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Numero do processo: 10166.005495/2007-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1
Conforme Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO - NÃO CABIMENTO - SÚMULA CARF Nº 17
Numero da decisão: 2002-001.219
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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MULTA DE OFÍCIO - NÃO CABIMENTO - SÚMULA CARF Nº 17 Afasta-se a multa de ofício nos lançamentos esfetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade do crésito tributário estiver suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 54 95 /2 00 7- 17 Fl. 173DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento (e-fls. 134 a 142), relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo de emprego. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 12.544,15, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às dos autos, no qual o contribuinte alega, conforme decisão da DRJ: Na impugnação apresentada, As fls.1, o contribuinte informa que por orientação da CERES — Fundação de Seguridade Social, os valores recebidos a titulo de Suplementação de Aposentadoria por idade não poderiam ser declarados, uma vez que estavam sendo tributados e depositados em conta judicial na Caixa Econômica Federal conforme decisão judicial em anexo. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSA que, por unanimidade, em 19/05/2009, no acórdão 103-30.930, às e-fls. 104 a 110, não conheceu da impugnação apresentada sob o fundamento de concomitância entre instâncias judicial e administrativa. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 08/07/2009, apresentou recurso voluntário, às e-fls. 122 a 170, no qual alega, em resumo, que: Em 02/08/2000 o contribuinte acima identificado ajuizou ação contra a Fazenda Pública litigando contra a bi tributação do Imposto de Renda sobre a mesma fonte; Tal matéria está sendo julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4 a Região no sentido de declarar a inexigibilidade do imposto naquele período sobre a parte da complementação de aposentadoria; o resultado dessa ação foi proferida decisão cautelar da Juiza da 4 a Vara Federal Dra. Lilian Botelho Neiva (anexo III), concedendo a antecipação da tutela em 21/08/2000 determinando que a União se abstivesse de proceder o recolhimento relativo do imposto, logo não há que se exigir que o contribuinte declare os rendimentos recebidos pela mesma fonte pagadora que ficou obrigada a recolher os valores a titulo de Imposto de Renda e depositá-los em uma conta judicial para ser discutido a bitributação; para que não reste qualquer dúvida quanto a diferença entre os objetos das duas ações (judicial e administrativa) a ação judicial trata-se de bitributação por motivos de conflitos de regras nos anos de 1989 a 1995, enquanto no processo administrativo o objeto é especificamente a cobrança de um crédito tributário referente ao ano de 2002-ano Fl. 174DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 calendário e 2003 -ano exercício, que foi omitido pelo contribuinte por motivos aqui já relatados; o contribuinte encontra-se com 78 anos, tem doença grave (Cardiopatia Grave), conforme laudos médicos (anexo V); a cobrança do referido imposto sobre os proventos de aposentadoria do contribuinte, está desta forma, o orgão fiscalizador, antecipando o transito em julgado da sentença, pois está forçando um crédito tributário com exigibilidade suspensa; comprovou através de documentos que os valores foram recolhidos e depositados na conta judicial acima citada e logo após o contribuinte ficou isento do pagamento do imposto por ser portador de doença grave conforme laudo em anexo. colaciona o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 para afastar a multa de ofício; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 25/06/2009, e-fls. 120, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/07/2009, e-fls. 122, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento (e- fls. 134 a 142), relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo de emprego. A DRJ não conheceu a impugnação apresentada pelo contribuinte sob fundamento de concomitância de instâncias, como se vê: Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Dessa feita, considera-se que a contribuinte, ao recorrer A esfera judicial, manifestou sua recusa A instância administrativa, já que a matéria discutida nesta jurisdição está sendo objeto também de discussão junto ao Poder Judiciário, o qual tem prevalência sobre a administrativa. Portanto, impedida está a autoridade administrativa julgadora de apreciar o mérito da matéria tratada no presente processo. O contribuinte, em sua impugnação alega que o objeto (pedido e causa de pedir) da ação judicial (processo n°. 2000.34.00.026068-9) é distinto do que se discute no presente processo administrativo fiscal. Em relação às partes envolvidas em ambos os processos, não resta dúvida quanto a coincidência das mesmas. Quanto ao objeto, na ação judicial discute-se a retenção de Fl. 175DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 imposto de renda sobre os valores pagos pela Fundação de Seguridade Social dos Sistemas EMBRAPA e EMBRATER — CERES. A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I - importação de produtos estrangeiros; II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III - renda e proventos de qualquer natureza; IV - produtos industrializados; V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI - propriedade territorial rural; VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Logo, a ação foi ajuizada em face da União Federal, para que esta se abstenha de proceder o recolhimento do imposto de renda dos rendimentos relencados na ação judicial. Eis a decisão da magistrada no referido processo: Ante o exposto, defiro o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, para que a União se abstenha de proceder o recolhimento relativo ao Imposto de Renda sobre os valores pagos pela Fundação CERES, na forma de aposentadoria suplementada, determinando que seja oficiada a Administração do Fundo de Seguridade Social dos Sistemas EMBRAPA e EMBRATER para que deposite em juizo, o valor correspondente As quantias retidas sob esse titulo. Como o presente processo está-se discutindo exatamente a omissão de rendimentos e a conseqüente omissão na informação em relação ao imposto de renda retido na fonte, de competência da União, entendo pela concomitância de instâncias, conforme Súmula nº 1 CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Como o contribuinte alega, em suas razões recursais, que não há concomitância de instâncias, tal argumento precisou ser enfrentado por este julgador, motivo pelo qual o conhecimento do recurso fez-se necessário. Ainda, sem sua peça recursal o contribuinte faz alegações de que seus rendimentos seriam isentos vez que acometido por moléstia grave. Fl. 176DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art.39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI-os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII-os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO - RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL - LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO - LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO - Fl. 177DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO - O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anos-calendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 106-16928 - 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Desta forma, em momento algum o contribuinte demonstrou cumprir os requisitos legais. Quanto a aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, segue o teor do dispositivo legal: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Ainda, sobre a incidência de multa de ofício em lançamentos efetuados para prevenir a decadência, este CARF editou a seguinte Súmula Vinculante: Súmula CARF n° 17 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vinculante, conformePortaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Por todo exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 178DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.219 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.005495/2007-17 Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909851/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica.
O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação.
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-006.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (Recuperação de despesas), 7193000605 (Recuperação de despesas) e 7193000606 (Recuperação de multa). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da restrição constante na legislação tributária de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se pode admitir a alteração do pedido original por meio da manifestação de inconformidade, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da compensação declarada, não havendo espaço para análise da procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da transmissão da declaração de compensação. A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide originalmente acerca da homologação ou não da compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 98 51 /2 01 1- 23 Fl. 218DF CARF MF 2 A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência do PIS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, incluise no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: PORTOBENS ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 219 3 Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850721148201195, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 109 e seguintes do “processo principal” transmitida em 28/11/2008 que se refere ao recolhimento da Cofins relativo ao período de apuração de novembro/2004. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 462 e seguintes do “processo principal”, proferido em 14/6/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 287 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; Fl. 220DF CARF MF 4 ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art.65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 220 5 Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de repercussão geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário (Carlos Daniel), neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é recorrente aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. No caso concreto, o processo de pedido de compensação formulado pelo contribuinte, por meio de PER/DCOMPs, não foi homologado pela DRF SÃO JOSÉ DO RIO PRETO porque foi constatado que inexistia crédito disponível suficiente relativo ao DARF indicado e visto que todo o valor estaria alocado para extinguir débitos declarados na DCTF apresentada, conforme o constante do despacho decisório em anexo. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas e livro Diário que indicam, supostamente, a existência de receitas estranhas ao conceito de faturamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da Fl. 222DF CARF MF 6 natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente, que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu o Auditor Fiscal que o contribuinte concorda que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS e do PIS as receitas referentes ao recebimento das taxas de inscrição e taxas de administração, porém, de forma divergente ao entendido pela Recorrente, afirma que nas rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis abaixo indicadas deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições: Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo aquelas receitas financeiras e estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse o PIS a pagar apurado na diligência do período de apuração de 30/06/2001 em confronto com o pagamento do período informado na Perdcomp, obtendose o valor recolhido a maior, conforme planilha juntada nas fls. 193. Por fim, apurou na mesma planilha o valor do crédito reconhecido em cada Perdcomp constante do processo em epígrafe, limitandose o reconhecimento do crédito até o valor pedido. Preliminarmente, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento sobre essa questão, ao Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 221 7 qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). No mérito, a Recorrente se insurge contra a inclusão das receitas constantes na tabela anteriormente indicada na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, pois, no seu entender, tais receitas são estranhas ao conceito de faturamento, não estando de acordo com o julgado do STF no RE 585.235/MG. Ressalta que, no referido Recurso Extraordinário, o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecido como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, conclui ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, notadamente os valores registrados nas contas contábeis: n. 7193000602 – “Ressarcimento desp. legais judiciais”; n. 7193000603 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000605 – “Recuperação de despesas”; n. 7193000606 – “Recuperação de multa”; e n. 7193000607 – “Receitas Diversas”. Temse o alcance do termo faturamento ou receita bruta como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante assentado no RE nº 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Fl. 224DF CARF MF 8 Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (negrito nosso) Nesse passo, cabe a este Colegiado decidir se as rubricas contábeis citadas guardam identidade com o conceito de faturamento, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, em sintonia com o assentado no RE nº 585.2351/MG. Inicialmente, oportuno fazer algumas considerações sobre a natureza jurídica das recuperações de despesas/custos, pois a Recorrente argui que essas rubricas contábeis sequer possuem natureza de receitas. Entendo que o conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, diversamente ao argumentado pela Recorrente, entendo que as recuperações de custos/despesas são conceitualmente receitas, devendo compor o faturamento ou receita bruta, e sua exclusão da base de cálculo da base de cálculo das contribuições deveria ser veiculada em lei, o que não se identifica na legislação vigente. Confirmando esta natureza, transcrevo o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (negrito nosso) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 222 9 Dessa forma, no caso ora analisado, o fato da Recorrente aduzir que algumas das rubricas contábeis consideradas pela Fiscalização têm natureza de redução de custos/despesa, isso não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso III do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão do CARF caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevese a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) No presente caso, observase que todos os valores recebidos à título de recuperação de custos/despesas estão acordados em contrato padrão, abaixo reproduzido, e integram os valores pagos habitualmente à Recorrente pelos consorciados. Além disso, como bem pontuado pela Autoridade Fiscal, as administradoras de consórcios tem como receita principal a taxa de administração, mas podem também receber outros valores, desde que previstos nos contratos de adesão, inclusive recuperação de custos/despesas, multas e juros moratórios pagos pelos consorciados no caso de atraso nos pagamentos das parcelas contratadas. Em conseqüência, tais valores devem ser considerados receitas operacionais pois são habituais e típicos do negócio desenvolvido pela empresa. Abaixo, transcrevese cláusula do contrato social do contribuinte, que denota o seu objeto social, bem como, é reproduzido parcialmente o contrato padrão utilizado nos negócios do contribuinte no período analisado: Contrato Social Contrato Padrão de Negócios Fl. 226DF CARF MF 10 Dessa forma, mesmo que se afaste o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, julgado inconstitucional na sistemática dos repetitivos no RE nº 585.2351/MG, ainda assim os valores registrados nas rubricas contábeis aqui discutidas integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". Ademais, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza (recuperação custo/despesa) dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos/despesas de incorridos e os reembolsos recebidos pela Empresa. Assim, as argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por documentos comprobatórios suficientes, tais como as planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações essas que não foram identificadas no presente processo. Por fim, tendo em vista que todas as Perdcomps do processo foram apresentadas dentro do interstício de 5(cinco)anos da data dos pagamentos, não foi observada a ocorrência de prescrição. Dessa feita, deve ser reconhecida a existência parcial de direito creditório da Recorrente do período de apuração de 30/06/2001, na forma indicada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS e do valor do CRÉDITO PASSÍVEL DE RECONHECIMENTO elaborada pela fiscalização, constante do campo crédito reconhecido (fls. 193), devendo compor a base de cálculo da contribuição as contas abaixo relacionadas, conforme consta na Informação Fiscal (fls.194 a 198): 7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7193000602 RESSARC DESP LEGAIS JUDIC Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 223 11 7193000603 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTA 7193000607 RECEITAS DIVERSAS Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, manifestei interesse em apresentar declaração de voto para elucidar as questões pelas quais entendo que o provimento parcial do recurso voluntário deveria ser concedido em maior extensão, para abranger as parcelas que não se enquadram no conceito de faturamento. Não obstante o I. Relator tenha buscado diferenciar os conceitos de receita e faturamento, entendo que estes conceitos ficaram mesclados em seu voto, com todo respeito. Importante, com isso, traçar uma distinção entre os conceitos de receita e faturamento.1 Como é assente, com a edição da Lei 9.718/98 e a indicação pelo legislador ordinário de que o faturamento ou receita bruta da pessoa jurídica corresponderia à “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98), foi instaurada uma extensa discussão na doutrina e na jurisprudência quanto ao conceito de faturamento indicado, à época, no art. 195, I, da CF/88, em sua redação originária, como materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias. Essa discussão ganhou ainda maior relevância com a publicação, em dezembro de 1998, da EC 20/98, pela qual foi alterada a redação do art. 195, I, CF/88 para indicar, além do faturamento, o termo receita como uma materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias no art. 195, I, ‘b’, CF/88. 1 Para maiores considerações, na seara doutrinária, vide: DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Receita como elemento de incidência do PIS e da COFINS: conceito jurídico x conceito contábil. In: MURICI, Gustavo Lanna; CARDOSO, Oscar Valente; RODRIGUES, Raphael Silva. (Org.). Estudos de direito processual e tributário em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Plácido, 2018, p. 841861. Fl. 228DF CARF MF 12 O conceito constitucional de faturamento incorporado pelo texto constitucional, depreendido do DecretoLei 2.397/87 ao definir a base de cálculo do extinto FINSOCIAL é o produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços auferidos pelas pessoas jurídicas. 2 Esse foi o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 346.084, um dos primeiros precedentes quanto à inconstitucionalidade do mencionado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual o conceito de faturamento, sinônimo de receita bruta, não pode ser considerado como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica referindo se, apenas, “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”3. Posteriormente, especialmente em função da discussão envolvendo o faturamento das instituições financeiras, a expressão “totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços” passou a ser indicada na jurisprudência como “a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”4, ou seja, aquelas auferidas exclusivamente no exercício de seu objeto social. Vejase que, ao contrário do que pretende aduzir o relator em seu voto, o exercício da atividade empresarial deve guardar relevância com o objeto social da pessoa jurídica para se enquadrar no conceito de faturamento. Essa necessária correspondência com o exercício da atividade social da pessoa jurídica é depreendida, inclusive, do conceito legislativo de receita bruta introduzido pela Lei n.º 12.973/2014 que alterou o art. 12 do DecretoLei no 1.598/19775, indicando que a receita bruta é aquela auferia pela pessoa jurídica no exercício do objeto social principal, dentre as quais aquelas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, bem como as receitas auferidas em função da realização de operações de conta alheia.6 As polêmicas em torno do conceito de faturamento foram igualmente relevantes para sedimentar o conceito de receita indicado no texto constitucional, tomado como o gênero no qual se inclui o faturamento, abrangendo todos os valores recebidos, a qualquer título, pela pessoa jurídica7. Assim, os conceitos de receita e faturamento não se confundem. A manifestação de José Souto Maior Borges traz uma clara distinção entre os dois conceitos: 2 Conforme: LEÃO, Martha Toribio. A incidência das contribuições sociais sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 214, p. 97, jul. 2013. ÁVILA, Humberto. Contribuição social sobre o faturamento. Cofins. Base de cálculo. Distinção entre receita e faturamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 107, p. 104, ago. 2004. 3 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. 4 BRASIL. STF. Agravo Regimental no RE 371258, Relator Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27/10/2006. E ainda, BRASIL, STF. Agravo Regimental no RE 816363, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 05/08/2014, Pulicado em 15/08/2014. 5 “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III.” 6 Sem adentrar nos pormenores desta inovação legislativa, o conceito constitucional de faturamento, vigente à época da promulgação da Constituição, não pode ser alterado por legislação infraconstitucional, qual seja, a soma das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Dentre outros, é criticável a previsão do art. 12, §5º, DecretoLei no 1.598/1977, que extrapolou o conceito constitucional de receita ao exigir a inclusão dos tributos sobre ela incidentes. Sobre o tema vide SANTOS, Ramon Tomazela. Notas sobre a ampliação do conceito de receita bruta pela Lei n.º 12.973/2014 e as receitas financeiras das instituições financeiras e sociedades seguradoras. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 228, p. 136154, set. 2014. 7 BRASIL, STF. RE 474132, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2010, publicado em 30/11/2010. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10850.909851/201123 Acórdão n.º 3402006.695 S3C4T2 Fl. 224 13 “Faturamento e receita são pois conceitos inconfundíveis. O faturamento é um mero instrumento formal de segurança nas relações jurídicomercantis (atesta uma compra e venda ou serviço prestado). Mas a receita (totalidade dos ingressos) pode decorrer de operações não faturáveis pela empresa [...]. Tratase, pois da relação de implicação dogmática entre o gênero (todas as receitas da empresa) e a espécie (o faturamento). Faturáveis são apenas os ingressos vinculados a compra e venda mercantil e serviços prestados pelas empresas”8. Uma vez que o presente processo se refere à análise da Lei n. 9.718/98, necessário avaliar se as parcelas discutidas pelo sujeito passivo se enquadram no conceito de faturamento, e não de receita. Atentandose para as parcelas em discussão relacionadas ao ressarcimento de custos e despesas incorridas com terceiros junto aos consorciados (“Ressarcimento desp. legais judiciais”, “Ressarcimento vendas de cotas”; “Recuperação de despesas”), elas igualmente não se enquadram no conceito de faturamento, não decorrendo do exercício do objeto social da pessoa jurídica. Como elucidado na diligência fiscal realizada, esses valores se apresentam como verdadeiros reembolsos arcados pela pessoa jurídica, não configurando como receita própria de sua atividade. Tratamse de valores de titularidade de terceiro, arcada pela pessoa jurídica para repassar integralmente aos seus consorciados. Não se tratando de receita própria, essas contas contábeis não representam seja faturamento seja receita da pessoa jurídica. Não correspondem, por conseguinte, à “aquisição de direito novo”, como evidenciado no acórdão 3802001.868, de 23/07/2013: “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (grifei) Da mesma forma, as contas relacionadas à “Recuperação de multas” igualmente não refletem o exercício da atividade principal da pessoa jurídica, tratandose de receita de natureza financeira aferida em razão do descumprimento dos contratos. O objetivo social do Consórcio é remunerado pela taxa de administração, sendo que o recebimento de multas pelo descumprimento do contrato não é um objetivo por ela vislumbrado. 8 BORGES, José Souto Maior. As contribuições sociais (PIS/Cofins) e a jurisprudência do STF. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 118, p. 80, jul. 2005. Fl. 230DF CARF MF 14 Por fim, insta frisar que acompanho o relator quanto às contas contábeis 7193000606 “Receitas Diversas” em razão da ausência de provas para confirmar a natureza das receitas aferidas. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário em maior extensão, para afastar da base de cálculo das contribuições as contas às contas 7193000602 ("Ressarcimento desp. legais judiciais"), 7193000603 (“Recuperação de despesas”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”) e 7193000606 (“Recuperação de multa”), e garantir o direito de crédito da contribuição equivalente, quanto às parcelas excluídas, relativas às contas indicadas no resultado deste julgamento. É como declaro meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912418/2016-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.998
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 18 /2 01 6- 15 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.998 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912418/2016-15 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.998 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912418/2016-15 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.998 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912418/2016-15 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.998 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912418/2016-15 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.998 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912418/2016-15 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.993207/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
A exigência de que os rendimentos que geraram o IRRFonte que compôs o saldo negativo da CSLL seja oferecido previamente à tributação decorre de norma legal impositiva, no caso, artigo 9º, do Decreto-lei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, matriz do artigo 837, do RIR/1999 e não a mero entendimento do julgador administrativo de 1ª Instância.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Comprovada a regularidade exigida, o direito creditório há que ser reconhecido na parte inconteste.
Numero da decisão: 1402-003.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IMPROCEDÊNCIA. A exigência de que os rendimentos que geraram o IRRFonte que compôs o saldo negativo da CSLL seja oferecido previamente à tributação decorre de norma legal impositiva, no caso, artigo 9º, do Decretolei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, matriz do artigo 837, do RIR/1999 e não a mero entendimento do julgador administrativo de 1ª Instância. Preliminar de nulidade rejeitada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Comprovada a regularidade exigida, o direito creditório há que ser reconhecido na parte inconteste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 32 07 /2 01 1- 78 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 347 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 348 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima em face de decisão exarada pela 8ֺª Turma da DRJ/SPO (fls. 257/260), sessão de 08/03/2017, que negou provimento à MI apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP em 01/11/2011 (fls. 8 e 11) – nº de Rastreamento 009889059, abaixo reproduzido naquilo que é pertinente: Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade alegando (conforme relatório da decisão recorrida – fls. 258/259): Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 349 4 “Cuidase de manifestação de inconformidade, interposta em 21/12/2011, em face do despacho decisório que indeferiu a compensação tributária pretendida pelo contribuinte (Dcomp nº 13542.36797.221208.1.3.026747), na qual se pleiteava suposto direito creditório adstrito ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005, correspondente ao valor total de R$ 1.516.539,45, dos quais somente o valor de R$ 594.239,98 restou efetivamente reconhecido, após o devido cotejo das informações acostadas nas obrigações acessórias com as retenções ocorridas e declaradas para o mesmo período. Preliminarmente, a requerente alega a tempestividade de sua manifestação de inconformidade, já que interposta dentro do trintídio legal previsto na Lei do PAF federal. Sustenta, no mérito, que as retenções realizadas a título de IRRF, de fato ocorreram no ano de 2005, mas que foram equivocadamente reconhecidas em obrigações acessórias distintas, pois naquele ano houve um evento societário de incorporação de Companhia Brasileira de Bebidas, CNPJ nº 60.522.000/0001 83, evento este ocorrido em 31 de maio de 2005. Em vista disso, as retenções na fonte em razão de aplicações financeiras, ou foram reconhecidas na incorporada (até maio de 2005), ou na incorporadora ora requerente (de junho a dezembro do mesmo anobase). Alega ainda que os valores lançados na ficha 50 de sua DIPJ (incorporadora) foram, por ocasião da transmissão da DIPJ retificadora, todos aqueles adstritos às retenções engendradas nas operações financeiras da incorporada, sendo que algumas instituições financeiras, responsáveis pelas retenções, equivocaramse no preenchimento das informações relacionadas àquelas obrigações, apropriando os fatos fiscais à inscrição do CNPJ da incorporada, quando esta não mais existia no plano jurídico, eis que sua sucessora passou, a partir do evento de incorporação, ser a detentora de todos os direitos e obrigações, incluindo neste mister o creditório em questão. Por fim, demonstrada, a seu juízo, as retenções realizadas e que ensejaram o saldo negativo perquirido, pugna pelo reconhecimento do encontro de contas aduzido no Perdcomp indigitado, bem como protesta pela produção de provas para o efetivo deslinde da questão sob exame”. Analisando a MI a 8ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de 08/03/2017 (fls. 257/260), negou provimento ao pedido da contribuinte e manteve o DD, assentando o voto condutor: “Tratase de pedido de compensação aviado pela requerente, que busca a extinção do crédito tributário arrolado no Perdcomp multicitado, hipótese, que, como se sabe, perfazse em confissão de dívida tributária regularmente apurada. No sentido de produzir os efeitos fiscais próprios da extinção do crédito tributário, necessário que haja certeza e liquidez do direito creditório a ser objeto de tal pedido, de sorte que haja um antecedente pagamento indevido ou a maior a suportálo, que pode ser representado inclusive pela retenção de tributos por serviços pagos, serviços estes que devem ser reconhecidos na apuração do lucro do período, notadamente no que se refere ao lucro real. Pois bem, conforme dito, o art. 165 do CTN, com o fito de abrigar um pedido consistente de compensação, exige que haja certeza e liquidez do direito, o que, Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 350 5 no presente caso, alega a requerente ser representado pelas retenções efetuadas em face de operações de aplicação financeira ora realizadas pela requerente, ora por sua incorporada, evento este datado de 31 de maio de 2005. Em primeiro lugar, não se pode dar às costas para os efeitos produzidos por um evento de incorporação, pois, como é cediço, forte no art. 1116 do CC/2002, bem como no art. 227 da Lei 6.404/76, a sucessora passa a ser a detentora de todos os direitos e obrigações da sucedida, tendo como dies a quo a data efetiva do incorporação. Pois bem, considerando neste passo o dia 31 de maio de 2005, verificase, de plano, que a Dcomp foi apresentada, por meio eletrônico, em 22/12/2008, ou seja, muito tempo após a incorporação, decurso de tempo que este que já poderia amparar o registro hábil das alegações aduzidas pela requerente, especialmente a conciliação dos dados das retenções – ainda que informadas equivocadamente pelas fontes pagadoras , de molde que um cotejo elementar da DIPJ com a Dcomp pudesse afastar a glosa encetada no despacho eletrônico que reconheceu parcialmente o encontro de contas. Vale dizer, nesta fase de análise do pedido, a RFB pautase somente em rotinas lógicas que implicam na aferição formal dos lançamentos acostados nas mencionadas obrigações acessórias, como também na efetiva existência de recolhimentos vinculados às operações insertas no referido pedido. Secundariamente, impende registrar que a DIPJ retificadora aviada pela requerente teve sua transmissão somente em 31/12/2009, portanto, após a apresentação da Dcomp, fato que, por si só, obriga a requerente, por dever de diligência, rever as informações carreadas naquela compensação, inclusive com a possibilidade de apresentação de uma Dcomp retificadora, nos moldes do que disciplinam os normativos próprios à matéria, v.g, a IN RFB nº 900/2008. No que tange aos supostos erros cometidos pelas fontes pagadoras, nunca é demais lembrar que, não obstante a alegação de possíveis retenções em face de aplicações financeiras realizadas, é dever de todo o contribuinte que queira usufruir de tais valores, a prova inequívoca de que as receitas correspondentes foram materialmente reconhecidas como receitas financeiras no período açambarcado pelo saldo negativo alegado, o que não ocorreu no caso em tela, já que inexistem quaisquer documentos relacionados à apuração fiscal do ano calendário 2005, sobejamente aquelas que deveriam estar contidas no livro de apuração do lucro real (Lalur) de ambas pessoas jurídicas. Com efeito, concluise pela inexistência dos pressupostos de certeza e liquidez do direito creditório pretendido, já que a requerente não logrou êxito em comprovar que, com base na apuração fiscal do período, houve em seu favor o creditório apto a suportar o encontro de contas aduzido na Dcomp em exame. Ante o exposto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e, por consectário, mantenho despacho decisório que não homologou as compensações pretendidas”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 351 6 PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. INCORPORAÇÃO. Pedido de restituição de tributos e contribuições retidos em razão de aplicações financeiras, realizadas por incorporada no anocalendário 2005, no caso da incorporadora, só é possível a compensação mediante a efetiva demonstração de que as receitas correspondentes foram efetivamente reconhecidas na apuração do IR anual a pagar, com base no Lucro Real Anual. Não tendo assim comprovado que as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação, na apuração do lucro líquido do exercício, não cabe o reconhecimento do direito creditório, ante a ausência dos pressupostos de certeza e liquidez do direito creditório. Corrobora a dúvida o fato de que as obrigações acessórias destoam no tempo no que tange as suas apresentações ao fisco, fato que provocou as inconsistências no cotejo foram levado a efeito pela RFB, notadamente em face da DIPJ, DCTF e Dcomp do período objeto de exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão supra em 10/05/2017 (fls. 266), a recorrente interpôs recurso voluntário em 09/06/2017 no qual rebate as conclusões da decisão recorrida naquilo que lhe foi desfavorável e, pugna, em preliminares, pela nulidade do Acórdão recorrido em razão de inovação nos fundamentos adotados para decidir (tema sobre o qual discorre longamente, com doutrina e jurisprudência) e, no mérito, reafirma basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 352 7 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 10/05/2017 – fls. 266 protocolização do RV em 09/06/2017 – fls. 269), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 293/328) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Em preliminares sustenta a recorrente que a decisão a quo inovou nas razões de decidir, especificamente porque o DD não teria trazido restrição alguma a que os rendimentos derivados de aplicações financeiras e que geraram o IRRFonte que sustentou o saldo negativo de CSLL de R$ 1.516.539,45 tivessem que se submeter à tributação para que fosse validado o imposto correspondente. Discordo do pensamento da recorrente, primeiro porque a obrigatoriedade de que os rendimentos que gerem IRRFonte objeto de saldo negativo/compensação não se circunscreve à exigência do julgador administrativo, antes é inerente ao próprio ordenamento que rege a matéria. A propósito, a dicção do artigo 837, do RIR/1999, então vigente: Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Digase, faz parte do eventual processo de restituição do montante retido que os rendimentos a ele relativo sofram tributação, sob pena de se transgredir regra básica do IRPJ/CSLL que impõe resumidamente – o confronto entre receitas e despesas para, a partir daí, se encontrar a base imponível dos dois tributos. Assim, não teria o menor sentido que um contribuinte sofresse retenção na fonte sobre rendimentos que obteve no momento “1” e depois se creditasse deste mesmo valor no momento “2” (ou seja, a operação ficaria “zerada”, pois a retenção que sofreu se compensaria no futuro) sem que ofertasse tais rendimentos à tributação. Se isso fizesse sentido, estarseia criando – sem base legal para isso uma verdadeira isenção, ou seja, o sujeito passivo receberia o valor líquido da operação (sem IRRF) e depois iria buscar junto ao ente tributante este mesmo valor (via compensação ou saldo negativo, por exemplo), recompondo, em última análise o valor bruto da operação! Exemplificando singelamente: Momento “1”: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 353 8 1. Valor dos rendimentos 1.000,00 2. IRRF (15%) 150,00 3. Liquido recebido 850,00 Momento “2”: IRRFonte a compensar SN 150,00 Resumo: O sujeito passivo acabaria por receber, efetivamente, o valor integral dos rendimentos, no caso, R$ 1.000,00 (850,00 pelo líquido do rendimento + 150,00 que o Poder Público lhe devolveria), valor este que ficaria ao abrigo de qualquer tributação, ou seja, sobre este rendimento – fugindo inteiramente à regra básica que rege a legislação do IRPJ – não incidiria qualquer tributação. De outro lado, basta uma vista d´olhos sobre o DD e seu anexo (fls. 11) para se observar que o DD cuidou desse tema, SIM! Vejase: Assim, repelese a preliminar. Passo ao mérito. A matéria é eminentemente probatória. A Autoridade Fiscal glosou parte dos valores retidos que a recorrente pretendia utilizar na composição de saldo negativo de CSLL no anocalendário/2005 por entender que tais retenções, i) não se comprovaram (ou foram apenas parcialmente comprovadas; ou, ii) a receita correspondente não foi oferecida à tributação (DD – anexo – fls. 11 – quadro acima). De seu canto, a recorrente contesta a necessidade do oferecimento da receita à tributação (argumento já refutado neste voto) e junta informes de rendimentos com os quais pretende obter a homologação de seu crédito; mais ainda, alega que a maior parte dos valores glosados motivouse pela ocorrência de evento sucessório (incorporação) em 31/05/2005 que fez com que muitas fontes pagadoras emitissem os referidos informes com o CNPJ da incorporada ou da incorporadora1 e a Autoridade Tributária não teria observado este fato. 1 “Ou seja, de janeiro a maio de 2005, os valores a titulo de IRRF sobre aplicações financeiras foram indicados no CNPJ n° 60.522.000/000183 e, de junho a dezembro, foram informados no CNPJ da Impugnante, qual seja, 02.808.708/000107” (MI – fls.18). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 354 9 Inicialmente, quanto ao evento de incorporação ocorrido em maio de 2005, nenhuma dúvida existe sobre o fato, como nenhuma dúvida há de que, nestes casos, por força do artigo 227, da Lei nº 6.404/19762, a incorporadora sucede a extinta em todos os direitos e obrigações, de tal modo que as retenções questionadas, havidas contra a incorporada, devem aproveitar a quem a incorporou. Nesta linha, independentemente do CNPJ destacado ser da incorporada ou incorporadora em nada modifica o direito desta última em se aproveitar do IRRFonte na composição de seu saldo negativo do período em que ocorrido o evento sucessório. Delineado o direito, resta ver os documentos que a recorrente entende lhe dar permissão para o pleito aqui analisado. Compulsando os autos, especialmente os informes de rendimentos acostados pela interessada (fls. 150/176), vejo que razão, ainda que parcial, cabe à recorrente. De fato, todos os informes de rendimentos apontam as respectivas fontes pagadoras, referemse ao anocalendário de 2005, são pertinentes a aplicações financeiras sujeitas à retenção de fonte, há discriminação dos rendimentos e do imposto retido e, principalmente, alinham os CNPJ já citados (incorporada e incorporadora, ora recorrente). Nessa linha, este Relator tabulou os dados presentes nos documentos supra referidos e encontrou a seguinte posição final: 1. Valor do direito creditório pleiteado R$ 1.516.539,45 2. Valor deferido e homologado pelo DD R$ 594.239,98 3. Valor provido pela decisão a quo R$ 0,00 4. Valor em litígio (não confirmado) R$ 922.299,47 Conforme exposto neste voto, a posição final passa a ser a seguinte: Fonte Pagadora Código Valor em Valor Justificativa Doc. CNPJ Receita Litígio Confirmado Deferimento Fls. 04.569.809/000190 1708 9.475,73 9.475,73 Inf.Rendimentos 159 17.298.092/000130 3426 152.761,04 152.761,04 Inf.Rendimentos 158 33.066.408/000115 6800 3.492,14 3.492,14 Inf.Rendimentos 168/175 33.700.394/000140 5273 258.535,40 (**) 150/152 58.160.789/000128 3426 207.047,53 207.047,53 Inf.Rendimentos 153/157 60.394.079/000104 3426 290.618,38 290.618,38 Inf.Rendimentos 161 e 176 60.746.948/000112 3426 369,25 369,25 Inf.Rendimentos 162/167 TOTAIS 922.299,47 663.764,07 (**) Embora o IRRFonte esteja confirmado por Informe de Rendimentos juntados (fls. 150/152), 2 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 355 10 não foi comprovado o oferecimento da receita (rendimentos) à tributação, conforme DD Por fim, acerca da exigência de que os rendimentos/receitas sejam oferecidos à tributação, lícito entender que, se o Despacho Decisório (fls. 11) excluiu uma das rubricas constantes do pedido da recorrente sob justificativa de que a receita correspondente não foi oferecida à tributação (fls. 11)3, as demais rubricas negadas já devem ter tido este requisito previamente analisado (e superado), caso contrário a negativa seria a mesma do primeiro caso (não oferecimento à tributação das receitas) e não por “retenção incomprovada”. Corrobora este raciocínio o fato de que a rubrica negada pelo motivo acima citado TEM INFORME DE RENDIMENTOS juntado aos autos exatamente no valor glosado, de forma que os demais, na mesma linha de pensamento, ainda que possuindo os documentos comprobatórios da retenção havida, seriam improvidos pelo mesmo motivo. E não foram. CONCLUSÃO Pelo exposto e o que mais consta dos autos voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, do valor ainda em litígio (R$ 922.299,47), reconhecer o direito creditório de R$ 663.764,07, homologando as compensações até o limite do montante ora reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 3 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.993207/201178 Acórdão n.º 1402003.901 S1C4T2 Fl. 356 11 Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.001151/2003-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -
Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2002
LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É devida a constituição do crédito tributário no montante declarado em DCTF, cuja compensação informada não tenha sido homologada e não conste valor a título de "saldo a pagar"
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O recurso apresentado pelo contribuinte contra lançamento de oficio
suspende a exigibilidade do crédito tributário.
Numero da decisão: 2102-000.197
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10073.001151/2003-36 Recurso n° 138.337 Voluntário Acórdão n° 2102-00.197 — 1" Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 . Matéria Cofins e PIS Recorrente ALBERTO MOUFFRON AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida DRJ no RIO DE JANEIRO - RJ - DRJ/RJOII , Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep 1 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. , É devida a constituição do crédito tributário no montante declarado em DCTF, cuja compensação informada não tenha sido homologada e não conste valor a título de "saldo a pagar" SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O recurso apresentado pelo contribuinte contra lançamento de oficio suspende a exigibilidade do crédito tributário. 1 , Vistos relatados e discutidos os presentes autos. i ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. / - " OMO p „ % -Ol. CC&L.Q., mo ,,,,.„,„..- ., e SEF ‘ MARIA COELHO MARQUES 1, Presidente 07 ,77 ,,,, MAURÍCI TAVEI SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. - 1 Processo n° 10073.001151/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.197 Fl. 329 Relatório ALBERTO MOUFFRON AUTO PEÇAS LTDA., devidamente qualificado nos autos, recorre a este colegiado, através do recurso de fls. 305/311, contra o Acórdão n° 13.167, de 28/07/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — RJ — DRJ/RJOII, fls. 296/300, que julgou procedentes em parte os autos de infração referentes à Cofins (fls. 106/108) e ao PIS (fls. 253/255), decorrentes de falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, referentes a períodos compreendidos entre outubro de 2001 e janeiro de 2002, cuja ciência ocorreu em 25/09/2003 (fls. 107 e 254). Originariamente os lançamentos geraram processos distintos, tendo sido juntado a este, por anexação, o processo n° 10073.001150/2003-91, o qual tratava do PIS, conforme Termo de Juntada de Processo de fl. 295. O Termo de Constatação Fiscal (fls. 103 e 250) registra que o contribuinte pleiteou a compensação de indébitos de ILULI dos períodos de 1990 e 1991 com valores devidos ao PIS e Cofins, por meio do processo n° 13009.000162/2002-80. Tendo em vista que os créditos não foram reconhecidos, os débitos estão sendo exigidos através de auto de infração, uma vez que não foram confessados em DCTF. O referido Termo registra, ainda, que, em conformidade com a NE/SRF/CORAT n° 2/03, no caso de não reconhecimento do direito creditório, a compensação informada será considerada indevida e os débitos deverão ser objeto de lançamento de oficio. Irresignada, a contribuinte apresentou, em 23/10/2003, as impugnações de fls. 118/121 e 264/267, referentes, respectivamente, à Cofins e ao PIS, com as seguintes alegações: 1. os valores lançados estão sendo compensados através de pedido de restituição de crédito tributário em função de pagamento a maior, de inconstitucionalidade de Lei no caso do ILULI dos exercícios 1990 e 1991.1 O processo (n° 13009.000162/2002-80) encontra-se em trâmite, garantindo, assim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora cobrado, consoante art. 33 do Decreto 72.235/72 e art. 151, III, do CTN; 2. o mérito da questão ainda não foi definido pelo Conselho de Contribuintes, cujo entendimento é pacífico em favor da contribuinte; 3. a presente impugnação visa à suspensão da exigibilidade dos valores lançados, até definição do processo de restituição/compensação; garantir aio contribuinte a emissão de certidão negativa de débitos fiscais e o cancelamento do auto de infração após decisão irrecorrível favorável à contribuinte. A DRJ considerou procedentes em parte os lançamentos, excluindo-lhes a multa de oficio. O acórdão restou assim ementado: - Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL/ JULGAMENTO - Embora o débito declarado, a princípio, 2 Processo n° 10073.001151/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.197 Fl. 330 dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas. , MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA - Em face da retroatividade benigna, cancela-se a multa de lançamento de oficio. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - As impugnações e os recursos apresentados pelo sujeito passivo contra lançamento de oficio suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a contribuinte protocolizou, tempestivamente em 24/10/2006, recurso voluntário de fls. 305/311, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados e, ainda, menciona que efetuou o arrolamento recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente cabe registrar a desnecessidade do arrolamento recursal como condição para seguimento do recurso voluntário, consoante Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 9/07. ,.. Conforme se verifica das DCTF de fls. 93/96 e 243/244, embora os valores objeto do lançamento encontrem-se declarados, o foram vinculados a processos administrativos de compensação. Assim, antes de se analisar a pertinência ou não do lançamento, cabem algumas considerações acerca do Pedido de Compensação. De se ressaltar o que dispõe o art. 49 da MP n° 66, de 29/08/2002 (Lei n° 10.637/02), que deu nova redação ao art, 74 da Lei n° 9.430/96 e em seu § 4° Consigna que "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo." Cabe mencionar, ainda, que, em conformidade com o art. 73 da IN SRF n° 460/04, considera-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação em relação a qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Desse modo, o pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação, passou a ser considerado Declaração de Compensação - Dcomp. Contudo, somente após a edição da MP n° 135, de 30/10/2003 (lei n° 10.833/03), que novamente modificou o art. 74 da Lei n° 9.430/96, é que foi introduzido diferente rito administrativo às compensações, sendo , 3 , Processo n° 10073.001151/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.197 Fl. 331 instituídos novos contornos às Dcomp, dentre os quais a declaração de compensação passou a se constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, no presente caso, embora os débitos se encontrassem i relacionados em Pedido de Compensação (fl. 88 e 237), o pedido de restituição/compensação foi apreciado pela autoridade administrativa antes de 29/08/2002 no processo n° 13009.000162/2002-80, visto que a manifestação de inconformidade ao referido despacho foi protocolizada em 22/07/2002 (fls. 92 e 242), não sendo considerado Declaração de Compensação e, desta forma, não se subsumem ao rito previsto para as Declarações de Compensação em conformidade com as alterações introduzidas no art. 74 da Lei n° 9.430/96. Destarte, a suspensão de exigibilidade pretendida pela recorrente, ou seja, até definição do processo de restituição/compensação, não encontra respaldo no pedido de compensação apresentado. Todavia, o presente processo encontra-se com a exigibilidade suspensa com supedâneo no art. 151, III, do CTN, c/c o art. 33 do Decreto n° 70.235/72, em decorrência do recurso apresentado. Portanto, correto o procedimento da fiscalização em efetuar o lançamento, pois, a despeito de os valores terem sido declarados em DCTF, (fls. 93/96 e 243/244), o foram vinculados à compensação resultando em "Saldo a Pagar" de valor zero, impossibilitando a cobrança a partir das DCTF, uma vez que há controvérsias quanto ao valor â ser considerado como objeto de confissão de dívida, entendendo-se poder recair tão somente sobre o "saldo.a pagar". Assim sendo, tendo em vista a legislação vigente e o entendimento de que o crédito tributário não se encontrava definitivamente constituído, a fiscalização era orientada a efetuar o lançamento do valor integral, no caso de compensação sem DARF, cuja compensação não houvesse sido reconhecida pela SRF. Sobre o tema, esclarecedoras as considerações da ilustre Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, designada para redigir o voto vencedor no julgamento do recurso de oficio n° 116.088, acórdão 201-76177 de 19/062002, cujo excerto se transcreve: • "Assim, verifica-se que, até o ano de 1996, inclusive, enquanto era aplicável a Instrução Normativa SRF n° 73/94, os créditosi tributários informados na DCTF representavam confissão total de dívida e, em caso de falta de pagamento, seriam cobrados e executados com os acréscimos morató rios cabíveis. A partir do ano de 1997, com a edição da Instrução Normativa SRF n° 73/96, a DCTF foi estruturalmente modificada, passando a contemplar não só a informação do crédito tributário, mas também de suas formas de extinção ou suspensão, razão pela - qual os efeitos da confissão de dívida somente foram aplicados sobre o saldo a pagar indicado pelo contribuinte. Neste sentido, por meio da Instrução Normativa n° 77, de 24 de • julho de 1998, o Secretário da Receita Federal determinou a inscrição em dívida ativa da União apenas dos saldos a pagar contidos em DCTF." • Destarte, tendo em vista que os débitos não se encontravam quitados nem adequadamente confessados, correto o procedimento da fiscalização em efetuar o lançamento uma vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, inclusive sob pena de responsabilidade funcional, tal como disposto no artigo 142, parágrafo único, do CTN. 4 Processo n° 10073.001151/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.197 Fl. 332 De se registrar que a determinação contida no art. 18, I § 3° da Lei n° 10.833/03, visando à reunião dos processos referentes à restituição e auto de infração, de modo a que sejam decididos simultaneamente não se aplica ao presente caso, pois, tal previsão se destina à manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas, o que não se confunde com o pedido de restituição/compensação apresentado pela contribuinte, o qual não se converteu em Declaração de Compensação, esta sim, sujeita a não-homologação. Ademais, conforme documento de fl. 327, em consulta ao Sistema Comprot, na internet (http://comprot.fazenda.gov.br), o precitado processo n° 13009.000162/2002-80 referente ao pedido de restituição/compensação encontra-se no Arquivo Geral da GRA-RJ, desde 17/08/2007. Quanto à garantir ao contribuinte a emissão de certidão negativa de débitos fiscais, tal matéria não se encontra no âmbito das competências deste Conselho. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento l ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 05 de junho de 2009. MAURICIO TAVEIR4E SILVA • 5
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907006/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 01/01/2002
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-007.175
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que excluía o valor do ICMS destacado nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 06 /2 01 1- 83 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907006/2011-83 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve integralmente o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição objeto dos autos. Na decisão proferida pela DRJ, foi consignado, inicialmente, que o julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A decisão recorrida considera ainda que, inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. Em essência, o colegiado de piso julgou incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor seria parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde sustenta que a decisão recorrida não deve ser mantida, posto que seu crédito é oriundo da indevida inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. É relatório. Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907006/2011-83 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.164, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10935.906995/2011-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.164): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a demanda cinge-se na análise quanto a possibilidade de não incluir o ICMS na base de cálculo da. A respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706, temos a Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de Fl. 103DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907006/2011-83 cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, faz-se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, faz- se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do Fl. 104DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.907006/2011-83 ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFD-ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo das contribuições e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do crédito apurada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001282/2010-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCLUSÕES DO COLEGIADO. RICARF, ART. 63, §8º.
De acordo com o RICARF, cabe ao relator reproduzir no voto os fundamentos acatados pela maioria do Colegiado, caso o acompanhem pelas conclusões. Diante de omissão a respeito da conclusão da maioria do Colegiado, são acolhidos os embargos de declaração.
Numero da decisão: 9101-004.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, consignando justificativa para as conclusões do colegiado quanto ao artigo 24, da LINDB, sem efeitos infringentes.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCLUSÕES DO COLEGIADO. RICARF, ART. 63, §8º. De acordo com o RICARF, cabe ao relator reproduzir no voto os fundamentos acatados pela maioria do Colegiado, caso o acompanhem pelas conclusões. Diante de omissão a respeito da conclusão da maioria do Colegiado, são acolhidos os embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, consignando justificativa para as conclusões do colegiado quanto ao artigo 24, da LINDB, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo- Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-22T20:33:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-22T20:33:25Z; Last-Modified: 2019-07-22T20:33:25Z; dcterms:modified: 2019-07-22T20:33:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-22T20:33:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-22T20:33:25Z; meta:save-date: 2019-07-22T20:33:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-22T20:33:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-22T20:33:25Z; created: 2019-07-22T20:33:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-22T20:33:25Z; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-22T20:33:25Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.001282/2010-71 Recurso Embargos Acórdão nº 9101-004.254 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 9 de julho de 2019 Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VOTORANTIM CIMENTOS S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCLUSÕES DO COLEGIADO. RICARF, ART. 63, §8º. De acordo com o RICARF, cabe ao relator reproduzir no voto os fundamentos acatados pela maioria do Colegiado, caso o acompanhem pelas conclusões. Diante de omissão a respeito da conclusão da maioria do Colegiado, são acolhidos os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, consignando justificativa para as conclusões do colegiado quanto ao artigo 24, da LINDB, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo- Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de recurso especial do contribuinte julgado por esta Turma da CSRF (acórdão 9101-003.807), do qual se extrai ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 82 /2 01 0- 71 Fl. 561DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.254 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001282/2010-71 Ano-calendário: 2006 LINDB. DECRETO-LEI 4.657. ART. 24. INAPLICABILIDADE AO CASO. O art. 24, da LINDB (Decreto-Lei nº 4.657/1942), com redação conferida pela Lei nº 13.655/2018, não se aplica ao caso dos autos. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. Aplica-se o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%) à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados, ainda que ocorra encerramento de atividades, ou qualquer outro evento de reorganização societária. A Procuradoria, intimada a respeito do acórdão em 15/01/2019, apresentou embargos de declaração em 19/02/219, sustentando a existência de omissão, obscuridade e contradição no acórdão. Os embargos foram admitidos apenas em parte, conforme r. decisão às fls. 559, da qual destacamos trecho a seguir: A Embargante acusa o voto condutor do acórdão embargado de ter se omitido na aplicação dos ditames regimentais previstos no §8º do art. 63 do RICARF, uma vez que deixou de consignar os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros para afastar a aplicação em tese do art. 24 da LINDB. Demais disso, essa omissão teria causado obscuridade no julgado de forma a prejudicar a compreensão das razões de decidir adotadas pela maioria da turma. Tem razão a Embargante. O voto embargado, no que respeita a matéria atinente ao art. 24 da LINDB, foi acompanhado pela maioria dos integrantes do colegiado, apenas quanto à conclusão no sentido de que ele não se aplicaria ao caso concreto. As razões pela qual a maioria dos conselheiros acompanharam a relatora apenas pelas conclusões não foram expostas no corpo do voto condutor. Diante do exposto, e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, apenas no que tange ao item "c" - omissão e obscuridade no voto a respeito dos fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros para afastar a aplicação, em tese, do art. 24 da LIDB. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O acórdão embargado teve o seguinte dispositivo, consignado na ata de julgamento, na matéria debatida em embargos (art. 24, da LINDB): Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do art. 24 da LINDB, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rego, que não conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em não aplicá-lo ao caso concreto, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que entenderam que o art. 24 da LINDB se aplicava em tese e que, como pressuposto para aplicá-lo ao caso concreto, haveria necessidade de abrir vista à PGFN para analisar os acórdãos trazidos aos autos pelo contribuinte. Votaram pelas conclusões os Fl. 562DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.254 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001282/2010-71 conselheiros André Mendes Moura, Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego, que não o aplicavam em tese, e o conselheiro DemetriusNichele Macei, que aplicava em tese, mas não ao caso concreto em razão de irretroatividade. (...). Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros André Mendes Moura, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner e DemetriusNichele Macei. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros André Mendes Moura e DemetriusNichele Macei não apresentaram as declarações de voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Este resultado resultou em ementa elaborada da forma seguinte: LINDB. DECRETO-LEI 4.657. ART. 24. INAPLICABILIDADE AO CASO. O art. 24, da LINDB (Decreto-Lei nº 4.657/1942), com redação conferida pela Lei nº 13.655/2018, não se aplica ao caso dos autos. Os embargos foram admitidos para explicitar as razões pelas quais a maioria acompanhou esta relatora pelas conclusões quanto à aplicação do artigo 24, da LINDB.Com efeito, preponderaram as conclusões dos Conselheiros “André Mendes Moura, Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego, que não o aplicavam em tese”. Tem razão a embargante quando suscita a necessidade de esclarecimentos sobre as conclusões do Colegiado, considerando o disposto no artigo 63, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015): Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros Diante da falha desta Relatora na elaboração do voto no acórdão embargado, conheço dos embargos, nos termos admitidos, quanto ao item “c” (omissão e obscuridade no voto a respeito dos fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros para afastar a aplicação, em tese, do art. 24 da LIDB). Ressalto que no julgamento de outro processo, quando analisado o artigo 24, da LINDB, apresentaram declaração de voto os Conselheiros Flavio Franco Corrêa, André Mendes Moura e Rafael Vidal de Araújo (acórdão 9101-003.745). Naquela oportunidade, fui acompanhada pelas conclusões – no mérito quanto ao artigo 24,da LINDB, pelos seguintes conselheiros: André Mendes Moura, Flávio Franco Corrêa, Viviane Vidal Wagner, e Rafael Vidal de Araújo. A sessão de julgamento foi presidida pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Naquele acórdão (acórdão 9101-003.745), constou justificativa para esta Relatora ser acompanhada pelas conclusões, da forma seguinte: Nos termos do artigo 63, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015) consigno que fui acompanhada, pelas conclusões pela maioria deste Colegiado, entendendo o voto prevalecente pela inaplicabilidade do citado artigo 24, mesmo em tese, ao caso dos autos. Nesse sentido, constam declarações de voto dos Conselheiros André Mendes Fl. 563DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.254 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001282/2010-71 Moura, Flávio Franco Corrêa e Rafael Vidal de Araújo, que adoto como razão de decidir para justificar o voto vencedor pelas conclusões. Nesse panorama, elaboro justificativa similar para sanar omissão e obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: Nos termos do artigo 63, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015) consigno que fui acompanhada, pelas conclusões pela maioria deste Colegiado, entendendo o voto prevalecente pela inaplicabilidade do citado artigo 24, mesmo em tese, ao caso dos autos. Nesse sentido, consta declaração de voto da Conselheira Viviane Vidal Wagner expressa no acórdão embargado, acórdão 9101-003.807, que adoto como razão de decidir para justificar o voto vencedor pelas conclusões. Assim, conheço e acolho os embargos quanto ao item admitido (item “c” dos embargos), para integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, consignando justificativa para as conclusões do Colegiado quanto ao artigo 24, da LINDB. (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720124/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO.
A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea de que os gastos foram suportados pelo próprio contribuinte e que ocorreram no ano calendário da declaração.
DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
Numero da decisão: 2401-006.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da despesa com o plano de saúde Unimed, no valor de R$ 1.904,24.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea de que os gastos foram suportados pelo próprio contribuinte e que ocorreram no ano calendário da declaração. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da despesa com o plano de saúde Unimed, no valor de R$ 1.904,24. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 24 /2 01 1- 63 Fl. 54DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 36/41). Pois bem. Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 07 a 11), referente ao exercício 2009, ano-calendário 2008. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2009, ano-calendário 2008. Valor: R$ 9.284,24. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 03/04, acompanhada de documentos, alegando que a notificação de lançamento se deu por meio de edital, com data de ciência em 21/12/2010. Alegou, em síntese: (a) Que apresentou os documentos dentro do prazo legal, mas que consta na notificação que a contribuinte não se manifestou. (b) Afirma que cumpriu com o prazo da notificação, e solicita a revisão de sua declaração para que sejam consideradas as despesas médicas utilizadas como dedutíveis. (c) Requer ainda a suspensão do lançamento impugnado até o julgamento do pedido e o acolhimento de sua impugnação. Em agosto de 2011 (fls. 21), o processo, com base no disposto na Norma de Execução Conjunta Cofis/Codac n° 03, de 23/12/2010 foi encaminhado à EPA/IRF/Vilhena para análise e demais providências a seu cargo. No Termo Circunstanciado de fls. 22/24, a Autoridade Fiscal considerou comprovada, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, apenas a despesa médica no valor de R$ 6.550,00, uma vez que os demais recibos apresentados não preenchiam os requisitos exigidos pelo inciso III, art. 8º, do Decreto nº 3.000/99 como, por exemplo, endereço nos casos de recibos e relação dos beneficiários do plano de saúde contratado pela contribuinte. Em razão das alterações acima mencionadas, o crédito tributário foi alterado de R$ 1.211,65 para R$ 524,07, mais acréscimos legais. No despacho decisório às fls. 24, consta que foi deferida a proposta de manutenção parcial da exigência, conforme exposto no Termo Circunstanciado. Devidamente intimada do resultado do despacho decisório (fls. 26 e 29), em 25/10/2012, a contribuinte, em 31/10/2012, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 30), afirmando que o recibo apresentado no valor de R$ 6.550,0, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscal atende as formalidades exigidas pela legislação. Fl. 55DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 01-26.112 (fls. 36/41), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 524,07, apurado no Termo Circunstanciado. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores glosados de despesas médicas importa na manutenção da glosa. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Em razão dos documentos e argumentos apresentados pela contribuinte em sua impugnação e, com base no disposto na Instrução Normativa RFB n° 958, de 15/07/2009, alterada pela Instrução Normativa n° 1.061, de 04/08/2010, e no art. 208-B do Regimento Interno, o processo foi enviado à EPA/IRF/Vilhena para análise. 2. Após análise pela DRF de origem, foi procedida a alteração do imposto suplementar de R$ 1.211,65 para R$ 524,07, uma vez que foi considerada comprovada a despesa odontológica, com o profissional Luiz Henrique Maciel, no valor total de R$ 6.550,00. 3. Foram mantidas as deduções de despesas médicas informadas como realizadas com as profissionais Elaine Sperandio (R$ 480,00), Edson Borges de Lima (R$ 300,00), Unimed JI Parana (R$ 1.904,24) e Timoteo Lange Filho (R$ 50,00). 4. Devidamente intimada a se manifestar do Despacho Decisório que alterou o presente lançamento, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o recibo no valor de R$ 6.550,00 atende aos requisitos exigidos pela legislação. 5. Ocorre que, conforme informado pela Autoridade Fiscal no Termo Circunstanciado de fls. 22/24, foi considerada comprovada a despesa com o profissional Luiz Henrique Maciel no valor de R$ 6.550,00, tendo sido mantida a glosa das demais despesas para as quais a contribuinte em sua manifestação de inconformidade não se pronuncia. 6. No entanto, considerando que na impugnação inicial apresentada a contribuinte contesta as glosas de despesas médicas analisaremos todos os documentos apresentados com a inicial. Fl. 56DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 7. Os documentos apresentados pela contribuinte para comprovação das despesas médicas glosadas e mantidas no Termo Circunstanciado são os abaixo analisados: 8. O demonstrativo de gastos com plano de saúde, emitido pela Unimed, fls. 12, não atende aos requisitos exigidos pela legislação, pois, não informam os beneficiários do plano de saúde. 9. O recibo de fls. 13, emitido pelo profissional Timoteo Lange Filho e o de fls. 15 emitido pelo profissional Edson Borges de Lima não informam o beneficiário do tratamento nem o endereço do prestador de serviço. 10. O recibo de fls. 14 emitido por Elaine Sperandio não informa o endereço do prestador de serviços. 11. A informação do endereço profissional do responsável pela emissão dos recibos de despesa médica é um dos requisitos exigidos por lei, conforme determina o art. 80 do RIR/99 acima transcrito, para comprovação das despesas médicas, devendo, tal requisito, estar presente no recibo emitido pelo próprio profissional. 12. Também é imprescindível, a identificação do beneficiário dos serviços prestados, uma vez que, conforme legislação citada acima, só é permitida a dedução de despesas médicas comprovadas referentes ao contribuinte ou seus dependentes. 13. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário apurado no Termo Circunstanciado e no Despacho Decisório, no valor de R$ 524,07, mais acréscimos legais, de acordo com a legislação regente. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fl. 47), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Na data de 31/10/2012, impugnou o processo 13227.720124/2011-63, alegando apenas a glosa do recibo de tratamento odontológico no valor de R$ 6.550,00. b. Ocorre que apenas nessa oportunidade, foi compreendido, que deverá o contribuinte esclarecer e apresentar, nessa fase da revisão, a comprovação das despesas que entende serem válidas e, portanto consideradas como dedução da renda, logo da base de cálculo do imposto. c. Assim, em tempo, são apresentadas as despesas que pretende deduzir, quais são: a previdência social oficial (R$ 4.049,71), o plano de saúde Unimed (R$ 1.904,24) e recibo de despesa no valor de R$ 6.550,00. d. Segue em anexo, comprovação idônea das despesas com a (1) previdência social – que anteriormente foi devidamente considerada no cálculo no IR desta competência. Apresenta ainda (2) comprovação do gasto com plano de saúde em que, diferente do que foi alegado pelo fisco, consta identificado o beneficiário e (3) o recibo da despesa odontológica que, atende como visto aos requisitos legais. Fl. 57DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 e. Consideradas as referidas despesas, verifica-se que a base de cálculo do IR deverá ser: R$ 44.772,59 e restituição de IR no valor de R$ 1.113,26. f. Requer-se: (a) a revisão de cálculo, julgando totalmente procedente as alegações e documentos apresentados anteriormente e com fundamento no art. 151, III, CTN, a suspensão do lançamento impugnado até o julgamento do presente pedido; (b) seja acolhida a presente impugnação, procedendo- se a retificação deste lançamento e do aviso de cobrança. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Cabe esclarecer que, a teor do inciso III, do artigo 151, do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Portanto, neste momento, em razão do recurso tempestivamente apresentado, o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa, o que torna desnecessária a solicitação da recorrente neste sentido. 2. Mérito. Inicialmente, faz-se necessário proceder à delimitação da lide recursal. Conforme se depreende da Notificação de Lançamento de fls. 07/11, a glosa do valor de R$ 9.284,24, efetuada pela fiscalização, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, diz respeito aos seguintes valores: Luiz Henrique Maciel – R$ 6.550,00. Elaine Sperandio – R$ 480,00. Edson Borges de Lima – R$ 300,00. Unimed Ji Paraná Cooperativa de – R$ 1.904,24. Timoeto Lange Filho – R$ 50,00. Conforme narrado, após a análise pela DRF de origem, foi procedida a alteração do imposto suplementar de R$ 1.211,65 para R$ 524,07, uma vez que foi considerada comprovada a despesa odontológica, com o profissional Luiz Henrique Maciel, no valor total de R$ 6.550,00. Fl. 58DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 O contribuinte, em seu recurso, apresentou alegações a respeito das despesas que pretende deduzir, quais sejam: previdência social oficial (R$ 4.049,71); plano de saúde Unimed (R$ 1.904,24) e recibo de despesa no valor de R$ 6.550,00. Não apresentou, contudo, manifestação em relação às despesas médicas com os profissionais Elaine Sperandio (R$ 480,00), Edson Borges de Lima (R$ 300,00) e Timoeto Lange Filho (R$ 50,00), o que torna, portanto, essa matéria, preclusa. Ademais, cabe esclarecer que a despesa “previdência social oficial” sequer foi objeto de glosa no presente lançamento. E, ainda, conforme já esclarecido, a dedução da despesa odontológica, no valor de R$ 6.550,00, já foi restabelecida pela DRJ, deixando, portanto, de ser matéria litigiosa. Dessa forma, a acusação fiscal, no que interessa para o debate recursal, consiste na dedução indevida de despesas médicas informadas como realizadas, com a Unimed JI Parana (R$ 1.904,24). Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 59DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 60DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebe-se que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. Em relação aos gastos com o plano de saúde Unimed Ji Paraná Cooperativa, no montante de R$ 1.904,24, consta nos autos, o demonstrativo de fl. 12. A DRJ manteve a glosa, sob o fundamento de que o documento não atenderia aos requisitos exigidos pela legislação, pois, não haveria menção aos beneficiários do plano de saúde. Contudo, tenho percepção distinta da DRJ, acerca da prova acostada aos autos (fl.12). Isso porque, o documento de fl. 12, menciona expressamente, como destinatário, a recorrente, cabendo destacar, ainda, o seguinte trecho: DEMONSTRATIVO DE IMPOSTO DE RENDA 2009 Estamos encaminhando abaixo a relação de seus custos de saúde com a UNIMED, registrado em 2008. Eles deverão auxiliá-lo no cálculo e preenchimento de sua declaração de IMPOSTO DE RENDA, que prevê a dedução de despesas com saúde. A relação foi feita mês a mês tomando como referência a data de PAGAMENTO das mensalidades (...). Ao que indica, o documento diz respeito aos custos de saúde da recorrente com a UNIMED, sendo que, na hipótese, entendo perfeitamente cabível a interpretação preconizada na Solução de Consulta Interna n° 23 – Cosit, no sentido de presumir que a beneficiária do serviço, cujo recibo foi emitido em seu nome, foi a própria contribuinte. É de se ver: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser Fl. 61DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.682 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720124/2011-63 prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Dessa forma, não tendo sido constatados razoáveis indícios de irregularidades no documento apresentado pela recorrente, entendo que cabe presumir que a beneficiária do serviço, cujo demonstrativo de gasto foi emitido em seu nome, foi a própria contribuinte, sendo, portanto, legítima a dedução da despesa com o plano de saúde Unimed, no valor de R$ 1.904,24 (art. 80, § 1º, inciso I, do RIR/99). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, para restabelecer a dedução da despesa com o plano de saúde Unimed, no valor de R$ 1.904,24. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909192/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF – Operações de crédito/Pessoa Física. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 19 2/ 20 12 -1 1 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 480 2 Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: “Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 8.107,33 (DARF no total de R$ 440.409,60, recolhido em 13/05/2009) e a quantia aproveitada na DCOMP foi de R$ 6.770,60. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 17/12/2012, em 16/01/2013 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter cometido erro no preenchimento da DCTF o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Não obstante, prossegue, o erro de fato foi sanado por meio da entrega da DCTF. Pleiteia, a suspensão da exigibilidade do crédito, assim como a reforma do despacho decisório com a conseqüente homologação do procedimento. Foram apensados aos presentes, os autos do processo administrativo 16327.909194/201218 que trata de DCOMP que se utiliza de direito de crédito de mesma origem daquele aqui apreciado”. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada”. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 481 3 Em 22/12/2018 o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 066 a 074)1, por meio do qual reitera as razões de sua Manifestação de Inconformidade alegando ainda, em síntese, que: a) na qualidade de instituição financeira, teria realizado operações de câmbio, mas seus sistemas de apuração do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não estaria adaptado para excluir da tributação montantes baixados para prejuízo, de sorte que tais baixas eram efetuada manualmente pelo departamento contábil do Banco e, no fechamento da mencionada apuração, a baixa manual não teria ocorrido, tendo levado as operações à tributação gerando o pagamento a maior tais divergências seriam naturalmente perceptíveis nos documentos que junta aos autos; b) sua boafé em produzir provas não pode ser cerceada por “extrema formalidade”, de sorte que “a possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, desde que garantida para a parte adversa a possibilidade de manifestação, respeitando o contraditório e a ampla defesa, não fere qualquer garantia ou defeito fundamental”; c) à luz do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, é de seu direito ver concluído seu pedido de compensação, visto que teria recolhido a maior a quantia de R$ 8.107,33 e teria cumprido todas as exigências legais relacionadas ao pedido, mas, por erro de fato contido em DCTF já devidamente retificada, não teve o seu pedido homologado. Depois de juntar aos autos, ao fim de sua peça recursal, documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis que teria efetuado (doc. fls. 094 a 108), além de cópia das DTCF Original e Retificadora, o Banco requer o conhecimento e o provimento do recurso visando à homologação integral das compensações, protestando pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 20152. 1 Todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. 2 Art. 23B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 482 4 Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito A discussão nos autos se inicia com Manifestação de Inconformidade pelo indeferimento de solicitação de compensação formalizada na PER/DCOMP no 04019.20417.150711.1.3.040219, de 15/07/2011, por meio da qual o recorrente informou ter realizado pagamento a maior de Imposto sobre Operações Financeiras IOF decorrente de erro contido em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais DCTF, supostamente saneado por meio de DCTF Retificadora por ele registrada. O valor pago a maior teria sido de R$ 6.770,00, oriundos de DARF recolhido pelo Banco. A denegação da solicitação formulada ocorreu por meio de Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF/São Paulo SP), no qual, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, a unidade constatou que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando a decisão sob os argumentos de que: (i) a DCTF retificadora teria sido transmitida em 14/01/2013, após, portanto, à ciência do despacho decisório de não homologação, retirando do sujeito passivo o caráter da espontaneidade; e (ii) nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido de comprovar liquidez e certeza que devem amparar o direito de crédito. Sustenta no voto aquela autoridade julgadora que (fls. 050 – grifos nossos): “Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. (...) No entanto nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido da comprovação da liquidez e certeza que devem configurar o direito de crédito. A contribuinte não indica, por exemplo, o motivo pelo qual teria reduzido o montante do débito indicado na DCTF original. Não apresentou, também, nenhum demonstrativo ou documento capaz de o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 483 5 apontar o erro de apuração que provocou a retificação da DCTF. Notese que o valor indicado na DCTF original coincide com o que foi recolhido pela contribuinte por meio de DARF, do que se depreende que a situação não se restringe a simples erro de preenchimento do formulário da DCTF, mas sim de nova apuração do débito. Essa nova apuração deve estar suportada por documentação que possibilite a administração certificar o novo valor do débito, admitir a retificadora, reconhecer o pagamento a maior e homologar a compensação que dele se aproveitou”. Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, razão não lhe assiste. A razão está com a decisão recorrida. Como assevera o Acórdão da DRJ, o Despacho Decisório está materialmente correto, visto que, quando de sua emissão anteriormente à promoção da retificação da DCTF pelo recorrente, não havia saldo de crédito disponível para amparar o pedido de compensação. Também não merece reforma a decisão de piso. Tratandose de direito creditório pleiteado sem qualquer lastro documental, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. A Manifestação de Inconformidade que deu início ao contencioso foi instruída somente com cópias do Despacho Decisório e da DCTF Retificadora, desacompanhados dos documentos e elementos de prova necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito, como assevera a decisão recorrida. Ressaltese que todos os documentos e informações então juntados ao Recurso Voluntário pelo recorrente, os quais, segundo o Banco, comprovariam o equívoco, estavam disponíveis à data da Manifestação de Inconformidade e poderiam ter sido oferecidos aos julgadores a quo para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. Quanto à tese defendida na peça recursal acerca da possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, também não prosperam os argumentos utilizados pelo recorrente. Com efeito, é farta a jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido e ainda que a prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5o do DecretoLei no 2.124, de 19843) e que a compensação de débitos 3 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 484 6 tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN4); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4o, do Decreto no 70.235, de 19725); iii) no art. 373 da Lei no 13.105/20156, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Tomo como exemplo o Acórdão da CSRF no 9303005.226, sessão de 20 de junho de 2017, de relatoria da i. Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa reproduzo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não 4Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 485 7 sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Peço licença para agregar aos meus argumentos os fundamentos utilizados pela i. Conselheira Relatora designada, em seu voto condutor naquele Acórdão: “Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações”. De outra feita, é cediço que este E. Tribunal tem até flexibilizado texto seco da norma, permitindo que sobrevenham documentos complementares que comprovem a existência do crédito. Como dito linhas acima, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo, é papel do julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Com efeito, a DCTF retificadora enviada pelo contribuinte em 2013 e anexada aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade deve ser recebida como elemento indicativo do direito ao crédito, sendo irrelevante o fato de já ter sido proferido Despacho Decisório, pois se busca a verdade material. Mas a simples apresentação de DCTF retificadora Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 486 8 não possibilitou ao julgador de piso concluir pela existência do direito creditório. Ou seja, não se dispensa a instrução da Manifestação de Inconformidade com documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados na DCTF original. O recorrente protesta pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito, mas não merece amparo o referido requerimento nesta fase processual. Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Expresso no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento externado pelo relator, Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, e cujo entendimento também foi acompanhado pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante. Na decisão de primeira instância o voto condutor apresenta os seguintes fundamentos para julgar improcedente a manifestação de inconformidade: Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações, bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), resultando no Despacho Decisório em discussão. Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a nãohomologação. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega equívoco no preenchimento da DCTF o que levou ao comprometimento de todo o pagamento feito no documento de arrecadação indicado como origem do direito de crédito. Diz ainda que o equívoco foi corrigido pela entrega de DCTF retificadora. (...) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 487 9 Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. Percebese que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional está na ausência de demonstração, por meio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal e inicialmente informada em DCTF foi indevida. Diante desta decisão a recorrente apresenta os seguintes argumentos: (...) (...) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 488 10 (...) O presente caso se enquadra às situações em que o sujeito passivo busca provar o direito que alega lhe assistir, agindo proativamente conforme estabelecido no princípio da cooperação, disposto no artigo 6º do Novo Código de Processo Civil – Lei no 13.105/2015, cuja redação assim estabelece: "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 489 11 Assim sendo, lanço mão do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574/2001, cujas regras são também aplicáveis aos Colegiados de Segunda Instância. Portanto, considerando a relevância dos documentos apresentados pela recorrente com vistas a demonstrar os valores que deram origem ao direito creditório pleiteado, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da Imposto sobre Operações Financeiras – IOF reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos que julgar pertinentes. 2) Avaliar a procedência dos créditos referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF alegadas concernentes aos registros apresentados de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.902614/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.074
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de IOF. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 61 4/ 20 06 -1 7 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou a legitimidade do direito de crédito aproveitado. Afirma que o pagamento indevido teve origem em erro na apuração do IOF devido sobre mútuo contratado com pessoa jurídica. O mútuo seria controlado por planilha especifica que indicaria o efetivo saldo do contrato e possibilitaria o correto controle do IOF devido mensalmente. Contudo, por equivoco, teria calculado o IOF a pagar no período mediante a aplicação da aliquota de 0,041% sobre o valor mutuado, quando o correto seria 0,0041%, conforme artigo 7° do Decreto n° 4.494, de 2002. Assim, ao perceber o recolhimento a maior, apresentou a declaração de compensação em foco aproveitando o mencionado direito de crédito na quitação de débito. Argumenta que, estando incorreto o valor de IOF indicado em DCTF ao qual se vinculou o pagamento, impõese o reconhecimento do pagamento a maior e a homologação da compensação. Invoca ainda o principio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal. Por fim, informa entender que as provas juntadas aos autos seriam suficientes para a comprovação do direito de crédito, solicitando a realização de diligência caso esse não seja o entendimento desta esfera de julgamento. É o relatório A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão que instrui os autos. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese, que os créditos são provenientes de recolhimento a maior de IOF em razão de erro na aplicação da alíquota que seria de 0,0041% e não 0,041%. Sobre o assunto afirma que demonstrou os fatos por meio de um contrato de mútuo no qual figura como mutuante e por isso faz retenções de IOF. Faz referência a equívoco no preenchimento da DCTF e ao princípio da verdade material. A seu favor cita jurisprudência. Menciona também que o fato de o contrato não estar registrado no cartório em nada altera a evidência da prova. Sustenta ainda cabe a RFB alterar a DCTF de ofício por força do art. 9º, parágrafo 3, IN 1110/10. A Recorrente defende que as provas apresentadas são suficientes para provar seu bom direito aos créditos devidos por recolhimento a maior de IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201002.071, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.902612/200628, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201002.071): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. O cerne da questão consiste na discussão acerca da certeza e liquidez dos valores recolhidos para fins de compensação. O tema é recorrente no CARF. No caso em julgamento entendo que cabe o direito da dúvida em favor da Recorrente, pois apresenta documentação parcial que respalda sua argumentação. A forma como as operações foram documentadas parecem indicar a natureza de mútuo. Nesse ponto, constam dos autos os seguintes documentos: a) contrato de Mútuo entre as empresas Editora Abril S/A e Abril Comunica S/A (efls. 63 a 66); e b) planilha de valores do entre Mutuante e Mutuário (efls. 68 a 69). De fato, conforme consta do art. 7º do Decreto nº 4.494 de 2002, a alíquota do IOF incidente sobre o montante do mútuo financeiro era de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento). A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Entretanto, também cabe razão a autoridade julgadora de primeira instância que se manifestou quanto a ausência de elementos de prova mais robustos, como aqueles que compõem a escrituração comercial. De fato, o contrato de mútuo juntado aos autos, além de não ter sido registrado em cartório, tem como objeto crédito de R$ 10.000,00, valor muito inferior Aquele sobre o qual incidiu o I0F. Ademais, além do citado contrato, a contribuinte apresentou somente planilhas correspondentes a demonstrativos e controles internos de sua própria lavra e não se prestam a atestar o pagamento indevido. Nenhum documento vinculado aos livros que compõem a escrituração comercial veio ao exame desta esfera de julgamento. Não foram exibidas cópias do Razão das contas que registraram o imposto a pagar e o mútuo contratado ou das folhas do Livro Diário onde constassem o registro das alegações. (efl. 77) Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, acredito que a Recorrente teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca dos fundamentos utilizados no julgamento de primeira instância para negar o direito ao crédito, ou seja, quanto a falta de liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 6 5 da Recorrente, sem que as questões aventadas quanto a escrituração comercial sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 235DF CARF MF
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