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Numero do processo: 16366.000596/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Somente geram crédito de PI|S| os dispêndios realizados com bens e serviços
utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação
de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE.
Indeferese
o pedido de perícia cuja realização revelase
prescindível para o
deslinde da questão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram crédito de PI|S| os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 24/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria versado no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos de PIS, apurados sob o regime nãocumulativo, referente ao 1° trimestre de 2006, decorrentes de operações de exportação. A DRF/LONDRINA/PR exarou o Despacho Decisório de fls. 420, com base no Parecer SAORT/DRF/LON n° 280/2007 (fls. 418/419) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 390 a 413), deferindo parcialmente o pedido da interessada, no sentido de reconhecer o direito creditório no valor de R$ 75.802,82. No Termo de Verificação Fiscal que embasou a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) Em verificação por amostragem, constatouse que os elementos que respaldaram o preenchimento do DACON foram devidamente registrados na escrituração fiscal e contábil do contribuinte; b) Foram incluídos na base de cálculo da contribuição devida nos meses analisados, os valores referente à recuperação de despesas, uma vez que não há previsão legal para a exclusão efetuada pelo contribuinte; c) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar nos meses analisados, os encargos de depreciação que não se referem a bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a venda ou à prestação de serviços; d) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, as parcelas dos combustíveis e lubrificantes que a contribuinte não comprovou terem sido utilizadas na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços; e) Encerrada a auditoria, a autoridade fiscal propôs que do valor total pleiteado pelo contribuinte, fosse considerado legítimo, para fins de compensação e/ou ressarcimento, conforme previsto no § 1°, inciso II e § 2°, ambos do art. 5° da Lei 10.637/02, o valor de R$ 75.802,82. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000596/200632 Acórdão n.º 330201.078 S3C3T2 Fl. 2 3 Cientificada da decisão em 23/08/2007 (fl. 432), a contribuinte aprdsent6u Manifestação de Inconformidade em 31/08/2007 (fls. 433 a 439), alegando, em síntese que a) Os créditos referentes a combustíveis e lubrificantes foram excluídos sob alegação de que não houve comprovação de sua utilização na fabricação dos produtos ou na prestação de serviços. Comprovase mediante notas de amostragem, a aquisição de óleo diesel e lubrificantes, os quais são consumidos nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a industrialização, para seus compradores e portos onde serão exportados; b) Os veículos da empresa também efetuam fretes e carretos, e notas de conhecimento de transporte (amostragem) que são receitas de serviços sujeitas à contribuição. Se os valores de fretes e carretos sofrem incidência da contribuição, logo se apresenta justo e correto que o óleo diesel necessário ao transporte também seja tributado pelo PIS. Dessa forma, a glosa relativa aos combustíveis não se sustenta; c) Os valores de recuperação de despesas, se referem a faltas de empregados ao serviço, participação correspondente aos empregados no vale transporte e vale refeição, bem como ao convênio Senai, Sesi, reembolso Bradesco Seguros, reembolso DHL, reembolso Desp. Pinho, conforme listagem do Razão em anexo; d) Tais valores não se referem a faturamento da venda de mercadorias ou prestação de serviços, mas recuperação de despesas. O STF já decidiu sobre a não incidência do PIS sobre o alargamento da base de cálculo da Lei 9.718/98, art. 3º, § 1º; e) Portanto, a tributação efetuada pela fiscalização sobre os valores relativos a recuperação de despesas não deve prevalecer por contrariar jurisprudência do e. STF já decidida no ano de 2005; f) Requer a reconsideração do Despacho Decisório, para conceder o direito ao creditamento do PIS referente às aquisições de combustíveis e lubrificantes, bem como a exclusão da base de cálculo do PIS dos valores referentes a recuperação de despesas registradas no Razão. Em 01/11/2007, o contribuinte apresentou o requerimento de fls. 473 a 476, dirigido ao Delegado da DRF/Londrina, pleiteando a aplicação da taxa SELIC para fins de correção monetária do crédito ressarcido, a contar a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO II tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 340/2008. A par dos argumentos lançados na Impugnação, proferiuse decisão não reconhecendo os créditos pleiteados que assim ficou ementada: Fl. 506DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. Os gastos com combustíveis e lubrificantes, usados no transporte de matéria prima ou de produtos vendidos, não se caracterizam como insumo para fins de apuração de créditos a descontar na sistemática nãocumulativa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPROVAÇÃO. Para fins de apuração dos créditos a descontar na sistemática nãocumulativa sobre gastos com combustíveis e lubrificantes a empresa deve manter registros contábeis e documentos capazes de comprovar e quantificar os valores vinculados à prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. A contribuição para o PIS incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, não havendo previsão legal para a exclusão de valores relativos a recuperação de despesas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário a recorrente limitouse a insurgirse contra a glosa dos gastos com combustíveis e lubrificantes, que entende serem passiveis de creditamento, bem como, protestou pela realização de perícia técnica para a comprovação dos gastos com combustíveis e lubrificantes na frota própria. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Com o protocolo do Recurso Voluntário a matéria a ser analisada no presente processo está limitada a possibilidade de utilização dos gastos com combustíveis e lubrificantes na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativa. Na decisão proferida pela DRJ o tema assim ficou retratado: Fl. 507DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000596/200632 Acórdão n.º 330201.078 S3C3T2 Fl. 3 5 No que concerne aos gastos com combustíveis, salientese que de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foram aceitos apenas os créditos de PIS calculados sobre aquisição de combustíveis e lubrificantes comprovadamente utilizados na fabricação de produtos destinados a venda, conforme valores relacionados em fl. 389. A parcela glosada, segundo informação da interessada, se refere a despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo da empresa em atividades distintas, quais sejam: no transporte de matéria prima dos frigoríficos para o seu estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, para seus clientes e portos onde são exportados, bem como na prestação de serviço de frete realizado pela empresa. Anexa aos autos cópia de algumas notas fiscais para fins de comprovação das referidas aquisições e de alguns conhecimentos de transporte objetivando demonstrar que a empresa executa serviço de frete. A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), bem como a Lei 10.833/03, assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Vale destacar que a chamada “não cumulatividade” do PIS e COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destacamos é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente parA o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Fl. 508DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema vale destacar recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres destacase pela relevância para o aqui discutido: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto Fl. 509DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000596/200632 Acórdão n.º 330201.078 S3C3T2 Fl. 4 7 referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim conclui o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como vemos a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Fl. 510DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 (...) Recurso Voluntário provido em Parte. Neste contexto, entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse das despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo da empresa em atividades distintas, quais sejam: no transporte de matéria prima dos frigoríficos para o seu estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, para seus clientes e portos onde são exportados, bem como na prestação de serviço de frete realizado pela empresa Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos acima expostos. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Voto Vencedor Alan Fialho Gandra, Redator Designado Concernente a controvérsia relativa a utilização dos gastos com combustíveis e lubrificantes na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativa, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte, discordo do entendimento do eminente Relator, pelas razões que passo a expor. Da leitura atenta do dispositivo legal acima reproduzido há que se concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou produtos, estando superada a discussão se os mesmos são ou não insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados. Pelo o que defluise dos autos, o gasto em apreço não gera direito ao creditamento eis que não são utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente e do ilustre Relator, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. Quanto ao pedido de diligência entendo ser prescindível a realização da mesma visto que o objeto em apreço tratase de matéria de direito, portanto descabida para o deslinde da presente lide. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 511DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000596/200632 Acórdão n.º 330201.078 S3C3T2 Fl. 5 9 (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Fl. 512DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 24/10/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000151/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
Numero da decisão: 1802-000.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencido os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Gilberto Baptista e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que reduziam a multa de ofício para 75%.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Gilberto Baptista e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que reduziam a multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 831 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 832 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 1 a 105, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 34.376,20, R$ 30.560,94, R$ 54.566,85, R$ 125.405,07 e R$ 512.522,73, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e as multas de 75% e 150%, que variaram de acordo com o tipo de infração apurada. O lançamento abrangeu os meses dos anoscalendário 2005 e 2006, e está fundamentado em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela Contribuinte. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1424.180, às fls. 796 a 801: Conforme descrição dos fatos e Termo de Verificação Fiscal de fls. 106 a 111, foi apurada omissão de receitas referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, bem como insuficiência de valor declarado/recolhido. Os tributos devidos decorrentes da omissão de receitas referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, foram lançados com multa de ofício qualificada de 150% e os tributos devidos apurados como insuficiência de valor declarado/recolhido, foram lançados com multa de ofício de 75%. A Fiscalização não logrou êxito na ciência do Termo de Início de ação Fiscal (TIAF) junto ao estabelecimento da empresa (devolvido pelo correio) e no domicílio fiscal da titular da empresa (‘mudouse’). Referida ciência foi realizada em 18/06/2007, pessoalmente junto a titular da empresa individual. Em 10/08/2007 foi lavrado edital para ciência da continuidade do procedimento fiscal, bem como da obrigatoriedade de atendimento do TIAF. Foi localizado novo endereço da empresária e intimada em 27/08/2008 e 10/09/2008 da alteração de ofício de seu endereço no cadastro CPF e para apresentar novos elementos à fiscalização. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 833 4 Não apresentando a fiscalizada informações em relação a sua movimentação financeira, foram requisitadas informações sobre a movimentação financeira (RMF) aos bancos. De posse dos extratos bancários, foram apurados os créditos nas respectivas contas e submetidos à apreciação da contribuinte para que justificasse a sua origem, através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Não havendo nenhuma manifestação da fiscalizada quanto à comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, nos anos de 2005 e 2006, mesmo após reintimações, foram consideradas omissões de receita nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, “considerando a atividade informada nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – SIMPLES, ou seja, prestação de serviços de fliperamas e jogos eletrônicos”. Destaca a Autoridade Fiscal que foi efetuada a conciliação das contas para identificação das transferências e demais valores, que pelo histórico não seriam créditos objetos de lançamento como omissão de receitas. Dos depósitos/créditos apurados, também foram reduzidos os valores das receitas declarados pelo contribuinte nos anos calendário de 2005 e 2006. “Em decorrência das omissões de receitas apuradas neste procedimento fiscal, os valores devidos mensalmente pela empresa de pequeno porte, a título de SIMPLES, considerando a atividade informada nas Declarações Simplificadas da pessoa Jurídica – SIMPLES, ou seja, prestação de serviços de fliperamas e jogos eletrônicos, foram recalculados, tendo em vista os valores de receitas acumuladas (receitas declaradas + omissão de receitas), o que acarretou em mudança nas faixas de alíquotas a serem aplicadas sobre a receita bruta mensal auferida, ocasionando em insuficiência de valores declarados ou pagos a título de SIMPLES, valores estes que também estão sendo objeto de lançamento de ofício através destes Autos de Infração”. Os tributos devidos decorrentes da omissão de receitas referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, foram lançados com multa de ofício qualificada de 150%, “tendo em vista o fato da contribuinte ter movimentado em contas bancárias valores tão elevados, ou seja, um montante de depósitos sem a devida comprovação ou justificativa, num total de pouco mais de R$2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), já excluídos os valores apurados como devoluções de depósitos, ou depósitos estornados, e também os valores declarados espontaneamente pela empresa, e tendo no período oferecido à tributação somente receitas no valor total de R$ 298.784,75, ou seja, deixou de informar ao fisco considerável quantia, em comparação como os valores declarados, com evidente intenção de não recolher os tributos e contribuições federais devidas”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 834 5 “Também ressaltamos que nesta movimentação de valores em contas bancárias, visualizamos um número significativo de lançamentos que podemos facilmente identificar como sendo referente a recebimentos de valores através de transações envolvendo cartões de débito ou crédito, o que evidencia recebimentos por esta modalidade de pagamento, além dos demais créditos, em sua maioria de depósitos de cheques, o que gerou tão alta movimentação financeira, em comparação com os valores declarados espontaneamente pela empresa fiscalizada, ficando caracterizada que a empresa tinha conhecimento da vultosa movimentação de valores, levandose em conta que nos dois anos fiscalizados procedeu da mesma forma, no entanto, ofereceu ao fisco somente parte, bem inferior, digase de passagem, para tributação espontânea, razões estas que nos levam a conclusão de que agiu com intenção de sonegar tributos e contribuições federais, o que acarretou no lançamento das multas de 150%”. Cientificada do lançamento em 21/02/2009, conforme AR de fl. 784, a interessada, ingressou, em 24/03/2009, com peça impugnatória de fls. 789/793, alegando em suma: 1 – Entende que o Agente Fiscal não acatou os valores apresentados pela impugnante à fiscalização, bem como informações prestadas em sua DIPJ, “desqualificando os mesmos, e com base nos valores de depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte, arbitrou estes valores como faturamento real”. 2 – “Esta medida não pode ser aceita, em razão de ser uma atividade que não possui uma legislação fiscal definida, e é necessário um cuidado especial para não serem cometidos alguns equívocos, no procedimento de fiscalização.” 3 – Que a legislação do Estado de São Paulo, já revogada, fixava a premiação líquida dos jogos de vídeo bingo em aproximadamente 75% da arrecadação, bem como legislação federal posterior fixou aquele limite em 65% da arrecadação bruta. 4 – Que o aluguel das referidas máquinas estipula que 50% da arrecadação líquida será pago ao locador. 5 – Que diante do percentual de premiação, pagamento da locação, bem como demais despesas e encargos da atividade, sua participação não seria superior a 10% dos valores depositados em suas contas bancárias. 6 – Que sua atividade é de simples diversão eletrônica, sendo fiscalizada pelos órgãos competentes para o pagamento mínimo de 60% da arrecadação bruta de cada máquina. 7 – Que há “efeito cascata” na utilização dos créditos em contas bancárias, pois trocava cheques de clientes, sendo que nem todo valor trocado era utilizado no estabelecimento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 835 6 8 – Conclui que deve ser arbitrada sua receita em 10% do valor total de depósitos realizados em contacorrente, colocandose à disposição para elaborar planilha detalhada de suas operações, assim como, apresentar novamente os documentos examinados, ou até mesmo de Laudo Pericial contábil. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 20/07/2009, a Contribuinte apresentou em 18/08/2009 o recurso voluntário de fls. 823 a 827, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 836 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, nos meses dos anoscalendário 2005 e 2006. O trabalho fiscal está fundamentado no art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, o que ensejou as autuações ora combatidas. Conforme mencionado pela DRJ, a atividade da autuada encontrase normalmente inserida no campo de incidência dos tributos lançados e das obrigações impostas às pessoas jurídicas em geral, sendo perfeitamente aplicável a presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, cuja origem não seja comprovada com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Realmente, são improcedentes os argumentos no sentido de que a atividade da Recorrente não possui uma legislação fiscal definida, e que, por este motivo, os valores dos depósitos não poderiam ser arbitrados como faturamento da empresa. Da mesma forma, a alegação de que nem todos os depósitos constituem receitas e de que parte dos ingressos precisam fazer frente a despesas e encargos inerentes à atividade da Recorrente, também não tem o condão de ilidir o lançamento, pois, conforme a norma acima descrita, a Contribuinte tinha o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua contacorrente. Com efeito, por determinação expressa da lei, e no contexto dos fatos ora examinados, os depósitos bancários passaram a configurar receitas omitidas, e, como tal, foram tributados. Finalmente, registro que durante a sessão de julgamento, alguns Conselheiros questionaram a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11444.000151/200910 Acórdão n.º 180200.799 S1TE02 Fl. 837 8 Quanto a esse ponto, é preciso mencionar que de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”, que é o caso dos autos, em relação à multa. De qualquer modo, ainda que se reconheça o efeito translativo para o recurso voluntário sob exame, a multa qualificada deve ser mantida, primeiro, porque restou caracterizada a origem das receitas autuadas (atividade de vídeo bingo); e, segundo, porque elas foram reiteradamente omitidas ao longo dos anos de 2005 e 2006. Deste modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001498/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
EXCLUSÃO SIMPLES. PLANOS DE ASSISTENCIA FUNERÁRIA. - A
atividade de venda de planos de assistência, orientação ou fornecimento de
outros bens e serviços, no caso de morte do contratante, mediante
recebimento de parcelas mensais, não se configura como atividade de seguro,
capitalização ou previdência privada, para fins de enquadramento no Simples
Federal.
Numero da decisão: 1101-000.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a
argüição de nulidade do ato de exclusão e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos
do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 EXCLUSÃO SIMPLES. PLANOS DE ASSISTENCIA FUNERÁRIA. - A atividade de venda de planos de assistência, orientação ou fornecimento de outros bens e serviços, no caso de morte do contratante, mediante recebimento de parcelas mensais, não se configura como atividade de seguro, capitalização ou previdência privada, para fins de enquadramento no Simples Federal.
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PLANOS DE ASSISTENCIA FUNERÁRIA. - A atividade de venda de planos de assistência, orientação ou fornecimento de outros bens e serviços, no caso de morte do contratante, mediante recebimento de parcelas mensais, não se configura como atividade de seguro, capitalização ou previdência privada, para fins de enquadramento no Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do ato de exclusão e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO SALES R RO DE QUEIROZ - Presidente CAREOS-EDUARD ISE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 2 1`; 2 011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente da Turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Marcos_Shigueo Takata e Nara Cristina Takeda Taga. c-- Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de exclusão do Simples. Em atendimento a representação (proc. fl. 01), o contribuinte foi intimado a esclarecer sua atividade econômica, fornecer cópia do contrato social e entregar contrato em branco de plano de assistência familiar ou outro tipo de contrato que pratique (proc. fl. 30). 0 contribuinte apresentou o contrato social e alterações solicitados (proc. fls. 32 a 74), esclarecimentos sobre sua atividade (proc. fl. 75) e cópia do seu contrato padrão (proc. fls. 76 a 80). Em 13/04/2009, despacho decisório decide excluir a empresa do Simples Federal, a partir de 01/01/2002, por infração ao inciso V do art. 9" da Lei n° 9.317, de 1996 (proc. fls. 100 a 106). A autoridade fiscal relata que a empresa foi constituída em 1994 e optou pelo Simples em 1997. Diz que: em 1997 o objeto social da empresa era serviços funerários; pela alteração contratual de 28/12/2000 o objeto social passou a ser de prestação de serviços funerários e planos de assistência familiar; pela alteração de 21/07/2005, o objetivo passou a ser de prestação de serviços funerários e planos de assistência familiar, comercio de artigos de livraria, papelaria, floricultura e loja de conveniências. Informa que a empresa está enquadrada no CNAE 9603-3-04, serviços de funerárias. Adiciona que a empresa afirmou que "PRESTA SERVIÇOS NO RAMO DE ASSISTÊNCIA E HOMENAGENS PÓSTUMAS A QUALQUER PESSOA, ALEM DE MANTER REFERIDOS SERVIÇOS ATRAVÉS DE UM PLANTÃO 24 (VINTE E QUATRO) HORAS PARA USUÁRIO E/OU FAMÍLIA, FAZENDO A MANUTENÇÃO DESTE SERVIÇO ATRAVES DE RECEBIMENTO MENSAL, CONFORME ANEXO I E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO FUNERÁ RIO E DE ASSISTÊNCIA 24 HORAS". A autoridade fiscal diz que a atividade de capitalização de valores e prestação de serviços de administração de fundo, exercidas pela empresa, impedem sua permanência no Simples, conforme inciso IV, do art. 9' da lei n°9.317, de 1996. Diz que os efeitos da exclusão estão regulamentados na IN SRF n° 608, de 2006, e que no caso em concreto produzirá efeitos de 01/01/2002 a 30/06/2007, devendo a empresa regularizar sua situação fiscal deste período, no qual declarou e recolheu como se estivesse no sistema do Simples. Em 27/04/2009, o contribuinte foi cientificado da exclusão (proc. fl. 107). Em 27/05/2009, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (proc. fls. 112 a 120). Alega que a decisão que o excluiu do Simples, apenas faz alusão ao objeto social da recorrente. Conclui que o despacho não está fundamentado, pois não apresentou sua motivação, e por isso deve ser anulado. Também solicita que seja reconhecida a decadência, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, proibindo-se de serem constituídos créditos a partir de 01/01/2002. 0 contribuinte também argumenta que está enquadrado no CNAE 9603-3-04, serviços de funerárias, e que "presta serviços no ramo de assistência e homenagens póstumas a qualquer pessoa, mantendo serviços 24 (vinte e quatro) horas para o usuário, fazendo a manutenção deste serviço através de recebimento mensal, conforme anexo I e Contrato de Prestação de Serviço Funerário e de Assistência 24 horas em anexo". Conclui que sua atividade não é de empresa de "seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta". Processo n° 10820.001498/2005-41 SI-CITI Acórao 11. 0 1101-00.478 Fl. 243 Na sequencia, o contribuinte diz que constou do despacho que teria atividade de capitalização de valores e prestação de serviços de administração de fundos e que se enquadraria na vedação do inciso IV do art. 9 0 da Lei n" 9.317, de 1996. Adiciona que tal base legal estaria errada, pois os serviços de seguro, capitalização e entidade de previdência privada têm definição jurídica diversas daquela que o recorrente exerce. Descreve o que entende ser os contornos jurídicos das atividades mencionadas no fim do inciso IV do art. 9" da Lei n" 9.317, de 1996, e diz que não se enquadra em nenhuma delas. Além disso, registra que os tribunais regionais não admitem a exclusão retroativa e que a exclusão só pode ter efeito a partir do mês seguinte àquele em que a empresa é cientificada. Em 03/03/2010, a 6 Turma da DRJ de Ribeirão Preto considera improcedente a manifestação de inconformidade e mantém a exclusão a partir de 01/01/2002. Na decisão, a turma diz que o ato de exclusão não é nulo porque não se enquadra nas situações previstas no art. 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, e porque não há preterição do direito de defesa, já que os fatos estão descritos adequadamente e a base legal também está conetamente informada. A decisão da DRJ explica que a atividade do contribuinte, conforme contrato social, é de captação mensal de valores dos contratantes, para a prestação de serviço futuro, se ocorrer o evento morte, e a administração destes valores para garantir o funeral. Diz que tal atividade se enquadra na proibição estabelecida no inciso IV, do art. 9 0, da Lei IV 9.317, de 1996, que impede que empresas de seguro privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta possa optar pelo Simples. Ainda, consta do voto o seguinte esclarecimento: Sem dúvida, essa atividade, caracteriza capitalização e administração de fundo para tal .finalidade. Ainda que essa atividade não tenha vinculo coin os órgãos que regulamentam o Seguro, não se pode negar que de fato, essa atividade embora não garanta "indenização em dinheiro", garante uni serviço funerário que, se não contratante do plano, teria que desembolsar. Portanto, embora não controlado pela Susep, como alegado, não resta dúvida que, de lato, tal atividade caracteriza seguro. Embora não se confunda com a do Simples Federal, cabe ressaltar que a legislação do Simples Nacional continua impedindo o ingresso dessas empresas em sistema simplificado, conlbrine se depreende do Anexo 1 da Resolução CGSN n° 6, de 2007. Tal anexo relaciona os códigos previstos na CNAE, impeditivos ao Simples Nacional, que devem ser observados quando da opção e dentre esses consta o CNAE 6511-1/02 — "Planos de Auxilio Funeral". Esse CNAE é igualmente impeditivo para o Simples Federal. Observe-se que a contribuinte somente conseguiu realizar sua opção, porque das informações cadastrais no CNPJ constava apenas código permissivo, CNAE 9303-3/04, conforme pesquisa de fl.188/189. Portanto, de acordo com as normas acima citadas, o exercício dessa atividade não permite sua permanência no Simples, devendo ser mantida a exclusão. 3 A DRJ argumenta que os efeitos da exclusão estão disciplinados nos arts. 20, 21, 22 e 24 da IN SRF n" 608, de 2006, que determinam ao caso concreto a exclusão desde 01/01/2002, pois a empresa já exercia a atividade impeditiva desde o seu ingresso no sistema. Também, informa que a alegação do contribuinte de que deve ser considerado o prazo do art. 173 para fins de lançamento não é pertinente no presente processo, pois seu objeto não é um lançamento, mas exclusão. Em 16/04/2010, a empresa foi cientificada (proc. fls. 198). Em 29/04/2010, apresentou recurso voluntário (proc. fls. 199 a 210). No recurso, com os mesmos argumentos colocados na manifestação de inconformidade, alega que o ato de exclusão é nulo e que o acórdão da DRJ não tem o condão de validá-lo. Em síntese, diz que o ato de exclusão não foi motivado ou que a motivação não foi clara, e que não foi explicado porque a administração entendeu que a atividade da empresa era de capitalização de valores. Reclama também que a atividade de administração de fundo, apresentada como uma razão para a exclusão, não consta da base legal mencionada. No mérito, também repetindo sua defesa em 10 grau, sustenta que sua atividade não é vedade e que eventual exclusão não poderia retroagir. Adiciona que a IN SRF IV 608 é de 2006 e não poderia retroagir para disciplinar fatos pretéritos. Também, diz que, se o Estado não verificou a impossibilidade de adesão na data da opção (em 1997), não pode agora pretender excluir retroativamente, pois estaria onerando injustamente o contribuinte. )t 4 Processo IV 10820.001498/2005-41 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.478 Fl. 244 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Preliminarmente, cabe examinar a alegação de nulidade por falta de clareza do ato que excluiu ou mesmo por ausência de motivação ou motiva insuficiente. Conforme consta do processo, o contribuinte foi cientificado do parecer e do ato declaratório executivo de exclusão (proc. fl. 106). No parecer, a autoridade fiscal registra que urna das atividades do contribuinte, corn base no contrato social e alterações, é plano de assistência familiar. Também registra a informação dada pelo próprio contribuinte de que recebe mensalidades para prestar seus serviços que consiste em serviços funerários prestados quando necessários, por plantão de 24 horas. Ainda , no parecer, é dito que a empresa não poderia permanecer no Simples ao ter atividade de capitalização de valores e de prestação de serviços de administração de fundos, apontando como base legal o inciso IV do art. 9" da Lei n" 9.317, de 1996, que veda empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta. No despacho, é apontado corno causa da exclusão o exercício de atividade vedada de capitalização de valores e administração de fundos. Assim, resta patente que os fatos e leis foram apontados e o contribuinte foi informado da causa da exclusão. Portanto, não cabe falar em nulidade, quer por falta de motivação, quer por motivação insuficiente, quer por cerceamento de defesa. Deste modo, voto por considerar improcedente a alegação de nulidade do ato. No que tange ao mérito, o contribuinte diz que as atividades vedadas na base legal apontada - seguro, capitalização e entidade de previdência privada - têm definição jurídica diversas daquela que o recorrente exerce. Para a análise da questão, cabe a transcrição da base legal do ato, o inciso IV do art. 9° da Lei n°9.317 de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IV - cuja atividade seja banco comercial, banco cie investimentos, banco de desenvolvimento, caixa econômica, sociedade de crédito, financiamento e investimento, sociedade de crédito imobiliário, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresa de arrendamento mercantil, cooperativa de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta; Conforme se depreende da leitura do dispositivo, ele indica as atividades vedadas de modo taxativo e não exemplificativo. Assim, só estão proibidas de aderir empresas cuja atividade se enquadrem perfeitamente na lista. Então, o primeiro passo é verificar exatamente as características da atividade da empresa, para compará-la com as características das atividades mencionadas no inciso e 5 apontadas no despacho (empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta). Pelo o que consta nos autos, a atividade econômica do contribuinte consiste em vender planos de assistência de serviços funerários, onde a empresa recebe uma mensalidade e se obriga a atender e orientar a família dos contratantes, quando do evento morte. Independente da exata contrapartida que a empresa se obriga pelas mensalidades (se só dar orientação ou se fornece outros bens e serviços), o traço marcante do seu negócio consiste em receber mensalmente, para uma prestação futura de bens ou serviços, sem data certa, mas com objeto certo. Já as atividades descritas na lei e apontadas no despacho têm conteúdo diverso, embora possam ter alguns traços parecidos. No caso do seguro, a empresa recebe um valor para indenizar o contratante por urn prejuízo resultante de um evento futuro, possível e incerto. Assim, a prestação da empresa seguradora é diferente da prestação que recorrente se obriga, pois a seguradora entrega um valor e a recorrente entrega bens ou serviços. No caso de capitalização, a empresa recebe valores dos contratantes, que tem direito de resgatar esses valores acrescidos dos juros, no prazo estipulado, podendo ainda ser pactuado a premiação por sorteios. Também aqui, a prestação da empresa de capitalização é diferente da prestação que recorrente se obriga, pois a primeira entrega urn valor (correspondente aos valores que recebeu acrescidos de juros) e a recorrente entrega bens ou serviços. No caso de previdência privada, a empresa recebe valores e se obriga a pagar urna renda ou um pagamento único. Também aqui, a prestação da empresa de previdencia é diferente da prestação que recorrente se obriga, pois a primeira entrega urn valor ou paga uma renda e a recorrente entrega bens ou serviços. Como se percebe, nenhuma das 3 atividades coincide corn a do contribuinte. Urna das difereenças mais evidentes e comum as 3 situações é que contrapartida da empresa de seguro ou capitalização ou previdência é em dinheiro e a contrapartida da recorrente é em bens ou serviços. Por isso, não há como enquadrar a recorrente na vedação apontada. Ademais, percebe-se no grupo de atividades elencadas no inciso IV do art. 9 0 da Lei IV 9.317, de 1996, que eles são próprios de empresas grandes, conectadas ao sistema financeiro e que buscam captar parte da poupança popular. Por estas razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exclusão do sistema e manter o contribuinte no Simples. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Brasilia, JUN 7011 4,6J) JOSE ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da P Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Processo n 10820.00149 8/2005-4 1 SI-CITI Acórddo n.° 1101-00.478 Fl. 245 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009.. Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ J com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 7
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000243/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ano-calenddrio 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO.DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE E AQUELES INFORMADOS PELAS FONTES TOMADORAS DOS SERVIÇOS – Cabe
o lançamento de oficio das diferenças detectadas a partir do cotejo entre os
valores informados em DIPJ e aqueles que ensejaram os recolhimentos do
IRRF, através das DIRFs, realizados pelos tomadores dos serviços.
PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — 0 dever de investigação decorre da
necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do
seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato
imponivel, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este
corresponderá o dever de investigação corn o qual deverá produzir as provas
ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso.
PAF — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade atuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária.
PAF – INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS – 0 afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da
Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de
decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua
inconstitucionalidade.
Súmula CARF N„. 2 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
PAF – JUROS .COBRANÇA – Súmula CARF 1\10_4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PAF — CIENTIFICAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO — SUSTENTAÇÃO ORAL — A forma de cientificar o julgamento se dá nos termos do artigo 23 do Decreto 70235/1972, c/c artigo 55 do anexo II da Portaria N° 256, de 22 DE JUNHO DE 2009 , com alterações das Portarias MF nº 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 e art. 69 da Lei 9784/1999.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL. PIS. COFINS — Ressalvados os casos especiais , o lançamento reflexo segue a mesma decisão do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos.
Numero da decisão: 1102-000.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
1.0 = *:*
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ementa_s : Ano-calenddrio 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO.DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE E AQUELES INFORMADOS PELAS FONTES TOMADORAS DOS SERVIÇOS – Cabe o lançamento de oficio das diferenças detectadas a partir do cotejo entre os valores informados em DIPJ e aqueles que ensejaram os recolhimentos do IRRF, através das DIRFs, realizados pelos tomadores dos serviços. PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — 0 dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponivel, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação corn o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. PAF — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade atuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. PAF – INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS – 0 afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. Súmula CARF N„. 2 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF – JUROS .COBRANÇA – Súmula CARF 1\10_4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PAF — CIENTIFICAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO — SUSTENTAÇÃO ORAL — A forma de cientificar o julgamento se dá nos termos do artigo 23 do Decreto 70235/1972, c/c artigo 55 do anexo II da Portaria N° 256, de 22 DE JUNHO DE 2009 , com alterações das Portarias MF nº 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 e art. 69 da Lei 9784/1999. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL. PIS. COFINS — Ressalvados os casos especiais , o lançamento reflexo segue a mesma decisão do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-12T17:09:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-12T17:09:19Z; Last-Modified: 2011-07-12T17:09:20Z; dcterms:modified: 2011-07-12T17:09:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:06c996ed-f0fc-46d7-9d4f-8c920aeca1bf; Last-Save-Date: 2011-07-12T17:09:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-12T17:09:20Z; meta:save-date: 2011-07-12T17:09:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-12T17:09:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-12T17:09:19Z; created: 2011-07-12T17:09:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-07-12T17:09:19Z; pdf:charsPerPage: 2156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-12T17:09:19Z | Conteúdo => SI-CIT2 FL 1.283 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19311.000243/2009-17 Recurso n° 517.595 Voluntário Acórdão n° 1102-00.470 – Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 01 de julho de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente ABBAS - PROPAGANDA E MARKETING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto:Ano-calenddrio 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO.DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE E AQUELES INFORMADOS PELAS FONTES TOMADORAS DOS SERVIÇOS – Cabe o lançamento de oficio das diferenças detectadas a partir do cotejo entre os valores informados em DIPJ e aqueles que ensejaram os recolhimentos do IRRF, através das DIRFs, realizados pelos tomadores dos serviços. PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO — 0 dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponivel, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação corn o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. PAF — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. PAF – INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS – 0 afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazenddria, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. Súmula CARF N„. 2 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF – JUROS .COBRANÇA – Súmula CARF 1\10_4 – A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no 6 período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PAF — CIENTIFICAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO — SUSTENTAÇÃO ORAL — A forma de cientificar o julgamento se dá nos termos do artigo 23 do Decreto 70235/1972, c/c artigo 55 do anexo II da Portaria N° 256, de 22 DE JUNHO DE 2009 , com alterações das Portarias MF n's 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 e art. 69 da Lei 9784/1999. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL. PIS. COFINS — Ressalvados os casos especiais , o lançamento reflexo segue a mesma decisão do denominado matriz, em razão da relação de causa e efeito existente entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ,04 IVE t V A A QÜIAS VESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: 11/07/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppennan Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barrett°, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). e Processo IV 19311.000243/2009-17 SI-CIT2 Acórdão II.' 1102-00.470 Fl. 1.284 Relatório Trata-se de exigência relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 142/145), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 150/153), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins, fls. 158/161) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL, fls. 165/168), ano calendário 2005. Há cominação de multa de oficio qualificada. Enquadramento legal nos respectivos termos. 0 termo de verificação fiscal de fls.127/136 aponta a dificuldade inicial em encontrar a contribuinte, pela falta de atualização no cadastro junto A. administração tributária. Por diligência constatou o agente do fisco que no endereço da Contribuinte funcionava o escritório do contador, que informou o "desaparecimento"do sócio da pessoa jurídica, há aproximadamente dois anos. 0 contacto inicial com o mesmo se deu por telefone. Na fundamentação do termo menciona o autuante as seguinte ocorrências: (i) a intimação da contribuinte para apresentação dos documentos citados no Termo de Inicio, salientando a dificuldade em encontrá-lo, (ii) a obtenção, mediante intimação, junto à Seicho No 1e do Brasil, de cópias autenticadas das notas fiscais de serviços contratados no ano- calendário de 2005 e a comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados; (iii) a constatação de falta de escrituração das referidas Notas Fiscais no Livro Diário; (iv) a intimação da contribuinte para apresentar esclarecimentos e justificativas pertinentes à ausência de escrituração das receitas, e (v) a resposta da contribuinte requerendo restituição do Livro Diário para sua retificação, bem como solicitando autorização para retificação de DIPJ, DCTF, DACON e DIRF do período. Houve qualificação da multa de oficio aplicada. Também é formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais e Termos de Sujeição Passiva Solidária, indicando como sujeitos passivos solidários os sócios Murilo Jose Abbas e Claudia Kaneichi Takahama, cientificados por via postal, respectivamente, em 03/07/2009 e 02/07/2009, conforme fls. 172/175, por restar caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n°5.172, de 25 de outubro e 1966— Código Tributário Nacional. Há registro, em 24/11/2008, da apresentação da cópia da 2a alteração contratual, com as mudanças de endereço, razão social e ramo de atividade que menciona. Ciente em 18/06/2009, a Contribuinte apresenta a impugnação de fls. 181/186, em 16/07/2009, em nome da pessoa jurídica, acompanhada dos documentos de fls. 187/228 e complementada pelos documentos de fls. 229/231, onde argui em preliminar a quebra ilegal de sigilo fiscal no curso de fiscalização. Reclama da forma precipitada como a ação se desenvolveu , da falta de observância do comando do inciso II do § 1° do artigo 198 do CTN, com a redação da Lei Complementar 104/2001, posto que não houve despacho fundamentado exarado pela autoridade fiscal, nem a demonstração de que tal atitude se fazia absolutamente indispensável. Comenta que a quebra de sigilo prejudicou o seu direito A ampla defesa, dando causa a nulidade absoluta da fiscalização, invalidando todos os atos praticados, inclusive a autuação. Reclama do prejuízo sofrido, pois seu cliente encerrou as relações comerciais corn sua empresa. Como se trata do seu principal cliente informa que poderá interpor medidas legais contra quem de direito, visando reparação dos danos que lhe foram causados. Discorre sobre sua visão dos eventos que redundaram na exigência ora combatida, diz que é pessoa leiga e confiou a administração dos assuntos contábeis e fiscais a seu contador, sendo surpreendido corn a constatação de que a escrituração não se encontrava em perfeita ordem, com a falta de alguns livros e com o extravio de talondrios de notas fiscais, tendo dificuldade em atender as intimações em sua integralidade, mas de tudo informando a fiscalização oportunamente, sem criar óbices para os trabalhos fiscais. Informa que somente constatou o extravio do talão de notas fiscais após o inicio da fiscalização, quando solicitado no curso do procedimento e não lhe foi entregue pelo contador como esperava, noticiando a fiscalização de tal fato e providenciando formalização de Boletim de Ocorrência tão logo lhe foi permitido, em razão de greve de policiais civis. A falta de recolhimento dos tributos não se deu por dolo ou má-fé, mas por ter sido levada a erro pelo contador a quem delegou competência para escolha do regime fiscal e escrituração de livros, acreditando que a tributação devida sobre os serviços prestados à Seicho no Ie era exclusivamente aquela retida na fonte pela pagadora, não tendo sido alertada em sentido contrário por quem deveria fazê-lo. Diz, ainda, que por motivos que igualmente desconhece também não foram escrituradas por quem de direito as notas fiscais faturas emitidas pela empresa Mídias TV Comercial Ltda. e MF5 Comunicação S/C Ltda., referentes as veiculações dos programas da Seicho No le e pagamento de comissões que, no ano de 2005, totalizaram RS 670.000,00 — importância que alega não pode ser lançada como receita liquida e deve ser abatida das diferenças de imposto a pagar apuradas pela fiscalização. Alega que a multa é confiscatória,os juros exigidos simultaneamente à multa são descabidos, porque somente um tipo deste acréscimo caberia. Cita ocorrência do anatocismo, cobrança de juros capitalizados (inadmissível em face de Súmula do STF). Ainda, a ausência de memória de calculo dos valores exigidos a titulo de atualização monetária e juros de mora, e da falta dos indices e percentuais aplicados sobre os débitos, inviabiliza sua conferência sendo mais um óbice a continuidade do processo.. Afirma que esta impugnando expressamente os Termos de Arrolamento de Bens e Direitos e Termos de Sujeição Passiva Solidária, expedidos contra ela e seus sócios, por inexistirem razões de direito para que tais providências sejam tomadas na atual fase do procedimento administrativo, medida que se constitui em mais um abuso de direito por parte da fiscalização.Pede a procedência da impugnação. O acórdão de fls.237/246, da 5 a .Turma DRJ-Campinas, n'.05-26.821 de 18/09/2009, confirma o lançamento. Ciente em 26/10/2009,f1s.255, In -esignada a Contribuinte opõe as fls.256/269,em 24/11/2009, o recurso voluntário alegando, em síntese, o seguinte: a) como primeira preliminar a inconstitucionalidade do § 2° do artigo 33 do Decreto 70.235/72; b)nulidade do acórdão recorrido,por falta de cientificação para que realizasse sustentação oral, no julgamento, o que feriu seu direito de defesa (artigo 5°, inciso LV, da Constituição de 1988;Lei 9784/99, artigo 2 ° .,X, dentre outros dispositivos citados); 4) Processo n° 19311.000243/2009-17 SI-CIT2 Accird5o n.° 1102-00.470 Fl. 1.285 c) no tocante ao MÉRITO repisa as razões oferecidas em sede de impugnação, tal seja, da ilegalidade do procedimento fiscal, por quebra do sigilo fiscal junto a sua cliente Seisho No le, antes de sua ciência de que se encontrava sob procedimento fiscal. Repete o comando do inciso I do art.7 ° . do Decreto 70235/1972, para dizer que tal procedimento se dera de forma incorreta. Não cabe admitir que a Lei Complementar 104/2001, na nova redação do artigo 198 do CTN, dê abrigo a quebra de sigilo ora contestada haja vista a flagrante inconstitucionalidade do dispositivo legal em questão, em face do principio da inviolabilidade da privacidade, previsto no artigo 5 0, incisos X, e XII, da Constituição Federal. Reclama da falta de atendimento As determinações do inciso II do § 1° do artigo 198 do CTN, corn a redação dada através da Lei Complementar 104/2001, cuja legalidade e constitucionalidade, neste sentido, apenas se admite ad argumentandum tantum haja vista que não houve despacho fundamentado exarado pela autoridade fiscal, nem a demonstração de que tal atitude se fazia absolutamente indispensável. Junta que a atitude da auditora fiscal se revelou precipitada, urna vez que a notificação da Seicho No le foi expedida um dia após a primeira diligencia realizada corn sucesso na sua localização e sem que o procedimento fiscal tivesse sido regularmente instaurado, nos termos do artigo 7°, inciso I, do Decreto 70.235/72, o que ocorreu apenas sete dias depois. Comenta que além de manifestamente ilegal a quebra de sigilo lhe causou graves prejuízos, haja vista que o terceiro notificado era seu principal cliente, de onde provinha sua principal fonte de receitas. A notificação provocou o fim do relacionamento comercial entre as duas empresasinfon -na a possível utilização de medidas legais contra quem de direito, visando a reparação dos danos que lhe foram causados. Discorre sobre a quebra de sigilo fiscal dizendo-a ilegal além de impedir seu direito à ampla defesa, o que deve ensejar a decretação da nulidade absoluta da fiscalização, invalidando-se todos os atos praticados, inclusive o próprio auto de infração recorrido, o que, desde já, fica expressamente requerido. Diz inveridica a narrativa dos fatos conforme posto no termo de verificação fiscal, porque mantinha sua sede em sala contígua A. de seu contador, o que nada tem de irregular, nem ilegal. Desconhece a razão pela qual foi informado à auditora fiscal que o sócio administrador estava cm local incerto. Tanto é fato que o referido contador forneceu , de imediato, seu número de telefone que, ato continuo, foi localizado e informado acerca da necessidade de sua presença junto A DRF Jundiai, o que foi atendido no prazo mais breve possível. Corno jamais se furtou a atender qualquer convocação do fisco, não havendo qualquer razão, portanto, para que os agentes fiscalizadores que impusessem de forma tão truculenta na condução dos trabalhos, levando, inclusive, a uma ilegal e desnecessária quebra de sigilo fiscal, conforme já argumentado e demonstrado. Aduz que após o inicio formal da fiscalização empenhou-se em fornecer todos os elementos que dispunha para atender As solicitações da auditora fiscal, inclusive promovendo a alteração do endereço de sua sede social por exigência da mesma e, evidentemente, pela quebra de confiança havida entre o representante legal da recorrente e seu contador até então. Afirma que é pessoa leiga e confiou a administração dos assuntos contábeis e fiscais a seu contador, em quem depositava grande confiança. Por isso, foi grande a surpresa ao se constatar que tanto os documentos quanto a escrituração fiscal não se encontravam em perfeita ordem conforme se esperava. Dai a sua enorme dificuldade em atender As solicitações da fiscalização na sua integralidade, o que foi oportunamente esclarecido a auditora fiscal. Esses os motivos do pedido de prazo adicional para reunir todos os documentos solicitados, quando mais uma vez foi surpreendida com a falta de alguns livros e, inclusive, corn o extravio de talondrios de notas fiscais, tudo oportunamente informado A. fiscalização, por escrito. Junta que não criou qualquer óbice para os trabalhos da fiscalização que, por sinal não encontrou dificuldades em encontrar os elementos de que necessitava, urna vez que notificou a empresa Seicho No le a apresentar as notas fiscais emitidas pela recorrente antes mesmo de ter solicitado a documentação a que tem direito,provocando quebra de sigilo da fiscalização,confon-ne já aduzido. Continua para dizer que após ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da ausência de escrituração das notas fiscais emitidas A Seicho No le no livro diário, requereu a restituição do referido livro, para posterior entrega junto com o livro razão, bem como, requereu ainda a retificação da DIPJ 2006/2005, DCTF, DACON e DIRF do período em questão. Reclama porque as retificações foram sumariamente indeferidas, em mais urn flagrante cerceamento ao seu direito A ampla defesa, o que também deve ensejar o decreto de nulidade do processo fiscal em questão. Refere-se ao artigo 5 °,LV da Constituição Federal e o artigo 59,11, do Decreto n° 70.235/72,para afirmar que seu direito de defesa foi prejudicado pela ação deficiente e, sobretudo, autoritária da fiscalização, devendo ser julgado nulo o presente auto de infração, conforme uma vez mais se requer. No tocante ao extravio do talão de notas fiscais, esclarece que tal fato só foi constatado após o inicio da fiscalização, quando sua exibição foi solicitada pela fiscalização, e tais documentos não foram restituidos pelo contador, conforme se esperava. Em face disso, ato continuo, deu noticia do fato à fiscalização e só não providenciou imediatamente a lavratura de Boletim de Ocorrência em razão da greve dos policiais civis do Estado de Sao Paulo, fato público e notório A época. Mas, tão logo lhe foi permitido, o Boletim de Ocorrência foi lavrado e, em seguida, foi providenciada a publicação do fato em jornal de circulação local, conforme exigido. Corn referência ao não-recolhimento dos tributos apontados no auto de infração, ressalta que não o fez por dolo ou má-fé, mas sim por ter sido levada a erro, por se tratar de pessoa leiga em assuntos de natureza fiscal. Por isto delegou ao seu contador a escolha do regime fiscal que lhe fosse mais favorável e a escrituração dos livros, o que adiante se revelou grave erro. Acreditava que a tributação devida pelas atividades desenvolvidas junto a Seicho No le era exclusivamente aquela retida na fonte pela pagadora, cujos valores foram 6 Proccsso no 19311.000243/2009-17 SI-CIT2 Acórdao n.° 1102-00.470 Fl. 1.286 efetivamente recolhidos, conforme se apurou no decorrer da fiscalização, sem jamais ter sido alertada em sentido contrário por quem deveria fazê-lo. Diz não saber explicar por qual motivo não foram escrituradas, por quem de direito, as notas fiscais fatura emitidas pelas empresas Mia TV Comercial Ltda. e MF5 Comunicação S/C Ltda.referentes às veiculações dos programas da Seicho No te em emissoras de televisão e pagamento de comissões, objeto da prestação de serviços entre ela e a Seicho No le, que no ano de 2005 totalizaram R$ 670.000,00, conforme cópias que anexou à Impugnação. Aduz que tal importância não podia ser lançada como receita liquida e, portanto, deveria ser abatida das diferenças de imposto a pagar apuradas pela fiscalização, o que reduziria significativamente o valor do crédito tributário apurado em favor do fisco. Esse fato também demonstra que, ao contrário do que tentou apontar a fiscalização, não houve de sua parte ou quaisquer de seus sócios ou representantes comportamento doloso. Segue para afirmar que apontou, em sua impugnação, a abusividade da cobrança de multa e juros. A multa, no percentual de 150% tem caráter confiscatório e, não pode ser admitida. A Constituição Federal, no Capitulo" DAS LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR", artigo 150, inciso IV, diz que " sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco." Por outro lado, além da multa moratória, estão sendo aplicados, também, juros desta natureza, o que é urn absurdo, urna vez que, apenas um tipo deste acréscimo deveria compor o débito. Além disso, verifica-se a ocorrência do chamado "anatocismo", isto e, a cobrança de juros capitalizados, o que é inadmissível em face da vigência da Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal. Reclama da falta de exibição da memória de cálculo dos valores exigidos a titulo de atualização monetária e juros de mora, assim como não foram apontados os indices e percentuais aplicados sobre o débito, tomando impossível verificar a sua exatidão, mais um motivo para que a exigência não prospere, (fosse em razão das nulidades apontadas, ou pela ilegalidade do valor do crédito tributário exigido pelo fisco). Diz manter a impugnação aos 'Termos de Arrolamento de Bens e Direitos", bem como, os "Termos de Sujeição Passiva Solidária", expedidos contra a recorrente e seus sócios, haja vista que não existem razões de direito para que tais providências sejam tomadas na atual fase do procedimento administrativo, medida que se constitui em mais urn abuso de direito por parte da fiscalização. E completa que, ao contrário do quanto asseverou o v. acórdão recorrido, nada obsta que a presente impugnação seja realizada em conjunto com a presente impugnação, uma vez que a recorrente se encontra regularrnente representada nestes autos por seu sócio administrador e o patrono que a esta subscreve. Pede integral provimento ao recurso, para que fosse anulada a decisão proferida pela DRJ/Campinas, em razão do comprovado cerceamento de defesa, bem como igualmente anulada a autuação para cumprimento do verdadeiro mister de distribuir a boa Justiça. E ainda que as intimações referentes ao presente procedimento administrativo fossem endereçadas ao advogado que subscreve a presente, com endereço na Rua Osvaldo Barreto 179,4-A, Atibaia-SP, Cep 12942-570 e que fosse intimados acerca da data do julgamento do presente recurso, a fim de possibilitar a sua sustentação oral, em plenário. Despacho de fls.271 encaminha os autos ao CARF. Por sorteio, os recebo para relato. É o Relatório. 8 Processo n° 19311.000243/2009-17 SI-CIT2 AeórcIdo 0. 0 1102-00.470 Fl. 1.287 Voto Conselheiro IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de exigência para o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e reflexos, decorrente de Omissão de Receitas da Atividade de prestação de serviços, nos anos- calendário de 2005, detectada a partir do confronto das receitas reconhecidas e aquelas consignadas através nas DIRFs apresentadas pelos tomadores dos serviços, fatos confirmados na fase inquisitória. Há qualificação da multa e lavratura de "TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA" para o Sr. Murilo Jose Abbas e Sra. Claudia Kaneichi Takahaya Nas parcelas espontaneamente declaradas há reajuste no percentual de presunção, de 16% para 32%, pois a soma das receitas auferidas no período não permitia o percentual beneficiado. As razões oferecidas em nome da Pessoa Jurídica oferece várias preliminares de nulidade, seja por ofensa aos princípios norteadores do processo tributário (da legalidade, do contraditório, da ampla defesa), bem como por pretender que seja cancelado os termos de sujeição passiva (porque este não seria o momento nem o foro competente para analisa-los). No que tange a "sujeição passiva" descabe sua análise neste foro porque a mesma não foi sequer impugnada, posto que deixou de ser formalizada impugnação especifica das pessoas fisicas arroladas, e nos termos de regência do PAF, restou não prequestionada a matéria. A Contribuinte, nos dois momentos processuais nos quais interpõe sua irresignação quanto ao lançamento, invoca a nulidade do procedimento, por vários motivos. 0 principal estaria na suposta quebra do seu sigilo fiscal, porque o autuante circularizara sua cliente a fim de se informar sobre o verdadeira faturamento de sua empresa, o que implicara em flagrante cerceamento do seu direito de defesa, porque o fizera "antes"de cientificá-lo da ação fiscal. Todavia se verifica a ausência de motivos suficientes a determinar a nulidade do lançamento realizado pela Autoridade Fiscal, nos moldes estabelecidos pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e com obediência aos comandos normativos do artigo 59 do Decreto n°70.235/1972. Observo, ainda, que não houve qualquer ato tendente a cercear do direito de defesa da Recorrente, haja vista que a mesma foi regularmente intimada, tendo tomado ciência dos termos lavrados durante o procedimento de fiscalização e, ainda, dos autos de infração.Nesses as infrações que lhe foram imputadas encontram-se descritas e devidamente capituladas no próprio termo e decorrem de matéria de fato.(Conforme anteriormente mencionado). Em suma, a Contribuinte reclama da falta de obediência aos Princípios de regência do PAP, mas, tal evento não se verificou. O Prof Souto Maior Borges em seu Livro Lançamento Tributário, Malheiros Editores, SP. 2 8 ed.1999, p. 120/121 leciona, que o "procedimento administrativo de lançamento é o caminho juridicamente condicionado por meio do qual a manifestações jurídicas de plano superior - a legislação - produz manifestação jurídica de plano inferior o ato administrativo do lançamento. (...) E, porque o procedimento de lançamento é vinculado e obrigatório, o seu objeto não é relegado pela lei A livre disponibilidade das partes que nele intervêm. E indisponivel, em principio, a atividade de lançamento- e, portanto insuscetível de renúncia". Deste modo o procedimento seguiu as regras prescritas , pois corno ensina Roque Antonio Carrazza, a Constituição Brasileira, obriga A sintonia constitucional não só em razão da emissão das leis, decreto, portarias, instrumentos normativos, como também não pennite omissão As suas edições, quando assim determina que ao lado da inconstitucionalidade por ação (artigo 102, I, 'a', e III, 'a', 'b e 'c' da CF) a partir da edição de 1988, há a inconstitucionalidade por omissão (art. 103 e parágrafos 1 0 , 2°, 3°, da CF). O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios segundo determine a regra aplicável ao caso. Nos autos há verificação da pertinência das receitas informadas pelos tomadores dos serviços , que promoveram a informação, através das DIRFs onde apontam o IRRF retido durante todo ano calenddrio.(Fato confirmado pelo agente fiscal nas diligências que realizou, dentro do âmbito do seu poder inquisitório, que ainda não obrigava a cientificar a Contribuinte deste evento) Note-se que se houvesse paridade entre as informações prestadas pela Contribuinte e as receitas objeto da diligência ele sequer teria sido comunicado, por desnecessário. Quanto à possibilidade de redução das receitas através dos prováveis custos, tal opção não se mostra válida,porque a opção de lucro realizada pela pessoa jurídica foi pela presunção, que parte do total das recitas de vendas, sobre este aplica o percentual de presunção, origem da base de calculo do imposto devido.(art.528 do RIR/1999) O lançamento observa o Principio da indisponibilidade dos bens públicos imprescindível no trato do ato administrativo, tributário, principalmente. Em estudo sobre o credito tributário e segurança jurídica exigidos na atividade administrativa plenamente vinculada, afirma Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro.Saraival999, p.779): "No direito tributário, onde se fortalece ao extremo a segurança Jurídica, os princípios da legalidade e da especificidade legal são de sabida releváncia. O agente da Administração Fazendária, que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei —que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade." A autuação resulta da constatação de omissão de receitas, comprovadas através dos confrontos dos valores declarados pela Contribuinte e aqueles declarados pelos tomadores dos serviços.Fato reconhecido na fase inquisitória, como anteriormente relatado. 10 Processo n" 19311.000243/2009-17 SI-C1T2 Acórao n.° 1102-00.470 Fl. 1.288 A autoridade lançadora provou a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. A prática adotada pela Contribuinte demonstrou, inequivocamente, sua omissão de rendimentos no tocante ás receitas auferidas e mantidos à margem de sua contabilidade no período fiscalizado. A cobrança intentada visa recompor operações realizadas cujos efeitos tributários não foram reconhecidos de forma regular, pois houve oferecimento à tributação de valor irrisório, conforme declaração apresentada as fls.03/13, frente as receitas omitidas (conforme tabela de fis.137e demonstrativo de fis.138), em descompasso corn a verdade material, sem obediência à legislação de regência da matéria. 0 procedimento fiscal aponta a omissão da Contribuinte, por ausência de declaração e pagamentos dos débitos dos tributos devidos nas operações comerciais realizadas no ano de 2005, quando, intencionalmente deixou de declarar receitas no valor de R$ 2.039.049,00. Vê-se que a empresa realiza operações de sua atividade comercial contudo, apenas reconhece na contabilidade parcela irrisória, o que sinaliza a intenção de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazenddria, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e de suas circunstâncias materiais, o que caracteriza sonegação nos termos do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/64; A apresentação da DIPJ referentes ao ano calendário de 2005 corn valores insignificantes, (fls.03/13) reforça, por intermédio de seus agentes, a conduta, ao tempo que procura ocultar a obrigação tributária, impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazenddria, das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar o crédito tributário correspondente. Tais circunstâncias caracterizam sonegação fiscal nos termos do artigo 71, Incisos I e II da Lei 4.502/64; A Contribuinte se mantem silente e apenas oferece argumentos teóricos sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade do procedimento, o que se mostra insuficiente para ilidir a pretensão fiscal. Ao contrário, a forma de agir aponta para a prática reiterada da conduta dolosa, ao subtrair do fisco, em períodos sucessivos, infonnações tendentes a esconder a ocorrência do fato gerador do tributo, o que justifica a aplicação da penalidade mais gravosa. Quando a fiscalização apura omissão de declaração e pagamentos de tributos por contribuinte que manteve expressivo faturamento, sem qualquer justificativa plausível é de se manter o lançamento de oficio, com a multa qualificada, vez que a prática habitual da omissão de pagamento e informação dos fatos geradores, conduz a caracterização de evidente intuito de fraude. De acordo com o artigo 957, II, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, RIR/1999, a multa sera de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da cuttoridade fazendária; — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materials,. — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de *tar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude ê toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando a qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 7 2." Por este dispositivos a lei exige que o intuito de fraude seja evidente, que o ato não suscite dúvida quanto sua má fé, com o claro propósito de violar a lei. A conduta, além de contrária A. lei como fraudulenta, deve ter o objetivo de escusar-se ao pagamento do tributo ou de pagar importância a menor, ou seja, a intenção dolosa de esconder o fato gerador da obrigação tributária da Administração. Por fim, cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impediu ou retardou a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. Os argumentos expendidos que pedem a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de matérias submetidas as instâncias administrativas se opõe a súmula n.2 do CARF: Súnittla CARE No. 2 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Igualmente a sumulada encontra -se a matéria referente á. cobrança dos juros , a saber: Súmula CARP N. 4 A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal cio Brasil são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia - SELIC para títulos federais. Com relação a tributação dita reflexa, ausentes argumentos diversos da matéria que norteou o principal, a este seguem, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles. A possibilidade de cientificação pessoal do patrono da Contribuinte para que realize sustentação oral por ocasião do julgamento deste recurso se opõe o comando do artigo 23 do Decreto 70235/1972 que não prevê esta modalidade de citação. Além do mais o Decreto n° 70.235/72, de 6 de março de 1972, estabelece em seu artigo 37, "in verbis": "Art. 37. 0 julgamento nos Conselhos de Contribuintes far-se-á conlbrme dispuserem seus regimentos internos." 12 Processo IV 193 I 1.000243/2009-17 SI-C1T2 Acórdão 11.0 1102-00.470 Fl. 1.289 A PORTARIA N" 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009 , corn alterações das Portarias MF n"s 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 , assim dispõe seu anexoul : Art. 55. A pauta da reunido indicará: 1 - dia, hora e local de cada sessão de julgamento; - para cada processo: a) o nome do relator; b) o número do processo; pi e c) os 170171eS do interessado, do recorrente e do recorrido; e III - nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sitio cio CARF na Internet. Por sua vez, dispõe a Lei n° 9.784, de 29/01/1999, em seu artigo 69: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." Desta forma, tem-se inicialmente que o CARF não está obrigada a comunicar aos recon-entes a data de realização dos julgamentos, cabendo A. parte acompanhar em uma das fontes indicadas no artigo 55 acima transcrito a inclusão do seu recurso em pauta, para, comparecendo e querendo realizar a sua sustentação oral. Ainda que a interessada tenha requerido e não tenha havido despacho da Presidência a respeito. Afinal, acompanhar a tramitação de processos é urn ônus do interessado que não pode ser transferido para a Administração. Igualmente não há legislação que autorize aos Contribuintes realizarem sustentação oral no julgamento de primeira instância. Ali a sessão é fechada e os julgadores tributários se obrigam a observar o sigilo fiscal. Nesta ordem de juizos, Afasto as preliminares e NEGO provimento ao recurso interposto pela Contribuinte. IVE,TE, ALA UIAS PESSOA MONTEIRO C. 13
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901902/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/12/2000
LEI No 9.718, DE 1998, § 2º, III. REVOGAÇÃO POR MEDIDA
PROVISÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Descabe a apreciação, no processo administrativo, de matéria relativa à
inconstitucionalidade de lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/12/2000
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS.
EXCLUSÃO.
A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº
9.718/98 dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como
expressamente definido no próprio dispositivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.014
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2000 LEI No 9.718, DE 1998, § 2º, III. REVOGAÇÃO POR MEDIDA PROVISÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Descabe a apreciação, no processo administrativo, de matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS. EXCLUSÃO. A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como expressamente definido no próprio dispositivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Fl. 65DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 52 2 Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 35 a 47) apresentado em 16 de novembro de 2010 contra o Acórdão no 0530.634, de 13 de setembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ / CPS (fls. 27 e 28), cientificado em 28 de outubro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins recolhida em 15 de dezembro de 2000, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 FATURAMENTO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi inicialmente indeferido em 27 de agosto de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 66DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 53 3 diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. No recurso, alegou que a Lei no 9.718, de 1998, permitiria a exclusão de todas as receitas tidas como próprias e transferidas a outras pessoas jurídicas. Nesse contexto, contestou a não aplicação da disposição do art. 2º, III, da mencionada lei à vista da inércia do Poder Executivo em regulamentar a matéria e da aplicação de ato da Receita Federal, citando opinião de vários entendimentos da doutrina e da jurisprudência a respeito da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Os fatos constantes dos autos analisados na presente sessão de julgamento referemse a períodos entre setembro de 1999 e dezembro de 2000. O dispositivo do art. 3º, § 2º, III, da Lei no 9.718, de 1998, foi revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 93, V. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 54 4 Na realidade, a primeira MP que tratou da revogação foi a 199118, de 19 de junho de 2000, publicada em 10 de junho de 2000, dia em que se deve considerar revogado o dispositivo. Portanto, tratase de períodos fora (processos nos 13884.901307/200839, 13884.901586/200831, 13884.901902/200874, 13884.901905/200816) e dentro da vigência do dispositivo (13884.900887/200847, 13884.901589/200874, 13884.901890/200888, 13884.901898/200844, 13884.901900/200885, 13884.901906/200852), sendo que a oposição oficial à sua aplicação antes da revogação é o fato de nunca ter sido regulamentado. De toda forma, a Interessada também alegou que o dispositivo não teria sido revogado, pelo fato de medida provisória não poder revogar disposição de lei. Entretanto, os efeitos das medidas provisórias já foram há tempo definidos pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 295DF, 1.397DF, 1.516RO, 1.610DF, 1.135DF), que decidiu ser possível a reedição de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional e que os requisitos de relevância e urgência têm natureza política. Ademais, é vedada a apreciação da inconstitucionalidade da referida revogação em face do art. 246 da Constituição, muito embora não seja exatamente o caso dos autos. Vejase que o referido dispositivo referese à impossibilidade de regulamentação de artigo da constituição alterado por emenda constitucional promulgada a partir de 1995. Entretanto, obviamente a regulamentação se refere à alteração promovida pela emenda constitucional, o que não ocorreu no caso da Cofins. Ademais, regulamentação de artigo da constituição referese dispositivo que dependa de regulamentação infraconstitucional para ser aplicado (dispositivos de eficácia contida e limitada), o que não é o caso da instituição de tributos. Ainda assim, conforme se afirmou, a revogação não poderia deixar de ser aplicada à vista das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 68DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 55 5 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por fim, incide também a Súmula Carf no 2: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, para todos os efeitos, o dispositivo somente vigorou até 10 de junho de 2000, não sendo possível cogitarse de sua aplicação, no âmbito administrativo, aos períodos de junho de 2000 em diante, uma vez que o fato gerador das contribuições de junho ocorreria somente no fechamento do mês. Quanto à sua aplicação aos períodos até maio de 2000, o entendimento que tem prevalecido no âmbito do Conselho é o de que o dispositivo não poderia ser aplicado sem a regulamentação pelo Poder Executivo, conforme fundamentos abaixo reproduzidos, constantes do voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramo, no Acórdão no 20400.678: Como apontado no relatório, o recurso diz respeito ao suposto caráter autoaplicável do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, fulcro da autuação. Entende a recorrente que o dispositivo já traz em si todos os elementos necessários à sua imediata aplicação, e que esta se daria pelo abatimento dos custos e despesas incorridos para consecução da receita. Não nos sensibilizamos com tal argumento. É que aquele dispositivo autoriza a exclusão de valores registrados como receita transferidos a terceiros. A pergunta que se impõe de imediato é: quais são tais valores? Basta à empresa contabilizar saídas de caixa como transferência de receita para que os deduza? A figura da transferência de receita não é nem de longe algo corriqueiro. Muito mais comum é o pagamento de custos ou despesas necessários ao exercício da atividade. Ocorre que, em sentido lato, mesmo estes últimos podem ser considerados como “transferência de receita”, na medida em que, via de regra, primeiro são recebidos, contabilizados como tal, e somente depois são destinados aos fornecedores. Qual o critério distintivo, pois, a autorizar a exclusão de alguns e a não exclusão de outros? Podemos antever apenas exemplos. Em nossa prática fiscalizatória já nos deparamos com situação que se aplica perfeitamente à matéria. Tratase do chamado fundo de equalização de tarifas, relativo ao serviço municipal de transporte coletivo de passageiros. Nestes casos, aquelas empresas que operam linhas de menores custos repassam uma parte de suas receitas àquelas que operam linhas mais custosas. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 56 6 A obrigação lhes é imposta pelo Poder concedente, com vistas a uniformizar o valor da tarifa cobrada. Pois bem, não há dúvida de que para a empresa obrigada a transferir, esses valores são receitas no melhor sentido técnico (contábil) da palavra. Não menos induvidoso, porém, que a empresa não se beneficia em nada desse valor. De todo justo, por conseguinte, que não seja tributada sobre uma “receita” que de fato não lhe pertence. Por que dizemos que esse é um exemplo perfeito do que, em nosso entender, pretendeu o legislador no caso do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98? Por que se trata de “transferência de receitas” e não de pagamento de custos ou despesas? Pelo simples fato de que nenhum serviço é prestado às repassadoras pelas empresas recebedoras do valor. A obrigação que aquelas assumem decorre exclusivamente de diretriz do ente concedente do serviço. Muito bem, num exercício de “achismo” e trabalhando por analogia, visto que a ciência contábil não define o que sejam transferências de receitas, nem a legislação do Imposto de Renda trata dessa figura, entendemos que sua aplicação restringese aos casos em que o repasse dos valores esteja integralmente dissociado de qualquer contraprestação em bens ou serviços por parte daquela PJ que recebe os valores transferidos àquele que lhos repassa. Mas essa é apenas uma (ainda que, ao nosso juízo, a melhor) dentre muitas interpretações. É dessa incerteza que avulta a necessidade de regulamentação, pelo Poder Executivo, em cujos termos cinjase a aplicação da norma, sob pena de o dispositivo prestarse por inteiro à instituição da sistemática da não cumulatividade à contribuição, a qual passaria a incidir sobre algo próximo do conceito contábil de lucro bruto (como apregoa a recorrente) e não sobre as receitas, como pretendeu a Lei nº 9.718/98. Por conseguinte, entendo que só faz sentido falarse em desnecessidade de regulamentação se se entender como transferências de receitas algo fundamentalmente diverso da mera remuneração por serviços de terceiros – custos ou despesas. Não me parece ser esse o espírito da norma. Se fosse, bastaria determinar a incidência da contribuição sobre o lucro bruto ou líquido. Entender assim corresponde a antecipar em cinco anos a entrada em vigor da nãocumulatividade, somente introduzida em 2003. Por tudo isso, é contraditório em seus próprios termos o recurso interposto. Isto é, se desnecessária a regulamentação, sêloia em sentido contrário ao que a empresa lhe pretende dar. Repita se, somente para algo diferente da mera remuneração de custos ou despesas, podese entender autoaplicável o dispositivo. Acontece que a necessidade integra a própria norma. Ora, cediço que ao intérprete administrativo não é dado o direito de Fl. 70DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901902/200874 Acórdão n.º 330201.014 S3C3T2 Fl. 57 7 negar aplicação à norma: se a necessidade de regulamentação está no próprio dispositivo, como afirmála dispensável? À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 71DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722818/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA.
Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
DISPONIBILIZAÇÃO DE CURSO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS CURSOS ERAM EXTENSIVOS A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
As despesas com cursos de graduação ou pós graduação devem sofrer
tributação previdenciária, quando a empresa não consiga comprovar que os mesmos eram disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes.
PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
O pagamento do Vale Transporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
INTERPRETAÇÃO DO FISCO QUANTO À APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CAUSA DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no lançamento pelo fato do Fisco dar interpretação à
legislação tributária que não coincida com aquela dada pelo contribuinte ou pelos órgãos de julgamento administrativo ou judicial.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.840
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que dava provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte pago em espécie e o
conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte pago em espécie e o auxílio alimentação sem a adesão ao PAT.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição o valor da alimentação fornecida por empresa sem o devido registro no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DISPONIBILIZAÇÃO DE CURSO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS CURSOS ERAM EXTENSIVOS A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. As despesas com cursos de graduação ou pós graduação devem sofrer tributação previdenciária, quando a empresa não consiga comprovar que os mesmos eram disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes. PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do ValeTransporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INTERPRETAÇÃO DO FISCO QUANTO À APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CAUSA DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no lançamento pelo fato do Fisco dar interpretação à legislação tributária que não coincida com aquela dada pelo contribuinte ou pelos órgãos de julgamento administrativo ou judicial. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO Fl. 487DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que dava provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte pago em espécie e o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, que dava provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte pago em espécie e o auxílio alimentação sem a adesão ao PAT. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 488DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.722818/200994 Acórdão n.º 240101.840 S2C4T1 Fl. 488 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n. 37.221.6838, consolidado em 16/12/2009 no valor de R$ 292.812,34 (duzentos e noventa e dois mil, oitocentos e doze reais e trinta e quatro centavos). O crédito contempla as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destina aos benefícios acidentários. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 39/50, constituem fatos geradores das contribuições, as ocorrências segregadas nos seguintes levantamentos (itens de apuração): a) AP – fornecimento de alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, cujos valores foram extraídos das contas contábeis indicadas; b) DE – pagamento de despesas com educação para pequena parte do quadro funcional, valores extraídos das conta contábil indicada; c) PE – pagamentos a empreiteiros pessoas físicas, valores extraídos da conta contábil indicada; d) FC – pagamentos de fretes e carretos a pessoas físicas, valores extraídos da conta contábil indicada; e) GR pagamento de gratificação habitual a alguns segurados, valores extraídos dos arquivos digitais das folhas de pagamento; f) SP – serviços prestados por pessoas físicas, valores extraídos da conta contábil indicada; g) VT – pagamento de vale transporte em dinheiro, valores foram extraídos das contas contábeis indicadas. Esclarecese ainda que, tendose em conta alteração da sistemática de aplicação da multa pela Lei n. 11.941/2009, foi aplicado o percentual mais benéfico ao contribuinte. Na sequência, a Auditoria expôs a fundamentação legal que embasou o lançamento e prestou considerações sobre as alíquotas aplicadas, sobre a fixação da base de cálculo e sobre a aplicação dos acréscimos legais. A empresa apresentou impugnação, fls. 292/320, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) os créditos anteriores a dezembro de 2005 foram alcançados pela decadência; b) o lançamento é nulo, posto que o fisco está a exigir contribuições sobre prêmios e verbas indenizatórias, as quais não sofrem tributação; Fl. 489DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) não houve a intenção da empresa em sonegar, mas apenas divergência na interpretação da legislação; d) ganhos eventuais e verbas indenizatórias não se sujeitam à tributação previdenciária; e) mesmo não cumprindo a formalidade de inscrição no PAT, o fornecimento de alimentação cumpriu o seu papel de beneficiar os trabalhadores; f) o benefício de educação foi fornecido a todos os funcionários, todavia, nem todos poderiam usufruir do mesmo, posto que os cursos disponibilizados eram de pós graduação; g) Consta no relatório fiscal o pagamento de gratificação apenas em relação às competências 01/2004 a 06/2004, 11/2004, 02/2005 e 07/2005, assim, a fiscalização só localizou tais pagamentos em nove meses dos vinte e quatro fiscalizados, o que comprova que esse pagamento não era habitual e, portanto, não pode integrar o saláriodecontribuição; h) o pagamento de vale transporte decorreu de Convenção Coletiva de Trabalho, portanto, a empresa não poderia deixar de pagálo sob pena ser acionada judicialmente; i) os pagamentos a pessoas físicas (fretes e empreiteiros) é impreciso, dificultando que a empresa exerça o seu direito de defesa, por isso, o lançamento nessa parte deve ser nulificado. A Delegacia de Julgamento em Brasília (DF) decidiu, fls 402/416, declarar parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência do período de 01 a 11/2004, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, negando provimento à impugnação. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário, no qual traz as mesmas argumentações da peça de defesa, a exceção da preliminar de decadência que foi reconhecida pelo órgão recorrido. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.722818/200994 Acórdão n.º 240101.840 S2C4T1 Fl. 489 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade É alegada a nulidade do AI pelo fato do Fisco estar a exigir contribuições sobre parcelas que, nos termos da legislação pátria, não estariam sujeitas à tributação. Não devo acatar essa preliminar. É que, na verdade, o motivo alegado, se acolhido, não é causa de nulidade, mas, de declaração de improcedência do lançamento. O erro de interpretação do Fisco quanto à aplicação da legislação tributária material, não gera nulidade, como se pode ver do disposto no art. 59 do Decreto n. 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Portanto, considerandose que a causa de nulidade argüida pela recorrente se confunde como próprio mérito da lide, as supostas interpretações errôneas do Fisco serão enfrentadas quando da análise da procedência ou não do lançamento. Fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT Inicialmente sobre essa questão é de se notar que a recorrente não contesta o fato de que não efetuou a inscrição no PAT, seu inconformismo é no sentido de que essa verba não representa retribuição pelo trabalho e, assim, independentemente da adesão ao referido programa não haveria de se tributar a mesma. Cabenos trazer à colação o que dispõe o § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991: Fl. 491DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que é obrigatória a inscrição no mesmo para que as empresas possam gozar de suas benesses. É que se pode concluir da leitura do Decreto n. 05, de 14/01/1991: Art. 1º A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (MTPS), nos termos deste regulamento. (...) § 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social a apresentação de documento hábil a ser definido em portaria dos ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Já a Portaria Interministerial n. 05, de 30/11/1999, dispõe: Art. 3. A adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e, uma vez realizada, terá validade por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da beneficiária ou pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em razão da execução inadequada do Programa. Parágrafo único. Excepcionalmente, para o ano 2000, a validade mencionada no caput deste Artigo será retroativa a 1o de janeiro para as empresas que aderirem ao PAT até 31 de março do mesmo ano. Assim, não tendo a recorrente efetuado a sua adesão ao PAT, houve evidente descumprimento da norma inserta na alínea “c” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, haja vista que o fornecimento de alimentação foi efetuado em desacordo com a legislação do PAT, pelo que devem incidir contribuições sobre tais verbas. A alegação de que independentemente de inscrição no PAT não haveria tributação previdenciária quer, de forma oblíqua, declarar a invalidade de dispositivo da Lei n. Fl. 492DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.722818/200994 Acórdão n.º 240101.840 S2C4T1 Fl. 490 7 8.212/1991, o que não pode ser acatado, sob pena da Autoridade Fiscal ficar sujeita à responsabilização funcional. Educação No mérito, sustenta a recorrente que os cursos que disponibilizava aos empregados eram de pósgraduação, por esse motivo nem todos os funcionários estariam aptos a cursálos, assim, o benefício seria estendido a todos os que demonstrassem a escolaridade necessária. Nesse sentido, os valores correspondentes não estariam sujeitos à incidência de contribuições, conforme prevê a norma inserta na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Analisemos o que diz o dispositivo em questão: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Vêse que o legislador pretendeu isentar da incidência de contribuição previdenciária as verbas disponibilizadas aos segurados empregados a título de educação básica e para cursos de capacitação e qualificação profissionais. O Fisco interpretou que os cursos de pósgraduação não eram extensivos a todos os empregados da recorrente. A empresa, por sua vez, sustenta que os cursos de pósgraduação eram disponibilizados a todos, desde de que possuíssem a escolaridade necessária para cursálos. Tenho que concordar com o posicionamento da DRJ quando afirma que a empresa não conseguiu apresentar elementos probatórios que pudessem corroborar a sua tese de que havia a disponibilização dos cursos para todos os empregados. Analisandose os recibos fornecidos pela instituição de ensino é possível se chegar a uma conclusão segura apenas de que havia o pagamento de cursos de pósgraduação a alguns segurados, nada mais. Nada nos autos está a demonstrar a disponibilização dos cursos a todos os empregados e dirigentes da recorrente. Para solução desse ponto do recurso, já alegado em sede de defesa, é preciso que se analise a distribuição do ônus de provar no processo administrativo fiscal. Cabe ao Fisco indicar os elementos em que se baseou para efetuar a apuração do montante devido. Na espécie, verifico que esse dever foi cumprido, quando o Relatório Fiscal mencionou os elementos analisados que o levaram a concluir pelo fornecimento de educação a apenas parte do quadro. Fato esse que restou confirmado nas palavras da recorrente em suas peças de defesa e recurso. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Todavia, não foram carreados ao processo quaisquer outros elementos que pudessem dar força à tese adotada. Sobre essa questão vale trazer à baila o que dispõe Decreto n. 70.235/1972, ao tratar da questão: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, nítido é o ônus do contribuinte de fazer prova dos fatos que articula. No caso em tela, verifico que poderia ter sido acostado o regulamento da emprese, na parte onde fosse tratado esse benefício ou outro documento que se prestasse a demonstrar o fornecimento dos cursos a todo o quadro funcional. Entendo não ser cabível cancelar um lançamento tributário com esteio apenas em documentos que, por si só, não são hábeis a demonstrar o que pretendeu a recorrente. Nesse diapasão, devo reconhecer a procedência do lançamento no que diz respeito a verba educação. Gratificações Sustenta a empresa que pelo fato das gratificações apontadas pelo fisco serem pagas de forma esporádica, as mesmas não poderiam ser tributadas por força do disposto no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Cabenos então analisar a natureza jurídica dessa verba. Sobre essa questão, a própria recorrente reconhece que tais valores destinavamse a premiar funcionários de destaque. Vejo então que tais valores tinham por desiderato retribuir os segurados pelo seu esforço, quando atingiam desempenho laboral superior aos seus pares. Para o deslinde da questão, passo a tecer comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.722818/200994 Acórdão n.º 240101.840 S2C4T1 Fl. 491 9 (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tendose em conta a abrangência do conceito, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 É importante que se diga que o propósito do legislador foi de explicitar na lei todas as hipóteses de não incidência de contribuição, em lista exaustiva. Vejase que a Medida Provisória nº 1.59614, de 10/11/1997, posteriormente convertida na Lei nº 9.528/1997, introduziu o termo “exclusivamente” ao citado dispositivo, ficando claro que, no preceptivo em questão (§ 9.º do art. 28), estão dispostas hipóteses de não incidência em lista numerus clausus. Enfocando as hipóteses previstas na alínea “t”, a impugnante afirma que o lançamento sob desvelo não encontra amparo na legislação de regência. Eis o dispositivo invocado: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) No caso sob comento não há de se falar em ganhos eventuais, posto que tais verbas, embora não constantes da remuneração dos empregados todos os meses, provinha de uma prática adotada pela empresa de gratificar funcionários com desempenho destacado. Podese até falar que tal rubrica era disponibilizada em caráter excepcional, se analisarmos um determinado empregado, mas quando se verifica a prática do empregador ao longo do tempo não há dúvida de que havia um ajuste tácito entre trabalhadores e patrão que garantia o pagamento de gratificações para retribuição do esforço dos empregados com melhor performance. Assim considerando que essas parcelas eram pagas ao empregado como contraprestação pelo seu esforço para o sucesso da empresa, não posso deixar de considerar que essa rubrica assume natureza de remuneração, devendo incidir sobre a mesma as contribuições sociais. Vale transporte pago em dinheiro Não há controvérsia de que a empresa pagava a seus empregados o vale transporte em dinheiro. Tal fato foi confessado pela recorrente quando afirma que adotava esta prática em respeito à Convenção Coletiva de Trabalho. Sobre esse aspecto tenho a dizer que, se é verdade que as normas coletivas de trabalho obrigam as partes envolvidas, não há dúvida que esses instrumentos não podem se opor às normas tributárias. Nesse sentido, como bem afirmouse na decisão recorrida, não poderia uma Convenção Coletiva de Trabalho alterar os efeitos da Lei n. 8.212/1991, que cuida do custeio da Seguridade Social. Analisandose a referida Lei na parte que trata especificamente dessa verba, temse: Fl. 496DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.722818/200994 Acórdão n.º 240101.840 S2C4T1 Fl. 492 11 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;(grifei) Compulsando a legislação que trata do fornecimento do Vale –Transporte, mais especificamente o Decreto n. 95.247/1987, que regulamentou a Lei n. 7.418/1985, é fácil concluir que o pagamento dessa rubrica em pecúnia chocase com o disposto nas normas de regência. Eis o dispositivo que elucida a questão: Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de Vale Transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Tendose em conta que os autos não revelam a existência da situação excepcional prevista no parágrafo único acima, forçoso concluir que a empresa, por fornecer ValeTransporte em dinheiro, afrontou a legislação de regência, pelo que devem incidir contribuições sobre a verba sob comento. Pagamento de remunerações a pessoas físicas Acusa a empresa cerceamento ao seu direito de defesa o fato do Fisco ter incluído na sua apuração o pagamento de fretes e carretos a pessoas físicas, bem como pagamento a pessoas físicas, na condição de empreiteiros. Sustenta que esses valores foram adotados de forma imprecisa. Não é isso que extraio dos autos. O Fisco apresentou as contas contábeis de onde extraiu os referidos valores e apontou também no Relatório de Lançamentos o beneficiário do pagamento. A empresa, posso dizer, teve todos os elementos necessários a produzir a sua defesa com amplitude. Assim, não posso acatar a alegação de prejuízo a sua defesa decorrente de imprecisão no relato fiscal. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 497DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Fl. 498DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10183.003636/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: IMPOSTO DE RENDA. AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS. São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001.
Numero da decisão: 2201-001.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS. São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 19/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 13/04/2005, o auto de Infração de fls. 03, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, anocalendário 2002, exercício 2003, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 13.709,18, dos quais R$ 6.560,05 correspondem a imposto, R$ 4.920,03 a multa de ofício e R$ 2.229,10 a juros de mora calculados até abril de 2005. Conforme se verifica do relatório fiscal (fls. 07) o lançamento decorre da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica: “Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício das fontes pagadoras de CNPJ:00509018001004 e 03535606 000110 com valores respectivos de R$9279,78 e R$208837,66. Cabe lembrar que o contribuinte foi devidamente intimado e não compareceu na Delegacia da Receita Federal em Cuiabá.” Cientificado do Auto de Infração o contribuinte apresentou, em 26/10/2006, a impugnação e documentos de fls. 01/27, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “Às f. 01, o interessado apresenta impugnação, alegando, primeiro, que o fato gerador não é tributável e, segundo, que o total dos rendimentos consignados no auto de infração não confere com o total dos rendimentos declarados pelas fontes pagadoras. Primeiramente, aduz que consigou em sua declaração, como rendimento tributável pago pelo TJ/MT, o valor de R$175.728,10, correspondente ao valor de R$208.837,66 deduzido do valor de R$33.109,56, relativo a auxiliomoradia, conforme certidão 209/20030MAG (f. 15), por se tratar, este último valor, de parcela isenta do imposto de renda, nos termos da decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (f. 16/27), amparada na Portaria Interministerial 163/01 e Medida Provisória 215835, de 24/08/2001, e conforme já reconhecido pela SRF. Em seguida, constata que no auto de infração, os rendimentos da declaração de ajuste foram alterados para R$ 237.397,22, o que diverge dos valores informados pelas fontes pagadoras por meio de Dirf. Esclarece que foi declarado, pela fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado de Mato GrossoTJ/MT, o rendimento de R$208.837,66 e a retenção de imposto de renda na fonte de R$47.437,37, e que o Tribunal Eleitoral do Estado de Mato GrossoTER/MT, informou o rendimento de R$9.279,78 e a retenção de R$874,91. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 10183.003636/200589 Acórdão n.º 220101.169 S2C2T1 Fl. 2 3 Em razão do exposto, pede, ao final, que lhe seja reconhecido o direito à restituição do imposto no valor de R$ 5.097,02.” A 3ª Turma da DRJ em Campo Grande, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIO MORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Não sendo comprovada a existência de outros rendimentos além dos consignados em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, o valor dos rendimentos tributáveis alterados em sede de revisão da Declaração de Ajuste Anual deve limitarse aos informados em Dirf. Lançamento Procedente em Parte” A decisão proferida pela DRJ houve por bem reduzir o montante dos rendimentos considerados como omitidos tendo em vista a inclusão pela Autoridade Fiscal, em duplicidade, da quantia de R$9.279,78, como rendimentos recebidos do TRE/MT. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/07/2008, conforme AR de fls. 56, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 20/08/2008, o recurso voluntário de fls. 57/64, por meio do qual reitera as razões de inconformidade apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Tendo em vista a decisão proferida pela DRJ cancelando parcialmente o lançamento, a matéria em discussão no presente recurso é a incidência ou não do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo Recorrente a título de auxíliomoradia. A omissão de rendimentos foi identificada pela autoridade fiscal em decorrência da divergência entre o valor declarado pelo Recorrente e o valor informado em DIRF entregue pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 4 Verifico, inicialmente, que o Recorrente, embora tenha recebido informe de rendimentos do Tribunal de Justiça do Mato Grosso informando o pagamento de rendimentos tributáveis no valor total de R$ 208.837,66 (fls. 13), quando de sua declaração de ajuste anual, excluiu desse montante o valor de R$ 33.109,56, correspondentes ao auxíliomoradia recebido do Tribunal, conforme certidão de fls. 15, tendo informado em sua declaração de ajuste anual o valor de R$ 175.728,10. Sobre o auxíliomoradia pago aos servidores públicos, o artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dispõe, in verbis: “Art. 35 — O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxílio moradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza desse direito não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda na fonte e na declaração de ajuste." Importante consignar que referido dispositivo legal foi inicialmente introduzido pela Medida Provisória nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999, tendo permanecido incólume até a última reedição do referido diploma legal em 2001, sendo portanto anterior ao recebimento das verbas pelo Recorrente em 2002. Entendo que o referido art. 25 da MP 2.15635/2001 veicula verdadeira hipótese de isenção relativamente aos valores recebidos pelos servidores públicos a título de auxíliomoradia. De fato, ao prescrever que o valor do auxíliomoradia pago pelas pessoas jurídicas de direito público aos servidores, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, não integra a remuneração do beneficiário, inibese a funcionalidade da regra matriz de incidência do imposto sobre a renda, suprimindo o objeto de seu critério material. Tratase de situação jurídica diversa da não incidência sobre valores que não constituem, na origem, renda ou acréscimo patrimonial, como as indenizações e reembolsos, de forma que não há que se falar na necessidade de comprovação de eventuais despesas a serem ressarcidas no presente caso. Tal exigência somente seria necessária se não houvesse a norma isentiva, ou se esta criasse condição para o gozo da isenção, o que não é o caso. Logo, considerando a certidão de fls. 15, que confirma expressamente que tal valor corresponde ao auxíliomoradia recebido pelo Recorrente, e tendo em vista a existência de norma isentiva, não há que se falar na incidência do imposto de renda sobre tais verbas. Isto posto, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para cancelar o lançamento. Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU Processo nº 10183.003636/200589 Acórdão n.º 220101.169 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10183.003636/200589 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.169. Brasília/DF, ____________________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 19/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 27/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVE IRA JU
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Numero do processo: 10320.000264/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se
conhece de apelo, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão recorrida.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2201-001.003
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão recorrida. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França Relatório Fl. 53DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 JOS MAX PEREIRA BARROS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJFORTALEZA/CE (fls. 27) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/04, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 1.798,49. O lançamento decorre da revisão da DITR/2003 da qual roam glosados os valores declarados como deduções de dependentes (R$ 2.544,000 e despesas com instrução (R$ 3.996,00). O Contribuinte impugnou o lançamento e reafirmou a existência dos dependentes e das despesas. Apresentou documentos. A DRJFORTALEZA/CE julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo o direito á dedução com os dependentes, mas rejeitou a dedução das despesas com instrução por falta de comprovação da efetividade das despesas. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/10/2007 (fls. 35) e, em 29/11/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 39/40 no qual reafirma o direito á dedução da despesa com instrução e apresenta o documento de fls. 41. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Examino, inicialmente, a tempestividade do recurso. A decisão primeira instância foi entregue no domicílio fiscal do Contribuinte, conforme AR de fls. 35, em 18/10/2007 e, em 29/11/2007, o Contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 39/40. Sobre a forma de intimação e o prazo para interposição do recurso a legislação que rege o processo administrativo fiscal é bastante clara, senão vejamos. Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997). Art. 30. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Considerando como data da ciência a data da entrega da encomenda no domicílio fiscal do Contribuinte, o recurso poderia ser apresentado até 19/11//2007 e, conforme datas acima, foi apresentado após este prazo. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10320.000264/200436 Acórdão n.º 220101.003 S2C2T1 Fl. 2 3 É forçoso concluir, pois, pela intempestividade do recurso. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 55DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003454/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
É razoável presumir-se que a pessoa jurídica efetivamente exerce as atividades arroladas em seus atos constitutivos. Uma vez que a presunção implica a inversão do ônus da prova, cabe à interessada comprovar o não exercício de atividade constante de seu contrato social cuja opção pelo Simples é legalmente vedada.
Numero da decisão: 1201-000.513
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rafael Correia Fuso, que dava provimento.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. É razoável presumir-se que a pessoa jurídica efetivamente exerce as atividades arroladas em seus atos constitutivos. Uma vez que a presunção implica a inversão do ônus da prova, cabe à interessada comprovar o não exercício de atividade constante de seu contrato social cuja opção pelo Simples é legalmente vedada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. É razoável presumirse que a pessoa jurídica efetivamente exerce as atividades arroladas em seus atos constitutivos. Uma vez que a presunção implica a inversão do ônus da prova, cabe à interessada comprovar o não exercício de atividade constante de seu contrato social cuja opção pelo Simples é legalmente vedada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rafael Correia Fuso, que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 109DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10830.003454/200374 Acórdão n.º 120100.513 S1C2T1 Fl. 99 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado no despacho de fl. 26 e no ato declaratório executivo (ADE) de fl. 27, a contribuinte foi excluída do Simples em razão de exercer atividade vedada pelo art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, qual seja, a prestação de serviços de representação comercial. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 31/47), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito (fls. 60/62). Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 65/84) pedindo, ao final, seja reformada a decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) o despacho que amparou sua exclusão do Simples foi elaborado e assinado por servidor ocupante do cargo de ATRFB, o qual não possui competência para tanto; b) nulidade do ato de exclusão por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a empresa não teve acesso ao SISCAC, sistema de onde foram extraídas as informações que fundamentaram a exclusão; c) a sociedade nunca exerceu a atividade de representação comercial; d) havendo dúvida quanto à atividade efetivamente exercida pela empresa, deverseia aplicar o disposto no art. 112 do CTN; e) a autoridade tributária deveria ter observado os princípios constitucionais que cuidam da matéria, em especial o art. 170, IX, da Constituição, que estabelece tratamento favorecido às empresas de pequeno porte. Pede ainda a interessada a produção das provas admitidas em direito. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Preliminares de Nulidade do ADE Não é correta a afirmação da recorrente segundo a qual servidor ocupante de cargo de ATRFB teria elaborado e assinado a decisão que a excluiu do Simples. De fato, o que o ATRFB elaborou e assinou foi uma proposta de exclusão do Simples. A decisão de excluir a empresa do sistema simplificado foi tomada por AFRFB, conforme é possível constatar na parte final do despacho de fl. 26. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10830.003454/200374 Acórdão n.º 120100.513 S1C2T1 Fl. 100 3 Igualmente descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a informação que deu ensejo à exclusão, qual seja, o exercício de atividade de prestação de serviços de representação comercial, foi extraída dos atos constitutivos da pessoa jurídica, e não do SISCAC. Isso posto, voto por denegar o pedido para declararse nulo do ADE de fl. 27. 3) Da Atividade Exercida pela Pessoa Jurídica O contrato social da ora recorrente, em sua cláusula segunda, assim estabelece: Clausula Segunda O objetivo da sociedade é: a) comércio de materiais eletroeletrônicos, mecânicos e similares. b) representação comercial e distribuição de materiais elétroeletronicos. (Grifamos) c) serviçcos de mão de obra especializada na área elétrica e mecânica. Ora, uma vez que os atos constitutivos da pessoa jurídica estabelecem que o objetivo da empresa é o exercício da atividade de representação comercial, dentre outras, é razoável presumirse que a contribuinte vem efetivamente exercendo essa atividade. Tratase de presunção simples que, contudo, é suficiente à produção dos efeitos jurídicos próprios das presunções, dentre eles a inversão do ônus da prova. Em outras palavras, dado que no contrário social da pessoa jurídica está estabelecido como objetivo empresarial, dentre outros, o exercício da atividade de representação comercial, o Fisco validamente presumiu que tal atividade vem sendo efetivamente exercida pela ora recorrente, razão pela qual, com base no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, a excluiu do Simples. Como se trata de presunção que admite prova em contrário, caberia à recorrente comprovar que nunca exerceu, ou ao menos que desde 01/01/2006 não vem exercendo a atividade de representação comercial. Assim, dado que a representação comercial é atividade sujeita ao ISS, poderia a interessada, por exemplo, ter apresentado declaração da Prefeitura Municipal de Campinas – SP, informando que a empresa não se encontra inscrita no cadastro de contribuintes daquele imposto. Ou ainda, em havendo inscrição municipal, poderia ter juntado os talonários de notas fiscais de prestação de serviço emitidas no período, de forma a provar que tratase de prestação de serviços outros que não o de representação comercial. Outros documentos que indicassem a origem das receitas também seriam admitidos. Mas como a recorrente não apresentou quaisquer documentos que pudessem comprovar sua alegação, permanece incólume a presunção do Fisco. Por outro lado, por força da preclusão a que se refere o abaixo transcrito art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, não mais é o caso de deferirse, neste momento processual, o pedido para produção de provas. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10830.003454/200374 Acórdão n.º 120100.513 S1C2T1 Fl. 101 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Mesmo defendendo a tese de que a norma acima transcrita pode ter sua aplicação afastada em caso de haver nos autos indícios dos fatos alegados (princípio da verdade material vs. princípio da razoável duração do processo), vejo que esse não é o caso que ora se apresenta, já que não há nos autos quaisquer indícios da alegação da defendente. 4) Das Alegações de Ilegalidade e Inconstitucionalidade Argumenta a interessada que o ato de exclusão seria ilegal em virtude da inobservância do disposto no art. 112 do CTN, que assim estabelece: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ocorre que o referido dispositivo legal estabelece a forma pela qual deve ser aplicada uma determinada norma jurídica quando houver dúvida quanto à sua interpretação. No caso, não há dúvida de que o art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 veda a opção pelo Simples às pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de representação comercial, daí porque não há que se falar em interpretação mais favorável à contribuinte. Por fim, é de se dizer que a autoridade observou fielmente os ditames da Lei nº 9.317/96, daí porque a alegação de que o ato de exclusão teria violado o prescrito no art. 170, IX, da Constituição Federal ensejaria a discussão sobre a constitucionalidade da referida lei, discussão que não pode ser levado a cabo por esse Conselho, tendo em vista o disposto em sua súmula nº 2, bem como no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, que assim prescrevem: Súmula CARF nº 2 (D.O.U. de 22/12/2009, Seção 1) Fl. 112DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10830.003454/200374 Acórdão n.º 120100.513 S1C2T1 Fl. 102 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do ato de exclusão e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 113DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000081/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/2002
DECADÊNCIA PARCIAL
Nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
MENOR APRENDIZ
A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados menores aprendizes que lhe prestam serviços.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento ¿ devido á regar decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN ¿ as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001,
nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em aplicara regra expressa no § 4°,
Art. 150 do CTN; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Tabela de Resultados.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/2002 DECADÊNCIA PARCIAL Nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. MENOR APRENDIZ A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados menores aprendizes que lhe prestam serviços. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento ¿ devido á regar decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN ¿ as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em aplicara regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Tabela de Resultados.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. MENOR APRENDIZ A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados menores aprendizes que lhe prestam serviços. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 418DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento ¿ devido á regar decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN ¿ as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em aplicara regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.Tabela de Resultados. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 44021.000081/200679 Acórdão n.º 230101.951 S2C3T1 Fl. 354 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à do contribuinte individual, à da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 55), constitui fato gerador da contribuição lançada a remuneração paga aos segurados a menores aprendizes, contabilizadas na conta de despesa intitulada “Bolsa de Estudos” e aos contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa. A autoridade lançadora informa que foi emitido a favor da Entidade o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Sociais, declarando o seu direito à isenção a partir de 01/10/2002, motivo pelo qual só foram lançados os débitos apurados até 09/2002. A recorrente apresentou defesa alegando, em apertada síntese, decadência de parte de débito e informando que a entidade reconhece a infração relativa a “Serviços de Terceiros”, constantes do Livro Diário, e efetuou o pagamento dessa parte do débito, mas que, em relação aos demais valores, entende que é insubsistente por tratarse de entidade imune de tributação, não podendo ter tratamento de empresa. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação 21401.4 / 0185 / 2007 (fls 250), julgou o lançamento procedente e a notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 263), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que a decisão não deve prevalecer, pois considerou que a Recorrente no período fiscalizado manteve "contratos de aprendizagem" regidos pela Lei n° 10.097/00, desconsiderando os "Contratos de Estágios", que são remunerados mediante "Bolsas de Estudo", na forma autorizada pela Lei 6.494/1977, e que não possuem vínculo empregatício. Discorre sobre a sua natureza jurídica e sobre seus objetivos institucionais, reafirmando que a Entidade faz jus à imunidade, nos termos do art. 195, § 7o da Constituição Federal, em relação às Contribuições Sociais, não podendo ter tratamento de empresa para fins de tributação. Reitera que, inicialmente, a entidade tinha como projeto básico oferecer educação, lazer e trabalho para jovens carentes através de curso gratuito de capacitação profissional e a colocação dos jovens, como estagiários, junto a empresas colaboradoras, com base na Lei 6.494/77, esclarecendo que para cada estagiário é firmado um termo de compromisso de estágio, assinado pelo adolescente, um de seus responsáveis, a escola e a organização. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Informa que a entidade é responsável pelo seguro contra acidentes pessoais dos estagiários, sendo todos eles remunerados através de "Bolsas de Estudo", pagamento que é identificado como tal em toda a contabilidade da Entidade. Transcreve os artigos 428 e 429da CLT, alterados pela Lei 10.097/2000, que introduziu o contrato de trabalho especial de aprendizagem para o menor, para dizer que a entidade compreendeu a importância estratégica que a nova legislação ofereceu para a organização, legitimando os programas de educação profissionalizante como programa de aprendizagem, e que, feitas todas as adequações, a Espro aguardou a aprovação do seu requerimento de isenção da cota patronal para dar início de fato ao primeiro programa de aprendizagem (12/2002). Relata que, a partir de 01/2003 até 07/2005, a Espro foi desconstruindo e desestimulando os termos de estágio e, na medida do possível, substituindoos por contrato de aprendizagem, sendo que ao final de 2005 não havia mais estagiários ativos na organização. Esclarece que, até 11/2002, a Espro possuía 100% de estagiários e que, de 12/2002 até 07/2005 foi mudando os termos de estágio para contratos de aprendizagem, ou seja, havia simultaneamente na organização aprendizes recebendo salários e estagiários recebendo bolsas de estudo, sendo que somente a partir de 08/2005 a Espro tem 1005 de aprendizes. Entende que, no caso da Recorrente, a questão foi avaliada pela fiscalização erroneamente, ao considerar Bolsas de estudos para estagiários na forma autorizada pela Lei 6.494/1977, que não possui vínculo empregatício, com o contrato especial de menor aprendiz, autorizado pela Lei 10.097/2000, que possui vinculo empregatício, razão pela qual a exigência fiscal é insubsistente. Assevera que a fiscalização pretendeu dar efeito retroativo à Lei 10.097/2000 para alcançar situações passadas, antes de a Lei existir, exigindo contribuições sociais sobre remuneração de estagiários e FGTS sem vínculo empregatício, além de exigir quota patronal da entidade, que é imune da exação, por força do § 7o do art. 195 da CF, pelos relevantes serviços de Assistência Social prestados à Sociedade, gratuitamente. Sustenta que o contribuinte atuou sempre respaldado por atos administrativos de órgão que a legislação indica como competente para o reconhecimento da imunidade, por força do princípio da moralidade inserto no art. 37 da CF, no qual se incluem o da boa fé e o da confiança do acórdão na Administração Pública, e qualquer alteração do critério jurídico só pode valer para futuro, jamais projetar efeitos para o passado, surpreendendo o cidadão ou a entidade que acreditaram agirem respaldados em interpretação oficial da lei. Infere que, no âmbito tributário, conduta desse teor seria manifestamente lesiva ao sujeito passivo da obrigação tributária, razão pela qual o art. 146 do CTN consagra a inalterabilidade dos critérios jurídicos que orientam a atuação do contribuinte, reconhecendo, em consonância com os objetivos consagra a inalterabilidade dos critérios jurídicos que orientam a atuação do contribuinte, reconhecendo, em consonância com os objetivos primordiais do direito, que o princípio da irretroatividade não se limita apenas às leis, mas se estende também às normas e atos administrativos e judiciais. Aduz que, no caso, configurase precisamente a hipótese de alteração do critério jurídico, uma vez que o INSS emitiu, em 2002, Ato Declaratório n° 04/2002, com efeito retroativo a partir de 11/10/2002, em que a situação jurídica rigorosamente igual à presente foi reconhecida como ensejadora do reconhecimento da isenção, sendo que qualquer Fl. 421DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 44021.000081/200679 Acórdão n.º 230101.951 S2C3T1 Fl. 355 5 alteração na avaliação dos critérios jurídicos somente poderia ocorrer para fatos geradores futuros. Observa que, para obtenção do reconhecimento da isenção, a entidade precisa comprovar que durante 3 (três) anos anteriores ao pedido ela preenche os requisitos legais. Ainda em preliminar, reitera que ocorrera a decadência do débito lançado referente ao período de julho/1997 a dezembro de 2001 No mérito, a Recorrente afirma que é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 7° da CF, e alega inexigibilidade do Salário Educação, Sat, Sesc, Senac, Sebrae, Incra e da Taxa SELIC sobre o suposto débito tributário. Destaca que não se pode alegar, no caso do presente recurso, que as questões de natureza constitucional e ilegalidade não poderiam ser examinadas no processo administrativo, como entendeu a decisão recorrida, uma vez que a Constituição Federal deve ser observada por todos, principalmente pelos órgãos julgadores, que não podem desconhecer decisões dos Tribunais Superiores, Ressalta que a Carta Magna, ao assegurar o contraditório e a ampla defesa, não estabeleceu nenhum óbice à análise de recursos administrativos, tais como o exame de matéria constitucional alegada, onde se conclui que os órgãos julgadores administrativos não podem deixar de examinar toda matéria alegada na defesa, seja ela de natureza constitucional ou infraconstitucional, sob pena de restar violada a norma constitucional que assegura a ampla defesa, com os meios e recursos jurídicos permitidos. Frisa que a Recorrente, ao alegar matéria constitucional em sua defesa, não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do princípio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição e que a lei não fosse aplicada em caso concreto, por ser inconstitucional e por estar com eficácia suspensa pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 44021.000081/200679 Acórdão n.º 230101.951 S2C3T1 Fl. 356 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. A NFLD foi consolidada em 18/12/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 21/12/2006, conforme AR de fl. 73. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 A recorrente reconheceu a procedência da Notificação em relação aos contribuintes individuais e não impugnou os valores lançados a essa rubrica, recolhendo a contribuição devida. Com relação aos menores aprendizes, constatase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em que pese esta Conselheira entender que para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima (art. 173, I, CTN), deixo de aplicálo tendo em vista o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, que obriga a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando que o débito se refere às competências compreendidas entre 07/1997 a 09/2002, e considerando que o STJ julgou, em maio de 2009, o Recurso Especial 973.933 – SC como recurso repetitivo, entendo que, para o levantamento PAS, relativo aos menores aprendizes, devam ser excluídos do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 12/2000, inclusive. A recorrente alega que a decisão não deve prevalecer, pois considerou que a entidade, no período fiscalizado, manteve "contratos de aprendizagem" regidos pela Lei n° 10.097/00, desconsiderando os "Contratos de Estágios", que são remunerados mediante "Bolsas de Estudo", na forma autorizada pela Lei 6.494/1977, e que não possuem vínculo empregatício Porém, em ação fiscal na Entidade, a autoridade notificante constatou que a contratação dessa modalidade de mão de obra se deu em desacordo com o que dispõe a Lei 6.494/97. A notificada informa que tinha como projeto básico oferecer educação, lazer e trabalho para jovens carentes através de curso gratuito de capacitação profissional e a colocação dos jovens, como estagiários, junto a empresas colaboradoras, com base na Lei 6.494/77, esclarecendo que para cada estagiário é firmado um termo de compromisso de estágio, assinado pelo adolescente, um de seus responsáveis, a escola e a organização. Contudo, o que é isento da contribuição previdenciária é a bolsa de estudo paga pelas empresas nas quais a entidade educacional alocou seus estudantes, na condição de estagiário, desde que atendidos os requisitos estabelecidos na Lei de estagiários (Lei 6.494/77). O que esta sendo lançado por meio da NFLD em tela é o valor pago, pela entidade, às pessoas físicas, menores, que lhe prestaram serviços, e para os quais a empresa não comprovou que se tratavam de estagiários, ali colocados por escolas para exercer atividades didáticopedagógica, visando propiciar ao aluno a prática de conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 44021.000081/200679 Acórdão n.º 230101.951 S2C3T1 Fl. 357 9 A entidade poderia ter apresentado, para comprovar suas afirmações, a documentação completa prevista na Lei dos Estagiários e no Decreto 87.497/82, que a regulamenta, como, por exemplo, os Termos de Compromisso assinados pela instituição de ensino do bolsista e a recorrente. Contudo, a recorrente apenas alega, mas não prova, que os menores contemplados com o pagamento de valores intitulados pela entidade de “Bolsa de Estudos” eram estagiários, ou que as atividades realizadas pelos beneficiários das bolsas eram estritamente de cunho educacional, o que, de fato, impediria a incidência da contribuição previdenciária. O art. 28, § 9o, alínea “i”, da Lei 8.212/91, exclui do campo de incidência da contribuição previdenciária apenas a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário quando paga nos termos da Lei 6.494/77, o que não ocorreu no caso presente, já que a empresa não demonstrou, nos autos, o cumprimento dos requisitos previstos na referida Lei dos Estagiários. Assim, ao constatar a contratação de estagiários em desacordo com o estabelecido na Lei 6.494/77, a fiscalização, em estrita observância aos ditames legais, enquadrou corretamente o trabalhador como empregado da notificada para efeitos da legislação previdenciária, e lavrou corretamente a NFLD com as contribuições devidas. È oportuno ressaltar que, conforme a própria recorrente afirma, somente após ter reconhecido o seu direito à isenção de contribuições patronais, por ato emanado pela Autarquia Previdenciária, é que a entidade enquadrou as pessoas físicas que recebiam “Bolsas de Estudos” como trabalhadores menores aprendizes e, portanto, como segurados do RGPS. A notificada tenta demonstrar que faz jus à imunidade, nos termos do art. 195, § 7o da Constituição Federal, em relação às Contribuições Sociais, não podendo ter tratamento de empresa para fins de tributação. Contudo esse entendimento não possui amparo legal. Cumpre esclarecer que a atividade beneficente, ou mesmo filantrópica, não se confunde com a isenção. A filantropia é apenas o pressuposto da isenção, sendo que essa última consiste em uma relação jurídica de exclusão do crédito tributário e a sua obtenção e manutenção está sempre condicionada à existência de determinadas formalidades essenciais. Nesse sentido, o direito ao benefício da isenção das contribuições previdenciárias não era, à época do lançamento, exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Administração Pública, estabelecido a título precário, passível de anulação quando a entidade deixasse de preencher as condições legais de manutenção. Dessa forma, quando da ocorrência dos fatos geradores objeto da NFLD em comento, a entidade ainda não fazia jus ao referido benefício, pois não havia requerido a outorga da isenção. Ademais, a própria entidade reconhece a sua condição de não isenta à época da ocorrência dos fatos geradores, pois declarou que reconheceu que as contribuições Fl. 426DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 10 incidentes sobre os pagamentos dos contribuintes individuais eram devidas, e efetuou o pagamento sem impugnálas. Dessa forma, não há que se falar em insubsistência da NFLD, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. O argumento de que a fiscalização pretendeu dar efeito retroativo à Lei 10.097/2000 para alcançar situações passadas, antes de a Lei existir, não será apreciado por esta instância administrativa em razão de os fatos geradores ocorridos antes de 12/2000 estarem decadentes. A notificada tenta demonstrar que sempre atuou respaldado pelos atos administrativos e discorre sobre a inalterabilidade dos critérios jurídicos para concluir que, no presente caso, restou configurada a hipótese de alteração do critério jurídico, uma vez que o INSS emitiu, em 2002, Ato Declaratório n° 04/2002, com efeito retroativo a partir de 11/10/2002. Contudo, como ela própria afirma, os efeitos do Ato Declaratório de Isenção são a partir de 11/10/2002, e as contribuições lançadas vão até 09/2002. Portanto, ao lançar as contribuições devidas, a fiscalização não alterou os critérios jurídicos já que, à época da ocorrência do fato gerador, a recorrente não fazia jus ao referido benefício, pois, reiterase, mesmo que ela houvesse cumprido os requisitos listados na pela recursal, ela ainda não havia requerido a outorga da isenção, condição estabelecida pela norma legal, vigente à época, para a entidade usufruir da benesse fiscal. Vale repetir que a notificada tinha conhecimento de sua condição de não isenta, pois recolheu as contribuições devidas incidentes sobre a remuneração paga aos autônomos/contribuintes individuais. No mérito, a recorrente, além de reafirmar que é titular de imunidade tributária, o que já foi exaustivamente discutido acima, alega inexigibilidade do Salário Educação, Sat, Sesc, Senac, Sebrae, Incra e da Taxa SELIC sobre o suposto débito tributário. Contudo, o entendimento da recorrente está desprovido de amparo legal. As contribuições devidas ao SAT e aos Terceiros SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE estão previstas nas Leis 2.613/55; 8.029/90 com as alterações posteriores e na Lei 8.212/91 regulamentada pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, e demais normas legais assinaladas no FLD, que estão em pleno vigor, e a aplicação da taxa SELIC encontra fundamento no mesmo diploma legal. Portanto, não há que se falar em ilegalidade das referidas exações ou da utilização da taxa Selic no presente caso. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Fl. 427DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 44021.000081/200679 Acórdão n.º 230101.951 S2C3T1 Fl. 358 11 Em relação ao entendimento de que descabe a escusa da administração de apreciar matéria referente à constitucionalidade, cumpre esclarecer que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Esse também é o entendimento manifestado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. De fato, a empresa pode até alegar a inconstitucionalidade de lei, mas a autoridade administrativa está impedida de afastar dispositivos legais sob esse fundamento. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Portanto, as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária. Dessa forma, são devidas, pela recorrente, as contribuições ao SAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE. A utilização da taxa SELIC também é objeto de súmula do Conselho Pleno do CSRF: Súmula nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Fl. 428DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A 12 Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores lançados nas competências compreendidas entre 07/1997 a 12/2000, inclusive, por decadência. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Relatora. Fl. 429DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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