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Numero do processo: 10640.002701/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/1997
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-001.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mauro José Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.Tabela de Resultados]
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/1997 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mauro José Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.Tabela de Resultados] Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 09/08/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 11), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitado por meio de TIAD, o Livro Diário, a folha de pagamento e o Livro de Registro de Empregados, todos relativos ao ano 1997. A recorrente impugnou o auto e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0918.660, da 5a Turma da DRJ/JFA, (fls. 35), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 50), alegando, em síntese, decadência do débito. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10640.002701/200786 Acórdão n.º 230101.927 S2C3T1 Fl. 58 3 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada alega decadência do débito nos termos do art. 150, § 4o, ou art. 173, do CTN. Verificase a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AI pelo contribuinte se deu em 13.08.20076, conforme fl. 01, e a infração se refere ao ano 1997. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito ora lançado. Assim, concluo que a Fazenda Pública não se encontra mais no direito de constituir e lançar o presente crédito. Nesse sentido, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10640.002701/200786 Acórdão n.º 230101.927 S2C3T1 Fl. 59 5 Voto por CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018337/2007-08
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALExercício: 2005PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSONão se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1802-000.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Nereida de Miranda Finamore Horta e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.018337/200708 Acórdão n.º 180200.813 S1TE02 Fl. 51 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que considerou procedente o lançamento no valor de R$ 200,00 realizado a título de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica, relativamente ao exercício 2005, anocalendário 2004, conforme auto de infração de fl. 7. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 e 2, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0221.086 (fls. 18 a 21), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: fez opção pelo Simples em 04/06/1997, retroagindo a 01/01/1997; em 2004 ao entregar sua declaração de IRPJ percebeu que não estava enquadrada no Simples; promoveu impugnação requerendo sua inclusão com data retroativa a 01/01/1997; em 2005, quando novamente tentou entregar a declaração de IRPJ percebeu que não estava enquadrada no Simples; intentou Mandado de Segurança e obtendo em liminar o afastamento dos impedimentos ao seu ingresso no Simples; tendo esta Repartição determinado a inclusão no Simples a partir de 01/01/1997; a entrega da declaração do IRPJ com atraso se deu em razão da não inclusão da requerente no Simples o que somente fora determinado a partir de 28/08/2005, enquanto a uma declaração do IRPJ fora entregue em 13/09/2005, exatamente por não estar enquadrada no Simples. Tendo esta repartição reconhecido o direito da requerente de ser enquadrada no Simples, somente em 28/08/2005, requer seja o auto de infração supra mencionado cancelado, inclusive a respectiva multa. Como mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a ementa abaixo: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Multa por Atraso na Entrega da Declaração Simplificada. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.018337/200708 Acórdão n.º 180200.813 S1TE02 Fl. 52 3 Uma vez caracterizada a entrega em atraso de Declaração de Rendimentos, devida é a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/05/2009, conforme AR à fl. 24, a Contribuinte apresentou em 12/06/2009 o recurso voluntário de fls. 25 a 27. Este é o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.018337/200708 Acórdão n.º 180200.813 S1TE02 Fl. 53 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do Recurso. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 11/05/2009, uma segundafeira, e o trigésimo dia a partir desta data foi 10/06/2009, quarta feira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. No caso, excluíse da contagem o dia de início, ou seja, o dia 11/05/2009. Iniciandose, então, a contagem no dia 12/05/2009, que é o primeiro dia útil subseqüente, o trigésimo dia é 10/06/2009. Todavia, o recurso só foi apresentado em 12/06/2009, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 02/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13819.003360/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005PASEP. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO. EFEITOS.Independentemente do mérito do direito de crédito, considera-se Não declarada a compensação sobre indébitos que já tenham sido objeto de indeferimento, restando em aberto a quitação dos respectivos créditos tributários.MULTA. FALTA DE RECOLHIMENTO OU LANÇAMENTO DE TRIBUTO. EXIGÊNCIA.A falta de declaração ou de recolhimento de tributo implica a incidência de multa de ofício em auto de infração.ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINSPeríodo de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005APURAÇÃO FISCAL. SALDOS POSITIVOS E NEGATIVOS.Na apuração de valores não recolhidos em auto de infração, os saldos mensais positivos apurados podem ser considerados na apuração dos valores efetivamente devidos pelo sujeito passivo.Recurso de Ofício Negado.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.848
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento a ambos os recursos, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DE SÃO BERNARDO CAMPO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 PASEP. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO. EFEITOS. Independentemente do mérito do direito de crédito, considerase não declarada a compensação sobre indébitos que já tenham sido objeto de indeferimento, restando em aberto a quitação dos respectivos créditos tributários. MULTA. FALTA DE RECOLHIMENTO OU LANÇAMENTO DE TRIBUTO. EXIGÊNCIA. A falta de declaração ou de recolhimento de tributo implica a incidência de multa de ofício em auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 APURAÇÃO FISCAL. SALDOS POSITIVOS E NEGATIVOS. Na apuração de valores não recolhidos em auto de infração, os saldos mensais positivos apurados podem ser considerados na apuração dos valores efetivamente devidos pelo sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento a ambos os recursos, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 212 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário (fls. 166 a 181) apresentado em 24 de abril de 2009 contra o Acórdão no 0524.827, de 09 de fevereiro de 2009, da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 155 a 159), cientificado em 25 de março de 2009, que, relativamente a auto de infração de Pasep dos períodos de março de 2004 a dezembro de 2005, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/07/2004 a 01/12/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição devida, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. Excluise do crédito exigido de ofício as parcelas do crédito anteriormente extintas. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 23 de outubro de 2008, de acordo com o termo de fls. 111 a 119. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Tratase de Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fls. 120/129, que constituiu o crédito tributário total de R$ 13.102.474,76, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2008. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 111/119, a autoridade autuante, após relatar o desenvolvimento do procedimento de auditoria, contextualiza da seguinte forma o lançamento: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 213 3 Os valores das deduções da base de cálculo da contribuição para o PASEP constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte (...) dos anoscalendário de 2003 a 2007, coincidem com os montantes informados nos Balancetes de Receitas Arrecadadas (...). Esses valores deduzidos da base de cálculo da contribuição para o PASEP referemse ao Fundo de natureza contábil – FUNDEF e FUNDEB (a partir de 2007), originado da retenção pela União de 15% sobre as receitas: PFM (sic), ICMS, Desoneração do ICMS e IPI Exportação (...). O contribuinte registrou nos anos calendários 2003, 2004 e 2005 o valor da Receita Corrente em seu balancete contábil já deduzido do valor transferido ao Fundef, porém na planilha os valores da Receita Corrente dos anos calendário de 2003 se apresenta já deduzido do valor do FUNDEF, reproduzindo o que ocorreu na contabilidade e as linhas referentes a estas deduções se apresentam em branco (sem valores), já nos anos calendário de 2004 e 2005 as Receitas Correntes se encontram registradas pelo valor bruto e a dedução se realiza em conta a parte específica sob a rubrica dedução de receita para formação do FUNDEF linhas 16 e 17 da planilha (fls. 30 a 35). [...] Os valores mensais das retenções da contribuição PASEP pela União, as quais correspondem a 1% do valor repassado a título de FPM ao município, constantes das mesmas planilhas apresentadas pelo contribuinte, (fls. 16/36), não coincidem com os montantes informados pelo Banco do Brasil, conforme listagem da Internet – Sítio do Banco do Brasil (período de apuração: janeiro de 2003 a dezembro de 2005), (fls. 36 a 54). Conforme demonstrado na tabela abaixo: [...] Estes valores apurados a título de PASEP não recolhido pelo Banco do Brasil foram realocados no cálculo do valor devido, com base nas informações extraídas da planilha fornecida pelo contribuinte, às folhas 30 a 35; uma vez que o contribuinte informou que na base de cálculo do Pasep o mesmo deduz o valor recebido a título de FPM (fls.16). Segundo o Artigo 2º, III, da Lei 9.715/98 o FPM (transferência corrente) deve integrar tal base de cálculo do Pasep, devendo neste caso a retenção realizada pela União, Art. 2º, III, § 6º da Lei 9.715/98, ser deduzida do tributo apurado. [...] Desta forma, apuramos como contribuição PASEP devida nos períodos de apuração montantes superiores aos valores informados. Os valores lançados neste auto de Infração são os valores (...) resultantes da inclusão do FPM na base de cálculo do PASEP, tendo em vista a não retenção pelo Banco do Brasil do tributo correspondente a esta parcela. [...] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 214 4 Em relação ao período de novembro de 2002 a setembro de 2003, deixamos de proceder ao lançamento dos débitos apurados, posto que, já havia sido imposta a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, com vistas a evitar a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário através do Auto de Infração nº 10932.000035/200685. Em consulta ao processo administrativo nº 13819.004822/2002 67, inferese que o contribuinte também utilizou o crédito pleiteado em compensações com débitos dos períodos de apuração de outubro de 2003 a junho de 2004. Indeferido o direito creditório pleiteado nos autos do Processo Administrativo is situ, restamse não homologadas as compensações em decisão cientificada ao contribuinte em 31/08/2004. Vinculadas a este litígio estão as compensações efetuada a partir do período de outubro de 2003 a junho de 2004. Isto porque, nos termos do § 6º do artigo 74 da Lei 9430/96, inserido pela medida provisória de 135 (sic) de outubro de 2003 (convertida na lei 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Desnecessária, pois, foi a formalização do crédito tributário no caso das não homologações das compensações, pois a Dcomp é instrumento hábil e idôneo para a inscrição na Dívida Ativa da União. Exceto, porém, em relação ao mês de março de 2004, cujo pedido de compensação retrata valor inferior ao apurado, motivando o lançamento de R$ 56.479,23 ( R$ 806.479,23 – R$ 750.000,00). Em relação ao período de julho de 2004 a dezembro de 2005, os débitos de Pasep foram objeto de Pedido de Compensação através do Processo Administrativo nº 10923000219/2006 (sic). Em análise ao referido processo inferimos que o contribuinte protocolizou o mesmo em 14 de junho de 2005, nesta data, porém, o contribuinte já havia sido cientificado do não reconhecimento do seu direito creditório em litígio (31/08/2004). Com efeito, referindose às Dcomps referentes a este período as mesmas são consideradas não declaradas, por terem sido protocolizadas em data posterior à ciência do indeferimento do Pedido de Restituição. Desta feita, inexistente a declaração com natureza de confissão de dívida e inexistente o crédito a favor do contribuinte, não poderão ser objeto de inscrição em Dívida Ativa da União diretamente e, portanto, deverá ser objeto de lançamento de ofício. Face ao exposto, os débitos acima identificados, referentes ao período de julho de 2004 a dezembro de 2005, estão sendo formalizados mediante o lançamento de ofício (...). Cientificado do lançamento em 23/10/2008, o sujeito passivo apresentou impugnação em 18/11/2008, fls. 132/137, alegando, em síntese: Preliminarmente, no que se refere à coluna ‘A’ da planilha que anexamos à presente, denominada ‘PASEP revisado’, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 215 5 esclarecemos que os valores referentes a base de cálculo revisada da contribuição do PASEP, aferidos pela auditoria se encontram regulares e em consonância com os levantamentos e estudos elaborados pela unidade técnica responsável da ora Impugnante. No que tange à coluna ‘B’ (PASEP FPM), constatamos que conforme apontamento da fiscalização, os valores referentes ao Fundo de Participação do Município não compuseram inicialmente a base de cálculo do PASEP, conseqüentemente deixamos de promover o recolhimento de R$ 331.056,19 (...). Na coluna ‘C’, da mesma planilha em análise, consolidamos o valor total apurado pela auditoria referente às contribuições do PASEP. Esta consolidação tem por origem a soma dos valores do PASEP revisado (coluna ‘A’) mais o PASEP FPM (coluna ‘B’), ou seja, o valor total de contribuição do PASEP, revisado para o período compreendido entre março/2004 a dezembro/2005 que se faz na ordem de R$ 16.560.004,13. Ainda, no que se refere aos valores apresentados na coluna ‘F’ (VLR Pago PASEP), esclarecemos que estes advêm da composição dos valores efetivamente recolhidos por meio de DARF (coluna ‘D’), somados a estes, os valores compensados pela municipalidade por meio do Processo Administrativo 10923000219/2006 (sic) (coluna ‘E’). Deste modo, no que se refere à análise da base de cálculo revisada do PASEP, bem como ao valor revisado da contribuição e aos valores efetivamente pagos e compensados pelo Município, estes se encontram regulares em sua origem. Contudo, em que pese os valores citados se encontrarem corretos em sua apresentação, é importante observar que a metodologia e critérios aplicados na auditoria estão equivocados e apresentando divergências nos seguintes aspectos: a) não acatamento das compensações realizadas no período de maio/2005 a novembro de 2005, que perfaz o total de R$ 5.056.013,25 (coluna ‘E’). Cabe lembrar, que o aludido pedido de compensação é objeto de questionamento administrativo junto à Secretaria da Receita Federal (Processo 10923.000192/2006 08), ainda pendente de decisão definitiva, o que afasta a conclusão da Ação Fiscal aqui impugnada. b) o relatório da auditoria relata a não inclusão na base de cálculo do PASEP dos valores de repasse do FPM, fato este que acabou por ensejar o entendimento de que há uma diferença de R$ 331.056,19 no valor de contribuição do PASEP. É importante frisar que não acompanhamos esta interpretação, uma vez que, conforme ofertado no próprio material da auditoria, a composição da base de cálculo do PASEP foi revisada e em regra constatouse uma redução no valor efetivamente devido de contribuição. Neste contexto, a Impugnante promoveu recolhimentos de DARF acima do devido, ou seja, em que pese Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 216 6 os valores do FPM não comporem inicialmente a base de cálculo do PASEP, em face da referida revisão, a Impugnante tornouse credora de valores junto à Secretaria da Receita Federal, pois a base de cálculo do PASEP foi substancialmente reduzida em todas as competências. Ademais, constatamos uma ambigüidade nos critérios adotados, pois para algumas competências a Sra. Auditora acatou a diferença do PASEPFPM englobada nos valores recolhidos a maior de PASEP, não caracterizando deste modo pendências a recolher, porém, para outros períodos, acabou por excluir da composição dos valores pagos a maior, lançandoos como pendência da Impugnante. [...] c) em relação ao mês de outubro/2004, esclarecemos que houve a ocorrência de equívoco no preenchimento do valor da DARF, ou seja, foi recolhida a importância de R$ 87.968,05, sendo que o valor correto a ser recolhido era de R$ 879.680,56. No entanto, salientamos que, assim que esta pendência foi constatada, a Impugnante promoveu, de pronto, o recolhimento complementar juntamente com os valores regulares do mês de novembro/2004. Cumpre explicitar que, a análise da auditoria que ensejou a presente Ação Fiscal não considerou esse recolhimento complementar como sendo referente ao mês de outubro/2004, ou seja, o valor complementar recolhido no mês de novembro. Ora, o sistema de arrecadação da Receita Federal aceitou o aludido pagamento, não houve nenhuma recusa por parte do órgão federal, sendo totalmente incabível seu afastamento neste momento. Ademais, não incidiu a Impugnante em nenhuma das hipóteses de vedação de compensação previstas no parágrafo 3. do artigo 26 da Instrução Normativa SRF n. 460, de 18 de outubro de 2004, aplicável àquela época. [...] Assim, está caracterizado o crédito da Impugnante que requer a homologação da compensação desses valores já realizada na época própria." No recurso, a Interessada alegou o seguinte: Todavia, dos créditos lançados mediante o auto de infração, foram mantidos aqueles demonstrados no final do respeitável acórdão proferido na seção de 9 de fevereiro de 2009 do referido órgão julgador. São créditos relativos à contribuição ao PASEP pertinentes a 01/03/2004 1/07/2004 e ao período de 01/05/2005 a 01/11/2005. Os mencionados créditos fazendários estão compensados com créditos da Municipalidade, decorrentes de pagamento de contribuição a maior, créditos estes indevidamente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 217 7 desconsiderados pela douta Turma Julgadora, como será a seguir demonstrado. As contribuições para o PASEP, até o advento do Decreto n. 4524 de 17 de dezembro de 2002, eram consideradas como de natureza tributária, regidas então pelo Código Tributário Nacional. Após a edição deste e da Instrução Normativa n. 247 do mesmo ano, surge espaço para o que se chama de interpretação autêntica, ou seja, um ato da própria autoridade lançadora do tributo definindo que as contribuições ao PASEP deveriam ser inseridas no contexto genérico de Contribuições Sociais e, por conseguinte, regidas pela Lei n. 8212 de 1991. [...] Assim, a legislação definia o prazo para a realização das compensações relativas ao PASEP. Nesse passo, para a realização da compensação passou a ser adotado o consolidado entendimento jurisprudencial que considera como termo inicial da prescrição decenal o dia do efetivo pagamento indevido, como nos indica o Acórdão publicado no DJ de 11/03/2002 exarado no Recurso Especial 222036/DF Relator Min Milton Luiz Pereira, la. Turma: "Sendo (...) sujeito ao lançamento por homologação, faltante este, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento." [...] Desta forma, não pode ser negado ao Município o direito de extinguir débito decorrente contribuição ao PASEP, mediante compensação com os créditos resultantes do pagamento de contribuição a maior em período pretérito. [...] Com relação à multa aplicada à Municipalidade, não é cabível a imposição da penalidade pecuniária. O pedido de compensação, formalizado pela Recorrente em época própria, tem o condão de suspender a exigibilidade dos valores compensados até posterior apreciação por parte do Fisco, que tem o dever de vincular o débito compensado com o procedimento compensatório, a fim de que este não permaneça em aberto no sistema da Receita, evitando uma possível autuação ilegal, como a presente, sendo assim, descabida qualquer imputação de multa de ofício. Não há que se falar em créditos não recolhidos e/ou não declarados passíveis de imputação de multa. Na verdade, o que se apresenta é a suspensão da exigibilidade decorrente da discussão administrativa existente, o que afasta de plano a imputação de qualquer sanção ao Recorrente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 218 8 Ademais, a multa tem em sua hipótese de incidência a ilicitude como elemento essencial e no caso em tela, não houve qualquer ato ilícito praticado pelo Recorrente, que cumpriu todas as determinações e prazos para a configuração do impedimento da exigibilidade do eventual crédito fazendário. Além disso, invoca a Municipalidade em seu favor as razões que levaram a douta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, excluir multa que lhe foi infligida no processo 10932.000035/200685, no julgamento do recurso 137.732 (vide cópia do r. acórdão em anexo). É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Os recursos satisfazem os requisitos de admissibilidade, deles devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso de ofício, a DRJ considerou os valores que, na apuração, resultaram em saldos a favor da Interessada, no que concerne às retenções pela rede bancária, nos seguintes termos: Tem razão a defesa. Com efeito, se, nos meses em que se constatou a insuficiência de recolhimentos em relação à contribuição aferida pela contribuinte, a autoridade fiscal recompôs a base de cálculo pela inclusão daquela parcela correspondente à contribuição não retida pela rede bancária, o mesmo critério deve ser utilizado nos períodos em que a diferença resida apenas na falta dessa retenção. Seguindo o método utilizado pela fiscalização nos demais meses, os meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2004 apresentam pagamentos a maior que o devido, mesmo quando recomposta a base de cálculo pela inclusão dos valores não retidos pela rede bancária. A seguir, ressaltou o acórdão que o reconhecimento da apuração de saldos a favor da Interessada não implicaria em reconhecimento de direito creditório. Ademais, em relação ao mês de outubro de 2004, foi constatado um recolhimento complementar, devidamente comprovado nas fls. 97 e 98 do processo. O recolhimento ainda atingiu o período de novembro. Dessa forma, no primeiro caso, temse situação condizente com a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes e do Carf e, no segundo, temse a comprovação dos recolhimentos, devendose negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao voluntário, primeiramente devese ressaltar a observação da primeira instância quanto ao período de março de 2004: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 219 9 Por fim, no que tange ao mês de março de 2004, cuja exigência repousa na compensação insuficiente em declarações formalizadas no PAF nº 13819.004822/200267, não houve impugnação específica ou a identificação de qualquer equívoco em sua constituição, pelo que mantémse integralmente o valor lançado. Essa questão não foi, igualmente, demonstrada pela Interessada no recurso. Quanto às compensações, que é o centro do recurso, descabe também razão à Interessada, uma vez que foram consideradas não declaradas, à vista de sua apresentação depois do indeferimento do direito de crédito, no âmbito do processo 10923.000192/200608. Vejase que a improcedência das compensações independe do mérito do que eventualmente foi decidido no âmbito daquele processo, uma vez que ela é de aspecto formal. Vale dizer, ainda que se reconhecesse eventualmente o direito de crédito, as compensações continuariam a ser tratadas como não declaradas, pois foram apresentadas em desacordo com os requisitos legais, conforme ressaltado pelo acórdão de primeira instância: No Termo de Verificação e Constatação Fiscal em que contextualizou o lançamento, a autoridade fiscal informa que as compensações apontadas pela autuada foram formalizadas após a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, razão pela qual são consideradas não declaradas e, portanto, não possuem o efeito extintivo do débito que lhe quer atribuir a contribuinte. O fundamento legal para a afirmação da autoridade fiscal encontrase no §3º, incisos V e VI, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nestes termos: § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: [...] V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme informado, a contribuinte formalizou as compensações que reivindica em 14/06/2005, pelo que já estavam submetidas ao regime definido na Lei nº 11.051, de 2004. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13819.003360/200856 Acórdão n.º 330200.848 S3C3T2 Fl. 220 10 Nesse contexto e sendo a data de formalização posterior à da ciência pelo sujeito passivo da decisão que indeferiu seu direito creditório e/ou não homologou as compensações anteriormente declaradas, as declarações apresentadas não surtem os efeitos que lhes são próprios, dentre os quais, especialmente, o efeito extintivo sobre o débito cuja compensação se pretendeu. Dessa forma, as compensações eventualmente formalizadas não repercutem sobre o lançamento que se mantém, quanto a este item, incólume. Portanto, a questão do prazo para o pedido, pertinente àquele processo, é irrelevante para a definição da procedência do lançamento em análise. Finalmente, em relação à multa, sua aplicação está claramente definida nos arts. 43 e 44 da Lei no 9.430, de 1996. Não tendo havido recolhimento da contribuição, seja decorrente do simples não pagamento ou da realização de compensação que não produziu efeito algum, aplicamse aquelas disposições legais. À vista do exposto, voto por negar provimento a ambos os recursos. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 13727.000203/2004-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na ausência de indícios de irregularidades que justifiquem a cautela adicional do Fisco em exigir elementos adicionais de prova da prestação dos serviços ou da efetividade dos pagamentos, os recibos fornecidos por profissionais de saúde são suficientes para comprovar a despesa médica.
DEDUÇÕES. INCENTIVOS. Somente são dedutíveis da DIRPF as doações
efetuadas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.051
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com despesa médica. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na ausência de indícios de irregularidades que justifiquem a cautela adicional do Fisco em exigir elementos adicionais de prova da prestação dos serviços ou da efetividade dos pagamentos, os recibos fornecidos por profissionais de saúde são suficientes para comprovar a despesa médica. DEDUÇÕES. INCENTIVOS. Somente são dedutíveis da DIRPF as doações efetuadas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com despesa médica. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Fl. 58DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório MARIA DAS GRAÇAS RIBEIRO LAZARINI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJJUIZ DE FORA/MG (fls. ) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02/10, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 1.641,81, acrescido de multa de ofício de R$ 1.231,35 e de juros de mora de R$ 703.51. As infrações apuradas estão assim descritas no auto de infração: 1) Dedução indevida a título de despesas médicas a qual não foi apresentado/comprovado o efetivo pagamento CPF 618.868.07787). Enquadramento legal: art. 8, inciso II, alínea “a” e parágrafos 2 e 3 da Lei 9.250/95; arts: 43 a 48 da Instrução Normativa SRF 15/2001. Dedução indevida do imposto.(somente doações para o Estatuto da Criança ou Conselho Tutelar). Enquadramento Legal: art. 12, incisos I a III e parágrafo 1 da Lei 9.250/95; art. 22 da lei 9.532/97. A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual alegou, em síntese, que. Atendeu ao Termo de Intimação Fiscal, tendo apresentando cópias autenticadas dos recibos emitido pela psicóloga Angelina Mondres, CPF n° 618.868.07787, para comprovação das despesas médicas, os quais torna a apresentar; que a instituição para a qual fez doações é uma entidade filiada ao Conselho Municipal de Assistência Social, de Direitos da Criança e do Adolescente e no Conselho tutelar, conforme declaração que anexa. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a glosa das despesas médicas, a DRJ entendeu que havia dúvidas quanto à efetividade dos fastos e, com fundamento no art. 73, § 1º do RIR/99, concluiu que os recibos não eram suficientes para comprovar a despesa, devendo estes serem corroborados por outros elementos de prova do pagamento e da prestação dos serviços, elementos estes que não foram apresentados. Quanto à dedução de incentivo, a DRJ observou que a dedução pleiteada, embora referindose a doação feita a entidade filantrópica, não satisfaz as condições estabelecidas no art. 87, inciso I, do RIR/99, segundo o qual somente são dedutíveis as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o que não seria o caso. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/12/2007 (fls. 47) e, em 11/08/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 48/49 no qual reafirma que pagou os serviços de psicóloga cujos recibos foram apresentados, e, quanto à dedução de doação, afirma que esta foi feita a entidade filantrópica que há muito atua há muitos anos na proteção das crianças. Argumenta que, como o Conselho Municipal ainda não Fl. 59DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13727.000203/200494 Acórdão n.º 220101.051 S2C2T1 Fl. 2 3 havia divulgado a criação de uma conta específica para depósitos, resolveu fazer o depósito para a entidade que recebeu sua doação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, as infrações que ensejaram a autuação foram a glosa de despesas médicas pela falta de comprovação da efetividade dos pagamentos e da prestação dos serviços e a glosa de dedução de doação a entidade filantrópica sob o fundamento de falta de previsão legal para esta dedução. Quanto á glosa das despesas médicas, tenho me posicionado em diversos julgados tratando de situações desse tipo no sentido de que, na presença de indícios que justifiquem maior cutela do fisco, como elevada proporção dos pagamentos de despesas médicas em relação aos rendimentos declarados ou elevados pagamentos a um mesmo profissional, por exemplo, justificase a cautela do fisco em exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados; que, para estes casos, os recibos não são suficientes os recibos, que são meios de prova e não a prova em si. Neste caso, entretanto, não vislumbro a presença desses indícios. Não só a proporção das deduções de despesas médicas em relação aos rendimentos declarados (24%) não chega a ser exagerada, como apenas uma parte menor das deduções foi glosada. Na verdade, foram glosados os pagamentos feitos, durante o anocalendário de 2001 a uma única profissional, que atua na área de psicologia. Nestas condições, mantendome coerente com as posições que tenho assumido em relação a outros processos semelhante, penso que os recibos são suficientes para comprovar as despesas. Quanto à glosa das doações, a decisão de primeira instância foi clara ao delimitar as situações nas quais são permitidas este tipo de dedução, isto é, nos casos de doações aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente. E, no caso, a doação foi feita a uma entidade filantrópica, que não se enquadra nesta condição. Correta, portanto, a glosa efetuada pela autoridade lançadora e confirmada pela decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com despesa médica. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 61DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001223/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos
intermediários e material de embalagem de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditos presumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC).
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA
Súmula Carf nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS DE PRODUÇÃO RURAL
Os custos de produção rural de matérias-prima utilizadas no processo de fabricação de produtos exportados não geram créditos presumidos do IPI CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES
Inexiste amparo legal para apurar crédito presumido do IPI sobre despesas com fretes.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos Respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite reconhecido.
Numero da decisão: 3301-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditos presumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC). CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA Súmula Carf nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS DE PRODUÇÃO RURAL Os custos de produção rural de matérias-prima utilizadas no processo de fabricação de produtos exportados não geram créditos presumidos do IPI CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES Inexiste amparo legal para apurar crédito presumido do IPI sobre despesas com fretes. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos Respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas, utilizados pelo produtor exportador, na industrialização dos produtos exportados, geram créditospresumido do IPI, nos termos do julgamento do RESP 993164 prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC). CRÉDITOPRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA Súmula Carf nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS DE PRODUÇÃO RURAL Os custos de produção rural de matériasprima utilizadas no processo de fabricação de produtos exportados não geram créditos presumidos do IPI CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES Inexiste amparo legal para apurar créditopresumido do IPI sobre despesas com fretes. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Per/Dcomps implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nos respectivos Per/Dcomps até o limite reconhecido. Fl. 650DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto, SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às fls. 250/255 que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, protocolado em 21/07/2003, às fls. 01/02, apurado para os 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2001 e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados neste processo. O indeferimento decorreu do nãoreconhecimento do direito aos créditos apurados sobre os custos de insumos adquiridos de pessoas físicas, de energia elétrica, dos serviços prestados por terceiros para colheita de frutas, de fretes na aquisição de matérias primas e de fretes para colocação de produtos no porto para embarque. Cientificada do despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 258/262, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “a) as glosas foram efetuadas pela autoridade fiscal com base em entendimentos dissonantes em relação ao teor da legislação, sendo o cálculo do incentivo fiscal calcado em uma ‘presunção legal’ que prescinde da quantificação exata da incidência das contribuições, sendo que a Administração Fiscal não pode restringir o que não foi limitado pela lei; b) a exclusão dos valores relativos a frutas cítricas adquiridas de produtores rurais tem por base normas infralegais rejeitadas pela doutrina e pelas jurisprudências administrativa e judicial (precedentes do STJ e do Conselho de Contribuintes com ementas reproduzidas), sendo que, pela legislação, ‘o valor total das aquisições de matériasprimas compões a base de cálculo do beneficio’; c) também não podem ser admitidas as exclusões de energia elétrica (pronunciamentos do Judiciário e do Conselho de Contribuintes colacionados) e de fretes pelo mesmo motivo, tendo sido esses itens partes integrantes do custo de elaboração do produto final exportado, estando a beneficiária à disposição para apresentação de documentação para esclarecimento de aspectos dos fretes; d) por fim, seja conhecida e acolhida a manifestação de inconformidade, com a reforma do despacho decisório e a confirmação dos pedidos de ressarcimento, com o cancelamento das glosas indevidamente promovidas.” Fl. 651DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13851.001223/200376 Acórdão n.º 330100.862 S3C3T1 Fl. 540 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, indeferiu o ressarcimento pleiteado e não homologou as compensações declaradas, conforme acórdão nº 1414.992, datado de 26/02/2007, às fls. 273/288, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA NA PRODUÇÃO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE FRETE. Para ser admitido no cômputo do beneficio fiscal, o frete deve compor o preço do insumo adquirido e necessariamente onerado pelas contribuições do PIS e da Cofins. ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 291/310, requerendo a sua reforma a fim de que se reconhecesse seu direito ao ressarcimento pleiteado e a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, em preliminar, que, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, impugnou sim a glosa do crédito presumido do IPI sobre os Fl. 652DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 fretes e, ainda, que aquela não se manifestou sobre a suscitada homologação tácita dos débitos fiscais declarados e, no mérito, que tem direito aos créditos presumidos do IPI sobre os custos de aquisições de nãocontribuintes do PIS e da Cofins, de energia elétrica, de obtenção das frutas e de fretes, uma vez que a lei não faz quaisquer restrições aos seus aproveitamentos. Sorteado e distribuído o processo à Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, os Membros da Segunda Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anularam o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra em boa forma fosse proferida, mormente com apreciação dos argumentos de defesa relativos à inclusão dos custos na aquisição da matéria prima, fundamentada no item 3 do despacho decisório, conforme acórdão nº 20218.492, datado de 22/11/2007, às fls. 324/329, sob a seguinte ementa: “NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA IMPUGNADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE MATÉRIA INCONTROVERSA. Incorre em cerceamento do direito de defesa a decisão que não aprecia matéria expressamente impugnada. Impõese a nulidade dos autos a partir da referida decisão que declarou, indevidamente, a ocorrência de ausência de defesa expressa, para que outra em boa e devida forma seja proferida.” A Procuradoria da Fazenda Nacional foi então intimada desse acórdão e, posteriormente, os autos foram remetidos à unidade de origem para as providências cabíveis. Em cumprimento ao acórdão da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho, a DRJ Ribeirão Preto proferiu nova decisão em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme acórdão nº 1420.485, datado de 17/09/2009, às fls. 502/517, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA NA PRODUÇÃO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE FRETE. Para ser admitido no cômputo do benefício fiscal, o frete deve compor o preço do insumo adquirido e necessariamente onerado pelas contribuições do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE SERVIÇOS DE COLHEITA DE FRUTAS PRÓPRIAS. Fl. 653DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13851.001223/200376 Acórdão n.º 330100.862 S3C3T1 Fl. 541 5 A colheita de frutas próprias constitui etapa anterior à industrialização propriamente dita empreendida pela empresa e os respectivos custos são insuscetíveis de integrar a base de cálculo do estímulo fiscal, pois se distinguem de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme expressamente aludido na legislação. ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa.” Cientificada dessa nova decisão, a recorrente apresentou o recurso voluntário às fls. 520/535, requerendo a sua reforma a fim de que seja reconhecido seu direito aos créditos do IPI sobre os custos de aquisições de insumos de nãocontribuintes do PIS e da Cofins, de energia elétrica, de obtenção das frutas (matériaprima) e dos fretes, alegando em síntese, que a legislação que instituiu o benefício do crédito presumido do IPI não faz quaisquer restrições ao aproveitamento dos créditos sobre os custos incorridos na fabricação dos produtos exportados. Requereu também a homologação da compensação dos débitos fiscais, objeto deste processo, bem como o reconhecimento da ocorrência da homologação tácita da compensação de débitos fiscais declarados em outros processos. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) histórico do benefício denominado crédito presumido do IPI; ii) sua atividade industrial e a aquisições de nãocontribuintes (pessoas físicas); iii) energia elétrica; iv) custos na obtenção da fruta; v) fretes e, concluindo, ao final, que inexiste impedimento legal ao aproveitamento de créditos sobre: a) aquisições matériaprima de pessoa física; b) do custo da energia elétrica; e, c) das despesas com, tendo em vista que todos fazem parte do custo de elaboração dos produtos exportados. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, quanto ao reconhecimento de homologação tácita de compensações de débitos fiscais, objeto de outros processos administrativos, não se toma conhecimento neste julgamento por se tratar de matéria estranha a este. Fl. 654DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 Caso realmente tenha ocorrido a homologação tácita de compensações declaradas e discutidas em outros processos e não tenha sido reconhecida pela autoridade administrativa competente, a discussão se dará nos respectivos processos e não neste. Com relação às compensações declaradas, objeto deste processo, não ocorreu homologação tácita alguma. As transmissões dos Per/Dcomps ocorreram entre as datas de 31/03/2004 e 03/05/2005; já o despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações foi proferido em 05/09/2006 e a recorrente intimada dele em 13/10/2006, data bem anterior à data limite para a ocorrência da homologação tácita. No mérito, as questões opostas nesta fase recursal são: a) a aquisições de não contribuintes (pessoas físicas); b) energia elétrica; c) custos na obtenção da fruta e fretes; a) glosas das compras de pessoas físicas No entendimento deste relator, as aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem de nãocontribuintes do PIS e da Cofias, no presente caso, de pessoas físicas e de cooperativas de produtores rurais, não geram créditospresumido do IPI, a título de ressarcimento dessas contribuições, nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, art. 1º. Conforme se verifica do conteúdo do art. 1º daquela lei, o créditopresumido do IPI é o valor do PIS e da Cofins incidente e pago nas respectivas aquisições, sendo que o art. 5º, daquela mesma lei, estabelece que eventual restituição ao fornecedor das contribuições pagas, bem assim a compensação mediante crédito implica estorno do créditopresumido pelo produtor exportador. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de nãocontribuintes dessas contribuições, não há do que se ressarcir. Ressarcimento implica pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento não há que se falar em ressarcimento. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Carf, art. 62A, a glosa do créditopresumido do IPI sobre aquisições de pessoas físicas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância, deverá ser restabelecida, reconhecendose à recorrente o direito ao seu ressarcimento/compensação. A decisão do STJ naquele RESP foi prolatada nos seguintes termos, in verbis: “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a ‘ilegalidade’ da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.” Fl. 655DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13851.001223/200376 Acórdão n.º 330100.862 S3C3T1 Fl. 542 7 Já o Regimento Interno do Carf, determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” b) energia elétrica O direito ou não ao crédito presumido do IPI sobre os custos com energia elétrica, no regime da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, constitui matéria sumulada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), in verbis: “Súmula Carf nº 19 Não Integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direito como o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Assim, em relação a essa matéria, aplicase esta súmula. c) custos na obtenção da fruta e custos com fretes A Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que institui o benefício fiscal, denominado crédito presumido do IPI, assim dispõe, in verbis: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifo nãooriginal) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifo não original) (...).” Fl. 656DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 Ora, conforme se verifica do dispositivo legal, citado e transcrito, geram créditos presumidos do IPI apenas e tão somente as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizados na fabricação de produtos exportados. Os custos com a produção de matériaprima, tais como: serviços prestados por terceiros para colheita de frutas, assim como os custos com o envio amostra de suco laranja, transporte de lodo anaeróbico; transporte envelope p/ sqac; transporte de malote; transporte material e equipamentos agrícolas; transporte material e outros equipamentos; transporte de produtos; transporte funcionário; e transporte de bagaço de cana; e, ainda, o transporte de produtos acabados, não geram crédito presumido do IPI. Inexiste amparo legal para se apurar crédito presumido sobre tais custos. Assim, por ausência de previsão legal expressa, não há que se falar em aproveitamento do créditopresumido do IPI sobre custos da produção da matériaprima nem sobre fretes e demais custos não elencados no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/1996. Finalmente quanto à homologação da compensação de débitos fiscais vencidos com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega de Dcomp e/ ou Per/Dcomp, assim como a sua homologação depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros nela declarados. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento/compensação do créditopresumido do IPI decorrente da glosa sobre as aquisições no mercado interno de pessoas físicas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela DRJ, conforme reconhecido nesta fase recursal. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditopresumido do IPI sobre as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, de pessoas físicas, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, mantendose a glosa sobre Fl. 657DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13851.001223/200376 Acórdão n.º 330100.862 S3C3T1 Fl. 543 9 os demais itens, cabendo à autoridade administrativa competente apurar os créditos e homologar a compensação dos débitos declarados nos Per/Dcomps, objeto deste processo, até o limite do ressarcimento apurado, exigindo o saldo/débitos não extintos pela compensação homologada. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 658DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 10865.000304/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, reconhecendo que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 240 1 239 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000304/200654 Recurso nº 179.270 Voluntário Acórdão nº 210201.292 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente ANTÔNIO MARQUES DOS SANTOS FILHO Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, reconhecendo que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 30/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Fl. 252DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 241 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 222 a 229 da instância a quo, in verbis: Antônio Marques dos Santos Filho, acima identificado, foi autuado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) no valor total do crédito tributário de R$ 571.164,99, conforme Auto de Infração, demonstrativos e termo de fls. 0314 (vol. 01). O lançamento ocorreu em razão da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações ocorridas no anocalendário 2000, no total de R$ 801.019,56, e conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 0914), que faz parte integrante da autuação e demais documentos que instruem o lançamento. Fundamento legal: art. 42 da Lei nº 9.430/1996, art. 4º da Lei nº 9.481/1997, art. 1º da Lei nº 9.887/1999 e art. 849 do RIR/1999 (fls. 06). Intimado em 01/03/2006 (AR, fls. 191, vol. 01), o contribuinte apresentou impugnação em 30/03/2006 (fls. 195199, vol. 02), alegando, em síntese, o seguinte: a) há de ser garantida a irretroatividade constitucionalmente assegurada, de modo que a lei nova não alcance fato pretérito, pedindo assim que os argumentos deduzidos em juízo, no mandado de segurança que impetrou, de que é ilegal e inconstitucional a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 ao ano de 2000, façam parte desta defesa para todos os fins e efeitos; b) por se tratar de tributo sujeito a homologação, o prazo decadencial iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, que se consolida 31 de dezembro do anocalendário, e termina depois de transcorrido o prazo de cinco anos, conforme o § 4º do art. 150 do CTN. Dessa forma, o suposto direito de constituição do crédito, em estrita aplicação do direito vigorante, extinguise em 31 de dezembro de 2005; c) é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários, consoante a Súmula nª 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; d) o requerente é advogado autônomo há mais de vinte cinco anos, e sempre exerceu esse mister sem a existência de qualquer sociedade, em decorrência disso sua movimentação bancária reúne elementos próprios como também de sua atividade advocatícia, pois atua em nomes de terceiros, e pratica atos jurídicos que estão interligados à sua atividade, o que não pode ser desconsiderado; e) sendo assim, é impossível exercer a advocacia sem que pela conta corrente bancária do advogado transitem valores que não são seus tais como custas, créditos de clientes, emolumentos, depósitos recursais a pagar e a receber, despesas com viagens, e uma série de outras atividades a exigir, a movimentação bancária; f) ademais, os valores que estavam sujeitos à tributação foram informados no momento de sua declaração anual de rendas, ocasião em que foram juntados todos os documentos exigidos e que comprovavam receita efetiva sujeita à tributação; de outra forma, é impossível lembrar de todas as operações realizadas no ano de 2000, pois para isso seria obrigatória a escrituração fiscal, o que, como autônomo, não está obrigado. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 242 3 Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração. Juntou cópia da petição inicial do Mandado de Segurança que impetrou (fls. 200214). Posteriormente, requereu (fls. 216217) juntada de documento de identidade de advogado (fls. 218), e que as intimações fossem endereçadas à Rua dos Coqueiros, 629, bairro Jardim São Paulo, Americana/SP. A competência para o julgamento deste processo foi transferida da DRJ/SPO II para a DRJ/CGE por meio da Portaria RFB nº 725/2008 (DOU de 14/05/2008). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou a preliminar de decadência, declarou renúncia à via administrativa em relação a questão da retroatividade da Lei nº 10.174/2002 e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 Propositura de Ação Judicial. Implica renúncia à via administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. Decadência. O prazo de decadência do tributo lançado de ofício é de cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. Sujeitamse à tributação os rendimentos omitidos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 231 a 237, repetindo as alegações da impugnação, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em síntese: I. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174/200. Reitera nesta oportunidade, por cautela, todos os argumentos já deduzidos no mandado de segurança impetrado, cujos fundamentos são aqui renovados e para isso juntouse cópia da impetração em juízo para ver reconhecida ilegal e inconstitucional a aplicação do disposto na Lei n. 10.174/2002 com efeito retroativo, para alcançar no caso vertente o ano de 2000. Há de ser garantida a irretroatividade constitucionalmente assegurada, de modo a que a lei nova não alcance fato pretérito.A autorização para utilização daquelas informações concedidas pela Lei n. 10.174/2001, mesmo após 9 de janeiro de 2001, é de constitucionalidade duvidosa, por afastar o Poder Judiciário da quebra de sigilo bancário, ofendendo diretamente cânon da Carta Constitucional Republicana em vigor. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 243 4 II. DECADÊNCIA. O IRPF, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial iniciase a partir da data da ocorrência do suposto fato gerador, que se consolida no dia 31 de dezembro do anocalendário e termina depois de transcorrido o prazo de cinco anos, conforme prevê o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Temos no caso presente os seguintes marcos que obrigam a aplicação do disposto no comando legal acima citado: a) suposto fato gerador: 2000; b) data do auto de infração: 17 de fevereiro de 2006; c) comunicação ao recorrente: 1° de março de 2006. Inequívoco, com a máxima vênia, o transcurso de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte, ou seja 1° de janeiro de 2001. III. MÉRITO. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO É RENDA. Há de se reconhecer que a simples movimentação de recursos em conta bancária, só por só, não caracteriza o fato gerador do Imposto de Renda, maiormente na situação do recorrente, como adiante explicado. Reiteramos o argumento extraído de súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos, cujo substrato mantémse hígido, haja vista que a dogmática vigorante é a mesma do sistema constitucional vigente antes de outubro de 1988: "Imposto de renda Pessoa física Depósito bancário É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários” (TFR, Súmula n. 182). Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DECADÊNCIA Inicio apreciando o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do ano calendário 2000. Para tal análise, considerando a reprodução nos julgamentos do Carf, conforme art. 62a, do anexo II, do Ricarf, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, utilizome de entendimento pacífico dessa Turma de julgamento, expresso no voto do I. Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Processo nº 10283.005822/200443, Acórdão nº 210201.135 de 16/03/2011: Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 244 5 Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessa uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 245 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10865.000304/200654 Acórdão n.º 210201.292 S2C1T2 Fl. 246 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. Feitas estas considerações, nos presentes autos, para o anocalendário 2000, há pagamento antecipado, como se vê pelo IRRF informado na declaração de ajuste anual de fl. 15/16 e a autuação, fls. 05/06, com aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já que não se imputou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2000, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2005. Ocorre que o a autuação somente foi lavrada em 17/02/2006, fl. 04, com ciência do contribuinte em 01/03/2006, fl. 191, implicando que o crédito tributário do ano calendário 2000 foi extinto pela decadência. Diante do reconhecimento da preliminar de decadência do lançamento, restam prejudicadas as análises das demais questões objeto do recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001491/2006-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INCENTIVOS FISCAIS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 37.
“Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos
Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se
ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa
Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da
quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do
Decreto nº 70.235/72”. (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1103-000.484
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento parcial ao recurso para (i) reconhecer a inexistência de entraves ao direito de opção pelo incentivo fiscal quanto à quitação de tributos e contribuições federais e (ii) devolver os
autos à unidade de origem para enfrentamento da questão relativa ao desenquadramento da optante em face do enunciado sob código 04 do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INCENTIVOS FISCAIS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 37. “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para (i) reconhecer a inexistência de entraves ao direito de opção pelo incentivo fiscal quanto à quitação de tributos e contribuições federais e (ii) devolver os autos à unidade de origem para enfrentamento da questão relativa ao desenquadramento da optante em face do enunciado sob código 04 do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001491/200667 Acórdão n.º 110300.484 S1C1T3 Fl. 438 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Cristiane Silva Costa e Silva e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJI em São Paulo/SP que indeferiu a manifestação de inconformidade aviada contra o despacho decisório do Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo/SP que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC com vistas à reforma do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido em 07/06/2006 (fl. 02), o qual exteriorizou a impossibilidade da liberação do valor de R$ 378.198,47 inserto na Ficha 36 da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário de 2003 ao Fundo de Ivestimentos do Nordeste – FINOR ante as seguintes ocorrências: • 04 — REDUÇÃO DE VALOR POR RECOLHIMENTO INCOMPLETO DO IMPOSTO • 11— CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95) O despacho decisório consignou que antes da apreciação do mérito do pedido da interessada foram verificados os registros no CADIN/SISBACEN, Secretaria da Receita Federal (SRF), ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacinal (PGFN), Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (CEF/FGTS), do que se apurou que a mesma não estaria em situação regular junto a Receita Federal e PGFN, conforme demonstrativos de fls. 284 a 291, atraindo o óbice a que alude o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Discordando deste entendimento a interessada aviou a resistência de fls. 301/305 na qual argumentou que sua situação oscila entre regular e irregular devido a problemas na comprovação dos pagamentos, não soando possível que o direito ao incentivo esteja vinculado aos sistemas da Receita Federal que algumas vezes apresentam distorções na situação real do cadastro dos contribuintes. Informou que os débitos apontados encontramse com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, ou pagos, ou ainda seus pedidos de exceção de préexecutividade pendem de apreciação judicial. Aquela 8ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu que a verificação da regularidade fiscal deve ser considerada no momento da entrega da declaração de rendimentos, ou do seu processamento, ou ainda quando da apreciação do PERC, já que o reconhecimento de um incentivo fiscal está associado a uma condição resolutiva ou resolutória, conforme se conclui do disposto no artigo 603 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Assim, consignou que no âmbito da PGFN constavam 9 (nove) débitos inscritos em dívida ativa da União, de forma que enquanto a contribuinte não instruir os autos com documentação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001491/200667 Acórdão n.º 110300.484 S1C1T3 Fl. 439 3 hábil e idônea a comprovar que aquele Órgão teria reconhecido que na data em que foi proferido o despacho decisório por parte da autoridade fiscal as pendências estavam com exigibilidade suspensa não haveria como expedir a ordem de emissão adicional de incentivos fiscais sob pena de ofensa ao artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995. Ainda, que a existência dessas pendências prejudicaria a realização de eventual diligência com vistas a comprovar as alegações da Requerente em relação aos débitos sob administração da Receita Federal. Cientificada em data de 21 de janeiro de 2009, fl. 397, a contribuinte apresentou em 13 do mês seguinte o recurso de fls. 400/404, acompanhado dos documentos de fls. 405/436, aduzindo que o artigo 60 da Lei nº 9.069/95 estatui que a concessão do incentivo fiscal pleiteado está condicionada à comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais, porém, este dispositivo não traz nenhum indicativo do momento quem que essa quitação deve ser comprovada, restando concluso que a intenção do legislador não foi a de impedir a liberação do benefício a qualquer tempo e que não é possível admitir que o direito apurado na declaração do anobase de 2003 esteja vinculado a pendências apontadas nos sistemas da SRF e PGFN em época diversa. Realça a existência de precedentes deste Conselho no sentido de que o espírito da lei não é vedar a fruição do incentivo ou benefício fiscal a quem está em débito para com a Fazenda Nacional, mas sim pelo reconhecimento deles quando o contribuinte o quita. Argumenta, por fim, que está fazendo juntada de cópia de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida pela SRF/PGFN (documento 3), a qual comprova que os débitos pendentes estão com exigibilidade suspensa. Requereu, por fim, a reforma da decisão recorrida. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Muito se discutiu neste Conselho acerca da identificação do momento em que o sujeito passivo tem o dever de apresentar sua regularidade fiscal para fins de atendimento ao requisitado no artigo 60 da Lei, vingando a tese enunciada na Súmula nº 37, no seguinte teor: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001491/200667 Acórdão n.º 110300.484 S1C1T3 Fl. 440 4 No caso dos autos a opção se deu em 28/06/2004, data da entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o período a que se refere dita declaração é o anocalendário de 2003. Por força do entendimento sumular as pendências fiscais exteriorizadas a partir desse marco temporal, solucionadas ou não, devem ser desprezadas. Noutras palavras: débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito do anocalendário em questão, muito embora possam impactar a concessão de benefício fiscal eventualmente pretendido em anos calendários subseqüentes. E também por efeito do mesmo comando sumular é forçoso concluir que a análise de cada um dos processos administrativos que abrigam débitos da contribuinte e que foram registrados na r. decisão recorrida como impeditivos da concessão do benefício fiscal resta prejudicada em face da superveniente Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, expedida pela Secretaria da Receita federal do Brasil e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a qual foi trazida no recurso voluntário e encartada à fl. 436 e cuja data de emissão é de 04 de dezembro de 2008. Enfim, considerando o enunciado da Súmula em comento, notadamente sua parte final determinando que deve ser admitida a quitação a qualquer momento de tramitação do processo administrativo, forçoso concluir pela inexistência de entraves ao direito de opção veiculado na declaração do anocalendário de 2003. Noutro giro, tanto a autoridade julgadora de primeira instância quanto a autoridade fiscal que apreciou o pedido originariamente não se manifestaram em relação à segunda negativa de percepção do benefício/incentivo constante do guerreado extrato, qual seja, a redução de valor por recolhimento incompleto do imposto. Assim laboraram porque entenderam prejudicada a questão em face da existência de débitos fiscais. Evidentemente, pois, que a emissão de qualquer juízo a esse respeito por esta Corte sufragaria a hipótese de supressão de instância. Com tais razões, VOTO pelo parcial provimento ao recurso voluntário para: a) quanto à quitação de tributos e contribuições federais, reconhecer a inexistência de entraves ao direito de opção; b) em relação ao desenquadramento da optante em face do enunciado sob código 04 do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais de fl. 02, pela restituição dos autos à origem para apreciação dessa específica matéria. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001491/200667 Acórdão n.º 110300.484 S1C1T3 Fl. 441 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
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Numero do processo: 13851.001345/2004-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições
normais, sem que não haja indícios de irregularidades, os recibos e notas fiscais de prestação de serviços são documentos hábeis a comprovar o pagamento de despesas médicas. Somente na presença de tais indícios justifica-se a exigência da comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos efetuados.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-001.040
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausência justificada da conselheira Janaína
Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, sem que não haja indícios de irregularidades, os recibos e notas fiscais de prestação de serviços são documentos hábeis a comprovar o pagamento de despesas médicas. Somente na presença de tais indícios justificase a exigência da comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos efetuados. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – RedatorDesignado EDITADO EM: 18/03/2011 Fl. 93DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Helder de Rizzo da Matta recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo/SP II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 02/04), relativo ao IRPF, exercício 2001, que se exige imposto no valor total de R$ 3.319,45, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, a fiscalização apurou dedução indevida a título de despesas médicas. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, verbis: todos os pagamentos efetuados a título de despesas médicas foram pagas em moeda corrente, mediante apresentação de recibos dos profissionais citados na declaração de imposto de renda; que todos os recibos originais foram apresentados a Secretaria da Receita Federal, mediante solicitação da mesma e sempre dentro do prazo previsto; que conforme outra solicitação da SRF, foi apresentado o Livro Caixa, comprovando que houve rendimentos recebidos a título de honorários médicos, e que tais valores foram também recebido em dinheiro; que conforme variação patrimonial, existe sobra de valores, que comprovam a disponibilidade financeira. Acrescenta ainda, que conforme citado no Demonstrativo das Infrações, também encontrase amparado pois não apresentou deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, conforme Art. 73 Parágrafo 1° da Lei 3000/99, e apresentou os recibo originais referente as despesas declaradas, constando os dados necessários para identificação de quem os recebeu, ou seja nome e CPF/CNPJ, conforme Art. 46 da IN SRF 25/96, acrescentando que na falta da documentação (recibo), a comprovação deveria ser feita com indicação do cheque nominal pelo qual foi efetuado pagamento, o que não é o caso, pois os pagamento foram efetuados em moeda corrente, e os recibos originais apresentados, como citado anteriormente. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: GLOSA DE DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13851.001345/200443 Acórdão n.º 220101.040 S2C2T1 Fl. 2 3 Considerase a dedução referente a despesas médicas, quando inequivocamente comprovada pela documentação apresentada pelo contribuinte. Lançamento Procedente. Intimado da decisão de primeira instância, Helder de Rizzo da Matta apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo, que: Cumpre dizer que essa "presunção de fiscalização", vedada no ordenamento jurídico, que levou o ilustre Agente do Fisco a formular, tão gravosa exigência, sem qualquer aprofundamento no levantamento fiscal a respaldar a acusação assacada. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente de glosas de despesas médicas. Intimado, o contribuinte apresentou os recibos com os quais pretendeu demonstrar que de fato suportou as despesas médicas deduzidas em sua DIRPF/2007. Pois bem, a autoridade lançadora glosou as deduções pleiteadas a título de despesas médicas relativa ao anocalendário de 2006, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O artigo 8º da Lei nº 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos determina: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) O artigo 11, § 4º do Decretolei nº 5.844, de 1943, assim estabelece: Fl. 95DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) § 3° Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. (grifei) Dos dispositivos supracitados depreendese que os recibos fornecidos pelos profissionais da área médica, em princípio, são considerados como prova da prestação de serviço, contudo, ante a dúvida de que os serviços e/ou pagamento não se efetivaram, pode a autoridade fazendária, visando formar sua convicção, exigir outros meios complementares de provas, em relação a todas ou a algumas despesas declaradas. Nestas condições, cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Relativamente à prova, convém citar a obra Processo Administrativo Fiscal, do professor Antônio da Silva Cabral, Editora Saraiva, p. 298: Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: “a quem alega alguma coisa, compete prová la”. [...] Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. (sem grifos no original) Quanto à comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, peço venia para reproduzir as observações do voto condutor do julgamento de primeira instância: (...) No caso em tela, o contribuinte deduziu, a título de despesas médicas o valor total de R$ 11.821,14, sendo que somente logrou comprovar os valores relativos à UNIMED (R$ 4.348,62), juntados às fls. 40 e R$ 572,52, constantes do comprovante de rendimentos da fonte pagadora Ministério da Saúde (fl. 41), que perfazem o total de R$ 4.921,14. 8. Com relação aos valores abaixo, houve somente a apresentação dos recibos, desacompanhados do comprovante de pagamento solicitado (cheques ou extratos bancários): Jorge Hudari Neto ..............................................R$ 3.000,00 Lineu Hamilton Cunha........................................R$ 3.000,00 Walter José Martins Megliorene........................R$ 900,00 Fl. 96DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13851.001345/200443 Acórdão n.º 220101.040 S2C2T1 Fl. 3 5 9. A mera alegação de que teria efetuado os pagamentos em dinheiro e de que teria disponibilidade financeira para suportar estas despesas não tem o condão de elidir a imputação, sendo necessária sua comprovação. 10. Desta forma, há que se manter o lançamento nos termos em que foi efetuado. Portanto, andou bem a fiscalização no momento em que glosou o valor relativo a serviços médicos prestado pelo profissional Lineu Hamilton Cunha, no valor de R$ 3.000,00; Jorge Hudari Neto, no valor de R$ 3.000,00 e Walter José Martins Megliorene, no valor de R$ 900,00, posto que o recorrente não conseguiu comprovar a efetividade de pagamento de qualquer valor. Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29, do Decreto 70.235, de 1972, in verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Com efeito, diferentemente do entendimento defendido pelo recorrente o simples recibo, ainda que acompanhado de declaração do suposto prestador de serviço, não é hábil para comprovar a efetividade da prestação de serviço. Sobre a matéria já manifestou este Conselho Administrativo, consoante às ementas transcritas: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 10244154) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, Fl. 97DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647) Assim, em que pese alegue o contribuinte que os recibos carreados demonstram seus gastos com despesas médicas, temse que tais documentos, desacompanhadas dos comprovantes da efetividade dos pagamentos, são insuficientes para infirmar as glosas efetivadas no lançamento. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Destarte, os simples recibos não têm o condão de suprir as provas mencionadas. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do ConselheiroRelator quanto á comprovação das despesas médicas por entender que, neste caso concreto, os recibos são suficientes para fazer tal prova. Tenho reiteradamente me manifestado, em casos que envolvem a comprovação de despesas médicas, no sentido de que em condições normais, sem que haja indícios de qualquer irregularidade, tais como a grande proporção entre a dedução das despesas médicas e os rendimentos declarados e o pagamento de quantias relativamente elevadas a um mesmo profissional sem a adequada descrição dos serviços, etc., justificase uma cautela adicional do Fisco que pode, então, exigir a apresentação de elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos. Mas não é este o caso. Não só os valores das despesas médicas são bastante razoáveis se comparado com o valor dos rendimentos declarados, como os valores pagos a cada profissional estão dentro de parâmetros de normalidade. Nestas condições, portanto, penso que os recibos são documentos suficientes para a comprovação das despesas. É de se restabelecer, assim, os valores deduzidos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13851.001345/200443 Acórdão n.º 220101.040 S2C2T1 Fl. 4 7 Assinatura digital Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 99DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002281/2004-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o contribuinte
ignora as intimação da autoridade fiscal para prestar esclarecimentos. Não é este o caso quando o contribuinte acusa o recebimento da intimação para comprovar itens informados na declaração de rendimentos, porém deixa de aprestar os elementos de prova, situação cuja conseqüência é a própria autuação para a exigência de eventual diferença de imposto, acrescido da
multa de ofício regulamentar.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2201-001.104
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa de ofício. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o contribuinte ignora as intimação da autoridade fiscal para prestar esclarecimentos. Não é este o caso quando o contribuinte acusa o recebimento da intimação para comprovar itens informados na declaração de rendimentos, porém deixa de aprestar os elementos de prova, situação cuja conseqüência é a própria autuação para a exigência de eventual diferença de imposto, acrescido da multa de ofício regulamentar. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa de ofício. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Fl. 73DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/07/2011 por EDUARDO TADEU FA RAH, 20/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/08), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, no qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 92.162,32. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou dedução indevida de despesas médicas. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância: ... nulidade, para que não deva ser apreciada matéria de mérito, dando a entender que não houvera identificação do infrator ou a infração cometida, tendo sido aplicada a ele uma multa descabida de 112,5%, e que teriam sido infringidos os artigos 147 do CTN e seguintes e que foi ferido o preceito constitucional da isonomia. O autuado ao mencionar matéria de mérito, que eventualmente viesse a enfrentar, questiona apenas a aplicação da legislação infringida constante do enquadramento legal de fls. 4, dizendo que tais enquadramentos não prevêem o absurdo na cobrança de multas do valor do imposto. Alega ainda, que se manifestou dentro do prazo estipulado e que estaríamos diante de um erro de fato e que o imposto a recolher, se for o caso deve ser com acréscimos legais e com multas dentro do ordenamento legal. Requer ao final, que o enquadramento da multa seja o do inciso I do artigo 44 da lei 9430/96, se porventura subsistir a peça vestibular. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DESPESAS MÉDICAS. O contribuinte devidamente intimado a apresentar a comprovação de despesas médicas utilizadas para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física e que não o faz, se sujeita ao lançamento de ofício com os acréscimos legais. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 01/08/2007 (fl. 46), Anatalício Vilamaior apresenta Recurso Voluntário em 29/08/2007 (fl. 48/49), sustentando, essencialmente, verbis: Fl. 74DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/07/2011 por EDUARDO TADEU FA RAH, 20/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.002281/200420 Acórdão n.º 220101.104 S2C2T1 Fl. 2 3 1. É de informarse que o manifestado não é contador e que para o preenchimento da declaração buscou junto a um escritório contábil, quando prestou as informações necessárias junto ao profissional do escritório especializado em declarações de imposto de renda. 2. Salientase ainda que a declaração de ajuste anual de pessoa física do manifestado, fora feita junto ao Escritório de Contabilidade "Planalto", sito a Rua Ponce de Arruda, 1.596, bairro centro, nesta cidade de RondonópolisMT, sendo o responsável pelo preenchimento da declaração ao técnico contábil Sr. Ruy Alberto Gueller, atualmente residindo na cidade de Constantina no Estado do Rio Grande do Sul, em contato com o mesmo, informou que a comprovação documental fora entregue a um funcionário desse órgão (Receita Federal) e que o mesmo morrera vítima de acidente. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal efetuou a glosa no valor de R$ 126.987,00 a título de despesas médicas declarados na DIRPF/2001 do recorrente. Ato continuo, procedeu a autoridade lançadora o agravamento da exigência, “... pelo não atendimento ao Termo de Início de Fiscalização...” (fl. 04). Contudo, nesta segunda instância, apresenta o contribuinte Recurso Voluntário, insurgindo, pelo que parece, apenas contra o agravamento da exigência (112% sobre o crédito tributário), alegando, em apertada síntese, que “... a declaração de ajuste anual de pessoa física do manifestado, fora feita junto ao Escritório de Contabilidade "Planalto" (...), sendo o responsável pelo preenchimento da declaração ao técnico contábil Sr. Ruy Alberto Gueller, atualmente residindo na cidade de Constantina no Estado do Rio Grande do Sul, em contato com o mesmo, informou que a comprovação documental fora entregue a um funcionário desse órgão (Receita Federal) e que o mesmo morrera vitima de acidente”. Pois bem, a autoridade fiscal agravou a exigência do crédito tributário lançado, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 que dispõe sobre o agravamento do crédito tributário lançado determina: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 75DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/07/2011 por EDUARDO TADEU FA RAH, 20/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º. Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. (grifei) De acordo com os autos, a autoridade fiscal intimou o contribuinte à apresentação documentos comprobatórios relativos à dedução do montante de R$ 126.987,00 declarados a título de despesas médicas em sua DIRPF/2001. Esta cientificação ocorreu no dia 10/03/2004. Posteriormente, em 18/03/2004, solicita o suplicante prorrogação de 30 dias de prazo para apresentação dos documentos solicitados. Contudo, passados três meses após o pedido de prorrogação e diante do silêncio do contribuinte, não teve a autoridade fiscal alternativa senão a lavratura do auto de infração com ciência do autuado em 02/07/2004. Portanto, a fiscalização lavrou a exigência sem que o contribuinte tivesse atendido à intimação inicial. Vêse, neste caso, que não há como afastar o agravamento da multa em 50% em razão desatendimento da intimação de fl. 23. Com efeito, o recorrente solicitou a dilatação do prazo para apresentar os documentos e, no entanto, desapareceu, incorrendo, de acordo com o art. artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em omissão passível de penalidade (... se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimento). Portanto, em que pese tenha informado o autuado que prestou as informações à Receita Federal, sem prova do cumprimento deste atendimento não há como afastar a multa agravada. Destarte, o comportamento omissivo do recorrente autoriza o agravamento da penalidade. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Fl. 76DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/07/2011 por EDUARDO TADEU FA RAH, 20/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.002281/200420 Acórdão n.º 220101.104 S2C2T1 Fl. 3 5 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do I. Conselheirorelator apenas quanto ao agravamento da multa de ofício. Entendeu o relator que o Contribuinte incorreu na situação definida em lei como suficiente ao agravamento da penalidade ao não ter atendido a intimação para comprovar valores declarados como dedução de despesas médicas. O Relator sustenta sua posição no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que reproduz em seu voto, segundo o qual cabe agravamento da multa no caso de falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos. Pela literalidade do dispositivo referido, de fato, o Contribuinte não respondeu à intimação. Porém, penso que o dispositivo deve ser interpretado de forma sistemática. Tratase no caso de intimação para comprovar valores lançados com dedução de despesas médicas e a conseqüência da não apresentação dos comprovantes foi a própria glosa da dedução, com a multa de ofício regulamentar. Neste caso, inclusive, o Contribuinte respondeu a uma primeira intimação na qual pediu prorrogação de prazo para obter os documentos solicitados, o que lhe foi concedido, de modo que, vencido este prazo, a autoridade lançadora já poderia ter procedido ao lançamento. Não precisaria esperar três meses. Penso, enfim, que o agravamento da multa se justifica apenas nos casos em que o Contribuinte, deliberadamente, se esquiva de prestar esclarecimentos, o que não é o caso de comprovar valores declarados, situação cuja conseqüência é a própria autuação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso apenas para desagravar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redatordesignado Fl. 77DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/07/2011 por EDUARDO TADEU FA RAH, 20/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004730/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E GPS. INEXISTÊNCIA DE
EFEITO CONFISCATÓRIO NO VALOR LANÇADO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2002, anteriores a 05/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do I, art. 173do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização. Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E GPS. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO NO VALOR LANÇADO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 195 1 194 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004730/200751 Recurso nº 260.199 Voluntário Acórdão nº 230101.900 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria Seguro de Acidentes do Trabalho SAT/GILRAT/ADICIONAL Recorrente LATICÍNIOS LJ LTDA Recorrida DRP EM BRASÍLIA DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E GPS. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO NO VALOR LANÇADO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2002, anteriores a 05/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou pela aplicação do I, art. 173do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização. Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre de Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10120.004730/200751 Acórdão n.º 230101.900 S2C3T1 Fl. 196 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa LATICÍNIOS J. L. LTDA em face do acórdão 0322.416 da 7ª Turma da DRJ de Brasília que julgou procedente o lançamento de débito relativo às contribuições à Seguridade Social, por parte da empresa, referentes às contribuições devidas a terceiros e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestaram serviço no período de 01/1999 a 07/2006. 2. Conforme narrado no relatório fiscal, constituem fatos geradores do lançamento “o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, apurados com base nas informações declaradas em GFIP pelo contribuinte”. (fls. 89/90) 3. Além disso, a peça introdutória também relata que “o débito consta na presente NFLD foi apurado por meio de fiscalização de fato gerador seletivo (cobrança de divergências GFIP X GPS), através da confrontação entre os valores declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (documentos informativo instituído pela Lei 8.212/91, em seu artigo 32, inciso IV e definidos pelo Decreto 3.048/99, em seu artigo 225, inciso IV) e os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa através da GPS – Guia da Previdência Social”. (fl. 89) 4. A decisão atacada restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. APURAÇÃO COM BASE EM GFIP. De acordo com o §1ª do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, a declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP constitui confissão de dívida. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte e havendo a indicação clara e precisa dos fatos geradores, a forma de apuração do crédito e os dispositivos legais que amparam o lançamento, informações essas que possibilitam ao impugnante o exercício do pleno direito de defesa. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas lançar o tributo, nos moldes da legislação que o instituiu. Lançamento Procedente.” (fls. 110/111) 5. Insatisfeito com o resultado do acórdão de primeira instância, o contribuinte, em suas razões recursais, aduziu, em síntese, o que segue: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso, tendo em vista que a notificação se deu no dia 1º de fevereiro de 2008, sendo que a contagem do prazo teve início no dia 07 de fevereiro de 2008, primeiro dia útil subsequente ao da ciência do lançamento, em razão do feriado de carnaval, e o recurso foi apresentado no dia 3 de março; b) a nulidade do feito por inobservância das normas procedimentais (Instrução Normativa SRP n.º 03/2005; Pareceres 1.800/99, 1.172/98 e 1.045/97), bem como ao cerceamento de defesa; c) a decadência de todos os períodos de competência anteriores a 03 de maio de 2002; d) no mérito, que a cobrança de contribuição se deu de forma confiscatória, tendo em vista que o valor do lançamento foi dado de forma ilegal e arbitrário, devendo ser revisto; e) por fim, requer a improcedência da notificação, afastandose não só o lançamento como também seus consectários legais, como a aplicação de juros e multas. 6. Em sede de contrarrazões o fisco se limitou a encaminhar o processo para a apreciação deste Conselho. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10120.004730/200751 Acórdão n.º 230101.900 S2C3T1 Fl. 197 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO 2. Muito embora o contribuinte alegue que o procedimento fiscal deva ser considerado nulo, devido à inobservância de normas procedimentais, quais sejam, a Instrução Normativa n.º 03, de 14 de julho de 2005; e os Pareceres 1.800/99; 1.172/98 e 1.045/97, tal assertiva não pode prosperar. 3. Isso porque, os Pareceres citados pelo contribuinte como tendo sido descumpridos pelo fisco, tratam da nulidade de crédito constituído em razão de vícios no Relatório Fiscal, e como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. 4. Urge salientar, ainda, que o lançamento fiscal está devidamente embasado, tendo em vista que os fatos geradores das contribuições, quais sejam, “o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, apurados com base nas informações declaradas em GFIP pelo contribuinte”, encontramse devidamente relacionadas no Relatório de Lançamento Fiscal. (fls. 89/91) 5. Também não há que se falar em cerceamento de defesa pelo descumprimento do que está disposto nos incisos e parágrafos do artigo 663, da IN n.º 3/2005, pois o artigo 588 da referida instrução, diz que a ciência do MPF ao sujeito passivo pode ser dada pessoalmente, por via postal ou por edital. E conforme consta no aviso de recebimento às fls. 92/93 o contribuinte tomou ciência do procedimento no dia 02 de maio de 2007. 6. Dessa forma, não há que se falar em nulidade no procedimento fiscalizatório. DA DECADÊNCIA 7. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência segundo o prazo quinquenal previsto nos termos do Código Tributário Nacional, conforme requerido pelo contribuinte. 8. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Fl. 154DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 9. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 10. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos Fl. 155DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10120.004730/200751 Acórdão n.º 230101.900 S2C3T1 Fl. 198 7 do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 11. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 12. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. 13. Compulsando os autos, depreendese do Relatório da Notificação às fls. 89/90, que houve recolhimento parcial, tendo em vista que o lançamento se deu devido à confrontação entre os valores declarados em GFIP e os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa através de GPS. E por esse motivo, tenho como certo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. 14. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 02/05/2007, referente às contribuições do período de 01/01/1999 a 31/07/2006, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/1999 a 04/2002, restando mantidas as competências 05/2002 a 07/2006. DO EFEITO CONFISCATÓRIO 15. Aduz, ainda, o contribuinte que a cobrança das contribuições possui, na verdade, efeito confiscatório. Porém, tal assertiva não merece prosperar. 16. Isso porque, consoante o relatório fiscal (fl. 90), a notificação se deu com base no artigo 32, § 2º, da Lei 8.212/91, cuja redação foi dada pela Lei 9.528/97, que dispõe que “as informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários”. 17. Assim, tendo o agente fiscalizador detectado divergência entre os valores declarados em GFIP e os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa através da GPS, encontrase amparado legalmente o lançamento do débito, tendo em vista que a empresa deixou de recolher contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos dos trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços no período fiscalizado. 18. É bem verdade que, excepcionalmente, o Poder Judiciário pode, atendendo às circunstâncias do caso concreto, reduzir a multa revestida de caráter excessivo imposta pela administração pública sempre que a sanção implicar em ofensa aos princípios da Fl. 156DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 razoabilidade e da proporcionalidade, ou mesmo configurar confisco. Entretanto, tal procedimento é reservado ao judiciário e não ao julgador administrativo. 19. Por fim, a questão já foi enfrentada por esta Egrégia Câmara, cujo entendimento firmado foi no sentido de que o princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. (Acórdão nº 20500035; 2º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara; data da sessão 10/10/207; de minha relatoria) CONCLUSÃO 20. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para retirar do lançamento fiscal as competências atingidas pela decadência no período de 01/1999 a 04/2002. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 157DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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