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Numero do processo: 12897.000193/2010-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÃO BRASIL-PAÍSES BAIXOS DESTINADA A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158 35/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre a Convenção Brasil-Holanda (Países Baixos) e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e da CSLL os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Lançamento procedente. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos. No mérito, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e, negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto (Relator), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Designando para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO - Relator (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9101­002.331  –  1ª Turma   Sessão de  04 de maio de 2016  Matéria  IRPJ e CSL. Tributação de lucros no exterior.  Recorrentes  PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS e FAZENDA NACIONAL              PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS e FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  LUCROS  OBTIDOS  POR  CONTROLADA  NO  EXTERIOR.  CONVENÇÃO  BRASIL­PAÍSES  BAIXOS  DESTINADA A  EVITAR  A DUPLA  TRIBUTAÇÃO  E  PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA.  ART.  74  DA  MP  Nº  2.158  35/2001.  NÃO  OFENSA.  Não  há  incompatibilidade  entre a Convenção Brasil­Holanda (Países Baixos) e a aplicação do art. 74 da  Medida Provisória nº 2.158­35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98  do CTN, por inexistência de conflito.  LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO.  Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa  jurídica (IRPJ) e da CSLL os lucros auferidos por controlada ou coligada no  exterior  são  considerados  disponibilizados  para  a  controladora no Brasil  na  data do balanço no qual tiverem sido apurados. Lançamento procedente.  Recurso Especial do Procurador Provido.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  Recurso  Especial  do  Contribuinte  e  Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos. No mérito,  foi  dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e, negado provimento ao Recurso  Especial  do Contribuinte  por  voto  de  qualidade,  vencidos  os Conselheiros  Luis  Flávio Neto  (Relator), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente  Convocado),  Nathália  Correia  Pompeu  e  Maria  Teresa  Martinez  Lopez.  Designando  para  redigir o voto vencedor, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 93 /2 01 0- 11 Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2   (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  LUÍS FLÁVIO NETO ­ Relator    (Assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Redator Designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  LUÍS  FLÁVIO  NETO,  ADRIANA  GOMES  REGO,  HELIO  EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado),  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  NATHALIA  CORREIA  POMPEU,  MARIA  TERESA  MARTINEZ  LOPEZ  e  CARLOS  ALBERTO FREITAS BARRETO.  Relatório  Tratam­se  de  recursos  especiais  interpostos  por  PETRÓLEO  BRASILEIRO S.A.  (doravante  “PETROBRÁS”,  “contribuinte”)  e  pela Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  (doravante  “PFN””),  em  face  do  acórdão  n.  1103­001.122  (doravante  “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 3a Turma Ordinária da 1a Câmara  desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”).  O  respectivo  auto  de  infração  e  imposição  de  multa  (doravante  “AIIM”)  exigiu, em relação ao ano­calendário de 2005 e 2006, IRPJ e CSLL incidentes sobre os lucros  auferidos por empresas domiciliadas na Holanda e controladas do contribuinte (PETROBRAS  NETHERLANDS  B.V.,  doravante  “PNBV”,  e  PETROBRAS  INTERNACIONAL  BRASPETRO BV,  doravante  “PIBBV”,  ambas  “controladas  holandesas”  ou  “controladas  no  exterior”),  bem  como  por  empresa  domiciliada  na  Argentina  e  coligada  à  recorrente  (COMPAÑIA MEGA S.A.). Ao valor do tributo ainda foram acrescidos juros de mora e multa  de ofício de 75%, bem como multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de  IRPJ e CSLL.  Ao  analisar  a  impugnação  administrativa  apresentada  pela  contribuinte,  a  DRJ, por meio do acórdão 12­32.496, julgou­a improcedente, mantendo integralmente o AIIM,  por  entender,  em  suma,  que  o  art.  74  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/01  autorizaria  a  tributação dos lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior.   Nesse  seguir,  foi  interposto  pelo  contribuinte  recurso  voluntário  e  houve,  ainda, recurso de ofício (fls. 2.423 e seg. do e­processo).  Ao julgar o caso, a Turma a quo, por maioria dos votos, rejeitou a preliminar  de nulidade arguida pela contribuinte (preterição do direito de defesa) e, por unanimidade dos  votos, determinou o sobrestamento do feito, nos termos da Portaria CARF nº 1/2012, tomando­ se em conta o reconhecimento de repercussão geral ao RE nº 611.586, de relatoria do Ministro  Joaquim Barbosa, em que se discutia justamente a (in)constitucionalidade do art. 74 da MP nº  2.158­35/01.  Em  04.04.2014,  foi  expedido  despacho  determinando  a  reinclusão  do  presente  processo  na  pauta  para  julgamento  em  razão  da  edição  da  Portaria  MF  nº  545/2013,  que  revogou os §§ 1º e 2º do art. 62­A do Anexo  II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o  então RICARF.   Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.513          3 A Turma a quo proferiu,  então,  o  acórdão  recorrido  que,  por  unanimidade,  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  e,  no mérito,  decidiu  (i)  cancelar  a  exigência  de  IRPJ,  em  relação  aos  lucros  das  controladas  na  Holanda,  com  fundamento  no  art.  7º  do  tratado  para  evitar  dupla  tributação  firmado  com  aquele  país;  (ii)  manter a exigência de CSLL em relação aos lucros das controladas na Holanda; (iii) cancelar a  exigência  de  IRPJ  e  CSLL  quanto  aos  lucros  da  coligada  Argentina,  por  aplicação  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  STF  na  ADI  2.588­DF;  (iv)  afastar  a  exigência  concomitante da multa isolada e da multa de ofício.  O acórdão a quo restou assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  IRPJ  LUCROS  DE  CONTROLADAS  NA  HOLANDA  DIVIDENDOS  FICTOS  LUCROS TRATADO ART. 10 OU ART. 7º   1 – A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não  se  pode  empregar  ficção  legal  para  alcançar materialidade  ou  se  antecipar  seu  aspecto  temporal  quando  a  Constituição  Federal  usa  essa  materialidade  na  definição  de  competência  tributária  dos  entes  políticos.  Ademais,  o  art.  10  do  Tratado  Brasil­Holanda  trata  dos  dividendos  pagos,  não  permitindo  que  se  considerem  como  dividendos  os  distribuídos  fictamente.  O  problema  da  qualificação  de  dividendos  é  resolvido  pelo  próprio  art.  10  do  Tratado  Brasil­ Holanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado.  2 – O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente  as  controladas  no  exterior  (entidade  transparente  ou  pass­through  entity):  considera  como  auferidos  pela  investidora  no  País  os  lucros  da  investida  no  exterior;  são  os  lucros  em  dissídio.  Isso  é  considerar  auferidos  os  lucros  no  exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior.  Não  é  o mesmo  que  ficção  legal:  é  parecença  com  a  consideração  do  lucro  de  grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado Brasil­Holanda é norma  de  bloqueio:  define  competência  exclusiva  para  tributação  dos  lucros  da  sociedade  residente  num Estado  contratante  a  este Estado.  Regra  específica  em  face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros  em  dissídio  seria  simplesmente  desconsiderar,  no  âmbito  de  tratado,  a  personalidade  jurídica  da  sociedade  residente  na  Holanda.  No  mesmo  sentido,  bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu  talante  do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para  frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com  o  IRPJ  dos  lucros  em  discussão,  pela  aplicação  do  art.  7º  do  Tratado  Brasil­ Holanda.  IRPJ, CSLL ­ LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA ­ ADI  2.588DF   No julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceu­ se  a  inconstitucionalidade  do  art.  74  da  MP  2.158/01  em  relação  a  lucros  de  coligadas  não  situadas  em  “paraíso  fiscal”.  Efeitos  do  julgamento  da  ADI  2.588DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no  País, desses lucros.  CSLL ­ LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA ­TRATADO  Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas  na Holanda.  MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA – MULTA PROPORCIONAL  Apenado  o  continente,  incabível  apenar  o  conteúdo.  Penalizar  pelo  todo  e  ao  mesmo  tempo  pela  parte  do  todo  seria  uma  contradição  de  termos  lógicos  e  axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa  Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de  50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anos­calendário.  A  PFN  apresentou  recurso  especial  (fls.  2.622  e  seg  do  e­processo)  pleiteando a reforma do julgado quanto à aplicabilidade do art. 7º do Tratado Brasil­Holanda.  Para  tanto,  arguiu  a  divergência  entre  o  acórdão  recorrido  e  o  acórdão  nº  1302.001.629,  proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma ordinária do CARF.   Em seu recurso especial, a PFN argumenta que o acórdão recorrido, embora  tenha  enfrentado  a  mesma  situação  que  o  acórdão  paradigma  (mesmo  contribuinte,  com  a  tributação  dos  lucros  auferidos  por  suas  controladas  na  Holanda,  em  anos  calendários  subsequentes),  deu­lhe  solução  totalmente  diversa.  Sustenta  que,  a  despeito  de  ambos  os  acórdãos  ratificarem  a  constitucionalidade  do  art.  74  da  MP  nº  2.158­35/01,  o  acórdão  recorrido  entendeu  pela  aplicação  do  art.  7º  do  acordo  Brasil­Países  Baixos,  enquanto  o  acórdão paradigma decidiu pelo afastamento da cláusula para aplicar o art. 74 da MP 2.158­35,  uma vez que a tributação nele prevista não incidiria sobre o lucro obtido pela empresa situada  no exterior, mas sobre os lucros obtidos pela empresa residente no Brasil, provenientes de fonte  situada no exterior.  Em 26/05/2015, foi proferido despacho de admissibilidade (fls. 2.656 e seg.  do e­processo), dando seguimento ao recurso especial interposto pela PFN.  Após  a  sua  regular  intimação,  a  contribuinte  apresentou  contrarrazões  ao  recurso especial interposto pela PFN (fls. 2.682 e seg. do e­processo), arguindo descompasso  deste com os tratados e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Como  fundamento de suas contrarrazões, a contribuinte sustenta, em apertada síntese, que:  ­ o enunciado constante do art. 25 da Lei nº 9.249/95, para o qual remete o  art.  74  da MP  nº  2.158­35/01,  alude,  expressamente,  à  adição  ao  lucro  da  pessoa  jurídica  brasileira  dos  próprios  lucros  auferidos  por  controladas  e  coligadas  no  exterior,  independente  de  serem  pagos  ou  creditados,  o  que  denota que o objeto da tributação consiste no lucro da própria controlada ou  coligada;  que  nesse  mesmo  sentido  dispõe  o  §7º  do  art.  1º  da  Instrução  Normativa nº 213/02;   ­ essa sistemática adotada pela legislação fiscal nacional fere frontalmente os  tratados internacionais e o princípio da boa­fé nas relações internacionais;  ­  a  Instrução  Normativa  nº  213/02  estabeleceu  tributação  em  clara  contradição  com  as  disposições  legais  que  determinam  o  caráter  não­ tributável  dos  resultados  de  equivalência  patrimonial  (art.  23,  parágrafo  único, do Decreto­lei nº 1.598/77);  ­ os AIIM lavrados em face da contribuinte recaem, na verdade, sobre lucros  da  controlada,  sobre  os  qual  não  se  detém  qualquer  disponibilidade,  seja  econômico ou jurídica, havendo, inclusive, o risco de tais valores jamais lhe  sejam transferidos em razão de prejuízo da controlada estrangeira incorridos  no exercício seguinte;  ­  a  sua  figura,  nesse  caso,  é  de  “responsável  tributário”,  com  o  fim  de  viabilizar  a  tributação  do  IRPJ  e  da CSLL  incidentes  sobre  o  lucro  de  sua  controlada estrangeira;  ­  os  comentários  da  OCDE  ao  art.  7º  dos  Tratados  para  evitar  dupla  tributação, apenas afirmam que as disposições do indigitado dispositivo não  limitam o direito do Estado Contratante de  tributar seus próprios  residentes  ao abrigo de normas CFC contidas em sua legislação interna;  Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.514          5 ­  a  ausência  de  um  elemento  “abusivo”  relacionado  com  o  território  de  domicílio  ou  com  a  natureza  do  rendimento  demonstra  que  a  lei  brasileira  não tem a natureza de uma lei “CFC”, como anotado pelo Ministro Joaquim  Barbosa, em seu voto no julgamento da ADI nº 2.558;  ­ a partir de 2003 a OCDE passou a considerar o art. 7º compatível com as  legislações CFC, tendo introduzido o parágrafo 10.1 aos comentários ao art.  7º  da  Convenção modelo  (renumerado  em  2008  para  §13  e  em  2010  para  §14);  ­  a  jurisprudência  administrativa  do  antigo Conselho  de Contribuintes  e  do  CARF corroboram com os argumentos por ela apresentados.  Por sua vez, o contribuinte também interpôs recurso especial (fls. 2.904 e seg.  do  e­processo),  arguindo que  o  acórdão a quo  atribuiu  à  legislação  interpretação  divergente  daquela adotada em duas outras decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF no que diz  respeito ao alcance do acordo Brasil­Países Baixos, que teria a CSLL em seu escopo.  Em sua peça recursal, o contribuinte argumenta, em síntese, que:  ­ o acórdão entendeu que a CSLL encontra­se fora do âmbito de aplicação do  acordo Brasil­Países  Baixos,  por  adotar  interpretação  literal  do  art.  2º,  que  faz uso da palavra “imposto”. De modo distinto e em consonância com a tese  por  ela  defendida,  os  acórdãos  paradigmas  são  precisos  ao  afirmar  que  os  tratados para evitar dupla  tributação devem ser aplicados à CSLL, uma vez  que esta contribuição tem natureza idêntica à do imposto de renda;  ­  haveria  equivoco na  interpretação do acórdão a quo a  respeito da palavra  “imposto”,  uma  vez  que  o  termo  empregado  na  versão  em  português  do  acordo Brasil­Países Baixos decorre de tradução imprecisa da palavra “tax”,  a  qual  corresponderia  mais  propriamente  a  “tributo”,  gênero  do  qual  as  contribuições, assim como os impostos, são espécies;  ­  os  tratados  de  bitributação  seriam  aplicáveis  aos  tributos  que  gravam  a  renda e/ou o capital,  independentemente de sua denominação, da pessoa de  Direito Público que é seu titular ou do método adotada à sua cobrança;  ­  a  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  nº  1.325.709­RJ  confirmaria os argumentos por ela suscitados.  Em  25.09.2015,  foi  proferido  despacho  de  admissibilidade  do  recurso  especial (fls. 2.953 e seg. do e­processo), dando­lhe integral seguimento.  Após  a  sua  regular  intimação,  a  PFN  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial (fls. 2.958 e seg. do e­processo), arguindo, em síntese, que:  ­  preliminarmente,  que  não  restaria  configurada  divergência  entre  os  acórdãos,  por ausência de  similitude  aos quadros  fáticos,  uma vez que o v.  acórdão  recorrido  diz  respeito  a  tratado  promulgado  posteriormente  à  instituição  da  CSLL  (Brasil­Países  Baixos),  enquanto  que  os  acórdãos  paradigmas  têm  por  objeto  tratados  anteriores  à  criação  da  CSLL  (Brasil­ Áustria e Brasil­Espanha);  ­  ao  contrário  do  que  sustentaria  o  contribuinte,  o  tratado  não  teria  como  escopo “tributos sobre a renda”, mas ao “imposto sobre a renda”;  ­  a CSLL não passou a  integrar o  rol  de  tributos objeto do Tratado Brasil­ Países  Baixos  de  forma  automática  quando  da  adoção  do  princípio  da  Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     6 tributação em base universal, o que dependeria de ato específico formalizado  pelos Estados contratantes.  Conclui­se, com isso, o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator  Conhecimento  Em seus respectivos recursos especiais, a PFN e o contribuinte apresentaram  analiticamente  argumentos  para  a  demonstração  da  referida  divergência  jurisprudencial,  cumprindo  com  o  que  requer  o  art.  67  do  RICARF.  Tanto  a  PFN,  no  que  diz  respeito  à  aplicabilidade do art. 7º do Tratado Brasil­Países Baixos, como o contribuinte, no que se refere  ao escopo do acordo para o alcance da CSLL, cumpriram com os requisitos para a interposição  de recurso especial a esta CSRF.   Nesse seguir, os despachos de admissibilidade (respectivamente às fls. 2.656  e 2.953 e  seg. do e­processo) analisaram adequadamente os  requisitos de admissibilidade de  ambos  os  recursos  especiais,  concluindo  corretamente  quanto  à  legitimidade  de  seus  conhecimentos de forma integral.  Mérito  A aplicabilidade do acordo Brasil­Países Baixos é incontroversa no presente  processo  administrativo.  A  questão  em  disputa  consiste  em  saber  qual  dos  dispositivos  do  acordo  Brasil­Países  Baixos  devem  ser  observados  e,  assim,  como  deve  ser  aplicada  a  legislação  CFC  brasileira  nos  termos  da  respectiva  norma  de  distribuição  de  competência  tributária acordada no aludido tratado.  Para que bem se delimite a matéria em análise, é necessário observar que os  tratados  de  dupla  tributação  são  vocacionados  a  cobrir  o  sistema  jurídico  de  dois  diferentes  Estados contratantes. As normas do acordo internacional se sobrepõem total ou parcialmente às  normas domésticas de incidência tributária, levando­as, nessa parcela de contato, à sombra (ou  melhor,  à  não  aplicação). As  normas  domésticas  de  incidência  tributária  que  permanecerem  iluminadas (isto é, sem as limitações do tratado de bitributação) serão aplicadas normalmente. 1  A análise para a aplicação dos acordos de bitributação pode exigir, portanto,  dois  estágios:  um  atinente  ao  Direito  doméstico  dos  Estados  contratantes  (hipóteses  de  incidência tributária estabelecidas pelas  legislações nacionais) e, outro, atinente ao respectivo  acordo  internacional  (norma que  irá se sobrepor à norma brasileira e delimitar a sua eficácia  desta). Esses dois estágios, nucleares para a solução do presente caso, estão bem delimitados  nos autos:  i)  Norma  brasileira  de  incidência  tributária:  nesse  estágio,  é  preciso  decidir se os rendimentos tributados pelo art. 25 da Lei n. 9.249/95 c/c a MP  n.  2.158­35/2001  devem  ser  qualificados  como  “lucros”  ou  como  “dividendos pagos”.  ii)  Norma  do  acordo  de  dupla  tributação:  nesse  estágio,  é  preciso  reconhecer a norma do acordo Brasil­Países Baixos que, por ser aplicável ao  caso,  irá  se  sobrepor  à norma brasileira e delimitar  a  sua eficácia. Entre os  dispositivos  que  devem  ser  analisados  no  acordo  Brasil­Países  Baixos,                                                              1 VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p. 31­32. “Illustratively expressed:  the treaty acts like a stencil that is placed over the pattern of domestic law and covers over certain parts”.   Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.515          7 destacam­se o art. 7o (“lucros de pessoas jurídicas”) e o art. 10 (“dividendos  pagos”).  Em geral, a doutrina do Direito tributário internacional há tempos admite ser  infrutífera a antiga disputa quanto à “melhor” ordem de análise desses estágios, pois em nada  prejudica  o  resultado  interpretativo.2  Neste  voto,  em  particular,  primeiro  será  analisada  a  legislação CFC brasileira  (tópico “1”) e, na sequência, o acordo Brasil­Países Baixos (tópico  “2”),  a  fim  de  verificar  se  restou  (ou  não)  reservado  ao  Brasil  competência  para  exercer  a  tributação levada a termo no AIIM sob julgamento (tópico “3”).  Contudo, antes de prosseguir com a análise, por força do que dispõe o art. 62  do RICARF, é preciso observar que ADI n. 2588, julgado pelo STF, não possui abrangência  sobre todos os pontos discutidos no presente processo administrativo 3, não vinculando ou  mesmo orientando esta CSRF para a solução do litígio.  Em 10.04.2013, o Plenário do STF prolatou decisão na ADI 2588, de forma a  declarar:  ­  A  inconstitucionalidade  do  art.  74  da  MP  n.  2.158­35/01  às  empresas  nacionais  coligadas  a  pessoas  jurídicas  sediadas  em  países  sem  tributação  favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”;   ­ A inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158­35/01,  de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros  apurados  até  31  de  dezembro  de  2001,  por  força  do  princípio  da  irretroatividade;  ­  A  constitucionalidade  do  art.  74  da  MP  n.  2.158­35/01  às  empresas  nacionais  controladoras  de  pessoas  jurídicas  sediadas  em  países  de  tributação  favorecida  ou  não,  ou  desprovidos  de  controles  societários  e  fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei).  A referida ADI seria decisiva para o presente julgamento caso a MP 2.158­ 35/01 houvesse sido declarada integralmente inconstitucional, o que obrigaria o cancelamento  do lançamento tributário sob análise. Contudo, a declaração de constitucionalidade em questão  em nada altera o julgamento do presente caso. Ocorre que, caso não houvesse nenhuma decisão  do  STF  confirmando  a  validade  da MP  2.158­35/01,  o  julgamento  conduzido  no  âmbito  do  CARF deveria adotar, de qualquer forma, a premissa de sua constitucionalidade (RICARF, art.  62).  É  de  extrema  importância  observar  que,  na  aludida  ADI,  em  momento  algum  o  STF  afirmou  que  a  aludida  tributação  brasileira  incidiria  sobre  dividendos  considerados  fictamente  pagos  pela  controlada  estrangeira.  A  propósito,  a  decisão  proferida  pelo  STF  não  tratou  da  hipótese  em  que  há  a  incidência  de  acordo  de  bitributação.  Nenhum  dos  dois  pontos,  nucleares  para  a  solução  do  presente  caso,  foram                                                              2 Vide, nesse sentido: LANG, Michael. Introduction to the law of double taxation conventions.  Vienna : Linde, 2013, p. 36 e  seg  (embora  o  professor  apresente  preferência  por  iniciar  pela  análise  do  Direito  doméstico);  SCHOUERI,  Luís  Eduardo.  Preços de transferência no direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2013, p. 414. (“Da autonomia dos momentos de  exame do direito interno e do acordo de bitributação decorre, de um lado, a possibilidade de se examinarem um acordo ou o  outro, sem qualquer ordem de preferência e, como corolário, a independência na aplicação de conceitos e categorias de direito  tributário.”).  3 Por essa ação  judicial, questionou­se,  sobretudo, a  incidência do IRPJ e da CSLL na data do balanço no qual  tiverem sido apurados, com base no argumento central de que a incidência deveria ocorrer apenas no momento em  que  há  a  efetiva  distribuição  dos  resultados,  pois  a  antecipação  do  critério  temporal  da  hipótese  de  incidência  desses  tributos  constituía  presunção  absoluta  da  disponibilidade  dos  resultados  auferidos  pelas  sociedades  controladas no exterior, a ferir o conceito constitucional de renda.  Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     8 abordados pela Suprema Corte, quais sejam: (i) a qualificação dos rendimentos tributados pela  MP 2.158­35/2001  como  “lucros”  ou  “dividendos  pagos”  e;  ii)  a  compreensão  da norma do  acordo de bitributação Brasil­Países Baixos,  necessária para que se  compreenda o que  irá  se  sobrepor à norma brasileira. Não há vestígios de tal assertiva em nenhum dos votos proferidos  pelos i. Ministros daquele e. Tribunal.  1. A legislação brasileira de tributação dos lucros de controladas e coligadas no exterior e  os rendimentos tributados no auto de infração.  Até janeiro de 1996, as empresas residentes no Brasil sofriam a incidência de  IRPJ  apenas  sobre  as  rendas  derivadas  de  fontes  nacionais  (princípio  da  territorialidade  formal).  Apenas  com  Lei  n.  9.249,  de  26.12.1995,  foi  introduzida  no  ordenamento  pátrio  a  regra  da  tributação  da  renda  em  bases  mundiais  (princípio  da  universalidade  ou  territorialidade material)4:    Art.  25.  Os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  serão  computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao  balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano.   § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na  apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte:  I ­ os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a  taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil;  II  ­ caso a moeda em que for auferido o  rendimento ou ganho de capital não  tiver  cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte­americanos e, em seguida,  em Reais;  § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas  jurídicas domiciliadas no Brasil  serão computados na apuração do  lucro real com  observância do seguinte:  I ­ as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que  auferirem em cada um de seus exercícios  fiscais, segundo as normas da  legislação  brasileira;  II ­ os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz  ou  controladora,  na  proporção  de  sua  participação  acionária,  para  apuração  do  lucro real;  III ­ se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu  lucro  líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do  balanço de encerramento;  IV ­ as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem  as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art.  173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.  § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas  no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte:  I  ­  os  lucros  realizados  pela  coligada  serão  adicionados  ao  lucro  líquido,  na  proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada;  II  ­  os  lucros  a  serem  computados  na  apuração  do  lucro  real  são  os  apurados  no  balanço  ou  balanços  levantados  pela coligada no  curso  do  período­base  da  pessoa  jurídica;  III ­ se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu  lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada  apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento  da pessoa jurídica;  IV  ­  a  pessoa  jurídica  deverá  conservar  em  seu  poder  cópia  das  demonstrações  financeiras da coligada.                                                              4  Sobre  tal  concepção  de  territorialidade  formal  e  material,  vide:  TIPKE,  Klaus;  LANG,  Joachim.  Direito  tributário  (Steuerrecht). Volume  1. Tradução  da  18a  edição  alemã,  totalmente  refeita,  de Luíz Dória  Furquim.  Porto Alegre  :  Sergio  Antonio Fabris Editor, 2008, p. 103­104; SCHOUERI, Luís Eduardo. Tratados e Convenções Internacionais sobre Tributação,  in  Revista de Direito Tributário Atual n. 17. São Paulo : IBDT/Dialética, 2003, p. 20­50.  Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.516          9 § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa  de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido  apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada.  §  5º  Os  prejuízos  e  perdas  decorrentes  das  operações  referidas  neste  artigo  não  serão compensados com lucros auferidos no Brasil.  §  6º  Os  resultados  da  avaliação  dos  investimentos  no  exterior,  pelo  método  da  equivalência  patrimonial,  continuarão  a  ter  o  tratamento  previsto  na  legislação  vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º.  Em 27.06.1996, foi publicada a IN/SRF n. 38 que, entre outras coisas, tratou  do critério  temporal dessa  tributação, ao dispor que os  lucros de coligadas ou controladas no  exterior seriam  tributadas no momento de  sua  transferência via pagamento, crédito,  remessa,  entrega ou emprego. Em 10.12.1997, foi publicada a Lei n. 9.532/97 que, em seu art. 1o, § 1º,  “b”, elegeu esse mesmo critério temporal para a incidência do tributo:    Art.  1º  Os  lucros  auferidos  no  exterior,  por  intermédio  de  filiais,  sucursais,  controladas ou  coligadas serão adicionados ao  lucro  líquido, para determinação  do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano­ calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada  no Brasil.   §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  os  lucros  serão  considerados  disponibilizados para a empresa no Brasil:  (…)  b) no  caso  de  controlada ou  coligada,  na  data  do  pagamento  ou do  crédito  em  conta representativa de obrigação da empresa no exterior.  Em 29.06.1999, com o advento da MP n. 1.858­6, os  lucros auferidos pelas  sociedades brasileiras por meio de  suas controladas ou coligadas estrangeiras passaram a  ser  tributadas também pela CSLL:    Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam­ se  à  incidência  da  CSLL,  observadas  as  normas  de  tributação  universal  de  que  tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17  da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997.  Em  10.01.2001,  a  Lei  Complementar  n.  104  alterou  o  art.  43  do  CTN,  introduzindo os parágrafos 1º e 2º :    Art.  43.  O  imposto,  de  competência  da  União,  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica  ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação  de ambos;  II ­ de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais  não compreendidos no inciso anterior.  §  1.  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem  e da forma de percepção.   § 2. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá  as  condições  e  o  momento  em  que  se  dará  sua  disponibilidade,  para  fins  de  incidência do imposto referido neste artigo.   Em  24.08.2001,  foi  editada  a Medida  Provisória  nº  2.158­35,  cujo  art.  74  alterou o critério temporal da hipótese de incidência do IRPJ e da CSL previsto no art. 25 da  Lei n. 9.249/95:  Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     10 Art.  74.  Para  fim  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  da  CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art.  21  desta Medida  Provisória,  os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada  no  exterior  serão considerados disponibilizados para a  controladora ou coligada no  Brasil  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados,  na  forma  do  regulamento.   Parágrafo único. Os  lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até  31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro  de  2002,  salvo  se  ocorrida,  antes  desta  data,  qualquer  das  hipóteses  de  disponibilização previstas na legislação em vigor.  Por meio da IN n. 213, de 07.10.2002, a Secretaria da Receita Federal dispôs  sobre a aplicação da legislação CFC a partir desse novo marco jurídico estabelecido pela MP n.  2.158­35/2001. Destaca­se o seu art. 1o:  Art.  1º  Os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil,  estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido  (CSLL),  na  forma  da  legislação  específica,  observadas  as  disposições  desta  Instrução Normativa.  §  1º Os  lucros  referidos  neste  artigo  são  os  apurados  por  filiais  e  sucursais  da  pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias,  inclusive em controladas e coligadas.  § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos  no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil.  §  3º  A  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil  que  auferir  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  oriundos  do  exterior,  objeto  das  normas  desta  Instrução  Normativa, está obrigada ao regime de tributação com base no lucro real.  § 4º Os  lucros  de que  trata  este artigo  serão adicionados ao  lucro  líquido, para  determinação do  lucro  real  e da base de cálculo da CSLL da pessoa  jurídica no  Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente  à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada.  §  5º  Para  efeito  de  tributação  no  Brasil,  os  lucros  serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  de  forma  individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação  dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país,  sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do  art. 4º desta Instrução Normativa.  §  6º Os  resultados  auferidos  por  intermédio  de  outra  pessoa  jurídica,  na  qual  a  filial,  sucursal,  controlada  ou  coligada,  no  exterior,  mantenha  qualquer  tipo  de  participação  societária,  ainda  que  indiretamente,  serão  consolidados  no  balanço  da  filial,  sucursal,  controlada  ou  coligada  para  efeito  de  determinação  do  lucro  real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil.  § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem  computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão  considerados  pelos  seus  valores  antes  de  descontado  o  tributo  pago  no  país  de  origem.  §  8º  Os  rendimentos  e  os  ganhos  de  capital,  decorrentes  de  aplicações  ou  operações  efetuadas  no  exterior,  integrarão  os  resultados  da  pessoa  jurídica  domiciliada no Brasil, e as perdas reconhecidas nesses resultados são indedutíveis  e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da  CSLL.  No caso dos autos, o período de apuração corresponde a 2005 e 2006, quando  vigorava, portanto, o art. 25 da Lei n. 9.249/05, o art. 74 da MP n. 2.158­35/2001 e, ainda, as  disposições da IN n. 213/2002. Nesse ambiente normativo:  Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.517          11 ­  haveria a incidência de IRPJ e CSL sobre os “lucros auferidos por filiais,  sucursais ou controladas, no exterior” (§ 2º, art. 25, Lei n. 9.249/05, art. 19 da  MP n. 1858­6/99);  ­  o critério temporal da incidência desses tributos seria a “data do balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados”  “os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada no exterior” (MP 2.158­35/2001);  ­  a  administração  fazendária,  por  meio  de  norma  que  vinculou  os  seus  agentes fiscais, dispôs, entre outras coisas, que o critério material da hipótese  de  incidência  tributária  seria  o  auferimento  de  “lucros”  por  “controladas  e  coligadas”,  considerados  pelos  seus  valores  antes  de  descontado  o  tributo  pago no país de origem (IN 213/02, art. 1o, §§ 1º e 7º).   Note­se  que,  embora  não  esteja  mais  em  vigor  a  antiga  sistemática  da  “tributação  cedular”,  ainda  hoje  o  imposto  de  renda  leva  em  consideração  categorias  de  rendimentos,  para  as  quais  a  legislação  atribui  tratamentos  diversificado  quanto  ao  IRPJ  e  à  CSL.  “Lucro”  e  “dividendo”,  por  exemplo,  são  categorias  de  rendimentos  para  as  quais  a  legislação atribui consequências diversas.   Com  base  nessa  legislação  adotada  para  a  lavratura  do  auto  de  infração,  a  base de  cálculo do  tributo exigido no presente processo administrativo deve corresponder ao  “lucro” obtido por sua empresa controlada no exterior. No art. 25, Lei n. 9.249/05, bem como  no art. 19 da MP n. 1858­6/99, a categoria selecionada pelo legislador para o exercício de sua  competência  tributária  foi  o  “lucro”,  o  que  representou  a  escolha  por  uma  base  tributável  substancialmente  maior  do  que  aquela  que  seria  possível  caso  houvesse  optado  por  outras  categorias, como a dos “dividendos”.   A representação gráfica abaixo ilustra como são díspares as bases de cálculo  próprias dos “lucros das empresas” e dos “dividendos”:  Lucro  Lucro   após   o IR  IR  Dividendo  após o IR  IR  Auferimento do  lucro  Tributação do  lucro  Distribuição  tributada dos  dividendos    No  caso,  a  base  tributável  própria  à  categoria  lucros  auferidos  por  controlada no exterior é necessariamente superior àquela que corresponderia à categoria  dividendos pagos por controlada no exterior, o que representa significativa distinção entre  elas.  A  legislação  CFC  brasileira  torna  relevante  o  fato  “auferimento  do  lucro”  pela controlada no exterior, na data do encerramento do balanço. O “lucro” em questão, antes  de qualquer tributação no outro Estado (no caso, na Holanda), deverá ser adicionados na base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSL  (IN  213/02,  art.  1o,  §§  1º  e  7º).  Conforme  a  sistemática  de  tributação brasileira, o imposto pago no outro Estado contratante (no caso, na Holanda), apenas  terá relevância em momento posterior, podendo ser utilizado como crédito para o pagamento  do tributo brasileiro.  Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     12 É  preciso  também observar  que  em momento  algum  a  lei  brasileira  tributa  dividendos fictos, como parece crer o acórdão a quo. Sequer consta o termo “dividendos” no  texto legal ou, ainda, há sinais de uma clara decisão do legislador para estabelecer uma ficção  desse jaez.  Note­se  que  MISABEL  DERZI  e  SACHA  CALMON  NAVARRO  COELHO  5,  alinhando­se  à  doutrina  tradicional,  repudiam  a  possibilidade  da  adoção  de  ficção  quanto  à  prática do fato gerador do tributo, in verbis:    “Diga­se desde logo que os fatos geradores dos tributos são fatos reais que ocorrem  ou  não  no  mundo  fenomênico,  aos  quais  o  Direito  empresta  efeitos  jurígenos,  geradores de obrigações tributárias.  (...)  A  cinco,  pretende  tributar  por  ficção,  retroativamente,  parcela  significativa  dos  contribuintes do imposto de renda. O suposto básico da disponibilização tributável  (afastem­se, por ora, disponibilidade jurídica e disponibilidade econômica) tem uma  contrapartida  assaz  desprezada:  a  redução  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica  que  promove a disponibilização.”    Caso  o  legislador  houvesse  prescrito  uma  expressamente  uma  ficção  dessa  natureza, certamente não poderíamos nós, julgadores administrativos, afastar a aludida norma,  tendo  em  vista  ser  competência  privativa  do  Poder  Judiciário  a  decretação  de  inconstitucionalidades (Súmula n. 1 do CARF).  No  entanto,  na  ausência  de  previsão  expressa  quanto  à  aludida  ficção,  também  não  deve  o  julgador  administrativo  presumir  que  o  legislador  tenha  agido  de  tal  maneira  que  culminaria  justamente  com  a  invalidade  da  norma,  especialmente  quando  a  lei  utilizar expressões bastante claras para expressar que a tributação incidiria diretamente sobre a  categoria de rendimentos “lucros de pessoas jurídicas” e não sobre supostos dividendos fictos.  Diante de duas interpretações propostas, deve o aplicador do Direito optar por aquela que não  culmine na invalidade da norma construída.  2. O acordo de bitributação Brasil­Países Baixos.  Em  termos  gerais,  o  compromisso  assumido  por  Estados  que  celebram  acordos  conforme  a  “Convenção modelo  de  acordos  de  bitributação  da  Organização  para  a  Cooperação e Desenvolvimento Econômico” (doravante “CM­OCDE”) pode ser reduzido a  três  aspectos  fundamentais:  i)  cada  Estado  permanece  legitimado  à  tributação  da  renda  derivada de atividades desenvolvidas em seu território; ii) cada Estado permanece legitimado à  tributação da renda de seus residentes; iii) diante da possibilidade de cumulação dos dois itens  antecedentes, cabe ao Estado da fonte restringir a tributação em algumas hipóteses, bem como  deverá o Estado da residência isentar rendimentos ou conceder crédito em relação ao imposto  pago àquele primeiro, nas hipóteses em que também lhe couber a tributação.  Tal  como  concebida,  a  estrutura  da  CM­OCDE  privilegia  o  Estado  da  residência, importador de capitais: (i) a renda do trabalho ou de serviços pode ser tributado no  Estado em que estes são executados; (ii) a renda passiva, como juros e dividendos, podem ser  tributados  pelo  Estado  da  fonte  até  um  determinado  limite;  (iii)  o  lucro  das  atividades  empresariais  serão  tributadas  no  Estado  da  residência,  salvo  no  que  se  refere  aos  lucros  atribuíveis a um estabelecimento permanente no Estado da fonte. 6                                                              5   COÊLHO, Sacha Calmon Navarro; DERZI, Misabel Abreu Machado. Tributação  pelo  IRPJ  e pela CSLL  de  lucros auferidos por empresas controladas ou coligadas no exterior ­  inconstitucionalidade do art. 74 da Medida  Provisória nº 2.158­35/01. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo: Dialética, n.130, p. 135­149, 2006,  p. 138­142.  6 VASCONCELLOS, Roberto França. Aspectos Econômicos dos Tratados Internacionais em Matéria Tributária,  in Revista de Direito Tributário Internacional n. 1. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 155­156.  Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.518          13 No coração dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil, nos moldes da  CM­OCDE,  consta  a  regra  de  que  os  lucros  de  empresas  são  tributáveis  exclusivamente  no  Estado de residência da pessoa jurídica que os aufere. É o que se dá com a regra de distribuição  de competência para a tributação dos “lucros das empresas”, prevista no tratado Brasil­Países  Baixos, em seu art. 7o:  ARTIGO 7O – LUCROS DAS EMPRESAS  1. Os  lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse  Estado;  a  não  ser  que  a  empresa  exerça  sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante,  por  meio  de  um  estabelecimento  permanente  ali  situado.  Se  a  empresa  exerce  suas  atividades  na  forma  indicada,  seus  lucros  podem  ser  tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis  àquele estabelecimento permanente.  2.  Ressalvado  o  disposto  no  parágrafo  3,  quando  uma  empresa  de  um  Estado  Contratante  exercer  sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante  por  meio  de  um  estabelecimento  permanente  ali  situado,  serão  atribuídos,  a  esse  estabelecimento  permanente,  em  cada  Estado  Contratante,  os  lucros  que  obteria  se  fosse  uma  empresa  distinta  e  separada,  exercendo  atividades  iguais  ou  similares,  sob  condições iguais ou similares e transacionando com absoluta independência com a  empresa da qual é estabelecimento permanente.  3.  Na  determinação  dos  lucros  de  um  estabelecimento  permanente,  é  permitido  deduzir as despesas  incorridas para a  consecução dos  seus objetivos,  inclusive as  despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados.  4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato  de comprar bens ou mercadorias para a empresa.  5.  Quando  os  lucros  compreenderem  elementos  de  rendimentos  disciplinados  separadamente em outros artigos desta Convenção, o disposto em tais artigos não é  prejudicado pelo que dispõe este Artigo.  Tendo em vista a excepcionalidade da tributação dos rendimentos atribuíveis  a  estabelecimento  localizado  no  Estado  da  fonte,  torna­se  relevante  também  observar  o  disposto no art. 5 (8) do acordo Brasil­Países Baixos, que assim dispõe:     ARTIGO 5O – Estabelecimento Permanente  (...)  8. O fato de uma sociedade residente de num Estado Contratante controlar ou ser  controlada  por  sociedade  residente  no  outro Estado Contratante,  ou  exercer  suas  atividades naquele outro Estado (quer por meio de um estabelecimento permanente,  ou  por  outro  modo),  não  será,  por  si  só,  bastante  para  fazer  de  uma  dessas  sociedades estabelecimento permanente da outra.  Por sua vez, os acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil geralmente  preveem  que  rendimentos  como  dividendos  possam  ser  tributados  pelo  Estado  da  fonte,  à  alíquota máxima de 15%, restando ao Estado de residência exigir apenas o percentual previsto  em sua legislação doméstica que exceder tal montante.  É o que se dá no art. 10O da Convenção Brasil­Países Baixos, nos seguintes  termos:   ARTIGO 10 – DIVIDENDOS  1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a  um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado.  2. Todavia,  esses dividendos podem  também ser  tributados no Estado Contratante  onde reside a sociedade que os paga, e nos  termos da lei desse Estado; mas, se a  pessoa  que  os  receber  for  o  beneficiário  efetivo  dos  dividendos,  o  imposto  assim  incidente  não  poderá  exceder  15%  (quinze  por  cento)  do  montante  bruto  dos  dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no  que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos.  Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     14 3.  O  termo  "dividendos",  empregado  no  presente  artigo,  designa  os  rendimentos  provenientes  de  ações  ou  direitos  de  fruição;  ações  de  empresas  mineradoras;  partes  de  fundador  ou outros  direitos  de  participação  em  lucros,  com  exceção de  créditos,  bem  como  rendimentos  de  outras  participações  de  capital  assemelhados  aos  rendimentos  de  ações  pela  legislação  tributária  do  Estado  em  que  reside  a  sociedade que realiza a distribuição.  4. Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em  um  Estado  Contratante,  realiza  negócios  no  outro  Estado  Contratante  em  que  reside  a  sociedade que paga os dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente ali situado,  e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao  estabelecimento permanente. Nesse caso aplica­se o disposto no Artigo 7.  5. Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no  outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto  retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Todavia, tal  imposto não excederá  15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado  após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros.  6. Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos  do  outro  Estado  Contratante,  esse  outro  Estado  Contratante  não  poderá  cobrar  qualquer  imposto  sobre  os  dividendos  pagos  pela  sociedade,  exceto  se  tais  dividendos  forem pagos a  residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos,  relacionar­se efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem  poderá  sujeitar  os  lucros  não  distribuídos  da  sociedade  a  imposto  sobre  lucros  não  distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total  ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado.  7.  As  limitações  de  alíquota  do  imposto  previstas  nos  parágrafos  2  e  5  não  se  aplicam aos  dividendos  ou  lucros  pagos  antes  do  final  do  primeiro  ano  calendário  seguinte  ao  ano  de  assinatura desta Convenção.  O acordo Brasil­Países Baixos estabelece, então, que os dividendos pagos por empresa  holandesa (Estado da fonte) a residente no Brasil podem ser tributados, pelos Países Baixos, à alíquota  máxima de 15%,  restando ao Brasil  (Estado de  residência)  exigir apenas o percentual previsto em sua  legislação doméstica que exceder tal montante, pela concessão de crédito do imposto pago no exterior.  3.  A  aplicação  do  acordo  Brasil­Países  Baixos  e  a  incompetência  do  Brasil  para  exercer  a  tributação levada a termo no AIIM sob julgamento.  A  interpretação  e  aplicação  dos  acordos  de  dupla  tributação  demanda  atenção  para  algumas peculiaridades, em especial:   ­ Primeiro, quando um acordo de dupla tributação consignar expressamente a definição  de um termo nele utilizado, esse sentido acordado por ambos os Estados contratantes  deverá – para fins de aplicação da referida convenção – ser adotado independentemente  dos  conceitos  e  categorias  do  Direito  interno  de  seus  respectivos  sistemas  jurídicos  domésticos.  Essa  é  a  norma  prescrita  pelo  art.  3  (1)  da  generalidade  dos  acordos  de  dupla tributação celebrados pelo Brasil, à semelhança da CM­OCDE. Referida norma  consta expressamente no art. 3 (1) do acordo Brasil­Países Baixos.   ­  Segundo,  quando  o  acordo  de  bitributação  não  definir  expressamente  um  termo  utilizado  em  seu  texto,  deverá  ser  verificado  se  há  evidências  em  seu  “contexto”  (intrínseco  e  extrínseco)  quanto  aos  sentidos  consentidos  pelos  Estados  e,  subsidiariamente,  também  será  possível  o  recurso  ao Direito  doméstico  dos  Estados  contratantes. Essa é  a norma prescrita pelo  art.  3  (2) da generalidade dos  acordos de  dupla  tributação  celebrados  pelo  Brasil,  à  semelhança  da  CM­OCDE,  a  qual  consta  expressamente no acordo Brasil­Países Baixos.  ­  Terceiro,  na  interpretação  dos  acordos  de  bitributação,  inclusive  na  seleção  de  evidências sobre o sentido de um termo não definido pelo acordo internacional, devem  ser  respeitadas  as  normas  prescritas  pela Convenção  de Viena  sobre  o Direito  dos  Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.519          15 Tratados (Decreto n. 7.030, de 14.12.2009, doravante “CVDT”). Não se trata se trata  a CVDT de mera recomendação, mas de norma cuja observância é mandatória.  ­  Quarto,  inclusive  diante  das  normas  da  CVDT,  os  sentidos  mutuamente  atribuídos  pelos  Estados  contratantes  aos  termos  de  um  acordo  de  bitributação  não  podem  ser  desvirtuados  ou  alterados  unilateralmente pelas  partes.  No  presente  caso,  em  que  são  relevantes  especialmente  as  normas  de  distribuição de competências dos arts. 7o (“lucros de empresas”) e 10o (“dividendos pagos”) do  acordo Brasil­Países Baixos, faz­se necessário verificar quais de seus termos foram definidos  no respectivo texto do tratado e, ainda, quais não o foram.  O art.  10  (3),  do  acordo Brasil­Países Baixos,  define  o  termo  “dividendos”  como  “rendimentos  provenientes  de  ações  ou  direitos  de  fruição;  ações  de  empresas  mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de  créditos,  bem  como  rendimentos  de  outras  participações  de  capital  assemelhados  aos  rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza  a distribuição”.  O  dispositivo  segue  a  tradição  dos  acordos  de  bitributação  celebrados  pelo  Brasil. O sentido de “dividendos” estabelecido nesses tratados internacionais geralmente é mais  amplo que no Direito doméstico brasileiro, de forma a abranger aquilo que em nossa legislação  interna  possui  sentidos  diversos,  como  rendimentos  de  “partes  beneficiárias”  (Lei  6.404/76,  arts. 46 a 51) e distribuição lucros em razão de debêntures (Lei 6.404/76, arts. 52 a 74).7 Para  fins  de  aplicação  do  acordo  internacional,  devem  ser  adotados  esses  conceitos mais  amplos,  expressos em seu texto.   Embora o termo “dividendos” esteja definido expressamente no art. 10 (3) do  acordo Brasil­Países Baixos, o  seu complemento “pagos” está entre os  termos não definidos  em seu texto, de forma que deve ser interpretado conforme o seu “contexto” e, caso este não  forneça  um  sentido  plausível,  uma  definição  razoável  deverá  ser  investigada  no  Direito  doméstico  dos  Estados  contratantes.  O  art.  3  (2)  do  tratado  internacional  em  questão  assim  estabelece:  2.  Para  a  aplicação  desta  Convenção  por  um  Estado  Contratante,  qualquer  expressão que nela não esteja definida terá o significado que lhe é atribuído  pela legislação desse Estado, relativamente aos impostos aos quais se aplica a  Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diversa.  Prevê  o  acordo  Brasil­Países  Baixos,  então,  nosso  dever  de  investigar  um  sentido ao termo “pagos” (ou, em última análise, à expressão “dividendos pagos”), no contexto  do próprio acordo internacional. Apenas se esse “contexto” não prover um sentido plausível ao  termo do acordo, este deverá ser investigado no Direito doméstico.   Repita­se que o julgador administrativo – assim como qualquer aplicador do  Direito tributário internacional – tem o dever de se valer de evidências presentes no “contexto”  dos  tratados  de  bitributação  para  a  interpretação  de  seus  termos.  Não  se  trata  de  atitude  discricionária, mas de medida essencial para que o acordo bilateral seja coerentemente aplicado  por  ambos  os  Estados  contratantes,  em  conformidade  com  a CVDT  e  as  demais  normas  do  Direito internacional.                                                              7 Vide, nesse sentido: CASELLA, Paulo Borba. Direito  internacional  tributário brasileiro. São Paulo : LTR, 1995, p. 36­40;  XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 588 e seg.  Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     16 Para levar a termo essa interpretação conforme o “contexto” dos acordos de  bitributação, ao menos três fontes provedoras de evidências quanto aos sentido de seus termos  devem ser consultadas.  ­ contexto intrínseco: deve ser investigado o texto do acordo de bitributação,  seu preâmbulo e anexos, documentos elaborados em conexão com o tratado,  protocolos e acordos posteriores celebrados pelos Estados contratantes. Para  tanto, podem ser adotadas expedientes tais como métodos de análise sintática  e  semântica,  a  interpretação  do  texto  do  acordo  como  um  todo,  testes  comparativos  da  função  e  do  sentido  dos  termos  no  acordo  de  dupla  tributação  como  um  todo,  a  identificação  dos  objetivos  e  propósitos  do  acordo a partir de detalhes de cada uma de suas partes;   ­  contexto  extrínseco  primário:  deve  ser  investigada  a  existência  de  procedimentos  amigáveis,  dos  chamados  parallel  treaties  e,  ainda,  de  práticas  adotas pelos Estados por meio de  suas autoridades administrativas,  judiciárias e legislativas;  ­  contexto  extrínseco  secundário:  deve  ser  investigada  a  existência  de  decisões  de  Cortes  nacionais  de  terceiros  Estados,  doutrina  dos  publicistas  mais qualificados das diferentes Nações, Convenção Modelo da OCDE e os  seus respectivos Comentários, trabalhos preparatórios, atos unilaterais quanto  à intenção dos Estados contratantes e circunstâncias relacionadas à conclusão  da convenção fiscal.  No presente caso, há evidências presentes tanto no contexto intrínseco quanto  no  contexto  extrínseco  primário  e  secundário  do  acordo  Brasil­Países  Baixos,  as  quais  fornecem um claro e plausível sentido ao termo “pagos” (ou mesmo à expressão “dividendos  pagos”)   3.1.  O  contexto  intrínseco  e  o  sentido  do  termo  “pagos”  (ou  mesmo  da  expressão  “dividendos pagos”)  O  contexto  intrínseco  compreende  o  próprio  signo  linguístico  sob  interpretação ou outros presentes no texto do tratado, no preâmbulo, nos anexos, bem como em  qualquer acordo ou instrumento celebrado pelas partes relativos ao tratado ou em conexão com  a sua conclusão. A sua investigação, além de instintiva, decorre de prescrição expressa no art.  31 (1) e (2) da CVDT.  A análise gramatical do trecho do art. 10 (1) do acordo Brasil­Países Baixos,  na  oração  “Os  dividendos  pagos  por  uma  sociedade  (...)”,  evidencia  o  emprego  do  sujeito  paciente  (da  passiva)  “dividendos”  acompanhado  do  particípio  “pago”.  Importante  ressaltar  que o particípio consiste em uma  forma nominal do verbo que expressa o  resultado do “fato  verbal”,  isto  é,  indica  uma ação  já  realizada,  já  finalizada,  sobre  o  objeto  da  oração  que  ele  qualifica, in casu, “os dividendos”.  O  termo  “pago”,  assim,  atua  como  um  reforço  incisivo  para  delimitar  a  aplicação do dispositivo àquelas situação em que o rendimento por ele tutelado (“dividendos”)  tenham sido efetivamente “pagos”.  Sob a perspectiva sintática, o termo “dividendo”, empregado na cláusula sob  exame,  encontra­se  qualificado  como  “pago”,  o  que  impõe,  necessariamente,  que  esta  ação  (pagar) já tenha sido concretizada (pela “sociedade”, agente da passiva na oração).  A CVDT também determina que se  investigue se e como o  termo “pago” é  empregado  em outras  passagens  do  acordo Brasil­Países Baixos. Assim,  por por  exemplo,  é  importante observar o seu emprego nas seguintes passagens:    Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.520          17 Art. 10 (2). (...) O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade,  no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos.”;  Art. 10 (4) “(...) e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se  relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente.”  Art.  10  (6):  “Quando uma  sociedade  residente  em um Estado Contratante  recebe  lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante  não  poderá  cobrar  qualquer  imposto  sobre  os  dividendos  pagos  pela  sociedade,  exceto  se  tais  dividendos  forem  pagos  a  residente  desse  outro  Estado,  ou  se  a  participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionar­se efetivamente  a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar  os  lucros  não  distribuídos  da  sociedade  a  imposto  sobre  lucros  não  distribuídos,  ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou  parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado.”  Art. 10 (7): “(...)As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5  não  se  aplicam  aos  dividendos  ou  lucros  pagos  antes  do  final  do  primeiro  ano  calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção.”  Art.  11  (1):  “Os  juros  provenientes  de  um  Estado  Contratante  e  pagos  a  um  residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado.”  Art. 11 (3): “Não obstante o que dispõem os parágrafos 1 e 2, os juros provenientes  de um Estado Contratante e pagos ao Governo do outro Estado Contratante (...)”  Art. 11 (5): "(...) e se a dívida, em virtude da qual os juros são pagos, se relacionar  efetivamente  ao  estabelecimento  permanente.  Nesse  caso,  aplica­se  o  disposto  no  Artigo 7.”  Art.  11  (6):  “A  limitação  de  alíquota  do  imposto  prevista  no  parágrafo  2  não  se  aplica aos  juros provenientes de um Estado Contratante,  pagos a  estabelecimento  permanente de empresa do outro Estado Contratante, situado em terceiro Estado.”  Art. 11 (7): Consideram­se provenientes de um Estado Contratante os  juros pagos  por esse próprio Estado, uma sua subdivisão política, uma autoridade local ou um  residente  desse Estado.  Todavia,  se  o  devedor  dos  juros,  residente  em um Estado  Contratante ou não, tiver num Estado Contratante estabelecimento permanente pelo  qual  tenha sido contraída a obrigação que dá origem aos juros, e estes são pagos  por  esse  estabelecimento  permanente,  tais  juros  consideram­se  provenientes  do  Estado em que o estabelecimento permanente estiver situado.”  Art. 11 (8): “Se, em conseqüência de relações especiais existentes entre o devedor e  o beneficiário efetivo, ou entre ambos e  terceiros, o montante dos  juros,  tendo em  conta o crédito pelo qual são pagos (...)”  Art. 12  (1): “Os "royalties" provenientes de um Estado Contratante e pagos a um  residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado.”  Art. 12 (4): “(...) a cujo respeito os "royalties" são pagos, se relacionar efetivamente  ao estabelecimento permanente.”  Art. 12 (5): “Consideram­se provenientes de um Estado Contratante os "royalties"  pagos por esse próprio Estado, (...)”  Art. 12 (6): “(...) ou entre ambos e terceiros, o montante dos "royalties", relativo ao  uso, direito ou informação em razão dos quais são pagos, (...)”  Art.  12  (7):  “A  limitação  de  alíquotas  do  imposto  prevista  no  subparágrafo  b  do  parágrafo  2,  deste  Artigo,  não  se  aplica  aos  ‘royalties’  pagos  antes  do  final  do  primeiro ano calendário, seguinte ao ano da assinatura desta Convenção, quando  pagos  a  um  residente  de  um  Estado  Contratante  que  detenha,  direta  ou  indiretamente, no mínimo cinqüenta por cento do capital votante da sociedade que  efetua o pagamento dos ‘royalties’.”  Como  se  pode  observar,  o  termo  “pago”  é  reiteradamente  empregado  no  acordo,  assumindo  a  função  a  função  de  delimitar  um  marco  de  transferência  efetiva  de  recursos,  seja  em  relação  a  juros,  royalties  ou  dividendos.  De  forma  consistente,  portanto,  Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     18 apenas  se  pode  qualificar  como  dividendos  pagos  valores  efetivamente  transferidos  de  uma  parte a outra.  3.2. O contexto extrínseco primário e o sentido do termo “pagos” (ou mesmo da expressão  “dividendos pagos”).  No âmbito do contexto extrínseco primário do acordo Brasil­Países Baixos,  devem  ser  observados,  por  exemplo,  decisões  advindas  de  um  ou  de  ambos  os  Estados  contratantes  (CVDT,  art.  31  (3),  “b”),  bem  como outros  acordos  de  dupla  tributação  de  que  façam parte os Estados contratantes (parallel treaties, nos termos da CVDT, art. 31 (3), “c”.).  Tais elementos estão presentes e à disposição dos julgadores administrativos  para a solução do presente caso.   3.2.1.  Decisões  da  Suprema  Corte  holandesa  (Hoge  Raad  der  Nederlanden)  sobre  a  aplicação do acordo Brasil­Países Baixos.  É  antiga  a  constatação  de  que  decisões  dos  tribunais  domésticos  mostram  como o Direito Internacional é compreendido em sua jurisdição e será observado na decisão  de um determinado caso concreto desse Estado 8. Há, em geral, consenso quanto às conclusões  de VOGEL & PROKISCH  9,  no  sentido de que,  se  a  interpretação adotada pelo Tribunal de um  Estado contratante (“A”) se mostrar plausível, o julgador do outro Estado contratante (“B”) terá  de fundamentar a sua interpretação divergente com argumentos bastante contundentes.  Trata­se da necessidade de cumprir com o princípio pacta sunt servanda, da  promoção da interpretação harmônica e do efeito útil dos acordos de dupla tributação. Ocorre  que  o  risco  de  dupla  tributação  é  majorado  quando  a  Corte  nacional  de  um  dos  Estados  contratantes (“A”) constrói o sentido de determinado termo de um acordo de dupla tributação  (“A­B”),  sem  tomar  conhecimento  do  sentido  atribuído  a  esse mesmo  termo  nas  Cortes  do  outro Estado contratante (“B”) 10.   As decisões  judiciais  do outro Estado contratante  (no  caso, Países Baixos)  devem ser reconhecidas pelo aplicador (no caso, o brasileiro) como práticas subsequentes para  fins de interpretação, tal como prescreve o art. 31 (3) “b” da CVDT.  Nesse  contexto,  é  contundente  constatar  que  a  Suprema  Corte  holandesa  (Hoge Raad der Nederlanden), ao julgar o caso n. 10/00076, em 17.06.2011, aplicou o acordo  Brasil­Países Baixos, atribuindo grande relevo justamente ao termo “pago” (“paid”), constante  em seu art. 11 (1).  Naquele  caso,  uma  empresa  holandesa  havia  recebido  juros  (“interest”)  pagos por uma subsidiária brasileira, submetidos à tributação no Brasil (Estado da fonte). As  despesas com as perdas de variação cambial do empréstimo concedido, contudo, acabaram por  neutralizar a base tributável naquele outro país. Não obstante, a empresa holandesa requereu o  crédito, na Holanda, do imposto pago no Brasil.  Decidiu  a  Suprema  Corte  holandesa  que  as  perdas  incorridas  nos  empréstimos  concedidos  não  afetariam  a  aplicação  do  art.  11(1)  do  acordo  Brasil­Países  Baixos,  de  forma  que  a  Holanda  estaria  obrigada  a  reconhecer  como  crédito  o  imposto                                                              8 EUA. Suprema Corte. THIRTY HOGSHEADS OF SUGAR, (Adrian B. Bentzon, Claimant,)  v.  BOYLE AND OTHERS, Being the officers and crew of the  privateer Comet. Vide, ainda, BROWNLIE, Ian. Principles of public international law. Clarendon : Oxford, 1998,  23.  9  VOGEL,  Klaus;  PROKISCH,  Rainer  G.  Cahiers  de  Droit  Fiscal  International  by  the  International  Fiscal  Association  (studies on  international  tax  law),  volume LXXVIIIa – Subject  I.  Interpretation  of double  taxation  conventions. Kluwer Law and Taxation Publishers / IFA : Rotterdam, 1993, p. 63­64.  10 Nesse sentido, vide: RAAD, Kees van. International coordination of tax treaty interpretation and application, in  International and comparative taxation – essays in honour of Klaus Vogel. KIRCHHOF, Paul et. al. eds London :  Kluwer, 2002, p. 218­219.  Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.521          19 brasileiro incidente sobre os respectivos juros. Para chegar a conclusão, o Tribunal holandês  considerou que a adoção dos termos “juros pagos” (“paid interest”) não deixaria margem  para dúvidas,  estabelecendo um método de avaliação que necessariamente  considera os  juros pagos  como base para o  crédito a  ser concedido,  excluindo dessa  regra  juros que  não tenham sido efetivamente pagos.  Assim,  temos  uma  evidência  de  que,  ao  aplicar  o  acordo  Brasil­Países  Baixos, a Holanda atribui ao termo “pago” relevância concreta, exigindo que efetivamente os  rendimentos  tenham  sido  entregues  de uma parte  a  outra,  a  fim  de que  tenha  nascimento  o  legítimo direito ao crédito do imposto pago no Brasil.  Como  estamos  diante  de  um  tratado  bilateral,  é  necessário  que  o  Brasil  aplique  o  referido  acordo  com  a  mesma  rigidez,  de  forma  que  o  termo  dividendos  pagos  designem  situações  em  que  há  entrega  efetiva  de  rendimentos  (dividendos)  de  uma  parte  a  outra.  Certamente  a  referida  interpretação  adotada  pela  Suprema  Corte  holandesa  perderia  relevância  caso  se mostra­se  incoerente. No  entanto,  não  é  esse o  caso. Trata­se de  interpretação  dotada  de  elevada  plausividade,  pois  atribui  ao  termo  “pago”  sentido  coerente  com a sua função assumida no acordo Brasil­Países Baixos e que é confirmada por  todos os  outras evidências avaliadas no presente voto.   Rememorando  a  lição  de  VOGEL  &  PROKISCH  11  acima  suscitada,  não  identifico argumentos minimamente contundentes para afastar a relevância atribuída ao termo  “pago”  pela  Suprema  Corte  holandesa.  A  fim  de  cumprir  com  os  princípios  pacta  sunt  servanda,  da  promoção  da  interpretação  harmônica  e  do  efeito  útil  dos  acordos  de  dupla  tributação,  não me  parece  haver  outra  alternativa  ao  caso  concreto  do  que  atribuir  ao  termo  “pago” o sentido de transferência efetiva de titularidade.  3.2.2. O recurso a parallel treaties para a interpretação do termo “pagos” (ou mesmo da  expressão “dividendos pagos”).  O art.  31  (3)  “c” da CVDT atribui  relevância a priori  a “quaisquer  regras  pertinentes  de  Direito  Internacional  aplicáveis  às  relações  entre  as  partes”.  O  termo  “quaisquer” é uma forte  indicação de que o intérprete deve adotar perspectiva ampla, mas o  art.  31  (3)  “c”  da CVDT prevê  certos  critérios  de  seleção  das  evidências  em  questão.  Entre  esses critérios, o termo “pertinente”, que qualifica as referidas regras do Direito Internacional,  estabelece um filtro de seleção. Outro filtro é estabelecido, ainda, na parte final do dispositivo,  de tal modo que tais regras de Direito Internacional devem ser “aplicáveis às relações entre as  partes”. Nesse cenário, a literatura 12 do Direito Internacional geralmente reconhece que o art.  31 (3) “c” da CVDT, com os requisitos que estabelece, veicula uma referência implícita ao art.  38 (1) do Estatuto da Corte Internacional de Justiça (doravante “ECIJ”).  Com  suporte  nos  elementos  elencados  no  art.  38  (1)  “a”  do  ECIJ,  outras  convenções  internacionais,  que  estabeleçam  regras  reconhecidas  pelas  partes,  devem  ser  investigadas  como  evidências  para  a  construção  de  sentido  de  termos  dos  acordos  de  dupla  tributação, que geralmente são conhecidos como “parallel treaties”. Por tal expediente, a fim                                                              11  VOGEL,  Klaus;  PROKISCH,  Rainer  G.  Cahiers  de  Droit  Fiscal  International  by  the  International  Fiscal  Association  (studies on  international  tax  law),  volume LXXVIIIa – Subject  I.  Interpretation  of double  taxation  conventions. Kluwer Law and Taxation Publishers / IFA : Rotterdam, 1993, p. 63­64.  12 Nesse sentido, vide: DÖRR, Oliver. “Article 31 – General rule of interpretation”, in  “Vienna Convention on the  Law of Treaties: a Commentary”, DÖRR, Oliver; SCHMALENBACH, Kirsten (Editors). Springer, 2012, p. 561­ 562.  Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     20 de  interpretar  um  acordo  internacional,  os  tribunais  devem  recorrer  a  outros  acordos  internacionais tomados como pares de comparação.  Assim,  por  exemplo,  quando  um Estado  (“A”)  parte  de  um mesmo  padrão  para  negociar  acordos  de  dupla  tributação  com  variados  Estados  (“B”  e  “C”),  mas  utiliza  cláusulas com peculiaridades diversas no acordo celebrado com cada um desses (“A­B” e “A­ C”),  uma  exceção  constante  em  um  desses  acordos  (“A­B”)  pode  ser  compreendida  como  intenção  daquele  Estado  (“A”)  para  a  contratação  de  coisas  diversas  com  aqueles  outros  Estados (“B” e “C”).  O  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte  suscita  que  o  recurso  ao  parallel  treaties seria útil  para a  resolução do presente caso. Como par de comparação para  esse  exercício,  indica  o  acordo  celebrado  pelo  Brasil  com  o México  13  (doravante  “acordo  Brasil­México”), cujo art. 28 assim dispõe:    ARTIGO 28  Disposições Diversas  (...)  3. As disposições da presente Convenção não impedirão que um  Estado  Contratante  aplique  as  disposições  de  sua  legislação  nacional relativa a capitalização insuficiente ou para combater o  diferimento,  incluída  a  legislação  de  sociedades  controladas  estrangeiras (legislação CFC) ou outra legislação similar.  De  fato,  ao  comparar­se  o  texto  dos  tratados,  verifica­se  que  no  acordo  Brasil­Países  Baixos  não  consta  qualquer  ressalva  à  aplicação  do  art.  7o,  enquanto  que,  no  acordo Brasil­México, há ressalva expressa para que a legislação CFC dos Estados contratantes  tenha  legitimidade  para  bloquear  a  aplicação  do  tratado.  Sustenta  o  contribuinte  que  isso  demonstraria que, no caso dos autos, que o Brasil e os Países Baixos concordam que o art. 7o  não terá a sua eficácia prejudicada pela legislação CFC brasileira ou holandesa.  Não é a primeira vez que o recurso ao parallel treaties é suscitado perante o  CARF, sendo pertinente rememorar a decisão adotada pelo acórdão n. 104­20124. Nesse caso,  conforme o argumento do contribuinte, o art. 14 do acordo Brasil­Portugal não seria aplicável  apenas  às  pessoas  físicas,  mas  também  às  pessoas  jurídicas  que  se  dediquem  às  atividades  independentes tuteladas naquele dispositivo. Tal entendimento seria confirmado por protocolos  anexos a uma série de acordos de bitributação de que o Brasil faz parte, a exemplos daqueles  celebrados com Alemanha (hoje sem efeito), Coréia, Dinamarca, Equador, Espanha, Filipinas,  Hungria, Itália, Luxemburgo, República Checa e Eslováquia. O contribuinte, então, valeu­se de  tais protocolos anexos aos referidos acordos de bitributação como parallel treaties.   No entanto, o recurso a parallel treaties serviu justamente como fundamento  para  que  o  CARF  afastasse  o  argumento  da  defesa:  embora  a  interpretação  sugerida  pelo  contribuinte  pudesse  ser  válida  perante  aquelas  convenções  fiscais  adotadas  como  pares  de  comparação,  restaria  evidenciado  que  Brasil  e  Portugal  não  pretenderam  que  o  art.  14  do  acordo  celebrado  fosse  aplicado  também  às  pessoas  jurídicas,  precisamente  por  não  terem  incluído tal previsão semelhante em seu protocolo.   No  caso  ora  sob  exame,  adotando­se  como  par  de  comparação  o  acordo  Brasil­México (ou, por exemplo, o acordo Brasil­Peru), obtêm­se a conclusão de que há mais  uma evidência de que o art. 7o do acordo Brasil­Países Baixos obsta a aplicação da legislação  CFC  brasileira.  Neste  tratado,  diferente  daquele  assinado  com  o  México  ou  com  o  Peru,  nenhuma  ressalva  foi  realizada  por  meio  de  protocolo  ou  outros  instrumentos  válidos.  É  possível compreender que, caso o Brasil e os Países Baixos houvessem consentido em permitir  que as suas respectivas legislações domésticas CFCs incidissem à revelia do art. 7o do acordo                                                              13 Decreto nº 6.000, de 26 de dezembro de 2006.   Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.522          21 de bitributação celebrado,  teriam formalizado um protocolo ou outro  instrumento hábil neste  sentido.  É importante observar que o recurso ao parallel treaties não é absoluto, mas  deve  ser  analisado  em  conjunto  com  as  demais  evidências  colhidas  a  partir  do  contexto  do  acordo  Brasil­Países  Baixos,  tal  como  determina  o  art.  3  (2)  desse  tratado.  No  entanto,  é  contundente  constatar  que  a  comparação  dos  acordos  celebrados  pelo  Brasil,  a  título  de  amostragem,  converge  com  as  demais  evidências  analisadas,  no  sentido  de  que  deve  ser  aplicado ao caso o art. 7o do tratado Brasil­Países Baixos, com o consequente reconhecimento  da competência exclusiva da Holanda para a tributação dos lucros da empresa residente em seu  território.  3.3.  O  contexto  extrínseco  secundário  e  o  sentido  do  termo  “pagos”  (ou  mesmo  da  expressão “dividendos pagos”)  Sob o escopo do art. 31 (3) “c” da CVDT, cumulado com o art. 38 (1) “c” do  ECIJ ou, ainda, do art. 32 da CVDT, há uma série de evidências que podem ser utilizadas para  confirmar  ou mesmo  infirmar  o  sentido  construído  a  partir  de  evidências  intrínsecas  ou  de  evidências extrínsecas primárias. Para LUC DE BROE 14, o intérprete poderia sempre recorrer às  evidências  do  art.  32  da CVDT,  seja  para  confirmar o  sentido  provido  por  outros meios  ou,  quando  esses  conduzissem  à  ambiguidade,  obscuridade, manifesto  absurdo  ou  ausência  de  razoabilidade, para lhe determinar tal sentido. Observa o professor belga que tais situações não  seriam  excepcionais,  mas  corriqueiras,  já  que  as  questões  encaminhadas  aos  tribunais  têm  como  causa  justamente  a  existência  de  obscuridades  ou  ambiguidades  no  texto  do  acordo.  Pondera o  autor,  contudo,  que  sentidos  providos  por  evidências  do  art.  32  da CVDT apenas  prevaleceriam  em  casos  de  ambiguidade,  obscuridade,  manifesto  absurdo  ou  ausência  de  razoabilidade.  Entre  as  evidências  desse  contexto  extrínseco  secundário,  é  necessário  analisar os Comentários à CM­OCDE.  3.3.1. Os Comentários à CM­OCDE e a confirmação das conclusões expostas.  Os Comentários à CM­OCDE, editados pelo Comitê de Assuntos Fiscais da  OCDE,  podem  ser  equiparados  à  doutrina  dos  publicistas  mais  qualificados  das  diferentes  nações, a qual, conforme albergada pelo art. 31 (3) “c” da CVDT cumulado com o art. 38 (1)  “c”  do  Corte  Internacional  de  Justiça.  A  obrigatoriedade  de  sua  observância  se  dá  nesses  termos.  É  geralmente  aceito  15  que  os  Comentários  à  CM­OCDE  são  menos  importantes no caso de convenções fiscais envolvendo um Estado não membro da OCDE. Para  KLAUS VOGEL16,  a  intenção de  tais Estados em adotar os  sentidos contidos nos Comentários  não  poderia  ser  afirmada  de  forma  genérica  e  apenas  poderia  ser  presumida  se  o  texto  do  dispositivo coincidir com o adotado na CM­OCDE e não houver outra interpretação fornecida  pelo “contexto”. Essa observação é necessária por não ser o Brasil um Estado membro da  OCDE,  o  que  coloca  em  dúvida  a  importância  dos  referidos  Comentários  para  o  julgamento do caso em análise.                                                              14 BROE, Luc De.  International  tax planning and prevention of abuse (doctoral series n. 14). Amsterdã  :  IBFD,  2007, 252­259.  15 Nesse sentido, vide: BROE, Luc De. International tax planning and prevention of abuse (doctoral series n. 14).  Amsterdã  :  IBFD,  2007,  p.  294;  HOFBAUER,  Ines.  Tax  treaty  interpretation  in  Austria,  in  Tax  treaty  interpretation. LANG, Michael (ed). LINDE : Vienna, 2001, p. 25.  16 VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p. 44.  Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     22 De  todo modo,  desde  a  sua  versão  de  1977,  os  Comentários  à CM­OCDE  apresentam  as  seguintes  disposições  quanto  à  interpretação  do  art.  10  (dividendos),  especialmente quanto aos termos “dividendos pagos”, in verbis:    “7. Por este motivo, o parágrafo 1 simplesmente estabelece que dividendos poderão  ser tributados no Estado de residência do beneficiário. O termo “pago” apresenta  significado  bastante  amplo,  já  que  o  conceito  de  pagamento  significa  o  cumprimento  da  obrigação  de  colocar  recursos  à  disposição  do  acionista  da  maneira exigida por contrato ou pelo costume.”  O termo “pago”, conforme essa evidência do contexto extrínseco secundário  dos acordos de bitributação, abrange apenas situações em que há efetivo “cumprimento da  obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato  ou pelo costume”.  Desse  modo,  ainda  que  se  possa  atribuir  maior  ou  menor  importância  aos  Comentários  à  CM­OCDE  existentes  à  época  em  que  o  acordo  Brasil­Países  Baixos  foi  celebrado,  é  contundente  constatar  que  o  parágrafo  7o  dos  Comentários  ao  art.  10o  da  CM­OCDE, acima transcrito, converge com as demais evidências analisadas neste voto:  para que os “dividendos” sejam considerados “pagos”, exige­se a efetiva transferência de  titularidade dos recursos da sociedade ao acionista.  3.3.1.1. Os Comentários à CM­OCDE editados após a celebração do acordo Brasil­Países  Baixos.  Há  uma  cautela  que  deve  ser  adotada  em  relação  aos Comentários:  alguns  deles podem ter sido editados após a celebração do tratado de bitributação sob análise, o  que torna muito contestável a sua utilidade. Ocorre que, se ao celebrar o tratado os Estados não  conheciam  uma  determinada  posição  do  Comitê  de  Assuntos  Fiscais  da  OCDE  que  sequer  havia sido publicada ao tempo da assinatura do acordo, não há como sustentar a existência de  consentimento em relação aos Comentários supervenientes.  No  caso  dos  autos,  o  acordo  Brasil­Países  Baixos  foi  celebrado  em  08.03.1990,  de  forma  que  os  Comentários  à  CM­OCDE  introduzidos  após  essa  data  apresentam reduzida ou mesmo nenhuma relevância. Afinal, aceitar a consideração dinâmica  dos Comentários à CM­OCDE seria atribuir Poder Legislativo ao Comitê de Assuntos Fiscais  da OCDE, órgão do qual o Brasil sequer é membro.  É  o  que  ocorre  com  a  posição  hoje  presente  nos  parágrafos  37  e  38  dos  Comentários à CM­OCDE, editados após a celebração do acordo Brasil­Países Baixos,  in  verbis:  “37. Pode­se argumentar que, caso o país de residência do contribuinte, de acordo  com  sua  legislação  de  controladas  estrangeiras  ou  outras  normas  com  efeito  similar, busque tributar lucros que não foram distribuídos, estará agindo de forma  contrária  às  disposições  do  parágrafo  5.  Contudo,  deve­se  observar  que  o  parágrafo  é  limitado  à  tributação  na  fonte  e,  assim,  não  lhe  cabe  tributar  na  residência  nos  termos  dessa  legislação  ou  normas.  Além  disso,  o  parágrafo  diz  respeito apenas à tributação da sociedade e não do acionista.”   “38.  A  aplicação  dessa  legislação  ou  normas  poderá,  contudo,  complicar  a  aplicação do Artigo 23. Caso rendimento tenha sido atribuído ao contribuinte, cada  item do rendimento  teria de  ser  tratado nos termos das disposições pertinentes da  Convenção  (lucros  de  empresa,  juros,  royalties).  Se  o montante  for  tratado  como  dividendo  presumido,  então  será  claramente  proveniente  da  sociedade­base,  constituindo, assim, rendimento do país da sociedade. Mesmo assim, não está claro  se o montante  tributável  será  considerado dividendo, no âmbito do significado do  Artigo  10,  ou  “outro  rendimento”,  no  âmbito  do  significado  do  Artigo  21.  Nos  termos  de  algumas  dessas  legislações  ou  normas,  o montante  tributável  é  tratado  como  dividendo,  sendo  a  isenção  prevista  por  convenção  fiscal,  por  exemplo,  Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.523          23 isenção de afiliação, também estendida a ele. Há dúvidas acerca de se a Convenção  exige ou não que isso seja feito. Se o país de residência julgar que não é este o caso,  poderá enfrentar a alegação de estar obstruindo a operação normal da isenção de  afiliação  ao  tributar  com  antecedência  o  dividendo  (sob  a  forma  de  dividendo  presumido).”  Os referidos parágrafos “37” e “38” foram acrescidos aos Comentários à CM­ OCDE 1992,  não  encontrando  paralelo  na  versão  então mantida  em  1990,  quando  o  acordo  Brasil­Países Baixos foi celebrado.  Note­se  que,  em  tese,  a  consideração  dinâmica  de  revisões  meramente  amplificadoras encontra alguma aceitação doutrinária 17. As chamadas revisões amplificadoras  seriam  alterações  nos  Comentários  à  CM­OCDE  que  apenas  tornariam  mais  claras  interpretações  que  desde  sempre  seriam  possíveis  em  face  da  CM­OCDE.  A  enorme  dificuldade  desse  argumento  consiste  em  saber  quando  uma  revisão  seria  puramente  esclarecedora, amplificadora. Nesse seguir, MAARTEN J. ELLIS 18 adverte que uma alteração no  texto dos Comentários nunca seria  realmente neutra:  qualquer  alteração, ainda que na ordem  das  palavras  ou  nas  vírgulas  utilizadas,  pode,  mais  cedo  ou  mais  tarde,  ter  consequências  práticas. Seria artificial a distinção de alterações meramente estilísticas, explicativas do que já  existiria.  Contudo, os parágrafos “37” e “38”, acrescidos aos Comentários do art. 10 da  CM­OCDE, sem dúvida modificou a posição então adotada pelo Comitê de Assuntos Fiscais, o  que  apenas  pode  surtir  efeitos  aos  acordos  já  celebrados  pelo  Brasil  mediante  expressa  aquiescência do Poder Legislativo.  3.3.1.1.  A  aplicação  das  novas  posições  assumidas  pelos  Comentários  à  CM­OCDE  exclusivamente em casos de abuso.  Especialmente com as alterações introduzidas nos Comentários à CM­OCDE  em  2003  (quase  15  anos  após  a  celebração  do  acordo  Brasil­Países  Baixos),  o  Comitê  de  Assuntos Fiscais daquela organização passou a expressar a possibilidade de normas nacionais  dos Estados contratantes afastarem os benefícios dos tratados na hipótese de abuso.  Nesse sentido, em 2003, foram adicionados, por exemplo, os parágrafos 9.2 e  22.1 aos Comentários quanto ao art. 1o da CM­OCDE, in verbis:    “9.1.  Esse  fato  suscita  duas  questões  fundamentais  discutidas  nos  parágrafos  seguintes:  ­se os benefícios de convenções tributárias devem ou não ser conferidos a transações  que constituem um abuso das disposições dessas convenções (vide parágrafos 9.2 e  seguintes abaixo); e   ­  se  as  disposições  e  normas  jurisprudenciais  específicas  da  legislação  interna  de  Estado Contratante destinadas a prevenir o abuso fiscal entram ou não em conflito  com convenções tributárias (vide parágrafos 22 e seguintes abaixo).  9.2. Para muitos Estados, a resposta à primeira questão se baseia na sua resposta à  segunda  questão.  Esses  Estados  levam  em  consideração  o  fato  de  que  os  tributos  incidem, em última análise, segundo o disposto na legislação interna, assim como não  restritos  (e  em  alguns  raros  casos,  ampliados)  pelas  disposições  de  convenções  tributárias.  Dessa  forma,  qualquer  abuso  do  disposto  em  convenção  tributária  também poderia ser caracterizado como um abuso do disposto em legislação interna                                                              17 Nesse sentido, vide: VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p.  43­47.  18 MAARTEN J. Ellis. The influence of the OECD Commentaries on Treaty Interpretation – Response to Prof. Dr.  Klaus Vogel, in  Bulletin – Tax Treaty Monitor – December 2000. IBFD : Amsterdã, 2000, p. 617­618.  Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     24 nos termos da qual o  imposto será exigido. Com relação a esses Estados, a questão  passa  a  ser,  então,  se  o  disposto  em convenções  tributárias pode  impedir ou  não a  aplicação de disposições anti­elisivas previstas na legislação interna, que é a segunda  questão acima. Como estabelece o parágrafo 22.1 abaixo, a resposta a essa segunda  questão  é  que,  na medida  em  que  essas  normas  anti­elisivas  são  parte  das  normas  básicas que dão origem a obrigação tributária, não serão abrangidas pelos tratados  tributários,  o  sendo,  assim,  atingidas  por  eles.  Portanto,  como  regra  geral,  não  haverá  nenhum  conflito  entre  essas  normas  e  as  disposições  de  convenções  tributárias.”   “22.  Outras  formas  de  abuso  de  tratados  tributários  (por  exemplo,  o  uso  de  sociedade­base  –  “base  company”)  e  possíveis  maneiras  possíveis  de  lidar  com  elas,  inclusive normas de “substancia sobre a  forma”, “substância econômica” e  normas  gerais  anti­abusivas  também  têm  sido  analisadas,  em  particular,  no  que  tange  à  questão  de  tais  normas  estarem  ou  não  em  conflito  com  tratados  tributários,  conforme  dispõe  a  segunda  questão  mencionada  no  parágrafo  9.1  acima.  22.1  Essas  normas  fazem  parte  das  normas  internas  básicas  estabelecidas  no  direito  tributário  interno  para  determinação  de  quais  fatos  que  dão  origem  a  obrigação  tributária;  essas  normas  não  são  discutidas  em  tratados  tributários  e,  dessa forma, não são abrangidas por eles. Assim, como regra geral e levando em  consideração o  parágrafo 9.5,  não  haverá  conflitos. Por  exemplo,  na medida em  que  a  aplicação  das  normas  mencionadas  no  parágrafo  22  resulte  em  recaracterização de rendimento ou nova determinação do contribuinte havido por  auferir  o  rendimento,  serão  aplicadas  as  disposições  da  Convenção  levando  em  conta essas alterações.  22.2 Embora essas normas não estejam em conflito com convenções tributárias, o  consenso é que os países membros deverão observar cuidadosamente as obrigações  específicas  consagradas  em  tratados  tributários  contra a  dupla  tributação, desde  que não exista indicação clara de abuso dos tratados.”  Assim, ainda que se atribua alguma relevância aos Comentários à CM­OCDE  editados  após  a  celebração  do  acordo Brasil­Países  Baixos,  é  preciso  ter  claro  que muitos  deles  se  voltam  a  situações  em  que  se  averigue  a  existência  de  “abuso”  praticado  pelo  contribuinte.  Tal constatação é relevante pois, no caso dos autos, não há imputação de  práticas  abusivas  praticadas  pelo  contribuinte. Nem  sequer  a  legislação  utilizada  como  suporte  para  a  autuação  se  volta  contra  situações  abusivas,  tendo  a MP  2.158  vocação  para alcançar situações independentemente da prática de atos abusivos.  Dada a distinção entre as regras brasileiras discutidas neste recurso especial e  as normas de reação ao abuso, típicas das legislações CFC adotadas por uma enorme variedade  de  sistemas  jurídicos  estrangeiros  consideradas  nos  Comentários  da  CM­OCDE,  é  razoável  compreender  que  estes  sequer  podem  ser  aplicadas  ao  caso  dos  autos.  Assim  concluíram  PAULO AYRES BARRETO e CAIO TAKANO 19 em trabalho acadêmico sobre o tema, in verbis:    “Não  há,  na  nova  dicção  legal,  uma  clara  e  precisa  distinção  entre  situações  normais,  em  que  há  genuíno  exercício  da  atividade  empresarial,  e  aquelas  excepcionais que, mundo afora, ensejam a aplicação de normas CFC, por conterem  o elemento abusivo. Pelo contrário, manteve­se como regra a tributação automática  das controladoras brasileiras no dia 31 de dezembro do ano em que houver a mera  apuração  do  lucro  pelas  empresas  controladas  direta  ou  indiretamente  pela  empresa  brasileira,  independentemente  de  sua  efetiva  disponibilização,  que,  por                                                              19  BARRETO,  Paulo  Ayres;  TAKANO,  Caio  Augusto.  Regime  tributário  dos  resultados  de  coligadas  e  controladas  no  exterior.  In:  Instituto  Brasileiro  de  Estudos  Tributários,  et  al.  (Org.).  PRODIREITO:  Direito  Tributário: Programa de Atualização em Direito: Ciclo 1. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015. p. 36­38.  Grifos do original.  Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.524          25 vezes,  poderá  nunca  vir  a  acontecer.  (...)  a  nova  sistemática  da  tributação  dos  lucros  auferidos  no  exterior  não  deve  ser  confundida  com  aquela  própria  das  normas CFC,  tão conhecidas pelos estudiosos do Direito  tributário  internacional,  não  havendo  razão  para  que  a  interpretação  de  suas  regras  não  obedeça  rigorosamente aos limites constitucionais e postos em Lei Complementar.”  O princípio pacta sunt servanda, da promoção da interpretação harmônica e  do  efeito  útil  dos  acordos  de  dupla  tributação  também  exige  que  se  considere  relevante  um  dado:  a  Holanda  mantém  ressalva  aos  Comentários  à  CM­OCDE,  consignando  que  apenas  admite  a  não  aplicação  de  seus  acordos  de  bitributação  na  hipótese  de  comprovada prática abusiva. Conforme deixa claro, a Holanda considera que “a aplicação de  medidas  internas  tem  de  respeitar  o  princípio  da  proporcionalidade  e  não  deverá  ir  além  do  necessário para impedir o abuso ou uso claramente não pretendido”, in verbis:    Comentários ao art. 1o da CM­OCDE (incluído em 2003)  “27.7  Os  Países  Baixos  não  adotam  as  afirmações  contidas  nas  Convenções  segundo as quais, como regra­geral, as normas e disposições internas anti­elisivas  de  controladas  estrangeiras  não  entram  em  conflito  com  as  disposições  de  convenções  tributárias.  A  compatibilidade  dessas  normas  e  disposições  com  tratados  tributários  depende,  entre  outras  coisas,  da  natureza  e  redação  da  disposição específica, do teor e propósito da disposição pertinente do tratado e da  relação entre a legislação interna e internacional em um país. Como as convenções  tributárias  não  se  destinam a  facilitar  seu  uso  indevido,  a  aplicação de  normas  e  disposições  nacionais  pode  ser  justificada  em  casos  específicos  de  abuso  ou  uso  claramente não pretendido. Nessas situações, a aplicação de medidas internas tem  de respeitar o princípio da proporcionalidade e não deverá  ir além do necessário  para impedir o abuso ou uso claramente não pretendido.”  A ressalva oposta pelos Países Baixos deixa clara a manutenção da posição  assumida por aquele Estado antes da revisão dos Comentários à CM­OCDE em 2003, de forma  a não admitir qualquer exceção à regra da aplicação do Tratado internacional, salvo na hipótese  de comprovado abuso. De boa­fé e a fim de cumprir com o princípio pacta sunt servanda, da  promoção  da  interpretação  harmônica  e  do  efeito  útil,  certamente  os  Estados  que  mantém  acordos  de  bitributação  com  os  Países  Baixos  devem  levar  essa  posição  seriamente  em  consideração.  Nesse cenário, esses dados corroboram com as demais evidências analisadas  neste voto, no sentido de que os Países Baixos celebraram acordo de bitributação com o Brasil  pelo qual os rendimentos analisados no presente recurso especial estão sob o escopo do art. 7o,  não cabendo ao Brasil tributá­los, inclusive por ser inaplicável o art. 10 do referido acordo.  3.4. O reenvio ao direito doméstico como alterativa ao art. 3 (2) do acordo Brasil­Países  Baixos.  Caso  se  compreenda  necessário  o  reenvio  ao  Direito  doméstico  brasileiro  para  a  construção  de  sentido  do  termo  “pago”,  que  acompanha  “dividendos”  no  art.  10  do  acordo  Brasil­Países  Baixos,  igualmente  se  concluirá  que  este  designa  situação  de  efetiva  transferência de titularidade dos recursos da sociedade aos acionistas.  Assim,  a  título  de  exemplo,  o  art.  150,  §1º,  do  CTN,  por  utilizar  o  termo  “pagamento”,  é  interpretado  pelo  STJ  como  exigência  de  efetiva  de  transferência  de  titularidade do contribuinte ao fisco, de quitação concreta, não bastando simples retenção:     “III. De acordo com o entendimento  firmado no STJ, a  retenção do  Imposto de  Renda, pela fonte pagadora, não se assimila ao pagamento antecipado, aludido no  § 1º do art. 150 do CTN. Assim, a quantia retida, pela fonte pagadora, não tem o  Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     26 efeito de pagamento, até porque toda ou parte dela poderá ser objeto de restituição,  dependendo  da  declaração  de  ajuste  anual.  Assim,  a  prescrição  da  Ação  de  Repetição  de  Indébito  Tributário  flui  a  partir  do  pagamento  realizado  após  a  declaração anual de ajuste do Imposto de Renda”.  (STJ,  AgRg  no  AREsp  193.400/MA,  Rel.  Ministra  ASSUSETE  MAGALHÃES,  SEGUNDA TURMA, julgado em 10/03/2016, DJe 17/03/2016)  Outro exemplo pode ser colhido do art. 138 do CTN. A denúncia espontânea  exige o pagamento, que deve efetivamente concretizar­se com a transferência de recursos, de  quitação concreta, antes mesmo do lançamento tributário. Nesse sentido, é a jurisprudência do  STJ:  “A  jurisprudência  da  egrégia  Primeira  Seção,  por  meio  de  inúmeras  decisões  proferidas,  dentre  as  quais  o  REsp  nº  284189/SP  (Rel.  Min.  Franciulli  Netto,  DJ  de  26/05/2003),  uniformizou  entendimento  no  sentido  de  que,  nos  casos  em  que  há  parcelamento  do  débito  tributário,  ou  a  sua  quitação  total,  mas  com  atraso,  não  deve  ser  aplicado  o  benefício  da  denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e  esta só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito.”  (STJ,  AgRg  no  REsp  727.181/RJ,  Rel.  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 14/06/2005, DJ 01/08/2005)  Nesse  cenário, não há no sistema  jurídico brasileiro  sentido diverso ao  termo “pago”  (ou melhor, dividendos  pagos)  daquele  construído  a partir  do  contexto  em que o  acordo Brasil­Países  Baixos  está  inserido,  qual  seja:  efetiva  transferência  de  titularidade  dos  recursos  da  sociedade  ao  acionista.   4. A jurisprudência judicial e administrativa a respeito da matéria  É importante consignar que o STJ, em julgamento sobre a matéria, alcançou a mesma  conclusão, como se observa da ementa a seguir:    RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA  DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE.  NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO  DE  JUIZ  FEDERAL.  NÃO  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULAS  282  E  356/STF.  IRPJ  E  CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM  PAÍSES  COM  TRIBUTAÇÃO  REGULADA.  PREVALÊNCIA  DOS  TRATADOS  SOBRE  BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA  (DECRETO  72.542/73),  A  DINAMARCA  (DECRETO  75.106/74)  E  O  PRINCIPADO  DE  LUXEMBURGO  (DECRETO  85.051/80).  EMPRESA CONTROLADA  SEDIADA  NAS  BERMUDAS.  ART.  74,  CAPUT DA  MP  2.157­35/2001.  DISPONIBILIZAÇÃO  DOS  LUCROS  PARA  A  EMPRESA  CONTROLADORA  NA  DATA  DO  BALANÇO  NO  QUAL  TIVEREM  SIDO  APURADOS,  EXCLUÍDO  O  RESULTADO  DA  CONTRAPARTIDA  DO  AJUSTE  DO  VALOR  DO  INVESTIMENTO  PELO  MÉTODO  DA  EQUIVALÊNCIA  PATRIMONIAL.  RECURSO  ESPECIAL  CONHECIDO  E  PARCIALMENTE  PROVIDO,  PARA  CONCEDER  A  SEGURANÇA, EM PARTE.  1.  Afasta­se  a  alegação  de  nulidade  dos  acórdãos  regionais  ora  recorridos,  por  suposta  irregularidade  na  convocação  de  Juiz  Federal  que  funcionou  naqueles  julgamentos,  ou  na  composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de  prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte.  2.  Salvo  em  casos  excepcionais  de  flagrante  ilegalidade  ou  abusividade,  ou  de  dano  irreparável  ou  de  difícil  reparação,  o  Recurso  de Apelação  contra  sentença  denegatória  de  Mandado  de  Segurança  possui  apenas  o  efeito  devolutivo.  Precedente:  AgRg  no  AREsp.  113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012.  3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela  expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou  por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva  apenas das peculiaridades evidentes da matéria  jurídica por ele regulada, mas sobretudo da  singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se  confundiria com as atividades administrativas fiscais.  Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.525          27 4.  O  poder  estatal  de  arrecadar  tributos  tem  por  fonte  exclusiva  o  sistema  tributário,  que  abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os  demais  elementos  normativos  do  ordenamento,  inclusive  os  ideológicos,  os  sociais,  os  históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá  de harmonizar­se com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia  internormativa, os princípios  jurídicos gerais e constitucionais, as  ilustrações doutrinárias e  as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras.  5. A  jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados  Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão  da sua especificidade.  Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467­RS, Rel.  Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012).  6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE  utilizado  pela  maioria  dos  Países  ocidentais,  inclusive  pelo  Brasil,  conforme  Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73),  a  Dinamarca  (Decreto  75.106/74)  e  o  Principado  de  Luxemburgo  (Decreto  85.051/80), disciplina que os  lucros de uma empresa de um Estado contratante só  são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade  no  outro  Estado  Contratante,  por  meio  de  um  estabelecimento  permanente  ali  situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que  uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o  inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boa­ fé.  7.  No  caso  de  empresa  controlada,  dotada  de  personalidade  jurídica  própria  e  distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela  auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio;  a  sistemática  adotada  pela  legislação  fiscal  nacional  de  adicioná­los  ao  lucro  da  empresa  controladora  brasileira  termina  por  ferir  os  Pactos  Internacionais  Tributários e infringir o princípio da boa­fé na relações exteriores, a que o Direito  Internacional não confere abono.  8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o  caput do art.  74 da MP  2.158­35/2001,  adere­se  a  esse  entendimento,  para  considerar  que  os  lucros  auferidos  pela  controlada  sediada  nas  Bermudas,  País  com  o  qual  o  Brasil  não  possui  acordo  internacional  nos  moldes  da  OCDE,  devem  ser  considerados  disponibilizados  para  a  controladora  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados.  9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei  Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.158­35/01) a qual objetivou regular;  com efeito, analisando­se a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.158­35/01,  constata­se  que  o  regime  fiscal  vigorante  é  o  do  art.  23  do DL 1.598/77,  que  em  nada  foi  alterado  quanto  à  não  inclusão,  na  determinação  do  lucro  real,  dos  métodos  resultantes  de  avaliação  dos  investimentos  no  Exterior,  pelo  método  da  equivalência  patrimonial,  isto  é,  das  contrapartidas  de  ajuste  do  valor  do  investimento em sociedades estrangeiras controladas.  10. Ante o exposto, conheço do recurso e dou­lhe parcial provimento, concedendo  em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos  Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca  e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art.  98  do  CTN  e  aos  Tratados  Internacionais  em  causa;  os  lucros  apurados  por  Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput  da  MP  2.158­35/2001,  deles  não  fazendo  parte  o  resultado  da  contrapartida  do  ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial.  (STJ,  REsp  1.325.709/RJ,  Rel.  Ministro  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA  FILHO,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 20/05/2014)  Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     28 Igual entendimento foi adotado pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região,  ao  julgar  o  recurso  de  Apelação  da  União  Federal  e  a  Remessa  Necessária  nos  autos  do  processo n. 2003.72.01.000014­4/SC 20    TRIBUTÁRIO.  IRPJ.  CSLL.  LUCROS  AUFERIDOS  POR  EMPRESAS  CONTROLADAS  SEDIADAS  NO  EXTERIOR.  TRATADOS  INTERNACIONAIS  PARA  EVITAR  A  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  CONFLITO  DE  NORMAS.  ART.  74,  CAPUT,  DA  MP  Nº  2.158­35/2001.  PRINCÍPIO  DA  ESPECIALIDADE.  PREVALÊNCIA  DA  NORMA  VEICULADA  NOS  TRATADOS.  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVA DOS LUCROS NO PAÍS DE DOMICÍLIO. REAVALIAÇÃO POSITIVA  DOS  INVESTIMENTOS  EM  CONTROLADAS  SITUADAS  NO  EXTERIOR.  NEUTRALIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA FINS  FISCAIS. ART. 23, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DL Nº 1.598/1977.  1. Em matéria tributária, dispõe o art. 98 do CTN que os tratados e as convenções  internacionais  revogam  ou  modificam  a  legislação  tributária  interna,  e  serão  observados  pela  que  lhes  sobrevenha.  A  doutrina  adverte  quanto  à  imprecisão  técnica do dispositivo, porquanto não se trata, a rigor, de revogação da legislação  interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá  a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado (Ricardo  Lobo Torres).  2. A despeito da controvérsia no STF sobre a hierarquia normativa entre  tratados  em  matéria  tributária  e  lei  interna,  a  questão  se  resolve  no  plano  infraconstitucional.  As  disposições  veiculadas  nos  tratados  e  convenções  internacionais em matéria tributária, após se submeterem ao procedimento previsto  no  art.  49,  inciso  I,  da  CF,  passam  a  integrar  o  ordenamento  jurídico  nacional.  Eventual antinomia, assim, resolve­se pelo princípio da especialidade, prevalecendo  o  regramento  internacional  naquilo  que  conflitar  com  a  norma  interna  de  tributação. A norma interna deixa de ser aplicada na hipótese específica regulada  pelo tratado, mas continua válida e aplicável a todas as situações que não envolvem  os  sujeitos  e  os  elementos  de  estraneidade  definidos  no  tratado.  Ocorre,  dessa  forma, a suspensão da eficácia da norma interna e não propriamente revogação ou  modificação.  3.  Entender  que  a  superveniência  de  norma  interna  conflitante  com  o  tratado  internacional modificaria o  regramento  a  ser  aplicado  implica  denúncia  implícita  do  acordo,  sem  a  adoção  dos  procedimentos  constitucionais  e  legais  para  tanto,  desprezando, ademais, os princípios da boa­fé, da segurança e da cooperação que  norteiam  as  relações  internacionais.  Em  favor  da  prevalência  dos  tratados,  cabe  invocar não somente o art. 98 do CTN, mas também o art. 5º, § 2º, da Constituição  Federal e o art. 27 do Decreto nº 7.030/2009, que promulga a Convenção de Viena  sobre o Direito dos Tratados.  4. O Brasil firmou acordos visando a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão  fiscal,  em matéria  de  imposto  de  renda,  com  a  China  (Decreto  nº  762/1993)  e  a  Itália  (Decreto  nº  85.985/1981).  Ambos  oferecem  tratamento  uniforme  à  matéria,  seguindo o Modelo de Acordo Tributário sobre Renda e Capital da OCDE. O art. 7º  dos Tratados adota o princípio da residência no tocante à tributação dos lucros das  empresas, estabelecendo a competência exclusiva do país de domicílio da empresa  para a tributação de seus lucros.  5.  O  ponto  nodal  da  controvérsia  decorre  do  disposto  no  art.  74  da  Medida  Provisória nº 2.158­35/2001, que considera disponibilizados os lucros auferidos por  controlada ou coligada no exterior para a  controladora ou coligada no Brasil  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados,  independente  de  sua  efetiva  distribuição.  6. Equivoca­se a Fazenda Nacional ao  sustentar que a  tributação  incide  sobre os  lucros  obtidos  por  empresa  sediada  no  Brasil,  provenientes  de  fonte  situada  no  exterior, na medida em que refletem positivamente no patrimônio da controladora,                                                              20 Vide: http://www.netinternacional.org/web/TabId/64/NoticiaId/229/pdf.aspx.  Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.526          29 valorizando  suas  ações  e  demais  ativos,  pois  a  reavaliação  positiva  dos  investimentos realizados em empresas controladas situadas no exterior não constitui  renda  tributável,  conforme  o  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  23  do  DL  nº  1.598/1977  (na redação vigente até a Lei nº 12.973/2014). A norma do art. 74 da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001  em  nada  alterou  o  regime  fiscal  vigorante  desde o art. 23 do DL nº 1.598/1977, que estabelece a neutralidade do método da  equivalência  patrimonial  para  efeitos  fiscais,  porque  seu  resultado  positivo,  relevante para a contabilidade, não é tributado.  7.  Diante  do  evidente  conflito  do  disposto  no  art.  74  da  MP  nº  2.158­35,  que  determina a adição dos lucros obtidos pela empresa controlada no exterior, para o  cômputo  do  lucro  real  da  empresa  controladora,  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem sido apurados, deve prevalecer a norma do art. 7º dos Decretos nº 762/1993  e nº 85.985/1981, a fim de evitar a tributação dos lucros das empresas controladas  pela impetrante na China e na Itália”.  Esse mesmo entendimento  tem sido  adotado em outros  julgados do CARF,  por exemplo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  IRPJ  LUCROS  DE  CONTROLADAS  NA  HOLANDA  DIVIDENDOS  FICTOS  LUCROS TRATADO  ART. 10 OU ART. 7º  1­ A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não  se  pode  empregar  ficção  legal  para  alcançar  materialidade  ou  se  antecipar  seu  aspecto  temporal  quando  a  Constituição  Federal  usa  essa  materialidade  na  definição de competência tributária dos entes políticos.  Ademais,  o  art.  10  do  Tratado  Brasil­Holanda  trata  dos  dividendos  pagos,  não  permitindo  que  se  considerem  como  dividendos  os  distribuídos  fictamente.  O  problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado  Brasil­Holanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado.   2 O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as  controladas  no  exterior  (entidade  transparente  ou  passthrough  entity):  considera  como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os  lucros  em  dissídio.  Isso  é  considerar  auferidos  os  lucros  no  exterior  pela  investidora  no  País,  por  intermédio  de  suas  controladas  no  exterior.  Não  é  o  mesmo  que  ficção  legal:  é  parecença  com  a  consideração  do  lucro  de  grupo  societário  (tax  group  regime).  O  art.  7º  do  Tratado  Brasil­Holanda  é  norma  de  bloqueio:  define  competência  exclusiva  para  tributação  dos  lucros  da  sociedade  residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra  geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria  simplesmente  desconsiderar,  no  âmbito  de  tratado,  a  personalidade  jurídica  da  sociedade  residente  na  Holanda.  No  mesmo  sentido,  bastaria  um  dos  Estados  contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros  de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado  que  as  partes  honraram  respeitar.  Intributabilidade  com  o  IRPJ  dos  lucros  em  discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado Brasil­Holanda.  IRPJ,  CSLL  LUCROS  DE  COLIGADA  NA  ARGENTINA  ­  ADI  2.588.  DF.  No  julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, Reconheceu­se a  inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas  não situadas em “paraíso fiscal”. Efeitos do julgamento da ADI 2.588­DF sobre os  lucros  da  coligada  residente  na  Argentina.  Intributabilidade,  no  País,  desses  lucros.  CSLL  LUCROS DE CONTROLADAS  NA HOLANDA  TRATADO.  Sofrem  incidência  da  CSLL  os  lucros  das  pessoas  jurídicas  controladas  sediadas  na  Holanda.  MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA ­ MULTA PROPORCIONAL  Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     30 Apenado  o  continente,  incabível  apenar  o  conteúdo.  Penalizar  pelo  todo  e  ao  mesmo  tempo  pela  parte  do  todo  seria  uma  contradição  de  termos  lógicos  e  axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa  de ofício de 75% sobre a CSLL exigida  exclui  a aplicação da multa de ofício de  50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anos­calendário.  (Acórdão 1103001.122 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária , sessão de 21/10/2014).  5. O escopo do acordo Brasil­Países Baixos e a abrangência da CSLL.  A Lei n. 13.202, de 8.12.2015, prescreve:    Art.  11.  Para  efeito  de  interpretação,  os  acordos  e  convenções  internacionais  celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla  tributação da renda abrangem a CSLL.   Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma  simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do Decreto­Lei no 5.844,  de 23 de setembro de 1943.  Aplica­se ao referido enunciado legal o art. 106 do CTN, que assim dispõe:    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  Desse  modo,  é  necessário  reconhecer  que  a  CSLL  encontra­se  indubitavelmente  incluída no  escopo dos  acordos de dupla  tributação celebrados pelo Brasil,  independentemente  do  período  em  que  houver  sido  celebrado  o  acordo,  tendo  em  vista  a  eficácia retroativa do art. 11 da Lei n. 13.202/2015.  6. Conclusão e dispositivo do voto.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de CONHECER os  recursos  especiais  interpostos  pelo  contribuinte  e  pela  PFN,  a  fim  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  do  contribuinte e NEGAR PROVIMENTO ao recurso da PFN.    (Assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto    Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.527          31   Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Redator Designado  Conhecimento  Concordo com o i. Relator no que diz respeito ao conhecimento de ambos os  recursos da Fazenda e do Contribuinte, ou seja, tanto o recurso da Fazenda, no que diz respeito  à aplicabilidade do art. 7º da Convenção Brasil­Holanda, como o Contribuinte, no que se refere  ao escopo do acordo para o alcance da CSLL, cumpriram com os requisitos para a interposição  de recurso especial a esta CSRF.   Esclareça­se  que  as  matérias  objetos  de  litígio  nesta  decisão,  conforme  objetos  dos  recursos  em  admitidas  pelas  respectivas  análises  de  admissibilidade,  referem­se  somente às matérias acima, quais sejam: sujeição ao art. 7º do Convenção Brasil­Holanda da  norma contida no art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35/2001 e o e se a referida Convenção  alcançaria também a CSLL.  Mérito  Considerando  as  razões  de  decidir  do  acórdão  recorrido,  os  recursos  da  Fazenda e do Contribuinte, as contrarrazões apresentadas e o extenso e bem elaborado voto do  i Relator, passo a analisar os recursos especiais da Fazenda e do Contribuinte, nesta ordem.  Recurso especial da Fazenda  O  recorrente  sustenta  que  se  não  se  aplica  ao  caso  o  art.  7º  da Convenção  Brasil­Holanda  de  modo  a  afastar  a  incidência  da  norma  contida  no  art.  74  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001,  que  se  trata  de  norma  CFC,  sendo  esta  constitucional  para  controladas, conforme decisão do STF.  A  tributação  em  bases  universais  para  as  pessoas  jurídicas  que  no  Brasil  passou a ser disciplinada pelos arts. 25 a 27, Lei n. 9.249/1995 visa tributar as pessoas jurídicas  brasileiras em relação à variação patrimonial positiva (acréscimo patrimonial) referente às suas  atividades  empresariais  fora  do  País,  o  que  antes  não  era  feito. A  questão  gira,  de  fato,  em  torno do momento em que é feita essa tributação (aspecto temporal do fato gerador), uma vez  apurado o lucro da entidade investida (seja controlada ou coligada no exterior ou mesmo nos  casos  de  investimento  não  relevante  ­  em  que  não  se  utiliza  o  método  da  equivalência  patrimonial).  A  Instrução  Normativa  SRF  38/1996  regulamentou  a  Lei  n.  9.249/1995  (considerando o efetivo pagamento ou creditamento para efeito de  tributação) e depois  a Lei  9.532/1997 estabeleceu,  também neste  sentido, que os  rendimentos auferidos por coligadas e  controladas no exterior, por PJ no Brasil, seriam tributados quando disponibilizados (lucro das  filais e sucursais continuaram a ser  tributados na apuração, quando do balanço). Tratando­se,  portanto, de mera norma de tributação universal, sem efeitos de norma CFC (destinada a evitar  o  diferimento  indefinido  da  tributação  das  coligadas  e  controladas).  Na  sequência,  a  Lei  Complementar n. 101, de 10 de janeiro de 2001, promoveu alteração no CTN em seu art. 43,  introduzindo dois parágrafos, de forma a evidenciar a possibilidade de tributar rendas obtidas  no estrangeiro e a possibilidade da definição do momento em que se pode tributar a variação  patrimonial positiva no exterior, de titularidade de pessoa domiciliada no Brasil, nos seguintes  termos:   Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     32 Art.  43.  O  imposto,  de  competência  da  União,  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica  ou jurídica:  ...  §  1º  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem  e da forma de percepção.  § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá  as  condições  e  o  momento  em  que  se  dará  sua  disponibilidade,  para  fins  de  incidência do imposto referido neste artigo.   Entende­se que esses dispositivos não trouxeram, de fato, nenhuma novidade,  mas  apenas  deixaram  mais  claras  as  possibilidades  legais.  Assim,  se  não  havia  problemas  desde  a  edição  da  Lei  n.  9.249/1995,  com  a  edição  da  Lei  Complementar  n.  101/2001,  que  introduziu  as  modificações  transcritas  acima  no  CTN,  nenhuma  dúvida  poderia  haver  com  relação à possibilidade de lei ordinária definir o momento em que se pode tributar os lucros no  exterior  (que  representam  uma  variação  patrimonial  positiva  do  investidor  domiciliado  no  Brasil), e então sobreveio o art. 74 da Medida Provisória n. 2.158­34, de 27 de julho de 2001,  que  foi  “cristalizada”  como MP  n.  2.158­35/2001  (em  decorrência  do  art.  2º  da  Emenda  à  Constituição n. 32/2001), e que tem a seguinte redação.    Art.  74.  Para  fim  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  da  CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art.  21  desta  Medida  Provisória,  os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada  no  exterior  serão  considerados  disponibilizados  para  a  controladora  ou  coligada  no  Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.  Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31  de  dezembro  de  2001  serão  considerados  disponibilizados  em 31  de  dezembro  de  2002,  salvo  se  ocorrida,  antes  desta  data,  qualquer  das  hipóteses  de  disponibilização previstas na legislação em vigor.    Deve­se  deixar  claro  e  cristalino  que  esta  forma  de  tributação  é  possível,  corriqueira  e  constitucional  em  face  da  CF/88.  Trata­se  da  prática  corrente  de  tributação  internacional, embora a lei brasileira (art. 74 da MP n. 2.158­34/2001) tenha fugido um pouco  dos  padrões  internacionais  ao  tributar  antecipadamente  à  distribuição  tanto  os  lucros  decorrentes de rendas ativas quanto de rendas passivas, de maneira genérica. Contudo, não há  como fugir do fato de que renda é renda (independentemente de sua natureza jurídica, cláusula  non olet). Assim tributar ou não determinada modalidade de renda é meramente uma questão  de política tributária. Por outro lado o STF ao julgar o art. 74 da MP n. 2.158­35/2001 (ADIn  2.588/DF) deixou bem claro que esta forma de tributação é constitucional, ou seja, é possível  se tributar os lucros da controlada no exterior ainda que não distribuídos ao beneficiário efetivo  residente  no Brasil,  i.e.,  ainda  que não  efetivamente  distribuído  ao  controlador ou  possuidor  das  cotas  e  capital  residente  no  Brasil.  O  STF,  por  outro  lado,  restringiu  a  tributação  das  coligadas,  entendendo  constitucional  somente  se  a  investida  estiver  operando  em  paraísos  fiscais (um arroubo de legislador positivo interferindo em atribuições constitucionais típicas de  outros poderes do Estado, mas a decisão é definitiva neste aspecto). De lembrar, por oportuno,  que  o  STF  não  decidiu  sobre  o  efeito  da  incidência  das  convenções  para  evitar  a  dupla  tributação, mesmo porque há dúvidas se este tema é matéria de índole constitucional.  Discutiu­se  muito  a  respeito  da  eficiência  econômica  da  norma,  mas  isto,  como já foi dito, é uma questão de política tributária. Se o efeito econômico da norma é ruim  para a internacionalização das empresas brasileiras, é uma questão de opção do legislador, que  apenas a torna questionável do ponto de vista de política tributária. A norma é constitucional, o  STF não afastou a tributação dos lucros das controladas no exterior, ainda que não distribuídos.  A norma brasileira atua da mesma forma como faz também grande parte dos outros países, por  via  das  denominadas  normas  CFC  (de  Controlled  Foreign  Corporations),  i.e.,  normas  Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.528          33 destinadas a impedir que os lucros acumulados no exterior pelos residentes no País tenham sua  tributação postergada ad aeternum, ou seja, fazendo com que sua distribuição ou utilização que  permitiria sua tributação em um regime normal nunca aconteça.  Veja­se  que  as  diversas  normas  CFC  existentes  nos  diversos  países  tem  diversos  contornos,  sendo  que  algumas  só  tributam  rendas  passivas,  outras  tributam  rendas  passivas e ativas  (embora algumas dessas possam ser excluídas)  (e.g., China, França  e Nova  Zelândia),  outras  tributam  também  as  rendas  ativas  a  depender  do  percentual  em  relação  às  rendas  passivas  (e.g.,  Turquia)  ­  não  podendo,  portanto  este  ser  um  critério  de  distinção. O  conceito do que é uma empresa sujeita ao regime de norma CFC varia muito, dependendo do  percentual de participação (e.g., na Nova Zelândia é 10%) e de outros  fatores. Alguns países  tem “listas negras” às quais se aplicam as normas CFC, outros tem “listas brancas” aos quais  não se aplica, outros não  tem  lista nenhuma para efeito de aplicação da norma CFC. Alguns  países  tributam, via norma CFC,  expressamente  como distribuição presumida de dividendos,  outros  tem normas com estrutura semelhante à brasileira. Também o critério de definição do  que é uma empresa controlada no exterior  (CFC) para efeito de aplicação das normas  típicas  varia muito de país para país; alguns focam em evasão tributária, outros países tem normas de  escopo mais amplo. Em suma, não há um padrão, e não há definição consensual do que seja  uma  norma  CFC.  Há  apenas  um  ponto  comum  nas  normas  CFC:  evitar  o  adiamento  da  tributação  por  tempo  indefinido  (anti­deferral)  –  e  este  requisito  a  norma brasileira  cumpre.  Mesmo a imputação de que a norma brasileira é genérica não se lhe aplica, visto que nos casos  de investimento não relevante (critério que pode ser diferente em outro país), a tributação só se  dá  na  distribuição  dos  dividendos.  O  fato  da  norma CFC  brasileira  ser  uma  norma  “forte”,  visando coibir práticas elisivas agressivas de uma forma mais estrita, não retira dela a natureza  de  norma  CFC  (aspectos  que  foram  mitigados  pelo  novo  tratamento  do  tema  pela  Lei  12.973/2014).  No  que  diz  respeito  aos  comentários  da OCDE  e  conceito  de  norma CFC,  incluindo o seu conceito, cumpre trazer à citação o que dispõe o par. 23 dos Comentários ao  art.  1º  da  Convenção  Modelo  da  OCDE  (parágrafo  introduzido  em  1992,  com  alterações,  permanece na atualização de 2014, redação abaixo de 2003), também reproduzido e endossado  nos Comentários ao art. 1º da Convenção Modelo da ONU, conforme abaixo:    23.  A  utilização  de  sociedades  de  base  também  pode  ser  tratada  por  meio  de  disposições sobre sociedades estrangeiras controladas. Um número significativo de  países membros e não­membros já adotaram tal legislação. Apesar do modelo deste  tipo  de  legislação  variar  consideravelmente  entre  os  países,  uma  característica  comum  dessas  regras,  que  são  agora  reconhecidas  internacionalmente  como  um  instrumento legítimo para proteger a base tributária nacional, e fazem com que um  Estado  Contratante  tribute  seus  residentes  pelo  rendimento  atribuível  a  sua  participação  destes  em  determinadas  entidades  estrangeiras.  Algumas  vezes  tem  sido argumentado, com base em uma determinada interpretação de disposições da  Convenção,  tais como o parágrafo 1º do Artigo 7º e o parágrafo 5º do Artigo 10,  que  esta  característica  comum  da  legislação  sobre  sociedades  estrangeiras  controladas  conflitaria  com  essas  disposições.  Pelas  razões  explicadas  nos  parágrafos 14 do Comentário ao Artigo 7º e parágrafo 37 do Comentário ao Artigo  10, essa interpretação não está em conformidade com o texto das disposições. Essa  interpretação  também  não  se  sustenta  quando  estas  disposições  são  lidas  em  seu  contexto.  Desse  modo,  embora  alguns  países  tenham  achado  útil  esclarecer  expressamente,  em  suas  convenções,  que  a  legislação  sobre  sociedades  estrangeiras controladas não conflita com a Convenção, tal esclarecimento não é  necessário.  Reconhece­se  que  a  legislação  sobre  sociedades  estrangeiras  Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     34 controladas  estruturada  dessa  forma  não  é  contrária  às  disposições  da  Convenção.21(Negritou­se).  Neste  sentido  há  que  se  concordar  com  os  argumentos  trazidos  pelo  recorrente (fls. 2.644­2.645), conforme adiante:    Apesar de pertinentes as críticas, é preciso enfatizar que essa foi a escolha feita pelo  Brasil ao adotar o seu regime CFC. Implica dizer que o legislador pátrio optou por  não seguir integralmente as orientações da OCDE, o que é perfeitamente normal e  válido. Vale lembrar que os trabalhos, orientações, relatórios e modelos elaborados  pela OCDE não tem força cogente sobre nenhum país – nem mesmo para os seus  membros.  Portanto,  o  fato  de  o  Brasil  ter  escolhido  não  incluir  o  método  jurisdicional e o método  transacional na  legislação apenas indica uma opção de  política fiscal. Contudo, isso não pode servir de fundamento para afirmar que não  se pretendia instituir uma norma CFC por meio do art. 74 da Medida Provisória  nº  2.158­35/01.  Nesse  ponto,  basta  lembrar  os  elementos  examinados  acima  –  gramatical, histórico e finalístico –, para se concluir pela natureza CFC da norma  inserida no referido art. 74.  Ademais, cumpre rebater uma crítica que constantemente é lançada contra a norma  CFC  brasileira,  qual  seja:  não  seguir  o  “padrão  internacional”,  uma  vez  que  a  maioria dos países, ao adotarem normas CFC, utilizam o método transacional e o  jurisdicional como parâmetro. Em relação a esse aspecto, importante ressaltar que  o fato de a norma brasileira ser diferente não retira a sua natureza de norma CFC.  Primeiramente,  cumpre  frisar  que  o  Brasil  não  está  obrigado  a  seguir  nenhum  modelo – ainda mais da OCDE, que consiste em organização internacional da qual  o Brasil não faz parte. Implica dizer que não existe nenhuma norma cogente, interna  ou externa, que imponha ao Brasil a adoção de um modelo específico de legislação  CFC.  Por seu turno, relevante ressaltar que a essência da norma CFC foi preservada no  art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35/01, visto que se estabeleceu um regime  específico  para  a  tributação  dos  rendimentos  auferidos  por  intermédio  de  controladas e coligadas situadas no exterior – de modo a concretizar a tributação  universal  da  renda  e  impedir  o  diferimento  por  tempo  indeterminado  da  tributação.  Esse  aspecto  é  que  deve  ser  levado  em  consideração  ao  definir  a  natureza  da  norma  CFC,  e  não  a  observância  de  modelos  elaborados  por  organismos  internacionais  –  ainda mais quando o Brasil  não  for  integrante  desta  organização  internacional. Nessa  perspectiva,  apenas  para  reforçar  o  argumento,  cabe  citar  o  exemplo  das  regras  sobre  preço  de  transferência  adotadas  pelos  Brasil.  A  Lei  n.  9.430,  de  1996,  ao  instituir  o  regime  de  preço  de  transferência  brasileiro,  previu  que  o  cálculo  do  preço  parâmetro  observaria  a  sistemática das  margens  fixas.  Ocorre  que  essa  metodologia  é  totalmente  diferente  da  que  é  observada pela maioria  dos  países  –  notadamente,  os  países­membros  da OCDE,  que  seguem  o  modelo  elaborado  pela  referida  organização  internacional.                                                              21  23.  The  use  of  base  companies  may  also  be  addressed  through  controlled  foreign  companies  provisions.  A  significant number of member and non­member countries have now adopted such legislation. Whilst the design of  this  type  of  legislation  varies  considerably  among  countries,  a  common  feature  of  these  rules,  which  are  now  internationally  recognised  as  a  legitimate  instrument  to  protect  the  domestic  tax  base,  is  that  they  result  in  a  Contracting State taxing its residents on income attributable to their participation in certain foreign entities. It has  sometimes been argued, based on a certain interpretation of provisions of the Convention such as paragraph 1 of  Article  7  and  paragraph  5  of  Article  10,  that  this  common  feature  of  controlled  foreign  companies  legislation  conflicted with these provisions. For the reasons explained in paragraphs 14 of the Commentary on Article 7 and  37 of  the Commentary on Article 10,  that  interpretation does not accord with  the  text of  the provisions.  It  also  does not hold when these provisions are read in their context. Thus, whilst some countries have felt  it useful  to  expressly  clarify,  in  their  conventions,  that  controlled  foreign  companies  legislation  did  not  conflict  with  the  Convention,  such  clarification  is  not  necessary.  It  is  recognised  that  controlled  foreign  companies  legislation  structured  in  this way  is not contrary  to  the provisions of  the Convention. UN. United Nations Model Double  Taxation Convention between Developed and Developing Countries. New York: UN, p. 69­70 (disponivel em  http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Model_2011_Update.pdf).  Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.529          35 Percebam,  Srs.  Conselheiros,  que  ninguém  questiona  a  natureza  das  normas  previstas nos art. 18 e 18­A da Lei no 9.430, de 1996, isto é, todos concordam que  tratam­se  de  regras  sobre  preço  de  transferência.  Implica  dizer  que,  mesmo  o  regime brasileiro de preço de  transferência sendo distinto da maioria dos países,  isso não serviu como justificativa para desqualificar as normas da Lei no 9.430, de  1996.  A  mesma  lógica  deve  ser  aplicada,  agora,  à  norma  CFC  brasileira:  não  obstante o legislador pátrio ter seguido caminho diferente dos demais países, isso  não configura motivo legítimo para rechaçar a natureza de norma CFC do art. 74  da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001.  Diante do exposto, parece não restarem dúvidas de que o art. 74  da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, detém a natureza de  norma CFC. (Negritos e sublinhados no original).  Assim,  não  há  como discordar dos  argumentos  do  recorrente  neste  sentido,  i.e.,  que  se  trata,  in  casu,  de  norma  CFC,  visando  impedir  o  diferimento  da  tributação  dos  lucros obtidos no exterior, e que está perfeitamente compatível com o art. 43 do CTN. Este é o  cenário  que  se  nos  depara  e  que,  entendo,  afasta  os  argumentos  do  Ac.  recorrido  ao  tentar  rediscutir a validade per se da norma contida no art. 74 da MP n. 2.158­34/2001, aplicável ao  caso  em  que  empresa  no  exterior  é  controlada  da  empresa  brasileira  contribuinte  objeto  do  lançamento.  Ademais, entendo que, independentemente da existência dos §§ 2º e 3º do art.  43 do CTN, esta norma do no art. 74 da MP n. 2.158­34/200 1seria válida, pois se destina a  evitar, considerando o sistema de tributação universal, que o contribuinte adie indefinidamente  a tributação de sua variação patrimonial positiva (fato gerador do imposto de renda) obtida no  exterior. Lembro, novamente, que, em relação à pessoa física, desde antes de o CTN em vigor,  existe  a  afetiva  incidência  do  imposto  de  renda  em  bases  universais,  nunca  tendo  sido  considerada  incompatibilidade  com  o  CTN.  A  alteração  do  CTN  só  deixou mais  clara  esta  possibilidade  que,  repito,  já  existia,  i.e.,  tanto  a  incidência  em  bases  universais,  quanto  a  possibilidade  de  tributar  sua  variação  patrimonial  positiva  obtida  no  exterior,  ainda  que  não  efetivamente distribuída ao seu beneficiário efetivo domiciliado no Brasil.  Concordo com o ac. recorrido quando diz que o art. 10 não se aplica porque  ele só se aplica aos dividendos efetivamente distribuídos (fl. 2.595). Porém não se  trata de a  norma do art. 74 da MP n. 2.158­35/2001 não se trata “ficção legal”, embora o efeito, e frise­ se,  o  efeito  é  de  uma  distribuição  presumida,  que  como  já  foi  dito  corresponde  à  variação  patrimonial positiva da controladora no Brasil. E não se trata, também, conforme entende o Ac.  recorrido  de  uma  one  line  consolidation,  isto  porque,  a  rigor,  não  se  faz  consolidação  para  efeitos fiscais, a norma tributária não determina isto.  A  tributação  é do  lucro  da  empresa brasileira,  que corresponde ao  lucro da  controlada ou investida no exterior, assim não há ficção na Lei; mas, sim, a disponibilização é  presumida,  pois  ela  efetivamente  não  ocorreu;  aliás,  se  tivesse  ocorrido  a  efetivamente  a  disponibilização não se precisaria da norma do art. 74 nessas situações. Assim, não se trata de  tributação em decorrência de consolidação ou de desconsideração da personalidade jurídica da  controlada, conforme entende o Ac. recorrido. Este entendimento vai frontalmente de encontro  à  literalidade  da  lei,  que  não  desconsidera  a  forma como  a  outra  empresa  foi  constituída no  outro  estado.  Pelo  contrário,  o  tributo  incide  sobre  o  reflexo  positivo  no  patrimônio  da  controladora brasileira dos resultados obtidos pela controlada (sem descaracterizá­la como tal,  não  há  nada  na  legislação  tributária  que  possa  sugerir  tal  coisa).  Neste  aspecto  há  que  se  concordar  totalmente  com  os  argumentos  expostos  do  recorrente  (fls.  2.645­2.646)  ,  como  segue:  Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     36 O segundo ponto que precisa ser esclarecido é que o art. 74 da Medida Provisória  nº 2.158­35, de 2001, constitui apenas uma técnica de tributação. Significa dizer que  o  propósito  dessa  norma  CFC  não  é  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  da  controlada  ou  coligada  situada  no  exterior,  mas  apenas  incluir  na  apuração  do  tributo devido pela empresa residente no Brasil os resultados obtidos por intermédio  da  subsidiária  estrangeira.  Tanto  é  assim  que  o  caput  do  referido  art.  74  traz  somente  a  definição  do  momento  da  disponibilização  dos  lucros  auferidos  no  exterior para a controladora ou coligada no Brasil. A percepção dessa realidade é  fundamental para entender o exato conteúdo da norma, qual seja:  trata­se de uma  regra que permite fixar um marco para a disponibilização de lucros e, com isso, sua  inclusão na apuração do IRPJ e da CSLL da controladora ou coligada residente no  Brasil. Esse é o núcleo da norma e é a partir dele que devem ser extraídos os efeitos  tributários.   Nesse contexto, convém ressaltar que o argumento do Relator de que estariam sendo  tributados os  lucros das  empresas  estrangeiras  (PNBV e PIBBV)  contrasta  com o  próprio comando do dispositivo ora analisado. Isso porque o objeto da norma são  os  lucros  disponibilizados  aos  sócios,  e  estes  não  podem  ser  confundidos  com  os  lucros  da  própria  pessoa  jurídica  que  auferiu  os  resultados  no  país  estrangeiro.  Assim,  ao  mencionar  os  lucros  disponibilizados  pelas  controladas  e  coligadas  situadas no exterior, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, refere­se  à parcela que caberia aos sócios brasileiros do lucro apurado no exterior por suas  subsidiárias.  Essa interpretação feita acima sobre o art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35, de  2001, é bom frisar, coaduna­se com todo o cenário delineado até aqui, a saber: a) a  natureza  CFC  da  norma,  com  sua  peculiaridade  intrínseca  de  reconhecer  a  personalidade  jurídica  distinta  da  controladora  residente  no país  e da  controlada  situada no exterior; b) a  sua  finalidade de  implementar a  tributação universal da  renda das pessoas jurídicas residentes no Brasil – o que corrobora a tese de que o  objeto  da  norma  é  tributar  o  lucro  do  contribuinte  residente  no  país, mesmo que  para isso tenha­se como parâmetro a sua participação nos resultados obtidos pelas  suas controladas ou coligadas residentes no exterior; c) a noção de  transparência  fiscal  e  a  utilização  da  norma  como  um  instrumento  para  evitar  o  diferimento  indeterminado  da  tributação  das  rendas  auferidas  no  exterior  por  intermédio  de  empresas controladas ou coligadas – daí o porquê da estipulação do momento em  que  se consideram disponibilizados  os  lucros para a  empresa residente no Brasil.  Diante disso, pode­se afirmar que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35, de  2001,  nunca  teve  por  objetivo  tributar  o  lucro  de  pessoas  jurídicas  residentes  em  outros países.(negritos e sublinhados no original)  Adicionalmente, frise­se que há, sim, disponibilidade jurídica a ser tributada  no  Brasil,  tanto  é  que  a  controladora  pode  ter  o  lucro  distribuído  aqui  no  Brasil,  conforme  demonstra  o  C. Alberto  Pinto  em  sua  declaração  de  voto  no Acórdão  n.  1302­001.630  (fls.  2.127)  em  trecho  abaixo  transcrito  (a  legislação  referida  estava  em  vigor  à  época  dos  fatos  geradores):  14.  Verificado  quando  se  deve  aplicar  o  MEP,  cabe  agora  analisarmos  a  mais  importante  conseqüência  da  sua  aplicação,  qual  seja,  o  reconhecimento  pela  investidora  dos  lucros  da  investida  ao  mesmo  tempo  em  que  são  produzidos,  independentemente  de  terem  sido  distribuídos.  Com  isso,  antes  mesmo  de  serem  recebidos,  os  lucros  das  investidas  avaliadas  pelo  MEP  já  representam  um  acréscimo patrimonial na investidora, pois, como bem ensina Modesto Carvalhosa  (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, vol. 4 – tomo II, ed. Saraiva, pág.  50):  “Há  assim  um  registro  concomitante  do  resultado  na  “sociedade  filha’  e  na  ‘sociedade  mãe’.  Daí  dizer  que  a  investidora  apropria,  com  a  equivalência  patrimonial,  o  resultado  derivado de  seus  investimentos  nas  sociedades  investidas  por regime de competência, e não por caixa, quando distribuído”. [grifo nosso]   Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.530          37 15. Além disso, os lucros das investidas avaliadas pelo MEP, antes mesmo de serem  efetivamente recebidos, podem ser distribuídos pela investidora aos seus acionistas  (ou sócios), já que a maneira de evitar tal distribuição que seria pela constituição  de  uma  reserva  de  lucros  a  realizar  é  uma  mera  faculdade  da  empresa,  se  não  vejamos como dispõe o art. 197 da Lei nº 6.404, de 1976, com a redação que lhe foi  dada pela Lei nº 10.303, de 31 de outubro de 2001:   Art. 197. No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos  termos do estatuto ou do art. 202, ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido  do exercício, a assembleia­geral poderá, por proposta dos órgãos de administração,  destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar.   § 1º Para os efeitos deste artigo, considera­se realizada a parcela do lucro líquido  do exercício que exceder da soma dos seguintes valores:  I­ o resultado líquido positivo da equivalência patrimonial (artigo 248);   II o lucro, ganho ou rendimento em operações cujo prazo de realização financeira  ocorra após o término do exercício social seguinte.   § 2º [...]   16. Dessa  forma, caso a  investidora não constitua reserva de  lucros a  realizar  (o  que poderá  fazer,  já que a  formação de  tal  reserva é uma mera  faculdade e, não,  uma  obrigação),  o  percentual  de  dividendos  distribuídos  poderá  incidir  sobre  a  parcela  do  seu  resultado  gerada  por  lucros  ainda  não  distribuídos  de  investidas  avaliadas pela equivalência patrimonial. Isso se deve ao fato de que a Lei das S/A  adota o regime de competência, de tal sorte que, mesmo não tendo sido recebido os  lucros  das  investidas  (ou  seja,  de  não  ter  sido  financeiramente  realizado),  eles  compõem  o  resultado  da  investidora,  passível  de  distribuição  aos  acionistas  (ou  sócios). (Grifos e negritos no original).  Não se pode também concordar com a ideia do Ac. recorrido de que está a se  tributar o lucro da entidade estrangeira no exterior enquanto no exterior, mas, o que o lucro da  controlada no exterior representa em termos de variação patrimonial positiva no patrimônio da  entidade  brasileira.  Repise­se,  o  fato  gerador  tributável  é  variação  patrimonial  positiva  identificada na  controladora brasileira, que corresponde aos  lucros da  controlada no exterior.  Não existe, portanto, o exercício de poderes coercitivos e sancionatórios do Fisco brasileiro em  território estrangeiro, pois a entidade tributada é a brasileira, em território brasileiro. O fato de  a  IN n. 213/2003 determinar que se inclua para efeito de cálculo o lucro do exterior antes da  tributação é mera metodologia de cálculo, de modo a permitir que o imposto pago no exterior  seja deduzido do imposto a ser pago no Brasil, caso contrário, e.i., se fosse pelo valor líquido,  sempre  haveria  tributação,  ainda  que  a  alíquota  do  países  estrangeiro  fosse  maior  que  a  brasileira. Ou seja, se alíquota do país estrangeiro for igual ou maior que a brasileira nada há a  pagar, o que só acontece se for inferior à brasileira.  Nesse sentido, esta metodologia é correta para se aplicar o art. 26 da Lei n.  9.249/1995, conforme se extrai do seu texto, que segue transcrito:    Art.  26.  A  pessoa  jurídica  poderá  compensar  o  imposto  de  renda  incidente,  no  exterior,  sobre  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  computados  no  lucro  real,  até  o  limite  do  imposto  de  renda  incidente,  no  Brasil,  sobre  os  referidos  lucros, rendimentos ou ganhos de capital.  § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no  Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no  exterior,  será  proporcional  ao  total  do  imposto  e  adicional  devidos  pela  pessoa  jurídica no Brasil.  § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente  no  exterior  deverá  ser  reconhecido  pelo  respectivo  órgão  arrecadador  e  pelo  Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.  Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     38 § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais,  de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago;  caso  a  moeda  em  que  o  imposto  foi  pago  não  tiver  cotação  no  Brasil,  será  ela  convertida em dólares norte­americanos e, em seguida, em Reais.  Conforme  disciplinado  pela  IN  SRF  n.  213/2002,  em  seu  artigo  1º,  §7º,  e  artigo 14, relativamente aos seus §§ que importam para a discussão do tema, que estatuem:    Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa  jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das  pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na  forma  da  legislação  específica,  observadas  as  disposições  desta  Instrução  Normativa.  ...  §  7º Os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  de  que  trata  este  artigo  a  serem  computados  na  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  de CSLL,  serão  considerados  pelos  seus  valores  antes  de  descontado  o  tributo  pago  no  país  de  origem.  ...  COMPENSAÇÃO  DO  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR  COM  O  IMPOSTO  DE  RENDA DEVIDO NO BRASIL  Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada  ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser  compensados com o que for devido no Brasil.  ...  § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional  ao  montante  dos  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  que  houverem  sido  computados na determinação do lucro real.  ...  § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o  montante  do  imposto  de  renda  e  adicional,  devidos  no  Brasil,  sobre  o  valor  dos  lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real.  É neste sentido, também, que dispõe o Tratado Brasil­Holanda em seu artigo  23, § 5º, abaixo transcrito:    CAPÍTULO IV  Eliminação da Dupla Tributação  ARTIGO 23  Eliminação da Dupla Tributação  1.  Ao  tributar  os  seus  residentes,  a  Holanda  pode  incluir  na  base  de  cálculo  os  rendimentos que, nos termos desta Convenção, podem ser tributados no Brasil.  ...  5.  Quando  um  residente  no  Brasil  receber  rendimentos  que,  nos  termos  desta  Convenção, possam ser  tributados na Holanda, o Brasil  permitirá,  como dedução  do  imposto  de  renda  dessa  pessoa,  um  valor  igual  ao  imposto  de  renda  pago  na  Holanda. Todavia, a dedução não será maior do que a parcela do imposto que seria  devido antes da inclusão do crédito correspondente aos rendimentos que podem ser  tributados na Holanda.  A respeito do cálculo do imposto conforme previsto na IN 213/2002, veja­se  que  metodologia  de  incluir  na  tributação  o  valor  antes  de  deduzido  os  tributos  pagos  no  exterior, para somente depois permitir sua dedução, é a única forma de cálculo que permite a  dedução  do  tributo  pago  no  outro  estado,  sendo,  portanto,  norma que protege o  contribuinte  brasileiro. À evidência, não há incompatibilidade ou conflito na aplicação dos dispositivos da  legislação interna e da norma convencional. Assim, os argumentos do Ac. recorrido em relação  a esse aspecto também não podem subsistir, isto porque, conforme demonstrado não se tributa  no Brasil diretamente o lucro estrangeiro, pois o que se tributa é a variação patrimonial positiva  Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.531          39 (acréscimo patrimonial) auferida no Brasil e correspondente ao lucro obtido no estrangeiro pela  controladora brasileira, o que é bem diferente de tributar o “lucro no estrangeiro”.  O  Ac.  recorrido  trata  também  do  tema  sob  a  ótica  da  denominada  “competência exclusiva” relativamente ao art. 7º da Convenção. O tratamento da denominada  competência exclusiva dado pelo Ac. recorrido, a partir do art. 7º, isto é a partir do seu texto,  de  forma  a  extrair  daí  efeitos  que  impedem  a  tributação  nos  países  onde  está  domiciliada  a  controladora,  implica  transformar  a  tributação  em  bases  universais  em  tributação  em  base  territorial, só permitindo a tributação em bases universais quando a empresa operar por meio de  filiais no exterior, sem que estas tenham personalidade jurídica própria. É que a modalidade de  tributação  de  um  mero  estabelecimento  permanente  pode  ser  diferente  da  tributação  de  entidades  com  personalidade  jurídica  própria  e  residentes  no  exterior,  mas  controladas  por  empresas brasileiras ou a estas coligadas. Ocorre que o art. 7º da Convenção em debate versa  sobre a tributação na Holanda, não de coligadas e controladas, mas de atividades empresarias  na Holanda, por empresas domiciliadas no Brasil e os efeitos decorrentes de haver ou não na  Holanda, um estabelecimento permanente (art. 5º da Convenção).  Há que destacar também, como é assente, que o art. 7º se presta a eliminar a  chamada  dupla  tributação  jurídica  (tributação  sobre  a  mesma  pessoa  em  relação  ao  mesmo  rendimento,  por  duas  jurisdições  diferentes,  no  mesmo  período  de  tempo)  –  caso  típico  da  tributação na fonte nas remessas (vis a vis à tributação no domicílio do mesmo contribuinte) e  não  a  dupla  tributação  econômica  (tributação  do  mesmo  rendimento  por  duas  jurisdições  diferentes,  no  mesmo  período  de  tempo,  nas  mãos  de  duas  pessoas  diferentes)  –  que  é  a  suscetível  de  acontecer  com  as  normas  CFC,  mas  cujos  efeitos  podem  ser  mitigados  pela  aplicação  dos  art.  23  das  convenções  modelo  e,  a  depender  da  situação  (preços  de  transferência),  também pelo  art.  9º  (que  trata das  empresas  associadas).22 Por  esse  raciocínio  também não se aplica o art. 7º à situação de incidência de norma CFC.  Repise­se  que  o  artigo  7º  das  convenções  de  dupla  trirbutação  foi  pensado  para se impedir que sejam tributados na fonte receitas “(“lucros” – profits) remetidas ao país de  residência,  sem  que  haja  uma  presença  efetiva  da  empresa  no  outro  país,  a  não  ser  que  o  rendimento  seja  abrangido  nos  outros  itens  específicos  do  tratado.  Assim,  se  tiver  um  estabelecimento permanente (no que se remete ao art. 5º da CDT, que define os critérios para  este  fim),  ou  tiver  um  subsidiária,  uma  controlada,  os  lucros  podem  ser  tributados  também  pelo país em que eles são gerados.   No caso  em questão nem existe a discussão acerca da existência ou não de  um estabelecimento permanente, o que existe é uma empresa na Holanda, controlada por uma  brasileira (cujas relações se inserem no âmbito do art. 9º da Convenção). Assim, aplica­se, sim,  o  art.  23,  §  5º,  da  Convenção  Brasil­Holanda  –  veja­se  a  IN  SRF  n.  213/2002  que,  pela  sistemática descrita em seus artigos 13 a 15 permite a dedução do imposto pago na Holanda na                                                              22  Conforme Klaus  Vogel:  “C)  Relation  between  Art.  9  (1)  and  the  distributive  rules:  Both  Art.  7  and  Art.  9  indicate that business profits should be taxed in the State in which the originate economically. According to Art. 7,  this may be the enterprise's State of residence or the State of the permanent establishment. According to Art. 9, it  should be the  State of residence of the enterprise the profits of which were reduced. Art. 7, read in conjunction  with Art. 23 serves the purpose of avoiding double taxation of one and the same taxpayer by the State of residence  and by the State of source. Art. 9 differs from Art. 7 and the other MC distributive rules in that it deals with the  relationship of Two States of  residence  and  the  taxation  of  legally  independent  taxpayers,  each of  them by  his  State of residence. In essence, however, there is a close connection with the typical distributive rules inasmuch as  Art. 9 concerns the question of whether an element of profits which has been (or possibly will be) subjected to tax  in the foreign contracting State may nevertheless be attributed to, and taxed in the hands of, a domestic enterprise.  Consequently, Art.9 is designed to avoid economic double taxation[…].”(Negritros no original). VOGEL, Klaus.  Klaus Vogel on Double Taxation. 3 ed. Londres: Kluwer, 1991, p.  518.  Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     40 sistemática de  imputação, coadunando­se  integralmente com o referido art. 23, no sentido de  evitar  que  ocorra  a  dupla  tributação,  já  que  o  tributo  pago  na  Holanda  é  considerado  para  efeitos do pagamento do tributo no Brasil.  Assim,  há  duas  opções  ao  intérprete  da  norma  CFC:  a)  simplesmente  é  tributada a variação patrimonial verificada no Brasil, que corresponde ao lucros auferidos por  controlada  ou  coligada  no  exterior,  que  são  apurados  conforme  o  balanço  da  controlada  ou  coligada – intepretação estática; b) o que se tributa é a distribuição presumida de dividendos ou  lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior, que são apurados conforme o balanço  da controlada ou coligada – intepretação dinâmica.  De toda sorte, ambas as  formas de intepretação, estática ou dinâmica levam  ao mesmo resultado e afastam a aplicação dos acordos de maneira geral, primeiro, conforme  demonstrado ao art. 7º, não se aplica de forma alguma ao presente caso, e, segundo, porque, no  caso da intepretação dinâmica, o art. 10, que se aplicaria, não se incide diretamente porque o  art. 10 das Convenções Modelo da ONU e da OCDE só se aplica aos dividendos efetivamente  distribuídos, assim como o art. 10 da Convenção Brasil­Holanda. Ou seja, só vai ser aplicado  no futuro, quando da efetiva distribuição.  Veja­se que seria  também afastada pela intepretação que o Ac. recorrido dá  ao art. 7º da Convenção bastando contrastar seus argumentos com o que diz o art. 5º, § 8º, da  Convenção Brasil­Holanda:    8. O fato de uma sociedade residente de num Estado Contratante controlar ou ser  controlada  por  sociedade  residente  no  outro Estado Contratante,  ou  exercer  suas  atividades naquele outro Estado (quer por meio de um estabelecimento permanente,  ou  por  outro  modo),  não  será,  por  si  só,  bastante  para  fazer  de  uma  dessas  sociedades estabelecimento permanente da outra.  Veja­se  que,  literalmente,  o  dispositivo  diz  que  o  fato  de  uma  sociedade  residente num Estado Contratante controlar no outro Estado Contratante outra sociedade, não  será, por  si  só, bastante para  fazer de uma dessas  sociedades estabelecimento permanente da  outra – ou seja, não se aplica o art. 7º na situação do presente processo. Assim o art. 7º, no caso  presente é norma de bloqueio para Holanda (e não do Brasil); assim, a Holanda só pode tributar  lá  uma  atividade  empresarial  brasileira,  se  lá  houver  um  estabelecimento  permanente  (sem  prejuízo dos outros itens de rendimento previstos na Convenção).  Em outras palavras, como o contribuinte não atua na Holanda por via de um  estabelecimento permanente, de forma alguma se pode cogitar da aplicação do art. 7º (quando  da efetiva distribuição de dividendos de aplicará o art. 10).23                                                              23 É o que claramente se denota do Manual da ONU sobre a Administração de Tratados de Dupla Tributação para  Países em Desenvolvimento, conforme abaixo: Business profits derived by non­residents in the source country are  potentially  taxable  under  several  provisions  of  a  tax  treaty,  depending  on  the  type  of  business  activity.  For  example,  profits  from  immovable  property  are  taxable  under Article  6;  profits  from  international  shipping  and  transportation are  taxable under Article 8; profits  from holding  investments or  licensing or  leasing property are  taxable under Articles 10, 11 and 12; and profits from services may be taxable under Article 14 (United Nations  Model  Convention,  independent  personal  services)  and  Article  17  (artistes  and  sportspersons).  These  other  provisions prevail over Article 7, subject to the throwback rules in Article 10 (4), Article 11 (4) and Article 12 (4)  of  the United Nations Model  Convention  and Article  12  (3)  of  the OECD Model  Convention.  Each  provision  contains its own threshold for source country taxation. For example, in the case of Ms. X carrying on business as  an independent contractor, her profits would be taxable under Article 14 of the United Nations Model Convention,  whereas  the  income earned by Xco would be  taxable under Article 7. The MNE  [Empresa Multinacional]  that  carries  on  business  in  the  source  country  through  a  PE  [estabelecimento  permanente]  would  be  taxable  under  Article 7, but under Article 10 if it carries on business in the source country through a local subsidiary when the  subsidiary  distributes  the  profits  in  the  form  of  dividends.  (Negritos,  itálicos    e  acrécimos  nossos) Ver  em LI,  Jinyan. Taxation of non­residents on business profits.  In: TREPELKOV, Alexander; TONINO, Harry; HAIKA,  Dominika  (Edits). United Nations Handbook on Selected Issues  in Administration of Double Tax Treaties  Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.532          41 Veja­se  também que o que  art.  7º  diz  e busca preservar  refere­se  a quando  uma empresa tem atuação empresarial no outro país por ela mesma. Se esta atuação se faz por  meio  de  participação  em  outra  empresa  residente  no  outro  país  (seja  via  controle  ou  mera  participação societária), o art. 7º não se aplica, mas sim, conforme a circunstância, o art. 9º (nas  transações entre as empresas associadas) ou o art. 10 (na distribuição dos lucros ou dividendos  – que são tributáveis na fonte e na residência do controlador). E veja­se que art. 9º é no sentido  de  se  atribuir  o  auferimento  de  rendimentos  resultantes  das  relações  entre  empresas  nessas  condições  de  forma  que  os  lucros  devem  ser  ajustados  ao  mesmo  montante  que  seriam  os  lucros no caso de empresas independentes – princípio arm´s lenght e que remete à legislação  interna de cada país como fazê­lo (normas de preços de transferência). 24 Ou seja, como já foi  dito, a  intepretação dada pelo Ac. recorrido ao art. 7º  impõe ao Brasil, em relação aos países  que  tenha  tratado,  uma  tributação  em  bases  territoriais  e  não  em  bases  universais  –  o  que  obviamente não é o objetivo das  convenções, mas  sim a  eliminação ou diminuição da dupla  tributação. Para esclarecer esse ponto, cumpre reproduzir os comentários à Convenção Modelo  da OCDE, de 2005, na introdução aos comentários ao art. 7º, que também são considerados no  Modelo da ONU (organização da qual o Brasil faz parte):    RELATIVO À TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DAS EMPRESAS  Observações prévias   O presente Artigo é, em muitos aspectos, a continuação e o corolário do Artigo 5º,  que  define  o  conceito  de  estabelecimento  estável.  O  critério  de  estabelecimento  estável é normalmente utilizado nas convenções internacionais de dupla tributação  a fim de determinar se um dado elemento do rendimento deve ser tributado ou não  no país em que é realizado; todavia, este critério não oferece só por si uma solução  cabal  ao  problema  da  dupla  tributação  dos  lucros  industriais  e  comerciais.  Para  evitar a concorrência de uma dupla tributação deste tipo, é necessário completar a  definição de estabelecimento estável, acrescentando uma série de normas acordadas  que permitam calcular o  lucro  realizado pelo estabelecimento  estável ou por uma  empresa  que  leve  a  efeitos  operações  comerciais  com  um membro  estrangeiro  do  mesmo grupo de empresas. Pondo a questão de uma forma ligeiramente diferente,  quando uma empresa de um Estado Contratante  exerce uma actividade  comercial  ou  industrial  no  outro  Estado  Contratante,  as  autoridades  deste  segundo  Estado  devem interrogar­se sobre dois pontos antes de tributarem os lucros das empresas:  em primeiro  lugar, a empresa possui um estabelecimento  estável no seu país? Na  afirmativa,  quais  são,  eventualmente,  os  lucros  relativamente  aos  quais  este  estabelecimento estável deve ser  tributado? São as regras a aplicar em resposta a  esta segunda questão que constituem o objecto do Artigo 7º. As regras que permitem  calcular  os  lucros  realizados  por  uma  empresa  de  um  Estado  Contratante  que  efectua  operações  comerciais  com  uma  Empresa  de  outro  Estado  Contratante,  quando ambas as empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial de facto sobre  o mesmo controlo, estão contidas no Artigo 9º. 25  O entendimento pela não aplicação do art. 7º às normas CFC, embora objeto  de  alguma  controvérsia,  é  corrente  e  aceito  na  doutrina  internacional26  e  nacional  e  pela                                                                                                                                                                                           for  Developing  Countries.  New  York:  UN,  2013,  p.  205.  Disponível  em  http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Handbook_DTT_Admin.pdf.  24 Conforme se pode ler em SOLUND, Stig ; VALADÃO, Marcos Aurélio Pereira . The Commentary on Article 9  The  Changes  and  Their  Significance  (Transfer  Pricing)  and  the  Ongoing  Work  on  the  UN  Transfer  Pricing  Manual. Bulletin for International Taxation, v. 66, p. 608­612, 2012.  25 CEF/DGI/MF­Portugal. Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio (OCDE). Versão  Condensada. Coimbra: Almedina, 2005, p. 173.  26 Ver e.g., LANG, Michael. “CFC Regulations and Double Taxation Treaties”. Bulletin for International Fiscal  Documentation. Vol 57:2, pp. 51­58 (2003).  Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     42 jurisprudência  de diversos  países. A doutrina  nacional,  referindo­se  à norma CFC  brasileira,  também  tem  posições  no  sentido  da  não  afetação  dos  tratados,  e.g.,  Marco  Aurélio  Greco,  conforme se transcreve abaixo:    Para Marco Aurélio Greco, uma vez que o referido artigo 74 estabelece a tributação  de  uma  variação  positiva  de  patrimônio  da  empresa  brasileira,  não  haveria  base  para  se  falar  em  bloqueio  da  tributação  prevista  neste  dispositivo  em  função  da  aplicação do art. 7º das convenções internacionais assinadas pelo Brasil, já que, em  nenhum momento, se estaria tributando lucros da empresa residente no outro país.  Em sua visão, mesmo nos casos em que determinada convenção prevê a isenção dos  dividendos pagos para residentes e domiciliados no Brasil, não estaria afastada a  tributação do art. 74, uma vez que, como dito acima, seu entendimento é no sentido  de  que  esta  regra  prevê  a  tributação  de  um  acréscimo  patrimonial  ocorrido  no  Brasil e não do resultado ainda não distribuído pela empresa brasileira.27  Em relação à jurisprudência internacional, i.e., casos de outros países sobre o  tema constata­se que majoritariamente as decisões tendem a afastar a aplicação dos tratados às  normas  CFC.  Veja­se,  por  exemplo  casos  recentes  como  o  Cemex  Net,28  decidido  pela  Suprema  Corte  do  México,  em  questão  que  envolvia  a  norma  CFC  mexicana  e  o  tratado  México­Irlanda  (de  lembrar  que  o  México  é  membro  da  OCDE),  mantendo  a  tributação  e  sustentando que norma CFC e o referido acordo não são contraditórios, mas complementares.  Tal julgado resultou na Tese 166820, de julho de 2009, da SCJN (Suprema Corte de Justiça da  Nação) do México, onde se lê:    El artículo 212 de la Ley del Impuesto sobre la Renta establece que los residentes en  México  o  en  el  extranjero  con  establecimiento  permanente  en  el  país  pagarán  el  impuesto por  los  ingresos de  fuente de  riqueza ubicada en  el  extranjero  sujetos a  regímenes fiscales preferentes que generen directamente o los que generen a través  de  entidades  o  figuras  jurídicas  extranjeras  en  las  que  aquéllos  participen,  en  la  proporción  que  les  corresponda.  Por  otro  lado,  diversos  tratados  internacionales  para evitar la doble tributación celebrados por México establecen que los ingresos  de  una  empresa  residente  en  un  Estado  contratante  sólo  pueden  gravarse  en  ese  Estado. En relación con lo anterior, se aprecia que lo que la legislación nacional  grava  no  son  directamente  las  utilidades  de  las  empresas  residentes  en  el  extranjero,  sino  los  beneficios que  los  residentes  en México  (y  los no  residentes  con  establecimientos  permanentes  en  el  país)  obtienen de su  participación en  la  generación de ingresos en aquellas jurisdicciones, lo que no se contrapone con los  tratados  mencionados.  Esto  es,  la  legislación  nacional  grava  el  ingreso  que  corresponde al residente en territorio nacional o al establecimiento permanente del  no residente, determinado conforme al  ingreso o  rendimiento de la figura  jurídica  "residente en el extranjero", aun si el dividendo, utilidad o rendimiento no ha sido  distribuido  y,  de  esta  forma,  la  legislación  mexicana  atribuye  al  contribuyente  residente  en  México  o  no  residente  con  establecimiento  permanente  un  monto  equivalente a los ingresos obtenidos de la entidad o figura residente en aquel Estado  conforme a lo que corresponda a la participación directa o indirecta que se tenga  en  esta  última,  de  donde  se  advierte  que  no  se  grava  el  ingreso  de  la  entidad  residente  en  el  extranjero,  sino  la  parte  del  rendimiento  que  corresponde  al  inversionista y que es susceptible de gravarse, atendiendo a la distinta personalidad  del  contribuyente  en México,  y  cumpliendo  con  la  intención  de  hacer  pesar  en  el  patrimonio  de  éste  el  impacto  positivo  que  corresponde  al  ingreso,  según  su  participación en el capital, y evitando el diferimiento en su reconocimiento. En ese  sentido, se concluye que las disposiciones contenidas en el Capítulo I del Título VI                                                              27 GRECO, Marco Aurélio; ROCHA, Sergio Andre. Tributação Direta:  Imposto  sobre a Renda.  In: UCKMAR,  Victor et al. Manual de Direito Tributário Internacional. São Paulo: Dialética:2012, p. 407­408.  28  Amparo  en  revisión  107/2008.  Cemex  Net,  S.A.  de  C.V.  y  otras.  9  de  septiembre  de  2008.  Ver  também  http://sjf.scjn.gob.mx/sjfsist/Documentos/Tesis/166/166820.pdf  Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.533          43 de la Ley del Impuesto sobre la Renta no transgreden el artículo 133 constitucional  29 (Negritos e itálicos nossos).  Há outros exemplos internacionais pela manutenção da norma CFC em face  dos  acordo  de  dupla  tributação,  cita­se,  e.g.:  o  caso  A  Oyi  ABp,  decidido  em  2002  pela  Suprema  Corte Administrativa  da  Finlândia  (envolvendo  a  Convenção  Finlândia­Bélgica),  a  decisão n.  265505 da Suprema Corte Administrativa da Suécia  (Skatterättsnämnden, Apr.  3,  2008, 2655­05), envolvendo a Convenção Suécia­Suíça; o caso decidido pela Suprema Corte  japonesa em 2008 (caso Gyo­Hi), tratando da aplicação da Convenção Japão­Singapura, dentre  outros, todos no sentido de que a existência de uma convenção de dupla tributação (que  inclui o art. 7º) não impede a aplicação da norma CFC.  O Ac. recorrido menciona o caso Schneider (França, de 2002), que deu pela  aplicação  do  art.  7º  das  convenções  à  norma  CFC  francesa.  Contudo  este  caso  tem  particularidades  em  virtude  de  especificidades  da  legislação  CFC  francesa,  que  estava  em  discussão,  e  assim  tem  um  grau  de  comparabilidade  extremamente  limitado  em  relação  à  situação brasileira, não servindo de paradigma, mesmo porque a França  tributa a renda da PJ  em bases territoriais. Já o caso finlandês A Oyi ABp, também citado no Ac. recorrido, deu pela  não aplicação do art. 7º das convenções, ou seja no sentido do Ac. recorrido.  Assim,  verifica­se  que  a  decisão  recorrida  não  é  consentânea  com  a  prática  internacional, seja a jurisprudência judicial e administrativa  internacional mais  atual, seja a doutrina.  As  normas  CFC  são  compatíveis  com  os  tratados  de  dupla  tributação,  conforme os Comentários aos Modelos da OCDE e da ONU. Basta ver o citado par. 23 dos  comentários ao art. 1º que vem de longa data, e veja­se o que diz o texto do referido par. 10.1  (referente á atualização dos comentários à Convenção Modelo da OCDE de 2003, reproduzido  nas atualizações até 2014, com pequenas modificações), e corroborado na Convenção Modelo  da ONU, como segue:    10.1  O  número  1  tem  como  propósito  definir  os  limites  ao  direito  de  um  Estado  Contratante tributar os lucros realizados na sua atividade por empresas residentes  do  outro  Estado  Contratante.  Em  contrapartida,  este  número  não  restringe  o  direito de um Estado Contratante tributar os seus próprios residentes nos termos  das disposições relativas às sociedades estrangeiras controladas, constantes da sua  legislação interna, ainda que o imposto desse aplicado a esses residentes possa ser  calculado em função da parte de lucro de uma empresa residente em outro Estado  Contratante,  imputável  à  participação  desses  residentes  na  referida  empresa.  O  imposto deste modo aplicado por um Estado aos seus próprios residentes não reduz  os  lucros  da  empresa  do  outro  Estado,  pelo  que  não  se  pode  considerar  que  o  mesmo  incide  sobre  tais  lucros  (ver  também  o  parágrafo  23  dos Comentários  ao  Artigo 1.º e os parágrafos 37 a 39 dos Comentários ao Artigo 10º).30 (Negritou­se).                                                              29 Disponível em http://sjf.scjn.gob.mx/sjfsist/Documentos/Tesis/166/166820.pdf  30 No original em inglês: 13. The purpose of paragraph 1 is to provide limits to the right of one Contracting State  to tax the business profits of enterprises [that are residents] of the other Contracting State. The paragraph does not  limit the right of a Contracting State to tax its own residents under controlled foreign companies provisions found  in its domestic law even though such tax imposed on these residents may be computed by reference to the part of  the profits  of  an  enterprise  that  is  resident  of  the  other Contracting State  that  is  attributable  to  these  residents’  participation  in  that  enterprise. Tax so  levied by  a State on  its own  residents does not  reduce  the profits of  the  enterprise of the other State and may not, therefore, be said to have been levied on such profits (see also paragraph  23  of  the  Commentary  on Article  1  and  paragraphs  37  to  39  of  the  Commentary  on Article  10). UN. United  Nations Model Double Taxation Convention between Developed and Developing Countries. New York: UN,   p.  144  (Disponível  em  http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Model_2011_Update.pdf)  Tradução  do  texto  Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     44 O  fato  de  que  apenas  a  partir  de  2003  o  texto  do  parágrafo  10.1  dos  Comentários ao art. 7 passou a constar dos comentários da Convenção Modelo da OCDE, e da  ONU  a  partir  de  2011,  apenas  reflete  a  consolidação  deste  entendimento.31  É  verdade  que  apenas  uns  poucos  países  não  concordam  expressamente  com  isto:  Bélgica,  Irlanda,  Luxemburgo e Holanda (4 dentre os 30 membros da OCDE à época, i.e., menos que 14%  dos  seus  membros,  sendo  que  desses,  dois  têm  notórios  regimes  privilegiados  de  tributação). Contudo, apenas os três primeiros fizeram reservas aos comentários constantes do  parágrafo 10.1. do art. 7º ­ a Holanda não tem reserva no art. 7º ou seus comentários. A bem da  verdade,  a  Holanda  faz  uma  restrição  aos  comentários  do  art.  1º  a  Convenção  Modelo  da  OCDE.  Aqui cabe uma distinção  importante. Ao que consta o Brasil nunca  recebeu  uma indicação formal de que a Holanda entende incompatível a aplicação da norma brasileira  CFC em face da Convenção Brasil­Holanda. Assim, como o Brasil não é membro da OCDE, a  restrição  posta  pela  Holanda  em  um  documento  da OCDE,  diz  respeito  somente  aos  países  membros da OCDE. Na Convenção Modelo da ONU (organização da qual ambos países são  membros)  não  consta  manifestação  da  Holanda  neste  sentido,  o  que  é  relevante  pois  os  dispositivos do art. 7º são semelhantes. Não se pode tomar deliberações unilaterais constantes  em  documento  de  organização  internacional  de  que  o  Brasil  não  faça  parte  como  fonte  de  direito, este tipo de registro nem sequer pode ser entendido como soft law . E ainda que fosse,  em matéria tributária este tipo de soft law não se presta a ser fonte imediata de direito.  Ainda no que diz respeito aos Comentários da Convenção Modelo da OCDE,  veja­se o que diz seu par. 39, nos Comentários ao art. 10:    39.  Quando  a  sociedade  controlada  distribui  efetivamente  dividendos,  as  disposições  convencionais  relativas  aos  dividendos  são  normalmente  aplicáveis,  dado  tratar­se  de  rendimentos  com  a  natureza  de  dividendos,  nos  termos  da  Convenção. O país da sociedade controlada pode, portanto, sujeitar o dividendo a  uma  retenção  na  fonte.  O  país  da  residência  do  acionista  aplicará  os  métodos  normais para evitar a dupla tributação (concedendo um crédito de imposto ou uma  isenção). Assim, a retenção na fonte sobre os dividendos daria direito a um crédito  de  imposto  no  país  do  acionista, mesmo  que  os  lucros  distribuídos  (dividendos)  tivessem  sido  tributados  anos  atrás  por  força  das  disposições  relativas  às  sociedades estrangeiras controladas ou de outras disposições com idênticos efeitos.  32 É, porém, duvidoso, que a Convenção obrigue a proceder desse modo, neste caso.  A maior parte das vezes, o dividendo nessa qualidade fica isento de imposto (por já  ter sido tributado por força da legislação ou das regras em causa), podendo dizer­se  que a concessão de um crédito de imposto não tem fundamentação. Por outro lado,  se  fosse  possível  evitar  a  concessão  de  créditos  de  imposto  mediante  a  simples  tributação antecipada do dividendo, em virtude de uma disposição visando impedir  a evasão fiscal, tal facto iria contrariar o objetivo da Convenção. O princípio geral  atrás enunciado aconselharia a concessão do crédito de imposto, cujas modalidades  dependeriam no entanto dos aspectos técnicos deste tipo de disposições ou de regras  e  dos  regimes  de  imputação  dos  impostos  estrangeiros  no  imposto  nacional,  bem  como  das  circunstâncias  específicas  do  caso  particular  (prazo  decorrido  desde  a  tributação  do  dividendo  presumido,  por  exemplo).  Todavia,  os  contribuintes  que  recorrem  a  sistemas  artificiais  assumem  riscos  contra  os  quais  não  podem  ser  inteiramente protegidos pelas autoridades fiscais.33 (Negritou­se).                                                                                                                                                                                           adaptada  de  OCDE. Modelo  de  Convenção  Fiscal  sobre  o  Rendimento  e  o  Patrimônio  (OCDE).  Versão  Condensada. CEF/DGI/MF­Portugal. Coimbra: Almedina, 2005, fl. 179­180.  31 O relatório da OCDE sobre o tema, publicado após os estudos da Organização, data de 1987 (OECD. Double  Taxation Convention and the Use of Base Companies. Paris: OECD, 1987.)  32 Nota nossa ao comentário: está a referir­se às normas CFC.  33  39. Where  dividends  are  actually  distributed  by  the  base  company,  the  provisions  of  a  bilateral  convention  regarding dividends have to be applied in the normal way because there is dividend income within the meaning of  Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.534          45 O Ac. recorrido produz um argumento a contrario sensu,  trazendo à baila a  Convenção  Brasil­México  (Decreto  n.  6.000/2006)  e  Peru  (Decreto  7.020/2009),  os  quais  contêm  dispositivos  expressos  permitindo  a  aplicação  das  normas  CFC  (e  transcreve  os  dispositivos). Contudo, há que se mencionar que há outras Convenções brasileiras em que há  norma em sentido contrário, i.e., que prevê expressamente que este tipo de norma não se aplica,  a exemplo da Convenção Brasil­Eslováquia (Decreto n. 43/1991), que em seu art. 23, par. 5º  veda  expressamente  a  tributação  de  lucros  não  distribuídos–  e,  note­se,  por  relevante,  este  Acordo  é  de  1991  (ainda  na  época  da  República  Tcheco­Eslováquia,  valendo  também,  por  sucessão com a República Tcheca), sendo o correspondente decreto legislativo, DL nº 11, de  23 de maio de 1990, portanto praticamente sete meses antes do acordo com a Holanda (DL nº  60, de 17 de dezembro de 1990), e também anteriormente na Convenção Brasil­Noruega (DL  nº 50 de 5 de dezembro de 1981 e Decreto nº 86.710/1981) e na Convenção Brasil­Dinamarca  (DL nº 90, de 28 de novembro de 1974 e Decreto nº 75.106/1974). Assim, nem se diga que o  tema não estava presente, pois estava. Pode­se inferir claramente que isto só não foi ressalvado  no  Acordo  com  a  Holanda  por  intenção  das  partes  contratantes.  Ou  seja,  a  presença  de  dispositivo autorizando ou desautorizando a aplicação de norma CFC, só diz respeito e só surte  efeitos em relação àquela convenção especifica que traz a  ressalva, nada se podendo deduzir  daí  em  relação  às  outras  convenções  que  são  silentes,  como  é  o  caso  da Convenção Brasil­ Holanda.  O  Ac.  recorrido  também  cita  decisões  do  CARF  que  teriam  decidido  no  mesmo  sentido.  Os  acórdãos  do  CARF  citados  são:  101­95.802  e  101­97.070.  Há  que  se  ressaltar que nenhum deles foi unânime e, ademais, no Ac. 101­97.070 foi afastada a incidência  do acordo com a Argentina. Por outro  lado, há  também recente  jurisprudência do CARF em  sentido contrário ao Ac. recorrido i.e., dando pela tributação por via da norma brasileira CFC  (especialmente o art. 74 da MP Nº 2.158­35/2001 em que a empresa controlada esteja em país  signatário  de  acordo  de  dupla  tributação).  Cita­se,  por  exemplo,  os  Acórdãos  CARF,  de  diversas turmas, ns. 1401­001.619 (decidido em 04 de maio de 2016), 1401­001.526 (decidido  em  02  de  fevereiro  de  2016),  1302­001.629  (decidido  em  03  de  fevereiro  de  2015),  1301­ 001.651  (decidido  em  23  de  setembro  de  2014),  1201­001.024  (decidido  em  06  de maio  de  2014), 1402­00.391 (decidido em 27 de janeiro de 2011) com ementas e trechos destacados a  seguir:  Acórdão n. 1401­001.619  Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010                                                                                                                                                                                           the convention. Thus, the country of the base company may subject the dividend to a withholding tax. The country  of residence of the shareholder will apply the normal methods for the elimination of double taxation (i.e. tax credit  or  tax  exemption  is  granted).  This  implies  that  the  withholding  tax  on  the  dividend  should  be  credited  in  the  shareholder’s country of residence, even if the distributed profit (the dividend) has been taxed years before under  controlled foreign companies legislation or other rules with similar effect. However, the obligation to give credit  in that case remains doubtful. Generally the dividend as such is exempted from tax (as it was already taxed under  the relevant legislation or rules) and one might argue that there is no basis for a tax credit. On the other hand, the  purpose  of  the  treaty  would  be  frustrated  if  the  crediting  of  taxes  could  be  avoided  by  simply  anticipating  the  dividend  taxation  under  counteracting  legislation.  The  general  principle  set  out  above  would  suggest  that  the  credit should be granted, though the details may depend on the technicalities of the relevant legislation or rules)  and the system for crediting foreign taxes against domestic tax, as well as on the particularities of the case (e.g.  time  lapsed  since  the  taxation  of  the  “deemed  dividend”).  However,  taxpayers  who  have  recourse  to  artificial  arrangements  are  taking  risks  against  which  they  cannot  fully  be  safeguarded  by  tax  authorities.  UN. United  Nations Model Double Taxation Convention between Developed and Developing Countries. New York: UN,  p.  189  (Disponível  em  http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Model_2011_Update.pdf)  Tradução  do  texto  adaptada  de  OCDE. Modelo  de  Convenção  Fiscal  sobre  o  rendimento  e  o  Patrimônio  (OCDE).  Versão  Condensada. CEF/DGI/MF­Portugal. Coimbra: Almedina, 2005, p. 242­243. (Negritou­se).  Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     46 LUCROS  AUFERIDOS  NO  EXTERIOR.  CONTROLADA.  MÉTODO  DE  EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. CABIMENTO. Não  se  trata  aqui  de  tributação  de  lucros  auferidos  pela  Recorrente  no  exterior,  mas  de  repercussão  dos  lucros  auferidos  pela  sua  controlada  e  apurado  por  meio  do  Método  de  Equivalência  Patrimonial. Exige­se IRPJ e CSLL sobre a equivalência patrimonial obtida a partir  do  resultado  gerado  em  Luxemburgo  pela  equivalência  patrimonial  gerada  pelo  resultado em Portugal. O STF julgou inconstitucional apenas a aplicação do MEP  no  caso  de  coligadas  não  estabelecidas  em  paraíso  fiscal.  Deve  ser,  portanto,  mantido o Acórdão da DRJ.  Excerto da Ementa do Acórdão da DRJ referente ao Ac. acima:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ   Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  LUCROS  AUFERIDOS  NO  EXTERIOR.  CONTROLADAS.  TRATADO  PARA  EVITAR  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  ART.  74  DA  MP  Nº  2.158  35/2001.  INEXISTÊNCIA  DE  CONFLITO.  A  tributação  no  Brasil  dos  lucros  auferidos  no  exterior não viola os  tratados de bitributação celebrados pelo Brasil com base na  Convenção Modelo da OCDE.  Excerto do voto condutor (Conselheiro Marcos de Aguiar Villas­Bôas):    Não  houve,  portanto,  tributação  direta  dos  lucros  da  Usiminas  Portugal  na  Usiminas  International,  mas  a  tributação  dos  resultados  de  equivalência  patrimonial  na  Recorrente  causados  pela  sua  controlada  direta  Usiminas  International, que, por sua vez, teve ganhos por equivalência patrimonial quando a  Usiminas Portugal auferiu lucros.[...]  Trata­se  aqui  de  norma  de  transparência  fiscal  internacional,  que  possibilita  combater  a  enorme  evasão  fiscal  que  vinha  se  dando  pelo  uso  de  planejamentos  abusivos com empresas estrangeiras.  A  norma  aplicável  ao  caso  evita  que  a  tributação  de  empresas  intituladas  como  Controlled  Foreign  Corporations  (CFC)  seja  amplamente  diferida,  como  vinha  acontecendo.  Não se trata de tributar o lucro da empresa estrangeira duas vezes, mas de tributar  a  repercussão  do  lucro  auferido  pela  estrangeira  na  sua  controladora  aqui  no  Brasil, o que está previsto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.158­35/ 2001, que  foi questionado pela Confederação Nacional da Indústrias (CNI) por meio de Ação  Direta de Inconstitucionalidade (ADI), tendo resultado na invalidação da aplicação  do  dispositivo  apenas  para  o  caso  de  coligadas  que  não  estão  estabelecidas  em  paraísos fiscais.  Acórdão n. 1401­001.526 (Controlada na Espanha)  Ementa: LUCROS NO EXTERIOR. NATUREZA DA TRIBUTAÇÃO. ACORDOS DE  BITRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE.  Independentemente  de  sua  amplitude,  o  artigo  74  da  MP  nº  2.158­35/01  vai  ao  encontro  das  regras  criadas  em  vários  países  em  sintonia  com  o  fenômeno  da  transparência  fiscal  internacional. Trata­se de normas antielisivas  específicas que  possuem a finalidade de evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas  qualificadas como controlled  foreign corporations  (CFC). A  lei  tributa uma renda  ficta  da  própria  pessoa  jurídica  brasileira  (a  empresa  residente).  Em  outras  palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui  participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que  há  disponibilidade  da  renda  e  determina  que  se  tribute  como  lucro  da  empresa  brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa  no exterior. Não se trata de "dividendos presumidos". Por isso, inexiste ofensa aos  acordos  de  bitributação  tanto  nos  dispositivos  que  tratam  de  lucros  de  empresas  quanto naqueles que tratam de dividendos.  Excerto do voto condutor (Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio)    Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.535          47 Independentemente de sua amplitude, que teria ido além do padrão internacional ao  alcançar empresas coligadas, lucros auferidos em países sem tributação favorecida  e rendas ativas, importa notar que esse artigo 74 vai ao encontro das regras criadas  em vários países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional.  Trata­se  de  normas  antielisivas  específicas  que  possuem  a  finalidade  de  evitar  o  diferimento  da  tributação  dos  lucros  de  empresas  qualificadas  como  controlled  foreign corporations (CFC).  Impõe­se,  então,  compreender  a  sistemática  adotada  por  esses  comandos  legais.  Nesse  sentido,  é  de  se  observar  que  a  lei  não  teria  eficácia  se  quisesse  tributar  diretamente os lucros de uma empresa não residente. Isso porque não há conexão  (residência ou fonte) capaz de dar efetividade à  jurisdição tributária brasileira. O  que  a  lei  faz  é  tributar  uma  renda  ficta  da  própria  pessoa  jurídica  brasileira  (a  empresa  residente).  Em  outras  palavras,  ela  olha  para  a  empresa  residente  e,  sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que  apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que  se  tribute  como  lucro  da  empresa  brasileira  um  determinado  valor  estimado  com  base no lucro apurado pela empresa no exterior. (NR omitidas).  Acórdão n. 1302­001.629 (controlada na Holanda)  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­ calendário: 2007  EMENTA:  ...  NORMA ANTIELISIVA GERAL. QUALIFICAÇÃO INDEVIDA.  Ou se entende que o art. 74 da MP 2.15835/01 é apenas uma norma que altera o  aspecto  temporal  da  hipótese  de  incidência  tributária  (o  reconhecimento  das  receitas  de  participação  nos  lucros  de  investidas  no  exterior  deixa  de  ser  pelo  regime de caixa e passa a ser pelo regime de competência) ou que ela é uma norma  antielisiva  específica  (norma CFC  que  visa  impedir  o  represamento  de  lucros  de  investidas no  exterior),  ou  então, as duas  coisas. A única qualificação  inaceitável  para  o  art.  74  é  de  norma  antielisiva  geral,  primeiro,  porque  ela  não  veio  para  obstaculizar  toda  e  qualquer  elisão  fiscal,  segundo,  porque  ela  é  destinada  especificamente para a situação de represamento de lucros no exterior.  ART. 7º DO ADT BRASIL­HOLANDA. INAPLICÁVEL.  Trata­se de uma empresa domiciliada no Brasil e de suas receitas de participação  nos  lucros  de  uma  controlada  na Holanda,  logo,  totalmente  inaplicável  o  art.  7°,  pois esse dispositivo só vedaria a  tributação, pelo Brasil, de  lucros aqui auferidos  por empresa holandesa sem estabelecimento permanente no território nacional.  Acórdão n. 1301­001.651 (controladas em Portugal e Equador)  Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2006  CONVENÇÕES: BRASIL E PORTUGAL. BRASIL E EQUADOR. AMPLITUDE. As  Convenções  firmadas  pelo  Brasil  com  as  Repúblicas  do  Equador  e  Portuguesa,  destinadas a evitar a dupla  tributação e a prevenir a evasão  fiscal em matéria de  impostos sobre rendimentos, não contêm cláusula capaz de impedir a tributação dos  lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional por meio  de  participações  em  empresas  sediadas  no  exterior,  mas,  sim,  a  tributação,  pelo  Brasil,  dos  lucros  auferidos  pelas  próprias  empresas  sediadas  no  exterior.  A  previsão de mecanismo que autoriza a compensação dos impostos pagos, efetiva o  objetivo do acordo no sentido de evitar a dupla tributação, ratifica a inexistência de  vedação  à  denominada  tributação  em  bases  universais  das  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país  e,  por  outro  lado,  invalida  a  interpretação  acolhida  na  instância julgadora a quo.  Excerto do voto condutor (Conselheiro Wilson Guimarães):  Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     48 Isto  porque,  ao  analisar  os  termos  das  Convenções  firmadas  pelo  Brasil  com  a  República Portuguesa e com a República do Equador, concluiu pela inexistência de  cláusula capaz de  impedir a  tributação, no país, dos  lucros auferidos por pessoas  jurídicas  aqui  domiciliadas  de  empresas  por  elas  controladas  e  sediadas  nos  referidos países (Portugal e Equador).  O  art.  7º  dos  referidos  Tratados  Internacionais,  apontado  como  aquele  que  contempla  a  norma  impeditiva  da  tributação  dos  lucros  auferidos  por  pessoas  jurídicas domiciliadas no Brasil por meio de controladas ou coligadas sediadas no  exterior,  efetivamente não traz comando nesse sentido. A vedação ali  estabelecida  só seria aplicável caso a legislação tributária brasileira autorizasse a tributação do  LUCRO AUFERIDO POR PESSOA JURÍDICA SEDIADA NO EXTERIOR que fosse  controlada ou coligada de empresa domiciliada no Brasil.  À evidência, não é disso que trata a legislação da denominada TRIBUTAÇÃO EM  BASES UNIVERSAIS.  Nela,  a  previsão  de  incidência  é  dirigida  para  os  LUCROS  AUFERIDOS  PELA  PESSOA  JURÍDICA  DOMICILIADA  NO  BRASIL  por  meio  de  controladas  e  coligadas sediadas no exterior.  A diferença entre as situações é tênue, mas de extrema relevância e justificadora da  introdução de normas, inclusive nas CONVENÇÕES referenciadas, que autorizam a  compensação  do  imposto  que  foi  pago  no  exterior,  pois,  do  ponto  de  vista  estritamente econômico, e não jurídico, o lucro auferido pela controlada ou coligada  no  exterior,  no  caso  em  que  a  legislação  do  país  em  que  elas  forem  sediadas  contiverem previsão de tributação da renda, será tributado no país de origem e no  Brasil,  visto  que  a  legislação  tributária  brasileira  passou  a  tributar  as  pessoas  jurídicas aqui domiciliadas  tanto  em  relação ao  lucro auferido  internamente  como  aquele proveniente de participações em empresas sediadas no exterior.  Acórdão n. 1201­001.024 (controlada no Chile)  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  EMENTA: TRATADOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO.  Segundo  o  artigo  10  da  convenção  firmada  entre  o  Brasil  e  o  Chile  com  vistas  a  evitar a dupla tributação do imposto sobre a renda, os dividendos distribuídos pela  empresa controlada no Chile podem ser tributados em sua controladora no Brasil.  Acórdão n. 1402­00.391 (controlada na Hungria)  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTAÇÃO  DE  RESULTADOS  AUFERIDOS  POR  MEIO  DE  CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL­HUNGRIA.   A  Legislação  Tributária  Brasileira  não  estabelece  incidência  sobre  os  lucros  da  controlada estrangeira  (o que é vedado pelo Artigo VII), mas  sim  sobre  lucros da  investidora  brasileira,  isto  é,  dispõe  que  o  lucro  real  da  contribuinte  engloba  os  lucros  disponibilizados  por  sua  controlada,  incorporados  ao  seu  patrimônio  em  função do Método da equivalência Patrimonial ­ MEP. Logo, a tributação recai sobre  os lucros da empresa brasileira, o que afasta a aplicação do aludido Artigo VII do  Tratado.  O  art.  74  da  MP  n°  2.158­35  é  uma  autêntica  regra  CFC  (regra  de  tributação  de  resultados  de  controladas  no  exterior),  compreendida  como  norma  voltada  para  eliminar  o  diferimento  na  tributação dos  lucros  auferidos no  exterior.  Não há um "padrão único" de legislação CFC. O ponto comum desse tipo de regra é a  tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente  de  sua  participação  em  empresas  estrangeiras.  No  contexto  dos  tratados,  os  dividendos  pagos  correspondem  a  lucros  distribuídos  aos  sócios  da  empresa.  Por  força  da  MP  n°  2.158­35,  os  lucros  apurados  pela  controlada  no  exterior  são  considerados  distribuídos  por  ficção  legal,  incorporados  ao  patrimônio  da  contribuinte brasileira via MEP. A não incidência tributária dos dividendos restringe­ se aos  lucros produzidos e  tributados no Brasil.  (Sublinhados no original, negritou­ se).  Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.536          49 Ou seja, a jurisprudência do CARF mais recente e predominante é no sentido  de não admitir a interferência dos acordos de dupla tributação na aplicação do art. 74 da MP Nº  2.158­35/2001.  Assim,  no  âmbito  do  CARF,  embora  o  tema  não  seja  pacífico,  há  preponderância mais  recente pela não aplicação dos acordos de  tributação em face da norma  CFC brasileira. Jurisprudência que deve seguir neste sentido, no meu entender.   Observe­se que o entendimento que professa pela não  incidência do  acordo  de  dupla  tributação  não  decorre  da  solução  de  conflito  entre  norma  interna  e  tratado.  No  sentido do que já foi exposto, entendo que a norma CFC aplicável ao caso subsiste ao lado da  Convenção  Brasil­Holanda  sem  gerar  conflito,  não  são  normas  que  chocam,  mas  que  se  complementam. E como não há conflito, não há necessidade de se examinar a incidência do art.  98 do CTN.  O Ac. recorrido, embora ressalve que “não seja decisivo” para seu juízo, traz  o REsp 1.325.709, na tentativa de fazer o entendimento daquele acórdão se aplicar ao presente  caso, em que a jurisprudência judicial deu pela aplicação do art. 7º das convenções para afastar  a  incidência  do  art.  74  da  MP  n.  2.158­35/2001  (norma  CFC  brasileira),  em  um  caso  que  envolvia  tratados  celebrados  pelo  Brasil  com  a  Bélgica,  Dinamarca  e  Luxemburgo  e  controladas  nesses  mesmos  países.  Com  o  devido  respeito  ao  entendimento  do  STJ,  entendemos que os fundamentos da decisão referida estão equivocados.  Primeiramente,  diga­se  que  regimentalmente  o  CARF  não  está  adstrito  às  decisões do STJ que não sejam aquelas em sede de recurso repetitivo.  A decisão do STJ, consubstanciada no Ac. do REsp 1.325.709, com a devida  vênia, parece­me equivocada nos seus fundamentos, conforme exponho sucintamente adiante.  1)  Não  se  trata  de  hipótese  de  discutir  a  aplicação  do  art.  98  do  CTN,  simplesmente porque não há aqui conflito de leis no tempo nem sobre a matéria tributável ou  sujeição passiva, embora o voto vencedor do Ac. do STJ tenha expendido grande esforço neste  sentido. O Min. Relator do REsp concluiu também no sentido de que os tratados internacionais  têm a mesma hierarquia das leis complementares (parágrafo 33, pg. 29, do voto vencedor do  REsp.),  conclusão  com  a qual  não  se  pode  concordar,  pois  o melhor  entendimento  é  que  os  tratados tributários se situam, em uma perspectiva hierárquica kelseniana, entre a lei ordinária e  a lei complementar, posição a qual defendo há bastante tempo.34  2) A decisão se assenta em argumentos que remetem à Convenção Modelo da  OCDE.  Porém  o  Brasil  não  é  membro  da  OCDE.  Neste  sentido  penso  que  os  comentários  daquele modelo não podem ser utilizados para este fim, e mesmo porque o Brasil e os outros  países  envolvidos  na  disputa  são  todos  membros  da  ONU  e,  portanto,  os  comentários  da  Convenção Modelo da ONU deveriam ser considerados, conforme fizemos acima,, mas não foi  sequer  mencionada  a  Convenção  Modelo  da  ONU.  Ademais,  mesmo  considerando  os  comentários à Convenção Modelo da OCDE, a decisão do STJ ignorou sobejamente o cotejo  do que dispõe o parágrafo 23 dos comentários ao art. 1º, o parágrafo 14 dos comentários ao art.  7º da Convenção Modelo da OCDE (os números de par. referem­se aqui à atualização de 2010)  (esses  comentários  ao  art.  1º  e  ao  art.  7º,  já  foram  objeto  de  consideração  aprofundada  anteriormente neste meu voto). Essa maneira de tratar o tema pode conduzir a enviesamento da  lógica hermenêutica que permeia a matéria.  4) A decisão ignorou as decisões de outros países sobre a matéria, que é de  trato  internacional,  em relação a países membros da OCDE em ambos os  lados dos acordos,                                                              34 Conforme se pode verificar em VALADÃO, Marcos Aurélio Pereira. Limitações Constitucionais ao Poder de  Tributar e Tratados Internacionais. Belo Horizonte: Del Rey, 2000, p. 286­295.  Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     50 nos  quais  majoritariamente  tem  dado  pela  não  incidência  dos  tratados  a  ponto  de  afastar  a  aplicação de normas CFC.  5)  A  decisão  analisou  a  questão  da  CFC  sob  a  ótica  da  dupla  tributação  jurídica,  tema  coberto  pelo  art.  7º  das  convenções.  Contudo,  a  tributação  da  variação  patrimonial positiva ocorrida no Brasil em face de investimentos no exterior, que é o tema das  normas CFC diz respeito à dupla tributação econômica, e que não se presta a ser resolvida pela  aplicação do art. 7º das convenções, mas pelos arts. 9º (que não se aplica ao caso, pois remete  aos  preços  de  transferência)  e  23  das  convenções;  devendo  ser  considerando  que  a  norma  brasileira permite o aproveitamento dos tributos pagos no exterior, em linha com o disposto no  art. 23, como método de eliminar a dupla tributação.  Alinhe­se  às  razões  acima  as  outras  razões  expendidas  no  decorrer do meu  voto.  É  bem  verdade  que  os  alguns  tratados  podem  trazer  especificidades  normativas  que  podem  interferir  na  aplicação  da  norma  CFC  brasileira,  mas  este  não  foi  o  fundamento  da  decisão do STJ.  Os votos que acompanharam o voto do Relator aprofundaram alguns pontos,  especialmente em relação à decisão do STF sobre a constitucionalidade parcial do art. 74 da  MP n. 2.158­35/2001. Parece­me correta a decisão recorrida, exarada pelo TRF da 2ª Região e  também  que  o  voto  vencido  do Min.  Sérgio Kukina  tem  correta  compreensão  do  fenômeno  jurídico  em debate,  decidindo  por  reconhecer  a  compatibilidade do  art.  7º  das  convenções  à  norma CFC brasileira.  Adicionalmente, cumpre mencionar trecho do voto do Min. Teori Zavaski, no  RE 611.586/PR, julgado com repercussão geral reconhecida, que analisou a incidência do art.  74  da  MP  n.  2.158­35/2001  e  dando  pelo  afastamento  de  “qualquer  alegação  de  ofensa  a  Tratado destinado a evitar dupla tributação”, como segue (fls. 54­55 do ref. Acórdão):    Esclareça­se que a tributação não está prevista para incidir sobre lucro obtido por  empresa situada no exterior, mas, sim, sobre os lucros obtidos por empresa sediada  no Brasil, provenientes de fonte situada no exterior. Com isso, afasta­se qualquer  alegação de ofensa a Tratado destinado a evitar dupla tributação. Concorre para  isso,  ademais,  a  circunstância  de  que,  paralelamente  à  tributação  em  bases  universais, a Lei instituiu, no art. 26, um sistema de compensação, a saber:  “[Transcrição do art. 26]”  Registre­se, por fim, ainda sobre a alegada dupla tributação, que o dispositivo aqui  impugnado (art. 74 da MP 2.158­35/2001) não criou, nem ampliou tributo algum.  O  imposto  de  renda  sobre  rendimentos  obtidos  por  empresa  situada  no  Brasil,  advindos  de  fonte  situada  no  exterior  (tributação  em  bases  universais  ­  TBU)  já  existe, como referido, desde a Lei 9.249/95. (Negritou­se)  Em  vista  desses  argumentos,  com  a  devida  vênia,  entendo  que  os  fundamentos  da  REsp  1.325.709,  dando  pela  aplicação  do  art.  7º  das  convenções  de  dupla  tributação para afastar a incidência da norma CFC brasileira, não são convincentes, e, como já  exposto, também por outros fundamentos, chego à conclusão diversa.  Em relação ao extenso e bem elaborado voto do i. Relator deste processo, do  qual  ouso  discordar,  penso  que  todas  as  razões  acima  são  suficientes  para  contraditá­lo  in  totum, mas há alguns aspectos específicos em relação às quais cabem algumas observações.  Um aspecto relevante do voto do Relator é que, embora a legislação brasileira  não  tribute  expressamente  a  distribuição  presumida  de  dividendos35  (como  fazem  algumas  legislações  estrangeiras),  o  efeito  da  tributação  é  exatamente  este  (de  uma  distribuição  presumida), embora o que se tribute seja o reflexo no patrimônio da controladora. Ocorre que,                                                              35 Embora haja na doutrina brasileira quem entenda neste sentido, e.g., BIANCO, João Francisco. Transparência  fiscal internacional. São Paulo: Dialética, 2007. p. 57­58 (também citado nas contrarrazões da Fazenda).  Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.537          51 enquanto o art. 7º não se aplica de forma alguma, o art. 10 da Convenção também não se aplica  imediata  e  diretamente,  exatamente  porque  o  art.  10  da  Convenção  somente  se  aplica  imediatamente  nos  casos  de  dividendos  efetivamente  pagos,  contudo  o  dispositivo  pode  ser  utilizado para efeitos de entendimento de como se dá a incidência da norma CFC, aplicando­se  de forma mediata. Assim, embora chegue a uma conclusão correta (não aplicação imediata do  art. 10 da Convenção, porque não há dividendo pago), os fundamentos do voto do Relator não  me  parecem  corretos,  mesmo  porque  se  depois  de  alguns  anos  os  dividendos  forem  efetivamente  distribuídos,  efetivamente  se  aplicará  o  art.  10  da  Convenção,  com  todos  os  efeitos decorrentes, previstos na Convenção. Assim, se reafirma a possibilidade de tributação  desses  rendimentos,  tanto  pelo  estado  onde  se  situa  a  empresa  que  os  distribui  quanto  pelo  estado em que é domiciliada a empresa que os recebe. Com a ressalva, novamente necessária,  de que incidência do art. 10, no caso presente, só se dá quando efetivamente forem distribuídos  os  dividendos,  devendo  as  adequações  correspondentes  serem  realizadas,  no  caso  de  pagamento de tributos na fonte.   Destaque­se  que  o  i.  Relator  tece  uma  extensa  argumentação  em  torno  do  termo  “pagos”  no  sentido  de  que  só  poderia  ser  tributado  se  o  lucro  fosse  distribuído  como  dividendo  e  quando  fosse  distribuindo.  Ocorre  que  se  o  dividendo  for  pago  a  tributação  é  normal e não ocorre incidência de norma CFC sobre os dividendos realmente pagos, aplicando­ se imediatamente o art. 10 da Convenção – mas não é isto que se discute aqui.  O outro argumento do i. Relator, de que deveria ser aplicado no caso o art. 31  (3) “b” da CVDT, a decisão da corte holandesa referindo­se a uma questão sobre juros, quando  atribuiu  ao  caso  de  juros  a  possibilidade  de  tributação  somente  se  efetivamente  pagos,  seria  extensível  ao  caso  presente,  não  é  razoável.  Isto  porque  a  forma  da  tributação  dos  juros  é  completamente diferente da forma da tributação dos  lucros por meio de norma CFC, como é  caso presente (e não se discute aqui problemas de qualificação juros, art. 11 das convenções,  vis a vis qualificação de dividendos, art. 10 das convenções), em que o cerne da discussão gira  em torno da incidência ou não do art. 7º. Em suma, não há aqui o paralelismo encontrado pelo  i. Relator.  O  i.  Relator  também  se  utiliza  do  argumento  dos  denominados  parallel  treaties,  trazendo  à  baila  os  Acordos  Brasil­Peru  e  Brasil­México.  No  que  diz  respeito  aos  parallel  treaties  há  também uma  tentativa de  fazer um  raciocínio a contrario  sensu, que, no  presente caso, não se aplica, como já demonstrado.  Isto porque o mesmo raciocínio pode ser  considerado em relação ao Acordo Brasil­Eslováquia (Decreto n. 1º 43/1991), que em seu art.  23, par. 5º, veda expressamente a tributação de lucros não distribuídos. Essas normas existem  também  no  Acordo  com  a  República  Tcheca,  Noruega  e  com  a  Dinamarca.  Assim,  considerando  esses  Acordos,  sob  o  raciocínio  dos  parallel  traties  se  Holanda  quisesse  que  fosse da mesma forma, o dispositivo devia constar também no Acordo com a Holanda. Ou seja,  o  argumento  do  i.  Relator  só  leva  em  conta  os  acordos  que  têm  normas  a  favor,  mas  não  menciona os acordos que tem norma contra. Mas o próprio relator concorda que este recurso  argumentativo  não  é  absoluto.  Digo  que  neste  caso  é  inapropriado,  pois,  considerando  que  dentre os acordos brasileiros alguns tem norma em um sentido e outros tem normas no sentido  oposto,  não há nada que  se possa  concluir  em  relação  àqueles que não  tem nenhuma norma  deste  tipo  –  ou  seja,  nenhuma  ilação  hermenêutica  pode  ser  extraída  dessas  circunstâncias.  Assim a intepretação deve ser sempre feita em função do contexto.  Ainda no que diz respeito aos comentários da convecção Modelo da OCDE,  embora se tenha utilizado este argumento, de forma a contra argumentar as posições i. Relator  e Ac.  recorrido  (e do Ac. REsp 1.325.709),  argumentou­se  também com base na Convenção  Modelo  da  ONU.  Entende­se  que  conjeturas  acerca  da  extensão  dos  efeitos  do  uso  dos  Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     52 comentários  da  Convenção  Modelo  da  OCDE  devem  ser  entendidas  no  contexto,  especialmente porque o Brasil  não  é membro da OCDE,  e porque o Brasil  e  as  contrapartes  (Brasil  e  Holanda)  são  membros  da  ONU,  organização  que  tem,  também,  uma  Convenção  Modelo  com  comentários,  os  quais  guardam  algumas  diferenças  em  relação  à  OCDE  (especialmente  a  preservação  da  tributação  na  fonte  em  face  do  domicílio).  Por  outro  lado,  muitas  das modificações  dos  comentários  da  convecção Modelo  da OCDE,  referidas  pelo  i.  Relator,  como  pós  Convenção  Brasil­Holanda  (de  1991),  tinham  suas  ideias  latentes  anteriormente  às  alterações  mencionadas,36  e,  pelo  fato  de  não  estarem  contempladas  nos  comentários em si, não torna possível inferir­se que não faziam parte do ambiente da tributação  internacional, mesmo porque, no que diz respeito às normas CFC, elas são utilizadas desde a  década de 1960. O que não se pode admitir é que se use os comentários da Convenção Modelo  a  OCDE  para  deduzir  conclusões  a  favor  de  um  ponto  de  vista,  mas  que  não  se  os  aceite  quando o ponto de vista é contrário.  CONCLUSÃO  Desta  forma,  com  base  nas  razões  acima,  pode­se  concluir  de  forma  incontornável o seguinte:  A norma contida no art. 74 da MP n. 2.158­35/2001 é norma que visa evitar o  diferimento eterno do pagamento do IRPJ decorrente dos ganhos de atividades no estrangeiro  das empresas brasileiras, enquadrando­se no conceito de legislação de controladas no exterior  (Controlled Foreign Corporations – CFC).  O  Supremo  Tribunal  Federal  entendeu  constitucional  a  cobrança  do  IPRJ  nessa modalidade, inferindo­se, portanto, sua adequação ao que é preconizado pelo art. 43 do  CTN, embora tenha concluído por haver restrições no caso das coligadas no exterior – matéria  estranha ao presente processo.  A norma contida no art. 74 da MP n. 2.158­35/2001 não incide sobre o lucro  da  entidade  estrangeira  sobre  o  controle  da  entidade  brasileira,  mas  sobre  o  seu  reflexo  no  patrimônio da entidade brasileira, auferível pelo MEP e, por conseguinte, não há que se cogitar  de aplicação do art. 7º das convenções modelo da OCDE dou da ONU.  A norma contida no art. 74 da MP n. 2.158­35/2001, ainda que considerada  como  incidente  sobre a distribuição presumida de dividendos, o que afastaria de pronto a do  art. 7º das convenções modelo da OCDE ou da ONU, afasta também a incidência imediata do  art.  10  daquelas  convenções  visto  que  o  art.  10  só  se  aplica  aos  dividendos  efetivamente  distribuídos – o que não é o caso.  Como  a  Convenção  de  Dupla  Tributação  Brasil­Holanda  não  traz  norma  específica relativa à situação prevista na norma contida no art. 74 da MP n. 2.158­35/2001, e  não há  como  fazer  incidir  no  caso o  art.  7º  ou o  art.  10 do  referido Acordo, pelas  razões  já  expostas, conclui­se que não há conflito entre a norma interna e a Convenção Brasil­Holanda,  sendo inapropriada qualquer alegação no sentido de violação do que dispõe o art. 98 do CTN  (norma de resolução de conflitos)  À  vista  dessas  conclusões,  com  o  devido  respeito  às  posições  contrárias,  ficam afastados inelutavelmente os argumentos do Ac. recorrido e do voto do i. Relator, pelo  que dou provimento ao recuso especial da Fazenda em relação ao IRPJ.  Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda  Recurso especial do Contribuinte  O em seu recurso especial arguiu que o acórdão a quo atribuiu à  legislação  interpretação  divergente  daquela  adotada  em  duas  outras  decisões  proferidas  por  diferentes                                                              36 Conforme já mencionado, o relatório da OCDE sobre o tema, publicado após os estudos da Organização data de  1987 (OECD. Double Taxation Convention and the Use of Base Companies, op. cit.).  Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12897.000193/2010­11  Acórdão n.º 9101­002.331  CSRF­T1  Fl. 4.538          53 Turmas do CARF no que diz  respeito ao alcance do acordo Brasil­Países Baixos, que teria a  CSLL em seu escopo. Neste aspecto específico o contribiunte tem razão, isto porque que, em  virtude da superveniência da Lei n. 13.202, de 8 de dezembro de 2015, a questão resolveu­se,  pois seu art. 11 estendeu a aplicação dos tratados à CSLL.   Contudo, no caso presente o que não se aplica é o tratado, de modo a CSLL  também  incide  sobre  a  base  tributável  em  discussão,  pelos  mesmos  motivos  já  elencados  atinentes ao IRPJ, pelo que remeto aos argumentos acima expostos.  Assim,  embora  se  entenda  que  os  tratados  abrangem  também  a  CSLL,  no  caso presente o que não se aplica é a Convenção Brasil­Holanda, por conseguinte mantém­se a  decorrência do lançamento em relação à CSLL.  Isto  posto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte.  Conclusão  Em  vista  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  e  negar  provimento  ao  recurso  especial  do  Contribuinte,  mantendo  o  lançamento no que se refere aos lucros das controladas na Holanda.    (Assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão                  Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10166.728312/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. 1. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 2. Para efeito de determinação da receita omitida, não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator.  EDITADO EM: 22/06/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Júlio César Vieira Gomes  (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose  Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa  Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).      Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 07­34.847, exarado pela  6ª Turma da DRJ em Florianópolis (fls. 1008 a 1015 – numeração dos autos eletrônicos).   O  auto  de  infração  (fls.  217  a  239),  é  referente  imposto  sobre  a  renda  da  pessoa  física  (IRPF),  e  diz  respeito  à  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários de origem não comprovada, correspondentes aos anos­calendário 2009 e 2010, por  intermédio  do  qual  lhe  exigido  crédito  tributário  de  R$33.104.604,29,  dos  quais  R$16.513.023,94  correspondem  a  imposto,  R$12.384.767,96  à  multa  proporcional  e  R$4.206.812,39 a juros de mora.  O termo de verificação fiscal (fls. 230 a 239) descreve que o contribuinte foi  intimado  a  apresentar  comprovantes  de  todos  os  rendimentos  informados  na  declaração  de  ajuste anual (DAA), bem como os extratos bancário de todas as contas correntes e aplicações  financeiras  mantidas  no  Brasil  e  no  exterior.  Sem  resposta,  foi  emitida  requisição  de  informação sobre movimentação financeira (RMF). Fornecidas as informações pela instituição  financeira, o contribuinte foi intimado (fls. 203 a 210) e reitimado (fls. 213 a 214) a comprovar,  mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em  suas  contas  bancárias,  tendo  a  fiscalização  efetuado  relação  de  cada  depósito/crédito  individualizado e encaminhado juntamente com a primeira intimação.  Os  fundamentos  legislativos  do  auto  de  infração  são:  (a)  fatos  geradores  ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/99 e art. 58 da Lei n°  10.637/02 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172/66 e art. 42 da Lei n° 9.430/96;  art.  1o,  inciso  III  e  parágrafo  único  da  Lei  n°  11.482/07,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°  11.945/09; (b) fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: arts. 37, 38, 83 e 849  do RIR/99 e art. 58 da Lei n° 10.637/02 combinado com o art. 106, inciso l, da Lei n° 5.172/66  e art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 1o,  inciso IV e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a  redação dada pela Lei n° 11.945/09.  O Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 12/09/2013 (fl. 241).  Em 13/11/2008, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 83 a 100), alegando, em síntese:  (a) a nulidade do auto de infração porque foi  lavrado com base em extratos  bancários obtidos sem a prévia autorização judicial;   (b) que negocia grãos para grande quantidade de pequenos produtores rurais,  atuando de duas  formas: negocia diretamente  com as  cerealistas  a venda de  cereais  e  recebe  Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.728312/2013­75  Acórdão n.º 2301­004.719  S2­C3T1  Fl. 1.054          3 uma  comissão  pelo  trabalho  executado;  ou,  para  facilitar  o  negócio,  os  produtores  emitem  cédula de crédito rural em seu nome, negociando diretamente com as grandes cerealistas, mas  que em ambos os casos recebe uma comissão de 0,25% por saca vendida; afirma que apenas o  valor correspondente às comissões recebidas é que deve ser  tributado, pois  resta evidenciado  que  tais  valores  apenas  transitaram  pela  sua  conta  corrente  não  representando,  de  forma  alguma, ganho de capital; que pela definição de renda do art. 43 do CTN, para ser considerada  renda,  a disponibilidade  financeira deve  ser produto do  capital  e/ou  trabalho e que um mero  depósito em conta corrente não representa, por si só, renda auferida;  (c) que é ônus do fisco comprovar que os valores depositados em sua conta  corrente representaram acréscimo patrimonial; consta apenas a presunção de que tais valores,  por terem sido depositados na conta corrente, representam renda tributável; a autoridade fiscal  deveria  ter  investigado  os  dispêndios  do  autuado,  comprovando  que  eles  o  favoreceram  por  consumo, acréscimo patrimonial ou “benefício diverso”; o fisco não diligenciou no sentido de  comprovar o nexo de causalidade  entre os depósitos  efetuados  em conta  corrente  e  a efetiva  disponibilidade financeira; caso persista a incidência do imposto, este deve incidir apenas sobre  a  parcela  tributável  que  é  de  0,25%  por  saca  vendida,  ou  seja,  0,25%  sobre  o  valor  dos  depósitos bancários;  (d) que no dia 09/01/2009 o que houve foi uma saída de sua conta corrente no  valor de R$ 111.971,57, e não uma entrada como relacionado pela autoridade fiscal, o que deve  ser excluído do lançamento.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente  em  acórdão  que  recebeu  as  seguintes ementas:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Ano­calendário: 2009, 2010  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  Os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  investimento,  mantida junto à instituição financeira, caracterizam omissão de  rendimentos quando o contribuinte, regularmente intimado, não  comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem  dos recursos utilizados nessas operações.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Tratando­se de uma presunção legal de omissão de rendimentos,  a autoridade  lançadora exime­se de provar no  caso concreto a  sua  ocorrência,  transferindo  o  ônus  da  prova  ao  contribuinte.  Somente  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas  pode  refutar a presunção legal regularmente estabelecida.  A ciência dessa decisão ocorreu em 25/06/2014 (aviso de recebimento EBCT,  fl. 1021).  Em 24/07/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 1023 a 1035), sendo  repetidos, em síntese, os argumentos apresentados por ocasião da impugnação.  Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Os pedidos cumulativos na modalidade eventual consistem em:  (a)  ser  reconhecida  a  nulidade  do  auto  de  infração  face  a  ilegal  quebra  de  sigilo bancário realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo certo que a única  prova colhida nos autos foi colhida de forma ilegal;  (b) no mérito, caso não acolhida a preliminar aventada, ser desconstituída a  presunção de aferimento de renda  tributável  realizada por meio dos depósitos verificados em  conta corrente face a documentação idônea apresentada;  (c) caso não seja acolhido o pedido de letra "b" ser considerada como base de  cálculo  para  tributação  do  imposto  de  renda  o  percentual  de  0,25%  (zero  vinte  e  cinco  por  cento) do valor dos depósitos;  (d) ser excluído o valor de R$ 111.971,57 da base de cálculo do imposto.  O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 1052).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator João Bellini Júnior  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  aborda  matéria  de  competência  desta  Turma. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO SIGILO BANCÁRIO – LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001 E DECRETO 3724, DE 2001  É  alegada  a  quebra  ilegal  e  inconstitucional  de  seu  sigilo  bancário,  fundamentada na Lei Complementar 105, de 2001 e no Decreto 3724, de 2001.   Não assiste razão ao contribuinte.  Não  há  qualquer  ilegalidade,  nulidade  ou  irregularidade  na  requisição  e  obtenção  de  documentos  bancários  pela  Receita  Federal  do  Brasil  junto  às  instituições  financeiras,  pois,  para  tanto  há  suporte  jurídico  na  Lei  Complementar  105,  de  2001,  regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001.   No  que  tange  à  alegação  de  inconstitucionalidade  de  tais  normas,  cumpre  esclarecer  que  tanto  o  Decreto  70.235,  de  1972,  em  seu  artigo  26­A,  quanto  a  própria  jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua  Súmula  02,  são  claros  ao  impedirem  o  controle  repressivo  de  constitucionalidade  por  parte  deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas):  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Decreto 70.235, de 1972  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.728312/2013­75  Acórdão n.º 2301­004.719  S2­C3T1  Fl. 1.055          5 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  (...)  § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  II  ­  que  fundamente  crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)    DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA  A  tributação  em  exame  tem  como  base  legal  o  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996, a seguir transcrito:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;   II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais). (Vide Medida Provisória nº 1.563­7, de 1997) (Vide Lei nº  9.481, de 1997)   § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.    §  5º  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)   §  6º  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)    Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  presumem  omissão  de  rendimentos,  desde  que  a  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso.   A  partir  da  vigência  do  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996,  os  depósitos  bancários  deixaram  de  ser  modalidade  de  arbitramento  –  que  exigia  da  fiscalização  a  demonstração  de  gastos  incompatíveis  com  a  renda  declarada  (aquisição  de  patrimônio  a  descoberto  e  sinais  exteriores  de  riqueza),  conforme  interpretação  consagrada  pelo  Poder  Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII,  do Decreto­Lei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto  sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes  de  depósitos  bancários)  –  para  se  constituir  na  própria  omissão  de  rendimento  (art.  43  do  CTN),  decorrente  de  presunção  legal,  que  inverte  o  ônus  da  prova  em  favor  da  Fazenda  Nacional.  No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF  26, a fim de consolidar tal entendimento:   Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.728312/2013­75  Acórdão n.º 2301­004.719  S2­C3T1  Fl. 1.056          7   Para elidir a presunção de omissão de rendimentos, o contribuinte deveria ter  apresentado  documentos  comprovando  a  origem  dos  valores  creditados  em  suas  contas  bancárias  e  não  os  documentos  correspondentes  aos  valores  nelas  debitados.  Está  correta  a  autoridade recorrida quando afirma que os documentos apresentados pelo recorrente, anexos à  impugnação,  se  resumem  a  comprovantes  de  transferências/pagamentos  por  ele  realizados  a  terceiros,  representativos  das  operações  de  débitos  realizadas  em  suas  contas  bancárias  (retiradas), os quais não podem ser considerados documentos hábeis para comprovar a origem  dos  valores  creditados/depositados  em  suas  contas  bancarias.  Tais  documentos  demonstram  que o contribuinte  transferiu numerários a  terceiros,  sem guardar qualquer vinculação com o  ingresso de recursos em suas contas (origem dos valores creditados).  Da  mesma  forma,  improcede  o  pedido  para  que  seja  incluído  na  base  de  cálculo  do  imposto  0,25%  dos  valores  creditados  em  suas  contas  bancarias,  que  corresponderiam  a  rendimentos  tributáveis  provenientes  da  comissão  recebida  pela  intermediação na venda  da produção de pequenos produtores  rurais para  grandes  cerealistas,  por absoluta falta de comprovação.  Competia  ao  contribuinte  provar  a  veracidade  do  que  afirma,  segundo  o  disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da  Lei  9.784,  de  1999  (texto  legal  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração Pública Federal):  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo  sentido  o  art.  330  da  Lei  5.869,  de  1973  (Código  de  Processo  Civil):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  (...)  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:  Allegare  nihil  et  allegatum  non  probare  paria  sunt  —  nada  alegar  e  não  provar  o  alegado,  são  coisas  iguais.  (Habeas  Corpus nº 1.171­0 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39):  211­276, novembro 1992, p. 217)  Alegar  e  não  provar  significa,  juridicamente,  não  dizer  nada.  (Intervenção Federal Nº 8­3 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília,  a. 7, (66): 93­116, fevereiro 1995. 99)  Quanto a alegação de que o valor de R$111.971,57 não corresponde a crédito  realizado  em  sua  conta  bancária,  verifica­se  às  e­fls.  131  e  292  que,  de  fato,  o  valor  corresponde  a  transferência  bancária  da  conta  404.421­0,  agência  1507­5,  mantida  pelo  contribuinte  junto  ao  Banco  do  Brasil,  para  a  sua  conta  corrente  10.530­9,  agência  3713­3,  também do Banco do Brasil.  Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 Como  determina  o  já  citado  inciso  I  do  parágrafo  3º  do  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996,  para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  não  serão  considerados  os  decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica.  Assim, tal valor deve ser excluído da base de cálculo do lançamento.  Voto,  portanto,  por  não  conhecer  das  questões  acerca  das  inconstitucionalidades de lei, e no mérito, por DAR PARCIAL provimento ao recurso.     (assinado digitalmente)  Relator João Bellini Júnior  Relator                              Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 11684.720111/2012-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/12/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.690
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 200          2 Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário,  nos termos do Acórdão 3802­002.317. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado  a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento.   Após  tomar  ciência  do  mencionado  acórdão,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei  12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.552, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/2006­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.552):  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e  paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL  37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 201          3 Lei  12.350,  de  20/12/2010).  Além  disso,  ambos  citaram  expressamente  as  alterações  promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata  da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos  confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à  possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não  há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial.  A  matéria  devolvida  a  este  Colegiado  cinge­se,  exclusivamente,  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea,  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre  veículo ou carga nele transportada.  Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o  cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental  de  prestar  informação.  Aplicando­se  o  entendimento  defendido  pela  Recorrente,  os  prazos  estipulados  pela  legislação  aduaneira,  para  prestar  informações  à  RFB,  poderiam  ser  descumpridos pelo  sujeito passivo  sem punição,  tendo como única condição que  a prestação  das  informações  seja  efetuada  antes  do  início  de  ação  fiscal.  Ou  seja,  os  prazos  para  a  apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos  fatais, como é a regra na legislação tributária.   Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar­se à solução do  presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802­ 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "O  Recorrente  alega  ainda  que  as  informações  sobre  o  embarque  foram  prestadas  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em  razão da caracterização da denúncia espontânea:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com a infração.  A aplicabilidade da denúncia  espontânea às “obrigações  acessórias”  é  sustentada  por  parte  da  doutrina  com  base  na  expressão “se  for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do  CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito  Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho:  'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido,  resta  induvidoso  que  a  exclusão  da  responsabilidade  tanto  se  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 202          4 refere  a  infrações  das  quais  decorra  o  não  pagamento  do  tributo  como  a  infrações  meramente  formais,  vale  dizer,  infrações  das  quais  não  decorra  o  não  pagamento  do  tributo.  Inadimplemento  de  obrigações  tributárias  meramente acessórias' 1.  'A  expressão  ‘se  for  o  caso’  explica­se  em  face  de  que  algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136).  Outras  infrações,  porém,  de  um modo  ou  de  outro,  resultam  em  falta  de  pagamento.  Em  relação  a  estas  é  que  o  Código  reclama o pagamento' 2.  'Se  quisesse  excluir  uma  ou  outra,  teria  adjetivado  a  palavra  infração  ou  teria  dito  que  a  denúncia  espontânea  elidiria  a  responsabilidade  pela  prática  de  infração  à  obrigação principal  excluindo a  assessória,  ou vice­versa.  Ora,  onde  o  legislador  não  distingue  não  é  lícito  ao  intérprete  distinguir  segundo  cediço  princípio  de  hermenêutica' 3  Essa  interpretação,  porém,  não  foi  acolhida  pela  Jurisprudência,  consoante  se  depreende  dos  seguintes  julgados  do Superior Tribunal de Justiça:  'TRIBUTÁRIO.  MULTA MORATÓRIA.  ART.  138  DO  CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS.  1.  O  STJ  possui  entendimento  de  que  a  denúncia  espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente  do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os  efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos  EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin.  DJe 10/05/2013).'  (...)  A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais,  conforme Súmula CARF nº  49:  'A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na                                                              1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss.  2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437.  3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995,  p. 105­106.  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 203          5 entrega de declaração',  que  foi  fruto de  reiterados  julgados do  Câmara Superior de Recursos Fiscais (...).  A  discussão,  entretanto,  foi  reaberta  em  face  da  nova  redação  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37/1966,  decorrente  do  art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da  mercadoria;  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação  dada  pela Lei nº 12.350, de 2010).   (...)  De  fato,  a  Lei  nº  12.350/2010  resultou  da  conversão  da  Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de  motivos  desta,  seu  objetivo  foi  'deixar  claro'  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  aplica­se  a  todas  as  penalidades  pecuniárias,  inclusive  multas  isoladas  vinculadas  ao  descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende  da leitura da exposição de motivos:  '40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade  do  instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento  doutrinário  claro  sobre  sua  natureza.  [...]  43. Fundamentalmente,  o Linha Azul é um procedimento  simplificado  que  propicia  às  empresas  habilitadas  um  menor percentual de seleção para os canais de verificação  amarelo  e  vermelho  e  conferência  aduaneira  das  declarações  selecionadas  realizada  prioritariamente,  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 204          6 inclusive  com  compromisso  de  tempo máximo  para  essa  conferência  estipulado.  Esse  procedimento  segue  a  orientação  internacional  de  Operadores  Econômicos  Autorizados  OEA,  ou  seja,  de  credenciamento  de  operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio  exterior com menores entraves burocráticos.  44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha  Azul  inclui  a  realização,  previamente  à  adesão,  de  uma  auditoria de controles  internos para autoavaliação de seus  controles  e  procedimentos  aduaneiros,  referente,  no  mínimo,  aos  quatro  últimos  semestres  civis.  O  objetivo  dessa  autoavaliação  é  induzir  a  empresa  a  verificar  o  cumprimento  da  legislação  aduaneira  (controles  administrativos  e  fiscais),  com  reflexo  na  garantia  da  regularidade  dos  registros  aduaneiros  e  do  recolhimento  dos  tributos devidos. Exige­se,  sempre que a auditoria de  controles  internos  aponte  irregularidades,  que  sejam  apresentados  documentos  que  comprovem  o  seu  saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a  sua solução.  45.  No  caso  específico,  o  que  se  tem  verificado  é  que,  durante  o  processo  de  auditoria,  as  empresas  têm  constatado  reiterados erros  em declarações de  importação  registradas  e  desembaraçadas  no  canal  verde  de  conferência e, como forma de sanear a irregularidade para  cumprimento  do  programa,  apresentado  a  relação  desses  erros  na  unidade  de  jurisdição  e  adotado  as  respectivas  providências para a retificação das declarações aduaneiras.  46.  Todavia,  ao  adotar  essa  providência,  mesmo  que  a  empresa  não  tenha  que  recolher  quaisquer  tributos,  ela  pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (multa  isolada),  disciplinada  no  art.  711  do  Regulamento  Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais  erros e adotado as providências para a sua regularização, o  que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul.  47.  A  proposta  de  alteração  objetiva  deixar  claro  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas  isoladas, pois nos parece  incoerente haver a possibilidade  de  se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea  para  penalidades vinculadas ao não­pagamento de tributo, que é  a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória.'  (EMI  nº  111/MF/MP/ME/MCT/  MDIC/MT).  Todavia,  cumpre  considerar  que,  nas  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais,  o  sujeito  passivo  está  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 205          7 vinculado  a  um  fazer  ou  não­fazer,  sem  expressão  econômica,  destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4.  Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção  de  escrituração  fiscal  regular,  da  descrição  adequada  do  bem  importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal,  bem  como  da  apresentação  de  informações  para  a  Fazenda  Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em  razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966,  deve­se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com  a  denúncia  espontânea,  como  é  o  caso  das  infrações  caracterizadas  pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Essa  importante  distinção  foi  evidenciada  em  voto  do  eminente  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  no  Acórdão 3102­00.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse fiscalização das operações de comércio exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia espontânea, é condição necessária que a infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação  à  fiscalização  pelo  infrator.  Em  outras  palavras,  é  requisito  essencial  da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir determinado  tipo de  infração do alcance do efeito  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme                                                              4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277­349.  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 206          8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art.  102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação espontânea da  infração. São dessa modalidade  as  infrações que  têm por objeto as condutas extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais  tipos de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão  de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade  toda  infração que  tem o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  da  tipificação da infração.  São dessa última modalidade todas as infrações que têm no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja  que,  na  hipótese  da  infração  em  apreço,  o  núcleo  do  tipo  é deixar de prestar  informação  sobre  a  carga no prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória. Nesta  última hipótese, se a informação for prestada antes do início  do  procedimento  fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que o mesmo  fato  configurasse  a  denúncia  espontânea  da  correspondente  infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite apenas para argumentar, o cometimento da infração,  em  hipótese  alguma,  resultaria  na  cobrança  da  multa  sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a multa  aplicada seria  sempre  inexigível,  em  face  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 207          9 da  exclusão  da  responsabilidade  do  infrator  pela  denúncia  espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso  jurídico, uma espécie de  revogação  da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade  punitiva para a prática de infração desse jaez.  Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações  caracterizadas pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138  do CTN  e  art. 102  do Decreto­Lei  n°  37/1966)  não alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os  tributos a fazê­lo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas  pelo fisco, que recebe o que deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do  contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo  das obrigações  tributárias. Porém,  a  responsabilidade pelo  cometimento das  infrações  restará  afastada  apenas  com  o  reconhecimento  e  cumprimento  da  obrigação,  preservando  assim  a  higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência.  De  fato,  a  jurisprudência  dominante  em  nossos  tribunais  não  admite  a  configuração  da  denúncia  espontânea  ante  a  prática  de  determinados  atos,  que  representam                                                              5  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 208          10 infrações à  legislação  tributária. Várias são as decisões no sentido da  inaplicabilidade do art.  138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.  Vejamos:   “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INAPLICABILIDADE.  1.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do  descumprimento  de  obrigação  acessória.”  (STJ,  2ª  T.  AgRg no  Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09)  No  mesmo  sentido  do  entendimento  ora  defendido,  manifestou­se  recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da  ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 209          11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF  da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 ­ A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia,  não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida  antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010.  A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica,  muito  mais  do  que  pela  questão  tributário­financeira,  pela  questão  da  defesa  do  Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração  tributária prioriza a arrecadação de  tributos e  não  enfatiza  as  razões  dos  controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário,  mas essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao  fazer  o  julgamento,  especialmente  por  que  não  há  tantos  julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros delitos  que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta  de pagamento de impostos.  Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de  aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV,  alínea  "e",  do  DL  37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais  é  aplicada,  tais  como:  atraso na prestação de  informações  sobre  mercadoria  embarcada,  sobre  atracação  de  embarcação,  sobre  vinculação  de  manifesto  de  carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  e  diante  de  recurso  do  contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado  que  deve  ser  aplicado  aos  demais  processos  vinculados  ao  julgamento  deste,  na  sistemática  prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos).  À  luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada."    Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720111/2012­52  Acórdão n.º 9303­003.690  CSRF‐T3  Fl. 210          12 considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa  pelo  atraso  na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 16004.000336/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. . André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. . André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.

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Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Provido em Parte

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 92; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 14.463          1  14.462  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.000336/2009­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.158  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP  Recorrente  FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA.  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.   No  Processo  Administrativo  Fiscal,  dada  à  observância  aos  princípios  processuais da  impugnação específica e da preclusão,  todas as alegações de  defesa  devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  AUTO DE  INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  INEXISTÊNCIA.  Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento  tributário  cujo  Relatório  Fiscal  e  demais  relatórios  complementares  descrevem,  de  maneira  clara  e  precisa,  os  fatos  jurídicos  apurados,  os  procedimentos  de  Fiscalização,  a motivação  do  lançamento,  os  dispositivos  legais violados, a matéria  tributável e  seus acréscimos  legais, bem como os  fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  FASE  PREPARATÓRIA  DO  LANÇAMENTO.  NATUREZA  INQUISITIVA.  CONTRADITÓRIO  INEXISTENTE.  O  procedimento  administrativo  do  lançamento  é  inaugurado  por  uma  fase  preliminar,  oficiosa,  de  natureza  eminentemente  inquisitiva,  na  qual  a  autoridade  fiscal  promove  a  coleta  de  dados  e  informações,  examina  documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a  ocorrência  ou  não  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária  aplicando­lhe  a  legislação tributária.   Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao  crivo  do  contraditório  nem  da  ampla  defesa,  direito  reservados  ao  sujeito  passivo  somente  após  a  ciência  do  lançamento,  com  o  oferecimento  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 36 /2 00 9- 19 Fl. 14464DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2  impugnação,  quando  então  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  procedimento  fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.  São  solidárias  as  pessoas  físicas  e/ou  jurídicas  que  realizam  conjuntamente  com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação  principal objeto do  lançamento, a  teor do  inciso  I do art. 124 do CTN, não  comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem.  FRAUDE.  Configura­se  fraude  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  SONEGAÇÃO  Qualifica­se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  a  respeito  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições  pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal  ou o crédito tributário correspondente.   LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  desta presunção.  DIREITO  PREVIDENCIÁRIO.  PRINCÍPIO  DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.  Vigora  no Direito Previdenciário  o Princípio  da Primazia  da Realidade  dos  fatos  sobre  a  Forma  jurídica  dos  atos,  o  qual  propugna  que,  havendo  divergência  entre  a  realidade  das  condições  efetivamente  ajustadas  numa  determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a  realidade dos fatos.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  ADQUIRENTE.  ART.  25  DA  LEI  Nº  8.212/91,  NA  REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  é  de  2%  e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.   Fl. 14465DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.464          3  A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de  essas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91.  AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.   A  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade  da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a  seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem­se motivo justo, bastante,  suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição  indireta  de  sua  base  de  cálculo,  a  contribuição  previdenciária  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.   AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal,  hipótese de  a  legislação  superveniente  impor  multa  mais  branda  que  aquela  então  revogada,  sempre  incidirá  ao  caso  o  princípio  tempus  regit  actum,  devendo  ser  aplicada em cada  competência a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  maioria  de  votos,  em  CONHECER  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a penalidade pecuniária decorrente do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  seja  calculada conforme a memória de cálculo exposta no  inciso  II do art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  em  atenção  ao  princípio  tempus  regit  actum.  Vencidos  os  Conselheiros  ANDRÉ  LUÍS MÁRSICO  LOMBARDI,  CARLOS  HENRIQUE  DE  OLIVEIRA  e  CLEBERSON  ALEX  FRIESS,  que  negavam  provimento  ao  Recurso  Voluntário  por  entenderem  correto  o  critério  de  aplicação  da  multa  estipulado  na  Portaria  PGRF/RFB nº 14/2009.  .  André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.   Fl. 14466DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4    Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente  de  Turma),  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson  Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Theodoro  Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 14467DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.465          5    Relatório  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  Data da lavratura do AIOP: 26/06/2009.  Data da Ciência do AIOP: 06/07/2009.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  de  Primeira  Instância  Administrativa  que  julgou  improcedente  a  impugnação  ofertada  pelos  Sujeitos  Passivo  do  crédito  tributário  objeto  do Auto  de  Infração  de Obrigação  Principal  nº  37.201.576­0, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao  custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  comercialização  da  produção  rural,  representada  pela  aquisição  de  gado  bovino de produtores rurais pessoas físicas, devidas por responsabilidade tributária, bem como  a  contribuição  da  empresa  incidente  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  e  segurados  contribuintes  individuais,  inclusive  transportadores  autônomos  (fretes  e  carretos),  conforme  descrito  no  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  a  fls.  113/299,  e  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  nº  2,  a  fls.  343/490,  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  Fiscal nº 3, a fls. 646/788, e anexos.  No  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  são  transcritos  trechos  do  relatório  da  Polícia  Federal,  onde  são  expendidas  considerações  detalhadas  sobre  a  operacionalização  dos  procedimentos  efetuados,  discorrendo  sobre  a  operação  "Grandes  Lagos"  e  a  existência  de  uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração  tributária mediante  a  interposição  de  pessoas,  físicas  e  jurídicas,  para  eximir  os  verdadeiros  titulares  do  pagamento  de  tributos,  sendo  apresentadas,  dentre  tantas  outras,  as  seguintes  informações:   ·  A  partir  de  denúncias  e  informações  de  órgãos  fiscalizadores  foi  deflagrada  a  operação  “Grandes  Lagos”,  identificando­se  situações  que,  em  tese,  são  caracterizadoras  de  crimes  de  sonegação,  tendo  sido  expedidos  pelo  Poder  Judiciário  mandados  de  busca  e  apreensão  e  de  prisão  preventiva,  sendo  determinada  a  instauração  de  inúmeras  ações  fiscais,  dentre  elas  junto  à  autuada,  pelo  fato  de  adquirir  notas  fiscais  “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos  fiscais visando a fraudar a administração tributária.   ·  A  fraude  à  administração  tributária  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de  recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de  tributos.   ·  O  gado  era  comprado,  abatido  e  vendido  pelo  frigorífico  cliente  das  empresas  “noteiras”.  No  entanto,  aparentemente  a  compra  do  gado  e  Fl. 14468DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6  comercialização  dos  produtos  do  abate  eram  feitos  pelas  “noteiras”  de  acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas  fiscais  “frias”  relativas  à  compra  do  gado  e  notas  também  “frias”  de  remessa  desse gado ao  frigorífico  (cliente da  “noteira”) para abate,  seguindo­se  a  emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que,  finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos.   ·  Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras”  foram  constituídas  com  o  único  propósito  de  emitir  notas  fiscais  ‘frias”  para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto  ao  fisco  e não despertar  suspeitas  sobre o verdadeiro  faturamento desses  “clientes”:  (a)  o  patrimônio  declarado  das  “noteiras”  é  insuficiente  para  suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos  declarados  do  sócio majoritário  da  “noteira”  e  as  receitas  declaradas  da  empresa  no  período;  (c)  a  movimentação  financeira  desse  sócio  majoritário  em  valores  muito  superiores  a  seus  rendimentos  declarados;  (d)  a  movimentação  de  contas  bancárias  da  citada  empresa  por  procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas –  “clientes”);  (e)  transcrição  de  declarações  de  inúmeros  produtores  rurais  no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”,  mas com seus “clientes”.     O  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  prossegue  informando  que  as  empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  compõem  o  "Núcleo  Ouroeste",  estando  todas  constituídas em nome de "laranjas". Consta consignado no Termo de Constatação de Infração  Fiscal que:  ·  Na Continental  Ouroeste,  três  dos  sócios  não  têm  histórico  de  vínculos  empregatícios compatíveis com a condição de empresários.   ·  O  Frigorífico  Ouroeste  foi  iniciado  pelo  Sr.  José  Cabral  Muniz  e  seus  filhos,  e  posteriormente  foi  vendido  para  o  Sr.  José  Ribeiro  Junqueira  Neto, representado por seu procurador ­ Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira  ­ e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza.   ·  A Continental Ouroeste foi constituída quando o Frigorífico Ouroeste teve  problemas  com  sua  inscrição  estadual.  Compõem  seu  quadro  societário  Antonio Martucci  e  Edson Garcia  de  Lima. O  primeiro  recebeu  o  valor  para  integralização de  sua parcela no  capital  social  da  empresa Produtos  da Fazenda Ltda, que formalmente pertence a Manoel dos Reis de Oliveira  e Sandra Amara Reis de Oliveira, mas de fato, pertence a Edson Garcia de  Lima e Dorvalino Francisco de Lima.   ·  É feita a análise dos depoimentos prestados pelos envolvidos; do contrato  de arrendamento pela Continental Ouroeste das instalações do Frigorífico  Ouroeste  em  10/09/2002,  e  da  utilização  de  créditos  do  ICMS  pela  Continental Ouroeste.   ·  Discorre­se novamente sobre depoimentos pessoais acerca dos rótulos dos  produtos comercializados (os produtos da Continental Ouroeste saíam com  Fl. 14469DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.466          7  o rótulo do Frigorífico Ouroeste) e das informações prestadas por clientes  e fornecedores, que indicam os verdadeiros responsáveis pela empresa e a  realização de operações fictícias para gerar créditos do ICMS.   ·  Constatou­se  a  existência  de  inúmeros  benefícios  diretos  e  indiretos  concedidos  aos  verdadeiros  sócios  do  empreendimento,  como  títulos  de  capitalização,  transferências  de  valores  mensais,  tendo  referidas  pessoas  recebido  o  tratamento  por  instituições  financeiras  como  sócios  dessas  empresas.   ·  Verificou­se  que  a  empresa  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  dívidas  da  Continental Ouroeste, sendo que esta nunca entregou DCTF, mas apenas  as DIPJ de 2002 e 2003, recolhendo os tributos por substituição tributária  no  período,  além  de  recolhimentos  parciais  de  contribuições  previdenciárias.   ·  Concluiu­se que a Continental Ouroeste  inexiste de fato, constituída com  fins  fraudulentos,  tendo  como  beneficiários  destas  operações  os  Srs.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson Garcia  de  Lima,  José Roberto  de  Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto.   ·  A  Continental  Ouroeste  foi  criada  para  que  estas  pessoas  ­  verdadeiros  sócios da Frigorífico Ouroeste  ­  não  tivessem seus nomes vinculados  ao  patrimônio da empresa.   ·  A SP Guarulhos sucedeu a Continental Ouroeste na fraude praticada.   ·  Consta  no  TCF  relato  pormenorizado  de  operações  bancárias  praticadas  pelos envolvidos, com o intuito de demonstrar­se a ligação entre eles, e da  situação de cada uma das pessoas físicas mencionadas e também daqueles  que se caracterizaram como colaboradores do esquema.   ·  Discorre­se  acerca  dos  depoimentos  das  pessoas  envolvidas  no  esquema  de  venda  de  notas  fiscais  e  informações  prestadas  por  clientes  e  fornecedores  que  atestam  que  as  operações  de  compra  do  gado  e  venda  dos produtos resultantes do abate, embora lastreadas com notas fiscais de  empresas  diversas  ("noteiras"),  eram  realizadas  com  pessoas  que  integravam o Núcleo Ouroeste, citando­se ainda que os próprios Dorvalino  e Edson admitiram a compra de notas de empresas "noteiras".   ·  A  fiscalização,  a  partir  de  documentos  aos  quais  teve  acesso  durante  os  trabalhos fiscais, apurou que as notas vendidas pelas "noteiras" traziam um  código de identificação de seu comprador, o qual possibilitou a apuração  dos valores relativos a operações dessa natureza.   ·  Que a empresa BR Fronteira também foi criada com o intuito de assumir a  responsabilidade pelas obrigações trabalhistas do grupo. A análise pessoal  das  pessoas  que  integram  seu  quadro  societário  demonstra  a  flagrante  incompatibilidade  de  sua  situação  econômica  e  a  condição  de  sócias  da  Fl. 14470DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8  citada  empresa,  concluindo­se  tratarem­se  de  interpostas  pessoas  ("laranjas").   ·  Foram  encontrados  documentos  no  endereço  do  Frigorífico  Ouroeste  (cartões  de  ponto,  holerites,  PPRA  da  Continental  Ouroeste  e  da  BR  Fronteira),  que  comprovam  que  o  seu  controle  sobre  a  mão­de­obra,  assumindo os riscos da atividade econômica praticada, havendo também a  comprovação  de  que  os  trabalhadores  se  confundiam  em  relação  à  definição  da  empresa  para  a  qual  prestavam  serviços.  Existiam  trabalhadores  com  vínculos  formais  estabelecidos  com  as  diversas  empresas  envolvidas,  discorrendo­se  acerca  do  rodízio  dos  vínculos  empregatícios entre as empresas.   ·  A  utilização  de  documentos  fiscais  adquiridos  de  outras  empresas  para  ocultar  os  verdadeiros  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  caracteriza o dolo. São citados dispositivos do Código Civil e do Código  Tributário Nacional ­ CTN.   ·  Os  fatos  geradores  foram  considerados  como  do  Frigorífico  Ouroeste,  inclusive aqueles  relacionados a documentos  fiscais adquiridos de outras  empresas  ("noteiras");  aos  pagamentos  efetuados  aos  contribuintes  individuais, inclusive sócios de fato da autuada; e à interposição de mão­ de­obra em outras empresas.   ·  São descritos os valores tomados como base de cálculo das contribuições  lançadas,  com  o  detalhamento  das  aferições  indiretas  realizadas,  indicando­se  ainda  que  todos  os  levantamentos  foram  considerados  não  declarados  em GFIP, pois os  fatos geradores não constaram na GFIP do  real empregador, o Frigorífico Ouroeste.   ·  Foram examinados documentos apresentados pelo Frigorífico Ouroeste.   ·  A  empresa  Continental  Ouroeste  não  atendeu  à  intimação  fiscal  para  apresentação de documentos,  sendo a análise dos vínculos empregatícios  realizada  com  base  em  elementos  apreendidos  ­  Livros  de  Registro  de  Empregados  ­  confrontados  com  informações  do  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  ­  CNIS.  Foram  apreendidos  documentos  junto  às  empresas SP Guarulhos e BR Fronteira.   ·  A fiscalização arrolou como devedores solidários do Frigorífico Ouroeste  as  empresas  interpostas  Continental  Ouroeste,  SP  Guarulhos  e  BR  Fronteira,  bem  como  os  beneficiários  pessoas  físicas  das  fraudes  perpetradas,  eis  que  presente  o  interesse  comum  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas.  Assim, foram lavrados e encaminhados os respectivos Termos de Sujeição  Passiva lavrados, juntamente com cópias do Auto de Infração e seu Termo  de  Constatação  e  Infração  Fiscal,  expondo  que  os  demais  elementos  de  prova  ficam  franqueados  aos  devedores  solidários,  em  atendimento  à  ampla defesa e ao contraditório.     São fatos geradores do presente lançamento:  Fl. 14471DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.467          9  ·  Levantamentos  FP,  FP1,  FP2,  FP3,  FP4,  Z1,  Z2,  L1  ­  Valores  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, a segurados  empregados,  mão­de­obra  usada  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  na  sua  atividade fim, porém constantes nas folhas e nos recibos de pagamento na  empresa interposta Com. de Carnes e Derivados Rodrigues e Bastos Ltda  (atual BR de Fronteira), a fls. 163 a 328­ Volumes I e II / Anexo 4, com  vínculo  no  período  de  Novembro/2005  a  Dezembro/2006,  inclusive  13°  Salário  2005  e  2006. Valores  não  declarados  em GFIP.  Base  de  cálculo  conhecida (Folha de Pagamento e recibos de pagamento)   ·  Levantamentos  FP5,  Z3  ­  Valores  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  a  qualquer  título,  à  mão­de­obra  usada  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  na  sua  atividade  fim,  porém  constantes  no  sistema  CNIS  (GFIP)  no  CNPJ  da  empresa  interposta  SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, com vínculo no  período de Agosto/2005 a Dezembro/2006, inclusive 13° Salário de 2005  e 2006, e fevereiro/2007. Base de cálculo conhecida, declarada em GFIP.  ·  Levantamentos FRE, Z4, Z5, Z6, LO2, LO3, LO4 ­ Valores apurados nos  livros  conta  corrente  7.1  a  7.3  da  interposta  SP  GUARULHOS  Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e 7.4 da interposta Continental  Ouroeste Carnes  e Frios Ltda,  comprovados  através  cheques  e depósitos  bancários,  requisitados  através  das RMF  ­ Requisição  de Movimentação  Financeiras, pagos aos contribuintes individuais prestadores de serviços a  título de comissões e de transportador rodoviário autônomo; aos Sócios de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste  ltda,  a  título  de  Retirada  de  Pró­labore  e  despesas pessoais, inclusive de dependentes. Bases conhecidas, reportadas  no RL ­ Relatório de Lançamentos.    Todos  os  lançamentos  acima  foram  efetuados mediante  apuração  direta  da  base de cálculo a partir de documentos elaborados pela Autuada ou pelas empresas interpostas,  tais  como  GFIP,  Folhas  de  Pagamento,  Recibos  de  Pagamento  a  Autônomos,  lançamentos  contábeis, depósitos bancários.   O lançamento incidente sobre a comercialização da produção rural houve­se  por realizado mediante apuração da base de cálculo por aferição indireta, tendo como base as  notas fiscais frias emitidas pelas empresas “noteiras” vinculadas ao “cliente nº 36” – CFOP de  compra, conforme descrito no item 2.7.2. do Termo de Constatação de Infração Fiscal.    Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  Br  Fronteira,  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, nas competências 11/2005 a 13/2006, pois conforme declaração da sócia  Maria  Aparecida  na  Vara  de  Fernandópolis,  de  que  os  encargos  previdenciários  foram  recolhidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  a  GPS  com  código  2003  (SIMPLES)  foi  considerada  como 2100 (empresas em geral) (fls. 333, 337 e 340­Volume 2 / Anexo 3).  Fl. 14472DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10  Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  SP  Guarulhos  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, lançadas como CRED (créditos), nas competências 03/2006 e 13/2006.  Conforme discriminado nos Relatório RADA – Relação de Apropriação de  Documentos  Apresentados  e  RDA  –  Relação  de  Documentos  Apresentados,  os  créditos  de  titularidade  da  empresa,  decorrentes  de  recolhimentos  à  Seguridade  Social,  foram  utilizados  para abater, prioritariamente, as Contribuições Sociais devidas pelos segurados empregados e  pelos  Segurados  Contribuintes  Individuais,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição  ­  itens  11  e  1F  ­  SEGURADO,  do  anexo DAD  ­  Discriminativo Analítico  do  Débito.  Eventuais  saldos  foram  utilizados  para  abater  as  Contribuições  Sociais  devidas  pela  empresa – Itens 12, 13, 14 e 15 do Discriminativo Analítico de Débito.    Em razão da existência de interesse comum na situação constitutiva dos fatos  geradores objeto do presente lançamento, o vertente Crédito Tributário houve por lançado, por  solidariedade  passiva,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  do  CTN,  também  em  face  das  seguintes  pessoas  adiante  arroladas,  conforme  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  a  fls.  301/327:  ·  Antonio Martucci;  ·  Edson Garcia de Lima;  ·  Dorvalino Francisco de Souza;  ·  José Roberto de Souza;  ·  Oswaldo Antonio Arantes;  ·  Luiz Ronaldo Costa Junqueira;  ·  João Francisco Naves Junqueira;  ·  José Ribeiro Junqueira Neto;    Houve­se  também por  formalizada  a  competente Representação  Fiscal  para  Fins Penais.     Irresignado  com  a  autuação,  o  Autuado  apresentou  impugnação  administrativa em face do lançamento, a fls. 2289/2361.  Os  devedores  Solidários  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  e  João  Francisco  Naves Junqueira ofereceram impugnação, em petição conjunta a fls. 2381/2492.  O devedor Solidário  José Ribeiro  Junqueira Neto ofereceu  impugnação, em  petição a fls. 2498/2604.  Fl. 14473DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.468          11  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza e Oswaldo Antonio Arantes ofereceram impugnação em petição  conjunta a fls. 2608/2688.    A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou decisão  administrativa  textualizada no Acórdão nº 14­32.811 – 9ª Turma da  DRJ/RPO, a fls. 2719/2733,  julgando  improcedentes as  impugnações ofertadas e mantendo o  crédito tributário em sua integralidade.  O Autuado e os demais Sujeitos Passivos foram cientificados da decisão de 1ª  Instância  no  dia  13/06/2011,  conforme  Cartas  de  Ciência  e  Avisos  de  Recebimento  a  fls.  2757/2790.  O  devedor  Solidário  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  ofereceu  Recurso  Voluntário, em petição a fls. 2791/2856.  O  devedor  Solidário  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  interpôs  Recurso  Voluntário, em petição a fls. 2859/2924.  O  devedor  Principal  Frigorífico  Ouroeste  interpôs  Recurso  Voluntário,  em  petição a fls. 2925/2979.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Oswaldo Antonio  Arantes  e  Antonio Martucci  interpuseram  Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 2993/3043  Os Recorrentes alegam, em resumo:  ·  Nulidade por falta de clareza na autuação;   ·  Cerceamento do direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos  das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação;   ·  Que é indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade  de outras empresas;   ·  Que a Fiscalização não  logrou comprovar a existência dos requisitos dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e  a Autuada;   ·  Que a Fiscalização promoveu o arbitramento dos valores ora  lançados, a  partir  dos  valores  consignados  na  escrituração  contábil  de  terceira  empresa,  cuja  personalidade  jurídica  fora  desconsiderada,  olvidando­se,  porém,  que  a  recorrente  não  pode  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica,  sobretudo  por  não  ter  direito/dever de manter e apresentar contabilidade de outrem;   Fl. 14474DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     12  ·  Inconstitucionalidade  da  Contribuição  Previdenciária  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural;  (Não  Conhecido.  INOVAÇÃO.  Ademais,  todos  os  fatos  geradores  já  ocorreram  sob  a  égide  da  Lei  nº  10.256/2001)   ·  Que  as  multas  de  mora  foram  legalmente  canceladas,  porque  o  seu  fundamento  legal  foi  revogado;  (Não conhecido.  INOVAÇÃO. Ademais,  incide o art. 144 do CTN – tempus regit actum.)   ·  Que a autoridade lançadora imputou responsabilidade solidária às pessoas  de Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  com  o  exclusivo  fundamento  de  que os mesmos  seriam,  em  tese,  procuradores,  sócios  ou  administradores de outra firma;   ·  Que  a  autoridade  lançadora  imputou  a  responsabilidade  solidária  ora  atacada  aos  Srs.  LUIZ  RONALDO  COSTA  JUNQUEIRA,  JOÃO  FRANCISCO  NAVES  JUNQUEIRA  e  JOSÉ  RIBEIRO  JUNQUEIRA  NETO,  com o  exclusivo  fundamento  de  que os mesmos  têm procuração  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração  da  referida  empresa,  e  assim,  seriam  responsáveis  pelas  supostas  dívidas  da  empresa  com  o  Fisco. Aduz­se que tais pessoas sequer figuram como sócios das empresas  Frigorífico Ouroeste, Continental Ouroeste, SP Guarulhos e BR Fronteira;   ·  Que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço  só  poderia  ocorrer  ante  a  verificação da  insuficiência do patrimônio da pessoa  jurídica e mediante  prévio  procedimento  judicial  de  cognição  com  decisão  transitada  em  julgado;   ·  Ainda que as Pessoas Físicas arroladas como devedoras solidárias fossem  sócias  das  empresas  autuadas,  não  seria  o  caso  da  pretendida  responsabilização,  pois  ausentes  os  requisitos  indispensáveis  a  tanto,  sendo  a  mesma  de  natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade  pessoal,  limita­se  aos  atos  praticados  comprovadamente pelos  sócios, com excesso de poderes,  infração de  lei,  contrato social ou estatutos.     Ao fim, requerem o provimento do Recurso Voluntário.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 14475DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.469          13    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos.     1.2.   DO CONHECIMENTO DO RECURSO.  Alega  o  Recorrente  a  Inconstitucionalidade  da  Contribuição  Previdenciária  incidente sobre a comercialização da produção rural.  Alega também que as multas de mora foram legalmente canceladas, porque o  seu fundamento legal foi revogado.  Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte  Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão  Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  a  Peça  Impugnatória  ao  Auto  de  Infração  em  julgamento,  verificamos  que  as  alegações  acima postadas  inovam o Processo Administrativo  Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo  Impugnante  em  sede  de  defesa  administrativa  em  face  do  lançamento  tributário  que  ora  se  discute, não se instaurando em relação a elas qualquer  litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº  70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532/97)    Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos  de  fato e de direito em que se  fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as  razões  e  provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe  de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante  será considerada legalmente como não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  Fl. 14476DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     14  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade  de  impugnação  ulterior,  não  podendo  ser  alegada  originariamente  em  grau  de  Recurso Voluntário.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   Fl. 14477DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.470          15  De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em  posição  processual  hierarquicamente  inferior,  a  qual  tenha  se  decidido,  em  relação  a  determinada  questão  do  lançamento,  de  maneira  que  não  contemple  os  interesses  do  Recorrente.  Não  se  mostra  despiciendo  frisar  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da  decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem.  Com efeito,  o objeto  imediato do Recurso Voluntário  é  a decisão proferida  pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão  somente, como o objeto mediato da insurgência.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se  falar em  reforma do  julgado em  relação a  tal  questão,  haja vista que  a  respeito dela nada  consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e  da  preclusão,  que  todas  as  alegações  de  defesa devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para  inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que  se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico,  além  de  outras  eventualmente  dispersas  no  instrumento  de  Recurso  Voluntário,  mas  não  contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas  por este Colegiado em virtude de preclusão legal.    Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço parcialmente.  Fl. 14478DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     16      2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA NULIDADE  Alega o Recorrente nulidade por falta de clareza na autuação.  Não !  Merece ser destacado, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído  por  uma  diversidade  de Termos, Relatórios  e Discriminativos,  sendo  certo  que  a  captação  e  compreensão  das  condições  de  contorno  que  individualizam  e  modelam  a  exação  exigida  decorrem  não  de  um  único  relatório,  mas,  sim,  da  interpretação  conjunta,  sistemática  e  teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da  legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento  específico  sobre  o  tema,  como  assim  sói  ocorrer  em  toda  e  qualquer  área  da  atividade  governamental, econômica ou intelectual da era pós­moderna. A complexidade e o sinergismo  dos diversos ramos do conhecimento assim o exigem.  Dessarte, dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo  do  lançamento  há  que  ser  interpretado  e  digerido  com  o  olhar  clínico  que  o  seu  propósito  finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que  não  se  cometa  o  despropósito  de  se  atribuir  à  administração  tributária  uma  deficiência  que,  muita  vez,  não  é  da  parte  que  formaliza  e  redige  os  elementos  constitutivos  do  lançamento,  mas, sim, da capacidade de cognição de quem os analisa e interpreta.  Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de  cunho  eminentemente  jurídico,  nada mais  natural  e  exigível  que  os  termos  que  o  compõem  obedeçam  à  lógica  e  ao  jargão  jurídico.  Tal  característica,  logicamente,  não  o  invalida.  Ao  contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance.  Fosse  um  documento médico,  de  informática,  ou  de  engenharia,  exigíveis  seriam  os  jargões  médico, de TI ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico.   Ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta dos autos que o  Auto de Infração em relevo houve­se por lavrado em perfeita consonância com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo a Autoridade Lançadora demonstrado, de  forma clara e precisa, as circunstâncias do caso concreto a evidenciar a efetiva ocorrência do  fato gerador da  contribuição previdenciária,  bem  como a motivação da  lavratura do Auto de  Infração em apreço.  Logo  de  plano  o  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  traz  a  lume  as  circunstâncias motivadoras da deflagração da Ação Fiscal da qual resultou o Auto de Infração  em  debate,  sendo  abordados  o  núcleo  Ouroeste,  a  existência  de  interpostas  pessoas,  as  infrações  a  obrigações  tributárias,  a  constituição  de  empresas  em  nome  de  “laranjas”,  as  pessoas físicas e jurídicas envolvidas, e a descrição detalhada de todas as demais constatações  que desaguaram na percepção da efetiva existência de uma organização criminosa criada para  fraudar a administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para  eximir os verdadeiros titulares do pagamento de tributos:  Mais  adiante,  no  item 2.11. do Termo de Constatação de  Infração Fiscal,  a  Autoridade Lançadora  elenca  todos  os  levantamentos  que  constituem o  vertente  lançamento,  Fl. 14479DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.471          17  procedendo  a  uma  descrição  detalhada  dos  fatos  geradores  que  os  compõem,  indicando  a  natureza do fato gerador e, inclusive, a fonte de origem de apuração:   ·  Levantamentos  FP,  Z1  e  FP4,  valores  contidos  em  folhas  e  recibos  de  pagamento da empresa interposta BR Fronteira.   ·  Levantamento  L1,  valores  pagos  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados ­ PLR, conforme recibos de pagamento da empresa interposta  BR Fronteira. Tais valores foram tributados pela auditoria fiscal uma vez  que a empresa não comprovou a observância dos requisitos legais da não  incidência previstos na Lei nº 10.101/2000.  ·  Levantamento  FP3,  13  º  salário/2005.  Os  valores  do  salário  de  contribuição  aferidos  indiretamente,  considerando  as  remunerações  constantes na GFIP de 11/2005 e recibos de pagamento retidos referentes  a 12/2005 da empresa interposta BR Fronteira.   ·  Levantamento FP2, valores extra­folha pagos a título de "consórcio" para  a empregada Eliana Gomes de Oliveira  (salário  indireto),  registrada na  empresa interposta BR Fronteira, conforme livros conta corrente.   ·  Levantamentos  FP1  e  Z2,  valores  apurados  em  recibos  e  folhas  de  pagamento  de  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  em  livros  conta  corrente  de  Sebastião  Guandolfi  Júnior,  empregados  registrados  formalmente  na  empresa interposta BR Fronteira.   ·  Levantamentos  FP5  e  Z3,  valores  declarados  em  GFIP  da  interposta  empresa  SP  Guarulhos,  referentes  à  mão­de­obra  utilizada  pelo  Frigorífico  Ouroeste  na  sua  atividade  fim,  constantes  no  sistema  CNIS  (GFIP) da empresa interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes  e  Derivados  Ltda,  no  período  de  agosto/2005  a  dezembro/2006  e  fevereiro/2007.   ·  Levantamentos FRE, Z4, L02, L03, Z5, L04 e Z6. Valores apurados nos  livros  conta  corrente  e  movimentações  bancárias  das  empresas  interpostas  SP Guarulhos  e Continental Ouroeste,  comprovados  através  de  cheques  e  depósitos  bancários,  pagos  a  Segurados  Contribuintes  Individuais, prestadores de serviços a título de comissões, transportadores  rodoviários autônomos, aos sócios de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda a  título  de  retiradas  pro  labore  e  de  despesas  pessoais,  inclusive  de  dependentes. Base de cálculo conhecida.  ·      Tais  informações  são  complementadas pela descrição dos  fatos  geradores  e  das fontes de origem informadas no campo “observação” do Relatório de Lançamentos, a fls.  53/87, o qual detalha, para cada fato gerador lançado, o código e a descrição do levantamento a  que  se  refere,  o valor  lançado  individualizadamente,  o valor  apropriado no  lançamento,  bem  como a natureza/origem do fato gerador.  Fl. 14480DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     18  O RL  ­  Relatório  de  Lançamentos  relaciona  os  lançamentos  efetuados  nos  sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações  precisas  sobre  sua natureza,  fonte documental,  etc. O RL registra de  forma discriminada por  estabelecimento, competência e levantamento, dentre outras informações, a natureza jurídica e  o montante absoluto da base de cálculo do tributo lançado, assim como o código e natureza da  contribuição,  de  molde  que  sua  correcção  e  consistência  podem  ser  sindicadas  a  qualquer  tempo e oportunidade pelo sujeito passivo, favorecendo assim o contraditório e a ampla defesa.  De outro eito,  as  informações pertinentes às contribuições  sociais objeto do  presente  lançamento  encontram  dispostas  no  Discriminativo  Analítico  de  Débito,  de  forma  discriminada por levantamento, rubrica, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência  e  estabelecimento.  Tal  documento  informa  também,  de  forma  individualizada  por  rubrica  lançada,  os  valores  dos  créditos  de  titularidade  do  contribuinte  que  foram  considerados  no  presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher,  assim  como  os  códigos  de  cada  levantamento  que  integra  a  presente  notificação  fiscal  e  os  códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional  de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente.  O Relatório de Documentos Apresentados – RDA, por seu  turno,  relaciona,  por  estabelecimento  e  por  competência,  as  parcelas  que  foram  deduzidas  das  contribuições  apuradas, constituídas por recolhimentos efetuados mediante Guia da Previdência Social – GPS  e  seu  respectivo  código  de  recolhimento,  valores  espontaneamente  confessados  pelo  sujeito  passivo  e,  quando  for  o  caso,  por  valores  que  tenham  sido  objeto  de  lançamentos  fiscais  anteriores.  O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA realiza a  exposição  de  como  os  créditos  em  favor  do  contribuinte,  constituídos  segundo  os  seguintes  documentos: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota  fiscal  ainda não  recolhidos),  foram  apropriados  (pelo  sistema  informatizado da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil)  pelos  diversos  documentos  de  constituição  de  crédito  tributário  lavrados pela fiscalização (autos de infração e notificações de lançamento).   De  forma  idêntica,  guardadas  as  devidas  particularidades,  os  preceitos  normativos  que  fornecem  sustentação  jurídica  ao  lançamento  então  operado  foram  devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no  relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD.  Há  que  se  registrar  que  o  relatório  Fundamentos  Legais  do  Débito  é  elaborado  de  maneira  extremamente  individualizada  por  lançamento,  sendo  estruturado  de  forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos  relacionados  com procedimento  fiscal  e  o  crédito  tributário  ora  em  apreciação,  descrevendo,  pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão  esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus  acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às  obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o  Diploma  Legal  invocado,  mas,  igualmente,  os  dispositivos  normativos  correspondentes,  permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo­ lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa.  Os Relatórios Fiscais  suso  referidos  informam de maneira  clara  e precisa  a  matéria  tributável e as bases de cálculo da exação em apreço, assim como os procedimentos  adotados  pela  Autoridade  Lançadora  na  condução  da  ação  fiscal.  Informam  igualmente  os  documentos  analisados  e  os  fatos  geradores  apurados,  as  bases  de  cálculo  e  as  alíquotas  Fl. 14481DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.472          19  correspondentes  a  cada  uma  das  contribuições  sociais  ora  lançadas,  destacando,  ainda,  os  valores de dedução legal considerados, assim como os códigos de levantamento associados.  No caso em apreço, os relatórios fiscais que integram o presente lançamento  foram elaborados dentro do escopo especificamente desenhado adrede para cada deles, não se  afastando  nem  omitindo  as  informações  que  deles  se  esperam,  permitindo  ao  Autuado  a  perfeita  compreensão  dos  fundamentos  e  razões  da  autuação,  sendo­lhe  dessarte  garantido  o  exercício do contraditório e da ampla defesa.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  tributária  principal  violada,  os  fatos  jurígenos  não  adimplidos,  a  composição  pecuniária  das  bases  de  cálculo,  obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em  seus elementos de constituição, nos relatórios específicos.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele  constando,  além  dos  relatórios  já  citados,  o  MPF,  TIPF,  TIF  e  TEPF,  dentre  outros,  havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso  do  presente  feito,  favorecendo,  assim,  a  contradita  dos  termos  do  lançamento  e  o  devido  processo legal.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de  prejuízo  à  defesa  erguida  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela  qual  impende  repelir  peremptoriamente a preliminar de nulidade tão veementemente sustentada pelo Recorrente.    2.2.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente alega cerceamento do seu direito de defesa, por não ter tido   Também não !    Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem  dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores  de obrigação tributária principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação  não  se  submetem,  nesta  fase  do  procedimento,  ao  crivo  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  direito  constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento  processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo  Fiscal,  nos  Fl. 14482DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     20  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72,  quando  então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Assim, ao ser dada a ciência do lançamento tributário ao Recorrente, também  lhe  são  fornecidos  todos  os  relatórios  integrantes  do  lançamento,  assim  como  o  conjunto  probatório,  que  demonstram  os  fatos  geradores  apurados,  os  tributos  devidos,  as  infrações  perpetradas, os fundamentos legais que fornecem esteio jurídico à Autuação, os procedimentos  levados a efeito pela Fiscalização, as circunstâncias e motivação do lançamento, bem como as  demais condições de contorno atávicas à atuação fiscal.   Não se deve olvidar, outrossim, que, ao tomar ciência de eventual lançamento  tributário, o Autuado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo  a pagar ou  a parcelar o  que  lhe  está  sendo exigido, hipótese  em que não é  instaurada  a  fase  contraditória.  Ao  revés,  pode  ele,  também,  exercendo  o  seu  direito  de  defesa,  impugnar  o  lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração  em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a  Fl. 14483DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.473          21  descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a  determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias,  bem  como  a  assinatura  da Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Não  se  pode  perder  de  vista,  igualmente,  que  os  procedimentos  de  investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela  Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual  em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales ­ 24ª  subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e  jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à Secretaria  da Receita  Federal  e  à Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição  dos  créditos,  tudo  em  fiel  consonância  com  as  disposições inscritas no art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    Fl. 14484DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     22  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de cerceamento de defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DO PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAÇÃO DOS FATOS GERADORES     Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos  fatos  que  chegaram  ao  seu  conhecimento  sobre  organizações  criminosas  estabelecidas  na  região de Jales ­ SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e  sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública.   Após  exaustiva  investigação,  houve­se  por  constituído  o  processo  judicial,  procedendo­se à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e  apreensão  em  locais  suspeitos  com  o  intuito  de  obter  provas  dos  ilícitos  praticados,  deflagrando­se  a  operação  denominada  "GRANDES  LAGOS",  executada  pela  autoridade  policial federal, que apurou a existência de núcleos de empresa e pessoas físicas constituídos  com o objetivo de  sonegar  tributos  e  evitar demanda  judicial  de natureza  fiscal  e  trabalhista  mediante a criação de empresas "de  fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem,  no  jargão  policial,  "laranjas”,  de  modo  a  proteger  de  sequestros  nas  execuções  fiscais  o  patrimônio dos verdadeiros  sócios e das empresas  lícitas em seu nome  (plantas e  instalações  frigoríficas em São José do Rio Preto, Fernandópolis­SP e Campina Verde­MG), com uso de  dissimulados e precários contratos de arrendamento.   Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios  ao Fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes ­ as pessoas  jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de  busca e  retenção de documentos e arquivos magnéticos com  informações contábeis  e fiscais;  trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos.   A  fiscalização  previdenciária,  à  época,  ligada  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária, procedeu à retenção dos elementos colhidos na sede das empresas fiscalizadas,  através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos ­ AGD.   Fl. 14485DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.474          23  Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em  Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em 2007. Na  sequência,  a  Justiça  Federal  –  24ª  Subseção  Judiciária  do  Estado  de  São  Paulo  ­  deferiu  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  físicas  e  jurídicas,  do  período  de  2002  a  2006,  determinando  às  instituições  financeiras  o  fornecimento  de  documentos  e  informações  solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto.   Os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes  Lagos  foram  conduzidos  em  conjunto  pela  Polícia  Federal,  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  e  pela  Secretaria  da  Fazenda  Estadual  em  São  José  do  Rio  Preto/SP,  sob  os  olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales  ­ 24ª subseção Judiciária de São Paulo,  que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de  2002  a  2006,  expediu  mandados  de  busca  e  apreensão  de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas  no  esquema  de  sonegação,  dando  origem  aos  procedimentos  de  busca  e  retenção  de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do  CTN.  Assim,  a  denominada  "Operação  Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para  fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia  muitos  anos,  tendo  em  vista  que  seria  praticamente  impossível  para  a  Receita  Federal  identificar  todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da  Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a  Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e  procedeu  à  busca  e  apreensão  de  documentos  nas  empresas  envolvidas  na  fraude,  conforme  excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito:  “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS  vêm  recebendo  denúncias  de  um  mega­esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  frigoríficos  estabelecidos  na  região  dos  Grandes Lagos, no  interior do Estado de São Paulo,  sobretudo  nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias,  o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos.   A partir destas denúncias,  a Receita e o  INSS  iniciaram vários  procedimentos  fiscais  contra  várias  empresas  e  pessoas  físicas  ligadas  ao  esquema.  Finalizadas  as  fiscalizações,  foram  lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais.  No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava  cobrar  os  tributos  devidos,  verificava  quem  nem  as  empresas,  nem  seus  sócios,  possuíam  qualquer  patrimônio  em  seu  nome  para honrá­las. No curso dos  trabalhos de fiscalização,  tanto a  Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de  que  as  pessoas  que  constavam  do  quadro  societário  destas  empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível  hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas  fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de  sonegar tributos.   Diante  da  dificuldade  de  comprovar  o  vínculo  entre  os  verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas"  Fl. 14486DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     24  para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as  evidências  da  existência  de  uma  verdadeira  organização  criminosa por  trás destas empresas,  no  final do ano de 2005 a  Receita  Federal  solicitou  formalmente  o  apoio  da  Polícia  Federal  em  Jales/SP,  para  que  as  investigações  fossem  aprofundadas,  de  modo  a  se  identificar  com  precisão  todo  o  esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à  julgamento pela Justiça”.    Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial  para  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas  no  caso  fossem  fiscalizadas  pela  Receita  Federal  do Brasil, motivo  pelo  qual  houve­se  por  instituída  uma  equipe  especial  de  fiscalização  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  8ª  Região  Fiscal  para  conduzir os trabalhos relativos à citada operação.  Por  isso,  houve­se  por  expedido  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  N°  08.1.07.00­2009­0034­0,  determinando  à  equipe  fiscal  nele  assinalada  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela  RFB,  conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a  terceiros, conforme  determina  o  artigo  3°  da  mesma  lei;  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a  segurados  empregados; A verificação do  cumprimento das obrigações previdenciárias  e para  outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes  individuais;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  conciliação  GFIP;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  comercialização  de  produtos  rurais  ­  contribuições  devidas  por  adquirente  na  condição  de  sub­rogado;  A  verificação  do  cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ comercialização  de  produção  ­  contribuições  próprias  e  a  verificação  de  informações  econômico­fiscais  do  contribuinte,  por  determinação  Judicial  através  do  Ofício  076/2006­GAB­JCS­Processo  2006.61.24.001666­2 da 1ª Vara Federal de Jales.  Da  investigação  procedida  pela  Policia  federal,  em  conjunto  com  as  Secretarias da Receita Federal e de Fazenda Estadual restou configurada a existência de uma  grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo  modus  operandi  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas,  com  o  objetivo  de  eximir  os  titulares  de  fato  do  pagamento  de  tributos  e  contribuições  sociais.  As  pessoas  interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a  abertura  de  contas  em  seus  nomes,  mas  movimentando  recursos  pertencentes  a  terceiros,  titulares de fato desses recursos.    Foram,  então,  determinadas  e  abertas  fiscalizações  nos  contribuintes:  FRIGORÍFICO  OUROESTE  LTDA.  e  CONTINENTAL  OUROESTE  CARNES  E  FRIO  LTDA, assim como diligências fiscais nas empresas SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE  CARNES E DERIVADOS LTDA  e COMERCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR  DE FRONTEIRA LTDA. E, também, diligências fiscais nas Pessoas Físicas relacionadas com  as suso citadas empresas: Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Dorvalino Francisco de Souza, José  Roberto de Souza, Edson Garcia de Lima, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, ,  João  Francisco  Naves  Junqueira,  e  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  e  na  Vara  do  Trabalho  de  Fernandópolis/SP.  Fl. 14487DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.475          25  Foram  arroladas  nos  fatos  geradores  lançados  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  a  interposta  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  interposta/noteira Distribuidora de Carnes e Derivados S. Paulo Ltda.   Durante os trabalhos de auditoria foram detectadas como interposta empresa  do Frigorífico Ouroeste Ltda, além das empresas citadas acima, as empresas SP GUARULHOS  (aquisição  de  produtos  rurais  como  sub­rogado  e  mão­de­obra)  e  a  BR  FRONTEIRA  (fornecedora de mão­de­obra na atividade fim, a partir de Novembro de 2005).  A  Fiscalização  apurou  que  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda compõem o Núcleo Ouroeste.   Todas essas empresas estão registradas em nome de "laranjas".   Formalmente,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  estava  em  nome  de  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  e  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira,  com  50%  de  participação cada uma no quadro societário da empresa; são "laranjas" do empreendimento.   A  contribuinte  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  é  mãe  do  Dorvalino  Francisco de Souza e José Roberto de Souza. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales  informa que assinou uma procuração para seu Dorvalino, para que o mesmo pudesse trabalhar.  Informa, ainda que nunca participou da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda e que pertence de  fato aos Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 684 ­ Volume  IV /  Anexo 1). No período declara apenas rendimento recebido do INSS. É conhecida na cidade de  Bálsamo como "Maria da Pamonha", pois possui uma pequena barraca na feira livre da cidade  que  vende  doces  derivados  de milho.  Portanto,  a  contribuinte  é mais  uma  interposta pessoa,  “laranja”, do núcleo dos envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.  A  contribuinte  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira  constou  nos  quadros  societários da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda de 2003 até 2007. É esposa do Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales disse que, a  pedido de seu cônjuge, por volta de 2003, assinou uma procuração para que o mesmo pudesse  investir  na  compra  de  um  frigorífico  em  Ouroeste­SP.  Que  desconhece  completamente  qualquer  assunto  relacionado com a  empresa Frigorífico Ouroeste Ltda,  e que constou  como  sócio a pedido do cônjuge (fls. 685 ­ Volume IV/Anexo 1).   Declara,  no  período,  somente  rendimento  recebido  de  seu  sogro  João  Francisco Naves Junqueira (fls. 2137 a 2155 ­ Volume XI / Anexo 1). Consta no sistema CNIS  ­  Fonte  GFIP  vínculo  para  a  matrícula  11.528.00886/81  do  empregador  supra  citado  com  admissão em 03/11/1998 (fls. 59 ­ Volume I / Anexo 2).   Portanto,  a  contribuinte  é  mais  uma  interposta  pessoa  do  núcleo  dos  envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.    A empresa Frigorífico Ouroeste Ltda foi iniciada pelo Srs. José Cabral Muniz  e Filhos em 26.01.1999, fls. 33 a 38 – Volume I / Anexo 1. Em 13.02.2002, teria sido vendido  o estabelecimento para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto, representado pelo seu procurador Sr.  Luiz  Ronaldo Costa  Junqueira,  e  para  o  Sr. Dorvalino  Francisco  de  Souza,  conforme  cópia  Fl. 14488DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     26  autenticada  do  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  Imóvel  (terreno  e  prédio),  Instalações  Industriais,  Utensílios,  Máquinas  e  Ferramentas  entregues  pela  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, ao Posto Fiscal da Secretaria de Fazenda do Estado  de São Paulo, em Fernandópolis (fls. 91 a 98 – Volume I/Anexo 1).  Em resposta a  intimação fiscal de 13.11.2005, o Sr. Dorvalino Francisco de  Souza confirmou que emitiu 06 cheques de R$ 30.000,00 informando que para fazer frente a  tal despesa  teria  tomado empréstimo com os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  (fls. 1754 / 1759 – Volume IX/ Anexo1).  Em seu depoimento a Polícia Federal de  Jales,  em 05.10.2006, o Sr. Edson  Garcia de Lima declarou que "16% do Frigorífico Ouroeste lhe pertence, 34% pertencem ao  Sr. Dorvalino e os outros 50% ao Sr. Luiz Ronaldo" (fls. 646 – Volume IV/Anexo 1).  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  em  seu  depoimento  à  Polícias  Federal  de  Jales, declarou (fls. 677 – Volume IV/Anexo 1) :  "...assim como  já afirmado acima, a  empresa pertence à genitora,  sendo que há cerca de 2 anos recebeu procuração de sua genitora  para  gerir  o  Frigorífico.  Que  cerca  de  uma  ano  e  meio,  o  interrogado  esteve  a  frente  dos  negócios  juntamente  com  o  seu  irmão José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima. Explicando,  50% da  empresa  pertencia  a  sua  genitora  e  50% pertence  a  Luiz  Ronaldo Junqueira. Havia uma sociedade civil entre o interrogado,  seu irmão José Roberto e Edson Garcia de Lima "     Conforme cláusula terceira do Instrumento Particular de Compra e Venda de  Imóveis (terreno e prédio), Instalações industriais, Utensílios, Máquina e Ferramentas, verifica­ se que os compradores tomaram posse do imóvel imediatamente.  A  Fiscalização  apurou  que  nenhum  dos  envolvidos,  compradores  e  vendedores, declaram tal situação ao Fisco Federal.   Em 08.04.2003, fizeram uma alteração contratual falsa, onde os vendedores,  José  Cabral Muniz,  Elisabete  Rascado Matos Muniz,  Flavia  Rascado Matos Muniz,  Camila  Matos Muniz  e  José Cabral Muniz  Júnior,  teriam  cedido  suas  cotas  no  Frigorífico Ouroeste  Ltda para Maria de Lourdes Bazeia de Souza (mãe do Dorvalino) e Ana Maria Cecília Podboy  Costa  Junqueira  (esposa  do  Sr.  Luiz  Ronaldo),  pelo  valor  de  R$  50.000,00  (fls.  27  a  32  – Volume I/Anexo 1).  Em suas declarações à Polícia Federal de Jales, as duas senhoras declararam  que  assinaram procurações,  com amplos  poderes,  para Dorvalino Francisco de Souza  e Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  respectivamente,  baseado  em  confiança  familiar  (fls.  684/685  –  Volume III/Anexo 1).  Em  18.05.2007,  foi  feita  outra  alteração  contratual  fraudulenta  onde  a  empresa tem como novos sócios Luiz Ronaldo Costa Junqueira (99%) e Edson Garcia de Lima  (1%). No mesmo instrumento, o capital social foi alterado para R$ 300.000,00 (fls. 2229/2232  –  Volume  XII  /  Anexo1).  Tal  alteração  contratual  não  foi  aceita  pelo  Fisco  estadual  como  alteração  válida,  já  que  os  sócios  não  comprovaram  condições  financeiras  para  tal  ato.  Esta  alteração também não foi realizada junto ao CNPJ. Aliás, a Fiscalização apurou que uma das  marcas  das  empresas  envolvidas  na  operação  é  o  total  descompasso  entre  as  alterações  contratuais na Junta Comercial, no Fisco Estadual e no CNPJ.  Fl. 14489DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.476          27  Com  base  nas  informações  colhidas,  a  Fiscalização  concluiu,  conforme  raciocínio desenvolvido no item 2.1. do Termo de Constatação de Infração Fiscal, que o quadro  societário verdadeiro da Frigorífico Ouroeste Ltda é o seguinte:  1­ José Ribeiro Junqueira Neto e/ou João Francisco Naves Junqueira ­ 50%  2­ José Roberto de Souza ­ 7,85 %   3­ Dorvalino Francisco de Souza ­ 16,44%   4­ Edson Garcia de Lima ­ 16,00%   5­ Antonio Martucci ­ 9,71 %     3.1.1.   DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   A Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda  foi  constituída em 10.09.2002,  tendo como sócios os Srs. Antonio Martucci e Edson Garcia de Lima, com um capital de R$  70.000,00. Dos quais 99% foi  integralizado pelo Sr. Antonio Martucci  (R$ 69.300,00) e 1 %  pelo Sr. Edson Garcia de Lima (R$ 700,00).  Analisando  os  extratos  bancários  da  conta  do  Sr.  Antonio  Martucci,  a  Fiscalização apurou o recebimento de um TED enviado pela empresa Produtos da Fazenda, no  valor de R$ 69.370,00, no dia 13.09.2002. A integralização das cotas da empresa, acima citada,  feita  pelo  Sr.  Antonio  Martucci  deu­se,  também,  no  dia  13.09.2002,  através  do  cheque  nº  001606,  no  valor  de  R$  69.300,00.  Note­se  que  o  valor  recebido  é  exatamente  o  valor  da  integralização, acrescido da CPMF R$ 70,00 (R$ 69.300,00 x 0,038%).  A empresa Produtos da Fazenda Ltda tem como sócios o Sr. MANOEL DOS  REIS  DE  OLIVEIRA  e  a  Sra.  SANDRA  AMARA  REIS  DE  OLIVEIRA,  estando  inativa  desde 2003. O  sócio Manoel  dos Reis  de Oliveira  é  conhecido  na  cidade  de Bálsamo  como  "DEDÉ  Carrinheiro",  pessoa  de  pouca  posse,  morador  em  casa  simples  da  COHAB  de  Bálsamo.  Atualmente  é  sócio  da  empresa  De  Souza  e  Lima  Ltda,  junto  com  a Mãe  do  Sr.  Edson Garcia  de  Lima.  A  empresa  pertence  de  fato  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Lima,  conforme  consta  em  seus  depoimentos  à  Polícia  Federal  de  Jales.   O  Sr.  Manoel  dos  Reis  de  Oliveira  é  interposta  pessoa  dos  citados  contribuintes.  Em  seu  depoimento  em  26.03.2008,  a  secretária  da  empresa,  Sra.  Angela  Cristina Veigas Longo, confirma que a empresa De Souza e Lima Ltda tem como objeto social  a  venda  de  Carne  desossada  no  atacado  e  pertence  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino Francisco de Lima.  Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  Fl. 14490DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     28  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".     Entretanto em seu depoimento ao Juízo da 3ª Vara de São José do Rio Preto,  em 05.12.2006, o Sr. Antonio Martucci afirmou:   "....Eu não recebi nada para emprestar o nome, eu só fiz isso porque  eu  era  amigo  do Dorvalino  na  época. Quando  eu  abatia  gado  no  Frigorífico  Ouroeste  a  nota  saia  do  produtor  para  o  Pereira  e  Pereira,  para  a  Basco,  para  onde  eles  determinassem,  era  o  frigorífico quem determinava em nome de quem sairia a nota, mas  eu  não  mexia  com  isso.  As  vezes  podia  ser  a  Distribuidora  São  Paulo ".   Em outro trecho diz:   "...  O  Frigorífico  Ouroeste  e  a  Continental  Ouroeste  ficavam  no  mesmo prédio, mas eu não sei a diferença entre elas. Eu sabia que  tinha emprestado o nome para a Continental, mas eu não sabia que  também figurava como sócio do Frigorífico Ouroeste...".     Analisando os depoimentos acima, verifica­se que o contribuinte faltou com a  verdade em vários trechos, tendo em vista sua participação efetiva nas empresas envolvidas.     Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, o Sr, Edson Garcia de Lima,  quando perguntado a respeito de quais as empresas que lhe pertenciam, respondeu:  "1)  "De  direito" H4 Comercial  de Carnes  e Derivados  Ltda  e De  Souza  &  Lima  Ltda.  2)  "De  fato"  16%  do  Frigorífico  Ouroeste.  Também são proprietários "de fato" desta, Dorvalino (34%) e Luis  Ronaldo  (50%).  Esta  empresa  está  "de  direito"  em  nome  da  genitora do Dorvalino e da esposa do Luiz Ronaldo, senhora Maria  Cecília.  È  a  pessoa  que  efetivamente  administra  a  empresa  era  Oswaldo Antonio Arantes, porém compra de gado quem fazia era o  interrogado...."     Em seu interrogatório ao Juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, o  Sr. Edson Garcia de Lima, declarou:   Fl. 14491DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.477          29  "...  A  Continental  foi  criada  para  abater  gado,  antes  de  nós  comprarmos o Frigorífico Ouroeste, nós a utilizamos entre 2002 e  2003,  embora  tenha  sido  utilizada  também depois, mas  em menor  escala,  pois nós adquirimos o Frigorífico Ouroeste. A Continental  foi criada para ser utilizada como Distribuidora para abater gado,  antes  de  nós  fecharmos  ela,  nós  levantamos  os  tributos  devidos  e  fizemos o parcelamento, nós estamos pagando o parcelamento...."     Analisando  os  dados  acima,  a  Fiscalização  constatou  que  o  contribuinte  Edson Garcia de Lima faltou com a verdade,  invertendo a ordem de abertura das empresas e  dizendo que teria fechado a empresa e estaria pagando os tributos devidos.   Não foram localizadas opções válidas pelos parcelamentos REFIS ou PAES,  apesar  de  constar  pagamento  de  R$  4.000,00  (R$  2.000,00  no mês  e  novembro/2006  e  R$  2.000,00 em Dezembro/2006) e R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 em janeiro/2007 e R$ 1.000,00 em  fevereiro/2007), com código de recolhimento do PAES. Tais recolhimentos ocorreram após a  ação da Polícia Federal de Jales­SP. Não antes.  O contribuinte Dorvalino Francisco de Souza, em seu interrogatório ao juízo  da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, declarou:   "  ....Eu e o Edson Garcia de Lima abrimos uma empresa chamada  Continental, mas como eu tinha restrição em meu nome, a empresa  ficou em nome do Edson (1%) e do Martucci (99%), mas o Martucci  ficou poucos meses. O Edson ia até o campo, compra gado em nome  da Continental e o frigorífico apenas abatia o gado, o Luiz Ronaldo  tinha 50% do frigorífico e não queria participar do negócio..." em  outro  trecho diz  "  ...Eu e o Edson exercíamos a administração do  Frigorífico Ouroeste e da Continental. O Martucci praticamente só  cedeu o nome dele mesma para a empresa...."    Analisando as informações acima, a Fiscalização concluiu que o contribuinte  faltou com a verdade, informando que o Sr. Antonio Martucci teria ficado poucos meses e que  o Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira não participava dos negócios.  Tais  fatos  demonstram  quem,  de  fato,  são  os  proprietários  da  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda.: Os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima.    Em setembro/2002, o Frigorífico Ouroeste teria supostamente arrendado para  a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda teria as instalações industriais, utensílios,  máquinas e ferramentas. A cláusula quinta estatui que todas as benfeitorias que a arrendatária  fizesse ficariam incorporada ao imóvel, não sendo devida nenhuma indenização. Esta cláusula  é comum em todas as empresas envolvidas na operação, quando a arrendatária é uma empresa  inexistente  de  fato  (empresa  de  papel),  criada  com  objetivo  fraudar  as  administrações  tributárias,  e  o  verdadeiro  “dono  do  negócio”  é  o  arrendador,  de  maneira  que  todas  as  benfeitorias permanecem dom o dono do negócio, o Arrendador.  Fl. 14492DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     30  Nesta  data,  a  Continental  além  das  instalações  físicas,  assumiu  todos  os  empregados  do  Frigorífico  Ouroeste,  conforme  assim  revela  a  consulta  de  vínculos  empregatícios  do  trabalhador  do CNIS,  iniciando  o  "esquema  de  sonegação"  (  fls.  01/405  ­  Vol. I a III do Anexo 6).   Em janeiro de 2003, foi  realizada uma ampliação das instalações industriais  (acréscimo de 418 m2 no prédio, acréscimo de 448 m2 nos currais, construção de câmara fria e  aquisição  de  diversas  máquinas  e  utensílios),  tendo  despendido  um  valor  superior  a  R$  10  milhões  de  reais,  tudo  pago  com  créditos  acumulados  de  ICMS, muitos  dos  quais  frios  (fls.  1725/1747 ­ Volume IX / Anexo 1) Todas estas benfeitorias foram acrescidas ao patrimônio do  Frigorífico Ouroeste sem custo.   Consta,  também,  que  a  empresa  adquiriu  "Óleo  Diesel"  da  Petrobrás  Distribuidora  S/A,  no  período  de  09/2003  a  01/2005,  no  valor  de  R$  3.412.568,00  ou  2.970.000 litros (fl. 1724 ­ Volume IX/Anexo 1). Considerando o período de 17 meses ou 510  dias; o fato de o frigorífico ter consumo deste combustível apenas para o gerador (que é usado  somente  nas  horas  de  picos  e  quando  há  falta  de  energia  elétrica);  o  consumo  do motor  do  gerador de mais ou menos 80 litros por hora, o diesel adquirido seria suficiente para produzir  energia, 24 horas por dia, por 1.546 dias ou 51 meses (80 litros/h x 24hs = 1.920 litros ao dia),  o que demonstra que tal combustível houve­se por utilizado por outras empresas do esquema.  De tal exposição avulta que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do  Frigorífico Ouroeste Ltda e/ou seus sócios como benefício indireto.    Em 11.03.2003,  retira­se da  sociedade o Sr. Antonio Martucci e entra o Sr.  Oswaldo Antonio Arantes, que adquire as cotas daquele pelo mesmo valor da constituição, R$  69.300,00 , pago através de cheque n° 000465, emitido pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes em  03.04.2003, Banco Bradesco, agência Ouroeste/SP,(  fls. 102  ­ Volume  I  / Anexo 1). Em sua  declaração  a  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  contribuinte  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes declarou:  "  ....salvo engano, no ano de 2003 o declarante  foi admitido como  empregado  da  empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  sediada  na  cidade  de  Ouroeste/SP,  como  gerente  administrativo,  tendo  como  função precípua a manutenção do frigorífico, admissão e demissão  de  funcionários,  etc,  sendo  certo  que  quem  o  contratou  fora  os  senhores Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, os  quais  são  proprietários  da  mencionada  empresa;  QUE  percebia  uma  salário  de  R$  2.800,00;  QUE,  após  quatro  meses,  aproximadamente,  o  declarante  fora  demitido  da  ora  citada  empresa, porém lá permaneceu, no mesmo cargo e funções, sem   registro em sua CTPS...."     Em outro trecho diz:   "...QUE, o declarante no ano de 2003 para 2004, adquiriu parte da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda,  salvo  engano  70%, esta sediada na época na cidade de Ouroeste/SP, porém por  não  ter  sido  aceito  pela  Secretária  da  Fazenda  do Estado  de  São  Paulo, sob alegação de que não dispunha de bens, teve de devolver  essa  parte  para  o  seu  originário  proprietário,  Antonio  Martucci;  QUE esclarece  o  declarante  que  somente  permaneceu  como  sócio  proprietário  da  empresa  Continental  Ouroeste,  que  tinha  como  Fl. 14493DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.478          31  ramo o comércio de carne, por um período de no máximo um mês  Que,  o  dinheiro  que  o  interrogado  usou  para  adquirir  parte  da  sociedade da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, o  obteve  da  venda  de  terra  no  Estado  do  Mato  Grosso,  de  propriedade de seu sogro Sebastião Luiz Arantes, o qual reside com  o declarante...."    Analisando  o  extrato  do  contribuinte  Oswaldo  Antonio  Arantes,  a  fl.  141,  verifica­se que  em 14.03.2003 ele  recebeu uma TED de uma empresa  sediada no Estado do  Paraná chamada Taurus Comércio de Bovinos Ltda, no valor de R$ 101.608,00.   Em  26.03.2003,  adquiriu  um  veículo  Renaut/Clio  RT  1.0  16V,  ano  de  fabricação  e modelo  2001,  branco,  placa DFH­0542,  no  valor  de R$  20.500,00  da  empresa  Andrade  &  Ortolan  Ltda,  veículo  este  registrado  em  nome  de  sua  esposa  (fls.  965/966  ­  Volume V/Anexo 1 e 1748/1753 ­ Volume IX/Anexo 1).   Finalmente,  em  03.04.2003,  emite  o  cheque  nº  000465,  no  valor  de  R$  69.300,00  , para custear a suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr.  Antonio Martucci.   Em  resposta  a  intimação  para  comprovar  a  entrada  e  saída  de  valores  relevante em sua conta, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, explica a fls. 1760 a 1766 ­ Volume  IX/Anexo 1:   a) "Que o depósito de R$ 101.608,00 refere­se ao  recebimento da  venda da pequena propriedade rural de meu sogro, Sebastião Luiz  Arantes, CPF  n°  288.476.288­49,  sediada  no município  de Gloria  D'Oeste  ­  MT;  b)  Que  o  valor  de  R$  20.500,00  refere­se  ao  levantamento de numerário a pedido de meu sogro; c) Que o valor  de R$ 69.300,00 refere­se ao  levantamento de numerário a pedido  de meu sogro."     Como se pode observar, o contribuinte não consegue explicar a origem e/ou  aplicação  dos  recursos  em  sua  conta,  ainda  se  atrapalha  com  relação  ao  valor  utilizado  para  suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr. Antonio Martucci.     Na Junta comercial, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes ingressou na sociedade  em 20.03.2003 e se retirou em 26.08.2004.   Analisando  os  vínculos  empregatícios,  a  Fiscalização  apurou  que  o  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes  foi  funcionário  do  Frigorífico  Ouroeste  de  01.08.2002  até  14.09.2002; Da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, de 15.09.2002 até 12.01.2003, como  segurado  empregado;  De  06/2003  até  10/2005  constou  como  contribuinte  individual  na  Continental Ouroeste, como sócio gerente, conforme GFIP ­ Base CNIS, com remuneração de  R$  1.500,00 mensais  ­  Categoria  11,  portanto  em  descompasso  com  o  que  consta  na  Junta  Comercial, com saída em 26.08.2004; De 01/11/2005 a 01/01/2007 foi registrado na função de  gerente  geral,  com salário de R$ 2.800,00 na  empresa Comércio de Carnes  e Representação  Rodrigues e Bastos Ltda, atual BR Fronteira.  Fl. 14494DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     32  A Fiscalização apurou que a BR Fronteira assumiu  formalmente a partir de  Novembro de 2005 todo o passivo trabalhista da Continental Ouroeste, conforme transferência  no Livro Registro de Empregados de n° 05, fls. 303 ­ Vol. II / Anexo 2, e que no período de  novembro/2005  a  dezembro/2006  toda  a  mão  de  obra  da  BR  Fronteira  trabalhou,  com  exclusividade, para o núcleo Ouroeste.  Após  a  operação  de  Policia  Federal,  ou  seja,  a  partir  de  Janeiro/2007,  o  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  novamente  todos  esses  empregados  e  o  passivo  trabalhista  decorrente,  conforme Fichas Registro de Empregados,  tanto que  a data  de admissão,  seja no  Frigorífico Ouroeste, seja na Continental Ouroeste, é a data retroativa quando foram admitidos  na primeira vez, fato que pode ser confrontada com a GFIP de Janeiro de 2007, a fls. 805/820,  e nos contratos de trabalho.   Em  seu  interrogatório  na  Polícia  Federal  o  Sr.  Oswaldo  também  disse  também:   "QUE, salvo engano no mês de março do corrente ano o declarante  foi admitido pela empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES BR  DE FRONTEIRA,  como gerente,  tendo  as mesmas  funções  que  na  empresa FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, esclarece o declarante  que  continua  trabalhando  no  FRIGORIFICO  OUROESTE  LTDA,  porém registrado na empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES  BR  DE  FRONTEIRA,  esta  prestadora  de  serviços  à  empresa  FRIGORIFICO OUROESTE; QUE, o declarante não sabe informar  quem  possa  ser  seus  patrões,  porém  sabe  informar  que  continua  recebendo  ordens  dos  senhores  EDSON  GARCIA  DE  LIMA  e  DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.”     De toda essa exposição dessai que os verdadeiros donos da BR Fronteira são,  também, os Srs. EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.    Em  20.03.2003,  foi  feita  uma  nova  alteração  contratual  na  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  retirando  da  sociedade  Edson  Garcia  de  Lima  e  admitindo  a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo, CPF n°  274.259.978­94. Em  seu Termo de  declaração à Polícia Federal de Jales, em 18.10.20006, (fls. 644/645 ­ Volume III/Anexo 1), a  Sra. Angela Cristina Viegas Longo declarou:  "... A declarante  trabalhava na empresa De Souza e Lima em São  José do Rio Preto, exercendo a função de secretária, no período de  1997  a  2005.  A  declarante  afirma  que  essa  empresa  era  uma  distribuidora de carnes de propriedade de Edson Garcia de Lima e  Dorvalino  Francisco  de  Souza.  A  declarante  afirma  que  Edson  Garcia  de  Lima,  vulgo  "Edão",  pediu  seus  documentos  pessoais,  RG, CPF, comprovante de residência, para constar como sócia na  empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda no ano de 2003.  A declarante afirma que Edson Garcia de Lima,  vulgo  "Édão"  fez  esse pedido explicando que estava com problemas no nome dele e  não poderia mais constar como sócio dessa empresa. A declarante  aceitou  as  explicações  de Edson Garcia  de  Lima  e  entregou  seus  documentos  pessoais  para  constar  como  sócia  desse  frigorífico,  apenas para ajudar Edson Garcia de Lima. A declarante afirma que  Durvalino  Francisco  de  Souza  levou  a  alteração  contratual  do  frigorífico  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  para  ser  Fl. 14495DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.479          33  assinada  no  escritório,  sendo  de  fato  a  alteração  contratual  assinada  pela  declarante. A  declarante  afirma que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico  de  Ouroeste,  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo,  Roberto  e  Antonio  Martucci..."     Em declaração  prestada  na Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em São  José  do Rio Preto/SP,  em 26.03.2008  (fls.  702  a  704  ­ Volume  III/Anexo 1),  a Sra. Ângela  Cristina  Viegas  Longo  confirmou  que,  para  ela,  as  empresas  se  confundiam,  ou  seja,  uma  existia somente no papel, e as citadas pessoas Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de  Lima,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Roberto  de  Souza  e  Antonio  Martucci  eram  os  verdadeiros proprietários. Declarou ainda que as alterações contratuais com relação ao objeto  social, abertura de filial de 31.05.2004 e retirada da sociedade de 26.08.2004 não foi assinada  pela declarante, sendo as assinaturas possivelmente falsificadas.   Na alteração contratual de 26.08.2004, retirou­se da sociedade o Sr. Oswaldo  Antonio Arantes e a Sra. Angela Cristina Veigas Longo,  retornando os  sócios originais, Srs.  Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci (fls. 84/86 ­ Volume I / Anexo 1).   Em  05.01.2005,  retira­se  da  sociedade  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio Martucci e são admitidos os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ( fls.  87 ­ Volume I / Anexo 1).   No Dossiê da empresa existente no Posto Fiscal da Secretária de Fazenda do  Estado  de  São  Paulo,  em  Fernandópolis,  consta  um  contrato  da  suposta  venda  da  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (Os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  vendendo para os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges), datado de 20.08.2004,  pelo  preço  de  R$  25.000,00  a  ser  pago  em  5  (cinco)  parcelas  mensais  e  sucessivas  de  R$  5.000,00 a partir de 20.09.2004, e 5 recibos de recebimento dos citados valores, fls. 110 a 117 ­  Volume I / Anexo 1.   Verdadeiro  “Negócio  da  China”,  pois  na  época  da  venda,  a  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda apresentava um  faturamento mensal  superior a R$  10.000.000,00 (dez milhões de reais) (fls. 109 ­ Volume I / Anexo 1)    Como  já  era  de  se  esperar,  em  Diligência  Fiscal  realizada  na  cidade  de  Uberlândia­MG,  os  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio  de  Lima  Borges  não  foram  localizados  nos  endereços  declarados  a SRF, muito menos  as  supostas  empresas  dos  citados  contribuintes, muitas inclusive, com endereços inexistentes.  Apurou­se,  igualmente,  que  os  citados  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio de Lima Borges não possuem capacidade financeira para tal empreendimento e não  apresentaram movimentação financeira no período (fls. 126 a 129 ­ Volume I / Anexo 1)  Em  10.05.2005,  foi  promovida  uma  alteração  do  endereço  da  empresa  de  Ouroeste­SP para Jundiaí/SP, e em 19.10.2005, de Jundiaí­SP para zona rural de Angico/TO.  Em diligência aos citados endereços, verificou­se a inexistência de ambos, sendo considerado  Fl. 14496DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     34  como alteração ilegal, com objetivo de dificultar a fiscalização nos termos do Artigo 127, §2°  do CTN (fls. 130/138 ­ Volume I / Anexo 1)    A propriedade de fato da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda  pela Frigorífico Ouroeste encontra­se plasmada até na rotulagem dos produtos daquela, eis que  os rótulos dos produtos comercializados pela empresa apresentavam com destaque (em letras  maiores) a palavra "Frigorífico Ouroeste " e em letras menores o nome da empresa Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda. (fls. 1593/1596 ­ Volume VIII / Anexo 1).  Até  o  Médico  Veterinário  responsável,  Sr.  Cledson  Luis  Furtado,  era  empregado do Núcleo Ouroeste desde 30/08/2001(fls. 404 ­ Volume III/Anexo 6)   Circularizando  alguns  clientes  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda foram obtidas informações de que as pessoas que negociavam pela empresa eram os  funcionários do Sr. José Roberto de Souza e, ainda, os Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Edson  Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Luiz Ronaldo. Destaque­se que o Sr. Edson  Garcia de Lima era o mais conhecido pelos pecuaristas da região. (fls. 208/642 ­ Volumes I a  III / Anexo 1, e fls. 01/329 ­ Vols. I e II / Anexo 7).   A  Fiscalização  apurou  que  o  Núcleo  Ouroeste  praticou  também  outras  fraudes,  já  que  as  respostas  de  vários  supostos  fornecedores  de  gado,  localizados  em  outros  estados da Federação, foram no sentido de que não comercializavam com o frigorífico em tela  e muitos nem se dedicavam à pecuária de corte. Tal fato demonstra que as respectivas notas de  entrada não refletiam a realidade dos  fatos,  tendo sido usadas para gerar créditos  fictícios de  ICMS (fls. 1167/1309­ Volumes VI e VII / Anexo 1).     Do  exame  das  contas  bancárias  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios Ltda, a Fiscalização se deparou com vários títulos de capitalização, com pagamento até o  final do ano de 2005, cujos beneficiários eram os Srs. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  demonstrando  que  o  núcleo  Ouroeste  mantinha o controle da empresa , mesmo após a suposta transferência da empresa para os Srs.  Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ocorrida em 08/2004 (fls. 1151/1166 ­ Volume  VI/Anexo 1).   O  cruzamento  de  informações  entre  as  contas  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda e as pessoas envolvidas (Dorvalino Francisco de Souza, Edson  Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes) revelou  uma  grande  quantidade  de  transferências  de  valores  mensais,  cujo  valor  médio  era  de  R$  5.000,00 cada. Em vários meses, há mais de uma transferência para mesma pessoa, conforme  abaixo demonstrado no item 2.4.1. a fls. 157/159.  Os  estabelecimentos  bancários  onde  os  envolvidos  acima  citados  possuíam  contas também reconheciam que a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda era deles.  Em uma análise interna sobre a liberação de empréstimo ao Sr. Dorvalino Francisco de Souza,  em 16.02.2005, o gerente do Banco Nossa Caixa, agência de Bálsamo, declarou: (fls. 893/894 ­  Volume V / Anexo 1)   "  ...trata­se  de  um  cliente  c/exp.  Positiva  de  crédito,  c/c  desde  06/2003,  eh  sócio  prop.  do  Frigorifico  Continental,  De  Souza  e  Lima (Distr. de Carnes)..".     Fl. 14497DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.480          35  Em outra analise, agora para o Sr. Edson Garcia de Lima, em 14.03.2005, o  mesmo gerente disse: (fls. 902/904 ­ Volume V / Anexo 1)  "...Cujo  tomador  eh  sócio  prop.  do  Frigorífico  Continental  de  Ouroeste desta ag...”.     A Fiscalização apurou que a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda assumiu ao  menos  duas  dívidas  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  uma  no  valor  de  R$  736.290,13,  perante  o  Banco  Bradesco  S.A  e  a  outra,  da  empresa  de  factoring New  Suport  Factoring Ltda, decorrente de desconto de duplicatas, dando como garantia, hipoteca do imóvel  da  empresa  situado  em Ouroeste/SP,  tendo  como  solidários  fiadores Dorvalino Francisco  de  Souza,  Luiz  Ronaldo Costa  Junqueira,  José Roberto  de  Souza  e  Edson Garcia  de Uma  (fls.  1597/1723 ­ Volumes VIII e I X / Anexo 1).   No caso da escritura pública de confissão de dívida com garantia de hipoteca  e outras avenças, data de 26.08.2005, consta como devedora a empresa Continental Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, representada pelos sócios, Oswaldo Antonio Arantes e a Ângela Cristina  Viegas Longo, com menção do contrato social com as alterações somente até 13.03.2003 (fls.  1606 a 1608 ­ Volume IX/Anexo I).   Verifica­se  no  caso,  um  claro  ato  doloso  e  fraudulento,  já  que nesta  data  a  empresa já pertencia, de direito, aos Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges.  Embora a devedora fosse a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, quem  liquidou o débito junto ao Banco Bradesco e à empresa de factoring foi a Frigorífico Ouroeste  Ltda.  Todos esses fatos corroboram a conclusão a respeito de quem eram os donos  de fato das empresas interpostas oram em exame.  A Fiscalização também verificou que a empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda nunca entregou DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais à  SRF,  tendo  apresentado  apenas  as DIPJ  ­ Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa Jurídica nos anos calendários 2002 e 2003 e, mesmo assim, só recolheu os tributos por  substituição tributária do período (fls. 1828/1942 ­ Volume X / Anexo 1).  Com relação às contribuições previdenciárias foram efetuados recolhimentos  parciais, sendo que as diferenças a recolher encontram­se inclusas no presente lançamento.     Com  base  no  acima  relatado,  fica  evidente  que  a  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda nada mais é do que uma “empresa de fachada”,  inexistente de  fato,  aberta  e  utilizada  exclusivamente  para  fraudar  as  Administrações  Tributárias  Federal,  Estadual  e Trabalhista,  com atos  constitutivos  eivados  de  falsidade  ideológica,  sendo que  os  contribuintes  envolvidos  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Oswaldo  Antonio  Arantes,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto foram beneficiários  diretos, ou ao menos indiretamente, da fraude ora exposta.  Conclui­se,  portanto,  que  a  referida  empresa  foi  criada  para  existir  tão  somente  no  papel. Os  seus  verdadeiros  donos  (os  reais  sócios  do  Frigorífico Ouroeste  Ltda  Fl. 14498DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     36  acima  citados)  não  figuravam  em  seu  quadro  societário  não  porque  apresentavam  supostas  restrições de créditos (conforme declarações expressas a fls. 646/683 ­ Volume IV/Anexo 1),  mas porque apresentavam DIRPF incompatíveis com nível de vida e renda e, principalmente,  porque queriam permanecer ocultos perante os fiscos Federal e estadual.  Dessarte,  como não desejavam ter seus nomes vinculados ao Patrimônio do  frigorífico,  criaram  uma  ficção  jurídica  consubstanciada  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, em nome de “laranjas”, para realizar o objeto social do frigorífico.   Merece  se  destacado  que  o  ADE  ­  Ato  Declaratório  Executivo  nº  66,  de  29.07.2008, a fls. 41/43 ­ Volume 1 / Anexo 2, publicado no DOU ­ Diário Oficial da União n°  149, de 05.08.2008, declarou a INAPTIDÃO da pessoa jurídica Continental Ouroeste Carnes e  Frios Ltda, com efeitos desde sua constituição.    3.1.2.   DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA   Em relação à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda o  quadro  não  é  diferente,  mudando­se  apenas  o  figurante,  mas  mantendo­se  inalterados  os  cenários e os protagonistas.   A  empresa  foi  constituída  em  01  de Março  de  2004  em  nomes  de  sócios  "laranja"  Sérgio  Aparecido  da  Fonseca  Alves,  Claudir  Luis  de  Siqueira  e  Rodrigo  Daniel  Andrade,  em  funcionamento  a  partir  de Maio/2005  para  a  continuação  da  fraude  até  então  praticada  pela  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  sendo  que  as  cópias  dos  referidos  contratos constitutivos foram apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste ltda.   Visando  a  conferir  ares  de  legalidade  em  seus  negócios,  simulou­se  um  Contrato  de  Locação  Comercial  com  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  em  setembro/2005,  abarcando,  inclusive,  todos  os  equipamentos  e  ferramentas  para  funcionamento  de  um  frigorífico,  pagando­se  um  valor  fixo,  somado  a  outro  valor  por  cabeça  de  gado  abatido  no  local, tendo por fiador o próprio sócio Sérgio Aparecido da Fonseca Alves.  A  partir  de  seu  funcionamento,  o  esquema  fraudulento  se  valeu  do mesmo  "modus operandi" já utilizado pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, utilizando­se de  empresa vendedora de notas fiscais – a “NOTEIRA” Distribuidora S. Paulo, para fazer crer real  as atividades realizadas.   Com receitas em torno de R$ 18.300.000,00 em 2005, e de R$ 11.615.000,00  em 2006 (Fonte DIPJ), a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda contava  com apenas um empregado formalizado.   Convenhamos  que  com apenas  um  único  empregado  revela­se  inverossímil  que uma empresa possa ter uma movimentação financeira de 43 milhões de reais até 2006. Tal  inverossimilhança é corroborada pelo fato de tal empresa, após a deflagração da operação da  Polícia Federal  no  final de 2006,  ter  faturado,  tão  somente, R$ 21.695,00 em 2007, quando,  então, paralisou suas atividades.   A SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda não entregou  DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em 2005, sendo que em 2006  entregou somente os dados cadastrais, sem declarar tributos; A empresa entregou DIPJ de 2005  e 2006,   Fl. 14499DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.481          37  A Fiscalização  apurou  que  tal  "modus  operandi"  era  utilizado  por  todas  as  empresas envolvidas na fraude ­ operação grandes lagos.     Os  agentes  fiscais  constataram  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e Derivados Ltda mantinha  relacionamento  com diversos bancos,  quase uma dezena,  conforme relação das contas correntes apresentada a fl. 153.  Nos  livros  contas  correntes  apreendidos no  interior do Frigorífico Ouroeste  Ltda (itens 7.1, 7.2 e 7.3 do Termo de Busca e Apreensão da Policia Federal) constam diversos  pagamentos  a  fornecedores  de  gado,  assim  como  os  pagamentos  de  despesas  pessoais  e  retiradas  de  pro  labore  dos  sócios  de  fato  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza, e Luiz Ronaldo Costa Junqueira, bem como salários, férias, 13º  salário  e  salário  maternidade  dos  empregados  assalariados  e  dirigidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste, mão­de­obra com vínculos formais registrados na empresa interposta BR Fronteira.     Circularizando em diversos fornecedores de gado a Fiscalização comprovou  que os verdadeiros donos de fato da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados  Ltda  são  os  mesmo  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  ou  seja,  Sr.  Edson,  Dorvalino,  conforme  respostas aos Termos de Intimação Fiscal a fls. 1150/1280 ­ Volumes VI e VII/Anexo 3.   Na  resposta  do  fornecedor  Marcos  Bassan  Gonçalves,  este  informa  que  o  recebimento da venda de bovinos efetuada a SP Guarulhos, com emissão da NF n° 1680,  foi  pago pelo cheque n° 10494 no valor de R$ 7.627,00, datado de 31 de Agosto de 2005, emitido  pela Continental Ouroeste — Banco Real — Ag. Mirassol, que pode ser confrontado com as  fls.  07­verso  do  Livro  conta  corrente  7.4  (apreendido),  o  que  comprova  a  ligação  entre  as  citadas empresas. (documentos às fls. 1190/1199 e 1202­Volumes VI e VII/Anexo 3).   O  fornecedor  Luiz  C.  H.  Teles  remeteu,  juntamente  com  sua  resposta  referente à NF 2628, de 11/10/2005, da SP Guarulhos, as notas fiscais de produtor onde consta  como  local  de  abate  o  Frigorífico  Ouroeste,  bem  como  o  controle  de  pesagem  e  do  transportador, onde consta o logotipo e o nome do Frigorífico Ouroeste, o que mais uma vez  comprova quem detinha o controle do empreendimento (fls. 1203/1217­Volume VII/Anexo 3).     No Auto de Qualificação e Interrogatório de Dorival Pedro Belini na Policia  Federal  de  Jales/SP  (fls.  667­  Volume  III/Anexo  1),  quando  questionado  sobre  quais  as  empresas de Dorvalino são sediadas em São Paulo Capital, o interrogando respondeu:   “... é o dono as SP Guarulhos”.    No mesmo Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão efetuado pela Policia  Federal no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda, foram apreendidos outros documentos da SP  Guarulhos,  tais como 2 cartões magnéticos, sendo um Empresarial da Nossa Caixa ag. 535 e  outro  do  Bradesco  Ag.  1760­4;  contratos  sociais;  talões  de  cheques  de  vários  bancos  e  Fl. 14500DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     38  agências, tais como ag. 0540­1 ­ Nossa Caixa ­ Vila Maceno em S. J. R. Preto, conta corrente  04.001570­6 e ag. 535­5 ­ conta 04.000393­3 ­ Ag. Ouroeste­SP.     Analisando  os  documentos  solicitados  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação Financeira, a Fiscalização constatou que quem movimentava as contas eram os  verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste  ltda,  fato que corrobora a compreensão de que SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda figurava como mais uma empresa de  fachada, utilizada para a execução dos interesses empresariais da Frigorífico Ouroeste Ltda e  de seus verdadeiros donos.    Na data de 27 de Novembro de 2007, em diligência na Cidade de Guarulhos,  foram apreendidos diversos documentos da empresa, conforme Termo de Retenção a fl. 715­  Volume IV/Anexo 3.   No interrogatório na Polícia Federal o sócio de fato do Frigorífico Ouroeste,  Sr. Edson Garcia de Lima (fls. 646/648­Volume IV/Anexo 1), quando questionado acerca das  negociações envolvendo notas fiscais frias, esclarece o seguinte:   "eventualmente,  o  interrogado  comprava  gado  de  produtores  com  notas  fiscais  do MACAÚBA. O  interrogado  nunca  conversou  com  Macaúba,  pois  quem  efetivamente  comprava  as  notas  fiscais  era  DAVID  APARECIDO  BEZERRA,  a  mando  da  empresa  SP  GUARULHOS".     Questionado  acerca  desta  compra  de  notas  fiscais,  ele  afirma  que  a  SP  GUARULHOS pagava R$ 3,00 ou R$ 4,00 por cada cabeça de gado lançado em nota fiscal. A  despesa era por conta da SP GUARULHOS. David era quem ia até a empresa de MACAUBA  buscar as notas frias.   Como  amplamente  comprovado  a  SP  Guarulhos  pertence  de  fato  aos  verdadeiros  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  David Aparecido  Bezerra  é  funcionário  da  EMPRESA De Souza Lima, também de propriedade de Edson e Dorvalino.  Macaúba,  ou  VALDER  ANTONIO  ALVES,  é  o  proprietário  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  com  quem  Edson  Garcia  de  Lima  mantinha  contato  diariamente,  adquirindo notas frias, conforme comprovado pela Policia Federal.  O  Sr.  Edson  faltou  com  a  verdade,  portanto,  ao  afirmar  que  nunca  havia  conversado com o Macaúba.  Constata­se mais  uma  vez  que  os  verdadeiros  donos  tentam  se  esquivar  da  responsabilidade, tentando transferir para terceiros o ônus do empreendimento, seja para David  Aparecido  Bezerra,  seu  empregado  na  empresa  "De  Souza  Lima"  (propriedade  sua  e  Dorvalino), ou com relação ao 'laranja' Sérgio Aparecido da Fonseca Alves da SP Guarulhos.     Os boletins de abate eram emitidos em nome da SP Guarulhos, contudo nas  notas fiscais de produtor constam como local de abate o Frigorífico Ouroeste e a Continental  Ouroeste, documentos a fls. 857/1057 ­ Volumes V e VI  / Anexo 3,  fato este confirmado no  relato do Sr. Edson Garcia de Lima na Policia Federal, a fls. 647­Volume IV­Anexo 1.   Fl. 14501DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.482          39  “O  gado  era  retirado  do  FRIGORÍFICO  OUROESTE  com  uma  nota fiscal do MACAUBA, em nome da empresa DISTRIBUIDORA  SAO  PAULO,  e  como  destinatária  a  empresa  SP  GUARULHOS.  Afirma o  seguinte:  "eu  comprava  notas  de MACAUBA,  porque  do  Oiapoque ao Chui todos compravam notas dele. A melhor coisa que  poderia acontecer seria se todos começassem a pagar os impostos".    Diante da quebra do sigilo bancário procedida pela Justiça Federal  de Jales/SP, foi requisitado ao Banco Nossa Caixa S/A, através da  RMF  Nº  08.1.07.00­2008­00147­5,  a  movimentação  das  contas  04.001.570­6  ­  ag.  0540­1  e  04.000.393­3  ­ag.  535.5,  da  empresa  SP  Guarulhos,  onde  se  verificam  que  os  reais  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  pela  SP  GUARULHOS  Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os verdadeiros donos  do  Frigorífico  Ouroeste  ltda,  Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  conforme  ilustrado  na  tabela  a  157/159,  elaborada por amostragem.    Na  mesma  toada,  da  analise  das  fitas­detalhe  enviadas  pelo  Banco  Nossa  Caixa­  conta  nº  04­000393­3­  Ag.  535­5/Ouroeste­SP,  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  a  Fiscalização  apurou  diversos  pagamentos  debitados nessa conta, relativos aos meses Janeiro, Fevereiro e Abril de 2006, representativas  de despesas pessoais dos sócios Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, ou de  empresas do núcleo Ouroeste ligadas a tais pessoas, conforme ilustrado a fls. 161/163.   ·  Boletos  bancário  ­  cedente  Elétrica  Noroeste  Ltda  EPP,  tendo  como  sacado a S P Guarulhos, mas o endereço é do Frigorífico Ouroeste Ltda:  Rua Jose Maticoli CP 35 ­ Ouroeste  ­SP,  idem para o cedente Hermann  Ind. Maq.  Equipamentos.  Idem  para  R$  263,69  vencimento  20/04/2006,  idem para o  cedente Friomat valor R$ 1.300,10 vencimento 20/04/2006,  valor de R$ 3.466,75 vencimento e m 2 1 / 0 4 / 2 0 0 6 / Comosquímica,  Sandet Química cedente valor R$ 960,73 vencimento 24/04/2006; vide fls.  621 , 622, 661 , 675, 676, 685, 704, 706 ­ Volume IV/Anexo 3.   ·  Boleto  bancário  de  pagto  de  assinatura  do  Jornal  Estadão,  tendo  como  sacado o sócio de fato Dorvalino Francisco de Souza ­ Rua Boa Vista 666  ­  S.  J.R.Preto,  local  onde  funcionava  um  escritório  do  Frigorífico  Ouroeste,  fato  este  confirmado por  produtores  rurais,  idem boleto Abril  S/A no valor de R$ 49,03, fls. 623 e 652;   ·  Fatura de energia elétrica da CPFL, e da Telefônica  fones 3264­1366 e  3564­1354,  sendo  estes  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  fls.  624  a  626;  Boleto bancário  valor R$ 372,00­ cedente H4 Fomento Comercial  Ltda,  como sacado a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, fls. 627;   ·  Boleto  bancário  no  valor  de  R$  157,00  ­  cedente  Tracker  do  Brasil  e  sacado  a  empresa  De  Souza  Lima,  pertencente  aos  sócios  Dorvalino  e  Edson; idem para outro boleto com vencimento em 24/04/2006, fls. 630 e  672;   Fl. 14502DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     40  ·  Boleto  bancário  valor  R$  2.065,67  ­  cedente  Frigoestrela  e  sacado  a  empresa a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, idem para o boleto  de R$ 2.748,58 ­ cedente Lopesco Ltda, boleto valor R$ 3.947,22 ­ cedente  Viaplastic;  boleto  R$  620,00  vencimento  09/02/2006,  boleto  cedente  Desinsetizadora  Multipragas  valor  R$  450,00,  Cosmoquimíca  valor  R$  1.155,59 vencimento 14/02/2006, Oxijales valor de R$ 35,00 vencimento  20/04/2006, Arnaldo Passo NF 2180 no  valor  de R$ 360,00  vencimento  em 24/04/2006;  ·  Boleto  bancário  valor R$  238,58  ­  cedente Cirasa Riop Aut  e  sacado  a  empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Durvalino e Edson, idem  boleto R$  77,12  ­  cedente Pelatti,  vencimento  09/02/2006,  idem  cedente  Pirelli  valor  de  R$  660,00,  cedente  Facchini  valor  R$  5.190,00  vencimento 14/02/2006, valor R$ 596,70 vencimento 20/04/2006, Propaga  valor  de  R$  113,32  e  Cirasa  Riop  Aut  valor  de  R$  311,50,  vencimento  20/04/2006; Riocap valor R$ 563,50 vencimento em 24/04/2006, fls. 632,  646, 650, 662, 674, 702 e 707;   ·  Boleto bancário de R$ 693,43,  tendo como cedente o Itaú Seguros S/A e  sacado  o  sócio  de  fato  João  Francisco  Naves  Junqueira.  Idem  BV  Financeira no valor de R$ 2.566,42 , vencimento em 16/02/2006, fls. 634  e 683;   ·  Boleto  bancário  valor  R$  81,50  ­  cedente  Cirasa  Riop  Aut  e  sacado  a  empresa Transportadora Sulera Ltda, pertencente ao sócio José Roberto e  do  irmão  do  Dorvalino,  idem  cedente  Cirasa  Auto  Riop  valor  de  R$  396,50 vencimento em 21/04/2006, 648 e 703;   ·  Boleto  bancário  de  R$  452,21,  tendo  como  cedente  o  Posto  de  Modo  Trevo e sacado o sócio de fato Edson Garcia de Lima, fls. 664;   ·  Fatura  de  energia  Elektro  vencimento  14/02/2006  no  valor  de  R$  33.470,53, tendo como sacado a Continental Ouroeste, fls. 665;     No Livro Conta Corrente n° 7.1 ­ Banco Bradesco Ag. 1760­Ouroeste­SP c/c  nº 108904, movimentação bancária da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e  Derivados Ltda período de Outubro/2005 a Fevereiro/2006, solicitados via RMF n ° 2008­149­ 1, constam pagamentos de salários, férias e rescisões de contrato de trabalho de empregados do  Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e  Representação BR de Fronteira Ltda, inclusive pagamento dos encargos sociais como INSS e  FGTS, conforme ilustrado por amostragem, na tabela a fls. 163/165.    Com  relação  ao  cheque  n°  176,  no  valor  de  R$  27.953,96  ,  datado  de  05/12/2005,  relativo  ao  pagamento  do  13°  salário  –  1ª  parcela,  foi  solicitado  ao  Banco  Bradesco  a  relação  dos  beneficiários  de  tais  pagamentos,  sendo  confirmado  tratar­se  dos  empregados  do  Frigorífico Ouroeste,  com  vínculos  trabalhistas  registrados  na  interposta  BR  Fronteira. Tal  relação dos beneficiários pode ser confrontada com a Folha de Pagamento em  nome da interposta pessoa.  Fl. 14503DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.483          41  No Livro Conta Corrente N° 72 ­ Banco Nossa Caixa ­ Ag. 0540­Rio Preto­ SP,  CC  001570­6,  movimentação  bancária  da  empresa  SP  Guarulhos  no  período  de  setembro/2005  a  agosto/2006,  constam  diversos  pagamentos  de  comissões  e  fretes  a  contribuintes  individuais,  inclusive  retiradas  de  Pró­labore  dos  sócios  de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste, Srs. Luis Ronaldo,  Jose Roberto, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de  Souza (fls. 260/353 ­ Volume II / Anexo 3).   No Livro Conta Corrente N° 7.3  ­ Banco Nossa Caixa  ­ Ag. Ouroeste, CC  000393­3, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de dezembro/2005 a  Setembro/2006 (fls. 354/395­Volume II  / Anexo 3), constam pagamentos de salários, férias e  rescisões  contratuais  dos  empregados  que  estavam  trabalhando  para  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e Representação BR  de Fronteira Ltda, e a diversos contribuintes  individuais,  inclusive retirada de pro labore dos  sócios de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda, conforme ilustrado, por amostragem, na tabela a  fls. 165/167.  Constam, também, pagamentos dos encargos FGTS ­ Fundo de Garantia por  Tempo  de  Serviços/GFIP  e  recolhimentos  da  retenção  da  contribuição  dos  segurados  empregados ao INSS, através da GPS, conforme tabela exemplificativa a fl. 167, assim como  pagamentos  ao  contador Wanderley  Graidzinski,  responsável  pela  remessa  dos  arquivos  ao  Fisco  Estadual  das  movimentações  de  mercadorias  ­  ICMS,  o  qual  assina,  ainda,  como  testemunha  à  alteração  contratual  de  25  de  Julho  de  2005,  e  os  Boletins  de  Abate  como  procurador.  De  todo  o  exposto,  conclui­se  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda é uma empresa inexistente de fato, tratam­se, nada mais, do que uma  empresa  “de  fachada”,  Pessoa Jurídica de  "papel",  e  comprovadamente  interposta pessoa do  Grupo Ouroeste.  ISTO JÁ ESTÁ FICANDO MONÓTONO !!!    3.1.3.  DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA FRAUDE  O  trabalho  da  Fiscalização  foi  complementado  pela  intimação  pessoal  de  todos  os  contribuintes  envolvidos  no  esquema  fraudulento  desbaratado  pela  Policia  Federal,  sejam  aqueles  que  efetivamente  atuaram  no  grupo,  sejam  os  que  contribuíram  com  trabalho  e/ou capital.  De acordo com o relato fiscal, todos os envolvidos sempre estiveram ligados,  de alguma maneira, ao ramo de abate de bovinos e/ou comércio de carnes e subprodutos, sendo  também os mesmos, de fato, donos do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Todos  os  contribuintes  ora  em  apreço  foram  intimados  para  prestar  esclarecimento  pessoal  sobre  sua  atuação  no  esquema  fraudulento,  mas  nenhum  deles  compareceu,  justificando que não eram obrigados a produzir provas contra  si  e que  todos os  esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal.    Fl. 14504DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     42  3.1.3.1.  Dorvalino Francisco de Souza;   Participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas empresas acima citadas.  Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admitiu  que  administrava  efetivamente o Frigorífico Ouroeste Ltda com procuração Outorgada por sua Mãe em conjunto  com José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima.   Possui  participações  nas  empresas:  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza & Lima Ltda, H4 Comercial De Carnes e Derivados  Ltda.   Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 155.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 171,  declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Dorvalino Francisco de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 260.000,00 nos  anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 171/173.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido  Bezerra,  funcionário  de  Dorvalino,  documento  intitulado  "RETIRADA  DORVALINO",  no  qual  constam  despesas  do  contribuinte  do  período  de  16.01.2004  a  26.01.2005 (fls. 718 a 724 ­ Volume IV/Anexo 1).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  despesas  de  Condomínio,  IPVA,  Plano  de  Saúde  e  outros  (fls.  719  a  724  ­  Volume  IV/Anexo 1).   Nos livros conta corrente (numerados n° 7.1 a 7.4) apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No  mesmo  livro  conta  corrente  –  7.4  ­  a  fl.  450,  consta  pagamento  de  "Condomínio Panorama", através do cheque 11282 nominal,  imóvel cujo proprietário é o Sr.  Dorvalino.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005,  informando  o  valor  e  a  data  de  cada  transferência,  bem  como  a  origem  de  qual  agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos, complementado  por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao B. Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos  documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente  04.001.570­6 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica  através  do  Fl. 14505DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.484          43  cheque nº 686, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr. Dorvalino F. de  Souza, além de transferências de quase R$ 20.000,00 para sua conta pessoal.  Em  Diligência  na  empresa  Viagem.com  foram  constatadas  dezenas  de  passagem aérea em nome de Dorvalino Francisco de Souza  ­  ida  e volta S.J.R. PRETO  ­ S.  PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, bem como pagamento de passagem também para  seu irmão Odécio (sócio da Transportadora Sulera Ltda).  No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada)';   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Não restam dúvidas, portanto, que Dorvalino Francisco de Souza participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam claro  que o Sr. Dorvalino Francisco  de Souza  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    3.1.3.2.  Edson Garcia de Lima:   O  contribuinte  Edson  Garcia  de  Lima  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental  Fl. 14506DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     44  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, H­ 4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza & Lima Ltda.  Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que possui de direito  as empresas H­4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e a empresa De Souza & Lima Ltda e  de  fato  16 % do  Frigorífico Ouroeste  Ltda.  Participou  efetivamente  da  empresa Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tendo inclusive controle e gerência da mesma.   Apresentou DIRPF com rendas pouco expressivas nos exercícios de 2002 a  2007, que somadas não chegaram a R$ 168.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro  a fl. 179, declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Edson Garcia de Lima que ultrapassam a cifra de R$ 248.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 179.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido Bezerra, funcionário de Dorvalino, documento intitulado "RETIRADA EDÃO", no  qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004 a 26.01.2005 (fls. 725/729 ­  Volume IV/Anexo 1).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  faculdade das  filhas Tatiana e Martina,  plano de  saúde,  além de outras  (fls.  726/729  ­  Volume IV/Anexo 1).   Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450, consta pagamento cheque n°  10996,  o  Imposto  Sobre  Serviço  ­  ISS  da  De  Souza  &  Lima  Ltda,  outra  empresa  de  sua  propriedade.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Edson Garcia  de  Lima,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005,  informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta  bancária  da  Continental  Ouroeste  ltda  saíram  os  pagamentos,  complementado  por  histórico  resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 683, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr.  Edson Garcia de Lima, depositado em sua conta pessoal.  Conforme B. Bradesco ­ ag. 0063 ­ conta corrente 64228, titularidade da SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, verifica­se transferência do valor de  Fl. 14507DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.485          45  R$ 10.000,00 em 01/03/2006, ch. 975, para sua conta pessoal no Banco Nossa Caixa ­ AG. 434  ­ c/c 010039797.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  Edson  Garcia  de  Lima  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.3.  José Roberto de Souza  O  contribuinte  José  Roberto  de  Souza,  irmão  de  Dorvalino  Francisco  de  Souza, participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas  acima.   Não  foi  ouvido  na  Polícia  Federal  de  Jales,  tendo  em  vista  não  estar  diretamente  ligado  às  empresas  investigadas  na  Operação  Grandes  Lagos.  Entretanto,  foi  localizado cheque pagando a sua parte da aquisição do Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Segundo  depoimento  dos  demais  contribuintes  envolvidos,  Sr.  Dorvalino  Francisco de Souza e Antonio Martucci, José Roberto de Souza efetivamente contribuiu com  trabalho  e  capital  nos  objetos  sociais  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda,  tornada inexistente de fato, e do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".   Fl. 14508DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     46    No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 115.500,00 , conforme ilustrado no quadro a fl. 185.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte José Roberto de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 282.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185/186.  Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Edson Garcia  de  Lima,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005,  informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta  bancária  da  Continental  Ouroeste  ltda  saíram  os  pagamentos,  complementado  por  histórico  resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 918, de 08/05/2006, pagamento de Pró­labore ao Sr. José Roberto  de Souza, depositado em sua conta pessoal.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  José  Roberto  de  Souza  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  José  Roberto  de  Souza  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  Fl. 14509DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.486          47  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.4.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira  O  contribuinte  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  participou  efetivamente  da  fraude,  estando  a  frente  da  administração  das  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda.   Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal em Jales, disse que comprou  50% do Frigorífico Ouroeste, mas por ter problema no "CPF" registrou em nome de sua esposa  e que não administrava o frigorífico e que raramente fazia retiradas.  Todavia,  a  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  retiradas  mensais  em  seu  nome através do Livro Conta Corrente­7.4, apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste, fls.  426  a  460  ­Volume  III/  Anexo  2,  mediante  cheques  de  pagamentos  nominais  a  sua  esposa  Maria Cecília Podboy e/ou a seu pai João Francisco Naves Ribeiro (cheque n° 10607, fls. 479  confrontada com fls. 438­verso do Livro n° 7.4 supra, e fls. 497/498­ Volume III/Anexo 2)  A Fiscalização apurou que o citado contribuinte não possui conta bancária em  nome  próprio,  o  que  explica  os  cheques  nominais  a  seus  familiares,  e  apresenta DIRF  com  patrimônio de R$ 4.000,00 e rendimento exclusivamente pago pelo seu pai Sr. João Francisco  Naves Junqueira, conforme extrato a fl. 189 (fls. 2122/2136 ­ Volume XI/Anexo 1), somando  nos seis exercícios de 2002 a 2007 pouco mais de R$ 70 mil.  Em seu interrogatório na Justiça Federal, afirmou que fez retiradas algumas  vezes devido ao prejuízo da empresa, contudo no livro conta corrente apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em outubro de 2006,   Verificam­se retiradas mensais, no ano de 2005, do contribuinte na empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, cheques 10606, 10607 e 10784.   Conforme  documentos  às  fls.  1154  a  1155  ­  Volume  VI  /  Anexo  1,  Luis  Ronaldo Costa Junqueira recebeu benefício no período de Novembro de 2003 a Julho de 2005,  a título de Capitalização, valores debitados no Banco Bradesco ­ Ag. Ouroeste ­ conta corrente  10770, da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Em diligência na empresa Viagem.com foi constatado passagem aérea em seu  nome  ­  ida  e  volta  S.J.R.  PRETO  ­  S.  PAULO,  pagas  pela  empresa  SP  Guarulhos,  recibo  "TAM" emissão em 06 de Março de 2006.  Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".     Fl. 14510DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     48  No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  pro  labore  através  da  empresa  interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, com cheques nominais  a esposa Maria Cecília P. Junqueira e seu pai João Francisco Naves Junqueira, conforme consta  no Livro controle conta corrente item 7.2 , apreendido no Frigorífico Ouroeste Ltda, Ag. Nossa  Caixa SJRPreto 0540­1, CC 04­001570­6, fis. 260 a 353­ Volume II/ Anexo 3, como exemplo  as fis. 271 ch. 953, fis. 276 ch. 1305, fls. 287­verso ch. 1822, fis. 294­verso ch. 1827, fis. 301  ch. 2569, fis. 305 ch. 2570 e 2844, fis. 313­verso ch. 2 5 7 1 , fis. 322 chs. 3252 e 3255, fis.  324­verso ch. 3253, fis. 329­verso ch. 3254, fis. 342 chs. 4382 e 4383, fis. 346 ch. 4385, onde  aparece anotado o nome do contribuinte constando a retirada de Pró­labore.   Idem  para  o  livro  item  7.3  ­  Ag.  Nossa  Caixa  Ouroeste  535­5  conta  04­ 000393­3, fls. 329 a 370­Volume II / Anexo 4, fls. 337, fls. 339­verso, fls. 340­verso, fls. 343,  fls. 344, fls. 351 e fls. 357, onde também aparece anotado o nome do contribuinte constando a  retirada de Pró­labore e pagamento de despesa.   Regularmente  intimado  na  pessoa  de  seu  procurador  em  26.03.2008,  não  respondeu a citada intimação.  Não restam dúvidas, portanto, que Luiz Ronaldo Costa Junqueira participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As provas dos  autos deixam claro que o Sr. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.5.  Antonio Martucci  O  contribuinte  Antonio  Martucci  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo o nome e trabalho nas empresas acima, entretanto com uma participação menor da  administração dos negócios.   Fl. 14511DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.487          49  Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admite  que  possuir  participação tanto no Frigorífico Ouroeste Ltda quanto na empresa Continental Ouroeste Ltda,  na razão de 12,5%.   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  não chegaram a R$ 92.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 195.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Antonio Martucci que ultrapassam a cifra de R$ 41.000,00 nos anos de 2004 e  2005, conforme exposto na tabela a fls. 185.  Conforme RMF 2007.283­4 e 284­2, Banco Nossa Caixa e Bradesco, foram  solicitados e remetidos documentos relativos à movimentação bancária, onde se comprova os  valores  vindos  da  conta  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  Apesar  de  poucas  transferências,  o Sr. Antonio Martucci  admite que  junto  com o contribuinte  José Roberto de  Souza  adquiria de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana  e  que os mesmo  eram  abatidos  e  comercializados pelo Frigorífico Ouroeste Ltda,. (fls. 655 ­ Volume I V / Anexo 1).   Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma: "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".   Portanto, está demonstrado que o contribuinte Antonio Martucci, participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados  sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Antonio  Martucci  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.6.  Oswaldo Antonio Arantes  O  contribuinte Oswaldo Antonio Arantes  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas  empresas  acima.  Era  pessoa  de  confiança  do  grupo e exercia efetivamente administração dos negócios, como gerente geral. Sua participação  vai além de um simples empregado, mesmo que no cargo de gerente administrativo.   Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite ter comprado a parte da  empresa Continental Ouroeste Ltda (99%) pertencente ao Sr. Antonio Martucci em 2003, pelo  mesmo valor da constituição, mas como não conseguiu alterar o quadro social junto ao Fisco  Estadual, foi devolvido pelo mesmo valor investido.   Ressalte­se  que  o  contribuinte,  mesmo  após  seu  desligamento  dos  quadros  sociais  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  continuou  se  apresentando  e  Fl. 14512DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     50  agindo  como  sócio  da  empresa,  chegando  a  firmar  Procuração  "AD  JUDICIA"  para  os  advogados representarem a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no processo trabalhista  989/2004­8  na Vara  do Trabalho  de  Fernandópolis­SP,  reclamante Élcio Benato,  procuração  com  data  de  28  de  Novembro  de  2004,  portanto  posterior  a  sua  saída  conforme  alteração  contratual em Agosto de 2004 (fls. 84/88 ­ Volume 1/ Anexo 2).   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  ultrapassaram a cifra de R$ 167.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 197.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes que ultrapassam a cifra de R$ 425.000,00 nos anos  de 2003 a 2006, conforme exposto na tabela a fls. 197/203.  Conforme  RMF  n°  2007.282­6  e  284­2,  285­0  e  286­9,  Bancos  Brasil  e  Bradesco, verifica­se os valores recebidos pelo contribuinte em tela são oriundos das contas da  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Conforme RMF n° 2008­149­1 (Banco Bradesco), fls. 116 a 119 ­ Volume I /  Anexo 3, verifica­se valores recebidos pelo contribuinte oriundos das contas da SP Guarulhos  (de  novembro/2005  a  março/2006),  livro  conta  corrente  7.1,  7.2  e  7.3,  onde  constam  pagamento de salário, férias e 13° salário, através de cheques nominais, que somam mais de R$  300  mil,  valores  considerados  como  "plus  salarial",  pois  na  folha  de  pagamento  da  BR  Fronteira, está formalmente registrado como gerente como salário de R$ 2.800,00.   Na  planilha  a  fls.  675/678  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes,  no  período  de  fevereiro/2003  a  outubro/2005,  totalizando  mais  de  R$  400  mil,  informando  o  valor  e  a  data  de  cada  transferência, bem como a origem de qual  agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  saíram  os  pagamentos,  complementado  por  histórico  resumida  da  transferência.  Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte em tela tinha uma  participação  maior  do  que  a  de  um  simples  empregado.  Tinha  poder  de  decisão,  agindo  e  obtendo  vantagens  financeiras  com  sua  conduta  em  benefício  do  Núcleo  Ouroeste  e  em  detrimento a Fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.7.  João Francisco Naves Junqueira  O contribuinte  João Francisco Naves  Junqueira  é pai do Srs. Luiz Ronaldo  Costa Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. Possui conta corrente em conjunto com o Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira, conta esta que foi utilizada para pagamento de parte do valor  pago pelo Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Foi  beneficiário  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  constando  diversas  transferências  de  valores  para  suas  contas  correntes,  documentos  requisitados  via  Fl. 14513DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.488          51  RMF ­ Requisição de Movimentação Financeira nº 148­3 de 2008,  fls. 461 a 466,  ao Banco  ABN  AMRO  REAL  S/A  ­  Ag.  Mirassol  783  ­  conta  97073252,  pelos  cheques  nominais  depositados em sua conta pessoal, cuja soma ultrapassa a cifra de R$ 46 mil, em setembro e  outubro de 2005, conforme discriminativo a fl. 205.  Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288  ­ Banco HSBC, n° 289  ­ Banco Santander Brasil  e n° 290  ­ Banco do  Brasil  (fls.  44  a  50  ­  Vol.  1/Anexo  2),  restaram  confirmados  outros  recebimento  pelo  contribuinte vindos da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, que somados ultrapassam R$  420 mil,  conforme  planilha  complementar  dos  valores  recebidos,  a  fls.  697/698  do Volume  IV/Anexo 2.   Foi  beneficiário  da  interposta SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda, conforme se comprova através dos cheques n. 1822 e 1825 da Nossa Caixa S.  J.  R.  Preto  /  Ag.  540­1  ­  c/c  04.001570­6,  ambos  no  valor  de  R$  5.000,00  e  datados  de  Dezembro de 2005, cheques 2570 e 2844 de Janeiro de 2006, cheque n. 3254 em Fevereiro,  cheques n.  4383 e 4385 em Março de 2006,  às  fls.  493, 499, 528, 610 e 616 Volumes  IV e  V/Anexo 3, sendo parte atribuído ao filho Luis Ronaldo, conforme constam no livro item 7.2,  fls. 260 a 353 ­ Volume II / Anexo 3.   Planilha a fls. 2161/2163 informa, igualmente, os valores recebidos por João  Francisco Naves Junqueira, mediante  transferências bancarias  / TED das empresas do núcleo  Ouroeste totalizando em 2006 cerca de R$ 53.500,00.  De  todo o exposto,  resta evidente que o contribuinte participou diretamente  na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício  do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.   As provas dos autos deixam claro que o Sr. João Francisco Naves Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.8.  José Ribeiro Junqueira Neto  O contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto adquiriu 50% das instalações do  Frigorífico Ouroeste Ltda e m 2002, através de seu procurador Luiz Ronaldo Costa Junqueira,  Procuração esta outorgada em 30 de Janeiro de 2001, com poderes amplos e Ilimitados.  Na  citada  aquisição,  os  cheques  discriminados  são  de  emissão  do  Luiz  Ronaldo da Costa Junqueira de uma conta conjunta com João Francisco Naves Junqueira, pai  de ambos.  Intimado  e  reintimado  para  esclarecer  tal  situação,  respondeu,  em  18.04.2008, que em 2002 outorgou procuração para seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira a  fim  de  que  adquirisse  as  instalações  industriais  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  visto  que  o  mesmo teria problema com seu CPF na época (fls. 2234/2243­ Volume XII/Anexo 1). Contudo  a procuração apresentada pelo Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira em 2002, fls. 207 ­ Volume I /  Fl. 14514DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     52  Anexo 1, é datada de 30 Janeiro de 2001, um ano antes da operação de compra das instalações,  ocorrida em 2002.   Quanto à assinatura no contrato pelo Luis Ronaldo Costa Junqueira, o mesmo  o fez como procurador do contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto, assumindo este  todos os  encargos decorrentes do negócio jurídico.   Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira  de  n°  288­9  (fls.  46  ­  Volume  I/Anexo  2)  ­  Banco  HSBC  Bank  Brasil  S/A  verificamos o recebimento através da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda de mais de R$  106 mil,  conforme  planilhas  valores  recebidos,  fls.  699/700  do  Volume  IV/Anexo  2,  assim  como a origem de qual agencia bancaria vieram os valores creditados ao contribuinte.    No banco Nossa Caixa (RMF nº 147) verificamos a transferência via TED de  R$  25.000,00  da  conta  corrente  04.001600  ­  ag.  n°  540,  de  titularidade  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  para  a  conta  pessoal  do  Sr.  José  Ribeiro Junqueira Neto ­ ag. 824 ­ conta corrente 646598, conforme exposto a fls. 1081/1082.   Com  base  no  acima  exposto,  fica  claro  que  o  contribuinte  participou  diretamente na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta  em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    Conforme  demonstrado,  as  pessoas  ora  abordadas  utilizaram  de  meio  fraudulento  para  se  ocultar  aos  olhos  do  Fisco,  simulando  uma  “inexistência”  de  relação  jurídica com as empresas autuadas. Tal “inexistência” de relação jurídica era apenas aparente,  eis que a relação jurídica de fato existente encontrava­se dissimulada pela criação de Pessoas  Jurídicas existentes somente no plano formal, presentes apenas no papel, que tudo aceita.  Ocorre, todavia, que a fraude e a simulação deixam sempre rastros e vestígios  que  as  denunciam.  Produzem  fatos,  atos  e  sintomas  que,  quando  conjugados  aos  fins  pretendidos,  e  as  circunstâncias  do  caso,  revelam o  caráter  fictício  ou  imaginário  de  um  ato  jurídico fraudulento ou simulado.  Em  razão de  tal  acobertamento,  tais defeitos da  vontade declarada  têm que  ser  provados  através  do  conjunto  de  indícios  e  evidências  que  as  operações  realizadas  na  execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em  direito,  nomeadamente,  através  de  testemunhas,  documentos,  a  experiência,  os  resultados  alcançados,  etc.,  a  Fiscalização  reúne  os meios  de  prova  relativos  a  esses  fatos,  indícios  ou  circunstâncias,  e  o  Julgador,  apreciando­os  segundo  o  seu  livre  convencimento  e  prudente  critério,  conjugando­os  com  os  fins  pretendidos  pelo  Increpado,  forma  o  seu  juízo  de  convicção.  As  provas  constantes  dos  autos  são  eloquentes,  precisas  e  convergentes.  Eloquentes, porque  revelam, de maneira detalhada,  todo o mecanismo arquitetado pelos  seus  Fl. 14515DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.489          53  idealizadores  para  a  consecução  dos  fins  pretendidos,  consubstanciados  na  utilização  de  interpostas  pessoas,  constituídas  em  nome  de “laranjas”,  visando  a  encobrir  os  verdadeiros  donos  do  empreendimento  increpado,  em  detrimento  da  arrecadação  tributária;  Precisas,  porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dessas pessoas  na condução dos negócios das empresas interpostas, na condução das operações representativas  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  na  direção  das  empresas  interpostas,  como  seus  verdadeiros  donos  e  controladores,  acobertados  por  “laranjas”,  bem  como  o  recebimento  dos  benefícios  decorrentes  do  empreendimento  pesquisado.  E  são  convergentes  porque todas as provas documentais, depoimentos, indícios e rastros conduzem a essa mesma  ilação.  Em resumo,  restou demonstrado que a Continental Ouroeste Carnes e Frios  Ltda  e  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  são  empresas  interpostas,  existentes  tão  somente no papel,  e pertencem DE FATO ao Frigorífico Ouroeste  Ltda,  tendo  como  proprietários  Edson Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  José Ribeiro  Junqueira  Neto, Oswaldo Antonio Arantes  e  João Francisco Naves  Junqueira,  não obstante o  fato de  a  referida empresa ter sido aberta em nome de terceiras pessoas (interpostas/laranjas).   Também a empresa Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  foi utilizada no esquema fraudulento para intermediar a contratação irregular da mão de obra  empregada na atividade fim do Frigorífico Ouroeste Ltda.  Restou  cabalmente  demonstrado,  igualmente,  que  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Ribeiro  Junqueira  Neto,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  João  Francisco  Naves  Junqueira  foram  os  principais  beneficiários  das  fraudes  perpetradas  pela  fiscalizada,  fraude essa que tinha por objetivo a transferência de responsabilidade tributária para terceiros  que  não  tinham  relação  pessoal  e  direta  com  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sendo  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  os  seus  reais  proprietários  os  verdadeiros  beneficiários econômicos da atividade empresarial empreendida pelo grupo,  já que o produto  da sonegação de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para  pagamento de despesas pessoais.     Do exame da documentação coligida aos autos pela  fiscalização, ante  todos  os elementos de prova então presentes, avulta existir entre as empresas autuadas, as interpostas  empresas  e  as  demais  pessoas  arroladas  pela  Fiscalização  –  Os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira ­  não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico ostensivo,  haja  vista  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  arroladas  pela  fiscalização  envidaram  esforços  significativos na atividade empresarial  comum do grupo e na realização da situação  jurídica que  constitui  o  fato  gerador da obrigação principal objeto deste  lançamento,  e deles  auferiram benefícios econômicos de diversas espécies, de onde se extrai a solidariedade entre  eles por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN.  Nessas  circunstâncias,  são  solidárias  as  pessoas  que  realizaram  conjuntamente  a  situação  que  constitui  o  fato  gerador,  ou  as  que,  em  comum  com  outras  pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a  teor do inciso I do art. 124 do CTN.  Fl. 14516DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     54  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Não procede, portanto, a alegação de que a autoridade  lançadora  imputou a  responsabilidade solidária com o exclusivo fundamento de que os Responsáveis Solidários em  apreço  tinham  procuração  lhes  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração  das  empresas  Autuadas.  Restou  demonstrado  que  os  devedores  solidários  tinham  verdadeiros  interesses  jurídicos  comuns  na  situação  constitutiva  do  fato  gerador  das  Contribuições  Previdenciárias ora lançadas.   Tal  fundamentação  jurídica  encontra­se  expressamente  consignada  no  item  “2.18 – Da Sujeição Passiva Solidária” do Relatório Fiscal, a fls. 289/295.  Não  procede  também  a  alegação  de  que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço só poderia ocorrer ante a verificação da insuficiência do patrimônio da pessoa jurídica e  mediante prévio procedimento judicial de cognição com decisão transitada em julgado.  Conforme  assinalado,  a  Responsabilidade  Solidária  consignada  no  presente  lançamento tem por fundamento jurídico de validade o preceito inscrito no inciso I do art. 124  do  CTN.  Nessa  prumada,  nos  termos  do  Parágrafo  Único  do  citado  dispositivo  legal,  tal  solidariedade tributária não comporta benefício de ordem, podendo o tributo devido ser exigido  de um, de alguns ou de todos os devedores solidários em conjunto.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Registre­se  que  a  eleição  do  Sujeito  Passivo  a  figurar  no  polo  devedor  da  relação jurídico­tributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor  do art. 142 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Fl. 14517DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.490          55  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Conforme  expressamente  consignado  no  art.  121,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  considera­se  Contribuinte  a  pessoa  obrigada  ao  pagamento  do  tributo  que  tenha  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.    No  caso  presente,  a  pletora  documental  presente  nos  autos  demonstra  que  quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo  ora lançado não eram as empresas “noteiras”, notadamente a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, in casu, o Frigorífico Ouroeste Ltda e  os seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar  do recolhimento de tributos.  Da mesma  forma,  as  provas  aviadas  nos  autos  revelam  que  quem  detinha  a  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não  eram as  interpostas empresas constituídas em nome de “laranjas”, existentes  tão somente no  papel, notadamente a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, mas, sim, as  pessoas  que  administravam,  dirigiam  e  controlavam  todas  as  operações  dessas  empresas,  in  casu,  o  Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima  descrito para se esquivar do recolhimento de tributos.    Revela­se  improcedente,  igualmente,  a  alegação  de  que  “Ainda  que  as  Pessoas Físicas arroladas como devedoras  solidárias  fossem sócias das  empresas autuadas,  não seria o caso da pretendida responsabilização, pois ausentes os requisitos indispensáveis a  tanto,  sendo  a  mesma  de  natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade pessoal,  limita­se aos  atos  praticados  comprovadamente  pelos  sócios,  com  excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos”.   Conforme  exaustivamente  demonstrado,  a  responsabilidade  dos  devedores  solidários  no  caso  em  apreço  não  se  fundamenta  em  suposta  responsabilidade  pessoal  dos  diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado por atos praticados  com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos assentados  nos artigos 134 e 135 do CTN, mas,  sim, pelo  interesse  comum na situação constitutiva dos  fatos geradores das Contribuições Previdenciárias ora lançadas, consoante inciso I do art. 124  do CTN.  Fl. 14518DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     56  Não  se  trata,  pois,  de hipótese de  responsabilidade subsidiária,  como assim  quer  fazer  crer  o  Recorrente,  mas,  sim,  de  Responsabilidade  Solidária,  a  qual  não  admite  qualquer benefício de ordem.    3.1.4.  DAS RECEITAS DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   Do Relatório Eletrônico da Polícia Federal extrai­se que a Distribuidora São  Paulo  é  a principal  empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para  emissão de notas  fiscais  "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros ­  frigoríficos  e  "taxistas"  ­  que  desejam  ocultar  estas  operações  do  fisco  para  não  despertar  suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento.   Valder Antônio Alves (Macaúba) é o "cabeça" do esquema e o proprietário  de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário,  tendo amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como  seu braço­direito.   A  folha  de  antecedentes  criminais  de  Valder  Antônio  Alves  é  extensa:  foi  indiciado  em  oito  inquéritos  policiais  e  denunciado  em  dezesseis  processos  criminais,  respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a  saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outrem, além de cinco processos por sonegação  fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a  ordem tributária.   Luzia de Jesus Gonçalves: "Laranja" com participação mínima de apenas R$  10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro societário. Sua função  era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma  individual.   Cláudia  Regina  Barra  Moreno:  "Laranja"  que  substituiu  Luzia  de  Jesus  Gonçalves  na  Distribuidora  São  Paulo,  de  modo  que  permanecesse  viável  o  registro  da  distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a  ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso  das  investigações  uma  funcionária  da  distribuidora  chegou  a  telefonar  para Cláudia  dizendo  que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirá­la  da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar.   Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  (Nina),  "Gerente"  do  esquema,  é  o  braço­ direito  de  Valder  Antônio  Alves  na  Distribuidora  São  Paulo,  gozando  de  ascendência  em  relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e  notas  fiscais  em  branco  da  distribuidora  para  vários  clientes  da  empresa.  Cuida  da  movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas".   Ana  Cláudia  Valente  Fioravante  é  "gerente"  da  organização  criminosa,  embora  subordinada  a  Maria  dos  Anjos  de Medeiros.  Flagrada  em  vários  diálogos  em  que  vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo.   Monique de Medeiros Venda: Também atua como "gerente", ocupando uma  posição  subalterna  em  relação  a  Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  e  a  Ana  Cláudia  Valente  Fioravante. Na verdade executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito,  pois  comanda  os  negócios,  apenas  anota  pedidos  de  notas  fiscais  "frias"  dos  clientes  do  esquema.   Fl. 14519DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.491          57  Em  seu  depoimento  a  Polícia  Federal  de  Jales,  a  Ana  Claudia  Valente  Fioravante diz:   "... QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo  informou ser tirar nota'; QUE perguntada se esta atividade é licita  informou  que  achava  que  sim; QUE  perguntada  porque  achava  e  não  acha  mais,  respondeu  que  no  sábado  da  semana  passada  a  gerente  da  distribuidora,  NINA,  determinou  que  a  interroganda  levasse  para  sua  casa  as  notas  fiscais  em  branco  que  costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de  VALDER;  QUE  perguntada  a  razão  pela  qual  deveria  levar  tais  documentos para sua residência informou ao que sabe seu patrão,  VALDER  obteve  informação  de  que  haveria  uma  fiscalização  na  distribuidora.."     Em suas declarações dadas na Delegacia da Receita Federal  do Brasil  ,  em  05.02.2007, a Ana Claudia Valente Fioravante disse ainda:   "...Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa,  foi  apresentada  uma  relação  à  declarante,  extraída  dos  arquivos  magnéticos  apreendidos  na  Distribuidora  São  Paulo,  na  qual  constam  os  códigos  dos  "clientes"  (compradores  de  notas)  da  Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os  abates.  A  declarante  afirma,  categoricamente,  que  a  listagem  corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes  da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção  das notas fiscais na Distribuidora São Paulo, (grifo nosso)..."     Em outro trecho afirma:   "....Com  relação  ao  Código  36  (Dorvalino),  o  cliente  era  o  Frigorífico Ouroeste, de propriedade do Sr. Dorvalino. Neste caso,  a  declarante  afirma  que  confeccionava  todas  as  notas  fiscais  (entrada, saídas e remessa para abate) na Distribuidora São Paulo.  Recebia as informações do Frigorífico Ouroeste por fax....."     Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  COMPRAS  de  R$  7.358.757,00  no  Ano  Calendário  de  2003  e  R$  22.056.508,02  no  Ano  Calendário de 2004, de R$ 25.373.884,00 no ano calendário de 2005, e de R$ 3.893.255,00 em  2006.   Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  VENDAS  de  R$  10.224.336,85  no  Ano  Calendário  de  2003,  de  R$  21.607.292,85  no  Ano  Calendário de 2004, continuando essas vendas até Março de 2006.   Após  isso,  foram  intimados  alguns  clientes  e  fornecedores,  no  sentido  de  confirmar de quem realmente eles tinham comprado ou vendido produtos, e quem era a pessoa  de contato.   Fl. 14520DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     58  No  tocante  aos  fornecedores  (pecuaristas),  a  maioria  indica  como  compradores os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, sendo que alguns,  ainda,  indicaram  o  Sr. Antonio Martucci  e  o  Sr.  José Roberto  de Souza  (fls.  1310  a  1488  ­  Volumes VII e VIII/ Anexo 1).  Quanto  aos  clientes,  as  pessoas  responsáveis,  apontadas,  são  os  Srs.  Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira e  José  Roberto de Souza (fls. 1489 a 1543 ­ Volumes VII e VIII/Anexo 1).   Os  próprios  envolvidos,  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Edson  Garcia  de  Lima, admitiram que compravam notas da Distribuidora São Paulo, sendo que um dos trechos  do seu depoimento à Polícia Federal de Jales, o Sr. Edson, admite (fls. 647 ­ Volume IV/Anexo  1):   "...eu comprava notas do Macaúba (Valder Antonio Alves), porque  do Oiapoque ao Chuí todos compravam notas dele..."     No Termo de Interrogatório no Juízo Federal da 3ª Vara de São José do Rio  Preto,  as  perguntas  formuladas  pelo  MM.  Juiz  ao  Sr.  EDSON  GARCIA  DE  LIMA,  ele  respondeu (fls. 652 ­ Volume IV/Anexo 1):   "que eu me recorde, o frigorífico Ouroeste passou a abater carnes  para a SP Guarulhos o  início de 2005; usando nota da São Paulo  Distribuidora  foi  depois  em  2006,  para  levar  carne  para  Guarulhos”.     A Fiscalização apurou,  todavia, que, em 2005 era a Continental Ouroeste  e  não o Frigorífico Ouroeste que abatia gado para a SP Guarulhos. Ou seja, o próprio dono se  confunde quando fala das suas empresas, pois conforme Boletim de Abate n° 001/2006, datado  de 03 de Março de 2006 (assinado pelo sócio Luis Ronaldo como procurador), partir de então o  Frigorífico Ouroeste começou abater; com a SP Guarulhos usando as notas frias da São Paulo  Distribuidora a partir do ano de 2006.   O Sr. Antonio Martucci, em seu depoimento à Polícia Federal de Jales afirma  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1):   "...  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado  em Ouroeste­SP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de  venda  em  nome  da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense e Distribuidora São Paulo, porém como local de abate  Frigorífico  Ouroeste.  Em  seguida,  a  carne  era  vendida  para  o  comércio  da  região com nota  fiscal da Distribuidora  São Paulo  e  Norte Riopretense. Quem ligava pedindo as notas a Macaúba era a  secretária  da  empresa  Gislaine.  A  Ouroeste  informava  Macaúba  acerca do comprador final, para fins de que este fizesse a respectiva  nota fiscal de venda em nome do mesmo..."    Quando  questionado  acerca  da  frequência  de  compra  de  notas  venda  disse  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1):   Fl. 14521DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.492          59  ..."Toda  a  produção  seguia  este  procedimento,  sendo  que  o  interrogado  negociava  uma média  de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana. Questionado acerca do abate  feito pelo outros sócios  se utilizando do esquema, afirma que Dorvalino e Edson Garcia de  Lima  faziam vendas mais especificamente para o comércio de São  José do Rio Preto, Guarulhos, Catanduva e Ourinhos. Eles abatiam  muito mais cabeça que o  interrogado com José Roberto de Souza,  pois abatiam uma média de 450 cabeças de gado por semana..."     Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal de Jales, o Sr. Luiz Ronaldo  Costa Junqueira Declarou (fls. 670/671 ­ Volume IV/Anexo 1):   "...  logo  que  ficou  sabendo  dos  fatos  em  apuração  procurou  por  Edson, vulgo "EDÂO", sendo que Dorvalino estava preso, e EDÃO  lhe  informou que  realmente,  as  vezes,  compraram notas  fiscais da  empresa  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO, empresa esta de propriedade da pessoa vulgo "Macaúba",  agora  sabendo  chamar  Valder  Antonio  Alves;  Que  o  declarante  nunca  teve  qualquer  negócio  com  "Macaúba";  Que,  esclarece  o  declarante que questionou "EDÃO" porque comprara notas  fiscais  da  empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO,  quando  lhe  informou  que  "tudo mundo  faz  isso"  na  falta  notas fiscais..."     Com base no acima exposto,  fica evidenciado que o frigorífico Ouroeste se  beneficiou  do  esquema  fraudulento  estruturado,  com  objetivo  de  comprar  e  vender  produtos  sem pagamento de tributos, em prejuízo da Fazenda Nacional.   Merece ser destacado que no dia 15/05/2008 foi publicado no Diário Oficial  da  União,  em  sua  Seção  1,  n°  92,  página  58,  o  Ato  Declaratório  Executivo  n°  53,  de  15/05/2008, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto declara  INAPTA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica "Distribuidora de Carnes e Derivados S ã o  Paulo Ltda.", CNPJ n° 68.195.072/0001­75, com efeitos que valem a partir de 01/01/1999, o  que  torna  INIDÔNEOS  os  documentos  emitidos  pela  empresa  desde  então.  (fls.  04  e  05  ­  Volume I / Anexo 5).   Também  houve  o  cancelamento  da  Inscrição  Estadual  do  contribuinte  no  Estado conforme processo nº 1000326­358725/2007, publicado no D.O.E ­ Diário Oficial do  Estado, de 20/10/2007 (fls. 118 a 211 ­ Vols. I e II / Anexo 5), onde o Fisco Estadual faz um  Relatório minucioso de toda fraude realizada e as pessoas participante do esquema.     A  partir  dos  documentos  apreendidos  no  interior  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda, pela Policia Federal de Jales – SP foi possível comprovar como operava o esquema de  compras  de  notas  frias  pelo  núcleo Ouroeste,  na  época  como Continental Ouroeste,  onde  se  pagava a TAXA de R$ 4,00 reais por cabeça de bovino abatido e faturado pela Noteira, mais  um valor fixo de R$ 3.000,00 pelo custo operacional, a seguir demonstrado:   ·  Cotejando  as  Notas  Fiscais  de  Saída  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados São Paulo Ltda emitidas, vinculadas ao cliente CÓDIGO 36  ­  Fl. 14522DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     60  Dorvalino,  em  Setembro  e  Outubro  de  2005  (fls.  63  a  104  Volume  I  /  Anexo 5);   ·  Com a Relação de notas de saída Rem. p/ Abate – Vend. 36 (fls. 59 a 62 ­  Volume I / Anexo 5);   ·  Com o controle em nome do Dorvalino ( fls. 54/57 ­ Volume I / Anexo 5 ),  comprova­se  como  operava  o  esquema  de  compras  de  notas,  dos meses  Setembro e Outubro de 2005 (fls. 58 ­ Volume I / Anexo 5), a seguir:     Controle Setembro de 2005:   Foram abatidos 4730 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de R$ 18.920,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$ 330,00  decorrente de agosto/2005, dá um  total de R$ 22.250,00, conforme memoria de  cálculo a  fl.  235.  Do  total  apurado  no  mês  de  Setembro  foi  pago  com  o  cheque  do  Banco  Nossa  Caixa  nº  000068  ao  vulgo  "MACAUBA"/  Valder  Antonio  Alves,  dono  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  cheque  da  ag.  434  ­  1  ­ Bálsamo  c/c  04.000.460­2  da  empresa  SP  Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, pré­datado para 13 de Novembro de 2005, restando saldo  de  R$  7.250,00  para  Outubro  2005  (fls.  58  ­  Volume  I  /  Anexo  5).  O  Referido  cheque  foi  solicitado ao banco via RMF ­ Requisição de Movimentação Financeira nº 2008­0243­9, fls. 27  a  39  ­ Volume  I  / Anexo  5)  onde  se  constata  que  foi  emitido  nominal  a  Leonardo  Joaquim  Derau Alves, irmão do MACAUBA (fls. 42/43 ­ Volume I/Anexo 5).     Controle de Outubro 2005:   Foram abatidos 4170 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de  R$  16.752,00  que,  somado  à  taxa  de  operação  de  R$  3.000,  00  e  a  um  crédito  de  R$  7.250,00  decorrente  de  setembro/2005,  dá  um  total  de R$  27.002,00,  conforme memoria  de  cálculo a fl. 235.  Foi pago com o cheque n. 000069 nominal a Distribuidora S. Paulo, cheque  da ag. 434­1 ­ Balsano c/c 04.000.460­2 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00,  pré­datado para 13 de Dezembro (fls. 40 / 41 ­ Volume I / Anexo 5).     O 'código 36' vinculado nas notas, conforme declaração firmada na Delegacia  da Receita Federal do Brasil por Ana Claudia Valente Fioravante ­ funcionária da Distribuidora  S. Paulo, "trata­se do Cliente Frigorífico Ouroeste ­ Dorvalino" (rodapé das Notas Fiscais a fls.  07/26 e 63/104 ­ Volume I / Anexo 5).   Nas  circularizações  complementares  realizadas  nos  Produtores  Rurais,  confirma­se  o  vínculo  ao  "Código  36  ­  Dorvalino  /cliente  Frigorífico  Ouroeste",  conforme  respostas dos produtores e pelas cópias solicitadas e remetidas por diversos pecuaristas (fls. 31,  33, 38, 42, 44, 46, 59, 61, 64, 68, 75, 89, 91, 93, 95, 109, 112, 114, 117, 123, 125 e outras ­  Volume I / Anexo 7).   Fl. 14523DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.493          61  As  vendas  realizadas  eram  com  notas  frias  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda,  figurando  como  cliente  a  Continental  Ouroeste  (NF  32058)  e  demais  notas  a  SP  Guarulhos,  esta,  sucessora  na  fraude  em  continuação  a  Continental  Ouroeste, conforme controle a fls. 59/62 ­ Volume I / Anexo 5, o que mais uma vez comprova  a interposição dessas empresas com o real beneficiário Frigorífico Ouroeste Ltda.     Conforme cópias das notas fiscais a fls. 1281/1288­ Volume VII / Anexo 3,  em  nome  da  Distribuidora  São  Paulo  ­  CFOP  5101  ­  vendas,  destinadas  a  SP  Guarulhos,  verifica­se no centro da parte de baixo das notas a vinculação para o Código "36 ­ Dorvalino" e  a  esquerda  SPGUAR,  relativas  ao  ano  de  2006,  com  Certificado  Sanitário  assinado  pelo  médico  veterinário  Cledson  L.F.  Rezende,  com  registro  formal  na  interposta  empresa  BR  Fronteira.   Com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e  Derivados São Paulo Ltda, notas vinculadas ao cliente "36", e somente CFOP­ Código Fiscal  de Operações e Prestações de compra, a Fiscalização apurou os valores devidos, conforme RL  Relatório de Lançamentos ­ levantamento PR1 e PR5.  A Fiscalização constatou que todas as empresas da Operação Grandes Lagos  que  utilizavam  notas  fiscais  de  terceiras  empresas,  o  local  de  abate  era  um  dos  "códigos"  usados para identificar os frigoríficos usuários de tal documento.   O  esboço  a  fls.  133  ­  Volume  l/Anexo  5  delineia  o  modus  operandi  do  esquema fraudulento, revelando, com clareza, que a empresa “noteira” apenas emite as notas  fiscais da transação, mas o gado, a carne e o dinheiro são movimentados pelo frigorífico que  usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam pelas notas fiscais "frias" emitidas a  ordem de quatro reais por cabeça de gado bovino e três reais por cabeça de gado suíno.   As  interceptações  telefônicas  comprovam  que,  aos  clientes  mais  fiéis,  que  tem movimento maior  e  gozam  de maior  confiança  de Valder Antônio  Alves,  são  enviadas  caixas  de  formulários  contínuos  com  notas  fiscais  em  branco  de  suas  empresas,  que  são  preenchidas nas dependências das  empresas que  as  adquirem,  as quais  acertam o pagamento  pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado.   Para evitar a prisão dos  sócios por  sonegação  fiscal,  as  empresas do Grupo  dos  Noteiros  não  deixam  de  declarar  ao  fisco  os  tributos  incidentes  sobre  suas  operações  simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da  Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome.   Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema,  isto é,  que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus  advindo das operações fiscais de seus clientes.   Todavia,  graças  ao  trabalho  de  inteligência  da Policia Federal  e  ao  suporte  legal  da  Justiça  Federal,  que  possibilitou  a  busca  e  apreensão  de  documentos,  bem  como  a  quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos  órgãos  fiscalizadores,  tanto  federal  como  estadual,  tornou­se  possível  estabelecer  a  cada  um  dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores­ Fl. 14524DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     62  base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as  respectivas contribuições devidas à Seguridade Social.     3.1.5.  DAS  RECEITAS  DA  SP  GUARULHOS  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS LTDA   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  ­  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações de Saída­vendas (fls. 26/45­Volume I / Anexo 3) a Fiscalização apurou receitas no  ano calendário de 2005 no valor R$ 18.300.000,00 e de R$ 11.615.000,00 em 2006,  também  declaradas nas DIPJ 2005 e 2006 (fls. 67/72­Volume I / Anexo 3).   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  de  compra,  consta  no  ano  calendário de 2005 o valor R$ 17.023.000,00, e de R$ 11.170.000,00 em 2006 (fls. 46 a 66­ Volume I / Anexo 3).    3.1.6.   DA COMÉRCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR FRONTEIRA LTDA   A Fiscalização que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  se  tratava de empresa interposta, constituída para  fornecer somente mão­de­obra às empresas  do grupo Ouroeste, com o intuito de criar uma barreira entre os trabalhadores e os Frigoríficos  para fugir das obrigações trabalhistas e fiscais (fls. 01 a 328­Volumes I e II / Anexo 4).   Tal  empresa  funcionava,  anteriormente,  com  razão  social  de:  Comércio  de  Carnes e Derivados Rodrigues Bastos Ltda.  A  Fiscalização  promoveu  Diligências  Fiscais  na  Rua  C  ­  Treze  nº  460  ­  Bairro Cristiano de Carvalho  ­  endereço original da empresa Com. Carnes Rodrigues Bastos  Ltda,  encontrando  funcionando  no  local  um  açougue,  contudo,  sem  relação  com  a  referida  empresa.   Efetuou­se  também  diligência  no  endereço  da  sócia  Sra.  Aparecida  Gonçalves Bastos Rodrigues ­ Av. L 9 n° 493 ­ Fundos ­ Bairro Los Angeles, porém não existe  a referida numeração, sendo o n° 379 o último numero da rua; vizinhos desconhecem a suposta  sócia.  Dentre os documentos apreendidos na Norte Riopretense Distribuidora Ltda  (outra empresa que vende notas frias) constam extratos de pagamentos ­ cópias de cheque para  Maria Aparecida, a título de Honorários e Pró­labore, sendo procurador da conta bancária o Sr.  Alberto  Pedro  da  Silva  Filho  ­  vulgo  "Beto  Beleza",  dono/controlador  da  filial  em  Sud  Menucci  da  Norte  Riopretense,  frigorífico  onde  abatia  gados,  de  onde  avulta  uma  intensa  interligação  entre  os  grupos  que  se  beneficiavam  do  esquema  fraudulento,  eis  que  ambos  usaram a BR Fronteira para fraudar o Fisco.  Explica­se  o  referido  pagamento  de  honorários,  pois  no  período  setembro/2004  a  março/2005,  todos  os  empregados  da  Rodrigues  e  Bastos  (BR  Fronteira)  estavam trabalhando, com exclusividade, para o tomador Norte Riopretense Distribuidora Ltda  ­ frigorífico Sud Menucci ­ S P  , conforme GFIP e Notas Fiscais de Prestação de Serviço n°  Fl. 14525DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.494          63  113 a 119 (fls. 139 a 146­Volume I / Anexo 4), que apesar de constar destaque de retenção de  11 % , não houve o recolhimento respectivo.  Apurou­se,  também,  o  pagamento  de  aluguel  de  sala  em  Barretos  correspondente ao endereço da Rodrigues e Bastos (fls. 155 a 160­Volume I / Anexo 4).   Conclui­se que os valores declarados por Maria Aparecida como recebidos de  Pessoa Física, em sua declaração de Imposto de Renda, se referem a esses valores das cópias  de cheques citados acima, pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Consta no relatório da Policia Federal que Alberto Pedro da Silva Filho (Beto  Beleza):  “E o  dono da  filial Norte Riopretense na  cidade  de Sud Menucci,  que  opera  de  fato,  sendo,  portanto,  o  "cabeça"  no  esquema.  Foi  indiciado  em  três  inquéritos  e  denunciado  em  quatro  processos  criminais. Respondeu por estelionato e perigo para a vida ou saúde  de outrem”    No depoimento de Maria Aparecida na Vara do Trabalho de Fernandópolis,  ela confirma que a empresa Br Fronteira, da qual é sócia, funciona unicamente como interposta  ­  'empresa de aluguel'  ­,  para  esconder os verdadeiros  empregadores,  com  intuito de  fraudar  direitos trabalhistas e sonegar impostos.   Conclui­se  que  a  sócia  não  possui  condições  financeiras  para  gerir  uma  empresa. É pessoa interposta do Grupo Ouroeste com relação ao período de Novembro de 2005  a Dezembro de 2006.   Aparecida  Gonçalves  Bastos  Rodrigues  é  irmã  da  outra  sócia  Roseli  Gonçalves Bastos.  Diligência  realizada  na  Rua  14  nº  4120  ­  Bairro  Ibirapuera,  endereço  constante dos  dados  da Declaração  do DIRPF  exercício  de  2008 da outra  sócia  da  empresa,  Sra. Roseli Gonçalves Bastos, revelou que, no local, reside sua mãe, que nos informou que a  Roseli  reside  atualmente  na  Rua  12  nº  4041  ­  Fundos  no  mesmo  bairro,  e  trabalha  de  empregada  doméstica  para  Juliana  ­  Fone  17  ­  3325­1428  em Barretos. O Bairro  Ibirapuera  trata­se de um bairro popular, com casas bastante modestas.  No  citado  local  não  foi  encontrada  a  Sra.  Roseli,  porém  vizinhos  confirmaram que ela trabalha ali como empregada doméstica.   A  sócia  Roseli  apresentou  declaração  do  imposto  de  renda  de  2008  com  receita de R$ 6.970,00 recebidos de Pessoa Física. A sócia Aparecida apresentou declaração do  imposto de renda de 2008 com receita de R$ 4.470,00 recebidos de Pessoa Física.   Não foi localizada qualquer remuneração a título de pro labore declarada em  GFIP  vinculada  a  empresa  BR  Fronteira,  desde  sua  constituição.  Seus  vínculos  no  sistema  CNIS são sempre como empregada, sendo o último em uma empresa em Barretos com rescisão  em 24/03/2004, com salário em torno de R$ 500,00.  Fl. 14526DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     64  Assim  como  Aparecida,  sua  irmã  e  sócia,  deduz­se  que  os  rendimentos  declarados como recebidos de Pessoa Física no Imposto de Renda, se referem a remuneração  pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Conclui­se  que  as  sócias  não  possuem  condições  financeiras  para  gerirem  uma  empresa,  sendo  pessoas  interpostas/colaboradoras  do  Grupo  Ouroeste  com  relação  ao  período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006.     Diligência  Fiscal  realizada  na  Av.  Minas  Gerais  50  ­  A,  cidade  de  Fronteira/MG ­ local atual do domicilio fiscal da BR Fronteira, revelou que no local funciona  um Posto de Gasolina do Sr. Reinaldo Gonçalves Chaves.  De acordo com o relato da filha do Sr. Reinaldo, uma das salas no local foi  alugada para uma pessoa que  se apresentou como proprietário da empresa Br Fronteira  (não  sabe  o  nome),  sem  contrato  de  locação,  tendo  sido  depositado  o  valor  combinado  na  conta  corrente do Sr. Reinaldo durante aproximadamente três meses, e que no local nunca funcionou  a suposta empresa, sendo que essa pessoa nunca mais apareceu no local. Ela informou que foi o  contador  Sr.  Osvaldo  ­  escritório  contábil  Contexp,  quem  apresentou  no  posto  a  referida  pessoa.   No endereço do escritório contábil CONTEXP situado na Avenida da Matriz  n.  103  ­ Fronteira – MG,  a Fiscalização  foi  atendida pelo Sr. Osvaldo que  informou que  foi  procurado por uma pessoa chamada "Júnior", com intenção de transferir uma empresa para a  cidade, e o contratou para efetuar o registro na Junta Comercial de Minas Gerais e Prefeitura  local.  Apresentou  uma  pasta  contendo  alguns  documentos  da  referida  empresa  e  que  essa  pessoa nunca mais retornou ao escritório.  Dentre tais documentos consta:   a)  3ª  alteração  do  contrato  social  da  empresa  Com.  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda  (fls.  105/106­Anexo  4),  onde se verifica que em 22/11/2005, a BR Fronteira alterou seu  endereço  para  Fronteira­ MG  à Av. Minas Gerais  nº  50  ­ A  e  razão  social  para Comércio  de Carnes  e Representação BR  de  Fronteira, com CNAE: 10.11/01 ­ Frigorífico ­ abate de bovinos,  local onde funciona um Posto de Gasolina.   A  Fiscalização  apurou  que  na  mesma  data  (novembro/2005)  todos  os  vínculos  dos  empregados  da  Continental  Ouroeste  foram transferidos para a BR Fronteira. Portanto a alteração não  foi mera coincidência. No depoimento na Vara do Trabalho de  Fernandópolis,  como  testemunha  do  reclamante  Sebastião  G.  Junior,  a  sócia  Maria  Aparecida  declarou  que  a  mudança  do  endereço para Minas Gerais foi a pedido do Frigorífico Ouroeste  Ltda.   b)  Cópias autenticadas de documentos pessoais das sócias;   c)  Bilhete  onde  consta  a  pessoa  de  contato  que  alugou  a  sala  da  empresa em Fronteira: Sebastião Gandolfi Jr ­ RG: 12.515.046 ­  CPF: 040.310.978­75 e endereço comercial a Rua Cel. Spinola  de Castro 4900 ­ apto 152  ­ Ed. Panorama Center  ­ Centro em  São José do Rio Preto – SP (fls. 109/Anexo IV), sendo que este  apartamento pertence a Dorvalino,  sócio de  fato do Frigorífico  Ouroeste Ltda.     Fl. 14527DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.495          65  "Junior",  ou  Sebastião  Guandolfi  Junior,  gerente  de  compras  e  vendas  do  Frigorífico Ouroeste, trabalhou até 31.12.2006, com vínculos pela BR Fronteira (registrado em  01/10/2006). Este  impetrou na Vara de Trabalho de Fernandópolis  ação  trabalhista, Proc.  n°  380/2007 contra o Frigorífico Ouroeste,  tendo  sentença  favorável,  onde  a  justiça determinou  anotação do vínculo no período de 01/11/2004 a 31/12/2006, pelo tomador de serviço.     O contador em Fronteira  ­ MG, Sr. Osvaldo,  informou ainda que Sebastião  Gandolfi  Jr.  teria  uma  casa  /rancho  na  margem  do  Rio  Grande  onde  se  situa  a  Cidade  de  Fronteira/MG,  na  divisa  entre  os  Estados  de  São  Paulo  de Minas  Gerais,  e  que  conhecia  o  local, pois abastecia seu veículo no referido Posto de Gasolina em Fronteira/MG, daí alugou a  referida sala.     Através do Ofício DRF/SJR/SAFIS/N. 168, de 08 de Novembro de 2007, a  Receita  Federal  solicitou  ao  Posto  de  Fiscalização  de Minas Gerais  sobre  a  situação  da BR  Fronteira, sendo respondido que em diligência na Av. Minas Gerais n. 50 ­ Fronteira ­ MG ­  NÃO  foi  encontrada  a  empresa.  Em  consulta  ao  Sistema,  também  NÃO  foi  encontrada  inscrição do contribuinte no estado de Minas Gerais (fls. 110 a 113/Anexo 4).   De  todo  o  exposto  avulta  que  a  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda  nada mais  era  do  que  uma  interposta  empresa  da  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  integrada  ao  esquema  fraudulento  para  intermediar  a mão  de  obra  utilizada  na  execução  da  atividade fim da Autuada.  Senão, vejamos:  Em 01/09/2005 foi simulado um contrato de prestação de mão­de­obra entre  a Rodrigues Bastos (atual Br Fronteira) e para a SP Guarulhos, a fls. 681/683. Na mesma data,  a  SP  Guarulhos  firmou  contrato  de  locação  comercial,  equipamentos  e  ferramentas  com  o  Frigorífico  Ouroeste,  a  fls.  675/680,  destinado  à  exploração  do  ramo  de  frigorífico;  Na  sequência, em 30 de outubro de 2005, a Br Fronteira firmou contrato de prestação de serviços  gerais  em  frigorífico  com a Continental Ouroeste,  para  fornecimento  de mão­de­obra,  de  no  mínimo 120 trabalhadores, para o período de 01/11/2005 a 31/12/2007, a fls. 684/688.   Conforme anotação no Livro Registro de Empregados de n° 05, a fls. 303 ­  Volume II / Anexo 2, a partir de 01/11/2005 ocorreu a transferência de todos os empregados da  Continental Ouroeste para a Br Fronteira, continuando a prestação de serviço, sem interrupção,  assumindo  esta,  assim,  todo  o  passivo  trabalhista  da  Continental  Ouroeste.  Tal  fato  é  confirmado  também  pelos  Termos  de  Rescisão  de  contrato  de  Trabalho,  a  fls.  114  a  138  ­  Volume I / Anexo 4).   Dessa "prestação de serviços" simulada e simultânea para a SP Guarulhos e  Continental Ouroeste, porém, de  fato, para o Frigorífico Ouroeste Ltda,  a Br Fronteira NÃO  emitiu qualquer nota fiscal, pois conforme talões retidos, a última nota emitida foi a de nº 119,  a fls. 145 ­ Volume I/Anexo 4, para uma outra empresa envolvida nas fraudes detectadas pela  operação 'Grandes Lagos', a “noteira” Norte Riopretense, nota fiscal datada de 31 de Março de  2005, o que comprova a simulação contratual.     Fl. 14528DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     66  A declaração prestada por Maria Aparecida, sócia da Br Fronteira, na Vara de  Fernandópolis, confirma a fraude:   “Que  os  empregados  contratados  eram  selecionados  pelo  Frigorífico Ouroeste;   Que os pagamentos da depoente eram realizados pelo gerente  Sr. Osvaldo Arantes;   Que  todas as obrigações  trabalhistas  e previdenciárias  eram  pagas pelo Frigorífico Ouroeste;   Que não conhece Fronteira e nem o Frigorífico Ouroeste;  Que o aluguel da sede da empresa em Fronteira também era  pago pelo Frigorífico;   O Sr. Osvaldo Arantes trazia todos os documentos em Barretos para  serem por ela assinados;   Que o Sr. Sebastião Gandolfi Júnior, apesar de estar registrado na  Br  Fronteira,  era  empregado  como  gerente  geral  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda; o contrato teve vigência ate final de 2006;   Que  o  Frigorífico  Ouroeste  não  honrou  o  compromisso  mensal  assumido,  pelo  "aluguel  do  nome"  ,  não  efetuando  todos  os  pagamentos combinados, pagou somente os três primeiros meses.     Conclui­se  que  a Comércio  e Representações BR  de Fronteira  Ltda  é mais  uma Pessoa Jurídica INTERPOSTA do Frigorífico Ouroeste Ltda, para fornecimento irregular  de mão  de  obra  empregada  na  sua  atividade  fim,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com  o  tomador do serviço, conforme Súmula nº 331, do TST.    3.1.7.   DO FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA   Mediante Diligência Fiscal realizada no endereço onde funciona o Frigorífico  Ouroeste Ltda, a Fiscalização obteve diversos documentos das empresas interpostas envolvidas  no esquema em debate, comprovando, uma vez mais, que o Frigorífico Ouroeste detinha todo o  controle da mão­de­obra utilizada nas empresas do grupo e que assumia integralmente os riscos  da atividade econômica praticada:   ·  Cartões de ponto da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda período de  Julho de 2003 a Abril de 2005;   ·  Holerites de Janeiro a Outubro de 2005 da Continental Ouroeste;   ·  PPRA datado de 01/09/2003 e 06/2005 da Continental Ouroeste;   ·  Holerites  de  Novembro  de  2005  a  13º  salário  de  2006  da  Comercio  de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda;   ·  Cartões de ponto de Maio de 2005 a Dezembro de 2006 da Comercio de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda e 45 Termos de Rescisão  de Contrato de Trabalho;   ·  Cartões de ponto e rescisões do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda.     Fl. 14529DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.496          67  Constata­se  que  os  Cartões  de  Pontos  estão  todos  em  nome  do  Frigorífico  Ouroeste,  constando  o  CNPJ  05.270.758/0001­63  da  Continental  Ouroeste,  porém  os  empregados  estão  com  vínculos  na  BR  Fronteira  conforme  se  comprova  pelos  recibos  de  pagamentos arrolados, por amostragem, a fls. 257/259.  A Fiscalização constatou que os empregados, e até outros profissionais que  trabalhavam  no  esquema  se  confundiam  para  qual  empresa  prestavam  serviço,  sendo  emblemáticos  os  Atestados  de  Saúde  Ocupacional,  assinados  pelo  Médico  do  Trabalho,  datados  de  2006,  nos  quais  consta  como  empregadora  a  Continental  Ouroeste,  porém  já  os  empregados  estavam  registrados  na  BR  Fronteira.  Também  comunicação  do  Técnico  de  Segurança do Trabalho, datada de 22 de 20 de Janeiro de 2006.  No Livro 7.1, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, que controla a  conta corrente n° 0890­4, do Banco Bradesco Ag. 1760­4 ­ Ouroeste, a Fiscalização apurou o  registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas competências outubro e  novembro/2005  a  funcionários  registrados  na Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda  (até  competência  outubro/2005),  e  a  trabalhadores  já  registrados  na  Br  Fronteira  (desde  Novembro/2005) conforme ilustrado a fls. 109/113­Volume I / Anexo 3.  O mesmo ocorre em relação ao Livro 7.3, controle da conta corrente n° 04­ 000393­3, do Banco Nossa Caixa Ag. 535­5, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, a  Fiscalização apurou o registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas  competências  dezembro/2005  a  junho/2006  a  funcionários  já  registrados  na  Br  Fronteira,  conforme exposto a fls. 329/370 ­ Volume II / Anexo 4.  A  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  um  frenético  rodízio  dos  vínculos  trabalhistas,  conforme  extraído do banco de dados  corporativo  ­  telas RAIS e CNIS – Fonte  GFIP  /  Dados  do  Trabalhador:  Diversos  trabalhadores  foram  inicialmente  contratados  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  em  Agosto/2002  e  desligados  em  Setembro/2002.  Na  sequência,  foram recontratados pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (LRE a fls. 93/313 ­ Vols. I  e II / Anexo 2) no dia posterior ao desligamento do Frigorífico Ouroeste Ltda, permanecendo  com vínculos no Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda até Outubro/2005.   Em  Novembro/2005  os  mesmos  empregados  foram  transferidos  para  a  empresa Rodrigues Bastos, atual Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda,  permanecendo nesta empresa interposta até Dezembro/2006.   Merece  ser  citado  que,  nos  vínculos  com  a  empresa  Rodrigues  Bastos/Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda,  constam  como  data  de  admissão  a  mesma  que  consta  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  confirmando,  portanto, que a BR Fronteira assumiu todo o passivo trabalhista desses empregados, conforme  consta no Livro Registro de Empregados nº 05 da Continental Ouroeste,  a  fls. 303  ­ Vol.  I  /  Anexo 2.   “Coincidentemente”, após a deflagração ação da Polícia Federal os vínculos  desses empregados retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE ­ Fichas  Registro  de  Empregados  a  assunção  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  de  todo  o  passivo  trabalhista, desde suas admissões no Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou  na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781­Volume IV/Anexo 2).  Fl. 14530DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     68  Adite­se  que  em  2007  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  solicitou  à  Caixa  Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados que prestaram serviços  ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela GFIP da competência  Janeiro/2007, a fls. 805 a 820, onde constam as reais datas de admissão dos empregados pelo  Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804.  Tais fatos demonstram, cabalmente, que os trabalhadores em questão sempre  estiveram na órbita de subordinação do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos,  sendo por estes remunerados, mesmo que por intermédio das interpostas pessoas acima citadas,  estando todos empenhados na execução da atividade fim da Autuada.   Tais  empregados  estão  todos  nominalmente  identificados  conforme  Livros  Registros de Empregados n° 01 a 05 da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a fls. 90 a  314 do Anexo 2, assim como na Folha de Pagamento da Comércio de Carnes e Representação  BR  Fronteira  Ltda,  de  Junho  a  Dezembro/2006  ­  Anexo  4,  fls.  163  a  328,  e  no Anexo  6  ­  Vínculos dos Trabalhadores, a fls. 01 a 405 ­ Vol. I a III.   Presentes, portanto, todos os requisitos essenciais caracterizadores da relação  de segurado empregado assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91.   Resta  comprovada,  portanto,  toda  a  simulação  empreendida pelas  empresas  integrantes  do  grupo  Ouroeste  nos  negócios  por  ela  praticados,  uma  vez  que  a  Continental  Ouroeste,  a  SP  Guarulhos  e  a  BR  Fronteira  apenas  aparentemente  figuravam  como  contribuinte,  acobertando  o  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  o  'Frigorífico  Ouroeste  Ltda',  o  qual,  assumindo  de  fato  todos  os  riscos  da  atividade  econômica  com  finalidade  lucrativa,  dirigia,  ordenava  e  administrava  toda  a prestação de  serviço de maneira  não eventual, assalariava os empregados a seu serviço, chegando a assumir, com a deflagração  da ação pela Policia Federal, todo o passivo trabalhista, previdenciário e fiscal referente a tais  trabalhadores,  estando  presentes  os  requisitos  que  os  qualificam  como  seus  empregados  –  subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade ­, conforme disposições  inscritas no art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3º da CLT, sendo nulo o vínculo fixado através das  interpostas empresas Br Fronteira e SP Guarulhos, conforme art. 9º da CLT.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  a  Fiscalização  não  teria  logrado  comprovar  a  existência  dos  requisitos  dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda.  e a Autuada.  A existência do vínculo laboral de empregado e do vínculo previdenciário de  segurado empregado houve por reconhecida e consignada pelas próprias empresas Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e  Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda ao registrarem tais  trabalhadores em  seus Livros de Registro de Empregados e em suas Folhas de Pagamento, da mesma forma, pela  declaração espontânea de tais segurados em suas GFIP.  A  declaração  em  GFIP  e  o  registro  nos  LRE  e  nas  Folhas  de  Pagamento  fazem prova de per se da efetiva existência das relações de emprego e do vínculo de segurado  empregado, circunstância que torna despicienda a demonstração por parte do Fisco.  De  outro  eito,  demonstrado  e  comprovado  que  tais  empresas  existiam  tão  somente no papel,  constituídas  em nome de “laranjas”,  se  configurando, nada mais,  do que  meras  empresas  interpostas  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  com  o  sinistro  intuito  de  ocultar,  perante o Fisco, os verdadeiros beneficiários da atividade econômica praticada, com a intenção  Fl. 14531DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.497          69  de  eximir­se  dos  pagamentos  de  tributos  pelos  quais  seriam  responsáveis,  tais  vínculos  trabalhistas e previdenciários se consolidam na responsabilidade do verdadeiro empregador, eis  que, em realidade, todos esses trabalhadores envidam seus esforços na realização da atividade  fim da Autuada, a qual detém  todo o poder de chefia e de  comando de  acerca do que  fazer,  quem fazer,  como fazer, onde  fazer, quanto  fazer e quando  fazer,  além do poder de controle  sobre  o  serviço  realizado,  da  admissão  e  da  dispensa  dos  trabalhadores,  mesmo  sem  justa  causa.  Todos  trabalham,  efetivamente,  objetivando  atingir  as  metas  determinadas  pelos  verdadeiros  donos  do  empreendimento,  ordenados  pelas  normas  de  conduta  por  eles  impostas.  As  conclusões  pautadas  nos  parágrafos  precedentes  não  discrepam  das  vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual  impõe, na  contratação  de  trabalhadores  por  interposta  pessoa,  o  estabelecimento  de  vínculo  do  obreiro  diretamente com o contratante, tomador dos serviços.  Enunciado nº 331 do TST  Contrato de Prestação de Serviços ­ Legalidade  I  ­ A  contratação  de  trabalhadores  por  empresa  interposta  é  ilegal,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com o  tomador  dos  serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de  03.01.1974). (grifos nossos)   II  ­  A  contratação  irregular  de  trabalhador, mediante  empresa  interposta,  não  gera  vínculo  de  emprego  com  os  órgãos  da  administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II,  da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 ­ TST)  III  ­ Não  forma vínculo de emprego com o  tomador a contratação  de  serviços  de  vigilância  (Lei  nº  7.102,  de  20­06­1983),  de  conservação  e  limpeza,  bem  como  a  de  serviços  especializados  ligados  à  atividade­meio  do  tomador,  desde  que  inexistente  a  pessoalidade e a subordinação direta.  IV  ­  O  inadimplemento  das  obrigações  trabalhistas,  por  parte  do  empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos  serviços,  quanto  àquelas  obrigações,  inclusive  quanto  aos  órgãos  da  administração  direta,  das  autarquias,  das  fundações  públicas,  das empresas públicas e das  sociedades de economia mista, desde  que hajam participado da relação processual e constem também do  título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93).     Na realidade nua dos fatos, todos trabalham efetivamente buscando atingir os  objetivos  traçados  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  e  pelos  seus  verdadeiros  donos,  de  acordo  com as diretrizes, normas de conduta e controles por eles idealizados, de onde dessai a essência  da subordinação jurídica.  Existindo  tais  empresas  interpostas  apenas  no  papel,  sendo  constituídas  em  nome de “laranjas”, deflui que toda a remuneração dos trabalhadores em apreço é debitada do  patrimônio  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  ora  em  foco,  de  onde  avulta  a  onerosidade na prestação dos serviços à responsabilidade da Autuada.  Fl. 14532DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     70    Tais  trabalhadores  encontram­se  nominalmente  registrados  nas  Folhas  de  Pagamento e nos Livros de Registro de Empregados, além de terem sido declarados em GFIP,  inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na  ilação  de  que  tais  trabalhadores,  ao  seu  alvedrio  único,  exclusivo  e  próprio,  e  sem  qualquer  ingerência da empresa Autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o  qual  fora  contratado,  por  outro  trabalhador  qualquer,  mesmo  que  de  idêntica  capacitação,  circunstância  que  denota  a  natureza  intuitu  personae  da  relação  jurídica  materialmente  celebrada entre a Autuada e o trabalhador.    Avulta  das  circunstâncias  do  caso  que  o  risco  da  atividade  econômica  é  integral do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos os quais, além do encargo de  adquirir  animais  de  corte,  de  proceder  ao  abate  e  processamento  de  tais  semoventes,  captar  clientes no mercado para a comercialização de sua produção, contratar a emissão fraudulenta  de notas fiscais frias, ainda admite e remunera os trabalhadores responsáveis pela execução de  tais  serviços,  e  assume  em  seu  patrimônio  inercial  os  eventuais  prejuízos  decorrentes  da  atividade econômica.  Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Autuada se  revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual  ou  coletiva  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite,  assalaria  e  dirige  a  prestação pessoal de serviço.    Também não procede a alegação de que seria indevido o lançamento a partir  da desconsideração da personalidade de outras empresas.   Em  primeiro  lugar,  registre­se  que  no  presente  caso,  o  lançamento  não  se  fundamentou  em  suposta  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  interpostas  pessoas,  mas, tão somente, no princípio da realidade dos fatos sobre a formalidade dos atos.    Com  efeito,  a  atuação  fiscal  empreendida  no  presente  caso  encontra  lastro  jurídico  nas  disposições  encaixadas  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de  atos  e  negócios  jurídicos  praticados  com  o  fito  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  tributário.   Código Tributário Nacional ­CTN   Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  produza  os  efeitos  que  normalmente  lhe  são  próprios;  (grifos  nossos)   II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.  Fl. 14533DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.498          71  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária. (grifos nossos)     Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais  formais sejam  representativos  de  constituição  de  pessoas  jurídicas  em  nome  de  sócios  distintos  do  quadro  societário da Autuada, as provas dos autos revelam que tais sócios figuram, tão somente, como  “laranjas”  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  fraudulento,  os  quais  detém  todo  o  poder de comando, ordenamento e controle das  atividades praticadas em cada  empresa,  e no  âmbito geral do grupo por elas constituído.   Muito  embora  os  assentamentos  contratuais  formais  apontem  para  a  celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os  serviços  contratados  foram  prestados  ao  Recorrente  subsumem­se  à  hipótese  genérica  e  abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis  que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado.  Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa  da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no  art. 9º do Decreto­Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de  pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação  dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratam­se de normas antielisivas, visando  ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma.  A  desconsideração  do  ato  ou  do  negócio  jurídico  praticado  visa  apenas  a  reaproximar  a  qualificação  jurídica  do  verdadeiro  conteúdo  material  do  ato  decorrente  do  desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária  com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendo­a coincidir  com a realidade substancial.  Investido  em  tal  poder,  o  Fisco  pode  prescindir  das  aparências  do  ato  simulado e determinar  a obrigação  tributária  segundo a  realidade oculta,  sem necessidade de  declarar a nulidade do ato  jurídico aparente ou de desconsiderar a personalidade  jurídica das  empresas envolvidas.  Merece  ser  destacado  que  a  jurisprudência  do  STJ  não  nega  auto  aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme  se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir:  “AREsp 323.808­SC  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 27/05/2013    EMENTA:  Fl. 14534DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     72  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  ART.  116,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  REGULAMENTAÇÃO.  AUTO­APLICABILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  NÃO­ALEGAÇÃO  DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.    [...]  O  caso  da  empresa  de  vigilância  é  perfeitamente  análogo:  as  câmaras  são parte do  equipamento que  é utilizado pela  sociedade  Patrimonial  Segurança  Ltda.  para  a  prestação  do  serviço  de  segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de  movimento que sejam instaladas na residência do contratante ­ sem  que este as adquira ­ integram o custo do serviço. (situação diversa  ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência  de  titularidade  do  bem  ensejaria  a  incidência  do  ICMS.  Não  e,  entretanto, o caso).  Ao  destacar  do  valor  do  serviço  uma  quantia  correspondente  a  aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida  pelo  artigo  116,  parágrafo  único,  do Código  Tributário Nacional,  que dispõe:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.    Com  razão,  assim,  a Procuradoria  do Município,  ao  afirmar  que:  "A  obrigação  da  apelada  consiste  em  prestar  um  serviço  de  vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação  de  'locação  de  equipamento  eletrônico'  dada  pela  apelada  uma  forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação  do serviço" (fl. 217).  Nesse  contexto,  merece  acolhida  o  recurso  para  se  julgar  improcedente a demanda.  [...]"    No  mesmo  sentido,  o  Agravo  Regimental  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins:     AgRg no REsp 1.070.292 ­ RS  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 23/11/2010    EMENTA:   TRIBUTÁRIO.  COMPLEMENTAÇÃO  DE  APOSENTADORIA  VINCENDA.  PERCEPÇÃO  PAGA  MEDIANTE  TRANSAÇÃO  EM  DEMANDA  TRABALHISTA.  VERBA  DE  NATUREZA  NÃO  INDENIZATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DE  IMPOSTO  DE  RENDA.  POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.    Fl. 14535DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.499          73  [...]    Note­se  que  o  montante  pago  teve  por  fim  o  cumprimento  de  prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve  ser  frisado  para  que  não  se  invoque  a  isenção  anteriormente  prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei  9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando  a  natureza  indenizatória  do  montante  pago,  nenhum  efeito  opera  para  o  fisco.  O  reconhecimento  da  natureza  indenizatória  de  determinada  verba  se  impõe  quando  for  possível  constatar  que  aquela  visava  à  recomposição  de  uma  perda  patrimonial,  e  não  pela  mera  denominação  de  indenizatória  (parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária).   Trata­se,  no  caso,  de  aplicação  da  Teoria  da  Interpretação  Econômica  do  Fato  Gerador.  A  hipótese  dos  autos  caracteriza  a  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  assim  entendido  o  produto  do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal  verba está sujeita à incidência de imposto de renda.   [...]      Ainda,  nesse  sentido, REsp  nº  1.363.920  ­  SC  ­  Rel. Min.  Og  Fernandes, DJe:  24/10/2013.    Por  outro  viés,  ainda  que  se  admita  que  o  preceito  instalado  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  CTN  demande  regulamentação  procedimental  via  lei  ordinária,  nada  impede  que  se  recorra  a  procedimentos  já  previstos  em  leis  ordinárias  já  integrantes  do  Ordenamento  Jurídico  Pátrio.  Trata­se  da  realização  de  um  princípio  jurídico  consistente  na  recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no  ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada  com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser  revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza.  A  realização  do  princípio  da  Recepção  das  Leis  permite  a  convivência  de  normas  jurídicas  vigentes  no Ordenamento  Jurídico  anterior  com o Direito  Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as  leis  do  Direito  anterior  que  não  se  chocam  com  o  Direito  atual  são  por  este  Direito  recepcionadas, eliminando­se, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura  legislativa.  Seria,  em  verdade,  ilógico  que  leis  anteriores,  cujo  conteúdo  permanece  inalterado  em  face  da  nova Ordem  Jurídica,  tivessem  que  ser  recriadas  para  continuarem  a  estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade.  Fl. 14536DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     74  Pela ótica de  tal  princípio,  quando  se  cria uma nova estrutura normativa,  o  conjunto de normas  jurídicas pré­existente, no que não conflite materialmente com o Direito  Anterior,  permanece  em  vigor  e  produzindo  os  efeitos  que  lhe  são  típicos,  sendo  automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua  elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o  sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro.   A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na  Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme  se depreende dos seguintes julgados:  REsp nº 1.427.949 ­ SC   Rel. Min. Mauro Campbell Marques  DJe: 02/04/2014    EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  PARCELAMENTO.  REFIS.  EXCLUSÃO.  SIMULAÇÃO.  EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI  N.  9.964/2000.  FUNDAMENTO  SUFICIENTE  INATACADO  (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO  (SÚMULA  N.  282/STF).  IMPOSSIBILIDADE  DE  REVISÃO  DE  MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A  QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC.    DECISÃO   [...]  Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato  de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos  de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº  9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996.  Lícito  o  procedimento  de  inativação  do  CNPJ  das  empresas,  por  força  do  art.  81  da  Lei  nº  9.964/2000,  in  verbis  (e­STJ  fls.9734/9739):    Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do  CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996,  diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único,  do Código Tributário Nacional.  Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a  Administração  Tributária  fundamentou  a  inaptidão  também  na  existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco:  não somente na simulação.  [...]  Ainda  que  se  considere  que,  no  caso  concreto,  incidiria  o  artigo  116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua  vez,  remete  a  procedimentos  estabelecidos  em  lei  ordinária,  tais  procedimentos  (relativos  à  declaração  de  inaptidão)  já  se  encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº  9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e  a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005.  [...]   (grifos nossos)     No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014.  Fl. 14537DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.500          75    No  caso  em  estudo,  mediante  os  procedimentos  estabelecidos  na  Lei  Ordinária nº 8.212/91,  foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios  jurídicos  praticados  pelos  atores  do  esquema  fraudulento  acima  descortinado,  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  mas  não  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras.   Anote­se que na formalização do presente lançamento, houve­se por operada,  tão  somente,  a  desconsideração  substancial  dos  atos  simulados,  mas  não  a  desconstituição  formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas  autoriza  que  se  desconsidere,  para  fins  exclusivamente  de  constituição  do  crédito  previdenciário,  os  efeitos  jurídicos  dos  atos  simulados,  na  seara  previdenciária,  sem,  no  entanto, desconstituí­los.   Reitere­se  que  a  administração  tributária  federal  não  se  encontra  jungida  à  obtenção  prévia  de  declaração  administrativa  ou  judicial  definitiva  de  nulidade  de  atos  jurídicos  simulados  como  condição  de  procedibilidade  para  a  tributação  da  real  operação  ocorrida,  visto  que  os  atos  simulados  são  ineficazes  perante  o  Fisco,  conforme  dessai  do  preceito inscrito no art. 118 do CTN:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  – da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.    Por  tais  razões,  para  os  fins  exclusivos  do  presente  lançamento,  revela­se  desnecessária  a  declaração  judicial  de  nulidade  dos  atos  simulados,  assim  como  a  desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas.  No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui  que a relação jurídica real existente entre a Autuada e os segurados apurados pela fiscalização é  a  de  segurado  empregado,  circunstância  que  impinge  às  partes  dessa  relação  jurídica  a  obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado.    Não procede, portanto, a alegação de que a Fiscalização teria promovido “o  arbitramento  dos  valores  ora  lançados,  a  partir  dos  valores  consignados  na  escrituração  contábil de terceira empresa, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada, olvidando­se,  porém, que a recorrente não pode suportar o ônus do lançamento de tributos de interesse de  outra  pessoa  jurídica,  sobretudo  por  não  ter  direito/dever  de  manter  e  apresentar  contabilidade de outrem”.  Conforme  acima  demonstrado,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  seus  verdadeiros  donos  detinham  todo  o  poder  de  organização,  administração,  direção  e  controle  Fl. 14538DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     76  sobre  todas  as  operações  e  negócios  realizados  pelas  empresas  interpostas,  as  quais  foram  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  e  existentes  tão  somente  no  papel,  para  acobertar  os  verdadeiros responsáveis tributários pelas obrigações decorrentes das operações praticadas no  âmbito dos negócios pelo grupo econômico de fato ora em foco.  Tanto é assim que, após a deflagração da ação da Polícia Federal, os vínculos  dos segurados empregados em questão retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando  nas FRE ­ Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o  passivo  trabalhista,  desde  suas  admissões  no  Frigorífico  Ouroeste  em  2002,  na  Continental  Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781­Volume IV/Anexo 2 do  PAF 16004.000336/2009­19).  Corrobora tal entendimento o fato de, em 2007, o Frigorífico Ouroeste Ltda  ter solicitado à Caixa Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados  que prestaram serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela  GFIP  da  competência  Janeiro/2007,  a  fls.  805  a  820  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  constam  as  reais  datas  de  admissão  dos  empregados  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  confrontada  com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.  Assim, com espeque no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, os efeitos dos  atos  jurídicos  simulados,  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  houveram­se  por  desconsiderados  pela  Autoridade  Administrativa  responsável  pelo  lançamento,  restabelecendo­se  assim  a  conexão  do  fato  gerador  da  Contribuição Previdenciária ao seu verdadeiro responsável tributário, in casu, a Autuada.  Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, o Frigorífico Ouroeste  Ltda  foi  a  titular  de  fato  de  todas  as  operações  de  aquisição  de  gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  realizadas  pelo  cliente  n°  36  da  lista  de  "vendedores"  da  Distribuidora  de  Carnes e Derivados São Paulo Ltda, como também por intermédio das interpostas pessoas SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  assim  bem  como  a  verdadeira  empregadora  dos  trabalhadores  registrados,  formalmente,  nos  LRE  das  empresas  interpostas  acima  citadas  e  na  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda,  configurando­se  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  como  a  Contribuinte de fato dos tributos incidentes sobre tais fatos geradores.  Acontece  que  a  Fiscalização  apurou  que  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  não  declarou  em  suas GFIP  os  valores  referentes  à  aquisição  de  produtos  rurais  correspondentes  àqueles  acobertados  pelas  empresas  “noteiras”,  muito  menos  os  segurados  empregados  formalmente  registrados  em  empresas  interpostas  existentes  só  no  papel,  no  período  compreendido  no  presente  lançamento.  Na  mesma  toada,  também  a  sua  escrita  fiscal  não  registra tais operações comerciais e demais fatos geradores.  Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  das  remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante,  suficiente  e  determinante  para  que  a  Fiscalização  inscreva  de  ofício  a  importância  reputada  como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário,  a  teor  do  permissivo  legal  encartado  nos  parágrafos  3º  e  6º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Fl. 14539DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.501          77  Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes  a  título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF  compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘d’  e  ‘e’  do  parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera  de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de qualquer  documento  ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos)   (...)  §6º  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos  nossos)     Assim,  considerando  todo  o  conjunto  probatório  carreado  ao  presente  processo,  restou demonstrado que o vertente Auto de  Infração de Obrigação Principal não se  houve  por  lavrado  apenas  com  base  em  indícios,  suposições  ou  presunções.  A  fiscalização  demonstrou,  mediante  minucioso  procedimento  investigativo,  em  conjunto  com  a  Policia  Federal,  e  sob  os  olhares  da  Justiça  Federal,  a  ocorrência  material  dos  fatos  jurígenos  tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios  de prova hábeis a desconstituí­lo.  Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária.    A  fraude  se  manifesta  na  volitiva  e  consciente  utilização  de  empresas  “noteiras”,  que  realizavam  em  seu  nome  e  sob  sua  responsabilidade  tributária,  sob  o  falso  manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações  de  terceiros  de  compra  e  venda de  produção  rural,  e movimentavam em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  impedir,  total  ou  parcialmente,  na  seara  da  Fl. 14540DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     78  responsabilidade  dos  titulares  de  fato  das  citadas  operações  comerciais  a  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a  evitar o seu pagamento.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.  Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto  devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     A  fraude  tributária  se  consuma,  portanto,  com  o  emprego  de  ardis  e  estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a  evitar ou diferir o seu pagamento.   Fossem  tais  operações  formalmente  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos  previdenciários  incidentes  sobre  a  comercialização da produção  rural. De outro  canto,  sendo  tais  operações  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária  de  empresas  noteiras,  as  quais  foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social  irrisório,  e cujos  sócios nenhum bem possuíam em seus nomes,  a execução  fiscal  do  crédito  correspondente mostra­se  improfícua,  como por  diversas  vezes  assim  se mostrou,  resultando  em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o  seu crédito tributário.  Reforça  a  compreensão  acerca da  existência  de  fraude  o  fato  de  a  empresa  “noteira”  cobrar  uma  taxa  pela  emissão  da  nota  fiscal  “fria”,  proporcional  à  operação  dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada,  mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por  sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e  que  tais  sócios  não  possuíam  qualquer  bem  patrimonial  em  seus  nomes,  de  maneira  que  qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de  patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado.  A  fraude  se  encontra  presente,  igualmente,  no  ato  de  criação  de  Pessoas  Jurídicas  fictícias,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  objetivando  ocultar  dos  olhares  do  Fisco  as  pessoas  efetivamente  responsáveis  pelas  operações  empresariais  realizadas  pelo  empreendimento fraudulento ora em tela, frustrando, assim, o adimplemento das Contribuições  Previdenciárias devidas à Seguridade Social.  Tal  conduta  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  movimentavam  em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  eximir  os  titulares de fato do pagamento de tributos.  Mediante  tais  condutas,  a Autuada  e  seus  verdadeiros  donos  ardilosamente  omitiram fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP de sua  responsabilidade  tributária,  ao  mesmo  tempo  em  que  promoveram  prejuízo  patrimonial  ao  erário, que não conseguiu realizar o seu crédito.  Nestes  casos,  apenas  mediante  a  deflagração  de  procedimento  formal  de  investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições  Fl. 14541DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.502          79  a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos  geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável.    A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das  empresas  noteiras  para  assumir,  aparentemente,  a  titularidade  e  responsabilidade  das  suas  operações  de  comercialização  de  produção  rural,  e  ao  atribuir  às  empresas  interpostas,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  a  responsabilidade  pelas  operações  atávicas  à  sua  atividade  empresarial,  a  Autuada  não  efetuou  qualquer  declaração  desses  Fatos  Jurígenos  Tributários  nos  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  tampouco  em  suas  GFIP,  excluindo  dessarte  da Administração  Fazendária  o  conhecimento  a  respeito  da  ocorrência  desses  fatos  geradores de contribuições previdenciárias.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.     Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.     Assim, estando as empresas “noteiras” e os seus “clientes”, dentre as quais, a  Autuada,  assim  como  as  interpostas  Pessoas  Jurídicas, mancomunadas  no  fim  específico  de  fraudar  a  Administração  Tributária  e  de  sonegar  tributos,  caracterizada  também  se  revela  a  existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64.  Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os  elementos  objetivos  e  subjetivos  qualificadores  da  fraude,  da  sonegação  e  do  conluio,  nos  termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.   Mas não é só. Há mais !!!  O caso em  tela  também é  representativo de  simulação. Aqui, o ato  jurídico  real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de  representar  externamente  perante  terceiros,  in  casu,  o  Fisco,  uma  outra  realidade  que  não  aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum  resultado econômico favorável.   Fl. 14542DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     80  Na  definição  de  Clóvis  Beviláqua,  citado  por  Silvio  Rodrigues  (in Direito  Civil ­ Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma  declaração  enganosa  da  vontade,  visando  a  produzir  efeito  diverso  do  ostensivamente  indicado”.  Segundo  Orlando  Gomes  (in  Introdução  ao  Estudo  do  Direito,  7a.  ed.,  Rio  de  Janeiro  :  Forense,  1983,  p.  374),  ocorre  a  simulação  quando  "em  um  negócio  jurídico  se  verifica  intencional  divergência  entre  a  vontade  real  e  a  vontade  declarada,  com  o  fim  de  enganar terceiros".   A  simulação,  em  resumo,  consubstancia­se numa deformação voluntária do  ato  jurídico  com  o  intuito  de  fugir  à  disciplina  normal  prevista  em  lei,  consistente  num  desacordo  intencional  entre  a  vontade  interna  das  partes,  efetivamente  pretendida,  e  a  formalmente declarada no ato simulado.  O  ato  jurídico  simulado  ostenta  formalmente  uma  aparência  diversa  do  efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade,  não intencionam nem desejam.   A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico,  considera  serem  simulados  e  passíveis  de  desconsideração  pelo  Fisco  os  atos  e  os  negócios  jurídicos  praticados  pelas  partes  com  a  intenção  de  enganar,  ocultar,  iludir,  dificultar  ou  até  mesmo tornar impossível a atuação fiscal.  A  simulação,  portanto,  traduz­se  pela  falta  de  correspondência  entre  o  ato  praticado  e  o  formalizado,  encerrando  uma  declaração  enganosa  visando  a  produzir  efeito  diverso do fato ocorrido.  No  caso  presente,  a  empresa  “noteira”  emitia,  em  seu  nome,  notas  fiscais  “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo  dissimuladamente os  reais  titulares da operação mercantil  realizada, com o sinistro  intuito de  excluir  destes  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às  contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houve­se por idealizado e concebido com  a  constituição  de  empresas  noteiras  sob  a  forma  de  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada, com capital social  irrisório, e com nenhum bem em nome dos  sócios, circunstância  que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido.   O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira  assumir  em  seu  nome  e  responsabilidade  a  titularidade  das  operações  de  terceiros  e  estes  terceiros,  além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação  dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas  GFIP.  A  simulação  também  está  presente  na  criação  de  Pessoas  Jurídicas  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  pessoas  que  não  ostentavam  qualquer  relação  com  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  tampouco  possuíam  conhecimento  técnico  para  tanto,  sendo  certo  que  tais  empresas  interpostas  existiam,  tão  somente,  no  papel,  uma  vez  que  as  operações supostamente por elas praticadas eram realizadas, de fato, pelos verdadeiros donos  da Autuada e de todo o empreendimento fraudulento.  Às  empresas  interpostas  era  atribuída,  tão  apenas,  a  responsabilidade  tributária  pelos  atos  jurídicos  praticados  em  seu  nome,  por  terceiras  pessoas,  no  interesse  exclusivo destas.  Fl. 14543DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.503          81  Tais  empresas  interpostas  nada  mais  eram  do  que  meras  marionetes,  sem  animus próprio  e  sem  existência  de  fato,  controladas  exclusivamente pelas mãos  habilidosas  dos verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste Ltda, que dirigiam todas as operações por elas  simuladamente  realizadas,  administravam  o  empreendimento,  assalariavam  os  trabalhadores  envolvidos  nas  atividades  empresariais  do  “Núcleo  Ouroeste”,  e  auferiam  os  lucros  provenientes do esquema fraudulento ora desfraldado.  Nesse contexto, sendo na realidade nua dos fatos o Frigorífico Ouroeste Ltda  a  pessoa  que  efetivamente  tinha  relação  direta  e  pessoal  com a  situação  constitutiva  do  fato  gerador ora em apreciação, ele se configura como o Contribuinte da relação Jurídico­tributária  ora em debate.    3.2.   DA  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Malgrado não haja  sido  suscitada pelo Recorrente,  a condição  intrínseca de  matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade  pecuniária  decorrente  do  atraso  no  recolhimento  do  tributo  devido,  a  ser  aplicada  mediante  lançamento de ofício.   Para  fincar os alicerces  sobre os quais  será erigida a opinio  juris que ora  se  escultura,  atine­se  que  o  nomem  iuris  de  um  instituto  jurídico  não  possui  o  condão  de  lhe  alterar ou modificar sua natureza jurídica.    JULIET:  ”Tis but thy name that is my enemy;  Thou art thyself, though not a Montague.  What's Montague? it is nor hand, nor foot,  Nor arm, nor face, nor any other part  Belonging to a man. O, be some other name!  What's in a name? that which we call a rose  By any other name would smell as sweet;  So Romeo would, were he not Romeo call'd,  Retain that dear perfection which he owes  Without that title. Romeo, doff thy name,  And for that name which is no part of thee  Take all myself”.    William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600.    O  caso  ora  em  apreciação  trata  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada  mediante  lançamento de ofício.  Urge,  de  plano,  ser  destacado  que  no Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o  lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Fl. 14544DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     82  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  O  regramento  legislativo  relativo  à  aplicação  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data  inicial do período de apuração em realce, encontrava­se sujeito ao regime jurídico inscrito no  art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  Fl. 14545DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.504          83  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).    III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um  acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre  a multa  de mora  a  que  se  refere o caput e seus incisos.   §2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.   §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo a que se refere o §1º deste artigo.   §4º  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta  por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    No  caso  vertente,  o  lançamento  tributário  sobre  o  qual  nos  debruçamos  promoveu  a  constituição  formal  do  crédito  tributário,  mediante  lançamento  de  ofício  consubstanciado  em  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  referente  a  fatos  geradores  ocorridos nas competências de maio/2005 a fevereiro/2007.  Fl. 14546DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     84  Nessa perspectiva, tratando­se de lançamento de ofício formalizado mediante  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período  anterior  à  vigência  da MP  nº  449/2008,  de  acordo  com  o  critério  de  cálculo  insculpido  no  inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui  denominada  “multa de mora”,  variando de 24%,  se paga  até quinze dias do  recebimento da  notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  hoje  CARF,  enquanto  não  inscrito  em  Dívida  Ativa.  Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento  não  for  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado,  no horizonte  temporal  em  relevo,  em conformidade  com a memória de  cálculo  assentada no  inciso  I  do  mesmo  dispositivo  legal  acima  mencionado,  que  estatui  multa,  aqui  também  denominada  “multa  de  mora”,  variando  de  oito  por  cento,  se  paga  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação,  até  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da exação.  Tal  discrimen  encontra­se  tão  claramente  consignado  na  legislação  previdenciária  que mesmo um computador,  com  uma  simples  instrução  IF  – THEN – ELSE  unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de  incidência:    IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91   ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91.    Traduzindo­se do “computês” para o “juridiquês”, tratando­se de lançamento  de ofício,  incide o regime jurídico consignado no  inciso  II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao  revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições  previdenciárias  em  atraso,  aplica­se  o  regramento  assinalado  no  Inciso  I  do  art.  35  desse  mesmo diploma legal.    Com  efeito,  as  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida  na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que  se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo  Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que  aquelas então derrogadas.   Nesse  panorama,  a  supracitada  Medida  Provisória,  ratificada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  revogou  o  art.  34  e  deu  nova  redação  ao  art.  35,  ambos  da  Lei  nº  8.212/91,  estatuindo  que  os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212/91,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  Fl. 14547DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.505          85  outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de  multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Mas não parou por aí. Na sequência da  lapidação  legislativa, a mencionada  Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da  Seguridade  Social  o  art.  35­A que  fixou,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  a  aplicação  de  penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição, verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora  e  juros de mora, nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que não  tenha  sido  apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa  jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 14548DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     86   III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   V  ­  (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.     Como  visto,  o  regramento  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  a  ser  aplicada  nos  casos  de  recolhimento  espontâneo  feito  a  destempo  e  nas  hipóteses  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias  que,  antes  da  metamorfose  legislativa  promovida  pela  MP  nº  449/2008,  encontravam­se acomodados em um mesmo dispositivo legal, cite­se, incisos I e II do art. 35  da  Lei  nº  8.212/91,  nessa  ordem,  agora  encontram­se  dispostos  em  separado,  diga­se,  nos  artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35  e 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  Fl. 14549DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.506          87  Nesse  novo  regime  legislativo,  a  instrução  de  seletividade  invocada  anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando:    IF lançamento de ofício THEN art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009.   ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.     Diante  de  tal  cenário,  a  contar  da  vigência  da  MP  nº  449/2008,  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  há  que  ser  dimensionalizada  de  acordo  com  o  critério de cálculo insculpido no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  prevê  a  incidência  de  penalidade  pecuniária,  aqui  referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo  com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias  não  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  há  que  ser  dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela MP  nº  449/2008  e  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  estatui  multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art.  61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.    Não  demanda  áurea  mestria  perceber  que  o  nomem  iuris  consignado  na  legislação  previdenciária  para  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério  da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº  8.212/91,  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda  houve­se  por  batizada  com  a  singela  denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de  rótulos,  as  suas  naturezas  jurídicas  são  idênticas:  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício.  No  que  pertine  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  não  incluída  em  lançamento  de  ofício,  o  título  designativo  adotado  por  ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”.    Não  carece  de  elevado  conhecimento  matemático  a  conclusão  de  que  o  regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu  uma  apenação  mais  severa  para  o  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício  (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35,  II da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se  Fl. 14550DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     88  falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’  do CTN, durante a fase do contencioso administrativo.  Código Tributário Nacional   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria,  o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores  a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº  9.430/96, por entender  tratar­se de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106,  II,  ‘c’ do CTN.  No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve  ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da  Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35­A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal  penalidade  era  inexistente na  sistemática  anterior  à  edição  da MP 449/2008. Sendo  assim,  a  multa  de mora  aplicada  em  face  dos  autos  de  infração  relacionados  às  obrigações  principais  (AIOP)  deveria  ficar  restrita  ao  percentual  de  20%  até  novembro/2008,  permanecendo  o  percentual de 75% a partir de dezembro/2008.  Se  nos  antolha  não  proceder  o  argumento  de  que  a  penalidade  referente  à  multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008.  Conforme  acima  demonstrado,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, antes do  advento  da  MP  nº  449/2008,  encontrava­se  disciplinada  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente  do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou  a ser regida pelo disposto no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008.  Ocorre  que  ao  efetuar  o  cotejo  de  “multa  de  mora”  (art.  35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora”  (art. 35 da Lei nº  8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveu­se data venia a comparação de  nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica  (penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício).  De  tal  equívoco,  no  entendimento  deste  Subscritor,  resultou  no  voto  de  relatoria  a  aplicação  retroativa  de  penalidade  prevista  para  uma  infração  mais  branda  (descumprimento  de  obrigação  principal  não  inclusa  em  lançamento  de  ofício)  para  uma  infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante  Fl. 14551DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.507          89  lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106,  II,  ‘c’  do  CTN,  a  qual  se  circunscreve  a  penalidades  aplicáveis  a  infrações  tributárias  de  idêntica  natureza  jurídica,  in  casu,  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício.  Lé  com  lé,  cré  com  cré  (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967).     Reitere­se que não se presta o preceito  inscrito no art. 106,  II,  ‘c’, do CTN  para  fazer  incidir  retroativamente  penalidade  menos  severa  cominada  a  uma  infração  mais  branda  para  uma  transgressão  tributária  mais  grave,  à  qual  lhe  é  cominado  em  lei,  especificamente,  castigo mais  hostil,  só  pelo  fato  de  possuir  a mesma  denominação  jurídica  (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas.  Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a  redação  dada  pela MP nº  449/2008  c.c.  art.  61  da Lei  nº  9.430/96  só  se presta  para  punir o  descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício.  Nos  casos de descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante  lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 9.876/99),  quanto  a  legislação  superveniente  (art.  35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008,  c.c.  art.  44  da  Lei  no  9.430/96)  preveem  uma  penalidade  pecuniária  específica,  a  qual  deve  ser  aplicada  em detrimento  da  regra  geral,  em  atenção  ao  princípio  jurídico  lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de  normas.  Nessa  perspectiva,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  o  cotejamento  de  normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art.  106,  II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no  art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com  a regra encartada no art. 35,  II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99,  uma  vez  que  estas  tratam,  especificamente,  de  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício,  ou  seja,  penalidades de idêntica natureza jurídica.    Nesse  contexto,  vencidos  tais prolegômenos,  tratando­se o vertente  caso  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  o  atraso  objetivo  no  recolhimento  de  tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber:  a)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  circunstância  que  implica a  incidência de multa de mora nos  termos  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  na  razão  variável  de  24%  a  50%,  enquanto  não  inscrito  em  dívida ativa.  b)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  após  a  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  MP  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35­A na Lei de Custeio da  Fl. 14552DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     90  Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício  de 75%.    Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa  de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista  no  art.  35­A  do  mesmo  Diploma  Legal,  inserido  pela  MP  nº  449/2008,  contingência  que  justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta  se revela mais ofensiva ao infrator.  Dessarte,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  novembro/2008,  inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  efetuado  com  observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela lei nº 9.876/99.  Na mesma hipótese especifica, para os  fatos geradores ocorridos a partir da  competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  consoante a regra estampada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  11.941/2009.  O  raciocínio  acima  delineado  é  válido  enquanto  não  for  ajuizada  a  correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na  redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de  lançamento de ofício de  obrigação  principal  é  variável  em  função  da  fase  processual  em  que  se  encontre  o  Processo  Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário.   De  fato,  encerrado  o  Processo  Administrativo  Fiscal  e  restando  definitivamente  constituído,  no  âmbito  administrativo,  o  crédito  tributário,  não  sendo  este  satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo,  tal crédito é  inscrito em  Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial.  Ocorre  que,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a multa  pelo  atraso  no  recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a  multa de ofício (75%) menos ferina, operando­se, a partir de então, a retroatividade da lei mais  benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio.   Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido  no  art.  106,  II,  "c",  do  CTN  concernente  à  retroatividade  benigna,  o  novo  mecanismo  de  cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do  recolhimento de obrigação principal  formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um  limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o  crédito  tributário  seja  objeto  de  ação  de  execução  fiscal.  Nestas  hipóteses,  somente  irá  se  operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio.  Da conjugação das normas  tributárias  acima  revisitadas conclui­se que, nos  casos de  lançamento de ofício de contribuições previdenciárias,  a penalidade pecuniária pelo  Fl. 14553DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000336/2009­19  Acórdão n.º 2401­004.158  S2­C4T1  Fl. 14.508          91  descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data  de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue:  a)  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada  conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº  8.212/91, com a  redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o  limite  máximo  de  75%,  desde  que  não  estejam  presentes  situações  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  em  atenção  à  retroatividade  da  lei  tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN.  b)  Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada  de acordo com o critério fixado no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído  pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.    No  caso  dos  autos,  considerando  que  o  horizonte  temporal  do  lançamento  compreende  o  período  de  apuração  de  01/05/2005  a  28/02/2007,  e  considerando  haver  sido  verificada  a  presença  dos  elementos  objetivos  e  subjetivos  de  condutas  que,  em  tese,  qualificam­se como fraude, sonegação e conluio, tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº  4.502/64,  respectivamente,  resulta  que  a  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  tributária principal  formalizada mediante o presente  lançamento de ofício deve ser  aplicada  de  acordo  com  o  art.  35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o regramento a ser  dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal  formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato  gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em  atenção ao princípio tempus regit actum.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.               Fl. 14554DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     92                  Fl. 14555DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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Numero do processo: 10830.726324/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DATA DO FATO GERADOR. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12 da Lei nº 7.713/88. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DATA DO FATO GERADOR. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12 da Lei nº 7.713/88. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2  ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto  de qualidade, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos  os  Conselheiros  RAYD  SANTANA  FERREIRA,  THEODORO  VICENTE  AGOSTINHO,  LUCIANA  MATOS  PEREIRA  BARBOSA  e  CARLOS  ALEXANDRE  TORTATO,  que  davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício  material,  ante  a  inobservância  do  AFRFB  da  legislação  aplicável  ao  lançamento  e  a  consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.      André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.      Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.      Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa,  Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro  Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.726324/2014­66  Acórdão n.º 2401­004.272  S2‐C4T1  Fl. 204          3     Relatório  Exercício: 2011.   Data da Notificação de Lançamento: 15/09/2014.   Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 26/09/2014.      Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em Belo Horizonte/MG, que  julgou  improcedente  a  impugnação  interposta  pelo  Sujeito Passivo do Crédito Tributário  formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº  2011/195885752725878,  a  fls.  04/18,  consistente  em  Imposto  sobre  a Renda  e Proventos  de  Qualquer Natureza da Pessoa Física  (IRPF)  relativo ao exercício de 2011, ano­calendário de  2010,  em  razão  de  Omissão  de  Rendimentos  Recebidos  de  Pessoa  Jurídica,  decorrentes  de  Ação ajuizada na Justiça Federal.   De  acordo  com  a  citada  Notificação  de  Lançamento,  do  exame  das  informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos  sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou­se omissão de rendimentos do  trabalho  com  ou  sem  vínculo  empregatício,  sujeitos  à  tabela  progressiva  no  valor  de  R$  1.589,68 recebidos pelo titular e/ou dependentes das fontes pagadoras. Na apuração do imposto  devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no  valor de R$ 383,27.   A  autoridade  lançadora  esclarece  que  a  declaração  de  renda  sofreu  revisão  quanto  aos  valores  declarados  na  ficha  Rendimentos  Recebidos  Acumuladamente  –  RRA  (opção  pela  forma  de  tributação:  exclusiva  na  fonte).  Os  resultados  das  revisões  estão  detalhados nos demonstrativos da notificação, a fls. 14/15, e geraram as infrações descritas a  seguir.   ·  Dedução indevida de Previdência Oficial relativa a RRA, no valor de R$  45,73, referente a fonte pagadora Banco Bradesco. O contribuinte declarou  previdência oficial de R$ 67,43 e a fiscalização apurou R$ 27,70, gerando  a  diferença  de  R$  45,73.  O  valor  de  R$  27,70  foi  calculado  proporcionalmente  à  parcela  do  rendimento  líquido  auferido  no  ano  calendário 2010 (32,19%) : R$ 193.810,50 (2010) + R$ 408.326,04 (2009)  = R$ 602.136,54.   ·  Número de meses relativo a RRA indevidamente declarado: o número de  meses  utilizado  no  cálculo  do  imposto  devido  foi  alterado  de  60 meses  para 19,30, calculado proporcionalmente à parcela do rendimento líquido  auferido no  ano calendário 2010  (32,19%)  : R$ 193.810,50  (2010) + R$  408.326,04 (2009) = R$ 602.136,54.   Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4  ·  Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre RRA –  tributação exclusiva, sendo IRRF retido pelo Banco Bradesco no valor de  R$  56.955,97  e  IRRF  declarado  pelo  contribuinte  no  valor  de  R$  188.250,60. Foi glosada a diferença que perfaz R$ 131.294,63.      A  autoridade  lançadora  esclarece  que  da  análise  das  informações  nos  documentos  apresentados,  constatou­se  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  no  valor  de  R$  176.936,85. O acréscimo moratório incidente entre a data da retenção e a data do recolhimento  não é compensável na Declaração de Ajuste Anual. Informa que o valor do IRRF foi alterado  para R$ 56.955,97 calculado proporcionalmente à parcela do  rendimento  líquido auferido no  ano  calendário  2010  (32,19%)  :  R$  193.810,50  (2010)  +  R$  408.326,04  (2009)  =  R$  602.136,54.   Nos quadros demonstrativos da apuração do imposto devido sobre o RRA, a  autoridade lançadora ainda informa haver constatado rendimentos levantados em 2009 e 2010.  Na declaração de ajuste anual em pauta (exercício 2011/ano calendário 2010) somente devem  ser declarados rendimentos auferidos no ano calendário 2010.   Destaca  a  Fiscalização  que  da  análise  das  informações  constantes  nos  documentos relativos à reclamação trabalhista, verificou­se Imposto de Renda retido na fonte  no valor de R$ 176.936,85 e contribuição ao INSS cota do reclamante no valor de R$ 67,43.  Utilizando­se  a  tabela  progressiva  mensal  para  o  cálculo  do  Imposto  de  Renda  na  Fonte,  constatou­se rendimentos tributáveis correspondentes a R$ 645.993,35. O valor do rendimento  tributável  foi  alterado  para  R$  161.092,14,  calculado  proporcionalmente  à  parcela  do  rendimento auferido no ano calendário 2010 (32,19%), deduzido dos honorários advocatícios  proporcionais.  A  Previdência  oficial,  número  de  meses  e  o  IRRF  também  foram  ajustados  proporcionalmente á parcela do rendimento auferido no ano calendário 2010 (32,19%).   Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 02/03 e documentos a fls. 03/48.   Quanto à  infração por omissão de  rendimentos  recebidos da empresa CNPJ  09.598.226/0006­15, Todo Tecnologia da Informação S/A, no valor de R$1.063,91, questiona  o valor de R$ 1,00 e diz que o faz conforme informações passadas pela empresa via telefone.   Quanto à  infração por omissão de  rendimentos  recebidos da empresa CNPJ  59.948.570/0007­46, BSI Tecnologia Ltda, questiona o valor de R$ 1,00.   Informa  a  anexação  de  29  documentos  comprovando  vínculo  no  Banco  Digibanco e seu sucessor Banco Pontual de 16/06/1988 a 01/03/1995. Aduz que o número de  meses  referentes  a  rendimentos  tributáveis é  igual a 60 e esse dado  já estava correto em sua  declaração.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 02­63.436 ­ 9ª Turma da  DRJ/BHE, a fls. 178/183, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário  em sua integralidade.   O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  06/02/2015, conforme Aviso de Recebimento a fl. 188.   Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.726324/2014­66  Acórdão n.º 2401­004.272  S2‐C4T1  Fl. 205          5  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  191/192,  respaldando  seu  inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem:   ·  Que  o  valor  incontroverso  (documento  anexos  1  e  2)  soerguido  pelo  advogado em 14/12/2009 e aplicado, como precaução, pelo seu escritório  em  um CDB  do  banco  Santander  em  18/12/2009  (documento  anexo  3);  porque nesse momento o BANCO BRADESCO interpôs recurso referente  ao valor total desta ação. Então com autorização do juiz em 11/03/2010 o  valor restante de RS 318.624,73 foi soerguido pelo advogado.   ·  Somente  após  a  prestação  de  contas,  ou  seja,  no  dia  18/03/2010  –  foi  constatado  pelo  TRT,  um  erro  processual  referente  à  data  de  partida  da  atualização  dos  valores  para  cálculo  –  o  correto  seria  01/02/1999  e  não  01/09/1997;  o  que  ocasionou  um  valor  a  maior  de  RS  124.814,23  (12.061,94  +  112.752,29)  o  qual  foi  bloqueado  por  ordem  judicial  e  posteriormente repassado ao BANCO BRADESCO em 19/03/2010.   ·  No extrato da conta corrente do Recorrente constam os 2 TEDs recebidos  do escritório de advocacia; atestando e comprovando que ele só recebeu os  valores  desta  referida  ação  em  2010.  Aduz  que  a  sua  declaração  de  2010/2011 está correta.      É o que importa relatar.         Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6     Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.      1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE   O  sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 06/02/2015. Dessarte, havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 03/03/2015,  há que se reconhecer a sua tempestividade.   Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  dele conheço.   Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame  do mérito.      2.   DO MÉRITO   Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.   Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.      2.1.  IRPF – DOS VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.   Os  excertos  do  Acórdão  recorrido,  abaixo  transcritos,  esclarecem  bem  a  controvérsia ora em debate:   Acórdão nº 02­63.436 ­ 9ª Turma da DRJ/BHE   “No  caso  em  tela,  o  contribuinte  considerou  que  todo  o  valor  referente a  sua ação  trabalhista movida contra o Banco Bradesco  foi por ele recebido no ano de 2010 e assim utilizou a sistemática da  tributação exclusiva preenchendo a ficha de Rendimentos Recebidos  Acumuladamente  –  RRA,  considerando  a  totalidade  do  valor  recebido,  o  imposto  total  retido  na  fonte  e  o  total  do  número  de  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.726324/2014­66  Acórdão n.º 2401­004.272  S2‐C4T1  Fl. 206          7  meses  trabalhados  que  foi  de  60  meses,  fato  salientado  na  impugnação.   Ocorre  que,  toda  a  documentação  referente  a  essa  reclamatória  trabalhista, que encontra­se anexada aos autos,  foi analisada pela  fiscalização  que  constatou  que  houve  levantamentos  de  parte  dos  valores devidos no ano de 2009 e outra parte em 2010.   Esse fato pode ser constatado no extrato do processo, juntado à fl.  168 dos autos, onde se vê um resgate na conta do depósito judicial  efetuado em 14/12/2009, valor de R$ 403.795,11 e outro resgate em  11/03/2010,  valor  de  R$  310.376,31.  Encontram­se  ainda  os  resgates  de  pagamento  de  INSS  e  de  honorários  periciais,  todos  aqui considerados.   Em  sendo  assim,  e  considerando  que  para  o  imposto  de  renda  de  pessoa física vige o regime de caixa, os valores recebidos em 2009  devem  ser  informados  na  declaração  do  ano  calendário  2009,  exercício  2010  e  os  valores  recebidos  em  2010  na  declaração  do  ano calendário 2010, exercício 2011.   Como  está  se  tratando  dessa  última  declaração,  a  fiscalização  tomou os valores auferidos, utilizou­se de uma proporção entre os  valores  recebidos  em  cada  ano  e  deduziu  proporcionalmente  em  cada ano os honorários advocatícios e periciais (notas fiscais de fls.  173,  174)  necessários  ao  recebimento  da  ação  e  permitidos  pela  legislação de regência.   Encontrou­se  o  valor  de R$ 193.810,50  para  2010  (32,19%) e R$  408.326,04  para  2009,  totalizando  R$  602.136,54  (total  de  rendimentos tributáveis recebidos nos dois anos).   Encontrado o valor proporcional recebido em 2010, R$193.810,50,  ano em que a legislação permitiu a apuração do imposto utilizando­ se  as  tabelas  mensais,  conforme  transcrito  acima,  a  autoridade  fiscal  utilizou­se  da  mesma  proporção,  ou  seja,  32,19%  dos  rendimentos para encontrar o número de meses a serem usados no  cálculo, 19,30 meses e o imposto de renda retido correspondente de  R$ 56.955,97.   Ao  se  fazer  o  novo  cálculo  de  imposto  devido  com  esses  valores  proporcionais, obteve­se o valor de imposto de renda a restituir de  R$ 26.664,02.   Com  a  impugnação,  vieram  os  mesmos  documentos  da  ação  trabalhista  já  apresentados  junto  a  malha  fiscal  e  ali  não  se  encontram dados capazes de alterar o lançamento.”      O Notificado declara que somente após a leitura do Acórdão nº 02­63.436 ­ 9ª  Turma da DRJ/BHE começou a entender o que se passava. Busca, então, explicar:   O  Recorrente  alega  que  o  valor  de  R$  408.326,04  levantado  pelo  seu  advogado  em 14/12/2009  (fls.  193/194)  foi  aplicado,  por  precaução,  em um CDB do Banco  Santander  em  18/12/2009  (fl.  195),  em  razão  de  o  Banco  Bradesco  ter  interposto  recurso  referente ao valor total da ação.   Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8  Aduz que só recebeu os valores do escritório de Advocacia em 2010 e, por  isso, a sua declaração de 2010/2011 esta correta.   Tal  alegação  não  procede,  uma  vez  que  o  Escritório  de  Advocacia  apenas  atua  como  mandatário  do  Recorrente,  sendo  certo  que  o  recebimento  do  Alvará  pelo  dito  escritório opera efeitos  jurídicos para os  fins de estabelecimento do aspecto  temporal do fato  gerador do Imposto de Renda como se tivesse sido recebido pelo próprio Recorrente.   Dessarte, a data de  transferência via TED do escritório de advocacia para a  conta corrente do Autuado não produz efeitos na data do fato gerador, devendo prevalecer para  tal  fim,  a data do  efetivo  recebimento dos  valores  expressos no Alvará  pelo Recorrente,  por  intermédio de seu procurador, como assim estabelece o art. 12 da Lei nº 7713/88 c.c. art. 56 do  Regulamento do Imposto de Renda.   Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988   Art.  12.  No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá,  no mês do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos  do  valor  das  despesas  com  ação  judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se  tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.      Regulamento do Imposto de Renda   Art.  56.  No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá  no  mês  do  recebimento,  sobre  o  total  dos  rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713,  de 1988, art. 12).   Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o  valor  das  despesas  com  ação  judicial  necessárias  ao  recebimento  dos  rendimentos,  inclusive  com  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).      2.2.  DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.   Malgrado  não  haja  sido  suscitado  pelo  Recorrente,  o  comando  imperativo  assentado  no  §2º  do  art.  62  do Regimento  Interno  do CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343/2015,  impõe  aos  conselheiros,  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  a  reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo  Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos  543­B e 543­C da Lei nº 5.869/73 ­ Código de Processo Civil.   Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido  sob  o  regime  assentado  no  art.  543­B  do Código  de  Processo Civil,  o Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  decidiu,  por  maioria,  pela  improcedência  do  Recurso  Extraordinário  nº  614.406/RS,  interposto  pela  União,  em  razão  de  a  Corte  Suprema,  sem  declarar  a  inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88,  ter  reconhecido que o critério de cálculo  dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente  – RRA adotado  pelo  há  pouco  citado  art.  12,  representava  transgressão  aos  princípios  da  isonomia  e  da  capacidade  contributiva  do  Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.   No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto  de  renda,  mesmo  que  incidente  sobre  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  deveria  ser  apurado  levando­se  em  consideração  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  nos  meses  a  que  se  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.726324/2014­66  Acórdão n.º 2401­004.272  S2‐C4T1  Fl. 207          9  referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo  autor, consoante Acórdão que se vos segue:   Recurso Extraordinário nº 614.406/RS   Relatora: Min. Rosa Weber.   Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio.   Julgamento: 23/10/2014.      IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES –  ALÍQUOTA.   A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de  fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.      Nessa  perspectiva,  o  fato  de  o  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no  art.  543­B  do CPC,  atrai  ao  feito  a  incidência  do  disposto  no  §2º  do Art.  62  do Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.   Regimento Interno do CARF   Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.   §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:   I ­ que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do  Supremo Tribunal   Federal;   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:   a)  Súmula  Vinculante  do  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  do  art.  103­A da Constituição Federal;   b)  Decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543­B ou 543­ C da Lei nº 5.869, de 1973 ­ Código de Processo Civil (CPC), na  forma  disciplinada pela Administração Tributária;   c) Dispensa  legal de  constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da  Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de  2002;   d)  Parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10  de fevereiro de 1993; e   e)  Súmula  da  Advocacia­Geral  da  União,  nos  termos  do  art.  43  da  Lei  Complementar nº 73, de 1973.   § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543­B e 543­C da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10  reproduzidas  pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos  no  âmbito  do CARF. (grifos nossos)      De outra via,  configurando­se o  Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS  um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre­ se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo  do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149,  VIII, do CTN.   Código Tributário Nacional   Art.  149.  O  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade  administrativa nos seguintes casos:   I ­ quando a lei assim o determine;   II ­ quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo  e na forma da legislação tributária;   III  ­  quando  a  pessoa  legalmente  obrigada,  embora  tenha  prestado  declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na  forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela  autoridade  administrativa,  recuse­se  a  prestá­lo  ou  não  o  preste  satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade;   IV  ­  quando  se  comprove  falsidade,  erro  ou  omissão  quanto  a  qualquer  elemento  definido  na  legislação  tributária  como  sendo  de  declaração  obrigatória;   V  ­  quando  se  comprove  omissão  ou  inexatidão,  por  parte  da  pessoa  legalmente  obrigada,  no  exercício  da  atividade  a  que  se  refere  o  artigo  seguinte;   VI  ­  quando  se  comprove  ação  ou  omissão  do  sujeito  passivo,  ou  de  terceiro  legalmente  obrigado,  que  dê  lugar  à  aplicação  de  penalidade  pecuniária;   VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício  daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;   VIII  ­  quando  deva  ser  apreciado  fato  não  conhecido  ou  não  provado  por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos)   IX ­ quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou  falta  funcional  da  autoridade  que  o  efetuou,  ou  omissão,  pela  mesma  autoridade, de ato ou formalidade especial.   Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto  não extinto o direito da Fazenda Pública.      Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art.  149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS,  conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543­B do CPC, voto no  sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que  o  cálculo  do  tributo  devido  relativo  aos  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  pelo Contribuinte seja realizado levando­se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas  competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de  forma  acumulada  pelo  Recorrente,  reproduzindo­se,  assim,  a  decisão  definitiva  de  mérito,  proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado.      Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10830.726324/2014­66  Acórdão n.º 2401­004.272  S2‐C4T1  Fl. 208          11  3.   CONCLUSÃO:   Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL para  que  o  cálculo  do  tributo  devido  relativo  aos  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  pelo  Contribuinte  seja  realizado  levando­se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a  cada  uma  das  parcelas  integrantes  do  pagamento  recebido  de  forma  acumulada  pelo  Recorrente,  reproduzindo­se,  assim,  a  decisão  definitiva  de  mérito,  proferida  pelo  Supremo  Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62,  §2º, do RICARF.      É como voto.      Arlindo da Costa e Silva, Relator.                                   Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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6396562 #
Numero do processo: 10830.720021/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. LIMITES São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, respeitadas as disposições expressas da decisão ou, no caso de omissão, as restrições legais. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS DE ALIMENTANDOS. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. A legislação de regência estabelece que as despesas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando inclusas despesas médicas de alimentandos, são dedutíveis no ajuste anual, devendo ser respeitadas as exigências e limitações legais.
Numero da decisão: 2201-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Fez sustentação oral, pela contribuinte, a Dra. Thabitta de Souza Rocha, OAB/GO: 42.035. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 93          1 92  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.720021/2014­30  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.179  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  JOAO FRANCISCO MARQUES NETO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. LIMITES  São  dedutíveis  os  pagamentos  de  pensão  alimentícia  quando  o  contribuinte  provar  que  realizou  tais  pagamentos,  e  que  estes  foram  decorrentes  de  decisão judicial, respeitadas as disposições expressas da decisão ou, no caso  de omissão, as restrições legais.  DEDUÇÕES.  DESPESAS  MÉDICAS  DE  ALIMENTANDOS.  HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO. NORMAS DO DIREITO DE  FAMÍLIA. ALCANCE.  A  legislação  de  regência  estabelece  que  as  despesas  dos  alimentandos,  quando  arcadas  pelo  alimentante  em  decorrência  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente,  quando  inclusas  despesas  médicas  de  alimentandos,  são  dedutíveis  no  ajuste  anual,  devendo  ser  respeitadas  as  exigências e limitações legais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  José  Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  convocado),  Carlos  César  Quadros  Pierre  (Relator),  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz  e  Maria  Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), que davam provimento parcial ao recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Carlos  Henrique  de  Oliveira.  Fez  sustentação  oral,  pela  contribuinte,  a  Dra.  Thabitta  de  Souza  Rocha,  OAB/GO:  42.035.  Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.   Assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente.      AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 21 /2 01 4- 30 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 94          2 Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre ­ Relator.  Assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.  Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.    Relatório  Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento,  1ª  Turma  da DRJ/RJ1  (Fls.  54),  na  decisão  recorrida,  que  transcrevo  abaixo:  Trata­se de Impugnação apresentada em 02/01/2014 (fl. 02) pela  pessoa física em epígrafe, contra Notificação de Lançamento nº  2010/947694506898294  (fls.  06/12),  com  data  de  ciência  em  09/12/2013 (fl. 15), que apurou o Imposto Renda Pessoa Física  suplementar  de  R$  14.630,41,  mais  Multa  de  Ofício  de  R$  10.972,80 e Juros de Mora de R$ 4.873,38, totalizando o Crédito  Tributário de R$ 30.476,59.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal  da  Notificação  de  Lançamento,  foram  apuradas  as  seguintes  infrações:  •  Dedução  Indevida  de  Pensão  Alimentícia  Judicial  e/ou  por  Escritura Pública,  constando  a  seguinte motivação: “Glosa  do  valor  de  R$  40.000,00,  indevidamente  deduzido  a  título  de  Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta  de  comprovação,  ou  por  falta  de  previsão  legal  para  sua  dedução.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA  JUDICIAL:  Dedução  desconsiderada porque não  foi comprovada com documentação  hábil  e  adequada.  OBS.:  Não  apresentou  recibos  mensais  de  pagamento  da  pensão  alimentícia  (comprovantes  de  depósitos  bancários,  conforme  consta  no  Acordo  Homologado  Judicialmente).”;  • Dedução Indevida de Despesas Médicas, constando a seguinte  motivação:  “DESPESAS  MÉDICAS:  Alteração  efetuada  com  base na documentação apresentada. 1) Não comprovou dedução  no  valor  de  R$  2.775,00  (Uniodonto  de  Campinas  Coop.  Odontológica).  2)  Ref.  Unimed  Campinas  Coop.  De  Trab.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 95          3 Médico:  Foram  considerados  os  valores  referentes  ao  contribuinte e à Sra. Silvia Maria  J. Forster  (conforme Acordo  Homologado Judicialmente). Foram desconsiderados os valores  relativos  aos  filhos  do  contribuinte  (Camila  Fernanda  F.  Marques,  Thaís  Helena  F.  Marques  e  Rodolfo  Francisco  F.  Marques).  Motivo:  são  maiores  de  21  anos,  e  não  foram  comprovadas  as  condições  para  serem  considerados  dependentes para fins tributários, a saber: filho(a) entre 21 e 24  anos:  estar  matriculado(a)  em  curso  técnico/universitário;  em  qualquer idade: comprovar a incapacidade física ou mental para  o trabalho.”.  O Impugnante alega que:  •  Quanto  à  infração  Dedução  Indevida  de  Pensão  Alimentícia  Judicial, o valor refere­se a pagamento(s) efetuado(s) a título de  pensão  alimentícia,  inclusive  a  prestação  de  alimentos  provisionais,  conforme  normas  do  Direito  de  Família,  em  decorrência  de  decisão  judicial,  acordo  homologado  judicialmente  ou  de  escritura  pública,  no  caso  de  divórcio  consensual.  Além  de  apresentar  a  decisão  judicial  sobre  o  pagamento  da pensão  alimentícia,  teria  apresentado um  recibo  da  própria  alimentanda  declarando  ter  recebido  todos  os  rendimentos  provenientes  dessa  decisão.  Não  teria  preparado  recibos mensalmente para a Sra Sílvia Maria Forster Marques,  pois  percebendo  as  dificuldades  da  mesma  para  manter  suas  despesas básicas, muitas vezes teria pago a pensão antes do dia  combinado  e  em  dinheiro  (ou  seja,  pagava  a  pensão  em  única  parcela no dia 10 e não como combinado na decisão  judicial),  não  imaginando  que  isso  poderia  ser  motivo  de  glosa  futura.  Lembra  que,  para  a  Justiça  Civil,  a  determinação  judicial  quanto  à  forma  de  pagamento  da  pensão  é  uma  mera  formalidade visando o cumprimento do determinado, o que torna  o recibo do próprio interessado prova suficiente do ocorrido;  •  Quanto  à  infração  Dedução  Indevida  de  Despesas  Médicas,  como  a  decisão  judicial  define  que  as  despesas  médicas  e  odontológicas dos alimentandos seriam pagas a título de pensão,  e uma vez comprovados esses pagamentos, estaria solicitando a  correção do “lançamento na declaração”,  transferindo o  valor  do campo de pagamento de despesas médicas dos alimentandos  para  o  campo  de  pagamento  de  pensão,  conforme  decisão  no  processo  652  do  Juizado  de  Direito  da  Quarta  Vara  Cível  da  Comarca de Campinas.  Passo adiante, 1ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a impugnação  improcedente, em decisão que restou assim ementada:  DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA.  São dedutíveis as importâncias comprovadamente pagas a título  de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família  quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente.  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS DE ALIMENTANDOS.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 96          4 Despesas  médicas  de  alimentandos,  em  razão  de  acordo  homologado judicialmente, podem ser deduzidas na Declaração  de Ajuste Anual em campo próprio.  Cientificado  em  22/04/2014  (Fls.  63),  o  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  em  21/05/2014  (fls.  66  a  78),  reforçando  os  argumentos  apresentados  na  impugnação, transcrito abaixo em síntese:  (...)  3. DA DEDUTIBILIDADE DOS VALORES PAGOS A TÍTULO  DE  PENSÃO  ALIMENTÍCIA  EM  CUMPRIMENTO  DE  ACORDO HOMOLGADO JUDICIALMENTE  O  Recorrente  deduziu  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física  os  valores  pagos  a  título de pensão alimentícia para a alimentanda Silvia Maria  J  Forster (ex­esposa), no valor de R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil  reais),  e  também  os  valores  pagos  para  os  filhos  Camila  Fernanda  Forster  Marques  e  Rodolfo  Francisco  Forster  Marques, no montante de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para cada  filho,  totalizando o valor de R$ 40.000,00  (quarenta mil reais),  pagamentos  esses  em  cumprimento  ao  acordo  judicialmente  homologado  que  foi  juntado  aos  autos  deste  processo  administrativo.  (...)  Como  bem  assegura  o  dispositivo  acima  transcrito,  as  importâncias  pagas  a  título  de  pensão  alimentícia  são  sempre  dedutíveis,  desde  que  fixadas  em  acordo  homologado  judicialmente  e  decorram  das  normas  do  Direito  de  Família.  Dessa  forma,  irrelevante  a  forma  do  pagamento,  se  mediante  entrega  do  dinheiro  ou  transferência  bancária,  ainda  que  inicialmente as partes tenham convencionado pela transferência  bancária. O que é relevante destacar é que o acordo (DOC.2) foi  e continua a ser fielmente cumprido, pois o Recorrente realizou  com prudência todos os pagamentos na data acordada entre as  partes.  O  Recorrente  declarou  corretamente  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  exercício  2010  ter  pago  a  importância  de  R$  24.000,00  (vinte  quatro  mil  reais)  para  a  alimentanda  ex­exposa,  assim  como relacionou os valores pagos aos filhos (R$ 8.000,00) para  cada um, todos com a precisa indicação do código n° 30 (pensão  alimentícia).  Como  fez  pagamentos  parciais  segundo  a  necessidade de cada um dos alimentandos, alguns em dinheiro e  outros  mediante  cheques,  assim  como  transferências,  tomou  a  cautela de solicitar a confirmação desses recebimentos pela ex­ esposa, juntando aos autos processo (e novamente aqui anexada  ­ DOC.  3)  declaração  da  alimentanda  Sra.  Sílvia Maria  Jorge  Forster,  na  qual  a  alimentanda  confirma  o  regular  pagamento  dos  valores  a  título  de  pensão  alimentícia  judicialmente  acordada,  tanto  os  valores  destinados  para  a  beneficiária  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 97          5 declarante, como a parcela que lhe era entregue e destinada aos  filhos.  Além  de  existir  CONFISSÃO  (que  é  meio  de  prova)  da  beneficiária  apoiando  que  efetivamente  recebeu  tais  valores,  essa prova também está confirmada pela tempestiva Declaração  de  Ajuste  Anual  da  alimentanda  Silvia  Maria  Jorge  Forster,  entregue  em  27/04/2010  (CÓPIA  ANEXA:  DOC.4),  na  qual  corretamente declarou ter recebido de Pessoa Física, in casu, do  Recorrente, valores de pensão alimentícia ali considerados como  tributados e que totalizam a quantia de R$ 24.00,00 (vinte quatro  mil reais).  (...)  À luz do princípio da verdade material, uma vez confirmado pela  alimentanda o  regular pagamento das  importâncias  fixadas  em  acordo  judicialmente  homologado,  não  poderá  prevalecer  a  glosa  de  R$  40.000,00  (quarenta  mil  reais)  praticada  pela  autoridade fiscal e indevidamente mantida no acórdão proferido  pela DRJ RJ I.  (...)  Como já relatado na Impugnação apresentada pelo Recorrente,  este  informou  as  despesas  médicas  referentes  aos  filhos  em  campo próprio na Declaração de Ajuste Anual em cumprimento  aos  termos  do  acordo  judicialmente  homologado,  que  determinou  que  as  despesas  médicas  e  odontológicas  dos  alimentandos seriam pagos pelo Recorrente a título de pensão.  (...)  O  Recorrente  aproveita  para  novamente  juntar  aos  autos  a  Declaração  para  emitida  pela  Associação  de  Docentes  da  UNICAMP  ­  ADUNICAMP  ­  Seção  Sindical  (DOC.5  ),  que  atesta  que  o  Recorrente  associado,  funcionário  dessa|  Associação, mantém contrato coletivo de assistência médica com  a operadora de plano de saúde UNIMED ­ COOPERATIVA DE  TRABALHO  MÉDICO,  no  qual  estão  incluídos  como  beneficiários, em cumprimento ao acordo homologado em juízo,  a Sra. Silvia Maria Jorge Forster e os filhos Rodolfo Francisco  Forster  Marques,  Thais  Helena  Forster  Marques  e  Camila  Fernanda  Forster Marques,  cujo  valor  descontado  em  face  de  cada  um  dos  beneficiários  no  ano  de  2009  foi  de  R$  3.475,49  (três mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e quarenta e nove  centavos,  )  que  totaliza  o montante  de  R$  17.377,46  pleiteado  como dedução na declaração entregue pelo Recorrente.  Como  bem  se  comprova  neste  documento,  no  ano  de  2009  foi  descontado  do  holerite  do  Recorrente  a  importância  de  R$  17.377,46  (dezessete  mil  e  trezentos  e  setenta  e  sete  reais  e  quarenta  e  seis  centavos),  oriunda  de  adesão  de  contrato  coletivo para com operadora de plano de saúde. Tal quantia foi  devidamente  declarada  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  Recorrente,  na  qual  informou  ter  pago  à  UNIMED  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 98          6 COOPERATIVA  DO  TRABALHO  MÉDICO  o  valor  total  referente à adesão do contrato coletivo para o declarante e para  os demais alimentandos.  (...)  Pelas  dificuldades  impostas  pela  UNIODONTO CAMPINAS,  o  Recorrente  não  conseguiu  juntar  tal  comprovante  em  tempo  hábil,  visto  a  dificuldade  de  disponibização  pela  Entidade  que  prestou o serviço odontológico.  Juntou em anexo:  ­ cópia do acordo homologado judicialmente (fls. 81);  ­  cópia  de  esclarecimento  feito  pela  Sra.  Silvia Maria  Forster  Marques à Delegacia da Receita Federal de Campinas – Sp, em  resposta a intimação nº 2010/983288566117110 (fls. 82;)  ­ cópia da declaração de Imposto de Renda – Exercício 2010, da  alimentanda Sra. Sílvia Maria Jorge Forster (fls.83 a 86);  ­  Declaração  para  fins  de  Imposto  de  Renda  emitida  pela  Associação de Docentes da UNICAMP ­ ADUNICAMP ­ Seção  Sindical de 13 de novembro de 2013 e;  O processo foi distribuído a este conselheiro.  É o Relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  Trata o litígio de glosas das deduções efetuadas na base de cálculo do IRPF,  no período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial e a título de Despesas Médicas.  Em relação às Despesas médicas entendeu a autoridade lançadora que:  ...  1)  Não  comprovou  a  dedução  no  valor  de  R$  2.775,00  (Unlodonto  de  Campinas  Coop.  Odontológica)  2.  Ref.  Unimed  Campinas  Coop.  de  Trab.  Médico:  Foram  considerados  os  valores  referentes  ao  contribuinte  e  à  Sra.  Silvia  Maria  J.  Forster  (conforme  Acordo  homologado  Judicialmente).  Foram  desconsiderados os valores relativos aos  filhos. do contribuinte  (Camila  Fernanda  F.  Marques,  Thais  Helena  F.  Marques  e  Rodolfo  Francisco  F.  Marques).  Motivo:  são  maiores  de  21  anos,  e  não  foram  comprovadas  as  condições  para  serem  considerados dependentes para fins tributários, a saber: filho(a)  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 99          7 entre  21  e  24  anos:  estar  matriculado(a)  em  curso  técnico/universitário;  em  qualquer  idade:  comprovar  a  incapacidade física ou mental para o trabalho.  Insta  frisar  que  as  disposições  acerca  de  pensão  alimentícia,  mais  precisamente  aquelas  estabelecidas  no  Código  Civil,  art.  1694  a  1710,  não  condicionam  a  fixação de alimentos à idade dos alimentandos, a separação dos cônjuges e nem mesmo limita  o  dever  de  pagar  alimentos  a  cônjuges  e  pais,  estendendo­o  aos  ascendentes,  descendentes,  irmãos, enfim, aos parentes, contemplando uma noção abrangente de família para tal propósito.  Por  lógico,  estabelece  condições  para  que  os  alimentos  sejam  fixados  pelo  juiz, tais como a necessidade de quem pede e à capacidade do reclamado em suportá­los.   Importante  observar,  ainda,  que  a  Lei  nº.  9,250,  de  1995,  ao  cuidar  da  dedução a título de pensão alimentícia, apenas estabeleceu:  Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência  mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas:  (...)   II  ­  as  importâncias  pagas  a  título  de  pensão  alimentícia  em  face  das  normas  do  Direito  de  Família,  quando  em  cumprimento  de  decisão  ou  acordo  judicial,  inclusive  a  prestação de alimentos provisionais;  III  ­  a  quantia  de  R$  117,00  (cento  e  dezessete  reais)  por  dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005)  (...)  Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  (...)   II ­ das deduções relativas:  (...)   f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive  a prestação de alimentos provisionais;  (...)  §  3º  As  despesas  médicas  e  de  educação  dos  alimentandos,  quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente,  poderão  ser  deduzidas  pelo  alimentante  na  determinação  da  base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado,  no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b  do inciso II deste artigo.(grifos acrescidos)  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 100          8 Observa­se  que  a  Lei  cuidou  de  estabelecer  que  as  despesas  médicas  dos  alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão  judicial ou acordo  homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitando­se o  limite anual  individual correspondente. No mais,  limitou­se a determinar que estava  tratando  das  pensões  pagas  em  face  das  normas  do Direito  de  Família  e  condicionar  à  existência  de  acordo homologado judicialmente ou decisão judicial.  Portanto, no caso, deve  ser considerada a  existência de acordo homologado  judicialmente  estabelecendo  a  obrigação  do  contribuinte  de  pagar  alimentos  aos  filhos,  perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família.   Assim, temos que o entendimento do poder judiciário transitado em julgado  deve ser acatado pela administração pública.  A  decisão  da  ação  judicial  é  soberana  devendo  ser  cumprida  pela  administração  nos  seus  exatos  termos,  sob  pena  de  afronta  ao  princípio  da  legalidade  e  da  hierarquia das normas, bem como ofensa à moralidade administrativa.  É imperativo que a administração pública acate as ordens judiciais e cumpra  a norma individual e concreta emanada do Poder Judiciário; pois a este poder foi outorgada a  competência para interpretar a lei e dirimir as lides instauradas.  Impende  salientar  que  toda  decisão  judicial  transitada  em  julgado  é  norma  individual e concreta de caráter compulsório para a administração pública.  Aliás,  pela  sistemática  constitucional,  todo  ato  jurídico,  inclusive  o  administrativo,  está  sujeito  ao  controle  do  Poder  Judiciário,  sendo  este,  em  relação  à  esfera  administrativa, instância superior e autônoma. Superior, porque tem competência para revisar,  cassar,  anular ou confirmar o ato administrativo; e autônoma, porque o contribuinte não está  obrigado a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo.  Insta frisar ainda que consta na página 13 dos autos decisão judicial na qual se  homologa  acordo  em  que  se  fixa  no  item  “c”  que  também  a  título  de  pensão,  cabe  ao  contribuinte arcar com as despesas médicas, relativas a convênios médicos e odontológicos dos  autores.  Neste  ponto,  observo  que,  até  o  presente  momento,  o  Recorrente  não  comprovou o pagamento da despesa médica relativa ao plano Unlodonto de Campinas Coop.  Odontológica, no valor de R$ 2.775,00; razão pela qual deve ser mantida esta glosa.  Pelo  exposto  acima,  entendo  que  deve  ser  parcialmente  restabelecida  as  deduções com despesa médicas no valor de R$10.426,48.  Em relação a Pensão alimentícia, entendeu a fiscalização que o contribuinte  não  apresentou  recibos  mensais  de  pagamento  da  pensão  alimentícia  (comprovantes  de  depósitos bancários, conforme consta no Acordo Homologado Judicialmente).  De acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a  titulo  de  pensão  alimentícia  decorrentes  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 101          9 Assim estabelece a legislação:  art.  78  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  —  RIR199,  aprovado pelo Decreto 3.000/99  Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência  mensal  do  imposto,  poderá  ser  deduzida  a  importância  paga  a  titulo  de  pensão  alimentícia  em  face  das  normas  do Direito  de  Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo  homologado  judicialmente,  inclusive  a  prestação  de  alimentos  provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II).  Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar que os pagamentos  foram realizados, o contribuinte juntou declaração assinada por Silvia Maria Jorge Foster; na  qual  a mesma  afirma  ter  recebido  a  importância mensal  de R$  4.000,00,  a  título  de  pensão  alimentícia. (doc. pág. 14 dos autos)  Por oportuno esclareço que consta na página 13 dos autos decisão judicial na  qual se homologa acordo em que se fixa a pensão mensal base de R$ 4.000,00.  Tenho  o  entendimento  de  que  a  declaração  faz  prova  de  pagamento;  posto  que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia, que,  é  um  dos  poucos  casos  em  que  pode  haver  a  prisão  do  alimentante  em  razão  da  falta  de  pagamento.  Assim,  perante  a  existência  de  prova  de  que  os  pagamentos  se  deram  em  decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução.  Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar  provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de  R$40.000,00, e para restabelecer a dedução com despesa médica no valor de R$10.426,48.  Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre    Voto Vencedor  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado.  Em que pese o  costumeiro  acerto dos votos do  ilustre Conselheiro Relator,  com a devida vênia, deste ouso discordar.  Cinge­se a controvérsia a glosa de despesas médicas e pagamento de pensão  alimentícia pelo Recorrente.  Quanto às despesas médicas, o Relator entendeu que:  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 102          10 "Insta  frisar  que  as  disposições  acerca  de  pensão  alimentícia,  mais  precisamente  aquelas  estabelecidas  no  Código  Civil,  art.  1694  a  1710,  não  condicionam  a  fixação  de  alimentos  à  idade  dos alimentandos, a separação dos cônjuges e nem mesmo limita  o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendo­o aos  ascendentes,  descendentes,  irmãos,  enfim,  aos  parentes,  contemplando  uma  noção  abrangente  de  família  para  tal  propósito.  Por  lógico,  estabelece  condições  para  que  os  alimentos  sejam  fixados  pelo  juiz,  tais  como  a  necessidade  de  quem  pede  e  à  capacidade do reclamado em suportá­los.   Importante  observar,  ainda,  que  a  Lei  nº.  9,250,  de  1995,  ao  cuidar  da  dedução  a  título  de  pensão  alimentícia,  apenas  estabeleceu:  Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência  mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas:  (...)   II  ­  as  importâncias  pagas  a  título  de  pensão  alimentícia  em  face  das  normas  do  Direito  de  Família,  quando  em  cumprimento  de  decisão  ou  acordo  judicial,  inclusive  a  prestação de alimentos provisionais;  III  ­  a  quantia  de  R$  117,00  (cento  e  dezessete  reais)  por  dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005)  (...)  Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  (...)   II ­ das deduções relativas:  (...)   f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive  a prestação de alimentos provisionais;  (...)  §  3º  As  despesas  médicas  e  de  educação  dos  alimentandos,  quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente,  poderão  ser  deduzidas  pelo  alimentante  na  determinação  da  base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado,  no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b  do inciso II deste artigo.(grifos acrescidos)  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 103          11 Observa­se  que  a  Lei  cuidou  de  estabelecer  que  as  despesas  médicas dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em  decorrência  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio,  respeitando­se  o  limite  anual  individual  correspondente.  No  mais,  limitou­se  a  determinar  que  estava  tratando  das  pensões  pagas em face das normas do Direito de Família e condicionar à  existência  de  acordo  homologado  judicialmente  ou  decisão  judicial." (destaques originais)  Segundo  o  entendimento  esposado  pelo  Relator  as  despesas  médicas  e  educacionais  dos  alimentandos  não  se  sujeitam  a  nenhuma  limitação,  bastando  constar  a  obrigação da decisão judicial.   Não partilho dessa interpretação da legislação.  Ao meu  ver,  a  norma  que  possibilita  a  dedução  das  despesas médicas  está  explicitada  no  caput  do  artigo  80  do  Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Renda,  RIR,  encontrando suas limitações em seus diversos parágrafos e incisos.  "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os  pagamentos efetuados, no ano­calendário, a médicos, dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a").  §1º O disposto neste artigo:  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­  limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de  Pessoas  Físicas­CPF  ou  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica­CNPJ  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;  IV  ­  não  se  aplica  às  despesas  ressarcidas  por  entidade  de  qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro;  V  ­  no  caso  de  despesas  com aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias,  exige­se  a  comprovação  com  receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.  §2º  Na  hipótese  de  pagamentos  realizados  no  exterior,  a  conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do  valor  do  dólar  dos  Estados  Unidos  da  América,  fixado  para  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 104          12 venda  pelo  Banco  Central  do  Brasil  para  o  último  dia  útil  da  primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento.  §3º Consideram­se despesas médicas os pagamentos relativos à  instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência  seja  atestada  em  laudo  médico  e  o  pagamento  efetuado  a  entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais.  §4ºAs  despesas  de  internação  em  estabelecimento  para  tratamento  geriátrico  só  poderão  ser  deduzidas  se  o  referido  estabelecimento  for  qualificado  como  hospital,  nos  termos  da  legislação específica.  §5ºAs  despesas  médicas  dos  alimentandos,  quando  realizadas  pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial  ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas  pelo  alimentante  na  determinação  da  base  de  cálculo  da  declaração de rendimentos" (destacamos)   Vê­se  da  transcrição  a  possibilidade  da  dedução  estampada  na  cabeça  do  artigo e nos seus parágrafos e incisos os limites da diminuição da base de cálculo do tributo.  Com  essa  sistematização  da  interpretação  devida,  observamos  que  são  dedutíveis  as  despesas  médicas  desde  que  os  pagamentos  tenham  sido  suportados  pelo  contribuinte e se refiram aos tratamentos aos quais ele se submeteu e os dos seus dependentes.  Assim,  se  torna  necessário  observar  o  conceito  de  dependente  para  a  legislação do IRPF. Tal explicitação consta do artigo 77, que prescreve:  "Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência  mensal  do  imposto,  poderá  ser  deduzida  do  rendimento  tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente   §1º Poderão  ser  considerados  como dependentes,  observado  o  disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único:  I­o cônjuge;  II­o  companheiro  ou  a  companheira,  desde  que  haja  vida  em  comum  por  mais  de  cinco  anos,  ou  por  período  menor  se  da  união resultou filho;  III­a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos,  ou  de  qualquer  idade  quando  incapacitado  física  ou  mentalmente para o trabalho;  IV­o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e  eduque e do qual detenha a guarda judicial;  V­o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e  um anos, desde que o  contribuinte detenha a guarda  judicial,  ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente  para o trabalho;  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 105          13 VI­os  pais,  os  avós  ou  os  bisavós,  desde  que  não  aufiram  rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção  mensal;  VII­o absolutamente  incapaz,  do  qual o  contribuinte  seja  tutor  ou curador.  §2ºOs  dependentes  a  que  referem osincisos  IIIeV do  parágrafo  anteriorpoderão  ser  assim  considerados  quando  maiores  até  vinte  e  quatro  anos  de  idade,  se  ainda  estiverem  cursando  estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo  grau   §3ºOs  dependentes  comuns  poderão,  opcionalmente,  ser  considerados por qualquer um dos cônjuges   §4ºNo  caso  de  filhos  de  pais  separados,  poderão  ser  considerados  dependentes  os  que  ficarem  sob  a  guarda  do  contribuinte,  em  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado judicialmente   §5ºÉ  vedada  a  dedução  concomitante  do  montante  referente  a  um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do  imposto, por mais de um contribuinte" (destacamos)  Vemos  na  integração  das  normas  o  limite  de  idade  para  que  um  filho  seja  considerado dependente e portanto a despesa médica seja dedutível.  Mister  recordar que  as normas de natureza  isentiva devem ser  interpretadas  literalmente, o que significa, segundo a melhor doutrina, a vedação ao uso de analogia em sua  interpretação.  Em razão dos filhos serem maiores de 21 anos e não haver comprovação de  matrícula  em  estabelecimento  de  nível  superior  ou  escola  secundária  técnica,  não  se  pode  admitir a dedução realizada.  Mister ainda ressaltar que, como bem apontado pela decisão de piso, que não  há  no  acordo  judicial  clareza  quanto  ao  pagamento  dos  convenios médicos  aos  dependentes  após a maioridade para fins tributários.  Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto às despesas médicas.  Passando à análise da pensão judicial, entendo que não houve comprovação  dos pagamentos realizados a esse título. Recordemos que o RIR permite a dedução de pensão  alimentícia paga, quando em decorrência de sentença judicial.  No  caso  a  existência  de  recibo  firmado  pela  favorecida  não  aproveita  ao  Recorrente para os fins de comprovação de pagamento, de que ele efetivamente desembolsou  as quantias percebidas pela ex­esposa. Tal documento comprova que houve o recebimento, que  não existe dívida por parte daquele contra quem se  emitiu o  recibo, quanto  aos valores dele  constantes  Há  notícias  praticamente  diárias  de  políticos  que  cumprem  a  obrigação  de  pagamento de pensão sem que o custo financeiro seja efetivamente por eles suportados. Torna­ Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720021/2014­30  Acórdão n.º 2201­003.179  S2­C2T1  Fl. 106          14 se obrigatório, não só em razão da expressa determinação legal, como também da experiência  cotidiana, a comprovação do efetivo pagamento por todo aquele que pleiteia uma dedução da  base de cálculo do imposto sobre a renda.  As alegações do Recorrente que realizou os pagamentos em datas diversas do  acordo judicial, antecipando os pagamentos e os efetuando em espécie, poderiam ser, ao menos  indiciariamente, comprovadas por extratos bancários que demonstrassem a retirada dos valores.  E mais,  o  próprio  recibo  apresentado  não  contém  os  valores  constantes  da  determinação  judicial,  vez  que  os  valores  mensais  determinados  não  perfazem  o  valor  constante do recibo.  Por  todo  o  exposto,  não  pode  o  contribuinte  comprovar  suas  alegações  afastando as imputações constantes do lançamento realizado.  Novamente, entendo não assistir razão ao Recorrente.  Assim,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  e  no  mérito,  negar­lhe  provimento.  Assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado.                    Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por CARLOS CESAR QUADRO S PIERRE, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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6459598 #
Numero do processo: 10283.004499/2001-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato Gerador: 03/05/2001 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Importa renúncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan

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Carlos Alberto F eit s Barreto - Presidente CSRF-T3 Fl. 358 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10283.004499/2001-48 Recurso n° 325.275 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-01.212 — 3' Turma Sessão de 26 de outubro de 2010 Matéria II - IPI - Classificação Fiscal Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DENSO INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA S/A ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato Gerador: 03/05/2001 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Importa renúncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram do p es-_nt julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do garai-al Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio de seu procurador, com amparo no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - RICSRF, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recorreu A. Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF, contra decisão da antiga Primeira Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, considerou improcedente o lançamento em acórdão assim ementado: "ZONA FRANCA DE MANAUS — PROJETO PRODUTIVO BA' SICOPPB — DESCRIÇÃO DA MERCADORIA — A descrição do produto importado por um termo mais genérico (Enrolamento de Fio de Cobre) ao invés do mais especifico (Induzido de Motores), mas estando ambos relacionados na lista de insumos do PPB, não é motivação para descaracterizar a Licença de Importação, nem tampouco declarar como inexata a descrição. RECURSO VOLUNTAIO PROVIDO." A douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas razões do presente Recurso Especial de Divergência, sustenta que o julgado deve ser reformado por estar em dissonância com o acórdão n° 302-36.164, proferido pela extinta 2 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, colacionado como paradigma. Segundo a douta PFN, "restando comprovado nos autos que a mercadoria efetivamente importada corresponde a INDUZIDOS DE MOTORES, o tratamento a ser dado é o da importação sem licença de importação. A desqualificação da LI para amparar a importação em tela enseja a descaracterização do beneficio fiscal e, consenquentemente, o lançamento de oficio dos impostos de importação e sobre produtos industrializados". Ao final, requer a modificação da decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela empresa. O então Presidente daquela Primeira Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes considerou cumpridos os requisitos de admissibilidade recursal e admitiu o presente apelo especial interposto pela PFN no despacho n.° 301-878/08/06. O contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela PFN, no qual requer seja mantido sem retoques o Aresto combatido. Subiram, pois, os autos a esta Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF para julgamento. o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator O recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo A sua análise. 2 Processo n° 10283.004499/2001-48 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.212 Fl. 359 Apesar da divergência e dos argumentos trazidos pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, outro é o fundamento para ser dado provimento ao recurso e restabelecer o lançamento. Explico. Compulsando-se os autos, verifica-se que o sujeito passivo renunciou a instância administrativa em razão da concomitância entre processo judicial e administrativo. Em suas contrarrazões (fls. 285/300) ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, a contribuinte noticia a existência de ação judicial anulatOria de débito fiscal relativa ao mesmo auto de infração que originou o presente PAF. Ressalte-se que a Ação Anulatória n° 2005.32.00.0007594 (fl. 300), ajuizada pela contribuinte perante a Justiça Federal da Seção Judiciária do Amazonas, abarca o objeto desta Ação Fiscal em sua totalidade, pois refere-se à DI n° 01/05157508. Dessa forma, por ter sido a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, nesta fase, resta tão somente cumprir o que for determinado no deciszun judicial, quando sobrevier a decisão definitiva. Saliente-se que ao adentrar a esfera judicial o contribuinte renunciou à esfera administrativa, consoante art. 38 da Lei 6.830/80 e consolidado entendimento do antigo Conselho de Contribuintes, adiante exemplificado nas ementas transcritas: Acórdão 108.06446, de 22/03/01 Oitava Camara do Primeiro Conselho. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANCIA A concomitância de ação judicial com a mesma causa de pedir, impede a apreciação da impugnação e do recurso na via administrativa. Acórdão 107.06219, de 22/03/01 Sétima Camara do Primeiro Conselho. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS PROCESSUAIS AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES IMPOSSIBILIDADE A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "ex officio", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito, por parte da autoridade administrativa, tornando-se definitiva a exigência tributária nesta esfera. 0 mesmo entendimento tem sido manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça, cuja jurisprudência pode ser exemplificada pelas ementas abaixo reproduzidas: TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA QUE ANTECEDE A AUTUAÇÃO. RENÚNCIA DO PODER DE RECORRER NA VIA 4 ADMINISTRATIVA E DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO. I — O ajuizamento cia Ação Declaratória anteriormente a-autuação impede o contribuinte de impugnar administrativamente a mesma autuação interpondo os recursos cabíveis naquela esfera. Ao entender de forma diversa o acórdão recorrido negou vigência ao art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 22.09.80. II— Recurso Especial conhecido e provido. 3 (STJ, REsp 24.040, RJ, 27/09/1995) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXIGÊNCIA FISCAL QUE HAVIA SIDO IMPUGNADA POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO, RAZÃO PELA QUAL 0 RECURSO MANIFESTADO PELO CONTRIBUINTE NA ESFERA ADMINISTRATIVA FOI JULGADO PREJUDICADO, SEGUINDO-SE INSCRIÇÃO DA DIVIDA E AJUIZA MENTO DA EXECUÇÃO. Hipótese oh que não há falar-se em cerceamento de defesa e, conseqüentemente, em nulidade do titulo exeqüendo. Interpretação da norma do art. 38, parágrafo único, da lei n° 6.830/80, que não faz distinção, para os efeitos nela previstos, entre (Kilo preventiva e ação proposta no curso do processo administrativo. Recurso provido. (STJ, Resp, 7.630, RJ, 24/04/1991). [Destaque acrescido] . Por fim, por se tornar pacifico o entendimento sobre a matéria no âmbito administrativo, foi editada a Súmula n° 01 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determina: "Importa renúncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órga o de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Diante do exposto, resta impossibilitada a apreciação da matéria discutida neste PAF, tendo em vista estar sendo apreciada pelo Judiciário. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido dar provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, mesmo que por motivos diversos dos alegados. 4

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Numero do processo: 10680.722242/2011-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 LUCRO DA EXPORTAÇÃO INCENTIVADA DE MINERAIS ABUNDANTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. INAPLICABILIDADE. Tendo a Lei n° 9.249, de 1995, estabelecido alíquota indistinta de 15% para apuração do IRPJ (com adicional de 10%), revogando disposições em contrário, não é aplicável a alíquota específica para o lucro da exportação incentivada de minerais abundantes de 18% (sem adicional), prevista na Lei nº 7.988, de 1989, não havendo falar em prevalência de norma especial anterior sobre a geral posterior. EFEITOS PROSPECTIVOS DA COISA JULGADA. ALTERAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JURÍDICAS. A alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado. Decisão judicial transitada em julgado afastando a aplicação da alíquota específica de IRPJ prevista na Lei nº 8.034, de 1990, ao lucro da exportação incentivada de minério de ferro da Contribuinte, permanecendo-lhe aplicável a alíquota prevista na Lei nº 7.988, de 1989, não tem efeitos para fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, sob a égide da Lei n° 9.249, 1995, que veio a estabelecer alíquota indistinta de 15% (com adicional de 10%). MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ apurado ao final do ano-calendário e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ constituem penalidades com previsões legais específicas (respectivamente, incisos I e II do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), aplicadas a infrações distintas e apuradas sobre bases de cálculo diferentes, sendo possível sua aplicação simultânea (ou concomitante). Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathalia Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 1.240          1 1.239  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10680.722242/2011­61  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.356  –  1ª Turma   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  LUCRO DE EXPORTAÇÕES INCENTIVADAS ­ MINERAIS  ABUNDANTES  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SAMARCO MINERAÇÃO S/A    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  LUCRO  DA  EXPORTAÇÃO  INCENTIVADA  DE  MINERAIS  ABUNDANTES.  ALÍQUOTA  ESPECÍFICA.  INAPLICABILIDADE.  Tendo a Lei n° 9.249, de 1995, estabelecido alíquota indistinta de 15% para  apuração  do  IRPJ  (com  adicional  de  10%),  revogando  disposições  em  contrário,  não  é  aplicável  a  alíquota  específica  para  o  lucro  da  exportação  incentivada de minerais abundantes de 18% (sem adicional), prevista na Lei  nº  7.988,  de  1989,  não  havendo  falar  em  prevalência  de  norma  especial  anterior sobre a geral posterior.  EFEITOS  PROSPECTIVOS  DA COISA  JULGADA.  ALTERAÇÃO DAS  CIRCUNSTÂNCIAS  JURÍDICAS.  A  alteração  nos  suportes  fático  ou  jurídico  existentes  ao  tempo  da  prolação  de  decisão  judicial  voltada  à  disciplina de relações  jurídicas  tributárias continuativas  faz cessar, dali para  frente,  a  eficácia  vinculante  dela  emergente  em  razão  do  seu  trânsito  em  julgado.  Decisão  judicial  transitada  em  julgado  afastando  a  aplicação  da  alíquota  específica  de  IRPJ  prevista  na  Lei  nº  8.034,  de  1990,  ao  lucro  da  exportação  incentivada de minério de  ferro da Contribuinte, permanecendo­ lhe  aplicável  a  alíquota  prevista  na  Lei  nº  7.988,  de  1989,  não  tem  efeitos  para fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, sob a égide da Lei n° 9.249,  1995,  que  veio  a  estabelecer  alíquota  indistinta  de  15%  (com  adicional  de  10%).  MULTA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  MENSAIS.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  LEGALIDADE. A multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ apurado  ao  final  do  ano­calendário  e  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ  constituem  penalidades  com  previsões  legais  específicas  (respectivamente,  incisos  I  e  II  do  art.  44,  da  Lei  nº  9.430,  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 22 42 /2 01 1- 61 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.241          2 1996),  aplicadas  a  infrações  distintas  e  apuradas  sobre  bases  de  cálculo  diferentes, sendo possível sua aplicação simultânea (ou concomitante).  Recurso Especial do Procurador Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  e  no  mérito,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Luis  Flávio  Neto,  Ronaldo  Apelbaum  (suplente  convocado),  Nathalia  Correia  Pompeu,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa  (suplente  convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.    (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  ADRIANA GOMES RÊGO ­ Relatora    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  LUÍS  FLÁVIO  NETO,  ADRIANA  GOMES  RÊGO,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado),  MARCOS  ANTONIO  NEPOMUCENO  FEITOSA  (Suplente  Convocado),  ANDRÉ MENDES  DE MOURA,  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  NATHALIA  CORREIA  POMPEU,  MARIA  TERESA  MARTINEZ  LOPEZ  e  CARLOS  ALBERTO FREITAS BARRETO.  Relatório  A FAZENDA NACIONAL  recorre  a  este Colegiado,  por meio  do Recurso  Especial de e­fls 1.107 e ss., contra o acórdão nº 1402­001.440, de 10 de setembro de 2013 (e­ fls 1.085 e ss.), que, no mérito e por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de  ofício, e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário.  Na  matéria  objeto  da  presente  discussão,  tal  acórdão  recebeu  a  seguinte  ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano calendário: 2007, 2008  (...)  ADOÇÃO DE ALÍQUOTA  INDEVIDA DO  IRPJ E FALTA DE  RECOLHIMENTO  DO  ADICIONAL.  ALÍQUOTA  DO  IMPOSTO  E  ADICIONAL.  LUCRO  DECORRENTE  DE  EXPORTAÇÕES INCENTIVADAS. MINERAIS ABUNDANTES.  Não  tendo sido revogada, prevalece em vigor a norma especial  (Lei 7.988/89) que determinou que a alíquota incidente sobre o  lucro das exportações incentivadas seria de 18%, sem adicional.  IRPJ.  ESTIMATIVAS.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA  ISOLADA.  Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.242          3 A  infração  relativa  ao  não  recolhimento  da  estimativa  mensal  caracteriza  etapa  preparatória  do  ato  de  reduzir  o  imposto  no  final do ano. Pelo  critério da  consunção, a primeira  conduta  é  meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é  sem  dúvida  a  efetivação  da  arrecadação  tributária,  atendida  pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário,  e  o  bem  jurídico  de  relevância  secundária  é  a  antecipação  do  fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar  essa mesma arrecadação. Precedentes.  A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos nº  103­22.937  (tema  da  alíquota  de  IRPJ  aplicável  ao  lucro  das  exportações  incentivadas  de  minerais abundantes) e nºs 1202­000.964 e 1302­001.080 (tema da concomitância da multa por  falta de recolhimento de estimativa com a multa de ofício), cujas ementas estão assim redigidas  na parte de interesse:  Acórdão nº 103­22.937:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004.  (...)  Ementa:  CÁLCULO  DO  IRPJ  COM  BASE  EM  ALÍQUOTAS  DIFERENCIADAS  POR  ATIVIDADE  EXPLORADA  ­  Sob  o  império  da  Lei  n°  9.249/95,  o  ordenamento  jurídico  repudia  a  aplicação  de  alíquotas  diversificadas  por  atividade  explorada,  no cômputo do lucro real.  (...)  Ementa: ADICIONAL DE IRPJ ­ Na vigência da Lei n° 9.249/95,  com  as  alterações  da  Lei  n°  9.430/96,  cabe  a  cobrança  do  adicional  de  imposto  de  renda,  à  alíquota  de  dez  por  cento,  sobre  as  parcela  do  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado  que  exceder  o  montante  de  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais),  multiplicado  pelo  número  de  meses  do  respectivo  período  de  apuração.”(...)  Acórdão nº 1202­000.964:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008  (...)  MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.  LEGALIDADE.  A  incidência de multa  isolada aplicável na hipótese de  falta de  pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a  aplicação  concomitante  de  multa  de  ofício  calculada  sobre  diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por  observarem previsões legais específicas.  Acórdão nº 1302­001.080:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário:2008  Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.243          4 (...).  MULTA ISOLADA.   A  multa  isolada  pune  o  contribuinte  que  não  observa  a  obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou  levantar  o  balanço  de  suspensão,  logo,  conduta  diferente  daquela  punível  com  a  multa  de  ofício  proporcional,  a  qual  é  devida  pela  ofensa  ao  direito  subjetivo  de  crédito  da  Fazenda  Nacional.  O  legislador  dispôs  expressamente,  já  na  redação  original  do  inciso IV do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa  isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de  cálculo  negativa  ao  final  do  ano,  deixando  claro  que  o  valor  apurado  como  base  de  cálculo  do  tributo  ao  final  do  ano  é  irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a  multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento  do ano­calendário.  No mérito, a Recorrente argumenta em relação ao primeiro tema (alíquota de  IRPJ aplicável ao lucro das exportações incentivadas de minerais abundantes), em síntese, que:  a)  a formação de coisa julgada que permitia que a Contribuinte recolhesse o  IRPJ  incidente  sobre  o  lucro  decorrente  da  exportação  de  minerais  abundantes à alíquota de 18%, sem adicional, nos termos da Lei nº 7.988,  de 1989  (Apelação Cível nº 95.01.28658­4/MG,  julgada pelo TRF da 1ª  Região, com trânsito em julgado em 20/03/1998), foi diretamente afetada  pelas  novas  regras  legais  pertinentes  ao  recolhimento  do  IRPJ  e  seu  adicional,  introduzidas  no  ordenamento  jurídico  pela  Lei  nº  9.249,  de  1995. Cita como precedente do CARF o próprio acórdão  indicado como  paradigma;   b)  o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, assevera que "modificados os fatos  existentes ao  tempo da prolação da decisão, ou alterado o direito então  aplicável à espécie, estar­se­á diante de nova relação jurídica de direito  material,que,  justamente  por  ser  diferente  daquela  nela  declarada,  de  modo  definitivo  em  razão  do  seu  posterior  trânsito  em  julgado,  como  existente  ou  inexistente,  não  poderá  ser  alcançada  pelos  efeitos  vinculantes  da  referida  decisão",  acrescentando  que  "tanto  é  assim  que  essa nova relação jurídica material poderá ser objeto de debate e decisão  em  nova  demanda,  sem  que  isso  encontre  óbice  na  coisa  julgada  anterior";  c)  o Parecer PGFN/CRJ n°2.434/2008 corrobora tal posição ao afirmar que  "a  adequada  compreensão  dos  limites  objetivos  das  decisões  judiciais  pode (deve) ser obtida a partir de uma análise que leva em conta, além do  próprio  conteúdo  das  decisões,  os  demais  elementos  integrantes  da  demanda  sob  análise.  Isto  porque,  como  sabido,  a  tutela  judicial  é  concedida  nos  limites  da  pretensão  formulada  pelo  próprio  autor/impetrante";  d)  entre decisão judicial e demanda há um nexo de referibilidade, no sentido  de  que  a  decisão  deve  ter  sempre  como  parâmetro  a  demanda  e  seus  elementos;   Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.244          5 e)  "como  a  demanda  judicial  teve  seus  elementos  fáticos  e  jurídicos  pautados  na  Lei  8.034/90,  que  majorou  a  alíquota  para  30%,  este  comando individual sucumbiu ao novo regramento legal introduzido pela  Lei  9.249/95,  que  estabeleceu  alíquota  e  adicional  únicos,  respectivamente,  de  15%  e  10%,  para  o  recolhimento  do  IRPJ,  sem  excepcionar  ou  beneficiar  qualquer  atividade  econômica  (como  a  exportação de minerais abundantes, por exemplo),  revogando, assim, os  benefícios  fiscais  anteriormente  vigentes,  ainda  que  decorrentes  de  sentença judicial transitada em julgado"; e,  f)  a relação jurídico­tributária é de trato sucessivo, se projetando no tempo,  "de maneira que o decidido no mandamus não pode (deve) se sobrepor às  alterações legislativas posteriores, pois presentes modificações no estado  de fato e de direito, bem como diante do comando normativo enunciador  da força de lei da sentença presente nos limites da lide". Nessa condição,  "a imutabilidade da coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre  os fatos deduzidos na inicial, respectivamente, mas não sobre aqueles que  exsurgiram  após  o  julgado,  pois  não  há  que  se  falar  em  coisa  julgada  sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade  e em observância à  inteligência do princípio da congruência da decisão  judicial à demanda, conforme se infere do CPC, art. 468 e art. 471". Traz  precedente do STJ nesse sentido.   Já  no  que  toca  ao  segundo  tema  do  recurso  (concomitância  das multas  de  ofício  e  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  mensais),  a  Recorrente  alega,  resumidamente, que:  a)  a  aplicação  da multa  isolada por  falta  de  pagamentos  de  estimativas  de  IRPJ, com base no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, inciso II, letra "b",  de  forma  cumulada  com a multa  pelo  lançamento  de  ofício,  é possível,  pois  se  tratam de  infrações diferentes,  com bases de cálculo diversas. E  que  a multa  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  deve  ser  exigida  quando  se  verifique  o  descumprimento  da  obrigação,  mesmo  após  o  encerramento  do  ano­calendário,  inobstante  se  apure  prejuízo  fiscal  ou  base de cálculo negativa, conforme art. 44,  inc.  II  ,"b" da Lei 9.430/96.  Cita diversos precedentes do CARF;   b)  embora o ordenamento jurídico pátrio rechace a existência de bis in idem  na  aplicação  de  penalidades  tributárias,  não  há  óbice  a  que  sejam  aplicadas  ao  contribuinte  faltante,  diante  de  duas  infrações  tributárias,  duas penalidades, com a mesma base de cálculo ou não. E que,  "com a  redação dada pela Lei 11.488 de 2007, ficou claro que a base de cálculo  é  o  pagamento  mensal,  diversa  da  base  de  cálculo  da  multa  pelo  lançamento de ofício, afastando de uma vez por todas qualquer alegação  de bis in idem";   c)  em  suma,  "a  multa  isolada  tem  como  hipótese  de  incidência  o  descumprimento,  pelo  sujeito  passivo,  da  obrigação  legal  de  efetuar  os  recolhimentos  dos  valores  por  estimativa,  enquanto  a  multa  de  ofício  vinculada,  traz  como hipótese  de  incidência  a  falta  de  recolhimento  do  imposto devido no encerramento do período de apuração, de cujo cálculo  são deduzidas o valor das estimativas pagas durante o ano­calendário",  Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.245          6 tratando­se  de  "hipóteses  de  incidência  distintas,  com  bases  de  cálculo  distintos, não ocorrendo a alegada duplicidade na aplicação das multas".  Transcreve trechos dos paradigmas;   d)  "a partir  da Lei  9.430/96,  o  contribuinte  somente  estará  dispensado de  recolher  os  tributos  devidos,  apurados  pelo  sistema  de  estimativa,  quando  transcrever  no  Livro  Diário  os  balancetes  de  suspensão  ou  redução", sendo que "quando deixar de recolher os tributos devidos, sem  justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos  balancetes  de  suspensão  ou  redução,  estará  sujeito  ao  pagamento  da  multa prevista no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei n.º 9.430/96".  Pede, então, que o presente  recurso seja provido, para "reformar o acórdão  recorrido, mantendo‑ se a alíquota do IRPJ e o adicional aplicados pela Fiscalização, bem  como  a  multa  isolada  aplicada  pela  falta  de  pagamento  da  estimativa  mensal  de  IRPJ  concomitantemente com a multa pelo lançamento de ofício".  O recurso foi admitido por meio do Despacho de e­fls. 1.140 e ss., havendo a  Contribuinte apresentado contrarrazões (e­fls. 1.151 e ss.), tempestivamente.  Em relação ao  tema da alíquota de  IRPJ aplicável ao  lucro das exportações  incentivadas, a Contribuinte aduz, em síntese, o que segue:  a)  em  preliminar,  protesta  pelo  não  conhecimento  do  recurso  especial  fazendário  quanto  a  esse  tema,  uma  vez  que  (i)  conforme  o  RICARF  "caso  o Recurso  esteja  fundamentado  em apenas  um paradigma,  como  no  caso  dos  autos,  para  a  comprovação  da  divergência  há  que  ser  observado  o  requisito  objetivo  de  constar  nos  autos  a  cópia  do  seu  inteiro teor ou a cópia da publicação em que o inteiro teor do acórdão  tenha  sido  divulgado";  e  (ii)  que  o  acórdão  indicado  como  paradigma  "incorreu  em  erro,  o  qual  afasta  a  caracterização  da  divergência",  conforme a seguir;   b)  que a Recorrente argumenta pela reforma do acórdão recorrido com base  em  entendimento  manifestado  no  acórdão  nº  103­22.937,  relativo  a  processo  que  envolve  a  própria  Contribuinte,  no  qual  foi  mantida  a  aplicação da alíquota de 15% e do adicional de 10% ao  fundamento de  que  a  coisa  julgada  foi  atingida  por  novo  regramento,  introduzido  pela  Lei  nº  9.249,  de  1995,  e  que  a  referida  Lei  não  foi  objeto  da  decisão  transitada  em  julgado  em  favor  da  empresa,  motivo  pelo  qual  esta  decisão  não  prevaleceria.  Contudo,  a  decisão  transitada  em  julgado  é  posterior à Lei nº 9.249, de 1995;  c)  não  houve  nova  situação  jurídica  conforme  alegado  pela  Fazenda  Nacional, uma vez que a Lei nº 9.249, de 1995, não se aplica ao caso em  análise. Restam assim inaplicáveis o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011,  e o Parecer PGFN/CRJ nº 2434/2008;   d)  traça  histórico  normativo  da  tributação  sobre  o  lucro  decorrente  da  exportação de minerais abundantes, aponta o teor da decisão do TRF da  1ª  Região  a  seu  favor  na  Ação  Declaratória  nº  91.00.15818­6,  que  transitou em julgado em 20/03/1998, sem que fosse suscitada a eventual  aplicação  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  e  sem  que  fosse  ajuizada  ação  rescisória pela União Federal;  Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.246          7 e)  que a alíquota de 15% e o adicional de 10%, previstos no art. 3º da Lei nº  9.249,  de  1995,  não  se  aplicam  ao  lucro  decorrente  da  exportação  de  minerais abundantes como reconheceu o acórdão recorrido e a decisão da  Ação Declaratória nº 91.00.15818­6. Isso porque do conteúdo da própria  Lei nº 9.249, de 1995, deflui que tal alíquota e adicional não se aplicam  uniformemente a todas as pessoas jurídicas, uma vez que "consta do § 3º  do art. 3º da lei que a mencionada alíquota será aplicável TAMBÉM às  pessoas  jurídicas  que  exploram a  atividade  rural  'e  que  trata  a  Lei  nº  8.023,  de  12  de  abril  de  1990'". Acrescenta  que  "a  Lei  nº  7.988/1989,  não consta do rol dos atos normativos revogados pelo art. 36 da Lei nº  9.249/1995", continuando em vigor;  f)  que,  sendo  a  Lei  nº  7.988/1989  especial,  prevalece  sobre  a  Lei  nº  9.249/1995,  que  é  lei  geral,  conforme  o  princípio  da  especialidade  expresso  no  art.  2º  da  Lei  de  Introdução  ao  Código  Civil.  Indica  precedentes do STF e do STJ que assentam que "lei geral posterior não  revoga  lei  especial anterior". Refere que esse  entendimento vem sendo  amplamente adotado no âmbito do CARF, citando decisão nesse sentido.  E cita julgado da antiga 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que  aplicou tal posicionamento em relação à hipótese específica dos autos;  g)  que não há como sustentar que o benefício relativo à tributação sobre o  lucro decorrente da exportação de minerais em abundância foi revogado  pela Constituição Federal de 1988, em razão do disposto no art. 41, § 1º,  do ADCT;  h)  que ocorreu  in casu a preclusão conforme arts. 462 e 474 do CPC, uma  vez que eventual aplicação da Lei nº 9.249/1995 à Contribuinte "deveria  ter sido suscitada pela União Federal no curso da Ação Declaratória nº  91.00.15818­6 " (o que não ocorreu), citando decisões do STJ em favor  de  seu  argumento. Refere que  a Lei  nº  9.249/1995  foi  publicada  quase  três anos antes do trânsito em julgado da ação declaratória em questão.   Já com respeito ao tema da concomitância das multas de ofício e isolada por  falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, a Contribuinte argumenta que:  a)  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  mensais  é  inexigível após o encerramento do ano­calendário, uma vez que tal multa  penaliza  o  descumprimento  da  obrigação  (principal,  e  não  acessória)  de  recolher as estimativas que são meras antecipações do imposto devido ao  final do exercício. Assim, sendo parcelas antecipatórias, é manifestamente  indevida a cobrança da multa isolada sobre o valor dessas parcelas após o  encerramento  do  ano­calendário.  E  é  mais  irrazoável  ainda  a  cobrança  dessa multa  em  concomitância  com  a  exigência  do  imposto  apurado  ao  final  do  exercício  e  da  multa  de  ofício  de  75%  ("estar­se­á  diante  da  cobrança  de  duas  multas  ...  em  razão  do  descumprimento  de  apenas  uma/mesma obrigação");  b)  a  coexistência  das  duas  penalidades  "não  se  traduz  na  possibilidade  de  aplicação  conjunta  destas,  por  se  estar  diante  da  mesma  obrigação  tributária, qual seja o recolhimento do IRPJ relativo ao ano­calendário,  mas  justifica­se  pela  existência  de  duas  formas  diferenciadas  (modalidades)  para  o  pagamento  do  IRPJ". Assim,  a multa  isolada  não  Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.247          8 pode ser aplicada após o encerramento do ano­calendário,  "quando  já se  estará exigindo, pela mesma obrigação principal, o valor do imposto e da  multa de 75%";   c)  a aplicação concomitante das multa "configura manifesto bis­in­idem". E  que  "a  impossibilidade  de  se  exigir  a  multa  isolada  após  o  término  do  exercício  e ainda,  de  forma mais  gravosa,  cumulativamente  à  exigência  de  multa  de  ofício  encontra­se  totalmente  pacificado  no  âmbito  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais" (cita  julgados), sendo que o TRF  da  1ª  Região  também  já  decidiu  pela  ilegalidade  da  concomitância  das  multas;  d)  não procede a alegação da Fazenda de que nova redação da Lei nº 9.430,  de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (conversão da MP nº 351, de  2007),  possibilitaria  a  exigência  concomitante  das  multas,  por  ter  estabelecido bases de cálculo diferentes para as multas isolada e de ofício.  Aduz, nesse sentido que, na exposição de motivos da MP em questão resta  consignado  o  objetivo  de  reduzir  o  percentual  da  multa,  nada  sendo  referindo  quanto  a  alterar  a  hipótese  normativa  de  aplicação  da  multa  isolada.  E  aponta  julgados  do  CARF  em  que  se  decidiu  pela  impossibilidade da concomitância mesmo para fatos geradores posteriores  a 2007;  e)  ainda que  se  entenda que  a nova  redação do  art.  44 da Lei nº 9.430, de  1996,  veio  a  autorizar  a  cobrança  concomitante  das  multas  após  o  encerramento do ano­calendário em razão de a lei ter previsto como base  de  cálculo  da  multa  isolada  o  valor  mensal  do  imposto,  ela  somente  poderia ser exigida nas hipóteses em que o contribuinte tiver efetivamente  deixado de antecipar o imposto apurado por ele próprio. Ou seja, somente  poderia se cogitar que a multa isolada possui base de incidência diferente  da multa  de  ofício  quando  o  contribuinte  tenha  recolhido  estimativa  em  montante inferior ao que apurou no período. E tal hipótese não ocorreu no  presente,  caso,  uma vez que  a empresa  "recolheu exatamente os  valores  das estimativas que constaram na sua apuração" ; e  f)  a cobrança conjunta das multas de ofício e  isolada tem caráter abusivo e  confiscatório.  Ao final de suas contrarrazões, a Contribuinte requer que não seja conhecido  o Recurso Especial interposto no que se refere à aplicação da alíquota do IRPJ de 18%, ou que  seja negado provimento ao recurso, tanto no que se refere ao tema da alíquota aplicável quanto  no da aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ.  É o relatório.  Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.248          9   Voto             Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  motivo pelo qual dele tomo conhecimento.  Preliminar de Inadmissibilidade do Recurso Especial  Conforme  relatado,  a  Contribuinte  alega  em  contrarrazões  que  o  recurso  especial  fazendário  não  deve  ser  conhecido  no  que  se  refere  ao  tema  da  alíquota  de  IRPJ  aplicável  ao  lucro  das  exportações  incentivadas,  uma  vez  que  (1)  a  Recorrente,  tendo  fundamentado seu recurso em apenas um acórdão paradigma, não anexou ao recurso a íntegra  deste acórdão; e (2) que o acórdão indicado como paradigma "incorreu em erro, o qual afasta  a caracterização da divergência".  Em  relação  à  primeira  alegação,  tem­se  que  o RICARF  vigente  quando  da  interposição do Recurso (tanto quanto o atual) faculta ao recorrente a apresentação tão somente  da(s)  ementa(s)  do(s)  acórdão(s)  paradigma,  inclusive  no  corpo  do  recurso,  desde  que  na  íntegra,  quer  apresente  um  ou  dois  paradigmas  para  determinada  matéria.  Veja­se  o  que  estabelecem os §§ 4º, 7º e 9º do art. 67 do Anexo II do RICARF (aprovado pela Portaria MF nº  256, de 22 de junho de 2009):    Art. 67 (...)  §  4°  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  recurso  deverá  demonstrar  a  divergência  arguida  indicando  até  duas  decisões  divergentes por matéria.  (...)  § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor  dos  acórdãos  indicados  como  paradigmas  ou  com  cópia  da  publicação  em  que  tenha  sido  divulgado  ou,  ainda,  com  a  apresentação  de  cópia  de  publicação  de  até  2  ementas  outra  câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  (...)  § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser  reproduzidas  no  corpo  do  recurso,  desde  que  na  sua  integralidade.  Foi o que  fez  a Recorrente quando apôs  cópia  integral  da  ementa do único  paradigma apontado conforme publicado no sítio do CARF no corpo da sua peça recursal, não  havendo qualquer contrariedade ao RICARF em seu proceder.  Já  com  relação  à  segunda  alegação,  tem­se  que,  uma  vez  proferido  um  acórdão  por  colegiado  do  CARF  e  da  CSRF,  ou  mesmo  dos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes,  pode  ser  utilizado  como  paradigma,  ainda  que  contenha  "erro",  ressalvada  a  hipótese de o acórdão ter sido reformado (ou ainda que agasalhe tese que se encontre superada  pela CSRF na data de interposição do recurso, hipótese presente no § 10 do art. 67 do Anexo II  do RICARF vigente quando da interposição do presente recurso).  Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.249          10 No  caso  do  paradigma  indicado  pela  Fazenda,  que,  como  destacado  pela  Contribuinte,  tem  ela  própria  como  parte,  consulta  ao  sítio  do CARF  indica  que  o  acórdão,  proferido pela 3ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes em 28/3/2007 foi objeto de recursos  especiais  da Fazenda  e  da Contribuinte.  Julgando  tais  recursos,  a  1ª  Turma  da CSRF  negou  provimento a ambos (acórdão nº 9101­001.854, Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão, em  25/4/2014).  Foram  opostos  embargos  de  declaração,  os  quais  se  encontram,  até  o  presente  momento,  pendentes  de  apreciação.  É  dizer,  o  acórdão  se  encontra  hígido  para  o  fim  de  se  demonstrar divergência jurisprudencial visando à apreciação de recurso especial pela CSRF.   A análise de eventual erro alegado pela recorrente seria rever o mérito do que  foi  decidido  por  aquele  colegiado,  e,  portanto,  está  fora  de  um  escopo  de  juízo  de  admissibilidade em que se analisa decisões divergentes, e não decisões corretamente prolatadas  ou não.  Rejeita­se, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso especial.  Mérito  Alíquota aplicável ao lucro da exportação de minerais abundantes  No  que  se  refere  ao  primeiro  tema  trazido  pela Recorrente,  a  discussão  de  mérito  cinge­se  à  determinação  da  alíquota  de  IRPJ  aplicável  ao  lucro  da  exportação  incentivada de minerais abundantes auferido pela Contribuinte nos anos­calendário objeto do  lançamento: se é a alíquota específica prevista no art. 1º da Lei nº 7.988, de 1989 (alíquota de  18%,  sem adicional)  ou  aquela  geral  fixada no  art.  1º  da Lei n° 9.249, de 1995  (alíquota de  15%,  com  adicional),  levando­se  em  consideração,  ainda,  o  fato  de  haver  decisão  judicial  transitada em julgado em favor da Contribuinte acerca dessa matéria.   Nesse sentido, cumpre  transcrever,  inicialmente, os dispositivos em questão  (sublinhou­se):  Lei nº 7.988, de 1989 (que "dispõe sobre a redução de incentivos  fiscais"):  Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente  ao período­base de 1989:  I ­ passará a ser 18% (dezoito por cento) a alíquota aplicável ao  lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art.  1º do Decreto­Lei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988;  (...)  § 1º Os adicionais de que trata o art. 1º do Decreto­Lei nº 2.462,  de  30  de  agosto  de  1988,  não  incidirão  sobre  o  lucro  de  que  trata o inciso I deste artigo.  Lei n°  9.249,  de  1995  (que  "altera  a  legislação  do  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  bem  como  da  contribuição  social  sobre o lucro líquido, e dá outras providências")  Art. 3º A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de  quinze por cento.      § 1º  A  parcela  do  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado,  que  exceder  o  valor  resultante  da  multiplicação  de  R$  20.000,00  (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de  apuração,  sujeita­se  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por  cento.       (Redação  dada  pela  Lei  9.430, de 1996)  Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.250          11     § 2º O disposto no parágrafo anterior aplica­se, inclusive, nos  casos de  incorporação,  fusão ou cisão e de extinção da pessoa  jurídica pelo encerramento da liquidação.    (Redação dada pela  Lei 9.430, de 1996)      §  3º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  à  pessoa  jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei nº 8.023,  de 12 de abril de 1990.      §  4º O  valor  do  adicional  será  recolhido  integralmente,  não  sendo permitidas quaisquer deduções.      (Vide Lei nº 12.761, de  2012)  Como  se  extrai  do Termo  de Verificação  Fiscal  ­  TVF  (e­fls.  501  e  ss.),  a  Contribuinte  apurava  e  recolhia  IRPJ  sobre  o  lucro  da  exportação  de minerais  à  alíquota  de  18%,  sob  o  argumento  de  estar  amparada  em  decisão  proferida  pelo  TRF  da  1ª  Região,  na  Apelação Cível n° 95.01.28658­4/MG (que  reformou sentença de primeiro grau proferida na  Ação Ordinária nº 91.00.15818­6), transitada em julgado em 20/03/1998. Tal decisão declarava  o seu direito de recolher o imposto nos termos da legislação anterior à Lei nº 8.034, de 1990,  permanecendo­lhe  aplicável  a  alíquota prevista na Lei nº 7.988, de 1989  (de 18%), uma vez  que  a  alíquota  de  30%  prevista  na  Lei  nº  8.034,  de  1990  "não  se  aplica  à  exportação  incentivada de minério de ferro, como mineral elaborado".  A  Fiscalização,  no  entanto,  considerou  "estar  nítido  que  a  lide  examinada  naquela oportunidade, em sede judicial, não está relacionada à aplicação da Lei n° 9.249, de  1995,  que  nem  havia  sido  editada  na  época",  e,  assim,  lançou  a  diferença  decorrente  da  aplicação da alíquota de 15%, somada ao adicional de 10% sobre a parcela do lucro tributável  que  excede  o  valor  resultante  da  multiplicação  de  R$  20.000,00  pelo  número  de  meses  do  período de apuração, conforme previsto na Lei n° 9.249, de 1995.  A decisão ora recorrida, ao considerar indevidas "as diferenças levantadas e  lançadas pela fiscalização", não o fez por considerar que estava a Contribuinte protegida  pelo manto  da  coisa  julgada material,  mas  por  entender  que  "sendo  a  Lei  nº.  9.249/95  norma geral e não tendo ela afastado expressamente o benefício previsto na Lei nº. 7.988/89,  aplica­se  ao  caso  o  princípio  da  especialidade,  nos  termos  do  §  2º  do  art.  2º  da  Lei  de  Introdução ao Código Civil".   Necessário,  portanto,  antes  de  enfrentar  o  tema  da  vulneração  dos  efeitos  prospectivos  da  coisa  julgada material  em  razão  das  alterações  das  circunstâncias  jurídicas,  verificar se há, de fato, novas circunstâncias jurídicas a envolver a determinação da alíquota de  IRPJ aplicável aos lucros de exportações incentivadas de minerais abundantes.   Nesse ponto, cabe referir que há pelo menos outros três  julgados sobre essa  matéria envolvendo a própria Contribuinte. Além do acórdão paradigma trazido pela Fazenda  Nacional (acórdão nº 103­22.937, Relator Flávio Franco Corrêa, de 28 de março de 2007), tem­ se  a  decisão  desta  1ª  Turma  da  CSRF  (acórdão  nº  9101­001.854,  Relator  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  de  29  de  janeiro  de  2014),  que  apreciou  recurso  especial  da  Contribuinte  contra o paradigma em questão, mantendo a decisão recorrida, contrária à Contribuinte.   Há também o acórdão nº 101­96.207 (Relatora Sandra Faroni, de 14 de junho  de 2007), este favorável à Contribuinte, agasalhando a mesma tese da decisão ora recorrida, no  sentido de que, no conflito normativo entre a Lei nº 7.988, de 1989, e a Lei nº 9.249, de 1995,  prevalece  a  primeira,  por  ser  norma  especial  anterior  (aplicando­se  a  regra  de  solução  de  antinomias jurídicas expressa pelo brocado "lex specialis derogat generali").  Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.251          12 Não posso, no entanto, subscrever tal tese, pela mesma razão já acolhida por  esta  1ª  Turma  da  CSRF  no  antes  referido  acórdão  nº  9101­001.854,  ou  seja,  pelo  simples  motivo de que não se estabelece a dita antinomia entre as normas, uma vez que a Lei nº 9.249,  de 1995, ao trazer nova disposição acerca da alíquota do IRPJ (art. 3º), estabelecendo alíquota  geral  de  IRPJ  independentemente  da  atividade  econômica  explorada  e  ao  revogar  expressamente  as  disposições  em contrário  (art.  36),  revogou  a  regra  do  art.  1º  da  Lei  nº  7.988, de 1989, que impunha alíquota específica de 18% "ao lucro decorrente de exportações  incentivadas, de que trata o art. 1º do Decreto­Lei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988". Veja­ se o teor do art. 36 da Lei nº 9.249, de 1995:    Art.  36.  Ficam  revogadas  as  disposições  em  contrário,  especialmente:  I  ­ o Decreto­Lei nº 1.215, de 4 de maio de 1972, observado o  disposto no art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966;  II ­ os arts. 2º a 19 da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989;  III ­ os arts. 9º e 12 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990;  IV ­ os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992;  V ­ o art. 28 e os incisos VI, XI e XII e o parágrafo único do art.  36, os arts. 46, 48 e 54, e o inciso II do art. 60, todos da Lei nº  8.981, de 20 de janeiro de 1995, alterada pela Lei nº 9.065, de  20 de junho de 1995, e o art. 10 da Lei nº 9.065, de 20 de junho  de 1995.  Não procede o  argumento da Contribuinte de que, como a Lei nº 7.988, de  1989, não consta do rol dos atos normativos revogados pelo art. 36 da Lei nº 9.249, de 1995,  continua  em  vigor.  Tal  rol,  introduzido  com  o  vocábulo  "especialmente",  é  meramente  exemplificativo, não se podendo concluir que, se um dispositivo da Lei nº 7.988, de 1989, não  se  encontra  em  tal  rol,  não  foi  revogado. A  revogação  se  dá  por  se  tratar  de  disposição  em  contrário às novas regras, independentemente de constar no rol exemplificativo.  De outra banda, não prospera a  alegação de que o § 3º do art. 3º da Lei nº  9.249,  de  1995,  ao  estabelecer  que  a  alíquota  prevista  e  o  adicional  no  artigo  se  aplica  "também"  às  pessoas  jurídicas  que  exploram  a  atividade  rural  indica  que  tal  alíquota  e  adicional não se aplicam uniformemente a todas as pessoas jurídicas. Pelo contrário: ao estatuir  que "o disposto neste artigo aplica­se, inclusive, à pessoa jurídica que explore atividade rural  de que trata a Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990", o § 3º em questão, reforça o caráter geral e  unificado da alíquota trazida pela Lei nº 9.249, de 1995.   Fazendo­se  uma  análise,  ainda,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  vigente ao tempo dos fatos geradores, qual seja, o Decreto nº 3.000, de 1999, tem­se:    Art. 541. A pessoa jurídica, seja comercial ou civil o seu objeto,  pagará o  imposto à alíquota de quinze por cento  sobre o  lucro  real, presumido ou arbitrado, apurado de conformidade com este  Decreto (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º).  § 1º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  à  pessoa  jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei nº 8.023,  de 1990 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º, § 3º).  § 2º  O  lucro  inflacionário  acumulado,  até  31  de  dezembro  de  1987, das pessoas  jurídicas abrangidas pelo disposto no art. 2º  da Lei  nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988,  será  tributado à  Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.252          13 alíquota  a  que  estava  sujeita  a  pessoa  jurídica  no  exercício  financeiro de 1988 (Lei nº 7.730, de 1989, art. 28).  SUBTÍTULO II  ADICIONAL  Art. 542.  A  parcela  do  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado  que  exceder  o  valor  resultante  da  multiplicação  de  vinte  mil  reais  pelo  número  de  meses  do  respectivo  período  de  apuração,  sujeita­se à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez  por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º, § 1º, e Lei nº 9.430, de  1996, art. 4º).  § 1º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão  e  de  extinção  da  pessoa  jurídica  pelo encerramento da liquidação (Lei nº 9.249, de 1995, art. 3º,  § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 4º, § 2º).  § 2º  O  disposto  aplica­se,  igualmente,  à  pessoa  jurídica  que  explore atividade rural de que trata a Lei nº 8.023, de 1990 (Lei  nº 9.249, de 1995, art. 3º, § 3º).  § 3º  Na  hipótese  do  art.  222,  a  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais, está sujeita  à incidência do adicional de que trata este artigo (Lei nº 9.430,  de 1996, art. 2º, § 2º).  § 4º  O  adicional  será  pago  juntamente  com  o  imposto  de  que  trata o art. 541 (Decreto­Lei nº 1.967, de 1982, art. 24, § 3º).    Ou seja, se a norma que prevê alíquota de 18% sem adicional ainda estivesse  vigente, certamente o Regulamento de 1999 teria que fazer tal menção, como o fez para o lucro  inflacionário acumulado, por exemplo.  Na seqüência, quando o regulamento trata das isenções, reduções e deduções  do imposto,  também nenhum alusão é feita, como se pode observar da leitura dos arts. 544 a  619.  Aliás,  nem  mesmo  no  Regulamento  anterior  (Decreto  nº  1.041,  de  1994)  havia tal previsão:    Alíquotas e Adicional  SUBTÍTULO I  Alíquotas Gerais   Art. 550. A pessoa jurídica, seja comercial ou civil o seu objeto,  pagará o imposto à alíquota de vinte e cinco por cento sobre o  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado,  apurado  de  conformidade  com este Regulamento (Lei n° 8.541/92, arts. 3°, § 1°, 15 e 21).  §  1°  A  pessoa  jurídica  que  explorar  atividade  rural  pagará  o  imposto à alíquota de  vinte  e cinco por  cento  sobre o  lucro da  exploração ajustado (Lei n° 8.023/90, art. 12 e § 3°).  §  2°  O  lucro  inflacionário  acumulado,  até  31  de  dezembro  de  1987, das pessoas  jurídicas abrangidas pelo disposto no art. 2°  da Lei n° 7.714, de 29 de dezembro de 1988,  será  tributado à  alíquota  a  que  estava  sujeita  a  pessoa  jurídica  no  exercício  financeiro de 1988 (Lei n° 7.730/89, art. 28).  Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.253          14 §  3°  O  imposto  será  calculado  sobre  o  lucro  expresso  em  quantidade de Ufir diária (Lei n° 8.541/92, arts. 3° § 1°, 14, § 5°,  15, e 21).  SUBTÍTULO II  Adicional  Art.  551.  A  pessoa  jurídica  estará  sujeita  a  um  adicional  do  imposto  à  alíquota  de  dez  por  cento  sobre  a  parcela  do  lucro  real ou arbitrado que ultrapassar (Lei n° 8.541/92, art. 10):  I  ­  25.000,00  Ufir,  para  as  pessoas  jurídicas  que  apurarem  a  base de cálculo mensalmente;  II  ­ 300.000,00 Ufir, para as pessoas  jurídicas que apurarem o  lucro real anualmente.  § 1° O limite previsto no inciso II deste artigo será proporcional  ao número de meses do ano­calendário, no caso de período­base  inferior a doze meses (Lei n° 8.541/92, art. 10, § 3°).  § 2° O disposto no caput deste artigo não se aplica às pessoas  jurídicas a que se refere o art. 350 (Lei n° 8.023/90, art. 12).  Instituições Financeiras  Art. 552. A alíquota de que trata o artigo anterior será de quinze  por  cento  para  os  bancos  comerciais,  bancos  de  investimento,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário, sociedades corretoras ou distribuidoras de títulos e  valores mobiliários e empresas de arrendamento mercantil  (Lei  n° 8.541/92, art. 10, § 1°).  Art.  553.  O  adicional  referido  nos  arts  551  e  552  será  pago  juntamente com o imposto de que trata o art. 550 (Decreto­Lei n°  1.967/82, art. 24, § 3°).  Irredutibilidade  Art.  554. O  valor do  adicional  de  que  trata  este  Subtítulo  será  recolhido  integralmente  como  receita  da  União,  não  sendo  permitidas  quaisquer  deduções,  inclusive  as  previstas  no  Capítulo I, do Subtítulo III, do Título VI (Lei n° 8.541/92, art. 10,  § 2°).    É  de  se  constatar  que  apenas  as  pessoas  referidas  no  art.  350  do  RIR/94  estavam  isentas  do  adicional:  ou  seja  apenas  as  que  tinham  por  objeto  a  exploração  da  atividade  rural.  Percebe­se  também  que  quando  o  Regulamento  quis  tratar  das  alíquotas  diferenciadas,  ele  o  fez,  como  foi  o  caso  das  Instituições Financeiras. E mais,  com a Lei  nº  9.249/95,  até  mesmo  as  pessoas  jurídicas  que  exploravam  a  atividade  rural  passaram  a  ser  tributadas pelo adicional.  É também importante destacar que, mesmo em situações de incentivo fiscal,  o  legislador não  tem permitido a dedução sobre o adicional, como por exemplo, no caso das  empresas titulares do PDTI (destaques do RIR/99):  Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.254          15   Limite  Art. 498.  A  soma  da  dedução  de  que  trata  esta  Subseção,  juntamente  com  as  dos  arts.  581  e  590,  não  poderá  reduzir  o  imposto  devido  em mais  de  oito  por  cento,  não  se  aplicando  a  dedução  sobre  o  adicional  de  imposto  devido  pela  pessoa  jurídica (Lei nº 8.849, de 1994, art. 5º, e Lei nº 9.064, de 1995,  art. 2º).  Irredutibilidade  Art. 543. O  valor  do  adicional  de  que  trata  este  Subtítulo  será  recolhido  integralmente  como  receita  da  União,  não  sendo  permitidas  quaisquer  deduções  (Lei  nº  9.249,  de  1995,  art.  3º,  § 4º , e Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º , § 1º).  Esses dispositivos dos regulamentos demonstram, de forma cristalina, que o  benefício fiscal de que trata o Decreto­lei nº 2.413, de 1988, com a alteração dada pela Lei nº  7.988, de 1989, já não se encontrava no mundo jurídico ao tempo de sua publicação, o que é  endossado,  também,  quando  se  interpreta  o  art.  41,  §1º,  do ADCT  da Constituição  Federal,  cujo inteiro teor ora transcrevo:  Art.  41.  Os  Poderes  Executivos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  reavaliarão  todos  os  incentivos  fiscais  de  natureza  setorial  ora  em  vigor,  propondo  aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis.  §  1º  Considerar­se­ão  revogados  após  dois  anos,  a  partir  da  data  da  promulgação  da  Constituição,  os  incentivos  que  não  forem confirmados por lei.  É  que  esses  incentivos  não  foram  confirmados  por  lei  nesse  prazo  de  dois  anos. O que a lei de 1989 fez foi majorar a alíquota, mas pode­se entender que como não foram  confirmados por lei, conforme demonstrado, consideram­se revogados.  Dito  isso,  cumpre  avaliar  se,  ainda  que  legislação  superveniente  tenha  imposto nova alíquota de IRPJ, que, sendo indistinta, se aplica também ao lucro da exportação  incentivada de minerais abundantes auferido pela Contribuinte, o seu direito de apurar o IRPJ à  alíquota prevista na Lei nº 7.988, de 1989, garantido pelo  trânsito  em  julgado da decisão na  Apelação Cível n° 95.01.28658­4/MG, permanece intocado.  Penso que não. Como bem assinalado no TVF, após a edição da Lei nº 8.034,  de  1990,  cuja  aplicação  foi  afastada  pela  decisão  judicial  para  o  caso  da  Contribuinte,  a  alíquota  do  imposto  de  renda passou  por  diversas  alterações,  até  que  a  Lei  nº  9.249/1995,  a  fixou  em  15%,  mais  adicional,  na  forma  do  seu  já  transcrito  art.  3º,  § 1º.  É  dizer,  leis  supervenientes alteraram as regras aplicáveis na determinação da alíquota de IRPJ do lucro da  exportação incentivada de minerais abundantes auferido pela Contribuinte.  Verifica­se, portanto, a situação prevista Parecer PGFN/CRJ n° 492, de 2011,  em  que  "a  alteração  nos  suportes  fático  ou  jurídico  existentes  ao  tempo  da  prolação  de  decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar,  dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado".  Veja­se a síntese das conclusões alcançadas nesse Parecer (destacou­se):    Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.255          16 99.  Eis  a  síntese  das  principais  considerações/conclusões  expostas ao longo do presente Parecer:  (i)  a  alteração  nos  suportes  fático  ou  jurídico  existentes  ao  tempo  da  prolação  de  decisão  judicial  voltada  à  disciplina  de  relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para  frente,  a  eficácia  vinculante  dela  emergente  em  razão  do  seu  trânsito em julgado;  (ii) Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar  o sistema  jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos  atributos  da  definitividade  e  objetividade,  os  seguintes  precedentes  do  STF:  (i)  todos  os  formados  em  controle  concentrado  de  constitucionalidade,  independentemente  da  época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial,  desde  que,  nesse  último  caso,  tenham  resultado  de  julgamento  realizado  nos  moldes  do  art.  543­B  do  CPC;  (iii)  quando  anteriores  a  3  de maio  de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  seguidos,  ou  não,  de  Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido  oriundos  do  Plenário  do  STF  e  confirmados  em  julgados  posteriores da Suprema Corte;  (iii)  o  advento  de  precedente  objetivo  e  definitivo  do  STF  configura  circunstância  jurídica  nova  apta  a  fazer  cessar  a  eficácia  vinculante  das  anteriores  decisões  tributárias  transitadas em julgado que lhes forem contrárias;  (iii)  como  a  cessação  da  eficácia  vinculante  da  decisão  tributária transitada em julgado é automática, com o advento do  precedente  objetivo  e  definitivo  do  STF,  quando  no  sentido  da  constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de  cobrar  o  tributo  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  daí  para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial;  por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo  do  STF,  quando  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  lei  tributária,  o  contribuinte­autor  deixa  de  estar  obrigado  ao  recolhimento  do  tributo,  em  relação  aos  fatos  geradores  praticados dali para frente, sem que, para tanto necessite ajuizar  ação judicial;    (iv)  em  regra,  o  termo  a  quo  para  o  exercício  do  direito  conferido  ao  contribuinte­autor  de  deixar  de  pagar  o  tributo  antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao  Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional  pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão  proferido  pelo  STF.  Excepciona­se  essa  regra,  no  que  tange,  naquelas específicas hipoteses em que a cessação da eficácia da  decisão  tributária  transitada  em  julgado  tenha  ocorrido  em  momento  anterior  à  publicação  deste  Parecer,  e  tenha  havido  inércia  dos  agentes  fazendários  quanto  à  cobrança;  nessas  hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar  a  exigir,  do  contribuinte­autor,  o  tributo  em  questão,  é  a  publicação do presente Parecer.  Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.256          17 A  Contribuinte  argumenta  em  suas  contrarrazões  que  a  edição  da  Lei  nº  9.249, de 1995, é anterior ao trânsito em julgado da decisão judicial (ocorrido em 20/03/1998),  sem  que  sua  aplicação  tenha  sido  suscitada  ou  mesmo  que  tenha  a  União  ajuizado  ação  rescisória.  Compulsando­se  as peças da ação  judicial  de que aqui  se  trata,  no  entanto,  vê­se  que  na  petição  inicial,  datada  de  10/6/1991  (e­fls.  126  e  ss.),  a Contribuinte  pede  que  "considerando­se  a  ilegalidade  de  que  se  revestiria  a  cobrança  de  Imposto  de  Renda  nos  parâmetros determinados na Lei nº 8.034/1990 (...) seja declarado que o cálculo do referido  imposto incidente nas suas exportações incentivadas deve ser efetuado mediante a alíquota de  18%  (dezoito  por  cento),  sem  o  adicional"  e  que  "seja  declarada  a  inexistência  de  relação  jurídico­tributária da Autora em relação à Lei nº 8.034/1990". Ante sentença desfavorável, a  Contribuinte  recorreu  e  o TRF da  1ª Região,  na  já  referida Apelação Cível  n°  95.01.28658­ 4/MG (e­fls. 153 e ss.), assim se pronunciou:    Ou seja, é insofismável que o objeto da lide não alcançava os efeitos da Lei  nº  9.249,  de  1995,  na  determinação  da  alíquota  de  IRPJ  aplicável  ao  lucro  da  exportação  incentivada de minerais abundantes.  Veja­se, aliás, que a  lei  cuja aplicação foi afastada pela decisão  judicial em  tela  (Lei  nº  8.034,  de  1990)  também  fixava  alíquota  específica  de  IRPJ  para  determinada  atividade econômica  (no  caso,  exportações de produtos manufaturados nacionais  e  serviços).  Como  indica  o  acórdão  do  TRF  da  1ª  Região,  a  conclusão  pela  não  aplicação  dessa  Lei  se  baseou no fato de que minério de ferro não é produto manufaturado. Ou seja, determinou­se no  julgado  qual  de  duas  alíquotas  específicas  se  aplicavam  à  Contribuinte  (a  de  exportação  de  produtos  manufaturados  nacionais  e  serviços,  ou  a  da  exportação  incentivada  de  minerais  abundantes). Trata­se de situação bastante diversa da trazida com a Lei nº 9.249, de 1995, que  como se viu, estabeleceu alíquota (e adicional) única, indistinta às atividades econômicas.  Destaca­se, ademais, que a própria decisão judicial menciona: “Até que a lei  seja modificada, para abarcar as exportações de minerais elaborados (..)”, ou seja, a lei não foi  modificada para abarcar as exportações de minerais elaborais, mas o foi para todas as pessoas  jurídicas, sem exceção.  É de  se  concluir,  portanto,  que a decisão  judicial  transitada  em  julgado  em  favor  da  Contribuinte  na  Apelação  Cível  n°  95.01.28658­4/MG  não  possuía  mais  eficácia  vinculante  frente  aos  fatos  geradores  de  IRPJ  ocorridos  nos  anos­calendário  2007  e  2008  e  alcançados  pelo  lançamento  objeto  do  presente  processo,  razão  pela  qual  deve  o  auto  de  infração ser mantido.  Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.257          18 Aplicação simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das  estimativas mensais com a multa de ofício  Quanto à segunda matéria objeto do recurso fazendário, aplicação simultânea  da multa de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, ou da  "concomitância" das multas isolada e de ofício, é tema que tem propiciado intensos debates no  âmbito das Turmas do CARF e desta 1ª Turma da CSRF.  No antes referido acórdão nº 9101­001.854, desta 1ª Turma, proferido em 29  de janeiro de 2014, em que figurava a mesma Contribuinte do presente processo como autuada,  o Relator, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, cedeu ao entendimento preponderante  da Turma e dos colegiados da 1ª Seção do CARF, no sentido de que não é cabível a cobrança  de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano­calendário.  Veja­se, a propósito, que, posteriormente a esse  julgado, foi editada a Súmula CARF nº 105,  confirmando  subscrevendo  entendimento  ("a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não  pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL  apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício").  Mas, como bem assinalou o Relator do julgado em comento, "esta posição só  prevalece  para  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  Medida  Provisória  n.º  351/2007  (posteriormente  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007),  que  impôs  nova  redação  ao  tratar da matéria". Tanto que a Súmula CARF nº 105, ao inadmitir a concomitância, o faz, tão  somente,  para  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  "lançada  com  fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996".  É que com a alteração legislativa ocorrida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  tem­se  um  novo  panorama  no  regramento  dessas  multas.  Com  efeito,  a  base  de  cálculo  da  multa deixou de ser a  "totalidade ou diferença de  tributo", passando ao "valor do pagamento  mensal" a título de estimativa, além de haver redução de seu percentual de para 50%. Confira­ se:  Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação anterior à MP nº 351,  de 2007:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  (...)  § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas:  I  ­  juntamente  com  o  tributo  ou  a  contribuição,  quando  não  houverem sido anteriormente pagos;   (...)  IV  ­  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o  lucro  líquido, na  forma do art. 2°, que deixar de fazê­lo, ainda  Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.258          19 que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o lucro liquido, no ano­calendário correspondente.  Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação posterior à MP nº 351,  de 2007:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8o da  Lei  no 7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  É  oportuno  esclarecer  que,  uma  das  teses  para  quem  não  aceitava  a multa  isolada  concomitantemente  com  a  multa  de  ofício,  ocorria  porque  o  caput  do  art.  44,  ao  estabelecer que a multa  seria sobre a “totalidade ou diferença de  tributo”  , não poderia  fazer  incidir multa sobre estimativa, haja vista serem estas “antecipações” do tributo.   Entretanto,  com  a  mudança  promovida  pela MP  nº  351,  de  2007,  a  multa  isolada passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal estabelecido na forma do art. 2º da  Lei nº 9.430, de 1996, e mais: ela é devida, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, o que  vem a corroborar com o entendimento de que, ainda que não haja imposto a ser apurado por  ocasião do encerramento das atividades, a multa é devida.  Ou  seja,  quis  o  legislador  dispor  que  essa  multa  independe  do  resultado  apurado  ao  término  do  ano­calendário,  pois  ela  é  devida  sobre  a  parcela  que  deixou  de  ser  paga, a título de estimativa, no mês.  É dizer, a falta de recolhimento de estimativa é infração específica e própria  da sistemática, alternativa, de apuração anual do IRPJ e da CSLL, sendo penalizada, na forma  do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a aplicação de multa (isolada) no percentual  de  50%  sobre  o  montante  da  estimativa  mensal  não  recolhida,  estimativa  essa  que  é  determinada a partir da receita bruta auferida no mês. Se dissocia, assim, da infração de falta de  recolhimento  de  tributo  calculado  ao  final  do  período  de  apuração,  penalizada  na  forma  do  inciso  I  do mesmo art. 44,  da Lei nº 9.430, de 1996,  com multa  (de ofício) de 75% sobre o  montante  de  tributo  apurado,  que  é,  no  caso  do  IRPJ,  determinado  a  partir  do  lucro  real  apurado ao final do ano­calendário (no caso da sistemática anual de apuração do IRPJ), ou ao  final do trimestre (no caso da sistemática trimestral).  Isso  posto,  tem­se  que  a  apuração  anual  do  IRPJ  e  da CSLL  é  sistemática  alternativa  à apuração  trimestral e estabelece obrigações  específicas,  expressas na  legislação.  Uma  dessas  obrigações  é  o  recolhimento  mensal  de  estimativas,  cujo  descumprimento  é  penalizado  por  disposição  expressa  e  específica  da  lei.  Equivoca­se,  portanto,  a  decisão  recorrida  quando  aduz  que  "se  não  há  tributo  devido,  não  haverá  base  de  cálculo  para  se  Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.722242/2011­61  Acórdão n.º 9101­002.356  CSRF­T1  Fl. 1.259          20 apurar o valor da penalidade", e afirma que "o balanço final é prova suficiente para afastar a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  da  estimativa",  manifestando­se  pela  consunção  da  infração  de  não  recolhimento  de  estimativa  mensal.  Não  há  entre  a  obrigação  de  recolher  estimativas mensais e a de  satisfazer o  tributo apurado ao  final do ano­calendário  relação de  parte e todo tal que a última possa vir a consumir a primeira.  Não procedem, portanto, as alegações da Contribuinte de que a multa isolada  por  falta de  recolhimento  das  estimativas mensais  é  inexigível  após  o  encerramento  do  ano­ calendário e de que sua exigência em conjunto com a multa de ofício configura "bis­in­idem".   Como  se  viu,  tratam­se  de  penalidades  com  previsões  legais  específicas,  aplicadas  a  infrações  distintas  e  apuradas  sobre  bases  de  cálculo  diferentes,  sendo  possível,  sim,  sua  existência  simultânea  (ou  coexistência,  ou,  ainda,  para  usar  o  termo mais  corrente,  concomitância).   Como se vê na descrição da infração de falta de recolhimento das estimativas  mensais de IRPJ no TVF (e­fls. 507), a multa isolada foi aplicada com fulcro na nova redação  do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, no percentual de 50%.  Não se aplica ao presente caso, portanto, a antes referida Súmula CARF nº 105.  Cumpre  assinalar,  finalmente,  ante  a  afirmação  da  Contribuinte  de  que  a  cobrança  conjunta  das multas  de  ofício  e  isolada  tem  caráter  abusivo  e  confiscatório,  que  a  imposição dessas multas, ainda que em paralelo, como se viu, decorre de disposição expressa  da  lei,  não  sendo  dado  a  este  Colegiado  afastar  a  aplicação  de  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade, conforme prevêem o art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 62  do Anexo II do RICARF.  Conclusão  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial  da Fazenda Nacional.    (Assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo                              Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 11128.000482/2011-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/01/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.610
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3  Fl. 184          1 183  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11128.000482/2011­49  Recurso nº  1   Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.610  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 18/01/2011  PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A  denúncia  espontânea  não  alcança  as  penalidades  infligidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais,  como  os  decorrentes  da  inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração  aduaneira,  mesmo  após  o  advento da nova  redação do art.  102 do Decreto­Lei nº 37/1966, dada  pelo  art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.   Recurso Especial Provido em Parte.       Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele Colegiado.  Vencidos  os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama,  Júlio César Alves Ramos, Érika Costa  Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam  provimento.     CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 04 82 /2 01 1- 49 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 185          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­003.267,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa em comento.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.551, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/2010­15, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.551):  "O  recurso  é  tempestivo e,  ao contrário do alegado pelo  sujeito passivo em  suas contrarrazões, atende aos demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por  isso, ser  admitido.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 186          3 De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações  previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo  ou  aéreo. O  dispositivo  legal  interpretado  é,  absolutamente,  idêntico, mas  os  resultados  dos  julgamentos  foram  distintos.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se  ainda  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.   Importante  frisar  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma  matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei  12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do  Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.   Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 187          4 Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.  O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 188          5 Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência  e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações positivas  (fazer  ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas no  interesse  fiscalização das operações de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 189          6 natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No âmbito da  legislação aduaneira, em consonância com  o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades  de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea  da  infração.  São  dessa modalidade  as  infrações  que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão de desfazer  ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade toda infração que tem o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do  tipo  é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 190          7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De modo geral,  se admitida a denúncia  espontânea para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais  no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.                                                              6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 191          8 Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.000482/2011­49  Acórdão n.º 9303­003.610  CSRF‐T3  Fl. 192          9 Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6393868 #
Numero do processo: 16327.000403/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamernto para a 3ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1.004          1 1.003  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.000403/2010­96  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1402­000.267  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  29 de julho de 2014  Assunto  COFINS  Recorrente  HSBC CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  declinar  a  competência do julgamernto para a 3ª Seção do CARF.   (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes  da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 40 3/ 20 10 -9 6 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000403/2010­96  Resolução nº  1402­000.267  S1­C4T2  Fl. 1.005          2 Trata­se  de  Recurso  Voluntário  (fls.  376­448),  interposto  contra  o  acórdão  proferido pela DRJ de São Paulo I – DRJ/SP1 (fls. 330­369).   A  decisão  recorrida  manteve  o  lançamento,  consubstanciado  no  Auto  de  Infração  lavrado  em  face  de  HSBC  CORRETORA  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS  S.A  (fls.  178­195)  –  que  constituiu  crédito  tributário  de  PIS  e  COFINS,  relativo aos períodos de apuração de outubro a dezembro de 2007 e de abril a julho de 2008.   Assim restou a ementa da decisão recorrida:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007,  30/11/2007,  31/12/2007,  30/04/2008,  31/05/2008,  30/06/2008,  31/07/2008  SOCIEDADE  CORRETORA  DE  TÍTULOS.  RECEITA  BRUTA. RECEITA OPERACIONAL.  O conceito de receita bruta  sujeita à Cofins compreende a  receita de  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  aí  incluída  as  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  típicas  da  sociedade corretora de títulos.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA  OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de  títulos  e  valores  mobiliários  para  revenda,  e  a  compra  e  venda  de  títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as  ações  subscritas  das  novas  sociedades  anônimas  constituídas  após  a  etapa  de  desmutualização das Bolsas  de Valores,  integra  sua  receita  operacional.  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Devem  ser  classificados  no Ativo Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as  ações  das  novas  sociedades  anônimas  formadas  após  a  desmutualização  das  Bolsas  de  Valores  constituídas  sob  a  forma  de  associação  sem  fins  lucrativos,  subscritas  pela  interessada  com  manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até  o curso do exercício subsequente à subscrição.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Data  do  fato  gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 30/04/2008, 31/05/2008,  30/06/2008,  31/07/2008  SOCIEDADE  CORRETORA  DE  TÍTULOS.  RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL.  O  conceito  de  receita  bruta  sujeita  ao  PIS  compreende  a  receita  de  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  aí  incluída  as  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  típicas  da  sociedade corretora de títulos.  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000403/2010­96  Resolução nº  1402­000.267  S1­C4T2  Fl. 1.006          3 PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA  OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de  títulos  e  valores  mobiliários  para  revenda,  e  a  compra  e  venda  de  títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as  ações  subscritas  das  novas  sociedades  anônimas  constituídas  após  a  etapa  de  desmutualização das Bolsas  de Valores,  integra  sua  receita  operacional.  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Devem  ser  classificados  no Ativo Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as  ações  das  novas  sociedades  anônimas  formadas  após  a  desmutualização  das  Bolsas  de  Valores  constituídas  sob  a  forma  de  associação  sem  fins  lucrativos,  subscritas  pela  interessada  com  manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até  o curso do exercício subsequente à subscrição.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Data  do  fato  gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 30/04/2008, 31/05/2008,  30/06/2008, 31/07/2008 NULIDADE. CANCELAMENTO.  Satisfeitos os  requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não  tendo  ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar  em anulação ou cancelamento da autuação.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  31/10/2007,  30/11/2007,  31/12/2007,  30/04/2008,  31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008 JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de  disposição  expressa  em  lei,  não  cabendo  aos  órgãos  do  Poder  Executivo afastar sua aplicação.  É o relatório necessário para decidir.  Passo ao voto.  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000403/2010­96  Resolução nº  1402­000.267  S1­C4T2  Fl. 1.007          4   Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar   O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  As  infrações  apuradas  no  presente  processo  decorrem  do  procedimento  conhecido  como  "desmutualização"  das  Bolsas,  iniciado  em  2007,  por  meio  do  qual  se  unificaram  as  operações  da  Bolsa  de  Valores  de  São  Paulo  ("BOVESPA")  e  da  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  ("BM&F").  A  Recorrente,  que  detinha  títulos  representativos  do  patrimônio  das  aludidas  Bolsas,  sofreu  procedimento  de  fiscalização  para  a  apuração  de  auferimento  de  receitas  tributáveis  na  subsequente  comercialização  das  ações  recebidas  da  BOVESPA e da BM&F S.A., o que gerou o presente processo administrativo.  Inicialmente os autos do presente processo tinham sido encaminhados à Quarta  Câmara  da  Terceira  Seção,  sendo  devolvido  para  esta  Primeira  Seção,  por  entender  aquele  Colegiado, nos termos do art. 2º, IV do Regimento Interno do CARF, ser a infração conexa à  do  processo  nº  16327.000402/2010­41,  onde  se  discute  a  incidência  de  IRPJ  e  CSLL  na  operação de desmutualização das Bolsas.  De  fato,  constata­se  no  termo  de  verificação  naquele  processo,  fl.  222,  que  a  ação  fiscal  que  culminou  com  o  lançamento  do  IRPJ  e  CSLL  é  a  mesma  que  gerou  os  lançamentos  ora discutidos  no  presente  processo  (Mandado de Procedimento Fiscal  (MPF)  /  Registro de Procedimento Fiscal (RPF) nº 08.1.66.00­2009­00499­1, com Termo de Início em  25 de Novembro de 2009).  Ocorre, entretanto, que no processo nº 16327.000402/2010­41 discute­se, com já  dito  anteriormente,  a  incidência  de  IRPJ  e  CSLL  decorrentes  diretamente  da  ação  de  desmutualização, isto é, discute­se se é tributável a diferença entre o valor dos bens e direitos  recebidos  de  instituição  isenta,  por  pessoa  jurídica,  a  título  de  devolução  de  patrimônio,  e  o  valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do  referido  patrimônio.  Veja­se  a  ementa  do  Acórdão  prolatado  por  este  Conselho  naquele  processo:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DESMUTUALIZAÇÃO  DE  BOLSAS  DE  VALORES  E  DE  MERCADORIAS.  ASSOCIAÇÕES  ISENTAS.  DEVOLUÇÃO  DE  TÍTULO  PATRIMONIAL  E  SUBSCRIÇÃO  DE  AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO.  Sujeita­se  à  incidência  do  imposto  de  renda,  computando­se  na  determinação do lucro real do ano, a diferença entre o valor dos bens e  direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de  devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e  direitos  que  houver  sido  entregue  para  a  formação  do  referido  patrimônio.  Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000403/2010­96  Resolução nº  1402­000.267  S1­C4T2  Fl. 1.008          5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO –  CSLL  Sujeita­se  à  incidência  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  computando­se na determinação da base de cálculo da CSLL do ano, a  diferença  entre  o  valor  dos  bens  e  direitos  recebidos  de  instituição  isenta,  por  pessoa  jurídica,  a  título  de  devolução  de  patrimônio,  e  o  valor  em  dinheiro  ou  o  valor  dos  bens  e  direitos  que  houver  sido  entregue para a formação do referido patrimônio.  [...]  Em outro giro, no presente processo discute­se a incidência da Cofins e do PIS  na venda posterior de ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa  de desmutualização das Bolsas de Valores. Veja­se a ementa da decisão  recorrida,  fls. 330 e  seguintes.  SOCIEDADE  CORRETORA  DE  TÍTULOS.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA OPERACIONAL.  O conceito de receita bruta  sujeita à Cofins compreende a  receita de  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  aí  incluída  as  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  típicas  da  sociedade corretora de títulos.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA  OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de  títulos  e  valores  mobiliários  para  revenda,  e  a  compra  e  venda  de  títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as  ações  subscritas  das  novas  sociedades  anônimas  constituídas  após  a  etapa  de  desmutualização das Bolsas  de Valores,  integra  sua  receita  operacional.  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Devem  ser  classificados  no Ativo Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as  ações  das  novas  sociedades  anônimas  formadas  após  a  desmutualização  das  Bolsas  de  Valores  constituídas  sob  a  forma  de  associação  sem  fins  lucrativos,  subscritas  pela  interessada  com  manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até  o curso do exercício subsequente à subscrição.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data  do  fato  gerador:  31/10/2007,  30/11/2007,  31/12/2007,  30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008  SOCIEDADE  CORRETORA  DE  TÍTULOS.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA OPERACIONAL.  O  conceito  de  receita  bruta  sujeita  ao  PIS  compreende  a  receita  de  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  aí  incluída  as  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  típicas  da  sociedade corretora de títulos.  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000403/2010­96  Resolução nº  1402­000.267  S1­C4T2  Fl. 1.009          6 PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  RECEITA  OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  O objeto social da sociedade corretora é a subscrição de emissões de  títulos  e  valores  mobiliários  para  revenda,  e  a  compra  e  venda  de  títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as  ações  subscritas  das  novas  sociedades  anônimas  constituídas  após  a  etapa  de  desmutualização das Bolsas  de Valores,  integra  sua  receita  operacional.  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Devem  ser  classificados  no Ativo Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as  ações  das  novas  sociedades  anônimas  formadas  após  a  desmutualização  das  Bolsas  de  Valores  constituídas  sob  a  forma  de  associação  sem  fins  lucrativos,  subscritas  pela  interessada  com  manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até  o curso do exercício subsequente à subscrição.  [...]  Portanto, de forma diversa da que concluiu a Quarta Câmara da Terceira Seção  de  Julgamento  deste  CARF,  entendo  que  a  análise  do  presente  processo  é  mesmo  da  competência da Terceira Seção, para onde proponho o seu retorno para apreciação.  Por fim, diante do exposto, destaco restar caracterizado um conflito negativo de  competência  entre  o  entendimento  exarado  por  esta  Turma  e  aquele  defendido  pela  Quarta  Câmara  da  Terceira  Seção,  razão  pela  qual  se  deve  observar  o  art.  20  do  Anexo  II  do  Regimento do CARF:  Das Competências do Presidente do CARF  Art.  20.  Além  de  outras  atribuições  previstas  neste  Regimento,  ao  Presidente do CARF incumbe, ainda:  (...)  IX. dirimir conflitos de competência entre as Seções e entre as turmas  da CSRF;    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator    Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO

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