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Numero do processo: 10980.727433/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-003.020
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 74 33 /2 01 3- 04 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1449.090 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado que redundou na lavratura dos seguintes Autos de Infração de obrigações tributárias principais (AIOP) inadimplidas, para valores consolidados em 07/10/2013: i) AIOP/DEBCAD nº 51.040.3263, no importe de R$ 166.074.168,03 (Cento e sessenta e seis milhões, setenta e quatro mil, cento e sessenta e oito reais e três centavos), constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente à quota patronal, inclusive aquela para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientas do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados que prestaram serviços para a empresa autuada. ii) AIOP/DEBDAD nº 51.040.3271, no importe de R$ 16.035.716,39 (Dezesseis milhões, trinta e cinco mil, setecentos e dezesseis reais e trinta e nove centavos), constitutivo de contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, ditas ‘terceiros’–SalárioEducação e INCRA , incidentes sobre as remunerações de segurados empregados que prestaram serviços à empresa autuada. Do relato da ação fiscal Consoante o Termo de Verificação Fiscal (TVF) os créditos são decorrentes do pagamento de Programa de Participação nos Resultados (PPR) efetuados em desconformidade com a lei de regência, fato que os torna basedecálculo das contribuições sociais ora constituídas. As desconformidades apontadas dão nos conta de que: 1 – A empresa implementou dois programas de participação em resultados: um firmado em Convenção Coletiva do Trabalho (PLR – participação nos lucros ou resultados) e outro, intitulado PPR, celebrado entre a empresa e Comissão Interna de empregados do Banco; apenas este último foi objeto do lançamento fiscal. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 2 – Os PPRs firmados não são extensíveis a todos os empregados, visto que se encontram excluídos aqueles que sejam participantes de programas específicos de remuneração variável, fato que lhe evidencia o caráter remuneratório. 3 – Em razão do sistema de avaliação de seus empregados para aferição de seu desempenho individual a empresa, que adota avaliação ‘por curva forçada’ (que faz com que um percentual dos avaliados obrigatoriamente integre as categorias com desempenho mais baixo), também exclui/rebaixa do PPR os trabalhadores com desempenho considerado inconsistente ou fraco. 4 – A Auditoria também critica os modelos de divisão de empregados em três grupamentos, o primeiro (Modelo A) para os empregados com superior faixa salarial, o segundo (Modelo B) para os demais empregados e o terceiro (Modelo C) para os empregados lotados em estruturas comerciais e de relacionamentos com clientes; 4.1 – As críticas dãonos conta de que no ‘Modelo A’, os valores são definidos em função das práticas de remuneração do mercado de referência, não revelando regras claras e objetivas; ademais, tal modelo permite que a empresa nele inclua empregados de outros níveis, de maneira a alinhar suas remunerações com os valores praticados no mercado, o que lhe evidencia o caráter retributivo; no ‘Modelo B’, além do alinhamento de remunerações com os valores de mercado, sua implementação implica em produzir a competição entre as diversas áreas da empresa, pelo estabelecimento de um índice multiplicador sobre o valor a ser distribuído em função da performance da área de atuação do empregado, o que feriria a busca da integração capital/trabalho, sem falar que os empregados forçosamente avaliados com desempenho inferior sofrem expressiva redução ou mesmo a exclusão do PPR; por fim no ‘Modelo C’ a remuneração recebida no PPR é tratada como remuneração variável com regras diferenciadas pelas funções desempenhadas e com desempenho vinculado à produção individual. 5 – A fiscalização também compara as duas políticas de participação no resultado (PLR/PPR), demonstrando o caráter complementar do segundo (uma vez que são deduzidos os valores pagos a título de PLR) de maneira a contemplar a dedicação dos administradores na busca dos resultados, posto que são esses poucos os agraciados com os maiores valores, alijandose da sua participação a maioria dos empregados, de maneira a caracterizarse como um programa de premiação. 6 – Por fim, atinente às desconformidades com a Lei de regência, afirmase, que as regras do PPR permite avaliações discricionárias por parte da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos, ferindo a regra que preconiza clareza e objetividade nos seus mecanismos de aferição. Também atesta que os programas de metas, resultados e prazos não foram pactuados previamente e que o quanto acordado não foi arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 4 5 Por todas tais razões considerou a fiscalização que o pagamento da PPR caracterizase como fato gerador das contribuições sociais, de maneira que tomouos como base imponível deduzidos dos valores pagos a título de PLR firmados nas Convenções Coletivas de Trabalho, aplicandose as alíquotas pertinentes. Tece mais considerações típicas do feito. Da impugnação O Contribuinte, a seu turno, irresignado com o lançamento fiscal, impugnao sustentado nas seguintes argumentações, em síntese: i) Da não extensão da PPR a todos os empregados da Requerente: Sob este tópico, destaca que a Lei nº 10.101/2000 não estipula que os programas de PLR devem ser estendidos para todos os seus empregados, tendo a jurisprudência administrativa adotado o entendimento de que não há exigência legal do pagamento da PLR a todos os trabalhadores da empresa (cola julgados administrativos nesse sentido). Ademais, sustenta que todos os empregados eram elegíveis ao recebimento do PPR, ficando de fora apenas os que não atingiram as metas previamente estabelecidas (com avaliação 4 e 5 no sistema anual de gerenciamento de desempenho) e aqueles que participaram do Programa de Trainees, exclusivamente durante a fase de treinamento. Além disso acrescenta que embora conste cláusula no sentido de que estariam excluídos do PPR os participantes de ‘programas específicos de remuneração variável’, tais programas não foram instituídos para os anos de 2009/2010. ii) Da suposta ausência de regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da PPR: No tópico o Impugnante defende os modelos de PPR (A, B e C) criados pela empresa, afirmandoos decorrentes de negociação prévia com os empregados e disposto com parâmetros e regras bem definidas, tanto no tocante a avaliação individual do desempenho quanto no tocante à possibilidade de acompanhar e aferir os resultados, cumprindo integralmente as finalidades da lei no tocante à integração capital/trabalho e o consenso e a negociação entre empregados e empregadores que não podem ser desconsiderados pela fiscalização. iii) Da suposta ausência de metas previamente pactuadas: Afirma que a Requerente efetivamente estabeleceu os instrumentos de PPR com a prévia pactuação das metas com seus empregados e com o Sindicato e que as datas de 29/07/2009 e 20/04/2010, citadas pela fiscalização, referemse ao registro desses instrumentos no 2º Ofício Distribuidor de Títulos e Documentos, sendo irrelevantes para determinar se os programas foram previamente pactuados, visto que tais Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 instrumentos foram assinados em 11/12/2008 e 16/03/2010, respectivamente. No mesmo sentido, junta também o Comunicado RH ‘Gestão de Desempenho – Fixação de Objetivos’ e acrescenta que os objetivos a serem alcançados eram similares aos critérios utilizados em anos anteriores, de sorte que os empregados já tinham ciência das metas a serem perseguidas. iv) Da ausência de homologação e arquivamento do pactuado na entidade sindical: No tópico, contesta que os instrumentos de PPR não tenham sido negociados e homologados pelo Sindicato, o que pretende comprovar com os emails trocados entre o RH do Requerente e o representante sindical dos trabalhadores, de maneira que meras irregularidades formais porventura existentes não são suficientes para desconsiderar seus PPR. v) A indevida indicação de pessoas no relatório de vínculos anexo ao processo: Aqui postula a exclusão das pessoas indicadas no Relatório de Vínculos, posto que a imputação de responsabilidade em relação a quitação de débitos não é imediata e depende da comprovação de determinados requisitos disciplinados pelo art. 135, III do CTN. Posto nesses argumentos, requer a procedência da impugnação para que seja cancelada integralmente as exigência tributárias constituídas pelos AutosdeInfração integrantes do presente Processo Administrativo. Requer, também, caso entendase necessários novos esclarecimentos, a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, inclusive pela juntada posterior de novos documentos tendentes a comprovar o quanto argüido. É a síntese do necessário ao julgamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Necessidade de reforma integral do acórdão pelos seguintes motivos: · Ausência de exigência legal de pagamento de PPR para todos empregados. · Os empregados tiveram totais condições de acompanhar e mensurar os resultados atingidos. · Os instrumentos de PPR foram assinados no início do período de aferição dos resultados. · Houve participação de trabalhadores e do sindicato na negociação dos PPR. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 5 7 · Os Instrumentos de PPR dos anos 2009 e 2010 foram devidamente arquivados nos sindicatos. É o relatório. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Conforme relatado acima, a empresa implementou dois programas de participação em resultados: um firmado em Convenção Coletiva do Trabalho (PLR – participação nos lucros ou resultados) e outro, intitulado PPR, celebrado entre a empresa e Comissão Interna de empregados do Banco. Apenas este último foi objeto do lançamento fiscal e é aqui discutido. Observo que a questão está centrada na conformidade ou não do Programa de Participação nos Resultados PPR com a Lei 10.101/2000. Para o fisco, o programa é desconforme, para o recorrente, é conforme. Analisemos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 6 9 (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 7 11 entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 8 13 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. No caso presente, a autuação foi motivada por o PPR não ser exte4nsivo a todos, não possuir regras claras e objetivas, não apresenta pactuação prévia e não ser homologado e arquivado nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme Termo de Verificação Fiscal, folhas 627 a 640 28) Conforme analisado, verificamos que os “Programas de Participação nos Resultados“ da empresa, firmados em 2009 e 2010: · Não são extensíveis a todos os empregados, excluindo aqueles que já recebem remuneração variável em programas específicos; · Exclui os empregados que recebem avaliação individual considerada inconsistente ou fraca pela empresa, aferida pelo sistema CDP; · Classifica os empregados em três categorias: Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 o “A” – engloba os empregados em níveis superiores, os quais são avaliados pelo desempenho global da empresa que se utiliza do PPR para alinhar a remuneração ao mercado; o “B” – engloba os empregados de níveis intermediários, os quais são avaliados pelo desempenho de suas áreas e pelo desempenho individual registrado no sistema CDP. A empresa se reserva o direito de majorar os valores do PPR em função do mercado. o “C” – engloba os empregados lotados em estruturas comerciais e de atendimento ao cliente, os quais recebem remuneração variável por meio do PPR, conforme “Normativo de Remuneração Variável”, com regras diferenciadas de acordo com a área à qual o empregado está vinculado. Seu desempenho individual registrado no sistema CDP afeta diretamente a sua participação no PPR; · Não possui regras claras e objetivas, permitindo avaliações discricionárias pela administração da empresa e conferindo poderes ao CEO da empresa para ajustar os valores do PPR em função das condições de mercado. · Não apresenta pactuação prévia, conforme determinado na legislação. · Não foram homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme determinado pelo art. 2º. da Lei 10.101/00. PLR EXTENSIVO A TODOS A recorrente alega a ausência de exigência legal de pagamento de PPR para todos empregados. Concordo com o recorrente. Não encontrei na lei a exigência de extensão de PLR para todos empregados. Abaixo apresento trecho da ementa do acórdão 920200.503 da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF. Acórdão n° 920200.503 — 2ª Turma CSRF/CARF PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 9 15 ... O legislador não fez previsão de exigência no sentido de que as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados fossem extensivas a todos os empregados da empresa para que houvesse a não incidência de contribuição previdenciária. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS Outro ponto alegado pelo fisco foi a ausência de regras claras e objetivas. A recorrente alega que os empregados tiveram totais condições de acompanhar e mensurar os resultados atingidos, apresenta as regras de avaliação do resultado e da performance dos trabalhadores e referencia documentos de avaliação individual apresentados na impugnação. Entendo que o PPR continha regras claras e objetivas. O Termo de Verificação Fiscal discorre dos itens 12 ao 25 sobre as regras constantes nos acordos, destacando no item 25 que "o PPR da empresa permite avaliações discricionárias por parte da administração da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos." 12) A empresa mantém sistema de avaliação de seus empregados, sistema CDP (fls. 064/096), classificandoos de acordo com seu desempenho individual em categorias de 1 a 5. O CDP se constitui em um sistema de avaliação anual que leva em consideração o atingimento de metas individuais pelos empregados, conforme definido em seu regulamento: ... 13) O sistema adota avaliação por curva forçada, o que faz com que um percentual dos avaliados obrigatoriamente integre as categorias de avaliação 4 ou 5, consideradas de desempenho insuficiente: ... 25) O art. 2º da Lei 10.101/00 determina que as regras do programa devam ser claras e objetivas, inclusive no tocante aos mecanismos de aferição. Em contraposição, o PPR da empresa permite avaliações discricionárias por parte da administração da empresa, majorando ou reduzindo os valores a serem pagos. Considerese ainda que não é permitido ao empregador partilhar com o empregado os riscos de sua atividade empresarial, face o que dispõe o artigo 2º da CLT Consolidação das Leis Trabalhistas. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 ... ... ... Além desses pontos trazidos pelo fisco no Termo de Verificação Fiscal, trago outros pontos que entendo, ajudam a elucidar a questão e apresento que o recorrente afirma que a "suposta discricionariedade do CEO não se materializou." ... Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 10 17 Entendo que, os termos do acordo não ferem a Lei, além do que resultaram de negociação entre as partes. PACTUAÇÃO PRÉVIA Outra motivação apresentada pelo fisco foi a falta de pactuação prévia. O recorrente alega que os instrumentos de PPR foram assinados no início do período de aferição dos resultados. Concordo com o recorrente. Entendo que não houve ofensa à lei. Um acordo foi firmado antes do início do prazo e outro no primeiro trimestre do ano em questão. O Termo de Verificação Fiscal assim apresenta a questão: 26) O art. 2º, § 1º, inciso II da Lei 10.101/00 determina que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, o que não ocorreu em nenhum dos PPRs analisados, conforme abaixo: Programa Registro do Acordo Período de Avaliação 2009 29/07/2009 01/01/2009 a 31/12/2009 2010 20/04/2010 01/01/2010 a 31/12/2010 Lei 10.101/00 [...] Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 18 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifo nosso) Observo que os mencionados registros referemse a registro em Cartórios de Títulos e Documentos e que os acordos propriamente ditos, contém data de 11/12/2008, para o acordo de 2009 e 16/03/2010, para o acordo de 2010. HOMOLOGAÇÃO E ARQUIVAMENTO DOS ACORDOS NOS SINDICATOS O fisco alega desconformidade com a lei 10.101/2000 por não terem sido os acordos homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores. O recorrente afirma que os acordos foram "devidamente negociados com o sindicato dos trabalhadores", que "foram devidamente arquivados nas entidades sindicais, conforme demonstram os anexos emails trocados entre o RH do Recorrente e o representante sindical dos trabalhadores (doc nº 16 da Impugnação)". Abaixo apresento trecho do Termo de Verificação Fiscal: 27) A Lei 10.101 dispõe que a participação nos lucros ou resultados deverá ser objeto de negociação entre a empresa, empregados e sindicato, devendo o instrumento do acordo ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Intimada a apresentar comprovação da homologação e arquivamento dos instrumentos do PPR nas entidades sindicais dos trabalhadores, a empresa alegou que a aposição da assinatura de um de seus empregados, representante sindical, seria o suficiente para comprovar o cumprimento da obrigação legal. Esse não é o entendimento das entidades sindicais, conforme comprova a nota abaixo, denunciando que os PPR 2009, 2010 e 2011 foram impostos pelo Banco, sem a participação do Sindicato. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 11 19 LEI No 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. [...] Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] 28) Conforme analisado, verificamos que os “Programas de Participação nos Resultados“ da empresa, firmados em 2009 e 2010: · Não são extensíveis a todos os empregados, excluindo aqueles que já recebem remuneração variável em programas específicos; Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 20 · Exclui os empregados que recebem avaliação individual considerada inconsistente ou fraca pela empresa, aferida pelo sistema CDP; · Classifica os empregados em três categorias: o “A” – engloba os empregados em níveis superiores, os quais são avaliados pelo desempenho global da empresa que se utiliza do PPR para alinhar a remuneração ao mercado; o “B” – engloba os empregados de níveis intermediários, os quais são avaliados pelo desempenho de suas áreas e pelo desempenho individual registrado no sistema CDP. A empresa se reserva o direito de majorar os valores do PPR em função do mercado. o “C” – engloba os empregados lotados em estruturas comerciais e de atendimento ao cliente, os quais recebem remuneração variável por meio do PPR, conforme “Normativo de Remuneração Variável”, com regras diferenciadas de acordo com a área à qual o empregado está vinculado. Seu desempenho individual registrado no sistema CDP afeta diretamente a sua participação no PPR; · Não possui regras claras e objetivas, permitindo avaliações discricionárias pela administração da empresa e conferindo poderes ao CEO da empresa para ajustar os valores do PPR em função das condições de mercado. · Não apresenta pactuação prévia, conforme determinado na legislação. · Não foram homologados e arquivados nas entidades sindicais dos trabalhadores, conforme determinado pelo art. 2º. da Lei 10.101/00. Entendo que aqui não cabe razão ao recorrente. Os acordos para pagamento do PPR foram firmados por meio de Instrumento Particular de Acordo da Participação nos Resultados, um referente ao ano 2009 e outro ao ano 2010, folhas 47 a 54 e 55 a 62, respectivamente. Ambos acordos, registram que o acordo é celebrado entre o recorrente e "Comissão de Representação Interna dos Empregados do Banco", sem citar representação sindical. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10980.727433/201304 Acórdão n.º 2201003.020 S2C2T1 Fl. 12 21 Ao final dos acordos, estão consignados os signatários distribuídos em Comissão de Funcionários, Representantes Sindicais e Representantes da Empresa. O acordo 2009, registra 4 representantes sindicais, sendo que apenas 1 assinou o documento. O acordo 2010 registra 5 representantes sindicais, sendo que nenhum assinou o acordo. Observo que à folha 63, consta "Lista de Presença da Reunião com a Comissão de representação Interna dos Empregados do Banco PPR", datada de 16/03/2010, mesma data do acordo, contendo os mesmos nomes dos 5 representantes sindicais, porém, contendo 2 assinaturas. Entendo que representantes do sindicato participaram da reunião e não assinaram o acordo. Outro ponto é a questão do arquivamento dos acordos nos sindicatos. O recorrente busca comprovar o arquivamento por meio de cópia de emails apresentados por ocasião da impugnação (doc nº 16). Analisei os emails, folhas 1051 a 1060 e cheguei a conclusão diversa do recorrente. Os emails são trocados entre o RH Relações sindicais da empresa com o sr Miguel Pereira que registra abaixo de seu nome "Contraf CUT". Contraf é a abreviação de Confederação Nacional dos trabalhadores do Ramo Financeiro. O PPR 2009 é enviado pelo gerente de RH junto com a observação "Favor manter apenas sob seus cuidados, tendo em vista que este material é de circulação interna do HSBC." (folha 1054) Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 22 O PPR 2010 é solicitado pelo sindicalista em 03/2011, junto como informações estatísticas (número de funcionários, distribuição geográfica do setor de compensação, número de funcionários nas capitais, por sexo). A resposta contendo o PPR foi enviada alguns dias depois. (folhas 1051 e 1052). Entendo que os acordos não foram arquivados nos sindicatos. Constato desconformidade com a Lei 10.101/2000. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001989/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
CSLL. Saldo Negativo Acumulado. Comprovação. Compensação Contábil.
A comprovação da existência do saldo negativo acumulado do tributo de anos anteriores, quando a compensação se realizava contabilmente, deve ser realizada, por excelência, com a exibição das fichas das contas contábeis do Livro Razão, possibilitando o perfeito acompanhamento da utilização do referido saldo no decorrer dos anos, admitindo-se outros meios de prova, quando a extração de dados dos sistemas da RFB permitir a identificação de valores e possibilidade de compensação e não forem conflitantes.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
Nulidade. Processo. Cerceamento De Defesa.
Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Juros. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
(Súmula nº 4 do Carf)
Numero da decisão: 1302-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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SALDO NEGATIVO ACUMULADO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. A comprovação da existência do saldo negativo acumulado do tributo de anos anteriores, quando a compensação se realizava contabilmente, deve ser realizada, por excelência, com a exibição das fichas das contas contábeis do Livro Razão, possibilitando o perfeito acompanhamento da utilização do referido saldo no decorrer dos anos, admitindose outros meios de prova, quando a extração de dados dos sistemas da RFB permitir a identificação de valores e possibilidade de compensação e não forem conflitantes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 JUROS. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 89 /2 00 6- 20 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do Carf) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 180100.069, deliberada em 18 de novembro de 2011, efls. 449 a 454. A empresa recorre do Acórdão nº 1620.649/09 exarado pela Décima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP, fls. 322 e seguintes, que manteve a autuação sofrida, consubstanciada no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de CSLL, relativa ao ano calendário de 2001 – fls. 04 a 07, perfazendo o total de R$ 1.207.946,07, incluídos os juros e a multa de ofício regular (75%). A infração tributária detectada pela fiscalização consistiu na "(...) Insuficiência de recolhimento/declaração da CSLL devida, apurada pelo confronto dos dados constantes de sua DIPJ com os declarados e recolhimentos efetuados em sua DCTF para o ano calendário 2001. A fim de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, lavramos o presente auto de infração que conterá APENAS A DIFERENÇA entre o valor de 'CSLL do ano calendário de 2001 R$ 645.530,00 MENOS R$ 177.569,64 (valor declarado em DCTF), resultando no valor lançado neste auto: R$467.960,36. Aproveito os trechos já transcritos do Acórdão recorrido, na Resolução para registrar os fatos do litígio: [...] A turma julgadora a quo afastou a nulidade do lançamento tributário, explicou que a DIPJ não tem o efeito de confissão de débitos tributários e indeferiu as razões Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302001.925 S1C3T2 Fl. 3 3 da impugnante no que respeita às compensações contábeis espelhadas nas folhas do Livro Razão apresentadas porque as cópias do Livro Diário não foram apresentadas conjuntamente, em suma. Assim restou ementado o aresto vergastado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do auto de infração. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A Declaração de Informações Econômicos Fiscais, vigente partir do ano calendário de 1999, não é instrumento de confissão de dívidas. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, a cobrança fiscal, esta fica mantida em sua integralidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que se enquadre nas exceções previstas em lei. [...] Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 338 e ss reprisando os termos da defesa inicial, enfatizando que: I) possui valores a compensar de exercícios anteriores, advindos de bases de cálculo negativas de CSLL de empresas incorporadas, devidamente registrados na contabilidade; II) argumenta que ignorar tais valores constitui ofensa ao princípio da verdade material, corolário do princípio da legalidade; III) alega, ainda, que a turma julgadora “tacitamente” aceita os valores a compensar sem contraditálos, mas somente não os considera em virtude da ausência das cópias dos registros contábeis efetuados no livro Diário; IV) passa a discorrer sobre cada valor a ser compensado e cada valor recolhido a título de CSLL pelo que entende ser totalmente improcedente a autuação presente; junta as fls. do livro Diário pertinentes: IV.a) R$ 181.135,97 – crédito decorrente da base de cálculo negativa relativa ao anocalendário de 2000 (DIPJ/01); faz prova dos valores a cópia da DIPJ/2001, fls. do livro Razão e fls. 220 do Diário; IV.b) R$ 969,69 – idem, relativo à empresa CCF Brasil Commodities Ltda – meses janeiro a maio de 2000; IV.c) R$ 90.007,26 – idem, relativo à mesma empresa (CCF) – meses junho a dezembro de 2000; Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 IV.d) R$ 32.427,18 – idem, relativo ao anocalendário de 1997 (DIPJ/98), referente à empresa HSBC Bamerindus S/A CCVM; IV.e) R$ 48.762,72, R$ 4.868,72, R$ 76,23, R$ 10.277,43 – pagamentos/compensações a maior efetuados pela HSBC Bamerindus S/A CCVM, relativo a 31/12/1996; IV.f) R$ 88.408,63 e R$ 11.026,97 – idem ao item “IV.e”, porém respectivamente a 31/03/1997 e 30/04/1997 (HSBC Bamerindus S/A CCVM); V) argumenta ainda vício no ato do lançamento pela forma sumária e superficial conforme fora realizado, sem a análise da contabilidade da contribuinte e todos os fatos que causaram o ajuste no saldo da CSLL apurado no anocalendário de 2001; VI) a despeito dos esclarecimentos expostos no acórdão recorrido insiste em atribuir à DIPJ a natureza de confissão de dívida, pelo que inapropriada a “nova” constituição do crédito via Auto de Infração; VII). reprisa a argumentação sobre a inaplicabilidade da cominação dos juros moratórios calculados à taxa Selic. Na Resolução foi concluído em parte, Conforme relatado, na DIPJ/02, anocalendário 2001, a empresa apurou R$ 645.530,00 a pagar a título de CSLL (fls. 18 a 22), sendo que R$ 177.569,64, referemse a estimativas informadas em DCTF (fls. 24 – jan/fev/mar/abr/ago/set/01). A diferença entre um valor e outro está sendo exigida por meio deste Auto de Infração (valor não recolhido, nem informado em DCTF). A recorrente explica que não deve este valor porque compensou outros valores de CSLL, contabilmente, consoante permitido pela legislação tributária vigente à época. Esclarece, ainda, que utilizouse de saldos de bases de cálculos negativas de empresas incorporadas, a saber: (1) CCF BR Commodities (=HSBC Commodities) e (2) HSBC Bamerindus (=HSBC CCVM), bem como DARF de recolhimentos efetuados a maior e não aproveitados. A empresa recorrente à época dos fatos geradores denominavase CCF BR CTVM, atualmente denominada HSBC CTVM. Discorre sobre cada parcela que pretende seja considerada para abater o saldo exigido nesse Auto de Infração, a título de CSLL. Verifico dos autos que a empresa durante o procedimento de fiscalização, em 14/11/06, respondeu ao Termo de Intimação e Início de Fiscalização de fls. 17 (datado em 27/10/06), explicitando cada valor a ser considerado, mas, por razões alheias a sua vontade, os documentos acostados aos autos de fls. não foram recebidos e/ou analisados pela autoridade fiscal, ensejando a lavratura do Auto de Infração nos valores ora contestados, em 27/12/06. A empresa respaldouse em cópias de Atas de incorporações e cisões sofridas, DIPJ das incorporadas, DARF de recolhimentos a maior que argumenta não foram aproveitados nas incorporadas e fichas dos Livros Razão, nas quais controlava os assentamentos contábeis e atualizações monetárias. Divirjo do entendimento esposado no acórdão vergastado de que os registros contábeis realizados no Razão Auxiliar das empresas não são hábeis para comprovar as bases de cálculo negativas dos valores de CSLL que advieram das incorporações realizadas ou da Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302001.925 S1C3T2 Fl. 4 5 própria empresa, visto ser o Razão um livro contábil obrigatório para as empresas que optam pela apuração do lucro na modalidade real. A dispensa do seu registro em órgão competente não lhe extrai a importância e credibilidade na contabilidade. No entanto, não tenho tais provas como suficientes para que reste comprovado inequivocamente a utilização de tais valores na composição da base de calculo negativa de CSLL debatida neste litígio. [...] Assim a recorrente decompôs o valor da diferença exigida neste Auto de Infração – R$ 467.960,36, em apertada síntese: Valor – R$ Origem Período 181.135,97 HSBC CTVM BC negativa 2000 969,69 CCF BR COMMODITIES BC negativa jan a mai/00 90.007,26 CCF BR COMMODITIES BC negativa jun a dez/00 32.427,18 HSBC BAMERINDUS BC negativa 1997 48.762,72 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/11/96 4.868,25 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 76,23 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 10.277,43 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 88.408,63 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/03/97 11.026,97 HSBC BAMERINDUS DARF – 30/04/97 Baixouse o processo em diligência para que a fiscalização verificasse: 1) Saldo negativo de CSLL, ac 2000, R$322.093,00 atual HSBC CTVM (CCF BR CTVM); 2) Verificar qual o efetivo valor recebido pela HSBC CTVM dos Saldo Negativo de CSLL por ocasião da incorporação da CCF BR Commodities; 3) Verificar o valor de R$ 32.427,18, o qual a recorrente esclarece que tem origem na empresa HSBC Bamerindus no anocalendário de 1997, quando apurou base de cálculo negativa de R$ 869.867,80; verificar o SAPLI desta empresa e ver se os valores registrados na contabilidade da empresa são coerentes; 4) fazer as verificações necessárias quanto aos DARF recolhidos pela “HSBC Bamerindus” de “primeiro grupo”, como denomina a recorrente, acostados em cópias aos autos – R$ 48.762,72; R$ 76,23; R$ 4.868,25; R$10.277,43, intimando a empresa a esclarecer quanto à ação judicial nº 96.00039168, e cotejando as explicações com os registros internos da RFB e contabilidade daquela empresa para verificar se já não foram reaproveitados ou objeto de pedido de Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 restituição; verificar as atualizações;i dem em relação aos DARF de “segundo grupo” – nos valores de R$ 88.408,63 e R$ 11.026,97 – verificandose também quanto à atualização monetária devida. Às efls. 885 a 894 e 895 a 898 a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas informou, em suma, que apesar das folhas do Razão não terem sido apresentadas pela recorrente: Valor – R$ Origem Período Deferir S/N 181.135,97 HSBC CTVM BC negativa 2000 SIM 969,69 CCF BR COMMODITIES BC negativa jan a mai/00 SIM 90.007,26 CCF BR COMMODITIES BC negativa jun a dez/00 SIM 32.427,18 HSBC BAMERINDUS BC negativa 1997 NÃO 48.762,72 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/11/96 NÃO 4.868,25 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 SIM 76,23 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 SIM 10.277,43 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/12/96 SIM 88.408,63 HSBC BAMERINDUS DARF – 31/03/97 SIM 11.026,97 HSBC BAMERINDUS DARF – 30/04/97 SIM A recorrente às efls. 904 a 916 critica minuciosamente o resultado da diligência e requer a consideração dos valores não admitidos na realização das diligências fiscais pelos seguintes motivos: IV.l Saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 1997 (DIPJ 1998), referente à empresa HSBC Bamerindus S/A CCVM R$ 32.427,18 Com relação ao crédito de R$ 32.427,18, a Sra. Agente Fiscal reconheceu a sua existência após a análise dos documentos fiscais apresentados pela Recorrente, porém, de forma indevida, presumiu que o referido crédito já poderia ter sido utilizado pela Recorrente, verbisr. "Conclusão Item 3: Embora tenha sido possível aferir a origem do crédito pleiteado (R$ 32.427,18) acreditase que o contribuinte pode ter utilizado o mesmo no processo judicial onde discutese a majoração da alíquota, o que, juntamente com o fato de não ter apresentado os razões contábeis que comprovassem os saldos a compensar, nos tiraria a certeza da possibilidade de sua utilização em compensação." (fl. 893 g.n.) Com efeito, o argumento de que a Recorrente já teria utilizado o montante de R$ 32.427,18 não merece prosperar, pois como amplamente demonstrado no Recurso Voluntário, no anocalendário de 1997, o HSBC Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302001.925 S1C3T2 Fl. 5 7 Bamerindus S/A CCVM apurou um saldo negativo de CSLL no valor de R$ 869.867,80, conforme se pode verificar da linha 31, da Ficha 11, da DIPJ, anocalendário de 1997 (fl. 271): [...] Dessa forma, considerando que a Recorrente apurou saldo negativo no ano de 1997, é certo que o recolhimento no valor de R$ 32.427,18 poderia ser utilizado na compensação da CSLL devida no anocalendário de 2001. Ainda, para afastar a presunção de que o montante de R$ 32.427,18 já teria sido aproveitado anteriormente, a Recorrente apresenta nessa oportunidade documentos fiscais que denotam que tal valor foi utilizado apenas na quitação da CSLL apurada no anocalendário de 2001 (doc. 07). [...] IV.2 Compensação/pagamento a maior efetuado pela HSBC Bamerindus S/A CCVM período de apuração 31/11/1996 R$ 48.762,72 Conforme já exposto em seu Recurso Voluntário, o valor de R$ 48.762,72 é proveniente de pagamento a maior realizado no ano calendário de 1996 (DARF CSLL 2469, período de apuração de novembro de 1996, vencimento em 30/12/1996, cujo valor principal foi no montante de R$ 106.541,59) da empresa incorporada em 29/06/2001, HSBC Bamerindus CCVM S.A. CNPJ 76.528.660/000101. [...] Para justificar esse posicionamento a Sra. Agente Fiscal alegou que (fl. 898): "(...) em relação ao DARF no valor de R$ 106.541,59, constatouse em pesquisas feitas no SINCOR/TRATAPAGTO/CONSPAGTO (vide em anexo) que o mesmo já se encontra em parte (R$ 72.343,06) bloqueado e em parte (R$ 34.198,53) alocado para pagamento da CSLL de 31/12/1996, sendo assim nenhum valor dele remanesce livre para ser utilizado como crédito a ser utilizado para compensação em 2001." (g.n.) Ocorre, contudo, que o entendimento da Sra. Agente Fiscal está equivocado, pois a Recorrente esclarece que, à época dos fatos, estava sob discussão a Ação Judicial n° 96.00047413, em que se tratava da majoração da alíquota da CSLL de 8% para 30%, sendo que essa quantia foi recolhida e posteriormente depositada judicialmente, o que gerou seu pagamento a maior a título de CSLL (depósito + DARF), correspondendo ao montante de R$ 72.343,06 (Vide quadro abaixo e documentos anexos que atestam o crédito doc. 08): [...] Ainda, no quadro abaixo está demonstrado os valores que foram compensados pela própria empresa Bamerindus CCVM, sendo o saldo Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 8 remanescente (Valor Original R$ 33.249,26) transferido e compensado na empresa HSBC CTVM: [...] Portanto, o montante de R$ 48.762,72 que decorre do pagamento do crédito com exigibilidade suspensa na ação n° 96.00047413, não está alocado para o pagamento da CSLL ou bloqueado, devendo ser imputado na quitação da CSLL do anocalendário de 2001. (grifos no original) A empresa recorrente reitera ponderações sobre a fragilidade e inconsistências do Auto de Infração contestado, o que deverá levar à sua nulidade absoluta. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo. Primeiramente, cumpre observar que a auditoria na empresa recorrente foi realizada de forma sumária e limitouse a cruzar os valores informados na DIPJ/02, ano calendário 2001, com os valores informados em DCTF, a título de CSLL/IRPJ devidas no ano calendário. A autuação referente à exigência de IRPJ foi formalizada no processo administrativo nº 16327.001988/2006851, tratandose o presente apenas da exigência de CSLL. O Termo de Início e Intimação Fiscal, datado em 27/10/06 consta às efls. 20, no qual verificase que a empresa não foi intimada a apresentar a escrituração contábil, a despeito de à época a compensação de Saldos Negativos acumulados ser realizada na contabilidade. Não foi juntada a resposta da recorrente aos autos, pela fiscalização, nem quaisquer documentos ou feito qualquer esclarecimento a este respeito. Verificase que a fiscalização juntou aos autos: parte da DIPJ/02; pesquisa das referidas DCTF, acusando débitos declarados e compensados no valor de R$ 177.569,64; a ficha 17 da DIPJ/01, relativa à base de cálculo da CSLL apurada do anocalendário de 2000 e a ficha 30 da DIPJ 00, relativa à CSLL a pagar apurada para o anocalendário de 1999. De posse destes documentos lavrou o Auto de Infração para a exigência da CSLL ora discutida, em 26/12/06, evitandose a decadência. Já na impugnação oferecida, a recorrente esclarece que a diferença constatada entre os referidos valores informados em DCTF e DIPJ/02 correspondem a compensações efetuadas de saldos negativos acumulados em razão de incorporações de outras empresas, tendo informado à fiscalização (16/11/2006 efls. 156), o que não foi considerado. 1 Acórdão nº 120100.650 Recurso de Ofício não provido Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302001.925 S1C3T2 Fl. 6 9 Assim esclarece que as empresas HSBC Bamerindus foi incorporada pela HSBC CCVM e a CCF BR Commodities foi incorporada pela HSBC Commodiites, sendo que estas duas últimas (HSBC CCVM e HSBC Commodities) foram incorporadas pela CCF BR CTVM, atualmente a recorrente, HSBC CTVM. Discrimina, analiticamente, o valor glosado no total de R$ 467.960,36 nas parcelas que o compõe, consoante relatado e demonstrado acima. Conforme relatado, a Turma Julgadora de Primeira Instância entendeu serem insuficientes os documentos acostados à impugnação e não determinou a realização de diligências, ainda que houvesse início de provas produzidas pela empresa (diferentemente do que resolveuse em relação à exigência de IRPJ, cuja turma julgadora que apreciou o litígio decidiu pelas diligências). Na Resolução já deliberada nestes autos, a fiscalização foi chamada a verificar junto aos documentos e esclarecimentos da recorrente quais os valores dentre os apontados pela recorrente, ou se todos, que fazia jus na compensação. Feito este breve resumo da situação fática do litígio instaurado, passase a apreciar a contestação preliminar da recorrente de que a autuação, por sua "superficialidade", sem a fiscalização examinar a contabilidade da empresa, deva ser declarada nula, por vício insanável, sendo defeso aos órgãos julgadores aperfeiçoar o lançamento tributário. Cumpre esclarecer sobre o assunto ora versado que todo o procedimento fiscal está respaldado na legislação tributária, a despeito de ter sido, de fato, realizado de forma sumária, possivelmente em face ao risco do lançamento tributário ser fulminado pela decadência. As infrações tributárias verificadas na auditoria são simples. No Auto de Infração as infrações tributárias foram explicitadas, a fundamentação legal foi exposta, os valores das matérias levadas à tributação também estão expressos, os demonstrativos de cálculos, inclusive dos acréscimos moratórios, enfim, todos os elementos materiais e formais constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 10 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Para gerar a nulidade arguída haveria de se comprovar, e constatar, no caso em concreto, cerceamento de defesa e/ou dano irreparável ao exercício do contraditório, o que, aliás, só se inicia após a lavratura do auto e o oferecimento da impugnação, quando o litígio é instaurado. As infrações tributárias tanto foram explicitadas que a recorrente se defendeu com conhecimento de cada um dos pontos da autuação e pode produzir o conjunto probatório devido, porém insuficiente, pelo que os autos baixaram em diligência para que se checasse os pontos alegados junto a outros documentos e esclarecimentos. A recorrente não sofreu, pois, qualquer cerceamento ao seu direito de ampla defesa, nem ao exercício do direito do contraditório, pelo que infundadas as alegações de que o Auto de Infração lavrado contra si possui quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade do lançamento tributário. As diligências solicitadas pela turma julgadora em nada inovaram o lançamento tributário ou serviram para respaldálo, mas foram determinadas sob a guarida do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não havendo qualquer impropriedade neste procedimento regular e comum à atividade do julgamento: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Destarte, as nulidades suscitadas pela recorrente devem ser afastadas. Passando à análise das questões meritórias, em minucioso trabalho realizado pela fiscalização, que remontou aos anoscalendários anteriores àquele objeto da autuação consoante relatado, somente dois valores daqueles demonstrados pela recorrente como responsáveis pela composição do valor glosado pela fiscalização, foram rejeitados nos trabalhos de diligências que, apesar da não apresentação do Livro Razão, contou com as DCTF, pesquisas de pagamentos efetuados e DARF não alocados ("liberados" nos sistemas), sistema Sapli, às atas e laudos de cisões e incorporações de empresas, assentamentos contábeis no Livro Diário e fichas do Razão Auxiliar, além de verificarse o acerto da empresa na utilização dos índices de correção dos créditos remanescentes. Verifiquese no demonstrativo de efls. 885 a 894 o minucioso trabalho da fiscalização que reputo por aceitável e concordo com as conclusões esposadas. Assim, de pronto, são admissíveis os valores discriminados pela recorrente em suas defesas, com exceção ao valor de R$ 32.427,18, cuja origem remonta ao ano calendário de 1997, pertencente à então HSBC Bamerindus S/A CCVM, e ao valor de R$ Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001989/200620 Acórdão n.º 1302001.925 S1C3T2 Fl. 7 11 48.762,72 relativo a DARF de recolhimento efetuado em 31/12/1996, pela mesma empresa, que passo a analisar. Do valor de R$ 32.427,18 A fiscalização logrou verificar a origem deste valor em dois DARF recolhidos pela HSBC Bamerindus S/A CCVM (: Data recolhimento vlr original vlr atualizado vlr compensado 28/02/97 6.283,99 11.769,28 11.428,70 31/03/97 11.545,87 21.624,26 20.998,48 32.427,18 Ocorre que, diferentemente dos outros valores que a recorrente requer a título de recolhimentos por DARF efetuados a maior (que estão "localizados e disponíveis"), estes dois recolhimentos estão alocados à CSLL devida relativa aos meses de competência janeiro e fevereiro de 1997. Por conseguinte, estes valores não estão disponibilizados como recolhimentos efetuados indevidamente / a maior, podendo tratarse de recolhimentos efetuados em virtude de ação judicial, a despeito da instituição financeira ter apresentado saldo negativo de CSLL naquele anocalendário. Assim é que a autoridade diligente explicou que somente a conta contábil exibida no Livro Razão, neste caso, daria a certeza necessária a retirar os DARF, em princípio, devidamente alocados em pagamentos devidos, e hábeis para a compensação desejada. Pelo motivo da recorrente não ter apresentado a referida conta contábil no Razão, não há como se deferir o referido valor. As contestações da recorrente, pelas razões expostas, não merecem acolhimento, pois limitase a reprisar que a instituição financeira apurou saldo negativo de CSLL em 1997 e que este valor não foi utilizado em anocalendário anterior a 2001. Do valor de R$ 48.762,72 Este valor foi acusado nos trabalhos fiscais como originado em um DARF de valor total de R$ 106.541,59 relativo à CSLL devida ao mês de novembro de 1996 (recolhimento em 31/11/96). O referido DARF encontrase devidamente alocado e não disponível, ou seja, deparase com a mesma situação anterior. Sem as fichas do Livro Razão das contas contábeis referentes a estes lançamentos contábeis, novamente, a fiscalização não pode assegurar o direito à restituição e compensação contábil do valor expresso neste DARF, a princípio recolhido devidamente. Verifiquese às efls. 893 que os outros valores de DARF requeridos pela recorrente encontramse localizados e disponíveis no sistema de controle da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil), ou seja, são passíveis de restituição por não alocados a débitos. De igual forma, as alegações da recorrente no que se refere à restituição/compensação do valor deste DARF não podem ser acolhidas, sem o Livro Razão, Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 12 cuja escrituração é obrigatória para as empresas financeiras e aquelas que optam pelo regime de tributação do Lucro Real. No que respeita à inconformidade da empresa em ter contra si lavrado o Auto de Infração para exigência de CSLL em valor desconforme com aqueles espelhados em DCTF, entendendo ser a DIPJ um instrumento de confissão de dívida, tal tese não procede. A DIPJ é um documento cuja natureza é meramente informativa, não podendo se equiparar à DCTF, cujos débitos declarados constituem confissão de dívida e independem de outro procedimento da Administração tributária para serem efetivamente inscritos em dívida pública da União e exigidos judicialmente (IN SRF nº 126/98. art. 7º, §1º). Por derradeiro, quanto à cobrança de juros calculados à taxa Selic, esta matéria encontrase sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade do lançamento tributário suscitada pela recorrente, e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso para excluir da exigência fiscal o valor de R$ 386.770,43, permanecendo a glosa de CSLL compensada indevidamente no valor de R$ 81.189,90. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10830.902035/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA.
1. A coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização das relações jurídicas.
2. É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Oliveira, que encaminhavam pelo conhecimento do recurso, em razão do fato gerador ter ocorrido em 2008 e da declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, pelo STF, com trânsito em julgado em 09/12/2014 e submetido à sistemática do art. 543-B do antigo CPC.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COISA JULGADA. Recorrente MARIA ASSUMPTA GERALDINI SIMOES PEIXEIRO Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. 1. A coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização das relações jurídicas. 2. É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 20 35 /2 01 3- 99 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Oliveira, que encaminhavam pelo conhecimento do recurso, em razão do fato gerador ter ocorrido em 2008 e da declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, pelo STF, com trânsito em julgado em 09/12/2014 e submetido à sistemática do art. 543B do antigo CPC. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.902035/201399 Acórdão n.º 2402005.289 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da DRJ/BHE, cuja ementa e resultado são os seguintes: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. IMPOSTO DE RENDA. Os rendimentos recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 sujeitamse à tributação na declaração de ajuste anual correspondente, somandose aos demais rendimentos auferidos no período. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.PAGAMENTO INDEVIDO Não comprovada a existência do direito creditório em que se embasou o pedido de restituição, o indeferimento deste deve ser mantido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Conhecido Assim, não foi reconhecido o direito creditório referente ao pedido de restituição de IRPF, pago em decorrência de lançamento de ofício recolhido por meio de DARF, no valor de R$ 11.693,55, por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica acumuladamente, no ano de 2008. Em manifestação de inconformidade, a contribuinte havia alegado o seguinte: a) pagou indevidamente o imposto apurado; b) a exigência foi ilegal, pois os valores recebidos foram oriundos de revisão de benefício previdenciário, pagos em atraso e de forma acumulada, e não poderiam ser alocados como um único valor global no ano do recebimento, conforme jurisprudência pacífica do STJ; c) o valor recolhido indevidamente é considerado indébito passível de restituição, com incidência de juros SELIC; d) o cálculo do IR sobre valores recebidos acumuladamente deve considerar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que tais rendimentos deveriam ter sido pagos; e) transcreve ementa de julgado judicial e cita o Ato Declaratório nº 01, de 27/03/2009, da PGFN, que dispensou os procuradores de interposição de recursos e orientou sobre a desistência dos já interpostos; f) salienta que na pergunta nº 232, do Manual “Perguntas e Respostas do IRPF”, a Receita Federal manifestouse no sentido de que não Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 constituiria crédito tributário relativo à matéria tratada no Ato Declaratório nº 1; g) a exigência fiscal levada a efeito revelase na contramão do entendimento da própria Secretaria da RFB e da sistemática diferenciada de tributação estabelecida pela Lei nº 12.350/2010. Para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, a DRJ se valeu dos seguintes fundamentos: h) a Lei nº 7.713/1988, em seu art. 12, dispõe que os rendimentos recebidos acumuladamente são tributados no mês de seu recebimento ou crédito; i) o Ato Declaratório até então vigente foi objeto de suspensão quando se emitiu o Parecer PGFN/CRJ 2.331/2010, porque o Supremo Tribunal Federal, instado a se pronunciar, alterou o entendimento, para reconhecer a repercussão geral nos recursos extraordinários nºs 614.406 e 614.232; j) o reconhecimento da repercussão geral pelo STF acabou por afastar essa proposição e abriu novas perspectivas em favor da tese defendida pela Fazenda Nacional, ou seja, a da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime do artigo 12 da Lei 7.713/1988; k) a Medida Provisória 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, introduziu na Lei nº 7.713/1988, o artigo 12A, caput, e seu §1º, e estabeleceu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, a partir de 1º de janeiro de 2010, passaria a se dar por um regime especial, no qual o imposto é calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito; l) consoante IN RFB nº 1.127/2011, a regra do art. 12A tem vigência a partir de 28/07/2010, podendo, entretanto, por opção do contribuinte, ser aplicada no período de 01/01/2010 a 27/01/2010 (art. 13); m) no caso em tela, a contribuinte recebeu rendimentos acumulados do INSS, no anocalendário 2008; n) assim, não é possível aplicar o disposto no artigo 12A da Lei 7.713/1988, com a redação dada pela Lei 12.350/2010, e na Instrução Normativa RFB 1.127/2011; o) não cabe falar em extinção do direito de a Fazenda Pública exigir o imposto; p) no caso, o prazo de 5 anos não havia expirado, vez que o rendimento foi recebido em 2008, o lançamento consolidado em 29/10/2012 e pago em 30/11/2012. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.902035/201399 Acórdão n.º 2402005.289 S2C4T2 Fl. 4 5 A contribuinte tomou ciência da decisão por meio eletrônico em 20/12/2013 (fl. 51) e interpôs recurso voluntário em 17/01/2014, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda que: q) a matéria tratada nessa demanda, qual seja, o modo de incidência do IRPF sobre verbas recebidas de forma acumulada (ou sua não incidência), foi discutida e julgada pela sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil na análise do Recurso Especial nº 1.118.429 SP, relatado pelo Ministro Herman Benjamin; r) neste julgamento, por unanimidade dos votos, restou consignado o entendimento de que para o cálculo do imposto incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas vigentes à época em que o rendimento deveria ter sido pago; s) por força do artigo 62A do RICARF/2012, tornase imperiosa a reprodução de tal decisão por todos os Conselheiros do CARF; t) foi aditada norma legal que estabelece sistemática diferenciada para a tributação dos RRA, efetuado pelo art. 20 da MP 497, de 27 de Julho de 2010, já convertida na Lei nº 12.350/2010, que resultou na inserção do art. 12A na Lei nº 7.713/88; u) em decorrência do artigo 100 do CTN, quando a contribuinte observa orientação contida em atos normativos expedidos pela própria Administração Tributária, ela não pode ficar a mercê de alterações posteriores, restando resguardado o direito de exclusão da punibilidade, da cobrança de juros e de eventual atualização monetária de crédito tributário oriundo da mudança na orientação anterior, sendo inadmissíveis juros de mora, inclusive sobre a multa de mora; v) o § 1º do artigo 144 do CTN dispõe que se aplica ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração, devendo o art. 20 da MP 297, portanto, retroagir. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será conhecido. No caso concreto, a recorrente havia recebido rendimentos acumulados decorrentes de ação movida perante a Justiça Federal (fl. 22/31) e havia sofrido notificação de lançamento de IRPF devido à acusação de omissão de rendimentos. Ato contínuo, a recorrente providenciou o pagamento do crédito tributário, mediante DARF, no valor de R$11.693,06, valor este objeto do presente pedido de restituição. Ocorre que, ao efetuar o pagamento dos tributos lançados através de NFLD, a recorrente expressamente renunciou ao contencioso administrativo (arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/1972). Vejase: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ora, a coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização da relação jurídica. Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles, "é sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes"1. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 22. ed. São Paulo, Malheiros, 1997, p. 589. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.902035/201399 Acórdão n.º 2402005.289 S2C4T2 Fl. 5 7 É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. A coisa julgada administrativa é uma via de mão dupla, trazendo previsibilidade tanto para o administrado, quanto para a própria administração. Nem se invoque o princípio da legalidade, pois a recorrente concordou com a exigência ao efetuar o pagamento no processo de constituição do crédito tributário. Logo, tampouco se pode dizer que ela ficou inerte, pois efetuou o recolhimento da exação constituída pelo lançamento. Por ato de vontade dela, não se instaurou a fase litigiosa naquele outro processo, estacandose o exame de legalidade em face de sua concordância. Não faz o menor sentido admitirse que, por via transversa (apreciação da manifestação de inconformidade), a administração seja obrigada a rever a coisa julgada administrativa, criando desestabilidade jurídica no processo administrativo fiscal. De acordo com o magistério de Hugo de Brito Machado Segundo, os julgamentos realizados no âmbito de um processo administrativo tem "feições jurisdicionais, praticados no âmbito de um processo contraditório e disciplinado em lei, no qual é feito o controle interno da legalidade dos atos da administração"2. No âmbito deste Conselho e desta Segunda Seção, o thema iudicandum tem sido decido da seguinte forma: RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.[...].Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 11020.002418/200986, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 17/02/2016, Relator(a) ARLINDO DA COSTA E SILVA, Acórdão 2401004.136, unânime) Destarte, o recurso voluntário não deve ser conhecido. 2 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 182. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15463.001384/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
PRÊMIO APOSENTADORIA.
O prêmio aposentadoria se enquadra como verbas típicas de PDV, portanto, não podem ser alcançadas pela tributação do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mees String e Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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O prêmio aposentadoria se enquadra como verbas típicas de PDV, portanto, não podem ser alcançadas pela tributação do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mees String e Carlos Henrique de Oliveira. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 00 13 84 /2 00 9- 54 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, consubstanciado na notificação de lançamento (fl. 12/16), tendo sido alterado o imposto a restituir declarado de R$ 24.574,41 para imposto a restituir de R$ 14.564,80. A autoridade fiscal identificou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Rendimentos tributáveis R$ 91.357,22 (reclamação trabalhista) – R$ 20.267,57 (honorários advocatícios) = R$ 71.089,63. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que foi acometida de câncer de mama desde 15/02/2001, enfermidade devidamente comprovada por laudo médico oficial e que lhe enquadra no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88. Assim, sendo considera que está isenta do imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos decorrentes de Justiça do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro relativo ao processo trabalhista RT nº 1591199303501009 da 35ª VT/RJ na qual é reclamado o Banco Itaú (sucessor do Banerj). Alega ainda que o STJ confirmou a isenção do imposto de renda sobre pagamentos relativos à indenização coletiva decorrente de convenção coletiva de trabalho e indenização pelo rompimento de contrato de trabalho durante a vigência da estabilidade temporária no emprego. A 20ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJI julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos acumuladamente por pessoa física portadora de moléstia grave, desde que correspondentes a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e que a sua condição seja atestada por laudo médico oficial. O laudo pericial deverá conter a informação de que a moléstia seja ou não passível de controle e, no caso de moléstia passível de controle, deverá ser informado o prazo de validade do laudo pericial, visto que o contribuinte só terá direito a referida isenção enquanto for portador da doença. Impugnação Improcedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/02/2014 (fl. 52) e, em 13/03/2014, interpôs o recurso de fls. 61/72, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15463.001384/200954 Acórdão n.º 2201003.080 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Com visto do relatório, a autoridade fiscal identificou uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e, consequentemente, alterou o imposto a restituir declarado de R$ 24.574,41 para imposto a restituir de R$ 14.564,80. Em sua Impugnação alegou a contribuinte que faz jus a isenção por ser portadora de moléstia grave, conforme laudo médico carreado aos autos. Ainda que assim não fosse, o rendimento recebido referese à indenização e, portanto, isento de imposto de renda. Por sua vez, a autoridade julgadora a quo não reconheceu o direito a isenção, sob o argumento de que “... Considero que o documento de fl. 17, por ter sido emitido em 2006 e reportarse à doença contraída em 2001, sem qualquer informação acerca da possibilidade de controle da moléstia, não é hábil para comprovar que a contribuinte ainda era portadora de neoplasia maligna no ano calendário 2008. Além disso, a contribuinte também não comprovou que os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista diziam respeito a rendimentos decorrentes de aposentadoria ou pensão.” De início, verifico que o documento de fl. 17 emitido pelo Serviço Público Federal do Instituto Nacional do Seguro Social atende os requisitos legais e, por conseguinte, deve ser considerado para fins de isenção do imposto de renda. Com efeito, o documento emitido pelo INCA, órgão do Ministério da Saúde, identifica que a suplicante foi acometida de câncer desde 05/02/2001. Por sua vez, como não foi consignado no documento que a doença seria passível de controle, entendo que não cabe ao julgador singular determinar tal data, como fundamento para negar o pedido de isenção. Ademais, entendo que a verba recebida pela recorrente não é passível de tributação, já que se refere à indenização pela perda do vínculo trabalhista, semelhante às indenizações pagas a título de PDV. Nesse passo, trago à colação decisão do TRF3 que versa sobre a mesma verba recebida pela recorrente da mesma fonte pagadora “BANERJ” intitulada de “prêmio de aposentadoria”: Ementa: TRIBUTÁRIO. REMESSA OFICIAL. CONHECIMENTO PARCIAL. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. PRÊMIO DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃO INCIDÊNCIA. VERBA HONORÁRIA. REDUÇÃO. Remessa oficial não conhecida, de parte do mérito, nos termos do art. 19 , II , parágrafo 2º da Lei n.º 10.522 /2002. De acordo com o disposto no art. 43 , incisos I e II , do Código Tributário Nacional , a tributação, a título de imposto de renda, incide sobre o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte. Conquanto a Súmula nº 215 do Superior Tribunal de Justiça tenha por objeto a inexigibilidade de tributação sobre a indenização decorrente de programa de demissão voluntária, o fato é que o pagamento de verbas rescisórias, mesmo que fora de contexto de adesão a plano de demissão voluntária ou de aposentadoria incentivada, não acarreta a incidência do imposto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 de renda se configurada a sua natureza jurídica de indenização. Isso porque a causa do seu pagamento é a rescisão de contrato de trabalho e o seu objetivo primordial é compensar financeiramente tal situação, ainda que acima dos limites da lei. In casu, os documentos acostados permitem concluir que a verba sob a rubrica de "PREMIO INC APOS", constante do Termo de rescisão de contrato de trabalho da fl. 29, foi percebida em razão de incentivo à aposentadoria, não se subsumindo ao conceito de renda ou proventos. Em se tratando de repetição de indébito tributário, sobre o montante devido deverá incidir a taxa SELIC, a título de juros moratórios e correção monetária, calculada a partir da data da retenção indevida, e vedada sua cumulação com outro índice de atualização, nos termos do disposto no art. 39, § 4º, da Lei 9.250 /95. Apelação e remessa oficial, na parte conhecida, parcialmente providas para reduzir a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), nos termos do art. 20, § 4º, do CPC, valor este adequado e suficiente, considerando a atuação e o zelo profissional empreendido.... (TRF3 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO APELREEX 1230 SP 000123008.2011.4.03.6100 Data de publicação: 26/07/2012) Citase, outrossim, ementa que traduz o entendimento do CARF: PREMIO DE APOSENTADORIA. O pagamento prêmio decorrente de aposentadoria de funcionário, nos termos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, consistentes em pagamento único após o deferimento de aposentadoria pelo órgão público responsável não configura base de cálculo para contribuições previdenciárias, uma vez que se configura como ganho eventual, de caráter não salarial e pago após a extinção do contrato de trabalho, não podendo ser, portanto, considerado como verba de natureza salarial. (Acórdão nº 2403002.847 Sessão de 03 de dezembro de 2014) Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15463.001384/200954 Acórdão n.º 2201003.080 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720311/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 03 11 /2 01 2- 50 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13836.720311/201250 Acórdão n.º 2202003.399 S2C2T2 Fl. 117 2 Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 40 e ss.), complementandoo ao final: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a presente Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, exercício 2008, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 2.880,18, sendo R$ 1.312,21 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 984,15 à multa de ofício e R$ 583,80 aos juros de mora (calculados até 31/08/2012). No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” é informado que foi efetuada a glosa do valor de R$ 4.771,66 indevidamente deduzido a título de “Despesas Médicas”, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme a seguir discriminado: Prestador Declarado Comprovado Interclínicas R$ 9.546,12 R$ 4.774,46 A contribuinte foi intimada a comprovar as deduções pleiteadas com o Plano de Saúde Interclínicas, pois apenas foram comprovados depósitos judiciais no total de R$ 4.774,46, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e setembro. DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03 através da qual alegou, em síntese, que o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte. Tratase de Ação Consignatória contra o Plano de Saúde em que o advogado responsável pelo depósito consignado não estava repassando os valores para o processo. Assim, foi destituído do processo, sem prejuízo dos danos causados. Porém, o mesmo vem se furtando da responsabilidade, estando em lugar incerto e não sabido. O advogado responsável pelos depósitos recebia mensalmente os valores na sua conta do Banco Itaú e era de sua responsabilidade efetuar os depósitos judiciais. Ao descobrir que o advogado não estava efetuando os repasses, a contribuinte destituiu o advogado e contratou nova advogada para defender seus interesses. Solicita prioridade na análise da impugnação com base no Estatuto do Idoso. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13836.720311/201250 Acórdão n.º 2202003.399 S2C2T2 Fl. 118 3 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a Autoridade Julgadora de 1ª instância considerou improcedente a impugnação apresentada porque, em resumo, a contribuinte fazia os depósitos na conta corrente do seu advogado, que deveria, de posse dos valores, efetuar os depósitos judiciais. O fato do advogado terse apropriado dos valores não pode ser aposto a terceiros interessados, no caso, o Plano de Saúde e, indiretamente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Destacou que não houve o recolhimento ao Plano de Saúde, de tal forma que não se comprovou a ocorrência das despesas médicas declaradas, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Cientificada dessa decisão em 28/03/2013 (AR na folha 44), a contribuinte, através de advogada, apresentou recurso voluntário em 30/04/2013, com protocolo na folha 45. Em sede de recurso, repisa os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, tratase de ação consignatória contra o plano de saúde e o advogado não estava efetuando os depósitos. Pede a procedência de seu recurso, tendo em vista os depósitos judiciais que anexa. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, uma vez que a ciência deuse em 28/03/2013, quintafeira (29/03/2013 foi sextafeira da Paixão feriado) e o início da contagem somente em 01/04/2013, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. De acordo com o Código Tributário Nacional, artigo 123, "as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à fazenda Nacional, para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação". Assim, a alegação de que dava dinheiro ao advogado para que o mesmo efetuasse depósitos referentes ao pagamento em consignação de Plano de Saúde e o mesmo apropriouse do dinheiro, sem depositálo não dão direito à contribuinte de deduzir a base de cálculo de seu imposto com esses valores. Ademais, o imposto sobre a renda das pessoas físicas é regido pelo regime de caixa, ou seja, os rendimentos e as despesas são considerados no mês em que foram efetivamente incorridos (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 4º). Se a contribuinte encontravase em litígio com o Plano de Saúde, e por isso os pagamentos estavam sendo consignados judicialmente, é porque não concordava com os valores cobrados. Não se sabe o resultado da ação, uma vez que o recurso não informa. Não se sabe ao final quanto a contribuinte teve que efetivamente pagar ao plano, com a conversão dos depósitos, ou quanto foi levantado de volta, em seu favor. Não é possível descontar da base de cálculo do imposto uma despesa ainda não incorrida, uma vez que estava, naquele ano de 2007, discutindo os valores judicialmente. Por fim, observo que as guias de depósito anexadas aos autos, que a contribuinte chama de "recibos e/ou notas fiscais contendo todos os requisitos exigidos pela legislação tributária", listando os requisitos do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13836.720311/201250 Acórdão n.º 2202003.399 S2C2T2 Fl. 119 4 Renda RIR/1999, tem datas de 2005 (fl. 48, 49, 51), 2006 (fl. 54, 56, 59, 61, etc...), 2007 (fl. 80,83, etc...), 2009 (fl. 88), 2010 (fl. 103) e mesmo 2011 (fl. 112), a título de exemplo. Aqui discutese exclusivamente a apuração do imposto de renda do ano calendário de 2007, exercício de 2008. Dessa feita, não estando comprovado que em 2007 a contribuinte efetivamente teve despesa com plano de saúde no valor que pleiteia deduzir de sua DIRPF/2008, mesmo porque os valores eram depositados judicialmente e o recurso não informa o resultado da ação de consignação, não sendo possível saber quem foi o vitorioso e qual valor se determinou que fosse efetivamente pago, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000020/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, em indeferir, por maioria de votos, o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, em indeferir, por maioria de votos, o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 00 20 /2 00 5- 43 Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o COFINS do período de apuração 4° trimestre de 2004, no valor de R$ 3.143.686,29. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei)., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 2.018.177,19. Fl. 2887DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000020/200543 Acórdão n.º 3401003.036 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2888DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000020/200543 Acórdão n.º 3401003.036 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 2.018.177,19 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.151 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.151 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000020/200543 Acórdão n.º 3401003.036 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000020/200543 Acórdão n.º 3401003.036 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000020/200543 Acórdão n.º 3401003.036 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10715.007666/2009-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 76 66 /2 00 9- 32 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 216 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.330, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 217 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 218 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 219 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 220 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 221 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 222 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 9303003.784 CSRFT3 Fl. 223 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10925.002038/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002 e 2003
Ementa: SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem o que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei.
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001- Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei no 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, ampliou os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o § 1°do art. 144 do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores o creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF - DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após o cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
MULTA QUALIFICADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INEXISTÊNCIA Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com. a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo. 5° da lei Complementar no 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, 2° e 3°, do Decreto no 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. O fato do contribuinte não conseguir demonstrar que os valores creditados em suas contas-correntes pertencem à empresa da qual ele é sócio não se constitui em elemento capaz de qualificara multa devida.
SÚMULA N° 14 - A simples apuração de omissão de receita ou
de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de
fraude.
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-48.326
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário de 2000. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 200i. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Relator). Designado o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho para redigir o Voto Vencedor. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de erro no critério temporal em relação aos fatos geradores até, o mês de novembro/2001 e novembro/2002, suscitada pelo Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que fica vencido e apresenta "declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 e 2003 Ementa: SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem o que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001- Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei no 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, ampliou os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o § 1°do art. 144 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores o creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF - DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após o cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. MULTA QUALIFICADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INEXISTÊNCIA Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com. a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo. 5° da lei Complementar no 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, 2° e 3°, do Decreto no 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. O fato do contribuinte não conseguir demonstrar que os valores creditados em suas contas-correntes pertencem à empresa da qual ele é sócio não se constitui em elemento capaz de qualificara multa devida. SÚMULA N° 14 - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude. Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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Recurso nO Matéria A~rdioDo Sessiode Recorrente Recorrida 10925.002038/2005-61 152.683 Voluntário IRPF - Exs.: 2001 a 2003 102-48.326 Acórdão retificado com base DO art. 58 do RIICC. Vide Despacho Sanead.or nO 578, de 27/11/2008, que passa a seorparte integrante deste. o, Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF o Exercício: 2001, 200~ e 2003 Ementa: SIGILO BANCÁRIO • Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem o que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei, APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 200 I ~Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nO 9.311, de 1996, a Lei nO 10.174, de 2001, ampliou os' poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o 9 1°do art. 144 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores o creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, medi"ante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. . IRPF - DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após o cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. - . MULTA QUALIFICADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - INEXISTÊNCIA - Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do- contribuinte com. a ~rI!-- ProceSso n," 10925.00203812005-61' Acórdão n," 102-48.326 , , .finalidade de sonegar o tributó, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar 'transáção financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo. 5° da lei Complementar nO 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, ~~ 2° e.3°, do Decreto nO 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos QS recursos que movimentou. O fato do contribuinte não conseguir demonstrar que os valores creditados em sua$ contas-correntes pert~ncem à empresa da qual ele é sócio não se constitui em elemento capaz . de qualificara multa devida. SÚMULA N° 14 - A simples apuràção de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude. Prelimin~ rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ~ ;. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DESQUÀLIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao ano-:calendário de 2000. Vencido. o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Por maioria de votos,' REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 200i. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli 'Nunes da Silva (Relator). Designado o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho para redigir o Voto Vencedor. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de . erro no critério temporal em relação aos fatos"geradores até, o mês de novembro/2001 e novembro/2002, suscitada pelo Conselheiro. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que fica vencido e apresenta "declaração de votó. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos dorelatórió é voto que passam a integrar o presente julgado. ':'$tL~~' * LEILA MARIA SCHERER LEITAO Presidente .~4S2 ALEXANDRE ANDRADE LIMA~D:A::FO~N:T~E~F:I~L~H~P----~---~ Redator Designado •.I '/ , /, ProceS$()'ltO 10925,00203812005-61 Acórdão n," 102-48.326 . ,. '/' .' ..',! f. ' .'. J ~ \ r, ) ,FORMAL~ADO.EM:, '1' O o'E Z2.007 \:.. \.1 ' ,./ " ;' / , , (' :.J ./ I ; ParticipararÓ.aind~',do. pres~te julg~ento, os 'Coriselhéiros; 'OSÉ RAIMUNPO TOSTA' SANTOS, SILVANA MANCINlKARAM'c;ANTÓNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA, , , ~. j,- ), " J- ~ ,\ ;" " , / / \ I, ' /'. .' ,, .-' :'1 ~.f!-....., " . . / •.... ./ ,i , -., '. / " , \ ,I I .. r .1 " 'I ./ t' .I , I '. ".,,' ' '" .~ \ \.. '.' )' " .~. -"! . ,'. ,'/ ) '. , .' '/' '1 , u, ' ., • »o Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n.D 102-48.326 I. Relatório Em 22 de março de 2004 o contribuinte foi intimado para apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários de todas suas contas~correntes no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002, comprovando, de forma individualizada, a origem dos respectivos recursos, bem como 'para comprovar a origem e o destino dado às disponibilidades em moeda estrangeira (dólares) - US$ 82.467.00, registrados na IRF/Dionísio Cerqueira. em 07/11/2002. , . Decorrido o prazo de 20 dias, a Fiscalização requisitou informações às instituições financeiras e em 23 de junho de 2004, após reintimação, o fiscalizado apresentou os esclarecimentos de fls. 149 e seguintes, juntando cópia da empresa comercial denominada CEREAL S & S IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LIDA, constituida em 15 de fevereiro de 2001, co~ irncio das atividades em 01 de março de 2001. . Em 26 de julho de 2003 ó requerente juntou aos autos as notas fiscais de fls. 175 a 199, e livros contábeis da empresa antes nominada, afirmando o quanto segue na ,petição de fl. 174: "I Para comprovar a origem dos recursos depositados na conta corrente pessoa jisica, em anexo estamos encaminhando cópias de notaS jiscais de Clientes da Empresa CEREAL ALIMENTOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. da qual o mesmo é sócio gerente. onde clientes efetuam depósitos na conta corrente da pessoa física, notas fiscais tais: 033, 122. 163, 156, 151, 174, 181, 204, 231, 214,221, 264, 304,307,309,310, lH, 315, 323, 331,364,375,405 e 406, "Com relação ao ~no de 2000, estamos anexando cópia fiel do livro registro de saídas de mercadorias de clientes da empresa MERCANTIL S & S IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, onde constam os valores faturados pela empresa no ano de 2000. As notas fiscais que foram objeto do faturamento estão em poder da fiscalização Estadual, motivo de que a mesma encontrar-se em processo de baixa conforme cópia FAC datada de 14 defevereiro de 2001." No decorrer da instrução vieram aos autos os documentos de fls. 233 a 325, relacionados à movimentação comercial da empresa MERCANTIL S & S IMPORTAÇÃO E, . EXPORTAÇÃO LTDA,no ano de 2000 . .Quanto aos demais fatos narrados no processo, adoto o relatóriocons~te da decisão recorrida, do qual transcrevo as passagens especificadas nos parágrafos seguintes: Em consultà à Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração (fls. 21 a 23) e ao Relatório da Atividade Fiscal de. fls. 6 a 14, verifica-se que a autuação se deu em razão das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos em virtude da detecção de acréscimo patrimonial a descoberto, apurado nos .meses de fevereiro e março de 200 I; , ,1 .\ , Processo n.• 10925.002038'2005-61 Acórdão n.o 102-48.326 b) omissão de rendimentos proveniente da falta de comprovação da origem de depósitos bancários nas contas do contribuinte nos anos-calendário 2000, 2001 e 2002. Entendendo' que restou evidenciado o intuito doloso do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis, a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150% sobre o valor do imposto apurado. Inconformado com o lançamento, o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 516 a 538, instruída com os documentos de fls. 540 a 10741, apresentada por seu procurador, conforme instrumento de mandato de fl. 539, fazendo inicialmente um breve relato da ação fiscal (item 1 -,fls. 516 e 517). No item 2. Preliminar (fls. 517 a 523), o interessado apresenta um conjunto de / . alegações argüindo a nulidade do lançamento. Às fls. 517 a 522 (item 2.1), argúi a nulidade do procedimento fiscal alegando, em .síntese, que o sigilo bancário do contribuinte foi quebrado sem. autorização judicial. Ademais, baseando-se no art. 6Q da Lei Complementar nQ 105/2001, o fisco requisitou diretamente aos bancos cópias dos extratos de contas correntes e aplicações financeiras e outros documentos bancários, ao arrepio do disposto nos incisos LIV e LV da Constituição Federal, preterindo o direito de defesa do contribuinte. Por fim, afirma que não existem .garantias de que foram respeitadas as regras do Decreto nO3.724/2001 a fim de garantir a manutenção do sigilo das informações, ante a ausência de recibos, comprovando que as informações foram recebidas por pessoas autorizadas e que os documentos tenham sidp resguardados em condições especiais de segurança Cita jurisprudência administrativa sobre o assunto. No item 2.2 (fls. 522 e 523), o interessado pugna pela nulidade do arrolamento dos bens efetuado, uma vez que não houve a indicação dos pressupostos de fato' e de direito que determinaram o ato. . No item 3, às fls. 523 e 524, alega a decadência do crédito tributário decorrente dos fatos geradores anteriores a 13.10.2000, uma vez que o lançamento foi notificado em 13.10.2005. Ressalta que os tributos foram lançados com fundamento na presunção legal estabelecido no art. 42 da Lei nQ 9.430/1996, que no seu parágrafo 4Q reza que lia tributação dos rendimentos omitidos será no mês em que forem. considerados recebidos (art. ~ da Lei ,{l 7.713/1988 e art. ~ da Lei rfl8.134/1990), e com base na tabela vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pelá instituição financeira ". Cita acórdão do.Conselho de Contribuinte sobre o assunto. No item 4.1 (fls. 424 e 425), o interessado questiona o acréscimo pattimonial apurado pela fiscalização. Alega que não foram considerados, na totalidl;lde, os valores . disponíveis em moeda corrente nacional, juntando cópia das dt:elarações de rendimentos, devidamente retificadas, que contemplam os lucros .distribuídos pela empresa Mercantil S & S Importação e Exportação Ltda. Sustenta que em 31.12.2000 possuía em moeda corrente . nacional o valor de R$ 100.000,00, os quais teriam sido utilizados na aquisição de um imóvel, 1 Contratos sociais, conta,bilidade e grande quantidade de notas fiscais (2 volumes - Voi. IV, V, e parte do VaI. VI - ) da empresa. M.J.M. & CIA LTDA, atual denominação da empresa CEREAL ALIMENTOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LIDA. ,\ Processo n,o 10925,00203812005-61 Acórdão n,o 102-48,326 ,em 01.02.2001, por R$ 8.000,00, na aquisição d,e um lote urbano, em 15.02.2001, por R$41.000,00, e, em 08,03.2001, utilizou RS49.000,00 para integralizar capital na empresa Cereal Alimentos Importação e Exportação Ltda, todas as operações realizadas em dinheiro. Conclui, assim, que restou demonstrado' que não houve o alegado acréscimo patrimonial 'a descoberto. No item 4.2 (fls. 525 a 530),0 contribuinte questiona a tributação dos depósitos bancários, alegando que todos os valores que transitaram nas suas contas bancárias pertenciam a empresas das quais ou é sócio ou é administrador. Sustenta que tais valores foram devidamente declarados pelas empresas e que são decorrentes de. transações comerciais regulares e lícitas. . Justifica, ainda, que tais valores pertencem a pequenas empresas de administração familiar, cuja organização contábil e burocrática não se' compara às das grandes organizações e que a diversidade de clientes de outras localidades fez com que estas empresas utilizassem as contas particulares do ,seu administrador. Aduz que n~o existe nonna que proiba expressamente a movimentação bancária com valores pertencentes à outra pessoa, alegando que a própria Lei nl!9.430/1996, em seu art. 42, parágrafo 511., prevê que "Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". " Para fins de comprovar o alegado, o interessado junta notas fiscais, planilhas, , livro diário e declarações da pessoa jurídica. Sustenta que (fi. 526): Os valores. globais lançados na contabilidade e declaraCões são suficientes para comprovar a licitude e a origem dos 'recursos que transitaram nas contas bancárias. Mormente por se saber que o autuado é ou fOi o maior cotista das empresas, nos respectivos períodos. sendo também o administrador (does;- 06 e 07), À fl. 527, reitera que os depósitos anteriores a novembro de 2000 já estariam' atingidos pela decadência. Mesmo assim, alega que os depósitos efetuados em suas quatro contas bancárias advêm de movimentação declarada da empresa Mercantil S & S Importação e , Exportação Ltda., anexando os documentos comprobatórios da origem dos valores depositados e declaração retificadora. ' , Pugna pela aplicação parágrafo 6° do art. 42 da Lei 9.430/1996 (fls. 527 e 528), aCrescentado pela Lei nO10.637/2002, para valor~ apurados no ano-calendário 2000 na conta do HSBC, a fim de que sejam tributados 50% dos depósitosbarrcários pára cada titular,juntado cópia da DIRPF de Marlstela Korbes entregue em separado. Segundo os cálculos do contribuinte, excluindo-se os valores já decaidos, restaria somente o valor de R$ 1.000,00, ou seja, R$ 500,00 para cada titular desta conta. . Quanto aos demais depósitos (anos-calendário 2001 e 2002), o interessado afirma (fls. 528 e 529) que estes representam parte 'das vendas realizadas à vista pela empresa e que as planilhas por ele elaboradlls Comprovam a origem do valor de R$ 214.101,46, contra os R$ 295.943,35 relacionados pela fiscalização à fi. 15. Considerando que as notas fiscais relacionadas comprovam a movimentação total de R$ 470.338,84 (valor maior do que o •• ••. I Processo n.- 10925.00203812005-61 Acórdão n.- 102-48.326 apurado pela fiscalização), conclui que resta demonstrada a origem de todos os depósitos qu~stionados pelo autuante no período. Sem prejuízo, das razões já mencioI,ladas,.alega o contribuinte, às fls. 529 e 530, que "não pode haver o arbitramento do imposto com base somente nos depósitos bancários. " Cita acórdão do Conselho de Contribuintes, para concluir que o m:t.42 da Lei n~9.430/1996 só se aplicaria ao regime de lucro real. Ao final deste item, à fi. 530, o interessado afinna que o autuante deixou de aplicar o disposto no parágrafo 3Q do art. 42 da Lei nQ 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nll 9.481/1997. Entende que o limite de R$ 12.000,00 por lançamento e R$ 80.000,00 deveria ser aplicado de fonna isolada a cada conta bancária, o que implicaria em excluir da tributação os depósitos na .conta nll 6.329-0 do Banco do Brasil (anos-calendário 2000 e 2001), na conta nO11502-0 do Banestado (ano-calendário 2000) e na conta nO.01114-87. do HSBC (ano-calendário 2000), o que resultaria na diminuição da base de cálculo dos vaiores de R$ 28.328,13, R$ 3.620,00, R$.19.463,65 e R$ 61.963,00. Cita acórdãos do COhselho de Contribuintes sobre o assunto. No item 4.3 (fls. 531\a 537), o contribuinte requer a redução da multa aplicada. I Inicialmente, alega, às fls. 531 e 532, que não restou demonstrada a realização de fraude para que fosse aplicada a multa qualificada de 150%. Sustenta que, considerando que a Receita" Federal tem acesso às informações bancárias," meSmo que ilégítimo, no seu entender, a fraude seria uma infração impossível. Ademais, não teria havido qualquer intuito de sonegação ou fraude, pois os valores quç transitaram nas contas -bancárias foram devidamente declarados e contabilizados nas respectivas empresas. Cita diversas' decisões administrativas sobre o tema. Prossegue às 'fls. 532 a 537, discorre longamente sobre a legalidade da multa de oficio de 150%, alegando, em síntese, não obstante sua previsão legal, ser esta extremamente excessiva, contrariando os princípios constitucionais de vedação ao confisco, do direito de propriedade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da individualização da pena, requerendo a aplicação da multa de 20% ou, no máximo, 75% sobre o montante do imposto efetivamente devido. .' A 4&..Turma da DRJ de Florianópolis julgou procedente o lançamento, com o acórdão possuindo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-ea/endário: 2000.2001,2001 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSA-ODE RENDIMENTOS- Caracterizam" omissão de rendimentos os yalores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição jinancéira. quando o contribuinte. regularmente intimado, não comprova, mediante" documentação hábil e idônea. a origem dos recursos utilizados nessas operações. . DEPÓSITÓS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO - A omissão de rendimentos apurada por meio da, •• Processo n.ol 0925.00203812005-61 Acórdão 'n.o 102-48.326 presunção de depósitos bancdrios de origem não comprovada está sujeitp a tributação no ajuste anual . . ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Classifica-se como omissiio de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou . tributados exciusivamente na fonte, não logrando o contribuinte" apresentar documentação. capaz de ilidir a tributação. IL_ / ACRÉSCiMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM EsplcIE - A simples alegação d~ existência de dinheiro em espécie \ no final do ano não serve para justificar aCréscimo patrimonial a descoberto apurado no ano seguinte. . Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: SIGILO BANCARIo. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA - O sig;lo btlncário frente à Administração Tributária não é absoluto, não se configurando, com a prestação das informações e ofomecimen!o de documentos por parte das instituições financeiras, em' ~tendimento a requisições de autoridades fiscais competentes, quebra de sigilo, mas apenas sua transferência .. .DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE - Nos cas~s em que for constatada- a fraude, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àqüe/e em que o.lançamento poderia ter sido efetuado. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam. as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos .concretos não oco"eram na forma como presumidos pela lei. . • ARGÜIÇÃO DE ILEG,ALIDADE E. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINiSTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO - As autoridades .administr~tivas estão obrigadas à observância da legislaçãotrlbutária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regu/annente editados., MULTA QUALIFICADA - Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a apllcàção da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 20ÓO,2001, 1'002 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO - O conhecimento de afinnações relativas a fatos, , apresentadas pelo contribuinte para contraditare/ementos regulares J ' " " , \ " . Processo n.•~1092$.00203812005-6 t Acórdão n." I02:.t8.326., I \. , 'o de prova ,trazidos aos 'autos pela {iutoridade fispt;!l,' deinand~sua, cçmsubstanciação por via de outros ,elementos .prrbatórios, pois sem substrato 'mostram-se como.meras. alegações, processua'lmente inacatátiéis. ,', " \' - ' , ' I p - - \ ' " • • _. .:1 . lntimado do ~c6rdãoem 06 d~ abril de 2006 (fl.~1.099), em 05 de tl}aioqe 2006 o recorrente apr~sentou o recurso 'de fls. 1.101 a '1.124" reiterando os argumentos articulàdos quando dá impugnação, já relatados,' ' ." '. ' '" " " 'o , : I ' ,. I ", oI \ \,' I Registrada a existência dea.ri.lamevto de bens, os autos foram encaminhados a' ,este Egrégio Conselho de contril>uirites. ". ' ( /":S " \ '( / , . ;./. ,E o RelatorIo. o .. ' . .,'1 , \ " ! , ' .. .'" .. '/ _,~ r ,\ \' I I I ' <, 'I I ,. '\. , \ , \ /' 0"/ ,/ ' " , ". J ! 'J " I , " r 7 . , . , , I ~ o ';- I , 'I 'I , " , ..' .; , , I,/ I "" " , ,l- I i l ,:,'- ,~-' _,_' --_._--------- ti ," Processo n.oI0925.oo2038I2oo5-61 Acórdão n.o 102-48.326 Voto Vencido Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator o recurso é tempestivo, na conformidáde do prazo estabelecido pelo artigo 33 .do Decreto nO. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundam~ntado e contém .arrola1Jlentode bens, conforme especificado do relatório. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. " DAS PRELIMINARES: Da alegação de irretroatividade da Lei Complementar nO105, de 2001 e da Lei complementar nO 10.174, de 2001, que o recorrente denominou de "preliminar de nulidade do auto de infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial." . , Em relação à alegação de irretroatividade da lei, tenho' que a norma que . suprime direito não ~ norma de natureza instrumental, mas sim lei material. Imaginar que a lei nova tenha eficáciá para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada, é o mesmo que admitir que a. norma revogada não produziu efeitos em relação aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Nesta linha de raciocínio, em se tratando de lançamento feito a partir da movimentação financeira, 'tenho enfrentado a Preliminar de irretroatividade da lei, com as considerações e fundamentos que seguem. Em 25 de outubro de 1996, ingressou no ordenamento jurídico brasileiro a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, .que institui a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira - CPMF, e dá outras providências, sendo que o artigo 11, ~ 3°' , desta Lei possuia a s~guinte redação: rIS 3~ A Secretaria da Receita Federal resguardará. na forma da legislação aplicada à matéria. o sigilo das informações prestadas. vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. " Posto o conteúdo da norma, cabe analisar a quem se destinam as expre.ssões: "vedada ,sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." Tais expressões estariam conferindo algum tipo de direito aos . jurisdicionados e, caso afirmativo, qual a natureza deste direito? Antes de responder estas indagações, algumas considerações se fazem necessárias para que se possàm éompreender as regras de proteção do sigilo bancário existentes até 1996. As.sim, retroagimos ao ~o de 1964 para analisar as disposições da Lei nO4.595, norma esta com status de Lei Complementar, que d.ispõe s~bre a Política e as Instituições monetárias, bancárias e creditícias, cria o Conselho •• Processo n." 10925.00203812005-61 Acórdão n.• 10248.326 , Monetário Nacional, ,e dá outras providências, contendo os seguintes preceitos no artigo 38 e . respectivo ~ 7°, a seguir transcritos: . ''Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. . i 1". .As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder. Judiciário, prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa. que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma~ I 7". A quebra de sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão de 1 (um). a 4 (quatro) anos. aplicando-se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal. sem prejuízo dJ outras sanções ,cabíveis. " As indagações feitas anteriormente em relação à Lei nO9.311, de 1996, valem para as disposições do artigo 38 da Lei nO4.495; de 1964. A quem se destinam as expressões: "as informaçõês e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário", contidas no ~ 1°. do artigo 38 e a previsão do ~ 7°. de que se constitui crime a quebra do sigilo bancário? Qual a natureza desta norma: instrumental ou materiá1? Se tais dados, estão sob o controle do Estado, ente soberano, é preciso que se compreenda o porquê este impõe limitação à sua atuação, instituindo dois outros poderes, um com a função de criar leis e outro com a tarefa de verificar a legalidade dos atos praticados pelo próprio Estado, por meio.do Poder Executivo. A propósito deste assunto e sem nos ater a digressões doutrinárias, a história - revela que a humanidade percebeu que era necessário limitar as ações do Estado-soberano como fonna de proteção dos indivíduos frente ao Estado. Inicialmente concebido para proteger seus súditos, houve determinado período na história em que os indivíduos passaram ter medo das ações ilimitadas do Estado, sur&indo a conhecida doutrina dos "freios, e contra-pesos", por meio da qual um órgão do Estado-soberado limita e fiscaliza a atuação do outro. Nesta linha, o Judiciário tem sua atuação limitada pelo Poder Legislativo, o Poder Executivo, quando age em desconformidade com a lei, tem seus atos corrigidos pelo Judiciário, sendo que os limites de atuação do Poder .Legislativo são fixados por. meio do pacto social que institui o Poder Constituinte que aprova norma de hierarquia superior que deve ser observada por todos: Voltando às disposições do artigo 38 da Lei nO4.595, de 1964, quando tal norma prevê que somente o Poder Judiciário poderá quebrar o sigilo bancário, rião nos resta dúvida que se trata de uma norma que limita a atuação do Estado-soberano e confere direito aos indivíduos, cabendo perquirir qual a natureza deste direito: material ou instrumental? Partindo da singela concepção de que direito material deve ser compreendido como sendo a norma que confere detenninado bem jurídico a alguém e de que direito . instrumental se constitui da nQnna de que se valem os. jurisdicionados para exigirem do Estado-jurisdição o bem da vida que lhes foi subtraído ou espontaneamente não lhes foi alcançado pelo obrigado, tenho que o artigo 38 da Lei nO 4.595, de 1964, era norma de natureza material. Assim, por meio do dispositivo legal aqui citado, antes de sua alteração, integrava o rol de direito de todos os indivíduos a garantia de que; sem ordem judicial, ninguém teria acesso aos seus dados bancários. •• Processo n.- 10925.00203812005-61 Acórdão n.- 102-48.326 Chegando a conclusão de que o artigo 38 da Lei nO4.595, era norma de natureza material, é preciso que se diga que as nonnas desta natureza só podem ser alteradas por leis de idêntica qualidade, sendo vedado, em qualquer hipótese a aplicação retroativa. Ao se admitir a aplicação retroativa de nonna de natureza material voltár:'se-ia aos primórdios em que os súditos não mais acreditavam no Estado que passou a ser visto como.o Estado-tirano. Nenhuma garantia. teria o indivíduo se o Estado, a qualquer momento, viesse elaborar leis para subtrair direitos ou prerrogativas decorrentes de relações jurídicas concebidas sob a égide de norma anterior. Diante de tais considerações, volto ao texto do ~ 3°.. do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, antes de sua alteração pela Lei n° 10.174, de 2001, e peço vênia para comparar com para o artigo 38 da Lei nO.4.595, de 1964, sendo que estou grifando as expressões em relação as quais quero fazer considerações: ~ 3°. do artigo 11 da Lei n~ 9.311/96, em sua Artigo 38 da Lei n° 4.595/64, em sua redação redação primitiva I primitiva "Art. 38. As instituiCÕes financeiras conservarão si<&ilo tt~ 30. A Secretaria da Receita Federal resguardarâ, na em suas QJ1ecacões álivas e pasSivas e servicos forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das prestados. informações prestadas, vedada sua utilizacão para lI". As informaCÕese esclarecimentos ordenados pelo constituicão do crédito tributârio relativo a outras Poder Judiciário. prestados pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras. e a exibição de contribuições ou impostos." livros e documentos emjuízo, se revestirão sempre do . mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. Inequivocadamente, as expressões acima grifadas possuem a mesma natureza. Conferem aos administrados a garantia de que, salvo por ordem judicial, toda e qualquer . movimentação b.ancária feita na Vigência de tais normas, em momento algum será utilizada para quaisquer fins, que não os previstos nas leis vigentes ria época em que ocorreram os depósitos bancários. Sabidamente as leis existem e produzem efeitos até que norma subseqüente, de idêntica hierarquia, as revogue. Entretanto,. é preciso que se tenha presente que a lei que vier modificar norma. anterior destina-se a regular os atos da vida que se efetivarem a partir de sua vigência. Imaginar que a lei nova tenha efitáda para desconsiderar direitos, que de forma plena se verificaram na vigência da lei revogada é o mesmo que admitir que a norma revogada não' produziu efeitos em relaçio aos fatos que se concretizaram durante sua vigência. Concluindo que o ~ 30. do artigo 11 da Lei nO9.311, de 1996, é norma de natureza material que confere aos administrados o direito de que ninguém irá investigar suas movimentações financeiras, salvo por ordem judicial, em razão da divergência jurisprudencial, ora o STJ julgando na esteira do Recurso Especial n°. 608.053 entendendo que a Lei Complementar nO. 105, de 2001 e a Lei nO. 10.174, de 2001, não têm aplicação a fatos ocorridos antes de sua vigência, "sob pena de violar o princípio da irretroatividade das leis", ora julgando na linha seguida no Recurso Especial'no 668.012, decidido por voto de desempate ~ .. , J .' Processo n.o 10925,00203812005-61 Acórdão n,o 102-48,326 ' da Ministra Denise Àrruda, admitindo a aplicação retroativa das leis aqui citadas, tramitando ainda, junto ao Supremo Tribunal Federal as Ações Diretas de Inconstitucionalidade de nO 2406; 2397 e 2390, cujo relator é o Ministro 'Sepúlveda Pertence, cabe-nos fazer algumas considerações em relação aos 'argumentos utilizados por aqueles que admitem a aplicaÇão das referidas leis pata investigar fatos ocorridos antes do início de sua vigência que, em síntese, assim sustentam o entendimento que defendem: A Lei nO. 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n°. 105, de 2001, que introduziram, respectivamente. afterações nos artigos lI, 9 3°. da Lei 9.311, de 1996 e artigo 38 da, Lei 4.595, de 1964, ampliaram as hipóteses de. prestação de informações bancárias, permitindo a utilização de' dados a partir da arrecadação da CPMF para a apuração e constituição de crédito referente a outros tributos. Havendo ampliação dos poderes em busca de informações, à luz do artigo 144, $ 1".• a seguir transcrito, tratam-se de normas de natureza instrumental. Art. 144..... i }"Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos, critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios. exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. _ Na linha do entendimento liderado pelo Des. Fed. Wellington Mendes, de Almeida, do TRF da 48• Região, atualmente aposentado, "mostra-~e'destituido de fundamento constitucional o argumento de que o art. 144, ~ 1°, do CTN, autoriza a aplicação da legislação posterior à ocorrência do fato gerador que instituiu novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ao lançamento do crédito tributário, visto que este dispositivo refere-se a prerrogativas meramente instrumentais, não podendo ser interpretado de forma colidente com as garantias de inviolabilidade de dados e de sigilo bancário, decorrentes do direito à intimidade e à vida privada, elencadas como' direitos individuais fundamentais no art. 5°, incisos X e XII, da Constituição de 1988". . / , . , Aos fundamentos anteriormente transcritos, destaco que é precis,Ose ter presente de que toda a norma que suprime direito não é norma de natureza instrumental, mas sim .lei material. Na linha do que coloquei anteriormente, quando o artigo 38 da Lei nO4.595, de 1964, garantiu aos, correntistas a inviolabilidade do sigilo bancário, salvo mediante determinação judicial, dita norma outorgou aos administrados garantia de natureza material. Idêntico entendimento aplica-se em relação ao ~ 3°. do artigo 11 da Lei 9.311, de 1996. Não se pode dizer que o citado dispositivo possuía natureza instrumental. Tratava-se de norma de caráter material que limitava o poder do Estado-soberano frente ao indivíduo. A limitação do poder do EstadO-Administração frente ao cidadão é para este wna garantia de natureza material que, se violada, legitima o ofendido a rec~)Fferao Judiciário, usando-se para tal as nonnas de natureza instrumental como, por exemplo, o mandado de segurança. A Lei nO10.174, de 2001 e aLei Complementar nO 105, de 2001, ao admitirem a utilização de dados bancários a partir da arrecadação da CPMf para a apuração e constituição de crédito referen.te a outros tributos. não possuem natureza instrumental porque extinguiram direito de natureza material que conferia aos contribuintes a segurança que, dura,,:te a vigência das normas que resultaram modificadas, salvo por decisão judicial, não ------;:--- .J .' Processo n•• 10925.00203812005-61 Acórdão n.oI0248.326 seriam utilizados os dados referentes às operações bancárias para .exigência de qualquer tributo além da CPMF. A propósito do assunto, o ilustre advogado paulista José Antônio Minatel, em recurso patrocinado junto à Segunda Turma do Primeiro Conselho, enfrenta o, tema com a seguinte precisão: , "Com ,efeito, a Lei nO /0.174/0' revogou expressamente a proibição éontida na Lei nO 9.311/96, criando novo direito para a Administração tributária. Logo, verijica'"se que o ordenamento posterior não se amolda ao contexto delimitado no 9 1°. do artigo /44 do Código Tributário Nacional, pois a inovação legislativa não ampliou os poderes de fiscalização pré-existentes, mas sim trouxe novo poder de investigação para as autoridades administrativas, permitindo a utilização de dados da CPMF para a constituição do crédito tributário, quando na legislação anterior tal procedimento era expressamente proibido. " Ademais, registra-se que movimentação financeira, por si só, não é fato gerador do' imposto de renda. Assim, em oposição aos utilizam o ~ l°. do art. 1«, do CTN, para justificarem a retroatividade da Lei nO. 10.174 e da Lei Complementar n°. 105, ambas de 2001, para investigar a existência de outros tributos que não a CPMF, ao meu sentir, precisariam identificar, de forma prévia, a ocorrência do fato gerador, pois o artigo 144 ~ 1°, do CTN, faz referência "a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação". Ora, se o depósito bancário, não é fato gerador do imposto sobre a renda, não se pode falar em ocorrência de fato gerador para justificar a aplicação retroatiya de tais normas. Até o presente momento, em busca de síntese, fugidas citações doutrinárias, entretanto, em face da pertinência ao tema, não posso deixar de citar artigo de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, publicado na Revista da Faculdade de Direito da UNG VoI. 1 - 1999, pág. 197, sob o título ANOTAÇÕES SOBRE O DIREITO ADQUIRIDO DO ÂNGULO ' CONSTITUCIONAL, texto este tiUribémexistente no CO Júris Síntese rOB, n. 57, da Editora Thomson - 10B, de onde transcrevo a seguinte paisagem: 2. Á lei no tempo . C.omoprimeiro passo, registre-se o óbvio. Consiste ele em apontar que, ao tornar-se obrigatória. a lei incide no tempo. Ora, ao fazê-lo, ela "divide" o tempo em relação ao seu império. Separa o passado, . anterior a ela que então não vigorava, de um novo período, presente, e futuro de duração indefinida, que persistirá enquanto ela vigorar. 6. RevogaçãfJ Esta é o ato por'que deixa de existir uma lei, ou uma norma (embora tecnicamente se fale em derrogação quando é colhida pela nrevágação" parcial) apenas uma ou algumas nonnas da l(!iaté então em vigor. A revogaçãoconcerne, pois, à existência da nonna. Em . princípio, findando a existência da norma, cessa a sua eficácia,' mas nem sempre, porque pode ocorrer a ultratividade de suas regras. 11. Fundamentos da irretróatividade " • t Processo n.olO925.oo2038I2oo5.:61 Acórdão D.o 10248.326 , . A principal razão que justifica a irretroatividade é ser ela necessária à segurança jurídica. De filto, esse princípio assegura que um ato praticado em determinado momento, de acordo com as regras então. obrigatórias, será considerado sempre válido, mesmo que mudem as normas legais. Em conseqüência, os direitos e as obrigações que dele decon'em também serão considerados como tendo valor. Outra razão é de Índole lógica. J& está nas Novelas de Justiniano, segundo o recorda Carlos Maximiliano: 'Será absurdo que o que fora feito cOn'etamente seja peló que naquela época ainda não existia, posteriormente mudado. ' 14. Exceção à ;n'etroatividade Há, porém, uma exceção à in'etroatividade, sobre a qual não existe controvérsia. Trata-se da irretroatividade da "lei mais branda'~ ou. in meNus. Conforme escreve Roubier, citado por Manoel. Gonçalves Ferreira Filho no artigo. anteriormente apontado, se a lei pretender aplicar-se a situações em curso será preciso estabelecer Wnà separação entre as partes anteriores à data da mudança da legislação, que não podem ser antigas sem retroatividade, e as partes posteriores, para as quais a lei nova, pode ser aplicada. Nesta linha de raciocínio, conclui-se que as Leis nO. 10.174 de 2001 e a Lei Complementar nO 105, de 2001, ao serem aplicadas, devem éstabelecer a separação entre os períodos posteriores a 10 de janeiro de 2001, data que entraram em vigor, e os períodos anteriores alO dejaneiro de 2001, época em que o artigo 38 da Lei nO.4.595, de 1964 e o ~ 3°. do artigo 11 da Lei nO.9.3111, de 1996, conferia aos jurisdicionados a garantia material de inviolabilidade de seus dados bancários, salvo, no último caso. para fins de cobrança da CPMF. . Para este conselheiro, com a devida. vênia dos que pensam em contrário, conforme observado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR; '''a doutrina da irretroatividade. serve ao valor da segurança jurídica: o que sucedeu já sucedeu e não deve, a todo momento, ser juridicamente questionado sob pena de se instaurarem intermináveis conflitos. Essa doutrina, portanto, cumpre a função de possibilitar a solução de conflitos com o mínimo de perturbação social. Seu fundamento é ideológico e se reporta à concepção liberal do direito e do ~stado." • Na mesma linha dos fundam.entos até aqui expostos, das lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, colhe-se a seguinte lição: •••..0 regra superveniente regula situações presentes e futuras. O que ocon'eu no tempo transacto está a salvo de Sua incidência. Em suma, porque visa reger aquilo que ora existe ou que ainda vai existir, não atinge o que já sucedeu. Respeita fatos e situações que se criaram no passado e cujos efeitos nele se esgotaram ou simplesmente se perfizeram juridicamente. Com i~to em nada se afeta aquilo que já se passou e comodou na poeira dos tempos, ressalvada uma possível retroação benéfica. ,. (In. Ato Administrativo e Direitos dos Administrados. Ed. Revista dos Tribunais, 198/, p. 1/2). Pelo exposto, entendo que "apenas a partir da vigência da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001. é possfvel o aeesso às infurmações bancárias do contribuinte1 •• Processo n•• I092S.0020381200S-61 Ac6rdão n.• 102-48.326 forma instituída pela Lei nO10.174/2001, ou seja, sem a requisição judicial. A aplicação desse conjunto de normas para a obtenção de dados relativos a exercícios 'financeiros ant~riores sem autorização judicial, implica ofensa ao princípio da irretroatividade das Leis. Assim, não pode a autoridade fazendária ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.01, Comopreconiza a Lei Complementar n° 105/01, sem o crivo do judiciário." DA ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO DA MULTA EM FACE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS E LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ' Vencido na preliminar de irretroatividade, passo analisar a alegação de impossibilidade de qualificação da multa em .face de omissão de rendimentos caracterizada a partir de depósitos bancários. Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de, origem não comprovada não se pode falar em ação ou omissão dolosa com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação' financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar nO lOS, de 2~01, e arts. 1°, 2°, ~~ 2° e 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que 1110vimentou. Em relação à movimentação financeira é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: Lei Complementar nO105, de 2001. Art. 5° O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos Umites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto n° 4.489, de 2002, ArL r As instituições'jinanceiras, assim consideradas ou 'equiparadas nos termos dos SS 1"e 2°do art. lOda Lei Complementar n° 105, de 10 de'janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6°da referida Lei Complementar. ' ArL 2° As informações de que trata este Decreto, referentes às . operações financeiras descritas no SI" do art. 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, serão prestad(ls, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringir-se-ão a informes rel(lcionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a. cada usuário, vedada' a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados (grifei). . ., Processo n" 10925,00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 $ ]O As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos I contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. g j" A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou 1.10 Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificaçã() existente na instituição financeira. Se por força das 'disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, do Decreto nO4.489, de 2002, as informações são mensalmente prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois ao fazer aplicação financeira o contribuinte não tem como ' impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização .. Ademais, em se tratando de lançamento com base em presunção (art. 42 da Lei nO9.430; de 1996), há que se ter presente que o dolo, a fraude e a simulação não se presumem. É possível exigir tributo com base em presunção da. ocorrência do fato gerador, mas não é cabível a qualificação da multa a partir de presunção. A conseqüência da não comprovação .da origem dos depósitos bancários é a presunção de que tais valores constituem-se rendimentos do contribuinte. Isto, todavia, não quer dizer que o contribuinte tenha agido com fraude, dolo ou simulação com a finalidade de ' ocultar da fiscalização o fato tributário. Quem pretende ocultar o fato tributário não deposita no sistema bancário o valor correspondente, pois sabe que se assim proceder a fiscalização tomará conhecimento. Isso Posto, voto no sentido de afastar a qualificação damulta. DA DECADÊNCIA - A partir da apuraçã~ mensal. Sustenta o recorrente que a notificação do lançamento deu-se em 13/10/2005. O artigo 42, ~ 4°., da Lei nO9.430, de 1996, reza que a tributação dos rendimentos omitidos será no mês em que forem considerados recebidos. Assim, segundo o recorrente, conta-se o prazo decadencial a partir do mês da omiss~o, razão pela qual os créditos anteriores a 13/10/2000 estão extintos pela decadência (art. 156, V, do CTN). Os argwnentos articulados pelo recorrente é matéria controvertida, sendo que este conselheiro, após reflexões, sustenta seu entendimento com base nas conclusões abaixo expostas, que extrai dos dispositivos legais a seguir transcritos e grifados por mim. LEI N° 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988 Art. 1". Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 10 de janeiro de 1989, por pessoas jisicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo Imposto sobre a Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. .' Processo n,o 10925.00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 " Art. 2~ O Imposto sobre a Renda das pessoas jisicas será devido; mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei).- Art. 3~'O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer ded.ução, ressalvado o disposto nos ,artigos 9~a J 4 .desta Lei. i r. Constituem rendimento -bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro. e ainda os proventos de qualquer natureza. assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. i2~ Integrará o rendimento bruto,' como ganho de capital. o resultado da s01'l}lldos ganhos auferidos no mês. decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. considerando-se como ganho a diftrença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. observado o disposto nos artigos 15 a 22 desta Lei. S 30. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação. a qualquer título, de' bens oú direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda. permuta. adjudicação. 'desapropriação, dação em pagamento. doação, procuração em causa própria, prom~ssa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ' i 40. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da' origem dos bens produtores' da re,:,da, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte Por qualquer forma e a qualquer, título. I Art. 80. 'Fica sujeito ao pagamento do Imposto sobre a Renda. calculado de acordo com o, disposto no artigo 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa jisica, ou de fontes situadas no' exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados nafonte. no Pais. Lei nO 8.134, DE 27 DE 'DEZEMBRO DE 1990. Art. 80Na declaração anual (artigo 9', poderão ser deduzidos: .'I - os pagamentos feitos, no' alio-base, a médicos. dimtistas, psicólogos, fisioterapeutas, !onoaudiólogos, teràpeutas ocupacionais e hospitais. bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serViços radiológfcos,.' , II - as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o artigo 10 da Lei n° 3.830, de 25 de novembro de 1960. observadas as condições estabelecidas no artigo 20 da mesma lei; , [~] \ , (}, Itr .. ., . . ... Processo n.-l092S.002038i200S-61 Acórdão n.- 102-48.326 / 111- as doações de que trata o artigp 260 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; IV - a soma do~ valores referidos no artigo 7~ observada a vigência estabelecida noparágrafo único do mesmo artigo. . jArL • 9"As pessoas jisiças deverão apresentar anualmente dedar~ção de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir (grifei). ' '. I ' Art. J O. A base de cálculo do impQsto. na declaracão anual. será a , difere~ça e,ntreas somas dos seguint~s valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o qno- base" exceto os isentos. os não tributáveis. e os tributados exclusivamente nafonte; e II - das deduçÕes de que trata0 artigo 8". Lei nO 9.250, DE 29 DEDEZEMBRO DE 1995. CAPÍTULOU DA INCIDÊNCIA MENSAL DO IMPOSTO Art. j~ O Imposto sobre a Renda incidente. sobre os rendimentos de que tratam os artigos 7~ 8" e 12 da Lei n" 7.713.de 22 dedezembro de J 988, será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva em Reais: '. Parágrafo único. O imposto de que trata este artigo será' calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês. ,Art. 40. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do Imposto sobre a Renda poderão ser deduzidas: (grifei)., ' I - a soma dos valores referidos no artigo 6° dà Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 199ri.. . . . , I II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas dO.Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III - a quantia, por dependente. de: 1Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive 'os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I - a remuneração paga a terceiros, desde que' com vinculo empregatício, e os encargos trabalhistas, e previdenciários; - 11- os emolumentos pagos a terceiros; . I.II - as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte ~rodutóra. , I I I I oi .' 1 Processo n.O t 0925.00203812005-6 t Acórdão n,o 10248.326 , . -a) R$132,05 (cento e In'nta e dois reais e cinco centavos), para o ano- I calendário de 2007 (redação atribuída pela MP nO 340,.de 29/12/96): b) R$ 137,99 (cento e trinta e sete reais e noventa e nove centavos), para o ano-calendário de 2008 (redação atribuída pela MP nO 340, de 29/12/96),' . c) R$ 144,20 (cento e quarenta e quãtro reais e vinte centavos), para o ano-calendário de 2009 (redação atribuída pela MP nO_ 340,. de . 29/12/96),' d) R$ 150,69 (cento e cinqüenta reais e sessenta e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010 (redação atribuída pela MP nO 340, de 29/12/96),' " IV - as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados •. do Distrito Federal e dos Municípios (redação atribuída pela MP nO 340, de 2~/12/96),; V - as éontribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus' tenha sido do contribuinte. destinadas a custear beneficios complementares assemelhados aos da Previdência .Soçial; VI- a 'quantia.co"espondente .à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadon'a e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma. pagos pela Previdência Social da União, dos EstadoS. do Distrito Federal e .dos Municlpios, por qualquer pessoa juridicade direito público interno~ ou por entidade de previdênéia privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, de: (red.ação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); " a) R$ 1,3/3,69 (um mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2007 (redação atribuída pela MP nO 340, de 29/12/96),' b) R$ 1,372,81 (um 'mil, trezentos e ~etenta e dois ,:eais e oitenta e um centavos),.por mês, para o anO-calendário de.2008 (redação atribuída pela MP nO 340, de 29/12/96);' " c) R$ 1.431,~9(um mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos); por mês, para o ano-calendán'o de 2009 (redação .atribuída pela MP nO 340, de 29//2/96); . d) R$ 1.499,15 (um mil, quatrocentos e noventa. e nove reais e quinze centavos), por mês, a pr;zrtir do ano-calendário de 20) O (redação atribuída pela MP nO 340, de 29/12/96); I ArL 8". A base de cálculo do imposto deVido no ano-calendário será a ~ifere;,ça 'entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclúsivamente na fonte, e os sujeitos à tributação definitiva; r .' Processo n.o 10925.,00203812005-61 Acórdão n.O 102-48.326 II - das deduções relativas: "A\ I b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinté e de seus dependentes. efetuados a estabelecimentos de ensino.' relativamente à educação infantil. compreendendQ as creches e as pré-escolas, ao 'ensino fundamental,' ao ensino médio, à educação superior. compreendend() os Cl!.rsos de graduação e de -pós-graduação (mestrado. doutorado e especialização) e à educação profissional. compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (redação atribuida pela MP n° 340, de 29/12/96); . . 1. R$ 2.480.66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos). part;l o ano-calendário de 2007 (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); . 2. R$ 2.592.29 (dois mil. quinhentos e noventa e dois réais e vinte e nove centavos). para o ano-calendário de 2008: (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); 3.'R$ 2.708,94 (dois mil. setecentos e oito reais e noventa e quatro centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); I 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos), a partir. do ano-calendário de 2010; (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); .'c) à quantia. por dependente, de: (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); 1. R$ 1.584,60 (um mil. quinhentos e oitenta e'quatro reaÍ$ e sessenta, centavos), para o ano-calendário de 2007,' (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); 2. R$ 1;655,88 (um mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e oito centavos), pára o ano-calendário de 2008: (redação atribulda . \ pela MP n° 340,.de 29/12/96); . 3. R$ 1.730,40 (um mil, setecentos.e trinta reais e quarenta centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação aúibuida pela MP n° 340, de 29/12/96); 4. R$ 1.808.28 (um mil, oitocentos e oito reais e Vinte e oito centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); . \, , . "Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de vinte por cento do valor dos rendimentos úibutáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montanie desses rendimentos, dispensada a comprovação da. despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96);, .. / .f Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n! 102-48.326 - I a) R$ //.669.72 (onze mil, seiscentos e sessenta e nove reais e setenta e dois centavos). para o ano-calendário de 2007; (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); b) R$ /2./94.86 (doze mil. cento e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos). para o ano-ealendário de 2008; (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); c) R$ /2.74~.63 (doze mil. setecentos e quarenta e três reais e sessenta. e três centavos), para o ano-calendário de 2009; (redação atribulda pela MP n° 340, de 29/12/96); d)'R$ 13.317,09 (treze mil, trezentos e dezessete reais e nove centavos), a partir do ano-calendário de 2010. (redação atribuida pela MP n° 340, de 29/12/96); . Parágrafo único. O valor deduzido. não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial. sendo considerado rendimento consumido." (NR) (redação atribuida pela MP n° 340, de 29/12/96); Lei nO 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. I 1". O valor das receitas ou .dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituiçio financeira. (grifti) $ 4°. Tratando-se de pesspa física, .os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira . .. Dos.textos legais acima transcritos, temos o.artigo 2° da Lei nP 7.713, de 1998 que dispõe que "o Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à.medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percfJbidos"; Os artigos 8°, 9° e 10° da Lei n° 8.134, de 1990 fazem referência a declaração anual; pagamentos feitos no ano-base e rendimentos p~cebidos durante o ano-base. prevendo que -as pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinaráo saldo do Impostoa pagar ou a restituir".O artigo 42, ~ 1°, da Lei nO9.430, de 1996, dispõe que ~o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela, instituição financeira,- Assim~ é preciso investigar se há antinomia entre estas normas ou se elas convivem de forma harmônica, sem que a norma posterior tenha revogado a ant~rio~. o. Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 A primeira observação a ser feita decorre das disposições contidas na Lei nO 9.250, de 1995 ,que no artigo 4° faz referência à incidência mensal do Imposto sobre a Renda e no artigo 8° fala em base de cálculo do imposto devido no ano. Em tese, poder-se-ia alegar que, em havendo incidência mensal do imposto de renda, o critério temporal deste seria mensal. Todavia, a permanecer este entendimento, a mesma lei não poderia fazer, referência à base de cálculo anual. Seria ilógico e incompreensível adotar um critério temporal mensal e uma base de cálculo anual. A única interpretação hannônicaque se pode extrair da conjugação dos artigos 4° e 9° da Lei nO9.250, de 1995 é qu~ a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Nesta linha de raciocínio, tenho que o artigo 42, ~ 10, da Lei nO9.430, de 1996, dispondo que NO valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado'pela instituição financeira" em nada Inovou, pois previsão semelhante já existia no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995, anteriormente analisado. Em face da aparente contradição entre o artigo 8° da Lei nO 8.134, de 1990, com o artigo 4° da Lei nO9.250, de 1995 e artigo 42 da Lei n09.430, de 1996, valho-me da clássica doutrina de Carlos Maximiliano, na obra Hermenêutica eAplicação do Direito, para quem: "Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar . tacitamente ab-rogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou ao contrário, di/ata-o, estende-o a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incapacidade implícita entre duas expressões de direito não se preswne; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra.' O jurisconsulto Paulo ensinara que ,- (1S leis I posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias, e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos. '~ "Se a lei nova cria, sobre o .mesmo assunto da anterior, um sistema inteiro, completo, diferente, é claro que todo o outro sistema foi eliminado. Por outras palavras: dá-se ab-rogação, ,quanto a norma posterior se cobre com o conteúdo todo da antiga ". (Maximiliano, Carlos, Hermenêutica e Aplicação do Direito. 12u edição. Ed. Forense Rio de Janeiro 1992, pág. 358.). . .Tenho que as disposições do artigo 42, ~ 1°, da Lei nO9.430, de 1996 que fazem referência que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado e as disposições dos artigos 8°,9° e 10 da Lei 'no. 8.134, de 1990, prevendo que "as pessoas fisiéas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir", convivem harmonicamente, iguais linhas paralelas de trilhos de trem que seguem lado a lado, sem se chocarem, mas cada uma delas cumprindo sua função. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores coDl?ideram-se recebidos no mês em que ho:uvero crédito pela instituição financeira e outra norma considerar que todos os valores devem ser levados ao ajuste anual. O que é necessário que se tenha presente é que na apuração da base de cálculo mensal se deve, quando for o caso, efetuar as ,deduções previstas no artigo 4° da Lei n° 9.250, de 1995. / • .1 Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n.• J.02-48.326 PelQs fundamentos acima expostos, improcede a pretensão do recorr,ente de ver cancelado o lançamento do crédito tributário anterior a 13/10/2000. Tratando-se de lançamento por homologação, como é o caso do iinposto de renda pessoa fisica em que o contribuinte declara a renda recebida, apura o quantum devido e paga respectivo valor, a decadência conta- se na forma do artigo 150, ~ 4°, do CTN, isto é, do fato gerador que no caso do imposto sobre a renda pessoa fisica se consolida em 31 de dezembro de cada ano-calendário, conforme .fundamentos que passo a transcrever de voto anterior que já proferi acerca da matéria: DA DECADÊNCIA' COMO FORMA DE EXTINÇA-O DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO · , Para que se éompreenda o' instituto da decadê/cia como uma das formas de extinção do crédito tributário faz-se necessário, em primeiro lugar, compreender a constituição do crédito tributário que se dá por meio do lançamento. Não se pode falar em extinção de algo sem antes compreender aforma com que se constitui o que está sendo extinto. Assim. parece-nos importante que se tenhamos presentes as disposições do ârt. 142 do CTN, que se encontra inserido no Livro Segundo, Titulo llI. Capitulo 11, do Código Tributário Nacional, que trata da constituição do Crédito tributário, nos seguintes termos: Art. 142. Compete privativamenJe à autoridade administrativa conslituir o crédito tributário pelo lançamento. assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a 'ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o monÚ/nte do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabívell• • ,, \ , Muito embora o art. 142 do CTN atribua privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, seu art. 150 previu o lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao, sujeito passivo o dever de realizar os atos necessários para apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa. O lançamento por homologação pode ser dissociado em dois momentos: O lançamento propriamente dito, em que o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador e o valor devido, constituindo o crédito tributário; e o recolhimento desse valor, que opera a extinção do , crédito tributário, sob condição resolutiva da homologação do lançamento. . . É importante que se tenha presente 'que ~ homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação , do lançamento jeito iJelo contribuinte e o pagamento realizado por este. O que se homologa, conforme expressamente previsto na segunda, 3 O CTN prcve três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo. (1) O lançamentode oficio,no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal (ii) O lançamentopor declaração,no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fka a cargo da autoridade flSCllldefinir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento, E,por fim, (iii) o lançamentopor homologação,no qual o contribuinte desenvolve toda a atividade apurat6ria do valor do tributo devido e antecipa seu pagamento, ficando a cugo da.-idade fisco! a - verificaçio •••••• ati......, •••• for o c•••• suarespectiva homologaç". J i I I i • .1 Processo n.a 10925.00203812005-61 Ac6rdão n.o 102-48.326 parte do S r., do artigo 150, do CTN, é o lançamento'l e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O pagamento que o contribuinte .realiza é uma das/ormas de extinção do auto lançamento feito por ele. A propósito do assunto, o Hugo de Brito Machado: "Ainda quando de fato,seja o lançamento feito pelo sujeito passivo, o Código TribJltário Nacional, por ficção legal, considera que a sua feitura é privativa da autoridade administrativa, e por isto, no p/ano jurídico, sua existência fica sempre dependente,. quando feito pelo sujeito passivo, de homologação d~ autoridade competente.' Fixados os fundamentos legais acerca da matéria, considerando que o I imposto de renda encontra-se entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever apurar o montante -devido e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, .o imposto aqui referido amolda-se à sistemática de lançamento por homologação. onde a contalem do prazo decadencial, salvo os ct;lsosde dolo, fraude e simulação, encontra. respaldo no f 4<> do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência dofato gerador. A propósito do entendimento aqui exposto, como razão .de decidir, transcrevo os seguintes precedentes do Conselho de Contribuintes: Ementa: lRPF - DECADtNCIA • Nos casos de l(lnç(lmento por homologação. o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contor da ocorrência do lato gerador. O lato gerador do /RPF se perfaz em 3/ de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa. o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150. $ 4" do CTN). (Recurso parcialmente provido. (Recurso 141.863. Acórdão 4 ~ 10 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. S Hugo de Brito Machado, Curso de Direito tributário, 12•• Edição, Malheiros, 1997, p 120). li Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter. sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro: "A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação .... Em estudo anterior, concluímos 'que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege /ata~A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemãtica do Código Tributário Nacional (art. 156, V, 173. 174, 195, parágrafo (mico). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dCJItrodo próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro CioCódigo. Aplicar o prazo geral (S anos, do art 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinitiwrnente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazO de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Dirc:ito Tributârio Constituição. e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6., Edição. PortoAlegre, 2004. p. 1010). Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem "em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tnbutária do imposto sujeito a 'lançamento por homologação', a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência Prevalece o dies a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado." (In. Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologaç~o - Decadência e Prescri9ão, 2•• ed, Dialética, 2002, p. 16). •• \ Processo n.O 10925.00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 f J06-14493. fi. Cãmo.rrL"'Relatora Con.selheira Ana Neyle Olimpio Holando. Decisão unânime). Ementa: IMPOSTO lJE RENDA - DECADtNCIA - EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Se entre a data do fato jurídico tributário e o Lançamento de Oficio, transcorreram mais de cinco anos, então, por ser o Imposto de Rendo um tributo sujeito a LAnçamimto por Homologação. deve-se aplicar o art. 150, 94" do CTN (Recurso 143533. Acórdão J07..()lJIU. 7". Câmara. Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer). Emenlll: IMPOSTO DE RENDA - DECADtNCIA - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Se entre a dota do lato Jurídico tributário e o Lançamento de oficio, transcorreram mais de cinco anos. entõo, por ser o Imposto de Renda um tributo sujeito a Úlnçamento por Homologação, deve-se aplicar o' art. 150, 94" do CTN. Por maioria de VOIOS, ACOLHER a preliminar de decadência. E",entll: IRPF. DECADtNCIA. - Por 10T'ÇQ do disposto na artigo J50. 94." do CTN. o lançamento de ofICio, ou seja. por 'meio de auto de infraçõo. nos casos em que o tributo deve ser cobrado. originalmente. por meio do lançamento flOr homologação. deve ocorrer no prazo de cinco anos. contado do término do ano-ca/endário fiscalizado. sob peno de decadência. Preliminar acolhida. Por unanimidade de votos. ACOLHER a preliminar de decadência do lançamento. (Recurso: 131040. Ac. /06./3049. 6" Câmara. Relator: Edison Carlos Fernandes). Em síntese, por ser o imposto de renda tributo cuja respectiva legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amolda-se à sistemática de lançamento denominado de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173, L do CTN para encontrar respaldo no 9 40.. do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termd i.nicial a data da ocorrência dofato gerador., Assim, notificado do lançamento em 13/10/2005, os créditos lançados com base em fatos anteriores a 31 de dezembro de 1999 já haviam sido extintos pela decadência (art. 156, VI, do CTN), o que reconheço e acolho. DAS ALEGAÇÕES DE IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO OU LANÇAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA SOMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS' BANCÁRIOS E QUE OS VALORES DEPOSITADOS NAS CONTAS-CORRENTES PERTENCEM ÀS EMPRESAS NOMINADAS NAS NOTAS FISCAIS JUNTADAS AOS AUTOS. Tenho enfrentado o mérito das alegações de impossibilidade de efetuar lançamento de imposto de renda com"base apenas em depósitos bancários, com as seguintes considerações: Os depósitos bancários. por si só, não se constituem em rendimentos. Entretanto. por força do artigo 4i da Lei nO9.430, de 1996, "caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o' titular. pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações" Diante do texto legal, parece-nos importante identificar se a situação versada pelo legislador se constitui em presunção legal ou ficção legal. Para' tanto, louvo-me da d . I outrina que segue: .1 Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 As presunções segundo doutrina de Alfredo Augusto Becker' Alfredo Augusto Becker7, alicerçado na, doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal .. 'A presunção lem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que éprovavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro umfato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numaprovável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade épresunção legal',' . A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato .... conhecido cuja existência é cerfa, impõe-se a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. . A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é improvável (ou fals,!) porque falta correlação natural de existência entr~ os dois fatos. Para Aifredo Augusto Becker, a observação do acontecer dos fatos segundo a ordem natural das coisas, pennite que se estabeleça uma correlação natural ~ntre a exÍstência do fato conhecido e a probabilidade de existência do fato desconhecido. A correlação natural entre a existência de dois fatos é substituída pela correlação lógica. Basta o conhecimento da existência de um daqueles fatos para deduzir-se a existência <looutro fato cuja existência efetiva se descdnhece, porém tem-se como provável em virtude daquela correlação natural. Presunção é o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência certa infere-se o fato desconhecido cuja existência é prováve1.8 - As presunções segundo doutrina de Moacir Amaral dos Santos Moacir Amaral dos Santos9, citando Clóvis Beviláqua, que em notas ao artigo 136, define presimção como "a ilação que se tira de um falo conhecido para provar a existência de outro desconhecido" e RAMPONI, que define presunções como "hipóteses que correspondem, provavelmente, ou seja na maior parte dos casos, à verdade", tem a presunção como uma atividade do pensamento em- que graças a Um fato certo, "raciocinando-se com aquilo que freqüentemente acontece, chega-se ao fato desconhecido, isto é, presume-se o fato desconhecido." . Prossegue o autor: "Decorre daí que, da dedução presuntiva, geralmente chega-se a conclusões que são ,mais ou menos seguras conforme as circunstâncias 7 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3-, ed. - São Paulo: Lejus, 1998, pâg. 509. Ed. Lejus . • BECKER, Alfredo A~gusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3-.00. - São Paulo: Lejus, 1998, pâg. 508.. M~ . ~ • SANTOS. Moacir Anwal. Prova JU<ticiária no Cf•• !e Comercial, r.Ed. - VoL V. São Paulo, 1955. pâg. 348. .' ~ • ,I Processo n.• 10925.00203812005-61 Acórdio n.- 102-48.326 especiais ou 'particulares de cada hipótese. Vale dizer que, mais propriamente do que certeza, a presunção estabelece probabilidade, maior ou menor, quanto à existinda ou inexistência dofato pro bando. Mas em se tratando de probabilidade que tem por fundamento um princípio derivado da ordem natural das coisas, isto é, do que - comumente acontece, e, pois. suficientemente alicerçada para satisfazer convicção judicial quanto à existência ou inexistência, do fato presumido. Presume-se, quer dizer, o fato presumido resulta daquilo que na maior parte dos casos co"esponde à verdade.•. Tal presunção autoriza a convicção judicial porque .aofato presumido se pode opor prova em contrário ..... Em suma, o que 'éprovavelmente_ segundo o ordinariamente acontece é suficiente para o juizo de um fato, desde que o contrário não seja provadi?' " As presunções segundo doutrina de Pontes de Miranda Para Pontes de Miranda1o, presunções são fàtos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeirós e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Para este autor: "Na presW1Çãolegal, absoluta, tem-se A. que pode não ser, como se fosse. ou A, que pode ser,' como se não fosse. Na presunção iuris tantum, e não de iure, tem-se A. que pode não ser, como se fosse, ou A. que pode ser, como se não fosse, admitindo-se prova em contrário. A presunção mista é a presunção legal relativa. se contra ela se admite a prova em contrário a, ou a ou b. " "Á presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que_ se presume. Se -ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser ilidida in concreto e in hypoihesi" . Fixados o conceito de presunção e à diferença entre esta e a ficção, tenho que o depósito bancário feito em conta corrente ou de investimento do contribuinte, dentro da correlação natural dos fatos, pressupõe a existência de rendimento prévio e, se assim o é, estamos diante de uma presunção legal, cabendo ao contribuinte fazer prova em cOntt:ário, usando de todos os meios em direito admitidos. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito báncário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato -desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de ómissão de rendimentos, autoriza o lançamento do impÓsto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil- e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, I ~~----- '- -.: ----- -- 10MIRANDA. Pontes, Comentários ao Códig~ de Proc~sso Civil, voI. IV, pág: 234, Eci Forense, 1974.- •• .1 Processo n! 10925.00203812005-61 Acórdão n,. 102-48.326 caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem uma simples transferência ,de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratar-se de dinheiro novo no seu patrimônio, preswnido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, confonne prevê o artigo 43 do CTN, . tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Por oportuno, faço um parêntese para observar a semelhança entre o artigo 42 da Lei nO9.430, de 1996 e o parágrafo I° do art. 3° da Lei nO9.718, de 1998, cujos textos seguem transcritos em nota de rodapé". O legislador ordinário, da mesma forma que procedeu quando da edição da Lei n° 9.430. de 1996, ao estabelecer no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998 que "entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica: sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", também criou uma presunção iuris etde iure (absoluta), pois sabidamente nem todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica são oriundas do exercício das atividades empresarias. Ao que parece-me, o legislador ordinário, por presunção relativa, no primeiro caso, definiu como receita ,ou rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em relação aos quais o titular não comprovar a origem e, no segundo caso, por presunção absoluta, definiu como receita da atividàde empresarial a soma dos valores auferidos pela pessoa jurídica. Em assim procedendo, o legislador extrapolou os limites previstos 1)0 artigo 146, m, a, da Constituição ~Federal que reservou' à lei complementar, e não à lei ordinária, a prerrogativa para, em relação aos impostos previstos na Constituição, definir os respectivos fatos geradores., 11 Art. 42 da Lei nO 9.430/96 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regulannente intimado, não comprove, mediante documentação hãbil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. M. 3° da Lei nO 9.718/98. ~ 1°. Entende-se por receita brota a totalidade das receitas auferidas pela pessoa juridica, sendo irrelevantes o tipo de'atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.' •• •• Processo n.o 10925.00203812005-61" Acórdão n.- 102-48.326 , Antes de retomar a matéria objeto do julgamento, deixo consignado que o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nO02 consolidando sua jurisprudência no sentido d~ que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária;" Entretanto, réssalvo meu entendimentopessoál entendendo que da mesma forma qu~ o STF uniformizou jurisprudência decidindo que ué inconstit~cional o parágrafo }O do artigo 3° da Lei nO 9.718/89, que ampliou o conceito de receita' bruta, a qual deve ser entendida. como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma' das receitas .oriundas do exercício das atividades empresariais", parece-me que também. é inconstitucional o artigo 42 da Lei nO9.430/96, no ponto em que amplia o conceito de renda para além dos limites previstos no artigo 43 do CTN, lei de natureza complementar que é.12 .' . ~ . . Retomando a matéria, se por outro lado, na presunção a lei tem como verdadeiro um fato que provavelmente é verdadeiro, não se pode desconsiderar que este fato que a lei tem como verdadeiro também pode ser falso, daí porque se diz que na presunção relativa a questão diz respeito à avaliação da prova apresentada por quem tem contra si algo que o legislador presume çomo tal, mas que na vida real pode ser diferente. Assim, impugnado fato em relação ao qual milita presunção relativa cabe ao julgador, avaliando as provas que lhes são . apresentadas, formar convencimento para, diante do caso concreto, com mais dados do que o legislador, decidir se a presunção estabelecida por este, o legislador, corresponde à realidade dos fatos que estão sob julgamento. No .caso dos autos, o recorrente apresentou vasta documentação com a finalidade de comprovar que os depósitos creditados em suas contas eram provenientes das atividades comerciais da empresa das quais er~ sócio e administrador. . Não desconheço que as micro e pequenas empresas, pelos mais diversos motivos, tais como inexistência de contas em banco, inexistência de talões de cheques em nome da empresa etc, não raras vezes, utilizam as contas particulares de seus sócios para receber os créditos pertencentes à empresa. Quando isto ocorre, em face da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei n° 9A30, de 1996, anteriormente analisada, cabe ao contribuinte, contra quem milita a presunção, provar a natureza do negócio jurfdico que deu causa ao valor creditado em sua conta corrente. Em outras palavras, deve indicar quem depositou e por qual razão depositou os valores creditados na conta de que é titular. . 12 Confonne publicação na Revista Consultor Jurídico de 06/0212007, dentre os projetos de Súmulas Vinculantes de que trata o art. I03-A da CF, acrescentado ao texto constitucional por meio da Emenda Constitucional nO45, regulamentado pela Lei nO11.417, de 2006, a Súmula de nO6, se aprovada. terá a seguinte redação: "Sumula nO6 - ''E inconstitucional o parágrafo 10 do artigo 3° da lei nO9.718/89, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja. soma das receitas oriundas do exerc(cio das atividades empresariais". OBSERVAÇÃO: Quando da votação do Enunciado da Súmula 02 do Primeiro'Conselho de Contribuintes votei pela aprovação por entender que o Poder Judiciário, no controle direto ou difuso de constitucionalidade, pode de~ar de aplicar lei que considere inçonstitucional, sendo que tal prerrogativa não se estende aos 6rgãos da jurisdição administrativa.' . • .t Processo n.O 10925.00203812005-61 Acórdão n.o 10248.326 [~] Em se tratando de .vendas de produtos agrícolas, em especial de . hortifiutigranjeiros, mercado com inúmeras 'peculiaridades que se .estendem das quebras ocorridas quando da entrega, reclassificação de mercadorias pelos adquirentes, mudança de cotação de preço verificada en~e a data da renlessa do produto e o recebimento da mercadoria no local de destino, desconto do FUNRURAL, prazo de pagamento etc., são circunstâncias que praticamente inviabilizam a coincidência dos valores e datas especificados nas notas fiscais com os Créditos nas co~tas bancárias. Entretanto, nestas situações, cabe ao julgador levar em consideração às peculiaridades aqui referidas e, se constatado a verossimilhança entre as vendas realizadas peláS _empresas e os créditos depositados nas contas de seus titulares, considerando ainda o destino dado aos valores creditados, apreciar o ,caso concreto e formar seu conVencimento. No caso dos autos, o recorrente junta grande quantidade de notas fiscais com a finalidade de provar que os valores creditados em suas Conta-correntes eram oriundos das vendas realizadas pelas empresas. Entretanto, em que pese tal esforço, não demonstrou o . cóntribuinte, ainda que por amostragem, que os valores creditados em suas conta-correntes pertenciam à empresa do qual é sócio. Nestas circunstânciaS, o que deve ser feito s~o diligências,junto ao emitente do cheque que originou o depósito para que esclareça qual a natureza do negócio que justificou a emissão da referida ordem de pagamento e com quem se deu a relação jurídica ,. . ' / À mingua de qualquer prova capaz de afastar a presunção legal, neste ponto, nego provimento ao recurso. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DA DÉSCOBERTO Aos. especificar o acréscimo patrimonial da descoberto, no valor de RS 39,557,11 em 28 de fevereiro de 2001 e RS 3003/2001, a fiscalização destaca que mediante a elaboração do fluxo financeiro do contribuinte e das aquisições de bens, foi identificado um empréstimo junto ao Banco do Brasil, no valor de R$ 6,000,00, .comgastos de R$ 8.000,00 em 01102/2001 e R$ 41.000,00 em 15/02/2001,.sendo que em 08 de março de 2001 o fiscalizado e . seu cônjuge integralizaram o Capital social da empresa CEREAL ALIMENTOS .'. IMPORTAÇÃO E 'EXPORTAÇÃO LTDA, no valor de R$ 50.000,00, lançado na' co~tabilidade da empresa conforme Livro Diário de fi. 483. O valor de R$ 50.000,00 foi lançado na contabilidade de empresa em 08 de março de 200 I, sem que, no fluxo financeiro do contribuinte, existisse recursos para tal, razão ,pela qual não há como afastar o acréscimo patrimonial a descoberto. DO PEDIDO PARA APLICAR O fi 60 DO ART. 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996, PARA DIVIDIR POR DOIS O VALOR DA SUPOSTA. OMISSÃO DE RECEIT AS, RELATIVAMENTE À CONTA. N° 01114-87 DO BSBC, NO ANO DE 2000. O artigo 42 da Lei nO9.430, de 1996, contém a seguinte redação: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jisica ou jurídica. regularmente intimado, não comprove, mediante J' ., Processo n"l 0925.00203812005-61 Acórdão n.o 102-48.326 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para que a presunção da onussao de rendimentos se caracterize são necessários dois requisitos essenciais, a saber: (a) intimaçlo do contribuinte para comprovar a origem dos recursos; (b) concessão de prazo adequado para que o contribuinte consiga apresentar a respectiva comprovaçlo • . Sem a observância dos requisitos acima transcritos o lançamento' não é válido. Quando a conta corrente pert.encer a mais' de uma pessoa, em relação a todas elas se faz necessário a intimação, sob pena de violação das disposições do parágrafo sexto do artigo de lei antes referido, "in verbis": I 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cu;a declaracão de rendimentos ou de informacões dos titulares tenham sido apresentadas em separado. e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade' de .titulares. (NR) (parágrafo acrescentado pela Lei 71"10.637, de 30./1.1001, D,oU J/.lp001-Ed. Extra) Ao usar as expressões, "nio havendo comprovação da origem dos recursos nos termos ~este artigo" a nonna deixa claro que se faz necessário a intimação de todos os titulares da conta para' que comprovem a origem dos recursos utílizados nessas operações. Somente na hipótese de, previamente intimados, os co-titulares da conta não comprovarem a. origem dos recursos, é que o valor será imputado medi~te' divisão entre o total. dos rendimentos ou receitas pela quantidãde de titulares. Nos casos de conta conjunta, não se pode debitar a um dos correntistas o valor integral ou parcial do montante depositado sem prévia intimação dos demais titul.ares da conta. Intimados os titulares da conta e não sendo possível a comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas, nos termos do ~ 6°., do àrt. 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, deve ser tributado mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares da citada conta. Em que pese o entendimento acima destacado, verifico que no caso dos autos a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do ano de 2000, doc. de fls. 489, revela que o recorrente fez declaração em conjunto com sua esposa e co-titular da conta antes referida, razão pela qual não incide as' disposições do parágrafo sexto do artigo 42 da Lei nO9.430, de 1996. ) . ISSO POSTO, voto no sentido de DESQUALITICARa multa e ACOLHER a preliminarde decadênci~em relaçãoao ano-calendáriode 2000, bemcomopara acolher a preliminarde irretroatividadeda Lei ComplementarnO105 e da Lei nO.10.174,ambas de 2001. 'Quanto às demais matérias de méritoNEGOprovimentoao recurso. Sala das Sessões-DF,em 28 de marçode 2007. • ..1 Processo n,- 10925,00203812005-61 Acórdão n,- 102-48.326 --~ VOTO VENCEDOR Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Redator designado Inicialmente. destaco que o presente voto vencedor contempla somente a preliminar de irretroatividade da lei em que ficou vencido o conselheiro relator. No que tange à alegação de quebra do sigilo bancário e de que não poderiam ter sido utilizados os dados da CPMF, ,para fms de fiscalização, ressalte~se que, para atingir o seu objetivo de fiscalizar, ,a Administração tributária tem o dever de investigar as atividades dos contribuintes de modo a identificar aquelas que guardem relação com as nórmas tributárias e, em sendo o caso, proceder ao lançamento do crédito. O parágrafo único do art. 142 da Lei nO 5.172/66, Código Tributário Nacional, estabelece que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional. A Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nO3.724 da mesma data, estabeleée os procedimentos administrativos concernentes à requisição e o acesso e o uso pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações financeiras dos contribuintes, independentemente de ordem judicial; portanto, não há o que se falar em quebra de sigilo bancãrio. Çom relação, à aplicação da Lei nO 10.174/2001, para os fatos geradores ocorridos em 1997 e 1998, observe-se que a mesma, em seu art. 1°, assim preceitua: "Art. 1° O art. 11 da Lei n° 9.311. de 24 de outubro de 1996. passa . a vigorar com as seguintes alterações: "Art.lI ............................................................................................•.... "9 3D A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procepimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo à impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de , 1996, e alterações posteriores." (NR) Os 1"do art. 144 do CTN, por sua vez, assim determina: \ "Art. 144. O lançamento reporta-se à dàta da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. S 1° Aplicá-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização,. ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, .ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios. exceto, neste ultimo caso, 1'-. para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros". ~ \ - ., Processo n.o 10925.00203812005-61 Acórdão n.• l02-48.326 [~J - \ , A Lei rt 10.174/01 instituiu, assim, norma que trata de "novos critérios de apuração ou processo de fiscalização", possuindo aplicação imediata. No caso concreto, o lançamento foi lavrado em 2003, sob a égide da nova nonna legal, de modp que o fiscal poderia ter investigado todos'os anos calendários não atingidos pela decadência do direito <te lançar, conforme previsão do art. 144, ~ 1°do CTN.13 , . , , Neste sentido é o Acórdão 104-20483, da Quarta Câmara deste Primeiro Conselho, em julgado de'Sessão de 24/02/2005, tendo como Relator o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, cuja Ementa tem o seguinte teor: ' "APUCAÇÃO DA NORMA NO XEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174. de 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311. de 1996. a Lei n° 10.174, de 2001 nada mas fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo' aplicável essa. legislação. por força do que dispõe o 9 J" do art. 144 do Código Tributário Nacional. SIGILO, BANcARIO - Os agentes 'do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. OMISSA-O DE . RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando p contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea. a origem dos recursos utilizados 'nessas operações. / No mesmo sentido, igualmente, é o Acórdão 108-07875, da Oitava Câmara deste Primeiro Conselho, tendo como Relator o Conselheiro Luiz Alberto Cáva Maceira, cuja Ementa tem o seguinte teor: Ementa: IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO -LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE NA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA •. , CPMF-RETROATIVIDADE DO ART. 1°DA LEI 10.174/2001. O art. l° da Lei n° 10.174/2001, que alterou o 93° do art. II da Lei n° 9.311/96, possibilitando a obtenção de extratos bancários com base na . movimentação da CPMF, retroage aos fatos pretéritos à sua vigência. haja vista que a dita alteração apenas ampliou os meios defiscalização e investigação da autoridade pdministrativa, estando em consonpncia com a regra do 91° do art. 144 do CTN. O mesmo raciôcínio deve ser aplicado em relação à vigência do Decreto n° 3.724/2001 e da LC 1'05/2001. - 13 Art. 144. O lançamento reporta-se 'à data da ocorrência do fato gerador da obrigaçao e rege-se pela lei entao vigente, ainda Queposteriormente modificada ou revogada. S 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha Instltufdo novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maior:es garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. •• 1 Processo n.D 10925.00203812005-61 Acórdão n,o 102-48.326 Sendo assim, não deve prosperar a preliminar de quebra de sigilo bancário, bem como de irretroatividade de lei posterior. . Cumpre ressaltar que discussão sobre sua constituCionalidade e legalidade foge à competência desta autoridade julgadora, em face de sua vinculação ao dispositivo legal. " . . Nesse sentido, dispõe a Súmula nO02 deste Primeiro Conselho de Contribuintes, de caráter vinculante, conforme detenninação do art. 29 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintesl4, nos seguintes tennos: " . Súmula }O CCnQ 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é . competente para se pronunciar sobre a inconstituCionalidade de lei tributária. Pelas razões expostas, portanto, voto por REJEITAR" a preliminar de irretroatividade e quebra de sigilo bancário, acompanhando o relator quanto aos demais pontos do recurso. Sala das Sessões - DF, em 28 de março de 2007. ~=:;2"--- _ ~," ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO 14 Art. 29. As decisõe~ reiteradas e' uniformes dos êO~selhos serao consubstancladas em súmula. de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. ". .:. "., / Processo n.- 10925.00203812005-61 Acórdão n.- 102-48.326 .. / - Declaração de Voto CONSELHEIRO LEO~ARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA . . Peço vênia ao eminente relator, por entender que não é ocâso'de se enfrentar a~ acusação de omissão de rendimentos constatada por meio de depósito bancário apoiltadapelo . Fisco na peça vestibular do procedimento, na foona consignada .novoto. Com, efeito, tenho entendido que o lançamento com base na constatação de movimentação de valores em instituição bancária deve, consoante preceitua a lei, ser apurado no mês, ou seja, o suposto rendimento omitido deve ser tributado no momento em que for ~cebido (~epositad?). Diante a natureza .da discussão, a .qual, na essência, refere-se' aos princípios constitucionais, notadamente o da legalidade, necessãrio transcrever o dispo~itivo que, como é cediço, consta na Constituição Federal de .1988, e por meio do qual atribuiu-se à União competência para instituir e cobrar imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, verbis: . . "Art. 1S3. Compete à União instituir impostos sobre: ..\ (...),' III - renda eproventos de qualquer natureza,' " Daí infere-se que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem seu suporte legal no artigo 153, III da Constitu~ção Federal de 1998, no qual, aléin de conferir à União competência para instituí-lo, estab~leceu princípios que delineiam a sua regra-matriz de . incidência. ' . .Por sua vez, o artigo 43 do Código Tributário Nacional, cuidou de normatizar a cobrança do referido imposto e disciplinar os elementos que o compõem, verbis: ./ '.:Art.43. O imposto, de competência da União,.sobre a renda eproventos de. qualquer natureza, tem comofato gerador a aquisição da disponibilidade econômica oujurídica: .'. I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da . combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no in~iso anterior.~' . . I - Prócesso n,.1092S,0020381200S-61 Acórdlo n,. 102-48.326 ••• I , • t EJ Destarte, em razão de a Constituição ocupar no sistema jurídico pátrio posição mais elevada, todos os conceitos jurídicos utilizados em suas normas passam a vincular tanto o legislador ordinãrio quanto os operadores 90 direito. Verifica-se, pois, que os conceitos de rendá e proventos de qualquer natureza estão albergados na Carta Magna. Para a melhor aplicação a ser adotada relativamente à regra- matriz de incidência dos tributos, imprescindível perscrutar quais princípios estão condicionando a exação tributária. I . É de se notar qu~ para que haja a obrigação tributária seja ela pagamento de tributo ou. penalidade (principal) ou acessória (cumprimento de dever formal), necessãrioa adequação do fato existente no mundo real à hipótese de incidência prevista no ordenamento jurídico, sem a qual não surgirá a subsunção do fato à norma . . Neste contexto, sobreleva o princípio da legaUdade que, como um dos fundamentos do Estado de Direito eleito pelo o legislador foi reproduzido à exaustão na Carta da República. De~tro dos direitos e garantias fundamentais, fixou o artigo 5°, lI, "ninguém será obrigado afazer QU deixar defazer alguma coisa senão em virtude de lei;", conferiu, também, à Administração Pública a observância do princípio da legalidade, conforme artigo 37 (redação dada pela Emenda constitucional n.o 19 de 1998): "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos orincioios de legalidade. impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: .•(grifou-se). Já no âmbito tributário a Constituição trouxe no artigo 150, I: "Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinU!. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I-exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça,' " Ultrapassadas as anotações com vistas, em apertada síntese, ressaltar a importância dos princípios como alicerces nucleareS. do ordenamento jurídico, pode-se especificamente apontar o da legalidade como condição de legitimidade parll que seja perpetrada a.exigência tributária. É, portanto, o princípio da legalidade referência baSilar entre a necessidade do Estado arrecadar e a proteção aos direitos fundamentais dos administrados. No 'caso ora em discussão, o enquadramento legal que se apoiou a suposta existência de fatos geradores com intuito de exigir tributos foi o artigo 42, da Lei n° 9430/1996: - "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito o de investimento mantida junto a instituição financeifa, em relação aos quais o titular, pessoas fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." De fato, compulsando os autos verifica-se que nos Demonstrativos (fls.) anexos ao Auto de Infração, a fiscalização procedeu à contagem das supostas omissões no decorrer do (s) ano-calendário (s) apurando ao final de cada mês, o total do valor à ~er tributado. No entanto, ao invés de exigir o tributo com base no fato gerador do mês que foi r~A identificada a omissão, promoveu o fisco, Indevidamente e sem base legal, a soma dos valores r" ali apurados e tributou-as no final do mês de dezembro do (s) ano-calendário (s) que consta (am) do Auto de Infração. _____________ ~ - ... __.-----1 Processo n,o 10925,00203812005-61 Acórdão n.o 10248.326 Assim. o esforço que a fiscalização engçnd~u na ânsia de exigir eventual crédito tributário foi atropelado pela opção do seu procedimento, o qual estabeleceu, repita-se, sem suporte legal, critério na apuração temporal da constituição do crédito tributário. , , / -. .. Por certo, o procedi~ento laborou em equivoco, eis que os rendimentos omitidos deverão ser tributados no mês em que considerados recebidos, consoánte dicção do ~ , 4!Jd9 artigo 42d~ Lei nO9.430/1996: /, '~94° Trata1;ldo-se de pessoaflsi'ca!. os rendimentos omitidos serão tributado,s no mês em que considerados recebidos, co,m base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. " . Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda 1999 (Decreto n° 3000/1999), reproduziu no caput do artigo 849 e no seu ~ 30 os mesmos mandamentos do artigo 42 e ~ 4°, da Lei n° 9.430/1996. / . ' Assim, do confronto do enquadramento legal que contempla a exigência em razão de movimentação de valores em conta b~cária, com' a opção' da fiscalização em proceder a cobrança do crédito tributário mediante "fluxo de caixa"; apurado de forma anual, " conforme o procedido nos presentes autos, evidente a ~sgressão dos fundàmentos constitucionais, acima referidos"notadaplente o princípio da legalidade, À vista do exposto, resta patente a -ilegitimidade de todo o feito fiscal, por processar-se em desacordo com a legislação de regência, seja em relação à base de cálculo, seja em relação à d~ta do efetivo fato gerador, o que, por conseguinte, desperta a necessidade de cancelamento do lançamento por erro no critério temporal da constituição do crédito -tributário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 28 de março de 2007 .• t-It- cR..._ LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA ( .• I' " 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038
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Numero do processo: 13963.000188/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 06/05/2003
Ementa:
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido em parte.
Numero da decisão: 3302-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para não conhecer do Recurso Voluntário quanto à limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, cabendo à unidade administrativa de origem dar cumprimento às decisões judiciais vigentes. O Conselheiro Domingos de Sá votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 06/05/2003 Ementa: CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso Voluntário Não Conhecido em parte.
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RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso Voluntário Não Conhecido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para não conhecer do Recurso Voluntário quanto à limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, cabendo à unidade administrativa de origem dar cumprimento às decisões judiciais vigentes. O Conselheiro Domingos de Sá votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 01 88 /2 00 3- 19 Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 3 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de processo de declaração de compensação de débtios de IPI com crédito de terceiro, no caso, de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da decisão recorrida: "O estabelecimento acima qualificado apresentou, em 06 de maio de 2003, a Declaração de Compensação (DCOMP), da fl. 1, e seu anexo, "Créditos decorrentes de decisão judicial", de fl. 2, para compensar seus débitos do IPI, no valor total de R$ 560.649,89, com crédito de terceiro, no caso, de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº 42.147.496/0001 70. Segundo consta na fl. 2, o crédito oferecido em compensação decorreria do Mandado de Segurança n 99.00.605420, da 4º Vara Federal de São Joao de Meriti/RJ, sem informação relativa ao transito em julgado da decisão favorável ao terceiro citado, bem como inexistindo, nos autos, qualquer documento de cessão desse crédito, ao requerente. Nos autos constam cópias de peças da Apelação em Mandado de Segurança nº 40852 e dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração na Apelação em Mandado de Segurança (sic) nº 40852, Processo nº 2001.02.01.0352326, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2 Regido, no Rio de Janeiro/RJ. Tais documentos revelam a existência de decisão judicial, contra a Unido Federal/Fazenda Nacional, autorizando o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da Instrução Normativa SRF n' 41, de 7 de abril de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensação de créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros, não optantes pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Em 2 de agosto de 2004, foi proferido o despacho decisório de fls. 29 a 32, com ciência em 3 de março de 2005, pelo qual a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC não homologou a compensação declarada neste Processo, encaminhandoo para cobrança dos débitos indevidamente compensados, bem como para lançamento da multa isolada, por Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 4 3 compensação indevida, a que alude o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A ementa do referido despacho decisório diz que, a partir de 1º de outubro de 2002, a legislação de regência das compensações, relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, veda, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte, com créditos de terceiros, dizendo, também, a ementa do mesmo despacho, que perde o objeto a decisão proferida em mandado de segurança, quando baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. 0 despacho decisório citou o Mandado de Segurança nº 98.00166580, em que o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio realmente conquistou créditos, bem como citou o Mandado de Segurança n' 2001.51100010250, impetrado pelo mesmo estabelecimento, para compensar os seus créditos, decorrentes de decisão judicial, com débitos de terceiros, ação que subiu para o TRF da V Regido, onde foi julgada favoravelmente ao impetrante, tendo sido invalidada, no caso concreto, a IN SRF n' 41, de 2000, que vedava a compensação de débitos, com créditos de terceiros, por falta de suporte legal que lhe desse amparo, conforme entendimento daquela corte. 0 mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos, com créditos de terceiros, a compensação, com essa particularidade, declarada neste Processo, não pode ser homologada, como, de fato, não foi, pela superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n ° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Explica o despacho decisório que o art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, deu a seguinte redação ao caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impossibilitando, a partir de 1 ° de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo, com débitos de terceiros: "0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão". Contra os termos da decisão da DRFFlorianópolis/SC insurgiu se a contribuinte. Em decorrência da instauração de litígio nos termos do Processo Administrativo Fiscal, exarou a DRJPorto Alegre, em 23/06/2005, o Acórdão n° 5.901/2005, que manteve a não homologação das compensações levadas a termo pela Interessada. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 5 4 Em seqüência, optou a Interessada por apresentar recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes no qual, dentre outros argumentos, alegou, com base em dispositivo previsto na IN SRF n° 460/2004, incompetência da DRF Florianópolis/SC para decidir acerca das compensações em questão, uma vez que os créditos oferecidos como lastro provinham de terceiro cujo domicilio tributário pertencia à jurisdição da DRFNova Iguaçu/RJ. 0 colendo Segundo Conselho de Contribuintes, fazendo uso do Acórdão 201 79.429 anulou o presente processo a partir do despacho decisório da DRFFlorianópolis/SC para que outro fosse proferido pela DRF em Nova Iguaçu/RJ. Em submissão à decisão supra, a DRFNova Iguaçu/RJ proferiu o Despacho Decisório n°227/2007 (fls.317 a 326), que assim vai sumariado: "No presente caso, como o crédito do contribuinte provém de sentença judicial que já transitou em julgado ele deveria preencher os requisitos de "certeza", "liquidez", "restituibilidade" e "habilitação" junto a SRF. Acontece que o consumo de grande parte do crédito que originalmente foi reconhecido par a sociedade Nitriflex S.A. quando da realização de inúmeras compensações de débitos próprios e de terceiros, a utilização de uma parcela do crédito da ordem de R$ 4.291.283,55 e a sentença proferida na ação rescisória reduziram muito o seu valor a ponto de existir a possibilidade de o mesmo Ft estar totalmente exaurido, o que lhe afastou o requisito de "certeza" que, por estar ligado a própria existência do referido crédito, também lhe afastou os demais requisitos que gravitam em torno deste, ou seja, afastou também os requisitos de "liquiidez" e de "restituibilidade", inclusive o de "habilitação". Contudo, o ponto nevrálgico deste ato decisório referese à possibilidade ou não de o contribuinte utilizar em suas pretensas compensações tributárias o crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex SA, pois numa época em que não havia lei, mas apenas uma norma infralegal (IN SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no MS 2001.51100010250 reconhecendo o seu direito de cede10 a terceiros para utilização em compensação tributária. Ocorre que, antes que as declarações de compensação sob análise fossem entregues ou transmitidas à SRF, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29.08.2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem utilizados apenas para compensar débitos tributários próprios. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 6 5 Ao dispor que o crédito do sujeito passivo pode ser utilizado para compensar débitos tributários próprios, a nova norma contida no caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96 acabou por vedar a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. No entendimento da DRF/FNSSC, após a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 que lhe foi dada pelo art.49 da Lei n°9.430/96 passou a existir previsão legal vedando a compensação de débitos de um contribuinte mediante utilização de crédito de terceiros, tanto é assim que resolveu formalizar consulta junto a PFN em Santa Catarina, senda que esta se manifestou no sentido de que "perde objeto a decisão proferida em mandado de segurança quando baseada em legislação que veio a ser revogada ou substituída por outra". Assim, adotase, nesse despacho, o entendimento da douta PFN segundo o qual as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas antes do dia 29.08.2002, data da publicação da MP n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n°10.637/02. Logo, seguindose o entendimento da PFN, concluo que o fato de que todas as declarações de compensação em que se pretende compensar débito tributário de Maximiliano Gaidzinski SA com crédito de terceiro, sociedade empresária Nitriflex SA, terem sido apresentadas após o dia 29.08.2002, data da publicação no DOU da MP 66/02, as compensações tributárias nelas declaradas não podem ser homologadas. ". Às fls.335/368 encontrase a manifestação de inconformidade dirigida a esta DRJ e deduzida contra o despacho decisório acima referenciado. Diz a requerente que em 21 de julho de 1998 o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou o Mandado de Segurança n 98.00166580 para, em nome do principio constitucional da nãocumulatividade do IPI, obter o reconhecimento de créditos desse imposto nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero, nos dez anos anteriores impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2º Regido, favorável à pretensão do citado impetrante. Entende a interessada que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei nº 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressalta a requerente que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, em 26 de março de 2001, para impedir que a IN SRF n" 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pelo estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, acrescentando que as disposições da citada IN foram repetidas no art. 30 da Instrução Normativa n' 210, de 30 de setembro de 2002. Diz, ainda, que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2 Regido, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente de decisão judicial, em causa. Traz a interessada ainda o argumento no sentido de que mesmo tendo o Delegado de Nova Iguaçu trazido para si o deverpoder da homologação das compensações em questão, restandolhe portanto, prazo legal para reconhecer tal homologação, temse que a homologação tácita ocorreu por decurso de prazo no dia 06.09.2005, já que o processo de homologação de n° 13746.000474/200501 foi instruído em 5 de julho de 2005 e ainda se encontra sem decisão. Por último, o interessado requer a reforma do despacho decisório das fls. 317 a 326, para que sejam homologadas as compensações insertas na Declaração de Compensação de fls.1, com a conseqüente extinção e baixa dos débitos por eles compensados, com respeito aos quais requer a suspensão da exigibilidade, enquanto tramitar a sua manifestação de inconformidade. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0920.141, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 06/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiro, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiro, declaradas após 12 de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Compensação não Homologada Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 8 7 1. Que os créditos utilizados foram reconhecidos no MS nº 98.00166580, transitado em julgado favoravelmente à recorrente, cujo decisório tornara líquido e certo a possibilidade jurídica de a empresa Nitriflex dispor livremente de seu crédito (crédito gerado entre 08/1988 a 07/1998), de forma a assegurar a plena efetividade do princípio da não cumulatividade do IPI; 2. Que para resguardar seu direito, a Nitriflex impetrou o MS nº 2001.51.10.0010250, transitado em julgado favoravelmente à impetrante, visando impedir a aplicação da vedação prevista na IN SRF 41/2000, repetida na IN SRF 210/2002, quanto à possíbilidade de compensação com débitos de terceiros, por aplicação do princípio da irretroatividade das leis; 3. Que a limitação da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 dada pela MP nº 66/2002 apenas atingiria os créditos gerados a partir de 29/08/2002; 4. Que a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é condição impeditiva da compensação. Ao final, pede o provimento do recurso voluntário e a consequente homologação da compensação declarada. Na sessão de 27/01/2016, esta turma proferiu o Acórdão nº 3302003.019, dando provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a vedação imposta pela IN SRF nº 210/2002 e pela alteração do artigo 49 da MP nº 66/2002, quanto à utilização de crédito de terceiros, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 06/05/2003 Ementa: DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE. Transitada em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumprila nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento da ordem judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração alegando obscuridade e contradição em relação à coisa julgada nos Mandados de Segurança nº 98.00166580 e nº 2001.51100010250, defendendo a necessidade de relativização da coisa julgada, e ainda, informando que a segurança concedida neste último mandamus foi cassada em definitivo por provimento judicial favorável à Fazenda em Recurso Especial nº 1.046.640 na Ação Rescisória nº 2005.02.01.0071872. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos opostos trataram da relativização da coisa julgada e da eficácia da decisão transitada em julgado no MS 2001.51100010250. Relembrando, os autos tratam de declaração de compensação entregue em 06/05/2003, de débitos de IPI da recorrente com créditos de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170, decorrentes dos provimentos judiciais obtidos nos MS nº 98.00166580 e MS nº 2001.51.10.0010250. O despacho decisório fundamentou, essencialmente, a nãohomologação da compensação declarada na alteração promovida pelo artigo 491 da Mp nº 66/2002 no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, permitindo a compensação apenas de débitos próprios, adotando entendimento da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu/RJ no sentido de que a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre a qual a coisa julgada se operou. O excerto abaixo esclarece: "Contudo, o ponto nevrálgico deste ato decisório referese à possibilidade ou não de o contribuinte utilizar em suas pretensas compensações tributárias o crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex SA, pois numa época em que não havia lei, mas apenas uma norma infralegal (IN SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no MS 2001.51100010250 reconhecendo o seu direito de cedelo a terceiros para utilização em compensação tributária. Ocorre que, antes que as declarações de compensação sob análise fossem entregues ou transmitidas à SRF, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29.08.2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem utilizados apenas para compensar débitos tributários próprios." A decisão recorrida manteve a nãohomologação sob mesmo fundamento, acrescentando ainda a inexistência de demonstrativo do saldo de crédito reconhecido em favor da Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Em breve relato, a Nitriflex obteve decisão transitada em julgado favorável, em 18/04/2001, no MS nº 98.00166580, para se creditar de IPI sobre aquisições isentas e ou 1 Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 10 9 sujeitas à alíquota zero, adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998, conforme certidão de efls. 908. A União ajuizou as Ações Rescisórias nº 1.788DF e nº 2003.02.01.005675 8, com o intuito de rescindir decisões proferidas no MS 98.00166580, tendo a primeira sido extinta sem julgamento do mérito, com trânsito em julgado em 13/05/2009 (efls. 986). Relativamente à segunda ação, a União obteve decisão parcialmente favorável, o que motivou o ajuizamento da Reclamação nº 9.790 no STF pela recorrente. Em 28/03/2012, o Pleno do STF julgou procedente a reclamação para cassar as decisões proferidas pelo TRF da 2º Região na Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758, com trânsito em julgado ocorrido em 19/10/2012. Assim, inexiste incerteza quanto à aplicação da coisa julgada no MS 98.00166580, sendo legítimos os créditos de IPI decorrentes das aquisições isentas e de alíquota zero no período referido no mandado de segurança e, conforme informado no despacho decisório, já reconhecidos nos processos 10735.000001/9918 e 10735.000202/99 70, o que afasta a afirmação feita no despacho decisório de que a decisão na ação rescisória teria reduzido significativamente o crédito pleiteado, embora tal afirmação tenha sido apenas genérica, não havendo comprovação no despacho da demonstração de insuficiência de saldo credor. De outro giro, o MS nº 2001.51.10.0010250 objetivou o afastamento da vedação imposta pela IN SRF 41/2000 de compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, decisão transitada em julgado em 12/09/2003 (efls. 1102). O entendimento defendido pela recorrente é de que a coisa julgada alcançaria não apenas o direito creditório em si, mas também a forma como a Nitriflex poderia dispor deste direito, o que não poderia ser afastado por legislação superveniente, em decorrência do princípio da irretroatividade e da segurança jurídica. Este posicionamento se coadunou com o esposado no OfícioIntimação nº 289/2002 SUB (efls. 22), de 13/11/2002, mediante o qual o Delegado da Receita Federal fora intimado do seguinte: "Senhor Delegado, Comunico a V. Sª que, nos autos da APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA N.° 2001.02.01.0352326 (Origem: 200151100010250), em que figuram como APELANTE: N1TRIFLEX S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO e, como APELADO: UNIAO; FEDERAL / FAZENDA NACIONAL, foi proferido despacho às fls. 253, do seguinte teor: '...2 Intimese a digna autoridade impetrada para ciência e cumprimentei do v. acórdão que invalidou limitação a compensação de créditos da impetrante com débitos de terceiros, tal conto previsto nu INSRF n° 41/00, repetida na 1NSRF n° 210 de 30 de setembro de 2002, sob as penas previstas no art. 14 do CPC...". Em 11/11//200Z ROGERIO CARVALHO —Relator. [...] ROGÉRIO VIEIRA DE CARVALHO Desembargador Federal Relator Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 11 10 Presidente da 4º Turma TRF 2º Região Verificase que a comunicação informou estar invalidada a limitação à compensação de créditos da Nitriflex com débitos de terceiros, tal como prevista na IN SRF 41/2000, bem como na IN SRF nº 210/2002, a qual foi editada já sobre a vigência da MP nº 66/2002. Posteriormente, a recorrente peticionou nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250 informando o descumprimento de ordem judicial e ofensa à coisa julgada por parte da Receita Federal, sob o argumento de que a partir de 29/08/2002, em razão da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pelo artigo 49 da MP nº 66/2002, estaria vedada a compensação de créditos de um sujeito passivo com débitos de outro. Em 25/03/2014, foi proferida decisão no seguinte teor (efls. 1107, 1224 a 1226): "Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação n° 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante." Depreendese, pois, que a discussão principal travada neste processo quanto à aplicação ou não da nova redação do artigo 74, alterado pela MP nº 66/2002, no sentido de vedar a entrega de declaração de compensação após 29/08/2002 com utilização de créditos de terceiros, foi levada ao Judiciário ante a decisão acima proferida no processo 2001.51.10.0010250 em 25/03/2014, determinando o cumprimento da coisa julgada, afastando qualquer óbice trazido pela Lei nº 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002). Assim, não cabe a este conselho proferir julgamento de mérito sobre a matéria levada à discussão judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1, cujo enunciado dispõe que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.". Reforçando a conclusão, nos embargos de declaração foi informado sobre a existência de ação rescisória de nº 2005.02.01.0071872, com decisão em recurso especial favorável à União, questionando a segurança concedida no MS 2001.51100010250. Verificando o andamento processual do referido mandado, consta decisão proferida em 18/01/2016 pela Juíza Federal Vanessa Simione Pinotti, com o seguinte teor: JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO 01ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Processo nº 000102518.2001.4.02.5110 (2001.51.10.0010250) Autor: NITRIFLEX S/A COM/ IND/. Réu: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE NOVA IGUACU. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 12 11 Decisão Tratase de embargos de declaração opostos pela impetrante em face da decisão de fls. 1533/1536, sustentando ter ocorrido omissão às normas processuais dos artigos 125, inciso I, 128 e 473 do CPC, ao argumento de que o Juízo não teria observado os princípios da igualdade e inércia, e que a decisão modificada pela ora impugnada fere decisão já preclusa. Alega, ainda, a existência de contradição, por ter considerado suspensa a exigibilidade do título executivo proferido neste processo em razão do ajuizamento de ação rescisória, já que não houve deferimento de efeito suspensivo pelo TRF. A impetrante aditou sua petição de embargos de declaração às fls. 1598/1601 requerendo que, se não houvesse o cancelamento da decisão ora embargada que, ao menos, houvesse a suspensão da exigência dos créditos de terceiros. Diante dos possíveis efeitos infringentes dos embargos de declaração, foi dada vista à Fazenda Nacional, que sustentou que os embargos não cumprem os requisitos do artigo 535 do Código de Processo Civil, diante da inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. É o relatório. Passo a decidir. Inexiste a omissão a normas processuais apontadas pela impetrante. A notícia da existência de ação rescisória tendo por objeto o título executivo da presente demanda foi trazida aos autos por certidão de servidor da Secretaria do Juízo (fls. 1464/1514), em momento posterior à prolação da decisão de fls. 1458/1459, que deferiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da sociedade que se pretende compensar com créditos da impetrante. Tratase, portanto, de fato até então desconhecido por esse Juízo, mas já sabido pelas partes desse feito. Frisese que ambas as partes já se manifestaram nesse processo após o ajuizamento e a apresentação de resposta na ação rescisória, porém não fizeram qualquer menção desse fato. Diante dessa nova situação, que, salientese, já era conhecida pelas partes dessa demanda, esse Juízo cuidou para que o princípio da efetividade da demanda, notadamente a ação rescisória, pudesse ser alcançado. Destaquese que o título executivo proveniente dessa ação permite que o crédito tributário que a impetrante tem para com o Fisco seja repassado a terceiros, que, conforme mesmo aduz a impetrante, são muitos. Além disso, como também já explicitado nesse feito, o cumprimento da aludida decisão é situação complexa e que exige uma série de procedimentos. Logo, na eventual hipótese de desconstituição do título executivo, no Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 13 12 mínimo, demandará um lapso temporal razoável para se desfazer o encontro de contas já realizado. Por tudo isso e com escoro no poder geral de cautela, esse Juízo entendeu que a melhor forma de assegurar o princípio da efetividade da ação rescisória seria suspender o cumprimento do acórdão transitado em julgado a fim de que não houvesse prejuízo a qualquer das partes, respeitando, pois, a igualdade entre as partes. Nessa trilha, não se está decidindo para além da lide proposta a uma, porque a lide já restou decidida, havendo, inclusive, o trânsito em julgado; e, a duas, porque a emanação dos influxos do princípio da efetividade da ação rescisória permite que o magistrado, no uso do seu poder geral de cautela, adote as medidas que entenda necessárias para salvaguardar o resultado útil do processo, sob pena de a demanda restar decidida e aquele que tiver seus interesses acolhidos não conseguir executála. Cabe ainda ponderar que não se está a discutir questão já preclusa nesse feito, visto que, como dito, é matéria nova ao menos para esse Juízo e nesse feito. Por tudo isso, não há que se falar em omissão às normas processuais em foco. Com relação à contradição alegada, embora o egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região não tenha conferido efeito suspensivo à ação rescisória, não resta dúvida de que o Tribunal já assentou, no julgamento da apelação nº 2011.51.20.0011037, que a decisão do STJ que anulou o julgamento da rescisória “já restou reconhecida a nulidade do título [...] em razão da aplicação da teoria da causa madura em face de sentença terminativa e antes da vigência da Lei nº 10.352/01, que acrescentou o §3º ao art. 515 do CPC” (fl. 1529). Ademais, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentou que não há ofensa ao artigo 489 do Código de Processo Civil mesmo sem a concessão do efeito suspensivo prevista no referido dispositivo, visto que a decisão do Superior Tribunal de Justiça é mais que provimento precário, é julgamento de mérito de instância superior. Nem se alegue que a referida apelação nº 2011.51.20.0011037 não tem relação com a presente demanda, pois se trata de apelação em mandado de segurança no qual a impetrante daqueles autos pretende compensar seus débitos com créditos tributários da NITRIFLEX, tendo como causa de pedir o direito reconhecido no presente mandado de segurança. Por outro lado, deve ser reconhecida a contradição apontada pela embargante quando sustenta que, a despeito do estado de incerteza quanto à manutenção do título existente nesse feito, há, ainda, coisa julgada que, também, emite os seus efeitos. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 14 13 De fato, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, o título executivo subsiste, até que seja confirmada ou não sua eventual rescisão, emitindo, portanto, efeitos. Entretanto, não resta dúvida que a existência da ação rescisória põe em questão a certeza da coisa julgada produzida anteriormente, devendo ser analisados com cautela os efeitos do imediato cumprimento da sentença. Como dito, na hipótese dos autos, a execução imediata do título executivo permite a compensação de créditos da impetrante com débitos de outras sociedades empresariais. Caso cumprido imediatamente, eventual rescisão do julgado causaria, no mínimo, enorme transtorno e lapso temporal, haja vista que a Receita Federal do Brasil teria que rever um incalculável número de processos administrativos de compensação. Assim, forte no poder geral de cautela suprarreferido, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Civil, entendo que deve ficar suspensa a exigibilidade da coisa julgada produzida nos presentes autos até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros, respeitando, assim, a igualdade entre as partes. Diante do exposto, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E A ELES DOU PARCIAL PROVIMENTO para alterar a parte final da decisão de fls. 1533/1536, a partir de fl. 1536, que passa a constar com a seguinte redação: “Ademais, considerando a existência de ação rescisória a colocar em cheque a certeza do título executivo produzido nos presentes autos, não se pode realizar o cumprimento imediato do que restou decidido nesse processo. Por outro lado, tendo sido reconhecido o direito da impetrante em promover a compensação de seus créditos com débitos de terceiros, a coisa julgada produz efeitos, ao menos até o julgamento final da ação rescisória. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros. Dessa forma: TORNO SEM EFEITO a decisão de fls. 1363/1365, a fim de não mais impor à Administração o cumprimento imediato do acórdão prolatado neste feito; Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 15 14 MANTENHO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários constantes dos Processos Administrativos 10880.720940/200616 e 10880.721107/200684; OFICIESE à 5ª Vara Federal de São João de Meriti, para ciência desta decisão e eventuais providências cabíveis; SUSPENDASE o presente mandado de segurança até julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872.” OFICIESE com a máxima urgência a Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, bem como a Procuradoria da Fazenda de Nova Iguaçu, para ciência das modificações aqui produzidas. Publiquese. Intimemse. São João de Meriti, 18 de janeiro de 2016. VANESSA SIMIONE PINOTTI Juíza Federal Substituta 1ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Documento assinado eletronicamente Portanto, concluise que a última decisão proferida nos autos do MS 2001.51100010250 suspendeu os efeitos da coisa julgada no sentido de a Administração Tributária não se compelida ao cumprimento do acórdão transitado, bem como suspendeu a exigibilidade do crédito tributário compensado, até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Destarte, a matéria principal de mérito subida a este conselho, qual seja, a relativização da coisa julgada no MS 2001.51100010250, em razão da aplicação da limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002), vedando a compensação com créditos de terceiros, é objeto de discussão judicial, devendo não ser conhecido o recurso voluntário nesta parte. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário quanto à limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, cabendo à unidade administrativa de origem dar cumprimento às decisões judiciais vigentes, mantendose a decisão proferida no Acórdão nº 3302003.019, quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.169 S3C3T2 Fl. 16 15 Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10830.726899/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de documentos capazes de comprovar os serviços prestados , devem ser mantidas as glosas realizadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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NÃO COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de documentos capazes de comprovar os serviços prestados , devem ser mantidas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 68 99 /2 01 3- 06 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10830.726899/201306 Acórdão n.º 2401004.377 S2C4T1 Fl. 185 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1535.114 (fls. 121/124), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/05) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2011 DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento e/ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 35/39 exigiu da contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 9.962,00, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 36/37) a fiscalização informa a glosa de R$ 37.380,00 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: DESPESAS MÉDICAS: A dedução no valor de R$ 37.380,00 foi desconsiderada por motivo de ausência de comprovação da transferência dos recursos financeiros para Sandro Antônio Brandão Stranieri (cirurgião dentista). Ou seja, não foi comprovado o efetivo pagamento do valor deduzido. Embora tenha sido regularmente intimada, a contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos (cheques, comprovantes de depósito bancário, etc) para comprovar o desembolso financeiro utilizado para o pagamento do valor constante de cada recibo apresentado(que, somados, atingem o montante de R$ 37.380,00) Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, a contribuinte argumentou em sua peça impugnatória: a) Que demonstrou devidamente a despesa com o cirurgiãodentista, no valor de R$ 37.380,00, adimplido parceladamente; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 b) Que foram juntados todos os recibos que compravam o pagamento das parcelas do tratamento odontológico, portanto não há que se falar em dedução indevida; c) Que inexiste proibição para pagamento em espécie; d) Que possui renda compatível com o pagamento de parcelas mensais de R$ 2.700,00, pois observado os benefícios previdenciários que aufere, seria capaz de custear seu tratamento odontológico; e) Que a decisão de lançamento põe em dúvida documento lícito, legítimo e assinado pelo cirurgião – dentista beneficiário do pagamento, o que não pode ser admitido, uma vez que a boa fé é sempre presumida e a máfé, por sua vez, que deve ser claramente demonstrada; Para a DRJ/SDR, a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, os documentos acostados pelo contribuinte não faziam prova da efetiva prestação de serviço e do pagamento correspondente. Intimada do acórdão da DRJ/SDR em 23/04/2014 (A.R. fl. 127), a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 130/133) em 12/05/2014, onde, reitera as alegações já trazidas em sede de impugnação, e acosta ao recurso voluntário novo documento a fim de provar o pagamento de seu tratamento médico: a declaração do cirurgião – dentista confirmando o recebimento dos valores pela contribuinte. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10830.726899/201306 Acórdão n.º 2401004.377 S2C4T1 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Como se vê, para que seja conferida validade ao recibo emitido por profissional de saúde, exigese que constem no mesmo, cumulativamente: a) Nome do profissional; b) Endereço; c) CPF; Assim, analisando a totalidade dos recibos apresentados pela contribuinte (fls. 07/21), referentes ao cirurgiãodentista Sandro Brandão Stranieri, verifico que em todos eles constam os três requisitos acima exigidos: nome do profissional, endereço e CPF. Vejamos um exemplo de recibo do profissional, os quais são idênticos nos demais meses: O fundamento legal a justificar as glosas, conforme a autoridade fiscal foi o artigo 73 do Decreto 3.000/1999, assim disposto: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10830.726899/201306 Acórdão n.º 2401004.377 S2C4T1 Fl. 187 7 do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Ante a discricionariedade na eleição das deduções que requeiram efetiva comprovação, não há dúvidas que o art. 73 do RIR/99 confere à autoridade fiscal a prerrogativa de exigir outros documentos além dos próprios recibos. Nesse contexto, no curso do processo administrativo fiscal, a contribuinte não apresentou novos elementos de prova visando atender o exigido pela fiscalização. Em sede de impugnação, a contribuinte reapresentou os recibos do referido profissional (fls. 7 a 21) e um relatório dos créditos realizados pelo INSS a seu favor, no intuito de comprovar as suas despesas médicas. Ainda, em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte trouxe ao processo administrativo novo documento a fim de atestar a veracidade das suas despesas médicas, qual seja: a declaração do cirurgiãodentista confirmando o tratamento odontológico e as parcelas mensais recebidas da contribuinte. Trazida a nova prova em comento pela contribuinte, cabe cotejála com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para desqualificar os recibos de despesas médicas e glosar as despesas declaradas pela contribuinte. Muito embora a contribuinte tenha apresentado recibos do profissional de saúde, atendendo ao preenchimento dos requisitos legais exigidos (nome, endereço e CPF), bem como a declaração do próprio profissional que realizou o serviço realizado, cabe aqui reafirmar que, para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a mera disponibilidade de simples recibos e declarações. Caberia, portanto, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem a efetiva prestação de serviço bem como efetivo pagamento das despesas médicas. Cumpre salientar que até mesmo os pagamentos em espécie podem ser provados através de saques coincidentes em datas e valores que correspondam com as despesas supostamente incorridas, o que não foi verificado nos autos em análise. Nesse contexto, entendo não estarem comprovadas as despesas incorridas pelo contribuinte. Isso porque, apesar de lhe ser oportunizada a comprovação, com tempo hábil (ou o que poderia ser apresentado até mesmo em sede de recurso voluntário) para tal, não fez prova válida da efetividade da ocorrência dos pagamentos ao profissional acima citado, conforme exigido pela fiscalização (Fl. 74). Assim, sintome confortável em manter a glosa realizada pela autoridade fiscal diante da fragilidade do contexto probatório trazido pelo contribuinte, os quais não são suficientes para conferira presunção de certeza e veracidade da realização de despesas médicas contidas nos recibos emitidos pelo profissional de saúde. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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