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Numero do processo: 10680.915730/2009-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL.
A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
Numero da decisão: 1003-000.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
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PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dáse por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 57 30 /2 00 9- 03 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão 0224.877, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente afirma que efetuou recolhimento a maior de IRPJ (código 2089) referente ao 1° trimestre de 2006 e pago em 24/06/2006, gerandolhe um crédito. Assim, em 10/08/2006 a Recorrente transmitiu o PER/DCOMP de n° 09108.14929.100806.1.3.040541, no qual informou a compensação da importância paga a maior em 25/04/2006 (Crédito), com débito de Cofins (código 2172) referente ao mês de julho de 2006 (em tempo hábil, antes do vencimento da Cofins ref. 06/2006), por ser de direito a compensação. As informações relativas ao suposto direito creditório foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido, mediante o Despacho Decisório n° 831645665, emitido eletronicamente, em 20/04/2009 (fls. 02): “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DOMP: 35,83. A partir das características Do DARF discriminado no PER/D acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do Despacho Decisório em 29 de abril de 2009, conforme documento de fls. 28, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 01), protocolizada em 19/05/2009, afirmando existir o crédito pleiteado. Por sua vez, a DRJ/BHE julgou improcedente tal manifestação e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa o Acórdão 0224.877, abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 Declaração de Compensação Não comprovada a existência de indébito tributário por meio de documentação hábil e idônea como prevê a legislação, não se reconhece o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.915730/200903 Acórdão n.º 1003000.405 S1C0T3 Fl. 139 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.09.2010, às fls. 43, esclarecendo que: “I Os Fatos A empresa efetuou recolhimento a maior do Imposto de Renda Sobre o Lucro Liquido (código 2089) referente ao 1º trimestre de 2006 (31/03/2006). e pago em 24/06/2006, conforme Darf anexo e demonstrativo abaixo: Valor do faturamento l°trimestre/2006 = R$ 826.296.00 . Alíquota do IRPJ 8% = RS 66.103,68; Base cálculo do IRPJ 15% = RS 9.915,55: Adicional do IRPJ = R$ 610,37; Imposto de Renda a Pagar = RS 10.525,92: 1 Valor recolhido no lº trimestre/2006 = RS 10564.36; Valer recolhido a maior = RS 38.44. II O Direito II.1 PRELIMINAR Tendo em vista o recolhimento a maior no 1° trimestre de 2009, foi realizada a entrega da Per/Dcomp n° 09108.14929.100806.13.040541 na data de 10/08/2006, na qual informamos a compensação da importância paga a maior em 25/04/2006 (Crédito) compensando o COFINS (código 2172) referente ao mês de julho de 2006, (em tempo hábil, antes do vencimento da COFINS ref. 06/2006) por ser de direito a compensação. 11.2 MÉRITO Estão anexados a este Recurso as (xerox) dos seguintes documentos: Darf IRPJ cód. 2089 dos meses 01, 02 e 03/2006; Livro de registro de saídas do l°tri1nestre de 2006 de todas as filiais com termo de abertura e encerramento; Livro Diário páginas 7, 8. 15, 16, 23 e termos de abertura e encerramento.” É o relatório. Fl. 140DF CARF MF 4 . Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do nº Acórdão nº 0224.876, proferido pela 2ªTurma da DRJ/BHE (fls. 3436), em 11/08/2010 (fls. 40) e apresentou o recurso competente em 09/09/2010 (fls. 43). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua impugnação na tentativa frustrada de comprovar o suposto direito creditório. Como bem consta no acórdão recorrido, o qual não merece reforma, do exame dos argumentos e dos documentos acostados aos autos verificase que na DIPJ/2007, apresentada a RFB pela Recorrente em 22/05/2007 no 1° trimestre de 2006, o imposto de renda apurado com base no Lucro Presumido foi de R$10.525,92 (fls. 30/31). Na DCTF retificadora, apresentada em 12/02/2007, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica declarado para o 1° trimestre de 2006 foi de R$10.564,38 (fls. 32/33). Todavia, vale ressaltar que a DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo (Súmula CARF nº 92) e que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é que, de fato, tem o caráter de confissão de dívida. Esse, inclusive, há muito é o entendimento deste Tribunal: DIPJ EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de divida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos a colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido." (Acórdão 10322990, de 25/04/2007 Publicado no D.O. U. no 167 de 29/08/2007) (destacouse) Portanto, levandose em conta que a Recorrente não juntou aos autos documentos hábeis e idôneos suficientes para comprovar que o erro encontrase no valor declarado do imposto de renda do 1° trimestre de 2006 em DCTF, conforme previsto no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/ 1999, aplicável à época), não há como reconhecer qualquer valor a título de crédito para compensação. Perfilho, pois, o entendimento da DRJ de que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência do suposto direito creditório, nem tampouco de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.915730/200903 Acórdão n.º 1003000.405 S1C0T3 Fl. 140 5 suposto erro de fato (art. 147 CTN) em suas declarações, a quem cabe o ônus da prova e cuja comprovação poderia ter sido efetuada durante todo litígio administrativo. Ora, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em suma, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco homologação da declaração de compensação efetuada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902143/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.596
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 14 3/ 20 13 -2 3 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10850.902143/201323 Resolução nº 3401001.596 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10850.902143/201323 Resolução nº 3401001.596 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720387/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
Numero da decisão: 2402-006.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra.
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. ARBITRAMENTO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 87 /2 01 1- 21 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10540.720387/201121 Acórdão n.º 2402006.893 S2C4T2 Fl. 235 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário voltado contra Decisão nº 1532.400 7ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, manteve crédito tributário previdenciário lançado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em face do sujeito passivo identificado em epígrafe, por meio do Auto de Infração (AI) n.° 37.319.5745, cujo montante consolidado em 16/03/2011 é de R$ 14.233,83 (quatorze mil duzentos e trinta e três reais e oitenta e três centavos), referentes à competência 12/2010. A Recorrente alega ter juntado documentos capazes de comprovar o recolhimento dos tributos em foco, tendo tido problemas decorrentes de cadastro duplicado em CEI. Alega ainda a existência de Bitributação. Alega que a obra é una, contratada da demolição a construção e nessa condição, apesar de existirem duas matriculas, os recolhimentos foram integralmente realizados. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. MÉRITO Para compreender os aspectos fático da lide voltamos ao REFISC e suas circunstancias. Verificamos que o lançamento referese ao débito de contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal desenvolvida na matrícula CEI 32.000.02687/60. Consta do REFISC informação indicando que o fato gerador abrange a contribuição dos segurados sobre a remuneração de trabalhadores envolvidos em obra de construção civil realizadas no imóvel localizado na Rua Nilo Peçanha, 155, Vitória da Conquista, Bahia. Lançamento seguiu a sistemática de aferição indireta apuração do valor baseado na tabela de Custo Unitário Básico (CUB), conforme levantamento “CC – Construção Civil Pessoa Física”, calculando pelo sistema DISO JAVA – SIMULAÇÃO DO ARO Aviso de Regularização de Obra sob a alegação de que a Recorrente não regularizou a obra de Construção Civil em questão. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10540.720387/201121 Acórdão n.º 2402006.893 S2C4T2 Fl. 236 3 No presente auto de infração estão as contribuições da parte dos segurados, fundamentadas no art. 20 da Lei 8.212/91. Conforme registram os autos, o imóvel sob exame possuí duas matrículas CEI distintas. A de número CEI 32.000.02687/60 tem por CNAE Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços) nº 45217 e a matricula CEI 32.000.02556/64, CNAE 45110, referiase a Demolição e Preparação de Terreno. Como já destacado na decisão de piso, a regra vigente à época do fato gerador, detalhada por meio da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, determinava em seu art. 25 que a matrícula de obra de construção civil deveria ser efetuada por projeto, devendo incluir todas as obras nele previstas. Como os projetos juntados aos autos (fls. 173/179) referemse à construção, e não à demolição, a fiscalização procedeu corretamente ao levantar o crédito previdenciário na matrícula CEI 32.000.02687/60, cujo CNAE é 45217 —Edificações (Residencial, industrial, comercial e serviços). Os documentos juntados não dão supedâneo as alegações da Recorrente de que tratarse ia de obra única, o que poderia ser provado por meio de uma ART única indicando todas as fases da obra, por meio de contrato de prestação de serviço indicando uma única empreitada ou por meio do projeto arquitetônico contando todas as fases. O que consta dos autos indica tratase de projetos diversos, portanto, não é possível acolher as alegações recursais. Com relação a alegação de a obra não estaria concluída e que, por consequência, impossibilitaria a adoção da Tabela CUB como elemento de aferição da base de calculo, eis que tratase de valor relativo ao metro quadrado construído, também não conseguimos identificar prova idônea que sustentem a tese. CONCLUSÃO Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900378/2016-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
Numero da decisão: 1302-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONSIDERAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. As estimativas objeto de declaração de compensação integram o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta da relatora de sobrestamento do julgamento, e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 03 78 /2 01 6- 99 Fl. 555DF CARF MF 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 0656.669,da 2ª Turma da DRJ/CTA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da recorrente, na sessão de 19 de janeiro de 2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não se aceita a quitação de estimativa de IRPJ ou CSLL compensada e não homologada em outro processo administrativo, descabendo alegar duplicidade de cobrança, já que, uma vez que o crédito relativo ao valor do saldo negativo apurado que leve em consideração aquela dedução deixa de ser líquido e certo, o que contraria a condição imposta no art. 170 do CTN. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. DESCABIMENTO DO PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. Por falta de previsão legal, não cabe pedir sobrestamento do processo até julgamento de litígio em que se discute a não homologação de estimativas, devendo prevalecer a situação atual daquele processo. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃOHOMOLOGADAS. EXISTÊNCIA DE EXECUÇÃO FISCAL DOS DÉBITOS DAS ESTIMATIVAS. Aceitase a quitação de estimativa de IRPJ ou CSLL compensada e não homologada em outro processo administrativo, quando há execução fiscal em curso cobrando os débitos daquela estimativa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do período de 01/07/2009 a 31/12/2009, no valor de R$ 16.367.972,55. Após análise, a DEMAC/RJ reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 92.513,57. De acordo com decisão, parte das parcelas que compõem o crédito não foram confirmadas, conforme quadro a seguir: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 556 3 De acordo com a DIPJ/2010, foi apurada base de cálculo negativa de CSLL, motivo pelo qual a parcela confirmada das retenções na fonte foi reconhecido como saldo negativo de CSLL pela DEMAC/RJ, no valor de R$ 92.513,57. As parcelas que não foram confirmadas são relativas às estimativas cujas compensações não foram confirmadas, pelos seguintes motivos: A decisão recorrida reconheceu o direito creditório relativo à estimativa do mês de dezembro/2009, no valor total de R$ 11.890.942,61, pois as duas parcelas estariam sendo exigidas em processo de execução fiscal, forma mais coercitiva de exigência do débito, de modo que não contraria a condição da liquidez e certeza do crédito para fins de compensação. Já a estimativa do mês de setembro, no valor de R$ 4.383.516,37, é tratada no processo administrativo nº 16682.720390/201298, cuja manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Como conseqüência da situação de estimativa não quitada, o crédito relativo a esse valor deixa de ser líquido e certo, o que contraria a condição imposta no artigo 170 do CTN. A ciência da decisão ocorreu em 06/02/2017, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 520. O recurso voluntário foi apresentado em 24/02/2017, fls. 523/551, com as seguintes alegações: quanto à estimativa do mês de setembro/2009, o entendimento da decisão recorrida é equivocado, pois foi declarado por meio de DCOMP, que detém natureza de confissão de dívida, devendo ser adimplida de todo modo pela recorrente, ainda que venha a ser definitivamente não homologada no futuro. fato incontroverso é que a correspondente estimativa deverá fazer parte do saldo negativo, pois: Fl. 557DF CARF MF 4 a) a compensação extingue o crédito tributário, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo; o deslinde da análise acerca da compensação é irrelevante, e somente poderá que questionada nos autos do processo 16682.720390/201298. b) em caso de não homologação, há a possibilidade do contencioso administrativo, de modo que todos os efeitos ficam suspensos até que sobrevenha decisão final na esfera administrativa. c) caso a compensação seja definitivamente julgada não homologada, a Fazenda exigirá o débito, de modo que será adimplido, ou a cobrança poderá ser considerada indevida pelo judiciário por considerar que a compensação deveria ter sido homologada; em qualquer das hipóteses, os débitos de estimativa objeto de compensação devem ser considerados na formação do saldo negativo; d) por fim, o entendimento do Fisco acarreta dupla cobrança do mesmo débito, uma vez que de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de CSLL não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. quando se está a tratar de saldo negativo cuja composição se dá por estimativas compensadas, a liquidez e certeza é atestada com a mera confissão de dívida da estimativa em DCOMP ou DCTF, sendo a homologação da compensação irrelevante para se atestar a higidez do direito creditório; os Pareceres da PGFN querem dizer é que não cabe ao fisco exigir o recolhimento da estimativa, ainda que compensada, antes do ajuste anual do IRPJ (quando resta constituído o IR do período), contudo, tendo sido concluído o ajuste, com o recolhimento do tributo devido ou apuração de saldo negativo, nada impede que a RFB ou PGFN, sendo o caso, sigam com a cobrança da estimativa, devidamente já convalidada em tributo. esse entendimento está em linha com a Nota Cosit nº 31/2013 e Solução de Consulta Interna COSIT nº 18, de 13 de outubro de 2006; a jurisprudência do CARF é uníssona a considerar que as estimativas pagas ou parceladas, ainda que tardiamente, estão aptas a compor o saldo negativo; a DRJ defende a tese de que as estimativas não podem ser exigidas, o que não reflete a realidade, já que as parcelas das estimativas do mês de dezembro/2009, cujas compensações foram indeferidas, estão sendo cobradas em sede de execução fiscal, fato que ensejou o reconhecimento do direito creditório. caso superadas as razões até expostas, é necessário o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que seja proferida decisão final nos autos do processo administrativo nº 16682.720.390/201298, uma vez que a glosa do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009 teve como fundamento a suposta ausência de quitação dessa estimativa por meio da compensação anteriormente formalizada. É o relatório. Voto Vencido Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 557 5 Conselheira Maria Lucia Miceli O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Tratase de Declaração de Compensação utilizando crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2009, no valor de R$ 16.367.972,55. Já foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 11.983.456,18. A parcela do crédito cujo direito não foi reconhecido é relativa a estimativa do mês de setembro de 2009, no valor de R$ 4.384.516,37, cuja compensação não foi homologada em sede do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Pedido de sobrestamento do julgamento A legislação que rege o pedido de restituição é o artigo 170 do CTN que determina que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes dois requisitos: a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Nestes termos, entendo que o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da quitação da estimativa do mês de setembro/2009, que depende, neste momento processual, da decisão definitiva na esfera administrativa quanto à homologação ou não da compensação, no âmbito do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Logo, para que a análise da presente lide não traga qualquer prejuízo tanto para a Fazenda quanto para a recorrente, voto no sentido de sobrestar o presente julgamento até que ocorra a decisão definitiva, por parte deste CARF, do processo administrativo nº 16682.720390/201298. Entretanto, caso vencida nesta prejudicial, passo a análise do mérito. Do mérito Estimativas cuja compensação não foi homologada ou homologada parcialmente Passo a análise da parcela referente à estimativa do mês de setembro/2009, cuja compensação não foi homologada, dando origem a uma glosa na composição do saldo negativo de R$ 4.384.516,37. A recorrente alega que toda estimativa compensada foi declarada por meio de DCOMP, equivalendo a pagamento para fins de composição de saldo negativo, e que o deslinde da questão acerca da compensação é irrelevante, pois esta é matéria a ser tratada no outro processo administrativo que trata da DCOMP em questão. Entendo que não assiste razão à recorrente quando afirma que estimativa compensada equivale a pagamento, uma vez que a legislação prevê uma condição resolutória nesta modalidade de extinção de débito. O §2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 determina que a Declaração de Compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. Ou seja, a estimativa será considerada extinta por compensação até que haja manifestação da Administração Fazendária, que pode ocorrer tacitamente. Mas, uma vez decidido que a compensação não foi homologada, a estimativa encontrase inadimplida. Por ser uma condição resolutória, os efeitos são ex tunc, de modo que a estimativa é considerada Fl. 559DF CARF MF 6 inadimplida desde a data de seu vencimento, que pode ser anterior ou coincidente com a data da apresentação da declaração de sua compensação. Nestes termos, esta estimativa, cuja compensação não foi homologada, não pode fazer parte da composição do crédito do saldo negativo da CSLL. Quanto à alegação de que a compensação da estimativa é matéria a ser tratada em outro processo, esta também não merece prosperar. Como a própria recorrente afirmou, o objeto de análise deste processo é compensação de débitos utilizando crédito no valor de R$ 16.367.972,55. Tratase de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente, de modo que as respectivas obrigações extinguemse até o limite da equivalência destes valores. Neste sentido, é obrigação da Administração apurar, corretamente, o crédito que a recorrente alega possuir, que passa obrigatoriamente, no caso de crédito de saldo negativo de IRPJ/CSLL, da verificação da quitação das estimativas. Logo, se a compensação da estimativa não foi homologada, este valor não foi quitado, e não poderá compor o crédito do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. Naqueles processos, que tratam das Declarações de Compensação das estimativas em comento, será analisado o encontro de contas entre o crédito ali tratado e os débitos que se pretende compensar. É lógico que existe uma prejudicialidade, já que a decisão proferida naqueles processos reflete na análise deste, mas é questão já ultrapassada. O fato é que a apresentação da Declaração da Compensação para quitar uma estimativa não impede que a Administração faça a análise necessária para apuração do crédito do saldo negativo, objeto do presente pleito. Ademais, é preciso ter em mente que, para seja reconhecido o direito creditório, o artigo 170 do CTN determina que deverão estar presentes dois requisitos: a certeza e liquidez do crédito. A Administração deve aferir a existência do crédito, bem como qual o valor que será utilizado no encontro de contas. Se a estimativa não está quitada, a certeza é afastada de imediato, motivo pelo qual é correta a sua glosa. Outra linha de defesa da recorrente seria que as estimativas seriam adimplidas, independente da decisão administrativa quanto à homologação da compensação. Afirma que a certeza e liquidez é atestada pela confissão de dívida da DCOMP e DCTF. Alega que os Pareceres da PGFN garantem a cobrança das estimativas de IRPJ/CSLL, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL. Esse entendimento estaria de acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e a Nota Cosit nº 31/2013. Ademais, este vem sendo o entendimento do CARF. Passo a julgar. Inicio esclarecendo que a Administração não adotou a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, tanto que o presente litígio foi instaurado em função da glosa das parcelas cujas estimativas tiveram a compensação não homologada, ou parcialmente homologada. Ademais, cumpre observar a citada Solução de Consulta Interna não tem efeito vinculante, pois foi editada antes da Instrução Normativa nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, cujo artigo 9º determina que devem ser observadas as orientações emanadas pelas soluções de consulta e divergência, no âmbito da RFB. O mesmo vale para a Nota Cosit nº 31/2013, que trata de consulta formulada para a PGFN, não revelando, nestes termos, qualquer entendimento oficial da Receita Federal. Além disso, da leitura da Nota Cosit nº 31/2013, concluise que a Solução de Consulta Interna nº 18/2006 teve seu entendimento suplantado pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificado pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, cuja ementa é a que segue: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 558 7 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. Por certo que houve novo questionamento por parte da Receita Federal, por meio da já citada Nota Técnica COSIT nº 31, de 2013, pois os mencionados Pareceres não teriam considerado que as estimativas, cuja compensação não tivesse sido homologada, teriam sido computadas no ajuste anual do tributo, momento em que a referida estimativa assumiria a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido. Confira o item 9 da Nota Técnica COSIT: 9. Considerando que as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, ratificadas pelo Parecer PGFN/CAT nº 193, de 2013, têm grandes implicações nos procedimentos de cobrança e análises de compensação e restituição de IRPJ e CSLL, esta Cosit reuniuse com a PGFN, quando se firmou compromisso de nova consulta ser elaborada com maiores esclarecimentos sobre o “débito de estimativa cuja compensação não tenha sido homologada”, no sentido de verificar se, após o ajuste anual, referida estimativa assume a natureza de imposto de renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido.(grifei) A preocupação da Administração, dentre outras, seria no sentido de que, caso não fossem cobradas as estimativas que reduziram, ou quitaram o tributo devido, poderia ocorrer a impossibilidade de cobrança do crédito tributário (IRPJ/CSLL) devido no final do período. Em resposta, veio o Parecer PGFN nº 88, de 2014, que, segundo a recorrente, respaldaria sua alegação de que as estimativas seriam objeto de cobrança, após ocorrido o ajuste anual do IRPJ/CSLL, mas já convalidada em tributo. Ocorre que, da leitura deste parecer, e da Nota Cosit nº 31/2013, esta conselheira não chega a mesma conclusão, pois entende que, após o encerramento do ano calendário, seria objeto de cobrança apenas o montante das estimativas suficientes para quitar o tributo devido apurado no ajuste. Somente nestas condições é que ocorreria a substituição da estimativa pelo imposto de renda ou pela contribuição social sobre o lucro líquido. Transcrevo os mesmos itens da Nota Cosit nº 31/2013 que a recorrente citou: 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado na DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3. Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado como extinto por meio Fl. 561DF CARF MF 8 de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. O item acima expressamente se refere ao compor o imposto de renda apurado e devido. Só se pode falar em crédito tributário definitivamente constituído os valores apurados e devidos de IRPJ e CSLL no final do período, quando então se faz o confronto com todos os recolhimentos a título de antecipação deste tributo (as estimativas de IRPJ/CSLL e os valores retidos pelas fontes pagadores). Logo, só seriam objeto de cobrança as estimativas até o valor limite ao montante utilizado para quitação do crédito tributário constituído, pois teria ocorrido o que a recorrente e a Procuradoria chama de substituição. Neste sentido, assim se manifesta o Parecer PGFN nº 88/2014: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. (grifei) Esta conselheira entende que as estimativas que compõem o saldo negativo do IRPJ/CSLL, por terem natureza de indébito (valores a restituir ao contribuinte), não podem ser substituídas pelo crédito tributário constituído apurado no final do período. Os valores possuem natureza distinta, não havendo que se falar em substituição da parcela das estimativas que excederam ao tributo devido pelo próprio tributo excedido. O primeiro é valor a restituir enquanto que o segundo é valor a cobrar. Cumpre registrar que o Parecer PGFN nº 88/2014 consignou claramente que os Pareceres anteriores continuam válidos, conforme se depreende do trecho a seguir: 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.° 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.° 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. Concluo, portanto, que a tese de que as estimativas não compensadas serão cobradas em dívida ativa não prospera. E, ainda que fosse adotada a tese da recorrente, é preciso registrar que toda a defesa passa ao largo da discussão necessária para o reconhecimento do direito creditório: os requisitos de certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. Registro que estes requisitos devem ser aferidos na data da apresentação da Declaração de Compensação, por se tratar, como já dito, de um encontro de contas entre titulares (Fazenda Pública e contribuinte) recíprocos de débitos e créditos, simultaneamente. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 559 9 Assim, partindo da premissa de que toda estimativa não compensada será cobrada como, de fato, ocorreu com a estimativa do mês de dezembro/2009 passo a analisar as demais alegações. A recorrente afirma que toda estimativa será adimplida seja qual for o resultado do julgamento administrativo quanto à compensação, já que:(1) será homologada ou (2) será cobrada, com inscrição em dívida ativa. Não concordo com esta afirmação. A certeza de que a estimativa estaria quitada ocorre apenas se a compensação fosse homologada. Do contrário, a estimativa será objeto de cobrança por meio de inscrição em dívida ativa, fato que não confere ao crédito as qualidades de certeza e liquidez exigidas pelo artigo 170 do CTN. Como dito anteriormente, reconhecimento do direito creditório de saldo negativo depende da comprovação da efetiva quitação da estimativa. Ora, a certeza da cobrança da estimativa não é garantia de seu pagamento. Não há como conferir certeza e liquidez a um crédito sob o fundamento de que as estimativas serão cobradas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Reconhecer o direito creditório nestas condições seria o mesmo que restituir algo que não foi pago. Se não foi pago, não há que se falar em indébito tributário a favor do contribuinte. Repito que a compensação pressupõe um encontro de contas, onde deve haver fungibilidade entre os valores do crédito e do débito. Nestes termos, caso homologada a compensação, não seria em função de reconhecimento de direito creditório (por ser inexistente), mas sim um empréstimo a ser pago no futuro. Friso que do ponto de vista processual, não há provas nos autos de que a recorrente possui direito ao crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010. A certeza e liquidez do crédito não restaram demonstradas, lembrando que é ônus daquele que pleiteia, nos por força do artigo 373 do CPC ( Lei nº 13.105/2015). Uma decisão favorável neste julgamento se valeria de uma prova que seria eventualmente constituída no futuro, ou seja, quando, e se, da quitação da estimativa cuja compensação não foi homologada. Repito: cobrança não é garantia de quitação do débito. Ainda do ponto de vista processual, o reconhecimento do direito creditório baseado na possibilidade de um futuro pagamento da estimativa representaria uma inovação na causa de pedir. Isto porque o contribuinte informou na DCOMP que seu crédito de saldo negativo, existente na data da transmissão da DCOMP, seria formado por estimativas quitadas por compensação em outros processos administrativos. Se, ao final, as estimativas forem cobradas, significa que houve decisão definitiva administrativa da não homologação da compensação nos citados processos. A despeito desta decisão definitiva de que as estimativas não estão extintas por compensação, um eventual reconhecimento de direito creditório, baseado em pagamento futuro em sede de cobrança, seja pela RFB ou PGFN, estará totalmente dissociado da causa de pedir original. Vale reprisar que a compensação é um encontro de contas entre crédito e débito, e que devem ser contemporâneos. O instituto da compensação não tem cabimento quando o crédito é constituído em data posterior (data do pagamento da estimativa quando inscrita em dívida ativa da União) à data da compensação do débito. Esta questão foi analisada em situação semelhante, em sede de Recurso Especial do contribuinte, no qual era contestada a glosa das estimativas cujas compensações não foram homologadas. O contribuinte teria desistido do contencioso administrativo para aderir ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, com a inclusão destas estimativas não quitadas. Naquele recurso, o contribuinte alegava que deveriam ser consideradas as parcelas já pagas na Fl. 563DF CARF MF 10 formação do saldo negativo. No entanto, foi negado provimento, por voto de qualidade, ao Recurso Especial, por meio do Acórdão 9101003.708, da lavra o i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, na sessão de 09 de agosto de 2018, no qual se manifestou o entendimento de o contribuinte poderia pedir restituição à medida em que os recolhimentos fossem ocorrendo. Abaixo, transcrevo os principais trechos do citado Acórdão, bem como a sua ementa: A outra divergência a ser examinada diz respeito à formação de saldo negativo a partir de estimativas que foram quitadas por compensação em outro Per/Dcomp, nos casos em que não houve homologação dessa compensação, levandose ainda em conta que essas estimativas estariam sendo (ou teriam sido) quitadas posteriormente em processo de parcelamento. Essa questão não é muito simples. (...) Mas por outro lado, também é importante lembrar que para um contribuinte postular restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. Sabese muito bem que a compensação, na forma em que vem sendo realizada desde a Lei 10.637/2002, implica em um aproveitamento imediato do reivindicado indébito, sob condição resolutória. Sendo assim, o acolhimento do pleito da contribuinte implicaria em admitir a possibilidade de restituição/compensação de algo que ainda nem mesmo foi pago, o que afronta não só o sistema jurídico, mas a própria lógica das coisas, porque só se restitui (devolve) o que foi anteriormente dado (pago). Não há como admitir essa ideia, de a contribuinte primeiro receber a restituição, para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição.(grifei) No caso, ainda haveria um agravante, porque a restituição/compensação do saldo negativo seria pelo seu valor cheio, com todos os acréscimos legais, enquanto que o pagamento parcelado das estimativas se daria com benefícios de anistia, previstos na Lei n° 11.941/2009 (inclusive com redução dos juros de mora). Mas mesmo que não houvesse essa questão, mesmo que o pagamento futuro da estimativa (seja pela via da execução do Per/Dcomp que contém o débito de estimativa, seja pela via de um parcelamento normal) se desse com todos os acréscimos, ainda remanesceria um problema. É que o momento para o encontro de contas continuaria sendo a data de envio do Per/Dcomp, e nós estaríamos autorizando a restituição/compensação de crédito que ainda não existia naquela data. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 560 11 Não há dúvida de que as estimativas pagas posteriormente devem repercutir no ajuste anual. Seria contraditório, por exemplo, exigir da contribuinte a quitação das estimativas (via execução de Per/Dcomp ou parcelamento) e também exigir o tributo no ajuste em razão da ausência destas mesmas estimativas. O fato é que o pagamento das estimativas, mesmo extemporâneo, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua cobrança (cobrança do tributo no ajuste). Mas a restituição/compensação dessas estimativas na forma de saldo negativo implica em questões adicionais, porque elas somente se tornam aptas a embasar restituição ou compensação na medida que forem pagas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Por isso, o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai se formando pelo pagamento das estimativas parceladas. Neste processo, só se poderia admitir a compensação do saldo negativo formado (existente) até a data do envio do Per/Dcomp objeto destes autos, ou seja do saldo negativo formado pelas estimativas pagas até aquela data. Ocorre que o Per/Dcomp foi apresentado em 11/01/2005, e o alegado parcelamento para quitação das estimativas foi feito muito depois disso, porque pautouse pela Lei n° 11.941/2009. A alegadas quitações de estimativas no processo de parcelamento, portanto, não dão base para utilização do alegado saldo negativo em 11/01/2005 (data do encontro de contas). Abaixo, a ementa deste Acórdão abordando essa matéria: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS PAGAS DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL. Para que um contribuinte postule restituição ou compensação de tributo, é necessário que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. A restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas só é admissível na medida em que essas estimativas estejam quitadas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando elas passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. Se a contribuinte realiza pagamento de estimativa depois do encerramento do período de apuração anual (por execução de Fl. 565DF CARF MF 12 Per/Dcomp com débito de estimativa que não foi homologado, ou por processo de parcelamento), o procedimento correto é que a contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo vai sendo formado pelos referidos pagamentos de estimativas. Não há como admitir a ideia de a contribuinte primeiro receber a restituição (ainda que na forma de compensação), para depois pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição. (Acórdão nº 9101003.708, da sessão de 09 de agosto de 2018, da lavra do i. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) A recorrente ainda alega que ocorreria duplicidade na cobrança do mesmo débito: (a) mediante a redução do saldo negativo e (b) pela via de execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada). Esta alegação também não prospera, pois são débitos distintos, não havendo que se falar em duplicidade. Se não houve quitação da estimativa por compensação, deve ocorrer a redução do crédito do saldo negativo (ou o não reconhecimento do direito creditório), com a conseqüente cobrança do débito cuja compensação, por ventura, não for homologada. É o resultado final de um processo administrativo que tratou de uma declaração de compensação, cujo direito ao crédito de saldo negativo não foi reconhecido, ou reconhecido parcialmente. No entanto, a cobrança destes débitos não se confunde com a cobrança daquela estimativa que originou a redução do crédito do saldo negativo. São fatos geradores distintos, cobranças distintas. E, caso esta estimativa venha a ser paga no futuro, como consignado na ementa supra, o procedimento correto é que o contribuinte apresente Per/Dcomp à medida que o saldo negativo for sendo formado. Por todo acima exposto, considerando que não restou comprovada a certeza e liquidez da parcela glosada do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Coube a mim a difícil tarefa de apresentar contraposição às sempre muito bem fundamentadas razões da ilustre colega e relatora. É que minha conhecida posição é a de considerar que a estimativa compensada deve integrar o saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, pelos motivos que já externei em vários votos e que reproduzo abaixo: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16682.900378/201699 Acórdão n.º 1302003.243 S1C3T2 Fl. 561 13 das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2009 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser Fl. 567DF CARF MF 14 alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720720/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O procedimento de fiscalização ocorreu de forma regular, ausentes quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado do lançamento e teve oportunidade, na impugnação, de manifestar sua irresignação e apresentar provas corroborando sua tese.
DEDUÇÃO DE DESPESAS EM LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livro-caixa que pretende deduzir.
A mera alegação de que sua profissão envolve despesas essenciais, desacompanhada de quaisquer documentos comprobatórios, é insuficiente para afastar a glosa.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INAPLICABILIDADE.
O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96).
Outrossim, as multas tributárias são ontológica e teologicamente distintas dos tributos, motivo pelo qual não se estende à elas a vedação do art. 150, IV, da CR/88.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF.
Numero da decisão: 2202-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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INOCORRÊNCIA O procedimento de fiscalização ocorreu de forma regular, ausentes quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado do lançamento e teve oportunidade, na impugnação, de manifestar sua irresignação e apresentar provas corroborando sua tese. DEDUÇÃO DE DESPESAS EM LIVROCAIXA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, as despesas escrituradas em livrocaixa que pretende deduzir. A mera alegação de que sua profissão envolve despesas essenciais, desacompanhada de quaisquer documentos comprobatórios, é insuficiente para afastar a glosa. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INAPLICABILIDADE. O CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), motivo pelo qual não pode afastar a aplicação da multa de ofício, que possui previsão legal (art. 44, I, Lei nº 9.430/96). Outrossim, as multas tributárias são ontológica e teologicamente distintas dos tributos, motivo pelo qual não se estende à elas a vedação do art. 150, IV, da CR/88. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 07 20 /2 01 2- 64 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 123 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VAGNER APARECIDO ALBERTO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por dedução indevida de despesas de livrocaixa no montante de R$ 154.655,00 (cento e cinquenta e quatro mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais), “em razão de o contribuinte ter declarado despesas escrituradas em LivroCaixa em valor superior ao total de rendimentos declarados que permitem essa dedução” (f. 18). Transcrevo tãosomente a ementa do pormenorizado acórdão (fls. 74/89), porquanto suficiente para a compreensão da controvérsia: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Por expressa disposição do Decreto nº 70.235, de 1972, na impugnação do lançamento o contribuinte deve apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 124 3 O procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, eis que existentes na notificação de lançamento, bem assim no Termo Circunstanciado e no Despacho Decisório todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exercesse o direito do contraditório e da ampla defesa. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação e/ou na manifestação de inconformidade, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. INTIMAÇÕES NO ENDEREÇO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a ciência dos atos processuais se dá na forma estabelecida no Decreto n.º 70.235/72, devendo, no caso de utilizada a via postal, ocorrer no domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O profissional autônomo somente pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente escrituradas e comprovadas com documentos hábeis e idôneos, preenchidos com as informações legalmente exigidas, de forma a configurar o direito à dedução pretendida. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A aplicação da multa de ofício de 75% decorre de expressa previsão legal, sendo obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício. A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (sublinhas deste voto). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 09/03/2016, recurso voluntário (fls. 94/114), cujas razões podem ser assim sumarizadas: preliminarmente, afirmou Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 125 4 que não foram apresentados os reais motivos do indeferimento da glosa, além de que não teria lhe sido dada a oportunidade de apresentar os documentos comprobatórios de suas deduções, em desrespeito ao art. 841, II, do RIR/99. No mérito, o recorrente sustenta que é profissional liberal (advogado) e aufere rendimentos pelo trabalho não assalariado, o que lhe confere a prerrogativa de realizar deduções de despesas (material de escritório, funcionários, aluguel, etc.) escrituradas em livrocaixa. Subsidiariamente, pleiteou i) a redução da multa para “(...) 2% (dois por cento) do valor principal possivelmente devido” (f. 108) e ii) não aplicação da SELIC para a correção da dívida tributária. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO CERCEAMENTO DE DEFESA Conforme relatado, o recorrente pleiteia a nulidade do lançamento, ao argumento de que não lhe fora facultada a prestação de esclarecimento prévio. A DRJ/SP acertadamente esclarece que tal pedido é uma faculdade do Fisco, utilizado apenas quando a autoridade lançadora entende necessário o oferecimento de esclarecimentos adicionais. É plenamente possível, portanto, que seja dispensado, procedendose diretamente ao lançamento, tal qual ocorreu no caso em questão. Não vislumbro, portanto, qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que, quando da apresentação da impugnação, o recorrente teve a oportunidade de manifestar sua discordância quanto ao lançamento e apresentar provas para sustentar sua tese. Ademais, ao contrário do alegado pelo recorrente, às f. 18, há descrição dos fatos e enquadramento legal, o que demonstra que ele dispunha de todas as informações necessárias para elaboração de sua impugnação. Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenha ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. Apenas a título exemplificativo, colaciono a ementa de alguns julgados que apreciaram questão análoga a que ora se analisa: INTIMAÇÃO PRÉVIA À CONCLUSÃO DO LANÇAMENTO. CONTRADITÓRIO. É na impugnação que se inicia a fase contraditória do processo administrativo fiscal, ocasião em que é dada ao impugnante a oportunidade de apresentar argumentos e documentos para contestar o lançamento (Acórdão nº 2301005.694 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 4 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 126 5 NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, devese afastar o pedido de nulidade formulado pela parte (Acórdão nº 2301005.684 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária,Sessão de 3 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972,não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado pela Constituição Federal deve ser exercido depois de formalizada a exigência do crédito tributário por meio do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, que se caracteriza, fundamentalmente, por ser inquisitorial, investigativa, em que inexiste, ainda, um processo de constituição e exigência do crédito tributário pelo lançamento (Acórdão nº 2402006.214 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 5 de junho de 2018; sublinhas deste voto). Rejeito, pois, as preliminares suscitadas. MÉRITO I – Da (não) comprovação da origem das despesas deduzidas De forma genérica e lacônica, o recorrente limitase a informar que é advogado, profissão cujo exercício envolve despesas indispensáveis, sem carrear quaisquer provas que escorem o que se alega. Despiciendo rememorar que cabe ao sujeito passivo não só alegar – mas, necessária e suficientemente, provar – todos os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento. O art. 6º da Lei 8.134/90 prevê que poderão ser deduzidos da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 127 6 III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeirosviajantes, quando correrem por conta destes; a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (sublinhas deste voto). Em sentido idêntico, o art. 66 do Decreto nº 9.580/2018 determina que “[a]s deduções ficam sujeitas à comprovação ou à justificação, a juízo da autoridade lançadora”. E a jurisprudência deste eg. Conselho não discrepa: ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea (Acórdão nº 2201004.529 –2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 10 de maio de 2018; sublinhas deste voto). TRABALHO NÃO ASSALARIADO. DEDUÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVROCAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa das despesas escrituradas em livro caixa quando não comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que estão relacionadas às atividades do contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado e correspondem às hipóteses de dedução permitidas na legislação tributária (Acórdão nº 2401005.784–4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de2 de outubro de 2018; sublinhas deste voto). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 128 7 Com essas considerações, não acolho as razões declinadas quanto ao mérito. II – Do caráter (não) confiscatório das multas tributárias Em suas razões, o recorrente afirma que “[d]e há muito se reconhece ao Poder Judiciário ao direito de excluir ou mitigar a multa fiscal imposta pela autoridade administrativa” (f. 105). Ora, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), integrante do Ministério da Economia, é órgão que não integra a estrutura do Poder Judiciário e que tem como função precípua revisar a legalidade dos lançamentos ultimados pelos seus próprios fiscais. A mitigação da sanção cominada, sob o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco, esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho. De toda sorte, apesar de ser cônscia de que o exc. Supremo Tribunal Federal estendeu a vedação prevista no inc. IV do art. 150 da CR/88 às multas de natureza tributária, registro que multas e tributos são ontológica e teologicamente distintos. Isto porque, em primeiro lugar, a multa é sempre uma sanção de ato ilícito, ao passo que tributo jamais poderá sêlo; em segundo lugar, os tributos são a fonte precípua – e imprescindível – para o financiamento do aparato estatal, enquanto as multas são receitas extraordinárias, auferidas em caráter excepcional, cuja função é desestimular comportamentos tidos como indesejáveis.1 Assim, ao meu aviso, pode a multa cominada ser rotulada desarrazoada e/ou desproporcional – nunca confiscatória. Feitas essas considerações, mantenho a multa cominada. III – Da (in)aplicabilidade da Taxa SELIC Por fim, melhor sorte não assiste ao recorrente quanto à inaplicabilidade da SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária, porquanto pacificada a questão no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira 1Cf. PEREIRA, J. E. P. A.; OLIVEIRA, L. M. M. Multas tributárias: perspectivas do controle judicial. In: MURICI, G. L.; CARDOSO, O. V.; RODRIGUES, R. S. (orgs.) Estudos de Direito Processual e Tributário em Homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: Editora D’ Plácido, 2018, p. 563580. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13819.720720/201264 Acórdão n.º 2202004.918 S2C2T2 Fl. 129 8 Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.906218/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.893
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Cofins, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que a não homologação da compensação decorrera da não retificação da DCTF, que contemplasse a real demonstração dos valores efetivamente devidos e recolhidos conforme planilha acostada aos autos , equívoco esse decorrente de simples erro de fato. Segundo ele, não houvera, por parte da Receita Federal, aprofundamento da análise do pedido para fins de se comprovar o direito creditório pleiteado, o que poderia ser superado com a realização de diligência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 06 21 8/ 20 12 -7 4 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos encetados na Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque o requerimento da conversão do julgamento em diligência para que fossem analisados os documentos anexados, bem como o conceito de insumo por ele esposado. É o relatório. Voto. Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.881, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.906214/201296, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.881): 1. Admissibilidade. O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 2. As provas apresentadas. A Recorrente pleiteou o crédito objeto do presente Recurso Voluntário, contudo tal pretensão foi denegada por meio do Despacho Decisório de fls. 18, atacada por meio da Manifestação de Inconformidade de fls. 22 e, posteriormente pelo Recurso Voluntário. Analisando a referida Manifestação de Inconformidade é possível aferir que já nela o Contribuinte pugnou pela necessidade de análise da documentação contábil com o objetivo de aferir a legitimidade do crédito: "Por outro ângulo, se as informações e esclarecimentos que viessem a ser fornecidos não fossem satisfatórios para o adequado convencimento da mais absoluta legitimidade dos valores dos quais se pretende compensar, a RFB poderia, ainda, determinar o diligenciamento contábil e fiscal na empresa a fim de aferir a legitimidade do crédito do Contribuinte, situação esta que não se vislumbrou em razão da sumariedade da análise e do despacho prolatado pelo órgão." A Recorrente, quando da apresentação da já mencionada Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais, DCTF Retificadoras dentre outros documentos que razoavelmente entendeu comprovarem seu direito ao crédito pleiteado. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, em seu limite de discricionariedade, entendeu que tais documentos eram insuficientes e que o contribuinte não havia se desincumbido do seu dever de realizar a prova do seu direito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 4 3 Isto porque o artigo 16 do Decreto 70.235/72 estabelece que todas as provas devam ser apresentadas quando da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, na forma dos parágrafos 4º e 5º. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (destaques não constantes do original) Em Recurso Voluntário a Recorrente defendeu que a documentação era suficiente e que caso assim a referida DRJ não houvesse entendido, que deveria ter solicitado documentação que entendesse satisfatória. Também no próprio Recurso Voluntário a Recorrente requereu a juntada de documentos, bem como a conversão do julgamento em diligência, pretensão para a qual valeuse do artigo 18 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 5 4 Este colegiado possui entendimento no sentido de que não é lícito ao Recorrente utilizarse da via do Recurso Voluntário como fase probatória, deixando para apenas nele trazer aos autos documentos que deveriam ter sido juntados quando da Manifestação de Inconformidade. Isto porque sendo o processo uma sequência concatenada de atos, a diligência em sede de Recurso Voluntário não pode se transformar em um subterfúgio para suprir eventuais inércias das partes quando à juntada de documentos na fase processual legalmente estabelecida para tanto, limitandose a um mecanismo para sanar dúvidas surgidas a partir da matéria submetida a análise, razão pela qual deve ser rejeitada no caso concreto. Contudo, este colegiado também admite que quando o contribuinte oportunamente apresenta, em sede de Manifestação de Inconformidade, os documentos que entende suficientes, mas que assim não são valorados pela DRJ, a ele é lícito trazer novos documentos em sede de Recurso Voluntário, ou mesmo pleitear por conversão do julgamento em diligência, sempre levando em consideração uma análise de "fumus boni iuris" ou, em outras palavras, da plausibilidade da alegação em relação à documentação trazida. No caso concreto, a recorrente sustenta que procedeu a recomposição da COFINS do período de apuração de agosto de 2010, dentro do período prescricional e encontrou créditos referentes a: " Bens para revenda; Bens utilizados como insumos; Serviços utilizados como insumos; Despesas de Energia Elétrica; Despesas de Aluguéis de Prédio Locados de PJ; Despesas de Aluguéis de Mercado e Frete sobre venda; Sobre bens do Ativo Mobilizado (Enc. Depreciação); Devolução de vendas sujeita a alíquota 7,60%; Crédito Presumido Relativo à Estoque de Abertura; Crédito relativo à Importação." A questão submetida à análise diz respeito ao hipotético direito de crédito daquilo que a Recorrente afirma subsumiremse ao conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, independente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes (efls. 136). A Recorrente sustenta que possui direito a crédito sobre materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, bem como serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (efls. 136). A fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, voto no sentido de converter o julgamento em Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10930.906218/201274 Resolução nº 3302000.893 S3C3T2 Fl. 6 5 diligência à repartição de origem para a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar a Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) Com base nestes documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar o Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) com base nesses documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007818/2008-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa
perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
Numero da decisão: 3003-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/12/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por tratase de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classificase no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 18 /2 00 8- 07 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 190 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.519,23, referente à cobrança de Imposto sobre a ImportaçãoII, com seus juros moratórios e multa de ofício, além da multa por classificação incorreta, de um por cento do valor aduaneiro, em virtude de utilização da classificação 2933.39.99 pela interessada, com alíquota de 0% para o II e de 0% para o IPI, quando, conforme a fiscalização, deveria ter utilizado a classificação 3808.20.29, com alíquota de 4% para o II e de 0% para o IPI. A importadora por meio da DI de n ° 03/1129537 6, registrada em 23/12/2003, submeteu a despacho pela adição 001, 5.000,000 Kg da mercadoria descrita como: "ZINC PYRITHIONE(TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO EM AGUA A 48% UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DE XAMPU e CONDICIONADOR", classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99 Outs. Compostos Heterocic1.1 Ciclo Pirina N/Condensado, tendo sido declarados, conforme visto, o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados à aliquota de 0,00%. A fiscalização entendeu correta a NCM 3808.20.29, relativa a preparações fungicidas, em face de laudo oficial que entendeu não se tratar o produto somente de zinco omadine e nem de outro composto cuja estrutura contenha ciclo piridina não condensado. A interessada impugnou o auto de infração alegando, em síntese, que: a multa de um por cento do valor aduaneiro somente pode ser aplicada em casos de dolo, fraude ou simulação, com intenção de causar prejuízo ao erário, e não quando existe dúvida sobre a classificação fiscal. atos declaratórios normativos e, mais recentemente, o ato declaratório interpretativo SRF 13/2002 deixou claro para casos similares e muito mais graves, como solicitação indevida de ex tarifário, a orientação é que não se admite a multa de 75% e outras regulamentares. as notas explicativas do Capítulo 29 dizem que ali estão as soluções aquosas dos compostos orgânicos de constituição química definida. em face da informação técnica do LAAP, onde o produto é tratado como solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio, um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado piritiona de zinco, o correto enquadramento tarifário é 2933.39.99. caso os julgadores entendam necessária nova perícia em face do conflito entre a informação técnica trazida e o laudo no qual se baseou a fiscalização requer que lhe seja expedida notificação específica para esse fim. o Auto de Infração deve ser cancelado. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 191 3 A 24ª Turma da DRJ em São Paulo proferiu decisão, acórdão nº. 1662.482, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/12/2003 Zinco Omadine e Composto com Grupamento Sulfonado. Preparação antimicrobiana (fungicida e bactericida) contendo zincobis(2 Piridinotiol1Óxido); Zinco Omadine e Composto com Grupamento Sulfonado (dispersante), na forma líquida, apresenta correta classificação fiscal 3808.20.29. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, replicando, os argumentos da impugnação que acima foram transcritos. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Inicialmente, cumpre observar que dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 192 4 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Compulsando os autos verifico que o Recorrente ao apresentar o Recurso Voluntário replicou as razões da impugnação, deixando, assim, de apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo e amparado no fundamento regimental acima reproduzido, utilizo das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão. Assim como a autoridade fiscal, com base nos laudo pericial da FUNCAMP (efls 22), relativamente a reclassificação fiscal da mercadoria realizada pela fiscalização aduaneira, que, por considerar indevida a classificação utilizada pelo contribuinte, no código NCM 2933.39.89, reposicionoua para o código NCM 3808.20.29, ao fundamento que o produto importado pela DI 03/11295376 tratase de composto químico que não se apresenta em solução aquosa, mas de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante, o que, na acepção das Notas e NESH, e com base nas RGI 1ª e 6ª e também da RGC1, todas do SH Sistema Harmonizado, enquadrase como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo; razão pela qual reproduzo o teor de seu voto, verbis: A alegação de que o ato declaratório interpretativo ADI SRF 13/2002 deixou claro para casos similares e muito mais graves, como solicitação indevida de ex tarifário, a orientação de que não se admite a multa de 75% e outras regulamentares não é detodo verdadeira. O ADI SRF 13/2002 deixou claro que não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 193 5 tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. O ADI SRF 13/2002 também revogou o ADN 10/97, que incluía a classificação tarifária errônea no rol das exclusões da multa de ofício desde que o produto estivesse corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Então, com a edição do ADI SRF 13/2002, não é mais cabível a exclusão da multa de ofício para os casos de classificação incorreta, mesmo que a mercadoria esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Além disso, existe e foi aplicada a multa para classificação incorreta, prevista no art. 84, I da MP 2158/01, de um por cento do valor aduaneiro por classificação incorreta, independente de dolo, fraude ou simulação. Vejamos agora o mérito do litígio. Tratando o processo de classificação fiscal, de um lado a interessada defendendo a classificação 2933.39.99 e de outro o Fisco entendendo correta a classificação 3808.20.29, interessante se faz a análise dos laudos presentes ao processo, suficientes para o deslinde do presente litígio. Em face do pedido de exame laboratorial n° LAB 0023/04 Gcof, foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° 0543.01 de 08/03/2004, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio1 1 Óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato(dispersante)", e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: "1. Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina não Condensado." "Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Zinco bis (2Piridinotio1 1 óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria." "2. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana)." "3. De acordo com literatura técnica, a mercadoria com a denominação comercial TOMICIDE ZPT50 referese a um biocida utilizado em formulações de xampu e de creme rinse." "4. Segundo Literatura Técnica, a denominação ZPT refere se A Zincobis(2 – Piridinotiol 1 Óxido); (Zinco Omadine)." Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 194 6 Por outro lado, a interessada trouxe a Informação Técnica n° 264, assinada pelo engenheiro Sr. Luiz Aurélio Alonso, emitida pelo LAAP, em 06 de setembro de 2006, que concluiu tratarse o “TOMICIDE ZPT 50” de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterociclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco. A amostra idenficada por laudo técnico oficial diverge do laudo trazido pela interessada por identificar a presença de Composto com Grupamento Sulfonato, um dispersante, efetivamente necessário para a finalidade do produto, que efetivamente consideramos como uma mistura constituída de Água, Zinco bis(2Piridinotiol1Óxido) (princípio ativo) e Composto Sulfonato. O composto Zincobis(2Piridinotiol1Óxido), que possui ação antimicrobiana (fungicida e bactericida), é empregado em formulações de cosméticos e xampus, estando disponível tanto na forma de pó, concentração de 100% em peso, pois se trata de produto sólido estável, quanto na forma de dispersão aquosa, sendo que esta última forma é recomendada para a formulação de xampus anticaspa. Assim, o produto não é um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mas uma preparação intermediária, não estando portanto entre aqueles que são classificados conforme a Nota 1 do Capítulo 29: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;” (grifouse) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 3808 esclarecem: “Esta posição abrange um conjunto de produtos (com exceção dos que tenham características de medicamentos usados em medicina humana ou veterinária, na acepção das posições 30.03 ou 30.04), concebidos para destruir os germes patogênicos, os insetos (mosquitos, traças, doríferas, baratas, etc.), os musgos e bolores, as ervas daninhas, os roedores, as aves nocivas etc.; também se incluem na presente posição os produtos destinados a afugentar os parasitas e os que se utilizem para desinfecção de sementes. Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 195 7 quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. Estes produtos assim apresentados podem ser ou não constituídos por misturas. Os que não se apresentem misturados são, geralmente, produtos de constituição química definida do Capítulo 29, como, por exemplo, naftaleno ou 1,4 diclorobenzeno. ............................................................................................ 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. ............................................................................................ 3) Quando se apresentem como artefatos unitários ou de comprimento indeterminado, mas com suporte (de papel, matérias têxteis ou madeira, principalmente), tais como as fitas, mechas e velas sulfuradas para desinfecção de tonéis, barris, ambientes, etc., os papéis matamoscas (incluídos os simplesmente revestidos de cola, sem produto tóxico), as tiras revestidas de visco arborícola (mesmo sem produto tóxico), os papéis impregnados de ácido salicílico, para conservação de doces, os papéis ou pequenos bastonetes de madeira recobertos de lindane, que atuam por combustão. Os produtos da posição 38.08 são subdivididos como segue: ............................................................................................ II) Os fungicidas Os fungicidas (preparações à base de compostos cúpricos, por exemplo), são produtos destinados a evitar o desenvolvimento de fungos (produtos Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 196 8 anticriptogâmicos). Outros fungicidas (tais como os à base de formaldeído), destinamse a destruir os fungos já existentes.” (grifouse). Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;” (grifouse) Notase que a posição 3808 inclui os produtos, entre eles os fungicidas, que tenham característica de preparações, inclusive preparações intermediárias, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas etc., qualquer que seja a forma como se apresentem. O produto sob análise constituise em uma preparação intermediária, de uso exclusivo na indústria, na forma de dispersão aquosa de Zincobis(2Piridinotiol1 Óxido), contendo Grupamento Sulfonato, como agente dispersante, apresentando propriedades antimicrobianas (fungicida e bactericida), devendo ser considerado como compreendido na posição 3808, que engloba segundo seu texto os fungicidas que tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem, e no âmbito da referida posição deve ser enquadrado na subposição 3808.20 Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 3808 e da subposição 3808.20), c/c RGC1, todas da TEC, do Mercosul, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 – alterado pela IN SRF n.º 123/98, 005/99 e 054/99), no código 3808.20.29 da mesma TEC (Decreto n° 2.376/97). Tendo havido classificação incorreta e falta de recolhimento dos tributos no prazo devido, são cabíveis as penalidades aplicadas. Por todo o exposto voto no sentido de considerar improcedente a impugnação constante do presente processo. Por fim, cabe mencionar que esse também é o entendimento da 3ª Câmara /2ª Turma Ordinária, que lavrou o acórdão nº. 3302005.790 no qual foi negado provimento ao Recurso Voluntário, por maioria dos votos, cuja matéria tratada era idêntica a matéria aqui apreciada. Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço, classificação fiscal de mercadoria importada, evidenciada a classificação errônea por parte do importador, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.007818/200807 Acórdão n.º 3003000.090 S3C0T3 Fl. 197 9 Márcio Robson Costa Relator Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.937851/2017-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.
Numero da decisão: 1302-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 78 51 /2 01 7- 51 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 206 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: Trata o presente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 125907045 (fls.146), exarado pela Derat/SP em 04/09/2017, que tinha como objeto o seguinte PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 207 3 Cientificada em 12/09/2017 (fls.147) da decisão, a interessada apresentou em 11/10/2017(fls.3) manifestação de inconformidade (fls.05/23), requerendo a reforma da decisão, alegando, em resumo e substância, que: o valor glosado pela autoridade da unidade de origem, de R$ 26.748.666,53, referente a parcelas de crédito das estimativas de IRPJ dos períodos de apuração(PA) de fevereiro a maio de 2011, foram quitadas por meio de Declarações de Compensação(DCOMP), compensações essas, no entanto, em discussão nos processos administrativos (i) n.º 12585.000.151/201001, (ii) n.º 12585.000.153/2010 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 208 4 92, (iii) n.º 10880.937.107/201242, (iv) n.º 12585.000.153/201092, (v) e (vi) n.º 10880.937.108/201297, (vii) n.º 10880.937.109/201231, e (viii) n.º 12585.000.154/20103, todos aguardando julgamento definitivo na esfera administrativa; em razão disso, teria direito a essas estimativas para compor o saldo em questão, posto que, se assim não for, estaria sendo penalizada duplamente, ou seja, pelo crédito negado e ao mesmo tempo sofrendo a cobrança das estimativas, acarretando indevido bis in idem; ainda em face da pendência de análise dos processos administrativos, solicita a apensação dos processos envolvidos; de forma subsidiária, caso se supere todos os argumentos trazidos, clama pela improcedência da cobrança das estimativas de CSLL e IRPJ de setembro de 2016 compensadas pelo PER/DCOMP 28530.99361.271016.1.3.020812, não homologado pela autoridade fiscal, em face da impossibilidade de se cobrar estimativas após o encerramento do anocalendário; os atos e termos deste processo sejam dirigidos ao seu procurador advogado em seu endereço comercial. Após análise das razões acima, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, através do Acórdão n.º 1681.479, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado lastreado nos fundamentos abaixo aduzidos, litteris: O débito confessado em DCOMP, tendo em vista que se aplicam aos processos de indeferimento as mesmas regras dispostas no decreto nº 70.235, de 1972(PAF), está com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art.74, §§ 9º a 11 , da Lei nº 9.430, de 1.996, com a remissão ao inc. III do art.151 da Lei 5,172, de 1966(CTN), aliás, como já havia bem pontuado a manifestante na peça contestatória. Dessa forma, o prazo contido na intimação de ciência do despacho de indeferimento/não homologação para o pagamento do débito confessado é meramente informativo, no sentido, de que não impugnada a decisão, aí, sim, deverá ser efetuado o pagamento. Ocorrida a opção da requerente pela manifestação de inconformidade, não há que se falar em cobrança do débito e, portanto, descarto a alegada dupla penalização que a requerente invocou. Havendo, portanto, essa possibilidade legal de interposição de recurso voluntário ao Carf de eventual indeferimento do pleito, põe por terra, nesta esfera de julgamento(DRJ), a tese da requerente de duplo prejuízo. No entanto, por amor ao debate, examinemos a questão "a posteriori", sobre a possibilidade de enriquecimento ilícito do Fisco, que é em última análise o que alega a requerente quando diz que está sendo duplamente penalizada, não vislumbro o prejuízo alegado, pois se a mesma for derrotada definitivamente na esfera administrativa superior, a cobrança efetiva do débito ainda poderá ser impugnada, por revisão de ofício, a teor do próprio Parecer PGFN 88/14 citado pela requerente e da Súmula 82 do Carf, sobre o que não cabe aqui nos alongarmos mais. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 209 5 Por outro lado, mesmo considerando a posição semântica da empresa, de que, ao indeferir o crédito, estarseia fazendo uma cobrança indireta, de forma oblíqua, também não prospera tal assertiva. Em sua narrativa, a requerente tenta buscar analogia entre i) efeitos tributários de aplicação de competência de julgamento (indeferir/deferir) com ii) cobrança de débitos. Embora os dois se interrelacionem, legalmente são previstos em dispositivos legais próprios e independentes. Poderá haver o indeferimento sem a cobrança, em razão de suspensão de exigibilidade. Em suma, não há base legal para tal analogia, ficando apenas no campo semântico, e tendo em vista que o julgador está adstrito ao campo da legalidade, exorbita nossa competência fazer elucubrações semânticas onde a lei não permite. A questão central aqui, em que pese a requerente enveredar por tese de estar sofrendo dupla penalização, é verificar se o arcabouço legal de regência da matéria dá ou não, à contribuinte, o direito ao crédito das estimativas compensadas via DCOMP, mesmo não tendo sido homologadas. Nesse contexto, verificase que a requerente colacionou aos autos os entendimentos expendidos no Parecer PGFN/CAT 88/14, Solução de Consulta Interna Cosit n.º 18/06 e Súmula Carf nº 82, entre outros, invocados pela requerente na defesa de suas teses. Esclareçase, no entanto, que as Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas vinculantes do Carf e demais atos expedidos por órgão com menção expressa de vinculação, aprovados pelo Ministro da Fazenda, aos entendimentos da RFB expressos em atos normativos (art. 7º, inc,V, da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011), concluindose, portanto, que demais atos, bem como a jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, não gozam de força vinculante. Adicionalmente, vale dizer que as Soluções de Consulta emitidas pela COSIT gozam de eficácia normativa somente aquelas emitidas a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013. Assim, os posicionamentos administrativos mencionados pela interessada não vinculam os agentes públicos da RFB. Não obstante isso, reconhecese, por óbvio, que esses entendimentos doutrinários, jurisprudenciais e aqueles contidos em atos expedidos sem força vinculantes são extremamente importantes, para erigir ou completar hermenêuticas, sem abstrairse, no entanto, da realidade contextual em que foram proferidos. Posto isso e tendo em vista que o direito aqui reclamado implicará em redução do saldo de imposto/contribuição é pertinente relembrar as regras de interpretação constantes na Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), porquanto isso determinará o tipo de interpretação a todo esse conjunto normativo sobre o assunto. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 210 6 (...) Ora, de pronto, inferimos que, existindo expressa decisão da autoridade fiscal não homologando as compensações, mesmo que pendente de recurso, não gozam os créditos pretendidos da liquidez e certeza exigidos pela legislação de regência. Não sendo homologadas as DCOMP, tais débitos não estão mais extintos sob condição resolutória, uma vez que foi implementada a condição(decisão de não homologação), passando o crédito, ao contrário do que a lei exige, a uma situação de precariedade, de instabilidade, a depender ainda de recurso administrativo favorável em instância superior. Caso a requerente seja vitoriosa em decisão definitiva, aí, sim, gozará o crédito da liquidez e certeza necessária para autorizarse a compensação. Assim sendo, nessa esfera administrativa(DRJ), há que se refutar a pretensão da interessada quanto ao direito de fruição ao crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, isto é: (i) A indevida glosa da estimativa compensada com créditos de exercícios anteriores – da CSI COSIT 18/06 encampada pelo PARECER PGFN/CAT 88/14 e seu efeito vinculante previsto na PORTARIA RFB 2.217/14 – da SÚMULA CARF n.º 82; (ii) Da necessidade de apensamento deste feito ao processo administrativo relacionado até julgamento definitivo – da prejudicialidade externa, e; (iii) Da impossibilidade de cobrança de estimativas após o encerramento do anocalendário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. O crédito aqui discutido advém do saldo negativo da IRPJ apurado na DIPJ do anocalendário 2011, no montante de R$ 30.600.221,21, informado no PER/DCOMP demonstrativo de crédito nº 09767.70985.050814.1.6.028554 (fls.148/154). Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 211 7 O saldo credor em questão era composto pelas parcelas de imposto de renda retido na fonteIRRF e aquelas pagas a título de estimativas, não tendo sido reconhecidas pela autoridade a quo a parcela de R$ 26.748.666,53, relativa às estimativas de fevereiro a maio de 2011, o que reduziu o saldo credor para R$ 3.851.554,68. Vejamos o quadro abaixo: A decisão recorrida, menciona e transcreve excertos de Parecer da PGFN, que sinaliza que eventuais débitos de estimativas não seriam passíveis de inscrição em dívida ativa. Sem maiores delongas, destaquese de pronto que tal situação já atraiu jurisprudência consolidada dessa colenda Corte Administrativa. Resumindo, o entendimento exposto no acórdão recorrido foi no sentido de que não poderia ocorrer a compensação dos valores apontados como estimativas, enquanto não homologados. Essa não é, contudo, a melhor interpretação da legislação tributária nacional. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo que está discutindo o direito creditório de determinado valor compor o saldo negativo do IRPJ e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte tenha o seu recurso administrativo julgado improcedente e se torne inadimplente a posteriori, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte esteja discutindo o seu direito creditório perante o fisco (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois dessa discussão, compensar tal valor como parte integrante do seu ajuste anual de outro período de apuração, restará prejudicado em seu direito. Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 212 8 JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,aplicasse a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto decompensação não homologada. 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." (grifos aditados) Conclusão Ante o exposto, julgo procedente o Recurso voluntário, homologando a compensação até o limite do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 213 9 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.725953/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 59 53 /2 01 2- 61 Fl. 699DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do ressarcimento relativo a crédito presumido PIS/Cofins da agroindústria, considerando que a aquisição de bovinos vivos, classificada no inciso III do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, fazia jus ao crédito presumido à alíquota de 35% e não de 60%. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, argumentando ser cabível o cálculo por meio da alíquota de 60%, tendo em vista tratarse de frigorífico, cujo produto final comercializado é de origem animal, conforme Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal. Segundo o então Manifestante, a segregação do direito ao crédito presumido não podia se dar de acordo com o insumo por afrontar o comando do art. 8º da Lei 10.925/2004, pois se a lei desejasse fixar a alíquota de acordo com os insumos, teria citado a classificação correspondente, em particular, a de animais vivos. Cumpre destacar que a empresa obteve, em embargos de declaração, provimento no sentido de se aplicar a taxa Selic sobre os créditos passíveis de ressarcimento a partir do 1º dia subsequente ao término do prazo de 360 dias da formulação do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10056.113, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, no regime não cumulativo da contribuição (PIS/Cofins), a natureza do bem produzido pela empresa agroindustrial devia ser considerada na aferição do seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, sendo o cálculo do crédito efetuado a partir da alíquota correspondente ao insumo adquirido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.191, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 18186.725910/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.191): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nos termos do despacho decisório (fls. 129138), a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35%, a saber: "18. O contribuinte tem por objeto social a “exploração de frigorífico abate de bovinos e preparação de carnes, desossa e subprodutos”. Enquanto tal, enquadrase no art. 5º, I, “a”, c/c art. 6º, I, da IN SRF nº 660, de 2006, no que concerne à produção de carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, classificadas no capítulo 2 da NCM, próprias e destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, faz jus ao crédito presumido de que trata esse dispositivo quando adquirir bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (“fabricação”) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM, para alimentação humana ou animal: i) de pessoas físicas residentes no Brasil; e, ii) de pessoas jurídicas, domiciliadas no Brasil, com a suspensão das contribuições, nos termos do art. 2º da mesma instrução normativa (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004). 19. Esclareçase que os bovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, mais precisamente na posição 01.02. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, deve ser calculado com base no inciso III do parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006, equivalente ao percentual de 35% das alíquotas do PIS/PASEP (35% X 1,65% = 0,5775%) e COFINS (35% X 7,6% = 2,66%). 20. Notese que a suspensão das contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da IN SRF nº 660, de 2006, aplicase, no caso em questão, unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou que seja cooperativa de produção agropecuária, entendendose por atividade agropecuária a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e por cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 5 4 considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 6 5 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do § 3º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, verificase que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, as aquisições realizadas têmse insumos de origem animal, carnes de bois abatidos, que são utilizados para a fabricação de mercadorias de origem animal (carne) e bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes para alimentação humana ou animal, Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 7 6 devem ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. (Acórdão 3301004277) *** CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (Acórdão 3402004.904) Em resumo, deve incidir a alíquota de 60% para os produtos adquiridos pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para fazer incidir a alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 705DF CARF MF
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Numero do processo: 13738.001520/2007-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
O contribuinte atendeu com documentação hábil e idônea o comando da r. decisão revisanda, nesta quadra, o recurso é provido.
Numero da decisão: 2002-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. O contribuinte atendeu com documentação hábil e idônea o comando da r. decisão revisanda, nesta quadra, o recurso é provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 15 20 /2 00 7- 41 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 58) contra decisão de primeira instância (fls. 49/54), que julgou improcedente impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF de fl. 36, em 19 de novembro de 2007, referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar (Sujeito à Multa de Oficio) 2.749,45 Multa de Oficio 75% (Passível de Redução) 2.062,08 Juros de Mora calculados até 30/11/2007 1.443,18 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculadas até 30/11/2007 0,00 Total do crédito tributário apurado 6.254,71 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2004, anocalendário de 2003, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas glosa de dedução despesas médicas pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 8.000,00. Motivo da glosa: falta de comprovação das despesas ou por falta de previsão legal. Dedução Indevida de despesas com Instrução glosa de ,dedução de despesas com Instrução, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004 ano calendário 2003. Valor: R$ 1.098,00. Motivo da glosa: falta de comprovação das despesas. Os enquadramentos legais encontramse à fl. 36/38 e 40 autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 31, o impugnante foi cientificado da autuação em 03/12/2007. Em 21 de dezembro de 2007, apresentou impugnação (fl. 01), alegando ter apresentado no prazo todos os documentos solicitados, quando intimado. Surpreendeuse com a notificação, pois entendia haver sanado as pendências junto à Receita Federal. Identificou as glosas nas despesas médicas e instrução, mas, apenas anexou novamente os comprovantes (cópias de recibos e boletos bancários) que dispõe, entendendo não haver coerência nas glosas. Ressaltou que, na época, seus dois dependentes maiores de 21 anos e Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 4 3 menores de 24, cursavam as faculdades Candido Mendes e Estácio de Sá; alegando que já havia enviado comprovação referente a ambos. Ao final, entende ter demonstrado a insubsistência e improcedência ação fiscal, pelo que requer o cancelamento da notificação e do débito fiscal reclamado. O julgamento do presente processo pela DEU/BrasíliaDF se dá em face da transferência de competência instituída pela Portaria RFB n° 1.023, de 30 de março de 2009, publicada no DOU em 02/04/2009. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA É lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação préescolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação; reconhecendo o débito em relação a despesa com instrução e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 30/09/2009 (fl. 55); Recurso Voluntário protocolado em 27/10/2009 (fl. 58), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 5 4 Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Despesas de Instrução; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Diz o Sr. AFR, que as glosas ocorreram em razão da falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a sua dedução. A r. decisão revisanda, manteve o lançamento consubstanciado no auto de infração. Irresignado o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito, trazendo documentos. A r. decisão fundamenta o voto condutor pelas seguintes razões: “Os documento das fls. 05 a 08 — Recibos s/n emitidos por Armando. Amâncio da Silva, CPF n° 029.652.65767 05 e CRP 05.24939, por atendimento psicológico, nos valores de R$ 400,00 cada, totalizando R$ 4.000,00, NÃO satisfazem a condição legal de fazer constar o nome do beneficiário do atendimento psicológico, além da falta de informação sobre o endereço onde foi prestado o serviço profissional.” “Os documentos das fls. 09 e 10 — Recibos números 62,68, 75 e 93, nos valores de R$ 1.200,00, R$ 1.200,00, R$ 1.000,00 e R$ 600,00, respectivamente, emitidos por Alessandra M.R. Lima de Oliveira, CPF n o 036.758.08755, CREPITO 24171F, NÃO satisfazem a condição legal quanto à informação do beneficiário do tratamento fisioterápico, o endereço da profissional, além do tipo de serviço fisioterápico prestado.”, O recorrente carreou aos autos a Declaração de fl. 59, onde a Dra. Armanda Amâncio da Silva, diz que os serviços profissionais foram prestados ao próprio recorrente e fornece o endereço do seu consultório, a informação prestada vem com firma reconhecida. Também trouxe a Declaração de fl. 65, onde a fisioterapeuta Alessandra M. R. Lima de Oliveira, afirma que seus préstimos foram feitos no paciente ora recorrente, discrimina seus serviços e traz seu endereço. Nesta quadra de entendimento razão assiste ao recorrente em seu apelo. PROVEJO. Relativamente a dedução indevida de despesas com instrução, o recorrente admite que cometeu um erro, admitindo o débito. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento para expungir da condenação as despesas médicas. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 74DF CARF MF
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