Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11131.720760/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011, 2012
OCULTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. EXONERAÇÃO.
A insuficiência de provas para a configuração da infração por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões.
Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeita-se a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerando-se essa parte do lançamento.
De outra parte, não obstante os indícios apontados de falsidade documental, como não houve a demonstração racional de que forma ela acarretaria a ocultação de algum dos sujeitos referidos no inciso XXII do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, deve também ser afastada essa infração.
PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Assim, autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondo-se a exoneração da exigência dos tributos correspondente.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-004.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável tributário revel.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011, 2012 OCULTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. EXONERAÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões. Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeita-se a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerando-se essa parte do lançamento. De outra parte, não obstante os indícios apontados de falsidade documental, como não houve a demonstração racional de que forma ela acarretaria a ocultação de algum dos sujeitos referidos no inciso XXII do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, deve também ser afastada essa infração. PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Assim, autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondo-se a exoneração da exigência dos tributos correspondente. Recurso Voluntário provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11131.720760/2014-71
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729492
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.152
nome_arquivo_s : Decisao_11131720760201471.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 11131720760201471_5729492.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável tributário revel. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6783755
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213592403968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.032 1 2.031 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.720760/201471 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.152 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria Comércio Exterior e Papel Imune Recorrente FATOR DOIS COMÉRCIO DE PAPÉIS COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2011, 2012 OCULTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. EXONERAÇÃO. A insuficiência de provas para a configuração da infração por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou de responsável pela operação mediante fraude ou simulação tornam improcedente o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de suas apreensões. Diante da ausência de provas de que a empresa destinatária das mercadorias seria a verdadeira encomendante predeterminada das mercadorias, rejeitase a tese de que teria havido sua ocultação mediante fraude ou simulação, exonerandose essa parte do lançamento. De outra parte, não obstante os indícios apontados de falsidade documental, como não houve a demonstração racional de que forma ela acarretaria a ocultação de algum dos sujeitos referidos no inciso XXII do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, deve também ser afastada essa infração. PAPEL IMUNE. FINALIDADE CONSTITUCIONAL. DESVIO. NÃO CARACTERIZADO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Assim, autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente. No caso, tendo sido afastada a tese da fiscalização de que haveria ocultação do encomendante, não se configurou o desvio de finalidade do papel imune dele decorrente, impondose a exoneração da exigência dos tributos correspondente. Recurso Voluntário provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 07 60 /2 01 4- 71 Fl. 2032DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável tributário revel. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferida no sentido de: a) Declarar não impugnada a exigência, em relação ao responsável solidário Ideia Papéis e Serviços Gráficos Ltda EPP, não se operando, contudo, os efeitos da revelia, no tocante à exigibilidade do crédito tributário, haja vista a impugnação apresentada por Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda, nos termos do art. 7º, caput, da Portaria RFB nº 2.284/2010; b) Conhecer da impugnação apresentada por Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda, para REJEITAR as preliminares suscitadas pela defendente e, no mérito, JULGÁLA IMPROCEDENTE e manter o crédito tributário objeto da presente lide. Versa o processo sobre autos de infração relativos à exigência de Imposto sobre a Importação II (R$133.366,48), do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (R$54.299,15), da Contribuição para o PIS/PASEP/Importação (R$18.231,14), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins/Importação (R$85.966,34), acrescidos de multa proporcional e juros, e da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (R$483.831,64), conforme previsto no art. 23, inc. V e § 3°, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010, em desfavor de IDEIA PAPÉIS E SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e FATOR DOIS COMÉRCIO DE PAPÉIS COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA. Decorrem os lançamentos de procedimento de fiscalização instaurado em face da empresa FATOR DOIS, no qual se apurou, em síntese, que ela realizou importações com ocultação do encomendante predeterminado das mercadorias, qual seja, a empresa Ideia Papéis e Serviços Gráficos Ltda EPP, sendo que tal ocultação acarretou também o não reconhecimento da imunidade de impostos nas importações de papel e da redução das contribuições sociais incidentes nas importações. Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.033 3 A empresa IDEIA PAPÉIS E SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA foi cientificada do auto de infração, mas não apresentou defesa dentro do prazo legal estabelecido. A empresa FATOR DOIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese: A solidariedade passiva foi imputada à Impugnante com base na aplicação do disposto nos incisos I e V, do art. 95, do DecretoLei n° 37/1966. Sendo assim, em razão de não ter ocorrido, e nem sequer ter sido demonstrada e comprovada, a existência de importação por conta e ordem de terceiros, é forçoso concluir que a respeitável Sra. AuditoraFiscal, por entender ter ocorrido ocultação de encomendante em operações de comércio exterior (interposição fraudulenta) cometeu erro de fato, bem como pelo fato de ter aplicado ao caso em concreto a tipificação legal disposta no artigo 95, I e V, do DecretoLei n° 37/1966, cometeu erro de direito. A impugnante utilizavase de um modus operandi diferenciado e de elevado know how comercial e logístico, mas, jamais ilegal ou fraudulento, capaz de ensejar a presunção da ocultação de encomendante em operações de mercado exterior a que se refere o artigo 23, V, do DecretoLei n° 1.455/67. Isso se dava em razão de a empresa não possuir, à época, local próprio para estocagem, mas normalmente utilizava e pagava pela armazenagem em ambientes alfandegários. Ademais, o sócio Carlos Pontinha Pereira detinha um excelente knowhow de como adquirir e revender a mercadoria de forma rápida e eficiente. As importações só eram realizadas quando a empresa possuía disponibilidade financeira para tanto, sem qualquer garantia de que o que estava sendo comprado no mercado externo seria efetivamente vendido no mercado brasileiro. A atividade comercial de venda da Impugnante somente entrava em cena depois de concluída a compra no exterior. A impugnante nunca vendeu suas mercadorias para encomendantes predeterminados, sempre utilizando recursos próprios, ou de seus sócios, no início de suas atividades, e por sua conta e risco realizava a importação da mercadoria junto ao fornecedor estrangeiro. A remessa das mercadorias aos compradores no mercado interno, diretamente do armazém localizado na área portuária, não só é permitida como foi realizada pela Impugnante sob o amparo das respectivas Notas Fiscais de entrada (importação, pósdesembaraço aduaneiro) e saída (revenda no mercado interno). Desta forma, não há qualquer irregularidade nos procedimentos adotados pela Impugnante e, portanto, não podem ser utilizados como supostos indícios de fraude. No que concerne às vendas realizadas à empresa IDEIA PAPÉIS, é mister frisar que todas se deram no período anterior ao cancelamento de sua Inscrição Estadual, quando a empresa encontravase ativa e com a situação cadastral absolutamente regular. Não há que ser apenada a impugnante se a empresa que era reconhecidamente detentora de Registros Especiais para operacionalizar com Papel Imune, veio a ser considerada inidônea pela Fiscalização, após as operações envolvendo a impugnante. O ônus probatório recai sobre a Fiscalização, a qual em suas diligências deveria ter demonstrado, mediante provas contundentes, não alegações (supostas "evidências robustas"), que de fato a Impugnante teria figurado como interposta pessoa em operação no mercado exterior visando acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, o que não ocorreu. Não houve, em nenhum momento da Fiscalização, comprovação efetiva (i) da existência de repasses financeiros entre as empresas envolvidas; (ii) de contatos diretos entre os supostos encomendantes e os fabricantes estrangeiros; (iii) da ausência de entrega efetiva (trânsito físico) das mercadorias (lembrando que a operação "triangular" diretamente do porto é permitida pela legislação do IPI e ICMS); (iv) de indícios de incompatibilidade ou insuficiência financeira da Impugnante. Fl. 2034DF CARF MF 4 Por tais motivos, a multa de 100% sobre as operações importação de papel no período compreendido entre outubro/2009 e dezembro/2012, aplicada à Impugnante, como sujeito passivo solidário neste Processo Administrativo, em razão de suposta ocultação de encomendante, não merece prosperar. No termo de Constatação n° 05 a Fiscalização apontou que a importação realizada pela empresa Impugnante, no que diz respeito às Declarações de Importação n°s 11/20434485 e 11/21223852, teria se dado com a utilização de documentos falsos, e que, por ser ela sujeito passivo solidário na presente autuação, seria também penalizada, com pena de perdimento ou multa de 100% sobre o valor aduaneiro da operação. Todavia, é mister esclarecer que tais documentos são encaminhados diretamente do exportador para a empresa importadora, no caso específico para a Impugnante. Não poderia a Fiscal simplesmente, sem a devida análise técnica pericial, incluir no auto de infração da Impugnante que se tratam de documentos falsos, como de fato o fez. Quanto ao desvio de finalidade do papel imune, a Impugnante informa que só comercializa com empresas detentoras de Registros Especiais, cumprindo assim o disposto na Lei n° 11.945/2009 e na Instrução Normativa RFB n° 976/2009. Para imputar à impugnante a prática delituosa que configuraria o desvio de finalidade a Fiscalização não seguiu por esta vereda, que por sinal, é a única correta. Contudo, é válido salientar que a Impugnante, ela própria, é detentora de Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador, isso porque, como já demonstrado as importações se davam na modalidade direta. Ademais, para a importação direta não se apresentam quaisquer dispositivos, ou atos normativos, que determinem que aos adquirentes da mercadoria importada no mercado interno seja necessário o Registro Especial na modalidade de importador para operacionalizar com papel imune. Com isso, não merece prosperar a questão atinente ao desvio de finalidade do papel importado, imputado à Impugnante, em virtude de ter agido em conformidade com as determinações legais, bem como não ter participado de qualquer operação fraudulenta como já demonstrado no tópico referente à "ocultação do encomendante". A Impugnante desde já questiona a incidência dos juros de mora sobre as multas de ofício, na medida em que a melhor interpretação à matéria direciona ao raciocínio no sentido de que a multa de ofício é sanção e não tributo, tal como definido no artigo 3º do CTN, desprezando, portanto, qualquer forma de atualização. Caso a autuação não seja anulada in totum, a despeito de todas as razões de fato e de Direito trazidas à análise, requer seja reconhecida a manifesta ilegitimidade passiva da Impugnante, na medida em que não existe fundamento legal para enquadrála na condição de devedora solidária das presentes exações. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Durante a fiscalização foi constatado que a empresa que figura nas declarações de importação (DI) como importadora, a FATOR DOIS, não detinha capacidade operacional para a realização do grande volume de importações das quais foi responsável durante os anos fiscalizados, ficando comprovado que já havia um comprador predeterminado para as mercadorias importadas, até então oculto da fiscalização, a empresa IDEIA. Nesse sentido, comprovou a fiscalização que as mercadorias importadas eram sempre destinadas diretamente do porto para o endereço do adquirente, uma vez que a FATOR DOIS não possuía local para armazenagem das mercadorias. Além disto, as mercadorias já eram embarcadas no exterior segregadas por clientes específicos, revelando, uma vez mais, que havia um comprador predeterminado para todas as importações da empresa. A despeito das argumentações trazidas pela defendente, há falta de verossimilhança que as operações realizadas pela FATOR DOIS tenham ocorrido da forma como relatadas na peça impugnatória, não havendo qualquer comprovação que dê lastro às alegações. Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.034 5 De acordo com as mensagens trocadas, o que se pode concluir é que a FATOR DOIS atuava como intermediária na transação de importação de papel, realizando a negociação com o exportador em qualidade e quantidades específicas para atender aos clientes brasileiros, que eram sempre os mesmos. Tais características revelam que o papel já estava negociado com os clientes nacionais antes da importação e que a operação realizada se dava por encomenda das empresas brasileiras. A fiscalização apresenta com clareza cristalina que a empresa FATOR DOIS não possui local para armazenamento de produtos, não tem empregados, não possui estrutura mínima para uma empresa que opera com valores tão elevados, não possuindo veículos, nem qualquer outra evidência que a caracterizasse como uma verdadeira empresa importadora. Ora, se a FATOR DOIS tinha como atividade a importação de papel com imunidade tributária, cuja venda seria feita a encomendante predeterminado, caracterizada estava a operação dita por encomenda, cujo regramento exige o cumprimento de uma série de medidas por parte de ambas as empresas, importadora e encomendante, a fim de fazer uma transação regular. A empresa encomendante, a Ideia Papéis e Serviços Gráficos Ltda, não possuía os requisitos necessários para figurar como encomendante de papel, que são os mesmos que são exigidos de uma empresa importadora, razão pela qual a fiscalização fez alusão ao Registro Especial de importador para a IDEIA. Além disto, a IDEIA teve sua inscrição estadual suspensa em 2012, e encontrase na situação INAPTA no CNPJ, em razão de não possuir localização conhecida, conforme dados cadastrais disponíveis. A interposição fraudulenta da FATOR DOIS, teve como objetivo principal a construção de uma rede de empresas que visava dissimular a venda do papel importado com benefício tributário, desviado de sua finalidade, utilizando empresas para a simulação de venda. Vêse, pois, que a fiscalização logrou êxito em comprovar o esquema levado a termo pela FATOR DOIS, com o uso de empresas laranjas para simular a venda do papel importado. Notase que a legislação teve a preocupação de segmentar a atuação de cada um dos agentes envolvidos na cadeia econômica que utiliza o papel importado, a fim de que cada um responda no limite da sua responsabilidade. Assim, os importadores devem possuir registro próprio e se comprometer a repassar o papel imune para as empresas que irão comercializar ou utilizar o papel dentro da sua finalidade, comprovado pela existência do registro especial destas destinatárias. Mas esta condição não é absoluta, uma vez que, comprovada a participação dos agentes atuantes em etapas anteriores, nas fraudes cometidas nas etapas posteriores, poderá restar configurada a sua responsabilidade. É que, no caso em apreço, restou comprovado que a FATOR DOIS atuou como interposta pessoa da empresa IDEIA, simulação esta já bem caracterizada no auto de infração e apreciada em linhas anteriores deste voto. Quanto à destinação do papel, após a importação, verificou se que as empresas compradoras eram na verdade empresas de fachada, que usaram o Registro Especial obtido para ocultar o verdadeiro uso do papel imune. Sobre a falsidade de algumas faturas comerciais, a defendente não foi capaz de apresentar uma justificativa para tamanhas divergências observadas nas assinaturas de uma mesma pessoa, que deveriam possuir, no mínimo, algum tipo de semelhança entre si. Notase claramente que as assinaturas contidas nas faturas comerciais de fls. 839, 853, 859, 865 e 871, supostamente pertencentes à Sra. Elisabeth Rasmussen, representante da empresa Elof Hansson Trade AB, possuem divergências severas que levaram a fiscalização a considerálas inidôneas. A bem da verdade, não há como confrontar a assinatura de uma pessoa estrangeira com um padrão previamente estabelecido, uma vez que não há um documento anexado aos autos que possa servir a este propósito. Mas ainda que assim fosse, o padrão só poderia, por um exercício lógico elementar, ser correspondente a uma das assinaturas existentes, uma vez que todas possuem divergências entre si. No entanto, a questão da falsidade material das faturas comerciais não foi fator relevante para a aplicação da multa correspondente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias, mas apenas para a representação fiscal para fins penais, conforme consta do Termo de Constatação (fls. 66). Fl. 2036DF CARF MF 6 Mais de uma pessoa concorreu para a realização do mesmo fato gerador e, assim, todas poderão ocupar o polo passivo da relação tributária sem qualquer benefício de ordem, mormente em caso de conluio, conforme preceitua o art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. No caso, os envolvidos nas operações de importação tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária em causa, o que obriga ao lançamento em nome destes, e para que, futuramente, na fase de execução, permitase a sua responsabilização como codevedores. Ademais, conforme prevê o art. 124, inciso II, do CTN, tais intervenientes são expressamente designados em lei, como solidariamente obrigados, nos termos do art. 95, incisos I e VI, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Lei nº 11.281/2006. No caso, os envolvidos nas operações de importação tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária em causa, o que obriga ao lançamento em nome destes, e para que, futuramente, na fase de execução, permitase a sua responsabilização como codevedores. Ademais, conforme prevê o art. 124, inciso II, do CTN, tais intervenientes são expressamente designados em lei, como solidariamente obrigados, nos termos do art. 95, incisos I e VI, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Lei nº 11.281/2006. Mesmo que o importador e o adquirente não contabilizem corretamente a operação por encomenda efetivamente realizada, nem cumpram todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação que trata desse assunto, ainda assim, o real adquirente das mercadorias será o responsável solidário pelas obrigações fiscais geradas pela importação efetivada, por força da presunção legal expressa no art. 27 da Lei nº 10.637/2002. A empresa IDEIA foi cientificada por Edital de Intimação afixado na repartição em 18/06/2015. A empresa FATOR DOIS foi intimada por via postal em 25/06/2015, tendo apresentado recurso voluntário em 24/07/2015, mediante o qual repisa as alegações de primeira instância e acrescenta outras, sob os seguintes tópicos: III. DAS RAZÕES PRELIMINARES A. Da inexistência de Sujeição Passiva Solidária entre a Recorrente e a Empresa Ideia Papeis IV. DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO A. Da tentativa fática de se concluir pela ocultação do encomendante no comércio exterior e do mérito pontual B. Da análise pormenorizada da Ocultação do Encomendante Comprovada ou Presumida C. Da tentativa fática de se concluir pela Falsidade ideológica e dos documentos instrutivos das declarações de importação e do mérito pontual D. Da tentativa de se concluir pelo desvio de finalidade do papel imune e do mérito pontual E. Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício É o relatório. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.035 7 Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora DAS RAZÕES PRELIMINARES A. "Da inexistência de Sujeição Passiva Solidária entre a Recorrente e a Empresa Ideia Papeis Requer a recorrente a sua exclusão do polo passivo da autuação, em razão de não ter sido demonstrada a existência de importação por conta e ordem de terceiros, sendo forçoso concluir que a AuditoraFiscal, por entender ter ocorrido ocultação de encomendante em operações de comércio exterior, teria cometido erro de fato, bem como pelo fato de ter aplicado ao caso legal a tipificação legal disposta no art. 95, I e V do Decretolei nº 37/66, cometeu erro de direito. Conforme consta no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa FATOR DOIS foi responsabilizada, nos seguintes termos: Embora a fiscalização tenha se referido aos incisos I e V do art. 95 do Decretolei nº 37/66, abaixo transcrito, ao invés dos incisos I e VI desse artigo, para a responsabilização pela infração, não remanesce dúvida quanto ao fato de que a ocultação que se imputou foi a do encomendante predeterminado e não a do adquirente na importação por conta e ordem, como restou consignado no Auto de Infração, no Termo de Constatação e no próprio Termo de Responsabilização Solidária. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 2038DF CARF MF 8 VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Conforme se deduz também da leitura da impugnação e do recurso voluntário da FATOR DOIS, ela bem compreendeu os fatos e fundamentos acerca da infração que lhe fora imputada. Ademais, a FATOR DOIS deve suportar a penalidade da infração, juntamente com a outra empresa arrolada, não com base no inciso V do art. 95 do Decretolei nº 37/66, eis que não é encomendante, mas com fundamento no inciso I desse dispositivo, pois foi o agente direto da infração, que efetivamente praticou a ação de "ocultar" o nome do encomendante na importação. No que concerne aos tributos, a recorrente (FATOR DOIS) é a própria contribuinte, que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui os fatos geradores do II, IPI, PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, nos termos do art. 121, I do CTN, na condição de importadora, que promove a entrada do produto no território nacional. Dessa forma, a recorrente deve ser mantida no polo passivo da autuação. DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO A. "Da tentativa fática de se concluir pela ocultação do encomendante no comércio exterior e do mérito pontual"/ B. "Da análise pormenorizada da Ocultação do Encomendante Comprovada ou Presumida" Conforme se verifica na autuação, a fiscalização apurou, no contexto geral das importações da FATOR DOIS em determinado período, um quadro indiciário convergente no sentido de que ela realizava importações terceirizadas, nas modalidades por conta e ordem ou por encomenda, sem a identificação dos reais adquirentes/encomendantes, com base nos seguintes elementos: i) As mercadorias importadas eram desembarcadas no Porto de destino para os compradores no mercado interno separadas previamente por cliente, nos contêineres em que vieram do exterior, além disso as notas fiscais de venda eram emitidas na mesma data ou em datas muito próximas das notas fiscais de entrada. A própria FATOR DOIS, embora tenha negado a realização de importações a encomendantes predeterminados, reconheceu que entregava as mercadorias aos clientes na saída do Porto de Santos e que não fazia estocagem de mercadorias. ii) A entrega dos papéis importados aos compradores no mercado interno diretamente do Porto de desembaraço aduaneiro é comprovada por informações das próprias notas fiscais de suporte ao transporte das mercadorias aos locais designados pelo comprador, dos conhecimentos de transporte rodoviário de carga (CTRC) do Porto até a desova dos contêineires ou notas fiscais de serviços desses últimos transportes, e reconhecida pelo próprio importador, conforme mostrado no Demonstrativo de Movimentação de Papel Importado (DMPI Doc. 9). Em muitas importações, além da FATOR DOIS não ter emitido nota fiscal de remessa da mercadoria para o terceiro, também não fez qualquer menção dessa entrega a terceiro na nota fiscal de transporte da importação, nem na própria nota fiscal de venda. iii) Em nenhuma dessas DI's foi informado o CNPJ dos encomendantes das mercadorias (Doc. 1.3/1.4), os quais também não estavam habilitados para realizar operações de comércio exterior no Siscomex e/ou não possuem Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador . Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.036 9 iv) Algumas informações constantes nas DIPJ's do período de 2008 a 2012 demonstram a tentativa da FATOR DOIS de ocultar sua atuação no comércio exterior e sua situação de estabelecimento equiparado a industrial. Na DIPJ de 2009, a empresa informou que não teria realizado operação de comércio exterior e que não se sujeitou à apuração de IPI nos períodos. Também a situação de inexistência de empregados em 2009, 2010 e 2012 e de estoque de 2009 a 2011 indicam a realização de importações terceirizadas, e não diretas, como declarava a FATOR DOIS em suas importações. Ademais, no quadro de Apuração do IPI na DIPJ do anocalendário 2011 foi informado valor superior a R$ 5,78 milhões de compras de mercadorias no exterior para industrialização e mais de 4,71 milhões de outras entradas de mercadorias, nenhuma compra de mercadoria do exterior para comercialização, mais de R$ 7,79 milhões de operações de saídas sem débito de IPI e apenas R$ 282 mil com débito do imposto. v) Além disso, a FATOR DOIS informava em todas as DI's que as mercadorias se destinavam a consumo, quando, na verdade, destinavamse a revenda. vi) Intimada a prestar informações sobre a negociação das vendas dos papéis importados no mercado interno, a FATOR DOIS declarou que as negociações foram verbais, não dispondo de qualquer documento, o que não é muito razoável em operações de tal monta. vii) Constatou a fiscalização ainda um reduzido percentual de resultado bruto declarado pela FATOR DOIS, em torno de 20%, nas vendas de papéis no mercado interno, em relação ao custo das mercadorias, tomando como base as receitas de venda ou revenda de mercadorias no mercado interno e os custos de mercadorias vendidas informados nas DIPJ. Por exemplo, no 1º semestre/2010, a FATOR declarou a obtenção de 18,9% de lucro bruto na venda/revenda de mercadorias, sendo que as despesas operacionais do período consumiram mais de 13% dessas receitas. viii) A quase totalidade dessas importações foram do denominado papel imune, de forma que a ocultação do encomendante visava dificultar a fiscalização desse benefício fiscal. Assim sendo, a ocultação de beneficiário e interveniente na operação, no caso encomendante da mercadoria importada, tem como resultado direto a inserção de mais um elo na cadeia, com o fito de dificultar a fiscalização desses benefícios fiscais, seja para driblar exigências legais específicas das operações com papel imune e/ou das operações de importação "por encomenda", ou até mesmo para dificultar a identificação de adquirentes desse papel imune no mercado interno. Com efeito, 9 desses compradores predeterminados, de mais de 90% do total importado (Quadros 1 e 3), não possuíam Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de importador. Com relação especificamente às importações ora autuadas, que mais interessa ao presente julgamento, e à empresa IDEIA PAPEIS, apurou a fiscalização, em síntese, que: (...) Em oito das setenta operações de importações registradas pela FATOR DOIS no período de outubro/2009 a dezembro/2012 constatamos a ocultação da IDEIA PAPEIS E SERVIÇOS GRAFICO como encomendante predeterminada de parte das mercadorias, o que configurou a não comprovação destinação constitucional desse papel imune importado, além da instrução de duas Dl com faturas comercias falsas, conforme assinalado no Demonstrativo de Infrações (Doc. 11). (...) Em sessenta e nove importações de papel registradas no período fiscalizado pela FATOR DOIS evidenciamos a ocultação de encomendantes predeterminados, ou seja, de beneficiários e intervenientes nessas operações de comércio exterior. Sendo que em oito dessas importações, parte das mercadorias foram encomendadas pela IDEIA PAPÉIS (Doc. 9). A FATOR DOIS Fl. 2040DF CARF MF 10 atuou como intermediária nessas operações de terceiras empresas, dentre elas a IDEIA PAPEIS, destinatárias finais predeterminadasdos produtos, sem jamais ter informado esse fato à aduana brasileira. (...) (...) esses papéis importados foram formalmente vendidos para apenas dezessete empresas, sendo que 4,49% do total foi vendido para a IDEIA PAPÉIS (...) (...) (...) A IDEIA PAPÉIS não dispõe de registro especial para operar com papel imune na modalidade de importadora e nem mesmo é habilitada no Siscomex para realizar operações de comércio exterior (Doc. 8.5). (...) Destacamos em relação ao preço de venda dos papéis importados no mercado interno, que em algumas vendas, papéis idênticos oriundos de uma mesma importação, são vendidos no mesmo dia pelo mesmo preço ou até inferior para empresas que pagam com prazo maior e/ou em menor volume, ou são vendidos com diferença de preços de mais de 40%. (...) É o caso da nota fiscal n° 317, na qual o papel do código 00017 importado mediante a DI n° 11/17459677 0 foi vendido para a IDEIA pelo valor unitário de R$ 2.200,00/tonelada com prazo de 15 dias, enquanto para a segunda maior compradora, foi vendido a R$ 2.230,00/tonelada em 05 parcelas, no prazo de 90 dias, e para a maior compradora foi vendido por R$ 2.280,00/tonelada, em 02 parcelas no prazo de 40 dias. (...) Por meio das DI assinaladas no quadro abaixo, A FATOR DOIS importou 1,27 mil toneladas de papel, sendo que 221,73 foram vendidas por encomenda à IDEIA PAPÉIS no período de agosto/2011 a fevereiro/2012. Essas vendas por encomenda predeterminada, como já fartamente explicitado neste Relatório, comprovase pelo fato das mercadorias importadas terem saído direto do Porto de Santos para entrega à IDEIA no(s) próprio(s) contêiner(es) em que vier(am) acondicionada(s) do exterior. Tendo sido omitido nessas DI que as mercadorias importadas já tinham sido previamente vendidas e a respectiva identificação dos encomendantes. (...) Para as vendas predeterminadas desses papéis para a IDEIA, a FATOR DOIS emitiu as notas fiscais n° 297 a 299, 316, 317, 329, 343,356, 368, 387 e 436 nas quais mencionam que as mercadorias saíram do Porto de desembaraço aduaneiro e assinalam o(s) contêiner(es) acondicionador(es) da(s) carga(s) correspondente(s) desde que saíram do exterior (Docs. 1.3 e 1.4 e 1.8). Por exemplo, as notas fiscais n° 297 a 299 referentes à venda de 61,05 toneladas provenientes da DI n° 11/15165234 discriminam no campo Observações que as mercadorias saíram do Porto de Santos acondicionadas nos contêineres TCLU2649933, TTNU1590722 e TTNU1930144, respectivamente. O conteúdo discriminado desses contêineres no Packing List (romaneio de cargas) instrutivo da DI corresponde as mercadorias discriminadas nessas notas fiscais de venda (Docs. 1.4.4 e 8.1). Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.037 11 Cabe aqui ressaltar que a IDEIA PAPEIS tem domicílio em LondrinaPR. Portanto, embora esses contêineres possam ter sido desovados antes da chegada em seu domicílio, as mercadorias já estavam vendidas, e sendo transportadas com base nessas notas fiscais de venda (Doc. 8.5). A IDÉIA PAPÉIS não é detentora de Registro Especial para operar com papel imune na modalidade de Importadora e nem mesmo possui habilitação no Siscomex para realizar operações de comércio exterior, tendo ainda tido sua inscrição estadual cancelada desde junho/2012 (Doc. 8.5). A importação por encomenda está definida no art. 11 da Lei nº 11.281/20061 e no art. 1° da Instrução Normativa SRF nº 634/20062, de onde se extrai as principais características dessa modalidade de operação: a) Há um encomendante que manifesta previamente ao importador o interesse em adquirir determinada mercadoria estrangeira. b) O importador adquire de fato as mercadorias junto ao exportador, devendo cumprir todas as obrigações contábeis e cambiais decorrentes de uma compra internacional. c) As mercadorias devem ser adquiridas com recursos próprios do importador, o qual, portanto, deve ter capacidade econômica para tal. Não se admite, ainda que parcialmente, a utilização de recursos do encomendante para se efetivar a compra das mercadorias no exterior (parágrafo único do art. 1° da Instrução Normativa SRF nº 634/2006). d) O importador é responsável pela nacionalização das mercadorias, as quais, posteriormente, serão revendidas ao encomendante predeterminado. e) Não há necessidade de efetiva participação do encomendante na negociação internacional para a compra das mercadorias (art. 11, §3° da Lei nº 11.281/2006, incluído pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007). Cotejando o conceito da importação a encomendante predeterminado acima, com os elementos levantados pela fiscalização no presente processo, não se vislumbra uma 1 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 2 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Fl. 2042DF CARF MF 12 prova concreta, ou a convergência de indícios nesse sentido, de que as operações ora autuadas foram efetuadas por encomenda prévia da IDEIA PAPEIS. Não há nos autos comprovação de que, para as importações ora autuadas, a IDEIA PAPEIS tenha manifestado à FATOR DOIS, previamente às importações, o interesse em adquirir as referidas mercadorias. Mesmo havendo um quadro indiciário no sentido de que a importadora FATOR DOIS realizaria importações terceirizadas sem informar ao Fisco essa circunstância, não se pode daí deduzir que as importações ora autuadas foram realizadas da mesma forma, com a ocultação da IDEIA PAPEIS. O fato das mercadorias importadas terem saído direto do Porto de Santos para entrega à IDEIA PAPEIS nos próprios contêineres em que vieram acondicionadas do exterior é apenas um indício fraco de predeterminação dos beneficiários das importações, podendo haver inúmeros outros motivos. Também o fato de a importadora não estocar as mercadorias e, posteriormente à importação, vendêlas à IDEIA PAPEIS, por si só, não é suficiente para a caracterização desta última como encomendante predeterminado. Por outro lado, a distância do estabelecimento da IDEIA PAPEIS (Londrina PR) do Porto de Santos, poderia indicar, contrariamente ao constatado pela fiscalização, que as mercadorias importadas não se destinariam de fato à empresa IDEIA PAPEIS, especialmente em se tratando de papel imune, que requer a fiscalização de sua destinação para a fruição do benefício. No entanto, como a fiscalização não conduziu a investigação nesse sentido, não cabe aqui, em sede de julgamento, fazêlo. Nesse ponto, cabe salientar ao Colegiado que, embora envolvendo também a importação de papel imune, os fatos relatados no presente processo foram abordados pela fiscalização de forma diversa daquela utilizada no processo nº 10314.727088/201434 para fatos semelhantes, objeto do Acórdão nº 3402003.011– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário por unanimidade por este Colegiado. No presente caso, a multa equivalente ao perdimento da mercadoria foi efetuada com base no art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76 (art. 689, XXII e §1º do Regulamento Aduaneiro 2009), enquanto que neste outro processo foi com base no 689, XI e §1° do Decreto n° 6.759/09 (mercadoria "estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso"). Assim, não obstante os indícios de irregularidades apontados pela fiscalização, entendo que as provas levantadas não são suficientes para a conclusão de que a empresa IDEIA PAPEIS seria a verdadeira encomendante das mercadorias importadas, cuja identificação teria sido ocultada nas declarações de importação. Em observância ao princípio da tipicidade, corolário dos princípios da Administração Pública da legalidade e da segurança jurídica (art. 2° da Lei n° 9.784/99), a conduta apontada como proibida deve ter precisa correspondência na norma legal. A tipicidade constituise em garantia do Estado de Direito, que permite ao cidadão antever as condutas proibidas e as respectivas sanções, para que diligencie no sentido de não cometêlas, como bem esclareceu Rafael Munhoz de Mello3: Assim, não será o particular surpreendido com a imposição de sanção administrativa pela adoção de um comportamento que não sabia fosse proibido, e tampouco pela imposição de uma 3 Mello, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador: as sanções administrativas à luz da Constituição Federal de 1988. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 134/145. Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.038 13 medida punitiva que desconhecia, escolhida arbitrariamente pela Administração Pública. A sanção administrativa assim aplicada não cumpriria sua finalidade preventiva, pois, como ensina Celso Antônio Bandeira de Mello, “o pressuposto inafastável das sanções implicadas nas infrações administrativas é o de que exista a possibilidade de os sujeitos saberem previamente qual a conduta que não devem adotar (...)”. É dizer, “cumpre que tenham ciência perfeita de como evitar o risco da sanção (...)”. A aplicação de sanção administrativa somente é legítima quando a conduta do administrado corresponde perfeitamente ao dispositivo legal que define a infração. Assim, inexistindo nos autos a demonstração racional da adequação dos fatos ao disposto no art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, no que concerne à imputação de ocultação, mediante fraude ou simulação, da empresa IDEIA PAPEIS na condição de encomendante predeterminada das importações, deve ser afastada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. C. Da tentativa fática de se concluir pela Falsidade ideológica e dos documentos instrutivos das declarações de importação e do mérito pontual Acerca da falsidade da faturas comerciais que instruíram as DI´s nºs 11/20434485 e 11/21223852, sustentou a fiscalização que: [Termo de Constatação nº 05] (...) Ocorre que constatamos que as invoices n° SI008804, SI008966, SI010737, SI011320, SI011750, SI012047 e SI012430 apesar de todas subscritas pela mesma signatária, Sra. Elisabeth Rasmussen, trazem assinaturas visualmente distintas, apesar da tentativa de parecerem idênticas (Docs. 12). A distinção visual de assinaturas de mesmo signatário apostas nessas invoices configura a falsidade desses documentos. Destacamos ainda que apenas da invoice n° SI011766 instrutiva da DI n° 12/15820072 consta signatário diverso aos das invoices acima indicadas.As importações de papel instruídas com faturas falsas, que foram vendidas por encomenda predeterminada da IDEIA PAPÉIS são as indicadas na tabela abaixo. (...) V.3. Da Falsidade de Documentos Instrutivos de DI A falsidade de um documento pode ser material ou ideológica. Segundo o Prof. Julio Mirabete: "A falsidade material consiste na imitação da verdade através de contrafação (o falsificador cria, forma, imprime, cunha, manufatura, fabrica o documento) ou alteração (o agente modifica o documento, por acréscimo ou supressão). A falsidade ideológica consiste na diversidade entre o que devia ser escrito e o que realmente consta do documento. Fl. 2044DF CARF MF 14 O documento formalmente é verdadeiro, mas é falso o seu conteúdo" (MIRABETE, Julio Fabrini, op. cit., SãoPaulo: Atlas, 2001, p. 246). A fatura comercial/ Commercial Invoice e o conhecimento de transporte internacional são documentos obrigatórios na instrução da Dl, consoante o art. 553 do Decreto n° 6.759/2009, a fatura comercial e o conhecimento de transporte ou documento de efeito equivalente, dentre outros, são documentos obrigatórios na instrução da DI, pois são os documentos que trazem as informações referentes à transação comercial, necessários para a determinação da base de cálculo e das alíquotas dos impostos incidentes sobre a operação e da adoção das medidas de controle aduaneiro cabíveis. (...) Como qualquer outro documento, uma fatura comercial e um conhecimento de transporte referentes a uma venda e frete, respectivamente, tem que ser documentos únicos, exceto se forem vias absolutamente idênticas ou cópias fidedignas do original, para que possam vir a ter o reconhecimento de sua autenticidade. As evidências de falsidade de faturas comerciais instrutivas das Dl n° 11/20434485 e 11/21223852, pormenorizadas nos item IV.3, configuram a infração de dano ao erário definida no §§1° e 3o do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637 de 30/12/2002, que exige a aplicação da penalidade de perda mercadoria. Entretanto em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, em razão de terem sido consumidas, nos termos dos §§1° e 3o do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637 de 30/12/2002, aplicase a multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. (...) [Auto de Infração] (...) Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.039 15 Conforme se vê nos trechos acima do Termo de Constatação e do Auto de Infração, ao contrário do que se esperava, a falsidade imputada às faturas comerciais não foi objeto da apuração da infração veiculada pelo inciso VI do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, abaixo transcrito, mas pelo seu inciso XXII: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) §3o Na hipótese prevista no §1o, após a instauração do processo administrativo para aplicação da multa, será extinto o processo administrativo para apuração da infração capitulada como dano ao Erário (Lei nº 10.833, de 2003, art. 73, caput e §1º). No entanto, a fiscalização não demonstrou racionalmente de que forma a falsidade imputada às faturas comerciais acarretaria a ocultação, mediante fraude ou simulação, de algum dos sujeitos referidos no inciso XXII do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, devendo essa parte do lançamento ser considerada improcedente. Com efeito, restam prejudicados os argumentos da recorrente nessa parte, tendo em vista que não cabe a este CARF analisar isoladamente o eventual cometimento do crime de falsidade material ou ideológica, desvinculado de alguma exigência tributária ou de análise de pedido da contribuinte no âmbito de sua competência. Nesse sentido bem ressalvou o julgador de primeira instância que: (...) A despeito disto, o papel da fiscalização, diante da evidência do cometimento de uma infração de tal gravidade, é o de relatar o fato às autoridades competentes para apuração e, se for o caso, aplicação da penalidade cabível, uma vez que, diante da vinculação legal a que todo agente público está sujeito, não poderia se furtar de fazêlo. Deste modo, a questão da falsidade material das faturas comerciais não foi fator relevante para a aplicação da multa correspondente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias, mas apenas para a representação fiscal para fins penais, conforme consta do Termo de Constatação (fls. 66), deslocando Fl. 2046DF CARF MF 16 a apuração de possível crime ao Ministério Público Federal, que é quem detém a competência legal para promover a denúncia criminal, não cabendo maiores considerações por parte desta DRJ/FOR. (...) D. "Da tentativa de se concluir pelo desvio de finalidade do papel imune e do mérito pontual" Como se observa na autuação, o desvio de finalidade do papel foi constatado pela fiscalização sob o pressuposto da ocultação da encomendante IDEIA PAPEIS, a qual não possuía Registro Especial para papel imune para a atividade de importação e nem habilitação para operar no comércio exterior. Nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos. Dessa forma, tendo em vista a não comprovação pela fiscalização de que a IDEIA PAPEIS seria a real encomendante das importações, conforme acima concluído, não pode também prosperar a tese decorrente de desvio de finalidade do papel imune ou beneficiado com redução de alíquotas do PIS/Cofins, devendo, então, ser exonerada a correspondente exigência tributária no auto de infração. E. "Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício" A análise deste tópico resta prejudicada pela exoneração integral do crédito tributário efetuada acima. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da empresa Fator Dois Comércio de Papéis Comunicação e Marketing Ltda para exonerar integralmente o crédito tributário, cabendo a ressalva de que a exigência também não remanesce em relação ao responsável tributário revel. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 11131.720760/201471 Acórdão n.º 3402004.152 S3C4T2 Fl. 2.040 17 Fl. 2048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000373/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RECEITAS, RECUPERAÇÃO DE ICMS.
As receitas relativas à recuperação de ICMS - Substituição Tributária pago a
maior estão sujeitas à incidência do
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO — SUCESSÃO — CARACTERIZAÇÃO
A interpretação sistemática do CTN, aliada ao principio de que a pena não
deve passar da pessoa de seu infrator, afastam a responsabilidade da
incorporadora pelas infrações anteriormente cometidas pela incorporada, se
não havia interdependência entre as citadas sociedades.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido em relação à exigência
matriz, tendo em vista a íntima relação de causa e efeitos existente entre elas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calend ár io: 2000
RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS, NÃO INCIDÊNCIA DE
PIS/PASEP.
Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a titulo de ICMS – Substituição Tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Segui idade Social - Cotins
Ano-calendário: 2000
RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE
COFINS, Não há incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins sobre os valores recuperados a titulo de ICMS Substituição
Tributária.
Numero da decisão: 1401-000.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de PIS e COFINS e para excluir as multas de oficio incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes De Mattos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RECEITAS, RECUPERAÇÃO DE ICMS. As receitas relativas à recuperação de ICMS - Substituição Tributária pago a maior estão sujeitas à incidência do Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO — SUCESSÃO — CARACTERIZAÇÃO A interpretação sistemática do CTN, aliada ao principio de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, afastam a responsabilidade da incorporadora pelas infrações anteriormente cometidas pela incorporada, se não havia interdependência entre as citadas sociedades. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido em relação à exigência matriz, tendo em vista a íntima relação de causa e efeitos existente entre elas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calend ár io: 2000 RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS, NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP. Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a titulo de ICMS – Substituição Tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Segui idade Social - Cotins Ano-calendário: 2000 RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS, Não há incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins sobre os valores recuperados a titulo de ICMS Substituição Tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10835.000373/2006-15
conteudo_id_s : 5746521
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.264
nome_arquivo_s : Decisao_10835000373200615.pdf
nome_relator_s : Fernando Luiz Gomes De Mattos
nome_arquivo_pdf_s : 10835000373200615_5746521.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de PIS e COFINS e para excluir as multas de oficio incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6874427
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213628055552
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T14:12:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T14:12:04Z; Last-Modified: 2010-10-07T14:12:04Z; dcterms:modified: 2010-10-07T14:12:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:850edc5b-9392-49e1-a9ca-f2ebcd254c78; Last-Save-Date: 2010-10-07T14:12:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T14:12:04Z; meta:save-date: 2010-10-07T14:12:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T14:12:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T14:12:04Z; created: 2010-10-07T14:12:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-10-07T14:12:04Z; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T14:12:04Z | Conteúdo => S1.-C4T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10835.000373/2006-15 Recurso n" 166.7.30 Voluntário Acórdão n" 1401-00.264 – 4" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria 1R.PI e outros Recorrente DINÂMICA OESTE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RECEITAS, RECUPERAÇÃO DE ICMS. As receitas relativas à recuperação de ICMS - Substituição Tributária pago a maior estão sujeitas à incidência do Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO — SUCESSÃO — CARACTERIZAÇÃO A interpretação sistemática do CTN, aliada ao principio de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, afastam a responsabilidade da incorporadora pelas infrações anteriormente cometidas pela incorporada, se não havia interdependência entre as citadas sociedades. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido em relação à exigência matriz, tendo em vista a íntima relação de causa e efeitos existente entre elas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-cal end ár io: 2000 RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS, NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP. Não há incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a titulo de ICMS – Substituição Tributária. -4Áv Assunto: Contribuição para o Financiamento da Segui idade Social - Cotins Ano-calendário: 2000 RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS, Não há incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins sobre os valores recuperados a titulo de ICMS Substituição Tributária, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de PIS e COHNS e para excluir as multas de oficio incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Viviane Vida! Wd", gn-er-----Presidente ,t14411114/1 ().,4 Fernando Luiz Gom s de Mattos - Relator EDITADO EM: 02/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Matos e Karem Jureidini Dias.. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao ano-calendário de 2001. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 180-182): Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos (fls. 135/136) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 131/132), relativamente ao ano-calendário de 2001, foram apuradas as seguintes irregularidades.' • Outras Receitas Operacionais, representada por recuperação de despesas, relacionadas com valores ressarcidos, incorretamente classificados no Exigível a Longo Prazo, como Provisão para Contingência Fiscal, gerando, redução indevida do lucro sujeito à tributação; 2 Processo n" 10835 00037.3/2006-15 S1-C4T1 Aeórcl5o n." 1401-00.264 Fl 2 • Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldo de Prejniz,os Insuficientes. O crédito tributário lançado totalizou R$ 1.098.994,.53 (um milhão, noventa e oito mil novecentas e noventa e quatro reais e cinqüenta e três), calculado até 24/02/2006, conforme demonstrativo consolidado de fl. 2, Notificada do lançamento, conforme assinatura nos respectivos autos de infração, em 23/03/2006, a interessada, por intermédio de seus representantes, Mulo Dias Cães e Marco Aurélio Vitória, ingte5S011, em 24/04/2006, com a impugnação de fls. 1.58/165, alegando, em suma. • A ação fiscal envolve exclusivamente operações praticadas em nome da empresa Dracena Motor Ltda, CNP., 47,410 019/0001- 13, incorporada pela peticionaria; • O ressarcimento de ICMS classificado como recuperação de despesas não representa ingresso de novas receitas, muito menos ganho patrimonial. Trata-se de mera devolução do que .fora indevidamente cobrado e já tributado numa primeira operação, não compondo a base de cálculo do imposto de renda pessoa .jurídica IRRI sob pena de tributar a contribuinte duas vezes,. • De igual maneira deve ser tratada a recuperação de custos pois que é valor despendido na atividade da empresa e que, no entanto, não integra a base de cálculo tributável; • A impugnante ingressou com mandado de segurança, objetivando a restituição de valores de ICMS em regime de substituição tributária pagos a maior. Foi concedida a segurança no sentido do reconhecimento do crédito de R$ 1,102.709,45, contabilizado no campo Passivo — Exigível a Longo Prazo, por ser essa a natureza da operação; • Não foi observado o Ato Declaratório Interpretativo - ADI n° 2.5, de .24 de dezembro de 2003, que traz orientação no sentido de que o montante restituído a titulo de tributo pago indevidamente somente passa a ser receita tributável (ocorrência do .fato gerador) no trânsito em julgado da sentença jüdicial; • Não tendo ocorrida o fato gerador do imposto não há o que se falar em crédito constituído, quanto mais multa e juros de mora. Desse modo, prescindem de exigibilidade os créditos exigidos no referido auto de infração; • Através do ADI n° 25, de 2003, a SRF reconheceu que valores recuperados pela pessoa .jurídica, anteriormente tratados como despesa, não configuram receita e, por essa razão, não solhem a incidência do IRPI e CSLL; • Não há incidência de PIS e Colhas, sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente, segundo o art. 2° da ADI n° 2.5, de 2003; • O dispositivo legal utilizado pelo agente fiscal co1710 fundamento para a exigência de PIS e Cofins, art. 3°, ,sç' 1" da Lei n° 9,718, de 1998, teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal — STF no julgamento do RE 357.950, onde ficou decidido que a base de cálculo para incidência dessas. contribuições é a constante na lei ordinária, qual seja, o trazido pela LC n° 70, de 1991• • A própria Lei n° 9..718, de 1998, em seu art 2', excluiu tais receitas da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cotins, seja quando trata especificamente do 1CMS no regime de substituição tributária, seja quando capitula a operação como recuperação de despesas; • São devidos os tributos e não as multas e demais consectá rios legais, segundo o art 132 do Código Tributário Nacional — CTN, • Os autos tratam da incorporação de uma pessoa . jurídica de direito privado por outra, devendo ser aplicado o disposto no art, 132 do CTN, que só se refere à responsabilidade do sucessor, no presente caso, relativamente aos tributos devidos, até a data do ato legal, não sendo possível dar à palavra tributos, como empregada no texto legal, interpretação extensiva a ponto de abranger multa punitiva aplicada à empresa objeto de incoiporação Como se percebe, a autuada não se insurgiu contra a glosa de prejuízos compensados indevidamente, Questionou apenas a tributação dos valores recebidos a título de recuperação de ICMS – Substituição Tributária, A 3" Turma da DRI Ribeirão Preto julgou procedentes os lançamentos, por meio do Acórdão n° 14-16,788, assim ementado (v. fls. 178-179): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 2001 BASE DE CÁLCULO RESSARCIMENTO DE VALORES DEDUZIDOS DA RECEITA BRUTA. Valores que originariamente .foram deduzidos da receita bruta para compor o lucro liquido, passam a integrar a base de cálculo do IRPJ quando ressarcidos, posto que alteram o Resultado do Exercício, TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 CONSECTÁRIOS DO LANÇAMENTO 4 Processo n" 10835 000373/2006-15 Admcklo n " 1401 -011.264 81-C4T1 El 3 O lançamento do tributo implica a exigência de multa de oficio e juros de 'nora, em consonância com a legislação que rege a matéria.. MULTA DE OFICIO - SUCESSÃO. A responsabilidade da sucessora é pelo crédito tributário, cuja definição é mais abrangente que a de tributo, pois inclui também a multa de oficio O art. 132 do CTN deve ser analisado concomitantemente com o art. 129 da mesma seção. INCONSTITUCIONALIDADE. Não tem o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstimcionalidade ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas.. CRÉDITO TRIBUTÁRIO, RESSARCIMENTO DE VALORES ANTERIORMENTE EXCLUÍDOS DA BASE DE CALCULO DO O ADI SRF n°25, de 2003, dispõe sobre a tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica, por força de sentença .judicial somente em ação de repetição de indébito, ou seja, de tributo pago indevidamente, não abrangendo ressarcimento de valores anteriormente deduzidos da base de cálculo do lucro liquido DECISÕES DO STF. ABRANGÊNCIA. As decisões advindas do STF não são dotadas de efeito vinculante para a Administração Pública, na medida em que foram pro latadas na via difusa do controle de constitucionalidadc. Nessa condição, os efeitos dos acórdãos afetam somente os litigantes dos respectivos recursos extraordinários. AS SUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL IDADE DA LEI 9,718/98 PELO STF CONTROLE DIFUSO. INEXISTÊNCIA DE VINCULA ÇÂO PELA ADMINISTRAÇÃO, Correto lançamento de PIS com base na Lei 9.718, de 1998, objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF na via incidental, eis que referido recurso extraordinário é desprovido de jeito erga munes, em face da inexistência de Resolução do Senado Federal visando a suspende,- a execução da indigitada lei Intimada desse Acórdão em 12112/2007 (fls. 199), a contribunte apresentou em 11/01/2008 o Recurso Voluntário de fls. 202-213, com os seguintes argumentos: a) Questionou a responsabilidade da Recorrente (incorporadora) por infrações cometidas pela incorporada; b) Questionou a incidência de IRPJ e CSLL sobre valores recebidos a título de ressarcimento de ICMS — Substituição Tributária, com fundamento nos ali& 243 e 179, II da Lei n° 6.404/76, art. 43 do CTN e arts, 146, III, "a" e 153, III da CF; c) Questionou as exigência do PIS e da COFINS, alegando que os valores recebidos a título de ressarcimento de ICMS — Substituição Tributária não integram o âturamento da Recorrente; voluntário. Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recurso É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator Os recursos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre valores recebidos a título de Recuperação de ICMS — Substituição Tributária As parcelas correspondentes ao ICMS - Substituição Tributária destacadas nas notas fiscais emitidas pela Volkswagen, foram contabilizadas, em sua totalidade, em conta redutora de vendas (ICMS s/ Vendas) deduzindo referido montante da receita bruta e por conseguinte, diminuindo o resultado do exercício, Ou seja, tais valores foram considerados despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por ocasião da recuperação de parte destes valores de ICMS Substituição Tributária, os referidos valores obviamente devem ser adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, para neutralizar os efeitos daquela redução anteriormente ocorrida, Neste sentido, é suficientemente clara a redação do art, I' do ADI 25/2003, Ari I' Os valores restituídos a titulo de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídica (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), se em períodos anteriores tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL Como se vê, é inegável a aplicação do ADI 25/2003 ao presente caso, no que tange à exigibilidade do IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos a título de recuperação de ICMS — Substituição Tributária. verbis: No entanto, o mesmo ADI 25/2003, em seu art. 2', dispõe o seguinte em relação ao PIS e à COFINS: Processo n" I 0835.000373/2006-15 Acórdão o" 1401-00.264 SI-C4T1 El 4 Art. 2', Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cqfins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a titulo de tributo pago indevidamente. Assim sendo, considero indevida, no presente caso, as exigências a título de PIS e COFINS, Responsabilidade da incorporadora por infrações cometidas pela incorporada A Recorrente questionou sua responsabilidade, na condição de incorporadora, por infrações fiscais cometidas pela incorporada. Discordo do entendimento da decisão recorrida, razão pela qual dou razão à recorrente no tocante à sua responsabilidade por infrações cometidas pela incorporada. A autuada, na condição de sucessora (incorporadora), é responsável tributária pelos tributos devidos pela incorporada, na forma do art. 1.32, capta do CTN, verbis: Art.. 13.2. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas .jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Este dispositivo, ao estabelecer a responsabilidade tributária da pessoa jurídica sucessora por dividas tributárias da empresa sucedida, nos casos de fusão, transformação, incorporação ou cisão, refere-se somente a tributos, a incluir além do valor principal somente os encargos moratórias (multa e juros de mora). Releva salientar, outrossim, que a interpretação sistemática normalmente levada a cabo para os defensores da inclusão das penalidades punitivas (e não meramente compensatórias) não pode ser construída cotejando-se simplesmente os arts, 129 e 132 do CTN, pois o primeiro apenas principia a seção correspondente à responsabilidade dos sucessores. Trata-se de dispositivo dotado de generalidade e de evidente obviedade, que somente ressalta que "as normas sobre sucessão por ele postas são aplicáveis a obrigações tributárias surgidas até a data do evento que implica a sucessão", de modo que os dispositivos que lhe seguem é que tratarão especificamente de cada uma das situações que envolvam a matéria atinente à sucessão. Assim, a regra geral é normalmente a não inclusão das penalidades punitivas nesses casos. Esta regra comporta apenas quatro exceções, a saber: a) lançamento da multa punitiva anterior à sucessão; b) lançamento decorrente de ação fiscal que já havia se iniciado antes do evento sucessório; c) situações em que se comprove que não houve mudança de controle acionário ou que a incorporada e a incorporadora mantinham algum tipo de relação de interdependência; d) situações em que esteja presente a fraude e o conluio, com o intuito de eximir a empresa sucedida das penalidades via transferência de suas responsabilidades para a sucessora. Os elementos constantes dos autos demonstram que a Recorrente incorporou a pessoa jurídica Dracena Motor Ltda em maio de 2001, portanto antes de iniciada a ação fiscal. A alteração de Contrato Social da empresa incorporada, lis, 105-115, comprova este fato. Também não consta dos autos quaisquer elementos que comprovem que a transferência das quotas se deu entre empresas do mesmo grupo econômico, ou que as empresas incorporadora e incorporada mantivessem alguma espécie de relação de interdependência. Não se verificando nenhuma daquelas ressalvas, é de se aplicar a regra geral, ou seja, a não exigência da penalidade punitiva no presente caso, em respeito ao principio da personalização da pena, aliado a uma interpretação sistemática do CTI\L Registro que nesse sentido caminha a jurisprudência predominante neste Conselho, conforme ementa abaixo transcrita: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO — SUCESSÃO — CARACTERIZAÇÃO — A interpretação sistemática do CTIV aliada ao conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, afasta a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incozporadas, desde que as sociedades, incorporadora e incmporadas, não tenham mantido algunza relação de interdependência entre elas. Mc. 103-23..509, sessão de 26 de junho de 2008, Relator Conselheiro Antônio Bezerra Neto, unânime em relação a esta matéria), Diante do exposto, dou provimento ao recurso nesse item, afastando a multa de oficio na sucessora (incorporadora), Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, para: a) excluir as exigências a título de PIS e COFINS; b) excluir as multas de oficio incidentes sobre as exigências de IRPI e CSLL. ,bu 01C1 ' Fernando Luiz Go es de Mattos Processo n" 10835 000373/2006-15 Acórdão n " 1401-00..264 Fl 5 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial if 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, LI33 ,SL.- ) „ anstela de Sousa Rodngues Secretana da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; []com Recurso Especial; ] com Embargos de Declaração.. 9 TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1401-00.264, (fls_ ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão Em / / ASSINATURA MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF Processo n° : 10835.00037312006-15 Interessado(a) : DINÂMICA OESTE VEÍCULOS LTDA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.730427/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.077
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.730427/2013-49
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729415
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.077
nome_arquivo_s : Decisao_11128730427201349.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128730427201349_5729415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6783326
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213633298432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.730427/201349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.077 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 04 27 /2 01 3- 49 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.991. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.730427/201349 Acórdão n.º 3302004.077 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724699/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
Numero da decisão: 2202-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.724699/2013-22
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736857
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.930
nome_arquivo_s : Decisao_10855724699201322.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 10855724699201322_5736857.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6825319
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213638541312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 99 1 98 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.724699/201322 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.930 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente JOSÉ CARLOS POSO MUNHOZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 46 99 /2 01 3- 22 Fl. 99DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 52/57), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2010, ano calendário de 2009, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagas no valor total de R$ 21.758,16, sendo R$ 14.358,16 por falta de comprovação e R$ 7.200,00, pagos à Carla Fernandes Poso, porque, intimado, o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas, mediante apresentação de cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrassem tais operações, coincidentes em datas e valores com a prestação dos serviços. A descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento também justifica a recusa dos recibos de Carla, por ser esta filha do declarante e de sua esposa, pelos valores serem expressivos e pelos serviços terem sido prestados aos próprios pais, com onerosidade para estes. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, onde o contribuinte insurgiuse quanto às exigências de comprovação dos pagamentos pois a exigência de extratos bancários para comprovação de renda ou comprovar a origem de supostos depósitos, não está pautada em lei, contrariando o princípio da legalidade elencado no inciso II do art. 5º da Constituição Federal. Alegou, também, que o simples fato de existir a relação de parentesco com a profissional não é motivo para a glosa das deduções, que o fisco deixou de analisar pelo aspecto do profissionalismo com que foram prestados os serviços, originando os recibos emitidos pela profissional autônoma que é. Forneceu dados da DIRPF da filha no intuito de comprovar que os recibos em questão foram oferecidos à tributação junto aos demais rendimentos desta. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 76/81, mantendo a glosa das despesas médicas, com base no art. 73 e § 1º do RIR/1999, haja vista que a fiscalização indicou motivos relevantes para exigir a comprovação do efetivo pagamento (deduções exageradas com relação aos rendimentos declarados) e o contribuinte, instado a comprovar o efetivo desembolso dos valores pagos, não apresentou qualquer documento neste sentido, sejam extratos bancários identificando saques em datas e valores coincidentes com os pagamentos, transferências bancárias ou cheques nominativos à profissional, se fosse o caso. Acrescenta, ainda, que o fato da profissional informar que os valores dos recibos emitidos foram incluídos nos rendimentos declarados ao fisco, não exime o contribuinte de comprovar por documentos hábeis, a origem dos recursos utilizados para os pagamentos. Finaliza afirmando ser muito pouco comum a hipótese de um pai pagar à filha para realização desse tipo de serviço, não havendo possibilidade de aceitar a dedução do valor em questão somente com base em recibos já rejeitados pela autoridade lançadora, sem que seja apresentada Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.724699/201322 Acórdão n.º 2202003.930 S2C2T2 Fl. 100 3 comprovação da efetiva prestação os serviços/realização dos tratamentos e da transferência dos recursos para a profissional. Cientificado dessa decisão por via postal em 27/04/2014 (A.R. de fls. 87), o interessado, inconformado, apresentou Recurso Voluntário em 22/05/2014 (fls. 89/90), reafirmando os argumentos trazidos na impugnação, sem apresentar qualquer documento. Requer, ao final, o cancelamento da notificação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos e declarações de despesas médicas desacompanhados da comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pelo declarante. O contribuinte em nenhum momento, na impugnação ou no recurso, informa de que forma realizou os pagamentos à fisioterapeuta, se por meio de cheques, transferências bancárias, em espécie ou outros meios. O fato dos recibos terem sido emitidos pela própria filha não os desabona, porém a fiscalização pode, a seu critério, exigir outras provas que demonstrem que os serviços foram efetivamente prestados e realmente pagos. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das características regradas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, salvo, quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do citado Decreto. Assim, nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Fl. 101DF CARF MF 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). No caso em apreço o declarante foi intimado a comprovar de que forma realizou os pagamentos dos recibos e nada prova. O ônus da prova é do contribuinte. É a legislação que estabelece que todas as deduções estão sujeitas a comprovação. Assim, pela falta de efetividade da comprovação da despesa, nos termos estabelecidos na Intimação Fiscal, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720160/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Tais medidas não podem servir como meios de produção de prova quando o contribuinte possui o dever e a capacidade de juntar aos autos toda documentação comprobatória de suas alegações.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO.
As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comprová-las para a aplicação da alíquota majorada.
Numero da decisão: 2201-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negar-lhes provimento.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Tais medidas não podem servir como meios de produção de prova quando o contribuinte possui o dever e a capacidade de juntar aos autos toda documentação comprobatória de suas alegações. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comprová-las para a aplicação da alíquota majorada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16004.720160/2014-82
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735044
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.618
nome_arquivo_s : Decisao_16004720160201482.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 16004720160201482_5735044.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negar-lhes provimento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6812045
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213646929920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 506 1 505 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720160/201482 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201003.618 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. FUNRURAL Recorrentes FRIGORIFICO JOSE BONIFACIO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Tais medidas não podem servir como meios de produção de prova quando o contribuinte possui o dever e a capacidade de juntar aos autos toda documentação comprobatória de suas alegações. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comproválas para a aplicação da alíquota majorada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 60 /2 01 4- 82 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 507 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negarlhes provimento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário de fls. 485/502, interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 453/463, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela RECORRENTE, apenas para afastar a qualificação da multa aplicada, mantendo o lançamento de Contribuições Previdenciárias de fls. 281/303 dos autos, lavrado em 13/06/2014, relativo aos anoscalendário 2012 e 2013 (fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2012 e 31/12/2013), com ciência da RECORRENTE em 17/06/2014 (fl. 281). As Contribuições Previdenciárias foram lançadas com fundamento nos arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, e são decorrentes da comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador e do segurado especial, cujas retenção e recolhimento estão a cargo da RECORRENTE, por se tratar da pessoa jurídica adquirente dessa produção, em decorrência da subrogação prevista em Lei. Assim, foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) Debcad 51.025.1676, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 508 3 virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL), no valor de R$ 3.906.523,06; e (ii) Debcad 51.025.1684, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do Debcad 51.025.1676, no valor de R$ 372.049,91. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor total de R$ 4.278.572,97, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Conforme o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 304/310), as contribuições lançadas “são decorrentes da comercialização de produto rural (compra de gado) adquirido de produtores rurais pessoas físicas”. Neste sentido, mediante análise das informações constantes em livros de registro de entradas da empresa RECORRENTE e informações do Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil (GIA), a fiscalização elaborou planilha contendo o valor de todas as notas fiscais de aquisição (fls. 311/378) e apurou, mensalmente, a base de cálculo das referidas contribuições. Ainda de acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, a autoridade lançadora decidiu aplicar a multa qualificada de 150%, cuja motivação foi “a forma sistemática e reiterada do procedimento adotado pelo contribuinte, que no período de 01/2012 a 12/2013 deixou de informar em GFIP a comercialização de produto rural adquirido de produtor rural pessoa física, com o único intuito, em tese, de sonegar, através de ato voluntário e consciente”. A fiscalização entendeu que tal postura da RECORRENTE enquadra se na situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64 (sonegação), o que impõe a qualificação da multa, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Consequentemente, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 16004.720162/201471, anexo aos presentes autos). DA DECISÃO DA DRJ A RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fls. 384/398. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 453/463, dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 DILAÇÃO PROBATÓRIA. NECESSIDADE. A produção de provas desenvolverseá de acordo com a necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora, a quem cabe indeferilas quando se mostrarem desnecessárias. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 509 4 São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO DECLARAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM GFIP. A mera ausência dos fatos geradores em GFIP não sustenta a qualificação da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente em parte o lançamento, apenas para desqualificar a multa de ofício aplicada. Em razão da desqualificação da multa, referida Decisão se sujeitou a Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 08/05/2015, conforme AR de fl. 483, apresentou o recurso voluntário de fls. 485/502 em 08/06/2015. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as razões de sua Impugnação. Neste sentido, adoto trecho do relatório da DRJ por bem resumir a defesa: Citando as súmulas CARF 14 e 25, afirma ser desarrazoada a aplicação da multa de ofício qualificada, inclusive porque não houve benefício econômico da autuada, vez que o contribuinte é o produtor rural pessoa física. Não há indício ou prova da conduta dolosa da autuada, ressaltando que o não recolhimento das contribuições lançadas decorre da crise no setor frigorífico, resultando na imposição à autuada de tal medida. O STF, no RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. Essas contribuições violam o princípio da isonomia, vez que tais pessoas deveriam contribuir apenas sobre a folha de pagamento de seus empregados, como fazem os demais empregadores. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 510 5 A Lei n° 10.256/2001 servese dos aspectos instituidores da regra matriz de incidência trazidos pela legislação anterior, de modo que seria necessário admitir a constitucionalidade superveniente destes dispositivos, o que não se permite no sistema jurídico vigente no Brasil. Contudo, ressalta e repete que, ainda que estivesse formalmente correta a instituição da contribuição sobre a produção rural, esta deveria limitarse apenas ao segurado especial, já que o produtor rural pessoa física empregador deve contribuir sobre a folha de pagamento. A regra matriz de incidência só se completa com as disposições contidas na Instrução Normativa SRP 03/2005. A contribuição em questão deveria ser instituída mediante lei complementar e guarda identidade com as contribuições para o PIS/COFINS. Cita e transcreve a doutrina e jurisprudência que entende favorável às suas considerações. Ao final: (a) dado o exíguo prazo para apresentação da defesa, protesta pela apresentação de documentos até o julgamento da impugnação; (b) requer a realização de diligências internas para a constatação da qualidade de empregadoras das pessoas físicas que venderam a produção rural à impugnante, caso estas se neguem a fornecer as informações diretamente; (c) requer a juntada de cópia do processo judicial 0011157 82.2008.4.03.6106; (d) indica o auditor contábil Valdir Campos Costa para apresentação de parecer técnicocontábil sobre as provas que venham a ser produzidas; (e) requer o acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal reclamado. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da juntada posterior de documento O RECORRENTE alega que houve o cerceamento de sua defesa, uma vez que foi negada a juntada de documentos até o julgamento da impugnação, bem como a realização de diligências, tudo com a finalidade de buscar a verdade material das informações relativas às pessoas físicas que lhes venderam a produção rural. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 511 6 No entanto, a despeito das alegações da RECORRENTE, não houve qualquer juntada de documento desde a apresentação de sua impugnação até o julgamento pela DRJ de origem. Tampouco houve a juntada de documentação até a presente data. Vejase que o contencioso fiscal foi instaurado em julho de 2015, há quase 02 anos. Tempo suficiente para o contribuinte produzir e apresentar qualquer prova que lhe socorresse. No entanto, nada foi apresentado. Nem sequer foi esclarecida a importância de eventual prova para o deslinde da questão. Ademais, os elementos presentes nos autos são suficientes para o deslinde do caso, não havendo a necessidade de produção de outras provas. Portanto, as diligências e juntadas posteriores de documentos não podem servir como meios de produção de prova quando o contribuinte possui o dever e a capacidade de juntar aos autos toda documentação comprobatória de suas alegações. Neste sentindo, indeferese o pleito da RECORRENTE. Das alegações acerca do lançamento da FUNRURAL Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física e do segurado especial, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. Em sua defesa, a RECORRENTE alega que, quando do julgamento do RE 363852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...)Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 512 7 rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2012 e 2013, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 513 8 DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Conforme bem observado pela DRJ de origem, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, uma vez que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, §8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, §8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, conforme apontado pela autoridade julgadora de primeira instância “na decisão em questão, (RE 363.852) o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, conseqüentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional”. Por fim, importante trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 514 9 deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Referida decisão está pendente de publicação. Não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e segurado especial, e da subrogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Do Recurso de Ofício. Multa de 150% A DRJ desqualificou a multa aplicada no percentual de 150% e que tal decisão é o objeto do Recurso de Ofício. Entendo que foi acertada a decisão da DRJ. Explico. Para a aplicação da multa qualificada, a autoridade lançadora entendeu que a forma sistemática e reiterada de não informar em GFIP a comercialização de produto rural adquirido de produtor pessoa física, demonstrou que o RECORRENTE tinha o intuito, em tese, de sonegar, a partir do ato voluntário e consciente de omitir as contribuições devidas da declaração mencionadas, postura que se amoldaria à situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, incidindo assim na conduta prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Referidos dispositivos possuem a seguinte redação: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 515 10 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Conforme acima exposto, a sonegação é uma ação ou omissão dolosa praticada pelo contribuinte, na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Sendo assim, a intenção do contribuinte é determinante para caracterização da sonegação, nos termos da legislação acima apontada. E tal intenção dolosa deve ser provada pelo Fisco. Para o lançamento da contribuição previdenciária sob análise, em que pese a afirmação de prática reiterada por parte do contribuinte, temse que a penalidade agravada só seria possível se demonstrado, pelo Fisco, o evidente intuito doloso para fins de tipificação do delito. Contudo, entendo que não houve a demonstração da pratica dolosa pelo sujeito passivo, como prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A simples constatação de que não foram informados em GFIP a comercialização dos produtos rurais adquiridos de pessoas físicas pelo RECORRENTE, sem a comprovação de que tais atos se conformaram em atos dolosos, para fins de configuração do delito, impossibilita a qualificação da multa. Portanto, ausentes os motivos previstos no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96 que determinam o lançamento tributário com multa qualificada, entendo pela manutenção da decisão da DRJ de origem, devendo ser negado provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16004.720160/201482 Acórdão n.º 2201003.618 S2C2T1 Fl. 516 11 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito, negarlhes provimento, a fim de manter o lançamento do crédito tributário e confirmar o afastamento da qualificadora da multa de ofício constante do lançamento. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.911197/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Ementa:
ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiram-se a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Ementa: ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiram-se a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10730.911197/2009-60
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724710
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.286
nome_arquivo_s : Decisao_10730911197200960.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10730911197200960_5724710.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6762552
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213651124224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 152 1 151 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.911197/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.286 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO INDÉBITO ESTIMATIVAS SÚMULA CARF 84 Recorrente AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Ementa: ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiramse a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 97 /2 00 9- 60 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10730.911197/200960 Acórdão n.º 1301002.286 S1C3T1 Fl. 153 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1232.820, da 4ª Turma da DRJ/RJ1, de 18 de agosto de 2010, que, naquela oportunidade, apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, julgáa improcedente, nos termos do relatório e voto do relator. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir reproduzido: Em 12/01/2007, a Interessada apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 11212.32725.120107.1.3.049600 (fls. 91/96), por meio do qual pretende compensar parte do débito de CSLLESTIMATIVA do mês de OUTUBRO/2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de R$ 310.075,11, decorrente do PAGAMENTO A MAIOR da ESTIMATIVA de CSLL do mês de AGOSTO/2006. O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, com fundamento no art. 10 da Instrução Nonnativa SRF n° 600, de 28/12/2005, tendo em vista “tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Juridica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do periodo de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período” cfr. DESPACHO DECISÓRIO (ELETRÔNICO) n” 848593640, de 07/10/2009 (fl. 86) Insatisfeita com o referido despacho decisório, do qual tomou ciência, por via postal, em 20/10/2009 (AR fl. 96), a Interessada apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 01/09), alegando, em síntese: QUE à época do recolhimento da estimativa mensal de agosto de 2006, estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar prejuizos mensais acumulados nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996 contra lucros apurados nos anoscalendário de 1998 em diante, sem as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, sob os efeitos de tal decisão, apurou e recolheu a estimativa de CSLL do mês de agosto de 2006, no valor de R$ 1.033.583,69; QUE em virtude da reforma da referida sentença, resolveu recalcular as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, levando em conta as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/ 1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, após o recálculo efetuado, o valor da estimativa de CSLL do mês de agosto de 2006 foi reduzido para R$ 723.508,58; QUE como já havia recolhido a importância de R$ 1.033.583,69, passou a ter um crédito frente à Fazenda, no valor de R$ 310.075,11; QUE o art. 74, § 3°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10730.911197/200960 Acórdão n.º 1301002.286 S1C3T1 Fl. 154 3 vedação referida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, não tem nenhum arnparo legal; QUE a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais. Ao analisar a manifestação apresentada, a 4ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão realizada em 18 de agosto de 2010 e, mediante o Acórdão nº 1232.820, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANOCALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANOCALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TITULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removído a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10730.911197/200960 Acórdão n.º 1301002.286 S1C3T1 Fl. 155 4 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto "pagamento a maior ou indevido" da estimativa de CSLL, referente ao mês de agosto/2006, no valor de R$ 310.075,11. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, observo que nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente apresentar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento seja caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência, vez que o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, o único fundamento das decisões que não homologaram as compensações declaradas nos autos foi a impossibilidade jurídica do pleito. Mas, em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, verificase possível o aproveitamento de indébitos e estimativas em pedidos de restituição ou declarações de compensação. Assim, como a autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na impossibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência de crédito, superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10730.911197/200960 Acórdão n.º 1301002.286 S1C3T1 Fl. 156 5 Embora em situações anteriores estava convencido de que a conversão em diligência seria a decisão mais acertada para fins de resolver esta lide, nas ricas e sempre oportunas discussões do Colegiado, alterei minha decisão para, se for o caso, reconhecer parte do pedido, evitandose como isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, para, aplicando a Súmula CARF nº 84, reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918612/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que a Delegacia de origem constate se o crédito utilizado na PER/DCOMP em tela já foi utilizado em PER/DCOMP anterior
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.918612/2011-63
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5723040
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-000.303
nome_arquivo_s : Decisao_10680918612201163.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680918612201163_5723040.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que a Delegacia de origem constate se o crédito utilizado na PER/DCOMP em tela já foi utilizado em PER/DCOMP anterior Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6757927
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213660561408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 339 1 338 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.918612/201163 Recurso nº Embargos Resolução nº 3301000.303 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de abril de 2017 Assunto COFINS Embargante CEMIG GERAÇÃO E TRANMISSÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que a Delegacia de origem constate se o crédito utilizado na PER/DCOMP em tela já foi utilizado em PER/DCOMP anterior Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada (fls 259/264): Contra a contribuinte precitada foi emitido o Despacho Decisório à fl. 39, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada por meio de PER/Dcomp. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 18 61 2/ 20 11 -6 3 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Resolução nº 3301000.303 S3C3T1 Fl. 340 2 A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de Cofins, código de receita 5856. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de débitos de Cofins, código de receita 2172, relativos aos meses de maio a julho de 2006. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20/09/2010, fl. 62, em 20/10/2010 a interessada apresenta a manifestação de inconformidade às fls. 2 a 13, acompanhada dos documentos às fls. 14 a 61, alegando, em síntese, que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Ao longo de seu recurso, transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. O Recurso Voluntário foi provido pelo Acórdão nº 3301002.275 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, conforme a seguinte ementa (fl. 259): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 15/02/2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Foi juntado Relatório Fiscal (fls 271/272), nos seguintes termos: Como se vê no Sief/Processo (processo de crédito 10680.918612/2011 63) , e conforme Despacho Decisório relativo a essa DComp, o crédito já foi todo utilizado na compensação (com a incidência da multa), que não pode ser desfeita/refeita. Portanto, antes de mais nada, devese verificar se o crédito é suficiente para compensar os débitos (sem a incidência da multa), e assim homologar totalmente a DComp nessa condição. No quadro abaixo vêse que não é suficiente, restando saldo devedor : Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Resolução nº 3301000.303 S3C3T1 Fl. 341 3 No Sief/Processo não é possível informar isso, visto que o que se deve informar lá é que o contribuinte conseguiu no Carf “reduzir” o seu débito (retirada da multa de mora), e não mais crédito, pois foi isso que efetivamente ocorreu. Por causa dessa limitação, deixarei de informar lá que houve essa “redução” de débito, e simplesmente encerrarei o processo de crédito. Quanto ao processo de débito (10680.920145/201131), cujos saldos devedores são aqueles resultantes da compensação com a incidência da multa de mora (que assim permanecem dada a limitação descrita acima), tampouco há o que se fazer senão suspendêlo por representação naquele sistema, encerrandoo também. O saldo devedor cadastrei no processo de cobrança 10680.722198/201431 , aberto exclusivamente para isso. Em seguida, a contribuinte foi intimada a pagar o saldo devedor no valor de R$ 208.334,81 (fl. 273). Foram interpostos Embargos de Declaração pela contribuinte (fls. 275/283), no qual alegou que teria se caracterizado ausência de análise do crédito objeto da compensação, nos seguintes termos: Diante da desconsideração da documentação acostada aos autos, verificase que o v. acórdão foi omisso quanto à origem e suficiência do crédito tributário em observância ao princípio da verdade material. As provas juntadas demonstram a existência de direito ao crédito referente a recolhimento a maior de Cofins, no valor de R$ 5. 480.290,46, diante da constatação pela Embargante de que houve a inclusão de receitas tributadas pelo regime de não cumulatividade de algumas receitas que estariam sujeitas ao regime cumulativo. A origem do crédito pode ser verificada com base nos documentos constantes do presente processo, ainda mais com a comprovada não utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432, uma vez que esta não serviu para extinção de crédito tributário. Não é razoável admitir que um crédito passível de compensação seja desconsiderado pela ausência de procedimento de DCOMP, mera formalidade administrativa. A não utilização do crédito foi demonstrada pelas DCT´s juntadas nos autos deste processo administrativo. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10680.918612/201163 Resolução nº 3301000.303 S3C3T1 Fl. 342 4 Então a contribuinte pugna pela prevalência da verdade material, junta copiosa jurisprudência e defende que "está clara a suficiência do crédito tributário para fazer frente ao débito que se pretende compensar, pelo que deve ser suprimida a omissão de que está eivado o v. acórdão, homologandose integralmente a compensação realizada". Por fim, assevera que "o v. acórdão está eivado também de vício de inexatidão material, pois a mencionada 'Dcomp no. 31269.23052.281105.1.3.043303' nem ao menos guarda correlação com o presente processo". É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. Os Embargos de Declaração Voluntário (fls. 275/283), interpostos pela contribuinte são tempestivos e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos. A Embargante alega ser titular de crédito no valor de R$ 5.480.290,46, e que a origem do crédito pode ser verificada com base nos documentos acostados ao presente processo, especialmente na comprovada não utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432, uma vez que esta não serviu para extinção de crédito tributário. Este ponto especialmente não foi objeto do Acórdão embargado. Nesse contexto, julgo relevante para a decisão verificar se o crédito alegado pela Embargante tem respaldo e também se a PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432 efetivamente não teria sido utilizada. Dessarte, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora possa elaborar relatório para esclarecer os pontos indicados Embargos de Declaração, especificamente no que concerne à existência do crédito da embargante e à utilização da PER/DCOMP no 19924.56315.281105.1.3.042432 Deve, em seguida, ser ofertada ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública, oportunidade para que possam contra arrazoar, se entenderem necessário, acerca do relatório produzido. Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901124/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.429
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10940.901124/2012-90
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741723
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.429
nome_arquivo_s : Decisao_10940901124201290.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10940901124201290_5741723.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6855081
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213677338624
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-13T19:20:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-13T19:20:54Z; Last-Modified: 2017-07-13T19:20:54Z; dcterms:modified: 2017-07-13T19:20:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-07-13T19:20:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-13T19:20:54Z; meta:save-date: 2017-07-13T19:20:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-13T19:20:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-13T19:20:54Z; created: 2017-07-13T19:20:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-07-13T19:20:54Z; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-13T19:20:54Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901124/201290 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.429 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 24 /2 01 2- 90 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.242. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10940.901124/201290 Acórdão n.º 3302004.429 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001203/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE
MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento
DCTF. PAGAMENTO ENCONTRADO. COMPENSAÇÃO COMPROVADA.
Comprovada com documentação hábil e idônea a alegada compensação dos débitos exigidos com direito creditório do sujeito passivo, é de se cancelar o lançamento correspondente.
Numero da decisão: 1401-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, aplicando-se o resultado de diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Jose Roberto Adelino da Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento DCTF. PAGAMENTO ENCONTRADO. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. Comprovada com documentação hábil e idônea a alegada compensação dos débitos exigidos com direito creditório do sujeito passivo, é de se cancelar o lançamento correspondente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.001203/2002-77
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5733547
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.893
nome_arquivo_s : Decisao_10865001203200277.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 10865001203200277_5733547.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, aplicando-se o resultado de diligência. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Jose Roberto Adelino da Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6805728
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213680484352
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-05-31T07:12:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-05-31T07:12:05Z; Last-Modified: 2017-05-31T07:12:05Z; dcterms:modified: 2017-05-31T07:12:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:acfaa984-f4e4-4243-971b-b33fb5ac2a21; Last-Save-Date: 2017-05-31T07:12:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-05-31T07:12:05Z; meta:save-date: 2017-05-31T07:12:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-05-31T07:12:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-05-31T07:12:05Z; created: 2017-05-31T07:12:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-05-31T07:12:05Z; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-05-31T07:12:05Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 347 1 346 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001203/200277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.893 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FABRICA DE MOVEIS CASIMIRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento DCTF. PAGAMENTO ENCONTRADO. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. Comprovada com documentação hábil e idônea a alegada compensação dos débitos exigidos com direito creditório do sujeito passivo, é de se cancelar o lançamento correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, aplicandose o resultado de diligência. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 03 /2 00 2- 77 Fl. 348DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Jose Roberto Adelino da Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.001203/200277 Acórdão n.º 1401001.893 S1C4T1 Fl. 348 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 1443.253 5ª Turma da DRJ/RPO que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento, pois entendeu não comprovada com documentação contábil e idônea a alegada compensação dos débitos exigidos com eventual direito creditório do sujeito passivo. De acordo com os fatos e enquadramento legal, verificase que por procedimento de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, foram constadas irregularidades em diversos pagamentos não encontrados referentes ao período de apuração de 1997, que deram origem as autuações representadas nos processos abaixo a saber: Em todas as autuações exigiuse o valor do débito não pago acrescido dos juros de mora incidentes sobre os débitos, calculados até a data da lavratura do AI, e da multa isolada de 75% sobre o valor não recolhido. Apreciada a impugnação, fl. 02, na qual o interessado alega extinção do crédito exigido, vez que os débitos teriam sido compensados com saldo negativo de períodos anteriores, que poderiam ser identificados na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do período 01/01/96 a 31/12/96, o lançamento foi mantido por insuficiência de provas da alegada extinção. Em sede recursal, aduz que objetivava a compensação dos mencionados valores com o saldo negativo oriundo dos recolhimentos de estimativa fiscal do ano calendário 1995, exercício 1996, período em que teve prejuízo fiscal, ocorre que ao invés de formular o pedido de compensação do saldo negativo, por meio de procedimento próprio, a fim de se chegar a composição deste importe, a Recorrente informou diretamente nas DCTFs entregues no ano de 1997, a compensação com os DARFs recolhidos a título de estimativa no ano calendário 1995, no formato de pagamento indevido ou a maior. Para demonstrar a existência de prejuízo fiscal, acumulando saldo negativo de R$ 21.332,07 do IRPJ e R$ 16.495,62 da CSLL, segundo ela suficientes para as compensações reclamadas, apresentou cópia da DIPJ do ano calendário 1995, exercício 1996; cópia dos DARFs de estimativa fiscal recolhidos no ano calendário 1995; cópia do Livro Diário do ano de 1995, com a demonstração do resultado; cópia da DCTF do 2o. trimestre de Fl. 350DF CARF MF 4 1997; cópia do Livro Diário de 1997, com informe do valor a recuperar de 1995; planilhas demonstrativas das compensações realizadas com o saldo negativo do IRPJ e CSLL. Pela Resolução nº 1401000.406, os autos foram baixados em diligência, para que autoridade fiscal promova a aferição da real composição do saldo negativo do ano de 1995, mediante a análise dos efetivos recolhimentos das estimativas e contabilização do prejuízo fiscal, sem prejuízo da constatação de existência de outro formato de utilização do aludido crédito, com base nos documentos anexados aos autos na fase recursal, de maneira a indicar o valor do saldo de prejuízo fiscal constante nos citados documentos, bem como se eram suficientes a compensar os créditos objeto das autuações representadas pelos lançamentos indicados nos processos 10865.001713/200163, 10865.000652/200206, 10865.000661/200299, 10865.001203/200277, 10865.001204/200211, procedentes da mesma origem procedimental, deixando a faculdade para que a autoridade fiscal preste demais esclarecimentos que julgar necessários ao bom deslinde da demanda. Em resposta à diligência, sobreveio a informação fiscal de fls. 337/340, sobre a qual a Recorrente foi instada a se manifestar (fl. 341) e quedouse inerte. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Atendendo à solicitação da diligência, a autoridade fiscal conferiu as informações constantes deste processo, informações das DIPJ e DCTF dos anos calendários 1995 e 1996 (fls. 268 a 326), pagamentos em DARF realizados no período e informações complementares prestadas pela contribuinte (fls. 168 a 267). Assim, com base nas DIPJ e DCTF dos anos calendários 1995 e 1996, apurou que, de acordo com informações da DIPJ do ano calendário 1996 (fls. 289 a 323) e informações da contabilidade, os débitos de IRPJ e CSLL apurados com base na receita bruta nos meses de abril/1996 a dezembro/1996, foram compensados com os créditos de saldos negativos dos respectivos tributos do ano anterior (1995). Do resultado da diligência, importante transcrever o seguinte trecho conclusivo: Com base nas informações relatadas, concluímos pelas confirmações dos créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados no ano de 1995, pelos valores respectivos de R$ 20.190,49 e R$ 15.582,34. Concluímos, também, que estes créditos foram suficientes para as extinções de débitos apurados no ano calendário 1996 e eram suficientes para as extinções dos débitos lançados nos autos de infração tratados nos processos nº 10865.001713/200163, 10865.000652/2002 06, 10865.000661/200299, 10865.001203/200277 e 10865.001204/200211. As fls. 333 a 336 estão localizados os demonstrativos de compensações dos débitos lançados nos autos tratados nos processos nº 10865.001713/200163, Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.001203/200277 Acórdão n.º 1401001.893 S1C4T1 Fl. 349 5 10865.000652/200206, 10865.000661/200299, 10865.001203/200277 e 10865.001204/200211 com os créditos de saldos negativos remanescentes, que demonstram estes seriam suficientes para as extinções daqueles débitos. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento aplicandose o resultado da diligência. É como voto (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000219/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.969
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12585.000219/2011-25
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722982
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.969
nome_arquivo_s : Decisao_12585000219201125.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 12585000219201125_5722982.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6757244
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213682581504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000219/201125 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.969 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente SONNERVIG AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 19 /2 01 1- 25 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12585.000219/201125 Acórdão n.º 3302003.969 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.227. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12585.000219/201125 Acórdão n.º 3302003.969 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12585.000219/201125 Acórdão n.º 3302003.969 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000219/201125 Acórdão n.º 3302003.969 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000219/201125 Acórdão n.º 3302003.969 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
