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Numero do processo: 15540.000001/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário:2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
É solidariamente responsável pelo crédito tributário a pessoa que possui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mormente quando age em infração à Lei.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo a receita omitida, quando a escrituração contábil a que estiver obrigada a Contribuinte não for apresentada mesmo que tenha sido intimada para tal.
SIMPLES. IRPJ/CSLL. EXCLUSÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO.
Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1401-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários da empresa e do Sr. José Carlos Pires.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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OMISSÃO DE RECEITAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Recorrente JOSÉ CARLOS PIRES COUTINHO RESPONSÁVEL PELA EXTINTA EMPRESA HIGICENTER COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. É solidariamente responsável pelo crédito tributário a pessoa que possui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mormente quando age em infração à Lei. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo a receita omitida, quando a escrituração contábil a que estiver obrigada a Contribuinte não for apresentada mesmo que tenha sido intimada para tal. SIMPLES. IRPJ/CSLL. EXCLUSÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. Excluída do Simples, a falta de escrituração contábil e fiscal suficiente à apuração do Lucro Real implica no arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 01 /2 01 1- 85 Fl. 405DF CARF MF 2 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários da empresa e do Sr. José Carlos Pires. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente e Relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 897 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido: Do lançamento: O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRFi/RJ e cientificados ao interessado acima identificado, responsável pela extinta empresa Higicenter Comércio e Distribuição Ltda, em 30/12/2010, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 150: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, de fls. 04/07 e 16/18, no valor de R$ 38.994,93; de Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de fls. 19/264/2742, no valor de R$ 12.358,50; de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 33/39 no valor de R$ 20.534,14; de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS de fl. 26/32 no valor de R$ 57.039,26, todos acrescidos da multa de oficio, no percentual majorado de 150% e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Constatação Fiscal e Imputação de Responsabilidade Tributária de fls. 09/15, decorre de arbitramento do lucro, com fulcro no art. 530, inciso III, do RIR/1999, por motivo da empresa ou seus responsáveis não terem apresentado sua escrituração contábil elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, ao qual estava obrigada em face de sua exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir do ano calendário de 2006, por força do Ato Declaratório Executivo n° 111, de 17 de setembro de 2010, tendo sido usada como base de cálculo os valores de omissão de receitas nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, julho e novembro do ano calendário de 2006, tendo em vista a interessada, devidamente intimada, não ter comprovado a origem dos valores depositados, durante aquele ano calendário, nas suas contas correntes dos bancos do Brasil (c/c 4084225 da agências 017698 e 3309), Bradesco (c/c 3138046 da ag. 3375), Itaú (c/c 072512 da ag. 0059), Daycoval (c/c 7013347 da ag. 00019), Santander (c/c 970663009 da ag. 040301) e Unibanco (c/c 1315226, da ag. 0575), relacionados resumidamente na planilha de fl. 08, resultando no montante total de R$ 1.901.309,28, quando no anocalendário não declarou qualquer receita. A infração teve como enquadramento legal para o IRPJ os art. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e arts. 532 e 537 do Regulamento para o Imposto de RendaRIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Foi exigida a multa de ofício majorada, no percentual de 150%, em função de atos dolosos, tais como o ingresso do Sr. José Carlos Pires Coutinho na sociedade em 13/09/2005 para realização do distrato social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro Jucerj em 01/09/2005 e respectiva tentativa de baixa da empresa no CNPJ, quando, no ano calendário de 2005, teve movimentação financeira de R$ 107.507.018,20 e um total de receitas declaradas de apenas R$ 741,587,60, o que caracteriza ato simulado e intuito de fraude, imputandose a responsabilidade tributária ao Sr José Carlos Pires Coutinho por força dos arts. 121, § único, I, 124, I e 135, III, a 137 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 001, de fls. 126/127. Fl. 407DF CARF MF 4 Das Impugnações: Em 27/01/2011 foi apresentada a impugnação de fls. 153/170, em nome de Higicenter Comércio e Distribuidora Ltda., a seguir denominada simplesmente “Higicenter”, e José Carlos Pires Coutinho, onde é descrita a autuação e alegado, em síntese: Que seria incorreto o critério adotado pela fiscalização para arbitramento dos valores considerados como provenientes de receitas omitidas, uma vez que a fiscalização arbitrou tão somente o montante como considerado omitido (créditos bancários de origem não comprovada), critério este não previsto em lei, uma vez que não contempla nenhuma das hipóteses descritas nas normas que tratam do arbitramento dos lucros, como o art. 6o da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, e o art. 47 da lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. que transcreve. Lembra que a fiscalização alega que o motivo do arbitramento foi a falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais do anocalendário de 2006, sendo inaplicável, nesse diapasão, a regra contida no art. 47, parágrafo primeiro, da Lei n° 8.981/1994 e muito menos aquela descrita no art. 532 do RIR/1999, citado no auto de infração. Protesta que, se era de interesse da fiscalização arbitrar os lucros, tal procedimento deveria ter sido adotado para todas as receitas auferidas no ano calendário de 2006 e não somente para aquelas apuradas com base nos depósitos bancários, pois o desconhecimento da receita bruta prejudicaria o “arbitramento parcial” das receitas auferidas, demonstrandose, assim, óbvio contra senso no lançamento, pois os depósitos bancários supostamente não comprovados se refeririam a movimentação bancária de todo o ano calendário de 2006, a qual envolve todas as receitas/recursos, além das despesas contraídas no período. Protesta que, não apresentados os livros comerciais e fiscais de todo o período fiscalizado, caberia ao fisco optar por refazer toda a apuração dos tributos com base no lucro arbitrado, desconsiderando, consequentemente, também as receitas eventualmente declaradas na DIPJ, ou apurar a omissão de receitas mantendo o regime adotado pela impugnante, no caso o SIMPLES, inclusive no tocante aos valores dos depósitos bancários de origem não comprovada, jamais podendo efetuar arbitramento de lucros parcial, desprovido de fundamentação legal. Protesta que os depósitos bancários de origem não comprovada, por si só, não se enquadram como uma das possíveis hipóteses de arbitramento, conforme acórdão do Egrégio Conselho de Contribuintes, que transcreve. Protesta contra o percentual de arbitramento, uma vez que a fiscalização não procedeu à análise da atividade exercida pela empresa, com base em seu contrato social vigente à época dos supostos fatos geradores. Encerra este assunto pedindo a nulidade/improcedência do lançamento, uma vez que a fiscalização se resumiu em depurar os extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e utilizar destes elementos para verificar supostas receitas omitidas e tributálas com base nas alíquotas do lucro arbitrado, procedimento este equivocado e ausente de suporte legal. Protesta que foram relacionados às fls. 61, diversos valores do ano calendário de 2006 que corresponderiam a receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, mas que, de uma análise preliminar da nomenclatura dos valores fornecidos pelas instituições financeiras, seria possível denotar a incerteza da fiscalização quanto à exatidão da matéria tributável, pois se verificam rubricas de movimentações bancárias cujas nomenclaturas não são suficientes para afirmar que as mesmas correspondem a receitas auferidas pela empresa, tomando indevida a utilização da presunção para fins de cálculo do lançamento. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 898 5 Isso porque não teriam sido depurados os valores relacionados nos extratos bancários, visto que foram mantidas exigências de diversos valores que não diriam respeito à receitas, conforme exemplifica. Protesta assim que deveria ter havido um aprofundamento da ação fiscal com fins da busca da verdade material, que não foi feito, e sendo imprescindível para validade do lançamento, conforme texto de Juraci Mourão Lopes Filho e acórdãos do Conselho de Contribuintes que transcreve, tendo a fiscalização, para chegar à presunção legal de omissão de receitas, se utilizado de critérios carentes de fundamentação e pautado em meros indícios e simples presunções, que não as legalmente permitidas. Conforme já citado no protesto anterior, dos valores indicados às fls. 61, a interessada destaca sete (elencados às fls. 164/165) que careceriam de melhor análise, com objetivo de verificar se corresponderiam a receitas, sob risco de tributarse meras transferências entre contas ou mesmo valores diversos. Destaca que a descrição “Doc/Ted” nos extratos bancários ampara tanto as operações provenientes de terceiros, como também transferências entre contas de mesma titularidade, que deveriam ser verificadas uma a uma, destacando que com relação às movimentações bancárias sob as rubricas “Doc/Ted” glosadas, diversos valores corresponderiam a transferências da sociedade Carta Goiás Indústria e Comércio de Papéis Ltda, para pagamento de despesas em nome daquela empresa, numa espécie de conta corrente entre ambas, bem como assunção de obrigações. Assim, tais montantes não poderiam ser considerados como receitas omitidas, pois representariam transferência de valores para pagamento de despesas de terceiros e assunção de obrigações. Diante de tal fato, pede a realização de perícia/diligência, indicando os quesitos às fls. 171 e o perito para tal, Sr. Ronaldo Lima Coutinho, CPF n° 235.232.80710. Insurge contra o agravamento da multa de ofício, por julgála pautada em meras conjecturas desprovidas de aprofundamento de cunho probatório, levandose em consideração que o lançamento foi pautado única e exclusivamente numa presunção legal. Protesta que não haveria nexo nas acusações de que as alterações contratuais teriam sido promovidas com o intuito de reduzir a carga tributária, pois as mesmas sequer produziram quaisquer efeitos modificativos na movimentações bancárias objeto da investigação. Alerta que o item 14.2 do Termo de Constatação Fiscal e Imputação de Responsabilidade Tributária questiona a data de ingresso do Sr. José Carlos Pires Coutinho na Higicenter e a data do seu distrato, não condizendo com a realidade dos fatos, uma vez que confunde a data da assinatura dos instrumentos com a data do registro dos mesmos. Junta cópia da 9a alteração contratual da Higicenter, onde poderia se verificar que a mesma foi assinada em 12/07/2005 e o distrato somente veio a ocorrer em 01/09/2005, afastando por completo a irregularidade suscitada pela fiscalização para amparar a multa agravada. Além disso, alega que a citação no Termo à ação fiscal anterior em outra empresa da qual o Sr. José Carlos Pires Coutinho faria parte do quadro societário Fl. 409DF CARF MF 6 sequer mereceria maiores considerações, pois se traduziu em comentário genérico sem relevância, visto que dissociado de qualquer apresentação de elementos de prova. Cita, no entanto, que naquela ação fiscal restou afastada a multa qualificada, bem como outros itens do lançamento fiscal, ainda em sede de primeira instância administrativa, através do acórdão n° 1226.897 proferido pela 2a Turma desta Delegacia, corroborando ainda mais o descabimento de tal penalidade nos presentes autos. Transcreve ementa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e a súmula n° 14 do mesmo, onde consta que a simples apuração de omissão de receitas e rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Transcreve ainda o voto do Exmo. Ministro Marco Aurélio Mello, proferido no ADIN 5511/RJ que determina que as multas são acessórias e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal. Pede a redução da multa de ofício para o percentual de 75%, impugna os lançamentos reflexos inerentes à CSLL, PIS e COFINS e encerra pedindo seja julgado improcedente o lançamento e que se suspenda os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 111/2010 (fls. 309) até o julgamento definitivo das suas razões de defesa. Posteriormente, em 28/01/2011, o Sr José Carlos Pires Coutinho apresentou a sua impugnação de fls. 222/254 que, além de transcrever as razões da impugnação apresentada em 27/01/2011, acrescenta seus protestos contra sua responsabilização, alegando, em síntese, o seguinte: Que não foi intimado desde o início da ação fiscal para acompanhála, produzir provas ou contraprovas, ferindo o princípio constitucional do devido processo legal. Que não existe o Mandado de Procedimento FiscalMPF que dá ordem ao Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 00107.1.02.002010003780. Que foi devidamente regular a dissolução da Higicenter, transcrevendo acórdão do STJ que define não ser a simples extinção da pessoa jurídica equiparada a dissolução irregular, quando tal fato foi devidamente informado à Junta Comercial. Que quando a sociedade se dissolveu, em 2006, estavam quitadas todas as suas obrigações fiscais, não havendo previsão da possibilidade de prever ou pagar obrigações que só viriam a ser constituídas quase cinco anos depois. Transcreve os arts. 121, 124 e 135 do CTN e acórdão do Conselho de Contribuintes, protestando que a solidariedade tributária do art. 124, inciso I, do CTN é atribuída àqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, sendo necessário, assim, que se comprove cabalmente a efetiva participação ou contribuição da pessoa física na prática da infração em discussão, o que não teria ocorrido. Com relação à responsabilidade pessoal, não haveria provas de que na época dos supostos fatos geradores apurados tenha ele praticado atos com excesso de poderes ou alguma outra hipótese prevista no art. 135 do CTN. Transcreve voto da Conselheira Karem Jureidini Dias no Acórdão n° 108 09.263 do processo n° 11041.000537/200441 e conclui que a responsabilidade solidária a ele imputada o foi com base em presunções, não havendo prova do interesse comum entre os sujeitos na situação que constitua fato gerador da Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 899 7 obrigação principal, na forma do art. 124. inciso I, do CTN e que não praticou ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos que lhe propiciasse a imputação de responsabilidade pessoal prevista nos arts. 124 e 135 do CTN. Destaca a Portaria n° 180 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, de 25/02/2010, que impõe à Administração Fazendária a obrigação de fundamentar a decisão que atribui responsabilidade tributária a coresponsável, protestando pelo art. 5o da Constituição Federal de 1988 como pressuposto para o exercício do contraditório e ampla defesa, reiterando que não haveria provas de que agiu com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos nem que fora irregular a dissolução da sociedade, encerrando por pedir a sua exclusão no tocante a sua qualificação como responsável solidário dos créditos tributários apurados em nome de Higicenter Comércio e Distribuidora Ltda. É o relatório. A DRJ, por unanimidade, manteve os lançamentos e a responsabilidade tributária, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. É solidariamente responsável pelo crédito tributário a pessoa que possui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mormente quando age em infração à Lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, sabido dever a impugnação vir acompanhada de todos os elementos hábeis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado. Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa J urídica IR P J Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada, não havendo que ser excluídos da glosa quaisquer valores referentes a custos, mesmo que comprovados.o Fl. 411DF CARF MF 8 FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL É FISCAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APLICABILIDADE. Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica ou seu responsável deixa de exibir ao Fisco, após devidamente intimados, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, sendo o arbitramento uma das formas de determinação do lucro previstas no artigo 44 do CTN e empregado na ausência de elementos concretos que permitam a apuração da receita bruta efetiva da empresa e, conseqüentemente, seu lucro real. MULTA QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO E EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabe a aplicação da multa de oficio, no percentual de 150%, quando configurada fraude e sonegação, previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, na atitude da interessada de ocultar a apuração de receitas de empresa formalmente extinta na Junta Comercial que se constata, pela sua movimentação bancária, em pleno exercícios de suas atividades. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário:2006 CSLL, COFINS E PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Irresignadas com a decisão de primeira instância, as interessadas (empresa e responsável solidário, Sr. José Carlos Pires Coutinho) interpuseram recursos voluntários a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 900 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares de nulidade Com relação às argüições de nulidade suscitadas, apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada e da responsável tributário através do “Termo de Constatação Fiscal e Imputação de Responsabilidade Tributária” , levando as Recorrentes a defenderemse plenamente através das peças defesas acostadas aos autos. Outrossim, como bem colocou a decisão de piso: Além disso, observase que, ao contrário do que protesta o Sr. José Carlos Pires Coutinho, foi o mesmo devidamente intimado desde o início da ação fiscal, em 15/07/2009, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e dos Termos de Intimação Fiscal, bem como foi devidamente intimado e reintimado a comprovar a origem dos créditos bancários, tendo recebido cópia dos autos de infração e impugnado livremente o lançamento, demonstrando entender a autuação, garantindose no presente processo, assim, de fato, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e/ou a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como tal será tratado. Assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas Fl. 413DF CARF MF 10 Depósitos Bancários sem comprovação da origem dos recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê da descrição dos fatos, a empresa não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores. Nas peças de defesa, os interessado não nega ter omitido receitas constatadas através de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Na fase impugnatória alegou de forma genérica que diversos valores considerados pela fiscalização como receitas omitidas tratarseiam de Doc. e Ted., os quais necessitam de análise mais apurada, sob pena de se tributar meras transferências entre contas, porém como bem colocou a DRJ, faltou apontar de forma específica que valores foram esses que teriam sido incluídos indevidamente: De fato, as transferências entre contas de mesma titularidade devem ser excluídas na determinação da receita omitida, exvi do disposto no art.42, § 3o, I , da Lei n° 9.430/1996. Entretanto, uma vez configurada a presunção legal de omissão de receita cabe ao interessado, e não ao Fisco, a produção de prova em contrário. Ou seja, ao invés de identificar genericamente históricos de alguns créditos efetuados em suas contas bancárias que poderiam ser excluídos da base tributável, o interessado deveria comprovar quais registros correspondem, de fato, a valores considerados pela fiscalização. Na falta de comprovação, mantémse os valores autuados. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em indícios e presunções. A argumentação da recorrente denota um total desconhecimento do significado da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir de anocalendário de 1997, tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 901 11 presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Arbitramento A empresa foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir do anocalendário de 2006, por força do Ato Declaratório Executivo n° 111, de 17 de setembro de 2010, e então foi intimada a apresentar a escrituração contábil e fiscal pertinente a uma opção pelo lucro real ou presumido, mas não o fez. No caso, foi solicitada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil (Livros Razão, diário e caixa) e não o fez. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. A autoridade fiscal, então, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Outrossim, diferentemente do que deixou transparecer em sua defesa o arbitramento do lucro, com fulcro no art. 530, inciso III, acima, corretamente se deu, não por causa da apuração de omissão de receitas, mas porque o responsável pela pessoa jurídica extinta, devidamente intimado, não ter apresentado escrituração contábil elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais. O interessado ataca o arbitramento alegando que houve um “arbitramento parcial” isso porque a fiscalização utilizouse apenas de valores apurados como omissão de receitas por créditos bancários de origem não comprovada obtidos em alguns meses do ano, sendo desconsiderada as demais receitas do anocalendário como, por exemplo, as receitas declaradas da DIPJ. Ora, esquecese o contribuinte que a empresa foi extinta em setembro de 2005 e assim não declarou formalmente receitas no anocalendário de 2006, apenas omitindo receitas nesse referido ano, motivo da autuação, Fl. 415DF CARF MF 12 Pelo mesmo motivo acima apontado, não socorre à interessada quando questiona que o percentual de arbitramento deveria ter sido acompanhado de uma análise da atividade exercida pela empresa, com base em seu contrato social “vigente à época dos supostos fatos geradores”. Novamente, repitase: a extinção da pessoa jurídica se deu em setembro de 2005. Dessa forma, o arbitramento deve ser mantido. Da qualificação da multa de 150% (Prática reiterada). Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, utilizando se de procedimento ardiloso de simular a dissolução da empresa em setembro de 2005 (dissolução irregular), para então permanecer auferindo receitas de forma sorrateira até o ano calendário autuado de 2006, constituindo tal procedimento em flagrante tentativa de ocultar informação da Fazenda Pública, mediante falsa extinção da pessoa jurídica, para eximirse de pagamento de tributos, ensejando assim a aplicação da multa no percentual majorado de 150%, conforme determina o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Outrossim, o fato de o fiscal ter mencionado como estranho ("curioso") o fato de o Sr. José Carlos Pires ter feito o distrato alguns dias antes de ter ingressado, de fato, na empresa e que isso possa ser refutado, como fez a interessada no recurso, não infirma de forma alguma os outros fatos relevantes e dolosos retratados acima. Juros de mora (ilegalidade da taxa selic) Quanto à legalidade da dos juros de mora segundo as taxas SELIC, estão eles previstos em disposição legal em vigor, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Da responsabilidade tributária solidária Por não ter nada a reparar na decisão de piso, mantenho também a responsabilidade tributária do Sr. José Carlos Pires, pelos mesmos fundamentos: (...) O Sr. José Carlos Pires Coutinho foi considerado responsável pelo crédito tributário lançado, com fundamento no disposto nos art. 121,1; 124,1 e 135, III, do CTN, que assim prescrevem: (..) Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15540.000001/201185 Acórdão n.º 1401001.884 S1C4T1 Fl. 902 13 Em conformidade com os fatos relatados neste voto, não resta dúvida que se está diante de um caso típico de responsabilidade solidária passiva. Isto porque não se questiona que os ilícitos tributários foram cometidos à época em que a pessoa física supracitada fazia parte do seu quadro societário, na qualidade de sócio administrador, o que configura o interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos, bem como se perpetuaram após a extinção da pessoa jurídica, sendo responsável por tal, a mesma pessoa física. O interessado tenta afastar a aplicação do art. 135 do CTN, alegando que não agiu com “excesso de poderes” ou infringiu o contrato social e estatutos da Higicenter. Porém, omite o fato de ter infringindo flagrantemente a lei ao, na qualidade de sócio administrador, ter sonegado o vultoso montante apurado como omissão de receita de empresa supostamente extinta, conforme já decidido no julgamento da multa majorada no percentual de 150%. Portanto, na salvaguarda dos interesses da Fazenda Nacional, e ante o exposto no art.135, III, do CTN, uma vez apurada infração à lei tributária, é de se concluir pela procedência de atribuição de responsabilidade tributária solidária ao Sr. José Carlos Pires Coutinho. Quanto aos protestos do mesmo pela suposta falta de Mandado de Procedimento FiscalMPF para emissão do Termo de sua sujeição passiva solidária, cabe esclarecer que o MPF, sob a égide da Portaria que criou, é mero instrumento de controle administrativo, não trazendo sua suposta falta, em nenhuma hipótese, qualquer nulidade ou improcedência do lançamento ou qualquer outro ato administrativo. Mesmo assim, há que se destacar o MPF n° 07.1.02.002010003870 (fl. 01) emitido em nome do Sr José Carlos Pires Coutinho. Outrossim, quanto a sua insurgência relativo aos termos postos pelo fiscal ao chamar atenção para estranheza de a interessada ter assinado o distrato da empresa alguns dias antes do seu ingresso de fato na empresa, não muda de forma alguma o fato doloso de que Outrossim, o fato de o fiscal ter mencionado como estranho ("curioso") o fato de o Sr. José Carlos Pires ter feito o distrato alguns dias antes de ter ingressado, de fato, na empresa e que isso possa ser refutado, como fez a interessada no recurso, não infirma de forma alguma os outros fatos relevantes e dolosos retratados acima, qual seja: (...) o fato de ter infringindo flagrantemente a lei ao, na qualidade de sócio administrador, ter sonegado o vultoso montante apurado como omissão de receita de empresa supostamente extinta, conforme já decidido no julgamento da multa majorada no percentual de 150%. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso mantendo sua responsabilidade tributária do Sr. José Carlos Pires. Lançamentos Reflexos (CSLL/PIS/COFINS) Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção da exigência lançada por via reflexa. Sr. José Carlos Pires. Fl. 417DF CARF MF 14 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários da empresa e do responsável tributário, Sr. José Carlos Pires. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013648/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NECESSIDADE.
É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso da isenção concedida à APP, busca-se uma conduta determinada dos cidadãos. O objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização e controle delas, informadas pelo ADA ao órgão que possui a qualificação técnica para tal, o Ibama. Assim, o descumprimento do requisito formal deve impedir o gozo do benefício fiscal.
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA.
Numero da decisão: 2202-003.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Márcio Henrique Sales Parada - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NECESSIDADE. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso da isenção concedida à APP, busca-se uma conduta determinada dos cidadãos. O objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização e controle delas, informadas pelo ADA ao órgão que possui a qualificação técnica para tal, o Ibama. Assim, o descumprimento do requisito formal deve impedir o gozo do benefício fiscal. ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NECESSIDADE. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso da isenção concedida à APP, buscase uma conduta determinada dos cidadãos. O objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização e controle delas, informadas pelo ADA ao órgão que possui a qualificação técnica para tal, o Ibama. Assim, o descumprimento do requisito formal deve impedir o gozo do benefício fiscal. ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 48 /2 00 6- 91 Fl. 910DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Márcio Henrique Sales Parada Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir ITR. Tendo o Contribuinte apresentado impugnação, a DRJ manteve parcialmente o crédito fazendário, formalizando Recurso de Ofício. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. O CARF, em primeira análise, não conheceu do Recurso de Ofício e deu provimento ao Recurso Voluntário. Tendo a Fazenda Nacional interposto Recurso Especial, a CSRF anulou parcialmente o acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos para análise das demais questões suscitada no Recurso Voluntário. Tendo resumido a lide, passo ao relato pormenorizado dos autos. Em 06/12/2006 foi lavrado auto de infração (fls. 125/130) para constituir ITR referente aos exercícios de 2001 e 2002 no valor de R$ 507.970,69, além de juros e de multa de ofício majorada para 112,5% em função da falta de atendimento às intimações. Conforme o TVF (fls. 131/133), apesar de ter enviado diversas intimações para o Contribuinte, este não apresentou nenhuma resposta durante a fiscalização. Nesse sentido, ante a falta de provas, entendeu por glosar a área de reserva legal, a área de preservação permanente, a área ocupada com produtos vegetais e a área utilizada com pastagens; também, que o VTN estava subavaliado, sendo necessário arbitrálo com base no SIPT. Intimado em 21/12/2006 (fls. 140/141), o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 145/168 e docs. anexos fls. 169/324) em 22/01/2007. Argumentou, em síntese: · Que houve nulidade da intimação do lançamento; · Que em nenhum momento, durante a fiscalização, o representante da empresa teve conhecimento de que esta se realizava; · Que apresentava na impugnação todos os documentos requisitados durante a fiscalização, ressaltando que não os forneceu antes por falta de intimação; · Que equivocouse no preenchimento da DIAT, tendo preenchido a área de reserva legal como 71ha e a área de preservação ambiental como 185ha, mas que era o inverso, esta com 71ha e aquela com Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 911 3 185ha; de qualquer sorte, que apresentava a documentação solicitada em sede de impugnação; · Que é dispensada ADA para a comprovação da área de reserva legal, conforme a MP nº 2.16667/2001 e precedentes do STJ; · Que o VTN arbitrado está incorreto, e que apresenta laudo de avaliação no qual o VTN é apurado em R$ 1.054,14 no período; · Que, com relação à área de pastagem e de cultivo de vegetais, a empresa era produtora de suínos e produtos derivados de leite mas que, no final da década de 1990, começou a extinguir tais atividades, passando simplesmente a alugar seus pastos e edificações para terceiros; · Que apresenta laudo do INCRA, entre outros documentos, comprovando sua atividade; · Que apresenta laudo do INCRA comprovando o baixo potencial de aproveitamento da área; · Que a multa aplicada é inconstitucional por afrontar o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco; · Que a aplicação da taxa selic como índice de juros é inconstitucional, e que essa taxa não tem previsão legal; e · Ao final, pede que seja retificada a sua declaração do ITR conforme laudos periciais juntados aos autos. Levado a julgamento em 1º grau, a DRJ/BSA proferiu o acórdão nº 03 22.299 (fls. 327/352), de 12/09/2007, que deu provimento parcial à impugnação porém recorreu de ofício de sua própria decisão. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 1TR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. Tendo em vista o pagamento em atraso, realizado após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fica afastada, no caso, a hipótese de decadência, aplicandose, para fins de contagem do prazo decadencial, a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, de acordo com entendimento da RFB. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o contribuinte sido cientificado da lavratura do auto de infração, compreendido as matérias tributadas e exercido de Fl. 912DF CARF MF 4 forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa, não H. que se falar em cerceamento do direito de defesa. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL E DAS ÁREAS DE PRODUTOS VEGETAIS E OCUPADAS COM BENFEITORIAS. Estando as alegações do contribuinte devidamente embasadas em documentos hábeis, cabe acatar as alterações pretendidas em relação à área total do imóvel, às áreas utilizadas com produtos vegetais e ocupadas com benfeitorias, adequando a exigência a sua realidade fática. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação c:e regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA. Com base no rebanho comprovado, cabe recalcular a area servida de pastagens do imóvel, para efeito de apuração de seu Grau de Utilização. A área de pastagem aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a regido onde se situa o imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Cabe rever os VTN arbitrados pela fiscalização, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços dos anos abrangidos pela ação fiscal, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificam o valor apurado pelo autor do trabalho. MULTA DE OFICIO de 112,5%. Não restando caracterizada a tentativa de obstruir ou retardar a fiscalização, é de se cancelar o agravamento da multa de oficio de 112,5%, cabendo a mesma ser fixada no percentual genérico de 75%, a incidir sobre o imposto suplementar remanescente. Intimado da decisão de primeiro grau em 29/10/2007 (fl. 360), o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/11/2007 (fls. 361/376 e docs. anexos fls. 377/384), insistindo nas teses ventiladas em sede de impugnação, especificamente: · Que ocorreu decadência em relação ao ITR/2001 porquanto a intimação de 21/12/2006 deve ser anulada; · Que a ADA pode ser substituída por outros meios de comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente; Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 912 5 · Que o VTN está equivocado vez que o imóvel tem baixo potencial de aproveitamento e está dentro da Área de Proteção Ambiental Sul; · Que a administração pública tem competência para analisar a constitucionalidade de leis e que a aplicação da taxa Selic e da multa de 75% é inconstitucional; e · Que não há previsão legal para a Taxa Selic. Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 220200.548 (fls. 386/396), de 13/05/2010. Neste, o Recurso de Ofício não foi conhecido porquanto o crédito exonerado não ultrapassava o limite de alçada, majorado após a prolatação da decisão de 1º grau de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00. Outrossim, reconheceu a decadência do exercício de 2001 com base no art. 150, §4º, do CTN, e deu provimento ao Recurso Voluntário no mérito em relação ao exercício de 2002. Essa decisão foi objeto de Recurso Especial pela Fazenda Nacional (fls. 400/414 e docs. anexos fls. 415/416), apontando que deveria ser aplicado o art. 173, I, do CTN ao caso concreto, porquanto não houve pagamento antecipado do débito tributário. Esse recurso foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da 2ª SEJUL (fls. 417/422). Enviados os autos para que a DRF procedesse à intimação do Contribuinte, esta opôs Embargos de Declaração da DRF (fls. 425), o qual não foi recebido pelo presidente da turma (fls. 426/428). O Contribuinte, cientificado da decisão do CARF e do REsp também opôs Embargos de Declaração (fls. 437/439), o qual foi recebido pelo presidente da turma (fls. 450/452). Foi então proferido o acórdão CARF nº 220201.519 (fls. 443/449) para retirratificar o acórdão embargado (220200.548), suprimindo as omissões mas mantendo a decisão final. Enviados então os autos à CSRF para análise do REsp, foi proferido o acórdão nº 9202003.574, de 29/01/2015 (fls. 900/906), que reformou o acórdão CARF nº 220200.548 para afastar a decadência, entendendo que deveria ser aplicado o art. 173, I, do CTN ao caso concreto, porquanto não há provas do pagamento antecipado do crédito tributário, e que a intimação ocorreu por correspondência com AR em 21/12/2006. Consequentemente, determinou: "o retorno do processo para Turma recorrida, uma vez que a análise das demais questões de mérito, notadamente quanto às áreas de reserva legal e preservação permanente, se restringiu ao exercício 2002, em face do acolhimento da decadência para 2001, ora reformado, devendo haver o exame das demais alegações suscitadas, exclusivamente, para este último exercício." fl. 906. Tendo em vista que o relator original do processo não mais se encontra no CARF, vieramme distribuídos os autos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Fl. 914DF CARF MF 6 Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Não conheço do Recurso de Ofício, porquanto já julgado no acórdão nº 220200.548. Delimitação da lide: Conforme o quanto determina o acórdão nº 9202003.574, retornam os autos para esta Turma analisar tão somente as questões de mérito referentes ao ITR/2001, vez que a questão de mérito em relação ao ITR/2002 já foi julgada no acórdão CARF nº 220200.548. Ressaltase, outrossim, que o processo já foi objeto de Embargos de Declaração, referente ao qual esta turma já proferiu também o acórdão CARF nº 220201.519, julgando as questões da multa e dos juros. Enfim, que a DRJ já havia dado provimento ao pleito do Contribuinte no tocante ao VTN. Portanto, retornam a julgamento exclusivamente a glosa na DITR/2001 da área de preservação permanente e de reserva legal. Da glosa da área de preservação permanente e de reserva legal: Nesse contexto, por economia processual e para manter a coerência de decisões, considerando que a situação fática para o ITR/2001 é idêntica àquela do ITR/2002, matéria essa já transitada em julgado nesses autos, e considerando que concordo integralmente com a conclusão alcançada no acórdão nº 220200.548, aproveitome dos fundamentos ali externados: " A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de preservação permanente e reserva legal da apuração da base de cálculo do ITR, exercícios 2001 e 2002, só seria possível se o contribuinte tivesse protocolado o ADA junto ao IBAMA. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1 0 , inciso H, letra "a"), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como urna das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). 0 Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explicita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1°) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito "onerosidade", produzido em Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 913 7 decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente 'a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano (art. 1°, lei 9.393/96). A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua — VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1 0, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de "área tributável", entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que à efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da "área aproveitável" e da "área efetivamente utilizada". Considerase como "área aproveitável", a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais Fl. 916DF CARF MF 8 destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entende;e por "área efetivamente utilizada" a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aquicola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7° da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização — GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, corno visto, elementos redutores da "área tributável", e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável — VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da "área tributável", tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e area total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas corno elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4° da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 914 9 Art. 10. §4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas a margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do 1TR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 10 e 12, §1°). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1 0) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso". No que diz respeito a reserva legal ou área de utilização limitada e área de preservação permanente, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, ou seja apesar Fl. 918DF CARF MF 10 do Recorrente não ter protocolado o ADA, isso não tira a natureza jurídica da sua exclusão. Salientese urna vez a própria legislação que rege a matéria não exige tal requisito. O que a Lei 9.393/96 não exige a prévia comprovação por parte do contribuinte, cabe ao mesmo comprovar quando for devidamente intimado pela autoridade fiscal. No caso em concreto no que diz respeito a reserva legal o contribuinte efetuou a averbação de tal área no registro de imóveis em 1992, conforme podemos verificar nos documento de fls. 241 a 255, isso tudo foi ratificado através do laudo de avaliação de fls. 221 a 237. No que diz respeito à área de preservação permanente, entendo que assiste razão ao Recorrente apesar de não ter protocolado o ADA, o laudo de fls. 221 a 237, demonstra que referida área são inaproveitáveis." fls. 392/396; Ressaltase que esse também é o entendimento esposado pelo STJ. Por todos: TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento no sentido de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em recurso especial matérias fáticoprobatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no AREsp 510.529/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/09/2014, DJe 06/10/2014) Nesse sentido, também, recente decisão da CSRF julgada à unanimidade (acórdão nº 9202004.386, de 25/08/2016): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2005 ITR.. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 915 11 legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA. Recurso Especial do Procurador Negado: No corpo do voto o i.Relator amiudou seus fundamentos, explicando o art. 10 da Lei nº 9.393/1996 e o art. 17O da Lei nº 6.938/1981 da seguinte forma: "Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Quanto aos documentos necessários para comprovação da ARL área de Reserva Legal podemos concluir que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levando em conta, dentre outros, ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal, , que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. (...) Nestes termos, conforme descrito no acórdão recorrido, restando comprovada a averbação em data anterior ao fato gerador, devem ser computadas as áreas de reserva legal 37.500/ ha , excluindoas desse modo, da área tributável do ITR no exercício em exame, posto ser esse instrumento capaz de constituir, independente da apresentação do ADA. Esse só se faria exigível caso foi o instrumento adotado pelo sujeito passivo como elemento único e suficiente para comprovar a área descrita na DITR." (grifos no original) Portanto, entendo que deve ser cancelada a glosa também em relação ao ITR/2001. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a glosa das áreas de reserva legal e de preservação permanente em relação ao ITR/2001. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Fl. 920DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Redator designado. Peço licença para discordar em parte do voto do ilustre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, no que tange à questão da área de preservação permanente APP, pelas razões a seguir expostas. Conforme estabelecido pelo Relator, a lide presente trata somente de: Portanto, retornam a julgamento exclusivamente a glosa na DITR/2001 da área de preservação permanente e de reserva legal. Primeiro, anoto que no que diz respeito à exclusão da área de Reserva Legal, o Relator registrou que: No caso em concreto no que diz respeito a reserva legal o contribuinte efetuou a averbação de tal área no registro de imóveis em 1992, conforme podemos verificar nos documento de fls. 241 a 255, isso tudo foi ratificado através do laudo de avaliação de fls. 221 a 237. E pela razão que acima sublinhei, concordo com a conclusão do seu voto, nessa parte. Cito, como exemplo, o seguinte Acórdão da Câmara Superior deste Conselho: Acórdão 9202005.124, Sessão de 14/12/2016 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. (sublinhei) Porém, em relação à área de Preservação Permanente (APP), que não se sujeita à averbação no registro imobiliário, entendo pela necessidade de apresentação do ADA, tempestivamente, no órgão de registro. O Relator anotou que: A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de preservação permanente e reserva legal da apuração da base de cálculo do ITR, Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 916 13 exercícios 2001 e 2002, só seria possível se o contribuinte tivesse protocolado o ADA junto ao IBAMA. (...) No que diz respeito a reserva legal ou área de utilização limitada e área de preservação permanente, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, ou seja apesar do Recorrente não ter protocolado o ADA, isso não tira a natureza jurídica da sua exclusão... (destaquei) Conforme este Redator designado disse no Acórdão 2202003.204, Sessão de 18/02/2016: A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) Assim, por expressa previsão legal, o ADA não se presta tão somente ao recolhimento de Taxa de Vistoria ao Ibama e também observo que a Lei 6.938 é de 1981, mas a alteração foi procedida em 2000, portanto posterior à Lei 9.393/1996. A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. Fl. 922DF CARF MF 14 A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I – de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (grifei) Primeiramente, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Relembrase que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 917 15 flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório Ambiental ADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações Fl. 924DF CARF MF 16 prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos discutindo a existência da área de utilização limitada ou de preservação permanente, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. (...) Com o devido respeito a entendimentos divergentes existentes neste CARF, entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 2202003.813 S2C2T2 Fl. 918 17 informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Nestes autos, apesar de alertado pela DRJ, no Julgamento de 1ª instância, o contribuinte não comprova que tenha apresentado o ADA ao Ibama. Ao contrário, cita jurisprudência e doutrina para entenderse desobrigado de tal Ato Declaratório, para fins de exclusão das áreas, na apuração do imposto. Essa questão da desnecessidade de apresentação "prévia" de qualquer documento na apuração de imposto sujeito a lançamento por homologação, relembro, ocorre analogamente no imposto sobre a renda. O contribuinte declara as deduções legais que entende pertinentes e apura e paga o imposto, antecipadamente, sem qualquer manifestação do Fisco. Não se desincumbe, entretanto, da obrigatória apresentação da documentação prevista em lei e especificada em regulamento, no caso de posterior intimação decorrente de procedimento fiscal. As isenções podem ter caráter fiscal e extrafiscal. Sem dúvida que esta que aqui se discute enquadrase na segunda hipótese. Concedese a mesma no interesse extrafiscal do incentivo à preservação ambiental. O objetivo último da isenção não é, portanto, reduzir o imposto a pagar, mas incentivar a preservação e controlar as áreas de interesse ambiental, como a reserva legal e a preservação permanente. Por isso, além dos requisitos materiais, que o contribuinte entende suficientes, existem requisitos formais, que não foram cumpridos. Para controle das áreas preservadas existe um órgão específico do Poder Público Federal que é o IBAMA. Não me parece lógico que o contribuinte possa beneficiarse da isenção, sem que cumpra o requisito formal de cadastrar e informar o órgão competente sobre as áreas preservadas, para efeitos de controle. Assim, pelas razões acima expostas, entendo que o ADA é requisito formal indispensável ao reconhecimento da isenção da área de preservação permanente APP, e VOTO pela manutenção do lançamento, nessa parte. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 926DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.721803/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VITAMINA D3. MICROVIT D3 PROMIX 500.
Vitamina D3 (Colecalciferol) contendo no mínimo 500.000 Unidades Internacionais, protegida e estabilizada por mistura de gelatina, carboidratos, amido, sacarose, BHT e dióxido de silício, classifica-se na posição 2936 com base na RGI nº 1, tal como estabelecido na Decisão COANA nº 04/1999.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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VITAMINA D3. MICROVIT D3 PROMIX 500. Vitamina D3 (Colecalciferol) contendo no mínimo 500.000 Unidades Internacionais, protegida e estabilizada por mistura de gelatina, carboidratos, amido, sacarose, BHT e dióxido de silício, classificase na posição 2936 com base na RGI nº 1, tal como estabelecido na Decisão COANA nº 04/1999. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 32.641. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Avila e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 18 03 /2 01 2- 93 Fl. 2197DF CARF MF 2 Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 26/12/2012 (fl. 1964), lavrados para exigir as diferenças dos tributos incidentes sobre a importação e as multas relativas ao controle aduaneiro das importações, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota nas declarações de importação do produto MICROVIT D3 PROMIX 500 registradas entre 30/05/2008 e 30/01/2012. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 1938/1959), foi realizada perícia técnica em uma amostra da mercadoria denominada comercialmente como MICROVIT D3 PROMIX 500, importada por meio da DI nº 11/12903587 Adição 02, registrada em 13/07/2011. O contribuinte vinha classificando esse produto sob o código NCM 2936.2921, informando que se tratava de VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL), NÃO MISTURADA, alíquota do Imposto de Importação de 2%: Segundo a fiscalização, a perícia revelou que o produto não é uma vitamina D3 isolada, mas sim uma preparação constituída de Vitamina D3 contendo os seguintes excipientes orgânicos: óleo, amido, gelatina e sacarose, além do excipiente inorgânico a base de dióxido de silício, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração para animais (fl. 1942). A fiscalização afirmou que, em resposta ao quesito 8 do laudo técnico, o perito designado afirmou que os excipientes foram adicionados à vitamina D3 para um fim específico, qual seja, o de tornar o composto uma preparação para entrar na composição de ração animal. Segundo a fiscalização, a adição dos excipientes amido e sílica possui a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem de vitaminas nas rações animais e proteger química e fisicamente as vitaminas durante o processo de mistura com outros componentes na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal). Diante do que foi constatado no laudo técnico, concluiu a fiscalização que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à posição 2936 não autorizam a classificação deste tipo de preparação como uma simples vitamina, uma vez que a adição de substâncias inorgânicas à base de sílica e outras substâncias orgânicas, tornaram o produto apto para um fim específico de preferência à sua aplicação geral, a saber: a utilização exclusiva na produção de ração animal, e, assim sendo, os excipientes encontrados não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas na NESH da posição 2936, in verbis: "Os produtos da presente posição [da posição 2936] podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 3 3 por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas, ou por absorção em susbtâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral." (Grifei) Prossegue a fiscalização narrando que as Notas Explicativas à posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação de alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Conclui a fiscalização que segundo a NESH, uma preparação constituída de vitamina e excipientes é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos "completos" ou "complementares" para nutrição animal, conforme estabelecido na NESH, in verbis: "(...) Esta posição [2309] compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: 1) quer a fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada (alimentos completos); 2) quer a completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentos complementares); 3) quer a entrar na fabricação dos alimentos completos ou dos alimentos complementares. Incluemse nesta posição os produtos dos tipos utilizados na alimentação dos animais, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais e que, por esse fato, perderam as características essenciais da matéria de origem, por exemplo, no caso dos produtos obtidos a partir de matérias vegetais, os que tenham sido sujeitos a um tratamento, de forma que as estruturas celulares específicas das matérias vegetais de origem já não sejam reconhecíveis ao microscópio. (...) C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU Fl. 2199DF CARF MF 4 “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). A concentração, nestas preparações, dos elementos referidos em 1) acima e a natureza do suporte são determinadas, especialmente, de forma a conseguirse uma repartição e uma mistura homogêneas desses elementos nos alimentos compostos a que essas preparações serão adicionadas. (...)" Com base na RGI nº 1; na RGC nº 1, na Nota 1 do Capítulo 23, nos textos da posição 2309 e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado às posições 2936 e 2309, a fiscalização concluiu que o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 deve ser classificado sob o código NCM 2309.9090 outras preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, tributada pelo Imposto de Importação com alíquota de 8%, in verbis: A partir dessa constatação, a fiscalização levantou todas as Declarações de Importação registradas pelo contribuinte que continham importações consignando o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 com a mesma descrição e, com base na presunção relativa estabelecida no art. 68 da Lei nº 10.833/2003, efetuou o lançamento de ofício das diferenças dos tributos incidentes sobre cada importação com os acréscimos legais pertinentes ao lançamento de ofício. Foi lançada a multa regulamentar de 30% do valor aduaneiro em virtude das importações terem ocorrido ao desamparo de licença de importação. Segundo a fiscalização, a Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 4 5 análise laboratorial passou a exigir uma nova licença de importação porque a licença obtida pelo contribuinte amparava a mercadoria descrita nas DI (Vitamina D3 isolada) e não a preparação que foi efetivamente importada. Tendo em vista que o contribuinte omitiu das descrições nas DI o termo "PREPARAÇÃO", entendeu o fisco não ser inaplicável ao caso concreto o Ato Declaratório COSIT nº 12/97. Foi lançada a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão de as mercadorias terem sido classificadas incorretamente pelo importador no código NCM 2936.29.21 VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL). Tendo em vista que a perícia realizada permitiu o reenquadramento da mercadoria importada no código NCM 2309.90.90, ficou comprovado o erro de classificação fiscal. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) Os autos de infração são improcedentes porque a classificação utilizada pelo contribuinte nas importações estava correta. A classificação da vitamina D3 na posição NCM 2936 foi chancelada pela DINON por meio da Decisão COANA nº 004, de 29 de abril de 1999, proferida em processo de consulta formulada pelo SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL SINDIRAÇÕES; 2) A revisão da importação foi efetuada muitos anos após as importações, sendo que no momento do despacho aduaneiro nenhum questionamento foi levantado quanto a qualquer irregularidade nas importações. Se houve algum erro na classificação da mercadoria no momento da importação, tratouse de erro de direito e não de fato. Sendo assim, a revisão aduaneira não poderia ter sido efetuada neste caso, pois o art. 149 do CTN não autoriza a revisão de ofício por erro de direito e a Súmula 227 do TFR veda ao fisco a revisão do lançamento por mudança de critério jurídico; 3) Atacou a multa regulamentar imposta com base no erro de classificação fiscal. Disse que mesmo na hipótese de constatação de erro de direito na classificação fiscal da mercadoria, a multa não pode ser imposta sem que seja verificada a culpabilidade do contribuinte. Se não for comprovado o dolo do importador por esse erro, não há como se impor legitimamente a multa; 4) As multas aplicadas são confiscatórias porque chegam a 120% do valor do tributo lançado, violando o art. 150, IV, da Constituição Federal. Por meio do Acórdão nº 53.925, de 10 de dezembro de 2013, a 23ª Turma da DRJ São Paulo1, julgou a impugnação improcedente. Entendeu a Turma de Julgamento a quo que o produto que foi objeto da consulta formulada pelo SINDIRAÇÕES era diferente do produto reclassificado pela fiscalização neste processo, sendo inaplicável ao caso concreto o enquadramento preconizado pela COANA. No que tange à classificação fiscal propriamente dita, entendeu a DRJ que o laudo técnico comprovou que o produto é uma preparação contendo a vitamina D3 e não a vitamina D3 isolada. A DRJ chancelou a reclassificação fiscal com base nas mesmas regras e justificativas utilizadas pela fiscalização. A DRJ entendeu que no caso concreto foi cabível a revisão aduaneira, com base no art. 149, IV, do CTN, pois houve erro do contribuinte quanto a elemento definido como de declaração obrigatória. As multas foram mantidas, sob a justificativa de que não cabe a análise de alegação de inconstitucionalidade em sede de julgamento administrativo. Entendeu a DRJ que as multas não podem ser revistas com base em juízos de razoabilidade e proporcionalidade entre a infração e a intensidade da pena, pois a lei não permite a dosimetria da pena em matéria tributária. Fl. 2201DF CARF MF 6 Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 24/01/2014 (fl. 2061), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2014 alegando, em síntese, o seguinte: 1) Não existe diferença essencial entre o produto objeto da Decisão COANA nº 04/1999 e o produto importado por meio da DI autuada. Nos dois casos o composto Vitamina D3 é protegido por uma mistura, por uma preparação, um revestimento de gelatina, carboidratos e antioxidantes, sempre contendo no mínimo 500.000 unidades de Vitamina D3. Os produtos apresentam o mesmo componente ativo (a vitamina D3) e diferem apenas em relação aos revestimentos que são ligeiramente diferentes, mas ambos se destinam ao mesmo objetivo, que é estabilizar o componente ativo. Portanto, é insustentável a decisão recorrida quando tenta manter a autuação, sob o fundamento de se tratarem de produtos diferentes; 2) No momento da importação o fisco não levantou qualquer questionamento. Apenas muitos anos depois resolveu a Fazenda Nacional imputar ao contribuinte o cometimento de infrações em relação a fatos geradores efetivamente consumados. Na pior das hipóteses houve erro de direito, e não erro de fato. A revisão do lançamento por erro de direito é vedada não só pelo art. 149 do CTN, mas também pela Súmula 227 do TFR; 3) Quanto à imposição das multas, reiterou que diante da hipótese de erro de direito e da falta de verificação da culpabilidade do contribuinte, é ilegal a imposição de qualquer multa. Contestou a decisão recorrida na parte em que não aplicou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para a exclusão ou redução das multas, pois no caso concreto a penalidade excessiva afronta os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco. Para melhor instrução do processo, e com base no disposto nos arts. 36 e 37 da Lei nº 9.784/99, este relator obteve no Sistema Decisões a Decisão COANA nº 04/1999, que ora se junta aos autos. Muito embora a defesa tenha feito referência ao nome do autor da consulta, este relator, em homenagem ao art. 198 do CTN, apagou os dados do cabeçalho da referida decisão, os quais permitiam a identificação do consulente. Por meio da Resolução nº 3402000.726, de 09 de dezembro de 2015, este colegiado converteu o julgamento em diligência à repartição de origem, solicitando que o perito complementasse o laudo técnico, mediante a apresentação de respostas a oito quesitos complementares. O processo retornou com Laudo Complementar de fls. 2168/2172, contendo as respostas aos quesitos complementares e com uma explicação acerca dos nomes técnicos e científicos das substâncias químicas orgânicas. Regularmente notificado do Laudo Técnico Complementar, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 2186/2191, alegando, em síntese, que as respostas dos quesitos complementares comprovaram que o produto é semelhante ao que deu origem à Decisão COANA nº 004, de 29 de abril de 1999. Considerando que o contribuinte era filiado ao SINDIRAÇÕES, ele está protegido pela interpretação contida na Solução de Consulta da COANA, devendo ser cancelado o auto de infração. É o relatório. Voto Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 5 7 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. Conforme relatado, a fiscalização entendeu que o produto MICROVIT D3 PROMIX 500 é uma preparação que possui uma aplicação específica e, por tal motivo, deve ser classificado na posição 2309 e não na posição 2936, que se destina apenas às vitaminas em estado isolado. A defesa, por sua vez, invocou a seu favor a Decisão COANA nº 04/1999, sustentando que o MICROVIT D3 PROMIX 500 é semelhante aos dois produtos tratados na Solução de Consulta e como o contribuinte é filiado ao SINDIRAÇÕES, está amparado pelo efeito protetivo da consulta, até que a referida interpretação seja revista pela COANA. A COANA entendeu que os produtos objeto daquela consulta não eram preparações, mas sim vitaminas D3 em estado isolado, pois os excipientes adicionados não alteraram o seu caráter de vitaminas. Por seu turno, a DRJ entendeu que o produto objeto deste processo é diferente daqueles que foram consultados porque os nomes comerciais eram diferentes, o que impede a aplicação do entendimento da COANA. A questão a ser decidida por este colegiado é mais de fato do que de direito, pois não se discute que as vitaminas e próvitaminas isoladas se classificam na posição 2936 (pretendida pelo contribuinte) e que as preparações para alimentação animal se classificam na posição 2309 (pretendida pela fiscalização). O problema se resume em saber se os excipientes tornaram a vitamina D3 uma preparação constituída por vários elementos nutritivos ou se esses excipientes estão presentes no produto apenas para conservar e estabilizar a vitamina D3. Conforme descrito na fundamentação da Resolução nº 3403000.726, o Laudo Técnico solicitado pela fiscalização (fls. 08/39) não foi muito claro, pois ao mesmo tempo em que definiu os componentes adicionados à vitamina D3 como sendo excipientes (vide resposta aos quesitos 5, 6 e 7, fls. 21/25), consignou com todas as letras que o produto era uma preparação (vide respostas aos quesitos 2 e 8, fls. 19 e 25). Ora, se a mera adição de excipientes, "em regra", não impede a classificação da vitamina na posição 2936, como então esses excipientes podem transformar o produto em uma preparação? Dizse "em regra" porque nas Notas Explicativas à posição 2936 existe uma ressalva no sentido de que os excipientes não podem alterar o caráter de vitaminas e nem torná las particularmente aptas para usos específicos, in verbis: "(...) Os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: Fl. 2203DF CARF MF 8 por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), por exemplo), mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. (...)" (Grifei) A fiscalização pretendeu valerse dessa ressalva para desenquadrar o produto da posição 2936 e enquadrálo na posição 2309. Entretanto, a obscuridade do Laudo Técnico aliada ao fato de a composição do produto reclassificado (fl. 20) ser semelhante à do produto MICROVIT D3 PROSOL 500, que foi objeto da Decisão COANA nº 04/1999, gerou a necessidade da baixa do processo em diligência, a fim de que o perito prestasse alguns esclarecimentos mediante a resposta a oito quesitos complementares (fls. 2157/2158). Observo aos interessados e aos senhores conselheiros que essa diligência não teve por objeto suprir o ônus da prova que incumbe às partes, pois a providência requerida decorreu de uma necessidade interna do próprio colegiado, que entendeu que o Laudo apresentado era obscuro. A fiscalização e a DRJ ficaram satisfeitas com resposta ao quesito 8 do Laudo original (fl. 25). Mas este colegiado não se satisfez com essa resposta porque o perito, ao tentar explicar o "sim" ao quesito 8, justificou que o emprego dos excipientes cumpria a mesma função que autorizaria a classificação do produto na posição 2936. Ou seja, a explicação do "sim" no quesito 8 está incoerente com a descrição da função dos excipientes que existe nos quesitos 5, 6 e 7 do referido Laudo (fls. 21/25). Se a função dos excipientes se resume a conservar e a estabilizar a vitamina, então a resposta ao quesito 8 deveria ter sido não! No Laudo Complementar de fls. 2168/2173, em que pese a afeição do Senhor Perito por respostas indiretas, ficou esclarecido o seguinte, in verbis: "(...) Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 2205DF CARF MF 10 (...)" Os excertos do Laudo Complementar acima colacionados, revelam que o Senhor Perito respondeu de forma direta apenas aos quesitos complementares 5 e 6 e de forma indireta os demais quesitos. Ficou sem resposta o quesito 4, pois não foi esclarecido se os Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 7 11 excipientes superam ou não as quantidades normalmente necessárias ao transporte e à conservação da vitamina. As respostas acima deixam evidente que o produto MICROVIT D3 PROMIX 500: a) não é uma preparação contendo vários elementos nutritivos; b) os excipientes não alteraram a vitamina D3, mas apenas se prestaram a garantir a estabilidade e a conservação da vitamina; e c) não é possível afirmar que a vitamina D3 perdeu seu caráter geral de uso, sem que seja efetuada uma nova perícia. Ora, a realização de uma nova perícia a esta altura do processo significa a adoção de uma providência destinada a suprir o ônus da prova do fisco, o que, como se sabe, não se coaduna com os arts. 9º e 18 do Decreto nº 70.235/72. Desse modo, à luz do que se extrai do Laudo Complementar, é evidente que as três premissas do raciocínio empregado pela fiscalização não encontram suporte na perícia realizada, não se prestando o Laudo Técnico a lastrear o desenquadramento do MICROVIT D3 500 PROMIX da posição 2936 da NCM. O texto da posição 2309, pretendida pelo fisco, é o seguinte, in verbis: 23.09 Preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais. 2309.10.00 Alimentos para cães ou gatos, acondicionados para venda a retalho 2309.90 Outras 2309.90.10 Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos) 2309.90.20 Preparações à base de sal iodado, farinha de ossos, farinha de concha, cobre e cobalto 2309.90.30 Bolachas e biscoitos 2309.90.40 Preparações que contenham Diclazuril 2309.90.50 Preparações com teor de cloridrato de ractopamina igual ou superior a 2 %, em peso, com suporte de farelo de soja 2309.90.60 Preparações que contenham xilanase e betagluconase, com suporte de farinha de trigo Ex 01 Preparações alimentícias para cães e gatos, não acondicionadas para a venda a retalho 2309.90.90 Outras Ex 01 Preparações alimentícias para cães e gatos, não acondicionadas para a venda a retalho Conforme o entendimento estabelecido na Decisão COANA nº 04/1999, as preparações mencionadas no texto dessa posição são preparações constituídas de vários elementos nutritivos, in verbis: "(...) (...)" Fl. 2207DF CARF MF 12 E essa necessidade da presença de vários elementos nutritivos também consta das Notas Explicativas à posição 2309, a qual foi transcrita pela própria fiscalização no Relatório Fiscal, cujo trecho vai a seguir reproduzido: "(...) Esta posição [2309] compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: (...)" Desse modo, se o laudo complementar esclareceu que não se trata de uma preparação constituída por vários elementos nutritivos e que os excipientes apenas garantiram a estabilidade e a conservação da vitamina D3, é incabível a pretensão fiscal de enquadrar o produto como preparação da posição 2309, o que basta para que este colegiado conclua pela improcedência de todos os autos de infração albergados neste processo. As respostas contidas no Laudo Complementar demonstram que o contribuinte vinha classificando corretamente o produto na posição 2936, não só pelo fato da composição química do MICROVIT D3 PROMIX 500 ser semelhante à do MICROVIT D3 PROSOL 500 (objeto da Solução de Consulta), mas também pelo fato de os nomes técnicos dos dois produtos serem idênticos: Colecalciferol ou 7dehidrocolesterol ativado. No que concerne à composição química dos produtos, a resposta ao quesito 3 do Laudo Técnico original relaciona os seguintes componentes e percentuais em peso (fl. 20): "(...) Já na Decisão COANA nº 04/1999 a composição química do produto MICROVIT D3 PROSOL 500 é a seguinte: "(...) Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10907.721803/201293 Acórdão n.º 3402004.065 S3C4T2 Fl. 8 13 (...)" Cotejandose os dados acima colacionados, verificase que o contribuinte tem razão quando alega a semelhança entre os dois produtos, pois: a) o produto reclassificado pelo fisco possui porcentagem em peso de 1,64%, superior ao mínimo de 1,25%, ou seja, apresenta pelo menos 500.000 UI de vitamina D3; e b) a quantidade de excipientes é praticamente a mesma, sendo 98,36% na amostra periciada e de 96,55% na bula do MICROVIT D3 PROSOL 500. No que concerne ao nome do produto, verificase que o Senhor Perito esquivouse de declinar o nome científico, com base na nomenclatura da IUPAC. Apresentou uma explicação estranha que parece considerar que os nomes técnicos e científicos seriam uma coisa só e declinou os seguintes nomes para o produto: Colecalciferol, 7dehidrocolesterol ativado, calciol (resposta ao quesito complementar nº 1). Já na Decisão COANA nº 04/1999, encontrase os seguintes nomes para o MICROVIT D3 PROSOL 500: Nome técnico: Colecalciferol ou 7dehidrocolesterol ativado Nome científico: 9, 10 secocholesta 5,7,10(19) trien 3beta ol. Conforme se verifica, existe perfeita identidade entre o nome técnico que consta da Solução de Consulta e o nome declinado pelo Senhor Perito no Laudo Complementar. Muito embora o Senhor Perito tenha se esquivado de dizer se o nome declinado no Laudo era o nome técnico ou o nome científico, este relator entende que foi declinado o nome técnico, por ser idêntico ao nome técnico indicado na bula do medicamento que foi objeto da Decisão COANA nº 04/1999. Essa semelhança quanto ao nomes técnicos e quanto à composição química dos dois produtos, produz no espírito do julgador a convicção de que o produto reclassificado pelo fisco, o MICROVIT D3 PROMIX 500, deve ser classificado na mesma posição do produto MICROVIT D3 PROSOL 500, objeto da Solução de Consulta da COANA. A referida posição apresenta os seguintes textos: Fl. 2209DF CARF MF 14 Conforme se constata pela mera leitura do texto da posição, a vitamina D3 encontrase nominalmente citada por um de seus nomes técnicos, devendo ser ai classificada com base no entendimento contido na Decisão COANA nº 04/1999. Se tanto o MICROVIT D3 PROMIX 500, quanto o MICROVIT D3 PROSOL 500, são designados tecnicamente pelo termo "colecalciferol", então ambos devem ser classificados na mesma posição, não tendo o menor cabimento a decisão de primeiro grau na parte em que afirmou que os produtos são diferentes porque os nomes comerciais são diferentes. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar todos os autos de infração albergados neste processo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721666/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
As compensações glosadas e os respectivos fundamentos legais quando perfeitamente demonstradas no conjunto de elementos que compõe os lançamentos fiscais, não se cogita da ocorrência de nulidade.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP - HIPÓTESES LEGAIS.
Em face das disposições da Lei n° 8.212/1991, admite-se a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mão-de-obra ou empreitada. E, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela legislação (inclusive artigo 170-A do CTN) e de acordo com as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS - RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES.
A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal.
Numero da decisão: 2401-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As compensações glosadas e os respectivos fundamentos legais quando perfeitamente demonstradas no conjunto de elementos que compõe os lançamentos fiscais, não se cogita da ocorrência de nulidade. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP - HIPÓTESES LEGAIS. Em face das disposições da Lei n° 8.212/1991, admite-se a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mão-de-obra ou empreitada. E, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela legislação (inclusive artigo 170-A do CTN) e de acordo com as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP. RELATÓRIO DE VÍNCULOS - RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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INOCORRÊNCIA. As compensações glosadas e os respectivos fundamentos legais quando perfeitamente demonstradas no conjunto de elementos que compõe os lançamentos fiscais, não se cogita da ocorrência de nulidade. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP HIPÓTESES LEGAIS. Em face das disposições da Lei n° 8.212/1991, admitese a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada. E, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela legislação (inclusive artigo 170A do CTN) e de acordo com as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP. RELATÓRIO DE VÍNCULOS RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo “Relatório de Vínculos”, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 66 /2 01 3- 87 Fl. 532DF CARF MF 2 constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10140.721666/201387 Acórdão n.º 2401004.860 S2C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 499/522) interposto em face do Acórdão nº. 1449.540 (fls. 458/489), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As compensações glosadas e os respectivos fundamentos legais quando perfeitamente demonstradas no conjunto de elementos que compõe os lançamentos fiscais, não se cogita da ocorrência de nulidade. JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da constitucionalidade das leis, em face das disposições do artigo 26A do Decreto n° 70.235/1972. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP HIPÓTESES LEGAIS. Em face das disposições da Lei n° 8.212/1991, admitese a compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada. E, mesmo nessas hipóteses, a compensação deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela legislação (inclusive artigo 170A do CTN) e de acordo com as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP. RELATÓRIO DE VÍNCULOS RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo “Relatório de Vínculos”, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. Portanto, como não se encontra presentemente instaurada a efetiva responsabilização dos aludidos representantes Fl. 534DF CARF MF 4 legais e administradores do Contribuinte, nada há a decidir a respeito, muito menos exclusão a realizar. PRODUÇÃO DE PROVAS REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. O processo administrativo fiscal, no qual se inserem os lançamentos em análise, está sujeito, quanto à produção de provas, às regras do Decreto 70.235/1972, especialmente no seu artigo 16. Além do mais, a realização de perícia está condicionada a prérequisitos legais específicos, também não integralmente cumpridos pela Impugnação, que, aliás, nem mesmo demonstrou quais os motivos a justificaria. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. No presente processo administrativo fiscal, temse o lançamento fiscal por meio dos DEBCAD´s abaixo identificados, cujos lançamentos foram assim realizados: 51.008.9720 Período: 08/2010 a 09/2011. Objeto: glosas de compensações (falta de trânsito em julgado da ação judicial). Crédito tributário (consolidação em 17/09/2013): R$ 437.174,38 (principal: R$ 299.993,97, juros: R$ 77.181,61 e multa: R$ 59.998,80). Os lançamentos fiscais foram realizados através de levantamento codificado como “C1 – GLOSA DE COMP NÃO AUTORIZ”. 51.049.9201 Período: 08/2010 a 09/2011. Objeto: glosas de compensações (erro de cálculo na apuração das contribuições compensadas). Crédito tributário (consolidação em 17/09/2013): R$ 131.124,33 (principal: R$ 89.903,56, juros: R$ 23.240,05 e multa: R$ 17.980,72). Os lançamentos fiscais foram realizados através de levantamento codificado como “C2 – GLOSA COMP ERRO DE CLACULO”. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10140.721666/201387 Acórdão n.º 2401004.860 S2C4T1 Fl. 534 5 51.049.9210 Período: 08/2010 a 09/2010. Objeto: glosas de compensações (por ter ocorrido a prescrição do direito à compensação). Crédito tributário (consolidação em 17/09/2013): R$ 235.908,41 (principal: R$ 159.888,26, juros: R$ 44.042,50 e multa: R$ 31.977,65). Os lançamentos fiscais foram realizados através de levantamento codificado como “C3 – GLOSA COMP POR PRESCRICAO”. Nos termos do REFISC (fls. 22/29), a autoridade fiscal apurou qie a recorrente ingressou com ação judicial (mandado de segurança) visando a declaração de inexistência de relação jurídico tributária entre o Contribuinte e a Fazenda Nacional, quanto à incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração relativa aos quinze primeiros dias de afastamento em razão de doença ou acidente, sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3. Foi também pleiteado o direito à compensação com recolhimentos dos últimos dez anos (desde 01/01/1996), devidamente corrigidos pela taxa SELIC. Em face dos pleitos da recorrente, o Relatório Fiscal relata as decisões então proferidas (fl. 23): A liminar foi parcialmente deferida para suspender a exigibilidade do credito tributário referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre o adicional de férias e sobre as remunerações pagas aos empregados da impetrante durante os primeiros quinze dias de auxíliodoença e auxílioacidente. Asseverou o Exmo. Magistrado, relator da decisão, que a compensação somente seria devida após o trânsito em julgado da decisão, o que impossibilita a concessão da liminar pleiteada. Tampouco seria possível a concessão de liminar para determinar que a autoridade administrativa abstenhase de adotar as medidas cabíveis no caso da impetrante vir a efetuar a compensação em desacordo com o dispositivo mencionado. No que tange ao prazo, decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região relatou que a impetrante terá direito à compensação da contribuição previdenciária indevidamente recolhida a partir do marco estabelecido no julgado sobredito do E. STF, qual seja, 09 de junho de 2005, observandose a aplicação do prazo prescricional de 05 (cinco) anos. A presente ação foi ajuizada em 08.06.2010, sendo aplicáveis as regras das leis n. 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (art. 66) e 9.032/95, que possibilitavam a compensação de parcelas vincendas de tributos da mesma espécie, porém com a limitação de 30% (trinta por cento), sem prévia autorização da autoridade administrativa, o que não impede a Administração de fiscalizar os valores compensados, desde que seja observada a prescrição qüinqüenal. Assim, como a presente ação foi impetrada em 08.06.2010 os recolhimentos indevidos para serem compensados deverão observar a prescrição qüinqüenal ou seja, só poderão compensar os créditos efetuados a partir de 08.06.2005, respeitado é lógico, o Fl. 536DF CARF MF 6 transito em julgado. Extrato do processo judicial encontrase anexado a este processo fiscal no Anexo V deste processo de crédito. A autuada, entretanto, antes do trânsito em julgado da referida ação, promoveu as compensações relativas às contribuições do período de 08/2010 a 11/2011 (Anexo II do REFISC). Os valores recolhidos, que teriam gerado os créditos compensados, estão informados nos anexos III e IV, que também acompanham o REFISC, em razão de cuja análise a fiscalização constatou a prática do que chamou de "três erros fatais" (fl. 24), quais sejam: Em primeiro lugar desrespeitou a determinação judicial de aguardar o trânsito em julgado da ação. Em segundo lugar efetivou a compensação de contribuições prescritas. E por último, errou ao apurar suas bases de cálculo. Tais erros serão demonstrados na tabela constante do Anexo I deste relatório fiscal. Na sequência, a fiscalização informa como os respectivos dados constantes dos anexos que acompanham o Relatório Fiscal demonstram os valores considerados pela contribuinte e ora glosados nos respectivos lançamentos fiscais. Especificamente quanto às contribuições para outras entidades ou Fundos e para o custeio do seguro e acidente do trabalho, a Fiscalização destaca a ocorrência dos seguintes equívocos (fls. 24/25): 3.9 Na coluna “G” do Anexo I, constam os montantes dos tributos originais que foram compensados, os quais deverão ser glosados por erro na apuração. Primeiramente o contribuinte errou ao compensar as contribuições devidas a outras entidades e fundos com as contribuições previdenciárias. Não é permitido esse tipo de compensação. Somente poderão ser compensadas contribuições de mesma natureza, isto é, previdenciária com previdenciária. Ao calcular o tributo que teria sido recolhido, o fez com a incidência de 3% de contribuições ao RAT, quando na realidade recolheu apenas 2%. Vamos examinar, á título de exemplificação, o valor glosado na linha 96 da planilha do Anexo I. O contribuinte afirma que na competência original 01/2008, a contribuição a ser compensada é de R$ 889,02. Analisando a origem deste crédito, teremos que nos dirigir à quarta página no Anexo IV onde veremos que esta contribuição foi calculada sobre uma base de cálculo de R$ 3.086,68, o que representa 28,8% desta, o que demonstra que a empresa está compensando 20% de Cota patronal, e 3% de contribuição ao RAT e 5,8% de contribuição à outras entidades e fundo. Estamos, portanto, glosando nesta coluna 1% referente ao RAT não recolhido, acrescido de 5,8% que se refere às outras entidades e fundos, totalizando 6,8% da base de cálculo original (6,8%* R$ 3.086,68=R$ 209,91), que acrescidos aos juros calculados pelo contribuinte estão demonstrados na coluna L da planilha do Anexo I, acumulados mensalmente e lançados no código de lançamento C2. Considerando o pleito da autuada, de ver reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos dos últimos dez anos, a Autoridade Fiscal destaca a decisão Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10140.721666/201387 Acórdão n.º 2401004.860 S2C4T1 Fl. 535 7 judicial que negou o pedido, caracterizando o que considerou como realização de compensação para período prescrito (fl. 25): 3.10 Na coluna H da planilha do Anexo I destacamos os valores das glosas de compensação devido ao instituto da prescrição. Na decisão proferida em 03/04/2012 o Desembargador Federal Antônio Cedenho sentencia: “Assim, como o presente mandamus foi impetrado em 08.06.2010 os recolhimentos indevidos para serem compensados deverão observar a prescrição quinquenal ou seja, só poderão compensar os créditos efetuados a partir de 08.06.2005“. Estão sendo glosados, portanto, todos os créditos até a competência original 04/2005, acrescidos dos juros aplicados pelo contribuinte quando da sua compensação (coluna N do Anexo I), acumulados por competência da compensação (coluna M do Anexo I) e lançados no código de levantamento C3. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Apresentada a impugnação (fls. 91/121), esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão acima reproduzido, sendo a contribuinte intimada em 11/04/2014 (fl. 498). Em 12/05/2014 apresenta o seu recurso voluntário (fls. 499/522), onde alega, em síntese: a) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, que teria sido proferida por autoridade incompetente, já que o acórdão recorrido foi lavrado pela DRJ de Ribeirão Preto/SP, fora do domicílio fiscal do contribuinte (Campo Grande/MS). b) inclusão indevida do encargo previsto no DecretoLei 1.025/69, no valor de R$ 174.372,37, pois referido encargo legal só poderia ser exigido a partir do processo de execução do presente débito, após a sua inscrição em dívida ativa; c) equívoco nos fundamentos legais do débito, indicados erroneamente, o que não sustentaria a autuação; d) inaplicabilidade do art. 170A ao caso concreto; e) possibilidade de compensação via GFIP; f) diferença entre o valor compensado e o valor lançado, ante a existência de decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, o qual não fora compensado pela recorrente; g) indevida inclusão dos diretores ou dirigentes no relatório de vínculos; h) ausência de dolo e de materialidade para a lavratura de representação fiscal para fins penais. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminarmente Da nulidade da decisão a quo Alega a recorrente que a decisão administrativa de primeira instância seria nula, por ser proferida por autoridade incompetente e assim estaria violado o devido processo legal administrativo. Segundo a recorrente, por ser a cidade de Campo Grande/MS o seu domicílio fiscal, nesta é que deveria ser julgado o seu recurso de impugnação, e não na cidade de Ribeirão Preto/SP, onde foi proferida a decisão. Mistura suas alegações com questões de ciência do ato administrativo, que não estaria perfeitamente realizado pelo julgamento realizado em outro domicílio. Sem mais, carece de fundamentação o arrazoado da recorrente, não apresentando dispositivos legais que teriam sido diretamente infringidos e/ou demonstrassem desobediência aos ritos do processo administrativo fiscal e as leis que o regem. Por isso, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Da inclusão do encargo previsto no DecretoLei 1.025/69 Alega a recorrente que quando cientificada da decisão de primeira instância, recebeu um DARF para pagamento no qual constaria o valor de R$ 174.372,37, relativo ao encargo legal previsto no DecretoLei 1.025/69. Em que pese a alegação da recorrente, referido DARF não se encontra no processo, pois não acompanha a intimação de resultado do julgamento dos autos fls. 495/497 e tampouco foi juntada cópia do referido DARF pela recorrente. Por essas razões, deixo de apreciar as alegações da recorrente quanto a ilegal/indevida cobrança do referido encargo ante a ausência de comprovação de que tal conduta tenha sido de fato realizada pela autoridade fiscal. Da nulidade do lançamento Erro na Fundamentação Legal O Relatório Fiscal de fls. 22/29 detalha as razões e os fatos que ensejaram o presente lançamento. Ainda, nos anexos do mesmo, encontramse os Fundamentos Legais do Débito ("FLD" fls. 7/8, 13/14 e 18/19). Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10140.721666/201387 Acórdão n.º 2401004.860 S2C4T1 Fl. 536 9 Compulsando referidos documentos, não vislumbro a nulidade apontada pela recorrente, que ensejariam afronta ao artigo 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72. Não se afasta a referida nulidade sob o fundamento da decisão a quo, de que a existência de impugnação em detalhes e com razões de fato e direito atestaria a integralidade do auto. De fato, isto não basta. Todavia, no presente processo administrativo, estão sim presentes os fundamentos legais do lançamento e, ainda, as razões de fato e de direito que ensejam o mesmo, não podendo ser alegada qualquer preterição ao direito de defesa da recorrente, bem como imprecisão no lançamento que enseje dúvidas quanto ao que lhe esteja sendo imputado. Por essas razões, afasto o pedido de nulidade por erro na fundamentação legal. Do art. 170A e das compensações realizadas pela recorrente Alega a recorrente que é indevida a aplicação do art. 170A ao caso concreto, posto que tal vedação não poderia se aplicar as suas compensações realizadas. Primeiramente, vejamos a redação do referido artigo: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Sustenta a recorrente que, pela prevalência dos princípios da razóavel duração do processo, da segurança jurídica, da razoabilidade e da proporcionalidade, poderse ia afastar a aplicação do art. 170A do CTN, para em casos como o presente, permitir a compensação onde a matéria discutida já esteja pacificada nos tribunais superiores, sejam judiciais ou administrativos. Perfeita a colocação da recorrente, a qual, inclusive, me inclino. Todavia, no presente caso, temos que esta resolveu, por mera liberalidade, ingressar com uma medida judicial para ver seus créditos e o seu direito de compensálos reconhecidos, pela força de uma decisão judicial. Porém, como já relatado, a decisão judicial proferida para a recorrente foi no sentido de ser observado o art. 170A no CTN. Ora, a partir do momento que o comando judicial da ação provocada pela própria recorrente, determina a observância do referido dispositivo, caem por terra suas alegações e demonstrase a ilegalidade do seu procedimento legal de compensação, não por afronta simplesmente ao art. 170A do CTN, mas sim À própria decisão judicial que lhe fora imposta. Deste modo, entendo como correto o procedimento da fiscalização em glosar as compensações sob o fundamento de descumprimento do art. 170A do CTN. Da diferença entre o valor compensado e o valor lançado Fl. 540DF CARF MF 10 Alega a recorrente haver equívoco quanto aos valores lançados: a Fiscalização teria computado (glosado) R$ 549.785,79, mas, segundo alega, o valor que teria sido apurado R$ 458.122,14 (soma de duas parcelas: R$ 351.344,10 – relativos a contribuições sobre 1/3 de férias e R$ 106.778,04, relativos a contribuições sobre auxíliodoença/acidente), resultando na diferença de R$ 91.663,65, que seria justamente o valor demonstrado no “anexo III”. Ora, os valores lançados, que correspondem aos valores glosados, são perfeitamente compatíveis com os valores compensados, extraídos das GFIP. Ou seja, em face da falta de justificativa legal, capaz de legitimar as compensações realizadas, estas foram todas glosadas. Caberia à recorrente a obrigação de demonstrar, a partir das compensações realizadas a cada mês, como essas compensações seriam compostas (quais suas parcelas e respectivos motivos das compensações), de forma a demonstrar a legalidade da respectiva operação. A simples alegação de que se trata de compensação fundada em recolhimentos relativos às rubricas auxíliodoença/acidente e terço constitucional de férias legalmente não autorizam as compensações realizadas, pois a circunstância de ter a recorrente apurado outros valores (R$ 458.122,14), como alega, não invalida as glosas, na medida em estas foram realizadas com base nos valores efetivamente compensados e não com base simplesmente nos valores “demonstrados” pela contribuinte através de simples “resumos” de folhas de pagamento. Do relatório de vínculos e da Representação Fiscal para Fins Penais Traz a recorrente alegações quanto a ilegalidade dos dois procedimentos adotados pela fiscalização: a elaboração do Relatório de Vínculos, apontando os diretores e representantes legais da autuada, e a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais. Em que pese os argumentos trazidos, tratase de duas questões já sedimentadas neste Conselho. Primeiramente, quanto ao relatório de vínculos, temos a Súmula CARF nº. 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Quanto à RFFP: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, vem a Súmula nº. 88 corroborar o que já pleiteia a recorrente, ou seja, a inexistência de atribuição de responsabilidade às pessoas físicas relacionadas no Relatório de Vínculos. E, quanto à RFFP, eventuais controvérsias sobre a mesma, não estão no âmbito da competência deste Conselho para análise. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10140.721666/201387 Acórdão n.º 2401004.860 S2C4T1 Fl. 537 11 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901130/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.658
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901130/200953 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.658 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 30 /2 00 9- 53 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901130/200953 Acórdão n.º 3201002.658 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.437. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901130/200953 Acórdão n.º 3201002.658 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901130/200953 Acórdão n.º 3201002.658 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720791/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA ATIVIDADE RURAL.
O lançamento é efetuado de ofício, quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA ATIVIDADE RURAL. O lançamento é efetuado de ofício, quando o contribuinte deixa de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, implicando redução do imposto a pagar ou devido. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 07 91 /2 01 4- 62 Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.688 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10670.720791/201462, em face do acórdão nº 1538.327, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 631 a 658) em razão de trabalho de fiscalização, exercício 2010, ano calendário 2009, que apurou um crédito tributário de R$ 12.523.541,25, lavrado em 20/02/2014 na qual foram verificadas as seguintes infrações: O interessado impugna lançamento dos anoscalendário 2009 e 2010, onde foram tributados os seguintes rendimentos omitidos, que resultaram em imposto de R$ 1.604.318,74: De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte, intimado, fornecera os extratos de suas contas. Os depósitos foram relacionados e encaminhados ao fiscalizado para que Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.689 3 comprovasse a sua origem. Em atendimento, alegara que parte dos depósitos seria recursos notariais, relativos ao exercício da sua função de Oficial de três cartórios na serventia de Janaúba (Registro de Imóveis, Registro de Protesto de Títulos e Registro de Títulos e Documentos/Registro Civil das Pessoas Jurídicas); parte seria receita da atividade rural. Não, porém, elementos que comprovassem individualizadamente esta origem. Após diversas intimações e diligências, restaram comprovadas as origens de alguns depósitos relativos a operações notariais e alguns relacionados com a atividade rural. Foram intimadas pessoas que constavam das guias de transporte animal (GTA) apresentadas pelo contribuinte, as quais forneceram documentos comprovando a venda de gado bovino por parte do fiscalizado e a omissão de receita da atividade rural. Apesar do contribuinte afirmar que seria oficial de cartórios na comarca de Janaúba, foi constatado que exercera esta função somente até o ano de 2007, quando o cartório foi restituído, por ordem judicial, ao oficial titular anterior, tendo reassumido a condição de titularidade somente a partir de agosto/2010. Afirmara que mesmo assim continuava a exercer esta função como oficial substituto. Apesar de afirmar que as movimentações dos recursos do cartório ocorriam em sua conta pessoal, verificouse que o cartório possuía conta própria, como pessoa jurídica. Sobre o imposto resultante da omissão de rendimentos da atividade rural foi aplicada multa qualificada de 150% porque os elementos colhidos pela fiscalização demonstraram que não seria razoável supor que o fiscalizado não tivesse conhecimento das receitas omitidas, pois foram em muito superiores às receitas da atividade rural declaradas. Intimado a discriminar as GTA que corresponderiam a operações de venda de gado, declarara que seriam somente aquelas relativas às receitas declaradas. Mas intimações dirigidas aos destinatários destas guias comprovaram a receita omitida. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda; no máximo são indícios de rendimentos omitidos, cabendo à fiscalização comprovar a efetiva obtenção da renda, o acréscimo patrimonial ou a renda consumida. 2. Não é ilegal a circulação de recursos do cartório pela sua conta corrente pessoal. Dado o volume desta movimentação, é inviável, se não impossível, a comprovação da origem dos depósitos de forma individualizada, com correspondência de data e valor, como quer a autoridade fiscal. De qualquer forma, fornecera todos os comprovantes erelatórios de cálculo da receita bruta mensal global de cada cartório, discriminação de emolumentos, taxas, tabela de valores de serviços notariais e registrais de Minas Gerais, cópias de borderô de descontos, TEDs creditadas, com a identificação dos depositantes, relação de identificação dos responsáveis pelos depósitos na conta, microfilmagem de cheques, demonstrativo de cheques descontados, relação de operações contratadas em 2010 e 2009, Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.690 4 dentre outros. Caberia ao fiscal fazer a confrontação destes documentos com os depósitos, e não ao contribuinte. 3. Não houve acréscimo patrimonial que justifique ou comprove a omissão de rendimentos que lhe atribui o autuante, como se pode verificar na relação de bens adquiridos nos últimos tempos. Pelo contrário, possui um endividamento de mais de R$ 2.000.000,00 frente a instituições de crédito. 4. Não prevalece a informação do autuante de que não seria titular da serventia de Janaúba nos anos 2009 e 2010. Apresenta duas declarações que comprovam a titularidade em questão. 5. Não houve omissão de rendimentos da atividade rural. As guias de trânsito animal não correspondem necessariamente à venda de bovinos. 6. A multa é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 4659/4684, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.691 5 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos anexados em impugnação não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária do contribuinte já foram tributados, a exceção dos já excluídos do lançamento pela DRJ. Assim, persistiu sem comprovação de origem dos depósitos. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido quanto a esta matéria. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Por tais razões, compreendo que não merece provimento o recurso do contribuinte quanto a esta matéria. 2. Omissão de receitas da atividade rural Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.692 6 Consoante relatado, foram intimadas pessoas que constavam das guias de transporte animal (GTA) apresentadas pelo contribuinte, as quais forneceram documentos comprovando a venda de gado bovino por parte do fiscalizado e a omissão de receita da atividade rural. Sustenta o contribuinte, por sua vez, que não houve omissão de rendimentos da atividade rural, alegando que as guias de trânsito animal não correspondem necessariamente à venda de bovinos. Verificase no Relatório Fiscal, especialmente no seu teor entre de fls. 43/60, que a omissão de receitas da atividade rural não foi apurada pelas GTA's, conforme sustenta o contribuinte, mas sim pelos elementos colhidos em diligências junto às pessoas que lhe adquiriram gado bovino. O contribuinte nada alega em relação as provas colhidas nas diligências da Fiscalização. O único argumento desenvolvido por ele para afastar o lançamento em questão é de que guias de trânsito animal não correspondem necessariamente à venda de bovinos. Todavia, ao que se percebe às fls. 43/60, há diversos elementos que dão suporte ao lançamento por omissão de receitas da atividade rural e nenhum dos lançamentos se deu em razão de meras guias de transporte animal (GTA). Assim, entendo que não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido neste ponto. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. 3. Multa caráter confiscatório alegação de inconstitucionalidade Quanto a alegação da recorrente de que a multa aplicada seria inconstitucional, por força do princípio da vedação de confisco, deixo de analisála pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 10670.720791/201462 Acórdão n.º 2202003.839 S2C2T2 Fl. 4.693 7 Fl. 4693DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.907921/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 21 /2 01 1- 70 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.614 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.907921/201170 Acórdão n.º 3402004.017 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000217/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 17 /2 00 9- 71 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.903, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 5 4 Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 6 5 "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 7 6 compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 9 8 Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 10 9 Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 435DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 11 10 caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 12 11 há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 12571.000217/200971 Acórdão n.º 9303005.013 CSRFT3 Fl. 13 12 Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 13749.000556/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1987 a 31/07/1993
RECURSO VOLUNTÁRIO. LEGITIMIDADE RECURSAL. EXISTÊNCIA. CONHECIMENTO.
O contribuinte possui legitimidade, pois se trata de situação sanável (interpretação do art. 996 do Código de Processo Civil vigente, que manteve o espírito condutor da norma do revogado art. 499).
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. FUNRURAL. PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS. SUB-ROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE. PERÍODO ANTERIOR À LEI 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
1. Considerando-se a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerando-se que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, deve-se conhecer de ofício da matéria objeto dos autos.
2. O presente lançamento deve ser cancelado, pois está estribado em dispositivos cuja inconstitucionalidade foi declarada em decisão Plenária do Pretório Excelso, no RE 363.852.
Numero da decisão: 2402-005.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild e, no mérito, por unanimidade de votos, dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor acerca do conhecimento do recurso o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Theodoro Vicente Agostinho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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LEGITIMIDADE RECURSAL. EXISTÊNCIA. CONHECIMENTO. O contribuinte possui legitimidade, pois se trata de situação sanável (interpretação do art. 996 do Código de Processo Civil vigente, que manteve o espírito condutor da norma do revogado art. 499). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. FUNRURAL. PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS. SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE. PERÍODO ANTERIOR À LEI 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria objeto dos autos. 2. O presente lançamento deve ser cancelado, pois está estribado em dispositivos cuja inconstitucionalidade foi declarada em decisão Plenária do Pretório Excelso, no RE 363.852. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 05 56 /2 00 8- 60 Fl. 219DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild e, no mérito, por unanimidade de votos, darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor acerca do conhecimento do recurso o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Theodoro Vicente Agostinho Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13749.000556/200860 Acórdão n.º 2402005.764 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A Fiscalização de Contribuições Previdenciárias FCP constituiu em face do sujeito passivo as contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais no período de 10/87 a 07/93 (fl. 4). Irresignada com a DecisãoNotificação DN nº 037/95 (fl. 59), que julgou procedente o débito retificado, a contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (fl. 70). Por unanimidade, a 8ª Câmara de Julgamento do CRPS deu provimento ao recurso, para anular a citada DN e determinar que outra fosse emitida em seu lugar (fls. 77/79). Depois de inúmeras manifestações da FCP, segundo as quais a decisão daquele colegiado seria descabida, prolixa, imprecisa, etc (fls. 88, 98), foi determinado, após reiteradas solicitações (fls. 131, 134, 163 e 164), o envio dos autos à Presidência daquele Colegiado, para saneamento do acórdão então proferido. Os autos foram encaminhados à 2ª Câmara que, por unanimidade, anulou o acórdão da 8ª Câmara e determinou a intimação do sujeito passivo acerca da reabertura do prazo recursal (fls. 166/167). Inicialmente, foi efetuada a tentativa de notificação da empresa na pessoa do representante legal João Coelho de Alencar (fls. 172/173), mas a correspondência retornou com a mensagem de que a empresa estaria extinta (fl. 176), o que levou a administração fazendária a notificar o sujeito passivo na pessoa do outro representante legal, a Senhora Vera Lúcia de Siqueira Alencar (fls. 176/177 e 185). A citada representante legal foi notificada em 08/08/07 (fl. 177) e interpôs recurso, em seu próprio nome, em 10/09/2007 (fls. 185 e 187/188), no qual deduziu as seguintes teses: a) ratifica as razões de recurso de fl. 51; b) não há diferenças a recolher no período de novembro de 1991 a julho de 1993; c) a recorrente fez os recolhimentos no período de julho de 1987 a outubro de 1993; d) a fiscalização deixou de compensar o crédito em favor da recorrente; e) a recorrente sempre recolheu o Funrural nos anos anteriores à NFLD e, a partir da notificação, os produtos passaram a ser adquiridos de comerciante atacadista. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso administrativo deve atender a determinados pressupostos objetivos e subjetivos de admissibilidade, tais como legitimidade, interesse, cabimento, competência, inexistência de fatos impeditivos ou modificativos, etc. O atual Código de Processo Civil, de conformidade com o entendimento doutrinário e jurisprudencial pacífico existente antes de sua edição, contém regra expressa segundo a qual ele é aplicável aos processos administrativos, ex vi de seu art. 15. Neste caso concreto, muito embora tenha sido observado o prazo legal de trinta dias, observase que o recurso foi interposto por terceiro, e não pela contribuinte autuada. Vejase que, segundo os despachos/informações de fls. 176 e 185, a signatária do recurso foi notificada na condição de segunda representante legal da empresa, e não na condição de parte, mesmo porque ela não foi arrolada como solidária ou responsável tributária no transcorrer deste processo. A título ilustrativo, vale transcrever o conteúdo das referidas informações: 1 Conforme envelope anexado às fls.143, a correspondência enviada ao representante legal da empresa o Sr. João Coelho de Alencar, retornou com a seguinte informação feita pela ETC: "Firma Extinta". 2 Sendo assim, nesta data, reenviamos a correspondência para o outro representante: A Srª Vera Lúcia de Siqueira Alencar. 3 Aguardese [...] Observese, ainda, que foi feito mero reenvio da correspondência anterior, com endereçamento para a Senhora Vera na condição de representante legal da contribuinte, e não na condição de parte. Nos autos, não havia e não há qualquer despacho ou decisão redirecionando a cobrança à pessoa física. O fato, aliás, de os Correios terem devolvido a correspondência anterior, com a informação de que a empresa estaria extinta, evidentemente não implica imputação automática de solidariedade ou responsabilidade à signatária do recurso, diante da inexistência de qualquer ato decisório para tanto. O posterior despacho/informação de fl. 185 deixa claro o que se alega: 1 Em atendimento ao despacho de fls. 140, datado de 30/04/2007 informamos: a) Que o processo foi recebido no PAT/Magé em 03/07/2007; Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13749.000556/200860 Acórdão n.º 2402005.764 S2C4T2 Fl. 4 5 b) Que enviamos a DN 17625.0 nº 079/98, ao representante legal da empresa, conforme ofício de fls. 142 porém, a correspondência retornou com anotação da ECT "FIRMA EXTINTA". c) Que reenviamos a correspondência ao segundo representante legal da empresa tendo a mesma sido recebida em 08/08/2007, conforme AR anexado às fls. 145; d) Que comandamos no SICOB o evento "reabertura de prazo para recurso". [...] Acrescentese, ademais, que a correspondência enviada era obviamente dirigida ao "Prezado responsável" da "Distribuidora Avícola Joaves Ltda" (v. fl. 172), mormente porque a decisão que lhe deu origem foi proferida nos autos de que ela era e é parte (v. fls. 166/167). Em sendo assim, é inquestionável a ilegitimidade da Senhora Vera para a interposição do recurso. Na dicção do art. 996 do Código de Processo Civil vigente, que manteve o espírito condutor da norma do revogado art. 499 do Código anterior, o recurso pode ser interposto pela parte vencida e até pelo terceiro interessado, mas o terceiro interessado está obrigado a demonstrar a possibilidade de a decisão atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual (parágrafo único do art. 996), o que não foi realizado em tempo algum, como se depreende da leitura da peça recursal de fls. 189/190. Eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça a respeito dessa matéria com destaques: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA. ADVOGADO TITULAR DO CERTIFICADO DIGITAL UTILIZADO PARA ASSINAR A TRANSMISSÃO ELETRÔNICA DO DOCUMENTO SEM PROCURAÇÃO OU SUBSTABELECIMENTO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. 1. Carece de interesse recursal quem não é parte no processo e sequer demonstra eventual condição de terceiro interessado. 2. É necessário que o advogado titular do certificado digital utilizado para assinar a transmissão eletrônica da petição recursal possua procuração e/ou substabelecimento nos autos. Caso contrário, o recurso é tido por inexistente, a teor da Súmula 115/STJ. 3. Agravo não conhecido. (AgRg no AREsp 683.539/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 21/10/2016) Em suma, o recurso não deve ser conhecido, já que interposto por parte manifestamente ilegítima. Fl. 223DF CARF MF 6 Como esta relatoria poderá ser vencida no conhecimento, passase à análise de mérito. 2 Mérito Referese o presente a lançamento de débito lavrado em 30 de novembro de 1993, concernente a diferenças de contribuições previdenciárias oriundas da comercialização de produtos rurais adquiridos diretamente de produtor rural, no período de outubro de 1987 a julho de 1993. Segundo se depreende do anexo "DISPOSITIVOS LEGAIS NFLD 31 720 2219" de fl. 15, tais contribuições estão amparadas no art. 25 da Lei 8.212/1991, ao passo que a responsabilidade da recorrente está alicerçada no art. 30, incs. III, IV e X, na condição de adquirente de produtos rurais. Ocorre que há questão que deve ser conhecida e julgada de ofício. Isso porque o § 1º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF prevê que fica vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em caso de diploma normativo já declarado inconstitucional por decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Ademais, a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13749.000556/200860 Acórdão n.º 2402005.764 S2C4T2 Fl. 5 7 as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. É que o presente lançamento está estribado em dispositivos cuja inconstitucionalidade foi declarada no emblemático julgamento abaixo, em decisão Plenária do Pretório Excelso. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL0021701 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Acrescentese, ainda, que os períodos de apuração são anteriores à edição da Lei 10.256/2001, não sendo aplicável ao caso vertente a conclusão adotada no julgamento do RE 718874, com repercussão geral reconhecida. Logo, o presente lançamento, que está amparado em dispositivos inconstitucionais, deve ser cancelado. Fl. 225DF CARF MF 8 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Todavia, tendo sido vencido no conhecimento, votase no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13749.000556/200860 Acórdão n.º 2402005.764 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho Redator Designado Recurso é o instrumento voluntário de impugnação usado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual, objetivando a reforma, a invalidação, a integração ou o esclarecimento da decisão anterior. No presente caso, o contribuinte possui legitimidade, pois tratase de situação absolutamente sanável, inclusive utilizandose de interpretação do art. 996 do Código de Processo Civil vigente, que manteve o espírito condutor da norma do revogado art. 499 do Código anterior, o recurso pode ser interposto pela parte vencida e até pelo terceiro interessado. Diante do acima exposto, votasse no sentido de CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Theodor Vicente Agostinho Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.724350/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES. INSUBSISTÊNCIA
O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso.
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA
Eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não enseja a nulidade do feito, por ser mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, especialmente no que diz respeito à competência do Auditor Fiscal para efetuar a apuração do tributo devido.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA
Para fins de aplicação da regra decadencial, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN.
FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO
Os acontecimentos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos documentos é possível firmar a convicção de que as empresas terceirizadas, optantes do SIMPLES, constituem empresas interpostas utilizadas para contratar empregados com o objetivo de se furtar ao pagamento das contribuições previdenciárias.
ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS AO SEBRAE, INCRA E SAT. INSUBSISTÊNCIA
Sobre as questões de ilegalidade suscitadas não é permitido o controle de constitucionalidade pela Administração Tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/77. O mesmo comando pode ser extraído da Súmula CARF nº 2.
PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
No caso de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, deverá ser comparada a multa de 24% da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75% da nova sistemática.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Restou demonstrada a configuração da conduta tendente sonegar tributos intencionalmente, justificando a qualificação da multa.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AFASTAMENTO DO PÓLO PASSIVO. ART. 135 DO CTN.
Ante a ausência de prova de configuração dos pressupostos descritos em lei que ensejariam a responsabilidade tributária solidária da pessoa física não sócia, tão somente procuradora da empresa, deve ser a mesma afastada do polo passivo do presente processo administrativo.
Numero da decisão: 2401-004.909
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir do pólo passivo o Sr. Ricardo Adolpho Caetano. Vencida em primeira votação a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negava provimento ao recurso. Vencida a relatora e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para limitar a multa do auto de infração por descumprimento de obrigação principal a 20% para os fatos geradores até 11/08 e aplicar a multa do art. 32-A ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento parcial em maior extensão, além do proposto pela relatora, para excluir do pólo passivo os demais responsáveis solidários e afastar a qualificadora da multa na competência 12/08. Designada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a relatora, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES. INSUBSISTÊNCIA O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não enseja a nulidade do feito, por ser mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, especialmente no que diz respeito à competência do Auditor Fiscal para efetuar a apuração do tributo devido. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN. FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO Os acontecimentos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos documentos é possível firmar a convicção de que as empresas terceirizadas, optantes do SIMPLES, constituem empresas interpostas utilizadas para contratar empregados com o objetivo de se furtar ao pagamento das contribuições previdenciárias. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS AO SEBRAE, INCRA E SAT. INSUBSISTÊNCIA Sobre as questões de ilegalidade suscitadas não é permitido o controle de constitucionalidade pela Administração Tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/77. O mesmo comando pode ser extraído da Súmula CARF nº 2. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. No caso de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, deverá ser comparada a multa de 24% da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75% da nova sistemática. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Restou demonstrada a configuração da conduta tendente sonegar tributos intencionalmente, justificando a qualificação da multa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AFASTAMENTO DO PÓLO PASSIVO. ART. 135 DO CTN. Ante a ausência de prova de configuração dos pressupostos descritos em lei que ensejariam a responsabilidade tributária solidária da pessoa física não sócia, tão somente procuradora da empresa, deve ser a mesma afastada do polo passivo do presente processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir do pólo passivo o Sr. Ricardo Adolpho Caetano. Vencida em primeira votação a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negava provimento ao recurso. Vencida a relatora e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para limitar a multa do auto de infração por descumprimento de obrigação principal a 20% para os fatos geradores até 11/08 e aplicar a multa do art. 32-A ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento parcial em maior extensão, além do proposto pela relatora, para excluir do pólo passivo os demais responsáveis solidários e afastar a qualificadora da multa na competência 12/08. Designada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a relatora, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS INFRAÇÕES. INSUBSISTÊNCIA O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal MPF não enseja a nulidade do feito, por ser mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, especialmente no que diz respeito à competência do Auditor Fiscal para efetuar a apuração do tributo devido. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN. FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO Os acontecimentos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos documentos é possível firmar a convicção de que as empresas terceirizadas, optantes do SIMPLES, constituem empresas interpostas utilizadas para contratar empregados com o objetivo de se furtar ao pagamento das contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 43 50 /2 01 3- 00 Fl. 440DF CARF MF 2 ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS AO SEBRAE, INCRA E SAT. INSUBSISTÊNCIA Sobre as questões de ilegalidade suscitadas não é permitido o controle de constitucionalidade pela Administração Tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/77. O mesmo comando pode ser extraído da Súmula CARF nº 2. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. No caso de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, deverá ser comparada a multa de 24% da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75% da nova sistemática. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Restou demonstrada a configuração da conduta tendente sonegar tributos intencionalmente, justificando a qualificação da multa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AFASTAMENTO DO PÓLO PASSIVO. ART. 135 DO CTN. Ante a ausência de prova de configuração dos pressupostos descritos em lei que ensejariam a responsabilidade tributária solidária da pessoa física não sócia, tão somente procuradora da empresa, deve ser a mesma afastada do polo passivo do presente processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 441 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir do pólo passivo o Sr. Ricardo Adolpho Caetano. Vencida em primeira votação a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negava provimento ao recurso. Vencida a relatora e a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para limitar a multa do auto de infração por descumprimento de obrigação principal a 20% para os fatos geradores até 11/08 e aplicar a multa do art. 32A ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento parcial em maior extensão, além do proposto pela relatora, para excluir do pólo passivo os demais responsáveis solidários e afastar a qualificadora da multa na competência 12/08. Designada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a relatora, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 442DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, conforme ementa do Acórdão nº 1450.430 (fls. 309/363): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da inconstitucionalidade das leis. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, que objetiva operacionalizar a execução do planejamento tributário, não opondo óbices às determinações legais do CTN e legislação, quanto às atribuições e responsabilidades do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em relação ao lançamento fiscal. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais, mesmo quando constituam jurisprudência predominante nas instâncias superiores do Poder Judiciário, devem ser consideradas sob as perspectivas de seus efeitos legais, pois apenas as decisões proferidas em controle concentrado de constitucionalidade, e, ainda assim, desde que atendidos os respectivos requisitos legais, seriam capazes de impedir, no âmbito desta decisão, a aplicação das normas formalmente vigentes. DOUTRINA. Considerando o positivismo que preside o sistema legislativo nacional e o princípio da estrita legalidade aqui aplicável, não é dado a esta instância de julgamento administrativo a faculdade de ignorar ou afastar a aplicação da lei formalmente vigente, ao sabor das teses doutrinárias, por mais brilhantes que sejam. MULTAS MULTIPLICIDADE – EFEITO CONFISCATÓRIO. Tratandose de lançamentos fiscais específicos relativos a créditos tributários absolutamente distintos (contribuições patronais, para terceiros e penalização por descumprimento de obrigação tributária acessória, respectivamente) não há que se falar simplesmente em penalização pelo mesmo fato jurídico. Na realidade, um mesmo fato jurídico – a desconsideração de uma situação jurídica (a contratação de empregados por interpostas pessoas) desencadeou o surgimento de consequências jurídicas Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 442 5 múltiplas, todas, reiterando, com sanções legais próprias, específicas e não excludentes. Além do mais, a fixação das multas de acordo com os percentuais e parâmetros legais estabelecidos exclui no contexto desta decisão a possibilidade de emissão de juízo de inconstitucionalidade ou mesmo a redução das multas aplicadas, a pretexto de serem excessivos os percentuais aplicados. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. Demonstrada a presença dos requisitos legais (objetivos e subjetivos), é viável responsabilização tributária e solidária dos administradores. DECADÊNCIA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES LEGAIS PREVISTAS NA PARTE FINAL DO PARÁGRAFO QUARTO DO ARTIGO 150 DO CTN. Caracterizada a ocorrência das hipóteses legais previstas no final do parágrafo quarto do artigo 150 do CTN, aplicase, em matéria da determinação da decadência, a regra do inciso I do artigo 173 do CTN. NOTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DO CONTRIBUINTE. A comunicação ao Contribuinte de ato praticado ou ocorrido no âmbito do processo administrativo fiscal deve se dar na forma das respectivas disposições legais do seu regulamento. PRODUÇÃO DE PROVAS REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. O processo administrativo fiscal, no qual se inserem os lançamentos em análise, está sujeito, quanto à produção de provas, às regras próprias e específicas. Além do mais, a realização de diligência ou perícia está condicionada a pré requisitos legais específicos, também não integralmente cumpridos pela Impugnação, que, aliás, nem mesmo demonstrou quais os motivos a justificaria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Para o período de 01/2008 a 12/2008, foi realizada Ação Fiscal, na qual foram apurados Créditos Tributários no montante total de R$ 1.545.162,13, já acrescidos de multa e juros, além da multa por descumprimento de obrigações acessórias no valor de R$ 188.909,38 (Demonstrativo Consolidado fl. 02), constantes nos seguintes Autos de Infração lavrados em 06/12/2013: 1. DEBCAD nº 37.372.1439, que tem como objeto o descumprimento de obrigação tributária acessória: apresentação de GFIP com dados Fl. 444DF CARF MF 6 não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. (fl. 158); 2. DEBCAD nº 37.372.1447, que tem como objeto as contribuições previdenciárias a cargo do empregador (fls. 159/175); 3. DEBCAD nº 37.372.1455, que tem como objeto as contribuições para terceiros/outras entidades: FNDE salárioeducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE (fls. 176/189). O Auditor Fiscal, em seu Relatório (fls. 03/14) diz que: 1. Até novembro de 2011, o Contribuinte não contratou empregados e se utilizou exclusivamente de mãodeobra fornecida pelas empresas AMPEG – Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 58.437.146/000189), MHR – Serviços Administrativos Ltda. (CNPJ 09.610.800/000107), TW – Tratamento Térmico Ltda. (CNPJ 40.801.284/000130), UNITRAT – Tratamento Térmico Ltda. (CNPJ 04.270.603/000164) e WI – Serviços Administrativos Ltda. (CNPJ 09.610.797/000113), todas optantes do sistema Simples Nacional, razão pela qual considerou que o Contribuinte “se utilizou do artifício de terceirização de mão de obra de forma irregular e simulada... assim obtendo vantagem tributária por não estarem sujeitas ao recolhimento das contribuições citadas no item 1, sobre Folha de Pagamento”; 2. Todos os funcionários, formalmente contratados pelas empresas prestadoras de serviços, são de fato empregados do Contribuinte e embasa sua afirmação nos fatos e circunstâncias a seguir relatadas: · O Contribuinte assumiu, durante todo o período fiscalizado, o pagamento de diversas despesas diretas das prestadoras de serviços (Anexos A, B, C, D e E), evidenciando a falta de capacidade financeira para suportar despesas tais como FGTS, DAS (Simples Nacional), telefonia, energia elétrica, Contribuição Sindical, dentre outras; · As prestadoras de serviços mantinham “dedicação exclusiva” com o Contribuinte; · O Contribuinte realizou pagamentos e assumiu despesas (Anexo II), tais como Assistência Médica e aquisição de Uniformes, que, por sua natureza, se referem aos segurados empregados e por isso deveriam ser custeados pelas prestadoras de serviços; · Restou demonstrado, através de certidões da JUCESP, a compatibilidade entre as atividades das prestadoras e a atividade fim do Contribuinte, bem como o reduzido capital social delas; · Nos contratos de prestação de serviços celebrados com as prestadoras de serviços UNITRAT e TW, os únicos Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 443 7 apresentados, foram encontradas uma série de cláusulas que na prática não se confirmaram; · As prestadoras aceitavam, conforme cláusula 3.9 dos contratos disponibilizados, receber pagamentos com duplicatas de emissão da TOMADORA, configurando um gerenciamento de caixa único, diluído em várias empresas; · Quanto à forma de administração e representação das prestadoras, foi identificado pela fiscalização, além da terceirização de cargos de chefia e gerência, uma evidente confusão funcional; · O Auto de Infração nº 02.147.6829, lavrado pela Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, evidenciou a contratação de mãodeobra através de empresas interpostas, no caso a TW e UNITRAT; 3. As Bases de Cálculo foram obtidas a partir das informações prestadas em GFIP pelas prestadoras de serviços e consolidadas no anexo III (Planilhas A a E); 4. Foram também examinados pela Fiscalização os comprovantes de recolhimentos, GFIP, livros contábeis e contrato social com suas alterações; 5. Em função da conduta dolosa adotada pelos administradores foi aplicada multa qualificada sobre a obrigação principal (fls. 10/11); 6. Na fixação da multa, foram consideradas, para o período até 04/12/2008, as repercussões das alterações introduzidas na Lei 8.212/1991 pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009), adotandose a sistemática de multa menos onerosa ao Contribuinte; 7. Para a competência de 12/2008 foi aplicada a multa agravada, nos termos do artigo 35A e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, em face das alterações determinadas pela MP 449/2008, em face da constatação da prática de dolo, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964 e artigo 18, inciso I do Código Penal; 8. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais; 9. A prática adotada pelo Contribuinte deuse por todo o período fiscalizado e destaca que os fatos sugerem clara e seguramente a prática deliberada de redução artificial das contribuições devidas, estendendo a responsabilidade de tais práticas aos administradores, Srs. Ricardo, Benedito e Daniel, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária e pelas razões de fato e de direito relatadas nos itens 32/37 (fls. 13/14). Fl. 446DF CARF MF 8 O Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados em 12/12/2013 (fls. 158/189). Os sujeitos passivos solidários RICARDO ADOLPHO CAETANO, CPF nº 248.106.82897, BENEDITO PEDRO DE ÁVILA, CPF nº 818.906.13800 e DANIEL FENYVES SADALLA DE ÁVILA, CPF nº 296.352.81838, foram cientificados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 190/209 em 12/12/2013. Em 10/01/2014, contribuinte e os sujeitos passivos solidários apresentaram em conjunto, tempestivamente, Impugnação (fls. 213/276, documentos anexos nas fls. 277 a 303), onde, em síntese, pedem que: 1. Seja anulado integralmente os autos de infração, diante da sua evidente nulidade e iliquidez: · Uma vez que incluiu créditos tributários já extintos pela decadência, nos termos do artigo 156, V c/c art. 150, §4º do Código Tributário Nacional; · Ou pela falta de fundamentação probatória apta a demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições cobradas; · Ou ainda pela ausência de mandado de procedimento de fiscalização em relação às pessoas físicas dos Impugnantes; · Ou mesmo pela iliquidez dos cálculos em razão da não compensação dos valores já recolhidos pelas prestadoras de serviço, nos termos do item III.2 “C” da impugnação (fls. 241/246); · Ou pela ilegal inclusão na base de cálculo de contribuições inconstitucionais, conforme demonstrado nos itens III.2. “F”, “G” e “H” da impugnação (fls. 253/262). 2. Alternativamente, caso não se entenda pela anulação, seja julgada improcedente a autuação: · Em razão da regularidade da relação contratual estabelecida entre as empresas prestadoras de serviços contratadas e o Contribuinte e da não caracterização do vínculo de emprego entre os empregados daquelas empresas e o Contribuinte, nos termos do item III.2 “B” da impugnação (fls. 227/241); · Ou para se determinar a exclusão dos Impugnantes, pessoas físicas, do pólo passivo da presente autuação, tendo em vista que não restou caracterizado o preenchimento de qualquer requisito para a imputação da responsabilidade solidária, nos termos dos itens III.2 “D” e “E” da impugnação (fls. 246/253). Finaliza requerendo a procedência, ao menos, parcial da defesa administrativa, para que: 1. Seja determinado o recálculo dos valores para se compensar os valores já recolhidos pelas prestadoras de serviço a título de Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 444 9 contribuições previdenciárias incidentes sobre os mesmos fatos geradores, realizados no âmbito Simples Nacional; 2. Sejam afastados do montante devido as verbas acometidas pela decadência e as contribuições destinadas ao SEBRAE, INCRA e ao SAT; 3. Sejam reduzidos os percentuais das multas, cujos fatos geradores ocorreram até 11/2008, para o patamar de 20%, conforme a jurisprudência pacífica do CARF; 4. Seja reduzida a multa de ofício para o patamar de 75%; 5. Seja extinto o AI nº 37.372.1439, em razão dos fundamentos expostos no item III.2 “L” da impugnação (fls. 269/274); Protesta pela juntada de novos documentos e declarações não colacionados nesta oportunidade, em função da exiguidade do tempo e do volume envolvido, bem como pela produção de outras provas, como perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências, tudo em atendimento ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 17ª Turma da DRJ/RPO, está julgou, por unanimidade de votos, pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, ficando mantidos os créditos tributários lançados. O Contribuinte tomou conhecimento do Acórdão nº 1450.430 em 09/06/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações (Termo de Abertura à fl. 368). Os sujeitos passivos solidários RICARDO ADOLPHO CAETANO, BENEDITO PEDRO DE ÁVILA e DANIEL FENYVES SADALLA DE ÁVILA, foram cientificados do Acórdão de Impugnação em 20/06/2014 (fl. 370), 24/06/2014 (fl. 371) e 24/06/2014 (fl.372). Em 08/07/2014 o Contribuinte, juntamente com os responsáveis solidários, apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 374/437), onde: · Requer seja reformada a decisão recorrida para anular integralmente a autuação (Autos de Infração nºs. 37.372.1439, 37.372.1447 e 37.372.1455), diante da sua evidente nulidade e iliquidez, uma vez que incluiu créditos tributários já extintos pela decadência, nos termos do artigo 156, V c/c art. 150, §4º do Código Tributário Nacional; pela falta de fundamentação probatória apta a demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições cobradas; pela ausência de mandado de procedimento de fiscalização em relação às pessoas físicas ora Recorrentes; ou mesmo, pela iliquidez dos cálculos em razão da não compensação dos valores já recolhidos pelas prestadoras de serviço; ou pela ilegal inclusão na base de cálculo de contribuições inconstitucionais. Fl. 448DF CARF MF 10 · No caso de não se entender pela anulação dos Autos de Infração, requer que seja julgada improcedente a autuação em razão da regularidade da relação contratual estabelecida entre as empresas contratadas e a Thermix e da não caracterização do vínculo de emprego entre os empregados daquelas empresas e a Recorrente Thermix; ou para se determinar a exclusão dos Recorrentes pessoas físicas do pólo passivo da presente autuação, tendo em vista que não restou caracterizado o preenchimento de qualquer requisito para a imputação da responsabilidade solidária. · Por fim, requer a procedência, ao menos, parcial do presente recurso administrativo, para que: 1. seja determinado o recálculo dos valores para se compensar os valores já recolhidos pelas prestadoras de serviço a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os mesmos fatos geradores, realizados no âmbito Simples Nacional; 2. sejam afastados do montante devido as verbas acometidas pela decadência e as contribuições destinadas ao SEBRAE, INCRA e ao SAT; 3. sejam reduzidos os percentuais das multas, cujos fatos geradores ocorreram até 11/2008, para o patamar de 20%, conforme a jurisprudência pacífica do CARF; 4. seja reduzida a multa de ofício para o patamar de 75%; 5. seja extinto o AI nº 37.372.1439, em razão dos fundamentos expostos no Recurso Voluntário (fls. 431/436), por ser medida de JUSTIÇA. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 445 11 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de forma conjunta pela empresa e responsáveis solidários, dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade dos Autos de Infração por falta de comprovação da ocorrência das infrações Asseveram os Recorrentes que o lançamento teve como base de apuração os valores constantes nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs das empresas prestadoras de serviços, no entanto, a fiscalização não instruiu os Autos de Infração com qualquer documento que pudesse demonstrar que efetivamente ocorreram os fatos relacionados nas bases tributáveis, o que acarreta na sua nulidade. Segundo a peça recursal, não restou demonstrada a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições, pelo que os Autos de Infração devem ser julgados nulos de pleno direito, afastandose os débitos nele constituídos. Entendo que não assiste razão à Recorrente. Isso porque, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso, procedeu a apuração do tributo devido com a demonstração constantes nos anexos do Auto de Infração. O lançamento foi efetuado em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como de acordo com as normas contidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal em relação às pessoas físicas – Cerceamento do direito de defesa Aduz em Recurso Voluntário que seria necessária a prévia existência de mandado de procedimento fiscal intimando as pessoas físicas recorrentes e lhes conferindo todas as garantias e meios de defesa inerentes ao contribuinte que se encontra sob Fiscalização. De acordo com o posicionamento majoritário do CARF o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, Fl. 450DF CARF MF 12 especialmente no que diz respeito à competência do Auditor Fiscal para efetuar a apuração do tributo devido. Nesse sentido destacase posição firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: “VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso voluntário negado.” (2ª Turma da CSRF, Processo nº 10280.001818/200355 – Acórdão nº 920201.757– Sessão de 27/09/2011) Ademais, não vislumbro o prejuízo alegado pelos Recorrentes em seu direito à ampla defesa, na medida em que ocorreu a devida intimação do lançamento, oportunizando aos sujeitos passivos solidários a apresentação de suas alegações de defesa, o que foi feito através de impugnação e recurso voluntário. Assim, rejeito a alegação de nulidade suscitada quanto à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal com relação aos sujeitos passivos solidários. Decadência Suscita os Recorrentes a decadência com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. Isso porque, aduz que ocorreu antecipação de pagamento das contribuições previdenciárias, embora parcialmente, além de não ter ocorrido a prática de qualquer conduta que pudesse caracterizar a sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Com efeito, para fins de aplicação da regra decadencial, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, submetido ao rito do art. 543C do CPC1, firmou entendimento no sentido de que, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN; aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, quando o sujeito passivo antecipa, ainda que parcialmente, parte do pagamento do tributo devido. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foram editadas as Súmulas 72 e 99, que assim dispõem: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 446 13 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Pois bem. Compulsando os autos, verifico que não restou configurada a antecipação do pagamento. Nos documentos de fls. 283/295 não há como identificar a qual contribuição se refere, razão porque não se caracteriza a antecipação do pagamento com vistas a atrair o art. 150, § 4º do CTN. Ademais, pelo conjunto probatório constatase a ocorrência das condutas de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme será adiante analisado. Assim, deve ser aplicada a contagem do prazo estabelecido no art. 173, I do CTN. Dessa forma, como o lançamento foi formalizado em 12/12/2013 (data da notificação dos lançamentos) e compreende as competências de janeiro/2008 a dezembro/2008, o prazo decadencial teve sua contagem iniciada em 01/01/2009, encerrandose em 31/12/2013, do que resulta a conclusão de que não ocorreu a decadência da constituição do crédito tributário. Do Mérito Da relação contratual estabelecida entre as empresas e da caracterização do vínculo de emprego entre os empregados das empresas do Simples e a Recorrente Conforme se extrai da acusação fiscal, a Recorrente não possuía empregados até 11/2011, tendo se utilizado do artifício da terceirização de mão de obra de forma irregular, com as empresas do Simples, indicadas no item 5 do Relatório Fiscal. O convencimento da fiscalização foi formado através da constatação dos registros contábeis da Thermix onde a empresa assumiu o pagamento de diversas despesas diretas das prestadoras de serviços, evidenciando a falta de capacidade financeira das empresas do Simples, conforme anexos adunados à acusação fiscal de fls. 25/63. Também foram levados em conta os contratos de prestação de serviços com as empresas prestadoras; a dedicação exclusiva destas; a terceirização de mão de obra e a lavratura de auto de infração do Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, a fiscalização considerou os trabalhadores registrados nas empresas prestadoras de serviços como empregados da Recorrente, tendo para tanto, procedido ao lançamento por arbitramento, com base no § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. As bases de cálculo foram obtidas nas GFIP’s das empresas prestadoras constantes no Anexo III, Planilhas “A” até “E”. Em razões recursais, assevera que a relação jurídica estabelecida com as prestadoras tem natureza de direito privado e que a fiscalização não poderia considerar os empregados da prestadora como sendo da própria Recorrente, por mera presunção, sem a Fl. 452DF CARF MF 14 comprovação dos demais requisitos que caracterizam a relação de emprego. Disserta sobre a legitimidade da terceirização. Ao contrário do que afirma a Recorrente, o princípio da primazia da realidade sobre a forma, autoriza a fiscalização a desconsiderar os atos privados quando demonstrada as situações jurídicas para fins tributários (art. 142 do CTN). No caso das relações trabalhistas deve ser observado os artigos 9º e 444 da CLT. Conforme bem esclarece o Relatório Fiscal, nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática e não a incorretamente formalizada: o denominado princípio da primazia da realidade sobre a forma. Por esse princípio a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal utilizado para documentar o contrario, pois as circunstâncias e o cotidiano na relação empregatícia pode ser diversa daquilo que ficou documentado, podendo por isso gerar mais obrigações e direitos entre as partes. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma. O ponto a ser verificado é se a terceirização de mão de obra, por si só, configuraria ilegalidade. Nesse diapasão, a Súmula nº 331 do TST assim preceitua: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciado a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 447 15 abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Com efeito, os limites da terceirização na atividadefim da pessoa jurídica são bastante questionáveis. Atualmente a Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017 estabelece as regras sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. A situação configurada no item I da Súmula 331 é exatamente aquela em que a empresa cria uma situação jurídica, ao contratar trabalhadores através de empresa terceirizada, com claro objetivo de se furtar ao pagamento de tributos. Nesses casos, formase o vínculo diretamente com o tomador dos serviços. Não se trata aqui das formas de contratação estabelecidas na Lei nº 6.019/74, mas sim a tentativa de burlar a realidade fática existente caracterizadora da obrigação tributária (art. 114 do CTN). Com relação à atividademeio, o item III da referida Súmula 331 assevera que não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância de conservação e limpeza, bem como serviços especializados ligados a atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Em alegações recursais, aduz a contribuinte que contratou serviços ligados a atividademeio, tais como, vigilância, limpeza e informática, os quais não fere em absoluto a Súmula 331, conforme afirmado pela Fiscalização. Ocorre que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer comprovação das referidas alegações. A formalidade do vínculo empregatício já foi verificada junto às empresas terceirizadas, no entanto, os acontecimentos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos documentos de fls. 25/63 é possível firmar a convicção de que as empresas terceirizadas optantes do SIMPLES constituem empresas interpostas utilizadas para contratar empregados com o objetivo de se furtar ao pagamento das contribuições previdenciárias. Nesse diapasão, por bem elucidar a questão, trago excerto do voto da Delegacia de julgamento conforme adiante de vê: As prestadoras de serviços (fornecedoras de mãodeobra), além de constituírem as únicas formas de contratação de pessoal do Contribuinte, proviamno, não apenas dos “operadores” e “auxiliares”, mas também das próprias “chefias” (veja a previsão à fl. 96 e às fl. 107), inclusive “gerências” (fl. 108). Assim, até mesmo os exercentes de cargos de chefia eram contratados através das prestadoras de serviços, que, por seu turno, mantinham um único negócio: o fornecimento de mãode obra para o Contribuinte (o que foi constatado pela emissão de documentos fiscais em sequência para o “único cliente” – o próprio Contribuinte). Sob este aspecto – o da caracterização do vínculo empregatício entre o Contribuinte e os empregados (formalmente vinculados aos fornecedores de mãodeobra) não há que se considerar, pois, a alegação de que não estariam presentes nos autos os requisitos legais caracterizadores dos vínculos de emprego, pois Fl. 454DF CARF MF 16 não se cuida aqui da determinação da existência de vínculos empregatícios (estes já formalmente reconhecido pelos fornecedores de mãodeobra em relação aos respectivos empregados fornecidos a terceiro), mas sim da determinação do real empregador, que, neste caso, a Fiscalização acertadamente considerou como sendo o Contribuinte. Aliás, a ocorrência dos requisitos caracterizadores da relação de emprego – pessoalidade, onerosidade, subordinação – foram previamente reconhecidos pelos fornecedores da mãodeobra, ao formalizar os respectivos de contratos de trabalho (depois, em novembro de 2011, “transferidos” para o Contribuinte). Pelas mesmas razões, nem há que se considerar, também, a questão de estar (ou não) parte dos empregados vinculados à atividademeio (e não à atividadefim do Contribuinte). Pois, também sob este aspecto, releva aqui discutir não simplesmente a função de cada empregado, mas sim quem é efetivamente o empregador, que, no final das contas, pode contratar (e contratou) empregados, seja para a sua atividadefim, seja para a atividademeio. Dessa forma, com base no conjunto probatório adunado aos autos os quais corroboram com as conclusões a que chegou a Fiscalização, entendo que deve ser mantido o lançamento. Dos valores já recolhidos Pleiteia em Recurso a dedução dos valores já recolhidos pelas empresas terceirizadas. Não assiste razão a Recorrente. Isso porque o § 6º do art. 56 da IN RFB nº 1.300/2012 veda a compensação nos seguintes termos: § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ademais, trata de empresas com CNPJ distintos, razão da impossibilidade de compensação. Da ilegalidade da cobrança das contribuições ao SEBRAE, INCRA e SAT Sobre as questões de ilegalidade suscitadas pelos recorrentes, imperioso se faz destacar a proibição de controle de constitucionalidade pela Administração Tributária. O Decreto nº 70.235/77, que regula o processo administrativo, traz norma expressa acerca do tema: Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 448 17 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) O mesmo comando pode ser extraído da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, tendo em vista a atividade administrativa plenamente vinculada, não pode o agente fiscal deixar de aplicar a legislação de regência ao caso concreto, observando a ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, rejeito os argumentos aduzidos pelos Recorrentes. Da aplicação da multa mais benéfica Assevera o Recorrente que para fatos geradores ocorridos até 11/2008, deve ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte conforme determina o art. 106 do CTN. As normas relativas à aplicação da multa por descumprimento de obrigações principais e acessórias, à época do fato gerador e com as mudanças atuais, assim determinam: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 456DF CARF MF 18 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 449 19 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se constata, com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, ocorreram profundas alterações no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). Atualmente, nos termos do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de penalidades, sendo a cobrança efetuada em valor único, por força do disposto no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1999. Diante dessas considerações, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, verificando qual o critério mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para efeitos da apuração da multa da obrigação acessória, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN, a norma anterior, ou a norma atual, nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes acima transcritos. No lançamento de obrigação principal a multa deve ser limita da ao percentual de 20%. Fl. 458DF CARF MF 20 Da multa qualificada A contribuinte se insurge contra a aplicação da multa de ofício qualificada inscrita no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, para a competência 12/2008. Segundo a Fiscalização, ocorreram as condutas de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 que assim dispõe: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Pelo conjunto probatório analisado, entendo que não assiste razão a Recorrente, haja vista a dissimulação na contratação de serviços das empresas optantes do SIMPLES, com a finalidade de elidir contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e das outras entidades e fundos. Conforme bem analisou o Auditor Fiscal, a contribuinte “se utilizou do artifício de terceirização de mão de obra de forma irregular e simulada... assim obtendo vantagem tributária por não estarem sujeitas ao recolhimento das contribuições citadas no item 1, sobre Folha de Pagamento”; todos os funcionários formalmente contratados pelas empresas prestadoras de serviços eram de fato empregados da Recorrente; Embasa sua afirmação no fato da Recorrente ter assumido, durante todo o período fiscalizado, o pagamento de diversas despesas diretas das prestadoras de serviços, evidenciando a falta de capacidade financeira para suportar despesas básicas operacionais, tais como, tributos, telefonia, energia elétrica, Contribuição Sindical, Assistência Médica e aquisição de Uniformes; As prestadoras de serviços ainda mantinham “dedicação exclusiva” com o Contribuinte; Assim, ressai regular a qualificação da multa aplicada em percentual de 150%, haja vista o conjunto de elementos carreados aos autos que respaldam a existência da conduta do sujeito passivo com vistas a excluirse do pagamento de tributo devido. Da sujeição passiva solidária Pleiteiam os recorrentes a exclusão do polo passivo do presente Processo administrativo, das pessoas físicas apontadas como sujeitos passivos solidários, por não haver fundamento legal ou fático para se atribuir a responsabilidade aos Impugnantes pessoas físicas, uma vez que a Fiscalização não comprovou a prática de qualquer das condutas prevista no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional e por não restar comprovada a conduta classificada nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 450 21 A acusação fiscal fundamenta a inclusão dos sócios como responsáveis tributários, com base no inciso III do art. 135 do CTN que assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O Relatório Fiscal aponta como sujeito passivo solidário o Sr. Ricardo Adolpho Caetano e os administradores Benedito Pedro de Ávila e Daniel Fenyves Sadalla de Ávila, com fundamento no art. 135 do CTN. De acordo com os documentos adunados aos autos, o Sr. Ricardo não é sócio administrador da empresa Thermix, mas tão somente procurador, não tendo poderes para praticar atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, razão porque o excluo da sujeição passiva solidária. Quanto aos administradores Benedito Pedro de Ávila e Daniel Fenyves Sadalla de Ávila, deve ser mantida a responsabilidade solidária, por restar configurada que a gestão da empresa se deu com excesso de poderes, além de infração ao contrato social e a Lei. Com efeito, a sonegação prevista no art. 337A, referese ao fato de suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.983, de 14.7.2000). Analisando a acusação fiscal e todo o conjunto probatório carreado aos autos, entendo por correto o posicionamento adotado pela autoridade autuante, haja vista que os sócios agiram com excesso de poderes ao contrato social da empresa ao criarem uma situação jurídica irreal, com a prática de dissimulação para o não pagamento dos tributos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para aplicar a multa mais benéfica, limitada a 20% (vinte por cento) com relação aos fatos geradores até 11/2008; excluir o Sr. Ricardo Adolpho Caetano do polo passivo como responsável tributário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 460DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo da ilustre relatora quanto a multa mais benéfica a ser aplicada. Nesse sentido, é elucidativo o voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão CSRF nº9202004.006: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art.35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13888.724350/201300 Acórdão n.º 2401004.909 S2C4T1 Fl. 451 23 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 462DF CARF MF 24 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, foi feito o comparativo entre a sistemática anterior 24% e o AIOA, e a multa atual do art. 35A, justamente aplicandose aquela que fosse mais benéfica ao recorrente no momento da lavratura. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. (...) Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. A multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430, de 1996 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Esclareçase que não cabe a comparação da multa de 24%, da regra anterior, com a multa de 20%, da nova regra, pois se trata de multas aplicadas em relação a fatos distintos, ou seja, a multa de 24% era aplicada de ofício, por meio de uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), e a multa de 20% incide sobre pagamento espontâneo, feito em atraso. Do exame dos autos, verificase que a autoridade fiscal procedeu corretamente a esse comparativo para as competências até 11/2008 (fls.9/10). O critério adotado respeita a proibição de dupla penalização pela prática de uma mesma conduta infracional e compara penalidades incidentes sobre condutas idênticas. Assim, entendo que o procedimento fiscal mostrase correto, inexistindo reparos a se fazer no lançamento fiscal. Por todo o exposto, nesse tocante, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 463DF CARF MF
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