a Tupy na importação estão incorretos, tornando inviável a determinação do valor da importação correspondente a esta empresa. Informamos que devido à quantidade notas fiscais de saída emitidas, à qualidade ruim das cópias das notas fiscais e a falta de ordenamento das mesmas no bojo do processo, a determinação correta dos dados demanda exaustivo trabalho manual de pesquisa nas notas fiscais, uma a uma, sem a garantia de que serão corrigidos a contento. Portanto, entendemos tal trabalho como inviável. De fato, observase na relação de notas fiscais de saída (efls. 290 e ss.), que a Tupy não foi a única destinatária do COQUE: A própria Chinabraz sustentou em suas peças recursais o equívoco da figura da Tupy como solidária e não de seus outros clientes (fl. 5.684), verbis: 140. Ainda, apenas ad argumentandum tantum, e por amor ao debate, se fosse o caso de imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento da vultosa multa aplicada, deveria ter o Vistor Fiscal estendido esta imputação às demais empresas que mantém relações comerciais com a empresa Chinabraz, conforme se verifica pela listagem de clientes anexa (doc. fls.), e não como ocorreu, declarando devedora solidária somente a empresa Tupy Fundições Ltda, o que caracteriza mais uma arbitrariedade cometida pelo Auditor. Fl. 7710DF CARF MF Processo nº 12466.001361/200689 Acórdão n.º 3301005.535 S3C3T1 Fl. 7.711 39 Com razão a Tupy ao afirmar que não pode ser “responsabilizada pela pena aplicada às mercadorias a ela não destinadas cujo ônus de comprovação da origem dos recursos necessários à importação não lhe incumbe estarseia favorecendo sem qualquer fundamento os demais clientes da Chinabraz e penalizando a Recorrente por fatos sobre os quais não exerceu e nem poderia qualquer influência.” Por isso, a atribuição de responsabilidade à Tupy desatendeu aos requisitos legais. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário da Tupy, para excluíla do polo passivo da autuação. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a solidariedade da recorrente Tupy Fundições Ltda. do polo passivo da autuação. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 7711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720725/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014
IMPORTAÇÃO DE MOTOCICLETAS DESMONTADAS. FRAUDE.
Importação de "mobiletes" desmontadas e descritas na declaração de importação como "partes e peças", com redução de alíquotas, caracteriza FRAUDE, e devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (Regra Geral de Interpretação do SH nº 2). Comprovada a ocorrência de fraude, cabível a exigência da multa agravada no valor de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente.
MULTA REGULAMENTAR. HIPÓTESE. APLICAÇÃO.
Detectada que a importação se tratava de produto acabado e não de partes de peças, aplicável a multa regulamentar.
PENA DE PERDIMENTO. OCULTAÇÃO. APLICAÇÃO.
Configurada a ocultação do real adquirente da mercadoria, aplicável a pena de perdimento.
Numero da decisão: 3401-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 IMPORTAÇÃO DE MOTOCICLETAS DESMONTADAS. FRAUDE. Importação de "mobiletes" desmontadas e descritas na declaração de importação como "partes e peças", com redução de alíquotas, caracteriza FRAUDE, e devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (Regra Geral de Interpretação do SH nº 2). Comprovada a ocorrência de fraude, cabível a exigência da multa agravada no valor de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. MULTA REGULAMENTAR. HIPÓTESE. APLICAÇÃO. Detectada que a importação se tratava de produto acabado e não de partes de peças, aplicável a multa regulamentar. PENA DE PERDIMENTO. OCULTAÇÃO. APLICAÇÃO. Configurada a ocultação do real adquirente da mercadoria, aplicável a pena de perdimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.720725/2016-11
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955759
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.377
nome_arquivo_s : Decisao_10314720725201611.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10314720725201611_5955759.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7585926
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416614928384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2.994 1 2.993 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720725/201611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.377 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANA Recorrente BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2011, 2012, 2013, 2014 IMPORTAÇÃO DE MOTOCICLETAS DESMONTADAS. FRAUDE. Importação de "mobiletes" desmontadas e descritas na declaração de importação como "partes e peças", com redução de alíquotas, caracteriza FRAUDE, e devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (Regra Geral de Interpretação do SH nº 2). Comprovada a ocorrência de fraude, cabível a exigência da multa agravada no valor de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. MULTA REGULAMENTAR. HIPÓTESE. APLICAÇÃO. Detectada que a importação se tratava de produto acabado e não de partes de peças, aplicável a multa regulamentar. PENA DE PERDIMENTO. OCULTAÇÃO. APLICAÇÃO. Configurada a ocultação do real adquirente da mercadoria, aplicável a pena de perdimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 25 /2 01 6- 11 Fl. 2994DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) "Adotase o relatório do Acórdão 0656.857 8ª Turma da DRJ/CTA de piso (efls. 2857 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 26/04/2016, formalizando a exigência de impostos (II; IPI), juros de mora, multa de ofício agravada de 150%, multa do Controle Administrativo e multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão da reclassificação das mercadorias importadas por caracterização de fraude, totalizando o valor do crédito tributário de R$ 9.862.843,30. Do Relatório Fiscal, parte integrante do AI, às fls. 49/151 e, também, juntado às fls. 296/398, destacamse, em síntese, as seguintes informações: Verificar indícios de irregularidade em operações de importação registradas pelas empresas nos anos de 2011 a 2014. Em pesquisas prévias aos sistemas da Receita Federal, foi constatado transações volumosas entre a Bikelete e a WMX, as quais motivaram, em 30/10/2014, a diligência no estabelecimento da WMX; A autoridade fiscal juntou aos autos fotos do estabelecimento e apresentou documentos de ambas empresas, os quais foram encontrados na WMX, denotando uma confusão patrimonial; Os auditoresfiscais foram recepcionados pelo Sr. Clayton Cardoso de Souza, responsável pelas operações de importação das empresas, o qual tomou ciência do início do procedimento fiscal em nome da empresa WMX e franqueou a entrada na empresa permitindo assim o livre acesso à documentação arquivada, inclusive, aos documentos mantidos em arquivos magnéticos. Destes, destacamse os seguintes itens encontrados: Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 2.995 3 a) Conversas com exportadores chineses revelando o planejamento da fraude; b) Manipulação do modo de envio da mercadoria e pagamento a menor de tributos; c) Fuga das regras de licenciamento; d) Uso de laranja para ocultar o real interessado e conseguir enquadrar a empresa no simples nacional. Durante a diligência, foi realizada entrevista gravada com o Sr. Clayton (Anexo 4); Do arquivo magnético coletado no computador do Sr. Clayton, a autoridade fiscal transcreve, às fls. 76/84; 104/108 e 117 , registros de trechos da conversa entre o Sr. Clayton e os exportadores estrangeiros, nos quais é demonstrado o processo de montagem, desmontagem e envio das peças em caixas de forma a disfarçar o produto final, com objetivo de reduzir as alíquotas dos impostos incidentes sobre a importação; Além do arquivo da conversa descrevendo o “modus operandi” das importações das mobiletes, foi encontrado no computador do Sr. Clayton uma conversa em áudio com o Sr. Aguinaldo da Silva Azevedo, advogado que representa as empresas. Dessa conversa foi transcrito trecho final às fls. 109, da qual se deduz o uso de “laranja” para ocultar o real interessado (Sr. Natanael) e conseguir enquadrar a WMX no Simples Nacional. O áudio completo foi juntado ao PAF como anexo 3; Em consulta aos sistema da Receita Federal do Brasil, a fiscalização verificou que: ● Laurisvaldo Castro Cruz – consta como dirigente acionista com 100% de participação societária da empresa Bikelete Comercial Ciclomotores Eireli, data de abertura em 30/09/2010, CNPJ nº 12.670.719/000119 e Capital Social de R$ 200.000,00. Todavia, o Sr. Laurisvaldo não teria patrimônio e nem rendimentos próprios em montantes compatíveis com os volume das atividades operacionais da empresa Bikelete, uma vez que nos anos de 2007 e 2008, figurou como dependente do Sr. Sivaldo Castro Cruz por se tratar de irmão sem arrimo dos pais, do qual o contribuinte detém a guarda judicial. Ressaltese que não houve apresentação de DIRPF nos anos de 2009 e 2010 e nos anos de 2011, 2012 e 2013, a capacidade econômica da pessoa física parece incompatível com o volume das atividades operacionais da Bikelete; ● Karina Del Grande Leite (irmã do Sr. Natanael) – sócia administadora com 100% de participação societária da empresa WMX com data de abertura em 21/10/2009, CNPJ nº 11.289.859/000189. Já fizeram parte do quadro societário da empresa WMX a Srª Rosa Del Grande Jr (mãe do Sr. Natanael) e o Sr. Laurisvaldo Castro Cruz. Fl. 2996DF CARF MF 4 A Srª Karina, apesar de nunca ter figurado como sócia da Bikelete, recebeu rendimentos dessa empresa nos anos de 2011 e 2012. A WMX movimentou mais de cinco milhões, porém, sua única sócia declarou receber apenas R$ 20.400,00 no ano de 2014; ● Natanael Del Grande Junior – 1) sócioadministrador com 100% de participação da empresa Wind Ind. e Com. de Peças e Ciclomotores, CNPJ 06.963751/000190; 2) e, também, sócio administrador da empresa Natanael Del Grande Jr, CNPJ nº 58.653.429/000168, esta foi baixada após o início da fiscalização em 09/02/2015. O Sr. Natanael não apresentou a declaração de IR nos anos (anocalendário) 2012, 2013 e 2014. O Sr. Laurisvaldo e a Srª Kariana, apesar de intimados, não compareceram à Delegacia da Receita Federal para prestar esclarecimentos. No Radar, a Bikelete foi suspensa por operar acima dos valores autorizados e a empresa WMX parou de operar assim que atingiu o limite; No procedimento fiscal, com base nos documentos coletados e em consultas aos sistemas da RFB, foi concluído que as empresas Bikelete Comercial Ciclomotores Eireli e WMX Comercial Importadora Ltda realizaram operações fraudulentas de comércio exterior ocultando o Sr. Natanael Del Grande Junior, o qual foi identificado como real interessado nas operações e real administrador das empresas; A empresa WMX, que é optante do Simples Nacional, importou as bicicletas desmontadas e as enviou para Bikelete para efetuar a montagem, que por sua vez devolveu para própria WMX para efetuar a revenda. Dessa forma, fez uso de artifício doloso de importar motocicletas desmontadas para não ser desqualificada do Simples Nacional, uma vez que há impedimento de participação para empresas que importem ou fabriquem automóveis e motocicletas. Além disso, se o Sr. Natanael aparecesse como sócio de todas as empresas, a WMX não poderia figurar como empresa de pequeno porte; As importações das empresas WMX e Bikelete foram feitas por artifício doloso, que consiste na compra de bicicletas motorizadas da China já completas e eram enviadas desmontadas como partes e peças, despachadas por portos diferentes com alternância de CNPJ’s. Com isso obtinhase classificação fiscal mais benéfica com pagamento a menor de tributos e fuga das regras de licenciamento de importação; Assevera a fiscalização que o Sr. Natanael fez uso do nome da irmã, da mãe e do Sr. Laurisvaldo e manipulava o uso dos CNPJ’s para fraudar o comércio exterior; Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 2.996 5 Destaca que as empresas Bikelete e WMX, apesar de juridicamente serem duas unidades, operavam de fato como uma só, ocultando por meio de uso de “laranjas” no quadro societário o real interessado, Sr. Natanael; A autoridade fiscal reproduz nos autos os detalhes da operação de importação de bicicletas motorizadas como se fossem partes e peças, demonstrando as vantagens financeiras da operação realizada; Foram arrolados como sujeitos passivos o Sr. Natanael Del Grande Jr e a WMX Comercial Importadora Ltda – EPP. Considerando que os documentos coletados na diligência na empresa WMX e as pesquisas realizadas foram suficientes para demonstrar a fraude e a interligação das empresas, foi realizado o lançamento relativos às Declarações de Importação listadas às fls. 05/48. Da Impugnação – BIKELETE A empresa Bikelete Comercial Ciclomotores Eireli apresentou a impugnação (fls. 1356/1437), acompanhada dos documentos de fls. 1438/2704, na qual cita jurisprudência e doutrinas, alegando, em síntese, que: Em Preliminar 1) Nulidade do AI A fiscalização agiu com meras presunções para conclusão das irregularidades, não verificou que o produto que se referia o e mail era “moto mini RV”, que a impugnante nunca importou, sendo que a importação mencionada foi realizada pela empresa Wind Industria e Comércio de Peças e Ciclomotores no ano de 2011; Considerando as DI’s destacadas no AI, empresa Bikelete importou em 2011, apenas partes e peças que não completam uma mobilete. Sendo impossível a fiscalização dispor que a empresa Bike importa partes e peças como produtos acabados; Relaciona os itens necessários para montagem de uma motocicleta, motoneta, e/ou bicicleta motorizada completa (fls. 1363/1365). 2) Nulidade do AI por transcurso de prazo Deverá ser nula a autuação, tendo em vista que a BIKE foi intimada sobre o início da fiscalização em novembro/2014, depois de transcorrido um ano e três meses entre os documentos apresentados e a lavratura do auto de infração, ultrapassando todo período razoável que norteiam os atos administrativos. Cita o artigo 11 da Portaria RFB nº 1687/2014 e a Constituição Federal. Fl. 2998DF CARF MF 6 3) Do benefício “In Dubio Contra Fiscum” Em caso de dúvida a interpretação será sempre em favor contribuinte. No Mérito 1) Sr. Natanael Del Grande Junior – Exclusão Obrigatória – Prova ilícita A relação existente entre o Sr. Natanel com as empresas Bikelete e WMX advém do vinculo familiar (irmão) da Sra. Karina, e por assim ser, lhe auxiliando em algumas questões técnicas dos produtos por ser grande conhecedor. A Fiscalização enfatiza a ausência de capacidade econômica, principalmente, do Sr. Laurisvaldo, mas não apresenta nenhum documento que comprove que o Sr. Natanel teria condições financeiras para ser o real proprietário das empresas Bike e WMX; Ressalta a suposição de patrimônio blindado do Sr. Natanael e a utilização de prova ilícita, referindose ao áudio da conversa entre o Sr. Clayton e o advogado das empresas, Sr. Aguinaldo (anexo 3). Solicita que sejam excluídas dos autos a transcrição e sua gravação (anexo 3), pois foram obtidas de forma ilícita, vez que viola o sigilo profissional garantido pela Constituição Federal, artigo 5º inciso XII. Cita a lei 8906/94, que protege os atos praticados no exercício da advocacia. 2) Bike e WMX – empresas interdependentes – ausência de interposição fraudulenta Há de fato um grupo econômico entre a Bike e WMX sob o comando da Srª Karina Del Grande Leite, porém, cada empresa possui vida própria e com público alvo distinto. A empresa WMX somente comercializa o produto acabado, sendo seu principal veículo de venda a internet; os produtos adquiridos pela WMX, grande parte, partes e peças de motor para revenda, não seriam suficientes para fabricar a motocicleta e/ou bicicleta motorizada. Portanto, se torna impossível a afirmação de que a mesma exerce atividade vedada pelo regime do Simples Nacional; A Bikelete não é sua única fornecedora da WMX; Cita outras empresas que possuem CNPJ’s distintos para ofertar produtos diversos a públicos diferentes. 3) Ausência de fraude na importação – importação de partes e peças A troca de email, juntado aos autos pela fiscalização, referese ao produto Mini RV importados pela empresa Wind Ind. E Com. de Peças e Ciclomotores Ltda. Assim, é impossível dispor que a Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 2.997 7 Bikelete fraudava com base em importação que não fora por ela realizada; Relaciona as DI’s referentes ao ano de 2011 para comprovar que não se trata de uma mobilete completa; 4) Da multa de 150% Inaplicabilidade – confisco Afronta ao princípio do não confisco. 5) Multa regulamenta de 30% por ausência de licença de importação não automática Tratamse de parte e peças que não exigem a licença de importação não automática. 6) Pena de perdimento convertida em multa É vedado a fiscalização exigir o tributo, multa agravada de 150% e juros de mora e ainda aplicar a pena de perdimento pela mesma infração. Conforme o regulamento aduaneiro a pena de perdimento é aplicada quando ocorrer dano ao erário. Se a autuação exige a diferença do tributo com multas e juros, não há o que se cogitar em dano ao erário. Do pedido: Antes de elencar os pedidos, discorre sobre a imparcialidade do julgamento e solicita que, sendo superadas as preliminares, que seja julgado improcedente o auto de infração por inexistência de interposição fraudulenta ou, ainda, por fraude nas importações. Caso não seja esse o entendimento do julgamento que a multa de ofício agravada seja afastada, refutada a multa regulamentar por ausência de licença de importação e afastada a pena de perdimento. Por fim, requer a realização de perícia por engenheiro técnico. A DRJ/CTA decidiu pela improcedência da impugnação, sob a seguinte ementa: IMPORTAÇÃO DE MOTOCICLETAS. Importação de mobiletes desmontadas e descritas na declaração de importação como "partes e peças", com redução de alíquotas, caracteriza FRAUDE, e devem ser classificadas na posição do produto completo ou acabado (Regra Geral de Interpretação do SH nº 2). Comprovada a ocorrência de fraude, cabível a exigência da multa agravada no valor de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para Fl. 3000DF CARF MF 8 a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão em 13/02/2017 irresignada, interpôs recurso voluntário em 10/03/2017, na qual argumenta: Preliminarmente: A possibilidade de apresentar Recurso Voluntário em nome do sujeito passivo principal e responsáveis solidários; A ocorrência de violação ao princípio do Devido Processo Legal Processual em razão do impedimento de utilização de jurisprudência; Sustenta a inviolabilidade do sigilo profissional, advogado/cliente, com o viés de afastar provas; A aplicação do Benefício “In Dubio Contra Fiscum”, sob o argumento de que não há provas suficientes para embasar as alegações da autoridade fiscal; A nulidade da autuação, sob o argumento de a fiscalização se perpetuou acima do prazo de 120 dias. No mérito basicamente reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 2.998 9 PRELIMINARES 1. Da Possibilidade de defesa única Considerando que o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de julgar em conjunto as peças de defesa, respeitando as especificidades de cada caso, a recorrente também interpôs recurso em peça única, da qual não se vislumbra motivos para vedar tal prática, desde que, como mencionado no acórdão recorrido, as especificidades sejam respeitadas. 2. Da violação ao Princípio do Devido Processo Legal Segundo a recorrente, “força que emana a jurisprudência transcende a normas complementares do Direito Tributário, pois se trata de uma fonte do Direito posto, sendo norma presente vigente aplicável a todo ramo do Direito”; e que, portanto, as jurisprudências trazidas não devem ser desconsideradas, sob pena de violação ao contraditório e a ampla defesa, garantias constitucionais. Em análise ao acórdão recorrido, no tocante ao ponto ora em questão, depreendese que a recorrente interpretou de forma equivocada os dizeres da DRJ. O Acórdão recorrido simplesmente esclarece que as jurisprudências, seja ela judicial ou administrativa, não possui força normativa, e que as decisões em âmbito administrativo devem seguir estritamente a legislação concernente, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado. Deste modo, não há que se falar em violação ao contraditório e a ampla defesa. 3. Da inviolabilidade do sigilo profissional A recorrente argumenta que “a Fiscalização tem o dever legal e o conhecimento jurídico, para ter ciência que o arquivo magnético contendo os diálogos sigilosos travados entre cliente e advogado estão protegidos por lei (Estatuto da OAB) e pela Constituição da República (artigo 5º incisos XII e LV). Em ato contínuo, a “ilegalidade na quebra do sigilo profissional do diálogo travado entre cliente e advogado, a exação fiscal em tela é nula de pleno direito”. Segundo o acórdão recorrido, cuja versão confere com aquela informada pela fiscalização, temse: A diligência foi realizada no estabelecimento comercial da empresa, com acompanhamento do Sr. Clayton Cardoso de Souza, responsável pelas operações de importação das empresas, que franqueou a entrada na empresa permitindo assim o livre acesso à documentação arquivada, inclusive, aos documentos mantidos em arquivos magnético, dentre estes, o áudio em questão, encontrado no computador do Sr. Clayton. Fl. 3002DF CARF MF 10 Ora, denotase que a fiscalização teve acesso a gravação mediante prévio consentimento do Sr. Clayton, logo, não há se falar em quebra do sigilo advogado cliente, uma vez que foi o próprio cliente que autorizou o acesso a referida gravação. Ademais, a fiscalização tributária tem o poderdever de examinar toda documentação inerente ao objeto da fiscalização, para que seja possível encontrar a verdade material. Quanto ao contribuinte, este possui a obrigação de fornecer toda documentação que se encontra em sua posse, que seja relevante à fiscalização, nos termos dos arts. 194, 195 e 200 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e dos artigos 34 a 36 da Lei nº 9.430, de 1996. In casu, o Sr. Clayton autorizou acesso a diversos documentos relevantes para fins de apuração pela fiscalização, e dentre os documentos havia a referida gravação. Portanto, no caso em apreço, a quebra de sigilo de clienteadvogado não se encontra caracterizada, motivo pelo qual se nega acolhimento ao argumento da defesa, neste particular. 4. A aplicação do benefício “in dubio contra fiscum” Neste ponto a Recorrente arguiu que, o “auto de Infração restou lavrado sob suposta acusação fiscal baseadas em mero indícios, que efetivamente não foram comprovados pelo Fisco, e que também não se vislumbra fundamentação legal e probatória nas razões da r.decisão.” Em apreciação aos documentos acostados ao auto de infração, efl. 65 e seguintes, constatase que fora formalizado mediante diversas provas capazes de embasar as alegações da fiscalização (Notas Fiscais, áudios, emails, fotos, informações prestadas por representante da recorrente, dentre outras). Ademais, conforme também mencionou o acórdão recorrido, “o conjunto probatório, inclusive o áudio (anexo 3) entre o Clayton e Sr. Aguinaldo da Silva Azevedo, advogado que representa as empresas, com trechos transcritos às fls. 109, levanos a concluir de que se tratavam de uma só empresa com o fim de ocultar, por meio de uso de “laranjas”, o real interessado, Sr. Natanael Del Grande Junior. Confirmandose, assim, a clara confusão patrimonial detectada já no curso da diligência no estabelecimento da WMX.” Diante do exposto e da análise do conjunto probatório presente nos autos, é inviável a aplicação do In Dubio Contra Fiscum, previsto no artigo 112 do CTN. 5. Da Nulidade da Autuação A última preliminar arguida pela Recorrente diz respeito ao prazo para finalizar a fiscalização. Argumenta que a fiscalização “objeto do presente auto se iniciou em NOVEMBRO DE 2014, se tornando findo apenas UM ANO E TRÊS MESES após a apresentação dos documentos exigidos pelo Fisco Federal”, e que tal fato viola o art. 11, inciso I da PORTARIA RFB Nº 1687, DE 17 DE SETEMBRO DE 2014 e artigo 5º, LXXVIII da Constituição Federal. Pois bem. As hipóteses de nulidade são as previstas nos incisos 1 e II do artigo 59 do Processo AdministrativoFiscal, aprovado pelo Decreto n.º 70.235 (PAF), de 06 de março de 1972, que dispõe: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 2.999 11 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por sua vez, o art. 60 do referido PAF determina: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Oportuno salientar, também, que o prazo estabelecido pelo inciso 1º da Portaria da RFB nº 1687/2014 pode ser prorrogado, conforme §1º do mesmo artigo. Vejase: Art. 11. Os procedimentos fiscais deverão ser executados nos seguintes prazos de duração: I cento e vinte dias, no caso de procedimento de fiscalização; II sessenta dias, no caso de procedimento fiscal de diligência. § 1º Os prazos de que trata o caput poderão ser prorrogados até a efetiva conclusão do procedimento fiscal e serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. (grifase). Portanto, não merece guarida a nulidade pretendida. MÉRITO 1. Da ilegalidade na sujeição passiva solidária do Sr. NATANAEL DEL GRANDE JUNIOR e da empresa WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA A recorrente sustenta que, assim como Laurisvaldo Castro Cruz e Karina Del Grande Leite, o Sr. Natanael Del Grande Jr não teria condições financeiras de ser o real proprietário de um grupo econômico formado por BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES EIRELE – EPP, WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA LTDA e WIND IND. E COM. DE PEÇAS E CLICOMOTOTES. Aduz que a fiscalização não trouxe aos autos elementos plausível e provas cabais da participação do Sr. Natanael Del Grande Jr nas empresas BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES EIRELE – EPP e WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA LTDA, e que, portanto, não há se falar em responsabilidade solidária. Que para haver responsabilidade solidária é necessário comprovação de ligação direta com determinada empresa e elementos que comprovem destinação financeira, negocial ou de bens das BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES EIRELE – EPP e WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA para o Sr. Natanael. Fl. 3004DF CARF MF 12 Já no que tange a sujeição passiva entre o Sr Natanael e as empresas BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES EIRELE – EPP e WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA, defende que é necessário comprovar que este detinha poderes de administração e gerência em tais empresas. Conforme informam as Eecorrentes, “visando descentralizar suas atividades e atender um apelo familiar, toda parte de comercialização de motocicleta de baixa cilindrada fora transferida para recémcriada empresa BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES, de propriedade de Karina Del Grande Leite, irmã do Sr. Natanael”. Tal versão não coaduna com as informações constantes nos autos, segundo o relatório fiscal, efl. 63, o Sr. Laurisvaldo Castro Cruz é o proprietário da BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES, o que é confirmado pelo contrato social anexo efl. 1438. Extraise ainda do recurso das recorrentes: Repisase que, o Sr. Natanael nunca figurou como sócio, administrador ou deteve qualquer poder de gerência da empresa BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES, empresa essa regularmente constituída por sua irmã, a Sra Karina Del Grande Leite, que mantem apenas relações negociais devidamente amparadas por normas legais, fiscais e contábeis. Ao que se viu da instrução probatória feita pela fiscalização e o que defendem as Recorrentes há total dissonância entre eles. A partir da fl. 109 a fiscalização, de forma minuciosa, demonstrou o envolvimento do Sr. Sr. Natanael, o qual é, segundo as provas carreadas o real administrador das empresas envolvidas. Complementase com o disposto no relatório fiscal efl. 66: A capacidade econômica da pessoa física indicada como sendo a única sócia da empresa autuada parece absolutamente incompatível com o volume das atividades operacionais desenvolvido por essa pessoa jurídica. Vejamos, de acordo com a DIMOF a BIKELETE teve a seguinte movimentação financeira: 2011 R$ 8.776.045,37 2012 R$ 12.337.578,67 2013 – R$ 12.600.824,55 Os rendimentos particulares declarados pelo Sr. Laurisvaldo Castro Cruz indicados em suas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) nessa mesma sequência de anoscalendário corresponderam a R$ 31.200,00, R$ 19.460,00, R$ 20.760,00 sendo que todos esses rendimentos declarados se originaram da própria BIKELETE. Nos anoscalendário 2009 e 2010, o Sr. Laurisvaldo Castro Cruz sequer apresentou DIRPF, enquanto que nos anoscalendário 2007 e 2008, figurou como dependente do Sr. Sivaldo Castro Cruz (CPF: 123.205.24851) por se tratar de irmão sem arrimo dos pais, do qual o contribuinte detém a guarda judicial, em qualquer idade, quando incapacitado física e/ou mentalmente Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 3.000 13 para o trabalho. Portanto, o Sr. Laurisvaldo Castro Cruz jamais declarou rendimentos particulares antes de supostamente ingressar no quadro societário da empresa, sendo considerado incapaz pouco antes de ter seu nome como sócio exclusivo da autuada. Extraise da folha 73 a seguinte conclusão, a qual se encontra acompanhada das respectivas provas: Dos documentos coletados acima, podese constatar que a Bikelete e a WMX são juridicamente empresas distintas, mas de fato formam apenas uma unidade. Isso é comprovado logo na chegada, pois o logo da Bikelete identifica a loja localizada no endereço da WMX, depois dentro do mesmo estabelecimento somente produtos à venda com o logo Bikelete, ou com os 2 logotipos juntamente. Além disso, não há motivos para que empresas com CNPJs e quadros societários diferentes mantenham documentos confidenciais, tais como faturas comerciais e documentos de negociação das mercadorias com o exterior, no mesmo local. Isso sem mencionar que foi identificado o um mesmo responsável por ambas as empresas, o Sr. Clayton, que armazena dentro do estabelecimento da WMX, separado por pastas, faturas e documentos de ambas as empresas. De acordo com entrevista realizada com o Sr. Clayton, no dia da diligência, quando questionado sobre o motivo pelo qual predominavam logotipos e produtos da BIKELETE dentro da loja da WMX, este explicou que a WMX detinha uma franquia da BIKELETE por isso distribuía seus produtos. No entanto, nenhum contrato de franquia foi apresentado, mas sim ficou comprovada a confusão patrimonial entre as duas empresas com o objetivo de ocultar o real interessado nas operações: o Sr. Natanael Del Grande Jr. Ao analisar a documentação inerente a fiscalização foi possível encontrar os itens abaixo, os quais são detalhados a partir da efl. 74: a. Conversas com exportadores chineses revelando o planejamento da fraude. b. Manipulação do modo de envio da mercadoria e pagamento a menor de tributos. c. Fuga das regras de licenciamento d. Uso de laranja para ocultar o real interessado e conseguir enquadrar as empresas no simples nacional. Para reforçar, na pág. 27 do recurso se extrai: Com o advento da empresa BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES, a empresa WIND IND. E COM. DE PEÇAS E CLICOMOTOTES passou importar determinadas peças e, conjuntamente com as peças que fabrica, a montar as motocicletas de baixa cilindradas, sendo que a comercialização do produto finalizado restou a carga da primeira empresa, qual seja a BIKELETE. Fl. 3006DF CARF MF 14 Já na pg. 32 consta: Para que seja possível vislumbrar melhor a atuação das empresas do grupo, cabe destacar a atividade comercial das empresas WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA LTDA e BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES. WMX 50 COMERCIAL IMPORTADORA LTDA: revenda de motocicletas de baixa cilindrada e/ou bicicleta motorizada, bem como, suas partes e peças para CONSUMIDORES FINAIS. BIKELETE COMERCIAL CICLOMOTORES: produção motocicletas de baixa cilindrada e/ou bicicleta motorizada. Diante das incongruências, dos fatos relatados pela fiscalização e pelas provas acostadas aos autos, afastase os argumentos de defesa. 2. Ausência de Fraude na importação – importação de partes e peças Conforme conversa via email datado de 09/01/2011, que se refere à mobilete MiniRV, denotase como era realizado o modus operandi: Diante de tal prova não há dúvida de que os emails transcritos referemse às mobiletes que foram despachadas como partes e peças com a intenção de fraudar a alfândega. Assevera o Acórdão recorrido: Para melhor compreensão, temse a informar que considerando a lição de De Plácido e Silva (Vocabulário Jurídico, Volume II DI, Editora Forense, Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 3.001 15 1978, pág. 718), que nos ensina que fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano, especificamente o engano oculto (falsificação ou adulteração com intuito de iludir ou enganar) para furtarse o fraudulento ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse deterceiros ou da coletividade, ou seja, em ato, onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. É, por isso, indicativa de lesão de interesses individuais, ou contravenção de regra jurídica, a que se está obrigado. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". Logo, a fraude admitida na legislação tributária brasileira traz implícito o elemento dolo para sua configuração, ou seja, a vontade deliberada de praticar ato ilícito (ou criminoso) com o intuito de prejudicar terceiro em benefício próprio. Por fim, embora a fraude já esteja perfeitamente caracterizada, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, cumpre ainda atentar que o bem jurídico protegido não é unicamente o Erário, mas visa essencialmente resguardar o controle aduaneiro e proteger a economia nacional, que se vêem afetados pela importação fraudulenta e pela entrada clandestina de mercadorias no País. No caso em tela, as importações, isoladamente, foram consideradas de “partes e peças” de motocicletas/bicicletas. Mas, como explicitado no auto de infração, tratase de importação fracionada de mercadorias despachadas para diferentes portos e por diferentes CNPJ’s, com intuito de reduzir o valor dos tributos devidos na importação. Vale reproduzir mais um trecho da conversa entre o Sr. Clayton e o exportador chinês: Fl. 3008DF CARF MF 16 O modo CBU Completely BuiltUp, tratase de produtos prontos para venda, citado como referência ao tipo de envio das mercadorias quando são transportadas. O email entre os chineses e o Sr. Clayton Cardoso de Souza, responsável pelas operações de importação das empresas Bikelete, WMX e Wind, evidencia um esquema fraudulento na importação de produtos acabados como se fossem “partes e peças”. A fiscalização, em seu relatório, deixa claro que o padrão de comportamento foi adotado para todas as operações de importação constantes do auto. Assim, caracterizada a fraude, adequadamente, a autoridade fiscal reclassificou as mercadorias importadas como partes e peças para produto acabado, utilizando a Regra Geral para interpretação do Sistema Harmonizado “2 a”, a qual referese ao produto incompleto ou inacabado, in verbis: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Diante dos fatos e das provas trazidas pela fiscalização, não merecem amparo os argumentos de defesa. 3. Da multa de 150% Inaplicabilidade – Confisco Segundo a Recorrente a “multa exigida em percentual tão elevado agride o patrimônio do contribuinte, residindo aí sua natureza confiscatória, algo que é vedado e repudiado pelo sistema constitucional, conforme determina o art. 5º, inciso XIII, art. 170, “caput”, da Constituição Federal”. Sobre o efeito confiscatório da multa agravada de 150 %, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10314.720725/201611 Acórdão n.º 3401005.377 S3C4T1 Fl. 3.002 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) E dispõe a Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. In casu, a multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Relatório Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade, e mais, não há declarações de ilegalidade ou inconstitucionalidade declaradas pelos Tribunais Superiores, seja em repercussão geral (STF) ou recursos repetitivos (STJ). Demais disso, a instrução feita pela fiscalização denota a nítida intenção de segmentar as operações das empresas, a fim de recolher menos tributos, portanto, vontade livre e consciente de lesar o fisco, razão pela qual é de se manter o lançamento fiscal, fazendo com que os fundamentos da autuação, bem como dos expendidos pela DRJ sirvam como razões de decidir do presente voto. Neste aspecto, voto no sentido de manter o lançamento fiscal. Fl. 3010DF CARF MF 18 4. Multa Regulamentar de 30% por ausência de licença de importação não automática – descabimento Defende a Recorrente que parte e peças não exigem a licença de importação não automática, porém, mantida a autuação no sentido de que houve irregularidade em seccionar a operação fazendo com que ao invés de a importação ser de partes e peças, mas sim de um só produto, com nítido intuito de recolher menos tributo, logo, de partes e peças não se tratava a importação. Ato contínuo, a autoridade fiscal reclassificou as mercadorias importadas para produto acabado, utilizando a RGI do SH 2a (produto incompleto ou inacabado), e por conseguinte, lançou a diferença dos tributos, juros, multa administrativa por ausência de licença de importação, multa agravada e a pena de perdimento. Vêse que a decisão recorrida deve ser mantida, mantendose incólume multa aplicada. 5. Pena de perdimento convertida em multa pecuniária – totalmente indevida Como se viu, ficou configurada a ocultação do real adquirente da mercadoria, e assim, legal a aplicação da pena de perdimento. Sobre assunto é da jurisprudência deste Tribunal (ac. 3302005.817): INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A ocultação do real adquirente de mercadorias importadas configura a infração tipificada como dano ao Erário, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias. Neste sentido também: ac. 3302005.749 e 9303007.343. Com essas razões, conheço do recurso voluntário, mas lhe nego provimento.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 3011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900134/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.080
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.900134/2008-61
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964850
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.080
nome_arquivo_s : Decisao_11080900134200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080900134200861_5964850.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7621234
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416645337088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900134/200861 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.080 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente FERRACO INDUSTRIA E COMERCIO DE FERRO E Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 01 34 /2 00 8- 61 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.105, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. (...)2 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 4 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 5 requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 6 Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 7 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 8 Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 9 SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 10 Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.900134/200861 Acórdão n.º 3402006.080 S3C4T2 Fl. 0 11 encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905938/2008-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.905938/2008-61
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5962036
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.626
nome_arquivo_s : Decisao_11020905938200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 11020905938200861_5962036.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7611677
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416650579968
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-03T23:21:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-03T23:21:07Z; Last-Modified: 2019-02-03T23:21:07Z; dcterms:modified: 2019-02-03T23:21:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:83f13552-ddb1-42a5-bd14-9d3d876e8af8; Last-Save-Date: 2019-02-03T23:21:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-03T23:21:07Z; meta:save-date: 2019-02-03T23:21:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-03T23:21:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-03T23:21:07Z; created: 2019-02-03T23:21:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-02-03T23:21:07Z; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-03T23:21:07Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.905938/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.626 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/12/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 38 /2 00 8- 61 Fl. 163DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905938/200861 Acórdão n.º 3001000.626 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 165DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905938/200861 Acórdão n.º 3001000.626 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 167DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.905938/200861 Acórdão n.º 3001000.626 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000278/2007-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE.
Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento.
Numero da decisão: 2002-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE. Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13873.000278/2007-34
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967411
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.764
nome_arquivo_s : Decisao_13873000278200734.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13873000278200734_5967411.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7629269
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416653725696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.000278/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.764 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente MARIA RITA CASSETTARI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE. Para fazer jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve carrear aos autos os documentos necessários para o seu deferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 02 78 /2 00 7- 34 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63/68) contra decisão de primeira instância (fls. 50/54), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento através da qual se lançou o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, referente ao Exercício de 2004, Anocalendário 2003, contra a contribuinte acima identificada, para a exigência do crédito tributário decorrente de dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual configurada, no presente caso, por dedução indevida de despesas médicas de não dependente. A contribuinte pleiteou como dedução a título de despesas médicas o valor de R$ 23.597,18 referentes a pagamentos realizados à Clínica de Repouso Santa Fé relativos às diárias hospitalares de seu irmão incapacitado, no período de janeiro a dezembro de 2004. Da Impugnação Cientificada do lançamento, a contribuinte na impugnação discorda do lançamento e alega em síntese: Que, por determinação judicial, seu irmão Odair Cícero Cassetari, exerce a função de Curador Especial de seu outro irmão Erlon Douglas Cassetari, entretanto, é a contribuinte quem presta todo o conforto material que ele necessita. Que, visando regulamentar a situação de fato, ela e seu irmão Odair ingressaram judicialmente com Ação Declaratória, com efeito retroativo, visando solucionar a questão do exercício da função de Curador Especial do dependente Erlon Douglas Cassetari (Processo 089.01.2006.017126 — 2 a Vara Cível de Botucatu/SP). Infere que a legislação prevê a comprovação da guarda judicial para irmãos até 21 anos, o que não abrange o presente caso, mas para irmãos acima de 21 anos, basta apenas comprovar ser este incapacitado física ou mentalmente para o trabalho e quais as despesas efetivamente comprovadas e que se pretende ver deduzidas. Entende que seu pleito é justo e considerandose que seu outro irmão que detém a função de Curador Especial não possui condições financeiras, que ela efetivamente tem suportado, requer o cancelamento do presente débito fiscal. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 4 3 Para provar a condição de dependente para fins de dedução de despesas médicas do IRPF necessário se faz apresentar documentos que comprovem inequivocamente esta condição. Mantida a glosa de despesas médicas quando não comprovada a relação de dependência conforme legislação de regência. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 22/02/2010 (fl. 61); Recurso Voluntário protocolado em 11/03/2010 (fl. 63), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 69). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR: “Valor das despesas médicas glosadas R$ 23.597,18 com referência a Clinica de Repouso Santa Fé Ltda., CNPJ 49.911.233/000135, por se tratar de pagamentos relativos às diárias hospitares de dependente (irmão) incapacitado, no período de janeiro a dezembro/2003. Salientase, que os gastos com hospedagem e/ou diárias relativas de longo período (janeiro a dezembro/2003), não são dedutíveis, por falta de previsão legal, conforme entendimento esposado pela SRF nas perguntas n. 338 e 358 de 2007.” (fl. 9) A r. decisão revisanda assim concluiu: “Pela análise dos documentos acostados aos autos pela defesa, verificase que com o deferimento da alteração da Curatela Especial em 14/08/2007 e o não acatamento da retroação de tal condição, pela autoridade Judicial, não há como se reconhecer a dependência de seu irmão, para fins de dedução das despesas médicas havidas no Ano calendário de 2004, objeto da presente Notificação de Lançamento”. Apenas para corrigir o “erro material”, o ano calendário é o 2003 e não 2004. Irresignada a recorrente maneja recurso próprio, atacando o mérito da r. decisão. Alega que é ela (recorrente), quem arca com as despesas do seu irmão Erlon desde o ano de 1985. Que ingressaram com Ação Declaratória, buscando solucionar a questão do exercício da função de Curador Especial do dependente. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13873.000278/200734 Acórdão n.º 2002000.764 S2C0T2 Fl. 5 4 Diz que o termo de guarda judicial para a revisão pleiteada, não está configurado no enquadramento. Não carece de reparos a r. decisão revisanda eis que devidamente fundamentada. Para fazer jus a dedução a contribuinte deveria ter trazido aos autos, a prova de incapacidade física ou mental para o trabalho, bem como a determinação judicial da Curatela Especial, provando o tempo em vigor, é bem de ver que a recorrente não se desincumbiu deste ônus. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720572/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO.GLOSA.
Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
Numero da decisão: 2201-004.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que lhe deram provimento parcial para exonerar a multa isolada lançada em razão da compensação indevida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fofano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Débora Fofano - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.720572/2013-10
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5962308
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.837
nome_arquivo_s : Decisao_10580720572201310.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580720572201310_5962308.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que lhe deram provimento parcial para exonerar a multa isolada lançada em razão da compensação indevida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fofano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Débora Fofano - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7611998
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416660017152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 650 1 649 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720572/201310 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.837 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente AUTOMAQ DIVISAO DE MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que lhe deram provimento parcial para exonerar a multa isolada lançada em razão da compensação indevida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fofano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 72 /2 01 3- 10 Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 651 2 (assinado digitalmente) Débora Fofano Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1445.496 10ª Turma da DRJ/RPO, improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado que redundou na lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal AIOP/DEBCAD n° 51.036.5400 no importe de R$ 553.018,61 (Quinhentos e cinqüenta e três mil, dezoito reais e sessenta e um centavos) que constitui contribuições devidas à Seguridade Social, parcela patronal, decorrente de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pela empresa e do AIOP/DEBCAD n° 51 036 5418 no importe de R$ 528.514,84 (Quinhentos e vinte e oito mil, quinhentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), atinente à imputação da multa isolada decorrente de falsidade na declaração de compensação, ambos consolidados em 29/01/2013. Consoante o relato fiscal, a ação buscou verificar a regularidade das compensações promovidas pelo contribuinte em suas declarações nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs, pelo que ele foi formalmente notificado a apresentar os elementos justificadores e os demonstrativos das compensações efetuadas bem como da apuração dos créditos compensados, juntamente com as ações judiciais que as justificassem, se existentes. Da análise da documentação apresentada a fiscalização realça a existência de duas ações individuais materializadas nos processos 2009.33.00.0176375 e 23311 63.2011.4.01.3300/BA, tratandose de mandados de segurança em que o Impetrante requer a concessão de liminar para que se suspendesse a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre férias, terço constitucional de férias, saláriomaternidade e os primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado (esses na ação de 2009), bem como sobre horaextra e os adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 652 3 transferência, do avisoprévio indenizado e da respectiva parcela do 13° salário (esses na ação de2011). Pediu, ainda, a possibilidade de efetuar as compensações dos recolhimentos havidos sobre as verbas guerreadas. Em análise das sentenças prolatadas naqueles autos afirma a fiscalização que foram rejeitados o pedido do Impetrante em relação às rubricas: férias, terço constitucional de férias, salário maternidade, horas extras e todos os adicionais, sendo acatada sua pretensão no tocante às rubricas relacionadas com os primeiros 15 dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, avisoprévio indenizado e respectiva parcela do 13° salário indenizado, porém a compensação restou condicionada ao trânsito em julgado em ambas as ações. Nesse compasso as compensações foram glosadas porque desrespeitaram o mandado judicial de que se aguardasse o transito em julgado (no tocante às rubricas reconhecidas), com supedâeno no art. 170A do CTN e, por outro lado, porque decorrentes de créditos inexistentes, isto porque o contribuinte apresentou planilha de compensação em que constavam as verbas atinentes aos valores recolhidos sobre férias gozadas e seu respectivo terço constitucional, horas extras, adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade, avisoprévio e 13° proporcional, auxílio acidente e doença. Por outro giro aplicouse a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212/91, na redação dada a partir da MP 449/2008, em razão da falsidade na declaração de compensação posto que, mesmo sabendo que não teria respaldo legal para as compensações efetuadas, o contribuinte as fez. Informase, também, a emissão de representação fiscal para fins penais a fim de que a autoridade competente apure a ocorrência de eventual ilícito penal. Por fim consta a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com supedâneo no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional de maneira a responsabilizar pessoalmente os gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando atuem com excesso de poderes ou infração a lei. Nesse caso, caracterizou a fiscalização a responsabilidade do representante legal do sujeito passivo (na qualidade de sócio administrador no período autuado) posto que autorizou as compensações em desrespeito à Lei (art. 170A do CTN) e ao mandado judicial, que as autorizou apenas após o transito em julgado. O contribuinte apresentou impugnação na qual contesta o lançamento fiscal estribado nos seguintes argumentos, em síntese: Preliminar de nulidade: Vício do Auto de Infração. No tópico, afirma que a motivação do Auto deveuse à impossibilidade de se fazer as compensações antes do transito Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 653 4 em julgado e que em nenhum momento o Autuante afasta a existência dos créditos pelo fato de existirem pagamentos incidentes sobre verbas indevidas. Nesse compasso, defende o procedimento da compensação efetuada em GFIP citando o art. 44, § 7° da IN 900. Noutra linha afirma que o limitador do 170 A do CTN não poderia ser utilizado para enquadrar a compensação como falsa que, no seu dizer, “ (...) ocorre quando da apresentação das justificativas da declaração de compensação são umas e o apurado foi outro”. Conclui afirmando que somente caberia ao Fisco homologar ou não a compensação. Da representação fiscal para fins penais. Aduz que enquanto o crédito tributário não estiver definitivamente constituído não há que se atribuir ao contribuinte a prática de algum crime fiscal, citando doutrinas e jurisprudências nesse sentido, pelo que postula pela manutenção da Representação Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o esgotamento da via administrativa em que se discute o crédito e após esgotado o prazo para pagar ou parcelar o tributo. Dos fatos: Aqui sustenta que houve o reconhecimento judicial pela não incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, saláriomaternidade, férias, adicional de 1/3 de férias e avisoprévio indenizado, gerando um direito da Impugnante à compensação desses valores recolhidos indevidamente. Do vício insanável: dos valores lançados e da base de cálculo para apuração dos créditos tributários. Afirma que as parcelas compensadas não configuram hipótese de incidência prevista no art. 22, I da Lei n° 8.212/91, de maneira que não pode ser compelido a pagar contribuições previdenciárias incidentes à margem da legislação tributária. Nesse contexto, discute a própria contribuição previdenciária (‘Da contribuição previdenciária propriamente dita’), remontando a sua origem ao art. 195 da CF/88 e o conceito de remuneração destinada a retribuir o trabalho que se constitui na delimitação da incidência da contribuição previdenciária patronal. Aduz que as verbas pagas quando dos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de salário maternidade e pagas a título de férias gozadas e seu respectivo adicional de 1/3 ocorrem em situações em que não há remuneração por serviços prestados. Ainda, reportase a cada uma dessas verbas de per se, citando doutrina e jurisprudência em apoio ao seu entendimento. Da legalidade da compensação. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 654 5 Argumenta que o art. 66 da Lei n° 8.383/91 faculta ao contribuinte a possibilidade de utilização dos créditos contra a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente podem ser compensados com débitos vencidos ou vincendos, independentemente de autorização da Administração. Afirma que tal modalidade de compensação difere daquela prevista nos arts. 170 e 170A do CTN, que seriam realizadas diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte (cita doutrina e jurisprudência) de maneira a concluir que não se pode vincular a compensação ao transito em julgado, por não ser aplicável ao procedimento aqui defendido. Da constituição do crédito tributário. Afirma ser função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento, pagamento a menor ou compensações supostamente indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo para que pague o valor devido. “ Por decorrência lógica, ao informar por meio de GFIP a suspensão do pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário (...)”, sendo necessário o respectivo lançamento para sua constituição. Da multa indevida. Afirma encontrarse a multa em flagrante inconstitucionalidade, porquanto viola os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da isonomia, da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade, discorrendo sobre eles e citando doutrinas e jurisprudência. Posto nesses argumentos, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN e o julgamento da total improcedência dos Autos de Infração. Requer, também, a intimação do patrono da Impugnante da data do julgamento da presente Impugnação bem como de todos e quaisquer atos e decisões, protestando pela oportuna sustentação oral. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 378/391): ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Os atos administrativos, quaisquer que sejam sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que os estabeleçam. Essa presunção decorre do princípio da legalidade estrita que vincula a Administração. Em conseqüência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação consolidamse Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 655 6 administrativamente e não serão objeto de análise, visto que não se tornaram controvertidas. PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos) e daqueles oriundos de verbas que se constituem, perante a legislação, basesdecálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o transito em julgado. Também corresponde à hipótese de compensação indevida aquelas formuladas em desacordo com as normas que disciplinam a matéria, vale dizer, aquelas que não foram precedidas de habilitação (quando oriundas de decisões judiciais) e retificação das declarações que motivaram os recolhimentos incorretos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de nãoincidência do salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente o elemento de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 656 7 MULTA. LEGALIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento do ferimento a princípios constitucionais tributários. Em face da referida decisão, da qual foi intimada em 17/07/2014 (fl.396), a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 398/436) em 22/07/2014, alegando, em síntese, que: 1) A necessidade de aplicação do Regimento Interno do CARF em relação ao decidido em sede de recurso repetitivo ou repercussão geral no STJ ou STF, respectivamente, no tocante aos quinze primeiros dias de afastamento anteriores ao auxílio doença, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e multa confiscatória. 2) É indevida a cobrança de contribuição previdenciária em virtude dos Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, não sendo devida a exação sobre aos quinze primeiros dias de afastamento anteriores ao auxílio doença, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e salário maternidade. 3) Ausência de falsidade na declaração prestada, errônea tipificação do Auto de Infração. Nulidade. 4) Necessidade da conversão do julgamento em diligência para que se verifique se estão sendo cobradas as parcelas controvertidas, relativas aos valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e de 1/3 (um terço) de férias, valores cuja inclusão na base de cálculo da conribuição previdenciária é totalmente controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. 5) Da impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária aos diretores/sócios/administradores, uma vez que ausentes atos praticados em contrariedade à lei, estatutos ou contratos sociais. Inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN. Por fim, requer seja o Auto de Infração julgado improcedente. Voto Vencido Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Das alegações de nulidade Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 657 8 Em várias passagens do recurso ordinário, a contribuinte argui a nulidade do lançamento, como quando aduz ausência de falsidade na declaração prestada. Todavia, não obstante o pleito entelado, entendemos não se tratar de matéria preliminar, mas afeta ao mérito da nulidade. Portanto, as questões preliminares trazidas pela recorrente serão abordadas junto ao mérito, posto que com este se confunde. Do mérito Observância de decisões do STJ e STF pelo CARF Defende a recorrente, em relação aos temas controvertidos que ensejaram a compensação considerada indevida pela autoridade lançadora, que as decisões proferidas pelos tribunais superiores são de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo. Não obstante reconhecer a relevância dos temas e as decisões favoráveis às teses defendidas pela recorrente, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF (art. 62, §2º): (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Referidas decisões não possuem cunho de definitividade, posto que ainda não se operou o trânsito em julgado. Destarte, não assiste razão à recorrente quanto a este tocante. Pedido de perícia Em face do pedido de perícia formulado pela recorrente, temse que a necessidade de perícia para o deslinde da questão deve estar demonstrada nos autos. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece que: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher o pedido. Ao contrário, a recorrente requer a realização de perícia para que sejam identificadas como fora do campo de incidência da contribuição social Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 658 9 previdenciária. Todavia, o presente lançamento é decorrente da glosa de compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo. Verificase, dos autos, que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o Auto de Infração muito bem fundamentado. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia formulado. Da compensação indevida Não obstante a plausibilidade do direito invocado pela recorrente, o certo é que todas as verbas discutidas no processo judicial não podem ser objeto de apreciação por este julgador à luz do que preconiza a Súmula CARF nº 01. A matéria objeto deste processo administrativo é a mesma daquela constante da ação judicial ajuizada pela autuada. Com efeito, nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. Observase que a recorrente ingressou com ação judicial com pretensão de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias, salário maternidade e aviso prévio indenizado. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto impugnado administrativamente, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 659 10 Desse modo, o presente julgamento deve ficar adstrito à matéria diferenciada da submetida à apreciação do Poder Judiciário. O ponto nodal da presente controvérsia é a compensação de valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias, saláriomaternidade e aviso prévio indenizado, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária é controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. Ainda que a recorrente tenha obtido, eventualmente, provimento jurisdicional favorável à sua tese, o direito à compensação dos valores recolhidos a título de tais rubricas só se perfectibiliza após o trânsito em julgado da decisão judicial, à luz do que preconiza o art. 170A, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Depreendese da norma supra transcrita que não há distinção entre a modalidade processual escolhida. Assim, tanto faz a busca da tutela jurisdicional ter se dado por Mandado de Segurança ou por ação ordinária, por exemplo, a condição para o nascimento do direito à compensação será o trânsito em julgado da decisão judicial respectiva. No presente caso, a recorrente optou por se compensar do crédito antes do trânsito em julgado da decisão, em afronta ao disposto no supra transcrito art. 170A do CTN, tendo a autoridade fiscal o poderdever de efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados e constituir o crédito tributário correspondente. Não há defeitos ou irregularidades capazes de macular o presente lançamento, tendo agido com acerto a autoridade lançadora. Pelo exposto, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Da Multa Isolada Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991. Transcrevo o dispositivo: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluídopela Lei n° 11.941, de 2009). A compensação levada a cabo pelo sujeito passivo é relativa à matéria controversa no Poder Judiciário. A tese jurídica vertente é contestada judicialmente, não se Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 660 11 revestindo o crédito como líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito julgado da respectiva ação judicial ou após a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Todavia, o fato de ser indevida a compensação, não significa que houve falsidade por parte do sujeito passivo. Como exigência imposta pela lei, a penalidade reclama a prova de que o sujeito passivo, mesmo diante da realidade contrária à repetição do indébito pela via da compensação, optou em praticar uma conduta consciente, oferecendo ao Fisco uma declaração com falsidade. Extraímos do dicionário o significado da palavra falsidade, que vem a ser aquilo o que não é verdadeiro, em que há mentira, fraude, adulteração. Portanto, o simples fato de a compensação não ser devida, não pode ser confundido com falsidade. Não restou comprovado que as informações declaradas pela recorrente em GFIP são falsas, não obstante a falta de certeza e liquidez do crédito que se pretendeu compensar. Assim, com base nos elementos constantes dos autos, não restou demonstrado o dolo do recorrente em declarar informações sabidamente falsas, sendo que afastar a aplicação da multa isolada é medida que se impõe. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe provimento parcial a fim de excluir do crédito tributário a multa isolada aplicada. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheira Débora Fófano Redatora designada Não obstante as razões e fundamentos legais do voto do Ilustre Relator, fomos designada a apresentar a redação do voto vencedor, nos termos a seguir. O presente voto restringese especificamente à exoneração da multa isolada de 150% imposta pela fiscalização à recorrente em face da compensação indevida incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991. A decisão a quo ao tratar sobre a pertinência da multa isolada indeferiu o pleito do impugnante sob os seguintes argumentos (fls. 388/390): "(...) ao agir de tal forma, em desconformidade com a lei e com a decisão judicial que lhe garantiu o direito sem que lhe conferisse o exercício imediato, de forma intencional e dolosa, posto que passou à Fazenda Nacional a idéia de já ser detentor de um Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 661 12 crédito capaz de quitar contribuições vincendas, do qual, por óbvio, não o era. Todas tais condutas e alegações justificam a imputação da multa isolada que lhe foi cominada nos termos do art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91. (...)" Notese que a aplicação da multa isolada foi fundamentada na compensação de valores realizada sem a comprovação do efetivo recolhimento indevido, tendo em vista que a decisão judicial admitiu a compensação dos valores relativos aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, aviso prévio indenizado e respectiva parcela de décimo terceiro, somente após o trânsito em julgado, em conformidade com o disposto no art. 170A do CTN. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo). Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Como bem colocado pelo insigne Relator: "A compensação levada a cabo pelo sujeito passivo é relativa à matéria controversa no Poder Judiciário. A tese jurídica vertente é contestada judicialmente, não se revestindo o crédito como líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito julgado da respectiva ação judicial ou após a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente." No caso concreto o contribuinte descumpriu a decisão judicial ao proceder compensação sobre valores de contribuições objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, indicando tal conduta em nítida falsidade de declaração ao informar na GFIP crédito na verdade inexistente, resultando na conseqüente diminuição da contribuição devida. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10580.720572/201310 Acórdão n.º 2201004.837 S2C2T1 Fl. 662 13 Se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade ou até mesmo de extinção da penalidade. São inúmeros os Acórdãos do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que se posicionam pela manutenção da aplicação da multa isolada diante da comprovação de falsidade da declaração, dentre os quais, a título ilustrativo, selecionamos as seguintes ementas: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Recurso Especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9202003.777 – 2ª Turma CSRF Sessão de 16 de fevereiro de 2016)" "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/1991. (Acórdão nº 9202006.885 2ª Turma CSRF Sessão de 23 de maio de 2018)" À vista de todo exposto, não merece reforma a decisão recorrida, razão pela qual, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto. (assinado digitalmente) Débora Fófano Fl. 672DF CARF MF
score : 1.0
