Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.925469/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do Fato Gerador: 30/09/2006
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ISS. INCLUSÃO.
O valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISS, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da Cofins.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
STJ. DECISÃO DEFINITIVA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA.
As decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferidas na sistemática dos recursos repetitivos devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3201-006.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.925434/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do Fato Gerador: 30/09/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ISS. INCLUSÃO. O valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISS, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 STJ. DECISÃO DEFINITIVA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferidas na sistemática dos recursos repetitivos devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10980.925469/2012-62
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6129552
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 01 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-006.290
nome_arquivo_s : Decisao_10980925469201262.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980925469201262_6129552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.925434/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
id : 8079214
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:59:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813598130176
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-30T12:38:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-30T12:38:33Z; Last-Modified: 2020-01-30T12:38:33Z; dcterms:modified: 2020-01-30T12:38:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-30T12:38:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-30T12:38:33Z; meta:save-date: 2020-01-30T12:38:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-30T12:38:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-30T12:38:33Z; created: 2020-01-30T12:38:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-01-30T12:38:33Z; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-30T12:38:33Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.925469/2012-62 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-006.290 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de dezembro de 2019 Recorrente POSITIVO ADMINISTRADORA DE BENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do Fato Gerador: 30/09/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ISS. INCLUSÃO. O valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISS, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 STJ. DECISÃO DEFINITIVA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferidas na sistemática dos recursos repetitivos devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.925434/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 54 69 /2 01 2- 62 Fl. 83DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.290 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.925469/2012-62 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório essencialmente o relatado no Acórdão nº 3201-006.257, de 17 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor ao despacho decisório que não deferira o Pedido de Restituição relativo a alegado crédito da contribuição social em questão. Nos termos do despacho decisório, o pagamento efetuado pelo contribuinte havia sido utilizado na quitação de outro débito de sua titularidade, decorrendo desse fato o indeferimento do pedido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que o valor relativo ao Imposto sobre Serviços (ISS) devia ser excluído da base de cálculo da contribuição por fugir do conceito de faturamento. A decisão da DRJ denegatória do direito creditório restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ISS. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) integra a base de cálculo a ser tributada pelas contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, não havendo previsão legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento integral do crédito pleiteado, repisando os argumentos de defesa, indicando jurisprudência para dar suporte a sua tese, inclusive a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), submetida à sistemática da repercussão geral, em que se admitiu a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos planilhas e cópia de folhas do livro de apuração do ISSQN. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.290 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.925469/2012-62 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.257, de 17 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de Pedido de Restituição relativo a valores da contribuição apurados sobre as parcelas do ISS incluídas na base de cálculo que, segundo o Recorrente, deviam ser excluídos por não se tratar de receita ou faturamento. Referida matéria já teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE 592.616, não tendo ainda havido decisão quanto ao mérito. O STF já decidiu, também sob o manto da repercussão geral, que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) por não se inserir no conceito de faturamento (RE 574.706). O Recorrente transcreve em sua peça recursal trecho de voto proferido quando do julgamento do RE 574.706, em que constou que “a integração do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS traz como inaceitável consequência que contribuintes passem a calcular as exações sobre receitas que não lhes pertencem, mas ao Estado-membro (ou ao Distrito Federal) onde se deu a operação mercantil e que tem competência para instituí-lo (cf. art. 155, II, da CF)” – g.n. Registrou-se, ainda, no mesmo voto, que a “parcela correspondente ao ICMS pago não tem, pois, natureza de faturamento (e nem mesmo de receita), mas de simples ingresso de caixa (na acepção supra), não podendo, em razão disso, compor a base de cálculo quer do PIS, quer da COFINS”. Considerando tais argumentos, poder-se-ia, a princípio, utilizá-los para afastar também a incidência das contribuições sobre as parcelas relativas ao ISS. Contudo, na fundamentação daquela decisão, o STF destacou a especificidade não cumulativa do ICMS, situação essa que não se verifica no ISS, dado tratar-se de imposto cumulativo; logo, a transposição pura e Fl. 85DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.290 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.925469/2012-62 simples dos referidos argumentos ao presente caso, conforme pleiteia o Recorrente, não pode ser automática. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 1.330.737, submetido à sistemática dos recursos repetitivos e transitado em julgado em 07/06/2016, decidiu que o ISS não pode ser excluído da base de cálculo das contribuições, pois “o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS”. Por força do contido no § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, este colegiado deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ em matéria infraconstitucional na sistemática dos recursos repetitivos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002496/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002
ALEGAÇÃO SEM PROVAS.
Cabe ao contribuinte trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC -
A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atende os requisitos legais.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE
Indefere-se o pedido de perícia que é prescindível para o deslinde da questão.
INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-007.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face do enunciado de súmula 02 do CARF. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atende os requisitos legais. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE Indefere-se o pedido de perícia que é prescindível para o deslinde da questão. INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 19515.002496/2004-16
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6122664
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3302-007.961
nome_arquivo_s : Decisao_19515002496200416.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002496200416_6122664.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face do enunciado de súmula 02 do CARF. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
id : 8058708
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813631684608
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-06T18:19:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-06T18:19:15Z; Last-Modified: 2020-01-06T18:19:15Z; dcterms:modified: 2020-01-06T18:19:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-06T18:19:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-06T18:19:15Z; meta:save-date: 2020-01-06T18:19:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-06T18:19:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-06T18:19:15Z; created: 2020-01-06T18:19:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-01-06T18:19:15Z; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-06T18:19:15Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.002496/2004-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.961 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de dezembro de 2019 Recorrente DISAL S/A DISTRIBUIDORES ASSOCIADOS DE LIVROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. • MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atende os requisitos legais. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE Indefere-se o pedido de perícia que é prescindível para o deslinde da questão. INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face do enunciado de súmula 02 do CARF. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 96 /2 00 4- 16 Fl. 240DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: Trata-se de auto de infração de fls. 73/80 lavrado contra a empresa qualificada em epígrafe em virtude da apuração de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos (verificações obrigatórias) da Cofins para os meses 05/2001 a 03/2002, exigindo-se-lhe contribuição de R$ 366.384,14, multa de oficio de R$274.788,08 e juros de mora de R$184.967,07, calculados até 29/10/2004, perfazendo o total de R$ 826.139,29. Do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 70 e 71, integrante do Auto de Infração, transcrevo as constatações do fiscal autuante: 1. Através de liminar em Mandado de Segurança (proc.2000.61.0000128340 da 15° V. F) sobre a alteração da base de cálculos e majoração de alíquota do COFINS, declarou (DCTF) com suspensão do débito. de ABRIL/2000 a SETEMBRO/2002, sem depósito judicial 2. No período de maio de 2001 a marco de 2002 declarou (DCTF) valores inferiores ao devido conforme quadro demonstrativo anexo; 3. Tendo aderido ao PAES - Parcelamento Especial Lei n° 10.684/03 - conta PAES n° 700300214898, requereu junto ao TRF 3° a desistência da Apelação no processo referido - protocolo de 30/jul/2003, e entrega da declaração parcelamento especial - PAES de 31/10/2003, para incluir os débitos declarados, suspensos através de liminar obtida; 4. Na forma do disposto no art. 10 da Lei n° 10.684/03, foi expedido os atos necessários para a execução da lei, e não cumprido pelo interessado: 4.1. Não apresentou a "Declaração de Desistência" junto à unidade da SRF, conf modelo constante do Anexo - Inc. I do §1° do artigo 90 (Portaria Conjunta PGFN/SRF n°01 de 23/06/2003); 4 2. Por ter declarado nos períodos acima referido, valor inferior ao efetivamente devido, a inclusão do valor complementar no parcelamento seria mediante entrega de declaração retificadora, no prazo fixado (até 31/10/2003) - parágrafo único do art. 2° (Portaria Conjunta PGFN/SRF. n°03 de 1°/09/2003); 4.3. Conforme manual da DECLARAÇÃO PAES 1.0 (instruções de preenchimento) - os débitos que farão parte no parcelamento serão todos os já declarados, e preenchidos apenas os débitos ainda não declarados e informações relativas às desistências de ações judiciais, impugnações e recursos administrativos; Os débitos relativos às diferenças declaradas a menor, em declarações já entregues, devem ser retificados através da declaração retificadora da declaração já entregue (no caso específico a DCTF retificadora). As declarações retificadoras dos débitos a serem incluídos no Paes devem ser entregues até o prazo final de entrega da Declaração do Paes; Fl. 241DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 4.4. Na declaração de parcelamento especial entregue em 31/10/2003, não declarou nenhum débito - pagina espelho e pagina 1, prestou apenas "Informação de Desistência em Mandado de Segurança" - página 2/21 (Inc. II do art. 10 da Port.Conj. PGFN/SRF n°03, de 01/09/2003); 5. Os débitos declarados a menor e não retificados conforme demonstrado, não estão incluídos no parcelamento especial, pois trata-se de modalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, o crédito tributário apurado será constituído através do competente Auto de Infração, fazendo parte integrante do mesmo o presente Termo; Cientificada em 25/11/2004, a interessada apresentou em 22/12/2004 a impugnação de fls. 82/133, na qual alegou, preliminarmente: A inexistência de prova da origem dos débitos. O fiscal aponta valores globais sem contudo demonstrar qual a origem da base de cálculo eleita. Se o Fisco emitiu um ato de lançamento sem coletar e produzir as provas que demonstrassem a subsistência dos pressupostos legais com base nos quais o ato foi emanado, o ato é nulo de pleno direito; Que a fiscalização omitiu a discriminação clara e precisa acerca dos valores que estão sendo cobrados, apontando valores diferentes no Termo de Encerramento e no Auto de Infração, o que dificultou a defesa da autuada e configura-se como cerceamento ao direito de defesa. No mérito traz as seguintes alegações: - Ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, no que tange ao alargamento da base de cálculo e à majoração da alíquota; - Argumenta ser credora da SRF, uma vez que foi efetuado pagamento indevido de tributo que na verdade nunca existiu; - Que o Fiscal não agiu com acerto ao autuá-la pela suposta não entrega da "Declaração de Desistência - PAES", conforme se comprova por meio dos documentos juntados às folhas 139 e 140; - Que a multa de oficio aplicada tem caráter confiscatório; - Que além de multa moratória, estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Ambos possuem natureza jurídica de sanções ressarcitórias o que caracteriza o chamado bis-in-idem; - Argumenta que a Selic, além de ilegal, não se presta à cobrança de juros moratórios; - Requer a produção de prova pericial para verificação dos valores apurados pelo Fisco e realização das diligências que se fizerem necessárias em vista das alegações expostas. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 Fl. 242DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. • MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atende os requisitos legais. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE Indefere-se o pedido de perícia que é prescindível para o deslinde da questão. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, trata-se de Auto de Infração objetivando a cobrança de débito tributário no montante original de R$ 826.139,29, face a constatação de diferenças entre valore escriturado e os valores declarados/pagos. Em suas razões recursais, a Recorrente repete ipsis litteris da sua impugnação que, em síntese apertada são: - Ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, no que tange ao alargamento da base de cálculo e à majoração da alíquota; - Argumenta ser credora da SRF, uma vez que foi efetuado pagamento indevido de tributo que na verdade nunca existiu; - Que o Fiscal não agiu com acerto ao autuá-la pela suposta não entrega da "Declaração de Desistência - PAES", conforme se comprova por meio dos documentos juntados às folhas 139 e 140; - Que a multa de oficio aplicada tem caráter confiscatório; - Que além de multa moratória, estão sendo cobrados juros dessa mesma natureza. Ambos possuem natureza jurídica de sanções ressarcitórias o que caracteriza o chamado bis-in-idem; - Argumenta que a Selic, além de ilegal, não se presta à cobrança de juros moratórios; - Requer a produção de prova pericial para verificação dos valores apurados pelo Fisco e realização das diligências que se fizerem necessárias em vista das alegações expostas. Fl. 243DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 Todas as questões foram devidamente enfrentadas pela decisão recorrida, não merecendo, no entendimento deste relator, reparo. Neste seara, peço vênia para adotar, como razões de decidir, o acórdão recorrido, a saber: Primeiramente equivoca-se a interessada quando alega inexistirem provas da origem dos débitos e da base de cálculo eleita. O fisca1 baseou-se nos dados informados pela própria impugnante por meio das planilhas de folhas 9 a 12. Registre-se que os valores apurados como devidos para o período autuado coincidem com os valores declarados nas DIPJ 2002 (ano calendário 2001) e 2003 (ano calendário 2002), anexadas às folhas 13 a 35. Os valores devidos da Cofins compreendidos entre os meses de maio de 2001 e março de 2002 foram confrontados com os valores declarados em DCTF, conforme planilha a folha 72, anexa ao Termo de Constatação e Verificação Fiscal de folhas 70 e71, ambos integrantes do Auto de Infração lavrado. Também não procede a alegação de divergência entre os valores constantes do Termo de Encerramento e no Auto de Infração. O valor indicado no Termo de Encerramento (R$ 826.139,39) corresponde exatamente à soma do principal, multa e juros informados no Auto de Infração. Prosseguindo a interessada alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei n° 9.718/98. Neste aspecto, cabe colocar que as arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Tal limitação decorre da disposição expressa do parágrafo único do artigo 142 do CTN, que determina que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, bem como do princípio da legalidade, pelo qual devem se pautar todos os atos da Administração Pública. Portanto, não existe outro procedimento possível à autoridade fiscalizadora senão constituir o crédito tributário com base na legislação aplicável em vigor ao tempo do lançamento, não cabendo à autoridade julgadora administrativa avaliar a constitucionalidade de tais dispositivos. No que se refere à não entrega da "Declaração de Desistência — PAES", houve equívoco do fiscal. Conforme atestam os documentos apresentados pela autuada (fls. 139 e 140), tal declaração foi entregue. Entretanto, tal fato em nada agravou a autuação tendo em vista que esta decorreu da constatação de divergência entre os valores apurados e declarados da Cofins. Quanto ao alegado teor confiscatório encontrado na multa lançada de 75%, em suposta afronta ao inciso IV, art. 150, da CF/88, é de se destacar mais uma vez, que não cabe, em sede de contencioso administrativo, deitar comentários acerca de arguições de inconstitucionalidades de lei tributária com o fito de afastar sua incidência. De qualquer forma, resta licitar que o, apenamento lançado no presente feito está expressamente estabelecido no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 que, em se Fl. 244DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 tratando de lançamento de oficio, determina que será aplicada a multa de setenta e cinco por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Ademais, lembro que não há como, in casu, se arguir afronta à Constituição Federal dado que o referido artigo 150, da CF, diz respeito à vedação de se utilizar tributo com efeito de confisco, ao passo que aqui se trata de cominação infracional, vale dizer, multa não é tributo, mas sim uma penalidade que visa punir a prática de ilicitude fiscal, não se aplicando, portanto, a vedação do art. 150 da Constituição Federal. Quanto à utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros, cabe transcrever o disposto no art. 161 do CTN sobre a matéria: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Note-se que o CTN é bastante claro ao tratar sobre o percentual de juros de mora, dispondo que somente deve ser aplicado o percentual de 1% ao mês calendário, quando a lei não dispuser de modo diverso. Assim, fica a critério do poder tributante o estabelecimento, por lei, da taxa de juros de mora a ser aplicada sobre o crédito tributário não liquidado no seu vencimento. As normas reguladoras dos juros de mora para o caso vertente estão disciplinadas no art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 61, § 3° da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, que determinaram a aplicação do percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente. Portanto, não existe outro procedimento possível à autoridade fiscalizadora senão constituir o crédito tributário com base na legislação aplicável em vigor ao tem o lançamento, não cabendo à autoridade julgadora administrativa avaliar a constitucionalidade de tais dispositivos. Concluo este voto por indeferir o pedido de perícia formulado pela interessada. Primeiramente, há que se registrar que não foram satisfeitos, pela interessada, os pressupostos para a formulação do pedido de realização de perícia, na forma do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, o que faz com que se considere o mesmo como não formulado, por força do art. 16, § 1° do mesmo diploma legal. Ademais, não há qualquer necessidade de se ouvir um perito para buscar informações que estão prontamente estampadas nos autos. Não existem dúvidas materiais que demandem obrigatoriamente a ajuda de um perito para seu deslinde. Assim, pelas razões expostas, e seguindo o que dispõe o art. 18, do Decreto n° 70.235/72 (PAF), indefere-se o pedido de perícia, visto que seu possível resultado nada traria de novo ou de relevante para a solução da lide. Não bastasse os fundamentos da acórdão recorrido serem suficientes para elidir o direito da Recorrente, aplica-se ao presente caso a Súmulas CARF nº 02 e 108 para fulminar as pretensões da Recorrente, senão vejamos: Fl. 245DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002496/2004-16 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 246DF CARF MF https://carf.economia.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902890/2009-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 01/01/2011
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Indispensável a exibição de documentação idônea capaz de corroborar a liquidez e certeza dos argumentos deduzidos. Ausente a documentação mínima básica, não há como confirmar-se a alegação de erro material.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3001-001.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202001
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2011 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Indispensável a exibição de documentação idônea capaz de corroborar a liquidez e certeza dos argumentos deduzidos. Ausente a documentação mínima básica, não há como confirmar-se a alegação de erro material. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10882.902890/2009-16
anomes_publicacao_s : 202002
conteudo_id_s : 6142582
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3001-001.099
nome_arquivo_s : Decisao_10882902890200916.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 10882902890200916_6142582.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
id : 8115090
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:00:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813636927488
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-04T14:19:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-04T14:19:14Z; Last-Modified: 2020-02-04T14:19:50Z; dcterms:modified: 2020-02-04T14:19:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c68f78bc-6487-4410-a52b-d194ed8b6a0f; Last-Save-Date: 2020-02-04T14:19:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-04T14:19:50Z; meta:save-date: 2020-02-04T14:19:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-04T14:19:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-04T14:19:14Z; created: 2020-02-04T14:19:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-02-04T14:19:14Z; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-04T14:19:14Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10882.902890/2009-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-001.099 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 22 de janeiro de 2020 Recorrente SPIRAX-SARCO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2011 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pela recorrente, uma vez que esta detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Indispensável a exibição de documentação idônea capaz de corroborar a liquidez e certeza dos argumentos deduzidos. Ausente a documentação mínima básica, não há como confirmar-se a alegação de erro material. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a conversão do julgamento do recurso em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Em 05/12/2012, foi emitido eletronicamente DESPACHO DECISÓRIO (fl. 5, rastreamento 0410123019), referente ao PER/DCOMP nº 20276.78513.250511.1.3.04-3709, segundo o qual foi localizado um ou mais pagamentos já utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, o que resultou na não homologação do pedido. A Declaração de Compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 90 /2 00 9- 16 Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 gerada no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, teve valor original na data de transmissão de R$ 34.345,80, com pagamento a maior no valor de 31.965,70. Como enquadramento legal, citou-se: arts. 165 e 170, do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em 26/12/2012, o interessado entrou com MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls.3) tempestivamente. No mérito, destacou que, conforme a apuração da DACON da competência 03/2011, pleiteou a compensação do pagamento a maior no valor de R$ 31.965,70, uma vez que na DCTF da mesma competência informou incorretamente o valor devido, igual ao valor da DARF/Cofins recolhido. Haja vista a entrega de DCTF/retificadora para o mesmo período, na qual declara o valor efetivamente devido, requer-se o deferimento da presente. Em 29/01/2015, os membros da 4ª turma da DRF - Brasília proferiram ACÓRDÃO (fls. 60-64) unânime no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade, Alegando-se que, de acordo com o art. 156, II c/c o art. 170, ambos do CTN, para o reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional, é necessária a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, de competência de ônus da prova do contribuinte interessado. Além disso, destacou a decisão de piso que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, de acordo com o art. 5º do Decreto Lei n. 2124/1984. Ressaltou-se, também, que a retificação da declaração por iniciativa própria do declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo, de acordo com o art. 147 do CTN c/c o art. 26 e 27 do Decreto 7.574/2011. Por isso, prosseguiu o acórdão combatido alegando que, (a) - na hipótese de erro na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pelo interessado por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade; e, (b) - a requerente não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e redução de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. O sujeito passivo teve ciência do teor do acódão recorrido em 27/02/2015 (AR, fls. 75), e ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO em 30 de setembro de 2016 (fls. 79-86), reiterando sua impugnação e alegando erro material formal no preenchimento da DCTF; e que, quando da sua identificação, foi apresentada retificação, entregue em 21/12/2012, a qual foi acolhida e processada "sem pendências". Com base em diversos doutrinadores renomados, argumentou o contribuinte em seu apelo que o processo não poderia ser um fim em si mesmo, mas como meio para alcançar a justiça, a fim de respeita o princípio da finalidade (fl. 81-2). Citou-se, Silva Cabral, auditor fiscal e ex-conselheiro do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual destaca o predomínio do princípio da verdade material no processo administrativo e o hábito deste Conselho em converte o julgamento em diligência, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito (fl.83). Dessa forma, diante da divergência da DACON e da DCTF, não se cuidou na apuração dos elementos em discussão. Prosseguiu citando o princípio da praticabilidade Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 tributária, segundo o qual os atos estatais de aplicação de leis administrativas e jurisdicionais ficam jungidos aos ditames da praticabilidade, de modo a não frustrar a finalidade pública estampada na lei (fl. 83). A fim de se reforçar a defesa jurisprudencial acerca da possibilidade da admissão de juntada de provas na fase recursal, além do art. 397 do CPC, juntou-se o REsp 780396 PB 2005/0149978-1 do STJ, publicado em 19/11/2007 (fl. 84). De modo análogo, e para reforçar seu pleito por julgamento que privilegie a verdade material, valeu-se de jurisprudências do Carf, inclusive citando o acórdão 3401-002.789 (Processo nº 13874.000187/2003-65, publicado em 05/01/2015), segundo o qual a comprovação de erros na Declaração prestada à RFB deve ser passível de retificação; e também referindo-se ao acórdão 2801-003.682 (Processo nº 10880.008207/2006-11, publicado em 02/03/2015), relativamente ao direito da parte à produção de provas posteriores, que até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora (fls. 85-6). Por tais argumentos, requereu a anulação do despacho decisório e do acórdão e a concessão do direito tributário no valor supracitado, conforme DCTF retificada posteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida em 15 de abril de 2015 (fls. 49), e a empresa ingressou com Recurso Voluntário em 16 de abril daquele mesmo ano (fls. 53/56), dentro do prazo de 30 dias de que trata o art. 33 do PAF. Presentes os demais pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do apelo do recorrente. Aspecto preliminar Embora sem formalização específica, em seu recurso a empesa dá a entender que, em caso de dúvida quanto à documentação exibida, dever-se-ia baixar o feito em diligência para exibição documental complementar. Todavia, seja com a manifestação de inconformidade, seja com o apelo a este Colegiado, nenhum documento contábil-fiscal foi exibido nos autos capaz de enseja uma eventual proposta de diligência para complementação da documentação; e a produção de prova é vedada ao julgador, competindo à parte prroduzí-la e/ou requerê-la adequada e oportunamente. Assim, por cautela, faço este registro para que, no futuro, não se alegue eventual cerceamento ao direito de defesa da parte, pois entendo que, de fato, a hipótese não comporta a conversão do feito em diligência, uma vez que cabia ao sujeito passivo a exibição da documentação idônea capaz de demonstra a liquidez e certeza do seu alegado erro, mesmo que em sede de recurso voluntário. Aspectos de mérito Na sua manifestação de inconformidade alegou resumidamente o sujeito passivo (fls. 7) que : (1) - é certo que o crédito ora mencionado foi demonstrado somente após a retificação da DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF relativa ao mês de junho de 2006, todavia, isto não retira da REQUERENTE o direito Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 sobre o crédito gerado, conforme aqui apontado; (2) - apesar da REQUERENTE ter cometido um erro de fato no preenchimento da DCTF original na ocasião da apuração da contribuição (doc. 7), é indubitável o seu direito sobre o aproveitamento deste crédito, posto ter agido de boa-fé ao emitir a DCTF retificadora, com o objetivo de esclarecer ao fisco o direito a que faz jus; e, (3) - para ratificar esta posição, a REQUERENTE traz a baila alguns julgados exarados pelo Ministério da Fazenda da Secretaria da Fazenda Federal acerca da possibilidade do cabimento da retificação dos dados prestados na DCTF original nos casos de erro de fato no preenchimento, inclusive em casos de erros materiais. O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade para manter incólume o despacho decisório (fls. 60/65), ao fundamento básico de que “para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil- fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração” (fls. 40), e arrematou, verbis. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. .......................................................(omissis)................................................ Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Em reforço dos seus argumentos recursais reportou-se o sujeito passivo ao fato de que se deve sempre privilegiar a busca da verdade material, citando os acórdãos 3401-002.789 (Processo nº 13874.000187/2003-65, publicado em 05/01/2015), segundo o qual a comprovação de erro na Declaração prestada à RFB deve ser passível de retificação, e acrescentando que o acórdão 2801-003.682 (Processo nº 10880.008207/2006-11, publicado em 02/03/2015), assegurou o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora (fls. 85-6). Como se viu no relatório, a recorrente retificou a DCTF após ter ciência dos termos do Despacho Decisório, alegando erro material no preenchimento, mas não logrou oferecer documentos capazes de confirmar suas informações. Tenho sempre votado no sentido de aceitar os erros materiais para mitigar a incidência das normas legais e dar guarida aos argumentos das empresas, mas desde que tais fundamentos sejam convincentes e o mínimo de documentação seja exibido com vistas a comprovar a plausibilidade dos alegados erros materiais. Com efeito, este Conselho tem mitigado os rigores da legislação pertinente ao assunto, para aceitar eventualmente que a DCTF possa ser retificada, para corrigir erro material, mesmo após o despacho decisório (como é a hipótese dos autos) – inclusive acatando a juntada de documentos comprobatórios do alegado erro em sede de recuso voluntário -- mas sempre vinculando essa mitigação a que o contribuinte comprove, com documentação hábil e idônea, a ocorrência da liquidez e certeza dos seus documentos, seja com a exibição dos Livros Fiscais (Diário, Razão, Entrada e Saída, por exemplo), seja também e complementarmente com a exibição dos demonstrativos dos Lançamentos Contábeis de sua escrita fiscal, planilhas de cálculos demonstrativos do erro, etc. Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 Na hipótese dos autos, porém, tanto na Manifestação de Inconformidade, como em sede de Recurso Voluntário, a empresa limitou-se a exibir cópias das DCTFs primitiva e retificadora, do PER/DCOMP e dos DARFs de pagamento, sem esboçar qualquer outra documentação extraída de sua escrita e livros fiscais capazes de demonstrar o alegado erro material. Significa dizer que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública, sendo que a simples alegação de erro material, instruída somente com a apresentação de DCTF retificadora, sem lastro em documentação hábil e idônea, não são elementos suficientes para fazer prova em favor do contribuinte. Consequentemente, tem-se como verdade material as assertivas constantes do v. acórdão recorrido que manteve o despacho decisório atacado pelo recorrente, razão pela qual entendo que a conclusão a que chegou a Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que decorrem das informações prestadas pelos Contribuintes através de suas declarações fiscais próprias, válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Ou seja, conforme se verifica no corpo das decisões recorridas, não se vislumbro qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF, haja vista que o valor pago por meio de DARF foi integralmente aproveitado para liquidar tributos declarados espontaneamente pelo Contribuinte como devidos; e se erro material houve, não cuidou a recorrente de demonstrar, com documentação contábil-fiscal hábil e idônea. Esta Turma, em julgamentos semelhantes, tem tomado como exemplo o Acórdão da CSRF n o 9303-005.226, sessão de 20 de junho de 2017, de relatoria da i. Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa reproduzo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Peço licença para agregar aos meus argumentos os fundamentos utilizados pela i. Conselheira Relatora designada, em seu voto condutor naquele Acórdão (grifei): “Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, deve-se ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poder-dever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações”. Faço questão de registrar, porém, que este E. Tribunal, esta 1ª Turma Extraordinária e principalmente este Relator teem sempre procurado flexibilizar o texto seco da norma, permitindo que sobrevenham documentos complementares que comprovem a existência do crédito. Entretanto, e como dito linhas acima, somente verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo é que deve o julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Contudo, no caso dos autos, como visto, a recorrente não se desincumbiu do seu dever de trazer, mesmo que com o recurso voluntário, os necessários elementos de prova (acima já citados), aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, de sorte que não merece acolhimento o pleito de reforma da decisão de primeira instância. Conclusão Diante do exposto, considerando que a empresa não logrou confirmar suas razões recursais por meio de documentos hábeis e idôneos extraídos dos assentamentos e lançamentos de sua contabilidade; considerando que nem mesmo os Livros Fiscais (Diário, Razão, Entrada, Saída, pe) ilustrado com os Lançamentos Contábeis e Planilhas Demonstrativas do alegado erro foram exibidos, mesmo que em sede de Recurso Voluntário; e ainda, considerando que o ônus da prova, em casos que tais, é da responsabilidade do contribuinte que dele não se desincumbiu a contento, VOTO no sentido de tomar conhecimento do apelo, REJEITAR o pedido de diligência implicitamente formulada no apelo, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso do sujeito passivo, para manter o acórdão guerreado por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-001.099 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.902890/2009-16 Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005905/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRRF SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS OMITIDAS DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nega-se a restituição de IRRF incidente sobre receitas omitidas na apuração do lucro real; mesmo se essas receitas tivessem integrado a base de cálculo do IRPJ, o IRRF não seria passível de restituição direta, devendo ser deduzido do IRPJ devido no período a que competirem as receitas; somente o saldo negativo de IRPJ eventualmente surgido após a dedução do IRRF é que pode ser restituído.
Numero da decisão: 1402-004.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRRF SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS OMITIDAS DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nega-se a restituição de IRRF incidente sobre receitas omitidas na apuração do lucro real; mesmo se essas receitas tivessem integrado a base de cálculo do IRPJ, o IRRF não seria passível de restituição direta, devendo ser deduzido do IRPJ devido no período a que competirem as receitas; somente o saldo negativo de IRPJ eventualmente surgido após a dedução do IRRF é que pode ser restituído.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 11065.005905/2002-16
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6128488
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1402-004.321
nome_arquivo_s : Decisao_11065005905200216.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 11065005905200216_6128488.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
id : 8073542
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:59:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813648461824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 614 1 613 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.005905/200216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402004.321 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente AMAPA DO SUL SA INDUSTRIA DA BORRACHA Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRRF SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS OMITIDAS DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Negase a restituição de IRRF incidente sobre receitas omitidas na apuração do lucro real; mesmo se essas receitas tivessem integrado a base de cálculo do IRPJ, o IRRF não seria passível de restituição direta, devendo ser deduzido do IRPJ devido no período a que competirem as receitas; somente o saldo negativo de IRPJ eventualmente surgido após a dedução do IRRF é que pode ser restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 59 05 /2 00 2- 16 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11065.005905/200216 Acórdão n.º 1402004.321 S1C4T2 Fl. 615 2 Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11065.005905/200216 Acórdão n.º 1402004.321 S1C4T2 Fl. 616 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação e não reconheceu o créditde IRRF sobre aplicações financeiras dos anos de 1998 e 1999. Para evitar repetições adoto o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de processo encaminhado a esta DRJ para julgamento de manifestação de inconformidade (fls. 264/269) contra o despacho decisório (fls. 257) que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou compensações declaradas pela interessada. Esse despacho decisório, modificou, por ordem judical (fls. 252), despacho anterior (fls. 132) que havia considerado não declaradas as compensações. 0 pedido de restituição apreciado no despacho decisório refere se a IRRF retido nos anos de 1998 e 1999 e foi indeferido porque (parecer, fls. 128 e seguintes): — nos termos do art. 229 e 231 do RIR/99, o IRRF somente pode ser aproveitado "como redução do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração", só podendo ser objeto de restituição o saldo negativo de IRPJ apurado após a dedução do IRRF; e — ainda assim, não foi apurado saldo negativo de IRPJ nos anos em questão. A interessada apresenta manifestação de inconformidade alegando que: — o IRRF de que pede restituição é decorrente de aplicações financeiras que não foram incluídas na base de cálculo do IRPJ; — teve prejuízos em 1998 e 1999, de forma que "se enquadra na hipótese de apuração de saldo negativo, e pode deduzir o IRRF com que contribuiu, incidente sobre suas aplicações financeiras, embora elas não estivessem na base de cálculo do IRPJ"; — a não inserção do valor do IRRF na DIPJ não extingue seu direito; — o RIR/99 não poderia ser aplicado a fatos geradores anteriores ã sua vigência; e — deveria ter sido intimada a retificar suas declarações para inclusão das receitas financeiras e do IRRF. Inconformada com a decisão do v. acórdão "a quo", a Recorrente interpôs Recurso Voluntário visando sua reforma, alegando nulidade do v. acórdão recorrido por falta de motivação, repetindo os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sem acostar qualquer documento. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11065.005905/200216 Acórdão n.º 1402004.321 S1C4T2 Fl. 617 4 É o relatório. Voto Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11065.005905/200216 Acórdão n.º 1402004.321 S1C4T2 Fl. 618 5 Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. Preliminar de ausência de fundamentação do v. acórdão recorrido: Tal alegação da Recorrente não deve ser acolhida, eis que o v. acórdão recorrido analisou todas as alegações feitas na manifestação de inconformidade da Recorrente, motivou e fundamentou adequadamente sua decisão. Os dispositivos utilizados tanto no r. Despacho Decisório, como no v. acórdão recorrido (artigos 2 e 6 da Lei 9.430/96 e artigos 229 e 231 do RIR/99) se enquadram perfeitamente com a matéria dos autos na época em que ocorreram os fatos relativos ao pagamento do IRRF, anos 1998 e 1999. Sendo assim, rejeito a preliminar de falta de fundamentação do v. acórdão recorrido. Mérito: O r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação requerida devido ao fato de o IRRF ser considerado antecipação do imposto a pagar e só poder ser compensado quando compor o saldo negativo de IRPJ no ajuste final. Ou seja, nos termos do art. 229 e 231 do RIR/99, o IRRF somente pode ser aproveitado "como redução do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração", só podendo ser objeto de restituição o saldo negativo de IRPJ apurado após a dedução do IRRF. Assim, como não foi apurado saldo negativo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999, não foi reconhecido o crédito e as compensações não foram homologadas. A principal tese da Recorrente vai no sentido de que como teve prejuízo fiscal nos anos de 1998 e 1999, uma das hipóteses de apuração do saldo negativo do IRPJ, poderia restituir o IRRF sobre aplicações financeiras pago, mesmo que não esteja computado na base de cálculo do IRPJ. Tal alegação da Recorrente não deve ser provida. Primeiramente, por ser o IRRF uma antecipação do IPRJ devido no período de apuração, só poderá ser restituído ou compensado após a apuração do saldo negativo do IRPJ no ajuste final. Ou seja, após a apuração da base de cálculo do imposto. O fato de ter prejuízo fiscal nos anos 1998 e 1999 não significa que a Recorrente tem saldo negativo de IRRF para compensar, mesmo porque, restou comprovado nos autos que não existia saldo negativo no período. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11065.005905/200216 Acórdão n.º 1402004.321 S1C4T2 Fl. 619 6 O prejuízo fiscal reduz o lucro cujo qual o imposto irá incidir e o saldo negativo atinge diretamente a apuração do imposto no ajuste final, são créditos que não se confundem. Sendo assim, como restou comprovado que não existia saldo negativo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999, bem como pelo fato de o IRRF ser apenas uma antecipação do imposto, inexistindo assim crédito a ser restituído ou compensado, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001789/2006-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002, 2003
COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NÃO TRIBUTAÇÃO. ATO COOPERATIVO.
Súmula CARF 141: As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados.
Numero da decisão: 9101-004.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Andrea Duek Simantob, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202002
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002, 2003 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NÃO TRIBUTAÇÃO. ATO COOPERATIVO. Súmula CARF 141: As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 16327.001789/2006-77
anomes_publicacao_s : 202003
conteudo_id_s : 6148095
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9101-004.758
nome_arquivo_s : Decisao_16327001789200677.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001789200677_6148095.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Andrea Duek Simantob, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
id : 8139734
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:00:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813653704704
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-19T22:31:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-19T22:31:19Z; Last-Modified: 2020-02-19T22:31:19Z; dcterms:modified: 2020-02-19T22:31:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-19T22:31:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-19T22:31:19Z; meta:save-date: 2020-02-19T22:31:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-19T22:31:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-19T22:31:19Z; created: 2020-02-19T22:31:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-02-19T22:31:19Z; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-19T22:31:19Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.001789/2006-77 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101-004.758 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2020 Recorrente COOPERATIVA DE ECONOMIA E CREDITO MUTUO DOS MEDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DA AREA DE SAUDE DE CAMPINAS E REGIAO LT Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002, 2003 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. NÃO TRIBUTAÇÃO. ATO COOPERATIVO. Súmula CARF 141: As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Andrea Duek Simantob, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 89 /2 00 6- 77 Fl. 1137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.758 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001789/2006-77 Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão nº 1101-000.750, de 14.06.2012, em cuja ementa consta: Acórdão recorrido 1101-000.750, de 14.06.2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO COOPERATIVAS. TRADICIONAIS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperativos, e seu resultado sujeita-se à incidência do imposto de renda. ERRO MATERIAL. DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Exonera-se parcialmente o crédito tributário quando confirmado erro material na quantificação do valor tributável. [...] Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. O Sujeito Passivo tomou ciência da referida decisão em 19.03.2015 e interpôs recurso especial em 02.04.2015. Alega divergência jurisprudencial com relação aos seguintes paradigmas: Acórdão paradigma 9101-001.825, de 20.11.2013: COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadram se no conceito de atos cooperativos. Acórdão paradigma 1301-001.251, de 10.07.2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a Fl. 1138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.758 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001789/2006-77 efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. DF CARF MF Fl. 971 A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Em 24 de março de 2016, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento ao recurso especial, consignando: Examinando os acórdãos paradigmas verifica-se que trazem o entendimento de que "nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações [...] enquadram-se no conceito de atos cooperativos". O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperativos, e seu resultado sujeita-se à incidência do imposto de renda". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelam- se discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pelo Sujeito Passivo. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, questionando exclusivamente o mérito do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida no tocante ao seu seguimento, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. Assim, conheço do recurso especial. Mérito O mérito do presente recurso consiste em definir se estão sujeitos à tributação os resultados provenientes de aplicações financeiras efetuadas por cooperativas de crédito. Fl. 1139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.758 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.001789/2006-77 Sobre o assunto, sempre orientei meus votos no sentido de que a interpretação das regras sobre cooperativas não pode ser literal, devendo ser realizada à luz de seu especial tratamento. Neste sentido, a efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado, muito embora consista em ato praticado com um terceiro não cooperado, constitui ato cooperativo não sujeito à tributação (acórdão 9101-004.466, de 10 de outubro de 2019). Observo que a questão já foi examinada com relação a este mesmo contribuinte, tendo esta 1ª Turma da CSRF decidido a seu favor, nos termos do acórdão 9101-003.984, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.782 e 9101001.825. Em seguida, a jurisprudência deste CARF se consolidou sobre o tema neste mesmo sentido, tendo sido aprovado o enunciado da súmula CARF n. 141, de seguinte teor: Súmula CARF 141: As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados. As súmulas CARF são de observância obrigatória por parte dos Conselheiros (artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF 343/2015). Neste sentido, é de se conhecer e dar provimento ao recurso especial. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1140DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001775/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE INTIMAÇÃO NA FASE INVESTIGATIVA. NÃO OCORRÊNCIA.
Art. 10, 11 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, havendo, portanto, o correto respeito ao direito de defesa. Rejeita-se preliminar de nulidade.
PROVAS.
Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de Ação Penal, onde consta o titular das remessas de numerário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS NO EXTERIOR.
Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos no exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM.
Caracterizam-se como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, lançamento válido.
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Recurso Voluntário Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-006.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202001
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE INTIMAÇÃO NA FASE INVESTIGATIVA. NÃO OCORRÊNCIA. Art. 10, 11 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, havendo, portanto, o correto respeito ao direito de defesa. Rejeita-se preliminar de nulidade. PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de Ação Penal, onde consta o titular das remessas de numerário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS NO EXTERIOR. Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos no exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizam-se como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, lançamento válido. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso Voluntário Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 19515.001775/2007-13
anomes_publicacao_s : 202002
conteudo_id_s : 6143395
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-006.989
nome_arquivo_s : Decisao_19515001775200713.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001775200713_6143395.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
id : 8115248
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:00:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813688307712
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-13T21:45:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-13T21:45:00Z; Last-Modified: 2020-02-13T21:45:00Z; dcterms:modified: 2020-02-13T21:45:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-13T21:45:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-13T21:45:00Z; meta:save-date: 2020-02-13T21:45:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-13T21:45:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-13T21:45:00Z; created: 2020-02-13T21:45:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2020-02-13T21:45:00Z; pdf:charsPerPage: 2563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-13T21:45:00Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.001775/2007-13 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.989 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2020 Recorrente EDMUNDO ABISSAMARA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DE INTIMAÇÃO NA FASE INVESTIGATIVA. NÃO OCORRÊNCIA. Art. 10, 11 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, havendo, portanto, o correto respeito ao direito de defesa. Rejeita-se preliminar de nulidade. PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de Ação Penal, onde consta o titular das remessas de numerário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS NO EXTERIOR. Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos no exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizam-se como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, lançamento válido. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso Voluntário Conhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 75 /2 00 7- 13 Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 373/388, contra a decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ SPOII, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 17-30.591, proferido em 18/03/2009 (fls. 359/364), cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Física- IRPF Ano-calendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Lançamento Procedente Conforme consta do Auto de Infração lavrado (fls. 333/335), consolidado em 04/07/2007, referente ao ano calendário de 2003, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 277.119,50, sendo R$ 124.380,39 de IRPF; R$59.453,82 de juros de mora (calculados até 29/06/2007), e R$93.285,29 de multa de ofício, sendo que o Contribuinte foi intimado do lançamento do AI em 05/07/2007 (fl. 336), conforme atesta o AR. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 226/230, o procedimento fiscalizatório que culminou no lançamento do Auto de Infração, tem origem nos Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 documentos encaminhados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) pela Polícia Federal, em cumprimento de decisão judicial proferida nos autos do processo 2004.7000008267- 0 (da 2ª Vara Federal de Curitiba/PR, os quais investigaram as movimentações financeiras nas contas mantidas no MTB-CBC Hudson Bank, em Nova York, realizadas pela Polícia Federal e Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI - do Banestado, cujo acesso foi obtido pela ordem judicial concedida pela Justiça Norte-Americana e autorização pelo Ministério Público de Nova York. Segundo o Laudo de Exame Econômico-Financeiro n. 1578/2005-INC, de 30/06/2005 (fls. 34/45), constatam-se as transferências eletrônicas, inerentes às contas mantidas no MTB-CBC-Hudson Bank de Nova Iorque-NI, sendo que a conta corrente de n. 030102278, denominada de EDIPAR FINANCIAL CORP tem como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) pela movimentação financeira os Srs. Edmundo Abissamra, José Papa Junior, Fernando Moreira Amaral Hormain e João Rombaldi Junior. O Laudo também identifica que os Srs. Edmundo Abissamra e José Papa Junior são os beneficiários proprietários da EDIPAR FINANCIAL CORP, estando de posse das ações ao portador desta empresa. Dentre a movimentação financeira, verifica-se que consta o valor total de US$ 310.155,00 (R$904.584,620), creditado na conta 030102278 da EDIPAR FINANCIAL CORP, sendo que os valores individualizados dos créditos estão demonstrados no anexo II do referido laudo: Considerando que os Srs. Edmundo Abissamra e José Papa Junior são os beneficiários proprietários da EDIPAR FINANCIAL CORP e que apresentam declaração de rendimentos em separado, relativo ao ano-calendário 2003, restou imputado a cada um deles 50% dos rendimentos omitidos (R$452.292,30). Nas fls. 339/353, o contribuinte apresenta sua Impugnação, na qual afirma que: Nulidade do lançamento: ausência de regular intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários - somente na hipótese de o contribuinte “regularmente intimado” nos moldes do art. 42 da Lei n° 9.430/96 que deixar de apresentar os documentos necessários é que a Administração Fiscal estará autorizada a realizar a exigência dos tributos devidos sobre os rendimentos omitidos. Erro de sujeição passiva: para haver a aplicação da norma sobre omissão de rendimentos em movimentações financeiras, é necessário que esteja demonstrada (a) existência de créditos em conta corrente ou Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 de investimento (b) cujo titular (c) não tenha apresentado prova idônea de origem (após ter sido devidamente intimado para tanto). O Fisco não provou, de forma direta ou por presunção fundada em indícios, que a conta-corrente da empresa “Edipar”, residente no exterior, na realidade seria de propriedade do Impugnante. Impossibilidade de atribuição de responsabilidade pessoal fora das hipóteses previstas no art. 135 do CTN: a Fiscalização imputou ao Impugnante a propriedade sobre recursos depositados em conta- corrente da “Edipar”, empresa da qual é procurador e, consequentemente, exige em seu nome, como responsável pessoal, o IR sobre as supostas rendas que teria auferido e omitido de sua DIRPF. Os representantes são terceiros em relação à pessoa jurídica. Nos termos do Art. 135 do CTN, os representantes das pessoas jurídicas somente podem responder por créditos tributários quando exercerem cargo de direção e desde que atuem de forma contrária aos interesses da sociedade, buscando satisfazer interesse exclusivamente pessoal. Não comprovado o excesso de mandato, razão pela qual deve ser cancelado o lançamento. Nas fls. 359/364 consta o Acórdão da Impugnação, o qual considerou o lançamento procedente e indeferiu os termos da impugnação, ante a seguinte razão: Toda a argumentação do contribuinte gira em torna de estar ou não provado que ele seria o responsável pela movimentação, seja diretamente ou como responsável legal da pessoa jurídica. O contribuinte não questiona a legitimidade de lançamentos com base em depósitos bancários, mas questiona a forma como ocorreu e os vícios invocados seriam decorrentes, basicamente, do fato de a titularidade da conta ser de uma pessoa jurídica e não do contribuinte. O primeiro vício invocado seria de que o contribuinte teria sido intimado como representante legal da empresa, de forma que seria irregular o lançamento em seu nome. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 198/200, o Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01) e as intimações Fiscais (fls. 07 e 12) deixam claro que o contribuinte não foi autuado ou fiscalizado como representante legal, mas como contribuinte diretamente responsável pela movimentação financeira que se questionou. O Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01 não inclui a pessoa jurídica citada como fiscalizada, até porque não é contribuinte brasileira, encontrando-se sediada nas Ilhas Virgens Britânicas; Restou claro tanto no início como na autuação que os documentos indicavam a responsabilidade direta do contribuinte e não na condição de representante legal, de forma que não há irregularidade na intimação e tão pouco há que se falar em aplicação do artigo 135 do CTN. Ficou claro no Termo de Verificacão Fiscal (fls. 197) que a assertiva da titularidade dos valores baseou-se no item 08 do Laudo de Exame Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Econômico Financeiro 1578/2005-INC. Com efeito, o laudo aponta o contribuinte como responsável (procurador ou titular ou representante), informa que é beneficiário proprietário da referida empresa, estando de posse das ações ao portador desta empresa e sendo nomeado Secretário. Apenas para reforçar o receio do contribuinte na apuração dos fatos, o próprio Laudo aponta que nas correspondências, solicitava-se a destruição das mesmas (fls. 33). Quem atua regularmente não tem receio de que os fatos documentados sejam apresentados. O contribuinte não explica porque a aquisição ou mesmo o estabelecimento de empresa no exterior não consta de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física conforme determina o artigo 25 da Lei n° 9.250/95. Portanto, dos elementos de convicção colacionados aos autos, elaborados em juízo ou fora dele, no país ou no estrangeiro, mas sempre por peritos e especialistas nos mais diversos campos (informática, policial, contábil, econômico, financeiro, etc.) extrai-se a certeza de que o contribuinte era de fato o titular dos valores da conta. Nas fls. 373/388 o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, no qual alega que: Ausência de regular intimação para comprovação da origem – Exigência imposta pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96. O Termo de Intimação afirma que o contribuinte seria responsável pela movimentação financeira de “Edipar”, sendo que, nessa medida, depreende-se do Termo de Intimação que a Fiscalização tinha interesse em averiguar eventuais irregularidades cometidas pela sociedade e que o Recorrente havia sido intimado na condição de seu representante e não como um dos fiscalizados. Não há no Termo de Intimação qualquer indicação de que o Fisco entendia que não se deveria falar em conta-corrente de propriedade de “Edipar”, mas em conta pertencente ao Recorrente e aos demais acusados. Ao contrário do que afirma a DRJ, como se acreditava que o patrimônio em nome da pessoa jurídica era, em verdade, de titularidade do representado, isso evidentemente exigia que a Fiscalização mencionasse expressamente tal ponto na intimação, o que não foi feito no caso concreto, configurando o vício que demonstra a improcedência da exação. Outrossim, os termos utilizados pela DRJ (“indica a titularidade”, “foi nesse sentido a intimação” ou “ já ficou claro de largada”) demonstram a falta de clareza das intimações recebidas pelo Recorrente, o que apenas corroboram a irregularidade das mesmas. A DRJ, na tentativa de explicar o significado das intimações recebidas pelo contribuinte, toma incontroverso o fato de que o Recorrente não teve conhecimento (e entendimento) do fato que se queria investigar (a propriedade das contas correntes investigadas pela pessoa física), o que só demonstra Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 que não se procedeu à regular intimação e que se refere o “caput” do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Inexistência de previsão legal que autorize a presunção de que o Recorrente é o titular da conta-corrente - Erro de sujeição passiva. O Fisco entende que o Recorrente e os outros três envolvidos são, todos eles, titulares de fato da conta corrente da empresa no exterior e o único elemento citado que os relaciona é o cartão de assinatura arquivado na instituição financeira, a única possibilidade que se vislumbra para a SRFB ter chegado a essa conclusão é o entendimento de que, em razão de terem assinado tal cartão, essa seria a prova de que a conta, na realidade, seria de todos eles. O simples fato de o Recorrente ter subscrito o cartão de assinaturas para arquivo na instituição financeira apenas prova que estava autorizado a realizar movimentações para a pessoa jurídica, porém, evidentemente, não significa que a conta- corrente da “Edipar” na realidade seja de sua propriedade e muito menos que os valores ali creditados o pertençam. Para que o Fisco realizasse a autuação sob o fundamento de omissão de rendimentos em movimentação bancária era imprescindível que demonstrasse que o Recorrente era o titular da conta-corrente examinada. Todavia, não há na descrição feita no TVF qualquer elemento que fundamente tal raciocínio, já que nada do que está ali exposto indica, de algum modo, que a conta era utilizada em operações particulares do Recorrente. Destaque-se que não se trata de negar validade à prova presumida. O que se sustenta é que não há qualquer indício, segundo se vê das informações do TVF, que autorize a presunção de que o Recorrente seja o titular da conta-corrente da empresa “Edipar”. Pelo exposto, resta demonstrado que, no caso, se está “diante de exigência fiscal veiculada em nome do Recorrente com fundamento em meras alegações do Fisco, o que não tem fundamento na legislação fiscal, em especial, no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, deve ser cancelada a autuação, em vista do erro na indicação do Recorrente como sujeito passivo. Impossibilidade de atribuição de responsabilidade pessoal fora das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Ainda que superadas as razões apontadas para o cancelamento da autuação, o que se admite para argumentar, ainda assim ela deve ser julgada improcedente, em ofensa ao art. 135 do CTN, na medida em que atribuiu ao Recorrente a sujeição pessoal pelo recolhimento de tributos fora das hipóteses admitidas pelo referido dispositivo legal. Este é o relatório do processo. Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, Relatora. Admissibilidade Conforme constata-se nas fls. 370, o Contribuinte teve ciência do resultado do julgamento em 17/11/2009, conforme comprova o AR da sua intimação juntado nos autos. Considerando que apresentou seu Recurso Voluntário em 11/12/2009, conforme comprova as fls. 373, constata-se a tempestividade do mesmo. Diante disso, conheço do Recurso Voluntário interposto e passo à análise de seu mérito. Mérito Trata-se de lançamento de ofício, diante da omissão de recolhimento de imposto de renda do Contribuinte durante o ano de 2003, quando o mesmo foi beneficiário de diversos Depósitos Bancários realizados no exterior, sem justificar a origem. Conforme comprovado nos autos, no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração, o Contribuinte foi beneficiário de quatro depósitos bancários realizados em conta corrente no exterior, durante o ano calendário de 2003, sem que tais valores fossem submetidos à tributação em sua DAA do mesmo período. Do Processo 19515.001776/2007-50 Antes de julgar o presente processo, necessário pontuar que da investigação trazida do caso Banestado referente à conta 030102278 da EDIPAR FINANCIAL CORP, surgiram dois processos administrativo, visto que duas pessoas eram as reais beneficiárias do numerário movimentado na mesma, durante o período apurado: o presente processo, lançado contra o Contribuinte Edmundo Abissamra; e o processo 19515.001776/2007-50 lançado contra José Papa Júnior. Os autos 19515.001776/2007-50 tramita perante a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo que na sessão de 10/04/2019 foi julgado, conforme Acórdão de n. 2402-007.186, cuja Ementa se colaciona: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 A Turma votou por unanimidade dos votos em negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo-se o lançamento realizado conta José Papa Júnior. Apenas se pontua o ocorrido e o julgamento deste Conselho, visto que, apesar de distintos Contribuintes, são co-titulares da mesma conta corrente em que houve movimentação financeira no exterior, sem que houvesse qualquer declaração na DAA. Feito este introito, passa-se à análise dos pedidos do Contribuinte em seu Recurso Voluntário. Nulidade – Intimação Sustenta o Contribuinte que a autuação é nula, vez que se depreende do Termo de Intimação que a Fiscalização tinha interesse em averiguar eventuais irregularidades cometidas pela sociedade e que o Contribuinte havia sido intimado na condição de seu representante e não como um dos fiscalizados, sendo que não haveria no Termo de Intimação, qualquer indicação de que o Fisco entendia que não se deveria falar em contacorrente de propriedade de “Edipar”, mas em conta pertencente ao Contribuinte. Conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal, assim como em todos os Mandados de Intimações e no próprio Auto de Infração, o Contribuinte nunca foi autuado como representante legal da EDIPAR, mas sim como o responsável direto da movimentação financeira que se questiona. Inclusive, não se inclui a empresa EDIPAR no Mandado de Procedimento Fiscal e nas intimações, pois a mesma sequer é Contribuinte brasileira, uma vez que sua sede é nas Ilhas Virgens Britânicas. Mas os titulares da mesma são Contribuintes brasileiros. Como prova de que a intimação e o lançamento se deram em face do Contribuinte pessoa física e não de sua pessoa jurídica, tem-se no próprio Termo de Início de Fiscalização que consta o questionamento sobre “a que título os valores monetários movimentados encontram-se informados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física”, ou seja, já ficou claro desde o início do trabalho da autoridade fiscal que os valores pertenciam ao contribuinte, ainda que movimentados na conta corrente da pessoa jurídica EDIPAR, visto que exigiu a comprovação de “como” esses valores foram declarados na DAA do contribuinte. Ademais, sobre a validade do lançamento e do Auto de Infração (Decreto nº 70.235, de 1972), pontua-se: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verifica-se que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos dos artigos 10 ou 11 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejasse a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, havendo, portanto, o correto respeito ao direito de defesa. Desta forma, rejeita-se a preliminar arguida. Erro de Sujeição Passiva Segundo o Contribuinte, a fiscalização teria concluído que a titularidade de fato da conta bancária da pessoa jurídica (EDIPAR FINANCIAL CORP) seria do Contribuinte, em razão deste ter assinado o cartão de assinaturas arquivado na instituição financeira. Desta forma, alega que o fato de ter subscrito o cartão de assinaturas apenas prova que estava autorizado a realizar movimentações para a pessoa jurídica, mas não que os valores depositados seriam seus, e que não haveria, no Termo de Verificação Fiscal (TVF), qualquer indício capaz de demonstrar o contrário. Verifica-se que o Termo de Verificação Fiscal, baseado no Laudo de Exame Econômico Financeiro 1578/2005-INC aponta o contribuinte como responsável da conta que teve os valores movimentados no exterior, restando claro que Contribuinte, juntamente com o Sr. José Papa Júnior, são os beneficiários da empresa EDIPAR, por estarem de posse das ações ao portador desta. O Contribuinte não nega ser o responsável/proprietário da empresa, não explica como se deu a aquisição deste estabelecimento no exterior, assim como não há qualquer informação sobre a existência da mesma em sua DAA, descumprindo com o Art. 25, da Lei Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 9.250/95, que determina a declaração de qualquer bem/rendimento recebido no país ou no exterior. Os documentos que comprovam a imputação do contribuinte como beneficiário de recursos no exterior são: - Ofício nr. 0015/05 - FTCC5, de 10/01/2005, do Delegado de Polícia Federal ao chefe de DFIN/DCOR/DPF; - Decisão do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, de 29/04/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário, relativos ao MTB-CBC-Hudson Bank e Lespan, para a Receita Federal - “Order to Disclose", emitida em 16/12/2003 pela Justiça da Suprema Corte, Judge John Cataldo; - Expediente da Sra. Laura Billings, "Assistant District Attorney of the County of New York", de 24/11/2004, permitindo o acesso a diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o MTB-CBC-Hudson Bank, Lespan e Safra Bank; - Laudo de Exame Econômico-Financeiro n. 1578/2005-INC, de 30/06/2005, referente às transferências eletrônicas, inerentes às contas mantidas no MTB-CBC-Hudson Bank de Nova Iorque-NY, assim como ao dossiê da conta corrente 030102278, denominada EDIPAR FINANCIAL CORP; - Memorando-Circular Cofis/GAB 2005/0994, de 16/08/2005; - Representação Fiscal n°04/05/MTB-CBC-HUDSON BANK – “Doleiro” de 14/09/2005, e seu anexo; Portanto, há sim provas que trazem a certeza de que o Contribuinte era de fato, o titular dos valores da conta, em co-titularidade com o Sr. José Papa Júnior. Diante desse quadro, não se observa qualquer erro de sujeição passiva quanto à titularidade de fato da conta corrente, visto que o crédito foi lançado contra a pessoa física do Contribuinte. Da responsabilidade do Art. 135 do CTN O lançamento não se deu na responsabilidade do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Determina o art. 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Não se trata, o presente caso, de responsabilidade por créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Trata-se de responsabilidade direta do Recorrente, como visto anteriormente, eis que restou claro desde o início da investigação, assim como na autuação, que os documentos indicam a responsabilidade direta do contribuinte, não na condição de representante legal, mas sim, como real beneficiário dos valores movimentados no exterior e titular de gato da conta corrente 030102278, atuando através de interposta pessoa jurídica, de forma que não há irregularidade na intimação e tão pouco há que se falar em aplicação do artigo 135 do CTN, razão pela qual se indefere o pedido. Do lançamento Conforme visto anteriormente, o conjunto probatório dos autos demonstra que o Contribuinte é o real Co-titular da conta corrente 030102278. As provas carreadas que contribuem para essa conclusão são: laudo de Exame Econômico/Financeiro elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal; informações prestadas por peritos e especialistas; documentos expedidos pela Justiça americana; o fato de o Contribuinte ser co-proprietário da empresa EDIPAR FINANCIAL CORP e a omissão deste fato em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), e, por fim, o modus operandi observado no caso Banestado. Portanto, não restaram dúvidas de que o Contribuinte, juntamente com o Sr. José Papa Júnior são os beneficiários dos valores movimentados no exterior. Trata-se de documentação hábil, produzida pela Justiça Federal, com auxílio da Justiça estrangeira, totalmente hígida para comprovar a ocorrência do fato gerador, a sujeição passiva e a base de cálculo. A Autoridade Fiscal possibilitou ao Contribuinte, por inúmeras vezes, trazer documentos idôneos que comprovasse a inveracidade destes documentos, capazes de contrariar as informações ali constantes, ou então a origem dos depósitos realizados na conta corrente. Sobre a legalidade das provas utilizadas nos autos, tem-se a Jurisprudência consolidada deste Conselho em caso análogo: PROVAS - Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o titular das remessas de numerário. (Acórdão e 105- 17.010 - Sessão de 28 de maio de 2008) BEACON HILL - PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE - Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. (Acórdão n° 106- 17.155 - Sessão de 06 de novembro de 2008) Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Assim sendo, houve cumprimento ao devido processo legal, sendo oportunizado ao Contribuinte o direito de ampla defesa. Na esfera administrativa, julga-se pelo princípio da legalidade e da verdade material. Existem provas concretas da ocorrência do fato gerador – omissão de rendimentos no exterior – como exposto acima. Sobre a legalidade do lançamento e a forma da apuração, observa que a Lei 9.430/96 determina em seu art. 42: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 61 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, a legislação determina a obrigatoriedade de o Contribuinte comprovar a origem dos depósitos movimentados em sua conta corrente, quando os valores são maiores que R$12.000,00, cuja somatória seja superior à R$80.000,00 no ano-calendário, havendo a presunção de omissão de rendimentos, nestes casos. No presente caso, os valores descobertos pela fiscalização, movimentados no exterior, são superiores ao teto suscitado pela legislação. Conseqüentemente, aplica-se a Súmula 26 do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra-se inverídica. Não tendo o contribuinte se desincumbido dessa presunção, perfeitamente válido o lançamento. Portanto, ao receber as provas da Justiça Federal, a Autoridade Fiscal apenas instaurou o procedimento de verificação, com o intuito de oportunizar o contribuinte a apresentar provas que trouxessem uma justificativa crível da origem dos valores, visto que sua Declaração de Imposto de Renda, durante o período apurado, omite os valores movimentados no exterior. Não há sequer na DAA, na relação de bens, as cotas sociais da empresa aberta no exterior. Ante ao exposto, não tendo o Contribuinte demonstrada a origem dos valores recebidos do exterior, com provas hábeis de comprovar o que alega, sendo constatada a ocorrência do fato gerador, ou seja, restou fisco demonstrada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, verifica-se a legalidade do lançamento. Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.989 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001775/2007-13 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909042/2006-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
Numero da decisão: 1003-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202001
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10880.909042/2006-05
anomes_publicacao_s : 202002
conteudo_id_s : 6133938
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1003-001.263
nome_arquivo_s : Decisao_10880909042200605.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880909042200605_6133938.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
id : 8096143
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:59:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813697744896
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-30T13:24:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-30T13:24:25Z; Last-Modified: 2020-01-30T13:24:25Z; dcterms:modified: 2020-01-30T13:24:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-30T13:24:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-30T13:24:25Z; meta:save-date: 2020-01-30T13:24:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-30T13:24:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-30T13:24:25Z; created: 2020-01-30T13:24:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2020-01-30T13:24:25Z; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-30T13:24:25Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.909042/2006-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-001.263 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de janeiro de 2020 Recorrente KURITA DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11803.26305.091003.1.3.02-0641 em 09.10.2003, fls. 01-06, utilizando-se do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 42 /2 00 6- 05 Fl. 1275DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 R$26.438,01 contido no total de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano-calendário de 2000 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 21-24, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Examinando-se o extrato do IRPJCONS às fls. 07 a 11, verificamos que o contribuinte apurou na Ficha 12A - Cálculo do IR sobre o Lucro Rela - Linha 18 um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 214.226,86 (fls. 11); como não apurou IR devido, este valor corresponde à soma de antecipações (linha 16) no valor de R$ 192.776,19 com IRFonte (linha 13) de R$ 21.450,67. [...] Pesquisa no sistema Sinal (fls. 11) informa que não houve nenhum pagamento no período de 01/01/00 a 31/01/01. [...] Pesquisa no sistema DCTFGER informa antecipações declaradas no montante de R$ 192.776,19 (fls. 13); contudo, constata-se que todos os pagamentos mensais foram quitados por compensação sem processo com saldo do ano-calendário de 1999 (fls. 13/14). [...] Por este motivo, tornou-se imperativo o exame dos valores apresentados no ano-calendário de 1999 e neste caso, verifica-se que não foram apresentadas DCTFs com informações relativas ao Imposto de Renda (fls. 15). No exame da Ficha 13A - Cálculo IR sobre o Lucro Real - Linha 18, foi informado apenas um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 39.554,48 (fls. 12); este valor é substancialmente inferior aos R$ R$ 192.776,19 empregados pelo contribuinte no ano seguinte. [...] Conforme se observa nos extrato da DCTGER às fls. 17 e 18, O contribuinte empregou o saldo negativo apurado em 2000 em compensações sem processo no decorrer no ano-calendário de 2001. Entretanto, o contribuinte, para essas compensações, dispunha apenas do saldo apurado em 31/12/99 no valor de R$ 39.554,48 (fls. 12) e do crédito relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte do ano-calendário de 2000 de R$ 21.450,67, comprovado pelo sistema Sief às fls. 16. [...] Com o apoio do sistema SAPO (fls. 19 e 20), deduzidos os valores compensados em 2001, verifica-se que resta ao contribuinte um crédito de saldo negativo de IR no montante de R$ 10.666,74. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa e excerto do voto condutor do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 16- 24.230, de 10.02.2010, fls. 463-467: DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental do erro de preenchimento alegado, prevalecem os valores informados na DCTF considerada pela autoridade administrativa para análise do crédito pretendido. Fl. 1276DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] Contudo, verifica-se dos autos que a requerente entregou a DCTF retificadora apenas em 30/10/08 (fl. 392), um dia antes de protocolar sua Manifestação de Inconformidade. Ou seja, a retificação noticiada foi efetuada após a ciência do despacho decisório, que apontou a insuficiência do crédito apurado em 1999 para composição do crédito pleiteado pela requerente no PER/DCOMP analisado. Em face do exposto, voto no sentido de a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada ser julgada IMPROCEDENTE, para ratificar os temos do despacho decisório recorrido. Recurso Voluntário Notificada em 17.03.2010, fl. 468, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.04.2010, fls. 469-476, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II. DAS RAZÕES DO PRESENTE RECURSO 9. A alegação do douto Órgão Julgador para considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente foi a falta de elemento que demonstrasse o erro alegado, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato. 10. Haja vista que a Recorrente sempre cumpriu suas obrigações com estrita observância aos ditames da legislação que rege a tributação no país, foram apresentados como anexos à Manifestação de Inconformidade todos os documentos fiscais que comprovam a formação do crédito tributário e suas consequentes compensações. 11. O que ocorreu na prática foi tão somente erro de indicação da origem do crédito no preenchimento da obrigação acessória DCTF, a qual foi retificada após .o início do procedimento de fiscalização por dois motivos distintos: primeiramente porque não envolvia diretamente a compensação indeferida por meio do Despacho Decisório (PER/DCOMPS l6580.03434.091003.1.3.02-0087 e 34088.47050.091003.1.3.03-5590); em segundo lugar porque a retificação da DCTF foi absolutamente necessária a fim de justamente comprovar ainda que de modo fiscal a formação do crédito tributário tão largamente difundida no Acórdão. 12. Nada obstante toda a evidenciação fiscal da existência do crédito, a Recorrente vale-se do presente recurso para demonstrar, como tenciona o Acórdão proferido, que as compensações informadas na DCTF refletem exatamente os dados contidos na escrituração contábil da empresa e que foram devidamente registrados à época dos eventos, conforme lançamentos efetuados no Livro Diário da Recorrente [...]. No que concerne ao pedido conclui que: No que concerne ao pedido conclui que: Fl. 1277DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 17. Em face do exposto, a Recorrente requer o regular conhecimento e o integral provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de arquivar o Processo Administrativo n° 10880.909042/2006-05, e por conseqüência, anular a Intimação n° 2045/2010, por ser esta medida de JUSTIÇA! Diligência Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente, que está instruída com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui, o julgamento foi convertido na realização de diligência consubstanciada na Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1003-000.012 , de 02.10.2018, e-fls. 979- 984 (art. 15, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em atendimento, a DRF/Limeira/SP, a partir das informações prestadas pela Recorrente e dos documentos comprobatórios juntados aos presentes autos, elaborou o Relatório Fiscal Diligência, e-fls. 1260- 1267, do qual a Recorrente foi notificada, e-fls. 1271, permanecendo silente. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Necessidade de Comprovação do Erro de Fato na Apuração do Saldo Negativo A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. O prazo para homologação tácita da compensação dos débitos declarados é de cinco anos, contados da data da entrega do Per/DComp e a ciência do Despacho Decisório. Ademais, este procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março Fl. 1278DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. Fl. 1279DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1280DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007). A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real pode optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, devendo apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Ressalte-se que a adoção desta forma de pagamento do imposto é irretratável para todo o ano-calendário. Nesse contexto, pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, bem como e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente e, em última análise, com fundamento de validade no art. 145 e art. 149 do Código Tributário Nacional, que está instruída com os motivos de fato e de direito em que se fundamentava, foi exarada a Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1003-000.012 , de 02.10.2018, e-fls. 979-984 (art. 15 e art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em atendimento à diligência, foi elaborado o Relatório Fiscal Diligência, e-fls. 1260-1267, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Pelo demonstrativo acima, concluímos que o crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2000, a ser reconhecido em favor da contribuinte, apresenta o valor de R$ 211.845,87. Definido o valor do crédito a ser reconhecido, precisamos deixar claro que o referido crédito foi, também, utilizado em compensações sem processo com outros débitos de responsabilidade da contribuinte, conforme demonstrado nas DCTF às fls. 1.255 a 1.258. Em razão deste fato, elaboramos o demonstrativo às fls. 1.259, para definir o valor disponível do crédito a ser utilizado na compensação formalizada pelo PERDCOMP nº 11803.26305.091003.1.3.02-0641, tratada neste processo. Pelo demonstrativo às fls. 1.259, vimos que, excluídos as parcelas do crédito destinadas às compensações sem processo, restou o valor disponível de R$ 75.980,70 a ser utilizado na compensação acima mencionada. Fl. 1281DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-001.263 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.909042/2006-05 Esclarecemos que, parte do crédito disponível para a compensação tratada neste processo já havia sido reconhecida no Despacho Decisório às fls. 22 a 25, pelo valor de R$ 10.666,74. Esclarecemos, também, que não foi constatada apresentação de Pedido de Restituição com o pleito do crédito. Portanto, entendemos que qualquer sobra que resultar da implementação da compensação não poderá ser restituída ou utilizada em outras compensações pela contribuinte, pelo fato de se encontrar prescrita. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722015/2011-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
COOPERATIVA MÉDICA. PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO.
Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrente de contrato com preço pré-fixado, não estão obrigados à retenção do IR na fonte.
Numero da decisão: 1003-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202001
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA MÉDICA. PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrente de contrato com preço pré-fixado, não estão obrigados à retenção do IR na fonte.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 13888.722015/2011-05
anomes_publicacao_s : 202002
conteudo_id_s : 6133211
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1003-001.253
nome_arquivo_s : Decisao_13888722015201105.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 13888722015201105_6133211.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
id : 8094006
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:59:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813706133504
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-03T20:49:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-02-03T20:49:24Z; Last-Modified: 2020-02-03T20:49:24Z; dcterms:modified: 2020-02-03T20:49:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-03T20:49:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-03T20:49:24Z; meta:save-date: 2020-02-03T20:49:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-03T20:49:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-02-03T20:49:24Z; created: 2020-02-03T20:49:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2020-02-03T20:49:24Z; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-03T20:49:24Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13888.722015/2011-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-001.253 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de janeiro de 2020 Recorrente UNIMED DE RIO CLARO SP COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA MÉDICA. PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrente de contrato com preço pré-fixado, não estão obrigados à retenção do IR na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 15-44.346, proferido pela 2ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta pela Recorrente, não reconhecendo, por conseguinte, o direito creditório pleiteado. Fazendo um breve relato dos fatos, tem-se que a Recorrente transmitiu a Declaração de Compensação nº 14244.46814.100706.1.3.05-1350 para compensar débitos de IRRF incidentes sobre rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício – código de receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 20 15 /2 01 1- 05 Fl. 1076DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 0588 - no valor de R$ 16.383,05, apurado em junho de 2006, com créditos relativos a IRRF incidente sobre pagamentos de pessoa jurídica à cooperativa de trabalho – código de receita 3280 – no ano-calendário de 2006, no valor de R$ 16.383,05. Após a juntada de documentos por parte da Recorrente, em atenção à intimação recebida nos autos, foi proferido Despacho Decisório de nº 0372/2011 em 06/06/2011 (e-fls. 742 a 747). A autoridade administrativa responsável pela análise homologou parcialmente o crédito apontado pela Recorrente, reconhecendo crédito no valor de R$ 11.205,08, foram excluídos do crédito informado na Dcomp n° 14244.46814.100706.1.3.05-1350 (R$ 16.383,05) as retenções de IR na fonte não confirmadas ou que não decorreram de importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas em função de serviços pessoais que lhes foram prestados por cooperados associados a mesma. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (e-fls. 753 e 770), a qual foi sintetizada no Relatório do r. acórdão nos termos abaixo: • preliminarmente, pela simples leitura do Despacho Decisório, vislumbra-se que a fiscalização realizou a verificação do cumprimento das obrigações concernentes ao IR na fonte “por amostragem”, sem a detida e completa análise de todo o período abrangido; • em conformidade com o art. 142 do CTN (transcreve), o lançamento fiscal (ato equiparado ao Despacho Decisório) depende da efetiva análise dos fatos que permeiam as obrigações impostas ao contribuinte. Assim, não basta uma análise superficial, por amostragem, dos fatos que envolvem a exigência tributária. Nesse sentido, transcreve posicionamento do Conselho de Contribuintes (atual CARF) sobre a matéria; • no caso em questão, o procedimento fiscalizatório por amostragem demonstra que o próprio Fisco, mesmo sem a certeza da ocorrência do fato gerador do IRRF, não hesitou em efetuar a cobrança de um fictício crédito tributário, em total desrespeito aos princípios constitucionais que orientam o direito tributário, razão pela qual deve ser o ato dele decorrente declarado nulo; • o caráter representativo das cooperativas de trabalho médico consiste em angariar pacientes aos seus cooperados, daí a comercialização de planos de saúde; a cooperativa atua como representante em benefício do cooperado, sendo deste qualquer lucro e/ou faturamento/receita, e não da cooperativa, nos termos do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971; • os contratos em pré-pagamento consistem em uma forma de repartir o risco da sinistralidade entre um grupo de usuários do plano de saúde, o que não afasta a figura de mera intermediadora da cooperativa, sendo os cooperados os efetivos prestadores dos serviços; • os contratos pelo custo operacional são apenas uma segunda forma de repartição de risco envolvendo tal sinistralidade; • é exatamente por intermediar os serviços médicos prestados pelos seus cooperados aos usuários dos planos que a cooperativa se sujeita à retenção do imposto de renda prevista no art. 652 do RIR/1999, e pode compensá-lo no exercício em curso, exclusivamente, com o imposto devido por ocasião do repasse da remuneração aos cooperados; inexiste qualquer ressalva com relação ao tipo de contrato sobre o qual recai a retenção; • também, sob a perspectiva de operadora de planos de saúde, a Interessada figura como mera intermediária, pois atua por conta e ordem do consumidor (usuário), recebe e Fl. 1077DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 gerencia os recursos deles recebidos, devolvendo-lhes tais recursos através de serviços de assistência à saúde, prestados por terceiros, conforme disposto no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de1998, que regula o setor; • os serviços de representação do cooperado e administração de plano não se confundem com os serviços profissionais prestados por terceiros, dentre os quais estariam inseridos os serviços de medicina, e isso independe da modalidade de contratação do plano, custo operacional ou pré-pagamento, pois estas duas modalidades estão previstas na Lei nº 9.656, de 1998, e na Resolução Normativa nº 85, de 2004, da Agência Nacional; • tanto nas hipóteses de preço fixo quanto variável, persiste o repasse de produção a partir do pagamento de recursos do usuário, e a motivação de tal repasse pela cooperativa decorre não da forma de quantificação do preço do contrato do usuário, mas sim do volume de atendimentos realizados pelo associado; • desta forma, se a fonte pagadora procedeu à retenção do tributo foi em respeito à determinação prevista no art. 652 do RIR/1999, cuja natureza é antecipatória do IRRF posteriormente retido pela cooperativa sobre a produção repassada ao cooperado, este sim rendimento tributável na pessoa física; • não haveria outro enquadramento possível para as referidas retenções, muito menos eventual argumento de que se trataria de antecipação do IRPJ da própria cooperativa, como quer fazer crer a fiscalização, pois o art. 647 do RIR/1999 não faz qualquer referência aos serviços de intermediação prestados por cooperativas de trabalho operadora de planos de saúde; • pela mesma razão, não se admite a glosa, no tocante às retenções procedidas por determinadas contratantes, sobre valores que não se refeririam à prestação de serviços pessoais pelos seus cooperados (atendimento por outras Unimed), como é o caso da pessoa jurídica de CNPJ nº 56.493.877/0001-16; • nesse sentido, uma vez realizada a retenção pelos contratantes de planos de saúde, outra conclusão não há, além da possibilidade de compensação de tais créditos, na forma do art. 652, §1º, do RIR, sendo forçosa a homologação do procedimento adotado pela Interessada; • o Fisco não pode negar a existência do crédito cabalmente demonstrado, sob o argumento de que algumas retenções não foram declaradas em DIRF pelos tomadores de serviço. A Interessada não pode ser responsabilizada por eventual descumprimento de obrigações acessórias pelas fontes pagadoras, especialmente quando estas tenham procedido às retenções e deixado de recolher ou declarar em DIRF os tributos retidos; • a documentação já juntada em diligência (faturas e contratos) demonstra o imposto retido, cuja efetiva retenção pela fonte pagadora comprova-se através das folhas do livro Razão anexas. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 882 a 1.008.. A 2ª Turma da DRJ/SDR analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADE. VERIFICAÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. INOCORRÊNCIA. Fl. 1078DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que o Despacho Decisório contestado foi proferido por pessoa que detém a respectiva competência e em consonância com a legislação vigente, além de não ter sido realizado por amostragem, conforme alegado pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA MÉDICA. PLANO DE SAÚDE. PREÇO PRÉ- ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IR. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido indevidamente da cooperativa médica, quando do recebimento de pagamento efetuado por pessoa jurídica, decorrente de contrato de plano de saúde a preço pré-estabelecido, não pode ser utilizado para compensação com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos cooperados, mas sim na dedução do IRPJ devido pela cooperativa ao final do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi considerada cientificada do acórdão da DRJ no dia 14/05/2018 (e-fls. 1024) e apresentou recurso voluntário (e-fls. 1056 a 1071) no dia 12/06/2018, conforme se depreende do Termo de Solicitação de Juntada e do Termo de Análise de Solicitação de Juntada às e-fls. 1025 e 1026, destacando em apertada síntese o que segue: • Alega a Recorrente que a Turma Julgadora a quo fundamentou sua decisão em Solução de Consulta Cosit nº 59/2003, contudo as retenções em análise ocorreram no ano- calendário 2006, e a dita Solução de Consulta só poderia vincular seus efeitos a partir da publicação, que ocorreu no dia 20/01/2014. Afirma que as fontes pagadoras procederam às retenções em atenção ao art. 652 do Decreto nº 3.000/99; • Afirma que a inaplicabilidade do art. 652 do RIR/99 aos contratos de pré- pagamento não era de simples conclusão e o pronunciamento da Receita Federal sobre o tema é prova da dúvida quanto à aplicação do mesmo, não podendo, portanto, ser o contribuinte penalizado; • Declara que a sociedade cooperativa sujeita-se à IR fonte nos moldes do art. 652 do RIR/99 por intermediar os serviços médicos prestados pelos seus cooperados, a cooperativa angaria pacientes aos seus cooperados, visando otimizar a inclusão desses profissionais no mercado econômico. Além de cooperativa de trabalho médico, a Unimed (Recorrente) possui características de operadora de planos de assistência à saúde, que atua por conta e ordem do consumidor, devolvendo-lhe o montante recebido no futuro através de serviço de terceiros, contudo nas duas situações a cooperativa atua como mera intermediária entre o usuário do plano de saúde e terceiros (médicos, hospitais, exames, etc); • Defende a Recorrente que os seus serviços de representação do cooperado e administração de plano de saúde não se confundem com os serviços profissionais prestados por terceiros, dentre os quais estão inseridos os serviços de medicina prestados por cooperados, e independentemente da fatura emitida, refere-se a preço fixo; Fl. 1079DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 • Aduz que o art. 652 do RIR/99 é genérico para as cooperativas de trabalho sem ressalva ao tipo de contrato e tal fato gerou dúvidas quanto ao momento do recolhimento e foram formuladas consultas à Receita Federal. A Recorrente também apresentou Solução de Consulta nº 57/2012, elaborada por ela mesma, na qual recebeu a orientação de não obrigatoriedade de retenção na fonte, contudo defende que, até o recebimento dessa consulta, se a fonte pagadora procedeu à retenção do tributo foi por obediência o art. 652 do RIR; • Defende ainda a Recorrente a não sujeição dessa à retenção do IR próprio, já que o art, 647 do RIR/99 não faz qualquer referência aos serviços de intermediação prestados por cooperativas de trabalho operadora de planos de saúde; • Por fim, a Recorrente pleiteia o provimento do recurso voluntário para reforma do acórdão de primeira instância. É o relatório Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre tecer alguns comentários em relação à Solução de Consulta formulado para a Receita Federal sobre interpretação legislativa tributária. A faculdade de consultar se presta a dar ao cidadão a segurança necessária para o planejamento de sua atividade econômica. Dela se vale o interessado para buscar a certeza do direito aplicável à determinada situação para esclarecer a sua situação jurídica perante as autoridades tributárias. Logo, conclui-se ser a consulta o instrumento que o contribuinte possui para esclarecer dúvidas quanto à interpretação de determinado dispositivo da legislação tributária relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A consulta eficaz gera alguns efeitos, dentre eles destaca-se o fato de não poder ser iniciado nenhum procedimento fiscal contra a consulente relativo ao objeto da consulta no prazo de 30 dias, contados da data da ciência do resultado da solução da consulta (art. 48 do Decreto n. 70.235/72 e IN nº 1396/2013). A partir desse efeito, é fácil concluir que, contrariando o informado no recurso, a solução de consulta não gera obrigatoriedade de sua observância apenas a partir do momento que é emitida. A consulta é mera interpretação legislativa, possui nítido caráter instrutivo de uma lei que já existia, assim como a obrigatoriedade de sua observância. A explicação para tais benefícios é porque a consulta é orientadora e utilizada para tratar de assunto sobre o qual o consulente tem legítima dúvida e, assim, não se poderia, evidentemente, penalizar o consulente, ou agravar-lhe de qualquer modo, com a solução da mesma ainda em curso. Fl. 1080DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 Diante disso, é imperioso reconhecer que a solução de consulta é orientadora e ela não gera efeitos apenas a partir de sua emissão. Logo, quando a Recorrente destaca possuir uma solução de consulta posterior ao objeto do litígio, não significa que apenas poderia sofrer os efeitos da mesma a partir da sua ciência, mas sim serve para adequar seu planejamento para a correta interpretação da lei que lhe foi apresentada, sendo certo ainda que a legislação não mudou no período, que pudesse gerar algum tipo de incerteza quanto à aplicabilidade da interpretação de forma retroativa. Outrossim, é digno de destaque que os Conselheiros do CARF não estão vinculados à solução de consulta. Isto posto, entendo que as Soluções de Consulta destacadas no recurso são orientadoras. A legislação objeto das consultas não foi alterada e, por conseguinte, a obrigatoriedade de cumprimento da norma desde a sua promulgação. As sociedades cooperativas devem se constituir conforme as disposições da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, observando-se, ainda, o disposto nos arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil. Visando diferenciar os atos cooperativos e não-cooperativos a Lei nº 5.764, de 1971, que prevê: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.168-40, de 24 de agosto de 2001) Art. 88 - A. A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária autônoma concorrente para agir como substituta processual em defesa dos direitos coletivos de seus associados quando a causa de pedir versar sobre atos de interesse direto dos associados que tenham relação com as operações de mercado da cooperativa, desde que isso seja previsto em seu estatuto e haja, de forma expressa, autorização manifestada individualmente pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a propositura da medida judicial. (Incluído pela Lei nº 13.806, de 2019) [...] Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. À luz dos referidos dispositivos legais, atos cooperativos são os atos praticados entre a cooperativa e seus associados, entre seus associados e a cooperativa, e pelas cooperativas entre si quando associadas, sempre visando a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 1081DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 Diferentemente, os atos não cooperativos são aqueles que importam em operação com terceiros não associados, ou seja, inclui a contratação de bens e serviços de terceiros não associados. Nesse sentido, as cooperativas pagarão o IRPJ sobre o resultado positivo das operações e das atividades estranhas a sua finalidade, ato não cooperativo, isto é, serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.761, de 1971. No caso específico de cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, com redação dada pela Lei nº 8.981, 20 de janeiro de 1995, assim determina: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Essa questão está regulamentada no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, no art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente destaca que o art. 647 do RIR/99 é exaustivo e não inclui a prestação de serviço descrita pela mesma. Defendendo que a atividade é de intermediação. O contrato de Plano Privado de Assistência à Saúde está definido no inciso I do art. 1º da Lei nº 9656/1998 e destaca: Art. 1º (..........) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós-estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177-44, de 2001) Ao contrário do que alega a Recorrente, pela leitura do inciso acima, a atividade não é de intermediação, a cooperativa irá recebe um valor por determinado contrato na modalidade de pré-pagamento e esses valores serão recebidos independentemente da prestação Fl. 1082DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 dos serviços. A Recorrente diz que é uma prestação (reembolso) futuro, mas isso não corresponde à realidade, porque a cooperativa que opera plano de assistência à saúde irá receber valores pré-fixados, que não são atribuídos à prestação de serviços específico, pois independem da prestação, sem prazo definido para utilização, e sem número de procedimentos realizados e, por conseguinte, não podem ser atribuídos à prestação de serviços pessoais prestados por associados, nem se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina e correlatos. Em razão da natureza específica do contrato de Plano Privado de Assistência à Saúde é que a Receita Federal conclui, através de Soluções de Consulta emitidas, que as receitas por ele obtidas, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade de pré-pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, não estão sujeitas à retenção na fonte do Imposto de Renda prevista no art. 647 do RIR/99. A Recorrente defende haver dúvidas quanto à interpretação da norma, mas tal não é verdade, isso porque sempre que consultada a Receita Federal emitiu Soluções de Consulta explicando a correta análise do tema, com o mesmo entendimento da Solução de Consulta nº 59, de 30 de dezembro de 2013, informada pelo Relator de primeira instância, segundo se verifica abaixo: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 118 de 15 de Abril de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: RETENÇÃO NA FONTE. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. PLANOS DE SAÚDE. Os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito privado a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativos a contratos que estipulem valores fixos de remuneração, independentes da utilização dos serviços pelo contratante, não estão sujeitos à retenção na fonte da Cofins de que trata o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 50 de 15 de Fevereiro de 2008 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF EMENTA: COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO - PLANOS DE SAÚDE - RETENÇÃO. Não estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos que 34 estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante (segurados). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 33 de 09 de Abril de 2009 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF EMENTA: PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE PRÉ-PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. As receitas obtidas pela consulente, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade pré-pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, não estão sujeitas à retenção na fonte do imposto de renda prevista no art. 647 do RIR/1999. Por outro lado, as importâncias a ela pagas ou creditadas pela pessoa jurídica, relativas a serviços pessoais que lhe forem prestados pelos associados da cooperativa ou colocados à disposição, estarão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), nos termos do art. 652 do RIR/1999. Diante disso, entendo que não assiste razão à Recorrente. A atividade acima tratada não é de mera intermediação, não pode ser interpretada como uma mera prestação de Fl. 1083DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 serviços pessoais pelos cooperados, conforme previsto no art. 652 do RIR/99. E não deve haver retenção neste tipo de contrato, porque não se sabe a real destinação do valor ao médico pessoa física, porquanto sequer poderá ter sido utilizado o serviço dele. Deve haver uma vinculação inequívoca entre o pagamento e a destinação dele ao médico pessoa física, para fins de incidência da retenção do IRRF, com fundamento no art. 652, RIR/99. Existem precedentes do STF em repercussão geral RE n° 598.085 e RE n° 599.362 que tratam dessa questão, ainda que o foco principal seja análise de incidência de PIS e da Cofins, a interpretação geral dos atos das cooperativas médicas servem de baliza para julgamento de temas a ele correlatos. Conforme mencionado no acórdão recorrido, a parcela do direito creditório correspondente à retenção incidente sobre as receitas decorrentes dos contratos de plano de saúde na modalidade custo operacional, nos quais há uma vinculação entre o serviço prestado pelo cooperado e a receita recebida pela cooperativa, confirmada em DIRF, já foi utilizada para homologação parcial da compensação declarada. De forma assertiva, o Ilmo. Relator do r. acórdão destacou: As receitas correspondentes aos planos de saúde, na modalidade de preço pré- estabelecido (contratos de valores fixos, independentemente da utilização dos serviços pelo contratante), decorrem de atividade comercial de compra e venda de serviços médicos, laboratoriais e hospitalares, exercida pela cooperativa e, portanto, estão sujeitas às normas de tributação das pessoas jurídicas em geral, conforme bem expõe Hiromi Higuchi em seu livro – Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática (atualizado até 15/02/2017): A cooperativa de médicos que administra Plano de Saúde não pratica atos cooperativos, mas exerce atividade comercial ou civil. O valor pago para médico associado pela cooperativa não tem nenhuma relação com o valor da mensalidade paga pelo usuário. O usuário paga a mensalidade independente de uso ou não de serviços médicos. Para ser ato cooperativo, a cooperativa teria que repassar ao médico que prestou o serviço, o valor recebido do usuário com pequena dedução para as despesas de manutenção da cooperativa. O 1º e o 2º C.C. têm, reiteradamente, decidido que a cooperativa de médicos que administra Plano de Saúde exerce atividade comercial de compra e venda de serviços médicos, laboratoriais e hospitalares, sujeita às normas de tributação das pessoas jurídicas em geral. A prestação de serviços por terceiros não associados, especialmente hospitais e laboratórios, não se enquadram no conceito de atos cooperativos, nem de atos auxiliares, sendo, portanto, tributáveis. Vide os ac. nºs 102-46.302/2004 e 102- 46.313/ 2004 no DOU de 24-05-04 e 203-09.106/2003 e 203-09.107/2003 no DOU de 28-05-04. Neste sentido, o valor do imposto de renda retido indevidamente sobre as receitas recebidas em decorrência dos contratos de plano de saúde, na modalidade a preço pré- estabelecido, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ devido pela interessada ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme disciplinado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. É o caso, por exemplo, do IRRF detalhado no Quadro 1 constante do despacho decisório de fls. 742 a 747, no valor total de R$ 5.040,48. Fl. 1084DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-001.253 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.722015/2011-05 Quanto ao argumento da questão de impossibilidade temporal de predefinição dos valores dos serviços, esse também não merece prosperar, visto que, conforme já declinado, a Solução de Consulta tem efeito informativo, fornece alguns benefícios aos consulentes de boa-fé, mas não desobriga à obediência a norma legal. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 1085DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904302/2008-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1002-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem confirme (ou não ) a retenção de IRRF código 3426 da empresa Akzo Nobel Ltda, CNPJ: 60.561.719/0001-23, em favor do Recorrente no ano-calendário de 2000, realizando análise dos documentos juntados e elaborando Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, bem como atestar se este não foi utilizado em outro processo de compensação.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 13896.904302/2008-29
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6121975
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1002-000.142
nome_arquivo_s : Decisao_13896904302200829.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13896904302200829_6121975.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem confirme (ou não ) a retenção de IRRF código 3426 da empresa Akzo Nobel Ltda, CNPJ: 60.561.719/0001-23, em favor do Recorrente no ano-calendário de 2000, realizando análise dos documentos juntados e elaborando Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, bem como atestar se este não foi utilizado em outro processo de compensação. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
id : 8056908
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813717667840
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-02T19:30:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-02T19:30:23Z; Last-Modified: 2020-01-02T19:30:23Z; dcterms:modified: 2020-01-02T19:30:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-02T19:30:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-02T19:30:23Z; meta:save-date: 2020-01-02T19:30:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-02T19:30:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-02T19:30:23Z; created: 2020-01-02T19:30:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-01-02T19:30:23Z; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-02T19:30:23Z | Conteúdo => 0 S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13896.904302/2008-29 Recurso Voluntário Resolução nº 1002-000.142 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 03 de dezembro de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente DIOSYNTH PRODUTOS FARMO-QUÍMICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem confirme (ou não ) a retenção de IRRF código 3426 da empresa Akzo Nobel Ltda, CNPJ: 60.561.719/0001-23, em favor do Recorrente no ano-calendário de 2000, realizando análise dos documentos juntados e elaborando Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, bem como atestar se este não foi utilizado em outro processo de compensação. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/CPS: Trata-se do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) n° de Rastreamento 7837779965, emitido em 26/08/2008, pela DRF Barueri/SP (fl. 11), NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas pela contribuinte nas DCOMP N° 22511.03431.291205.1.3.02-0993 (cópia às fls. 01/10), que utiliza crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do exercício 2001 ANO-CALENDÁRIO 2000, no valor de R$ 92.661,42, referente ao CNPJ incorporado n° 61.564.597/0001-91, para compensação dos débitos da incorporadora (CNPJ 33.040.858/0001-39), adiante relacionados: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 30 2/ 20 08 -2 9 Fl. 226DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.142 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.904302/2008-29 Nos sistemas informatizados da RFB verifica-se que, em 31/08/2006, foi emitida intimação (n° de rastreamento 621665912) vinculada à DCOMP referida (fl. 74), recebida pela contribuinte em 02/09/2006, apontando divergências detectadas nos sistemas entre os saldos negativos de IRPJ constantes na DCOMP e na DIPJ/2001, bem como entre as estimativas informadas na DIPJ e DCTF, relativas ao ano-calendário de 2000, solicitando aadoção de providências no sentido de retificar eventuais erros de preenchimento nas declarações. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido despacho decisório, conforme exposto: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. CNPJdo detentor do crédito: 61.564.597/0001-91 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com Demonstrativo de crédito: R$ 92.661,42 Valor do Saldo negativo informado na DIPJ: RS 102.925,97" Em função de tal divergência não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos, sendo exigido o saldo devedor a seguir consolidado: Cientificada do ato de não homologação das compensações em 01/09/2008, (Aviso de Recebimento - AR à fl. 13), e discordando da cobrança dos débitos compensados na DCOMP transmitida, a incorporadora da detentora do crédito (CNPJ n° 33.040.858/0001- 39 - DIOSYNTH PRODUTOS FARMO-QUÍMICOS LTDA), apresenta em 01/10/2008, por meio de seus advogados e bastante procuradores (Instrumento de Procuração à fl. 23) a manifestação de inconformidade de fls.15/21, na qual registra os seguintes esclarecimentos. Alega ter recolhimentos, durante o ano-calendário 2000 , no valor total de R$ 1.013.244,31, o que, tendo em vista o valor devido a título de IRPJ no período, resultaria em saldo negativo no montante de R$ 92.661,42. Afirma que o crédito apontado como saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2000, correspondente ao montante de R$ 92.661,42 foi declarado na DIPJ erroneamente no valor de RS 102.925,97, quando na verdade o valor correto é o valor considerado na PER/DCOMP. Declara que essa inconsistência decorreu de erro de preenchimento da DIPJ na folha 11- cálculo do imposto de renda sobre o lucro real, nas linhas 16- IRPJ pago por estimativa e linha 18- IRPJ a pagar. Daí o motivo pelo qual houve divergência nas informações declaradas no que diz respeito à apuração do saldo negativo de IRPJ passível de compensação. Elabora, então, quadro demonstrativo, discriminando os valores totais recolhidos, conforme informados em DIPJ e DCOMP, o qual abaixo se reproduz: Fl. 227DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.142 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.904302/2008-29 Conclui que, como se verifica, os valores preenchidos na DIPJ não correspondem a soma dos DARFs de recolhimento relativamente aos meses de janeiro a dezembro do ano-calendário de 2000, mas correspondem aos valores preenchidos na PER/DCOMP, resultando na liquidez do crédito utilizado na compensação para quitar débitos apurados pela Manifestante. Encerra requerendo a improcedência do Despacho decisório atacado, bem como a homologação das compensações declaradas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/CPS, conforme acórdão n. 05-33.902 (e-fl. 93), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE DIPJ E DCOMP. Superada a inconsistência detectada pelo sistema entre os valores do saldo negativo apontado na DIPJ e na DCOMP em questão, deve o órgão julgador prosseguir na análise do direito creditório apurado com base nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. SALDO NEGATIVO. AFERIÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. ANTECIPAÇÕES NO AJUSTE. Confirmados nos sistemas da RFB as antecipações deduzidas do IRPJ apurado na declaração de ajuste da detentora do crédito, a título de estimativas recolhidas, cumpre validar o saldo negativo constante da DIPJ e reconhecer o direito creditório à pessoa jurídica incorporadora no valor ora validado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/11/2005 a 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO PARCIAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Fl. 228DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1002-000.142 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.904302/2008-29 Comprovada a certeza e liquidez de parte do saldo negativo de IRPJ referente ao ano- calendário 2000, origem do crédito utilizado na DCOMP em litígio, homologa-se a compensação até o limite ora validado. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 110), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados: Diz que “...o Ilustre Julgador reconheceu apenas o valor de R$ 79.372,44 a título de IRRF passível de dedução do valor total apurado do IRPJ, levando em consideração apenas as informações obtidas no sistema da Receita Federal do Brasil através da ‘Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - Resumo do Beneficiário’, acostado aos autos em fl. 86.” Afirma que “No documento tomado como base pelo Ilustre Julgador para desconsiderar a totalidade do IRRF declarado pela Recorrente há a descrição de que o rendimento bruto auferido no respectivo ano-calendário é de R$ 396.862,20 e que o IRRF recolhido corresponde apenas ao valor de R$ 79.372,44.” Sustenta, porém, que “...a partir da leitura desse documento, percebe-se que ele informa existirem 8 (oito) fontes pagadoras sem, no entanto, discriminar quais fontes sejam essas e quais os valores retidos por cada uma” e que “... tal tipo de informação resumida é insuficiente para desconsiderar as declarações efetuadas pela Recorrente, já que tal valor está em desacordo com o que foi declarado em DIPJ, ano-calendário 2000, ficha 12A, linha 13 (Doc. 2)...” Com vistas a detalhar a composição do pretenso crédito de IRRF do ano- calendário de 2000 informado em Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIPJ), elabora o seguinte quadro: Argui que se o julgador “... tivesse atendido o princípio da verdade material teria constatado que o valor total de IRRF declarado na DIPJ é o efetivo”, e que “Isso se pode verificar das DCTF's e os respectivos DARF's de pagamento (Doc.4) da empresa PROTEQUIM PRODUTOS TECNOQUÍMICOS LTDA. (fonte pagadora) que comprovam recolhimentos do referido imposto no valor de R$ 8.500,33, conforme declarado em DIPJ... .” Entende que “Com relação aos recolhimentos efetuados pela empresa AKZO NOBEL LTDA cabe a Autoridade Fiscal adotar o mesmo procedimento de buscar os recolhimentos e DCTFs declarados pela fonte pagadora, não sendo suficiente adotar como premissa a DIRF das fontes pagadoras, até porque essa declaração pode ter erro de preenchimento e não é obrigação acessória da Recorrente” e que “Deve-se confrontar, para tanto, todas as declarações que dizem respeito ao tributo, para que se possa fazer valer o princípio da verdade material e atuar com diligência da forma como a própria Receita Federal do Brasil age para fiscalizar os contribuintes e homologar os tributos por eles declarados.” Fl. 229DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1002-000.142 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.904302/2008-29 Assevera que “...as compensações realizadas pelo contribuinte possuem cunho declaratório tendo a Fazenda Nacional o papel de homologá-las através de confrontação das declarações enviadas pelos contribuintes e cruzamento dos recolhimentos através dos códigos de receita” e que “ não é papel do contribuinte comprovar os recolhimentos efetuados por outro contribuinte, que atuou como responsável tributário.” Conclui que “...resta claro que as fontes pagadoras desse período foram apenas 2 (duas) e que o valor retido totaliza os R$ 89.734,54 declarados na DIPJ, cabendo à Autoridade Fiscal proceder à verificação do aludido fato junto a essas fontes pagadoras, averiguando o motivo pelo qual a DIRF ou outro documento comprobatório da retenção do IRRF não fora localizado no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” De outra parte, consigna que “... não se pode aceitar a revisão da base de cálculo do IRPJ do ano-calendário de 2000, pois já se operou a decadência” que “Nesse ponto, a homologação da compensação para avaliar o direito creditório tem limites e não pode retroagir para se apurar novamente a base de cálculo.” É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017, e de acordo com a Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018, que estende, temporariamente, à 1ª Seção de Julgamento a competência para processar e julgar recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa ao IRRF e respectivas penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória, quando o requerente do direito creditório ou o sujeito passivo do lançamento for pessoa jurídica, inclusive quando o litígio envolver esse tributo e outras matérias que se incluam na competência das demais Seções. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, entretanto, não se encontra em condições de julgamento, conforme discorrido a seguir. Em suma, a controvérsia dos autos refere-se ao fato de estar ou não comprovada a certeza e liquidez de crédito proveniente de IRRF retido de empresa incorporada pela Recorrente de nome Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda (CNPJ: 61.564.597/0001-91) pela empresa Akzo Nobel Ltda (CNPJ: 60.561.719/0001-23). Fl. 230DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1002-000.142 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.904302/2008-29 Mais precisamente, o direito de crédito vindicado refere-se à retenção e recolhimento de IRRF de código 3426 no valor de R$ 81.234,19, relativo ao ano-calendário de 2000. O v. acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade considerando o IRRF declarado na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de e-fls. 92 sob código 3426 no valor de R$ 79.372,44, não se manifestando, contudo, sobre os valores de IRRF declarados na DIPJ e na DCTF do contribuinte no total de R$ 81.234,19, cuja composição, de fato, não apresentava total consistência com as fontes pagadoras e respectivo IRRF constantes daquela declaração. Por outro lado, foi juntada ao processo pelo Recorrente DIRF da empresa Akzo Nobel Ltda (e-fls. 225) que, embora refira-se a outro ano-calendário, denota a existência de pagamentos e retenção de valores expressivos entre as duas empresas, o que leva a conferir certo crédito à sua argumentação. Sendo assim, em que pesem os respeitáveis fundamentos da decisão recorrida, entendo que constam nos autos indícios e documento que parecem conferir razão às alegações do Recorrente e que reclamam um aprofundamento de análise. Nesse quadro, visando a assegurar que o direito de defesa do Recorrente não seja prejudicado, voto pela remessa dos autos a Unidade de Origem para que confirme (ou não ) a retenção de IRRF código 3426 da empresa Akzo Nobel Ltda, CNPJ: 60.561.719/0001-23, em favor do Recorrente no ano-calendário de 2000, realizando análise dos documentos juntados e elaborando Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, bem como atestando se este não foi utilizado em outro processo de compensação. O Recorrente deverá ser intimado do resultado da diligência para, se assim desejar, manifestar-se nos autos e apresentar outros documentos que possam servir à solução do litígio e ao cumprimento da diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002184/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
Numero da decisão: 3302-006.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre ÁCIDO SULFURICO D-1.825, ÁLCOOL ETILICO ABSOLUTO 99 GL, DELVOTEST-SP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI, ÁLCOOL ETILICO HIDRATADO 96%, HIPOCLORITO DE SODIO (CLORO) 12%-USO E, PROD QULMI.TRATM.AGUA TORRE E CALDEIRA, PROD.CALDEIRA E TORRE, PRODUTO QUÍMICO P/ CALDEIRA E TORRE, PRODUTOS P/TRATAM ÁGUA CALDEIRA, frete de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem e vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus (relator), Raphael Madeira Abad, que davam provimento quanto aos fretes intitulados "consignação". Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor quanto aos fretes intitulados "consignação".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente, Redator designado.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10925.002184/2009-11
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6126780
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3302-006.805
nome_arquivo_s : Decisao_10925002184200911.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10925002184200911_6126780.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre ÁCIDO SULFURICO D-1.825, ÁLCOOL ETILICO ABSOLUTO 99 GL, DELVOTEST-SP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI, ÁLCOOL ETILICO HIDRATADO 96%, HIPOCLORITO DE SODIO (CLORO) 12%-USO E, PROD QULMI.TRATM.AGUA TORRE E CALDEIRA, PROD.CALDEIRA E TORRE, PRODUTO QUÍMICO P/ CALDEIRA E TORRE, PRODUTOS P/TRATAM ÁGUA CALDEIRA, frete de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem e vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus (relator), Raphael Madeira Abad, que davam provimento quanto aos fretes intitulados "consignação". Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor quanto aos fretes intitulados "consignação". (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente, Redator designado. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8069395
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:59:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052813721862144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002184/200911 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302006.805 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria COFINS Embargante LACTICINIOS TIROL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 84 /2 00 9- 11 Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 3 2 estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre ÁCIDO SULFURICO D1.825, ÁLCOOL ETILICO ABSOLUTO 99 GL, DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI, ÁLCOOL ETILICO HIDRATADO 96%, HIPOCLORITO DE SODIO (CLORO) 12%USO E, PROD QULMI.TRATM.AGUA TORRE E CALDEIRA, PROD.CALDEIRA E TORRE, PRODUTO QUÍMICO P/ CALDEIRA E TORRE, PRODUTOS P/TRATAM ÁGUA CALDEIRA, frete de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem e vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus (relator), Raphael Madeira Abad, que davam provimento quanto aos fretes intitulados "consignação". Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor quanto aos fretes intitulados "consignação". (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente, Redator designado. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302004.884, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 25/10/2017. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 4 3 A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 5 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 6 5 frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Protocolados tempestivamente os embargos da contribuinte, foram apontados pela embargante a suposta omissão quanto ao direito ao crédito das contribuições relacionadas a (i) " outros produtos" utilizados como insumos, e aos serviços de fretes de (ii) "Vendas Locais Presumidos", (iii) "consignação", (iv) "Retorno Armazenagem". Promovido o juízo de admissibilidade, os embargos foram admitidos. Passase então a análise da suposta omissão apontada pela embargante. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante, merece ser aclarado: a) omissão no que tange às aquisições de “outros produtos” utilizados como insumos, com exceção das aquisições de amônia, pelas quais o acórdão embargado já se pronunciou; Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 7 6 b) omissão no que tange aos fretes classificados como fretes “venda locais presumidos”, “consignação” e fretes “retorno armazenagem”. A conclusão do despacho de admissibilidade foi no sentido de haver a omissão apontada, quanto ao item "a", Em sede de embargos, a empresa aponta omissão em relação aos produtos descritos no item 7.5 do recurso voluntário (e folhas 1.461 a 1.463). Procurandoos, constatei que tratamse de produtos químicos diversos que, no dizer da então recorrente Ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, referidos produtos configuramse insumos aplicados na fabricação de laticínios, portanto, próprios das indústrias de laticínios, eis que se agregam ao produto final fabricado. Dentre esses produtos está a amônia, analisada no item II.5 do acórdão (“v”, acima). Os demais produtos não foram submetidos ao crivo do Colegiado. E quanto ao item "b", (...) O frete a que a embargante faz referência sob o título de “Venda Locais Presumidos” referese, segundo ela própria, ao transporte do produto acabado entre a empresa e seus distribuidores, para que esses realizassem a comercialização dos mesmos (operações de venda fora do estabelecimento). O frete “Consignação”, diz respeito à transferência de produtos (leite in natura e manteiga) do estabelecimento do remetente (fornecedor) até o estabelecimento destinatário (prestador de serviço de armazenagem e/ou resfriamento), tendo a empresa Tirol como consignatário, arcando com o ônus da operação. O frete intitulado “Retorno Armazenagem”, sempre segundo informações contidas nos aclaratórios, referese ao retorno de produtos (queijos) remetidos para armazenagem em estabelecimentos de terceiros. O acórdão embargado, de fato, não tratou de nenhum desses dispêndios, e, às efolhas 2.048 (arquivo não paginável) podese confirmar que eles constam da planilha elaborada pela empresa em resposta à diligência fiscal. Há uma certa semelhança entre o Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição, item “c” da lista, e o frete do produto acabado entre a empresa e seus distribuidores – venda presumida. Contudo, na planilha, o primeiro é classificado como frete de transferência e o segundo como frete de venda. CONCLUSÃO Com base nas razões acima expostas, admito os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 8 7 Analisando o acórdão embargado verificase que realmente não houve menção quanto aos itens apontados nos embargos, razão pela qual devem ser submetidos a análise desse Colegiado. O conceito de insumo para crédito das contribuições para o PIS e Confis, embora firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo no REsp 1.221.170, há algum tempo já vinha sendo utilizado por esta C. Turma nas decisões referentes à matéria, conforme podemos notar do corpo da r. decisão oram embargada. Vale ressaltar que ajustandose ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, RFB publicou o Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, o qual trouxe as seguintes premissas quanto à apuração do crédito de de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. As conclusões acima descritas em grande parte já faziam parte de meu entendimento quanto ao conceito de insumos e, eram utilizados nos votos anteriores, contudo, levando em consideração ao que é ditado pelo art. 62, do anexo II, do RICARF, a decisão prolatada pelo STJ deve ser observada em sua totalidade. Pois bem. I “outros produtos” utilizados como insumos Segundo o entendimento da embargante, os produtos indicados nas planilhas de efls. 1303 a 1364, gerariam direito ao crédito de Pis e da COFINS, pois se enquadrariam no conceito de insumo, e quando da análise de referido item no acórdão embargado, tais aquisições de produtos, à exceção da amônia, não teriam sido objeto de apreciação. Entendo assistir razão à embargante, devendo ser levada a apreciação deste colegiado a análise dos produtos, com o objetivo determinar se se enquadram ou não no conceito de insumo para fins de creditamento. Os produtos ÁCIDO SULFURICO D1.825, ÁLCOOL ETILICO ABSOLUTO 99 GL, DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI), pelo que se pode apurar dos documentos juntados aos autos, bem como das explicações dadas pela embargante quanto a sua utilização, qual seja, são produtos consumidos em seu laboratório no processo de análise laboratorial de amostras das matérias primas e dos produtos que industrializa, enquadramse no conceito de insumos, razão pela qual suas aquisições devem geral crédito à embargante, havendo a necessidade de reversão das glosas que outrora recaiam sobre esses itens. O ÁLCOOL ETILICO HIDRATADO 96%, é utilizado para a sanitização de máquinas e equipamentos do estabelecimento fabril da contribuinte embargante. Assim, tendo Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 9 8 em vista a natureza de suas atividades que consistem basicamente na produção de produtos alimentícios, o item em comente deve ser admitido como insumo, devido sua essencialidade, razão pela qual as glosas devem ser revertidas. A mesma sorte deve ser dada aos HIPOCLORITO DE SODIO (CLORO) 12%USO E, PROD QULMI.TRATM.AGUA TORRE E CALDEIRA, PROD.CALDEIRA E TORRE, PRODUTO QUÍMICO P/ CALDEIRA E TORRE, PRODUTOS P/TRATAM ÁGUA CALDEIRA. Levando em consideração as atividades desempenhadas pela contribuinte embargante, podemos afirmar que se tratam de produtos relevantes para seu desenvolvimento, devendo ser revertidas as glosas. II Fretes de Vendas a locais presumidos No que tange aos créditos sobre fretes de vendas a locais presumidos, a planilha trazida pela embargante, bem como os demais documentos apontados, descrevem o item como "Frete entre a empresa e seus distribuidores. A empresa encaminhava seus produtos para que os distribuidores realizassem a comercialização (operações de venda fora do estabelecimento)". Quanto ao presente tópico, que tem como pano de fundo a possibilidade de creditamento sobre fretes nas operações de venda, fazse necessário esclarecer que outrora defendia posição contrária ao creditamento, entretanto não sentiame confortável frente às conclusões do STJ quanto ao conceito de insumo, trazidas em parágrafos anteriores, bem como os recentes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relacionadas ao assunto, fato que me levou a alterar meu entendimento. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento, seja do titular ou de distribuidores, para depois, então, ser entregue ao cliente. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões não unânimes, ressaltase, vem posicionandose no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 10 9 Destacase parte do voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no acórdão nº 9303008.099: É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Frisese a ementa do acórdão 9303008.260, da 3º Turma da CSRF, prolatado na sessão do último dia 20 de março de 2019: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Recurso especial do contribuinte provido. Com base no acima exposto, entendo ser necessária a reversão da glosa dos créditos de fretes de vendas a locais presumidos. II Fretes de retorno de armazenagem (queijos) Quanto ao retorno armazenagem, as descrições trazidas pela embargante foram as seguintes: Conforme podemos observar, tratase de fretes de produtos acabados entre a empresa embargante e estabelecimento de terceiros utilizados para armazenagem de referido produtos (queijos). Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 11 10 A exemplo das conclusões do item anterior, temos que a remessa e retorno de referidos produtos é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Destarte, a exemplo do esposado no tópico anterior, e por entender subsumir se à tese ali exposta, endento ser necessária a reversão da glosa dos créditos relacionados aos fretes de remessa e retorno de armazenagem (queijos). III Frete intitulado como "Consignação" Para a embargante os valores gastos com os fretes com consignação, deveriam lhe garantir o creditamento do PIS e da COFINS. A descrição do item "consignação" feita pela embargante é a seguinte: A glosa dos créditos em discussão, fundamentouse no sentido de que os bens sujeitos à aliquota zero, e por consequência os fretes de aquisição dos mesmos, cuja base de cálculo do crédito já englobaria o valor do frete, não daria direito ao creditamento. A presente matéria, já foi objeto de apreciação desta Turma, com outra composição, oportunidade em que, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 12 11 A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Destarte, por ser passível de creditamento, a glosa dos créditos relativos ao frete intitulado como "consignação", por se tratar de frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, deve ser totalmente revertida. II Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos pela contribuinte para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre ÁCIDO SULFURICO D1.825, ÁLCOOL ETILICO ABSOLUTO 99 GL, DELVOTESTSP (KIT P/100 DETER. ANTIBIOTI, ÁLCOOL ETILICO HIDRATADO 96%, HIPOCLORITO DE SODIO (CLORO) 12%USO E, PROD QULMI.TRATM.AGUA TORRE E CALDEIRA, PROD.CALDEIRA E TORRE, PRODUTO QUÍMICO P/ CALDEIRA E TORRE, PRODUTOS P/TRATAM ÁGUA CALDEIRA, frete de vendas a locais presumidos e fretes de retorno de armazenagem, e fretes intitulados "consignação". É como voto. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10925.002184/200911 Acórdão n.º 3302006.805 S3C3T2 Fl. 13 12 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do relator, divirjo quanto à possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e Cofins sobre os fretes de aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero. Os fretes sobre a aquisição de insumos compõem o custo de aquisição destes insumos, bem como o seguro pago pelo comprador. Os incisos II dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 garantem o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos. Este creditamento é reconhecido pela aplicação da alíquota a que está submetido o insumo sobre a base de cálculo da aquisição. A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, e sendo esta zero, o resultado da operação matemática é zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. Diante do exposto, voto para negar provimento quanto ao creditamento sobre fretes nas aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2374DF CARF MF
score : 1.0
