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Numero do processo: 16682.720280/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que lhe dava parcial provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que lhe dava parcial provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 80 /2 01 1- 45 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3101000.242 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Adoto o relato da Informação de fl. 82, da Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEMAC/RJ Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes: O presente processo foi gerado para dar prosseguimento ao requisitado pelo contribuinte, em função do pedido de arquivamento do processo de nº 10768.720239/200766. Desta forma, as principais partes do processo foram desentranhadas do mesmo e anexadas ao novo. Tratase do tratamento manual da DCOMP no 41166.74952.210704.1.3.048930 (fls. 01 à 05), que foi parcialmente homologada pela decisão de fl.26, cuja ciência foi dada em 29/06/2009, conforme AR de fl.27. Apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva em 22/07/2009 às fls. 28/33. O contribuinte recebeu cópia do Acórdão nº 1332.382 (fls. 39/42) , proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, conforme AR recebido em 07/02/2011 anexado em fl.53, que reconheceu totalmente o direito creditório e homologou em parte o débito declarado na Dcomp. As fls. 43 à 48, o contribuinte peticiona a suspensão da exigibilidade do crédito tributário para fins de emissão de certidão positiva com efeito de negativa. Conforme telas impressas do sistema SIEF em fls. 54 e 55, não foi possível operacionalizar a compensação. Desta forma, foi realizado um cálculo no SAPO (fls. 58 à 60), verificandose que o saldo remanescente é devedor de R$ 300.940,22; e desta forma, formalizado o processo de cobrança acima com este valor. O processo de crédito anterior de nº 10768.720239/200766 foi encerrado , vide tela impressa de fl.56, e o seu respectivo processo de cobrança, de mesmo número, cadastrado no sistema PROFISC, foi excluído (fl. 57). O contribuinte entrou, tempestivamente, em 03/03/2011, com um Recurso Voluntário de fl. 72 à 79 a ser analisado pelo CARF. Notase que inicialmente o contribuinte se equivocou, apresentando um recurso administrativo em Manifestação de Inconformidade a ser analisado pela DRJRJ2, corrigindo porém, vide fls. 78/79, o nome do recurso para Voluntário, e a ser analisado pelo CARF, mantendoseo conteúdo de seu pedido. O extrato do processo de cobrança está anexado em fl. 80, e está suspenso devido ao questionamento apresentado pelo contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 4 3 Desta forma, proponho o encaminhamento do presente processo para julgamento do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção A leitura do acórdão nº 1332.382, da 5ª Turma da DRJ/RJ2, fls. 39/42, e do recurso voluntário, fl.s 72/79, mostrase essencial para o perfeito entendimento da Informação supra, daí porque solicitei aos meus pares a leitura prévia de tais peças. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 27/06/2012, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência para que retorne à Unidade competente para as verificações acerca da compensação versada nos autos. O redator designado fundamentou sua proposta conforme extraise do excerto: Inicialmente, encontramos nos autos em fls 55 o seguinte: “(...) em nome da verdade material, optouse por adotar o entendimento de que o contribuinte errou ao não compatibilizar adequadamente as informações fornecidas aos sistemas de controle da RFB. Isto é errou ao recolher o PIS sob o código 8109 e errou ao manter tal informação declarada em DCTF .” De outro lado a Recorrente deixou claro que a PERD/COMP teve uma única finalidade em virtude da impossibilidade de se emitir novo DARF com a vinculação ao código de arrecadação correto na forma do art. 10 da IN SRF nº 403, de 2004, conforme fls. 30 ou 70. Ademais, a referida compensação encontrase controlada no processo administrativo 10.768.720385/200791. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para a real verdade material ser trazida aos autos, para que retorne ao órgão competente da RFB para que: 1 Verifique com todos os erros e acertos já constantes dos autos e em conjunto com o processo 10.768.720385/200791 se a imputação adequada do pagamento a que se refere o respectivo PAF está correto; 2 Se da adequada imputação de valores resultou, ainda, em falta de pagamento de tributo. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. A Divisão de Orientação Tributária da Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro Diort/Demac/RJ elaborou detalhado relatório abordando o histórico dos valores de crédito e débitos envolvidos nas declarações de compensação da contribuinte e as fases decisórios pelas quais a matéria foi analisada para, então, pontuar exatamente a situação atual do processo trazido a julgamento neste CARF. Reproduzo a parte final que explicita a questão a ser decidida neste julgamento: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 5 4 (...) 28. O cerne da questão do presente processo referente a DCOMP 41166.74952.210704.1.3.048930 gira em torno da manobra do contribuinte em tentar corrigir o equívoco referente aos códigos de receita do PIS a partir da transmissão de DCOMP, e não a partir de retificação de DARF. 29. Diante de todo o exposto, concluimos que no presente processo resta apenas decidir se será ratificada a decisão da DRJ/RJO II, que considerou procedente a forma de cálculo da compensação, nos moldes do art. 28, IN SRF 210/2003, ou seja, considerou a data da entrega da DCOMP como a data de valoração. Neste caso, mantêmse o saldo devedor de R$ 300.940,22; ou, se será acatado os argumentos do contribuinte, aceitando/considerando a compensação ora em análise como uma forma de retificação do pagamento de R$ 1.997.038,92 do código 8109 para o 6912, tendo como consequencia a extinção da cobrança de R$ 300.940,22. 30. Encaminhese o presente ao CARF, para prosseguimento. Cumprida a diligência o processo retornou para este CARF e redistribuído em razão da extinção da turma em que se iniciou o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio que atualmente se afigura cingese tãosomente à questão de atualização do saldo devedor que não restou compensado na DCOMP nº 41166.74952.210704.1.3.048930. Isto porque, em que pese o reconhecimento integral dos créditos informados nas Dcomps no julgamento da DRJ, mantevese, na mesma decisão, a atualização (juros e multa de mora) do saldo remanescente do débito de PIS em razão do encontro de contas da compensação, e assim ter por extinto o débito, na data de sua transmissão (e não da data do pagamento do DARF, como postula a contribuinte). O histórico dos fatos envolvidos, aliado à existência de múltiplos processos e Dcomps, trazem certo grau de complexidade à perfeita percepção da matéria o que me faz entender a necessidade de esclarecimentos quanto ao procedimento incomum da contribuinte. Pretendeu a contribuinte quitar os débitos de PIS, do período 08/2003, nos códigos e valores 6912 (PIS não cumulativo) R$ 2.326.576,33 e 6824 (PIS combustíveis) R$ 548.094,29, informados no Dacon e na DIPJ; contudo, na DCTF, equivocadamente, lançou Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 6 5 o débito de PIS no código 8109 (PIS faturamento) no valor de R$ 2.874.670,62 (exatamente a soma dos valores dos códigos 6912 e 6824). A extinção deste débito foi através do DARF, código 8109, no valor de R$ 1.997.038,92, recolhido em 15/09/2003 e do saldo credor decorrente da DCOMP nº 6525.11256.030507.1.3.049548, no valor de R$ 877.631,46 controlada no processo nº 10768.720239/200766. Ciente do equívoco e ao adotar procedimentos de correção, a recorrente laborou em interpretação errônea do disposto no art. 10 da IN SRF nº 403/20041 ao entender que não poderia retificar o DARF recolhido, utilizandose da previsão da IN SRF 676/2006 para se valer do REDARF e alterar o código do recolhimento, com a observância das demais prescrições da legislação. Firmada então nesta suposta impossibilidade de retificação do DARF, transmitiu a DCOMP nº 41166.74952.210704.1.3.048930, em 21/07/2004, para quitar o débito de PIS no código 6912, com o DARF, e 6824, com a compensação versada no processo 10768.720239/200766, que somados perfaziam o valor de R$ 2.874.670,62, em aberto nos sistemas de pagamento da Receita Federal, uma vez que vencidos em 15/09/2003. O quadro demonstra o procedimento: Em sede de despacho decisório, houve reconhecimento parcial do crédito, implicando a homologação parcial da compensação da DCOMP nº 41166.74952.210704.1.3.048930. No acórdão 1332.382 da DRJ/RJ II, os julgadores reconheceram a integralidade do crédito na DCOMP nº 6525.11256.030507.1.3.049548, todavia, manteve a sistemática de correção dos valores de débitos e créditos compensados (art. 28 da IN SRF 210/2002) , que resultou em compensação parcial, restando a parcela de R$ 300.940,22 relativa ao PIS, código 6912. Portanto, esta é a decisão a ser tomada no voto: cabível ou não a correção do débito de PIS código 6912, período de 08/2003, vencido em 15/09/2003 informado na DCOMP Nº 41166.74952.210704.1.3.048930, considerado quitado na data de sua transmissão 21/07/2004. 1 Art. 10. Serão indeferidos os pedidos de retificação de DARF ou DARFsimples que versem sobre: I desdobramento de Darf ou DarfSimples em dois ou mais documentos; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 7 6 Constam dos relatos que tal procedimento de "correção" dos débitos de PIS foram efetuados ao longo de 2003 e 2004, de forma que vários processos do mesmo sujeito passivo, tratando da mesma matéria, foram formalizados e já se encontram julgados neste CARF. É o caso dos processos nºs 10768720167/200757, 10768720244/200779, 10768720368/200754, 10768720381/200711, 10768720443/200787 e 10768720138/2007 95. Assim, por concordar com as decisões exaradas nesses processos, peço vênia para reproduzir excertos do voto no acórdão nº 3202000.916 (processo 10768720167/2007 57), sessão de 25/09/2013, relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, adequandoo às circunstâncias do presente caso, os quais faço minhas razões de decidir: "Com efeito, havia a obrigação, por imposição legal, de corrigir o crédito vindicado desde o dia do recolhimento a maior até data do envio do PER/DCOMP à RFB, bem como promover a correção do débito a ser compensado desde o seu vencimento, mas, neste caso, acrescido de multa e juros moratórios – porque, afinal, é na data da apresentação do PER/DCOMP que ocorre a extinção do débito pela compensação, ainda que sob condição resolutória. O fato de os valores terem sido recolhidos conjuntamente em [15/09/2003] não autoriza concluir que sobre o verdadeiramente não recolhido não devam ser computados os acréscimos legais cabíveis, pois, na verdade, o que houve foi um recolhimento a maior, quanto ao PIS não cumulativo [código 6912], e uma inadimplência, quanto ao PIS – Combustíveis [código 6824], erro só remediado com a apresentação do PER/DCOMP. Em essência, essa situação em nada difere de outras em que há recolhimento a maior de certo tributo, posteriormente em parte restituído e utilizado na compensação de valor não recolhido referente a tributo diverso. Em ambas as situações, a legislação, já reproduzida no voto condutor da decisão recorrida, determina a correção dos créditos e débitos (estes também acrescidos de multa de mora), tendo como referência a data de apresentação do PER/DCOMP. Correta, portanto, a decisão recorrida. No que concerne ao efeito suspensivo do Recurso, este se dá ex vi legis, apenas com a sua apresentação (§ 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996)." Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de PETROBRAS DISTRIBUIDORA S A. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16682.720280/201145 Acórdão n.º 3201003.652 S3C2T1 Fl. 8 7 Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.690048/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF.
Comprovadas a retenção na fonte e o oferecimento do rendimento à tributação, há que ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo correspondente. A contribuinte só faz jus ao IRRF em que for beneficiária.
Numero da decisão: 1302-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. Comprovadas a retenção na fonte e o oferecimento do rendimento à tributação, há que ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo correspondente. A contribuinte só faz jus ao IRRF em que for beneficiária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias.
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IRRF. Comprovadas a retenção na fonte e o oferecimento do rendimento à tributação, há que ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo correspondente. A contribuinte só faz jus ao IRRF em que for beneficiária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 00 48 /2 00 9- 38 Fl. 494DF CARF MF 2 Adoto o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos relativos ao presente processo: Tratase da manifestação de inconformidade interposta em face do Despacho Decisório nº 849905247 (fl. 5), datado de 23/10/2009, referente a não homologação da PER/DCOMP (com Demonstrativo de Crédito) nº 25577.23117.140606.1.3.020187, por inexistência de crédito de saldo negativo de IRPJ na DIPJ/2006, anocalendário 2005. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 05/11/2009 (fl. 09) e apresentou em 04/12/2009 a manifestação de inconformidade de fls. 10/21, alegando em síntese que: Realizou apuração do IRPJ, no anocalendário de 2005, pelo regime de suspensão e redução. Conforme a ficha 11 da DIPJ 2006, apurou, a título de imposto de renda retido na fonte, no ano de 2005, o montante de R$ 1.468.884,11. Todos os valores a titulo de imposto de renda restaram individualmente discriminados na ficha 90A da DIPJ 2006 e totalizam o montante de R$ 1.802.473,73. Portanto, não restam dúvidas de que a impugnante possui, em seu favor, crédito que totaliza R$ 333.589,62 (R$ 1.802.473,73 R$1.468.884,11). Ocorre que ao emitir a Perd/comp n° 2557723117.140606.1.3.020187, por um equivoco, a Impugnante não consignou todos os valores a titulo de imposto de renda retido na fonte acima apontados, tendo discriminado apenas o valor de R$ 1.095.460,19. Por conta disso, o despacho recorrido, considerando apenas o valor de R$ 1.095.460,19 e ignorando a existência dos outros valores a titulo de imposto sobre a renda retido na fonte, que totalizam o montante de R$ 1.802.473,73, entendeu não haver crédito suficiente para a liquidação do débito no valor de R$ 293.985,12 a titulo de COFINS. Para que não restem dúvidas acerca dos valores efetivamente quitados pela Impugnante a titulo de imposto sobre a renda retido na fonte, esta apresenta os anexos informe de rendimento, que comprovam cabalmente a veracidade dos valores em questão, protestando pela juntada dos informes de rendimento referentes ao Banco Itaú. Também anexa cópia do razão identificando as contas de aplicações financeiras, sendo que o valor apontado é um pouco superior ao das retenções em comento, uma vez que constam dois apontamentos já do ano de 2006, bem como a atualização pela taxa Selic. Ademais, o próprio fisco, mediante perfunctória análise do sistema das Dirfs das instituições financeiras, pode comprovar os fatos apontados pela impugnante. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer a reforma do despacho decisório ora recorrido, para que seja homologada Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10880.690048/200938 Acórdão n.º 1302002.728 S1C3T2 Fl. 495 3 a compensação realizada pela Impugnante por intermédio da Per/Dcomp n° 2557723117.140606.1.3.020187, afastandose a cobrança imputada pelo despacho em questão. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada dos informes de rendimentos referentes ao Banco Itaú. Verificase que às fls. 136 a 139 dos autos foram anexadas cópias do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e respectivo Imposto Retido na Fonte – Pessoa Jurídica do anocalendário de 2005 emitidos pelo Bradesco, pela Nordesclor S/A e pelo Banco Votorantim S/A, além de cópia do Livro Razão do período de 01/12/2005 a 31/03/2006, utilizados na análise do direito creditório. A 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora, em sua decisão, destaca, inicialmente, que as parcelas de composição do crédito informadas em PerDcomp foram confirmadas em seu montante integral, conforme se conclui da leitura das informações complementares (fls. 6/8): E prossegue: O contribuinte alega em sua manifestação de inconformidade que cometeu erro de fato na transmissão da referida Dcomp por não consignar nessa declaração todos os valores a titulo de imposto de renda retido na fonte no anocalendário de 2005, individualmente, discriminados na ficha 90A da DIPJ 2006, no caso na ficha 50, e totalizando o montante de R$ 1.802.473,73. Observase, inicialmente, que o ônus da produção de provas nos processos de compensação/restituição/ressarcimento é do próprio sujeito passivo, não cabendo à RFB buscar essas provas. Nesse sentido, o contribuinte trouxe à colação os documentos de fl. 136/138, em atendimento ao que determina a Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina também a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Fl. 496DF CARF MF 4 Os Comprovantes Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica (Anocalendário 2005) fornecidos pelas fontes pagadoras são os seguintes: 1) Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112, no código de retenção 6800, com rendimento total de R$ 848.273,65 e imposto retido no valor total de R$ 185.668,51 (fls. 136); 2) Nordesclor S/A, CNPJ 10.620.540/000121, no código de retenção 1708, com rendimento total de R$ 443.533,67 e imposto retido no valor total de R$ 6.653,01 (fls. 137); 3) Banco Votorantim S/A, CNPJ 59.588.111/000103, no código de retenção 3426, com rendimento total de R$ 27.372,39 e imposto retido no valor total de R$ 5.474,47 (fls. 138); 3) Banco Votorantim S/A, CNPJ 59.588.111/000103, no código de retenção 5273, com rendimento total de R$ 6.530,49 e imposto retido no valor total de R$ 1.469,36 (fls. 138). A Turma julgadora passa a questionar o oferecimento dessas receitas à tributação: As receitas tributáveis deveriam ser informadas na DIPJ – Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, do exercício 2006, na ficha 06 A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (anexada às fls. 30 a 135), onde determinadas receitas possuem linhas próprias para sua informação. Os rendimentos auferidos em operação financeira de renda fixa, códigos de retenção 6800 e 3426, nos valores de R$ 848.273,65 e R$ 27.372,39, respectivamente, estão tributados na linha 24 – Outras receitas financeiras, da ficha 06 A, onde encontrase um valor declarado de R$ 26.675.289,33. Portanto, cabe considerar confirmado o IRRF de R$ 185.668,51 e R$ 5.474,47. Ao exame da linha 08 – Receita da Prestação de Serviços, da ficha 06 A, verificase um valor declarado de R$ 443.533,67, confirmandose, assim, a tributação deste rendimento. Portanto, cabe considerar confirmado o IRRF de R$ 6.653,01 correspondente a este rendimento. No caso dos rendimentos com Operações de Swap (código de retenção 5273), estes deveriam ter sido indicados na linha 21, conforme instrução de preenchimento do programa gerador da declaração (...) Contudo, a linha 21 da ficha 06A da DIPJ 2006 encontrase zerada, configurando o não oferecimento destes rendimentos à tributação. Destarte, do valor total confirmado de IRRF de R$ 1.095.460,19 cabe acrescentar os valores de R$ 185.668,51, R$ 6.653,01 e R$ 5.474,47 resultando no montante de R$ 1.293.256,18 de Imposto de Renda Retido na Fonte confirmado. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10880.690048/200938 Acórdão n.º 1302002.728 S1C3T2 Fl. 496 5 Assim, o cálculo do saldo negativo de IRPJ apurado na ficha 12 A da DIPJ 2006, demonstrase a seguir: (*) Total das estimativas pagas/compensadas com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução extraído da ficha 11 da DIPJ/2006 e do Sistema informatizado da RFB denominado “Consulta DCTF”. Ou seja, considerandose o IRRF confirmado no valor de R$ 1.293.256,18 e o imposto de renda mensal pago (compensado) por estimativa no valor de R$ 7.697.359,64, resultou em saldo positivo de IRPJ a pagar. Portanto, continua correta a decisão A Turma indeferiu a juntada dos informes de rendimentos do Banco Itaú, por considerar que não preencheu os requisitos do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1976. Assim, considera improcedente a manifestação de inconformidade, não homologando a compensação pleiteada. A Empresa apresentou Recurso Voluntário, informando que contratou a elaboração de laudo contábil pela PricewatherhouseCoopers que confirma que o valor retido é de R$1.802.473,73 e que foi devidamente oferecido à tributação. O laudo inicialmente corroborou o fato de que a apropriação da receita de aplicação financeira se dá pelo princípio da competência. No caso em análise , verificase o registro de dois valores referentes à apropriação de receitas de aplicação financeira: o primeiro no montante de R$70.151 mil, apontado na contabilidade de acordo como regime de competência e o segundo no valor de R$9.250 mil, atinente aos referidos rendimentos, constante dos informes de rendimentos, auferidos pelo regime de caixa. Assim, assevera o citado laudo que o total que consta dos informes de rendimento, que perfaz R$9.250 mil foi tributado durante o ano de 2005 por intermédio do imposto sobre a renda (retenção na fonte de R$1.802 mil). O valor de R$1.802.473,73 foi comprovado no laudo mediante a juntada dos informes de rendimento, além de já constarem na DIPJ (ficha 50) como demonstra (quadros folhas 200/201). Conclui o laudo (i) que os rendimentos das aplicações financeiras que compuseram o saldo negativo do IRPJ da Recorrente foram corretamente oferecidos à tributação, estando tal fato comprovado em virtude da contabilização em conta de resultado; (ii) que os valores indicados nos informes de rendimentos foram devida e corretamente veiculados na DIPJ do período. Fl. 498DF CARF MF 6 Na esteira do exposto, não merece prevalecer a assertiva constante do acórdão de que encontramse zeradas as linhas correspondentes às informações sobre rendimentos de operações de swap e operações de day trade na DIPJ 2005, pois o mero erro formal de preenchimento não afasta o direito do contribuinte. Portanto o cálculo do saldo negativo deve ser assim reformulado: A Recorrente ataca o Despacho Decisório por considerar que ele é imotivado, apresentando carência de fundamentação, o que foi afastado pelo acórdão recorrido. No entanto, inferese da análise do despacho decisório que não há identificação do motivo da glosa do crédito pleiteado pela Recorrente, uma vez que as retenções na fonte foram integralmente confirmadas. Não há qualquer cálculo, informativo ou referência que evidencie como o fiscal calculou os montantes que serviram de base para a autuação em tela. Assim, impõese a declaração de invalidade do ato administrativo, por falta de motivação, que acaba, também, por cercear o direito de defesa. Por fim, invoca a Lei nº 9.784, de 1999, e o princípio da verdade material para defender a possibilidade de juntada de documentos após a impugnação. Pede que o processo seja baixado em diligência, caso seja julgado pertinente, a juntada de novos documentos que se façam necessários e que seja julgado procedente o Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator A ciência do acórdão se deu em 22 de julho (fl. 192) e o Recurso Voluntário foi apresentado em 20 de agosto, ambos de 2015. O recurso, portanto, é tempestivo. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10880.690048/200938 Acórdão n.º 1302002.728 S1C3T2 Fl. 497 7 Advogados formalmente constituídos (fls. 22 e 23). Conheço do Recurso Voluntário. Preliminarmente, alega a Recorrente que o Despacho Decisório (DD) é imotivado, requerendo sua nulidade. Diz o acórdão recorrido teria asseverado que o DD restava motivado. Vejo com certa surpresa esta alegação. Em nenhum momento na Manifestação de Inconformidade foi falado em falta de motivação, tampouco no acórdão recorrido. E seria estranho que se falasse, pois o DD confirma todas as parcelas que integram a informação prestada pela Contribuinte na DComp. Posteriormente, em sua Manifestação de Inconformidade é que a declarante reconhece que cometeu equívoco ao não informar todos os IRRF do ano, apresentando a DComp erradamente. Erro aliás do qual decorreu toda essa querela. Não há vício no Despacho Decisório e ele não glosa nada, pelo contrário, reconhece tudo o informado em DComp. A novidade veio na Manifestação de Inconformidade, com novos elementos integrantes da base negativa e analisadas pelo acórdão. Dito isso, vamos à lide. O acórdão reconheceu os seguintes valores, verbis: Destarte, do valor total confirmado de IRRF de R$ 1.095.460,19 cabe acrescentar os valores de R$ 185.668,51, R$ 6.653,01 e R$ 5.474,47 resultando no montante de R$ 1.293.256,18 de Imposto de Renda Retido na Fonte confirmado. Correspondentes aos seguintes comprovantes de rendimento apresentados pela Recorrente: 1) Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112, no código de retenção 6800, com rendimento total de R$ 848.273,65 e imposto retido no valor total de R$ 185.668,51 (fls. 136); 2) Nordesclor S/A, CNPJ 10.620.540/000121, no código de retenção 1708, com rendimento total de R$ 443.533,67 e imposto retido no valor total de R$ 6.653,01 (fls. 137); 3) Banco Votorantim S/A, CNPJ 59.588.111/000103, no código de retenção 3426, com rendimento total de R$ 27.372,39 e imposto retido no valor total de R$ 5.474,47 (fls. 138); 3) Banco Votorantim S/A, CNPJ 59.588.111/000103, no código de retenção 5273, com rendimento total de R$ 6.530,49 e imposto retido no valor total de R$ 1.469,36 (fls. 138). Dos IRRF informados pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 361/362):, não foram aceitos os seguintes: CNPJ da Fonte Pagadora: 01.138.846/000155 IBC DO BRASIL LTDA. Fl. 500DF CARF MF 8 Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Imposto de Renda Retido na Fonte 68,85 NÃO RECONHECIDO CNPJ da Fonte Pagadora: 06.277.459/000113 IMBITUBA OPERADORA PORTUÁRIA LTDA. Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Imposto de Renda Retido na Fonte 582,27 NÃO RECONHECIDO CNPJ da Fonte Pagadora: 06.936.073/000176 IMBITUBA EQUIPAMENTOS M LTDA. Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Imposto de Renda Retido na Fonte 47,78 NÃO RECONHECIDO CNPJ da Fonte Pagadora: 17.192.451/000170 ITAUCARD FIN. S.A. / CRED. FIN. INV. Código da Receita: 6800 Aplicações financeiras em fundos de investimentos renda fixa Imposto de Renda Retido na Fonte 505.101,92 NÃO RECONHECIDO CNPJ da Fonte Pagadora: 50.750.298/000125 LUZ PUBLICIDADE SÃO PAULO LTDA. Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Imposto de Renda Retido na Fonte 70,68 NÃO RECONHECIDO CNPJ da Fonte Pagadora: 59.588.111/000103 BANCO VOTORANTIM S.A. Código da Receita: 5273 Operações de Swap Imposto de Renda Retido na Fonte 1.469,36 NÃO RECONHECIDO Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10880.690048/200938 Acórdão n.º 1302002.728 S1C3T2 Fl. 498 9 O que se vê é que o relator do acórdão partiu dos comprovantes de rendimentos apresentados pela Empresa, para, depois, verificar se o rendimento tinha sido oferecido à tributação, seguindo, então, para a tomada de decisão. E ele apresentou o fundamento, o artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, abaixo transcrito: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, em relação a todos os valores não reconhecidos, o fundamento é a não apresentação pela Empresa do referido comprovante. Quanto ao IRRF de R$68,85, verificase à folha 371, que a Companhia Nitro é a fonte pagadora e não a beneficiária do rendimento, pelo que, o direito ao IRRF é da IBC do Brasil ltda. e não da Recorrente. O IRRF da IMBITUBA OPERADORA PORTUÁRIA LTDA. no valor de R$582,27 é objeto do comprovante de rendimentos de folha 372 e, como apontado no acórdão recorrido. foi oferecido à tributação, pois que a linha 08 Receita da Prestação de Serviços da ficha 06A da DIPJ apresenta um valor declarado de R$443.533,67, compatível com o rendimento respectivo de R$38.817,87. À folha 373 temos o comprovante de rendimentos relativo ao IRRF no valor de R$47,78, por serviços prestados à IMBITUBA EQUIPAMENTOS M LTDA., que também foi oferecido à tributação conforme suficiência apontada no parágrafo anterior. Às folhas 375/376 temos o informe de rendimentos financeiros do Banco Itaú, sendo identificáveis IRRF nos valores de R$473.587,55, R$2.089,00, R$1.052,02, R$1.832,92, R$4.408,09, R$5.644,46, R$8.045,95, R$7.882,89 e 579,04, perfazendo um total de R$505.101,92, todos relativos a operações financeiras de renda fixa, também declarados na linha 24 Outras Receitas Financeiras, cujo total (R$26.675.289,33) é, também, compatível com a receita das operações que montam R$2.507.992,95, conforme decidido no acórdão recorrido. Com relação ao IRRF de 70,68 relativo ao comprovante de rendimento de folha 377, a Recorrente também não é a beneficiária do rendimento, motivo pelo qual não será considerado. Destaco que, neste caso, a agência de propaganda emite o comprovante para o anunciante, uma vez que, nos termos do parágrafo único do artigo 53 da Lei nº 7.450, de 1985, a pessoa jurídica pagadora e a beneficiária tem responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Finalmente, em relação às operações de SWAP resgatadas em agosto de 2005, com rendimento de R$6.530,49 e IRRF de R$1.469,36, cujo comprovante foi acostado a folha 378, o acórdão recorrido registra que a linha 21 da ficha 06A da DIPJ encontrase zerada, pelo que considerou que o rendimento não tinha sido oferecido à tributação. A Recorrente, por sua vez, junta Laudo Técnico preparado pela PricewatherhouseCoopers, cuja conclusão reproduzo (fls. 248/249): 4. Conclusão Fl. 502DF CARF MF 10 Nesse sentido, com base no acima exposto constatamos que: a) Os rendimentos das receitas financeiras, cujos impostos correspondentes compuseram o saldo negativo de IRPJ da empresa Nitroquímica, foram oferecidos à tributação no imposto de renda tendo em vista estarem contabilizadas em conta de resultado conforme princípio de competência; b) Os valores constantes nos Informes de Rendimento foram refletidos corretamente na DIPJ do período; Nesse sentido, com base nas análises que realizamos, a partir do cruzamento das informações acima comentadas e da verificação dos documentos fiscais e contábeis, constatamos que o referido saldo negativo de IRPJ utilizado pela empresa está comprovado por documentação suporte e que os rendimentos auferidos foram tributados para fins de IRPJ, seguindo o princípio contábil da competência. Assim, o que se verifica é que os registros contábeis das operações de SWAP são realizados na conta de resultado 3.4.7.05.1.04, de forma sintética, com registros de receitas e de despesas, sendo levado o saldo para o resultado do exercício. Em 2005 importou um passivo de R$7.730.604,00 (fl. 399 e 345). No caso presente a Recorrente teve um rendimento de R$6.530,49 no mês de agosto de 2005, objeto de IRRF que compõe a base negativa de IRPJ. Importa constatar que, na referida conta de resultado há o registro a crédito de R$779.485,17 em agosto daquele ano (fl. 397), valor que considero suficiente para suportar o referido rendimento. Feitas essas considerações, reconheço os créditos nos valores de R$582,27, R$47,78, R$505.101,92 e R$1.469,36, que totalizam R$507.201,33. Refazendo o cálculo do saldo negativo do imposto de renda temos: IRPJ à alíquota de 15% 5.663.743,25 Adicional 3.751.828,84 () Operações de Caráter Cultural e Artístico 200.000,00 () Programa de Alimentação do Trabalhador 49.328,34 () IRRF 1.800.457,51 (1.293.256,18+507.201,33) () IRPJ pago por estimativa 7.697.359,64 (=) IRPJ a pagar (331.483,40) Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, reconheço o direito creditório no valor de R$331.483,40 e homologo as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10880.690048/200938 Acórdão n.º 1302002.728 S1C3T2 Fl. 499 11 Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.721208/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao impugnante o conhecimento pleno da imputação a ele imposta e é assegurada ao interessado a oportunidade de carrear aos autos documentos, informações e esclarecimentos, no sentido de ilidir a tributação contestada.
INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. VENDA DE BENS.
Diante da verificação de que a soma dos tributos recolhidos na transação foi superior ao tributo individualmente lançado, não há que se falar em simulação.
Numero da decisão: 2301-005.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: 31336549858 - CPF não encontrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao impugnante o conhecimento pleno da imputação a ele imposta e é assegurada ao interessado a oportunidade de carrear aos autos documentos, informações e esclarecimentos, no sentido de ilidir a tributação contestada. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. VENDA DE BENS. Diante da verificação de que a soma dos tributos recolhidos na transação foi superior ao tributo individualmente lançado, não há que se falar em simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 12 08 /2 01 2- 41 Fl. 266DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte identificado no preâmbulo, foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Vitória, o auto de infração de fls. 69 a 76, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008. O lançamento decorreu da constatação de omissão de ganho de capital na alienação de bens, caracterizada pela ficta integralização ao capital social da empresa ZMM Empreendimentos e Participações Ltda. Segundo o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 53 a 67), restou comprovado em procedimento de fiscalização que o contribuinte utilizou bens do seu acervo patrimonial para realizar uma ficta incorporação ao capital social da sua empresa, revendendo os logo em seguida a terceiros (no dia seguinte), no intuito de acobertar a operação efetivamente ocorrida, qual seja: alienação de bens imóveis por contribuinte pessoa física. Os fatos apurados estão relacionados a contrato de prestação de serviços firmado entre FERROUS Resources do Brasil, empresa de pesquisa, prospecção, exploração, beneficiamento e comercialização de minério de ferro no mercado interno e externo, interessada na instalação de um mineroduto de Minas Gerais até o município de Presidente Kennedy, no Espírito Santo, bem como na construção de terminal portuário na área; e o CONSÓRCIO SUORREF, formado pelas sociedades Advocacia Cardoso de Freitas, de Fabrício Cardoso Freitas; Paulo Sardenberg Assessoria Imobiliária, de Paulo Roberto Dias Sardenberg; e Éconos – Economia Aplicada aos Negócios, de José Teófilo de Oliveira. Esse contrato tinha como objetivo a identificação de área equivalente a dez milhões de metros quadrados, obtenção de documentação relativa aos imóveis, apoio nas negociações para aquisição da área e assessoria na elaboração e negociação de memorando de entendimentos ou documento similar a ser celebrado entre as autoridades governamentais municipais e estaduais. Ocorre que Fabrício Cardoso Freitas e Paulo Roberto Dias Sardenberg, além de figurarem como responsáveis pela identificação da área para a FERROUS, via Consórcio SUORREF, também figuraram como sócios ocultos na ZMM Sociedade em Conta de Participação – ZMM SCP, da qual a ZMM Empreendimentos e Participações Ltda era sócia ostensiva ZMM. Registra, ainda, a autoridade tributária que a ZMM esteve no epicentro das aquisições de diversas propriedades rurais localizadas no município de Presidente Kennedy/ES para fins da futura instalação de projeto da empresa FERROUS. Segundo informação do Sr. Paulo Sardenberg, as aquisições eram efetuadas primeiramente pela ZMM e depois repassadas à FERROUS, no intuito de evitar especulação e sobrevalorização dos imóveis. Isso posto, e diante da cronologia dos fatos, concluiu o agente fiscal que a incorporação de capital por meio de bens imóveis era na verdade alienação dos bens da pessoa física à empresa FERROUS: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 15586.721208/201241 Acórdão n.º 2301005.259 S2C3T1 Fl. 3 3 TRÊS PONTOS que se entrelaçam demonstram a intenção consciente do fiscalizado em modificar a característica essencial da operação, qual seja: bens provenientes do acervo patrimonial de pessoa física que quando alienados devem ser submetidos à apuração do GANHO DE CAPITAL: a) Passagem efêmera dos terrenos adquiridos pela ZMM e de imediato revendidos para a FERROUS; b) Cronologia dos fatos; c) Evidente despropósito no aumento de capital pela integralização de bens imóveis advindos do fiscalizado. A passagem efêmera, caracterizada pela aquisição das áreas por parte da ZMM e imediatamente revendidas para a FERROUS em exíguo período, demonstra por si só que o animus do fiscalizado não era efetivamente aumentar o capital social da empresa. Esta efemeridade aliase à cronologia dos fatos. As duas propriedades rurais de José Maria já faziam parte integrante do seu acervo patrimonial desde o anocalendário de 2004. Em 11/04/2008, a ZMM foi constituída, tendo como objeto social a ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS. Em 05/2008, Fabrício Cardoso Freitas e Paulo Roberto Dias Sardenberg, intermediários da FERROUS na compra de terrenos em Presidente Kennedy, fazem uma parceria com o fiscalizado. Em 20/06/2008, promoveuse a PRIMEIRA ALTERAÇÃO CONTRATUAL, que fez incluir no objeto social a COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. Em 18/07/2008, deuse a SEGUNDA ALTERAÇÃO CONTRATUAL, que além de aumentar o capital social, estabeleceu que a integralização do capital social da parcela de R$ 420.250,00 seria respaldada pela entrega dos dois terrenos rurais de José Maria. Em 24/07/2008, nada mais nada menos que uma semana após a SEGUNDA ALTERAÇÃO CONTRATUAL, com fulcro na mesma celeridade e temporalidade das aquisições de áreas e revendas para a FERROUS, José Maria incorporou seus dois imóveis ao capital social da ZMM, sendo os mesmos também imediatamente revendidos para a FERROUS. Em 25/07/2008, dia seguinte, a última etapa do mecanismo criado para falsear a efetividade do ocorrido, os dois imóveis foram vendidos para a ZMM.[sic] Vale reprisar: a mesma celeridade dada aos diversos terrenos adquiridos pela ZMM e revendidos à FERROUS, José Maria também impôs em relação aos seus dois bens que aparentemente foram incorporados ao capital social. A própria inexistência de um adequado lapso temporal entre a etapa da incorporação e a posterior revenda para a FERROUS fala por si só. Fl. 268DF CARF MF 4 Enfatiza a autoridade lançadora que, consoante declaração do Sr. Paulo Sardenberg, o contribuinte já tinha plena consciência de que as áreas seriam adquiridas pela ZMM e, na sequência, revendidas para a FERROUS. Em face do exposto, e tendo em vista que a tributação deve atingir o fato gerador efetivamente ocorrido e não a aparência simulada, foi apurado o efetivo ganho de capital proveniente da alienação dos dois imóveis do contribuinte, adquiridos em 15/7/2004 e 3/5/2004, respectivamente, e vendidos à FERROUS em 25/7/2008, nos termos dos demonstrativos às fls. 63 e 64. Em virtude dos fatos constatados, e diante da atitude dolosa do contribuinte de modificar e/ou ocultar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, a Fiscalização aplicou a multa qualificada no percentual de 150%. Além disso, tendo em vista a apuração de fatos que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, foi elaborada a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo de nº 15586.721209/201296. Cientificado da exigência em 11/12/2012 (fl. 81), o contribuinte apresentou, em 8/1/2013, a petição impugnativa acostada às fls. 84 a 138, contrapondose ao feito com os argumentos a seguir resumidos: após discorrer sobre os fatos, o impugnante aduz que as razões expostas pela auditoria fiscal não prosperam e que todas as transações mencionadas no Termo de Encerramento da Ação Fiscal foram válidas e lícitas, sob o argumento de que não há na legislação, especialmente tributária, qualquer determinação a respeito do prazo mínimo de diferença entre transações para considerálas dissimuladas: 18. Enfim, não cabe à Administração tributária estabelecer prazos não previstos em lei para realizações de operações de integralização de capital social e muito menos presumir, sem permissivo legal, a dissimulação ou ficção de tais atos jurídicos. 19. As transações, por mais que a fiscalização não queira, foram realizadas dentro de hipótese clara e licita de elisão fiscal, alternativa cuja validade é consagrada pela doutrina e jurisprudência pátria, sendo a autuação, por esse motivo, nula de pleno direito. no tocante à cronologia dos fatos, aduz que ocorreram de forma sucessiva, mas cada um a seu tempo, sem qualquer intuito ilícito de reduzir tributo: 26. A integralizaçâo do capital social da ZMM com a incorporação dos dois imóveis do IMPUGNANTE ocorreu em 22/07/2008. A venda dos imóveis pela ZMM à FERROUS ocorreu em 25/07/2008, levandose os imóveis a registro (transferência) em 04/08/2008. 27.O caso, portanto, resumese a escorreita hipótese de elisão fiscal, objeto de planejamento tributário lícito, realizado dentro do que a Lei permite. (destaques no original) passo seguinte, faz distinção entre elisão e evasão, para defender que praticou simples elisão fiscal, e assevera que está equivocada a aplicação da teoria de interpretação econômica do direito tributário, efetuada pelo Fisco: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15586.721208/201241 Acórdão n.º 2301005.259 S2C3T1 Fl. 4 5 32. Pelo critério cronológico, portanto, não há evasão fiscal, mas sim elisão fiscal, se o ato foi praticado antes da incidência tributária, impedindo, com isso, a ocorrência do fato gerador (ou diminuindo o valor a ser pago). Se o ato praticado é posterior à ocorrência do fato gerador, certamente será deflagrada a hipótese de evasão fiscal. [...] 34. Pelo critério da licitude dos meios, ao seu turno, o ato praticado pelo contribuinte precisa enquadrarse dentro daquilo que a lei considera possível, isto é, a transação jurídica realizada precisa revestirse de validade em abstrato, e desde que seja precedente à ocorrência da exação in concreto. 35. Contudo, a Fiscalização, neste caso, intenta aplicar equivocada teoria de interpretação econômica do direito tributário, ignorando os postulados máximos da legalidade e da segurança jurídica. (destaques no original) questiona, então, o que seria um prazo adequado para que a venda não fosse considerada como dissimulação ou ficção, e afirma que a validade dos negócios jurídicos não pode ser “conceito” definido pelo Fisco, que não é legislador e não possui poderes para preencher os vazios da realidade normativa; conclui seu raciocínio da seguinte forma: 48. Portanto, inconcebível pensarem dissimulação ou ficção de transação realizada antes da incidência da norma tributária e sob meio plenamente válido perante o Ordenamento Jurídico. 49. Tratase, de fato, de elisão fiscal absolutamente regular, chancelada por precedente do próprio Egrégio CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: (...) (grifos no original) demais disso, alega cerceamento do direito de defesa, ao argumento de que o auto de infração padece de vício por ausência de motivação (exposição) dos fundamentos jurídicos da aludida dissimulação. Consigna, nesse sentido, que o enquadramento legal à fl. 71 não diz respeito a dissimulação e que as expressões utilizadas no Termo de Encerramento não permitem concluir, com precisão, qual o procedimento adotado pelo Fisco: 58. Não há um fundamento sequer!! 59. Isso prejudica sobremaneira a defesa do IMPUGNANTE, que não sabe se o Fisco: i) "aplicou" o (nãoaplicável) parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional para fins de desconsiderar negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador; iii) aplicou o artigo 149, VII, do CTN; iv) aplicou o art. 167 do Código Civil referente à simulação; etc. 60. apesar de inexistir qualquer fundamentação nesse sentido, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal os i. auditores fiscais referemse à Fl. 270DF CARF MF 6 integralização do capital social da ZMM – LTDA ora como ficção (fl. 53), ora como dissimulação (fl. 62). retomando a defesa quanto à elisão fiscal, o interessado alega que, no máximo, a integralização do capital social da ZMM pode ser considerada negócio indireto, e por isso plenamente válido, haja vista que o contribuinte tem o direito de, entre dois caminhos igualmente lícitos, escolher o que lhe traga a maior economia de tributos; acrescenta que o fim típico da integralização foi realmente querido e era absolutamente necessário, porém funcionou como condição ulterior de economia de tributos: 68. Dos fatos apresentados, não é segredo que o IMPUGNANTE necessitava, já em virtude da segunda alteração contratual (majoração do capital social sem integralizálo), integralizar o capital subscrito e pendente de integralização ao momento da terceira alteração contratual, que majorou o capital social e integralizou, com a incorporação dos dois bens imóveis, o capital social: majorado e subscrito na segunda alteração contratual e; o majorado e subscrito na própria terceira alteração contratual. quanto à aplicação da multa qualificada, requer, em homenagem à teoria dos motivos determinantes, a decretação de nulidade por ausência de prova do elemento subjetivo (dolo). Além disso, alega que a imposição da multa no percentual de 150% viola os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade; ainda com relação à multa, requer aplicação da interpretação que torne a multa mais branda, em consonância com o art. 112 do CTN, e faz referência à decisão do STF prolatada na ADIn 5511, que alega possuir efeito vinculante e eficácia erga omnes; requer também sejam aproveitados/compensados os tributos recolhidos pela pessoa jurídica (ZMM Empreendimentos e Participações Ltda), sob pena de a mesma receita ser duplamente tributada e de haver enriquecimento ilícito da União. Segundo o impugnante, a empresa ZMM Ltda promoveu o recolhimento dos tributos federais devidos (Doc. 02) e, com a autuação, a mesma receita, decorrente da venda dos imóveis, foi submetida à tributação sob o título IRPF por suposto ganho de capital de pessoa física; lembra ainda que a possibilidade de aproveitamento do imposto recolhido pela pessoa jurídica, em casos de autuação de pessoa física sobre a mesma receita, já foi reconhecida pelo CARF; por fim, requer: a) o conhecimento da impugnação; b) seja declarada a nulidade do lançamento, em vista da validade das transações fiscalizadas, realizadas a lume de lícita elisão fiscal; c) seja declarada a nulidade do auto de infração, quanto à aplicação da multa de 150%, por ausência de fundamento fático suficiente à contemplação do tipo sonegação ou fraude; d) seja reduzida a proporção da multa aplicada, conforme jurisprudência do STF; Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15586.721208/201241 Acórdão n.º 2301005.259 S2C3T1 Fl. 5 7 e) seja determinado o aproveitamento/compensação dos valores recolhidos pela ZMM Empreendimentos e Participações Ltda; f) sejam o impugnante e seus procuradores intimados de todos os atos deste processo. O Acórdão da DRJ (fls. 155 e ss) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao impugnante o conhecimento pleno da imputação a ele imposta e é assegurada ao interessado a oportunidade de carrear aos autos documentos, informações e esclarecimentos, no sentido de ilidir a tributação contestada. SIMULAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. VENDA DE BENS. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO VERDADEIRO. TRIBUTAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o Fisco pode alcançar o negócio jurídico que realmente ocorreu, para proceder à devida tributação. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. MULTA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 272DF CARF MF 8 Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RECOLHIDO POR PJ. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação do imposto devido pela pessoa física com os valores pagos por pessoa jurídica, em decorrência da distinção entre as personalidades jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 181 e ss) reiterando os argumentos trazidos na impugnação, mas suscitando a nulidade do Acórdão da DRJ ao recusar de antemão a aplicabilidade de diversos precedentes administrativos e judiciais trazidos pelo ora Recorrente sob fundamento de que eles não vinculam a DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade em Razão da Recusa de Antemão da Aplicação de Precedentes Administrativos e Judiciais Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente suscita a nulidade do Acórdão da DRJ, visto que este recusou de antemão a aplicabilidade de diversos precedentes administrativos e judiciais trazidos pelo ora Recorrente sob fundamento de que eles não vinculam a DRJ. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15586.721208/201241 Acórdão n.º 2301005.259 S2C3T1 Fl. 6 9 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função do Acórdão da DRJ conter manifestação inicial de que, em regra, as decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos. Em que pese o detalhado e cuidadoso trabalho do Recorrente em apresentar a importância da jurisprudência enquanto fonte do direito, a manifestação contida no Acórdão da DRJ somente tem o condão de ressaltar que os precedentes trazidos pela Recorrente na Impugnação têm efeitos “inter partes”. Isso não significa dizer que os precedentes administrativos e judiciais são irrelevantes na formação dos juízos de valor dos julgadores. Nessa linha, o lançamento tributário, enquanto norma individual e concreta que identifica o sujeito passivo e quantifica a obrigação tributária, é normativamente fechado à aplicação de precedentes que não tenham efeitos “erga omnes”, mas é cognitivamente aberto aos precedentes com efeitos “inter partes”, na medida em que eles podem e são, ainda que não de forma direta e expressa, usados para formulação dos juízos de valor dos julgadores. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Questão da Ocorrência ou Não de Simulação na Alienação do Imóvel na Pessoa Jurídica O lançamento decorreu da constatação de omissão de ganho de capital na alienação de bens, caracterizada pela ficta integralização ao capital social da empresa ZMM Empreendimentos e Participações Ltda. Fl. 274DF CARF MF 10 Segundo a autoridade lançadora, restou comprovado em procedimento de fiscalização que o contribuinte utilizou bens do seu acervo patrimonial para realizar uma ficta incorporação ao capital social da sua empresa, revendendoos logo em seguida a terceiros, no intuito de acobertar a operação efetivamente ocorrida: a alienação de bens imóveis por contribuinte pessoa física. Assim, o Fisco entendeu que houve simulação, pois a real intenção do contribuinte era a venda dos imóveis à FERROUS sem apuração do ganho de capital pela pessoa física. O interessado, em oposição, diz que a integralização foi realmente desejada e era necessária, tendo funcionado como condição ulterior de economia de tributos. Ousamos discordar de tal entendimento na medida em que o contribuinte possui a liberdade de estruturar seus negócios jurídicos desde que não use forma proibida em lei. Assim, todas as transações mencionadas no Termo de Encerramento da Ação Fiscal foram válidas e lícitas, já que não há na legislação, especialmente tributária, qualquer determinação a respeito do prazo mínimo de diferença entre transações para considerálas dissimuladas. Logo, não há que se falar em dissimulação ou ficção de transação realizada antes da incidência da norma tributária e sob meio plenamente válido perante o Ordenamento Jurídico. Com efeito, o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive a redução dos tributos, sem que isso implique qualquer ilegalidade. Vale ressaltar, ainda, que as operações realizadas em sequência (alterações contratuais, aumento de capital, integralização de imóveis e venda a terceiros), cujos fatos, isoladamente, não denotam qualquer infração, demonstram, em seu conjunto, que o único propósito foi diminuir a carga tributária incidente sobre o negócio efetivamente realizado, qual seja, o ganho de capital auferido pelo requerente com a venda de imóveis a um terceiro. No caso concreto, se for observada a tributação da operação na pessoa jurídica, que envolveu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, verificarseá que a tributação efetivamente recolhido foi maior do que a eventual tributação do ganho de capital na pessoa física. Ante o exposto, entendo que o entendimento das autoridades fiscais no sentido de que houve uma operação simulada não merece prosperar. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e darlhe total provimento no mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15586.721208/201241 Acórdão n.º 2301005.259 S2C3T1 Fl. 7 11 Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901113/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.075
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 13 /2 01 4- 41 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901113/201441 Acórdão n.º 1402003.075 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902689/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
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PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 89 /2 01 3- 62 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13851.902689/201362 Acórdão n.º 1401002.467 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$ 10.610,40. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13851.902689/201362 Acórdão n.º 1401002.467 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.457, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.902677/201338, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.457): O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13851.902689/201362 Acórdão n.º 1401002.467 S1C4T1 Fl. 5 4 A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.902689/201362 Acórdão n.º 1401002.467 S1C4T1 Fl. 6 5 O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.902689/201362 Acórdão n.º 1401002.467 S1C4T1 Fl. 7 6 Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.002177/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
É cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS
Não comprovada a origem dos depósitos efetuados em conta bancária do contribuinte - circulação de valores entre membros da mesma família decorrente de condomínio de fato e receitas decorrentes da atividade rural (comércio de gado) - devidamente reconhecida pela autoridade fiscal em virtude da diligência efetuada, resta afastada a presunção legal pela exclusão da totalidade dos valores comprovados, e exonerado o crédito tributário.
MULTA AGRAVADA. EXCLUSÃO
Constata-se que no presente caso não existe omissão por parte do sujeito passivo para prestar esclarecimentos ou atender a fiscalização. Dessa forma, assiste razão ao Recorrente quanto à inexistência de motivos para agravamento da multa, devendo ser reduzida de 112,5% para 75%.
Numero da decisão: 2401-005.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a agravante da multa, reduzindo-a a 75%. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA É cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Não comprovada a origem dos depósitos efetuados em conta bancária do contribuinte circulação de valores entre membros da mesma família decorrente de condomínio de fato e receitas decorrentes da atividade rural (comércio de gado) devidamente reconhecida pela autoridade fiscal em virtude da diligência efetuada, resta afastada a presunção legal pela exclusão da totalidade dos valores comprovados, e exonerado o crédito tributário. MULTA AGRAVADA. EXCLUSÃO Constatase que no presente caso não existe omissão por parte do sujeito passivo para prestar esclarecimentos ou atender a fiscalização. Dessa forma, assiste razão ao Recorrente quanto à inexistência de motivos para agravamento da multa, devendo ser reduzida de 112,5% para 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 21 77 /2 00 5- 22 Fl. 865DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a agravante da multa, reduzindoa a 75%. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10735.002177/200522 Acórdão n.º 2401005.503 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto, conforme ementa do Acórdão nº 0222.145 (fls. 734/764): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS COMPROVADOS Devem ser excluídos do lançamento os valores correspondentes a transferências entre contas do mesmo titular ou decorrentes de erro de fato na apuração da base tributável, ficando afastada ainda a presunção legal de omissão de rendimentos, nos casos em que a documentação ateste que os recursos depositados são provenientes dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva auferidos durante o anocalendário, ou oriundos do patrimônio declarado pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Nos casos de lançamento de oficio, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do imposto devido, nos percentuais definidos na legislação de regência, sujeitandose ainda ao agravamento da exigência quando deixar de atender, no prazo marcado, a intimações para prestar esclarecimentos. Lançamento Procedente em Parte O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 405/436), lavrado contra o Contribuinte em 18/08/2005, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios 2002 e 2003, no valor de R$ 820.547,27, acrescido de Juros de Mora, calculados até 29/07/2005, no valor de R$ 372.916,47 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 923.115,67, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 2.116.579,41. Fl. 867DF CARF MF 4 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 435/436), verificase que a autuação decorre de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 19/08/2005 (fl. 438) e, em 20/09/2005, apresentou sua impugnação de fls. 453 a 468, instruída com os documentos nas folhas 469 a 720. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BHE para julgamento, que, através do Acórdão nº 0222.145, julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento para exigir o Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$478.452,99, conforme demonstrativo constante do item V do Voto, acrescido de multa de oficio de 112,50% e dos juros de mora pertinentes. Em 05/06/2009 o responsável legal pelo espólio do Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BHE (AR – fl. 782) e tempestivamente, em 03/07/2009 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 790 a 798, onde: 1. Inicialmente evidencia que o que se pretende tributar é a renda e não depósitos bancários; 2. Segue dizendo não dispor com precisão a origem de cada um dos seus movimentos financeiros cinco anos após as suas ocorrências e que não é obrigado a ter contabilidade; 3. Aponta três situações peculiares nos depósitos remanescentes, que são: a. 1ª Situação: A vendas de diversas casas situadas em Nova Iguaçu com mediação da Caixa Econômica, que agiu como financiador dos compradores. Na impugnação teriam sido considerados apenas as liberações onde existia escritura de compra e venda. As outras operações, sem escritura de compra e venda, foram desconsideradas, apesar dos valores serem iguais e creditados pelo agente financiador dos compradores em conta específica para isso. Em função disso pleiteia que sejam reconhecidos os depósitos referidos nas fls. 3 e 4 do seu Recurso Voluntário (fls.794/795). Menciona ter juntado declaração da Caixa Econômica Federal atestando a liberação dos recursos (Doc. nº 02) mas tal documento não foi encontrado nos autos. b. 2ª Situação: Os empréstimos liberados pelas instituições financeiras diretamente nas contas correntes do recorrente. O empréstimo de número 36, no valor de R$ 89.778,60, não foi reconhecido pela autoridade julgadora tendo em vista o histórico (crédito contratado) divergir dos outros que foram aceitos (liberações de mútuo). Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10735.002177/200522 Acórdão n.º 2401005.503 S2C4T1 Fl. 4 5 Informa que estaria juntando aos autos a declaração prestada pela instituição financeira (Doc. nº 03) para elucidar essa dúvida, só que tal documento não foi juntado aos autos. c. 3ª Situação: A multa agravada pela falta de apresentação de esclarecimentos. Esclarece que a demora na apresentação dos documentos solicitados decorre do tempo que as instituições financeiras necessitaram para obtêlos, razão pela qual entende que a multa agravada é de todo infundada. O Processo foi encaminhado ao CARF onde a 1ª Turma Ordinária da1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 18/07/2014, através da Resolução nº 2101000.169 (fls. 839/841), resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que se verifique a existência dos documentos mencionados no Recurso Voluntário, que poderiam conter informações importantes para o julgamento do processo, no âmbito da RFB ou em poder do contribuinte. Em 16/03/2015 a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu – RJ emitiu o TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fl. 849), onde informa que intimou regularmente o Contribuinte, via postal, com ciência em 05/11/2014, para apresentar os documentos mencionados no Recurso Voluntário. Informa também que, mesmo tendo sido realizadas diversas tentativas de contato telefônico sem sucesso, não houve qualquer resposta do interessado até aquele momento e que por essa razão propunha o retorno do Processo ao CARF. O Processo foi novamente encaminhado ao CARF onde a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 27/01/2016, através da Resolução nº 2401 000.478 (fls. 852/855), resolveu, por unanimidade, transformar o julgamento em diligência para que a unidade de origem efetuasse a juntada do comprovante de recebimento da intimação relativa ao resultado da diligência pelo contribuinte, conforme voto da relatora na Resolução 2101000.169. Em 07/11/2016 a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu – RJ emitiu o TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL II (fl. 863), onde informa que após diversas diligências não lograram sucesso em localizar o comprovante solicitado. Informa também que verificou nos Sistemas Internos da Receita Federal que o diligenciado havia falecido, razão pela qual, em 02/09/2016 intimou, via correio (AR – fl. 862), o Inventariante Luiz Felipe Gonçalves Raunheitti, CPF nº 398.014.03772, nos mesmos termos do Termo de Intimação original. Conclui dizendo que decorridos mais de 60 (sessenta) dias e não tendo o mesmo se pronunciado, propunha, mais uma vez, o retorno do Processo ao CARF. É o relatório. Fl. 869DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10735.002177/200522 Acórdão n.º 2401005.503 S2C4T1 Fl. 5 7 Pois bem. Com base na documentação apresentada pelo contribuinte, a decisão de piso exonerou parte do crédito tributário, por considerar comprovada a origem dos depósitos creditados em conta vinculada a instituição financeira. Por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte asseverou que, no tocante às vendas de diversas casas situadas em Nova Iguaçu, todas tiveram a interveniência da Caixa Econômica Federal que agiu como ente financiador dos compradores. Afirma que a DRJ acatou como comprovados todos os valores para os quais existia a escritura de compra e venda, não considerando as outras operações sem escritura, apesar dos valores serem iguais e creditados pelo agente financiador dos compradores em conta específica para isso. Menciona a juntada do documento nº 2 – declaração da Caixa Econômica Federal atestando a liberação dos recursos. Traz alegações relativas aos empréstimos liberados pelas instituições financeiras diretamente nas contas correntes do Recorrente, no valor de R$ 89.778,60, e que não foi reconhecido pela decisão de piso, e informa que estaria fazendo a juntada de declaração prestada pela instituição financeira – Doc. Nº 03. No entanto, tendo em vista não terem sido juntados aos autos os documentos referidos pelo Recorrente, este Colegiado converteu o julgamento em diligência objetivando a verificação da existência desses documentos, no âmbito da RFB ou em poder do contribuinte (fls. 839/841). Após o Termo de Diligência Fiscal (fl. 849) informando das tentativas de contato com o contribuinte sem obtenção de resposta, o processo foi encaminhado para julgamento e, através da Resolução nº 2401000.478, novamente convertido em diligência para que a unidade de origem procedesse a juntada dos comprovantes do recebimento da intimação pelo contribuinte, relativa à diligência (fls. 852/855). Dessa forma, através do Termo de Intimação Fiscal (fls. 860/861), foi determinada nova intimação para o contribuinte, através do Inventariante Luiz Felipe Gonçalves Raunheitti, CPF nº 398.014.03772, objetivando a apresentação de documentos, com cumprimento efetivado em 02/09/2016. Após decorridos sessenta dias sem manifestação, o serviço de fiscalização devolveu o processo para o CARF com a informação circunstanciada à fl. 863. Conforme se verifica, os documentos adicionais mencionados no Recurso Voluntário (Doc. 2 e Doc. 3) não foram anexados ao processo. As alegações apresentadas no Recurso Voluntário quanto à origem dos depósitos relativos a 2001 e 2002, constantes na tabela de fls. 794/796, não restaram comprovadas, razão pela qual deve ser mantida, neste ponto, a decisão de piso que procedeu à análise minuciosa e detalhada da correspondência dos depósitos com os documentos carreados aos autos pelo contribuinte. Fl. 871DF CARF MF 8 Multa agravada O Recorrente se insurge contra o agravamento da multa, eis que a falta de apresentação de esclarecimentos que ensejou o agravamento da penalidade não partiu do contribuinte, mais sim das instituições financeiras e das dificuldades para a análise individualizada e obtenção de documentos comprobatórios. Com efeito, verificase que o agravamento previsto no § 2º, inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender à intimação do Fiscal para prestar esclarecimentos, o que pressupõe total descaso às intimações da autoridade fiscal. No caso em que o contribuinte apresenta resposta, embora incompleta ou diferente da esperada pela fiscalização, entendo inaplicável o agravamento, até porque não teve qualquer prejuízo à fiscalização. Nas circunstâncias apresentadas nos autos, verificase que por várias vezes o Recorrente pleiteou a prorrogação do prazo para a apresentação de documentos, tendo em vista a notória dificuldade na verificação individualizada da origem dos depósitos bancários e da colação de provas para justificálos. Conforme se destaca do presente Processo Administrativo, foi emitido TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO em 31/03/2005 (fl. 75) e TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N° 1 emitida em 27/04/2005 (fl. 79), com recebimento pelo contribuinte em 02/05/2005 (fl. 83). Em 27 de abril de 2005 o Sr. Fábio Raunheitti requereu a prorrogação do prazo para atender a intimação, motivando seu requerimento no fato de haver pleiteado junto aos Bancos os extratos e até referida data não haviam sido enviados (fl. 85). O contribuinte apresentou documentação, conforme consta no documento de fl. 87. Após a apresentação da documentação bancária, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal (fls. 367/379), recebido pelo sujeito passivo em 27/06/2005 (fl. 381), para que fosse comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que transitaram pelas contas bancárias mantidas pelo intimado em instituições financeiras, conforme discriminação dos valores em planilha anexa à intimação fiscal. Em face do não atendimento à intimação, posteriormente, foi emitido o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 2 com o mesmo teor (fls. 383/395), com data de recebimento em 14/07/2005 (fl. 397), objetivando a comprovação da origem dos depósitos bancários. Em 01/08/2005 o Recorrente solicitou a prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias para atender a fiscalização, no entanto, o agente fiscal concedeu o prazo de 5 (cinco) dias (fl. 403). Foi apresentada nova solicitação de cópia de documentos bancários, em 10/08/2005, objetivando atender a fiscalização (fl. 404). O agente fiscal não atendeu o pedido do contribuinte e procedeu a lavratura do auto de infração. Constatase que no presente caso não existe omissão por parte do sujeito passivo para prestar esclarecimentos ou atender a fiscalização. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10735.002177/200522 Acórdão n.º 2401005.503 S2C4T1 Fl. 6 9 Dessa forma, entendo que assiste razão ao Recorrente quanto à inexistência de motivos para agravamento da multa, motivo porque voto por reduzir a multa agravada de 112,5% para 75%. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para reduzir a multa agravada de 112,5% para 75%. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 873DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.912688/2012-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.
Numero da decisão: 1001-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 26 88 /2 01 2- 98 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 167 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0356.251, de 17/10/2013 (efls. 40/44), objetivando a reforma do referido julgado. Em 21/06/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, o Pedido de Restituição nº 35136.55788.210610.1.2.048367 (efls. 35/37), no valor de R$ 1.572,26 (valor original), devido ao Pagamento Indevido ou a Maior da CSLL. O DARF informado apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR PRINCIPAL VALOR TOTAL DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2009 2372 63.852,73 64.491,25 31/08/2009 Em 05/12/2012, a DRF/Porto Alegre emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a restituição solicitada. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/03), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que teria ocorrido erro de preenchimento na DCTF original e que teria retificado a declaração no intuito de comprovar a existência do crédito pleiteado, relata fatos e solicita a revisão do Despacho, bem como a suspensão da cobrança do crédito tributário. Ciente da decisão da DRJ de Brasília, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em 25/10/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls. 48/50, em 14/11/2013, juntando ainda documentos e reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar a CSLL devida no PA 2º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 168 3 que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo da CSLL são os valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010) – efl. 53; que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, estarrrria claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração da CSLL devida; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. Em 25/11/2014, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.583, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primitiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor da CSLL a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 169 4 b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 2º trimestre/2009; c) SEQUER CONSTA CÓPIA DOS DARF DE PAGAMENTO DAS TRÊS QUOTAS DA CSLL DO 2º TRIMESTRE/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito da CSLL confessado na DCTF primitiva, quanto PA 2º (segundo) trimestre/2009; d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas da CSLL do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2009; e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA/SEORT/ COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/201286, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 170 5 a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas da CSLL do 2º (segundo) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Com o objetivo de obter os esclarecimentos necessários ao saneamento do processo, o Serviço de Orientação Tributária da DRF de Porto Alegre/RS (SEORT/DRF/POA) promoveu a diligência fiscal e emitiu, em 08/08/2007, relatório circunstanciado (efls. 159/160). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Com o objetivo de delimitar as questões de mérito a serem analisadas, transcrevo as palavras da relatora do voto de Resolução de Diligência da Turma a quo, às quais me alio: "O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida restituição, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações". Transcrevo, a seguir, a informação fiscal, resultado da Diligência, emitido pela DRF de Porto Alegre/RS: O presente processo foi encaminhado em diligência pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (fls. 79 a 85) para que esta Delegacia intimasse o sujeito passivo a Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 171 6 comprovar, por meio de documentos de seus assentamentos contábeis/fiscais, a efetividade do crédito informado no PER 35136.55788.210610.1.2.048367 (crédito de R$ 1.572,26 pagamento indevido/a maior código de receita 2372, DARF no valor total de R$ 64.491,25, período de apuração 30/06/2009 e data de arrecadação 31/08/2009), juntando também as declarações DIPJ e DCTF e todos os recolhimentos efetuados na quitação da CSLL apurada no 2º trimestre do ano calendário (AC) 2009, com ciência à contribuinte e reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. 2. Para fins de subsídio à analise do crédito pretendido foram juntadas ao presente processo as declarações originais/retificadoras das DCTF’s (fls. 139 a 147) e DIPJ’s (fls. 87 a 138), os DARF’s recolhidos relativos à CSLL devida para 2º trimestre do AC 2009 (fls. 156 a 158), assim como a DIRF resumo entregue pelas fontes pagadoras (fls. 148 a 152), onde foi verificado que: a) na declaração DCTF original de junho/2009 (entregue em 03/08/2009) a requerente não declarou CSLL devida para o 2º trimestre, mas nas retificadoras entregues em 22/12/2009 e 04/04/2011 já constava débito declarado no valor de R$ 186.841,40, com saldo a pagar em quotas. Já em relação à forma de quitação das quotas de CSLL (informadas na DCTF de setembro/2009), constava na DCTF original (entregue em 04/11/2009) débito no montante de R$ 191.558,19 (três quotas de R$ 63.852,73), e na DCTF retificadora entregue em 20/12/2012 (após a ciência do Despacho Decisório de fls. 31 e 38) constava débito no montante R$ 186.841,40 (três quotas de R$ 62.280,47); b) tanto na declaração DIPJ original quanto retificadora, entregues respectivamente em 29/06/2010 (fls. 87 a 132) e 02/08/2010 (fls. 133 a 138), não houve alteração em relação à base de cálculo da receita bruta sujeita ao percentual de 32% (R$ 6.374.076,07) e dos rendimentos e ganhos líquidos em aplicações de renda fixa/variável (R$ 88.720,02), sendo que, da CSLL apurada à alíquota de 9% (R$ 191.558,19) não houve dedução de CSLL retida na fonte, chegandose à CSLL A PAGAR no montante de R$ 191.558,19; e c) há o recolhimento de 03(três) DARF’s para a quitação em quotas da CSLL devida para o 2º trimestre do AC 2009: a primeira recolhida em 31/07/2009 (principal de R$ 63.852,73), a segunda recolhida em 31/08/2009 (principal de R$ 63.852,73 e juros SELIC de R$ 638,52), e a terceira recolhida em 30/09/2009 (principal de R$ 63.852,73 e juros SELIC de R$ 1.079,11), conforme extratos dos sistema SIEF juntados às fls. 156 a 158. 3. Diante das inconsistências verificadas entre os valores dos débitos de CSLL declarados em DIPJ e DCTF para o 2º trimestre do AC 2009 (R$ 191.558,19 X 186.841,40), e em atendimento ao determinado na Resolução de Diligência nº 1802 000.583 (fls. 79 a 85), a contribuinte foi intimada (Intimação Nº 020/2017/DRF/POA/SEORT – ciência em 11/05/2017 fls. 153 a 155), a apresentar os documentos abaixo relacionados, os quais não foram entregues pela contribuinte até a presente data. “Demonstrar analiticamente, por matriz e filiais, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, e detalhar as contas contábeis que compuseram as linhas de preenchimento 07 (Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32%) e 10 (Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicações Renda Fixa/Renda Variável) da Ficha 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), declaradas em DIPJ para o 2º trimestre do anocalendário 2009. Em relação ao IRRF deduzido do IRPJ apurado no 2º trimestre (linha 29 da ficha 14A – R$ 95.612,45), detalhar analiticamente os créditos que o compõem, apresentar documentação suporte (Comprovantes de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 172 7 Rendimentos, DARF, etc...), e especificar as contas em que constam os registros contábeis da retenção sofrida e/ou da antecipação do devido pelo recolhimento; Informar o regime de reconhecimento das receitas para fins de tributação no anocalendário 2009 (caixa ou competência) e apresentar cópias dos balancetes de verificação (antes do encerramento das contas de resultado) e das contas do Razão (matriz e filiais) que registram a movimentação contábil das contas CAIXA/BANCOS, CLIENTES, IR RETIDO NA FONTE/ANTECIPAÇÃO DE IRPJ A COMPENSAR, e de RECEITAS FATURADAS NA APURAÇÃO DO RESULTADO, bem como de outras contas porventura relacionadas pela contribuinte em resposta ao item anterior, relativamente às operações ocorridas no 2º trimestre do anocalendário 2009; Justificar a origem dos créditos de IRPJ e CSLL pleiteados para o 2º trimestre do anocalendário 2009 (montantes respectivos de R$ 10.645,51 e R$ 4.716,79), bem como esclarecer por que na DIPJ retificadora entregue em 02/08/2010 (isto é, após a formalização de todos os Pedidos de Restituição – 21/06/2010) foram declarados IRPJ e CSLL A PAGAR nos mesmos montantes recolhidos (R$ 430.493,64 e R$ 191.558,19, respectivamente). Apresentar cópia autenticada dos Livros Diário e Razão em que consta o reconhecimento daqueles créditos no curso do ano calendário 2010.” Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 4. Em face do acima exposto, não dispondo das bases de cálculo com a demonstração analítica das contas contábeis que integram as contas de resultado, tampouco dos registros contábeis do 2º trimestre acima solicitados, não há elementos de prova suficientes para confirmar o crédito pleiteado no valor de R$ 1.572,26, relativo à parte do DARF recolhido em 31/08/2009 (período de apuração 2º trimestre AC 2009), no valor total de R$ 64.491,25. Como depreendese dos fatos narrados acima, mesmo após a tentativa de se complementar a instrução processual, nenhum elemento de prova foi acrescentado aos autos pela recorrente, para que efetivasse a comprovação do seu pleito, tendo a informação fiscal e a ausência provas, esta por si só, enfrentados, assim, as alegações acrescentadas pela recorrente no seu recurso voluntário. Neste sentido, com base no §3º do art. 57 do RICARF e no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir do colegiado de primeira instância, cujos excertos do voto transcrevo a seguir: Nos termos do inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido”. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 173 8 A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3º). No caso em análise, em síntese, a contribuinte alega teria pago valor a maior do imposto apurado no período e que teria retificado a DCTF, no intuito de comprovar suas alegações. Notase, então, que o direito creditório que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 174 9 A declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispões a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF). Nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição. Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. A respeito do requerimento da impugnante acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade – que são objeto do presente pleito compensatório – tratase de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal, independentemente de manifestação desta instância administrativa. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.912688/201298 Acórdão n.º 1001000.483 S1C0T1 Fl. 175 10 Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 13653.720102/2014-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL.
A regularização tempestiva das pendências indicadas no Termo de Indeferimento é condição sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional. Não havendo a regularização em tempo hábil - seja por pagamento, seja por parcelamento - a pessoa jurídica deve, no ano-calendário a que se refere o requerimento de opção, submeter-se a outro regime de tributação que a legislação lhe faculte.
Numero da decisão: 1001-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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NÃO REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. A regularização tempestiva das pendências indicadas no Termo de Indeferimento é condição sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional. Não havendo a regularização em tempo hábil seja por pagamento, seja por parcelamento a pessoa jurídica deve, no anocalendário a que se refere o requerimento de opção, submeterse a outro regime de tributação que a legislação lhe faculte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 72 01 02 /2 01 4- 16 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32 a 33) interposto contra o Acórdão nº 0736.436, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 22 a 29), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2014 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. A regularização tempestiva das pendências indicadas no Termo de Indeferimento é condição sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional. Não havendo a regularização em tempo hábil seja por pagamento, seja por parcelamento a pessoa jurídica deve, no anocalendário a que se refere o requerimento de opção, submeterse a outro regime de tributação que a legislação lhe faculte. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional de fls. 4, registrado em 17 de março de 2014, em face de a interessada ter incorrido na seguinte situação impeditiva: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 4 3 Da impugnação apresentada Irresignada, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, em 21 de março de 2014, onde alega ter parcelado seus débitos: Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 5 4 Em razão disso pede que seja incluída no SIMPLES NACIONAL no ano calendário de 2014. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário lastreado nos mesmos argumentos já oferecidos em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Inicialmente, acerca do prazo de que dispõe a interessada para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. [...] § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 94, de 29112011, cujo artigo 6º assim estabelece: Art. 6ºA opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16,caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 6 5 opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16,caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (destaques acrescidos) [...] De acordo com o Termo de Indeferimento, de fls. 4, a pendência que impediu o sujeito passivo de efetuar a opção pelo Simples Nacional, para o ano calendário 2014, foi a existência de débito de natureza não previdenciária. Sobre o tema, o artigo 17, inciso V da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Em sua impugnação, fls. 2, a Interessada afirma que em 31122013 apresentou as pedido de parcelamento no âmbito da Lei nº 11.941, de 2009, reconhece que “[...] INADVERTIDAMENTE A PRIMEIRA PARCELA FOI PAGA APENAS EM 31/01/2014 [...] NAS MINHAS CONSIDERAÇÕES FOI UM ERRO DE FATO E DE DIREITO [...]”. (...) Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 7 6 O art. 4º, § 4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013 dispõe que o pagamento da primeira parcela deveria ter sido realizado até o último dia útil de dezembro de 2013. Por outro lado o art. 13 [também abaixo transcrito], determina que somente produzirão efeitos os requerimentos formulados com respectivo pagamento da primeira parcela até o último dia útil de dezembro. Art. 4º No caso de opção pelo parcelamento de que trata este Capítulo, a dívida consolidada será dividida pelo número de prestações que forem indicadas pelo sujeito passivo, não podendo cada prestação mensal, considerados isoladamente os parcelamentos referidos nos incisos I a VI do § 1ºdo art. 2º, ser inferior a: I R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso de parcelamento de débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tipi, aprovada pelo Decreto nº6.006, de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como não tributados, ainda que o parcelamento seja de responsabilidade de pessoa física; II R$ 50,00 (cinquenta reais), no caso de pessoa física; e III R$ 100,00 (cem reais), no caso dos demais débitos de pessoa jurídica, ainda que o parcelamento seja de responsabilidade de pessoa física. § 1ºAté o mês anterior ao da consolidação dos parcelamentos de que trata o art. 16, o devedor fica obrigado a calcular e recolher mensalmente parcela equivalente ao maior valor entre: I o montante dos débitos objeto do parcelamento dividido pelo número de prestações pretendidas; e II os valores constantes dos incisos I, II e III do caput, conforme o caso. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 8 7 § 2ºPor ocasião da consolidação, será exigida a regularidade de todas as prestações devidas desde o mês da adesão até o mês anterior ao da conclusão da consolidação dos débitos parcelados. § 2º Por ocasião da consolidação, será exigida a regularidade de todas as prestações devidas desde o mês da adesão, considerado o mês do pagamento da 1ª (primeira) prestação, até o mês anterior ao da conclusão da consolidação dos débitos parcelados. (Redação dada pelo(a) Portaria PGFN RFB nº 13, de 10 de dezembro de 2013) § 3ºO valor de cada prestação será acrescido de juros correspondentes à variação mensal da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) para o mês do pagamento. § 4ºAs prestações vencerão no último dia útil de cada mês, devendo a 1ª (primeira) prestação ser paga no mês em que for formalizado o pedido, observado o disposto no § 3ºdo art. 13. § 4º As prestações vencerão no último dia útil de cada mês, devendo a 1ª (primeira) prestação ser paga até o último dia útil do mês de dezembro de 2013, observado o disposto no § 3º do art. 13. (Redação dada pelo(a) Portaria PGFN RFB nº 13, de 10 de dezembro de 2013) § 4º As prestações vencerão no último dia útil de cada mês, devendo a 1ª (primeira) prestação ser paga até o último dia útil do mês de julho de 2014, observado o disposto no § 3º do art. 13. (Redação dada pelo(a) Portaria PGFN RFB nº 9, de 10 de junho de 2014) [...] Art. 13. Os requerimentos de adesão aos parcelamentos de que trata esta Portaria ou ao pagamento à vista com utilização de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL, na forma do art. 27, deverão ser protocolados exclusivamente nos sítios da PGFN ou da RFB, na Internet, até as 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 31 de julho de 2014, ressalvado o disposto no art. 28. (Redação dada pelo(a) Portaria PGFN RFB nº 9, de 10 de junho de 2014) § 1ºOs débitos a serem pagos ou parcelados junto à PGFN ou à RFB deverão ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação. § 2ºEm se tratando de pessoa jurídica, o requerimento de adesão deverá ser formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). § 3ºSomente produzirão efeitos os requerimentos formulados com o correspondente pagamento da 1ª (primeira) prestação, em valor não inferior ao estipulado nos arts. 4ºe 10, conforme o caso, que deverá ser efetuado até o último dia útil do mês em que for protocolado o requerimento de adesão. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13653.720102/201416 Acórdão n.º 1001000.440 S1C0T1 Fl. 9 8 § 3º Somente produzirão efeitos os requerimentos formulados com o correspondente pagamento da 1ª (primeira) prestação, em valor não inferior ao estipulado nos arts. 4º e 10, conforme o caso, que deverá ser efetuado até o último dia útil do mês de dezembro de 2013. (Redação dada pelo(a) Portaria PGFN RFB nº 13, de 10 de dezembro de 2013) Posto isso, não há como atender o pleito da interessada, por força de condição estabelecida pela legislação e não cumprida pela contribuinte. Manifestome, então, pelo indeferimento da impugnação apresentada, mantendo o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional no anocalendário de 2014. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 42DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005476/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL.
Não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial. Decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida sob o rito do art. 543-C DO CPC.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece no recurso voluntário de matéria que não tenha sido objeto de impugnação.
ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPLEMENTO DA CONDIÇÃO.
Na alienação de bens e direitos decorrente de contrato celebrado sob condição suspensiva, considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação tributária com o implemento da condição.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS HAVIDOS POR HERANÇA ATÉ 31/12/1988. GANHO DE CAPITAL. PERCENTUAL DE REDUÇÃO. ANO DA ABERTURA DA SUCESSÃO.
No caso de imóveis havidos por herança ou legado, cuja abertura da sucessão tenha ocorrido até 31/12/1988, a redução percentual se reporta ao ano da abertura da sucessão (óbito), mesmo que a avaliação e partilha ocorram em anos posteriores.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007.
Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF apurada em procedimento fiscal.
INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO EM FACE DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
A multa de ofício encontra previsão expressa no inciso I e no § 3º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo improcedente a alegação quanto à sua ilegalidade.
Não é lícito aos órgãos de julgamento administrativos afastarem multa imposta por descumprimento da legislação tributária sob o argumento de que seria de valor confiscatório, desproporcional ou desarrazoado, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2402-006.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para afastar a tributação em relação aos imóveis situados no bairro de Embu-Mirim em Embu/SP e na Rua David Bem Gurion, Butantã, São Paulo/SP e estabelecer a aplicação do percentual de redução de 75% para a apuração do ganho de capital em relação aos lotes do terreno localizado no Jardim Record - Gleba C - Taboão da Serra/SP.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. Não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial. Decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida sob o rito do art. 543C DO CPC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece no recurso voluntário de matéria que não tenha sido objeto de impugnação. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPLEMENTO DA CONDIÇÃO. Na alienação de bens e direitos decorrente de contrato celebrado sob condição suspensiva, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação tributária com o implemento da condição. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS HAVIDOS POR HERANÇA ATÉ 31/12/1988. GANHO DE CAPITAL. PERCENTUAL DE REDUÇÃO. ANO DA ABERTURA DA SUCESSÃO. No caso de imóveis havidos por herança ou legado, cuja abertura da sucessão tenha ocorrido até 31/12/1988, a redução percentual se reporta ao ano da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 54 76 /2 00 9- 10 Fl. 928DF CARF MF 2 abertura da sucessão (óbito), mesmo que a avaliação e partilha ocorram em anos posteriores. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. Após o advento da MP nº 351/2007, é aplicável a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF apurada em procedimento fiscal. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO EM FACE DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO NÃO CONFISCO, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. A multa de ofício encontra previsão expressa no inciso I e no § 3º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo improcedente a alegação quanto à sua ilegalidade. Não é lícito aos órgãos de julgamento administrativos afastarem multa imposta por descumprimento da legislação tributária sob o argumento de que seria de valor confiscatório, desproporcional ou desarrazoado, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para afastar a tributação em relação aos imóveis situados no bairro de EmbuMirim em Embu/SP e na Rua David Bem Gurion, Butantã, São Paulo/SP e estabelecer a aplicação do percentual de redução de 75% para a apuração do ganho de capital em relação aos lotes do terreno localizado no Jardim Record Gleba C Taboão da Serra/SP. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 834/845), que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 755/765), relativo aos anoscalendário 2005 a 2009 / exercícios 2006 e 2010, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, omissão de rendimentos decorrentes da alienação de bens e direitos e falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão. Por retratar as razões contidas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do Acórdão 1261.777 da 18ª Turma da DRJ/RJ1: Auto de Infração Após a ciência do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 768 a 797, alegando, em síntese, que: 1. A impugnação é tempestiva e faz uma síntese do procedimento fiscal. 2. O lançamento seria nulo devido ao descumprimento de formalidades relacionadas ao prazo de duração do MPF e ao período de apuração fixado. 3. Para corroborar os seus argumentos de defesa, cita diversos entendimentos doutrinários, decisões administrativas e judiciais. 4. O seu imóvel não deveria sofrer incidência do imposto de renda, pois a verba recebida se trataria de desapropriação, tendo a citada verba natureza indenizatória, de acordo com a Constituição. 5. Seria descabida a autuação sobre os imóveis alienados em 2005, pois não teria auferido efetivamente os valores a eles referentes, tendo realizado várias permutas e negociações em diversas etapas. O fato gerador do imposto é o momento da alienação, porém, o pagamento somente ocorrerá quando do efetivo recebimento. A fiscalização teria equivocadamente considerado todos os valores recebidos em 2005. 6. Caberia ser aplicada a redução do ganho de capital prevista nos arts. 39 e 40 da Lei nº 11.196/05 e na IN SRF nº 599/05 para o imóvel da Rua David Ben Gurion, Butantã, São Paulo, já que a parte ideal pertencente ao contribuinte foi compromissada em 17/01/2005, mas apenas em 23/05/08 é que foi outorgada a escritura definitiva e a posse foi transmitida em favor da Sandalo/Rossi. 7. A data de aquisição dos imóveis constituídos pelos lotes de terrenos Jardim Record Gleba C Taboão da Serra estaria errada, ficando o cálculo maculado e com impossível compreensão, já que um ou dois anos influenciam no ganho de capital e suas reduções. O Fisco considerou a data do registro de imóvel, 02/05/77, quando o correto seria a data de óbito da genitora, 17/12/74 ou a data do transito em julgado da sentença da partilha (arrolamento encerrado em 04/05/76). Fl. 930DF CARF MF 4 8. A multa de 75% teria caráter confiscatório, conforme explanado em sua peça defensória. 9. Pede o cancelamento do lançamento junto com a multa e protesta pela juntada posterior de provas e realização de perícias. A DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não compete à Delegacia de Julgamento analisar suposta falha funcional por parte do agente fiscal. As normas sobre o Mandado de Procedimento Fiscal MPF tratam da execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, não possuindo o condão de restringir a competência do AFRFB designado para fins de constituição do crédito tributário. Então, a alegada extrapolação do prazo do MPF e a hipótese de fiscalização além dos limites apontados no MPF não acarretam a nulidade do lançamento. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há como acatar a tese de nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA. Os juros recebidos de pessoa física pelo alienante do imóvel, está sujeito ao carnêleão, sendo uma antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual. Aqueles auferidos de pessoa jurídica devem ser oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. O custo do imóvel é aquele apontado na Escritura Pública. A sua majoração está condicionada a comprovação de benfeitorias. Somente não será levada em conta a Escritura caso exista documentação hábil que demonstre de fato que os dados nela descritos não refletiria a realidade dos fatos. A desapropriação para construção de casas populares não está isenta do imposto. Somente são permitidas as reduções de ganho de capital em conformidade com a norma legal. Tendo sido alterada a configuração do terreno, gerando uma nova matrícula de imóvel, cabe ser considerada como data de aquisição aquela apontada no registro da nova matrícula. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Tais penalidades estão previstas na legislação tributária e devem ser aplicadas nos moldes em que a norma legal determina. Não Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 4 5 há nenhuma ilegalidade ao ser lançada as duas multas no auto de infração, tendo em vista que o fato gerador e a base de cálculo dessas penalidades são completamente distintos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de quando a realização do mesmo se revele prescindível para que a autoridade julgadora possa formar a sua convicção. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, o contribuinte repisa argumentos trazidos na peça impugnatória, solicita a concessão de efeito suspensivo com declaração de inexigibilidade do débito e contesta a decisão da DRJ/RJ1. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Com relação ao pedido de concessão de efeito suspensivo do recurso voluntário, há que se esclarecer que isso decorre de previsão expressa em lei e é aplicável às matérias para as quais o sujeito passivo tenha interposto recurso na esfera administrativa. De todo modo, não se tem notícias de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tenha efetuado cobranças em relação aos tributos em litígio, não havendo o que se decidir quanto a esse tema. Nulidade do Lançamento pelo Descumprimento de Formalidades quanto ao Prazo de Duração da Fiscalização e ao Período de Apuração Fixado O recorrente aponta supostos vícios nos procedimentos de fiscalização em razão do descumprimento de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, em especial quanto ao prazo de duração da fiscalização e ao período de apuração fixado no referido documento. Sem olvidar que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002008 069661 (fl. 2) registra inúmeras prorrogações de prazo para a conclusão do procedimento fiscal, além da extensão do período fiscalizado, o fato é que o MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades relacionadas ao seu vencimento ou mesmo ao período fiscalizado não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art.10 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ao revés do imagina o recorrente, a jurisprudência desta Corte Administrativa tem se consolidado no sentido aqui exposto, exemplo disso é a decisão unânime, consubstanciada no Acórdão nº 9202003.956, de 22/04/2016, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 5 7 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades no procedimento fiscal, cabendo afastar a preliminar. Não Incidência do IRPF sobre os Valores Recebidos a Título de Indenização por Desapropriação Extraise do Termo de Verificação Fiscal – TVF (trecho relativo às fls. 717/720) que o lançamento foi também efetuado em decorrência de ganho de capital pela desapropriação de terreno localizado em Embu/SP, pelo governo do Estado de São Paulo (por intermédio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo – CDHU, nos autos do processo n° 176.01.1997.0032759, da 2° Vara Distrital da Comarca de Embu). Ainda segundo o TVF, “a desapropriação (...) não está contemplada pela isenção de impostos federais, estaduais e municipais prevista no § 5° do art. 184 da Constituição Federal de 1988, visto que o terreno foi destinado à implantação de programa habitacional para as famílias de baixa renda e não à reforma agrária”. A despeito do entendimento exarado pela autoridade autuante, no qual foi acompanhada pela instância julgadora a quo, essa questão restou superada com a apreciação da matéria por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.116.460/SP, julgado em 9/12/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil). A ementa do acórdão relativo ao citado Recurso Especial, cuja transcrição se faz imperiosa, resume as conclusões daquela Corte: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, Fl. 934DF CARF MF 8 mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n.1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda.Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (grifei) A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do disposto na alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Além disso, a Súmula CARF nº 42, também de observância obrigatória no âmbito deste Conselho, estabelece: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. A esse respeito, a própria Receita Federal do Brasil vem acatando o entendimento consubstanciado na decisão do STJ, consoante se verifica da Solução de Consulta Cosit nº 105, de 7 de abril de 2014 (Diário Oficial da União de 22/4/2014). Senão vejamos o que consta da ementa de referida Solução de Consulta: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESAPROPRIAÇÃO. INTERESSE PÚBLICO. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.460/SP. REFORMA A SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 54 – COSIT, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2013. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.116.460/SP, no âmbito da sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), entendeu que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, tendose em vista que a propriedade é transferida ao Poder Público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. Afastouse, portanto, a incidência do imposto sobre a renda sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por utilidade pública ou por interesse social. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, 19 de julho de 2002 de 2002, art. 19; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012. Resta por conseguinte insubsistente a autuação em relação ao imóvel situado no bairro de EmbuMirim em Embu/SP, por se tratar de crédito tributário amparado na constatação de ganho de capital quando da percepção de valores decorrentes de desapropriação por utilidade pública, devendo ser o recurso provido nessa parte. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Ainda a respeito do indigitado imóvel, houve também o lançamento relativo a parcela recebida a título de juros, no valor de R$ 24.500,82, a qual foi lançada de forma apartada, como “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no anocalendário 2005”. Aqui é necessário fazer um reparo pontual no que restou gravado no acórdão fustigado, os R$ 47.990,61, recebidos no mês de outubro de 2006 (objeto de lançamento não questionado no recurso voluntário), correspondem a juros recebidos pelo contribuinte da empresa Sândalo Desenvolvimento Imobiliário S/A, e não do Estado de São Paulo. O valor recebido a título de juros, em razão da desapropriação, e que está em discussão, repitase, corresponde somente a R$ 24.500,82. Fl. 936DF CARF MF 10 Sobre esse assunto, e somente a título de esclarecimento, restou claramente consignado no Termo de Verificação Fiscal que, nos termos do § 6º do art. 126 do Regulamento do Imposto de Renda, a quantia recebida a título de juros não integra o valor da alienação, devendo ser tributada como rendimentos recebidos de pessoa jurídica. E mais, conforme inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o sujeito passivo devem ser apresentados na impugnação. Além do que, o art. 33 da mesma norma legal estabelece que o recurso voluntário é interposto em face da decisão de primeira instância administrativa. Assim, voto no sentido de não conhecer do recurso em relação à presente matéria tendo em conta que essa não foi objeto de impugnação. Omissão de Ganho de Capital quanto ao Imóvel da Rua David Bem Gurion, Butantã, São Paulo/SP Com o fim de ver aplicados os fatores de redução de ganho de capital instituídos pela Lei n° 11.196/2005, o intento do recorrente, no que respeita o presente item, é demonstrar que o contrato de fls. 179/203 teria sido celebrado mediante condições suspensivas e que, até o adimplemento dessas condições, não havia que se falar em ocorrência do fato gerador de tributo, a teor do que prevê o inciso I do art. 117 do CTN. Apegase o sujeito passivo à Cláusula Quarta do referido instrumento particular que estabelece: CLAUSULA QUARTA: A conclusão do negócio objeto deste Instrumento Particular fica subordinada às seguintes condições: I expedição de Diretrizes municipais de uso do imóvel compatível com o estudo preliminar – Anexo I deste Instrumento; II conclusão do processo (administrativo ou judicial) de retificação do imóvel; III aprovação do projeto para a realização do empreendimento, incluindo GRAPROHAB e demais órgãos envolvidos, sem exigências de natureza técnica e/ou econômica do que resultou sensível alteração do que está previsto no estudo preliminar, incluindo impedimentos de ordem ambiental ou exigências onerosas ou que possam diminuir a projeção de área a ser edificada, conforme previsto no estudo preliminar; IV apresentação da documentação relativa ao Imóvel, aos COMPROMITENTES e da COMPROMISSÁRIA; Em referência à celebração de negócios jurídicos, o art. 121 do Código Civil estabelece como cláusula condicional aquela que, derivada exclusivamente da vontade das partes, subordina os efeitos do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Nos termos do art. 125 do Código Civil, subordinandose a eficácia do negócio jurídico a condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa, ou seja, a condição suspensiva sujeita o efeito do negócio jurídico a Fl. 937DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 7 11 evento futuro e incerto, sendo que o negócio jurídico somente produzirá efeitos se ocorrer o evento estipulado pelas partes. De outro modo, em se tratando de condição resolutiva, consoante arts. 127 e 128 também do Código Civil, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo ser exercida, desde a conclusão deste, o direito por ele estabelecido. Via de regra, na superveniência da condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe. Em vista das disposições contratuais, assim entendeu a Fiscalização, no que foi acompanhada pela DRJ/RJ1: A conclusão do negócio ficou subordinada ao cumprimento das condições estabelecidas na cláusula quarta do Instrumento Particular. Esclareçase que, para efeitos fiscais, o imóvel foi alienado em 17/01/2005, visto que o desfazimento do negócio previsto na citada cláusula, estava subordinado à ocorrência de evento futuro, configurando condição resolutória e sendo assim o negócio jurídico foi eficaz desde seu inicio (art. 117, inciso II, da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário NacionalCTN). Ficou estabelecida, na cláusula sexta do Instrumento Particular, a imissão na posse do imóvel pela adquirente, na data da outorga da escritura de compra e venda com pacto adjeto de hipoteca. Aqui, peço vênia para discordar do Colegiado recorrido, pois, ao estabelecer que conclusão do negócio objeto do instrumento particular ficaria subordinada ao implemento de determinadas condições, as quais, uma vez não satisfeitas, ocasionariam seu desfazimento, penso que estamos diante de cláusulas de natureza suspensiva e não de condições resolutivas como entendeu o Fisco. Nesse sentido, em relação à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária há que se considerar o dispostos no inciso II do art. 116 e inciso I do art. 117 do CTN. In verbis: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. [...] Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; [...] Fl. 938DF CARF MF 12 Desta feita, considerandose que a transação imobiliária fora perpetrada sob condições suspensiva, somente é possível considerar ocorrido o fato gerador no momento em que o negócio jurídico esteja apto a produzir efeitos, o que se dá após o implemento das condições estipuladas pelas partes. Por certo, o contrato prevê que a imissão na posse do imóvel pela adquirente somente ocorrerá na data da outorga da escritura de compra e venda (30/03/2008), mas essa não está entre as condições contratualmente estabelecidas para o aperfeiçoamento do negócio jurídico, de modo que, não tendo sido trazidos elementos capazes de atestar que a outorga da escritura ocorreu de forma concomitante com o implemento das condições suspensivas, não é possível inferir que esse evento fez nascer a obrigação tributária. De todo modo, não reputo possível considerar que o fato gerador tenha ocorrido quando da assinatura do instrumento particular aqui referido (17/01/2005), ainda que, neste ato, tenha se dado o pagamento de parte do valor pactuado em razão desse instrumento. Dito isso, dou provimento ao recurso voluntário em relação à matéria analisada para excluir do lançamento relativo a ganho de capital na alienação de bens e direitos os valores decorrentes da venda do imóvel situado na Rua David Bem Gurion, Butantã, São Paulo/SP. Omissão de Ganho de Capital Relativo aos Imóveis Constituídos pelos Lotes de Terrenos Jardim Record Gleba C Taboão Da Serra/SP Com relação aos lotes do terrenos situado Jardim Record Gleba C Taboão da Serra/SP, a controvérsia gira em torno da data em que os imóveis foram adquiridos. Entende a autoridade autuante que a aquisição ocorreu em 02/05/1977, mediante formal de partilha do espólio do espólio da genitora do sujeito passivo, enquanto este defende que a aquisição teria ocorrido em 17/12/1974, com o falecimento de sua mãe. O Colegiado recorrido manteve o lançamento por não poder agravar a autuação e em razão de um terceiro entendimento, o de que a aquisição teria ocorrido em 08/08/1991, segundo consta do voto vencedor da decisão recorrida: O fato é que os imóveis alienados e objeto de autuação nos itens 2 a 6 do Termo de Verificação Fiscal não podem ser considerados como adquiridos quando do falecimento da genitora do contribuinte e nem no trânsito em julgado da sentença da partilha já que os imóveis vendidos não são os mesmos recebidos na herança, mas sim os constantes na matrícula 79.924 com uma nova composição datada de 08/08/91. Colhese da escritura pública de fls. 90/95 que os registros das matriculas 6.114/6.115/6.116, que constam dos itens 2 a 6 da autuação por omissão de ganho de capital decorrente da alienação de bens e direitos, foram transportados para a matricula 79.924, todas do Oficio de Registro de Imóveis da Comarca de Itapecerica da Serra, em 08/08/1991. Não obstante as questões suscitadas no acórdão fustigado, presumo não haver norma legal que ampare o entendimento de que a unificação do registro dos imóveis recebidos por herança tenha o condão de alterar a data de aquisição desses imóveis, deslocandoa para a data de retificação do registro. Reputo que para a determinação da data de aquisição devese Fl. 939DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 8 13 considerar que esses imóveis foram recebidos em herança, não obstante a alteração havida em seus registros. Dessarte, tendo em vista tratarse de imóvel recebido por herança em razão de óbito ocorrido em 17/12/1974, consoante registrado na escritura pública de fls. 90/95, o dispositivo aplicável ao caso é o caput e o § 4º do art. 139 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Confirase: Art.139. Na alienação de imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988, poderá ser aplicado um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital apurado, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem, de acordo com a seguinte tabela (Lei nº 7.713, de 1988, art. 18): Ano de Aquisição ou Incorporação Percentual de Redução Ano de Aquisição ou Incorporação Percentual de Redução 1969 100% 1979 50% 1970 95% 1980 45% 1971 90% 1981 40% 1972 85% 1982 35% 1973 80% 1983 30% 1974 75% 1984 25% 1975 70% 1985 20% 1976 65% 1986 15% 1977 60% 1987 10% 1978 55% 1988 5% [...] § 4º No caso de imóveis havidos por herança ou legado, cuja abertura da sucessão ocorreu até 31 de dezembro de 1988, a redução percentual se reporta ao ano da abertura da sucessão, mesmo que a avaliação e partilha ocorram em anos posteriores. Em vista de tais dispositivos, vêse que o percentual de redução aplicável à situação que hora se examina é de 75%, tendo em vista que a abertura da sucessão decorre do óbito do de cujus sucedido que, de conformidade com o que se evidenciou acima, ocorreu no ano de 1974. Desse modo, dou provimento ao recurso voluntário também nessa parte. Imposição Concomitante de Multa Isolada e de Multa de Ofício Por ter recebido rendimentos de pessoas físicas e não ter recolhido o imposto correspondente a titulo de carnêleão, houve o lançamento de multa isolada em relação aos meses de fevereiro a dezembro de 2007 e janeiro a dezembro de 2008. A esse respeito Alega o recorrente a impossibilidade de aplicação de multa isolada em concomitância com multa de ofício por configurar bis in idem e em razão dos Fl. 940DF CARF MF 14 precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cuja orientação seria pelo descabimento da aplicação conjunta dessas multas. De início é preciso esclarecer que a multa isolada aplicada por ocasião do lançamento de ofício não tem relação com omissão de rendimento resultante de ganho de capital, mas do não recolhimento do imposto devido a título de carnêleão em razão de rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de juros. O art. 123 c/c o art. 106 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que os juros recebidos em razão da venda de imóveis não compõem o valor de alienação e as quantias auferidas sob essa denominação ficam sujeitas ao pagamento por intermédio de carnê leão, a titulo de antecipação do imposto de renda. Para melhor examinar a questão afeta à aplicação concomitante de multa de ofício com multa isolada, convém reproduzir o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação primitiva: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; [...] O texto legal pretérito deixava dúvidas sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Em virtude disso, foram exaradas reiteradas decisões de segunda instância administrativa, reconhecendo que a interpretação mais acertada desses dispositivos era quanto impossibilidade de incidência conjunta das duas penalidades em razão de ofensa ao princípio da proporcionalidade e até mesmo da incidência de bis in idem, dentre outros argumentos. Aliás, Fl. 941DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 9 15 as decisões suscitadas no recurso voluntário, a exceção de uma, dizem respeito a exercícios em os dispositivos acima reproduzidos ainda encontravamse em vigor. Com a publicação da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, foi alterado, passando a contar com a seguintes redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; [...] Assim, partir de fevereiro de 2007, restou claramente evidenciado na norma que as penalidades descritas do nos incisos I e II do art. 44 acima eram referentes a infrações diversas. Nesse contexto, reproduzo entendimento prolatado no Acórdão nº 2802003.267, de 3/12/2014, reproduzido no voto vencedor do Acórdão nº 2402005.703, de 15/03/2017, ambos de relatoria do Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que bem resumem meu entendimento acerca dessa matéria: A partir de 2007, então, ficaram claramente apartadas no texto legal as hipóteses de incidência que motivam cada uma das multas. Para o imposto de renda de pessoa física, a multa proporcional é aplicada caso haja diferença a pagar decorrente do ajuste anual; já a multa isolada é cabível no descumprimento da obrigação de fazer o recolhimento das antecipações mensais a título de carnêleão. São hipóteses de fato distintas, cujo descumprimento gera sanções jurídicas também distintas; descabido, portanto, falar em bis in idem, dado que os fatos antecedentes às respectivas exigências tributárias são diversos, sob os aspectos temporal e quantitativo. Também não prospera raciocínio segundo o qual a multa isolada só seria passível de aplicação entre o momento do inadimplemento da obrigação de antecipação e o do ajuste, pois tal entendimento vai de encontro à prescrição da alínea 'a' do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a qual regra expressamente que a multa em apreço deve ser aplicada mesmo que não tenha sido apurado imposto na declaração de ajuste, no caso da pessoa física. Fl. 942DF CARF MF 16 Ora, advirtase que se deve compreender as palavras da lei como tendo alguma eficácia, só sendo adequada a interpretação que encontra um significado útil e efetivo para cada expressão do texto normativo. Nesse contexto, oportuno anotar que eventual aplicação do princípio da consunção na espécie encontra severas dificuldades frente ao caráter patrimonial das respectivas obrigações jurídicas, segundo o qual o dever de pagar a antecipação independe da existência de imposto devido, e está vinculado à perspectiva de antecipação no ingresso de recursos com vistas à viabilização da atuação estatal, inexistindo, destarte, relação de meio e fim entre as exigências. À evidência, é perfeitamente possível que ocorra a falta de recolhimento do carnêleão mas que ao final do ajuste não haja imposto a pagar, ou até mesmo se verifique tributo a restituir. Da mesma forma, podem ser recolhidas todas as antecipações devidas e restar saldo de imposto a pagar, sujeito a lançamento de ofício. Exsurge, assim, não uma relação meiofim ou causa e efeito necessária entre o cometimento das infrações em comento, mas sim a de independência entre elas. Na linha do trecho da decisão reproduzida acima, a multa proporcional de 75% é aplicada caso haja diferença de IRPF a pagar decorrente do ajuste anual; e a aplicação da multa isolada é ensejada pelo descumprimento de obrigação de fazer, consubstanciada pelo não recolhimento das antecipações mensais devidas a título de carnêleão. São hipóteses distintas, cujo descumprimento gera sanções jurídicas também distintas; descabido, portanto, falar em bis in idem, dado que os fatos antecedentes às respectivas exigências tributárias são diversos, sob os aspectos temporal e quantitativo. Convém anotar que o entendimento acima esposado é o que vem prosperando no âmbito do CARF. Nesse sentido vêm decidindo a 1ª e a 2ª Seções da CSRF, como se pode conferir a partir do Acórdãos nº 9202004.022, nº 9101002.502 e nº 9101002.251. Somente para ilustrar o entendimento consolidado neste Órgão de julgamento, faz mister reproduzir a ementa do último acórdão citado, a qual evidencia a possibilidade de imposição simultânea das multas isolada e de ofício, sob a novel redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. CUMULATIVIDADE. Em face da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, é cabível a exigência cumulativa da multa de ofício sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, não recolhida, e da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19515.005476/200910 Acórdão n.º 2402006.090 S2C4T2 Fl. 10 17 longo do ano, não efetuado, relativamente aos anoscalendário a partir de sua vigência. Nessa linha, e considerando que, no presente caso, a multa isolada somente foi aplicada para competências a partir de fevereiro de 2007, nego provimento ao recurso voluntário quanto a esse tópico. Caráter Confiscatório da Multa de Ofício Prevista no Inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/1996 O sujeito passivo insurgese contra a multa de ofício, a pretexto de que o percentual lançado de 75% (setenta e cinco por cento) é ilegítimo, fere os princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Argumenta que: A legislação tributária brasileira contem inúmeros casos de multas absurdas, totalmente em desacordo com o determinado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, que proíbe o confisco. Embora tal dispositivo faça referência apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório, a jurisprudência e a doutrina entendem perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação. Informa haver decisões do STF quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício, por violação ao disposto no artigo 150, IV, do Texto Constitucional. Colaciona posicionamentos doutrinários acerca do tema. De se evidenciar que não assiste razão ao sujeito passivo quando esse afirma que a multa de ofício seria ilegítima. Observese que, conforme inscrito na Notificação de Lançamento, a multa de ofício encontra previsão expressa no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Nessa esteira, em que pese os argumentos apresentados pelo recorrente, no que tange à alegação de que a exigência da multa de ofício feriria os princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, temse que essa análise necessariamente passaria pelo exame de validade dos dispositivos da Lei nº 9.430/1996 que fixaram tal exigência, função esta exclusiva do Poder Judiciário, já que é vedado a esta Corte Administrativa se pronunciar sobre constitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem multa imposta por descumprimento da legislação tributária sob o Fl. 944DF CARF MF 18 argumento de que seria de valor confiscatório, desproporcional ou desarrazoado, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Assim, também neste ponto, nego provimento ao recurso. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do recurso para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a tributação em relação aos imóveis situados no bairro de EmbuMirim em Embu/SP e na Rua David Bem Gurion, Butantã, São Paulo/SP e estabelecer a aplicação do percentual de redução de 75% para a apuração do ganho de capital em relação aos lotes do terreno localizado no Jardim Record Gleba C Taboão da Serra/SP. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 945DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.011386/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA.
Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação.
Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: Evandro Correa Dias
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AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art., 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. As diligências e/ou perícias podem ser indeferidas pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 86 /2 00 9- 19 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 800 2 Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 801 3 Relatório Transcrevese o relatório do Acórdão nº 3301003.648 da 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que declinou a competência para a 1ª Seção, em face do processo 10120.011.385/200974 (IRPJ e CSLL), conforme disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. "Trata o presente processo autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para PIS/Pasep, lavrados em 27/10/2009 e regularmente notificados, contra a empresa PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S/A, CNPJ 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário, relativo ao anocalendário de 2006 (jan e fev), incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%. Segundo a fiscalização relatou no Auto de Infração, fls. 291/327, no desempenho de sua atividade econômica, o contribuinte industrializou e vendeu embalagens plásticas, conforme comprovam os livros Registro de Saídas e Apuração de ICMS. Entretanto, os valores recolhidos dos tributos federais não guardam proporção com as vendas efetuadas, sendo pagos valores inferiores ao devido. Com base no Registro de Apuração do ICMS, destacouse as saídas onerosas mediante verificação do CFOP, inserindoas no Demonstrativo de Apuração de Tributos. Constatada a receita mensal de vendas, foram apurados os tributos federais. A fiscalização entendeu que a escrituração contábil do contribuinte apresentouse inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, diante dos seguintes motivos: a) Não foi apresentado o livro de apuração do lucro real (Lalur); b) O Razão apresentado restringiuse a registrar as operações realizadas no 1º trimestre do anocalendário 2006, e as contas não estão ordenadas, em descumprimento às exigências contábeis e legais; c) O contribuinte não exerceu opção pelo lucro presumido, arbitrado ou lucro real anual, posto que não pagou IRPJ, não apresentou DCTF com débitos de IRPJ, não parcelou nem compensou débito de IRPJ, e não apresentou DIPJ. Diante do exposto, com fundamento no art. 529, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, arbitrouse o lucro da pessoa jurídica fiscalizada. Apurouse o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 802 4 Foi atribuída responsabilidade solidária às Pessoas Físicas (i) Pedro Paulo Gonçalves, CPF n° 355.521.15104; (ii) José Vicente Vieira, CPF n° 397.162.601/72; (iii) Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; (iv) Antônio Augusto Fernandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904, e (v) Renato Antônio Almeida, CPF n° 539.302.23953, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN. Foram apresentadas, tempestivamente, impugnações por parte de todos os autuados, Sujeito passivo principal e solidários. Em 10 de outubro de 2011 foram juntados aos autos os Livros Razão de abril a dezembro de 2006, os Livros Diário de janeiro a dezembro de 2006 e balancete contábil de 2006, conforme Termo de Juntada à fl. 620 (os documentos, em formato de livros, encontram se anexados ao processo Principal 10120.011385/200974). Já em 12 de abril de 2012 juntouse cópias da DIPJ 2007, DCTF 1º e 2º semestres de 2006 e DACON 2006, conforme Termo de Juntada á fl. 623 (os documentos encontramse anexados ao processo Principal 10120.011385/200974) Segundo o contribuinte PROPACE tais documentos seriam comprobatórios da situação financeira e contábil da empresa à época das autuações e revelam os equívocos da Autoridade Autuante quando do arbitramento que lhes foi impingido. Ao analisar as Impugnações a 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF formalizou o Acórdão 0348.602, de 04 de junho de 2012, que, por unanimidade de votos, Declarou IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas pela empresa e pelos Srs. Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antonio Almeida e ao final pela MANUTENÇÃO INTEGRAL do crédito tributário exigido, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua O fato gerador da obrigação principal. COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em sua petição impugnativa. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 803 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006,28/02/2006. PIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em sua petição impugnativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INDEFERIMENTO. De acordo com o Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as formas de intimação são: pessoal, por via postal, por meio eletrônico ou por edital. As intimações pessoais, por via postal ou por meio eletrônico, não estão sujeitas a ordem de preferência. As intimações serão endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados os interessados apresentaram os respectivos Recursos Voluntários, conforme a seguir: Recurso Voluntário do Sujeito Passivo Principal A empresa autuada apresentou Recurso voluntário nos seguintes termos: a) que a pretensão fiscal descrita nos autos de infração, em última análise, é baseada no suposto descumprimento de obrigações acessórias de escrituração contábil, o que implicou no arbitramento de tributos federais IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base na presunção do lucro auferido pela ora RECORRENTE; b) que a primeira instância administrativa pretende manter a cobrança de tributo, juros e multa, incidentes sobre os referidos supostos rendimentos arbitrados, apesar da apresentação de balancetes contábeis, dos Livros Diário e Razão e de todas as obrigações acessórias do exercício autuado, o que, por conseguinte, malfere frontalmente no presente caso o principio da verdade material, o qual, digase de passagem, deve reger a conduta da autoridade administrativa; Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 804 6 c) que se encontra presente uma NULIDADE processual, pois a Delegacia de julgamento não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material, tendo em vista que preferiu desconsiderar os documentos contábeis e os livros a ela apresentados; d) que foram apresentados pela RECORRENTE os Livros Fiscais Razão e Diário Balancetes e todas as obrigações acessórias relativas ao período de apuração autuado, os quais são documentos hábeis e idôneos a provarem a real contabilização da empresa, haja vista que estes são instrumentos de escrituração obrigatória; e) que a mantença do referido arbitramento, apesar da entrega dos Livros Razão e Diário, afronta a jurisprudência administrativa deste E. Conselho; f) que irrazoável se mostra a atuação da Autoridade Julgadora de primeira instância, que manteve o arbitramento de tributo supostamente devido em razão da realização de vendas sem levar em consideração todas as despesas inerentes à atividade da empresa autuada, as quais, repitase, estão demonstradas nos Livros Razão e Diário que foram anexados ao presente feito; g) que requer seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis colacionados no presente feito, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da ora RECORRENTE. Recurso Voluntário dos solidários Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida Os responsáveis tributários, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida tomaram ciência da decisão e interpuseram recurso voluntário no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o auto de infração, com fundamento no art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, art. 128 e 134, inciso VII, atribuiu responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. b) que a própria decisão ora recorrida afastou a aplicabilidade do art. 134, VII, do CTN, pois este somente poderia ser utilizado no caso de liquidação da sociedade de pessoas, o que, como deduzido nas respectivas impugnações, não se apresentou; c) que o Julgador de primeira instância, não querendo se dar por vencido, com o devido acatamento, buscou caracterizar os RECORRENTES como "responsáveis tributários" dos tributos ora cobrados; d) que, assim, entendese que a decisão em referência quer impingir a responsabilidade tributária aos exsócios sob o manto do art. 135, III, do CTN; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 805 7 e) que não é possível admitir que o redirecionamento se dê contra o sócio porquanto não seja demonstrado que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração à lei, fatos esses que não se caracterizam pela simples inadimplência tributária; f) que vislumbrase, a partir da decisão ora recorrida, a manobra utilizada pela Delegacia de Julgamento, para forçar a inclusão do sócio como coresponsável tributário para, quiçá, poder exigir a cobrança dos tributos em referência em futura execução fiscal; g) que chamar o sócio para responder por débitos da pessoa jurídica sem que se prove ter havido excesso de mandato ou infração à norma representa afastar totalmente a figura da limitação da responsabilidade insita nas sociedades; h) que o Min. Fux, no REsp. 200502069717 (DOU 18/09/06) sustentou que: "o Superior Tribunal de Justiça sedimentou entendimento segundo o qual é imprescindível a prova, a cargo da exeqüente, de que o sócio, com poderes de gerência, tenha infringido a Lei ou desbordado dos limites do estatuto social, a fim de redirecionar contra ele o executivo fiscal"; i) que dúvida não há quanto a inaplicabilidade do dispositivo em tela ao caso presente, uma vez que somente é possível a execução recair sobre os sócios com base no art. 135 do CTN se houver excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto; os quais deverão ser trazidos com fundamentos concretos, devendo haver comprovação do alegado; j) que requer que seja considerado INSUBSISTENTE O REDIRECIONAMENTO da autuação aos ora RECORRENTES, pois estes não podem ser considerados como responsáveis tributários, haja vista que não há, nos autos, comprovação de comportamento fraudulento por parte destes, conforme preconizado pelo art. 135, III, do CTN; 1) que requer, em não sendo esse o entendimento, seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis trazidos pelos RECORRENTES, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da empresa autuada. Recurso Voluntário dos solidários Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira Em apartada síntese a defesa dos recorrentes vão na linha de que a responsabilidade tributária é subjetiva, ou seja, exige a comprovação de ato praticado com dolo ou culpa. Entende que tal realidade é evidenciada pelos inúmeros julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, pelas decisões do CARF e pelas orientações constantes dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas da RFB e PGFN. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 806 8 Recurso Voluntário do solidário Milton Rui Jaworski O responsável tributário Milton Rui Jaworski tomou ciência da decisão recorrida e interpôs recurso voluntário no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que Ata da Assembléia Geral é documento hábil, que fora devidamente registrado na Junta comercial, devendo ser considerado como prova cabível para desvendar a solução questionada, pois, descreve que o endereço da autuada é na Rua Capistábos, n° 350, Setor Santa Genoveva, Goiânia, Goiás, e não o que consta do auto de infração; b) que há no presente caso erro processual quanto à intimação do sujeito passivo principal, pois, na intenção de receber o tributo, o erário preferiu utilizar de meios mais fáceis e cômodos, mas, entretanto, em desconsonância com os princípios constitucionais; c) que indispensável dessa forma, a realização de diligência para confirmar se a intimação foi endereçada ou não corretamente, uma vez que a falha processual resulta em nulidade do auto de infração e tal vicio deve ser sanado a qualquer tempo, não se restringindo apenas na via judicial; d) que, ao realizar a diligência e for constatada que a intimação fora feita em local diverso onde a empresa se encontra, configurado estará que a afirmação de dissolução irregular da empresa, feita pelo erário, foi indevida e prejudicial; e) que, mesmo que não seja levada em consideração a possibilidade da dissolução irregular ser imprópria, o sujeito passivo ora recorrente não deve fazer parte da lide por vários motivos, um deles é que sua renúncia ao cargo de administrador se deu em 02/05/2007, muito antes da data em que a empresa foi declarada inapta, em 19/01/2009; f) que, quando o Sr. Milton Rui Jarwoski se afastou da administração, ele o fez de forma legal, estando ainda a empresa em pleno exercício, isto é, não existia a manifestação do fisco em relação a irregularidade; g) que auto de infração fora lavrado em 16/11/2009, referindo a fato gerador ao período de 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006, sendo a intimação do sujeito passivo denominado responsável, emitida em 19/11/2009; h) que o entendimento majoritário nos tribunais referente a responsabilidade dos sócios que se retira da sociedade sobrevive até 2 (dois anos) e o no caso do recorrente já havia mais de dois anos; i) que o Sr. Milton Rui Jarwoski não tem nenhuma responsabilidade pelas dividas tributárias da empresa após a sua retirada; j) que a denominada solidariedade, constante no art. 134, VII, do CTN, não é aplicada a empresa autuada, pois, não se trata de sociedade de pessoas e sim sociedade anônima; 1) que autos devem ser retornados a instância anterior para que se manifeste quanto ao fato de não caber a solidariedade dos sócios, como descreve o art. 134, VII, CTN, pois, o sujeito passivo principal é uma empresa de capital e não de pessoa; Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 807 9 m) que o fiscal autuante, adequado seria ter realizado todos os procedimentos cabíveis para receber o tributo da empresa, para depois cobrar dos sócios e atuais administradores e não dos exsócios e exadministradores; n) que a recorrente não era sócio da empresa, não tendo motivo a sua inclusão no pólo passivo da lide, atuando em pequeno período apenas como administrador da empresa autuada; o) que na lavratura do auto de infração não foi mencionado nenhum dispositivo legal que responsabilizasse o exadministrador como solidário com divida tributária da empresa; p) que o posicionamento dos tribunais quanto a responsabilidade do administrador com as dividas tributárias da empresa não é objetiva, mas sim, subjetiva, devendo ater para o animus do agente; q) Sr. MILTON RUI JAWORSKI não deve estar incluído no pólo passivo da lide, pois, não agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nem tendo qualquer outra atitude que o torne responsável por divida tributária da Propace; r) que requer seja o presente recurso recebido e provido para julgar NULO o presente auto de infração, com base no erro na identificação das impugnantes como sujeitos passivos solidários, sendo todos conseqüentemente retirados do pólo passivo da lide; e seja realizada diligência para sanar a falha que se encontra nos autos e retorne este a instância anterior para manifestação dos julgadores quando foram 'omissos quanto ao questionamento feito pelo sujeito passivo na impugnação. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência." Transcrevese a seguir, os motivos da declinação da competência do julgamento dos feitos para 1ª Seção. "Destaquese que as apurações de PIS/Pasep e Cofins, tratadas no presente processo, são REFLEXOS do procedimento fiscal em que, constatandose omissão de receitas, arbitrouse a base de cálculo de IRPJ, tudo conforme formalizado nos autos do processo (PRINCIPAL) n° 10120.011385/200974. O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015) elenca as hipóteses em que compete à 1ª Seção processar e julgar o caso, a qual inclui no seu inciso IV, os casos que versam sobre PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. E, como é cediço, a recente Portaria MF n° 152, de 03 de maio de 2016, excluiu da redação anterior do referido inciso IV a passagem "em um mesmo processo administrativo". É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de Ia (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 808 10 I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Sendo assim, com base na legislação atualmente em vigor, é de competência da 1ª Seção o julgamento de processos relativos à cobrança de PIS e COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizados em um mesmo procedimento fiscal e com base nos mesmos elementos de prova, ainda que não tenham sido exigidos através de um mesmo Processo Administrativo Fiscal." Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 809 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem ao demais requisitos, motivo pelo qual deles conheço. Dos Fatos Conforme relatado, trata o presente processo de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para PIS/Pasep, contra a empresa PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S/A, CNPJ 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2006 (jan e fev), incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%. No pólo passivo foi atribuída responsabilidade solidária às Pessoas Físicas (i) Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; (ii) Antônio Augusto Femandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904; (iii) Renato Antonio Almeida, CPF n° 539.302.23953 e (iv) Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN. A autuação deuse sob a alegação, por parte da fiscalização, de constatação de omissão de receitas de vendas de produtos de fabricação própria, apurada com base em arbitramento, realizado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99. A fiscalização entendeu que a escrituração contábil do contribuinte apresentouse inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, razão pela qual, com fundamento no art. 529, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, arbitrouse o lucro da pessoa jurídica fiscalizada. Apurouse o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Destaquese que as apurações de PIS/Pasep e Cofins, tratadas no presente processo, são REFLEXOS do procedimento fiscal em que, constatandose omissão de receitas, arbitrouse a base de cálculo de IRPJ, conforme formalizado nos autos do processo (PRINCIPAL) n° 10120.011.385/200931, que foi julgado em 03/02/2015 pela – 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Transcrevese a seguir a ementa do Acórdão nº 1802002.442 – 2ª Turma Especial: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2006 LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 810 12 O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO BIMESTRAL. NULIDADE. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A legislação não prevê o arbitramento do lucro quando a receita bruta é conhecida em qualquer base que não seja a trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Darci Mendes de Carvalho Filho que davam provimento parcial para afastar a solidariedade e ajustar o vencimento da obrigação, recalculando os juros de mora. O Conselheiro Nelso Kichel apresentará declaração de voto. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Destacase que os autos de infração, objeto do presente lançamento, referem se a PIS e Cofins lançados pelo regime cumulativo e não foram contestados pelo contribuinte e responsáveis, quando se limitaram a atacar apenas o arbitramento realizado para apuração do IRPJ e CSLL. Assim, no silêncio da oponente, cabe considerar como matéria não impugnada, nos termos da dicção do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação da , 76 Lei n 9.532, de 1997, o que implica, neste caso, manter a na integra o lançamento efetuado a título de PIS/PASEP e Cofins sobre a receita conhecida. No processo principal no qual tributouse IRPJ e CSLL, verificouse incorreta a data de ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, pois não há fato gerador bimestral de IRPJ/CSLL, ou seja, não há fato gerador por lucro arbitrado ocorrido em 28 de fevereiro, e nem há obrigação tributária referente a IRPJ/CSLL sobre lucro arbitrado com vencimento em 30 de março. Contudo, no presente processo no qual tributouse PIS e Cofins, cujo fato gerador é mensal, verificase correto a data para os períodos de janeiro (31/01/2006) e Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 811 13 fevereiro (28/02/2006). Logo as razões que levaram ao provimento do recursos voluntários no processo principal (IRPJ e CSLL) não se aplicam ao presente processo de lançamento de PIS e Cofins. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Preliminarmente, cabe ressaltar que a realização de diligências e auditorias nesta fase do processo tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, conforme restará demonstrado mais a frente, não se faz necessário para conhecimento e solução das questões postas em julgamento nos presentes autos. A matéria é disciplina pelo artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Dessa forma, por entender que são prescindíveis ao deslinde causa, pois os elementos que constam dos autos são suficientes para sustentar as conclusões que fundamentaram o lançamento fiscal, os pedidos de diligências da empresa e dos recorrentes devem ser indeferidos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DOS RESPONSÁVEIS Adoto quanto à responsabilidade solidária, sem que se configure as hipóteses do art. 135, inciso III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoas que já não eram sócios da sociedade no momento em que houve a liquidação. Vejamos, em síntese dos os argumentos utilizados a seguir: · Com relação a aplicação do art.134, VII, do CTN, a primeira questão que temos que verificar é se a recorrente era uma sociedade de pessoas. O contrato social na sua cláusula sétima (a fls. 119) não deixa dúvida que ela foi constituída como uma sociedade de pessoas; · Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, isso para se definir os aspectos da hipótese de incidência, inclusive a sujeição passiva direta quem é contribuinte. Assim, o dever de o contribuinte pagar o tributo nasce no momento da ocorrência do fato gerador, algo que não se confunde com a responsabilidade do sócio , a qual depende, na hipótese do art. 134, VII, do CTN, que seja impossível de cobrar da sociedade de pessoa por ter sido liquidada. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 812 14 · Assim, por exemplo, impossibilitado o Fisco de cobrar tributos de uma sociedade de pessoas já liquidada, deverá efetuar o lançamento contra os seus últimos sócios, aqueles que a liquidaram e que receberam o seu acervo líquido. Ora, sem que tenha se configurado as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social) não vejo como responsabilizar pessoa que já não era sócio da recorrente no momento em que houve a liquidação. · Ademais, no caso em tela, não houve uma liquidação de uma sociedade de pessoas, pois essa sofreu uma transformação em 04/07/2006, passando a ser uma sociedade anônima (sociedade de capital) e foi já sob esta constituição que foi declarada inapta pelo ADE n° 3/2009 (transcrito na decisão recorrida), logo, inaplicável o art. 134, VII, do CTN. · O Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fls. 3, está datado de 19/01/2009, logo, há que se questionar como presumir que a recorrente teria se dissolvido irregularmente em 2006, se foi em 2009 que a Fiscalização se deu conta de que o endereço, nos cadastros da Receita Federal, estavam, no mínimo, desatualizado. Tanto é verdade, que, só em 02/06/2009, é expedido o ADE n° 03, o qual deixa muito claro que os seus efeitos são a partir de 19 de janeiro de 2009. Nesse ponto, reside, conforme tratado, a outra inconsistência da autuação e da decisão recorrida, qual seja, é que não se pode responsabilizar os sócios gerentes à época do fato gerador em tela, 2006, se não ocupavam essa função à época da dissolução irregular. · Na Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, a fls. 96, é informado que: "Os diretores apontados no quadro societário do CNPJ afirmaram não possuir mais poder de direção sobre a empresa, e indicaram o senhor Angelo de Paiva Teixeira, CPF n° 465.535.506/97, como administrador da sociedade anônima. Uma vez expedido o Oficio n° 11/2009/DRF/GOI/Sefis, a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) nos encaminhou a documentação arquivada, confirmandose que a empresa era administrada pelo senhor Angelo de Paiva Teixeira.". · Diante desse quadro, ou a fiscalização provava ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa ("laranja") e que os sócios Antônio Rapetti e Renato Almeida continuavam na gerência da sociedade, ou a fiscalização só poderia colocar no polo passivo, em virtude da dissolução irregular, o Sr. Angelo de Paiva Teixeira. Como não há acusação de ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa, entendo equivocada a responsabilização tributária dos exsóciosgerentes Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Antônio Augusto Fernandes Rapetti , Renato Antônio Almeida e Milton Rui Jawosky. Quanto à imputação de responsabilidade solidariedade passiva dos antigos proprietários, realmente incabível no caso, pois os responsáveis solidários arrolados deixaram a empresa, que foi dissolvida irregularmente, anos depois, ou seja, em 2009; logo, não é possível a imputação de responsabilidade solidária aos antigos sócios. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 813 15 Assim, deve ser afastada a responsabilidade tributária de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira quanto ao lançamento de PIS e Cofins. Destacase que o afastamento de responsabilidade tributária não é causa de nulidade do presente auto de infração, conforme verificase pela leitura do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De conformidade com o referido art. 59, constataseque a situação reclamada no apelo recursal não denota a ocorrência de vícios que possam levar à anulação do feito fiscal. Os erros propalados pela recorrente podem, se comprovados, no máximo demandar a retificação do lançamento, consoante estipula o art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10120.011386/200919 Acórdão n.º 1402003.008 S1C4T2 Fl. 814 16 Conclusão Ante o exposto, voto: i) rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência dos recorrentes Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e Propace Ind. Com. De Embalagens S/A; ii) dar provimento aos recursos voluntários de Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária dos mesmos; e, iii) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 814DF CARF MF
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