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Numero do processo: 11040.720181/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2008
SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE
TRANSPORTE DE CARGAS.
A receita bruta tributável pela sistemática do SIMPLES corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes
subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA.
As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES,
constitui omissão de receita passível de tributação.
SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Exercício: 2008
LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
DE TRANSPORTE DE CARGAS.
A receita bruta tributável pela sistemática do lucro arbitrado corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes
subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA
As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.
ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA.
Na apuração do valor tributável sujeito ao adicional do IRPJ computa-se a totalidade da receita do período, o que inclui a receita omitida.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL
Sendo decorrentes do mesmo contexto fático de omissão de receitas, aos lançamentos de PIS/SIMPLES, COFINS/SIMPLES, INSS/SIMPLES e CSLL
Lucro Arbitrado aplicase
o decidido quanto ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO.
Justificase
a aplicação da multa qualificada quando restar demonstrado que o
contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características.
MULTA AGRAVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A falta de atendimento a intimação para prestação de esclarecimentos não deve implicar no agravamento da multa de ofício quando essa falta não prejudica a fiscalização.
Numero da decisão: 1202-000.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício, do percentual de 225% para o percentual de 150%.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2008 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta tributável pela sistemática do SIMPLES corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2008 LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta tributável pela sistemática do lucro arbitrado corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. Na apuração do valor tributável sujeito ao adicional do IRPJ computa-se a totalidade da receita do período, o que inclui a receita omitida. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL Sendo decorrentes do mesmo contexto fático de omissão de receitas, aos lançamentos de PIS/SIMPLES, COFINS/SIMPLES, INSS/SIMPLES e CSLL Lucro Arbitrado aplicase o decidido quanto ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO. Justificase a aplicação da multa qualificada quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. MULTA AGRAVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de atendimento a intimação para prestação de esclarecimentos não deve implicar no agravamento da multa de ofício quando essa falta não prejudica a fiscalização.
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Recorrente HAAS & LAZZARI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2008 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta tributável pela sistemática do SIMPLES corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2008 LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 338 2 A receita bruta tributável pela sistemática do lucro arbitrado corresponde ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. Na apuração do valor tributável sujeito ao adicional do IRPJ computase a totalidade da receita do período, o que inclui a receita omitida. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL Sendo decorrentes do mesmo contexto fático de omissão de receitas, aos lançamentos de PIS/SIMPLES, COFINS/SIMPLES, INSS/SIMPLES e CSLL Lucro Arbitrado aplicase o decidido quanto ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO. Justificase a aplicação da multa qualificada quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. MULTA AGRAVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de atendimento a intimação para prestação de esclarecimentos não deve implicar no agravamento da multa de ofício quando essa falta não prejudica a fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício, do percentual de 225% para o percentual de 150%. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 339 3 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Edijalmo Antônio da Cruz. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 340 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou totalmente procedentes os autos de infração lavrados pela fiscalização, a seguir descritos. I No período de 01/01/2007 a 30/06/2007 foram constituídos créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição para o INSS pela sistemática do SIMPLES (fls.23/54), em razão de: (i) omissão de receitas apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES, e (ii) insuficiência no recolhimento de tributos (fls. 15/17), em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. II No período de 01/07/2007 a 31/12/2007 foram constituídos créditos de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS pelo Lucro Arbitrado, com base no percentual de 9,6% da receita bruta conhecida (fls.59/83), em razão de: (i) omissão de receitas apurada pelo confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (lucro presumido); e (ii) falta de escrituração no Livro Caixa da movimentação financeira, inclusive bancária, além de falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, após intimação. Foram aplicadas as seguintes multas de ofício: no percentual de 225%, prevista no art. 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de omissão de receita, tendo em vista a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, caracterizando situações previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e por ter deixado de atender intimações da Fiscalização; no percentual de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de insuficiência de recolhimento. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 341 5 A impugnação aos autos de infração (fls.222/235) foi bem resumida na decisão recorrida, cujo trecho, por economia processual, passo a transcrever: 2.1. Inexistência de omissão de receitas Entende que a receita bruta é todo o rendimento auferido pelas pessoas jurídicas que pode ser considerado como acréscimo patrimonial, agregado ao seu patrimônio, sendo abusivo o conceito jurídico de que constitui qualquer receita. Nesse sentido, o STF declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, por ter ampliado o conceito de receita bruta, decisão também adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Portanto, não integra a base de cálculo, meros ingressos na conta do Contribuinte, em razão de que não se caracterizam como aumento da capacidade tributária. Argumenta que os valores do valepedágio não integram o conceito de receita, conforme art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001. O Livro de Registro e Apuração do ICMS contempla, também, ingressos que não se enquadram como receita bruta. A Fiscalização considerou os ingressos resultantes do agenciamento de fretes, onde a maior parte serve para o pagamento do caminhoneiro, ficando apenas a comissão como receita. São meros ingressos de valores repassados para terceiros que não caracterizam receitas, não existindo, portanto, omissão de receita. Assim, por esses fatos, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração. 2.2. Da atividade que desenvolve Sua atividade principal é a intermediação de transportes de cargas, contratando com clientes fretes a serem executados por motoristas autônomos. Isso é confirmado pelos conhecimentos de transportes e os respectivos recibos de frete, ficando somente responsável pelo seu pagamento aos transportadores autônomos, que não tem qualquer vínculo. Assim, de acordo com todos os documentos juntados ao processo, fica comprovado que parcela dos ingressos pertencem a outros contribuintes, ou seja, repasse pelo valor do frete, permanecendo no patrimônio apenas o valor do agenciamento. 2.3. Do arbitramento do lucro O arbitramento do lucro é desnecessário e abusivo, eis que a Fiscalização dispunha de meios para verificar a movimentação bancária e, se fosse o caso, apurar os valores dos tributos. O valor da receita apurado pela Fiscalização não se insere no conceito definido em lei, razão pela qual a quantia utilizada na base de cálculo para o arbitramento, não encontra “guarida na realidade.” 2.4. Da apuração dos valores e percentuais do SIMPLES – Nulidade do Auto de Infração Apenas a título de defesa, mesmo que for entendido que ocorreu a omissão de receita, o Auto de Infração é nulo por descrever alíquota diversa daquela prevista na legislação, principalmente em relação ao INSS, conforme segue: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 342 6 O art. 23, inciso II, alínea “a”, item”b”, da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1o da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o da Lei n.° 10.034/2000, estabelece o percentual de 3,24% a título de INSS que, combinado com o art. 2o da Lei 10.034/2000 ficaria acrescido de 50%. Assim, segundo os dispositivos mencionados, o percentual relativo ao INSS deveria ser de 4,86% (3,24% + 1,62%), incidentes sobre o suposto faturamento bruto da impugnante. Ocorre que o valor aplicado nos demonstrativos de cálculo contemplam a alíquota de 5,94%, ao invés dos 4,86% autorizados pela legislação. Esse valor de 5,94% também é atribuído, erroneamente, à base legal descrita (art. 23, inciso II, alínea 'a', da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1o da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o da Lei n.° 10.034/2000), o que induz a manifesta nulidade do auto de infração, pois a Lei estabelece valor diverso daquele. Basta a leitura combinada das citadas legislações para se observar o erro ora apontado. Assim, com a devida e salutar vênia, há imperiosa necessidade de decretação de nulidade do auto de infração, na medida em que atribui alíquota diversa daquela que prevê a legislação de regência expressamente ali referida. A discrepância torna os valores lançados ilíquidos e errôneos, fato que macula o auto de infração de inocultável nulidade. Esse fato também vai de encontro ao princípio da legalidade estrita, vez que aponta alíquota diversa daquela prevista na legislação. E o erro ora indicado se perpetua por todo o enquadramento legal constante ao longo, tanto do demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, quanto no demonstrativo de cálculo, especialmente em relação ao INSS. Veja, nobre julgador, que a cada faixa de receita bruta descrita, o valor da alíquota do INSS encontrase em desacordo com a base legal a si atribuída. No caso do art. 23, inciso II, alínea “b”, item 5, da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1o da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o da Lei n.° 10.034/2000, a alíquota é assim definida: "5. 3,48% (três inteiros e quarenta e oito centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea f d o § Iº do art. 3a desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 19/05/2006)" O art. 2o da Lei n.° 10.034/2000, estabelece que "Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 343 7 referidos no art. 5° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, em relação às atividades relacionadas nos incisos II a IV do art. 1º desta Lei e às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total" Assim, permissa venia, o valor a ser aplicado a título de INSS incidente sobre a receita bruta seria de 5,22% (3,48 +1,74) e não de 6,38% conforme contempla o auto de infração. No caso do art. 23, inciso II, alínea “e”, item 5, da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1º, da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o, da Lei n.° 10.034/2000, a alíquota é assim definida: "5. 4,2% (quatro inteiros e dois décimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea f d o §1º do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 19/05/2006)" Aplicandose a majoração prevista no art. 2o, da Lei n.° 10.034/20.00, o percentual seria de 6,3% (4,2 + 2,1) e não 7,70%, conforme contempla o auto de infração. No caso do art. 23, inciso II, alínea “j”, item 5, da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1o, da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o, da Lei n.° 10.034/2000, a alíquota é assim definida: "5. 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea f d o §1º do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 19/05/2006)” Aplicandose a majoração prevista no art. 2o, da Lei n.° 10.034/2000, o percentual seria de 8,1% (5,4 + 2,7) e não 9,90%, conforme contempla o auto de infração. No caso do art. 23, inciso II, alínea “r”, item 5, da Lei n.° 9.317/96, com a redação do art. 1o, da Medida Provisória n.° 275/2005, convertida na Lei n.° 11.307/06, combinada com o art. 2o, da Lei n.° 10.034/2000, a alíquota é assim definida: "5. 7,08% (sete inteiros e oito centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea f d o §1º do art. 3Q desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 19/05/2006)” Aplicandose a majoração prevista no art. 2o, da Lei n.° 10.034/2000, o percentual seria de 10,62% (7,08+3,54) e não 12,98%, conforme contempla o auto de infração. Basta atentar para todos os demonstrativos de cálculo alusivos a tributação da Contribuição para Seguridade Social do SIMPLES, seja aquela atribuída a valores não recolhidos, seja a atribuída às diferenças apuradas, para se perceber a aplicação das alíquotas lançadas com os percentuais errados e a maior, fato que anula todo o cálculo e o auto de infração, uma vez que o erro formal repercute no valor material dos tributos e seus acessórios (multa e juros). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 344 8 Nesse diapasão, o lançamento tributário é nulo, pois as alíquotas aplicadas não estão de acordo com a base legal que as determina, o que impede a constituição do crédito tributário. 2.5. Impossibilidade de cobrança de adicional de IRPJ e CSLL no Lucro Presumido Entende que existe erro no cálculo do adicional, calculado sobre o valor da receita bruta declarada. Cita como exemplo, o caso da receita relativa ao 3º trimestre, no valor de R$ 217.425,93, no qual o lucro arbitrado foi de R$ 20.872,89. Esse último valor é inferior ao limite de R$ 60.000,00, necessário para que exista a incidência do adicional de 10%. 2.6. Da aplicação da multa no percentual de 225% Argumenta que não há qualquer comprovação de fraude e/ou de dolo para aplicar a multa de 225%. A Fiscalização esqueceu que o princípio que vigora é o da presunção de inocência e da boafé e que o dolo deve ser comprovado. Conforme entendimento do CARF, deve haver inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa de modo a deixar evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. No caso, se a pretensão da empresa fosse omitir receitas, não registraria as entradas que a Fiscalização considerou como receita bruta. Portanto, continua o Contribuinte, não a razão para aplicação da multa no percentual de 225%, pois não ocorreu a hipótese de dolo, devendo ser afasta essa cobrança. 2.7. Dos pedidos Requer o acolhimento da presente impugnação e a conseqüência anulação da constituição do crédito tributário. A 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre julgou procedente o lançamento editando a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Fl. 344DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 345 9 Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros (caminhoneiros autônomos), a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007 LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS A receita bruta para apuração do imposto de renda e contribuições na sistemática do lucro arbitrado, é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros (caminhoneiros autônomos), a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro arbitrado, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 346 10 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, constitui omissão de receita passível de tributação. ARBITRAMENTO DO LUCRO Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. Sujeitase à incidência do adicional do imposto de renda, à alíquota de 10%, a parcela do lucro arbitrado que exceder a R$ 60.000,00 no trimestre. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS As contribuições para o PIS e para a COFINS devem ser calculadas com base na receita bruta, assim entendida a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA NO PERCENTUAL DE 225% Justificase a aplicação da multa no percentual de 225%, quando restar demonstrado que o Contribuinte, além de não atender as intimações recebidas da Fiscalização, agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. Cientificado em 25/10/2011 (fl.287), o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, em 22/11/2011 (fls.312/326), repisando as razões da impugnação, aduz que sua principal atividade é a intermediação de transporte de cargas e alega, em suma, que: (i) meros ingressos de valores repassados a terceiros não representam receita bruta, inexistindo omissão de receita e os consequentes lançamentos. Outrossim, caracterizaria tributação em duplicidade, pois os valores são tributados pelos caminhoneiros que os recebem; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 347 11 (ii) o auto de infração, especialmente em relação ao enquadramento das contribuições previdenciárias, está viciado por utilizar valores de alíquotas superiores aos previstos na legislação; (iii) não há razão para se aplicar adicional de IRPJ e CSLL sobre o lucro arbitrado que não excedeu o limite de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais); (iv) não há prova do dolo em omitir receitas, o que torna a cobrança de multa qualificada e agravada abusiva e expropriatória. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 348 12 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A fiscalização constatou omissão de receita, apurada pelas diferenças entre os valores das receitas registradas nos Livros de Apuração do ICMS e valores informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES (1º semestre de 2007) e Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica Lucro presumido (2º semestre de 2007). A omissão foi tributada segundo o regime adotado pela recorrente no 1º semestre (SIMPLES) e, em razão da falta de escrituração da movimentação financeira no Livro Caixa no 2º semestre, a opção pelo lucro presumido foi afastada e adotada a tributação pelo lucro arbitrado. A recorrente contesta o montante considerado como receita bruta na apuração dos tributos e contribuições, sustentando sua atividade principal é a intermediação de transportes de cargas, contratando com clientes fretes a serem executados por motoristas autônomos. Alega que as provas decorrem dos conhecimentos de transportes e os respectivos recibos de frete juntados aos autos. Sustenta que poderiam ser deduzidos daquela receita os valores repassados aos caminhoneiros autônomos. Todavia, em que pesa a alegação da recorrente, depreendese dos autos que o serviço prestado não é de mera intermediação ou agenciamento de cargas, que seria remunerado através de comissões, mas de transporte de cargas, com remuneração integral pelo transporte. Considerandose que a recorrente presta serviços de transportes de cargas a terceiros, por sua conta e risco, sendo remunerada pelos serviços efetivamente prestados, a apuração de sua receita bruta deve obedecer às normas relativas a cada forma de tributação adotada. O conceito de receita bruta utilizado na sistemática de tributação do SIMPLES é previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 9.317/96, que o considera como sendo “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos”. No caso da tributação pelo lucro presumido ou arbitrado, deve ser observado o conceito de receita bruta previsto no art. 224 do RIR/99: Art.224.A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 349 13 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, com exceção da tributação pelo lucro real, inexiste previsão legal para se excluir da receita bruta, para fins de apuração dos tributos e contribuições sob qualquer outra modalidade de tributação, os valores transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados, uma vez que tais valores integram o custo do serviço vendido. A recorrente sustenta ser indevido o arbitramento do lucro, pois, apesar do Livro Caixa não conter a escrituração bancária, a autoridade fiscal teria acesso a ela através dos dados da CPMF. Ocorre que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido têm a obrigação de manter a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, conforme dispõe o RIR/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). (destaquei) Assim, a falta de apresentação do Livro Caixa contendo a escrituração completa da movimentação financeira, referente aos 3º e 4º trimestres de 2007, período em que tributado pelo lucro presumido, deu ensejo ao correto arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;[...] A recorrente aponta erro na apuração das contribuições previdenciárias com compõem o percentual do SIMPLES, considerando o somatório das diferenças de percentuais dos outros tributos proporcionados pelo acréscimo de 50% nos percentuais normais do SIMPLES, conforme determina o parágrafo único do art. 2º da Lei nº 10.034, de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 2º Ficam acrescidos de 50% (cinqüenta por cento) os percentuais referidos no art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 9.732, de 11 de Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 350 14 dezembro de 1998, em relação às atividades relacionadas nos incisos II a IV do art. 1º desta Lei e às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). Parágrafo único. O produto da arrecadação proporcionado pelo disposto no caput será destinado integralmente às contribuições de que trata a alínea f do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). Notase que a definição legal da alíquota foi corretamente utilizada no cálculo dos tributos exigidos, sendo improcedente a argumentação em sentido contrário. A recorrente ainda aponta erro na apuração do adicional de IRPJ e CSLL. Todavia, como não ocorreu lançamento de adicional de CSLL, a análise se limitará ao adicional do IRPJ. O adicional do IRPJ é apurado, nos termos do art. 542 do RIR/99, à alíquota de dez por cento sobre a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração. Em se tratando de apuração trimestral, como é o caso dos autos, o limite é o montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). A alegação da defesa é de que foi indevidamente calculado adicional sobre valor inferior a esse limite, no que não lhe assiste razão. Para fins de apuração do valor tributável sujeito ao adicional, a legislação tributária determina que as omissões de receita sejam computadas para a determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, conforme dispõe o art. 528 do RIR/99, abaixo: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Assim, o adicional do IRPJ deve ser calculado sobre a receita declarada adicionada da receita omitida, ao contrário do que sustenta a recorrente. No presente caso, o Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica de fls. 56 e 57, que é parte integrante do Auto de Infração, evidencia a exatidão da apuração do adicional, nos termos da legislação mencionada, pelo que não há correções a fazer. Sendo decorrentes do mesmo contexto fático de omissão de receitas, aos lançamentos de PIS/SIMPLES, COFINS/SIMPLES, INSS/SIMPLES e CSLL Lucro Arbitrado aplicase o decidido quanto ao IRPJ. Sobre a multa de ofício aplicada no percentual de 225%, a recorrente sustenta ser indevida por não haver comprovação de fraude e/ou dolo, em face da acusação de conduta dolosa, no sentido de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada) e pelo não atendimentos das intimações para prestar esclarecimento (multa Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 351 15 agravada), com fulcro no art. 44, inciso I, e §§1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. No caso, a recorrente declarou a menor expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 30/09/2007, não declarou nenhum valor no 4º trimestre do mesmo ano, e não escriturou no Livro Caixa a sua movimentação financeira, inclusive bancária, no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Através desses procedimentos, verificase que a recorrente, intencionalmente, pretendeu, de forma reiterada, impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964, cabendo a qualificação da multa de ofício. Ademais, com esses procedimentos, no primeiro semestre de 2007, a recorrente obteve especial vantagem tributária, enquadrandose indevidamente em faixa de tributação inferior a que seria a correta, com evidente benefício pela redução indevida dos custos de manutenção da fonte produtiva e, ainda, criando uma forma de concorrência desleal em face dos demais prestadores de serviços. No tocante ao aumento no percentual da multa de ofício de 150% para 225%, aplicado pela fiscalização, o fundamento da autuação, nessa parte, limitase à acusação de “ter deixado de atender intimações da Fiscalização”, como se vê do trecho do Relatório Fiscal: Conforme descrito nos itens 2.1 e 2.2.2, o sujeito passivo deixou de atender intimações, elaboradas no curso desta fiscalização, para prestar esclarecimentos. O contribuinte não respondeu às intimações nº 0002 e 0003. O Termo de Intimação Fiscal nº 0002, do qual o contribuinte foi cientificado em 15/02/2011, solicitava esclarecimentos sobre as divergências de valores de receita bruta declarada pelo contribuinte ao fisco federal e o faturamento apurado nos Livros Registro e Apuração do ICMS. O Termo de Intimação Fiscal nº 0003, do qual o contribuinte foi cientificado em 24/02/2011, solicitava esclarecimentos sobre as divergências entre os tributos recolhidos e os valores declarados em DCTF. Ambas intimações concediam o prazo de cinco dias úteis para atendimento, entretanto, o contribuinte não apresentou qualquer manifestação. Tem sido recorrente neste Conselho o entendimento de que a mera falta de atendimento à intimação, sem prestação dos esclarecimentos solicitados não deve implicar no agravamento da multa de ofício quando essa falta não prejudica a fiscalização. É a interpretação dada nos seguintes julgados: MULTA AGRAVADA FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. (Acórdão nº 130100270, de 29/01/2010) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11040.720181/201103 Acórdão n.º 120200.833 S1C2T2 Fl. 352 16 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quando efetivamente demonstrada a recusa ou o efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. (Acórdão nº 140100416, de 25/01/2011) MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento de intimação. (Acórdão nº 212001331, de 13/05/2011) MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. (Acórdão nº 280101380, de 09/02/2011) No caso dos autos, a falta de apresentação de esclarecimentos sobre as divergências entre os valores declarados ao fisco estadual e ao federal e entre os tributos recolhidos e os valores declarados em DCTF prejudicou exclusivamente o contribuinte, na medida em que a fiscalização pode providenciar a tributação da diferença não declarada com base nos elementos disponíveis. Diante disso, em consonância com os citados precedentes do CARF, não cabe o agravamento da multa. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13894.000642/2007-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DIRPF. DEDUÇÃO DE VALORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE PENSÃO ALIMENTÍCIA DESCONTADOS PELA FONTE PAGADORA. 13º PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Cabe a dedução dos valores de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia demonstrados em comprovante fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO.
Por se sujeitar ao regime de tributação exclusiva na fonte, o valor descontado pela fonte pagadora a título de 13º salário não pode influenciar na base de cálculo dos rendimentos sujeitos na declaração de ajuste anual.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para deduzir da base de cálculo do imposto lançado os valores de R$1.045,09 (um mil e quarenta e cinco reais e nove centavos) e R$4.924,42 (quatro mil, novecentos e vinte e quatro reais e quarenta e dois centavos), a título de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia, respectivamente, que foram descontados pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DIRPF. DEDUÇÃO DE VALORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE PENSÃO ALIMENTÍCIA DESCONTADOS PELA FONTE PAGADORA. 13º PENSÃO ALIMENTÍCIA. Cabe a dedução dos valores de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia demonstrados em comprovante fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO. Por se sujeitar ao regime de tributação exclusiva na fonte, o valor descontado pela fonte pagadora a título de 13º salário não pode influenciar na base de cálculo dos rendimentos sujeitos na declaração de ajuste anual. Recurso provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DIRPF. DEDUÇÃO DE VALORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE PENSÃO ALIMENTÍCIA DESCONTADOS PELA FONTE PAGADORA. 13º PENSÃO ALIMENTÍCIA. Cabe a dedução dos valores de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia demonstrados em comprovante fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO. Por se sujeitar ao regime de tributação exclusiva na fonte, o valor descontado pela fonte pagadora a título de 13º salário não pode influenciar na base de cálculo dos rendimentos sujeitos na declaração de ajuste anual. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para deduzir da base de cálculo do imposto lançado os valores de R$1.045,09 (um mil e quarenta e cinco reais e nove centavos) e R$4.924,42 (quatro mil, novecentos e vinte e quatro reais e quarenta e dois centavos), a título de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia, respectivamente, que foram descontados pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 06 42 /2 00 7- 18 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 05/08, lavrado para exigência de imposto de renda de pessoa física, relativo ao exercício de 2003, anocalendário 2002, O lançamento originouse da constatação de omissão de rendimentos tributáveis provenientes da Prefeitura Municipal de São Paulo, no montante de R$ 22.397,39, com imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 308,23. Na impugnação de fls. 01 e 02, o contribuinte concorda que os rendimentos inicialmente consignados em sua declaração estavam errados. Contudo, requer que sejam considerados os valores relativos à contribuição previdenciária e à pensão alimentícia, não deduzidos originalmente. Assim, requer a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito fiscal ora reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, examinado o assunto, considerou não impugnada a exigência relativa à omissão de rendimentos e, quanto ao requerimento da impugnante para que seja considerada a dedução de valores pleiteados a título de contribuição previdenciária e pensão alimentícia, decidiu pela sua improcedência, haja vista a constatação de que respectivos valores já teriam sido considerados pelo lançamento. Cientificado em 2/5/2011, fls. 45, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/5/2011, fls. 46 a 47, no qual reitera integralmente as alegações e os pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Sendo tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento; dele tomase conhecimento. Pretende o contribuinte que, da base de cálculo apurada pelo auto de infração, sejam deduzidos os valores de R$ 4.924,42, a título de pensão alimentícia, R$ 1.045,09, relativamente à contribuição a previdência oficial e R$ 413,06, referente ao 13° salário da pensão alimentícia, que foram deduzidos do valor do rendimento auferido da Prefeitura Municipal de São Paulo, não considerado na apuração da base tributada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13894.000642/200718 Acórdão n.º 2802002.098 S2TE02 Fl. 64 3 Como prova de sua alegação, juntou o COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, fls. 13, fornecido pela referida fonte pagadora. Constam do referido comprovante, as seguintes informações: “[...] 3 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS, DEDUÇÕES E IMPOSTO RETIDO NA FONTE [...] R$ 1. Total dos rendimentos.........................................22.237,39 2. Contribuição previdenciária oficial....................1.045,09 [...] 3. Pensão alimentícia (INFORMAR BENFICIÁRÍO NO CAMPO 6) 4.924,42 4. Imposto Retido na Fonte.......................................308,23 [...] 6 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES [...] SÔNIA MARIA RINARDO *CPF*85480789872 4.924,42 *13 SAL* 413,06” Confrontando esses valores com o DEMONSTRATIVO DAS ALTERAÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, fls. 06, mencionado pela decisão recorrida, constatase que, na apuração da base de cálculo tributada o lançamento considerou tão somente a dedução do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 308,23. Evidenciado, pois, que os valores de R$ 1.045,09 e de R$ 4.924,42 correspondem, respectivamente, à contribuição previdenciária e à pensão alimentícia descontados do rendimento informado pela fonte pagadora, considerado omitido na declaração de ajuste anual pelo lançamento, cabe atender o pleito do contribuinte, relativamente a essa parte, uma vez que os art. 74 e 78 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99, autorizam a dedução de tais rubricas do rendimento tributável, mesmo porque tais rubricas encontramse expressas no próprio comprovante de rendimentos que serviu à tributação. Quanto ao pedido para que seja deduzido o valor de R$ 413,06 correspondente ao desconto realizado pela fonte pagadora, em razão do 13º salário pago à beneficiária da pensão alimentícia, cumprese observar que, por se sujeitar tal rubrica ao regime de tributação exclusiva na fonte, não pode influenciar na base tributável dos rendimentos sujeitos na declaração de ajuste anual. Em relação ao requerimento para que seja realizado o abatimento dos pagamentos do imposto de renda que o contribuinte alega haver recolhido em relação à parcela do imposto de renda que reconheceu como devido, cabe à autoridade administrativa preparadora observálos e providenciar os ajustes cabíveis. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da base de cálculo do imposto de renda lançado os valores de R$ 1.045,09 (um mil e quarenta e cinco reais e nove centavos) e R$ 4.924,42 (quatro mil, novecentos e vinte e quatro reais e quarenta e dois centavos), a título de contribuição previdenciária e de pensão alimentícia, respectivamente, que foram descontados pela fonte pagadora dos rendimentos tributados como omitidos pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900390/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, utilizados na fabricação dos produtos vendidos constituem insumos e geram créditos dessa contribuição no regime não cumulativo. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO DE FABRICAÇÃO. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços dispensáveis ao processo de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de PIS no regime não cumulativo. RECEITAS. EMPRESAS ESTABELECIDAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à tributação pelo PIS, com incidência não cumulativa, não se classificam como receitas de exportações para o exterior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 15/12/2005, 10/02/2006, 15/02/2006, 10/05/2006, 15/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento (PER) implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até aquele limite. RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3301-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos sobre os custos com: 1) vapor de 15kgf/cm² e 42kgf/cm²; 2) nitrogênio líquido e gasoso; 3) ar de instrumento; 4) água clarificada; 5) ar de serviço; 6) stadis; 7) contêiners, big bags e mag bags; 8) palletes; 9) aluguel de hardware; 10) pintura industrial; 11) inspeção de equipamentos; 12) isolamento térmico, refratário e antiácido; 13) limpeza industrial; 14) serviços de tratamento de efluentes e análise físico-quimíca de efluentes; 15) serviços de impressão sobre big bags; e 17) tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) com relação aos itens 09 ao 16. Vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Posta Possas com relação aos itens 10 ao 16. O conselheiro Antônio Lisboa Cardoso reconheceu o direito da recorrente com mais amplitude. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Teresa Martinez López. A conselheira Andréa Medrado Darzé declarou-se impedida e foi substituída pela conselheira Fábia Regina de Freitas. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, utilizados na fabricação dos produtos vendidos constituem insumos e geram créditos dessa contribuição no regime não cumulativo. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO DE FABRICAÇÃO. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços dispensáveis ao processo de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de PIS no regime não cumulativo. RECEITAS. EMPRESAS ESTABELECIDAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à tributação pelo PIS, com incidência não cumulativa, não se classificam como receitas de exportações para o exterior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 15/12/2005, 10/02/2006, 15/02/2006, 10/05/2006, 15/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento (PER) implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até aquele limite. RECURSO PROVIDO EM PARTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 334 1 333 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900390/201091 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330101.490 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria PIS NÃO CUM. PER/DCOMP Recorrente POLIALDEN PETROQUÍMICA S/A BRASKEM S/A (SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, utilizados na fabricação dos produtos vendidos constituem insumos e geram créditos dessa contribuição no regime não cumulativo. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO DE FABRICAÇÃO. Os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços dispensáveis ao processo de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de PIS no regime não cumulativo. RECEITAS. EMPRESAS ESTABELECIDAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à tributação pelo PIS, com incidência não cumulativa, não se classificam como receitas de exportações para o exterior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 15/12/2005, 10/02/2006, 15/02/2006, 10/05/2006, 15/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento (PER) implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até aquele limite. RECURSO PROVIDO EM PARTE Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos sobre os custos com: 1) vapor de 15kgf/cm² e 42kgf/cm²; 2) nitrogênio líquido e gasoso; 3) ar de instrumento; 4) água clarificada; 5) ar de serviço; 6) stadis; 7) contêiners, big bags e mag bags; 8) palletes; 9) aluguel de hardware; 10) pintura industrial; 11) inspeção de equipamentos; 12) isolamento térmico, refratário e antiácido; 13) limpeza industrial; 14) serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquimíca de efluentes; 15) serviços de impressão sobre big bags; e 17) tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) com relação aos itens 09 ao 16. Vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Posta Possas com relação aos itens 10 ao 16. O conselheiro Antônio Lisboa Cardoso reconheceu o direito da recorrente com mais amplitude. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Teresa Martinez López. A conselheira Andréa Medrado Darzé declarouse impedida e foi substituída pela conselheira Fábia Regina de Freitas. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. (Assinado Digitalmente) Maria Teresa Martinez López – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Salvador que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu em parte o pedido de ressarcimento (PER) do saldo credor de PIS não cumulativo, decorrente de exportações, apurado para o 3º trimestre de 2004, às fls. 02/04, transmitido em 15/05/2006 e, conseqüentemente, homologou parcialmente as compensações dos débitos fiscais vencidos nas datas de 15/12/2005, 10/02/2006, 15/02/2006, 10/05/2006 e 15/05/2006, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 05/08; 09/12; 21/24; 25/28 e 38/41, transmitidas nas datas de 15/05/2006, 19/05/2006 e 13/07/2006. O deferimento parcial do ressarcimento/homologação decorreu das glosas de créditos apurados sobre aquisições de bens e de serviços não ligados ao processo de produção e também por redução de créditos em virtude da exclusão das receitas de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus do total das receitas de exportações, conforme Parecer às fls. 119/124 e Despacho Decisório às fls. 125 do qual a recorrente foi notificada em 10/11/2010. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 335 3 Inconformada com aquele despacho, interpôs manifestação de inconformidade (fls. 140/178), insistindo no ressarcimento integral do valor pleiteado e na homologação das compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “• o despacho decisório que homologou parcialmente as compensações objeto do PER/DCOMP ora sob análise não merece prosperar porque está embasado em premissas equivocadas; • a fiscalização partiu da premissa de que nem todos os insumos adquiridos poderiam ser geradores de crédito objeto do inciso II, art.3° da Lei n° 10.833, de 2003, na conceituação dada pelo art. 8°, §4° da IN SRF n° 404, de 2004; • tendo em vista a extensa quantidade de bens listados nos demonstrativos das glosas, ora aponta os mais expressivos: Stadis; vapor; nitrogênio; nitrogênio gasoso, ar de instrumento, água clarificada, ar de serviço, sendo indevidas também as glosas dos serviços; • a RFB editou a Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que passou a conceituar insumos para fins de apropriação dos créditos compensáveis com a contribuição para o PIS/PASEP devida, no art. 66, §5°, valendose dos mesmos critérios que foram traçados pela legislação de regência do IPI, conforme inciso I, art. 164, e art. 519, inciso II, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 e do Parecer Normativo CST n° 65, de 31 de outubro de 1979, ao definir que os insumos devem exercer ação direta sobre os produtos finais e viceversa, mas este não é o entendimento mais adequado para o creditamento vinculado às contribuições, por causa da materialidade do PIS/PASEP que é diversa a do IPI, uma vez que o constituinte pretendeu evitar a tributação em cascata das contribuições sobre a receita; • sobre a não cumulatividade das contribuições prevista no §12 do art. 195 da Constituição Federal, a aferição de lucro pressupõe a obtenção de receita, sendo assim a legislação de regência do Imposto de Renda, nos arts. 290 e 291 do RIR/99, se mostra mais adequada na conceituação de "custos", advinda do Decretolei n° 1.598/77, conforme fundamentação defendida por Ricardo Mariz de Oliveira e Natanael Martins, que transcreve; • os insumos são todos os custos diretos e indiretos de produção que não encontrem óbices na Lei n° 10.637, de 2002, sendo a definição mais específica de custos dada pelo Instituto Brasileiro de contadores IBRACON, na Norma e Procedimento de Contabilidade NPC n°02, ao definir insumos como todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto serem necessários ao processo fabril ou prestação de serviços e desde que tenham sido tributados pela própria contribuição, restando vício insanável de ilegalidade, por exceder aos limites de competência normativa, as restrições previstas no §5°, inciso I, alínea "a", do art.66 da IN SRF n° 247/2002, e, por conseguinte as glosas nela amparadas; • os insumos glosados, priorizados em função de maior expressão monetária, são verdadeiros custos da produção dentro do processo produtivo, necessários para garantir segurança do processo produtivo, controlar pressão de equipamentos, dar qualidade, custos e produtividade competitivos, atendendo os requisitos básicos de segurança, meio ambiente, saúde e higiene, etc, cabendo, pois sua inclusão nos cálculos do creditamento da contribuição, conforme Descrição do Processo Produtivo, doc. 03; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 • a fiscalização equivocouse e glosou os créditos apurados em relação aos serviços contratados pela empresa segundo entendimento de que estes não se relacionam com o processo produtivo, mas a contratação das diversas empresas tem como função a manutenção e reparo da estrutura física da unidade e dos funcionários da empresa. O doc. 04 detalha as funções que os serviços exercem no processo produtivo demonstrando que são elementos intrínsecos ao processo de produção; • a interpretação sistemática da não cumulatividade aplicada à contribuição feita a partir da Lei n° 10.637/2002, e da IN SRF n° 247/2002, leva a concluir que não é necessário o contato físico direto do insumo com o bem produzido, para enquadrálo com insumo, mas que este exerça ação direta sobre o processo produtivo, que tenha sido aplicado na linha de produção e que se mostre imprescindível à fabricação do produto final, e seria absurdo exigir que a lei elucidasse expressamente todos os bens que participam da produção, mas não entram em contato direto sobre o bem em produção, como o fez para a energia elétrica e os combustíveis; • diante da impossibilidade de estabelecer uma relação que venha a exaurir todos os bens utilizados no processo de produção é que a RFB fez constar no §5°, inciso I, alínea "a", do art. 66 da IN SRF n° 247/2002, que são admitidos os insumos que sofram desgaste, dano ou perda de propriedades física e químicas; tenham aplicação direta no processo produtivo e não sejam incluídos no ativo imobilizado da empresa. Na alínea "b" dispôs que basta que os serviços sejam prestados por pessoa jurídica situada no País e que sejam aplicados ao longo do processo produtivo, para que sejam considerados como insumos aptos a ensejar o desconto de créditos; • independente do contato físico direto com o bem produzido, por ausência de disposição expressa na Lei n° 10.637, de 2002, mais importante para caracterizar o insumo é a imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril e o atendimento dos demais requisitos elencados nos dispositivos mencionados; • com relação à glosa do material de embalagem, a legislação que referencia a matéria, os arts. 3° da Lei n° 10.637/2002 e 66 da IN SRF n° 247/2002, que transcreve, não ampara qualquer distinção entre a embalagem incorporada ao processo produtivo e aquela utilizada para armazenamento e transporte, invólucros maiores, com a função de acomodar, para armazenamento e transporte as unidades dos produtos embaladas naquelas destinadas à comercialização, bem como os serviços a estas vinculadas Serviços de Filme Tubular Sanfonado cujos gastos na aquisição foram glosados pela fiscalização, tratandose, pois de interpretação equivocada do texto normativo; • quanto às receitas de vendas à Zona Franca de Manaus, sustenta a fiscalização que houve irregularidade na apuração da contribuição porque o requerente excluiu indevidamente da base de cálculo do PIS/PASEP as receitas de vendas à ZFM e incluiu indevidamente as receitas à receita da exportação, o que seria possível somente a partir de 25/07/2004, com a edição da MP n° 202/2004, convertida na Lei n° 10.996/2004, temse que mesmo antes do advento da Carta Política de 1988, estava em vigor o Decretolei n° 288/67, art.4°, que conferiu à Zona Franca de Manaus a natureza de área de livre comércio, atribuindolhe benefícios fiscais com vistas a proporcionar o desenvolvimento industrial e comercial da região da Amazônia; • o Supremo Tribunal FederalSTF já assim reconheceu a ZFM, estendendo lhe todos os benefícios fiscais relativos à exportação, nos Recursos Extraordinários n° 70.441, 89413, 91481, não obstante o art. 40 do Ato das disposições Constitucionais Transitórias ADCT, veiculada através do art. 92, incluída pela Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 336 5 Emenda Constitucional n° 42/2003, também atribuir à ZFM características de exportação, que transcreve, sendo legítima a inclusão destas receitas às receitas de exportação,” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a decisão da DRF em Camaçari, conforme Acórdão nº 1527.588, datado de 30/06/2011, às fls. 221/238, sob as seguintes ementas: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/PASEP as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSUMOS. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. E inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO. O DecretoLei n° 288, de 1967, estabeleceu um benefício fiscal aplicável aos tributos e contribuições existentes à época de sua publicação, não alcançando o PIS/PASEP. Desta forma, as vendas de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus não são equiparadas à exportação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (242/292) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça seu direito ao ressarcimento declarado nas Dcomps e sejam homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que as glosas efetuadas pela autoridade administrativa e mantidas pela autoridade julgadora de primeira se referem a créditos decorrentes de aquisições de bens e serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo cujo direito ao creditamento está previsto na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 3º, II e IV, e §3º, I a III. Assim, as glosas sobre os custos Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 incorridos com stadis, vapor, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, água clarificada, ar de serviço e embalagens de transporte devem ser restabelecidas. O vapor de 15kgf/cm² e 42kgf/cm² é utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos ao longo do processo produtivo; o nitrogênio atua como diluente na alimentação dos sistemas de reação e de purga do seu processo produtivo (polietileno), sendo o gasoso utilizado no sistema de selagem e tancangem dos produtos finais; o ar de instrumento é utilizado para acionar diversos equipamentos pneumáticos, tais como válvulas de controles de fluxo de produtos ou insumos dentro da unidade fabril; a água clarificada é utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial para a produção do polietileno; o ar de serviço é utilizado para arear os vasos de pressão em que ocorre a reação química das matérias primas e também como força motriz para os equipamentos de produção; o stadis é um insumo utilizado no processo produtivo dentro do reator para interagir com as partículas de polímero; os contêiners, big bags e mag bags são embalagens utilizadas para o ensacamento do polietileno; os pallets são equipamentos utilizados para deslocar embalagens; pintura industrial corresponde aos custos executados por terceiros para aplicação de revestimento anticorrosivo nos equipamentos e instalações; inspeção de equipamentos corresponde aos custos de manutenção pagos a terceiros; isolamento térmico, refratário e antiácido correspondem aos custos pagos a terceiros para limpeza e conservação dos equipamentos; limpeza industrial também são gastos pagos a terceiros para limpeza da área administrativa; aluguel de rádios portáteis utilizados para comunicação entre os setores da planta industrial em face de sua grande dimensão; aluguel de hardware utilizados na automatização e modernização de seus computadores; serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquimícas de efluentes correspondem aos gastos pagos a terceiros para análise e tratamento dos efluentes, visando a preservação do meio ambiente; e, serviços de impressão sobre big bags, correspondem aos gastos pagos a terceiros para identificar as embalagens e afixar etiquetas adesivas sobre informações do produto. Já em relação à exclusão das receitas decorrentes de vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, alegou que, de acordo com o disposto no art. 4º do Decreto nº 288/67, aquelas são equiparadas a exportações para o estrangeiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente discordou das glosas dos créditos PIS no regime não cumulativo sobre os custos incorridos nas aquisições de bens e serviços discriminados em seu recurso voluntário, citados e transcritos no relatório, bem como da exclusão das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus do total das receitas de exportações para o exterior para calcular o percentual de rateio a ser aplicado no cálculo dos créditos. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência não cumulativa, assim dispõe: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 337 7 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2o sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (...). § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Com base nestes dispositivos legais, os custos incorridos com aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, a seguir discriminados geram créditos desta contribuição, passíveis de dedução da contribuição apurada no mês e, ou de ressarcimento/compensação do saldo credor apurado no trimestre: 1) vapor de 15kgf/cm² e 42kgf/cm²; 2) nitrogênio líquido e gasoso; 3) ar de instrumento; 4) água clarificada; 5) ar de serviço; 6) stadis; 7) contêiners, big bags e mag bags; e, 8) palletes; Todos estes custos são necessários e imprescindíveis à produção e venda do polietileno, produto fabricado pela recorrente e, portanto, se enquadram no conceito de insumos nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Já os custos incorridos com as aquisições de bens e serviços, a seguir listados, por não serem imprescindíveis à produção daquele produto não se enquadram no conceito de insumos, nos termos daquela lei, e, portanto, não geram créditos de PIS: 1) pintura industrial; 2) inspeção de equipamentos; 3) isolamento térmico, refratário e antiácido; 4) limpeza industrial; 5) aluguel de rádios; 6) aluguel de hardware; 7) serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquimíca de efluentes; e, 8) serviços de impressão sobre big bags. Quanto à exclusão das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus do total das receitas decorrentes de exportações para o exterior, para o cálculo do percentual de rateio a ser aplicado na apuração dos créditos sobre aquisições de bens e insumos utilizados nos produtos fabricados e exportados, correto o procedimento adotado pela autoridade administrativa competente. As receitas de vendas de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não constituem receitas de exportação nem são equiparadas a estas para efeito de sujeição à contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu o PIS com incidência não cumulativa determina de forma expressa, em seu art. 5º, I, que apenas as exportações de mercadorias para o exterior não estão sujeita a esta contribuição e, apesar da nãoincidência, tem direito de utilizar os créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos produtos exportados, assim dispondo: “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 338 9 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...).” Segundo este dispositivo, a não incidência se aplica às receitas de exportação para o exterior, assim como o aproveitamento dos créditos dos insumos utilizados nos produtos exportados. As receitas de vendas de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não se encontram no campo da não incidência. As receitas de vendas para aquela Zona Franca tiveram sua alíquota reduzida para 0,0% (zero por cento) por meio da Medida Provisória nº 202, de 23/07/2004, convertida na Lei nº 10.996, de 15/12/2004, art. 2º, com vigência a partir de 23 de julho de 2004, nos seguintes termos: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 5º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão “Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com a especificação do dispositivo legal correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010).” Dessa forma, em relação à tributação pela contribuição para o PIS com incidência não cumulativa, inexiste amparo legal para classificar e/ ou equiparar as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus como receitas de exportações para o exterior. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as glosas dos créditos do PIS não cumulativo apurados sobre os custos com aquisições de bens e serviços de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, a seguir discriminados: 1) vapor de 15kgf/cm² e 42kgf/cm²; 2) nitrogênio líquido e gasoso; 3) ar de instrumento; 4) água clarificada; 5) ar de serviço; 6) stadis; 7) contêiners, big bags e mag bags; e, 8) palletes, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o ressarcimento suplementar e homologar as compensações dos débitos declarados até o Fl. 342DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 limite a ser apurado pela autoridade administrativa competente de conformidade com esta decisão de conformidade com esta decisão, exigindo possíveis saldo/débitos não extintos pelas compensações ora determinadas. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Voto Vencedor Ouso divergir do i. Conselheiro relator apenas quanto ao não reconhecimento sobre parte dos créditos glosados. Todos os custos abaixo discriminados, são necessários e imprescindíveis à produção e venda do polietileno, produto fabricado pela recorrente e, portanto, se enquadram no conceito de insumos nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. A saber: 1) pintura industrial; 2) inspeção de equipamentos; 3) isolamento térmico, refratário e antiácido; 4) limpeza industrial; 5) aluguel de hardware; 6) serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquimíca de efluentes; 7) serviços de impressão sobre big bags, e: 8) tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes Os gastos com os itens acima discriminados foram explicitados no Laudo do IPT anexo aos autos, o qual demonstra a utilidade de cada produto no processo de produção da empresa. A Conclusão do IPT foi a de que sem os itens acima não seria possível a operação da unidade fabril, sendo indispensáveis à manutenção do processo produtivo do polietileno e produção do produto. Assim, temse que: Pintura industrial: serviço referente a pintura especial anticorrosiva nos diversos equipamentos e instalações existentes na unidade industrial, para prevenir a deterioração decorrente da ação de agentes corrosivos e preservar as instalações nas condições necessárias para seu funcionamento. Inspeção de equipamentos: é necessária para que seja verificada a condição de funcionamento da aparelhagem fabril, sendo regida pela NR13, assegurando a integridade dos ativos e segurança do processo. Isolamento térmico, refratário e antiácido: possui como objetivo o de preservar a continuidade operacional de máquinas e equipamentos cujos interiores são sujeitos a operação em temperaturas elevadas, e em contato com produtos químicos e solventes. São Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 339 11 essenciais na medida de que a não aplicação destes pode comprometer o funcionamento das máquinas e equipamentos empregados na produção do polietileno, inviabilizando a sua operação. Além disso, o isolamento térmico auxilia no aumento da segurança operacional, conferindo proteção aos operadores ao contato com superfícies quentes. Limpeza industrial: Limpeza, coleta e descarte adequado dos resíduos oriundos do processo produtivo e da manutenção de equipamentos industriais, em atendimento a requisitos legais. Aluguel de hardware; serviços de manutenção de software especializado para detecção e diagnóstico dos sistemas automatizados, essenciais a manutenção rotineira, realizada durante a produção. Serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquímica de efluentes: serviços de preservação ambiental, de tratamento e de análise de efluentes gerados durante o processo industrial, em atendimento legal a licença de operação da unidade. Os cuidados no descarte de dejetos industriais são obrigações legais, decorrentes da atividade exercida. Visam a evitar danos à saúde pública e à preservação do meio ambiente. Serviços de impressa de big bags: utilizado na impressão de identificação de produtos no transporte de mercadorias. Tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes: materiais de embalagem para que possa ser mantida a integridade dos materiais produzidos e de suas características durante o transporte e comercialização, se realize a especificação, numero do lote, entre outros dados pertinentes, sem que ocorra qualquer contaminação aos produtos. Antes de continuar as razões do meu voto, cabe uma observação com respeito aos gastos com tratamento de efluentes, notadamente para aqueles que aplicam o conceito de insumo da legislação do ICMS e do IPI para efeito de balizar o direito de crédito do PIS e da COFINS. Ocorre que para efeito do crédito de ICMS a própria legislação do Estado de São Paulo reconhece o direito ao crédito dos dispêndios com tratamento de efluentes, nos termos da Decisão Normativa do Coordenador da Administração Tributária CAT nº 1 de 25.04.2001, que dispõe sobre o direito ao crédito do valor do imposto destacado em documento fiscal referente a aquisição de insumos, ativo permanente, energia elétrica, serviços de transporte e de comunicações, combustível e mercadoria para uso ou consumo, entre outras mercadorias. Este normativo reconheceu o direito de crédito sobre os seguintes insumos: “Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos.” Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Isto é importante para demonstrar que o tratamento de efluentes faz parte do processo de produção, sendo os gastos correspondentes um insumo para efeito do crédito de ICMS. E não poderia ser diferente, pois sem o tratamento de efluentes a empresa não realiza as suas atividades, podendose, concluir, que os gastos respectivos são custos necessário e indispensável à produção. Na verdade, tais dispêndios decorrem da própria legislação de meio ambiente, como por exemplo, das Leis nº 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente) e nº 12.305/10 (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Por fim, cabe registrar que para o PIS e da COFINS, naturalmente, o direito ao crédito independe de os gastos serem realizados com aquisição de produtos químicos pela própria empresa (necessário para o crédito de ICMS), ou seja, ela mesmo realiza o tratamento, ou com a contratação de uma prestadora de serviços que irá realizar tal serviço. Nas duas hipóteses há o direito ao crédito do PIS e da COFINS. Voltando ao voto, entendo que à vista da previsão contida no artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), o direito ao crédito supõe que o dispêndio tenha sido feito em relação a: a) um bem ou serviço; b) utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) assim considerados inclusive os combustíveis, quando consumidos em atividade ligada ao processo produtivo. Na medida em que não há um significado único atrelado à palavra, ao nos depararmos com o termo "insumo" em tais dispositivos não podemos, a priori, afirmar ter o mesmo sentido que se encontra no âmbito de outras incidências, como o ICMS ou IPI (como registram algumas DRFs) 1 , apesar da compreensível tendência em querer transplantar para PIS/COFINS a experiência de várias décadas no âmbito daqueles impostos. O sentido do termo "insumo" está diretamente vinculado ao contexto em que o dispositivo se insere. Não apenas o contexto imediato da frase em que aparece (inciso II das mencionadas leis), mas principalmente o contexto mediato da não cumulatividade das contribuições que é definido pelo seu pressuposto de fato (receita/faturamento). "Insumo" não é palavra de origem latina que faça parte do arcabouço básico de nossa língua. Tratase de vocábulo aqui introduzido por influência da língua inglesa ao se referir a "input" como algo que se introduz a determinado processo ou composição e, por isso, está ligado à respectiva existência. O Dicionário de Direito Tributário de Eduardo Marcial Ferreira Jardim conceitua insumo da seguinte forma: “situase no plano de economia e indica os elementos destinados à industrialização, comercialização e prestação de serviços, a exemplo de materialprima, equipamentos, capital, mão de obra e energia, entre outros componentes ligados à produção de bens ou serviços.” (ed. Noeses, p. 224). Acontece que este é o mesmo sentido de custo. Com efeito, para o Dicionário Houaiss custo é o “esforço, trabalho empr. na produção de bens e serviços”. Para o Dicionário Caldas Aulete custo é o “trabalho, tempo, dinheiro gastos na produção de bens e serviços (custodo material/da viagem). Por estes conceitos, depreendese que insumo é a coisa e o custo é o valor despendido por esta mesma coisa. Insumo e custo são termos que representam a mesma realidade. Todo o bem ou serviço adquirido pela empresa que seja um insumo, isto é, que seja empregado na produção de novos bens e serviços, é necessariamente um custo. Se determinado bem ou serviço adquirido não for empregado na produção, este não será um custo. 1 interpretação afastada pela CSRF e pela própria PGFN. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13502.900390/201091 Acórdão n.º 330101.490 S3C3T1 Fl. 340 13 Daí a diferença entre “custo” e “despesa”, dois termos técnicos que possuem sentidos diversos, segundo a própria legislação comercial, mais precisamente, para o artigo 187 da Lei nº6.404/76. Eliseu Martins ensina que custo é o “gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”, e despesa o gasto com “bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. Enquanto os custos são todos os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, as despesas são gastos em “bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”, são as despesas administrativas, financeiras e de venda, dentre outras, que não estão ligadas à produção do bem ou do serviço. As despesas são efetivadas não para a obtenção do produto ou serviço destinado à venda, mas sim para comercialização ou a realização deste produto. Penso ainda que quando a lei (neste caso, art. 3º, II, da lei nº. 10.833/03) trata dos créditos calculados sobre os “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda”, utiliza o termo insumo com o mesmo sentido de custo. Ambos refletem a mesma realidade, como dito acima, mas que cabe novamente ressaltar, qual seja, os gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de bem ou serviços. O verbo “utilizar” possui o sentido de “empregar”(algo) em ou para determinado fim (dicionário Houaiss). Tal verbo no particípio (forma nominal) expressa uma ação plenamente concluída. Ou seja, o crédito somente pode ser calculado em relação aos bens e serviços que foram efetivamente empregados em determinada finalidade. No contexto legal do dispositivo “bens e serviços, utilizados como insumo” o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção comparativa. Isto quer dizer, no contexto, que o bem ou serviço não são necessariamente insumos, mas utilizados como insumos. Em suma, todos os custos, por estarem sempre ligados à bens, serviços e utilidades deles decorrentes que se apresentem como necessários para a obtenção ou o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configure conditio sine qua non da própria existência do produto e ou do respectivo processo produtivo estão abrangidos pela regra de dedutibilidade. Veja que este entendimento está em sintonia com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isto porque, se é verdade que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem entendendo que insumo é o gasto necessário à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado, não é menos verdade que todos os custos da empresa se enquadram nesta delimitação, pelo próprio conceito de custo, que são sempre necessários ao produto ou à produção. Certamente que determinados insumos ou custos não conferem o crédito, como, por exemplo, os custos com os empregados ligados à produção. A despeito deste dispêndio ser um custo de produção, ele encontrase dentre as exceções compreendidas nos §§ 2ºe 3ºdo artigo 3ºda Lei nº10.833/03. Outros exemplos podem ser citados, como a aquisição de bens e serviços adquiridos de pessoas não domiciliadas no País. Há um elemento de identidade nestas exceções taxativamente previstas no referido normativo, qual seja, o fato de a negativa ao crédito não afetar o princípio da não Fl. 346DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 cumulatividade. A pessoa física ou a empresa estrangeira não paga PIS e COFINS, razão pela qual não haveria que se falar em cumulatividade em face do não crédito nestas hipóteses. Por outro lado, lembrando do brocardo exceptio declarat regulam (a exceção declara a regra) e exceptio firmat regulam in contrarium (a exceção firma a regra em contrário), estas hipóteses excepcionais de não crédito, confirmam a regra de que em havendo a cumulatividade, há de se interpretar a norma de forma mas ampla possível para nestes situações concederse o crédito do PIS e da COFINS, em homenagem à não cumulatividade constitucional. No caso dos autos, repitase, pela análise dos laudos inicialmente juntados pela recorrente e também do laudo do IPT, sem os itens acima não seria possível a operação da unidade fabril, sendo indispensáveis à manutenção do processo produtivo do polietileno e produção do produto. Os custos, aqui discriminados, são necessários e imprescindíveis à produção e venda do polietileno, produto fabricado pela recorrente e, portanto, se enquadram no conceito de insumos nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Nego o crédito, entretanto, por motivos diversos do i. relator, sobre o gasto com “aluguél de radios”, posto que não há provas nos autos de que este dispêndio está ligada à produção ou ligado às atividades da empresa, tal como previsto no inciso IV do artigo 3ºda Lei nº10.833/03. Por oportuno, deixo de me manifestar sobre outros itens que não foram expressamente mencionados no recurso voluntário do contribuinte. Conclusão: Em face do todo o acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso com maior extensão, de forma a incluir o restabelecimento também das glosas efetuadas com: 1) pintura industrial; 2) inspeção de equipamentos; 3) isolamento térmico, refratário e antiácido; 4) limpeza industrial; 5) aluguel de hardware; 6) serviços de tratamento de efluentes e análise físicoquimíca de efluentes; 7) serviços de impressão sobre big bags; e 8) tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10825.720356/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
Ementa:ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Declarou-se impedido o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fez sustenção oral o patrono do contribuinte, Dr. Paulo Józimo Santiago Teles Cunha, OAB 29795/DF.
Assinado Digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
Assinado Digitalmente
Núbia Matos Moura Redatora Designada
EDITADO EM: 07/02/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ATILIO PITARELLI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Declarou-se impedido o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fez sustenção oral o patrono do contribuinte, Dr. Paulo Józimo Santiago Teles Cunha, OAB 29795/DF. Assinado Digitalmente Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Redatora Designada EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ATILIO PITARELLI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Ementa:ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Declarouse impedido o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fez sustenção oral o patrono do contribuinte, Dr. Paulo Józimo Santiago Teles Cunha, OAB 29795/DF. Assinado Digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 03 56 /2 00 8- 89 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA 2 EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ATILIO PITARELLI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da falta de recolhimento do valor devido sobre o Exercício 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda São João", localizado no município de Bofete/SP. Através do lançamento foi glosada a área de reserva legal declarada e ainda alterado o VTN constante da DITR, que foram alterados da seguinte forma: 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de Reserva Legal 455,1 0,0 Valor da Terra Nua R$ 1.809.360,00 R$ 6.126.734,21 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 21/26, por meio da qual suscitou os argumentos assim sintetizados pela decisão recorrida: • Não apresentou a documentação solicitada por equívoco, porém não intencional, uma vez que tal atitude causaria ônus à empresa, por isso vem pedir reconsideração e autorize a juntada posterior dos documentos comprobatórios das áreas de benfeitorias; • Com a glosa da área de reserva legal o percentual de aproveitamento do imóvel passou para 57,8%, alterando a base de cálculo, gerando o lançamento em questão; • Não há como aceitar as glosas efetuadas pela fiscalização porque são dissonantes com o que preceitua a legislação; • A declaração da área de Reserva Legal está em conformidade com o art. 11 da IN SRF n° 256/2002, uma vez que se encontra averbada na matrícula do imóvel; • Transcreveu os §§ I o e 2 o do art. 11 da Lei n° 9.393/1996 para embasar seu entendimento sobre a matéria; • A fiscalização emitiu notificações diferentes para cada exercício, como por exemplo, em 2004, a glosa foi pertinente ao Valor da Terra Nua, enquanto nos exercícios 2005 e 2006, além do item VTN, foram alterados área de reserva legal e benfeitorias; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10825.720356/200889 Acórdão n.º 2102002.409 S2C1T2 Fl. 111 3 • Declarou em 2004, área de reserva legal, unicamente, como forma de cumprir a legislação vigente, porém a atividade rural desenvolvida no imóvel é o cultivo de laranja; • Com a impugnação apresenta os cálculos do imposto devido, no valor de R$ 12.832,50; • Por último, requer: a) provimento da impugnação; b) improcedência da notificação de lançamento; c) cancelamento da glosa da área de reserva legal. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento, através de acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Área de Reserva Legal. Tributação. ADA. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser reconhecida como de interesse ambiental mediante protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o Ibama, além da averbação tempestiva à margem de inscrição da matrícula da área pretendida como reserva legal. Valor da Terra Nua VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 60/66, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação e ressalta que, ao contrário do que restou decidido na decisão recorrida, a área de reserva legal foi sim averbada à margem do Registro de Imóveis, conforme Av 07 da matrícula 7311. Afirma que estariam averbados como reserva legal um total de 188,07 alqueires, o que corresponde exatamente aos 455,1 hectares declarados em DITR. Afirmou assim ter sido cumprido o requisito do art. 11 da Instrução Normativa n.° 256 de 11 de Dezembro de 2002. Elaborou demonstrativo com os cálculos que reputava corretos para apuração do ITR – nos quais utilizou o VTN arbitrado pela fiscalização, concordando assim com o referido valor. Ao final, requereu que: Por todo o exposto, requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que seja decretada total improcedência à notificação de lançamento, restando esta infrutífera, requer secundariamente o cancelamento da glosa sobre as áreas de reserva legal, e a correta dimensão das áreas a serem aplicadas Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA 4 de forma que seja recalculada a base e aplicada a alíquota adequada do Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, exercício 2004, como medida de efetivação da lei e de realização de justiça tributária. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo (cf. certificado às fls. 106) e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso em processo no qual se discute a glosa de área de reserva legal declarada pela Recorrente em sua DITR 2004. Originalmente, o lançamento contemplava também o arbitramento do VTN utilizado para a propriedade da Recorrente; no entanto, esta parcela não foi objeto do Recurso Voluntário, sendo que somente o questionamento acerca da reserva legal foi trazido a esta turma julgadora. O que motivou a glosa da referida área – e sua manutenção pela decisão recorrida – fora o fato de que a Recorrente deixara de apresentar o ADA para o imóvel em questão e também deixara de demonstrar a averbação, perante o Registro de Imóveis, da área declarada como de reserva legal. Eis o que consta da decisão recorrida a este respeito: A contribuinte para embasar seu pedido, anexou à fl. 31 cópia da Autorização da Secretaria do Meio Ambiente com data de validade 02/07/1997, com a finalidade de explorar algumas espécies de vegetais existentes no imóvel e suas respectivas dimensões. No documento constam os locais não passíveis de corte na propriedade, como, por exemplo, a reserva legal de 455,1 ha porém, tal fato, não quer dizer que o proprietário firmou termo de compromisso com o órgão competente de preservar a área ali mencionada. Apesar de constar nos autos, cópias das matrículas do imóvel rural, porém não há averbação da área de reserva legal, conforme disposto na legislação. No caso, a pretendida área de reserva legal, para fins de exclusão de tributação deveria estar averbada à margem da matricula do imóvel até 1701/2004 (data do fato gerador do ITR/2004, art. I o da Lei n° 9.393/1996), nos termos da legislação de regência da matéria (art. 16, § 8o , da Lei n° 4.771/1965, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.803/1989, e com redação dada pelo art. I o da MP n° 2.16667, de 24/08/2001; art. 11, § I o da IN SRF n° 256/2002, e art. 12, § I o do Decreto n° 4.382/2002 RITR). Além dessa primeira exigência, não cumprida pela impugnante, ainda se fazia necessária comprovar nos autos, para justificar a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10825.720356/200889 Acórdão n.º 2102002.409 S2C1T2 Fl. 112 5 exclusão dessa área de tributação, a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente se insurge contra este entendimento, afirmando que a referida área fora devidamente averbada no Registro de Imóveis, conforme AV 07 da matrícula 7311, e por isso a decisão recorrida estaria baseada em equívoco. De fato, compulsando os autos, verificase que em julho de 1996, ou seja, 8 anos antes do fato gerador do ITR aqui em discussão, foi feita averbação perante o Registro de Imóveis da referida reserva legal (cf. fls. 83 dos autos). A área averbada seria de 188,07 alqueires, que correspondem – conforme cálculos extraídos pela internet (http://www.calculoexato.com.br/parprima.aspx?codMenu=ConvArea) – a 455,1294 hectares. Assim, restou devidamente preenchido o requisito da averbação como pressuposto para a exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR. Quanto ao segundo requisito que motivou o lançamento (e sua manutenção) – falta de apresentação do ADA, a Recorrente não traz nenhum argumento em seu recurso. Esta turma julgadora vem entendendo que a apresentação do ADA, desde 2001 é obrigatória para fins de exclusão das áreas de reserva legal do cálculo do ITR. Tal entendimento, porém, deve ser relevado caso a caso, quando as circunstâncias assim o permitirem. De fato, a exigência de apresentação do ADA tem o objetivo precípuo de dar oportunidade ao Ibama (órgão responsável pela fiscalização destas áreas) para que efetue a fiscalização e verificação da efetiva existência destas áreas e o efetivo cumprimento da legislação ambiental/preservação das áreas previstas na legislação ambiental. Tal exigência, porém, não pode se tornar um obstáculo formal à exclusão das referidas áreas para fins de ITR quando demonstrada a sua efetiva existência. Este me parece ser o caso dos autos. Através da averbação da área em questão, a Recorrente demonstrou que celebrara com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo um termo de responsabilidade por meio do qual delimitou as áreas de utilização limitada (reserva legal) de sua propriedade. Tal documento deve ser reputado como suficiente a comprovar a efetiva existência da referida área, sendo – neste caso específico – despicienda a apresentação do ADA ao Ibama, desde que já demonstrada a existência da área em questão, através de termo firmado com órgão competente para tanto. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso para reconhecer a existência da área de reserva legal de 455,1 hectares. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Voto Vencedor Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA 6 Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada Divirjo da ilustre relatora quanto ao seu entendimento de que a necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de fruição da redução do ITR a pagar, possa ser flexibilizada em determinados casos. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. No presente caso, o ITR exigido no lançamento referese ao exercício 2004 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Nessa conformidade, deve permanecer a glosa da área de utilização limitada (reserva legal), nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – RedatoraDesignada Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/04/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por ROBERTA DE AZE REDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 10830.916201/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 62 01 /2 00 9- 58 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916201/200958 Acórdão n.º 3803004.033 S3TE03 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 6/12/2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração março de 2002, no valor original de R$ 854,16, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” do despacho decisório e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação da compensação formulada, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 16 de maio de 2002 no valor original de R$ .1.213,81; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916201/200958 Acórdão n.º 3803004.033 S3TE03 Fl. 68 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 44); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 44); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 44 a 45); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916201/200958 Acórdão n.º 3803004.033 S3TE03 Fl. 69 4 na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916201/200958 Acórdão n.º 3803004.033 S3TE03 Fl. 70 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13804.006288/2010-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Inexistindo dúvidas nos autos quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento.
A dedução das despesas médicas se limita a pagamentos especificados e comprovados na forma exigida pela legislação de regência.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.048,00 (três mil e quarenta e oito reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. Inexistindo dúvidas nos autos quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento. A dedução das despesas médicas se limita a pagamentos especificados e comprovados na forma exigida pela legislação de regência. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.048,00 (três mil e quarenta e oito reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 62 88 /2 01 0- 01 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1749.075 – 11ª Turma da DRJ/SP2, fls. 48 a 55, que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, para manter a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, no valor original de R$ 2.999,18 (sujeito a juros e multa de mora), incidente sobre os seguintes valores glosados pela Notificação de Lançamento, fls. 05 a 10, a título de dedução indevida de despesas médicas: Nome do profissional da área de saúde Valor da Glosa em R$ MAURA MASSAKO ITO 125,00 FERNANDO BACAL 600,00 ERIKA MARIA DE CASTRO SPITALETTI TORRES 2.500,00 ANA MARIA OLIVA CASSARA 2.500,00 ALICE SILVANA BASSI SOARES 3.048,00 CLINICA ORTOPÉDICA EDMILSON TAKATA LTDA. 200,00 De acordo com a decisão de primeira instância afirmou , diante da ausência de indicação do paciente, “os recibos deficientes não são válidos, então o contribuinte deveria ter apresentado comprovantes de efetivo pagamento, entretanto, o contribuinte em sua impugnação nada exibi em relação a comprovação de pagamentos”. A contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/05/2011, fls. 58, e interpôs recurso voluntário em 26/05/2011, fls. 64 a 66, alegando, em síntese, que apresenta declarações firmadas pelas profissionais Alice Silvana Soares Aires, fls. 69, e Ana Maria Oliva Cassara, fls. 68, que atestam ter sido ela a paciente que se submeteu aos respectivos tratamentos odontológico descritos nos recibos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, o âmbito de discussão nesse processo administrativo circunscrevese somente à glosa das despesas médicas em relação à seguinte profissional da área de saúde: Alice Silvana Soares Aires, no valor de R$ 3.048,00, e; Ana Maria Oliva Cassara, no valor de R$ 2.500,00. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.006288/201001 Acórdão n.º 2802002.186 S2TE02 Fl. 78 3 De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, constante da Notificação de Lançamento, fls. 06, a glosa da dedução de despesas médicas foi indevida pelo fato de que a contribuinte, devidamente intimada, não apresentou os respectivos comprovantes. Uma vez que a DRJ rejeitou os recibos de pagamento emitidos pelas dentistas Alice Silvana Soares Aires, fls. 27 a 29, Ana Maria Oliva Cassara, fls 26, fundamentandose na falta de indicação nos recibos da paciente do tratamento e da comprovação dos respectivos pagamentos, a contribuinte interpôs recurso voluntário contestando especificamente essas duas glosas. Nesse sentido apresenta, às fls. 68 e 69, as declarações firmadas pelas referidas profissionais, das quais constatase que somente em relação à primeira profissional (Alice Silvana Soares Aires) ficou esclarecido que a sra. Rosa Maria Buratti teria sido a paciente que se submeteu ao tratamento odontológico realizado durante o anocalendário de 2006. Para o deslinde da questão, importante se faz a análise do artigo 8°, da Lei n° 9.250 de 1995, que dispõe: "Art.8° — A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º 0 disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" O dispositivo legal acima citado, bem define as despesas médicas dedutíveis, como também as condições a serem observadas para que possam ser deduzidas. Do exame dos documentos apresentados pela contribuinte, percebese que a declaração firmada pela dentista Alice Silvana Soares Aires, fls. 65, supre as deficiências formais constatadas pela decisão recorrida, em relação aos recibos de pagamento de fls. 27 a 29. Do exame dessa declaração, constatase que nela há a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF da profissional que prestou os serviços e detalha ter sido a contribuinte a paciente submetida a tratamento, bem como a época e o valor cobrado e recebido pelo tratamento. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em casos dessa natureza, este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Nesse caso, firmouse o entendimento de que o poderdever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e a prestação do serviço somente se justifica no caso de se constatar fortes indícios de que a documentação apresentada se configurar inidônea. Em relação à matéria, também ficou pacificado que a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Portanto, à falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer a dedução glosada pela Notificação de Lançamento, em relação à profissional Alice Silvana Soares Aires, no valor de R$ 3.048,00. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.048,00 (três mil e quarenta e oito reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720615/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes no lançamento os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, e do art. 142 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. Por expressa disposição legal, consideram-se receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira, cuja origem não seja comprovada mediante documentação hábil e idônea. Valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, cujo movimento não se encontra registrado na contabilidade, são caracterizados como receitas omitidas. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido, que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. FRAUDE.Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, a movimentação financeira de três contas bancárias registradas em seu nome, evidencia-se o intuito de fraude com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos.
Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1202-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade das autuações e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes no lançamento os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, e do art. 142 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. Por expressa disposição legal, consideram-se receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira, cuja origem não seja comprovada mediante documentação hábil e idônea. Valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, cujo movimento não se encontra registrado na contabilidade, são caracterizados como receitas omitidas. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido, que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. FRAUDE.Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, a movimentação financeira de três contas bancárias registradas em seu nome, evidencia-se o intuito de fraude com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes no lançamento os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, e do art. 142 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. Por expressa disposição legal, consideramse receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira, cuja origem não seja comprovada mediante documentação hábil e idônea. Valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, cujo movimento não se encontra registrado na contabilidade, são caracterizados como receitas omitidas. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido, que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.667 2 MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. FRAUDE. Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, a movimentação financeira de três contas bancárias registradas em seu nome, evidenciase o intuito de fraude com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade das autuações e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo de lançamentos formalizados em Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e na Cofins, relativamente ao anocalendário de 2008, em razão da autuada ter efetuado movimentação financeira das suas operações em contascorrentes bancárias em seu nome, no Banco HSBC e na Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná., sem o respectivo registro contábil/fiscal, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, de fls. Aos tributos exigidos, foram aplicados a multa de ofício, no percentual de 150%, e os juros de mora, com base na taxa Selic. Os extratos bancários foram entregues pelo contribuinte, após intimação efetuada pela autoridade fiscal. Na sequência, depois de regularmente intimada, a interessada não comprovou; mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, o que caracterizaria a presunção da omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.668 3 A empresa autuada apurou o seu lucro, no anocalendário de 2008, adotando a sistemática do lucro real anual. Inconformado com o lançamento fiscal, o contribuinte impugnou as exigências, mediante arrazoado, de fls. 2166 a 2195 a , com as seguintes alegações, que foram assim resumidas no relatório do Acórdão nº 0123.177 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 2198 a 2209, o qual adoto e passo a transcrever na parte que interessa: “3.1 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O MPF deve ser anulado por vício formal. O auto de infração é nulo por vício formal e cerceamento do direito de defesa. A Fiscalização embaraça, dificulta e obstaculiza o entendimento da suposta infração, dificultando a defesa. Erro grave na base de cálculo caracteriza cerceamento do direito de defesa. Violouse o princípio da legalidade e da moralidade; 3.2 – DOS ELEMENTOS DE PROVA Não houve omissão de receitas como afirma o Auditor Fiscal, uma vez que a contribuinte, ora Impugnante, tão somente fez movimentação bancária entre contas correntes, recebimentos REDECARD, crédito boleto cobrança, liberação dep. bloqueado, depósito em cheques, documento créditodoc/Ted, depósito em dinheiro, crédito cheque custódia, boleto de cobrança pg cx., foram tributados num primeiro momento na hora das venda, conforme livro registro de saídas, pois as vendas são feitas à vista, cartão de crédito, cheque prédatado e boletos bancários, sendo consignado em contacorrente, ou seja, não houve ganhos, de modo que falece a pretensão do Fisco de tributar a Impugnante. A referida empresa é optante pelo regime de competência e não pelo regime diário de recebimento caixa/bancos. A omissão de receita com base em extrato bancário, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda. Só para empresa optante pelo lucro presumido podese imputar omissão de receita, de acordo com o art. 2º da lei n. 8.846/1994; 3.3 DO EFEITO CONFISCATÓRIO A multa aplicada é desproporcional e tem efeito de confisco. A autuação ofende o princípio da capacidade contributiva..” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0123.177 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 2198 a 2209, mantendo integralmente os lançamentos fiscais, com o seguinte ementário: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.669 4 atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.670 5 Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls., repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo trata da lavratura de Autos de Infração para exigir o IRPJ e contribuições reflexas, do anocalendário de 2008, pela ocorrência da presunção de “omissão de receitas” prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao ser verificado, pela fiscalização, que a empresa autuada utilizava contas bancárias registradas em seu nome no Banco HSBC e na Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná, as quais não foram contabilizadas nem declaradas ao fisco. Os principais pontos questionados pelo recorrente, em síntese, dizem respeito à nulidades da autuação, de ser insuficiente a existência de depósitos bancários não contabilizados como sendo a origem da omissão de receitas e, por fim, do caráter confiscatório da multa aplicada, no percentual de 150%. Inicialmente, cabe registrar que ficou muito bem relatado no Termo de Verificação Fiscal a existência da conta bancária nº 1483209 do Banco HSBC e das contas bancárias nºs 360333 e 438499 da Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná, de titularidade da própria empresa autuada, que foram utilizadas para movimentar os recursos financeiros das atividades da empresa, não registradas na sua contabilidade e, em consequência, as operações nelas consignadas deixaram de ser oferecidas à tributação. Essa constatação não foi atacada pela recorrente, podendose reputar como sendo verdadeira. Fica evidenciado, dessa forma, que a autuada incorreu em gravíssima atitude ao realizar a movimentação financeira de suas operações em contas bancárias à margem da contabilidade, fato ocorrido em todo ano de 2008, evidenciando a intenção de fugir da tributação a que estava sujeita pela ocultação da movimentação financeira das suas atividades e, por conseqüência, pela omissão dos seus rendimentos às autoridades fazendárias. Nulidades – Cerceamento do direito de defesa Inicialmente, cumpre registrar que inexiste nos autos qualquer evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para apresentar esclarecimentos e Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.671 6 os documentos requisitados. Portanto, afastase de imediato, qualquer violação aos princípios da legalidade e da moralidade que regem a administração pública. O Termo de Verificação Fiscal foi bastante claro ao relatar todo o desenrolar do procedimento fiscal, indicando as intimações efetuadas à interessada, demonstrando cabalmente a existência de valores movimentados em contas bancárias da autuada e não registradas na sua contabilidade. Além disso, a empresa autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, ao apresentar as suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. Verifico, também, que o auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, este último erigido ao status de lei com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e que foi editado com o objetivo de regular o processo administrativo fiscal federal. Esclareçase à defesa que as nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Dessa forma, entendo que inexistem motivos que possam levar à nulidade das autuações, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar levantada. Omissão de receita – presunção legal Quanto à forma de apuração da receita omitida, cabe dizer que a presunção desse tipo de receita, originada da integralidade dos créditos efetuados em conta de depósito bancário, decorre de expressa previsão legal, contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, como expressamente consignado na autuação. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita que autoriza o lançamento do tributo correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.672 7 presunção em favor do fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos registros dos valores movimentados em contascorrentes mantida em nome da empresa autuada à margem da contabilidade, a intimou a apresentar a documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que justificasse a origem dos depósitos efetuados, o que não foi atendido pelo contribuinte, quer no curso da ação fiscal, quer na fase impugnatória, não logrando esta comprovar a origem dos depósitos efetuados junto às instituições bancárias. Cabe também dizer à recorrente que o fato imponível do lançamento não necessita da comprovação do nexo causal existente entre o depósito bancário e o fato que represente omissão de rendimentos. Pelo contrário, a lei não prevê que seja feita essa comprovação pelo fisco, estabelecendo que o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos bancários que não foram devidamente esclarecidos, conforme expressamente determina a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados, mediante documentação hábil e idônea, a lei atribuiu que todos os valores creditados em conta de depósito sejam considerados omissão de receita, devendo sofrer as incidências dos tributos e contribuições devidos, exatamente como fez a fiscalização e como bem entendeu o acórdão recorrido. Além disso, por expressa disposição legal (art. 251 do RIR/99), é obrigação da pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, no qual deverá estar escriturada “todas” as operações do contribuinte, inclusive a movimentação financeira bancária. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF encontrase pacificada nesse sentido, a teor da Súmula CARF nº 26, aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada levantado pela defesa, face a violação de princípio constitucional (art. 150, IV da CRFB/88), cabe dizer que esta autoridade julgadora não detém competência para o exame de matéria constitucional, tarefa privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não obstante tal fato, cabe esclarecer que dito princípio só se aplica em matéria de tributos, não incluindo as penalidades legalmente estabelecidas na legislação. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.673 8 Jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também entendia nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº 10422313, sessão de 29/03/2007, abaixo transcrito, em parte: MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Multa agravada por infração qualificada – 150% Conforme noticiado no relatório e voto deste acórdão, a autuada não refutou o fato de ter se utilizado de contas bancárias em nome próprio, à margem da contabilidade e, por conseqüência, ter omitido receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação nas declarações DIPJ e DCTF, evidenciando o claro intuito de omitir das autoridades fazendárias as movimentações financeiras de suas atividades e, por conseqüência, fugir da incidência dos impostos e contribuições devidos. Registrese que a ocultação das movimentações financeiras das três contas correntes bancárias foram feitas de forma reiterada e ocorreram ao longo de todo o ano autuado, em 2008, o que podese afastar, desde já, a ocorrência de erro ou falha por parte da empresa no registro contábil e fiscal da totalidade de suas operações a que estava obrigada. No caso em questão, o procedimento levado a cabo pelo contribuinte revela a clara intenção de fraudar as informações contábeis/fiscais, ao optar por registrar apenas parte das suas movimentações financeiras (não houve irregularidades nas contas do Banco do Brasil, Bradesco, CEF e SICOOB), tendo em vista a ocultação das contas bancárias nº 1483209, do Banco HSBC, e nºs 360333 e 438499, da Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná. Saliente se que essa conta registrou em torno de 50% das operações regularmente declaradas pela empresa ao longo desses dois anos, conforme se verifica das planilhas de fls. 1512 a 1514. Na sequência, cabe aqui esclarecer os conceitos de sonegação, fraude e conluio previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e seus efeitos: Lei nº 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.674 9 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." No presente caso, ao se utilizar de contas bancárias próprias, não registradas na contabilidade e nem declaradas ao fisco, a meu ver ficou clara a ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, enquadrado nos arts. 71 e 72 acima transcrito, caracterizando a conduta como “sonegação” e “fraude”. A meu ver, a pormenorizada descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1505 a 1518, conseguiu transmitir, com clareza, todos os fatos ocorridos. Dessa forma, a leitura do relatório fiscal demonstra com precisão a conduta da autuada, evidenciando a ocorrência do intuito de “sonegação” e “fraude”, conforme conceituado nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, pelas seguintes razões: i) a autuada, deliberadamente, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira da conta bancária registrada em seu nome, do Banco HSBC e da Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná. ii) a prática de omissão do registro da conta ocorreu de forma reiterada, em todo o ano autuado, o que afasta a possível ocorrência de erros ou falhas nos registros da empresa, denotando a clara intenção do sujeito passivo em alcançar a redução do montante dos tributos devidos; iii) os valores omitidos são de expressivo valor, representando R$ 1.969.759,15, o que ratifica a intenção na omissão do registro, afastandose a ocorrência de falhas na escrituração; Por fim, registrese que tanto o Termo de Verificação Fiscal como os Autos de Infração lavrados, possuem o enquadramento legal da multa aplicada, encontrandose em sintonia com os fatos acima descritos, no caso, o § 1º do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, conforme se depreende da leitura do dispositivo a seguir transcrito: Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13227.720615/201112 Acórdão n.º 1202000863 S1C2T2 Fl. 1.675 10 Assim, existindo a subsunção dos fatos ao estabelecido nos arts. 71 e 72 Lei nº 4.502, de 1964 c/c o § 1º do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, impõese a penalização mais agravada. Em face do exposto, por existir perfeito enquadramento da conduta do sujeito passivo com os dispositivos legais mencionados, entendo que deve ser mantida a multa agravada por infração qualificada, no percentual de 150%. Quanto ao lançamento da CSLL do PIS e da Cofins, devese dizer que uma vez subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos Em face do exposto, voto no sentido de que seja rejeitada a preliminar de nulidade das autuações e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10783.908241/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/11/2004
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543-C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizam-se como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ.
O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadra-se no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal rege-se pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário.
REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE.
Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário improcedente.
Numero da decisão: 3202-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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JUROS SELIC. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo pagamento indevido ou a maior que o devido, não há falar na incidência de juros SELIC, por falta de respaldo legal (artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95). Conforme pacificado pelo STJ (artigo 543C do Código de Processo Civil), ocorrendo a hipótese de resistência injustificada (oposição de ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento de créditos sujeitos a ressarcimento), os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Resistência injustificada não comprovada. Créditos escriturais que não autorizam a incidência de juros SELIC. Inaplicabilidade dos precedentes invocados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRECEDENTES DO STJ. O manejo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente o crédito tributário, na forma do artigo 74, §11 da Lei n° 9.430/96 enquadrase no disposto do artigo 151, III do CTN quanto ao débito objeto da compensação, provocando a suspensão da exigibilidade da parcela controversa. A supressão do atributo exigibilidade e a instauração do contencioso administrativo indicam que o crédito não foi definitivamente constituído, inviabilizado sua cobrança. Assim, enquanto pender decisão, tal fluxo temporal regese pelas regras de decadência (crédito não constituído), e não pela prescrição (crédito constituído). Consoante entendimento do STJ, até solução definitiva dos processos administrativo fiscal, não correm nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 82 41 /2 00 8- 58 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 86 2 prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI N. 11.941/09. INAPLICABILIDADE. Inviável em sede de recurso voluntário o exame da remissão de que trata o artigo 14 da Lei n° 11.941/09, dado o que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do contribuinte, e o recurso trata apenas de parte dos débitos. Providência que, na forma do §1° do referido dispositivo, deverá ser observada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Recurso voluntário improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário: a) por maioria de votos, em relação à incidência de correção monetária do crédito pleiteado, vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves; b) por unanimidade de votos, em relação à prescrição e à remissão dos débitos pretendidas. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Monica Elisa de Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.5661) interposto por GRAMAZINI GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI LTDA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA) (fls. 4349) que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando a homologação parcial da DCOMP n° 27125.38357.110805.1.3.017583. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 87 3 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG (DRJ/JFA), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 22, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise da DCOMP n° 30836.37325.201004.1.3.012320, transmitida pelo contribuinte retro identificado em 29/10/2004, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante do R$ 10.621,59, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 1° trimestre/2004, no valor dc R$ 18.174,65 (fl. 23). Referido saldo credor é composto por crédito básico e crédito presumido escriturado no período, conforme informações extraídas da DCOMP 30836.37325.201004.1.3.012320 (fls. 23/20). Vinculada à citada DCOMP foi transmitida a DCOMP n° 27125.38357.110805.1.3.017583, para utilização do saldo credor originário da DCOMP inicial, para compensar débitos na monta dc R$ 7.553,06 (fl. 31). Da análise eletrônica resultou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação parcial da SEGUNDA DCOMP (em face dc se tratar de compensação do débito vencido, sem inclusão dos respectivos acréscimos moratórios na DCOMP), conforme Despacho Decisório (fl. 22) e Detalhamento da Compensação (fl. 32). Houve, então, no encontro dc contas o cálculo da multa e juros de mora, resultando amortização parcial do débito compensado e apuração de saldo devedor após imputação proporcional do valor utilizado na compensação (conforme Detalhamento da Compensação, fl.38), objeto de cobrança com acréscimo de multa de mora e juros do mora. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação parcial da compensação, em 18/11/2008 (fl.20), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 18/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/05, no qual, em síntese: => alega que “diante da demora do fisco em reconhecer o Crédito Presumido do IPI do contribuinte, o que foi feito somente após 4 anos de sua solicitação em 29/10/2004 é mais do que justo que esse crédito seja calculado com correção monetária,sendo aplicada a taxa Selic”; => pondera que ao se proceder a atualização monetária do crédito pela taxa Selic [da mesma forma que a RFB corrige os seus débitos] o mesmo será Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 88 4 suficiente para amortizar todo o saldo devedor, restando, ainda, saldo credor; => acrescenta que a jurisprudência reconhece o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito e reproduz excerto de julgado que entende amparar a sua tese; => argumenta, ainda, que caso se entenda pela impossibilidade da correção do crédito, mesmo assim “não poderá prosperar a cobrança, uma vez que a medida provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, art. 14, concede remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000, 00 (dez mil reais), portanto, se superadas as argumentações mencionadas acima, o débito estará remido com amparo na referida medida provisória"; Ao final requer seja o crédito devido corrigido monetariamente e homologada integralmente a compensação. Ressaltese que, ante a constatação, por esta Relatora, mediante consulta à DIPJ do contribuinte, de que o mesmo dá saída, na sua maior parte, a produtos NT, foi o processo remetido à DRF de origem, por intermédio do Despacho da Presidência de fls. 36/37,a fim de que fosse verificada a possibilidade de ter sido reconhecido crédito indevido e adotadas, se fosse o caso, as providências pertinentes, ao que retornou o processo com o PARECER SEFIS n° 16/2010 [fls. 39/40], no qual a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou consignado, in verbis: Este contribuinte já sofreu ação fiscal por parte da fiscalização do DRF/Vitória na análise dos PER/DCOMP n° 28332.12706.110805.1.3.01 0312, 26530.72173.110805.1.3.015217, 30025.29345.310106.1.3.012127 e 12242.30881.300406.3.016406, sendo que não foi constatado o uso de vendas de produtos NT na apuração do crédito presumido [destaques da Relatora]. Nestes termos retornaram os autos a esta DRJ para prosseguimento do julgamento. Em síntese, é o relatório. O acórdão n° 0935.941, proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. ACRESCIMOS MORATORIOS. INCIDENCIA. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 89 5 Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas (data de valoração) incidem multa dc mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. A falta de consignação dos acréscimos moratórios na DCOMP implicará a nãohomologação parcial da compensação e a exigência do tributo objeto da compensação não homologada com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou o recurso voluntário de fls.5661, objetivando reformar integralmente a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a) A Recorrente apresentou DCOMP em 29/10/2004, tendo sido notificada do despacho decisório que homologou parcialmente sua compensação em 07/11/2008, decorridos, portanto, 48 meses da data de transmissão do pedido de compensação, assim, o valor do crédito solicitado deveria ser atualizado pelos juros SELIC desde a data da transmissão do referido pedido. Tal direito já teria sido reconhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, bem assim, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil); b) A declaração de compensação não suspende o prazo prescricional, tal prazo somente seria suspenso pela adesão a parcelamento ou pela interposição de recursos administrativos, na forma do artigo 151 do Código Tributário Nacional, dessa forma, os débitos originados da homologação parcial do crédito estariam prescritos. A prescrição em apreço teria lastro na Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) e na Súmula n° 409 do STJ; c) O artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, remiu os débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00, devendose aplicálo ao débito em questão. É o relatório. Voto Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 90 6 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Ressarcimento e juros Selic A Recorrente alega que tem direito à correção monetária do crédito declarado em declaração de compensação, visto que a transmissão da DCOMP ocorreu em 29/10/2004, e a homologação parcial ocorreu em somente em 07/11/2008, através de Despacho Decisório. De acordo com a Recorrente “o valor do crédito solicitado de R$18.174,65, em 29/10/2004, deveria ter sido corrigido pela taxa selic acumulada quando do recebimento do despacho decisório em 07/11/2008, que seria o percentual de 64,87%, perfazendo o total de R$29.964,54, menos o débito amortizado de R$18.174,65 e menos o valor cobrado de R$ 3.241,42, ainda, sobra um saldo credor a favor do contribuinte de R$8.548,47.” Invoca precedentes da CSRF e do STJ que, no seu entendimento, autorizam a incidência dos juros SELIC sobre os créditos de IPI objeto de ressarcimento. Inicio o exame dos precedentes citados pela Recorrente pelos acórdãos do STJ julgados sob o rito dos recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil), haja vista que o artigo 62A do Regimento Interno deste Colegiado determina que as decisões proferidas por aquele Tribunal no rito dos recursos repetitivos deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dois são os acórdãos proferidos sobre o tema no rito dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 91 7 IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 92 8 específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 93 9 restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 993.164/MG. DJe 17/12/2010) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 94 10 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 1.035.847/RS. DJe 03/08/2009) Os acórdãos supracitados apontam duas conclusões relevantes para a questão suscitada pela Recorrente: (i) a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (REsp n° 1.035.847/RS) e (ii) os juros SELIC devem ser excepcionalmente aplicados ao ressarcimento na hipótese de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 95 11 haver resistência injustificada (ato estatal que impeça ou embarace o aproveitamento dos créditos objeto de ressarcimento) (REsp n° 1.035.847/RS e REsp n° 993.164/MG). Na hipótese dos autos, não há notícia de que tenha ocorrido resistência injustificada do Fisco, a autorizar, portanto, a incidência de juros SELIC sobre as importâncias objeto de ressarcimento, como definido nos paradigmas supratranscritos. Portanto, a regra é: o ressarcimento não autoriza incidência de juros SELIC, por não configurar pagamento indevido ou a maior (§4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Contudo, excepcionalmente, configurada a resistência injustificada do Fisco, o que pressupõe ato estatal que impeça ou embarace o direito ao ressarcimento, consoante entendimento do STJ, os créditos escriturais descaracterizamse como tais, passando a autorizar a incidência dos juros SELIC. Outrossim, é bom lembrar que o “ressarcimento” e “restituição” são institutos distintos. A restituição tem lugar quando se verifica pagamento indevido que, posteriormente, vem a ser pleiteado pelo contribuinte. Já em relação ao ressarcimento, não há prévio pagamento de tributo, portanto, não há repetição. Na hipótese de restituição, o direito à correção nasce do tributo indevidamente pago pelo contribuinte, o que não ocorre quando há ressarcimento. Corroborando o quanto foi dito e, em harmonia com a posição do STJ, a CSRF do CARF tem manifestado o entendimento que: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado. (CSRF, 2°Turma, Acórdão CSRF/0203.855, pelo voto de qualidade, julgado em 13/02/09) (g.n.) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 96 12 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso provido. (CSRF, 3°Turma, Acórdão CSRF/930300.733, pelo voto de qualidade, julgado em 02/02/10) (g.n.) Assim, por não haver nos autos notícia de resistência injustificada, não há razão que ampare a incidência de juros SELIC na hipótese de ressarcimento. Prescrição Superado esse ponto, passo a análise da questão seguinte, que diz respeito à suposta prescrição dos débitos. Alega a Requerente que os débitos objeto do presente processo estão prescritos. Tal alegação se baseia no entendimento de que a declaração de compensação não suspende o prazo prescricional. Todavia, o exame dos autos mostra que de prescrição não se trata. Dispõe a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 97 13 (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Da leitura do dispositivo, notase que o crédito tributário declarado em pedido de compensação pelo sujeito passivo (i) extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, (ii) confere à Administração o prazo de 5 (cinco) anos para homologação da declaração apresentada pelo sujeito passivo e (iii) constitui confissão de dívida. Notese ainda que o manejo de manifestação de inconformidade e recursos autoriza a suspensão da exigibilidade, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Da inteligência do dispositivo em apreço despontam as seguintes conclusões: (i) o pedido de compensação formalizado pelo sujeito passivo é instrumento suficiente para ajuizamento da execução fiscal, uma vez que consiste em confissão de dívida, portanto, regese pelo prazo prescricional, porém, (ii) o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo em pedido de compensação não é definitivamente extinto, sujeitandose a condição resolutória de sua ulterior homologação, autorizandose, portanto, que o sujeito ativo audite os créditos declarados pelo sujeito passivo, assim, nessa hipótese, vindo a não homologar, ou homologar parcialmente o crédito, fica assegurado ao sujeito passivo a ampla defesa e o contraditório, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, III do CTN. Como se vê, na segunda hipótese, não há falar em prazo prescricional, mas sim, prazo decadencial, eis que o crédito não se encontra definitivamente constituído, sendo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 98 14 lhe suprimido o atributo exigibilidade, até solução definitiva do contencioso administrativo fiscal. O julgado abaixo, embora trate de parcelamento, confirma o quanto se disse quanto à suspensão da exigibilidade na hipótese de se instaurar o contencioso administrativo: (...) 9. O STJ possui orientação pacificada no sentido de que, instaurado o contencioso administrativo, a exigibilidade do crédito tributário fica suspensa até a decisão final. Exemplo tradicional nesse sentido é o caso dos pedidos de compensação pendentes de análise pelo Fisco. 10. É correto concluir, com base na análise da legislação tributária acima mencionada e nos precedentes jurisprudenciais, que, enquanto pendente de solução final, inexiste o atributo da "exigibilidade" do crédito tributário devido pelo contribuinte excluído do Refis. Por essa razão, o singelo ato unilateral de indeferimento da opção pelo respectivo regime de parcelamento não determina o reinício do lapso prescricional. (STJ. Segunda Turma. Rel.Min. Herman Benjamin. REsp n° 1.144.962/SC. DJe 01/07/2010) (g.n.) E se o crédito não foi definitivamente constituído, por faltarlhe o atributo exigibilidade, não há falar em prescrição, tampouco na suspensão desse prazo, mas, sim, em decadência. À vista do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o Fisco tem 5 anos, contados da data da transmissão do pedido eletrônico de compensação para homologar, ou não, o crédito tributário do sujeito passivo. Como visto, a auditoria dos pedidos de compensação se deu num intervalo de aproximadamente 4 anos, portanto, dentro de prazo que tinha o Fisco para rever as declarações prestadas pelo sujeito passivo. Por sua vez, em face desse despacho decisório, insurgiuse a Recorrente, opondose à homologação parcial do crédito. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 99 15 Nas hipóteses em que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força da instauração do contencioso administrativo, já decidiu o STJ que, até solução do litígio, não correm os prazos de prescrição ou decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO ORIGINAL E LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ART. 18, §3º, DO DECRETO N. 70.235/72. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 173, I, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. Regra geral, "o Código Tributário Nacional estabelece três fases inconfundíveis: a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que corre prazo de decadência (art. 173, I e II); a que se estende da notificação do lançamento até a solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito (art. 151, III); a que começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)" (Supremo Tribunal Federal, RE N. 95365/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Décio Miranda, julgado em 13.11.1981). Na mesma linha, este Superior Tribunal de Justiça no REsp 58774 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, julgado em 22.11.1995. (STJ. Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. REsp n° 1.212.658/RS. DJe 15/03/2011) (g.n.) Não bastasse a inexistência suspensão do prazo decadencial e, portanto, a tempestividade da auditoria procedida pela Administração Tributária, a título de remate, é bom lembrar que as súmulas invocadas pela Recorrente nada alteram o quadro decisório dos autos. Está estampado na súmula vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal que a declaração de inconstitucionalidade nela vazada alcança apenas certas regras que desbordaram os limites estabelecidos pela lei que disciplinou as normas gerais de direito tributário, na forma do artigo 146, III, b da Constituição Federal: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Indiferente a inconstitucionalidade dessas regras, já que elas nada interferem, sequer se aplicam, à questão posta nos autos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 100 16 Igualmente inaplicável o disposto na súmula n° 409 do STJ, já que, como visto, nos autos, de prescrição não se cuida: Em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de ofício (art. 219, § 5º, do CPC). Assim, sem razão a Recorrente. Remissão dos débitos Alega ainda a Recorrente que se confirmada a homologação parcial de seu crédito, o débito relativo à importância não homologada estaria remitido por força do artigo 14 da Medida Provisória n° 449, de 3 dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, pois o valor total do débito não alcançaria o montante de R$10.000,00 (dez mil reais). Dispõe o artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 que: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.908241/200858 Acórdão n.º 3202000.625 S3C2T2 Fl. 101 17 contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2o Na hipótese do IPI, o valor de que trata este artigo será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica. § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas. § 4o Aplicase o disposto neste artigo aos débitos originários de operações de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária – PROCERA transferidas ao Tesouro Nacional, renegociadas ou não com amparo em legislação específica, inscritas na dívida ativa da União, inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por força da Medida Provisória no 2.1963, de 24 de agosto de 2001. Inviável, todavia, tal análise no âmbito do recurso voluntário, visto que o dispositivo em apreço exige a consolidação de todos os débitos do sujeito passivo para fins de verificar se foi respeitado o limite de R$10.000,00 (dez mil reais), e o recurso em pauta trata apenas do reexame da decisão recorrida, onde há apenas parte do débito, não sua totalidade. Na forma do §1° do dispositivo supratranscrito, tal análise deverá ser feita pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando definitivamente constituído o crédito tributário no âmbito do processo administrativo fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, mantendo a decisão recorrida tal como lançada, por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11516.000800/2009-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 80 0/ 20 09 -8 3 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da Cofins de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no terceiro trimestre do anocalendário 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000800/200983 Resolução nº 3801000.428 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10650.902459/2011-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
Numero da decisão: 3803-003.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
[assinado digitalmente]
Hélcio Lafetá Reis Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplica-se apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
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ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção da Contribuição para o PIS prevista no art. 14, § 1º, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, quanto às receitas decorrentes de vendas realizadas para sociedades empresárias domiciliadas na Zona Franca de Manaus, aplicase apenas em relação às hipóteses dos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo, a partir de 18 de dezembro de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira (Relator) e Jorge Victor Rodrigues. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira – Relator [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 59 /2 01 1- 18 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição (PER) transmitido em 29/03/2004 no valor de R$ 1.683,81 relativo ao recolhimento do PIS/PASEP, período de apuração 10/2002, calculado sobre receitas de venda para clientes domiciliados na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG emitiu despacho decisório eletrônico que indeferiu o pedido da contribuinte alegando inexistência de crédito. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade sumarizada no acórdão da 1ª Turma da DRJ/JFA que compõe o processo que transcrevemos a seguir: “a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que está impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. b) Alega que não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. c) No mérito, solicita a restituição do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criação da Zona Franca de Manaus, sua manutenção por meio do ADCT, art. 40, da Constituição Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportações para o estrangeiro, gozando as operações de todos os benefícios destas, inclusive a isenção do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória nº 18586 determinava que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitação constante na Medida Provisória de que a isenção supra não alcançaria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar nº 2.2161. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 3803003.944 S3TE03 Fl. 159 3 g) Com relação ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado débitos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realização de diligência, para que se comprove a existência do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório.” A DRJ/JFA em seu acórdão de resposta à manifestação de inconformidade julgou improcedentes os pedidos da contribuinte e manteve a decisão de não homologar o referido PER. Não compactua com a tese do sujeito passivo de que a equiparação das vendas realizadas a ZFM com exportações seja abrangente a ponto de gerar isenção nas contribuições para o PIS/PASEP. Tem como fundamentação a Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde com relação ao mérito apresenta os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade e pede que seja reconhecido o direito creditório bem como homologado o PER apresentado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo referese à incidência do PIS sobre as vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, ou se há imunidade, como pretende a recorrente, por entender que estas vendas devem ser equiparadas a exportação. De se lembrar que o período de apuração da contribuição cujo alegado recolhimento a maior que ora se discute é o de novembro de 2001. Destacamos a legislação referente à matéria. No tocante especificamente a Zona Franca de Manaus O art. 4º do Decreto Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967 prescreve uma “equiparação” entre as exportações e as Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 4 remessas de mercadorias nacionais para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, para efeitos fiscais e nos termos da legislação em vigor, verbis: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, nos termos do artigo abaixo transcrito: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.(...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” No Ato das Disposições Constitucionais Transitórias em seu art. 40 está previsto a manutenção dos incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos, albergando as vendas realizadas pela contribuinte: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Posteriormente, foi editada a Medida Provisória n° 202, publicada em 26 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, cujo art. 2° reduziu a zero as alíquotas de PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, verbis: “Art. 2 o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM.” Conclusão A isenção da PIS encontra respaldo na combinação das regras constantes do art. 4º do DecretoLei nº 288/67, do art. 40 do ADCT e do art. 149, § 2º, da Constituição Federal. O fato da legislação especifica do PIS não trazer nada acerca da isenção requerida não muda o disposto no Decreto Lei nº 288/67. A simples observação da legislação vigente nos leva à conclusão de que as vendas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas a exportação, e como tal gozam de isenção do PIS. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 3803003.944 S3TE03 Fl. 160 5 Para tanto, recorro ao voto proferido pelo Ministro Teori Albino Zavascki no Recurso Especial nº 1.084.380RS, assim ementado “(...)4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida "com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Ora, entre as "características" que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual "a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1ª T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1ª T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) “ Grifamos Pelo exposto voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso e homologar o pedido de restituição. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado De início, registrese que, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a norma tributária que institui outorga de isenção. Nada obstante o art. 4° do DecretoLei n° 288/1967 ter equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, ressalvese que tal determinação se aplicava aos fatos tributários disciplinados pela legislação então vigente, não estendendo seus efeitos às normas supervenientes de regência da matéria. A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada. Portanto, seriam aplicáveis ao presente caso somente as hipóteses de isenção dos incisos IV, VI, VIII e IX, a seguir discriminadas: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS 6 a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo le bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Tais hipóteses de isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS não se aplicam aos fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –, pois, nesse interregno, vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, que, após inúmeras reedições, se tornou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período acima identificado. Inobstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Considerando que, de acordo com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio, temse que a isenção sob comento permaneceu afastada nos casos da espécie. Além disso, em 9 de novembro de 2004, a Lei n° 10.996 inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10650.902459/201118 Acórdão n.º 3803003.944 S3TE03 Fl. 161 7 utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse uma alíquota zero relativamente a fatos isentos, dada a incompatibilidade de convivência dos institutos. Portanto, concluise pela atuação escorreita da autoridade fiscal quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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